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Finalizada em: 14/04/2021

Capítulo Único

saiu da van com os seus amigos Brad, Connor e James. Era uma sexta-feira de manhã, o dia estava muito ensolarado em Beverly Hills, eles iriam gravar o videoclipe de Chemicals que era uma das músicas do novo álbum Blossom. A ideia para o clipe era uma pool party numa mansão e, durante a festa, Brad iria conhecer uma garota e ficar totalmente apaixonado por ela.
Assim que guardou o celular no bolso traseiro da calça jeans, ajeitou os óculos escuros no rosto e observou a movimentação do lugar, a produção estava a todo vapor, várias pessoas andando de um lado ao outro, as mãos sempre ocupadas.
- Até que enfim vocês chegaram! - Marcus, o empresário da banda, apareceu animado. - Me sigam! Temos apenas doze horas para finalizar as gravações e devolver a casa.
- Uau! Que mansão! - Brad parecia admirado e a reação dele fez os amigos rirem. - O que foi? Vocês não gostariam de morar num lugar desses? - Perguntou divertido.
- Seria top pra caramba! - Connor confessou.
- Imagina o tamanho da piscina? - James apressou-se em seguir o caminho de Marcus.
foi o único a permanecer quieto enquanto avaliava o lugar. Não enchia os olhos, pois gostava de lugares que se sentisse aconchegado ,e até hoje, além da casa de sua família, o único canto que proporcionou a mesma sensação foi o apartamento que dividia com James.
- ? - Brad questionou ao notar que o baterista foi o único a permanecer calado.
Ele deu de ombros.
- Gosto do nosso apartamento. - Confessou.
- Ah, qual é! Não acredito que prefere morar naquele apartamento! - James soou incrédulo, a cabeça mexeu-se num gesto de negação, o sorriso divertido no rosto.
- Sabe que não ligo muito para luxos, ao contrário de certas pessoas. - Defendeu-se, deu uma cotovelada no braço de Brad para provocá-lo.
- Não vejo mal nisso. - O vocalista rebateu.
- Vocês vão vir logo ou devo cancelar as gravações? - O empresário falou alto da entrada do lugar.
Eles caíram na gargalhada e se apressaram pelo gramado, se divertiam muito com a falta de paciência do homem e que vivia sendo testada desde que começaram a ser produzidos por ele. Normalmente, a relação que deveria ser profissional tornou-se o carinho de pai e filhos, divertiam-se o tempo todo, mas o mais velho sabia puxar a orelha no momento ideal.
A enorme sala bem mobiliada estava repleta de câmeras, alguns membros da produção espalharam garrafas e copos descartáveis vermelhos por todas as superfícies, transformando o cômodo num verdadeiro cenário de festa adolescente.
- Nós vamos fazer alguns takes de vocês aqui dentro e, depois, vamos encerrar gravando lá fora. - Kimberly aproximou-se do grupo, ela era diretora da produtora responsável pelos videoclipes da banda. Eles sempre adoraram a genialidade e a capacidade de compreender bem o que eles queriam ou esperavam. - Meninos, fazemos isso há anos e quero vocês se divertindo. Pensem que estão numa festa de verdade num casarão desses. - Sorriu animada ao abrir os braços e indicar o lugar. - Primeiro, quero ver vocês interagindo com a música, dublando e dançando. Podem fazer o que sentirem vontade.
- Aqui, . - Marcus lançou as baquetas na direção do baterista que agarrou por reflexo. Pegou-as e começou a girá-las entre os dedos, jogá-las no ar.
