FFOBS - Desculpa Se Te Chamo de Amor, por Valle


Desculpa Se Te Chamo de Amor

Última atualização: 07/06/2018

Capítulo 16



Estava no aeroporto quase embarcando. Luna não parava um segundo e seu coração estava partido em mil pedacinhos. segurou sua mão quando tivera a chance, mas a maior parte do tempo parecia querer ficar sozinha. Tudo tinha acontecido rápido demais e em um piscar de olhos as duas estavam voltando para Londres. As últimas horas estavam sendo uma loucura e sua cabeça parecia que ia explodir com tanta informação. só conseguia pensar em como Luna estava se sentindo com toda aquela história, não acreditava que o senhor pudesse magoá-la, mas tudo indicava que mesmo depois do que ela tinha planejado para ele em seu aniversário e o tempo que tinham passado juntos, não significava absolutamente nada. Luna Aniballe havia encontrado – não nitidamente – o senhor a traindo em seu quarto, na suíte presidencial. Elas estavam voltando das compras, animadas porque Luna tinha recebido um e-mail sobre algum possível prêmio, e lá estavam depois de algumas horas; com as malas prontas e os corações partidos. Aniballe por ser traída pelo amor da sua vida e ela por ver seu casal preferido no mundo tendo um fim.
Aquilo era muito cruel.
– Tem certeza que quer ir embora? – indagou, apreensiva.
Tinha perguntado aquilo várias vezes. “Você sabe o que está fazendo?”, “Não é melhor esperarmos para conversar?” ou “Você precisa ficar calma!”, mas Aniballe sequer tinha esperado para falar com o senhor ou dar uma chance para ele se explicar. Elas estavam literalmente fugindo do Brasil. As únicas pessoas que haviam avisado eram os pais de e só. Não conseguiu se despedir de ou até mesmo Caio – tinha passado uma tarde inesquecível ao lado dele, com direito a risadas, confissões e um beijo, tornando o laço eterno e uma amizade que queria preservar pra sempre em suas lembranças.
Droga. Queria muito ter se despedido dele como deveria porque, por alguns instantes, aquele passeio com o rapaz carioca havia a feito esquecer o homem por quem estava apaixonada.
E só ela sabia o poder que aquilo tinha dentro dela.
– Tenho. Vamos logo, por favor. Não quero ficar mais um minuto aqui.
assentiu.
Além de Luna ser sua chefe, havia se tornado sua melhor amiga e jamais a deixaria. Era difícil acreditar que estava a traindo, mas elas tinham escutado a bagunça dentro da suíte dele. Era óbvio que alguma coisa estava acontecendo. Se soubesse antes o que sabia agora, jamais deixaria ela se aproximar dele, mas o senhor parecia ser um bom homem. Ela nunca desconfiaria que ele fosse capaz de tamanha covardia.
Ah, Luna, coitadinha, pensou.
suspirou fundo pegando o celular e olhando a amiga antes de fazer algo que talvez pudesse se arrepender mais tarde, rapidamente digitou uma mensagem para . Alguém precisava saber o que estava acontecendo.

O seu relógio marcava oito horas da manhã quando se despediu da amiga. Luna passara a viagem toda em silêncio e fingira estar dormindo para deixá-la mais à vontade, era difícil ter o mundo caindo sob seus pés em questão de segundos e, talvez, para Aniballe aquilo fosse mais difícil ainda, já que eles pareciam ser o casal perfeito. Bem, pelo menos era assim que os via. Logo que pegou o celular viu centenas de mensagens com o nome dele. Seu coração acelerou, batendo com força contra o peito.

De: .
22:31h PM
“Por favor, por favor, diga que está com a Luna!”

De: .
22:45h PM
“Vocês foram mesmo para Inglaterra?”

De: .
00:10h AM
está voltando pra Londres. Por favor, me avise se está bem.”

De: .
00:11h AM
“Sinto muito, não queria que a viagem terminasse desse jeito.”

De: .
06:18h AM
“Bom dia, . Não consegui dormir nada essa noite. está uma fera comigo, espero que Luna entenda o que houve. Sinto muito por tudo isso. Espero que esteja bem. xo – Z. “

Ela apertou o celular com força entre os dedos. Não tinha entendido muito bem a última mensagem, mas não importava. Ele parecia estar tão preocupado com o que tinha acontecido com os dois, como com ela também. Suspirou fundo, chamando por um táxi. Queria respondê-lo imediatamente e falar que estava tudo bem, mas tomou um tempo para a sua cabeça, estava tão indisposta e cansada com toda situação.
A última noite havia sido um turbilhão e tudo o que ela precisava agora era da sua cama e de um bom banho, queria um momento de paz sem altos e baixos e confusões dos mais velhos.
Aquele mundo novo que estava conhecendo era tão conturbado. Era como no colégio, só que com mais responsabilidades e ela estava completamente exausta de tudo.
Quando chegou em casa, seus pais já haviam saído para trabalhar, mas sua mãe, Sophie, tinha deixado uma bela torta em cima da mesa com um bilhete escrito “Bem-vinda de volta.” Ela sorriu, beijando o papel. Só alguns dias fora e percebera o quão sua mãe e seu pai faziam falta, eles eram seu porto seguro. Benedict lhe dava a paz que precisava e sempre parecia a compreender - ou pelo menos ele fingia quando o assunto era garotos. E sua mãe era o riso, o carinho e a cumplicidade.
Ah, eles eram bons demais para ela. Bons demais.
Subiu os degraus pulando e, quando chegou ao quarto, se jogou na cama. Seu corpo inteiro estava dolorido por causa da viagem transtornada, que assim que fechou os olhos e suspirou fundo, caiu no sono rapidamente, sonhando com a pessoa que ela jurava ser sua alma gêmea.

.

Minha nossa, ele estava terrivelmente e grandiosamente ferrado. Talvez essa ainda fosse uma definição muito simples para o que estava ao certo. Seu amigo e sócio – ele não podia esquecer disso, já que a sociedade estava por um fio – queria matá-lo com as próprias mãos. E ele culpava apenas uma pessoa por isso.
, a garota que trabalhava de secretária no treze. A mesma que alguns chamavam de loirinha ou Caramella, e ele estava se apegando – ao apelido e a ela. Droga, jamais pudera imaginar que, ao levar uma mulher na suíte do seu melhor amigo, surgiriam mais três e depois de algumas garrafas vazias, aquela noite seria sua ruína. Se não fosse por alguma enxerida mexer em seu celular, ele nunca saberia a tempo de avisar que Luna estava voltando para a Inglaterra com .
Só horas mais tarde eles foram descobrir o porquê.
Um dos garçons havia visto as duas – e Luna – indo até a suíte presidencial e bloqueado a entrada delas. Porque o suposto dono do quarto estava fazendo uma festinha particular.
Meu Deus.
queria sua alma.
– Você não tem noção do que fez? – indagou ele praticamente gritando.
engoliu em seco.
Não sabia o que falar. A mulher por quem seu amigo era apaixonado há anos estava o deixando por uma falha dele. Isso porque não conseguia manter¬¬-se dentro das próprias calças.
– Eu sinto muito ... Eu... Eu jamais imaginei.
– O que está feito, está feito! Fretei um jatinho, vou atrás dela. Você vai ficar aqui e cuidar do resto das negociações.
Ele assentiu em silêncio.
– Só me prometa contar a verdade pra ela.
– É claro, !
Ele suspirou fundo, balançando a cabeça.
– Luna é muito doce. Não quero vê-la magoada. – suspirou ele.
– Pode falar pra ela que eu compro alguma joia da Tiffani’s. A qual quiser.
– Duvido que te perdoe pela raiva que deve estar passando, mas tudo bem. Eu mesmo vou comprar. – disse ele – Mas é claro que é você quem vai pagar. Estou louco pra ver você alguns bons mil mais pobre.

Ele olhou para o relógio. Estava jantando sozinho e não tivera nenhuma notícia de , muito menos de . Não era daquele jeito que tinha imaginado o resto da viagem, mas agora que a merda tinha sido feita – por ele, inclusive – não podia fazer nada para mudar. Só esperar para contar a verdade à Luna.
E .
Só de pensar já sentia um nó na garganta. As palavras seriam difíceis de sair. Se perguntava como contaria a garota que era ele quem estava no quarto com três mulheres.
Droga, estava mesmo ferrado.
Mas, em sua defesa, nem estava se divertindo tanto. E em todo momento, desejara que fosse apenas ela. Aquilo não tinha cabimento. Não mesmo. Primeiro porque ficaria desapontada assim que soubesse que era ele quem estava na suíte. Mesmo que ela fingisse, ele saberia. E depois, ele não queria magoá-la.
Ah, como conseguia estragar tudo? Indagou ele, refletindo.
Sabia que teria que contar para ela e não sabia por que estava tão nervoso. Bem, sabia, mas não podia estar. Não queria magoá-la, mas tinha mais alguma coisa e não conseguia ver ainda o que era.
Restavam três dias no Brasil antes de resolver o que e como faria para contar a ela. Já tinha errado no jantar dois dias antes e agora com certeza ela esfolaria sua cara – e com razão – em uma rua cheia de pedras.
Ele suspirou abalado. Não havia escapatória.
Quando deixou a mesa se retirando do restaurante, sentiu o celular vibrar no bolso da calça. O nome dela estava na tela. Deslizou o dedo e sorriu com sua mensagem.

De: .
00:13h AM
“Sinto muito demorar para responder, Sr. . Luna e eu nos despedimos no aeroporto, ela foi para a casa de uma amiga e pediu para eu não contar, então, por favor – por favor mesmo –, não conte a ninguém. Eu dormi o dia inteiro, mas estou bem e o senhor? Xoxo – C.”

Ele podia ouvir sua voz ao ler a mensagem. E, por mais louco que pudesse ser, era reconfortante.

Para: .
20:13h PM
“Não se preocupe, seu segredo está guardado comigo. Fico feliz em saber que está bem e, diferente de mim, conseguiu dormir. Estou um caco, mas aliviado por ter notícias suas.”

Ele pensou antes de enviar e releu a mensagem mais duas vezes, e então apertou o botão.
Era estranho dizer que estava aliviado, mas era verdade. Prezava por ela.
Rapidamente seu celular vibrou de novo.
Ele tirou sua roupa, tomou um banho o mais rápido possível, deitando-se na cama, em questão de minutos, para respondê-la.

De: .
00:15h AM
“Obrigada. O senhor um caco? Eu queria poder ver essa cena, haha.”

Ele sorriu.

Para: .
20:45h PM
“Pelo amor de Deus, não me chame de senhor. Me sinto muito mais velho do que já sou! E não, você não gostaria de me ver assim.”

Ele mordeu o lábio inferior esperando pela resposta dela. Não costumava trocar mensagens com ninguém, nem mesmo quando era noivo de Amber. O máximo que eles conversavam era sobre com quem iriam jantar ou se ele demoraria para voltar para casa.
Era tão diferente aquela sensação de ansiedade e nervosismo.

De: .
00:56h AM
“Desculpa se te chamo de senhor, é o hábito, haha. Descobri um grupo de tenores, chamado Il Volo, você precisa ouvir, eles são ótimos. É um tipo de ópera pop. Acho que vai gostar.”

Ele pensou por um instante antes de digitar uma resposta. Por um momento, chegara a imaginar que fosse conversa de o seu gosto por música clássica, mas sorriu ao perceber que estava terrivelmente enganado. E ela completamente certa. Os meninos eram ótimos. Sempre quisera ter essa conexão com Amber. Ela reclamava das músicas melancólicas e quando eram animadas reclamava por não ter ninguém cantando ao fundo e, se tivesse, por fim, ela reclamava que aquilo era antigo e antiquado demais. Nunca a agradara e o seu amor por música era algo que sempre gerava discussão. Discussões bobas, mas que para ele sempre pesavam. deu um sorriso melancólico. Não podia negar que ter aquilo em comum com uma menina como era bom, mas às vezes se pegava pensando em Amber. Não porque sentia falta, mas sim porque algumas vezes era bom o seu relacionamento com ela e se perguntava o que tinha que ter feito de diferente para não ter acabado do jeito que acabou. E a resposta vinha imediatamente... Nada.
Não podia ter feito absolutamente nada para mudar. O fim seria o mesmo, indiferente do percurso. E, por outro lado, ele se sentia bem por isso. Muito bem.
Afinal, jamais poderia ter se aproximado de se ainda estivesse noivo. E não estaria sentindo aquela sensação estranha na boca do estômago que estava começando a sentir quando ficava perto dela.
Ele digitou uma mensagem.

Para: .
21:05h PM
“Então mude o hábito, haha. Nossa, eles são realmente bons. Gostei, obrigada por partilhar comigo.”

Não demorou muito e ele recebeu sua resposta.

De: .
01:06h AM
“ Você é tão formal, haha. Não foi nada (:
Preciso ir, estou cansada e não quero te atrapalhar. Tenha uma boa noite e descanse, .
Xoxo “

Ele sorriu ao ver seu nome no final da frase. Sabia que tinha sido um idiota no jantar e mais idiota ainda por ter levado mulheres ao quarto, mas ela ainda estava lá o tratando com carinho como sempre. Ele mal podia esperar para voltar logo para Inglaterra e se desculpar. Mesmo tendo a certeza de que, dessa vez, ela jogaria o vaso na sua cabeça.

Para: .
21:07h PM
“ Você nunca atrapalha, Caramella. Durma bem ¬– Z. “

.

Ela ficava admirando a última mensagem de . “Você nunca atrapalha...” a última vez que havia ficado boba assim, tinha sido quando ele a levara para sair, mas aquilo era uma semana atrás. Fazia cinco dias desde a última vez que conversaram por mensagens e ela não via sinal algum de na AEDAS.
Estava um pouco atarefada, já que Luna tinha decidido não aparecer na empresa por algum tempo – mas, graças a Deus, ela e estavam bem, tudo não passava de um mal-entendido que Aniballe lhe contaria pessoalmente quando voltasse – ou seja, ela tinha muito serviço a fazer. Bem, nos dois primeiros dias.
Agora estava sentada ouvindo seu grupo novo favorito enquanto lixava as unhas.
– Você pegou essa lixa da Mellanie? – ela revirou os olhos antes de responder.
Brooklin sorriu de lado.
– Eu achei no almoxarifado. Será que é dela?
Ele deu de ombros.
– Não sei como ela consegue ficar lixando aquelas unhas o tempo todo. Já pedi pra parar.
– Acha mesmo que ela vai parar de lixar as unhas?
O garoto deu de ombros de novo.
– Ela vive me arranhando.
ergueu uma sobrancelha o encarando.
– Vocês...?
Brooks deu uma risadinha idiota de menino. Ela revirou os olhos de novo.
– Nós saímos algumas vezes.
– Brooklin!
Ele puxou uma cadeira ao lado da mesa de , pronto para começar a fofocar.
– Eu estava na cafeteria esperando dar meu horário para entrar e ela estava lá. Nós começamos a conversar e até que é gente boa.
– Até? – indagou , sem acreditar.
– Ah, ela é muito gostosa.
colocou a mão na boca.
Homens. Todos iguais.
– Você gosta dela?
Ele parou por um instante.
– Ahm... Acho que não. – ele coçou a cabeça – É difícil explicar. Quando estou com ela é legal. Mas quando não estou é indiferente.
– Brooklin, quando pedi pra você ir ao banco para mim, não disse que podia dar uma voltinha e perturbar o trabalho da senhorita . – disse , surgindo do nada.
Ela engoliu em seco e viu Brooks levantar da cadeira ao seu lado como um Suricato saindo da toca. segurou o riso.
– Só vim ver se estava tudo bem, Senhor . Já estou de saída, com licença.
Brooklin saiu às pressas e o acompanhou com os olhos, até ele sumir no corredor.
Quando voltou a olhá-la, estava sorrindo.
– Ele é muito esperto.
– Por isso o contratou. – respondeu ela, sentindo o coração bater com força como sempre.
– É. – disse ele, com as mãos no bolso.
– O Senhor... digo, você precisa de algo?
sorriu de lado, um tanto quanto malicioso e os olhos estreitos.
Ela o encarou desconfiada.
– O que foi?
Ele pigarreou antes de falar, se aproximando da sua mesa e sentando onde Brook havia colocado a cadeira. Perto, muito perto dela.
– Eu estou viciado no grupo que você me indicou. Os garotos cantam muito. – confessou ele, fazendo a garota sorrir.
– Estou surpresa.
– É, eu também. – ele sorriu de um jeito doce e continuou – Eu vim me desculpar sobre o que houve no Brasil.
arregalou os olhos. Realmente, aquilo sim tinha a deixado surpresa. se desculpando? Que cena encantadora.
– Confesso que não esperava por isso. – disse ela.
Ele assentiu.
– Tem mais uma coisa. Eu estava fazendo umas pesquisas e descobri que terá um concerto do Il Volo aqui perto. – ele se inclinou para frente falando mais baixo – Gostaria de ir comigo?
A cabeça de se encheu de pensamentos inapropriados no mesmo instante. Não, nada erótico – talvez um pouco –, mas principalmente imagens sobre como seria seu casamento.
Ah, meu Deus.
Ela sabia que não devia voar tão longe, mas era inevitável.
estava a poucos centímetros dela e estava a convidando para um concerto de música clássica em um pedido de desculpa. Ela tinha se apaixonado pelo cara certo, tinha certeza disso. Ele não pensava em algumas coisas que fazia, mas a maneira como se desculpava estava sendo maravilhosa. Ela ia ter um ataque do coração logo.
– E então? – indagou ele, esperando resposta. – Será minha humilde forma de lhe pedir perdão sobre o que houve em nossa viagem.
sorriu.
– Eu adoraria, .
Ele colocou a língua entre os dentes sorrindo.
Ah, com certeza ela teria um ataque do coração.
– Então é melhor você ir para casa, não podemos nos atrasar.
piscou algumas vezes, olhando no relógio do computador.
– O concerto é hoje? Meu Deus! Mas ainda não está no meu horário.
se endireitou dando de ombros.
– Eu sou seu chefe. – disse irônico.
Ela revirou os olhos, mas assentiu. Precisaria mesmo de uma tarde inteira para se arrumar. E talvez não fosse o suficiente.
Bem, aquela era a hora de começar a arquitetar um plano.
De uma coisa sabia, ela o beijaria aquela noite.

