FFOBS - I'm Back To December, por Eva Mohn

Capítulo 1

“These days I haven’t been sleepin’,
Eu não tenho dormido bem esses dias
Stayin’ up playing back myself leavin’,
Fico acordada lembrando de como eu fui embora
It turns out freedom ain’t nothing but missin’ you
Acontece que a liberdade não é nada além de saudades suas
Wishing that I realized what I had when you were mine
Eu queria ter percebido o que eu tinha quando você era meu”

Uma hora e meia.
Havia uma hora e meia que eu estava com o telefone na mão, o número dele selecionado e o dedo no botão “ligar”, mas eu não tinha coragem.
O que eu diria?
O que ele diria depois de quase um ano?
E se ele realmente não quisesse ter mais nada haver comigo? Eu não o culparia, claro. Já havia se passado quase um ano desde nosso término, mas foi só no outono que eu percebi o quanto o amava e havia sido injusta. O problema é que ele já estava longe e era tarde demais. Minha patética indecisão havia destruído a única coisa real que eu já tinha construído para mim.
Eu me sentia culpada por tê-lo deixado. Ele me amou tanto e eu só consegui dizer adeus a ele. Ele me amava e eu tantas vezes chorava por outro nos braços dele. Ele sempre fora tão compreensivo com a minha dor, sempre tão carinhoso e seguro. Só agora eu enxergava que os meses que passamos juntos foram os melhores de minha vida.
Mas agora tudo tinha mudado.
Eu queria tanto ligar, precisava ouvir a voz dele mais uma vez. Eu apertei o botão de ligar, num impulso forte. Eu ouvia o telefone chamando, mas ninguém atendia. Depois de um tempo, aquela doce voz tão conhecida atendeu.

- Alô? – Eu simplesmente travei e deixei a linha muda – Alô?
- Nate? Eu... Eu... – Eu não conseguia dizer anda que não fosse compreensível.
- , eu sei que é você, diz alguma coisa antes que eu desligue. – Eu continuei gaguejando sem dizer nada concreto e ele suspirou.– Olha, se alguma hora você quiser dizer alguma coisa, é só ligar, você sabe disso. Até outra outra, . – Ouvi a linha caindo e num acesso de raiva joguei o aparelho na parede, as lágrimas descendo pelo meu rosto.
- IDIOTA! , VOCÊ É UMA IDIOTA! – Eu gritei para mim mesma.

Quando eu finalmente consegui coragem para ligar para o cara que eu amava, eu não consegui sequer dizer uma palavra compreensível. Um ato de extrema idiotice da minha parte, novamente. Eu sempre estregava tudo. Eu deixei as lágrimas escorrerem e sentei num canto do quarto. Aquela angustia já era comum, estava sempre me visitando. Eu olhava as paredes e móveis ao meu redor, fotos dele, fotos nossas. Eu era uma estúpida.

"– Eu sabia que isso ia acontecer. Você nunca gostou de mim, só me queria por perto. Aquele cara te machucou tanto que você já não consegue sentir nada de verdade por alguém que não seja ele. É triste, mas é verdade. Você nem pensou no que poderíamos ser."

Eu ainda podia ouvir as exatas palavras que ele disse quando eu o deixei. Aquelas palavras que ecoavam há meses na minha cabeça eram uma tortura diária e merecida, eu sabia. Eu queria tanto vê-lo, queria tanto poder ir até ele e consertar tudo. Mas eu sabia, no fundo eu sabia, que era um erro. Ele tinha reconstruído sua vida longe de mim e de qualquer coisa que pudesse machucá-lo como eu fiz.
O que eu jamais imaginaria naquela época é que depois que eu o deixei, o vazio que ficou em meu coração era tão grande que chegava a ser quase insuportável. Latejava a cada vez que o nome dele era pronunciado ou pensado, o que era o tempo todo ultimamente. Eu não sabia por que só agora eu entendia o quanto eu precisava dele.
Em um certo momento, eu me levantei e sequei as lágrimas. Tirei meu pijama velho e lavei o rosto. Não, eu não podia deixar a dor me derrubar. Peguei minha bolsa e saí do meu apartamento. Prendi meu cabelo e coloquei um boné para disfarçar a sujeira e bagunça dele.
Entrei em meu carro e acelerei. No centro havia um sorveteria conhecida por todos, obviamente meu destino. Eu tentava disfarçar que a verdadeira razão de eu ir lá, era por que nós sempre nos encontrávamos lá. Na verdade, isso não importava, não mais. Não para ele.
Entrei e fui até o balcão, onde uma jovem sorridente logo me atendeu.