- Preparados? - Kimberly perguntou por trás das câmeras, toda a equipe posicionada e em silêncio.
- Sempre. - O baterista brincou.
- AÇÃO! - A mulher gritou.
No início, eles dançaram desengonçados imaginando o ritmo da música. Nos versos, James fingia tocar uma guitarra imaginária, Connor e o baterista batiam quadris enquanto Brad dublava os seus vocais com gestos para as câmeras. A diretora parou diversas vezes, chamou a atenção para algum detalhe ou elogiou, indicou algumas ideias e, logo, eles realmente entraram no ritmo da gravação sem sentir qualquer tipo de timidez. Foram uma hora ou mais de muita dança pelo cômodo, o cansaço começou a dar sinais e quando a mulher percebeu, pediu que se esforçassem para um último take e encerraram aquela etapa.
- Parabéns, meninos! Vocês foram maravilhosos! - Saiu de trás da câmera e bateu palmas, logo um coro de aplausos começou. - Queria dizer que acabou, mas ainda temos nossa belíssima pool party e que sem querer me gabar, ela ficou um arraso!
- Uooou! - Os meninos reagiram com animação.
- Então, será que pode virar uma pool party de verdade? - Connor abriu o seu melhor sorriso e que costumava derreter corações.
- Bom, aí não é comigo. - Kimberly riu. - É ele quem manda aqui. - Apontou para Marcus que estava no fundo da sala concentrado em uma ligação telefônica, totalmente alheio a conversa e o fato de ter sido citado nela.
A decepção no rosto dos meninos era evidente, eles sabiam que quando se tratava de custos o homem era controlador ao extremo e fazia o máximo possível para evitar perder qualquer centavo a mais por algo, ou seja, aproveitar a mansão estava fora de questão.
- Bom, me sigam. - Ela indicou ao seguir até um outro cômodo gigante que era uma sala de jantar com portas francesas que ligavam ao quintal da casa.
A área era imensa com gramado, uma piscina retangular gigantesca, espreguiçadeiras, churrasqueira e um cômodo envidraçado que parecia ser uma sauna.
- Ela se superou mais uma vez, né? - James comentou ao parar do lado de , o que fez o rapaz reparar na decoração colorida, as enormes bolas de várias cores que flutuavam na piscina, o pequeno palco com os instrumentos, enormes caixas de som apenas faltavam pessoas para figurarem na festa.
- Meninos, vamos gravar takes com vocês tocando no palco e, em seguida, vou pedir para os figurantes entrarem e também, vou apresentar a jovem que fará o par romântico do Brad. - A diretora explicou.
- Por que só o Brad se dá bem? - Connor dramatizou.
- Porque ele é o vocalista. - ironizou achando graça da situação.
- E o mais bonito da banda. - Brad fingiu se gabar.
James revirou os olhos e deu uma leve cotovelada no rapaz.
O baterista franziu a testa com a ideia que surgiu em sua mente.
- Que tal fazermos diferente dessa vez? - Sugeriu. - Se a Kimberly não se importar. - Olhou para a mulher esperando sua opinião, ela deu de ombros. - Podemos tirar na sorte e quem ganhar pega o lugar do Brad no clipe. Topam? - Olhou empolgado.
James e Connor olharam para Brad que deu de ombros.
- Somos uma banda, eu não acho ruim que vocês apareçam mais nos clipes. - Falou tranquilo, cruzou os braços.
- Vamos nessa! - James fez um soquinho para o ar.
- E o que vamos usar para resolver? - Connor perguntou.
O baterista resolveu pensar.
- Pedra, papel e tesoura. - Sugeriu. - Depois, vamos de par ou ímpar.
