Última atualização: 31/12/2018

Prólogo

- Amor, a mamãe precisa cuidar da Lola! – falou para a filha que a encarava entediada.
- Ninguém me deixa brincar com os cachorros. – a pequena fez bico, o que fez a mais velha rir e passar a mão por seus cabelos.
- Nem todos são tão amigáveis à crianças, Bells.
- Mas, mamãe... A Lola é, não é? – os olhos da menina brilharam.
- Ela é, se quiser, pode me ajudar com ela. – a criança comemorou, batendo palmas e logo correndo em direção à tão velha conhecida.
era parceira da instituição Dogs Trust em Londres. A garota ajudara o local desde que chegara do Brasil, há muitos anos, e assim que firmou sua vida no país e conseguiu seu próprio negócio, se tornara parceira para ajudar o máximo que poderia. Isabelle, sua pequena de cinco anos já era acostumada com os animais desde os primeiros passos, então acompanhava a mãe a todo tempo em seu segundo lar, como a mesma chamava. Bom, terceiro, porque ela tinha a casa do papai também.
- Lola! – a criança gritou quando encontrou a cachorra de pelos negros abanando o rabo insistentemente por sua chegada. – Ah, mamãe, eu queria muito levar a Lola pra casa. – viu sua filha fazer bico novamente e abaixou ao lado dela.
- Sexta-feira vai ter um evento aqui pra adoção, e pode ser que a Lola finalmente consiga uma casinha e uma família que a ame tanto quanto a gente!
- Mas eu queria ela. – a garota abraçou a cachorra com quem tinha contato desde muito novinha e juntou seu rosto ao dela, sorrindo. – A gente até se parece, olha! – uma senhora passou em frente a elas e sorriu para a cena, encantada com a pequena.
- Aí, Bells. – suspirou. – Se dessa vez ninguém levar, a mamãe adota a Lola pra ser companheira da Chelsea.
- É sério? – a pequena deixou com que seus olhos brilhassem e um enorme sorriso tomasse seu rosto. – Promete?
- Prometo. – a mãe levantou seu dedinho e a filha grudou o seu no dela, selando uma promessa como elas sempre faziam.



Capítulo 01

“Before you met me, I was alright, but things were kinda heavy. You brought me to life.” (Teenage Dream – Katy Perry)

Por

Apesar de estranho, não era impossível para que eu fizesse as coisas por mim mesmo. O homem que me acompanhava não deixaria, em momento algum, por ordens de meu agente, mas apenas com um motorista me sentia quase livre. Desci do carro e observei enquanto ele estacionava o automóvel, já acenando e entrando no local.
Estava cumprindo minha agenda, e incrivelmente, dessa vez era com algo que gostava demais. Nunca fui a pessoa mais sociável do mundo com pessoas, mas os cachorros sempre me fascinaram de uma forma sem igual, o que tornou interessante o novo projeto que me foi proposto. Ficar próximo aos animais parece muito melhor do que ficar próximo as pessoas, afinal, o coração deles é sempre mais confiável.
Entrei no local e logo fui recepcionado pela responsável, que já me esperava. Ela dissera que não havia contado a ninguém, como era combinado. Jogar como titular em um time de Londres me tornava conhecido até demais, o que fazia com que as pessoas me parassem em todos os lugares para um autógrafo ou uma foto. Nunca achei isso ruim, muito pelo contrário, era incrível poder retribuir um pouco do que as pessoas faziam por mim, mesmo que nem todas torcessem para o Chelsea.
- Olá, senhor !
- está ótimo. – sorri e a moça retribuiu, começando a contar um pouco do local e como em apenas duas horas já haviam conseguido fazer com que dez cachorros ganhassem um novo lar. Aquilo era incrível.
- Mariah, temos um problema ali! – o homem esticou a mão para me cumprimentar. – Sinto muito, senhor , é ótimo tê-lo aqui.
- Preciso auxiliar aqui, amor! Não consegue resolver? – ele negou com a cabeça parecendo preocupado.
- Está tudo bem, eu vou andar um pouco e quando puder, me encontre novamente! Em qualquer caso, falo com pessoas com o colete igual ao seu.
- Me desculpe, . – os dois saíram andando rapidamente na direção em que o marido de Mariah mostrara, onde parecia ocorrer uma pequena confusão.

Enquanto eu andava por ali podia perceber diversas pessoas me encarando, mas poucas se aproximavam. Algumas crianças sorriam e cutucavam seus pais que me encaravam de olhos semicerrados. Eu não entendia muito bem o quão surpreendente poderia ser um jogador de futebol em uma feira de adoção de cães, quando não durmo com alguém em minha casa fico completamente sozinho, então talvez não fosse uma má ideia ter um companheiro.
Me aproximei de um cercado em que havia uma cachorra que era paparicada por todos. Seus olhos eram de uma cor de mel apaixonante e seus pelos pretos pareciam implorar por carinho enquanto seus olhos brilhavam por atenção. Me aproximei e a acariciei, sorrindo, nossa ligação pareceu instantânea e eu ri ao perceber que mal precisei me convencer de que provavelmente queria um para mim que de repente todos pareciam implorar por um dono.
- Não! – ouvi uma voz fina falando abaixo de mim e então senti um tapa em minha mão, me afastando da cachorra que abanou o rabo, feliz.
- Bells! Você não pode fazer isso, filha! – ela pegou a pequena garota no colo e notei que ela ficara triste, se escondendo no ombro da mãe. – Me desculpe, por favor. – a mulher olhou em meus olhos e então seu rosto se transformou em um sorriso. – Oh, não acredito. Bells, olha!
- Não, mamãe! O moço quer levar a Lola! - ela fungou.
- Isabelle, olha o moço! - a menina então se afastou do corpo da mãe, coçando os olhos para afastar os cabelos de sua franja que os cobriam. Seus olhos se arregalaram e ela abriu a boca, logo transformando sua expressão em um sorriso.
- Acho que encontrei uma fã aqui! - falei, sem jeito. Não era o melhor do mundo com crianças, mas me esforçava.
- Oi! - ela sorriu, simpática.
- Oi, pequena! Como você chama? - peguei uma mecha de seu cabelo e empurrei para trás, a ajudando.
- Isabelle, Bells, como a Lola! - ela apontou para a cachorra de pelos negros que eu acariciara alguns segundos antes e eu pude ver seu nome na coleira: "Lola Bells".
- Como assim vocês têm o mesmo nome? - perguntei, olhando para a mãe da criança.
- Juro que não dei o nome de uma cachorra que eu gostava pra minha filha. - ela disse, rindo. - Foi ao contrário, Bells tinha três anos e já era apaixonada na Lola quando ela chegou, então demos um segundo nome pra ela. - a mulher deu de ombros, sem jeito.
- A gente vai levar a Lola pra casa, pra fazer companhia pra Chelsea!
- Você tem uma cachorra chamada Chelsea? - perguntei, arqueando as sobrancelhas, e a mãe riu.
- Foi o pai dela!
- O papai gosta muito de você, e eu também! E a mamãe também!
- E a mamãe se chama? - perguntei, sem tirar os olhos da garotinha.
- , desculpe! - me virei para ela e sorri, notando agora detalhadamente os traços de seu rosto.
- Então, . Vamos ter um grave problema, a Chelsea não poderá ter uma companheira, pois eu quero a Lola para mim.
- Não! - Bells se remexia no colo da mãe, pedindo para descer. a soltou e ela se enroscou em minhas pernas. - Eu amo a Lola, tio! Tem vários outros cachorros legais aqui, você tem que conhecer o Bob, ele é incrível! - ela segurou minha mão e tinha a intenção de me puxar para outro lugar.
- Bells, ele também pode amar a Lola! Você sabe que é difícil cuidarmos apenas da Chelsea, imagine mais uma! - ela puxou a filha pelo ombro, que se enroscou em minhas pernas.
- Mas você prometeu, mamãe! - vi se abaixar, até ficar da altura da criança.
- Meu amor, eu prometi que a gente ficaria com ela se ninguém ficasse.
- Mas... - a garota se desenroscou de minhas pernas e abraçou a mãe. - Tudo bem. - ela se virou para mim, olhando para cima. - Tio, você tem que me prometer que vai cuidar muito bem da Lola, cachorrinhos são muito importantes e é pra isso que a gente tá aqui, pra cuidar deles. Você tem que dar comida, passear, brincar, deixar ele dormir na sua cama, bem quentinha, dar banho. Eles são muito especiais.
sorria abertamente ao ver a filha com as mãos na cintura, aceitando que eu queria levar sua cachorra preferida embora e ainda me dando dicas do que fazer. Aparentemente, a pequena crescera mesmo ali entre os animais com a mãe, que vestia um colete rosa como o de Mariah, indicando que ela era uma ajudante ali também.
- Eu prometo que vou cuidar muito bem dela! - ela esticou seu dedinho para mim, e eu a encarei, tentando entender.
- Vocês têm que juntar os dedinhos, pra selar a promessa. - falou, sorridente.
- A gente nunca mais vai ver a Lola, mamãe? - a pequena disse quando a mãe a pegou no colo novamente.
- Ela vai ser bem cuidada, meu amor. - eu a ouvi falar enquanto conversava com a moça que estava responsável pela área onde Lola estava. - E o tio pode postar muitas fotos na internet pra gente sempre acompanhar, não é? - a mulher piscou pra mim quando a encarei, e eu confirmei, notando como era claro o apego das duas pela cachorra.
- Se você quiser... - estendi os braços para Bells, pedindo permissão para , que me entregou a pequena. - Pode até mesmo visitá-la, não moro muito longe daqui. - dei de ombros e a mulher arregalou os olhos, espantada.
- De forma alguma, senhor , imagina!
- , por favor. - eu sorri ao ver os olhos de Isabelle brilhando. - Você, a mamãe e o papai podem visitar a Lola quando quiserem.
- Vamos mamãe, por favor! - negava insistentemente, afirmando que aquilo não aconteceria, quando Bells pulou de meu colo e correu em direção a um homem que entrava no local.
- Eu estou falando sério. Não quero que sua filha fique triste por perder algo que tanto gosta, eu não me importo.
- Ela pode superar, . Ela tem apenas cinco anos, logo ela vai se esquecer.
- Olá, . - o homem se aproximou de nós, carregando Bells em seu pescoço e acenou com a cabeça para a mulher.
- Papai, olha quem é! - me virei e encarei o homem que sorriu abertamente, esticando a mão para me cumprimentar.
- ! Caraca! Grande fã. - sorri, agradecido.
- Um torcedor do Chelsea, huh? Fiquei sabendo que até uma cachorrinha fanática pelos Blues vocês têm. - ri e ele concordou com a cabeça.
- Essa foi ideia minha, confesso! Como a Chelsea está, querida? - ele perguntou para a filha e riu.
- Chelsea acabou de perder a Lola como companhia porque o senhor aqui decidiu que vai levá-la. – o homem olhou para Bells, que fez bico.
- Mas eu já falei pra ele tudo que tem que fazer, papai, e ele disse que a gente pode visitar ela, ele não mora longe, você me leva?
- Tenho certeza que sua mãe te levaria, Bells! – ele sorriu amarelo e negou insistentemente com a cabeça.
- Deixa seu telefone comigo, e eu vou deixar o meu com você, pode ser? – falei para a mulher, enquanto Bells e o pai se abaixavam para brincar um pouco com minha nova companhia. afirmou a contragosto e logo pegou seu aparelho para trocarmos os números. – Vocês são uma bela família. – sorri, os olhando quando a mulher também abaixou para cumprimentar Lola mais uma vez.

