Última atualização: 23/06/2018

1.

Era a primeira vez que viajava de avião e ela tinha certeza que havia cometido todos os erros típicos de turistas iniciantes – não que apenas estar em um avião fosse um ato de turismo mas enfim. Ela parecia aquelas pessoas idiotas que claramente não fazem a menor ideia do que estão fazendo da vida mas continuam fazendo mesmo assim.
Ela foi essa pessoa idiota por quase quatorze horas. Porque, se você vai viajar de avião pela primeira vez na vida, o faça em um voo internacional, parece uma excelente ideia. E quando o piloto finalmente avisou que eles iriam pousar ela teve vontade de gritar e chorar, mas existem limites para a idiotice humana, e mesmo que a de geralmente os ultrapassasse, a idiotice dela também possuía limites.
Agora havia aquele pequeno fato de que ela havia se perdido feio no aeroporto no Brasil porque ela tinha uma total incapacidade de seguir placas e se recusava a pedir informações. Aparentemente era hora de se perder no aeroporto de Los Angeles.
Inicialmente apenas seguiu o mar de pessoas porque obviamente todos estavam indo pegar suas bagagens e, onde a de um estava, estavam todas. pensou na possibilidade de ter sua bagagem extraviada porque era o que sempre acontecia em filmes e novelas e livros, então obviamente aconteceria com ela também. Mas ali estava a mala de arco-íris que havia pegado emprestado com Gisele. Tudo bem, ela poderia viver sem um clichê.
Ao sair do local das bagagens viu mais um mar de pessoas parado, esperando. Com plaquinhas! Ela tinha certeza que plaquinhas eram coisa de filme! E havia todos os mais diferentes tipos de nome: Kevin Simpson, Miguel Cunha, Evelyn Gomes, Sharon Hinman, .
Ah tá.
Era ela.
E segurando a placa com seu nome estava um rapaz alto, realmente alto, loiro, olhos claros que não sabia ao certo se eram verdes ou azuis mas que definitivamente eram lindos. Ele estava lá parado, sorrindo com a maior pose de modelo de capa de revista ou de anúncio de nova coleção de roupas de inverno, porque ela tinha na própria mente que Harrison combinava muito mais com roupas de inverno.
Nada de Tom.
Não que ela fosse chorar ou algo assim, mas ela havia imaginado algumas – muitas – vezes que chegaria no aeroporto e correria até os braços de Tom e ele a pegaria no colo e a giraria no ar enquanto eles riam e se beijavam, e isso era a cena mais clichê de todos os romances, mas era a cena que ela queria pra si mesma. Qual a graça de viver uma vida sem clichês? Sem pensar que aquilo poderia ser facilmente a cena de um filme ou livro?
Mas não.
Seu namorado não havia ido buscá-la.
Até que fazia sentido. Talvez a presença dele fosse causar algum tipo de tumulto no aeroporto, vai saber. Tom era mundialmente conhecido, afinal. Ela poderia lidar com o namorado a esperando em casa, fazia sentido de alguma maneira.
Então ela sorriu e praticamente correu até Harrison, puxando a mala de qualquer jeito, tendo certeza que ela iria virar em algum momento mas nem ligando. Haz então abriu os braços, pronto para recebê-la em um abraço. Quando soltou a mala e pulou os braços do rapaz, teve certeza que poderia começar a chorar a qualquer momento.
Ela estava em Los Angeles.
Finalmente aquilo havia acontecido.
— Você pintou o cabelo de cinza! — foi a primeira coisa que o rapaz falou ao soltar a menina, tocando seus cachos com delicadeza.
— Gostou?
— Ficou maravilhosa. — ele sorriu, puxando-a para outro abraço, mais rápido dessa vez. — Me responde: por que você deixou a mala no meio do caminho?
Os olhos de arregalaram enquanto ela voltava e pegava a mala de arco-íris de Gisele. Viu que Harrison ria dela mas nem poderia julgar. Se não fosse lerda de vez em quando ela não seria , essa era a verdade.
— Como foi o voo? — existia aquela necessidade de conversa fiada, claro. E talvez uma preocupação misturada com curiosidade.
— Tranquilo. Uma ou outra turbulência e eu quase começando a chorar achando que iria morrer, nada demais. — os dois riram.
Harrison gesticulou para que eles começassem a caminhar, o que foi um alívio para . Pelo menos agora ela não estava mais completamente perdida naquele lugar, tinha a quem seguir. Durante todo o percurso ela falou sem parar e recebeu pequenos comentários de Harrison, contando sobre como tinha uma criança que não parava de chorar (“Sempre tem!”), como a comida não era nada do que ela esperava (“Eles deixam as coisas boas pra primeira classe”), como o catálogo de filmes era baixo (“Podia rolar uma Netflix né?”) e muito mais.
O carro era preto e de uma marca que não conhecia, provavelmente americana – não que ela realmente conhecesse as marcas brasileiras, mas enfim. Harrison colocou a bagagem de no porta malas e depois seguiu para o banco do motorista enquanto já afivelava o cinto no banco do carona.
Ela ficou quieta durante todo o trajeto, apenas observando as ruas de Los Angeles. Ela havia visto tanto aquelas ruas em talkshows pela internet. O do James Corden, por exemplo. E ali estava uma casa enorme, provavelmente de algum famoso. E um estúdio de gravação. Era um sonho, estava realmente vivendo um sonho.
Eles pararam na portaria de um prédio¹ muito, muito bonito. Mais bonito do que os prédios “de rico” da cidade de . E enquanto desciam do carro e iam até o elevador, teve certeza que aquele era o local mais rico que ela estaria em toda sua vida, porque se nem conseguir trocar de emprego ela conseguiu, quem dirá pagar um apartamento como aquele. Era fácil esquecer a dimensão da riqueza de outras pessoas.
— Bem vindo à nossa casa, que também será sua por um mês. — Harrison sorriu enquanto a deixava entrar na frente.
E aquela casa era exatamente o que sempre via de fundo nas chamadas de vídeo com Tom. Tudo estava incrivelmente limpo – e por alguma razão tinha certeza que eles tinham empregada porque não era possível que os dois fossem tão organizados assim, ela não era – e aconchegante. Só tinha um problema.
Tom não estava.
— ‘Tá, então, lembra que o Tom ia pra China e chegava hoje também? — ah não. já sabia o que viria pela frente. — O voo deles atrasou. Ele vai chegar entre hoje a noite e amanhã cedo.
Ah. Tudo bem. Só mais algumas horas e eles finalmente se veriam. O que eram horas para quem havia esperado meses? E outra, ela tinha certeza que ele deveria estar tão ansioso quanto ela. Se o celular dela estivesse funcionando ela tinha certeza que teria recebido várias mensagens dele. O que lhe lembrava…
— Eu preciso de um chip daqui. — foi o que ela falou após a declaração de Harrison sobre o atraso de Tom, então ela não podia culpar o rapaz por começar a ter uma crise de riso.

