Última atualização: 31/12/2018
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Prólogo


“— Eu volto logo pra que você não precise sentir a minha falta. Tome conta do meu coração – eu deixei ele com você.” — Saga Crepúsculo: Eclipse, Stephenie Meyer.


tinha um sonho.
Desde muito pequena, sonhava em ser atriz como aquelas que estrelavam os seus filmes favoritos. Brincava com sua irmã, fingindo gravar algum vídeo ou cena que haviam assistido. Nas noites de Natal, juntavam as crianças na sala e tentavam fazer uma peça improvisada, e, claro, o papel principal era sempre dela.
Conforme os anos foram passando, o amor pelo teatro e cinema foi ficando bem evidente para sua família. Entrou para o grupo da escola, participando e organizando diversas peças com bastante dedicação, rendendo grandes elogios. Conheceu Hollywood numa viagem que seus pais lhe deram de presente, de onde retornou repleta de gás para lutar por seu sonho.
Entretanto, no auge dos seus vinte anos, precisava tomar uma decisão importante que definiria toda a sua vida: deveria permanecer em Salt Lake City, comandando os negócios da família, e casar, ou juntar o máximo de dinheiro possível para morar em Los Angeles e realizar seu sonho?
O grande empecilho era o medo do fracasso, principalmente por não ter o apoio de seus pais. Viviam a desanimando, tentando fazê-la desistir do seu sonho, pois queriam que administrasse os negócios da família.
Mas esse não era o sonho de .
Ela queria mais para si.
Queria experimentar mais do mundo, conhecer, encantar, levar o seu trabalho para as pessoas de diversos lugares. Amava a sensação de viver mil personalidades em baixo de uma mesma pele, estar fisicamente como , mas a personalidade de um personagem, uma outra vida.
Por isso, correria atrás do seu sonho: seguiria a carreira de atriz.


Capítulo 01 – Tribbiani’s Coffee


“A vida é muito curta para tomar cafés ruins.” — Autor desconhecido.


Los Feliz, Holywood.

O gosto do fracasso era como o café que tanto detestava: amargo e impossível de ser digerido. Seguia para o trabalho depois da tentativa fracassada de participar de um teste para a série Grey’s Anatomy. Infelizmente, os produtores não deixaram que ela fizesse o teste, dando uma desculpa esfarrapada de que não possuía as características ideais para a personagem.
Resumindo: a vaga já estava garantida para alguma outra atriz apadrinhada por um agente famoso.
Não era a primeira vez que enfrentava esse tipo de situação frustrante, pois era mais do que óbvio esse favorecimento. Muitos talentos – como ela – eram descartados por causa disso. Não se ressentia pela falta de uma agente com toda essa bagagem, pois Veronica foi a única que acreditou em seu potencial e se esforçava muito para encontrar boas oportunidades, mesmo sendo nova na caça de talentos.
Mais uma vez, havia dado de cara na porta e com três horas a menos de salário no final do mês.
— É, esse dia não será fácil. — Constatou, desanimada, enquanto avistava o enorme e familiar letreiro preto escrito em letras brancas “Tribbiani’s Coffee”.
Ela era uma mulher cheia de manias, principalmente quando se tratava da decoração da cafeteria. Foi preciso apenas um segundo em frente à fachada preta com enormes vidraças para começar a mudar a posição dos vasos de plantas que decoravam as pilastras e a calçada.
Quando leu o quadro de promoções do dia, revirou os olhos, achando graça. Reconheceu a letra de .
Entrou no café e seguiu direto ao caixa.
. — Chamou, risonha, enquanto estendia a mão sob o balcão, em direção a jovem loira que contava algumas notas de dinheiro.
encarou-a confusa, por alguns segundos, mas logo entendeu o pedido silencioso. Pegou um pedaço de giz branco que guardava no caixa e entregou-o para a amiga.
— Ah, não. De novo? Não é possível, . — Falou, indignada, fazendo um biquinho engraçado.
Conferiu novamente as notas em suas mãos e guardou-as no caixa.
— Hoje é dia de dois pelo preço de um, e não frappuccino à la Joey Tribbiani. — Explicou , enquanto tirava seu casaco e jogava em cima da amiga, pegando seu avental e colocando-o.
— Não sei como ainda não decorei isso. — Comentou, rindo.
Pegou o casaco da amiga e dobrou, guardando em baixo do caixa.
— Quem sabe no dia que eu conseguir ser uma atriz de sucesso e não estiver mais aqui. — Falou, implicante, enquanto seguia em direção à saída.
— Ih, então vou conseguir decorar as promoções e o cardápio completo! — Debochou , rindo alto.
Quando percebeu os olhares de alguns clientes nela, disfarçou o riso com uma tosse e fingiu procurar algo no balcão.
mostrou o dedo do meio para amiga e saiu da cafeteria. Apagou o quadro, escreveu a promoção correta e se afastou, o suficiente para a observar toda a fachada. Finalmente satisfeita, se alongou e deu uma rápida olhada para o céu nublado. Entrou novamente, embalada pela melodia animada de seu assovio.
— E então, como foi o teste? — Perguntou com uma expressão séria, enquanto observava a amiga com atenção.
parou o assovio, dando de ombros, enquanto acenava para Enrico, que servia uma cliente.
Esse gesto foi o suficiente para a jovem entender que novamente a amiga havia fracassado. Sentiu-se triste por ela, sabia como era doloroso quando não se conseguia aquilo que tanto queria. A nova meta da amiga era conseguir um papel com um pouco de mais destaque, até ser suficiente para alcançar o que tanto desejava para sua carreira de atriz.
— Você sabe que estava brincando, né? Não foi por mal. — Falou , arrependida.
— Relaxa! Sei que foi zoeira, mas está difícil para mim. Estou cogitando desistir desse sonho louco, voltar para Utah, aturar meus pais com sorrisos de vitória e seguir a vida na pizzaria. — Confessou tristemente, enquanto encostava a lateral do seu corpo no enorme balcão de madeira.
— Você não vai desistir, . Não você.
Se pudesse ser definida em apenas uma palavra, seria contagiante. Não por sua beleza de cabelos longos e loiros, olhos cor de mel e pele clara, mas, sim, por sua alegria.
Era uma garota tão alto-astral, sempre com um sorriso no rosto e pensamentos positivos num nível que chegava a ser irritante às vezes. No início, pensou ser algo forçado pela garota, mas, durante um tempo, percebeu que era algo natural; fazia parte da personalidade da jovem. passou a admirá-la muito por isso, pois foram incontáveis as vezes em que conseguiu erguer a amiga.
Parecia filha de sangue de Joey, mesmo sendo apenas enteada. Ambos compartilhavam de uma animação capaz de incendiar o mundo, caso quisessem. Ou seria normal alguém acordar animado numa segunda-feira de manhã? Anormalidade pura.
Ela é filha da atual namorada de Joey. Trabalhavam juntas há dois anos, sendo tratada como uma funcionária sem qualquer vínculo com o patrão. Seu sonho é ser uma cantora de sucesso. Gravava vídeos cantando diversas músicas e postava na internet. Aos sábados à noite, apresentava-se em um bar na Sunset Boulevard. O tempo convivendo na cafeteria tornou-as muito amigas e parceiras de loucuras. Costumava estar com e .
— Passou no teste, princesinha do Joey? — Perguntou num tom de deboche, enquanto colocava sua bandeja vazia em cima do balcão.
revirou os olhos ao ouvir o apelido ridículo que a jovem deu a ela.
, deixe a trabalhar em paz. — Pediu , séria, encarando a garota.
se afastou extremamente irritada.
Bilhões de pessoas no mundo, pensava que sua irmã fosse a única pessoa capaz de tirá-la do sério com tanta facilidade. Um grande engano. conseguiu ocupar o lugar que era liderado pela irmã caçula. Estar no mesmo ambiente era motivo para começarem as confusões.
Trabalhavam juntas há um ano e não se suportavam, porém não foi assim desde o início. O desentendimento gratuito começou mais da parte de , ela ficou indignada por Joey não ter demitido após a mesma ter desobedecido uma das regras mais importantes. Na época, Joey apenas conversou com ela, achou graça da situação e disse que numa próxima teria que punir a jovem apenas para não perder o respeito dos colegas.
A forma como Joey lidou com a situação, a reação dos outros companheiros de trabalho que acharam graça só contribuiu para o nascimento do desentendimento entre as duas. Esse ocorrido só não caiu no esquecimento graças a e o famoso, que aparecia quase todas as manhãs para tomar café. Por causa desse dia, surgiu o apelido carinhoso de “princesinha do Joey”. Os outros colegas costumam chamá-la assim quando querem zoar, exceto , que faz para irritar mesmo. A verdade é que todos acham que ela é a queridinha do patrão, título que nega até o fim — mesmo sendo verídico.
— Que cara é essa? — Perguntou Enrico repentinamente próximo, assustando-a.
estava distraída limpando uma mesa que havia sido desocupada por alguns clientes.
— A única que eu tenho. — Respondeu, irritada, enquanto abastecia a mesa com guardanapos, sachês de açúcar e adoçantes.
— Ei, tigresa, guarde as garrinhas para . — Falou Enrico, risonho, erguendo as mãos num gesto de paz e arrancando um sorriso da jovem.
— Seria mais fácil bater com uma bandeja na cabeça dela. — Comentou, irritada, enquanto era seguida de perto por Enrico até outra mesa livre, repetindo o processo de limpeza que realizou na mesa anterior.
Costumava ser uma pessoa pacífica, sem sentimentos assassinos, mas, quando ficava com raiva, falava mil besteiras e mais tarde remoía-se pelo o que havia sido dito. E, por incrível que pareça, até mesmo quando se tratava de .
Achava a bailarina canadense muito bonita; a pele morena, cabelos escuros e ondulados, na altura dos ombros, olhos de mesma cor. Fisicamente parecia um anjo, agora a personalidade era extremamente irritante. Tinha uma memória absurdamente admirável, mas que, na maioria das vezes, era usada apenas para jogar na cara algum favor antigo. Escorpiana pura, principalmente quando pisavam no seu pé. Dona de uma lábia e um carisma que faziam muitos clientes comprarem litros de café. Liderava no quesito “queridinha dos clientes”.
— Você está muito estressadinha. — Constatou pensativo e continuou. — Não passou em outro teste, né? — Perguntou com uma expressão preocupada.
Cruzou os braços na frente do corpo, aguardando uma resposta.
Convivência era uma merda. Os seus amigos que a conheciam tão bem conseguiam identificar quando ela estava sofrendo por causa dos seus fracassos intermináveis. Como conseguia esconder alguma coisa deles? Pensou irritada.
— Alguma apadrinhada ficou com a vaga, não me deixaram nem interpretar. — Contou, irritada, enquanto encarava os olhos verdes do jovem.
— Calma, princesinha, sua hora vai chegar. — Consolou, dando dois tapinhas no ombro direito dela.
Encarou-o ameaçadoramente, enquanto segurava uma bandeja. Ele riu, retornando para a cozinha.
Enrico Bellinaso era o mais velho da equipe, vinte e sete anos de pura beleza italiana. O cozinheiro galã fazia muito sucesso com as clientes. Quando foi contratada por Joey, ele já estava lá. Seu cabelo castanho, cortado bem curto, olhos de mesma cor, pele morena e sua famosa barba por fazer.
Ele fazia sucesso com as mulheres, aventura de uma noite. não escapou das garras dele, apaixonou-se e sofreu. Surpreendentemente, conseguiu fisgar o coração do crush, deixando todos perplexos. Eram um casal água e vinho, mas que estava dando certo.
Enrico estava prestes a sair da cafeteria. Sua banda de rock, Midnight in Venice, assinou contrato com uma grande gravadora.
Ela se sentia satisfeita em ver seu amigo prestes a realizar um sonho e muito merecido. Tinha muitos questionamentos sobre si mesma, se algum dia a próxima sortuda seria ela.
— Princesinha, o seu cliente VIP chegou. — Falou debochadamente, enquanto seguia para uma mesa próxima.
Naquele momento, não era preciso se virar e olhar para saber quem era o cliente. Todas as vezes que ele ia até ali, queria se esconder na cozinha até qualquer outra pessoa o atender. Infelizmente, não podia fazer isso. Todos os dias era a mesma coisa: aquele olhar sem graça que ele lhe lançava e o desejo que ela tinha de voltar no tempo.
Respirou fundo, pegou o seu bloco de papel e a caneta do bolso da frente do avental – por mais que já soubesse de cor qual pedido faria. Olhou na direção da mesa de sempre, tendo a visão mais maravilhosa do planeta.
Lá estava ele.
Esbanjando a sua beleza, acompanhado da sua atual noiva: FKA Twigs.
O cliente VIP de era apenas Robert Pattinson.
Somente Robert Pattinson.


