Fanfic finalizada

Capítulo Único

Mais um dia de aula. Mais um passo para terminar a graduação em Psicologia. Mais uma tentativa de finalmente conseguir entrar no mestrado. Estava passeando pelo campus e conversando com alguns amigos sobre meu projeto de tese, divulgando minha ideia, para ser mais exata. Resolvi então checar o cartaz do minicurso que eu havia afixado no flanelógrafo central da faculdade, esperando que mais alguém tivesse se interessado, e esperando mais ainda que ninguém o tivesse destruído, quando vi um rapaz olhando e murmurando nervosamente. Me aproximei devagar para ouvir o que ele falava.
— Crochê? Na boa, quem ainda faz crochê? Estamos em pleno século 21, fala sério. Aposto que a professora é uma velha que só quer carregar meninas jovens para alguma espécie de seita. — ele terminou.
— Pois eu aposto que não. — respondi atrás dele, o fazendo pular no lugar.
— Você a conhece? — ele perguntou com uma expressão que eu não sabia definir se era do susto ou se era desprezo. Acho que era desprezo.
— Digamos que sim. — sorri. — E sobre crochê ser coisa de velha, a resposta é não. É legal, ajuda a relaxar. Mas já que duvida tanto, senhor... — deixei a frase no ar para que ele dissesse seu nome.
. — ele completou simplesmente.
— Já que duvida tanto, senhor ... — chequei para ver se ainda tinham quatro dos dez convites, puxando um e deixando somente três. — Eu o desafio a ir para uma aula. E pode deixar, a taxa é por minha conta. — pisquei e o entreguei o papel. A taxa era unicamente para comprar a agulha e a linha que seriam utilizadas inicialmente.
— Não me desafie. — ele murmurou.
— Não me decepcione, senhor . — fui saindo devagar, vendo sua expressão de superioridade.
— Ei, espera! Qual o seu nome? — ele gritou quando eu me afastei mais.
— Jude Hill. — dei um nome qualquer. Não queria que ele descobrisse que eu, , era na verdade a professora.

***


O dia da primeira aula finalmente tinha chegado. Meu objetivo ali era unicamente provar que o crochê poderia ser usado de forma terapêutica. Porque, convenhamos, não existe nada mais satisfatório que falar mal daquilo que te faz mal. E associar essa “fofoca” ao crochê fazia bem. Minha mãe aprendeu isso com minha avó e eu aprendi isso com ela. E às vezes sentávamos as três para “crochetar” e falar mal da nossa própria família. Era ali que eu me sentia mais leve. E, além do mais, o crochê poderia ajudar os alunos com uma renda extra, assim como já tinha me ajudado em vários momentos até agora.
Meu “curso” teria dois encontros semanais durante quatro semanas. Meu objetivo inicial era passar os pontos base para meus alunos e depois ensiná-los algumas peças que poderiam ser vendidas, como barrados em panos e dois amigurumis de Natal, uma rena e um boneco de neve, bem simples. Eu queria ver como eles se comportariam juntos, que assuntos seriam abordados nas conversas e anotar as mudanças do primeiro até o último dia de aula.
Arrumei minhas coisas e segui para a faculdade. Eu tinha conseguido uma sala para as aulas e tinha planejado tudo entre os turnos, para que todos pudessem participar. Fiquei pensando se o tal realmente iria aparecer. Eu duvidava muito.
Entrei na sala e vi minhas alunas chegando uma a uma, o seria o único homem da turma, isso se ele viesse. Elas entravam animadas, me desejando boa tarde e tomando um lugar, conversando entre si e me fazendo sorrir feliz por aquilo estar dando certo. No horário combinado para o início, levantei de minha cadeira. não tinha dado as caras. Nada que eu não esperasse.
— Bom, senhoras... — comecei, mas fui interrompida pela porta se abrindo.
— Perdão, professora. Eu tive que correr... — o senhor entrou de cabeça baixa e disse com a respiração entrecortada.
— Senhor , achei que não viria. — sorri ao vê-lo me olhar de olhos arregalados.
