Última atualização: 11/07/2025

Capítulo 1

POV.
Se não fosse pela estranha garota de capa roxa que havia aparecido no meio do meu apartamento, aquele seria só mais um dia comum na minha vida — mas ela apareceu. Ela deveria ter cerca de 20 anos e parecia que havia acabado de sair de uma festa a fantasia, seu vestido esquisito e desbotado ia até a metade dos joelhos, ela usava longas botas pretas e uma capa roxa. Um pouco atrasada para o Halloween, mas a pergunta que realmente me interessava era: como ela tinha ido parar ali? Eu saí da sala por cinco minutos e quando voltei do sótão, ela estava lá em meu tapete. Olhei para a porta fechada mais uma vez. Como? Ainda em choque com a situação, me agachei ao seu lado e cutuquei seu braço levemente, não sabia se para tentar acordá-la ou para me certificar de aquilo não era uma alucinação da minha cabeça. Não parecia ser minha imaginação, uma vez que era possível sentir que ela era feita de carne e osso e sua pele estava quente, o que também era um bom sinal, então a cutuquei novamente, esperando que a garota acordasse e me desse uma explicação. Cogitei chamar a polícia depois do que parecia o décimo cutucão sem resposta, mas como eu iria explicar aquilo?
Foi quando Cedric pulou em cima da garota, antes mesmo que eu tivesse tempo de tentar segurar aquela imensa bola de pelos laranja, que a garota acordou. Seus olhos se arregalaram e ela se sentou em uma fração de segundos, depois de uma olhada rápida no ambiente em sua volta, pareceu ficar assustada quando seus olhos me encontraram.
— Quem é você? — Seus olhos se dividiram entre mim e varrer a sala.
Arquei a sobrancelhas, um pouco incrédulo.
— Você apareceu no meio da minha casa trancada de uma hora pra outra e me faz essa pergunta? Quem é você? — Retruquei, dando ênfase na última palavra. — Como entrou aqui? Ela voltou a me encarar, mas não me respondeu. A expressão de susto permanecia em seu rosto, até que seus olhos se arregalaram ainda mais. A garota loira começou a tatear o tapete até que encontrou algo debaixo de sua capa.
— Não, não, não — falou para si mesma em tom de desespero.
Observei ela puxar dois palitos escuros debaixo do pano roxo, até me dar conta de que era uma varinha quebrada, provavelmente parte de sua fantasia e ela havia sentado (ou caído) em cima dela. Sua expressão passou de susto para pânico. Comecei a desconfiar que ela tinha ingerido algo quando seu olhar se perdeu na varinha, não era possível que alguém fosse chorar por um acessório de uma fantasia. Mas mais uma vez, fui interrompido — e surpreendido — por Cedric. O gato — meu gato que detestava pessoas estranhas — sentou na capa roxa que ela usava e chamou sua atenção usando uma das patinhas. Ela desviou os olhos da varinha e olhou para ele.
— Cedric — sua voz pareceu aliviada ao chamar pelo meu gato, e foi de um jeito muito familiar, o que me causou espanto.
Primeiro porque ele havia perdido a medalha de identificação a cerca de 3 dias enquanto se enroscava nas decorações natalinas, não tinha como ela saber o nome dele, segundo porque ela falou como se já o conhecesse, e ele nunca saia de casa. Isso só seria possível se ela já tivesse entrado no meu apartamento antes. Me lembrei dos inúmeros casos onde pessoas viviam nas casas de alguém sem que o dono se desse conta, mas me recusei a acreditar que eu era o premiado da vez, eu não era tão distraído assim.
— Quem é você? — Perguntei novamente, já bastante impaciente. — Tem dois minutos pra me responder antes que eu chame a polícia.
— Po..?? — Ela deixou de encarar o gato, que recebia seu carinho, e me olhou curiosa.
Peguei ela pelo braço e a ergui meio sem jeito, colocando ela sentada no sofá.
— Você bebeu? Usou alguma coisa?
Seu rosto não era nada além de uma interrogação. Esfreguei os olhos, tentando entender a situação. Ela parecia inofensiva, me lembrava alguns dos meus alunos, mas ainda era uma estranha que apareceu no meio do meu apartamento.
— Do que é que ele está falando? — Escutei a voz dela novamente, mas quando tirei a mão do meu rosto, percebi que ela não falava comigo, se não com o meu gato.
Droga. Definitivamente ela tinha usado alguma coisa.
Me abaixei perto do sofá, ficando de frente para ela.
— Você sabe qual o seu nome? — Perguntei, tentando manter a calma.
— É claro que eu sei — ela riu, me intrigando. Encarei-a de forma séria, esperando que ela respondesse a minha pergunta independente do que ela tivesse usado, e felizmente ela pareceu entender. — . Você não...?
Ela não terminou de falar, de repente ficou séria novamente e me encarou por algum tempo, voltando a olhar pela sala logo depois.
? — Meu nome saiu quase como um sussurro de seus lábios.
Como ela me conhecia, conhecia Cedric — que também parecia conhecê-la, uma vez que não saia de seu lado — e eu não tinha a menor ideia de quem ela era? Puxei o gato para longe dela, já começando a ficar mais preocupado com sua presença.
— Vai me dizer agora como entrou aqui e como me conhece — meu tom saiu mais ríspido do que costume, talvez pelo choque misturado com a intriga, e agora um pouco de medo.
Ela negou com a cabeça, pousando as mãos em seu colo junto com a varinha quebrada.
— Não conheço você, mas tem os olhos dele — vi um sorriso se formar em seus lábios, até que ela olhou para a mesa atrás de mim, onde havia uma foto do meu pai. — O Sr. Holloway sempre falava de você, é o filho dele, não é?
Coloquei o gato no chão, sentindo uma certa falta de ar depois que escutei suas palavras. Me levantei ainda sem reação e acabei pegando o porta retrato. Cedric era do meu pai, eu fiquei com ele depois que ele faleceu. Tanta familiaridade com aquele gato … e também conhecia meu pai. Observei o animal se aninhar no colo dela. Me lembrei de todas as vezes que meu pai sumia sem dar explicações quando eu ainda era adolescente.
Observei novamente, desejando estar errado.



Continua...



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