Capítulo 02 – Robert Pattinson

“Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série.”- Lei de Murphy


Segundo as leis de Murphy, acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série e naquele dia, ficou claro para o quanto era verdade aquela afirmação. Seu dia começou com o teste fracassado e quando achou que nada de pior poderia acontecer, o seu cliente favorito – ironicamente falando – chegou para a sua dose de café matinal, acompanhado da sua simpática noiva – o que ela realmente era.
Seu nome é Tahliah Debrett, mas na mídia se chamava FKA Twigs. Uma bela cantora britânica com sua pele morena, cabelos cacheados escuros e olhos de mesma cor. Seu estilo era bem ousado, criativo e tinha um piercing no septo, o qual sempre pensava na dor que a mesma deveria ter sentido ao furar.
Desde que Robert havia assumido o relacionamento e ela passou a frequentar a cafeteria, sempre tratou todos com muita simpatia. Quando soube que a mulher estava sendo vítima de racismo por namorar o cara, se sentiu enojada pela situação de uma pessoa tão doce como ela ser tratada dessa forma. Uma situação nojenta.
Quando resolveu se aproximar da mesa, pôde constatar facilmente que ela não era a única tendo um dia difícil. O casal estava em silêncio com expressões sérias enquanto olhavam para qualquer ponto dentro da cafeteria, evitando se encarar.
Para ela foi como um alarme que soou na sua cabeça, um aviso de que deveria ter se escondido na cozinha, evitando a todo custo atendê-los. Sabia que nem mesmo as estrelas de Hollywood viviam presas num conto de fadas, mas realmente se preocupou, pois eles costumavam ser um casal tão feliz.
E era esse tipo de relacionamento que gostaria de ter, caso achasse o cara da sua vida. Tudo bem que ele era o amor da sua vida, mas ok. Eles faziam o tipo que no período da manhã – horário que costumavam frequentar a cafeteria – estavam sorrindo, tagarelando sem parar e quando ia atendê-los, Tahliah era a primeira a abrir um sorriso animado enquanto Rob sorria sem graça – que não poderia culpá-lo depois do que aconteceu.
Algo estava acontecendo entre eles e não era nada bom. - Constatou apenas os observando. Respirou fundo e seguiu a passos firmes até a mesa.
- Bom dia! Como estão? – Cumprimentou-os educadamente enquanto segurava a caneta e o bloco, pronta para fingir que nunca se recordava do pedido deles.
Ambos direcionaram a atenção para ela, uma expressão séria.
- Café puro, sem açúcar. – Respondeu Rob forçando um sorriso que pareceu mais uma careta.
- O mesmo, por favor. – Tahliah pediu sorrindo educadamente, óculos escuros cobrindo seus olhos.
Putz! A situação está hardcore mesmo! – Pensou mordendo a língua numa tentativa de evitar se intrometer na situação em que seu astro favorito e noiva enfrentavam.
- Apenas café? – Questionou erguendo as sobrancelhas, uma expressão de surpresa estampada na sua cara.
Tahliah riu dando de ombros.
sorriu em resposta e retornou para o balcão onde estava com um olhar atento em direção ao casal. Seguiu até a cozinha, entregando a folha em que anotou o pedido para Enrico.
- – Sussurrou chamando-a com a sua melhor expressão de super espiã demais. Ela caminhou discretamente até o caixa, expressão de paisagem evitando chamar a atenção dos clientes e de seus colegas de trabalho.
- Eles não estão bem! – Revelou num tom de voz baixo enquanto fingia estar limpando o balcão ao lado da amiga que fingia estar contando o caixa. Continuou: - Pediram somente café puro e sem açúcar.
encarou-a horrorizada.
- Não pediram nem uma rosquinha açucarada? – Perguntou numa expressão de espanto.
- Nada. Só o bendito café. – Respondeu dando de ombros.
- A situação desta vez é nível hardcore heavy metal, . – Constatou preocupada ainda fingindo estar prestando atenção no dinheiro em sua mão.

e compartilhavam de uma mesma ideia mirabolante: o que a pessoa come ou bebe diz muito sobre ela e o seu estado de espírito. Costumavam prestar muita atenção no que era consumido por seus clientes assíduos e diversas vezes se comprovou ser verdade.
Cada doido com suas manias.
- Espero que não – Ela concluiu tristemente. Guardou o pano e o produto de limpeza e observou o casal que continuava em total silêncio, observando qualquer lugar menos um ao outro.
- Parem de fazer fofoca – Falou implicante, surpreendendo-as. Colocou sua bandeja no balcão e olhou em direção ao casal. Analisou-os atentamente, a parte superior do seu corpo debruçada sobre o balcão, concluiu minutos depois: - Definitivamente, problemas no paraíso. – Comentou seriamente, uma expressão de expert no assunto como se soubesse todos os segredos do casal.
- Não sabia que era amiga deles – Provocou revirando os olhos enquanto seguia até a bandeja com as duas enormes xícaras de café. Serviu o pedido para o casal, sorrindo em resposta aos agradecimentos e retornou para o balcão ao lado das garotas que continuavam no mesmo lugar.
- Aposto vinte pratas que amanhã estarão separados. – Anunciou ajeitando seu escuro cabelo preso no topo da cabeça, um sorriso provocativo estava estampado em seu rosto.
- Quinta-feira – Apostou , apertando uma das mãos de fechando a aposta, logo em seguida, olharam para em expectativa.
- Não acredito que estão apostando contra o amor de um casal! Que absurdo! – Ela falou indignada tentando não chamar a atenção dos clientes, inclusive do casal.
- Também quero participar da aposta! – Anunciou Enrico repentinamente aparecendo por trás de e envolvendo-a pelos ombros. Ele tinha um sorriso animado no rosto.
No mesmo instante, a expressão de mudou e ela fingiu estar achando mais interessante procurar algo dentro de seu caixa.
- Não acredito que estava prestando atenção na nossa conversa – Reclamou fingindo indignação.
- Claro! Quando vocês estão juntas, conversando civilizadamente, só podem estar fofocando sobre os clientes. – Comentou despreocupadamente, dando de ombros.
- Está nos chamando de fofoqueiras, Enrico? – Perguntou indignada, voltando sua atenção para o jovem.
Ele riu em resposta.
- Quero apenas entrar na aposta.
- Parem de avacalhar o relacionamento dos outros! – Falou irritada enquanto observava algumas vezes ao redor para ter certeza que não estavam sendo ouvidos.
- Aposto vinte pratas que eles terminam hoje. – Falou ele decidido enquanto dava um beijo na bochecha da amada.
desviou o olhar rapidamente, numa tentativa de esconder seu incômodo com a cena.
- Vocês são inacreditáveis! – Suspirou revirando os olhos, passou uma das mãos pelo cabelo. Continuou: - Aposto cinquenta pratas que eles não terminam e vão se casar mês que vem! – Falou ousada, fazendo com que e Enrico rissem, roubando um assovio de surpresa de . tinha um sorriso de satisfação e determinação estampado no rosto, mas que escondia a dúvida em suas palavras.
- Alguém vai ficar rico essa semana e não vai ser você, . – Provocou enquanto pegava sua bandeja e seguia em direção ao casal de clientes que se preparavam para pedir a conta.
- É, . Você escolheu a aposta errada... – Constatou Enrico dando dois tapinhas no ombro da jovem, sorriu e seguiu assoviando até a cozinha.
manteve sua expressão de confiança, evitando dar o braço a torcer.
- Preciso ganhar essa aposta! – Falou determinada antes de atender um cliente.
- Por favor, se casem! – Pediu baixinho enquanto apoiava os cotovelos no balcão, descansando o rosto entre as mãos. Sua expressão era de pura desolação enquanto observava Robert e Tahliah que continuavam em um silêncio, apenas degustando o seu café.
Talvez se desejasse com todas as suas forças, as coisas dessem certo para o casal... ou não.


