End of the Summer

Última atualização: 03/05/2018

PARTE I

We don't got time to waste,
So baby commit to me.
I'll pick you up girl And there'll never be another…
Imma make ya mine by the end of the summer.


Minhas mãos suavam enquanto eu estava sentada na cadeira de plástico do aeroporto e me sentia a maior idiota do Mundo.
Qual é, ? Não é como se você nunca tivesse o visto pessoalmente.
Eu sabia. Mas… Depois de quase oito meses fora, vê-lo de novo traria à tona toda a saudade que eu estava sentindo de seu toque, seu beijo e até mesmo seu cheiro.
Quando o anúncio que meu voo estaria partindo em breve soou pelos autofalantes do aeroporto eu me levantei rindo de mim mesma. Quem diria, hein ? Voltando para encontrar o amor de verão.

Verão de 2016 — Venice Beach.
Eu sempre vivi aqui em Venice Beach. Sempre tive a praia como meu quintal, a pele bronzeada pelo sol que nunca dava descanso e sempre tive o desejo desesperado de sair daqui o mais rápido possível.
Quer dizer, não me entenda mal, eu amava Venice Beach, de verdade, mas eu sempre fui uma pessoa muito sonhadora. Os pés no chão? Acho que nunca tive, e sempre achei que eu era muito grande para aquela pequena cidade praiana.
O meu grande sonho desde sempre? Nova Iorque. Broadway! Minha imagem em telas de cinema, minhas fotos enquanto desfilava pelos tapetes vermelhos do Oscar. Ser uma atriz renomada era meu grande sonho, assim como atuar era minha paixão e tudo o que eu sabia fazer.
E agora, depois de me inscrever para uma bolsa integral em uma boa faculdade de artes cênicas em Nova Iorque, o meu sonho de ser uma garota na cidade grande estava cada vez mais perto. Eu até podia sentir o meu sonho tocando na ponta de meus dedos. Estava tudo tão perto de dar incrivelmente certo para mim. Eu só teria que aguentar esse último verão em Venice Beach e Hello, New York!
Mas eu mal sabia o quanto minha vida viraria uma completa confusão nesse último verão.
Pois eu conheci ele. E depois disso, eu desejava internamente para que aquele verão durasse para sempre.
Ah, estrupício! Ele tirou todas as certezas que eu tinha em minha vida.

Venice Beach; Parque Central.
Andava ainda sonolenta enquanto me puxava pelo pulso animadamente pelo gramado do parque.
Era a primeira semana de verão, e céus, eram quase seis da manhã. Eu sinceramente não sabia o porquê eu tinha concordado com a ideia de de vir aqui a essa hora só para ver a porra de um nascer do sol.
— Vamos, . — ela disse animada.
Eu caminhava com os óculos escuros escondendo meus olhos fechados enquanto ela ainda me guiava. Eu sabia que assim que sentássemos na grama, eu iria capotar de novo.
— Não deveria ter concordado com essa ideia. — murmurei. — Eu ainda estou inconformada que você acordou a essa hora só para fazer a vontade de um garoto que você conheceu, a o quê? Quatro dias? Aliás, da onde ele saiu?
— Eu gosto de . — ela deu de ombros. — Nos conhecemos no luau de começo de verão, aquele que você deveria ter ido ao invés de ter ficado trancada no quarto vendo filmes antigos. — eu fiz questão de revirar os olhos mesmo sabendo que ela não os veria. — Ele está no segundo semestre da faculdade, sabia? — ela contava empolgada. — E eu não perderia a oportunidade de vê-lo hoje tocando alguma música romântica para mim enquanto apreciamos o nascer do sol.
— Ele é hippie ou algo do tipo? Só hippies que acordam antes do sol nascer para o saudar.
Paramos bruscamente e ouvimos vozes. Abri os olhos ainda com certa dificuldade e vi pessoas sentadas no chão.
Vi andando para perto de um rapaz que usava uma camisa de mangas ¾ e lhe dando um selinho demorado.
. — ela voltou a me puxar para mais perto das pessoas que me olhavam curiosas. — Esse é o . — disse enquanto um sorriso travesso brincava em seus lábios.
— Ouvi bastante sobre você. — o tal se pronunciou.
— E eu de você. — ele riu.
— E esses são: , Jesy, , e Heather. Uma garota com longos cabelos brancos e que usava um gorro vermelho sorriu pra mim, supus ser Jesy, e ela estava com a cabeça apoiada no ombro do que foi me apresentado por .
O tal de estava sentado em cima de uma canga estampada e me mandou um aceno com a mão.
Heather, a outra garota de cabelos pretos presos em duas tranças sorriu, enquanto tinha o braço do último garoto em cima de seus ombros.
O último garoto era .
Acho que demorei tempo demais o encarando, quer dizer, fiquei algum tempo perdida em seus olhos cintilantes e depois algum tempo me perguntando se ele não estava morrendo de calor usando aquela regata preta e a calça jeans da mesma cor com rasgos no joelho.
Agradeci aos céus por estar de óculos escuros, senão iria me achar uma completa tarada por estar o encarando desse jeito.
— Senta aí, . — sorriu lateralmente para mim e indicou o lugar vago ao seu lado em cima da canga.
Eu sorri e me sentei.
pegou um violão e eu o ouvi cantar Wonderwall junto dos outros.
Eu sorria e me balançava no ritmo da música quando senti um par de olhos encarando meu perfil. Me virei delicadamente dando de cara com um que sustentava um sorriso galanteador nos lábios. Ele empurrou Heather um pouco para o lado e colocou sua bunda ao lado da minha.
— Oi.
— Oi.
Ele passou seu braço por cima dos meus ombros e eu arqueei as sobrancelhas em sua direção. Mas ele não deu a mínima, olhando para o horizonte com um sorriso quase que infantil.
— Ãhn… — eu pigarreei. — Você poderia tirar…
— Shh. — ele me cortou sem tirar os olhos do céu. — Apenas curta o momento, .
Engoli em seco.
A música acabou e todos aplaudiram com o violão.
! — exclamou, fazendo com que os olhos a encarassem. — Seu estrupício! É só nós virarmos as costas por um minuto e você está aí, todo de gracinha para cima da minha amiga?
riu e deu de ombros, voltando a me encarar.
— Parece que a sua amiga está gostando do estrupício aqui.
Eu deveria estar muito bêbada de sono para ter o deixado sem uma resposta à altura. Vamos lá, primeiro que eu nunca o deixaria passar os braços por cima de mim daquele jeito e me falar esse tipo de coisa se eu estivesse realmente acordada.
— Ah, calado. — eu resmunguei e me afastei dele emburrada enquanto me enfiava no meio de e .
Agora e cantarolavam Two Fingers do Jake Bugg, e dessa vez eu me juntei a eles e cantei.
Tá, talvez eu estava realmente acordada agora. Tirei os óculos dos olhos e os apoiei no topo da minha cabeça.
Decidi que ficaria naquele lugar e não iria olhar para o lado para conferir as expressões de .
riu baixinho ao meu lado e eu tomei um susto quando vi um par de Vans pretos de cada lado do meu corpo. Duas mãos grandes puxaram meus ombros para trás.
— Oi. — eu não precisava me virar para saber quem era.
— Mas o que você quer agora, estrupício? — murmurei cansada.
— Aqui. — ele me estendeu uma florzinha branca. — Pra você.
A peguei e me virei para encará-lo. Ele não poderia estar falando sério, né?
continuava com um sorriso infantil no rosto, e antes que eu pudesse abrir a minha boca para questioná-lo, ele apontou para o horizonte e disse:
— Não estrague o momento de novo, . O sol está nascendo. — ele disse me fazendo olhar o horizonte.
E lá estava ele, o sol. Surgindo por entre as árvores do horizonte e clareando toda a paisagem.
Senti os braços de enlaçarem meu corpo e não questionei dessa vez, estava muito ocupada admirando o nascer do sol como uma verdadeira hippie, mas, talvez e só talvez, eu apenas não tenha reclamado porque tinha gostado do gesto. Mas admitir isso? Nunca.
— Vocês estão parecendo um casal. — foi Heather que disse, me fazendo rolar os olhos e querer me afastar de mais uma vez.
— Você é muito abusado, . — eu disse.
— Continue com o estrupício, ficava muito mais sexy na sua voz. — ele riu da minha careta. — Mas não, , eu não sou abusado. Sou apenas charmoso demais para você resistir.
— E humilde. — ri irônica.
— Com certeza. — ele disse rindo. — Não duvide do meu charme, senhorita. Eu consigo conquistar todas.
Foi ali que eu soube o quão galanteador, convencido, metido e ugh! irritantemente charmoso poderia ser.
Mas se ele achava que eu iria cair no papinho dele assim ele estava muito enganado.



PARTE II

Venice Beach; Casa da .
Três dias haviam se passado desde o dia que conheci e todos os outros amigos dele no parque vendo o nascer do sol.
Três dias desde que conheci ele.
E é claro que eu não consegui me conter e em uma madrugada, me vi com o notebook embaixo das cobertas procurando por em todas as redes sociais existentes.
Acabei por ficar pelo o que pareceram horas rolando o seu feed no Instagram. Vi fotos de cachorros – que supus serem dele –, fotos da praia, fotos dele com , fotos dele com , fotos dele com , fotos com Jesy e Heather e fotos de todo o grupo junto. E uma última e única foto dele sozinho.
Era uma foto na praia, ele sentado na areia, sem camisa e de costas para a foto, com um calção preto e um boné cinza com a aba virada para trás, suas costas definidas e bronzeadas chamavam muito a atenção. Na legenda podia se ler “Esperando pelo melhor momento da minha vida… O verão” e mais alguns emojis.
Dei um grito de pânico quando vi o coraçãozinho branco se tornar vermelho quando dei dois cliques em cima da foto sem querer.
— Fodeu!
Tentei desclicar o mais rápido possível. Se tivesse recebido uma notificação disso eu estaria mais do que morta de vergonha. Oh Deus, eu não sirvo nem para ser uma boa stalker.
Fechei o computador rapidamente e passei as mãos pelo cabelo tentando regularizar minha respiração quando ouvi o barulho de uma notificação.
@: me stalkeando então?”

