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Capítulo 18 – A Terapia

’s POV
Certo. Eu sou oficialmente um idiota. Sinceramente, ainda não sei o que estou fazendo da minha vida. Eu tenho dinheiro, uma vida ótima – posso dizer assim – e uma namorada linda que quase todos os dias me liga para perguntar como estou e como foi meu dia. Então, por que eu fico correndo atrás da ? Por que eu sou tão imbecil a ponto de só pensar nela? Dos meus dedos tocando seu corpo, dos meus lábios nos seus, do meu nariz sentindo o seu cheiro natural tão viciante... Ah, deve ser porque eu estou totalmente louco por essa mulher. Parece que ela me lançou algum feitiço ou até injetou alguma droga em mim e eu nem me dei conta.
Quando eu fui ao apartamento de Ryan, eu bebi, bebi e bebi mais ainda, na tentativa de esquecer e ignorar completamente qualquer coisa que eu sentia pela , mesmo que fosse somente uma mera atração. Eu me recusava a aceitar qualquer desejo que eu sentisse por ela, e agora... Onde eu estou? Aqui, na casa da sua família. E o pior: sendo levado por meus impulsos, pelo meu lado primitivo e selvagem. Eu estou parecendo um animal. Pareço um leão atrás de sua presa. E isso não é legal, nem um pouco. Eu tenho constantemente travado uma batalha interna. Um dos meus lados acha que tudo isso é loucura, que eu devia pensar com mais clareza e quem sabe até mudar de casa por um tempo, até amansar as “feras”. Portanto, em compensação, o meu outro lado diz que isso é perda de tempo. Que eu tenho que cair para dentro mesmo e me entregar, sem pensar nas consequências.
E eu odeio esse meu outro lado, pois ele é justamente aquele lado que tem me guiado por anos. O lado que fez com que eu tivesse incontáveis namoradas e ficantes; o lado que me fazia ir às baladas em todos os finais de semana à procura de diversão; o lado que queria sanar os meus desejos de qualquer jeito, e o pior: o lado que meus pais detestavam. Inúmeras foram as vezes em que tive brigas feias, principalmente com meu pai. Ele simplesmente não aceitava o fato de ser um grande empresário com um filho irresponsável, descuidado e que não queria nada com os negócios da família ou até com a própria vida.
E esse meu lado é o que está me levando até . É o lado que está fazendo com que aos poucos, eu traia a confiança que Olivia depositara em mim. Eu simplesmente odeio ser tão fraco em relação às mulheres. Qualquer mulher que passa na minha frente, sendo bonita e me dando bola, eu já parto para cima. E sinceramente, esse meu lado “pervertido” me deixa muito frustrado. Eu venho tentando ser fiel, ficar com uma pessoa só e finalmente, achar o amor; mas isso parece ser extremamente difícil para mim.
Fora o fato de que desde que cheguei à Nova York, eu não saí nenhuma vez para baladas ou festas. É sempre empresa e casa; casa e empresa. Eu não venho tendo nenhuma diversão. Não tenho bebido. Não tenho me distraído com nada. Não tenho nem mesmo malhado. Uma das coisas que eu mais gostava de fazer era ir à academia, e hoje em dia, nem isso mais. Estou totalmente frustrado com a minha vida. E enfim, não sei qual lado seguir. O racional ou o impulsivo?
Meus pensamentos foram interrompidos com os sons de fogos de artifício. A família de e eu estávamos do lado de fora da casa, observando os fogos e os vizinhos animados em suas janelas ou em frente às suas casas, comemorando o dia da independência de seu país. Era vermelho e azul para todos os lados, sejam em suas roupas, chapéus ou nas bandeiras que as pessoas seguravam. Os norte-americanos realmente amam sua pátria, e isso é de se admirar. Por um momento, aquele cenário me lembrou do meu país. Os canadenses também são muito patriotas e sempre carregam uma bandeira do país junto a eles. Sorri ao me lembrar da minha infância e adolescência vividas com meus pais e irmã. Quando eu vim para os Estados Unidos, Jazmyn estava se preparando para começar a faculdade.
Ela sempre dizia que tinha que se preparar mentalmente e psicologicamente para o possível trote que aconteceria com ela, fora os olhares pelo simples fato de ser novata. Eu sempre ria das suas frescuras e como um bom irmão mais velho, zoava do seu jeito um tanto extravagante. Lembro-me de que tudo dela tinha de ser rosa, até a capa do celular. Minha visão chegava a ofuscar quando eu entrava em seu quarto e me deparava com o seu mundo cor de rosa.
- , você está bem? – ouvi uma voz ao longe e acabei saindo de meus devaneios.
Virei meu rosto e encontrei me encarando com uma pontinha de preocupação. Sorri e balancei a cabeça afirmativamente.
- Sim, estou bem. Só estava me lembrando de algumas coisas. – coloquei as mãos nos bolsos da calça e relaxei meus ombros. Levantei meu olhar e fiquei encarando o céu ainda coberto por fogos.
- Espero que eu não esteja sendo inconveniente, mas do que estava se lembrando? – perguntou e eu sorri de canto ao notar certo desconforto de sua parte ao fazer tal pergunta.
- De quando eu te peguei de jeito no seu quarto. – respondi, reprimindo uma risada.
Virei meu rosto e avistei uma surpresa e boquiaberta, encarando-me sem reação. Ela abria e fechava a boca várias vezes, tentando falar algo, mas não saía nada. Soltei uma risada nasalada e sem que eu esperasse, recebi um tapa forte no braço.
- Ai! – reclamei, fazendo uma careta. – Aconselho que deixe de ser tão agressiva, . Os homens gostam disso somente na cama.
Ela bufou e cruzou os braços. Eu adorava deixá-la irritada.
- Eu estava brincando... – falei e ela do jeito que é orgulhosa, só me encarou de canto de olho, com a seriedade ainda estampada em seu rosto. – Eu estava pensando na minha vida no Canadá. Sinto saudades de lá.
- Entendo... – suspirou – Acho que todo mundo sente saudades de algo, pelo menos uma vez na vida. Isso é inevitável, mas também não podemos deixar que as saudades nos comam vivos. Tivemos bons momentos, claro, mas temos que seguir em frente. A vida é feita de lembranças e memórias que ficarão guardadas em nossos corações.
Arqueei uma sobrancelha e a olhei.
– Isso está soando muito com o conselho que eu te dei há um tempo atrás. Não vale copiar as palavras dos outros, . – meu tom de repreensão a fez rir fraco e eu sorri.
- Certo, posso estar copiando algumas coisas... Mas é só porque eu gostei do que você me falou. Foi algo que veio na hora certa e acho que você também estava precisando de um conselho assim. É como dizem, às vezes somos bons conselheiros para outras pessoas, mas quando se trata de nossas próprias vidas, nunca sabemos o que fazer.
Ela deu de ombros e eu assenti, ainda a observando. tinha uma beleza única, uma beleza que vinha de dentro para fora, que a fazia reluzir como uma estrela, mas que nem ela mesma percebia. Eu seria muito idiota se dissesse que eu sou um dos únicos que enxergam a estrela que ela é? poderia conquistar qualquer um com o seu jeito cativante e encantador, o jeito que só ela tem, assim como o seu sorriso que seria capaz de iluminar o céu mais escuro.
- Okay, você está me encarando de novo e isso não é nem um pouco confortável. – ela disse e eu ri, balançando a cabeça.
Assim que os fogos de artifício pararam de estourar nos céus, os vizinhos gritaram “Feliz 4 de Julho!” e aos poucos, foram voltando para suas casas. Com a família Wright não foi diferente; entramos em casa e nos sentamos nos sofás. Conversa vai, conversa vem, eu estava me divertindo muito com eles. Sarah era muito bem-humorada e os avós de não ficavam atrás. Brinquei um pouco com Adam e quando vi o outro primo de aparecer com um violão, meus olhos brilharam.
- Você toca? – perguntei a ele.
- Digamos que sim. Estou aprendendo para ter uma banda no futuro. – Paul respondeu parecendo bastante animado.
Ouvi Sarah bufar no outro sofá e ela rolou os olhos.
- Já te falei para desistir dessa ideia boba, Paul. Filho meu não vai ser integrante de uma bandinha qualquer.
Senti-me um pouco incomodado com sua declaração, já que uma das minhas maiores vontades foi formar uma banda. E eu teria conseguido, se numa noite de sábado meu pai não tivesse entrado na garagem onde meus amigos e eu ensaiávamos e quebrado quase todos os instrumentos. Eu tinha dezesseis anos e como todo adolescente, era cheio de sonhos; mas foi a partir daquele dia que eu enterrei qualquer dom para música dentro de mim e desisti de realizá-los. Comecei a trabalhar na empresa do meu pai aos dezoito anos e estou aqui até hoje. E pelo visto, trabalharei com ele pelo resto da minha vida, até ele morrer e deixar os negócios em minhas mãos, por eu ser o único filho. Minha irmã não conseguiria cuidar dos negócios, e ainda mais agora que ela vai estudar Medicina Veterinária.
- E por que seria uma ideia boba formar uma banda? – me intrometi com uma voz tranquila. – Eu também já quis ter uma banda, e eu quase consegui. Garanto que é uma sensação muito boa... Fazer algo que você gosta.
Todos os olhares caíram sobre mim e eu desviei meu olhar para o lindo violão que estava sobre o colo do garoto.
- Sério que você já teve uma banda? – ele perguntou empolgado e eu ri fraco.
- Quase... – dei de ombros. – Mas se você quer isso, garoto, apenas faça. Tente realizar o máximo de sonhos que você puder, pois então, você se sentirá orgulhoso e realizado no futuro. Terá a certeza de que tudo o que você tiver, será mérito seu... E de mais ninguém.
- Obrigado pelo conselho. – Paul sorriu.
Apenas assenti com minha cabeça. Senti um olhar queimar sobre mim e olhei em volta a procura da pessoa. Todos pareceram desviar seus olhares de mim, até Sarah que agora se encontrava séria e calada, exceto por ... Quando meus olhos encontraram os dela, tive a certeza de que ela era a pessoa que me observava. Lançou-me um sorriso de canto e fez um aceno com a cabeça, parecendo concordar com minhas palavras. Um pouco constrangido, levei minha mão até a nuca e ri baixo.
- O que acha de tocar algo para a gente, Paul? – tomou a iniciativa. – Eu adoraria ouvir você tocar.
Hesitante, o garoto lançou um breve olhar em direção à sua mãe. – Eu posso? – perguntou.
Sarah apenas revirou os olhos, mas fez um gesto com a mão para que ele tocasse. Paul sorriu e ajeitou o violão, começando a dedilhá-lo em seguida. O som do instrumento adentrou os meus ouvidos e eu fechei os olhos por um momento, apreciando as notas que ecoavam pela sala. Quando os abri, me surpreendi ao ver os avós de se levantando e começando a dançar lentamente. Sorri ao ver que Sarah e Ben haviam feito o mesmo. Olhei brevemente para e ela sorria e fechava os olhos uma vez ou outra, parecendo apreciar a música tanto quanto eu.
Nem precisei pensar muito ao me levantar e ir até ela. Fiquei parado à sua frente e estendi minha mão. De início, ela me olhou com a sobrancelha arqueada e pareceu pensar dez vezes antes de segurar minha mão e se levantar. Guiei-a até o centro da sala e a segurei pela cintura com uma das mãos enquanto a outra se entrelaçava a sua. sorriu tímida e abaixou o olhar por um instante, antes de voltar a me encarar. Seus olhos acinzentados olhando profundamente os meus fez meu coração esquentar por um momento, e eu a puxei suavemente, encostando nossos corpos.
- Está na hora de colocar em prática o que eu lhe ensinei. – disse baixo contra seu rosto e ela deu uma breve risada, provavelmente se lembrando do dia em que dançamos uma música lenta pela primeira vez na sala de seu apartamento. Segurei um riso ao me recordar do pisão no pé que ela me deu.
Em passos lentos, começamos a nos mover. Seus olhos sempre fixos nos meus; e nem que eu quisesse, eu poderia quebrar o nosso contato visual. Era algo quase impossível de se fazer, levando em conta a força sobrenatural que prendia meu olhar ao seu, quase podendo enxergar sua alma. Lentamente, ela soltou minha mão e passou seus braços por meu ombro, envolvendo meu pescoço. Sendo assim, envolvi sua cintura com meus braços e juntei ainda mais nossos corpos, quebrando qualquer distância que ainda existia entre nós.
Vi se aproximar mais do meu rosto e logo, ela encostou sua testa à minha, fechando seus olhos. Acompanhei suas ações e também fechei meus olhos, apreciando sua respiração se chocando contra a minha. Nossos corpos se movimentavam lentamente de um lado a outro, conforme os acordes do violão. Meu nariz encostou-se levemente ao seu nariz e a pouca tensão em meu corpo se esvaiu quando senti seus dedos em minha nuca, acariciando-a suavemente e me causando pequenos arrepios. Apertei um pouco mais sua cintura e soltei um suspiro quando as pontas de seus dedos se embrenharam em meus cabelos próximos à nuca.
Subi minhas mãos e toquei suas costas, começando leves carícias com as pontas dos dedos, como uma forma de retribuição por seus dedos macios estarem me tocando daquele jeito tão calmo e cuidadoso, que só ela parecia fazer. Nossos lábios estavam a centímetros de distância e sua respiração batendo contra a minha estava me deixando um tanto afoito. Eu queria beijá-la. Quebrar qualquer distância entre nós. Mas o simples fato de não poder por estarmos cercados por seus familiares, me deixava frustrado. Acariciei suas costas de cima a baixo, descendo meus dedos lentamente. Eu queria tocá-la diretamente por baixo daquela blusa; sentir meus dedos queimarem com a temperatura de sua pele quente, mas isso era outra coisa que eu não podia.
Então, eu tive que me contentar com somente dançar com ela, sem nada a mais.
- ... – ouvi sua voz me chamar.
Ainda com os olhos fechados, murmurei:
- Hm?
- A música já acabou... – abri meus olhos lentamente e encarei seu rosto. Um sorriso tímido era esbanjado naqueles lábios macios e que por tantas vezes, já imaginei percorrendo por meu corpo.
- Ah, sim... – disse um tanto sem graça, afastando-me dela. Cocei a nuca e olhei em volta, percebendo que todos nos olhavam com leves sorrisos nos rostos, exceto o senhor Wright, que parecia um tanto incomodado. Sua expressão era séria e ele mantinha os braços cruzados.
- O também sabe tocar violão. – disse e eu arregalei os olhos por ter sido pego de surpresa.
- Sério? – sua avó perguntou e eu assenti levemente. – Que ótimo! Toque alguma coisa para nós, meu rapaz.
- Eu não sei se... – fui interrompido por Sarah.
- Deixe disso, . Ande! Toque! – surpreendi-me com sua mudança repentina de humor. Há minutos atrás, ela estava séria e não aceitava que seu filho tivesse uma banda, e agora ela quer que eu toque?
Entortei a boca e assenti. Aproximei-me de Paul e ele sorriu, entregando o instrumento. Sentei-me no banquinho onde antes era ocupado por ele, e todos os olhares se voltaram para mim. voltou a se sentar, sendo acompanhada por seus familiares, exceto por Ben, que preferiu ficar em pé no canto da sala.
Respirei fundo e comecei a dedilhar o violão. Os acordes foram se formando conforme eu mexia os dedos lentamente e logo, a música soou pela sala silenciosa. Olhei brevemente na direção de e ela sorria, incentivando-me silenciosamente a continuar e mostrar a todos os meus dons musicais, que eu havia desenterrado pela segunda vez desde que cheguei a este país.

Wright’s POV
- Certo, , hora de acordar. – avisei, guardando minhas roupas na mala. – Hoje vou te levar para conhecer a cidade antes de irmos embora. O voo sai depois do almoço e recomendo que você não me atrase, senão vou chutar a sua bunda.
Ele resmungou algo e aos poucos foi se levantando. Sua expressão sonolenta e rosto amassado me fizeram rir e ele me olhou fazendo careta.
- Anda logo, tartaruga! – exclamei assim que vi sua lentidão – Você não ia gostar nem um pouco se meu pai aparecesse aqui. E se ele perguntar algo, eu irei negar com todas as minhas forças que tenho a ver com sua dormida aqui.
bufou alto e com raiva, puxou sua blusa de cima da minha cama. Ele foi até a porta e a abriu, logo saindo do quarto, e garanto que se ele pudesse fazer barulho, com certeza a teria batido com toda a força do mundo. Segurei uma risada e balancei a cabeça. Parece que alguém tem o temperamento forte.
Assim que terminei de arrumar minhas malas, fui até o banheiro e tomei um banho rápido, mas relaxante. Vesti uma calça jeans e uma camisa vermelha, logo calçando meus tênis combinando com a camisa. Penteei meu cabelo, prendendo-o em um rabo de cavalo e coloquei meus óculos. Eu já estava cansada de usar lentes e como estou em meio à minha família, não precisaria delas. Com certa dificuldade e bufando bastante, puxei minha mala de cima da cama e a coloquei encostada à parede ao lado da porta do quarto. Nem preciso dizer que quase fui arrastada pelo peso de minha própria mala, certo? Certo.
Tomei meu café da manhã acompanhada de meu pai e . Quando terminei de comer, olhei para meu pai e pigarreei, chamando sua atenção.
- O senhor poderia emprestar o seu carro? – perguntei receosa.
Meu pai me deu uma olhada desconfiada e voltou sua atenção para seu prato quase vazio. Levou o garfo com panqueca até a boca e perguntou:
- Com qual finalidade? – sua voz era firme, mas eu sabia que ele estava fazendo aquilo para dar a impressão de que era um homem sério e um tanto intimidador, especialmente com meu convidado .
- Bem, quer conhecer a cidade e digamos que eu serei sua “guia turística”, e precisamos de um carro. – meu tom era calmo, dando-lhe a certeza de que eu não me intimidava com seu jeito.
Ele pareceu pensativo por alguns instantes, e eu apenas intercalava meu olhar discretamente entre os dois homens que estavam comigo. continuou em silêncio, cutucando seu alimento com o garfo. Internamente, eu concordei com sua atitude. Afinal, não havia nada que ele pudesse falar ou fazer. O assunto era somente entre os Wright – vulgo meu pai e eu.
- Certo. Podem usar o meu carro. – sorri fraco – Mas se causarem algum dano no meu maior tesouro, irão se ver comigo!
Fiz uma expressão ofendida e levei a mão ao peito. – Outch! Essa doeu, pai. Pensei que eu era o seu maior tesouro.
Ele riu e se aproximou, apertando minha bochecha. Fiz uma careta e rolei os olhos.
- É claro que você é meu tesouro, ... – sorri – Juntamente ao meu carro. – completou e desfiz meu sorriso no mesmo momento, fechando minha expressão em uma emburrada.

(...)


- Ouviu o que meu pai disse, . – falei quando já estávamos dentro do carro. – Se acontecer algo a este carro, você provavelmente terá que doar um dos seus rins para pagar o conserto, então, aconselho que dirija devagar.
- Eu sei o que estou fazendo, . – ele disse com seriedade.
Assustei-me quando freou violentamente em um sinal vermelho. Meu corpo foi para frente e se eu não estivesse usando o cinto, teria atravessado o vidro. Meu coração chegou a saltar no peito e eu olhei com raiva para . Na verdade, lancei-lhe um olhar de ódio que poderia matá-lo se eu tivesse superpoderes.
- ! Eu falei para ter cuidado! – quase gritei e ele fez careta de tédio, envolvendo o volante ainda mais com suas mãos. – Ainda não entendo como conseguiu tirar a carteira!
- Já ouviu falar em uma coisa chamada suborno? – seu sorriso maroto me fez arregalar os olhos.
- Você não... – eu quase não conseguia formar a frase. – Você não fez isso.
deu de ombros e pisou no acelerador quando o sinal abriu. – Acredite se quiser.
- Como você pôde subornar alguém para obter uma carteira de motorista?! Você sabia que isso é crime?! – eu o encarava com surpresa, ainda não acreditando no que ouvira.
- É claro que eu sei, mas parecia que o carinha que faturou mais de mil dólares não sabia... – sorriu cínico em minha direção, lançando-me uma piscadela em seguida.
Bufei indignada. – Não posso acreditar que estou num carro com um cara que comprou a carteira de motorista. Consegue enxergar a gravidade disso? Estou pondo minha própria vida em risco!
- Okay, okay, cale a boca agora. – disse de forma impaciente – Mas será possível? Não para de falar um minuto. Parece que enfiou uma matraca na boca.
Semicerrei meus olhos e mostrei-lhe meu dedo do meio. apenas riu e balançou a cabeça, continuando a dirigir (e a pôr minha vida em risco). Chegamos ao Jardim e Santuário dos Pássaros e passamos pelo portão preto. Olhei em volta e sorri. Aquele santuário era muito lindo e eu quase sempre ia visitá-lo quando voltava à Charlotte. Senti em meu encalço e continuei a andar, chegando ao centro do local onde havia um pequeno chafariz rodeado por gramas que decoravam e deixavam o ambiente mais puro.
Fui até um dos lados e foi até o outro. Observei a expressão maravilhada em seu rosto e o sorriso nos lábios. Comecei a rodear o chafariz e fez o mesmo enquanto contemplávamos o lindo lugar. O som dos pássaros cantando era um dos sons mais perfeitos de serem ouvidos. Aquele santuário foi construído justamente para eles e era maravilhoso ver a variedade de pássaros que ali estavam. Eram uns pássaros mais bonitos do que outros, mas que mesmo assim, não diminuíam a importância de cada um na natureza.
Através da água do chafariz, eu olhei novamente para somente para apreciar a expressão ainda admirada em seu belo rosto. Opa... Belo rosto, ? Senti meu rosto esquentar quando notei que ele também me observava. Abaixei minha cabeça por um momento e entrelacei minhas mãos. Desviei o olhar para uma árvore próxima a nós e perguntei:
- O que achou daqui?
- Magnífico! Nunca tinha visto algo assim antes. – ele sorriu.
- É um dos meus lugares favoritos. A tranquilidade e a pureza daqui são quase palpáveis. – olhei para o céu, sentindo o vento bater em meu cabelo preso. – Seria muito idiota se eu dissesse que gostaria de viver aqui com os pássaros?
me encarou com uma expressão risonha. – Na verdade? Sim.
Dei-lhe língua e levantei um dos cantos da boca em um sorriso fraco. Olhei surpresa para a cabeça de ao ver que um pássaro havia acabado de pousar ali.
- , não se mova! – avisei me aproximando lentamente.
- Por quê? – franziu a testa.
- Tem um pássaro lindo na sua cabeça.
Aproximei-me mais e estendi meu dedo. O passarinho pulou para meu dedo indicador e eu sorri.
- É a primeira vez que um pássaro não foge de mim. Estou me sentindo honrada. – ri baixo.
- Mas o instinto dos pássaros é voar quando alguém se aproxima. Isso é muito normal. – disse . Ele esticou seu dedo e passou levemente nas costas da ave.
Fiz o mesmo e sorri. – Exatamente. É por isso que estou tão surpresa.
Levantei meu rosto e fez o mesmo. Nossos rostos ficaram bem próximos e nossas respirações se chocaram. Seus olhos encararam profundamente os mesmos e eu senti meu coração disparar com toda aquela aproximação. Seus olhos foram até meus lábios e ele levou seu dedo indicador até minha bochecha, acariciando-me suavemente. Eu me sentia presa pelo seu olhar, pelo seu toque. Totalmente presa.
Um bater de asas seguido um movimento rápido me fez quase pular de susto e nos separamos rapidamente. O pássaro havia voado; fiz um bico de tristeza e riu um pouco.
- Okay, vamos continuar nosso passeio turístico. – ele disse e eu o olhei – Ainda têm muitos lugares a me mostrar.
Respirei fundo para não bufar e assenti.
Depois de passearmos por alguns parques e museus, rondamos a pé pelo centro da cidade enquanto observávamos alguns comércios. Depois de todo “passeio turístico”, nós fomos para casa e almoçamos com toda a minha família. Só de saber que aquela seria nossa última reunião antes de eu voltar para casa, já me apertava o coração. O que me aliviou um pouco foi saber que daqui alguns meses eu estaria de volta para o Dia de Ação de Graças e as festas de fim de ano.
Terminamos de almoçar em meio a muitas conversas e risadas e eu fui até meu quarto para pegar minha mala. Voltei à sala e os meus familiares já estavam me esperando. Abracei tia Sarah e disse:
- É uma pena o tio George ter feito uma viagem justo quando eu ia estar aqui. Espero vê-lo da próxima vez.
- Ele estará aqui, . Mesmo nós tendo nos separado, ele não deixaria de visitar a sobrinha querida. – sorriu – Você bem que conhece o seu tio... Não perde uma oportunidade de trabalho que aparece em outro estado. – sua revirada de olhos me fez lembrar do real motivo da separação dos dois há uns anos atrás: trabalho.
Tio George sempre foi muito trabalhador e às vezes, deixava a família em segundo plano por conta disso. A falta de atenção e presença para com a família causou a separação dos dois. Eu só esperava do fundo do coração que isso não afetasse a vida dos meus primos, principalmente de Adam, que ainda era uma criança.
Direcionei um sorriso confortante à tia Sarah e me aproximei de meus avós, dando-lhes o melhor abraço que eu podia.
- Até a próxima, meus avós. – sorri segurando a mão deles.
- Até, querida . – disse vovô. – Não se esqueça desses velhos daqui.
- Velho só se for você, porque eu ainda estou na flor da idade! – vovó resmungou num tom ranzinza e rimos. – Na próxima visita, vou fazer alguns biscoitos para você, querida.
- Eu ia adorar, vovó.
Fui até Paul e o abracei, bagunçando seu cabelo.
- E você, rapaz, cuidado com quem anda, certo? Evite as más companhias e aconselho que se declare logo para Madison antes que outro venha e roube seu lugar. – Paul revirou os olhos e ajeitou os cabelos.
- Não se preocupe, a Maddie já está no papo. – ele afirmou de um jeito galanteador e eu ri.
- E você, pequeno... – me referi a Adam que se encontrava agora no colo de tia Sarah. – Obedeça sua mãe e seja um bom menino. Eu te amo muito. – abracei-o e a força com a qual ele me abraçou de volta, fez meus olhos lacrimejarem.
- Eu também te amo, .
Sorri fraco ao me afastar e tentei não chorar, mas meus olhos lacrimejaram ainda mais quando eu avistei meu pai no canto da sala. Ele tinha seus braços cruzados e os olhos baixos. Aproximei-me dele e literalmente me joguei em seus braços, sentindo-os me abraçar em seguida. Escondi meu rosto em seu ombro e fechei meus olhos com força, sentindo aquele perfume amadeirado que somente o meu pai tinha. Sua mão passou por meu cabelo como ele costumava fazer sempre que eu o abraçava e aquilo fez um nó se formar em minha garganta conforme eu prendia o choro.
- Eu vou sentir sua falta, . – ele disse próximo ao meu ouvido e eu suspirei.
- Eu voltarei, papai. Não se preocupe. – afastei-me, colocando minhas mãos em seus ombros.
Suas mãos foram até minhas bochechas e ele me encarou com aquelas íris acinzentadas.
- Se cuide, querida. Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa, não sabe? – afirmei rapidamente com a cabeça.
- É claro que eu sei, papai. – acariciei seu rosto – E o senhor, por favor, se cuide naquele trabalho. Ser bombeiro não é fácil e é muito perigoso. Não sabe quantas vezes eu me preocupei do lado de lá.
Ele riu e assentiu. – Eu vou me cuidar.
Beijou minhas mãos e nos afastamos no mesmo momento em que terminava de se despedir de meus avós, primos e tia. Ele se aproximou do meu pai e os dois apertaram as mãos. Meu pai deixou escapar um sorrisinho de canto e fez o mesmo.
- Obrigado pela visita, meu rapaz. Cuide de minha menina naquela Nova York.
sorriu para mim e assentiu. – Eu vou cuidar, senhor. Sem preocupações.
Pegamos nossas malas e entramos no táxi que meu pai havia chamado para a gente. Ele não poderia nos levar ao aeroporto por conta do trabalho em pleno sábado. Daqui a pouco ele sairia para trabalhar e eu não queria atrasá-lo em nada; ele até insistiu em nos levar, mas eu recusei.

(...)


Finalmente havíamos chegado em casa. Assim que eu coloquei o pé dentro do apartamento e pus minha mala no chão, eu soltei um longo suspiro por estar ali novamente. É claro que eu tinha amado estar com minha família, mas não poderia negar que também senti falta do cheirinho que só meu apartamento tinha. Tranquei a porta e pendurei a chave no porta-chaves. Levei um susto ao virar meu corpo e no instante seguinte, ele estar pressionado contra a parede. Assustei-me ainda mais quando umas mãos seguraram minha cintura com possessão e certos lábios macios tocaram meu pescoço.
- ! – arregalei meus olhos. Meu coração pulsava forte dentro do peito e meu corpo estava um pouco trêmulo por conta do susto. – O que está fazendo?!
- Oh, ... – ele disse entre os beijos em meu pescoço – Você não sabe o quanto eu esperei para que pudéssemos estar sozinhos novamente.
Franzi a testa. – O quê?
Ele levantou seu rosto, ficando à altura do meu e disse contra meus lábios:
- Eu queria ter te beijado mais, te tocado mais... Mas era quase impossível com a sua família por perto.
- , espera... O que você... – ele tampou minha boca com sua mão.
- Shhh... Não fala nada, babe… – sussurrou e eu engoli em seco. Minhas pernas fraquejavam com o simples fato de ele me chamar de “babe”.
Dei um pequeno pulo quando sua mão adentrou minha camisa e apertou meu seio por cima do sutiã. Repentinamente, seus lábios se encontraram com os meus e eu arregalei ainda mais meus olhos, como se aquilo fosse possível. Admito que eu estava um tanto assustada e fui pega totalmente desprevenida. Fiquei sem reação.
Quando sua língua pediu passagem, eu tomei coragem e empurrei , afastando-o de mim. Ele me encarou confuso enquanto eu ainda me encontrava atordoada e com a respiração ofegante. Respirei fundo e ajeitei meus óculos que até ficaram tortos em meu rosto.
- Eu preciso te lembrar de que você tem namorada e isso é errado? – cruzei os braços e o encarei séria assim que recuperei a respiração.
Ele bufou e rolou os olhos. – Pensei que já tivéssemos conversado sobre isso.
- Pensou errado. – afirmei.
Ficamos nos encarando por um tempo. Eu pensativa e visivelmente impaciente. Uma ideia se passou por minha mente e uma lâmpada pareceu brilhar acima de minha cabeça.
- Senta aí. Precisamos ter uma conversa. – apontei para o sofá e contra sua vontade, ele me obedeceu.
Sentei-me ao seu lado e pus uma almofada em meu colo, preparando-me psicologicamente e pensando na forma que eu falaria aquilo sem que pulasse no meu pescoço.
- Nós não podemos continuar com isso, . – comecei.
- Isso o quê? – perguntou com tédio.
- Isso entre nós. – apontei para ele e depois para mim. – Você tem namorada e eu estou tentando conquistar o . Não podemos ficar nos agarrando pelos cantos e muito menos, nos beijando. Até porque pelo que eu me lembro, nós só nos beijamos porque fazia parte das aulas. – arqueei a sobrancelha e ele pareceu desconfortável, coçando a nuca e desviando o olhar.
- É... Sobre isso... – o cortei.
- Você se deixou levar, eu sei. – afirmei com certo profissionalismo na voz. Afinal, era isso mesmo que ia propor aqui: um acordo profissional.
- Posso dizer que sim... – ele concordou com as bochechas levemente coradas. Tive uma imensa vontade de rir por seu constrangimento, mas me contive.
- Certo... Digamos que eu também me deixei levar. – admiti – Somos humanos e a nossa libido às vezes fala mais alto, eu entendo.
franziu o cenho e virou-se no sofá, ficando de frente para mim. – Por que você está falando assim? O que quer dizer com isso?
Limpei a garganta e continuei:
- Bem, eu tive uma ideia. Assim como você continuará a ser meu professor, eu também posso te ajudar com algumas coisas.
- Ajudar? Com o quê? Não preciso de ajuda.
Cruzei minhas mãos sobre a almofada.
- , eu percebi e acho que você também percebeu que há uma espécie de... – procurei as palavras corretas – libido desenfreada em você.
ficou em silêncio, me encarando por um tempo, até soltar uma gargalhada alta.
- O quê? Então quer dizer que você estava me analisando? – perguntou.
- Eu não disse isso. – balancei a cabeça negativamente – Você sabe muito bem que eu estou me formando em psicologia e como parte da minha futura profissão, não posso deixar de observar algumas coisas e fazer notas mentais sobre você nesse nosso tempo juntos.
- Traduzindo: você está me analisando. – revirou os olhos.
- Isso não vem ao caso. O que importa aqui é você e esse seu desejo incontrolável que você diz ter. Eu não queria ter que fazer isso, mas precisamos dar um jeito nisso. – afirmei.
Ele gargalhou mais uma vez e eu me controlei para não lhe esbofetear por ser tão debochado. – Está me chamando de doente?! Você acha que eu sou anormal só por sentir desejo por uma mulher? Não inventa, !
- Você não é doente! Não falei isso! Você só não consegue controlar seus impulsos e emoções. Temos que criar algum tipo de bloqueio para que você não saia agarrando qualquer uma na rua.
- Qualquer uma, não! Não sou um tarado como você está me descrevendo! Eu sei me controlar muito bem! – afirmou levemente irritado.
- Ah, não? , se você vir uma velhinha sozinha na rua, você vai agarrá-la!
Ele fez uma careta de nojo. – Claro que não! Eu não sou assim!
Arqueei a sobrancelha, duvidando de sua declaração. Em troca, ele também arqueou a sobrancelha, deixando claro que era verdade o que ele falava.
- Certo... Você não agarra velhinhas na rua. – suspirei e ele riu – Mas isso não nega o fato de que você age feito um animal quando está em minha presença. O que há comigo? É o meu perfume? Meu cabelo? O quê? Diga-me e eu vou te ajudar.
- É você por inteiro! – ele confessou e eu arregalei levemente os olhos. – Só não me pergunte o porquê, pois eu não sei. Nem eu descobri ainda por que tenho essa fissura em você.
- Acho que tenho uma solução. – me olhou esperando que eu falasse. – Eu me tranco no quarto e você nunca mais vai me ver. – falei num tom brincalhão.
- Seria uma ótima ideia! – concordou com uma expressão pensativa e a mão no queixo. – Isso pode funcionar.
- ! – taquei a almofada em seu rosto. – Mas é sério... Eu quero te ajudar.
Ele rolou os olhos. – E o que pretende fazer para ajudar o maluquinho aqui?
- Não se refira a si mesmo desse jeito! – o repreendi e ele riu – Eu vou ser sua psicóloga. Vou te ensinar a não me desejar mais.
ficou um tempo em silêncio e logo depois caiu na gargalhada. Revirei os olhos e fiz careta.
- Você está falando sério? Porque se for uma brincadeira, foi muito ruim. Você não é boa com piadas, . – ele levou suas mãos aos olhos, enxugando os resquícios de lágrimas.
- É claro que eu não estou brincando, ! Estou falando muito sério, porque se você continuar assim, não vamos poder nem dividir o apartamento mais sem que você me agarre pelos cantos.
Ele suspirou e me olhou sério desta vez.
- Certo, suponhamos que eu aceite essa sua ideia maluca... O que está pensando em fazer?
Fiz uma expressão pensativa e me levantei do sofá. – Primeiramente, eu tenho que começar a agir de uma forma que você não goste, que de certo modo, te cause repulsa.
se levantou e parou em minha frente com os braços cruzados.
- Diga-me algo que te causa repulsa. – pedi e o encarei esperançosa.
- Hm... – entortou os lábios – Mulher fedorenta. – deu de ombros. – Mas você não se encaixa nessa categoria já que o seu cheiro é muito bom.
Repentinamente, todo o meu sangue pareceu subir para minhas bochechas e eu não pude evitar o rubor, o que arrancou um risinho nasalado da parte de .
- Sem elogios, por favor. Vamos agir com profissionalismo. – pedi.
- Eu só comentei. – levantou as mãos em rendição.
- Eu tive uma ideia! – disse repentinamente – Como você está me ensinando a ser uma mulher... digamos... sexy, eu vou ser uma mulher completamente diferente em casa. Enquanto na rua eu usarei roupas bonitas e sensuais, em casa, eu vou usar as roupas que eu geralmente usava antes de você vir morar comigo.
- Okay, isso pode funcionar. – ele disse pensativo. – E como seriam essas roupas?
- Ahn, roupas largas e mais confortáveis como moletons, calças largas, blusas grandes e meias. Também posso prender o meu cabelo e voltar a usar óculos. – sorri com minha própria ideia.
- Não sei, não, . – negou com a cabeça – Isso está parecendo sexy demais para mim.
Arregalei os olhos e ri de seu comentário.
- Até isso é atraente para você?! Não é possível!
Ele deu de ombros e caminhou até a cozinha, abrindo a geladeira. enfiou a cabeça dentro da mesma, parecendo procurar por algo enquanto eu me aproximava e ficava atrás dele, encostada ao balcão.
- O que acha de eu parar de tomar banho, então? Se eu ficar fedida, talvez você nunca mais chegue perto de mim. – ri ao ver sua careta.
- E nunca mais vou entrar nessa casa também. – completou.
Soltei outra risada e neguei rapidamente com a cabeça, discordando da minha própria ideia um tanto nojenta. Nem eu conseguiria ficar sem tomar banho.
se aproximou com a jarra d’água e encheu um copo. Ele encostou-se à bancada da pia de frente para mim e ficou me encarando enquanto bebia sua água.
- Já sei! Podemos começar uma espécie de terapia agora. O que acha? – perguntei e ele fez uma careta, parecendo não gostar da ideia. – Ah, qual é, ? Ajude-me aqui! Temos que pensar em algo.
Ele apenas suspirou e terminou de beber a água. Colocou o copo dentro da pia e se afastou. Franzi a testa sem saber o que ele iria fazer, mas logo sorri de canto ao vê-lo se deitando no meu sofá. Encarou-me como se estivesse apenas me esperando e eu fiz um gesto para que ele esperasse um instante. Fui até meu quarto e peguei um bloquinho de notas e uma caneta dentro da minha escrivaninha; voltei à sala e puxei a poltrona, ficando de frente para ele que estava todo jogado no sofá.
- Certo. Você será meu primeiro paciente, então vamos com calma. – respirei fundo, levantando a capinha do bloco e me posicionando para começar a escrever.
- Beleza, estou calmo. – falou fechando seus olhos e descansando seu braço em sua testa. – O que a doutora quer saber?
Sorri de canto por ser chamada de doutora, mas endireitei minha postura, pigarreando em seguida.
- Vamos agir como se você estivesse no meu consultório e estou te atendendo, certo? – ele apenas assentiu com a cabeça. – Okay. Diga-me o seu nome.
Um dos cantos de seus lábios subiu e eu percebi que ele sorria discretamente. Parece que alguém está aprontando alguma coisa.
- . – respondeu.
Assenti e anotei, começando a criar uma espécie de ficha sobre ele. – Quantos anos você tem, ? Posso te chamar de ?
- Pode me chamar do que quiser, doutora. – seu tom saiu sedutor demais e eu segurei um riso. – Tenho vinte e três.
Anotei e o encarei. – Certo, , conte-me sobre os seus problemas, suas frustrações, seus desejos...
Ele suspirou. – Primeiramente, meus problemas são tantos que mal podem ser enumerados, então prefiro deixá-los de lado junto às minhas frustrações.
Franzi o cenho e cruzei minhas pernas. – E por que não quer falar sobre eles? Sabe, às vezes é bom desabafar... Contar para alguém.
- Não, não. Eu dispenso, obrigado. – seu tom era firme e eu suspirei, assentindo. Talvez eu pudesse extrair alguma coisa dele mais tarde.
- Okay. Sobre o que prefere falar, então? – recostei-me à poltrona.
tirou o braço da testa e abriu os olhos, lançando-me seu olhar mais malicioso. – Sexo conta?
Fechei a expressão.
- ... – o repreendi.
- Qual é, doutora? Pensei que isso fosse uma sessão em que eu pudesse falar sobre o que eu quisesse. E por que não falar sobre sexo, uma das melhores coisas do mundo? – pegou uma almofada e colocou por trás de sua cabeça, ajeitando-se ainda mais no sofá. – Esse seu divã podia ser mais confortável, huh? – comentou e eu ri fraco, balançando a cabeça.
- Tudo bem, . Fale sobre o que quiser, afinal, tudo aqui tem que ser direcionado a você, querido paciente. – sorri de canto.
- Hm, gostei disso... “Querido paciente”. – seu tom era pensativo, mas que logo desapareceu, dando espaço a um cheio de segundas intenções. – Certo, doutora, posso lhe contar sobre as minhas fantasias sexuais?
Apenas balancei a cabeça afirmativamente, permanecendo em silêncio e me preparando para fazer as anotações. Minha mão chegava a coçar para que eu escrevesse sobre .
- Eu não me considero um cara de muitas fantasias, mas posso te afirmar com toda a certeza que uma delas é transar nessa janela com essa vista maravilhosa. – ele apontou para a janela e eu arregalei um pouco meus olhos.
- Na... Na minha janela? – perguntei um tanto perplexa e ele apenas assentiu como se fosse a coisa mais natural do mundo a se falar.
- Seria interessante. – voltou a fechar seus olhos.
Pisquei algumas vezes enquanto observava sua expressão relaxada e voltei minha atenção ao bloquinho, anotando um “sexo na janela”.
- Continue, . – pedi calmamente.
- Sexo no parque de diversões, sexo na varanda de um quarto de hotel, sexo na chuva e acho que por último, sexo à noite em um jardim para que eu pudesse contemplar as estrelas junto a pessoa que estivesse comigo.
- Wow, acho que isso foi o mais perto de romântico que você conseguiu chegar até agora. – deixei escapar e riu fraco.
- Concordo. Na maioria das vezes, eu não tenho pensamentos muito românticos, tenho que admitir. – confessou e eu anotei “Pensamentos românticos quase ausentes”.
- E por que sexo em tantos lugares públicos? Você tem algum tipo de sentimento de aventura com isso? – perguntei curiosa.
- Posso dizer que sim. A mistura das sensações do sexo com a adrenalina ou a tensão de ser pego é gratificante. – ele me olhou de relance – Você devia tentar. Acho que ia gostar.
Minhas bochechas esquentaram e eu fiquei séria. – ! Eu sou sua psicóloga! Não se pode falar assim com uma psicóloga.
- Oh, desculpe-me, então. – sorriu maroto, virando o rosto e voltando a fechar os olhos.
- Continue. – pedi.
- Hm, acho que fantasias são só essas. Posso te contar agora sobre minhas vontades?
- É claro que sim. – assenti.
Arrependi-me amargamente no momento em que ele abriu a boca e disse:
- Eu queria ver uma mulher em especial tomando banho. Observá-la nos mínimos detalhes, cada curva de seu corpo, seu cabelo molhado...
Um sentimento que eu identifiquei como ciúme bateu à minha porta. Por um momento, eu quis jogar o bloquinho em sua cara e sair dali. Quis ir para qualquer lugar que fosse longe dele e de seus pensamentos inapropriados com outra mulher; mas eu apenas forcei um sorriso e continuei:
- Ah, sério?
- Sim. – sorriu de canto ainda de olhos fechados e parecendo imaginar a cena que ele queria tanto contemplar.
Apertei a caneta com força e a pressionei contra o papel, quase provocando um furo no mesmo. Continuei a forçar o sorriso com minha mente me incomodando e perguntando o porquê de eu estar tão sentida com aquilo. Por que, afinal, eu estava sentindo ciúmes dele? Eu não gosto de . Nunca vou gostar de alguém tão diferente de mim. Meu completo oposto.
- Os lábios dela são tão macios, tão... bons de serem beijados. – fiz um bico de raiva, mas me recompus, voltando a sorrir. Apenas assenti em silêncio, esperando que ele continuasse, e assim ele o fez. – E o cabelo dela é tão cheiroso. Eu tive a oportunidade de sentir o cheiro enquanto dormíamos juntos e nossa... Acho que se tornou um dos meus perfumes favoritos.
Naquele momento, eu quis pedir para que ele parasse de falar; parasse de dizer coisas que eu não queria ouvir; que eu não queria aceitar. Essa mulher deve ser muito bonita e atraente para ele a elogiá-la tanto. Admito que senti um pingo de inveja também, mas quem nunca sentiu em relação à outra mulher, não é mesmo?
- E aquela bunda que eu tive a oportunidade de tocar... Só de lembra,r a excitação cresce dentro de mim.
Com um sorriso no rosto, eu me corroía por dentro. Ele só podia estar falando da Olivia. Se não, era muito cafajeste mesmo por pensar assim em relação a tantas mulheres. Quando eu falei que ele ficava com qualquer uma, eu estava certa, mesmo ele tentando negar.
- E aqueles seios... – suspirou e eu bufei fraco – Podem ser pequenos, mas são tão instigantes... Tão... – não aguentei e o interrompi.
- Acho que já está bom, não é, ? – forcei um tom simpático.
- Não, me deixe terminar. – ele pediu e eu franzi a testa ao vê-lo um tanto aéreo. Ele parecia estar em outro lugar com seus olhos ainda fechados.
Com certeza estava se imaginando com ela.
- Seria tão bom transar com ela em todas as posições e lugares possíveis. Nessa janela, nesse sofá... – começou a citar os lugares e eu fiz careta de nojo.
O quê?! Ele quer transar com outra em minha casa?! Não é possível!
- Já chega, ! – não me aguentei – Pare com essas insanidades!
riu, saindo de seus devaneios e me lançou um olhar sugestivo.
- O que foi, ? Por que está tão incomodada? – perguntou sorridente.
Eu queria arrancar aqueles dentes para que ele parasse de ser tão canalha.
- Não estou incomodada. – afirmei com a voz séria. – Só acho que podemos falar sobre outra coisa. me encarou por alguns segundos. – E sobre o que seria?
“Sexo, sexo, sexo”. Foi isso que acabei anotando no bloquinho. Afinal, era só nisso que ele pensava mesmo.
- Sabe, doutora, você ainda não me falou sobre suas fantasias e fetiches. – puxou o assunto do nada e eu bufei, revirando os olhos.
- Lá vem você de novo. Já te falei que não tenho nada disso.
- E eu já te falei que todo mundo tem alguma. É impossível você não ter. Pelo que eu sei, você não é anormal.
- , por favor, eu estou tentando manter o meu lado profissional e quero muito que você me ajude. – encarei-o nos olhos e o mesmo apenas assentiu, ficando calado. – Certo. Pelo que eu pude reparar, você gosta mesmo de... ter relações sexuais. – disse um pouco constrangida e ele riu nasalado. – Então, para te ajudar, eu vou começar a agir de uma maneira que te repele ao invés de te atrair. O que acha de eu me vestir de menino? – propus rindo mentalmente de minha ideia.
- Menino?! – ele riu alto – Essa ideia é pior do que a outra!
- Pode funcionar! Se você pensar em mim como um menino, é claro.
- Com cabelo comprido e peitos? Vou sim pensar em você como um menino. – disse irônico, dando uma revirada de olhos em seguida. – E além do mais, eu teria que te emprestar minhas roupas e isso não é uma boa ideia. Sou um tanto egoísta com meus pertences.
Rolei os olhos. – Você só está querendo complicar ainda mais para o meu lado. Está de má vontade.
- É claro que eu estou de má vontade. Acha que eu queria estar aqui sendo analisado por alguém que acha que eu sou anormal? – disse sério, sentando-se no sofá.
- Vou me vestir de maneira desleixada, então. – ignorei totalmente sua pergunta e ele bufou, levantando-se. – Acho que isso pode funcionar. Espera aqui!
Corri até meu quarto e abri meu armário, procurando minhas antigas roupas. Sorri ao pegar uma calça de moletom e uma blusa larga de mangas longas que chegavam a cobrir minhas mãos. Lembro-me de que essa roupa era ótima para dormir já que era bem confortável. Vesti a roupa e pus meias, logo me aproximando do espelho e pegando um prendedor de cabelo. Prendi-o em um rabo de cavalo alto e arrumei meus óculos. Sorri ainda mais ao me ver novamente no espelho, a antiga ; a que eu realmente era e sentia tanta falta.
Em passos lentos, voltei à sala e vi de costas.
- E agora? O que acha de mim? – perguntei entrelaçando minhas mãos por trás de meu corpo.
se virou e me fitou de cima a baixo. Um pequeno sorriso elevou o canto de seus lábios e ele se aproximou um pouco, ficando a alguns passos de distância de mim.
- Droga, ! Desse jeito é que você vai me deixar louco de uma vez por todas.
Olhei-o confusa.
- Mas... Eu mudei a... – ele me interrompeu.
- Você ainda não percebeu, não é? – neguei – É exatamente desse jeito que você me atrai. Esse seu jeito de menina e a maneira como se veste sem ligar para a opinião de ninguém é que me deixa fascinado por você.
se afastou, desviando seu olhar de mim e passou ao meu lado, indo em direção ao corredor. Segui-o com o olhar até ele repentinamente parar e dizer: - A propósito, para sanar a sua curiosidade e você não ficar pensando que eu sou um cafajeste sem sentimentos, era sobre você que eu estava falando durante a sessão.
Ele se virou e voltou a andar, deixando-me boquiaberta com suas palavras.


Capítulo 19 – Momento Erótico

(n/a: Não estranhem o fato de a personagem principal ser chamada de doutora, mesmo sem ter feito doutorado. A questão é; como ela está estagiando e é uma forma de treinamento para o futuro, isso é levado muito a sério, contando também com o fato de que a personagem fará doutorado futuramente. Na segunda parte da fanfic, há um capítulo em que os personagens explicarão direitinho essa situação para vocês).

Na segunda-feira de manhã, fui à faculdade e almocei ali por perto na companhia de e . Enquanto comíamos, conversávamos sobre o feriado. Contei a eles sobre minha rápida volta à minha cidade natal e como eu estava extremamente feliz por ter ficado com a minha família nem que tivesse sido por apenas alguns dias. Engoli o pedaço de peito de frango que eu já mastigava há alguns segundos e perguntei:
- E como foi o feriado de vocês?
Os dois se entreolharam e sorriram.
- Foi tudo ótimo. Você sabe que a minha família adora o . – respondeu com o sorriso ainda nos lábios. – Minha mãe até queria que ficássemos por mais tempo, mas com a questão da faculdade, sabemos que não seria possível.
- A senhora Moore ainda quer que eu passe o Dia de Ação de Graças com eles. – completou, levando uma garfada de sua comida à boca em seguida.
- Vocês têm sorte dos pais de aceitarem o seu namoro. Imagino como meu pai vai reagir quando eu começar a namorar algum dia. – ri fraco, logo tomando um gole de meu suco de morango. – Vocês tinham que ver o jeito que ele ficou apenas com a presença de . Ele sabia que éramos somente amigos, mas o seu ciúme era perceptível a quilômetros de distância.
riu, balançando a cabeça.
- Ah é, conte-nos mais sobre ... Ele se comportou bem na companhia de seus familiares? – ela perguntou e eu a olhei, suspirando.
- Digamos que sim. Ele foi super simpático e gentil, mas somente na presença deles. Fora isso, ele continuou a ser o de sempre. O mesmo chato, irritante e provocador.
riu.
- Mas é o jeito dele, . Dê um desconto para o cara. – ele disse e eu bufei. – Quando e eu nos conhecemos, também não fomos muito com a cara um do outro. Depois que eu a convidei para o baile de formatura... Dou uma pausa aqui para deixar claro que eu demorei meses até convidá-la, porque você sabe, né... Esse jeito durão dela meio que afastava qualquer cara. Os meninos chegavam a ter medo de chegar perto dela. – recebeu um tapa de e eu ri.
- Mentiroso! Praticamente todos os meninos daquela escola ficavam de joelhos aos meus pés. – jogou seus cabelos e sorriu, abraçando-a e dando um beijo em sua testa.
- Isso é verdade, mas quem ganhou a competição fui eu. – se gabou com convencimento.
- Então eu era uma espécie de prêmio a ser disputado? – ela arqueou a sobrancelha para ele e eu fiz uma expressão de “Se deu mal” e abaixei minha cabeça, segurando o riso.
- Claro que não, amor! – se defendeu com um certo desespero no olhar. – Você nunca foi e nunca será um prêmio a ser disputado. Eu só me orgulho de ter conseguido ficar com você em meio a tantos homens praticamente se jogando aos seus pés. Você é o meu bem maior, baby. – se derreteu com suas palavras, fazendo uma expressão um tanto abobalhada.
aproveitou a deixa e sorriu, selando seus lábios. Com um dos olhos abertos, ele piscou em minha direção e eu neguei com a cabeça, sorrindo. Pelo visto, ele conseguiu amansar a fera chamada . Era com discursos como esse, que conseguia deixá-la na palma de sua mão. podia se fazer de brava e tudo mais, mas sempre cedia a quando ele vinha todo romântico e carinhoso para cima dela; e eu não podia deixar de achar graça disso tudo.
- Continuando... Depois que eu a convidei para o baile de formatura, foi aí que tomei coragem de pedi-la em namoro e para minha sorte, ela aceitou. E hoje estamos aqui, felizes como nunca em nossas vidas. – completou e assentiu, abraçando-o de lado.
- Foi nesse baile que o seu vestido estava rasgado, amiga? – perguntei e ela assentiu com as bochechas coradas, soltando uma risada.
- Acho que nunca passei tanta vergonha na minha vida. teve que ir atrás de mim em todos os lugares que eu ia para que ninguém visse o enorme rasgo.
Ri fraco e continuei a comer.
- E como vai com ? Quando vocês vão sair de novo? – perguntou .
- Ainda não sei. Ele me ligou no feriado dizendo que ia pensar em algo para o nosso próximo encontro. – sorri de canto.
- Hm... Interessante. – sorriu maliciosa e lancei um guardanapo em sua direção, fazendo-a rir. – Por favor, não vá dar mancada. Você tem que fisgar esse cara. Mesmo eu ainda o achando um babaca, ele é um bom partido.
- O não é um babaca. – disse um tanto incomodada.
- Será que eu posso me meter? – perguntou e eu assenti. – Sim, , ele é um babaca. E eu digo isso porque somos do mesmo time de basquete, então acredite, eu sei do que estou falando. Eu vejo o jeito que ele trata as mulheres e mesmo sendo homem, eu não concordo nem um pouco com o que ele faz. Ultimamente fiquei sabendo que ele tem até uma lista de mulheres que ele já pegou. faz uma espécie de... aposta – engoli em seco ao ouvir aquela palavra – com os amigos e quando ganha, porque querendo ou não, ele sempre ganha... Ele coloca o nome da sua “vítima” na lista, deixando claro que ele nunca mais vai ficar com a mulher de novo.
Admito que suas palavras mexeram um pouco com o meu interior. Será mesmo verdade? E se for verdade, teria coragem de fazer isso comigo? Não, ele jamais faria isso. Não comigo.
- Ele não seria capaz de fazer isso... Ainda mais comigo. – afirmei tentando passar confiança através de minha voz um pouco vacilante. – E isso está parecendo muito com colegial. Qual é? Estamos na faculdade! Seria muita falta de maturidade se um homem como ele fizesse esse tipo de coisa nos dias de hoje.
balançou a cabeça afirmativamente. – A tem razão. Seria muita falta do que fazer da parte de . – colocou um pouco da comida na boca, mastigando lentamente enquanto ainda falava. – E além do mais, não tem por que ele fazer isso com a . Não é por ser minha melhor amiga, mas ela é uma pessoa muito boa, reservada e quieta para ser vítima de alguma aposta idiota. Qualquer homem que fizer isso com ela, será um tremendo babaca que merece levar uma surra e parar no hospital.
Sorri agradecida por suas palavras e retribuiu o sorriso, segurando minha mão por cima da mesa. Continuamos a comer enquanto conversávamos sobre assuntos aleatórios. Ao fim do almoço, nos despedimos e eu fui direto para o hospital onde começaria meu estágio. e estagiariam na parte da noite, logo depois de mim, o que me deixou um tanto desapontada já que teria que passar a tarde toda praticamente afastada dos meus amigos. Chegando ao hospital, paguei a corrida ao taxista e saí. Respirei fundo ao observar o grande hospital por fora e arrumei minha bolsa no ombro. Em passos um tanto lentos, comecei a me aproximar da porta de entrada. Abri a grande porta de vidro e sorri fraco ao entrar e ver os funcionários espalhados pelo local; algumas enfermeiras quase corriam de um lado a outro enquanto empurravam pacientes deitados em macas e alguns médicos também se apressavam para começar alguma cirurgia de emergência. Aquele era exatamente o lugar onde eu sempre quis estar ajudando as pessoas.
Andei até o balcão onde havia uma moça com um aparelho no ouvido.
- Com licença. – falei chamando sua atenção.
Ela fez um sinal com a mão para que eu esperasse e assim o fiz. Ao final da ligação, ela tirou o aparelho do ouvido e sorriu simpática.
- Desculpe, eu estava marcando uma consulta de emergência. O que gostaria?
- Eu sou estudante da NYU e estou aqui para o meu primeiro dia de estágio. – disse arrumando minha bolsa.
- Oh, claro. – ela voltou seus olhos para o computador a sua frente. – Fomos avisadas do início dos estágios. Qual é o seu nome, por favor?
- Wright. – respondi.
- O curso?
- Psicologia.
A mocinha assentiu e em seguida, imprimiu um papel, logo me entregando.
- Aqui está a sua ficha. Dirija-se ao segundo andar. A recepcionista da ala de psicologia irá lhe informar a sua sala. – ela disse com seu tom ainda simpático. Sorri ao ouvi-la dizer “a sua sala” e já senti a ansiedade e emoção correndo por minhas veias. Eu teria uma sala mesmo? Wow!
- Obrigada... – fiz menção para que ela dissesse seu nome.
- Martha. – respondeu.
- Obrigada mais uma vez, Martha. – sorri.
Fui até o elevador e apertei o botão. Esperei o mesmo e assim que chegou, eu adentrei e apertei o botão do segundo andar. Respirei fundo e olhei meu reflexo no espelho que ali havia. Passei as mãos no meu cabelo amarrado em um coque e ajeitei meus óculos, perguntando-me internamente se eu estava apresentável o suficiente. Dei uma última lufada de ar quando a porta do elevador se abriu e eu saí. Olhei em volta admirando a recepção e sentindo um cheirinho de lavanda. O chão estava impecavelmente limpo e sobre o balcão, havia um jarro de orquídeas que quase na mesma hora me chamaram a atenção. Eu amava flores e sorri somente com aquela visão das mesmas tão bem cuidadas, decorando aquele ambiente e dando certa cor ao branco.
Por trás das flores, vi um rosto que me observava. A moça loira de cabelos presos em um rabo de cavalo e óculos quadrados, franziu a testa para mim, provavelmente estranhando a minha presença. Pigarreei e me aproximei, ficando à sua frente.
- Ahn, hm... Olá. – comecei um tanto tímida. – A Martha me mandou vir aqui para que você me mostrasse a minha sala. Sou a nova estagiária de psicologia.
A moça me analisou por um instante e estendeu a mão ao ver a ficha comigo. Entreguei o papel a ela, que rapidamente leu tudo que ali estava escrito e balançou levemente a cabeça em afirmação.
- Certo. – ela olhou meu corpo. – Primeiramente, você terá que trocar de roupa. As roupas aqui são totalmente brancas e na sua sala terá um jaleco com o seu nome.
Assenti em silêncio, tentando acompanhar a sua maneira rápida de falar.
- A sua sala é aquela terceira porta à esquerda. O seu horário de atendimento é das três às sete. Você terá cinquenta minutos por consulta. Acho que esses minutos são suficientes para a senhorita ouvir o que seus pacientes têm a dizer e aconselhá-los, certo?
- Certo. – respondi com convicção.
- O seu horário de parada para o café é por volta das cinco horas. É meia hora de parada e ao final, a senhorita terá que estar devidamente em sua sala para atender ao próximo paciente. – assenti novamente, afinal, eu não tinha outra opção a não ser aceitar tudo que ela me dizia. Posso afirmar que a moça já sabia de todas as informações de cor e salteado, tanto que ela quase nem respirava enquanto falava e parecia um robô.
- Alguma pergunta, senhorita Wright? – perguntou.
- Não. – neguei rapidamente. – Entendi tudo.
- Desculpe-me ser um tanto rígida, mas são regras do hospital. Temos que obedecê-las, certo? – ela sorriu constrangida e por um momento, eu pude sentir um ser humano falando comigo e não uma máquina. Apenas assenti e ela continuou: - Posso chamá-la de doutora?
- É claro. – sorri animada. – Eu ia adorar.
Ela riu fraco e assentiu.
- Certo, doutora Wright, seja bem-vinda. Imagino que você trouxe as roupas adequadas, certo?
- Sim. Estão em minha bolsa.
- Ótimo. Pode se trocar na sua sala ou se preferir, há um banheiro no fim do corredor.
- Obrigada.
- Meu nome é Noemi. – apresentou-se e eu sorri.
- Prazer em conhecê-la, Noemi.
Ela sorriu simpática e eu deixei minha ficha com ela. Comecei a andar pelo corredor totalmente branco assim como as paredes e quase toda a decoração e andei até a terceira porta à esquerda, que seria minha sala. Pus a mão na maçaneta e abri a porta. Um ventinho frio me fez arrepiar levemente ao mesmo tempo em que eu sorria feito uma boba adentrando a sala. Fechei a porta e me aproximei da mesa de vidro com papéis empilhados, potes de canetas e lápis e pranchetas. Olhei para a direita e vi um divã de couro de cor bege próximo à parede, mas ainda a uma certa distância da mesma.
A prateleira recheada de livros ao lado da mesa chamou minha atenção e eu me aproximei dela. Coloquei a bolsa sobre a cadeira que me parecia muito confortável e peguei um dos livros. Os livros obviamente eram de assuntos relacionados à psicologia; alguns explicavam sobre o funcionamento do cérebro, do sistema nervoso, da psicanálise; outros falavam sobre as emoções e o comportamento humano; e alguns traziam citações de filósofos famosos como Sigmund Freud, Allen Neuringer, William James entre outros. Folhei um dos livros e logo o pus em seu devido lugar, não querendo fazer bagunça no meu primeiro dia de trabalho.
Dei uma pequena volta pela sala vendo que havia um banheirinho em um dos cantos da parede. Até o vaso sanitário e a pia eram extremamente limpos que quase chegavam a brilhar. Meus olhos brilharam quando eu voltei à sala e vi o meu nome na plaqueta acrílica em cima da mesa. As letras eram de uma cor dourada e formavam as palavras: Dra. Wright. Sorri e só não dei pulinhos de alegria pois quase no mesmo instante, meus olhos foram parar no jaleco pendurado ao lado de minha cadeira. Senti meus olhos lacrimejarem um pouco quando tomei o jaleco em mãos e vi meu sobrenome perfeitamente costurado em um rosinha claro.
Enxuguei os resquícios de lágrimas por finalmente meu sonho estar sendo realizado e peguei minha bolsa, tirando minhas roupas de dentro da mesma. Troquei-me em poucos segundos, colocando minha regata e calça brancas. Vesti o meu jaleco e passei minhas mãos por meus cabelos novamente, arrumando qualquer fio fora do lugar. Coloquei minhas roupas antes usadas dentro da bolsa e a pus no cantinho da sala. Uma batida à porta chamou minha atenção e eu murmurei um “Entre”. A porta se abriu lentamente, dando-me a visão de minha mais nova colega Noemi e retribuí o seu sorriso.
- Com licença, doutora. – ela se aproximou de mim e pôs um papel sobre a mesa. – Aqui está a ficha do seu primeiro paciente. Ele se chama Leonard e é um adolescente de dezessete anos. Essa será sua primeira consulta e há boatos de que ele é um tanto... rebelde. Acho que a doutora precisará de muita paciência com ele.
Ri fraco. – É claro que sim. Podemos dar um jeito nesse adolescente rebelde.
- Ótimo. Vejo que já está preparada para o seu primeiro dia. – ela falou me analisando por alguns instantes.
- Preparadíssima. – afirmei, apoiando meus antebraços na mesa logo depois de me sentar.
- O diretor do hospital gostaria de falar com você depois do seu expediente. Provavelmente ele lhe dará as boas-vindas.
- Certo.
- Vou chamar o seu paciente. – falou e eu assenti.
Noemi saiu da sala e eu peguei a ficha, analisando o menino. Na foto, Leonard Hale tinha olhos e cabelos pretos e parecia ter uma postura bem agressiva. Ao ler o que estava escrito sobre ele, pude ter a plena certeza de que ele era agressivo. Foi pego pichando muros na escola, fumando maconha no jardim do ambiente escolar e ainda foi acusado de bater em um colega. Fora as tachinhas que ele colocou na cadeira do professor e o seu temperamento forte e explosivo. Minha leitura foi interrompida com outra batida à porta. A mesma foi aberta e eu tive a visão do garoto: blusa preta de uma banda de rock, acompanhada de calças pretas e justas, botas e uma jaqueta de couro também preta. É, digamos que ele é bem... excêntrico. Seu cabelo escuro estava bagunçado e sua franja quase lhe caía nos olhos.
Ele se aproximou em passos pesados por conta de sua bota e por trás dele, pude ver Noemi sibilar um “Boa sorte” para mim. Ela fechou a porta e me deixou a sós com o menino. O mesmo praticamente se jogou na poltrona à minha frente e ficou com aquela postura largada enquanto me encarava com seus olhos escuros e fundos. Sua expressão era de tédio e ele fazia questão de deixar claro que não concordava nem um pouco em estar ali.
Pigarreei e ajeitei meus óculos.
- Boa tarde, Leonard. Eu sou a sua nova psicóloga. Meu nome é , mas se isso for te deixar mais confortável, pode me chamar de . Não precisa existir formalidade entre nós, certo? – esperei que ele respondesse, mas continuou calado, me fitando seriamente. – Hm, okay...
Admito que fiquei sem graça com sua falta de resposta, mas continuei a adotar minha postura profissional.
- O que te trouxe até aqui, Leonard? – perguntei – Pode se abrir comigo.
- Minha mãe. – ele respondeu com sua voz rouca. – Ela me obrigou a vir aqui.
- Mas há algum motivo para tal ato? – eu queria que ele mesmo me contasse sobre suas atitudes erradas que o levaram a estar em um psicólogo. – O que se passa com você? Está revoltado com algo ou até chateado?
Ele suspirou e revirou os olhos. – Olha, acho que está bem claro que eu não gosto nem um pouco de estar aqui. Qualquer idiota nota o meu desconforto. Então, por que a doutora não para de fingir que se importa comigo já que está sendo paga para isso e anota qualquer coisa aí nessa porra de bloquinho para eu dar o fora daqui logo? – engoli em seco com seu jeito rude. – Estou começando a sentir falta do meu baseado. – suas últimas palavras foram ditas quase em sussurro e eu estreitei meus olhos.
- Pode me dizer o porquê sente falta? – perguntei.
- Minha mãe escondeu minha maconha. – rolou os olhos – A coroa acha que pode me ajudar fazendo essas merdas. Mal sabe ela que isso me deixa ainda mais irado. Ela não percebe que estou sofrendo de abstinência?!
Wow, parece que chegamos a um ponto aqui. Então, por conta da abstinência, ele está agindo de forma agressiva, batendo em seus colegas.
- Primeiramente, antes de dizer qualquer coisa, eu preciso saber se você quer que eu te ajude, Leonard. Eu posso ser uma espécie de amiga para você desabafar. Eu não vou te julgar. Só quero te ajudar. – disse tranquilamente e esperei alguns instantes por sua resposta.
- Não. – o menino disse seriamente com sua voz rouca e firme.
Bufei fraco.
Parece que tenho um grande problema em forma de adolescente aqui.

