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Última 12/07/2017



Capítulo 1


Presente


Eu havia acordado às seis horas da manhã, e às oito e meia da manhã, Lucas não parava de falar sobre quais coisas Miguel gostaria de colocar em sua malinha. Miguel mal dormira de tanta ansiedade, e no meio da noite foi para o meu quarto pedindo para dormir comigo. Eu estava acabada de cansaço, pois além do meu filho se mexendo a noite toda na cama, meu sono também havia sido roubado por inquietudes desconhecidas.
Às sete da manhã, ainda preparava o café quando vi Miguel pulando em seu padrinho – Lucas – e implorando para que ele ligasse o aparelho de som. Lucas me olhou como se pedisse permissão, e eu apenas assenti com um meio sorriso. Lucas colocou o CD para tocar, e Miguel cantava as músicas apaixonadas do pai, estava eufórico e sorridente. O maior fã de , era, sem dúvida, o seu filho. Apressei Miguel para o café da manhã e sentamos os três: eu, meu filho, meu melhor amigo e também padrinho de Miguel. Miguel conversava animado com Lucas sobre os planos que teria com o pai e eu, embora feliz por meu filho, também estava preocupada. Às oito da manhã eu já estava vestindo e penteando os cabelos de Miguel. E como dito, às oito e meia da manhã Lucas organizava os últimos itens na malinha do afilhado.

— Pronto filho, agora é só aguardar o seu pai chegar.
— Já está na hora?
— Não filho, seu pai chegará às dez. E agora são oito e quarenta.
— Campeão, porque você não assiste aos desenhos? Ajuda a passar rápido, a hora. – disse Lucas como se contasse um grande segredo.

Miguel correu para a sala de tevê.

— Eu nunca o vi tão ansioso para ver o pai. – disse Lucas.
— Ele tem sentido muita falta do , e eu estou muito preocupada com isso.
— O que você pretende fazer?
— Eu não sei Luke, não posso cobrar mais do . É o trabalho dele.
— Tenho certeza que assim que você conversar com , ele fará o esforço necessário para o melhor do Miguel.
— É, é o que eu espero.
— Eu quero te dizer que eu estou muito feliz de estar aqui com vocês dois. E eu sempre farei o que eu puder e não puder, por você e pelo Miguel.
— Ah irmão, você sabe que eu também sempre estarei contigo. Mas, embora minha intuição me diga o contrário, eu tenho certeza de que é só uma fase. Miguel está começando a entender as coisas, e essa turnê do foi uma surpresa para ele.

Luke havia ido morar comigo e com Miguel, assim que eu e nos separamos. Nós resolvemos dar um tempo, e ainda não tínhamos nos divorciado legalmente. Luke também havia rompido o namoro com Marcos. Os dois estavam juntos há muito tempo, quando ainda estávamos na faculdade. Eles eram o tipo de casal que eu sempre achei que não fosse dar certo. Tão diferentes um do outro. E foi Marcos chegar nas nossas vidas, para eu sair. Eu amava o Marcos, por ele amar Lucas e aos poucos ele também foi conquistando o meu coração. Depois que Lucas e eu terminamos a faculdade, a minha vida sofreu uma grande reviravolta: eu trabalhava numa clínica da zona sul do Rio de Janeiro, e recebi proposta em Minas Gerais e não pensei duas vezes em me mudar. Cerca de dois meses depois estava eu, em minha nova casa em Belo Horizonte. A minha mudança trouxe muitas dificuldades para nós no começo, mais que um amigo, Lucas era um irmão. Morávamos juntos há anos.
Eu comecei morando sozinha na capital, Belo Horizonte, de aluguel. Trabalhava em três clínicas, uma delas eu gerenciava – pois fora a proposta que me fizera ir embora do Rio – e não demorou muito para que eu alcançasse uma posição confortável no trabalho. Antes de conhecer o , eu já havia proposto ao Lucas vir morar comigo, assim que eu financiei meu apartamento. Não tinha ainda pagado nem a terceira parcela do financiamento, e estava quebrada financeiramente. Comecei a trabalhar o dobro para recuperar meu conforto. Mas estava feliz, pela conquista do próprio imóvel. Se não fosse a ajuda dos meus pais, eu também não teria conseguido tão rápido. Lucas e Marcos estavam vivendo um suposto pré casamento na relação e tudo caminhava bem para eles. No dia em que Lucas me telefonou contando da separação, eu não pensei duas vezes antes de dizer, para ele vir embora. E ele veio e comigo estava desde então.
Terminamos de arrumar a cozinha, e enquanto Luke fazia companhia ao Miguel na sala de tevê, eu fui tomar banho. Ao acabar de pentear meu cabelo, eu voltei para a sala e pegava o telefone para ligar ao . O relógio marcava dez horas, e embora eu devesse esperar mais um pouco, já me preocupava com um possível atraso.

— Mamãe, quantas horas?
— Eu já estou ligando para o seu pai.

Assim que terminei de falar, a campainha do apartamento tocou. Miguel pulava sorrindo e eu o sorri de volta. Fui em direção à porta, e ao abrir lá estava o sorriso mais lindo do mundo. O sorriso tão idêntico ao de Miguel. E os mesmos olhos castanhos, tão profundos e pacíficos mal tiveram tempo de me encarar. Miguel pulou no colo do pai. Sorri com a cena, como eu sempre sorria ao ver os dois. Miguel desceu do colo do pai, e veio me abraçar. Agachei à altura de meu filho, e olhando em seus olhos disse:

— Filho, a mamãe quer que você aproveite todos os momentos com o papai, tá bem?
— Pode deixar. – ele sorria largo e eu o olhava, com os mesmos olhos preocupados da noite anterior.
— Eu te amo muito.

Miguel respondeu um “eu também” e novamente nos abraçamos apertado. Luke cumprimentava . E ao me separar de Miguel, finalmente pude cumprimentar meu ex.

— Bom dia . – ele disse me abraçando.
— Bom dia , como vai?
— Eu vou bem, e você?
— Também. – sorri amigável.
— Luke, se importa de esperar com Miguel na porta do elevador? – perguntou ao Lucas quando viu que Miguel já estava na porta do elevador ansioso.
— Algum problema? – perguntei.
— Você quem vai me dizer. Porque está tão preocupada? Tem alguma coisa acontecendo com o Miguel?
— Tem sim . – suspirei cansada — Ele tem sentido muito a sua falta. Mal dormiu esta noite, se mexendo na cama, acordou eufórico, colocou o seu CD e está te aguardando desde as seis horas da manhã. E eu não estou te cobrando nada, mas eu me sinto muito culpada por tê-lo feito passar por tudo isto.

Assim que terminei de falar suspirando pesadamente, abaixei a cabeça. pegou meu queixo me fazendo o olhar.

— A culpa não é sua. Não seja tão dura com você. O único culpado nisso tudo fui eu, que acabei negligenciando a nossa família. Pode ficar tranquila porque eu também sinto muita falta dele e eu estarei o tempo inteiro com o Miguel. Eu vou aproveitar cada minuto, e ele vai se divertir muito. Eu vou dar o meu melhor, porque eu também sinto falta de…
Antes que ele pudesse terminar de falar, Pedro surgiu ao lado dele me cumprimentando e me beijando.
— Oi amor. Bem, você já conhece o – sorri fraquinho — , este é o Pedro.
— Finalmente eu pude conhecer o papai do Miguel.

Pedro disse cumprimentando , tentando soar simpático e após respondê-lo, meu namorado voltou-se a mim:
— Querida, eu trouxe as coisas para fazer seu prato favorito: bife à parmegianna.

Sorri sem graça. Aquele não era o meu prato favorito. Pedro deu as costas em direção à cozinha e voltei a encarar .

