FFOBS - Guerreiros de Aço, por GirlSilver

Última atualização: 31/10/2017

Capítulo 1


Ser um herói é algo muito maior do que apenas combater vilões. É uma tarefa de altruísmo e sacrifício que exige bem mais do que qualquer um pode imaginar. Para ser um herói não basta apenas força física, inteligência ou poderes sobrenaturais; é preciso compaixão, sabedoria, dedicação total e persistência imensurável. É preciso saber lutar com o poder que vem do coração. Ter coragem para fazer a coisa certa mesmo nos momentos mais difíceis. Deixar de lado a individualidade e doar-se inteiramente para ajudar os outros, com a sua vida se for preciso. É um sacrifício de tempo, do corpo, da alma, do ser inteiro, por um completo desconhecido.
Ninguém imagina quantas concessões um herói tem que fazer para que possa exercer seu papel. O perigo a que ele se expõe diariamente – e expõe aqueles que ama também. Os dias e noites de intenso treinamento, pois uma mínima falha pode custar a vida de alguém. Os sentimentos e histórias que precisa deixar de lado para que possa desempenhar seu trabalho com foco. Todas as decisões difíceis que precisam ser tomadas, algumas que podem atormentá-lo para sempre. O investimento total de si mesmo na humanidade, acreditando sempre que salvá-la tornará o mundo melhor.
Oh, sim, a fé na humanidade. Como é fácil perdê-la. Quando se é um herói, as histórias e barbáries vistas ao longo da jornada levantam a questão se persistir no ser humano é mesmo a escolha certa a fazer. Humanos são capazes de coisas incríveis, e quando unidos tem um enorme potencial para o bem; porém, eles também são autodestrutivos, perigosos e volúveis. Na maioria das vezes, precisam ser salvos deles mesmos. Será que toda a dedicação de um herói vale mesmo a pena, para salvar um ser tão imprevisível?
Eles acreditam que sim. Porém, os homens não sabem se devem retribuir a convicção na mesma intensidade. Pode a humanidade confiar suas vidas à extraordinários desconhecidos, sem nenhuma garantia de sucesso em sua proteção? Podem levantar a bandeira de heróis sem saber se não acabarão fazendo parte da estatística de fatalidades inevitáveis durante um combate? Sem saber se seus filhos e filhas estarão devidamente protegidos com a presença deles, ou expostos a mais perigo ainda?
Há anos a população mundial se pergunta. Desde o surgimento dos Vingadores, muita coisa mudou ao redor do globo. Para alguns, ele ficou mais seguro e protegido. Homem de Ferro, Thor e outros super-humanos treinados fazem parte de uma equipe destinada à proteger as pessoas quando desastres acontecem, muito melhor do que um exército humano o faria; para outros, se tornou ainda mais perigoso e incontrolável, seres como o Hulk andam por aí sem nenhum tipo de controle sobre seus poderes e podem muito bem causar um estrago muito grande, mais do que aquele que vieram remediar. Fato é que os heróis existem, e estão - ao menos tentando - manter todos à salvo. Porém, até mesmo eles entram em colapso, principalmente quando os acontecimentos trazem à tona o seu lado mais humano.
A equipe dos heróis mais poderosos da Terra está dividida ao meio. De um lado, estão aqueles que acreditam que os heróis devem ter o controle sobre os humanos para que possam protegê-los da melhor forma. Do outro, ficam os que defendem a liberdade dos homens de escolherem como e quando querem ser salvos. A notícia se espalhou e a opinião geral se dividiu em igual escala. Porém, há decisões definitivas: Steve Rogers, conhecido como Capitão América, é um fugitivo procurado pelo mundo todo, assim como todos aqueles que ficaram ao seu lado durante a batalha que dividiu os Vingadores. Ninguém sabe o que aconteceu depois que os heróis fugiram de sua prisão secreta e seu paradeiro ainda é desconhecido – mas nunca deixou de ser procurado.