- Por favor, eu quero um de chocolate com caldo de morango. Kiwi e morango por cima. – Eu disse sorrindo e a mulher logo apareceu com meu pedido.

Fui me sentar naquela mesinha do canto onde sempre nos sentávamos. Eu poderia ficar ali o resto do dia, olhando para a janela e pensando em como as coisas deveriam ser diferentes, no quanto eu queria que ele estivesse ali, com os braços ao redor dos meus ombros e seu sorriso usual no rosto.

- Chocolate é o meu sabor preferido. – Nate falou colocando uma colher cheia de sorvete na minha boca, enquanto mantinha um braço ao redor da minha cintura.
- O meu também. – Eu dei um selinho nele. – Não acha que está me mimando demais?
- Talvez. Mas eu realmente não me importo em te mimar. – ele riu e mordiscou minha orelha, me fazendo arrepiar.

Estar nos braços dele era uma sensação inigualável, fazia eu me sentir completa, me sentir feliz de novo. Era tão quente e aconchegante, tão natural. Como se fosse onde eu deveria sempre estar. Não que naquela época eu soubesse ou percebesse isso tudo.

- Faz tanto tempo que não te vejo sorrir assim. – Ele disse enquanto eu aconchegava minha cabeça em seu peito – Eu não trocaria esse seu sorriso por nada no mundo. – Nate sorriu e acariciou meu cabelo. Ele beijou o topo da minha cabeça e colocou mais sorvete na minha boca.
- Estar com você é tão... Natural, - conclui - tão bom. Você me faz sentir tão especial. Você cura todas as feridas que eu tenho. Quando estou com você, tudo some, só existem eu e você. Você me faz sorrir.
- Te ver feliz me faz feliz. Eu te amo. Você não imagina o quanto. – Eu me afastei e olhei nos olhos dele. Dentro de mim, eu queria encontrar as palavras que eu devia dizer agora, palavras perdidas há tanto tempo.
- Eu também te amo. – Ele encostou os lábios nos meus e mais uma vez tudo ao nosso redor desapareceu.

- ! ?– Acordei de minhas lembranças com alguém estralando os dedos na frente do meu rosto até que eu acordasse – Parece que precisa de ajuda com esse sorvete.

Meu olhar se iluminou ao ver que na minha frente o sorriso mais doce e bonito do mundo se abria para mim. Nataniel Archibald estava parado na minha frente com uma feição que eu desconhecia, apesar do sorriso..

- Nataniel? É, eu... Eu acho que preciso. Peguei mais sorvete do que aguento. – eu disse rindo, um pouco sem graça e nervosa.
- Posso me sentar com você?
- Claro. – Eu sorri e ele se sentou do meu lado.

Era estranho tê-lo sentado ao meu lado depois de tantos anos. Era doloroso ver aqueles olhos e saber que ele não eram mais meus, que jamais seriam meus novamente por minha culpa. E pior que tudo isso: saber que ele não guardava rancor, não me tratava mal por nada que eu havia feito com ele. Maldito.