— Acho que precisa contar para ele que o seu prato favorito é bobó de camarão, ou na falta, qualquer tipo de massa. Ou não é mais?
— Pode ficar contente em saber que você ainda tem razão sobre isso. – eu sorri.
, no próximo fim de semana é o aniversário da minha mãe. E eu sei que é o seu fim de semana com o Miguel, mas eu queria saber se você se importa se eu levá-lo para o sítio. Mamãe está com saudades dele e de você, e do Luke também. O convite é extensivo.
— Eu tinha planejado algumas coisas com Miguel, mas se ele quiser ir não tem problema. Eu passo os outros dois fins de semana seguidos com ele. Tudo bem?
— Certo, mas pensa direitinho sobre você e Luke irem também. Mamãe está realmente com saudades.
— Eu vou pensar. – sorri e ele beijou meu rosto saindo.

Lucas voltou para casa após se despedir de Miguel, e acenou do elevador. Meu ex e meu filho entraram no elevador e eu fechei a porta, com uma angústia diferente no peito.


Capítulo 2


Antes de descer o elevador, abracei Luke – que assim como era melhor amigo de , também se tornou um amigo fiel para mim – e não me contentando apenas às cordialidades, precisei investigar:

— Há quanto tempo eles estão juntos? – perguntei apontando discretamente para .

Ele sorriu e me encarou com aquele olhar de desafio, antes de responder:

— Eles estão saindo há cinco meses, mas oficialmente juntos só tem dois.
— Cinco meses? – me espantei com aquilo — Ela não me falou nada!
— Você esperava que ela ligasse para dizer que partiu para outra?
— Não, mas… Você também não contou nada, Luke!
— Desculpe , você não pediu para que eu espionasse a vida amorosa da minha irmã.
— Não é isso. – mexi nos cabelos, um hábito de quando eu ficava sem graça — Ela está apaixonada por ele?
— O que você acha?
— Luke, não brinca cara…
— Ela não confessou nada ainda, acho que ela está apenas deixando acontecer.

Abracei de novo o meu amigo, Miguel puxava minha perna para irmos logo. Sorri e acenei para que ainda estava à porta de seu apartamento. Bati no ombro de Lucas dizendo:

— Eu vou ficar de olho neste namoro, e conto com você.

Lucas apenas assentiu sorrindo.
Desci o elevador com Miguel sorrindo e falando todos os planos que havia feito. Eu estava muito feliz por estar com meu filho após tanto tempo de viagem. Entretanto, vê-la preocupada com nosso filho daquele jeito, aparentemente cansada, me deixou preocupado com ela também. Vê-la de novo trouxe o mesmo sentimento misto de alegria e tristeza, que eu sentia desde a nossa separação.
Perguntei ao Miguel o que ele gostaria de fazer primeiro antes de irmos para o show, e ao me responder “qualquer coisa com você, papai”, eu pude perceber que a falta que eu fiz ao meu filho era muito maior do que eu imaginava. A culpa que sentia, não poderia ser maior que a minha.
No carro, a caminho da minha casa, Miguel adormeceu. A mãe havia dito que ele não dormiu nada na noite anterior por efeito de ansiedade. E eu também havia dormido um pouco mal, eu também estava ansioso para rever o meu filho. Chegamos em casa e levei Miguel no colo até o seu quarto.
Aquela ainda era a nossa casa, e tudo dentro dela me lembrava . Nós havíamos nos separado há um ano. E em momento algum eu quis o divórcio, e também decidira esperar. Se ela chegasse, a qualquer momento a me pedir o divórcio, eu negaria. Embora estivéssemos afastados por um ano, eu não aceitava a ideia de oficializar o fim da nossa história.
Aquele Pedro… Eu não poderia imaginar que já teria outro na vida dela. Ele era uma ameaça que, dia e noite, eu torcia para não acontecer.
Quando decidiu partir com Miguel, eu quis que ela ficasse na nossa casa, mas ela decidiu que seria melhor voltar para o seu apartamento. Eu havia comprado aquela casa para ela, por ela, com ela, e jamais imaginaria viver ali sem a ou com outra pessoa. Mas, é o tipo de pessoa que ao romper os laços não guarda as fitas. Não é do tipo que rasga as fotografias, mas não as deixa expostas também.
E ela não havia mudado muito depois da nossa separação. Continuava doce, meiga e mesmo eu acreditando que ela passaria a me odiar ou evitar o contato comigo, ela não o fez. Provando-me a cada dia de distância que, o seu único motivo para se afastar de mim fora minha culpa, minha negligência com a família, e a sua intuição. sempre seguia a sua intuição. Por alguma razão, sua intuição dizia que ela deveria se afastar, e não voltou atrás com sua decisão. Eu batalhei para que ficássemos juntos, mas não o suficiente. Naquela época, aceitar as condições que impunha a nós soava como abandonar a minha carreira. E eu jamais aceitaria, e mal acreditava que a mesma mulher que me conquistou e conhecia toda a minha paixão pelo trabalho estaria me propondo aquilo. Os primeiros meses de distância foram baseados nas discussões sobre Miguel. Nenhum dos dois queria recorrer à decisões judiciais, pois nos levaria ao litígio e não havia necessidade daquilo. e eu sempre resolvemos todos os nossos problemas à base de diálogos, nunca levantamos o tom de voz um para o outro, e mesmo na nossa briga com os ânimos exaltados.
À noite, eu teria o último show da minha turnê. Eu havia voltado aquela manhã e prometido ir buscar o Miguel. Ele iria comigo à Arena Minas, para assistir o show que encerrava aquela turnê e após eu teria todo o tempo para o meu filho. Meu empresário, assessores e algumas pessoas da equipe passariam na minha casa à tarde para alguns detalhes finais. Era o primeiro show que o meu filho assistiria. Quando bebê, o levou a algumas apresentações, mas ela é uma mãe muito zelosa e só permitiria Miguel ir a um show, verdadeiramente, quando ele fosse um pouco maior. Aquilo explicava a euforia dele durante aquele fim de semana, e por mais que ele estivesse ansioso para executar todos os planos que havia feito, eu não queria acordá-lo. Miguel precisava daquele descanso e eu também.
Berta era a empregada da casa, e depois que nos separamos ela não queria continuar a trabalhar na casa sem que sua “adorável patroa” – como ela dizia, pelo enorme apreço que tinha à – estivesse ali. Pedi também pelo apreço que ela tinha a mim, que não deixasse a governança da casa. Eu mantinha uma relação mais aberta – sem muitas formalidades – com Berta, do que . E embora tivesse em Berta uma conselheira, um tipo de mãe, Berta correspondia igualmente à como uma filha, mas, ainda assim, mantinha a formalidade de ser sua patroa. Berta, ia ao apartamento de com alguma frequência visitar a patroa amiga e o Miguel. Berta era apaixonada por nosso Miguel. E quando ficava sem babá para olhar o menino, era Berta que quebrava seus galhos nos momentos de emergência.
Ela estava na cozinha preparando o nosso almoço e sorriu feliz quando eu entrei para beber água.

— Miguelzinho está cada vez mais bonito, !
— É… Está cada vez mais parecido com a mãe.
— Tem razão. Como ela está? – Berta perguntava distraída.
— Não sei ao certo, me pareceu abatida. Mas continua linda… – eu disse sob os olhares esguios de Berta recordando a imagem de minha ex — Berta, você sabia que ela está namorando?

A mulher abriu e fechou a boca um pouco nervosa e me encarou. Respirou fundo e disse se justificando:

— Olha , você não me pediu para vigiar a dona !
— Não estou te cobrando nada Berta. – eu ri enquanto via o seu nervosismo.
— Bem… Eu vi o cara, algumas vezes – disse com desdém — Não gosto dele e já falei isso para ela, mas eu não posso fazer nada, porque se pudesse o senhor bem sabe onde ela estaria agora – me olhou por cima dos óculos — Mas se eu fosse o senhor, ficaria tranquilo. Aquele romance não vai vingar.
— Porque acha isto?
— Tenho feito minhas mandingas.
— Que horror Berta!
— Brincadeira – ela gargalhou após ver minha reação — Eu também quero a felicidade da dona , mas eu digo isso por saber que ela está com aquele homem apenas para compensar.
— Compensar o que?
— A falta que sente do senhor.