Não tinha contado a absolutamente ninguém para onde estava indo ou com quem. Suas colegas da escola não eram importantes – na verdade, nunca chegaram a ser –, Luna estava vivendo sua reconciliação com e achava melhor não incomodá-la com seus devaneios. Já tinha quase dezoito anos e devia começar a agir como uma mulher. Assim que saiu do estágio, foi para uma loja, atrás de um vestido, no mínimo, parecido com o de Julia Roberts. Ela havia seduzido Richard Gere em Uma linda mulher. E sonhava em viver um conto de fadas. tinha esperança que isso acontecesse em sua vida também. Então, com o dinheiro que estava guardando para comprar sua bolsa, ela investiu em um vestido. Vermelho. Talvez um pouco mais justo e decotado do que Vivian, mas ainda sim, lindo e clássico. Arrumou o cabelo, jogando todo para um lado. Pegou algumas maquiagens da mãe, que por sorte, naquela noite – e todas as terças-feiras do ano – tinha ido jantar com seu pai na casa dos avós paternos. Nada podia ser mais óbvio que aquilo. tinha pensando em tudo, ou fora mesmo sorte, até porque achava que ele não sabia sobre a noite que seus pais saiam.
Se olhou no espelho mais de uma vez e repassou todo seu plano na cabeça, com certeza mais de mil vezes. Ela o beijaria aquela noite, não tinha mais porque não tentar. Ele era incrível, com todos seus defeitos. Um concerto de música clássica. Ele sabia que ela amava isso. Bem, estava certo que era por sua causa, mas ele não precisava saber dessa parte.
Ficou pronta em quase duas horas. Quando ouviu o som do motor do carro dele, estava se olhando no espelho, achava que a calcinha marcava muito. Aquele vestido era justo demais e a vendedora havia falado que com a calcinha certa não marcaria. Não havia notado antes, mas parecia que não tinha a calcinha certa.
Não pensou direito, ou talvez tenha pensado demais, arrancou a calcinha e guardou na pequena bolsa de mão, antes de abrir a porta. Ela não sabia exatamente o que estava fazendo, mas não teve tempo. Ouviu a campainha sendo tocada por ele. Engoliu seco e quase desmaiou quando abriu a porta e seus olhos caíram sobre .
Ele estava lindo. Não. Lindo era pouco para defini-lo.
estava incrivelmente deleitante.
Inteiro de preto, como adorava, e com uma rosa vermelha em mãos. Os olhos mais dourados do que qualquer outro dia que ela tenha visto. Ela viu quando seus mesmos olhos dourados fitaram um pouco mais na altura dos seus seios e sabia que, se ele demorasse mais um pouco, esqueceria completamente de Il Volo e o arrastaria para dentro da sua casa.
– Senhorita . – pigarreou ele, dando um passo em direção dela – Está maravilhosa.
Suas borboletas no estômago dançaram por ela. Era tudo o que queria ouvir.
Isso e, claro, o barulho dos seus lábios contra os dele.
Com certeza seria a mais triunfante sinfonia.
– Você também está, Senhor . – ele sorriu, não reclamando na maneira como o chamou.
– Vamos, nós estamos atrasados. – disse, colocando o braço dela envolto no dele.
– Onde será o concerto? – indagou ela.
sorriu de lado malicioso.
– Paris.

Capítulo 17

Ele tinha planejado tudo dessa vez. Desde que chegara a Londres, passara a maior parte do tempo pensando em como contaria a sobre o que tinha feito no hotel, causando quase o término de e Luna.
Não existia outra forma sem que fizesse uma encenação antes, porque tinha plena convicção de que olharia para ele com aqueles olhos azuis e ardentes e o destruiria. precisava arquitetar cada passo.
Depois que conversara com , confessando que só tinha levado as garotas para seu quarto porque não conseguia mais tirar a garota da cabeça, ele pareceu entender. Ou talvez estava frágil de mais para contestá-lo. finalmente se sentiu seguro e não podia mais negar ou fingir que não estava completamente louco por ela.
Disse ao seu melhor amigo com todas as letras que independente do que ele pensasse sobre os dois, seguiria em frente. O primeiro passo depois de falar com era encontrar a melhor maneira e quando pensou sobre os dois, não tinha nada que ambos gostassem tanto quanto a música clássica.
Estava nítido.
Não fora difícil achar o concerto, seria complicado apenas chegar até ele.
ligou para sua avó, explicando toda a situação e ela pareceu entender e até ficar animada com as novidades do neto. A Senhora , foi quem colocou a cereja no bolo.
Literalmente.
– Paris?
Ele sorriu.
– Sim, Paris. Entre no carro. – disse, abrindo a porta para ela.
o encarou boquiaberta e desconfiada.
Estava deslumbrante. Quando seus olhos caíram sobre ela, sentiu toda sua pele arder.
, como vamos para Paris?
Ele apontou com a cabeça para ela entrar de uma vez. ergueu a ponta do vestido longo e com relutância sentou no banco bufando. Ela ficaria inquieta até ele contar.
Deu meia volta no carro e não esperou um segundo para sair. Estavam atrasados. – Não vai me dizer nada? – indagou ela.
– Eu conversei com algumas pessoas – sua avó – e me emprestaram um jatinho particular. Ele viu pelo canto dos olhos, ela abrir a boca surpresa.
precisava beijar sua avó, quando a visse. Ela tinha comprado há alguns anos um jatinho para alugar para quem precisasse. E por sorte, estava a sua disposição. Chegariam a Paris em meia hora ou um pouco mais. Seria perfeito. Poderia levá-la para jantar, contar sobre a viagem e depois esperava que ela esquecesse a ideia de esfolar ele vivo, por conta do concerto.
– Ah meu Deus! – exclamou ela.
Ele sorriu vendo sua expressão divertida.
– Nós vamos chegar lá em alguns minutos e então vamos jantar. O que acha? – ele estava um pouco apreensivo, não podia negar.
Ela mordeu o lábio inferior e ele engoliu em seco, com os olhos vidrados na boca dela.
– Você é mesmo extravagante.
curvou o cenho e deu uma risada seca.
– Eu sou extravagante?
– Muito. – respondeu ela sorrindo.
Ele estalou a língua nos dentes.
– Se você diz...
– Eu estou certa, quase sempre.
Balançou a cabeça negativamente.
– Talvez isso seja um pouco demais mesmo. Mas espero que no final você me perdoe.
Ele a encarou por um instante. sorriu com os olhos e depois olhou para as próprias mãos. Adorava quando ela ficava tímida. Era simplesmente um encanto.
– Da próxima vez nós vamos em um lugar que eu frequento. Nada de terno e vestidos.
– Falando nisso. – disse ele. – Quando é seu baile?
– Você lembra ainda? – indagou ela, surpresa.
– Eu disse que ia te levar, não disse?
umedeceu os lábios, se arrumando no banco do carro. Eles estavam quase chegando.
– Você disse, mas pensei que...
– Eu sou homem de palavra .
Eles ficaram em silêncio por alguns minutos. se considerava um homem de palavra. Por mais que fraquejasse às vezes, no fim, sempre fazia aquilo que parecia certo.

Chegaram ao aeroporto e ele a ajudou a sair do carro, levando a garota até onde o jatinho estava. Cada passo que ela dava na sua frente, sentia seu perfume e ele tivera que se segurar para não beijá-la ali mesmo.
– Eu ainda não estou acreditando. – disse ela.
sorriu, pegando de leve em sua cintura.
O pequeno avião já estava os esperando. balançou a cabeça deslumbrada.
– Está pronta? – indagou, antes de subir a escada.
Ela assentiu.
– Estou.
subiu na frente e ele ficou alguns segundos parado, apenas a admirando. Quando ela chegou à porta, virou para trás sorrindo.
– Você não vem?
Ele sorriu nervoso. Aquele convite o fez estremecer.

DSTCDA – C.

– Bem vindo, Senhor .
– Oi Colin. Como está?
– Estou bem, obrigado. Podem se acomodar, colocar os cintos que já estamos de partida.
assentiu e apontou um lugar para ela sentar.
não estava acreditando. Em nenhum dos seus sonhos mais loucos pudera imaginar algo como aquilo.
Minha nossa.
Paris.
era mesmo exagerado e talvez um extravagante além da conta, mas se até aquele momento ela tivera dúvidas sobre ele ser o homem da sua vida, tudo tinha acabado no instante que a convidará para o concerto. E aquela rosa.
Minha nossa.
Ele podia apenas ir até a casa dela ou no escritório, não importava. Aquela rosa tinha conquistado mais um pedaço do seu coração. Não que já não fosse dono dele, mas aquela atitude completamente fora do comum havia dado certeza a ela que era ele. Minha nossa mil vezes.
Ela estava tremendo e não conseguia parar de sorrir um minuto. Teria um ataque do coração. Ele tinha superado todas as suas expectativas. Todos os seus sonhos.
Tinha que mandar uma mensagem para a mãe para que não ficasse preocupada quando chegasse em casa, mas tinha medo que se contasse para alguém alguma coisa desse errado. Porque era sempre assim.
Ela engoliu em seco, o observando conversar com Colin.
Ele era tão lindo.
Como poderia querer ficar com ela? Refletiu, olhando cada partezinha dele.
era tão lindo e inteligente e... rico.
Se quisesse teria as mulheres mais lindas do mundo ao seu lado. Com certeza. E, entretanto estava ali com ela, dentro de um jatinho particular, rumo ao concerto de ópera do grupo que estava apaixonada indo direto para Paris. A Terra dos apaixonados.
Alguém tinha que beliscá-la. Era surreal demais.
Se contassem a ela meses atrás, quando o viu na cafeteria pela primeira vez que isso estaria acontecendo, provavelmente falaria que a pessoa estava louca. Mas louca era ela quem estava ficando com tamanha reviravolta que sua vida tinha dado. Um tempo atrás estava trancada em casa chorando no colo da mãe por coisas terríveis que havia acontecido em sua vida e agora não parava de admirar o homem que estava sentado na sua frente, que toda garota da sua idade – e até mais velhas – sonhariam em ter em suas vidas, mas fora ela quem tivera a sorte. Não. Não era apenas sorte.
Não podia catalogar apenas como sorte.
Ele era destino.
O destino da vida dela.

– Uma bolsa?
Ela sorriu.
– Acredite é uma história boba, mas tem uma loja perto da minha casa. Eles vendem coisas usadas e tem uma bolsa na vitrine da Louis Vuitton que sou apaixonada.
– E você já comprou a tal bolsa?
Ela negou com a cabeça.
– Não sei se ela é tão importante agora.
– Então você começou o estágio por causa de uma bolsa. – ele se inclinou, apoiando o queixo na mão – Interessante.
– Achou que eu gostava de arquitetura?
– Achei. Você já tinha me falado sobre isso naquele almoço.
– Sim, agora eu gosto. Mas quando entrei, não conhecia absolutamente nada desse mundo. Ele assentiu.
– Você disse sobre fotografia e música também.
Ela sorriu. Lembrava do que ela havia dito. a encarou por uns instantes e sorriu de volta. Parecia uma boba.
– Sim. Eu estou pensando em alguma profissão relacionada à arte.
– Você já estudou alguma das possibilidades? – questionou ele curioso.
– Sim. No colégio eu sempre trabalhei com fotografia, mas faz tempo que não pego em uma câmera.
Ele a encarou confuso, curvando o cenho. olhou pela janela do pequeno avião.
Nunca comentará com ninguém sobre aquilo. Nem mesmo seus pais.
– Por que não? – indagou .
Ela engoliu em seco.
Sua vida estava tão perfeita até aquele momento que não queria estragar. Mas por outro lado, sentia que parte dela precisava ser exposta para fora aos poucos e dividir aquilo com talvez a fizesse bem.
Ela só queria que ele a entendesse antes de julgar.
– Eu fiz bobeira no segundo ano. Adorava tirar fotos minhas e quando conheci uma pessoa essas fotos foram ficando mais...
Deixou a frase morrer.
– Íntimas? – indagou ele, preocupado.
– Sim.
Ela olhou para os próprios pés. Não se sentia nenhum pouco confortável com aquilo. Era tão constrangedor falar sobre a maior vergonha que tinha passado em sua vida que logo entraria em combustão se não falasse alguma coisa.
– Eu... – pigarreou ele, antes de continuar – Você não precisa falar disso se não quiser.
Ela assentiu, ainda olhando para baixo.
Minha nossa, por mais que sentisse um alívio, era angustiante ter que contar há alguém sobre algo que mantinha em segredo a sete chaves.
– O que acha de voltar a fotografar? Pode tirar uma minha agora. – indagou ele, animado. Ela levantou a cabeça confusa.
– O que? Uma foto? Agora?
A primeira coisa que ocorreu a era que não tinha entendido absolutamente nada do que havia dito há dois minutos. Mas quando ele sorriu confiante para ela, entendeu. Ele simplesmente não se importava com aquilo e nossa... conseguiu tirar um peso dos seus ombros.
– Você precisa enfrentar seus traumas. – disse ele dando de ombros. – Quando o Pantera me derrubou a primeira vez; fiquei meses sem montar. Meu avô disse que eu era um marica e pra provar que estava totalmente errado, eu fui lá e montei. Claro que acabei quebrando o braço de novo, mas foi divertido provar que ele estava errado.
Ela riu se sentindo mais leve.
– Vamos, tire logo uma foto. Se você quer estudar fotografia tem que perder esse medo. teve vontade de se jogar nos braços dele. era perfeito.
– Tudo bem. Mas não tenho câmera aqui. Ou vai tirar alguma de algum lugar desse avião e me surpreender mais uma vez?
Ele sorriu dando de ombros.
– Infelizmente vou perder a chance de te surpreender. Mas eu estava pensando mesmo em você usar a câmera do seu celular.
– A qualidade não vai ser a mesma. – explicou ela.
– Não tem problema.
Ele tirou o cinto de segurança e se ajeitou no sofá.
Suas mãos tremiam. Tinha um celular aparentemente bom, mas não era lá grande coisa para tirar fotos. Até porque ela não fazia isso há anos.
– O que eu faço? – quis saber ele.
Ela engoliu em seco. Ele podia ficar de qualquer jeito que ficaria lindo.
tirou o cinto e se inclinou um pouco. Ele estava sentado na frente dela.
– Ahm... – o encarou por um instante. Não tinha reparado, mas seu cabelo estava um pouco grande – Posso? – pediu.
assentiu, sorrindo com os lábios semicerrados.
Ela se inclinou de frente para ele, ficando praticamente com as testas grudadas, para arrumar seu cabelo para trás. Seu coração estava palpitando e a cada batida sentia dificuldade para respirar.
– Assim ficou melhor. Agora você relaxa e faz o que quiser.
– Eu não consigo relaxar. Isso é um pouco constrangedor.
sorriu.
– A ideia foi sua.
Ele sorriu de volta.
– Eu sei, eu sei. Tire de qualquer jeito.
– Que tal você pensar em algo que te deixa feliz? Seria o melhor retrato.
Ele umedeceu os lábios assentindo.
se inclinou um pouco para frente e a encarou nos olhos, colocando uma mão no queixo, apoiando o cotovelo no joelho e então deu um leve sorriso.
Ele estava lindo.
Capturou o momento exato. Aquele que ela amava quando acontecia. Não tinha apenas tirado uma foto de . Havia registrado toda a leveza que ele era, sua áurea belíssima e aquele sorriso doce e encantador que só ele tinha.

.