☕☕☕☕☕


- Se quiser pode ir para casa descansar e eu ajeito tudo. Hoje é o meu dia mesmo! – Falou docemente enquanto fechava o caixa do dia.
Era uma noite chuvosa, final de expediente, todos os funcionários se preparavam para encerrar o turno daquele dia. A rotina era abrir o café todas as manhãs e o restante da equipe revezava durante a semana para limpar o lugar e fechá-lo. Tudo deveria estar limpo e organizado para que no dia seguinte estivesse pronto para funcionar. Fazia parte de um acordo entre eles, pois moravam mais distantes do que ela. De qualquer forma, adquiriu sua própria mania. Adorava arrumar a fachada todas as manhãs e a hora de silêncio que tinha até a chegada do pessoal e dos clientes.
- Não precisa, . Você madrugou para que pudesse me cobrir, vá descansar e hoje ficar por minha conta. - Respondeu enquanto passava o pano no balcão.
prendeu suas madeixas e bocejou enquanto se espreguiçava.
- Tem certeza? – Perguntou insistindo, uma expressão de preocupação estampava a sua face.
- Que cara é essa de preocupação? Vá descansar, mulher! – Falou risonha enquanto abandonava a limpeza, se aproximando da amiga e abraçando-a rapidamente, deu um beijo estalado em sua bochecha.
- Tá bom! Se precisar de qualquer coisa, me manda mensagem que eu volto na hora! – Falou seriamente colocando sua bolsa no ombro e seguindo em direção à porta.
- Sim, senhora. – Confirmou brincalhona enquanto mostrava a língua.
revirou os olhos e depois riu, andou até a porta e abriu-a.
- Droga! Está chovendo muito! – Reclamou enquanto abria sua enorme bolsa feminina, pegou seu guarda-chuva e abriu. Acenou em despedida, fechando a porta atrás de si.
observou o local que estava repleto de mesas que precisariam ser limpas. Teria que recolher a louça suja, lavar, jogar o lixo fora, limpar as mesas e o chão, somente depois de cumprir tudo isso poderia ir para casa descansar.
Retornou ao balcão e continuou a limpá-lo com o pano.
- , estamos indo. – Despediu-se Enrico enquanto segurava o seu capacete. Ele e vestiam seus trajes de chuva enquanto seguiam até a porta da cafeteria.
- Vão com cuidado! – Recomendou enquanto acenava em despedida.
- Parece que a princesa hoje está mais para gata borralheira – Provocou enquanto dava uma piscadela na direção de que revirou os olhos em resposta.
- Boa noite para você também, . – Ela desejou entediada enquanto suspirava e voltava sua atenção para o balcão.
Assim que finalizou a limpeza do balcão, seguiu para a tarefa de recolher as louças sujas das mesas. Ficou vários minutos assim, até que teve um estalo e lembrou-se que não havia trancado a porta do café.
Uma coisa que nunca admitia é que morria de medo de ficar sozinha durante a noite, fosse em sua casa ou ali no café. Como não tinha o costume de ficar depois do horário, sentia medo de aparecer algo humano ou até mesmo, algo sobrenatural, principalmente, quando se tratava do estoque.
Girou a chave na porta, encostou o rosto tentando enxergar o clima lá fora, mas só podia ouvir o barulho da chuva e algumas pessoas que vez ou outra, cruzavam a fachada da cafeteria. Respirou fundo, virou a placa de “aberto” para “fechado” e continuou a recolher a louça suja.
Após lavar toda a louça e pôr para secar, retornou ao salão para limpar as mesas e abastecer com os sachês de açúcar, sal, palitos de dentes e guardanapos. Cantarolava baixinho uma música animada enquanto tentava terminar o serviço o mais rápido possível, tinha que admitir que estar ali sozinha lhe deixava com medo.
- Merda. – Sussurrou baixinho enquanto encostava as mãos no peito, o coração batendo acelerado e o corpo retesado pelo susto. Batidas agitadas que pareciam vir da porta de entrada da cafeteria quase foram capazes de lhe causar um infarto. estava tão assustada que continuou estática com o olhar na mesa a sua frente.
Mil pensamentos malucos de que seria um ladrão ou algum maluco querendo invadir o local passavam por sua cabeça. O pior de tudo era que do lado de fora poderiam enxergar tudo ali dentro, devido a porta de vidro e as enormes vidraças, então não poderia se esconder debaixo de alguma mesa até que ficasse sozinha novamente.
As batidas continuaram por vários minutos, até que a pessoa não satisfeita decidiu chamá-la. O seu coração parecia prestes a fugir pela boca tamanho o medo.
- EI! ! – Praticamente berrava a voz masculina.
Os olhos da jovem praticamente saltaram das órbitas ao reconhecer a voz que lhe chamava do lado de fora do lugar.
- Robert? – Perguntou ela surpresa ao se virar e ver o homem todo ensopado com o seu belo rosto colado ao vidro. Mordeu o lábio inferior para segurar a risada, mas lembrou-se que graças ao gesto do homem ela teria que limpar a vidraça também.
- PODE ABRIR AQUI? – Gritou novamente enquanto apontava em direção a maçaneta. Ele tinha uma expressão de desespero.
- Ai, caramba! O que será que esse homem quer? – Perguntou para si mesma enquanto seguia rapidamente até a porta, sem abri-la.
- Estamos fechados! – Ela explicou enquanto apontava para a placa que estava pendurada ao vidro.
- QUÊ? – Gritou ele novamente enquanto a encarava confuso.
- Es-ta-mos fe-cha-dos – Soletrou ela numa tentativa de que ele fizesse uma leitura labial ao invés de fazê-la gritar feito uma louca.
- FALA MAIS ALTO! – Pediu ele aos berros enquanto grudava a orelha no vidro.
- Merda! Vou ter que limpar o vidro! – Reclamou ela revirando os olhos.
- QUÊ? – Gritou novamente achando que a mesma estivesse falando com ele.
- Não é possível que esse homem esteja surdo! – Resmungou irritada enquanto destrancava a porta.
Robert invadiu o local feito um furacão, molhando todo o piso, pois ele estava totalmente ensopado.
- Senhor, estamos fechados. – Comunicou seriamente enquanto tentava disfarçar a confusão e curiosidade que lhe dominava. Pensou que naquela noite quem lhe faria uma visita era algum fantasma que vivia no estoque e não o seu tão amado cliente VIP.
- , você precisa me ajudar. – Jogou pegando-a de surpresa.
- Depende. O que o senhor precisa? – Perguntou curiosa enquanto seguia até a porta, olhou rapidamente o movimento na rua para se certificar que não tinha nenhum paparazzo a espreita do rapaz e entrou, trancando a porta novamente.
A última coisa que queria era aparecer nas notícias no dia seguinte ao ser apontada como o pivô na crise do relacionamento dele com a noiva. Ela queria mesmo é ganhar a aposta e ver a quebrando a cara por ter perdido.
- Você tem torta de maçã e frappuccino à lá Joey? – Perguntou ele com uma expressão de desespero enquanto passava os dedos por entre as madeixas encharcadas pela chuva.
O desejo de em relação ao homem, era poder esfregar os dedos por entre aqueles fios que pareciam ser sedosos. Fazer o carinho até que o mesmo pegasse no sono em seus braços. Segurou um suspiro ao imaginar como seria tê-lo em seus braços.
- E então? Poderia me vender? – Perguntou ele novamente despertando-a de seus devaneios.
A expressão de Robert era de puro desespero, como se sua vida dependesse daquele momento e isso pesou sobre os ombros da jovem que teve receio em responder o que é que tenha sido perguntado.
- Ér... desculpe. Não entendi o que você pediu.
- Torta de mação e frappuccino à la Joey. – Repetiu ele encarando-a como se ela fosse descompensada.
- Não tenho como te vender. Acabou o que tínhamos do dia e somente o Enrico que sabe preparar. – Respondeu dando de ombros.
Robert praguejou baixinho e sentou-se na cadeira mais próxima, esfregou as mãos no rosto e bagunçou os cabelos, ficou absorto em pensamentos.
só conseguia pensar indignada: “Vou ter que limpar a vidraça e ainda sentou com a bunda molhada no estofado!” .
- E agora? O que eu faço? O meu relacionamento vai acabar de vez! – Revelou em completo desespero enquanto passava os dedos pelo cabeço, uma mania quando estava nervoso.
- Você disse acabar o seu noivado? – Perguntou abruptamente ao compreender o nível da situação em que se encontravam.
- Sim! Tahliah acha que devemos terminar. Eu não tenho sido o melhor noivo... – Falou sorrindo tristemente enquanto voltava sua atenção para a jovem a sua frente.
- Calma! Nesse caso, podemos dar um jeito! – Murmurou tentando tranquilizar o homem e ajudá-lo a resolver toda a confusão.
Robert se levantou abruptamente com a esperança voltando a reluzir em seu rosto ao ouvir as palavras pronunciadas por ela.
- Qual é a comida favorita da Tahliah? – Perguntou enquanto seguia para o balcão onde ficava uma estufa para conservar os doces e bolos que eram preparados para o dia de trabalho. Pegou três cupcakes que restavam – e que iria levar para casa, mas que resolveu fazer uma boa ação e salvar um relacionamento. Colocou-os dentro de um saco de papel pardo e entregou nas mãos de um surpreso Robert Pattinson.
- Além da torta de maçã que vocês fazem, ela ama comida chinesa. – Respondeu ele enquanto observava atentamente .
- Não temos torta de maçã e frappuccino, então leve esses cupcakes de chocolate como sobremesa. E passe no restaurante mais próximo e compre a bendita comida chinesa. – Ordenou com um leve sorriso de satisfação ao ver os olhos do homem se arregalarem com as palavras da jovem e em seguida, abrir um enorme sorriso no rosto.
- Quanto te devo? – Perguntou procurando a carteira de couro preta que estava no bolso traseiro da sua calça jeans.
- Um convite para o casamento. – Falou sorrindo brincalhona enquanto agitava as mãos no ar negando as notas que o rapaz havia estendido em sua direção.
- Obrigado, ! – Agradeceu ele sorrindo sincero, aproximou-se atrapalhado e pegou-a desprevenida, envolvendo-a em um abraço apertado.
A jovem não teve condições de falar ou se mexer, não foi capaz de retribuir o abraço. Permaneceu de pé – e não tinha noção de como conseguiu permanecer com seus pés fincados ao chão – os braços caídos ao lado do corpo enquanto sentia o gelado das roupas molhadas do rapaz encostar-se às suas, arrepiando-a da cabeça aos pés. Possuía a maior certeza do mundo que estava com os olhos esbugalhados e a boca escancarada, tamanha era sua surpresa. O seu coração parecia prestes a explodir feito uma granada. O cheiro de suor, chuva e perfume cítrico exalava da nuca do homem. Quando Robert soltou-a de seus braços, murmurou um último agradecimento e correu para fora da cafeteria, batendo a porta atrás de si.
encarou a porta por vários segundos, finalmente soltando o ar dos pulmões e caindo sentada no chão.


