Última atualização: 14/08/2020

Capítulo Único

Acordei com o celular despertando. Debloqueei a tela e a primeira coisa que vi foram as notificações do whatsapp me lembrando de como meus amigos poderiam ser insistentes e que as redes sociais eram uma merda.
[13/8 00:31] : Hey. Ta aí?
[13/8 00:37] :???
[13/8 00:37] : ???
[13/8 00:37] : ?
[13/8 00:42] : me avisou que estão indo pra casa. Dorme bem, amo você.
[13/8 00:44] : Precisamos conversar :(

As mensagens de e me lembraram do que havia me feito fugir na última noite.
Me olhei no espelho pela primeira vez no dia. Não parecia tão mal para uma pessoa que mais tinha rolado pela cama do que devidamente dormido.
Acenei positivamente pra namorada do meu irmão que invadiu o quarto para ver se eu já tinha me levantado. Quando fui ao banheiro, reparei que usava a corrente que havia me dado de presente de natal.
Tirei-a de meu pescoço pela primeira vez após vários meses. Estava chateada com o amigo que vinha se tornando, e tê-lo ali, minimamente junto ao meu coração era quase um gatilho.
Do andar de baixo pude ouvir , e minha mãe conversarem. Meu irmão estava ansioso para entrar na faculdade. Ele e , sua namorada, comentavam todos os dias das facilidades que seria estudar na mesma cidade em que vivíamos. Eu ficava feliz de não ter que ver meu irmão se mudar pra longe, mas minha parte mais egoísta entrava em choque quando eu parava pra pensar que meu último ano seria basicamente sozinha no high school.
, era popular desde a infância. Todos o definiam como engraçado, divertido e companheiro. Quando ele entrou para o ensino médio, passou também a ser um dos atletas da escola, assim como nossa mãe foi e eu vim a ser um tempo depois.
O fato de ser bonito, praticar esportes e ser extremamente carismático fez com que se tornasse um grande objeto de desejo feminino. Por uma época, eu morria de ciúmes e tinha vontade de matar cada garota que se aproximava de mim apenas pra chamar a atenção do meu irmão.
Quando ele começou a namorar , finalmente tive paz. Ela era bonita, inteligente e minha mãe costumava dizer que ela tinha o mesmo jeitinho do meu pai, o que ele discordava fortemente. era colega de sala do meu irmão desde a second grade mas eles não eram tão proximos antes do Ensino Médio. Eles foram se conhecer de verdade em uma festa que um dos alunos da turma deles organizou, acabaram ficando ali pela primeira vez e engatando num romance um mês depois. Hoje, já namoravam há mais de dois anos, então foi inevitável ela virar uma das minhas melhores amigas também.
, melhor amigo do meu irmão, era o que teria se tornado se não fosse em sua vida. Ele era, definitivamente, o cara mais popular da escola por ser o capitão do time de futebol, mas também por ter pais muito influentes. A mãe de havia sido uma grande modelo e seu pai tinha empresas no ramo da tecnologia. Ele morava no nosso condominio, dois andares abaixo do nosso apartamento. Estavamos sempre juntos. Acredito que o sonho dos nossos pais era que e eu namorassemos, pois talvez na cabeça dele apenas um era capaz de fazer o outro sossegar. Pra infelicidade de ambos, nós éramos muito bem resolvidos com nossa amizade. Eu o adorava e sabia que era reciproco.
E então tinha . Também sendo um ano mais velho, havia estudado a maior parte de sua vida com também. Era o cara que mais implicava comigo no mundo, e ao mesmo tempo em que parecia que íamos sempre nos engolir, ele também era o único que no final de cada discussão me fazia rir horrores. O único que me entendia como ninguem e me despertava os melhores sentimentos. Ultimamente viviamos em pé de guerra, mas ainda assim, ele era um cara que mexia comigo de forma diferente.
Além dos dois amigos que roubei do meu irmão, eu tinha que era a única que se formaria comigo no ano seguinte. e eu nos conhecíamos desde pequenas. E conforme fomos crescendo, acabamos distanciando nossos hobbies mas não nossa amizade. era sempre a garota mais inteligente da sala enquanto eu era a que se atrasava por demorar no banho após minhas aulas de vôlei. Ela me ajudava com as notas e eu a treinava nos esportes. Éramos complementares assim como , e eram para meu irmão também.
Mandei uma mensagem animada ao grupo que nós tínhamos com alguns outros amigos. Por lá, respondeu que já estava descendo pra nos encontrar e , que morava mais longe, avisou que já estava indo para o colégio. Mas foi só descer para tomar meu café da manhã, que percebi que o clima daquela semana não seria dos melhores.
- Bom dia. - Chamei a atenção de minha mãe e meu irmão mais velho. - O que houve?
- Sua avó se machucou, tá com a perna imobilizada. - Foi minha mãe quem respondeu. Me servi de um copo de suco e águardei que ela continuasse a contar o que tinha acontecido. - O que eu fiz pra ter mãe e filhas tão teimosas?
- Parece que ela ainda insiste em fazer tudo sozinha e dessa vez se acidentou. - prosseguiu. Eu, como curiosa, ia mesmo fazer essa pergunta.
- A situação é eu me ofereci pra dar uma assistência pra ela nos proximos dias. - Nossa mãe completou. Olhei pra e ele já parecia conformado com a noticia.
- O que? - Me permiti perguntar. - Por que a vovó não vem pra cá? e eu vamos ficar sozinhos?
- , você já é bem grandinha. - Ela revirou os olhos entediada. riu. - Sua avó não tem condições de entrar num avião no momento e vocês podem se virar por uns dias. Logo seu pai estará de volta.
- De volta pra continuar trabalhando. - Bufei indisposta. Já fazia um tempo que nossa família não ficava reunida de verdade. Quando meu pai não estava trabalhando em outra cidade, era minha mãe quem viajava por algum assunto de familia. Eu sabia que podia ser um pouco de pirraça da minha parte, mas depois de enfrentar a morte do meu avô materno, eu tinha esperança que nossa família se unisse a cada dia pra aproveitar os momentos.
- Quando você vai? - Ela me respondeu que estava com a passagem pra ir naquela mesma tarde. Suspirei desapontada tentando me acostumar com a idéia.
Quando e eu descemos para o estacionamento, já estava por lá. Tentei colocar meu melhor sorriso para que ele não implicasse comigo e começassemos logo cedo nossas provocações e respostas atravessadas. Ele e conversaram e acredito que ele havia resolvido respeitar meu espaço naquele momento.
se juntou a mim no banco de trás quando passamos por sua casa. Animada como sempre, não pode deixar de me contagiar também. Contei a ela que minha mãe viajaria pela noite e que ela deveria nos fazer companhia naquela noite. Inclusive, me animava ainda mais saber que nossas reuniões poderiam durar até tarde com todos nossos amigos em nossa casa.
Quando chegamos a escola, me despedi rapidinho. Os três teriam aulas juntos e eu ainda precisava encontrar antes de chegar ao laboratório de Estudos Sociais do outro lado da escola.
Não me surpreendi quando me parou no meio do caminho. Ele estava com olheiras profundas, graças ao seu péssimo hábito de dormir poucas horas por noite. Também parecia cansado e parecia que tinha acabado de vir correndo.
- . - Me chamou quando o olhei. - Escuta. Sobre ontem...
- Você não precisa me dizer nada. Acho que estou me acostumando com você só me tratando mal. - Confessei. suspirou e passou as mãos pelos cabelos. A situação é que, ontem, ele havia reunido os amigos em sua casa. Eu já estava prestes a ir embora quando sua irmã mais nova chegou. Diferente da relação entre eu e , e eram mais irmãos e menos amigos, se assim posso dizer. Aparentemente ela não gostava de ninguém do nosso grupo de amigos, mas comigo a coisa parecia mais séria.