Aquilo que o deixava feliz, ele pensou.
O que o deixava feliz? Sua família. Seus amigos. Ela.
Não importava o que tinha feito no passado. Era uma adolescente boba como todas as outras e ele a admirava por admitir o seu erro. Queria tê-la conhecido antes disso e detê-la, era claro que gostaria de cuidar de . Mas ambos tinham passados e se não tivessem vivido o pior, jamais saberiam o quão delicioso era a vida hoje.
Sim, ela o deixava plenamente feliz. Inebriado com aqueles olhos azuis e doces.
Queria beijá-la.
Meu Deus, ele queria muito fazer isso. Ela estava tão linda aquela noite. Não conseguia mais se segurar e não fazia questão disso. Adoraria vê-la em seus braços e desfrutar de cada parte dela. Queria que fosse sua, por fim.
Droga.
Ele havia se apaixonado.
Estava completamente apaixonado pela garota.
Pigarreou, se inclinando para frente até ficar o mais próximo possível. o encarou serena. Estava com os lábios entreabertos e rosados.
Nossa, ela estava perfeita. Linda, tão linda que ele se perguntara como uma garota como ela estava ali com ele, sendo que existiam muitos garotos da sua idade que provavelmente seriam melhores que ele.
estava completamente linda. Ele não a deixaria escapar. Não mesmo.
– Eu vou perguntar de novo. – começou ele. – Mas dessa vez não vou ser idiota.
Ela sorriu assentindo.
Ele se aproximou até suas testas estarem grudadas e seus narizes encostando um no outro. Já havia ultrapassado a linha. Não voltaria atrás.
– Eu posso? – indagou, engolindo em seco.
Ela sorriu lindamente, fechando os olhos e sussurrando:
– Pode.
correu as mãos pelos ombros dele até parar em sua nuca. sentiu o gosto dos seus lábios e se arrependera profundamente de ter negado isso antes. O beijo começou lento e delicado, primeiro estava tentando dizer a ela o quanto sentira falta daquilo. Se afastou por um instante, apenas para admirá-la. o encarou com os olhos pequenos e um sorriso bobo. Imaginava que também estivesse a olhando assim.
– O que foi? – perguntou ela, baixinho.
– Nada. Só queria te olhar.
Caramella sorriu, balançando a cabeça.
– Senhor ? – pigarreou a aeromoça, mulher de Colin.
– Sim. – respondeu, se afastando de .
– Estamos prontos para pousar.
– Obrigado Penelope. – ele passou a mão pelo rosto da garota a sua frente – É melhor por o cinto.
Ela assentiu, mas viu algo mudar em seus olhos.
era insegura. Ele não queria que ela tivesse dúvidas sobre o beijo. Não de novo.
Antes de se sentar devidamente, pegou a mão dela.
– Posso ver a foto?
– E se você não gostar?
– É só uma foto boba. – disse, dando de ombros – Tenho certeza que seu trabalho será muito melhor quando pegar uma câmera de verdade de volta.
– Obrigada .
Ela abriu a imagem para ele ver. Tudo bem. Tinha que admitir que não havia saído tão mal como ele pensou. Odiava fotos suas, ainda mais sorrindo. Mas gostará daquela.
– Você precisa voltar à fotografia. – ela balançou a cabeça, constrangida – É sério.
– No que estava pensando? – indagou ela, mudando de assunto.
– Só se me prometer que vai pelo menos tentar voltar a fotografar de novo.
revirou os olhos.
– Tudo bem.
– Jura?
– Mas sem pressão. No meu tempo.
– Eu não pediria mais.
– Okay. Mas agora me conta no que estava pensando.
Ele voltou a se sentar adequadamente, colocando o cinto de segurança para finalmente pousar em Paris. o encarou dando um sorrido de lado.
! – chamou ela. – No que estava pensando?
– Porque quer tanto saber? – questionou ele, divertido.
– Porque eu realmente consegui ver que é algo que te deixa feliz. Fiquei curiosa.
Ele sorriu enviesado, balançando a cabeça. Ela era incrível.
– Pensei em minha família, meus amigos.
sorriu.
Ele engoliu em seco.
– E você.
Ela piscou algumas vezes e seu sorriso aumentou.
Completamente linda. Apaixonante.
Ele era mesmo um cara de sorte.

Assim que chegaram a Paris, quis comer crème brûlée em um restaurante que eles passaram na frente. Pediu que ele cancelasse as reservas que havia feito em um restaurante renomado – o Epicure – para comer todas as sobremesas que podia.
Claro que quando eles entraram todos ficaram olhando por causa das suas roupas, mas ela não se importou. Pediu tudo o que queria e perguntou se podia levar para viagem.
Ela disse que aquele era o tipo de lugar que se sentia confortável. Não os restaurantes que ele estava acostumado.
E teve que concordar.
Comer sobremesas em um pequeno restaurante antigo, era muito melhor.
Depois foram caminhando – por escolha dela – até a Torre Eiffel. Não conseguiram ficar por muito tempo, estavam atrasados para o concerto. Mas fora o suficiente para ela pedir a ele que tirasse uma foto sua. E aquilo foi muito reconfortante.
Era como se ele tivera trazido parte da garota de volta a vida.
– Pega minha bolsa? Meu celular está ai dentro. – pediu ela, correndo para outro lado.
Estava linda.
Todos a olhavam correr com aquele vestido vermelho.
parecia que havia sido retirada de dentro de um filme. Perfeita demais.
Ele abriu sua pequena bolsa e estaria tudo bem se com seu celular não viesse uma peça junto.
A calcinha dela.
Meu Deus.
– Assim está bom? – gritou ela, fazendo pose.
Ele umedeceu os lábios e guardou a sua peça íntima no bolso.
– Está linda. – disse ele, tirando uma sequência de fotos dela.
– Quer que eu tire suas?
– Não precisa. Eu tenho várias... quer dizer, bem...
Ela gargalhou.
– Eu entendi.
– Então, vamos?
– Claro. Mal posso esperar.
Ele a deixou caminhar até o carro na sua frente. Droga, não fizera de propósito, mas inferno, ele era homem. Óbvio que estava indo ao delírio por imaginá-la sem aquela peça. engoliu em seco.
Seria uma noite daquelas.

O concerto do Il Volo, o trio preferido de , fora em três etapas.
Primeiro a excitação e o nervosismo quase não a mantiveram sentada na cadeira. Ele bem que tentara a primeira fila, mas como descobrira muito tarde, só conseguiu um par de ingressos para a terceira e se não fosse os euros a mais que havia dado, nem isso.
Depois a histeria de uma menina de dezessete anos.
Quando os três garotos entraram no palco, ela não se conteve dentro de si. E todo o silêncio e glamour que era normal ser visto naquele tipo de apresentação, foi pelos ares quando gritou pela primeira vez.
Lógico que ela esperou eles terminarem a canção, e se iniciar os aplausos, mas ainda sim, os gritos dela foram o ápice da noite. Porque ninguém conseguiu ficar quieto com a felicidade tão declarada dela.
E por último, ah, ele queria rir de mais.
Quando a garota pegou a bolsa para guardar seu celular depois de filmá-los, com intuito de um dia mostrar para seus pais – um dia que saísse de casa e eles não pudessem colocá-la de castigo por viajar para Paris com um homem mais velho e escondido – ela sentiu falta da sua roupa íntima.

.


? – indagou desesperada.
O show já tinha acabado. O melhor momento ao lado dele.
Ela guardaria em sua memória até os últimos dias da sua vida.
– O que foi?
Ele colocou uma mão em sua cintura a acompanhando até o carro que os levaria para o aeroporto.
– Você pegou alguma coisa da minha bolsa?
Morreria se visse sua calcinha. Meu Deus, aquilo era tão constrangedor.
Ele ergueu uma sobrancelha lançando um olhar sério a ela.
– Eu? Por que pegaria alguma coisa sua?
Ela abriu a bolsa de novo. Não tinha nem um sinal da bendita.
ficou em silêncio.
– Eu realmente estou ofendido por achar que peguei... – ele fez uma pausa, baixando o tom da voz – sua calcinha.
– Como você sabe... – ela abriu a boca, que cafajeste – !
Ele riu alto jogando a cabeça pra trás. Ela apenas balançou a cabeça morta de vergonha a caminho da saída do teatro.
Não podia crer que ele havia pego sua calcinha.
Pelo amor de Deus, sua calcinha.
– Não fique brava.
– Mas você pegou minha... – ela olhou para os lados, falando baixo – minha calcinha.
Ele riu de novo.
– A culpa não é minha se você a deixou dentro da bolsa. Eu só fui pegar o celular. – lembrou .
Ela não estava o olhando, mas sabia que ele devia estar com um sorriso divertido nos lábios.
– Não tinha o direito.
– Você está brava comigo? – indagou ele rapidamente, preocupado.
– Não, claro que não. Mas estou constrangida.
– Por que?
– Porque é minha calcinha ! – respondeu ela um pouco mais alto, chamando atenção das pessoas que estavam do lado.
Ele riu a abraçando por cima dos ombros.
– Não fique Caramella! É só uma peça íntima que terei o prazer de guardar – respondeu ele lentamente, escolhendo bem as palavras – em forma de agradecimento por hoje.
– Ainda bem que você lembrou. É uma peça íntima. Íntima, !
Ele riu de novo, beijando sua bochecha com força.
– Você fica tão linda assim.
Ela revirou os olhos, mas não conseguiu evitar o sorriso por muito tempo.
Tudo estava mais que perfeito. Seu tão sonhado conto de fadas estava acontecendo, bem diante dos seus olhos. Ela mal podia acreditar.
Finalmente estava sorrindo de novo, um sorriso verdadeiro, sem sombra de dúvidas um sorriso feliz e em êxtase.

– Como está se sentindo depois dessa nossa viagem louca?
Eles estavam em um tipo de sofá cama já sobrevoando de volta para casa. tinha tirado as sandálias e estava deitada com a cabeça no colo de , que estava sem terno. Os dois haviam acabado de degustar um delicioso kebab que havia comprado no caminho de volta para o aeroporto. Era inimaginável.
– Bem, foi realmente a mais louca da minha vida. – respondeu rindo.
– Da minha também. Mas acho que foi a melhor.
levantou se sentando de frente para ele.
– Mesmo?
Ah, estava tão perfeito, ali tão pertinho dela. Tão íntimo dela.
– Com certeza. – respondeu ele, passando delicadamente a mão em seu rosto – Eu nunca vou esquecer a felicidade que vi em seus olhos quando contei sobre o concerto e a emoção que sentiu quando eles começaram a cantar.
Ela mordeu o lábio, envergonhada. Seu coração estava a mil.
? – sussurrou.
– Hum?
– Eu posso te beijar de novo?
Ela o encarou. tinha uma expressão contida, mas ainda sim parecia inesperado com o que pediu.
E então sem perder mais tempo a beijou. Ela sentiu seus lábios e se perdeu neles. tinha um gosto maravilhoso e quando a puxou para perto colando seus corpos, sentiu um frio na barriga.
Ah, aquilo era melhor que todos os seus sonhos.
se inclinou para frente e segurou sua cintura com uma mão, acariciando todo seu corpo enquanto a outra mexia seu cabelo. O beijo era a nona maravilha do mundo, porque a oitava claramente era ele. se afastou, mas por poucos segundos. Logo seus lábios estavam explorando toda a extensão do seu pescoço até sua clavícula.
Ela engoliu em seco, escutando um barulho, empurrando ele para longe.
– Desculpa, acho que Penelope nos viu.
– O que? – ele balançou a cabeça, depois sorriu torto – Ah a Penelope? Acho que não, linda. tentou não ruborizar com a maneira como ele se referiu a ela.
– Nós podíamos sair daqui. – disse.
– Para onde quer ir dentro desse avião minúsculo? – indagou ele, divertido.
Ela umedeceu os lábios sentindo sua respiração pesar.
– Bem, podíamos ir ali.
apontou para o quarto que tinha no final do corredor. a encarou por um instante, talvez esperando que ela dissesse mais alguma coisa. Mas continuou calada. Jamais imaginara que teria coragem de ser tão explicita como agora.
Mas era exatamente o que ela desejava.
Queria sair com ele para um lugar mais reservado.
Queria mais do que tudo.
Por completo.
Não tinha medo de admitir isso.

.


precisou de alguns segundos para processar o que ela tinha insinuado.
queria ficar sozinha com ele.
Minha nossa, estava nervoso.
– Você tem certeza?
– Claro.
Ele engoliu em seco se levantando e pegando a mão dela para ajudá-la. Havia aprendido anos atrás com seu pai que em todas as situações deveria tratar uma mulher exatamente como uma dama. Independente da classe social, raça, cor, idade. Todas mereciam respeito.
E em um ambiente onde só existissem dois, ela vinha em primeiro.
Sempre.
E não existia nada mais gracioso que o ensinamento que seu pai dera a ele.
Quando fechou a porta atrás de si, o encarava com um sorriso nos lábios. caminhou até onde ela estava, colocando as mãos em sua cintura.
– Como você está? – quis saber ele.
– Feliz. – respondeu ela, sorrindo.
Ele sorriu também.
encostou seus lábios no canto da boca dele. a abraçou com força e correspondeu o beijo, tornando cada segundo mais profundo e feroz. Ele a queria tanto.
Pensava nela todo o tempo e quando estava com alguma outra mulher não conseguia tirá-la da cabeça. O tempo todo era ela. Não lembrava quando se sentira assim, tão ridículo por causa de uma garota.
a deitou com delicadeza em cima da cama – que quase preenchia o ambiente todo – e deitou por cima dela, se encaixando no meio das suas pernas. agarrou seu cabelo e mordiscou a linha do seu maxilar.
Ele engoliu em seco, puxando a perna da garota por trás do joelho até chegar a sua cintura. Ela era deliciosa e cada vez que seu corpo encostava em uma área que ele achava perigosa, sentia as pernas amolecerem.
se contorceu embaixo dele e rolou para o lado, ficando em cima do seu corpo. umedeceu os lábios, encarando aqueles olhos, descendo pela boca, a curva do seu pescoço, seus seios a cintura e minha nossa... estava sentada em seu colo sem calcinha. Ele pegou sua mão e a beijou delicadamente. Tinha que manter a sanidade.
Ela se curvou jogando o cabelo para o lado, encostando em seus lábios o mínimo possível. se levantou para beijá-la e se afastou sorrindo. Ele jogou a cabeça para trás sorrindo junto.
Ela lhe lançou um olhar como se estivesse pensando no próximo passo.
Meu Deus, ele tinha muita sorte. A garota mais linda do mundo estava sentada em seu colo, perfeita. A contemplava como um bobo. Mas santo Deus, ela era realmente muito linda.
Muito.
E era maravilhoso ficar ali, apenas a observando.
se inclinou de novo, dessa vez beijando seu pescoço. enrolou a mão em seu cabelo e a puxou contra seus lábios. Não ia escapar dessa vez.
Ela mordeu seu lábio inferior com certa força e mexeu o quadril em cima dele. Droga, aquilo só levava há um caminho.
.
– Sim. – murmurou ela.
– Preciso te avisar de uma coisa. – pigarreou ele, antes de continuar. – Se fizermos isso, talvez eu não consiga mais parar.
Ela sorriu nervosa, mas beijou o canto da boca dele com um selinho molhado.
Não queria que ela pedisse pra parar. Ficaria louco se fizesse isso.
Precisava dela como precisava do ar.
– E quem disse que eu quero que você pare? – provocou ela, arrancando um sorriso dele. a puxou contra sua boca, deslizando as mãos sobre seu corpo, puxando o vestido dela devagar até onde permitisse. começou a desabotoar a camisa dele e então a ficha caiu. Ia mesmo acontecer. E não existia nada que quisesse mais que aquilo.
Ele a segurou pelos braços e a virou rapidamente, fazendo a garota soltar um gritinho aos risos. ficou de joelhos na cama, vendo metade das pernas delas descobertas e seu cabelo desgrenhado. Estava maravilhosa. Ele certificou-se de provocá-la. Faria com que ela sentisse tudo o que ele sentira durante os últimos meses.
a acariciou, mordeu, lambeu até que ela se contorcesse inteira e pedisse por ele. Clamasse por ele. Só ele, ninguém mais.
E então aquele vazio, aquela sensação que sua alma já não pertence mais ao corpo veio e ele sentiu que precisava dela mais que nunca.
E foi maravilhoso senti-la sua. Sentir seu toque, seus beijos, seu sorriso. Jamais imaginara que a voz rouca dela em seu ouvido seria algo tão excitante e nossa, quando ela... bem, ele descobriu o paraíso.
E foi quem fizera isso.

Capítulo 18

Seus olhos estavam pesados quando o carro parou em frente à casa da família . Ela estava com o corpo dolorido, um pouco cansada, mas muito feliz. Aquele era o melhor dia da sua vida e falaria isso mil vezes.
fez carinho em suas pernas, que estavam no colo dele e depois tirou uma mecha que caia sobre seus olhos. Ela devia estar horrorosa, mas não se importava. Estava com os olhos fechados passando cada momento daquela noite na sua cabeça, todo o tempo.
Não tinha pensando muito no assunto. Simplesmente fez o que seu coração achava certo e jamais se arrependera dessa escolha. Era ele.
Ela sentia isso na sua alma.
Ele havia sido o homem mais perfeito com quem tivera. Não que tivesse ficado com mais alguém além de Douglas, mas aquela noite foi como se mostrasse a ela como merecia ser tratada. A cada minuto buscou atingir as necessidades dela primeiro, ele fora gentil o tempo todo e nossa, fizera ela sentir algo que nem sabia definir em palavras.
Ele era perfeito.
Perfeito demais.
– Caramella? – indagou ele, baixinho.
– Hum?
Ele riu.
– Não quer mesmo dormir lá em casa?
Ela queria. Mas não podia bancar a louca agora. Tinha que ser madura e com pés no chão. Sem contar que seus pais a matariam.
– Não. Amanhã tenho aula. – ela abriu os olhos se levantando. – Preciso acordar cedo.
– Ainda é cedo. Bem, é quase uma hora da manhã.
– Ai meu Deus! Uma hora da manhã? Meus pais já devem estar chegando.
– Você não contou há eles?
– Acha que iam deixar? Meu Deus, preciso ir. – disse ela desesperada.
O carro dos seus pais não estava garagem, ou seja, eles ainda não tinham chegado da casa dos seus avós, mas não demoraria nada pra isso acontecer. Na verdade eles estavam atrasados.
– Obrigada pela noite . – disse ela. – Foi muito especial.
Ele sorriu.
– Eu também...
– Queria ficar aqui com você, mas é questão de minutos para eles chegaram. Preciso ir, obrigada por tudo.
Ela o puxou, dando um selinho rápido e saiu do carro deixando suas sandálias para trás.
pegou a chave que ficava embaixo do tapete de entrada e correu para o segundo andar, tirando o vestido no meio do caminho. Ela o jogou de qualquer jeito dentro do armário e correu para o banheiro. Tinha que tirar a maquiagem e devolver as que pegou da sua mãe. Eles jamais podiam desconfiar que ela havia feito uma viagem até a França em algumas horas e transado com na mesma noite. Meu Deus, estaria morta.
Colocou seu pijama de qualquer jeito e quando deitou na cama, vinte minutos depois, ouviu a porta da frente sendo destrancada.
Seu coração estava acelerado, mas ela se manteve calma por fora. Depois que escutou seus pais passando pelo quarto para dar boa noite ela se permitiu sorrir.
Ah, aquele era o melhor dia da sua vida.