E em seguida mais uma.
(@) pediu para te seguir.”

Enfiei meu rosto no travesseiro para abafar o grito desesperador que eu dei.
Patética. Era isso que eu era.
Um estrupício. Era isso que ele era.

Venice Beach; Praia da Âncora
Mais dois dias se passaram e quando eu percebi, o conversível vermelho de estava estacionado perto da praia da âncora.
Eu, Jesy e estávamos sentados no banco de trás usando roupas de banho, enquanto estava ao lado de na frente.
— Vamos? — disse. — disse que ele e já estavam por aqui.
Meu coração começou a bater mais rápido ao ouvir seu nome. Com que cara eu iria encará-lo?
Jesy usava um biquíni vermelho e um chapéu de palha na cabeça, vestia um maiô estampado com uma canga em volta da cintura enquanto eu, apenas um biquíni verde e meu shorts jeans cobrindo a parte debaixo.
e Jesy tentavam manter uma conversa comigo, mas eu realmente estava alheia a todos os comentários que eles estavam fazendo, em minha cabeça só se passava o momento em que apareceria e falaria algo como ”E aí, stalker? Quer um autógrafo?”
— Ei, ! — acenou para o garoto que estava embaixo de um guarda sol amarelo.
— Ei.
— Onde estão e Heather? — foi que perguntou.
— Heather não pôde vir. está no mar, como sempre. — respondeu.
Me sentei ao lado de na canga e comecei a passar protetor em meus braços, tentando parecer o mais plena possível enquanto na verdade, estava tendo um faniquito interno.
— Olha o garotão aí. — Jesy riu.
tinha os cabelos molhados jogados para trás e caminhava em nossa direção de um jeito tão sexy que achei que fosse alguma cena do S.O.S Malibu.
— Cuidado para não babar, . — sussurrou para mim.
— Cala a boca. — resmunguei.
— Saca só. — ela disse em um tom brincalhão.
deu sorriso largo quando me viu e desatento, acabou tropeçando na perna que havia colocado em sua frente. Ele acabou caindo na areia de cara.
Não pude não gargalhar, assim como todos os outros ali.
— Porra, ! — ele resmungou se levantando.
O corpo inteiramente cheio de areia me lembrava um filé à parmigiana antes de frito e eu não conseguia parar de rir.
— Rindo de mim, ? — arqueou as sobrancelhas.
— AH!
Gritei quando se jogou em cima de mim e me encheu de areia também.
— Não está gargalhando agora, não é?
! Seu… Seu… — grunho irritada.
— Seu gato? Gostoso? Irresistível?
Estrupício! — gritou.
Vi toda aquela areia grudada em minha pele que havia acabado de receber uma camada grossa de protetor solar. Eu resmungava irritada enquanto via o sorriso travesso de intacto.
Eu não queria ter que entrar no mar, só Deus sabe o quanto meu cabelo fica horrível depois com toda aquela água salgada.
— Vem, vamos nos lavar. — disse, me pegando como se estivesse pegando um saco de batatas e eu comecei a gritar.
— QUER ME LARGAR?
— Você está tendo uma visão privilegiada da minha bunda, querida. Se eu fosse você, não reclamava.
, você é um homem morto.
Ele me colocou no chão em seguida e antes que eu pudesse dizer algo, lá estava eu, sendo carregada mais uma vez por , só que dessa vez, com suas mãos segurando minhas pernas e costas. Ele corria para o mar e eu gritava.
— Eu vou te matar! Sabia disso? — ralhei furiosa. — Se você não me soltar, eu…
— Você quer mesmo que eu te solte? — me lançou um olhar sugestivo e percebi que ele já estava com a água até seus joelhos, a próxima onda que iria me molhar completamente.
— Ai, não. — agarrei-me em seu pescoço.
— Prenda a respiração, . Em três, dois, u…
mergulhou comigo em seus braços por alguns instantes e emergiu novamente, com os cabelos em seus olhos.
Eu ri e fiz o favor de puxá-los para trás, me deparando com seus olhos quase que irresistíveis.
— Obrigada.
Ele continuou comigo em seus braços e continuamos nos encarando como se não houvesse mais nada de interessante para se fazer.
Aposto que essa cena seria perfeita para um beijo apaixonante, que faria os outros banhistas olharem admirados e tudo mais. Mas não foi o que aconteceu, aliás, sabia muito bem como quebrar um clima. Quer dizer, não que estivesse rolando um clima entre nós, mas é, dá pra entender…
— Amanhã. Eu. Você. Hollywood Side. — disse simplesmente.
— O quê?
— Amanhã… — ele ia repetir quando o cortei.
— Eu ouvi da primeira vez. Mas… o que significa isso?
— Estou te chamando para sair, . — respondeu como se fosse óbvio. — Você deveria ficar feliz por isso.
Eu dei uma gargalhada sarcástica.
— Por Deus, você é muito convencido, . — eu continuei rindo. — Não, muito obrigada.
— Eu passo para te pegar na sua casa, então. — ele disse calmo como se eu não tivesse acabado de recusar seu convite, me colocou no chão, fazendo com que meus pés se chocassem com a água gélida do mar. — E eu te farei minha até o final do verão.


PARTE III

Venice Beach; Casa da .
Era uma sexta-feira à tarde. Eu estava jogada na minha cama falando com por telefone e contando sobre minha conversa com do dia anterior no mar.
Meu Deus! — ela exclamou. — E o que você respondeu?
— Nada. Aliás, eu dei muita risada. Quem esse garoto pensa que é?
Ah, . Não me diga que não ficou nem um pouco balançada em ter aqueles olhos te observando durante toda a tarde na praia. riu. — Até eu ficaria.
— Cala a boca. — resmunguei. — Ele é… muito convencido pro meu gosto.
Ele pode. Qual é? Já olhou para ele? é lindo como deuses do Olimpo e quente como o inferno.
— Vou me lembrar disso para falar pro qualquer dia desses… — brinquei.
Ei! Mas não é porque estou apaixonada pelo que eu estou cega e não sei apreciar um gatinho quando vejo um. — sabia que ela estava dando de ombros agora.
— Espera… Você disse que está apaixonada?
Ah, cala a boca. — ela riu envergonhada. — É assim que você vai se sentir quando te beijar pela primeira vez.
— Você diz como se eu realmente fosse beijá-lo. — eu ri. — , isso não vai acontecer nunca.
Nunca diga nunca, . — ela cantarolou. — Tudo bem que me contou que pode ser o cara mais galinha e galanteador que ele já conheceu na vida, mas não é como se você estivesse procurando o amor da sua vida. Ele pode ser apenas o seu… passatempo de verão, uh?
— Tá maluca? Eu não quero nada que envolva eu e e beijos. — fiz uma careta enquanto encarava na tela do meu celular seu pedido para me seguir, que eu ainda não tinha decidido se iria aceitar ou não.
Bom, tenho certeza que você vai mudar de ideia depois desse encontro. disse. — E eu quero que você me ligue assim que voltar…
, eu não vou sair com e…
E já que vão ao Hollywood Side, peça a Maryl Streep ou o Jared Leto. — continuou. — E não me mate, mas eu dei seu endereço pra ele! Deve estar chegando a qualquer momento. Arrasa, amiga, beijo e tchau.
desligou na minha cara logo em seguida, e eu tive que ficar algum tempo parada processando todas as suas últimas palavras que foram ditas tão rápidas.
ELA TINHA FEITO O QUÊ?
Me desesperei e comecei a andar de um lado para o outro dentro do meu quarto.
Eu não iria sair para um encontro com , não mesmo. Nem vem.
Uma buzina fez com que eu entrasse em pânico e assim que olhei pela janela, vi com o celular em mãos.
Desci as escadas desesperada antes que meus pais o vissem ali e eu tivesse que dar explicações.
— Uh, olá. — ele sorriu galanteador quando me viu e guardou o celular em sua calça. — Você está deslumbrante.
Olhei para baixo e vi o vestido vermelho listrado de branco que eu usava, era apenas uma roupa de ficar em casa.
— O que você está fazendo aqui, seu estrupício?— perguntei incrédula que ele realmente estava ali. — Eu disse que não iria com você a nenhum lugar.
— E eu disse que iria te fazer minha até o fim do verão. — ele abriu a porta do carro. — E que viria te buscar.
— Eu vou matar a ! — murmurei nervosa.
— Não pode fazer isso, . Quem seria o par de madrinha do em nosso casamento?
Fiz uma cara de choque. Esse garoto não poderia estar falando sério.
Ele continuou com a porta do carro aberta e fazendo sinal com as sobrancelhas para que eu entrasse. Dei então, uma boa olhada em seu carro, não era luxuoso, aliás estava bem longe disso. Era um carro vermelho bem dos velhos.
Um Honda de duas portas, o insulfilm dos vidros de trás descascando, um amassado na parte lateral e havia um chaveiro de espantalho preso no espelho.
— Por que eu deveria ir? — cruzei os braços.
— Porque eu sei que você está louca para descobrir por que esse garoto maravilhoso e talvez um pouco convencido quer tanto te levar para comer um hambúrguer do outro lado da cidade. — ele disse. — E também porque você não quer que eu faça um escândalo em frente à sua casa e encha seu saco pelo resto do verão, não é?
Bufei e vi o sorriso vitorioso se formar em seus lábios quando eu adentrei em seu carro.
Na rádio tocava alguma música do U2 bem baixinho e eu dei uma risada discreta quando teve dificuldade para ligar o carro, que não ligou de primeira.
— O que você queria? — ele olhou para mim. — É um Honda ‘97.
— Seria mais fácil irmos a pé. — debochei.
— Não fale mal do meu bebê, . — resmungou se fingindo de ofendido. — Aposto que não vá xingá-lo quando ver que o banco de trás dele é ótimo para uns bons amassos.
— O quê? — eu ri surpresa. — Só nos seus sonhos, .