Capítulo 03 – Corações e Estrelas 💕⭐

"A fama não é real, sabia? Não se esqueça que eu também sou só uma garota, parada em frente a um garoto, pedindo para que ele a ame". - Um Lugar Chamado Notting Hill (1998)

Lá estava linda e bela, pura deslumbrância, desfilando pela pré-estreia do seu filme ao lado de Robert Pattinson. Quer dizer, até que tudo aconteceu muito rápido. Rolou para a outra ponta do colchão até que seu corpo atingiu outra coisa, fazendo com que seu coração fosse na boca e voltasse.
Abriu os olhos assustada e viu . Xingou-a trocentas vezes enquanto respirava fundo tentando acalmar seu pobre e fraco coração. Se jogou novamente no colchão, encarando o teto. Respirou fundo, fechando os olhos e tentando recuperar o seu sono. Não poderia perdê-lo, pois era sua folga. O seu dia de descanso. Ela merecia dormir até que seu corpo ficasse dolorido.
Dormir.
amava dormir ou apenas ficar estirada na cama o dia inteiro fingindo que sua lista de folga não existia – algo super simples de se esquecer a existência. Ao mesmo tempo que amava dormir e não fazer nada - quando podia -, também odiava o sono com todas as suas forças. Detestava o fato do bonitinho resolver dar o ar da graça quando a jovem precisava levantar para encarar mais um dia de trabalho.
“Quem consegue entender?” - pensou irritada enquanto se revirava pela milésima vez na cama. Revirou os olhos e cobriu a cabeça com o travesseiro numa tentativa de pegar no sono novamente.
Foram longos minutos trocando de posição, bufando e nada de conseguir dormir. Perdeu a paciência e desolada resolveu se levantar. Antes de seguir para fora do quarto, lançou um olhar que poderia queimar a cama e até mesmo o quarto inteiro. Bufou revoltada ao ver que continuava dormindo feito uma pedra.
Derrotada, seguiu até a sala e pegou sua lista de tarefas para seu dia de folga – que nunca cumpria e só aumentava – e leu os itens. Suspirou preguiçosamente e decidiu encher a barriga, afinal saco vazio não fica em pé.
Pegou sua tigela de cereais, jogou-se no sofá e ligou a TV.
- Olá, querida! - Falou docemente e repentinamente, quase matando do coração pela segunda vez naquele dia.
- Que merda, ! Não posso dormir em paz e nem ficar quieta no meu canto! Que merda! - Reclamou irritada enquanto encarava a amiga.
- E quem disse que vai ficar em paz? - Perguntou brincalhona enquanto se jogava ao lado da amiga no sofá. Pegou a colher da mão dela e comeu o cereal.
observou a cena atentamente, os olhos pequenininhos e a sobrancelha esquerda levantada. Sua mão continuava na posição em que segurava uma colher imaginária.
- Prefiro quando você está viajando! - Comentou docemente enquanto tomava a colher da mão dela e comia uma colherada do cereal.
- Quem fica mandando mensagem direto com saudade? - Perguntou com um enorme sorriso enquanto apertava uma das bochechas da melhor amiga mal-humorada que tentava comer o cereal e ignorá-la.
revirou os olhos enquanto mastigava.
- Estão vendo como a é malvada comigo? Depois reclama que não ganha presente! - Falou enquanto se filmava para postar no seu stories. O seu cabelo lilás estava solto, vestia um pijama laranja de bolinhas brancas enquanto estava encolhida no sofá ao lado da melhor amiga.
- VOCÊ ME FILMOU, ? - Perguntou estressada aumentando o tom de voz. Colocou a tigela de cereal no chão e virou com o rosto vermelho em direção a amiga.
riu enquanto se levantava do sofá. repetiu a mesma atitude e saiu em disparada.
- VOLTA AQUI, SUA PALHAÇA! - Gritou enquanto corria atrás da amiga pelo pequeno corredor do apartamento que dividiam desde que foram morar em Los Angeles.
tentou fechar a porta do próprio quarto, mas foi mais rápida. Entrou com tudo, se jogando em cima da amiga fazendo com que caíssem na cama dela.
- Apaga! - Pediu enquanto tentava tomar o celular da mão dela.
A cena era cômica. estava jogada por cima da amiga enquanto a mesma segurava o telefone com uma das mãos no alto, tentando evitar que fosse pego. As duas riam até que acabaram fazendo cosquinha uma na outra. Minutos depois, cansaram e começaram a rir enquanto se afastavam, ficando apenas deitadas de barriga para cima no colchão.
- Senti sua falta – Confessa após alguns minutos de silêncio.
- Também senti a sua.
- Como foi o evento? - Perguntou de olhos fechados enquanto bocejava, o sono querendo retornar. Descansou o braço direito na barriga e cobriu o rosto com o braço esquerdo.
- Foi bem legal! - Respondeu animada, olhando brevemente para a amiga e voltando a atenção para a tela do seu celular. Continuou: - Trouxe algumas coisas para você e a . E como foi o trabalho? - Perguntou enquanto olhava as fotos no seu feed, bocejando.
relembra os últimos acontecimentos e dá de ombros, como se não fosse tão importante tudo que lhe aconteceu.
- Ah, tudo igual. Querendo matar a como sempre, sofrendo pelo Enrico... - Contou num tom monótono tentando disfarçar a agitação do que estava prestes a contar e que faria a amiga surtar como ela. Continuou: - E que inclusive, conseguiu assinar um contrato com uma gravadora. Em breve seremos apenas eu e as meninas. - Finalizou dando de ombros, continuava na mesma posição.
- Ah, sim!
- E o Robert que me abraçou uma noite dessas... - Desembuchou tranquilamente como se estivesse apenas falando a previsão do tempo. Segurou a vontade de rir enquanto sentia o frio na barriga ao compartilhar com a amiga o que havia acontecido na noite anterior.
Lembrou que não tinha contado para ainda.
começou a rir.
descobriu o rosto e encarou a amiga, surpresa por sua reação.
- Eu sei que o seu trabalho anda um tédio, mas não precisa apelar tanto! - Falou ela em meio as gargalhadas.
Ela apenas encarou a amiga seriamente, esperando que a mesma compreendesse que não era brincadeira.
se recompôs com os olhos arregalados enquanto sentava na cama.
- É verdade? - Perguntou surpresa.
confirmou com um gesto de cabeça, sentando-se de frente para a amiga.
Ela arregalou tanto os olhos que poderia pular do rosto enquanto sua boca estava aberta em um ‘O’ enorme.
- E como consegue estar tão calma? Se o Shawn tivesse me abraçado, eu estaria surtando até agora. - Constatou ela revirando os olhos enquanto observava a amiga.
riu ao lembrar que chegou em casa em estado de choque e que quando digeriu tudo o que aconteceu, caiu no choro em meio as gargalhadas até pegar no sono.
- Surtei ontem à noite! - Riu e continuou: - Você tinha que ver, ! Fiquei sozinha para fechar o café e chovia pra caramba. Ele quase me matou do coração quando apareceu do nada todo molhado e desesperado. - Falou sorrindo tristemente ao lembrar do desespero que estava estampado no rosto de Pattinson.
- Desesperado com o quê? - Perguntou confusa.
- Ah! Parece que está passando uma crise no relacionamento com a FKA e queria fazer uma surpresa pra ela.
- Surpresa? E recorreu a você? - Perguntou incrédula.
confirmou com um aceno de cabeça.
- Sem mais nem menos? Mesmo depois do que aconteceu entre vocês? - Perguntou novamente, confusa.
- Bem, não foi com a intenção de pedir a minha ajuda especificamente. Ele apareceu quando estava fechado e pediu que o ajudasse com o que queria. - Falou, dando de ombros. Continuou: - E dei bolinho para levar já que o Enrico não estava lá para fazer o que a FKA gostava de comer.
- Ah, sim! E deu tudo certo? - Perguntou curiosa enquanto sorria para a amiga.
- Não sei – Confessou fazendo uma careta enquanto deitava novamente na cama.
- E ele te abraçou? - Perguntou.
- Sim – Suspirou sonhadoramente, abriu um sorriso enorme. segurou uma de suas mãos, retribuia o sorriso. Ela sabia o quanto estar perto do Robert era importante para a amiga.
- E como foi? - riu apertando levemente a mão da amiga, olhando-a atentamente.
- Foi maravilhoso! Aquele cheiro de pele com cheiro de molhado e algum perfume junto. Ele deixou minha roupa úmida! - Falou sorrindo.
- Safadinha! - Zoou rindo ao entender o duplo sentido na fala da amiga.
riu ficando vermelha.
- Achei que ele fosse me ignorar para sempre. - Comentou com os olhos cheios de lágrimas.
- Eu também! Só que sabemos que seria exagero da parte dele, né? Você é a fã número um dele! Até eu queria ter uma fã assim. - Falou rindo enquanto abraçava a amiga.
sorriu.
- Você acha que eles vão terminar? - Soltou repentinamente.
pareceu pensar por alguns minutos.
- Acho que não! Você deve ter salvado a pátria como sempre. Amanhã ele vai te procurar imensamente agradecido por evitar que ele ficasse encalhado novamente. - Brincou dando de ombros. Continuou, seriamente dessa vez: - Deve ser apenas uma crise. Vão ficar bem! - Finalizou.
- Espero que fiquem mesmo. Ele finalmente encontrou a felicidade.
- Será que realmente é a verdadeira? Além do mais, você sabe que a felicidade não pode depender de outra pessoa. - Disse sabiamente enquanto dava um beijo na bochecha da amiga.