🎵

- Boa noite. – falei quando entrei na farmácia mais próxima que havia encontrado ao sair do pub. Uma menina, acredito que chamada Juliet, estava agarrada ao meu braço enquanto eu procurava camisinhas. Maldito dia para esquecer de comprar.
- Boa noite! – olhei para a mulher e sorri. – ! Que coincidência.
- Eu que o diga, aparentemente não cuida apenas de cachorros, huh? – me virei e notei que Juliet nos encarava. – Como está a pequena? – perguntei.
- Está bem, contando para todo mundo que conheceu e ele adorou sua quase irmã. – ela rolou os olhos e eu gargalhei. - Como está a Lola?
- Incrivelmente feliz, estou me sentindo um ótimo pai, nunca imaginei que levaria jeito. - ri e ela negou com a cabeça, sorrindo.
- Você tem uma filha? - Juliet perguntou, de olhos arregalados, fazendo com que escondesse um sorriso.
- É apenas uma cachorra, fica tranquila. - resmunguei e a mulher assentiu, parecendo aliviada. - Vocês poderiam ir ver o jogo algum dia, não? - voltei meu olhar para a mulher atrás do balcão. - Ela gostaria muito, tenho certeza, e acredito que seu marido também. – coloquei os pacotes em cima do balcão e ela riu.
- Noite boa, não? – sua risada foi nasalada e eu sorri, me sentindo um tanto quanto envergonhado, dando de ombros. – Ele vai em vários, mas quando é pra levar a Bells prefiro ir.
- Leva ela então, por favor! Vou ficar muito feliz! Ela é encantadora. – admiti, com um sorriso no rosto. Inseri meu cartão na máquina, pronto para pagar. – Eu te ligo, e não vou aceitar um não como resposta. Posso conseguir um ótimo lugar para vocês.
- Você é sempre tão simpático assim? - perguntou, desconfiada, enquanto eu retirava meu cartão da máquina e ela me entregava a nota.
- Isso é um elogio? - perguntei, me escorando no balcão. A mulher riu.
- Talvez seja mais uma desconfiança mesmo, sabe como é. - ela deu de ombros e eu senti minha testa se enrugar.
- O quê? - questionei, sem entender.
- Ah, sei lá! - ela riu, mais uma vez. - Admita que é uma situação estranha, você é , um jogador de futebol mundialmente famoso. Confesso que esperava um pouco mais de arrogância. - admitiu.
- Agora minha meta será acabar com esse preconceito. Com todo respeito. - beijei sua bochecha e ela se assustou. - Eu te ligo amanhã para combinarmos o dia que iremos nos ver, no Stanford Bridge. - pisquei para ela e chamei por Juliet, que estava encarando a sessão de produtos de cabelo. - Até amanhã, .



Capítulo 02

“In this passenger's seat, you put your eyes on me. In this moment now capture it, remember it” (Fearless – Taylor Swift)

Por

- ? – disse quando ouvi sua voz num preguiçoso “alô”.
- ? Olá! – ela parecia surpresa.
- Achou que eu não ligaria? – ela soltou um “uhum” tímido. – Eu disse que ia mudar essa concepção.
- Só não consigo entender. – ouvi ela dizer “É o , meu amor, ele ligou pra falar com você.” – Vou passar pra Bells tá?
- Oi, tio! – eu sorri ao ouvir sua voz fina no telefone.
- Oi, Bells, você tá bem?
- Tô sim, e a Lola? Como ela tá?
- Ela tá bem! Sente a sua falta, sabia? Um dia levo ela pra te visitar!
- Eu e a Chelsea vamos adorar! – imaginei que naquele minuto ela sorria sincera e provavelmente estava mexendo a cabeça de um lado para o outro em negação.
- Você pode passar pra mamãe, de novo? – falei.
- Claro! Tchau, tio! – “ele quer falar com você”, ela disse, entregando o telefone para a mais velha.
- Oi.
- Semana que vem? Chelsea x Liverpool? – perguntei.
- Vai adiantar que eu negue? – ela riu.
- Não! Bom, eu teria que apelar pra pequena. Ou para o seu marido. Três entradas?
- Apenas eu e a Bells, acredito que Michael já deva ter se programado para esse há muito tempo.
- Ela pode entrar comigo? Ou seria um convite muito grande?
- Você está me assustando! – ela gargalhou. – A Bells vai amar! Tenho certeza! Nem vou contar antes pra ela não se desesperar e não me deixar dormir. Você está sendo muito gentil, , não estou entendendo. Você nem nos conhece direito. – notei certa dúvida em sua voz.
- Estou querendo conhecer, mas se isso tiver te incomodando, eu posso parar, sério. Se estiver incomodando qualquer um de vocês. Não sei, acredito que ter roubado a cachorrinha da sua filha tenha me deixado com um leve peso na consciência. – ri.
- Outch, somos apenas um peso na sua consciência? – ela perguntou, parecendo ofendida.
- Não, ! De forma alguma! – praticamente gritei, desesperado por ter soado dessa forma.
- Relaxa! – ela riu. – Como fazemos pra entrar?
- Te mando as informações por mensagem, certo? Certeza que Michael não gostaria de ir com vocês?
- , não somos tão amigos assim. Foi um término amigável, mas não tão amigável assim, vivemos muito bem separados. – ela riu, nasaladamente.
- Como assim? – tossi, deixando transparecer minha surpresa.
- Ah, meu Deus, você não entendeu que não somos casados? Achei que você estivesse brincando ao se referir a ele como meu marido! – ela começou a rir. – E eu já achando que você estava dando em cima de mim e tentando me ganhar através da minha filha! – sua risada se estendeu por mais tempo ainda, me fazendo rir.
- E você estava gostando disso? – perguntei, rindo também. – Não era minha intenção, mas pode se tornar. – brinquei.
- Menos, sr. . – ela ainda ria. – Se continuar tentando me convencer de que você é alguém legal, pode ser que eu te conte melhor.
- Acredite, fiquei ainda mais curioso em te conhecer. Com todo respeito do mundo? Pode ter certeza que continuarei na missão. – falei enquanto sorria.
- Preciso dar banho na Bells, até semana que vem então.
- Até, . Mande um beijo para ela.


🎵

Estava no vestiário com o celular em mãos, esperando por uma mensagem de . William me cutucou e deu um tapa em minha cabeça.
- Esperando alguém? - ele perguntou, enquanto se sentava para calçar as chuteiras. Apenas assenti e me distanciei ao sentir a vibração do aparelho.

- Tio! - vi Bells acenando para mim e andei na direção das duas.
- Oi! Preparada? - perguntei, a pegando no colo. Me aproximei de e beijei sua bochecha, vendo-a tirar os óculos de sol que usava, em seguida. - Oi.
- Eu ainda não contei. – a mulher sorriu e eu soltei um “ah”!
- O quê? – a menina mudava o olhar entre a mãe e eu, desconfiada.
- Vamos. – falei, sorrindo, carregando-a comigo de volta para os vestiários. Acenei para e a mesma se sentou e acenou para nós.

Isabelle olhava tudo a nossa volta com atenção. Ela observava as pessoas e os lugares, mas diferente de sempre, estava em silêncio.
- Você espera só um pouquinho aqui com as outras crianças? Enquanto eu vou me preparar? – perguntei para ela, colocando-a no chão. – A Rose vai preparar você. – sorri, apresentando-a para a responsável daquela área.
- Eu vou entrar no campo? Igual as outras crianças? – ela arregalou os olhos e eu passei a mão em seus cabelos, ainda com um sorriso no rosto, e assenti.

- Rose, você pode levá-la para a mãe depois? E dizer que as encontro assim que for possível? – ela afirmou e então começamos a nos posicionar em fila, prontos para entrar. Procurei por Bells com os olhos e a encontrei ao lado de Jorginho.
- Essa é minha! – dei um tapa em sua cabeça e ele me olhou, de sobrancelhas arqueadas, chamando atenção também dos outros caras.
- Okay né? – ele levantou os braços, como em rendição.
- Vamos? – puxei Bells comigo e voltei para meu lugar. Ela pegou minha mão e antes que pudesse falar qualquer outra coisa para a garota, saímos em direção ao campo. Eu tentava ignorar, mas aquela partida estava me preocupando. Era apenas o começo do campeonato, mas era uma disputa direta pela liderança.

- Quantas mil fotos você tirou? – perguntei ao encontrar as duas, já do lado de fora do estádio, sendo recepcionado pelos braços de Bells enrolados em minhas pernas.
- Talvez eu tenha tirado mil, e Michael tenha tirado mil e uma. – ela sorriu, me mostrando a galeria de seu celular. – Você está bem? – ela perguntou.
- Um tanto quanto irritado, vamos acabar entregando a liderança de bandeja.
- Vocês conseguem recuperar, tenho certeza. Logo tem Liverpool e City, é a chance de vocês. – ela piscou.
- Querem comer algo? – perguntei e vi negar, mas ser contrariada pela filha que gritou um “sim” extremamente animado.
- ... – ela começaria a falar, mas revirei meus olhos e comecei a andar, com Bells ao lado. – Abusado. – ela nos alcançou. – Queria saber o motivo de você estar fazendo isso.
- Olha, eu mesmo não sei. – tirei minha chave do bolso e dei de ombros, encarando-a. – Mas eu juro que não quero sequestrar vocês, por exemplo. Acho que apenas confio na Lola. – vi sua testa se enrugar. – Ela nos apresentou, não? Confio nela. Tenho aquele pensamento de que nem tudo é por acaso. – Vocês vieram de metrô, certo? – ela assentiu.
Abri a porta de trás do carro e Bells entrou, animada, andando até a porta contrária. Estendi os braços para que entrasse e ela me agradeceu, imaginei que ela gostaria de ir atrás com a filha, já que eu claramente não tinha uma cadeirinha ali. Bati a porta apenas ao ver que as duas já estavam acomodadas e com o cinto de segurança, então andei até minha porta e entrei, colocando o cinto e encaixando minha chave na ignição.
- ... – falei, a olhando através do retrovisor e admirando sua expressão, que era suave e parecia relaxar a cada segundo.
- , por favor. – ela sorriu.
- ... – limpei a garganta, um pouco envergonhado. – Seria muito ruim se a gente pegasse algo para comer e fosse para minha casa? – falei baixo, percebendo que a pequena estava distraída na janela. Vi a mulher torcer o nariz. – Eu não quero que pareça algo estranho, mas eu pensei que ela gostaria de ver a Lola.
- , eu não sei, eu não quero te dar trabalho, nem quero te tirar do seu descanso por causa da Bells. Nós nem ao menos nos conhecemos direito, eu sei que é fácil fazer amizade com ela, mas não é porque ela é uma criança, que precisa fazer tudo que ela quiser. Olha onde você a trouxe! Ela está muito feliz, você sabe.
- Eu passo a maior parte do meu tempo sozinho, acredite, ter uma amizade assim me faz muito bem. E não fala que não nos conhecemos direito, pois isso me faz querer conhecer. – sorri, sincero. – Ela gosta de pizza? – ela assentiu, rolando os olhos e relaxando os ombros, se dando por vencida.