Todos concordaram. Os rapazes se aproximaram, posicionados de uma forma que lembrava o triângulo. Encararam-se, uns tinham sorrisos animados, outros seguravam a risada, mas esconderam um dos punhos atrás das costas e quando Brad deu o sinal, as mesmas mãos retornaram com os gestos indicativos. Foram preciso três tentativas para eliminar Connor que foi muito insistente, pediu melhor de três, mas o pedido foi negado após Marcus aparecer e se pôr a par da decisão dos garotos, o homem alegou que tinham poucas horas para finalizar as gravações e não deveriam perder mais tempo com aquela besteira.
e James forçaram expressões de concentração com a brincadeira, os espectadores poderiam acreditar que estavam realmente levando aquela disputa a sério, mas a verdade é que estavam apenas se divertindo. Os punhos estavam escondidos atrás das costas, o baterista escolheu ímpar e o guitarrista ficou com par. Todos prenderam as respirações, Brad fingiu duas vezes, mas falou o “Go!”. estava com os olhos fechados e a mão estendida, James tinha um dos olhos abertos com um sorriso divertido no rosto.
- Temos um vencedor! - Brad forçou uma voz de narrador. - . - Ele pronunciou as vogais por mais tempo ao erguer uma das mãos do baterista para o ar, o que parecia era que ele tinha acabado de vencer uma luta UFC.
Uma risada feminina chamou a atenção dos garotos que se tornaram sérios no mesmo instante, o vocalista até soltou a mão do vencedor bruscamente e eles procuraram a dona daquele som, surpreendidos por uma menina que aparentava ter a idade deles e tinha uma expressão muito bonitinha de divertimento no rosto ao encará-los. O coração de acelerou ao colocar sua atenção sobre ela e de uma forma que nunca tinha sentido antes.
- Vejo que decidiram. - Kimberly apontou. Colocou uma mão no ombro da menina que já estava mais séria, entretanto, sem abandonar uma postura simpática. - , esses são Brad, Connor, James e . - Indicou cada um deles com um sorriso simpático. - E tivemos uma alteração como você pode perceber. - Sorriu divertida. - O vai ocupar o papel que era do Brad como havia sido combinado com você.
Ela encarou cada um deles e acenou, o sorriso que abriu foi tão bonito que deixou o baterista atordoado, ele não conseguiu reagir ao cumprimento.
- Muito prazer! Garanto que darei o meu melhor hoje. - Falou sorridente.
James percebeu que o baterista ao seu lado parecia esquisito, por isso cutucou o amigo na costela, assustando-o.
- Você realmente se chama ? - perguntou surpreso, o rosto não conseguia esconder sua admiração.
- Sim! Admito que não gosto muito do meu nome, mas pelo menos uma vez, ele me trouxe sorte. - Riu.
- Por quê? - Brad pareceu curioso.
Ela encarou a diretora de forma divertida e recebeu uma aprovação para falar.
- Empatei com outra atriz e o meu nome ser o mesmo do álbum de vocês trouxe o desempate.
- Mentira! É a cara da Kimberly fazer uma coisa dessas. - Connor riu.
A diretora revirou os olhos.
- O que a menina vai pensar ao ouvir você falar assim, Connor? - Perguntou com falsa indignação. - Apenas achei muita coincidência e quem sabe não é sinal de sorte?
Todos riram.
- Bom, chega de brincadeira e vamos gravar a cena no palco. - A diretora anunciou. - , você já pode seguir para dentro da piscina que iremos fazer alternando o take.