- Desculpe pela ligação mais cedo. Eu estava nervosa por causa de uns problemas. – Ele sorriu e pegou a colher da minha mão.
- Não se preocupe. – Ele pegou um pouco de sorvete e tomou. – Estou acostumado, sabe.
- O que está fazendo aqui? Quero dizer, não que eu esteja achando ruim, é só que... – respirei fundo - O que você está fazendo aqui?
- Eu te vi aqui sozinha e com cara de choro, daí resolvi ver se estava tudo bem. – Ele me entregou a colher e eu peguei um pouco de sorvete.
- Não vai sair com a Blair? Vocês estão sempre juntos.
- Ela tem alguns compromissos de família. – ele deu de ombros – Tirei a noite pra descansar, apesar de o Chuck querer me arrastar para alguma festa. Preciso de um tempo para mim.
- Que bom que arrumou tempo para descansar. Mas me conte, como vai sua vida? Sua família? – Ele sorriu torto – Como vai a sua mãe? Já tem um tempão que eu não a vejo.
- Todos ótimos e eu mais ocupado que nunca, com todos aqueles compromissos inadiáveis. – Eu tentei sorrir, mas acho que pareceu mais uma careta.
- Eu estava com saudades. – Eu disse involuntariamente.
- Eu também. E tenho algo pra te perguntar, antes que eu tenha que ir embora, o que é logo. – Ele disse sério e minha careta se transformou numa cara triste.
- Pergunte então, nosso tempo está acabando.
- Como você vai? – eu ri e ele sorriu.
- Bem, um pouco cansada. Minha mãe está doente e vou tive que passar um tempo em Toronto com ela. Agora que voltei, ela me quer de volta. Sabe, ela está ficando velha e desde que papai se foi só sabe reclamar. – eu ri – Vou morar com ela por alguns meses, só até eu convencê-la e vir morar aqui comigo. A mudança está me matando. E tem o colégio. E tem também todas essas coisas que me afetam mais do que deveriam. – eu disse.
- Então você vai embora?
- Basicamente. – enxuguei uma lágrima teimosa – Eu não quero ir.
- Não chore. Eu ainda odeio te ver triste. – Ele disse atenciosamente e meu coração acelerou enquanto as lágrimas escorriam.
- Me perdoa. – eu ri e fechei os olhos, enxugando as lágrimas - Acho que é só isso que eu consigo te dizer, neste momento.

Ele desviou o olhar do meu e por um minuto pareceu que ele ia dizer sim, ia dizer mais uma vez que me ama. Mas quando seu olhar se encontrou com o meu, eu sabia que não ia ser assim, nunca foi. As coisas não eram tão fáceis assim agora que eu já havia estragado tudo.

- Não há nada a perdoar. Eu nunca fiquei com raiva de você. Mas. As coisas mudaram. Apenas isso. Você ainda é a e eu ainda sou o Nate. Ainda somos amigos, apesar da falta de contato. – Senti meu coração se despedaçar em mil pedaços e aí sim as lágrimas tomaram proporções maiores – As coisas mudaram, mas isso não significa que eu não me importe mais com você. – Ele me abraçou e eu me aninhei em seu peito, como nos velhos tempos. – Amigos?

A sensação de aconchego voltou depois de tanto tempo e eu senti como se tudo estivesse finalmente certo.
Amigos.
Será que ia me acostumar com isso? Será que isso era real?
Provavelmente não. Eu nunca conseguiria olhá-lo e enxergar um amigo, ele significava muito mais que isso para mim. Mas naquele momento eu o amava tanto que sabia que perdê-lo de novo seria o fim. Naquele momento eu o amava o suficiente para deixá-lo ir se ele realmente quisesse. Eu sabia que ele queria, e de qualquer jeito, em alguns dias eu iria para o Canadá sem data para voltar.

- Eu te amo, Nate. E eu sinto muito. – Eu sussurrei com a voz falha e ele suspirou.

Talvez não tivesse adiantado nada dizer aquilo, mas ele precisava saber. Saber que apesar de tudo, eu ainda o amava mais do que deveria, mais do que gostaria ou sequer suportava. Bem mais do que eu realmente precisava.

- Eu queria que você tivesse percebido isso antes.



Capítulo 2

“And I go back to December, turn around
E eu volto a dezembro, dou meia volta.
And change my own mind
E mudo minha própia mente
I go back to December all the time
Eu volto a dezembro o tempo todo
And how you held me in your arms
E como você me segurou nos seus braços
That September night;
Naquela noite de setembro
The first time you ever saw me cry
A primeira vez que você me viu chorar…”

No dia seguinte eu acordei um pouco indisposta. Talvez triste seja a melhor palavra para expressar o que eu estava sentindo naquele momento, mas a tristeza extravasava para o meu físico e eu mal tinha ânimo para me levantar da cama bagunçada e observava as caixas ao meu redor.

