Última atualização: 23/05/2019
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Prólogo

- Amor, a mamãe precisa cuidar da Lola! – falou para a filha que a encarava entediada.
- Ninguém me deixa brincar com os cachorros. – a pequena fez bico, o que fez a mais velha rir e passar a mão por seus cabelos.
- Nem todos são tão amigáveis à crianças, Bells.
- Mas, mamãe... A Lola é, não é? – os olhos da menina brilharam.
- Ela é, se quiser, pode me ajudar com ela. – a criança comemorou, batendo palmas e logo correndo em direção à tão velha conhecida.
era parceira da instituição Dogs Trust em Londres. A garota ajudara o local desde que chegara do Brasil, há muitos anos, e assim que firmou sua vida no país e conseguiu seu próprio negócio, se tornara parceira para ajudar o máximo que poderia. Isabelle, sua pequena de cinco anos já era acostumada com os animais desde os primeiros passos, então acompanhava a mãe a todo tempo em seu segundo lar, como a mesma chamava. Bom, terceiro, porque ela tinha a casa do papai também.
- Lola! – a criança gritou quando encontrou a cachorra de pelos negros abanando o rabo insistentemente por sua chegada. – Ah, mamãe, eu queria muito levar a Lola pra casa. – viu sua filha fazer bico novamente e abaixou ao lado dela.
- Sexta-feira vai ter um evento aqui pra adoção, e pode ser que a Lola finalmente consiga uma casinha e uma família que a ame tanto quanto a gente!
- Mas eu queria ela. – a garota abraçou a cachorra com quem tinha contato desde muito novinha e juntou seu rosto ao dela, sorrindo. – A gente até se parece, olha! – uma senhora passou em frente a elas e sorriu para a cena, encantada com a pequena.
- Aí, Bells. – suspirou. – Se dessa vez ninguém levar, a mamãe adota a Lola pra ser companheira da Chelsea.
- É sério? – a pequena deixou com que seus olhos brilhassem e um enorme sorriso tomasse seu rosto. – Promete?
- Prometo. – a mãe levantou seu dedinho e a filha grudou o seu no dela, selando uma promessa como elas sempre faziam.



Capítulo 01

“Before you met me, I was alright, but things were kinda heavy. You brought me to life.” (Teenage Dream – Katy Perry)

Por

Apesar de estranho, não era impossível para que eu fizesse as coisas por mim mesmo. O homem que me acompanhava não deixaria, em momento algum, por ordens de meu agente, mas apenas com um motorista me sentia quase livre. Desci do carro e observei enquanto ele estacionava o automóvel, já acenando e entrando no local.
Estava cumprindo minha agenda, e incrivelmente, dessa vez era com algo que gostava demais. Nunca fui a pessoa mais sociável do mundo com pessoas, mas os cachorros sempre me fascinaram de uma forma sem igual, o que tornou interessante o novo projeto que me foi proposto. Ficar próximo aos animais parece muito melhor do que ficar próximo as pessoas, afinal, o coração deles é sempre mais confiável.
Entrei no local e logo fui recepcionado pela responsável, que já me esperava. Ela dissera que não havia contado a ninguém, como era combinado. Jogar como titular em um time de Londres me tornava conhecido até demais, o que fazia com que as pessoas me parassem em todos os lugares para um autógrafo ou uma foto. Nunca achei isso ruim, muito pelo contrário, era incrível poder retribuir um pouco do que as pessoas faziam por mim, mesmo que nem todas torcessem para o Chelsea.
- Olá, senhor !
- está ótimo. – sorri e a moça retribuiu, começando a contar um pouco do local e como em apenas duas horas já haviam conseguido fazer com que dez cachorros ganhassem um novo lar. Aquilo era incrível.
- Mariah, temos um problema ali! – o homem esticou a mão para me cumprimentar. – Sinto muito, senhor , é ótimo tê-lo aqui.
- Preciso auxiliar aqui, amor! Não consegue resolver? – ele negou com a cabeça parecendo preocupado.
- Está tudo bem, eu vou andar um pouco e quando puder, me encontre novamente! Em qualquer caso, falo com pessoas com o colete igual ao seu.
- Me desculpe, . – os dois saíram andando rapidamente na direção em que o marido de Mariah mostrara, onde parecia ocorrer uma pequena confusão.

Enquanto eu andava por ali podia perceber diversas pessoas me encarando, mas poucas se aproximavam. Algumas crianças sorriam e cutucavam seus pais que me encaravam de olhos semicerrados. Eu não entendia muito bem o quão surpreendente poderia ser um jogador de futebol em uma feira de adoção de cães, quando não durmo com alguém em minha casa fico completamente sozinho, então talvez não fosse uma má ideia ter um companheiro.
Me aproximei de um cercado em que havia uma cachorra que era paparicada por todos. Seus olhos eram de uma cor de mel apaixonante e seus pelos pretos pareciam implorar por carinho enquanto seus olhos brilhavam por atenção. Me aproximei e a acariciei, sorrindo, nossa ligação pareceu instantânea e eu ri ao perceber que mal precisei me convencer de que provavelmente queria um para mim que de repente todos pareciam implorar por um dono.
- Não! – ouvi uma voz fina falando abaixo de mim e então senti um tapa em minha mão, me afastando da cachorra que abanou o rabo, feliz.
- Bells! Você não pode fazer isso, filha! – ela pegou a pequena garota no colo e notei que ela ficara triste, se escondendo no ombro da mãe. – Me desculpe, por favor. – a mulher olhou em meus olhos e então seu rosto se transformou em um sorriso. – Oh, não acredito. Bells, olha!
- Não, mamãe! O moço quer levar a Lola! - ela fungou.
- Isabelle, olha o moço! - a menina então se afastou do corpo da mãe, coçando os olhos para afastar os cabelos de sua franja que os cobriam. Seus olhos se arregalaram e ela abriu a boca, logo transformando sua expressão em um sorriso.
- Acho que encontrei uma fã aqui! - falei, sem jeito. Não era o melhor do mundo com crianças, mas me esforçava.
- Oi! - ela sorriu, simpática.
- Oi, pequena! Como você chama? - peguei uma mecha de seu cabelo e empurrei para trás, a ajudando.
- Isabelle, Bells, como a Lola! - ela apontou para a cachorra de pelos negros que eu acariciara alguns segundos antes e eu pude ver seu nome na coleira: "Lola Bells".
- Como assim vocês têm o mesmo nome? - perguntei, olhando para a mãe da criança.
- Juro que não dei o nome de uma cachorra que eu gostava pra minha filha. - ela disse, rindo. - Foi ao contrário, Bells tinha três anos e já era apaixonada na Lola quando ela chegou, então demos um segundo nome pra ela. - a mulher deu de ombros, sem jeito.
- A gente vai levar a Lola pra casa, pra fazer companhia pra Chelsea!
- Você tem uma cachorra chamada Chelsea? - perguntei, arqueando as sobrancelhas, e a mãe riu.
- Foi o pai dela!
- O papai gosta muito de você, e eu também! E a mamãe também!
- E a mamãe se chama? - perguntei, sem tirar os olhos da garotinha.
- , desculpe! - me virei para ela e sorri, notando agora detalhadamente os traços de seu rosto.
- Então, . Vamos ter um grave problema, a Chelsea não poderá ter uma companheira, pois eu quero a Lola para mim.
- Não! - Bells se remexia no colo da mãe, pedindo para descer. a soltou e ela se enroscou em minhas pernas. - Eu amo a Lola, tio! Tem vários outros cachorros legais aqui, você tem que conhecer o Bob, ele é incrível! - ela segurou minha mão e tinha a intenção de me puxar para outro lugar.
- Bells, ele também pode amar a Lola! Você sabe que é difícil cuidarmos apenas da Chelsea, imagine mais uma! - ela puxou a filha pelo ombro, que se enroscou em minhas pernas.
- Mas você prometeu, mamãe! - vi se abaixar, até ficar da altura da criança.
- Meu amor, eu prometi que a gente ficaria com ela se ninguém ficasse.
- Mas... - a garota se desenroscou de minhas pernas e abraçou a mãe. - Tudo bem. - ela se virou para mim, olhando para cima. - Tio, você tem que me prometer que vai cuidar muito bem da Lola, cachorrinhos são muito importantes e é pra isso que a gente tá aqui, pra cuidar deles. Você tem que dar comida, passear, brincar, deixar ele dormir na sua cama, bem quentinha, dar banho. Eles são muito especiais.
sorria abertamente ao ver a filha com as mãos na cintura, aceitando que eu queria levar sua cachorra preferida embora e ainda me dando dicas do que fazer. Aparentemente, a pequena crescera mesmo ali entre os animais com a mãe, que vestia um colete rosa como o de Mariah, indicando que ela era uma ajudante ali também.
- Eu prometo que vou cuidar muito bem dela! - ela esticou seu dedinho para mim, e eu a encarei, tentando entender.
- Vocês têm que juntar os dedinhos, pra selar a promessa. - falou, sorridente.
- A gente nunca mais vai ver a Lola, mamãe? - a pequena disse quando a mãe a pegou no colo novamente.
- Ela vai ser bem cuidada, meu amor. - eu a ouvi falar enquanto conversava com a moça que estava responsável pela área onde Lola estava. - E o tio pode postar muitas fotos na internet pra gente sempre acompanhar, não é? - a mulher piscou pra mim quando a encarei, e eu confirmei, notando como era claro o apego das duas pela cachorra.
- Se você quiser... - estendi os braços para Bells, pedindo permissão para , que me entregou a pequena. - Pode até mesmo visitá-la, não moro muito longe daqui. - dei de ombros e a mulher arregalou os olhos, espantada.
- De forma alguma, senhor , imagina!
- , por favor. - eu sorri ao ver os olhos de Isabelle brilhando. - Você, a mamãe e o papai podem visitar a Lola quando quiserem.
- Vamos mamãe, por favor! - negava insistentemente, afirmando que aquilo não aconteceria, quando Bells pulou de meu colo e correu em direção a um homem que entrava no local.
- Eu estou falando sério. Não quero que sua filha fique triste por perder algo que tanto gosta, eu não me importo.
- Ela pode superar, . Ela tem apenas cinco anos, logo ela vai se esquecer.
- Olá, . - o homem se aproximou de nós, carregando Bells em seu pescoço e acenou com a cabeça para a mulher.
- Papai, olha quem é! - me virei e encarei o homem que sorriu abertamente, esticando a mão para me cumprimentar.
- ! Caraca! Grande fã. - sorri, agradecido.
- Um torcedor do Chelsea, huh? Fiquei sabendo que até uma cachorrinha fanática pelos Blues vocês têm. - ri e ele concordou com a cabeça.
- Essa foi ideia minha, confesso! Como a Chelsea está, querida? - ele perguntou para a filha e riu.
- Chelsea acabou de perder a Lola como companhia porque o senhor aqui decidiu que vai levá-la. – o homem olhou para Bells, que fez bico.
- Mas eu já falei pra ele tudo que tem que fazer, papai, e ele disse que a gente pode visitar ela, ele não mora longe, você me leva?
- Tenho certeza que sua mãe te levaria, Bells! – ele sorriu amarelo e negou insistentemente com a cabeça.
- Deixa seu telefone comigo, e eu vou deixar o meu com você, pode ser? – falei para a mulher, enquanto Bells e o pai se abaixavam para brincar um pouco com minha nova companhia. afirmou a contragosto e logo pegou seu aparelho para trocarmos os números. – Vocês são uma bela família. – sorri, os olhando quando a mulher também abaixou para cumprimentar Lola mais uma vez.

🎵

- Boa noite. – falei quando entrei na farmácia mais próxima que havia encontrado ao sair do pub. Uma menina, acredito que chamada Juliet, estava agarrada ao meu braço enquanto eu procurava camisinhas. Maldito dia para esquecer de comprar.
- Boa noite! – olhei para a mulher e sorri. – ! Que coincidência.
- Eu que o diga, aparentemente não cuida apenas de cachorros, huh? – me virei e notei que Juliet nos encarava. – Como está a pequena? – perguntei.
- Está bem, contando para todo mundo que conheceu e ele adorou sua quase irmã. – ela rolou os olhos e eu gargalhei. - Como está a Lola?
- Incrivelmente feliz, estou me sentindo um ótimo pai, nunca imaginei que levaria jeito. - ri e ela negou com a cabeça, sorrindo.
- Você tem uma filha? - Juliet perguntou, de olhos arregalados, fazendo com que escondesse um sorriso.
- É apenas uma cachorra, fica tranquila. - resmunguei e a mulher assentiu, parecendo aliviada. - Vocês poderiam ir ver o jogo algum dia, não? - voltei meu olhar para a mulher atrás do balcão. - Ela gostaria muito, tenho certeza, e acredito que seu marido também. – coloquei os pacotes em cima do balcão e ela riu.
- Noite boa, não? – sua risada foi nasalada e eu sorri, me sentindo um tanto quanto envergonhado, dando de ombros. – Ele vai em vários, mas quando é pra levar a Bells prefiro ir.
- Leva ela então, por favor! Vou ficar muito feliz! Ela é encantadora. – admiti, com um sorriso no rosto. Inseri meu cartão na máquina, pronto para pagar. – Eu te ligo, e não vou aceitar um não como resposta. Posso conseguir um ótimo lugar para vocês.
- Você é sempre tão simpático assim? - perguntou, desconfiada, enquanto eu retirava meu cartão da máquina e ela me entregava a nota.
- Isso é um elogio? - perguntei, me escorando no balcão. A mulher riu.
- Talvez seja mais uma desconfiança mesmo, sabe como é. - ela deu de ombros e eu senti minha testa se enrugar.
- O quê? - questionei, sem entender.
- Ah, sei lá! - ela riu, mais uma vez. - Admita que é uma situação estranha, você é , um jogador de futebol mundialmente famoso. Confesso que esperava um pouco mais de arrogância. - admitiu.
- Agora minha meta será acabar com esse preconceito. Com todo respeito. - beijei sua bochecha e ela se assustou. - Eu te ligo amanhã para combinarmos o dia que iremos nos ver, no Stanford Bridge. - pisquei para ela e chamei por Juliet, que estava encarando a sessão de produtos de cabelo. - Até amanhã, .



Capítulo 02

“In this passenger's seat, you put your eyes on me. In this moment now capture it, remember it” (Fearless – Taylor Swift)

Por

- ? – disse quando ouvi sua voz num preguiçoso “alô”.
- ? Olá! – ela parecia surpresa.
- Achou que eu não ligaria? – ela soltou um “uhum” tímido. – Eu disse que ia mudar essa concepção.
- Só não consigo entender. – ouvi ela dizer “É o , meu amor, ele ligou pra falar com você.” – Vou passar pra Bells tá?
- Oi, tio! – eu sorri ao ouvir sua voz fina no telefone.
- Oi, Bells, você tá bem?
- Tô sim, e a Lola? Como ela tá?
- Ela tá bem! Sente a sua falta, sabia? Um dia levo ela pra te visitar!
- Eu e a Chelsea vamos adorar! – imaginei que naquele minuto ela sorria sincera e provavelmente estava mexendo a cabeça de um lado para o outro em negação.
- Você pode passar pra mamãe, de novo? – falei.
- Claro! Tchau, tio! – “ele quer falar com você”, ela disse, entregando o telefone para a mais velha.
- Oi.
- Semana que vem? Chelsea x Liverpool? – perguntei.
- Vai adiantar que eu negue? – ela riu.
- Não! Bom, eu teria que apelar pra pequena. Ou para o seu marido. Três entradas?
- Apenas eu e a Bells, acredito que Michael já deva ter se programado para esse há muito tempo.
- Ela pode entrar comigo? Ou seria um convite muito grande?
- Você está me assustando! – ela gargalhou. – A Bells vai amar! Tenho certeza! Nem vou contar antes pra ela não se desesperar e não me deixar dormir. Você está sendo muito gentil, , não estou entendendo. Você nem nos conhece direito. – notei certa dúvida em sua voz.
- Estou querendo conhecer, mas se isso tiver te incomodando, eu posso parar, sério. Se estiver incomodando qualquer um de vocês. Não sei, acredito que ter roubado a cachorrinha da sua filha tenha me deixado com um leve peso na consciência. – ri.
- Outch, somos apenas um peso na sua consciência? – ela perguntou, parecendo ofendida.
- Não, ! De forma alguma! – praticamente gritei, desesperado por ter soado dessa forma.
- Relaxa! – ela riu. – Como fazemos pra entrar?
- Te mando as informações por mensagem, certo? Certeza que Michael não gostaria de ir com vocês?
- , não somos tão amigos assim. Foi um término amigável, mas não tão amigável assim, vivemos muito bem separados. – ela riu, nasaladamente.
- Como assim? – tossi, deixando transparecer minha surpresa.
- Ah, meu Deus, você não entendeu que não somos casados? Achei que você estivesse brincando ao se referir a ele como meu marido! – ela começou a rir. – E eu já achando que você estava dando em cima de mim e tentando me ganhar através da minha filha! – sua risada se estendeu por mais tempo ainda, me fazendo rir.
- E você estava gostando disso? – perguntei, rindo também. – Não era minha intenção, mas pode se tornar. – brinquei.
- Menos, sr. . – ela ainda ria. – Se continuar tentando me convencer de que você é alguém legal, pode ser que eu te conte melhor.
- Acredite, fiquei ainda mais curioso em te conhecer. Com todo respeito do mundo? Pode ter certeza que continuarei na missão. – falei enquanto sorria.
- Preciso dar banho na Bells, até semana que vem então.
- Até, . Mande um beijo para ela.


🎵

Estava no vestiário com o celular em mãos, esperando por uma mensagem de . William me cutucou e deu um tapa em minha cabeça.
- Esperando alguém? - ele perguntou, enquanto se sentava para calçar as chuteiras. Apenas assenti e me distanciei ao sentir a vibração do aparelho.

- Tio! - vi Bells acenando para mim e andei na direção das duas.
- Oi! Preparada? - perguntei, a pegando no colo. Me aproximei de e beijei sua bochecha, vendo-a tirar os óculos de sol que usava, em seguida. - Oi.
- Eu ainda não contei. – a mulher sorriu e eu soltei um “ah”!
- O quê? – a menina mudava o olhar entre a mãe e eu, desconfiada.
- Vamos. – falei, sorrindo, carregando-a comigo de volta para os vestiários. Acenei para e a mesma se sentou e acenou para nós.

Isabelle olhava tudo a nossa volta com atenção. Ela observava as pessoas e os lugares, mas diferente de sempre, estava em silêncio.
- Você espera só um pouquinho aqui com as outras crianças? Enquanto eu vou me preparar? – perguntei para ela, colocando-a no chão. – A Rose vai preparar você. – sorri, apresentando-a para a responsável daquela área.
- Eu vou entrar no campo? Igual as outras crianças? – ela arregalou os olhos e eu passei a mão em seus cabelos, ainda com um sorriso no rosto, e assenti.

- Rose, você pode levá-la para a mãe depois? E dizer que as encontro assim que for possível? – ela afirmou e então começamos a nos posicionar em fila, prontos para entrar. Procurei por Bells com os olhos e a encontrei ao lado de Jorginho.
- Essa é minha! – dei um tapa em sua cabeça e ele me olhou, de sobrancelhas arqueadas, chamando atenção também dos outros caras.
- Okay né? – ele levantou os braços, como em rendição.
- Vamos? – puxei Bells comigo e voltei para meu lugar. Ela pegou minha mão e antes que pudesse falar qualquer outra coisa para a garota, saímos em direção ao campo. Eu tentava ignorar, mas aquela partida estava me preocupando. Era apenas o começo do campeonato, mas era uma disputa direta pela liderança.

- Quantas mil fotos você tirou? – perguntei ao encontrar as duas, já do lado de fora do estádio, sendo recepcionado pelos braços de Bells enrolados em minhas pernas.
- Talvez eu tenha tirado mil, e Michael tenha tirado mil e uma. – ela sorriu, me mostrando a galeria de seu celular. – Você está bem? – ela perguntou.
- Um tanto quanto irritado, vamos acabar entregando a liderança de bandeja.
- Vocês conseguem recuperar, tenho certeza. Logo tem Liverpool e City, é a chance de vocês. – ela piscou.
- Querem comer algo? – perguntei e vi negar, mas ser contrariada pela filha que gritou um “sim” extremamente animado.
- ... – ela começaria a falar, mas revirei meus olhos e comecei a andar, com Bells ao lado. – Abusado. – ela nos alcançou. – Queria saber o motivo de você estar fazendo isso.
- Olha, eu mesmo não sei. – tirei minha chave do bolso e dei de ombros, encarando-a. – Mas eu juro que não quero sequestrar vocês, por exemplo. Acho que apenas confio na Lola. – vi sua testa se enrugar. – Ela nos apresentou, não? Confio nela. Tenho aquele pensamento de que nem tudo é por acaso. – Vocês vieram de metrô, certo? – ela assentiu.
Abri a porta de trás do carro e Bells entrou, animada, andando até a porta contrária. Estendi os braços para que entrasse e ela me agradeceu, imaginei que ela gostaria de ir atrás com a filha, já que eu claramente não tinha uma cadeirinha ali. Bati a porta apenas ao ver que as duas já estavam acomodadas e com o cinto de segurança, então andei até minha porta e entrei, colocando o cinto e encaixando minha chave na ignição.
- ... – falei, a olhando através do retrovisor e admirando sua expressão, que era suave e parecia relaxar a cada segundo.
- , por favor. – ela sorriu.
- ... – limpei a garganta, um pouco envergonhado. – Seria muito ruim se a gente pegasse algo para comer e fosse para minha casa? – falei baixo, percebendo que a pequena estava distraída na janela. Vi a mulher torcer o nariz. – Eu não quero que pareça algo estranho, mas eu pensei que ela gostaria de ver a Lola.
- , eu não sei, eu não quero te dar trabalho, nem quero te tirar do seu descanso por causa da Bells. Nós nem ao menos nos conhecemos direito, eu sei que é fácil fazer amizade com ela, mas não é porque ela é uma criança, que precisa fazer tudo que ela quiser. Olha onde você a trouxe! Ela está muito feliz, você sabe.
- Eu passo a maior parte do meu tempo sozinho, acredite, ter uma amizade assim me faz muito bem. E não fala que não nos conhecemos direito, pois isso me faz querer conhecer. – sorri, sincero. – Ela gosta de pizza? – ela assentiu, rolando os olhos e relaxando os ombros, se dando por vencida.

🎵

- AI! – ouvi Bells gritar e logo vi seu corpo chegar ao chão com um baque. – LOLA! – a pequena falou, animada. Vi sorrir e se aproximar da filha e da cachorra. Me virei para fechar a porta, enquanto as três tinham seu reencontro, e deixei as caixas de pizza em cima da bancada.
- Fiquem à vontade. – me aproximei delas e me sentei no chão, chamando por Lola que logo correu para o meu colo, junto com Bells.
- Eu tava com saudade! – vi a pequena falar, abraçando o corpo da cachorra. – Olha, tio, a gente é muito parecida, quando eu falo, as pessoas dão risada. – eu gargalhei, mas notei que ela me encarava, brava.
- Vocês são muito parecidas, com certeza! – segurava o riso e me repreendia com o olhar.
- Eu sei! – a garota sorriu, contente.
- Vamos comer! – levantei do chão em um pulo. – Tô com fome! – dei de ombros e estiquei a mão, para que se apoiasse para levantar. Ela agradeceu com um aceno de cabeça e andou até a filha, a pegando no colo e se aproximando da pia para lavar suas mãos.
- Não, Bells! – ouvi gritar enquanto ajeitava as coisas para comermos. – Ah! – ela grunhiu.
- Tudo bem? – perguntei, me aproximando. Sua roupa estava molhada, assim como seus cabelos, e um pouco da roupa da pequena. – Ops. – tentei segurar a risada, mas notei que ela mesma não estava aguentando.
- Vamos comer, pelo menos passa a raiva. – ela riu, e deu um pequeno puxão no cabelo de Bells, que deu de ombros para a mãe, brincando.

🎵

- Você não precisava fazer isso. – reclamei, me aproximando de na pia. – Eu podia lavar depois.
- Ah, . Eu já tô aqui, completamente aleatória, e ainda vou deixar louça pra você? Era só um pouquinho também. – ela deu de ombros, enxaguando as mãos cheias de espuma. – Nossa, já está super tarde! – ela disse, olhando para o relógio na parede. – Bells, arruma suas coisas!
Procurei Isabelle pela sala e ela estava exatamente onde eu a tinha deixado. Mas ao invés de assistir ao desenho no celular da mãe, o aparelho estava jogando no encosto do sofá, assim como seus braços. Sua cabeça estava encostada em uma almofada, e seus pés pendiam para fora do móvel, em direção ao chão. Eu sorri, pois aquela era uma cena muito fofa, a qual eu não estava acostumado, pois não passava tempo suficiente com os adultos da minha família, quem dirá os pequenos.
- . – a cutuquei, apontando para o sofá.
- Ah não! – ela bateu na própria testa, sem se lembrar de que tinha as mãos molhadas. Eu ri e peguei um pano de prato na gaveta, enxugando o local. – Como ela dormiu tão rápido? – a mulher rolou os olhos. – Você pode chamar um táxi para mim? – ela tomou o pano entre as mãos e as secou.
- Ah, fala sério, . – rolei os olhos. – Eu vou te levar, eu te trouxe até aqui!
- De forma alguma, . Já foi demais por hoje. – ela disse, nervosa.
- Outch. – coloquei a mão sobre o peito, como se tivesse sentido o impacto de sua resposta.
- Desculpa. – ela sorriu, tímida.
- Você podia me dar um pouco mais de abertura, sabe? Não sou uma pessoa tão ruim. – encostei meu corpo na bancada, ficando de frente para ela, que se encostava na pia.
- Não acredita ser um pouco estranho quando um cara qualquer te conhece em uma feira de adoção em uma semana, te convida pra ir no jogo dele na próxima, e após isso, te leva pra casa dele? Ah, e tudo isso através da sua filha.
- Um estranho que na verdade não é exatamente um estranho, pois se você for pensar e colocar dessa forma, você sabe muito mais sobre eu, do que sei sobre você, . – pisquei para ela, e vi seu rosto se tornar inexpressivo, talvez considerando que eu falara uma verdade. – E, bom, a princípio, era um convite para as duas e o marido que eu acreditava existir, não é como se tivesse tentando algo com as duas mocinhas. – dei de ombros e vi um sorriso brotar em seus lábios.
- Você tem um ponto, confesso. Você sabe como funciona coração de mãe, né? Você fez bem pra minha filha, deu a ela uma oportunidade incrível em algo que ela adora, então me fez feliz também. Muito obrigada. – ela sorriu, agradecida.
- Não tem porquê agradecer, . A Bells é incrível, e vocês colocaram a Lola na minha vida pra ser minha companheira, acho que sou muito grato a vocês. E vocês me proporcionaram um final de dia incrível, sem que eu ficasse chorando por um empate horroroso. – ri e vi a mulher me acompanhar, balançando a cabeça em concordância. – Quer ir? – perguntei, a contragosto, e a vi assentir.
A vi pegar sua bolsa em cima da bancada e a colocar no ombro. Me adiantei então e fui até o sofá, tentando pegar a pequena com delicadeza, para que ela não acordasse. A peguei em meu colo, encostando sua cabeça em meu ombro. Ela já não era mais tão pequena, mas ainda tinha o tamanho perfeito para dormir no sofá e acordar na cama, se perguntando como havia chegado ali. sorriu, agradecida e enquanto andávamos até a porta ouvi Bells resmungar, mas sem nem mesmo parecer que acordaria.

Quando chegamos ao carro, se sentou no banco de trás e eu coloquei Bells em seu colo, na mesma posição em que estava no meu. Logo andei até a porta da frente e entrei no carro.
- Não é tão longe daqui. - ouvi-a falar, enquanto saia da garagem do prédio.
- Quer dizer que moramos perto? Isso não é bom para você. – falei, rindo. Ela começara a dar suas coordenadas.
- Você é louco, tenho certeza disso. – ela riu, balançando a cabeça em negação.
- Só levo patada, meu Deus! Um dia você vai me elogiar tanto que vai até doer! Tenho certeza. – dei de ombros e lhe mostrei a língua.
- Vai sonhando, . – ela me mandou o dedo do meio.
- Olha, ela tem senso de humor! – eu ri, a fazendo rolar os olhos.