’s POV
- Ela falou isso mesmo?! – Ryan gargalhou quando lhe contei sobre as ideias malucas de . – Cara, essa sua colega de apartamento não bate bem das ideias.
- Eu sei. Ela é toda certinha e chega até a pensar que eu sou louco só por sentir tesão por ela. – balancei minha cabeça.
Aumentei a velocidade da esteira e comecei a correr. Finalmente eu tinha achado uma academia para malhar todos os dias assim como eu fazia no Canadá. E o melhor era que ficava a poucos minutos do apartamento, então tudo ficaria bem mais fácil para mim. Ryan corria na esteira ao meu lado.
- A Olivia não vai gostar nem um pouco disso. – disse ele.
- E quem disse que ela precisa saber? – dei de ombros. O suor escorreu por minha testa e eu peguei a toalha, enxugando. – Eu tenho a minha vida, assim como ela tem a dela. E quem me garante que ela também não fica olhando e admirando outros caras quando eu não estou por perto?
Ryan balançou a cabeça negativamente. – Isso é errado. E eu sei muito bem que ela não olha para outros caras, bro. A Olivia é cem por cento fissurada em você. Às vezes, acho que ela está sendo bem otária em ainda ficar contigo enquanto muitos outros caras estão interessados nela.
Muitos outros caras? Franzi a testa e o encarei.
- Está sabendo de algo que eu não sei, Butler?
Ele deu de ombros e fez uma careta de desentendido, típico de quando escondia algo. Somos amigos desde pirralhos e eu sei muito bem quando ele está escondendo ou mentindo sobre alguma coisa, como agora.
Ficou em silêncio e eu bufei, diminuindo a velocidade da esteira até pará-la.
- Butler... – engrossei a voz.
- Okay, talvez eu saiba sobre algo...
Fui até a frente da esteira a qual ele usava e fiquei o fitando com os braços cruzados. Pelo menos desse jeito, ele não desviaria o seu olhar e me falaria logo o que está acontecendo.
- Fala logo!
Ele suspirou e me fitou sério.
- O Turner está interessado na Olivia.
Franzi o cenho.
- Turner? Scott Turner? – perguntei e ele assentiu. Fechei minhas mãos em punho, sentindo o ciúme queimar por dentro de mim. – E por que aquele otário está interessado na minha namorada?
- Eu não sei, bro. – deu de ombros, parando a esteira. – Pergunta para ele.
Seu tom brincalhão me fez bufar. – Não tem graça, Butler. Homem nenhum tem que ficar a fim da minha namorada!
- Como você mesmo disse, ela é sua namorada. Então desencana, cara. – enxugou sua testa com a toalha e eu rolei os olhos.
Peguei minha toalha e a joguei sobre o ombro, andando em direção aos pesos. Comecei leve, pegando apenas dois pesos de vinte e colocando um de cada lado, já que eu estava há um bom tempo sem treinar. Deitei-me e Ryan ficou ao meu lado observando e esperando que eu terminasse para que fosse sua vez.
- Põe mais dois aqui, por favor. – pedi e ele colocou mais pesos.
Levantei os pesos fazendo uma série de dez. Respirei fundo e voltei à série, fazendo mais dez.
- Hey, cara. Acho que aquela gatinha ali está te olhando. – Butler disse assim que coloquei a barra no lugar. Sentei-me e olhei em volta, tendo a visão de uma morena gostosa me olhando. Levantei um dos cantos dos meus lábios em um sorriso maroto e ela sorriu tímida, virando de costas e me dando a visão de sua bunda. Mordi o lábio inferior e balancei a cabeça negativamente, voltando minha atenção aos treinos.
- Ela não para de te secar. – ele falou e eu ri fraco.
- Quantos anos ela deve ter? Dezoito? – dei de ombros.
- Não sei, mas é bonita. – concordei com seu pensamento.
- Muito bonita. Viu aquela bunda? – perguntei e ele assentiu, arrancando um riso malicioso meu.
- E ela está te encarando de novo... – comentou.
- Deixe-a. Vamos continuar, pois tenho muita energia para gastar. Estava sentindo falta disso.
Ryan assentiu e voltou a contar as séries que eu fazia. Quando era sua vez, eu me levantei e ele se sentou. Arrumei os pesos e ele começou a treinar enquanto eu contava.
- Vou ao banheiro. Já volto. – avisei.
- Beleza.
Fui até o banheiro e joguei uma água no meu rosto levemente vermelho e suado pelo esforço. Passei a mão pelo cabelo, bagunçando-o um pouco. No mesmo instante, meu celular vibrou dentro do bolso de minha bermuda. Peguei o mesmo e sorri ao ver uma mensagem de Olivia.
“Oi, amor. Espero que esteja bem. Estou atolada de trabalho aqui em casa, haha. Eu estava pensando se posso passar no seu apartamento hoje à noite. Eu queria ficar um pouquinho com você.”
Sorri ainda mais e digitei rapidamente a resposta.
“É claro que pode, amor. Eu vou adorar a sua companhia. Vejo você à noite.”
Coloquei o celular de volta no bolso e saí do banheiro. Senti um esbarrão em meu braço e logo uns respingos de água na minha canela. Olhei para o lado e vi a morena de alguns minutos atrás. Ela sorriu, lançando-me um olhar sugestivo, e eu soube naquele momento que aquele esbarrão não foi acidental.
Agachei-me e peguei sua garrafinha d’água. Estendi em sua direção e ela fez questão de encostar sua mão à minha antes de pegá-la. Ri mentalmente com sua iniciativa, já sabendo que daqui alguns segundos ela ia dar em cima de mim na cara dura.
- Obrigada. – a ouvi dizer. Sua voz era tão aguda que mais pareceu um gato miando e posso afirmar que qualquer tesão que eu poderia sentir, desceu pelo ralo naquele momento.
- De nada. – respondi breve. Fiz um aceno com a cabeça e ia começar a andar se ela não tivesse segurado meu braço.
- Espera... Será que eu posso saber qual é o seu nome?
- . – respondi. Sua voz causou um zumbido em meu ouvido que eu só não o tampei por educação.
- Eu sou Brenda. – ela sorriu.
Até que seu sorriso era bonito. Seus lábios chamaram a minha atenção por alguns segundos até eu descer mais os meus olhos e encarar seus seios cobertos pela regata de tecido fino. Eles eram apertados pelo sutiã rosa que ela usava e quase saltavam para fora da regata. Lambi os lábios e se não fosse sua voz irritante falando comigo, eu teria passado um bom tempo os admirando.
- Eu tenho que ir agora. – interrompi qualquer coisa que ela estava falando e que para mim não tinha importância nenhuma. – Preciso continuar com meus treinos. – sorri simpático.
- Ah, claro. – percebi que ela forçou um sorriso, parecendo não gostar muito de minhas palavras. – Obrigada mais uma vez por pegar minha garrafinha.
- Não há de quê.
Sorri fraco antes de me afastar e ir em direção a Ryan que terminava seu treino, colocando a barra em seu devido lugar.
- Cara, que voz irritante que aquela menina tem. Sério, você não aguentaria conversar com ela por um minuto sequer. – disse e ele riu.
- Se o pegador está dizendo isso, é porque é verdade. Nem vou discutir. – ele disse e eu sorri, concordando.
- Que bom que sabe que eu sou o pegador aqui.
Ryan me deu um soco no braço e eu revidei. Só não virou brincadeira de luta, pois aquilo era uma academia e não um ringue, porque se fosse, ele teria perdido na certa. Ficamos treinando por praticamente a tarde toda e depois fomos ao Starbucks. Comprei um café comum e entramos no meu carro. Dei uma carona para Ryan até seu apartamento e assim que cheguei ao meu prédio, entrei com o carro na garagem. Saí do carro e andei até o elevador. Quando cheguei ao andar do apartamento, peguei a chave dentro do meu bolso e abri a porta.
Já eram sete e meia e eu estava exausto. Depois de tanto exercício, meu corpo implorava por um banho e cama. Tranquei a porta da sala já que tinha a chave e fui até meu quarto. Tirei minha camisa suada e a joguei de qualquer jeito na cama. Tirei meus tênis e fiquei só de meia e bermuda. Saí do quarto e fui em direção ao banheiro, mas parei no meio do caminho, estranhando o som do chuveiro sendo ligado. A já tinha chegado? Ela havia passado praticamente o dia todo fora por conta de seu estágio e nem tinha almoçado em casa. Logo depois do meu trabalho, eu passei em casa para almoçar e li o seu bilhete dizendo que ela chegaria só à noite e foi assim que eu decidi ir à academia, já que não queria ficar sozinho em casa.
Eu pensei que ela chegaria mais tarde, mas pelo visto, eu estava errado.
Uma corrente elétrica foi ativada em meu corpo pelo simples fato de saber que ela estava a alguns passos de distância de mim, e ainda tomando banho. Suspirei e balancei a cabeça, passando as mãos em meus cabelos de um modo agoniado, sentindo aquele negócio que eu tenho a infelicidade de chamar de desejo fluindo por minhas veias, esquentando meu sangue. Encostei-me à parede e respirei fundo, tentando controlar minha respiração um pouco entrecortada provocada pelo meu sistema nervoso. O pensamento de como poderia ser o seu corpo totalmente nu invadiu minha mente e eu bufei impaciente comigo mesmo.
Fechei meus olhos por um momento, mas logo os abri ao sentir o já tão esperado volume crescer entre minhas pernas. Minhas partes baixas começaram a esquentar e o meu sangue começou a bombear principalmente naquela região. A porta do banheiro estava entreaberta. Com certeza, ela também não esperava que eu estivesse em casa a essa hora. Pela fresta da porta, eu pude ouvir sua voz começar a cantar repentinamente. Sua voz suave adentrando meus ouvidos me fez fechar os olhos e morder o lábio inferior, imaginando a mesma voz sussurrando meu nome em momentos de intenso prazer.

I could lose my heart tonight
(Eu poderia perder meu coração essa noite)
If you don't turn and walk away
(Se você não se virar e for embora)
'Cause the way I feel
(Pois do jeito que eu me sinto)
I might lose control and let you stay
(Eu poderia perder o controle e te deixar ficar)
'Cause I could take you in my arms
(Pois eu poderia te pegar nos braços)
And never let go
(E nunca deixar ir)


Sem conseguir controlar meus próprios movimentos, me aproximei da porta e a empurrei um pouco de forma lenta para que não percebesse. Coloquei minha cabeça para dentro e a vi de costas. O Box estava embaçado e a água estava tão quente que a mesma saia em forma de fumaça por cima do vidro. Engoli em seco e adentrei o banheiro em passos silenciosos. Fechei a porta e me encostei à parede. Meu corpo se arrepiou e meu coração acelerou tanto que eu quase podia jurar que conseguiria ouvi-lo bater a metros de distância. Fiquei estático e até um pouco sem reação – admito – ao avistar o corpo de ; o corpo que eu tanto queria contemplar.

I could only wonder how
(Eu poderia apenas imaginar)
Touching you would make me feel
(Como me sentiria ao te tocar)
But if I take that chance right now
(Mas se eu me arriscar agora)
Tomorrow will you want me still
(Amanhã você ainda irá me desejar)
So I should keep this to myself
(Então eu deveria guardar segredo)
And never let you know
(E nunca deixar você saber)


Ela se virou em minha direção, de olhos fechados. Levei minha mão ao meu cabelo e o puxei com um pouco de força ao ver o seu corpo nu a minha frente. Mordi meu lábio inferior e observei seu corpo de baixo à cima. Primeiramente, observei seus pés; os pés os quais eu já havia feito massagem e que tinham um formato tão perfeito que até eles me fascinavam. Subi mais o meu olhar e cheguei à sua canela, posteriormente às suas coxas. O formato de suas pernas acordou em mim o desejo de tocá-las e acariciar sua pele macia coberta pela espuma de sabão que escorria pelo seu corpo.

Tentando controlar minha respiração pesada, eu respirei fundo e engoli em seco, evitando fazer qualquer movimento que pudesse chamar a atenção de . Ela levou a esponja aos seus seios e no mesmo momento, meus olhos seguiram a mesma direção. Mordi meu lábio inferior com um pouco mais de força ao observar aqueles seios medianos que podiam até não excitar outros homens, mas que em mim, faziam o efeito contrário. Só de lembrar-me dos seus seios sendo envolvidos tão perfeitamente com as palmas das minhas mãos durante a viagem, a minha bermuda ficava ainda mais apertada. Fechei meus olhos por alguns segundos, logo os abrindo de uma maneira um tanto desesperada, não querendo perder nenhum detalhe daquela visão. Visão que aos poucos, ia levando consigo a minha sanidade e fazia os meus hormônios saltitarem ainda mais.
Sorri de canto ao ver passando a esponja por seu pescoço e ombros, descendo por seus seios e chegando à sua barriga. Até o formato de seu umbigo era perfeito e eu ri internamente por meu próprio pensamento, tendo a plena certeza de que eu estava de quatro por aquela mulher. Ela poderia fazer qualquer coisa comigo que eu não me importaria. A espuma escorrendo por seu corpo me fez suspirar e a excitação por entre minhas pernas aumentou. Fui obrigado a colocar a mão em cima de meu membro ainda por cima da bermuda, tentando me acalmar um pouco, o que obviamente não deu muito certo. A excitação foi tamanha que eu reprimi um gemido um tanto sôfrego.
voltou a cantar, mas para si mesma, então o que eu só conseguia entender eram os “Hmm” que pareciam perfeitas melodias para meus ouvidos. Ela sorriu fraco ainda com os olhos fechados e eu sorri de volta, mesmo sabendo que ela não notara minha presença. Agradeci mentalmente por isso. As pequenas curvas de sua cintura me chamaram a atenção e eu suspirei, ainda sentindo o sorriso bobo em meus lábios. Eu estava realizando um dos meus desejos e ao fundo, eu podia ouvir o coro de aleluia. Ela terminou de passar a esponja pelo corpo e entrou para debaixo da água. A água escorrendo por seu corpo e levando os resquícios de sabão me causaram uma excitação inexplicável. Eu nunca tinha sentido aquilo em toda a minha vida e realmente estava muito surpreso com o que aquela loirinha estava fazendo comigo.
Ela levou sua cabeça para debaixo da água e lavou seus cabelos, deixando a água límpida cair sobre seu rosto. Colocou um pé sobre o outro, fazendo um movimento com a perna que a meu ver, fora extremamente sexy; o típico movimento de uma garota tímida e que tem até vergonha de olhar em seus olhos quando está conversando. Era o tipo . Repentinamente, ela virou seu corpo em direção à prateleira e puxou uma gilete. Ri internamente ao lembrar-me do dia em que disse a ela que sua perna estava tão peluda que eu quase não a enxergava por baixo de tanto pelo.
agachou-se um pouco e pôs-se a depilar sua perna. Um simples movimento de depilação com o braço me pareceu tão erótico que eu mordi meus lábios, levando minha mão novamente ao meu membro, tentando inutilmente me controlar. Eu podia sentir a excitação desde meu dedo do pé até o último fio de cabelo, passando por minhas veias e deixando rastros de fogo. Meus hormônios estavam a ponto de explodir e se eu passasse mais alguns minutos a admirando, eu não iria aguentar; eu entraria naquele box e a tomaria inteiramente para mim. Arregalei um pouco os olhos ao vê-la subindo até sua intimidade.
Engoli a seco quando ela começou sua depilação naquela área que até aquele momento eu não havia tido uma visão completa. Caralho! Eu estava observando a mulher a qual é dona do meu maior desejo reprimido, se depilando a minha frente. Eu devo ter acordado com o pé direito hoje. Meus olhos ficaram cravados em sua intimidade branquinha e tão atraente para mim. Observei atentamente seus grandes lábios e me senti um ninfomaníaco por estar fazendo aquilo, mas eu não me importava. A excitação agora tomava totalmente meu corpo e minha mente e nem que eu quisesse, eu conseguiria sair daquele banheiro naquele instante.
Incontáveis minutos se passaram enquanto eu ainda a observava e fiquei admirado por não ter notado minha presença. Ela, com certeza, devia estar pensando em algo, ou estava tão distraída que nem se interessou em levantar a cabeça e olhar em volta. Coloquei as mãos nos bolsos de minha bermuda e encostei a cabeça à parede enquanto meus olhos vagavam livremente por seu corpo. Tive a mais perfeita e privilegiada visão de sua intimidade quando ela terminou seu “serviço”. Sua pele branquinha novamente me chamou a atenção, dessa vez sem nenhum obstáculo que me impedisse de admirá-la. Imaginei-me distribuindo beijos por aquela região e usando habilidosamente minha língua, levando minha colega de apartamento às alturas.
Em meio a tanta excitação, um resquício de sanidade beirou meu raciocínio e eu fui obrigado a ignorar o meu instinto sexual. Suspirei, dando uma rápida e breve olhada em todo seu corpo antes de abrir a porta lentamente, aproveitando que estava de costas. Saí do banheiro e fechei a porta novamente. Em passos lentos e sentindo meu membro pulsar intensamente dentro de minha cueca, eu comecei a andar pelo corredor, em direção à sala. A voz de me fez parar no meio do caminho e eu arregalei levemente meus olhos, esperando que ela não tivesse percebido o que fiz há segundos atrás.
- Tem alguém aí? – perguntou alto.
Engoli a saliva acumulada em minha boca e respondi:
- Sou eu, . Já cheguei!
- Ah, sim, . – respirei aliviado ao notar que ela não suspeitara de nada. – Você poderia fazer o jantar hoje?
Sorri de canto. – É claro!
Fui até a cozinha e apoiei minhas mãos no mármore gelado da bancada. Fechei meus olhos e respirei fundo, tentando acalmar meu coração que ainda pulsava rápido no peito. Passei a mão por minha testa que trazia consigo uma leve camada de suor por conta da tensão e olhei para o meu amigo de baixo que ainda estava bem animado.
- Acho que já podemos nos acalmar agora, amigo. Se ela te ver assim, eu estou encrencado. – sussurrei e soltei uma risada fraca em seguida.
A imagem de tomando banho é uma das que ficarão guardadas para sempre em minha memória. Disso eu tenho a plena certeza.


Capítulo 20 – Provocações

Wright’s POV
Saí do banheiro já vestida com minha blusa do Bob Esponja e calça de moletom. Meu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto e meus inseparáveis óculos – para mim sempre seriam inseparáveis – estavam em meu rosto. Aproximei-me em passos silenciosos, pelo fato de usar apenas meias, da cozinha e vi de costas, preparando o jantar. Uma coisa eu tinha que admitir: ele cozinhava muito bem; e sinceramente, eu sentia uma pontinha de inveja por um homem ter esse dote culinário e eu não. Sorri fraco ao ver suas costas desnudas e seus músculos movimentando-se minimamente quando ele mexia o braço, picando algum legume. Fiquei o encarando – lê-se admirando – enquanto ele parecia nem notar minha presença. O seu ar de compenetração me deixou encantada, admito.
levantou um pouco seu braço e enxugou uma fina camada de suor em sua testa com as costas da mão. Como eu estava num local onde dava para ver até os seus mínimos movimentos, observei também quando ele mordeu levemente o lábio inferior e sorriu de canto. No que será que ele está pensando para sorrir assim? Minha mente vagava e pensava nas inúmeras hipóteses do por que de estar sorrindo sozinho e aparentemente, feliz. Como tinha sido sua manhã no trabalho? O que ele havia feito o dia todo enquanto eu estava no hospital? Será que ele recebeu alguma notícia boa, ou até uma ligação de seus pais?
Meus pensamentos dos possíveis acontecimentos durante o dia de foram interrompidos com sua voz.
- Ah, você está aí, Wright. Não havia lhe visto. – ele sorriu lindamente, olhando-me por cima de seu ombro.
Balancei a cabeça na tentativa de desfazer qualquer expressão abobalhada em meu rosto e sorri de canto, aproximando-me mais. Fiquei apoiada ao seu lado, de frente para a pia, observando a maestria a qual ele usava para cortar os legumes. Levantei meu rosto e olhei seu rosto de perfil. Seu nariz um pouco arrebitado era tão fofo que às vezes, eu sentia uma estranha necessidade de mordê-lo. Sua boca bem desenhada e rosada me prendeu a atenção por alguns segundos até eu levar meus olhos ao seu pescoço, observando a tatuagem com as letras formando a palavra “Paciência”. Não deixei de notar também as pintinhas espalhadas por seu pescoço e rosto. Uma pintinha em especial me chamou a atenção e eu sorri fraco, mordendo o lábio inferior. A pintinha próxima a sua boca era muito fofa.
Espera... Eu estou mesmo falando das pintinhas do rosto de um cara? E esse cara sendo , não era um sinal muito bom.
Observei seus ombros e suas tatuagens, de uma forma um tanto hipnotizada. Eu sempre tive vontade fazer uma tatuagem, mas nunca tive coragem. Ou talvez, ainda não era hora. Quem sabe mais para frente? Parei por um momento em seu peito e vi algumas gotículas de suor escorrendo pelo mesmo. Passei a língua em meus lábios ao ver uma gotícula escorrendo até seu abdômen e depois desaparecendo por entre a bermuda que usava. Subi novamente meu olhar e até o movimento de seus cílios era milimetricamente observado por mim. Senti-me uma psicopata. Mas foi quando eu olhei sua bochecha e vi uma pequena e quase invisível cicatriz na mesma, eu finalmente decidi falar algo.
- Por que você tem essa cicatriz na bochecha? – toquei-a com as pontas dos dedos e não sei se foi coisa da minha imaginação, mas senti sua pele se arrepiar levemente, de uma forma quase imperceptível. Rapidamente, afastei minha mão como se tivesse levado um choque. Eu ainda ficava acanhada na presença de . Era algo inevitável, mas que ao mesmo tempo me dava certa irritação por ser tão molenga.
- Ahn... – ele riu fraco – Digamos que eu era muito elétrico quando criança... Até hoje sou, mas enfim... – ri de sua confissão – Eu estava brincando de pique-pega com Ryan e bem, acabei escorregando em um tapete da minha mãe. Dona Patricia me avisava para não correr dentro de casa, mas como eu sempre fui teimoso, não obedecia, o que resultou nessa maravilhosa cicatriz, já que eu caí e bati com a bochecha na quina da mesa de vidro. O corte não foi profundo, mas levou dias para cicatrizar e quando curou, a marca acabou ficando e me faz companhia até hoje.
Fiz uma careta, imaginando a dor. Sem que eu me desse conta, acabei deixando escapar algo que segundos depois acabou me causando um imenso arrependimento.
- Ela é linda.
Ela é linda, ? Como a cicatriz de alguém pode ser linda?
Fechei os olhos e bati com a mão na minha própria testa, xingando-me mentalmente por ser tão estúpida. olhou-me brevemente e riu, franzindo a testa.
- Obrigado, eu acho.
Fiquei em silêncio, ainda me corroendo por dentro por ser tão burra. Desviei o olhar e fixei-o na janela do outro lado da sala.
- Sabe o que eu realmente acho linda? – sua voz perguntou, pegando-me de surpresa.
- Hm? – murmurei com os braços cruzados e o olhar ainda na janela.
- A marquinha que você tem na bunda. É de nascença ou algo do tipo?
Franzi meu cenho e virei meu rosto, encarando-o. Ele ainda cortava lentamente os legumes, e não me olhava. Sua atenção estava toda em sua tarefa.
- Desculpe? – soei um tanto confusa. A questão é que eu ainda não tinha digerido a sua pergunta. Como assim ele toca nesse assunto do nada? Eu tinha que aprender a lidar com , pois já percebi que ele é assim; sempre puxando assuntos aleatórios e fazendo perguntas inesperadas. Bom, inesperadas para mim.
- Sua marca do lado direito da bunda, é de nascença? – repetiu com seu tom casual e risonho.
- Vamos mesmo falar sobre a minha bunda? – minha voz saiu um pouco mais alta sem que eu nem me desse conta.
- Eu só fiz uma simples pergunta. – deu de ombros – Eu sou curioso, então... – deixou a frase no ar e eu bufei. – E nem venha com seu constrangimento, , pois você sabe muito bem que eu já vi o seu traseiro.
- Não precisa ficar dizendo isso toda hora. – reclamei – E isso é constrangedor, sim.
bufou e jogou os legumes picados na panela. – Apenas responda a pergunta. É tão difícil assim?
Suspirei derrotada.
- Sim. É uma marca de nascença. – disse breve.
- É bonitinha. – sorriu e eu já podia sentir o calor em minhas bochechas.
- Obrigada, eu acho. – repeti sua fala e ele sorriu ainda mais.
- Quer me ajudar aqui? Preciso urgentemente de um banho. – disse e eu apenas assenti. Peguei a faca e me posicionei, continuando o seu trabalho de cortar os alimentos. – Apenas vai cortando. Eu já volto.
Virei meu rosto e acompanhei seu andar rápido em direção ao banheiro. Ele foi tirando a roupa pelo meio do caminho, fazendo uma trilha de meias e bermuda, o que me fez bufar. Bagunça não.
Antes de ele fechar a porta do banheiro, vestindo apenas a cueca, eu gritei:
- Depois faça o favor de pegar as suas roupas do chão e jogar no cesto de roupa suja!
Batidas à porta me interromperam e eu parei imediatamente o que estava fazendo. Limpei minhas mãos no pano de prato e andei até a porta branca, logo a abrindo. Meus olhos se arregalaram um pouco quando eu vi o homem parado à minha frente com um sorriso nos lábios. Suas calças jeans um pouco baixas e a camisa azul o deixavam belíssimo, pois combinava perfeitamente com os seus olhos azuis como as águas mais límpidas do mar.
- ? – disse num fio de voz.
- . – passou seus olhos por meu corpo, de cima a baixo. Entortei meu nariz por estar me vendo com aquelas roupas nem um pouco atraentes, mas o que eu podia fazer se fui pega desprevenida?
- Eu... Eu não esperava a sua visita. – confessei timidamente.
- Eu sei. Desculpe-me por isso. – ele pareceu sem graça, sorrindo torto. – Acontece que eu estava aqui por perto e decidi te fazer uma visita. Não nos vemos desde antes do feriado e admito que eu senti sua falta.
O quê? sentindo minha falta? Eu já podia ouvir anjos cantando e se ele não estivesse bem à minha frente, com certeza eu sairia pulando por aí feito uma maluca. Mas sendo a adulta madura e séria que sou, eu apenas reprimi a adolescente de dezesseis anos dentro de mim e sorri, lisonjeada com suas palavras.
- Ah, eu também senti sua falta. – admiti, fazendo-o sorrir ainda mais. Seu sorriso foi capaz de esquentar meu corpo por dentro de tal maneira que mesmo fazendo um pouco de frio, eu começava a sentir calor. – Você quer entrar? Estou fazendo o jantar. O que acha de jantar conosco?
Ele assentiu e entrou. Parou no meio da sala enquanto eu fechava a porta, e quando me aproximei, ele me olhou com a testa um pouco franzida, parecendo analisar a minha última pergunta.
- Conosco? – perguntou e eu sorri fraco, constrangida.
Como eu ia dizer a ele que moro com um homem? E que esse homem é , o mesmo cara que ele conheceu no shopping? No dia em que veio me buscar para o nosso encontro, ele acabou não avistando , já que o mesmo estava parado atrás da porta me olhando com uma expressão duvidosa e um pouco preocupada por eu estar saindo com um homem que até alguns meses atrás, nem sabia de minha humilde existência.
- É... Sobre isso... – comecei, enrolando algumas mechas do meu cabelo preso em meu dedo indicador.
No exato instante, a porta do banheiro foi aberta. O vapor da água saiu pela mesma e um com apenas a tolha enrolada na cintura apareceu pelo meio do vapor. Seus cabelos estavam molhados e algumas gotículas de água respingavam em seus ombros e peito. Fiquei um pouco embasbacada com aquela cena e repentinamente, um calor pareceu subir por meu corpo, chegando à minha virilha e parando no meio de minhas pernas. Tudo parecia acontecer em câmera lenta: passando a mão pelo cabelo e os olhos fechados, arrancando-me suspiros baixos. Até entrelacei um pouco minhas pernas, pressionando minha intimidade, numa tentativa falha de diminuir aquela pulsação intensa e repentina.
Entretanto, tudo pareceu voltar ao normal num piscar de olhos e a câmera não era mais lenta ao ouvir alguém pigarreando ao meu lado, mais especificamente, alguém chamado . parou de andar no mesmo instante e ficou nos olhando do corredor. Eu diria que sua expressão era de puro susto ou talvez até surpresa. Ele deu um aceno em nossa direção e entrou em seu quarto logo depois de pegar as roupas jogadas no chão.
- Hm, será que você pode me explicar o que está acontecendo aqui? – a voz de soou no apartamento silencioso e eu ainda envergonhada, abracei meu corpo com os braços.
- e eu dividimos o apartamento. – falei de uma vez – Ele é o meu hóspede.
ficou me encarando fixamente por alguns segundos antes de balançar a cabeça e dizer com a voz um pouco rouca:
- O quê?
- É... Isso mesmo que você ouviu, , mas não se preocupe com isso. – alertei rapidamente com medo de que ele interpretasse a situação toda de forma errada. – e eu somos amigos, e às vezes até nos tratamos como irmãos.
E ah... Ele me dá aulas de como seduzir um homem, principalmente você, mas você não precisa saber disso. – completei mentalmente.
- Irmãos? – arqueou a sobrancelha numa demonstração de desconfiança. Vamos, , acredite em mim.
Balancei a cabeça afirmativamente e ele pareceu analisar toda a situação, pondo em uma espécie de balança imaginária os prós e contras – mais os contras – da minha divisão de apartamento com .
- Então... Você vai aceitar jantar comigo? – mudei de assunto, tentando diminuir a tensão presente no ambiente. Eu não parava de mexer os pés, deixando-os um pouco tortos, por conta do que acontecera há minutos atrás. Eu sempre fazia isso em momentos de tensão e posso afirmar que é uma das minhas manias um tanto... Ridículas.
aceitou a minha mudança de assunto e deu de ombros, sorrindo de canto. Ele me ajudou a arrumar a bancada com os talheres e pratos e eu sorri agradecida. apareceu na sala usando uma calça de moletom igual a minha e uma blusa preta. Ele também usava um boné com a aba virada para trás e eu reprimi um riso por seu jeito um tanto adolescente mesmo tendo vinte e três anos.
- E aí, ? – ele o cumprimentou rapidamente, logo chegando até mim. – Põe mais um prato, . Hoje temos visita.
Franzi a testa e o olhei.
- Quem?
- Olivia. – respondeu – Minha namorada hoje vem jantar conosco. – ele disse a , que sorriu.
Ao ouvir o nome de Olivia, não sei explicar bem o que senti. Só sei que o copo que eu segurava, acabou escorregando de minha mão e caiu ao chão, quebrando-se em inúmeros pedaços. Senti alguns cacos de vidro baterem em minha canela e pés, mas por sorte, nenhum deles entrou em minha pele, senão eu já estaria gritando a essa hora. e me olharam assustados e vieram até mim com expressões preocupadas.
- O que foi isso, ? Você está bem? – perguntou , segurando-me pelo braço.
- Está tudo bem, ? – foi a vez de perguntar enquanto passava a mão em meu cabelo.
- Sim, está tudo bem. – afirmei, balançando a cabeça.
- E como isso foi acontecer? – encarou o chão aos seus pés, ainda confuso com o ocorrido.
- O copo apenas escorregou da minha mão. Eu vou limpar essa bagunça. – apressei-me em procurar a vassoura e a pá. Juntei os cacos e os peguei com a pá, jogando na lata de lixo.
Larguei a vassoura e a pá no instante em que a campainha tocou, e eu fiquei com cara de tacho enquanto via ir até a mesma, abrindo-a em seguida. Meu coração disparou ao ver Olivia literalmente pulando nos braços dele e envolvendo sua cintura com as pernas, abraçando-o da forma mais intensa que ela conseguia. Mas o disparo em meu coração não era bom; pela primeira vez, eu não me senti bem ao sentir meu coração acelerar. Pelo contrário, eu senti que a cada batida, ele ia se quebrando cada vez mais.
A mulher pareceu se dar conta de que não estava sozinha quando lançou seu olhar até e eu que estávamos parados e quietos perto da bancada. Ela pareceu um tanto sem graça e desceu do colo de , dando-lhe um selinho, antes de se aproximar de nós.
- Olá, . – ela sorriu e sem que eu esperasse, me abraçou. Eu fiquei tão sem reação que nem consegui retribuir. Apenas fiquei com meus braços pendurados ao lado de meu corpo, esperando o momento em que ela ia me largar. – Hey, ! – cumprimentou-o apenas com um aperto de mãos ao se afastar de mim.
- Hey, Olivia. – ele sorriu simpático.
se aproximou de nós logo após fechar a porta e me lançou um olhar sério. Desviei o olhar dele e me voltei ao fogão, jogando o restante dos legumes na panela.
- Sintam-se à vontade. – ouvi dizer e eles agradeceram, sentando no sofá.
e Olivia ficaram conversando enquanto e eu terminávamos de fazer o jantar. Na verdade, eu só o ajudava, já que eu nem sabia o que ele estava cozinhando.
- Olivia aqui? Sério? – disse séria, num tom baixo para que ninguém escutasse além dele.
- aqui? Sério? – imitou minha fala e eu trinquei os dentes, misturando os ingredientes na panela com certa força. Minha mão apertava a colher de pau com tanta firmeza que os espaços de meus dedos estavam mais brancos do que o normal.
- Isso por acaso é para me provocar? – sussurrei – Você sabe que eu não gosto dela.
- E você também sabe que eu não vou com a cara do seu amorzinho. Estamos quites. – passou por trás de mim, soprando em minha nuca descoberta. Arrepiei-me com seu ato e me auto-praguejei por ser tão fraca.
- Eu não sabia que ia aparecer aqui. Já você... – nem precisei completar a frase. me lançou um olhar sério e eu o olhei da mesma maneira, não me deixando ser intimidada. Ficamos nos encarando por alguns segundos com nossos olhos quase saindo faíscas.
- O que queria que eu fizesse? – ele sussurrou bem próximo a mim – Olivia é minha namorada!
Fiz uma careta de reprovação por ouvir aquela palavra.
- Espero que você não tenha esquecido de que esta também é minha casa. Aliás, ela é mais minha do que sua. Então, eu exijo que você respeite quando eu não quiser que alguém em específico coloque os pés aqui.
semicerrou os olhos. – Você não tem que exigir nada. Se quiser exigências, também terei as minhas. E vai por mim, você não ia gostar nem um pouco delas. E outra, não existe esse negócio da casa ser mais sua do que minha. Aqui é meio a meio, . Assim como eu te salvei de ser despejada, o apartamento é cinquenta por cento seu e cinquenta por cento meu.
Ri debochada.
- E quem disse isso, querido?
- Eu. E você tem que aceitar, querendo ou não. – deu de ombros.
- Não desvie do assunto, . A questão aqui é a sua insistência em trazê-la aqui. – cruzei os braços.
apressou-se em desligar o fogão para não queimar a comida já que eu tinha parado de mexer. Ele bufou e fechou os olhos por um instante, antes de abri-los e me encarar da forma mais séria que conseguia.
- Quando você começar a barrar a entrada de aqui, eu posso até pensar em negar a vinda dela. Mas enquanto isso, acho bom você aceitar, coleguinha de apartamento. – sorriu debochado. – E acredite, eu posso fazer bem pior do que só trazê-la aqui. – seu tom ameaçador me alarmou e eu o olhei com confusão.
- O que está querendo dizer?
sorriu maroto e se aproximou ainda mais, quase encostando sua boca à minha orelha.
- O que você ia achar de acordar em uma bela madrugada com gemidinhos vindos do meu quarto, huh? Gemidos vindos de uma certa moça chamada Olivia Hastings enquanto eu transo loucamente com ela...
- Você não faria isso. – sussurrei de volta.
- Não duvide de mim, senhorita Wright.
Fiz cara feia e sorriu, dando-me um rápido beijo na bochecha.
O jantar ficou pronto um tempo depois e nos sentamos para comer. Servimo-nos em silêncio e comemos também em silêncio. Só em alguns momentos é que e Olivia sussurravam algo um para o outro e sorriam ou riam baixo. Foquei minha atenção no prato e continuei a comer. Quando terminei, levantei e me sentei no sofá, chamando com o dedo. Ele sorriu e se sentou ao meu lado, abraçando-me pelos ombros. Liguei a televisão e fui mudando os canais até achar um que passava um desenho animado. Eu ia mudar de canal, mas pediu para eu deixar já que ele gostava. Ri fraco por isso e assenti, largando o controle ao meu lado.
Levantei para pegar um copo de suco e logo voltei a me sentar. e Olivia se sentaram no sofá também, já que era bastante grande. Ficamos assistindo ao desenho e eu dava pequenas bebericadas no meu suco até sentir o olhar de em mim.
- Você quer? – ofereci o suco a ele, que assentiu.
Levei o copo em sua direção na intenção de que ele pegasse o mesmo, mas ele inclinou sua cabeça para frente e pôs a boca na borda do copo, dando a entender que queria que eu o desse na boca. Ri de sua cara de inocente e inclinei mais o copo, fazendo-o dar alguns goles do suco de morango. Senti um olhar queimar em minha nuca e virei minha cabeça, tendo a visão de e Olivia abraçados. Ela encarava a televisão sorrindo, mas o olhar de estava depositado em mim. Arqueou a sobrancelha para o que acabara de acontecer entre mim e e eu o encarei séria, logo desviando o olhar.
Estiquei minha perna e a coloquei sobre a mesinha, aconchegando-me ainda mais no sofá e nos braços de .
- Eu estive pensando no nosso próximo encontro e eu cheguei à conclusão de que prefiro que você escolha o lugar. Seria legal se fôssemos a um lugar que você goste. O que acha?
- Acho ótimo. – sorri – Seria muito estranho ter um encontro em um zoológico? Porque eu ia amar ver os animais.
- Acho que não. – franziu o cenho, rindo. – Nunca tive um encontro num zoológico, mas acho que para tudo tem uma primeira vez, huh? Seria bem diferente.
- Quando podemos ir, então?
Ele pensou um pouco e disse:
- Nesse sábado?
- Perfeito. – sorri.
Uns sons me chamaram a atenção e eu olhei para trás, tendo a visão de e Olivia se beijando e trocando carícias. De novo não. Bufei e peguei o controle, aumentando ainda mais o volume da televisão, impedindo que eu ouvisse aqueles sons irritantes. Sorri vitoriosa ao abafar o som dos seres ao meu lado. riu fraco, balançando a cabeça. Dei de ombros e ele levou sua mão ao meu cabelo, acariciando-o suavemente. Fechei os olhos e acabei me assustando quando levantou meu rosto e selou nossos lábios em um selinho delicado.
Ouvi um pigarro atrás de mim, mas mesmo assim, não me afastei. Os lábios de eram tão macios que me faziam tremer minimamente e não tivesse vontade nenhuma de me separar. Meu coração parecia dar piruetas dentro de meu peito e pelo tempo em que nossos lábios ficaram unidos, eu não tive noção nenhuma de tempo ou espaço. O que fez se separar de mim foi uma movimentação ao nosso lado, e logo eu ouvi:
- Vamos, Olivia, vou te levar para conhecer o meu quarto.
Olhei rapidamente para Olivia, que sorriu fracamente para mim, parecendo apoiar minha relação com , e logo depois, para . Já , tinha uma cara de poucos amigos e um olhar de repreensão sobre mim. Juro que se ele pudesse me fuzilar ou me desmaterializar com o olhar, ele não pensaria duas vezes antes de fazer tal coisa. Confusa, eu continuei o encarando – e ele a mim – até o casal entrar em seu quarto e fechar a porta.
- O que aconteceu com ele? – perguntou , notando o comportamento estranho de .
- Eu não sei. – dei de ombros.
estava com ciúmes? Não pode ser. Por que ele teria ciúmes? Já chega, ! Pare de imaginar besteiras. Não se iluda.

(...)


- Olhe aquele macaco, ! – apontei para a enorme árvore onde o bichinho estava, por trás das grades.
- Ele está fazendo gracinhas. – ele riu e eu o acompanhei. Coloquei algumas pipocas em minha boca e continuamos a andar.
Fomos até a jaula do leão e eu fiquei encantada com o animal. Ele estava deitado com sua companheira perto da jaula e os dois estavam tão fofos juntos. A pata dela estava sobre a dele e eles roçavam a cabeça um no outro. Sorri com aquela cena romântica entre os felinos.
- A relação entre os animais é linda, huh? – disse e eu assenti. – Às vezes, chego a pensar que eles são capazes de amar até mais do que os seres humanos.
- Com certeza. Os animais são muito mais amorosos, e não existe aquele pensamento de que alguns animais são malvados ou coisas do tipo. Não é que eles sejam malvados, mas é que os seres humanos muitas vezes, entram em seus habitats e acabam estragando com tudo. Afinal, o próprio ser humano é o responsável pela destruição da fauna e da flora.
olhou para mim e sorriu, assentindo. Segurou minha mão e depositou um leve beijo na mesma. Senti minha bochecha corar e abaixei a cabeça. Continuamos a andar e ficamos apreciando outros animais como os elefantes, os tigres e as girafas. Fomos até ao borboletário que ficava próximo às girafas. Comemos pipoca e algodão-doce e compramos cata-ventos enquanto passeávamos ao som das folhas das árvores balançando e das risadas de algumas crianças. Posso afirmar que aquela foi uma manhã maravilhosa. me levou para almoçar depois do zoológico e logo em seguida, deixou-me em casa.
- Pronto, senhorita, já está entregue. – ele sorriu assim que estacionou o carro em frente ao meu prédio.
Tirei o cinto de segurança e coloquei a bolsa no ombro, logo virando meu rosto e o olhando com um sorriso em meus lábios. O sorriso de felicidade por ser tão bem tratada com carinho e atenção como vem me tratando esses dias. Até na faculdade, ele tem andado comigo de mãos dadas pelos corredores, tem me levado até em casa e sempre se despede de mim com um beijo na bochecha ou um selinho – e aqui eu deixo claro que um simples toque de nossos lábios me deixava aérea, parecendo que eu estava nas nuvens –.
foi se aproximando de mim lentamente e eu já podia sentir minhas pernas tremerem por causa do nervosismo. De repente, minhas mãos ficaram frias e meu coração deu um solavanco estranho, junto ao remexo em meu estômago. Eu começava a ficar ofegante como se tivesse corrida uma maratona toda sem parar. Ele pareceu notar meu nervosismo e riu nasalado, segurando minhas mãos sobre minhas pernas.
- Fique calma, . Eu não vou te fazer mal. – seu sorriso acolhedor pareceu me deixar ainda mais nervosa, não sei como. Quando as pessoas dizem para você se acalmar, é aí que você não consegue mesmo.
- Eu sei, ... É que... – ele pôs seu dedo indicador sobre meus lábios, impedindo-me de terminar minha fala.
- Está tudo bem, lindinha. – sussurrou contra meus lábios.
Lindinha? Não sei o que aconteceu comigo, mas naquele exato momento, a imagem de e eu nos beijando pela primeira vez me veio à mente e eu o imaginei me chamando de baby, como ele sempre fazia. Eu preferia baby à lindinha. Assim parece que eu tenho doze anos.
Sua mão foi até minha bochecha e a acariciou levemente com o polegar. Suspirei e encarei seus lábios macios tão próximos a mim. Nossos narizes se tocaram e eu fechei os olhos, tentando deixar-me levar pelo momento e pelas sensações que me causava. Ele roçou seus lábios nos meus e eu estremeci, sentindo-o selá-los em seguida. O selinho durou alguns segundos e enquanto isso, minha mente me traiu mais uma vez e ao longe, eu podia ouvir a voz de .
“Primeiramente, eu vou te beijar. Quero que preste muita atenção, porque depois você terá que repetir.”
A língua quente de tocou meu lábio inferior e eu tive a plena certeza de que aquilo não ficaria apenas em um selinho. Novamente, ao entreabrir meus lábios e ceder passagem a , a voz de sussurrou:
“Certo, você já ouviu falar em beijo francês?”
“Você quer sentir a minha língua, ?”
Reprimi um grunhido ao ouvir a voz de martelando em minha cabeça e tentei focar em quando o senti chupar deliciosamente minha língua. Sua mão passou de minha bochecha para minha nuca e a outra foi até minha cintura, envolvendo-a em um aperto que me fez suspirar contra seus lábios. Eu ainda não podia acreditar que estava dando o meu primeiro beijo de verdade com , mas o engraçado mesmo eram as batucadas que meu coração dava, semelhantes a uma bateria.
“Eu vou repetir. Você quer sentir a minha língua, ? Eu quero que você diga sim ou não.”

Novamente a voz de soou em minha cabeça e eu já estava ficando irritada. Deixe-me em paz, ! – gritei em minha mente.
“Eu quero senti-la, .”
Ouvi minha própria voz dizer e balancei a cabeça, negando. Que raiva!
Voltei minha atenção a quando ele mordiscou meu lábio inferior e voltou a me beijar. Tentando deixar minha timidez de lado e agir da forma como me ensinou, eu envolvi seu pescoço com meus braços e acariciei sua nuca, puxando alguns fios de cabelo. sorriu entre o beijo e voltou a atacar minha língua com a sua. Retribuí os movimentos de sua língua e tentei ao máximo, acompanhá-lo, mostrando que eu sabia o que estava fazendo. Há alguns meses atrás, eu podia ser inexperiente nisso, mas agora não; e eu queria mostrar isso a ele.
Mordi seu lábio inferior e o puxei delicadamente, arrancando um suspiro dele. Ele aumentou a intensidade do aperto em minha cintura e se aproximou mais de mim, tentando ao máximo encostar nossos corpos, mesmo havendo o freio de mão entre nós. Ele sugava, lambia e mordiscava meus lábios com maestria, e eu já podia sentir uma pulsação no meio de minhas pernas. Sabendo que era hora de parar, eu fui cessando o beijo aos poucos e lhe dei um selinho por último, separando-me dele. Meu estado de beijoqueira experiente e sem pudores, passou para mulher tímida e com todos os constrangimentos do mundo.
- Hey, não fique assim. – segurou meu queixo, levantando meu rosto, ao perceber meu comportamento. – Eu gostei de te beijar. Você beija muito bem.
Sorri tímida. Agradeça a um homem chamado .
- Bom, eu vou indo agora. – mudei de assunto. – Nos vemos depois, okay?
Ele assentiu. – Certo, já vou pensar no nosso próximo encontro. O terceiro, huh?
Ri fraco e lhe dei um beijo na bochecha antes de abrir a porta do carro.
- Surpreenda-me. – declarei por último e saí, fechando a porta.
sorriu e seus olhos azuis faiscaram.
- Pode deixar, mademoiselle.
Acompanhei seu carro se afastando e entrei no prédio. Ezequiel acenou com a cabeça e eu acenei de volta, sorrindo. Fui até o elevador e apertei o botão. Ao entrar no mesmo e as portas se fecharem, eu apertei o botão do meu andar e me encostei à parede daquele espaço pequeno. Suspirei com os olhos fechados e pendi minha cabeça para trás, mordendo meu lábio, e lembrando-me do acontecido de minutos atrás. Fiquei tão distraída que nem percebi quando a porta do elevador se abriu. Abri os olhos ao ouvir um pigarro e tive a visão da senhora Wilson me olhando, impaciente, esperando que eu saísse.
Endireitei minha postura e arrumei a bolsa no ombro, saindo do elevador. Passei por ela, sorridente, e lhe dei um beijo na bochecha.
- Boa tarde, senhora Wilson! – a cumprimentei.
A senhora me olhou espantada e fez uma careta, limpando a bochecha.
- Boa tarde, senhorita. – respondeu com sua costumeira carranca e eu apenas ri fraco, balançando minha cabeça. Algumas coisas não mudam. – Vejo que a senhorita está feliz.
- Extremamente feliz! Eu poderia sair pulando por esse corredor agora mesmo! – rodopiei ao seu redor.
- Por favor, não faça isso! Eu não aguentaria uma vizinha maluca dando crise em pleno corredor.
Ri e me afastei, correndo pelo corredor. Agradeci a Deus por não estar usando saltos altos, senão já estaria jogada ao chão. Aproximei-me de minha porta e peguei a chave dentro da bolsa, logo a destrancando. Entrei em meu apartamento e assim que me virei, logo depois de trancar a porta novamente, tive a visão de meus amigos parados na sala. Franzi a testa e sorri, aproximando-me deles para abraçá-los.
- O que estão fazendo aqui? – abracei e em seguida, , que largou o saquinho de batata frita em cima da bancada.
- Se esqueceu de que hoje é sábado? – perguntou com uma voz de “Não acredito que você esqueceu!”.
- E sábado nós temos o quê? – completou com a sobrancelha arqueada.
- Dia dos amigos! – exclamou, nem deixando que eu respondesse.
- É claro que eu não esqueci, galera. – sorri – Mas vocês sabem bem o motivo do meu atraso.
- Sim! Anda, conte-me tudo sobre seu encontro com o ! – minha amiga disse com a maior empolgação do mundo, abraçando-me pelos ombros, e eu ri.
- Bem, nós... – me auto-interrompi ao ver se aproximando. Ele abraçava alguém pela cintura e quando eu tive uma visão melhor, percebi que se tratava de Olivia. E ela usava uma camisa social dele e short jeans.
Meu sorriso se desfez no exato momento em que ele me encarou com um sorriso maroto e uma pitada de maldade. Ele ergueu a sobrancelha como se dissesse “É isso mesmo que você está imaginando. Eu transei com a Olivia no seu apartamento.”
Desviei meu olhar dele ao ouvir a voz de .
- Vamos, ! Conte! O que aconteceu?
Esbocei o meu melhor sorriso maldoso, assim como , e respondi:
- e eu nos beijamos. E o beijo dele é o melhor do mundo. – e ainda insatisfeita, completei: - Eu não tive vontade nenhuma de me separar dele.
O sorriso maldoso dele pareceu ter sido assassinado pelo meu e ele me olhou sem expressão.
- Sério? Que maravilha! – comemorou , abraçando-me inesperadamente. – Estou tão feliz por você.
- Obrigada, . – a abracei, continuando a olhar fixamente para . Por um momento, olhei para a Olivia e ela sorriu, aparentemente feliz por mim, quase batendo palmas.
Voltei minha atenção a e ele continuava me encarando sem expressão, até se afastar de Olivia repentinamente e dar meia volta, indo em direção ao seu quarto. Olivia o olhou sem entender e foi atrás dele, gritando seu nome.
É, ... Se é assim que você quer, é assim que você vai ter.