Assim que acordou sentiu o corpo cansado, mas ah, como ela estava feliz com aquela sensação. Tomou um banho, fez sua higiene matinal, escolheu uma meia calça preta, coturnos, saia plissada da mesma cor da meia, uma blusinha bege e um suéter escuro. Normalmente não escolhia aquele tipo de roupa, mas usava isso no primeiro ano e sentira falta. E claro, queria estar bonita.
Passou um pouco de rímel, alisou os cabelos e guardou o gloss na mala para depois da aula. Estava tão nervosa. Queria tanto saber como agiria agora que eles tinham dormido juntos.
Quando desceu para o café sua mãe estava a encarando com os olhos desconfiados.
– Como está bonita.
– Obrigada Sophie.
– O que está aprontando?
– Nada mamãe. – sorriu, pegando um pouco de café.
– Eu conheço você há quase dezoito anos, .
Ela riu, balançando a cabeça. Dando um beijo na bochecha da mãe.
– Estou atrasada. Até depois.

Por onde passava nos corredores do colégio todo mundo fofoca sobre com quem iria ao baile. Os preparativos da festa estavam começando e o tema já havia sido divulgado. Shakespeare. Kris – a única garota com quem conversava – ia com o namorado de Romeu e Julieta. Não tinha nada mais original que aquilo. Era óbvio que metade das garotas apaixonadas gostariam de ir de Julieta. Seria interessante.
Ela por outro lado, só pensara em como seria incrível passar por aquilo com . Mal prestara atenção na aula. Ficava olhando o celular minuto por minuto esperando alguma mensagem dele.
Entretanto, nada.
Seu coração estava começando a ficar apertado, mas ela tinha certeza que ele não a magoaria. não era aquele tipo de homem. Era por isso que tinha se apaixonado por ele.
Cada dia mais.
Na última aula ela saiu cinco minutos antes direto para o banheiro. Precisava retocar a maquiagem e fingir que tinha acordado daquela maneira. Não era nada muito exagerado, só queria que ele a achasse bonita. Quando o visse seria profissional. Não o cumprimentaria como se fossem íntimos. Seria cordial, educada e só.
Lógico que treinaria o caminho todo.
“ Olá , tudo bem?” Seria isso. Nem uma palavra mais.
Mesmo que quisesse falar que não tinha parado de pensar nele a noite toda e que não sabia como seu coração ainda estava batendo porque toda vez que lembrava da noite deles juntos, achava que morreria. E que não existia nada no mundo que quisesse fazer a não ser beijá-lo. E arrastá-lo para algum lugar onde pudessem ficar sozinhos e repetir o que tinham feito naquele avião.
Ah nossa, ela sentia um frio na barriga toda vez que lembrava de cada toque subliminar dele.
saiu do banheiro assim que o sinal tocou. Ela estava tão nervosa. Em poucas horas ia encontrá-lo. Sentia isso. E o encontro deles seria ou estranho ou maravilhoso. E ela rezava que fosse a segunda opção.
– Não acredita o que eu vi agorinha. – disse Kris, surgindo do seu lado a assustando.
– O que foi?
– Brandon convidou a Claire para o baile!
– Jura?
Claire era amiga de Kris e ela tinha contado a que a garota era apaixonada por Brandon há anos. Desde então torceu silenciosamente que ela se desse bem.
– Sim. Meu Deus, eles formam um casal tão bonito. Espero que ele seja bom pra ela.
– Também espero.
– E você? – indagou Kris – Não vai ao baile?
– Ah – ela sorriu – eu vou.
– Jura? Quem te convidou?
– Você não conhece. Ele não estuda mais.
– Ai meu Deus, um cara da faculdade? Uau.
sorriu apenas. Quando as duas saíram do prédio, uma comoção de garotas líderes de torcida cochichavam sobre algum assunto que fizera todas pararem na escada, causando um pequeno tumulto. Elas eram conhecidas por andar sempre em grupo. já vivera naquele mundo. Às vezes sentia falta. Mas com certeza era melhor agora do que antes.
– Quem é aquele? – ouviu algumas meninas cochichando atrás dela.
Seus olhos foram guiados para onde todas estavam olhando.
Ai. Meu. Deus. Mil vezes ai meu Deus!
Ela não estava acreditando. segurou a mão de Kris parando no mesmo instante.
– O que houve?
Seu coração estava a mil.
Meu Deus.
Ele estava lá.
Meu Deus.
Nossa vida, estava tremendo. Ela queria responder Kris, mas não conseguiu emitir nenhum som. Estava paralisada.
– Meu Deus que gato, olha só o carro dele! – disse outra.
engoliu em seco. Teria que ir até ele, mas estava com medo. Todo mundo estava olhando para .
Todo mundo mesmo, até mesmo os professores. Ou talvez estivessem olhando aquele carro nenhum pouco caro e discreto que ele estava encostado. Ai meu Deus. Ele tinha ido até seu colégio, ela não estava conseguindo raciocinar.
– Kris.
– O que houve? – perguntou ela de novo.
– Você está vendo aquele cara encostado no carro?
– Claro. Olha só o carro dele. Será que é uma Ferrari?
– Eu não sei.
– Ele é um gato. – Kris se aproximou dela, sussurrando – A Vanessa já está abrindo a camiseta para passar perto dele. Ah, garota esperta.
piscou, voltando a Terra.
– Ela o que?
Vanessa era o típico visual “ a garota líder de torcida mais linda do colégio “ e era óbvio que ela não deixaria de passar pelo cara rico, sem se mostrar um pouco. bufou vendo a mesma caminhar em direção a . Aquilo era patético. Ela se virou para se despedir de Kris.
– Preciso ir. Nos vemos amanhã, meu namorado está me esperando. – disse a última parte um pouco mais alto, para que as outras garotas pudessem ouvir.
Tudo bem que tinha mentido sobre ter um namorado, mas não podia simplesmente deixar que pensassem que não era dela. Ele ainda não sabia. Mas era.
– Você tem um namorado? – perguntou Kris, chocada.
– Tenho, amanhã te conto tudo. Preciso mesmo ir.
– Tudo bem, tudo bem. Até amanhã.
desceu as escadas e respirou fundo. Quando deu o primeiro passo em direção a ele, de longe viu curvar os lábios em um sorriso cúmplice. Ela segurou os livros nos braços com força e arriscou mais um passo, sorrindo para baixo.
Ele estava lá. Na frente do colégio inteiro. Sorrindo para ela. Só ela.
Talvez pela sua perda de memória de como se caminhava, ele veio ao seu encontro. Estava diferente, com uma jaqueta preta de couro e uma camiseta do Kiss por baixo, meio roqueiro, meio lindo de mais.
– Oi. – disse ele parando alguns passos de distância.
Pelo canto dos olhos ela podia ver todos concentrados neles ao invés de pegarem o rumo para casa. colocou as mãos no bolso dá calça, erguendo um pouco o queixo. Ela se perguntou se ele estava fazendo aquilo para seduzi-la. Tinha conseguido.
E talvez metade das garotas do seu colégio também.
– O que está fazendo aqui? – indagou.
Ele sorriu com a língua entre os dentes. Ah, ele queria sua morte.
se inclinou para frente, ainda sorrindo.
– Você podia mostrar que está feliz em me ver, seria bom pro meu ego, já que todo mundo está nos olhando.
sorriu.
– Eu estou surpresa.
E completamente apaixonada. Quis acrescentar.
Ele balançou a cabeça, terminando de se aproximar dela.
– Isso é um bom sinal?
Ela assentiu que sim e soltou uma exclamação, a abraçando por cima dos ombros, caminhando em direção ao carro; ignorando várias pessoas que os encaravam tão surpresos quanto ela estava ao vê-lo ali.
– Eu quero te levar em um lugar hoje. – disse ele, abrindo a porta da Ferrari para ela.
– Outro? – indagou.
– Bem, se não puder tudo bem. – respondeu ele.
– Não, eu vou. O que devo usar?
– Pode ir assim, nós vamos a uma universidade.
– O que?
– Entra na carro, conversamos no caminho.
apontou para dentro e ela revirou os olhos aceitando seu pedido.
– Porque vamos a uma faculdade hoje? – quis saber.
– Pra resolver seu futuro. – explicou – Ontem você disse que estava muito indecisa, então pensei que se conhecesse alguns cursos mais a fundo, ou talvez a fotografia, seria interessante.
– Não acredito.
– Você vai gostar. Talvez algo chame atenção, te encante.
– Mas e o trabalho?
Ele revirou os olhos.
– Quem é seu chefe?
– Bem, na verdade...
– Se disser , eu juro que te deixo no meio da estrada!
Ela gargalhou.
Ah, como estava feliz.

DSTCDA – Z.


Estava empolgado, não conseguia esconder.
Depois da noite que tinham passado juntos ele não conseguia se conter dentro de si. Aquela garota tinha um poder sobre ele, sobrenatural.
Queria ter a levado para casa e passado a noite acordado, mas precisava se controlar. Um passo de cada vez. Só que quando a manhã chegou, ele não pensara em nada a não ser ficar perto dela. E na empresa isso não podia acontecer sem soar estranho e indiscreto.
Tinha armado um plano.
Levaria para conhecer algumas universidades que ajudava e talvez para a fazenda, – e então contaria sobre a viagem – não ficava muito longe de Londres e seria o lugar ideal para ficarem mais a vontade.
– Em qual universidade vamos?
– Universidade de Londres. É pública. A reitora é a Princesa Ana.
– A filha da Rainha? – indagou ela, surpresa.
Ele riu.
– A própria.
– Vamos falar com ela?
– Provavelmente não.
Ela bufou, cruzando os braços.
– Ia pedir para me apresentar ao Príncipe Harry.
– Por que?
– Bem, primeiro porque ele é o Príncipe e segundo... Ele é o Príncipe.
– Eu não ia deixar.
Ela soltou uma exclamação, colocando os pés no banco.
– Ah claro.
– Você duvida?
– Você tem ciúmes ? – retrucou ela, achando graça nas próprias palavras.
Ele balançou a cabeça. Ciúmes? Era óbvio que não.
– Eu não sinto ciúmes.
– Claro que não. – disse ela, irônica – Ah, meu Deus o Fórum!
– O que?
– O café! Eu adoro esse lugar. Nós podemos parar comer alguma coisa?
Ele ergueu as sobrancelhas surpreso. Talvez fosse coincidência, ou havia feito uma pesquisa de campo sobre ele, sem saber. Não tinha certeza, mas não evitou sorrir de qualquer modo.
– Conhece o Fórum?
– Claro. Minha mãe morava aqui perto e ela adora. Sempre me trouxe desde criança.
– Então conheceu o Senhor Fletcher?
– Não, quem é?
– Quem fundou o café.
– Ah não. A última vez que vim aqui acabei brigando com um cara. Foi um mico.
estacionou o carro em frente.
– Brigou com um cara? – quis saber ele.
A cada dia tinha uma novidade. E a cada dia queria saber mais sobre ela.
– Nada de mais, sem importância.
Ele assentiu, mas percebeu quando desviou o olhar. Talvez não fosse tão sem importância assim, pensou ele.
– Primeiro as damas. – abriu a porta para ela passar antes.
Pelo canto do olho, viu alguns funcionários se cutucando.
É, o chefe deles tinha chegado.
E não estava sozinho.
E caramba. Não era Amber.
Ele podia ouvir todos esses comentários assim que saíssem dali mais tarde.
– Eu adoro os ovos mexidos que fazem. E bacon, muito bacon.
– Vai ter um ataque cardíaco assim.
– Pelo menos eu morro comendo bacon. – brincou ela.
puxou uma cadeira para a garota no canto, perto da janela. Onde os funcionários não pudessem vê-los com tanta facilidade.
Assim que ambos sentaram Maddie, a funcionária mais antiga, correu para atendê-los. Mesmo que os pedidos fossem feitos no balcão e não a mesa, pareceu não desconfiar.
– Olá Senhor . – cumprimentou a atendente, chamando atenção de .
– Olá. – respondeu educadamente. – Quero um cappuccino italiano, Maddie.
Olhou para a sua frente. Ela estava com o cenho curvado, talvez se perguntando como eles se conheciam. Não gostaria de falar, porque podia soar um pouco egocêntrico, mas por outro lado não havia porque mentir.
– Deseja algo? – perguntou a mais velha, para a garota loira.
– Um ovo mexido com torradas e bacon. E acho que quero um cappuccino como o do .
– Ótimo. Já trago seus pedidos. Com licença.
– Meu Deus, todo mundo conhece o Senhor . – comentou , dando ênfase no fim da frase.
Ele riu.
– Não é todo mundo.
– Claro que sim. Aedas inteirinha conhece você e convenhamos que a empresa é gigante. Ai nós vamos viajar para o Brasil e lá as pessoas conhecem você, sem contar a aeromoça.
– Eu viajo muito. – respondeu, dando de ombros.
– Ah claro, e vem tomar café aqui todos os dias?
Ele coçou o lábio, sorrindo. Talvez a garota tivesse razão. Tinha sete empresas contando com a AEDAS e se fosse parar para pensar, eram muitos funcionários. Sem contar com os funcionários pessoais, como os que trabalhavam na fazenda e na sua antiga casa.
– É, talvez você tenha razão. – concordou. – Muita gente me conhece.
– Também não precisa ser convencido. – advertiu ela.
ergueu as mãos se defendendo.
– Eu estava concordando com você. Apenas.
– Com licença. – pediu outra garota, trazendo seus pedidos.
– Obrigado. – agradeceu ele, tirando um sorriso da atendente.
revirou os olhos.
– Viu só! Eu não sei qual o poder que você tem sobre essas mulheres. Acho que nunca vou entender. – continuou ela indignada – Primeiro você percebe pela rapidez como te atendem estando com você e não da para ignorar o fato que elas praticamente jogam o prato pra mim enquanto desejariam absurdamente dar comida na sua boca.
gargalhou alto.
– Acha mesmo que eu tenho um poder sobre as mulheres a esse ponto?
ergueu uma sobrancelha o fitando.
– Esse ponto seria o mínimo que elas fariam por você. Sério, eu não sei o que tem.
Ele se inclinou para frente, ficando próximo dela.
pode explicar bem. – comentou, sorrindo de lado.
Ela balançou a cabeça sorrindo também.
– Acha mesmo que tem um poder sobre mim?
Não. Era óbvio que era ela quem tinha um poder gigantesco sobre ele. Mas jamais admitiria.
– Acho. – provocou.
– Há-há. Só nos seus sonhos. – disse ela, enfiando um pedaço de torrada com ovo e bacon na boca.
– Ah, – exclamou ele, fechando os olhos, jogando a cabeça para trás – Nos meus sonhos com certeza.
!
– O que foi? É pecado sonhar com eu tendo poder sobre você?
Ela umedeceu os lábios e cerrou os punhos. Só ele sabia com as loucuras que tinha sonhado em fazer com a garota que estava sentada na sua frente.
Minha nossa.
Ele começaria com a parte atrás do seu joelho. Beijaria toda extensão da sua coxa, até chegar onde ela perdesse o ar e...
– Ai meu Deus! – exclamou ela.
– O que foi?
– Pare de me olhar assim.
Ele sorriu de lado.
– Assim como?
.
– Eu não fiz nada.
– Está me olhando com aquela cara. – explicou ela.
– Que cara?
– Você não vale nada.
Ela riu ficando vermelha e sorriu cúmplice.