🎵

- AI! – ouvi Bells gritar e logo vi seu corpo chegar ao chão com um baque. – LOLA! – a pequena falou, animada. Vi sorrir e se aproximar da filha e da cachorra. Me virei para fechar a porta, enquanto as três tinham seu reencontro, e deixei as caixas de pizza em cima da bancada.
- Fiquem à vontade. – me aproximei delas e me sentei no chão, chamando por Lola que logo correu para o meu colo, junto com Bells.
- Eu tava com saudade! – vi a pequena falar, abraçando o corpo da cachorra. – Olha, tio, a gente é muito parecida, quando eu falo, as pessoas dão risada. – eu gargalhei, mas notei que ela me encarava, brava.
- Vocês são muito parecidas, com certeza! – segurava o riso e me repreendia com o olhar.
- Eu sei! – a garota sorriu, contente.
- Vamos comer! – levantei do chão em um pulo. – Tô com fome! – dei de ombros e estiquei a mão, para que se apoiasse para levantar. Ela agradeceu com um aceno de cabeça e andou até a filha, a pegando no colo e se aproximando da pia para lavar suas mãos.
- Não, Bells! – ouvi gritar enquanto ajeitava as coisas para comermos. – Ah! – ela grunhiu.
- Tudo bem? – perguntei, me aproximando. Sua roupa estava molhada, assim como seus cabelos, e um pouco da roupa da pequena. – Ops. – tentei segurar a risada, mas notei que ela mesma não estava aguentando.
- Vamos comer, pelo menos passa a raiva. – ela riu, e deu um pequeno puxão no cabelo de Bells, que deu de ombros para a mãe, brincando.

🎵

- Você não precisava fazer isso. – reclamei, me aproximando de na pia. – Eu podia lavar depois.
- Ah, . Eu já tô aqui, completamente aleatória, e ainda vou deixar louça pra você? Era só um pouquinho também. – ela deu de ombros, enxaguando as mãos cheias de espuma. – Nossa, já está super tarde! – ela disse, olhando para o relógio na parede. – Bells, arruma suas coisas!
Procurei Isabelle pela sala e ela estava exatamente onde eu a tinha deixado. Mas ao invés de assistir ao desenho no celular da mãe, o aparelho estava jogando no encosto do sofá, assim como seus braços. Sua cabeça estava encostada em uma almofada, e seus pés pendiam para fora do móvel, em direção ao chão. Eu sorri, pois aquela era uma cena muito fofa, a qual eu não estava acostumado, pois não passava tempo suficiente com os adultos da minha família, quem dirá os pequenos.
- . – a cutuquei, apontando para o sofá.
- Ah não! – ela bateu na própria testa, sem se lembrar de que tinha as mãos molhadas. Eu ri e peguei um pano de prato na gaveta, enxugando o local. – Como ela dormiu tão rápido? – a mulher rolou os olhos. – Você pode chamar um táxi para mim? – ela tomou o pano entre as mãos e as secou.
- Ah, fala sério, . – rolei os olhos. – Eu vou te levar, eu te trouxe até aqui!
- De forma alguma, . Já foi demais por hoje. – ela disse, nervosa.
- Outch. – coloquei a mão sobre o peito, como se tivesse sentido o impacto de sua resposta.
- Desculpa. – ela sorriu, tímida.
- Você podia me dar um pouco mais de abertura, sabe? Não sou uma pessoa tão ruim. – encostei meu corpo na bancada, ficando de frente para ela, que se encostava na pia.
- Não acredita ser um pouco estranho quando um cara qualquer te conhece em uma feira de adoção em uma semana, te convida pra ir no jogo dele na próxima, e após isso, te leva pra casa dele? Ah, e tudo isso através da sua filha.
- Um estranho que na verdade não é exatamente um estranho, pois se você for pensar e colocar dessa forma, você sabe muito mais sobre eu, do que sei sobre você, . – pisquei para ela, e vi seu rosto se tornar inexpressivo, talvez considerando que eu falara uma verdade. – E, bom, a princípio, era um convite para as duas e o marido que eu acreditava existir, não é como se tivesse tentando algo com as duas mocinhas. – dei de ombros e vi um sorriso brotar em seus lábios.
- Você tem um ponto, confesso. Você sabe como funciona coração de mãe, né? Você fez bem pra minha filha, deu a ela uma oportunidade incrível em algo que ela adora, então me fez feliz também. Muito obrigada. – ela sorriu, agradecida.
- Não tem porquê agradecer, . A Bells é incrível, e vocês colocaram a Lola na minha vida pra ser minha companheira, acho que sou muito grato a vocês. E vocês me proporcionaram um final de dia incrível, sem que eu ficasse chorando por um empate horroroso. – ri e vi a mulher me acompanhar, balançando a cabeça em concordância. – Quer ir? – perguntei, a contragosto, e a vi assentir.
A vi pegar sua bolsa em cima da bancada e a colocar no ombro. Me adiantei então e fui até o sofá, tentando pegar a pequena com delicadeza, para que ela não acordasse. A peguei em meu colo, encostando sua cabeça em meu ombro. Ela já não era mais tão pequena, mas ainda tinha o tamanho perfeito para dormir no sofá e acordar na cama, se perguntando como havia chegado ali. sorriu, agradecida e enquanto andávamos até a porta ouvi Bells resmungar, mas sem nem mesmo parecer que acordaria.

Quando chegamos ao carro, se sentou no banco de trás e eu coloquei Bells em seu colo, na mesma posição em que estava no meu. Logo andei até a porta da frente e entrei no carro.
- Não é tão longe daqui. - ouvi-a falar, enquanto saia da garagem do prédio.
- Quer dizer que moramos perto? Isso não é bom para você. – falei, rindo. Ela começara a dar suas coordenadas.
- Você é louco, tenho certeza disso. – ela riu, balançando a cabeça em negação.
- Só levo patada, meu Deus! Um dia você vai me elogiar tanto que vai até doer! Tenho certeza. – dei de ombros e lhe mostrei a língua.
- Vai sonhando, . – ela me mandou o dedo do meio.
- Olha, ela tem senso de humor! – eu ri, a fazendo rolar os olhos.

- Quer ajuda? – perguntei, já descendo do carro para abrir a porta para ela.
- Quero! – me abaixei e peguei Bells em meu colo novamente, a ajeitando. Não queria me oferecer para entrar em sua casa porque considerei que seria demais, mas ela logo estava abrindo o portão para entrarmos e tomando a chave do carro de minhas mãos para acionar o alarme.
- Está tudo meio fora de ordem, é uma casa com criança, você deve imaginar. – ela riu, acendendo as luzes. – Final do corredor. – ela apontou.
Andei pelo corredor claro e notei alguns riscos na parede, Bells devia ser uma criança incrível, mas com certeza enlouquecia a mãe. Abri a porta devagar e a coloquei na cama, a separando de meu corpo aos poucos para que ela não acordasse. Puxei o cobertor que estava nos pés do colchão e joguei por cima de seu corpo, logo saindo do quarto e caminhando até a sala.
- Muito obrigada. – ela estava bebendo um copo de água. – Quer? – neguei com a cabeça.
Me aproximei da porta e logo ela estava ali, pronta para se despedir. Passei para o lado de fora e então me virei para ela, novamente.
- Saí comigo? – perguntei, subitamente. Sua expressão se definiu em surpresa, seus olhos estavam um pouco arregalados e sua testa enrugada. – Muito cedo? Não é uma boa ideia? Ah, desculpa. – encostei na parede, levando as mãos aos meus cabelos.
- ... Eu não sei. – ela sorriu, tímida. – Seria uma boa ideia? Desculpa, é estranho pra mim. Acredite, faz um tempo desde que não saio com ninguém.
- Eu não sei, . Eu só queria te conhecer, não sei, nem eu me entendo. Eu não pensei, só falei, não queria te assustar, nem nada assim. E juro... – cruzei os dedos sobre a boca como em juramento – Sem segundas intenções, eu só quero me aproximar, você é incrível e eu quero te conhecer. – dei de ombros – Não dei em cima de você, ainda, então acredito que pode confiar. – ri de sua expressão.
- Tudo bem. – ela beijou minha bochecha em despedida. – Quando quiser, você tem meu número. – e então fechou a porta, antes mesmo que eu pudesse responder.



Capítulo 03

“We're tripping in our hearts and it's reckless and clumsy...” (Stuckin the moment – Justin Bieber)

Por

- Atende pra mim, por favor! – gritei do banheiro quando ouvi meu telefone tocar. – Filha, por favor, não torna as coisas difíceis pra mamãe, vamos sair logo do banho. – ela negou com a cabeça e se virou de costas pra mim, me fazendo urrar de raiva.
Me levantei e abri a porta, a deixando lá mais alguns minutos.
- Quem é? – ouvi Michael perguntar para a pessoa que estava no telefone e sua expressão se tornou em algo confuso. – Ela tá ocupada, pode ligar depois? – ele esperou alguns segundos e antes que ele pudesse falar alguma coisa, acenei.
- Pode passar pra mim. – estendi minha mão e ele me entregou o celular. – Quem é? – perguntei.
- . – ele cuspiu e eu soltei um “ah”.
- Tenta tirar ela do banho pra mim, por favor. – falei quando ele se virou de costas. – Oi! – tentei não parecer tão animada ao atender.
- , tudo bem?
- Tô bem sim, e você? Cansado? – perguntei, sabendo que ele havia jogado hoje.
- Um pouco, entediado também. Você tá ocupada, né? Não queria te atrapalhar.
- A Bells não quer sair do banho, está lutando. Michael vai levar ela pra sair e vão passar o fim de semana por lá. Ela sempre gosta de ir, e volta imensamente feliz, mas pra tirar ela de casa às vezes é um sacrifício.
- Fala pra ela que a Lola mandou ela sair do banho.
– ele riu e eu concordei. – Vai lá cuidar dela, depois a gente se fala.
- Tudo bem, . Até mais.
- Até, .
– desliguei o celular e já corri em direção ao banheiro, vendo Michael tentando convencê-la.
- Isabelle, chega. Saí daí agora! – me aproximei dos dois e coloquei minha mão no registro, fechando-o. Michael riu e ela começou a gritar, fazendo birra. – Vamos! – a puxei para o tapete do banheiro e enrolei na toalha, logo a empurrando em direção ao quarto para vesti-la.
- , huh? – Michael falou, se sentando na cama e me ajudando a arrumar Bells. – Não imaginei que vocês manteriam contato.
- É. – disse, sem mais detalhes.