- Quer ajuda? – perguntei, já descendo do carro para abrir a porta para ela.
- Quero! – me abaixei e peguei Bells em meu colo novamente, a ajeitando. Não queria me oferecer para entrar em sua casa porque considerei que seria demais, mas ela logo estava abrindo o portão para entrarmos e tomando a chave do carro de minhas mãos para acionar o alarme.
- Está tudo meio fora de ordem, é uma casa com criança, você deve imaginar. – ela riu, acendendo as luzes. – Final do corredor. – ela apontou.
Andei pelo corredor claro e notei alguns riscos na parede, Bells devia ser uma criança incrível, mas com certeza enlouquecia a mãe. Abri a porta devagar e a coloquei na cama, a separando de meu corpo aos poucos para que ela não acordasse. Puxei o cobertor que estava nos pés do colchão e joguei por cima de seu corpo, logo saindo do quarto e caminhando até a sala.
- Muito obrigada. – ela estava bebendo um copo de água. – Quer? – neguei com a cabeça.
Me aproximei da porta e logo ela estava ali, pronta para se despedir. Passei para o lado de fora e então me virei para ela, novamente.
- Saí comigo? – perguntei, subitamente. Sua expressão se definiu em surpresa, seus olhos estavam um pouco arregalados e sua testa enrugada. – Muito cedo? Não é uma boa ideia? Ah, desculpa. – encostei na parede, levando as mãos aos meus cabelos.
- ... Eu não sei. – ela sorriu, tímida. – Seria uma boa ideia? Desculpa, é estranho pra mim. Acredite, faz um tempo desde que não saio com ninguém.
- Eu não sei, . Eu só queria te conhecer, não sei, nem eu me entendo. Eu não pensei, só falei, não queria te assustar, nem nada assim. E juro... – cruzei os dedos sobre a boca como em juramento – Sem segundas intenções, eu só quero me aproximar, você é incrível e eu quero te conhecer. – dei de ombros – Não dei em cima de você, ainda, então acredito que pode confiar. – ri de sua expressão.
- Tudo bem. – ela beijou minha bochecha em despedida. – Quando quiser, você tem meu número. – e então fechou a porta, antes mesmo que eu pudesse responder.



Capítulo 03

“We're tripping in our hearts and it's reckless and clumsy...” (Stuckin the moment – Justin Bieber)

Por

- Atende pra mim, por favor! – gritei do banheiro quando ouvi meu telefone tocar. – Filha, por favor, não torna as coisas difíceis pra mamãe, vamos sair logo do banho. – ela negou com a cabeça e se virou de costas pra mim, me fazendo urrar de raiva.
Me levantei e abri a porta, a deixando lá mais alguns minutos.
- Quem é? – ouvi Michael perguntar para a pessoa que estava no telefone e sua expressão se tornou em algo confuso. – Ela tá ocupada, pode ligar depois? – ele esperou alguns segundos e antes que ele pudesse falar alguma coisa, acenei.
- Pode passar pra mim. – estendi minha mão e ele me entregou o celular. – Quem é? – perguntei.
- . – ele cuspiu e eu soltei um “ah”.
- Tenta tirar ela do banho pra mim, por favor. – falei quando ele se virou de costas. – Oi! – tentei não parecer tão animada ao atender.
- , tudo bem?
- Tô bem sim, e você? Cansado? – perguntei, sabendo que ele havia jogado hoje.
- Um pouco, entediado também. Você tá ocupada, né? Não queria te atrapalhar.
- A Bells não quer sair do banho, está lutando. Michael vai levar ela pra sair e vão passar o fim de semana por lá. Ela sempre gosta de ir, e volta imensamente feliz, mas pra tirar ela de casa às vezes é um sacrifício.
- Fala pra ela que a Lola mandou ela sair do banho.
– ele riu e eu concordei. – Vai lá cuidar dela, depois a gente se fala.
- Tudo bem, . Até mais.
- Até, .
– desliguei o celular e já corri em direção ao banheiro, vendo Michael tentando convencê-la.
- Isabelle, chega. Saí daí agora! – me aproximei dos dois e coloquei minha mão no registro, fechando-o. Michael riu e ela começou a gritar, fazendo birra. – Vamos! – a puxei para o tapete do banheiro e enrolei na toalha, logo a empurrando em direção ao quarto para vesti-la.
- , huh? – Michael falou, se sentando na cama e me ajudando a arrumar Bells. – Não imaginei que vocês manteriam contato.
- É. – disse, sem mais detalhes.

- Mamãe, cuida bem da Chelsea, tá? – Bells me disse quando me abaixei para nos despedirmos. Seus braços se enrolaram em meu pescoço e ela me apertou. – Amo você.
- Também te amo, chatinha. – beijei seus cabelos e ela se distanciou, ficando ao lado do pai. – Até mais. – acenei para Michael, me levantando e fechando a porta quando vi os dois já próximos ao portão.

🎵

- Alô? – falei quando peguei o telefone que estava ao meu lado na cama.
- Te acordei?
- Sim.
– afirmei. – Vou te matar. Uma mãe, em um domingo sozinha, ! Tudo que eu queria era dormir.
- Mas você não acha mais produtivo levantar e ir tomar café comigo? Eu acho.
- Você não dorme?
- Sei lá, acordei cedo hoje. Você vai?
- Ah, ...
– considerei a oferta diversas vezes em minha mente.
- Por favor!
- Tudo bem, que horas?
- Tô te esperando aqui na frente, até.
– ele desligou a ligação antes que eu respondesse.

Me levantei em um pulo, tomando coragem. Dei uma olhada pela janela e realmente vi seu carro do lado de fora, e ele com seus óculos escuros, mexendo no celular. Rolei os olhos quase que inconscientemente e caminhei até o banheiro, para um banho rápido.
Saí do banho e escolhi uma roupa que combinasse com o pouco sol que tinha lá fora. Peguei minhas coisas rapidamente, bolsa, celular, óculos de sol, e um carregador, claro. Peguei também um casaco, pois nunca se sabe.

- Oi. – ele disse após sair do carro ao ver que eu me aproximava.
- Você não existe. – beijei sua bochecha em cumprimento.
- Juro que existo, só queria uma companhia para o café da manhã, não me julgue. – ele disse, andando até o seu lado do carro para entrar.
- Uma companhia? Poderia ser qualquer outra, então? Não é assim que se conquista a confiança de alguém, . – eu ri.
- Eu queria a sua companhia, piadista. – ele retrucou. – Hoje minha intenção é matar minha curiosidade e saber sobre você. – ele piscou e eu apenas rolei os olhos.
- Não é como se minha vida fosse interessante, não sou uma jogadora de futebol. – dei de ombros.
- Só de não ser pública, sua vida já é mil vezes mais interessante que a minha.
- Tá afiado hoje, huh? – brinquei. – Não sei o que quer saber.
- Nem eu, eu só quero.
- E por quê?
- Ah, vai começar de novo? Você tem algo contra fazer amizades? Ainda me acha um completo desconhecido?
- , já apanhei muito na vida, nunca vou deixar de achar essa situação uma coisa esquisita, e talvez, uma completa loucura. Não me julgue.
- Você aceitou sair comigo, então acredito que isso significaria dar abertura, cumpra sua parte. – ele rolou os olhos e gargalhou. – Você me tira do sério. – dei de ombros.
- Alguém já te disse o quão chato você é? Só pra saber, mesmo.
- Me dizem sempre, fica em paz.

- Ovos mexidos e bacon, por favor. – sorri para o garçom, sem nem abrir o cardápio. – E por favor, uma Coca-Cola. – me encarou, de olhos arregalados, assim como vi o garçom rir, indignado.
- Sei que já são onze da manhã, mas ainda não é horário de almoço! – ele riu e o garçom o acompanhou, discreto. – Quero o mesmo, exceto pela Coca-Cola. – ele assentiu e se retirou.
- Eu não gosto de café, não bebo muita água, leite essa hora não tô afim também... Me resta a coca, ué. – dei de ombros e ele balançou a cabeça em negação, rindo. – Você não queria saber mais? Isso me define.
- Louca?
- Exatamente! Tenho 28 anos, mas sou quase uma criança.
- 28? – ele perguntou, um pouco espantado, e eu gargalhei.
- Sim, 28. – dei de ombros.
- Como assim? Isso é impossível. Fui enganado!
- Isso deveria ser um elogio? – perguntei, rindo.
- Não sei, acredito que seja apenas surpresa mesmo. Desculpa, , eu somava uns 4 anos pra Bells, uma gravidez precoce, e você com uns 24, no máximo 25.
- Você é sincero, pelo menos. – sorri, agradecida. – Nada de gravidez precoce. Cheguei aqui com 14 anos. Conheci Michael com 19, nos casamos quando eu tinha 22, e quando a Bells nasceu, eu tinha 23.
- Então vocês tinham uma bela história, não? – ele agradeceu ao garçom que viera entregar nossos pratos. E eu afirmei, com um sorriso.
- Mas nem sempre tudo dá certo, faz parte da vida. – ele assentiu. – Vai, já que começamos por essa parte da vida, me conta da sua! Namora? Namorou? Casou? Teve filhos? – perguntei, animada, enquanto dava uma garfada em meus ovos mexidos.
- Não acompanha muito a mídia? – ele perguntou e eu dei de ombros.
- Acompanho um pouco, mas nem tudo. Já te vi em algumas matérias, mas você não é tão assediado a ponto de ter tudo sobre você lá. Namorou uma vez, não? – ele assentiu.
- Achei até que ia dar casamento, mas na minha mudança de time tudo complicou. Ela não queria sair da Espanha, e eu queria muito vir pra Inglaterra e de preferência ficar aqui sem me mudar mais. Ela não acreditou nisso, disse que se outro time oferecesse e eu estivesse irritado aqui, eu aceitaria e ela teria que mudar tudo de novo. Então eu desisti. – ele deu de ombros. – Gostava muito dela, e ela também gostava muito de mim, era incrível. Mas não sei, se ela não quisesse se mudar, a gente daria um jeito, mas ela não confiou em mim.
- Mas você é daqui, não? – ele afirmou.
- Comecei em uma base aqui, e fui para um time lá, onde cresci. Então, me compraram aqui novamente.
- Essa história de ser comprado me deixa meio arrepiada. É engraçado e bizarro, compram pessoas, parece tráfico. – eu gargalhei e ele fez o mesmo.
- Você é péssima, . – ele falou, quando recuperou a postura para voltar para a conversa.
- Vai dizer que nunca pensou nisso? Você é quase um garoto de programa, te compram pelo seu talento. – ri novamente. – Ok, parei de falar asneira, prometo. – ele negou com a cabeça.
- Não para não. – vi seu sorriso se abrir e imagino que tenha corado.
- Você trouxe o pior de mim! – olhou para cima, fingindo não ter culpa. – Vai, me fala mais!
- Não, eu que queria te conhecer, não o contrário. Você que tem que responder minhas perguntas. – me mostrou a língua. – Nasceu muito longe daqui? Interior? – ri, alto.
- Impossível que você não tenha percebido que não sou daqui.
- Notei que não é de Londres. Não é algo?
- Tudo bem, já é alguma coisa. – sorri – Quando disse que cheguei aqui aos 14, quis dizer de outro país. Sou brasileira. – sua boca se abriu em um perfeito 'O' e eu entrei em uma nova crise de risos.
- Como assim!? – sua expressão ficava entre surpresa e dúvida.
- O espanto seria por...? – questionei, de sobrancelhas arqueadas.
- Não teria como perceber, seu inglês parece nativo, até mesmo o sotaque.
- Bom, isso é um grande elogio. – ri. – Acredito que depois de mais de 10 anos, não deveria ser diferente.
- Acontece. Nem todos realmente falam dessa forma, mesmo com 20 anos, que seja. Ainda usa o português naturalmente?
- Claro, ! – ri de sua inocência. – Pelo menos não perguntou se eu falava o espanhol naturalmente.
- Willian, David Luiz, entre outros diversos que conheço. Ser jogador é conhecer muitas culturas diferentes. – ele deu de ombros, com um grande sorriso no rosto.
- Desculpe, isso foi rude.
- Tudo bem. Você já deve ter escutado muita coisa. – sorriu.

- O que vamos fazer agora? – perguntou quando entramos no carro. O encarei, sem entender. – Tem planos? Pra tarde? – neguei com a cabeça. – Então por que essa expressão?
- Não sei. – confessei.
- Fala sério... Você não gosta de mim? Só me tolera? E eu tô forçando a barra? – ele disse, sério.
- Não, ! Nada disso, não me entenda mal.
- Eu sei, eu tô brincando. – ele riu e suavizou sua expressão. – Só queria ver sua reação mesmo. – dei um tapa em seu braço, que poderia ter sido ouvido até por quem estava fora do carro. – Aí. – ouvi meu celular tocar e automaticamente levei minha mão ao bolso, vendo que era uma chamada de vídeo feita por Michael.
- Bells. – mostrei o celular para e ele sorriu. – Oi, filha! – falei, atendendo.
- Mamãe! Cadê você? – ela fez bico e eu arqueei minhas sobrancelhas, sem entender. Ela então apontou meu celular para a porta de casa.
- Você já voltou, Bells? Achei que você chegaria mais tarde!
- A vovó não tava muito bem, então a titia ia no hospital com ela e o papai vai pra lá também.
- Posso falar com o papai? – ela entregou o telefone para Michael, que tentou aparecer o menos possível na câmera, apenas alcançando o microfone. – Está tudo bem com ela? – falei, preocupada. Se tinha uma pessoa a quem eu guardava todo meu carinho era Kate.
- Eu acredito que tenha sido apenas uma queda de pressão, mas você sabe que não podemos brincar com qualquer queda de pressão dela.
- Me desculpe, estou indo pra casa, tudo bem? Chego em pouco tempo. – falei e ele assentiu, desligando. – Desculpe, . – eu sorri, envergonhada.
- Ei, está tudo bem, . Vamos lá.

- Mamãe! – Bells gritou ao me ver descer do carro, correndo em minha direção. – Tio! – ela se animou ainda mais quando viu descer logo atrás.
- E aí, pequena? – ele disse, se abaixando para pegá-la no colo e depositar um beijo em seus cabelos.
- Olá, . – Michael acenou, se aproximando. – . – ele apenas balançou a cabeça, o cumprimentando. – Desculpe por ter que te fazer voltar.
- Imagina, Mike. Me dê notícias dela depois, por favor. – vi colocar Bells no chão e ela correu para o pai, abraçando suas pernas. Ele levantou a filha e a abraçou, se despedindo.
- E agora, o que vamos fazer? – olhei para Bells, a puxando para perto de mim. Ela deu de ombros.
- Não sei o que vocês vão fazer, mas acho que vou no parque. – deu de ombros, encarando Bells. Eu balancei a cabeça, inconformada.
- Só inventa! – ele riu.
- Mãe, a gente pode ir também? Por favor. – ela juntou as mãos, como se implorasse.
- Claro. – rolei os olhos.

O Hyde Park era um dos meus lugares favoritos desde sempre. Quando eu chegara aqui, corria para cá toda vez que sentia saudades de casa. Meus pais estavam aqui, mas se adaptar a outro país, por mais que maravilhoso, não havia sido fácil. Me acostumar a tudo novo e saber que não teria ninguém além de meus pais, fazia com que tudo fosse desesperador.
O Hyde Park me deixava tranquila, e eu morava perto dali com meus pais, então eles também sabiam onde me procurar, caso eu sumisse por mais tempo do que deveria. Sempre embaixo da mesma árvore.
- Onde você quer ir? - perguntou.
- Tenho um lugar, continua andando. - dei um empurrãozinho nele, que carregava Bells nas costas. - Você é uma folgada, Isabelle. Nem parece que te criei direito. - resmunguei e rolou os olhos, enquanto a garota ria, se divertindo. - Tenho uma pergunta.
- Diga.
- Não tem problema, você sair assim? Sei que jogadores de futebol são muito menos perseguidos do que cantores e atores, mas sei lá.
- Olha, normalmente fica tudo bem. Algumas vezes as pessoas aparecem e tiram fotos, mas não sei, eu sempre estou sozinho, não pensei nisso, desculpe. - ele disse, sincero, agora olhando em volta.
- Não, tá tudo bem. - eu sorri. - Não estamos fazendo nada demais, mas eu não sei o que isso seria pra sua imagem. - apontei para nós três.
- " sossegou" provavelmente seria a primeira matéria. A segunda seria algo do tipo " tem uma filha?". Ou algo como, " adotou uma criança e uma babá?". - ele gargalhou, me fazendo rir também.
- Jura que isso é possível? - perguntei, inocente.
- Juro, nunca se sabe o que esperar das pessoas. - ele deu de ombros. - Se você percebeu agora essa situação, , eu não me importaria de ir embora. Eu mesmo não havia pensado nisso. Não quero isso pra vocês. - ele disse, enquanto sentávamos onde eu havia indicado, e Bells já corria para brincar.
- Tá tudo bem. - eu sorri. - Não acredito que vá acontecer nada. E bom, não existe nada para retratarem, não serão nada além de boatos. - dei de ombros.
- Fico feliz que você pense assim. Eu realmente gostei demais de vocês duas e nunca vou cansar de dizer isso.
- Você é louco. - eu ri. - Isso é algo completamente aleatório. Acho que você é muito carente, .
- Talvez eu seja, e vocês tenham me ajudado nisso. - ele riu. - Mas nunca diga que você também não está curtindo. - ele me encarou, ficando sério. - Vou gostar de ter sua amizade, e você? - perguntou, ainda sério.
- Eu estou adorando. E podemos ver que Bells também. - sorri para ele e ele aproveitou para abrir os braços e segurar minha filha, que viera correndo e se jogara em seu colo, derrubando os dois.



Capítulo 04

“Just wait Can you come here please? 'Cause I wanna be with you ” (Wait – Maroon 5)

Por
- Sei que você avisou e eu disse que estava tudo bem, mas é terrivelmente estranho. Meu pai me ligou porque viu na banca de jornal. E ele tem 70 anos! E o pior! Ele torce pro City! – gargalhou, provavelmente da minha voz de desespero.
- Preciso conhecer seu pai, ele precisa urgentemente mudar de time!
- Ah, isso é terrível, .
- Mas, , não foi nada demais.
- Eu sei que não, mas ah, sei lá!
- Realmente não sei o que dizer pra você, . – sua voz soava triste, e um tanto quanto preocupada.
- Tá tudo bem. Sério. A gente vai resolver. – eu sorri, mesmo sabendo que ele não veria.
- Você é incrível.
- Ansioso pro jogo? – mudei de assunto, me referindo a próxima partida, que traria Chelsea x Manchester United.
- Muito. Quer ir? – ele perguntou, rapidamente.
- Não, esse vou ver pela tv. – eu ri. – Eu e Bells estaremos torcendo, como sempre.
- Você vive me julgando, que eu sou louco e tudo mais. Que eu me aproximei dessa forma de vocês. Mas como foi pra vocês? – eu me joguei na cama, colocando as pernas para cima da cabeceira.
- Não sei te responder. Ainda acho essa amizade algo completamente aleatório. É estranho.
- Por quanto tempo você vai me dizer que é estranho ainda? Deixa eu te lembrar que somos um belo casal de namorados. E adoramos levar nossa sobrinha para passear – eu gargalhei ao vê-lo fazer referência a matéria que havia sido publicada com algumas fotos nossas no parque alguns dias atrás. Me surpreendi de que não haviam mais fotos de outros dias.
- Você não presta!
- Nem você! Por isso nos demos bem. Só espero que a Bells preste! – ele riu. – Inclusive, por que Isabelle?
- Não posso estender muito o papo, . Hoje preciso ir pra farmácia, preciso me arrumar.
- Ah, tudo bem. – ele disse desanimado. – Acho que vou marcar um psicólogo para as horas que não pode falar comigo, desacostumei a ficar completamente sozinho.
- Não acha que a gente conversa demais? Daqui a pouco as duas “Belle” ficarão com ciúmes. Ah, Bells fica me dizendo que está com saudades do Tio , e em seguida me pergunta “tem jogo?”
- Quando a senhorita quiser, podem vir me visitar, ou me convidar para visitá-las.
- Preciso ir, tudo bem? – falei.
- Tudo bem, bom trabalho, .

Desliguei o telefone e me levantei da cama preguiçosamente. Peguei minha roupa e fui para o banho, olhando o horário para ter ideia de quanto tempo poderia enrolar ali. Liguei o chuveiro e me virei de costas, deixando com que a água escorresse livremente na temperatura ideal.
Era incrível como um banho colocava pensamentos em nossa mente, por mais que acreditasse que eles não rondavam minha cabeça. sempre me perguntava qualquer coisa e eu era completamente evasiva, enquanto ele tentava cada vez mais me conhecer, conhecer Bells, e fazia isso de forma completamente inocente, era algo possível de ver em seus olhos.
Eu não sabia se era por ser mais novo que eu, e apesar de saber que ele já poderia ter passado por muita coisa na vida, eu o enxergava como alguém inocente, que apenas aproveitava o que tinha, por merecimento, é claro. Mas eu enxergava nele o que ele tentava colocar em palavras algumas vezes, a respeito de como tudo poderia ser solitário, apenas entre as mesmas pessoas sempre.
Eu havia criado por ele um carinho. Ele conseguira cativar a mim, e a Bells, mas, ao mesmo tempo, eu sentia que deveria pisar em ovos. Mesmo sabendo que tínhamos apenas uma amizade, não era assim que seria facilmente visto de fora, e isso me incomodava mais do que eu pensara que poderia. Não era algo em que eu queria me envolver agora que conseguira ajeitar minha vida depois de toda a separação e me acostumar a ficar só com minha filha.
Minha farmácia, depois de muito investimento, ia bem sozinha. Havia contratado funcionários incríveis que cuidavam muito bem dali, e eu havia aprendido a administrá-la extremamente bem, de uma forma que eu mesma passei a admirar. Eu não ficava lá tanto tempo, mas ia sempre algumas vezes na semana. Era algo que eu sempre gostei de fazer. Atender as pessoas ainda era algo em que eu me identificava.
Decidi que ficaria lá até mais tarde, então liguei para minha mãe e pedi para que ela fizesse o favor de buscar Bells na escola e ficar com ela até que eu pudesse buscá-la.

🎵

Eram nove horas da noite quando o vi passar pela porta da farmácia e parar na sessão de shampoos. Neguei com a cabeça para mim mesma, já que ele não estava olhando, e apenas sorri para Phillip, meu estagiário que pensara em se deslocar para atender o cliente.
- É o , não é? – ele perguntou, baixo, sorrindo em minha direção. Eu afirmei. – Eu vi as notícias. – ele piscou para mim, e eu apenas rolei os olhos.
Saí de trás do balcão e andei até onde ele encarava todos os produtos que estavam na prateleira, de forma enigmática.
- Precisa de ajuda, senhor? – perguntei, séria.
- Sim, claro. Eu estou com uma gigante dor de cabeça. – ele reclamou.
- E por isso está olhando a sessão de cosméticos?
- Não, só ia aproveitar pra comprar meu shampoo mesmo. – ele deu de ombros. – Acredito que posso fazer os dois, não? – disse ele, debochado. Dei um tapa em sua cabeça e o abracei, deixando um beijo em seu rosto. – Tudo bem?
- Sim, e você? – perguntei e ele assentiu.
- Tirando a real dor de cabeça, tá difícil. – o puxei comigo em direção ao balcão, onde Phillip acenou para ele, pronunciando tímido algo como “grande fã” e sorriu para ele, apertando sua mão.
- Aqui. – o entreguei o medicamento e ele sorriu, agradecido. – Essa não é a farmácia mais próxima da sua casa, o que faz aqui? – perguntei, curiosa.
- Estava indo pra outro lugar. – ele deu de ombros. – Nem vem, eu não imaginei que ainda estaria aqui. Está se achando demais, .
- Tudo bem, então. – dei de ombros.
- Eu só tinha esperanças. – ele admitiu, rindo. – Mas realmente estava apenas passando, vou sair. – ele sorriu.
- Então, por favor, leve camisinhas antes dessa vez, já vamos fechar. – eu gargalhei e ele rolou os olhos, pegando diversos pacotes e jogando em cima do balcão, me fazendo o encarar de olhos arregalados.
- Foi você quem sugeriu. – ele deu de ombros. Quando peguei, em silêncio, o primeiro pacote para passar no caixa, ele gargalhou, puxando-os de volta e começando a colocá-los novamente na prateleira. – Eu estou brincando, . E nem sempre sair, significa isso. – ele mostrou a língua. – Inclusive, se quiser ir comigo, posso te levar. – ele deu de ombros novamente, mas dessa vez tímido. – Vou encontrar os caras do time, apenas para dar umas risadas, relaxar. – sorri para ele.
- Obrigada pelo convite, mas vou buscar Bells na minha mãe e ir para casa.
- Ah, tudo bem. – ele sorriu, triste. – Nos falamos amanhã? – assenti e ele passou o corpo por cima do balcão, deixando um beijo em meu rosto. – Até, .
- Até, . – ele acenou para Phillip e então deixou a farmácia.
- Um belo casal, senhorita, um incrível casal. – o garoto deu de ombros, logo encolhendo seu corpo ao ver meu braço indo em sua direção para lhe atingir com um tapa. – Não negue, ele está na sua. Está escrito nos olhos dele, .
- As coisas não funcionam assim, bonitinho. – rolei os olhos. – Apenas amigos. – sorri para ele, e acenei para que arrancava com o carro agora.

🎵

- Mamãe! – Bells correu em minha direção quando abri a porta da casa de minha mãe.
- Oi, meu amor! – a abracei, me abaixando. – Tudo bem hoje? – ela assentiu.
- A vovó fez uma comida deliciosa. – ela sorriu, batendo na barriga como se estivesse cheia.
- E sobrou pra mamãe? – falei, olhando para minha mãe que agora se levantava do sofá e vinha em minha direção, enquanto eu mexia nas panelas.
- Como se a sua “mamãe” não te conhecesse. – a abracei e beijei sua bochecha.
- Por isso você é a melhor mãe do mundo. – ri, apertando-a mais entre meus braços, antes de deixá-la para pegar um prato no armário e correr de volta para as panelas.
- E por algum acaso, você vai contar pra melhor mãe do mundo o que está acontecendo? - ela perguntou, quando viu Bells se distraindo novamente com a televisão, e eu colocava minha comida para esquentar.
- Melhor mãe do mundo, e a mais curiosa também, não? Papai já está dormindo? - perguntei, olhando para o corredor, e ela assentiu. - Adivinha? - sua expressão se tornou em algo animado. - Nada! Exatamente isso que está acontecendo, nada! Mas aparentemente as pessoas ganham dinheiro inventando relacionamentos para as pessoas, não os culpo. - dei de ombros e ela rolou os olhos.
- Ele é bonito. - ela sorriu.
- Muito, e bem simpático também. A gente se dá muito bem, mas somos só amigos. Ele e a Bells também se adoraram.
- Apenas não deixe oportunidades passarem por medo ou qualquer coisa assim, minha filha. - ela passou a mão em meus ombros, como se fosse massageá-los, quando me sentei em frente à mesa.
- Eu não tenho medo, mãe. - resmunguei, dando a primeira garfada em minha comida. - Não sei por que eu teria. - falei de boca cheia, sendo repreendida por ela.
- Bom, vamos fingir que não está mais aqui quem falou, huh?