Depois que disse aquilo, Berta saiu deixando as panelas no fogo. Eu fiquei pensando nas suas palavras e recordei o dia que pedi para ela continuar trabalhando na casa:

— Berta, infelizmente foi embora, e eu apreciaria muito se você pudesse continuar a governar a casa.
— Olha “seu” , eu amo esta família, e meu coração está partido com isso tudo. Eu não ficaria nesta casa sem a dona , mas pelo apreço que tenho ao senhor, eu concordo em continuar. Mas eu vou ser bem clara: se o senhor colocar outra mulher aqui dentro, eu saio sem nem olhar para trás. Eu não vou aceitar outra patroa, e acho bom o senhor ir fazendo sua parte quanto a trazer dona , de volta!
— Obrigada, Berta. - abracei sutilmente à governanta amiga enquanto sorria fraco.
Estava feliz por ela ficar, mas triste por tais circunstâncias.


— Ela logo vai perceber que não vai adiantar agir deste jeito. Assim como o senhor percebeu, antes mesmo de tentar compensar a falta que ela o faz. – Berta disse me despertando dos pensamentos, voltando ao seu fogão.
— Eu tentei compensar também Berta, mas você está certa. Eu percebi que não adiantaria… – Berta me olhava com desaprovação por saber daquilo — E não me chame de senhor, nós já pulamos esta etapa!

Apertei o ombro da senhora e fui ao meu quarto. Deitei na cama e olhando em volta tudo me lembrava : desde as cortinas até o abajur ao lado da cama que pertencia a ela.
Alguns meses depois de nos separarmos eu saí em turnê e desde então trabalhava incessantemente. Voltar para aquela casa, ainda tocava numa ferida aberta. E eu tentei esquecê-la, me entregando a outras mulheres nas viagens e isso só me atrapalhou ainda mais. Então meti as caras na turnê, e embora todas as músicas cantadas me lembrassem ela, com o tempo eu consegui cantar e viver aquelas canções – a maioria escritas para ela – com indiferença.
A sensação de anestesia aos sentimentos havia se tornado parte da rotina. Pelo menos até aquela manhã.
Eu ainda a amava. E não entendia porque não lutei por ela. Como eu disse, acho que não lutei o suficiente. Estava tão impregnado da minha carreira que cogitar voltar atrás para ficar com ela, significava perder tudo, mas depois de tudo o que eu tinha era a minha família. A carreira embora importante, não tinha mais graça se não fosse para cantar para ela. Não era como antes.
E só depois de vê-la beijando outro, que eu me dei conta de que estava na hora de agir novamente. Eu não poderia a entregar de mão beijada. Ela com certeza só deu chance a ele, por achar que eu não me importava, já que eu não lutei o suficiente.
Eu encarava o teto do nosso quarto, e pensava no rosto dela. O rosto que eu não via há tanto tempo, mas tinha todos os traços gravados na cabeça. Peguei o violão e comecei a cantar a minha música, que fazia parte da minha vida desde que havia saído dela. E com esta música, pensando nela, eu começava todos os shows da turnê:

“Trouxe o meu colchão pra sala, hoje eu vou dormir aqui, pois não quero relembrar os momentos que vivi. O lençol que a gente usava tem perfume de jasmim, o que tanto me agradava hoje não faz bem pra mim. Depois que você foi embora entrou outra em seu lugar, e é só quando eu me deito que ela vem me visitar. Passa as mãos em meu cabelo, insiste muito em me beijar, e eu com delicadeza peço pra se afastar. Eu não quero compromissos, nem tampouco me apegar, nem novelas tenho visto, dá vontade de chorar. Tenho medo de acordar de madrugada, e uma luz semiapagada refletir ela pra mim. Sei que está tão curiosa e louca pra me perguntar: quem está no seu lugar, quem roubou meu coração se chama solidão.” - (A outra)


Aquela noite seria a última da turnê, a última que eu cantaria “A outra” como se fosse uma verdade. Eu havia voltado e mudaria as coisas. Eu não desisti da minha musa, dona de todas as letras e versos. E se todas as canções me lembrariam ela pelo resto dos meus dias, ela estaria ao meu lado pelo resto dos meus dias sendo a inspiração de tudo o que eu fizesse. Eu ainda a amo. E foi necessário vê-la com outro, para despertar. Perder, nos faz valorizar. E eu recusava acreditar que havia a perdido.


Capítulo 3


Lucas entrou logo após que e Miguel saíram. Eu estava na cozinha com Pedro e Luke decidiu ir para o seu quarto. Abracei Pedro pelas costas, ele virou e beijou os meus lábios serenamente. Sorri e peguei as cebolas para picar, ajudando-o.

— Então ele voltou da turnê? – Pedro perguntou.
— Sim, graças a Deus. Eu já estava me preocupando com Miguel. Agora as coisas vão ficar bem.
— Ele não vai vir aqui sempre, não é?

O tom de voz que Pedro usou me deixou bastante incomodada.

— Ele é o pai do meu filho, e virá sempre que necessário. – respondi um pouco mais rude do que esperava.
— Você podia ter me avisado. Espero que me avise quando ele vier de novo.

Parei o que eu fazia, e volvi a minha atenção ao Pedro que continuava seus afazeres com uma cara debochada.

— Para quê? Você é fã dele, e pretende avisar a todo mundo quando ele vier?
— Definitivamente não sou fã dele. Mas acho que devo saber quando o seu ex estiver te visitando.
— Certo Pedro – eu começava a me alterar sem saber o motivo — é o pai do meu filho. Ele faz parte da minha vida, você goste ou não e ele estará por perto sempre.
— Até entendo vocês tem um filho, uma ligação, mas é da vida do Miguel que ele faz parte.
— Pedro, você não tem autoridade sobre mim ou meu filho. , Miguel e eu estamos unidos para a vida toda. E você é quem deve se adequar a isto.
— Se você me quiser na sua vida, também tem que entender que eu não quero minha mulher com o ex andando por aí, o Miguel não pode servir de desculpa para isso.

Pedro já estava tão alterado quanto eu. Nós dois estávamos frente a frente, e eu já não reconhecia o olhar do homem à minha frente.

— Eu não sou sua mulher. Você acabou de chegar na minha vida. E eu não vou mais discutir nada disso com você, está em um patamar que você não chegou.
— Olha só, eu entendo que vocês tem que conviver bem, mas amor… – Pedro se aproximou carinhoso como quem queria fazer as pazes — Eu vejo um futuro para nós três, eu não pretendo tomar o lugar de pai do Miguel, mas nós seremos uma família. E quando sair o seu divórcio com , ele terá as visitas contadas e não teremos que nos preocupar com isso, então vamos parar de brigar.

Pedro tentou me beijar quando eu empurrei o afastando.

— Não estou reconhecendo você. Qual é a sua Pedro?
— Eu que não estou entendendo porque está tão nervosa por ouvir a verdade. Vocês separaram. Acabou. O golpe foi dado e agora ficaremos juntos.
— GOLPE? – eu gritei nervosa — Você está insinuando que eu dei um golpe no ?
— Bem, isso não importa agora amor, o motivo do término não faz diferença. Nós três seremos uma família. Ele voltou da turnê, o divórcio vai ser resolvido e seremos felizes. Esquece isso!
— Não se aproxima de mim, seu estúpido! Será que o golpista não é você?
— Do que está falando?
— Foi fácil se envolver com uma mulher fragilizada por um término recente, que tem um filho com um cantor famoso e que, ao sair o divórcio – que você pelo visto, espera mais do que eu – receberá uma alta pensão do ex-marido, não é mesmo?
, não seja estúpida!
— Pedro, eu não quero olhar mais para você por hoje.

Lucas, que aparentemente estava ouvindo a conversa escondido entrou à cozinha. Ele parou próximo a nós, observando a discussão. Se bem conheço meu melhor amigo, ele estaria preparado para intervir se necessário.