— Jude Hill? — ele perguntou confuso.
, senhor . — sorri mais ainda com a cara de indignação que ele me lançou. — Mas depois conversamos sobre isso. Sente-se, eu já ia começar.
O senhor sentou-se a contragosto e fixou seus olhos bonitos em mim. Iniciei meu pequeno discurso sobre o porquê das aulas e como nós íamos seguir. Entreguei aos meus alunos a linha inicial e a agulha que foram compradas com o dinheiro da pequena taxa que eles pagaram. Assim que cheguei ao , ele levantou os olhos e me olhou com uma carranca.
— Estou indo embora. — ele disse baixinho.
— Não, não. Vai ficar e terminar ao menos essa aula. — lhe empurrei a linha e a agulha.
— Você me enganou, . — ele ralhou.
— E você vai conseguir superar, . — sorri. — Aliás, precisa preencher o formulário com suas informações depois. — apontei.
— Eu já disse que vou embora. — ele reafirmou, porém segurou a agulha e rasgou o pacote que cobria a linha.
— Eu vejo que sim. — sorri vitoriosa.
— Traidora. — ele murmurou.
— Supere. — rebati e segui para as outras alunas.
Nossa primeira aula foi bem produtiva. Consegui ensinar quatro pontos diferentes e quase não tive que parar para ajudar alguém mais de perto. ou era muito bom e nem sabia, ou estava fazendo tudo completamente errado, mas não pediria ajuda. Eu apostava na segunda opção.
— Vejo vocês na próxima aula. Pratiquem em casa e me perguntem sempre que tiverem uma dúvida. — dispensei as alunas. — Você fica, .
Ele guardou os materiais e caminhou a passos duros até mim.
— Por que mentiu para mim, ? — ele perguntou verdadeiramente ofendido.
— Eu não menti, . — sorri para ele e lhe entreguei a ficha de inscrição.
— Como não? Você me disse que se chamava Jude Hill. — ele pegou a folha das minhas mãos e tomou uma caneta para começar a escrever.
— Jude Hill é meu nome na seita para onde arrastamos as garotas virgens. Mas elas estão cada vez mais difíceis de achar. Achei que com você aqui, eu fosse conseguir algumas. — dei de ombros, como se fosse realmente sério. levantou os olhos e me encarou assustado.
? — ele parou de escrever e deu um passo para trás.
— O que, ? Como acha que sou tão jovem e bonita? — passei as mãos sobre os cabelos.
— Você está realmente me assustando. — ele quase sussurrou.
— O que significa que minha atuação te convenceu. Eu sou realmente boa nisso. — refleti. — Vamos, ...
. Me chamo . — ele me interrompeu.
— Vamos, , termine. Eu tenho uma reunião ainda hoje. — apressei.
— Eu nem sei porque estou fazendo isso. — ele terminou de escrever e me entregou a folha. — Eu não vou vir para o restante das aulas. Não consigo lidar com mentirosos.
— Pare de choramingar. Seja um bom perdedor e admita que não vem porque não consegue lidar com a agulha. — desafiei.
— Eu consigo lidar tão bem que não pedi sua ajuda hoje. — ele cruzou os braços sobre o peito, visivelmente irritado. Ótimo, era o que eu queria, afinal.
— Então prove que é bom e venha ao restante das aulas. — desafiei, sorrindo vitoriosa. suspirou, percebendo que tinha caído em uma armadilha, e sorriu.
— OK, . Mas não reclame quando eu tomar o seu lugar. — ele cedeu.
— Eu vou estar pronta. — guardei sua ficha e arrumei minhas coisas, acompanhando até a porta. — Até a próxima aula, senhor .
apenas acenou com a cabeça e seguiu o caminho contrário ao meu. A forma como ele negava com a cabeça enquanto caminhava me deu a certeza de que ele estaria ali na aula seguinte.

***


As aulas seguiram normais e até adiantadas. não faltou a nenhuma aula e realmente se esforçava para não pedir a minha ajuda.