🎵

- Você pretende fugir por quanto mais tempo? - me surpreendi ao abrir a porta e encontrar do outro lado.
- Tio! – Isabelle gritou ao vê-lo e saiu correndo em sua direção, para abraçá-lo.
- Oi, Bells! – ele
- Oi, pequena! - ele afagou seus cabelos. - Lola mandou uma lambida pra você. - Bells riu, fazendo um gesto de lambida como de um cachorro. - Tudo bem, vou mandar de volta pra ela! - ele colocou-a no chão novamente e se aproximou de mim, beijando minha bochecha. - Estou atrapalhando?
- Não. - respondi, ainda sem saber o que falar. - O que faz aqui? - perguntei, tentando soar simpática, mas percebi que não estava sendo muito bem-sucedida quando vi sua expressão.
- Não vai nem mesmo negar, ? - ele balançou a cabeça em negação. - Desculpe ser insistente então. - ele sorriu, envergonhado, voltando seu corpo para a porta novamente.
Já haviam se passado duas semanas desde o dia em que estivera na farmácia. E desde aquele dia, nós havíamos apenas conversado por telefone, ou mensagens, mas eu passara a evitar um pouco seus convites para sair. Até mesmo no último final de semana, onde eu ficara sozinha.
Depois que minha mãe passara a insistir em entender o que estava acontecendo, eu parara para pensar que talvez não quisesse pessoas em cima da minha vida. Nisso, já bastava minha própria mãe, como sempre. Não era necessário mais ninguém me perguntando sobre coisas que não existiam, coisas para as quais não tinham respostas.
Talvez meus pensamentos ainda estivessem extremamente bagunçados devido ao pouco tempo em que tudo ocorrera. E talvez, apenas talvez, me irritasse um pouco com sua insistência. Ele não era um stalker, nem nada assim, e eu o dera liberdade para se aproximar e fazer parte de nossas vidas, mas eu acredito que ele se empolgara um tanto quanto demais com isso. Era algo incrivelmente lindo, eu não podia negar, mas era como se fôssemos amigos de infância em um mês, e isso era um pouco assustador para quem nunca tivera amizades dessa forma.
- Desculpa. - falei, baixo.
- Tá tudo bem. - ele relaxou os ombros. - Eu realmente deveria me desculpar. Talvez não seja uma boa hora pra conversar, quer deixar pra depois?
- É uma boa hora. - dei de ombros e puxei uma cadeira na cozinha, esperando que ele fizesse o mesmo.
- Tio! Vem assistir comigo! – Bells se aproximou, puxando pela perna. Ele me encarou, sorrindo. – Por favor. – vi minha filha fazer bico e ele me olhou novamente, quase implorando para que eu esperasse.
- É só um pouquinho, eu não posso negar. – ele fez bico também, rindo. Balancei a cabeça e ri, abanando minha mão no ar, mandando-o ir.
Quando ele saiu da cozinha, olhei para o portão que dividia o cômodo com um pequeno quintal, e então me lembrei que em todas as poucas vezes que estivera aqui, ele ainda não havia conhecido Chelsea, por qualquer motivo que fosse. Um dos dias a cachorra havia sido levada para tomar banho, em outro, ela apenas estava presa no quintal. Andei até lá e destravei o portão, estalando meus dedos, chamando-a para dentro.
- Chelsea! – ouvi Bells gritar, animada, enquanto a cachorra pulava em cima de no sofá. Ela latia, animada, e rodava no próprio lugar, alternadamente com se assanhar para o lado do homem.
- E ai, garota! – dizia repetidamente, rindo. Ele tentava a afastar ao menos um pouco, para respirar, mas ela insistia em se jogar em cima dele.
- Me lembrei que você ainda não havia a conhecido. – dei de ombros e ele riu, afirmando.
- Você é linda! – ele resmungou para Chelsea, enquanto ela se acalmava e apenas se mantinha em sua frente, feliz.

- Podemos? – ele se sentou na cadeira em minha frente, quando Bells prestava mais atenção no filme que passava do que nele. Deixei meu celular, no qual eu mexia, de lado e o encarei.
- Claro. – sorri. – Pode falar.
- Isso tá parecendo uma DR. – ele riu e eu o acompanhei. – Aí, , não quero transformar isso em algo sério, eu só queria conversar mesmo, saber por que você tá tentando se distanciar, se eu fiz algo.
- Ah, , não é nada, poxa.
- É claro que é. Posso tentar adivinhar? – eu rolei os olhos. – Você descobriu que já me ama, que sou o amor da sua vida e está em negação? – fingi que iria vomitar e ele riu. – Ufa, fico extremamente feliz com isso. – arqueei as sobrancelhas. – Acho que não estou pronto pra isso. – ele deu de ombros, tímido. – Você descobriu que tem uma doença muito séria, acreditou que eu estava apaixonado e não quis me magoar? – neguei com a cabeça, segurando a risada. – Você estava secretamente planejando me pedir em casamento?
- Junta todos esses motivos, e encontra o certo! É fácil! – ele olhou para cima, pensativo. – , eu odeio que ninguém possa levar a sério uma amizade entre duas pessoas. Ver nossa foto aquele dia me deixou meio irritada, sabe? Odeio que sempre vão enxergar de outra forma, e que até meus pais vão me encher com isso.
- Por sinal, minha mãe está ansiosa por conhecer a neta. Ela não caiu nessa de sobrinha. – ele torceu a boca, num sinal de ironia.
- Aí, meu Deus, . – eu escondi meu rosto entre minhas mãos. – Ah, isso é horrível, sério!
- , relaxa. Minha mãe é o de menos, ela é muito gente boa. Uma ótima sogra, se quiser considerar. – falou, brincalhão.
- Pode deixar, vou anotar aqui na minha mente.
- Não se afasta de mim por causa disso não. – ele sorriu, envergonhado. – Eu realmente me importo com a nossa amizade, por mais imprevisível, esquisita, e louca que ela seja. Talvez a gente tenha atropelado tudo e eu tenha te tornado mais minha terapeuta do que amiga, e eu nem tenho explicação pra isso.
- Ah, eu vou te bater, você não tem direito de ser assim! – eu ri, bagunçando seus cabelos. – Eu tava considerando esses dias atrás, e percebi que nunca tive uma amizade, amizade mesmo, por aqui sabia?
- Me dá a honra, senhorita? – ele se levantou e foi até meu lado, se abaixando e puxando minha mão para depositar um beijo. – Mas assim, é muito cedo pra fazer aquele pacto que se em tantos anos a gente não desencalhar, casamos? – acertei sua cabeça com um tapa e ele me mostrou a língua, correndo de volta para o sofá, para brincar com Isabelle e Chelsea que ainda se encontrava esparramada no tapete.



Capítulo 05

“Well I met you yesterday, you took my breath away and I kinda like the way that you're so damn unpredictable. That was just history, It turned into you and me, it happened so easily, like I'm livin' some kind of miracle.”(High Hopes – The Vamps)

Por

- E aí, pequena, viu o gol bonito que fiz? – fiz um toque de mãos com Bells quando me aproximei dela e de , após o jogo que elas haviam assistido entre Chelsea e Leicester.
- Foi incrível! – ela me abraçou, animada.
- Foi mesmo. – sorriu, bagunçando meus cabelos com as pontas dos dedos.
- E agora? Vamos fazer o quê? – perguntei a elas e vi torcer a boca.
- , temos que arrumar nossas coisas para viajar.
- E é por isso mesmo que quero fazer algo, vamos comemorar nosso natal hoje, já que vocês não estarão aqui. – eu dei de ombros. – Por favor.
- Vamos, mamãe, por favor! – Bells juntou a mão, implorando para a mãe na intenção de me ajudar. – Aí vamos ter natal duas vezes! Isso é muito legal!
- E depois a senhorita por acaso vai me ajudar a arrumar tudo? Não vai, né?
- O tio ajuda! – ela falou, como se fosse óbvio e eu bati minha mão em minha testa, rindo.
- Obrigado, hein? – a encarei e ela sorriu. ria sozinha, com a cabeça escorada em suas mãos.
- Vamos, vai! Antes que eu desista. – saíra andando em direção ao seu carro, com Bells em seu encalço e eu segui na mesma direção, mas meu carro estava um pouco mais distante.
- Mercado e depois minha casa? – perguntei, gritando por estar um tanto distante e ela assentiu.
- Vai que eu te sigo. – vi que ela arrumava Bells no banco e quando entrou no carro, fiz o mesmo e dei partida, aguardando que ela estivesse perto o suficiente para irmos.

- Não vai querer assar um peru, né? – ela perguntou, quando entramos na parte de congelados.
- Demoraria demais, não? – perguntei em dúvida.
- Sim, demais. – ela riu.
- Então, hambúrgueres seriam uma boa?
- Vou ter que sujar a mão. – ela mostrou a língua, fazendo cara de nojo. – Mas tudo bem.
- Eu amo hambúrguer. – Bells falou, sacudindo os ombros.
- E a senhorita deseja mais alguma coisa? – perguntei, me abaixando e ela então se aproximou para sussurrar no meu ouvido.
- Doces! E refrigerante! – ela falou, animada. Me levantei, rindo, e me olhou curiosa.
- Segredo nosso. – dei de ombros.
- Achei que fôssemos amigos. – ela fez bico, enquanto procurava pela carne.
- Somos, mas ela também é minha amiga. – fiz um toque de mãos com Bells, que riu da indignação da mãe.

- Eu odeio sujar minhas mãos. – reclamou, fazendo cara feia para a bacia em sua frente, onde ela misturava a carne com temperos, pensando no momento posterior, onde colocaria suas mãos para amassar.
- Quer uma luva? – ela rolou os olhos.
- Já tentou fazer algo com luvas? – perguntou.
- Não. – dei de ombros.
- Já tentou fazer qualquer coisa? – ela arqueou as sobrancelhas.
- Sei fazer o básico. – sorri forçado, para irritá-la. – E o mais importante, sei acender a churrasqueira, então tchau. – mostrei a língua e sai correndo em direção a varanda, acompanhado de resmungos da mulher.
- Devia te deixar sem comida. – ela gritou da cozinha.
- Eu também, mamãe? – Bells, que estava no cômodo entre nós dois, gritou nos olhando e eu gargalhei.
- Você vai traumatizar sua filha.
- Você não, meu amor, só o tio . Ele é chato.
- Ele não é chato, mamãe. – Bells me defendeu e eu gargalhei mais uma vez e sai correndo em direção a menina, pegando a no colo e enchendo de beijos em seu rosto.
- Melhor criança do mundo! – a joguei no sofá e comecei a fazer cócegas, ouvindo seus gritos de “para, tio”. ainda sorria na cozinha, indignada.
- . - ouvi-a perto de mim e me virei, sendo então atingido por carne moída em meu nariz. Vi suas mãos completamente sujas e a olhei, com as sobrancelhas arqueadas.
- Você sabe que vai pagar, não?
- Pela plástica no seu nariz? Ele já é feio, , não foi a carne quem fez isso aí. – ela apontou para meu nariz, me fazendo ficar vesgo ao olhá-lo.
A encarei e limpei a sujeira que tinha em meu rosto, e ouvi um “vai, tio!” vindo de Bells no sofá, então começou a correr em direção as escadas, tentando fugir. Em passos largos fui me aproximando da mulher, que já se escondia em meu quarto, sem nem ao menos ter que correr.
- Como fugir de um cara qual o trabalho é correr? – ela riu, tentando fechar a porta do meu banheiro antes que eu chegasse. Coloquei meu pé entre o batente e a porta e ela tentou esmagá-lo ali, fazendo força, mas fui mais rápido e empurrei o suficiente para fazê-la se render. – Droga. – ela riu, fechando a tampa do vaso sanitário e se sentando.
- Você tem sorte que não tenho nada nojento nesse momento pra esfregar no seu rosto. – dei um tapa de leve em sua cabeça e ela se abaixou, para desviar.
- Eca, . – ela colocou a língua para fora, fazendo cara de nojo e se levantando. – Quanta camisinha. – ela gargalhou e eu a acompanhei, reparando nas diversas camisinhas usadas que estavam jogadas ali. Dei de ombros e segurei em seu braço, a puxando para fora do banheiro.
- Tenho uma boa vida sexual, não posso reclamar. – falei, ainda rindo e fez como se fosse vomitar. – Se quiser testar, me avisa, tá? – pisquei para ela e vi seu rosto ficar sério e ela rolar os olhos.
- Te odeio. – ela me mostrou a língua.
- Você está a um passo de me amar, não negue, . – sorri para ela e descemos novamente as escadas, encontrando Bells nos esperando deitada no sofá. – Vamos acelerar essa comida, antes que alguém durma. – apontei para a menina que estava quase com os olhos fechados e assentiu, voltando para a cozinha enquanto eu caminhava em direção às churrasqueira novamente.

- Pena que esse Natal não tem Papai Noel, né? – falei, fazendo bico, e Bells concordou me imitando. – Mas prometo que no dia certo ele vem! – pisquei para e ela negou com a cabeça, fazendo palavras com a boca que formaram um bravo “Nem pense, ”. Sorri de lado e dei de ombros, deixando-a irritada. – Vocês voltam no dia 25? – perguntei.
- 26. – respondeu e eu assenti. – Tem jogo, né? – assenti novamente.
- Posso encontrar vocês depois do jogo? – Bells enfiava um enorme pedaço de hambúrguer inteiro na boca enquanto conversávamos, o que nos fez rir. apenas assentiu, concordando. – Passo lá pra ver vocês, então. Ajudo até a desfazer a mala se precisar.
- Você sabe que odeio isso, né? – eu concordei. – Seria uma ótima ajuda. – ela riu, sincera.
- Nem te conheço, né? – sorri e ela mostrou a língua.

🎵

- Ei, feliz natal. – falei, quando a ouvi atendendo a ligação.
- Oi, ! Feliz natal! – ela falou, animada. – Achei que você ligaria antes.
- Esperei até que você pudesse felicitar todo mundo aí, antes de poder me dar atenção.
- Você nem imagina como está isso aqui. Todo mundo se cumprimentou rapidinho à meia-noite e foram dormir. Não acredito que eles aderiram à Inglaterra nesse ano. Normalmente ficamos acordados até tarde comendo e conversando. Nesse ponto prefiro o Brasil.
- E a Bells?
- Também já me abandonou, já estou deitada de pijama olhando ela dormir. Já estava considerando te ligar. É natal, . Eu fico muito animada.
– sua voz realmente soava como se ela estivesse extremamente feliz, o que me deixava animado também.
- Estou vendo, parece que você tomou diversos energéticos. Está me lembrando aquele personagem de Deu a Louca na Chapeuzinho.
- Acho que ele me representa nas festas de fim de ano, sério.
– ela respirou fundo. – Como foi aí?
- Comprei um peru pronto, cervejas, uma torta e estou aqui, de barriga cheia, deitado no chão da varanda falando com você. Não é um Natal de todo ruim.
– falei, sincero.
- Achei que você iria sair, beber, levar uma mamãe Noel pra casa. – ela gargalhou.
- Nem só de sexo vive esse homem, senhorita.
- Bom saber, senhor.
– ela ficou muda durante alguns segundos. – Já está pensando em dormir? – perguntou.
- Não, e você? – perguntei.
- Não.
- Quer jogar alguma coisa?
- Tipo o quê?
- Não sei, que tal verdade ou desafio?
– eu ri, falando a primeira coisa que viera à minha cabeça.
- Pelo telefone e em duas pessoas? – ela perguntou, rindo e eu concordei. – Vamos lá, não é como se eu tivesse outra ideia ou qualquer coisa para fazer.
- Se tivesse, negaria minha ideia? É isso?
– me fiz de ofendido e ela resmungou, falando sobre o quão chato eu era.
- Começa logo. – ela falou.
- Tudo bem. Verdade ou desafio?
- Vou começar com verdade, vai.
– fiquei um tempo em silêncio, pensando.
- , não pode ser algo do tipo, pergunta ou desafio? Ficar procurando verdades é difícil. – reclamei, rindo, pois ainda não havia achado algo legal o suficiente para falar.
- Pode ser, pra você é fácil de perguntar, é só abrir notícias na internet e te perguntar se é verdade. – ela riu, nasaladamente.
- Você acredita em Deus? Em anjos, em destino. Coisas assim, sabe? – perguntei, depois de um tempo pensando.
- Que específico. – ela riu. – Acredito em Deus, mas não frequento ativamente a igreja. Acredito em anjos e tudo mais nesse sentido religioso, mas destino foge um pouco disso e não tenho certeza de que seja algo em que eu realmente creio. Acredito em amor, amizade... Mas destino é algo muito estranho. – apenas concordei com um pigarro e ela então voltou a falar. – Verdade ou desafio?
- Desafio.
- Droga, sou péssima nisso. –
ela falou rindo. – Posta uma foto no Instagram com uma legenda que só eu entenda. – ela disse, depois de um pequeno tempo pensando.
- Isso nem é um desafio de verdade, mas tudo bem. – eu ri, colocando o celular no viva-voz e abrindo o aplicativo. – Se quiser continuar falando, estou fazendo.
- Tenho medo de pedir desafio, já que isso não é um desafio pra você.
– ela riu, baixo.
- Você tá tendo que sussurrar, né? – eu falei, enquanto tirava uma foto das minhas pernas jogadas na varanda e adicionava um filtro. – Não pode sair do quarto?
- Tô com preguiça.
- Feito!
– falei e ela pediu que eu esperasse um minuto para que pudesse olhar.
- Bom, foi uma boa ideia. – ela riu. – Justo, cumpriu.
- Foi uma pergunta, já pode responder.
– me referi a legenda da foto, que fora “Verdade ou desafio?”
- Imagina o tanto de meninas que vão responder desafio naquela foto. – eu gargalhei, concordando.
- Mas quem eu quero que responda é você, vai!
- Apressado! Verdade, porque tenho medo de você.
- Chata.
– reclamei. – Existe algo pelo qual você se arrependa?
- De forma alguma. –
ela respondeu rapidamente. – Não acho que você deva se arrepender de qualquer coisa, se aconteceu, era porque deveria acontecer. Às vezes a gente até sente aquela coisinha ruim de “ah, por que eu fiz isso?”, mas só. Verdade ou desafio?
- Verdade.
- Você sente falta de ter alguém? Um relacionamento.
– ela perguntou, parecendo receosa de tocar no assunto.
- As vezes. Durante algum tempo fui acostumado com isso, né? Mas acredito que é da mesma forma que você. Sinto falta, mas não estou extremamente desesperado. – ri, ouvindo ela fazer o mesmo. – Verdade ou desafio? – perguntei.
- Desafio. Não me faça me arrepender.
- Quero que você vá do lado de fora, do jeito que está e faça uma chamada de vídeo comigo.
- , eu estou de shorts e está nevando! Você é louco?
– ela riu.
- Se você ficar doente, te pago um médico. – debochei e tive certeza que ela rolava os olhos.
- Te odeio. Já ligo. – ela disse finalizando a ligação.

- Ei. – falei, sorrindo ao vê-la na câmera.
- Tá muito frio! – ela quase gritou.
- Entra, ! – falei desesperado. – Não disse que era pra você me ligar daí de fora. – dei de ombros e ela me mandou o dedo do meio.
- Agora vou ficar aqui até ficar doente, só pra te dar despesa. – ela gargalhou, caminhando porta adentro de novo.
- Você está linda. – comentei sorrindo, quando ela se sentou no chão do que aparentemente era o hall. Ela virou o celular para cima, envergonhada.
- Verdade ou desafio. – perguntou.
- Verdade. – falei, após pensar rapidamente.
- O que você realmente sente por mim? Por que eu? – ela disse, sem nem ao menos pensar, como se aquilo já rondasse sua mente.
- Outch. – reclamei. – Eu não sei, , eu só realmente gosto muito de você, gosto da sua companhia, do seu jeito. Você me faz muito bem. E porque você, eu não sei. Me apeguei de uma forma engraçada, né?
- Bastante.
– ela riu. – Você me faz bem também.
- Feliz Natal, .
- Feliz Natal, .



Capítulo 06

“Settle down with me and I'll be your safety, you'll be my lady. I was made to keep your body warm, but I'm cold as the wind blows so hold me in your arms” (Kiss Me – Ed Sheeran)

Por


- Eu já te falei que amo seu macarrão? – falei para quando me sentei na mesa, esperando que ela colocasse a panela que faltava ali e se sentasse junto a Bells e eu.
- Algumas poucas vezes. – ela riu.
- É muito gostoso. – Bells concordou, tomando o refrigerante que estava em seu copo.
- , você tem que parar de se sentir de casa. – riu, quando me viu levantar e pegar os pratos e talheres no armário.
- Outch, ! Isso é ruim? – perguntei ofendido.
- Ah, gosto de tratar as pessoas como visita! Você me tira esse direito. – ela riu, se sentando. – Me sirva então. – ela deu de ombros e Bells esticou seu prato de plástico rosa na minha direção, agindo como a mãe.
- Ah não, fala sério vocês duas! – eu ri, pegando o macarrão e servindo os pratos enquanto resmungava e as duas riam de mim. – Onde fui me amarrar? – me mostrou a língua e Bells sorriu, dando sua primeira garfada.
- Eu te dei a opção de fugir diversas vezes. – ela deu de ombros.
- E eu não quis, e você vai querer jogar isso pra mim toda vez, eu sei. – também mostrei a língua para ela, que apenas riu.

- Bells. – falei quando entrei novamente pela porta da sala, já procurando pela menina. me encarou com os olhos semicerrados ao ver o pacote em minhas mãos e eu dei de ombros. – Feliz Natal, pequena! – entreguei o pacote rosa com um laço amarelo, que havia sido feito pela vendedora da loja, em suas mãos.
- Tio! – a menina falou animada. – Obrigada! – e então ela saíra correndo em direção ao sofá para abri-lo.
- ! – reclamou, se aproximando de mim. – Ah, não! – ela ralhou irritada, ao ver o pequeno pacote em papel azul que eu levantei, deixando-o em sua visão.
- Feliz Natal, ! – sorri, fazendo-a me dar um tapa no ombro esquerdo.
- Eu te odeio, ! Você não tinha o direito de fazer isso.
- Comprar presentes pra vocês? Eu tenho direito de comprar pra quem eu quiser, ué. – me fiz de desentendido, tentando irritá-la.
- Você entendeu! – ela cerrou os dentes. – Eu não comprei nada pra você. – seu olhar amoleceu, fazendo-me sorrir.
- Para de ser assim e só pega, . Eu não fiz isso na intenção de receber nada em troca e você sabe disso. Eu só vi as coisas e me deu vontade de comprar. – segurei uma ponta de seus cabelos e a enrolei em meu dedo indicador. – Olha como a Bells tá feliz. – eu gargalhei, vendo a menina encarar a boneca em sua frente fascinada.
- Agradece, filha.
- Muito obrigada, . – ela abraçou minhas pernas rapidamente, logo correndo de volta para a boneca, ansiosa por abrir a caixa e tirá-la de lá.
- Não vai abrir? – perguntei, ao vê-la levantar o pequeno pacote e encará-lo. – Eu juro que não é uma bomba. – ela sorriu.
- Você não me daria uma bomba e a entregaria enquanto você ainda estivesse aqui. Acredito que não faria muito sentido.
- Sua inteligência me fascina. – falei rindo e me virando em direção a porta. – Até mais... – brinquei e ela rolou os olhos, me puxando para perto dela novamente e logo puxando a fita que abriria o presente.
- . – ela falou surpresa, puxando seu fôlego. – Ah, meu Deus. É linda. – ela encarou a joia com os olhos arregalados. – , eu não posso aceitar isso. É demais.
- Não é demais, . – falei, olhando novamente para a pulseira que eu comprara, pois simplesmente havia me encantado ao notá-la na vitrine. Sua simplicidade, e as poucas pedras que a compunham haviam me deixado embasbacado. Sua cor prateada a dava um ar despojado, e eu sabia que poderia usá-la em qualquer ocasião. E eu havia pensado em quando a vi, quase que automaticamente, algo que me fizera sorrir, também quase automaticamente.
- . – ela respirara fundo mais uma vez e eu então pegara o adereço de sua mão, a assustando. Abri rapidamente o feixe e puxei seu braço para mim, pendurando-a.
- Ficou linda. Pare de reclamar e apenas aceite, combina com você. – reclamei. Ela assentiu, envergonhada e então se aproximara, juntando nossos corpos em um abraço. Algo que raramente acontecera durante todos esses meses de amizade.
Suas mãos passaram-se por minha cintura e seu corpo se encostou ao meu delicadamente enquanto meus braços se ajeitavam por cima de seus ombros. Depositei um beijo em sua cabeça e ela logo se afastara, balançando a cabeça como em negação e voltando a encarar o objeto em seu braço.
- Obrigada. – ela sussurrara. – Você é incrível.
- Eu sei. – dei de ombros e ela estapeou meu braço. – Desculpa, estraguei o momento. – eu ri, mas antes que pudesse falar qualquer outra coisa, ouvimos um barulho alto de algo chegando ao chão estrondosamente.
- Bells! – gritou ao ver a boneca no chão e a filha assustada com as mãos no rosto.
- Ela morreu, mamãe? – os olhos da menina se fecharam e eu então notei que eles estavam cheios de lágrimas.
- Não! – falei rapidamente, me aproximando dela e pegando a boneca do chão. – Ela está ótima! Olha! – entreguei o brinquedo novamente em seus braços e vi um sorriso brotar em seu rosto, ainda entre algumas lágrimas teimosas que queriam molhar seu rosto.
- Obrigada, tio! Você salvou ela! – ela abraçou meu pescoço apertado.
- Imagina, pequena! Sempre que precisar. – eu sorri, colocando-a no sofá para que voltasse a brincar.
- Por qual motivo ela pensaria que a boneca morreu? – comentou quando me aproximei, sorrindo para tentar parecer que não estava preocupada.
- Não faço a mínima ideia, essa menina é demais. – eu ri. – Relaxa, . – beijei sua testa. – Não é nada demais, provavelmente ela viu isso em algum vídeo do youtube, ou algum filme.
- Ela é inteligente demais. – a vi sorrir, parecendo mais aliviada.
- Puxou a mãe. – mostrei a língua para ela e recebi o mesmo em retorno, mas com o adicional de a ver corar.

🎵

- Esses jogos no fim de ano são terríveis, não? perguntou em meio a nossa conversa no telefone.
- Um pouco. – confessei.
- Não podem nem viajar ou qualquer coisa assim, né? Nem dá tempo.
- Algumas vezes minha família vem para cá, para colaborar com esse fato. Mas esse ano não. Vou passar só.
- E eu? Primeiro ano novo sem a minha pequena.
- Ela vai viajar?
- Michael vai passar com alguns parentes e acordamos que ele a levaria, pois queriam vê-la.
- Justo.
- Muito, mas agoniante para a mamãe-urso.
– ela riu nasaladamente, reforçando seu desespero.
- Passa comigo. – falei sem nem pensar.
- Passar o ano novo com você? Apenas nós? – ela riu, soando envergonhada.
- Qual o problema, ? – perguntei sério.
- Ah, não sei, . Só não esperava o convite. Ia passar com os meus pais mesmo.
- Ia?
– soei esperançoso.
- Vou pensar no seu caso. Agora preciso ir, se cuida!
- Pensa com carinho, tá?
– ouvi sua risada novamente. – Tchau, .

: Onde vamos passar a virada de ano? 🤔
: Ganhei companhia?
: Vou quebrar seu galho nessa. 😋
: Pode parecer meio bobo, mas nunca acompanhei a clássica queima de fogos de perto. Topa?
: Com certeza.
: Te busco às oito então, pode ser?
: Combinado.
: Obrigado, . ❤️
: ❤️

“É 31 de dezembro, fim de mais um ano...”