Eles começaram visitando a ala de artes. não queria fazer teatro, mas ficara curiosa para ver uma pequena peça que os universitários estavam encenando. Era comédia e ele não conseguira prestar atenção em nada, porque toda vez que ela ria, perdia o foco. Depois foram para a ala musical e lá demoraram horas.
– Olha todos esses instrumentos. – exclamou ela, admirando a imensa sala.
– Sabe tocar algum? – quis saber Henry.
O coordenador da Universidade de Londres era amigo de e havia dado passe livre para eles conhecerem o que quisessem.
Ela mordeu o lábio inferior.
– Não sei absolutamente nada. Mas posso aprender.
Ele torceu a boca.
– Você não vai passar na prova se não souber tocar muito bem.
– Ah. – disse ela, simplesmente.
a pegou pelo ombro.
– Venha aqui. Vou te mostrar o básico.
Foi até o canto da sala onde havia um piano de calda, clássico. Puxou a banqueta e sentou, dando espaço para ela sentar ao seu lado. Henry ficou atrás deles, os observando com um sorriso. Ele era um dos melhores professores de música clássica e fora colega de quando chegou em Londres e entrara em uma escola de música renomada no país. esticou os dedos arrancando uma risadinha dela e depois colocou um dedo levemente sobre a primeira tecla preta.
– A sequência é assim. Uma, duas, três. Duas, três, duas, três, até o fim. – explicou ele com calma. – Agora você foca nas teclas pretas que são duas. Entendeu?
Ela assentiu que sim e ele continuou.
– A tecla branca que sempre estiver antes das duas teclas pretas, vai ser a primeira nota, dó.
– Mas são várias.
– Porque a nota vai ficando mais aguda. As outras são: ré, mi, fá, sol, lá, si, dó sucessivamente.
– É muita coisa pra minha cabeça. – disse ela, apertando uma tecla.
– Isso é o básico do básico anjo.
o encarou e colocou a mão no rosto, se escondendo, deitando com a cabeça em seu ombro.
– Vamos lá. – disse ele a encorajando. – Você precisa deixar a mão arcada.
Ela suspirou fundo e o imitou.
– Assim?
– Quase. – respondeu vendo Henry rir atrás deles. segurou a mão dela, colocando em cima das suas. – Deixa sua mão leve e tente me seguir.
Ela assentiu e começou a tocar a nona sinfonia de Bethoveen lentamente. Aquela música era uma das primeiras que tocara sozinho pela primeira vez. E sabia que era apaixonada pelo artista.
Enquanto tocava ela sorria vislumbrada, seguindo com seus dedos finos cada nota. Se sentia bem ali, com seu instrumento favorito no mundo, ao lado da garota mais linda. Em todos os seus sonhos com ela, – e eles haviam sido muitos nos últimos tempos – jamais imaginará aquele momento.
Ambos tocando juntos – literalmente.
– Você é um ótimo professor, . – comentou Henry, quando terminou.
– Ah, quem me dera.
– Preciso pegar alguns documentos, fique a vontade para olhar tudo amigo.
– Obrigado.
– Você podia tocar mais alguma coisa. – comentou assim que o Professor saiu.
– O que quer ouvir? – indagou ele.
– Surpreenda-me. – brincou ela.
Ele pensou por um instante. Quando começou a tocar as três primeiras teclas, ela berrou ao seu lado.
– Ah, a thousand years. Eu conheço essa. Uma difícil, por favor.
Ele riu.
– Tem uma que tenho certeza que não conhece.
– Duvido .
posicionou as mãos e inspirou profundamente. Nunca havia tocado aquela música para alguém. Assim que começou a tocar de novo ela ergueu as sobrancelhas. Jamais saberia que melodia era, pois havia sido ele quem a escrevera.
– Tá, acho que realmente não sei qual é.
Ele sorriu vitorioso e então cantarolou um trecho que estava na sua cabeça.
– When you're looking like this I just can't resist it. I know sometimes I hide it, but I can't this time¹.
Ela abriu a boca surpresa.
– Você fez isso?
Ele assentiu em silêncio. As palavras que escrevera a anos, nunca fizeram tanto sentido como agora. Ela era absolutamente linda e por mais que estivesse escondido seu desejo por meses, não podia mais negar que estava louco por cada pedaçinho dela.
, realmente devia ter tentado a música. Você é muito bom.
– Acha mesmo?
– Claro que sim. – respondeu ela empolgada.
– Eu nunca tinha mostrado pra ninguém.
se levantou andando de um lado para o outro, gesticulando com as mãos.
– Eu vejo você levando as garotas à loucura, enchendo estádios, multidões! – ela parou por um instante o encarando – Ai meu Deus, eu ia enlouquecer junto.
riu a puxando pela cintura, fazendo com que a garota sentasse em seu colo de lado.
– Você é louca! – concluiu.
Ela o abraçou pelos ombros, rindo junto.
– Eu confesso, talvez esteja certo. Mas sou louca por você.
respondeu que também estava ficando louco por ela, talvez até mais, porém só para si, dentro da sua cabeça. Não teria a coragem de para por os sentimentos para fora. Já havia feito isso e fora um desastre.
Entretanto quis que ela se sentisse da mesma forma que ele ao declarar aquilo. Como se o sentimento que os cercava naquele momento, fosse infinito. Ele segurou seu queixo com a ponta dos dedos e deslizou a mão com delicadeza na linha do seu maxilar até chegar à nuca. Ela sorriu se inclinando para frente, fechando os olhos e tocando seus lábios com firmeza. Jamais enjoaria de beijá-la. se perguntava por que demorara tanto para fazer isso. Bem, ele tomaria todo o tempo perdido agora.

DSTCDA – C.


– Pelo amor de Deus , aqui não!
– O que é que tem?
– Nós estamos na universidade pra conhecer os cursos.
– Bem, esse certamente seria o curso de biologia avançada.
– Tira a mão!
– Eu não consigo. O que é que pode acontecer? Nós nem estudamos aqui.
– É, mas se eu entrar não quero ficar conhecida como a garota que transou na sala de música!
– É que você é tão linda e gostosa!
!
Ele gargalhou.
– É sério . – murmurou ele. – Quando fui pra casa ontem, não consegui dormir. Fiquei lembrando da nossa noite juntos e meu Deus.
– Você está me deixando constrangida.
– Por que? – indagou ele, um pouco alto. – Você é perfeita.
– Nós não vamos transar na sala de música. – repetiu ela.
Ele só podia estar louco.
– Eu sei. – afirmou , balançando a cabeça, fitando o chão. – Acho que precisamos ver o estúdio de fotografia.
– Seria ótimo.
Ela deu um passo a frente e sentiu a mão dele apertar sua cintura com força. soltou uma risada frouxa. Era uma boba.
Assim que saíram da sala, o vento gelado bateu em seu rosto e respirou aliviada. Estava quente devido aos beijos calorosos que havia dado em e por pouco a sanidade lhe fizera uma visita antes que deixasse o momento falar mais alto.
Ela engoliu em seco.
Tudo bem que seria um belo momento. Mas pelo amor de Deus, eles estavam visitando a Universidade de Londres. Decência em primeiro lugar. Claro que ela estava sentindo aquele formigamento na barriga e uma moleza nas pernas que subiam até seu ventre, mas não agiria como louca. Até porque parte de si queria testá-lo. Não que achasse que o que tinha feito na noite passada fosse errado, longe disso. Ela queria e ele também. Mas agora precisava ter confiança que não desejaria apenas isso dela. Queria que ele a desejasse por inteiro. Muito mais por quem ela era do que tinha.

O estúdio de fotografia da universidade era três vezes maior do que a sala de música – que já era imensa. estava encantada. A luz era mais baixa e a garota que estava trabalhando vendo algumas fotos na bancada, parecia séria. Só tinha ela de aluna, talvez por causa do horário, mas assim era melhor para poder dar uma volta na sala observando cada detalhe.
– Uau. – disse ela, admirando uma mesa cheia de câmeras e lentes.
Aquele sim era o mundo que sonhara por muitos anos.
– Olá. – disse uma garota negra, se aproximando deles com um sorriso convidativo.
– Oi. – responderam os dois juntos.
– Posso ajudá-los?
– Eu conversei com Henry hoje. Estamos conhecendo a Universidade.
– Ah, bacana. – disse ela – Sou Anne Marie.
estendeu a mão para cumprimentá-la.
– Sou e esse é .
– Prazer. E aí? Está interessada em conhecer nosso curso? Já trabalha com isso?
– Há uns dois anos, no colégio. – respondeu – Mas acho que estou me redescobrindo novamente.
– Quer dar uma olhadinha lá atrás? – convidou Anne Marie, apontando para onde a garota se concentrava no outro lado da sala.
– Seria ótimo.
– Eu vou sair então. – comentou .
– Por que?
– Porque precisa fazer isso sozinha. Estou lá fora.
Ela assentiu, e o puxou dando um selinho molhado no canto da sua boca. sorriu.
– Essa é Florence. – apresentou ela, quando se aproximaram do estúdio no canto da sala. – Aqui atrás estamos fazendo uma produção para o trabalho final dela.
passou por uma cortina preta, tinha muita iluminação em volta e tudo o que uma sessão de fotos exigia. E isso incluía o modelo. E seu coração bateu mais forte quando ela percebeu de quem se tratava.
Mas que diabos...
Ar. Ela precisava de ar.
– Você está bem ?
Ele a viu no exato minuto que Anne Marie disse seu nome.
Ar.
Meu Deus.
?
Ouviu aquela voz que assombrava seus sonhos. Aquilo era agonizante.
– Eu preciso ir Anne. Obrigada pela gentileza. – agradeceu, trêmula.
– Mas não quer ficar para ver a sessão?
– Não.
deu as costas o mais rápido possível. Não conseguia respirar. Tinha o visto ali, bem na sua frente. Aquilo era apavorante. Jamais pudera imaginar que encontraria Douglas Booth praticamente nu, em uma produção do curso que ela queria fazer, na universidade que gostaria de frequentar.
Meu Deus. Estava zonza. Confusa.
Há anos imaginava como seria vê-lo outra vez e jamais... Ah, minha nossa.
!
Não, não, não.
Ela sentiu seu braço ser puxado para trás. Fechou os olhos com força, não queria vê-lo. Não queria ficar perto dele. Estava sentindo suas entranhas se revirando dentro do corpo. Meu Deus. Ia desmaiar.
– Você não vai fugir. – disse ele, virando-a para encará-lo, segurando seus dois braços com força. – O que está fazendo aqui?
– Me solta Douglas. – pediu, abrindo os olhos, fitando aquele escuro que fazia até sua alma se arrepiar.
Ele a ignorou, a empurrando para trás até dar de costas com uma porta e entrar com tudo. Foi só então que percebeu que Booth tinha a levado para o banheiro.
A garota engoliu em seco.
Droga, aquilo não ia terminar nada bem. Alguém tinha que fazer alguma coisa.
– Eu vou gritar por ajuda. – advertiu.
– Ou você é idiota de aparecer aqui ou é mais burra do que imaginei. – vociferou ele.
– Quer me soltar? Eu vou gritar.
– Grite, acha que ninguém viu nós dois aqui? Se alguém fosse fazer alguma coisa para te ajudar, já tinham feito.
– Você não é o mesmo cara do colégio que todo mundo tinha medo. Pais ricos não resolvem mais o seu problema.
– Acha mesmo? – indagou ele arrogante. – Porque estou vendo medo nos seus olhos. Ela estava morrendo, mas não deixaria Douglas saber disso.
– Não tenho medo de você.
Ele puxou seu cabelo para baixo com uma mão. Aproximando seus rostos.
– Ah, mas deveria. Eu disse que quando te encontrasse ia fazer você pagar pela humilhação que fez meus pais passarem. – urrou ele contra a pele dela.
– Se me bater de novo eu vou fazer você ir pra cadeia. – gritou.
Meu Deus, alguém tinha que fazer alguma coisa. Não tinha ninguém no corredor, mas as garotas haviam o visto sair da sala.
Por favor, Deus. Pediu. Por favor.
Ela não podia apanhar dele mais uma vez.
Meu Deus, se descobrisse seria sua ruína.
– Acha mesmo que vou bater em você? Eu senti tanta falta dessa sua relutância, desse seu jeito de fingir que não me quer. De me ameaçar com essa boca deliciosa.
– DOUGLAS!
Ele se aproximou, enfiando uma mão por baixo da sua saia enquanto a outra puxava seu cabelo.
O desespero começou a tomar conta de cada célula do seu corpo.
– Me solta! Socorro!
– Isso grita. Eles nunca dão ouvidos a você mesmo.
enfiou as unhas no rosto dele, puxou seu cabelo e na mesma hora uma dor terrível atingiu seu rosto. Ele havia dado um tapa que quase a fizera cair no chão, se não fosse por estar segurando seu cabelo.
– Douglas, solta ela! – ouviu a voz de Anne entrando no banheiro – O que você está fazendo?
– gritou histérica.
– Ela é minha e eu faço o que bem entender. Saia daqui agora.
Anne foi para cima dele e Booth a socou, fazendo a garota desmaiar imediatamente. começou a gritar desesperada por ajuda o mais alto que conseguira. Douglas segurou seus pulsos com uma mão, apertando eles em cima da sua cabeça. Tapando sua boca em seguida.
Ah meu Deus, aquilo de novo não.
Por favor.
Ele puxou sua meia-calça até rasgá-la.
– Você vai me pagar loirinha. – disse ele em seu ouvido.
Ela sentira náuseas. Preferia a morte a Douglas lhe tocando novamente.
Por favor.
Por favor.
A morte.

Capítulo 19

.


Um pé, depois outro.
Ele estava andando em cima de um pequeno canteiro de tijolos velhos e flores murchas, na entrada do prédio de imagem e fotografia.
Um pé, depois outro.
Era exatamente assim que se sentia em relação a . Tudo bem que a noite anterior havia sido bem mais do que passos pequenos e firmes, mas agora tudo parecia finalmente se encaixar. Eles precisavam daquele salto sem estimativa alguma de como chegariam ao chão, para descobrir o que realmente queriam.
E a essa altura, ele tinha certeza absoluta que queria ela. não se lembrava de como era bom sentir aquela sensação. De ter alguém com quem se importar e saber que toda vez que sorria, recebia um sorriso lindo de volta.
Era como se finalmente depois de tanto tempo, sentisse que estava vivo novamente. Como se sua vida tivesse sido colocada nos trilhos.
Entretanto sua paz interior durou por alguns minutos. Até que uma garota ruiva surgiu no meio da universidade gritando que precisava de ajuda.
Não sabia por que, mas sentiu um aperto no peito.
Sua menina.
correu de onde havia saído. Seu coração estava acelerado.
Quando chegou na porta da sala de fotografia, não havia sinal de ou da garota que estava com ela. Ele olhou por todos os lados. Estava tudo silencioso.
Mas que diabos.
começou a correr de volta, dessa vez para fora, para encontrar a menina que havia pedido ajuda, foi quando ouviu um grito.
Seu corpo paralisou por um breve instante. Um choque.
Reconhecia aquela voz, mesmo estando um tanto quanto desesperada.
Era . Só podia ser ela.
Meu Deus.
Ele moveu os pés, girando o corpo para trás. Ela estava ali, em algum lugar. Deu dois passos, não sabia o que ia encontrar e quando se jogou contra a porta, caiu dentro de um banheiro gelado, vendo a moça que tinha conhecido minutos atrás no chão, e de costas para ele, com as mãos em cima da cabeça, a roupa amarrotada, a meia calça rasgada e um ser imundo a pressionado contra a parede.
Minha nossa, ele sentiu o sangue ferver nas veias.
Puxou o verme pelo cabelo, afastando dela o máximo que conseguiu e o socou direto no olho.
Depois o supercílio, nariz, bochecha, testa, olho de novo e tantas outras vezes mais que o maldito caiu no chão, desmaiado.
o chutou no estômago, na costela e antes que o matasse com as próprias mãos, sentiu o puxar pela camisa para longe.
– Você está bem? – indagou, tocando seu rosto assustado.
Ela assentiu, puxando ele para um abraço, chorando como uma garotinha assustada. Estava tremendo.
– Ele... ele... tocou em você? – só de pensar nisso, sentia vontade de pegar o corpo do miserável caído no chão e enforcá-lo até parar de respirar.
Ela negou com a cabeça.
suspirou fundo. Tinha deixado ela por uns minutos.
Meu Deus.
Tudo havia acontecido tão rápido. Em um momento ela estava lá, animada com a sala de fotografia e depois ele se vira socando alguém até quase a morte. Tinha agido tão rápido quando a viu em perigo.
Meu Deus.
Ele não conseguia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo.
se afastou dela e correu para vomitar em uma cabine. Foi só então que viu as mãos trêmulas e ensanguentadas. Ele ia ter um treco.
Tinha que manter a calma, deixar a adrenalina passar e cuidar dela.
– Vou pegar ela e saímos atrás da polícia. – disse ele, tentando manter a sanidade.
se abaixou e pegou Anne Marie que estava desmaiada no colo. Quando ambos saíram, havia uma pequena multidão do lado de fora se formando.
– Meu Deus, o que houve? – gritou Henry.
– Um verme tentou agarrá-la a força no banheiro.
– Eu vou ligar para polícia.
colocou Anne Marie sentada no chão, apoiada em seu peito. Queria abraçar que estava soluçando, mas não podia deixar a outra desacordada. Algumas pessoas se aproximaram com um copo de água para se acalmar e levaram uma cadeira para ela se sentar. Um rapaz se aproximou de e Anne Marie, se prontificando que tomaria conta dela, até que ficasse bem.
Ele rapidamente foi ao lado de . Ela estava branca, como um corpo sem vida. Estava tremendo e não parava de chorar desesperadamente. a abraçou com força e sentiu os braços dela em volta da sua cintura e a cabeça apoiada em sua barriga.
Não conseguia pensar. Não conseguia dizer alguma coisa. Estava em choque absoluto. A cena passava em sua mente como um borrão.
Jamais brigara com uma pessoa em toda sua vida. Não com aquela raiva no peito, aquela sensação que poderia matá-lo de verdade.
Se ele tivesse tocado em , não saberia o que teria feito.
Só de imaginar sentia que vomitaria de novo.
Quando a polícia surgiu na entrada do corredor com paramédicos, uma multidão já se formava em torno deles. já estava um pouco mais calma, mas ainda assim tremia muito.
Ele não sentia as próprias pernas, nem os braços, ou talvez seu corpo inteiro.
Era como se não estivesse vivendo aquilo.
A ficha simplesmente não caia.
Era surreal imaginar que alguém podia machucá-la de fato.
– Podemos conversar sobre o que houve com os senhores? – indagou um policial se aproximando deles.
– Vamos tirá-la daqui antes, por favor. – disse – Ela está muito assustada.
O policial assentiu, olhando as mãos de .
– Onde está o agressor?
– No banheiro. Provavelmente desmaiado.
– Vocês precisam nos acompanhar até a delegacia.
Ele concordou, se abaixando para conversar com .
– Precisamos ir à delegacia.
Ela estava com os olhos vermelhos e inchados.
– Liga para minha mãe? – deu seu celular há ele, fraca.
segurou seus pulsos com delicadeza e beijou suas mãos com carinho. Não sabia o que fazer, mas queria muito que ela se sentisse bem de novo.
Ele a ajudou a levantar e a abraçou por cima dos ombros a levando para fora, para que pudessem colocar aquele maldito atrás das grades.
– Suas mãos. – disse ela, com a voz fraca.
Ainda estava sangrando e inchada, mas não sentia dor.
abriu a porta do carro para ela e viu os polícias levando o verme até a viatura. Uma comoção de estudantes os cercava. Todos estavam voltando do almoço e pareciam chocados ao se depararem com aquela cena.
entrou no carro e seguiu a polícia até a delegacia. estava em silêncio, mas as lágrimas caiam constantemente do seu rosto.
O coração dele estava estraçalhado.
Se soubesse... Minha nossa, não queria imaginar o que teria acontecido se não tivesse chegado na hora certa.
– Você quer conversar? – indagou, preocupado.
Ela negou com a cabeça, soltando um soluço.
umedeceu os lábios. Não sabia o que fazer para vê-la de outra forma. Aliás, não tinha muito que fazer, afinal, aquilo que acontecera era a pior coisa do mundo para qualquer ser humano, ainda mais uma mulher tão doce e frágil como .
Ninguém merecia passar por uma situação tão repugnante e desumana que teria sido se ele não chegasse a tempo. Só de imaginar, sentia o coração apertar e o estômago virar do avesso.