- O que estão fazendo aqui? - perguntou olhando diretamente pra mim. Pude sentir se aproximar, ele sabia como eu ficava tensa nesses momentos.
- Estamos fofocando. - respondeu a olhando divertido. Me impressionava a maneira como parecia não enxergar nela a mesma pessoa que o resto do grupo. - Onde você estava?
- Quer parar de olhar assim pra mim, ? - Ela disse. Fechei meus olhos respirando fundo e tentando engolir a raiva que só ela conseguia me fazer sentir. - Vocês deviam deixar meu irmão em paz.
- Meu Deus, o que eu fiz? - Levantei as mãos em sinal de rendição. - Deixar seu irmão em paz porque? - me olhou. Sua mais famosa cara de súplica que eu tanto odiava.
- Você é insuportável, é isso. - ainda me olhava. - Essa casa é minha também, você sabe que eu não te suporto e insiste em estar sempre por aqui.
- Eu não queria nem ter vindo mesmo. - Saí as pressas. me seguiu ainda em dúvida, mas logo voltou pra conversar com enquanto me acompanhava até em casa.

- Olha, estou exausta de aturar sozinha os surtos da sua irmã, então se for preciso que você se afaste de mim, adeus. - Tentei seguir meu caminho. Não foi surpresa também usar seu corpo pra impedir minha passagem.
- Só me escuta, ok? - Me pediu novamente. Por mais que eu o adorasse, me doía ver uma pessoa em que eu confiasse tanto me tratando com descaso. Todo o mundo sabia como era implicante comigo, e me magoava ver como pra ele cada ofensa e cada briga não significavam nada. O corredor foi ficando cada vez mais movimentado e então ele percebeu que estava próximo do anúncio do primeiro sinal do dia. - A gente pode conversar depois da aula? - Ele aproximou sua mão do meu rosto fazendo com que eu o encarasse. Da mesma forma que me alegrava a forma como nossos olhares se conectavam, essa conexão também me assustava. me tinha onde quisesse quando me olhava assim, e quando eu me dava conta, fugia do sentimento.
- Não quero falar com você, . - Me afastei de vez. Quase corri até a sala de aula para que não me atrasasse. Quando ocupei uma carteira vazia, apareceu se sentando ao meu lado.
- Fiquei sabendo que brigou com ontem. - Ela me disse. A olhei com minha mais profuda expressão de tédio, não queria falar sobre isso. - , o que há entre vocês dois hein?
- Eu não sei, parece que a implicância da irmã ta afetando a cabeça dele também. - Comentei. Ela riu, mesmo que sem humor. - Poxa, quando eu acho que estamos bem, aparece aquela maluca e estraga tudo...
- Você ainda gosta dele? - me perguntou. Aquele deveria ser o momento que a professora aparecia na sala e anunciava o inicio da aula. Tudo o que eu menos queria era falar dos meus sentimentos por , ainda mais quando a cada dia mais eu me dava conta de que o que sentia que ele não retribuia esse carinho em nada. poderia me adorar, mas eu entendia que ele me via apenas como uma menina. A irmã do seu amigo. Ou agora, a inimiga de sua irmã.
- Gosto. - Confessei. Não havia porque mentir pra minha melhor amiga. - E isso que é o pior, sabe, só você sabe disso... - Eu sorri. - Pelo menos ele tem contribuído bastante pra afastar esse sentimento.
- Credo, .
- É verdade. - Ri mais uma vez. - Eu acho que me sinto assim porque em uma fase criamos um laço forte. Ele me apoiou muito quando meu avô morreu, e eu sei que o dei forças quando seus pais se separaram. - Ela sorriu pra mim também. - Talvez o que eu sinta seja gratidão. Mas ele estava ali quando eu precisei e agora acabou. As coisas tem um fim né?
- Você é muito pessimista. - Ela gesticulou com as mãos, como se afastasse o pensamento. - Ele gosta de você também.
- Muito romântico o jeito como ele demonstra. Mas é melhor assim. De toda forma, sua irmã nem deixaria que desse certo...- A professora chegou e finalmente pude tirar meu material da bolsa pra tentar me concentrar na aula.
entrou na sala sorridente. Sequer olhou pra minha direção e eu não esperava também que o fizesse. e eu não nos davamos bem desde a quinta série. Eu já nem lembrava o porquê da inimizade, mas conforme fomos crescendo, nossas diferenças também iam aumentando. Eu não era a melhor pessoa pra falar sobre, mas poderia claramente descrever como uma garota carente de atenção.
A professora nos entregou uma proposta de redação conjunta para realizarmos naquela aula. Para piorar o meu dia, quando resolveu sortear quem faria dupla com quem, provavelmente não previu a possibilidade de que a sorte poderia formar uma dupla peculiar.
Porque, claro, o destino brinca com as pessoas.
- Não vou fazer nada com ela. - Nem precisei dizer. Foi que começou a falar. - Não é possivel que de 20 alunos numa sala eu tenha que fazer um trabalho justo com a única pessoa que eu não suporto.- Ela disse à professora enquanto eu colocava meu material na mesa ao seu lado. Rolei os olhos e encarei divertida com Mariah, que seria sua dupla.
- É só uma aula, . - Provoquei. - Prometo que no fim do trabalho seremos grandes amigas.
- Eu não me interesso nem um pouco em ser sua amiga. - Ele ergueu ainda mais o tom de voz e então voltamos a ser o centro das atenções da sala. - Se tiveremos que fazer esse trabalho, você vai fazer sozinha!
- Obrigada por assumir que eu seria a única inteligente o suficiente pra trazer uma nota pra nossa dupla. - Pude ouvir alguns alunos rirem. - Se a gente não consegue manter um segundo de conversa sem você me ofender, infelizmente vou ter que aceitar sua sugestão. Essa dupla é impossivel!
- Esse é justamente o objetivo. - A professora disse enquanto eu a olhava suplicante. - Separei as duplas pois o projeto de vocês é montar uma apresentação sobre sua dupla. - A classe toda voltou a atenção a professora. - Se vocês escolhessem as duplas, recorreriam a quem ja tem mais amizade. O objetivo do exercicio é justamente expandir o circulo social de vocês, apresentando alguém que você não conheça.
- Sendo assim eu nunca nem conversei com Drew. - voltou a falar. Eu até considerava sua implicância divertida.
- Professora, acredito que eu realmente não esteja com minha dupla ideal. - Voltei a dizer e me olhou. - Você mesma disse que sua intenção é fazer com que nós nos apresentemos a alguém que não nos conhece... E eu conheço a . - Olhei para a própria antes de continuar. - Petulante, nojenta, mimada, sem opinião própria, ignorante... - Eu teria prosseguido a lista se a classe toda não tivesse sido tomada por risadas.
- Gostaria que vocês falassem do que fosse positivo. - A professora voltou a intervir. - E já que ambas concordam em ser uma exceção, vou fazer um favor a vocês. - Ela indicou a porta. - As duas, podem começar o trabalho já. Antes de todo mundo, e na diretoria.
- Eu não vou pra diretoria por uma discussão que ela começou. - Tratei de me defender. - Por mim eu faço esse trabalho sem nenhum problema, não é justo eu levar mais uma bronca por culpa dela.
- Até o final do semestre vocês são uma dupla, então no que sua dupla se envolver na minha aula, você também terá participação. - Levantei irritada. Quando juntei minhas coisas, diferente de , o caminho que fiz não foi a da sala da diretoria.
Quando passei pela sala do meu irmão pude sentir o olhar de me acompanhar até quando fosse possível. Ele também me conhecia o suficiente pra saber que tinha acontecido alguma coisa que me fizesse sair batendo os pés no chão daquele jeito.
Não encontrei dificuldade nenhuma em sair do colégio em direção ao estacionamento. A professora ja havia me dado falta mesmo, eu trataria de me resolver com a direção em um outro momento.
Sabia que e eu tínhamos uma relação de implicância. Da minha parte era quase uma piada. Eu sabia que ela tinha mudado muito com o divórcio dos seus pais, desde o momento que isso aconteceu, ela começou a ver nossa relação como uma válvula de escape para os problemas que tinha em casa. Seus pais brigavam, ela guardava sua raiva num potinho e despejava em mim na primeira oportunidade. Eu não a odiava nem nada do tipo e eram sempre brigas bobas. Nunca algo que me levasse a diretoria. Porém ultimamente isso vinha ficando pior, deveria ser minha décima vez indo a diretoria pelo mesmo motivo bobo e isso me irritava também. me orientava a tentar entender o que se passava pela cabeça dela, mas quando isso começou a me afetar também, nos declaramos inimigas. Não havia uma alma naquela escola que não soubesse que ali existia uma inimizade reciproca.
Me apoiei no carro de pra respirar um pouco em paz. Sabia que assim que voltasse ao colegio, a diretora já teria me procurado em todas as partes, então pelo menos que eu relaxasse antes que isso acontecesse.
Não reparei quando alguém se aproximou.
- ? - atraiu minha atenção. - Tudo bem? ficou preocupado com você. - Ele acendeu um cigarro ao meu lado. Era só o que me faltava.
- Eu esperava que ele viesse falar comigo. Ou . - Respondi seca, sem o encarar. Tudo o que eu não precisava era brigar com outro de mesmo sobrenome. - De verdade, . - Pedi. - Você não. Não estou com a minima paciência pra discutir com você.
- Eu não vim discutir, vim perguntar o que houve, garota dos infernos. - Quase ri com o apelido. Ele me encarou divertido e tomei o cigarro de sua mão. Não era um hábito meu fumar, mas queria que toda aquela paz que invadia irradiasse pra mim também. - Não foi pra te drogar que vim aqui também. - Ele tomou o cigarro da minha mão antes que eu colocasse sobre minha boca. - Eu provavelmente esteja encrencado por ter saído da escola atrás de você, então preciso voltar com no mínimo uma informação.
- Fui expulsa da sala. - Respondi sorrindo irônica pra ele. Ele se apoiou no carro, ao meu lado, pronto pra ouvir o resto da história. - Me envolvi numa discussão, a professora não gostou e me mandou pra diretoria.
- Acho que você fez o caminho errado. - Ele riu, toda fumaça de seu cigarro vindo em minha direção. - Quando você voltar, provavelmente vai levar uma advertência sem poder questionar.
- Eu prefiro levar uma suspensão do que ter que continuar trancada em qualquer inferno que seja o lugar que sua irmã também esteja. - O sorriso dele sumiu. Sabia que era seu ponto fraco, e ele a defenderia com unhas e dentes. Ele amassou o cigarro com o pé antes de continuar falando.
- Mas é claro que essa disussão só poderia ter sido com a . Vocês duas são impossiveis. - Ele se afastou e eu rolei os olhos. - Qual o seu problema com a minha irmã?
- Qual o problema da sua irmã comigo. - Rebati, ofendida. Assim como sempre tomava partido a meu favor, fazia o mesmo com sua irmã. O que era justificavel, exceto pelo fato de que eu na maior parte das vezes estava certa. - Pra sua enorme surpresa, mais uma vez, sua irmã começou toda a discussão.
- Quando ela não começa. - Ele me respondeu de forma irônica.
- Você precisa enxergar que o problema dela não sou eu, . - Confessei. - Ela precisa de ajuda, eu acabo sendo uma vitima de todo esse stress que ela carrega. Eu sei da tensão que vocês tem passado em casa, mas ela não pode me usar de saco de pancada toda vez que se sentir mal. - Ele desviou o olhar. era muito mais maduro ao lidar com a situação dos pais.
- Talvez se você se comportasse melhor a convivência de vocês se tornasse mais fácil. - Girei os olhos e me apressei em voltar ao colégio. Estava cansada de discutir com as mesmas pessoas pela mesma razão. Era melhor levar uma suspensão.
- Quer saber, fodam-se vocês dois. - Tentei tomar a maior distância possivel. - Você que precisa enxergar que sua irmã anda agindo como uma desequilibrada. Diminuindo as pessoas, tratando-as como se elas fossem inferiores, por problemas que só existem na cabeça dela. Enquanto você continuar apoiando as pirraças que ela faz, ela vai continuar com a mesma atitude mesquinha e sem aprender nada com a vida. - Ele me encarou em silêncio. Sabia que em partes ele até concordava comigo. - Só não deixe isso prejudicar as pessoas que estão ao seu redor e gostam de você, . - Pedi com toda sinceridade.
não me acompanhou e eu sabia que quem precisava de um tempo agora era ele. Fiz um outro caminho que me levasse a diretoria, e logo da porta pude ver emburrada.
Quando invadi a sala, seus olhos voltaram a arder em fogo. Deixei que a secretaria me anunciasse antes que a diretora me recebesse e pudesse me dar minha punição. Pelo menos eu estava menos nervosa.
- Você não teria perdido sua razão se tivesse vindo direto a minha sala. - A diretora começou a falar. - , você precisa respeitar as autoridades da escola. Se um professor te manda a diretoria, é pra lá que você vai.
- Estou cansada de mandar as pessoas ao inferno e elas não irem. - Tentei brincar. Ela não esboçou o mínimo sorriso.
Maureen, era uma grande mulher. Desenvolvia um trabalho impecável como diretora e era extremamente assertiva em suas decisões. Eu a admirava.