Tomei água rapidamente e peguei meu moletom branco de cima do sofá, vestindo-o e correndo para a porta, preparado para encontrar o motivo pelo qual eu não queria me atrasar.
Entrei em meu carro e saindo da garagem me deparei com o caos. Viver no centro era maravilhoso, eu adorava, mas nesses momentos era loucura. As ruas estavam cheias de carro, os metrôs pareciam abarrotados. Mas ainda assim, todos sorriam. Era possível ver os diversos sorrisos se escondendo nas golas altas das roupas quentes que as pessoas vestiam. Estávamos com 5ºC, quanto mais roupa nessas horas, melhor, mesmo que parecêssemos bonecos de neve todos em branco.
Peguei o caminho mais rápido para casa de , e apesar de o mais rápido, hoje não era exatamente isso. Liguei para ela que me informou já estar pronta, então a comuniquei do caos em que estávamos aqui na zona 02*. Apertei o botão do rádio e deixei em uma estação qualquer que pudesse me distrair, sorrindo ao ouvir que tocava Maroon 5, uma banda que eu gostava e sabia que também adorava.
Me animei com a música e então peguei meu celular, sabendo o quão errado é fazer isso enquanto se dirige, e conectei meu aplicativo ao aparelho, selecionando uma playlist da banda.
- I'm hurting, baby, I'm broken down, I need your loving, loving, I need it now. When I'm without you I'm something weak... - entrara no carro rindo de minha performance. Parei em sua porta com os vidros abertos, cantando no mesmo tom de Adam Levine. Tentando, claro.
- You got me begging, begging, I’m on my knees... - ela continuara a música ao se sentar ao meu lado e colocar o cinto de segurança, logo se inclinando para beijar minha bochecha. - Está animado? - eu assenti, sorrindo e logo saindo com o carro do lugar.
- Muito. Adoro ano novo. - dei de ombros.
- Com esse sorriso no rosto parece a criancinha que gosta de Natal.
- A criancinha como você? - mostrei a língua e ela encostou sua cabeça no vidro, envergonhada. - E a Bells? - perguntei.
- Nem se importa de ficar sem a mãe. Inacreditável. - ela rolou os olhos e eu ri.
- Mamãe urso mesmo, não? - ela assentiu. - Queria que ela estivesse com a gente, ela ia gostar.
- Ela sempre me pediu pra vir, vai ficar bem triste que vim sem ela. - ela sorriu triste.
- Nunca a trouxe por algum motivo específico?
- Muito cheio, acho perigoso. - ela deu de ombros. - Um dia você vai entender, é coisa de mãe e pai. - ela sorriu.
- Será que vou? - eu ri.
- Não tem vontade de ter filhos? - ela perguntou, despreocupada.
- Tenho. - respondi prontamente. - Sempre achei que tinha dificuldade com criança ou que não me daria bem, mas a Bells vem me mostrando o contrário. - eu sorri feliz.
- Ela realmente gosta de você. - sorri e a vi fazer o mesmo.
Estacionei novamente na garagem de casa e descemos do carro. usava uma calça jeans de lavagem clara e parecia carregar milhões de blusas em seu corpo, mas a vista usava uma blusa rosa de lã, com uma jaqueta branca por cima, e em seus pés, um par de all star rosa.
- Melhor deixar sua bolsa em casa, não? - ela assentiu. - Não é como se eu fosse te deixar ir embora de metrô depois, . - rolei os olhos e ela me encarou.
- Eu não achei que deixaria. - ela aliviou sua expressão e riu. - Vamos logo. - ela apertou o botão do elevador.
- Eu subo rapidinho, pode esperar aí. - ela sorriu, agradecida, e me entregou a bolsa.

- Vamos? - perguntei, fazendo-a acordar de um transe.
- Vamos!
Saímos do prédio e nos deparamos com uma multidão seguindo na mesma direção, a qual acompanhamos.
parecia extremamente animada. Ela sorria para todos os lados enquanto assoprava as próprias mãos, que havia coberto com luvas desde que pisamos fora de casa. Seguimos em silêncio junto com as pessoas que nos rodeavam, parecia que estávamos em meio a uma procissão, e esse pensamento me fizera rir, deixando curiosa.
- Não parece uma procissão? - perguntei e ouvi ela gargalhar em resposta.
- No próximo ano me lembre de trazer uma vela. - ela comentou, enquanto eu entregava nossos ingressos para a pessoa responsável, para que entrássemos na área mais próxima que agora tinha ingressos vendidos dois meses antes da data. Era possível ver a queima de fogos de qualquer lugar em volta, mas para diminuir o tumulto em torno do lugar, eles haviam tornado pago, para controle do número de pessoas e maior conforto. Ou melhor, menor desconforto pelo que as pessoas me contavam.
- Acredita que no próximo ano estaremos aqui? - perguntei, aproveitando sua escolha de palavras e fazendo-a corar e dar de ombros, sem me dar diretamente uma resposta. - Bom, eu espero que sim. - falei sincero. Ela assentiu, sorrindo de lado. - Sempre vou te lembrar disso, toda vez que puder.
- Você gosta tanto assim de ser romântico dessa forma?
- Eu sou romântico? Temos um romance aqui? - apontei para nós dois, me fazendo de desentendido.
- Argh. - ela resmungou, estapeando meu braço. – Sem graça. Falta muito? – ela perguntou, se referindo à meia-noite e eu assenti.
- Ainda são dez, vai ter que me aguentar mais um pouco.
- Seria muito ruim se eu sentasse aqui no chão?
- Morta! Não aguenta nem cinco minutos em pé.
- O jogador de futebol aqui é você, não eu. – ela me mostrou a língua e eu, sem pensar, a tomei em meus braços e a abracei.
- As vezes dá vontade de te apertar até você gritar, de tão fofa que você é com alguns gestos. – falei, rindo e soltando-a, vendo seu rosto corar e ela se encolher.
- O que vamos fazer em tanto tempo? – ela perguntou, mudando de assunto.
- Quer jogar verdade ou desafio de novo? – perguntei.
- Só se for pra te desafiar a pular no Tâmisa. Estamos no meio de uma multidão, menos, .
- Eu pularia. – dei de ombros e ela riu, mantendo um silêncio entre nós por um tempo, prestando atenção a nossa volta e todas as pessoas que estavam ali.
então puxara assunto com a mulher ao seu lado, que estava ali com o marido e a filha para ver os fogos. Ela se aproximara no momento em que a menina esbarrara em sua perna, fazendo-a cambalear para se manter em pé, então ela e a mãe em meio a desculpas, engataram uma conversa sobre filhos, logo dando sequência em diversos assuntos, aos quais me enturmei também.

- Sabe o que me pergunto? – falou, se aproximando de mim quando a família decidira procurar alguns amigos que os esperavam mais para frente. – Como as pessoas não te reconhecem? Ou reconhecem e não falam nada? Normalmente todo mundo se desespera por ver alguém famoso. E bom, não vi ninguém tirando fotos também. - ela riu.
- Ainda um pouco traumatizada? - ela assentiu. - Muita gente fica olhando, já vi pelo menos umas cinco pessoas aqui em volta me encarando. Muitas pessoas acompanham futebol, mas nem todas prestam realmente atenção nos rostos dos jogadores. O que é ótimo pra mim, confesso. Mas, por exemplo, o cara com quem a gente tava conversando, ele sabia, mas preferiu ficar quieto. Dava pra ver que ele queria falar algo. O que importa é que estamos em paz. - deixei meus ombros relaxarem e aproximei mais meu corpo do dela.
- Falta muito? - ela perguntou curiosa.
- Aparentemente nos distraímos bem, apenas mais meia hora até 2019. Não quer fazer uma revisão do seu ano?
- Não sei se tenho muito o que rever. Tô feliz com esse ano, as coisas parecem certas. A Bells está ótima, minha família está bem, a farmácia tá indo incrivelmente bem de uma forma que eu nem mesmo esperava...
- E ainda tem eu! - a cutuquei, fazendo-a rir. - Eu gostei bastante desse ano também. Minha família está bem, minha vida está ótima, o time tá indo bem demais!
- Isso é bom pra mim também, não sou um exemplo de torcedora, mas confesso que é mesmo meu preferido.
- Uma ótima confissão pra fazer pra um jogador dele. E tá ansiosa? Pra 2019? - riu e eu percebi que estava parecendo um primeiro encontro onde a pessoa está desesperada pra conversar e não quer ficar em silêncio. - Desculpa.
- Tá tudo bem. Eu gosto quando você fica tagarela assim, é engraçado. Só espero que seja tão bom quanto esse ano. E você?
- De diferente, só quero que isso continue. - falei sincero parecendo um disco arranhado com todas as vezes em que falava algo do tipo e encostou a cabeça em meu peito, tentando se esconder. Passei meus braços em volta de seu corpo e a grudei próxima a mim.
- Eu gosto demais de você, . - falei próximo ao ouvido dela.
- . - ela falou com tom de repreensão e se virou, ficando de frente para mim.
- Poxa, eu só tô sendo sincero. Eu não quero levar isso pro próximo ano sem nem ao menos você saber.
Ela sorriu e abaixou a cabeça, repetindo o gesto que a acompanhava em momentos que se sentia constrangida. Fiquei encarando-a e senti suas mãos se espalmarem em meu peito e seu corpo se aproximar do meu com um passo em meio aos gritos de contagem regressiva que podíamos ouvir mesmo de dentro da nossa própria bolha.
5
- Eu sei, .
4
- Você não precisa falar nada, eu só queria mesmo soltar isso.
3
- Eu sou um peso nas suas costas pra você aliviar? – ela riu e eu dei um tapa em seu ombro.
2
- De forma alguma. – falei, respirando fundo.
1
- Tá mais pra pessoa que fica insistentemente na minha cabeça desde que eu me aproximei.

Ouvimos diversos gritos e então os fogos explodiram pelo céu. Eu olhei para cima rapidamente e então abaixei meu olhar, encontrando com o de que me encarava. Juntei minhas mãos as dela e então juntos encaramos o início daquela queima de fogos, uma das mais bonitas ao redor do mundo. Diversos casais apaixonados em nossa volta se beijavam, crianças pulavam em volta dos pais e observavam atentamente o céu, admirados com a beleza daquela ocasião.
Tentei manter meus olhos no espetáculo, tentei manter minha cabeça no novo ano e em silêncio fazer promessas em relação a ele, mas naquele primeiro minuto do ano, junto a mulher em minha frente, eu não tinha olhos para mais nada. sorria para o céu, mas desviava os olhos envergonhados para mim a cada segundo, tornando o trabalho de admirá-la cada vez melhor.
- . - chamei-a e seus olhos focaram-se nos meus.
- Oi.
Em um ímpeto curvei meu corpo, coloquei minhas mãos em seu rosto gelado e aproximei meu rosto do seu, parando a centímetros antes de deixar com que nossos lábios se encontrassem. Ela tinha uma expressão suave, e um sorriso parecia querer se desenrolar, então quando notei que ela não repreendia minha ação, toquei suavemente sua boca com a minha em um selinho demorado. As mãos de foram para minha cintura em um abraço, e eu podia sentir seu corpo relaxado com nossa proximidade.
Era possível ouvir ao longe o som de gritaria das pessoas e os estouros que os fogos faziam ao chegar ao céu, mas eu não os via, e também não. Estávamos cercados apenas por nossas vontades e sentimentos bagunçados. Eu estava cercado por seus braços, e nada poderia ser mais quente naquela noite fria.

*Zona 02 = modo como é dividida Londres. As zonas 01 e 02 são as principais, onde ficam por exemplo, a London Eye e os principais pontos turísticos em torno dela e o Stamford Bridge, estádio do Chelsea.



Capítulo 07

“Fathers, be good to your daughters. Daughters will love like you do, girls become lovers who turn into mothers, so mothers be good to your daughters too” (Daughters - John Mayer)

Por

- ? Estamos chegando, está acordada? –
ouvi a voz de Michael no telefone e tentei abrir meus olhos, mas não consegui.
- Agora estou.
- Tudo bem, cinco minutos e estamos aí.
– grunhi algo em resposta e joguei o celular ao meu lado na cama.
Abri os olhos e encarei o teto branco do quarto, tentando acordar. Puxei meu celular novamente e liguei a internet, colocando-o no modo para vibrar, já que odiava o toque de notificações. Quando as notificações de Facebook e e-mail pararam de chegar, pude ver logo cedo uma mensagem de , dizendo bom dia. Abri a conversa e o respondi, vendo que a mensagem era de uma hora atrás e eu não sabia o porquê ele teria acordado tão cedo.
Me levantei e fui para o banheiro, aproveitando os poucos segundos que tinha para ao menos escovar meus dentes e vestir algo mais decente que meu pijama, coloquei uma blusa de manga comprida e minha calça jeans e sai do quarto, calçando meus chinelos que estavam na porta.
Liguei a torradeira e coloquei o pão, pensando em já deixar tudo pronto e quente para Bells quando chegasse. Eram oito horas, e Michael entraria no trabalho às nove, então preparei também algo para ele. Ouvi a campainha tocar e rapidamente andei até eles, abrindo a porta.
- Mamãe! – Bells gritou, abraçando minhas pernas.
- Oi, meu anjo! Você está bem? Que animação pra quem viajou de madrugada, huh? – eu ri, puxando-a para meu colo e apertando-a em meus braços. – Olá, Michael. – sorri, cumprimentando-o com um aceno de cabeça. – Estou fazendo café da manhã, vem. – chamei e ele sorriu, agradecido.
- Amo essas torradas, e sua geleia sempre vai ser a melhor. – o homem se pronunciou ao colocar o primeiro pedaço na boca. Sorri, envergonhada.
- Tudo que a mamãe faz é ótimo. – minha filha puxou meu saco, como sempre, nos fazendo rir.
- E a comida da vovó estava boa esses dias?
- Incrível, mamãe! E o papai cozinhou pra mim também. – franzi as sobrancelhas, encarando Mike, que deu de ombros.
- Novos dotes culinários? – brinquei.
- Achei que seria legal. – ele sorriu, dando um gole em seu café. – Um dia cozinho pra você. – ele piscou, me fazendo derramar um pouco do leite que estava em meu copo. – Bom, preciso trabalhar. Obrigada, . – ele riu e se abaixou, depositando um beijo em minha bochecha. – Tchau, meu amor. – ele beijou a cabeça de Bells e acenou para nós duas, enquanto caminhava até a porta, fechando-a ao sair.

: Não estava conseguindo dormir, então levantei e fui correr um pouco.
: Preocupado com o jogo? O Southampton não vai ser nada pra vocês, tenho certeza. :D
: Adoro saber que você acompanha. <3
: Acompanhava bem menos, agora fico sem opção, não?
: Um pouquinho. E a Bells? Voltou?
: Sim! Chegaram aqui cedo, Michael tinha que trabalhar. Ele estava bem estranho.
: Estranho como?
: Não sei, depois te conto. Preciso arrumar as coisas da Bells.
: Fala pra ela que eu mandei um beijo, tá?
: Falo sim! Logo ela tá perguntando de você.

🎵

- Quer sair pra comer, meu amor? – perguntei a Bells, que estava jogada no sofá ao meu lado. Ela assentiu, pulando do lugar.
- Onde?
- Onde você quer? – perguntei, sabendo a resposta.
- Vamos ao shopping. – a menina sorriu, mostrando todos os dentes possíveis.
- Vai lá escolher sua roupa. Tá muito frio, senhorita, não se esqueça. – adverti, sabendo da propensão da minha filha em escolher um vestido para usar nos dias mais frios e nós brigarmos loucamente até ela mudar.
- Tá bom, mamãe. – ela rolou os olhos e correu para o quarto, enquanto eu também caminhava até o meu.
Coloquei uma calça jeans, diversas blusas quentinhas junto a um moletom e calcei minhas meias e minha bota.
- Bells, tá pronta? – perguntei, saindo do quarto.
- Tô. – ela saiu também de seu quarto, vestindo uma roupa extremamente decente para o frio, o que me fez rir. Meu bebê estava crescendo.
- Então vamos. – me abaixei em sua frente e passei as mãos em seus cabelos, ajeitando-os.

🎵

- Mamãe, olha o papai! – Bells gritou, chamando a atenção de Michael que estava alguns metros a frente com seus amigos do trabalho.
- Ei, filha! – o homem se abaixou, deixando com que Bells pulasse em seu colo. – Que coincidência, não? – ele riu, me encarando.
- Mudou seu horário de almoço? – perguntei, me aproximando e cumprimentando seus colegas com um aceno de cabeça. Ele assentiu, sorrindo.
- Acabei de sair, estão indo comer? – Bells confirmou. – Posso me juntar a vocês?
- Eba! – Bells comemorou.
- Claro!
Michael agradeceu, sorrindo. Ele conversou rapidamente com os amigos que o acompanhavam e então seguimos em direção diferente deles, caminhando lentamente e tentando segurar para que nossa filha não tentasse entrar em todas as lojas, curiosa.
- Onde vão? - Mike perguntou.
- No restaurante que tem o mini hambúrguer que a Bells ama. - falei, apontando. Isabelle então soltou minha mão e correu até o local, pulando animada em frente à recepcionista.
- Três. - ouvi Bells falar para a simpática moça que sorriu para ela, lhe mostrando o caminho. - Mesa com banco legal, por favor. - ela disse, se sentindo incrivelmente adulta. Sorri para a moça e balancei a cabeça, tentando me desculpar silenciosamente.
- É sempre assim? - Michael questionou, rindo.
- Quando comemos aqui? Sim! - eu ri, vendo Bells se sentar no canto do banco, chamando o pai para sentar ao seu lado. A fitei de sobrancelhas arqueadas e ela sorriu, culpada. Me sentei então de frente a ela, recebendo um sorriso amarelo de Mike, que tentava não rir.
- Como vão as coisas no trabalho? - perguntei, tentando puxar assunto enquanto ele encarava o cardápio. - Esse é ótimo. - apontei, lhe indicando meu prato preferido.
- Esse prato grita “”. - ele riu. - As coisas vão bem, estou pra fechar um projeto ótimo. - ele deu de ombros. - Inclusive, se tudo der certo, Bells vai ter a melhor festa de aniversário do mundo. - ele cutucou a filha, fazendo cócegas em sua barriga.
- Falta muito, papai? - ela perguntou, com os olhos brilhando.
- Um pouco mais de um mês, meu anjo.
- E minha festa pode ter tema, papai? Igual aquele da Ladybug?
- Claro! É só escolher, filha! - respondi e vi Mike concordar prontamente.
- Vou começar a pensar então.
- Isso ai! Já começa a pensar, que a gente começa a preparar.
Sorri para ele, que me retribuiu animado, logo abaixando seus olhos para o cardápio novamente e começando a comentar sobre os diversos pratos dali.

- Vamos? - perguntei quando vi Bells terminar sua última batata-frita e o garçom me entregava meu cartão, interrompendo minha conversa com Michael sobre o andamento da farmácia, a qual ele me ajudara muito na decisão de investir.
- Vamos. - ela pulou por cima do pai, se colocando ao meu lado e me puxando da mesa. - Sorvete? - ela sorriu, descarada.
- Quem não te conhece que te compre, dona Isabelle. - puxei levemente uma mecha de seu cabelo, brincando.
Saímos do restaurante, caminhando pelo corredor em direção a sorveteria. Bells como sempre encarava todas as lojas, comentando sobre a roupa que via em uma, ou o belo colar que tinha em outra. Passamos por uma joalheria e então notei a marca da pulseira que eu carregava em meu pulso, curiosa em olhar a vitrine, passei o mais rápido possível para não me arrepender.
- Chocolate? - minha filha assentiu, grudando na vitrine de uma loja de esportes e chamando o pai insistentemente. Paguei pela sobremesa e a peguei, andando até eles enquanto Bells pulava animada.
- Papai! Eu já sei qual vai ser o tema da minha festa. - a garota saltitava ao meu redor, antes de tomar seu sorvete de minha mão. - Eu quero que seja tudo azul, com bastante coisa do Chelsea, e eu quero usar minha camisa. - Mike a encarou, rindo assim como eu. Antes que ele pudesse concordar, Bells se virou em minha direção. - E o vai, né mamãe? - vi o sorriso de Michael se desmanchar, enquanto o de Bells se tornava cada vez maior. Encarei meu ex-marido, que passou a fitar o chão, sem graça.
- Bom, acredito que sua mãe pode falar com ele. – Michael falou, quebrando a situação constrangedora que se instalara ali. Assenti para Bells, que abraçou minhas pernas e as do pai.
- Obrigada. – ela gritou sincera, me fazendo sorrir amarelo para Michael, que parecia incomodado.

: A Bells acabou de me proporcionar aquele momento “onde eu vou enfiar minha cara” clássico de filho. E o pior? Por sua culpa, .

Mandei a mensagem quando entrei no carro, pronta para voltar para casa. Sabia que ele não responderia naquele momento, mas eu realmente precisava contar para ele quando fosse possível.
- Mãe. – Bells chamou e eu a encarei pelo retrovisor. – Tô animada. A gente pode contar pro ?
- Ele está se preparando pro jogo, mas depois podemos sim. – eu falei, rindo. – Aí, Bells, você é demais. – ela sorriu sem entender e se aconchegou na janela, eu sabia que ela dormiria até chegarmos em casa, mesmo não sendo longe. Então liguei o rádio e logo estava em meio ao trânsito.

🎵

Senti meu celular vibrar e olhei para o horário, considerando que deveria ser agora que o jogo já chegava ao seu fim.

Michael: Oi, . Consegui fechar o projeto.
: Que incrível, Mike. Parabéns!
Michael: Depois podemos comemorar e começar a organizar o aniversário da Bells, não acha?
: 🙂

Michael não me mandava uma mensagem há séculos, e eu não sabia o que tinha causado uma aproximação tão repentina ao longo de todo aquele dia, desde cedo. Apesar de ter uma pequena suspeita. Joguei meu celular longe e tentei afastar essa situação para longe da mente, pois me sentia um tanto quanto envergonhada. Peguei o celular novamente e abri a conversa de , vendo que ele estava online, mas ainda não respondera minha mensagem. Desliguei o som do celular e peguei uma Bells adormecida no sofá, levei-a até minha cama e me preparei para dormir também. Ela ficaria feliz em acordar com a mãe, e eu queria companhia naquele momento, nada melhor que meu bebê. Beijei sua testa e me ajeitei ao seu lado.

🎵

Acordei Bells delicadamente e a lembrei que hoje suas aulas voltavam, então ela teria que levantar logo. Ela piscou diversas vezes e olhou em volta, notando que não estava no próprio quarto. Ouvi seu grunhido de reprovação e ela me abraçou, se aconchegando ao meu corpo com um sorriso discreto nos lábios.
- Bom dia, meu anjo. – beijei seus cabelos.
- Bom dia, mamãe. – ela beijou minha bochecha, carinhosa como sempre.
- Preparada para aula? – ela negou, fazendo bico. – Vamos logo, senão vamos nos atrasar.
Terminei de arrumar Bells em pouco tempo, enquanto cuidava também de seu café da manhã e sua lancheira. Ela se sentou com a maior cara de sono para comer e apenas beliscou sua comida, me fazendo brigar com ela, pois a garota sabia que deveria comer, sua próxima refeição demoraria um tempo.
- Então vamos, senhorita irritante. – rolei os olhos e ela se levantou, pegando suas coisas e correndo em direção a porta, quando ouvimos a campainha tocar. Não imaginava quem poderia estar ali naquele horário, então me assustei. Bells virou a chave, levando um olhar completamente irritado meu. Me aproximei e girei a maçaneta, encontrando encostado na parede do outro lado com um sorriso.
- Oi! Estão de saída?



Capítulo 08

“Never thought I'd take you serious now I need you, not a moment later, losin' it, I'm so delirious. And I'ma put up a fight for it, never give up a love like this [...] You ain't gotta make your mind up right now, I'll be waiting for you, don't rush, no pressure.” (No Pressure – Justin Bieber)

Por

Encarei as coisas que as duas seguravam e deixei a passagem para elas livre, percebendo que elas sairiam.
- ! – Bells gritou e se agarrou em minhas pernas.
- Oi. – abracei Bells e logo me aproximei de que abaixou a cabeça, tentando esconder o rosto, rindo da felicidade da filha. Ri nasaladamente e beijei seus cabelos.
- Oi. – ela disse. – Vou levar a Bells na escola e volto para casa. Quer me acompanhar? – assenti, pegando a mochila de Bells de sua mão e caminhando até meu carro com a pequena, enquanto trancava a porta e andava até nós. – Eu ia com o meu. – ela deu de ombros.
- O meu já tá fácil aqui. – falei e ela concordou, entrando no banco de trás com a filha.
- Como foi o jogo? – ela perguntou, colocando o cinto em Bells e me encarando pelo retrovisor.
- Tirando o empate e o chute absurdo que tomei na canela? Foi ótimo. – falei com raiva. – Fiquei com uma vontade absurda de socar o cara, mas não ia prejudicar o time.
- Ainda bem que você tem noção, né? – ela rolou os olhos e riu.
- Só as vezes. – mostrei a língua. – E você e a Bells? Qual a novidade? – perguntei, me lembrando de sua mensagem.
- Depois. – assenti.
- Tio... Você vai me deixar na escola hoje? – Bells perguntou, vendo o caminho que fazíamos conforme dava as direções.
- Vou sim, pequena! Gostou? – arrumei o retrovisor de forma que conseguisse vê-la também. A garota assentiu com um sorriso no rosto.
- Mas eu preferia ir para o parque. – riu ao ver o bico que a filha fizera.
- Mas você precisa estudar, não acha? Pra crescer e ficar linda e inteligente como a mamãe. – ela assentiu mais uma vez. – O que você mais gosta de estudar? – perguntei, puxando um assunto para matar tempo até chegarmos lá.
Durante todo o caminho, que não era longo, conversei com Bells e observei uma mais calada. Ela encarava a janela, parecendo muito interessada no tempo lá fora. Tentei colocá-la no assunto, mas ela respondia com curtas respostas, não deixando para trás os prováveis pensamentos que rondavam sua mente.
- Ah, já chegou. – Bells comentou, desanimada.
- Sim, senhorita! Está entregue. Lembra do que falei, estudar muito pra ficar linda e inteligente como a mamãe. – pisquei para ela e estiquei a mão para trás, para fazermos um toque. Bells sorriu e tirou seu cinto quando apareceu pela porta do outro lado para tirá-la do carro.
- Tchau, tio. – ela acenou, fechando a porta. Acenei para ela, logo saindo com o carro e estacionando alguns metros para frente para esperar .