- Mamãe, cuida bem da Chelsea, tá? – Bells me disse quando me abaixei para nos despedirmos. Seus braços se enrolaram em meu pescoço e ela me apertou. – Amo você.
- Também te amo, chatinha. – beijei seus cabelos e ela se distanciou, ficando ao lado do pai. – Até mais. – acenei para Michael, me levantando e fechando a porta quando vi os dois já próximos ao portão.

🎵

- Alô? – falei quando peguei o telefone que estava ao meu lado na cama.
- Te acordei?
- Sim.
– afirmei. – Vou te matar. Uma mãe, em um domingo sozinha, ! Tudo que eu queria era dormir.
- Mas você não acha mais produtivo levantar e ir tomar café comigo? Eu acho.
- Você não dorme?
- Sei lá, acordei cedo hoje. Você vai?
- Ah, ...
– considerei a oferta diversas vezes em minha mente.
- Por favor!
- Tudo bem, que horas?
- Tô te esperando aqui na frente, até.
– ele desligou a ligação antes que eu respondesse.

Me levantei em um pulo, tomando coragem. Dei uma olhada pela janela e realmente vi seu carro do lado de fora, e ele com seus óculos escuros, mexendo no celular. Rolei os olhos quase que inconscientemente e caminhei até o banheiro, para um banho rápido.
Saí do banho e escolhi uma roupa que combinasse com o pouco sol que tinha lá fora. Peguei minhas coisas rapidamente, bolsa, celular, óculos de sol, e um carregador, claro. Peguei também um casaco, pois nunca se sabe.

- Oi. – ele disse após sair do carro ao ver que eu me aproximava.
- Você não existe. – beijei sua bochecha em cumprimento.
- Juro que existo, só queria uma companhia para o café da manhã, não me julgue. – ele disse, andando até o seu lado do carro para entrar.
- Uma companhia? Poderia ser qualquer outra, então? Não é assim que se conquista a confiança de alguém, . – eu ri.
- Eu queria a sua companhia, piadista. – ele retrucou. – Hoje minha intenção é matar minha curiosidade e saber sobre você. – ele piscou e eu apenas rolei os olhos.
- Não é como se minha vida fosse interessante, não sou uma jogadora de futebol. – dei de ombros.
- Só de não ser pública, sua vida já é mil vezes mais interessante que a minha.
- Tá afiado hoje, huh? – brinquei. – Não sei o que quer saber.
- Nem eu, eu só quero.
- E por quê?
- Ah, vai começar de novo? Você tem algo contra fazer amizades? Ainda me acha um completo desconhecido?
- , já apanhei muito na vida, nunca vou deixar de achar essa situação uma coisa esquisita, e talvez, uma completa loucura. Não me julgue.
- Você aceitou sair comigo, então acredito que isso significaria dar abertura, cumpra sua parte. – ele rolou os olhos e gargalhou. – Você me tira do sério. – dei de ombros.
- Alguém já te disse o quão chato você é? Só pra saber, mesmo.
- Me dizem sempre, fica em paz.

- Ovos mexidos e bacon, por favor. – sorri para o garçom, sem nem abrir o cardápio. – E por favor, uma Coca-Cola. – me encarou, de olhos arregalados, assim como vi o garçom rir, indignado.
- Sei que já são onze da manhã, mas ainda não é horário de almoço! – ele riu e o garçom o acompanhou, discreto. – Quero o mesmo, exceto pela Coca-Cola. – ele assentiu e se retirou.
- Eu não gosto de café, não bebo muita água, leite essa hora não tô afim também... Me resta a coca, ué. – dei de ombros e ele balançou a cabeça em negação, rindo. – Você não queria saber mais? Isso me define.
- Louca?
- Exatamente! Tenho 28 anos, mas sou quase uma criança.
- 28? – ele perguntou, um pouco espantado, e eu gargalhei.
- Sim, 28. – dei de ombros.
- Como assim? Isso é impossível. Fui enganado!
- Isso deveria ser um elogio? – perguntei, rindo.
- Não sei, acredito que seja apenas surpresa mesmo. Desculpa, , eu somava uns 4 anos pra Bells, uma gravidez precoce, e você com uns 24, no máximo 25.
- Você é sincero, pelo menos. – sorri, agradecida. – Nada de gravidez precoce. Cheguei aqui com 14 anos. Conheci Michael com 19, nos casamos quando eu tinha 22, e quando a Bells nasceu, eu tinha 23.
- Então vocês tinham uma bela história, não? – ele agradeceu ao garçom que viera entregar nossos pratos. E eu afirmei, com um sorriso.
- Mas nem sempre tudo dá certo, faz parte da vida. – ele assentiu. – Vai, já que começamos por essa parte da vida, me conta da sua! Namora? Namorou? Casou? Teve filhos? – perguntei, animada, enquanto dava uma garfada em meus ovos mexidos.
- Não acompanha muito a mídia? – ele perguntou e eu dei de ombros.
- Acompanho um pouco, mas nem tudo. Já te vi em algumas matérias, mas você não é tão assediado a ponto de ter tudo sobre você lá. Namorou uma vez, não? – ele assentiu.
- Achei até que ia dar casamento, mas na minha mudança de time tudo complicou. Ela não queria sair da Espanha, e eu queria muito vir pra Inglaterra e de preferência ficar aqui sem me mudar mais. Ela não acreditou nisso, disse que se outro time oferecesse e eu estivesse irritado aqui, eu aceitaria e ela teria que mudar tudo de novo. Então eu desisti. – ele deu de ombros. – Gostava muito dela, e ela também gostava muito de mim, era incrível. Mas não sei, se ela não quisesse se mudar, a gente daria um jeito, mas ela não confiou em mim.
- Mas você é daqui, não? – ele afirmou.
- Comecei em uma base aqui, e fui para um time lá, onde cresci. Então, me compraram aqui novamente.
- Essa história de ser comprado me deixa meio arrepiada. É engraçado e bizarro, compram pessoas, parece tráfico. – eu gargalhei e ele fez o mesmo.
- Você é péssima, . – ele falou, quando recuperou a postura para voltar para a conversa.
- Vai dizer que nunca pensou nisso? Você é quase um garoto de programa, te compram pelo seu talento. – ri novamente. – Ok, parei de falar asneira, prometo. – ele negou com a cabeça.
- Não para não. – vi seu sorriso se abrir e imagino que tenha corado.
- Você trouxe o pior de mim! – olhou para cima, fingindo não ter culpa. – Vai, me fala mais!
- Não, eu que queria te conhecer, não o contrário. Você que tem que responder minhas perguntas. – me mostrou a língua. – Nasceu muito longe daqui? Interior? – ri, alto.
- Impossível que você não tenha percebido que não sou daqui.
- Notei que não é de Londres. Não é algo?
- Tudo bem, já é alguma coisa. – sorri – Quando disse que cheguei aqui aos 14, quis dizer de outro país. Sou brasileira. – sua boca se abriu em um perfeito 'O' e eu entrei em uma nova crise de risos.
- Como assim!? – sua expressão ficava entre surpresa e dúvida.
- O espanto seria por...? – questionei, de sobrancelhas arqueadas.
- Não teria como perceber, seu inglês parece nativo, até mesmo o sotaque.
- Bom, isso é um grande elogio. – ri. – Acredito que depois de mais de 10 anos, não deveria ser diferente.
- Acontece. Nem todos realmente falam dessa forma, mesmo com 20 anos, que seja. Ainda usa o português naturalmente?
- Claro, ! – ri de sua inocência. – Pelo menos não perguntou se eu falava o espanhol naturalmente.
- Willian, David Luiz, entre outros diversos que conheço. Ser jogador é conhecer muitas culturas diferentes. – ele deu de ombros, com um grande sorriso no rosto.
- Desculpe, isso foi rude.
- Tudo bem. Você já deve ter escutado muita coisa. – sorriu.

- O que vamos fazer agora? – perguntou quando entramos no carro. O encarei, sem entender. – Tem planos? Pra tarde? – neguei com a cabeça. – Então por que essa expressão?
- Não sei. – confessei.
- Fala sério... Você não gosta de mim? Só me tolera? E eu tô forçando a barra? – ele disse, sério.
- Não, ! Nada disso, não me entenda mal.
- Eu sei, eu tô brincando. – ele riu e suavizou sua expressão. – Só queria ver sua reação mesmo. – dei um tapa em seu braço, que poderia ter sido ouvido até por quem estava fora do carro. – Aí. – ouvi meu celular tocar e automaticamente levei minha mão ao bolso, vendo que era uma chamada de vídeo feita por Michael.
- Bells. – mostrei o celular para e ele sorriu. – Oi, filha! – falei, atendendo.
- Mamãe! Cadê você? – ela fez bico e eu arqueei minhas sobrancelhas, sem entender. Ela então apontou meu celular para a porta de casa.
- Você já voltou, Bells? Achei que você chegaria mais tarde!
- A vovó não tava muito bem, então a titia ia no hospital com ela e o papai vai pra lá também.
- Posso falar com o papai? – ela entregou o telefone para Michael, que tentou aparecer o menos possível na câmera, apenas alcançando o microfone. – Está tudo bem com ela? – falei, preocupada. Se tinha uma pessoa a quem eu guardava todo meu carinho era Kate.
- Eu acredito que tenha sido apenas uma queda de pressão, mas você sabe que não podemos brincar com qualquer queda de pressão dela.
- Me desculpe, estou indo pra casa, tudo bem? Chego em pouco tempo. – falei e ele assentiu, desligando. – Desculpe, . – eu sorri, envergonhada.
- Ei, está tudo bem, . Vamos lá.

- Mamãe! – Bells gritou ao me ver descer do carro, correndo em minha direção. – Tio! – ela se animou ainda mais quando viu descer logo atrás.
- E aí, pequena? – ele disse, se abaixando para pegá-la no colo e depositar um beijo em seus cabelos.
- Olá, . – Michael acenou, se aproximando. – . – ele apenas balançou a cabeça, o cumprimentando. – Desculpe por ter que te fazer voltar.
- Imagina, Mike. Me dê notícias dela depois, por favor. – vi colocar Bells no chão e ela correu para o pai, abraçando suas pernas. Ele levantou a filha e a abraçou, se despedindo.
- E agora, o que vamos fazer? – olhei para Bells, a puxando para perto de mim. Ela deu de ombros.
- Não sei o que vocês vão fazer, mas acho que vou no parque. – deu de ombros, encarando Bells. Eu balancei a cabeça, inconformada.
- Só inventa! – ele riu.
- Mãe, a gente pode ir também? Por favor. – ela juntou as mãos, como se implorasse.
- Claro. – rolei os olhos.