Ao final do curso eu faria uma pequena feira com minhas próprias peças que estava sendo feitas em casa e convidaria as alunas (e ) para quem quisesse expor e vender seus trabalhos. O dinheiro das minhas vendas seria totalmente revertido para uma pequena instituição que cuidava de oito crianças abandonadas. Eu tinha recebido as cartinhas que as oito escreveram para o Papai Noel e estava agora mesmo na loja comprando todos os presentes. Meus pais tinham me enviado dinheiro e eu tinha feito um trabalho grande como revisora para uma agência (uma segunda paixão, além da Psicologia), então minha condição permitia tal feito. Virei em um corredor, segurando algumas caixas, e não vi alguém parado, causando um pequeno choque que me fez ir ao chão.
— Perdão, eu não vi você. — pedi enquanto tentava juntar as caixas.
— Tudo bem... ? — o rapaz perguntou e eu finalmente levantei os olhos para o encarar. E encontrei ninguém menos que ali.
? O que faz aqui? — levantei com as caixas nos braços.
— O mesmo que você. — ele apontou para um pequeno carrinho de compras. — Mas, pelo visto, eu fui mais inteligente. — debochou. Fiz uma careta para ele e o vi sorrir. — Vamos, eu te ajudo. — ele tomou as caixas da minha mão e colocou junto às suas no carrinho.
— Não sabia que tinha tantas crianças. — apontei para as bonecas e a bola de futebol.
— Não tenho nenhuma. Uma boneca é para a minha sobrinha, a outra para a filha da vizinha e a bola é para o garoto do outro lado da rua. — ele sorriu. Parecia realmente feliz em presentear aquelas crianças. — E você? São muitas coisas.
— São para uma pequena instituição que cuida de crianças abandonadas. Preciso entregar na véspera de Natal. — sorri. me olhou surpreso.
— Você fazendo caridade? — debochou outra vez.
— Diferente de você, eu tenho coração. — alfinetei.
— Mas eu tenho coração. Estou até presenteando crianças que não são minhas, não vê? — ele perguntou quase ofendido.
— OK, você tem razão. — me rendi. — Já que está tão caridoso, me ajude a achar o restante dos presentes. Algumas coisas são muito específicas. — entreguei uma cartinha em suas mãos. analisou o papel e me olhou com as sobrancelhas franzidas
— Um bebê unicórnio? , onde eu vou achar isso? — ele perguntou confuso.
— Não sei, . Vamos pensar e achar. Duas cabeças pensam melhor. Vamos. — e saí empurrando o carrinho.
me seguiu durante o resto da tarde e início da noite e insistiu em me levar em casa, alegando que eu não daria conta de carregar todas as sacolas. Como retribuição, lhe ofereci um chocolate quente.
— Não precisa. — ele negou parado na minha porta.
— Eu faço questão. — insisti.
— Não tem ninguém que vá se incomodar comigo aí? — ele perguntou. Parecia uma daquelas conversas onde os homens tentam descobrir se você tem namorado ou não. A ideia me fez rir baixinho.
— A única criatura que pode se importar é Draco. — dei passagem para o mais alto. — E o máximo que ele pode fazer é arranhar você.
me olhou confuso, mas desfez a expressão quando viu meu gato andando pela casa. Draco o encarou por um breve momento e então passou entre suas pernas, como em um carinho.
— Está salvo. Ele gostou de você. — sorri.
— Ele é bonito, . — se abaixou e passou os dedos na cabeça de Draco, que ronronou baixinho. — Combina com você. — ele completou.
— Então está dizendo que eu sou bonita? — perguntei rindo. Ele endireitou o corpo de repente e suas bochechas assumiram um tom rosado completamente adorável. — Não precisa ficar corado. Eu estou brincando. — ri com vontade. — Venha, o chocolate está quase pronto.
— Pensando bem, acho melhor eu ir. Está tarde. — ele disse nervoso.
, me poupe. Se vai fazer você se sentir melhor, eu te acho bonito também. — confessei.
— Acho que você piorou tudo. — ele riu baixinho.
— Então esqueça isso e venha tomar o chocolate. — briguei. se aproximou cauteloso e sentou em um dos bancos da cozinha.