***

Ela e Harrison haviam caminhado pelas ruas de Los Angeles muito lentamente, e sabia que a culpa era totalmente dela. Mas o que ela poderia fazer se tudo parecia tão interessante e ela queria tirar várias fotos o tempo todo? Pelo menos eles haviam comprado o tal do chip pré-pago, porque ela ia abusar do whatsapp, claro.
Depois Harrison havia levado-a para um lanchonete muito legal e não tão diferente assim das lanchonetes brasileiras, honestamente. E eles haviam comido tanto que ainda sentia o estômago meio pesado, mas estava extremamente satisfeita, obrigada.
Eles haviam voltado apenas à noite e, por mais que ela estivesse meio acostumada a ficar acordada durante a madrugada, ela se sentia honestamente cansada. Então Harrison a ajudou a se acomodar no quarto de Tom, pedindo para que ela ficasse a vontade e qualquer coisa o chamasse na porta no fim do corredor.
Então agora ela estava deitada na cama de Tom e era isto. O colchão era absurdamente confortável e os lençóis cheiravam muito bem, provavelmente amaciante. E aquela cama era enorme e ela já a amava, sério. Ela se sentia em um quarto de hotel.
gastou uma boa parte de sua noite mandando seu novo e temporário número para todos os amigos, não demorando até que uma mensagem nova aparecesse no grupo em que ela, Eduarda e Gisele faziam parte.
“Minha mala tá inteira? Ela foi feita especialmente pra mim, !” a mensagem de Gisele lhe arrancou uma risada. Certo, encontrar mala de arco-íris não era tão fácil assim.
“Em perfeito estado. E a viagem também foi ótima, obrigada por perguntar”
“Já beijou muito o namorado?”
Então ela contou para as amigas o que havia acontecido e como ela era uma pessoa azarada em alguns momentos – apesar de admitir ser bastante sortuda em outros. Conversou um pouco mais até decidir que realmente estava cansada e precisava dormir. Colocou o celular na cabeceira e finalmente conseguiu fechar os olhos e descansar.

***

acordou com a porta do quarto sendo aberta. Tudo estava escuro e ela não conseguia enxergar muita coisa, mas conseguiu ouvir passos e o barulho de coisas sendo largadas pelo chão. Mais alguns passos e ela sentiu o colchão afundar, alguém se deitando ao seu lado e puxando o lençol que ela usava, fazendo-a dividi-lo.
Ela forçou um pouco a visão, tentando enxergar a pessoa que, ela chutava, agora estava com a cabeça apoiada no travesseiro ao lado dela, mas o quarto ainda estava escuro demais.
— Oi. — a voz de Tom preencheu o quarto, mesmo parecendo apenas ser um sussurro, o corpo dele aproximando-se um pouco mais do dela. — Desculpa o atraso.
O coração de acelerou.
Tom estava ali, deitado ao seu lado.
Finalmente.

¹: eu sei que eles moram em uma casa, mas aqui vai vamos fingir que é em um prédio.



2.

A língua portuguesa e a língua inglesa não possuíam palavrões o bastante para expressar o nível de felicidade que sentia. Porque Tom estava ali. Ao seu lado. Na mesma cama, embaixo do mesmo lençol. Agora ela podia tocá-lo. A mão dela procurou pelo braço dele, tentando chegar ainda mais perto.
Havia uma coisa que realmente precisava fazer.
Ela precisava beijá-lo.
Mas havia toda uma nova neura: e se ela estivesse com mau hálito? A última coisa que precisaria era que o primeiro beijo com Tom fosse com sabor e cheiro de morte. Então, como quem não quer nada, ela colocou a mão em forma de concha sobre o nariz e a boca, assoprando e sentindo o próprio odor. Não estava fedendo. Claro que também não estava com hálito de menta, mas aquilo daria certo. Ela provavelmente não havia dormido o bastante para que o famoso “bafo” tomasse conta de sua boca.
Estava segura para, finalmente, o beijar.
E mesmo no escuro, mesmo sem enxergar nada, ela o beijou.
E errou, feio.
Os dois começaram a rir sem parar quando os lábios dela acertaram o queixo dele, o beijo mais torto da história. já havia aceitado que aquele relacionamento nunca seria “normal” ou fofo ou o clichê que ela tanto queria que fosse. Sempre ia algo sair errado e que renderia algumas risadas.
As mãos de Tom procuraram o rosto de , encontrando primeiro seu nariz e arrancando ainda mais risadas dos dois. Depois ele segurou o rosto dela com ambas mãos, uma em cada bochecha, apenas para ter uma noção de onde exatamente ela estava naquele maldito quarto totalmente escuro. E com cuidado e muito mais devagar do que gostaria, Tom finalmente conseguiu encontrar os lábios de e, pela primeira vez, beijar a namorada.
Se aquele não era o melhor beijo da vida de ela não sabia qual era.
Os lábios finos dele, em oposição aos lábios cheios dela, pareciam se encaixar perfeitamente, o que realmente não fazia tanto sentido assim. Então provavelmente era apenas o que pensava porque ela havia esperado por sentir aqueles lábios por tanto, tanto tempo, que simplesmente os achava perfeitos. Tudo o que ela havia esperado.
Porque ela realmente estava apaixonada demais por aquele garoto.
— Puta merda. — foi o que ela falou quando ele se afastou tão pouco que ela ainda sentia o nariz dele encostando no dela. — O quanto eu esperei por isso não está escrito.
— Eu digo o mesmo. — e novamente os lábios deles estavam unidos, desta vez por um período menor de tempo. Mas ainda assim um excelente período, era importante frisar.
— Como foi a viagem? — era estranho porque ela não estava enxergando o garoto, mas mesmo assim a presença dele ao seu lado era tão forte que ela sentia como se estivesse vendo cada parte de seu rosto.
— Tranquila até. — os braços dele passaram ao redor da cintura dela, a abraçando, colando seus corpos. — Cansativa.
— Isso foi uma deixa pra eu te deixar dormir?
— Eu prefiro continuar te agarrando. — um beijo torto no canto de sua boca e ela riu um pouco.
— Pra você errar minha boca de novo?
— Lembrando que quem beijou meu queixo foi você.
— Dorme, Tom.
— Durmo. — ele arriscou mais um beijo na namorada, acertando metade de seus lábios, para apenas então fechar os olhos e deixar o cansaço levar a melhor.
percebeu a respiração de Tom se tornar mais compassada, tranquila. Pela primeira vez ela preocupou-se com a ideia de que o rapaz roncasse. Ela simplesmente não dormia se houvesse alguém roncando no mesmo ambiente que ela. Mas, ao que parecia, ele não roncava. Ótimo. Assim ela também poderia entregar-se ao sono. Sabia que a noite seria ótima.