Passei a manhã toda deitada vendo televisão e quando olhei para o relógio vi que já eram quase quatro horas, então resolvi me levantar e fazer algo. Algo me dizia que o dia não seria tão ruim, então eu liguei para a Jenny e a chamei para passar a tarde comigo. Era disso que eu precisava: Amigas, chocolate e talvez alguma comédia estúpida que me fizesse sorrir no meio daquele caos.

- Jenny? – Eu disse quando ela atendeu.
- Meu Deus do céu, hoje é o dia da volta dos que não foram! , eu já estava começando a pensar que você tinha passado dessa para melhor! – ela disse rindo.
- Jenny... Tem só três dias que não nos falamos.
- Eu sei! E isso é muito, você sabe, somos melhores amigas.
- Bem, já que está com tantas saudades de mim, estou esperando você. Venha rápido e não se esqueça dos filmes e do chocolate. – Eu disse rindo e ela concordou.
- Pode deixar. Nos falamos daqui a pouco. – Ela desligou o telefone e eu fui tomar um banho.

Uma das poucas coisas que eu amava no meu apartamento – que antes eu dividia com meu pai, até que ele faleceu - era tomar banho na enorme banheira que havia na minha suíte. Além de ser extremamente relaxante, fazia eu me esquecer de toda a loucura que minha vida havia se tornado nos últimos meses.
Após quinze minutos submersa na água, ouvi batidas na porta e me enrolei na toalha, já sabendo que se tratava de Jenny. Corri e abri a porta, voltando correndo para meu quarto para vestir uma roupa.

- ! – Jenny disse entrando no meu quarto e me abraçando enquanto eu calçava o meu tênis.
- Jenny! – Eu disse abraçando-a.
- As coisas estão lá na cozinha. E eu não trouxe um filme e sim esmaltes – mostrou as unhas sem cor – Preciso arrumá-las urgentemente. E o mesmo vale pra você! – disse pegando minha mão e vendo minhas unhas arruinadas. Ela balançou a cabeça em negação e abriu meu guarda roupas. – Achei! – Ela disse pegando minha maleta de esmaltes. - Vamos pra sala. Vou na cozinha pegar o sorvete de chocolate e algumas colheres. Pela sua cara, vcê realmente está precisando. – Jenny disse correndo para a cozinha.

Assim que entramos na sala, Jenny jogou o pote de sorvete no sofá e ligou a TV. Passava uma reprise de Valentine’s Day, um dos nossos filmes preferidos. Nós sorrimos e abrimos o sorvete, cada uma pegando uma colher e enfiando na boca.

- Então, amiga. Por que me ligou desesperada por companhia? – Ela perguntou pegando uma colherada e me entregando o pote de sorvete – É o Nate, certo?
- Eu liguei pra ele de novo e não consegui falar nada. Só que dessa vez a gente se viu quando eu fui tomar sorvete e sim, Jenny, talvez eu tenha ido lá propositalmente porque sei que ele sempre passa lá em frente. – ela riu alto - Só que ele se sentou comigo e nós finalmente conversamos. Ele disse que sentia minha falta, mas que as coisas jamais seriam iguais. Eu contei que ia me mudar e ele disse que acima de tudo eu podia vê-lo como um amigo que eu poderia contar sempre que precisasse. Foi estranho. Mas pelo menos não agi como uma louca, igual fazia no telefone.
-, isso é ótimo! Quer dizer, em partes. A parte boa é que não guarda ressentimentos, apesar de tudo. – Jenny disse enquanto lixava as unhas. – Mas, por outro lado, o coração dele ainda está partido. Você precisa reconquistá-lo aos poucos.
- Do que adianta? Eu estou indo embora e eu sinceramente não planejo voltar. E ele tem a Blair agora.
- Dê a ele algo para se lembrar. Mande uma mensagem e combine de saírem mais tarde, só como “amigos”. – Ela fez as aspas no ar e me entregou meu celular, que estava jogado no sofá.

Jenny me olhava sorrindo e eu apenas observava o celular em minhas mãos. Era errado por vários motivos, mas eu realmente poderia dá-lo algo para se lembrar de mim de uma forma boa, enfim. E além disso, íamos apenas conversar, ele mesmo tinha dito que éramos amigos.
Suspirei e digitei rapidamente uma mensagem.