, qual o problema? Porque a hipótese do divórcio te deixou tão nervosa? Porque você está me atacando deste jeito?
— Pedro, eu não sei mais quais as suas reais intenções. Eu preciso pensar… Vai embora.
— Amor, acalme-se eu vou fazer o bife à parmegianna que você adora e nós vamos…
— EU DETESTO BIFE À PARMEGIANNA, PEDRO – gritei o interrompendo — E você nem ouviu quando te contei a história da primeira vez, segunda e terceira vez. Eu só como para não ser grosseira com você, mas quer saber de uma coisa… Eu fui muito estúpida! A gente não tem nada a ver!
— Eu fiquei este tempo todo cozinhando à toa para você?
— Não teria perdido o seu tempo se soubesse ouvir.
— Olha só, tá na cara que não vai dar certo por hoje… – Pedro colocou as mãos na cintura e olhando para mim continuou — Eu vou embora.
— E não precisa mais voltar.
— Do que você está falando? Você está terminando comigo?
— O que você quer que eu faça? Você foi estritamente agressivo com esta história de tirar o da vida do meu filho.
— Não! De tirar o da sua vida! Eu achei que você queria isso!
— Eu não te pedi isso!
— Não acredito que perdi meu tempo com você…
— E nem eu acredito que depois de três meses estudando, se você merecia ou não, entrar na minha vida e do meu filho, eu ainda assim me enganei.
— Sabe o que foi pior? – ele perguntou como se não houvesse escutado o que eu disse — Ter que conquistar o seu filho pra nada!
— Então você assume que não se importa nem um pouco com o Miguel!

Lucas me retirou da cozinha, pois sabia o quão nervosa eu estava, e antes de sair da cozinha eu gritei:

— Pedro some da minha casa, da minha vida, eu não quero você perto do meu filho e nem de mim! Você vai agir como se nós nunca tivéssemos existido, entendeu?

Pedro deu as costas enquanto eu falava, e Lucas o acompanhou até a porta. Fui até o balcão da cozinha e pegando o bife que ele estava empanando, eu corri para a sala e antes que ele entrasse no elevador joguei o bife em cima dele:

— E LEVA ISSO TAMBÉM, SEU ESTÚPIDO!
!!! – Lucas gritou meu nome, me olhando incrédulo.

Bati a porta da casa e me joguei sentada ao sofá.

— Primeiramente eu não entendi nada do que aconteceu aqui! – Lucas disse parado de braços cruzados à minha frente.

Lucas me encarava com receio, e de repente começou a gargalhar.

— Você realmente jogou um bife no Pedro?
— Eu nunca mais vou comer bife à parmegianna, Luke! – coloquei as mãos sobre o rosto e de repente o juízo retornou a mim: — Céus, Luke! O que eu fiz?
— Sim, foi um desperdício de comida. Coisa mais feia ! – ele falou sentando-se ao meu lado.
— Não Luke, desperdício de tempo, como eu pude me envolver com esse, cara?
— Acho que é como você disse, você estava fragilizada.
— E você não me impediu por quê, seu traíra? – bati no ombro de Lucas.
— Gata, não vem com essa não! Você não me pediu que vigiasse a sua vida amorosa. – Lucas sorriu e depois de um silêncio disse: — É a segunda vez que digo isso hoje.
— O quê?
, esta explosão não teve nada a ver com o ?
— Claro que teve Lucas! Óbvio que teve! Você sabe que eu não sou hipócrita de esconder os sentimentos.
— Então, você ainda ama o .
— Amo. E vê-lo hoje não me fez nada bem. Eu sei que tem um ano que estamos separados, mas depois que ele saiu de turnê eu não o vi mais, e os ânimos se acalmaram…
— Então vocês voltam e resolvem tudo isso. Certo?
— Claro que não Lucas! Óbvio que não!
— Por que não?
— Eu não volto pro até ter certeza de que ele mudou. Eu nem sei se ele me ama.
— Ele ama.
— Como você tem tanta certeza?
— Ele disse que ia ficar de olho no seu namoro. Não gostou nada de saber do Pedro. Perguntou se você amava o Pedro. E bem… Dá pra ver nos olhos dele.
— O que os olhos dele dizem não vão mudar o que aconteceu. Ou o prova que a família é importante para ele, ou eu assino o divórcio.

Depois de dito aquilo, Lucas me falou que não iríamos almoçar em casa. Fomos nos arrumar e saímos para almoçar num restaurante que o Lucas adorava, e eu não conhecia.

Capítulo 4


Miguel e eu tomamos banho de piscina à tarde. E eu fiz algo que não achava correto, mas se fez necessário: coletei informações do namoro de .

— Ele é legal papai, mas parece que a mamãe não gosta dele.
— E você já falou isso para ela? – perguntei com um sorriso, ao meu filho.
— Ela diz que eu sou pequeno pra entender as coisas.

Afaguei os cabelos do meu filho, e o abracei apertado enquanto tomávamos Sol. Berta surgiu chamando Miguel para tomar banho, e descansar para sair comigo mais tarde. Antes de ir, Miguel beijou o meu rosto e perguntou:

— Quando você volta para casa, papai?

Olhei para o rostinho esperançoso do meu filho, e o os olhos de , refletidos nos dele me fizeram responder:

— Papai volta logo, filho.

Miguel saiu correndo em direção à Berta. Eu não sabia se o meu filho perguntava quando eu voltaria para minha família, ou para dentro da casa em que estávamos. Meu empresário e equipe surgiram atrás de Berta, enquanto ela entrava em casa com Miguel. Levantei, enrolei a toalha na minha cintura e bebi o restante do meu drinque indo até eles. Todos falavam em como Miguel havia crescido, e estava cada vez mais parecido com a mãe. Me perguntaram se eu havia a visto, e como eu havia ficado com reencontro. Apenas respondi:

— Já tenho uma música nova para o próximo álbum.
— Mesmo longe, é a melhor musa inspiradora – disse Rick, meu empresário — E podemos escutar?
— Escrevi hoje, antes do almoço. E ainda estou finalizando os acordes finais, mas acho que ficou bom. Vamos pro estúdio.

Entrei e troquei de roupa, guiei minha equipe ao estúdio da minha casa. Enquanto todos se acomodavam nas poltronas e sofá, eu peguei meu violão e mostrei a próxima música:


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“Sente meu perfume aqui, sei que esse cheiro te lembra de tanta coisa. E os amores que virão depois não conseguirão superar nós dois. Você roda, roda e para em mim. Sou o seu princípio, meio e fim como tatuagem que se faz, e você não pode apagar jamais. E passe o tempo que passar, o nosso amor renascerá como a flor de primavera. E aqui vai o meu recado pro seu novo namorado, que está vivendo uma mentira: quando ela ama você, é a mim que está amando, quando ela beija você, é a mim que está beijando, ela não pensa em você é em mim que está pensando, ela nunca me esqueceu, o amor dela sou eu.”


, ... – disse Rick sacudindo a cabeça negativamente, sorrindo, quando terminei — Ela me causou problemas demais nesta turnê, mas vamos convir que já está garantindo a próxima!
— Você se diverte com a minha desgraça, não é mesmo Anderson Ricardo? – eu perguntei para o meu empresário sorridente.
— Jamais! Eu mais do que ninguém quero que vocês se acertem. Ela é a sua musa, afinal.

Afirmei com a cabeça e meu empresário e equipe me encaravam sorridentes.

— Você precisa reconquistá-la . – disse Rick, agora sério e compassivo.

Apesar de brincar muito com a situação, Rick conhecia nossa história e torcia por nós. Ele gostava de . E era impossível não gostar.

— Então ela está com outro? – perguntou Ana, minha assessora.
— Um tal de Pedro.
— Eu vou mandar um buquê de flores para ela agora mesmo. – disse Ana se levantado apressada.
— Ana, Ana, espera! – eu levantei a chamando — Vamos agir com calma, ok?
— Isso aí! A música é boa , mas hoje temos o último show para fechar. Teremos tempo pra trabalhar no novo CD e na missão “quero minha amada de volta”. Vamos trabalhar pessoal! – disse Rick, enfático.

Depois de sair do estúdio, eu fui me arrumar para a passagem de som. Miguel, graças à Berta, já estava arrumado para sairmos com uma malinha de coisas que Berta preparou. Ana pegou Miguel no colo, e como ambos se davam muito bem, ela foi a babá da noite. Fomos para a Arena, as coisas estavam quase prontas, a passagem de som foi ótima, e o último show perfeito. Só não foi mais perfeito, porque minha musa não estava assistindo-o com meu filho. O show foi televisionado e eu realmente esperava que assistisse pela televisão. Eu mesmo mandei uma mensagem para Luke, avisando a hora e o canal.