***

Quando acordou estava sozinha na cama. Ela coçou os olhos, tentando entender o que raios estava acontecendo. Pequenos raios de luz entravam pela fresta entre as cortinas. Então Tom havia chegado no meio ou começo da madrugada. Quer dizer, Tom havia chegado, certo? Nada daquilo havia sido um sonho, certo?
Ela saiu debaixo dos lençóis, se espreguiçando e sentindo um pouco de dor na coluna. Com certeza ela não havia sonhado, aquela dor só poderia ser por causa da posição que havia dormido, abraçada ao rapaz. Aquele colchão era bom demais para causar dor daquela maneira.
Mexeu na própria mala, procurando roupas limpas para tomar banho. Ela havia levado apenas uma mala para passar o mês inteiro – uma mala que era metade de seu tamanho, mas mesmo assim apenas uma –, então não tinha tanta coisa assim. Ela pretendia lavar suas roupas, além do que realmente possuía poucas peças. Seu dinheiro sempre foi curto e ela nunca teve roupas como prioridade de compras.
Quando foi para o banheiro que Harrison havia lhe indicado no dia anterior, ouviu vozes que provavelmente vinham da sala ou da cozinha. Não se deu o trabalho de tentar entender sobre o que os dois amigos conversavam. Ela precisava acordar de verdade, e para tanto precisava de um banho bem quente.
Todo o processo durou por volta de dez minutos. Ela havia decidido não lavar o cabelo, então o banho foi bem mais rápido que o normal. Depois teve que voltar em sua “bagagem de mão” porque ela obviamente havia esquecido de levar a escova de dentes pro banheiro. Apenas após não parecer mais com um zumbi ela finalmente foi se juntar a Harrison e Tom.
Os dois estavam sentados na mesa da cozinha, conversando e rindo alto, ambos ainda trajando seus pijamas. Na mesa havia vários tipos de alimentos de café da manhã, não tão semelhantes ao que estava acostumada. Ela achava que faltava um pão de forma com presunto e queijo, mas tudo bem. Ela poderia comer torrada com geleia.
— Bom dia, raio de sol. — Harrison a viu antes, já que Tom estava sentado de costas para ela.
O namorado virou o rosto, sorrindo ao vê-la.
— Seu cabelo está maravilhoso. — era verdade, ela até tinha esquecido que o cabelo cinza seria uma surpresa para Tom. — Eu não achava que era fisicamente possível você ficar ainda mais linda. Pelo visto eu estava errado. — ele fez um gesto para que ela se sentasse ao seu lado, dando-lhe um beijo no rosto como forma de cumprimento.
— Isso foi tão brega. — Harrison revirou os olhos, fazendo com que os outros dois começassem a rir.
sorriu enquanto pegava uma torrada e a cobria com geleia. Aquilo tudo era estranho e ela estava realmente se esforçando muito para não pedir licença para fazer qualquer coisa. Harrison havia falado que aquela também seria a casa dela, certo? E Tom era seu namorado, afinal. Há muitos meses. Ela poderia ficar à vontade.
Ainda assim era diferente estar ao seu lado, vendo-o tão de perto. Surreal não descrevia nem o início do que ela sentia a respeito daquela situação. Mas, ao mesmo tempo, era um sentimento incrível. Era a estranha sensação de ser a pessoa de fora mas de também estar no lugar certo, onde ela deveria estar.
— Olha pra você, toda arrumada e de banho tomado. — Tom sorriu, apenas observando enquanto se servia de mais dos alimentos da mesa. — Haz falou que vamos sair para fazer compras?
— Compras? — repetiu com a boca meio cheia, esforçando-se para abri-la o mínimo possível.
— A menos que você tenha um vestido de gala na sua mala. Você tem? — Tom franziu as sobrancelhas, vendo acenar negativamente. — Então precisamos fazer compras.
— Pra que?
— Como assim “pra que”? Segunda é a premiere mundial de Guerra Infinita, . Tem um código de vestimenta.
Ela sentiu quando o pedaço de torrada “desceu pelo buraco errado”. Seu corpo instantaneamente esforçou-se para expelir o objeto estranho e começou a tossir sem parar, buscando desesperadamente por ar. Ela sentiu os olhos começaram a lacrimejar. A idiota sabia que iria morrer ali, na cozinha de Tom e Harrison.
Os dois rapazes levantaram rapidamente, ajudando a também se levantar. Em poucos segundos ela sentiu Tom atrás de si, fazendo aquele movimento horroroso e levemente doloroso para ajudá-la a cuspir aquele maldito pedaço de torrada. E após três tentativas ela finalmente se livrou daquele maldito pedaço, tossindo algumas vezes e respirando fundo. Harrison lhe estendeu um copo d’água, ao que ela aceitou prontamente e deu um longo gole.
— O que aconteceu? — Tom perguntou após ver que a namorada estava recuperada e viva. E a resposta de foi um forte soco no ombro de Tom. — Ai! Pra que isso?
— Esse não é o tipo de coisa que se fala enquanto a pessoa está comendo, Thomas!
— Como você não sabia disso, ? — ele segurou a mão dela, a impedindo de lhe dar mais um soco. — Por que mais eu pediria pra você vir em abril?
— Eu não sei!
— Você é lerda!
— E você! — ela se virou para Harrison, que apenas fez cara de assustado. Todo o tempo ele havia ficado em silêncio, mas sabia que o rapaz tinha sua parcela de culpa na história. — Por que não me contou antes?
— Não me coloca nisso! — Haz levantou o dedo, segurando a risada. — É culpa do seu namorado não ter falado, e culpa sua por ser lerda.
E então os três finalmente cederam, começando a rir sem parar. Aquela cena havia sido ridícula, e engraçada, e não havia nada o que eles poderiam fazer além de rir sem parar.