☕☕☕☕


- Queria um Peter K. na minha vida – Comentou sonhadora enquanto estava jogada no sofá com , as duas assistiam ao filme enquanto devoravam uma bacia de pipoca.
suspirou e concordou com um gesto de cabeça enquanto enchia a boca com mais pipoca.
O seu celular vibrou duas vezes seguidas. Ambas ignoraram.
- Você já leu os livros? - Perguntou olhando rapidamente para a amiga e voltando a atenção para o filme.
- Ainda não.
O celular vibrou algumas vezes novamente.
- São maravilhosos e tem mais detalhes do que o filme. Se quiser pode pegar os meus emprestados. - Sugeriu empolgada, pois amava fazer com que as pessoas lessem livros e melhor ainda se fossem os seus preferidos.
Se remexeram no sofá novamente, prestando a atenção no filme. dividia a atenção entre seu feed e a televisão.
Mais uma vez, pôde-se ouvir a vibração no braço do sofá fazendo com que suspirasse. Voltou sua atenção para a amiga e disse: - Acho melhor você ver o que querem. - Sugeriu voltando sua atenção para o filme enquanto enchia a boca com mais pipoca.
- Se fosse caso de vida ou morte teriam me ligado. - respondeu dando de ombros.
Bocejou enquanto assistia a cena da Lara Jean tentando criar coragem de conversar com a Margot.
Parece que havia ouvido o que tinha sido pela amiga, pois segundos depois seu celular começou a vibrar com o nome da amiga na tela. pegou o telefone com os olhos arregalados e encarou .
- Credo, hein! Diz que vou ganhar na loteria! - Falou risonha enquanto aceitava a ligação curiosa.
- Olha o grupo! - Pediu sussurrando num tom de desespero e desligando logo em seguida, sem qualquer oportunidade de resposta.
afastou o aparelho da orelha e encarou a tela confusa. A testa franzida e a confusão estampada na sua cara.
- O que ela queria? - Perguntou enquanto continuava com os olhos presos a televisão.
- Pediu para olhar o grupo.
Em resposta fez um som de compreensão.
desbloqueou a tela e leu as mensagens do grupo enquanto enchia a boca de pipoca novamente. Segundos depois, ela começou a tossir loucamente enquanto se engasgava com os grãos da pipoca. se assustou com o rosto vermelho da amiga e começou a dar tapas nas costas da amiga – um pouco forte - até que finalmente a tosse cessou.
- Cruzes credo! Não sei se ia morrer engasgada ou pelos tapas! - Reclamou enquanto respirava fundo e secava os olhos que haviam se enchido de lágrimas durante a crise de tosse.
riu e voltou sua atenção para o filme.
- Não acredito! - Murmurou chocada enquanto seus olhos quase pulavam das órbitas, após reler as mensagens no grupo.

[ 👸]: "Vcs já estão sabendo? 😭😭"
[ 😒]: "Disto?" - escreveu como legenda de uma foto que observou com atenção. Quando abriu a imagem prendeu a respiração e identificou ser Robert e FKA. Reconheceu a roupa que Robert vestia quando foi até o café e a sacola marrom com os doces. Era nítido nas fotos que ambos discutiam.
[Enrico 🎸]: "😓😓"

Ela ofegou e apenas digitou em desespero, os dedos rápidos feito uma flecha.

[]:
"COMO ASSIM?????!”
[ 😒]: "Isso mesmo que vc viu. Passa o money AHAHAHAHAHA”


- Não, não, não... - Repetia sem parar enquanto pegava o controle da televisão desesperada e trocava de canal até encontrar o que queria.
- EI! - Reclamou sendo pega de surpresa pela amiga que tirava do filme, protestou confusa.
“Parece que Robert Pattinson está solteiro novamente...” Comentou o apresentador do canal de fofoca sobre os famosos de Hollywood.
- Mentira! - Reagiu largando o celular e prestando atenção na televisão.
“Ele e sua namorada, quer dizer, ex foram flagrados em frente a gravadora Music na noite de ontem. Segundo testemunhas, eles discutiram na entrada e tiveram uma conversa acalorada por alguns minutos.” - Finaliza o apresentador enquanto as imagens do casal eram mostradas na tela.
Uma das imagens, reconheceu sendo a mesma enviada por no grupo.
- O pior lado da fama é que você não tem direito a ser traído ou brigar. Esses papparazzis não deixam o povo nem tomar um chute na bunda em paz! - Comentou inconformada enquanto assistia as notícias seguintes que eram mostradas no programa.
não respondeu. Estava parada na mesma posição em que começara a assistir o programa. Poderia parecer que estava concentrada na televisão, mas seus pensamentos estavam à mil. Se recordou do que aconteceu no café na noite anterior e seu coração se apertou. Era nítido que Robert temia pelo término e se esforçou para tentar reverter a situação, mas, outra vez, teve que enfrentar o fim de um relacionamento com quem ama.
O seu coração se apertou ao pensar no quanto estava sendo difícil para o seu ídolo.
- Amiga? - Chamou preocupada enquanto se ajeitava no sofá e se aproximava, acariciou os cabelos da amiga e observou-a.
apenas olhou-a com uma expressão triste. Deu de ombros e descansou a cabeça no ombro da amiga. O seu celular ainda estava em suas mãos.
- Tente relaxar, tá? - Pediu docemente enquanto acariciava os cabelos da amiga.
- Como? Fico com pena dele. Um relacionamento acabar e ainda o mundo inteiro ficar sabendo da sua desgraça! Isso é uma merda... - Comentou indignada enquanto suspirava tristemente.
- Ele vai sair dessa e além do mais, logo as pessoas vão esquecer. Ele tem a família, amigos e você!
- Eu? - Perguntou levantando a cabeça e encarando a amiga com uma expressão confusa.
- Sim! - Confirmou seriamente, continuou: - Claro! Você é um raio de sol na vida das pessoas que estão por perto. Pode ajudar ele tornando as manhãs dele agradáveis. - Falou com um sorriso doce nos lábios enquanto olhava atentamente para a amiga.
riu.
- Só você para me fazer rir num momento desses! - Comentou risonha.
- Estou falando sério! Pensa nisso! - Finalizou seriamente dando de ombros e seguindo para a cozinha, deixando sozinha com seus pensamentos.
Suspirou tristemente e voltou a atenção para o seu celular. Deitou-se no sofá e abriu o grupo novamente, lendo as mensagens.

[ 👸]: "N deveríamos ter apostado. Acabamos com um noivado! 😂😂😂"
[ 😒]: "Eu nunca erro HAHAHAHA"
[]: "Tadinho do Rob 💔"
[ 😒]: "😎💸💰💲"
[Enrico 🎸]: "Vai pagar meu almoço hj 😂"
[ 😒]:"Quero meu dinheiro hj kkk e sou tão linda q vou pagar bebida pra geral hj 😎"
[ 👸]: "Com nosso dinheiro, né? 😩"
[ 😒]:"Agora, meu dinheiro HAHAHA ainda estou sendo boazinha de gastar com vcs 😂"
[]:"Por mim, cancelava essa aposta. Acabamos com o noivado deles 😭"
[ 😒]: "N sabe brincar n desce p o play 😉"
[Enrico 🎸]: "👀"

larga o telefone em cima da barriga e fecha os olhos. Seus pensamentos estavam direcionados apenas para uma pessoa: Robert Pattinson. Queria poder ir até ele e o abraçar, dizer que não importasse o que tiver que enfrentar estaria sempre ao lado dele. Diria trocentas vezes o quanto ele era maravilhoso e que poderia contar com ela para qualquer coisa, mas a situação era outra. Teria que se conformar em apenas saber qual seria o pedido do dia e ter que ver a tristeza estampada na face do cara que era uma inspiração para ela.
- Vai ficar tudo bem – Disse para si mesma e fingiu acreditar nas suas palavras.


Capítulo 04 – Onde está você?