Quando chegaram à delegacia, levou até uma salinha junto com Anne Marie e do outro lado colocaram o rapaz cheio de hematomas.
ficou parado, olhando a porta se fechar na sua frente. Não podia entrar junto. Eles dariam depoimentos separados. Aproveitou o momento e ligou para a mãe de . Assim que deu a notícia que estavam na delegacia ela pareceu perdida. Ele deu o endereço e em menos de meia hora ela estava entrando pela porta da frente, fazendo várias perguntas aos policiais.
– Senhora ? – chamou ele.
– Ah , o que houve? – ela olhou as mãos do homem, arregalando os olhos. – O que houve? – repetiu.
– Fique calma, por favor. Por sorte não houve nada. – ele suspirou fundo. – Nós fomos conhecer uma universidade e eu a deixei sozinha por alguns minutos, quando voltei tinha um cara...
– Ai meu Deus! – ela colocou as duas mãos na boca, deixando a bolsa cair. – Douglas? – O que?
– Foi Douglas quem fez isso? – indagou ela, ficando desesperada.
No mesmo instante o policial abriu a porta e saiu aos prantos, jogando os braços no colo da mãe.
sentiu seu mundo desabar sob seus pés.

.


só conseguiu parar de chorar depois que seu pai chegou à delegacia e saiu da pequena sala, depois de seu depoimento.
Ela estava em estado de choque.
Nunca, em hipótese alguma podia imaginar que Douglas Booth estaria naquela universidade.
Minha nossa, não tinha palavras para descrever o vazio dentro de si.
Muito tempo havia se passado e ela chegara a imaginar que jamais o veria...se não fosse .
Meu Deus, não queria imaginar.
Aquilo quase acontecera de novo. Seu coração estava destruído em milhares de pedaçinhos. E seria difícil reconstituí-lo novamente.
– Vamos para casa. Não temos mais o que fazer aqui. – disse o Senhor Benedict.
olhou para . Ele estava com os olhos mais escuros que já vira e aquela beleza estonteante que só ele tinha, havia dado lugar para um semblante sério e cansado.
– Você está bem? – indagou ela.
Ele piscou como se voltasse a Terra novamente e depois sorriu.
– Eu é quem pergunto.
Ela apertou seu braço, beijando sua bochecha.
– Graças a você sim. – sussurrou, se afastando – Vamos fazer um curativo nessas mãos.
– Não quero incomodar vocês. – disse ele, colocando as mãos para trás – É melhor descansar, dormir um pouco, talvez.
– Não vamos deixar você sozinho. – disse Sophie, abraçando por cima dos ombros. – Vamos todos tomar um chá, ficarmos calmos e agradecer a Deus por nada de mais grave ter acontecido.
Ela sorriu, incentivando ele a aceitar o convite. Sabia que sua mãe seria grata a pelo resto da sua vida e só não estava o agarrando ali mesmo, porque não era o momento. A tensão ainda estava nos ombros de cada um.
– Eu volto com ele, mãe. – disse ela, deixando sem saída.
Sophie assentiu, falando alguma coisa com Benedict e eles saíram na frente. assinou alguns papeis, nada do que ela já não tinha feito e saiu minutos depois com .
Ele estava quieto. Provavelmente confuso com toda situação. Afinal, não sabia que o cara que havia a atacado era o mesmo que namorara um dia.

olhou para as próprias mãos, assim que entraram no carro. Era constrangedor demais ter que contar aquilo para . Talvez ele não entendesse também, como suas amigas não haviam entendido.
– O que foi? – indagou ele, preocupado.
se arrumou no banco, colocando o cinto. O sol já estava caindo e dava lugar para a escuridão.
Ela engoliu em seco, não sabia quantas e quantas vezes, tinha tentado contar aquilo para alguém, talvez para Luna. O problema era sempre o mesmo.
O medo. A vergonha de ser julgada novamente. Queria que Douglas ficasse no passado. Porém lá estava ele, de novo.
acariciou seu rosto com a ponta dos dedos. Ela suspirou fundo. Tinha se apaixonado completamente por ele. E não tinha ideia de como agradecê-lo pelo o que tinha feito.
– Me conta, por favor. – sussurrou ele, fazendo cócegas em sua orelha.
se sentou de frente para e segurou seus ombros com as duas mãos. Ela queria contar a verdade olhando dentro dos seus olhos.
Queria tirar aquele peso que permanecia dentro do seu coração por todo esse tempo. Queria despejar toda a verdade da sua vida e queria que ele a abraçasse depois disso. – Lembra das fotos que te falei? – começou ela, agora não podia voltar atrás.
assentiu esperando que ela continuasse.
– Eu tinha um namorado. – seus olhos se encheram de lágrimas ao mencionar Douglas.
– Você ainda gosta dele?
– Não! – respondeu rápido – Não gosto dele.
– O que foi então?
– Nós nos conhecemos quando eu estava no segundo ano. Ele era novo e logo se tornou o amado das garotas. Todo mundo queria ficar com ele. Inclusive eu. – suspirou fundo, lembrando dos olhos de Booth aquela tarde, cheios de raiva e rancor – Então nós começamos a flertar. Eu tinha muitas amigas, estava envolvida com todos os projetos da escola, era líder de torcida e ele o capitão. Tínhamos tudo o que todos queriam.
– E ele é...
deixou a pergunta morrer nos lábios. Ela olhou para baixo, concordando silenciosamente.
Sim, ele era Douglas Booth. O mesmo cara quem havia a atacado horas antes.
E isso era tão perturbador.
– Douglas Booth.
– O que ele fez pra você? O que ele fez hoje?
não tinha escutado a parte dela do depoimento e sequer ouviu da sua boca alguma explicação de como tudo aquilo tinha acontecido.
Ela abaixou as mãos, colocando-as sobre as pernas. Sentiu-se enjoada.
– Fomos para o aniversário da Rainha e decidimos que queríamos beber. Douglas bebeu um pouco a mais e então acabamos brigando.
Ela ergueu a cabeça para encará-lo novamente. Os olhos de estavam escuros e sua pupila dilatada. Talvez começasse a entender o que ela queria dizer. sentiu um nó na garganta. Começaria a chorar logo.
– Ele te machucou? – segurou seu rosto com delicadeza – ele já tinha te machucado?
– Eu o provoquei . Achei por muito tempo, que a culpa foi minha.
– A culpa não foi sua, – disse ele, ríspido – ele é um covarde.
– Eu sei. Quando ele veio para cima de mim eu acabei entrando em pânico e bati nele também. Outro dia no colégio todos sabiam. Douglas veio me pedir desculpas, disse que havia errado que sentia muito e eu o perdoei. Eu o amava. Ele foi meu primeiro namorado, o cara que eu havia me entregado.
ficou em silêncio por alguns segundos, olhando por cima dos ombros dela. mordeu o lábio inferior, nervosa. Queria saber o que estava passando na cabeça dele.
Por favor, por favor, que não a odiasse.
se endireitou no banco do carro e o ligou, se afastando dela.
Seu coração estava destruído. Estava com tanto medo que Booth estragasse sua vida de novo.
– Você perdeu a virgindade com...? – indagou ele, com a voz rouca e baixa.
– Sim.
– Não acredito. – colocou o cotovelo na janela, apoiando a cabeça em uma mão e a outra ela viu as veias saltando com a força que ele segurou o volante.
– Douglas era bom no começo. Nossa primeira briga demorou a acontecer.
– E quando vocês voltaram?
– Ele começou a me bater com frequência e de alguma forma eu sentia que era merecedora daquilo. Eu usava roupas curtas, falava com todos os garotos da escola, tinha ciúmes obsessivos sobre ele.
– Está ouvindo o que está dizendo?
– Estou. E agora eu entendo que nada disso foi minha culpa. Quando cheguei ao meu limite às coisas estavam muito piores do que você possa imaginar.
– O que ele fez pra você?

sabia que tinha uma chance de achá-la uma idiota, por ter voltado com Douglas e mais idiota ainda por aceitar aquele tipo de relacionamento. Mas o que as pessoas não entendiam – nunca – é que ela estava tão doente quanto ele.
Na sua cabeça era ela quem era a culpada por tudo o que ele fazia. Pelas brigas ou traições. Um relacionamento tão abusivo que Douglas conseguia manipulá-la, tirando o melhor de si. Fazendo com que se sentisse a garota mais inferior da face da Terra, e que nenhuma outra pessoa além dele ia amá-la.
E ela queria muito ser amada.
a encarou por uns instantes, ela engoliu em seco, fitando cada pedaçinho de pele dele. Como tudo havia mudado. Como tivera a sorte de encontrá-lo e estar ao lado de um homem de verdade. Alguém que não media esforços para vê-la bem.
– Por favor, , me conta. – pediu ele. – O que ele fez pra você?
– Depois da escola, ele tinha uma sessão de fotos para fazer. – disse lembrando exatamente dos momentos de horror que tinha passado. – Ele era modelo, e eu fui junto, para assisti-lo. Depois das fotos ele começou a beber e eu tinha que ir embora. As pessoas estavam todas embriagadas e eu estava ficando com medo.
– Por favor, continua. Eu estou aqui.
– Ele me chamou para uma sala e talvez ingênua, não queria que os outros nos vissem brigando, porque achei que íamos brigar... – ela suspirou fundo, soltando um soluço – ele me bateu. Ninguém que estava na sala ao lado me ajudou. Ninguém atendeu aos meus pedidos de socorro. Douglas fraturou duas costelas minha. E quando acordei, estava sozinha e muito...muito machucada.
Ela olhou para fora deixando as lágrimas escorrerem. Era terrivelmente difícil lembrar. – Uma moça estava ao meu lado, me cobrindo com um lençol. – continuou – E ela me levou para casa. Meus pais estavam desesperados e quando me viram, eu acho que morreram um pouquinho. Nós fomos para o hospital. A moça falou que alugava aquele espaço para umas pessoas, mas até então não tinha conseguido falar com eles. Alguém em anônimo ligou para ela e disse que eu estava lá. No hospital meus pais chamaram a polícia e dei parte de Douglas. Quando recebi alta, fiquei em casa por três meses. Estava totalmente envergonhada, minhas amigas não foram me visitar, eu não tinha ninguém além da minha mãe e meu pai. Depois que voltei ao colégio todos me olhavam estranho e quando vi Douglas, pensei que ele fosse me bater de novo. Ele gritava na frente de todo mundo que a culpa era minha por ser vagabunda e dar para qualquer um. Que ele não tinha culpa do que aconteceu e agora estava respondendo processo por algo que não tinha feito. Que por minha causa ele havia perdido o contrato de modelo com a agência.
Eu respondi que tinha feito corpo de delito e eles haviam provado que eu realmente tinha sido agredida por ele. No outro dia, tinha fotos minhas, nua, pela escola inteira. Não cheguei a ver, foi a gota d’água. Parei de estudar, me sentia envergonhada, não saia na rua com medo do que os outros iam falar de mim. Fui ao psicólogo por meses e retornei a outra escola com ajuda dos meus pais. Comecei a trabalhar na AEDAS e de certa forma, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

.


Por um segundo ele ficou em silêncio. acreditava que Deus precisava que nos quebrássemos inteiro, para que ele pudesse nos reconstruir de novo. Mas ouvindo , ele não tinha mais certeza.
A garota estava despedaçada e ele não sabia o que fazer, porque parte do coração dele, estava destruída também.
– Você não precisa ser forte o tempo todo. – disse ele – Pode chorar, agora você tem amigos. Você tem a mim. E eu vou ficar aqui até quando você desejar.
Era constrangedor querer falar a coisa certa para uma garota de dezessete anos e não saber o que. Ele tinha medo das palavras que podia usar.
Porque era tão difícil lidar com aquelas situações que nos pegam totalmente de surpresa? Ele não sabia se saia em busca do verme que havia tocado em e o matava de vez ou se ficava ali, com um nó na garganta, tão fraco quanto a garota.
Só de pensar no medo que ela devia ter sentido quando o viu novamente. Queria ter escutado a história antes daquela tarde. Porque ia acabar com a vida do miserável.
Meu deus, como tivera a coragem de machucá-la? Um ser tão lindo, doce e amável como ? Ele não conseguia entender.
a ouviu fungar. A cada palavra que ela dizia, ele se sentia mais no fundo do poço.
Ela era a sua garota.
Sua.
E em um momento da sua vida, ela havia pertencido a outro. Outra pessoa que possuía a joia mais rara nas mãos. E havia a machucado.
– O pior de tudo é que mesmo passando tanto tempo, eu sinto. A dor nunca vai embora. E depois de hoje eu acho que jamais vou esquecer.
Ele a puxou por cima dos ombros, fazendo a garota se aninhar em seu peito.
– Não se preocupe. – disse, com o coração apertado. – Eu vou fazer esse canalha pagar por tudo isso. E nós dois vamos superar o que houve.
– Só não conta isso pra ninguém, por favor. – pediu ela, chorosa.
Ele assentiu, entendendo seu pedido. Jamais contaria. Mas faria de tudo para manter o verme o mais longe dela possível.

ficou na cozinha esperando até que tomasse um banho, enquanto isso a Senhora , cuidava das mãos de como ela dizia “O herói da sua filha”.
Era estranho vivenciar aquilo.
Como se depois de tudo o que houve, de certa forma ele tivesse entrado para a família.
, você gosta de brownie? – indagou a Sra. .
– Claro.
Benedict sentou de frente para ele, apoiando o cotovelo na mesa.
– Não temos palavras para agradecer pelo o que fez. – disse o pai de , com a voz embargada – Espero que esse maldito pague finalmente por todo mal causado há ela.
– Não se preocupe Senhor . Já contatei meus melhores advogados. Eles vão cuidar de tudo.
Pelo canto dos olhos viu Sophie, soltando um suspiro e limpando as lágrimas de alivio.
– Sabe meu rapaz, – disse Benedict com a voz de um homem vivido – Douglas acabou com o sorriso que ela tinha. A última vez ele pagou fiança e apenas cumpriu deveres sociais. Ele quebrou duas costelas da minha filha... duas.
Benedict era um homem forte, podia ver que ele era o pilar da casa e sua esposa o espírito. como já dizia seu nome, trazia a doçura.
Mas era terrível de imaginar que um adolescente inconsequente e podre, havia acabado com tudo aquilo. não o deixaria escapar dessa vez.
Não mesmo.
– Eu tenho medo que o sorriso dela, desapareça de novo. – disse Sophie, com os olhos úmidos.
– Se eu pudesse fazer algo para...
– Você já fez tudo! – disse a mãe da garota o interrompendo, com um sorriso morno. Ele assentiu, ficando em silêncio por um instante.
Queria tanto dar o mundo há ela, para que não sofresse. Mas o que podia oferecer agora era seu apoio e... ele pensou mais um pouco, olhando o relógio no pulso.
Tinha mais uma coisa.
– Queiram me dar licença. – disse , às pressas – Volto logo.