***

havia descoberto muito rápido que fazer compras com três rapazes estava muito longe de ser um sonho. Ela sentia falta de Gisele e Eduarda como nunca – honestamente Juliano também não era grandes coisas opinando sobre moda. E não que fosse, mas ela sabia quando algo ficava bom ou não. Diferente de Tom, Harrison e Jacob. Qualquer vestido que ela colocava os três falavam que estava lindo.
Até mesmo quando ela colocou um vestido de saia bufante de duas cores com um tomara que caia em formato de coração que honestamente era a coisa mais horrível que já havia visto em toda sua vida. E mesmo assim os três falavam que ela estava maravilhosa.
Foi aí que ela soube que a escolha do vestido caberia a ela, e apenas a ela.
— Isso ‘tá horrível. — era mais ou menos o vigéssimo vestido que ela experimentava na décima loja que entravam.
Desta vez era um vestido de renda roxa e transparência¹ que deixava metade de seus seios para fora, a renda e alça mal cobrindo seu busto. A cintura também era marcada por transparência, apenas na saia tendo um tecido que a escondia melhor. Honestamente ela se sentia meio nua com aquela roupa.
Foi a vez de Tom engasgar. Ele literalmente cuspiu o café que havia acabado de colocar na boca. franziu as sobrancelhas para o namorado, que agora estava com o rosto vermelho, tentando desesperadamente parar de tossir e voltar a respirar.
— ‘Tá meio… Diferente. — Jacob franziu as sobrancelhas, recebendo um aceno de Harrison, que concordava com o amigo.
— Eu acho que ‘tá bom. — os olhos de Tom ainda estava grudados em , não sabendo exatamente para qual parte do corpo da namorada olhar sem parecer abusado. — Eu… Esse está realmente muito bom. É.
Harrison e Jacob se olharam, explodindo em risadas, deixando Tom ainda mais vermelho. estreitou os olhos na direção do namorado sem falar uma palavra. O garoto desviou o olhar. Ok, aquela era oficialmente uma situação esquisitíssima.
— Olha, tem mais um vestido ali dentro pra experimentar, e é o último. Se não acharmos mais nada eu vou oficialmente desistir. — ela voltou para dentro do provador, tirando o vestido roxo e transparente, questionando-se porque raios havia saído do provador vestindo-o.
Mas, para a sorte de , o último vestido² certamente seria o escolhido. Com a parte de cima preta, alças caídas e um pequeno V no decote, uma saia longa e florida. Era maravilhoso, ela estava completamente apaixonada. Ela tinha certeza que aquele era o vestido perfeito para ela. Quando saiu do provador com um sorriso que tomava todo seu rosto, ouviu um assobio vindo de Harrison.
— Eu sei que falamos “uau” para praticamente todos os vestidos, mas esse…
— Está perfeito, ! — Jacob deu um joinha com ambas mãos, o sorriso tão grande quanto o da garota.
Tom permaneceu em silêncio, apenas a observando e sorrindo. Sem falar mais nada ela voltou para o provador, finalmente terminando aquela primeira sessão de compras, voltando para seu delicioso jeans e blusa xadrez.
Junto dos três rapazes foi para o caixa pagar o vestido, onde uma pequena discussão aconteceu porque todo mundo queria pagar a porcaria da vestimenta e no fim tiveram que dividir entre os três rapazes, porque disse que pagaria os sapatos sozinha e se alguém reclamasse ela iria pegar o primeiro avião de volta para o Brasil. Sério.
— Então… Você gostou daquele vestido transparente. — praticamente cochichou para Tom enquanto eles caminhavam de volta para casa, após passar mais um tempo tentando escolher um sapato que não tivesse o salto tão alto assim porque não era obrigada, simplesmente.
Harrison e Jacob iam um pouco a frente, rindo juntos de qualquer coisa que ela não havia ouvido o começo. Ela e Tom estavam um pouco mais atrás, de mãos dadas. Ele virou um pouco o rosto, sorrindo meio sem graça.
— Desculpa?
— Fala sério, Tom. — ela parou de andar, ainda segurando a mão do rapaz e o impedindo de continuar o caminho. Harrison e Jacob nem pareceram notar, continuando mais a frente. Então levantou um pouco queixo, aproximando a boca do ouvido de Tom para que apenas ele ouvisse suas próximas palavras. — Pra que ficar me olhando com uma roupa transparente se você pode me olhar com roupa nenhuma quando quiser?
A boca de Tom abriu e fechou algumas vezes, sem conseguir formar uma frase lógica. E então ele começou a rir, segurando novamente a mão dela e voltando a caminhar um pouco mais rápido do que antes.
— E essa pressa? — ela riu mas acompanhou o ritmo do homem.
— Olha o que você me falou, . Agora temos que chegar em casa logo.



3.

tinha certeza que iria vomitar. Acontecia constantemente quando ela se sentia muito nervosa. E ela não sabia ao certo se poderia ficar mais nervosa do que aquilo. Antes de tudo o que havia acontecido em sua vida, antes de sentir como se houvesse dado uma volta de cento e oitenta graus, era fã da Marvel. Antes de começar a namorar Tom Holland, era fã da Marvel. Então saber que estava a poucas horas de assistir Vingadores: Guerra Infinita, o maior filme da Marvel até o momento, era sim o bastante para que ela passasse mal.
Por isso ela estava sentada na cama trajando apenas sua roupa íntima, o vestido de saia florida pendurado no guarda roupas, olhando para ela. Perguntando-lhe se ela não o vestiria logo porque eles tinham que sair de casa já que o tapete vermelho sempre parecia levar uma vida inteira. E ela queria colocar o vestido porque sabia que ficava maravilhosa com aquela roupa, mas parecia que algo a travava.
Era aquele sentimento de novo, de que nada daquilo poderia ser real porque era tudo bom demais para estar realmente acontecendo, e quando em sua vida ela havia sido tão sortuda? Toda sua sorte havia sido canalizada em Tom, era a única explicação. E ela já estava com o cabelo lindo, a maquiagem maravilhosa, só faltava colocar o vestido. O barulho do chuveiro já havia silenciado, e a qualquer momento Tom provavelmente apareceria já vestindo seu terno, pronto para sair de casa.
? — suas previsões provaram-se quase certas ao ver Tom entrar no quarto, porém ele trajava apenas a calça do terno, o peito nu com a toalha caída nos ombros, os cabelos levemente molhados. — ‘Tá tudo certo?
— Uhum. — ela balançou a cabeça, os olhos ainda no vestido. — Perfeito.
— Não. Tem alguma coisa errada. — ele então se sentou ao lado dela, tocando seu braço, descendo a própria mão até que encontrasse a da namorada. — Quer me falar?
— ‘Tá tudo bem, amor. De verdade. — ela virou o rosto na direção dele, roubando um rápido beijo do namorado e o abraçando.
Ela estava com Tom há exatamente dois dias (dependendo de como preferisse contar) e mesmo assim sentia como se estivesse com ele há anos, como se estar ao lado dele, em seus braços, fosse simplesmente natural. E era ali que ela queria continuar por muito tempo, honestamente.
— Vou acreditar. — os lábios dele encontraram a bochecha dela em um demorado beijo.
— Eu te amo. — ela se afastou um pouco, olhando nos olhos dele e recebendo o sorriso mais lindo do mundo.
— Eu também te amo. — ele aproveitou o momento para realmente beijar os lábios de , demorando-se, aproveitando a sensação de tê-la tão perto. Depois se afastou, vendo-a sorrir. — Se você quiser, eu posso contratar alguém pra ir em meu lugar e a gente fica aqui, quietinhos, só nós dois.
Tom precisou segurar a risada porque ele sabia exatamente qual seria a resposta de . Ele mesmo achava aquela ideia péssima, mas seria engraçado ver como a namorada reagiria. Ela então se afastou ainda mais, inclinando a cabeça e fazendo uma cara meio brava e meio “você só pode ser idiota”.
— Não fala merda, Thomas. — e assim, com quatro palavras, o romance estava morto. — Até parece que eu vou deixar de ir na premiere de Vingadores. O elenco todo vai estar lá. O Robert Downey Jr. vai estar lá!
— O que tem o Downey?
— Tem que eu sou apaixonada por ele. — Tom franziu as sobrancelhas para a namorada, que agora já estava de pé, começando a colocar o vestido.
— É sério que você falou isso pra mim? — o rapaz também se levantou, passando a vestir a camisa vinho que usaria por baixo do terno.
— Tom, eu te amo. De verdade. Tipo, pra caralho. — ela ficou de costas, claramente esperando que Tom fechasse o zíper de seu vestido. Ele revirou os olhos, aproximando-se da namorada e subindo o zíper. Ela então se virou para ele com um enorme sorriso. — Mas se o Downey fosse solteiro e me desse bola, eu ficaria com ele sem pensar duas vezes.
— Você é a pior namorada do mundo.
— Repete isso umas mil vezes. Quem sabe assim você acredita. — ela o puxou para perto, dando um demorado selinho antes de sorrir e sair do quarto, deixando que ele terminasse de se arrumar.