Venice Beach; Hollywood Side Restaurant.
Chegamos na hamburgueria cerca de vinte minutos depois, e eu dei graças a Deus. O carro de , além de ser uma lata velha de 1997, não tinha ar condicionado e era mais quente que uma sauna.
— Acho que se eu viesse a pé eu passaria menos calor. — comentei.
— Ah, calada. — ele me puxou para mais perto e eu fiz uma careta tentando me afastar, sem sucesso, pois óbvio que seria mais forte que eu.
Sentamos numa mesa distante de todas as outras e ficamos frente à frente, apenas nos encarando até que nossos pedidos chegassem. Eu acabei pegando o Jared Leto, como tinha me convencido e pegou o Leo DiCaprio, que também parecia estar com uma cara muito boa.
— Então, — começou —, temos que nos conhecer, certo? Eu quero saber mais sobre você.
— E eu certamente não quero saber mais nada sobre você e todo seu egocentrismo. — respondi o fazendo rir.
— Ok. — ele disse limpando a boca suja de ketchup em um guardanapo. — Meu nome é , eu tenho 20 recém completos anos. Estudo cinema na faculdade, por isso a escolha do restaurante. — ele sorriu e eu tentei não demonstrar surpresa. — Conheço , e desde a oitava série. Tenho dois cachorros que eu adotei há três anos, seus nomes são Leia e Han Solo. Mas eu sei que você sabe. — ele piscou para mim. — Sua stalker. — eu senti meu rosto ficar mais quente. — Continuando… Nascido e crescido em Venice Beach, me pergunto incessantemente nos últimos dias como nunca te encontrei por aí. Pretendo ser o próximo Christopher Nolan. Sempre achei a ideia de de ver o nascer do sol todo o começo de verão uma coisa muito hippie. — não consegui segurar o riso. — Adoro fazer as pessoas rirem. Perdi a virgindade no banco de trás do meu carro aos dezesseis. Sei que posso soar um pouco convencido às vezes, mas o que eu posso fazer? Minha autoestima é alta. Eu nunca me apaixonei por ninguém, mas não me importaria de você ser a primeira…
Congelei. Ele riu.
— Sua vez.
Tá, durante essa tarde eu devo ter me surpreendido com umas duzentas vezes. E depois de algum tempo, ele não parecia mais tão egocêntrico e irritantemente insuportável. Eu estava realmente gostando.
No final das contas, eu tinha contado um pouco sobre como eu sou apaixonada por artes cênicas e ele disse que quando ele for um diretor de cinema famoso, ele me faria a musa de todos os seus filmes.
Argh, não queria admitir, mas eu estava gostando… Gostando daquela tarde. Gostando da companhia de e gostando de receber seus sorrisos calorosos a cada minuto. E estava certa enquanto aos olhos, eu estava mais que balançada, eu estava hipnotizada por aqueles olhos tão .
De volta ao Honda ‘97, que eu apelidei de sauna particular do , eu sorria enquanto sentia o vento entrar pela janela e mexia no chaveiro do espelho enquanto ouvia os dedos de batucarem na lataria exterior do carro no ritmo da música desconhecia que tocava na rádio.
— Espero que tenha gostado. — ele falou.
— Digamos que eu me surpreendi bastante com você hoje. — sorri de um modo brincalhão.
— Espero que positivamente.
— Bom, eu não vou dizer que sim. Senão vou inflar mais ainda seu ego, que já é do tamanho de Venice Beach inteira. — ele gargalhou do meu comentário.
— Quer dizer que agora você vai aceitar meu convite para um segundo encontro sem eu ter que fazer chantagem? — ele arqueou as sobrancelhas.
Segundo encontro? Engoli em seco. Esse garoto era rápido…
— Ahm… Eu… — me enrolei com as palavras e ele sorriu ao estacionar o carro em frente à minha casa. — Minha casa. Tenho que entrar.
— Eu sei. — ele coçou a cabeça, parecendo meio sem graça. — Você podia me dar seu número, né?
— Não sei se você merece ainda…
— Qual é, ! — ele riu me vendo descer do carro e ir parar do seu lado do carro. — Como vamos marcar o segundo encontro?
— Eu sei lá. — dei de ombros. — Você já deu seu jeito hoje, pode dar esse mesmo jeito outra vez.
Dei um último sorriso antes de entrar correndo em casa.
Encostei na porta de entrada assim que a fechei atrás de mim e espiei pela fresta da janela que não estava coberta pela cortina o carro de se afastar.
E a primeira coisa que eu fiz assim que me joguei novamente na cama foi dar um longo suspiro enquanto discava o número de .
COMO FOI? — ela gritou do outro lado da linha, ansiosa.
, eu juro que vou te bater por ter feito isso, mas…

Venice Beach; Casa da .
Tinha ficado com na ligação até a hora do jantar e tive que ficar aguentando todo o tipo de piadinhas imagináveis e inimagináveis que envolviam eu e romanticamente.
Depois de jantar, fui tomar um banho relaxante para ver se eu conseguia tirar esse sorriso bobo do meu rosto, que eu carregava desde que tinha chegado do Hollywood Side.
Merda!
Enrolava meu cabelo molhado numa toalha quando ouvi meu celular apitar, anunciando uma nova mensagem.
”Você estava certa. Eu sempre dou meu jeito de conseguir o que eu quero. E com você não vai ser diferente, .
Domingo de manhã no parque, às onze da manhã. Vá de tênis.
x


PARTE IV

Venice Beach; Casa da .
No domingo de manhã, eu estava na casa de , sentada na cama junto de enquanto minha amiga corria de um lado para o outro atrás da “roupa perfeita”.
Pois é, depois da primeira mensagem de eu liguei para , só para confirmar que tinha sido ela quem havia passado meu número para . E acabou que nosso segundo encontro no parque se estendeu para todos do grupo, que incluía , , , Jesy, Heather e .
Se dissesse que estava um tanto quanto que decepcionada pelos outros amigos irem também soaria patético, não é? Ok. Então não vou dizer.
, você está linda! — resmungou tão cansado quanto eu. — Não precisa se arrumar mais, só vamos logo!
vestia um macacão jeans claro e uma blusa amarela por baixo com uma tiara prendendo sua franja para trás.
Já eu, estava com um short jeans, regata branca, Vans vermelhos nos pés e uma bandana da mesma cor nos cabelos.

: está fazendo um drama com as roupas.
: Apressem logo essa menina. Se perdemos a grande surpresa por conta dela, ela vai ser afogada no mar.
: KKKKKKKKK que cruel.
: Peça pro prometer uma transa se ela acabar de se arrumar em menos de cinco minutos.

Eu gargalhei alto da última mensagem.
— Muitos amigos, uh? — disse me olhando com aquele olhar malicioso e eu revirei os olhos.
— Ele disse pra você prometer pra uma transa se ela acabar de se arrumar em cinco minutos. — eu comentei e riu também. — Tá pronta ?
— Vocês são muito apressados, Jesus. — ela apareceu na porta do quarto com um sorriso enorme no rosto.
— A está ansiosa para ver o . — falou naturalmente e eu fiz cara de indignação.
— Óbvio que ela está. — rolou os olhos. — Vamos logo encontrar seu Romeu, Júlia.
— É Julieta! — corrigi. — Por Deus! William Shakespeare, ! Cultura, please!
— Que se dane.