- x -

Passado


— Isso Luke, no Villa Mix! Eu já estou voltando para casa para me arrumar.
— Queria estar aí com você !
— E eu também queria que vocês pudessem vir. Como está o Marcos?
— O Marcos não está se sentindo muito bem hoje.
— O que ele tem?
— Não sei, chegou estranho do trabalho.
— Me mantenha informada.
— Claro, claro, eu vou mesmo te ligar do Rio de Janeiro, enquanto você está numa festa sertaneja em Belo Horizonte de camarote curtindo bastante para te falar se o Marcos está com 36, ou 37 e meio de febre! Acorda né, vadia!
— Estou falando sério, Lucas! Se precisar me ligue.
— Como se você pudesse fazer alguma coisa! Você está dirigindo e falando no celular?
— As duas mãos estão no volante, não pira!
— Olha só, eu vou desligar. Depois você me conta como foi, e se você tiver a oportunidade transa com o Lucas Lucco por mim.
— Ai, deixa de ser piranha! Até depois, se cuidem. Te amo.
— Também te amo, juízo!

Algumas horas depois de ter falado com Luke ao telefone, eu cheguei em casa e subi correndo para meu apartamento.
Quando morava no Rio, eu fui a uma boate com alguns amigos, inclusive Lucas, onde Dennis – um DJ – bastante conhecido em Minas estaria. Acabei conhecendo-o e nos tornamos amigos pouco a pouco.
Eu não via, ou falava com Dennis desde que havia me mudado do Rio. Até aquela semana, quando ele me ligou se recusando a receber um “não” ao convite que me fez. Ele tocaria nos intervalos dos shows do Villa Mix, que aconteceria no fim de semana em BH. Dennis tinha uma carreira grande na capital. E teria acesso ao camarote VIP dos artistas, e desejava me levar de acompanhante e aproveitar para que, matássemos a saudade de sair juntos para “azarar”. Eu já havia desistido de pedir ao Dennis para não utilizar aquele tipo de gíria. Tão ridícula. Coloquei o meu vestido azul-marinho e calcei o pep-toe roxo. Terminei de jogar os meus cabelos, ajeitar o batom e desci para encontrar Dennis.

— Gostoso! – eu abracei meu amigo quando o vi.
— Gostosa! – ele me rodopiou no abraço — Finalmente estamos nos reencontrando! Achei que você havia conhecido algum outro DJ das baladas mineiras, e me deixado de escanteio.
— Mas é óbvio que não! Não tem amigo melhor para curtir as baladas do que você, exceto o Luke!
— Com o Luke eu não tenho como competir. Como ele está?
— Bem, no RJ. Está me fazendo muita falta.
— Serei o seu Luke hoje, se quiser! Eu só não beijo rapazes.
— Pode ser apenas o Dennis. – eu disse sorrindo.

Entramos no carro dele e fomos direto ao festival. Chegamos lá, às 21 horas. Entrei no camarote e Dennis foi preparar-se para tocar. Ele seguraria do início até as dez e meia, onde a primeira atração entraria: Jorge e Matheus.
No camarote estavam alguns poucos cantores e duplas sertanejas que iriam se apresentar e já haviam chegado, amigos de amigos, convidados vip e pessoas que eu não conhecia, mas tiravam muitas fotos ao lado dos outros presentes. A minha primeira hora sem a companhia de Dennis foi tranquila, eu nunca tive problemas para me socializar. Enquanto eu dançava na beira do camarote assistindo ao Dennis, uma garota se aproximou puxando assunto. Não lembro qual era o nome dela, mas lembro que ela me perguntou se eu era famosa. E eu respondi que não, que era apenas uma amiga do Dennis. Ela sorriu e ficamos conversando por um bom tempo e nos enturmando, até que Dennis voltou. Eu e ele bebíamos alegres e dançarinos, arrancando risos dos mais próximos a nós. Jorge e Matheus já tocavam, e o Villa Mix havia oficialmente começado. Vez ou outra algum cantor, ou dupla conhecido do Dennis se aproximava para falar com ele e, ele me apresentava:

— Esta linda que me acompanha hoje, é a . E nós não estamos juntos, tá?

Me deixava extremamente sem graça na frente das pessoas, porém conforme o álcool ia fazendo efeito, eu achava mais engraçado do que vergonhoso. Em determinado momento, eu conversava com um dos meus novos colegas, quando Dennis me chamou em um cantinho:

, tem um amigo meu que pediu para te apresentar a ele, vem cá.
— Tudo bem, que amigo? – perguntei aleatoriamente, meio altinha.

Então Dennis me levou até um cantinho mais vazio, onde estava o cara mais atraente que eu tinha visto até então.
Seu cabelo impecável, um blazer de manga ¾ preto sobre uma camisa branca de estampa minimalista. Uma barba tão impecável quanto o cabelo, bebia um drinque olhando fixamente para nós dois.
Eu não reconhecia o rapaz, mas meu coração já batia mais forte com o êxtase da imagem à minha frente. Após nos aproximarmos mais, notei que ninguém mais era, do que:

? – eu perguntei ao vê-lo.
, esta é a .
… Que doce.

Luan puxou minha mão, e eu sorri, em seguida ele me abraçou devagar e enquanto ele me abraçava encarei divertida, ao Dennis fazendo uma careta pelo xaveco bobo de .

— É um prazer te conhecer, você me chamou bastante atenção. – disse.
— Se você não estivesse escondidinho aqui, eu diria que também chamou a minha – falei sorridente para ele o olhando de cima a baixo — Você está muito bonito!
— Eu aprendi a me vestir depois de um tempo, o Dennis me conheceu nas épocas iniciais de Villa Mix, não é?
— Com certeza a melhor coisa que ele fez foi abolir o xadrez. – Dennis disse dançando ao nosso lado e xavecando uma loira um pouco mais afastada.
— E aí, como você conheceu o Dennis? – me perguntou.
— Eu estava numa boate que ele tocava, e ao acabar de se apresentar ele esbarrou em mim e derrubou sua vodca no meu vestido.

Luan deu um meio sorriso sacana para Dennis, que foi logo tratando de se explicar:

— Foi um acidente de verdade, mas nos rendeu uma amizade maravilhosa. – e deu outro sorriso sacana para nós.
— Não, não sorri assim. Dennis e eu nunca ficamos. – esclareci.
— Eu não sou cara de compromisso, a é muito legal, nos demos muito bem e eu preferi manter a amizade com ela do que, correr o risco de magoá-la.
— Aham – resmunguei arrancando risos do Dennis que foi logo se reparando:
— Digamos, que a é uma mulher encantadora. Ela é decidida e eu enxerguei um potencial fracasso em me apaixonar por ela. Então ela foi bem clara quanto o “Dennis, eu não estou interessada em nada sério, não quero que você fique mal depois”.

Dennis imitou a minha voz enquanto contava para o , mas não tirava os olhos da loira.

— Dennis – o chamei — Vai logo falar com a loira!
— Bem, com licença . A será uma companhia melhor que eu, te garanto. – ele se virou, mas voltou a nós em seguida: — E não zoa com ela, porque eu posso até ser seu amigo, mas eu sou mais amigo dela.

levantou as mãos em justificativa, e logo depois Dennis saiu. e eu ficamos nos encarando sorridentes. Eu não estava nem um pouco a fim de fazer a puritana com ele, mas também não queria que ele me achasse uma qualquer. Entre olhares e sorrisos sedutores, eu também queria conhecer aquele cara tão lindo, e galanteador com falsa inocência que se interessara por mim. Conversamos animados, dançamos e enquanto íamos até a mesa de bebidas reabastecer nossos copos, meu celular tocou.