“Vai estar muito ocupado mais tarde? Xx .”

- Satisfeita? – perguntei a Jenny.
- Muito! – Ela riu e me passou a lixa e o celular tocou em minhas mãos.

“Até agora, não.”

Jenny sorriu, me incentivando. Revirei os olhos e peguei uma colher de sorvete enquanto digitava com a outra mão.

“Não estou tendo um bom dia, pensei que talvez pudéssemos nos encontrar, tomar um sorvete e conversar.”
“Se não formos demorar muito, tudo bem. Como amigos?”
“Somos amigos, Nate. Foi você mesmo que disse.”
“Eu passo na sua casa uma sete horas. Eu realmente não posso demorar lá, mas de qualquer jeito eu prometi que você sempre teria um ombro amigo.”
“Não precisa fazer isso por obrigação.”
“Acredite, não estou.”

- Então, ele vai passar aqui as sete. Vamos tomar outro sorvete e conversar.
- Só não me diz que você vai com esse cabelo. – Jenny reclamou e eu ri.
- Nós só temos umas três horas pra te deixar perfeita para esse encontro, então temos que começar agora. – disse correndo para meu quarto para pegar as coisas de cabelo, logo se esquecendo das próprias unhas.
- Não é um encontro. – Eu disse enquanto ela me puxava para o quarto.
- Não diga que não é um encontro me olhando nos olhos. – Ela disse com raiva e me sentou na cama, soltando meu cabelo e ligando a prancha na tomada.
- Não é um encontro. – disse olhando nos olhos dela fixamente.
- Não vai ser um encontro até você dizer que é um encontro. – Eu suspirei vencida e deixei ela cuidar do meu cabelo – Sabe o que eu amo em você? Sua inconstância. Ontem estava morrendo e gaguejando no telefone, agora chamou o rapaz para um encontro. You go, girl! – ela riu.

Capítulo 3

Then I think about summer,
Eu pensei no verão
All the beautiful times,
E todas as lindas vezes
I watched you laughin’ from the passenger side
Que eu vi você rindo do lado do passageiro
And realized I loved you in the fall
E eu percebi que eu te amava no outono

- Estamos quase lá! – Jenny disse em um tom determinado.
- Jenny, você realmente não precisava ter feito isso. – Eu me olhei no espelho e meu cabelo estava liso, brilhante e leve como não ficava há um bom tempo.
- Claro que precisava! Nós duas sabemos que é só um sorvete, mas também sabemos o quanto significa para você. – ela me abraçou e eu senti meus olhos marejarem.
- Eu amo você. Não sei o que vou fazer sem você no Canadá. – Eu disse segurando as lágrimas.
- Eu também amo você, .

Eu vesti uma saia alta com um cinto e uma blusa branca simples. Coloquei uma sandália e um batom claro nos lábios, eu não queria que ele percebesse o quanto me arrumei. Rapidamente nós arrumamos toda a bagunça que tínhamos feito e deixamos meu quarto arrumado pela primeira vez em semanas.
Nós duas nos sentamos na sala e continuamos conversando enquanto Nate não chegava. Apesar de feliz, eu não podia deixar de sentir medo. Medo de algo dar errado e eu estragar a única chance de Nate se lembrar de mim quando eu estivesse longe. O telefone fixo tocou e eu corri para atender, quase tropeçando nas caixas que estavam espalhadas pelo chão.

- Alô? – Eu disse.
- Srtª , o Sr. Archibald está aqui. – o porteiro disse. Agradeci e desliguei rapidamente.
- Sorria! – Jenny disse me abraçando rapidamente. – Não estrague tudo e boa sorte.

Eu desci as escadas correndo, sem paciência para esperar o elevador, e corri para o hall de entrada, meus olhos o procurando freneticamente. Ele estava escorado na parede, com a chave do carro e um buque de rosas brancas na mão. O cabelo estava penteado para trás e um sorriso despreocupado, como sempre.
Quando ele me viu chegar, abriu um imenso sorriso e abriu os braços para me dar um abraço mais do que confortável. Eu tinha uma sensação tão boa quando eu estava com ele, uma sensação única.