Venice Beach; Parque Central.
Cheguei no parque e sorri involuntariamente quando vi com Heather nos ombros correndo feito maluco pelo gramado. Heather ria escandalosamente, o que me fez rir junto.
— Vocês chegaram. — nos cumprimentou com um sorriso.
— Mais um pouco e vocês chegariam junto com a noite. — zombou deixando Heather no chão e correndo até a mim. — Olá, .
— Hm, oi. — disse meio acanhada. — Quero saber, qual é a surpresa?
— Vamos andar de bicicleta! — disse animado. — Estou ansioso.
Eu dei risada.
— Então você fez esse escarcéu todo pra gente só andar de bicicleta? — fiz uma careta enquanto cruzava os braços.
— Como assim só andar de bicicleta? — ele exclamou indignado. — Porra, ! Andar de bicicleta é mágico, uma das melhores coisas para se fazer no verão.
— Eu não gosto tanto assim de andar de bike.
— O QUÊ? — ele parecia muito indignado, o que me fez rir. — Eu não aceito isso, . Vamos mudar seu conceito agora mesmo.
Ele me puxou pelo pulso para mais perto da barraca do parque onde as pessoas alugam as bicicletas.
— Vejo que vocês já estão se dando bem. — olhou sugestivo para mim. — O que aconteceu? Há uma semana atrás você queria matar o .
— Hm, meus conceitos sobre seu amigo estão mudando aos poucos.
— É muito bom ouvir isso. — disse com as mãos no bolso de sua bermuda cinza enquanto observava um extremamente ansioso pagando pelo aluguel das bicicletas mais à frente. — Ele te falou algo sobre te conquistar até o fim do verão? — concordei com a cabeça e ele riu. — só está falando disso nos últimos dias. Ele está realmente empenhado, .
— O que quer dizer com isso, ?
— Que ele está realmente empenhado em te conquistar. — ele disse e me fez rolar os olhos. — Você é a primeira a não cair no papinho furado dele logo de cara.
— A primeira? — eu ri debochada. — Qual é o QI das outras meninas com quem ele flerta? Como podem cair de quatro por um cara que fala tantas asneiras?
— Bom, me diga você! — riu. — Assim que o primeiro beijo acontecer.
Ele deu uma piscadela pra mim e ouvimos nos chamar para mais perto.
— Animada para andar de bicicleta? — ele perguntou.
— Nem um pouquinho.
— Bom, pelo menos você sabe andar. — riu. — Eu vou ter de levar na garupa porque ela não quer andar em uma bicicleta sem rodinha. — fez uma careta.
! — gritou e trouxe uma bicicleta verde para mais perto de mim. — Pra você. Verde, a cor que você gosta.
— Como sabe que verde é a cor que eu gosto? — arqueei a sobrancelha desconfiada para ele.
— Pela cor do seu biquíni naquele dia. — ele piscou para mim e subiu em sua bicicleta prateada. — Vamos!
Bufei mas segui seus passos e quando me dei conta, já estava gargalhando enquanto apostava corrida com Jesy e Heather.
e sempre ficavam para trás e eu sempre dava risada quando o ouvi xingá-la dizendo coisas como , você é muito pesada.”, “Se não tivesse que carregar a madame não estaríamos tão distantes dos outros.”. Eles eram um casal engraçado e bonito, e .
Vi andando com a bicicleta muito à frente dos outros, ele estava muito rápido, com certeza a mais que 30 km por hora, que era o permitido na ciclovia do parque.
Ele tinha um sorriso largo no rosto enquanto o vento fazia com que seus cabelos esvoaçassem para trás, eu sorri com a cena, parecia uma criança de 8 anos que acabara de aprender a andar de bicicleta sem as rodinhas traseiras.
Ele virou-se para trás e me viu parada com a bicicleta enquanto ele ainda pedalava a sua, nossos olhos se encontraram por alguns segundos e eu sorri involuntariamente.
era uma gracinha.
! — ele gritou e na fração de segundo seguinte, ele tinha sumido de vista. — AI!
Ouvi as risadas de e Heather ao meu lado e percebi que havia caído.
E ao invés de rir, como eu certamente deveria ter feito, eu apenas soltei minha bicicleta e corri o mais rápido que pude para ver se estava ok.
, seu idiota. — eu disse me agachando ao seu lado na grama. — Você se machucou?
— Nah. — ele mostrou o joelho ralado que sangrava sem parar. — Pelo menos rasgos no joelho são moda hoje em dia.
Eu ri fechando os olhos. Esse garoto...
— Você deveria ir lavar isso.
— Você poderia me ajudar, não é? — ele fez bico. — Está tão dolorido.
— Mas quando eu perguntei se você tinha se machucado você negou. — respondi com um sorrisinho lateral.
— Oh, não! — ele pôs a mão na testa. — Me ajude, ! Sinto que minha perna vai cair a qualquer momento! Se você não me ajudar eu terei que amputá-la e perderei todo o meu charme.
— Você seria um ótimo ator de novela mexicana, . — eu respondi me levantando e pegando sua bicicleta. — Vem, sobe aí. Eu vou te levar até o banheiro e você lava isso.
— Você é um anjo, sabia disso? — ele sorriu para mim e eu suspirei cansada enquanto começava a pedalar.
— Você tá bem, ? — perguntou enquanto passávamos por ele na bicicleta.
— Estou. — respondeu. — Tive sorte de ser salvo por essa bela dama tão atraente.
gargalhou da cara sensual que fez.
— Vamos logo, . — ele resmungou na garupa.
— Se você não fosse tão gordo eu não estaria demorando tanto. — cantarolei a resposta.
— Vejo que o estrupício se machucou de novo. — gargalhou quando nos viu. — Sempre se metendo em confusão, hein ?
— O que ela quer dizer com isso? — perguntei curiosa e deu de ombros.
— É esse maldito apelido que me deu no ensino médio. — respondeu com um ar de tédio. — Desde que soube o porquê do apelido, ela não para de encher o saco.
— E por que te chama assim?
— Um dia eu te conto. — piscou para mim.
Parei a bicicleta em frente ao banheiro masculino e o indiquei com a cabeça para .
— Você tem que ir comigo.
— Tá maluco? — exclamei. — Não posso entrar no banheiro masculino! Se você não percebeu, eu sou uma garota. Tenho uma vagina, sabe?
— Sério? — fingiu surpresa. — Não acredito! Deixe-me ver.
Eu bufei irritada e empurrei seu ombro de leve.
— Babaca.
— Você gosta. — ele sussurrou perto do meu ouvido enquanto eu o ajudava a andar até o banheiro masculino. — Vai, entra comigo. — ele fez uma voz manhosa.
— Já disse que não posso entrar no banheiro masculino. Eu não sou um garoto.
— Graças a Deus que não é. — ele gargalhou. — Um garoto não teria toda essa bunda…
! — eu lhe dei um tapa no peito. — Mais respeito, por favor.
— O quê? — ele gargalhou da minha cara feia. — Tá, tá, tá. Então, para ser mais romântico eu vou dizer: se você fosse um garoto, eu viraria gay por você.
Não pude conter o riso. era inacreditável. Em todos os sentidos da palavra.
Ele se sentou na pia do banheiro e eu abri a torneira, pegando um pedaço de papel e molhando-o.
— Vai arder?
— É só água, . — disse enquanto puxava o rasgo de sua calça jeans um pouco mais para o lado para passar o papel molhado em cima do ralado. Ele gemeu. — Relaxa, é só pra não sangrar mais e não infeccionar depois.
— Você deveria trabalhar em Grey’s Anatomy. Você leva jeito para cuidar das pessoas. — ele resmungou.
— Concordo. — eu ri. — E quando eu ganhar um Emmy pela atuação, eu irei agradecer a por ter machucado o joelho e ter me dado essa ideia.
Ele sorriu e eu o acompanhei.
segurou a minha mão que repousava em cima de seu joelho e me puxou para mais perto. Perto demais.
Os olhos tentavam penetrar em minha alma e eu respirava com dificuldade ao tê-lo tão perto assim.
Uma de suas mãos segurou meu rosto e seu polegar fez carinho em minha bochecha. O que eu estava fazendo, afinal de contas? Ele me puxou delicadamente para mais perto ainda e eu fechei os olhos, sabendo que não iria conseguir resistir estando tão próxima assim.
E então aconteceu, ali, no banheiro masculino do parque de Venice Beach, o nosso primeiro beijo.
Eu deveria ter sentido as famosas borboletas no estômago assim que senti seus lábios encontraram os meus, mas o que eu senti foi diferente, as borboletas nem chegavam aos pés de todos aqueles fogos de artifícios que explodiam sem parar dentro de meu corpo.
Era bom, e tudo ali parecia certo. Certo o jeito que ele segurava em minha nuca e como eu puxava levemente seus cabelos. Certo o modo como sua língua deslizava por minha boca com facilidade. Certo o modo que às vezes parávamos o beijo para recuperar o ar e eu sentia um sorriso se formar em meus lábios e nos dele também. E apesar de nosso primeiro beijo não ter sido no lugar mais convencional de todos, tudo ali parecia certo.
parecia certo.



PARTE V

Venice Beach; Casa da .
Era madrugada, todas as luzes da minha casa estavam apagadas e todos dormiam, mas meus olhos continuavam bem abertos enquanto teclava com por debaixo das cobertas.

: Você vai vir aqui em casa terça, né?
: Sim, sim.
: O que você tá fazendo?
: Falando com você.
: E você?
: Pensando quando vou te beijar de novo.
:
: É sério.
: Aposto que você também está contando os minutos pra eu te beijar de novo.
: Eu beijo muito bem, eu sei.
: Você é surreal, garoto.
: Esse é um novo jeito de dizer que está apaixonado por mim?
: Boa noite, .
: Boa noite, . Tenha bons sonhos.
: Comigo, é claro.

Bloqueei o celular e fiquei com um sorriso bobo no rosto por algum tempo.
A verdade era que sim, eu estava mesmo contando os minutos para beijá-lo novamente, e não só apenas beijá-lo. Mas para tê-lo junto de mim novamente, os seus braços ao redor do meu corpo, o cheiro amadeirado de seu perfume impregnado em suas roupas que eu inspiro toda vez que ele me abraça, do seu sorriso caloroso e até mesmo de suas tentativas – que agora não são tão falhas, como eram antes – de me conquistar, usando aquelas piadinhas e cantadas.
Desde o nosso beijo de ontem e de todos os amassos que demos no banheiro masculino, parecia que eu era outra pessoa. Uma pessoa mais leve, relaxada e mais bem-humorada, com certeza.
Bem, pelo menos foi isso que meus pais disseram no jantar de ontem, quando nos juntamos a mesa para comer macarronada e eu ria das piadas estranhas que meu pai contava e sorria feito uma idiota para as coisas entediantes que meu irmão menor contava.
Eu não tinha contado a sobre o beijo e talvez eu esteja me arrependendo aos poucos, porque uma hora ela vai saber e vai querer cortar minha cabeça fora por não ter lhe contado no minuto seguinte.
Eu ri de mim mesma. Quem diria, uh?
Caidinha de amores por .
NÃO! Quer dizer, não caidinha de amores... Ahm, vamos reformular a frase, então.
Eu ri de mim mesma. Quem diria, uh?
Querendo beijar de novo.

