Última atualização: 27/04/2019
Contador:

Prólogo


“— Eu volto logo pra que você não precise sentir a minha falta. Tome conta do meu coração – eu deixei ele com você.” — Saga Crepúsculo: Eclipse, Stephenie Meyer.


tinha um sonho.
Desde muito pequena, sonhava em ser atriz como aquelas que estrelavam os seus filmes favoritos. Brincava com sua irmã, fingindo gravar algum vídeo ou cena que haviam assistido. Nas noites de Natal, juntavam as crianças na sala e tentavam fazer uma peça improvisada, e, claro, o papel principal era sempre dela.
Conforme os anos foram passando, o amor pelo teatro e cinema foi ficando bem evidente para sua família. Entrou para o grupo da escola, participando e organizando diversas peças com bastante dedicação, rendendo grandes elogios. Conheceu Hollywood numa viagem que seus pais lhe deram de presente, de onde retornou repleta de gás para lutar por seu sonho.
Entretanto, no auge dos seus vinte anos, precisava tomar uma decisão importante que definiria toda a sua vida: deveria permanecer em Salt Lake City, comandando os negócios da família, e casar, ou juntar o máximo de dinheiro possível para morar em Los Angeles e realizar seu sonho?
O grande empecilho era o medo do fracasso, principalmente por não ter o apoio de seus pais. Viviam a desanimando, tentando fazê-la desistir do seu sonho, pois queriam que administrasse os negócios da família.
Mas esse não era o sonho de .
Ela queria mais para si.
Queria experimentar mais do mundo, conhecer, encantar, levar o seu trabalho para as pessoas de diversos lugares. Amava a sensação de viver mil personalidades em baixo de uma mesma pele, estar fisicamente como , mas a personalidade de um personagem, uma outra vida.
Por isso, correria atrás do seu sonho: seguiria a carreira de atriz.


Capítulo 01 – Tribbiani’s Coffee


“A vida é muito curta para tomar cafés ruins.” — Autor desconhecido.


Los Feliz, Holywood.

O gosto do fracasso era como o café que tanto detestava: amargo e impossível de ser digerido. Seguia para o trabalho depois da tentativa fracassada de participar de um teste para a série Grey’s Anatomy. Infelizmente, os produtores não deixaram que ela fizesse o teste, dando uma desculpa esfarrapada de que não possuía as características ideais para a personagem.
Resumindo: a vaga já estava garantida para alguma outra atriz apadrinhada por um agente famoso.
Não era a primeira vez que enfrentava esse tipo de situação frustrante, pois era mais do que óbvio esse favorecimento. Muitos talentos – como ela – eram descartados por causa disso. Não se ressentia pela falta de uma agente com toda essa bagagem, pois Veronica foi a única que acreditou em seu potencial e se esforçava muito para encontrar boas oportunidades, mesmo sendo nova na caça de talentos.
Mais uma vez, havia dado de cara na porta e com três horas a menos de salário no final do mês.
— É, esse dia não será fácil. — Constatou, desanimada, enquanto avistava o enorme e familiar letreiro preto escrito em letras brancas “Tribbiani’s Coffee”.
Ela era uma mulher cheia de manias, principalmente quando se tratava da decoração da cafeteria. Foi preciso apenas um segundo em frente à fachada preta com enormes vidraças para começar a mudar a posição dos vasos de plantas que decoravam as pilastras e a calçada.
Quando leu o quadro de promoções do dia, revirou os olhos, achando graça. Reconheceu a letra de .
Entrou no café e seguiu direto ao caixa.
. — Chamou, risonha, enquanto estendia a mão sob o balcão, em direção a jovem loira que contava algumas notas de dinheiro.
encarou-a confusa, por alguns segundos, mas logo entendeu o pedido silencioso. Pegou um pedaço de giz branco que guardava no caixa e entregou-o para a amiga.
— Ah, não. De novo? Não é possível, . — Falou, indignada, fazendo um biquinho engraçado.
Conferiu novamente as notas em suas mãos e guardou-as no caixa.
— Hoje é dia de dois pelo preço de um, e não frappuccino à la Joey Tribbiani. — Explicou , enquanto tirava seu casaco e jogava em cima da amiga, pegando seu avental e colocando-o.
— Não sei como ainda não decorei isso. — Comentou, rindo.
Pegou o casaco da amiga e dobrou, guardando em baixo do caixa.
— Quem sabe no dia que eu conseguir ser uma atriz de sucesso e não estiver mais aqui. — Falou, implicante, enquanto seguia em direção à saída.
— Ih, então vou conseguir decorar as promoções e o cardápio completo! — Debochou , rindo alto.
Quando percebeu os olhares de alguns clientes nela, disfarçou o riso com uma tosse e fingiu procurar algo no balcão.
mostrou o dedo do meio para amiga e saiu da cafeteria. Apagou o quadro, escreveu a promoção correta e se afastou, o suficiente para a observar toda a fachada. Finalmente satisfeita, se alongou e deu uma rápida olhada para o céu nublado. Entrou novamente, embalada pela melodia animada de seu assovio.
— E então, como foi o teste? — Perguntou com uma expressão séria, enquanto observava a amiga com atenção.
parou o assovio, dando de ombros, enquanto acenava para Enrico, que servia uma cliente.
Esse gesto foi o suficiente para a jovem entender que novamente a amiga havia fracassado. Sentiu-se triste por ela, sabia como era doloroso quando não se conseguia aquilo que tanto queria. A nova meta da amiga era conseguir um papel com um pouco de mais destaque, até ser suficiente para alcançar o que tanto desejava para sua carreira de atriz.
— Você sabe que estava brincando, né? Não foi por mal. — Falou , arrependida.
— Relaxa! Sei que foi zoeira, mas está difícil para mim. Estou cogitando desistir desse sonho louco, voltar para Utah, aturar meus pais com sorrisos de vitória e seguir a vida na pizzaria. — Confessou tristemente, enquanto encostava a lateral do seu corpo no enorme balcão de madeira.
— Você não vai desistir, . Não você.
Se pudesse ser definida em apenas uma palavra, seria contagiante. Não por sua beleza de cabelos longos e loiros, olhos cor de mel e pele clara, mas, sim, por sua alegria.
Era uma garota tão alto-astral, sempre com um sorriso no rosto e pensamentos positivos num nível que chegava a ser irritante às vezes. No início, pensou ser algo forçado pela garota, mas, durante um tempo, percebeu que era algo natural; fazia parte da personalidade da jovem. passou a admirá-la muito por isso, pois foram incontáveis as vezes em que conseguiu erguer a amiga.
Parecia filha de sangue de Joey, mesmo sendo apenas enteada. Ambos compartilhavam de uma animação capaz de incendiar o mundo, caso quisessem. Ou seria normal alguém acordar animado numa segunda-feira de manhã? Anormalidade pura.
Ela é filha da atual namorada de Joey. Trabalhavam juntas há dois anos, sendo tratada como uma funcionária sem qualquer vínculo com o patrão. Seu sonho é ser uma cantora de sucesso. Gravava vídeos cantando diversas músicas e postava na internet. Aos sábados à noite, apresentava-se em um bar na Sunset Boulevard. O tempo convivendo na cafeteria tornou-as muito amigas e parceiras de loucuras. Costumava estar com e .
— Passou no teste, princesinha do Joey? — Perguntou num tom de deboche, enquanto colocava sua bandeja vazia em cima do balcão.
revirou os olhos ao ouvir o apelido ridículo que a jovem deu a ela.
, deixe a trabalhar em paz. — Pediu , séria, encarando a garota.
se afastou extremamente irritada.
Bilhões de pessoas no mundo, pensava que sua irmã fosse a única pessoa capaz de tirá-la do sério com tanta facilidade. Um grande engano. conseguiu ocupar o lugar que era liderado pela irmã caçula. Estar no mesmo ambiente era motivo para começarem as confusões.
Trabalhavam juntas há um ano e não se suportavam, porém não foi assim desde o início. O desentendimento gratuito começou mais da parte de , ela ficou indignada por Joey não ter demitido após a mesma ter desobedecido uma das regras mais importantes. Na época, Joey apenas conversou com ela, achou graça da situação e disse que numa próxima teria que punir a jovem apenas para não perder o respeito dos colegas.
A forma como Joey lidou com a situação, a reação dos outros companheiros de trabalho que acharam graça só contribuiu para o nascimento do desentendimento entre as duas. Esse ocorrido só não caiu no esquecimento graças a e o famoso, que aparecia quase todas as manhãs para tomar café. Por causa desse dia, surgiu o apelido carinhoso de “princesinha do Joey”. Os outros colegas costumam chamá-la assim quando querem zoar, exceto , que faz para irritar mesmo. A verdade é que todos acham que ela é a queridinha do patrão, título que nega até o fim — mesmo sendo verídico.
— Que cara é essa? — Perguntou Enrico repentinamente próximo, assustando-a.
estava distraída limpando uma mesa que havia sido desocupada por alguns clientes.
— A única que eu tenho. — Respondeu, irritada, enquanto abastecia a mesa com guardanapos, sachês de açúcar e adoçantes.
— Ei, tigresa, guarde as garrinhas para . — Falou Enrico, risonho, erguendo as mãos num gesto de paz e arrancando um sorriso da jovem.
— Seria mais fácil bater com uma bandeja na cabeça dela. — Comentou, irritada, enquanto era seguida de perto por Enrico até outra mesa livre, repetindo o processo de limpeza que realizou na mesa anterior.
Costumava ser uma pessoa pacífica, sem sentimentos assassinos, mas, quando ficava com raiva, falava mil besteiras e mais tarde remoía-se pelo o que havia sido dito. E, por incrível que pareça, até mesmo quando se tratava de .
Achava a bailarina canadense muito bonita; a pele morena, cabelos escuros e ondulados, na altura dos ombros, olhos de mesma cor. Fisicamente parecia um anjo, agora a personalidade era extremamente irritante. Tinha uma memória absurdamente admirável, mas que, na maioria das vezes, era usada apenas para jogar na cara algum favor antigo. Escorpiana pura, principalmente quando pisavam no seu pé. Dona de uma lábia e um carisma que faziam muitos clientes comprarem litros de café. Liderava no quesito “queridinha dos clientes”.
— Você está muito estressadinha. — Constatou pensativo e continuou. — Não passou em outro teste, né? — Perguntou com uma expressão preocupada.
Cruzou os braços na frente do corpo, aguardando uma resposta.
Convivência era uma merda. Os seus amigos que a conheciam tão bem conseguiam identificar quando ela estava sofrendo por causa dos seus fracassos intermináveis. Como conseguia esconder alguma coisa deles? Pensou irritada.
— Alguma apadrinhada ficou com a vaga, não me deixaram nem interpretar. — Contou, irritada, enquanto encarava os olhos verdes do jovem.
— Calma, princesinha, sua hora vai chegar. — Consolou, dando dois tapinhas no ombro direito dela.
Encarou-o ameaçadoramente, enquanto segurava uma bandeja. Ele riu, retornando para a cozinha.
Enrico Bellinaso era o mais velho da equipe, vinte e sete anos de pura beleza italiana. O cozinheiro galã fazia muito sucesso com as clientes. Quando foi contratada por Joey, ele já estava lá. Seu cabelo castanho, cortado bem curto, olhos de mesma cor, pele morena e sua famosa barba por fazer.
Ele fazia sucesso com as mulheres, aventura de uma noite. não escapou das garras dele, apaixonou-se e sofreu. Surpreendentemente, conseguiu fisgar o coração do crush, deixando todos perplexos. Eram um casal água e vinho, mas que estava dando certo.
Enrico estava prestes a sair da cafeteria. Sua banda de rock, Midnight in Venice, assinou contrato com uma grande gravadora.
Ela se sentia satisfeita em ver seu amigo prestes a realizar um sonho e muito merecido. Tinha muitos questionamentos sobre si mesma, se algum dia a próxima sortuda seria ela.
— Princesinha, o seu cliente VIP chegou. — Falou debochadamente, enquanto seguia para uma mesa próxima.
Naquele momento, não era preciso se virar e olhar para saber quem era o cliente. Todas as vezes que ele ia até ali, queria se esconder na cozinha até qualquer outra pessoa o atender. Infelizmente, não podia fazer isso. Todos os dias era a mesma coisa: aquele olhar sem graça que ele lhe lançava e o desejo que ela tinha de voltar no tempo.
Respirou fundo, pegou o seu bloco de papel e a caneta do bolso da frente do avental – por mais que já soubesse de cor qual pedido faria. Olhou na direção da mesa de sempre, tendo a visão mais maravilhosa do planeta.
Lá estava ele.
Esbanjando a sua beleza, acompanhado da sua atual noiva: FKA Twigs.
O cliente VIP de era apenas Robert Pattinson.
Somente Robert Pattinson.


Capítulo 02 – Robert Pattinson

“Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série.”- Lei de Murphy


Segundo as leis de Murphy, acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série e naquele dia, ficou claro para o quanto era verdade aquela afirmação. Seu dia começou com o teste fracassado e quando achou que nada de pior poderia acontecer, o seu cliente favorito – ironicamente falando – chegou para a sua dose de café matinal, acompanhado da sua simpática noiva – o que ela realmente era.
Seu nome é Tahliah Debrett, mas na mídia se chamava FKA Twigs. Uma bela cantora britânica com sua pele morena, cabelos cacheados escuros e olhos de mesma cor. Seu estilo era bem ousado, criativo e tinha um piercing no septo, o qual sempre pensava na dor que a mesma deveria ter sentido ao furar.
Desde que Robert havia assumido o relacionamento e ela passou a frequentar a cafeteria, sempre tratou todos com muita simpatia. Quando soube que a mulher estava sendo vítima de racismo por namorar o cara, se sentiu enojada pela situação de uma pessoa tão doce como ela ser tratada dessa forma. Uma situação nojenta.
Quando resolveu se aproximar da mesa, pôde constatar facilmente que ela não era a única tendo um dia difícil. O casal estava em silêncio com expressões sérias enquanto olhavam para qualquer ponto dentro da cafeteria, evitando se encarar.
Para ela foi como um alarme que soou na sua cabeça, um aviso de que deveria ter se escondido na cozinha, evitando a todo custo atendê-los. Sabia que nem mesmo as estrelas de Hollywood viviam presas num conto de fadas, mas realmente se preocupou, pois eles costumavam ser um casal tão feliz.
E era esse tipo de relacionamento que gostaria de ter, caso achasse o cara da sua vida. Tudo bem que ele era o amor da sua vida, mas ok. Eles faziam o tipo que no período da manhã – horário que costumavam frequentar a cafeteria – estavam sorrindo, tagarelando sem parar e quando ia atendê-los, Tahliah era a primeira a abrir um sorriso animado enquanto Rob sorria sem graça – que não poderia culpá-lo depois do que aconteceu.
Algo estava acontecendo entre eles e não era nada bom. - Constatou apenas os observando. Respirou fundo e seguiu a passos firmes até a mesa.
- Bom dia! Como estão? – Cumprimentou-os educadamente enquanto segurava a caneta e o bloco, pronta para fingir que nunca se recordava do pedido deles.
Ambos direcionaram a atenção para ela, uma expressão séria.
- Café puro, sem açúcar. – Respondeu Rob forçando um sorriso que pareceu mais uma careta.
- O mesmo, por favor. – Tahliah pediu sorrindo educadamente, óculos escuros cobrindo seus olhos.
Putz! A situação está hardcore mesmo! – Pensou mordendo a língua numa tentativa de evitar se intrometer na situação em que seu astro favorito e noiva enfrentavam.
- Apenas café? – Questionou erguendo as sobrancelhas, uma expressão de surpresa estampada na sua cara.
Tahliah riu dando de ombros.
sorriu em resposta e retornou para o balcão onde estava com um olhar atento em direção ao casal. Seguiu até a cozinha, entregando a folha em que anotou o pedido para Enrico.
- – Sussurrou chamando-a com a sua melhor expressão de super espiã demais. Ela caminhou discretamente até o caixa, expressão de paisagem evitando chamar a atenção dos clientes e de seus colegas de trabalho.
- Eles não estão bem! – Revelou num tom de voz baixo enquanto fingia estar limpando o balcão ao lado da amiga que fingia estar contando o caixa. Continuou: - Pediram somente café puro e sem açúcar.
encarou-a horrorizada.
- Não pediram nem uma rosquinha açucarada? – Perguntou numa expressão de espanto.
- Nada. Só o bendito café. – Respondeu dando de ombros.
- A situação desta vez é nível hardcore heavy metal, . – Constatou preocupada ainda fingindo estar prestando atenção no dinheiro em sua mão.

e compartilhavam de uma mesma ideia mirabolante: o que a pessoa come ou bebe diz muito sobre ela e o seu estado de espírito. Costumavam prestar muita atenção no que era consumido por seus clientes assíduos e diversas vezes se comprovou ser verdade.
Cada doido com suas manias.
- Espero que não – Ela concluiu tristemente. Guardou o pano e o produto de limpeza e observou o casal que continuava em total silêncio, observando qualquer lugar menos um ao outro.
- Parem de fazer fofoca – Falou implicante, surpreendendo-as. Colocou sua bandeja no balcão e olhou em direção ao casal. Analisou-os atentamente, a parte superior do seu corpo debruçada sobre o balcão, concluiu minutos depois: - Definitivamente, problemas no paraíso. – Comentou seriamente, uma expressão de expert no assunto como se soubesse todos os segredos do casal.
- Não sabia que era amiga deles – Provocou revirando os olhos enquanto seguia até a bandeja com as duas enormes xícaras de café. Serviu o pedido para o casal, sorrindo em resposta aos agradecimentos e retornou para o balcão ao lado das garotas que continuavam no mesmo lugar.
- Aposto vinte pratas que amanhã estarão separados. – Anunciou ajeitando seu escuro cabelo preso no topo da cabeça, um sorriso provocativo estava estampado em seu rosto.
- Quinta-feira – Apostou , apertando uma das mãos de fechando a aposta, logo em seguida, olharam para em expectativa.
- Não acredito que estão apostando contra o amor de um casal! Que absurdo! – Ela falou indignada tentando não chamar a atenção dos clientes, inclusive do casal.
- Também quero participar da aposta! – Anunciou Enrico repentinamente aparecendo por trás de e envolvendo-a pelos ombros. Ele tinha um sorriso animado no rosto.
No mesmo instante, a expressão de mudou e ela fingiu estar achando mais interessante procurar algo dentro de seu caixa.
- Não acredito que estava prestando atenção na nossa conversa – Reclamou fingindo indignação.
- Claro! Quando vocês estão juntas, conversando civilizadamente, só podem estar fofocando sobre os clientes. – Comentou despreocupadamente, dando de ombros.
- Está nos chamando de fofoqueiras, Enrico? – Perguntou indignada, voltando sua atenção para o jovem.
Ele riu em resposta.
- Quero apenas entrar na aposta.
- Parem de avacalhar o relacionamento dos outros! – Falou irritada enquanto observava algumas vezes ao redor para ter certeza que não estavam sendo ouvidos.
- Aposto vinte pratas que eles terminam hoje. – Falou ele decidido enquanto dava um beijo na bochecha da amada.
desviou o olhar rapidamente, numa tentativa de esconder seu incômodo com a cena.
- Vocês são inacreditáveis! – Suspirou revirando os olhos, passou uma das mãos pelo cabelo. Continuou: - Aposto cinquenta pratas que eles não terminam e vão se casar mês que vem! – Falou ousada, fazendo com que e Enrico rissem, roubando um assovio de surpresa de . tinha um sorriso de satisfação e determinação estampado no rosto, mas que escondia a dúvida em suas palavras.
- Alguém vai ficar rico essa semana e não vai ser você, . – Provocou enquanto pegava sua bandeja e seguia em direção ao casal de clientes que se preparavam para pedir a conta.
- É, . Você escolheu a aposta errada... – Constatou Enrico dando dois tapinhas no ombro da jovem, sorriu e seguiu assoviando até a cozinha.
manteve sua expressão de confiança, evitando dar o braço a torcer.
- Preciso ganhar essa aposta! – Falou determinada antes de atender um cliente.
- Por favor, se casem! – Pediu baixinho enquanto apoiava os cotovelos no balcão, descansando o rosto entre as mãos. Sua expressão era de pura desolação enquanto observava Robert e Tahliah que continuavam em um silêncio, apenas degustando o seu café.
Talvez se desejasse com todas as suas forças, as coisas dessem certo para o casal... ou não.