Já a parte da equipe que decidiu manter-se dentro da lei e das rédeas do governo, liderada por Tony Stark, assinou o Tratado de Sokovia e agora atua em parceria com o governo, tendo suas missões subordinadas ao Conselho de Segurança da ONU. Como um exército de reserva, os Vingadores só atuam quando acionados pelo CSNU, em situações em que a segurança exclusivamente humana não foi capaz de conter os estragos. A equipe foi instalada em uma nova base ao norte dos Estados Unidos, em Massachussets, onde dispõe das mais modernas tecnologias e da mais alta segurança para realizar seus treinamentos e aprimorar seus poderes – tudo para que, quando chamados, possam proteger a humanidade da forma mais efetiva possível.
Uma nova equipe de inteligência foi designada para auxiliar nesse trabalho. Algumas das mentes mais brilhantes do mercado agora ajudam os heróis, enriquecendo seu poder e precisão de defesa. Físicos e engenheiros das mais renomadas universidades desenvolvem projetos de tecnologia e são responsáveis pela segurança e administração da base. Tudo isso é investido para que a eficácia dos Vingadores cresça o máximo possível, na intenção de que a opinião pública, tão dividida a respeito deles, seja amenizada, e para que a humanidade se sinta realmente segura nas mãos dos heróis.
Todas essas mudanças também acarretaram questões internas da equipe. Thor e Hulk, que estavam ausentes durante o processo de cisão dos Vingadores, retornaram após os eventos de Ragnarok e integram o grupo novamente. Vivendo na base onde tudo acontece, eles juntaram-se a Natasha Romanoff, Visão e Tony Stark. Porém, apesar de unida pelo mesmo ideal, a equipe parece estar com a sua coesão abalada - não só por ter sido recentemente dividida, mas por conta de seu líder, Stark, parecer cada vez mais distante do resto do grupo.
Talvez abalado ou preocupado com os recentes acontecimentos, o comportamento de Tony (que já é suficientemente excêntrico) tem alarmado seus colegas de equipe. Há alguns meses todos desconfiam de seu isolamento e seus muitos segredos, e alimentam boatos de que Stark esconde algo, mas tenta manter as aparências para não ser questionado. Apesar da preocupação, nunca houve interferência de ninguém no assunto, pois só os heróis sabem o fardo que carregam por serem eles mesmos.

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As experiências de ser um herói, com seus bônus, alguns sacrifícios e muitos aprendizados, são novidades das quais Peter Parker recentemente começou a desfrutar. Este universo passou a fazer parte de sua vida desde que o Homem Aranha se tornou o mais novo membro oficial dos Vingadores - desta vez de forma definitiva. Após sua primeira missão sozinho, o jovem aracnídeo havia escolhido afastar-se dos grandes combates por um tempo. Passou alguns meses sendo apenas um amigo da vizinhança, ganhando experiência e vivendo sua pacata vida de nerd do ensino médio, até que decidiu que estava pronto para dar um passo à frente. O garoto aceitou o convite feito por Tony Stark alguns anos antes e mudou-se da casa de sua tia May para viver com os Vingadores na sua nova sede em Massachussets.
Aquela era a vida dos seus sonhos. Parker está no último ano do ensino médio, e com uma leve ajudinha de Stark e seus antigos colegas de faculdade, entrou em um programa de senior year para jovens talentos no MIT. Agora, o garoto concilia os estudos em uma das melhores universidades do mundo com os afazeres de herói, praticando e aprimorando seus poderes no centro de treinamento. Por ser muito inteligente, Peter recebeu de Stark um convite para fazer parte da equipe de inovações tecnológicas dos Vingadores, especialmente por seus conhecimentos de computação. Tratava-se de um estágio de horas complementares na central de controle - desta vez, um estágio de verdade - que contaria como créditos para seu curso na faculdade no ano seguinte.