Capítulo 21 – Anatomia

Peguei a caixa de suco e servi para e . Enchi um copo para mim também e me sentei ao lado dos dois, de frente para a bancada. Contei a eles detalhe por detalhe do meu segundo encontro com , sem evitar, é claro, alguns risinhos e sorrisos bobos nos lábios. Quando se tratava de , era impossível eu não sorrir ou ficar nervosa. quase saiu correndo pelo apartamento quando contei mais profundamente sobre o beijo que me deu. Ela ficou ainda mais feliz quando eu contei que ele elogiou meu beijo, e logo disse:
- Parece que as aulas com o senhor estão dando certo. – ela sorriu.
Ao ouvir aquele sobrenome, meu sorriso murchou e eu encarei o copo de vidro à minha frente. Suspirei e respondi:
- É... Parece que sim. – pareceu notar meu desânimo, algo que era notável a quilômetros de distância, e colocou a mão em meu ombro, numa tentativa amigável de me confortar.
- Hey, não fica assim. Para você ficar mais tranquila, o e a Olivia não transaram aqui. Ele só quis te provocar. Eu vi a cara dele quando você chegou e tenha a certeza de que ele só quis te irritar. – ela afirmou e eu a olhei surpresa.
- Então eles não... – interrompeu-me.
- Exatamente. Eles não transaram. Bom, pelo menos, não aqui. Parece que o loirinho ainda respeita o seu território. – ela riu e eu acompanhei, mas de uma forma mais fraca. – Ele somente emprestou a blusa dele já que ela derramou algo na dela.
Bufei e terminei de beber meu suco.
- Por que ele faz isso comigo? O que ele quer, afinal? – meu tom saiu de indignação enquanto eu levantava e colocava o copo dentro da pia.
nos olhava em silêncio até pigarrear.
- Ahn, vejo que esse é um assunto feminino... Então, amor, eu vou dar uma volta por aí enquanto você conversa com a , okay? – assentiu e ele lhe deu um selinho antes de se levantar e vir até mim, abraçando-me. – Hey, vai com calma, pequena. Os homens são confusos mesmo. – sussurrou em meu ouvido e eu ri fraco, retribuindo o abraço extremamente carinhoso de . – Mas tudo vai se resolver. Só não deixe que machuquem seu coração.
Balancei a cabeça afirmativamente assim que nos afastamos e ele me olhou sorrindo, acariciando minhas bochechas com os polegares. Deu um beijo em minha testa e se afastou, abrindo a porta do apartamento e saindo em seguida.
- O que está acontecendo, ? Agora que estamos só nós duas aqui, quero que você abra o jogo comigo. – debruçou-se sobre o balcão e ficou me encarando sério.
Apontei para o corredor, indicando que não estávamos tão sozinhas assim, já que Olivia e ainda estavam em seu quarto. Encostei-me à pia e cruzei os braços, falando em voz baixa:
- Eu tenho ciúmes do . – confessei timidamente. A verdade é que eu não queria admitir para mim mesma que eu sentia ciúmes dele, mas com , eu tinha que falar tudo. Estudando psicologia, talvez ela pudesse me ajudar.
Ela assentiu e uma expressão pensativa tomou sua face.
- Acho que está meio óbvio que ele também sente ciúmes de você com . Agora o porquê de vocês dois sentirem isso, você vai ter que me explicar. Está acontecendo algo durante essas aulas que eu não saiba?
- Para ser sincera, nem eu mesma sei. – suspirei – Acho que tudo começou a acontecer quando ele me beijou. Eu fiquei um pouco balançada por ter sido beijada pela primeira vez e ainda mais, sendo ... Meu colega de apartamento. Um cara que eu tenho que ver todos os dias, que tenho que conviver e aceitar as manias, o jeito, tudo. Não foi um cara qualquer que eu beijei e que talvez nunca mais fosse vê-lo novamente. Foi o meu... Hóspede.
- Hm, então, é a sua convivência com ele que está causando toda essa confusão? Toda essa troca mútua de ciúmes?
- Eu não sei por que ele tem ciúmes de mim também. Nós não temos nada. – dei de ombros.
- Você também sente ciúmes e vocês não têm nada. – sua resposta me pegou de surpresa e eu fui obrigada a admitir mentalmente que estava com razão. – O seu caso é que é o cara que vem, digamos, te descobrindo. É ele que vem te ensinando certas coisas, que vem te fazendo ter experiências as quais você não tinha antes. E vê-lo com outra mulher, é difícil, já que emocionalmente e até sem nem que perceba, você cria um laço com ele. Nem que seja um laço de ‘’aluna’’ e ‘’professor’’. Você cria uma espécie de posse sobre ele. Não quer vê-lo com ninguém. – assenti em silêncio, esperando que ela continuasse. – Já ele, é o seu ‘’professor’’ e talvez, vê-la usando as táticas que ele te ensinou, com outro homem, seja um tanto duro e incômodo. Ele também acabou criando uma espécie de posse sobre você. Você é a aluna dele, você é a mulher a qual ele tem ajudado a se libertar. Talvez, ele chegue até a pensar que tudo que ele te ensinou, você deva usar somente com... Ele.
Engoli em seco ao ouvir sua última frase e passei a mão na testa, respirando fundo.
- Eu sabia que essa ideia dele não ia dar certo. Eu sentia que não ia sair coisa boa disso. Como seres humanos normais, acabamos nos apegando e isso está estragando algumas áreas das nossas vidas. – falei.
- Certamente. – balançou a cabeça. – Eu vou te dar um conselho, mas não quer dizer que você tenha que segui-lo, afinal, foi por causa dos ensinamentos do que você conseguiu algo com até aqui. Mas o meu conselho é que você foque mais no seu novo estágio, na faculdade e até em outras coisas, e esqueça um pouco um homem chamado . Seria bom até que vocês parassem de ter as aulas por um tempo até que conseguissem se controlar emocionalmente e sentimentalmente.
- e eu já não temos as aulas desde antes do feriado, então isso já não é um grande problema. – falei e ela assentiu. – O problema maior é a provocação que eu sempre venho recebendo da parte dele. vive falando de algo sobre meu corpo, deixando-me tímida, e parece sempre me colocar contra a parede. Ele me encurrala com as suas palavras. A verdade é que ele sabe como fazer uma mulher perder a linha. – confessei e senti minha bochecha corar.
riu baixo.
- Imagino. Ele tem cara de ser assim mesmo. Convenhamos que ele é um conquistador de primeira e tem lábia. Muitas mulheres já devem ter passado pela vida dele.
- Exatamente! E como eu vou resistir a isso? Antes de aparecer, eu vivia minha vida normalmente, não pensava em nada do que eu penso agora. Eu penso no toque dele pelo meu corpo, nos lábios dele beijando os meus, no seu cheiro, no seu sorriso... Argh, ! Por que você foi aparecer? – eu estava indignada e mais do que isso, eu estava irritada comigo mesma.
- Isso é normal... É resultado do laço que vocês criaram sem ao menos perceberem. Mas já dei o meu conselho, você segue se quiser...
- Já te contei que ele vive dizendo que sente desejo por mim e essas coisas? Ele é um tarado. – ri e ela me acompanhou.
- Ele teve a oportunidade de te tocar e te beijar. Os homens quando têm a oportunidade de fazer esse tipo de coisa com uma mulher, eles ficam em cima mesmo. Certamente, ele queria ter ido até o fim com você no mesmo dia em que vocês se beijaram pela primeira vez, mas por questão de respeito e limites que ele mesmo soube impor, ele não o fez. Isso você tem que agradecê-lo. – suspirei – Agora o corpo dele já criou uma atração pelo seu e vai ser difícil de controlar, por isso, ele fala que te deseja e outras coisas que nem preciso saber. Não quero me meter na intimidade do casal. – levantou suas mãos e eu ri, negando com a cabeça.
Pude ouvir o som da porta do quarto de sendo aberta e e eu ficamos em silêncio. Ele apareceu acompanhado de Olivia e eu fiquei encarando o chão como se tivesse algo muito importante ali para ser observado. E havia: poeira. Eu precisava limpar esse apartamento urgentemente. Os dois passaram por nós em silêncio e foram até a porta, onde cochicharam algo e se despediram.
- Tchau, ! Tchau, ! – disse Olivia.
- Tchau. – respondemos juntas e nos olhamos. Soltei um suspiro e lançou-me um sorriso confortante.
fechou a porta e passou por nós, mexendo em seu cabelo e respirando de um jeito nervoso. Ele voltou para o seu quarto e fechou a porta num baque que eu pensei que fosse tirá-la do lugar.
- Bom, acho melhor eu ir agora. Tenho algumas coisinhas para resolver. Vemo-nos depois? – se levantou e veio até mim, abraçando-me.
Assenti e sorri de canto.
- Certo. Só guarde o que eu te falei e pense a respeito, okay? Não se preocupe. Qualquer coisa, pode me ligar.
- Obrigada, . – ela beijou minha bochecha e pegou seu casaco que estava pendurado no banco.
Acenou para mim e logo foi embora. Respirei fundo e me virei, preparando-me para lavar a louça que meus amigos e eu tínhamos usado. Lavei tudo em silêncio e depois sequei, guardando nos armários, em seus devidos lugares. Andei até a janela e puxei a poltrona, sentando-me de frente para a mesma e apreciando a paisagem. Abracei minhas pernas e fiquei observando o movimento dos carros lá embaixo e lentamente, o sol foi se pondo, dando lugar à linda e brilhante lua acompanhada das estrelas. Ouvi o som de um violão e soube no mesmo instante que se tratava de . Ele estava tocando, e eu amava quando ele fazia isso. Logo sua voz acompanhou os acordes do violão e se estendeu por todo o apartamento, fazendo-me fechar os olhos e inclinar meu tronco para trás, encostando-me à poltrona.
Bati minhas mãos em meus joelhos, acompanhando o ritmo do violão e sorri quando fez um falsete perfeito com a voz. Senti meu peito esquentar de todas as formas possíveis e alguns pensamentos invadiram minha mente. Um deles era que não tinha culpa por ficar com raiva ou ciúmes; eu o tinha provocado, assim como ele fizera comigo. Ambos gostávamos de provocar um ao outro, pois no fundo, sabíamos que ficávamos incomodados quando estávamos na presença de outras pessoas. Eu com ; e ele com Olivia. Sorri ainda mais ao ouvir sua voz em meio aos meus pensamentos e conclusões. Eu entendia o seu lado e esperava que ele entendesse o meu.
Ergui forças e coragem não sei de onde e me levantei da poltrona. Em passos rápidos e firmes, eu atravessei o corredor e parei em frente à porta de seu quarto. O som da música já era mais alto e sua voz ficou ainda mais linda aos meus ouvidos. Respirei fundo e coloquei a mão na maçaneta, abrindo a porta no segundo seguinte. estava sem camisa e cantava com os olhos fechados, sentado em sua cama. Quando sentiu minha presença, abriu seus olhos, e foi nesse momento exato que eu me aproximei dele e parei à sua frente. Ele ergueu seu olhar até o meu, com uma expressão confusa e certamente se perguntando o porquê de eu ter entrado assim, de surpresa.
- ... – começou, mas eu o interrompi.
- Eu sei que você não fez nada com a Olivia nesse apartamento. Você fez aquela cara para me provocar, não é?
foi pego de surpresa. Ele ficou me encarando sem responder. Então, a resposta para mim, foi que sim. Ele só quis me provocar.
- Que coisa, huh? Um homem como você fazendo isso, ? Não é muita falta de coragem da sua parte, senhor garanhão? – perguntei debochada.
Ele fechou ainda mais sua expressão e me olhou sério.
- Como se você não tivesse falado aquilo para me provocar também! Eu não precisava saber dos seus beijinhos com aquele cara, Wright.
Ele está ficando bravo. Ótimo. Era isso que eu queria.
- Então você admite que está com ciúmes, ? Pode admitir. Não vai te fazer menos homem.
- Você está louca para que eu admita, não é? – elevou seu tom de voz. Isso, baby, faça isso. Você está caindo como um patinho. – Sim! Eu tenho ciúmes de você, porra! E muitos ciúmes! É tanto ciúmes que chega a me doer e você também não coopera, Wright! – gritou e eu sorri feliz. – Por que está sorrindo?
- Porque você falou justamente o que eu precisava ouvir.
Ele franziu a testa e eu ri fraco. Tirei o violão de seu colo e o coloquei ao lado da cama, enquanto encarava seus olhos castanhos. Aproximei-me dele e ainda o olhando com toda a intensidade que eu me permitia, fui o empurrando lentamente para trás, até que ele ficou completamente deitado em sua cama grande e de aparência muito confortável. ainda me olhava confuso e eu sorria feito uma retardada, achando engraçadas suas expressões. Fui me deitando por cima dele e me apoiei nos meus braços ao lado de sua cabeça. Aproximei minha boca de sua orelha e sussurrei:
- Eu também sinto ciúmes de você quando está com ela, . E é tanto ciúme que meu coração parece sangrar, porque você sabe o que eu imagino? – ele respirou mais forte e eu respondi: - Eu me imagino no lugar dela. Imagino-me sendo a merecedora dos seus beijos e das suas carícias.
Levantei meu rosto e o encarei. Encostei nossos narizes e sentir a sua respiração contra a minha fez meu corpo inteiro se arrepiar de satisfação. Passei minhas mãos por seu cabelo, da forma mais carinhosa possível, apenas sentindo seus fios dourados escorregando por entre meus dedos. Desci uma das minhas mãos e passei meu dedo indicador por seu pescoço, fazendo um pequeno caminho com o dedo, e sentindo sua pele se arrepiar sob o meu toque. Sorri e fechei os olhos, aspirando ao seu cheiro natural e viciante. Subi meu dedo e fui até o lóbulo de sua orelha, segurando-o entre o indicador e o polegar, acarinhando aquela região com leveza.
Prendi seus quadris com minhas coxas e desci meu rosto, indo até seu pescoço. Cheirei a pele do mesmo bem lentamente, na tentativa de guardar aquele cheiro na minha memória.
- Eu gosto do seu cheiro, . – falei baixo contra sua pele e ele se arrepiou.
- Eu ainda não entendi o que está acontecendo, mas eu estou gostando para caramba. – sua voz saiu vacilante e eu sorri.
- Eu só quero te sentir. – passei as pontas dos meus dedos delicadamente por seu braço. – Eu posso? – sim, eu estava pedindo sua permissão.
- Claro que pode. É uma honra ser tocado por você, . – sussurrou contra meus lábios e passou a mão em meu cabelo, colocando uma mecha atrás de minha orelha.
- Me beija, . – minha voz quase implorava por isso.
Ele sorriu. O sorriso mais lindo do mundo. Suas mãos subiram por minhas pernas e chegaram à minha cintura, empurrando suavemente meu corpo em sua direção. Deixei-me levar e uma corrente elétrica poderosa foi ativada em mim ao sentir seus lábios selando os meus. Fechei meus olhos e ainda em cima dele, levei minhas mãos ao seu cabelo e segurei seus fios dourados e macios.
- Quero ouvir você dizer agora que o beijo daquele babaca é o melhor. – falou ao separar nossos lábios por um instante. Eu até riria se não tivesse dado impulso e me virado na cama, ficando por cima de mim.
Ele levou sua mão até minha perna e a puxou um pouco, deixando-a na altura de seu quadril, logo voltando a selar meus lábios. Sua língua quente e macia, e muito bem conhecida, tocou meu lábio inferior e quase no mesmo instante, eu cedi minha boca a ela. Minha língua foi lhe fazer companhia e elas se tocaram lentamente, dançando em perfeita sincronia em nossas bocas. O beijo de era lento e quente. Ele queria dar-me a certeza de que ele era melhor e consequentemente, deixar-me viciada em seus lábios. Seus lábios sugaram suavemente meu lábio inferior e eu arfei contra sua boca, fazendo-o sorrir vitorioso e arquear a sobrancelha.
- Você se acha demais, . – declarei.
- E você adora, Wright. – respondeu com sua voz rouca.
Ri e voltei a beijá-lo com mais intensidade dessa vez. Mordi seu lábio inferior e ele suspirou contra minha boca. Repentinamente, o beijo foi ficando mais rápido e por instinto, deixando-me levar totalmente pela atração que eu sentia por ele, eu virei meu corpo e fiquei por cima novamente. Afastei meus lábios e desci para o seu pescoço, distribuindo beijos lentos e molhados.
- Talvez eu me arrependa por isso amanhã, então eu peço, por favor, que não jogue isso na minha cara.
Ele riu e apertou minha cintura.
- Não vou. Vá em frente e faça o que tiver que fazer comigo, baby. Eu não vou impedi-la.
Sorri e dei-lhe um selinho antes de voltar para o seu pescoço magnífico. Beijei-o de baixo a cima e dos dois lados, intercalando com chupões e mordidas, que eu sabia que ficariam marcas. Mas como ele mesmo disse, eu posso fazer o que quiser. Senti seu corpo estremecer debaixo do meu e observei sua expressão, sabendo que o pescoço era seu ponto fraco. Seus olhos estavam fechados e ele mordia o lábio inferior.
- Parece que eu te ensinei direitinho. – sorri enquanto ele permanecia com os olhos fechados, sem se dar conta de que eu o observava com uma expressão um tanto abobalhada.
Voltei a chupar a pele de seu pescoço, passando minhas mãos lentamente pelo seu peito desnudo. Desci até seu abdômen e depois subi novamente, indo até seus braços e os apertando levemente, sentindo seus músculos tensos sob meu tato. Acariciei seus braços e voltei ao seu peito, arranhando-o com minhas unhas curtas. Fui descendo até seu abdômen e ronronou baixo com uma expressão de satisfação. Coloquei alguns dedos por dentro de sua calça de moletom, brincando com as laterais da mesma. riu fraco e como retribuição, colocou suas mãos por dentro da minha calça, logo as depositando em minha bunda.
Ele começou a fazer uma carícia gostosa em movimentos circulares com as pontas dos dedos na pele descoberta da minha bunda. Fechei os olhos por um momento, apreciando seus toques os quais eu já sentia falta. Suas mãos subiram da minha bunda e passaram por minha cintura, levando minha blusa consigo.
- Essa blusa do Bob Esponja é muito fofa, mas… – ri – Você fica melhor sem ela.
Deixei que ele tirasse minha blusa e encarei seu rosto quando seus olhos se fixaram em meus seios. Seu olhar ia de um seio a outro, com admiração. Sinceramente, eu nunca conseguiria entender o que via neles, mas enfim... Suas mãos passaram por minhas costas de forma lenta e eu me arrepiei.
- Ponto fraco. – admiti ao ver sua expressão curiosa.
- Pois vamos explorar esses pontos fracos. – ele disse com tanta convicção que os pelinhos da minha nuca se arrepiaram com meras palavras.
Ele me virou na cama e me deitou com a cabeça em seu travesseiro, que eu reconheci rapidamente pelo cheiro. Levei minhas mãos às suas costas e as acariciei. olhou novamente para meus seios e me lançou um olhar extremamente sensual antes de abaixar sua cabeça lentamente e envolver um dos meus seios com os seus lábios macios. Sua língua foi direto ao bico e eu não consegui reprimir um gemido. Fechei os olhos e arqueei minhas costas, mordendo meu lábio inferior. As sensações que provoca em meu corpo se apossaram totalmente de mim e eu finalmente, estava conseguindo me entregar a elas. Ele mordiscou e sugou o bico do meu seio com uma maestria impressionante; me surpreendia a cada dia mais. Lambeu e o sugou, arrancando-me mais um gemido baixo. Meu corpo estava arrepiado e consequentemente, os bicos estavam rígidos, intensificando ainda mais as carícias de no mesmo.
Sua mão subiu até o outro e o envolveu, pressionando o mamilo com o polegar, em movimentos circulares. Ele o apertou e eu arfei, puxando seus cabelos, como consequência. levou seu rosto ao mesmo e lhe deu a devida atenção assim como havia feito com o outro. Mordidas, lambidas e sugadas eram dadas e cada vez mais, meu corpo ia se entregando. Eu estava mole e sem força nenhuma para exigir algo. Quando terminou suas maravilhosas carícias em meus seios, ele ergueu seu rosto e ficou me encarando de perto com seus orbes castanhos e brilhantes. Acariciou minha bochecha e eu lhe dei um beijo na ponta do dedo quando o mesmo contornou meus lábios.
- Você se importaria se não fizéssemos nada hoje? – ele sussurrou.
Olhei-o nos olhos e neguei, sorrindo.
- Eu sinto que também não estou pronta. Eu só quero ser tocada por um homem. E esse homem tem que ser você, meu professor. – respondi e ele sorriu, parecendo maravilhado com minhas palavras.
Inclinei meu rosto em sua direção e beijei seu peito. Distribuí beijos lentos e carinhosos por seus ombros, peito e fui descendo até seu abdômen. fez o mesmo comigo; seus lábios macios distribuíram beijos molhados e quentes por meus ombros, descendo por meu busto e chegando à minha barriga. Perto de meu umbigo, ele deu uma mordida e eu suspirei, passando minhas mãos agitadas por seu cabelo que já estava bem bagunçado. brincou com a minha calça até começar a descê-la. Ele a passou por minhas pernas, levando minhas meias junto. Logo seus beijos desceram por minha barriga, passando por minha intimidade ainda coberta pela calcinha e chegando à minha coxa, onde ele deu uma chupada que me fez estremecer.
Sua língua escorregava por minha pele enquanto ele me beijava, deixando rastros de saliva por onde passava. Sua boca desceu até minha canela, onde ele também distribuiu beijos. Ele chegou até meu tornozelo, depositando um beijo totalmente casto, diferente dos anteriores. No meu pé, deu vários beijos delicados, logo indo ao outro e fazendo a mesma coisa. Sua boca subiu por meu outro tornozelo, passando por minha canela e chegando à minha coxa, onde ele lambeu e deu uma chupada igual à outra. Ele flexionou minhas pernas e as deixou abertas, subindo até mim e tomando meus lábios para si. Sentindo sua língua tocar a minha, eu levei minhas mãos trêmulas ao seu abdômen, chegando à sua calça e a puxando lentamente para baixo. me ajudou a tirá-la sem ter de parar o beijo e eu agradeci mentalmente por isso.
- Espero que eu consiga me controlar. – ele falou contra meus lábios e eu ri.
- Também espero.
Seu membro coberto pela cueca tocou minha intimidade quando terminou de tirar a calça e eu gemi contra sua boca. Minha intimidade pulsava forte e eu me sentia ficando cada vez mais eufórica. Eu queria que me tocasse.
- Eu tenho uma confissão a fazer. – ele desceu sua mão à minha intimidade enquanto me encarava atentamente.
- Qual? – franzi a testa.
- Eu já te vi nua. Você estava tomando banho, eu entrei no banheiro e fiquei te observando. – suas bochechas coraram e eu teria achado aquilo gracioso se eu não tivesse ficado totalmente surpresa.
- E quando foi isso? – perguntei.
- No dia em que você voltou do seu primeiro dia de estágio. Mais especificamente, na segunda-feira. – sua mão adentrou minha calcinha enquanto ele falava como se não estivesse fazendo nada demais, mas para mim, aquilo era o limite para os meus hormônios.
- Se eu não estivesse me sentindo tão bem com você agora… – gemi ao sentir seus dedos me acariciando. – Você estaria ferrado, . Como eu não te vi no banheiro?
- Você estava muito concentrada se depilando. – seu tom risonho me fez corar.
- Oh, céus. Eu te odeio.
- Não, você não odeia. – ele disse firme e com a voz mais sensual que ele usara comigo. – Você vai amar as sensações que eu vou te dar, babe.
Ele me deu um breve selinho antes de descer por meu corpo, indo em direção à minha intimidade. Arrepiei-me inteira quando o olhei e ele me olhava de volta, segurando minha calcinha com os dentes e a puxando para baixo. Ele tirou minha calcinha e lambeu os lábios, lançando-me o sorriso mais cafajeste do mundo.
- , o que vai fazer? – meu coração saltitava em meu peito.
- Apenas relaxe, babe. Eu sei que você vai gostar.
Ele me pegou desprevenida ao levar seu rosto até minha intimidade e depositar um beijo molhado sobre a mesma. Gemi e fechei os olhos, abrindo ainda mais minhas pernas para ele, por puro impulso.
- Isso, babe. Se abra para mim. – seu tom rouco me instigou e eu mordi o lábio inferior. – O que acha de uma aulinha de anatomia, minha querida aluna? Será que você conhece o seu próprio corpo?
Gemi em resposta sem conseguir formular uma frase decente.
- Bem, esses são os seus grandes lábios… – ele deu uma lambida de baixo a cima que me fez gemer mais alto. – Hm, parece que a minha querida aluna já está bem lubrificada... Continuando, esses são seus pequenos lábios. – abriu minha intimidade com seus dedos e lambeu a parte interna da minha intimidade. Agarrei o lençol com as mãos e o apertei com força, sentindo minha virilha esquentar. – E bom, esse é o seu tão pequeno, mas delicioso clitóris. – lambeu, dando uma sugada em seguida. Gemi e mordi meu lábio inferior.
- – ofeguei seu nome.
- Sim, querida? Há algo errado? – eu queria estapeá-lo por seu tom inocente, mas o prazer falava mais alto.
- Não faz isso comigo… – praticamente implorei.
- Fazer o quê? Não está gostando da minha aula, ?
- Hmmm – murmurei.
- Se você estiver muito apressada, eu posso ensiná-la de uma forma mais rápida. Mas não quero euforias, não gosto de bagunça durante a minha aula. – ele falava tão seriamente que quase me convenceu. Eu disse quase.
Sem que eu esperasse, ele literalmente envolveu minha intimidade com a boca, chupando-a com vontade. Arqueei as costas e apertei ainda mais o lençol. segurou firmemente minhas pernas, mantendo-me aberta para ele e deu alguns chupões no interior das minhas coxas antes de voltar à minha intimidade que pulsava descontroladamente. Ele distribuiu beijos molhados com a companhia de sua língua, fazendo pequenos e rápidos círculos por minha pele. Quando ele tocou meu clitóris com a língua, fazendo movimentos circulares, é que foi o meu fim.
Comecei a suar e gemer. Eu mesma já nem me reconhecia mais. Nunca havia sentido algo tão bom na minha vida. As sensações dominavam meu corpo e me arrebatavam de uma forma inexplicável. Eu não tinha palavras para descrever aquilo, eu só podia sentir. E como eu sentia... Sua língua passou por meus pequenos lábios e foram descendo até a minha entrada. parou e deu uma pequena soprada, antes de dizer:
- E ah, essa aqui é a sua vagina. Meu pênis ficaria perfeito aqui, você não acha, ? – apenas assenti nervosamente, sentindo seu hálito quente bater contra minha pele arrepiada. – Aposto que ele ia gostar... Parece-me tão quente e apertadinha.
Gemi, agarrando seus cabelos com minhas mãos.
Ele levou sua língua à minha entrada e lambeu demoradamente. – Você é tão gostosa, babe. Minha língua venera o seu sabor de mel. Diga-me, , você quer que eu te masturbe?
Assenti rapidamente já não conseguindo controlar a tensão acumulada em minhas partes baixas.
- Por favor, ... Por favor.
- Não consigo negar nada com você me pedindo assim. , ... Você é a minha perdição.
E você é a minha.
– pensei.
Sua língua voltou a me acariciar bem na minha entrada, fazendo movimentos rápidos e circulares, enquanto ele levava seu polegar ao meu clitóris e fazia os mesmos movimentos ritmados. mordiscou-me e eu não me aguentei. Por instinto, comecei a movimentar meu quadril contra sua boca, enquanto ele intensificava ainda mais os movimentos com o dedo e a língua. Agarrei seus cabelos com certa força, fazendo-o gemer roucamente, quando os espasmos se espalharam por meu corpo. Revirei os olhos e mordi o lábio inferior, gemendo alto e em bom som quando um arrepio dominou meu corpo inteiro e logo depois, acabei me desfazendo na boca de . Por mais que tivesse tentado afastar seu rosto quando senti que teria um orgasmo, ele não aceitou, continuando com sua boca maravilhosa em mim.
Meu corpo relaxou sobre a cama e eu suspirei. me olhou malicioso enquanto lambia seus lábios e se erguia em minha direção. Ele se deitou sobre mim e me olhou profundamente, antes de dizer:
- Seu gozo é uma delícia. Você bem mais gostosa do que eu imaginei, babe.
- ! – disse num tom de repreensão falhado, pois minha voz estava um pouco fraca e trêmula.
Ele riu e escondeu seu rosto na curvatura de meu pescoço suado, dando-me uma lambida seguida de uma chupada. Abracei seu corpo e fechei os olhos, apreciando a sensação do orgasmo e do calor de seu corpo sendo transmitido ao meu.

***


- Certo, senhora Grimmer, conte-me um pouco sobre a sua relação com seu marido. Aqui na sua ficha está claro que a senhora está passando por um momento de muita tensão com ele, mas eu gostaria que a senhora me contasse mais sobre isso. Quero que me diga o que mais te irrita, o que te magoa e também o que te alegra em relação a ele.
Senhora Grimmer usava roupas elegantes e era casada com um ricaço há anos, e pelo que a sua ficha consta, a senhora e o marido sempre se deram bem, mas de alguns anos para cá, tudo deu uma reviravolta e os dois estão quase a ponto de se separar. Posso dizer que a situação está tão tensa que os dois não dormem mais no mesmo quarto e que a senhora teve até que procurar aconselhamento psicológico já que seus nervos estão à flor da pele e ela quase matou o próprio marido ao jogar um vaso de flores em sua cabeça. Graças a Deus, não aconteceu algo de muito grave, fora os pontos que ele teve que levar na cabeça e os dias em que passou no hospital, sendo observado por vinte e quatro horas para que todos tivessem a certeza de que a pancada não afetara nada.
A senhora de cabelos grisalhos e olhos claros me encarou séria antes de suspirar e dizer:
- Mocinha, o que quer que eu diga? Estou sofrendo de um sério ataque de nervos por conta daquele desgraçado do meu marido que me trai há anos e tem o descaramento de agir como se nada estivesse acontecendo. Aquele filho da puta está muito enganado se acha que eu não sei dos casinhos dele com aquelas piranhas mais novas. Mal vejo a hora de me separar daquele traste e ficar com o dinheiro dele!
Encarei-a um pouco boquiaberta enquanto ela despejava insultos ao marido. Pisquei algumas vezes antes de fazer umas anotações em sua ficha. Voltei meu olhar até ela, que encarava suas unhas muito bem feitas, e ajeitei meus óculos.
- Certo, senhora Grimmer, mas não há nada de bom em seu marido que te agrade? Vocês devem ter passado por bons momentos juntos... Não há possibilidade de nenhum deles não ter te proporcionado felicidade.
- Certamente eu passei bons momentos com Yale, mas os maus momentos são muito mais fáceis de serem lembrados, pelo menos para mim. As mágoas pelas traições e as humilhações que aquele infeliz me fez passar com certeza vão ser retribuídas. Eu vou fazê-lo pagar por cada coisa que ele me fez, principalmente roubando o seu precioso dinheiro.
- A senhora não tem filhos?
Ela soltou uma risada sarcástica.
- Aquele imprestável não serviu nem para me engravidar! Preferiu continuar com as amantes a ter um filho comigo. Na verdade, acho que ele sempre soube que em algum momento, eu não ia mais aguentar viver ao lado dele. Se tivéssemos um filho, ele certamente herdaria tudo dele, então acho que Yale preferiu não ser pai para não perder o seu dinheirinho.
- Entendo. – balancei a cabeça afirmativamente, mesmo sabendo no meu interior que a senhora estava sendo um tanto dura ou até injusta com o senhor Grimmer.
Entretanto, como ela é a minha paciente, e não ele, prefiro dar prioridade aos seus pensamentos e conclusões, concordando prontamente com tudo o que ela diz. Uma das coisas que eu aprendi na faculdade foi que primeiramente, você tem que ouvir atentamente o seu paciente e concordar com praticamente tudo o que ele diz, ou pelo menos assentir, para que depois você possa aconselhá-lo e apontar quais pontos ele está errado e precisa endireitar.
- Bom, como é a primeira vez que eu a consulto, pretendo trazer uns exercícios de relaxamento somente na próxima sessão. Os exercícios vão ajudá-la a se acalmar e principalmente tranquilizá-la, para que o seu estresse não afete a sua saúde. Os exercícios são basicamente de respiração e de concentração. Vou trazer alguns objetos para que a senhora possa descontar neles, a sua raiva, sua mágoa e suas tristezas. Espero assim, ajudá-la.
Anotei em sua ficha, as atividades que eu tinha programadas para ela e voltei a encará-la.
- A senhora toma algum tipo de calmante? – perguntei.
- Sim, eu tomo Passiflorine.
- Certo, continue a tomar. Posso afirmar que a senhora dorme melhor com ele, huh?
Ela riu e assentiu, fazendo-me sorrir.
- Com certeza. Acho que eu nem conseguiria fechar os olhos senão tomasse o calmante.
- Posso saber quem o receitou e quantas vezes a senhora o toma?
- Foi o médico da minha família. Ele é o nosso médico há anos, sobre isso não precisa nem desconfiar. – assenti – E eu tomo um comprimido todos os dias, somente antes de dormir.
- Certo, e continue com somente um. Se a senhora exagerar, ficará tonta e com muito sono, além de afetar o funcionamento do seu corpo.
- Acha mesmo que esses tais exercícios vão funcionar, mocinha? Digamos que eu sou um pouco difícil de lidar.
Ri fraco.
- Sim, senhora. Percebi que você tem um temperamento muito difícil, mas vamos conseguir.
- Espero que os papéis do divórcio estejam prontos depressa. Não aguento mais esperar para me separar daquele encosto.
Olhei-a sem graça com suas palavras e apenas assenti em silêncio.

(...)


- Por favor, Leonard, coopere comigo. Se você não cooperar, não posso te ajudar. – tentei manter minha paciência que já estava à beira do copo, quase transbordando.
O garoto me olhou em silêncio com a sobrancelha arqueada. Levei um susto quando ele mascou o chiclete e fez uma bola, estourando-a em seguida. Ele riu com a minha expressão de susto e eu bufei, apoiando meus cotovelos no vidro na mesa. Tirei meus óculos e massageei minhas têmporas, fazendo um breve exercício de respiração para me acalmar e recuperar a paciência que aquele adolescente rebelde havia levado consigo nos minutos em que estava no meu consultório.
- Eu já te falei, doutora, que eu não preciso de ajuda. Quando você vai entender isso?
- Sinceramente, eu nunca vou entender, porque você sempre diz o exato oposto do que realmente está acontecendo com você. Em todas as sessões eu te pergunto como foi na escola, se você se comportou, e como sempre, você responde que está tudo bem e que não fez nada demais, sendo que uma hora antes de você chegar aqui, eu já recebi o seu relatório escolar alegando mal comportamento e agressividade. Por que insiste em mentir para mim, Leonard? Por que não se abre comigo?!
- Por que você não se abre, doutorazinha? – ele me lançou um olhar sugestivo enquanto mascava seu chiclete. Fiz uma leve expressão de desgosto com seu olhar malicioso sobre mim e sua pergunta cheia de segundas intenções.
- Eu peço que me respeite, Leonard. Tenho idade para ser sua irmã mais velha. E nesse exato instante, eu sou sua psicóloga. Então peço, por favor, que guarde seus hormônios para si mesmo. – pedi com educação, mas com firmeza na voz, o que o fez rir e erguer as mãos ao alto.
- Foi mal, senhorita psicóloga. Eu só fiz uma simples pergunta.
Suspirei e coloquei os óculos, voltando meu olhar para a sua ficha aberta à minha frente.
- Continuando... Se você permitir, é claro.
- E se eu não permitir? – o encarei ao ouvir sua pergunta e entortei meus lábios.
- Sobre o que prefere falar? – ignorei seu tom rude – Drogas? Sexo? Rock and Roll?
- É uma boa! – pela primeira vez, ele demonstrou alguma animação e eu suspirei, contendo um sorriso.
- Bom, quais são as suas bandas de rock favoritas? – perguntei interessada, apoiando-me na mesa.
- São muitas, mas eu posso afirmar que Guns N’ Roses, Slipknot e Avenged Sevenfold são as melhores na minha opinião. E as suas?
- Não ouço muito rock, mas gosto muito de Paramore e Evanescence.
- Paramore é mais rock alternativo do que rock pesado. Ainda mais com o último álbum deles... Não sei. Eles já foram melhores!
Sorri ao ver Leonard tendo uma conversa civilizada comigo e me recostei à cadeira confortável.
- Eu gosto muito deles. Não gosto de heavy metal ou esse tipo de coisa, então, prefiro ficar com Paramore mesmo. – ele riu e eu o acompanhei. – Pelo que eu vejo aqui, Leonard, vamos ser parceiros de debates sobre bandas de rock. Talvez possamos ser amigos, certo?
O adolescente fez uma expressão pensativa e entortou os lábios.
- Talvez... Mas ainda assim, não pretendo contar muito sobre mim a você.
- E se eu usar blusas de bandas de rock enquanto eu te consulto? Posso ser uma das suas amigas roqueiras. O que acha? – eu e minhas maravilhosas ideias. Não sei de onde tiro tanta coisa.
- Vou pensar no seu caso. – ele disse e eu sorri.
- Tem um chiclete aí, parceiro?
Leonard riu e enfiou a mão no bolso da jaqueta, tirando um chiclete. Ele me entregou e eu logo o abri e levei à boca, mastigando exatamente do mesmo jeito que ele mastigava; de uma maneira desleixada, como se não me importasse com nada ao meu redor. Sentei-me da mesma forma desleixada na cadeira, imitando seu jeito rebelde, e Leonard riu enquanto acompanhava meus movimentos com o olhar.
- Acho que já posso entrar para o seu grupo de adolescentes rebeldes, huh? – coloquei os braços por trás de minha cabeça e o encarei debochada, mastigando o chiclete e arqueando a sobrancelha.
- Está quase lá. – eu sabia que seu jeito era difícil de lidar, então, eu considerei sua resposta como um ‘’sim’’, já que Leonard sorria.
Eu ia com calma com Leonard. Tentaria me entrosar e quando ele sentisse confiança em mim, eu começaria a perguntar sobre sua família, seu uso de drogas e sobre sua vida escolar e pessoal. Acredito que com o tempo, eu conseguiria fazer com que ele me respondesse sem ser rude e sem esconder informações essenciais para que eu pudesse entendê-lo e ajudá-lo a mudar. Eu não queria que ele mudasse o seu jeito ou sua forma de se vestir, eu somente queria ajudá-lo a ver o mundo de outra forma, sem agressividade, se dando bem com os colegas, com a família e com todos ao seu redor. Leonard tem uma personalidade forte e eu admiro isso nele, já que eu também tenho e me identifico.

(...)


Sentei-me em um dos bancos de frente para a mesinha alta e dei um gole em meu café. O intervalo tinha acabado de começar e eu pude relaxar um pouco, tomando um bom café enquanto respirava fundo e pensava nas minhas consultas anteriores. Por enquanto, havia sido somente a senhora Grimmer e Leonard, mas mais tarde, seriam Monica, Ayumi e Edward. Monica era uma mulher de vinte e oito anos que sofria com o término de um recente relacionamento. Como amava muito o ex-namorado, ela teve um colapso nervoso e se afundou na depressão, basicamente vivendo à base de sorvete e caixas de chocolate enquanto assistia a filmes românticos na televisão. Ayumi era uma menininha de oito anos e de descendência japonesa; a separação de seus pais há alguns meses afetou o seu psicológico e sua mãe achou melhor trazê-la a um psicólogo para que ela aprendesse a lidar com toda a situação.
E por último, Edward, que tinha trinta e dois anos. Ele é o segundo mais velho dos meus pacientes fixos de toda semana, e sofre de uma séria obsessão por mulheres. Mesmo sendo recém-casado, Edward não consegue se controlar em relação às mulheres. Qualquer pessoa do sexo oposto que passa pela sua frente, já chama sua atenção e como o mesmo diz, ele não consegue se controlar. Edward diz que ama a sua esposa incondicionalmente, mas que é algo incontrolável para ele, e que tudo começou quando tinha treze anos e deu seu primeiro beijo. Ele alega que a partir daí, conheceu um novo universo e que não consegue mais controlar suas atrações.
Eu ria internamente enquanto ele me contava tudo, já que fora obrigado pela esposa a se consultar com um psicólogo. Sendo do jeito que é, obviamente ele já deu em cima de mim, mas consegui segurar as rédeas da situação e praticamente o obriguei a me ver somente como sua psicóloga, sem mais nenhuma segunda intenção. Não sei por que, mas Edward levemente fazia-me lembrar de ; o jeito galanteador e com um ar de superioridade, deixando claro que sabe o quanto é irresistível, conseguiam deixar qualquer mulher intimidada e um tanto atraída.
Entretanto, comigo era diferente. Ele não podia usar suas técnicas de sedução, nem nada do tipo, pois eu já lhe lançava meus olhares duros e repreensivos, que o deixavam extremamente sem graça.
Meu rápido resumo mental sobre meus pacientes foi interrompido ao perceber que alguém havia se juntado a mim. Vi Noemi sentar à minha frente, segurando seu copo de café, e sorrindo.
- Desculpe interromper seus pensamentos. – ela disse e eu neguei.
- Não foi nada. Eu só estava pensando em meus pacientes.
- Algum problema com um deles? – sua expressão era de preocupação e eu lhe lancei um sorriso amigável, demonstrando que não havia nada de errado.
- Não. Só estava pensando mesmo. Eu tenho essa mania... De pensar. – Noemi riu fraco.
- Hmm, veja só se não é o doutor Cooper se aproximando. – ela lançou um olhar malicioso em sua direção enquanto tomava seu café.
Olhei por cima de meus ombros e vi quando o mesmo passava por alguns funcionários, cumprimentando-os e mostrando aquele lindo sorriso brilhante para quem quisesse apreciar. Suspirei encantada com seu andar e seu sorriso. Não que eu estivesse interessada nele, claro que não. Mas sendo um homem tão bonito e charmoso, era impossível não olhar e admirar. Matthew Cooper era o médico mais cobiçado do hospital, de acordo com as mulheres. Esbanjando simpatia e charme, ele se aproximava de nós. Matt – como eu passei a chamá-lo por insistência do mesmo – me abraçou por trás e depositou um beijo em meu cabelo amarrado em um rabo de cavalo. Sentou-se ao meu lado e atacou meu folheado de queijo.
- Hey! Eu ia comer! – exclamei.
- Foi mal, estou com fome. Depois te compro outro. – deu de ombros enquanto mastigava e voltei a tomar meu café.
Noemi o encarava quase que hipnotizada. Ri internamente. Posso dizer que Noemi tinha uma quedinha, ou melhor, um abismo, por Matt. Mas abismo este, que ela tratava de esconder com todas as suas forças, não querendo que ninguém soubesse de nada, já que supostamente, Matt tinha namorada. Noemi ainda demonstrava sua indignação quando conversava comigo, por saber que ele estava com seus vinte e sete anos e já era comprometido. Eu simplesmente ria, sem saber o que lhe falar ao certo. Matt, Noemi e eu nos tornamos inseparáveis desde o dia em que comecei a trabalhar nesse hospital. Matt, principalmente, foi super simpático em me mostrar todo o hospital logo depois do diretor ter vindo me dar as boas-vindas.
Desde então, eu adquiri um imenso carinho por ele. Ele era como um irmão mais velho que eu não tive. Não posso nem expor esse meu pensamento em voz alta perto de , já que ele me cortaria em pedaços e me atiraria aos tubarões. Mas em nenhum momento eu falei que também não era considerado meu irmão. O fato é que como Matt era mais velho do que todos, ele era o meu irmão mais velho. Eu já estava cansada de explicar isso a , mas ele parecia nunca entender. também ficou com ciúmes quando eu contei sobre Noemi, mas ela pareceu aceitar melhor. É claro, sempre deixando bem esclarecido que ela era, é e sempre será a minha única melhor amiga.
- E aí, Neiomi? – disse Matt e eu segurei o riso. Matt sempre errava o nome dela de propósito, só para vê-la irritada, com quase fumaça saindo de suas orelhas.
- É Noemi. – ela consertou, fazendo careta. Vi a mesma apertar levemente o copo de café, depositando sua raiva no isopor.
- É mesmo? – ele ergueu a sobrancelha e eu lhe cutuquei com o cotovelo, repreendendo sua provocação. – Foi mal, mas é que seu nome é muito difícil. Noemi, Noemi, Noemi... – repetia, deixando minha amiga ainda mais irritada.
Ela amassou um guardanapo e jogou contra o rosto dele, provocando uma risada de sua parte.
- Já te falaram que você é muito irritante, Matthew? Nos conhecemos há anos e mesmo assim, você insiste em me tirar do sério. Troca a fita, por favor. – ela voltou a bebericar seu café enquanto o fitava com desdém.
- Desculpa aí, moça. Não quis irritar a senhorita de pavio curto. – deu de ombros e eu apenas observava a cena em silêncio até decidir me pronunciar.
- Ahn, Matt, como foram suas consultas? – perguntei.
Noemi e Matt pararam de trocar provocações pelo olhar e ele me fitou, sorrindo de canto.
- Tudo perfeito. Muitas vaginas interessantes. – respondeu e eu senti minhas bochechas corarem.
Já mencionei que Matthew é ginecologista? Não? Pois é, esqueci-me desse pequeno detalhe.
Matthew percebeu meu silêncio e de Noemi e riu.
- Estou brincando, moças, mas foi tudo bem. Bem tranquilo, na verdade. E você? Como foi com seus pacientes?
- Até que hoje consegui um avanço. Leonard está menos agressivo comigo e a senhora Grimmer só soube falar mal do marido, mas pelo menos, não me ofendeu em nenhum momento. – ri baixo e ele me acompanhou.
- Então quer dizer que o adolescente rebelde está mais manso? Wow! Temos um avanço aqui!
- Estou me sentindo excluída da conversa de vocês já que não estudei medicina e sou uma mera recepcionista. – Noemi nos interrompeu e eu lhe lancei um olhar carinhoso.
- Não fique assim, amiga. Você é muito importante e faz parte da nossa rotina. – apertei sua mão por cima da mesa.
- Exatamente! A quem mais eu pediria o meu café matinal? É claro que você é de suma importância para esse hospital. – Matt e suas provocações. Rolei os olhos.
- Está sabendo que isso é exploração, não é? Meu trabalho não é lhe servir cafezinhos, doutor Cooper. Agora com licença que eu tenho mais o que fazer. Preciso organizar as fichas de pacientes do doutor Somers. – Noemi se levantou e me lançou um breve olhar amigável antes de arrumar sua saia e se afastar, sem dar uma única olhada na direção de Matt.
Olhei-o repreensiva e cruzei os braços.
Deu de ombros e me olhou com uma expressão inocente. – O que eu fiz?
- Precisava falar aquilo? Noemi é nossa amiga.
- Mas eu não falei nada demais! Eu estava brincando, . E Noemi sabe disso... Não sabe?
- Não sei. Acho bom você consertar as coisas com ela depois.
Matt bufou e voltou a comer o folheado que tinha me roubado.

(...)


Depois de todas as consultas, eu arrumei minhas coisas na bolsa, tirei meu jaleco, pendurando-o em seu lugar, e saí do consultório. Passei pela recepção e Noemi já havia terminado seu expediente, dando lugar a outra moça a qual eu nem sabia o nome. Mesmo assim, eu a cumprimentei. Já na porta do hospital, senti meu celular tocar em minha bolsa e o peguei rapidamente, vendo que se tratava de .
- Hey. – respondi ao mesmo tempo em que estendia a mão para o táxi que se aproximava.
- Hey, . Liguei para saber se posso te fazer uma visita. Estou me sentindo tão sozinho nessa casa. – sua voz de carência me fez rir baixo. – Meu pai teve que fazer outra viagem a trabalho e como não tenho nada da faculdade para fazer, então...
- Claro que você pode me visitar. Eu ia adorar. – falei antes que ele terminasse. – Eu estou indo para casa agora. Acabei de sair do hospital.
- Oh, quer que eu te busque? – sorri com sua pergunta.
- Não é necessário. Já estou quase chegando. – na verdade, eu tinha acabado de entrar no táxi, mas tudo bem.
- Certo. Daqui uns trinta minutos eu estarei no seu apartamento, okay?
- Okay.
- Até lá.
- Até! – desliguei com um sorriso imenso no rosto. Sempre que eu terminava uma chamada com , eu sentia meu coração bater mais rápido.
Oh, Deus. Eu estou tão apaixonada.
Entrei em meu apartamento e antes mesmo que eu pudesse dar mais um passo, senti braços fortes me abraçando por trás. Sorri ao saber que se tratava de e o mesmo fechou a porta, logo tirando minha bolsa do ombro e a jogando no sofá. Admirei sua pontaria, já que estávamos a uma distância considerável do mesmo. Estremeci ao sentir seus lábios macios contra meu pescoço, distribuindo beijos suaves e molhados.
- , eu estou com cheiro de hospital. – tentei me desvencilhar dele, mas o mesmo me apertou ainda mais forte contra seu corpo.
- Não me importo. Você fica ainda mais sexy com esse cheiro. – ri de seu sussurro e ele mordiscou o lóbulo de minha orelha. – Hoje vamos ter aula?
- Hm, não... – neguei, pensando se eu devia falar o motivo ou não.
- E por que, ma chérie? Eu queria fazer uma revisão do que já te ensinei até aqui. – seus beijos em meu pescoço continuavam enquanto ele acariciava minha cintura por debaixo da blusa.
Tentando mudar de assunto por um momento, eu disse:
- Eu já até desisti de fazer terapia com você. – ri e ele acompanhou. Sua risada fraca em meu ouvido me fez arrepiar. – , você é um caso perdido.
- E o que te fez desistir de mim, doutora Wright? Foi o sexo oral que eu fiz em você ontem? – ele sussurrou a última parte, dando-me outra mordida na orelha.
- Não... Eu simplesmente me convenci de que você não tem salvação. – dei de ombros. – Você é um ninfomaníaco, .
- Então essa é a conclusão da minha psicóloga? Que sou um louco por sexo? Que triste! – seu tom falso de tristeza me fez sorrir.
- Não finja estar surpreso. Você já sabia desse diagnóstico, senhor. Então, eu jogo minhas tentativas e teorias ao vento, já que sei que elas nunca funcionarão com você!
- Hmm, muito bom. – ele sorriu contra meu pescoço. – Gosto disso. Assim, tenho mais liberdade para fazer com você o que eu quiser.
Fiquei em silêncio com seu comentário, sentindo minha vergonha se apossar de meu corpo, como já era comum quando eu estava com .
- Ah, você ainda não me disse o porquê de não podermos ter aula hoje. – voltou ao assunto.
Droga.
- É que... B-Bem... – gaguejei e me virou um pouco, olhando-me com a testa franzida.
- ?
- O está vindo me visitar. Mais precisamente, em meia hora. – despejei tudo de uma vez e fechou a expressão, largando-me no segundo seguinte e se afastando.
- Mas será possível?! – ele ergueu as mãos, colocando-as sobre a cabeça em seguida. Foi aí que eu percebi que seu cabelo estava molhado e ele não usava uma camisa. Quase babei pela visão a minha frente, mas me recompus, balançando a cabeça. – Será que eu vou ter que pôr uma placa nessa porta com os dizeres ‘’Proibida a entrada de ’’? Em letras bem grandes e legíveis com um pequeno tom em neon, de preferência!
- Não acha melhor trocar o nome para Olivia Hastings? – cruzei os braços, erguendo a sobrancelha.
- Eu não quero brigar com você por causa disso de novo, . Você sabe muito bem que eu tenho ciúmes de você com aquele cara e continua com essa palhaçada de colocá-lo sob o mesmo teto que eu. Isso vai acabar em merda. Já vou logo avisando.
Por um instante, senti meu estômago embrulhar e meu coração acelerar ao ouvir que ele tinha ciúmes de mim por mais uma vez. parecia não hesitar mais em confessar tal sentimento e eu não sabia o porquê, mas esse simples fato me deixava eufórica, como se fogos de artifício explodissem dentro de mim.
- Eu também sinto ciúmes de você com a Olivia, e o que você faz em relação a isso? Nada! – bufou com minhas palavras e se aproximou, parando a minha frente.
- Mas eu não chamei a Olivia para cá, ao contrário de você.
- Eu também não chamei o ! – exclamei um tanto irritada – Ele me ligou perguntando se podia vir e eu apenas disse que sim. Eu não ia negar isso a ele, !
- Ah, então se fosse o inverso, eu teria que negar a presença de Olivia nesse apartamento? – perguntou no seu costumeiro tom debochado.
- É óbvio que sim! Já te falei que o apartamento é mais meu do que seu! – dei de ombros.
- E eu já deixei claro que você está errada! Meio a meio, , lembra-se disso?
- Na verdade, não. – dei de ombros, afastando-me. – Ah, , trate, por favor, de dar uma arrumadinha no seu quarto. Ele está muito bagunçado, e se no caso, eu quiser fazer um tour pelo apartamento com , não vai ser muito legal ele entrar num quarto como o seu.
Mandei um beijo em sua direção, vendo bufar irritado e cerrar os punhos. Segurei um riso e fui em direção ao banheiro para tomar banho. Já devia ter se passado os trinta minutos, pois quando estava terminando de me vestir, a campainha tocou. Coloquei minha cabeça para fora do quarto e vi quando – já devidamente vestido com uma camisa – abriu a porta e deixou entrar, cumprimentando-o com a maior falsidade do mundo. Voltei ao meu quarto e terminei de vestir meu vestido. Hoje eu pude me vestir melhor já que sabia da vinda de . Coloquei um dos vestidos de alça que havia me ajudado a comprar, calcei uma sandália e penteei meus cabelos, deixando-os cair nos ombros.
Corri até a minha cômoda e peguei a caixinha com as lentes de contato. Já experiente no assunto, coloquei-as sem nenhuma dificuldade e passei um pouquinho de perfume, dando uma rápida olhada no espelho antes de respirar fundo e sair do quarto. Passei pelo corredor e me aproximei da sala, vendo e sentados no sofá, assistindo a algo na televisão. sorriu ao me ver e eu retribuí o sorriso ao vê-lo se levantar. Ele me deu um beijo na bochecha assim que fiquei a sua frente.
- Oi, . – o cumprimentei amigavelmente. Apesar de estarmos praticamente ficando, eu ainda ficava um pouco tímida e preferia tratá-lo como um bom amigo. Eu nunca havia ficado com alguém antes e tudo isso era um tanto novo para mim.
- Oi, . Você está muito bonita. – ele me deu uma rápida girada e eu sorri, corada.
- Obrigada. Quer comer ou beber algo? – através dos ombros de vi semicerrar os olhos ao ouvir minha pergunta. Não, , não é comer nesse sentido que você está pensando.
- Ah, eu gostaria de um copo d’água. – ele coçou a nuca, visivelmente sem jeito.
- Acho que vou te servir um copo de suco. É melhor.
- Certo. – ele assentiu, sorrindo – Ahn, onde é o banheiro?
- No fim do corredor. – informei.
Fui até a cozinha enquanto desaparecia pelo corredor e entrava no banheiro. Abri a geladeira e peguei a caixinha de suco, quase a derrubando ao me virar e ver atrás de mim. Como ele estava apenas de meias, nem senti quando ele se aproximou.
- Que susto! Meu Deus! – fechei a porta da geladeira, pegando um copo e começando a servir o suco.
- Você está uma delícia nesse vestido. – sussurrou em meu ouvido, passando sua mão lentamente por minha coxa desnuda, fazendo uma carícia de baixo a cima.
Estremeci e tentei o empurrar com a perna, mas seu corpo firme continuou no mesmo lugar.
- , está aqui. Por favor, controle-se. – falei entre dentes. Ele riu em minha orelha e deu um leve aperto em minha coxa. Dei um pequeno pulo por não esperar essa ação. podia ser um tanto imprevisível às vezes.
- Vou ter que ter muito autocontrole mesmo para não te beijar na frente dele. – sua mão foi até meu cabelo, tirando uma mecha que o impedia de ter uma visão do meu rosto. – Se esse empata foda não estivesse aqui, a gente bem que podia...
- Quem disse que íamos transar? – interrompi sua fala e ele ergueu sua sobrancelha sugestiva, sorrindo cafajeste. – Só em seus sonhos, .
- Nos meus sonhos você está todos os dias, pequena . – sussurrou em meu ouvido.
Ouvi a porta do banheiro sendo aberta e terminei de servir o suco, fechando a caixa. virou meu rosto repentinamente e depositou um selinho casto em meus lábios, antes de se afastar e ir até a sala, jogando-se no sofá. Balancei a cabeça negativamente e se aproximou, sorrindo. Estendi o copo em sua direção e ele agradeceu.
- Vou tentar preparar algo para a gente comer. – avisei.
Ele se sentou ao lado de e os dois ficaram assistindo a um jogo de basquete. Algum tempo depois, enquanto eu separava algumas torradas na bandeja, ouvi dizer a seguinte frase para :
- Vou ajudar a .
Danou-se, para não dizer outra coisa…
Logo senti sua presença ao meu lado e de canto de olho, o vi sorrindo maroto. começou a me ajudar, como havia dito, mas sempre me provocando com suas carícias discretas. Engoli em seco, ainda pensando em a menos de um metro de nós. Virei meu corpo e o vi ainda sentado no sofá, concentrado no jogo. Respirei fundo e voltei minha atenção para frente, olhando para as coisas sobre a bancada da pia.
passou para o outro lado, na intenção de pegar algum outro ingrediente para fazer um patê para comermos com as torradas.
- Gostosa. – sussurrou contra minha nuca. Os pelinhos da mesma se arrepiaram com seu hálito quente e eu reprimi um sorrisinho. Afinal, aquilo não tinha graça nenhuma. estava pondo tudo a perder com aquela atitude infantil.
- Eu queria te dar uns amassos sobre essa bancada. – sussurrou na volta e eu suspirei.
Ele chegou mais perto de mim, praticamente roçando nossos braços descobertos, o que me causou um leve arrepio. Observei seus movimentos com um olhar discreto e vi quando ele dobrou sua perna, logo após tirar uma das meias, e levou seu pé à minha panturrilha, acariciando com as pontas dos dedos. Ele parecia ter prazer em roçar nossas peles de alguma forma e aquilo me fez arfar por alguns instantes. Oh, droga, !
Levou sua mão disponível até a parte de trás de minha coxa, começando a acariciá-la. Graças à bancada alta do outro lado, não tinha a visão dos movimentos de cima para baixo de , e eu agradeci mentalmente por esse fato. levantou um pouco meu vestido conforme subiu as carícias e pousou sua mão em um dos lados de minha bunda. Aquele lugar pareceu queimar com o calor de sua mão e eu suspirei, balançando a cabeça negativamente, e mesmo assim, continuando a fazer o lanche. Nós dois agíamos como se nada estivesse acontecendo, e isso eu agradeci a : ele sabia ser discreto. E como sabia. Até me lembrei do ocorrido debaixo da mesa no feriado de quatro de julho.
Ele apertou minha bunda e eu sem querer, acabei dando um impulso para frente, pega pela surpresa. Olhei-o com repreensão e ele sorriu, mordendo o canto do lábio inferior.
- , – meu tom era firme e repreensivo.
- Amo quando você diz meu sobrenome dessa forma. Soa tão sexy e erótico para mim. – sussurrou de volta, dando-me um rápido beijo atrás da orelha.
Voltei à sala quando terminamos de preparar o lanche. Coloquei a bandeja sobre a mesinha de centro e me joguei no sofá, no meio de e . Senti os olhares de sobre mim e quando o mesmo envolvia meu corpo com os braços, dava beijos na minha bochecha ou passava os braços sobre meus ombros. pigarreou e eu o olhei.
- Ahn, , será que poderíamos ter uma rápida conversinha ali no meu quarto?
Semicerrei os olhos, mas assenti.
- Com licença, . – levantei-me e fez o mesmo. – Já volto.
- Okay. – ele sorriu. Percebi que ele ainda estava muito vidrado no jogo. Parecia ser uma partida importante.
Andei com até seu quarto e o mesmo fechou a porta assim que entramos. Olhei em volta e entortei o nariz ao ver o quarto exatamente do mesmo jeito de ontem: roupas espalhadas pelo chão e pela cama. Alguns papéis que deviam ser do seu trabalho, também estava sobre a cama, juntos à sua pasta.
- Eu odeio a bagunça que é o seu quarto. Você disse que não era bagunceiro quando eu te... – ele nem esperou que eu terminasse meu sermão.
prensou-me contra a parede ao lado da porta e colou nossos corpos e lábios, começando um beijo desesperado e sedento. Ele forçou meu corpo para cima e eu cedi, deixando-o me segurar pelas coxas, envolvendo-as em seu quadril. Sua língua sedenta e agitada pediu passagem e eu o deixei aprofundar o beijo, já que não tinha outra opção. Envolvi seu pescoço com meus braços, sentindo o cheiro de sabonete do seu corpo ser transmitido ao meu. Passei minhas unhas curtas por sua nuca e ronronou contra meus lábios. Seria muito estranho se eu o comparasse a um gatinho? Acho que não, não é?
Ele colocou suas mãos por dentro de minha blusa, tocando a pele de minha cintura com as pontas de seus dedos quentes e macios. Pressionou-me ainda mais contra a parede, como uma forma de me segurar para que eu não caísse, e me beijou ainda mais intensamente. Apertou minha cintura e eu apertei sua nuca de volta, tentando ao máximo acompanhar seu beijo desesperado e rápido. Envolvi alguns cabelos de sua nuca com meus dedos e o puxei suavemente, provocando um gemido rouco de . Ele sugou meu lábio e o mordiscou, puxando-o um pouco para si, e logo voltando a atacar meus lábios. Sua língua encostando-se a minha, me causou um arrepio incomparável a qualquer outro e esse arrepio ficou ainda mais intenso quando ele a chupou e puxou meus cabelos levemente.
Ofegante, eu separei meus lábios dos seus, e resmungou, não gostando nem um pouco da ideia. Ri fraco e encostei minha testa em seu ombro, tentando regularizar minha respiração. Ele deu um beijo molhado e demorado em meu pescoço e disse:
- Eu estava quase enlouquecendo sem te beijar. Por favor, não me deixe mais em abstinência de você.
Sorri e o abracei, sentindo seu cheiro ao roçar meu nariz em seu pescoço.
- Não vou, senhor .