***

A única coisa impedindo de gritar no tapete vermelho era Harrison Osterfield. Primeiro que os dois haviam ido separados de Tom e Jacob. Aparentemente apenas o elenco principal tinha permissão para chegar no tapete vermelho de carro. Convidados simples, como os dois – o que achava meio absurdo já que Haz trabalhava para Tom – deveriam chegar a pé – no caso deles, Uber – e entrar… A pé.
Assim que adentrou o espaço sentiu-se completamente sufocada. Não que ela não estivesse amando, porque no fundo ela estava. estava na premiere de Guerra Infinita, em Los Angeles, não havia realmente como ela odiar tudo o que estava acontecendo por ali. E, pela primeira vez em sua vida, ela estava pisando em tapete vermelho. Com celebridades passando perto de si. Fãs gritando enlouquecidas contra a grade, com cartazes e tudo o mais.
O braço dela estava ao redor do braço de Harrison, que a guiava pelo longo caminho. Câmeras e repórteres estavam por todo lado, entrevistando as mais diferentes celebridades. Ela ainda não tinha visto Tom, mas não estava muito preocupada com ele. Sabia que o namorado era do tipo que tentaria falar com todo repórter que o paresse e com todo fã que estivesse na grade.
via que algumas pessoas na grade acenavam para Harrison, que respondia os acenos com um enorme sorriso. Ela tinha certeza que eram fãs de Tom, e toda boa fã de Tom sabia quem era Haz.
— E não é que você também é famoso? — ela o provocou, rindo.
— É, todo mundo me conhece, o “melhor amigo do Tom”.
— Eu já vi também te chamarem de “namorado do Tom”.
— Eu era, mas aí você apareceu e o roubou de mim. — Harrison fez uma expressão triste exagerada, arrancando várias risadas de . — O que está achando do seu primeiro tapete vermelho?
— É diferente do que eu esperava, mas… É bom. Estou gostando.
— A melhor parte não é agora, acredite. — Harrison piscou para , deixando-a entendendo um total de zero coisas.
sentiu-se obrigada a parar em alguns momentos para tirar fotos, porque você não vai na premiere do maior filme de heróis atualmente a finge que nada aconteceu. Mesmo que ela não fosse postar agora, elas pelo menos teria fotos do evento. Ela e Harrison tiraram várias selfies, sorrindo feito idiotas, fazendo caretas, se divertindo, até que um segurança pedisse para que eles, por favor, entrassem no cinema.
Foi dentro do local que teve certeza que teria um ataque.
O filme ainda não havia começado, e pelas contas de Harrison ainda faltava bons quarenta minutos, mas o cinema já estava começando a lotar, várias rodinhas de pessoas jogando conversa fora, se divertindo. E conseguia ver muitas celebridades perto. Realmente perto. E ela queria muito gritar e correr e conversar com todos, mas ela sabia que não poderia.
— Encontrei vocês. — ela sentiu dois braços ao redor da sua cintura, a apertando em um abraço, e um beijo rápido em seu rosto.
Ela cobriu os braços de Tom com o próprio braço, aceitando o abraço do namorado, deixando-o próximo de si, mas não demorou muito para que ele saísse de trás dela, posicionando-se ao seu lado, porém mantendo o braço esquerdo ao redor de sua cintura. Os três ficaram apenas conversando, esperando que o filme finalmente começasse.
— Tom! — alguém se aproximou dos três, um enorme sorriso no rosto. precisou de apenas dois segundos para reconhecer Chris Pratt. — Não tinha te visto ainda! Quem passou o tapete vermelho com você?
— Eu passei sozinho. — o braço de Tom continuava na cintura de , o que a garota achava ótimo porque ela tinha certeza que iria cair a qualquer momento.
— Deixaram? Você não soltou nenhum spoiler no caminho?
— Acredito que não. — Tom riu, sendo acompanhado por Pratt.
olhou desesperada para Harrison, que apenas ria. Será que ninguém havia percebido que ela estava quase branca – e isso realmente queria dizer muito sobre sua situação? Que a qualquer momento ela poderia desmaiar? Olá, fã no recinto? Alguém pode ajudar?
— Harrison, você impediu o Tom de falar demais, certo? — os olhos de Pratt encontraram os de Harrison, que precisou de alguns segundos para se recompor e respondê-lo.
— Geralmente eu tento, mas hoje eu estava acompanhando a aqui. — o rapaz apontou para a menina.
Então finalmente os olhos de Pratt e encontraram, parecendo notá-la pela primeira vez. Ele então sorriu estendendo a mão para ela, o que fez querer morrer. Ela sabia que sua mão estava muito gelada e que provavelmente ela estava tremendo. Mas era uma pessoa educada, claro que ela não recusaria um aperto de mão, especialmente um vindo de Chris Pratt.
— Você eu não conheço. Prazer, segundo Chris mais bonito daqui.
— Segundo? — ela tentou soar normal, mas apenas o olhar de Harrison já deixava claro que sua voz não estava certa. Provavelmente mais fina.
— Você ainda não conheceu o Hemsworth, né?
— Não. — ela riu, sentindo-o soltar sua mão. E então lembrou-se que ainda não havia se apresentado. — , prazer.
é minha namorada, Chris. — ela sentiu um leve aperto de Tom em sua cintura, um enorme sorriso no rosto do rapaz.
— Você namora? Com ela? — Pratt pareceu chocado ao encarar Tom, virando-se então para . — Você escolheu namorar com ele?
— Isso foi ofensivo. — apesar das palavras tristes o sorriso ainda estava no rosto de Tom, que claramente havia levado na brincadeira.
— A gente aceita o que a vida oferece, né. — balançou os ombros, conseguindo arrancar uma alta risada de Chris Pratt e sentindo-se um bolinho especial. Sentiu uma forte cutucada do namorado mas ignorou completamente. Ele sabia que, assim como Pratt, ela estava brincando.
— Um dia você consegue algo melhor, não desista. — Pratt piscou para ela.
Ele e Tom trocaram mais algumas palavras antes de Pratt pedir licença e se retirar, indo conversar com algum outro colega de elenco. Assim que o homem não estava mais na visão de , ela finalmente permitiu-se agarrar Tom e esconder a cabeça entre seu ombro e seu pescoço. Sentiu o abraço de Tom mantendo-a próxima de si, segurando seu corpo com delicadeza.
?
— O Chris Pratt falou comigo. O Chris Pratt. Ele falou comigo. — ela não iria chorar, claro. Mas ela bem queria.
Porque era uma fã, e a vida inteira ela havia sonhado em conhecer todas as pessoas que estavam exatamente no mesmo cinema que ela. E mesmo que ela tivesse apenas falado com uma delas, ela havia falado com uma delas. Era mais do que ela jamais havia sonhado.
Sem contar o fato que ela era namorada do Tom Holland, mas com isso ela já havia se acostumado. Mais ou menos.
, calma porque ainda tem muito evento pela frente. — ela sentiu Harrison dar alguns tapinhas reconfortantes em seu braço.
Ela soltou Tom e encarou Harrison, acenando positivamente. O filme ainda nem havia começado. A noite estava apenas começando.