A luz do sol invadia a sala pelas grandes janelas e refletia no quadro negro repleto de cálculos e fórmulas, quando o sinal soou. Já eram duas da tarde, o que significava que era hora de voltar para a base para completar os relatórios sobre o novo gerador de energia do centro de treinamento. Peter pegou sua mochila e saiu da sala de Cálculo III em direção ao corredor central, caminhando pelo campus arborizado. Subiu em sua bicicleta e após algumas pedaladas pelos enormes jardins da universidade, pegou a avenida principal. Sua cabeça estava ocupada com o entusiasmo pela ótima aula sobre equações derivadas (o que era de se esperar, visto o nerd que era), e também pela preocupação em fazer com que o gerador da sala de treinamento não pifasse com os raios do Thor.
Peter chegou até os portões da base Vingadores e identificou-se, como de costume, entrando logo em seguida. Foi até seu dormitório, deixou a mochila e dirigiu-se até a enorme sala de vidro onde reside a equipe de inovações, para continuar seu trabalho. O ambiente amplo e ensolarado parecia despertar de alguma forma a sua inspiração para cálculos matemáticos e aquilo o deixava com ainda mais vontade de trabalhar. Ele sentou-se em sua cadeira giratória, deu um peteleco na cabeça balançante de seu bonequinho do Darth Vader e deixou sua mente começar a funcionar.
Apesar da mesa atolada em papéis e calculadoras (típica desorganização adolescente), Parker finalizou seu relatório sobre o gerador que ajudara a desenvolver antes do final do dia. Logo já o tinha impresso e prontinho para ser apresentado. Ele encarou a pilha de folhas, orgulhoso do resultado. Largou o lápis e foi até a mesa da responsável pelo departamento, pelos corredores estreitos que dividiam as dezenas de nerds trabalhando.
- Srta. McCall, o levantamento de dados sobre o novo gerador. - disse ele indicando a papelada, dirigindo-se à moça sentada do outro lado.
- Colocou o isolante para raios? - perguntou, e ele assentiu. - Ótimo, pode colocar na mesa. Obrigada. - disse a moça impassível sem desviar-se do computador, concentrada no que quer que estivesse fazendo.
A garota responsável pelo setor de inovações era notavelmente jovem, algo em que Peter reparara mais uma vez ao falar com ela - afinal, é bem estranho chamar alguém que tem quase a sua idade de "senhorita". Ele já tinha a visto antes, e tinha quase certeza de que ela também estudava no MIT, em algum curso que ele não sabia dizer. Ela era mesmo muito nova, e devia ser também incrivelmente inteligente, afinal, chefiava engenheiros ali com o dobro de sua idade. Constatar aquilo fez com que Parker tivesse um pequeno lapso de incentivo, afinal, quem sabe ele pudesse, em breve, chefiar um departamento inteiro também.
O garoto saiu dali e dirigiu-se até a sua mesa, onde encontrou um de seus supervisores esperando-o.
- Sr. Parker, reunião dos Vingadores na sala de estratégias. – disse o homem engravatado, e Peter reagiu de prontidão. Largou suas calculadoras e foi rapidamente até o outro lado do prédio, onde o dever o chamava.
A sala de estratégias possuía uma mesa grande e comprida no centro, onde se sentavam Thor, Banner, Romanoff, Visão e Stark, à espera do garoto. Só faltava ele para que o grupo estivesse completo e a reunião pudesse começar.
Peter sentou-se na cadeira vaga mais próxima e observou enquanto dois executivos de terno entravam na sala, fechando a porta. Normalmente, quando caras como aqueles apareciam para assistir às reuniões, era porque o assunto era muito importante. Curioso, o garoto desejou internamente que fosse uma convocação para uma nova missão - algo que não aparecia há tempos. A tela de vidro na parede frontal à mesa foi acionada, para iniciar uma videoconferência.