Capítulo 22 – Um Turbilhão de Sensações

Terminei de vestir minha camisa de beisebol e calça jeans. Amarrei os cadarços dos meus tênis e fui até o espelho, dando uma última ajeitada no boné dos Yankees que eu usava. e tiveram a ideia de ir ao jogo de beisebol que aconteceria hoje no Estádio dos Yankees, e adivinha quem foi pega de surpresa? Isso mesmo. Eu! Eu estava no meio de análises psicológicas de meus pacientes quando e entraram no meu apartamento como dois furacões, quase derrubando a porta, dizendo para eu me apressar que eles conseguiram ingressos de última hora para o jogo e que eu devia ir de qualquer jeito. , como não é bobo nem nada, se autoconvidou, e eu estou aqui agora, arrumando-me o mais rápido que posso.
- Dois minutos ou saímos sem você, . – ouvi dar rápidas batidas na porta.
Bufei e peguei minha bolsa com meus documentos, dinheiro e celular, logo saindo do quarto e indo até a sala.
- Pronto, já estou aqui.
- Onde está o ? – perguntou e eu levantei os ombros, deixando claro que não sabia de seu paradeiro.
- A princesa ainda deve estar se arrumando. Demora mais do que mulher.
quase cuspiu o suco que bebia e o acudiu, já que ele tossia sem parar, não deixando de rir de meu inocente comentário.
- Estou aqui. – disse atrás de mim, fazendo-me dar um pequeno pulo de susto. – E eu ouvi o que você disse a meu respeito, querida . – fez um pequeno som, estalando a língua no céu da boca. – Que vergonha. Falando do coleguinha de apartamento pelas costas. Você não ia querer que eu te desse um corretivo... Ou ia? – ergui a sobrancelha ao ver seu olhar sugestivo e rolei os olhos.
Dei um tapa na aba de seu boné, que acabou cobrindo seus olhos e ri. entortou os lábios enquanto arrumava seu boné no lugar e me lançou um olhar sério, que eu fiz questão de ignorar.
- Okay, gente, vamos logo! Não quero perder o jogo. – nos apressou enquanto nos empurrava.
Saímos do apartamento e assim que terminei de trancar a porta, virei o rosto e vi meus amigos quase entrando no elevador, obviamente me deixando para trás.
- Hey! Esperem por mim! – gritei afoita, correndo na direção deles.
Consegui entrar no elevador antes que a porta se fechasse e lancei um olhar bravo para eles, que apenas riram e me abraçaram.

°°°


- Vai, Yankees! – e eu gritamos, levantando as mãos. – , vai comprar mais pipoca para mim. – empurrei o pote em seu peito e ele me olhou com incredulidade, gargalhando em seguida.
- Você só pode estar de brincadeira, não é? – cruzei os braços e lhe encarei. – , olha bem para a minha cara e vê se eu vou mesmo levantar daqui e ir até quase o outro lado do estádio só para comprar pipoca para você. Sem condições, moça.
Revirei os olhos.
- Ah, qual é, ? Faça essa caridade por pelo menos uma vez na sua vida!
Ele direcionou seu olhar ao jogo e logo depois, voltou a me encarar.
- E o que eu vou ganhar com isso? – ergueu uma das sobrancelhas.
- Será que você ouviu o que eu disse? Eu disse caridade. Você faz caridade sem esperar nada em troca, ou você só faz as coisas em troca de algo? Credo.
Ele riu.
- Eu ouvi bem o que você disse, mas eu não quero fazer uma caridade. Se for para eu fazer algo, vai ser por favor, e ainda quero outra coisa em troca. Se não for assim, não tem acordo.
Rolei os olhos – por mais uma vez – e disse:
- Okay, o que você quer?
- Eu quero que você faça uma viagem para o Canadá comigo.
Franzi o cenho.
- O quê? Por quê? Quando?
- Wow! Uma pergunta de cada vez. – ele riu, levando uma de suas pipocas à boca. – Eu quero que você conheça a minha família. Assim como eu conheci a sua, quero que conheça a minha. Pretendo viajar daqui um mês para fazer uma breve visita de um final de semana. Seria bem legal se você fosse comigo, colega de apartamento.
Conhecer a família dele? Por quê? O que quer com isso?
- Beleza, , o que você quer com isso? – dei voz à minha pergunta, enquanto me virava em sua direção.
- Será que você sempre tem que achar que há alguma coisa por trás das coisas que eu faço, peço ou digo? Para que tanta desconfiança, ?
- Porque eu te conheço. Nem que seja um pouco, mas conheço, e por trás dos seus pedidos, tem sempre uma mentezinha maquiavélica. E no caso, essa mente é a sua.
gargalhou e enxugou os resquícios de lágrimas nos cantos dos olhos enquanto eu ainda o encarava séria e pensativa com sua proposta.
- Acredite em mim, não há nada demais dessa vez. É só um final de semana... Logo estaremos de volta. Vai ser legal te mostrar os lugares que eu frequentava quando era criança, assim como você fez comigo. Eu posso até te ensinar a esquiar. O que acha? – seu tom animador chegou a me contagiar um pouco. Eu disse um pouco.
- Hm, não sei.
- Ah, vamos, ! Deixe de ser uma velha e aprenda a aproveitar a vida! – ele exclamou e eu o olhei, boquiaberta.
- Eu não sou velha!
- Já te falei que você se parece com uma. E nem tente negar ou argumentar, pois você mesma sabe que estou falando a verdade. – apontou em minha direção e eu me aproximei, quase mordendo-lhe o dedo indicador se ele não tivesse o afastado depressa.
Nossa atenção foi desviada de volta ao jogo quando as pessoas começaram a gritar e comemoram com seus dedões de espuma. Levantamo-nos de nossos assentos e observamos o Home Run que havia acabado de acontecer.
Levantamos as mãos em comemoração e por impulso, e eu nos abraçamos. Aproveitei a situação e sussurrei em seu ouvido:
- Eu aceito a sua proposta.
Ele sorriu para mim assim que nos separamos e assentiu.
- Ótimo. Agora, eu posso comprar a sua pipoca. – ele pegou o pote – Mas você vem comigo.
- O quê? Não, ... – puxou-me pelo braço antes que eu pudesse protestar ainda mais e fez um sinal com o dedo indicador para que eu parasse de falar.
Bufei inconformada, e deixei com que ele me arrastasse pelo braço. Passamos pelas pessoas e subimos as escadarias. Andamos um pouco mais até chegar à pequena cantina que era propriedade do próprio Estádio dos Yankees. Enquanto nós esperávamos pela pipoca, encostei-me ao balcão e olhei para .
- , eu posso fazer uma pergunta?
- Depende. É relacionada a sexo?
Arregalei um pouco os olhos e senti meu rosto esquentar ao ver a moça da pipoca nos olhando assim que ouviu a pergunta dele.
- ... – o repreendi com a voz baixa.
- O quê? – pegou a pipoca, dando de ombros. – Todos fazem sexo. Não precisa ter vergonha por causa disso.
- Não, , minha pergunta não é sobre sexo. – respondi apressada e ele fez uma expressão de decepção, acompanhada de um pequeno bico.
- Ah, que pena... Eu adoraria responder às suas perguntas relacionadas a sexo. – sorriu malicioso e eu bufei, dando-lhe as costas e voltando a andar. – Ei, espera aí, apressadinha! – segurou-me pelo braço. – Qual é a sua pergunta, então?
Suspirei e desviei o olhar.
- Por que você não convida a Olivia para ir com você? – admito que perguntei rápido e baixo demais, o que resultou em uma careta de confusão da parte dele. Ele levou uma pipoca à boca e mastigou lentamente enquanto me encarava.
- O quê? – perguntou calmamente. – Desculpa, mas será que dá para repetir? Porque parece que tem um ovo na sua boca. Uma boca muito gostosa por sinal.
- ! – dei-lhe um tapa no ombro. – Eu perguntei por que você não leva a Olivia com você para o Canadá... Afinal, ela é sua namorada.
- Ah, isso. – ele rolou os olhos, colocando uma das mãos dentro do bolso da calça. – Talvez seja porque meus pais já conhecem a Olivia desde que éramos pirralhos de fraldas, e eles não conhecem você, minha colega de apartamento. Acho que assim como a maioria das pessoas, meus pais e irmã gostam de conhecer pessoas novas, você não acha? – seu tom sarcástico me fez bufar. – Às vezes, é bom sair da zona de conforto.
- Isso foi uma indireta? – ergui a sobrancelha.
- Se a camisinha serviu...
Okay, isso foi ridículo.
- Camisinha?! – gargalhei alto, chamando a atenção de outras pessoas que passavam por nós. Tampei a boca com minha própria mão, já sentindo a timidez me atingir novamente no meio de tantos olhares. – Quem fala isso, cara? Ah, sim, !
- Vamos voltar aos nossos lugares antes que eu mude de ideia e te empurre para qualquer banheiro por perto para te dar uns amassos. – ele envolveu meu pescoço com o braço e começou a andar, levando-me junto.
Depois do jogo, fomos à uma pizzaria para comemorar a vitória dos Yankees. Enquanto eu comia minha fatia de pizza de mussarela e consequentemente, me sujava com o queijo derretido, senti mexer em meu boné, virando a aba para trás, deixando-o como o seu. Uma corrente fria adentrou a pizzaria e me atingiu, já que eu estava sentada perto da porta. Logo me arrepiei por não estar usando casaco. Culpei mentalmente meus amigos por me apressarem tanto que nem deu tempo de pegar algo para o tempo frio que tomava conta de Nova York. Passei as mãos por meus braços descobertos e me surpreendi quando vi tirar o seu casaco de moletom e me entregar.
Olhei para o casaco em suas mãos e neguei com a cabeça.
- Não, não, . Obrigada, mas não vou te deixar passar frio.
Ele rolou os olhos.
- Deixa de ser teimosa e aceita logo. Eu estou bem assim. Acho que já estou quente o suficiente. – deu de ombros.
Minha mente – que estava começando a ter pensamentos impróprios – logo pensou na seguinte frase: Você é quente de natureza, . Não seria um mero casaco a te esquentar, colega.
Balancei a cabeça, espantando qualquer pensamento sobre a temperatura natural – e num aspecto um tanto sexual – de e encarei a borda da pizza que eu acabara de comer, sobre meu prato. Ouvi um pigarro e o encarei. Ele ainda estendia o casaco para mim, e eu achei melhor aceitar antes que ele perdesse a paciência comigo. Peguei o casaco e o passei por minha cabeça e braços, logo o vestindo. lançou-me um olhar malicioso enquanto nos olhava um tanto desconfiado, mas logo deu de ombros.
- Obrigada, . – agradeci sincera.
Ele apenas sorriu e voltou a comer.

Andei pelos corredores da universidade, apreensiva com o horário. Minha mente martelava, dizendo que eu estava atrasada, e eu realmente estava. Encarei o relógio em meu pulso e suspirei ao ver os dez minutos que se passaram de início de aula e eu ainda não estava lá. Tudo por culpa de . Se ele não tivesse praticamente me obrigado a pegar carona com ele, eu não estaria atrasada. Ele acorda tarde e ainda acha que dá tempo de chegar no horário. Erro dele. Não deu. E eu estou aqui agora, quase correndo pelo chão escorregadio, buscando alguma desculpa em minha mente que seja útil para dar ao senhor O’Donnell.
Parei em frente à porta de madeira e dei uma breve espiada pelo pequeno vidro, vendo a sala em perfeito silêncio enquanto escreviam algo que era dito pelo professor. Respirei fundo, regulando minha respiração descompassada, e tomei coragem para esticar meu braço e bater levemente à porta. Vi quando o senhor O’Donnell veio até mim e me deu uma rápida olhada pelo vidro, balançando a cabeça em negação, e logo abrindo a porta para mim.
Os olhares de todos se voltaram até mim e eu engoli em seco, sentindo meu rosto esquentar.
- Ahn, desculpe-me, senhor... Eu tive um problema e me atrasei. – okay, eu não tive um problema, mas ele não precisava saber.
O senhor me deu uma olhada de cima a baixo e estreitou os olhos, analisando minha fala. Droga, ele é um ótimo psicólogo e com certeza, vai perceber que estou mentindo. Parabéns, ! Você merece o prêmio Nobel da Paz por ser uma péssima mentirosa!
- Não precisa se explicar, senhorita Wright. Apenas entre e sente-se. Estou ditando algumas coisas importantes para o estágio.
Assenti e entrei na sala, em passos largos e rápidos, querendo me sentar o mais rápido possível, apenas para tirar a atenção de todos de cima de mim. Sentei-me e me afundei na cadeira, recebendo um olhar risonho de , que estava sentada ao meu lado.
- ? – ela sibilou e eu assenti, bufando.
Quem mais seria o motivo das minhas confusões recentes? Acho que vou passar a chamá-lo de Furacão , porque depois que ele apareceu em minha vida, ela deu uma reviravolta sem controle nenhum por mim. Literalmente, minha vida – assim como meus pensamentos e sentimentos – havia virado de cabeça para baixo.
E o pior é que eu não queria mais que ela desvirasse.

°°°


- O que está fazendo aí? – perguntou, aparecendo do nada na sala.
Era quarta-feira à noite, e eu tinha vários produtos de limpeza espalhados pela sala ao meu redor. Suspirei e joguei o pano de volta ao chão.
- Estou fazendo uma limpeza nessa casa. Não aguento mais pisar em tanta poeira, e minha rinite alérgica está atacando.
- Quer ajuda?
- Sim, obrigada. – joguei o pano de chão para ele e começamos a limpar juntos.
Repentinamente, foi até o aparelho de som e o ligou. A música um tanto... sexy começou a ecoar pela sala e ergui uma sobrancelha ao receber um olhar sensual de . Balancei a cabeça negativamente e me virei de costas, começando a limpar a bancada. Fiz uma careta ao sentir algo sobre minha cabeça e logo percebi que se tratava de sua camisa. Tirei a mesma de cima de mim e bufei, virando meu corpo e dando de cara com dançando em meio à sala. Arrependi-me imediatamente de ter me virado, já que ele fazia uma dança um tanto erótica e sensual. É, parece que qualquer atividade com é uma novidade. Nem mesmo uma faxina ele consegue fazer sem inventar algo.
Engoli em seco ao vê-lo morder o lábio inferior e me lançar um olhar malicioso. Quando ele levou suas mãos até sua calça de moletom, mexendo os quadris e ameaçando tirá-la, eu virei meu corpo subitamente e fiquei encarando a bancada de mármore, totalmente constrangida com a situação. Oh, céus, o que eu fiz para merecer esse homem? Arrepiei-me completamente ao sentir sua respiração quente contra minha nuca, sem que eu esperasse. Ele grudou seu corpo ao meu e eu estremeci ao sentir suas mãos escorregando pela pele de minha barriga por baixo da blusa.
- ... – forcei minha voz para que ficasse firme. Sem sucesso, é claro. – Sem gracinhas, por favor. Você fez eu me atrasar para a faculdade hoje.
Sim, esse fato ainda me atormentava. Em quase cinco anos de faculdade, eu nunca havia me atrasado.
Ele depositou um beijo em minha nuca e eu suspirei, repreendendo-me mentalmente por ser tão fraca em relação a esse homem.
- Mas eu não estou de gracinhas. Só estou te ajudando a limpar, babe. – sussurrou em meu ouvido, colocando sua mão sobre a minha que segurava o pano. Ele começou a arrastar o pano sobre a bancada, realmente a limpando, mas eu sabia quais eram suas reais intenções.
- Você acha que eu sou burra, huh? – sussurrei de volta, com a voz falha. – Você não me engana, . Eu sei quais são as suas intenções, meu rapaz.
Ele riu contra minha orelha, arrancando-me um suspiro sôfrego.
- Já que você me conhece tão bem... Poderia me dizer quais são as minhas intenções, minha cara ? – inclinou meu corpo sobre a bancada, colocando o seu por cima do meu.
- Desencoste seu membro de minha bunda, . E isso é uma ordem, não um pedido. – falei assim que senti o mesmo começar a se animar contra mim.
- Ah, é? E o que você vai fazer? Você é fraquinha demais.
Seu tom desafiador me irritou e eu me virei de uma vez, ficando de frente para ele. Impedindo-me de sair, ele me imprensou contra a bancada, colando ainda mais nossos corpos. Olhei seu corpo por um breve momento, vendo que ele só tinha a cueca cobrindo suas partes baixas. A pobre calça de moletom estava jogada no sofá junto a sua camisa. Subi meu olhar por seu corpo e acabei parando em seu rosto, vendo seu sorriso maroto nos lábios rosados.
- Quais são as minhas reais intenções, ? – dito isso, ele levou seu rosto até minha mandíbula e a mordiscou levemente, fazendo-me fechar os olhos.
- Você está... – fui interrompida ao senti-lo morder o lóbulo de minha orelha. – Está tentando inutilmente me seduzir. Tenho um pequeno aviso para te dar: desiste, pois não está dando certo.
- Não? – mordeu meu lábio inferior, puxando-o para si. – Tem certeza?
- Tenho a plena certeza de que você está perdendo seu tempo. – encarei-o nos olhos e ele fez o mesmo, enquanto levava sua mão até minha coxa desnuda, já que eu usava short. Seus dedos fizeram uma pequena carícia em vai e vem e logo, ele a envolveu com sua mão, puxando-a até a altura de seu quadril. Ele inclinou ainda mais meu corpo sobre a bancada e eu fiquei quase deitada sobre a mesma.
Por mais que eu tentasse me desvencilhar dele, a atração que eu sentia era muito mais forte do que minha falha força de vontade. Só de lembrar que ele havia sido o primeiro cara a me proporcionar meu primeiro orgasmo, meu corpo inteiro se arrepiava e se entregava a ele para que eu sentisse todas aquelas sensações por mais uma vez. Era como se eu fosse um presente embrulhado, pronto para me abrir e fazer de mim o que quisesse. Credo, espero que eu não tenha parecido vulgar dizendo isso.
Sua respiração quente bateu contra meus lábios e eu continuei a encarar seus olhos da forma mais profunda que eu conseguia.
- Essa atração que eu sinto por você vai acabar me matando. – ele confessou, levando seu olhar até minha boca. Umedeceu seus lábios e eu acompanhei todos os seus movimentos com o olhar. – Mas eu não me importo se eu for morto por você.
Em um ato rápido, ele selou nossos lábios e eu acabei fechando os olhos, entregando-me completamente àquele momento. Suas mãos subiram até minha cintura e ele deu impulso, pondo-me sobre a bancada. O mármore frio contra minha coxa me fez arrepiar momentaneamente, mas não foi nada comparado aos arrepios proporcionados pelos beijos sedentos de . Ele abriu minhas pernas e se pôs no meio delas, levando suas mãos até minhas coxas e me fazendo envolver seu quadril com as mesmas. Nossos órgãos sexuais se tocaram e ambos gememos baixo durante o beijo. Sua mão foi até meu cabelo, dando-me um pequeno puxão que me fez arfar.
Rapidamente, levou suas mãos à barra de minha blusa e começou a erguê-la, tirando-a de meu corpo. Ele estava afobado, apressado e elétrico. Tanto que eu mal conseguia acompanhar seus beijos. Sua língua tocava a minha com tanta rapidez que eu até me perdia em meio aos movimentos. Suas mãos apertaram minha cintura e eu suspirei ao sentir o calor de seus dedos emanando em minha pele. Levei minhas mãos ao seu cabelo e o puxei com uma força mínima, o que fez soltar um rosnado baixo contra meus lábios.
- Isso, ... Agora beija o meu pescoço. – seu tom saiu desesperado e um tanto mandão, mas eu ignorei, já que sua excitação era evidente, encostando-se à minha coxa.
Como uma futura psicóloga, notei um um tanto agressivo quando excitado. Ele vem se mostrando bem calmo e paciente, mas acho que chegamos a um limite aqui. O jeito que ele me apertava e me segurava contra seu corpo dessa vez, era com mais posse e mais euforia, como se ele precisasse totalmente de mim grudada a ele para sanar suas necessidades. E talvez precisasse, não sei.
Obedecendo ao que sua voz ofegante pediu, separei nossos lábios e levei os meus ao seu pescoço, começando a distribuir beijos firmes e demorados por sua pele macia e cheirosa. grunhiu baixo e me apertou, colando ainda mais nossos corpos, como se ainda fosse possível mais contato. Eu já podia sentir o seu calor sendo direcionado a mim e com certeza, seu cheiro também ficaria inebriado em minha roupa e corpo.
- Faz como eu lhe ensinei, , por favor. – seu tom suplicante mexeu com meu interior de tal forma que só me restou fazer o que ele havia pedido.
Dei uma sugada em seu pescoço, ao lado da marquinha – também feita por mim – há algumas noites atrás. Distribuí beijos molhados pela região e mordisquei, arrancando um suspiro de . De fundo, alguma música ainda tocava no aparelho de som, deixando o clima ainda mais carregado com a tensão sexual presente entre nós.
- Gostosa. – ele sussurrou e eu parei de beijá-lo apenas para admirá-lo. Seus olhos estavam fechados e sua expressão era de completa satisfação. Ele mordeu o lábio inferior e eu levei meu dedo até seus lábios, acariciando-os suavemente. abriu seus olhos ao perceber que eu havia parado de beijá-lo e me encarou. Seus olhos brilhantes me deixaram encantada, junto aos seus lábios que aderiram uma coloração um tanto avermelhada por conta de seus beijos desesperados.
Ele ficou me encarando em silêncio enquanto eu me aproximava e distribuía selinhos em seu lábio superior e em seguida, no inferior.
- Eu gosto dos seus lábios. – sussurrei contra os mesmos.
- Eu gosto dos seus olhos. – sussurrou de volta.
- Eu gosto do seu cabelo. – levei meu olhar ao seu cabelo bagunçado e sorri de canto.
- Gosto do seu ar de intelectual. Admito que a sua inteligência me deixa intimidado. – ri e peguei sua mão, levando-a até minha boca. Comecei a distribuir leves beijos por seus dedos enquanto me olhava um tanto admirado e eu arriscaria até que ele estava hipnotizado. – Você é tão carinhosa. Nunca consigo ser ‘’selvagem’’ o suficiente com você.
- Eu só me deixo levar pelo momento. – ri fraco enquanto ainda beijava seus dedos.
- Eu também, mas por que os meus instintos são mais agressivos enquanto os seus são... Não sei... Mais calmos?
- Talvez seja porque você pensa mais com a cabeça de baixo do que a de cima.
- Outch! Essa doeu! – ele exclamou e eu ri. – Mas acho que tenho que concordar com você... Eu sempre fui assim, afinal. – deu de ombros. Depois de um tempo em silêncio, ele disse: - Você poderia me ensinar a ser como você? Digo, mais calmo, mais carinhoso... Não sei. Eu também quero sentir o momento como você sente... Com o coração.
Quase chorei ao ouvi-lo dizer aquilo. Ao invés dele me ensinar aqui, na verdade, ele queria que eu o ensinasse.
- Eu posso tentar. – sussurrei contra sua boca. – Apenas sinta tudo com calma e paciência. Deixe as sensações correrem por seu corpo sem que você as apresse... Sem afobação ou desespero… – enquanto eu sussurrava, eu subia minhas mãos de forma lenta por seus braços, sentindo sua pele se arrepiar.
Passei minhas mãos por seus ombros, vendo fechar os olhos, ficando com os lábios entreabertos. Depositei um selinho nos mesmos, e contornei seus ombros, descendo minhas mãos por seu peito. Ele envolveu meu corpo com seus braços e vi seus músculos ficarem ainda mais firmes, fazendo-me sorrir de canto. Suas mãos foram até minhas costas e as acariciaram de cima a baixo enquanto eu fazia o mesmo em seu peito. me tocava suavemente e com as pontas de seus dedos quentes, fazendo uma trilha de fogo passar por minhas costas, junto aos arrepios intensos.
Fiz uma trilha com meus dedos indicadores de cima a baixo e aproximei mais nossos rostos, sussurrando contra ele:
- Está sentindo isso, ?
Ele mordeu o lábio inferior. – Tesão? Estou sentindo muito.
Não aguentei e caí na risada, encostando minha testa em seu peito.
- Eu estava falando das sensações percorrendo por seu corpo. – expliquei.
- A única sensação que estou tendo aqui é do pulsar do meu pênis dentro da cueca. E que por sinal, já está ficando insuportável. – ele confessou num tom sôfrego que chegou a me dar pena, e eu acabei rindo. fechou a expressão e me encarou. – Não ria, , isso é sério. Já está começando a doer.
Entortei meus lábios e fiquei em silêncio, sem saber o que dizer.
- Você... Gostaria de me ajudar aqui?
- O quê? – perguntei confusa.
- Me ajudar... Aqui. – ele apontou para seu pênis marcando a cueca branca e eu engoli em seco.
- Ahn, eu não... – me autointerrompi, sem conseguir completar minha frase por motivo de: timidez, como sempre.
sorriu de forma inocente, sendo que de inocente não tinha nada, e acariciou minha bochecha com o polegar.
- Por favor, babe... Eu já te fiz gozar duas vezes. Você podia me retribuir de alguma forma, huh?
Respirei fundo e balancei a cabeça afirmativamente. sorriu e se aproximou mais de mim, pegando minha mão com calma e levando-a até seu corpo.
- Só para deixar claro que eu não tenho a mínima ideia de como fazer isso. – avisei e balançou a cabeça como se dissesse ‘’Não tem problema. Eu te ensino’’.
Aos poucos, ele foi levando minha mão ao cós de sua cueca e eu engoli em seco.
- Lembra quando você me tocou naquele sofá? – ele fez um aceno com a cabeça, apontando para o mesmo, e eu assenti. – É só continuar fazendo aquilo, mas segurando-o firmemente e acelerando os movimentos.
Meu coração disparou em meu peito e eu só conseguia assentir a tudo que falava, sem proferir nenhuma palavra. Quando ele levou minha mão ao seu membro por dentro da cueca e eu o toquei, respirou pesado contra meu rosto e mordeu o lábio inferior, fechando os olhos. Com a mão ainda sobre a minha, ele começou a movimentá-la em seu pênis.
Um pouco receosa se eu estava fazendo certo, eu disse:
- , eu não sei se eu estou fazendo isso certo... Eu...
- Apenas continue. – ele arfou e em questão de segundos, pressionou seus lábios contra os meus. Sua língua adentrou a minha boca com desespero e eu tentei retribuir seu beijo enquanto ainda o masturbava.
Dois sons tocando juntos acabaram chamando a minha atenção e eu me afastei um pouco, interrompendo o beijo. Consequentemente, parei os movimentos com minha mão e resmungou contra mim.
- Está ouvindo isso? – perguntei com a testa franzida.
- É só o meu celular tocando. – respondeu assim que ouviu o som novamente. – Ignore. Continue, por favor, .
- Não, não. O meu também está. – afastei-o, empurrando seu peito, e ele bufou frustrado. – Pare com isso, . E se for uma ligação importante?
Desci da bancada em um pulo e fui até meu celular que estava sobre a mesinha de centro. Atendi na mesma hora em que atendeu o seu.
- ?
- Olivia?
e eu nos entreolhamos antes de virarmos de costas e falarmos com nossas paixões.

(...)


Olhei-me no espelho antes de virar na direção de .
- Essa roupa está boa? disse para eu colocar uma roupa casual. Ainda não sei para onde ele vai me levar, mas...
Daqui alguns minutos, o meu terceiro encontro com teria início. É sexta-feira à noite, e eu já não conseguia controlar a ansiedade que percorria minhas veias. Eu estava nervosa, admito. Muito nervosa. Eu queria que tudo saísse conforme o planejado, e o planejado é: que tudo ocorra bem, sem constrangimentos por minha parte e nem que nada aconteça para atrapalhar a minha noite.
observou minha roupa. Calça jeans, uma regata branca com uma camisa xadrez por cima e sapatilhas. Meu cabelo estava solto, caindo sobre meus ombros, e eu usava as lentes de contato.
- Eu acho que essa roupa está muito boa. Sério. – sorri com seu comentário. – Só está faltando uma coisinha.
- O quê?
- A maquiagem.
Rolei os olhos.
- Acha mesmo necessário?
- É claro! Temos que realçar esses lindos olhos que Deus te deu e essa sua boca maravilhosa. – ri e me empurrou até a cama.
Sentei-me e ela começou a fazer a maquiagem, já que eu não tinha jeito nenhum com isso. Depois de vários minutos, eu finalmente estava pronta. Minha amiga sorriu orgulhosa por seu trabalho e eu me olhei no espelho novamente, gostando do que eu via. Saímos do quarto e não havia para me despedir, já que o mesmo tinha ido para a casa de sua linda namorada, com a desculpa de que não queria me ver saindo com o babaca do . Revirei os olhos só de me lembrar de suas palavras carregadas de puro ciúme. e eu fomos até a sala e ficamos conversando enquanto não chegava. não pôde vir já que tinha alguns trabalhos da faculdade para fazer, e eu ria até agora só de me lembrar de sua voz indignada ao telefone, dizendo o quão irritado ele estava por não poder sair em uma sexta-feira à noite com a sua namorada.
A campainha tocou, fazendo com que e eu nos olhássemos. Sorrimos e nos levantamos, caminhando até a porta.
- Respira fundo. – ela disse e eu assenti, imitando sua respiração. – Um, dois, três... – contou e abriu a porta.
Quase caí para trás ao ver mais lindo do que nunca. Seu cabelo estava bagunçado de um jeito tão sexy que nunca havia visto antes, ele usava uma camisa polo branca e calça jeans. Nos pés, ele calçava um sapatênis também branco. Ele me lançou um sorriso torto e tão sedutor, que meu coração disparou no segundo seguinte.
- Hey, ! – deu-me um beijo na bochecha. – Hey, ! – a cumprimentou com um beijo na bochecha também.
- Hey, . Cuide bem de minha amiga, huh? – ela avisou, apontando o dedo em sua direção.
- Pode deixar. – ele riu fraco, logo me olhando. – Então, vamos?
Assenti e me despedi de . entrelaçou sua mão à minha e eu arrumei minha bolsa em meu ombro enquanto andávamos pelo corredor, em direção ao elevador. Já dentro do mesmo, ele se aproximou e me roubou um selinho, fazendo-me corar instantaneamente. Chegamos ao térreo e eu acenei para Ezequiel, sorrindo. Ele acenou de volta, desejando uma boa noite, e eu agradeci. Eu simplesmente não conseguia tirar o sorriso do meu rosto.
abriu a porta do carro para mim e eu entrei. Em poucos minutos, ele já estava dirigindo em direção ao nosso destino que eu nem ao menos sabia qual era, já que ele disse que era surpresa. Eu achei legal o fato de ele querer me surpreender. Franzi a testa ao vê-lo entrar em uma rua e sem conseguir conter minha curiosidade, perguntei:
- Para onde estamos indo? – olhei pela janela, vendo os enormes prédios passando por nós.
- Para o meu apartamento. Pensei que o nosso terceiro encontro pudesse ser um pouquinho diferente dos outros.
Olhei-o na mesma hora com os olhos um pouco arregalados.
O quê? Apartamento dele? Ele e eu sozinhos, sem outras pessoas por perto?
Um arrepio percorreu a minha espinha e eu comecei a tremer repentinamente, sem saber o motivo de tanto nervosismo. Seria isso um aviso?


Capítulo 23 – Um Coração Partido

abriu a porta de seu apartamento e me deu espaço para entrar. Entrei no mesmo e observei ao redor, os mínimos detalhes do lugar. Era um apartamento muito bonito, por sinal. Muito maior do que o meu e bem mais luxuoso, com móveis modernos e que deixavam o ambiente mais confortável. Até me surpreendi com a limpeza e a arrumação, já que era homem e morava sozinho, o apartamento poderia ser uma bagunça, mas eu vi o total oposto. Arrisco dizer que era até mais arrumado, limpo e mais bem decorado do que o meu. O barulho da porta se fechando chamou minha atenção e virei meu corpo, vendo um sorrindo e se aproximando, com as mãos nos bolsos da calça.
- Hm, você disse que seu pai está viajando? – perguntei como quem não quer nada.
- Ahn, sim... Há alguns dias atrás, ele veio de Washington, D.C. para me fazer uma visita, mas teve que viajar novamente. Dessa vez, para Los Angeles. O que me resta usufruir desse enorme apartamento sozinho. – ele abriu os braços, com uma expressão sarcástica e um tanto frustrada, eu diria.
- Sinto muito. – eu realmente sentia por ele e o pai serem tão distantes um do outro. Eu não conseguiria me imaginar sem um mísero telefonema do meu pai ou uma carta que eu recebia dele uma vez por mês. Eu não conseguiria ser tão distante do meu pai. – Você... Você quer conversar sobre isso?
Ele sorriu fraco, levando uma mão aos cabelos escuros. – Não, obrigado. Não quero estragar a nossa noite falando do senhor .
Assenti e com o pequeno nervosismo ainda embrulhando meu estômago, apertei a alça de minha bolsa com os dedos frios.
- Que tal ouvirmos uma música? – perguntou e eu quase neguei se ele não tivesse soado tão animado, e um sorriso lindo não estivesse estampado em seus lábios.
foi até o Home Theater e colocou um CD enquanto eu ainda olhava o lugar. Adentrei um pouco mais a sala e acabei percebendo uma mesa posta no canto da mesma. A mesa tinha dois lugares e estava preparada para algum jantar, com seus pratos, talheres e taças devidamente arrumados. Notei duas velas que naquele momento, estavam apagadas. Sorri com a visão da mesa. Será que ele estava planejando um jantar romântico?
Fui pega de surpresa ao sentir a alça da minha bolsa escorregando pelo meu ombro e percebi que se tratava de , que a tirava gentilmente de mim, com aquele sorriso ainda em seu rosto. Ele a colocou sobre o grande sofá preto de couro e voltou a se aproximar de mim, puxando-me pela mão e me levando ao meio da sala. Estremeci ao senti-lo ficar ainda mais perto de mim, com nossos narizes quase se tocando. Olhando em meus olhos, ele envolveu minha cintura com seus braços e colou nossos corpos. Uma corrente elétrica, muito conhecida por mim, passou por todo o meu corpo, arrepiando-me os pelinhos da nuca e aos poucos, fui levantando meus braços, levando-os ao seu pescoço.
A música começou a tocar de forma baixa com uma moça cantando, e eu sorri, começando a movimentar meu corpo junto ao de . Seu perfume adentrou meu nariz e eu respirei fundo, fechando os olhos. Encostamos nossas testas e continuamos a dançar de forma lenta, com os olhos fechados, apenas sentindo a música. O som do saxofone da canção adentrou meus ouvidos e eu suspirei, relaxando mais meu corpo. A respiração de bateu contra meus lábios e sorri de canto, deitando minha cabeça em seu ombro. Seus braços me abraçaram ainda mais forte e eu levei uma de minhas mãos ao seu peito enquanto a outra acariciava sua nuca. Não sei por quanto tempo ficamos dançando, mas eu simplesmente não conseguia me separar dele. Seu perfume era maravilhoso demais, a sensação de suas mãos em minha cintura era maravilhosa demais, o toque de seu corpo ao meu era maravilhoso. Tudo estava tão lindo e tão bom que era quase impossível de acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo comigo.
Eu, que há meses atrás, almejava tanto a atenção de , quase não estava acreditando que tudo isso estava acontecendo. Digo, eu nunca imaginei que pudesse senti-lo tão perto de mim, sentir suas mãos em mim, seu cheiro, seu calor, seus lábios nos meus, sua respiração batendo em meu cabelo como estou sentindo agora... Era tanta emoção e um sentimento de conquista tão grande que faziam meu coração palpitar em meu peito. Era tudo muito maravilhoso para uma mera inexperiente em amor como eu. Eu sentia como se só existisse e eu no mundo; apenas nós usufruindo daquele momento íntimo. Eu me sentia completa e muito privilegiada. Qualquer sentimento de medo ou nervosismo simplesmente havia sumido de meu corpo, dando lugar a uma alegria sem tamanho. Uma alegria que não podia ser medida.
Depois da música se repetir umas três vezes – o que eu agradeci, por ser uma música realmente linda, e ainda me dar mais tempo dançando com –, nós nos afastamos um pouco e eu abri meus olhos, admirando o seu rosto. Seus olhos azuis encantadores pareceram faiscar em minha direção e sorriu, levando uma de suas mãos à minha bochecha, fazendo uma pequena carícia. Seu rosto se aproximou mais do meu e eu suspirei, já sabendo o que viria depois. Repentinamente, minhas mãos começaram a suar e minhas pernas fraquejaram no momento em que ele selou nossos lábios. Entreabri meus lábios de forma lenta ao senti-lo pedir passagem; logo, ele aprofundou o beijo, dando-me o privilégio de sentir sua língua aveludada tocando a minha calmamente, sem pressa alguma de acabar.
Apertei sua nuca com uma de minhas mãos e ele apertou minha cintura de volta, colando ainda mais nossos corpos. Meus seios já tocavam seu peito rígido e eu me arrepiei com aquela sensação indescritível de ter a pessoa por quem se está apaixonada, com você. Movimentávamos nossos lábios numa perfeita sincronia que chegava até a assustar. Com o ar já nos faltando, foi diminuindo a intensidade do beijo, mordiscando meu lábio inferior levemente, e dando-me um selinho antes de se afastar. Abri meus olhos e vi seu olhar intenso sobre mim. Ele sorriu e beijou minha bochecha, segurando minha mão em seguida.
- Eu preparei um jantar para nós. Vem... – ele me guiou até a mesa que eu havia visto há alguns minutos atrás. Sorri ao pararmos ao lado da mesma e se aproximou de uma das cadeiras, puxando-a. Sentei-me na mesma e entrelacei minhas mãos suadas – por conta do repentino aumento de minha temperatura – e o observei enquanto ele acendia as velas. – Espero que goste da refeição. Fui eu mesmo que fiz.
Sua careta receosa me fez rir fraco e eu apenas assenti, vendo-o descobrir os pratos. sentou-se à minha frente e eu abaixei o olhar, observando a comida que parecia estar deliciosa.
- É risoto. Uma receita de família há gerações. Espero que seja do seu agrado.
Peguei o garfo, colocando um pouco do risoto no mesmo, logo o levando à boca. Mastiguei lentamente, sentindo o gosto magnífico e fechei os olhos por um momento, fazendo uma expressão de satisfação. levou sua comida à boca enquanto me olhava, ainda esperando a minha resposta. Sua expressão era receosa, e isso me fez sorrir de canto, sabendo que ele estava com certo medo de não me agradar.
- E então...?
- Está maravilhoso! Você cozinha muito bem. – o elogiei e ele sorriu logo depois de dar um respiro de alívio.
- Obrigado. Pelo menos isso, minha mãe soube me ensinar, já que ela não tem paciência para nada. – seu tom risonho me fez rir. – Sinto falta dela. – ele disse depois de um tempo, chamando-me a atenção.
- O que aconteceu com ela? – perguntei interessada, enquanto comia.
abriu uma garrafa de vinho que estava dentro de um balde de gelo e nos serviu. Encarei-o através da luz das velas e ele parecia estar ainda mais lindo. Seus belos olhos me encararam e ele bebericou seu vinho antes de dizer:
- Ela e meu pai se separaram há alguns anos. Ela se mudou para outro estado e dificilmente eu a vejo. Por sorte, eu já era um adolescente quando ela se foi, então, digamos que eu não fiquei com tanto trauma. – sua expressão era sarcástica e eu sabia que ele a usava para disfarçar seu sofrimento e até ressentimento por estar distante da mãe. Como se já não bastasse o pai, que quase não lhe dá o devido valor e atenção, ainda tem a mãe que mora a quilômetros de distância e sabe-se lá quando ela e o filho se veem.
- , você já pensou em ter um acompanhamento psicológico? Não sei... Isso poderia te ajudar a enfrentar a ausência dos seus pais.
Ele riu e eu franzi a testa, confusa com sua reação.
- Acompanhamento psicológico? Eu já sou um homem feito. Nunca tive um psicólogo e não vai ser agora, com vinte e dois anos. Já aprendi a lidar com a confusão que é a minha família. Não vou lhe dizer que não preferiria ter outras pessoas para chamar de pai e mãe, porque não seria verdade, mas como não posso mudar os fatos, já me acostumei e aprendi a lidar com a minha realidade. Não preciso de um psicólogo para me dizer coisas que já sei.
Apenas assenti e fiquei em silêncio, voltando a comer.
- Desculpe-me por dizer isso, . Sei que você está cursando psicologia, e sei que vai ser uma ótima profissional, não quis desmerecer sua profissão em momento algum, mas acho que nem um psicólogo conseguiria arrumar a bagunça que é a minha vida. – ele riu fraco, tentando desfazer a bolha de tensão que se formou entre nós. – Agora me diga que está gostando do que preparei, por favor, porque admito que sou um desastre em planejar jantares românticos.
Decidi aceitar sua mudança de assunto e sorri.
- Está tudo lindo. Não teria como ficar melhor.
- Então vamos brindar a essa noite! – ele ergueu sua taça e eu fiz o mesmo, logo encostando uma à outra, provocando o barulhinho dos vidros se chocando.
Levei minha taça aos lábios e beberiquei o vinho, vendo fazer o mesmo enquanto me olhava.
Sentamo-nos no sofá ao som da música lenta e baixa que tocava, como uma música ambiente. trouxe consigo outra garrafa de vinho tinto e colocou mais em nossas taças. Encostei-me ao encosto do sofá e relaxei meu corpo, aproveitando o momento. Bebi mais alguns goles do vinho e observei a taça em meus dedos, mexendo-a devagar, vendo a bebida se mexer junto. O simples movimento da bebida foi capaz de chamar a minha atenção já que eu havia tomado duas garrafas de vinho com . Uma durante o jantar e outra depois, antes de nos sentarmos no sofá, começando a apreciar a terceira garrafa. Eu nunca fui de beber muito, e como estava aproveitando o momento, simplesmente deixei-me levar.
Entretanto, quando eu terminei de beber todo o líquido da taça, eu pus em minha cabeça que já estava na hora de parar. Eu não queria ficar bêbada. Não queria estragar aquele momento tão especial para mim e o mais romântico de toda a minha vida. Inclinei meu corpo e coloquei a taça sobre a mesinha, vendo ao meu lado, pegando a garrafa e enchendo sua taça por mais uma vez. Eu não sabia dizer ao certo, mas havia ficado tenso de repente, principalmente depois da nossa conversa rápida à mesa sobre sua mãe. Mesmo sem perceber, ele começou a beber descontroladamente, como se estivesse com a maior sede do mundo e somente o vinho pudesse saná-la.
Olhei para seu rosto, vendo os sinais claros de preocupação e tensão em sua maneira até de servir o vinho. Ele respirou fundo e fechou os olhos, antes de virar a taça de uma vez, tomando todo o líquido. Levou sua mão ao cabelo e o bagunçou levemente. Um pouco preocupada com seu estado – o qual eu nunca havia visto antes –, levei minha mão ao seu ombro e o toquei, chamando sua atenção. Ele me encarou e eu pude perceber que suas pupilas estavam se dilatando, já que ele bebera mais vinho do que eu.
- , o que está acontecendo? Por que está preocupado? – proferi as palavras num tom sereno.
Ele encheu a taça por mais uma vez e bebeu antes de me encarar e dizer:
- E se minha mãe estiver precisando de algo? E se ela estiver com medo ou se sentindo sozinha? Minha mãe amava muito o meu pai e quando eles se separaram, ela sofreu muito. – sua angustia era quase palpável, o que fez meu coração se apertar. – Eu tenho que ficar com ela. Ela não pode ficar sozinha... Eu sempre estive ao lado dela, tenho que estar agora também.
Levei minha mão até suas costas e as acariciei. – Calma, ... Sua mãe está bem. Eu te garanto que está tudo bem com ela. Não se preocupe.
Em um movimento rápido, que chegou a me assustar, ele se levantou e foi até a porta, trancando a mesma. Estranhei sua atitude, mas continuei em silêncio, apenas observando-o andar de um lado a outro, de maneira angustiante. Ele bagunçou seus cabelos de forma desesperada e quando me encarou, não parecia ser o mesmo que eu conhecia. Seus olhos estavam vermelhos, cheios de lágrimas, sua respiração estava descompassada e ofegante e seu rosto estava corado. Seu peito subia e descia de forma agitada. Eu estava sentida por , mas ao mesmo tempo, estava com um pouco de medo. Ele me encarou com uma expressão maldosa e eu engoli em seco, encolhendo-me um pouco no sofá. Oh, Deus, aonde foi parar o meu encontro perfeito?
- Você não vai sair daqui hoje, ! Eu não posso te perder como perdi minha mãe! Estou farto de perder as pessoas que amo. Não posso te deixar sair daqui. – seu tom saiu mais alto do que eu esperava, mas suas palavras me afetaram de uma maneira que eu acabei levantando, indo até ele.
- , por favor, você precisa se acalmar. Você bebeu. É por isso que está agindo assim. Vamos, eu te ajudo... Você precisa de um banho e um café bem quente. – toquei em seus ombros, falando numa voz bem calma, tentando transmitir minha tranquilidade a ele.
- Não! – ele deu um grito que me fez arregalar os olhos. Suas mãos me empurraram de uma forma tão bruta que eu acabei caindo sobre o sofá. – Eu não preciso de nada disso! Eu só preciso de você, .
Tentei me afastar ao vê-lo vindo em minha direção, mas infelizmente, ele foi mais rápido. praticamente se deitou sobre mim, me imobilizando, impedindo-me de fazer qualquer movimento para me desvencilhar dele. Céus, está fora de si! Além do efeito do álcool, seu psicológico estava gravemente afetado. E eu infelizmente não conseguiria ajudá-lo naquelas condições.
- , fique comigo. Por favor, fique comigo. – ele dizia num tom de súplica que atingia meu coração em cheio, mas que ao mesmo tempo, me deixava com muito medo. estava adotando uma postura extremamente possessiva e isso era muito perigoso.
Seus lábios foram até os meus, selando-os brutalmente com uma selvageria desconhecida por mim. Ele nunca havia me beijado daquele jeito, e isso provocou inúmeros arrepios por meu corpo. Arrepios de desespero, de pânico. Tentei empurrá-lo pelos ombros, mas isso só fez com que ele me agarrasse ainda mais forte, grudando seu corpo ao meu e prendendo minhas pernas com as suas. Suas mãos apertaram meus pulsos com tanta força que eu acabei dando um pequeno grito de dor contra sua boca, mas não parou. Sua língua adentrou minha boca e eu me remexi embaixo dele, tentando afastá-lo inutilmente de mim. Quando sua boca se separou da minha e foi até meu pescoço, eu não consegui aguentar meu desespero e senti uma lágrima solitária escorrendo por minha bochecha. Meus olhos arderam e mais lágrimas tomavam conta de meus olhos.
- , você está me assustando. Por favor, pare...
Ele ignorou meu pedido e sem que eu esperasse, ele estourou os botões de minha blusa xadrez em um puxão que me fez gritar.
- Para, por favor! ! – gritei seu nome e ele cobriu minha boca com sua mão, abafando meus gritos. Murmurei contra sua mão, me remexendo inutilmente.
- Quietinha. – seu hálito de vinho bateu contra meu rosto e mais lágrimas escorreram por minha face.
Com o peso de seu corpo totalmente sobre o meu, ainda me prendendo contra o sofá, ele levou sua mão até o botão de minha calça, desabotoando-a em seguida. O que eu fiz para merecer isso, meu Deus? A cada toque dele em minha pele, eu sentia medo e nojo. Eu não sentia mais aquelas borboletas no estômago ou arrepios bons. A alegria que antes tomava meu coração havia sumido totalmente, deixando apenas a tristeza, o medo e a incredulidade de que tudo aquilo estava acontecendo comigo. As lágrimas escorriam sem parar sem que eu as pudesse controlar. Meu coração estava acelerado em meu peito e minha respiração estava ofegante por conta de tanta frustração que eu sentia. O barulho do meu zíper sendo aberto me fez chorar ainda mais, enquanto eu tentava me soltar de seus apertos. Eu só queria sair correndo dali. Sair correndo de perto de e nunca mais vê-lo. Meu coração doía e quase sangrava, causando-me um forte sentimento de amargura.
Como eu fui tão estúpida? Era óbvio que nunca ia gostar realmente de mim, porque se ele gostasse, não estaria fazendo isso. Não estaria me machucando física e psicologicamente. Não estaria fazendo meu coração sangrar de tanta agonia e desespero. Não estaria acabando com as minhas emoções. Eu sou muito burra mesmo. Muito ingênua.
levantou minha regata, levando sua mão por dentro da mesma, e dando um aperto forte e bruto em meu seio que me fez gritar e chorar.
- Para, ! Você está me machucando!
- Mas você é uma vadia mesmo, huh? Vem me provocando por esse tempo todo, quis chamar minha atenção, para depois bancar a vítima e não me deixar te foder? – ele gargalhou, debochado. – Pensa que eu não sei qual é o seu jogo, ?
- Você não sabe o que está dizendo! Me deixe ir! Eu quero ir embora!
- Mas você não vai! – gritou contra meu rosto, fazendo-me fechar os olhos para não ver seu rosto vermelho. – Você vai ser minha! Eu tenho que te foder hoje! Não posso perder aquela aposta!
- Aposta? – perguntei em meio ao choro.
Ele gargalhou. – Ah, então a ingênua não sabia? Eu fiz uma aposta com os meus amigos! Apostei que eu te foderia como faço com todas aquelas garotas da universidade. A maioria delas passa pela minha mão, eu as uso, e depois descarto.
Seu tom ao falar aquilo me assustou. Ele falava como se aquelas garotas não servissem de nada, a não ser para satisfazê-lo na cama. as tratava como simples objetos que podiam ser usados e depois, eram jogados fora como se não valessem centavo algum. E isso me magoou profundamente. Então, eu seria uma delas? Era isso que estava reservado para mim?
Repentinamente, a conversa com voltou à minha mente. E como um flash, eu me vi junto aos meus amigos, ouvindo as seguintes palavras sendo ecoadas:
”Eu vejo o jeito que ele trata as mulheres e mesmo sendo homem, eu não concordo nem um pouco com o que ele faz.”
“Ultimamente fiquei sabendo que ele tem até uma lista de mulheres que ele já pegou. faz uma espécie de... aposta com os amigos e quando ganha, porque querendo ou não, ele sempre ganha... Ele coloca o nome da sua “vítima” na lista, deixando claro que ele nunca mais vai ficar com a mulher de novo.”

A aposta.

Chorei ainda mais ao me ouvir dizendo:
“- Ele não seria capaz de fazer isso... Ainda mais comigo.”