O Hyde Park era um dos meus lugares favoritos desde sempre. Quando eu chegara aqui, corria para cá toda vez que sentia saudades de casa. Meus pais estavam aqui, mas se adaptar a outro país, por mais que maravilhoso, não havia sido fácil. Me acostumar a tudo novo e saber que não teria ninguém além de meus pais, fazia com que tudo fosse desesperador.
O Hyde Park me deixava tranquila, e eu morava perto dali com meus pais, então eles também sabiam onde me procurar, caso eu sumisse por mais tempo do que deveria. Sempre embaixo da mesma árvore.
- Onde você quer ir? - perguntou.
- Tenho um lugar, continua andando. - dei um empurrãozinho nele, que carregava Bells nas costas. - Você é uma folgada, Isabelle. Nem parece que te criei direito. - resmunguei e rolou os olhos, enquanto a garota ria, se divertindo. - Tenho uma pergunta.
- Diga.
- Não tem problema, você sair assim? Sei que jogadores de futebol são muito menos perseguidos do que cantores e atores, mas sei lá.
- Olha, normalmente fica tudo bem. Algumas vezes as pessoas aparecem e tiram fotos, mas não sei, eu sempre estou sozinho, não pensei nisso, desculpe. - ele disse, sincero, agora olhando em volta.
- Não, tá tudo bem. - eu sorri. - Não estamos fazendo nada demais, mas eu não sei o que isso seria pra sua imagem. - apontei para nós três.
- " sossegou" provavelmente seria a primeira matéria. A segunda seria algo do tipo " tem uma filha?". Ou algo como, " adotou uma criança e uma babá?". - ele gargalhou, me fazendo rir também.
- Jura que isso é possível? - perguntei, inocente.
- Juro, nunca se sabe o que esperar das pessoas. - ele deu de ombros. - Se você percebeu agora essa situação, , eu não me importaria de ir embora. Eu mesmo não havia pensado nisso. Não quero isso pra vocês. - ele disse, enquanto sentávamos onde eu havia indicado, e Bells já corria para brincar.
- Tá tudo bem. - eu sorri. - Não acredito que vá acontecer nada. E bom, não existe nada para retratarem, não serão nada além de boatos. - dei de ombros.
- Fico feliz que você pense assim. Eu realmente gostei demais de vocês duas e nunca vou cansar de dizer isso.
- Você é louco. - eu ri. - Isso é algo completamente aleatório. Acho que você é muito carente, .
- Talvez eu seja, e vocês tenham me ajudado nisso. - ele riu. - Mas nunca diga que você também não está curtindo. - ele me encarou, ficando sério. - Vou gostar de ter sua amizade, e você? - perguntou, ainda sério.
- Eu estou adorando. E podemos ver que Bells também. - sorri para ele e ele aproveitou para abrir os braços e segurar minha filha, que viera correndo e se jogara em seu colo, derrubando os dois.



Capítulo 04

“Just wait Can you come here please? 'Cause I wanna be with you ” (Wait – Maroon 5)

Por
- Sei que você avisou e eu disse que estava tudo bem, mas é terrivelmente estranho. Meu pai me ligou porque viu na banca de jornal. E ele tem 70 anos! E o pior! Ele torce pro City! – gargalhou, provavelmente da minha voz de desespero.
- Preciso conhecer seu pai, ele precisa urgentemente mudar de time!
- Ah, isso é terrível, .
- Mas, , não foi nada demais.
- Eu sei que não, mas ah, sei lá!
- Realmente não sei o que dizer pra você, . – sua voz soava triste, e um tanto quanto preocupada.
- Tá tudo bem. Sério. A gente vai resolver. – eu sorri, mesmo sabendo que ele não veria.
- Você é incrível.
- Ansioso pro jogo? – mudei de assunto, me referindo a próxima partida, que traria Chelsea x Manchester United.
- Muito. Quer ir? – ele perguntou, rapidamente.
- Não, esse vou ver pela tv. – eu ri. – Eu e Bells estaremos torcendo, como sempre.
- Você vive me julgando, que eu sou louco e tudo mais. Que eu me aproximei dessa forma de vocês. Mas como foi pra vocês? – eu me joguei na cama, colocando as pernas para cima da cabeceira.
- Não sei te responder. Ainda acho essa amizade algo completamente aleatório. É estranho.
- Por quanto tempo você vai me dizer que é estranho ainda? Deixa eu te lembrar que somos um belo casal de namorados. E adoramos levar nossa sobrinha para passear – eu gargalhei ao vê-lo fazer referência a matéria que havia sido publicada com algumas fotos nossas no parque alguns dias atrás. Me surpreendi de que não haviam mais fotos de outros dias.
- Você não presta!
- Nem você! Por isso nos demos bem. Só espero que a Bells preste! – ele riu. – Inclusive, por que Isabelle?
- Não posso estender muito o papo, . Hoje preciso ir pra farmácia, preciso me arrumar.
- Ah, tudo bem. – ele disse desanimado. – Acho que vou marcar um psicólogo para as horas que não pode falar comigo, desacostumei a ficar completamente sozinho.
- Não acha que a gente conversa demais? Daqui a pouco as duas “Belle” ficarão com ciúmes. Ah, Bells fica me dizendo que está com saudades do Tio , e em seguida me pergunta “tem jogo?”
- Quando a senhorita quiser, podem vir me visitar, ou me convidar para visitá-las.
- Preciso ir, tudo bem? – falei.
- Tudo bem, bom trabalho, .

Desliguei o telefone e me levantei da cama preguiçosamente. Peguei minha roupa e fui para o banho, olhando o horário para ter ideia de quanto tempo poderia enrolar ali. Liguei o chuveiro e me virei de costas, deixando com que a água escorresse livremente na temperatura ideal.
Era incrível como um banho colocava pensamentos em nossa mente, por mais que acreditasse que eles não rondavam minha cabeça. sempre me perguntava qualquer coisa e eu era completamente evasiva, enquanto ele tentava cada vez mais me conhecer, conhecer Bells, e fazia isso de forma completamente inocente, era algo possível de ver em seus olhos.
Eu não sabia se era por ser mais novo que eu, e apesar de saber que ele já poderia ter passado por muita coisa na vida, eu o enxergava como alguém inocente, que apenas aproveitava o que tinha, por merecimento, é claro. Mas eu enxergava nele o que ele tentava colocar em palavras algumas vezes, a respeito de como tudo poderia ser solitário, apenas entre as mesmas pessoas sempre.
Eu havia criado por ele um carinho. Ele conseguira cativar a mim, e a Bells, mas, ao mesmo tempo, eu sentia que deveria pisar em ovos. Mesmo sabendo que tínhamos apenas uma amizade, não era assim que seria facilmente visto de fora, e isso me incomodava mais do que eu pensara que poderia. Não era algo em que eu queria me envolver agora que conseguira ajeitar minha vida depois de toda a separação e me acostumar a ficar só com minha filha.
Minha farmácia, depois de muito investimento, ia bem sozinha. Havia contratado funcionários incríveis que cuidavam muito bem dali, e eu havia aprendido a administrá-la extremamente bem, de uma forma que eu mesma passei a admirar. Eu não ficava lá tanto tempo, mas ia sempre algumas vezes na semana. Era algo que eu sempre gostei de fazer. Atender as pessoas ainda era algo em que eu me identificava.
Decidi que ficaria lá até mais tarde, então liguei para minha mãe e pedi para que ela fizesse o favor de buscar Bells na escola e ficar com ela até que eu pudesse buscá-la.

🎵

Eram nove horas da noite quando o vi passar pela porta da farmácia e parar na sessão de shampoos. Neguei com a cabeça para mim mesma, já que ele não estava olhando, e apenas sorri para Phillip, meu estagiário que pensara em se deslocar para atender o cliente.
- É o , não é? – ele perguntou, baixo, sorrindo em minha direção. Eu afirmei. – Eu vi as notícias. – ele piscou para mim, e eu apenas rolei os olhos.
Saí de trás do balcão e andei até onde ele encarava todos os produtos que estavam na prateleira, de forma enigmática.
- Precisa de ajuda, senhor? – perguntei, séria.
- Sim, claro. Eu estou com uma gigante dor de cabeça. – ele reclamou.
- E por isso está olhando a sessão de cosméticos?
- Não, só ia aproveitar pra comprar meu shampoo mesmo. – ele deu de ombros. – Acredito que posso fazer os dois, não? – disse ele, debochado. Dei um tapa em sua cabeça e o abracei, deixando um beijo em seu rosto. – Tudo bem?
- Sim, e você? – perguntei e ele assentiu.
- Tirando a real dor de cabeça, tá difícil. – o puxei comigo em direção ao balcão, onde Phillip acenou para ele, pronunciando tímido algo como “grande fã” e sorriu para ele, apertando sua mão.
- Aqui. – o entreguei o medicamento e ele sorriu, agradecido. – Essa não é a farmácia mais próxima da sua casa, o que faz aqui? – perguntei, curiosa.
- Estava indo pra outro lugar. – ele deu de ombros. – Nem vem, eu não imaginei que ainda estaria aqui. Está se achando demais, .
- Tudo bem, então. – dei de ombros.
- Eu só tinha esperanças. – ele admitiu, rindo. – Mas realmente estava apenas passando, vou sair. – ele sorriu.
- Então, por favor, leve camisinhas antes dessa vez, já vamos fechar. – eu gargalhei e ele rolou os olhos, pegando diversos pacotes e jogando em cima do balcão, me fazendo o encarar de olhos arregalados.
- Foi você quem sugeriu. – ele deu de ombros. Quando peguei, em silêncio, o primeiro pacote para passar no caixa, ele gargalhou, puxando-os de volta e começando a colocá-los novamente na prateleira. – Eu estou brincando, . E nem sempre sair, significa isso. – ele mostrou a língua. – Inclusive, se quiser ir comigo, posso te levar. – ele deu de ombros novamente, mas dessa vez tímido. – Vou encontrar os caras do time, apenas para dar umas risadas, relaxar. – sorri para ele.
- Obrigada pelo convite, mas vou buscar Bells na minha mãe e ir para casa.
- Ah, tudo bem. – ele sorriu, triste. – Nos falamos amanhã? – assenti e ele passou o corpo por cima do balcão, deixando um beijo em meu rosto. – Até, .
- Até, . – ele acenou para Phillip e então deixou a farmácia.
- Um belo casal, senhorita, um incrível casal. – o garoto deu de ombros, logo encolhendo seu corpo ao ver meu braço indo em sua direção para lhe atingir com um tapa. – Não negue, ele está na sua. Está escrito nos olhos dele, .
- As coisas não funcionam assim, bonitinho. – rolei os olhos. – Apenas amigos. – sorri para ele, e acenei para que arrancava com o carro agora.