- Boa tarde, Vingadores. - disse formalmente o homem do vídeo e todos responderam. O sujeito de meia idade usando um terno caro sentado em uma cadeira de couro já era conhecido. Aquele era o embaixador Thomas Callahan, presidente do Conselho de Segurança, que era responsável por fazer o contato entre a ONU e os Vingadores. - Agradeço a disponibilidade de todos para que pudéssemos fazer esta reunião.
-Nós é que agradecemos, embaixador. - disse Banner, ajeitando-se na cadeira.
- Pois bem. Como sabem, nosso trabalho aqui tem sido realizado nos últimos anos de modo a tentar deixar a equipe dos Vingadores o mais próximo possível da sociedade. - o embaixador disse em tom introdutório. - Temos conseguido ótimos resultados desde então, porém, ainda há muito a ser feito. Desde o último combate em Sokovia, a população tem dividido opiniões em relação aos Vingadores protegendo a humanidade. Grande parte do medo que os rodeia parte daquilo que não conhecem. A equipe é blindada, trabalha em segredo e estes segredos tem deixado as pessoas inseguras. Ninguém sabe como as coisas são feitas, como os componentes da equipe são controlados e se a presença deles pode acarretar perigo ao invés de segurança, ou não. A reunião de hoje visa tratar desse assunto. Com o intuito de quebrar essas barreiras e aumentar a confiança da população na equipe, o governo dos Estados Unidos está organizando um evento em homenagem aos heróis, com um desfile a ser realizado em Washington, na Avenida Pensilvânia, durante o Veterans Day deste ano. Como o feriado homenageia pessoas que lutaram pela segurança e estabilidade do país durante a guerra, acreditamos que um destaque especial aos Vingadores poderia contribuir para um maior reconhecimento da equipe.
Os cinco heróis sentados à mesa entreolharam-se, sem manifestar. O embaixador continuou a falar, enquanto um dos seguranças engravatados abriu a porta da sala.
- Para organizar o desfile, estivemos em contato com a responsável técnica do departamento de equipamentos e inovações dos Vingadores, Olivia McCall. - apresentou Callahan, enquanto a moça adentrou a sala e caminhou até próximo da tela de projeção. - Pensamos que se vocês apresentarem algumas de suas novas tecnologias de batalha durante o evento, as pessoas ficariam impressionadas e isso inspiraria mais confiança. Obrigada pela presença, Srta. McCall. - o embaixador dirigiu-se a ela. - Mostre-nos o que sua equipe desenvolveu.
- Obrigada, embaixador Callahan. - disse ela. Aquela era a garota para quem Peter entregara os relatórios há pouco. - Boa tarde, Vingadores. Como todos sabem, o departamento de inovações tem trabalhado incansavelmente para desenvolver as mais avançadas tecnologias de batalha para a equipe. Acreditamos que exibir algumas de nossas criações pode ser vantajoso para vocês, no entanto, mostrar demais poderia comprometer a estratégia de combate e possíveis elementos surpresa. Dito isso, nossa equipe idealizou algumas possibilidades. - explicou a jovem, segurando uma espécie de tablet de vidro na mão. Com um toque, ela ativou um projetor de realidade aumentada no centro da mesa que exibiu algumas imagens. - Pensamos que o desfile poderia ser liderado por alguns soldados de ferro organizados em filas. Inspirados na armadura do Homem de Ferro, esses soldados foram aprimorados e possuem todos os acessórios para que deem assistência à população durante um combate. A maior inovação é que agora os robôs redefinem suas armaduras e permitem que cidadãos entrem nelas ou usem suas partes importantes para se protegerem, até serem levados para uma região segura. - enquanto ela explicava isso, imagens detalhadas do projeto dos robôs eram exibidas no projetor 3D.
- Com licença, Srta. McCall – Thor interrompeu a explicação, erguendo a mão com um pouco de receio. - Sei que a questão aqui é o desfile e não o armamento, mas isso me ocorreu agora... e se as pessoas que usarem a armadura pra proteção durante o combate não devolverem o pedaço que pegaram?
