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Único


andava sem hesitar pelo túnel de pedras que a levaria para aquele cativeiro feito por suas irmãs. O caminho era escuro, mas a cada passo que dava, uma nova chama de fogo se acendia para auxiliá-la no caminho.
Ela sabia do risco que estava correndo ao fazer aquilo. Quer dizer, que pessoa, em sã consciência, ousaria fazer o que ela estava prestes a fazer? Ela podia imaginar as consequências que acarretariam de sua ação, mas não podia evitar.
Ao se aproximar de seu destino final, ela podia sentir o ar ficando diferente: eram as barreiras contra vampiros e lobisomens que suas irmãs bruxas haviam colocado para impedir que qualquer um pudesse chegar até à pessoa que estava presa ali há dias. Qualquer um era impedido de entrar. Menos uma bruxa.
Apesar de todos os esforços para conseguirem prender a pessoa que estava atrás daquela porta e de todos os avisos que recebera para ficar afastada, ela não pode evitar. Era mais forte que ela, como se uma força invisível a puxasse constantemente. Força invisível, que ironia para uma bruxa.
A porta estava trancada por magia; nada com que ela não pudesse lidar.
O ruído que as dobradiças de aço fizeram ao se abrir a distraíram por um momento, momento esse que ela precisou para se adequar com a escassa iluminação do lugar. Niklaus estava ajoelhado naquele chão de pedras irregulares, enquanto tinha os braços presos no alto, por correntes enfeitiçadas, um de cada lado do seu corpo. A janela no topo da parede mostrava que o dia estava começando a nascer, o que significava que ela não teria muito tempo.
tentou olhar seu rosto, mas ele ou olhava para baixo ou estava dormindo – o que ela duvidava veemente. Verificou os ferimentos em seu torço nu. Por estar muitos dias sem sangue e estar sendo constantemente enfeitiçado, ele não conseguia se curar com a agilidade de sempre. Por um momento, sentiu vontade de tocá-lo, cuidar de seus machucados, limpar todo o sangue seco que tinha escorrido pelo peito e barriga, mas ela se conteve. Ela tinha um objetivo e tinha pouco tempo para cumpri-lo.
Ajoelhou-se de frente a ele e respirou fundo. Ainda não havia tido sinais de que ele estava acordado e sabia da presença dela, mas talvez fosse melhor assim. Com sorte, ele estaria tão fraco, que nem perceberia o que ela estava prestes a fazer. Ainda inspirando e expirando profundamente, começou a entoar o feitiço que tinha passado a noite anterior toda decorando.
– Ora, veja se não é a jovem bruxa que está aqui.
estava tão concentrada no feitiço que as palavras ditas pareciam ter vindo de longe, bem longe. Talvez ela apenas tivesse imaginado ouvir aquilo.
– Será que as suas irmãs sabem que você está aqui, bruxa?
Não era imaginação. Klaus estava acordado e estava falando com ela.
Quando levantou o olhar, viu um rosto magro, pálido e, ironicamente, sem vida. A voz dele estava tão rouca que se ela não estivesse a sua frente, poderia dizer que era outra pessoa falando.
– Pelo seu silêncio, imagino que não. – Mesmo fraco, sem se alimentar a dias, não deixou o sorriso irônico de lado. – Eu me pergunto a que devo a honra da sua presença.
– Terá que ficar sem resposta, então. – Clarisse precisou respirar fundo, e se acalmar. O que estava acontecendo com ela?
– Oh, mas por que essa agressividade toda? Parece até que não somos amigos.
– Fique quieto. Quanto antes acabar o que vim fazer, mais cedo poderei ir. – Ela tentou. Por que ele estava falando com ela? Seria tão mais fácil se ele estivesse dormindo.
- Oh, não me diga que tem planos melhores do que ficar na minha companhia em minha... Sala especial de tortura?
- Isso não é uma sala de tortura, você sabe disso. – Falou com convicção, mas internamente se perguntava de onde teria vindo todo aquele sangue seco escorrido pelo corpo dele.