🎵

- Mamãe! – Bells correu em minha direção quando abri a porta da casa de minha mãe.
- Oi, meu amor! – a abracei, me abaixando. – Tudo bem hoje? – ela assentiu.
- A vovó fez uma comida deliciosa. – ela sorriu, batendo na barriga como se estivesse cheia.
- E sobrou pra mamãe? – falei, olhando para minha mãe que agora se levantava do sofá e vinha em minha direção, enquanto eu mexia nas panelas.
- Como se a sua “mamãe” não te conhecesse. – a abracei e beijei sua bochecha.
- Por isso você é a melhor mãe do mundo. – ri, apertando-a mais entre meus braços, antes de deixá-la para pegar um prato no armário e correr de volta para as panelas.
- E por algum acaso, você vai contar pra melhor mãe do mundo o que está acontecendo? - ela perguntou, quando viu Bells se distraindo novamente com a televisão, e eu colocava minha comida para esquentar.
- Melhor mãe do mundo, e a mais curiosa também, não? Papai já está dormindo? - perguntei, olhando para o corredor, e ela assentiu. - Adivinha? - sua expressão se tornou em algo animado. - Nada! Exatamente isso que está acontecendo, nada! Mas aparentemente as pessoas ganham dinheiro inventando relacionamentos para as pessoas, não os culpo. - dei de ombros e ela rolou os olhos.
- Ele é bonito. - ela sorriu.
- Muito, e bem simpático também. A gente se dá muito bem, mas somos só amigos. Ele e a Bells também se adoraram.
- Apenas não deixe oportunidades passarem por medo ou qualquer coisa assim, minha filha. - ela passou a mão em meus ombros, como se fosse massageá-los, quando me sentei em frente à mesa.
- Eu não tenho medo, mãe. - resmunguei, dando a primeira garfada em minha comida. - Não sei por que eu teria. - falei de boca cheia, sendo repreendida por ela.
- Bom, vamos fingir que não está mais aqui quem falou, huh?

🎵

- Você pretende fugir por quanto mais tempo? - me surpreendi ao abrir a porta e encontrar do outro lado.
- Tio! – Isabelle gritou ao vê-lo e saiu correndo em sua direção, para abraçá-lo.
- Oi, Bells! – ele
- Oi, pequena! - ele afagou seus cabelos. - Lola mandou uma lambida pra você. - Bells riu, fazendo um gesto de lambida como de um cachorro. - Tudo bem, vou mandar de volta pra ela! - ele colocou-a no chão novamente e se aproximou de mim, beijando minha bochecha. - Estou atrapalhando?
- Não. - respondi, ainda sem saber o que falar. - O que faz aqui? - perguntei, tentando soar simpática, mas percebi que não estava sendo muito bem-sucedida quando vi sua expressão.
- Não vai nem mesmo negar, ? - ele balançou a cabeça em negação. - Desculpe ser insistente então. - ele sorriu, envergonhado, voltando seu corpo para a porta novamente.
Já haviam se passado duas semanas desde o dia em que estivera na farmácia. E desde aquele dia, nós havíamos apenas conversado por telefone, ou mensagens, mas eu passara a evitar um pouco seus convites para sair. Até mesmo no último final de semana, onde eu ficara sozinha.
Depois que minha mãe passara a insistir em entender o que estava acontecendo, eu parara para pensar que talvez não quisesse pessoas em cima da minha vida. Nisso, já bastava minha própria mãe, como sempre. Não era necessário mais ninguém me perguntando sobre coisas que não existiam, coisas para as quais não tinham respostas.
Talvez meus pensamentos ainda estivessem extremamente bagunçados devido ao pouco tempo em que tudo ocorrera. E talvez, apenas talvez, me irritasse um pouco com sua insistência. Ele não era um stalker, nem nada assim, e eu o dera liberdade para se aproximar e fazer parte de nossas vidas, mas eu acredito que ele se empolgara um tanto quanto demais com isso. Era algo incrivelmente lindo, eu não podia negar, mas era como se fôssemos amigos de infância em um mês, e isso era um pouco assustador para quem nunca tivera amizades dessa forma.
- Desculpa. - falei, baixo.
- Tá tudo bem. - ele relaxou os ombros. - Eu realmente deveria me desculpar. Talvez não seja uma boa hora pra conversar, quer deixar pra depois?
- É uma boa hora. - dei de ombros e puxei uma cadeira na cozinha, esperando que ele fizesse o mesmo.
- Tio! Vem assistir comigo! – Bells se aproximou, puxando pela perna. Ele me encarou, sorrindo. – Por favor. – vi minha filha fazer bico e ele me olhou novamente, quase implorando para que eu esperasse.
- É só um pouquinho, eu não posso negar. – ele fez bico também, rindo. Balancei a cabeça e ri, abanando minha mão no ar, mandando-o ir.
Quando ele saiu da cozinha, olhei para o portão que dividia o cômodo com um pequeno quintal, e então me lembrei que em todas as poucas vezes que estivera aqui, ele ainda não havia conhecido Chelsea, por qualquer motivo que fosse. Um dos dias a cachorra havia sido levada para tomar banho, em outro, ela apenas estava presa no quintal. Andei até lá e destravei o portão, estalando meus dedos, chamando-a para dentro.
- Chelsea! – ouvi Bells gritar, animada, enquanto a cachorra pulava em cima de no sofá. Ela latia, animada, e rodava no próprio lugar, alternadamente com se assanhar para o lado do homem.
- E ai, garota! – dizia repetidamente, rindo. Ele tentava a afastar ao menos um pouco, para respirar, mas ela insistia em se jogar em cima dele.
- Me lembrei que você ainda não havia a conhecido. – dei de ombros e ele riu, afirmando.
- Você é linda! – ele resmungou para Chelsea, enquanto ela se acalmava e apenas se mantinha em sua frente, feliz.

- Podemos? – ele se sentou na cadeira em minha frente, quando Bells prestava mais atenção no filme que passava do que nele. Deixei meu celular, no qual eu mexia, de lado e o encarei.
- Claro. – sorri. – Pode falar.
- Isso tá parecendo uma DR. – ele riu e eu o acompanhei. – Aí, , não quero transformar isso em algo sério, eu só queria conversar mesmo, saber por que você tá tentando se distanciar, se eu fiz algo.
- Ah, , não é nada, poxa.
- É claro que é. Posso tentar adivinhar? – eu rolei os olhos. – Você descobriu que já me ama, que sou o amor da sua vida e está em negação? – fingi que iria vomitar e ele riu. – Ufa, fico extremamente feliz com isso. – arqueei as sobrancelhas. – Acho que não estou pronto pra isso. – ele deu de ombros, tímido. – Você descobriu que tem uma doença muito séria, acreditou que eu estava apaixonado e não quis me magoar? – neguei com a cabeça, segurando a risada. – Você estava secretamente planejando me pedir em casamento?
- Junta todos esses motivos, e encontra o certo! É fácil! – ele olhou para cima, pensativo. – , eu odeio que ninguém possa levar a sério uma amizade entre duas pessoas. Ver nossa foto aquele dia me deixou meio irritada, sabe? Odeio que sempre vão enxergar de outra forma, e que até meus pais vão me encher com isso.
- Por sinal, minha mãe está ansiosa por conhecer a neta. Ela não caiu nessa de sobrinha. – ele torceu a boca, num sinal de ironia.
- Aí, meu Deus, . – eu escondi meu rosto entre minhas mãos. – Ah, isso é horrível, sério!
- , relaxa. Minha mãe é o de menos, ela é muito gente boa. Uma ótima sogra, se quiser considerar. – falou, brincalhão.
- Pode deixar, vou anotar aqui na minha mente.
- Não se afasta de mim por causa disso não. – ele sorriu, envergonhado. – Eu realmente me importo com a nossa amizade, por mais imprevisível, esquisita, e louca que ela seja. Talvez a gente tenha atropelado tudo e eu tenha te tornado mais minha terapeuta do que amiga, e eu nem tenho explicação pra isso.
- Ah, eu vou te bater, você não tem direito de ser assim! – eu ri, bagunçando seus cabelos. – Eu tava considerando esses dias atrás, e percebi que nunca tive uma amizade, amizade mesmo, por aqui sabia?
- Me dá a honra, senhorita? – ele se levantou e foi até meu lado, se abaixando e puxando minha mão para depositar um beijo. – Mas assim, é muito cedo pra fazer aquele pacto que se em tantos anos a gente não desencalhar, casamos? – acertei sua cabeça com um tapa e ele me mostrou a língua, correndo de volta para o sofá, para brincar com Isabelle e Chelsea que ainda se encontrava esparramada no tapete.



Capítulo 05

“Well I met you yesterday, you took my breath away and I kinda like the way that you're so damn unpredictable. That was just history, It turned into you and me, it happened so easily, like I'm livin' some kind of miracle.”(High Hopes – The Vamps)

Por

- E aí, pequena, viu o gol bonito que fiz? – fiz um toque de mãos com Bells quando me aproximei dela e de , após o jogo que elas haviam assistido entre Chelsea e Leicester.
- Foi incrível! – ela me abraçou, animada.
- Foi mesmo. – sorriu, bagunçando meus cabelos com as pontas dos dedos.
- E agora? Vamos fazer o quê? – perguntei a elas e vi torcer a boca.
- , temos que arrumar nossas coisas para viajar.
- E é por isso mesmo que quero fazer algo, vamos comemorar nosso natal hoje, já que vocês não estarão aqui. – eu dei de ombros. – Por favor.
- Vamos, mamãe, por favor! – Bells juntou a mão, implorando para a mãe na intenção de me ajudar. – Aí vamos ter natal duas vezes! Isso é muito legal!
- E depois a senhorita por acaso vai me ajudar a arrumar tudo? Não vai, né?
- O tio ajuda! – ela falou, como se fosse óbvio e eu bati minha mão em minha testa, rindo.
- Obrigado, hein? – a encarei e ela sorriu. ria sozinha, com a cabeça escorada em suas mãos.
- Vamos, vai! Antes que eu desista. – saíra andando em direção ao seu carro, com Bells em seu encalço e eu segui na mesma direção, mas meu carro estava um pouco mais distante.
- Mercado e depois minha casa? – perguntei, gritando por estar um tanto distante e ela assentiu.
- Vai que eu te sigo. – vi que ela arrumava Bells no banco e quando entrou no carro, fiz o mesmo e dei partida, aguardando que ela estivesse perto o suficiente para irmos.

- Não vai querer assar um peru, né? – ela perguntou, quando entramos na parte de congelados.
- Demoraria demais, não? – perguntei em dúvida.
- Sim, demais. – ela riu.
- Então, hambúrgueres seriam uma boa?
- Vou ter que sujar a mão. – ela mostrou a língua, fazendo cara de nojo. – Mas tudo bem.
- Eu amo hambúrguer. – Bells falou, sacudindo os ombros.
- E a senhorita deseja mais alguma coisa? – perguntei, me abaixando e ela então se aproximou para sussurrar no meu ouvido.
- Doces! E refrigerante! – ela falou, animada. Me levantei, rindo, e me olhou curiosa.
- Segredo nosso. – dei de ombros.
- Achei que fôssemos amigos. – ela fez bico, enquanto procurava pela carne.
- Somos, mas ela também é minha amiga. – fiz um toque de mãos com Bells, que riu da indignação da mãe.