- Como assim? Elas levariam embora, tipo um souvenir de "meu primeiro ataque alienígena"? - questionou Banner. - Pra quê?
- Bom, existem várias possibilidades. Roubar nossa tecnologia, ameaçar os vizinhos... - Thor explicou seu ponto de vista.
- Os soldados de ferro se reconstituem depois de levarem as pessoas até um lugar seguro. Caso alguém decida roubar uma parte, o robô pode localizá-la por GPS e tirar satisfações pessoalmente com quem tiver roubado seu acessório. - explicou a garota, com um sorriso contido no rosto.
- Quem seria estúpido a ponto de roubar um robô de guerra indestrutível? - questionou Visão.
- Vamos voltar à reunião? - sugeriu Romanoff com as sobrancelhas erguidas, após observar certa impaciência por parte do embaixador. Todos se ativeram novamente à fala da Srta. McCall.
- Outra ideia do setor de inovações é a respeito da chegada dos heróis. Recentemente a equipe desenvolveu um novo motor para os jatos oficiais, centenas de vezes mais potente. Na utilização em missões, o novo jato vai permitir que voem de um lado ao outro do globo em poucas horas. Isso vai agilizar as missões e fazer com que cheguem mais rápido a qualquer lugar que esteja sendo atacado, podendo conter a ameaça com mais eficácia. - a garota dizia enquanto caminhava ao redor da mesa. Uma imagem enorme do jato e seu novo motor se exibia. - A sugestão é que a equipe chegue em um desses jatos, pois além de ser muito rápido, ele ainda possui um design interessante que vai surpreender o público. - finalizou a Srta. McCall, desligando o projetor de mesa.
- Senhor Callahan, não quero ser estraga-prazeres aqui, mas o governo acha mesmo uma boa ideia colocar uma equipe de super-heróis para desfilar em uma avenida pela imagem? - questionou Romanoff com o semblante fechado.
- Não era nossa primeira opção também, agente Romanoff, mas precisamos colocar os Vingadores em contato mais direto com as pessoas. A sociedade precisa parar de vê-los apenas em situações de risco ou tragédia. A imagem da equipe precisa ser associada à segurança e coisas boas, e não à catástrofes. - explicou o embaixador. - O que mais tem para nos apresentar, Srta. McCall?
- Essas são as principais ideias, Sr. Callahan. Os outros projetos dizem respeito aos trajes de cada herói, então serão discutidos com eles depois.
- Muito bem. Obrigado pelo seu trabalho, mande elogios ao departamento. - agradeceu o homem. - Acredito que este evento pode ser o início de uma fase mais favorável aos Vingadores. Sei que não é exatamente o que vocês queriam, mas alguma coisa precisa ser feita. Não temos como prever quando um novo ataque alienígena pode ocorrer, mas quando isso acontecer, precisamos de toda a população ao nosso lado. - Callahan fez uma pausa. - Mais detalhes serão discutidos ao longo da semana para fecharmos o projeto em definitivo. Tenham uma coisa em mente, guerreiros: não adianta querer salvar a humanidade, se a humanidade não quer ser salva por vocês. Tenham uma boa tarde. - concluiu o embaixador, desligando a conexão logo em seguida.
Alguns segundos de silêncio seguiram, até que um dos heróis decidiu se pronunciar.
- Não vamos fazer isso, não é? - questionou Visão.
- Acho que não temos escolha. Nossa presença já foi anunciada. - disse Peter, mostrando a notícia em um jornal virtual que acabara de abrir no celular.
- Gente famosa cancela eventos o tempo todo. - constatou Banner. - É até bom pro status.
- Stark, foi você quem concordou com isso? - perguntou Romanoff olhando feio para ele.