- Oh, love, essa não é uma sala para acomodar pessoas queridas, você sabe disso. – Ele alcançou o olhar dela e, tendo sua atenção, a direcionou para baixo, onde os machucados mais recentes ainda não haviam sido cicatrizados. Aquilo a deixou meio tonta, principalmente porque, pela primeira vez naquela noite, havia sentido o cheiro de sangue fresco e aquilo lhe enjoou o estomago.
Ela preferiu ignorá-lo e não dizer nada, voltando para seu estado de concentração, e isso pareceu diverti-lo. Se ele tivesse forças, teria rido da reação dela. Após algumas palavras mágicas, voltou com a respiração normal e soube que havia dado certo. Sem dizer nada, apenas ficou encarando-o, esperando... Bem, ela não sabia pelo que estava esperando, mas com certeza o estava.
- Bom, sem querer ofender, love, mas acho que as sessões de tortura devem continuar com suas irmãs bruxas.
sentiu vontade de rir. O motivo ela não sabia ao certo. Não sabia se era porque o feitiço tinha dado certo, se era pela ironia dele que nunca o deixava ou se era por finalmente poder vê-lo depois de tantos dias. Desde que havia sido capturado por suas irmãs, ele havia sido confinado e proibiram-na de vê-lo, e aquilo estava corroendo-a por dentro. Corroendo-a de saudade. Saudade esta que nunca admitiria a qualquer um. Nem mesmo para ela mesma.
- Não vim aqui para torturá-lo, Klaus. – Ela relaxou a postura, sentando em cima dos pés e apoiando as mãos nas pernas.
- Ah, isso é um alívio, porque se tivesse vindo, teria que dizer que é uma incompetente.
Dessa vez, não se aguentou e sorriu. Céus, como estava com saudades de sua voz! Quer dizer, ele estava claramente tentando ofendê-la, mas o que aquilo importava quando ele estava a sua frente, falando com ela e vivo? Ele estava vivo! E continuaria assim se dependesse dela.
- Está rindo? Por acaso você costuma achar engraçado ver homens algemados, presos e torturados por bruxas?
- Na verdade, não, eu não gosto. – Ela disse. pôde perceber que aquilo o pegara de surpresa. Ele não esperava que ela o respondesse dessa forma. Com um pouco mais de ironia, talvez. – E é por isso que... É por isso que eu estou te libertando, Niklaus.
Durante um tempo, os dois apenas ficaram se encarando. tinha a sinceridade nos olhos, com a ansiedade lhe consumindo cada fibra do corpo, aflita por uma reação. Já Klaus apenas a encarava, primeiro com surpresa, depois com descrença e, por fim, com raiva.
- Você está brincando comigo? – Ele gritou, enquanto puxava as correntes que o prendiam. – Você sabe quem eu sou? Eu sou um vampiro. Eu sou um lobisomem. Eu sou os dois. Eu sou um híbrido. Um poderoso e original híbrido e você, sua bruxa vadia, pensa que pode brincar comigo? – A cada palavra gritada, mais ele se repuxava nas correntes e mais vermelho ficava. Seus olhos, antes opacos, agora estavam brilhantes, brilhantes de ódio. – Vocês conseguem me capturar e já acham que são mais poderosas do que eu? Bem, desculpe destruir os seus sonhos de menina, mas vocês NÃO SÃO! – Dessa vez pôde ver a saliva que saia de sua boca a cada palavra proferida. Ele estava com ódio, e ela entendia o porquê. Mesmo fraco, aquele ódio serviria de combustível para ajudá-lo a fugir e ela se sentia aliviada ao saber disso.
- Não estou brincando com você, Niklaus. Eu falei sério quando disse que vim te libertar.
Ele não disse nada. Ainda com a respiração ofegante e com a raiva exposta nos olhos, ele puxou com força as correntes. Nada aconteceu.
- Então você continua sendo uma incompetente, love, pois eu continuo preso.
- É claro que continua. Eu apenas tirei o feitiço que te mantém preso nessa sala, mas não tirei o feitiço das correntes. – Mais um acesso de fúria dele que a teria assustado, se ela já não estivesse esperando por isso. – Mas antes, preciso que me escute.