- Eu odeio sujar minhas mãos. – reclamou, fazendo cara feia para a bacia em sua frente, onde ela misturava a carne com temperos, pensando no momento posterior, onde colocaria suas mãos para amassar.
- Quer uma luva? – ela rolou os olhos.
- Já tentou fazer algo com luvas? – perguntou.
- Não. – dei de ombros.
- Já tentou fazer qualquer coisa? – ela arqueou as sobrancelhas.
- Sei fazer o básico. – sorri forçado, para irritá-la. – E o mais importante, sei acender a churrasqueira, então tchau. – mostrei a língua e sai correndo em direção a varanda, acompanhado de resmungos da mulher.
- Devia te deixar sem comida. – ela gritou da cozinha.
- Eu também, mamãe? – Bells, que estava no cômodo entre nós dois, gritou nos olhando e eu gargalhei.
- Você vai traumatizar sua filha.
- Você não, meu amor, só o tio . Ele é chato.
- Ele não é chato, mamãe. – Bells me defendeu e eu gargalhei mais uma vez e sai correndo em direção a menina, pegando a no colo e enchendo de beijos em seu rosto.
- Melhor criança do mundo! – a joguei no sofá e comecei a fazer cócegas, ouvindo seus gritos de “para, tio”. ainda sorria na cozinha, indignada.
- . - ouvi-a perto de mim e me virei, sendo então atingido por carne moída em meu nariz. Vi suas mãos completamente sujas e a olhei, com as sobrancelhas arqueadas.
- Você sabe que vai pagar, não?
- Pela plástica no seu nariz? Ele já é feio, , não foi a carne quem fez isso aí. – ela apontou para meu nariz, me fazendo ficar vesgo ao olhá-lo.
A encarei e limpei a sujeira que tinha em meu rosto, e ouvi um “vai, tio!” vindo de Bells no sofá, então começou a correr em direção as escadas, tentando fugir. Em passos largos fui me aproximando da mulher, que já se escondia em meu quarto, sem nem ao menos ter que correr.
- Como fugir de um cara qual o trabalho é correr? – ela riu, tentando fechar a porta do meu banheiro antes que eu chegasse. Coloquei meu pé entre o batente e a porta e ela tentou esmagá-lo ali, fazendo força, mas fui mais rápido e empurrei o suficiente para fazê-la se render. – Droga. – ela riu, fechando a tampa do vaso sanitário e se sentando.
- Você tem sorte que não tenho nada nojento nesse momento pra esfregar no seu rosto. – dei um tapa de leve em sua cabeça e ela se abaixou, para desviar.
- Eca, . – ela colocou a língua para fora, fazendo cara de nojo e se levantando. – Quanta camisinha. – ela gargalhou e eu a acompanhei, reparando nas diversas camisinhas usadas que estavam jogadas ali. Dei de ombros e segurei em seu braço, a puxando para fora do banheiro.
- Tenho uma boa vida sexual, não posso reclamar. – falei, ainda rindo e fez como se fosse vomitar. – Se quiser testar, me avisa, tá? – pisquei para ela e vi seu rosto ficar sério e ela rolar os olhos.
- Te odeio. – ela me mostrou a língua.
- Você está a um passo de me amar, não negue, . – sorri para ela e descemos novamente as escadas, encontrando Bells nos esperando deitada no sofá. – Vamos acelerar essa comida, antes que alguém durma. – apontei para a menina que estava quase com os olhos fechados e assentiu, voltando para a cozinha enquanto eu caminhava em direção às churrasqueira novamente.

- Pena que esse Natal não tem Papai Noel, né? – falei, fazendo bico, e Bells concordou me imitando. – Mas prometo que no dia certo ele vem! – pisquei para e ela negou com a cabeça, fazendo palavras com a boca que formaram um bravo “Nem pense, ”. Sorri de lado e dei de ombros, deixando-a irritada. – Vocês voltam no dia 25? – perguntei.
- 26. – respondeu e eu assenti. – Tem jogo, né? – assenti novamente.
- Posso encontrar vocês depois do jogo? – Bells enfiava um enorme pedaço de hambúrguer inteiro na boca enquanto conversávamos, o que nos fez rir. apenas assentiu, concordando. – Passo lá pra ver vocês, então. Ajudo até a desfazer a mala se precisar.
- Você sabe que odeio isso, né? – eu concordei. – Seria uma ótima ajuda. – ela riu, sincera.
- Nem te conheço, né? – sorri e ela mostrou a língua.

🎵

- Ei, feliz natal. – falei, quando a ouvi atendendo a ligação.
- Oi, ! Feliz natal! – ela falou, animada. – Achei que você ligaria antes.
- Esperei até que você pudesse felicitar todo mundo aí, antes de poder me dar atenção.
- Você nem imagina como está isso aqui. Todo mundo se cumprimentou rapidinho à meia-noite e foram dormir. Não acredito que eles aderiram à Inglaterra nesse ano. Normalmente ficamos acordados até tarde comendo e conversando. Nesse ponto prefiro o Brasil.
- E a Bells?
- Também já me abandonou, já estou deitada de pijama olhando ela dormir. Já estava considerando te ligar. É natal, . Eu fico muito animada.
– sua voz realmente soava como se ela estivesse extremamente feliz, o que me deixava animado também.
- Estou vendo, parece que você tomou diversos energéticos. Está me lembrando aquele personagem de Deu a Louca na Chapeuzinho.
- Acho que ele me representa nas festas de fim de ano, sério.
– ela respirou fundo. – Como foi aí?
- Comprei um peru pronto, cervejas, uma torta e estou aqui, de barriga cheia, deitado no chão da varanda falando com você. Não é um Natal de todo ruim.
– falei, sincero.
- Achei que você iria sair, beber, levar uma mamãe Noel pra casa. – ela gargalhou.
- Nem só de sexo vive esse homem, senhorita.
- Bom saber, senhor.
– ela ficou muda durante alguns segundos. – Já está pensando em dormir? – perguntou.
- Não, e você? – perguntei.
- Não.
- Quer jogar alguma coisa?
- Tipo o quê?
- Não sei, que tal verdade ou desafio?
– eu ri, falando a primeira coisa que viera à minha cabeça.
- Pelo telefone e em duas pessoas? – ela perguntou, rindo e eu concordei. – Vamos lá, não é como se eu tivesse outra ideia ou qualquer coisa para fazer.
- Se tivesse, negaria minha ideia? É isso?
– me fiz de ofendido e ela resmungou, falando sobre o quão chato eu era.
- Começa logo. – ela falou.
- Tudo bem. Verdade ou desafio?
- Vou começar com verdade, vai.
– fiquei um tempo em silêncio, pensando.
- , não pode ser algo do tipo, pergunta ou desafio? Ficar procurando verdades é difícil. – reclamei, rindo, pois ainda não havia achado algo legal o suficiente para falar.
- Pode ser, pra você é fácil de perguntar, é só abrir notícias na internet e te perguntar se é verdade. – ela riu, nasaladamente.
- Você acredita em Deus? Em anjos, em destino. Coisas assim, sabe? – perguntei, depois de um tempo pensando.
- Que específico. – ela riu. – Acredito em Deus, mas não frequento ativamente a igreja. Acredito em anjos e tudo mais nesse sentido religioso, mas destino foge um pouco disso e não tenho certeza de que seja algo em que eu realmente creio. Acredito em amor, amizade... Mas destino é algo muito estranho. – apenas concordei com um pigarro e ela então voltou a falar. – Verdade ou desafio?
- Desafio.
- Droga, sou péssima nisso. –
ela falou rindo. – Posta uma foto no Instagram com uma legenda que só eu entenda. – ela disse, depois de um pequeno tempo pensando.
- Isso nem é um desafio de verdade, mas tudo bem. – eu ri, colocando o celular no viva-voz e abrindo o aplicativo. – Se quiser continuar falando, estou fazendo.
- Tenho medo de pedir desafio, já que isso não é um desafio pra você.
– ela riu, baixo.
- Você tá tendo que sussurrar, né? – eu falei, enquanto tirava uma foto das minhas pernas jogadas na varanda e adicionava um filtro. – Não pode sair do quarto?
- Tô com preguiça.
- Feito!
– falei e ela pediu que eu esperasse um minuto para que pudesse olhar.
- Bom, foi uma boa ideia. – ela riu. – Justo, cumpriu.
- Foi uma pergunta, já pode responder.
– me referi a legenda da foto, que fora “Verdade ou desafio?”
- Imagina o tanto de meninas que vão responder desafio naquela foto. – eu gargalhei, concordando.
- Mas quem eu quero que responda é você, vai!
- Apressado! Verdade, porque tenho medo de você.
- Chata.
– reclamei. – Existe algo pelo qual você se arrependa?
- De forma alguma. –
ela respondeu rapidamente. – Não acho que você deva se arrepender de qualquer coisa, se aconteceu, era porque deveria acontecer. Às vezes a gente até sente aquela coisinha ruim de “ah, por que eu fiz isso?”, mas só. Verdade ou desafio?
- Verdade.
- Você sente falta de ter alguém? Um relacionamento.
– ela perguntou, parecendo receosa de tocar no assunto.
- As vezes. Durante algum tempo fui acostumado com isso, né? Mas acredito que é da mesma forma que você. Sinto falta, mas não estou extremamente desesperado. – ri, ouvindo ela fazer o mesmo. – Verdade ou desafio? – perguntei.
- Desafio. Não me faça me arrepender.
- Quero que você vá do lado de fora, do jeito que está e faça uma chamada de vídeo comigo.
- , eu estou de shorts e está nevando! Você é louco?
– ela riu.
- Se você ficar doente, te pago um médico. – debochei e tive certeza que ela rolava os olhos.
- Te odeio. Já ligo. – ela disse finalizando a ligação.

- Ei. – falei, sorrindo ao vê-la na câmera.
- Tá muito frio! – ela quase gritou.
- Entra, ! – falei desesperado. – Não disse que era pra você me ligar daí de fora. – dei de ombros e ela me mandou o dedo do meio.
- Agora vou ficar aqui até ficar doente, só pra te dar despesa. – ela gargalhou, caminhando porta adentro de novo.
- Você está linda. – comentei sorrindo, quando ela se sentou no chão do que aparentemente era o hall. Ela virou o celular para cima, envergonhada.
- Verdade ou desafio. – perguntou.
- Verdade. – falei, após pensar rapidamente.
- O que você realmente sente por mim? Por que eu? – ela disse, sem nem ao menos pensar, como se aquilo já rondasse sua mente.
- Outch. – reclamei. – Eu não sei, , eu só realmente gosto muito de você, gosto da sua companhia, do seu jeito. Você me faz muito bem. E porque você, eu não sei. Me apeguei de uma forma engraçada, né?
- Bastante.
– ela riu. – Você me faz bem também.
- Feliz Natal, .
- Feliz Natal, .