☕☕☕☕☕


- Se quiser pode ir para casa descansar e eu ajeito tudo. Hoje é o meu dia mesmo! – Falou docemente enquanto fechava o caixa do dia.
Era uma noite chuvosa, final de expediente, todos os funcionários se preparavam para encerrar o turno daquele dia. A rotina era abrir o café todas as manhãs e o restante da equipe revezava durante a semana para limpar o lugar e fechá-lo. Tudo deveria estar limpo e organizado para que no dia seguinte estivesse pronto para funcionar. Fazia parte de um acordo entre eles, pois moravam mais distantes do que ela. De qualquer forma, adquiriu sua própria mania. Adorava arrumar a fachada todas as manhãs e a hora de silêncio que tinha até a chegada do pessoal e dos clientes.
- Não precisa, . Você madrugou para que pudesse me cobrir, vá descansar e hoje ficar por minha conta. - Respondeu enquanto passava o pano no balcão.
prendeu suas madeixas e bocejou enquanto se espreguiçava.
- Tem certeza? – Perguntou insistindo, uma expressão de preocupação estampava a sua face.
- Que cara é essa de preocupação? Vá descansar, mulher! – Falou risonha enquanto abandonava a limpeza, se aproximando da amiga e abraçando-a rapidamente, deu um beijo estalado em sua bochecha.
- Tá bom! Se precisar de qualquer coisa, me manda mensagem que eu volto na hora! – Falou seriamente colocando sua bolsa no ombro e seguindo em direção à porta.
- Sim, senhora. – Confirmou brincalhona enquanto mostrava a língua.
revirou os olhos e depois riu, andou até a porta e abriu-a.
- Droga! Está chovendo muito! – Reclamou enquanto abria sua enorme bolsa feminina, pegou seu guarda-chuva e abriu. Acenou em despedida, fechando a porta atrás de si.
observou o local que estava repleto de mesas que precisariam ser limpas. Teria que recolher a louça suja, lavar, jogar o lixo fora, limpar as mesas e o chão, somente depois de cumprir tudo isso poderia ir para casa descansar.
Retornou ao balcão e continuou a limpá-lo com o pano.
- , estamos indo. – Despediu-se Enrico enquanto segurava o seu capacete. Ele e vestiam seus trajes de chuva enquanto seguiam até a porta da cafeteria.
- Vão com cuidado! – Recomendou enquanto acenava em despedida.
- Parece que a princesa hoje está mais para gata borralheira – Provocou enquanto dava uma piscadela na direção de que revirou os olhos em resposta.
- Boa noite para você também, . – Ela desejou entediada enquanto suspirava e voltava sua atenção para o balcão.
Assim que finalizou a limpeza do balcão, seguiu para a tarefa de recolher as louças sujas das mesas. Ficou vários minutos assim, até que teve um estalo e lembrou-se que não havia trancado a porta do café.
Uma coisa que nunca admitia é que morria de medo de ficar sozinha durante a noite, fosse em sua casa ou ali no café. Como não tinha o costume de ficar depois do horário, sentia medo de aparecer algo humano ou até mesmo, algo sobrenatural, principalmente, quando se tratava do estoque.
Girou a chave na porta, encostou o rosto tentando enxergar o clima lá fora, mas só podia ouvir o barulho da chuva e algumas pessoas que vez ou outra, cruzavam a fachada da cafeteria. Respirou fundo, virou a placa de “aberto” para “fechado” e continuou a recolher a louça suja.
Após lavar toda a louça e pôr para secar, retornou ao salão para limpar as mesas e abastecer com os sachês de açúcar, sal, palitos de dentes e guardanapos. Cantarolava baixinho uma música animada enquanto tentava terminar o serviço o mais rápido possível, tinha que admitir que estar ali sozinha lhe deixava com medo.
- Merda. – Sussurrou baixinho enquanto encostava as mãos no peito, o coração batendo acelerado e o corpo retesado pelo susto. Batidas agitadas que pareciam vir da porta de entrada da cafeteria quase foram capazes de lhe causar um infarto. estava tão assustada que continuou estática com o olhar na mesa a sua frente.
Mil pensamentos malucos de que seria um ladrão ou algum maluco querendo invadir o local passavam por sua cabeça. O pior de tudo era que do lado de fora poderiam enxergar tudo ali dentro, devido a porta de vidro e as enormes vidraças, então não poderia se esconder debaixo de alguma mesa até que ficasse sozinha novamente.
As batidas continuaram por vários minutos, até que a pessoa não satisfeita decidiu chamá-la. O seu coração parecia prestes a fugir pela boca tamanho o medo.
- EI! ! – Praticamente berrava a voz masculina.
Os olhos da jovem praticamente saltaram das órbitas ao reconhecer a voz que lhe chamava do lado de fora do lugar.
- Robert? – Perguntou ela surpresa ao se virar e ver o homem todo ensopado com o seu belo rosto colado ao vidro. Mordeu o lábio inferior para segurar a risada, mas lembrou-se que graças ao gesto do homem ela teria que limpar a vidraça também.
- PODE ABRIR AQUI? – Gritou novamente enquanto apontava em direção a maçaneta. Ele tinha uma expressão de desespero.
- Ai, caramba! O que será que esse homem quer? – Perguntou para si mesma enquanto seguia rapidamente até a porta, sem abri-la.
- Estamos fechados! – Ela explicou enquanto apontava para a placa que estava pendurada ao vidro.
- QUÊ? – Gritou ele novamente enquanto a encarava confuso.
- Es-ta-mos fe-cha-dos – Soletrou ela numa tentativa de que ele fizesse uma leitura labial ao invés de fazê-la gritar feito uma louca.
- FALA MAIS ALTO! – Pediu ele aos berros enquanto grudava a orelha no vidro.
- Merda! Vou ter que limpar o vidro! – Reclamou ela revirando os olhos.
- QUÊ? – Gritou novamente achando que a mesma estivesse falando com ele.
- Não é possível que esse homem esteja surdo! – Resmungou irritada enquanto destrancava a porta.
Robert invadiu o local feito um furacão, molhando todo o piso, pois ele estava totalmente ensopado.
- Senhor, estamos fechados. – Comunicou seriamente enquanto tentava disfarçar a confusão e curiosidade que lhe dominava. Pensou que naquela noite quem lhe faria uma visita era algum fantasma que vivia no estoque e não o seu tão amado cliente VIP.
- , você precisa me ajudar. – Jogou pegando-a de surpresa.
- Depende. O que o senhor precisa? – Perguntou curiosa enquanto seguia até a porta, olhou rapidamente o movimento na rua para se certificar que não tinha nenhum paparazzo a espreita do rapaz e entrou, trancando a porta novamente.
A última coisa que queria era aparecer nas notícias no dia seguinte ao ser apontada como o pivô na crise do relacionamento dele com a noiva. Ela queria mesmo é ganhar a aposta e ver a quebrando a cara por ter perdido.
- Você tem torta de maçã e frappuccino à lá Joey? – Perguntou ele com uma expressão de desespero enquanto passava os dedos por entre as madeixas encharcadas pela chuva.
O desejo de em relação ao homem, era poder esfregar os dedos por entre aqueles fios que pareciam ser sedosos. Fazer o carinho até que o mesmo pegasse no sono em seus braços. Segurou um suspiro ao imaginar como seria tê-lo em seus braços.
- E então? Poderia me vender? – Perguntou ele novamente despertando-a de seus devaneios.
A expressão de Robert era de puro desespero, como se sua vida dependesse daquele momento e isso pesou sobre os ombros da jovem que teve receio em responder o que é que tenha sido perguntado.
- Ér... desculpe. Não entendi o que você pediu.
- Torta de mação e frappuccino à la Joey. – Repetiu ele encarando-a como se ela fosse descompensada.
- Não tenho como te vender. Acabou o que tínhamos do dia e somente o Enrico que sabe preparar. – Respondeu dando de ombros.
Robert praguejou baixinho e sentou-se na cadeira mais próxima, esfregou as mãos no rosto e bagunçou os cabelos, ficou absorto em pensamentos.
só conseguia pensar indignada: “Vou ter que limpar a vidraça e ainda sentou com a bunda molhada no estofado!” .
- E agora? O que eu faço? O meu relacionamento vai acabar de vez! – Revelou em completo desespero enquanto passava os dedos pelo cabeço, uma mania quando estava nervoso.
- Você disse acabar o seu noivado? – Perguntou abruptamente ao compreender o nível da situação em que se encontravam.
- Sim! Tahliah acha que devemos terminar. Eu não tenho sido o melhor noivo... – Falou sorrindo tristemente enquanto voltava sua atenção para a jovem a sua frente.
- Calma! Nesse caso, podemos dar um jeito! – Murmurou tentando tranquilizar o homem e ajudá-lo a resolver toda a confusão.
Robert se levantou abruptamente com a esperança voltando a reluzir em seu rosto ao ouvir as palavras pronunciadas por ela.
- Qual é a comida favorita da Tahliah? – Perguntou enquanto seguia para o balcão onde ficava uma estufa para conservar os doces e bolos que eram preparados para o dia de trabalho. Pegou três cupcakes que restavam – e que iria levar para casa, mas que resolveu fazer uma boa ação e salvar um relacionamento. Colocou-os dentro de um saco de papel pardo e entregou nas mãos de um surpreso Robert Pattinson.
- Além da torta de maçã que vocês fazem, ela ama comida chinesa. – Respondeu ele enquanto observava atentamente .
- Não temos torta de maçã e frappuccino, então leve esses cupcakes de chocolate como sobremesa. E passe no restaurante mais próximo e compre a bendita comida chinesa. – Ordenou com um leve sorriso de satisfação ao ver os olhos do homem se arregalarem com as palavras da jovem e em seguida, abrir um enorme sorriso no rosto.
- Quanto te devo? – Perguntou procurando a carteira de couro preta que estava no bolso traseiro da sua calça jeans.
- Um convite para o casamento. – Falou sorrindo brincalhona enquanto agitava as mãos no ar negando as notas que o rapaz havia estendido em sua direção.
- Obrigado, ! – Agradeceu ele sorrindo sincero, aproximou-se atrapalhado e pegou-a desprevenida, envolvendo-a em um abraço apertado.
A jovem não teve condições de falar ou se mexer, não foi capaz de retribuir o abraço. Permaneceu de pé – e não tinha noção de como conseguiu permanecer com seus pés fincados ao chão – os braços caídos ao lado do corpo enquanto sentia o gelado das roupas molhadas do rapaz encostar-se às suas, arrepiando-a da cabeça aos pés. Possuía a maior certeza do mundo que estava com os olhos esbugalhados e a boca escancarada, tamanha era sua surpresa. O seu coração parecia prestes a explodir feito uma granada. O cheiro de suor, chuva e perfume cítrico exalava da nuca do homem. Quando Robert soltou-a de seus braços, murmurou um último agradecimento e correu para fora da cafeteria, batendo a porta atrás de si.
encarou a porta por vários segundos, finalmente soltando o ar dos pulmões e caindo sentada no chão.


Capítulo 03 – Corações e Estrelas 💕⭐

"A fama não é real, sabia? Não se esqueça que eu também sou só uma garota, parada em frente a um garoto, pedindo para que ele a ame". - Um Lugar Chamado Notting Hill (1998)

Lá estava linda e bela, pura deslumbrância, desfilando pela pré-estreia do seu filme ao lado de Robert Pattinson. Quer dizer, até que tudo aconteceu muito rápido. Rolou para a outra ponta do colchão até que seu corpo atingiu outra coisa, fazendo com que seu coração fosse na boca e voltasse.
Abriu os olhos assustada e viu . Xingou-a trocentas vezes enquanto respirava fundo tentando acalmar seu pobre e fraco coração. Se jogou novamente no colchão, encarando o teto. Respirou fundo, fechando os olhos e tentando recuperar o seu sono. Não poderia perdê-lo, pois era sua folga. O seu dia de descanso. Ela merecia dormir até que seu corpo ficasse dolorido.
Dormir.
amava dormir ou apenas ficar estirada na cama o dia inteiro fingindo que sua lista de folga não existia – algo super simples de se esquecer a existência. Ao mesmo tempo que amava dormir e não fazer nada - quando podia -, também odiava o sono com todas as suas forças. Detestava o fato do bonitinho resolver dar o ar da graça quando a jovem precisava levantar para encarar mais um dia de trabalho.
“Quem consegue entender?” - pensou irritada enquanto se revirava pela milésima vez na cama. Revirou os olhos e cobriu a cabeça com o travesseiro numa tentativa de pegar no sono novamente.
Foram longos minutos trocando de posição, bufando e nada de conseguir dormir. Perdeu a paciência e desolada resolveu se levantar. Antes de seguir para fora do quarto, lançou um olhar que poderia queimar a cama e até mesmo o quarto inteiro. Bufou revoltada ao ver que continuava dormindo feito uma pedra.
Derrotada, seguiu até a sala e pegou sua lista de tarefas para seu dia de folga – que nunca cumpria e só aumentava – e leu os itens. Suspirou preguiçosamente e decidiu encher a barriga, afinal saco vazio não fica em pé.
Pegou sua tigela de cereais, jogou-se no sofá e ligou a TV.
- Olá, querida! - Falou docemente e repentinamente, quase matando do coração pela segunda vez naquele dia.
- Que merda, ! Não posso dormir em paz e nem ficar quieta no meu canto! Que merda! - Reclamou irritada enquanto encarava a amiga.
- E quem disse que vai ficar em paz? - Perguntou brincalhona enquanto se jogava ao lado da amiga no sofá. Pegou a colher da mão dela e comeu o cereal.
observou a cena atentamente, os olhos pequenininhos e a sobrancelha esquerda levantada. Sua mão continuava na posição em que segurava uma colher imaginária.
- Prefiro quando você está viajando! - Comentou docemente enquanto tomava a colher da mão dela e comia uma colherada do cereal.
- Quem fica mandando mensagem direto com saudade? - Perguntou com um enorme sorriso enquanto apertava uma das bochechas da melhor amiga mal-humorada que tentava comer o cereal e ignorá-la.
revirou os olhos enquanto mastigava.
- Estão vendo como a é malvada comigo? Depois reclama que não ganha presente! - Falou enquanto se filmava para postar no seu stories. O seu cabelo lilás estava solto, vestia um pijama laranja de bolinhas brancas enquanto estava encolhida no sofá ao lado da melhor amiga.
- VOCÊ ME FILMOU, ? - Perguntou estressada aumentando o tom de voz. Colocou a tigela de cereal no chão e virou com o rosto vermelho em direção a amiga.
riu enquanto se levantava do sofá. repetiu a mesma atitude e saiu em disparada.
- VOLTA AQUI, SUA PALHAÇA! - Gritou enquanto corria atrás da amiga pelo pequeno corredor do apartamento que dividiam desde que foram morar em Los Angeles.
tentou fechar a porta do próprio quarto, mas foi mais rápida. Entrou com tudo, se jogando em cima da amiga fazendo com que caíssem na cama dela.
- Apaga! - Pediu enquanto tentava tomar o celular da mão dela.
A cena era cômica. estava jogada por cima da amiga enquanto a mesma segurava o telefone com uma das mãos no alto, tentando evitar que fosse pego. As duas riam até que acabaram fazendo cosquinha uma na outra. Minutos depois, cansaram e começaram a rir enquanto se afastavam, ficando apenas deitadas de barriga para cima no colchão.
- Senti sua falta – Confessa após alguns minutos de silêncio.
- Também senti a sua.
- Como foi o evento? - Perguntou de olhos fechados enquanto bocejava, o sono querendo retornar. Descansou o braço direito na barriga e cobriu o rosto com o braço esquerdo.
- Foi bem legal! - Respondeu animada, olhando brevemente para a amiga e voltando a atenção para a tela do seu celular. Continuou: - Trouxe algumas coisas para você e a . E como foi o trabalho? - Perguntou enquanto olhava as fotos no seu feed, bocejando.
relembra os últimos acontecimentos e dá de ombros, como se não fosse tão importante tudo que lhe aconteceu.
- Ah, tudo igual. Querendo matar a como sempre, sofrendo pelo Enrico... - Contou num tom monótono tentando disfarçar a agitação do que estava prestes a contar e que faria a amiga surtar como ela. Continuou: - E que inclusive, conseguiu assinar um contrato com uma gravadora. Em breve seremos apenas eu e as meninas. - Finalizou dando de ombros, continuava na mesma posição.
- Ah, sim!
- E o Robert que me abraçou uma noite dessas... - Desembuchou tranquilamente como se estivesse apenas falando a previsão do tempo. Segurou a vontade de rir enquanto sentia o frio na barriga ao compartilhar com a amiga o que havia acontecido na noite anterior.
Lembrou que não tinha contado para ainda.
começou a rir.
descobriu o rosto e encarou a amiga, surpresa por sua reação.
- Eu sei que o seu trabalho anda um tédio, mas não precisa apelar tanto! - Falou ela em meio as gargalhadas.
Ela apenas encarou a amiga seriamente, esperando que a mesma compreendesse que não era brincadeira.
se recompôs com os olhos arregalados enquanto sentava na cama.
- É verdade? - Perguntou surpresa.
confirmou com um gesto de cabeça, sentando-se de frente para a amiga.
Ela arregalou tanto os olhos que poderia pular do rosto enquanto sua boca estava aberta em um ‘O’ enorme.
- E como consegue estar tão calma? Se o Shawn tivesse me abraçado, eu estaria surtando até agora. - Constatou ela revirando os olhos enquanto observava a amiga.
riu ao lembrar que chegou em casa em estado de choque e que quando digeriu tudo o que aconteceu, caiu no choro em meio as gargalhadas até pegar no sono.
- Surtei ontem à noite! - Riu e continuou: - Você tinha que ver, ! Fiquei sozinha para fechar o café e chovia pra caramba. Ele quase me matou do coração quando apareceu do nada todo molhado e desesperado. - Falou sorrindo tristemente ao lembrar do desespero que estava estampado no rosto de Pattinson.
- Desesperado com o quê? - Perguntou confusa.
- Ah! Parece que está passando uma crise no relacionamento com a FKA e queria fazer uma surpresa pra ela.
- Surpresa? E recorreu a você? - Perguntou incrédula.
confirmou com um aceno de cabeça.
- Sem mais nem menos? Mesmo depois do que aconteceu entre vocês? - Perguntou novamente, confusa.
- Bem, não foi com a intenção de pedir a minha ajuda especificamente. Ele apareceu quando estava fechado e pediu que o ajudasse com o que queria. - Falou, dando de ombros. Continuou: - E dei bolinho para levar já que o Enrico não estava lá para fazer o que a FKA gostava de comer.
- Ah, sim! E deu tudo certo? - Perguntou curiosa enquanto sorria para a amiga.
- Não sei – Confessou fazendo uma careta enquanto deitava novamente na cama.
- E ele te abraçou? - Perguntou.
- Sim – Suspirou sonhadoramente, abriu um sorriso enorme. segurou uma de suas mãos, retribuia o sorriso. Ela sabia o quanto estar perto do Robert era importante para a amiga.
- E como foi? - riu apertando levemente a mão da amiga, olhando-a atentamente.
- Foi maravilhoso! Aquele cheiro de pele com cheiro de molhado e algum perfume junto. Ele deixou minha roupa úmida! - Falou sorrindo.
- Safadinha! - Zoou rindo ao entender o duplo sentido na fala da amiga.
riu ficando vermelha.
- Achei que ele fosse me ignorar para sempre. - Comentou com os olhos cheios de lágrimas.
- Eu também! Só que sabemos que seria exagero da parte dele, né? Você é a fã número um dele! Até eu queria ter uma fã assim. - Falou rindo enquanto abraçava a amiga.
sorriu.
- Você acha que eles vão terminar? - Soltou repentinamente.
pareceu pensar por alguns minutos.
- Acho que não! Você deve ter salvado a pátria como sempre. Amanhã ele vai te procurar imensamente agradecido por evitar que ele ficasse encalhado novamente. - Brincou dando de ombros. Continuou, seriamente dessa vez: - Deve ser apenas uma crise. Vão ficar bem! - Finalizou.
- Espero que fiquem mesmo. Ele finalmente encontrou a felicidade.
- Será que realmente é a verdadeira? Além do mais, você sabe que a felicidade não pode depender de outra pessoa. - Disse sabiamente enquanto dava um beijo na bochecha da amiga.