- Acho que não tenho muita escolha, tenho?
- Não, acho que não. – Suspirou. – Niklaus, eu estou te libertando porque não acho certo o que estão fazendo com você aqui, então, você estará livre para ir com a condição de nunca mais voltar a essas terras para se alimentar, ferir ou matar ninguém. Está me entendendo?
- E por que eu faria isso?
- Porque eu estou te libertando, e é isso que estou pedindo em troca.
- Acontece, love, que eu não te pedi, em nenhum momento, para que me libertasse.
- Na verdade, não pediu mesmo. Mas acredito que ficar preso sem alimento por vários dias não é exatamente o melhor hobby para um híbrido. Ou estou errada? – Sua tentativa de ser irônica, aparentemente, tinha funcionado, já que a raiva de Klaus foi substituída por um ar de escárnio.
- Se você pensa que pode brincar comigo, bruxa, está muito enganada.
- Eu já disse que não estou brincando, Klaus! – Interrompeu-o – Apenas me dê a sua palavra e acabamos logo com isso.
- E o que a faz pensar que eu não quebrarei a minha palavra, love? – Sorriu de lado, daquele jeito irônico que só ele sabia fazer.
- Eu acredito que você seja um homem de palavra. Na verdade, estou contanto com isso.
Mais um momento de silêncio se passou enquanto os dois se encaravam. Dessa vez, tinha apenas a ansiedade lhe tomando conta do corpo. Tudo o que ela queria era tirá-lo de lá e vê-lo livre, de preferência, longe de onde suas irmãs poderiam capturá-lo novamente. Klaus apenas a encarava de cima a baixo e depois focava em seus olhos. Dizem que os olhos de uma pessoa nunca mentem e ele estava procurando por uma mentira, uma pegadinha, uma emboscada. Mas não achou nada. Aparentemente, a bruxa estava dizendo a verdade.
- Muito bem, então. Tem a minha palavra. Agora me solte.
soltou o ar que, sem se dar conta, havia prendido. Ela sabia que não podia confiar nele, que não deveria confiar nele, mas ela confiava. Sabia, ou pelo menos queria acreditar, que ele estivesse dizendo a verdade.
Sem dizer nada e com as mãos ainda juntas às pernas, entoou internamente um feitiço que liberou os punhos de Klaus das correntes. Quando solto, ele instantaneamente caiu para frente. Fraco do jeito que estava, a única coisa que segurava o seu corpo eram as correntes e, quando abertas, todo o seu peso caiu para frente, sem forças. instintivamente tendo ajudá-lo, mas antes que suas mãos pudessem chegar ao seu corpo, ele já estava se erguendo. Klaus respirava fundo, como se estivesse fazendo força e usando toda a sua concentração para aquele ato.
- Aqui, pegue. – Ela jogou uma bolsa na frente dele. Até aquele momento, ele não havia reparado que a bruxa carregava consigo uma bolsa. Mas de que isso importava? Agora que ele estava livre, poderia sair dali e se vingar daquelas bruxas malditas matando uma por uma de forma lenta. Ele poderia beber de suas veias, mas não o suficiente para matá-las, apenas para enfraquecê-las e depois, tiraria suas peles lentamente e obrigaria que uma assistisse a tortura da outra. Talvez ele ainda pudesse arrancar-lhes as pálpebras para impedi-las de fechar os olhos e, no final, as mataria engasgadas com as próprias vísceras. Sim, ele poderia fazer aquilo. Ou ainda poderia...
- Está me ouvindo? – lhe chamou a atenção. – Nesta bolsa tem sangue, não é o bastante para lhe saciar a fome, mas é o suficiente para que você consiga sair dessas terras para que possa se alimentar. – Ela fechou os olhos e suspirou. Por ela, ele não se alimentaria de ninguém, de nenhuma pessoa, mas sabia que ele tinha que fazê-lo. Que pelo menos não fosse em suas terras, então. – Também tem roupas e água. Na verdade eu não sei por que trouxe água, já que você claramente não bebe, mas acho que foi intuição. Pode usar essa água para limpar-se. Eu... Eu me ofereceria para ajudá-lo a cuidar desses machucados, mas sei que negaria.