— Oi Mário! – atendi falando alto por causa do barulho.
? Eu preciso falar com você.
— Mário, olha desculpa, mas eu estou no meio de uma festa cara, eu não consigo te entender direito. Te ligo depois, se cuida! – disse e desliguei.
— Namorado? – perguntou ao pé do meu ouvido.
— Ex. – eu sorri.
— Tem muito tempo?
— Vejamos… – fiz uma continha de dedos — Cinco anos.

fez uma cara desanimada.

— Que terminamos. – então ele fez uma cara espantada.
— E ele ainda corre atrás de você?
— Não, é que nós meio que, nos tornamos amigos. Então ele mantém o contato, mas não nos vemos e nos falamos mesmo há muito tempo.
— Entendi. – disse o sorrindo abertamente.



Capítulo 5


Eu havia acabado de chegar ao camarote, e encontrei alguns parceiros. Peguei uma bebida e fiquei conversando com eles, perguntei a alguns se já haviam se apresentado. Eu entraria depois do Marcos e Belutti. E ainda faltava bastante tempo. Decidi não beber muito antes do show, eu apresentaria duas músicas e depois estaria livre. Não pretendia ficar na festa por muito tempo.
Algumas garotas que estavam no local, conhecidas, outras acompanhantes de alguns amigos vieram se apresentar ou falar comigo. Estava em uma rodinha de conhecidos e, desconhecidos conversando, quando vi o Dennis passar de relance. Não tínhamos gravado nada juntos, mas eu planejava aquilo há algum tempo. Ele era um dos DJ que eu mais escutava, e embora o funk não fosse a minha praia, eu dava o braço a torcer no trabalho dele.
Pedi licença ao pessoal e fui até ele. Nós éramos amigos, havíamos estado nas mesmas festas algumas vezes e ele já havia gravado até com outros parceiros do sertanejo. E eu sempre dizia quando o via “vamos combinar alguma coisa”, mas acabava que eu mesmo nunca o procurava. Então ele me abraçou e fomos para uma parte mais afastada da mesa de comidas e conversamos.
Zé Felipe surgiu no camarote, acompanhado com sua nova namorada ou ficante. Nunca sabíamos quem ia surgir com o filho do Leonardo. E ele veio falar conosco. Não demorou muito para Dennis sair. Eu fiquei acompanhando para onde ele iria.
E então a vi.
Dennis parou ao lado de uma garota de vestido azul-marinho colado ao corpo, com um sapato roxo que valorizava ainda mais seu visual.
Ela tinha as pernas douradas mais lindas que eu já havia visto. Ele passou a mão pela cintura da garota e beijou seu rosto. Por um tempo fiquei observando os dois, até notar que eles não estavam juntos. Mas ele conhecia a garota. Perdi um tempo em meus olhares furtivos sobre ela, e ninguém havia se aproximado ainda e eu não entendia a razão.
Será que ela teria mau hálito? Qual o problema, para uma mulher incrível como ela não ter nenhum cara a rondando?
Ela dançava animada, e conversava simpática com todo mundo. E eu voltei a ser um garoto de quinze anos, tímido e incapaz de chegar naquela mulher. Ela não iria me esnobar se eu chegasse para cumprimentá-la não é?
Dennis se aproximou de mim, sem que eu percebesse.

— Estou vendo você secando a , tá?
— Pô cara, ela está com você? Foi mal… Mas ela é linda.
— É, ela é minha amiga. Porque não vai falar com ela? Ela é muito legal. Eu diria até que deve ser a garota mais legal daqui.
— E porque ninguém está com ela?
— Tem um monte de gente com ela, a socializa muito bem. Não vê? – ele disse óbvio.
— Ela tem namorado?
— Não.
— Então porque nenhum cara está com ela?
— Boa pergunta. Mas quer saber? Se você não for falar com ela, logo alguém vai aparecer.
— Ela é um pouco, intimidadora. – eu disse para o Dennis justificando minha falta de coragem e ele riu.
— Espera aqui. – disse se afastando e piscando para mim. — Não acredito nisso! – ele voltou a me olhar, parando de ir até a mulher e falou ainda rindo da minha atitude.

Não demorou muito e ele voltou trazendo a garota, por sua mão.
A cada passo que ela dava se aproximando, eu ia ficando mais embabacado.
Decidi me esconder um pouco abaixo da luz para me recuperar da minha cara de idiota, assim quando ela se aproximasse não veria o meu queixo caído.
E ela era ainda melhor de perto.
Ela foi a primeira a falar quando estávamos frente a frente. Pronunciou meu nome numa voz melodiosa, e linda. Minha cabeça foi às nuvens com o som de meu nome pronunciado por ela. Dennis nos apresentou, e como quando o cérebro congela após tomar um sorvete rápido demais, o meu havia perdido os sentidos. Aquela foi a pior coisa que eu poderia ter dito. "Que doce" , tão idiota. Abracei-a para que ela não visse minha estúpida cara, e pensando em como recuperar a primeira impressão me afastei voltando a falar com ela.

— É um prazer te conhecer, você me chamou bastante atenção. – eu disse
— Se você não estivesse escondidinho aqui, eu diria que também chamou a minha – ela falou com um sorriso simpático e me olhando dos pés à cabeça — Você está muito bonito!
— Eu aprendi a me vestir depois de um tempo, o Dennis me conheceu nas épocas iniciais de Villa Mix, não é? – eu definitivamente estava impactado e totalmente sem assunto com aquela mulher.

Ela era intimidadora, sedutora, mas, ao mesmo tempo, soava muito acessível à conversa e uma aproximação. Eu não sabia como agir com ela, e fiquei pensando se não seria aquele o motivo de nenhum cara ter se aproximado dela.

— Com certeza a melhor coisa que ele fez foi abolir o xadrez. – Dennis encarava uma loira enquanto falava conosco.
— E aí, como você conheceu o Dennis? – perguntei.

Eu estava mesmo curioso para saber, de onde o Dennis tirou aquela mulher, e por qual motivo a boca dela estava tão disponível daquele jeito. Dennis não era o tipo de cara que deixava uma mulher daquelas passar.

— Eu estava numa boate que ele tocava, e ao acabar de se apresentar ele esbarrou em mim e derrubou sua vodca no meu vestido.

Quando terminou de contar, eu imaginei que Dennis já havia estado com ela, mas ainda não entendia por quê havia deixado-a livre daquele jeito. Dei um meio sorriso sacana para Dennis, e tanto ele quanto entenderam meus pensamentos.

— Foi um acidente de verdade, mas nos rendeu uma amizade maravilhosa.
— Não, não sorri assim. Dennis e eu nunca ficamos.

E assim que respondeu, eu olhei para Dennis em dúvida. Eu realmente não estava entendendo.

— Eu não sou cara de compromisso, a é muito legal, nos demos muito bem e eu preferi manter a amizade com ela do que, correr o risco de magoá-la.
— Aham – zombava da desculpa dada por Dennis, e ele apenas riu continuando a falar.
— Digamos que, a é uma mulher encantadora. Ela é decidida e eu enxerguei um potencial fracasso em me apaixonar por ela. Então ela foi bem clara quanto ao “Dennis, eu não estou interessada em nada sério, não quero que você fique mal depois”.

Dennis imitou a voz de , que nem de longe chegaria próximo ao tom tão sedutor e melodioso que eu escutava. E ele não parava de olhar para a loira.

— Dennis. Vai logo falar com a loira! – o advertiu como se, assim como eu, não aguentasse mais observar aquela troca de olhares entre o rapaz e a loira do outro lado.
— Bem, com licença . A será uma companhia melhor que eu, te garanto. – ele se virou, mas voltou a mim, sendo taxativo: — E não zoa com ela, porque eu posso até ser seu amigo, mas eu sou mais amigo dela.

Apenas levantei as minhas mãos demonstrando que eu era inocente de qualquer coisa. E assim ele foi paquerar a loira. Depois que Dennis saiu eu não conseguia prestar atenção em mais nada que não fosse . Ela sorria tão lindo, que o meu próprio sorriso era um contágio do dela.
Eu não sabia se ela estava tão interessada quanto eu, mas eu estava realmente de quatro por ela. E mal poderia culpar o álcool, primeiro porque ela realmente era um pedaço de mau caminho. E outra porque ainda não havia bebido o suficiente para isso. Trocamos olhares, sorrisos, meias palavras, dançamos e quando fomos ao balcão de bebidas pegar outros drinques o telefone dela tocou.