☕☕☕☕


- Queria um Peter K. na minha vida – Comentou sonhadora enquanto estava jogada no sofá com , as duas assistiam ao filme enquanto devoravam uma bacia de pipoca.
suspirou e concordou com um gesto de cabeça enquanto enchia a boca com mais pipoca.
O seu celular vibrou duas vezes seguidas. Ambas ignoraram.
- Você já leu os livros? - Perguntou olhando rapidamente para a amiga e voltando a atenção para o filme.
- Ainda não.
O celular vibrou algumas vezes novamente.
- São maravilhosos e tem mais detalhes do que o filme. Se quiser pode pegar os meus emprestados. - Sugeriu empolgada, pois amava fazer com que as pessoas lessem livros e melhor ainda se fossem os seus preferidos.
Se remexeram no sofá novamente, prestando a atenção no filme. dividia a atenção entre seu feed e a televisão.
Mais uma vez, pôde-se ouvir a vibração no braço do sofá fazendo com que suspirasse. Voltou sua atenção para a amiga e disse: - Acho melhor você ver o que querem. - Sugeriu voltando sua atenção para o filme enquanto enchia a boca com mais pipoca.
- Se fosse caso de vida ou morte teriam me ligado. - respondeu dando de ombros.
Bocejou enquanto assistia a cena da Lara Jean tentando criar coragem de conversar com a Margot.
Parece que havia ouvido o que tinha sido pela amiga, pois segundos depois seu celular começou a vibrar com o nome da amiga na tela. pegou o telefone com os olhos arregalados e encarou .
- Credo, hein! Diz que vou ganhar na loteria! - Falou risonha enquanto aceitava a ligação curiosa.
- Olha o grupo! - Pediu sussurrando num tom de desespero e desligando logo em seguida, sem qualquer oportunidade de resposta.
afastou o aparelho da orelha e encarou a tela confusa. A testa franzida e a confusão estampada na sua cara.
- O que ela queria? - Perguntou enquanto continuava com os olhos presos a televisão.
- Pediu para olhar o grupo.
Em resposta fez um som de compreensão.
desbloqueou a tela e leu as mensagens do grupo enquanto enchia a boca de pipoca novamente. Segundos depois, ela começou a tossir loucamente enquanto se engasgava com os grãos da pipoca. se assustou com o rosto vermelho da amiga e começou a dar tapas nas costas da amiga – um pouco forte - até que finalmente a tosse cessou.
- Cruzes credo! Não sei se ia morrer engasgada ou pelos tapas! - Reclamou enquanto respirava fundo e secava os olhos que haviam se enchido de lágrimas durante a crise de tosse.
riu e voltou sua atenção para o filme.
- Não acredito! - Murmurou chocada enquanto seus olhos quase pulavam das órbitas, após reler as mensagens no grupo.

[ 👸]: "Vcs já estão sabendo? 😭😭"
[ 😒]: "Disto?" - escreveu como legenda de uma foto que observou com atenção. Quando abriu a imagem prendeu a respiração e identificou ser Robert e FKA. Reconheceu a roupa que Robert vestia quando foi até o café e a sacola marrom com os doces. Era nítido nas fotos que ambos discutiam.
[Enrico 🎸]: "😓😓"

Ela ofegou e apenas digitou em desespero, os dedos rápidos feito uma flecha.

[]:
"COMO ASSIM?????!”
[ 😒]: "Isso mesmo que vc viu. Passa o money AHAHAHAHAHA”


- Não, não, não... - Repetia sem parar enquanto pegava o controle da televisão desesperada e trocava de canal até encontrar o que queria.
- EI! - Reclamou sendo pega de surpresa pela amiga que tirava do filme, protestou confusa.
“Parece que Robert Pattinson está solteiro novamente...” Comentou o apresentador do canal de fofoca sobre os famosos de Hollywood.
- Mentira! - Reagiu largando o celular e prestando atenção na televisão.
“Ele e sua namorada, quer dizer, ex foram flagrados em frente a gravadora Music na noite de ontem. Segundo testemunhas, eles discutiram na entrada e tiveram uma conversa acalorada por alguns minutos.” - Finaliza o apresentador enquanto as imagens do casal eram mostradas na tela.
Uma das imagens, reconheceu sendo a mesma enviada por no grupo.
- O pior lado da fama é que você não tem direito a ser traído ou brigar. Esses papparazzis não deixam o povo nem tomar um chute na bunda em paz! - Comentou inconformada enquanto assistia as notícias seguintes que eram mostradas no programa.
não respondeu. Estava parada na mesma posição em que começara a assistir o programa. Poderia parecer que estava concentrada na televisão, mas seus pensamentos estavam à mil. Se recordou do que aconteceu no café na noite anterior e seu coração se apertou. Era nítido que Robert temia pelo término e se esforçou para tentar reverter a situação, mas, outra vez, teve que enfrentar o fim de um relacionamento com quem ama.
O seu coração se apertou ao pensar no quanto estava sendo difícil para o seu ídolo.
- Amiga? - Chamou preocupada enquanto se ajeitava no sofá e se aproximava, acariciou os cabelos da amiga e observou-a.
apenas olhou-a com uma expressão triste. Deu de ombros e descansou a cabeça no ombro da amiga. O seu celular ainda estava em suas mãos.
- Tente relaxar, tá? - Pediu docemente enquanto acariciava os cabelos da amiga.
- Como? Fico com pena dele. Um relacionamento acabar e ainda o mundo inteiro ficar sabendo da sua desgraça! Isso é uma merda... - Comentou indignada enquanto suspirava tristemente.
- Ele vai sair dessa e além do mais, logo as pessoas vão esquecer. Ele tem a família, amigos e você!
- Eu? - Perguntou levantando a cabeça e encarando a amiga com uma expressão confusa.
- Sim! - Confirmou seriamente, continuou: - Claro! Você é um raio de sol na vida das pessoas que estão por perto. Pode ajudar ele tornando as manhãs dele agradáveis. - Falou com um sorriso doce nos lábios enquanto olhava atentamente para a amiga.
riu.
- Só você para me fazer rir num momento desses! - Comentou risonha.
- Estou falando sério! Pensa nisso! - Finalizou seriamente dando de ombros e seguindo para a cozinha, deixando sozinha com seus pensamentos.
Suspirou tristemente e voltou a atenção para o seu celular. Deitou-se no sofá e abriu o grupo novamente, lendo as mensagens.

[ 👸]: "N deveríamos ter apostado. Acabamos com um noivado! 😂😂😂"
[ 😒]: "Eu nunca erro HAHAHAHA"
[]: "Tadinho do Rob 💔"
[ 😒]: "😎💸💰💲"
[Enrico 🎸]: "Vai pagar meu almoço hj 😂"
[ 😒]:"Quero meu dinheiro hj kkk e sou tão linda q vou pagar bebida pra geral hj 😎"
[ 👸]: "Com nosso dinheiro, né? 😩"
[ 😒]:"Agora, meu dinheiro HAHAHA ainda estou sendo boazinha de gastar com vcs 😂"
[]:"Por mim, cancelava essa aposta. Acabamos com o noivado deles 😭"
[ 😒]: "N sabe brincar n desce p o play 😉"
[Enrico 🎸]: "👀"

larga o telefone em cima da barriga e fecha os olhos. Seus pensamentos estavam direcionados apenas para uma pessoa: Robert Pattinson. Queria poder ir até ele e o abraçar, dizer que não importasse o que tiver que enfrentar estaria sempre ao lado dele. Diria trocentas vezes o quanto ele era maravilhoso e que poderia contar com ela para qualquer coisa, mas a situação era outra. Teria que se conformar em apenas saber qual seria o pedido do dia e ter que ver a tristeza estampada na face do cara que era uma inspiração para ela.
- Vai ficar tudo bem – Disse para si mesma e fingiu acreditar nas suas palavras.


Capítulo 04 – Onde está você?

Fugir - verbo - escapar(-se), desviar(-se) precipitadamente de (perigo, pessoa ou algo ameaçador, desagradável ou tentador). - Fonte: Dicionário, Google.

amava Los Angeles e principalmente, a Sunset Boulevard. Uma rua repleta de histórias sobre a fama de alguns e decadência de outros. Repleta de pessoas com suas culturas diferentes que iam até ali para usufruir de tudo que aquele lugar tinha a oferecer.
E ela era uma daquelas pessoas. Ah, como ela amava!
Conforme foi combinado mais cedo, lá estava e na calçada do seu bar preferido e palco das melhores apresentações, principalmente de . O lugar sempre estava lotado e era minúsculo por ficar espremido entre outros dois bares famosos.
Pink Rose era o melhor bar de todos, a sua batata-frita era a mais deliciosa da Sunset, acompanhada de cerveja barata e gelada com uma boa pitada de música. As suas paredes eram pintadas na cor rosa bebê e repleta de quadros e fotos emolduradas que mostravam momentos e formas das lindas e belas flores. E no outro canto do bar, em frente a essa parede, ficava um balcão de mogno e uma parede repleta de prateleiras com diversas garrafas de bebidas.
Ela amava o charme daquele lugar. Nem mesmo o fato de viver apinhado de gente conseguia deixar de ser o bar preferido de muitos, principalmente quando a equipe do Tribbiani’s Coffee queria se reunir para curtir a noite pós expediente.
— Que maravilha! Agora, podemos fazer o tão esperado brinde! - Anunciou ao se levantar da mesa, segurava uma long neck estendida para o alto como se estivesse esperando que alguém brindasse com ela, fazendo com que revirasse os olhos.
estava com seu cabelo castanho escuro solto e usando um suéter caramelo com uma calça preta. Simples, mas sempre destilando veneno. E acompanhada de Enrico e que bebiam suas cervejas tranquilamente e a olhavam como se fosse algo rotineiro – e realmente era.
— Debochada, como sempre... - Comentou revirando os olhos.
— Imagine aturar isso o dia todo. - Falou dando de ombros.
— Guerreira! - deu uma leve batidinha consoladora no ombro esquerdo da jovem.
As duas se olharam e deram uma risadinha.
, é você? - Perguntou forçando uma expressão de incredulidade enquanto tomava mais um gole de sua bebida.
— Não! Sou um alienígena que está se infiltrando no planeta Terra. - Respondeu irônica enquanto revirava os olhos.
— Um docinho como sempre... - Comentou revirando os olhos. Deram um gritinho repentino e se abraçaram animadas. Agindo como se a situação anterior jamais tivesse acontecido.
suspirou dando de ombros, sentando-se enquanto aceitava a long neck que Enrico lhe estendia com uma expressão de compaixão pela amiga.
— E como está a minha garota? - Perguntou enquanto dava aquele sorriso de capa de revista. Ele estava usando uma camisa preta com uma jaqueta de couro, calça jeans. E sentado da forma que achava estar arrasando, com as pernas abertas e o corpo descansando no encosto da cadeira.
— Eu estou bem. - Respondeu pensando que a pergunta estava sendo dirigida a ela, até pensou o mesmo.
— Como está a minha garota ? - Repetiu a pergunta ignorando a intromissão de sua namorada enquanto dava ênfase ao nome da amiga e colega de trabalho.
bufou colocando a garrafa que estava bebendo na mesa e cruzou seus braços, descansando as costas no encosto da cadeira em que estava sentada. Sua expressão era de puro tédio, já estava acostumada com esse tipo de atitude do namorado.
sempre achou que eram um casal muito inesperado e fora dos padrões em quesito personalidade. Se entendiam da sua própria forma e aceitavam a personalidade louca um do outro. E ambos não eram pessoas fáceis de entender, principalmente por mudarem de humor facilmente, deixando e loucas de irritação.
Eles eram perfeitos um para o outro, até que nutria amores por ele pensava o mesmo.
— Com menos cinquenta pratas no bolso, mas sigo bem. - Respondeu dando de ombros enquanto saboreava mais um gole de sua bebida.
Todos riram.
— Ninguém mandou apostar em algo que estava fadado ao fracasso. - Soltou acidamente enquanto tomava mais um gole de sua bebida.
suspirou.
! - Chamou Enrico num tom de irritação.
— Você prometeu que não iria perturbar a com isso! - Repreendeu irritada enquanto encarava-a com a mesma expressão que a mãe de usava quando queria lembrá-la de suas promessas.
— Nada a ver ela ficar assim. O cara nem gosta dela! - Rebateu dando de ombros.
— Como consegue ser tão cruel? - Perguntou indignada.
suspirou, acreditando que com toda certeza do mundo se arrependeria das suas próximas palavras.
— Ela tem razão. - Soltou dando de ombros novamente enquanto forçava um sorriso.
Sabia que era loucura se sentir daquela forma, mas era difícil não se sentir próxima de Robert, como se fizesse parte de toda a vida do cara. E como não se sentiria? Acompanhou toda a trajetória dele desde o sucesso de Crepúsculo, o término com a Kristen e agora, FKA. Gostava dele e de poder vê-lo pessoalmente todas as manhãs, mas isso não quer dizer que ele também retribuía o sentimento.
— Meu Deus, o mundo está acabando! - Falou horrorizada com o que havia acabado de presenciar.
e não se bicavam desde que se conheceram e jamais, JAMAIS, em hipótese alguma, concordavam numa mesma coisa.
— Depois dessa, vou até pagar uma cerveja para você. - Disse radiante enquanto se levantava, pegando a long neck vazia de .
— Com o seu dinheiro ou o meu? - Perguntou a ela debochada.
— Vai ser paga, independente de quem for o dono do dinheiro. - Respondeu risonha enquanto seguia quase que saltitante para a muvuca de pessoas que estavam dentro e fora do bar, desaparecendo de vista.
— Ela é... - Falou fazendo o gesto de louca com a mão enquanto fingia uma cara de medo.
Enrico riu.
— E quando você sai do trabalho? - Perguntou tomando sua cerveja.
— Caramba, está ansiosa para se livrar de mim mesmo hein... - Comentou ele fazendo uma cara de indignação, rindo em seguida ao ver a jovem ficar vermelha.
e riram.
Continuaram curtindo a noite, deixando o assunto Robert Pattinson engavetado para a loucura que ainda estava por vir.