Klaus precisou parar de arquitetar sua vingança para poder encará-la. Além de libertá-lo, sem motivo aparente, a bruxa ainda estava lhe oferecendo ajuda? Aquilo era, no mínimo, ridículo. Ele não precisava de ajuda de ninguém. Ele era Klaus, o primeiro híbrido da história da humanidade e nunca dependeu de ninguém. Não seria agora que ele começaria a precisar de ajuda. Principalmente de uma bruxa.
- Estou bem.
E foi isso. Essa foi a resposta que recebeu. Mas o que ela estava esperando? Abraços e agradecimentos? Não, é claro que não. Niklaus Mikaelson era a pessoa mais solitária e independente que a natureza poderia ter criado. Ele não precisa de ninguém, não precisa de ajudas externas, pois sempre se vira bem sozinho. Claro que essa regra não mudaria agora, mesmo tendo sido salvo por uma bruxa cujo clã, o prendera ali.
- Ok. Então... Eu vou me virar enquanto você se limpa e trocar de roupa. – Ela disse já se levantando e indo em direção à parede oposta a que ele estava. Não que isso fosse muito longe, já que a sala não era exatamente grande.
- Por que se incomodar em se afastar, love? Eu não me incomodo. – Ele sorriu irônico, mas ela não viu, pois já estava de costas censurando-se internamente por estar quase cedendo à vontade louca de virar para trás e vê-lo tirar a pouca roupa que ainda tinha no corpo. O que estava acontecendo com ela naquela noite? Estava bem antes de encontrá-lo. Estava bem enquanto tomava a decisão de procurá-lo e enquanto praticava os feitiços que o libertariam. Mas agora, no mesmo espaço que ele – espaço este que era pequeno de mais para a sua sanidade – ela se sentia quase... Descontrolada. Saber que ele estava bem atrás dela, provavelmente nu, a deixava com os nervos aflorados e com a imaginação trabalhando a mil.
- Já estou vestido, love. Já pode se virar sem que corra o risco de ver imagens que a perturbarão durante o sono. – Soltou um risinho de escárnio.
- Não me assusto com pouco, Klaus. Sou uma bruxa, se lembra? – Ela disse virando-se de frente a ele novamente. Ele realmente havia trocado de roupa e colocado a camisa que ela levara. Droga, tinha que admitir que sem camisa ele ficava melhor.
- Oh, não acho que minha imagem sem roupa a deixaria com medo, love. Na verdade, acredito que a imagem lhe traria bons sonhos. – Ela o olhou sem entender onde ele queria chegar. – Audição de vampiro, lembra? Poderia ouvir seu coração batendo rápido mesmo se estivesse do outro lado dessa porta. – Ele explicou. – E também posso ver como ficou corada com o que eu disse. – Dessa vez, tinha certeza de que precisava sair daquela sala urgentemente. Ficar em quatro paredes com Niklaus a estava deixando tonta e só de pensar que ele sabia que estava causando reações nela que nem ela mesma podia explicar, a deixava nervosa.
Sem olhar para trás, caminhou até a porta, mas antes que ela pudesse abrir, uma mão segurou a porta com força e seu corpo foi prensado contra ela pelo corpo de Klaus. Ela não fez nada. Não que não tivesse o que fazer ou que não soubesse, ela simplesmente... Não podia fazer nada. Seu coração estava batendo tão rápido e sua respiração estava tão irregular, que seu cérebro não estava processando nada além do fato de ela estar deliciosamente presa entre uma porta de madeira e o corpo de Klaus. - Não tão rápido, bruxa. – Ele sussurrou em seu ouvido.