Pois eu estava errada, e ele está fazendo exatamente a mesma coisa comigo agora.
- Eu tenho uma longa lista de mulheres com quem já fiquei. Mulheres essas, que nunca mais quero olhar na cara daquelas vagabundas, que na primeira oportunidade, se abriram para mim.
- Por que você faz isso? – perguntei em meio ao choro. – É por causa da ausência da sua mãe?
Ele gargalhou, jogando a cabeça para trás, logo voltando a me encarar com seus olhos vermelhos e pupilas dilatadas.
- Por diversão! Minha mãe não tem nada a ver com isso. Eu só evito gostar de alguém para não ser machucado como fui inúmeras vezes! Então, a minha resposta para tudo isso é usar as mulheres. Eu as uso o máximo que posso, e depois jogo fora. E acredita que as vadias ainda vêm atrás de mim querendo amor? – ele riu – São muito iludidas mesmo. Eu não repito figurinha no meu álbum.
Balancei minha cabeça negativamente, ainda não acreditando em todas aquelas insanidades que ele dizia. Eu não conseguia acreditar que em uma hora ele era alguém, e em outra, era o completo oposto. havia se tornado um desconhecido por mim.
- , por favor, me deixe ir. Você já me machucou demais. – choraminguei.
- Oh, lindinha... – acariciou minha bochecha e eu tentei me desvencilhar de seu toque. Inutilmente, já que ele segurou meu rosto com força, apertando minhas bochechas. – Não precisa ficar assim. É só você me deixar fodê-la que eu te deixo ir. É só uma fodinha.
- Nunca! – gritei com o resto de força que me sobrava.
- Que pena... – fingiu um tom afetado que me deu náuseas. – Se não for por bem, vai ser por mal. nunca perde uma aposta, entendeu? Nunca! Ele se inclinou, voltando a beijar meu pescoço, distribuindo mordidas e chupões. Sua mão foi até minha cintura, apertando-a tão forte que me fez gritar.
- Shhh, amor, sem barulhos… – ele sussurrou em meu ouvido. – O que os vizinhos vão pensar?
Comecei a soluçar em meio às lágrimas incontroláveis e tentei o estapear, se ele não tivesse segurado fortemente meus pulsos.
- Hm, ela é agressiva. Eu gosto das agressivas. – seu sorriso e olhar malicioso me fez chorar, sentindo meu estômago embrulhar em nojo.
- Me solta! Pelo amor de Deus, me deixe ir! – supliquei e ele negou com a cabeça, continuando a sorrir de uma forma psicopata.
Meu corpo se arrepiou em desespero quando o vi desabotoar sua calça, descendo o zíper. Tentei sair, mas ele me segurou, forçando meu corpo contra o sofá. Ele abaixou sua calça e eu fechei os olhos, sem coragem para assistir o que viria a seguir. Senti quando ele abaixou minha calça até os joelhos e em seguida, acariciou minha intimidade por cima da calcinha.
- Eu sei que no fundo você estava esperando por isso, querida . Eu percebi como você mudou seu jeito de se vestir para me agradar, e acredite, eu gostei muito. Você ficou muito gostosa. E agora estamos aqui, eu vou te dar o que você tanto queria, e você não está feliz?
Consegui soltar meu pulso de seu aperto e ergui minha mão, dando-lhe um tapa na cara.
- Eu nunca quis isso! – gritei. – Eu nunca quis ser estuprada!
Ele me olhou com ira e no instante seguinte, sua mão parou em minha bochecha, dando-me um tapa mil vezes mais forte do que lhe dei. Senti minha pele arder e a ardência só piorou quando as lágrimas salgadas escorreram por minha face.
- Você é muito estúpida mesmo, huh? Deixou-se levar por toda aquela ladainha que eu falava, e palavrinhas bonitas, quando na verdade, eu estava fingindo gostar de você! Eu estava fingindo te achar a mulher mais maravilhosa do mundo, sendo que eu digo isso para todas! Eu só queria te comer, ! Só isso! E agora que estou prestes a fazer isso, não vou deixar a oportunidade passar. – chorei ainda mais ao ouvir suas palavras carregadas de ira. – Você não é a mais maravilhosa! Não é linda e nem nunca vai ser! Você é só mais uma mocinha ingênua que deixou-se levar por mim, por meus encantos. Você caiu feito um patinho na minha rede, sua burra. Eu já comi mulheres melhores do que você, mais gostosas, mais bonitas. Mas como aposta é aposta... Eu não posso voltar atrás agora.
Fechei os olhos ao vê-lo começar a descer a cueca e me encolhi no sofá, desejando que aquele momento fosse fruto da minha imaginação amedrontada, mas não era... Senti descendo minha calcinha de uma só vez, quase a rasgando.
- Bem-vinda à lista, Wright. – sua voz debochada soou.
Solucei alto e apertei meus olhos, sentindo meu corpo todo tremer. Com um resquício de uma voz um tanto aguda, eu gritei:
- , para! Eu sou virgem!
Senti seu membro tocar minha intimidade, mas no exato momento em que me ouviu, ele parou.
- O quê? – ele perguntou num tom baixo. – O que você disse?
- Que... – engoli em seco. – Que eu sou virgem! Eu sou virgem, .
- Como pode uma mulher como você, com vinte e um anos, ser virgem? – seu tom era de desconfiança e eu abri meus olhos, encarando-o com convicção.
- Mas eu sou. – afirmei.
- E-Eu não sabia. – seu olhar confuso me alcançou e ele se levantou de cima de mim, arrumando sua calça. – Saia daqui, . – ele nem me olhou ao proferir tais palavras, e eu também nem lhe dei tempo.
Levantei-me, sentindo minhas pernas fraquejarem, logo me apoiando no sofá para não cair. Com as mãos trêmulas, arrumei minha calça e minha regata. Peguei minha bolsa e em passos rápidos, fui até a porta e destranquei a mesma. Saí praticamente correndo dali, deixando a porta aberta. Fui até o elevador e apertei o botão freneticamente, querendo sair dali o mais rápido possível. Assim que o mesmo chegou, eu corri para dentro do mesmo. Apertei o botão do térreo e me encostei à parede, ainda chorando. As lágrimas não cessavam de jeito nenhum, por mais que eu quisesse. Eu estava ferida, completamente machucada.
A porta do elevador se abriu e eu saí correndo, passando pelo porteiro enquanto enxugava as lágrimas.
- Está tudo bem, senhorita? – o ouvi perguntar e apenas balancei a cabeça positivamente.
Saí do prédio, sentindo o frio bater em meu corpo, e me sentei no meio-fio. Abaixei a cabeça, encostando minha testa em minha perna, e continuei a chorar. A rua estava silenciosa e ameaçava chover a qualquer momento. O céu estava escuro e quase sem estrelas. Levantei meu rosto e fiquei encarando o céu, sem saber o que fazer. Como eu vou para casa agora? Eu não trouxe dinheiro algum e também não tenho carro. já devia estar em sua casa a essa hora ou até na casa de , e eles também não tinham carro. Respirei fundo antes de pegar o celular e começar a discar o número da única pessoa que poderia me ajudar nesse momento. .
No quarto toque, ele atendeu com sua voz rouca.
- Alô, ?
- É a ? Por que ela está ligando? Será que aconteceu alguma coisa? – ouvi a voz de Olivia e suspirei.
- ? Você pode me ajudar? – minha voz saiu mais chorosa do que eu gostaria. Eu não queria chorar. Não queria que ele me visse daquele jeito também, mas eu só poderia recorrer a ele naquele momento.
- O que aconteceu, ? Por que está chorando?
Funguei e fechei os olhos, tentando controlar minha respiração ofegante.
- Por favor, não faça perguntas. Eu só preciso que venha me buscar. Eu não tenho como voltar para casa.
- Onde está o ? Por que ele não pode te levar em casa? – percebendo meu silêncio, ele continuou: - O que aquele desgraçado fez com você? Onde você está? – seu tom de raiva me fez engolir em seco.
Ignorei sua primeira pergunta e disse:
- Eu estou em frente ao prédio do .
- Me dá o endereço que eu vou te buscar agora!
- O que aconteceu com ela? – ouvi novamente a voz da Olivia ao fundo.
Dei o endereço a – ou pelo menos, o que eu sabia, de acordo com o meu conhecimento sobre Nova York – e finalizei a chamada. Minutos se passaram e quando vi um carro se aproximar em alta velocidade, eu me levantei do meio-fio. O carro deu uma freada brusca à minha frente e saiu correndo de dentro dele. Vi a porta do passageiro se abrir e Olivia sair de dentro do carro.
- , o que aconteceu? – perguntou, segurando meus braços. Seu olhar de preocupação encontrou o meu amedrontado e ele apertou meus braços, fechando sua expressão em fúria. – O que aquele filho da puta fez com você? – ele encarou meu rosto, provavelmente notando a maquiagem borrada.
Fiquei em silêncio, sentindo as lágrimas rolarem ainda sem controle algum sobre meu corpo.
- Fala, ! – ele gritou – O que ele fez com você?
- E-Ele... – suspirei – Eu não consigo, .
Encarei seus olhos e com somente esse ato, ele acabou descobrindo toda a situação. Seus punhos se cerraram assim que ele soltou meus braços, e sem que eu tivesse reação, correu para dentro do prédio. Parece que a minha intuição estava certa. Havia algo de errado a partir do momento em que disse que me levaria à sua casa.
Olivia me olhou tristonha e através dos seus olhos, pude ver uma pontinha de pena. Não quero que sintam pena de mim. Eu só queria ir para casa e chorar. Chorar até essa dor no meu peito desaparecer.
- ! – Olivia gritou, correndo atrás dele.
- Aonde aquele filho da puta do mora? Qual é o número do apartamento dele? – gritava com ira, segurando o porteiro pela gola da camisa.
- E-Eu... Senhor, por favor, se acalme. – o porteiro disse com uma voz trêmula, olhando para com medo.
Agora eu também não reconhecia aquele . Ele estava irado, sua respiração estava ofegante e sua expressão estava fechada de ódio. Eu tinha medo que ele fizesse alguma besteira e se prejudicasse, então, fui até ele e segurei seu braço.
- , por favor, esqueça isso. Vamos para casa. – pedi com calma, mas ele me ignorou completamente.
- Me fala, porra! Eu vou acabar com a raça daquele desgraçado! – ele esbravejou.
- Apartamento trezentos e dois. – o porteiro respondeu e soltou-o brutalmente.
- Não vale a pena, ! – Olivia disse enquanto o seguíamos até o elevador.
Tentei impedi-lo de entrar, mas me deu um leve empurrão com o ombro, tirando-me de seu caminho.
- ! – gritei seu nome antes da porta se fechar.
- Nós temos que impedi-lo. Ele é muito impulsivo e pode fazer algo sem pensar. – Olivia me alertou e eu assenti.
Corremos até as escadas e começamos a subir. Fui subindo de dois em dois degraus com Olivia a minha frente. Assim que chegamos ao terceiro andar, corri pelo enorme corredor a tempo de ver parando em frente à porta ainda aberta do apartamento de . Apressei-me para alcançá-lo, vendo-o entrar no apartamento. Olivia e eu entramos e paramos atrás de .
- Seu filho de uma puta! – gritou, fazendo se virar, nos avistando parados ali. – Como você ousou triscar um dedo na ?! Você sabia que ela é virgem, seu porra?! – ele avançou contra , dando um soco em seu rosto. – Você é um covarde! Seu merda! Otário! Como pôde mexer com uma mulher ingênua como a ?!
cuspia as palavras contra enquanto o socava. caiu ao chão e se pôs sobre ele, voltando a socá-lo com ainda mais força. tentou se defender, mas estava cego de ódio, e sem controle algum sobre o seu corpo. Fechei meus olhos, tentando conter as lágrimas, o que foi em vão.
- E-Eu não sabia que ela era virgem... – disse fraco em meio aos socos de .
se levantou e se pôs a chutá-lo.
- Ah, não sabia?! E se ela não fosse? Você teria tentado estuprá-la do mesmo jeito? Caras como você me dão nojo! Mulheres não são objetos para serem usados, seu filho da puta! Isso é para você aprender a nunca mais mexer com a minha , seu desgraçado!
gemia e tentava se defender. Aquela cena estava me deixando agoniada e ainda mais triste. Seu rosto estava sangrando e o roxo logo tomaria conta de seu olho. Ele me lançou um olhar triste e culpado antes de levar um chute no estômago e acabar desmaiando.
- , para! Já chega! – gritei em desespero, correndo até ele.
Segurei seus braços e o forcei a olhar para mim. Sua respiração ofegante bateu contra meu rosto e ele me encarou com os olhos ainda furiosos.
- , me deixa acabar com ele! Um cara como ele merece sofrer! – ele tentou se soltar, mas o impedi, segurando seu rosto. Encostei nossas testas e fechei meus olhos.
- Está tudo bem, . Não vale à pena... – disse com uma voz calma, porém chorosa.
Ele enxugou as lágrimas que escorriam por minhas bochechas e suspirou, começando a se acalmar.
- Eu não acredito que ele teve a coragem de tocar em você. Não acredito que ele fez isso com a minha menina.
- Ele só tentou... Está tudo bem. Ele parou quando eu disse que era virgem. – acariciei seus cabelos e ele me abraçou, apertando-me fortemente contra seu corpo.
Escondi o rosto em seu peito e suspirei, abraçando-o de volta, com meu corpo ainda trêmulo de nervoso.
- Ahn, acho melhor irmos embora. Os vizinhos já estão aparecendo e podem chamar a polícia a qualquer momento. – Olivia avisou ao voltar do corredor. Ela nos encarou séria enquanto eu me afastava de . Eu não queria incomodar em nada, e sabia que se uma namorada visse o namorado abraçando outra mulher, com certeza ficaria incomodada. Ao contrário do que pensei, Olivia me lançou um sorriso fraco e acenou com a cabeça, me chamando.
e eu demos uma rápida olhada na direção de , que ainda estava desmaiado e machucado no chão, e saímos do apartamento. me abraçou de lado e segurou a mão de Olivia enquanto saíamos do prédio. Ele lançou um olhar duro para o porteiro que ainda tinha um olhar amedrontado e assim, entramos em seu carro. No caminho, ficamos em silêncio. , vez ou outra, me olhava pelo espelho retrovisor para conferir se eu estava bem. Flashes do que aconteceu rondavam a minha mente e quando eu percebia, já estava chorando de novo.
Chegando ao meu apartamento, eu entrei e corri para o meu quarto. Vi quando se levantou do sofá e veio em minha direção. Provavelmente ela estava esperando que eu chegasse e contasse sobre a maravilha que foi meu encontro. Pena que não foi o que realmente aconteceu.
- O que aconteceu, ? – ela perguntou preocupada ao me ver passar rapidamente por ela, abaixando minha cabeça, sentindo as lágrimas rolando por mais uma vez.
- Aquele filho da puta do aconteceu! – vociferou.
- O que ele fez?
- Tentou estuprá-la.
- Aquele desgraçado vai pagar! – ouvi a voz de antes de fechar a porta do quarto e me jogar em minha cama, escondendo meu rosto molhado entre meus travesseiros.
A noite que eu teria pela frente seria com certeza, uma noite recheada de pesadelos e memórias que eu gostaria de esquecer.


Capítulo 24 – Apaixonado

Era oficial. Eu estava totalmente destruída por dentro. Por mais que pudesse parecer um tanto exagerado de minha parte, realmente eu não estava me sentindo bem. Sabe quando você entrava de cabeça em algo, e no final, acabava se decepcionando, pois não esperava que aquilo em momento algum fosse acontecer com você? Pois é, era assim que estava me sentindo. Era como se tivessem aberto um buraco em meu peito, um buraco profundo e cheio de decepções e dores; cheio de angústias e sofrimentos. Me senti dentro de uma bolha, de onde ninguém pudesse me tirar. Ninguém seria capaz de ter a agulha ideal para furar aquela bolha e me livrar de toda dor.
Eu literalmente me isolei de todos. Isolei-me de meus amigos, de meus colegas de trabalho e de . Como uma mulher responsável, eu simplesmente não poderia deixar que os meus problemas pessoais afetassem meu emprego, então, mesmo sem muito ânimo, eu ia trabalhar todos os dias. Eu fazia o que tinha que fazer e voltava para casa, entrando novamente em minha bolha e ficando ali até o dia seguinte. Meus amigos, obviamente, estavam preocupados comigo, já que eu quase não falava ou conversava com eles. Eu respondia o básico, porque eu parecia não ter nem forças ou coragem para formular uma frase normalmente. Eu sofria em silêncio, sofria sozinha e engolia todos os meus sentimentos, como se eles pudessem voltar para onde vieram.
tentou me alegrar, tentou me levar para passear durante aquela semana, mas eu simplesmente forçava um sorriso e negava com a cabeça. Com aquele quase inexistente sorriso, eu agradecia o que ela tentava fazer por mim e com a negação, eu me recusava a fazer algo que saísse de minha zona de conforto e bolha de sofrimento. Então, eu voltava ao meu quarto e ficava deitada em minha cama, em meio aos travesseiros, esperando inutilmente uma solução que caísse dos céus. Eu comia somente quando eu sentia necessidade de comer, já que eu não gostaria nem um pouco de desmaiar pela casa. Quando eu terminava de comer, em silêncio, eu voltava à minha ‘’caverna’’. Eu ia à faculdade, mas sempre atravessava aqueles corredores com minha cabeça baixa, encarando infantilmente meus pés.
Eu não queria ter de levantar a cabeça e encarar o motivo de meu sofrimento. Eu não queria ter de olhar para aqueles olhos e me lembrar de tudo o que aconteceu naquela noite de sexta-feira. Eu me recusava a aceitar os flashes que frequentemente insistiam em se apossar de minha mente. Então, eu simplesmente agarrava a alça de minha bolsa e apertava meus livros contra meu peito, desejando que aquela manhã passasse logo para eu voltar ao meu quarto e me afogar naquele mar de sentimentos. Sentimentos esses, de rejeição, revolta, angústia, mágoa, ódio. Ódio de mim mesma por ter sido tão burra, tão ingênua, assim como me chamara enquanto tentava abusar de mim, não só física, como psicologicamente.
Os olhares das pessoas ao meu redor pareciam me acusar. Acusavam-me de ser tão estúpida e me deixar levar por meras palavras bonitas e gentis, mas por trás, carregadas de mentiras e enganações. As pessoas também me lançavam olhares de pena, como se dissessem ‘’Pobre garota sofredora, eu tenho pena de você por ser mais uma das vítimas de ’’. Até eu chegara a sentir pena de mim mesma. Pena da situação em que eu me encontrava. Pena do meu estado deplorável. As palavras ditas por naquela noite eram similares a facas entrando em meu peito e me rasgando por dentro, como eu nunca havia me sentido em toda a minha vida. Minha cabeça latejava com as lembranças e com o nojo que eu sentia ao ter sido tocada por ele. Tocada por mãos impuras e traiçoeiras. Eu sentia vontade de quebrar tudo ao meu redor, mas ao mesmo tempo, algo me impedia. O pingo de razão restante em mim ainda me impedia de perder a cabeça, então, o que me restava era me remoer por dentro, deixando os sentimentos esmagarem meu coração ferido, partido, desapontado.
Matt e Noemi viam a minha situação, e através de seus olhares, eles me perguntavam o que havia acontecido. Eu respondia, com o resto de minha voz, que eu não tinha nada. Que tudo estava bem, que tudo estava maravilhoso, mesmo sabendo que não estava nem um pouco perto disso. Seria estranho eu dizer que chegava a sentir dor física? Pois eu sentia. A dor sentimental passara a ser física. Eu sentia, literalmente, meu coração doer enquanto batia lentamente em meu peito. Uma dor incômoda, uma dor incessante e aguda. E eu não era capaz de fazê-la parar de me atormentar, de me afligir.
Era noite de sábado quando eu me levantei da cama. Peguei um roupão e envolvi meu corpo, cobrindo minha camisola. Descalça, eu me aproximei da porta do meu quarto e a abri. Todo o apartamento estava escuro e já devia estar dormindo, pois era de madrugada. Fui até a sala, em passos lentos enquanto abraçava meu corpo, e vi a cidade de Nova York do lado de fora da grande janela. A única iluminação dali vinha da janela, das luzes da cidade que nunca dorme. Peguei a garrafa térmica com chocolate quente, que estava sobre a bancada, e enchi minha caneca até a metade. Lembro-me bem de ouvir do lado de fora de meu quarto, chamando-me para beber o chocolate que ele havia preparado. Eu apenas o agradeci e como o que eu mais fazia ultimamente, era negar... Eu neguei, dizendo que não estava com vontade. A verdade é que nos meus momentos de reflexão, eu sempre preparava um chocolate quente e o bebia enquanto encarava a vista pela minha janela. E naquele momento, eu não estava com ânimo para isso.
Entretanto, agora, eu achei que era uma boa hora para refletir. Bebi um gole e voltei à sala, arrastando lentamente a poltrona até a janela. Sentei-me de frente para a mesma e dobrei meus joelhos, apoiando meus pés no assento da poltrona. Como uma menininha inocente que tem medo do mundo, era assim que eu me sentia. Passei meu dedo indicador pela borda da caneca e suspirei, encarando o líquido marrom. Lembrei-me de como ficou furioso ao saber do que tentara fazer comigo. e Ryan – que estava junto no momento – tiveram de segurá-lo para que ele não perdesse a cabeça e agisse por impulso como havia agido naquela noite. Meu amigo também tentara me animar, fazendo gracinhas e piadas, mas todas eram em vão, e então, ele acabava desistindo, soltando um longo suspiro. Eu sabia que ele estava se sentindo perdido e inútil, sem saber o que fazer para me alegrar, mas não era culpa dele. Não era culpa de ninguém. A única culpada nessa história toda era eu. , a estúpida.
Voltei a olhar para a janela, levando a caneca à boca, bebendo mais um pouco do líquido quente, engolindo-o lentamente. Momentaneamente, meus olhos arderam e uma lágrima escorreu por uma de minhas bochechas. Abaixei a cabeça e mordi meu lábio inferior, reprimindo a vontade de chorar por mais uma vez durante aquela semana. Senti uma presença ao meu lado, mas continuei a encarar a janela. O corpo encostou-se à mesma e ele cruzou os braços, encarando-me. Lancei-lhe um rápido olhar, vendo me olhar sério, como se me repreendesse por algo. Respirei fundo e voltei a encarar os carros pela janela.
- E aí, curtindo o seu isolamento e dor? – seu tom sarcástico me surpreendeu, mas fiquei em silêncio. – Porque como já faz uma semana, acredito que você esteja se dando muito bem com a solidão. Ela até agora foi a sua melhor companheira, huh? Talvez até melhor do que os seus amigos.
Ainda muito paciente, eu suspirei antes de perguntar baixo:
- O que quer aqui, ? Você já devia estar dormindo.
Sim, eu ignorei completamente o seu comentário. Não estava com vontade de discutir agora.
- Não estou com sono. – deu de ombros, olhando por cima de um deles. Ele deu uma rápida olhada pela janela antes de voltar a me encarar, com os braços ainda cruzados. – Vai continuar mesmo nisso?
- Nisso o quê, ? – lancei-lhe um olhar cansado.
- Se rebaixando, se sujeitando a aceitar o que aquele otário tentou fazer com você. Onde está aquela forte e teimosa que eu conheci há um mês e meio atrás? Onde está aquela mulher que não se deixava levar por palavras e que me respondia à altura, que nunca deixava algo passar, sempre tendo uma resposta na ponta da língua? – seu tom questionador me fez interrompê-lo.
- Aquela forte nunca existiu, ! – declarei, encarando-o. Ele fixou o olhar no meu, continuando com sua expressão séria. – Eu tentei me manter forte, tentei não me abalar com a situação, tentei ignorar, eu juro que tentei! Você não pode me acusar de não ter tentado, mas tudo tem limite, assim como a minha persistência teve. Você já está cansado de saber que nunca fui forte. Você mesmo já presenciou minhas recaídas de autoestima, ou melhor, minha falta dela. Eu sempre me senti como uma idiota que não era capaz de conquistar ninguém, de chamar a atenção de ninguém! E olhe até onde esse pensamento me levou! Exatamente aqui, onde eu bem no fundo, sabia que ia chegar. Uma pessoa que nasceu para ficar sozinha, vai morrer sozinha. – despejei tudo de uma vez, quase sem pausas para respirar.
Ele riu sem humor e negou com a cabeça.
- É, você sempre teve mesmo esse sentimento de rejeição. Esse dom de se humilhar, de pensar que você é a pessoa mais horrível do mundo. Sabe o que você é, ? Uma complexada! É uma pobre coitadinha, que merece sofrer por um filho da puta que trata a todas como objeto. Você merece mesmo passar por isso, merece mesmo estar no fundo do poço, sofrendo. Eu realmente me enganei com você. Você é fraca. – meus olhos arderam e eu engoli em seco, sentindo suas palavras me atingirem com uma rapidez sem medida. – Você tem mesmo que sofrer por aqueles que não merecem, afinal, é o seu papel, não é? Sofrer. Você veio ao mundo para sofrer! Oh, coitadinha da Wright.
- Por que está me dizendo essas coisas? – levantei-me, colocando a caneca sobre o parapeito da janela. – Você não tem coração, ? Será que não vê que eu não estou num bom momento para discutir e ouvir suas palavras de acusação? Eu só queria que você se colocasse no meu lugar e pelo menos tentasse entender o que eu sinto. Mas é claro que você não conseguiria, não é? – minha paciência já tinha ido ao espaço a essa altura. As palavras de me afetaram de tal forma que eu não me aguentei e mais um sentimento veio para me fazer companhia. A raiva. – Você é ! O cara que tem todas aos seus pés! O pegador!
- Isso não me impede de ter coração. – ele me interrompeu – E também de ver a idiota que você está sendo por se rebaixar a esse nível. Porra, , você está praticamente implorando para que os outros sintam pena! Você está se passando de miserável na frente daqueles os quais você devia se mostrar mais forte do que nunca! É por isso que você é fraca, não consegue se erguer quando algo dá errado. Não consegue se levantar do chão e seguir em frente. Você, Wright, é mesmo digna de pena. Olhe para você agora, chorando pelos cantos, vivendo trancada naquele quarto como se sua vida só se encontrasse lá! Você é ridícula.
- CALA A BOCA! – gritei não aguentando mais o peso de suas palavras carregadas de raiva e sarcasmo. nunca havia falado comigo daquele jeito, e ele só estava piorando a minha situação. Se antes eu estava mal, agora eu estava mil vezes pior. Eu achava que ele ia me apoiar, que estaria ao meu lado, mas não... Ele estava fazendo o completo oposto. Poderia não ser igual ao que tentou fazer comigo, mas o peso de suas palavras podia se igualar ao peso dos atos de . – Você não tem o direito de falar assim comigo!
- É claro que eu tenho. – ele respondeu ainda com sua calma. Enquanto eu tremia de nervoso, se demonstrava extremamente calmo, encarando-me com um ar superior, como se soubesse de tudo que se passava, quando na verdade, ele não estava ciente nem da metade. – Eu posso falar com você do jeito que eu quiser, pois eu moro aqui. Eu vejo você ficar pior, se distanciar e afundar ainda mais a cada dia que passa. E sinceramente, , eu acho que não estou preparado para assistir a sua queda. Eu estou me sentindo mal te vendo desse jeito. Eu sinto falta da de antes. Daquela mulher com o olhar e sorriso debochados, daquela teimosa que sempre bufava quando não concordava com algo, daquela mulher com ar de intelectual que foi capaz de me atrair como qualquer outra nunca havia sido.
Fiquei em silêncio, enquanto minha respiração ofegava. Balancei a cabeça em negação, fechando meus olhos.
- Quero que saiba que você é uma mulher incrível, tem um bom e imenso coração, é inteligente, tem amigos que estão sempre ao seu lado. Você é linda, , e é a única que não consegue enxergar isso. As suas respostas para tudo, o seu jeito de ser, suas manias, seus defeitos, suas qualidades, tudo é tão encantador. Como eu posso enxergar isso e você não? Como eu posso ver uma mulher maravilhosa a minha frente, totalmente independente, deixando-se abater por causa de uma coisinha tão boba?
- Coisinha boba? – ri em escárnio. – Para você pode ter sido uma coisa boba, mas para mim...
Ele suspirou e se aproximou, ficando a somente um passo de distância de mim.
- Eu sei que o que aquele desgraçado fez foi algo sério, mas também sei que existem vários imbecis como ele no mundo, e que se você se deixar abater por causa de cada um que passar em sua vida, você nunca vai conseguir viver inteiramente. Sempre vai faltar uma parte. A parte da autoconfiança e da alta autoestima. Você nunca vai se sentir bem consigo mesma e completa o suficiente. Nunca vai se sentir realizada ou feliz... E você não estando feliz, como espera fazer alguém feliz?
- , por favor, para. Deixe-me sozinha com a minha dor. – abri os olhos, encarando-o com os mesmos lacrimejando. – Eu agradeço as suas palavras de apoio, mas, por favor, eu não preciso delas agora. Eu só quero ficar só.
- Eu não vou te deixar sozinha, . Você já ficou sozinha por tempo suficiente. Você pode ter afastado os seus amigos, mas não vai me afastar. Caramba, eu só quero que você se sinta bem! Só quero que você se erga! – ele explodiu do nada e eu me assustei. Encarei-o sem expressão enquanto ele ainda falava: - O seu estado está acabando comigo também! Você não é a única afetada aqui, garota! Acha que eu gosto quando você se tranca naquele quarto e não dá as caras? Até me surpreendi ao chegar aqui e ver você encarando essa janela. – ele apontou para a mesma e eu observei seu peito subir e descer de forma acelerada. – Você age como um animalzinho assustado e perdido, sem saber para onde ir! Pelo amor de Deus, , faça alguma coisa! Me bate, me xinga, briga comigo como você sempre faz! Seja debochada comigo, mas faça alguma coisa! Seja você!
- Chega, ! Pare com isso! – eu gritei, sentindo-me contagiar com o nervosismo repentino de . A sua irritação exalava de seus poros, sendo transmitida a mim, coisa que eu não queria que acontecesse naquele momento. Eu só queria me encolher naquela poltrona e ficar em silêncio como eu estava antes. Será que era difícil aceitar isso? – Por que você é tão teimoso, meu Deus?! É difícil entender que eu quero ficar sozinha, sentindo a minha dor em paz?
- Eu vou te dar um motivo para sentir dor de verdade. – ele disse, exalando irritação, enquanto se aproximava de mim. Ele segurou fortemente meus pulsos e eu me apavorei, lembrando-me de quando me segurou daquele mesmo jeito. – Eu só quero que você volte a ser o que era! Só quero que pare de chorar pelo filho da puta do ! Eu quero a minha de volta!
- , me solta! – gritei apavorada, conseguindo finalmente me soltar. – Seu imbecil!
Ele abriu um sorriso estranho e me encarou intensamente.
- Isso, me xinga! Você tem que colocar isso para fora e eu quero te ajudar. Então, por favor, me xinga. Faz o que você quiser comigo, .
Ri sem humor, encarando-o como se ele fosse de outro planeta.
- Você só pode ser maluco. Deus, o que eu fui fazer? – encarei o teto do apartamento como se falasse diretamente com Deus – Eu coloquei um doido dentro da minha casa! Um masoquista que gosta de sofrer!
- Só serei masoquista se for você a causadora da minha dor. – ele me lançou um sorriso pervertido e eu bufei. – Pelo visto, alguém não concorda com o que falei. – comentou ao me ouvir bufar e me olhou sugestivamente, arqueando uma sobrancelha. – Tem mais alguma coisa que você não concorda, huh? Porque se tiver, eu terei a honra de dizer só para te ver bufar de novo, como a antiga fazia.
- Antiga ? – arqueei minha sobrancelha, cruzando meus braços. – Não existe nenhuma ‘’antiga’’ . Eu sou eu e ponto final.
- Prove. – seu tom desafiador me levou ao meu extremo e com uma troca de olhares intensa, eu aceitei seu desafio.
- Mas você é um babaca mesmo, huh? Não tem senso de ridículo nenhum. – balancei a cabeça. Ele sorriu novamente, e vi um brilho tomar conta de seus olhos. era realmente muito estranho. – Fica com essa palhaçada toda de me bate, me xinga e blá blá blá, como se eu fosse realmente fazer isso. Eu geralmente não costumo descontar minhas frustrações nas pessoas, . Se você é desse tipo de gente, não posso fazer nada. – dei de ombros.
ficou em silêncio e se aproximou de mim, voltando a ficar a um passo de distância. Num minuto estávamos nos encarando em silêncio e no outro, fui surpreendida com suas mãos segurando meus pulsos por trás de meu corpo, impedindo-me de me mover.
- , me solta, sério. Por favor, não me faça lembrar daquela noite. – quase choraminguei.
- É exatamente isso que eu quero. – sua respiração tocou meu rosto já que ele estava bem perto. Sua voz era baixa e calma, enquanto a minha era carregada de desespero e aflição enquanto eu tentava inutilmente me soltar. – Quero que reviva aquele momento e dessa vez, deposite todos os seus medos e frustrações sobre mim. Quero que desconte tudo em mim. Eu aguento, pode acreditar. Só assim você vai se sentir melhor.
- Por que você está agindo como se entendesse do assunto? Você não é psicólogo ou algo do tipo, ! Não sabe de nada e ainda está me machucando. – tentei me soltar, mas foi em vão.
- Vai por mim, eu sei exatamente como você está se sentindo, e se tem uma forma de descontar tudo isso, é através da raiva. Acha que eu não sei que você tem vontade de quebrar tudo a sua volta? Acha que eu não sei que você está sentindo ódio até de si mesma nesse exato momento? Então, por favor, não diga que eu não entendo, pois eu entendo, e muito bem.
- Okay, você entende, mas agora me solta! Eu não gosto de ficar presa, .
Mexi meus pulsos, enquanto ele os apertava ainda mais.
- Foi isso que falou ao quando ele te prendeu? Você implorou como uma menininha amedrontada enquanto ele te machucava? – senti o sarcasmo em sua voz.
- Eu... E-eu... – tentei falar, mas não consegui. Sim, eu tinha implorado como uma menininha amedrontada.
- Eu já até sei a resposta. – ele negou com a cabeça, sorrindo em escárnio. – Sim, você foi fraca. Como sempre.
As lágrimas encheram meus olhos e escorreram por minhas bochechas no mesmo instante. Quanto mais ele me dizia que eu era fraca, pior eu me sentia, porque eu sabia que no fundo eu era fraca. Eu sempre fora. Mas ter alguém jogando aquilo na sua cara, não era nada legal ou saudável.
- Você é frágil demais. Deixou com que ele te tocasse e te machucasse sem fazer nada. Só soube chorar e dar a ele mais forças, mais coragem para abusar de você. Você provocou aquilo, . O seu medo deu encorajamento a ele. Você é a culpada por tudo que aconteceu. – minha respiração ofegou e eu solucei em meio a minha visão turva por conta das lágrimas. – Eu te avisei para ficar em alerta. Eu te falei sobre os homens e como a maioria deles costuma tratar uma mulher. Até eu já usei uma mulher na minha vida, por que não faria o mesmo?! Obviamente, eu não me orgulho do que fiz, mas também não fico me remoendo e lembrando-me do passado como você está fazendo. Eu deixo o passado ficar no passado, e não dominar o meu presente e possivelmente o meu futuro. Você não me escutou, você se arriscou e aconteceu o que tinha que acontecer. A única culpada de tudo isso é você.
E aquilo foi o fim. só verbalizou o que constantemente estava em minha mente. Sim, eu era a culpada.
Com um surto de raiva, sendo cegada pelo ódio, consegui reunir forças não sei de onde e me soltei brutalmente do aperto de . No segundo seguinte, minha mão foi parar em sua bochecha, dando-lhe um tapa o qual eu achei que nunca poderia dar em alguém. O rosto de se virou e algumas mechas de seu cabelo bagunçado o acompanharam. Com a respiração acelerada e meu peito subindo e descendo freneticamente rápido, eu o encarei, sentindo minhas bochechas queimarem de ódio. O sangue pareceu esquentar em minhas veias e aquela vontade imensa de quebrar tudo a minha volta predominou sobre meu corpo trêmulo.
virou seu rosto lentamente em minha direção, alisando sua bochecha que se encontrava avermelhada. Ao contrário do que eu esperava, ele não me olhou raivoso ou gritou comigo. Ele apenas me encarou e abriu um sorriso irônico.
- É só isso que pode fazer? Só é capaz disso? Fraquinha. Sofredora digna de pena.
- CALA A BOCA! – dei-lhe outro tapa após gritar.
Sem conseguir me controlar, sendo levada totalmente por impulsos, eu comecei a desferir tapas e tentativas de soco em seu peito. Fechei os olhos, apertando-os com força, enquanto chorava e o batia com toda a força que eu podia. Ele continuava parado no mesmo lugar, como se meus tapas e socos não o afetassem nem um pouco, e aquilo só me deu ainda mais energia para continuar. Levei minhas unhas aos seus ombros desnudos e os arranhei, mesmo sabendo que elas eram curtas e não chegavam a machucar realmente alguém. Arranhei também seu peito, descendo até sua barriga. Eu arranhava com força, tentando machucá-lo, confesso. Eu estava fora de mim, eu não conseguia controlar meus movimentos. Minha cabeça estava em uma enorme confusão e meu coração palpitava com a adrenalina de descontar meu ódio em algo ou alguém.
Em momento algum, tentou me impedir ou se afastar. Ele continuava no mesmo lugar, parado, apenas deixando-me batê-lo. E aquela falta de defesa dele conseguia me deixar ainda mais raivosa, se ainda era possível.
- Seu babaca! Inútil! Faz alguma coisa! Por que está me deixando te bater?! Era isso que você queria, não é, seu masoquista? Você gosta que eu te xingue, que eu te bata? Seu problemático! Me provocou até não poder mais e agora não faz nada? Seu estúpido! ESTÚPIDO! INÚTIL! – gritei xingamentos enquanto o estapeava. Abri meus olhos e o encarei, vendo que me olhava franzindo a testa, como se estivesse avaliando a minha situação. Céus, eu sou ridícula.
Um silêncio pairou pela sala enquanto eu ainda o batia. Os únicos sons eram os dos tapas e da minha respiração ofegante e cansada. Alguns soluços também podiam ser ouvidos, mas quase imperceptíveis.
- Ele... Ele tentou me estuprar! E-Ele... é um filho da puta! – gritei quase como um rosnado e aquilo foi o fim do meu surto. Senti-me tirando um peso enorme dos meus ombros e parei de bater em . Levantei meu olhar e encarei que estava sério. Seus olhos se fixaram em meus lábios entreabertos, já que eu respirava pela boca, e eu olhei para seu peito avermelhado e com pequenos arranhões.
Minha consciência pesou e eu fiquei apavorada com a minha atitude. Céus, eu agi como uma selvagem! O que eu fiz com ? Seus ombros estavam semelhantes ao seu peito. O mesmo subia e descia rapidamente, igual ao meu. Quando eu ergui meu rosto e o olhei nos olhos, ele ainda me observava em silêncio. Por um momento, não consegui decifrar sua expressão, então, eu a denominei como indecifrável. Sim, indecifrável assim como seus olhos castanhos.
- , eu... Desculpe-me. – comecei a dizer com a voz baixa. Eu estava sem graça pelo que havia acabado de fazer.
Ele umedeceu seus lábios e me olhou ainda em silêncio.
- Eu não sei o que aconteceu. E-eu... – seu puxão me interrompeu.
Ele caiu sobre o sofá, comigo por cima de seu corpo. Olhei-o um tanto surpresa já que não esperava tal atitude. Eu esperava por tudo, menos aquilo.
- Era isso que eu queria desde o início. – ele disse finalmente enquanto olhava fixamente meus lábios por mais uma vez. – Não se preocupe, você não me machucou. E se eu soubesse que ficaria com tanto tesão, teria te deixado me bater bem antes.
Nem deu tempo de processar suas palavras, já que ele colou nossos lábios em um ato desesperado. Senti sua língua acariciando meu lábio inferior e eu cedi, fazendo com que ele desse início a um beijo intenso e cheio de malícia e desespero, com uma pitada de selvageria.

’s POV
A sensação de ter feito a coisa certa invadia o meu peito. Eu estava satisfeito por ter ajudado a se erguer de alguma forma. Simplesmente não aguentava mais vê-la daquele jeito, acabando consigo mesma. Eu vinha a observando durante essa semana depressiva que se passou e posso afirmar que o que ela sentia, eu também sentia. De alguma forma, eu conseguia me colocar em sua situação, mas ao mesmo tempo, eu queria que ela saísse dela. Então, mesmo doendo em mim, em joguei em cima dela tudo que eu jurei que nunca seria capaz de jogar. Cuspi as palavras que eu sabia que a machucariam e que a deixariam com muita raiva. E com o surto de raiva tão esperado por mim, se deixou esvaziar. Esvaziar de todo sofrimento e dor. Eu finalmente consegui estourar a bolha a qual eu sabia que ela havia entrado. A satisfação por meu feito não poderia ser maior.
Depois de todo o momento de tensão, fiquei surpreso ao ouvir o pedido de . Ela simplesmente pediu que eu dormisse com ela. Em seu quarto. Em sua cama. Eu consegui ser pego de surpresa por Wright. Ela conseguiu me deixar sem fala. Então, o que eu fiz foi somente assentir enquanto a abraçava com toda a minha força, transmitindo a ela o carinho que eu sabia que precisava, a minha presença para que ela não se sentisse sozinha e o amor de amigos que estava crescendo gradativamente em meu peito, a cada dia que se passava. Eu começava a considerar como minha amiga; uma amiga de extrema importância; uma amiga a qual eu acho que não conseguiria viver sem. Parecia ser louco da minha parte dizer isso, mas Wright definitivamente me fisgou. Fisgou-me para estar ao seu lado quando ela precisasse, para apoiá-la em suas decisões, para repreendê-la quando eu achar que estava errada.
Pode parecer um tanto precipitado, já que moro aqui há somente um mês e meio, mas tudo aconteceu de forma tão rápida que eu nem ao menos me dei conta. Quando eu percebi, já estava disposto a ajudá-la de todas as formas possíveis. Ainda posso sentir em minhas veias, o meu sangue queimando quando eu a vi daquele jeito. Chorando por causa de um homem que não merecia suas lágrimas, não merecia seu coração. Se não tivesse me parado naquela sexta-feira à noite, eu não saberia do que seria capaz de fazer com . O ódio que eu sentia por aquele cara ainda corria por meu corpo, e do jeito que sou impulsivo, espero nunca mais encontrar com aquele ser nojento, senão não responderei pelos meus atos.
Agora, deitado ao seu lado, depois de uma madrugada um tanto agitada, eu me sinto mais tranquilo por tê-la segura. Os raios de sol começavam a invadir o quarto quando eu acordei e fiquei a encarando, admirando suas feições, os detalhes de seu rosto delicado. Seu rostinho de menina me deixava ainda mais encantado, ainda mais fascinado por ela, que eu quase a veneraria. Ela estava deitada de lado, de frente para mim, facilitando ainda mais para a minha admiração. Calmamente, tentando me mover minimamente sobre a cama, eu me aproximei mais dela. Nossos rostos ficaram bem próximos e sua respiração calma podia ser sentida contra meu rosto com uma expressão sonolenta. Sorri fraco e fechei meus olhos, tocando o cobertor que a cobria, descendo-o lentamente. Eu queria tocá-la, queria sentir o seu calor tocar as pontas de meus dedos.
Levei o cobertor até os seus joelhos e observei sua camisola que estava um pouco acima de suas coxas. Suspirei enquanto admirava sua pele branquinha e macia e quando toquei sua coxa com as pontas dos dedos, aquele calor tão almejado por mim me fez estremecer por um instante. Depositei minha mão suavemente sobre a pele de sua coxa e lentamente, fui subindo minha mão, sentindo a textura macia de sua pele cheirosa. Chegando à barra de sua camisola, fui levando a mesma junto a minha mão enquanto continuava a subi-la. Com sua camisola já na parte do umbigo, eu toquei sua barriga, fazendo pequenos círculos com a ponta de meu dedo indicador. Senti a respiração de ficar pesada contra meu rosto e parei a carícia ao ouvi-la murmurar algo em um tom baixo, quase inaudível.
Com ela voltando a dormir tranquilamente, eu continuei a acariciar sua barriga. Contornei seu umbigo com meu dedo e o passei por sua cintura, chegando às suas costas. Fechei meus olhos e suspirei ao dar-me conta do quão perto eu estava da mulher que era dona dos meus pensamentos, dos meus sonhos. Eu não me cansava de tocá-la, de beijá-la, de abraçá-la e de senti-la perto de mim. Pelo contrário, eu queria sempre mais, parecia que o que eu tinha nunca era o suficiente. Eu queria acordar ao seu lado todos os dias, queria envolver seu corpo com o meu diariamente, apenas para sentir seu cheiro adentrar as minhas narinas e seu calor ser transmitido a mim, aumentando significativamente a temperatura do meu corpo. Aproximei-me ainda mais e levei minha mão direita ao seu cabelo, acariciando-o levemente, sentindo seus fios macios contra meus dedos.
Mordi meu lábio inferior e espalmei minha mão esquerda em suas costas. Ainda com as pontas dos dedos, fui descendo minha mão por suas costas. Voltei a subir minha mão, tocando em uma de suas omoplatas e voltei a descê-la carinhosamente. Senti a pele de se arrepiar e sorri de canto. Eu gostava das sensações que eu lhe proporcionava. Gostava de saber que tinha alguma influência sobre seu corpo. Subi minha mão até seu ombro e inclinei meu rosto, dando-lhe leves beijos por onde minha mão boba passava. Quando se mexeu, eu parei imediatamente. Fiquei parecendo uma estátua enquanto a encarava. Ela suspirou e voltou dormir, ou talvez, nunca tivesse acordado. Eu sabia que ela se mexia um pouco quando dormia, já que havia estado em sua cama na Carolina do Norte. Não eram movimentos bruscos, mas ainda assim, eram movimentos que podiam avisar se ela havia acordado a qualquer momento.
Respirei fundo e continuei com minhas carícias. Desci minha mão por seu quadril e sorrateiramente, adentrei sua calcinha. Meu coração acelerou no exato momento em que toquei sua bunda. Ofeguei um pouco e engoli em seco, tentando me acalmar. Sem que eu me desse conta, minha respiração já estava descompassada e eu fiquei assustado com o efeito que tinha sobre meu corpo. Era algo sobrenatural, não havia explicação. Eu nunca havia sentido algo tão intenso antes, nem com as inúmeras mulheres que passaram por minha vida. Afastei a alça de sua camisola com a outra mão e voltei a beijar-lhe o ombro enquanto acariciava sua bunda com calma. Espalmei a mão em um dos lados da mesma e a apertei com cautela, implorando em meu interior que ela não acordasse com minha audácia.
Observei seu rosto por alguns segundos e encostei nossos narizes levemente antes de meus olhos se fixarem em seus seios cobertos pelo tecido fino da camisola. Mordi meu lábio inferior por mais uma vez, sem conseguir controlar a excitação que crescia dentro de mim. Seria muita audácia se eu a tocasse ali enquanto ela dormia? Essa pergunta se repetiu em minha mente por pelo menos umas três vezes antes de lentamente, desviando meu olhar para seu rosto para apenas ter a certeza de que ela dormia, eu inclinar meu rosto, ficando com meus lábios na altura de seu busto. Levei minha mão direita até sua camisola e abaixei um pouco o tecido que cobria seus seios. Encostei meus lábios na parte de cima de seu seio esquerdo e foi como se uma corrente elétrica passasse por meus lábios e tomasse todo o meu corpo. Por um momento, arrepiei-me e fechei os olhos, logo voltando a beijar a pele com mais firmeza e pressão.
Apertei novamente sua bunda enquanto distribuía beijos sobre seu seio. Subi meus beijos suaves até sua clavícula e a chupei por um instante, prevendo a marquinha que ficaria na mesma. Minha respiração ficou mais pesada quando senti meu corpo começar a bombear sangue para minhas partes baixas. Excitação agora não era só em minha mente, mas começava a ficar bem física, e eu tive um pouco de receio de acordar no momento em que meu membro começou a tocar sua barriga descoberta. Ela suspirou e eu a acompanhei no suspiro, sem conseguir me conter. Subi minha mão de sua bunda até seus seios e os acariciei suavemente, sentindo por mais uma vez, sua pele se arrepiar com meu toque sem pressa alguma. Até dormindo ela era capaz de ter as sensações as quais ela já conhecia bem quando eu a tocava. Sorri com meu pensamento e voltei a beijar sua pele quente. Passei minha língua de forma preguiçosa sobre seu seio, o mordiscando e chupando em seguida. Vi o meu rastro de saliva sobre sua pele macia e fiquei ainda mais duro, voltando a lambê-la e chupá-la da forma mais erótica e excitante que meu corpo ansiava.
Subi meus beijos para seu pescoço e o beijei avidamente, com meus olhos fechados, ansiando por mais e mais de seu corpo. Eu sou um cretino. Um cafajeste. Como eu posso me aproveitar de na situação em que ela se encontra? E ainda dormindo! Esses eram os pensamentos que eu tinha enquanto tocava seu corpo da forma mais carinhosa que eu podia, distribuindo beijos, mordidas e chupadas em seu pescoço tão tentador. Balancei a cabeça tentando afugentar os pensamentos de críticas contra mim mesmo e fiquei a uma distância tão pequena de seu corpo, que o meu quase tocava o seu. Levei minha mão ao seu quadril e o apertei suavemente, subindo meus beijos até sua mandíbula, queixo, bochecha e nariz. Passei minha mão direita – que se encontrava no travesseiro – em seus cabelos loiros, voltando a sentir os fios sedosos.
Com a nossa proximidade, meu pênis acabou encostando-se a seu ventre, e eu não consegui reprimir um gemido baixo e rouco, apertando meus olhos ainda fechados. Mesmo coberto pela cueca, eu ainda podia sentir o seu calor chegando a mim, e isso estava me deixando ainda mais excitado do que eu já me encontrava. Oh, sim, a situação estava crítica para mim. E eu simplesmente não conseguia parar de tocá-la, de acarinhá-la. Em um movimento totalmente inesperado por mim, ela levantou sua perna e a colocou sobre a minha, entrelaçando-as. Ainda dormindo – pelo menos eu acreditara que sim –, ela passou seu braço por meu quadril, unindo completamente nossos corpos. Ela quebrou toda e qualquer distância entre nós e aquele ato me fez ofegar, pois eu não esperava por aquilo.
Se antes eu já estava excitado, naquele momento fiquei pior. Meu pênis, agora totalmente duro, ficou imprensado contra seu ventre, criando uma pressão extremamente gostosa. Mordi meu lábio inferior, gemendo baixo em seguida. Desci minha mão por sua barriga e cheguei ao seu ventre, adentrando sua calcinha. Eu queria ver se ela estava numa situação tão crítica quanto a minha, e o fato de sentir sua excitação em meus dedos não me ajudou em nada. Aquilo me deixou ainda mais eufórico e eu sentia que meu autocontrole iria pelos ares a qualquer minuto. Separei seus lábios com meus dedos e toquei seu pontinho de prazer, contemplando a expressão de prazer no rosto de logo em seguida. Mesmo que inconscientemente, ela ainda sentia meus dedos por seu corpo e por sua intimidade. Talvez quando acordasse, ela pensasse que nada havia passado de um sonho, mas para mim... A lembrança ainda estaria intacta, totalmente viva em minha memória.
Ela se moveu, pressionando meu amigo ainda mais contra seu corpo, e eu acabei ofegando. Meu corpo ficou trêmulo e eu fiquei sem saber o que fazer, como um adolescente virgem ficaria. Movimentei meu dedo indicador em seu clitóris, fazendo pequenos círculos. ronronou baixo e apertou meu quadril de forma repentina.
- – meu nome saiu quase como um gemido e meu coração deu um salto.
Ela sabia que era eu a tocando? E se não, ela imaginava isso? Ou talvez, sonhava com isso?
- Estou aqui. – respondi quase num sussurro.
Vi quando, inconscientemente, ela começou a mexer seu quadril contra o meu e minha perna, procurando uma posição confortável para sanar sua excitação evidente. Tirei minha mão de sua intimidade e com nossos corpos grudados, aproximei mais minha perna de sua intimidade. Encontrei fácil acesso já que sua perna se encontrava sobre meu quadril naquele momento. Inclinei minha perna e deixei que minha coxa se encontrasse com sua intimidade, dando a meu consentimento e liberdade suficiente para que ela se esfregasse em minha coxa. Como uma mulher extremamente excitada que busca de todas as formas, uma maneira de se aliviar, ela começou a roçar sua intimidade coberta pela calcinha molhada, em minha coxa desnuda. Gemi baixo ao sentir sua excitação tocar minha pele, friccionando o tecido molhado contra mim.
Mexi um pouco minha coxa, fazendo com que houvesse mais fricção entre minha coxa e sua intimidade. A forma que ela se esfregava em mim era tão gostosa que por um momento, levei minha mão ao meu pênis, tentando inutilmente conter a excitação que exalava pelos poros de minha pele. Mordi o lábio e fechei os olhos ao senti-la rebolando lentamente em minha coxa. Por um momento, desejei que ela estivesse rebolando daquela forma em meu pênis enquanto o mesmo escorregava para dentro dela. Dentro daquela mulher que sabia me enlouquecer mesmo sem se dar conta, que conseguia me deixar desejando por ela como um sedento no deserto à procura de água.
A campainha tocando me acordou do momento que eu estava tendo com , mesmo ela não estando ciente disso, e tive que dar tudo de mim para me afastar de seu corpo. Ela se virou para o outro lado ao sentir o espaço vazio ao seu lado, e abraçou um travesseiro. Suspirei e peguei minha camisa e calça de moletom, logo as vestindo. A campainha ainda tocava insistentemente e se eu ainda não estivesse tão aéreo por causa do meu momento de segundos atrás, eu estaria extremamente furioso por ser tão cedo e alguém estar à porta àquela hora. Passei as mãos no cabelo, tentando arrumá-lo enquanto saia do quarto e fechava a porta. Passei as mãos pelo rosto, atravessando a sala, e me aproximei da porta, logo a destrancando e abrindo. Olivia me olhou sorrindo, mas seu sorriso murchou ao ver minha expressão de sono.
- Oh, desculpe-me, não sabia que estava dormindo. – seu tom era de culpa – Pensei que já estivesse acordado.
- Está tudo bem, Olivia... Eu já estava acordado. – sorri de canto. Olivia assentiu, sorrindo fraco, e eu percebi que devia convidá-la a entrar. – Quer entrar?
- Oh, sim, obrigada. – ela apertou a alça da bolsa e eu lhe dei espaço. Liv entrou e eu fechei a porta, sentando-me na poltrona logo depois de ela se sentar no sofá.
- Aconteceu algo? Por que venho aqui a essa hora? – meu tom saiu preocupado e eu cocei meus olhos. Abri os mesmos e observei a expressão indecisa de Olivia. Havia algo a incomodando ou talvez até preocupando. Eu a conhecia bem, e sabia disso somente pelo modo como ela mordia o canto do lábio inferior. – Olivia? – a chamei. Ela pareceu ter saído de um transe e me encarou.
- Ahn, a está aqui? – perguntou e eu franzi a testa, estranhando sua pergunta.
- Sim, ela está dormindo... Por quê?
- Ótimo. Assim eu posso conversar com você com tranquilidade. – ela colocou sua bolsa sobre o sofá e me encarou com seriedade.
- Você está me deixando preocupado, Olivia. Por favor, me diga o que aconteceu.
Cada movimento seu era milimetricamente observado por mim na tentativa de entender o que se passava.
- Não se preocupe, . – ela riu fraco. – Não aconteceu nada de errado comigo.
- Então, o que houve?
Ela respirou fundo e se sentou mais na beirada do sofá. Seu olhar se fixou no meu e ela disse:
- Você já parou para analisar a sua relação com a ? – franzi o cenho com sua pergunta. – Não me olhe assim. Você entendeu muito bem o que eu perguntei. Se você não reparou, eu reparei.
- Reparou em quê?
- Reparei no jeito que você a olha. Você a olha com carinho, com afeto... Você a trata da mesma forma. Eu vi o jeito que vocês se abraçaram depois de ter batido no , eu venho observando o jeito que vocês trocam olhares. pode não ter percebido, mas eu percebi. – seu tom era calmo e às vezes, ela desviava o olhar do meu, parecendo lembrar-se dos momentos em que fizera tais observações. – Será que depois de tantos anos em que nos conhecemos, você não notou que eu já estava ciente de tudo? Eu vi o jeito que você ficou naquele dia em que ela chegou do encontro com , dizendo que tinha o beijado. Aquela pequena conversa que tivemos no quarto, mesmo não tendo nenhum significado para você, teve para mim. Foi ali, no seu quarto, que eu tive a certeza de que você havia sido tocado por ela. Mesmo negando, eu sei que você sentiu ciúmes, eu sei exatamente o que você sentiu. E arrisco dizer que sei mais a respeito de você do que você mesmo.
- Olivia, não existe nada entre mim e . Você está entendendo errado. Nós... – ela me interrompeu.
- Não tente se justificar, , não quero suas justificativas. Você devia me conhecer melhor. Nós crescemos juntos... Eu era sua vizinha, depois nós fomos estudar na mesma faculdade, nós sempre estivemos juntos. Eu costumava pensar que você, eu e Ryan éramos os três mosqueteiros. – ela riu fraco e eu a acompanhei. – Então, por que você não percebeu que eu já estava ciente?
- Eu te conheço, Liv, conheço muito bem. Mas eu não entendo do que você está ciente.
E eu não entendia mesmo. Liv parecia falar e falar, e eu não entendia nada. Ela tinha que aprender a ser mais direta comigo.
- Dos seus sentimentos. Você só não se deu conta do que se passa em seu interior. Você ainda não se deu a liberdade de descobrir o que sente em relação à , mas eu vou te dizer, ... – ela encarou meus olhos. – Você está apaixonado por ela. Eu reconheço uma paixão há quilômetros de distância, pois já vivi muitas e você é uma delas. Então, eu tenho a plena certeza ao dizer que você está apaixonado pela . Só não se deu conta disso ainda.
Soltei uma risadinha nervosa e balancei a cabeça em negação.
- Você não pode estar falando sério. Eu? Apaixonado pela ? Conta outra, Olivia!
Ela sorriu de canto. Um sorriso sincero e confortante. Olivia sempre foi assim: uma mulher doce e amiga, que te ajuda quando você mais precisa, que está sempre ao seu lado, te conforta, te abraça e te dá carinho quando você necessita de alguém. Ela usa palavras doces e carinhosas que atingem em cheio o seu coração, até mesmo no pior estado em que ele se encontra, desde magoado a recheado de ódio.
Acho que foi por isso que sempre fui tão encantado por ela. Eu sempre soube que no momento em que eu mais precisasse, ela estaria lá.
- Olha, não se preocupe comigo. – ela me puxou de meus pensamentos. – Só não minta para si próprio. Eu sei que em algum momento, você vai se dar conta de tudo. Esse momento não é agora, mas está muito próximo... E quando ele chegar, você vai me agradecer por ter te deixado.
Suas palavras pareceram me dar um soco no estômago e eu quis que ela repetisse para que caísse a ficha de que ela havia realmente falado aquilo.
- O quê? Me deixar?! – perguntei um tanto indignado. – Você não pode fazer isso. Você é minha namorada!
- , por favor, entenda... Eu quero te deixar livre para descobrir os seus próprios sentimentos. Como espera fazer isso comigo ao seu redor, só te deixando ainda mais confuso?
- Eu não quero descobrir porra de sentimento nenhum! Você não pode terminar comigo! Eu te amo!
- Não. – ela falou séria, ainda me olhando. – Não me ama. Você só tem afeto por mim, só tem carinho. Você acabou confundindo amor com gratidão por tudo o que eu fiz por você, por tudo que nós passamos juntos. – uma mulher nunca havia terminado comigo, e admito que meu ego estava um tanto abalado. Quase como se lesse meus pensamentos, ela disse: - E não deixe o seu ego abalado te afetar. Não é só porque uma mulher terminou com você por pelo menos uma vez na sua vida, que você vai se sentir menos homem por isso.
Okay, agora eu admito que fiquei surpreso com suas palavras. Olivia Hastings pegou pesado.
- E como eu disse, você ainda vai me agradecer por te deixar livre. Graças a Deus, uma das minhas qualidades é ser observadora. Foi através das minhas observações que eu descobri tudo. Foi através dos olhares, das provocações, dos ciúmes e até dos chupões em seu pescoço. – fiquei constrangido com sua declaração, sentindo-me ficar quente de repente. Olivia riu. – Sim, eu vi isso também. Acho que você pensou que cobrir com o terno e blusas de gola longa em minha presença iam adiantar, mas eu tenho uma péssima notícia para você: não adiantou.
Engoli em seco.
- Vocês já se beijaram, não é? – ela me lançou um olhar divertido e eu fiquei ainda mais confuso. Como assim, ela não estava irritada ou magoada?! A sua naturalidade ao falar aquelas coisas chegava a me assustar. Qualquer outra mulher já teria pulado em meu pescoço e tentado me enforcar, mas não... Estou falando sobre minha melhor amiga, a qual eu achei que estava apaixonado, a que entendia tudo sobre mim. Agora eu tinha que admitir que talvez Olivia soubesse mais sobre mim do que eu mesmo.
Assenti com a cabeça, com certa vergonha de verbalizar o meu sim.
- Eu sabia. Eu me fiz de cega, surda e muda só até agora. Até esse momento em que percebi que não poderia mais te prender a mim. Eu estaria te prejudicando e me prejudicando, e uma das coisas que eu nunca vou mendigar é o amor de alguém. Se alguém estiver disposto a me amar, ótimo... Se não, eu não vou morrer por causa disso. Vou seguir em frente como sempre segui.
- Me admira a sua coragem e garra. – sorri encantado.
- Eu tenho que ser assim. – ela sorriu, parecendo orgulhosa de si mesma. – Eu sempre iria me arrepender amargamente se te mantesse ao meu lado sabendo que você está apaixonado por outra.
Revirei os olhos. - Eu não estou apaixonado.
- É claro que não. – disse irônica e eu bufei. – Está até pegando as manias dela de bufar e revirar os olhos. Sabia que eu vi uma vez em algum lugar que uma pessoa apaixonada tende a obter as mesmas manias que o outro até mesmo sem perceber?
Só não revirei os olhos novamente para ela não dizer que estou igual à , o que é ridículo. Cruzei os braços e lhe encarei com a sobrancelha erguida.
- Okay, okay! – levantou as mãos em rendição. – Não está mais aqui quem falou. – ficamos em silêncio até ela dizer: - Acho que eu fui corna um pouquinho, huh? Enquanto estávamos juntos, você beijava e agarrava outra pelos cantos. – fez um som com a língua no céu da boca. – Que vergonha, . Meu melhor amigo de infância fazendo isso comigo!
Ri sem graça, coçando a nuca.
- Pois é... É que...
- Nem fale nada! Vamos esquecer isso! – falou apressada, arrancando-me um riso. – E essa excitação aí? – olhou para o meio de minhas pernas e eu senti meu rosto ficar quente na mesma hora, tentando cobrir meu membro com uma almofada. – Por acaso vocês estavam se pegando antes de eu aparecer?
- Não, claro que não. – tive de negar. Eu não tinha tanta cara de pau para dizer que sim mesmo nós não namorando mais, de acordo com ela. – É que você sabe... Ereção matinal. – dei de ombros.
- Sei sim. – lançou-me um olhar e sorriso maliciosos e eu ri.
- Então... Nós voltamos a ser somente amigos? – perguntei ainda em dúvida. – Eu não queria isso, mas já que você insiste... O que posso fazer?
- Sem essa, . Já falei que você vai me...
- Te agradecer futuramente. – rolei os olhos, completando sua frase.
- Isso aí. – sorriu. – Bom, agora tenho que ir. Tenho algumas coisas para fazer.
Liv se levantou, pegando sua bolsa. Ela foi até a porta e eu a acompanhei. Quando abri a porta, ela sorriu para mim e acenou com a cabeça. Olivia teria saído se eu não a tivesse segurado pelo braço. Olhou-me confusa e eu aproximei nossos rostos, dando-lhe um beijo calmo. Ela envolveu meu pescoço com os braços e eu a segurei pela cintura, enquanto nos beijávamos. Dei-lhe um selinho demorado antes de separarmos nossos lábios.
- Um último beijo. – sussurrei contra seus lábios e ela sorriu.
Afastou-se de mim, arrumando a alça da bolsa no ombro.
- Até qualquer dia, melhor amigo.
- Até, melhor amiga.
Assim que ela saiu, eu fechei a porta e levei minhas mãos à cabeça, respirando fundo.
Olivia estaria certa? Eu estava mesmo apaixonado por Wright?