☕☕☕☕

bufou de irritação.
— Nenhum sinal dele, né? - Perguntou ao abandonar o seu tão amado caixa e se aproximar dela que estava com o corpo escorado no balcão, olhando o site de fofocas pela vigésima vez somente naquela manhã.
— Como pode, ? O cara desapareceu do mapa desde aquela noite. Ninguém o viu. Só tem fotos da FKA entrando, saindo da gravadora, indo malhar, saindo com os amigos. Ela realmente está tentando superar o término, mas e ele? - Perguntou num tom de desespero enquanto olhava para a amiga.
— Você sabe que ele manja de se esconder da mídia nos piores momentos, né? - concordou, recordando-se da época do término do namoro com a Kristen e como ele também conseguiu sumir da mídia. Ela ainda se lembrava de como surtou em não ter notícias dele. O pior era que dessa vez, ele estava há quase um mês desaparecido.
— Sim, nisso ele é mestre. - Concordou largando o telefone e apoiando o rosto em uma das mãos, bocejando. Desolação estava estampada em seu rosto. Observou enquanto servia alguns de seus clientes.
O movimento estava bem tranquilo naquela manhã e parecia que iria durar todo o dia, mas percebeu que não seria assim. Doce engano. E constatou isso ao ver algo que jamais havia presenciado desde que chegou a Los Angeles e ao Tribbiani’s Coffee. Claro, havia sim visto outros famosos serem perseguidos por paparazzi, mas não na quantidade enorme que estava perseguindo a ex de Rob.
— Puta merda! - Xingou e em coro ao ver FKA andando apressada do outro lado da rua com uma horda de paparazzi atrás de si, fotografando-a loucamente. Ela atravessou a rua seguindo em direção ao café. Usava roupas de academia preta, óculos escuros e um boné combinando com a roupa – talvez numa tentativa fracassada de escapar dos seus perseguidores.
sentiu pena da jovem ao se imaginar na mesma situação, sem qualquer privacidade para alimentar a curiosidade de pessoas como... si mesma. Naquele instante, ela se sentiu péssima ao se recordar que minutos antes estava fuçando notícias deles.
FKA entrou feito um furacão na cafeteria sem expressar qualquer tipo de reação. Sentou-se no fundo, longe das vidraças enquanto eles gritavam seu nome, amontoados na calçada em frente ao café e fotografavam toda a movimentação dela. Pegou o cardápio e começou a lê-lo numa forma que escondesse seu rosto.
seguiu rapidamente até a mesma, passando por alguns clientes que encaravam toda a movimentação assustados.
— Bom dia! - Cumprimentou ela sorridente em uma tentativa de tirar a expressão de irritação do belo rosto da mulher. Ela retirou os óculos e voltou sua atenção para o rosto tão familiar da atendente.
— Desculpe por agitar o seu expediente hoje. - Disse sorrindo docemente.
riu.
— Estamos acostumados e você não está sendo seguida por tantos... - Abaixou-se um pouco e colocou a mão em concha ao lado da boca com uma expressão estampada no rosto como se estivesse prestes a confidenciar um segredo. Continuou: — Justin Bieber e Hailey Baldwin fizeram pior. - Finalizou rindo junto com a mulher.
— EI, SAIAM DAQUI! DEIXEM OS MEUS CLIENTES ENTRAREM! - Disse repentinamente aos berros enquanto tentava afastar os paparazzi para que os clientes conseguissem entrar na cafeteria. Alguns corajosos confiavam nela e entravam, outros desistiam e saíam rapidamente.
— Você já sabe o que vai pedir? - Perguntou tentando evitar que a mulher visse toda a cena que estava causando para eles.
Ela confirmou com um gesto de cabeça.
— Torta de maçã e frappuccino à lá Joey? - Perguntou fingindo pensar muito.
Confirmou novamente enquanto sorria.
— Já, já estarei trazendo o seu pedido! - Sorriu uma última vez antes de se virar e seguir novamente para o balcão.
— Me desculpe pela confusão mais uma vez. Eu deveria ter ficado em casa, mas enlouqueceria... - Confidenciou num tom baixo, fazendo com que parasse e se virasse ao ouvir aquelas palavras e o tom triste na voz da mulher.
— Relaxa! Logo eles irão embora e você vai seguir sua vida de boa. - Falou sorrindo enquanto fazia um sinal de positivo com uma das mãos, seu coração apertado pela expressão da mulher e tudo que estava enfrentando.
retornou ao balcão e colocou o pedido na porta da cozinha para que fosse preparado por Enrico.
retornou da porta de entrada bufando de irritação, pisava forte até que parou na frente de , do outro lado do balcão encarando-a.
— Ela pediu para a viagem, né? - Perguntou lançando um olhar rápido para as costas da mulher que escondia seu rosto atrás do cardápio novamente.
revirou os olhos e negou com um gesto de cabeça.
— Não teremos clientes enquanto esses urubus não saírem daqui. - Falou irritada enquanto suspirava e apoiava o rosto em uma das mãos enquanto os cotovelos descansavam no balcão.
— Como ela está? - Perguntou ao se aproximar e parar ao lado de .
— Pediu desculpas pela confusão e que não tinha como ficar presa em casa. - Respondeu fuzilando com o olhar para demonstrar o quanto estava sendo difícil aquela bagunça para a mulher.
revirou os olhos.
— Coração mole... - Soltou como quem não quer nada, numa tentativa de implicar com .
— Pobrezinha! - Comentou tristemente.
ouviu o sino que Enrico tocava quando algum pedido estava pronto. Ela foi até lá e pegou o pedido. Seguiu tranquilamente até a mesa e serviu-a, retornando para seu lugar no balcão.
— E ele? Já apareceu? - Perguntou curiosa enquanto observava indignada os paparazzi parados na entrada.
— Nada ainda.
— Otário! Deixou tudo nas costas dela. - Falou irritada enquanto voltava a encarar .
— Ué? Agora, está defendendo ela? - Perguntou provocativamente.
abriu a boca para responder, mas foi interrompida pelas risadas de que tentava não chamar a atenção cobrindo a boca com as mãos.
— Está pirando? - Perguntou encarando-a como se fosse louca. apontou para a frente, ambas olharam na mesma direção e começaram a rir.
Avistaram Enrico fingindo limpar a mesa que ficava atrás de FKA que nem tinha noção do que estava acontecendo enquanto mexia em seu celular. Ele ficava em ângulos que pudessem permitir que aparecesse nas fotos tiradas pelos paparazzi. Sua pose era inclinada na direção da mesa, limpando-a com um pano, mas o rosto estava estampado com sua melhor expressão sedutora na direção das câmeras. Ele mudava de local a cada instante, mas sempre mantendo a mesma expressão.
— Enrico sempre me matando de vergonha! - Falou irritada enquanto colocava a mão na testa e chacoalhava a cabeça em negação. Bufou entediada e seguiu com passos decididos até ele, parou atrás dele puxando-o pelo colarinho da camisa verde musgo e arrastando-o em direção a cozinha, enquanto o mesmo reclamava e ela dava um esporro nele.
e riram da cena.
Elas voltaram a se apoiar no balcão e observar toda a cena enquanto uma única pergunta não saía da cabeça de .
“Onde está você, Rob?” - Pensou suspirando tristemente.


Capítulo 05 – Família.

“A vida pode dar muitas voltas e me levar por diversos caminhos, mas onde estiver minha família lá estará meu coração.” - Autor desconhecido.


Dias depois…
O sol estava brilhando lá fora, os passarinhos pareciam cantar alegremente enquanto voavam ao redor de que atendia um dos seus clientes do dia com um enorme sorriso no rosto. Fogos de artifícios, estrelas cadentes, pássaros, purpurina, tudo parecia envolvê-la em sua aura de felicidade. Sentia-se tão leve que poderia sair flutuando pela cafeteria como uma bolha de sabão que explodiria quando atingisse o teto branco.
A felicidade lhe consumia com a expectativa de conseguir um novo teste. Aguardava ansiosamente pela resposta de Veronica sobre a oportunidade de participar do comercial de uma nova marca de creme dental. Não era uma vaga em uma série de TV, mas precisava apenas de uma chance e quem sabe assim, seus pais enxergassem o seu potencial e aceitassem suas escolhas.
Suspirou enquanto o sorriso continuava colado em seu rosto. Caminhou de volta ao balcão de forma contida enquanto segurava o bule de café quente, guardando-o com cuidado para não se queimar - algo de costume. Acomodou-se novamente em seu costumeiro balcão e pegou o celular no bolso do avental. Foi como se tudo estivesse dando o sinal de que daria certo ao menos uma vez na sua carreira e o seu celular vibrou com a mensagem confirmando que a vaga era dela e em anexo as falas que deveriam ser estudadas.
Os seus olhos se arregalaram ao ler trocentas vezes a mensagem da sua agente em seguida dando lugar às lágrimas que sentiram-se na obrigação de dar o ar da graça em comemoração, secando-as ligeiramente e evitando que os outros percebessem.
— HEY! HEY! HEY! - Anunciou uma voz animada, fazendo com que tomasse um susto e quase deixasse o celular cair no chão. Respirou fundo com uma das mãos no peito enquanto tentava se acalmar. Virou-se na direção da voz e suspirou, revirando os olhos enquanto guardava o celular no avental.
— Escandaloso, como sempre! - Sussurrou ao se aproximar de , segurando o riso ao observarem ele com mais atenção.
Faziam algumas semanas que Joey Tribbiani e sua namorada, mãe de , haviam viajado para o Havaí numa comemoração de aniversário de namoro. E estava escancarado que eles haviam realmente curtido todo o sol que tinham direito, pois Joey estava vermelho feito um tomate. Vestia uma camisa de botões azul marinho estampada por flores vermelhas, bermuda preta e calçava chinelos. O colar de flores que costumavam colocar nos visitantes, continuava pendurado em seu pescoço. O óculos escuro estava descansando no topo da sua cabeça grisalha.
Todos o adoravam, até mesmo os clientes, era o tipo de pessoa que contagiava as outras com sua alegria e suas palhaçadas, principalmente, as asneiras que soltava vez ou outra. perdeu as contas de quantas vezes desejou que seu pai fosse como Joey, mas, infelizmente, a realidade era outra.
— Hey, Joey! Curtiu mesmo o Havaí hein! - Enrico cumprimentou-o dando aquele abraço e aperto de mãos, seguido de alguns tapinhas nas costas. O sorriso de Joey foi substituído por uma careta de dor enquanto soltava um riso que parecia mais um gemido doloroso. As meninas cobriram a boca com as mãos enquanto tentavam disfarçar a risada que queria escapar. Enrico se afastou, ficando de costas para as meninas que estavam atrás do balcão.
Joey descansou as mãos na cintura e respirou fundo em puro alívio e falou: — E vocês? Não vão me dar um abraço? - Perguntou com um sorriso forçado no rosto, mas o olhar era de puro desespero.
— Cadê a mamãe? - Pergunta numa tentativa de mudar o assunto e poupá-lo do sofrimento, pois sabiam que ele jamais admitiria que estava realmente doendo.
— Foi ao salão de beleza. Não parou de dizer a viagem inteira que precisaria de uma boa hidratação quando voltasse. - Falou revirando os olhos e dando de ombros.
— Bem típico dela. -
Todos riram.
seguiu para o caixa para atender um cliente enquanto retornava para próximo do grupo.
— E o Havaí é tão bom quanto dizem, Joey? - Ela perguntou com interesse enquanto se aproximava e sentava em uma das cadeiras próximas.
— Aquele lugar é maravilhoso! -
— Quando eu for uma coreógrafa famosa e estiver nadando no dinheiro irei ao Havaí e também para as ilhas Maldivas. - Comentou sonhadora enquanto descansava o rosto em uma das mãos.
seguiu até a mesa recém-ocupada por um cliente, anotou o pedido e entregou para Enrico.
— O dever me chama! - Falou ele seguindo para a cozinha com o pedido em mãos. retornou ao balcão.
— Maldivas é maravilhoso! - Comentou ela enquanto prestava atenção na conversa.
— E como você sabe? - Perguntou numa tentativa de mexer com quem estava quieto.
revirou os olhos.
— Instagram, querida. - Respondeu impaciente.
fez pouco caso da resposta e voltou sua atenção para Joey.
— Pode deixar que vou levar você, Jane e até mesmo, e . - Falou sorridente enquanto cutucava o esmalte vermelho de uma de suas unhas.
— Fique tranquila que vou ficar famosa bem antes de você. - Comentou debochada enquanto um sorrisinho provocador estampava seu rosto.
— Estava bom demais para ser verdade… - Comentou Enrico derrotado, soltando um suspiro ao seguir até com a bandeja de comida. Ela aceitou com cuidado e seguiu até a mesa, servindo o cliente e retornando para o grupo.
— Fiquem tranquilas que muito em breve, todos terão condições de ir. - Falou Joey tentando evitar que se iniciasse os desentendimentos que estava cansado de presenciar e que na maioria das vezes, começava pelos comentários venenosos de .
— Como assim? - Perguntaram todos com expressões que misturavam surpresa, expectativa e espanto com o comentário do patrão.
— Para isso acontecer devemos continuar desempenhando o excelente atendimento. Então, vamos voltar ao trabalho?! Já conversamos muito e tenho várias coisas para verificar com vocês. - Falou dando o assunto por encerrado, seguiu em direção a cozinha fazendo um sinal com a mão para que Enrico o acompanhasse. Ele seguiu Joey, dando de ombros ao passar pelas meninas.
As meninas deram de ombros umas para as outras e resolveram fazer o mesmo: voltar ao trabalho.


☕☕☕☕☕


O expediente estava quase se encerrando, a cafeteria estava vazia e os silêncio reinava enquanto todos estavam focados em suas atividades. começava a conferir o caixa, limpava as mesas, varria o chão e Enrico limpava toda a cozinha. Joey havia ido embora alegando que tinha que buscar Devon no salão de beleza e que precisavam se preparar para um evento que deveria comparecer.
— E a despedida do Enrico? - Perguntou num tom baixo enquanto olhava para a cozinha algumas vezes, tentando se certificar que o mesmo não ouvisse a conversa das meninas.
e pararam suas atividades.
— Eu nem tinha pensado nisso ainda. Ele só tem mais duas semanas com a gente e depois vai entrar em estúdio para gravar o álbum de estreia. - Falou pensativa enquanto dava de ombros, mas a sua expressão era triste.
sabia que não seria a única a sentir falta de Enrico. Por mais que odiasse admitir, todos sem qualquer exceção, eram sua família e mesmo com os desentendimentos. Que família não briga entre si? Seria esquisito não vê-lo todos os dias, acompanhar as brincadeiras e a cantoria que costumava rolar em dias mais calmos. Jamais admitiria isso, mas o amava como a um irmão mais velho. É, realmente sentiria falta. - admitiu para si mesma.
— Vai ser tão esquisito quando Joey contratar outra pessoa para assumir a cozinha. - Ela falou enquanto voltava a varrer o chão.
Todas ainda tentavam manter a conversa entre si.
— Ele não… - Soltou no automático, interrompendo repentinamente ao se dar conta do que havia acabado de revelar. Instantaneamente, e largaram suas tarefas e seguiram rapidamente até , parando em frente ao caixa. A curiosidade estava estampada no rosto de ambas que encaravam-na ameaçadoramente.
— Pode abrindo o bico. - Ordenou enquanto encarava-a seriamente.
— Não confia em mim, ? - Perguntou .
— Ei! - Reclamou ofendida ao entender o comentário da jovem.
Ela suspirou dando-se por vencida, pois sabia que de uma forma ou de outra, as meninas ficariam sabendo das notícias.
— Eu sei que posso confiar em você, . - Esclareceu seriamente, continuando — Mesmo tendo roubado o Enrico de mim, mas tudo bem! - Finalizou com um sorriso brincalhão no rosto.
cruzou os braços, revirando os olhos, mas com um sorriso satisfeito no rosto. só não sabia se ela estava satisfeita em ouvir que confiava nela ou a confissão de que doeu ter perdido o Enrico. Suspeitava que seria pelos dois.
— Anda, ! - Pediu enquanto checava rapidamente se Enrico continuava cantarolando concentrado na cozinha. também verificou e quando teve certeza que não corriam o risco de serem ouvidas,resolveru passar a informação completa.
— Outro dia, ouvi Joey e minha mãe. Ele vai voltar para a cozinha. - Revelou dando de ombros e completou: — Segredo absoluto, por favor!
e se encararam pensativas por alguns instantes.
— Então, não vai contratar outra pessoa para substituir o Enrico? - Perguntou confusa.
negou com um gesto de cabeça.
— Ele não acredita ser possível encontrar alguém com as habilidades de Enrico. - Explicou.
— Nesse ponto, não concordo. Ninguém é insubstituível. - Comentou pensativa.
— Se for assim, o que vai fazer quando cada uma de nós sair? - Questionou-se preocupada.
— Ele sabe dos nossos planos e inclusive, nos dá a maior força para não desistir. - Falou seriamente, a preocupação lhe dominando.
fez um gesto para fazer menos barulho e checou novamente a cozinha.
— Sinceramente? Eu não sei. - Disse dando de ombros.
— Eu não acho uma ideia ruim, Joey retornar ao trabalho e além do mais, o ideal é o dono estar sempre por perto. Sabemos que não é ruim quando ele fica aqui direto, torna o dia até menos estressante. - Confessou enquanto apoiava um dos braços no balcão. As meninas concordaram com um gesto de cabeça, ao ouvirem atentamente a opinião da amiga.
Sabia que Joey confiava cegamente em cada um deles e que a saída do Enrico não seria nada fácil, mas acreditava que ele deveria se preparar para o dia em que cada uma das meninas teria que seguir outro caminho.
— Eu não vou mentir para vocês e também, não tem necessidade já que nos conhecemos muito bem… - falou repentinamente enquanto tinha uma expressão de seriedade. Continuou, enquanto e ouviam a jovem atentamente e temendo o que estava por vir: — Eu serei a próxima! - Revelou.
— Graças a Deus! - Soltou aliviada.
revirou os olhos, mas a sua expressão denunciava um sentimento diferente que não soube identificar.
— Como assim? - Perguntou aumentando um pouco o tom de voz.
— Shiuuu - e pediram para que a amiga diminuísse o tom de voz, todas voltaram novamente a atenção para a cozinha e se certificaram que ainda era seguro manter a conversa por mais que essa parte Enrico soubesse dos planos da namorada.
— Assim que possível, Enrico e o empresário vão deixar as coreografias dos clipes por minha conta e aí, já sabem, né? O sucesso vai ser instantâneo. - Gabou-se com um sorriso convencido no rosto.
deu um assovio de surpresa.
— Com certeza! Você tem talento, né ? - Perguntou buscando concordância por parte da amiga.
Ela encarou-a incrédula com o que ouviu.
, não seja uma pessoa horrível e diga a verdade! - Apelou fazendo uma chantagem emocional na amiga.
Ela suspirou derrotada, mas não se daria totalmente por vencida.
— Desde que não seja o Enrico montando as coreografias… - Falou risonha cruzando os braços.
deu de ombros, ignorando o comentário.
— Admito que fico feliz por estarmos correndo atrás dos nossos sonhos, mas admito que dói saber que em breve não estaremos todos juntos. -
Todas concordaram com um gesto de cabeça, a expressão de pesar e uma tristeza bem no fundo do coração.
Não se sabe se foi pelas emoções do momento - e realmente esperava que sim - resolveu abrir seu coração.
— Você é realmente boa e vai dominar o mundo. Eu vou sentir sua falta e do Enrico quando saírem. - Confessou sorrindo levemente.
A princípio foi pega de surpresa pelas palavras ditas pela jovem, mas em seguida, seus olhos se encheram de lágrimas.
— Awwwn - Reagiu beirando as lágrimas, jogou metade do seu corpo por cima do balcão numa tentativa de abraçar as amigas sem precisar sair do lugar. Ambas passaram os braços em volta uma das outras.
— Não chore por mim, baby! - Debochou enquanto tentava secar discretamente uma lágrima que escorria por sua bochecha.
— Palhaça! - Reagiu envergonhada com o comentário.
sorriu verdadeiramente com lágrimas nos olhos também.
— É o fim dos tempos? - Perguntou Enrico repentinamente, assustando-as que deram um leve gritinho.
— Enrico! - Reclamaram ao mesmo tempo enquanto dividiam expressões emocionadas, ainda em voltas nos diversos braços.
— Não me chamaram para o abraço coletivo. - Soltou fazendo um biquinho e uma carinha triste, fingiu até secar algumas lágrimas com o pano de prato que estava pendurado em seu ombro esquerdo.
— Ah, vem cá! - Chamou com o rosto vermelho enquanto ria e chorava ao mesmo tempo.
E ali envolvidos em um abraço coletivo, compartilhavam todos os sentimentos de cada um. Seja o medo do futuro, a rejeição da família de sangue, as dores dos vários “não” recebidos, a iminente separação. O fato é que compreenderam que família não é unida apenas por sangue e sim, pelos sentimentos que uns nutrem pelos outros, e o mais importante, em breve, seguiriam a lei das famílias: caminhos diferentes serão trilhados por cada um, mas sempre estariam por perto.


☕☕☕☕☕


Família era um assunto muito delicado para ela e que doía no fundo da alma. Foi magoada tantas vezes, por diversas pessoas e situações, mas o que realmente lhe machucava dia e noite era a mágoa que carregava por seus parentes de sangue. Uma ferida profunda e que continuava infeccionada, sem qualquer iminente chance de ser suturada. Qualquer pessoa poderia ter encher de pedradas, mas quando uma delas era atirada por seu pai ou mãe, machucava mil vezes mais. E o pior de tudo isso, era saber que eles não compreendiam o tamanho do estrago que lhe causavam.
Ela sabia que seus pais lhe amavam, mas utilizavam esse sentimento como desculpa para forçá-la a aceitar um destino que não queria para si. Sabia que apenas desejavam o que acreditavam ser o melhor e também, não queriam que se machucasse ao encarar o peso que o mundo lança em suas costas. Queriam protegê-la de tudo o que hoje está enfrentando e tem consciência do quanto as pessoas podem ser cruéis, insensíveis e egoístas, mas não enfrentar tudo isso significaria não estar lutando pela sua verdadeira felicidade: ser atriz.
queria apenas atuar e ter dinheiro suficiente para se sustentar. Queria dar vida aos personagens e fazer com que todo o mundo conhecesse cada um deles. Essa sim, seria sua verdadeira felicidade.
Seria o seu paraíso.
Mas e quando o seu paraíso tem apenas você?
Sabia que a dor de não ter contato com seus pais estaria sempre ali, machucando-a e lembrando-a de que faltava algo. Queria realizar o seu sonho, mas ter os seus pais por perto e poder compartilhar toda a sua felicidade. Seria pedir muito conseguir ter ambos?
Desde que resolveu largar Utah e tentar realizar o seu sonho em LA estava sem ter contato com seus pais. Abandonou-os, a pizzaria e o possível casamento que teria com algum morador da cidade. E fingiu ser outra pessoa, uma que fosse corajosa e não temia nada ou ninguém. Assim tem seguido os seus dias, mesmo que já tenham fechado diversas portas em sua cara e enfrentado os dias mais difíceis em que tudo parece dar errado, numa tentativa de convencê-la que fez a escolha errada.
Sentiu o celular vibrar em seu bolso, deixou o roteiro do comercial em cima da cama e viu o visor: uma mensagem de Catherine dizendo que estava a caminho de LA e queria ver a irmã. estranhou o fato dos seus pais terem deixado a irmã viajar para vê-la, mesmo assim perguntou o horário que chegaria e onde deveria buscá-la. Largou o celular e pediu aos céus que Cat não trouxesse problemas na mala.