Venice Beach; Casa do .
Peguei carona com e dessa vez, achei melhor do que ter aguentar a melação de e durante todo o trajeto.
Paramos na frente de uma casa gigantesca, que estava mais para mansão.
mora aqui? — perguntei ainda um pouco chocada.
— Uhum. — confirmou. — Mora com os pais e os irmãos gêmeos mais novos.
— Relaxa, os pais e os irmãos estão passando as férias em Orlando. — deu de ombros enquanto tirava as chaves do bolso e abria a porta da casa. — Eu, e temos a chave da casa porque você sabe, somos da família.
Eu assenti e me senti meio acanhada ao entrar na casa, que por dentro conseguia ser mais linda e luxuosa do que por fora.
Ouvi a música alta do lado de fora e vi já tirando a regata branca que usava e correndo para o jardim dos fundos.
POOL PARTY! — ele gritou e eu ouvi um splash.
Segui e fomos juntos para o jardim dos fundos, que meu Deus, era simplesmente magnífico.
O jardim era cheio de florzinhas coloridas, uma churrasqueira no canto, uma geladeira encostada nela e mais ao lado, algumas espreguiçadeiras, uma mesa e um guarda-sol em frente a uma enorme piscina.
A única coisa que passava na minha cabeça era PORRA! Tô pegando um cara rico?
Deus, eu realmente não poderia estar tendo esse tipo de pensamento.
— Bom dia, flor do dia. — zombou enquanto passava os braços por cima dos ombros de e , que estavam perto da churrasqueira. — Já podem sair daí e deixar o rei das carnes vai lhes presentear com o melhor churrasco que vocês já comeram na vida.
— Você fala isso todas as vezes que fazemos churrasco, ! — Jesy gritou enquanto relaxava dentro da piscina. — Eu já não fico mais tão maravilhada assim com sua carne.
— Você é uma puta amiga ingrata, Jesy Carrington! — exclamou ofendido. — Vá fritar ovos pra comer então, porque da minha carne você não sente o cheiro.
Eu gargalhei e decidi me sentar ao lado de na espreguiçadeira.
— E aí, ?
— E aí, ? — ela disse levantando os óculos escuros que usava. — Não acredito que você acordou antes da hora do almoço nas férias. Isso são duas vezes no mesmo verão, podemos comemorar esse recorde? — ela zombou.
Hahaha. — ri sem humor nenhum.
— Tudo pelo , eu suponho. — ela deu uma risadinha.
— Ah, cala a boca. — resmunguei e me virei para frente, ainda ouvindo sua risada.
— EI, ! — Jesy gritou enquanto carregava como se fosse um grande bebê dentro d’água. — ENTRA AQUI.
— Quem sabe depois, Jesy. — sorri em sua direção.
— Ei, fofo! — chamou . — Vamos lá comigo pegar mais cerveja na cozinha?
deu um sorriso malicioso enquanto ajudava a se levantar da espreguiçadeira e eu os acompanhei com os olhos até eles entrarem na casa novamente e sumirem de vista.
— Pronta pra me beijar de novo?
Levei um susto gigantesco ao ouvir o sussurro de , que agora ocupava o lugar de , tão perto de meu ouvido. E fez com todos os pêlos do meu corpo se arrepiassem.
— Que susto, estrupício. — coloquei a mão no coração. — Quer me matar?
— Só se for de prazer. — e deu mais um daqueles sorrisos de cafajeste galanteador.
— Por Deus! Gostava mais quando suas cantadas não tinham essa conotação sexual tão explícita. — disse cruzando os braços e o fazendo rir.
— Bom, você ainda não respondeu a minha pergunta.
Dei de ombros como se fosse indiferente e me pus de pé ao lado da espreguiçadeira de plástico branca.
Tirei delicadamente e lentamente meu shorts branco para revelar a parte debaixo preta do meu biquíni, e em seguida, a minha regata.
Dei um sorriso satisfeita quando vi que acompanhou todos os meus movimentos sem piscar e de boca aberta. A verdade era que eu não sabia sensualizar, mas eu estava me esforçando ao máximo para tentar deixar com algumas dessas reações que ele demonstrava agora.
— Vem, ! Tá uma delícia. — sorriu pra mim quando me viu ir para a beira da piscina.
Deixei meus chinelos ali no canto e mergulhei, emergindo logo em seguida e arrumando meus cabelos inteiramente molhados.
Heather dormia em cima de uma boia no formato de rodela de limão, e me chamou silenciosamente para mais perto da garota.
Ele indicou com a sobrancelha o que tinha em mente e eu concordei, me esforçando ao máximo para não dar uma risada e acordar a garota.
Vi quando sua boca se mexeu em um contagem muda de “um, dois, três”, e no três, eu peguei de um lado da boia e da outra, virando-a completamente e fazendo com que Heather caísse na água e acordasse no desespero.
veio até mim e fizemos um high five ainda gargalhando da cara furiosa que Heather fez assim que subiu para a superfície.
— Vou entrar aí também. — disse , já tirando os chinelos.
— Antes, você poderia me emprestar uma toalha? — eu perguntei, nadando em direção às escada da piscina.
— Não vai ficar mais? — perguntou.
— Eu não. — ri. — Vai que a Heather me afoga por vingança… Depois eu entro de novo.
— Pensando por esse lado… — fez uma cara de assustado e tratou de sair da piscina imediatamente, correndo para perto de que tirava uma carne do fogo.
— Vem, ! — me chamou para entrar em casa. — A toalha, esqueceu?
— Ah, não. Eu tô toda molhada, vou sujar sua casa…
— Nah, bobagem. — ele puxou meu pulso delicadamente. — Pelo menos a empregada vai ter o que fazer quando vier amanhã de manhã.
Eu ri enquanto ele me guiava pela grande escadaria de mármore que havia perto da porta da cozinha.
— Sabe — ele colocou um fio de cabelo meu molhado no lugar e sorriu. —, não via a hora de estar sozinho com você de novo.
— E por quê? — perguntei fingindo inocência.
— Porque eu queria fazer isso de novo.
me puxou pela cintura e colou nossos corpos frações de segundos antes de invadir minha boca com sua língua deliciosa.
E lá estava eu de novo, me deixando levar pelas reações e sentimentos bobos que me causava.
Fomos subindo a escada bem devagar e ainda assim, sem nos desgrudarmos por um instante.
Andamos pelo extenso corredor quando ele agarrou minhas coxas e me deu impulso para para entrelaçar minhas pernas em sua cintura enquanto meus braços estavam em seu pescoço.
Senti quando suas costas bateram em uma da porta, e ele, com a mão que não estava repousada em minha bunda, girou a maçaneta para que pudéssemos adentrar no cômodo.
A sequência de gritos que veio depois foi ensurdecedoramente alto.
Eu ainda estava no colo de enquanto encarava e deitamos na cama de solteiro. O calção azul que ele usava já estava para baixo do joelho e a visão da bunda branca de talvez nunca mais saísse da minha memória.
estava totalmente descabelada e com um chupão bem roxo perto dos seios, que graças a Deus, ainda estavam cobertos pela parte branca de seu biquíni.
!
, MERDA!
? MAS… O QUÊ?
— QUE NOJO!
— QUE PORRA É ESSA!
!
— NO QUARTO DO MEU IRMÃO MAIS NOVO, ! EW!
— VOCÊ TAMBÉM IA TRANSAR AQUI SE JÁ NÃO ESTIVESSE OCUPADO.
— VOCÊ IA TRANSAR COM O , ?
!
— Com licença. — saiu do quarto e fechou a porta, finalmente me colocando no chão e encarando os próprios pés. — Que… cena.
— Vou ter pesadelos pelo resto do verão. — eu ri sem graça.
Ficamos cada um encostado em um das paredes do corredor sem trocar uma palavra, sem nem ao menos nos olharmos.
E olhamos para a porta do quarto atentos quando saiu de lá.
, foi mal. — riu sem graça coçando a nuca.
saiu logo em seguida toda afobada e veio em minha direção, distribuindo tapas em todas as partes do meu corpo que ela conseguia.
— Sua louca! — eu ri me protegendo dos tapas inutilmente. — O que cê tá fazendo?
— Você é uma idiota, ! — exclamou. — Você tá pegando mesmo o ?
— Para de me bater. — segurei seus pulsos. — Você que tava enchendo meu saco pra eu ficar com ele, lembra?
— Eu sei! Mas achei que você fosse melhor que isso. Qual é? Ele pega todo mundo sempre usando as mesmas cantadas…
— Eu estou aqui ainda, tá ? — a voz de chamou a nossa atenção.
— Não dirigi a palavra a você, estrupício. respondeu grosseira e se voltou para mim novamente. — Mas estou feliz! Você estava mesmo precisando tirar o pó e as teias de aranha do meio das p..
! — exclamou rindo. — Vamos lá pra fora, vem. — puxou sua mão e entrelaçou seus dedos. — Eu quero comer o que o está preparando.
— Hoje à noite. — ela indicou o dedo em meu rosto. — Vou te ligar e vamos conversar sério.
a puxou com mais força e ela se deu por vencida, descendo as escadas atrás do pseudo namorado.
Encarei novamente mordendo o lábio inferior e ele sorriu pra mim.
— Vem. — ele me puxou pela mão e eu o segui, pela primeira vez, sem contestar.
Ele abriu a porta de um outro cômodo e deu passagem para que eu entrasse.
Era um quarto grande e nada organizado.
Tinha uma cama de casal com um edredom de alguns heróis da Marvel embolado em um canto. O guarda-roupa com as portas abertas. O espelho que ficava ao lado de uma outra porta, que provavelmente seria o banheiro. Havia uma TV gigante pendurada na parede, algumas estantes cheias de DVDs de filmes famosos, alguns bonecos de heróis de figure action, e um ukulele em cima de uma mesa de madeira que havia embaixo da TV.
Sem contar no número de roupas espalhadas pelo chão e papéis jogados pela mesa e pela cama.
— Esse é meu quarto. — ele disse. — Acho que você percebeu.
— Desconfiei depois de notar o tamanho dessa bagunça. — eu ri dando uma voltinha pelo quarto e achando uma embalagem vazia de Cheetos. — Ew, !
— Não me julgue. Eu sou bagunceiro, mas eu me acho na minha bagunça. — se defendeu.
— Você toca ukulele? — perguntei admirada enquanto pegava o pequeno violão em mãos.
— Toco. — ele deu de ombros enquanto mexia em alguma coisa dentro do guarda-roupa. — Quero te mostrar uma coisa.
Eu comecei a dedilhar distraidamente pelas cordas do ukulele e mesmo sem saber tocar, sorri com o som que o objeto emitia. E depois de empurrar algumas roupas mais para o lado, sentei em sua cama, o esperando.
— Achei! — ele sorriu para mim enquanto me entregava uma foto.
Peguei e analisei-a melhor.
Haviam quatro meninos baixinhos, três bem magricelas e um gordinho, com cabelos jogados para o lado e presumi que aquela foto havia sido tirado na época que o Justin Bieber em One Time fazia sucesso, pois os cabelos dos quatros eram iguais ao do JB.
Todos seguravam um papel que se lia certificado em dourado. Eu não sabia sobre o que era o certificado. Três deles sorriam enquanto o mais gordinho deles fazia uma cara de dor. E então eu percebi, os dois joelhos rasgando, a blusa branca cheia de barro e alguns arranhões no braço.
Sorri involuntariamente ao perceber que o garoto gordinho e todo estrupiado era .
— Vire.
Virei a foto e li em uma caligrafia infantil as seguintes frases:

Certificado de conclusão do curso de futebol! todo machucado porque ele é um estrupício! Não foi à toa que todos na arquibancada gritavam o apelido.
Sorry , mas pegou HAHA.
// e  (2008)
— Meu Deus, vocês eram muito fofinhos! — disse sorridente enquanto apertando as bochechas de , que se inclinou para frente e me deu um selinho rápido.
— O apelido de estrupício nasceu aí. — ele explicou. — Último dia do nosso cursinho de futebol da escola. O jogo que todos da escola estavam na arquibancada, e eu acabei esbarrando em um outro garoto e acabei me estabacando no chão. — ele riu sozinho. — E depois, de novo e de novo. Enfim, eu passei o jogo mais caído no chão do que jogando bola em si. E aí, gritou “Tá louco, ! Só se estrupica. Seu estrupício”, e quando eu me dei conta até o treinador Hall estava me chamando de estrupício.
Eu sorri.
Realmente adorável.
Eu não pensei duas vezes antes de deixar a foto de lado, segurar seu rosto entre minhas mãos e o beijar.
era adorável. Em todos os sentidos da palavra. Assim como eu havia dito que ele era inacreditável. Em todos os sentidos da palavra.
Ele me puxou para sentar em seu colo e ficamos ali. Dando uns amassos no seu quarto bagunçado enquanto o resto dos nossos amigos devorava o churrasco que havia preparado.
E tive coragem de admitir para mim mesma que eu estava gostando cada vez mais de e desse seu jeito cara de pau e galanteador e ao mesmo tempo, fofo demais para eu poder aguentar.


PARTE VI

Venice Beach; Pista da Skate.
Estávamos todos na pista de skate que ficava em frente à praia da Âncora.
e não paravam de andar com os skates pra lá e pra cá enquanto eu, e estávamos sentados com os pés dentro do piscinão vazio onde passava com o skate e fazia careta para nós toda vez que fazia gracinhas.
Já fazia quase duas semanas que estávamos nessa, digo, eu e . Não sabíamos o que estávamos tendo, mas nem queríamos ter de classificar nosso relacionamento em algo. Era apenas uma coisa que estava acontecendo gradativamente e estava sendo ótimo, uma das coisas mais felizes que me aconteceu.
Em toda a minha vida eu nunca me envolvi com alguém da maneira como eu estou com . Alguns beijos ali, e uns pequenos encontros aqui, mas nada demais, nada que valesse ter uma continuidade ou coisa do tipo.
Mas com era diferente.
Apesar de toda a prepotência, o ego maior do que Venice Beach e o sorriso cafajeste que ele dava toda vez que sabia que estava me conquistando aos poucos, eu adorava estar com ele, me fazia bem, muito bem, aliás. E por hora, eu não conseguia me ver longe dele e daqueles seus lábios macios, e bem, eu nem queria estar longe.
— Voltei! — gritou chamando minha atenção e a dos outros. — Trouxe meu ukulele.
— Grande . — riu fazendo um high five com ele. — Vamos cantar enquanto aqueles dois ralam os joelhos no asfalto quente.
— Por que você não anda de skate também, ? — foi que perguntou.
— Eu não tenho equilíbrio nem parado em solo firme, quem dirá em cima de uma prancha com quatro rodas. — ele deu de ombros.
— E você, ? — perguntei.
— O que você acha? — ele levantou as sobrancelhas ironicamente. — Se não tem equilíbrio pra isso, imagina eu.
— Não é à toa que seu apelido é estrupício. brincou e mostrou a língua.
— Qual a definição de estrupício mesmo?
— Hmm… — pensou um pouco antes de procurar no celular. — estrupício é um problema de grandes proporções, segundo o Google.
— Oh. — eu gargalhei. — Então estava mais do que certo quando te deu esse apelido, ! Pois você é realmente um problema de grandes proporções.
— Vou levar isso como um elogio. — ele piscou pra mim antes de se aproximar e me dar um selinho. — , vem comigo.
pegou o ukulele e começou a dedilhar, até que a introdução da música começou a fazer sentido em minha cabeça.
Eu sorri enquanto balançava as pernas e via fazendo manobras com o skate do outro lado da pista, e então, a voz suave de ao meu lado me chamou a atenção.

It must have been a picture that you send me last night
(Devo ter sido a foto que você me mandou noite passada)
It must have when you got in my imagination racing
(Deve ter sido enquanto você corria em minha imaginação)
Stuck in my head when I turn off the light
(Presa na minha cabeça quando eu desligar as luzes)
It must be a sign that I really want you baby
(Deve ser um sinal de que eu realmente te quero, baby)


deu um sorrisinho lateral pra mim quando acabou o primeiro verso da música e eu revirei os olhos sorrindo, entendendo a mensagem escondida ali.
decidiu que iria continuar o próximo verso e cruzou as pernas.

I don't know why
(Eu não sei o porquê)
You got me up so high
(Você me deixou tão alto)
All day and all night
(O dia inteiro e a noite inteira)
It's on my mind
(Está na minha mente)


Então voltou a cantar enquanto se aproximava de nós com o skate.

I see you naked
(Eu te vejo nua)
I see your face in my head
(Eu vejo seu rosto em minha cabeça)
I can't escape it
(Não consigo escapar)
Wish you woke up in my bed
(Gostaria que você acordasse na minha cama)
I see you naked in my dreams
(Eu te vejo nua em meus sonhos)
And I don't wanna wake up
(E eu não quero acordar)
I see you naked
(Eu te vejo nua)
You know it's making me wanna fall…
(Você sabe que está me fazendo querer cair)


de juntou a ele nesse outro verso, e sorria enquanto cantava olhando diretamente nos meus olhos.


La la la la la falling in love
(la la la la la me apaixonar)
Gonna make me fall
(Está fazendo cair)
La la la la la falling in love
(la la la la la me apaixonar)


se sentou ao lado de com o skate em cima do colo e começou a cantar sozinho o último verso.


Oh what'd you do what'd you do if I said
(Oh, o que você faria, o que você faria se eu dissesse)
Come into my bed come into my bed
(Venha para a minha cama, venha para minha cama)
Oh what'd you do what'd you do if I said
(Oh, o que você faria, o que você faria se eu dissesse)
Come into my bed come into my bed
(Venha para minha cama, venha para a minha cama)
Show me your fantasy
(Mostre-me sua fantasia)
Hold on tight I'll make you scream
(Segure-se, eu farei você gritar)
Come on let's make it seem
(Vamos, vamos fazer com que)
Make this dream reality
(Fazer esse sonho de tornar realidade)


E então, todos cantavam juntos, até mesmo eu e tentamos acompanhar a letra.