***

O filme era tudo o que havia esperado e, ao mesmo tempo, muito melhor. E tudo estava perfeitamente bem. Cada reação de havia sido exatamente o que Tom esperava.
Até a cena da morte do Peter Parker.
Ele sentiu os braços da garota de fecharem com força ao redor do seu braço direito, uma força que ele não sabia que ela possuía. Então a cabeça dela apoiou-se em seu braço.
Tom sentiu chorar.
— Por favor, não morre… — ela sussurrou em meio a soluços.
Talvez devesse ser fofo, afinal ele havia atuado bem o bastante para fazer com que a namorada de fato chorasse com a cena. E mesmo que aquela fosse a primeira vez que Tom visse a cena, ele estava orgulhoso de si mesmo, e levemente impressionado. Mas, ao mesmo tempo, Tom estava preocupado.
? ‘Tá bem?
Na tela ele se ouviu falar “desculpe”, e então desaparecer completamente, o corpo de Tony Stark caindo pela falta do seu próprio, ele tornando-se pó.
Ao seu lado, ainda soluçava.
— O Peter não, por favor…
, ‘tá tudo bem. — ele se soltou do aperto dela, livrando o próprio braço e o passando pelos ombros da garota, puxando-a para um abraço, sentindo a cabeça dela afundar em seu peito. — Eu ‘tô aqui, ‘tá tudo bem.
— Eu te amo, Tom. Muito. Mas puta merda, como você me fez sofrer. — ele apenas riu, recebendo um leve soco da garota. — Minha maquiagem borrou e eu te culpo.
Eles não falaram mais nada até o fim do filme, quando todos aplaudiram e aos poucos as pessoas se levantavam, novamente passando e se reunir em grupos para conversar mais sobre o que haviam acabado de assistir, provavelmente apontando termos técnicos.
Ele, , Harrison e Jacob – que eles haviam encontrado apenas ao se sentar – saíram das cadeiras, caminhando até um dos corredores cheios. Haz e Jacob não perderam a chance de rir um pouco da maquiagem de , mas não durou muito, já que ela pediu licença e foi para o banheiro, voltando alguns minutos depois com a maquiagem em perfeito estado, apesar de Tom ainda conseguir enxergar seu nariz um pouco vermelho.
— E agora? — foi a primeira coisa que ela perguntou ao se aproximar novamente do trio de amigos.
— Agora é a melhor parte, . Nós vamos para a afterparty.



4.