Fugir - verbo - escapar(-se), desviar(-se) precipitadamente de (perigo, pessoa ou algo ameaçador, desagradável ou tentador). - Fonte: Dicionário, Google.

amava Los Angeles e principalmente, a Sunset Boulevard. Uma rua repleta de histórias sobre a fama de alguns e decadência de outros. Repleta de pessoas com suas culturas diferentes que iam até ali para usufruir de tudo que aquele lugar tinha a oferecer.
E ela era uma daquelas pessoas. Ah, como ela amava!
Conforme foi combinado mais cedo, lá estava e na calçada do seu bar preferido e palco das melhores apresentações, principalmente de . O lugar sempre estava lotado e era minúsculo por ficar espremido entre outros dois bares famosos.
Pink Rose era o melhor bar de todos, a sua batata-frita era a mais deliciosa da Sunset, acompanhada de cerveja barata e gelada com uma boa pitada de música. As suas paredes eram pintadas na cor rosa bebê e repleta de quadros e fotos emolduradas que mostravam momentos e formas das lindas e belas flores. E no outro canto do bar, em frente a essa parede, ficava um balcão de mogno e uma parede repleta de prateleiras com diversas garrafas de bebidas.
Ela amava o charme daquele lugar. Nem mesmo o fato de viver apinhado de gente conseguia deixar de ser o bar preferido de muitos, principalmente quando a equipe do Tribbiani’s Coffee queria se reunir para curtir a noite pós expediente.
— Que maravilha! Agora, podemos fazer o tão esperado brinde! - Anunciou ao se levantar da mesa, segurava uma long neck estendida para o alto como se estivesse esperando que alguém brindasse com ela, fazendo com que revirasse os olhos.
estava com seu cabelo castanho escuro solto e usando um suéter caramelo com uma calça preta. Simples, mas sempre destilando veneno. E acompanhada de Enrico e que bebiam suas cervejas tranquilamente e a olhavam como se fosse algo rotineiro – e realmente era.
— Debochada, como sempre... - Comentou revirando os olhos.
— Imagine aturar isso o dia todo. - Falou dando de ombros.
— Guerreira! - deu uma leve batidinha consoladora no ombro esquerdo da jovem.
As duas se olharam e deram uma risadinha.
, é você? - Perguntou forçando uma expressão de incredulidade enquanto tomava mais um gole de sua bebida.
— Não! Sou um alienígena que está se infiltrando no planeta Terra. - Respondeu irônica enquanto revirava os olhos.
— Um docinho como sempre... - Comentou revirando os olhos. Deram um gritinho repentino e se abraçaram animadas. Agindo como se a situação anterior jamais tivesse acontecido.
suspirou dando de ombros, sentando-se enquanto aceitava a long neck que Enrico lhe estendia com uma expressão de compaixão pela amiga.
— E como está a minha garota? - Perguntou enquanto dava aquele sorriso de capa de revista. Ele estava usando uma camisa preta com uma jaqueta de couro, calça jeans. E sentado da forma que achava estar arrasando, com as pernas abertas e o corpo descansando no encosto da cadeira.
— Eu estou bem. - Respondeu pensando que a pergunta estava sendo dirigida a ela, até pensou o mesmo.
— Como está a minha garota ? - Repetiu a pergunta ignorando a intromissão de sua namorada enquanto dava ênfase ao nome da amiga e colega de trabalho.
bufou colocando a garrafa que estava bebendo na mesa e cruzou seus braços, descansando as costas no encosto da cadeira em que estava sentada. Sua expressão era de puro tédio, já estava acostumada com esse tipo de atitude do namorado.
sempre achou que eram um casal muito inesperado e fora dos padrões em quesito personalidade. Se entendiam da sua própria forma e aceitavam a personalidade louca um do outro. E ambos não eram pessoas fáceis de entender, principalmente por mudarem de humor facilmente, deixando e loucas de irritação.
Eles eram perfeitos um para o outro, até que nutria amores por ele pensava o mesmo.
— Com menos cinquenta pratas no bolso, mas sigo bem. - Respondeu dando de ombros enquanto saboreava mais um gole de sua bebida.
Todos riram.
— Ninguém mandou apostar em algo que estava fadado ao fracasso. - Soltou acidamente enquanto tomava mais um gole de sua bebida.
suspirou.
! - Chamou Enrico num tom de irritação.
— Você prometeu que não iria perturbar a com isso! - Repreendeu irritada enquanto encarava-a com a mesma expressão que a mãe de usava quando queria lembrá-la de suas promessas.
— Nada a ver ela ficar assim. O cara nem gosta dela! - Rebateu dando de ombros.
— Como consegue ser tão cruel? - Perguntou indignada.
suspirou, acreditando que com toda certeza do mundo se arrependeria das suas próximas palavras.
— Ela tem razão. - Soltou dando de ombros novamente enquanto forçava um sorriso.
Sabia que era loucura se sentir daquela forma, mas era difícil não se sentir próxima de Robert, como se fizesse parte de toda a vida do cara. E como não se sentiria? Acompanhou toda a trajetória dele desde o sucesso de Crepúsculo, o término com a Kristen e agora, FKA. Gostava dele e de poder vê-lo pessoalmente todas as manhãs, mas isso não quer dizer que ele também retribuía o sentimento.
— Meu Deus, o mundo está acabando! - Falou horrorizada com o que havia acabado de presenciar.
e não se bicavam desde que se conheceram e jamais, JAMAIS, em hipótese alguma, concordavam numa mesma coisa.
— Depois dessa, vou até pagar uma cerveja para você. - Disse radiante enquanto se levantava, pegando a long neck vazia de .
— Com o seu dinheiro ou o meu? - Perguntou a ela debochada.
— Vai ser paga, independente de quem for o dono do dinheiro. - Respondeu risonha enquanto seguia quase que saltitante para a muvuca de pessoas que estavam dentro e fora do bar, desaparecendo de vista.
— Ela é... - Falou fazendo o gesto de louca com a mão enquanto fingia uma cara de medo.
Enrico riu.
— E quando você sai do trabalho? - Perguntou tomando sua cerveja.
— Caramba, está ansiosa para se livrar de mim mesmo hein... - Comentou ele fazendo uma cara de indignação, rindo em seguida ao ver a jovem ficar vermelha.
e riram.
Continuaram curtindo a noite, deixando o assunto Robert Pattinson engavetado para a loucura que ainda estava por vir.

☕☕☕☕

bufou de irritação.
— Nenhum sinal dele, né? - Perguntou ao abandonar o seu tão amado caixa e se aproximar dela que estava com o corpo escorado no balcão, olhando o site de fofocas pela vigésima vez somente naquela manhã.
— Como pode, ? O cara desapareceu do mapa desde aquela noite. Ninguém o viu. Só tem fotos da FKA entrando, saindo da gravadora, indo malhar, saindo com os amigos. Ela realmente está tentando superar o término, mas e ele? - Perguntou num tom de desespero enquanto olhava para a amiga.
— Você sabe que ele manja de se esconder da mídia nos piores momentos, né? - concordou, recordando-se da época do término do namoro com a Kristen e como ele também conseguiu sumir da mídia. Ela ainda se lembrava de como surtou em não ter notícias dele. O pior era que dessa vez, ele estava há quase um mês desaparecido.
— Sim, nisso ele é mestre. - Concordou largando o telefone e apoiando o rosto em uma das mãos, bocejando. Desolação estava estampada em seu rosto. Observou enquanto servia alguns de seus clientes.
O movimento estava bem tranquilo naquela manhã e parecia que iria durar todo o dia, mas percebeu que não seria assim. Doce engano. E constatou isso ao ver algo que jamais havia presenciado desde que chegou a Los Angeles e ao Tribbiani’s Coffee. Claro, havia sim visto outros famosos serem perseguidos por paparazzi, mas não na quantidade enorme que estava perseguindo a ex de Rob.
— Puta merda! - Xingou e em coro ao ver FKA andando apressada do outro lado da rua com uma horda de paparazzi atrás de si, fotografando-a loucamente. Ela atravessou a rua seguindo em direção ao café. Usava roupas de academia preta, óculos escuros e um boné combinando com a roupa – talvez numa tentativa fracassada de escapar dos seus perseguidores.
sentiu pena da jovem ao se imaginar na mesma situação, sem qualquer privacidade para alimentar a curiosidade de pessoas como... si mesma. Naquele instante, ela se sentiu péssima ao se recordar que minutos antes estava fuçando notícias deles.
FKA entrou feito um furacão na cafeteria sem expressar qualquer tipo de reação. Sentou-se no fundo, longe das vidraças enquanto eles gritavam seu nome, amontoados na calçada em frente ao café e fotografavam toda a movimentação dela. Pegou o cardápio e começou a lê-lo numa forma que escondesse seu rosto.
seguiu rapidamente até a mesma, passando por alguns clientes que encaravam toda a movimentação assustados.
— Bom dia! - Cumprimentou ela sorridente em uma tentativa de tirar a expressão de irritação do belo rosto da mulher. Ela retirou os óculos e voltou sua atenção para o rosto tão familiar da atendente.
— Desculpe por agitar o seu expediente hoje. - Disse sorrindo docemente.
riu.
— Estamos acostumados e você não está sendo seguida por tantos... - Abaixou-se um pouco e colocou a mão em concha ao lado da boca com uma expressão estampada no rosto como se estivesse prestes a confidenciar um segredo. Continuou: — Justin Bieber e Hailey Baldwin fizeram pior. - Finalizou rindo junto com a mulher.
— EI, SAIAM DAQUI! DEIXEM OS MEUS CLIENTES ENTRAREM! - Disse repentinamente aos berros enquanto tentava afastar os paparazzi para que os clientes conseguissem entrar na cafeteria. Alguns corajosos confiavam nela e entravam, outros desistiam e saíam rapidamente.
— Você já sabe o que vai pedir? - Perguntou tentando evitar que a mulher visse toda a cena que estava causando para eles.
Ela confirmou com um gesto de cabeça.
— Torta de maçã e frappuccino à lá Joey? - Perguntou fingindo pensar muito.
Confirmou novamente enquanto sorria.
— Já, já estarei trazendo o seu pedido! - Sorriu uma última vez antes de se virar e seguir novamente para o balcão.
— Me desculpe pela confusão mais uma vez. Eu deveria ter ficado em casa, mas enlouqueceria... - Confidenciou num tom baixo, fazendo com que parasse e se virasse ao ouvir aquelas palavras e o tom triste na voz da mulher.
— Relaxa! Logo eles irão embora e você vai seguir sua vida de boa. - Falou sorrindo enquanto fazia um sinal de positivo com uma das mãos, seu coração apertado pela expressão da mulher e tudo que estava enfrentando.
retornou ao balcão e colocou o pedido na porta da cozinha para que fosse preparado por Enrico.
retornou da porta de entrada bufando de irritação, pisava forte até que parou na frente de , do outro lado do balcão encarando-a.
— Ela pediu para a viagem, né? - Perguntou lançando um olhar rápido para as costas da mulher que escondia seu rosto atrás do cardápio novamente.
revirou os olhos e negou com um gesto de cabeça.
— Não teremos clientes enquanto esses urubus não saírem daqui. - Falou irritada enquanto suspirava e apoiava o rosto em uma das mãos enquanto os cotovelos descansavam no balcão.
— Como ela está? - Perguntou ao se aproximar e parar ao lado de .
— Pediu desculpas pela confusão e que não tinha como ficar presa em casa. - Respondeu fuzilando com o olhar para demonstrar o quanto estava sendo difícil aquela bagunça para a mulher.
revirou os olhos.
— Coração mole... - Soltou como quem não quer nada, numa tentativa de implicar com .
— Pobrezinha! - Comentou tristemente.
ouviu o sino que Enrico tocava quando algum pedido estava pronto. Ela foi até lá e pegou o pedido. Seguiu tranquilamente até a mesa e serviu-a, retornando para seu lugar no balcão.
— E ele? Já apareceu? - Perguntou curiosa enquanto observava indignada os paparazzi parados na entrada.
— Nada ainda.
— Otário! Deixou tudo nas costas dela. - Falou irritada enquanto voltava a encarar .
— Ué? Agora, está defendendo ela? - Perguntou provocativamente.
abriu a boca para responder, mas foi interrompida pelas risadas de que tentava não chamar a atenção cobrindo a boca com as mãos.
— Está pirando? - Perguntou encarando-a como se fosse louca. apontou para a frente, ambas olharam na mesma direção e começaram a rir.
Avistaram Enrico fingindo limpar a mesa que ficava atrás de FKA que nem tinha noção do que estava acontecendo enquanto mexia em seu celular. Ele ficava em ângulos que pudessem permitir que aparecesse nas fotos tiradas pelos paparazzi. Sua pose era inclinada na direção da mesa, limpando-a com um pano, mas o rosto estava estampado com sua melhor expressão sedutora na direção das câmeras. Ele mudava de local a cada instante, mas sempre mantendo a mesma expressão.
— Enrico sempre me matando de vergonha! - Falou irritada enquanto colocava a mão na testa e chacoalhava a cabeça em negação. Bufou entediada e seguiu com passos decididos até ele, parou atrás dele puxando-o pelo colarinho da camisa verde musgo e arrastando-o em direção a cozinha, enquanto o mesmo reclamava e ela dava um esporro nele.
e riram da cena.
Elas voltaram a se apoiar no balcão e observar toda a cena enquanto uma única pergunta não saía da cabeça de .
“Onde está você, Rob?” - Pensou suspirando tristemente.