Estava voltando para a casa da família , com um sorriso, nervoso e ansioso nos lábios, quando seu celular tocou. Era Amber.
O carma da sua vida.
Se já não bastasse tudo o que havia passado naquela tarde, ainda tinha que lidar com a louca da sua ex noiva. Ainda não tinham conversado desde que ele voltara do Brasil.
A última vez ela estava na casa dos seus pais falando que iria se matar. Uma falcatrua para que sentisse pena dela. Mas o que Amber não entendia era que a cada cena que ela fazia, ele sentia mais nojo da mulher que se tornara.
– O que você quer? – indagou impaciente.
Isso é jeito de falar comigo?
Ele bufou.
– Estou dirigindo Amber.
Ligaram aqui em casa. O advogado da família Booth. – comunicou ela. – O que aconteceu?
Merda.
– Falaram alguma coisa?
Ele escutou ela estalar a língua contra os dentes.
Nada muito claro. Apenas querem marcar uma reunião com você.
– Tudo bem. Obrigado por avisar.
, o que houve?
– Nada, Amber.
Como nada? O advogado da família Booth liga para sua casa e não houve nada? – ela parecia pronta para fofocar, ele odiava aquilo, mas Amber provavelmente os conhecia de alguma forma.
– Família Booth? – indagou.
Eu imagino que seja algum projeto sigiloso. Eles são riquíssimos, linhagem azul.
revirou os olhos. Era por causa dessa maldita monarquia que o verme não havia pagado devidamente pelo o que tinha feito. Mas ah, agora seria diferente.
– Vou pedir para minha secretária marcar a reunião. Obrigado.
?
– Sim.
Nós precisamos conversar. – disse ela, com a voz mais calma que ele escutara depois de muito tempo.
parou em frente à casa de . Se quisesse dar um passo maior com a garota, precisava por um ponto final naquela história com Amber.
Ele suspirou fundo, cansado só de imaginar pelo o que teria que passar.
– Nós vamos. Me dê um tempo, preciso resolver alguns projetos.
Tudo bem. Até mais.
– Até. – disse, desligando em seguida.
Não seria nada fácil entrar em consenso com Amber, mas depois de todas aquelas loucuras que havia feito, considerando a última a pior de todas, ela parecia estar melhor no telefone. Nem lembrara de ter uma conversa sem berros com a mulher.
pegou a caixa que estava no banco ao lado e guardou o celular, deixando aquele assunto para outra hora.
Primeiro tentaria tirar um sorriso da garota por quem estava apaixonado.
Sabia que aquele gesto podia ser insignificante, depois do que havia acabado de passar, mas queria mostrar há ela, que estaria ali, se precisasse. Pra qualquer coisa. Assim que desceu do carro, ela abriu a porta da frente da sua casa. Estava com um pijama, e o cabelo preso em um coque, deixando uns fios caírem, emoldurando seu rosto de anjo. engoliu em seco, quando ela sorriu.
– Onde você foi?
Ele entortou a boca em um sorriso.
– Não queria mais ver você chorando. Sei que passar por tudo isso não deve ter sido fácil, ainda mais sem apoio das pessoas que diziam ser suas amigas, mas saiba que tudo mudou. Você tem pessoas que estão do seu lado.
Ela assentiu, derrubando algumas lágrimas.
– Ah, não chore.
– Estou chorando de felicidade. – disse ela, limpando os olhos com a manga do pijama – Eu sei que agora tenho pessoas de verdade ao meu lado, além dos meus pais. – suspirou fundo e depois sorriu – O que tem aí?
Seus olhos se ergueram para tentar ver o que tinha atrás dele. sorriu.
– É algo bobo. Mas espero que goste.
Ele entregou a caixa e ela sorriu animada, colocando a mesma no chão para conseguir abrir. No instante que tirou a tampa, ela soltou uma exclamação, fazendo o coração dele se encher de alegria.

.


– Ai meu Deus, !
Ela pulou com os braços ao redor dos seus ombros.
Meu Deus, aquilo era a coisa mais fofa que alguém já fizera por ela.
Era tão bom saber que ele prestava atenção em cada palavra que ela dizia – e um pouco assustador, porque era raro quando falava algo de útil. Mas, nossa.
Ele a apertou pela cintura, tirando seus pés do chão.
– Obrigada.
se afastou um pouco, o suficiente para tocar seus lábios com um beijo. Ela sentiu as mãos dele descerem até seu quadril e pousarem embaixo das suas coxas. enterrou as mãos em seu cabelo e depositou vários beijos em todo o rosto dele.
– Obrigada.
– Espero que tenha gostado. – disse ele, dando um selinho no canto da boca dela.
– Não é pelo presente. Mas sim, o gesto.
Ele sorriu de um jeito que a fez derreter e agradeceu silenciosamente a Deus por tê-lo colocado em sua vida.
Ela sabia, era ele.
– Melhor nós entrarmos. – disse ele – Agora que seus pais gostam mais de mim do que você, eu não quero perder o posto.
Ela riu, descendo do seu colo, pegando o presente com o máximo de cuidado. Quando entrou em casa, correu mostrar para a mãe.
– Sophie . – disse com a voz cheia de entusiasmo – Olha só o que estava em nossa porta, destinada a sua filha preferida.
A mãe da garota riu, tirando os brownie’s do forno.
– Uma bolsa! – exclamou ela.
abraçou seu presente.
– Uma bolsa não. Ela é, a bolsa.
Atrás dela, ouviu rindo baixinho.
Era a bolsa que tanto queria antes de entrar para a empresa. A que ficava na vitrine da loja de coisas usadas, a bolsa da Louis Vuitton, que havia dito há ele, quando estavam viajando para Paris.
Ela não estava acreditando.
– Você vai deixar essa menina mais mimada do que já é. – disse sua mãe a . Ele estava encostado no balcão da cozinha, com os braços cruzados e soltou uma gargalhada maravilhosa, jogando a cabeça pra trás.
umedeceu os lábios.
Meu Deus.
Ele era a perfeição em forma de ser humano.
Seus olhos encontraram os dela. sorriu e ela disse a si mesma em silêncio o quanto o amava e estava grata por cada momento ao seu lado. Os bons e até mesmo os ruins. Disse que amava cada pedaçinho dele, da ponta do pé até o último fio de cabelo. Se dependesse de si mesma, o teria em sua vida até seu último suspiro.
Porque ele era a alegria que preenchia seu coração.
E viu, nos olhos dele, que tinha alguém por ela a vida toda. Porque ele havia dito que ficaria ao seu lado até quando ela desejasse. E ela o desejava para sempre. 

Quando se despediu horas mais tarde da família com certo receio – ele havia deixado claro – ela descobriu que o primeiro amor jamais seria esquecido, que sempre Douglas Booth estaria em seus pensamentos, em suas memórias e que aquela dor a acompanharia. Porém havia descoberto também a beleza de se amar pela segunda vez. Porque nada era mais lindo do que descobrir que apesar de tudo, podia amar de novo. E mais profundamente do que antes.


Capítulo 20

Nas últimas semanas tivera pesadelos com Douglas preocupando seus pais, entretanto o apoio e a presença de todos os dias acalmara seu coração. Ela se sentia melhor quando ele a abraçava e sua alma parecia querer se conectar com a dela. O toque dele segurando sua mão com força, demonstrando que não precisava sentir medo, que estaria ali se precisasse dele, era tudo que a confortava. Quando se perguntava por que tivera que passar por aquilo de novo, porque ela e não qualquer outra pessoa, ele a fazia bem. Porque a resposta de todas as perguntas sempre estivera a sua frente. Jamais vivenciaria o melhor momento da sua vida se não fosse por Booth. não percorreria o mesmo caminho que a levara até e talvez perdesse a grande chance – a chance que poucos têm, ela pensava – de encontrar o grande amor da sua vida.
suspirou fundo. Não precisaria ir trabalhar, havia a dispensado por tempo indeterminado, disse que se Luna voltasse antes dela, mentiria sobre um atestado de gripe, ou qualquer coisa do tipo.
Ela estava bem.
Lógico que já tivera dias melhores pensou, mas a primeira vez que Douglas a agrediu, tudo foi sombrio e mil vezes mais doloroso. O que havia acontecido, era como um borrão em sua mente. Tinha aprendido nas suas inúmeras sessões de terapia que nada daquilo era sua culpa. E hoje sabia disso.
Se Booth não conseguia lidar com os problemas dele, ela não tinha nada a ver com isso e por mais mal que fizera há ela, esperava que um dia ele entendesse. E que se não abrisse os olhos de uma vez por todas, as coisas só piorariam.

Depois de fazer um prato gigantesco de panquecas e pegar todo tipo de cobertura na geladeira, se jogou no sofá. Passaria o dia todo ali assistindo That 70’s show e pensando em como era lindo ver Ashton e Mila juntos de novo. Entretanto seu celular tocou e
quase desmaiou ao ver o nome na tela. Toda vez que ele surgia, independente se era apenas para dar um oi e perguntar se ela estava bem, a garota sentia o mundo abaixo dos seus pés, se transformarem em nuvens. – ? – indagou.
– Bom dia. – disse ele – Como está se sentindo?
– Estou bem, obrigada.
– Fico aliviado em saber disso. Ahm... eu estava pensando se podia te ver hoje.
Ela colocou a mão em cima do coração e soltou um sorriso.
– Claro. Que horas?
Ai meu Deus. Ele queria vê-la de novo. Nunca se acostumaria com isso.
Seria um novo encontro? Um que desse certo dessa vez? Sua cabeça estava a mil.
– Bem, você podia abrir a porta? Está um frio aqui fora.
Ela se levantou rapidamente.
O quê?
– Você está aqui? – indagou desesperada.
– Estou. – respondeu ele, rindo.
Minha nossa.
Ela estava com o cabelo desgrenhado, os olhos inchados, tinha acabado de acordar.
E ele estava ali. Parado em frente à casa dela.
suspirou fundo.
Tudo bem, tudo bem. Se ele fosse o amor da sua vida – e ele era –, teria que se acostumar em vê-la daquela maneira. Aos seus olhos, ela seria a mulher mais linda do mundo. Assim esperava.
– Ahm... deixa eu achar a chave, só um pouquinho.
– Tudo bem.
A chave estava na fechadura, mas ela precisava de uma desculpa. Desligou o celular e correu para frente do espelho, no banheiro.
Meu Deus.
Passou apenas um perfume e desejou sorte a si mesma.
Logo quando abriu a porta, sentiu seu coração aquecer dentro do peito. vestia um moletom verde – um pouco grande para ele –, que o deixava com uma aparência mais jovem. Ele estava lindo e tinha sacolas nas mãos.
– Bom dia. – disse ele, dando um beijo na bochecha dela – Posso entrar?
assentiu, boquiaberta.
Quando passou, sentiu seu perfume amadeirado.
– O que trouxe?
– Eu liguei para seu pai, perguntei se ele se incomodaria se eu passasse um tempo aqui. Como ele disse que eu seria bem-vindo e seria ótimo você ter companhia, cá estou eu. E trouxe comida.
Ela sorriu, balançando a cabeça.
sempre era imprevisível e ela amava isso nele.
– Ligou para meu pai mesmo? – indagou, sem acreditar.
Ele deu de ombros, sorrindo malicioso.
– Eu disse que eles me adoram.
– Ah claro. – retrucou.
– Onde coloco?
– O que tem ai?
– Algo para o almoço. Surpresa. Mas antes vou fazer um café.
– Tudo bem, vamos para cozinha então.
Ele assentiu seguindo a garota. ainda não estava acreditando que estava ali.
– Preciso que coloque água para esquentar, enquanto eu separo os ingredientes. – disse ele, como um chefe de cozinha.
Ela fez uma reverencia exagerada, tirando risadas dele.
– Que café vai fazer? Eu prefiro chá, Milky.
Ele balançou a cabeça, separando alguns ingredientes.
– Vou fazer algo que tomava com em Dubai. É quase um chá, vai cardamomo e açafrão. Ela fez careta.
– Precisa de tudo isso mesmo? – perguntou, sentando na bancada – Não pode ser um chá normal com muito leite?
– Sim, se você gosta do convencional.
– Ai. Essa doeu.
– Desculpa. – disse ele, se aproximando dela, se encaixando entre suas pernas – O que me diz?
Ela mordeu o lábio inferior, em uma tentativa falha de tentar esconder o sorriso.
– Sobre o que? – colocou os braços em torno do pescoço dele.
– Sobre ser convencional. Às vezes é bom mudar, deixar o chá de lado e se afogar no café. não conseguiu segurar o riso.
– Você acabou de tentar ser sexy, falando de café?
Ele riu a acompanhando.
– Não estava tentando ser sexy. No que você estava pensando?
Ela enrubesceu no mesmo instante. Pelo amor de Deus, ele estava no meio de suas pernas, não conseguia pensar em outra coisa.

.


Ela o encarava com os olhos incrivelmente azuis. Uma cor tão intensa que não tinha nada parecido para descrever. Era um azul único. Um azul dela. Por Deus, ele queria muito beijá-la. Essa era a única coisa que queria fazer desde que abrira a porta. Mas estava tentando se conter. Precisava descobrir se ela estava bem antes.
– Para de me olhar assim! – reclamou, colocando as mãos em seu rosto.
Ele sorriu. Não percebera que estava a olhando como bobo.
– Eu não consigo. – disse, apertando a cintura dela contra seu corpo.
era linda. Estava com o cabelo emaranhado, os olhos inchados e mesmo assim continuava a mulher mais linda que ele já vira em toda sua vida.
! – reclamou ela de novo, balançando a cabeça.
Os lábios dele se transformaram em um sorriso malicioso.
– Desculpa, mas é que você está absurdamente linda. – falou. – E tão cheirosa – ele se aproximou dela, sentindo o perfume em seu pescoço. – Não consigo me afastar ou parar de te olhar.
deu uma risadinha envergonhada e o abraçou com força por cima dos ombros, enquanto suas pernas envolviam sua cintura.
a beijou. Não aguentava mais aquela distância entre suas bocas. Ela tinha lábios perfeitos que mereciam ser beijados. Colocou as mãos por baixo da blusa dela sentindo sua pele quentinha a ouvindo arquear um segundo por causa do choque que sua mão gelada provavelmente havia causado.
subiu lentamente até chegar aos seus seios.
Ah meu Deus, ele a desejava tanto.
suspirou profundamente, passando a língua contra a linha da mandíbula dele, até chegar ao lóbulo da sua orelha.
? – sussurrou ela. – Nós estamos na cozinha.
Ele se afastou apenas para apreciá-la. Não importava onde estavam, queria ela. Precisava dela. – Shhh.
só queria tocá-la. Queria que pertencesse há ele mais uma vez. Estava derramando desejo por cada parte do seu corpo, cada curva e pedaço de pele. Sentia-se ansioso toda vez que os movimentos do corpo dela dançavam em sua memória, da última noite em Paris e da sensação prazerosa que era sentir ela se contorcendo embaixo dele.
– A água está quente. – disse ela, com receio.
Ele deu um passo para o lado. Não queria que a casa pegasse fogo. Não de maneira literal. desceu da bancada e desligou o fogão. a abraçou de costas, jogando o cabelo dela para frente, deixando uma pequena parte do seu pescoço exposta.
Ele a beijou lentamente, fazendo a garota se arrepiar.
– Não consigo te beijar como gostaria. Sua blusa não deixa. – disse, ouvindo-a rir. – Não seja por isso. – respondeu ela, tirando seu moletom, ainda de costas para .
Ele se segurou, cerrando os punhos. A admirou de cima abaixo, despindo seu corpo com os olhos. colocou as mãos sobre os pegadores do fogão e quando ele tocou seu pescoço novamente, passando as mãos em sua cintura, ela contorceu os pés.
Ele a abraçou colocando uma mão em sua barriga, enquanto a outro deslizava a alça da sua lingerie. beijou, lambeu e mordiscou seu pescoço, sua clavícula e nuca. se curvava sentido cócegas e jogava o quadril contra ele, o que não ajudava em nada a fazer com que mantivesse sua sanidade intacta. Estava louco por ela.
Abriu seu sutiã e se cobriu com as mãos. Minha nossa, ela de costas era ainda mais linda. Suas curvas eram tão delicadas. Era incrível e talvez sobrenatural a atração forte que sentia por . Ele estava tão profundamente envolvido naquela relação.
– Nós estamos na cozinha! – disse ela de novo, rindo e virando-se de frente para ele. a abraçou para que não sentisse envergonhada.
– Eu sei. Quer parar?
– Não.
Ele sorriu de lado maliciosamente.
– Eu também não.

.


– Queria ficar aqui, mas tenho uma reunião com os advogados de Booth.
Ela engoliu em seco. Não queria ter envolvido em uma situação tão embaraçosa quanto aquela, mas se não fosse ele, provavelmente estaria em um hospital de novo. Ou até pior. A garota o abraçou, se aconchegando em seu peito.
Depois de boa parte do chão da cozinha ter sido a cama deles, achara melhor subir para seu quarto. Claro que pararam na sala, no corredor e por fim na cama, onde estavam quase caindo no sono.
– Precisa mesmo ir? – indagou, bocejando.
sorriu, passando a mão em seu cabelo.
– Eu podia marcar para outro dia, mas não quero dar motivos para piorar a situação.
– Tudo bem. – disse, beijando a linha do maxilar de – Eu vou te ver quando?
virou por cima dela, se apoiando com os cotovelos ente sua cabeça. Ele estava sorrindo e jamais se cansaria de contemplá-lo.
– Eu nem fui e já está com saudades?
Ela sorriu, revirando os olhos.
Ele estava certo, mas não podia entregar o jogo tão facilmente.
– Claro que não. – disse dando de ombros – Perguntei por que sei que o senhor, não resiste ficar muito tempo longe de mim.
Dessa vez ele riu.
– Acha que eles se importam se eu me atrasar um pouco? – perguntou , sussurrando contra a pele dela.
mordeu o lábio inferior, tentando esconder o sorriso.
– Por que? – indagou, contorcendo seu corpo para provocá-lo.
desceu com uma mão contornando a silhueta da garota e os olhos penetrados em cada pedaço do seu corpo que seus dedos tocavam.
– Porque você está certa. – disse ele, apertando sua cintura com força – Eu não consigo... – ergueu os olhos até encontrar os dela – não consigo ficar longe de você.
Minha nossa.
Ela sorriu. Ela sorriu tanto que seus lábios curvaram para cima. Esperava ouvir isso há muito tempo. Se ele não a estivesse tocando, juraria que era mais uma alucinação da sua cabeça. o puxou pelos ombros, queria beijá-lo, sentir sua pele de novo contra a dele, suas mãos tocando seu corpo, ouvir sua respiração pesada contra a boca dela.
Minha nossa.
– Eu também não consigo ficar longe de você. – disse, entre o beijo, sentindo um sorriso de se transformar contra seus lábios.
Eu te amo.
Eu te amo, . Disse a si mesma.
Eu te amo.