La la la la la falling in love
(la la la la la me apaixonar)
Gonna make me fall
(Está me fazendo)
La la la la la falling in love
(la la la la la me apaixonar)
I see you naked in my dreams
(Eu te vejo nua em meus sonhos)
And I don't wanna wake up
(E eu não quero acordar)
I see you naked
(Eu te vejo nua)
You know it's making me wanna fall...
(Você sabe que está me fazendo querer cair…)


Algumas pessoas ao redor até bateram palmas quando a música acabou e eu ria de como se curvava para frente de um jeito cordial para agradecer pelas palmas.
sentou em cima do skate de e me puxou para que eu ficasse entre suas pernas, enlaçando meu corpo com seus braços e depositando um beijo suave em meu pescoço.
Enquanto isso, observávamos que andava de skate.
Ele de repente, parou no meio do piscinão e se ajoelhou no chão.
— O que ele está fazendo? — sussurrei para que deu de ombros sem saber também.
! — ele gritou tirando uma caixinha azul de veludo do bolso da calça jeans.
— Você tá brincando com a minha cara… — comentou ao meu lado com o maior sorriso do mundo estampado em sua cara.
Ela se levantou e cobriu a boca com as duas mãos.
— NAMORA COMIGO, VAI!
deu um sorriso de lado quando viu pular e soltar gritinhos de emoção.
ajudou ela a pular para dentro do piscinão e eu sorria ao ver pular no colo de no momento que se encontraram ali no meio e se beijaram intensamente.
Mais aplausos foram ouvidos de todos que estavam na pista de skate, inclusive os meus e os dos três meninos ao meu lado.

Venice Beach; Praia da Âncora.
Eram quase sete da noite e estava quase escurecendo.
Eu, e os quatro garotos estávamos sentados na areia bem perto do mar, cada um com uma long neck da Heineken na mão enquanto conversávamos dos assuntos mais variados possíveis e dávamos risadas de todas as besteiras que nos contava. Inclusive de algumas histórias de colégio onde sempre acabava se dando mal.
— … Foi engraçado demais, ! — dizia entre risadas. — Você deveria estar lá pra ver como e ficaram após receber a carta de admissão para a faculdade de Cinema.
— Eu e fomos de madrugada para praia sem roupas e dançamos One More Time da Britney Spears na areia. — comentou rindo. — Esse era o combinado caso passássemos pra faculdade.
— A única coisa que fez quando passou na faculdade de biomedicina foi nos mandar uma foto da carta de admissão junto do Toyota azul que os pais deram pra ele. — falou com um tom de desdém falso.
— Rico. — cantarolou enquanto dava um gole em sua cerveja e jogava seu braço sobre meus ombros.
— E você, ? — perguntei. — Não vai pra faculdade, não?
fez uma careta e eu ri.
— Quem sabe no próximo semestre. Por enquanto eu tô bem só trabalhando com meu pai na oficina. — deu de ombros. — Mas e vocês duas, uh?
— É, e vocês duas? — disse me olhando de lado. — Recém-formadas no colégio, já sabem o que querem fazer de faculdade?
— Ai, já me inscrevi para uma bolsa de pedagogia na faculdade de Venice. Estou ansiosa para o resultado! — bateu palminhas.
— Ah, não! — resmungou. — Vou ter que aguentar e 24/7 de pegação?
Eu gargalhei quando deu um tapa em sua cabeça de leve.
— E você, ?
— Eu… Hm… — mordi o lábio inferior e dei de ombros. — Não sei ainda.
Não iria falar para sobre a minha inscrição para a faculdade em Nova Iorque, talvez as coisas ficassem desconfortáveis entre nós se eu resolvesse falar que talvez eu saísse de Venice Beach para ir para Nova Iorque e nunca mais voltar.
Ok, nunca mais voltar é talvez ser dramática demais, mas é quase isso.
— Não esquenta, . — falou sorrindo para mim. — Ainda temos muito tempo.
— É.
Sorri sem mostrar os dentes e abracei meus próprios joelhos, encarando as ondas quebrando ao longe e sentindo um bolo se formar no meu estômago.
É claro que tinha a chance da faculdade de Nova Iorque não me aceitar e eu ter que desistir do sonho de cursar artes cênicas e acabar na faculdade de Venice cursando qualquer outra coisa, aliás, havia quase 90% de chance disso acontecer, mas… Eu acreditava veemente nesses 10% que sobrava, que era que daqui a uma semana eu iria receber a carta falando que fui aceita e iria morar na cidade dos meus sonhos cursando o que eu sonho em fazer.
Só que agora era diferente.
Antes, eu não via a hora desse verão acabar para eu finalmente me ver livre de Venice Beach, só que agora, conheci pessoas legais demais, conheci amigos de verdade e conheci . Talvez deixar Venice Beach para trás fosse mais difícil.
— Tá tudo okay, ? — perguntou baixinho em meu ouvido.
Concordei com a cabeça lhe lançando um sorriso mínimo e voltei a encarar o mar.
— Você tá muito pra baixo, . — ele voltou a dizer. — Acho que sei o que fazer pra você melhorar seu ânimo.
sorriu como uma criança de 5 anos sorria quando estava prestes a aprontar alguma coisa mirabolante.
Dei um grito agudo quando senti seus braços me levantarem do chão. Meu celular escorregou do meu bolso e caiu na areia.
! O QUE CARALHOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO? — perguntei aos berros olhando para trás e vendo nossos amigos rindo ficando cada vez mais distantes.
— Vamos dar um mergulho. — disse simplesmente e começou a andar mais rápido para o mar.
— Você tem problema na cabeça? Já está de noite, . E a água deve estar fria! E AINDA ESTAMOS DE ROUPA.
— Uh, essa é a melhor parte. — ele arqueou as sobrancelhas. — Ver essa regata branca molhada e colada no seu corpo.
Dei um tapa ardido em seu braço.
E segundos depois, já estávamos os dois ensopados pela água, que como eu previa, estava gelada.
— AH, QUE GELO! — gritei enquanto passava minhas mãos pelo pescoço dele e ajeitava seus cabelos para que não ficassem em seus olhos, aqueles olhos que eu amava ver de pertinho. — Você é louco, !
— Só se for por você, .
Eu ri enquanto puxava sua nuca para selar nossos lábios enquanto as ondas quebravam em nossas costas.
E foi assim que o bolo no estômago sumiu, e todas as preocupações da faculdade e Nova Iorque também.
tinha esse efeito sobre mim.
Ele conseguia me fazer a garota mais feliz do mundo apenas com um beijo, e fazer com que eu esquecesse de todos os meus problemas apenas de passar seus braços sobre meus ombros ou beijar a minha testa com um beijo estalado.
estava fazendo com que a minha ideia de sair de Venice Beach ficasse cada vez mais complicada.