- Que saudade. – Eu disse.
- Nos vimos ontem. – ele riu e eu sorri sem jeito.
- De ontem para hoje se passou muito tempo, quase vinte e quatro horas.
- São para você.– Ele me entregou o buquê de rosas e eu as cheirei, sorrindo. – Espero que não as jogue fora dessa vez, foi difícil comprar sem a Blair saber, ela é muito ciumenta.
- Obrigada. – Eu pedi o porteiro para guardá-las na recepção para mim e saí do prédio com Nate, um pouco sem graça.

Parecia que tudo tinha voltado a ser como antes, instantaneamente, éramos próximos de novo, como se ontem mesmo eu não tivesse passado por aquela cena patética ao teleone. Pena que éramos somente amigos.
Amigos. Nunca seria o suficiente para mim ou sequer faria sentido na minha cabeça, mesmo sendo minha culpa.
Fomos até o centro em silêncio. A situação era mais do que constrangedora e ambos sabíamos que era errado. Apesar de não ser o encontro, eu era a ex dele e Blair nunca encararia bem aquilo.
Assim que chegamos, Nate desceu primeiro e abriu a porta para mim. Ele nunca deixou de ser um completo cavalheiro.

- Obrigada. – Eu disse baixinho.
- Por nada.
- Como vai o colégio? – Perguntei enquanto nos sentávamos.
- Cansativo. Com toda essa coisa de ter notas boas, sabe, cansa.
- Bem, se precisar de ajuda com matemática, estou à disposição. Quer dizer, enquanto eu estiver na cidade.
- Quando você vai?
- Em duas semanas. – respondi e vimos à garçonete se aproximar.
- O que vai querer? – garçonete perguntou.
- Um milk-shake de chocolate grande. – Eu disse sorrindo.
- Com dois canudos, por favor. – Nate completou, a garçonete sorriu insinuantemente para ele e saiu rebolando, fazendo certo ciúme em mim – Eu tenho certeza de que você não conseguiria tomar todo esse milk-shake. – E ri e tentei disfarçar minha raiva.
- Pois é. – Eu disse e olhei para fora, tentando disfarçar.
- O que foi? – Ele perguntou chegando mais perto.
- Nada?
- Vamos lá. Eu te conheço, e essa carinha não me engana. Algo te chateou. Foi eu? Eu disse algo errado? – Eu me virei para ele.
- A garçonete estava dando em cima de você. Só fiquei sem graça. – ele riu.
- Eu não tinha reparado, na verdade. A Blair surtaria completamente e provavelmente brigaria com ela e comigo.
- É, a Blair... Ela parece ser ciumenta e um pouco controladora, com todo respeito. Mas confesso que fiquei com ciúmes. Não que eu tenha direito de ter ciúmes de você, afinal de contas, não somos nada um do outro. – eu concluí, forçando um sorriso.
- Está vendo aquela cara ali na outra mesa, te olhando? – Eu olhei para a mesa em frente e vi um cara me encarando e assenti – Se eu pudesse iria lá e quebraria a cara dele. Apesar de não sermos nada um para o outro e eu não ter o direito de sentir ciúmes de você. – ele deu de ombros e eu sorri, sem graça.

Nós dois ficamos em silêncio, apenas nos encarando. O rosto dele foi se aproximando devagar do meu, eu fechei meus olhos e torci para que isso acontecesse. Eu podia sentir a respiração dele nos meus lábios e quando eu senti os lábios dele quase encostarem-se aos meus, algo nos interrompeu e eu soltei um palavrão mentalmente.

- Aqui está seu milk-shake. – A garçonete disse colocando o pedido a mesa. Meu ódio por ela só aumentava a cada segundo.
- OBRIGADA. – Eu disse entre dentes e ela saiu assustada, mas não antes de piscar para o Nate. – É disso que estou falando, Nate! – eu disse apontando para a garçonete e rindo – Nenhuma mulher no mundo consegue não se jogar em cima de você? – nós rimos.

Nós acabamos ignorando a garçonete e tomamos nosso milk-shake. Cada um com um canudo, como num daqueles filmes românticos, mas a diferença é que não éramos sequer um casal ou tínhamos qualquer chance disso.