— Oi Mário!

Ela atendeu falando alto por causa das conversas altas do camarote e a música do show. Ela fazia uma cara de desinteresse por aquela ligação, assim como umas caretas que mostravam que ela não conseguia ouvir nada.

— Mário, olha desculpa, mas eu estou no meio de uma festa cara, eu não consigo te entender direito. Te ligo depois, se cuida!

Ela desligou e voltou a sorrir para mim, enquanto pegava seu drinque da minha mão. Bebeu e voltou a olhar para onde o show ocorria. Dançava discreta e sorrindo, até que eu perguntei para tirar qualquer dúvida:

— Namorado?
— Ex. – ela sorriu convencida como se esperasse a minha pergunta.
— Tem muito tempo?
— Vejamos… – contou os dedos de uma mão — Cinco anos.

Um relacionamento de cinco anos ainda poderia se reaver. E embora ela não tenha dado tanta importância ao telefonema pensei que talvez, competir com o tal Mário não fosse dar certo.

— Que terminamos.

Então ela disse que havia terminado há cinco anos. Eu me espantei. Duas coisas se passaram em minha cabeça: a primeira é que não deveria ser uma mulher de sair com muitos caras, ou namorar sério, porque depois de cinco anos aquele cara ainda estava procurando ela… Ou talvez ele fosse um dos muitos ex-namorados que ainda a procuravam. Ou apenas um ex-namorado muito apaixonado, de muito tempo. E a segunda coisa que eu pensava era o porquê de eu estar tão interessado em saber quantos caras aquela mulher teria, ou em como poderia ser difícil competir com eles. Mas competir o quê? Eu só queria uma noite com aquela mulher.

— E ele ainda corre atrás de você?
— Não, é que nós meio que, nos tornamos amigos. Então ele mantém o contato, mas não nos vemos e nos falamos mesmo há muito tempo.
— Entendi.

Sorri abertamente para ela. E antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, Rick, o meu empresário que estava curtindo o camarote tanto quanto eu, e eu nem ao menos havia notado chegar, apareceu ao meu lado dizendo que estava na hora de me encaminhar ao palco. Ele sorriu para , ela deu a ele um aceno meigo de cabeça e sorriu.
Levantei me direcionando a falar com Rick, e ele não parava de olhar .

— Me diz que você não está com ela. – ele falou.
— Eu vou descer, cantar e subir rápido e espero que possa observar se algum cara vai se aproximar dela. – eu disse baixinho para ele.
— Eu posso ficar com ela se quiser. Me diz que você não está com ela. – ele repetiu ainda sorrindo para e sem tirar os olhos dela.

Eu notei que já estava estranhando a reação de Rick, dei uma leve batida no peito de Rick o acordando. Revirei os olhos e falei para ele com todas as letras “eu estou com ela sim”. Ele entortou a boca em reprovação, depois sorriu e me desejou boa sorte no palco. Cumprimentou em despedida e saiu dançando até um grupo de pessoas que pareciam o aguardar.

— Vou descer para cantar. – eu disse aos ouvidos dela.
— Ah, sim claro! Eu vou assistir e cantar muito aqui de cima. – ela falou animada, beijando o meu rosto.

Minha pele arrepiou com o toque dos lábios dela, afaguei seus cabelos pela nuca e devolvi o beijo em seu rosto. Me retirei ao backstage do palco, para me preparar para cantar.



Capítulo 6


tocou minha nuca beijando de volta o meu rosto e senti um arrepio percorrer meu corpo. Assim que ele saiu, eu fui andando até o Dennis que estava conversando com os mesmos colegas que havíamos feito no início da festa. A loira estava com ele, e ele me apresentou a ela. Assim como ele foi protetor comigo em relação ao , pensei em ser com ele em relação à loira. Mas acho que quem deveria ser protegido ali, não era o Dennis e sim, a garota. Então decidi não falar nada perto dele. Afinal, ele era meu amigo. Depois quando ele não estava por perto eu sondei a loira:

— Qual sua intenção com o Dennis, uma noite ou duas?

Ela me olhou desentendida e apenas respondeu:

— Duas.
— Então tá, olha ele é meu amigo, e eu já vou te avisando que o cara é muito legal. Mas não cria expectativas tá? Eu não quero que você fique mal com ele, e nem ele com você. Só… Vai com calma. Uma noite por enquanto é o suficiente.

Ela sorriu e me agradeceu pelo aviso. Quando ele voltou, nos olhou e sobre uma encarada duvidosa para mim, nos disse: “hum… já estão amiguinhas, é?” . Dennis sabia que eu teria dito algo à garota, mas estava tranquilo. Eu saí para ir falar com outras pessoas que me chamaram, e no meio do caminho, a repórter do canal Multishow que estava no camarote desde o início me parou.

— Você estava por aí conversando com o , vocês estão juntos? – me perguntou diretamente.
— Nós nos conhecemos hoje, aqui no evento. – eu falei tentando fugir de qualquer resposta que pudesse comprometer tanto ele quanto eu.

O cara que havia ido falar com ele para descer ao palco, e que me paquerava indiscreto, havia visto a jornalista comigo e ficou observando curioso nós duas.

— Qual o seu nome? – a mulher me perguntou.
.
— E vocês se conheceram aqui hoje, e o que você achou do ?
— Ele é um fofo, muito simpático – respondi entendendo a armadilha da mulher e quais respostas ela queria, então fui mais esperta ao responder — Eu vim com um amigo, e nós acabamos sendo apresentados através dele.
— Então você e o não estão saindo, ou nada do tipo?
— Não, não, como eu disse nós acabamos de nos conhecer.
— Mas ele não deu nenhuma investida em você? Eu notei como ele te olhava, pode falar amiga, estamos todas no mesmo barco.

Ri discreta e simpática, para Titi Müller, a jornalista – que parecia um pouco altinha – e respondi:

— Prometo que, se ele me paquerar em algum momento, eu volto aqui pra te contar tá?
— Combinado! – ela apertou a minha mão e me abraçou — Você é muito simpática , tomara que vocês se beijem!

Saí sorrindo de perto do câmera e da jornalista. O homem que havia falado com ainda me olhava curioso. Antes que eu chegasse aos meus amigos, ele se aproximou de mim.

— Boa noite!
— Olá! – eu disse simpática a ele.
— Eu sou Ricardo Souza, empresário do . – ele me estendeu uma mão e nos cumprimentamos com beijinhos no rosto.
— Ah, isso explica a sua cara de curiosidade, eu sou .
— É, pois é, eu nunca vi você com ele…
— Nos conhecemos hoje.
— E você é do meio? – o empresário perguntou obviamente curioso em saber quem era a “ninguém” que conversava com .
— Não, eu sou fisioterapeuta. Eu sou convidada, apenas. – eu respondi com uma expressão humilde.
— Ah que legal! Eu já quis ser fisioterapeuta, mas eu sou melhor com música.
— Posso garantir, como fã dos seus artistas, que é sim.
— Você é muito simpática, está explicado como te encontrou, além de seguir a sua beleza notória.
— Ah obrigada, que gentil – respondi tímida — E na verdade, nós fomos apresentados pelo Dennis. Somos amigos.
— Ah bacana! Dennis é um cara divertido!
— Sim, muito, olha Rick, eu tenho que ir. Meus colegas me chamam ali – o pessoal que havia me chamado, continuava me chamando e eu já estava a fim de sair daquela conversa, e antes que o homem não soubesse como perguntar eu já fui respondendo: — Olha, aquela repórter fez umas perguntas sobre o e eu, eu apenas disse que éramos amigos que acabaram de se conhecer. Se ela perguntar alguma coisa…
— AH! Não, claro! Fique tranquila, até mais. – ele respondeu com um sorriso largo e saiu.

Fiquei imaginando que estes empresários às vezes são meio sanguessugas. Me reuni aos meus colegas, e assisti a apresentação de ao lado deles.