- Ah, parem de reclamar, não é como se fossemos fazer isso pra sempre. Andem, a reunião está encerrada. - protestou Stark, fazendo todos se levantarem. - Não é tão ruim. Não sei quanto a vocês, mas eu mal posso esperar pra ver o Banner desfilando numa avenida e acenando para as pessoas como se fosse sociável.
- Se por acaso você ficar grudado na sua armadura e não conseguir mais sair depois do desfile, a culpa não será minha. - respondeu Banner saindo da sala, fazendo Thor rir.
Os Vingadores caminharam em direção à porta, a maioria com caras bem insatisfeitas. Porém, não adiantaria discutir: ultimamente, sempre que Stark mandava todos saírem era porque a decisão já tinha sido tomada e nem longas argumentações mudariam sua palavra final. Pouco a pouco, todos foram se retirando da sala de estratégias e Peter foi o último a ficar. Quando o garoto estava quase saindo, Stark o parou.
-Ei, pirralho – ele chamou, fazendo Parker dar meia volta. - Queria falar com você sobre uma coisa.
O rapaz entrou na sala novamente, parando em frente à mesa.
- Pois não, Sr. Stark? - ele olhou para o homem ainda sentado.
- Queria te atualizar sobre o andamento dos testes do seu amigo.
Peter aprumou-se instantaneamente.
- Como ele está indo? - perguntou, curioso.
- Muito bem. A equipe de pesquisa está impressionada com ele, continua surpreendendo e passando nos testes. - contou Stark. - Ele tem potencial.
- Que bom saber. - Peter alegrou-se, e fez uma pausa logo em seguida. - E o que o senhor acha disso? - questionou, apreensivo.
- Acho ótimo. O garoto é promissor. - disse, fazendo Peter vibrar internamente. - Estou curioso para ver o que ele poderá fazer em combate.
- Eu também. Eu achei mesmo que ele poderia ajudar, especialmente agora que a equipe está... meio defasada. - Peter mordeu o lábio, inseguro.
- Com toda certeza. - concordou Stark. Os dois ficaram em silêncio depois disso. - O que foi? Não espere que eu te agradeça por isso, ajudar a equipe é sua obrigação. Agora pode ir.
-Ok, Sr. Stark, até mais. – Peter sorriu, saindo da sala novamente.
- E vê se não traz mais nenhum amigo seu para cá. Já chega de adolescentes nesta equipe. - Stark gritou de dentro da sala.
O garoto saiu rindo e dirigiu-se até o departamento de inovações para voltar ao trabalho, deixando Stark sozinho na sala de reuniões. O homem estava prestes a sair para cuidar de qualquer um dos seus afazeres empresariais, quando F.R.I.D.A.Y., o seu sistema operacional, apareceu para alertá-lo de um compromisso.
- Sr. Stark, o senhor tem, marcada em sua agenda, uma visita ao laboratório do Dr. Banner para realizar os seus exames de rotina. - disse a voz simpática saindo de seu relógio de pulso.
- Muito bem lembrado. - respondeu. - O que eu faria sem você, não é mesmo?
Tony foi sem demora até o outro lado do complexo, onde Banner já o esperava com um jaleco branco enquanto fazia algum tipo de pesquisa em seu computador.
Desde que Stark abandonara o reator ARC em seu peito e fizera a cirurgia para retirar os estilhaços de bomba próximos ao coração, Banner vinha fazendo seu acompanhamento médico dentro da sede. Já que o eletroímã não era mais necessário para manter os estilhaços afastados, o coração de Stark funcionava normalmente, mas precisava ser constantemente monitorado por meio de exames e testes, assim como todo o funcionamento do seu corpo, já que ainda haviam alguns danos.
Era tudo muito rápido, apenas um check-up de rotina. Algumas agulhas, exames de sangue, eletrocardiogramas e os resultados saiam logo em seguida. O laboratório de Banner fora propositalmente equipado com alguns dos melhores aparelhos de medicina, tudo para que Stark tivesse o melhor atendimento. Os exames eram precisos e rápidos, adequados para seu caso tão peculiar.