Receber uma bronca não seria nada comparado ao surto que minha mãe teria quando eu chegasse em casa, com a advertência que ela teria que assinar por eu ter saído do colégio sem permissão. Maureen havia considerado uma infração leve, mas mesmo assim minha mãe precisava ser comúnicada.
O tempo que ela nos deixou pensando não serviu pra nada. pegou um dos livros da estante e eu escrevi em palavras o que se passava pela minha cabeça.
Sempre ouvi que tinha talento pra composição, e adorava ganhar meu tempo dedilhando uma canção para meus textos.
A poesia que escrevi naquele dia era especial. Anotei com tantas outras que carregava comigo. Era um texto que falava de paz, tudo que eu mais almejava.
Eu sabia que com tantos problemas no mundo, sofrer bullyng não era dos piores. Mas cada um sofre de uma maneira e sente de um jeito diferente. Eu sabia que o fato de me perseguir era a coisa mais simples que eu teria que lidar. Mas me machucava. Eu queria gostar dela, e de alguma forma, sentia a necessidade dela gostar de mim também.
Talvez por causa de . Pensei também nele. Talvez ele e eu não combinassemos como eu imaginava. Talvez o amigo que conheci anos atrás tenha se transformado e eu não cabia mais em sua vida. Eu também havia mudado muito nos ultimos tempos.
Era mais fácil pra ele me magoar e afastar do que eu decidir fazer isso por vontade própria.
Quando a diretora nos liberou para o intervalo, encontrei no refeitório. Não seria um dos dias em que eu iria atrás do meu irmão e ela se lembrou disso ao escolher uma das mesas mais distantes da que e pudessem ocupar.
- Oi. - apareceu, sentando ao meu lado depois de um tempo. e já não estavam mais por lá e deviam estar indo ao ginásio para a aula de educação física. - Mamãe acabou de embarcar. - Me lembrou. Passou a ler então em seu celular. - Qualquer coisa que venha a acontecer, vocês podem me ligar imediatamente. Minha confiança está com você, . A portaria já está ciente de que vocês não podem receber ninguém fora do habitual. Nada de festas, vocês precisam agir como adultos uma vez na vida. Cuide da sua irmã e de você. -
- Não podemos fazer nada nem no salão do condominio? - Pedi emburrada. Que minha mãe não confiava em mim não era novidade, mas ela nunca havia me proibido também.
- Proibidos. - Ele voltou a dizer. - Você tem ensaio agora?
- Tenho. - Levantei. veio nos acompanhando. - Sei que não é a melhor hora, mas eu... Eu levei uma advertência. - Disse de uma vez. riu.
- E não vai ser a primeira vez que alguém falsifica algo pra você. - Ela disse. - Vem cá, seus pais sabem que você é uma aluna rebelde?
- Sou uma aluna impaciente.- Corrigi.
- E você acha que ela herdou isso de quem, ? - disse pra minha amiga. - Meu pai era igualzinho. Nós até parecemos com eles. Uma versão mais jovem.
- Como assim? - Minha amiga perguntou curiosa.
- Meu pai era do time de futebol. Minha mãe era ginasta-capitã. - Comecei. Adorava compartilhar da história de amor que eu mais admirava. - Eles se conheceram na faculdade, um pouco mais velhos. Mas também tinham seu grupinho, seus amigos complicados.
- Suas drogas. - completou. Minha mãe não se orgulhava quando diziamos que eles haviam aproveitado a melhor época da geração marijuana.
- Azar dos nossos avós. - O olhei em cumplicidade.
- Como se vocês fossem grandes santos. - rolou os olhos. Nunca haviamos fumado nem nada do tipo, mas para , bebida era quase indispensavel em nossas reuniões. E eu acabava indo pelo mesmo caminho. Adolescentes bebendo, que novidade!
correu pra se trocar primeiro. Quando substituí meu uniforme pela roupa de ginastica, me senti bem. Ultimamente, minhas neuras com o "corpo ideal" vinham se transformando em aceitação. Eu ainda tinha mais estrias do que gostaria, mas sabia que com meu uniforme de cherleeader eu chamava muito mais a atenção e isso me fazia bem.
Não era nada tão curto, e tinhamos um short por baixo da saia. O que não me poupava de ouvir piadinhas dos meninos de time. Eu sabia que em maioria eram apenas pra provocar meu irmão, mas no meio das brincadeiras tinha algumas verdades. Como Steve que sempre encontrava a melhor cantada ou Mark que era meu fã numero um nas redes sociais.
- Nossos dias de treino tem ficado cada vez melhores. - Ouvi de quando sai do vestiário.
- Boa tarde pra você. - O cumprimentei. Pude sentir os olhares de e meu irmão me acompanhando durante todo o caminho, com intensidades completamente diferentes. - Que que é, hein? - Apoiei minha mão na cintura, fazendo charme.
- Sua saia. - Foi quem disse. Olhei meu corpo novamente. - Seu irmão vai dizer que parece cada dia mais curta, que não vê necessidade em usar algo assim, blá blá blá.
- É nesses momentos que eu agradeço por não ter uma irmã. - disse. ainda o olhava desconfiado. - Seu uniforme parece... apertado.
- Você acha que eu engordei? - Perguntei. Ele riu olhando finalmente pra .
- Eu não acho nada. - Ele se levantou me estendendo sua jaqueta. - Mas seu irmão está muito incomodado com tanta gente te olhando, vista isso. - Agradeci. Sempre que possivel eu roubava mesmo uma jaqueta do time que os meninos usavam. - Gostosa. - Ele sussurrou no meu ouvido me ajudando a vesti-la. Ri pra ele.
- Eu já vou ter que tirar. - Dei de ombros. - Se te incomoda tanto ver homens me olhando de saia, não posso nem te contar como eles ficam quando estou sem. - fingiu tampar os ouvidos. e gargalharam. Ouvi Mariah, a capitã das cherleeaders me chamar e corri em sua direção.
Provavelmente ela iria me ensinar mais alguns passos. Ela estava sendo uma grande amiga pra mim também. Os meninos estavam treinando como nunca para os jogos de final de ano, e eu estava treinando muito também, tentando acompanhar as líderes de torcida para ter uma chance de me apresentar. A professora havia me aceitado como uma cherleeader reserva, para o caso de alguma não conseguir se apresentar, pois eu tinha talento mas não havia conseguido ficar com uma das vagas da equipe principal exclusivamente por problemas emocionais. No começo do ano letivo, meu avô havia falecido, o que acabou levando um pouco da minha concentração e dedicação. Minha performance no teste havia sido um fracasso, mas a professora sabia do meu talento e me ofereceu uma chance de mostrar resultado. Eu havia até me apresentado em alguns eventos, mas essa seria uma das últimas chances que eu teria de participar de algo com meu irmão então vinha me empenhando com uma maior dedicação.
Passei por nesse meio tempo. Da mesma forma que ele fingiu não me ver, me fiz indiferente a sua presença.
As meninas se divertiam falando sobre ele e eu tentava ignorar. Ouvir que era bonito e que elas fariam tudo o que ele quisesse era demais pra mim naquele momento.
- Essa jaqueta é dele, ? - Mariah me perguntou.
- Do ? - Perguntei, sabendo que ele estava distante o suficiente para não me ouvir. Ele estava sem jaqueta e ela devia ter feito essa relação. - Não. Essa aqui é do . - Pude ver o mesmo indo em direção ao amigo e sorri pra ele.
- Ele parece gostar de você. - Olhei pra onde Mariah indicou e tanto quanto nos encararam de volta. Desviei o olhar quando se juntou a nós e os meninos começavam o aquecimento.
- Quem gosta de quem? - Ela perguntou. Mariah riu e desconversou.
Naquele dia dividimos o ensaio com a equipe de futebol. Eu adorava ver os meninos jogando. carregava a bola com leveza, e atuava no meio. O time mal se esforçava quando ele estava com a bola. jogava no ataque e formava uma dupla impecavel com . Toda torcida vibrava quando a bola alcançava e na maior parte das vezes, seus lances resultavam em gols. , meu irmão, não tinha muito trabalho com a equipe. Ele ficava no gol, e era sempre o goleiro mais premiado dos campeonatos que participava. Ver e treinando chutes a gol com ele era incrivel pela forma como os três se conheciam. conseguia advinhar cada canto que eles iam chutar assim como eles sabiam qual força faria meu irmão ter um pouco mais de trabalho. Eu sabia que parecia uma boba os observando.
Meu olhar cruzou com o de assim que ele fez um gol. Não pude deixar de sorrir e ele devolveu o sorriso meio tímido. fez o mesmo correndo em minha direção, parece que tinha acabado o treino pra eles.
- Como vão minhas cherleeaders favoritas? - Disse charmoso. Ele sentou no meio das minhas pernas na arquibancada e o abracei pelas costas carinhosamente. Ao meu lado, Mariah e faziam piadinhas.
- Não tenho culpa de ser a favorita do capitão. - Dei a lingua a elas. riu e passamos a observar tentando driblar meu irmão e marcar outro gol. Foram três grandes defesas em sequência.
- está melhor do que nunca. - Suspirei orgulhosa. - Não sei o que vai ser dessa equipe sem vocês no ano que vem.
- Tem alguns meninos muito bons. - indicou a galera do primeiro ano que treinava mais ao fundo. - Vocês também tem tudo pra serem o Top 3 do próximo ano.
- Não estou afim de competir com a . - Mariah brincou. - tem se superado nesse ano. Se não fosse tão rebelde, teria amolecido o coração da professora e estaria na equipe principal. - Sorri agradecida.
- Não é exatamente minha culpa. - Me defendi. - Vocês sabem quem tem feito minha caveira. - Meus olhos foram de até sua irmã, que agora o paparicava no campo. também fazia parte da equipe de ginastica e tinha talento. Tinha força, destreza e aprendia os passos com uma facilidade de causar inveja. Não que ela fosse ouvir isso de mim, mas eu me inspirava em sua dedicação e empenho.
- Duvido que ela saiba completar um backflip como o seu. - me desafiou. Minha falta de disciplina se compensava com minha habilidade em acrobacias aéreas.
Incentivada por meus amigos, resolvi realizar o movimento. Peguei impulso da arquibancada até o campo. Podia ouvir as pessoas ovacionando enquanto corria e lançava meu corpo em uma cambalhota aérea. Vacilei um pouco ao voltar ao chão, e me segurou para que eu não caísse. O agradeci e enrusbreci vendo grande parte dos alunos me aplaudindo pelo mini-show.
- Tem gente que realmente só faz as coisas pra chamar atenção. - Me virei em direção a , que fez o comentario infeliz. Acredito que sua intenção tenha sido dizer apenas a , mas meus ouvidos estavam atentos. Estava pronta pra seguir em direção a ela quando me puxou pela cintura, me fazendo ir pelo caminho contrário.
- Me deixa em paz, garota. - Ameacei. não me soltou nem por um segundo. - Acorda, eu não tô nem aí para o que você pensa de mim. Só tira meu nome da boca, um minutinho.
- , chega, sai daqui! - Ouvi me censurar quando pensei em dizer alguma coisa. O olhei novamente desapontada e as palavras sumiram. Não pude acreditar que ele ia defendê-la mesmo quando eu não havia feito exatamente nada.
- Não vale a pena, . - também pareceu não entender o porquê dele ter gritado dessa forma comigo. A verdade é que defender a irmã era totalmente compreensível, mas ultimamente ele parecia ter esquecido totalmente que também éramos amigos e ele me devia respeito.
parou de me segurar quando saí apressada do ginásio. Minha raiva de se tornava irrelevante frente a decepção que vinha me causando.
- Essa menina não cansa de mim não? - Eu já quase alcançava o vestiário. Entrei rapido o suficiente apenas pra pegar meus pertences e seguiu me acompanhando até o carro. - Todas as oportunidades que ela tem de me encher o saco ela nem pensa duas vezes. O que diabos essa menina enxerga em mim?
- Bom, ela te vê como uma ameça na equipe da ginastica. - Começou a enumerar em seus dedos. - Teve a vez que você invadiu o quarto dela bebada, lembra? - Ele riu e não sei como, mas continuei dando atenção a sua lista idiota. - Ela provavelmente tem um crush em mim e você roubou o irmão dela.
- Tomara que ela tenha um crush em você mesmo. - Suspirei irritada. - Faço questão de te abraçar, te beijar, a gente até transa se isso for fazer ela se sentir um pouquinho mal.
- Até agora só vantagens. - Ele riu e eu o empurrei com o ombro.
- E eu não roubei o dela. - Continuei. - Você vê, nenhum dos argumentos que você me deu são realmente bons. Não existe um argumento bom pra essa situação. São milhões de intriguinhas que só existem na cabeça dela e que só servem pra me afastar de um dos caras que eu mais gosto na minha vida.
- Sabe, de todas as vezes que pensei que você assumir ser afim do , nunca me passou pela cabeça que seria após uma briga com a irmã dele. - Dessa vez eu parei de andar. Quase alcançávamos o carro de , e eu podia ver que ele e nos esperavam por lá.
- É sério que no meio dessa crise você quer falar disso? - Suspirei entediada.
O caminho até nossa casa foi novamente silencioso. subiu pra seu apartamento, e ficaram pela sala e eu me tranquei no quarto o resto do dia.
Não respondi ao chamado de no final da tarde, e nem quando me chamou pra jantar.

