Involuntariamente

Última atualização: 28/02/2018

Prólogo

O rei, os conselheiros reais e os dois príncipes de Illéa estavam todos reunidos na sala de reunião, tentando pensar em um plano para aplacar o descontentamento da população com a atual gestão monárquica. Não era surpresa que os súditos não gostavam mais do atual governante como antes.
Suas constantes traições a esposa, mesmo que ela fosse muito ausente para o povo, faziam dele um dos reis com maior rejeição de toda história daquele reino. Mas tudo piorou no início daquela semana.
O que antes eram apenas publicações na internet, tornou-se uma revolta de fato, e o ápice aconteceu quando o príncipe e herdeiro direto da coroa, George Schreave II, foi gravado zombando de uma moça que ele tinha se relacionado. As palavras maldosas sobre ela ser uma plebeia fez todo o reino se revoltar e, depois de muito tempo, voltar a cogitar pedir o fim da família real. Fora tomates podres sendo jogados, lama e até pedras. O povo mandou um recado que não podia ser ignorado. Eles estavam mais que insatisfeitos com a linhagem Schreave e não iriam se calar por qualquer promessa ou pedido de desculpas.
- Nós não podemos ceder desta forma. - um dos conselheiros falou, irritado.
- Ninguém aqui está falando em ceder, John. Estamos falando que de alguma maneira a realeza tem que mostrar que ama e respeita esse povo. Tem que mostrar que é um deles, por mais que a gente saiba que isso não é verdade.
por pouco não rolou os olhos ao ouvir aquilo. Odiava quando todos falavam como se estivessem acima da população. Fora ensinado a vida inteira a viver para o povo, mas nunca viu aquilo na prática. Ou melhor, viu, mesmo que por pouco tempo, quando seu avô ainda era vivo.
- Podemos fazer uma caminhada com o povo e ao fim da mesma, o príncipe pede desculpa e explica que foi tudo um mal entendido. – um outro conselheiro sugeriu.
- Isso certamente não serviria. Ninguém iria a uma caminhada com alguém que eles querem ver longe do poder.
- Eu sugiro que tenha uma ideia melhor, Jhon. - o rei disse. - Não estou afim de perder meu tempo dentro desta sala escutando ideias fracassadas.
- Eu gostei da parte de dizer que foi um mal entendido. Poderíamos criar uma história para justificar aquele comportamento. - outro conselheiro, Mathias, comentou.
- Acontece que não foi um mal-entendido. - o príncipe se ouviu falando e logo se arrependeu.
Tudo que ele mais desejava era não estar naquela sala, mas já que fora obrigado, pretendia manter-se quase invisível. Então ele próprio acabou com seu plano.
- Há algo te incomodando, ? - seu pai lhe perguntou, de forma dura.
O rapaz respirou fundo, tentando manter todas as suas insatisfações silenciadas. Ele conseguiria, fazia isso muitas vezes ao dia.
- Você não deveria nem estar aqui, . - George disse, parecendo mais acuado do que irritado.
E sabia disto. Sabia do quanto seu irmão estava assustado com tudo aquilo. Desde novo, reinar sempre pareceu um peso muito maior do que qualquer ser humano possa carregar sem perder sua vida ou sua alma. O final sempre era a morte, nem que fosse a interior. E agora, com toda aquela polêmica, George via toda dificuldade triplicar. Um rei pouco amado significava um rei ainda mais infeliz do que todos os reis já eram aos seus olhos e aos olhos do irmão.
Mas, ainda assim, não conseguiu mais conter a raiva depois daquele comentário.
- De fato, eu não deveria estar aqui. Não consigo acreditar que estamos reunidos porque você fez a besteira de falar mal do seu povo daquela maneira. Talvez se você, ou melhor, vocês pensassem mais no povo que dizem tanto amar e menos em vocês mesmos, essa reunião não estaria acontecendo, e eu não estaria aqui.
Os segundos seguintes foram uma surpresa para todos naquela sala. O Rei George bateu forte na mesa em frente ao seu filho e parecendo ser capaz de matar, caso o mesmo reagisse, esbravejou:
- Quem você pensa que é para falar de amor ao povo? Quer ser mais um dos idealistas da internet? Pretende se tornar um deles? É muito fácil criticar nossas palavras quando se goza das regalias que todos aqui ganham ao usá-las. Você é apenas um moleque mimado e insolente que não sabe nada da vida. – depois disto, abaixou o tom apenas para falar de forma ainda mais dura – Seu irmão é um merda, mas até ele é melhor do que você.