- Está tudo ótimo como sempre, Stark. - disse Banner após alguns minutos analisando os resultados na tela de seu computador. - Claro que você não é um sujeito comum, mas está dentro do que é normal pra você.
- Já me disseram que sou acima do normal. - disse Tony, com uma brincadeira que era verídica do seu ponto de vista.
- A única coisa que me preocupa é, como sempre, o nível de radiação apontado nos exames. - continuou Banner, voltando a uma velha história, o que fez Stark bufar. - Estes números são altos, você deveria me deixar investigar um pouco mais sobre eles.
- Eu já disse, Banner, essa radiação nunca me afetou, é besteira se preocupar com isso. - falou Stark, dando a mesma resposta de sempre. - Já sobrevivi a coisas piores.
Desde que os exames de rotina começaram, Banner alerta Stark sobre a radioatividade que o uso contínuo do reator deixou em seu corpo. Depois de tantos anos com o ARC no peito, parte da radiação ainda permanecia nele, deixando um índice um tanto elevado. Mesmo com isso apontado nos testes, Tony nunca quis que Bruce investigasse quais seriam as consequências destes níveis a longo prazo - o que não o impedia de insistir nisso em todos os seus encontros mensais.
- Tudo bem, então. - Banner deu-se por vencido, afinal já tinha cansado de fazer tal comentário. - Está liberado.
- Não fique verde de raiva só porque não deixo você me fazer de cobaia. - respondeu Stark, fazendo Bruce rir. - Obrigado, amigo. - finalizou, dando um tapinha nas costas do doutor e saindo do laboratório.
Banner voltou-se para a mesa de utensílios, negando com a cabeça. Stark era muito teimoso. Não havia uma boa razão para não fazer mais exames, exceto a chatice dele.
Bruce preparou-se para descartar amostras dos exames, como de costume. Porém, parou no meio do caminho. Seu instinto de pesquisador falou mais alto, embora tivesse acabado de receber a sua enésima negativa. Banner se preocupava com o companheiro e tinha medo que algo pudesse acontecer a ele por conta da maldita radioatividade - ele próprio sabia o efeito que ela podia causar. Além disso, estava muito curioso para ver quais seriam os efeitos de um reator tão potente quanto o ARC no corpo humano. Isso o fez ponderar por alguns segundos.
Contrariando as vontades de Tony, Banner decidiu usar as amostras que tinha para fazer alguns testes. Queria sequenciar o DNA de Stark e fazer o mapa genético dele, para ver se a radiação havia causado alguma alteração significativa na sua composição. Talvez, depois de tanto tempo de exposição, a radioatividade tivesse deslocado algum gene, ou então iniciado algum outro processo mutagênico. Ele precisava investigar, ou não ficaria em paz consigo mesmo.
Aproveitando o restante das amostras que havia colhido, Banner colocou lâminas em sua centrífuga para iniciar a análise. Realizou a eletroforese, aplicou corante e jogou os dados em seu sistema para obter os resultados. Com diversas teorias em mente, ele programou o sequenciador para que analisasse os dados e finalizasse o processo.
Aquilo deveria demorar uns bons minutos, então ele sentou-se à mesa para tomar uma boa xícara de café enquanto esperava. Algum tempo depois, Romanoff bateu à porta de vidro do laboratório e apareceu para lhe fazer companhia.
- O que o cientista maluco está fazendo? - ela brincou, entrando na sala.
- Estou processando os exames do Stark. - respondeu Banner tomando mais um gole. - Quer me ajudar a contar hemácias?
- Parece divertido. - Romanoff sentou-se. - Está tudo bem com ele? - perguntou, pegando uma xícara de café para si.
- Está sim, são os testes de rotina para o coração.
Ela fez um som em sinal de concordância, enquanto bebericava.