abriu a porta do passageiro e sentou-se, batendo-a logo em seguida. Ela inclinou seu corpo e puxou o cinto de segurança, travando-o.
- Ei, tá tudo bem? – perguntei, encostando minha mão levemente na dela, que estava em sua coxa. balançou a cabeça, parecendo ponderar o que responder, e então tirou sua mão debaixo da minha, fingindo que iria arrumar o cinto novamente. – Nossa, . – eu ri nasaladamente, prestando atenção no caminho a minha frente quando sai do lugar.
- Desculpa. – ela respirou fundo.
- Achei que as coisas estariam um pouco melhores. – eu sorri, me lembrando do ano novo. Ela balançou a cabeça em negação e notei também que ela havia ficado envergonhada.
- , eu não quero falar disso...
- Desculpa, eu achei que estava tudo bem.
- Está, mas ainda não sei o que pensar. – ela sorriu, discreta.
- Pensa em mim. – dei de ombros e ela riu, me dando um tapa no braço.
- Eu penso, então eu mando mensagem e você fica online e não me responde. – ela cuspiu as palavras, rapidamente.
- Ah, então é por isso que a senhorita está agressiva? – a encarei, parando o carro em um semáforo.
- Não estou agressiva. – falou, na defensiva.
- Eu que estou, não? – ela fez bico, virando seu rosto para fora. – Eu saí com o pessoal...
- Você não me deve satisfações, . – ela me encarou, indignada. – Nem sei porquê falei isso, na verdade, foi bobo da minha parte, não sou assim.
- Decide o que você quer, mulher! – eu gargalhei. – Eu sumo, você reclama. Eu tento explicar o motivo, você também reclama. Fica difícil, não? – ela deixou todo o ar sair de seus pulmões, bufando. – Eu vi sua mensagem, saímos tarde de lá e invés de voltar pra casa, fui para a sua e fiquei esperando dar o horário que você acordaria. – dei de ombros e ela me encarou mais uma vez, com a mesma expressão de indignação.
- !
- Pra você ver como eu apenas queria falar com você. Eu demorei pra melhorar e realmente conseguir ler a mensagem. Guardei o celular e pensei “tô meio tonto, vai que acabo pedindo ela em casamento. Ela não vai aceitar, ainda, e eu vou ficar mal.” – ela gargalhou e estapeou meu braço novamente. Estacionei o carro em frente sua casa. Desci do mesmo e caminhei até seu lado, pois ela já havia descido também e caminhava em direção a porta. A vi parando para me esperar e senti seus braços passarem por minha cintura, em um quase abraço. – Agora você vai me contar o que tinha pra contar? – ela assentiu, rindo.
- Quer de que parte?
- Michael.
- Tudo é sobre ele. – ela riu e eu levantei uma sobrancelha, fazendo-a balançar a cabeça em negação. – Ele chegou aqui com a Bells cedo e simplesmente veio todo simpático e cheio de elogios. A Bells elogiou que ele havia cozinhado para ela, e ele disse que faria pra mim também.
- O quê? – questionei, desencostando do sofá e apoiando meus braços em minhas pernas.
- Pois é. Foi muito estranho, . Aí vem o pior, fui levar a Bells no shopping para comer no lugar que ela gosta e no caminho até o restaurante ele apareceu, estava no horário de almoço.
- Foi almoçar com vocês, imagino eu. – ela assentiu e eu fiz cara de nojo, fazendo-a rir.
- Eu te falei que as coisas não acabaram tão mal, por mim estava okay, apesar de eu ter achado o comportamento dele esquisito. Fomos até lá, e ele contou do trabalho dele e que estava para fechar um projeto grande e que usaria todo o dinheiro para uma festa pra Bells. Falta pouco para o aniversário dela. – ela adicionou. – Então ele falou para ela ir pensando no tema, no que queria e tudo mais. Agora vamos ao pior. – ela suspirou, tentando segurar a risada. – Quando saímos de lá, ele estava super animado e eu fui comprar sorvete para Bells enquanto ele ia olhar algumas vitrines com ela, porque ela adora. Eis que eu encontro eles e ela está pulando de animação enquanto ele a encara. “Mãe. – ela fez aspas com as mãos. – Minha festa pode ser do Chelsea, né?” Ela apontou para a camisa que estava na loja e tudo. Antes que o Michael ao menos pudesse pensar em qualquer coisa, ela adicionou um “E o pode ir, né?”. Eu estou até agora rindo da expressão dele, . Eu não sabia onde me enfiar. – eu gargalhei, me lembrando de comprar um presente maravilhoso para Bells por ela ter me dado esse presente! – Então Michael soltou um “Acredito que sua mãe pode falar com ele.”
- Se a Bells não é a melhor criança que eu já conheci, não sei quem é.
- Não comece a se achar, senhor. Ah, e depois ele ainda me mandou uma mensagem dizendo que fechou com o cliente e que podíamos comemorar e começar a preparar as coisas. – fiz cara de nojo e riu.
- Eu acho que ele ainda não entendeu aquela parte de “ex”, não? – rolei os olhos e deu de ombros. – Ele só não consegue se conformar que você seguiu em frente. – soltei, tentando ser o mais direto possível. arregalou os olhos e torceu o nariz.
- ...
- Relaxa. – sorri, apertando sua mão que estava próxima a minha. – É só uma brincadeirinha. – me aproximei de seu rosto, beijando sua bochecha. – Por enquanto, pelo menos. – sorri, me afastando e notando que seu corpo se retraíra com a proximidade. – Enfim. – falei, quebrando o momento de vergonha de , que estava um tanto quanto vermelha. – Posso ajudar também? Acredito que me dou bem com esse tema. – dei de ombros, sendo irônico.
- Ah, eu acho que você combinaria mais com Manchester United, não sei... – ela riu, brincando. – Você iria? – perguntou, curiosa.
- É claro, ! – respondi, em tom de obviedade.
- Ah, . Não sei. Convidados, pessoas estranhas, um monte de gente que você não conhece. Não sei como isso funciona para você.
- , enfia na sua cabecinha que sou uma pessoa normal. Por sinal, sabia que eu tenho família? E nasci da barriga da minha mãe? Absurdo, não? – ela gargalhou, estapeando meu ombro.
- ! Você entendeu, poxa.
- Você, por algum acaso, se fosse qualquer outro tema e ela não pedisse assim... Deixaria de me convidar?
- Não, é que... – ela pareceu ponderar. – Sei lá. Você vai conhecer minha família. Junto com a do meu ex-marido. – ela riu, nervosa.
- Não tinha pensado por esse lado. – dei de ombros, e logo me ajeitei, aproximando meu corpo novamente do dela. – Mas, se você pensou, quer dizer que anda pensando demais e está incomodada com esse fato. – sorri, aproximando nossos rostos.
- ... – ela sorriu, mais uma vez envergonhada.
- Eu sei, um tempo. – repeti o que ela dissera na manhã de ano novo, quando a levei embora depois de passarmos a noite jogando conversa fora e trocando carinhos inocentes. – Dois dias é um tempo, não?
- Tá ansioso? – ela perguntou, sustentando seu olhar no meu. Assenti, pegando-a de surpresa ao invés de entrar na brincadeira. Encostei meus lábios rapidamente nos seus, pegando-a de surpresa novamente e vendo um sorriso brotar em seus lábios em seguida. – Você é difícil, .
- Não, . Você é difícil. – eu ri, me afastando dela. – Queria falar com a Bells sobre a festa. Se importaria se eu cochilasse no seu sofá e fosse com você buscar ela depois, senhorita?
- Está propondo passar o dia aqui comigo? – ela perguntou, de sobrancelhas arqueadas.
- Bom, se você quiser sair e me deixar aqui, não vou me importar também. Mas, se quiser dormir de conchinha, vou adorar. – ela jogou uma almofada em minha direção, se levantando.
- Vou fazer minhas coisas, vai dormir. Se quiser usar minha cama, sabe onde fica. – ela pareceu repensar e riu em seguida. – Isso soou estranho, mas tudo bem.
Puxei-a para o sofá novamente, deitando-a no móvel e jogando meu corpo por cima. Enchi seu rosto de beijos e me levantei, deixando que uma completamente vermelha se levantasse também e seguisse seu caminho até a cozinha.
- Boa noite, . – ela mostrou a língua, brincalhona, enquanto eu me encostava de forma confortável em seu sofá. – Ei, quarto! Eu vou assistir tv. – rolei os olhos e me levantei, mandando beijo para ela e me arrastando até o quarto. – Ô amigo folgado e esquisito que eu fui arrumar. Intimidade é uma droga. – Sem nem me virar mostrei o dedo do meio para ela e entrei no quarto, me jogando na cama e considerando como eu conseguiria dormir ali, em meio ao cheiro dela que estava, obviamente, por todo lado. Ah, . Abracei um travesseiro e fechei os olhos.

- . Quer comer? – abri os olhos e me virei lentamente, vendo sentada na ponta da cama. Sorri para ela e num movimento rápido a puxei, deitando-a ao meu lado e a segurando entre meus braços. – Ei! – ela riu, sem nem mesmo tentar se soltar.
- Deu vontade. – sorri para ela, soltando-a e me ajeitando ao seu lado. Apoiei minha cabeça em meu braço e comecei a mexer em seus cabelos, encarando seus olhos. Ela assentiu, com um sorriso no rosto. – Tão linda. – vi suas bochechas tomarem um tom rosado e ela virou seu corpo de bruços, escondendo o rosto no travesseiro.
- Você me deixa com vergonha. – sua risada foi abafada pelo travesseiro, mas ainda era perceptível.
- , não é por nada, mas vou aproveitar que você já está e dizer que minha vista daqui está sensacional. – apoiei a mão na base de suas costas e apertei levemente, brincando. – Que bunda, senhoras e senhores. – falei mais alto, como se anunciasse em um microfone e ela se virou novamente, gargalhando.
- Ah! – ela suspirou, beijando minha bochecha. Fiz bico e me surpreendi quando senti seus lábios tocarem os meus de forma rápida. Arregalei os olhos, como se a questionasse, e ela sorriu sincera, dando de ombros e se levantando para deixar o quarto logo em seguida. Suspirei e joguei meu corpo para trás, caindo na cama novamente e tentando entender aquela mulher. Eu estava ficando louco. – Vamos! – ela apareceu na porta e gritou, me fazendo sair de meus pensamentos e segui-la até a sala.
- O que você quer, ser humano? – falei, me jogando no sofá.
- Aí, , você tá morto? Só quer ficar encostado.
- Quero que o mundo acabe em barranco, pra morrer deitado. – resmunguei, fazendo-a rir.
- Eu tenho fome.
- Você quer sair? Por isso tá em pé? – ela assentiu e eu coloquei meus tênis que estavam próximos ao sofá. – Vamos, vai.
- A gente come, enrola um pouco e já dá o horário de buscar a Bells. – assenti, olhando o horário. – Vamos.

🎵

- E aí, pequena! – estendi a mão para um hi-5 de Bells, que entrava no banco de trás com .
- , você veio me buscar! – ela gritou, feliz.
- É claro! Sua mãe e eu precisávamos conversar. – pisquei para , que riu. – Ela precisava me fazer um convite... Mas, acho que seria legal ouvir da aniversariante. – virei meu olhar para o teto do carro, me fazendo de desentendido.
- A mamãe te falou? Você vai né, ? Na minha festa de aniversário. – perguntou, animada.
- Será uma honra!
- Eu quero tudo azul, e com bastante coisa, e mamãe, tem que ter brigadeiros, porque eles tem formato de bola.
- O quê? – perguntei, sem entender o que ela queria com formato de bolas. gargalhou da minha expressão perdida.
- Brigadeiro, . Doce brasileiro, é de chocolate e muito comum em festas infantis. Gosto de manter pra Bells algumas tradições que eu tive. – ela deu de ombros, parecendo nostálgica. – E minha mãe também adora, você verá, nossos aniversários sempre são bem legais.
- Estão me deixando ansioso. – falei, arrancando com um carro após ouvir a buzina do veículo de trás.
- Falta muito, mãe?
- Ah, Bells. Você não vai começar a perguntar isso todo dia, né? – reclamou e pelo retrovisor vi a menina fingir que passava um cadeado na boca e o jogava pela janela.

- Nossa, esqueci completamente de te falar. Minha mãe perguntou de você ontem. – falei com um sorriso no rosto, caminhando até a porta para deixar a casa de . Já era tarde da noite e Bells estava quase adormecendo.
- O quê? – engoliu seco. – Como assim sua mãe, ?
- Bom, vamos ter que passar novamente pela explicação de pessoa normal, nascido da barriga de outro ser humano e tudo mais?
- Argh. – ela reclamou, dando um soco em meu braço.
- Só deixando claro, não vim de uma cegonha, ok? – gargalhei de sua expressão e dei dois passos para trás antes que ela me atingisse novamente. – Ela viu aquelas fotos, as mesmas que seus pais viram, e mais algumas que saíram, não sei se você viu. – ela assentiu, sorrindo torto. – Ela me perguntou mais sobre você, claramente tentando chegar a que relacionamento tínhamos e porquê não contei que estava namorando, e o principal, como eu assumiria uma filha assim, desde quando eu sabia. – apoiou a cabeça em suas mãos e eu me escorei no batente da porta, apenas observando sua reação.
- Você é lindo. – ela soltou sem pensar, parecendo distraída, me surpreendendo e corando instantaneamente. Ela pigarreou. – Nem sei o que dizer, sua mãe já pensa no pior, não? – sorriu, triste. – Mas realmente, seria absurdo que você assumisse uma filha. Um relacionamento com uma criança envolvida, qualquer coisa assim... – ela olhou para o chão em sua frente
- Não, não, não. Eu não estou te falando isso pra que você pense exatamente isso, . Pelo amor de Deus. – segurei seu rosto entre minhas mãos. – Eu só quis comentar. Não faz isso, eu não queria colocar nada assim nos seus pensamentos. Pelo contrário. Ah, eu estrago tudo. – bati em minha testa após falar tudo numa rapidez absurda e em seguida puxei seu corpo para o meu, grudando-a em meu peito. – Se eu estou tentando, e você sabe que eu estou, é porque tenho plena consciência de tudo a minha volta. Espero que você se lembre sempre disso. Não se deixe enganar por qualquer coisa, qualquer um saberia que estou entrando de cabeça nisso. – sussurrei em seu ouvido, depositando um beijo em sua testa no final. Senti ela mexer a cabeça, concordando. – Vou ir, tudo bem? – ela assentiu novamente e apertou seus braços em minha cintura, me abraçando.



Capítulo 09

“All of my love, all of my love, my time, my attention, my patience, I'm giving it all. [...] Would I lose, if I bet my heart on you?” (Bet My Heart – Maroon 5)

Por

- Seis anos, Michael. Como nossa filha já vai fazer seis anos? – reclamei, indignada, esbarrando em uma prateleira de artigos de festa e derrubando alguns kits. Michael riu e se abaixou para pegar, colocando-os de volta.
- Está nostálgica? – assenti e cocei os olhos, fingindo que chorava. – Me sinto um pouco também. Imagine quando ela tiver fazendo 20.
- Nem quero pensar nisso. Acredito que nem ao menos consigo me ver daqui a 14 anos. Vou ter 42 anos, meu Deus. – gargalhei e tentei afastar o pensamento.
- Tenho certeza que não terá mudado nada, assim como continua a mesma há 10 anos. – ele sorriu, colocando uma mecha do meu cabelo para trás. Sorri, envergonhada e me virei para o outro lado, ansiosa para mudar de assunto.
- Nem sei muito bem como decorar as coisas, que tema difícil. – reclamei.
- Temos uma filha extremamente diferente, paciência.
- Culpe o pai dela que a colocou nessa ideia. Seu vício contagiou demais a Bells. – ele deu de ombros.
- Contagiou você primeiro, lembra? – assenti, rindo.
- Eu já via um pouco de futebol no Brasil, por causa do meu pai, mas aqui na Inglaterra não me importei muito com isso até te conhecer.
- O fanatismo é de família, você sabe.
- Você contou para o pessoal... – fiz uma pausa, repensando se deveria entrar nesse assunto. – Que conheceu um jogador? – Michael segurou a vontade de revirar os olhos, era perceptível.
- Sim. Eles perguntaram como a Bells tinha entrado no campo, eles enlouqueceram, você deve imaginar. Mas no primeiro dia que vimos ele na Dogs Trust, eu já havia mencionado. Meu pai endoidou. – ele riu, provavelmente se lembrando.
- Seu pai é realmente um fanático. Bom, eles vão ficar felizes de conhecer o , então. – tentei animá-lo, mesmo sabendo que era errado, imaginando o que ele provavelmente pensava de nós dois.
- O que realmente rola entre vocês? Desculpa, , eu preciso perguntar. – ele soltou os pratos que olhava de volta na prateleira e me encarou, se virando em minha direção. Fiquei estática no lugar, o encarando também.
- Ahn... Não sei, Mike. E também não acho que exatamente lhe diz respeito. – tentei soar o menos arrogante possível.
- Ah, tudo bem. – ele se virou novamente para o outro lado. – É que vocês parecem bem próximos.
- Ele é ótimo, bem legal. Bells gosta muito dele, e gosta de poder ver a Lola às vezes. – notei que ele torcera o nariz, provavelmente com a ideia de que a filha estava visitando o apartamento de .
- Acho que temos que comprar um uniforme pra ela, né? Aquele está um pouco pequeno já. - Mike falou quando saímos da loja, indicando a de esportes em nossa frente.
- Ahn... Acredito que o vai cuidar disso. – falei, sem jeito. – Ele disse que seria um presente pra ela.
- Caralho, viu. – ele rosnou. – Ela é minha filha, . Vocês podem estar juntos, mas ela é minha filha. – vi seu rosto ficar vermelho e ele virou de costas, irritado. Tentei me acalmar antes de respondê-lo, para não falar nada que piorasse, afinal, eu sabia que era apenas ciúmes.
- Mike, pode parar. Pra começar eu e não estamos juntos, e mesmo que estivéssemos, pelo amor de Deus, você é pai dela e ninguém nunca iria querer tirar isso de você. De que diabos você tirou essa ideia?
- Desculpa, explodi. – ele falou curto e sincero, rindo. Apenas assenti, aceitando seu pedido.
- Você deveria estar feliz, ela vai adorar, você sabe. – ele assentiu, concordando e tentando dar um sorriso.
- É inevitável. Acho que nunca pensei que te perderia de vez. – ele se aproximou, acariciando meu rosto e fixando seu olhar ao meu. Prendi o ar, um tanto quanto assustada com a proximidade. – ... – meu telefone começou a tocar e eu me movi rapidamente para pegá-lo no bolso, cortando seja o que Michael quisesse falar. Suspirei aliviada e ri naturalmente quando olhei para a tela e vi quem ligava. Era impossível.

- Oi. – pedi licença para Michael, apontando para o celular.
- Oi. Liguei só pra saber se tá tudo bem. – ele falou.
- Tá sim, e você? Tudo certo? – tentei ser o mais breve possível.
- Uhum. Você tá meio seca, tá tudo bem mesmo? Quer conversar depois? Tá ocupada?
- Sim, seria ótimo.
– ri.
- Acabei de me lembrar, você ia comprar as coisas pro aniversário da Bells.
- Exatamente.
- E o Michael está com você.
- Sim, nos falamos depois então, certo?
- Beijo, .


Desliguei sem me estender muito e encontrei Michael ao meu lado, olhando para cima, provavelmente fingindo estar distraído.
- Era ele, não era? – assenti, vendo-o rir, incrédulo. – Enfim, vamos. – ele começou a caminhar em direção a próxima loja que precisávamos visitar.

🎵

- Mamãe, tô com saudade da Lola. – Bells falou ao ver um cachorro em uma propaganda da tevê, jogada no sofá ao lado de minha mãe.
- Que Lola, meu amor? – minha mãe perguntou, de sobrancelhas arqueadas.
- A cachorrinha, vovó. Do . – revirei os olhos, esperando o olhar que ganharia dela.
- Não comece, dona Karen. Eu te conheço. – ela deu de ombros, sorrindo.
- Vou conhecê-lo, não vou? – perguntou, curiosa.
- Vai. – rolei os olhos mais uma vez. – Não me faça passar vergonha.
- Aí, . Que coisa feia, tem vergonha da sua mãe?
- Não distorça os fatos. – ela riu. – Você sabe do que estou falando.
- Prometo que não vou fazer nada. Se preocupe com seu pai.
- Aí, meu Deus, o papai vai surtar. Eu te falei qual o tema que ela escolheu? – minha mãe negou com a cabeça.
- Você não, mas ela está aparentemente muito ansiosa e já chegou aqui falando sobre isso.
- Mamãe. – Bells abraçou minhas pernas. – Falta muito pro meu aniversário? – ela fez bico e eu ri, enrolando seus cabelos em meu dedo indicador.
Era engraçado como Bells sofria um pouco com o português quando estávamos em casa, conversando com meus pais, por exemplo. Ela se enrolava em algumas palavras, e seu vocabulário não era tão grande quanto no inglês, mas ela conseguia desenvolver bem e entender tudo. Talvez fosse um pouco difícil crescer entre duas línguas, mas optamos por manter assim para ser melhor para ela no futuro, e bom, ela se divertia ao poder falar pras pessoas sobre parte da sua família ser dali e outra parte do Brasil.
- Não, meu anjo. Só uma semana! A mamãe já está com quase tudo pronto, hoje eu e o papai fomos comprar as coisas. – sorri para ela e vi minha mãe suspirar.
- Michael! E como ele está? – perguntou, com os olhos brilhando.
- Está bem. Provavelmente tentando me reconquistar. – me joguei no sofá e ela me encarou, com uma reação um pouco espantada. – Pois é, está sendo bem estranho, mas aparentemente ele só está mesmo com ciúmes do . Hoje ele disse que nunca esperou me perder de vez e quis até mesmo saber sobre meu relacionamento com ele.
- Ah, filha. – ela suspirou. – Ele ainda te ama. Você não considera dar mais uma chance pra vocês? – perguntou, esperançosa.
- Mãe, seguimos em frente, não? Então deixemos assim. Estou bem da forma que estou. – ela deu de ombros, compreendendo. – me faz bem. – suspirei, colocando para fora. Ela sorriu, animada que eu finalmente abrira a conversa para ela.
- Dá pra ver, meu amor. Me conta mais sobre ele. – pediu, ansiosa. Minha mãe sempre fora minha melhor amiga, nossa relação era incrível e trazia uma amizade muito forte, algo que eu tentava sempre manter com Bells.

: Tá em casa?

Digitei enquanto falava com minha mãe, que perguntava tudo que era possível sobre . Ela estava feliz e parecia animada em conhecê-lo, mas não deixava de falar sobre seu pé atrás a respeito dele ser um jogador de futebol, estar sempre na mídia, sair sempre com garotas. Me atentei nessa parte da conversa ao fato de que eu nunca realmente me importei com isso ou duvidei dos sentimentos e da lealdade dele comigo. me passava uma segurança incrível, e eu acredito que se um dia me machucasse, a queda seria absurdamente feia.

: Tô sim. Cheguei agora do treino.

Ele respondeu, mais rápido do que eu esperava.

: Muito cansado pra duas visitas?
: Pra vocês, nunca. Estão vindo? Vou pedir algo pra gente comer.
: Vamos sair da minha mãe em alguns minutos, te aviso quando estivermos chegando.
: Tudo bem, vou tomar um banho. Manda um beijo pra minha sogra.
: Não quero ter que responder mais mil perguntas sobre você, obrigada!
: Como assim?
: Depois conversamos. Uma semana pra vocês se conhecerem, se prepare.
: Esperando ansiosamente pra ganhar o coração dela. Bom, garantindo que tenha ganhado o seu primeiro, né?
: Tchau, . Vai tomar seu banho.
: <3

- Vamos, Bells? – perguntei, me levantando. Ela rapidamente começou a calçar seu tênis.
- Fica pra jantar, filha. – minha mãe pediu.
- Ah, mãe. Acabei de combinar com o que passaria lá. – sorri, como se pedisse desculpas.
- A gente vai na casa do tio ? – Bells pulou até mim, extremamente feliz. Assenti e ela correu até o quarto para pegar suas coisas.
- Ela gosta muito dele, não? – minha mãe riu da reação da neta. – Bom, fica pra próxima então, não insistirei em atrapalhar seu encontro. – revirei os olhos e ela gargalhou.

🎵

- Oi. – sorri para , que abriu a porta vestido com uma bermuda jeans e uma camisa gola V vermelha, que ficava linda nele. Na verdade, parecia que tudo ficava lindo nele. Era incrível.
- Oi. – ele me respondeu, beijando minha bochecha e em seguida se abaixando pra pegar Bells no colo e a esmagar em um abraço. – Oi, pequena!
- Tio, você vai amassar minha roupa. – ele a colocou no chão e a encarou, incrédulo. Bells riu e deu de ombros, correndo para dentro do apartamento e encontrando Lola deitada no sofá. Ela tirou os sapatos e se jogou ao lado da cachorra, me fazendo sentir vergonha.
- Ela se sente em casa demais, desculpa. – senti meu rosto esquentar.
- , para, né? Você sabe que adoro isso. – ele falou, sorrindo para a cena e fechando a porta atrás de nós. – Estava com saudades? – revirei os olhos e ele riu, me abraçando pelos ombros.
- Não.
- Eu estava. – ele deu de ombros e beijou meus cabelos, se afastando em seguida para ir até Bells. Fazia duas semanas que não nos encontrávamos, já que a agenda de jogos de janeiro estava uma loucura.
- Tá extremamente cansado, né? – perguntei e ele assentiu, em meio a conversa com a minha filha sobre como Lola vinha se comportando e como uns dias atrás ela quase quebrou a porta ao ouvi-lo chegar de tanto que pulava. – Vocês vão morrer nessa correria toda.
- É sempre assim, mas depois acho que melhora um pouco. Só seria melhor se estivéssemos disputando a Champions, mas né. – ele rolou os olhos e eu sorri, me sentando ao seu lado e apoiando minha mão em sua perna.
- Esse ano dá, você vai ver!
- Você vai me dar sorte, tenho certeza disso. – ele sorriu, sincero.
- Tomara. Vou ficar feliz.

- Você podia ir em alguns jogos às vezes, não? – ele perguntou, depois de alguns minutos em silêncio, brincando com Bells e Lola enquanto Patrulha Canina passava na televisão.
- Ah... Não sei, . – falei, sem jeito.
- Seria legal. – ele deu de ombros. – Algumas vezes você poderia levar ela também. São boas companhias. – sorriu me olhando e eu joguei minha cabeça para trás, suspirando. – O que foi? – ele riu, se aproximando de mim, de modo que pudesse encarar meus olhos, mesmo com a minha cabeça jogada no encosto do sofá.
- Eu te odeio! – falei, rindo. Fechei os olhos e os abri lentamente um pouco depois.
- E o que eu fiz?
- Você mexe comigo. – respondi, sincera e diretamente.
- É apenas o troco por tudo que você fez na minha cabeça desde que conheci vocês.
- Eu vou me arrepender? – perguntei, sentando normalmente e encarando Bells, que parecia distraída o suficiente com Lola jogada por cima de seu corpo, lambendo suas mãos enquanto ela gritava. arqueou as sobrancelhas. – Eu vou me arrepender disso? – apontei para nós dois e ele me encarou, surpreso. – Odeio não saber se estou fazendo a coisa certa, mas eu quero apostar em você, .
- Normalmente as apostas em mim dão certo. – ele segurou minha mão próxima ao seu corpo.
- Normalmente as apostas não envolvem meu coração. – eu ri, fazendo-o sorrir concordando em resposta.
- Eu acho que dou conta, mas você vai ter que confiar em mim.
- Eu não quero entrar de cabeça nisso. – falei, notando o quanto minha voz soava assustada. Me senti uma garota do tamanho de Bells naquele momento.
- Não tem como entrar nisso pela metade, . Mas, confesso que até mesmo uma metade sua já é o suficiente para mim. – sorri e acariciei seu rosto com a ponta de meus dedos. – Você não vai se arrepender, eu prometo. Me deixa cuidar de você e te mostrar isso. De vocês, na verdade. – ele olhou para Bells ternamente e eu assenti, recebendo uma reação de olhos arregalados. – É sério? – ele perguntou e eu ri, confirmando mais uma vez com um aceno de cabeça.
- Não me deixe me arrepender disso, . Por favor. Eu não tenho mais idade pra brincarem com o meu coração.
- Eu vou ser sua melhor aposta, . – seu sorriso se iluminou e ele aproveitou que Bells corria no corredor com Lola e encostou seus lábios nos meus em um rápido selinho.
- Lola! – ouvimos Bells gritar e então se levantou rapidamente, indo correr atrás das duas para se juntar à brincadeira.



Capítulo 10

“And all I feel in my stomach is butterflies, the beautiful kind making up for lost time taking flight, making me feel like I just want to know you better now” (Everything Has Changed – Taylor Swift feat. Ed Sheeran)

Por

: Bells está desesperada querendo saber de você.
: Só a Bells? Acabei de chegar, posso entrar?