, você ‘tá me machucando. — Tom puxou a mão para longe do aperto de .
Eles ainda estavam no banco de trás do carro – eles haviam ido separados de Harrison e Jacob –, quase chegando ao local em que aconteceria a afterparty, e desde que haviam falado sobre a festa para , ela havia agarrado a mão do rapaz com tanta força que ele tinha a impressão de que a circulação nos dedos estava comprometida.
— Eu não sei se estou psicologicamente pronta para fazer parte de uma festa com os meus atores preferidos.
— Eu sou seu ator preferido. — Tom franziu a sobrancelha para a namorada.
— Você é meu namorado, já acostumei com você. Não tem mais tanta graça.
Tom bufou e logo em seguida sentiu uma leve mordida no ombro nu, que não demorou muito para se transformar em um beijo. E então Tom começou a subir os beijos pelo pescoço de , dando leves sugadas na pele da garota.
— Por mais que eu esteja amando isso, é melhor parar, Tom. — os dedos encontraram o cabelo na parte de trás da cabeça dele, enrolando-se.
Ela puxou-o levemente, afastando a boca do rapaz do próprio pescoço, sentindo um vento leve por conta da falta de seu calor. então aproximou-se do rosto de Tom, o beijando intensamente, seus lábios se movimentando contra os dele com rapidez. Demorou mais do que deveria no beijo, fazendo uma careta ao ter que se afastar.
— Eu só queria te ajudar a se acalmar. — ele sorriu e apoiou a cabeça entre o ombro e o pescoço dela.
— Isso não iria me acalmar. — ela riu, apoiando a própria cabeça contra a cabeça de Tom.
Poucos minutos depois o carro finalmente parou em frente ao que parecia um enorme e chique salão. e Tom saíram do carro, vendo muitos outros veículos estacionarem logo atrás deles, de onde mais e mais pessoas absurdamente bem arrumadas desciam. Ela passou o braço ao redor do braço de Tom, seguindo com o rapaz até a entrada, onde apresentaram suas “credenciais” e logo estavam no local.
Tocava uma música alta e várias pessoas já se encontravam no local, rindo e conversando alto, a grande maioria com algum copo de bebida na mão. engoliu em seco, sentindo mais nervosa do que nunca. Ela não poderia apertar ainda mais o braço de Tom, honestamente já estava começando a ficar com pena do rapaz. Ela iria se comportar muito bem e não parecer fã louca, já havia se prometido isso.
— Vamos pegar alguma bebida? — Tom sorriu para a garota, que ainda parecia meio encantada demais com tudo o que estava acontecendo.
— Por favor! — ela praticamente chorou ao ver Tom fazer um gesto para o garçom e pedir duas long neck, sendo rapidamente servido.
Ela soltou um suspiro aliviado ao sentir o amargo da cerveja invadir sua boca, lhe causando um leve arrepio. Ela tinha a sensação de que aquela provavelmente seria a melhor maneira de lidar com o que quer que aquela noite acabasse se tornando. Especialmente porque ela sabia que Tom iria socializar com os colegas de elenco cedo ou tarde, e ela não seria idiota de não acompanhá-lo.
— Tom Holland! Você ‘tá bebendo cerveja? — ou então alguém do elenco encontraria Tom antes. e Tom viraram ao mesmo tempo, vendo Anthony Mackie se aproximar do casal. — Isso é cerveja? Você tem doze anos.
— Eu tenho vinte e um. — Tom sorriu e deu mais um gole em sua bebida, recebendo um olhar feio de Anthony.
— Cadê seus sucos de caixinha? Você é realmente um problema, garoto. Cadê o Sebastian pra concordar comigo? Sebastian, ei! — Anthony gritou a última frase, acenando para alguém que não estava muito longe dali.
Em poucos segundos viu Sebastian Stan se aproximar dos três. Ela respirou fundo. Ok, ela havia sobrevivido ao Chris Pratt, poderia facilmente sobreviver a Anthony Mackie e Sebastian Stan bem ali, na sua frente. era uma menina forte. Até parece que queria apenas gritar e chorar e pedir para tirar uma foto com eles e falar o quanto amava o trabalho dos dois. De jeito nenhum. Estava tudo bem.
— Que decepção, Tom. — Sebastian balançou a cabeça de um lado para o outro, fazendo uma careta de decepção. Então seus olhos pararam em e ele abriu um pequeno sorriso. — E nem apresentou sua amiga? É muita falta de educação.
— Vocês mal me deixam falar! — Tom riu e Anthony revirou os olhos, fazendo um sinal com a mão para que ele falasse logo. — Essa é a , minha namorada.
— Era o que me faltava, o moleque com uma namorada. — Anthony revirou os olhos novamente, mas ao olhar para sorriu e estendeu a mão. — Você precisa de ajuda?
— Por enquanto está tudo bem. — sorriu e apertou a mão de Anthony, repetindo o gesto com Sebastian. — Mas agradeço a preocupação.
— Esse garoto é um problema. Tem o ego maior que esse salão. Toma cuidado. — achava incrível como Anthony falava tudo aquilo com a expressão séria, mesmo ela sabendo que era apenas uma piada entre os três, já que Tom ao seu lado não parava de rir.
— Pelo menos faz ele parar de usar tanto gel no cabelo. Não fica tão legal que nem você acha, Tom. — Sebastian também mantinha a expressão incrivelmente séria.
não aguentou, começando a rir dos três. Eles ficaram mais algum tempo conversando, no caso Sebastian e Anthony o tempo todo provocando Tom, que levava tudo na brincadeira. Depois se separaram, e Tom começou a guiar pelo salão. Pegaram mais uma bebida, dessa vez uma colorida e mais forte do que esperava. Ela então pensou que era melhor se controlar mais. A última coisa que precisava era ficar bêbada ali e sair abraçando todos os atores.
— Vou te apresentar pro pessoal. Tudo bem? — Tom passou o braço por cima dos ombros de , começando a guiá-la pelo salão.
Em poucos segundos eles estavam se aproximando de uma rodinha com três homens enormes – e ela sabia por um fato que o menor deles ainda estava na casa dos um e oitenta. Ela e Tom – que não era exatamente muito alto – pareciam ainda menores ao se aproximar de Chris Hemsworth, Tom Hiddleston e Benedict Cumberbatch.
— Ei, galera. — Tom sorriu, recebendo três enormes sorrisos de volta, a rodinha se abrindo para que ele e pudessem se aproximar do trio. — Essa aqui é a , minha namorada.
— Você tem uma namorada? Por que eu não sabia? — Benedict sorriu e se aproximou de , apertando sua mão e lhe dando um beijo no rosto exatamente como era acostumada no Brasil, o que quase a fez chorar de emoção.
— É complicado… — Tom coçou a nuca e desviou o olhar rapidamente.
Eles haviam decidido que não iriam sair por aí falando que namoravam, já que nem estavam perto um do outro. Mas agora ali estavam, com Tom a apresentando como namorada para todo o elenco e ela queria gritar. Honestamente era tudo emocionante demais e tudo o que queria era chorar, mas sabia que não podia, ao menos por enquanto. Se um dia alguém lhe dissesse que ela era uma mulher fraca, ela iria simplesmente jogar seu sapato na cara da pessoa.
— É um prazer te conhecer, . — Tom Hiddleston se aproximou dela, a cumprimentando exatamente da mesma maneira que Benedict. — Eu sou o outro Tom.
— O prazer é meu. — o rosto dela esquentou enquanto Hiddleston se afastava. Meu deus, a voz daquele homem era incrível e ela achava que iria derreter.
— Eu sou o Chris mais bonito daqui. — Hemsworth sorriu e deu um rápido abraço em , a fazendo se sentir mais ou menos um milhão de vezes menor. — Você também é britânica? Eu estou realmente me sentindo em desvantagem aqui. — ele brincou ao se afastar de , fazendo com que os outros três rissem.
— Não, eu sou brasileira. — sua resposta conseguiu arrancar olhares surpresos dos três, recebendo três pares de sobrancelhas arqueadas.
— Brasil? Uau, Holland, você foi longe buscar uma namorada. — Hemsworth brincou, fazendo com que todos rissem.
— Você está aqui apenas visitando? — Hiddleston inclinou a cabeça, piscando algumas vezes, fazendo uma careta curiosa que aqueceu o coração de . Ela tinha um fraco para Toms ou era sua impressão?
— Infelizmente. — ela fez uma careta triste, sentindo um leve e reconfortante aperto de Tom Holland. — No final de maio tenho que voltar para o Brasil.