Quando acordei no outro dia, tentei me convencer de que faltar não deveria ser uma opção. Mesmo que eu estivesse de saco cheio, nunca havia sido a ansiosa que fugia de seus problemas e não permitiria que isso começasse justo agora.
O telefone fixo começou a tocar assim que terminei de me servir de um copo de suco. e provavelmente ainda nem haviam acordado.
- Alô! - Atendi a chamada com pouca emoção.
- ? - Suspirei aliviada ao ouvir meu avô do outro lado da linha. Eu adorava conversar com minha família. - Tudo bem por aí? Tenho ligado a dias!
- Nossos pais foram viajar. - Resumi a história. - e eu passamos a maior parte do tempo no colegio. Mas e as coisas por aí, como estão? Como vai vovó?
- Então, ela está muito bem. - Ele parecia se divertir. - Sua avó e eu estamos indo para a França.
- Vocês o que? - Perguntei rindo. - França? Vocês tem passaporte pra França?
- É claro que temos, querida. - Ele riu. - Liguei só pra avisar. Caso queiram fazer algo, vocês tem a chave de casa. - Minha cabeça formulou uma ideia. Alguns dias na casa dos meus avós realmente me fariam bem pelo simples fato de estarmos próximos a praia.
- Sério, vô? - Tentei conter minha emoção. - Poderíamos passar o final de semana na sua casa? - Me animei ainda mais quando ele respondeu positivamente. - Prometo me comportar. Aproveitem a França.
Me despedi animada. Pensei na possibilidade de irmos sexta após a aula e voltarmos pela segunda de manhã. Acredito que não se importaria de perder o primeiro periodo de aulas, sabendo que ele amava a praia tanto quanto eu e que não havíamos faltado quase nenhuma vez durante todo o ano. ficaria animado também e tenho certeza que seus pais nem perceberiam se ele estivesse em nossa casa ou a 200km de distância. seria mais complicado, porém sabia que me ajudaria na desculpa perfeita para que ela pudesse ir também.
- Você acha mesmo que seu irmão vai apoiar essa sua ideia? - Contei a cochichando no carro e ele devolveu no mesmo tom. e conversavam entre si sem nos dar atenção e estavamos entrando no colegio.
- Claro que sim, ama praia, ama praia, ama praia ainda mais. - De longe pude observar rindo com . Parei de andar no mesmo momento um pouco chateada. Querendo ou não, a situação estava meio tensa apenas entre e eu, e nossos amigos seguiriam convivendo normalmente.
- Oi, casal. - Drew me assustou aparecendo ao nosso lado. Era amigo de também, e se juntou a nós animados em direção ao refeitorio. - Como vão?
- Tô bem Drew. - Me soltei dos braços de que estavam sobre meus ombros desde que saímos do carro. - Mas não somos um casal.
- Que história é essa de sermos um casal? - riu. - Ninguém nunca falou isso. Porque começar agora?
- Ao que parece vocês são o assunto do momento. - Drew prosseguiu. O olhei de lado sem entender. - Bom, depois da... Confusão de ontem, é o que andam dizendo por aí. As pessoas dizem que têm ciúmes de você com .
- E o que eu tenho a ver com isso? - bufou.
- Bom, você fica pra lá e pra cá com a , foi você que a acalmou da confusão, ela ainda por aí com sua jaqueta. - Apertei o casaco sobre meu corpo. - E parece que o ta sentido com isso também.
- Só parece. - Dei de ombros sem humor pra aquela conversa. - Vou indo. - Me despedi dos dois ainda rindo. Se a fofoca de que e eu estávamos namorando havia se espalhado, eu sabia que havia acabado com todos os "contatinhos" do meu amigo. Suas namoradinhas costumavam me odiar, assim como também nunca se davam bem com .
. Alcancei minha amiga na sala ainda com indiferença.
E pela primeira vez na semana. Tive um dia de aula normal.