Capítulo 06 – Catherine

Catherine estava envolta em uma aura de felicidade desde o nascimento – a caçula era uma das pessoas favoritas de e que mais fazia falta nos momentos ruins – quem conhecia se contagiava. Entretanto, impulsiva e teimosa até o último fio de cabelo, mas era o perdão em pessoa. Nunca viu a caçula guardar uma mísera mágoa em seu coraçãozinho doce. Gostava de zoar dizendo que sofria da síndrome de Dory e que todas as pessoas deveriam ser contaminadas para que o mundo fosse um lugar melhor.
Desde que começou a andar e falar passou a se meter em enrascadas com suas ideias mirabolantes. Era só Cat aparecer desesperada chamando pela mais velha que sabia que teria algum pepino para resolver antes que os pais se dessem conta da confusão. A dupla colecionava momentos e segredos, contavam tudo uma para a outra, entretanto aquela vez não foi assim.
— Cadê Catherine? – Sussurrou sua mãe num tom que deixava bem claro que estava extremamente estressada.
A jovem abriu os olhos, bufou irritada e sentou-se, ajeitando as costas nos travesseiros. Era madrugada e a ligação inesperada de sua mãe a acordou no susto.
respirou fundo se preparando para a discussão que se iniciaria.
— O quê a Cat aprontou agora, mãe?
— Ah, você não sabe? – Perguntou irônica abandonando o tom sussurrado e aumentando um pouco.
— Não, mãe. –
— Catherine fugiu de casa, ! Ela fugiu! – Revelou impaciente enquanto suspirava do outro lado da linha.
retribuiu com um suspiro cansado.
— Ah, agora entendi! Fui boba ao ponto de achar que vocês tinham deixado ela vir me visitar, já que eu não sou bem-vinda aí! – Confessou indignada enquanto fechava os olhos e deixava a cabeça tombar para trás.
No fundo sabia que seria impossível a caçula ter viajado com o consentimento dos seus pais, só não quis acreditar na hipótese que a mesma fosse ter coragem de fugir. Deveria ter se lembrado de como a irmã conseguia ser impulsiva em qualquer situação, ao contrário de .
— Isso é tudo culpa sua, ! Você foi embora, nos abandonou, abandonou Catherine e olha o que sua irmã fez na tentativa de te ver! – Acusou magoada atingindo-a em cheio à milhares de quilômetros de distância.
Desde que trocou sua vida em Utah pela aventura de realizar o seu maior sonho em Los Angeles estava sem ter contato com seus pais que não aceitaram a situação. E jamais imaginou que quando tivesse contato novamente, seria para ser acusada de incentivar as loucuras de sua irmã mais nova. Esperava ansiosa pelo dia em que aceitariam a escolha que ela havia feito para tentar tornar o seu sonho realidade, mesmo que ainda não tivesse dado certo – e daria sim, acreditava fervorosamente nisso. Era inaceitável retornar para casa sem ter conquistado uma parcela do seu sonho.
O seu coração estava pesado pela tristeza em ter que ouvir aquelas palavras vindo da boca de sua mãe e não conseguiu evitar que lágrimas escorressem pelo seu rosto.
— Se vocês tivessem deixado ela vir, não teria escolhido sair fugida! – Rebateu enquanto a preocupação dava lugar a tristeza.
Alice chorou copiosamente do outro lado da linha, a filha podia ouvir seus soluços.
— Você sabe muito bem o quanto ela ainda é inocente, . O mundo não é brincadeira! Agora, ela está por aí sozinha indo atrás de você! Eu não aguento mais isso! Vocês querem me enlouquecer! Você, sua irmã e seu pai estão me enlouquecendo! – Alice desabafou em meio ao choro.
— Mãe, eu te entendo.
— Me entende, ? Tem certeza? Se realmente entendesse teria pensando na sua família antes de tomar qualquer decisão. O seu pai ainda está muito magoado! E você acha que é fácil para mim? Você longe e agora, Catherine por aí à mercê de algum maluco! Se acontecer alguma coisa com ela, eu nunca vou te perdoar! Nunca! – Metralhou sem dó nem piedade.
respirou fundo tentando manter a calma.
— E você acha que não me preocupo com ela? Pode deixar que amanhã ela estará aqui segura e vou dar um belo de um esporro nela! – Garantiu seriamente.
— Vou contar ao seu pai e iremos imediatamente! Ela pode dizer adeus à viagem de formatura! – Avisou irritada, parecendo estar mexendo em alguma coisa.
suspirou.
— Acalme-se, tudo bem? Vocês não podem simplesmente fechar a pizzaria e vir. Se você quiser, eu mesma a levo de volta no sábado. – Sugeriu, mesmo tendo plena consciência de que se arrependeria da decisão.
Alice ficou em silêncio, parecendo considerar a proposta. Até que um suspiro derrotado escapou.
— Tudo bem! Só não pode passar de sábado e deixe bem claro que ela sofrerá as consequências quando chegar! Não dê mole para ela!
— Pode deixar, mãe. – Concordou enquanto deitava novamente.
— Boa noite, . Se cuida. – Desejou num tom carinhoso e que era motivo de muita saudade para a jovem.
— Vocês também.
Ela guardou o celular novamente no criado-mudo ao seu lado enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. Estava acostumada com esse tipo de tratamento por parte da mãe quando o assunto era a caçula, mas até mesmo essas situações faziam falta para a garota e mesmo que muitas das vezes, era o motivo da mágoa que carregava em seu coração. Acomodou-se melhor entre os travesseiros, bocejou e fechou os olhos. Teria o prazer de arrancar a orelha da irmã no dia seguinte.


☕☕☕☕☕


— Precisamos de mais vinte quilos de farinha de aveia... – anotava concentrada a contabilização dos materiais que estavam em falta no estoque. Uma tentativa de cumprir suas tarefas daquele expediente em troca de paz de espiríto – somente em alguns casos – enquanto a ansiedade em rever sua irmã caçula lhe consumia.
Ficou absorta em quantidades e produtos até que foi surpreendida por uma esbaforida.
! – Chamou-a num tom de desespero fazendo com que a jovem parasse as anotações e olhasse-a com uma expressão de confusão. estava sentada no chão, com as pernas dobradas embaixo de si, em frente a uma enorme prateleira de metal cinza que abrigava diversos sacos de farinha. O caderno do estoque em seu colo e a caneta na mão esquerda.
— O que foi? – Perguntou num tom de curiosidade enquanto observava com suas madeixas loiras presas num rabo de cavalo, vestindo preto dos pés à cabeça, assim como .
— Você não vai acreditar! Robert está aqui! – Anunciou ela empolgada em poder dar a notícia a amiga.
Assim que absorveu as palavras da amiga, arregalou os olhos quase os expulsando das órbitas e a boca se abriu num enorme ‘O’. E como se fosse impossível, as batidas do seu coração se agitaram como se estivesse correndo uma maratona.
— Como assim? Sem mais nem menos? Sem avisar antes? – Perguntou brincalhona enquanto se levantava toda desajeitada. A surpresa deu lugar à felicidade que estampou perfeitamente o seu rosto.
Ela e riram.
— Vamos, vamos, vamos! – Apressou-a brincalhona enquanto dava palminhas para dar ênfase as suas palavras. – Seu cliente VIP lhe aguarda! – Finalizou com um sorriso de empolgação.
passou a mão na bunda algumas vezes para limpar os resquícios de poeira na roupa preta, ajeitou seu rabo de cavalo e seguiu despreparada para estar frente a frente do seu homem. Riu enquanto seguia para fora da sala.
“Seu homem!” – Riu baixinho ao se dar conta de seu pensamento brincalhão.
Quando se aproximou do balcão, observou a movimentação da cafeteria naquele dia. Umas poucas pessoas ocupando algumas mesas. Respirou fundo tentando acalmar seu coração e passou a língua pelos lábios que estavam secos. Sacou sua caneta e seu fiel bloquinho que estava dentro do bolso do seu avental preto. Até que finalmente localizou Robert. Ele estava sentado em uma mesa no fundo da cafeteria, ocupava uma cadeira de costas para onde estava. Um boné preto escondia suas famosas madeixas e vestia uma camisa branca e calça moletom preto. Não conseguiu enxergar o que ele fazia, pois, as costas largas escondiam o que estava a sua frente. Ela respirou fundo e reuniu coragem para se aproximar dele, seguindo rapidamente até a mesa.
— Ora, ora, tenho um cliente novo para atender! – Soltou o comentário brincalhão, mas que se arrependeu amargamente ao ver a expressão fechada do homem. Ele segurava o cardápio e a encarava com uma expressão extremamente séria que deixou a jovem sem graça.
Inesperadamente, recebeu um discreto sorriso que rapidamente foi substituído pela expressão séria. Enquanto ele estava olhando atentamente o cardápio, aproveitou para analisá-lo com mais atenção. As maçãs do rosto estavam mais coradas como se tivesse ficado por um longo período exposto ao sol e parecia ter perdido alguns quilos. O cabelo estava com as laterais bem mais curtas do que de costume e os seus braços também, com a pele mais avermelhada pareciam um pouco mais definidos. O filho da mãe continuava muito atraente e por mais que muitos não o considerassem bonito, ela achava que era. Não tinha culpa se ele fazia o seu tipo.
— Um café puro... – Pediu e continuou avaliando o cardápio com calma. Continuou: - croissant de queijo. – Finalizou, fechando o cardápio e sorrindo educamente para a jovem que estava em pé ao seu lado anotando tudo com rapidez.
Terminou de anotar e quando voltou a atenção para o homem, ele já estava absorto em algo na tela de seu celular. se afastou, retornando até a cozinha e entregando o pedido para Enrico.
— É, não está em um bom dia. – Comentou Enrico risonho enquanto secava a mão no pano branco que estava em seu ombro, pegando o papel da mão de .
Ela deu de ombros retornando para o balcão.
— Um cliente novo para atender?! – Questionou ao seu aproximar com uma expressão de riso, apoiando-se no balcão ao lado da amiga.
suspirou chateada.
— Ele nem me deu confiança e nem foi educado! Que palhaço! – Ela reclamou enquanto sua atenção estava nas costas do homem que continuava com o celular na mão.
— Tudo bem que ele nunca exala simpatia quando vem aqui, mas está muito mais na dele. – Constatou enquanto olhava na mesma direção que a amiga.
— FKA esteve aqui hoje?
— Sim, bem cedo até. Acho que estão evitando se esbarrar aqui no café. Se bem que o mundo deles não é tão grande assim, uma hora isso vai acontecer em algum evento.
— Não sei. – deu de ombros.
— Acho que a pior parte de ser famoso é ter que aturar desconhecidos falando do seu relacionamento e não ter como evitar o ex.
riu com o comentário da amiga.
— Você vive quase a mesma coisa todos os dias. – Lembrou-a enquanto fazia um gesto discreto com a cabeça em direção à cozinha ocupada por um concentrado Enrico.
revirou os olhos deixando escapar um discreto sorriso.
O barulho da porta da cafeteria sendo aberta chamou a atenção das amigas que interromperam a conversa. quase pulou o balcão com tamanha felicidade ao ver a jovem de cabelo lilás acompanhada da sua irmã caçula.
!
— Catherine!
Disseram as irmãs empolgadas enquanto se envolviam num abraço apertado repleto de saudades.
— Senti muito a sua falta! – Confessou Cat com os olhos repletos de lágrimas, respirou fundo tentando evitar que o choro escapasse. Envolveu ainda mais forte o corpo da sua irmã.
— Eu também.
— Quanto amor! – Comentou enquanto seguia até e sorria dando um aceno com uma das mãos.
Ela e riram enquanto observavam felizes as demonstrações de afeto das irmãs, assim como todos os clientes que estavam na cafeteria e tiveram a atenção roubada pelo estardalhaço feito por elas. Todos que estavam presentes ali tinham a mesma expressão sentimental no rosto enquanto observavam o reencontro das duas. Após alguns minutos, se afastaram dos braços uma da outra e sorriram felizes.
— Como você cresceu! – Comentou enquanto Cat segurava as barras do seu vestido azul com flores amarelas e dava uma pequena volta, um sorriso alegre estava em seu rosto.
— Uma hora isso teria que acontecer. – Respondeu a caçula dando uma gargalhada. — Ai! – Gemeu ela ao receber um beliscão. Esfregou com uma das mãos o braço esquerdo, encarando a mais velha com uma expressão de irritação. — O que eu fiz dessa vez? – Perguntou indignada enquanto sentia a ardência do beliscão que havia deixado uma marca vermelha em sua pele.
— O que eu fiz dessa vez? – Repetiu debochada enquanto encarava a irmã com uma expressão séria. Continuou: — Mamãe ligou estressada e querendo me matar! Como você foge sem avisar ninguém? Enlouqueceu? O mundo é perigoso, Cat. – Falou suspirando enquanto tinha uma expressão preocupada ao encarar a caçula.
— Não pareceu quando você resolveu sair de casa. – Rebateu Catherine com uma expressão de deboche.
respirou fundo e pediu paciência aos céus.
— Ai meu Deus! É o Robert Pattinson! – Falou Catherine num tom de espanto enquanto abria a boca e arregalava os olhos. Suas mãos estavam encostadas em cada lado de seu rosto. Ela dá um passo para frente com a intenção de ir até ele, mas a irmã a segura pelo braço, impedindo-a.
— Cat, se comporte, por favor. – Pediu impaciente enquanto baixava o tom de voz, olhando com urgência na direção de Robert para ter certeza que ele não ouviu o escândalo que a irmã fez. E quase teve um treco quando viu que o mesmo já estava com a atenção voltada para elas e pior, ele sorria. Ficou indignada já que ele não teve a decência de sorrir daquela forma para ela mais cedo.
Quando voltou a atenção para sua irmã reconheceu que não adiantaria impedir, pois ela já estava decidida. Derrotada, soltou o braço da jovem e seguiu para o balcão sem coragem de ver o que aconteceria.
— Calma, . Você está muito sentimental hoje. – Comentou numa tentativa de acalmar os nervos da amiga.
— Relaxa! – Pediu. Continuou: - O Robert parece estar se divertindo com a situação. – Falou que estava sentada em uma cadeira e com a atenção voltada para a caçula dos .
Nem conseguia entender o motivo de estar tão agitada com aquela situação. Por isso, tentou acalmar os ânimos e deixar que tudo fluísse no seu devido curso – pensamento mais zen impossível.
, o pedido do Robert. – Chamou Enrico enquanto se aproximava calmamente com a bandeja, entregando-a a jovem.
— Obrigada.
— E aí, ! – Cumprimentou a jovem de cabelo lilás com um sorriso simpático enquanto dava um aceno. – ih, quem é aquela? Nova namorada do Pattinson? – Perguntou provocadoramente, lançando um sorriso zombeteiro na direção de que revirou os olhos achando sem graça a brincadeira do amigo.
— Não perde a chance de ficar quieto, né. – Devolveu ela enquanto seguia em direção a mesa que Robert ocupava e parou abruptamente ao ver que sua irmã ocupava a cadeira em frente ao homem. Ela voltou a se mexer e aproximou, servindo o que foi pedido por ele enquanto Catherine estava levemente corada. O seu rosto descansava em suas mãos com os cotovelos apoiados na mesa, tinha uma expressão abobalhada enquanto admirava Robert.
— Mais alguma coisa? – Perguntou educadamente enquanto encarava o homem que bebericou o café. Ele continuava de boné tendo apenas retirado o óculos. olhou bem dentro daqueles olhos e segurou a vontade de suspirar. Amava aquele olhar e poderia ficar ali trezentos anos luz.
— Que tal uma visita ao set de filmagens do meu novo filme? – Sugeriu ele com um sorriso enquanto inclinava levemente a cabeça na direção da jovem.
encarou-o surpresa e olhou para a sua irmã que tinha um sorriso convencido no rosto. Não acreditou que estava realmente ouvindo aquele convite.
— Não será preciso! Ela precisa ir embora... – Tentou dizer , que foi logo interrompida por sua irmã caçula.
— Não preciso, não. – Protestou indignada enquanto cruzava os braços.
A mais velha encarou-a com uma expressão ameaçadora enquanto mordia os lábios numa tentativa de não gritar com a caçula.
está te esperando. – Falou num tom irritado, mas com um sorriso no rosto enquanto Robert assistia a cena com uma expressão de diversão enquanto mastigava o seu croissant.
As jovens voltaram a atenção para o local onde estava e a mesma, acenou sem graça na direção das duas. observou rapidamente as expressões de diversão de Enrico e que pareciam prestes a gargalhar.
— Eu pensei que fosse ficar aqui com você, matando as saudades. – Falou Cat com uma expressão triste enquanto descruzava os braços e encarava a irmã.
suspirou quase caindo na tentativa da jovem em amolecer seu coração.
— Vou sair muito tarde e a ficou de te levar para conhecer alguns lugares... – Tentou argumentar, mas foi interrompida pelo protesto da melhor amiga.
— Ei! – Protestou que prestava atenção no desenrolar da situação.
voltou a atenção para a jovem e fez uma careta com um pedido silencioso, mas que poderia significar um grito de “Me ajuda aqui!”. acabou rindo e saindo em socorro da amiga.
— É, Cat. estava aqui dizendo que deveria te levar para conhecer cada centímetro da Sunset Boulevard. – Falou num tom simpático enquanto seguia até e agarrava-a sem delicadeza pelo braço direito, levantando-a da cadeira e forçando-a seguir até a mesa em que estavam as irmãs e um divertido Pattinson.
suspirou derrotada e lançou um olhar para e que significava “Estão me devendo essa!”. Recebendo como resposta um olhar de de “Você é a melhor!” e outro de que dizia “Nem pense em cobrar!”.
Enquanto acontecia todo esse desenrolar das meninas, Robert e Enrico se divertiam infinitamente com toda a situação. Só conseguiam pensar que as mulheres gostavam de dramatizar tudo e principalmente, se preocupavam demais com as coisas. Enrico não conseguia entender qual era o problema da irmã caçula de passar alguns minutos com o Pattinson já que ele mesmo havia convidado e estava parecendo se divertir. E isso era um ponto positivo já que o cara chegou ali com uma cara de que estaria há vários meses sem saber o que é ter uma mulher na sua própria cama.
— Tá bom! – Anunciou Cat dando-se por vencida. Fingiu chateação, mas a verdade é que estava se divertindo – e muito – com o desespero da irmã. Desde que aprendeu a falar descobriu o quanto era divertido deixar a mais velha irritada. Só conseguia pensar que a fuga havia valido muito a pena e principalmente, o quanto sentia falta de estar com ela.
suspirou aliviada parecendo que havia tirado uma bigorna das costas.
— Ah, tem certeza? - Perguntou Robert com um sorriso decepcionado, mas o seu olhar entregava que estava se divertindo.
— Foi um prazer conhecer o senhor! – Soltou ela demonstrando toda a educação que sua mãe lhe deu.
ficou vermelha feito um tomate enquanto se esforçava para segurar a risada.
— Estou tão velho assim? Você tem o quê? Dezoito anos? – Perguntou ele com o rosto vermelho e uma expressão de indignação.
— Dezessete.
— Não é uma diferença tão grande assim. – Argumentou ele dando de ombros enquanto ignorava o fato de ser quinze anos mais velho do que Catherine.
A jovem deu de ombros enquanto se levantava e sorria em despedida.
— Até mais tarde, . – Despediu-se seguindo animadamente em direção de . Deram tchau para e Enrico, saindo alegremente da cafeteria, deixando apenas o silêncio.
Robert e se encararam com o rosto vermelho até que finalmente começaram a rir.
— Ela é uma graça! – Comentou enquanto se acalmava.
confirmou com um gesto de cabeça enquanto secava algumas lágrimas.
— E pelo visto te irritar é sua função favorita. – Falou com um sorriso fofo enquanto tomava o restante de seu café.
— Com certeza! E toda vez acho que não vou ceder, mas acabo dando mole. – Disse com um sorriso terno enquanto recolhia o prato e a xícara, devolvendo para a bandeja que estava em sua mão.
— Uma hora você dá o troco.
— Será possível? – Questionou num tom divertido.
Ele deu de ombros enquanto se levantava da cadeira. Colocou novamente seus óculos, guardou seu celular no bolso do moletom e voltou sua atenção para que estava em pé próximo a ele.
— Deseja mais alguma coisa? – Perguntou solícita enquanto observava-o tão próximo, podendo sentir o perfume masculino que ele usava naquele dia.
— Não. Muito obrigado! – Respondeu com um sorriso.
— Disponha – Ela disse lançando um último sorriso simpático enquanto seguia com sua bandeja até o balcão. Ele seguiu atrás dela, porém continuou até o caixa.
observou ele se afastar com um enorme sorriso bobo no rosto enquanto abraçava a bandeja, agora vazia.