Capítulo 4

And then the cold came,
E então veio o frio
With the dark days when the fear crept into my mind
Com os dias escuros quando o medo invadiu a minha mente
You gave me all your love
Você me deu todo o seu amor
And all I gave you was goodbye
E tudo que eu te dei foi um adeus

– Um brinde? Com coca, mas ok. – ele disse erguendo seu copo de coca cola e rindo – A nossa amizade. - A nossa amizade... – Eu repeti e bebi um gole.

Meia hora depois, já havíamos pedido refrigerante e começado uma animada conversa sobre absolutamente nada. Estávamos apenas falando coisas aleatórias e rindo, como sempre fazíamos juntos antigamente.

- Animada para se mudar?
- Nem um pouco. – eu ri – Vai ser horrível ficar lá. – ele ergueu uma sobrancelha – Quer dizer, sem vocês. Você, Jenny, o pessoal do colégio. – Eu tentei corrigir o erro, mas não deu tão certo e ele apenas sorriu. – Quer dizer, eu já tenho estado sem você há um bom tempo.
- Você está tão linda hoje. Quer dizer, você é linda sempre, mas hoje está ainda mais. – Ele disse e eu senti minhas bochechas corarem. – Acho que é por que não te vejo assim de perto há um bom tempo.
- Obrigada. Você também está lindo.

Nós dois ficamos um pouco sem graça e depois voltamos a conversar normalmente. Ele sorria e sempre me lembrava de como eu estava linda. Ele sempre me fazia sorrir. Às vezes era como se tudo eu precisasse estivesse ali, sorrindo pra mim.
Mas a realidade começava a me atingir em camadas. Aquilo não poderia ser um encontro porque Nate tinha uma namorada, porque eu estava indo embora e porque eu havia magoado ele mais do que seria permitido alguém aceitar. Eu estava sendo injusta com ele. Uma vontade avassaladora de ir embora me atingiu. Ele pediu mais uma coca e a garçonete foi buscar sorrindo. A mulher chegou com a garrafa de coca e colocou em cima da mesa. Ela sorriu abertamente para nós e colocou um bilhete no bolso da blusa de Nate e saiu sorrindo.
Eu, sem pensar direito, peguei o bilhete e li em voz alta.

- “Me liga gato? 38919754” – Eu joguei o papel para o lado dele, rindo – Isso é completamente rídiculo. Eu estou com ciúmes de você! Eu não tenho o direito, eu não posso ter ciúmes de você. Eu preciso ir embora, Nate. Você nunca deveria ter aceitado sair comigo. – falei me levantando sem sequer pensar direito.
- ? Do que está falando? – Ele disse vindo atrás de mim.

Eu fui até a porta da sorveteria e vi que caía uma chuva muito forte lá fora. Eu não me importei, apenas sai dali e acabei com meu cabelo, minha maquiagem e minhas roupas. Não era mais sobre a garçonete, sobre Blair, sobre ele. Era sobre como era completamente ridículo estarmos nos paquerando num falso encontro onde sabíamos que os dois saíriam perdendo.

- , volta! Pare de ser criança! Está chovendo muito, não posso ir atrás de você com essa chuva! – Nate disse da porta.
- Eu não te pedi pra ir atrás de mim! Esquece que eu te chamei pra vir aqui, OK? Foi um erro. Você tem a Blair e eu estou indo embora! – gritei, abrindo os braços da chuva – Não somos mais nada um do outro e nem vamos ser, então não sei por que fiz isso. Realmente, eu não tenho o direito de sentir ciúmes de você, eu não tenho direito de nada, Nate. Apesar de te amar, eu parti sua porra de coração, não foi? Você não deveria ter saído comigo hoje, eu não tenho o direito de sorrir pra você como se nada tivesse mudado. Não podemos fazer isso. - corri pela calçada molhada, perdendo um dos meus sapatos.

Eu continuei correndo, as lágrimas embaçavam minha visão e eu tropeçava e batia em tudo e todos na minha frente.
Cheguei a uma praça vazia, mas nem por isso parei de correr. Quando eu dei um passo, senti meu sapato agarrar em um buraco e a gravidade me puxar para baixo. Mas antes que eu chegasse ao chão um par de mãos fortes me segurou.
Eu não precisava olhar para saber quem era. Ele me levantou e olhou em meus olhos marejados.