— Você vai entregar os presentes sozinha? — ele mudou de assunto.
— Sim. É minha primeira vez fazendo isso e eu estou tão empolgada. — disse animada. sorriu, mas logo o desfez. — Aliás, vou fazer uma pequena feira na garagem aqui em frente no final do curso. Se quiser trazer as peças que construímos nas aulas...
— Ah, não. Minha mãe ficou com os panos e minha sobrinha já está esperando os enfeites para a árvore de Natal. — ele riu.
— Uma pena. Você ia me fazer vender horrores. — suspirei.
— Como? — ele perguntou confuso.
— Ah, vamos lá, . O seu rostinho bonito ia chamar a atenção de todas as mulheres. — esclareci.
— Por quê? — ele perguntou envergonhado.
— Como assim “por quê”? — rebati, mas ele ainda não tinha terminado a frase.
— Por que está fazendo isso, ? O curso, os presentes, a feira... E o que cursa? Não lembro de você dizer no primeiro dia. — ele despejou de uma vez.
— Ajudar as crianças sempre foi um desejo meu. A feira é para arrecadar fundos para a instituição. Eu gosto da sensação de me sentir útil para alguém. — sorri pequeno. — Sobre o curso... Eu sou da Psicologia. E o curso de crochê é uma experiência para a minha tese de mestrado. Eu quero provar que o crochê pode ser usado de forma terapêutica.
— Então nós somos apenas um experimento para você, ? — ele perguntou rindo.
“Os outros sim, você... Talvez não”, pensei, mas achei melhor não dizer. Então apenas dei de ombros.
— Você é uma sem coração, ! — ele riu alto. E o som era lindo. Céus, não acredito que estou achando ele fofo.
— Eu estou tentando ajudar as pessoas, . — o apelido pelo qual ele já tinha sido chamado por uma das meninas simplesmente escapou pelos meus lábios. Cobri a boca imediatamente, envergonhada. corou e baixou a cabeça, sorrindo.
— Você... Quer me mostrar? As peças da feira? — ele mudou de assunto. — E já que estamos aqui, eu tenho algumas dúvidas. — ele coçou a cabeça.
— Eu sabia que você não tinha ideia do que estava fazendo. — dei a volta no balcão da cozinha e parei ao seu lado.
— Eu sei o que estou fazendo. Só estou recolhendo informações para criar meu próprio curso. — ele terminou o chocolate e colocou a xícara sobre o balcão.
— O que estava procurando quando viu meu anúncio? — bati meu ombro no dele. sentado era da minha altura.
— Estágios. — ele empurrou meu ombro de volta. — Nem todo mundo é rico. Eu, por exemplo, sou um estudante de Design falido. — ele riu.
— Felizmente eu te ensinei algo para ganhar uma grana extra. — me gabei.
— Sim, mas infelizmente você é uma péssima professora. Por isso eu vou roubar o seu lugar. — ele rebateu.
— Eu vou estar preparada. — saí em direção ao quarto que eu chamava de ateliê. — Vem. Vou te mostrar as peças. — disse da porta do quarto.
— Não vai me arrastar para a seita? — ele levantou e começou a caminhar em minha direção.
— Idiota. — rebati e fechei a porta assim que ele passou.

***


Véspera de Natal.
A neve já podia ser vista nas ruas e o frio já estava congelando os ossos. Eu estava devidamente agasalhada, arrumando minhas coisas para levar tudo lá para fora. Já tinha combinado com a vizinha da frente e avisado aos demais vizinhos da rua, e gentilmente pedido para que eles divulgassem nos grupos de amigos assim como eu já tinha feito. As mesas já estavam postas, então peguei meu café e uma caixa e abri a porta, pronta para atravessar a rua. Porém, quase caí para trás ao esbarrar em alguém.
— Wow! — a voz de soou alta e senti suas mãos me segurando pelos braços.
? O que faz aqui? — perguntei verdadeiramente chocada.