No intervalo que as coisas voltaram a se complicar.
- De onde você tirou que somos um casal? - Perguntei a Mariah. Estava investigando a tal da fofoca mais a fundo.
- É o que seu irmão tem falado por aí. - Falou na mais pura inocência. Bufei irritada vendo na outra mesa.
- , vem cá. - me puxou antes que entrassemos no refeitorio. - me disse que os meninos estavam falando de você no vestiario. - Seu sorriso era tão culpado quanto. - Ele ficou com raiva, se aproveitou do boato que ja tava rolando... O que ele disse foi só pra que eles parassem. Você sabe que querendo ou não, sendo capitão eu acabo tendo autoridade e eles me respeitam. Seu irmão só não quis...
- E você concordou com isso. - Bufei. - Sério, , qual seu problema?
- Calma, , tá todo mundo te olhando.
- Ah é? Sorte a deles amor. - Aproveitei o momento de distração de e o beijei. Se ele e meu irmão estavam de acordo com essa história, eu não deveria ser a única vitima. Sabia que ia surtar ao ver que seu amigo havia correspondido ao beijo.
- O que você esta fazendo? - tentou não chamar a atenção. - !
- Beijando meu namorado ué, as pessoas fazem isso. - Roubei uma fruta da bandeija da minha cunhada. se sentou ao meu lado e voltou a cruzar os braços sobre minhas costas.
- Você me botou nisso. - Ele disse ao meu irmão. - Eu só estou aproveitando.
- Vocês dois são inacreditaveis. - Toda escola voltou a nos observar quando deixou a mesa. se aproximou no mesmo instante rindo divertida.
- Vocês dois... Eu... Caraca! - Se sentou.
- Isso é coisa do . - Expliquei a historia pra ela. - Antes que eu me esqueça. tenho uma proposta pra você.
- , você ainda nem falou com seu irmão. - ameaçou interromper.
- É sei que nossa comúnicação não anda a das melhores, mas se ele não for, dou um jeito de ir do mesmo jeito. - girou os olhos. - Vamos passar o final de semana na praia.