- Que bom que a saúde dele vai bem, porque eu tenho sinceras dúvidas sobre o resto. - alegou Romanoff com ironia, afastando a xícara da boca. - O Stark anda muito estranho.
- Mais estranho que o normal.
- Sim, e isso é preocupante. Anda todo autoritário, irredutível, fechado, e no meio disso faz algumas piadinhas típicas só pra tentar quebrar o gelo.
- Quer dizer, Stark sempre foi um péssimo chefe, mas está se superando nos últimos meses. - Banner concordou.
- Ele tenta fazer tudo parecer bem, mas no fundo dá pra ver que ele está escondendo alguma coisa. - afirmou Natasha, afogando a desconfiança com mais café.
- Tem alguma pista do que é, agente Romanoff? - Banner arqueou a sobrancelha.
- Bem que eu gostaria. – lamentou, cerrando os olhos. - Aquele cara é um dos mais confusos que eu já vi. Sinceramente, eu tenho medo do que poderia descobrir se tentasse.
- Acha que tem algo a ver com os Vingadores? Algum erro ou quem sabe uma missão da qual não estamos sabendo?
- Não sei, mas espero que não. Já basta termos que nos submeter a desfilar pro Callahan, que de repente virou melhor amigo do Stark.
- Essa eu quero ver. - riu o homem. - Como eles acham que um feriado, balões e uma avenida lotada vão fazer com que as pessoas gostem de nós?
O assunto foi interrompido por um alerta do computador, que fez Banner levantar-se imediatamente. Ele caminhou até a máquina, que avisava a conclusão de sequenciamento do DNA. Curioso, o cientista sentou-se e colocou os óculos, ignorando totalmente a presença de Romanoff – que por sua vez pouco se importou, pois sabia o quanto parafernálias científicas interessavam ao amigo.
Alguns minutos encarando a tela e Bruce começou a questionar se aquilo havia sido mesmo uma boa ideia. Ao constatar que o que pensara era verdade, ele soltou um grunhido de surpresa.
- O que foi? - perguntou a mulher.
- Os resultados... - ele respondeu, intrigado.
- O que é que tem? - ela deixou o café em cima da mesa e aproximou-se para ver o que era. - Stark está doente?
- Não, não tem nada de errado.
- Então o que houve?
- Eu deixei o computador fazendo o mapeamento genético do Stark, porque queria saber quais poderiam ser os efeitos da radioatividade a que o corpo dele foi exposto por conta do reator ARC. A radiação não apresenta nenhum perigo pra ele, mas o meu algoritmo encontrou uma coisa. - explicou Banner, com os olhos ainda vidrados na tela. - Há outro DNA registrado no sistema que é muito parecido com o do Stark.
- Espera, que sistema? - ela esforçava-se para entender, já que Banner não costumava ser muito específico quando ficava atônito com alguma coisa.
- Todas as pessoas que trabalham e circulam dentro da base dos Vingadores possuem seus dados jurídicos e biológicos salvos no sistema por segurança. Nós temos desde fichas de trânsito e biometrias até amostras de sangue e DNA, no caso de alguém ser alvo de algo ou suspeito de algo. - ele esclareceu. - Existe alguém aqui dentro da base com mais de 40% de compatibilidade com ele.
- Pra você estar com essa cara, acho que isso deve significar alguma coisa séria. - humorizou Natasha. - E quem é?
Os dados estavam terminando de ser baixados e, então, uma janela se acendeu no visor. Banner abriu o arquivo da pessoa registrada com a compatibilidade, e deparou-se com dezenas de arquivos, uma foto e um nome: Olivia McCall.
- É a garota que chefia o departamento de inovações - disse Natasha, intrigada. - Que estava na reunião hoje.
- Olha, eu não sei ao certo o que isso implica, mas... com esse nível de similaridade no DNA, não há muitas possibilidades. Só tem uma explicação para uma compatibilidade tão grande. - disse Banner, tirando os óculos e virando-se para Romanoff. - O Stark é pai da menina.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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