— Vim ajudar você. — ele tomou a caixa dos meus braços e atravessou a rua. Fiquei parada na porta, segurando o café e vendo sorrindo para a vizinha que me emprestaria a garagem. Ele voltou e sorriu. — Vai ficar parada aí o dia todo? Eu vim ajudar, não trabalhar para você.
— Ah, sim. Me desculpe. — voltei para dentro para pegar outra caixa e ele me seguiu.
— Terminou mais alguma coisa desde aquele dia? — perguntou.
— Duas peças só. O final do semestre acabou comigo. — respondi tentando equilibrar a caixa. Terminamos de levar tudo para fora e ele deu a volta na mesa. — Vai ficar aqui? — perguntei incrédula.
— Eu disse que vim para ajudar. — ele sorriu de lado.
— Está muito sorridente hoje, . — comentei.
— Acordei de bom humor. Mas você bem que poderia me trazer um café, não é, ? — ele cruzou os braços sobre o peito, com sua típica expressão de tédio.
Suspirei e sorri, porque aquele era o que eu conhecia. Atravessei a rua novamente e entrei em casa, preparei outro café, tampei o copo e saí, encontrando sorrindo para algumas senhoras que mexiam nos meus produtos.
— Oh, a artista chegou. — ele apontou para mim. Dali em diante, me ocupei em vender todas as minhas peças para juntar um bom dinheiro.
Quando a hora do almoço chegou, nós já estávamos quase congelando. Os cafés não surtiam mais efeito. Por sorte, ficaram apenas algumas coisinhas pequenas.
— Eu sabia que você ia ser útil. — comentei, começando a guardar as coisas.
— É difícil resistir ao meu sorriso. — ele se vangloriou.
— Realmente... — murmurei baixinho, mas acho que não baixo o suficiente.
— O que disse? — perguntou ao meu lado.
— Ah, nada. Estou com fome. Vamos entrar? Eu preparo nosso almoço. — ofereci.
— Ah, eu adoraria, mas minha irmã está me esperando. — ele olhou o relógio. — E eu já estou levemente atrasado. — ele coçou a cabeça, sem graça.
— Tudo bem. Obrigada por hoje. — agradeci sincera.
... — chamou baixinho. — Eu... Posso ir com você? Quando for entregar os presentes?
— Por que, ? — queria entender o motivo de tal interesse repentino.
— Eu fiz parte disso, afinal. Desde a escolha dos presente. — ele apontou.
Ponderei. Ele tinha razão, afinal. tinha me ajudado na loja de brinquedos e na pequena feira. Ele merecia ver o resultado do nosso trabalho. Desde quando eu pensava em alguma coisa que envolvia a tratando como nossa? Eu só podia estar ficando maluca.
— Coloque seu melhor suéter de Natal, . Saímos às 7. — sorri para ele e peguei a caixa com as peças sobrantes. Atravessei a rua para colocar a caixa na minha pequena varanda e quando voltei para arrumar as mesas, não estava mais lá.
Decidi pedir comida para mim, já que estava sozinha, e resolvi descansar para aguentar a noite. Eu tinha até comprado um gorrinho para surpreender as crianças. Queria que elas acreditassem que eu era apenas mais uma assistente do Papai Noel e esperava que não estragasse meu disfarce. Oh, céus. Só tenho um gorro. Não posso avisar ao para trazer um, não tenho o número dele. O que me restava era levantar e encarar a loja para comprar um maldito gorro.
Depois de uma hora e meia esperando na fila, consegui comprar o acessório e voltei para casa sorridente. Decidi preparar algo para comer quando voltasse e me ocupei o resto da tarde. Quando me dei conta das horas, corri para me arrumar e esperar que chegasse.
Dez minutos antes do combinado, minha campainha tocou. Me apressei para atender, minhas botas sem salto fazendo um barulho oco no chão. Sorri assim que pousei meus olhos em . Ele vestia um suéter verde com detalhes natalinos, bem parecido com o meu, calça preta e botas. Ele me olhou, olhou para si mesmo e então sorriu.
— Combinamos roupas de casal, ? Não estava sabendo disso. — ele perguntou com um toque de ironia na voz.