☕☕☕☕☕


— Cat! – Resmungou enquanto cobria a cabeça com o travesseiro numa tentativa inútil em abafar o barulho do celular que tocava incansavelmente.
Seria a segunda vez naquela semana que era acordada por uma ligação e só de pensar em ter que encarar a sua mãe novamente já lhe batia o desespero e pior, sabia que em alguns dias teria que levar sua irmã de volta para sua cidade natal e não estava preparada para encarar os seus pais depois de todos esses anos.
— NÃO É O MEU! – Gritou, a voz ecoando da cozinha.
— NÃO GRITA ESSA HORA! – Gritou de volta repreendendo a irmã. Ouviu passos descalços pelo pequeno corredor e depois o sussurro implicante: — Você começou! – Falou ela enquanto enfiava a cabeça dentro do quarto e tinha um sorriso debochado estampado em seu rostinho angelical.
revirou os olhos e arremessou o travesseiro em sua direção, errando grotescamente a mira e fazendo cair no chão. As duas riram e a caçula mostrou a língua numa careta provocadora.
O celular voltou a tocar.
— É o seu, maninha. – Falou Catherine enquanto seguia até o celular que estava jogado no chão. Olhou o nome no visor e atendeu sem a permissão da irmã.
— Catherine falando. – Atendeu num tom de voz animado.
— Quem é, Cat? Não era para atender! – Reclamou ao se sentar na cama e observando sua irmã que parecia estar prendendo a vontade de rir.
— Uma tal de Sunshine... – Tentou continuar ao afastar o aparelho do ouvido, mas a mais velha ao ouvir o nome quase voou da cama em direção a irmã. Arrancou o celular das mãos dela em desespero.
— Sunshine? Claro! Claro! Com toda certeza...
Catherine sentou-se na cama enquanto observava a irmã andar de um lado para o outro do quarto.
— Fica calma! Eu vou o mais rápido possível! Me passa o endereço por mensagem... Okay, okay... Até! – Finalizou a ligação já correndo em direção ao guarda-roupa. Arrancou o pijama e começou a vestir uma calça jeans e camiseta, calçou os sapatos aos pulos.
— Você vai sair? – Perguntou Cat tristemente enquanto observava a irmã se arrumar toda atrapalhada e explodindo depressa.
— Preciso dar uma força para a Sunshine! Parece que um garçom se acidentou em cima da hora e ela precisa com urgência de outra pessoa para ajudar na festa da Katy Perry. – Explicou tranquilamente enquanto prendia os cabelos num rabo de cavalo e se arrependeu de não ter lavado os cabelos mais cedo.
— KATY PERRY?!
— Isso! Grita mais para me expulsarem do prédio! – Ironizou revirando os olhos enquanto pegava o celular e mandava uma mensagem para pedindo para ir ficar com a caçula até que ela retornasse. Guardou o celular no bolso logo em seguida.
— Me leva! Por favor! Posso ajudar a servir! – Implorou Catherine com uma expressão pidona e que costumava derreter o coração da mais velha com facilidade.
— Não posso, Cat. Sunshine me mataria e além do mais, você vai ficar toda surtadinha quando ver os famosos.
Catherine bufou enquanto revirava os olhos.
— Graças ao meu surto... – ela fez sinal de aspas com os dedos indicadores e médios ao dizer a palavra “surto” – consegui uma visita ao set de um filme do Robert. – Falou enquanto colocava uma das mãos na cintura e com a outra jogava uma mecha do cabelo para trás, empinando o nariz em seguida.
resmungou e colocou a palma da mão aberta na testa, ainda abismada com o fato de Robert ter convidado sua irmã para conhecer o set de filmagens. Enquanto ela não ganhava nem uma bala de presente.
— Tanto faz. Já olho para aquela cara dele todos os dias. – Resmungou fingindo estar fazendo pouco caso da situação, mas no fundo queria ter sido convidada desde a primeira vez que o viu.
— Conta outra, ! Quer que eu te relembre do seu vídeo da promoção do set de Eclipse? – Perguntou irônica enquanto pegava o seu celular e começava a procurar o vídeo.
— Isso foi diferente.
— Sonhos não morrem. – Rebateu.
— Esse já está mais que enterrado.
— Ah, ! Eu posso perguntar ao Rob se você pode ir... – Falou Catherine com um sorrisinho implicante.
— E quem disse que não vou?
— Ele não te convidou!
— E você acha que confio em deixar você sozinha com ele? – Perguntou incrédula.
— E qual o problema? Ele não faria nada comigo, .
— O problema não é ele! É você! – Respondeu num tom como se fosse óbvio.
Catherine riu achando graça da ideia que se passava na cabeça da irmã.
— Pode deixar que irei pedir permissão para você nos acompanhar. – Finalizou Catherine ao se jogar de costas na cama e encarar o teto com um sorriso sonhador no rosto.
resmungou pedindo paciência aos céus.
— Cat, a vai ficar com você até eu voltar.
Catherine bufou derrotada.
— Será que o Rob vai estar lá? – Perguntou animada enquanto deitava de bruços, descansando a cabeça em uma das mãos.
— Ele é melhor amigo da Katy.
— Sempre quis conhecer a Katy Perry! – Confessou a caçula enquanto encarava a irmã que estava em pé, pegando as últimas coisas.
— Quem sabe na próxima o Robert te convide para o aniversário da Katy. – Debochou rindo enquanto ia saindo do quarto.


Capítulo 07 – Chateau Marmont

Maybe a reason why
Talvez a razão pela qual
All the doors are closed
Todas as portas estejam fechadas
So you could open one
É para que você possa abrir uma
That leads you to the perfect road
Que te leve para a estrada perfeita.
– Firework, Katy Perry.

Chateau Marmont Hotel, Sunset Boulevard.
— Sem chance, Sunshine! – Recusou enquanto uma risadinha escapava por seus lábios.
— Por favor... – A mulher insistiu docemente enquanto arrastava a amiga em direção ao pequeno banheiro que ficava disponível para a equipe do evento.
Sunshine era uma organizadora de eventos talentosíssima, muito conhecida entre os famosos por criar eventos do zero que esbanjavam criatividade e costumavam ser únicos. Conheceram-se quando se candidatou para a vaga de garçonete em seus eventos, já que precisava fazer um extra para pagar suas contas do mês. Depois disso, construíram uma amizade e que gerou muitas situações engraçadas para que ainda não aprendeu a resistir aos pedidos da amiga.
— Sabia que sua ligação não era atoa! – Resmungou enquanto entrava no banheiro e se recostava na pequena pia de vidro. Cruzou os braços e observou a amiga colocar uma enorme bolsa de viagens em cima do vaso sanitário, procurando algo com pressa.
— Te liguei porque você é a pessoa perfeita para me ajudar. – Disse ela num tom inocente enquanto se ajoelhava em frente ao vaso sanitário e continuava selecionando coisas dentro da bolsa.
— Hahaha – Forçou uma risada em tom de deboche enquanto ainda observava atentamente a amiga.
— Também te amo, ! – Falou concentrada enquanto retirava algo da bolsa com uma das mãos e lançava por cima da cabeça, em direção a que estava na mesma posição.
Ela se assustou com o objeto voador e agarrou toda atrapalhada, soltando até um gritinho de susto.
— Não, não, não! – Repetia sem parar enquanto segurava a peruca que tinha um corte que parecia ser na altura dos ombros, fios lisos e pretos com as pontas onduladas.
Ela não queria acreditar que mais uma vez – milésima talvez? – teria que se fantasiar em algum evento organizado pela amiga.
— Prontinho. – Anunciou levantando-se com tecidos vermelhos brilhantes, dobrados em seu braço esquerdo e na outra mão, segurava um sutiã da mesma cor com detalhes em prata e que tinha colado em cada bojo uma lata de chantilly envolvida com fitas vermelhas.
A boca de escancarou ao reconhecer um dos figurinos mais icônico do clipe de “California Gurls” e pior de tudo, seria ela a premiada a vesti-lo naquela festa.
— Não brinca! – Ela reagiu surpresa enquanto observava as peças serem penduradas no suporte de toalhas e Sunshine voltou sua atenção para a bolsa, pegando algumas maquiagens e acessórios.
— E eu sou de brincar? Quando digo que você é a pessoa perfeita para as minhas loucuras é a mais pura seriedade! – Respondeu sorridente enquanto terminava de arrumar as maquiagens na bancada da pia, empurrando para o lado com o quadril.
— Claro! Sou a única que não sabe escapar das suas loucuras!
Ambas riram.
— Isso também! – Assumiu descaradamente enquanto ficava de frente para a amiga que ainda segurava a peruca. – Preciso que se apresse! Essa é uma das fantasias mais aguardadas da noite. Vou te maquiar e te deixar maravilhosa. – Finalizou dando um aperto de leve na bochecha direita da amiga e caminhou para fora do banheiro.
— Como assim, uma das mais aguardadas? – Perguntou repentinamente observando-a curiosamente. Tentava entender qual a loucura inventada para o evento dessa vez.
— Toda a equipe está vestindo um figurino dos clipes da Katy. – Respondeu com uma expressão animada enquanto fechava a porta atrás de si para dar privacidade para a amiga trocar de roupa.
— Você é um gênio! – Elogiou encantada com a ideia enquanto se concentrava em trocar de roupa.
Agora, lá estava ela prestes a se tornar uma versão da Katy Perry – maravilhosa – e que teria que desfilar por toda a festa, servindo comes e bebes para milhares de convidados. Só esperava ser capaz de equilibrar uma bandeja enquanto caminhava usando saltos daquele tamanho.
Fingia acreditar que em algum momento da sua vida seria capaz de negar um pedido – ordem – de Sunshine.
Quem sabe.

☕☕☕☕

Nos últimos meses, a vida tinha ensinado uma importante lição para o Robert: dê valor aos seus amigos.
E era exatamente isso que estava fazendo naquela noite. Havia se esforçado para deixar a melancolia de lado, ignorando a vontade de apenas ir para casa e tomar uma boa cerveja ao som da sua banda favorita. Ficaria a noite toda se remoendo sobre os seus erros, se perguntando onde estaria sua ex naquele momento e se estaria sentindo a falta dele também.
Mas, a amizade de anos com Katy lhe obrigou a sair do set de filmagens direto para a festa de aniversário. Orlando Bloom havia feito o inesperado pedido de casamento e agora, ambos estavam radiantes e ele não poderia deixar de estar com os amigos num momento tão importante.
Por isso, naquela noite escolheram o Chateau Marmont como o local para a dupla comemoração: aniversário de trinta e quatro anos e o noivado.
— Pensou na minha proposta? - Perguntou Orlando enquanto segurava a sua dose de uísque, uma de suas mãos descansavam escondida em seu bolso da calça.
Robert sorriu levemente com o canto esquerdo da boca, sem exibir seus dentes e deu de ombros enquanto tomava um grande gole da sua cerveja.
— Não vem com essa! Você sabe que é perfeito para o papel! - Repreendeu num tom de indignação, mas os seus olhos revelavam o divertimento.
— Pretendo tirar férias assim que terminar as gravações. - Revelou Rob antes de tomar mais um gole de sua bebida.
— Ainda temos algum tempo até o prazo da produção. Você conseguiria suas férias e depois, já voltaria gravando.
Robert suspirou enquanto considerava a ideia.
Observou Orlando cumprimentar um casal, falar algo e se despedir deles. Tocava uma música eletrônica bem animada e quando olhava na direção atrás do homem, podia ver Katy e outros vários convidados dançando, rindo e bebendo enquanto garçonetes passavam fantasiadas com as roupas dos clipes da aniversariante. Estavam na área da piscina do hotel que era gramado, luzes ambiente, plantas e uma enorme piscina que ficava no meio do lugar. Todos estavam ao redor ou na varanda que era repleta de sofás, mesas e cadeiras.
— E então? - Questionou novamente pela falta de resposta do amigo.
— Vou pensar no seu caso e... - Falou, mas foi interrompido ao ouvir um grito feminino muito próximo de si acompanhado de som de vidro estilhaçado. Em seguida, sentiu o impacto de um peso sobre suas costas e o líquido gelado que escorreu da sua nuca por dentro da sua jaqueta preta. Precisou segurar rapidamente em um dos ombros de Orlando com a mão que estava livre, para evitar que caísse para frente. Quando olhou para o amigo só pôde ver a expressão de susto.
— Caral... - Interrompeu o xingamento ao se virar e constatar que havia uma mulher esparramada de bruços na grama. A bandeja e as taças estavam próximas, algumas taças quebradas e se mexia tentando levantar. O DJ havia interrompido a música, todos estavam sem reação enquanto a mulher tentava se levantar usando botas de couro vermelha de saltos enormes. Orlando foi o primeiro a reagir, fazendo com que Robert também reagisse. Ambos se agacharam e suspenderam a mulher pelos antebraços. Ela soltou um gemido de dor enquanto a franja da peruca estava quase tampando sua boca, impedindo que revelasse seu rosto.
— Acho que vai precisar levar alguns pontos. - Constatou Orlando ao ver sangue escorrendo da lateral do pulso até o cotovelo do braço esquerdo.
Ambos soltaram ela, permitindo que acertasse sua peruca preta no lugar que era o corte que Katy costumava usar. Pôde observar com mais atenção a roupa que vestia e era uma das roupas do clipe de California Gurls.
— Você está bem, é...? - Perguntou Katy num tom preocupado enquanto queria saber o nome da mulher.
Ela ajeitou sua peruca na cabeça que ficou um pouco mais torta para o lado direito, permitindo que olhasse o rosto melhor e não conseguiu evitar arregalar seus olhos por tamanha surpresa ao reconhecer.
?! - Soltou Robert num tom de surpresa.
Ela se virou na direção dele, seus olhos quase saltaram do rosto que estava vermelho e pôde ver que tinha prendido o lábio inferior entre os dentes.
! Você está bem? - Perguntou uma mulher que estava vestida com uma roupa social preta e sua expressão era de extrema preocupação.
Ela apenas confirmou com um movimento de cabeça e parecendo perdida, tentou se agachar para recolher a bagunça.
No mesmo instante, Robert, Katy, Orlando e a mulher que Rob descobriu se chamar Sunshine disseram ao mesmo tempo para não se preocupar, tentando ampará-la e levá-la para dentro. Ela parecendo atordoada, seguiu com eles até a área dos funcionários. Antes, Sunshine pediu que o DJ continuasse a festa e vários convidados soltaram exclamações de pena e preocupação sobre a cena que presenciaram.

☕☕☕☕

Robert ficou preocupado com ao ver seu estado mais claramente, pois a sala estava mais iluminada do que o lado de fora. Os seus joelhos estavam arranhados, sangue ainda escorria do seu braço e seu rosto estava vermelho, mas, partiu seu coração vê-la com os olhos cheios de lágrimas e uma expressão de vergonha. Ela já tinha tirado a peruca da cabeça, exibindo seu cabelo castanho preso na nuca. Parecia não ter coragem de encarar as pessoas que estavam em pé na sua frente, com expressões de pena. Passou a encarar o chão.
— Não precisa, Katy! - Falou Sunshine num tom doce enquanto impedia a mulher de se agachar para ajudar a retirar as enormes botas vermelhas dos pés da jovem.
— Eu insisto em ajudar! - Insistiu se agachando ao lado da mulher, fazendo com que se desse por vencida.
reagiu agitada enquanto chacoalhava a cabeça negando. Finalmente, libertou o lábio inferior que estava com um pequeno corte e respirou fundo, numa tentativa de segurar o choro.
— Por favor, não precisam se preocupar! Estou bem! Você precisa voltar para a sua festa, Katy! - Disse num tom controlado, mas seus olhos denunciavam seus verdadeiros sentimentos e Robert percebeu isso.
— A culpa foi minha. - Confessou tristemente.
deixou transparecer desespero enquanto se inclinava na direção da mulher que estava agachada à sua frente, segurando suas mãos.
— Não! Jamais! Eu que pisei em falso com esses saltos enormes! - Falou soltando uma risadinha enquanto exibia um de seus pés calçados com aquela plataforma enorme na cor vermelha brilhante.
Katy encarou-a com uma expressão triste.
— Ela tem razão, Katy! - Concordou Sunshine num tom doce enquanto colocava uma das mãos no ombro da mulher, demonstrando apoio.
Katy suspirou derrotada.
— Você precisa pelo menos levar pontos nesse machucado!
— Vou levá-la ao hospital hoje ainda! -
— Não precisa! Não vou atrapalhar a noite de vocês! - Protestou desesperada ainda segurando as mãos de Katy.
Robert e Orlando observavam toda a cena. Percebeu que o amigo encarava de uma forma muito esquisita.
— Você só vai atrapalhar, caso queira morrer por perda de sangue! - Soltou Sunshine num tom sério.
Robert soltou uma risadinha com o comentário dramático, fazendo com que as três mulheres o encarassem seriamente e obrigando-o a fazer cara de paisagem.
— Katy, volte para curtir sua noite! E eu cuido da . - Finalizou Sunshine enquanto descalçava a amiga.
— Concordo com a Sunshine, meu amor. A jovem vai ficar bem! - Pronunciou-se Orlando pela primeira vez, ajudando Katy a se levantar e dando um beijo em sua testa. Lançou um olhar esquisito na direção da jovem que percebeu, assim como Robert.
Katy suspirou derrotada e virou-se na direção da mulher.
— Me desculpe! Mil desculpas! - Pediu Katy num tom triste enquanto se aproximava e dava um beijo na bochecha direita da jovem.
— Relaxa! Estou ótima! - Tranquilizou-a e riu.
Katy voltou sua atenção para Robert que havia retirado sua jaqueta de couro e estava apenas com uma camisa cinza.
— Rob, você precisa se trocar! Está fedendo a álcool! - Declarou implicante enquanto fazia uma careta de nojo para o amigo.
Ele revirou os olhos e depois riu levemente com o comentário.
— Vou buscar suas coisas, ! - Disse Sunshine saindo rapidamente do local.
fechou os olhos e respirou fundo.
— Acho que é uma ótima oportunidade para ir para casa. - Declarou Robert tentando encontrar a deixa perfeita para ir embora.
— Nem pensar! A noite está só começando! Orlando pode te emprestar uma camisa, não é?
Orlando concordou.
Robert se preparou para protestar, mas o olhar sério de Katy deixou bem claro quem ganharia aquela discussão. Ele suspirou dando-se por vencido enquanto seguia Orlando, mas antes foi capaz de ver a expressão convencida de Katy.