Ela estava dormindo, sonhando com uma tarde deliciosa em Paris, quando sentiu alguém sentando ao lado de sua cama. Depois que quase perdera a reunião com os advogados de Douglas pela segunda vez, achou melhor não provocá-lo mais. Era difícil ficar longe dele, mas havia deixado claro que assim que terminasse com os abutres empregados de Booth, ligaria para ela e se não fosse tão tarde surgiria como se nunca houvesse passado a tarde toda em sua casa e passaria mais um tempinho ao seu lado.
E ao lado de seus pais.
mal acreditava que sua vida podia chegar a ser tão perfeita assim.
– Querida? – chamou sua mãe, passando a mão em seu cabelo.
– Hum... – resmungou.
veio aqui?
se ajeitou na cama, abrindo os olhos, para conversar com a mãe.
– Veio. Ele ligou para o papai.
– Seu pai me disse. – ela pegou uma mecha do cabelo de , enrolando os dedos – Ele também me perguntou se vocês têm algum... tipo de relacionamento.
– O que respondeu?
– Que eu sabia que você gostava dele. Não sei de mais nada, desde quando ele veio aqui pela primeira vez.
Ah ela lembrava muito bem daquele dia. O primeiro beijo.
pigarreou antes de falar.
– Mãe, nós ficamos. E estamos juntos, eu acho.
– Acha?
sentou na cama, se apoiando nos joelhos.
– Ele nunca me pediu em namoro ou algo do tipo, mas... – ela encarou os olhos claros da mãe, Sophie a observava curiosa e apreensiva – eu sinto que gosta de mim.
– Ele é bem mais velho que você querida.
– Isso importa?
A Senhora umedeceu os lábios e depois sorriu.
– Não, pra mim não importa. Mas você sabe que algumas pessoas mal intencionadas, vão comentar.
Ela deu de ombros, suspirando fundo.
– Eu não me importo. Ele é um bom homem, sabe tratar uma mulher com respeito e não refiro a mim. Qualquer mulher. Qualquer pessoa. E alguém da classe dele, podia muito bem ignorar o resto do mundo. Mas não. Ele não é assim.
Sua mãe concordou levemente. sabia que até ela já havia percebido aquele lado de . Sem contar as pesquisas feitas na internet.
A garota desconfiava que Sophie soubesse sobre Amber, ou Vacamber – um apelido que criara para a ex noiva de –, mas não falara nada, esperando que a filha contasse algo. Porém, ela ainda não se sentia segura. Ou simplesmente quisesse esquecer o fato que ele já fora apaixonado por outra pessoa – e ainda podia ser.
– Só quero que te faça bem. – disse sua mãe – Se ele machucá-la saiba que já vi vários tutoriais na internet de como se vingar de um homem. O primeiro é cortar seu pênis.
– Mãe!
– O que foi?
– Sua mãe está falando abobrinhas de novo? – indagou o Senhor Benedict, entrando no quarto da garota.
balançou a cabeça.
– Papo de garota, pai.
Ele ergueu as mãos, se rendendo.
– Não sei nada do que estão conversando então.
– Sobre pênis. – comentou Sophie.
– Mãe!

.


– Eu não vou assinar nada. Não quero nenhum acordo. – vociferou ele, irritado. Estava há horas tentando chegar a uma conclusão do caso. Mas não aceitaria nada. Douglas Booth – ou verme, como gostava de chamá-lo, porque aquele rapaz não era um ser humano – tinha que pagar por seus crimes. Seus advogados estavam oferecendo uma quantia absurda para que e ele tirassem suas acusações e Booth ficasse livre, completamente impune. Era tão absurdo que quando mostraram a proposta, ficou alguns segundos em silêncio tentando processar a ideia. Só podia ser brincadeira.
– Amanhã retomamos. – disse seu advogado, Marcus.
– Não. Eu já tomei uma decisão. Vamos levar isso até o fim. – se levantou, estava de saco cheio – Eu quero esse moleque atrás das grades. Eu quero que ele apodreça lá. Nós temos histórico da sua agressão mais grave, ele quebrou duas costelas da garota. Isso fisicamente. Sem contar os danos psicológicos que causou há ela. E vocês vêm me dizer para não processá-lo?
– Senhor , nós estamos querendo preservar seus nomes. – disse um dos engravatados de Booth. Um tal de Edwards.
bufou.
– Preservar nossos nomes? Vocês são ridículos.
– Acha que a mídia não vai se intrometer? – indagou o outro advogado, o mais engessado deles. – Você é sócio de uma das maiores empresas do nosso país. Estão ligados com eventos que movem o mundo todo. Acha que não será um atrativo seu relacionamento com uma garota treze anos mais nova que o Senhor? Ele parou.
travou as pernas, encarando o homem com fogo nos olhos. Seu relacionamento com uma garota treze anos mais nova, como ele havia dito, não interferia em nada sobre o fato de que tinha sido agredida por Booth.
– Não envolva o nome dela. – pediu sereno, mas com o punho cerrado.
O homem riu de escárnio.
– Não envolver o nome dela? – indagou, balançando a cabeça. – Só estamos aqui por causa dela.
– Não. Estamos aqui porque o seu cliente a machucou. E quando estou falando de machucar, não é um simples arranhão.
– O que essa garota tem? – perguntou o advogado.
– O que?
, não vamos mudar o foco. – pediu Marcus, seu advogado.
Ele inspirou fundo, se perguntando por que todo mundo parecia implicar com . Talvez – a resposta veio rápida – porque, ela era luz em meio à escuridão.
– Amanhã entramos em um acordo, Brown. – disse Marcus.
– Tud...
– Não. – interveio ele. – Eu já disse que não teremos acordo. Marcus. Vou ter que mandá-lo embora e achar alguém capaz de entender o que estou pedindo? – indagou, quase gritando. Estava muito irritado. Podia esmurrar seu advogado e os outros dois até que sua raiva passasse. E ele acreditava que isso não fosse acontecer tão cedo.
– Mas Senhor , – começou seu advogado pacientemente – o Senhor não pode entrar em um escândalo.
se curvou, se aproximando de Marcus, que ainda estava sentado.
– Acha que vou me sujeitar a isso? A receber dinheiro de uma família imunda, porque não quero meu nome envolvido com o de ?
, não quis dizer isso.
– Eu sei que não, Marcus. – respondeu, erguendo os ombros para trás em uma postura firme – Vocês dois, avisem para seu chefe que vou acabar com a vida dele, se chegar perto dela de novo. – suspirou fundo – Acho melhor irem embora logo, sou um homem ocupado.
Ele olhou no relógio. Queria ver antes de entardecer.
Os dois abutres levantaram com uma arrogância que fizera querer arrastá-los pelo colarinho para fora da sua empresa. Aquela reunião havia sido patética.
Quando Brown passou por ele, segurou seu braço.
Se fosse para mostrar poder, todos ali na sala sabiam quem venceria.
– Sabe o que tem? – indagou – Tudo. Absolutamente tudo. E ela é minha, só minha. E se quiser me processar por isso, processa vai.
soltou o braço do advogado com certa violência e saiu da sala, arrumando sua gravata, aquilo estava o sufocando.
Sabia que se envolver com uma garota tão nova causaria dor de cabeça, mas ele estava disposto a passar por cima de todos.

– Então você está querendo me dizer, que o namorado dela que batia na garota, apareceu do nada e agora está te processando, porque você bateu nele até desmaiar?
– Porque ele estava tentando abusá-la.
colocou as duas mãos na cabeça, se apoiando com os cotovelos na mesa. Ele estava tão absurdamente pasmo e confuso com toda a história que os gritos que imaginou que seu melhor amigo iria dar, não aconteceram.
– Vai com isso até o fim? – quis saber ele.
– Sim. Não tem como nós perdemos.
– Eu sei que seu lado protetor pede que faça alguma coisa, mas não acha que seria melhor aceitar o acordo? É uma boa indenização.
cruzou os braços, cerrando os punhos. Não podia socar , ele era como seu irmão. Mas nossa, como queria fazer isso agora.
– Se alguém tentasse algo contra Luna, o que você faria? Não precisa nem responder. Nós vimos muito bem o que houve no Brasil. – respondeu, seco.
– A questão não é essa. Você está se envolvendo com uma menina.
– Ela fará dezoito daqui a pouco.
– E Amber? Já lidou com ela?
Ele encarou o amigo por alguns segundos. conhecia muito bem seu ponto fraco.
– Se ela descobrir vai pirar. Já sabe que alguma coisa com a família Booth está acontecendo, mas não quero que se envolva com .
– Mas ela vai.
estremeceu. Odiava aquela situação. Não se perdoaria se Amber fizesse alguma coisa contra . E como havia dito, sabia que se sua ex descobrisse sobre eles, faria alguma loucura. Ela estava descompassada desde o término.
– Tenho alguns projetos, depois ligo para ela. – comunicou, já se sentindo arrependido – Luna volta quando?
sorriu.
– Semana que vem. Graças a Deus estamos voltando ao normal. Você precisa conversar com ela também.
– Eu vou.
Droga. Ele esquecera completamente do episódio no Brasil. Por sua culpa – internamente ele culpava –, havia extrapolado com algumas garotas no quarto do hotel em que estava hospedado e Luna terminara com ele, pensando que o autor fosse seu namorado. precisava concordar com a história que já havia contado a Aniballe e ainda contar toda a verdade para sua garota.
ia matá-lo.
Só de imaginar, sentira uma pontada na cabeça.
Inferno.
Ele estava terrivelmente em apuros.
Com a corda no pescoço.
Prestes a pular.
Primeiro ligou para Amber. Ia encontrá-la em seu apartamento com os documentos que pedira a Marcus, seu advogado, com todos os pertences que seriam divididos. Lógico que vetara essa parte da conversa, mas, contudo, se sentia confiante.
Depois ligara para .
– Eu queria muito te ver, mas realmente não posso ir, preciso resolver alguns assuntos da empresa.
– Claro. Não se preocupa.
Merda, odiava mentir para ela.
– Ahm... te vejo amanhã?
Ele ouviu um riso abafado dela.
– Pode ser. Estava pensando que já estou pronta pra voltar à rotina.
– Isso é ótimo.
– Talvez te veja no trabalho.
Ele sorriu.
– Isso é melhor ainda.
– Até amanhã !
– Até . Eu vou ficar aqui, – disse ele, sentindo necessidade de explicar há ela – no meu apartamento... Sozinho. Com um monte de trabalho pra fazer, mas pensando em você. Ela riu.
– E eu vou terminar meus deveres atrasados... Pensando em você. Até amanhã.
– Até.
Ele suspirou fundo.
Porque sentia como se tivesse a traindo? Era uma sensação tão estranha encontrar Amber, sem o conhecimento de . Se fosse algumas semanas atrás, seria algo que ele consideraria normal, afinal passara anos ao lado dela. Mas agora, a situação causava um incomodo dentro do peito.
Entretanto, pensou ele, era por um bom motivo.
Deixaria seu passado para trás, por fim.

.


Assim que desligou o celular, pensou em um plano. Nunca fizera nenhuma loucura e sempre a surpreendia. Talvez não fizesse mal, em retribuir.
Tomou um banho, vestiu a melhor lingerie e depois de falar aos seus pais que encontraria Luna e quem sabe – odiava mentir para eles, então preferiu desviar da verdade completa – encontrar mais tarde também.
Logo que saiu de casa mandou uma mensagem para sua chefe, perguntando como estavam as coisas, porque Luna ainda não havia voltado há empresa e estava começando a ficar preocupada. Depois rezou de todas as maneiras, para Afrodite, a Deusa do amor. Queria muito que sentisse a mesma sensação inebriante que ela sentira todas às vezes em que a surpreendia. Lógico que nunca chegaria aos seus pés, mas ela estava torcendo que ele gostasse.
Depois de pegar o metrô, passou em um mercado para comprar vinho – um não tão caro – e alguns ingredientes. Porém por ser menor de idade – não importava se faria dezoito há poucas semanas ou não – ela tivera que trocar por chá. Claro que não teria a suntuosidade do que já havia preparado, mas a ideia era de que enquanto ele trabalhasse, ela cozinharia.
Depois eles comeriam enquanto tinham conversas inteligentes. E se saísse uma gororoba, o que na verdade era bem provável acontecer. Pediria uma pizza. Pizza sempre resolvia tudo.
Estava com as mãos cheias de sacolas e sua bolsa linda da Louis Vuitton – a qual havia dado há ela –, quando esbarrou em uma mulher que saia do prédio. Ela era loira, usava um vestido de alta costura e estava com cara de poucos amigos.
– Desculpa. – disse .
– Você vai entrar? – indagou a mulher, ríspida.
– Vou sim. Pode apertar o interfone pra mim? É o apartamento, 16A.
A mulher encarou curvando o cenho, parando imediatamente.
– O 16A? – questionou ela.
– Sim. – assentiu, sorrindo.
Ai meu Deus, estava tão nervosa.
A mulher respirou fundo e apertou o interfone com força.
– Tenha uma boa noite. – disse ela, sorrindo abertamente, totalmente diferente de uns segundos antes.
– Obrigada, a Senhora também.
fechou o portão e esperou que respondesse.
– Pelo amor de Deus, não me diga que esqueceu alguma coisa? – indagou ele, irritado.
Ela demorou algum tempo para entender. E seu coração se apertou dentro do peito.
– O que?
? O que você... Merda, entre logo.
Ela viu a porta do prédio abrir no mesmo instante. Seus olhos estavam marejados em segundos e um turbilhão de suposições passara em sua cabeça. Antes de subir, olhou para trás e do outro lado vira à mesma mulher a encarando.
Será que estava com ? Pensou, sentindo tudo desmoronar.
subiu com pressa, jurando a si mesma que se ele tivesse feito alguma coisa – qualquer coisa – ligaria para sua mãe para por em prática o que havia aprendido.
Tudo estava correndo ligeiramente bom e perfeito demais para ser verdade. Lógico que ela era mais um passatempo. Lógico que ele preferia uma mulher como a que tinha encontrado lá em baixo. Ela tinha um corpo maravilhoso, era linda e aparentava ter poder, assim como ele. Não era uma adolescente desengonçada e cheia de problemas.
Enquanto subia para o apartamento deixara algumas lágrimas escorrerem.
Droga, odiava ser chorona. Odiava mais ainda o fato dele ter sido grosso com ela.
E mesmo assim, não havia dado as costas. Ela não fugiria enquanto ele não desse uma boa explicação.
Não demorou muito e quando o elevador abriu as portas e ela colocara o pé para fora, encontrou parado na porta do seu apartamento, com uma feição que ainda não conhecera.
Parecia um tanto quanto preocupado.
, o que está fazendo aqui? – quis saber ele, mas com um tom diferente na voz.
– Eu vim fazer uma surpresa. – respondeu, erguendo as sacolas e com a voz embargada.
Ele sorriu carinhosamente.
Droga, ela se desmanchou inteira.
– Vem, vamos conversar.
a abraçou por cima dos ombros, e pegou suas sacolas a levando para dentro do apartamento.
– Só me diz quem esqueceu o que. – pediu.
fechou a porta com o pé e colocou as compras dela no chão, puxando pela mão. Até que seus corpos ficassem o mais próximo possível.
– Era Amber. Eu pensei que era ela.
! – exclamou, dando um passo para trás, sentindo as mãos de a segurar pela cintura.
– Não pense nada de errado.
– Por que mentiu pra mim?
– Porque acho estranho encontrá-la agora que estamos juntos. Mas eu precisava fazê-la entender que acabou.
Ela o encarou sabendo que as pupilas dos seus olhos estavam gigantes, pelo tanto que estava apaixonada por . Ele havia dito em alto e bom som que estavam juntos.
– Era ela lá em baixo? – perguntou apreensiva.
Meu Deus, aquela mulher não. Ela era linda.
– Você a viu?
– Acho que sim.
Ele bufou.
– Esqueça isso. Não quero que pense que fiz algo de errado. Jamais faria algo para te machucar.
Ela sorriu. Ainda precisariam conversar sobre o assunto, ainda se sentia insegura, mas se de alguma forma um dia tudo aquilo acabasse, ela queria ter apenas bons momentos para se recordar, então guardou seus medos em um lugarzinho escondido, iria esquecer por um determinado tempo. E aproveitar cada segundo com ele com leveza e cumplicidade.
– Trouxe comida.
– Hm.. – resmungou ele sorrindo de lado, apertando a baixo da sua cintura.
riu.
– Nachos.
– Nachos?
– Sim.
– Sou alérgico a comida mexicana. Eles usam muita pimenta. – explicou ele, quebrando o nervosismo dentro dela.
– Isso é sério?
sorriu, concordando silenciosamente.
– Podemos comer pizza se preferir. – disse ele.
– Ótimo! – pensou. Sim, ele só podia ser sua alma gêmea – Você liga pedindo? Ele negou.
– Vamos comer em algum lugar. Quanto mais gente melhor.
– Por quê?
– Porque eu quero te contar tudo o que conversamos – respondeu ele, sorrindo – e caso você queira me matar, terá testemunhas.




Continua...



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Nota da autora: Não é um dos meus capítulos preferidos do mundo, mas ele traz situações que irão mudar tudo. Bom, sejam luz na vida de alguém, assim como o pp diz que a pp é a luz em meio à escuridão. Nós sabemos que ela está completamente apaixonada por ele, e vê nele alguém que salvara sua vida. Mas mal sabe ela, que é ela a luz da vida dele. AAAH isso é spoiler do próximo capítulo, hahahaha
PS: Vacamber, foi criação de uma leitora que está no grupo das Caramella's no whats, Aria créditos há ela. HAHA Beijos de luz e muito amor pra nós <3

@karitavalle.



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Para saber quando essa linda fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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