- Não devia ter corrido daquela maneira de lá.
- Eu disse pra não me seguir. – Eu disse chorando.
- Para com isso. – Ele limpou as minhas lágrimas com os dedos – Eu tenho um encontro com você hoje e não com nenhuma outra garota.
- Não é um encontro.
- É um encontro pra mim. – Ele olhava fundo nos meus olhos e era difícil para mim não olhar para ele – Eu não me importo com nada do que aconteceu antes. Nós dois seguimos nossas vidas e é injusto ambos termos lembranças tão ruins um do outro. Você está indo embora e quando eu pensar em você, quero lembrar das suas covinhas ou da sua risada escandalosa, não de como você me magoou. Eu sei que você estava sofrendo, eu sei que nós dois sofremos. E eu sei que não deveríamos estar aqui hoje, mas eu quero me lembrar de você. Eu te perdoo, .
- Eu sinto muito. Não deveria ter gritado com você e saído correndo, eu não tinha o direito disso. Eu sempre fui a errada, Nate, eu não mereço o seu perdão. Você não é meu e apesar de tanto tempo ter se passado, ainda não sei lidar com isso. Você está com a Blair, que é onde deve estar. E eu estou indo embora. Não poderia ser diferente depois de tudo que aconteceu com nós dois. – ele enxugou minhas lágrimas e sorriu. – Mas Nate... Apenas me dê algo para lembrar.

Sem pensar muito, nós colamos nossos lábios e deixamos a chuva ser nossa música. Errado ou não, eu iria me lembrar daquilo para sempre.
Minhas mãos puxavam levemente os cabelos dele, e ele colava mais nossos corpos. a língua dele contornava minha boca, me fazendo arrepiar. Ou talvez fosse apenas a chuva, batendo fria em nossos corpos quentes.

- Eu sinto muito Nate, sinto muito mesmo. Não era sua culpa se eu ainda gostava de outra pessoa. Ele nunca me mereceu, mas você sim. Você me amou e cuidou de mim, até mesmo quando meu pai morreu. Eu te amo, Nataniel Archibald. Eu sempre amei e sempre vou amar. Eu sinto muito por ter estragado tudo e sei que agora é tarde demais. Eu só quero me lembrar de você quando eu estiver longe e que me lembrar assim, de nós dois molhados na chuva, sorrindo e dizendo tudo que já deveria ter sido dito.

Nós continuamos abraçados enquanto a chuva caia pesada sobre nós, mas não importava. As lágrimas teimosas ainda escorriam enquanto Nate tentava enxuga-las. Eu não sei quanto tempo ficamos ali, nos abraçando debaixo daquela tempestade, mas tenho certeza que durou tempo suficiente para que cada vez na qual eu me lembrasse dele após disse, sorrisse como sorri no primeiro dia ao seu lado.



“Olá queridos!
Sentiram minha falta?
Não sei se é de conhecimento de todos, mas a pequena resolveu se mudar para o Canadá para cuidar da mãe doente. Ela jura que isso não tem nada haver com seu ex-namorado N, atual namorado da ‘Queen B’. Dizem as más línguas que ela nunca se perdoou por dar um fora em N, alegando amar seu melhor amigo, C, o ex que partiu o coração da pobrezinha em milhões de pedaços.
Agora que a pequena está fora da jogada, parece que finalmente o casal mais promissor da elite entrará nos eixos certos... Mas será que N realmente a esqueceu? Tudo o que realmente sei é que tão rápido quanto C despedaçou o coração dela, essa não tão pequena cidade esquecerá a pequena .
Eu sei que vocês me amam!
XOXO,
Gossip Girl.”



FIM!



Nota da autora: Eu escrevi essa fanfic há eras, mas estava largada no meu computador implorando pra ser reescrita. Eu na verdade deixei ela bem como estava, então é uma escrita um pouco diferente da minha atual, mas ainda sim, é uma história que eu gosto, gostei de escrever e de revisar. E claro, mozão Nate tá arrasando na fofura nela, né? Espero que tenham gostado da história!
Querem falar comigo? Algum erro, comentário, elogio ou crítica? Podem me encontrar no meu Facebook e no meu email. xx





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