PARTE VII

Venice Beach; Pizza Hut.
Era quase oito da noite de uma quinta-feira, eu estava com em uma das filiais da Pizza Hut que ficava perto da minha antiga escola.
Sentados lado a lado, às vezes trocando alguns beijos e carícias, eu conversava com sobre tudo ao mesmo tempo e eu me sentia muito bem ao seu lado. , apesar da casca de garanhão com cantadas baratas na ponta da língua, era um dos caras mais engraçados, sensíveis e – pasmem – românticos que eu já conheci. E os momentos que passávamos juntos, só nós dois, eram inesquecíveis.
Assim como estava sendo este momento, onde ele me contava coisas pitorescas que seus irmãos faziam.
— Você deveria conhecê-los, qualquer dia desses. — comentou enquanto dava mais uma mordida em sua grande fatia de pizza.
— Uhum. — sibilei rapidamente e peguei o canudinho do meu copo de Coca-Cola e o sugando rapidamente.
Eu havia ficado envergonhada. Espero que não esteja com as bochechas coradas por isso.
Conhecer seus irmãos mais novos? Isso significava que as coisas estavam avançando rápido entre a gente, certo? Oh Deus, talvez essa possibilidade tenha me deixado mais nervosa do que eu gostaria.
— Ou não tão cedo. — ele soltou uma risadinha. — Já que parece que você ficou apavorada com a ideia.
— Não é isso. — foi minha vez de rir. — Mas eu não achei que você fosse um cara que apresentava suas conquistas para a família. — eu levantei as sobrancelhas sugestivamente enquanto terminava meu refrigerante.
— Ah, … — riu nasalado maneando a cabeça, como se tivesse ouvido uma piada. — Você já passou de ser apenas uma conquista faz tempo.
Arregalei os olhos e travei meu maxilar. Tá, por essa resposta eu não esperava.
Sorri minimamente pra ele e voltei a encarar a pizza no meu prato, tentando criar coragem para poder encará-lo depois do que ele disse.
Você já passou de ser apenas uma conquista faz tempo.
— Te assustei?
— Hm? — levantei o olhar e o encarei.
, por que você ficou assim? — ele perguntou em um tom de voz sério. — Você acha que eu estou brincando? Porque eu não estou. Você realmente já passou de apenas uma conquista. Quer dizer, você nunca foi. — ele sorriu lateralmente. — Quando eu disse que eu te faria minha até o final do verão eu não estava brincando. Desde o momento que te vi, com aquele cabelo bagunçado e óculos escuros no parque, eu fiquei mais que interessado em sua pessoa. — ele riu sozinho. — Eu sei que eu não sou a pessoa mais confiável do mundo quando digo essas coisas, a já deve ter te contado vários podres meu, de como eu conquistava as garotas, ficava com elas, ia para os finalmentes e depois bye bye. Mas você foi totalmente ao contrário. Você, , tinha aquela pose de fodona que não ia se abalar facilmente com todas as coisas fofinhas que eu diria e eu fiquei intrigado, ou em outras palavras, fiquei bastante interessado em você e em toda sua marra. — foi a minha vez de sorrir. — E desde que a gente ficou, eu nunca pensei em só ficar com você depois bye bye.
… — eu sussurrei maravilhada com todas as palavras que saíram de sua boca.
— Desculpa. — ele coçou a cabeça, sem graça. — Não deveria ter falado tudo isso, mas é que…
Antes de ele falar mais alguma coisa, eu o calei com um beijo. Daqueles intensos e apaixonantes.
E ele riu ainda de olhos fechados quando nos separamos lentamente.
— Porra, … — ele sussurrou e eu lhe dei mais um selinho. — Vem!
Saímos do Pizza Hut depois de pagarmos e fomos até onde a sauna particular do estava estacionado.
Ele ligou o rádio e a música do Simple Plan, Summer Paradise começou a tocar.
Eu balançava a cabeça no ritmo da música enquanto a cantava, com uma voz engraçada.
But somedayyyy, I will find my way back to where your name is written in the saaaand.
A vida não poderia estar melhor. Tudo lindo e colorido, as mil maravilhas. Unicórnios cavalgavam ao nosso lado e milhões de arco-íris apareciam no céu. Ah, isso estava bom demais para ser verdade.
De repente, o maldito Honda ‘97 de solta um barulho estranho, como se alguma coisa estivesse se quebrando dentro dele e decide parar de andar, ali, no meio daquela estradinha deserta. A sauna particular do havia nos deixado na mão. E eu estava em pânico.
— Merda. — ele resmungou enquanto batia as mãos em cima do volante.
— O que aconteceu? O que vamos fazer?
deu de ombros e ficou algum tempo olhando pro nada enquanto eu estava o olhando aflita.
— Nós vamos voltar a pé pra casa? Vamos deixar o carro aqui? Vamos chamar um guincho? Vamos ligar pros seus pais? Vamos pedir ajuda do ? ? ? — eu fazia perguntas sem parar, eu estava nervosa.
— Relaxa, . — ele riu pegando o celular e o colocando na orelha. — Vou ligar pro guincho e pro , para trazer meu carro.
Franzi o cenho confusa. Seu carro? Então, de quem era esse carro?
— O quê? — perguntei, mas ele não respondeu, já falando com no celular.
— Hey, . — dizia no celular. — Sou eu, . É, é, é… Tô precisando da sua ajuda agora. O Honda parou, preciso que pegue meu carro lá em casa e traga aqui…
Eu parei de prestar atenção na conversa dos dois e olhei pela janela do carro para as estrelas que brilhavam no céu, tão bonitas. Abri a porta e saí de lá, ainda admirada como as estrelas brilhavam tão intensamente naquela noite.
?
Ouvi me chamando de dentro do carro, mas não respondi, a minha atenção toda estava voltada naquele céu estrelado.
. — ouvi meu nome novamente e a porta do carro também. Em seguida, senti seu corpo parar ao meu lado, encostado na lataria vermelha. — Você me ouviu te chamar da primeira vez?
— Oi? — finalmente me virei para ele e encontrei seus olhos , hoje, particularmente, eles estavam mais brilhantes do que o normal.
Estavam tão brilhantes quanto às estrelas do céu.
— Tá tudo bem, né? Sei que você tem hora pra voltar pra casa, mas… — ele pulou em cima do capô do carro e estendeu a mão para mim. — Venha!
— O que você está fazendo? — perguntei rindo enquanto aceitava sua ajuda para subir.
Em seguida, ele foi para a parte de cima do carro e se deitou, batendo na lataria ao seu lado para que eu me deitasse junto dele.
, o que estamos fazendo?
— Vi que não tirou os olhos do céu enquanto eu falava com . — respondeu-me. — Então agora podemos admirá-las juntos.
Eu sorri e me aninhei mais em seu peito.
O que eu estava fazendo, afinal? Será que todo meu corpo foi tomado pelo desejo de estar ao lado desse garoto a todo momento? Com certeza meu cérebro já tinha parado de funcionar e a única coisa que estava me fazendo continuar eram essas sensações que me causava. Talvez eu tenha perdido a razão no momento que o deixei me beijar, naquele banheiro masculino sujo do parque, ou talvez tenha sido no dia da praia onde ele proferiu aquela frase, a mesma que não saía da minha cabeça. Eu te farei minha até o final do verão.
Sim, era certeza que eu havia perdido a razão em algum momento, e o mais louco de tudo isso é que eu não dava a mínima, enquanto eu estivesse ao lado de , enquanto ele estivesse me proporcionando todas essas emoções e sentimentos, pra mim, estava tudo bem.
— Posso fazer uma pergunta? — eu quebrei o silêncio, e ele sem tirar os olhos do céu, assentiu. — De quem é este carro?
— É meu, oras.
— Você é rico ao ponto de ter dois carros? — eu ri sozinha. — Uau!
— Não é bem assim… — começou mas eu o interrompi.
— Espera, espera… Você é rico! Por que você me faz andar nesse Honda ‘97 sem ar-condicionado caindo aos pedaços?
— Ei! — ele exclamou ofendido. — Não fale mal do meu carro, pra começo de conversa. Eu tenho outro carro, é um Ford preto 2014, lindo. — comentou. — Mas esse Honda ‘97 tem história,
— História? — perguntei curiosa. — Que tipo de história um carro velho pode ter?
— Meu pai comprou esse carro no dia que eu nasci. — ele explicou. — Foi com este carro que ele chegou ao hospital para me ver, foi com este carro que ele me buscou e me levou pela primeira vez pra casa, a primeira vez pra escola… Esse carro definitivamente tem história, . Mas não é qualquer história, é a minha história. — vi de canto de olho que sorria. — Uns cinco anos depois, papai quis comprar um carro mais atual e mamãe ficou triste porque gostava muito do Honda ‘97, então eu pedi para que guardasse, para quando eu fizesse dezesseis anos, eu pudesse dirigi-lo… Acabou que ele ficou empoeirado na garagem durante anos até eu completar meus tão esperados dezesseis e tirar a carta de motorista.
— E então, você começou a andar com esse carro pra lá e pra cá?
— Não exatamente. — riu. — Eu tive que fazer o teste cinco vezes antes de finalmente passar. Mas sim, depois disso, o Honda foi meu melhor amigo e eu andava com ele pra cima e pra baixo. Já mencionei que foi no banco de trás desse guerreiro que eu perdi minha virgindade? — riu mais uma vez e eu fiz uma careta. — O Ford chegou junto com os meus dezoito, mas ele está parado na garagem desde então, eu só ando com o Honda.
— Uau. — comentei quando ele terminou sua história sobre o carro. — Você anda com um carro aos pedaços porque ele tem história e deixa um novinho na garagem por emergências?
— Tipo isso. — ele sorriu se sentando de perna de índio em cima do teto do carro.
, você é surreal. — eu sorri em sua direção.
— Esse é um novo jeito de dizer que está apaixonada por mim? — ele arqueou as sobrancelhas com um sorriso lateral um tanto quanto malicioso.
Eu ri fraco me lembrando que já tivemos essa conversa por mensagem dias atrás.
— Talvez seja, talvez não… — sussurrei perto de sua boca antes de passar meus braços por seu pescoço e juntar nossos lábios.
Apaixonada.
Talvez sim, talvez não.
Eu estava falando a verdade, não estava falando isso só para deixá-lo louco e com a pulga atrás da orelha, eu realmente não sabia o que eu sentia por .
Eu nunca me apaixonei, como já dito antes, eu nunca tive alguém como eu tinha agora.
Todos esses sentimentos e sensações eram novos pra mim. Eu não conseguia distingui-los de só gostar ou de realmente estar apaixonada.
Era uma coisa que eu ainda iria descobrir com o tempo. Isso se eu tivesse ele.
— Olá meu casal favorito.
Fomos interrompidos pela voz de e por uma buzina estranha. Ele dirigia o carro preto de , o outro carro de . E o guincho logo atrás.
— Oi, ! — cumprimentei descendo do carro, ou pelo menos tentando.
— Oi, . — ele riu descendo do carro e jogando as chaves para , que já havia descido de cima do carro. — Uma ajudinha aí?
— Obrigada. — eu ri apoiando minhas mãos em seu ombro e descendo dali rapidamente. — Achei que estivesse com a .
— E estava. Mas eu faço tudo por um amigo apaixonado como o nosso pequeno . — riu e eu sorri sem mostrar os dentes.
— E lá vamos nós de novo… — rolei os olhos.
Há dias , e os outros viviam me irritando falando coisas como está tão apaixonado”, “Ele vai te pedir em namoro logo!” e perguntas inoportunas também, aquelas famosas: “Você também está apaixonada por ele né?”, “O que você vai dizer quando ele te pedir em namoro?”
Deus! Eu não sabia as respostas para nenhuma dessas perguntas, e confesso que talvez estivesse até que com um pouquinho de medo de descobrir essas respostas.




Continua...



Nota da autora: Uma att dupla porque sim!
A música citada na PARTE VI se chama Naked da banda The Tide, ótima música que eu super recomendo para todos! Espero que estejam gostando e não esqueça de deixar um lindo comentário. Nos vemos em breve,
xIsa.





Nota da beta: Já deixei claro o meu amor por essa história? Hahahaha. Tá arrasando, Isa!

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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