— Tão pouco tempo assim? — foi a vez de Benedict fazer uma careta triste e, ok, o que acontecia com aqueles britânicos que eram simplesmente tão fofos? — E tem previsão de quando volta pra cá?
Holland e se encararam. Eles ainda não haviam entrado naquele assunto porque não exatamente algo que eles queriam pensar por enquanto. Eles estavam juntos – fisicamente – há tão pouco tempo, não queriam pensar no fim.
— Acho que você tocou em um assunto sensível. — Hemsworth deu alguns tapinhas no ombro de Benedict, que agora estava pedindo desculpas sem parar.
— ‘Tá tudo bem, Benedict. — Tom Holland riu, fazendo um sinal com a mão de que tudo estava bem. Ok, eles iriam ignorar aquele assunto. Ótimo, realmente não queria ter que continuar com aquilo. — Eu preciso levar a pra conhecer o restante do pessoal agora, depois a gente conversa mais.
Os dois se afastaram do trio. ria das coisas que Tom falava durante o caminho, contando várias histórias dos bastidores e de quando havia viajado com Tom Hiddleston e Benedict para divulgações de Guerra Infinita. Pegaram mais duas garrafas de cerveja, uma para cada, e Tom segurou a mão da namorada, a guiando até duas pessoas que pareciam conversar animadamente.
— Tom! — Scarlett Johansson cumprimou antes mesmo que eles pudessem anunciar sua presença. — Tudo bom?
— Olá! — ele sorriu, finalmente chegando perto o bastante da dupla. — Eu vim apresentar para vocês minha namorada, .
— Prazer te conhecer. — Scarlett abraçou . A mulher era quase da mesma altura que , pouquíssimos centímetros mais baixa.
E então o homem ao seu lado esperou que Scarlett se afastasse para pode então lhe dar um abraço apertado. Chris Evans não era tão grande quanto Chris Hemsworth, mas também fazia com que se sentisse menor. O abraço dele era apertado e carinhoso, do tipo que abraçaria por horas sem enjoar.
, né? — Evans se afastou, porém ainda segurando seu braço levemente. — É um prazer! Você é linda, seu namorado já deve ter falado.
Ele definitivamente não havia falado aquilo como um flerte. Seu tom havia sido exatamente o mesmo de alguém que comentava o tempo, ou que falava “que bota linda você está usando!”. Não era um flerte, era um elogio. E mesmo assim sentiu o rosto inteiro esquentar como se houvesse acabado de beber um shot de molho de pimenta malagueta.
— Obrigada. — ela não conseguiu olhar diretamente para Evans quando respondeu, se sentindo como uma adolescente. — Você está em qual posição na escala de beleza de Chris? — ela só queria quebrar o próprio gelo mas talvez aquela não fosse a melhor forma.
— Pelo visto você já conheceu o Hemsworth e o Pratt. — para o alívio de , Evans começou a rir, jogando a cabeça para trás e colocando a mão no peito, exatamente como ele fazia nas entrevistas. Ela não iria chorar, sério. — Acho que na escala de beleza deles eu estou em terceiro¹? Mas estou um primeiro na escala de “Chris mais legal”, o que pra mim é muito melhor.
Evans piscou para e Scarlett sorriu, e soube naquele momento que iria derreter e não havia volta, ela estava apaixonada pelos dois, era isso. Sentiu o braço de Tom envolver sua cintura novamente, a puxando para mais perto de si.
Novamente estava respondendo perguntas de seus artistas preferidos, que aparentemente estavam realmente curiosos quanto a sua história. Ela meio que entendia, afinal, Tom Holland literalmente havia aparecido de um dia para o outro falando que tinha uma namorada. No mínimo despertava curiosidade.
— Bom, eu ainda preciso apresentar a para outras pessoas, mas daqui a pouco a gente passa aqui de novo. — após longos minutos Tom e ela se despediram da dupla, vendo-os acenar para eles enquanto se afastavam.
Eles não andaram muito até que Tom subitamente parasse, ficando de frente para e a impedindo de continuar caminhando. Ela franziu as sobrancelhas na direção do rapaz, achando no mínimo estranha sua atitude mas, ao mesmo tempo, sentindo-se mais curiosa ainda.
— ‘Tá, você tem que me prometer que não vai pirar. — ele apoiou as mãos nos ombros dela, como se estivesse segurando-a.
— Não prometo nada. Por quê?
— Ei, RDJ! — Tom escorregou a mão esquerda pelo braço dela, e com a direita acenou para alguém atrás de .
Quando ela virou, finalmente o viu. Robert Downey Jr estava parados há poucos metros atrás deles, acenando de volta para Tom, em seguida fazendo um gesto para que elas se aproximassem. Os quinze passos necessários para chegar até o homem foram os mais longos da vida de . Ela sentia que poderia morrer a qualquer momento. Por alguns segundos esqueceu-se completamente de todas as palavras em inglês que conhecia.
Quando chegaram perto o bastante, Downey abriu os abraços e em poucos segundos Tom não estava mais ao seu lado, abraçando o homem à sua frente. E então, quando terminaram o abraço, Downey se virou para ela e simplesmente a abraçou. E ela sentiu o coração bater mais rápido do que deveria, suas pernas moles, assim como os braços, mal a permitindo retribuir o abraço do homem.
— Essa é a minha namorada, . — ouviu Tom falar enquanto o homem se afastava dela, com um enorme sorriso no rosto.
— Oi. — foi tudo o que ela conseguiu falar para ele, sentindo os olhos prestes a marejar. Ela havia prometido a si mesma que não iria chorar se encontrasse o Robert Downey Jr! Que merda!
— Eu não sabia que você namorava. — Robert foi a milésima pessoa a comentar, mas mesmo assim ela havia achado incrível. tinha a impressão que ia achar incrível qualquer coisa que ele falasse. Então ela viu Downey se aproximar novamente de Tom, passando o braço pelos ombros do garoto. — Esse menino é aqui é um dos atores mais incríveis que nós temos, um verdadeiro menino de ouro. Espero que vocês dois estejam realmente felizes juntos.
— Nós estamos. — Tom respondeu com um enorme sorriso, os olhos presos nos de . Não chora, não chora, não chora, ela repetia para si mesma sem parar. — A é sua fã, Downey.
O momento fofo, se é que havia existido, morreu na hora. Ela olhou para o namorado com todo o ódio que conseguia reunir dentro de si. Não que ela tivesse vergonha de admitir que era fã, mas não queria que o homem pensasse que ela apenas queria um autógrafo ou uma selfie.
— Você claramente tem um ótimo gosto. — Downey não parou de sorrir, finalmente soltando Tom novamente. — Eu preciso ir cumprimentar mais pessoas por essa festa, mas espero que os dois estejam se divertindo. E , saiba que sempre que houver algum evento da Marvel, você é mais do que bem vinda.
Com um rápido abraço em Tom e , Robert se afastou. Ela então correu para os braços do namorado e finalmente se permitiu chorar. Aquela com certeza estava na lista de melhores noites de sua vida.
— Feliz? — ela ouviu a voz de Tom meio abafada contra seu cabelo.
— Extremamente. — ela afastou o rosto para poder olhar o namorado, ainda que ele parecesse meio embaçado, mas sobre isso ela culpava suas lágrimas. — Eu te amo.
— Eu sei. — ele piscou. — Eu também te amo. Agora vamos, tem mais gente pra você conhecer. E ainda temos que encontrar o Jacob e o Haz, eles vão nos matar se ficarmos a festa toda sem falar com nenhum dos dois.
enxugou as próprias lágrimas e segurou a mão de Tom, pronta para aproveitar aquela noite que já estava mais do que perfeita.

¹: não briguem comigo! Eu fiz isso baseado no que o próprio elenco falou nesse vídeo! Eu também amo o Evans, juro!



Continua...




Nota da autora: (04/07/2018) Ai gente, dessa vez eu não sei o que falar aqui
Eu tentei colocar os atores mais votados lá no grupo aqui tá? ahahhahaha
Obrigada por lerem essa fic, do fundo do meu coração!
Ah, mais uma coisa: ENTREM NO MEU GRUPO. Clica no ícone do facebook aqui embaixo e ENTRA NO GRUPO
Eu posto muita coisa lá
Tipo, "conteúdo exclusivo", sabe? ahahahahahah
Agora sério, é isso, obrigada por existirem <3



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