Capítulo 25 – A Festa da Fraternidade

Wright’s POV
Encostei-me à parede ainda sem acreditar no que tinha escutado. Olivia acabara de dizer que estava apaixonado por mim? Ela não podia estar certa. Não podia. O não era o tipo de homem que se apaixonava. Ele ficava com as mulheres, namorava, mas não se apaixonava. Ele mesmo me disse que nunca sentiu algo por alguém... Mas, se ele não sente, como ele namorou a Olivia? Lembro-me bem de quando ele disse também que estava apaixonado por ela. Eu estou confusa, eu sei. Paixão e amor são sentimentos completamente diferentes. Paixão é algo passageiro e que infelizmente, sempre deixa marcas, sempre acaba machucando alguém. Já o amor é um sentimento lindo que não machuca, não maltrata, não magoa. As pessoas que amam são realmente privilegiadas, pois é o sentimento mais maravilhoso que alguém poderia ter.
Foi assim que eu cheguei a conclusão de que o que eu sentia por era uma simples paixão. Não era amor. Era uma paixão tão forte que foi capaz de me afundar. Acredito agora que paixão e mágoa são sentimentos muito próximos, pois ao mesmo tempo em que toda aquela euforia de se estar apaixonada é ótima, quando você acaba se decepcionando e consequentemente, se magoando... A dor pode ser tão forte quanto. É como uma montanha russa em que uma hora você está lá em cima, mas em outra, você está lá embaixo. E esse “lá embaixo” pode ser catastrófico.
Encarei por trás da parede, vendo-o se encostar à porta, com as mãos na cabeça. Ele tinha um semblante preocupado e duvidoso. Eu gostaria de poder ler seus pensamentos para saber o que se passava. Ele teria acreditado mesmo no que Olivia havia declarado? Ou ele também estava tão confuso quanto eu? Estaria ele receoso com algo? Eu o via como um amigo agora, não somente como o meu colega de apartamento. , agora, era um companheiro para mim. Ele me ajudou a acordar, a sair daquela situação a qual eu me encontrava, afundando-me cada vez mais. me ajudou a me reerguer e eu sempre serei grata a ele por isso. E agora, o vendo naquela bolha de completa confusão e tensão, eu gostaria de poder ajudá-lo. Eu só não sabia como.
E para complicar as coisas ainda mais, eu tive aquele sonho completamente estranho com ele há poucos minutos atrás. Oh, céus, estava tão envergonhada de mim mesma. Como eu pude ter um sonho erótico com meu colega de apartamento e amigo? Como minha mente foi tão suja a ponto de imaginar situações tão inusitadas e ao mesmo tempo constrangedoras? Eu ainda podia sentir seus dedos passeando por meu corpo, seus lábios beijando cada pedaço de pele meu, sua perna entrelaçada a minha, seu cheiro, seu calor, sua respiração contra meu rosto, seus dedos acariciando meus cabelos e ainda mais: sua coxa contra minha intimidade pulsante. Oh, céus, eu sonhei que literalmente eu estava me roçando em sua perna!
Senti minhas bochechas queimando enquanto escondia meu rosto entre minhas mãos. Como uma mania minha, acabei encostando a testa à parede, fechando meus olhos e respirando fundo. Eu precisava pensar. Pensar sobre toda aquela situação e como eu encararia depois daquilo. Eu sei que ele nem deve imaginar o que passou por minha cabeça, mas ainda assim, é muito constrangimento. Eu estava ficando tão apegada às suas carícias e seu corpo, que até em meus sonhos, eles apareciam. Eu sou uma mulher estúpida, idiota e... Carente. Sim, eu admito. Eu sou extremamente carente. Sou até demais, mais do que eu gostaria de ser. E isso está acabando comigo, pois parece que a cada dia que passa, eu preciso mais e mais das mãos de vagando por meu corpo, sanando aquela carência enorme.
Gemi baixo em frustração e suspirei, com minha testa ainda contra a parede. Eu sentia meu sangue fervendo de vergonha em minhas veias. Definitivamente, eu sou uma idiota. Eu sou uma virgem estúpida com pensamentos inapropriados sobre meu colega.
- Pensando, ? – ouvi sua voz ao meu lado e engoli em seco.
Contei até cinco mentalmente antes de respirar fundo e abrir meus olhos. Direcionei meu olhar até ele e apenas balancei a cabeça positivamente. cruzou os braços e sorriu maroto, erguendo uma sobrancelha. Não, esse sorriso não, por favor. – eu implorava pateticamente em minha mente. Eu costumava odiar aquele sorriso, mas agora... Minhas pernas só faltavam virar gelatina.
- Em quê? – questionou.
Eu simplesmente não podia dizer a ele sobre o que estava pensando. Claro que não. Eu não poderia dizer “Em nada de mais, somente no sonho quente que eu tive com você, mas como eu disse, não é nada de mais.” Eu não era cara de pau a esse ponto. Então, eu apenas disse a primeira parte:
- Em nada de mais.
Ele me lançou um sorriso malicioso, dando de ombros. Por um momento, eu tive a leve impressão de que ele sabia sobre meus pensamentos, mas não seria possível. Ou seria? Balancei a cabeça e me afastei dele, indo em direção à cozinha. Estiquei-me, ficando na ponta dos pés, e peguei o cereal dentro do armário. Coloquei uma tigela sobre a bancada e em seguida, tirei a caixa de leite de dentro da geladeira. Peguei, por último, uma colher e me sentei. Terminei de servir o cereal com leite no mesmo instante em que se aproximava. Comecei a comer e observei quando ele também pegou uma tigela e sentou-se de frente para mim, enchendo a tigela de cereal, e em seguida, de leite.
Continuei a comer em silêncio, focando somente em minha tigela, evitando qualquer troca de olhares com . Eu estava sem jeito de estar em sua presença, mesmo sabendo que ele não estava ciente de nada. Ele agia como se nada estivesse acontecendo – o que realmente para ele, não estava – enquanto eu só faltava roer o resto de unha que ainda restava, de tanto constrangimento, sem conseguir esquecer-me do bendito sonho. Tudo parecia tão real. Tão... Palpável.
O som do telefone tocando me deu um susto que cheguei a dar um pulinho no banco. riu e eu lhe lancei um olhar sério antes de me levantar e ir até o telefone.
- Alô? – atendi enquanto voltava a me sentar para terminar meu café.
- , você não vai acreditar! Vai ter um festão hoje à noite! – tive de afastar um pouco o telefone da orelha por conta do tom histérico de .
- , , se acalma, por favor! – falei e ela gargalhou. – Certo, agora me explica que festa é essa.
Ao ouvir a palavra “festa”, pareceu ter sido ativado por um botão. Ele ergueu seu olhar até mim e me olhou curioso, enquanto mexia seu cereal com a colher.
- É a festa da fraternidade Sigma Gamma da faculdade! O acabou de receber o convite do Brad. Vai ser na mansão de um dos integrantes da fraternidade e pelo convite, o Brad exige a presença de já que ele faz parte do time de basquete. E é claro que eu vou, não é? Tenho que fazer companhia ao meu namorado.
- É claro que ela não vai! – ouvi an dizer ao fundo. – Está maluco quem acha que eu vou deixar minha namorada ficar zanzando pelo meio de um monte de marmanjo. Se eu for, coisa que eu ainda não sei, a vai ficar em casa, quietinha.
- Cala a boca, ! Não embaça o meu esquema. – bufou. – E me deixa conversar com a em paz, por favor? E quem está muito enganado aqui é você se pensa que vai sozinho. Aposto que irão inúmeras mulheres e eu não vou deixar meu namorado zanzando no meio daquelas vadias.
- ! – a chamei e ela pareceu perceber que eu ainda estava do outro lado da linha. – E você está me contando tudo isso por quê...?
- Porque eu quero que você vá, obviamente! Essa festa vai ser a festa do século. Nós temos que ir, amiga. Você sabe a fama que as festas das fraternidades têm? São as festas mais badaladas da história da NYU!
- Ahn, eu não sei, não... Não estou muito a fim de ir à festa. – meu tom saia bem desanimado.
A verdade é que nunca ia a festas. E sabia muito bem disso, pois foi ela quem me levou para a minha primeira festa há um ano atrás. Não preciso nem dizer que a festa se resumiu a gente bêbada e drogada, além de pessoas se esfregando pelos cantos como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Foi uma experiência tão traumatizante que nunca mais eu quis ir a alguma festa ou balada. , de vez em quando, cisma em me chamar, mas eu sempre recuso.
E nesse exato momento, ela estava batendo na mesma tecla.
- Vamos, . Vai ser legal. – ela insistia com uma voz pidona.
Rolei os olhos.
- Eu já falei que você não vai, Moore! – ouvi a voz grave de .
- É o que vamos ver, Morrison! – ela respondeu à altura e eu segurei o riso.
- Pare de encher o saco da e desligue esse telefone.
- Cale a boca. – ela bufou. – Então, você vai ou não, ?
- Eu vou ver aqui. Depois eu te ligo para avisar.
- Okay, mas decide logo. Um amigo do vai passar aqui para pegar a gente, e qualquer coisa, ele pode passar... – desliguei o telefone, nem dando tempo de deixá-la terminar a frase.
- Uma festa, huh? – disse num tom interessado quando eu coloquei o telefone sobre a bancada, voltando a comer.
- Sim. Uma festa. – dei de ombros, não demonstrando nenhum interesse.
- Você vai pensar mesmo ou só disse aquilo para a não encher muito o saco? – ele me olhou esperto.
- Acho que foi mais a segunda opção. – admiti.
- Não gosta de festas? – encheu uma colher, levando-a à boca em seguida.
- Não. Tive uma experiência muito traumatizante.
riu.
- Eu costumava ir a muitas festas. Sempre gostei. Era divertido estar com os amigos e não pensar muito no meu futuro, no dia seguinte em que meu viria novamente com aquele papo de eu herdar a empresa dele. – ele suspirou e eu o encarei. – Mas enfim, eu acho que você devia ir. Seria legal para você sair um pouco daqui, ficar no convívio com outras pessoas. Se você quiser, eu posso ir com você.
- Ir comigo? E o que você faria lá? – larguei a colher e o olhei, dobrando meus cotovelos sobre a bancada.
- O mesmo que você. Me divertir. – ele sorriu. – irá com o , com certeza. Então, eu poderia ir com você. Serei o melhor acompanhante que você já teve.
- Meu melhor acompanhante? – ri com suas palavras. – Na verdade, você seria meu primeiro acompanhante. Do sexo masculino, quero dizer.
- Então a honra, para mim, será ainda maior. – aquele sorriso maroto não saia de seus lábios, o que só deixava meu interior ainda mais derretido por ele.
Deixei que um sorriso – desobediente, devo deixar claro – aparecesse em meus lábios e apenas assenti.
(...)

Desci do carro de e fiz uma leve careta ao ouvir o som extremamente alto vindo de dentro da mansão. Depois de minha decisão, eu avisei a que iria à festa com . Ela só faltou ter uma síncope e quase atravessou o telefone para me abraçar e encher-me de beijos. Olhei para assim que ele parou ao meu lado e por mais uma vez, analisei sua roupa. Ele estava muito bonito, admito. Usava uma calça jeans de lavagem escura, uma camisa branca e uma jaqueta de couro. Seu cabelo estava perfeitamente penteado como sempre, e o seu cheiro poderia ser sentido a metros de distância. Eu gostava muito de seu perfume. Era um tanto diferente dos outros.
Enquanto ele estava bem arrumado, eu estava... Normal. Eu trajava uma calça jeans, uma camisa vermelha e um casaco por cima por conta do frio. Nos pés, eu usava um All Star também vermelho. Meu cabelo estava solto, mas eu usava meus óculos. Eu não voltaria a usar lentes de novo. A minha fase de agradar havia acabado e eu tinha voltado a me vestir do mesmo jeito de antes. E quer saber? Eu amava o meu jeito! Eu já tinha até me esquecido de como eu me sentia confortável e, principalmente, de ser eu mesma. Eu estava sendo, naquele exato momento, a a qual eu nunca deveria ter esquecido.
Respirei fundo e olhei em volta, procurando por meus amigos. Ainda estávamos do lado de fora, mas eu estava ansiosa para encontrá-los. Quando eu estava longe dos mesmos, eu me sentia fora do meu “bando”. A música alta chegava a estremecer as janelas da mansão e aquilo me deixou um tanto receosa. Se do lado de fora estava daquele jeito, por dentro estava ainda pior. Cruzei meus braços e senti o braço de passar por cima de meus ombros. Ele sorriu para mim e começamos a andar em direção à porta de entrada. Enquanto ele andava despreocupadamente, totalmente acostumado a toda aquela desordem e barulheira, eu andava encolhida, quase me escondendo em seus braços, com o pensamento de sair correndo dali a qualquer segundo.
Como se lesse meus pensamentos, apertou-me ainda mais contra a lateral de seu corpo, obrigando-me a ficar junto a ele e a continuar andando. Uma música a qual eu reconheci como sendo do Maroon 5 começou a tocar assim que colocamos os pés para dentro da mansão. Instintivamente, levei minhas mãos aos meus ouvidos ao processar a altura daquela música. Havia gente espalhada por todos os lados, quase não existia espaço para andar. Ainda me segurando pelo ombro, foi passando por entre as pessoas, consequentemente, levando-me junto. Paramos no centro de toda aquela confusão e eu pude sentir meu coração batendo no mesmo ritmo da batida da música. Abracei meu corpo com meus braços e fiquei olhando em volta como um animalzinho assustado no meio de tanto tumulto. Okay, talvez eu estivesse sendo exagerada, mas era assim que eu me sentia.
Um grito me assustou e eu acabei olhando na direção de onde tinha vindo o mesmo. Virei de costas e avistei se aproximando com . Ela se jogou em meus braços e me abraçou tão apertado que eu quase fiquei sem ar.
- Você veio mesmo. Ainda não consigo acreditar! – ela disse animadamente, começando a dançar no ritmo da música.
- Se você me apertando assim ainda não acredita, imagino o que faria se acreditasse. – respondi num tom alto por conta do som e riu.
- Hey, . Estou feliz por te ver aqui. – me abraçou e eu sorri, retribuindo seu abraço confortante e amigável. Ele depositou um beijo em minha testa e se afastou. Eu simplesmente amava o seu jeito carinhoso.
- Obrigada, . Eu, particularmente, não queria vir, mas...
revirou os olhos.
- Mas ainda bem que o te convenceu a vir. E agora que já está aqui, o que lhe resta, minha querida , é aproveitar.
Uma nova música – a qual eu reconheci como Booty da Jennifer Lopez – começou a tocar e eu me assustei quando todos que estavam dançando, pararam imediatamente. Repentinamente, somente as mulheres começaram a dançar, balançando seus traseiros no ritmo da música. Algumas até estavam fazendo twerk e eu arregalei meus olhos com toda aquela falta de pudor. Alguns homens erguiam seus copos vermelhos de bebida e gritavam para elas, outros batiam palmas e assobiavam. riu e começou a balançar sua bunda também, mas quando se deu conta do que ela estava fazendo, ele a segurou pelo quadril e a olhou com repreensão, logo dizendo:
- Você não.
Ela bufou e revirou os olhos, arrancando-me algumas risadas. ficou com um bico maior do que o mundo enquanto a segurava pelo quadril e sorria e cumprimentava alguns caras que passavam por eles. Vi quando Brad se aproximou, segurando uma garrafa de Heineken. Ele estava um pouco cambaleante e se apoiou no ombro de assim que nos alcançou.
- Uuuh, hey guys! Espero que estejam gostando da festa! – levou sua garrafa à boca, dando um gole. – Vocês têm que admitir que essa festa está foda para caralho! Não está? Huh? Huh?
- Sim. – respondemos em uníssono.
gargalhou do estado do amigo e revirou os olhos. Assim como eu, ela odiava gente bêbada. E nós sabíamos bem como Brad ficava chato quando estava sob o efeito de bebida alcoólica.
veio para o meu lado e entrelaçou seu braço ao meu.
- Acho que vou pegar algo para beber. Você quer? – perguntou.
- Não, obrigada.
Ele assentiu e se afastou por entre as pessoas, indo em direção à grande mesa com comida e bebida. Acompanhei-o com o olhar, mas um cutucão de em meu braço me fez olhá-la.
- Então o decidiu trazê-la, huh? Ele se ofereceu para ser seu acompanhante... Que interessante. – sorriu maliciosa e eu bufei.
- Nós somos amigos, . Ele só achou que seria bom que eu viesse e me divertisse um pouco, mas analisando bem esse lugar, acho que diversão é o que eu menos vou ter aqui. – olhei em volta, vendo as mulheres ainda rebolando.
- Você e seus pensamentos pessimistas! – ela exclamou num tom indignado. – Esqueça por um momento o que está ao seu redor e aproveita. Aliás, não gostei muito da sua roupa. Você podia ter vindo mais arrumadinha, huh?
Ignorei seu comentário e assustei-me um pouco quando vi Brad cambalear e quase dar de cara no chão se não fosse por tê-lo segurado. É assim que queria que eu me divertisse? Olhei para o lado vendo se aproximar com um copo vermelho na mão. Ele se desvencilhava das pessoas dançando enquanto algumas mulheres o observavam quase o despindo com o olhar. A música Poker Face da Lady Gaga começou a tocar no momento exato em que Courtney se aproximou dele, segurando-o pelo braço. Ela o puxou de uma forma tão violenta que ele quase deixou o corpo cair ao chão.
- O que está olhando? – perguntou, olhando na mesma direção que eu. – Uh, Courtney...
- Meninas, eu vou levar o Brad até os caras e daqui a pouco eu volto. – ouvi dizer, mas não desviei o foco de minha atenção. – E você, , nada de dançar.
- Ok, ok, vai logo, . – disse .
Courtney sorriu para e envolveu seu pescoço com os braços, dançando no ritmo da música. Eu percebi a dificuldade de entre segurar seu copo e tentar se desvencilhar dela. Ele até tentou tirar os braços dela de seu pescoço, mas ela falou algo enquanto sorria, ainda o segurando.
- Aquela vagabunda não tem jeito mesmo. – disse , observando a mesma cena.
Ficamos caladas enquanto trocava de música e eu ainda olhava as tentativas de se soltar. Ele me lançou um olhar pedindo ajuda e eu fiquei sem saber o que fazer. O que eu faria, afinal? Eu não era cara de pau suficiente a ponto de ir lá e puxá-lo pelo braço como Courtney havia feito. Eu não queria me rebaixar ao nível dela. Outra música da Lady Gaga começou a tocar quando finalmente conseguiu se soltar. Qual é? Só tem música da Gaga aqui?!
passou a mão no cabelo e respirou fundo enquanto voltava a fazer o caminho em nossa direção.
- Mulher maluca. – ele disse assim que parou a minha frente. – Odeio mulher que se joga para cima de qualquer um. Ela perdeu qualquer chance comigo a partir daquele momento.
Arqueei minha sobrancelha e cruzei meus braços.
- Então ela teria chance com você se não tivesse agido daquele jeito?
- Sim, por que não? – deu de ombros, tomando sua bebida.
Bufei e fiquei calada.
- Por acaso você está incomodada com isso, ? – ele sorriu esperto.
- É claro que não! Eu só... – me interrompi ao olhar para o outro lado da sala, vendo o ser que eu esperava nunca mais ver além dos corredores da universidade. – Oh, não! Eu não acredito. Não acredito!
Literalmente me joguei por trás de , escondendo-me antes que ele me visse.
- O que foi isso? – perguntou, tentando me olhar por cima de seus ombros.
até tentou se mover, mas eu o segurei pelo quadril, mantendo-o no lugar.
- O está aqui. Não quero que ele me veja.
- Ah, tinha que ser por causa daquele otário. – ele bufou, voltando a beber. – Quer? – ele me ofereceu a bebida por cima do ombro, quando eu me apoiei no mesmo, deixando somente minha testa à vista.
- , isso não é momento para me oferecer bebida! – falei entre dentes.
- Qualquer hora você vai ter que parar de se esconder e quando isso acontecer, eu estarei ao seu lado para te proteger.
Suas palavras foram fofas e teriam me atingido em cheio se eu não estivesse acompanhando os movimentos de pela sala. Ele e Courtney se encontraram e se abraçaram. Vi quando Courtney – que não podia ver alguém do sexo masculino que já dava em cima – tentou beijá-lo, mas ele desviou, deixando-a beijando o ar.
- Uh, parece que alguém não quer ser beijado. – comentou, bebendo mais um pouco em seguida.
- Pare de gracinha. – dei um tapa em seu ombro.
- Só falei a verdade. A bicha deve estar de TPM.
Ignorei seu comentário e continuei a acompanhar . Ele se aproximou dos jogadores do time de basquete e fez um cumprimento estranho com eles, rindo em seguida.
- Eu preciso sair daqui. Ele está se aproximando.
- Para de frescura, .
- ... – olhei para o lado, mas ela havia sumido. – Cadê a ? Não acredito que ela me deixou sozinha logo agora.
- Você não está sozinha. Está comigo. – disse despreocupadamente.
A calma dele estava começando a me irritar.
- Olha, tem uma mesa de ping pong ali e estão jogando Beer Pong. Vamos lá! – ele disse animadamente, puxando-me pelo braço.
- Não! , eu não sei jogar isso! – tentei me soltar, mas ele me apertou, puxando-me ainda mais.
- Não precisa jogar. Eu jogo e você fica me admirando, vendo como eu sou um ótimo jogador.
- Seu ego me sufoca. – comentei, deixando-me ser guiada por ele dessa vez.
- E você adora. – ele sorriu maroto assim que paramos perto das pessoas que estavam jogando.
me puxou pela cintura e grudou a lateral de meu corpo à sua, dando-me um beijo na testa.
- O branquelo aqui é o próximo! – um cara gritou, apontando para .
apenas riu e assentiu.
- Isso não vai dar certo. As pessoas que jogam isso geralmente não saem muito sóbrias. – comentei séria, olhando em volta.
- Hey. – chamou-me e eu o encarei. – Só relaxa, .
Ele me pegou desprevenida ao colar nossos lábios em um selinho rápido.
Eu sinto que ainda tem muita coisa para acontecer nessa festa.

Meia hora deve ter se passado desde que decidiu jogar aquele bendito jogo. Encostei-me à parede, e ainda incomodada com a presença de , olhei em volta, procurando-o com o olhar. Suspirei aliviada quando não o vi e voltei minha atenção para o Beer Pong. Não preciso nem dizer quem estava ganhando. Sim, o senhor ego inflado. Bufei e rolei os olhos, preparando-me para sair dali e buscar algo para beber, já que minha garganta estava seca.
- Hey, , aonde vai? – perguntou sem me olhar, ainda jogando a bolinha de ping pong nos copos. O cara que jogava contra terminou de beber o terceiro copo, logo tendo que beber o quarto já que havia acabado de acertar.
- Vou pegar algo para beber.
Ele apenas assentiu, comemorando em seguida ao ver que ele havia ganhado mais uma rodada daquele jogo idiota. Comecei a andar em direção à mesa grande e me servi com um pouco de ponche. Dei um gole, virando-me de costas para a mesa. No segundo seguinte, vi se aproximar, vindo em direção à mesa. Arregalei os olhos e me virei de lado, cobrindo a lateral de meu rosto com o copo vermelho, e apressando meus passos para sair dali o mais rápido possível. Meti-me no meio daquele formigueiro de gente e fiquei por ali enquanto observava os movimentos de . Ele se serviu de alguma bebida alcoólica e se afastou, fazendo-me suspirar aliviada por mais uma vez naquela noite.
A música parou de tocar de repente e eu franzi a testa, sem entender nada, assim como a maioria das pessoas que estavam dançando.
- E aí, pessoal! – Travis, o dono da mansão, gritou. – Parece que temos uma aniversariante no nosso meio!
Todo mundo gritou junto com as mãos ao alto e eu me encolhi ainda mais no meu canto.
- E vocês já sabem o que fazemos com uma aniversariante, não é? – os homens, principalmente, gritaram em resposta. – Beatrice, venha para cá, querida aniversariante!
A menina – a qual eu já tinha visto pelos corredores da universidade – se aproximou de Travis e acabou sendo erguida por alguns caras, que a fizeram sentar em seus ombros.
- Todos para a parte de trás da mansão, pessoal! – Travis apontou para a parte de trás, onde eu sabia que tinha uma piscina, já que quase todos os estudantes da NYU iam às festas na piscina que Travis dava de vez em quando em sua casa.
Literalmente fui empurrada pela multidão, sendo obrigada a ir junto a todos. Meu copo acabou caindo ao chão e eu bufei.
- ! ! ! – eu gritava os seus nomes, mas era praticamente impossível de alguém ouvir com toda aquela gritaria.
Ainda sendo empurrada, acabei chegando à bem iluminada parte de trás da casa como todo mundo. A música Fancy da Iggy Azalea começou a tocar a todo volume e eu fiz uma careta por estar sentindo aqueles corpos suados e grudentos roçando em mim. Oh, Moore, você ainda me paga!
Estiquei meu pescoço e fiquei nas pontas dos pés, vendo que os caras deitavam Beatrice em uma superfície lisa a qual eu não identifiquei qual era, mas se parecia muito com uma maca.
- A tequila, por favor! – Travis gritou.
Brad, que estava ao seu lado, entregou a garrafa da bebida para ele e Travis encheu um copinho.
- ! – ouvi aquela voz conhecida gritar meu nome.
Eufórica, eu levantei meus braços e comecei a pular, torcendo para que ele me visse naquele meio.
- ! Aqui!
- Onde você estava, mulher? – ele perguntou assim que me alcançou. Controlei-me para não pular em seus braços, agradecendo aos céus por estar perto de alguém conhecido. – Eu terminei o jogo e estava te procurando por todos os lugares. Por favor, não saia mais de perto de mim.
Ergui a sobrancelha ao entender o tom mandão que ele usava comigo, como se fosse um pai repreendendo a filha. Ele me tratava como se eu tivesse seis anos e não pudesse me virar sozinha.
- Adivinha quem ganhou? – ele me lançou um olhar convencido. – E olha só, nem estou bêbado como você disse indiretamente que eu ficaria.
Ignorei seu comentário e voltei a observar toda a situação a minha frente. Eu estava quase na frente de toda aquela palhaçada da parte de Travis e só queria saber no que aquilo iria resultar. Brad entregou uma rodela de limão e um punhado de sal. Okay, quando chegou à parte do sal, eu franzi o cenho.
- O que eles vão fazer? – perguntei e pareceu ter se dado conta da situação, virando seu rosto e encarando a cena.
Vi um sorriso de canto aparecer em seus lábios. – Body shot.
- Body o quê? – soei confusa e no momento seguinte fui obrigada a virar meu rosto novamente ao ouvir a gritaria de todo mundo.
Travis tinha acabado de levantar a blusa de Beatrice até acima do umbigo e estava jogando o sal sobre a mesma. Ele levou a rodela de limão à boca da menina e colocou entre seus lábios. Fiquei boquiaberta ao vê-lo no instante seguinte, lambendo lentamente o sal da barriga dela, logo depois tomando sua dose de tequila que estava no copinho e em seguida, aproximando seu rosto do dela e pegando a rodela com a boca, chupando a mesma depois enquanto lançava um olhar malicioso para a menina.
- Mas que pouca vergonha é essa?! – me exaltei um tanto indignada. – Por que ele a lambeu?
riu, me encarando. – Faz parte da brincadeira, , por isso se chama Body shot. Eu fazia muito isso quando estava na faculdade e em algumas festas posteriores também.
Olhei-o boquiaberta e tive vontade de estapeá-lo ali mesmo. Mas é claro que não fiquei só na vontade, levei minhas mãos ao seu braço e comecei a distribuir tapas no mesmo enquanto ele tentava se defender.
- Ah, você fazia isso, huh? Seu pervertido! Safado! – eu falava enquanto o batia.
- Uh, guys! Parece que aqueles dois ali estão a fim de entrar na brincadeira! – Travis gritou.
Parei de bater em no mesmo instante e olhei em volta, vendo que todos olharam para a gente enquanto o babaca do Travis apontava para mim com um sorriso malicioso. A música Beg For It da Iggy começou a tocar enquanto eu estava totalmente sem reação. , ao meu lado, parecia estar da mesma maneira. Senti mãos em meus braços e ainda surpresa com a situação, eu tentava me soltar.
- Não! Me solta! Eu não quero participar disso!
Entretanto, tudo que eu gritava parecia ser ignorado. Em questão de segundos, eu estava estirada sobre a maca, e nem me perguntem como Beatrice sumiu e eu fui parar lá, porque eu não sei. Arrancaram-me o casaco e me prenderam na maca.
- Selvagens. – murmurei.
- Você vai gostar, gatinha. – Travis sorriu malicioso. – Você. – ele apontou para que havia acabado de ser arrastado até nós. – Quer fazer as honras? Ou eu faço? – perguntou.
me encarou sério e eu lhe lancei um olhar pedindo ajuda assim como quando ele foi pego pela Courtney.
- Eu faço. – ele declarou e eu abri minha boca em surpresa.
O quê?! Era para ele me ajudar a sair dali ao invés de participar de toda aquela falta de pudor!
Travis sorriu abertamente e estendeu o copinho cheio de tequila para . O sal não foi jogado somente em minha barriga como havia acontecido com Beatrice. Aquele idiota do Travis pareceu querer me sacanear ao jogar o sal em minha barriga – após levantar a minha camisa –, ombro e pescoço. Os olhares de todos sobre mim me fez corar e eu fechei meus olhos, totalmente constrangida.
- Vocês já podem me soltar. – murmurei para os caras que seguravam meus pulsos. – Acho que está claro que eu não vou sair correndo.
- Soltem a garota. – disse Travis e no segundo seguinte, senti meus pulsos sendo liberados.
Continuei com meus olhos fechados, evitando aqueles olhares que ainda queimavam sobre meu corpo quase exposto naquela maca. Okay, eu não estava quase exposta, eu ainda estava com roupas, mas ainda assim... Para mim, era uma situação totalmente constrangedora. Senti alguns dedos tocarem meu queixo de forma suave, abrindo minha boca lentamente. Logo a senti ser preenchida pela rodela de limão e o perfume tão conhecido de adentrou meu nariz.
- Eu sei que você está com vergonha de tudo isso e peço desculpas, mas eu não poderia deixar outro cara fazer esse tipo de coisa com você, babe. – sussurrou em meu ouvido e eu engoli em seco.
Ele depositou um beijo em minha bochecha antes de se afastar um pouco. Abri meus olhos ao sentir falta de sua presença e olhei para baixo, vendo-o se inclinar em direção à minha barriga. Ele tocou a pele abaixo de meu umbigo com a língua, passando por cima do mesmo, enquanto me olhava. Sua língua molhada e aveludada contra a minha pele me fez arrepiar e eu acabei erguendo um pouco minhas costas ao senti-lo lambendo minha barriga, limpando o rastro de sal. O que me fez incendiar por dentro foi o seu olhar fixado em mim, como se esperasse alguma reação de minha parte. E ele sorriu de canto ao receber minha reação: arrepios.
ergueu seu corpo e virou de uma vez o shot de tequila. Logo, outro shot foi estendido em sua direção e ele o pegou. Seu olhar foi até o meu, como uma forma de perguntar se eu estava bem. Balancei a cabeça positivamente e ele assentiu, voltando a se aproximar de mim. Dessa vez, ele levou seu rosto ao meu ombro. Virei meu rosto em sua direção e fiquei um pouco tonta ao vê-lo me lançar aquele sorriso maroto. Ainda me encarando, ele abaixou seu rosto e começou a lamber meu ombro. Observei sua língua fazer movimentos circulares, pegando todo o sal para si, e mordi meu lábio inferior. depositou um leve beijo em meu pescoço antes de se afastar novamente e virar o copinho em sua boca.
Suspirei, tentando controlar meu corpo que começava a tremer. A tensão se apossou de mim de uma forma tão intensa que eu ao menos conseguia me controlar. pareceu perceber minha situação e riu fraco enquanto se aproximava de mim novamente com outro copinho cheio em mão. Ele se inclinou até meu pescoço e sussurrou contra minha pele:
- Por que está tremendo tanto, babe? Por acaso não estou agradando?
- Cale a boca e acabe logo com isso. – falei entre dentes, fazendo-o rir novamente.
- Como a senhorita quiser.
Em um ato rápido e totalmente inesperado – já que ele havia ido com calma nas duas vezes –, ele deu uma lambida firme de baixo a cima em meu pescoço, limpando o rastro de sal. Fechei meus olhos e reprimi um gemido, e isso pareceu encorajá-lo a dar um pequeno chupão na pele a qual ele acabara de lamber. Ele me lançou um olhar sério antes de se erguer e beber a tequila. Eu pude ouvir os gritos das pessoas ao nosso redor quando se inclinou e mordeu a rodela de limão, roçando nossos lábios. Abri os olhos e o vi me encarando enquanto chupava o limão. Ele me estendeu a mão e meio aérea, a segurei e me sentei na maca. Ele abaixou minha camisa, pegou meu casaco, e envolveu minha cintura com um dos braços, puxando-me para si. Começou a andar enquanto me conduzia e ouvíamos as pessoas ainda gritando e batendo palmas.
- É isso aí! Alguém se habilita a participar? – ouvi Travis gritar enquanto e eu adentrávamos a casa.
- Até que não foi tão ruim. – o ouvi comentar e virei meu rosto em sua direção, um pouco tonta e ainda confusa com as sensações quase palpáveis que ainda passeavam por meu corpo trêmulo.
- O quê? – perguntei com o resto de voz.
Ele riu e negou com a cabeça, dando-me um beijo rápido. Meus lábios formigaram com aquele simples toque e meu mundo pareceu girar por um instante. O que estava acontecendo comigo? Voltei a vestir meu casaco enquanto ainda era guiada por .
me levou até o meio de algumas pessoas que ainda dançavam e envolveu minha cintura com seus braços. Fiz o mesmo com seu pescoço e começamos a dançar. Não era uma música lenta, muito pelo contrário, era Hard Out Here da Lily Allen, mas ficamos dançando bem perto um do outro. Ele me soltou e segurou minha mão, girando-me e logo me puxando de volta, chocando meu corpo contra seu peito. Soltei uma risada e tentei acompanhar os movimentos de seu corpo que estavam perfeitamente sincronizados com o ritmo da música. levou suas mãos ao meu quadril e começou a mexê-lo de um lado a outro, praticamente me obrigando a me mover mais.
Lancei-lhe um olhar repreensivo, mas não me aguentei ao vê-lo fazendo uma careta, e acabei caindo na gargalhada enquanto ele também gargalhava de si mesmo. Franzi a testa ao sentir um corpo se chocar contra o meu braço e olhei para o lado, vendo e se juntando a nós, começando a dançar. Agora eles apareciam, não é? Ri ao ver fazendo a dancinha do robô e logo o acompanhou. Em questão de segundos, estávamos nós quatro fazendo a dancinha do robô enquanto algumas pessoas ao nosso redor nos olhavam de forma estranha. puxou-me pela mão e me virou, fazendo com que minhas costas batessem em seu peito. Ele começou a fazer um passo diferente, levando meu corpo junto, e propositalmente roçando nossos corpos.
- , ... – disse num tom repreensivo e ele riu em minha orelha.
- Não estou fazendo nada demais. – ele deu de ombros.
Alguns passos de distância de nós, avistei Courtney nos encarando com uma expressão séria e braços cruzados.
- Courtney não está curtindo isso. – comentei e por cima de meus ombros, ele olhou na mesma direção que eu.
- E sabe o que mais ela não vai curtir? – ele perguntou.
- O quê?
- Isso... – ele puxou meu corpo ainda mais para ele e eu pude sentir seu membro roçando em minha bunda, enquanto ele depositava uma das mãos de forma firme em minha barriga.
Sua outra mão foi até meu queixo, virando meu rosto em sua direção. Ele encarou meus lábios e umedeceu os seus antes de me selar. Sua língua acariciou meu lábio inferior e eu a deixei entrar em minha boca, aprofundando o beijo. Fiquei com uma mão sobre a sua que ainda estava em minha barriga e a outra, eu levei até sua nuca, segurando-a firme enquanto movia seus lábios sobre os meus numa perfeita sincronia. Senti o gosto da tequila em sua boca e aquilo foi o suficiente para fazer meu corpo se acender por mais uma vez naquela noite. E quem era o causador disso? Ele... E sempre seria ele.
Sua mão adentrou minha camisa, acariciando a área do meu umbigo e eu me arrepiei, provocando seu sorriso por entre o beijo. Ele sugou meu lábio inferior e o mordiscou antes de voltar a me beijar. Suspirei contra seus lábios e ele me apertou mais forte contra si, querendo ter a certeza de que eu sentia seu membro crescendo contra minha bunda. Deu-me alguns selinhos antes de afastar seus lábios dos meus, mas ainda não soltando meu corpo. Olhei em direção a Courtney novamente, vendo-a bufando. Ela bateu o pé no chão e saiu empurrando todo mundo que vi a sua frente. riu e deu-me um beijo na bochecha.
Ouvi um pigarro ao meu lado e arregalei os olhos ao me lembrar de meus amigos, que naquele momento, nos encaravam em silêncio. tinha um sorriso sapeca nos lábios enquanto intercalava seu olhar de mim até , com um semblante sério.
- Será que vocês podem nos explicar o que está acontecendo aqui? – perguntou com sua voz grave.
- Para mim nem precisa. Eu já saquei tudo. – soou como se fosse a mulher mais sábia do universo e eu revirei os olhos. – Obviamente eles estão se pegando e acho que isso já tem um tempo, huh? Pelo visto, nós éramos os únicos que não estávamos sabendo, amor. – ela abraçou que ainda nos olhava sério.
- Como assim vocês estão juntos? , me conta essa história direito. – e seu jeito protetor de sempre.
- Nós não estamos necessariamente juntos... Tudo começou quando virou meu “professor” e me ensinou as artes...
- De deixar um homem de pau duro. – interrompeu-me, completando a frase de uma forma que eu nunca completaria na minha vida. Eu ia falar “as artes da sedução”, mas enfim... Olhei-a séria e lhe dei um tapa no braço.
o fuzilou com o olhar, cerrando os punhos.
- E vocês acabaram se envolvendo demais. Lembra-se da nossa conversa, ? – disse . – Acho que eu estava certa, afinal de contas.
- Conversa? – me olhou confuso.
- Isso não importa agora. – balancei a cabeça.
- Como não importa? Vocês andaram trocando saliva pelos cantos e não me contaram? Grandes amigos! – o tom enciumado de me fez rir fraco. – Não ria, Wright! Eu estou com ciúmes e não é nada legal rir de um cara enciumado.
Soltei-me de e fui até ele, abraçando-o e depositando minha cabeça em seu peito.
- Obrigada por se preocupar, mas eu estou bem. – afirmei.
- E como eu vou ter certeza disso? Não quero que o que aconteceu com , se repita. Você é como uma irmã para mim e eu não nunca mais vou deixar nenhum cara te machucar como aquele desgraçado fez. – ele me abraçava forte enquanto falava.
Suspirei e me afastei, encarando seu rosto.
- Eu nunca faria aquilo com a , cara. E você sabe disso. – ouvi a voz séria de . – também é minha amiga e eu tenho um grande carinho por ela.
- Ou uma grande paixão... – ouvi murmurar como quem não quer nada, enquanto desviava o olhar, e franzi o cenho.
Vi o corpo de ficar tenso e ele também desviou o olhar. O único que ainda me encarava era , esperando alguma resposta de minha parte.
- Eu estou bem, , sério. – afirmei e sorri fraco.
Ele assentiu ainda sério enquanto eu me afastava dele. Voltei a ficar ao lado de enquanto outra música começava a tocar.
- Não olhem agora, mas está vindo para cá. – disse , olhando para algo por trás de meus ombros.
Engoli em seco e por instinto, me aproximei ainda mais de . Ele colocou as mãos nos bolsos da frente da calça e assumiu uma postura séria e um tanto intimidadora. ficou ao seu lado, assumindo a mesma postura. Vi se aproximando com outro cara, provavelmente um dos jogadores do time de basquete ou membro da fraternidade, que eu não conhecia. Eles pararam a nossa frente e olhou de , passando por e e chegando até mim.
- Ora, ora, olhe o que temos aqui. O quarteto fantástico. – ele riu debochadamente. – Eu vi o seu showzinho com o seu amiguinho agora pouco na área da piscina, . Quem diria, huh? A virgenzinha agindo de forma tão vulgar assim? Quem imaginaria?
- Não me chame de . – declarei entre dentes. – Eu tenho nojo quando você pronuncia o meu nome. Você não é digno de tal ato.
riu de forma descontraída, como se eu tivesse contado alguma piada.
- Agora eu não sou digno, não é? Mas antes quando você estava fazendo de tudo para chamar a atenção... – olhei-o com ódio. – Eu só quis lhe dar o que você tanto queria, bonitinha, mas... Você recusou. O que é uma pena, não é? Várias mulheres fariam de tudo para passar pela minha cama, e você teve a oportunidade, mas recusou. – deu de ombros. Senti meu sangue ferver em minhas veias. – Ah, não, espera! Você não recusou. Fui eu quem não te quis.
- Vai apelar para a mentira agora, ? – ouvi se pronunciar. – Por que não admite que foi covarde o suficiente para tentar abusar da ? Por que não confessa que você esteve a ponto de cometer um crime? Mas é claro que você nunca faria isso, porque o seu ego simplesmente não deixa. – deu um passo em sua direção. – Você prefere agir como se você tivesse a rejeitado só para ficar por cima e agradar aos seus amiguinhos tão idiotas e fúteis como você, huh? Só para se sentir o pegador, o fodão, o que come todas... Quando na verdade, você é só mais um filhinho de papai que não tem nada para fazer na vida do que usar as mulheres como se fossem objetos apenas por diversão.
ficou vermelho e cerrou os punhos, dando um passo na direção de . Os dois, agora, se encaravam mais de perto, literalmente cara a cara.
- Você não sabe de nada. – disse entre dentes. – Nem me conhece.
- Ah, conheço sim. Já tive muitos colegas como você, e acredite, hoje eles se arrependem amargamente do que fizeram no passado. Assim como eu sei que você vai se arrepender. Um dia, você vai amar uma mulher como nunca amou qualquer outra e eu espero profundamente que ela te rejeite, pise em você e te trate como um cachorro. É o que você merece.
riu.
- Por que está a defendendo? Por que está defendendo essa vadiazinha? Ah, deve ser porque está gamado nela, huh? – riu novamente. – Tomara que você quebre a cara, brother, porque essa daí nunca vai satisfazer um homem. Não passa de uma beata sem sal, sem amor consigo mesma, e que precisa procurar amor em outras pessoas. A não tem nem amor próprio, como ela espera que alguém a ame?
Suas palavras duras atingiram meu coração em cheio e eu reprimi as lágrimas. percebeu minha reação e veio para o meu lado, segurando minha mão.
- Não fale assim dela. Você não a conhece como eu conheço. Você não mora debaixo do mesmo teto como eu. é uma ótima pessoa, tem um enorme coração, é linda e tem capacidade para conseguir tudo que quiser na vida, até um grande amor. E você, meu caro, está se doendo por dentro porque sabe que não chega nem aos pés do que a realmente precisa. Enquanto ela será feliz, você vai estar por aí, infeliz e se arrastando, implorando por migalhas de sentimentos de outras pessoas. Sabe por quê? Porque você é um covarde! É um filho da puta que não tem respeito por ninguém, nem por si mesmo! É um desgraçado que gosta de ferir os sentimentos dos outros, mas eu vou te mandar uma real, meu brother, todos nós temos um coração e acredite, o seu ainda vai ser bem pisoteado.
ameaçou ir para cima de , mas eu me meti no meio com unhas e dentes. O ódio e o nojo tomavam conta de minhas veias.
- Você não vai bater nele! – eu gritei, chamando a atenção de algumas pessoas.
- E quem vai me impedir? Você? – ele riu.
- Ela pode até não te impedir, mas eu vou. – apareceu ao meu lado. – Eu adoraria te dar os socos que não dei. Eu adoraria deixar essa sua carinha de filhinho de papai... – ele deu dois tapas na bochecha de , em puro deboche. – marcada até nenhuma mulher querer “estar na sua cama”, como você mesmo diz.
- , por favor, vamos embora. – virei em sua direção, espalmando minhas mãos em seu peito.
Ele me olhou sério antes de erguer seu olhar até novamente. e ele, agora, se insultavam, mas eu não queria ouvir. Eu só queria ir embora. Eu só queria sair dali. Aquela noite já tinha chegado ao seu limite.
parou de brigar verbalmente com e olhou para . Os dois cerravam seus punhos, mas se virou, começando a se afastar, acompanhado do cara que havia ficado em silêncio o tempo todo.
- Hey, ! – o chamou e eu o olhei confusa, sem entender. – Só mais uma coisa.
Ele se aproximou em passos rápidos e sem que esperasse, lhe acertou com um soco tão forte e violento que foi capaz de deixá-lo cambaleando e consequentemente, caído ao chão.
- A não é uma vadia! E volte a se aproximar dela mais uma vez para que eu não me responsabilize por meus atos e você vá parar na UTI de um hospital!
O amigo de foi o socorrer e eu aproveitei para puxar pelo braço.
- Parece que a nossa festa termina aqui, galera. – disse enquanto nós quatro praticamente corríamos para fora da mansão.
riu. – E que final de festa! Não poderia ter sido melhor.
Entramos no carro de , e ele saiu cantando pneu, enquanto ligava o rádio quase no último volume. Sibilei um “Obrigada” quando ele me olhou, e ele apenas assentiu enquanto fazia a curva.


Capítulo 26 – A Primeira Vez

Terminei de arrumar minha mala e a coloquei no chão. Olhei para sentada à minha cama e com os braços cruzados, e acabei soltando um suspiro.
- É só um final de semana, . Logo eu estarei de volta... Até porque na segunda-feira, eu tenho trabalho.
- Mas eu não estou gostando muito dessa ideia. É muito estranho ele querer levá-la para outro país e ainda para conhecer a família dele.
Ergui a sobrancelha e sorri de canto.
- Está com ciúmes? – perguntei, cruzando os braços.
- É claro que estou! Era para você ficar comigo nesse final de semana. Ainda mais que teve que visitar a avó dele em Nova Jersey... Eu vou ficar completamente sozinha. – ela fez um bico e eu ri, sentando-me ao seu lado na cama.
- Você não vai ficar sozinha. Você tem o Mike! É uma ótima companhia.
- , - ela me olhou séria – o Mike é um cachorro! Tudo bem que ele é um ótimo cachorro e me faz muita companhia, mas não é a mesma coisa.
Mike é um Husky Siberiano que e haviam adotado há exatamente um mês, alguns dias depois da festa na mansão de Travis. Ele é um filhote e é a coisa mais fofa do mundo. Como ficava mais no apartamento de do que no seu próprio apartamento, Mike morava com , mas quando passava alguns dias no apê de , ela levava Mike para ficar com eles, já que o animalzinho odiava ficar sozinho. Ele era extremamente carente de atenção, o que fazia com que ele fosse ainda mais fofo. Meus amigos já o trouxeram para cá uma vez e Mike não parava de me cheirar e pular em cima de mim, querendo brincar. também amava cachorros, o que só facilitou para todo mundo. Quatros pessoas extremamente apaixonadas pelo pequeno Mike.
- Deixe de frescura, . Logo, logo eu estarei de volta. Você nem vai sentir minha falta. – dei de ombros.
- Aqui que eu não vou sentir. – ela me deu dedo e eu ri, puxando-a para um abraço.
(...)

Olhei para o lado de fora do carro e sorri ao ver a neve caindo, deixando o gramado branquinho. As folhas das árvores cobertas de neve era uma das coisas mais bonitas que meus olhos já viram. É claro que em Nova York também nevava, mas por aqui ser o Canadá, era totalmente diferente. Até a neve daqui parecia ser diferente e até mais branca do que a de Nova York. Pode parecer exagero de minha parte, mas não é. Eu definitivamente estava encantada por pela primeira vez estar pisando em solo canadense. Esfreguei minhas mãos cobertas por luvas e ajeitei meu cachecol e touca.
O motorista entrou com o carro em um condomínio e aquilo chamou minha atenção já que conforme o carro andava, várias mansões iam passando por nós. Com certeza, se tratava de um condomínio de luxo. Mas também... O que eu esperava encontrar? e sua família têm dinheiro e seu pai é dono de uma empresa de turismo... Nada mais justo do que viver numa mansão e cercado de luxo. O carro parou em frente a uma enorme mansão e eu fiquei um tanto estática antes de perceber que eu quase não piscava. riu fraco ao meu lado e no instante seguinte, a porta se abriu. Saí do carro e agradeci ao motorista que havia aberto a porta. Enquanto ele tirava as minhas malas e as de do porta-malas, eu observava tudo em volta. Eu estava assustada e ao mesmo tempo, extremamente encantada com tudo aquilo. Parecia ser a casa dos sonhos. Parecia não. Com certeza, era.
puxou-me pela mão e me guiou até os degraus que davam até a porta de entrada da mansão. Assim que chegamos ao último lance da escada, a porta da mansão se abriu e de lá, saiu uma moça baixa e com os cabelos presos em um coque. Seus olhos claros estavam repletos de lágrimas e esbanjava um enorme sorriso nos lábios. Observei sua roupa fina e elegante antes de ela vir correndo em nossa direção. Soltei a mão de e assim, ele pôde abraçar a moça que acabara de se jogar em seus braços.
- Eu estava com tantas saudades de você, meu filho. – sua voz fina saiu abafada por conta do choro e por sua face estar escondida na curvatura do pescoço de .
- Eu também, mãe. – ele respondeu, retribuindo ao seu abraço de forma firme e totalmente acolhedora. Sorri de canto ao perceber que sua mãe quase sumia em seus braços por ele ser bem mais alto do que ela.
Eles se separaram e ela acariciou a face de antes de direcionar seu olhar a mim.
- Quem é essa mocinha? – perguntou.
me olhou sorrindo e puxou-me pela mão, fazendo com que eu me aproximasse mais dos dois.
- Essa é a . Uma amiga.
Sorri e sem que eu esperasse, a mulher me abraçou. Olhei para e ele riu fraco, negando com a cabeça, como se dissesse ‘’Ela é assim mesmo’’. Ela me soltou e me encarou ainda sorrindo.
- Eu sou Patricia, mas pode me chamar de Pattie. Nada de senhora, por favor. – ela fez uma careta e eu ri, assentindo.
- Pode me chamar de . – disse.
- Meu pai e Jazmyn estão em casa? – perguntou.
- Oh, sim! Seu pai está na sala e Jazmyn está no quarto. Nós não sabíamos a que horas chegariam, então... – eles sabiam que eu viria? Quando havia contado?
Olhei para e ele levantou os ombros, sorrindo de canto. Sua expressão era como se dissesse ‘’Sim, eu os avisei, mas não fique brava comigo’’.
- James, por favor, leve as malas do meu filho e de aos seus devidos quartos. – Pattie disse e só então é que percebi que havia um homem parado em frente à porta. Ele usava um uniforme preto e devia ser mais um dos inúmeros empregados que haveria naquela casa.
O homem assentiu e começou a pegar as malas. segurou minha mão e indo atrás de sua mãe, começamos a adentrar a casa. Fiquei boquiaberta ao ver o tamanho daquela sala. Os móveis eram extremamente luxuosos e quase chegavam a brilhar de tão limpos que se encontravam. O enorme lustre sobre nossas cabeças era algo tão delicado que eu aposto que valia mais do que a minha própria casa, e olha que minha casa na Carolina do Norte não era muito barata. Um homem, que segurava um jornal, virou-se em nossa direção assim que ouviu nossos passos. Ele sorriu e largou o jornal sobre o sofá, levantou-se e veio em direção ao , principalmente.
- Meu filho! – eles se abraçaram de forma bruta, o típico abraço de homens, com direito a tapinhas nas costas e tudo e eu fiquei encarando aquela cena, sentindo-me ainda deslocada. Eu estava com vergonha e a droga da minha timidez já me atrapalhava até em olhar para alguém daquela sala. Então, eu fiquei encarando meus sapatos que estavam um pouco sujos de neve.
Sujos...
Por um momento, fiquei receosa se eu poderia estar pisando ali com eles naquele estado. Teria sido melhor entrar descalça, pelo menos assim, eu não sujaria a casa dos outros. Nossa, que mico, .
Ao terminarem seu abraço, os dois me olharam, o que só fez minha bochecha esquentar. Enquanto me encarava sorrindo, o seu pai me encarava com a testa franzida.
- Essa é a moça que você disse que traria? – perguntou.
Observei sua roupa, vendo que ele usava uma calça social e camisa social. Um relógio de ouro estava em seu pulso esquerdo e seu cabelo escuro estava muito bem penteado. Eu achei sua barba rala acompanhada de um cavanhaque muito engraçadinha, mas reprimi um riso.
- Sim, pai. Essa é a .
Levantei meu olhar e encarei seus olhos com certa timidez. Ele sorriu e estendeu sua mão.
- Prazer em conhecê-la, .
Cumprimentei-o. – O prazer é meu, senhor.
- Meu nome é Jeremy, e prefiro que me chame assim, certo?
Assenti.
Vi James passar por nós, carregando nossas malas e começando a sumir a imensa escadaria. Pattie se aproximou de Jeremy e o abraçou de lado, encostando sua cabeça em seu peito enquanto ainda nos encarava sorridente.
- Estamos muito felizes por você estar aqui, filho. Já estava na hora de visitar os seus pais. – ela disse.
- Concordo. Eu só estava esperando o momento certo. – disse, colocando as mãos nos bolsos do casaco.
- E... – a fala de Jeremy foi interrompida por um grito.
Assustei-me e virei meu rosto, procurando de onde o grito tinha vindo. Vi uma menina descer as escadas praticamente correndo, quase derrubando James que ainda subia com as malas. O coitado teve até que desviar dela, quase deixando uma mala descer escada abaixo.
- Não corra, Jazmyn! Seu irmão não vai fugir. – Pattie disse enquanto a menina terminava de descer.
Ela sorriu e correu até , jogando-se em seus braços e enrolando as pernas em seus quadris. riu e a abraçou de volta, apoiando o queixo no ombro da menina meio aloirada. Eles se abraçaram por não sei quanto tempo enquanto ela dizia coisas em seu ouvido, e eu quase no canto da sala, ainda sentindo-me totalmente deslocada. Entrelacei minhas mãos por trás de meu corpo e mordi o canto de meu lábio, sem saber o que fazer, enquanto ainda podia sentir os olhares dos pais de sobre mim. Eu odiava que olhassem para mim por muito tempo. Eu sempre ficava constrangida e sem saber o que fazer.
- Ok, Jazmyn, agora desce... Você não tem mais seis anos. – disse fazendo uma careta como se fizesse a maior força do mundo e eu ri nasalado.
- Está me chamando de gorda? – ela arqueou a sobrancelha – exatamente do mesmo jeito que costumava fazer – e cruzou os braços.
- É claro que não! Só disse que você não é mais uma criança para que eu te pegue no colo. Os tempos mudaram, minha querida irmã. – passou a mão no cabelo da menina, bagunçando-o.
Ela bufou e se afastou dele, arrumando seu cabelo novamente.
- Não toque no cabelo, !
Wow, ela era igualzinha ao . Tinha a mesma mania de não querer que tocassem em seu cabelo.
Ao ouvir minha risadinha, ela olhou em minha direção, arqueando a sobrancelha.
- Essa é a mulher que você falou que ia trazer? – minhas bochechas coraram com sua pergunta nada discreta. – Qual é o seu nome?
- . – respondi baixo.
- Hm, bonito nome. Vou chamá-la de . Com certeza, todo mundo te chama de , mas eu não me importo, porque é um apelido legal e combina com você. – ela tagarelava sem parar e ria.
- Jazzy, calma! Respira! – ele falou.
Ela me abraçou rapidamente. – Bem-vinda a essa enorme mansão, ! O lugar mais entediante do universo, mas acredite, lá fora, do lado de fora daqueles portões... Existe um mundo mágico chamado Canadá e que você precisa conhecer com toda a certeza!
Ri fraco e observei sua roupa, assim como eu havia feito com todo mundo. Ela usava um vestido rosa, suas unhas estavam pintadas de rosa e sua sandália também era cor de rosa... Ou seja, ela era uma verdadeira fã de rosa. Meus olhos chegavam a ficar um pouco incomodados com tanto rosa. Seus cabelos estavam arrumados em uma trança de lado e ela tinha um jeito muito delicado, parecia até uma bonequinha. já havia comentado comigo que ela tinha dezenove anos e que havia começado a faculdade recentemente, mas eu nunca daria aquela idade para ela. Jazmyn tinha o rosto muito de menina para já ter dezenove anos.
- Eu vou mostrar a tudo que ela precisa conhecer. – sorriu em minha direção e eu retribuí tímida.
- Eu também quero sair com ela. O que acha de irmos fazer umas comprinhas, ? – Jazmyn me perguntou.
- Eu acho que seria... – me interrompeu.
- Vocês podem fazer as comprinhas amanhã, porque hoje, eu vou levar a para passear.
- Uh, acho que alguém aqui é um tanto possessivo... – Jazmyn comentou num tom debochado, olhando para suas unhas.
revirou os olhos e eu reprimi uma risada.
- Que seja, mas hoje... A é minha.
- Pessoal, por favor, não briguem! Acho que a vai gostar de participar dos dois passeios, não é? – Pattie perguntou, lançando-me um olhar suplicante e eu assenti.
- É claro. Acho que vou me divertir bastante por aqui. – sorri.
(...)

- Não! , , por favor! – eu gritava feito uma idiota, chamando a atenção das pessoas a nossa volta. – Por favor, me segura! Eu vou cair! Isso não vai dar certo!
riu e deu a volta com seus esquis, chegando até mim. Tentei me segurar em seu casaco enquanto também tentava me equilibrar sobre aqueles esquis, mas ele se afastou, quase me fazendo cair de cara na neve. Ele tirou seus óculos de proteção e me encarou ainda risonho.
- Vamos, ! Você consegue! – ele me incentivava, mas aquilo só me deixava ainda mais enraivecida.
- Não consigo merda nenhuma. Vamos, me tire daqui. Eu sinto que vou cair a qualquer minuto. – olhei para minhas pernas trêmulas e mordi o lábio inferior.
- Ahn... Não. Você não vai sair daqui até conseguir andar de esqui. Eu te disse que praticaríamos os típicos esportes do Canadá, e isso inclui esqui-alpinismo, hóquei... – o interrompi.
- Hóquei?! Você não me falou nada sobre isso, ! – vociferei – Eu não consigo nem patinar no gelo, quantos mais praticar hóquei! Você só pode estar louco.
Ele gargalhou e uma menininha que estava ao nosso lado, ficou tão assustada que chegou a se afastar, ficando lá do outro lado com os seus pais.
- Viu o que você fez? Assustou a menina. – rolei os olhos – Agora para de rir e me ajuda a tirar isso. – apontei para os esquis com os bastões.
- Já disse que não vou tirar nada e para de ser teimosa. – ele ficou ao meu lado. – Eu vou te ajudar.
segurou os bastões e me olhou.
- Fica nessa mesma posição que eu estou. – começou a instruir.
- Já disse que não vou conseguir. – bufei. – Eu sou muito medrosa, e olha a altura dessa descida. Uma queda e pronto, adeus .
- Cala a boca e faz o que estou mandando, . – seu tom rude me irritou, mas preferi ficar quieta.
Posicionei os bastões no chão assim como havia feito.
- Certo. Agora fecha essas pernas. Não precisa deixá-las tão abertas assim. Não queremos uma perna lá na China e a outra no Japão.
Bufei e fechei as pernas.
- Ok. Agora é só dar impulso com os bastões no chão e você vai deslizar sobre a neve.
Fiz o que ele falou e comecei a escorregar.
- Não, não, ... – choraminguei. – Eu vou cair.
- Você está conseguindo, . Só continue a dar impulso.
Olhei para meus pés presos aos esquis e de repente, a velocidade a qual eu escorregava me assustou. Minhas pernas bambearam e acabaram se abrindo.
- ! – o ouvi gritar antes de meu corpo cair com tudo na neve.
Senti um peso sobre mim e abri os olhos, vendo me olhando com os olhos arregalados.
- Você está bem? – perguntou.
- Sinceramente? Eu não sei. – suspirei, largando os bastões de qualquer jeito ao meu lado.
Fechei meus olhos e tombei minha cabeça para trás. Senti mãos em minha touca, arrumando a mesma que escorregava e abri os olhos. ainda continuava sobre mim, mas seu peso não estava me incomodando. Ele se apoiava em suas mãos ao lado de meu corpo e me encarava com semblante preocupado antes de cair na gargalhada.
- Eu falei que isso não ia dar certo. – suspirei. Sua respiração em forma de vapor batia contra meu rosto enquanto ele ainda ria.
- Não custou nada tentar. – deu de ombros. – Vem. Já que o nosso primeiro passeio não deu certo, vou te levar para conhecer um lugar.
se levantou e estendeu suas mãos. Sentei-me e segurei-as, fazendo com que ele me puxasse para cima. Perdi um pouco do equilíbrio, mas ele me segurou enquanto sorria para mim.
- Tem neve no seu cabelo. – sua mão coberta pela luva tocou alguns fios de meu cabelo, limpando-os da neve.
- Obrigada. – agradeci e ele assentiu, aproximando-se rapidamente para dar-me um selinho.
(...)