Swimming in a pool of people
Nadando em uma piscina de pessoas
The only one I see is you
A única que vejo é você
All these bodies dancing, but it's
Todos esses corpos dançando, mas é
Like we're standing in an empty room
Como se estivéssemos em uma sala vazia


Todos seguiram as ordens e se posicionaram em seus devidos lugares. Quando ocorreu a liberação das gravações, as câmeras começaram filmando normalmente os meninos tocando e, depois, começou a dar close mais em escondido em sua bateria. Ele estava tão alheio ao palco, pois o seu foco real estava em dentro da piscina que tinha uma expressão séria e que fingia estar concentrada nele. Lá, outra câmera gravava para que, na edição final, parecesse que na cabeça do baterista ela estava sozinha ali dentro, mas a verdade era que teria um close com a piscina lotada de pessoas e mesmo assim, ela conseguiu chamar a atenção dele. O que se tornou irônico, pois ficou muito evidente no dia seguinte ao estar frente a frente com ela.

XXX


O baterista não pregou os olhos durante a noite e não foi por falta de tentativas. A frustração tinha nome e se chamava . Ela dominou os seus pensamentos, o belo rosto da mulher e a recordação do sorriso que recebeu ao se despedir no final das gravações não abandonava a sua mente. Percebeu que a situação estava realmente difícil, quando teve o trabalho de preparar café e ainda por cima, tomou um gole amargo do líquido quente. detestava café, mas precisava muito se manter acordado por causa de um photoshoot para o clipe.
- E aí, cara! - James falou animado ao entrar na pequena cozinha, encarou o amigo e estagnou no lugar, o rosto assustado. - Você está tomando café? - Perguntou com assombro.
- Passei a noite em claro. - Deu de ombros e empurrou outro gole, fez uma careta no final. - Não tive escolha ou vou sair dormindo nas fotos. - Riu.
- Caramba! Posso saber o motivo da falta de sono? - Falou curioso após recuperar-se do susto. Seguiu até a pia e pegou uma caneca limpa, enchendo-a com a bebida. Ocupou a cadeira em frente ao amigo.
O baterista suspirou frustrado, encontrava-se em dúvida sobre compartilhar ou não a verdade, talvez, escrito na cara dele sobre não estar tão aberto a expor a situação ao perceber o olhar atento do amigo.
- Então… - Tentou dizer, mas foi interrompido.
- Não. - Gesticulou com uma das mãos. - Não precisa revelar nada, porque desconfio do motivo e que ficou mais do que estampado nessa sua cara bonitinha. - Riu.
Os olhos do outro arregalaram-se de surpresa.
- Como… Você…
- Calma, meu rapaz! Parece até que não somos amigos e parceiros de apartamento há anos! Às vezes, eu acho que conheço você muito melhor do que eu mesmo. - Sorriu convencido, tomou mais um gole. - A última vez que vi você fazendo cara de bobo foi por causa de Você-Sabe-Quem…
- Voldemort? - O outro zoou.
James revirou os olhos fingindo impaciência, mas caiu na gargalhada em seguida.
- Falando nisso, temos que fazer nossa maratona de HP. - Falou animado.
- E o que você desconfia sobre mim? - O baterista insistiu com curiosidade.
O amigo fez um gesto de pouco caso e tomou mais um pouco de café.
- Eu consegui o número de telefone da sua musa. - Deu de ombros, um sorriso de falsa inocência, mas a atenção estava toda em qualquer reação do outro.
- Minha musa? - A boca escancarou-se. - Mas co-como? - Gaguejou. - Ela não é minha musa e … - Estava numa mistura tão louca de sentimentos que realmente não conseguia definir qual sentimento seguir. - Não acredito que fez isso.
- Claro que sim! E os meninos super apoiaram.
- Não acredito! - Cobriu o rosto com as mãos, vergonha enchendo sua expressão.
- Cara, ela deu de boa quando expliquei a situação e o mais legal de tudo… - Fez um suspense.
- O quê? - Abriu os dedos que ainda escondiam o rosto, os olhos observando-o com curiosidade através dos espaços.
- Ela falou que te achou uma gracinha! - Confessou num tom que parecia estar revelando um segredo muito valioso.
libertou o rosto e gargalhou da cara do amigo, mas a gratidão pipocava dentro do peito. Ele até poderia ficar com raiva de terem pedido o número dela ao invés de deixá-lo tomar a atitude, mas sabia que não teria coragem de fazer e olha que realmente ficou muito a fim dela. De certa forma, pela primeira vez, ter os amigos se intrometendo em sua vida não foi ruim. A verdade é que nunca era, quer dizer, só às vezes.
Recebeu um olhar ofendido.
Abriu um sorriso iluminado e que julgou expressar o tamanho da sua gratidão.
- Obrigado, cara! - Levantou da cadeira e se jogou em cima do amigo, deu um abraço desajeitado e finalizou com uns tapinhas nas costas. Afastou-se, a alegria evidente.
- Espero que no futuro você tenha a mesma atitude comigo, caso apareça a mulher da minha vida e eu esteja assustado demais para tomar a iniciativa. - Tinha divertimento em seu olhar, mas a voz soava muito sincera.
- Farei o meu melhor. - Deu mais dois tapinhas no ombro do amigo para confortá-lo.

XXX


Foram horas de muitos flashs, poses, caretas e sorrisos que deixaram as bochechas doloridas, entretanto, o resultado do photoshoot para o novo álbum foi um sucesso. Além da alegria e alívio, ele recebeu uma mensagem que encheu-o de expectativa e que seria o motivo de mais uma noite insone: aceitou o seu convite para assistir um show da banda no dia seguinte.