- Ao menos eu sou o único desta sala que o povo não parece odiar. – falou, sem tirar os olhos do pai.
O príncipe George encarou o irmão em completo horror. Ambos sabiam o que provavelmente viria a seguir. Nem mesmo os conselheiros iriam impedir o poderoso George I de ensinar seus filhos a agirem do seu modo. E quase aconteceu, mas, antes disso, Mathias entrou no meio – talvez por ser o único dali que já tivesse presenciado algo parecido com o que iria acontecer – e com um sorriso nos lábios, falou:
- Majestade, não se irrite pelo príncipe ser exatamente o que o povo quer nesse momento. Ele é, no atual momento, nossa melhor saída.
Tanto o rei como os dois príncipes encararam o conselheiro, confusos.
- tem aquela paixão inocente pelo povo, embora não seja tão ativo, ele tem aquele ideal que o povo procura. – Mathias continuou – Vamos dar ao povo o que eles desejam, com direito a muitas câmeras e muito tempo na tevê.
- Como assim? – O rei perguntou.
- Além dos problemas de sempre, sabemos que o ápice é que o povo não se sente mais amado depois das palavras do príncipe George. Mas o príncipe não parece ter receio de plebeus, ele gosta deles. Então, vamos unir tudo de uma só vez. Proponho retomarmos aos primórdios da nossa história. Vamos retomar A Seleção.
- O quê? – os dois príncipes gritaram juntos.
- Isso acontecia com os herdeiros diretos do trono, e eu nem sou. Assim como o George não é, nem de longe, um bom pretendente aos olhos do povo. – disse, parecendo desesperado com aquela ideia.
- O príncipe George ter uma Seleção é fora de questão e todos nós sabemos disso. Já você, Alteza, é a escolha perfeita. Não ser herdeiro direto do trono só melhora as coisas. Assim ainda teremos dois sangues reais no trono.
- Essa ideia é arcaica, além do fato das duas últimas Seleções não terem dado muito certo. A do Rei Maxon terminou com um ataque que acabou levando seus pais, e da Rainha Edlyn literalmente não deu certo. Nem por um selecionado ela se apaixonou, além do fato de que ela decretou uma monarquia constitucional que custou muito para ser derrubada e voltar ao que somos hoje.
- Se você souber olhar, a do Maxon na verdade não foi nada ruim, eles foram talvez o casal mais amado da história de Illéa. Já a da menina, ela era uma tola, mas nossos estudos nos mostram que na época foi uma boa jogada o que ela fez. A dinastia Schreave se mantém até hoje por causa da sua estratégia.
- Não, não, não. – falou, mais pra ele do que para qualquer outra pessoa ali.
Aquilo não podia estar acontecendo, era surreal que aquela ideia fosse ao menos cogitada. A Seleção era apenas uma coisa contada em livros de história, totalmente fora da realidade daquela época. Não deveria acontecer.
- Pai, você não pode fazer isso com o . – George suplicou.
- E o que você sugere? Levar mais pedradas da próxima vez que sair às ruas?
Os irmãos se olharam, sem saber direito o que falar. Apenas sabiam que aquilo não era justo, mas usar este argumento certamente não serviria.
- Escute, . – rei falou, dessa vez manso e cuidadoso. – Você não precisa casar com ela, os tempos mudaram. O povo com certeza aceitará a condição de apenas um namoro e quem sabe casamento. Se tudo der certo, você casa com ela. Se não, espere seis meses e acabe o namoro.
- Não. Isso não daria certo. Eu não posso colocar minha vida amorosa nesse jogo.
O rei George respirou fundo para tentar manter a pose de pai compreensivo. Precisava que , mesmo ainda sem querer, ao menos criasse algum tipo de empatia por aquela situação.
- Seu dever é amar esse povo acima de si mesmo. Não foi isso que você falou agora pouco sobre sentir?
- Pai...
- , eu sinto muito, mas é seu dever como príncipe. Está na hora de crescer, rapaz. Aceite esses termos, e tudo ficará bem.
- Não faça isso comigo. – o príncipe suplicou.
- Desculpe, filho, mas eu declaro aceita a ideia do conselheiro Mathias. Teremos uma nova Seleção.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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