- , onde estamos? – olhei em volta, vendo uma cabana um tanto rústica. Já era noite, mas eu conseguia enxergá-la perfeitamente.
- Esse é um dos lugares que eu vinha quando era criança. Vamos, acho que você vai gostar.
Ele estacionou o carro e pegou uma mochila, fazendo com que eu franzisse a testa.
- Para que isso? – perguntei.
- Trouxe algumas roupas... Eu planejei passar a noite aqui, se você não se importar, é claro.
- Por mim, não tem problema nenhum. – sorri e ele assentiu, saindo do carro.
Saí também e o segui em direção à cabana. pegou uma chave no bolso da calça jeans e abriu a porta, dando-me passagem primeiro. Adentrei a mesma e olhei em volta assim que acendeu a luz. Era uma cabana pequena e eu tive a plena certeza ao fazer um pequeno tour pela mesma. Havia a sala, a cozinha, um quarto e um banheiro. Estava tudo super limpinho, parecia que alguém havia passado recentemente por ali e feito uma faxina, e esse fato me chamou a atenção.
- Alguém mora aqui? – virei meu corpo para trás, olhando para .
- Não, mas minha irmã tem o costume de vir aqui com o namorado dela. – ele rolou os olhos. – Ela deve ter limpado.
Assenti e ao observar todos os móveis, voltei à sala. Era um lugar bem aconchegante, de fato. As paredes e o chão eram de madeira, dando um aspecto realmente rústico ao ambiente. Sorri ao avistar a lareira que ficava de frente ao sofá e a um tapete que me parecia ser bem fofo e confortável.
- Eu costumava vir com o Ryan e a Olivia quando éramos crianças. Não fica muito longe das nossas antigas casas, então... Nós, ingênuas crianças, vínhamos passar tardes aqui. Brincávamos de várias coisas e depois íamos esquiar. Era divertido. – ouvia a voz de vindo da cozinha, enquanto eu ainda observava a sala. – Olha o que eu achei.
Encarei-o e vi uma garrafa de vinho em sua mão direita enquanto ele me lançava um olhar sugestivo.
- Parece que a minha irmã anda estocando a cabana... – ele encarou a garrafa em mãos, lendo o que havia escrito. – Hm, conheço esse vinho. É muito bom. Quer experimentar? – assenti e ele tirou a mochila do ombro, estendendo-a para mim. Peguei a mesma e a coloquei sobre o sofá. – Vou pegar duas taças.
Aproximei-me da lareira e me pus a acendê-la. Fazia muito frio e achei que o calor de uma lareira cairia bem agora. Assim que o fogo tomou conta da madeira, eu sorri orgulhosa, tirando meu casaco um tanto pesado. Fui até o interruptor e apaguei as luzes da sala. Tirei meus sapatos e me sentei no tapete fofo. Cruzei minhas pernas e os passos de se aproximando me chamaram a atenção, fazendo com que eu virasse meu rosto para olhá-lo. Ele se sentou ao meu lado no tapete e me estendeu uma taça. Sorri e a peguei, vendo-o derramar o vinho dentro da mesma. Ele se serviu e então, estendeu sua taça em minha direção. Brindamos e bebi um gole do vinho, saboreando-o.
Por um breve momento, o gosto do vinho lembrou-me da noite em que quase abusou de mim. Senti-me como se estivesse vivendo aquela noite de sexta-feira e estremeci. pareceu notar e me olhou com o cenho franzido.
- Está tudo bem, ? – perguntou.
Assenti rapidamente e bebi mais um gole.
- Sim, está tudo bem. – forcei um sorriso, vendo seu rosto sendo iluminado pela lareira.
- Hm, preferiu acender a lareira, huh? Se não soubesse quais são as suas reais intenções, arriscaria dizer que você está tentando ter um momento romântico comigo.
Suas palavras me fizeram rir e acabei ignorando aquele sentimento de angústia e lembranças ruins que queriam se apossar de mim novamente. Empurrei seu ombro com o meu e sorri, balançando a cabeça.
- Seu ego me assusta. – comentei, levando a taça à boca.
- Assusta nada. É porque geralmente, eu te pego de surpresa com minhas palavras e você acaba ficando sem reação. Mas eu não te culpo, sabe? – ele bebeu seu vinho. – Já deixei muitas mulheres sem palavras.
Olhei-o incrédula e ri.
- Você é patético.
Ele deu de ombros e continuamos a beber em silêncio.
- Tenho tantos lugares para te levar. Acho que você vai gostar. – a animação em suas palavras era quase palpável, o que me fez sorrir abertamente enquanto eu observava o movimento de seus lábios e o brilho em seus olhos. Eu já nem ouvia mais o que ele dizia, estava muito encantada por ele para sequer ouvir algo. Seu rosto ficava ainda mais lindo sendo iluminado pela luz fraca da lareira e aquilo me fez suspirar. Ele gesticulava enquanto falava e eu apenas assentia, como se estivesse escutando tudo que ele falava, sendo que na verdade, eu estava hipnotizada demais para tal ato.
Eu definitivamente estava encantada por .
Aquele lugar, aquele momento... Em que só existia nós dois me provocou um frio na barriga, e meu coração acelerou. Eu nunca havia estado em um lugar assim com alguém, nunca havia tido tanta intimidade como eu tenho com ele... Nunca havia passado pela minha cabeça que eu daria a voz àquele pedido no instante seguinte, mas simplesmente... Aconteceu.
- ? – o chamei em um tom baixo.
- Sim? – ele me encarou.
Senti o nervosismo passar por meu corpo e minha timidez deu as caras antes de eu engolir em seco e dizer:
- Eu quero entregar a minha virgindade a você.

me encarava em silêncio, parecendo ainda assimilar o que eu acabara de pedir. Eu sei que foi estranho de minha parte, e eu ainda estou tremendo por ter conseguido verbalizar o meu pedido um tanto descabido, mas ele devia mesmo estar me olhando daquele jeito como se eu fosse um ser de outro planeta? não se movia. Ele simplesmente continuava a segurar sua taça de vinho e me encarava quase sem piscar. A única certeza que eu tinha que ele ainda estava vivo vinha de sua respiração. Seu peito subia e descia de forma lenta, então, posso afirmar que estava tudo bem com ele e não precisaria chamar uma ambulância. Tive vontade de estalar os dedos em seu rosto para que ele acordasse, mas não foi necessário. Ele balançou a cabeça e em seguida me olhou surpreso.
- Será que eu ouvi certo? Porque acho que minha mente e ouvidos estão inventando coisas... – ri de seu comentário, e me aproximei, pegando a taça de suas mãos.
Levantei-me e coloquei a minha taça junto a dele sobre os tijolos da lareira. Sentei-me sobre o tapete fofo novamente, mas um pouco mais próximo de . Cruzei minhas pernas e entrelacei minhas mãos, olhando para as mesmas sobre meu colo.
- Sabe... Eu venho pensando muito sobre isso e em como eu quase me deixei levar por . Só de pensar que eu cogitei a ideia de entregar minha virgindade a ele, eu tenho vontade de me bater e de me xingar até que eu não tenha mais voz. – soltei uma risada fraca. – Então, aconteceu o que tinha que acontecer e eu abri os meus olhos. Até aquele momento, meus olhos estavam fechados para tudo e eu somente enxergava a minha frente, como se ele fosse o homem ideal, o cara perfeito, que agora eu sei que ele não é... – suspirei, ainda olhando para minhas mãos. Eu não sabia o que fazer com elas por causa de tanto nervosismo. Eu não sabia se as entrelaçava ou se as deixava livres sobre meu colo ou se até as levava aos meus cabelos, mexendo nos fios. – Mas o que importa é que eu finalmente abri os meus olhos e percebi que eu estava me enganando durante todo aquele tempo, durante todos aqueles anos. Eu sei que fui uma boba, sei que fui ingênua e até desligada demais por não perceber quem estava ao meu lado o tempo todo. Eu tinha uma pessoa que se preocupava comigo, vivendo sob o mesmo teto, e eu não conseguia enxergar isso. – meus olhos encheram-se de lágrimas e dei uma pequena pausa.
- ... – soprou meu nome, mas eu balancei a cabeça em negação.
- Não, por favor, deixe-me falar. – pedi e ele voltou a se silenciar. – Eu fui tola o suficiente para te provocar com as coisas que aconteciam entre mim e . Fui estúpida o suficiente para negar a mim mesma a atração que eu sentia por você desde praticamente o momento em que você pisou no meu apartamento pela primeira vez. Eu acho que a forma de encobrir o que eu sentia era sendo grossa e bruta com você. Desculpe-me, mas esse foi o meu jeito de enfrentar a situação... Eu só quero te pedir desculpas por tudo que eu fiz de errado, pelas acusações, pelas pequenas discussões sobre ninguém nunca me amar, por te obrigar a me escutar enquanto eu dava meus surtos... Eu peço desculpas por ter sido tão ingênua, por ter sido tão... Patética.
Fiz uma breve pausa novamente e senti que queria se pronunciar, mas eu não deixei. Estendi minha mão até a sua e a peguei, fazendo pequenos círculos com meu dedo indicador nas costas da mesma, para demonstrar o carinho que eu sentia por aquele homem que estava parado à minha frente, mais uma vez escutando tudo que eu tinha para dizer. A maior parte do tempo, eu era a psicóloga... Mas naquele momento e por muitas vezes, é que era o meu real psicólogo, e ele agia assim sem nem ao menos perceber. Acredito que ele me ajudou sem nem ao menos se dar conta. E o que ele fizera por mim, foi de longe a coisa mais valiosa que alguém poderia ter feito: ajudou-me a me encontrar. Ajudou-me a me libertar.
me ensinou que eu não precisava mudar o meu jeito, a minha forma de me vestir, de andar ou até de comer para atrair alguém. Ele simplesmente sentiu-se atraído pela pessoa que eu era. Lembrando-me de suas palavras, eu acabei reprimindo minhas lágrimas. Eu não queria chorar agora.
“É exatamente desse jeito que você me atrai. Esse seu jeito de menina e a maneira como se veste sem ligar para a opinião de ninguém é que me deixa fascinado por você.”
Levantei meu rosto e encarei seu lindo rosto. me olhava fixamente e diretamente em meus olhos. Encarei seus olhos de um castanho intenso, ainda mais iluminados pelo fogo que vinha da lareira e sorri de canto.
- Obrigada, . Obrigada por ser essa pessoa maravilhosa, por ser um verdadeiro amigo e por ser tão compreensivo. Mesmo com seu jeito um tanto... Pervertido – ele riu fraco –, você é um cavalheiro. Eu acredito que você é o homem o qual todas as mulheres gostariam de ter em suas vidas. Eu só tenho a te agradecer pelas palavras ditas as quais você usava para aumentar minha autoestima, só tenho a te agradecer pelos seus toques por meu corpo... Toques os quais eu nunca havia sentido antes, pelos beijos que faziam meu corpo tremer, pelos sussurros em meu ouvido, pelos abraços... Por sua presença. A sua presença, eu posso dizer que foi algo de extrema importância para mim. Era você quem esteve lá quando eu estava em depressão e foi você que me tirou dela. Foi você que me ergueu, foi você que me aceitou do jeito que eu era. Perto de você, eu posso ser quem eu sou de verdade. Eu posso ser a Wright que se veste com moletons, usa óculos e tem todo esse ar de intelectual. Eu posso falar sobre experiências e nomes científicos quando estivermos juntos que você sempre vai me olhar como se não entendesse nada, mas ao mesmo tempo, não me julgando pelo que eu falo.
Ele riu e seu riso foi tão lindo e contagiante que me fez sorrir em meio aos meus olhos lacrimejados. Ele apertou minha mão e eu a apertei de volta.
- É por isso, e entre tantos outros motivos, que eu quero entregar minha virgindade a você. Você aceitaria, ? Aceitaria ser o meu primeiro em tudo? Aceitaria me fazer sua por pelo menos essa noite? Pois eu quero os seus lábios me beijando, quero o seu corpo sobre o meu... Somente o seu, e de mais ninguém.
Olhei em seus olhos e me olhava de volta, de uma forma totalmente indecifrável. Ele umedeceu seus lábios e falou num tom baixo, quase sussurrando:
- É sério mesmo que você está me perguntando isso? – fiquei em silêncio. – Seria uma honra ter a sua virgindade. Eu não poderia estar mais feliz por você ter me escolhido. Você não sabe o quanto eu esperei e sonhei com cada palavra que acabou de sair da sua boca. Vai ser uma honra ter o seu corpo sob o meu, .
Sorri com suas palavras e apertei sua mão novamente. me puxou lentamente até seu colo. Sentei-me com minhas pernas ao redor de sua cintura e encarou meus olhos enquanto acariciava minha bochecha com o polegar.
- Você tem certeza disso? – ele soprou contra meus lábios. – Não precisa ser agora, você...
Dei-lhe um selinho e levei minha boca à sua orelha, sussurrando:
- Eu tenho certeza. Se não for com você, não vai ser com mais ninguém.
Levei minha mão ao seu cabelo e o acariciei suavemente enquanto voltava a olhar seus lindos olhos. Observei os traços de seu rosto, passando meus dedos indicadores por sua testa e descendo até suas bochechas. Ele fechou os olhos e eu sorri, inclinando meu rosto e beijando os locais de seu rosto por onde meus dedos passavam. Levei um dos dedos ao seu nariz arrebitado que eu tanto gostava e em seguida, dei um leve beijo no mesmo. Senti as mãos de na barra de minha camisa, começando a erguê-la e ri fraco, levantando meus braços. Ele passou a camisa por minha cabeça e jogou-a sobre o sofá ao nosso lado. Passei com meus dedos indicadores por seu rosto mais uma vez, chegando aos seus lábios rosados e úmidos. Contornei-os e passei meu polegar sobre os mesmos, dando-lhe um selinho.
resmungou quando me afastei e com seus olhos ainda fechados, puxou-me pela nuca, selando nossos lábios novamente. Ele aprofundou o beijo no segundo seguinte, dando-me por mais uma vez, o privilégio de sentir sua língua tocando a minha, acompanhada do gosto maravilhoso do vinho. Suspirei ao sentir as pontas de seus dedos descendo e subindo por minhas costas de forma lenta, arrepiando-me por inteira. Ele subiu suas mãos até meus ombros, acariciando-os brevemente antes de descê-las e levá-las até a parte de dentro da minha calça de moletom, tocando o início de minha bunda. Os únicos sons que podiam ser ouvidos eram os dos nossos lábios se tocando e da madeira sendo queimada na lareira. A única claridade que existia ali também vinha da clareira, o que deixava tudo ainda mais especial na minha visão.
Enquanto ainda nos beijávamos, levei minhas mãos à barra de sua camisa, após tirar seu casaco, começando a erguê-la. Assim que consegui tirar sua camisa, voltou a me beijar e eu levei minhas mãos até suas costas, passando minhas unhas de cima a baixo, fazendo-o gemer baixo contra meus lábios. Separei nossos lábios e comecei a beijar seu pescoço suavemente. Vi quando o corpo de respondeu às minhas carícias e ele fechou os olhos, mordendo o lábio inferior. Segurei seus cabelos da nuca e continuei a beijar seu pescoço, às vezes acariciando-o com a ponta da língua.
- – ele apertou minha cintura. – A noite é sua, e quem tem que venerar o seu corpo sou eu.
Suspirei e num movimento rápido, ele abriu o fecho de meu sutiã. O mesmo foi ao chão e olhei seu rosto enquanto seus olhos pairavam sobre meu busto descoberto. Seus lábios estavam entreabertos e sua respiração estava ofegante enquanto ele me parecia me admirar. Ele me deu um selinho e sussurrou:
- Você é tão linda.
Seus lábios foram até meu pescoço e eu inclinei minha cabeça, dando-lhe mais liberdade. Fechei meus olhos e mordi o lábio inferior ao senti-lo dando beijos molhados e extremamente sensuais em minha jugular. Sua língua tocou minha pele e eu estremeci em seus braços que ainda me envolviam, colando nossos corpos. Ele me chupou e mordiscou a pele antes de descer seus beijos até meu ombro. Senti-lo fazendo aqueles movimentos circulares com a língua simplesmente me deixava totalmente aérea. Apertei suas costas ao senti-lo mordiscando meu ombro e respirei pesado. Suas mãos foram até minha calça de moletom no intuito de abaixá-la e o ajudei, ficando de joelhos. Quando ele terminou de tirar minha calça, eu estiquei minhas mãos para tirar a sua. Ele sorriu de canto e segurou minhas mãos, fazendo-me franzir a testa. No instante seguinte, ele começou a abaixar minha calcinha lentamente.
Voltei a ajudá-lo no processo e quando ele me deixou totalmente nua, inclinou seu corpo para frente, segurando em minha coxa. Acabei me deitando no tapete fofo e ficou sobre mim.
- Eu quero que você relaxe e me deixe assumir daqui. Preciso te deixar pronta para mim.
Apenas assenti sem entender muito bem o que ele queria dizer com isso. Ele mordeu o lábio ao se afastar e analisar meu corpo, sorrindo de canto. Fiquei a observar seus movimentos e ele ficou de pé, começando a desabotoar sua calça jeans. Senti um tremor passar por meu corpo e engoli em seco, tentando controlá-lo. Eu estava muito nervosa, oh céus. Tomara que eu não passe vergonha, porque eu não tenho ideia do que fazer. O som do zíper descendo chamou minha atenção e eu voltei a encará-lo. desceu sua calça e a jogou no sofá. Fiquei ainda mais nervosa ao ver o volume por debaixo de sua cueca box da Calvin Klein e arrisco dizer que até arregalei um pouco os olhos, arrancando uma risada fraca de .
Ele tirou suas meias, me olhando, e seu olhar transbordava luxúria, o que me deixou ligeiramente com as pernas bambas. Agradeci mentalmente por estar deitada, já que eu não me aguentaria em pé. Ameacei tirar meus óculos, mas negou rapidamente, e aquilo chamou minha atenção, fazendo-me parar. Ele queria que eu continuasse com eles?
- Eu gosto de você com os óculos. Por favor, não os tire. Quero ter a certeza de que estarei fazendo sexo com a minha .
A tão conhecida corrente elétrica passou por todo o meu corpo ao ouvi-lo usar aquele simples pronome possessivo, mas com um significado tão grande. não usara aquele pronome pela primeira vez, ele já o tinha usado em outras ocasiões, mas naquele momento... Aquela simples palavra foi capaz de incendiar meu corpo num piscar de olhos.
- E... Também seria bom realizar pelo menos uma das minhas fantasias. – sorriu malicioso. – Vire-se de bruços.
Franzi a testa e continuei quieta.
- Vamos, . – falou sério.
Virei no tapete, ficando de bruços.
- Hm, eu adoro a sua bunda, baby. – seu tom rouco e malicioso me fez suspirar. – Eu sei que já disse isso, mas... É impossível de controlar.
Logo sentindo um algo se encostando às minhas costas e às laterais de meu corpo e virei meu pescoço, tendo a visão de quase sentado sobre mim. Ele tinha uma perna de cada lado da minha cintura e seu membro coberto pela cueca branca estava quase se encostando à minha pele.
- O que vai fazer? – perguntei confusa.
- Só relaxe, babe. Eu falei que ia te preparar para mim... – senti suas mãos tocando minhas costas, começando a fazer uma massagem fantástica. Fechei meus olhos e relaxei sob seu toque. – Você já deve ter ouvido falar sobre as zonas erógenas, certo?
Balancei a cabeça positivamente, sentindo meus olhos ficarem pesados. Acabei fechando os mesmos ao sentir suas mãos subirem até meus ombros, onde ele começou a massagear.
- Você me autoriza a explorá-las, ? – sussurrou em meu ouvido.
- Sim… – gemi – Te autorizo a qualquer coisa…
Eu falei mesmo aquilo?! Oh céus.
Ele riu sensualmente em minha orelha e mordeu o lóbulo da mesma antes de se afastar. Suas mãos voltarem a descer por minhas costas enquanto ele fazia aquela pressão gostosa que me fazia relaxar cada vez mais. Suas massagens foram desde minhas omoplatas até meus quadris, onde ele os apertou com certa possessão. Senti seu membro rígido tocar minha bunda e gemi enquanto ia descendo seu corpo conforme suas mãos passavam por minha pele. Suas mãos chegaram à minha bunda e eu suspirei ao senti-lo apertando ambos os lados, criando um arrepio maravilhoso ao sentir seus dedos um tanto frios em contato com minha pele quente. Senti-o contornar a minha marca de nascença e me surpreendi ao sentir sua boca contra a mesma, depositando um beijo molhado e em seguida, uma mordida.
- – gemi seu nome e como resposta, ele me deu um tapa fraco no lugar onde ele havia mordido.
Ele desceu suas mãos por minhas coxas, apertando-as e massageando-as com firmeza até chegar à minha panturrilha. Senti suas mãos em meus pés e ele tirou minhas meias. Seus dedos apertaram meu pé esquerdo, começando uma massagem maravilhosa a qual me fez suspirar enquanto eu sentia minha intimidade pulsando descontroladamente. Ele massageou o outro pé e eu sentia sua respiração quente contra o mesmo, antes de ele depositar um beijo. depositou um beijo no outro pé e começou a subir os beijos por minha perna. Beijos com direito a língua, que me deixavam totalmente arrepiada e fora de mim. Pressionei uma perna na outra, tentando amenizar a excitação que eu sentia com somente aqueles toques e beijos.
percebeu minha intenção e segurou minhas pernas, afastando-as uma da outra, deixando-me literalmente aberta. Apertou o tapete fofo com ambas as mãos ao sentir sua língua acariciar minha pele da perna, subindo cada vez mais. Ele fez o mesmo na outra perna até que chegou à minha bunda, onde ele passou a língua bem na divisão das minhas nádegas. Gemi rouca e um espasmo tomou meu corpo. beijou minha bunda e voltou a subir seus beijos por minhas costas. Eu sentia sua língua molhada e aveludada contra minha pele, fazendo-me querer mais e mais daquele homem. Por onde ele passava, deixava seus rastros de saliva quente que faziam meu corpo pegar fogo. Quando chegou às minhas omoplatas, senti-o se inclinar sobre meu corpo, colocando nossos corpos, fazendo-me sentir sua excitação contra minha bunda desnuda.
Ele tirou o cabelo de minha nuca e passou a distribuir beijos pela região. Deu-me um chupão na nuca e eu queria me virar para ele, queria ver as expressões pervertidas que eu sabia que predominavam em seu rosto. E como se soubesse exatamente o que eu queria, me segurou pela lateral do corpo, virando-me de frente para ele. Deixei meus braços esticados ao lado de minha cabeça e encarei seu rosto e seus olhos que transmitiam um desejo ainda maior do que os que eu já havia presenciado. Mordi o lábio ao ver lançar-me aquele olhar luxurioso. Ele inclinou seu rosto em minha direção e me deu um selinho antes de descer seus lábios para meu pescoço. Passou a distribuir beijos suaves sobre minha pele, intercalando com mordidas e chupões que me faziam suspirar. levou suas mãos aos meus pulsos e os segurou com firmeza, mas delicadeza ao mesmo tempo. Foi um gesto totalmente diferente de quando me segurou daquela forma, pois agora, tinha a minha total autorização para me tocar da maneira que quisesse.
O meu corpo era seu aquela noite.
Ele subiu seus lábios até atrás de minha orelha e beijou aquela região, em seguida, dando uma leve mordida no lóbulo de minha orelha. Um arrepio extremamente intenso passou por meu corpo e senti a respiração pesada de contra mim, como resposta. Ainda segurando meus pulsos, ele voltou a descer os beijos, mas dessa vez, trilhando um caminho por meus ombros. Sua língua acompanhava seus beijos calmos e ávidos. O simples toque da mesma em minha pele me fazia suspirar, com os olhos fechados. Eu estava totalmente entregue àquelas sensações maravilhosas, que me faziam arrepiar desde o fio de cabelo ao dedinho do pé. mordiscou meu ombro direito e fez uma trilha de beijos até meu ombro esquerdo, beijando-o avidamente e o mordiscando. O simples arrancar de seus dentes em minha pele sensível me fez sorrir. Quase soltei minhas mãos para que eu pudesse tocar suas costas e descontar o prazer que eu sentia naquele simples gesto, mas me controlarei, deixando com que continuasse com suas carícias.
Seus beijos foram até minha clavícula, onde ele depositou mais beijos, e desceu lentamente por entre o vão dos meus seios, fazendo um rastro de saliva com sua língua quente e aveludada.
- Tão cheirosa, tão gostosa... Tão minha. – sussurrou contra minha pele. Sua respiração quente bateu contra meu corpo e eu sorri de canto.
- Somente sua. – sussurrei de volta.
Ao sentir sua língua tocar o mamilo de um dos meus seios, arqueei minhas costas sem que pudesse me conter. Era algo inexplicável que eu sentia. Eu não tinha palavras para descrever ou explicar o prazer que eu sentia quando ele me beijava daquela maneira, com toda a calma do mundo e paciência... Apenas explorando o máximo que podia do meu corpo totalmente entregue a ele. sabia que somente ele era capaz de provocar tudo aquilo em mim. Era como se fosse um vulcão prestes a explodir a qualquer minuto. Sim, meu corpo estava quente e à beira de entrar em erupção como um vulcão. O pulsar por entre minhas pernas era imenso, o que só me fazia estar ainda mais ansiosa para que ele me fizesse sua de uma vez.
Ele envolveu o bico de meu seio com os lábios e o chupou com tanta maestria que eu não consegui conter um novo arquear de costas, acompanhado de um gemido sôfrego. Acabei cerrando meus punhos e sentiu, erguendo seu rosto para me olhar assim que abri os olhos.
- Quer que eu te solte, babe? – assenti às pressas – Espere só mais um pouquinho... Deixe-me saboreá-la um pouco mais. Deixe com que eu me deleite em seu corpo, .
Arfei ao ouvir suas palavras e ele me lançou um olhar intenso antes de sorrir malicioso e voltar a beijar meus seios, ou como diria ... Saboreá-los. Ele soltou um de meus punhos e levou sua mão ao meu seio, envolvendo-o e fazendo com que eu sentisse o calor de sua palma ser transmitido ao meu bico rígido. Rapidamente, levei minha mão solta ao seu cabelo da nuca e o agarrei, por puro reflexo. Fechei os olhos e mordi o lábio inferior ao senti-lo acariciando um seio enquanto beijava e lambia o outro com a pressão de sua língua habilidosa. Mordiscou o bico e puxei seu cabelo, fazendo-o ronronar contra minha pele arrepiada. Ele envolveu o outro seio, repetindo as carícias, intercalando com beijos, lambidas, chupadas e mordidas. Sem conseguir conter minha excitação, acabei arqueando os quadris, que se chocaram com os de , criando a maravilhosa fricção entre seu pênis e minha intimidade.
Ele gemeu rouco e parou por um momento com as carícias, respirando pesadamente contra mim.
- Quero ir devagar. Não quero perder o controle com você, então, por favor... Não faça isso de novo.
Assenti e tentei ficar quieta, mas a pulsação estava me deixando desesperada. Eu não sabia mais se fechava os olhos ou não, se puxava seu cabelo ou não. Era tudo novo demais para mim. Céus, eu sou tão inexperiente. Ele voltou a beijar seu busto e desceu seus beijos até minha barriga, finalmente soltando meu pulso que ainda estava preso. Levei, agora, minhas duas mãos ao seu cabelo, embreando meus dedos por seu meio enquanto sentia os beijos molhados de fazerem desenhos imaginários pela pele de minha barriga. Ele apertou minha cintura, fazendo uma pequena massagem com os polegares e meu corpo relaxou ainda mais. deu uma pequena chupada perto de meu umbigo e em seguida, passou a língua por cima do mesmo.
Suas mãos inquietas e habilidosas subiram por minhas costelas, passaram por meus seios e os apertaram, subindo até meus ombros e fazendo caminho para os braços, os quais acariciou, dando leves apertões com suas palmas quentes. Fez o caminho inverso, voltando até minha barriga, mas passando direto pela mesma. Suas mãos tocaram minhas coxas e apertou as laterais das mesmas, fazendo com que eu arranhasse suas costas com minhas unhas curtas. Ele arqueou suas costas diante aos meus arranhões e com os olhos fechados, sorriu satisfeito. Levou seu rosto até o meu e chupou meu lábio inferior, mordendo-o e o puxando para si.
- Você me deixa louco, mocinha. – sussurrei com sua voz carregada de excitação. Seu tom era ainda mais rouco e profundo, o que fez com que a pulsação entre minhas pernas aumentassem. Soltei um gemido tímido em resposta. Ele sorriu e disse: - Te olhando assim com esses óculos... Parece que estou prestes a transar com a minha psicóloga e isso torna as coisas ainda mais excitantes.
Mordi o lábio inferior e ajeitei a moldura dos óculos em meu rosto, fazendo sorrir ainda mais. Ergui minha cabeça e envolvi seus lábios com os meus. Ele levou sua mão até minha nuca e me puxou para ele, aprofundando o beijo assim que cedi a passagem de sua língua quente. Senti sua mão livre passear por minha coxa e ele apertou seu interior, subindo até minha virilha. Separei nosso beijo urgente para gemer e suspirou contra meus lábios antes de me dar um selinho e descer seu rosto novamente, dessa vez em direção à minha coxa. Ele envolveu uma pequena parte da pele com seus lábios e me deu um chupão que me fez estremecer. Beijos e lambidas foram distribuídos por minhas coxas, até que beijou meu ventre e chegou à minha intimidade.
Ele deu um beijo cálido na mesma e disse:
- Tão molhadinha… – seu dedo médio acariciou minha abertura e ele rosnou ao sentir minha excitação escorrer por seus dedos.
beijou minha virilha e desceu seus lábios por minhas pernas, acariciando-as, chegando à minha canela. Conforme seu corpo escorregava pelo meu, eu sentia seu pênis rígido tocando minha pele, o que me fazia gemer baixinho.
- ... – o chamei.
Ele me olhou e eu o chamei com o dedo indicador. Conforme ele se aproximou, eu apertei seus braços fortes com ambas as mãos. Quando seu rosto já estava diante do meu, eu soprei contra seus lábios.
- Eu preciso tocar você.
Virei meu corpo e fiz com que ele se deitasse comigo por cima. Sentei em sua barriga e segurei em seus ombros antes de juntar nossos lábios. Enquanto eu o beijava de forma firme, e eu escorregava minhas mãos por seus braços e ombros, chegando ao seu pescoço. Toquei-o com as pontas dos dedos e senti sua pele se arrepiar. Separei nossos lábios e beijei seu pescoço. Comecei diretamente com beijos molhados assim como ele havia feito comigo e como resposta, ele apertou firmemente minha cintura com ambas as mãos. Chupei seu pescoço e o mordisquei, arrancando rosnados baixos de seus lábios rosados. Desci meus beijos por sua clavícula, chegando ao seu peito tatuado. Beijei-o languidamente enquanto apertava seus braços. Observei seu rosto por um momento, vendo que ele mantinha os olhos abertos recheados de desejo enquanto sua boca estava entreaberta e por ela, saia uma respiração um tanto pesada e entrecortada.
- Você nua em cima de mim é a melhor visão que eu poderia ter. – beijei seu abdômen, sentindo-o se contrair contra meus lábios. Levei minhas unhas ao seu peito e o arranhei levemente, descendo ao seu abdômen. Sua pele se arrepiou no mesmo instante e eu sorri orgulhosa por meu feito. – , eu estou chegando ao meu limite com a sua vagina molhada contra mim... Por favor, vamos logo.
Ri fraco e o encarei.
- Não era você que queria tudo com calma? Por que está tão apressado agora, babe? – imitei-o e ele riu, negando com a cabeça. – Acho que também tenho o direito de te tocar e beijar, huh?
- Todo o direito do mundo. Eu sou seu, baby.
Suas palavras me fizeram arrepiar e eu dei alguns beijos abaixo de seu umbigo antes de me render e me deitar novamente no tapete, puxando para cima de mim. Ele sorriu e levou suas mãos ao cós da cueca. Percebendo sua intenção, eu pus minhas mãos sobre as suas, parando-o imediatamente.
- Eu quero fazer isso. – esclareci ao vê-lo me lançar um olhar confuso.
Vi morder o lábio inferior e assentiu, deixando o caminho liberado para minhas mãos. Levei minhas mãos trêmulas ao cós e lentamente, fui o abaixando. Quando seu pênis totalmente duro apareceu em meu campo de visão, eu olhei-o boquiaberta. Terminei de abaixar sua cueca e me ajudou, empurrando-a com os pés assim que o tecido chegou aos seus tornozelos. Encarei seu pênis com um pouco de espanto ainda por conta de seu tamanho e rigidez. Eu nunca havia visto um órgão sexual masculino pessoalmente, então, digamos que eu estava um tanto constrangida também. Senti meu rosto esquentar e riu enquanto observava as minhas expressões faciais.
- Toque-o. – seu tom saiu quase suplicante e hesitante, eu estendi minha mão lentamente em direção a ele. Mordi meu lábio inferior ao tocá-lo e sentir a maciez nas pontas de meus dedos. Envolvi-o com a mão e gemeu rouco, apertando o tapete com ambas as mãos que estavam ao lado de meu tronco.
Mais um gemido escapou de seus lábios e seu corpo ficou tenso quando passei o dedo indicador pela cabecinha rosada de seu pênis. levou sua mão até a minha, começando a movimentá-la lentamente.
- Me masturbe, babe. – ele sussurrou e eu suspirei, continuando a movimentar minha mão. No mesmo instante, senti os dedos de tocarem minha intimidade. Seu polegar começou a fazer movimentos circulares em meu clitóris e eu choraminguei, sentindo aquela sobrecarga de sensações sobre mim. Levei minha outra mão ao seu saco escrotal e o acariciei enquanto aumentava o ritmo de minha mão. rosnou alto e me beijou de surpresa, com tanto desesperado que eu me assustei um pouco. Ele mordeu meu lábio e voltou a me beijar enquanto eu sentia seu dedo médio descendo até minha abertura e o contornando-a com firmeza. Gemi contra seus lábios e consequentemente, aumentei ainda mais o ritmo de minha mão, fazendo pressão com meu polegar na cabecinha úmida.
repentinamente, separou nossos lábios e se afastou, deixando-me totalmente confusa. Vi ele erguer seu tronco e começar a abrir a mochila que ainda estava jogada sobre o sofá.
- Cadê essa droga? – ele murmurava enquanto procurava algo que eu ainda não sabia o que era. Suas mãos estavam trêmulas e ele estava um tanto elétrico e nervoso, o que me fez rir baixo.
Ele suspirou aliviado ao pegar uma embalagem. Eu sabia que aquilo se tratava de um preservativo. Nunca havia pegado um, mas eu já estava ciente do que era. levou-o à boca e abriu a embalagem com os dentes. Seus movimentos eram rápidos e ele ainda tremia muito, o que me fez sorrir, já que eu estava na mesma situação. A sobrecarga de excitação era demais para nós dois. Observei-o quando ele envolveu seu membro com o preservativo e voltou a se deitar sobre mim, evitando depositar seu peso sobre meu corpo. Abriu minhas pernas e se encaixou no meio delas, olhando-me nos olhos.
- Se doer, por favor, me fale. Eu vou devagar, mas às vezes é difícil de controlar.
Apenas assenti e já impaciente, ergui um pouco meus quadris, querendo que ele começasse aquilo de uma vez. Envolvi seu pescoço com meus braços e levou sua mão até minha coxa, puxando-a e envolvendo seu quadril com a mesma. Ele encostou nossas testas e senti seu pênis tocar em minha abertura, começando a adentrá-la lentamente. Fechei meus olhos, sentindo sua respiração batendo contra meus lábios e soltei um gemido baixo de dor ao senti-lo adentrando-me ainda mais. Apertei meus olhos com a dor e ardência que comecei a sentir e acabei apertando fortemente os ombros de . Lágrimas se formaram em meus olhos e uma delas escorreu por minha bochecha.
pareceu perceber minha dor e parou por um momento.
- ? – tocou minha bochecha. – Está doendo muito? Quer que eu pare?
Neguei rapidamente e sussurrei:
- Só... Continua.
Ele assentiu e senti seu membro se enterrar ainda mais em mim. Quando nossas virilhas se tocaram, parou, já que estava totalmente dentro de mim. Ele soltou um gemido rouco e profundo e ficou por alguns segundos parado. A dor ainda estava presente, mas eu não queria que ele parasse. Eu queria satisfazer o corpo de . Ele começou a se movimentar num ritmo bem lento e fraco, para que eu me acostumasse e me sentisse melhor com aquele preenchimento perfeito que acontecia entre nossos corpos. apertou fortemente a minha coxa e juntou nossos lábios, começando a se movimentar com mais precisão e firmeza. O ritmo de seus movimentos aumentou consideravelmente e nossos quadris começaram se chocar. Ele separou nossos lábios e eu gemi com os olhos fechados, sentindo-o escorregar para dentro e fora de mim. Levou seus lábios ao meu pescoço e o mordiscou enquanto aumentava mais e mais os movimentos.
Uma fina camada de suor começou a se formar em minha testa e a temperatura de meu corpo se elevou. Eu tinha certeza que estava ficando vermelha, pois sentia um calor imenso enquanto o som de nossos corpos se chocando ecoava por toda a sala. Abri os olhos e ainda estava com o rosto escondido em meu pescoço, e alguns fios de seu cabelo bagunçado começavam a ficar molhados pelo suor e consequentemente, grudavam na testa, deixando-o ainda mais belo do que ele já era. Quando ele ergueu seu rosto e encarou profundamente meus olhos, eu vi o quão satisfeito ele se sentia. O desejo tomava conta de seu semblante e ele tinha uma expressão de prazer intenso. Sorri e levei minhas mãos à sua testa, enxugando algumas gotículas de suor que escorriam por seu rosto corado. Ele sorriu e levou seus lábios ao meu seio, beijando-o languidamente enquanto o movimento de seus quadris já era considerado insano.
Ergui meus quadris e o ajudei, fazendo com que ele tocasse ainda mais fundo dentro de mim. Ele grunhiu e apertou minha coxa. Levei minhas mãos à sua bunda e a apertei firmemente em resposta, fazendo com que ele começasse a sussurrar frases obcenas e carregadas de tesão em meu ouvido. Suas palavras me fizeram estremecer e ergui mais meus quadris, consequentemente apertando com meu interior.
- Porra! Que gostoso… – gemeu em meu ouvido após erguer seu rosto até mim. – Faz de novo...
Encarei o teto e gemi antes de apertá-lo novamente, fazendo-o sentir ainda as paredes molhadas de meu interior.
- Caramba, , nenhuma mulher havia feito isso comigo. – sua voz rouca saiu acompanhada de sua respiração ofegante em meu ouvido.
Sorri ao ouvi-lo dizer aquilo e passei minhas unhas por sua bunda, a qual eu desejava tanto tocar. Em um ato inesperado, nos virou e me deixou por cima.
- Você sentirá mais prazer se estiver sentada em mim. – explicou ao ver minha expressão de confusão. – Só... Se mova. Rebole em mim, . – instruiu e eu assenti, apoiando minhas mãos em seu peito.
Ele segurou-me pela cintura e eu comecei a me mover nele. Aquela posição era tão boa para mim que a partir do momento em que o meu clitóris começara a ser pressionado, qualquer incômodo em minha intimidade fora totalmente esquecido. É claro que eu ainda sentia dor, mas preferi ignorar e transformar aquilo em prazer, tanto para mim quanto para , que agora me encarava com admiração e parecia totalmente aéreo a qualquer coisa a seu redor. Quando senti seu polegar pressionar ainda mais meu clitóris, é que comecei a me mover mais intensamente e gemer mais alto. o tocava com precisão, e eu percebi que sua real intenção era me proporcionar o orgasmo tão almejado.
- Você é tão apertada... Tão gostosa e tão feita para mim... – ele gemia rouco entre as palavras e eu o respondia com gemidos ainda um tanto tímidos.
Repentinamente, senti espasmos se espalharam por todo o meu corpo, causando-me arrepios. Finquei minhas unhas no peito de e ele grunhiu enquanto aquela sensação maravilhosa de relaxamento de um orgasmo se apossava inteiramente de mim. Gemi um pouco alto, desmanchando-me em , e sorri satisfeita, caindo sobre seu corpo, sentindo-me leve. Ele sorriu ao ver que acabara de me proporcionar prazer e se virou, ficando sobre mim de novo, voltando a se mover com uma rapidez extraordinária ainda dentro de mim. Gemeu rouco e profundamente e eu o observei se arrepiar por inteiro, enquanto ele fechava os olhos e gozava. Mordeu meu lábio inferior, puxando-o para si, ao terminar de gozar. Ele abriu os olhos e sorriu. Vi a felicidade brilhar em seu olhar e admirei as gotículas de suor que passeavam por suas costas, peito e abdômen. Sua respiração estava ofegante e seu coração acelerado assim como o meu.
Passei minhas mãos por seus cabelos, tirando-os de sua testa, e sorri. ainda estava dentro de mim, mas era uma sensação tão boa que eu queria que ele ficasse ali para sempre.
- Isso foi... Fantástico, incrível, insano... – ele começou a falar e eu lhe interrompi, dando-lhe um selinho.
- Obrigada. – sussurrei contra seus lábios.
A sensação de liberdade e de satisfação pulsava em minhas veias. Eu estava feliz, eufórica e extremamente grata a . Acho que palavras nunca seriam suficientes para agradecê-lo por tudo que ele tem feito desde que entrou em minha vida.
- Você é maravilhoso. – disse e ele sorriu.
- E você é a mulher mais espetacular do mundo. – deu-me um selinho. – Você está sentindo dor? – seu semblante mudou para preocupado de repente. – Eu te machuquei?
- , está tudo bem. – afirmei prontamente. – Você não me machucou. Eu só estou sentindo uma dorzinha, mas vai passar.
Ele levou seu olhar ao meu ventre e intimidade, procurando por algo, mas franziu o cenho quando não encontrou.
- Você não sangrou. – ele disse.
Franzi a testa e levei minha mão à minha intimidade, vendo que meus dedos estavam limpos assim que direcionei-os ao meu olhar.
- Isso só pode significar uma coisa...
- Hímen complacente. – falamos juntos e rimos em seguida.
- Está sabendo muito, huh? – olhei-o desconfiada.
Ele corou e eu ri fraco, acariciando sua bochecha.
- Digamos que eu estudei muito sobre isso... Acho que todo homem devia saber de algumas coisas... Você sabe, para ajudar na hora de proporcionar prazer a uma mulher. – ele explicava ainda corado e eu o olhava fascinada.
- Você não é desse mundo. – balancei a cabeça e o beijei rápido.
- Você que não. Caralho, o que foi aquilo que você fez comigo? – ele me olhava admirado. – A forma a qual você me apertava era fantástica. Como você fez?
- Eu não sei. – respondi confusa. – Eu acho que consigo mover os músculos do meu interior.
- E isso é incrível. Acho que isso vai acabar fazendo com que eu fique ainda mais viciado em você. – ele me deu um selinho e saiu de dentro de mim.
deu seu jeito com o preservativo e eu deitei em seu peito, sentindo-o acariciar meus cabelos.
- Nós, com certeza, temos que repetir isso. – ele disse depois de um tempo em silêncio. – Você não me escapa mais, Wright.
Sorri e me aconcheguei mais em seus braços, sentindo-me feliz como nunca havia me sentido antes.


Capítulo 27 – Apenas Um Ser Humano

Movi-me na cama até finalmente abrir os olhos e observar o enorme quarto o qual eu me encontrava. O quarto daquela casa, com certeza, dava dois do meu. Estreitei um pouco os olhos ao virar o rosto e ver a pequena claridade atravessar pela fresca da cortina. Bocejei e me estiquei na cama, preparando-me para levantar se a porta não tivesse sido aberta bruscamente, causando-me um enorme susto. Qualquer resquício de sono foi parar ralo abaixo e arregalei meus olhos enquanto levantava minha cabeça em meio aos travesseiros, como um coelho que tira sua cabeça de um buraco. Em meio aos fios de cabelo em meu rosto, pude ver uma figura feminina e com estatura baixa se aproximando.
- Vamos levantar, . Temos muito que fazer hoje. Vou te mostrar essa cidade como nenhum outro guia mostrou! – reconheci a voz de Jazmyn no mesmo instante e não contive o bocejo por mais uma vez. – Nossa, parece que alguém não dormiu muito bem, huh? Eu soube que você e chegaram tarde ontem... O que andaram fazendo? Se quiser me contar, é claro.
Eu, certamente, não contaria todos os detalhes do meu dia e noite passada, então, o que respondi foi:
- me levou para esquiar e depois me mostrou a cabana que ele frequentava quando criança. – dei de ombros enquanto afastava os cobertores e me sentava na cama.
- A cabana? – um sorriso grande tomou seus lábios. – Eu simplesmente amo aquela cabana! Dylan e eu sempre vamos lá. É um ótimo lugar para se frequentar e... – ela tagarelava até eu interrompê-la.
- Dylan? – arqueei minha sobrancelha.
- É, meu namorado. – ela sorriu tímida.
- Ah, sim. comentou algo sobre você e seu namorado.
- E o que ele falou? – Jazmyn cruzou os braços, assumindo uma postura séria. – Por acaso ele não falou mal de Dylan, não é? Porque é um tanto rabugento e chato demais quando o assunto é Dylan Parker. Meu irmão simplesmente não consegue aceitar o fato de que eu já tenho idade suficiente para namorar e que ele não tem nada a ver com minha vida amorosa.
Ri fraco.
- Ele não falou nada demais. Só disse que vocês dois também frequentavam a cabana. E bom, em relação a ele não aceitar o seu namoro... Pense bem. ainda deve te ver como a irmãzinha caçula dele e para os irmãos mais velhos, principalmente do sexo masculino, é um tanto difícil ter essa aceitação. Mas com o tempo ele vai aceitando, é só esperar. – levantei-me e Jazmyn ficou me encarando pensativa.
- É. – deu de ombros – Você tem razão. Mas de qualquer maneira, se ele não aceitar, não posso fazer nada.
Sorri e estiquei meu braço, pegando meus óculos. Tive uma visão bem melhor de Jazmyn parada à minha frente com sua roupa rosa e cabelo preso em um rabo de cavalo. Ela me encarou e arqueou a sobrancelha.
- Você fica diferente com óculos, mas acredite, é um diferente bem melhor. – sorriu e eu a acompanhei.
- Me sinto mais confortável, não sei. Me sinto mais eu? – fiz uma pergunta retórica.
Jazmyn acenou com a cabeça e começou a andar em direção à porta.
- Arrume-se para tomarmos café da manhã. Não podemos perder nenhum segundo desse dia maravilhoso. E acredite, você teve sorte de vir ao Canadá justamente na temporada em que está fazendo um solzinho. Não é tanto, mas ainda assim, não morreremos congeladas. – ela tagarelava enquanto saia do quarto e eu ria baixo.
Jazmyn era uma garota muito extrovertida e espontânea. Percebi que ela gostava muito de conversar, contar histórias e trocar opiniões. Ela puxava assunto até de onde não existia só para manter alguma conversa viva, e eu admirava isso nela, afinal, ela tinha as qualidades as quais eu gostaria de ter. Fui até o armário – onde eu já havia guardado minhas roupas no dia anterior – e peguei um moletom. Caminhei até o banheiro e tomei meu banho. Escovei os dentes, me vesti e penteei os cabelos, prendendo-os em um coque no alto da cabeça. Arrumei meus óculos e assim, saí do quarto. Andei pelo imenso corredor com inúmeras portas e comecei a descer a escadaria que também era imensa. Cambaleei e meu coração saltou no peito ao sentir um empurrão em minhas costas. Segurei um grito de susto e logo algo me envolveu pela cintura, evitando assim, que eu rolasse escada abaixo.
Fechei meus olhos, tentando controlar o batimento acelerado que ainda predominava em meu coração. Levei minha mão ao meu peito e respirei fundo.
- Bom dia, . – o sussurro que veio em meu ouvido a seguir me deixou pegando fogo de raiva.
Então foi ele quem me empurrou? Desgraçado!
Virei em sua direção e o olhei com raiva.
- Foi você quem me empurrou, seu infeliz?! – quase gritei enquanto ele ainda me segurava pela cintura e ria. – Pare de rir, não teve graça! Já pensou se eu caio daqui e morro? Eu ia voltar de seja lá qual lugar eu estivesse só para puxar seu pé à noite!
Comecei a desferir tapas em seus ombros descobertos, já que ele usava uma regata branca. continuava a rir como o exato idiota que era e isso me deixava com ainda mais raiva.
- Para de rir, seu idiota! Brincadeirinha mais idiota!
Ele segurou meus pulsos, obrigando-me a parar de batê-lo, e ficou me olhando com seus lábios ainda curvados em um sorriso divertido.
- Ah, teve graça, sim. Admita, . E até parece que eu ia te deixar cair, eu não sou tão doido assim. Foi só para te dar um sustinho.
- Sustinho?! – arregalei meus olhos com sua colocação de palavra no diminutivo. – Você já pensou se eu caísse dessa escadaria enorme? Eu não chegaria viva lá embaixo.
Ele rolou os olhos e me soltou os pulsos.
- Dramática. – ele disse e eu teria voltado a estapeá-lo para mostrar quem era a dramática ali, se ele não tivesse passado seu braço por minha cintura, puxando meu corpo brutalmente contra o seu.
Olhei-o estática enquanto me lançava aquele sorriso maroto.
- Eu nunca te deixaria cair. Nunca deixaria algo de mau lhe acontecer. – sua voz baixa e rouca pronunciou aquelas simples palavras que talvez para ele, podiam ser meras palavras, mas que para mim, tinham um imenso valor.
- Obrigada. – agradeci sinceramente e ele sorriu verdadeiramente, parecendo feliz com algo. Eu até ia perguntar o motivo de ele aparentar estar tão feliz e de seus olhos brilharem tanto, mas um pigarro soou pela sala, fazendo-me virar.
Vi Pattie parada no fim da escadaria. Ela nos encarava com uma expressão interrogativa.
- Está tudo bem? – perguntou.
- Oh, sim. – sorri tímida – Eu estava indo tomar o café.
Ela assentiu e eu continuei a descer, finalmente chegando ao fim. Pattie me acompanhou até a cozinha e nos seguiu. Sentei-me à mesa logo após dar bom dia a todos e comecei a tomar café. Assim que terminei, Jazzy não perdeu tempo e me puxou, literalmente, pela mão, levando-me à porta da mansão e em seguida, me guiando até o carro que nos esperava. Adentramos o carro e ela o ligou, começando a dirigir. O total oposto de , Jazmyn sabia como dirigir com segurança e principalmente, com amor à vida. Ela me levou a um parque e depois a uma loja de roupas. Eu não queria comprar nada, mas por insistência de sua parte, eu aceitei que ela me desse pelo menos uma blusa.
Em seguida, nós visitamos os principais pontos turísticos de Stratford e eu acabei me lembrando de , já que o mesmo havia dito que queria me levar para conhecer. Mas se caso acontecesse de ele me chamar para me mostrar, eu não me importaria de visitar tudo novamente, já que todos aqueles lugares eram muito lindos. Depois de todo o tour pela cidade, Jazmyn me levou a um salão para fazer as unhas. Percebi que Jazzy era muito adepta a manicure, pedicure, cabeleireiro e todo esse tipo de coisa que eu não era nem um pouco fã. Contra minha vontade, é claro, eu fiz as unhas dos pés e das mãos, e acabei arrumando meu cabelo, formando alguns cachos nas pontas do mesmo.
Jazmyn sorriu satisfeita assim que me viu e assim, nós finalmente saímos daquele salão. Ela olhava toda a hora para suas unhas apenas para ter a certeza de que elas estavam bem feitas e sem nenhum defeito, e isso me fazia rir de vez em quando. A sua vaidade chegava a ser um tanto exacerbada, devo dizer. Almoçamos juntas e quando chegamos à sua casa, peguei algumas das sacolas e a ajudei a carregá-las até dentro da mansão. Assim que entramos, coloquei as sacolas em cima do sofá, vendo Jazmyn se aproximar em seguida. Ouvi uma gritaria vinda de umas das portas e franzi o cenho, olhando para a mesma. Ela foi aberta bruscamente e logo depois, foi fechada em um baque alto, dando-me a visão de saindo enfurecido da sala.
- Por que você e papai estavam brigando? – Jazmyn perguntou ao ver se aproximar. – Mas será possível que nunca teremos paz nessa casa?!
apenas bufou e passou por nós.
- Aonde você vai, ? – ela perguntou com firmeza na voz.
- Correr. – respondeu simples, batendo a porta da frente em seguida.
Olhei para Jazmyn antes de me apressar em ir atrás dele. Saí da casa, descendo a escadaria, e olhei em volta a tempo de ver correndo enquanto colocava o capuz do casaco de moletom. Apressei-me e fui atrás dele. Consegui alcançá-lo e acompanhei seu ritmo em silêncio. O vento úmido bateu em meu rosto e eu me arrepiei um pouco, mas continuei a correr, tentando ao máximo acompanhar o ritmo de que parecia acelerar a cada minuto.
- Você... – puxei mais ar – Você quer conversar sobre isso?
Eu sabia que ia entender o que eu queria dizer, e respondendo ao que perguntei, ele disse:
- Não.
“Curto e grosso.” – pensei.
- Ok. – apenas assenti e voltei a ficar em silêncio.
Alguns minutos depois, parou de correr bruscamente e chutou com força um galho de árvore que estava à sua frente. Parei ao seu lado e inclinei meu tronco, apoiando minhas mãos em meus joelhos, puxando mais ar. Eu realmente estava cansada. Nunca tive um bom condicionamento físico e isso pareceu piorar conforme os anos se passaram. Ainda ofegante, ergui meu olhar em sua direção e vi que tinha sua respiração pesada e seus olhos estavam fechados, como se ele tentasse se controlar. Ele estava frustrado. Eu sabia que sim. Os sinais de frustração e inquietação estavam bem claros em suas expressões, e foi por isso que ele optou pela corrida. Talvez assim, ele pudesse depositar seus sentimentos em algo antes que aquilo o comesse por dentro.
Eu só queria ajudá-lo, assim como ele havia me ajudado por tantas vezes. Porém, ele parecia não querer ajuda. Chego a pensar que havia construído uma parede de concreto ao seu redor para que ninguém nunca soubesse o que ele realmente pensa ou o que realmente quer em sua vida. Pelo que percebi, ele nunca pôde fazer algo que queria. Sempre teve que seguir os mandamentos de outros, e acredito que entre esses outros, estava o seu pai... Que acabou o privando de muita coisa que ele gostaria de fazer. Acabou o privando dos seus... sonhos. E isso infelizmente, estava criando um totalmente frustrado com sua própria vida.
- Por que ele faz isso comigo? Por que exige tanto de mim? Por que quer tanto que eu siga essa maldita profissão e dê continuidade ao legado dele?! Por que ele simplesmente não me deixa seguir os meus sonhos? Por que ele não me deixa ser feliz?! – explodiu, encarando-me com certo ódio. O ódio que eu acredito que ele sentia pelo pai naquele momento. – Por que ele coloca tanta pressão em mim? Por que tanta carga em minhas costas?! Eu já estou cansado de tudo isso! Estou cansado dessa porra de vida! Estou exausto de aguentar isso por anos, de ter de guardar minhas vontades em uma caixa trancada a setes chaves!
Eu apenas o encarava enquanto despejava sobre mim todas aquelas perguntas que para ele eram inexplicáveis.
- Eu sou apenas um ser humano... Eu... – seus olhos lacrimejaram e ele não conseguiu completar sua frase. Seu olhar foi ao chão e ele abaixou a cabeça, sentindo o peso da responsabilidade em suas costas.
Aproximei-me dele e sem dizer nada, eu apenas envolvi seu corpo com meus braços. Encostei minha cabeça em seu peito e o abracei com toda força que eu podia, tentando transmitir a segurança e a paz que eu sabia que ele tanto precisava. Ouvi as batidas de seu coração acelerado contra meu ouvido e suspirei, apertando-o ainda mais contra mim. Senti seus braços me envolverem e ele me abraçou de volta, apertando-me contra seu corpo, buscando a tranquilidade que ele tanto precisava, e se eu pudesse, eu transmitiria toda a minha energia positiva, carinho e compreensão a ele para vê-lo bem novamente. Eu precisava vê-lo bem.
Ele apoiou seu queixo em minha cabeça e suspirou. Quando eu ergui meu olhar e encarei seu rosto, meu coração se apertou com a visão que tive. estava chorando. Pela primeira vez, eu o vi chorando, e aquilo fez com que meus olhos se enchessem de lágrimas também, pois me coloquei em sua posição. Coloquei-me na posição de uma pessoa privada de seus sonhos, de suas expectativas, de sua vida. Quando as primeiras lágrimas escorreram por sua face, eu senti minhas próprias lágrimas escorrerem em seguida, acompanhando o mesmo caminho que as suas. Seus olhos brilhavam acompanhando sua expressão triste e cansada, e aquilo só fazia meu coração doer ainda mais. Eu não estava suportando vê-lo daquele jeito.
Levei minhas mãos até seu rosto e passei meus dedos por suas bochechas, limpando-as das lágrimas. fungou e eu acariciei sua bochecha antes de me aproximar novamente e voltar a abraçá-lo.
- Vai ficar tudo bem. Eu confio em você. Por mais que as pessoas digam que você não é capaz, que você é fraco e que vai fracassar... Apenas dê ouvidos à pessoa que diz que você é maravilhoso, que você é a pessoa mais extraordinária, competente e capaz que eu já conheci. Que você pode sim fazer o que quiser, que você é livre para fazer suas próprias escolhas e que é livre para ser feliz. – sussurrei em seu ouvido – E essa pessoa sou eu. Sou eu, Wright, que te digo isso, pois eu acredito no seu potencial. Eu acredito em você. E nada e nem ninguém pode te dizer o contrário.
Afundei meu rosto em seu pescoço e senti quando ele me apertou ainda mais contra si.
- Nem mesmo o seu pai pode te dizer o contrário, pois com certeza, ele estará mentindo. Então, por favor, não se deixe levar por palavras ruins, pois elas sempre virão, é inevitável. Mas eu te peço que continue sendo esse que eu conheço e que me apeguei tanto, porque você... vale muito mais do que pensa. Espero que quando você se sentir mal ou tiver outras brigas com o seu pai, lembre-se dessas palavras sinceras que lhe digo e que vêm diretamente do meu coração.
- Obrigado. Você não tem ideia do tamanho da importância dos seus pensamentos a meu respeito.
Afastei-me dele e olhei em seus olhos.
- Por quê? Por que o que eu penso sobre você é tão importante? – perguntei com a testa franzida.
Ele levou sua mão à minha bochecha e acariciou, ainda encarando-me nos olhos. Seus olhos castanhos eram um misto de sentimentos os quais para mim, eram inexplicáveis. Ao mesmo tempo em que ainda havia um resquício de raiva, frustração e indignação, também existia um sentimento o qual eu não sabia decifrar qual era. Era um sentimento que, com certeza, eu nunca tinha visto antes em seu olhar.
- Porque... E-eu...
- ? – incentivei para que continuasse, mas ele parecia não saber como prosseguir.
- Eu acho que estou... – o som de algo tocando interrompeu sua fala.
Afastei-me dele no momento em que ele enfiou sua mão no bolso da calça de moletom e pegou seu celular que tocava.
- Alô, Ryan? – ele disse, franzindo a testa. – O que aconteceu?
Encarei o chão e cruzei minhas mãos por trás de meu corpo enquanto ouvia conversar com Ryan.
- Não acredito que você me ligou para falar isso. – revirou os olhos. – Não, eu sei. – pausa – Eu sei que somos amigos desde infância, mas isso foi um tanto desnecessário, cara. Eu estou um pouco ocupado aqui. – pausa novamente – Não! Eu estou com a , não estou saindo com nenhuma mulher. – bufou – Okay, Ryan, depois você me conta isso. Não, eu preciso desligar agora! Falou.
desligou o celular e bufou, voltando a me encarar.
- Ryan me ligou só para dizer que depois de tanto tempo, conseguiu transar ontem com uma mulher que ele estava saindo. Eu mereço um amigo tão otário assim?
Ri e cruzei meus braços.
- Ah! Não me diga que você também já não fez isso antes? Qual é? Você pensa que eu não sei, mas vocês são homens, é claro que vão contar para os amiguinhos e ficarão se gabando pelos cantos por terem transado com uma mulher. – ergui uma sobrancelha.
- Tem certeza? Porque eu me lembro muito bem de ter transado com você ontem e não fiquei espalhando por aí como uma mulher fofoqueira, assim como você acabou de deixar claro nas entrelinhas.
Touché. Um ponto para por me pegar de surpresa.
Senti meu rosto esquentar e riu, dando-me um beijo na testa.
- Não fique assim. Foi algo normal, huh? – ele sorriu – E eu estava pensando quando vamos repetir a dose... Porque você sabe, não sou homem de me contentar com só uma vez. Sou insaciável e espero que tenha se dado conta de que você despertou a fera que há em mim.
Arregalei meus olhos e comecei a dar passos para trás assim que se aproximou de mim com seu sorriso malicioso e olhos brilhantes, nem parecendo o mesmo frustrado de minutos atrás, e eu agradeci aos céus por isso. Parece que o velho está de volta, senhoras e senhores.
- Eu acho que ainda não disse que você está linda hoje, não é? – neguei enquanto ainda me afastava. – Pois eu digo agora que você está linda. Gostei do seu cabelo e... – olhou para minhas mãos que estavam estendidas, tentando manter distância entre nós. – pintou as unhas? Que coisinha graciosa. – fez uma vozinha de criança que me fez rir. – Tudo isso é para mim? Ah, mas não precisava, ! Você já é sexy de nascença, nem precisa de muita coisa para me deixar doido de tesão.
Meus olhos iam se arregalando ainda mais a cada palavra vinda de acompanhada de seus olhos e sorrisos maliciosos, mas sem que eu esperasse, ele parou de andar até mim e deu meia volta, começando a correr. Franzi a testa, totalmente confusa com sua atitude e continuei parada até ele gritar:
- Vamos, ! Temos muito que correr ainda!
Apressei meus passos até finalmente correr e começar a acompanhá-lo naquele final de tarde.
- Ei, vai devagar! – gritei ao ver que eu estava ficando para trás.
Fui obrigada a parar para respirar. Inclinei meu corpo e apoiei minhas mãos nos joelhos. Uma sombra começou a me rondar e eu vi que se tratava de que corria em círculos ao meu redor, provavelmente tirando onda da minha cara, como uma tentativa de dizer ‘’Olha, eu estou aqui extremamente saudável e nem um pouco cansado, enquanto você está aí, sedentária e totalmente ofegante. Quem é o maioral agora?’’.
- Vamos, , ainda temos uns bons quilômetros para percorrer.
- Você só pode estar zoando com a minha cara. – ofeguei – Está vendo o meu estado? Mais um pouco e eu caio dura no chão!
- Drama da parte dois. – rolou os olhos e soltou uma risada em seguida.
Levantei meu tronco e o encarei séria.
- Saia daqui, ! Antes que eu perca a paciência com você. Continue sua corrida que eu vou voltar para casa e ficar conversando com Jazmyn.
- Mas você não vai mesmo me trocar pela minha irmã! – olhou-me ofendido – Nem que eu tenha que te carregar no colo, mas você vai ficar aqui comigo! Eu te trouxe para o Canadá para ficar comigo, não com a senhorita Jazmyn .
Rolei os olhos e dei minha volta, começando a andar na direção oposta.
- Tenha uma boa corrida. – falei e antes que eu pudesse dar mais outro passo, senti meu corpo ser empurrado delicadamente contra o tronco da árvore mais próxima.
Ele virou meu corpo e me encarou com um sorriso extremamente lindo que teria me feito suspirar, se eu não tivesse segurado meu suspiro, é claro. Eu não ficaria suspirando por aí pelos cantos, é claro que não. Eu tenho dignidade.
- Você não cansa de ser teimosa? – perguntou e antes que eu pudesse responder, ele cobriu meus lábios com os seus, iniciando um beijo que fez meu coração acelerar no mesmo instante.
(...)
- Vamos, , é fácil! É só dó, mi, fá, ré bemol e sol. Não tem complicação!
- Você fala isso porque já sabe tocar esse troço. – bufei com o violão em meu colo, tentando tocar inutilmente.
Definitivamente, eu não tenho dom para instrumentos musicais.
- Não, eu falo isso porque é realmente muito fácil. É só prestar atenção no que eu te ensino, mas não, você prefere ficar com essa cara de paisagem. Totalmente aérea ao que eu expliquei. – sentou ao meu lado em sua cama e o olhei séria.
- Eu prestei atenção, seu idiota! Eu só não sei tocar mesmo. Não tenho dom para isso, então, eu desisto. – coloquei o violão sobre a cama. – Por que você não toca para mim? Seria bem melhor. Se você tivesse feito o que eu pedi e tocado, não teríamos gastado mais de uma hora aqui para eu não tocar absolutamente nada. Afinal, eu gosto quando você toca e canta... Eu gosto de te admirar. – confessei, sentindo minha bochecha queimar.
sorriu de canto e assentiu, pegando o violão e o posicionando em seu colo. Os acordes do violão começaram a ecoar pelo seu quarto e eu me virei em sua direção, preparando-me mentalmente para mais uma sessão de admiração vinda de mim para com .
- Hey there , what’s it like in New York City... – sorri ao vê-lo colocar meu nome na música. – I’m a thousand miles away, but girl tonight you look so pretty... Yes, you do. Times Square can’t shine as bright as you, I swear it’s true.
(Hey , como está aí em Nova York? Eu estou há mil milhas longe daí. Mas menina, hoje você está tão bonita... Sim, você está. Times Square não consegue brilhar tanto quanto você, eu juro que é verdade.)