XXX


não mentiu, quando disse que não conhecia a banda e suas músicas, mas descobriu que eram muito boas e foi difícil escolher sua favorita. Admitia ter ficado muito surpresa após um dos integrantes pedir o seu número e, mais ainda, ao descobrir que era o baterista, quem estava com interesse em conhecê-la melhor. Num primeiro momento, pensou em recusar por terem acabado de trabalhar juntos, mas depois parou para pensar no quanto foi divertido gravar as cenas com o e o fato dele ser muito bonito, além de fofo. A surpresa foi maior ainda ao receber uma mensagem amigável acompanhada de um convite para o show que rolaria no dia seguinte.
E lá estava ela, toda suada por ter dançado durante a apresentação da banda que mesclava músicas tão gostosinhas que quando se deu conta estava com os braços para o alto, o corpo movimentando-se no ritmo das melodias. Não deixou de acompanhar o coro de murmúrios tristes e o pedido de bis dos milhares de fãs que ocupavam a casa de show naquela noite, até mesmo achou engraçado o fato de realmente a hora ter voado desde que chegou ali.
O segurança bateu na porta do camarim e informou que ela estava aguardando para cumprimentar os meninos, logo um com um sorriso animado surgiu. Ele agarrou sua mão e guiou-a para dentro do camarim, depois de uma chuva de cumprimentos, ocupou um sofá e foi servida com refrigerante. Todos interagiam com muita energia, pareciam muito felizes ao ouvirem o seu comentário sobre a apresentação e as músicas. Em algum momento, embarcou numa conversa apenas com o baterista e talvez, esse tenha sido o seu erro. A conversa fluiu de forma tão leve e agradável que sentiu-se cada vez mais confortável na presença do rapaz, o que assustou-a um pouco, afinal, fazia muito tempo que não conhecia um cara que provocasse esse tipo de sensação.