- Você não está forte o bastante para lidar comigo, Klaus. Se eu quiser, em questão de segundos, você estará se contorcendo no chão enquanto perde sua chance de ir embora. – disse tudo de uma só vez. Se parasse para pensar no que estava dizendo, ou mesmo para respirar, sabia que não teria forças para continuar. O calor emanado do corpo atrás do seu a estava deixando com o cérebro nas nuvens, perdido. Sua respiração, antes descompassada, passou a ficar falha. Ela podia sentir um resquício de suor descendo pelas suas costas e podia ouvir o coração batendo desesperadamente. O mais constrangedor é que ele provavelmente também sabia disso. Niklaus não disse nada diante à ameaça da garota. Em vez disso, virou-a rudemente de frente para si e prensou-a com mais força contra a porta. Com a inesperada ação dele, não podia fazer nada, uma vez que havia se perdido nos lábios dele agora tão perto dos seus. Lábios esses que estavam sujos de sangue. Mesmo tonta por conta da aproximação, ela podia ver como o peito de Niklaus subia e descida rapidamente. Quase tão rapidamente quanto o seu.
- Por que está fazendo isso? – Ele perguntou. – Por que está me libertando? Indo contra suas irmãs bruxas? Me responda, por quê! – Ele a apertou com mais força o braço dela que ainda tinha em mãos.
- Já disse que não acho certo o que elas estão fazendo. – Ela soltou com a voz meio presa, mas ainda assim em alto e bom som.
- E o que elas estão fazendo, hum? Estão tramando algum plano maligno para me destruir? Pois vou ter que destruir os seus planos, pois nada pode me destruir. Ouviu bem? Nada. – Klaus pronunciou a última parte de forma lenta e clara chegando o rosto o mais perto possível do de . – Eu sou imortal.
- Elas estão cultivando uma árvore de carvalho branco. – Ela soltou. De que adiantaria mentir? Ela sabia que, mais cedo ou mais tarde, ele descobriria. – O plano era te manter preso enquanto a árvore era cultivada para que então, você pudesse ser morto.
- Preso e torturado, você quer dizer. – Ele a corrigiu, ignorando o fato dela ter dito sobre a árvore.
- Torturá-lo nunca esteve nos nossos planos. Somos contra qualquer tipo de tortura.
Ele soltou um riso debochado.
– Bom, então alguém mudou os planos, love, pois há dias estou sem comer e recebo visitas diárias de algumas das suas irmãzinhas e mais alguns amigos que se mostram bastante satisfeitos em me ver sofrer.
- Eu não sabia. Muitas de nós não sabíamos. – Ela admitiu.
Niklaus nunca foi de confiar em ninguém, nem de acreditar numa promessa, muito menos de depender de alguém. Ele acreditava que, se precisava confiar em alguém para poder contar com ajuda num dia posterior, esse alguém era ele próprio.
Ele sempre havia sido traído, até mesmo por aquelas pessoas que ele considerava que sempre estariam ao seu lado, como sua família. Então não via sentido depositar confiança em outra pessoa além dele mesmo, pois sabia que sempre corria o risco de ser traído novamente. Ter ficado preso naquela sala por dias era prova de que não podia confiar, nem o mínimo que fosse, em ninguém.
- Elas mentiram pra você. – Ele admitiu, sem perceber, em voz alta. E, interiormente, ele sabia o que aquela afirmação queria dizer: ele acreditava na inocência da bruxa. Ela realmente não fazia ideia do que estava acontecendo com ele naquela sala e realmente queria salvá-lo. Pera primeira vez, alguém queria salvá-lo, e não o contrário.
nada disse, somente concordou com a cabeça.
Diante disso, Klaus a soltou e se afastou. Ele não sabia por que, mas quando se afastou dela, soltou o ar que tinha prendido sem perceber e sua mão, que antes segura o braço dela, formigava.
- Vamos sair logo daqui. – Ele disse passando na frente dela e saindo pela porta. Antes de dar mais que três passos, ficou preso. Uma barreira invisível o prendia ali. Ele tentou socar, mas não adiantou. – Pode, por favor, usar o seu pozinho mágico, ou seja lá o que você use, para me deixar passar? – Ele se virou para ela e fez a cara mais cínica possível.
, que estava atrás de Klaus, o empurrou para a parede mais próxima daquele túnel. A força que ela usou, resultado de seus poderes, foi mais que o necessário, mas quem se importava? Ela estava nervosa com ele. Nervosa com as reações que ele causava nela. Nervosa com ela mesma por ser tão vulnerável.