Capítulo 05 – Família.

“A vida pode dar muitas voltas e me levar por diversos caminhos, mas onde estiver minha família lá estará meu coração.” - Autor desconhecido.


Dias depois…
O sol estava brilhando lá fora, os passarinhos pareciam cantar alegremente enquanto voavam ao redor de que atendia um dos seus clientes do dia com um enorme sorriso no rosto. Fogos de artifícios, estrelas cadentes, pássaros, purpurina, tudo parecia envolvê-la em sua aura de felicidade. Sentia-se tão leve que poderia sair flutuando pela cafeteria como uma bolha de sabão que explodiria quando atingisse o teto branco.
A felicidade lhe consumia com a expectativa de conseguir um novo teste. Aguardava ansiosamente pela resposta de Veronica sobre a oportunidade de participar do comercial de uma nova marca de creme dental. Não era uma vaga em uma série de TV, mas precisava apenas de uma chance e quem sabe assim, seus pais enxergassem o seu potencial e aceitassem suas escolhas.
Suspirou enquanto o sorriso continuava colado em seu rosto. Caminhou de volta ao balcão de forma contida enquanto segurava o bule de café quente, guardando-o com cuidado para não se queimar - algo de costume. Acomodou-se novamente em seu costumeiro balcão e pegou o celular no bolso do avental. Foi como se tudo estivesse dando o sinal de que daria certo ao menos uma vez na sua carreira e o seu celular vibrou com a mensagem confirmando que a vaga era dela e em anexo as falas que deveriam ser estudadas.
Os seus olhos se arregalaram ao ler trocentas vezes a mensagem da sua agente em seguida dando lugar às lágrimas que sentiram-se na obrigação de dar o ar da graça em comemoração, secando-as ligeiramente e evitando que os outros percebessem.
— HEY! HEY! HEY! - Anunciou uma voz animada, fazendo com que tomasse um susto e quase deixasse o celular cair no chão. Respirou fundo com uma das mãos no peito enquanto tentava se acalmar. Virou-se na direção da voz e suspirou, revirando os olhos enquanto guardava o celular no avental.
— Escandaloso, como sempre! - Sussurrou ao se aproximar de , segurando o riso ao observarem ele com mais atenção.
Faziam algumas semanas que Joey Tribbiani e sua namorada, mãe de , haviam viajado para o Havaí numa comemoração de aniversário de namoro. E estava escancarado que eles haviam realmente curtido todo o sol que tinham direito, pois Joey estava vermelho feito um tomate. Vestia uma camisa de botões azul marinho estampada por flores vermelhas, bermuda preta e calçava chinelos. O colar de flores que costumavam colocar nos visitantes, continuava pendurado em seu pescoço. O óculos escuro estava descansando no topo da sua cabeça grisalha.
Todos o adoravam, até mesmo os clientes, era o tipo de pessoa que contagiava as outras com sua alegria e suas palhaçadas, principalmente, as asneiras que soltava vez ou outra. perdeu as contas de quantas vezes desejou que seu pai fosse como Joey, mas, infelizmente, a realidade era outra.
— Hey, Joey! Curtiu mesmo o Havaí hein! - Enrico cumprimentou-o dando aquele abraço e aperto de mãos, seguido de alguns tapinhas nas costas. O sorriso de Joey foi substituído por uma careta de dor enquanto soltava um riso que parecia mais um gemido doloroso. As meninas cobriram a boca com as mãos enquanto tentavam disfarçar a risada que queria escapar. Enrico se afastou, ficando de costas para as meninas que estavam atrás do balcão.
Joey descansou as mãos na cintura e respirou fundo em puro alívio e falou: — E vocês? Não vão me dar um abraço? - Perguntou com um sorriso forçado no rosto, mas o olhar era de puro desespero.
— Cadê a mamãe? - Pergunta numa tentativa de mudar o assunto e poupá-lo do sofrimento, pois sabiam que ele jamais admitiria que estava realmente doendo.
— Foi ao salão de beleza. Não parou de dizer a viagem inteira que precisaria de uma boa hidratação quando voltasse. - Falou revirando os olhos e dando de ombros.
— Bem típico dela. -
Todos riram.
seguiu para o caixa para atender um cliente enquanto retornava para próximo do grupo.
— E o Havaí é tão bom quanto dizem, Joey? - Ela perguntou com interesse enquanto se aproximava e sentava em uma das cadeiras próximas.
— Aquele lugar é maravilhoso! -
— Quando eu for uma coreógrafa famosa e estiver nadando no dinheiro irei ao Havaí e também para as ilhas Maldivas. - Comentou sonhadora enquanto descansava o rosto em uma das mãos.
seguiu até a mesa recém ocupada por um cliente, anotou o pedido e entregou para Enrico.
— O dever me chama! - Falou ele seguindo para a cozinha com o pedido em mãos. retornou ao balcão.
— Maldivas é maravilhoso! - Comentou ela enquanto prestava atenção na conversa.
— E como você sabe? - Perguntou numa tentativa de mexer com quem estava quieto.
revirou os olhos.
— Instagram, querida. - Respondeu impaciente.
fez pouco caso da resposta e voltou sua atenção para Joey.
— Pode deixar que vou levar você, Jane e até mesmo, e . - Falou sorridente enquanto cutucava o esmalte vermelho de uma de suas unhas.
— Fique tranquila que vou ficar famosa bem antes de você. - Comentou debochada enquanto um sorrisinho provocador estampava seu rosto.
— Estava bom demais para ser verdade… - Comentou Enrico derrotado, soltando um suspiro ao seguir até com a bandeja de comida. Ela aceitou com cuidado e seguiu até a mesa, servindo o cliente e retornando para o grupo.
— Fiquem tranquilas que muito em breve, todos terão condições de ir. - Falou Joey tentando evitar que se iniciasse os desentendimentos que estava cansado de presenciar e que na maioria das vezes, começava pelos comentários venenosos de .
— Como assim? - Perguntaram todos com expressões que misturavam surpresa, expectativa e espanto com o comentário do patrão.
— Para isso acontecer devemos continuar desempenhando o excelente atendimento. Então, vamos voltar ao trabalho?! Já conversamos muito e tenho várias coisas para verificar com vocês. - Falou dando o assunto por encerrado, seguiu em direção a cozinha fazendo um sinal com a mão para que Enrico o acompanhasse. Ele seguiu Joey, dando de ombros ao passar pelas meninas.
As meninas deram de ombros umas para as outras e resolveram fazer o mesmo: voltar ao trabalho.