XXX


Ela também estava apaixonada por ele?
Questionou-se enquanto observava uma concentrada em suas baquetas tentando repetir os movimentos que ele ensinou. Todas as vezes que quase abriu a boca para revelar os sentimentos que deixava-o perturbado, desistiu com o medo de estar prestes a estragar a amizade deles. Foram meses de várias saídas, algumas vezes com os amigos dela ou dele, mas tiveram momentos sozinhos também. Sempre que parava para refletir sobre o momento em que se apaixonou pela garota, era muito claro que foi à primeira vista. Impossível não vir à mente a primeira vez que colocou os olhos nela e foram apresentados na gravação do clipe.
- Não quer me doar essa belezinha? - A garota perguntou com uma expressão divertida ao erguer-se do banquinho, as baquetas permanecendo em suas mãos. - Estou apaixonada por bateria! Sério! Desde que começou a me dar essas aulas, eu passo horas no YouTube assistindo vídeos e pesquisando uma bateria. - Jogou-se no sofá ao lado dele, o corpo inclinado em direção ao descanso do móvel, o que permitia encará-la diretamente.
E se ele revelar os próprios sentimentos, ela confessar o mesmo, se beijarem, namorarem e anos depois, o relacionamento acabar com o coração dele partido? A mente dele penetrando nos seus maiores temores, sua atenção na conversa foi para longe.
- Alô? ? - Estalou os dedos na frente do rosto do amigo, assustando-o.
- Oi! Estou sim… - Sorriu sem graça.
- Não parece… - Analisou-o atentamente, a preocupação evidente. - Você parecia que estava prestes a chorar ou vomitar… - Abriu um sorriso que beirava a brincadeira.
Ele revirou os olhos, mas o sorriso não brotou em seus lábios. Tentou desviar a atenção dela.
- Você está muito melhor! Preciso me cuidar ou vou perder a minha vaga na banda. - Provocou-a.
- Idiota! - Deu um empurrão de leve com a mão, a risada escapando.
Ele agarrou a mão dela e envolveu-a em seus braços, o gesto não teve qualquer maldade, mas percebeu a gravidade, quando encarou aquele rosto tão de perto. Soltou-a imediatamente e quase pulou do sofá como se estivesse pegando fogo. Assim que se inclinou na direção dela para pegar as baquetas de suas mãos e fugir para sua bateria, o olhar decepcionado que recebeu, deixou-o desconcertado. Fingiu não perceber e sentou-se na bateria como se fosse o suficiente para ocultá-lo de sua visão.
Deixou suas mãos agirem por vontade própria, a batida diferente ecoava parecendo refletir a confusão de sentimentos e pensamentos que deixava-o atordoada. Repentinamente, segurou um dos pratos, quase levando uma pancada da baqueta, mas que felizmente, conseguiu evitar a direção da queda.
- ! - Soltou com a voz esganiçada. - Você pirou? Eu quase quebrei a sua mão! - Encarou-a horrorizado.
- Que nada! - Fez um gesto de pouco caso numa tentativa de disfarçar o susto, largou o prato e cruzou os braços. - Ou fazia isso ou você iria continuar tocando eternamente até eu desistir e ir embora.
Ele fez uma careta de confusão.
- Quero deixar bem claro que fui muito paciente, .
- Não estou entendendo! - Confessou, o coração batia tão forte no peito que poderia perfurá-lo rumo ao exterior.
- Eu sei que você está apaixonado por mim. - Deu de ombros, a expressão ilegível com os sentimentos cuidadosamente escondidos.
A boca dele abriu, o susto presente em suas feições.
- Eu... Ah… Não é isso…
- Ah, então, não é verdade? - Perguntou com uma das sobrancelhas arqueadas.
- Sim! Que dizer, é verdade! - Soltou desesperado. - Eu me apaixonei desde a primeira vez que te vi… - Confessou envergonhado.
- Eu já não posso dizer o mesmo. - Viu-a a decepção que recebeu, mas apressou-se em acrescentar. - Não foi num primeiro instante, porque achei o Brad mais bonito do que você. - Provocou-o para aliviar o clima.
Ele pareceu realmente acreditar, afinal estava acostumado com o sucesso do vocalista entre as mulheres.
- Mas isso não me impediu de me apaixonar por você, depois daquele show. - Sorriu docemente e se aproximou, inclinou-se e segurou o rosto entre suas mãos.
parecia em choque com o rumo que as coisas estavam tomando, sua pele arrepiou-se completamente em deleite por ter aquelas mãos macias tocando o seu rosto. O seu coração continuava batendo forte no peito, a garganta ficou seca e os olhos arderam. Ele amou outras vezes, passou por um término e achou que jamais fosse superar, mas a diferença era que o que sentiu desde o início por . A intensidade de seus sentimentos por ela combinados com as inseguranças, o medo de sofrer novamente, o fizeram encará-la diretamente.
- . - Olhou-a diretamente. - Eu amo você e isso é bizarro demais até mesmo para mim.
- Eu sei. - Concordou baixinho.
- Você sabe do meu passado amoroso… O que o último relacionamento significou para mim e como terminou… - Tentou colocar para fora suas preocupações. - Foi um dos motivos que me impediam de criar coragem de contar, mas o meu maior medo era destruir nossa amizade.
- O futuro é incerto e tudo tem um começo, um fim. - Sussurrou, encarava-o diretamente. - Podemos estar fadados ao fracasso? Podemos! Mas não podemos deixar de tentar ser felizes pelo tempo que pudermos.
E com essas palavras, o baterista admirou-a por alguns segundos e levantou-se do banquinho, envolveu-a em seus braços com delicadeza, unindo suas bocas em um primeiro beijo que abriria o caminho para muito mais.
Um último pensamento de gratidão pelo videoclipe que colocou em seu caminho rondou sua mente e a conclusão de que, pela primeira vez, uma música fez tanto sentido para sua vida como Chemicals fez.




Fim.



Nota da autora: Oi, jovem! Quero agradecer pela oportunidade de participar desse ficstape top! As músicas desse álbum estão maravilhosas. Muito obrigada por ter lido a fic! <3

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Outras Fanfics:
  • 03. Hands [Ficstape #083: The Vamps Night & Day (Night Edition)]
  • Estúpido Cupido [Shortfic/Finalizada]
  • Café com Pattinson [Atores - Robert Pattinson/Em Andamento]


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