A voz de já me deixava encantada, ainda mais cantando uma de minhas músicas favoritas... Eu simplesmente devia estar com a maior cara de boba existente no planeta Terra.
Hey there Delilah
(Hey Dalila)
Don't you worry about the distance
(Não se preocupe com a distância)
I'm right there if you get lonely
(Eu estou lá se você se sentir sozinha)
Give this song another listen
(Ouça essa música mais uma vez)
Close your eyes
(Feche os seus olhos)
Listen to my voice it's my disguise
(Escute minha voz, é o meu disfarce)
I'm by your side
(Eu estou ao seu lado)


Fechei meus olhos e fiquei apenas escutando àquela linda canção com aquela linda voz que vinha de .

Oh it's what you do to me
(Oh é o que você faz comigo)
Oh it's what you do to me
(Oh é o que você faz comigo)
Oh it's what you do to me
(Oh é o que você faz comigo)
Oh it's what you do to me
(Oh é o que você faz comigo)
What you do to me
(O que você faz comigo)


Sorri e batuquei com meus dedos em minha perna conforme os acordes tocavam, trazendo-me uma paz inexplicável.
A thousand miles seems pretty far
(Mil milhas parecem muito distantes)
But they've got planes and trains and cars
(Mas eles têm aviões e trens e carros)
I'd walk to you if I had no other way
(Eu andaria até você não tivesse outro jeito)
Our friends would all make fun of us
(Nossos amigos iriam rir de nós)
And we'll just laugh along because we know
(E nós vamos rir junto porque sabemos)
That none of them have felt this way
(Que nenhum deles nunca se sentiu assim)
I can promise you
(, eu posso te prometer)


Quando ele voltou a colocar meu nome na música, eu não pude evitar que meu sorriso aumentasse ainda mais. Eu sentia como se ele estivesse cantando trechos daquela música diretamente mim. Como se tudo realmente se encaixasse naquela situação.

That by the time that we get through
(Que quando passarmos por tudo)
The world will never ever be the same
(O mundo nunca mais será o mesmo)
And you're to blame
(E você é a responsável)

Hey there
(Hey )
You be good and don't you miss me
(Seja boa e não sinta minha falta)
Two more years and you'll be done with school
(Mais dois anos e você terá terminado a escola)
And I'll be makin' history like I do
(E eu estarei fazendo história como faço)
You know it's all because of you
(Você sabe que tudo é por sua causa)
We can do whatever we want to
(Nós podemos fazer qualquer coisa que quisermos)
Hey there here's to you
(Hey , está aqui para você)
This one's for you
(Essa é para você)

Oh it's what you do to me
(Oh é o que você faz comigo)
Oh it's what you do to me
(Oh é o que você faz comigo)
Oh it's what you do to me
(Oh é o que você faz comigo)
Oh it's what you do to me
(Oh é o que você faz comigo)
What you do to me
(O que você faz comigo)

Ao final da música, eu abri meus olhos e estava me encarando com um semblante sereno. Ele colocou o violão no chão ao lado da cama e ficou me olhando por alguns segundos antes de perguntar:
- Dorme comigo?
Fiquei um pouco surpresa com sua pergunta e continuei em silêncio. Ele riu e disse:
- É só para deitar e dormir. Não vou fazer nada com você... A não ser que você peça. – e lá estava o sorriso malicioso novamente. – E sinceramente, eu ia adorar fazer o que você me pedisse.
- ... – falei num tom de repreensão e ele riu, ficando quieto. Suspirei e disse: - Okay, eu fico aqui com você.
- Não, não é para ficar. É para dormir. Eu quero sentir a sua presença comigo até enquanto eu estiver dormindo.
Franzi o cenho. – Mas... Por quê?
- Só... Faça isso por mim. É só o que eu peço. Sem explicações ou algo do tipo.
Suspirei e balancei lentamente a cabeça em afirmação. Ele sorriu de canto e foi até o interruptor, apagando a luz e deixando o quarto iluminado somente com a claridade da lua. se deitou e me puxou delicadamente pelo pulso, fazendo com que eu me deitasse ao seu lado. Ele nos cobriu e me abraçou. Escondi meu rosto e seu peito e o abracei de volta, gostando daquele calor sendo transmitido do seu corpo ao meu, e entrelacei minha perna à sua, roçando nossos pés cobertos pelas meias.
Senti dar um beijo em minha cabeça e logo, sua mão afagou meus cabelos.
- Boa noite, . – sua voz rouca e baixa soou.
- Boa noite, .


Capítulo 28 – Colecionadores de Decepções

- Eu ainda não acredito que você me largou aqui. Eu estou aqui, completamente entediada e sozinha, enquanto você está aí no Canadá, se divertindo adoidado. Isso não é justo, Wright. – quase gritava do outro lado do telefone, enquanto eu apenas segurava minha risada para não deixá-la ainda mais enfurecida. – ainda não voltou da viagem e minha única companhia é um cachorro. Minha vida é uma maravilha!
Rolei os olhos com seu drama e encostei a lateral de meu corpo à parede.
- Pare de reclamar, Moore. Depois de amanhã eu já estarei de volta.
- Eu sei, mas... – parei de prestar atenção no que ela falava e andei pelo corredor à procura do local de onde aquele som vinha.
Atravessei o corredor e parei em frente à uma porta, abrindo-a lentamente. Olhei em volta e fiquei surpresa ao ver a enorme sala de jogos daquela casa. Havia fliperamas, mesa de sinuca, pebolim e até uma cesta de basquete. Meus olhos pararam na mesa de Ping Pong de onde vinha o som da bolinha quicando de um lado para o outro. e Jazmyn jogavam e riam um do outro, o que me fez sorrir.
- Depois eu te ligo, . – avisei antes de mandar beijo e desligar.
Coloquei meu celular no bolso da calça e sorrateiramente, adentrei a sala de jogos. Meu plano de não ser notada infelizmente não deu certo, já que assim que fechei a porta, os irmãos pararam de jogar e me olharam. Sorri tímida e me aproximei.
- Ah, olá, ! – Jazmyn disse num tom alegre – Quer jogar com a gente? Quero dizer, quer jogar comigo? Já que o está perdendo... Você pode entrar no lugar dele na próxima rodada.
- Estou perdendo porra nenhuma, Jazzy! – protestou do outro lado da mesa – Deixa de ser mentirosa, garotinha.
- Bom, eu não sei jogar Ping Pong muito bem, mas posso tentar. – dei de ombros.
- Ótimo! Você é a próxima! – ela disse animada e eu assenti, sorrindo.
Encostei-me à parede mais próxima e cruzei os braços enquanto esperava a rodada acabar. No fim, acabou ganhando e fez uma dancinha idiota de comemoração enquanto Jazzy lhe mostrava o dedo do meio. Ela veio até mim e me entregou a raquete.
- Boa sorte com aquele dali. É difícil ganhar daquele idiota. – a maneira a qual ela se referiu ao irmão me fez rir e eu me aproximei da mesa, ficando do lado oposto a , que me encarava e sorria superior do outro lado, jogando a bolinha na mesa e em seguida a pegando.
- Só tente não chorar muito quando perder, . – seu tom debochado me fez sorrir de canto de forma desafiadora. Acabei me lembrando do dia em que jogamos dominó e eu ganhei, tendo o prazer de jogar em sua cara que eu era a vitoriosa.
- Você está muito confiante, huh? Se eu fosse você, não teria tanta certeza da vitória. Você sabe... tudo pode acontecer. – posicionei-me e estiquei a raquete, preparando-me para quando jogasse a bolinha.
- Eu sei que vou ganhar, afinal, você mesma disse que não sabia jogar. O que mais eu posso esperar de uma futura perdedora? – ele sorriu desafiador e eu arqueei a sobrancelha.
- Você está falando demais. Pare de falar e comece a agir, .
Ele riu nasalado e então, soltou a bolinha sobre a mesa e lançou-a em minha direção com a ajuda da raquete. Começamos a jogar e em meio a olhares desafiadores que trocávamos, ouvi Jazmyn avisar que ia fazer uma pipoca e trazer refrigerante. Apenas assenti e continuei a jogar, sendo vítima dos sorrisos debochados e olhares intimidadores que lançava sobre mim.
- Ah, qual é, ? É só isso que sabe fazer? Pensei que era melhor do que isso. – provoquei, batendo na bolinha e a lançando em sua direção.
- Por acaso está subestimando minhas habilidades, Wright? – ele riu – Porque se eu me lembro bem, anteontem você não estava me subestimando enquanto eu entrava e saia de você naquela cabana.
Admito que suas palavras me pegaram desprevenida, mas continuei a prestar a atenção na bolinha, entrando ao mesmo tempo em seu jogo psicológico que ele acabara de começar. Era assim que ele queria jogar? Certo, eu posso fazer isso também.
- Vai apelar para a noite na cabana, então? – ri debochada – Pelo visto, você tem que tocar nesse assunto para dar uma erguida no seu ego, não é? O seu ego está tão ferido assim?
- Pode chamar de ego se quiser, mas para mim, não passam apenas de fatos. Lembro-me bem de seus gemidos e de sua expressão de prazer debaixo de mim. Eu devo ter te dado a melhor noite da sua vida, huh? Mas não se preocupe, foi a melhor noite para mim também.
Suas frases anteriores foram totalmente ignoradas diante de sua última declaração, que foi capaz de arrepiar todos os pelos de meu corpo. Foi a melhor noite de sua vida? Como assim eu acabara de ouvir aquilo vindo da boca de , o homem que consegue qualquer mulher que quiser?
- Melhor noite? Wow! – zombei, escondendo a minha surpresa por trás de minha zombaria. – Pelo visto, você já não fazia sexo há um bom tempo, não é? Para dizer isso...
- Não. – ele disse rapidamente, o que me fez olhá-lo enquanto ainda jogávamos. – Digo isso porque é a verdade. De todas as mulheres com quem já transei, você com certeza, foi a melhor delas.
Engoli em seco. – M-Mas... Eu era apenas uma virgem que não sabia o que fazer, como pode ter tanta certeza no que diz?
- Porque com você foi diferente. Com você não foi apenas sexo, foi... – sem que eu esperasse, ele lançou a bola em minha direção com tanta rapidez e força que fui incapaz de segurá-la, e isso consequentemente, acabou lhe trazendo a vitória.
Suas palavras ainda ecoavam em minha mente e eu não conseguia fazer outra coisa a não ser encarar que me olhava com seu sorriso vitorioso nos lábios. Ele ergueu os braços em comemoração e colocou a raquete sobre a mesa, logo se aproximando de mim do outro lado.
- Parece que eu ganhei, huh? – ele cruzou os braços e me encarou com a sobrancelha erguida. – Uma pequena dica: nunca deixe o seu adversário distrair você.
Franzi a testa e coloquei minha raquete sobre a mesa.
- Então, você estava apenas me distraindo para ganhar? – senti a raiva ir dominando minhas veias aos poucos e de repente, pareceu que todo o meu sangue subiu até meu rosto. Eu tinha a certeza de que estava vermelha naquele momento. – Eu não acredito que você disse tudo aquilo só para me distrair! , você é um cretino! Você é um filho da...
Fui interrompida com seus lábios se chocando contra os meus. Ainda cheia de raiva, espalmei minhas mãos em seu peito e tentei empurrá-lo. Quanto mais eu tentava afastá-lo de mim, mais ele fazia pressão com seus lábios sobre os meus.
- Me solta. – consegui pronunciar com dificuldade quando nossos lábios se afastaram por um instante.
Ignorando completamente meu pedido, ele voltou a me beijar com precisão. Suas mãos seguraram meus pulsos e seu corpo se inclinou de tal maneira sobre o meu que eu acabei deitada sobre a mesa de Ping Pong. Meus antebraços ficaram estendidos sobre a mesa com suas mãos os segurando firmes enquanto sua boca começava a se movimentar sobre a minha. Soltei um gemido de reprovação antes de acabar me rendendo e sorriu antes de soltar meus pulsos. No mesmo instante em que fui liberta, levei meus braços ao seu pescoço e o envolvi, puxando seu corpo para mim. Seu corpo ficou praticamente sobre o meu em cima da mesa e eu abri minhas pernas, envolvendo seus quadris com as mesmas.
Uma de suas mãos foi ao meu cabelo e o acariciou enquanto a outra apertava minha cintura. Suguei seu lábio inferior e assim que entreabriu os lábios, eu aprofundei o beijo, tocando a sua língua com a minha. Ele soltou um gemido baixo e rouco contra meus lábios e mordeu meu lábio inferior, puxando-o para si, logo voltando a me beijar. Suas mãos apertaram minha cintura com força e , brutalmente, puxou meu corpo mais para baixo, fazendo-o com que seu membro se chocasse com minha intimidade, e gemêssemos juntos. Separamos nossos lábios e ele levou sua boca até minha orelha, mordendo o lóbulo, antes de sussurrar:
- Eu quero fazer sexo com você de novo.
Mordi meu lábio inferior ao sentir seus lábios tocando meu pescoço em uma pequena carícia antes de me beijarem. Ele distribuiu leves beijos em meu pescoço e eu levei minha mão ao seu cabelo, puxando alguns fios do mesmo.
- Agora. – completou antes de beijar meus lábios novamente.
Ergui meu tronco e abracei o corpo de , beijando-o da mesma forma que ele me beijava, com intensidade. Ele subiu suas mãos por dentro da minha camisa e tocou minhas costas, fazendo-me arrepiar, enquanto sua boca ainda devorava a minha. Levei minhas mãos até a barra de sua camisa e a ergui um pouco, adentrando a mesma, e arranhando levemente as covinhas no final de suas costas. Senti sua pele se arrepiar contra meus dedos e grunhiu baixo contra minha boca. Sua mão subiu ainda mais, levando consigo a minha camisa, que já estava um pouco acima do umbigo.
- Isso, agora tira a camisa dela. – ouvi uma voz dizer e me assustei, separando-me de . Desequilibrei-me de tal forma que se não tivesse me segurado pela cintura, eu teria ido ao chão.
Procurei de onde tinha vindo a voz e encontrei Jazmyn encostada à porta fechada, com um ponte de pipoca na mão e mastigando enquanto nos observava como se estivesse assistindo ao melhor filme de todos os tempos. e eu ficamos encarando-a e ela fez uma carinha triste, enquanto levava outra pipoca à boca.
- Ah, por que pararam? Agora é que estava ficando bom! – ela protestou e eu senti meu rosto queimar em vergonha, abaixando minha camisa.
- Não enche, Jazmyn. – bufou e revirou os olhos, soltando minha cintura. Desci da mesa e ajeitei meus óculos que estavam um pouco tortos.
- Como você entrou sem que ouvíssemos? – perguntei admirada.
- Jazmyn sempre foi assim. – respondeu, cruzando os braços, e olhando com uma expressão de reprovação para a irmã. – Ela sempre foi de entrar de mansinho nos lugares sem que ninguém percebesse.
Jazzy riu e se desencostou da parede, aproximando-se de nós.
- Não vou nem contar sobre a vez em que te peguei aos amassos com a Karen no sofá. Foi a cena mais nojenta de toda a minha vida! Imagine só, eu, uma menina em seus plenos quinze anos, pegando o irmão de dezenove anos com uma garota no sofá de casa! Acho que não dormi por umas duas noites seguidas. – olhei para enquanto ela contava sobre a visão horrível que teve e ele apenas levantava os ombros, como se não tivesse nenhuma culpa naquilo. – Mas enfim, vocês têm sorte por ser eu quem estava observando tudo. Já pensou se fosse a mamãe ou o papai? Não quero nem imaginar o sermão que eles iam te dar! Até porque, eu já desconfiava desde o início que vocês tinham algo, mas eles? Eles nem suspeitam de nada.
- Nós não temos nada. – falei prontamente, recebendo imediatamente um olhar de . Ignorei seu olhar e continuei a encarar Jazzy. – Nós somos só amigos.
- Só amigos? – assenti e ela riu. – Sei... Conte-me outra, porque essa não colou, minha querida .
Fiquei em silêncio e senti que também ficou sem jeito.
- Enfim, quem ganhou no Ping Pong? – ela mudou de assunto e eu agradeci mentalmente por isso.
- O . – respondi com desgosto.
- Não acredito! Como você pôde deixar o idiota do meu irmão ganhar, cara?! Agora ele vai ficar se gabando até o fim do século. – ela rolou os olhos e eu ri fraco. – Quero que você jogue comigo agora, e como sou uma boa pessoa, espero sinceramente que você ganhe de mim. Não se preocupe, não sou uma má perdedora como o meu irmão. Sei aceitar quando perco. – Jazzy tagarelava como sempre enquanto nos aproximávamos da mesinha novamente. Ela praticamente jogou o pote de pipoca em e pegou a raquete, preparando-se para jogar, assim como eu.
O jogo se resumiu a basicamente o tentando me distrair novamente com piadinhas, conversinhas exalando teor sexual e tentativas falhas de beijar alguma parte de meu corpo enquanto eu me desvencilhava dele. Ele, definitivamente, estava disposto a me ver perder de novo e dessa vez, para sua irmã, fazendo com que meu orgulho descesse ralo abaixo. Entretanto, o que aconteceu, foi que ganhei mesmo em meio às suas provocações. Ergui meus braços em comemoração e ri da expressão de frustração estampada no rosto de .
- É, querido , parece que não foi dessa vez. – levei uma pipoca à boca. – E ah, lembre-me de nunca mais cair nas suas distrações, porque com certeza, não cometerei o mesmo erro de novo.
Ele balançou a cabeça e riu, dando-me um rápido selinho.
- Vocês são tão lindinhos juntos. Quando vão namorar? – Jazmyn perguntou com uma vozinha fofa e eu senti-me corar.
Encarei e ele coçava a nuca, visivelmente sem jeito. Como ele ficou em silêncio, também preferi ficar calada, deixando Jazzy com sua expressão de interrogação acompanhada de um sorriso malicioso.
(...)
- Pelo amor de Deus, vamos embora. Não aguento mais entrar em lojas de roupas femininas, e vocês estão jogando todas as sacolas para cima de mim. – ouvi reclamar enquanto sua mãe, Jazmyn, ele e eu caminhávamos pelo calçadão coberto de neve.
Depois do almoço, Pattie me convidou para passearmos por Stratford e fazermos algumas compras. Eu até tentei negar, mas ela e Jazmyn insistiram tanto que eu acabei aceitando seu convite. Nisso elas eram muito parecidas: eram insistentes e não aceitavam um ‘’não’’ como resposta. E acabou sobrando para o pobre do , que como ele mesmo havia dito, ficou encarregado de carregar as sacolas... Sinônimo de burro de carga.
Soltei uma risada e repentinamente, Pattie parou de andar do meu lado. que estava atrás dela, foi obrigado a parar também, quase deixando algumas caixas de sapato e sacolas de roupas caírem ao chão.
- Será que você poderia parar de reclamar, meu filho? Eu sou sua mãe e você tem a obrigação de me ajudar quando eu precisar, e nesse caso, eu precisava de ajuda para carregar as compras. – a expressão séria de Pattie era tão intensa que até eu fiquei um pouco amedrontada com os olhares que eram lançados para . – Não é só porque você já é um homem de vinte e três anos que não pode ajudar a sua mãe, e... – o pequeno discurso de Pattie foi interrompido com um grito histérico de Jazmyn.
- Janette!
- Jazmyn!
As duas se abraçaram e eu fiquei observando aquela cena sem saber quem era aquela moça bem vestida e de cabelo preto bem comprido. Quando ela se separou de Jazmyn e me olhou é que eu pude ver a intensidade de seus olhos verdes. Ela era muito bonita e a sua beleza fez-me encolher um pouco. Ajeitei meus óculos e passei a mão nas pontas de meu cabelo.
- Ahn, quem é ela? – a morena perguntou enquanto me olhava.
- Essa é . – Jazzy disse sorrindo. – , essa é Janette, uma amiga minha.
Estranhei o fato de Jazmyn ser amiga de uma mulher que aparentava ser mais velha do que ela. A tal Janette devia ter por volta de uns vinte e três a vinte e cinco anos. Apenas sorri e cumprimentei a moça com um aceno. Ela fez o mesmo em um movimento breve e assim que seus olhos caíram em que estava ao meu lado, quase coberto de sacolas, um sorriso apareceu em seus lábios cobertos por um batom vermelho.
- ? – ela perguntou e ele inclinou sua cabeça, aparecendo em meio às sacolas de sapatos.
- Ah, oi, Janette. Quanto tempo. – ele riu fraco e eu até me assustei quando a mulher deu um salto e abraçou , fazendo com que tudo caísse ao chão. fez uma expressão de surpresa enquanto ria e retribuía o abraço da morena.
- Caramba, como você está diferente! – ela o olhou de cima a baixo assim que se afastaram. – Está ainda mais sexy desde a última vez em que te vi.
Eu tinha me abaixado para pegar as sacolas até ouvir aquela frase, e ergui meu olhar, vendo que a tal Janette olhava maliciosa para . Franzi a testa e me levantei, podendo ver uma Jazmyn que intercalava seu olhar entre mim e Janette, esperando alguma reação de minha parte, mas eu nada fiz. Apenas fiquei em silêncio.
- Ahn, obrigado. – agradeceu, visivelmente sem graça. – E você está ainda mais bonita.
Okay, se até aquele momento, eu não me importava, agora eu passei a me importar. Ainda mais bonita? Sério mesmo, ?
- É, digamos que os anos me fizeram bem. Eu cresci e deixei de ser aquela menina bobinha que era zoada por quase toda a classe. – ela riu fraco, mas com uma pontinha de desgosto. – Mas enfim, como tem passado? Já faz muito tempo que não nos vemos e eu senti a sua falta. Senti falta do meu ex-namorado.
Ex-namorado? Outch! Essa, com certeza, me pegou desprevenida.
- Ahn, com licença. – intrometi-me na conversa. – Vou ali tomar um café. – avisei e lancei um olhar para Jazmyn para que ela entendesse que estava tudo bem e me apressei em sair dali.
- Eu vou com você, querida! – ouvi a voz de Pattie e logo, ela estava andando ao meu lado, em direção ao Starbucks mais próximo.
Pedi um café simples e me sentei a uma mesa próxima à porta. Encarei o copo de café e o rodei entre meus dedos, soltando um suspiro.
- Eles namoraram no ensino médio, e foi algo rápido. Eles ficaram juntos mais pelo fato de Janette ser muito excluída na escola, ser muito rejeitada. , por outro lado, era bem conhecido e era amigo de todos. Então, depois que eles começaram a namorar, ela parou de ser maltratada e isso fez bem para , já que ele havia sido um caminho para acabar com toda a humilhação que a garota passava. Depois de alguns meses, eles terminaram e então, não se falaram mais. – enquanto Pattie contava a ‘’história’’, eu ficava em silêncio, bebericando meu café vez ou outra. – Posso te contar uma coisa? – assenti – Eu não gosto dela. Não sei, mas eu sinto como se meu filho tivesse sido usado para ajudá-la e em seguida, era como se ele não servisse mais para nada e ela o largasse. Eu nunca gostei dela, mas depois que comecei a pensar que ela pode tê-lo usado, ela simplesmente não me desce. Ainda mais depois que eu vi o estado em que ficou depois do término... E agora, ela aparece como se não tivesse acontecido nada. Janette pode ter esquecido, mas eu não esqueci.
- O... O gostava mesmo dela, não é? – verbalizar aquela pergunta fazia com que meu coração doesse por um instante. Imaginar sofrendo por causa de uma mulher era algo que eu nunca imaginaria, mas agora que existia essa possibilidade... Era como se eu sentisse a sua dor. Era como se eu sofresse junto a ele.
Pattie suspirou, olhando para seu copo de café. – Infelizmente. Mas agradeço aos céus por ele ter superado e esquecido essa mulher. Ela nunca valeu à pena.
(...)
Sentei-me na cama e encarei minhas mãos, ainda pensando no que Pattie havia me contado. Então, já havia passado por uma decepção amorosa assim como tinha acontecido comigo? Por que ele nunca me contou? Com certeza ele não queria tocar naquele assunto, e eu até o entendo, mas... Por que não me contou? Eu podia ajudá-lo de alguma forma, não sei. Ou talvez, ele nem fazia questão de ser ajudado em relação a isso. Fazia parte do seu passado e eu entendo que ele queira deixar para trás. Meus pensamentos foram interrompidos com batidas à porta. Levantei meu rosto e vi a cabeça de para dentro do quarto. Sorri de canto e ele sorriu de volta.
- Eu posso entrar? – perguntou e eu assenti, ajeitando-me na cama.
Ele fechou a porta atrás de si e se aproximou, com as mãos nos bolsos da calça.
- Por que saiu daquele jeito naquela hora em que encontramos com Janette?
Depois do café que tomei com Pattie, nós voltamos para o local onde e Jazmyn se encontravam, e dessa vez, eles já estavam sozinhos. Entramos no carro e viemos para casa em silêncio. Até mesmo Jazzy estava calada, parecendo perceber a tensão presente no ar. Pattie estava calada por não querer tocar no assunto já que não gostava da ex-namorada de seu filho. E estava dirigindo, mas parecia totalmente alheio a qualquer coisa a seu redor. Eu percebi que o encontro com sua ex tinha mexido de certa forma com ele.
- Eu... Eu só quis tomar um café. – dei de ombros.
se sentou ao meu lado e me encarou. É claro que ele não acreditou nem um pouco no que falei, mas continuei com meu dilema de não lhe contar a verdade sobre o ocorrido de uma hora atrás. Eu não ia contar a ele que a presença de Janette me incomodou, até porque não temos nada. e eu somos apenas amigos, então, eu não tenho o direito de ficar incomodada com algo que a seu ver era totalmente banal.
- Você pode me contar sobre a Janette? Sua mãe me contou algumas coisas, mas eu queria ouvir de você. – olhei-o nos olhos e ele suspirou.
- E o que ela te contou? – perguntou.
- Que vocês namoraram e que ela não gostava da Janette, porque de certa forma, ela te usou para deixar de ser rejeitada na escola e...
- Dona Pattie está certa. – ele me interrompeu. – Janette e eu namoramos quando tínhamos dezesseis anos e bem, ela era como você... Mas um pouquinho pior. – arregalei meus olhos e empurrei seu ombro. riu e me olhou. – Estou falando sério, não fique chateada. Janette também tinha esse jeito nerd, era bem desleixada para se arrumar e essas coisas todas, mas ao mesmo tempo, ela era muito excluída na escola e muito rejeitada por todos. Sempre ficava sentada no canto, totalmente isolada, e aquilo de certa forma me chamou a atenção. Eu fiquei curioso para saber mais a respeito dela e assim, eu me aproximei e começamos a conversar. Com o tempo, começamos a namorar e bem, como eu era bem conhecido na escola... As pessoas começaram a vê-la com outros olhos e já não a humilhavam mais. Eu não era nem um popular, mas ainda assim, tinha ‘’faminha’’. Então, meses depois, quando ela já era bem conhecida também, já tinha muitos amigos e todos a tratavam bem, nós terminamos. Em meio a uma briga, ela alegou que não estava mais dando certo e que éramos completamente diferentes e um monte de baboseiras... E o foda é que eu realmente estava gamado nela. Ela era... Não sei... A menina perfeita aos meus olhos. E depois do término, eu fiquei arrasado, e minha mãe ficou com ainda mais ódio da Janette, por ver o meu estado. Mas está tudo bem, eu superei e estou aqui, não estou?
Olhei-o nos olhos e suspirei.
- E quando você começou a ficar com um monte de menininhas por aí? – perguntei num tom humorado e ele riu. – Foi depois disso?
- Ahn, sim... Depois que eu me recuperei do furacão Janette, eu pus na minha cabeça que ia ficar com o máximo de mulheres que eu conseguisse, só para recuperar o tempo que eu perdi ficando com ela.
- E depois dela vieram quantas? – perguntei um pouco receosa. Ao mesmo tempo em que eu queria saber do número, eu não queria. Eu estava numa espécie de batalha interna.
- Acho melhor eu começar pelas que vieram antes dela, não acha? – arregalei os olhos e ele riu. – Eu comecei a namorar com catorze anos. Eu tive três namoradas desde os catorze até os meus dezesseis, que foi quando conheci Janette. Depois dela, veio a Gwen, a Ashley, a Katherine, a Taylor, a...
- Okay, okay! Já entendi!
Ele riu. – Enfim, eu cheguei à faculdade e veio a Karen aos dezenove anos, aquela que a Jazmyn citou mais cedo...
Assenti e fiz um gesto para que ele prosseguisse.
- Então, vieram mais algumas depois da Karen até eu começar a arrastar asinha para a Olivia, mas hoje eu vejo que eu não gostava realmente da Olivia, eu sempre gostei dela como melhor amiga. E como o idiota que sou, acabei confundindo o meu afeto com algo mais e no dia em que ela terminou comigo é que ela abriu meus olhos para o que eu realmente sentia. – falou pensativo. – E até hoje eu ainda não aceito o fato da Olivia ter terminado comigo. Quero dizer, nem Janette terminou comigo! Na época, nós dois decidimos terminar. Ela tinha os motivos dela e eu tinha os meus, então a iniciativa partiu dos dois, mas com a Olivia... Eu não pensava em terminar tão cedo.
Ao ouvi-lo dizer aquilo, eu engoli em seco e abaixei meu olhar até minhas mãos entrelaçadas em meu colo. Então quer dizer que se Olivia não tivesse tomado a iniciativa, com certeza, ainda estaria com ela... E isso era outro fato que também me incomodava, mas obviamente, eu não me pronunciaria sobre isso.
- Mas enfim, agora você sabe sobre a minha única decepção amorosa que eu tratei de esconder e trancar a setes chaves durante todos esses anos. Sinta-se honrada, Wright, pois só quem sabe disso é minha mãe, e agora você.
- Não contarei a ninguém. Fique tranquilo. – assegurei.
- Eu sei que não vai. – ele sorriu – Parece que nós dois colecionamos decepções. Chego até a pensar que finalmente achei a peça que faltava do quebra-cabeça.
Olhei-o em silêncio, vendo seus olhos me encararem profundamente.
- E essa peça é você.


Capítulo 29 – Conforme Os Seus Planos

’s POV
Fechei meu notebook e o coloquei sobre a cama antes de virar meu corpo e avistar Jazzy encostada ao batente da porta do meu quarto. Ela descruzou os braços e se aproximou de mim, soltando um logo suspiro antes de dizer:
- O papai quer conversar com você.
Passei a mão no cabelo e bufei irritado.
- De novo? O que ele quer dessa vez?
- Eu não sei, mas por favor, tenta se controlar. Não aguento mais as brigas de vocês dois. Sei que não vai ser fácil e o papai é um homem difícil de lidar, mas por favor... Eu te peço para ter paciência.
- Eu vou tentar. Eu não te prometo nada, mas vou tentar.
- Obrigada. – ela sorriu e me abraçou, encostando sua cabeça em meu peito. Envolvi seu corpo com meus braços e respirei fundo enquanto a abraçava e acariciava seu cabelo com uma de minhas mãos. – Eu te amo, .
- Eu também te amo, Jazzy. Muito. – abracei-a mais forte antes de me afastar e lhe dar um beijo na testa.
Ouvi-a suspirar enquanto eu saía do quarto, deixando-a ainda parada no mesmo lugar. Atravessei o corredor já tão conhecido por mim e vítima de tantos objetos quebrados em minha infância enquanto eu corria pela casa, e desci as escadas, com as mãos nos bolsos de minha calça jeans. Ao atravessar a sala, vi que minha mãe e estavam na cozinha, conversando e rindo sobre algo. Sorri de canto, mas o sorriso logo se desfez quando me vi parado em frente à porta do escritório de meu pai. Estendi a mão e envolvi a maçaneta com a mesma, não sem antes bater, avisando sobre minha presença. Quando ouvi meu pai responder do outro lado, eu abri a porta e entrei, encontrando-o sentado à sua cadeira de couro por trás da grande mesa de madeira.
Fechei a porta e me aproximei, ficando parado à sua frente, com minhas mãos ainda nos bolsos da calça.
- Sente-se, meu filho. Acho que ainda não terminamos aquela pequena conversa que tivemos ontem mais cedo. – sua voz soou pelo escritório silencioso e eu neguei com a cabeça.
- Não, obrigado. Estou bem assim.
Jeremy suspirou e assentiu, começando a erguer as mangas de sua camisa social até os cotovelos.
- Sobre o que quer falar? Eu tenho muita coisa para fazer e você sabe, está me esperando e... – minha fala foi interrompida com sua risada fraca.
- Ah, sim... ... A garota.
Franzi a testa com suas palavras carregadas de sarcasmo.
- O que quer dizer com isso? – perguntei.
- O que você anda dando para ela? Joias? Presentes caros? Uma mesada? – ele riu debochado. – Imagino que essa mocinha anda te explorando bastante, não é?
- O que está insinuando com isso? A não precisa de dinheiro para demonstrar ser minha amiga.
Tirei minhas mãos dos bolsos e cerrei meus punhos, começando a sentir a raiva invadir minhas veias com apenas aquelas palavras proferidas por Jeremy , o qual eu tinha a infelicidade de chamar de pai.
- Ah, não? – ele riu, levantando-se da cadeira. Apoiou suas mãos na mesa e me encarou com seus olhos carregados de sarcasmo. – Então o que ela está fazendo aqui? Por que veio para o Canadá?
- Porque eu a convidei? – falei como se fosse óbvio.
- Mas como você é ingênuo, não é, meu filho? Já parou para observar essa moça? Já parou para reparar no jeito que ela se veste? Com certeza, ela não tem nem onde cair morta! E de repente, tendo você na vida dela... Ela pode muito bem ter as coisas que sempre quis, huh? Afinal, os são cercados de luxo, carros caros e uma ótima vida! O que te garante que essa moça não está com você justamente pelo seu dinheiro?
- Ei, ei, ei! – o interrompi, não aguentando mais o peso de suas conclusões precipitadas e pensamentos carregados de preconceito em relação a uma pessoa que ele acabara de conhecer. – Em primeiro lugar, e eu não estamos juntos. Nós somos apenas amigos, e eu acho que a conheço bem o suficiente para saber que ela não precisa do meu dinheiro e não está interessada nem um pouco em bens materiais. Afinal, quem convive com ela sob o mesmo teto, sou eu. Quem está morando no apartamento dela, sou eu. Quem está sendo beneficiado aqui, sou eu! Porque se dependesse de você, eu estaria sem uma casa para morar a essa hora, já que meu querido pai me mandou às pressas para outro país só para cuidar da porra da empresa dele! Então, você deveria agradecer à por ter colocado uma droga de um panfleto na rua para que eu visse e tivesse um lugar para morar há exatos dois meses!
- Espera aí! Você está morando com aquela garota?! Como assim, ? – meu pai me olhou com os olhos arregalados, parecendo ter recebido a pior notícia de todos os tempos. – Como assim; o meu filho está sendo sustentado por uma pé rapada?! Como tendo tanto dinheiro, ainda assim prefere morar junto a uma pobre coitada?
- Lave a sua boca para falar da ! – gritei, perdendo totalmente o controle sobre minha raiva. Que minha irmã me perdoe, mas eu não posso deixá-lo falar assim da mulher que mais me ajudou durante esses meses. – Ela não é uma qualquer que você pode chegar e falar dela do jeito que bem entender!
- Como você tem coragem de defender uma mulher que acabou de conhecer? Como tem coragem de ficar contra mim que sou seu pai?! Que te dou o sustento! Que te dou carros, dinheiro, poder, luxo!
- Que se foda tudo! Eu não preciso do seu dinheiro! Não preciso dos seus bens! Eu nunca quis isso! – gritei e levei minha mão ao cabelo, puxando alguns fios.
Minha respiração estava acelerada e meu peito doía como se eu sentisse a necessidade de colocar para fora tudo aquilo que me sufocava. Tudo que me frustrava. Tudo que me angustiava. Lembrando-me das palavras de , eu tive a coragem que precisava para enfrentar o meu pai.
‘’ - Vai ficar tudo bem. Eu confio em você. Por mais que as pessoas digam que você não é capaz, que você é fraco e que vai fracassar... Apenas dê ouvidos à pessoa que diz que você é maravilhoso, que você é a pessoa mais extraordinária, competente e capaz que eu já conheci. ‘’
‘’ Que você pode sim fazer o que quiser, que você é livre para fazer suas próprias escolhas e que é livre para ser feliz. ‘’
- EU NUNCA QUIS SER COMO VOCÊ! NUNCA QUIS SER FÚTIL E EGOÍSTA COMO VOCÊ! EU ODEIO O QUE VOCÊ QUIS QUE EU ME TORNASSE. EU ODEIO O SEU DINHEIRO, ODEIO O LUXO, ODEIO AQUELA MALDITA EMPRESA, ODEIO ESSA VIDA! EU ODEIO O FATO DE VOCÊ TER ME PRIVADO DE TUDO O QUE EU QUERIA! – gritei, sentindo minha garganta secar, mas eu precisava colocar aquilo para fora. – EU ODEIO O FATO DE VOCÊ TER ME PROIBIDO DE SEGUIR OS MEUS SONHOS! VOCÊ ESTÁ DESTRUINDO A MINHA VIDA!
- Não fale assim comigo, ! Eu sou o seu pai! Me respeite! – ele gritou, mas eu ignorei completamente suas palavras.
- Você se lembra de quando quebrou os meus instrumentos e os dos meus amigos naquela garagem?! Lembra-se da humilhação que me fez passar quando disse que aquela ideia de banda nunca daria certo e que eu deveria seguir o ramo da família? Lembra-se de quando me proibiu de tocar violão enquanto você estivesse em casa porque o simples som daquele ‘’maldito instrumento’’, como você costumava chamar, te irritava?! Você pode até não se lembrar, meu querido pai, mas eu me lembro perfeitamente! Lembro-me de ver meus sonhos descendo ralo abaixo por um simples desejo seu! Um sonho seu que nunca foi e nunca será meu!
A porta foi aberta bruscamente e eu virei o rosto, vendo minha mãe, Jazzy e paradas, me olhando.
- Você só pode estar alucinando, meu filho. Foi essa mulher que te fez ficar contra mim, não é? – ele apontou para . - Foi essa pé rapada interesseira que encheu a sua cabeça com merdas a meu respeito, não foi?
‘’ E essa pessoa sou eu. Sou eu, Wright, que te digo isso, pois eu acredito no seu potencial. Eu acredito em você. E nada e nem ninguém pode te dizer o contrário. ’’
As palavras cheias de sentimento de invadiram minha mente novamente, indo totalmente contra o preconceito de Jeremy, e eu neguei rapidamente com a cabeça.
- Não! A não tem nada a ver com isso! Eu só estou dizendo o que já devia ter dito há anos! Você não vê que eu já estou de saco cheio de tudo isso, pai?! Não vê que está me fazendo infeliz? Desde a minha infância, eu venho trazendo comigo esse fardo de ser como você. Quando eu era um pirralho, eu me olhava no espelho com meu terno e pensava em ser exatamente como você! Eu pensava em crescer e ser tão bem-sucedido, em ter dinheiro, poder. E eu pensava constantemente se eu estava fazendo tudo certo, se eu estava te deixando orgulhoso, se eu estava sendo o cara que você sempre quis que eu fosse! Você sabe o que é crescer com isso nas minhas costas?! SABE O QUE É ISSO?!
- Não grite comigo, !
- GRITO! GRITO PARA VER SE VOCÊ ENTENDE DE UMA VEZ POR TODAS QUE EU CANSEI! – respirei fundo, sentindo meu rosto queimar de ódio. – Eu cansei de ser aquele garotinho com medo do papai! Cansei de me espelhar em você! Cansei de me ver como o próximo Jeremy da família! Eu cresci, e conforme eu crescia, eu percebia que não era isso que eu realmente queria. Eu queria ter tido a minha banda, queria ter sorrido e aproveitado mais da minha adolescência ao invés de ficar enfurnado com você em um escritório, aprendendo a como administrar um caralho de empresa! Eu cansei de abaixar a minha cabeça e falar ‘’sim, papai’’ para qualquer porra que você estivesse falando, fingindo aceitar qualquer coisa que me fosse imposta.
- Você está sendo um completo idiota dizendo isso! Mas que porra, meu filho? O que aconteceu contigo? Por que toda essa revolta? Por que...
- Porque para mim já deu. – o interrompi. – Já deu... Eu não aguento mais tanta pressão, e tudo piorou quando você falou besteiras sobre a ! – olhei para a loira que me encarava estática. – Olhe para ela! Como você ousa falar aquele tipo de coisa dela sem nem ao menos conhecê-la? Para você é tudo dinheiro, huh? Para você, todos estão interessados somente em meu dinheiro. Todos são aproveitadores, certo? – gargalhei em deboche. – Pois o maior aproveitador daqui é você! Se aproveitou do próprio filho e se Jazzy não se cuidar, você vai se aproveitar dela também!
Olhei para Jazzy e ela me olhava com os olhos marejados.
- Desculpe-me, Jazzy, mas eu não consigo suportar mais. Eu só peço que você não deixe o papai se aproveitar de você como ele fez comigo.
- Já chega, ! – ele gritou, enraivecido. – Você está agindo como um adolescente imaturo e totalmente inconsequente! Eu não te criei assim!
Sorri sarcástico e me aproximei dele.
- Claro que não. Você me criou para ser o seu empregado, não é? – meu pai me agarrou pela gola da camisa e me olhou com o rosto vermelho. – Vai me bater? – ri – Me bate, então. Bate naquele que sempre foi o seu empregadinho. Bate naquele que sempre abaixou a cabeça para você!
- , por favor, pare! – ouvi minha mãe dizer com a voz trêmula. Ela se aproximou e tocou no braço de meu pai, tentando afastá-lo de mim. – Solte-o, Jeremy! Você nunca bateu em meu filho, e não vai ser agora que vai fazer isso!
- Deixe-me, Patricia! Esse moleque está precisando de uma lição para aprender a me respeitar! – meu pai esbravejou.
- Pai, por favor... Solte-o. – choramingou Jazmyn.
Meu pai me encarou sério antes de soltar minha camisa e eu o encarei do mesmo modo. Olhei para minha irmã e mãe antes de puxar pela mão e levá-la para fora do escritório comigo.
- ? O que aconteceu? Para onde...
- Vamos embora daqui. Não quero mais ficar sob o mesmo teto que aquele homem. – continuei a puxando e subi as escadas. – Por favor, pegue suas coisas. Vamos ficar na cabana até o final de semana acabar e depois voltamos para Nova York.
Ela assentiu e foi para seu quarto enquanto eu ia para o meu e começava a enfiar minhas roupas de volta em minha mala. Quando tudo estava arrumado, peguei minha mala e saí do quarto, encontrando com segurando sua mala. Segurei sua mão e assim, descemos as escadas. Avistei minha mãe e Jazzy e as abracei fortemente antes de encarar meu pai que ainda me olhava com o semblante sério e um tanto magoado.
- Eu cresci conforme os seus planos, papai? – cuspi a pergunta e passei por ele, saindo daquela casa.

Wright’s POV
Eu simplesmente não sabia o que pensar. Quando me despedi de Patricia e Jazmyn e adentrei o carro de , eu estava com a minha cabeça a mil. O que acabara de acontecer, afinal? O pai de havia falado mal de mim, pelo que eu pudera perceber. E ... havia se revoltado contra o pai. Eu sinceramente sabia que isso iria acontecer em alguma hora. Eu só não sabia que ia ser mais rápido do que eu pensava. Eu observava o rosto sério de enquanto ele dirigia. Eu observava suas feições tensas e percebia o quão desligado ele se encontrava. Ele podia até estar dirigindo, mas sua cabeça estava em outro lugar. Seu coração estava em outro lugar. Eu sabia que ele se sentia mais aliviado por desabafar com o pai, mas será que aquilo realmente havia valido à pena?
Será que se sentiria melhor agora? Ou ele só se sentiria ainda mais confuso, sem saber o que fazer? Quando ele estacionou o carro nos fundos da cabana e desligou o mesmo, eu voltei a observá-lo. respirou fundo e fechou os olhos, debruçando-se sobre o volante. Baixos sons de choro ecoaram pelo carro e seus ombros fizeram repetidos movimentos de acordo com seus soluços. Senti meus olhos lacrimejarem e quase me aproximei dele, mas hesitei e permaneci em meu lugar, dando-lhe o espaço que ele precisava. Ali, observando o pôr do sol, e em meio aos soluços de , eu pude refletir sobre tudo. Eu havia feito a escolha certa ao aceitar vir com ? Se eu não tivesse vindo, com certeza, isso não teria acontecido. Seu pai não teria achado que sou uma simples oportunista e os dois não teriam brigado. Entretanto, vendo por outro lado, já estava com seu copo transbordando. Sendo nessa viagem ou não, ele ia acabar explodindo de qualquer jeito. Talvez a minha companhia tenha dado um pequeno empurrão para toda aquela discussão.
Chego a comparar aquela discussão a uma avalanche. A avalanche que foi capaz de cobrir até a cabeça e deixá-lo sem saber o que fazer a partir do momento em que saímos daquela casa.
- Eu ainda não sei como ele foi capaz de dizer aquelas coisas, quero dizer... Como ele pôde falar aquelas besteiras sobre você. Poderia ter sido com qualquer uma, mas com você? Eu não admito. – disse assim que ergueu seu rosto e me encarou. Seus olhos cheios de lágrimas e bochechas molhadas me fizeram suspirar e eu segurei meu choro, aproximando-me dele.
Quando ele voltou a se debruçar sobre o volante, eu me pus sobre ele de forma desajeitada e o abracei como eu podia.
- Vamos esquecer isso. Seu pai não sabe de nada. Seu pai não convive com a gente, ele não sabe o que diz. – eu queria transmitir a ele a confiança que eu sabia que precisava, mas ao mesmo tempo, eu duvidava de minhas próprias palavras. – Você sabe que eu nunca seria sua amiga por causa de dinheiro e é isso que importa. Nada mais importa. – nada mais importava realmente?
- É claro que eu sei. Você nem ao menos sabia da minha situação financeira quando cheguei à sua casa e em momento algum, você quis o meu dinheiro. Meu pai é um estúpido que não entende que ainda existem pessoas com caráter e valores morais. Ele sempre foi assim, sempre foi de desconfiar de todos a sua volta. O dinheiro e o poder o cegaram.
- Mas está tudo bem agora. – o abracei e deitei minha cabeça em suas costas. – Espero que você tenha se lembrado das minhas palavras. Se não, não vejo problema nenhum em repeti-las.
ergueu seu rosto e me encarou com seus olhos brilhando.
- Eu não me esqueci. – sussurrou contra meu rosto. – E foi isso que me deu forças para enfrentar o meu pai. Eu só tenho a te agradecer por ser um anjo na minha vida.
Certo, primeiro ele diz que sou a peça que faltava no quebra-cabeça e agora diz que sou um anjo em sua vida. Se continuar dessa maneira, acho que meu coração de manteiga não aguenta. Eu mal havia me recuperado de sua frase anterior e agora ele me vem com essa.
Vamos com calma, , por favor.
Sorri e fechei meus olhos, encostando nossas testas. Senti depositar um beijo em meu nariz e acariciei sua bochecha com as pontas de meus dedos.
(...)
Amarrei meu cabelo em um coque e arrumei minha camisa preta, olhando-me pela última vez no espelho do quarto da cabana.
- Então, pronta para esquiar mais uma vez? – assim que ouvi a voz de , virei meu corpo e o encarei com a sobrancelha erguida.
- Você só pode estar brincando comigo.
- Mas não estou. – ele me olhou sério enquanto se aproximava. – Eu vou te ensinar a esquiar de qualquer jeito, mocinha.
- Você quer é me ver com a cara na neve de novo que eu estou sabendo. – entortei o nariz e ele riu, envolvendo minha cintura com seus braços. Fui surpreendida quando ele se aproximou mais e mordeu minha bochecha. Olhei-o incrédula e levei minha mão à bochecha. – ! Isso dói!
- Tem certeza? Porque a mim não doeu nada. – deu de ombros e eu me aproximei, devolvendo-lhe a mordida. – Au! Okay, agora doeu. – fez bico e eu ri, dando-lhe um beijo no local mordido. – E eu estava brincando com você, senhorita. Hoje, como é o nosso último dia aqui no Canadá, eu quero lhe mostrar um outro lugar que eu ia quando era criança.
- E qual seria esse lugar?
- O Teatro Avon. – ele sorriu e me deu um selinho, antes de me puxar pela mão.
me levou ao teatro e rimos muito com a peça de comédia que estava em cartaz. Quando estávamos do lado de fora, ele parou em frente à escadaria e apontou para a mesma.
- Meus amigos e eu vínhamos aqui e tocávamos para as pessoas que por aqui passavam, quando ainda tínhamos a ideia de formar a banda. As músicas que treinávamos na garagem, eram colocadas em prática aqui.
Seu olhar brilhava conforme ele falava e suas palavras eram carregadas de um tom de animação e certa nostalgia. Aquela lembrança parecia lhe fazer muito bem e esse simples pensamento de que ele estava tendo um momento bom, me fazia sorrir. Apertei sua mão e deitei minha cabeça em seu ombro.
- Parece ter sido uma boa lembrança para você. – comentei.
- E foi... Até meu pai estragar tudo. Nós vínhamos e tocávamos por diversão. Éramos meros adolescentes indo atrás de seus sonhos. Lembro-me bem de quando Ryan conseguiu comprar sua primeira bateria. Ele estava tão feliz, quase não acreditando que sua mãe finalmente o havia autorizado a comprar. – ele riu.
- Ryan estava entre seus amigos de banda, então?
- Sim. Éramos nós e mais dois amigos de escola.
Assenti e abracei seu braço, apreciando aquele momento em que mais uma vez se abria comigo. Era bom saber que sou digna de sua confiança a ponto de ele compartilhar comigo seus mais profundos sentimentos e momentos de alegria.
(...)
Sentados na cama de casal do único quarto da cabana, eu olhei para , observando o mesmo que assistia à televisão.
- ? – o chamei e ele me olhou. – Como você está se sentindo?
Ele suspirou e passou a mão no cabelo, deixando-o ainda mais bagunçado.
- Posso afirmar que estou me sentindo melhor agora. – sorri e ele completou: - Com você aqui... Ao meu lado...
Fui surpreendida com me puxando pela nuca e selando nossos lábios entreabertos. Sua língua tocou a minha e ele foi me deitando lentamente enquanto se colocava por cima de mim. Sua mão boba adentrou minha blusa e a ergueu um pouco, fazendo com que as pontas de seus dedos tocassem suavemente a região da minha barriga, causando-me alguns arrepios.
- Eu quero você. – ele sussurrou no intervalo de um beijo para outro.
Antes que eu pudesse responder, ele voltou a me beijar com ainda mais intensidade, sugando e mordiscando meu lábio inferior vez ou outra. Quando suas mãos desceram por minha barriga e chegaram à minha calça, começando a desabotoar a mesma, foi que eu me lembrei do pequeno fato de hoje à tarde.
- ... Nós... não podemos. – ofeguei ao sentir seus lábios beijando avidamente meu pescoço.
- Por que não? – perguntou logo após dar uma lambida em minha pele.
Senti minhas bochechas arderem. Como eu vou dizer aquilo a ele?
- Por-Porque eu... – fechei meus olhos e gemi baixo ao senti-lo apertar minha bunda. – Eu estou naqueles dias. – disse por fim.
- O quê? – ele perguntou ainda aéreo, totalmente guiado pelo desejo, distribuindo beijos molhados por meu corpo.
- Eu estou naqueles dias. – repeti, mas vi obrigada a impedi-lo, vendo que não pararia. Puxei seu rosto de meu pescoço e apertei suas bochechas, fazendo com que um bico se formasse em seus lábios. Ao ver que ele me encarava confuso e com a testa franzida, eu disse: - Eu estou menstruada, . Nós não podemos transar hoje. – sentenciei.
Ele me encarou um pouco constrangido e eu segurei uma risada ao vê-lo corar. A minha situação não devia estar nada agradável também, já que eu sentia minha bochecha queimar.
- Ah, sim... Desculpe-me.
saiu de cima de mim e se deitou ao meu lado.
- É... Não foi nada. – fingi não me importar quando na verdade, eu estava morrendo de vergonha. – Isso acontece.
Ele sorriu de canto e passou seu braço por meu ombro, dando-me um beijo na testa.
- Boa noite, .
Encarei a parte de baixo de seu corpo e ri fraco ao ver o pequeno volume que se formava ali.
- Boa noite, .
°°°
- Tchau, mãe. Espero que você me visite em Nova York. – abraçou sua mãe e eu abracei Jazmyn.
- Tenha uma boa viagem de volta, meu filho. Se cuidem, por favor. – Pattie me abraçou e eu retribuí seu abraço caloroso. – E não ligue para o que meu marido disse, . Ele não sabe o que diz.
Sorri fraco e balancei a cabeça, como uma forma de dizer que estava tudo bem, sendo que eu ainda estava um pouco incomodada com toda aquela situação.
- Meu pai é um velho rabugento. Não ligue para ele, . Você é uma moça espetacular e espero receber a notícia do seu namoro com meu irmão em breve. – Jazmyn disse e eu me senti corar.
- Jazmyn. – lançou-lhe um olhar repreensivo junto a uma voz séria enquanto a abraçava.
- O que é? Só estou falando a verdade!
Pattie nos olhava sorrindo enquanto a filha tagarelava coisas sem sentido e aquilo só me fazia ficar com mais vergonha. Qual é? e eu somos amigos, pessoal! Amigos que se beijam e já fizeram sexo, mas ainda assim... Amigos.
Depois de nos despedirmos das duas e de Pattie dizer para pensar no caso do pai e quem sabe perdoá-lo, nós nos dirigimos ao portão de embarque. Assim que estávamos dentro do avião, me encarou sorrindo e perguntou:
- Pronta para me aguentar em seu apartamento por mais sabe-se lá quanto tempo, Wright?
- Sempre pronta, meu querido hóspede.


FIM



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Outras Fanfics:
O Hóspede 2
MV: Hold On



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