Encostei na maçaneta da porta e ao mesmo tempo em que a senti mexer e se abrir em minha frente. Olhei para cima esperando ver , mas encontrei uma Bells agarrada em minhas pernas, invés disso. Rapidamente a puxei para meu colo e a abracei, apertando-a naquele lindo vestido azul que ela usava.
- Parabéns, pequena! – falei, ainda a segurando.
- Obrigada! – ela falou, sorrindo e chacoalhando seus pés para que eu a colocasse de volta no chão.
- O seu presente chegou! – puxei uma sacola um tanto quanto grande que estava encostada na parede ao meu lado e ela arregalou seus olhos, surpresa. Ela puxou o peso da sacola, arrastando-a para dentro da casa da avó e me deixando sozinho do lado de fora.
então se aproximou, vestindo um jeans claro e um all star clássico azul, combinando com sua camisa do Chelsea, que pelo modelo, só poderia ter um número 8 atrás, com o nome de Lampard nela.
- Bonita camisa. – sorri, piscando para ela. Vi seu rosto tomar um tom avermelhado e ri, beijando sua bochecha.
- Por qual motivo o senhor não veio com a sua? Acho que ia ficar boa. – ela riu, fechando a porta e eu ainda não havia conseguido prestar atenção em nada ali em volta.
- Acho que seria demais, não? – ela assentiu, ponderando.
- Relaxa, mesmo sem o uniforme não tem como não te conhecer, Bells já fez questão de gritar aos quatro ventos. – torci a boca em claro sinal de desespero e gargalhou, chamando atenção para nós.
Era hora de confessar que por mais sociável que eu fosse, eu estava desesperado? Caralho, era a família dela, e o pior, a família do ex dela. Ex-marido. Marido. Que estava tentando se aproximar dela. E ela já conhecia a família inteira. E tinha uma filha com ele. Não posso negar que a insegurança me espancou naquele momento. Respirei fundo e dei mais um passo para dentro da sala, seguindo e olhando em volta.
Bells gritava no sofá, rasgando todos papéis de presente que estavam no pacote que dei a ela. Sorri com a cena e a vi puxar a bola de dentro do saco, chutando-a para o que parecia ser seu avô, o pai de , já que provavelmente para pirraçar a neta, ele usava uma camisa do Manchester City. A mãe de estava sentada ao lado de Bells, a ajudando. Não tinha como aquela não ser a mãe dela, era incrível o quanto as pessoas podiam ser parecidas, nunca entenderia essa coisa de genética.
A mulher ao lado dela, deduzi que seria a outra avó de Bells. Ela conversava animadamente com uma moça que estava ao seu lado, enquanto tentava puxar Bells para arrumar o laço de seu vestido. Enquanto eu tentava reparar em tudo ao mesmo tempo, um senhor com a camisa do Chelsea se aproximou, e deduzi que seria o pai de Michael.
- . Achei que meu filho estivesse brincando. – ele esticou a mão para me cumprimentar e a apertou fortemente. – Grande jogador, ainda tem muita história pra fazer por nós, tenho certeza. – sorri, inevitavelmente.
- Se Deus permitir, sem dúvida nenhuma. Jogadores não devem exatamente criar um apego ao time, mas que eu adoro esse lugar, eu adoro.
- Permaneça assim! E bem vindo! – ele indicou para a festa, e fiquei pensando como seria a reação dele ao saber sobre e eu, afinal, eu sabia que eles ainda se davam todos bem. Ri sozinho do pensamento e chacoalhei os ombros, tentando me livrar do peso que carregava a cada segundo pensando coisas assim.
Voltei a encarar o local. havia se distanciado para a cozinha, que ficava atrás de onde eu estava, à esquerda de onde eu havia entrado. Haviam algumas pessoas no quintal, passando a porta da sala que dava acesso ao mesmo, alguns me encaravam, mas seguiam conversando. Algumas pessoas sentadas nas cadeiras espalhadas pelo cômodo e até mesmo algumas no corredor que parecia levar para os quartos. Estava um tanto quanto cheio, e pensei o quanto Bells era querida. Vi também diversas crianças correndo pelo quintal, pareciam brincar de algo, e um menino que aparentava ter a idade da aniversariante a chamava para brincar com eles, recebendo um “espera aí” dela.
- Obrigada, . – ela abraçou minhas pernas e eu a puxei mais uma vez para o meu colo.
- Você vai colocar? – perguntei e ela assentiu, parecendo ansiosa.
- Mamãe falou que ia deixar eu colocar na hora de cantar parabéns.
- Vai ficar linda! – a coloquei no chão e a vi correr em direção ao quintal, deixando a sacola e as coisas espalhadas em cima de sua vó.
- Então foi você o senhor que conquistou minha filha? – vi a mulher se levantar e sussurrar próximo a mim, para que ninguém ouvisse. Olhei em volta, fingindo ignorar que ela falava comigo, e sorri, assentindo.
- Ao menos espero que sim. – ela riu, me dando um abraço apertado.
- Desculpe, alguns costumes do Brasil não mudam. – falou, se referindo ao abraço. – Karen , estava ansiosa por conhecê-lo, Bells não para de falar de você.
- Conquistei a neta primeiro, não temos dúvidas. – sorri, imaginando a animação da menina com a festa e ela tagarelando sem parar no ouvido dos familiares.
- Ah, sem dúvidas, . – ela riu. – Mas fica tranquilo, o brilho nos olhos da mãe eu não via há algum tempo. – ela piscou para mim, e como uma das raras vezes em que isso acontecia, eu senti meu rosto esquentar.
- . – Michael se aproximou, esticando a mão para mim.
- Michael. – o cumprimentei apertando sua mão e balançando a cabeça em um tipo de aceno, e ele logo se distanciou, conversando com outras pessoas.
- Vou apresentá-lo ao meu marido, venha. – Karen segurou meu pulso e andou alguns passos comigo. Passei sorrindo para mais algumas pessoas que não conhecia e encontramos o senhor com camisa do Manchester City agora no jardim, conversando com a outra avó de Bells, que eu nem mesmo vira saindo de onde estávamos quando cheguei.
- Meu bem, este é o .
- Na verdade, este é o . – ele riu, me encarando. – Pelo menos no modo como estou acostumado a ver nos jogos. – ele deu de ombros e eu ri também. – Mas tudo bem, aqui você é apenas o cara de quem a minha neta tanto fala, mal gosto de todos torcer pra esse timezinho, uma pena ter que aceitar. Augusto .
- Olha, não é por nada, mas acho um ótimo time. Quem sou eu pra dizer, não? – ele riu de minha ironia e me puxou para um aperto de mão que se tornou um abraço com tapinha nas costas. E achando que ele seria carrancudo. Bom, ele ainda não sabe sobre a filha, então vamos dar um desconto. Ser amigo do inimigo tudo bem, não sei quanto a namorar.
- Bells realmente falou bastante. Sou Kate. – ela falou seca, o que me fez imaginar que Michael conversava muito com a mãe.
- Prazer, . – sorri, tentando ser simpático.
- ! Vem conhecer meus amigos! – senti Bells cutucar minhas pernas, fazendo Augusto e Karen rirem.
- Claro, pequena. – passei a mão em seus cabelos. – Com licença. – sorri e sai com Bells andando em minha frente, me puxando pelo braço.
- Kate não foi muito simpática, huh? – nos alcançou, andando ao meu lado.
- Ah, apareceu? Depois de me jogar aqui e sumir? – ela riu.
- Dramático.
- Não, ela não foi nada simpática. Até o seu pai foi legal, e ela não. Se bem que acredito ser pelo motivo de não saber o que está acontecendo. – apontei para nós e ela sorriu, concordando.
- , olha! – chegamos em uma mesinha do quintal onde seus amiguinhos estavam sentados em roda. – Essa é Lizzie, ele é o Tom, ela é Jenny, ele é o Robert, esse é o David, e esse o John. – ela apontava para cada um, sorridente. – E aqueles correndo são Ashley e o outro John.
- Oi. – falei, dando um “tchau” para todos, que fizeram o mesmo.
- É verdade que você comprou o presente de natal que a Bells mais gostou? – Tom perguntou.
- Hum, talvez? É? – perguntei para Bells, que afirmou balançando a cabeça diversas vezes.
- E é verdade que você joga mesmo no Chelsea? – perguntou Jenny.
- Sim!
- E é verdade que você e a tia vão casar e ser felizes para sempre? – fui pego de surpresa pela garota que me lembrei ser Lizzie. que nos acompanhava arregalou os olhos e Bells enfiou o rosto entre as mãos.
- Não estava sabendo dessa parte, não. – falei, pensativo. encarou a filha com aquele olhar de depois conversamos e eu ri. – Você aceitou casar comigo e eu não sabia, ?
- . – ela rosnou, rindo. As crianças começaram a rir de Bells, que rolou os olhos como a mãe.
- Bom, pelo menos ela parou de pensar que eu me casaria de novo com Michael. – deu de ombros quando saímos de perto das crianças. – Desculpe por isso. – ela sorriu apertando meu braço e senti uma vontade de segurar suas mãos entre as minhas. Me contive, mas a vontade era grande.
- Sério que acredita ser necessário se desculpar? – questionei, enquanto entravamos novamente na casa.
- Ah, . – ela riu, balançando a cabeça. – Desculpe por me desculpar.
- Bom, a Bells é sonhadora como eu. Deixa a gente sonhar, okay? – senti seu tapa estalar em meu braço.
- Você da corda pra ela! Por isso ela tá assim com isso.
- Ah, . Ela nem entende isso. E ela nem sabe que a gente tá realmente junto. – sussurrei a última parte para que apenas ela ouvisse.
- Estamos? – ela questionou, se servindo de um pouco de refrigerante.
- Ganhei uma chance, não? – ela riu, afirmando com a cabeça.
- Mas ainda temos um longo caminho pela frente, então se aquiete.
- Já ganhei sua mãe e seu pai, fui simpático. – mostrei a língua para ela e senti uma mão em meu ombro, me virando e vendo Karen com um sorriso no rosto.
- Se não querem que a família inteira, incluindo a família do seu ex-marido... – ela apontou para . – Descubra... Falem mais baixo sobre isso.
- Ops. – falei, sem graça. rolou os olhos na direção da mãe.
- Estou seguindo em frente com a minha vida, vou ter que esconder? Até quando? – questionou, irritada.
- Até ter certeza que isso dá certo. – ela apontou para nós dois. – Desculpe, .
- Ahm... Tudo bem. – ela se afastou, deixando uma irritada, de punhos fechados.
- Desculpa, . Mesmo. Minha mãe é ótima, mas ela é um pouco sem noção às vezes.
- , ela só te defende. Relaxa. Eu entendo, a minha é pior. – pisquei para ela, que suspirou, rindo.
- Pretendo não conhecê-la então. Pior que minha mãe, tem tudo pra ser terrível.
- Fica em paz, ela vai me amar, você vai ver. – mostrei a língua para ela, provocando. – Se você gostou, ela também vai.
- Para de falar baboseira e me ajuda com as coisas aqui. – ela pegou uma bandeja com alguns pães e mais algumas coisas e começamos a arrumar uma mesa que já estava um tanto quanto bagunçada. – Aqui todo mundo trabalha, só deixando claro. – eu ri, assentindo.

- Ei, , venha aqui! – ouvi o pai de Michael me chamar quando passei em frente dele, indo em outra direção.
- Oi. – sorri, e enquanto me aproximava dele, vi seu filho fazer o mesmo.
- Pai, não vá encher o saco do cara, hein? Não vá tietar, sabemos que ele não gosta. – falou, com um leve tom de deboche.
- Ele está no aniversário da minha neta, tenho meus direitos. – ele riu, olhando com incerteza para mim.
- Não devia acreditar em tudo que lê na internet, Michael. Estou à disposição, sr. Davies.
- Claramente não vamos ganhar o campeonato esse ano, mas acredita que ainda vamos conseguir a vaga para Champions League? – ele perguntou animado, ignorando o filho e iniciando uma conversa com algo do qual eu com certeza entendia. Já que por hoje, já havia visto e ouvido de tudo por ali, tentando conhecer um pouco de cada um.
- Estamos dando nosso melhor, mas acredito que ainda tem algumas coisas que devem ser acertadas. Principalmente caso a gente consiga a tão esperada vaga.
- Vocês precisam de novas contratações! E manter os bons conosco, não podemos vender alguns ouros que temos no time. Nossa base é tão boa, não sei porquê não usá-la! – sorri, concordando com ele, mas não poderia fazer nada a respeito, claro. Queria o melhor para o time, mas ele sabia que eu era apenas mais um bonequinho que poderia ser vendido a qualquer hora. Por mais que meu contrato ainda durasse por mais um tempo.
- Estão falando desse timezinho ruim de vocês? – Augusto se aproximou de nós, passando a mão no logo de sua camisa azul clara do Manchester City, como se demonstrasse o orgulho do seu time.
- Timezinho ruim que vai detonar vocês na final, no dia 24. Não é, ? – Henry falou.
- Ah, com certeza estamos muito bem preparados para isso.
- Podem ficar tranquilos que esse título já é nosso. E aguardem os próximos passos na Champions League, vamos ter um inglês campeão esse ano. – falou, confiante.
- Ah, . Eu definitivamente apostaria no Liverpool caso venhamos a ter um inglês campeão. – Henry gargalhou e eu o acompanhei, rindo mais discretamente. – Você está com um jogador de alto nível do Chelsea em sua frente, e tem coragem de tentar diminui-lo? – ele arqueou as sobrancelhas, me deixando um tanto quanto sem graça e Augusto também, pois ele se surpreendeu.
- É apenas uma brincadeira, não leve a sério, . Você é um jogador incrível. – ele tentou se redimir, fazendo Henry e eu rirmos.
- Fique tranquilo, sr. . – falei rapidamente, tentando fazer com que ele não se preocupasse. – Eu faria o mesmo no seu lugar, meu time sempre é prioridade.
- Mas, graças a Deus Bells soube escolher um time decente. – Henry falou, zombando dele e fazendo todos nós rirmos.
- Michael foi extremamente influente, e você também. De caso contrário, ela torceria para o City. Quem sabe invés de conhecer o aqui. – ele colocou a mão em meu ombro. – não fizesse amizade com, sei lá, o De Bruyne.
- Outch. Essa doeu. Deixe minha amizade com a e a Bells de fora disso. – gargalhei. – Sou muito mais legal que o De Bruyne, okay?

Ficamos durante mais um bom tempo conversando. Falamos de tudo que era possível, todas as ligas, futebol de todo o mundo, ouvi o senhor falar um pouco sobre o futebol do Brasil, o que foi um tanto quanto divertido, principalmente porque sempre que surgia um jogador brasileiro na conversa, ele se orgulhava e falava de onde o mesmo saíra. Teria muito o que falar para os meus companheiros de time
Vi Bells passar correndo por mim, em direção ao quintal, e depois voltar, gritando por mim. Parei ela no meio da sala, vendo-o a arfar, cansada.
- Eu estava aqui. – apontei para seus avôs e ela sorriu.
- A mamãe pediu pra eu te chamar, vem. – assenti e acenei para os dois, falando que precisava ver o que Bells queria.

- ! Qual o seu problema? – ela tentou não gritar quando entrei no quarto. Olhei para ela, e vi que esticados na cama estavam os três uniformes que eu havia trazido para Bells.
- Qual seria? – vi Bells animada, querendo provar todos.
- Um uniforme, . Um. Não três. Pelo amor de Deus. – ela enfiou o rosto entre as mãos e eu sorri.
- Para com isso, . Vamos escolher um e arrumar ela, depois você discute comigo. – mostrei a língua. – Qual?
- Acho que o principal, não é, meu amor? – Bells assentiu. – Não acredito que minha filha vai trocar esse vestido, por uma bermuda e uma camisa. – ela riu, junto com a pequena que deu de ombros.
- Essa sua filha é incrível. – peguei Bells no colo e a coloquei em cima da cama para ajudá-la com o vestido. Me virei de costas enquanto ela a trocava.
- Estava se divertindo? – perguntou.
- Consegui conversar um pouco com todo mundo. Me senti um pouco abandonado pela senhorita, mas seu pai e o Henry supriram sua falta.
- Não acredito que você ficou conversando com eles. Achei que Michael te faria companhia. – ela gargalhou, enquanto penteava os cabelos da pequena. Me sentei na cama ao lado delas.
- Engraçadinha, né? Depois a gente conversa. – apontei para Bells e ela assentiu. – E você? Tá gostando da festa, chatinha?
- Quero cantar parabéns. Quero bolo. – ela sorriu, animada.
- Eu também. – dei de ombros.
- Mamãe, já posso roubar um brigadeiro?
- Não, e para de tentar me convencer. – mostrou a língua para ela, parecendo mais criança que a própria.
- Está linda! – eu falei, quando terminou de arrumá-la, colocando um all star azul em seus pés.
- Minha filha não existe. – repetiu para si mesma.
- Existe, e ela é incrível como a mãe. – roubei um beijo dela quando vi que Bells já passava pela porta do quarto, preparada para correr até a mesa do bolo.

Seu bolo tinha chantilly colorido de azul, chantilly já costumava ser raro, pois hoje em dia as pessoas só utilizavam pasta americana. Olhei na beirada da mesa e pude ver diversas bolinhas de chocolate, quais Bells observava atentamente e deduzi serem os brigadeiros que a garota tanto falava. chamava as pessoas que estavam mais longe, avisando-as que cantaríamos parabéns.
Ela voltou com Michael ao seu lado e os dois se posicionaram ao lado de Bells para tirar fotos. Vi seus avós fazerem o mesmo, todos os seus amiguinhos, e mais algumas pessoas que queriam uma foto com a garota naquele cenário. Imaginei que fosse um costume deles, pois na minha família a gente só corria pra comer mesmo.
- , vem cá! – ouvi Bells me chamar, olhando para o canto qual eu estava encostado. Neguei com a cabeça, envergonhado. – Eu quero uma foto. – ela fez bico e eu sorri, andando até lá, com o rosto queimando. Bells me queria morto.
se afastou um pouco, nos dando espaço. E Michael nos encarou, do outro lado da mesa com a câmera na mão. Entreguei meu celular para , pedindo que ela também tirasse a foto com o aparelho, e me juntei a Bells, pegando-a no colo.
- Careta! – ela riu mostrando a língua, e eu fiz o mesmo, olhando para a câmera. – Mãe, vem! – arregalou os olhos, negando.
- Não, filha! É só você e o !
- Mas agora eu quero com vocês dois. – olhei para e dei de ombros, vendo seu desespero. Todos encaravam Bells, rindo para a menina.
A mulher então entregou meu celular para a mãe, que estava ao seu lado segurando uma risada, e se aproximou de Bells, ficando do lado contrário ao meu. A pequena continuava em meu colo, e com uma mão segurou ao redor do meu pescoço, enquanto o outro braço passou em torno do pescoço da mãe, juntando-nos mais próximos com um sorriso que ia de orelha a orelha. Olhei para rapidamente e a vi dar de ombros, me virei novamente para frente e nos concentramos na câmera, sorrimos como Bells.
- Você merece apanhar, menina. – sussurrou para a pequena, enquanto eu passava por elas para voltar ao meu canto.
Vi Bells dar de ombros e se fingir de desentendida. riu e me olhou, agradecendo. Vi então que ela estava com um fósforo na mão, preparada para acender as velas e todos já estavam prontos para cantar parabéns para nossa aniversariante. Bells bateu palmas, animada junto a todos ali, ela parecia muito feliz e era algo lindo de se ver. Aniversários eram datas mágicas para todos, ou deveriam ser, mas para crianças eram incrivelmente mais mágicas ainda.
Me lembrei dos meus aniversários de quando era pequeno. Ali na Inglaterra mesmo, com a minha família, eram festas simples. Minha mãe, meu irmão, eu, e as crianças da escolinha. As mães passavam, deixavam as crianças, nós fazíamos algumas brincadeiras, cantávamos parabéns e fim. Servíamos algumas coisas saudáveis, que hoje em dia eu nem mesmo penso em comer, com suco e alguns doces para todo mundo levar para casa.
parecia manter a típica festa brasileira, mesmo que tudo fosse feito para uma maior parte de ingleses. Ela gostava de manter a festa nos modos como conhecia e sempre viveu, e parecia que todos ali já estavam acostumados a isso. Ouvi sua mãe comentando com alguém, acredito que uma mãe de uma das crianças que estava ali e havia se interessado em ficar com a filha que era nova na escola, que eram sempre festas grandes, com bastante família e amigos, e muita comida diferente que nem sempre elas conseguiam fazer por aqui devido a falta de ingredientes, mas elas adoravam manter os costumes de decoração, por exemplo.
- Mamãe, o primeiro pedaço de bolo é seu! Te amo! – a garota falou, entregando um pedaço de bolo para a mãe que a encarou sorridente. Ela beijou a bochecha da filha e olhou para Michael que se preparava para tirar uma foto das duas.
- Bells gosta de distribuir os pedaços de bolo. A questão do primeiro pedaço é algo nosso também, caso não esteja entendendo. É um símbolo de carinho dar o primeiro pedaço pra alguém. Normalmente Bells faz questão de distribuir até o décimo, aí então, ela cansa. – Karen me explicou, provavelmente notando que eu estava tentando entender.
- É tão bom ver uma festa assim, é diferente. – sorri, agradecido. Bells agora se esticava para dar o segundo pedaço de bolo para o pai, que sorriu agradecido e pediu para que tirasse uma foto dos dois. Imaginei que eles tivessem diversas fotos daquelas com os pedaços de bolo.
- ? Cadê você? – encarei Bells, levantando a mão. – Aqui, o terceiro pedaço é seu! – todos se viraram, me encarando. Karen colocou a mão sobre meu ombro, com um sorriso no rosto, e depois encarou a neta.
- Normalmente esse pedaço é meu, Bells! , o que você fez? – ela riu, me empurrando para pegar o bolo que a pequena carregava em minha direção. Beijei seus cabelos e agradeci, passando um pouco do chantilly azul em meus dedos e esfregando na ponta de seu nariz.
Bells abraçou minhas pernas e limpou o chantilly em minha calça, pirraçando. Mostrei a língua para ela, que retribuiu o gesto e voltou para a mesa pronta para entregar o próximo pedaço, para a avó. Fiquei imaginando quem perderia o décimo pedaço por minha culpa.

Senti o olhar de sobre mim e a encarei, recebendo um grande sorriso dela. Me aproximei, notando que as pessoas já haviam se dispersado e ela apenas deixava mais alguns pedaços de bolo na mesa, para os convidados pegarem.
- Terceiro pedaço, huh? – ela falou, dando de ombros.
- Eu estou com vergonha até agora. Sério.
- Ela gosta de você, . E ela não tem medo de mostrar isso pra todo mundo. É estranho pras pessoas, mas bom, pelo menos elas já se acostumam, não?
- Você está fazendo uma expressão tão fofa agora que eu só queria poder te beijar. – falei sem pensar, fazendo-a rir.
- Acho que o pessoal gostou de você, e tão logo. – a encarei, incerto do que ela queria dizer.
- Eu estou passando por um teste, algo assim? – ela afirmou. – Bom saber, senhorita.
- Você me mandou levar a sério, não foi? Eu estou levando, vai me acompanhar?
- Sem dúvida nenhuma, . – me aproximei dela e então me afastei novamente. - Ah, que raiva! – ela riu de minha reação e se aproximou, em um abraço rápido.
- Vou ajudar a limpar tudo por aqui, e arrumar. Bells vai para casa do Michael, porque ele disse que tinha um presente guardado para ela, assim como Kate. Quer ir pra casa? – a encarei, com meu melhor olhar malicioso. Ela gargalhou. – Pare com isso! Pervertido!
- Pode ser. Vou te ajudar com tudo, então. Vou levar algumas encaradas por não ir embora, e talvez uns comentários do tipo “ainda tá aqui?” do seu pai, quem sabe, mas vamos lá. Pelo menos sinto que estou te conhecendo melhor, sabia? Adorei a parte de conhecer a família, parece que deixa tudo mais real, tudo muda. – dei de ombros, falando mais baixo e recebendo um sorriso.



Capítulo 11

Baseado na música Obsession de Sean and Conor Price.

“Obsession is what you're feeding me, I hope you're never leaving me. Tell me what you see in me cause I know what I see in you, I'm begging on my knees for you.” (Obsession – Sean and Connor Price)

Por

- Seu pai é demais! – falei assim que descemos de nossos carros e encostamos na casa de . Eu carregava algumas coisas que tinham sido levadas para casa de Karen e carregava mais algumas.
- Nossa, você gostou muito mesmo dele, não? – ela riu, abrindo a porta para que entrássemos. – Aí, meu Deus, a Chelsea tá solta. – ela se lembrou e eu senti um grande peso avançando em minhas pernas. Fiz o que pude para me equilibrar e me encostei na parede, ouvindo as risadas de , que tentava soltar as coisas de sua mão para acalmar a peluda.
- Ei, menina! Também estou feliz em te ver! Posso entrar agora? – ela abanava o rabo diversas vezes por segundo, quando finalmente conseguiu puxá-la para perto de onde havia se sentado no sofá. Equilibrei novamente as coisas em meus braços e fechei a porta com o pé, caminhando até a cozinha e deixando as coisas em cima do balcão. – Vem aqui! – bati as mãos em minhas pernas, chamando aquela bola de pelos brancos em minha direção e já me sentando no chão para que ela fizesse toda sua “investigação”, sempre que eu chegava ali, por mais que eu não viesse de casa para que ela sentisse o cheiro de Lola, ela o encontrava.
- Até a Chelsea te ama, o que você fez? – riu, estendendo a mão para que eu me levantasse e me sentasse ao seu lado no sofá.
- Eu não sei, mas estou bem feliz com isso. – dei de ombros, sincero. Me movi um pouco para o lado contrário ao qual estava e deitei meu tronco, encostando minha cabeça em seu colo. – Gostei da sua família e acho que eles gostaram de mim.
- , até mesmo a família do Mike gostou de você. E eles não deveriam. – ela gargalhou. – Eles ainda tem essa louca ideia de que nascemos um para o outro e vamos voltar. Talvez até seja por isso que Michael acaba agindo como fez no último mês. Kate deve estar falando um monte.
- Ela é estranha. – confessei. – Ela me encarou o tempo todo.
- Isso porque você não viu a reação dela com a Bells te chamando pra tirar foto. Minha mãe disse que piorou quando ela pediu para que fôssemos juntos. Inclusive, posso ver? Não quero pegar a câmera agora. – ela fez bico e eu assenti, tirando o celular do bolso e entregando a ela.
- 2013. – falei, revelando a senha. Ela me encarou, de sobrancelhas arqueadas.
- Posso saber a senha do seu celular? Quanta intimidade. – ela riu.
- Por que não poderia? Fala sério, , não tenho essas besteiras.
- E por que 2013? – ela perguntou, sorrindo ainda com a minha reação.
- Ano que cheguei no Chelsea. – fechei meus olhos para sentir melhor o carinho que a mulher fazia em meus cabelos com uma mão, enquanto a outra procurava por nossa foto na galeria.
- Ficou linda. – ela me mostrou e observamos a foto em que sorriamos para a câmera, mas parecia ficar ainda mais incrível tirada daquele ângulo. – Bells estava muito feliz.
- Eu também.
- E eu também. – ela bloqueou o celular, o colocando de lado e depositando um beijo em minha testa. Fiz bico para ela, como se pedisse um beijo e ela sorriu, grudando seus lábios nos meus em um selinho. – Eu vou poder dormir aqui? – me aconcheguei no sofá, como uma criança.
- Não sei dizer se eu estaria pronta pra isso, mas talvez sim? – ela sorriu e eu apertei sua mão na minha.
- Eu durmo no sofá? – falei em dúvida, tentando convencê-la. Ela me mostrou a língua e encostou a cabeça no sofá. Fiquei encarando-a, e tentando guardar em minha mente cada detalhe do seu rosto, como eu vinha fazendo desde o primeiro dia em que nos conhecemos e com mais força ainda quando descobri que ela não era casada.
Era incrível pensar no modo como ela mexera comigo desde o primeiro momento. Claro que Bells roubou toda a cena no princípio, mas estava lá, entre cachorros pra adoção, com uma criança no colo. Quem não voltaria sua atenção toda para a cena? Seu rosto parecia estar estampado na minha cabeça em todos os momentos, e eu sentia que a cada dia mais parecia minha obsessão.
- Você acha que eu sou obcecado por você? – perguntei, não conseguindo segurar os pensamentos que me atormentavam desde o dia que ela dissera me dar uma chance. A vi abrir seus olhos lentamente e rir, negando com a cabeça, provavelmente pensando em como aquilo era algo bobo.
- Olha, às vezes até dá pra considerar que sim, sabia?
- Eu ‘tô falando sério. É absurdo como eu penso em você em todos os segundos do dia, e como as vezes até canso de pensar que parece que corri uma maratona.
- , para com isso. – ela riu, envergonhada.
- Sabe o pior? Desde o princípio você alimenta isso aqui. – eu apontei para minha própria cabeça, rindo de pensar em alguns momentos. – Você me dá bola, depois se faz de difícil, depois fala que vai me dar uma chance e sempre parece que vai voltar atrás. Você me enlouquece, no melhor sentido que essa palavra pode ter. Se eu te mando uma mensagem você responde em segundos. Se eu te provoco, você entra na brincadeira. Você me conta tudo que faz o dia todo, o que me faz pensar mais ainda em você. Você deixou que eu me aproximasse da Bells, e isso me deixa incrivelmente feliz. Tudo no seu dia, se tornou o meu dia.
- ... – fiz um sinal de “shh”, e ela arqueou as sobrancelhas, parecendo irritada.
- Eu não terminei! – me levantei, sentando ao seu lado e segurando suas mãos. – , sabe o que eu acho? Que eu estou obcecado em estar apaixonado por você.
- ...
- E se... – falei, atrapalhando ela mais uma vez. – o Chelsea perder essa temporada porque eu joguei mal, a culpa é toda sua. Não tenho culpa que você não sai da cabeça e eu só fico pensando em ficar com você, nas coisas que você fala, ou só no quão incrível eu acho que você é mesmo. – dei de ombros e ela riu, negando com a cabeça.
- Eu te odeio, . Não me envolva nos resultados dos jogos não! Os próximos são difíceis, não vou deixar você pesar isso na minha cabeça. – ela me mostrou a língua e eu me lembrei rapidamente da quantidade de jogos que tínhamos nas próximas semanas. Nesse domingo pegaríamos o City, logo depois o United fora da PL, o City novamente na final da Copa da Liga Inglesa, e o Tottenham. As coisas se complicariam e muito nesse mês. - Ei, tudo bem? – ela perguntou, passando a mão suavemente em meu rosto.
- Desculpa, me desliguei. – me aproximei dela e dei um selinho rápido em seus lábios. – Vou ficar sem saber o que você pensa sobre tudo que falei?
- Ah, ... Você não é normal. – ela gargalhou e notei que ela estava envergonhada, provavelmente tentaria fugir da conversa.
- E você é difícil demais. Quando vai se abrir comigo? – me sentei normalmente e me encostei no sofá, puxando a mulher para meu colo. Encostei seu tronco em meu peito e apoiei uma de minhas mãos em sua coxa, enquanto a outra acariciava seus cabelos. Notei que ela se aconchegara ali, o que me fez sorrir.
- É que, você sabe, eu não tenho idade pra isso. Eu me sinto velha, e você vai soltando tudo assim com tanta facilidade. Fico com medo de não te corresponder na mesma intensidade. Eu não sei colocar em palavras, . – ela escondia cada vez mais seu rosto em meu peito, fazendo com que sua voz saísse abafada. – Mas eu acredito que não tem nada mais notável do que o fato de que eu estou claramente apaixonada por você. E às vezes eu acho que foi tudo rápido demais, mas, ao mesmo tempo, demorou tanto... É engraçado.
- Eu ‘tô tão feliz de ouvir isso. – apertei ela em meu abraço e a afastei um pouco em seguida para lhe dar um selinho. – Você é tão linda. E desculpa, eu nem penso muito pra falar. – eu ri, sabendo que ela ficaria constrangida a cada elogio, mesmo que fosse depois de um longo tempo, era seu jeito, e era encantador.
- E eu ‘tô feliz de ter um tempo com você. – ela sorriu, se desvencilhando de meus braços e provavelmente querendo fugir um pouco do clima, o que me fez rir. – O que vamos fazer? – ela perguntou, pegando o controle da TV. – Lembrando que o senhor não pode dormir tarde, sei que está preocupado com o jogo contra o City na final da Copa da Liga Inglesa, mas amanhã precisamos dos pontos na PL, por favor.
- Ah, meu Deus. Agora vou ter que aguentar você me cobrando, ‘tô ferrado. Vou dormir então! – tirei meus tênis e me ajeitei em seu colo mais uma vez, como fizera mais cedo.
- Ah, agora não, . Eu não tô com sono ainda. – ela fez bico, olhando para TV e passando os canais aleatoriamente.
- Estou com a ou a Bells? Tá parecendo uma criança. Tal mãe, tal filha, não?
- Se for dormir agora, vai dormir na sua casa, tchau.
- Eu não, vai ter que me aguentar. É o teste final. – falei, rindo.
- Teste final para quê? – ela me encarou.
- Pra saber se vamos ser felizes para sempre. Eu tô apostando que sim, mas nunca se sabe, né?
- Estou com o ou a Bells? Tá difícil de diferenciar. – ela me mostrou a língua, repetindo a frase que eu dissera antes.
- Definitivamente com uma mistura dos dois.
- Preciso deixar a Bells bem longe de você, já imaginou se ela ficar pior do que já é por sua causa? Ninguém aguenta. – rolei os olhos e ela riu.
- Deixa minha relação com a Bells fora disso, sem ameaças, não gosto. – ela concordou, ainda rindo. – É sério.
- Bebezão.