☕☕☕☕

Orlando destrancou a porta de madeira branca do quarto, entrando e acendendo as luzes da enorme suíte. Sentiu uma tristeza lhe invadir ao ver o caminho de pétalas que seguia pela pequena ante sala até uma outra porta.
— Cuidado com as pétalas. É uma surpresa para Katy. - Alertou Orlando sorrindo bobamente enquanto seguia até a tal porta, abrindo-a e entrando.
Robert tomou cuidado para pisar apenas nas partes seguras do piso, não queria ser responsável por estragar a surpresa da melhor amiga. Mas não conseguiu evitar a melancolia que lhe invadiu o peito ver todo aquele romance explícito. Permaneceu de pé próximo a uma poltrona enquanto ouvia o amigo mexendo em algo.
Minutos depois, ele retornou para a ante sala com uma camisa preta nas mãos.
— Caprichou mesmo! - Elogiou Robert enquanto gesticulava apontando para as velas e as pétalas de rosas.
Orlando sorriu envergonhado, atirando a camisa em sua direção que apanhou-a facilmente.
— Isso se chama amor.
— É, sei bem como é - Comentou demonstrando a tristeza em sua expressão.
Ambos ficaram se encarando por alguns instantes sem dizer nada, algo incomum para Orlando já que o mesmo dificilmente vivia de boca fechada por um minuto inteiro.
— O que foi, Orlando? - Perguntou desconfiado.
Ele pareceu ponderar o que ia dizer, mas suspirou derrotado.
— Onde conheceu aquela tal de ?
Robert encarou-o com uma expressão de confusão.
— Ah! trabalha no café que costumo frequentar. Um lugar muito bom! - Respondeu dando de ombros enquanto trocava sua camisa molhada pela emprestada.
— Entendi. Então, ela não é atriz. - Concluiu com uma expressão de decepção.
— Caramba! Você não esquece esse filme por um segundo! - Constatou Robert num tom de divertimento enquanto observava a expressão de culpa do amigo.
— Não consigo! É o meu maior sonho, Rob!
— Eu sei, cara! Relaxa!
Robert se aproximou, descansando uma de suas mãos no ombro do amigo num gesto que demonstrava apoio.
— Quando vi aquele rosto só conseguia pensar na minha Penélope! Parecia que tinha criado vida bem na minha frente! - Confessou soltando uma risada enquanto passava uma de suas mãos pelo cabelo, depois descansou-as em sua cintura.
Robert gargalhou achando graça da fixação do amigo pelo tão sonhado filme.
— Ela é atriz, Orlando. E está há anos tentando conseguir um papel...
Ao ouvir as palavras do amigo, felicidade dominou o seu rosto.
— Então, meu caro amigo, ela já conseguiu! - Declarou convicto enquanto seguia alegremente para a porta, numa tentativa de sair dali e ir falar com a jovem.
— Aonde você vai? - Perguntou Rob confuso ao ver o amigo se adiantar em direção à saída.
Orlando parou com a porta na maçaneta e virou-se na direção do rapaz.
— Falar com ela! Não vou conseguir curtir a noite sem antes resolver isso!
— Não acha melhor conversar com ela em outro momento? Ela parecia prestes a explodir com tudo que aconteceu. - Robert sugeriu enquanto seguia até ao amigo.
Orlando pareceu ponderar a sugestão, soltando um suspiro derrotado.
— Tudo bem... Só me passe o contato dela.
— Eu não tenho!
— Como assim? Você é amigo da menina e não tem o número dela?
Robert encarou-o indignado.
— Nós não somos amigos... Ela é apenas uma fã que trabalha na minha cafeteria.
— Então só me passa depois o endereço que irei atrás dela. - Finalizou dando de ombros. E continuou ao se lembrar de algo: - Não esquece de me dizer qual dia iremos fazer o seu teste!
— Meu teste? - Perguntou confuso.
— Sim! Preciso ter certeza que você pode ser o Dean... - Respondeu ao abrir a porta novamente e parar no corredor enquanto esperava Robert fazer o mesmo.
— Ué, mas o papel já não era meu? -
— Bom, agora que tenho a Penélope vou precisar ter certeza da química de vocês. Já estou cogitando outros atores, caso você não sirva... - Explicou Orlando num tom tranquilo enquanto seus olhos denunciavam a diversão que estava sentindo ao ver a expressão de incredulidade do amigo.
— Agora é assim? Passa meses dizendo que sou o seu Dean...
Orlando interrompe o amigo: - de Penélope, não meu. - um sorriso implicante no rosto.
Robert revira os olhos e continua: - Que seja! - Desiste dando de ombros.
Orlando tranca a porta e seguem juntos para o elevador, ambos riem da situação.

☕☕☕☕

— Nunca mais quero usar salto! - Comentou indignada enquanto fazia caretas ao sentir a ardência do álcool em seu ferimento no braço.
Sunshine estava sentada em uma cadeira na sua frente enquanto segurava o pulso do braço estendido em sua direção. Enquanto cobria o ferimento com a atadura. já não vestia mais a fantasia, principalmente, as botas assassinas. Não tinha mais vontade de chorar pela dor da queda e da humilhação de todos os convidados terem presenciado o seu tombo, principalmente Robert que parecia só estar presente em momentos que a jovem passava vergonha.
O pior de tudo foi ter interrompido a festa de aniversário da - fada - maravilhosa da Katy Perry e que se mostrou ser um amorzinho ao ficar preocupada com o estado dela. Cat e enlouqueceriam ao saber de todos os detalhes daquela noite.
Pôde perceber que ao contrário de Katy, o Orlando pareceu não gostar da situação e os seus olhares esquisitos demonstravam isso.
— Nunca mais? Dificilmente, se você pensa em frequentar as premiações ou você acha que vou te deixar andar de tênis com aqueles vestidos maravilhosos? - Perguntou Sunshine revirando os olhos, finalizando o curativo.
riu, mas parou abruptamente ao ver Robert entrar na sala.
Observou atentamente aquele rosto bonito que era obrigada a ver todas as manhãs e sentiu a vergonha lhe dominar ao vê-lo vestindo outra camisa já que ela foi responsável por deixá-lo encharcado.
— Melhorou? - Perguntou num tom educado enquanto parava próximo a elas, suas mãos dentro dos bolsos de sua calça jeans cinza que parecia combinar muito mais com aquela camisa preta.
confirmou com um gesto de cabeça.
— E não vai precisar levar pontos, foi bem superficial. Achei que ela ia morrer de tanto pavor em levar alguns pontinhos… - Revelou Sunshine querendo deixar a amiga mais envergonhada ainda enquanto olhava inocentemente na direção dela que lhe lançou um olhar matador que foi lindamente ignorado.
Robert riu.
— Medo de agulha? Sério, ?
Ela deu de ombros, incapaz de dizer uma palavra.
Sunshine se levantou, pegou a maleta e saiu rapidamente, deixando-os sozinhos por alguns instantes.
Ambos se encararam em silêncio.
— Ah! Lembrei que precisava falar com você! - Disse ele tirando uma das mãos do bolso e passando pelo cabelo - uma mania que adorava e que diversas vezes imaginou poder acariciar e descobrir a textura daqueles fios claros.
— Sobre? - Perguntou tentando disfarçar a curiosidade.
— A visita ao set! Fui até a cafeteria te procurar para avisar, mas você estava de folga. Consegui marcar para amanhã de manhã! Queria saber se vão mesmo.. - Falou sorrindo sem jeito.
— Ah sim! Cat vai sim, com toda certeza ou ela me mataria se eu impedisse! - Brincou soltando uma risada enquanto pegava o celular e digitava rapidamente uma mensagem para a caçula avisando que a visita seria no dia seguinte.
— Onde posso pegar vocês?
— Cat vai estar te esperando no café, pode ser? - Perguntou.
Robert ficou confuso com a resposta e a jovem percebeu, resolvendo explicar.
— Infelizmente, não posso ir. Preciso cobrir a folga de . - Falou dando de ombros.
Ele não precisava saber que ela estava magoada de nunca ter sido convidada para uma visita ao set, já que sabia há anos que era sua maior fã.
— Ah, tudo bem. Quem sabe numa próxima, né? - Perguntou ele passando a mão novamente no cabelo.
forçou um sorriso em resposta.
— Combinado. Amanhã, então. -
— Até amanhã - Despediu-se ele, piscando para ela enquanto sorria de lado e virou-se em direção a saída.
— Até - Disse em resposta enquanto soltava um suspiro bobo.
Assim que Sunshine retornou, encarou a amiga com uma expressão confusa.
— Está tudo bem? Parece que vai vomitar!
riu.
— Só se for de amor.


Capítulo 08 – Dias Ruins

Arriscar e coragem andam de mãos dadas, uma dando suporte a outra. Quando uma precisa da outra, estendem suas mãozinhas e seguem adiante, não importa se é apenas uma decisão simples, como escolher um novo sabor do suco que você costuma tomar todas as manhãs ou até mesmo, deixar a vida que você conhece desde bebê para realizar o seu grande sonho - e que você nem tem a noção se realmente vai dar certo.
A grande questão é que tinha plena consciência que ainda levaria um bom tempo até se acostumar com as consequências, mas saber não significa que conseguiria. Cada dia parecia ser mais difícil que o outro, apagando uma vela atrás da outra, tornando mais fraca a sua força em permanecer firme no caminho que escolhera para si. E parecia que quando se lembrava da sua família, tudo se tornava mil vezes mais complicado do que antes, pois era tão mais fácil fingir que seus pais torciam por ela. Lembrar que no dia seguinte estaria frente a frente com seus pais para entregar a fujona da sua irmã caçula, abalava as suas estruturas de uma forma que nem mesmo os acontecimentos da noite anterior poderiam distraí-la.
— Maninha? - A caçula chamou-a num tom doce.
caminhou até o caixa de , guardando o giz que usara momentos antes para escrever as promoções do dia. Respirou fundo, tentando se acalmar enquanto vestia seu avental preto. Ao menos sua rotina no café acalmava um pouco os seus nervos.
— Hum. - Resmungou em resposta enquanto organizava o balcão e a estufa onde guardaria os doces, salgados e pães.
Conhecia sua irmãzinha o suficientemente bem para saber que estava querendo pedir alguma coisa e que a probabilidade de receber um “não” seriam quase nulas.
— Já que amanhã vou voltar para casa, pensei que seria legal ter uma despedida… - Sugeriu dando de ombros enquanto mexia no celular em suas mãos, ocupava uma cadeira próxima ao balcão e suas pernas descansavam em outra a sua frente.
— Tira os pés da cadeira! - Repreendeu atirando um pano de prato em sua direção que foi direto ao chão, próximo a mais nova.
Catherine se esforçou ao máximo para não revirar os olhos, sussurrando apenas desculpas enquanto colocava os pés no chão.
— Podemos fazer uma despedida? - Perguntou insistente enquanto observava a mais velha fingir que estava concentrada demais em limpar o balcão para escutá-la.
? - Chamou-a.
A irmã pegou a bandeja, enchendo-a de guardanapos, sachês de açúcar, sal e adoçante, partindo em retirada para a fileira de mesas mais próximas.
? -
— Não. - Respondeu curta e grossa, torcendo infinitamente para que não houvesse questionamentos.
— Por quê? - Perguntou indignada enquanto se levantava da cadeira e seguia até a mulher, cruzou os braços enquanto a observava.
— Estou cansada e vou precisar acordar mega cedo para te levar.
— Mas quem disse que vai ser até de madrugada? Seria só uma saída em algum pub com o pessoal e depois, partiu cama.
parou o que estava fazendo e virou para encará-la, com uma expressão de deboche.
— Até parece! Você não conhece o pessoal quando se trata de saídas, já perdi as contas das vezes em que viemos trabalhar virados.
— Você já trabalhou virada? - Cat perguntou incrédula.
— Diversas vezes. - riu, voltando sua atenção para a mesa.
— Ah, se mamãe soubesse!
enrijeceu na hora ao ser lembrada de alguém que estava lutando para não pensar.
— E então? Não acha que mereço uma despedida? - Perguntou forçando uma expressão fofa.
— Será que preciso te lembrar que você fugiu de casa no meio da noite e veio parar em Los Angeles sozinha? Uma menor de idade! Poderia ter causado um problemão para os nossos pais, caso te pegassem por aí! - Falou seriamente enquanto abastecia a próxima mesa.
Catherine suspirou derrotada.
— Eu sei! E só não digo que me arrependo, porque realmente estou feliz em estar com você! - Confessou num tom emocionado enquanto observava a expressão da mais velha mudar para algo mais próximo do emotivo.
— Ah, conta outra! Está mais feliz por estar amiguinha do Robert! - Debochou forçando um sorriso que mais saiu como uma careta enquanto seus olhos brilhavam pelas lágrimas que já queriam escapar por seu rosto.
Catherine riu.
— Nada a ver, maninha! -
— Eu te amo, Cat. Sério! - Declarou deixando a bandeja na mesa e dando um abraço apertado, repentino na caçula. Fechou os olhos e deixou algumas lágrimas escorrerem por suas bochechas. Sentiu o corte do braço pinicar por baixo da atadura e das trocentas camadas de merthiolate.
— Eu também te amo! Muito!
Ficaram mais alguns minutos abraçadas, até que ambas se afastaram secando as lágrimas e fungando.
— E então? Vai rolar a despedida? - Perguntou com um sorriso travesso enquanto secava mais algumas lágrimas.
fez uma cara pensativa, mas abriu um sorriso debochado em seguida.
— Só porque disse que me ama.
Ambas riram.