– x –


Após terminar de cantar voltei ao camarote e fui procurar . Estava preocupado se algum outro cara teria a encontrado, e se havia perdido a atenção dela para outro. Eu andava olhando para os grupos de pessoas à procura dela, quando Titi Müller apareceu em minha frente me assustando. Cumprimentei ela, que me parabenizou pela apresentação. Ela estava um pouco alegre por efeito do álcool, eu supus, e sorria muito. Eu cumprimentei a câmera do programa e Titi deu um grito:

— Olha ela!

Ela se referia à , que passou perto de nós, sem nos notar. Ela foi até , me puxando pela mão. Eu queria agradecer à Titi, por aquilo.

! Nós conversamos com a sua amiga , que é muito, muito simpática por sinal – ela abraçou de lado — Nós já somos amigas, não é ?

assentiu sorrindo um pouco sem graça.

, ela disse que vocês se conheceram hoje e que vocês não estão de affair. Você confirma isso?

Eu estava ansioso para deixar claro à que aquela noite, eu queria estar com ela e somente com ela, então prevendo não correr o risco de tomar um toco na frente das câmeras, decidi ser um pouco mais ousado nas respostas:

— Sim, nos conhecemos hoje e não estamos de affair ainda, mas eu estou muito interessado na . – Titi deu um urro de zombaria, olhando para ela, e sorriu sapeca.
, e aí? – Titi perguntou.
— A minha promessa continua de pé. Eu falei que se ele me paquerasse eu contaria a vocês.
— Mas ele está te paquerando, gata! E aí, rola um beijinho ou não? – Titi falou e eu peguei a mão de sorrindo, sem jeito.
— Ele que é a celebridade, se eu beijá-lo ele pode se sentir exposto. Fica a critério dele.
— Eu gosto disso! – disse a Titi sorridente olhando para mim.

E então delicadamente, segurei o rosto de com as duas mãos, e sussurrei ao ouvido dela: “com toda a licença, senhorita”, e beijei seus lábios de uma maneira calma. Titi comemorou com comentários e dizendo para a câmera tem uma paquera no Villa Mix, sim!” ela afastou a filmagem de nós dois. Quando eu e separamos o beijo, sorrimos para Titi que deu uma piscadinha cúmplice para nós.
Guiei até um canto afastado e mais escuro do camarote, e nos sentamos numa poltrona dali para conversar. Continuamos a falar sobre os mesmos assuntos que tínhamos antes de eu ir para o palco. Então beijei novamente . Um beijo tão harmonioso, que parecia que nossas bocas foram feitas uma para a outra.

— Eu estou extremamente encantado por você hoje. – eu disse entre os beijos.

sorriu e então nos separou. Olhou voraz em meus olhos e disse:

, eu não sou muito de rodeios tá? Não precisa gastar poesias ou falar coisas bonitas para me levar pra sua cama. Eu sou o tipo de pessoa que se quiser dormir com você sem compromisso, vai fazer isso e sair antes que você acorde no dia seguinte. E se eu quiser ficar de chameguinho com você, eu vou acordar e deixar meu telefone. E se eu não tiver a fim, eu te dispenso antes mesmo de dar tempo dessa noite acabar.

Eu fiquei boquiaberto com as palavras dela. Jamais imaginaria ouvir tudo aquilo.

— Pode pensar o que quiser, mas eu só tenho uma pergunta: o que você quer é passar a noite comigo?

Continuei calado, encarando os olhos dela, e acariciando seu rosto. Ainda estava digerindo tudo o que ela disse. Eu levando horas para falar o mínimo com ela, e ela conseguindo ser direta daquele jeito?

… Quais as suas intenções comigo hoje? – perguntou de novo, despertando-me do transe.
— Eu quero dormir com você sim, mas não quero que você saia sem despedir amanhã.

Ela sorriu, em um meio sorriso sedutor.
E eu só conseguia pensar em uma coisa: eu caí na teia de uma viúva-negra?



Capítulo 7


Depois do beijo, eu achei melhor ser direta com o . Eu queria ficar com ele, mas não o queria gastando o latim com poesias e palavras falsas para me levar para o quarto dele. Era muito mais simples e sincero apenas falar o que queria.
Esta minha forma direta de agir, intimida um pouco os homens, mas me poupa tanta dor de cabeça com eles. E eu tenho que agradecer ao Mário por isso, porque antes dele, eu não sabia me comunicar com os homens. Então depois de muito quebrar a cara, mudei meu jeito de ser, pelo meu próprio bem.
e eu ficamos de amasso durante o restante da noite, e um pouco antes de irmos embora voltamos a dançar e socializar. Dennis já havia me mandado uma mensagem dizendo que tinha ido para o hotel. Se responsabilizou pela minha volta, – ainda que desnecessário – disse que na hora que eu quisesse ir embora mandasse uma mensagem a ele, que ele pediria o carro.

“Ei , não achei a senhorita docinho em canto algum e olha que coincidência: eu também não achei o . Hum… Estranho não? Kkkk. Então eu voltei para o hotel acompanhado. Quando quiser ir embora, me avisa que eu faço questão de pedir o carro para te buscar aí. Não apronta, dê sinal de vida!”
“Você deixou a sua, docinho por uma loira peituda, e adivinha só quem teve que cuidar de mim? Não se preocupe, quando eu chegar em casa amanhã de manhã te aviso Den! Use camisinha!”


Respondi e assim que e eu entrávamos no carro dele meu celular apitou, com uma nova mensagem do Dennis.

“Amanhã de manhã? Quem tá levando a gostosa da pra casa? Hahaha”
“Não achei que fosse responder agora, a loira fugiu de você?
“Estamos subindo pro quarto agora, mas fala logo quem é o safado para eu agarrar a mina aqui logo!”
“Como você é fofoqueiro! HAHAHA, se concentra na sua missão aí!”
!”
“O , né Dennis! Quem mais seria?”
“Não acredito! Ele não faz teu tipo, ele é muito romântico! Ele vai se apaixonar, coitadinho…”
“Tchau Dennis!”


Depois não visualizei nenhuma mensagem do Dennis, e contei ao que ele havia ido embora com a loira.

— Vou avisar a ele, pra ficar tranquilo que eu mesmo te levarei para casa amanhã – ele disse assim que comentei a preocupação do Dennis comigo.

Cheguei ao hotel onde estava hospedado, e o quarto era magnífico. Antes que eu pudesse tirar os meus sapatos, me abraçou por trás e beijou meu pescoço. Joguei minha bolsa em um canto, retirei os sapatos, e virei de frente ao passando os braços por sua nuca e o beijando. Ele retirou seu blazer, jogando-o longe também, e me beijou falando em seguida:

— Tenho uma condição.
— O que? – o olhei em dúvida.
— Eu falei sério quando disse que não queria que você fosse embora sem se despedir amanhã.

Sorri não levando ele a sério e voltei a beijá-lo. novamente nos separou e disse:

— É sério , nada de sair de fininho amanhã. Tudo bem por você?
— Tudo bem, não é uma condição tão grave assim.

Voltei a beijá-lo. Ele mexia comigo e eu não sabia os motivos.
Ele era lindo, mas até ali não tinha nada de diferente nele em relação a outros caras com quem eu fiquei, exceto por sua fama, que sinceramente não importava para mim.
E depois daquele papo de não sair de fininho no dia seguinte, só conseguira me lembrar da mensagem do Dennis: “Ele é muito romântico, ele vai se apaixonar…”. Temia por aquilo.
A última coisa que eu precisava era me apaixonar por um cara como ele, e muito menos que ele se apaixonasse por mim. Mas era muita petulância pensar aquilo, então resolvi acreditar que ele não desejava que eu saísse de fininho, por precaução de marketing. Afinal, uma noite com uma garota desconhecida poderia render bons ou maus tabloides para ele, se não tivesse certo cuidado. E por mais que aquela não fosse a minha intenção, eu realmente pretendia apagar aquele acontecimento, eu não poderia culpar o por pensar outra coisa.

Continua...



Nota da autora: (12/07/2017) Lindas, espero que estejam gostando! Comentem, conversem comigo, não me deixem sozinha aqui! Beijos adocicados no coração de vocês!




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