- Alô. – atendi ao telefone sem nem mesmo olhar para o visor e ouvi a voz de minha mãe responder, sorri automaticamente. – Oi, mãe! Como você tá?... Eu tô bem também. E aí? Tá passeando?... Não, não tô em casa, ‘tô na . – olhei para , que pausou o filme que assistíamos e me encarou, negando com a cabeça. – Ela tá me encarando aqui só porque eu falei o nome dela com a maior naturalidade, acho que ela percebeu que você realmente sabe quem ela é... Ah, mãe, eu posso tentar, ‘perai. – encarei a garota, que parecia querer me desfazer em pó com os olhos. – Minha mãe quer saber quando você vai lá em casa comigo...
- ! – ela falou, em repreensão.
- Mãe, acho que ela não tá preparada pra isso... Ouviu esse tom de voz? Coitada. – falei, rindo e ouvindo minha mãe rir comigo do outro lado da linha. Talvez, só talvez, eu tivesse herdado o jeito dela. Ela provavelmente estava chorando de rir apenas de imaginar a reação de com o que eu estava fazendo. Eu conversava com ela, então eu já tinha falado tudo que fosse possível sobre a mulher para ela. Ela talvez conhecesse mais do que eu, só pelo que eu falava.
- , eu te odeio! – apontei o celular para ela e a vi bufar, irritada.
- É sério, ela quer falar com você. – dei de ombros ao vê-la arregalar os olhos. – Realmente não quer falar com a minha mãe, ? Que feio... – coloquei o telefone no ouvido novamente. – Sim, mãe. Quase 30 anos e age como uma criança.... Juro, quase 30... Ela vai me matar, acho que ela tá até ignorando que amanhã tenho que estar vivo. – pulou em meu colo e puxou o telefone de minha mão, colocando no viva-voz.
- Oi, senhora .
- , tudo bem? – ela falou rindo, surpresa.
- Estou bem, e a senhora?
- Você, por favor. Estou bem também. Está brava? – ela perguntou irônica, e já imaginei que estava se perguntando onde estava se metendo.
- Não. gosta de testar a paciência da velha de quase 30 anos. – naquele momento eu soube que ela guardaria aquela frase para sempre e eu teria que aguentar o peso de ter falado. Agora ela se autodenominaria a velha de quase 30 anos, ao menos até se tornar a velha de quase 40 anos, o que eu não falaria para ela.
- é um idiota, e ainda tem uma mãe que da corda para ele. Estou ansiosa por conhecê-la. Na verdade, conhecê-las. Não aguento mais ouvir falar da Bells, já me sinto íntima de vocês. – riu, sem graça.
- Vamos marcar então, tudo bem? Vou dar uma olhada quando vai ficar mais tranquilo. – encarei , para entender se para ela estava tudo bem, e ela confirmou com um sorriso.
- Cuidado para voltar pra casa, . – minha mãe falou, advertindo. tentou segurar o sorriso que queria brotar em seus lábios e eu apenas pigarreei, confirmando em seguida.
- Tchau, mãe.
também murmurou um tchau e minha mãe se despediu de nós animada.
- Cuidado pra voltar pra casa, . – gargalhou. – Você passava diversas noites fora. – neguei com a cabeça, arqueando minhas sobrancelhas. – , você foi na minha farmácia comprar camisinhas, por favor, não negue. – gargalhei, confirmando com a cabeça. – Então, você passava diversas noites fora, por qual motivo ela estaria nessa noite te falando pra tomar cuidado ao voltar pra casa?
- Talvez porquê em todas as noites em que eu passei fora, a gente nunca conversasse no telefone. E ela não imagina que eu vá passar a noite aqui, já que ela não quer isso. – falei, sorrindo.
- Como assim? – ela perguntou, confusa.
- Ela tem medo de acelerarmos as coisas e estragarmos tudo. – eu sorri, a abraçando em meu colo, como ela estava desde o momento em que pegou o telefone de minhas mãos. – Mas mesmo com muita conversa, talvez ela, assim como você, ainda não tenham levado completamente a sério o quanto eu ‘tô feliz assim e não tem nada que estrague.
- Ei, eu confio em você. – ela falou, sincera. Abri minha boca para responder, mas estava surpreso, não sabia ao certo o que dizer. – Por que a surpresa? – ela riu.
- Não sei, . Sempre achei que essa parte de passado pudesse ficar no fundo da sua cabeça, assim como você achou que a Bells poderia ser um peso na minha. Sei que eu nunca fui o típico jogador de futebol festeiro que aparece nas revistas, e você mesma sabe que já tive um grande relacionamento, mas achei que o passado pudesse te incomodar. – dei de ombros. – Gosto tanto de poder falar assim com você, sem me preocupar com nada, só falar. – adicionei, fazendo-a sorrir.
- De forma alguma, . – ela acariciou minha bochecha de uma forma gostosa. – Eu não duvidei de você, tudo bem? Eu confio em você desde o primeiro dia, e sei o quanto você se aproximou com as melhores intenções, sem nem criar uma segunda. Eu nunca me preocupei com essa parte, caramba, , você quer mais passado do que eu levo? E outra, isso não seria motivo de desconfiança. Não acredito que você me trocaria por qualquer uma.
- Essa conversa tá bem de casal, né? – a encarei, procurando por uma reação. Ela sorriu, envergonhada e me apertou em um abraço.
- Sim, está. Você me cortou pra fazer essa observação? Tá querendo descobrir o que está rolando aqui?
- Você quer um grande gesto ou é só assim mesmo? – ela me encarou, arqueando as sobrancelhas. Vi um sorriso nascer em seus lábios e ela me deu um selinho demorado.
- Sem grandes gestos, você já é um grande gesto naturalmente. – ela riu e eu concordei, convencido.
- Tudo bem usar a palavra com N, então? Somos noivos? – falei sério, arrancando uma gargalhada da mulher. – Estamos falando em códigos, posso considerar o que eu quiser. – dei de ombros e a apertei em meu colo. – Posso te chamar de namorada? Mesmo, mesmo? – ela assentiu.
- Aí, meu Deus, uma velha de quase 30 anos namorando. Que absurdo. – ela bateu em meu ombro, descontando pela frase como ainda não havia feito.
- Publicamente? – adicionei, ignorando o tapa. Ela torceu a boca, um pouco controversa. – Tudo bem, vamos aos poucos. – ela assentiu, sorridente.
- Eu gosto muito de você, e gosto muito do jeito que você torna as coisas simples e aceita meu jeito de ir devagar. Juro que vou tentar falar mais, tudo bem? – assenti, com um grande sorriso no rosto por ouvir o que ela havia falado. A ajeitei em meus braços e puxei sua cabeça próxima à minha, encostando meus lábios nos seus. Minhas mãos automaticamente agarraram sua cintura, e senti os braços de sendo jogados em meu pescoço.
Senti sua língua invadir minha boca e meu único pensamento se tornara “caralho!”, porque era indescritível. Cada vez que eu a beijasse eu sabia que meu pensamento seria o mesmo. Me lembrei da noite de ano novo, onde nos beijamos pela primeira vez, e sorri, fazendo-a sorrir também. Com sua unha ela acariciava lentamente minha nuca, me fazendo arrepiar por inteiro, algo que ela percebera e provavelmente agora fazia com esse propósito.
Desci meus beijos para seu pescoço e colo, fazendo-a a arrepiar também. Passei minha mão por baixo da blusa que ela usava, apertando sua cintura e ouvindo ela arfar, jogando uma mão em meu cabelo e puxando-o. Mordi levemente seu pescoço e senti um tapa em meu ombro, acompanhado de uma risada.
- , eu sou uma mãe de família, por favor! – ela me encarou.
- Desculpa, eu não consegui me conter. – dei um selinho nela e senti seus braços automaticamente me puxarem para mais perto, aprofundando o beijo novamente. Suas mãos desceram para meu peito, deixando ali um carinho, e logo em seguida desceram mais, chegando até a barra de minha camisa.
Surpreso, separei nossos lábios e a encarei. Seus olhos brilhavam de uma forma que eu ainda não havia visto, e ela apenas escondeu seu rosto em meu corpo, envergonhada. Puxei-a para mim e sorri, negando com a cabeça. Não queria envergonhá-la, de forma alguma. Grudei nossos lábios novamente e voltei suas mãos para onde estavam, fazendo-a rir entre o beijo. Suas mãos agilmente puxaram minha camisa, nos separando apenas para que eu a tirasse e jogasse para o lado, acertando uma garrafa em cima da mesa e a jogando longe por estar vazia.
Ela afastou um pouco seu corpo do meu e encarou a camisa jogada longe, olhando para mim em seguida. Dessa vez quem sorriu envergonhado fui eu, puxando seus cabelos para que voltássemos ao beijo, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ela se levantou, e se sentou novamente, agora de frente para mim, com as duas pernas ao lado do meu corpo. Ela então cruzou as mãos em frente ao seu corpo, puxando sua blusa para cima.
Tentei manter meus olhos nos seus, mas ela estava me provocando e ela sabia disso. Seu sorriso era de pura luxúria, e eu achei que nunca fosse vê-la tão daquela forma. A vi morder o lábio e sabia que aquele gesto significava tanto ela demonstrando sua vergonha, quanto sua provável incerteza do que estava fazendo. Encarei seu tronco semi vestido, respirei fundo e sorri para ela. Em apenas um movimento a deitei no sofá, jogando-me por cima e voltando a beijá-la enquanto minhas mãos passeavam pelo seu corpo, assim como suas mãos se revezavam no meu.
Tudo que eu havia falado na melhor intenção anteriormente se passava na minha cabeça agora de uma forma nova, envolvendo também meu desejo por ela. Eu estava obcecado por aquela mulher, e ela fazia questão de triplicar todo aquele sentimento. E agora, era da forma mais nua possível que alguém poderia o fazer. Eu sabia que aquilo significaria muito pra ela, e me perguntava se ela tinha ideia do quanto significava também para mim.



Capítulo 12

“How many times do I have to tell you even when you’re crying you’re beautiful too. The world is beating you down, I’m around through every move.” (Allof Me – John Legend)

Por

- Tá tudo dando errado. – entrou em casa, batendo a porta atrás de si. Bells estava deitada em um sofá enquanto eu estava jogada em outro. deu um beijo em minha testa e outro em Bells, logo se jogando ao meu lado e deitando em meu colo.
- Ei, calma. – seus olhos estavam vermelhos e eu notei que ele havia chorado. – , pelo amor de Deus, não é culpa sua o que aconteceu.
- , eu errei aquele pênalti!* Eu! Era a única coisa que eu não poderia fazer. Já haviam errado um, eu tinha que fazer a minha parte.
- Você fez sua parte o jogo inteiro, essas coisas acontecem. Eu sei que é muito frustrante, sei mesmo, mas você fez tudo que podia. Você bateu superbem, você é um incrível batedor de pênalti, não tenho nada para te dizer além disso.
- Mas dessa vez não deu, . E tá tudo horrível, tudo que está acontecendo está deixando as coisas péssimas por lá. – acariciei seus cabelos e comecei a me lembrar de tudo o que estava acontecendo naquele mês.
No dia seguinte da festa de Bells, o Chelsea perdera para o Manchester City de 6x0. sumiu por dois dias, entre vergonha de respirar (de acordo com ele) e ficar preso no clube em meio a reuniões. Havia sido a primeira goleada dos grandes times da Premier League desde 2014, se tornara um marco histórico, infelizmente.
Depois disso, tivemos o episódio em que o Chelsea recebeu uma punição por contratos com menores de 18 anos, infringindo alguma regra da FIFA que eu ainda não havia entendido por inteiro. A punição será que o time não pode efetuar contratações durante duas janelas de transferências, sendo assim, só poderá voltar a contratar em junho de 2020. Com diversos jogadores com seus contratos acabando e a crise que vinha se instalando no time desde as últimas derrotas que os fizeram sair da lista de classificação para a Champions, isso jogou tudo para baixo de uma vez.
tinha que se concentrar nos jogos, e ele sempre fazia o melhor para isso, mas ele voltava cada vez mais carregado. O clima estava tenso no vestiário, e ele disse estar até mesmo receoso com os companheiros de equipe que poderiam vir a abandonar o time na próxima janela. Sua decisão estava tomada, por mais que qualquer time o procurasse, ele não sairia dali. Pelo menos não até ver que as coisas estariam nos trilhos novamente. Era incrível a paixão que ele tinha por aquele time, me fazia ver o futebol de uma forma que talvez poucos enxergassem. Não era só o dinheiro, ou um gol, realmente suava por aquilo, ele fazia parte do clássico “vestir a camisa”.
O Chelsea, claramente, estava tentando recorrer a essa decisão da FIFA. A diretoria pretende solicitar a prorrogação da pena para que se inicie na próxima janela de transferências, para que eles tenham ao menos a chance de “ajeitar a casa”, mas me dissera acreditar ser improvável que o pedido fosse aceito. E em meio a tantos problemas, se preocupava apenas em ver o técnico do time fora.
sempre definiu Sarrí como uma boa pessoa, um ótimo profissional, e quem sabe, uma esperança para o time. Mas desde o início do ano, a visão se tornara um pouco distorcida, e ele dizia que não aguentava mais o clima da equipe por conta do italiano. O homem tentava impor respeito, mas não era mais atendido. A equipe estava insatisfeita com suas táticas, e isso fazia com que todos se tornassem mimados o suficiente para fazer birra. Uma coisa que havia ficado em evidência no jogo de hoje, o qual acabara de chegar. Manchester City x Chelsea, novamente, dessa vez pela final da Copa da Liga Inglesa.
O jogo havia ficado no 0x0 e estava na prorrogação quando Kepa, o goleiro que eu havia deixado claro para que achava uma gracinha, precisou de atendimento médico duas vezes devido a câimbras. Na segunda vez em que o garoto se levantou para voltar ao jogo, faltando alguns minutos para o final da prorrogação e o momento de ir para os pênaltis, Sarri buscou sua substituição. Quando o goleiro viu que seria substituído, se negou a sair de campo e começou a negar para o técnico, informando-o que estava bem. O clima no campo se tornou pesado, e entre diversos gritos e conversas, um técnico louco de ódio, o goleiro reserva pronto para entrar, um Kepa recusando avidamente uma ordem, e tentando conversar com o garoto para resolver a situação o mais rápido possível, Sarrí perdeu completamente sua compostura e também o respeito que já mostrava não ter. Depois do jogo, houve a parte em que todos tentaram acalmar os ânimos e passar um pano quente na situação, mas todos sabiam que a confusão não se tratava de uma falha de comunicação.
Após todo esse problema, no momento dos pênaltis, Jorginho batera o primeiro para o Chelsea e errara, tornando a situação desde o princípio muito delicada. Quando chegou a vez de bater, ele chutara na trave, deixando o Manchester City com uma vantagem que não foi recompensada, deixando-os com o título. saíra de campo o mais rápido possível, se desculpando com os torcedores que ali estavam os assistindo, com seus olhos cheios de lágrimas que agora apareciam para mim em meio a um rosto vermelho.
- , você tá triste? Tá tudo bem, ninguém te odeia. Você só errou, ué. – Bells falou, acariciando o rosto dele.
- Bells! – falei, segurando a risada, diferente de que não aguentou.
- O que fazer com você, menina?! – ele levantou, pegando-a no colo e a apertando. – Não tem nem como ficar triste do seu lado. Só ‘tô chateado, tudo bem? – ela assentiu, beijando seu rosto.
- Que criança mais carinhosa, a mamãe ganha beijo também? – Bells pulou em meu colo e me deu um beijo junto a um abraço apertado, logo descendo do sofá e voltando a deitar no outro.
- Não me leve a mal pelo que vou dizer, por favor! – falou, olhando para Bells com um sorriso no rosto. – A Bells faz qualquer pessoa desejar um filho, porque se todos fossem assim como ela seria incrível.
- Isso é porquê você não viu a pior época, com três anos ninguém queria chegar perto dela. Ela teve uma fase horrível, assim como toda criança.
- Isso é o de menos, eu não vi, me deixa me iludir. – ele se deitou novamente em meu colo e puxou minha mão para seu peito, colocando a sua por cima da minha. – Obrigado por me deixar vir pra cá.
- Você mandar uma mensagem “, tô indo aí” cinco minutos antes de chegar não é bem deixar, né, a gente fica meio sem escolha. – o vi me encarar indignado e ri, fazendo-o levantar.
- Eu vou embora então.
- Tudo bem. – me ajeitei no sofá, jogando meus pés para cima.
- Nossa, você é muito ruim! Que coração malvado. – ele riu, levantando meus pés e se sentando, jogando minhas pernas por cima das suas. – Tão triste que amanhã já é segunda.
- Falou a pessoa que não vai trabalhar, né?
- Pior, vou pra lá ouvir um monte. – ele sorriu, desanimado. – Mas falou a pessoa que trabalha todos os dias, das sete à meia-noite, né? – ironizou.
- A única que tem direito a reclamar aqui é a Bells, porque ela vai acordar cedo e não tem opção, tem que ir pra escola. – olhei para minha filha e ela me encarou, começando a tossir.
- Não posso, ‘tô doente, mamãe. – ela sorriu, parando de fingir a tosse e imitando um espirro. gargalhou e eu apenas assenti, encarando-a.
- Menina, o que eu fiz para merecer você? Vou te colocar numa escola para ser atriz, você tá valendo o investimento. – ela riu, voltando a prestar atenção na televisão. Era incrível o quão inteligente aquele pingo de ser humano podia ser.
- Digo e repito, eu adoro essa menina. Ela é tão legal que não sei como saiu de você. A parte legal dela com certeza veio do Michael. – falou, pressionando os lábios para segurar a risada.
- Pelo menos você fez o tio rir.
- Mãe, a gente não pode levar o tio pra passear pra ele ficar feliz? Naquele lugar especial? – Bells piscou para mim e eu sorri, pensando o quão incrível ela era. E bom, ia gostar, por mais bobo que fosse. Olhei para ele e vi suas sobrancelhas arqueadas, curioso.
- Onde?
- Não interessa, vai se agasalhar, Bells, vamos levar o pra passear.
- Falando assim parece que você vai colocar uma coleira em mim e me levar para fazer xixi. – ele gargalhou e eu parei para analisar que realmente estava parecendo isso. Me levantei, ainda rindo, e caminhei em direção ao meu quarto para me vestir também.
- Você tá bem agasalhado? Tem blusa? – ouvi ele soltar um “acho que sim” e sorri, fechando a porta para me trocar.

- Quer ir com o seu e eu vou com o meu? – perguntei e o vi negar.
- Posso ir com vocês e volto para ir embora? – assenti e ele sorriu abrindo o próprio carro e vasculhando o banco de trás. Abri meu carro e Bells entrou. Passei o cinto na garota e bati a porta, indo para o banco de motorista e vendo vestir uma blusa de manga comprida e seu agasalho, que parecia muito quentinho, do time.
- Não sei se é muito bonito sair com isso hoje, muito menos eu, mas né.
- Larga de ser bobo, . – ele deu de ombros e bateu a porta. – Onde você vai me levar? – ele torceu seu corpo para trás, olhando para Bells.
- Segredo. – ela riu e fez um sinal de silêncio para , que a encarou incrédulo.
- Vocês são muito cúmplices, senhoritas. – Bells piscou para mim e eu mandei um beijo para ela.
- Você vai gostar, . É perto. – ela falou, encarando a janela e se distraindo com a rua lá fora.
- Você acha que eu devo conversar com ela? – falei alguns minutos depois de ligar o rádio e ver minha filha completamente distraída com a janela ainda, e cantando uma música do Shawn Mendes que tocava pelos alto falantes.
- Acho que a pergunta é se você acha que deve conversar, . – ele riu, dando de ombros.
- Não sei se ela entende as coisas. Tenho medo de confundir a cabeça dela. – ele pareceu ponderar e então um sorriso brotou em seus lábios.
- Ela já espalhou para os amiguinhos que a gente casaria. Eu não acho que ela não entenda. Talvez ela até não entenda completamente, mas ela sabe como funcionam as coisas. Como foi quando você separou do Michael?
- Ela era pequena.
- Mas você teve que explicar em algum momento, não? A Bells com certeza já perguntou, mais curiosa que essa menina não tem.
- Ela entendeu bem. – eu sorri, me lembrando.

- Mamãe. – a garota estava tomando banho e gritou pela mãe enquanto deixava a água cair em seu cabelo, durante o tempo em que não voltava para lavá-los.
- Oi, meu amor. – a mulher entrou no banheiro, sentando em um banquinho ao lado do chuveiro para auxiliar a filha.
- A tia Lena e o tio John foram buscar a Tina hoje... Por que você nunca me busca com o papai? E eles moram juntos com a Tina também, por que o papai não mora aqui? – a mãe sorriu triste, não acreditando que já tinha chegado o dia em que sua filha lhe perguntaria aquilo.
- Eu e o papai não moramos juntos igual o tio John e a tia Lena porque nós decidimos que não estava legal dessa forma, Bells. Foi assim... – a mulher ensaboava as costas da filha enquanto escolhia as palavras para lhe explicar a situação. – A mamãe e o papai ficaram muito tempo juntos, e a mamãe ama o papai, assim como o papai ama a mamãe, certo? Mas nós estávamos ficando chatos juntos, tipo... Sabe quando o seu pianinho cai e fica tocando sozinho e você fica chateada com o barulho que ele está fazendo? Porquê é irritante. – a pequena assentiu, rindo. – Nós estávamos assim. Aí a gente decidiu que não queríamos te irritar igual o pianinho, porque você merece todo amor do mundo de nós dois, mesmo que a gente não esteja igual a tia Lena e o tio John. Você gosta de ficar com a mamãe e sempre ver o papai, visitar ele e a vovó... Não gosta? – ela concordou, com um sorriso no rosto.
- É legal ter duas casas. – ela deu de ombros jogando água no rosto da mãe que a encarou de sobrancelhas arqueadas.
- Espertinha.
- Mas um dia eu vou ter um novo papai e uma nova mamãe? Que vão morar com você e com o papai? – agora a pergunta se tornara um pouco mais complicada e torceu o nariz, tentando encontrar uma forma de responder bem. – O Phill disse que ele tem duas mamães, porque quando ele vai pra casa do tio Frank, tem uma mamãe e ele tem um irmãozinho também. E eles moram todos juntos.
- Talvez, filha. A mamãe pode arrumar uma pessoa que goste muito dela, assim como o papai pode arrumar alguém que goste muito dele. A única coisa que importa é essa pessoa gostar muito de você também, porque é o que importa para nós dois. – a garota sorriu, feliz com a resposta. Para ela, era apenas mais uma pessoa para ela brincar, então estava tudo bem.

- Eu, particularmente, acredito que ela vai adorar. – ele encheu seu peito de ar, parecendo inflar seu ego, o que me fez gargalhar.
- O que eu fiz para te merecer, ? – ele deu de ombros.
- Vocês estão me levando para o lugar mais clichê de Londres ou é impressão minha? – ele aumentou a voz, direcionando sua frase para Bells, que o encarou com um sorriso no rosto quando percebeu onde estava. Por trás das ruas em que passávamos, atrás dos prédios antigos, era possível ver o brilho da roda gigante.
Bells realmente amava aquele lugar. Assim como aquele lugar fora mágico para e eu no ano novo, era mágico para Bells por simplesmente ser lindo. Aquele era realmente o lugar preferido da garota, e eu confesso que aprendera a amar tanto quanto, mesmo com toda a movimentação que sempre havia ali.
- Não deixa de ser mágico nunca, não é? – falou, parecendo ler meus pensamentos. – Boas lembranças. – ele sorriu, me encarando enquanto eu estacionava o carro.
- Sinto que ainda temos muito o que fazer com esse cenário. Por mais clichê que ele seja, senhor .
- O que seria de um casal em Londres sem os pontos turísticos, não?
- Se não morássemos tão no centro na verdade não seria tão comum andar por aqui, mas poxa, estamos tão perto. – ele riu, concordando. – E eu tenho uma filha apaixonada pela cidade onde mora, uma filha que ama encarar a London Eye mesmo que seja de baixo, ama andar pela beirada do Tâmisa e tirar fotos para eu mandar para todo mundo, ama comer nos lugares em volta, e até mesmo ficar sentada naquele café ali... – apontei para o local que ficava a poucos metros de onde eu havia estacionado. – Pelo simples fato de ter uma vista bonita.
- Você é tão linda falando assim que eu só não vou te dar um beijo bem aqui porque estamos sendo encarados por esses olhinhos lindos. – ele indicou o banco de trás com a cabeça e Bells expressou sua curiosidade quando, juntos, olhamos para ela.
- Podemos ir? – ela questionou, soltando o cinto de segurança.
- Podemos, senhorita.
- , não tem nenhum problema você estar aqui, né? – perguntei, antes de destravar as portas. Ele me encarou e negou, abrindo sua porta sozinho.
- Teria problema se eu estivesse sozinho. – ele piscou e eu sorri, boba. Destravei as portas e desci, o vendo abrir a porta para Bells e ajudá-la a descer, segurando sua mão quando ela parou ao seu lado.