- . - Chamei meu irmão assim que chegamos em casa. Mesmo com tanto entusiasmo, ainda não tinha comentado com ele sobre a viagem que possivelmente já seria amanhã. - O que você acha de viajarmos?
- Nas férias? - Me perguntou cortando seus tomates. Hoje era ele quem estava preparando nosso jantar. - Podemos economizar e...
- Eu estava pensando em passarmos o final de semana na casa dos nossos avós. - O cortei. Ele parou de picar os tomates e me olhou. - Não é uma ideia ruim. Nós temos a chave, nossos avós deixaram, e além de tudo, não é longe.
- E você quer ir justamente quando nossos pais não estão em casa pra nos barrarem? - Ele riu. - Você ao menos se houve, ? Você pede pra se meter em encrenca.
- Eu sei que estamos tendo uma semana complicada, só queria descansar um pouco. - Bati o pé. Sabia que ele aceitaria, era questão de tempo e usar os argumentos certo.
- Quem você pensa em chamar?
- Bom, a principio, você, eu, , e . - Ele parou pra me olhar. - Qual é , é a quantidade certa de passageiros que cabem no seu carro.
- Mas também precisamos levar a bagagem. - Me lembrou. - Nós podemos até ir, mas sabe que em um carro só não dá.
- Você não vai chamar o . - Quase implorei. No momento, ele era a principal razão pela qual eu queria fugir da cidade.
- , ele tem um carro grande, tem nossa confiança. Afinal, vocês precisam se resolver, ele é meu amigo também e ver vocês em pé de guerra acaba comigo.
- E você acha que não acaba comigo? - Confessei. - E ele tem a sua confiança, . Sua! Eu não quero vê-lo nem pintado de ouro. - apareceu a tempo de rir do meu comentário.
- Não me mate, amor, mas eu concordo com seu irmão. - saiu bufando com o apelido usado pelo seu amigo. - Vocês precisam se resolver. Vocês dois são um pé no saco quando estão brigados.
- . Você acha que é verdade o que dizem? - Desconversei. - Sobre ser apaixonada por você?
- , está pensando em me usar apenas pra atingir sua inimiga? Isso é baixo até pra você.
- Talvez essa seja a desculpa que eu esteja usando pra poder te beijar de novo. - Confessei. me olhou divertido. - Você acha que o gosta de mim? - Disse depois de um tempo.
- Isso você pergunta na viagem. - Me respondeu. E foi ali que ele me convenceu.

Quando a sexta-feira chegou, me vesti com minha mais profunda expressão de tédio.
Quando as aulas acabaram, voltamos pra casa apenas pra pegarmos nossas coisas e finalmente darmos nossa fugida para a praia.
, e eu íamos num carro. No outro, , e . Continuei o evitando durante o caminho que fizemos até o posto de combustivel. Mas meu karma seguia em pauta.
- Sabe, , eu deveria ter sido mais persuasivo quando topei ir. - Fingi que nem ouvia. - Acho que ainda dá tempo de impor uma condição e eu dizer que só vou se também for...
- Quem você pensa que é pra impor "condições"? - Fiz aspas com o dedo, não aguentando a provocação. - só te convidou porque ele é seu amigo, agora da sua irmã, só quem gosta aqui é você..
- Cara, você tem acha mesmo que daria certo ter essas duas no mesmo ambiente por 3 dias? Sério? - disse divertido. Eu já não suportava olhar pra nenhum dos dois.
- É sério que você não pode me deixar um final de semana em paz, ? - Meu olhar dessa vez foi magoado. Seu humor também sumiu mas não deu tempo que ele dissesse nada. Quando voltei a entrar no carro, já não sentia a menor vontade de ir.
Sabia que sequer tinha noção de como vinha me machucando.
Quando chegamos encontramos a casa preparada pra receber um batalhão. A casa não era tão grande, mas além dos quartos dos meus avós, mais dois quartos serviam para receber as visitas. A divisão óbvia de meninas e meninos permitiu que ficassemos com o quarto maior. Mais vantagem para e eu, visto que eu sabia que daria um jeito de dormir com meu irmão, nem que fosse no sofá.
Já era fim de tarde quando chegamos e resolvemos que ir a praia poderíamos deixar para o outro dia. Mas não nos impediu de passear pela orla.
Na verdade, apenas , e eu fomos, inicialmente. Paramos em um quiosque que não ficava tão distante.
me olhava ansiosa. não estava muito diferente mas disfarçava melhor.
- Eu to em paz gente, relaxem. - Comecei. Sabia que eles iriam começar com o papo de que eu e precisariamos dar uma trégua nas discussões. - Já faz tempo que as coisas que o diz não me afetam.
- Já faz um tempo que as coisas que você diz têm afetado muito o . - Foi quem falou. - A gente tem conversado bastante ultimamente. Ele me disse que não sabe o que fazer pra vocês ficarem bem, ele também sente sua falta.
- Sabe o que o fez aceitar a viagem? - continuou e eu neguei. - Você. Ele não queria vir e queria respeitar seu espaço, mas conseguimos convencê-lo de que esses dias poderiam fazer com que vocês se resolvessem.
- Não tenho nada que resolver com ele. - Respondi ríspida. me censurou com o olhar. - Vocês não estão sendo justos comigo. Isso não é questão de escolher entre eu ou sua irmã, vocês precisam entender que só eu me machuco nessa história. Vocês o defendem por estar no meio de uma briga de duas pessoas que ele gosta, mas eu nunca fiz nada pra ela. E me ataca, ela me ataca, e eu estou sozinha pra me defender.
- Não quero que você veja as coisas assim, . - Pra minha surpresa, foi quem me disse. Ele se sentou ao meu lado e minha respiração se descompassou. Raiva. Tristeza. Mágoa. - Me escuta.
- Por que é que você está falando comigo? - Respondi irritada. - Já não me basta estragar meu final de semana, você quer acabar com meu humor também? - Vocês dois vão ficar aqui e conversar. - chamou minha atenção. Eu estava prestes a me levantar. - , escuta. tem algo importante pra te falar. - Ele olhou do amigo pra mim. Continuei me levantando, fazendo algo que não era do meu feitio mas se tornava cada vez mais um hábito quando se tratava de . - Faz isso por mim.
- Eu não posso ficar aqui. - Tentei implorar com o olhar. sabia que eu ia chorar e não me deixaria ali naquela situação. Eu o abracei, reprimindo lágrimas e usando de todo meu ar pra proferir o mais alto que pude. - Eu o odeio.