- Bem que eu achei que você era do tipo selvagem, love. Mas tenho que alertá-la que não sou muito fã de ser dominado. – Ele ironizou. Ao ver a cor avermelhada que as bochechas da garota ficaram, ele soltou um risinho irônico e se aproximou novamente, ficando atrás dela.
- São vários os bloqueios colocados para impedir a entrada e saída de vampiros e lobisomens. Vou abrir um de cada vez, portanto, fique perto de mim.
- Mais perto? Não acha que isso já é se aproveitar do meu corpo?
Ela o olhou por cima do ombro com um olhar duro que dizia “cale-se!”, calando-o imediatamente. De forma quase inocente, ele levantou os braços como se dizendo que não estava fazendo nada.
Silenciosamente, ela entoou o feitiço que liberaria aquela passagem apenas por alguns segundos. Ela seguiu em frente sendo acompanhada de perto por Klaus que não ousou abrir mais a boca. Ele mantinha os braços para trás e a olhava de costas de forma curiosa. Sem se dar conta, se perguntava por que acreditara nela, quando ela disse que não sabia que estavam ferindo-o. Também se perguntava por que ela se arriscaria tanto indo salvá-lo, quer dizer, o que ela estaria ganhando com isso? Se fosse uma emboscada... Oh, que os deuses a ajudassem, pois ela não sairia viva dessa. Mas ele sabia que ela não estava mentindo. Ou pelo menos, queria acreditar que ela não estava mentindo para ele.
Pela primeira vez, ele começou a perceber a presença dela, focando em sua presença física. Olhou para seus cabelos e pensou em como eram bonitos, desceu para suas costas que estavam cobertas por uma jaqueta de couro marrom e desceu ainda mais o olhar. Ah, quem fizera aquela calça jeans, com certeza merecia um prêmio. Era como um ímã para seus olhos, pois ele não conseguia desviá-los das curvas perfeitamente delineadas pelo tecido colado. Seu olhar desceu ainda mais e chegou ao par de botas que ela usava. Quando voltou o olhar para cima, a fim de apreciar um pouco mais sua parte favorita no corpo dela – até o momento – viu que ela havia parado de andar e o encarava.
- É aqui. Chegamos. – Ela apontou para a porta atrás de si.
- Oh... Não foi uma caminhada tão longa quanto eu me lembrava. Mas talvez seja pelo fato de que quando fui trazido para cá eu estava inconsciente e por isso não percebi o caminho feito. Que falta de educação a minha, não acha? – Ironizou.
Ele tentou passar por ela, mas entrou na sua frente, impedindo-o de passar.
- Klaus, acredito que se lembre do nosso acordo. – Ela lhe mostrou um olhar sugestivo. Diante da falta de resposta dele, ela continuou – Me refiro ao nosso acordo de não ferir, nem se alimentar e muito menos matar ninguém dessas terras em troca da sua liberdade.
- Ah, sim. É claro, love. Eu me lembro. – O sorriso irônico que ele lhe deu fez ter certeza de que ele não cumpriria sua parte do acordo.
- Niklaus, minhas irmãs erraram com você, mas eu estou tentando consertar. Na verdade, você errou primeiro conosco, pois matou muitos das nossas terras, e mesmo assim, eu estou o perdoando e deixando-o livre, arriscando a minha própria pele para isso. – Ela suspirou. – Então, por favor, cumpra sua parte no acordo.
- Por que você se arriscaria? – Ele preferiu ignorar todas as baboseiras melodramáticas que ela disse e perguntar aquilo que o estava atormentando desde o momento que ela disse que o libertaria. Bem, tirando seu momento de distração com sua maravilhosa calça jeans que salientava suas deliciosas curvas.
- O quê? – Ela piscou surpresa.
- Por que você está se arriscando para me salvar? Como você já disse, eu sou uma pessoa terrível que já atacou inúmeras pessoas inocentes e blá blá blá. – Ele suspirou falsamente. – Por que você está se arriscando, bruxa? – Ele se aproximou – Por quê?
parou de respirar instantaneamente. Klaus estava tão próximo de si que quase podia sentir seu nariz encostando-se no dele.