— Eu sabia que você estava afim de mim, . Mas não precisava disso tudo. — rebati e dei passagem para que ele entrasse na casa. — Quer comer alguma coisa?
— Não, estou bem. Obrigado. — ele olhou ao redor e viu uma caixa com os presentes que tínhamos comprado. Quer dizer, eu tinha comprado. — Temos que levar isso para o carro? — ele apontou para os objetos.
— Bom, então... — comecei para dizer que eu não tinha um carro. Teríamos que ir de táxi.
— Ah, não se preocupe. Minha irmã me emprestou o carro dela. De nada por salvar sua vida. — ele debochou.
— Obrigada, . É gentil da sua parte estar me ajudando. — agradeci baixinho.
. — seu tom de voz mudou de repente. — O que... O que vai fazer quando terminar de entregar os presentes?
— Vou voltar para casa e comer o que eu cozinhei. Por quê? — perguntei sem entender.
— Eu estou indo para uma festa com alguns amigos. — ele suspirou, como se estivesse inseguro de dizer as próximas palavras. — Você quer ir comigo?
O sorriso que surgiu no meu rosto foi impossível de segurar.
— Eu faço esse sacrifício. — suspirei com um falso cansaço.
— Parece que eu estou te forçando a se divertir. — ele fez uma careta. — Era melhor ter dito não.
— Estou brincando, . — sorri e ele sorrir de volta. — Vai ser bom me divertir.
— Eu sugiro que... — ele gesticulou, o movimento abrangendo todo o suéter.
— Ok, uma roupa menos natalina. Entendi. — ri de sua expressão. — Cinco minutos.
Voltei correndo para o quarto e procurei uma blusa que combinasse com a calça que eu vestia, peguei um casaco e joguei tudo dentro de uma bolsa que ficaria no carro de . Saímos correndo, quase atrasados, e fomos para o abrigo.
Encontrar as crianças foi realmente mágico, e ver interagindo com elas foi melhor ainda. O brilho nos olhos das crianças enquanto elas abriam os presentes... Era lindo de se ver.
— Você é ajudante do Papai Noel? — uma menininha me cutucou e perguntou.
— Sim, um dos gnomos. — respondeu por mim e eu tive que me controlar para não lhe mostrar o dedo do meio. — Não vê? Ela é baixinha como eles. — ele apoiou o cotovelo na minha cabeça, bagunçando meu gorro.
— E você é o namorado dela? — a menininha perguntou a ele. corou até as orelhas.
— Não, sou o chefe. Eu ajudei com os presentes. — ele piscou para a garotinha, que sorriu satisfeita e correu para pegar seu bebê unicórnio.
— Meu chefe, hein? — cruzei os braços sobre o peito.
— O que queria que eu respondesse? — ele quase sussurrou. — Eu não posso ser um gnomo, olhe para mim.
— Sei lá! — eu ri. — Mas não precisava dizer que eu sou baixinha.
— Me desculpe por apontar um fato. — ele beijou meu rosto e foi se juntar às crianças.
Ficamos com os pequenos até perto das onze e fomos embora alegando que tínhamos outras crianças para presentear, mas com promessas de voltarmos no ano seguinte.
vigiou o carro enquanto eu trocava de roupa e eu fiz o mesmo. Ele deu partida e nos levou para uma casa chique, com luzes de Natal brilhando por toda parte do lado de fora. Podia-se escutar uma música tocando do lado de dentro, mas o barulho era quase nulo no gramado.
, eu não vim vestida para essa festa. — murmurei.
— Para com isso. Você está linda. E o não é tão chique assim. — ele riu.
Com a mão apoiada na base das minhas costas, ele me guiou para dentro da casa. Tinha uma quantidade considerável de pessoas ali dentro. Algumas cumprimentaram pelo caminho, enquanto ele atravessava a casa para o que eu achava que seria uma área externa.
— Quem é vivo... — um rapaz se aproximou sorrindo.
— Eu te vi semana passada, reclamão! — riu com vontade e abraçou o rapaz. Eles ficaram longos segundos naquele abraço, tinha mais que carinho entre amigos ali, era quase fraternal, como se eles fossem...