- Queria ter colocado meu moletom do Chelsea também, tá todo mundo te olhando, é o melhor time, né? – Bells falou, encarando algumas pessoas em volta.
- Filha, talvez eles estejam olhando para o , e não para o moletom. – falei rindo e ela fez a maior expressão de “ah, verdade” que eu já a havia visto fazer. gargalhou e a pegou no colo, colocando-a em frente ao seu rosto como se estivesse se escondendo.
- Seja o centro das atenções então, bobona! – Bells ria enquanto a girava. Ele se encostou no muro no rio e a apertou em seu colo, se debruçando ali e fingindo que a jogaria. – A água nem deve tá tão gelada.
- Mamãe, me salva! – ela reclamou, ainda rindo.
- Vocês que se resolvam, eu não me importo. – dei de ombros e os dois me encararam. Vi dar dois passos para trás e soltar Bells, com quem trocou um olhar cúmplice.
Ela se encostou no muro ao lado dele e em segundos, antes que eu pudesse me dar conta, passou um braço por baixo de minhas pernas e apoiou o outro por baixo de meus braços e me pegou no colo, assim como fizera com minha filha segundos antes. Senti meu corpo encostar, embaixo de várias camadas de roupa, no muro gelado e tentei não gritar.
- , isso não tem graça. – ouvi Bells rindo e revirei os olhos, o encarando.
- Desculpa, , mas aparentemente tem graça sim.
- Me desce daqui. – fiz bico tentando convencê-lo. – Provavelmente tem alguém tirando foto disso, você vai se arrepender quando abrir o site, sei lá, da ESPN e ver uma matéria sobre estar tentando jogar sua amiga e sua sobrinha no Tâmisa. – ele beijou minha bochecha e me colocou no chão, rindo.
- Será que se eu te der um beijo bem romântico aqui, eles ainda vão tentar fugir do fato? Não sou nenhum, sei lá, Justin Bieber? Harry Styles? Mas dou para o gasto. – ele deu de ombros. – Eu apareço em site de fofocas até demais, sabia? Fizemos uma estimativa entre os jogadores de lá e eu ganhei.
- É, a parte de dar para o gasto vou fingir que concordo pra não ficar feio, tudo bem? – torci o nariz e o vi arquear as sobrancelhas. segurou a mão de Bells e começamos a andar novamente, nos aproximando de algumas barracas que ficavam ao lado da descida da ponte Golden Jubilee.
- Mãe, a gente pode ir? – Bells falou, apontando para a roda gigante. Olhei para o relógio e notei já ser mais de oito e meia, então já estaria fechada para novas pessoas, a fila apenas terminava com as que já estavam ali.
- Já fechou, meu amor. – beijei seus cabelos, a abraçando. – Outro dia, tudo bem?
- , você vem junto com a gente outro dia?
- Claro que venho. – ele concordou, com um sorriso no rosto. – E sabia que eu estou feliz? De ter vindo para cá com vocês. Você sabe como ajudar uma pessoa, huh?
- Eu sabia que você ia melhorar. Já dá até pra esquecer que você não fez o gol. – ela sorriu e eu ri.
- Filha! Agora você o lembrou. – fez bico e ela pareceu entender, então o imitou.
- Desculpa. Mas tá tudo bem. – ela abraçou suas pernas, como se o consolasse.
- Vou até comprar alguma coisa para você comer depois dessa. – ele sorriu, se aproximando com ela dos lugares e pedindo pra que ela escolhesse. – Depois a gente vai embora porque a senhorita tem aula, tudo bem? – ela assentiu, concordando. – Mas prometo que outro dia a gente volta para ficar mais tempo.

Estacionei o carro em frente de casa e desceu rápido, pegando uma Bells quase adormecida no banco de trás. Desci e tranquei o carro, andando rapidamente até eles que estavam na porta.
- Você ainda tem que tomar banho, filha. – falei, tentando não assustá-la. Ela negou com a cabeça sem nem abrir os olhos, se ajeitando no colo de e se debruçando em seu ombro.
- Dei banho nela hoje de manhã, pode deixar. Coloca ela na cama dela, por favor, vou só trocar.
Grandes decisões que mãe deve tomar. Ri sozinha com o pensamento e segui no corredor até o quarto de minha filha, já buscando por seu pijama na gaveta. beijou sua testa e saiu do cômodo enquanto eu a trocava e separava suas coisas para o dia seguinte. Dobrei as roupas que ela usava e deixei separadas, logo apagando a luz e deixando o quarto. Bati a porta e pude ver ao meu lado, no mesmo momento em que ele me puxou, fazendo meu corpo se chocar no seu.
Senti seu nariz grudar no meu enquanto nossos olhos se encaravam. Eu sorri e neguei com a cabeça, enquanto ele ria de saber o que eu estava pensando. Aquele homem não existia, ele não valia nada. Grudei nossos lábios e me rendi à sua mão que agarrava minha cintura, deixando meu corpo ceder em seus braços.
- Você tem mais alguma coisa que precisa fazer? – ele perguntou, distribuindo beijos pelo meu pescoço. Neguei com a cabeça.
- Nada que eu não possa fazer amanhã.
- Então agora a senhorita está sendo convocada pra ser o meu real consolo. – ele riu, me fazendo rir também.
- Você é demais, . – ainda rindo apertei minhas unhas em sua nuca, vendo seus pelos se eriçarem, deixando-o alerta.
- . – ele resmungou, fechando os olhos. Em poucos segundos ele recobrou sua consciência e a última coisa que me lembro é do meu corpo sendo jogado em minha cama, enquanto dividimos risadas.


* Utilizei a situação do David Luiz para o pp, pois no jogo foi ele quem perdeu o pênalti.


Capítulo 13

“And with every step together we just keep on getting better. So can I have this dance?” (Can I Have This Dance – Vanessa Hudgens e Zac Efron)

Por

: Ei, tudo bem? Vai fazer alguma coisa a noite?

Saí do treino para almoçar e peguei meu celular, sorrindo ao ver a mensagem de nele. Já fazia um mês que ela havia aceito meu pedido de namoro e estávamos muito bem. Todos viviam me dizendo que eu não parava de sorrir para todos os lados, a situação das pessoas comigo no time já estava até mesmo irritante. Principalmente quando tive que contar todos os detalhes para os caras no vestiário, fui abordado como garotas em uma festa do pijama. Algumas fotos nossas acabaram por parar em jornais esportivos, ou não, e até mesmo eram colocadas em meio a brincadeiras relacionadas a como eu estava melhor em campo desde o surgimento da mulher que aparecera comigo em diversos lugares desde alguns meses atrás.
- Sorrisinho de quem recebeu mensagem da . – vi David falando. – Quando vou conhecer minha parceira do Brasil? – tentei identificar a palavra que ele falara, que soou como português, sem sucesso.
- Nunca, de preferência. Vocês vão me deixar de fora do assunto. – ele riu, concordando.
- É, pode ser. – o vi dar de ombros e Willian aparecer, concordando.
- Parem de tirar uma com o cara só porquê ele está enamorado, deixem o bebê em paz. – Kepa apareceu, utilizando palavras de sua língua também. Algumas vezes aquele vestiário parecia uma zona com tantos idiomas sendo falados ao mesmo tempo. Ele deu um tapa em minhas costas.
- Meu aniversário está chegando, ótima oportunidade. – Kanté comentou. – Todo mundo vai em casa, certo?
- Posso falar com ela. – dei de ombros depois de ver todos concordarem que iriam.
- Ela não estará sozinha, a Bruna vai. – David falou, sorrindo e vendo todos concordarem que levariam suas namoradas ou esposas também. – Eu falo com ela se você quiser. – ele tomou meu celular de minha mão como uma criança e apagou a mensagem que eu digitava para ela, preparando-se para gravar um áudio para a mulher pelo aplicativo. Nem mesmo me movi para tentar pegar, jogar contra ele em alguns momentos do treino já era humilhante o suficiente. – Ei, ! Tudo bem? David aqui. Acredito que você sabe quem é, o falou que você acompanha e não acho que tenha outro David que possa falar português para você. Inclusive, o tá me olhando com um olhar superesquisito só porque ele não tá entendendo nada que eu ‘tô falando. Enfim, esse fim de semana tem o aniversário do Kanté, e a gente quer te conhecer. Todo mundo do time. Você vai, né? Minha namorada vai também, e a dos caras também. A gente jura que não morde, a não ser que peça. E bom, o pode morder, aí fica entre vocês. Mas vai sim, por favor! Falou.
- E? – perguntei, sem ter entendido nem meia palavra que ele havia gravado naquele áudio que deve ter durado por volta de um minuto. Ele deu de ombros, rindo junto aos outros.
- Ele não falou nada ruim, fica em paz. – Higuain falou, aparecendo no meio de todos nós.
- Se ele tivesse falado, você falaria? – Pedro questionou e todos riram, sabendo que não. – Vamos. – ele saiu na frente de todos nós, puxando a gangue para o almoço.

:
Desculpa pelo áudio, eu não sei o que ele falou. Mas estou bem, bem cansado, e você? Hahaha Não vou fazer nada, algum plano?

- , come invés de ficar esperando mensagem da , meu Deus. – ouvi Willian reclamar, caçoando.
- Vocês não podem me deixar em paz? Eu nunca fui chato assim com vocês. – todos me encararam e eu dei de ombros, rindo ao me lembrar das diversas vezes que quase espantei as garotas que eles apresentavam. Eu era, de fato, o pior dali.
- É hora da vingança, meu garoto. – Jorginho riu, fingindo maldade.

: Tem uma festa de primavera na escola da Bells. Eu tenho que ir, é como uma reunião de pais, mas mais arrumada. Nunca entendo bem, mas tenho que ir. Quer me acompanhar?
: Que horas?
: Precisa olhar sua agenda?
: Que horas eu passo aí, boba! Hahaha
: Umas sete horas? Pode ser?
: Okay! Até mais tarde, vou voltar a comer antes que gritem mais comigo. Beijo.
: Espera aí! Vou ouvir esse áudio e responder, quem foi? Você não manda áudio.
: Só ouve 🙄

- Ela falou que vai ouvir seu áudio. – falei, me dirigindo à David.
- Cadê? – ele se aproximou, olhando para a tela do celular que estava em cima da mesa.
- Calma. – falei, rindo. – Vocês são muito desesperados, estão parecendo meninas no primeiro beijo com o cara mais bonito da escola. Passei muito por isso. – dei de ombros e eles gargalharam, concordando em fingimento.
- Dá aqui! – ele pegou o celular e soltou o áudio que a mulher havia enviado. O vi sorrir, assim como outros caras que entendiam pelo menos algumas palavras que ela falava.
- E? Vou ter que convencer ela ou não?
- Eu sou muito bom nisso, é claro que não. Ela falou que vai, só precisa procurar com quem deixar a pequena.
- É só levar, não tem problema nenhum. – Willian falou e Kanté, que estava na mesa de trás o ouviu.
- Festa de família, cara. Não vou convidar prostitutas, nem nada. – ele gargalhou, fazendo todos rirem e alguns solteiros contrariarem fingindo insatisfação.
- A Bells é incrivelmente acelerada, vocês tem certeza?
- Eu tenho gêmeas, acredite, eu sei. E você sabe disso, elas não são nada fáceis.
- Tudo bem então. – concordei, rindo ao me lembrar de Manuela e Valentina, as gêmeas de Willian. – Vou falar com ela.

: Chegando!
: Você tá dirigindo e digitando, ?
: Hm, não?
: Vergonha na cara falta, né?
: Talvez. Para de reclamar e termina de se arrumar que 2min tô aí. Beijo.
: Beijo.

- Ai, meu Deus, como você tá linda! – falei animado, vendo Bells entrar no banco de trás. afivelava o cinto enquanto a pequena, com um sorriso no rosto, esticava a mão em minha direção para que eu beijasse. – É uma bela senhorita? – sorri, recebendo um aceno de cabeça como afirmação. Ela usava um vestido florido, com meia calça e sapatilha. Um casaco cobria seu corpo, pois ainda não estávamos em uma temperatura tão amena.
- Você também tá lindo, . – ela piscou para mim e eu sorri, agradecendo e mandando um beijo para ela enquanto via se sentar ao meu lado e bater a porta. – A mamãe tá muito linda também, né? – ela então me encarou, curiosa.
- Ela está sempre maravilhosa, Bells. – sorri para , que ficou vermelha com o comentário. Bells pareceu satisfeita com a resposta.
- Obrigada. – riu, ainda envergonhada.
- Apenas a verdade. – apertei sua mão e a encarei enquanto ligava o carro. – Como você tá?
- ‘Tô bem, e você?
- Cansado.
- Cansado do quê? Fica o tempo todo conversando. – ela riu, provavelmente se referindo ao almoço de hoje.
- Por sinal, o que ele te falou? – perguntei, curioso.
- Nada demais. – ela riu.
- E sobre a festa? – desisti de saber o que ele havia falado e mudei de assunto, ansioso por ver sua reação.
- Eu gostei de ser convidada. – ela deu de ombros. – A gente vai?
- Se você falar que a gente vai, a gente vai. – eu ri e ela deu de ombros, concordando.
- Eu quero. Só preciso ver. – ela apontou para o banco de trás e através do retrovisor pude perceber que Bells prestava atenção em nossa conversa.
- Ah, é sobre isso que eu ia falar. Relaxa que não é nada do que você vê nas notícias da maioria dos jogadores. – eu ri, vendo ela semicerrar os olhos, sem entender. – As crianças dos outros vão também.
- Mas você acha uma boa levar a Bells? – vi a pequena se remexer na cadeira, nos acompanhando.
- Onde vamos? – ela perguntou, curiosa.
- Você quer conhecer os amigos do ? – perguntou e ela abriu um sorriso.
- Do Chelsea. – adicionei.
- Sim!
- Então nós vamos. – fiz um hi-5 com ela quando estacionei o carro próximo a escola.

- Uau. Isso está lindo. – falei, admirando o salão enfeitado com decorações de primavera. Diversas flores preenchiam as paredes e fitas de cores fortes e variadas enfeitavam o lugar deixando-o com um ar extremamente feliz e agradável. Bells assentiu concordando e logo em seguida correu em direção a algumas crianças que estavam em roda mais a frente. Olhei em volta e vi diversos pais conversando reunidos. Todos estavam muito bem arrumados e pareciam se conhecer há algum tempo. Essas reuniões provavelmente eram bem comuns.
andou, me puxando pela mão. A vi acenar para uma pessoa ou outra com um sorriso no rosto, e também vi algumas das pessoas para quem ela sorria me encararem, talvez um pouco surpresas. Ignorei e continuei andando com a mulher até que paramos ao lado de uma mulher que deveria ter aproximadamente a idade de , e a abraçou calorosamente falando palavras que eu não entendi, deduzindo que ela também fosse brasileira.
- Lisa, esse é...
- , desculpa , não tem como não conhecer. – a mulher riu, se aproximando para me abraçar também. - Vi um pessoal passando e falando algo do tipo, mas não imaginei que você o tivesse trazido. Amigos? – ela arqueou as sobrancelhas e eu ri, vendo ficar vermelha.
- Você não perde a oportunidade, não?
- Sabia! – ela piscou para amiga, soltando mais algumas palavras que eu não compreendia.
- Já vi que para não sofrer o resto da vida vou ter que aprender português. – reclamei, fazendo com que elas rissem.
- Aprenda o de Portugal, é mais legal.
- Nunca, Mandy. – retrucou, rapidamente.
- Ah, você é de Portugal? Que legal. – falei, pensando na quantidade de pessoas de nacionalidades variadas que tínhamos em Londres. Por onde se anda, aparecem pessoas falando em línguas diferentes.
- Coincidência, não? Ela é a professora da Bells.
- E cadê a Bells? – ela perguntou, procurando com os olhos pelo salão.
- Saiu correndo quando chegamos e sumiu entre as crianças. – dei de ombros e ela riu.
- Fazia algum tempo que não nos víamos. Como estão as coisas? Bom, elas estão muito boas a princípio. – a vi rir apontando para mim e senti meus rosto esquentar. – Desculpe. – riu e segurou minha mão, encostando seu corpo no meu.
- Desde a última vez que conversamos, a única novidade que tenho é estar namorando. Eu, namorando. – ela riu, repetindo pausadamente.
- Olá. – vi Michael se aproximar da conversa e seus olhos pareciam brilhar, não de um modo bom. sorriu torto e Mandy puxou o ar.
- Michael, que bom vê-lo! – ela deu um passo a frente e o abraçou. – Como você está? Tudo bem?
- Não muito, e você? – ele não parecia nem um pouco insatisfeito em demonstrar seu descontentamento, encarando . Não tínhamos dúvida nenhuma de que ele ouvira as novidades da ex-mulher e não havia gostado muito.
- Aí, que horror, eu estou bem. Faz tempo que você não aparece. Como foi a festa da Bells, fiquei triste por não ter ido.
- Com licença, onde está a Bells? – ele perguntou para , desviando seu olhar de mim. Eu sou uma pessoa muito em paz, e nunca dei o mínimo motivo para isso, mas já estava me irritando. Tentei me lembrar que estava em uma festa de escola e, diferente dele, tinha autocontrole e sabia não ser hora de tomar um cartão amarelo de minha namorada.
- Brincando com as crianças. Boa noite para você também, Mike. Alguns dias sendo tão educado, outros sem a mínima educação. – ela retrucou ácida e eu encarei Mandy, que assim como eu tentava segurar a risada e não entrar no meio. Invés de respondê-la, Michael virou de costas e saiu caminhando pelo salão. – Desculpem. – sorriu torto, com uma expressão envergonhada.
- Você não fez nada de errado. – Mandy disse e eu concordei, balançando a cabeça.
- Relaxa, . – abracei seus ombros e dei um beijo em sua cabeça, sentindo seu corpo desmanchar a tensão que havia criado.
- Isso me irrita, não gosto do clima que fica.
- Até ele aceitar vai ser assim. – falei.
- Desculpa, mas eu acredito que não seja algo tão aceitável na mente dele. Seria difícil para qualquer um. Imagine ao contrário. – ela encarou , que pareceu ponderar. Fiquei quieto, fingindo por um momento que um leve ar de ciúmes não passou por meu rosto, me fazendo sorrir com a bobeira do pensamento. – Vou ali dar uma olhada nas crianças, tudo bem? – a mulher apoiou suas mãos nos ombros de . – Fica em paz. – e saiu, deixando uma piscadinha para nós.
- Deu para ver que ela não vale nada, né?
- Com certeza. – virei meu corpo de frente para o dela, segurando suas mãos. – Você está bem? – ela assentiu.
- Desculpa. – seus olhos abaixaram em direção ao chão e eu levantei sua cabeça, tocando levemente seu queixo com minha mão.
- Pode parar. – a abracei rapidamente. – A situação foi um pouco incomoda, eu sei, mas é muito bom que ele tenha vindo, fico feliz.
- Ele sempre vem. Nunca vou negar que Michael é um pai maravilhoso, fico muito feliz. – ela sorriu, sincera. – Vem, vamos sentar, vão começar as apresentações e o blá, blá. Blá, básico de toda comemoração de escola.
- Não me desanime, eu nunca estive algo assim. – falei, indo em direção as cadeiras de mãos dadas com .
- Fico feliz em saber, um grande sinal que você não está me escondendo um filho. – ela riu, indicando um lugar onde poderíamos sentar. Ao longe vi Bells ser levada por Mandy para trás do palco improvisado.
- A não ser que eu seja aqueles pais horríveis que só colocam a criança no mundo.
- Você não tem coração para isso, , a gente sabe. – ela beijou minha bochecha e eu sorri para ela, beijando a sua também.

- Acabou? – perguntei, vendo as pessoas começarem a se levantar. assentiu, se levantando também e assim como os outros, pegando sua cadeira e levando para a lateral do salão.
- Mamãe, a gente pode ficar mais um pouquinho?
- Claro, meu anjo, você já viu o papai? – ela perguntou, vendo os olhos da filha brilharem.
- Ele tá aqui? – perguntou, animada.
- Tá sim, chama ele para dançar com você.
- Vou lá procurar ele, pode ser? – perguntei, direcionando minha pergunta para , que arqueou as sobrancelhas.
- É uma boa ideia?
- Não me importo. Não é como se eu fosse arrumar briga, cair em pilha de alguém. Se eu não me irrito com brutamontes subindo em mim, homem tentando arrebentar minhas pernas, juiz roubando meu time, seu ex-marido é o menor dos meus problemas. – ela gargalhou pela associação e eu sai, procurando por Michael com os olhos.
Sai do salão e passei por um corredor vazio, andando por ele ao ouvir vozes em uma sala no final. Me aproximei da conversa e não resisti em não ouvi-la.

- Eu só não consigo acreditar. – Michael falou, com a voz embargada.
- Uma hora ia acontecer. E na verdade, já tinha passado da hora, Mike. Sei que não faz tanto tempo, mas vocês combinaram de seguir em frente, não foi?
- Foi, mas no momento de colocar em prática não é tão fácil assim. Foi muito tempo o que ficamos juntos, Mandy.
- Eu sei, e vocês eram um casal maravilhoso, mesmo no fim do relacionamento que foi quando conheci vocês.
- Sabe qual a maior ironia da vida? – senti um ar mais pesado em sua voz, e imaginei qual seria a resposta para aquela pergunta retórica. – A pessoa com quem ela está. – ele riu, desgostoso. – Estou caindo para minha grande paixão, para o meu próprio time. É bobo, mas é inacreditável.
- Para com isso, Mike. Vamos para lá aproveitar, a Bells provavelmente quer te ver. O que precisar, pode contar comigo, tudo bem? Você tem meu telefone.
Me adiantei em bater à porta antes que eles pudessem sair da sala e me encontrar ali, ouvindo.
- Olá? – apareci na porta, recebendo os olhares dos dois sobre mim. – Michael, a Bells está te procurando, ela disse que não te viu. – ele assentiu.
- Obrigado, Mandy. – ele a agradeceu com um sorriso e então passou ao meu lado, para sair em direção ao salão. – . – balançou a cabeça como em um cumprimento. Sorri para Mandy, que me encarou com as sobrancelhas arqueadas.
- Escutar a conversa dos outros é algo feio, . – arregalei os olhos e ela deu de ombros. – Eu trabalho com crianças, conheço bem uma expressão culpada. Vamos. – ela passou, me puxando pelo braço para voltarmos ao salão.

- Ei. Tudo bem? – perguntou quando me aproximei. Eu assenti.
- Estamos vivos, não? – ela bateu em meu braço, reclamando da frase.
A música tocava e preenchia o salão, as crianças dançavam de um lado para o outro, algumas sozinhas e outras com seus pais. Sorri vendo Bells dançando uma música lenta abraçada ao pai, seus bracinhos estavam jogados sobre os ombros dele, e ele a girava pelo lugar, fazendo-a rir. Vi alguns casais se levantarem para dançar também e sorri com meu pensamento.
- Vem. – estiquei minha mão para ela, que mesmo sem entender a segurou. Andei em direção a saída do salão e me aproximei novamente do corredor vazio de onde tinha vindo antes. – Se fosse lá, você ia negar, eu sei. – peguei sua mão que eu segurava e a coloquei em meu ombro, fazendo o mesmo com a outra e vendo um sorriso tímido aparecer nos lábios da mulher.
- Ah, . – ela riu feliz, aproximando mais seu corpo do meu.
Coloquei meus braços em sua cintura e comecei a me mexer de um lado para o outro, apenas nos levando no ritmo da música. O corredor estava um tanto quanto escurecido, mas pude ver que ele também tinha diversos enfeites de acordo com o tema da confraternização. A música para nós soava um pouco mais baixa, mas ainda era possível ouvi-la com perfeição. resmungava baixinho a letra, com a cabeça quase apoiada em meu corpo.
- Acho que você é meu Troy Bolton. – ela sussurrou, rindo e quebrando o clima.
- Você não sabe só curtir o momento, né? – reclamei, fazendo-a rir mais ainda. – Sou seu Troy Bolton, me perdoa por não ter te levado para o jardim e feito toda a cena. – fiz bico e ela me encarou, parando de dançar.
- Você já viu High School Musical?
- É algo assim tão inacreditável? – levantei minha sobrancelha, expressando minha indignação. – É meu guilty pleasure*. Gosto de qualquer coisa da Disney, infelizmente não posso negar.
- , você é demais. – ela gargalhou, o que ecoou no corredor vazio, me fazendo rir.
- Agora você estragou nosso momento can I have this dance, estou chateado.
- Vem cá. - ela deu dois passos para trás e esticou sua mão para mim. – Take my hand... – em segundos estávamos os dois rindo novamente.
- Depois de você estragar meu momento, duas vezes... – me aproximei dela, juntando nossos corpos enquanto levava o meu em direção à parede que estava atrás de mim. – Eu mereço pelo menos um beijo, né? – sorri, colocando uma mão em sua cintura, e a outra em sua nuca.
- Não consigo não me apaixonar a cada dia mais por você.
- É tão bom ouvir você falar isso, você não faz ideia. – sorri. – Só espero que quando eu te beije os sprinters não ativem, não quero essa parte deles. – ela riu e juntou nossos lábios em um selinho, direcionando suas mãos para colocar em meu peito enquanto eu aprofundava o beijo, pressionando sua nuca.
Só esperei que ninguém chegasse ali, porque eu só queria aproveitar aquilo pelo mínimo tempo que fosse.
- Mãe? Mãe? – ouvi a voz de Bells se aproximar, próxima a porta do salão. Eu e nos separamos, rindo.
- Tô aqui, meu amor. – ela apareceu na porta, para que a filha a visse.
- Vem dançar comigo. – a pequena gritou, fazendo Michael, que a acompanhava, rir. – Você também. – ela colocou a mão na cintura, como se estivesse brava, e então esticou a mão para que eu a pegasse e a acompanhasse. deu de ombros e eu as segui, com um sorriso no rosto.


*Guilty Pleasure: Um prazer culpado é algo, como um filme, um programa de televisão ou uma peça de música, que se desfruta, a despeito do entendimento de que geralmente não é tido em alta consideração, ou é visto como incomum ou esquisito.





Continua...



Nota da autora: E aí meninas? Como estão? Desculpem a maior demora que tá levando entre um e outro, logo tudo volta ao normal como avisei no grupo do fb! Penúltimo semestre, tenho que ir bem nas provas hahahah um beijo, me contem o que estão achando <3

Essa é a Lola. Ela realmente existe e ver ela me deu toda a ideia hahahahah é uma fofura!
Se alguém está aqui e não está no meu grupo, entre, por favor, vou adorar! Sempre vou avisar qualquer coisinha lá <3



Outras Fanfics:

Two Worlds Collide (Em Andamento/Harry Potter e Percy Jackson)

Shorts

04. She Will Be Loved
14. Maneira Errada (continuação de She Will Be Loved)
I Do (continuação de She Will Be Loved e Maneira Errada)
Mixtape: Uma Criança Com Seu Olhar
01. Dancing Queen
07. Fall
07. You're My Favorite Song
08. Two Worlds Collide
09. Baby


Nota da beta: Mano, eu ri tanto da cena do áudio que o David enviou para ela hahah. E a zoação dos meninos? Ameei num tanto essa interação entre os jogadores, ficou incrível, Lari! Estou superansiosa para a festa do Kanté, que já vi que será maravilhosa. Confesso que fiquei com dó do Michael, e entendi o lado dele, maaas o OTP é o OTP, sinto muito hahahh! E essa cena final? Meu fofurômetro chegou o ápice, Lari, amei, amei e suspirei coraçãozinhos! Amoo SB demais! Ansiosa pela continuação <3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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