- Por que eu acredito que todos mereçam uma segunda chance. – Ela disse. – Acredito que todos cometem erros, quer dizer, isso é natural, e todos merecem uma segunda chance para tentar sermos melhores. – se viu falando aquilo que não admitira nem para si mesma: ela acreditava que Klaus era uma boa pessoa, não de caráter, obviamente que não, mas acreditava que ele tinha um bom coração. Ele só precisava descobrir isso.
- Acredita que posso ser uma pessoa melhor? – Ele perguntou. – Acredita que posso me tornar um dos bonzinhos? Que só porque arriscou a própria pele para me salvar, vou passar a fazer doações, visitar orfanatos aos domingos e levar brinquedos para as crianças carentes no Natal? Desculpe desapontá-la, love, mas isso não vai acontecer.
- Não é sobre isso que estou me referindo. Quero dizer, você já foi humano, o que significa que tem sentimentos. Emoções. Vontades e desejos. Você só precisa se permitir ter sentimentos e emoções melhores. Boas... Permita-se amar, Klaus. E... Permita que o amem. - Quando terminou de falar, desejou que pudesse ter um feitiço que a fizesse voltar no tempo para que pudesse impedir seu cérebro traidor a incita-la a falar aquelas coisas.
- Amor? Acha que eu preciso de amor? Bem, deixe-me atualizá-la, love. Meu pai me caçou por séculos tentando me matar; minha mãe tentou matar-me e a meus irmãos, por achar que éramos aberrações. Meus irmãos me abandonaram depois de tentarem me matar e falharem. Aonde eu vou, querem me matar. Suas irmãs bruxas querem me matar, lembra-se? E você ainda diz que eu preciso de amor? Você não sabe do que está falando, bruxa. – Ele virou-se de costas. O que aquela garota estava dizendo era quase cômico, se não fosse trágico. Se ela achava que podia “consertar” ele, ela estava muito enganada. Ele deu alguns poucos passos se afastando dela, mas logo foi bloqueado pelos feitiços que haviam sido postos de volta assim que eles passaram. Ele se irritou e tentou socá-la, mas antes que sua mão chegasse à barreira invisível, segurou seu braço.
- Você pode afirmar que nunca deu motivos para querem-no morto? – Ela perguntou olhando profundamente. Sem conseguir encará-la, ele virou o rosto. – Não, você não pode. Mas isso não significa que não possa mudar. – Antes que ele a interrompesse, continuou – Por favor, não pense que sou tola. Já passei dos 12 anos a muito tempo e não acredito mais em contos de fadas e finais felizes. Não acredito que você vá mudar e ganhar o prêmio Nobel da gentileza. Só acredito que, se você quiser, e permitir, poderá descobrir outro lado seu. Um lado... Próximo do bom. Talvez não tão ruim... – Ela tentou sorrir. – Não acredito que a morte seja a solução para tudo. Pelo menos, não sempre. Não no seu caso. – Dessa vez era ele que a olhava e ela que desviava o olhar.
não poderia dizer quanto tempo ficaram daquele jeito: ele a olhando, ela desviando o olhar e quando o olhava, ele desviava o olhar. Parecia uma cena típica de adolescentes inexperientes de 14 anos, e até seria engraçado, se não fossem uma bruxa – que já passara dos vinte – e um híbrido que tinha mais de mil anos de idade. - Daqui a pouco amanhece, e acredite, você vai preferir estar bem longe daqui quando isso acontecer. – Ela cortou o clima. Klaus assentiu e seguiu-a novamente até à porta. – Então... Temos um acordo?