, esse é o , meu irmão. — apresentou.
— Não literalmente. — se apressou em dizer. Ele me estendeu a mão e beijou o dorso da minha gentilmente. — Você é a nova vítima?
— O quê? Hyung, assim você vai assustá-la. — corou.
— Desculpe, o nosso não costuma me apresentar muitas garotas. — tranquilizou.
— Ah, não. Tudo bem. A gente... Não tá saindo nem nada. — me apressei em explicar. — Ele só foi gentil ao me ajudar a entregar os presentes às crianças. — sorri para o mais alto.
— Ela é a professora. — explicou sem graça.
— A garota do crochê? — perguntou, parecendo chocado. — Você não disse que ela era tão bonita.
— Falou de mim para ele? — perguntei a um corado.
— Eu tinha que explicar meu sumiço. — ele deu de ombros.
— Então, , o que faz além de ensinar crochê e domar o ? — perguntou sorrindo largo.
Engatamos uma conversa animada sobre crochê e carreiras e os outros amigos de foram se aproximando aos poucos. Comi, bebi e dancei como nunca tinha feito na vida. Era bom estar “entre os jovens”, como minha mãe diria. À meia-noite, cantamos uma canção de Natal e brindamos. Eu me joguei na cadeira mais próxima, cansada e feliz, e sentou ao meu lado.
— A Cinderela precisa estar em casa que horas? — ele perguntou. Virei o rosto para lhe encarar e ele sorriu.
— Se eu fosse a Cinderela, a essa hora tudo já estaria arruinado. — rebati.
— Podemos ir quando você quiser. — ele ofereceu.
— Ah, não se preocupe. Eu chamo um Uber. — o tranquilizei.
— Nem pensar. Eu não bebi a noite toda para poder te levar em casa. Não venha me dizer que vai de Uber. — ele rebateu, parecendo irritado.
— Ainda dá tempo de tomar um porre. — apertei seu joelho e me levantei, pronta para ir embora.
, estou indo levar a em casa. Volto daqui a pouco. — gritou e levantou comigo. — Você é minha responsabilidade, mocinha. Agora vamos. — ele estendeu o braço para mim e eu enlacei o meu ao dele. Me despedi de e dos rapazes, agradecendo pela noite incrível.
e eu fomos em silêncio até o carro e durante todo o caminho para a minha casa. Assim que chegamos, eu saltei do veículo e ele me seguiu.
— Obrigada por hoje. Desde a feira até a festa. Foi um bom dia. — sorri.
Estávamos parados à porta da minha casa. Tomei ar para finalmente me despedir de , quando ele olhou para cima, se aproximou e me roubou um beijo. Foi um selar rápido, mas que me deixou completamente atônita.
— O que foi isso? — perguntei baixinho, chocada demais para falar.
— Visco. — ele sorriu e apontou para cima. Levantei o rosto e vi as pequenas folhas na guirlanda que eu tinha acima da porta.
Sorri de lado e me aproximei dele, apoiando as mãos em seu peito. baixou o olhar para me encarar, ainda sorrindo, e, com a mão em seu pescoço, o puxei para mim, selando seus lábios. pediu passagem com a língua e eu a concedi de bom grado. As mãos dele se firmaram em minha cintura e apertou sem força, me fazendo suspirar e partir o beijo. Apoiei a testa em seu peito e sorri sem que ele pudesse ver.
— Tudo pela tradição. — ele brincou, rindo de leve.
— Idiota. — xinguei. — Feliz Natal. — desejei.
— Feliz Natal, . — ele beijou o topo da minha cabeça e se foi, me deixando com a lembrança de uma noite de Natal inesquecível.




Fim.



Nota da autora: YAY! Mais uma fic. E, confesso, ela quase não saiu porque essa autora que vos fala não conseguia pensar numa sinopse e enviou a fic aos 45 do segundo tempo. Essa é minha primeira fic de classificação livre da VIDA TODA e eu espero que vocês tenham gostado. Vejo vocês por aí.



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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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