☕☕☕☕☕


— Que horas mesmo ele viria me buscar? - Perguntou Cat num tom entediado enquanto estava apoiada em um dos lados do balcão.
A cafeteria já estava funcionando a todo vapor naquela manhã ensolarada, parecia que todos acordaram desejando um bom gole de café.
— Ele disse de manhã. - Respondeu ao se aproximar com a bandeja vazia, após servir um dos clientes.
— De manhã, mas que horas? - Perguntou num tom irônico.
revirou os olhos, dando de ombros.
— Mas já são onze horas da manhã! - Retrucou indignada.
— Estrelinhas não acordam cedo, meu amor. - Falou debochadamente enquanto dava um aperto na bochecha da mais jovem e seguia direto para cozinha, onde Enrico estava concentrado em preparar todos os pedidos.
Catherine bufou irritada.
— O Pattinson não costuma aparecer tão tarde, pode ter perdido a hora. - Murmurou enquanto se aproximava da irmã da amiga e dava de ombros.
— Provavelmente. Eu só cheguei cedo da festa, porque me machuquei.
— Falando assim, nem parece que foi para trabalhar. - Implicou fazendo com que respondesse mostrando a língua, rindo em seguida.
— Lá vem ele! - Anunciou Cat aliviada enquanto ajeitava o cabelo que estava solto e bem arrumado, pegava sua bolsa marrom e observava o homem que estava prestes a atravessar a rua para entrar na cafeteria.
— Ih, está de mau humor! - Declarou sabiamente, afinal, via o homem quase todo dia.
Quando o Robert entrou no café, era perceptível que estava exalando mau humor. Vestia preto da cabeça aos pés, do boné aos sapatos. Os olhos que amava admirar e que costumava revelar o ânimo do ator estavam escondidos - mais um dia - pelas lentes escuras.
— Odeio gente mal-humorada! - Falou Cat irritada e revirando os olhos.
segurou a vontade de rir da cara da caçula, era perceptível como estava ansiosa para a tal visita ao set.
— Vai se acostumando, docinho. Estrelinhas vivem assim! - Falou repentinamente num tom debochado enquanto passava com uma bandeja repleta de copos de café e pães, seguindo até uma mesa ocupada por um homem e duas mulheres.
— Você não vai ficar assim, né mana? - Perguntou Cat num tom preocupado enquanto observava Robert se aproximar do balcão.
negou com um gesto de cabeça enquanto cumprimentava Rob juntamente com .
— Deixa eu adivinhar… café forte! Ah, e um donut! - Falou rapidamente antes que Robert pudesse fazer o seu pedido.
Ele bufou irritado, tocando a testa com o dedo indicador e médio e fechou os olhos por alguns segundos.
— Só o café mesmo. - Respondeu seco ao deixar o braço pender ao lado do corpo e encarar com uma expressão séria.
— Você que manda! - E seguiu para o bule mais próximo, enchendo uma xícara.
— É para a viagem! - Disse ele seco e aparentando impaciência em sua voz.
confirmou com um gesto de cabeça, pegando o copo que era específico para os clientes levarem.
— Ei! Não fale assim com a minha irmã! - Repreende Cat que estava com uma expressão séria. A reação dela pegou todos de surpresa, inclusive , que parou repentinamente e quase derramou café quente em si mesma.
Robert encarou-a erguendo uma de suas sobrancelhas.
— Calma, Cat! Está tudo bem! - Falou tentando forçar uma expressão de normalidade enquanto sua vontade era gargalhar até a barriga doer.
Catherine estava com uma expressão irritada enquanto os braços estavam cruzados na frente do corpo. Estava de pé frente a frente ao ator que não havia aberto a boca novamente.
Ele bufou achando graça e olhou na direção de .
— Desculpa! Não foi minha intenção… - Tentou se desculpar num tom mais ameno.
— Mas, fez! - Interrompeu Cat num tom acusatório.
Os clientes que ocupavam a mesa observavam toda a cena enquanto e tentavam aparentar normalidade para evitar chamar atenção.
— Está tudo bem! Sério! - Falou forçando um sorriso, mas no fundo tinha adorado a forma que sua irmã agiu, defendendo-a. Estendeu o copo na direção do homem, ele pegou e voltou sua atenção para a caçula.
— Vamos?
— Não! - Respondeu curta e grossa.
Robert encarou-a com a sobrancelha esquerda arqueada.
— Como assim, Cat? Você quer muito ir! - Falou confusa.
— Não posso sair com um cara que maltrata as pessoas, só porque está de mau humor! -
A boca de e estavam escancaradas num imenso ‘O’ enquanto observavam a jovem.
— Essa é das minhas! - Falou num tom animado enquanto cruzava os braços, apoiava as costas no balcão e observava toda a cena.
observou que alguns clientes pegavam seus celulares e começavam a gravar a cena, o desespero lhe abateu.
— É… - Tentou agir, mas ficou sem reação enquanto Cat estava numa posição irredutível e Robert parecia irritado com a situação. Ele deu uma breve olhada para os clientes e constatou o mesmo que .
— Tudo bem, então! Achei que iria me divertir um pouco, mas pelo visto o dia hoje está uma merda! - Falou ele dando de ombros, seguiu em direção ao caixa, mas parou ao se recordar de algo.
— A promoção ainda está valendo? - Perguntou ele levantando o copo quase na altura da sua cabeça, para indicar o assunto.
confirmou com um gesto de cabeça.
— Que promoção? - Perguntou num tom de confusão, assim como sua expressão enquanto observava a cena feito uma águia.
— Ah… você sabe… - Tentou se explicar, mas gaguejava sem saber o que dizer.
— O Robert ganhou uma promoção de trinta dias de café grátis. Foi mês passado, lembra? - Falou num tom dissimulado enquanto encarava a que agora, tinha uma expressão bem atenta a toda a situação.
— Não me lembro de promoção alguma… - Ela comentou num tom falso de confusão.
se aproximou da caçula, ignorando totalmente o problemão que estava prestes a gerar sua demissão.
— O que você tem? - Perguntou baixinho para a irmã que quase fuzilava Robert com o olhar.
— Não acho justo ele te tratar daquela forma. Você estava apenas fazendo o seu trabalho! - Falou num tom indignado ainda sem tirar os olhos do homem.
sorriu achando graça a reação da irmã.
— Já estou acostumada, além do mais, ele não é o único que às vezes age assim! Já perdi as contas de quantas vezes, isso aconteceu com outros clientes! Pensei que você soubesse como é lidar com clientes… -
— Nunca fizeram isso na pizzaria!
— As pessoas de lá são diferentes, Cat! -
— São pessoas, ! E nem por isso fazem isso. - Falou num tom irritado.
— Foi a primeira vez que o Robert me tratou assim e ele não parece bem! Não que justifique, mas ele teve uns meses bem pesados. Dá um desconto dessa vez. - Pediu num tom tranquilo enquanto observava tentando convencer sobre a promoção falsa.
Sabia que se Robert fosse uma pessoa ruim, ela não teria movido uma palha para tentar ajudá-lo com essa ideia louca de promoção. Ninguém é de ferro e também, já teve momentos em que ela mesma atendeu um cliente de um jeito mais seco ou até mesmo, lidou com outras pessoas da mesma forma, mas não por mal.
— Tem certeza que não vai? - Perguntou ele num tom sério, mas pela forma que franzia a testa, tinha certeza que ele estava arrependido do que tinha acontecido.
olhou para a irmã com uma expressão tranquila.
Catherine pareceu pensar por alguns segundos, e finalmente suspirou derrotada.
— Tudo bem! Só quero esclarecer que se você maltratar mais alguém, eu mesma vou chutar essa sua bunda branca tão forte que você vai parar na Inglaterra!
Robert abriu e fechou a boca, procurando palavras para responder a petulância da jovem, mas apenas optou por rir e tentar aliviar aquela aura pesada que estava o sufocando desde que levantou da cama naquela manhã.
riu.
— Então, o café continua sendo de graça, né? - Robert perguntou tomando um gole, sentindo o amargo tranquilizador dominar seu paladar.
— Sim, pode ficar tranquilo! - Disse forçando um sorriso, mas suas mãos estavam frias de nervosismo.
— Vou ter que falar com o Joey sobre ele deixar você fazer promoções só para os seus clientes! - Reclamou num tom indignado.
— Muito obrigado, então… E desculpa! Desculpa! - Falou ele num tom envergonhado enquanto seguia acompanhado por Catherine para fora do café.
Assim que eles sumiram de vista, soltou o ar dos pulmões e se apoiou no balcão.
— Você tem certeza que o Joey sabe sobre essa promoção, né? - Perguntou num tom sério enquanto olhava para .
sabia que se respondesse, iria vacilar, optou apenas por confirmar por um gesto de cabeça.
fingiu acreditar e seguiu para a cozinha. Enrico estava da porta da cozinha, acompanhando toda a confusão. Tinha seu característico sorriso estonteante estampado em seu rosto.
— Não posso deixar vocês um minuto que o pandemônio se instala! - Provocou ele enquanto gargalhava antes de retornar para a cozinha.
— Quando acaba essa promoção, ? - Sussurrou num tom preocupado enquanto se aproximava da amiga, observou se estava por perto.
— Desculpa por aquela hora, fiquei sem saber o que dizer!
— Não podemos continuar com isso! A não acreditou muito e se o Joey descobrir, vai nos matar! Pode até te demitir! - Falou num tom sério enquanto encarava a amiga no fundo dos olhos.
— Eu sei, eu sei! Só não sei o que fazer! - Confessou num sussurro desesperado.
— Acabar com isso!
estava completamente lascada e pior, não queria que Joey e muito menos Robert soubessem da verdade.


☕☕☕☕☕


— Não acredito que o Joey deixou ela fazer isso! Sempre deixam ela mandar como se fosse dona da cafeteria! - Reclamou indignada enquanto estava apoiada no balcão branco da cozinha, os braços cruzados enquanto observava Enrico preparar a massa dos pães da fornada da tarde.
O rapaz estava com uma bela expressão de concentração enquanto suas mãos morenas sujas de trigo, faziam movimentos hábeis.
— Cara, eu realmente nunca entendi até hoje o motivo de você odiar tanto a ! - Ele falou secando o suor da testa com o antebraço antes de lançar um olhar rápido na direção da namorada.
foi a terceira mulher que ele realmente amou, depois da sua mãe e de uma outra pessoa. Sabia que ela tinha os seus surtos bobos, conseguia ser cruel quase boa parte do tempo, mas quando estavam juntos se mostrava ser alguém totalmente diferente. Não conseguia julgá-la, pois sabia como o mundo era difícil para aqueles que tinham bom coração e ela tinha um, bem lascado, mas que se protegia da forma que achava melhor.
— Ela vive me estressando! Decide tudo aqui dentro sem ao menos perguntar ao Joey que é o dono! Faz e acontece sem ninguém questionar nada! - Falou num tom irritado enquanto bufava.
— Já te expliquei que o Joey confia nela por ser uma das antigas.
— Mas você chegou primeiro que ela.
Enrico riu.
— Ela é bem mais responsável que eu.
— Você é responsável! - Rebateu num tom óbvio.
— No passado, não. - Lembrou-a.
— Mas não deveria ser motivo para o Joey não confiar a cafeteria nas suas mãos ou te deixar fazer o que quiser.
Enrico suspirou entediado.
, eu não me importo com isso. A faz um trabalho ótimo e que com toda certeza eu não conseguiria fazer! Eu errei no passado e estou colhendo os frutos disso. O Joey gosta de mim, de todos nós da mesma forma e confia em nós. - Falou num tom calmo enquanto colocava as duas mãos nos antebraços da namorada, sujando-a de trigo.
Ela suspirou e sorriu, roubando um selinho.
— Você é impossível! - Ele disse rindo enquanto dava uma leve mordidinha na orelha dela e se afastava para voltar ao trabalho.
— Mesmo assim, acho tudo muito injusto! - Resmungou enquanto limpava o trigo do seu corpo.
— Olha, acho que já passou da hora de conversar abertamente com a . Resolver tudo isso, antes que você vá embora! Vocês são amigas! - Falou ele alternando sua atenção entre a namorada e a modelagem que fazia na massa.
revirou os olhos achando graça.
— Não somos amigas.
Enrico suspirou e deu de ombros, entediado por sempre ouvir a mesma resposta ridícula.
— Vocês mulheres complicam tudo. Só convidar para tomar uma cerveja bem gelada, abrir o coração e pronto! Melhores amigas para sempre! - Ele disse num tom zombeteiro enquanto colocava os pães na assadeira.
— Isso pode funcionar no mundo dos homens, mas no das mulheres é totalmente diferente, mais complexo. - Explicou ela empinando o nariz numa expressão superior.
Enrico achou graça.
— É mais chato, isso sim!
bufou.
— Sério! Só tenta resolver as coisas entre vocês. - Pediu enquanto exibia o seu sorriso mais bonito e que sabia que mexia com as barreiras da namorada, nem sua teimosia que costumava dar muito trabalho conseguia resistir.
Ela revirou os olhos e bufou derrotada.
— Tudo bem!
— Isso! Sabia que ia aceitar! - Comemorou ele num tom convencido antes de dar um beijo estalado em sua bochecha enquanto seguia até o forno, colocando os pães para assar.
— Mas, com uma condição!
Enrico revirou os olhos, fechou o forno e virou na direção da mesma, com um sorriso forçado.
— Qual?
— Vou confirmar antes com o Joey sobre essa promoção maluca! Se for mentira dela, ele vai ter que fazer alguma coisa! - Falou num tom decidido enquanto arqueava uma de suas sobrancelhas.
Enrico bufou entediado enquanto recolhia a louça suja.


☕☕☕☕☕


adorava ter dinheiro, amava a sensação maravilhosa ao comprar toda comida gostosa que desse vontade ou uma blusinha que havia morrido de amores à primeira vista, somente quando era o seu. Depois que passou a trabalhar como caixa na cafeteria do Joey, fez a triste descoberta que cuidar do dinheiro dos outros era muito chato. Não poderia vacilar no controle do caixa, deveria sempre ter o troco disponível para o cliente que gostava de aparecer com uma nota de cinquenta dólares de manhã cedinho para pagar uma xícara de café - vacilo puro - e estar sempre abastecida com elásticos. E os elásticos eram o motivo da sua ida ao estoque já que não encontrava para solicitar um saquinho dos bonitinhos.
E ela detestava ir ao estoque, principalmente, por achar que toda vez que entrasse lá ficaria presa junto com alguma alma penada que resolvesse assombrá-la.
Mas havia sido a primeira vez em que ao abrir a porta do lugar que estava escuro achou que seria atacada por algum rato. Conseguia ouvir um barulhinho bem irritante, um chiadinho que pausava e continuava.
Pensou se realmente estava tão necessitada em usar os elásticos enquanto segurava a maçaneta, encarando o ambiente escuro que era repleto de prateleiras de metal cinza que estavam abastecidas com todos os materiais que garantiam o funcionamento da cafeteria.
Sabia que se deixasse os elásticos de lado teria mais trabalho em fechar o caixa no final do expediente ou apenas poderia pedir ao Enrico para pegar, sem avisar do rato é claro. Só que tinha e não estava a fim de receber uma fuzilada ao estar a menos de um metro de distância do namoradinho dela.
Suspirou derrotada.
Começou a tatear a parede em busca do interruptor. O barulhinho irritante e persistente não dava trégua. Finalmente encontrou o botão e acendeu a luz, piscou diversas vezes tentando acostumar a visão com a luminosidade repentina.
— Merda, ! - Reagiu com o coração à mil ao tomar um baita de um susto ao ver uma encolhida no chão, os braços envolvendo as pernas e o seu rosto vermelho feito um pimentão, lágrimas escorrendo por seu rosto.
A amiga encarou-a fungando e secou as lágrimas rapidamente, tentando esconder que estava chorando.
— Era você que estava fazendo esse barulhinho? - Perguntou com uma expressão risonha enquanto se aproximava da amiga.
secou as lágrimas e forçou um sorriso.
— É a minha alergia a esse estoque. - Mentiu inutilmente enquanto se levantava e limpava a parte traseira da sua calça preta com as mãos.
bufou.
— Já te disseram que você chora igual um ratinho? Deu sorte que não peguei uma vassoura! - Brincou tentando aliviar a expressão triste da amiga.
revirou os olhos e secou os últimos resquícios das lágrimas.
suspirou e se aproximou da amiga que pegou novamente o caderninho do estoque e começou a cutucar a prateleira.
— O que houve? - Perguntou cruzando os braços na frente do corpo ao se aproximar da amiga enquanto observava a mesma anotar algumas coisas.
fingiu estar concentrada demais para responder.
A amiga deu algumas batidinhas com o pé direito no chão, impaciente.
suspirou derrotada, guardou o caderninho no bolso do avental e virou para a amiga, as lágrimas já querendo dar o ar da graça novamente.
— Não quero ir amanhã! - Confessou em meio ao choro que já escapava pela garganta, começou a chorar de soluçar e a escorrer tudo. Cobriu o rosto com as palmas das mãos, a tristeza lhe corroendo por dentro.
— Ai, ! - Murmurou num tom angustiado enquanto se aproximava o suficiente para envolver os braços em volta da amiga, consolando-a.
— Eu não posso voltar, ! Não ainda!
— Se quiser eu levo a Cat! - Ofereceu num tom angustiado ao sentir toda a dor no tom de voz da amiga.
— Ela é minha responsabilidade. Tenho que fazer isso, só não tenho coragem de voltar! - Declarou fungando algumas vezes enquanto seu rosto descansava no ombro da amiga. As lágrimas encharcando seu rosto e a manga da camisa preta de .
A mesma suspirou com o coração partido pela dor que a amiga carregava desde que se conheceram. Entendia o quanto era doloroso para estar longe dos pais, da irmã e o pior de tudo, ter que vê-los depois de anos sem ao menos ter conquistado uma lasquinha do sonho que levou-a embora da sua cidade natal.
— Não vou conseguir ver os olhares dos meus pais. A decepção no olhar deles vai me matar! Tem noção disso? Eu tenho cogitado deixar essa loucura para trás e voltar, seguir o que eles querem que eu faça! - Desabafou se soltando delicadamente do abraço, encarando-a e gesticulando de forma angustiada. O peito se retorcia, não conseguia palavras para expressar como se sentia com toda essa angústia, medo, decepção lhe corroendo por dentro.
— Não pode desistir, ! - Falou num tom sério enquanto segurava as mãos da amiga e olhava-a diretamente nos olhos.
Os lábios de tremeram enquanto mais lágrimas jorravam por seus olhos.
— Entendeu? Precisamos da família! Muito! E em algum momento, seus pais vão perceber que você fez o certo! Dando certo ou não! Eu vejo em você uma estrela que nasceu para brilhar. Os sonhos existem para nos dar um propósito na vida e o seu é brilhar não importa qual pele você vista! Você nasceu para dar vida à imaginação dos outros! - Disse num tom emocionado ainda na mesma posição, encarando os olhos da amiga que ainda chorava silenciosamente. Os seus olhos começaram a ficar marejados.
— Entendeu?
confirmou com um gesto de cabeça.
— Cabeça erguida, mulher! Desistir jamais! - Declarou num tom determinado ao soltar as mãos trêmulas da amiga, envolvendo-a novamente em seus braços. As duas com um sorriso estampado em seus rostos enquanto lágrimas escorriam por suas faces. Ambas agradecidas por terem uma a outra, principalmente, nos momentos mais difíceis.


☕☕☕☕☕


— Ela só pode estar de sacanagem! - Exclamou incrédula enquanto lia a mensagem no celular.
— O que foi? - Perguntou desviando a atenção da tela do seu celular enquanto estava em pé ao lado da jovem. Estavam atrás do balcão num silêncio. A cafeteria estava vazia naquele final de tarde, faltando poucas horas para o fim do expediente. havia saído mais cedo para resolver algumas coisas e prometeu encontrá-los na despedida de Cat. Como não tinham clientes para atender ficaram distraídos com suas redes sociais.
— Cat convidou o Robert! - Falou num tom irritado enquanto revirava os olhos.
Enrico que ocupava uma das cadeiras estava atento ao seu feed do Instagram, mas não conseguiu evitar um sorrisinho de canto ao ouvir a reação da amiga.
— Maravilhoso! Já posso imaginar os paparazzis fotografando a gente a noite toda! - Falou num tom sonhador enquanto largava o aparelho em cima do balcão, apoiando o rosto nas mãos e sorrindo bobamente.
— E amanhã nossas caras espalhadas nos sites de fofocas! - Acrescentou revirando os olhos, nível zero de empolgação.
— E uma namorada misteriosa para o Robert! - Soltou Enrico que não perdia uma oportunidade de implicar com a amiga.
riu debochada.
— Sabe que vai ser a Cat, né? Nesse instante, eles já devem ter sido flagrados juntos e pior se rolar o boato. Vão dizer que Robert está saindo com uma adolescente! - Supôs num tom falsamente inocente enquanto olhava para que começava a absorver suas palavras. Segurou a risada ao ver a expressão de desespero estampada na cara da amiga.
— Eu não tinha pensado nisso! Não, ele não pode sair com a gente! - Declarou num tom sério enquanto abria novamente a conversa com Cat e digitava rapidamente.

[]: “Kd vc???”
[Cat 🐱]: *foto da mão da Cat segurando um donut de chocolate com cobertura de morango e granulados coloridos. No fundo o estúdio repleto de câmeras com o Robert beijando uma mulher.*
[]: “💔”
[Cat 🐱]: “Já se beijaram umas dez vezes e nada de terminar a cena kkkk”
[]: “Sai daí direto pra cá! Já tá quase de noite!”
[Cat 🐱]: “N vai dar, tá faltando cena!!!! Vamos direto para a despedida!”
[]: “Direto pra cá!!! Dá seu jeito!!”
revirou os olhos ao perceber que havia agido exatamente como sua mãe durante sua adolescência.
[Cat 🐱]: “Te vejo na despedida 😘”

começou a rir repentinamente, atraindo a atenção de que encarou-a com uma expressão curiosa.
— Ih, já até sei… - Comentou Enrico olhando para sua namorada e suspirou, revirando os olhos. Ele sabia que aquela reação da namorada era porque lançaria mais uma das suas implicâncias para .
Ou seja, a conversa mais cedo entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
— Tarde demais! - Disse num tom provocador enquanto estendia o celular na direção da jovem. franziu a testa numa expressão de confusão enquanto focava sua atenção à tela do celular.
Xingou diversas vezes ao ver a imagem e ler o título “Robert Pattinson é flagrado com nova namorada” que estampava o site do TMZ. Voltou a atenção para o seu próprio aparelho e começou a digitar violentamente.

[]: “NADA DE ROBERT!!!!”
Digitou possessa, mas a mensagem não foi visualizada pela caçula. Sabia que iria esganar a sua irmã caçula quando a encontrasse, mas no fundo, bem no fundo, sentia uma invejinha de não ser ela passando o dia fora da cafeteria com o seu ator favorito feat crush.




Continua...



Nota da autora: Oi, oi hahaha Nossa, fico triste pela pp! Só eu que adorei a zoeira da e do Enrico pra cima da pp? HAHAHA Obrigada por estarem acompanhando a fic e por cada comentário! Sério! S2s2
E quem quiser saber como foi o dia em que a chutou o balde e resolveu realizar seu sonho é só ler a fic que entrou no ficstape da Miley Cyrus. Mais uma vez, muito obrigada pelos comentários e por todo carinho por essa fic <3
Clique aqui




E se gostou dessa fic, também confere as outras:
05. Jet Black Heart – [Ficstape #067: 5 Seconds of Summer – Sounds Good Feels Good]
01. Shut Up – [Ficstape #079: Simple Plan – Still Not Getting Any...]
03. Hands – [Ficstape #083: The Vamps Night & Day (Night Edition)]
North & South [Riverdale/Shortfic]
Bônus: Leaving Tonight [Shortfic]
03. Chocolate [Shortfic]
Bônus: Baby Came Home [Shortfic]


Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


comments powered by Disqus