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O expediente estava quase se encerrando, a cafeteria estava vazia e os silêncio reinava enquanto todos estavam focados em suas atividades. começava a conferir o caixa, limpava as mesas, varria o chão e Enrico limpava toda a cozinha. Joey havia ido embora alegando que tinha que buscar Devon no salão de beleza e que precisavam se preparar para um evento que deveria comparecer.
— E a despedida do Enrico? - Perguntou num tom baixo enquanto olhava para a cozinha algumas vezes, tentando se certificar que o mesmo não ouvisse a conversa das meninas.
e pararam suas atividades.
— Eu nem tinha pensado nisso ainda. Ele só tem mais duas semanas com a gente e depois vai entrar em estúdio para gravar o álbum de estreia. - Falou pensativa enquanto dava de ombros, mas a sua expressão era triste.
sabia que não seria a única a sentir falta de Enrico. Por mais que odiasse admitir, todos sem qualquer exceção, eram sua família e mesmo com os desentendimentos. Que família não briga entre si? Seria esquisito não vê-lo todos os dias, acompanhar as brincadeiras e a cantoria que costumava rolar em dias mais calmos. Jamais admitiria isso, mas o amava como a um irmão mais velho. É, realmente sentiria falta. - admitiu para si mesma.
— Vai ser tão esquisito quando Joey contratar outra pessoa para assumir a cozinha. - Ela falou enquanto voltava a varrer o chão.
Todas ainda tentavam manter a conversa entre si.
— Ele não… - Soltou no automático, interrompendo repentinamente ao se dar conta do que havia acabado de revelar. Instantaneamente, e largaram suas tarefas e seguiram rapidamente até , parando em frente ao caixa. A curiosidade estava estampada no rosto de ambas que encaravam-na ameaçadoramente.
— Pode abrindo o bico. - Ordenou enquanto encarava-a seriamente.
— Não confia em mim, ? - Perguntou .
— Ei! - Reclamou ofendida ao entender o comentário da jovem.
Ela suspirou dando-se por vencida, pois sabia que de uma forma ou de outra, as meninas ficariam sabendo das notícias.
— Eu sei que posso confiar em você, . - Esclareceu seriamente, continuando — Mesmo tendo roubado o Enrico de mim, mas tudo bem! - Finalizou com um sorriso brincalhão no rosto.
cruzou os braços, revirando os olhos, mas com um sorriso satisfeito no rosto. só não sabia se ela estava satisfeita em ouvir que confiava nela ou a confissão de que doeu ter perdido o Enrico. Suspeitava que seria pelos dois.
— Anda, ! - Pediu enquanto checava rapidamente se Enrico continuava cantarolando concentrado na cozinha. também verificou e quando teve certeza que não corriam o risco de serem ouvidas,resolveru passar a informação completa.
— Outro dia, ouvi Joey e minha mãe. Ele vai voltar para a cozinha. - Revelou dando de ombros e completou: — Segredo absoluto, por favor!
e se encararam pensativas por alguns instantes.
— Então, não vai contratar outra pessoa para substituir o Enrico? - Perguntou confusa.
negou com um gesto de cabeça.
— Ele não acredita ser possível encontrar alguém com as habilidades de Enrico. - Explicou.
— Nesse ponto, não concordo. Ninguém é insubstituível. - Comentou pensativa.
— Se for assim, o que vai fazer quando cada uma de nós sair? - Questionou-se preocupada.
— Ele sabe dos nossos planos e inclusive, nos dá a maior força para não desistir. - Falou seriamente, a preocupação lhe dominando.
fez um gesto para fazer menos barulho e checou novamente a cozinha.
— Sinceramente? Eu não sei. - Disse dando de ombros.
— Eu não acho uma ideia ruim, Joey retornar ao trabalho e além do mais, o ideal é o dono estar sempre por perto. Sabemos que não é ruim quando ele fica aqui direto, torna o dia até menos estressante. - Confessou enquanto apoiava um dos braços no balcão. As meninas concordaram com um gesto de cabeça, ao ouvirem atentamente a opinião da amiga.
Sabia que Joey confiava cegamente em cada um deles e que a saída do Enrico não seria nada fácil, mas acreditava que ele deveria se preparar para o dia em que cada uma das meninas teria que seguir outro caminho.
— Eu não vou mentir para vocês e também, não tem necessidade já que nos conhecemos muito bem… - falou repentinamente enquanto tinha uma expressão de seriedade. Continuou, enquanto e ouviam a jovem atentamente e temendo o que estava por vir: — Eu serei a próxima! - Revelou.
— Graças a Deus! - Soltou aliviada.
revirou os olhos, mas a sua expressão denunciava um sentimento diferente que não soube identificar.
— Como assim? - Perguntou aumentando um pouco o tom de voz.
— Shiuuu - e pediram para que a amiga diminuísse o tom de voz, todas voltaram novamente a atenção para a cozinha e se certificaram que ainda era seguro manter a conversa por mais que essa parte Enrico soubesse dos planos da namorada.
— Assim que possível, Enrico e o empresário vão deixar as coreografias dos clipes por minha conta e aí, já sabem, né? O sucesso vai ser instantâneo. - Gabou-se com um sorriso convencido no rosto.
deu um assovio de surpresa.
— Com certeza! Você tem talento, né ? - Perguntou buscando concordância por parte da amiga.
Ela encarou-a incrédula com o que ouviu.
, não seja uma pessoa horrível e diga a verdade! - Apelou fazendo uma chantagem emocional na amiga.
Ela suspirou derrotada, mas não se daria totalmente por vencida.
— Desde que não seja o Enrico montando as coreografias… - Falou risonha cruzando os braços.
deu de ombros, ignorando o comentário.
— Admito que fico feliz por estarmos correndo atrás dos nossos sonhos, mas admito que dói saber que em breve não estaremos todos juntos. -
Todas concordaram com um gesto de cabeça, a expressão de pesar e uma tristeza bem no fundo do coração.
Não se sabe se foi pelas emoções do momento - e realmente esperava que sim - resolveu abrir seu coração.
— Você é realmente boa e vai dominar o mundo. Eu vou sentir sua falta e do Enrico quando saírem. - Confessou sorrindo levemente.
A princípio foi pega de surpresa pelas palavras ditas pela jovem, mas em seguida, seus olhos se encheram de lágrimas.
— Awwwn - Reagiu beirando as lágrimas, jogou metade do seu corpo por cima do balcão numa tentativa de abraçar as amigas sem precisar sair do lugar. Ambas passaram os braços em volta uma das outras.
— Não chore por mim, baby! - Debochou enquanto tentava secar discretamente uma lágrima que escorria por sua bochecha.
— Palhaça! - Reagiu envergonhada com o comentário.
sorriu verdadeiramente com lágrimas nos olhos também.
— É o fim dos tempos? - Perguntou Enrico repentinamente, assustando-as que deram um leve gritinho.
— Enrico! - Reclamaram ao mesmo tempo enquanto dividiam expressões emocionadas, ainda em voltas nos diversos braços.
— Não me chamaram para o abraço coletivo. - Soltou fazendo um biquinho e uma carinha triste, fingiu até secar algumas lágrimas com o pano de prato que estava pendurado em seu ombro esquerdo.
— Ah, vem cá! - Chamou com o rosto vermelho enquanto ria e chorava ao mesmo tempo.
E ali envolvidos em um abraço coletivo, compartilhavam todos os sentimentos de cada um. Seja o medo do futuro, a rejeição da família de sangue, as dores dos vários “não” recebidos, a iminente separação. O fato é que compreenderam que família não é unida apenas por sangue e sim, pelos sentimentos que uns nutrem pelos outros, e o mais importante, em breve, seguiriam a lei das famílias: caminhos diferentes serão trilhados por cada um, mas sempre estariam por perto.


☕☕☕☕☕


Família era um assunto muito delicado para ela e que doía no fundo da alma. Foi magoada tantas vezes, por diversas pessoas e situações, mas o que realmente lhe machucava dia e noite era a mágoa que carregava por seus parentes de sangue. Uma ferida profunda e que continuava infeccionada, sem qualquer iminente chance de ser suturada. Qualquer pessoa poderia ter encher de pedradas, mas quando uma delas era atirada por seu pai ou mãe, machucava mil vezes mais. E o pior de tudo isso, era saber que eles não compreendiam o tamanho do estrago que lhe causavam.
Ela sabia que seus pais lhe amavam, mas utilizavam esse sentimento como desculpa para forçá-la a aceitar um destino que não queria para si. Sabia que apenas desejavam o que acreditavam ser o melhor e também, não queriam que se machucasse ao encarar o peso que o mundo lança em suas costas. Queriam protegê-la de tudo o que hoje está enfrentando e tem consciência do quanto as pessoas podem ser cruéis, insensíveis e egoístas, mas não enfrentar tudo isso significaria não estar lutando pela sua verdadeira felicidade: ser atriz.
queria apenas atuar e ter dinheiro suficiente para se sustentar. Queria dar vida aos personagens e fazer com que todo o mundo conhecesse cada um deles. Essa sim, seria sua verdadeira felicidade.
Seria o seu paraíso.
Mas e quando o seu paraíso tem apenas você?
Sabia que a dor de não ter contato com seus pais estaria sempre ali, machucando-a e lembrando-a de que faltava algo. Queria realizar o seu sonho, mas ter os seus pais por perto e poder compartilhar toda a sua felicidade. Seria pedir muito conseguir ter ambos?
Desde que resolveu largar Utah e tentar realizar o seu sonho em LA estava sem ter contato com seus pais. Abandonou-os, a pizzaria e o possível casamento que teria com algum morador da cidade. E fingiu ser outra pessoa, uma que fosse corajosa e não temia nada ou ninguém. Assim tem seguido os seus dias, mesmo que já tenham fechado diversas portas em sua cara e enfrentado os dias mais difíceis em que tudo parece dar errado, numa tentativa de convencê-la que fez a escolha errada.
Sentiu o celular vibrar em seu bolso, deixou o roteiro do comercial em cima da cama e viu o visor: uma mensagem de Catherine dizendo que estava a caminho de LA e queria ver a irmã. estranhou o fato dos seus pais terem deixado a irmã viajar para vê-la, mesmo assim perguntou o horário que chegaria e onde deveria buscá-la. Largou o celular e pediu aos céus que Cat não trouxesse problemas na mala.




Continua...



Nota da autora: Aqui estou eu novamente. Eu amo a amizade que existe dentro dessa cafeteria e já sinto que sofrerei quando o Enrico tiver que partir. O que será que a irmãzinha vai aprontar em LA? HAHAHA.
E quem quiser saber como foi o dia em que a chutou o balde e resolveu realizar seu sonho é só ler a fic que entrou no ficstape da Miley Cyrus. Mais um vez, muito obrigada pelos comentários e por todo carinho por essa fic <3
Clique aqui




E se gostou dessa fic, também confere as outras:
05. Jet Black Heart – [Ficstape #067: 5 Seconds of Summer – Sounds Good Feels Good]
01. Shut Up – [Ficstape #079: Simple Plan – Still Not Getting Any...]
03. Hands – [Ficstape #083: The Vamps Night & Day (Night Edition)]
North & South [Riverdale/Shortfic]
Bônus: Leaving Tonight [Shortfic]
03. Chocolate [Shortfic]
Bônus: Baby Came Home [Shortfic]


Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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