Quando acordei no outro dia, me sentia ainda mais cansada. Saí da casa silenciosamente, apenas com meu cartão do banco que estava na minha cabeceira de cama.
Não era mais que oito da manhã, percebi. O sol estava fraco, muitas pessoas corriam pela orla. Recebi muitos sorrisos até chegar na padaria, a energia do litoral contribuia muito com a felicidade das pessoas.
Tomei café sozinha, me permitindo pensar.
Estava chateada com e por me armarem aquele encontro com . Mas do fundo do meu coração, eu entendia que era dificil a situação em que estávamos.
Há muitos anos nosso grupo era um só. , , , , e .
Desde o final da nossa infância, passamos por tudo juntos. Dividimos primeiras experiências. Demos nossas festas. Enfrentamos juntos os problemas familiares que nos rodearam. Compartilhamos sorrisos, segredos e risadas. E aquilo era indivisível. precisava de mim quando estava triste, por exemplo. Mas era só que conseguia fazê-lo dar suas gargalhadas mais sinceras. compartilhava suas paixões comigo, mas só era capaz de brigar com um cara simplesmente porque ele magoou seus sentimentos.
não era egoísta. Eu não odiava.
Era o que me fazia mais mal. Eu o amava. Eu o admirava.
Por mais que eu tivesse outras quatro pessoas que me faziam bem, era ele quem fazia minhas mãos suarem. Era ele quem me inspirava a ser uma garota melhor. Era nele que eu pensava quando queria me sentir completa.
Por isso voltei decidida para a casa. Eu precisava ouvi-lo. Precisava entender o que estava por trás de cada frase incompleta. Queria entender o que não sabia pra saber se seria capaz de enfrentar... Ou me permitir distanciar de uma vez por todas.
- Bom dia. - Era quem estava na cozinha quando voltei. - Você está melhor?
- Sim. - Me limitei a responder. - Onde está ?
- , não. - A encarei sem entender. - Olha, , ainda é cedo, eu não quero ver vocês brigando. Faz isso por mim, por seu irmão. Eu sei que as coisas andam dificeis pra vocês...
- Eu quero pedir desculpas. - A interrompi. - O que eu disse não é verdade, , eu não o odeio. - Confessei. - Estou longe de odiar e acho que ele precisa saber disso.
- Eu sei. - Ele me surpreendeu novamente. pegou seu suco e saiu sem a menor discrição. Demorei alguns segundos pra me virar e encarar de onde vinha a voz. estava na porta da cozinha, seu olhar perdido como o meu. - Que você não me odeia. Eu sei, .
- Me desculpa. - Tentei erguer meu tom de voz. Mais uma vez lutava contra as lágrimas, e algumas escorreram quando ele me abraçou. E ah, aquele abraço era o suficiente pra que despertar a paz que estava perdida em algum lugar do meu peito. - Por favor, não se afasta de mim. - Pedi.
- Eu jamais faria isso. - Ele se abaixou comigo ainda em seus braços. Nos sentamos meio desajeitados no chão da cozinha. - Preciso te falar algumas coisas . É importante.
- Tudo bem. - Me aninhei em seu peito aproveitando ainda aquela sensação. Ele ficou um tempo em silêncio.
- tem ciumes de você. - Me confessou o óbvio. Ele ainda parecia lutar com as palavras que ia usar. E dessa vez eu só me permitiria ouvir pelo tempo que fosse necessário. - Quando nossos pais se separaram, não conseguiu aceitar. Até hoje ela ainda não sabe lidar com isso, mas no começo do ano era pior. Ela não aceitava que meu pai havia traído minha mãe, minha mãe chorou por dias, e eu me tornei o homem da casa, precisei aprender a lidar com aquilo pra ser forte por minha mãe e também minha irmã. E no meio disso, estava você, nossos amigos, sempre me distraindo. Eu devo muito a vocês todos. nunca teve alguém que fizesse isso por ela. - Me remexi desconfortavel, guardando pra mim o que queria dizer. - Parte disso é sim porque ela não se permitiu, eu sei.
- Eu sinto muito por ela. - Disse, do fundo do meu coração.
- É por isso que preciso te contar uma coisa. - Ele prosseguiu. - Primeiro de tudo eu preciso que você não faça julgamentos. - Pediu. Eu acenei que sim com a cabeça. - Muito menos quero que você veja isso como motivo pra ter dó da minha irmã ou se culpar por alguma coisa.
- Fala logo, . - Incentivei, nervosa.
- Minha irmã tentou se matar. - Sua voz falhou. Senti minha respiração fazer o mesmo. - Algumas vezes. Um dia em especial ela quase conseguiu. Minha mãe não estava em casa. Ela me ligou algumas vezes antes de tomar uma porção de remedios. Eu não atendi nenhuma...
- Onde você estava? - Perguntei. Já não inibia mais as lágrimas que escorriam.
- Eu estava com você. - Por um segundo eu senti o mundo parar. Quando me permiti olhar pra , seu olhar era machucado. Eu não devia estar diferente. Me sentia o pior ser humano da terra, me senti culpada, justamente como ele havia pedido que eu não fizesse. - Era seu aniversário. Eu queria estar com você, , não pense que eu a ignorei ou algo do tipo. Eu só não estava com meu celular, devia estar no carro. Eu estava muito feliz naquele dia, mas quando cheguei em casa, meu mundo desabou. Minha mãe me avisou que estava no hospital, que precisaram internar minha irmã as pressas. Se ela não tivesse voltado pra casa naquele dia, eu teria perdido minha irmã...
- . - Tentei dizer alguma coisa. Gostaria de falar algo que pudesse o acalmar. Gostaria de dizer o quanto todas nossas brigas agora não faziam mais sentido. Gostaria de poder voltar no tempo e não ter dito palavras tão duras a ele.
- E ela nunca aceitou o fato de eu não ter atendido. - Ele prosseguiu. - Foi como se eu tivesse escolhido você em vez dela naquele dia, pra sempre. Ela chegou a me dizer que se morresse não faria diferença porque eu tinha... você. Por isso eu nunca consegui te defender quando ela surtava. Meu medo era falar alguma coisa que pudesse magoá-la ainda mais e eu perder minha irmã. - O abracei com toda minha força. Nunca na vida havia me sentido tão injusta e vazia como naquele momento. Indiretamente, nunca havia pensado que a implicância de pudesse ser mágoa. Incapaz de lidar com tantos sentimentos, resolvi dar prioridade a um deles.
Me afastei de vendo seu olhar baixo. Como se me encarar fosse demais pra ele naquele momento. Não segurei a vontade que me deu de beijá-lo. Era minha forma de mostrar que não importava o que estivessemos passando, eu o amava. Da forma mais leve que pudesse ser. Ele recebeu o beijo com surpresa, me trazendo para mais perto de si.
Foi um beijo de sabor salgado. Saliva misturada com lagrimas. E ele não me deixou afastar quando nos faltou ar, sua testa apoiando-se na minha. Dessa vez seu olhar era aliviado. Quando voltamos a nos beijar, o senti relaxar. E meu cerebro reagiu com um tapa em seu braço. Seguido de outro. E outro. Ele riu segurando minhas mãos.
- Você poderia ter me contado isso bem antes. - Eu também me permiti sorrir. - Sério , você não devia ter guardado isso pra você. - Dedilhei seu rosto secando com os dedos o caminho que suas lagrimas haviam feito minutos atrás. - Quem mais sabia disso?
- e . - Me disse. Me ajeitei melhor em seu colo. - Mas eu só contei depois da briga do ginásio.
- Me desculpa. Eu queria estar ao seu lado nesse momento.
- E você estava. - Ele apoiou sua testa na minha. Não demorou muito pra aquele momento de carinho se transformar em outro beijo. Beijar . De todas as vezes que havia imaginado esse momento, nenhuma delas parecia ser um momento tão ideal. - Mas isso é novidade. - Ele segurou minha mão. Sabia que estava se referindo aos beijos.
- Você vai me fazer falar disso mesmo? - Ele acenou que sim, seu sorriso não deixando seu rosto nem por um segundo. - Quis te beijar ué. Você foi sincero comigo, quis te devolver um pouco disso. Então, sinceramente, eu queria te beijar a muito tempo. - Confessei de vez.
- Hmmm. - Dessa vez ele que me beijou, fingindo indiferença. - Também queria te beijar. Também faz tempo.
- Nós vamos falar disso agora? - Ele negou e eu respirei aliviada.
- Vou te deixar sofrer um pouquinho. - Revirei meus olhos. Ele se levantou e me abraçou quando fiz o mesmo. - Eu vou dar uma volta, . Não estou fugindo disso, nem de você. Só te disse muita coisa e acho que precisamos de um tempinho pra absorver isso que aconteceu. - Concordei. Ele me deu um selinho demorado antes de sair.
Quando fui até a sala todo mundo estava acordado e me olhava com ansiedade. Contei sobra a conversa que e eu tivemos, e um pouco mais deslocado que os outros.
O que me surpreendeu, no entanto, foi voltar, cumprimentar a todos e se apoiar sobre o sofá em que eu estava, me beijando ali na sala, no meio de todo mundo. Em dúvida eu havia ocultado a parte do beijo da conversa.
Ele era o único que sorria quando se sentou ao meu lado. O resto do grupo parecia surpreso demais pra esboçar alguma reação.
- ? - Foi quem disse depois de um tempo. - Eu não acredito que você está me traindo!