- Sim. Temos um acordo, bruxa. – Ele respondeu sorrindo de lado. não acreditou, pois tombou a cabeça para o lado e lhe mostrou um olhar desconfiado. – Estou falando sério. Tem a minha palavra. – Ele colocou a mão no peito e curvou o tronco. Por mais que ele estivesse fazendo aquilo só para irritá-la, ele estava falando sério. Não mataria ninguém daquelas terras e esperaria passar pela fronteira para poder se alimentar. Claro que aquele monte de baboseira sobre amor não tivera nenhuma influencia em sua política de como se alimentar, é claro que não, mas ele estava disposto a não matar, pelo menos naquela noite, como forma de agradecimento por ela estar se arriscando para salvá-lo. Não que essa sensação de agradecimento fosse virar um hábito, ou durar por muito tempo, mas por ora, bastaria.
Ela pareceu acreditar, já que se virou de costas e entoou um feitiço, dessa vez em voz alta, para que a porta se abrisse. Antes de abri-la, a voz de Klaus lhe chamou a atenção.
- Só estou curioso sobre uma coisa. – Ela o olhou esperando que continuasse – Vocês pretendiam me manter aqui preso durante anos até que outra árvore de carvalho branco crescesse? Porque, acredite, essa árvore que vocês estão cultivando demorará décadas, talvez séculos, para crescer até que vocês possam lhe cortar a madeira e fazer uma estaca.
- Não pretendíamos esperar tanto. Estamos usando os meus poderes de afinidade com a terra para acelerar o processo.
- Espera, o que você disse? – Interrompeu-a. – Disse que está usando seus poderes de afinidade com a terra? Quer dizer que você possui afinidade com um elemento da natureza? – Ele perguntou se aproximando dela e analisando-a com interesse.
- Sim, possuo. Na verdade, tenho afinidade com todos os elementos. Como acha que consegui chegar até você, soltá-lo e conseguirei mandá-lo embora sem que ninguém perceba? Estou pedindo auxílio ao vento para que camufle seus sons e movimentos.
- O que mais você faz? – Ele a segurou pelos braços. – O que mais você pode fazer?
- O quê? Do que está falando?
- Essa afinidade que tem com os elementos... Há quanto tempo tem ela? – Ele parecia fascinado, vidrado, viciado.
- Não sei. Acho que desde que nasci. Por quê? – Ela perguntou curiosa.
- Por quê? – Ele riu de descrença. – Você não conhece sua própria história... – Ele sussurrou.
- Que história? – Ela perguntou autoritária, mas ele não respondeu. Apenas sorriu para ela. Aquele sorriso que faria qualquer mulher molhar as calças e perder as forças nas pernas, mas que, na situação em que se encontrava, só deixou com raiva.
- Acho que isso é conversa para outra hora. – Ele a olhou uma última vez e foi em direção à porta. Abriu-a, olhou para fora constatou que estava tudo no mais completo silêncio. Olhou para trás novamente e encontrou uma com as bochechas rosadas, com os olhos cheios de perguntas e uma postura autoritária. – Nós nos veremos novamente, . Talvez no nosso próximo encontro eu possa lhe contar algumas coisas que você ainda não sabe e, em troca, você pode me falar um pouco mais sobre essa história de segunda chance... De amor. Ou me mostrar. – Niklaus lhe lançou o sorriso mais sacana que pode junto com mais uma análise rápida pelo corpo da garota.– Até breve...love.


Fim.



Nota da autora: (29.04.16) Oi, gente!
Escrevi essa fanfic há bastante tempo e só não tinha mandado pro site ainda por motivos de: procrastinação. Quando escrevi a fanfic nem categoria The Originals tinha no site ainda, o que significa que agora mais pessoas podem se inspirar e escrever mais sobre <3
Amo forte essa série <3
Só queria dizer que espero que vocês tenham gostado de ler, assim como eu amei ter escrito e, se vocês tiverem algo a dizer, alguma dúvida, crítica, pedido ou só um simples comentário, não guardarem para vocês mesmos! Fiquem a vontade na caixinha de comentários e façam uma autora feliz, haha
E por fim, tenho outras fanfics já publicadas no FFOBS, caso alguém tenha curiosidade/vontade/interesse em ler vou deixar os nomes no final, ok?
Beijos a todas e a todos
Angel

Outras fanfics:
- Welcome to a New World – Mclfy/Finalizadas
- Babá Temporária
- 10. What If I – Ficstape #36




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