Depois de um tempo e novas explicações, o grupo resolveu finalmente ir a praia.
As meninas me encheram de perguntas enquanto nos trocávamos e eu sabia que os meninos deveriam estar fazendo o mesmo com no quarto ao lado.
Quando montamos nosso guarda sol sobre a areia, se sentou me puxando junto. e já estavam na água provavelmente combinando algo noturno para que pudessem "ter seus pegas" também. Os dois olhavam por toda a praia comentando de quem os chamava um pouco mais de atenção. Os conhecia tão bem que até de longe sabia qual morena de seios grandes deveria estar apresentando como a mulher da sua vida para a amiga.
e seguiram o caminho deles nos deixando ali sozinhos.
- Adorei o biquini. - Ele puxou assunto. - Mas pra ser sincero, quando você estiver comigo, é melhor que use um pouco mais de roupas.
- Não "estou com você". - Fiz aspas com os dedos. - E não é porque você me provoca andando por aí sem camisa que eu vá me render a você agora. - Brinquei.
- Azar o seu. - Ele beijou meu pescoço. - , já nos conhecemos a muito tempo pra ter que ficar enrolando alguma coisa. Se agora eu sei que posso ter você comigo, não vou deixar de aproveitar não. - Me beijou de verdade, sensualmente. Aquele beijo que te faz desejar por mais. Eu quase me sentava em seu colo quando resolvi que precisavamos sair dali.
- Vamos para a água. - Puxei antes que ele se animasse demais. - Não foi pra brigar que eu quis vir pra praia, mas também não foi pra ficar de namorico.
- Isso, me usa igual faz com . - Revirei os olhos. era extremamente grosseiro quando contrariado. Mas eu o conhecia e sabia completamente como o desarmar.
- Se você for bonzinho comigo agora, prometo ser boazinha com você depois. - Sussurrei em seu ouvido. Pra ser mais sensual, ainda brinquei com a alça do meu biquini antes de correr até a água. Pude sentir que a brincadeira havia dado certo quando ele me abraçou já na água e pude sentir que ainda assim ele seguia animado.

fingiu não ver quando arrastei até o banheiro para que tomasse banho comigo. Mal tranquei a porta e ele me prensou sobre a mesma, juntando seus lábios aos meus.
- Estou esperando isso o dia todo. - Ele me puxou até me apoiar a mesa. Fiz questão de soltar meu biquini molhado com um pouco de pressa. me olhou com luxuria. Sorte que a casa tinha outros banheiros, pois foi o banho mais longo que já tomei na vida.

Decidimos voltar no domingo a noite mesmo. Dessa vez troquei de carro com e voltamos pra casa com nos perguntando, sem filtro, tudo o que tinha vontade.
- E vocês pretendem, sei lá, namorar? - Ela perguntou. Evitei o olhar de para dizer com sinceridade.
- Você sabe que não tem como isso dar certo. - Disse de uma vez. - me culpa por tudo de errado que acontece na vida dela, imagina como ela ficaria se eu aparecesse namorando seu irmão. - não respondeu nada.
E eu preferia que tivesse continuado assim.
Fomos até a casa de em um silêncio desconfortável.
- Você falou sério? - Ele me perguntou quando ela já estava entrando. - Você não quer namorar comigo?
- Não quero. - Continuei firme. - Não porque não gosto de você ou porque acho que não daria certo. Convenhamos, , a situação não é favorável pro meu lado.
- A gente pode ir fazendo aos pouquinhos. - Ele soltou seu cinto de segurança, se aproximando de mim. - não precisa saber logo de cara. - Começou beijando meu pescoço. - Ela vai se acostumando com a ideia.
- E depois começamos a namorar. - Finalizei. Ele riu ainda com os lábios em meu pescoço. - Agora me leva pra casa, quero descansar.
- Já avisei seu irmão que vou dormir com você. - O olhei indiganda. - De verdade, se minha irmã não apoia isso, seu irmão já quase me fez te pedir em casamento. - Ele me fez rir. - Só vamos passar em casa pra pegar meu uniforme.
- Como você espera que a gente faça isso aos poucos me enfiando na sua vida desse jeito?
- não vai perceber. - Ele continuou. - Só preciso pegar meu material, você não precisa nem descer do carro se não quiser. Vamos fazendo isso aos poucos. A escolha é sua, .
Quando chegamos a casa de , soltei de uma vez meu cinto e desci do carro. Sabia que estava dando um passo muito maior que minha perna. Que surtaria de vez, mas que a mãe de ficaria feliz por nós, ao menos.
- Namora comigo? - Ele pediu entrelaçando sua mão antes que entrassemos. Neguei mais uma vez. - Assim fica dificil. Eu te apresento pra minha mãe como?
- Sua mãe já me conhece, . - Dei risada. Ele permaneceu rígido. - Tá bom, namorado. Namoro com você, . Mas vamos fazer isso logo antes que eu me arrependa. - O sorriso que recebi de volta foi o mais lindo que já vi em toda minha vida. Eu não saberia o que aconteceria dali pra frente, mas sabia que não seria fácil. Mas de toda forma, ele ainda estaria ali por mim. Como sempre esteve. Aos trancos e barrancos, entre tapas, beijos e muita briga.



Fim



Nota da autora: (14/08/2020) Clique aqui para seguir à página da autora.
Essa história foi postada para o especial ENTRE TAPAS E BEIJOS, mas já foi escrita e reescrita muitas outras vezes. Pode ser uma fanfic que venha a se tornar uma história mais longa no futuro, mas ainda é um projeto.
O que sei é que personagens que brigam e se agarram são meus favoritos e mesmo com quase vinte histórias no site, eu ainda não tinha nenhuma numa pegada tão intensa como foi essa. E a história foi escrita em cinco dias, acreditem. Por favor, aqueçam meu coraçãozinho com um comentario sobre? E claro, se puderem leiam minhas outras histórias também!





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