Capítulo 06

“Settle down with me and I'll be your safety, you'll be my lady. I was made to keep your body warm, but I'm cold as the wind blows so hold me in your arms” (Kiss Me – Ed Sheeran)

Por


- Eu já te falei que amo seu macarrão? – falei para quando me sentei na mesa, esperando que ela colocasse a panela que faltava ali e se sentasse junto a Bells e eu.
- Algumas poucas vezes. – ela riu.
- É muito gostoso. – Bells concordou, tomando o refrigerante que estava em seu copo.
- , você tem que parar de se sentir de casa. – riu, quando me viu levantar e pegar os pratos e talheres no armário.
- Outch, ! Isso é ruim? – perguntei ofendido.
- Ah, gosto de tratar as pessoas como visita! Você me tira esse direito. – ela riu, se sentando. – Me sirva então. – ela deu de ombros e Bells esticou seu prato de plástico rosa na minha direção, agindo como a mãe.
- Ah não, fala sério vocês duas! – eu ri, pegando o macarrão e servindo os pratos enquanto resmungava e as duas riam de mim. – Onde fui me amarrar? – me mostrou a língua e Bells sorriu, dando sua primeira garfada.
- Eu te dei a opção de fugir diversas vezes. – ela deu de ombros.
- E eu não quis, e você vai querer jogar isso pra mim toda vez, eu sei. – também mostrei a língua para ela, que apenas riu.

- Bells. – falei quando entrei novamente pela porta da sala, já procurando pela menina. me encarou com os olhos semicerrados ao ver o pacote em minhas mãos e eu dei de ombros. – Feliz Natal, pequena! – entreguei o pacote rosa com um laço amarelo, que havia sido feito pela vendedora da loja, em suas mãos.
- Tio! – a menina falou animada. – Obrigada! – e então ela saíra correndo em direção ao sofá para abri-lo.
- ! – reclamou, se aproximando de mim. – Ah, não! – ela ralhou irritada, ao ver o pequeno pacote em papel azul que eu levantei, deixando-o em sua visão.
- Feliz Natal, ! – sorri, fazendo-a me dar um tapa no ombro esquerdo.
- Eu te odeio, ! Você não tinha o direito de fazer isso.
- Comprar presentes pra vocês? Eu tenho direito de comprar pra quem eu quiser, ué. – me fiz de desentendido, tentando irritá-la.
- Você entendeu! – ela cerrou os dentes. – Eu não comprei nada pra você. – seu olhar amoleceu, fazendo-me sorrir.
- Para de ser assim e só pega, . Eu não fiz isso na intenção de receber nada em troca e você sabe disso. Eu só vi as coisas e me deu vontade de comprar. – segurei uma ponta de seus cabelos e a enrolei em meu dedo indicador. – Olha como a Bells tá feliz. – eu gargalhei, vendo a menina encarar a boneca em sua frente fascinada.
- Agradece, filha.
- Muito obrigada, . – ela abraçou minhas pernas rapidamente, logo correndo de volta para a boneca, ansiosa por abrir a caixa e tirá-la de lá.
- Não vai abrir? – perguntei, ao vê-la levantar o pequeno pacote e encará-lo. – Eu juro que não é uma bomba. – ela sorriu.
- Você não me daria uma bomba e a entregaria enquanto você ainda estivesse aqui. Acredito que não faria muito sentido.
- Sua inteligência me fascina. – falei rindo e me virando em direção a porta. – Até mais... – brinquei e ela rolou os olhos, me puxando para perto dela novamente e logo puxando a fita que abriria o presente.
- . – ela falou surpresa, puxando seu fôlego. – Ah, meu Deus. É linda. – ela encarou a joia com os olhos arregalados. – , eu não posso aceitar isso. É demais.
- Não é demais, . – falei, olhando novamente para a pulseira que eu comprara, pois simplesmente havia me encantado ao notá-la na vitrine. Sua simplicidade, e as poucas pedras que a compunham haviam me deixado embasbacado. Sua cor prateada a dava um ar despojado, e eu sabia que poderia usá-la em qualquer ocasião. E eu havia pensado em quando a vi, quase que automaticamente, algo que me fizera sorrir, também quase automaticamente.
- . – ela respirara fundo mais uma vez e eu então pegara o adereço de sua mão, a assustando. Abri rapidamente o feixe e puxei seu braço para mim, pendurando-a.
- Ficou linda. Pare de reclamar e apenas aceite, combina com você. – reclamei. Ela assentiu, envergonhada e então se aproximara, juntando nossos corpos em um abraço. Algo que raramente acontecera durante todos esses meses de amizade.
Suas mãos passaram-se por minha cintura e seu corpo se encostou ao meu delicadamente enquanto meus braços se ajeitavam por cima de seus ombros. Depositei um beijo em sua cabeça e ela logo se afastara, balançando a cabeça como em negação e voltando a encarar o objeto em seu braço.
- Obrigada. – ela sussurrara. – Você é incrível.
- Eu sei. – dei de ombros e ela estapeou meu braço. – Desculpa, estraguei o momento. – eu ri, mas antes que pudesse falar qualquer outra coisa, ouvimos um barulho alto de algo chegando ao chão estrondosamente.
- Bells! – gritou ao ver a boneca no chão e a filha assustada com as mãos no rosto.
- Ela morreu, mamãe? – os olhos da menina se fecharam e eu então notei que eles estavam cheios de lágrimas.
- Não! – falei rapidamente, me aproximando dela e pegando a boneca do chão. – Ela está ótima! Olha! – entreguei o brinquedo novamente em seus braços e vi um sorriso brotar em seu rosto, ainda entre algumas lágrimas teimosas que queriam molhar seu rosto.
- Obrigada, tio! Você salvou ela! – ela abraçou meu pescoço apertado.
- Imagina, pequena! Sempre que precisar. – eu sorri, colocando-a no sofá para que voltasse a brincar.
- Por qual motivo ela pensaria que a boneca morreu? – comentou quando me aproximei, sorrindo para tentar parecer que não estava preocupada.
- Não faço a mínima ideia, essa menina é demais. – eu ri. – Relaxa, . – beijei sua testa. – Não é nada demais, provavelmente ela viu isso em algum vídeo do youtube, ou algum filme.
- Ela é inteligente demais. – a vi sorrir, parecendo mais aliviada.
- Puxou a mãe. – mostrei a língua para ela e recebi o mesmo em retorno, mas com o adicional de a ver corar.

🎵

- Esses jogos no fim de ano são terríveis, não? perguntou em meio a nossa conversa no telefone.
- Um pouco. – confessei.
- Não podem nem viajar ou qualquer coisa assim, né? Nem dá tempo.
- Algumas vezes minha família vem para cá, para colaborar com esse fato. Mas esse ano não. Vou passar só.
- E eu? Primeiro ano novo sem a minha pequena.
- Ela vai viajar?
- Michael vai passar com alguns parentes e acordamos que ele a levaria, pois queriam vê-la.
- Justo.
- Muito, mas agoniante para a mamãe-urso.
– ela riu nasaladamente, reforçando seu desespero.
- Passa comigo. – falei sem nem pensar.
- Passar o ano novo com você? Apenas nós? – ela riu, soando envergonhada.
- Qual o problema, ? – perguntei sério.
- Ah, não sei, . Só não esperava o convite. Ia passar com os meus pais mesmo.
- Ia?
– soei esperançoso.
- Vou pensar no seu caso. Agora preciso ir, se cuida!
- Pensa com carinho, tá?
– ouvi sua risada novamente. – Tchau, .

: Onde vamos passar a virada de ano? 🤔
: Ganhei companhia?
: Vou quebrar seu galho nessa. 😋
: Pode parecer meio bobo, mas nunca acompanhei a clássica queima de fogos de perto. Topa?
: Com certeza.
: Te busco às oito então, pode ser?
: Combinado.
: Obrigado, . ❤️
: ❤️

“É 31 de dezembro, fim de mais um ano...”

Tomei água rapidamente e peguei meu moletom branco de cima do sofá, vestindo-o e correndo para a porta, preparado para encontrar o motivo pelo qual eu não queria me atrasar.
Entrei em meu carro e saindo da garagem me deparei com o caos. Viver no centro era maravilhoso, eu adorava, mas nesses momentos era loucura. As ruas estavam cheias de carro, os metrôs pareciam abarrotados. Mas ainda assim, todos sorriam. Era possível ver os diversos sorrisos se escondendo nas golas altas das roupas quentes que as pessoas vestiam. Estávamos com 5ºC, quanto mais roupa nessas horas, melhor, mesmo que parecêssemos bonecos de neve todos em branco.
Peguei o caminho mais rápido para casa de , e apesar de o mais rápido, hoje não era exatamente isso. Liguei para ela que me informou já estar pronta, então a comuniquei do caos em que estávamos aqui na zona 02*. Apertei o botão do rádio e deixei em uma estação qualquer que pudesse me distrair, sorrindo ao ouvir que tocava Maroon 5, uma banda que eu gostava e sabia que também adorava.
Me animei com a música e então peguei meu celular, sabendo o quão errado é fazer isso enquanto se dirige, e conectei meu aplicativo ao aparelho, selecionando uma playlist da banda.
- I'm hurting, baby, I'm broken down, I need your loving, loving, I need it now. When I'm without you I'm something weak... - entrara no carro rindo de minha performance. Parei em sua porta com os vidros abertos, cantando no mesmo tom de Adam Levine. Tentando, claro.
- You got me begging, begging, I’m on my knees... - ela continuara a música ao se sentar ao meu lado e colocar o cinto de segurança, logo se inclinando para beijar minha bochecha. - Está animado? - eu assenti, sorrindo e logo saindo com o carro do lugar.
- Muito. Adoro ano novo. - dei de ombros.
- Com esse sorriso no rosto parece a criancinha que gosta de Natal.
- A criancinha como você? - mostrei a língua e ela encostou sua cabeça no vidro, envergonhada. - E a Bells? - perguntei.
- Nem se importa de ficar sem a mãe. Inacreditável. - ela rolou os olhos e eu ri.
- Mamãe urso mesmo, não? - ela assentiu. - Queria que ela estivesse com a gente, ela ia gostar.
- Ela sempre me pediu pra vir, vai ficar bem triste que vim sem ela. - ela sorriu triste.
- Nunca a trouxe por algum motivo específico?
- Muito cheio, acho perigoso. - ela deu de ombros. - Um dia você vai entender, é coisa de mãe e pai. - ela sorriu.
- Será que vou? - eu ri.
- Não tem vontade de ter filhos? - ela perguntou, despreocupada.
- Tenho. - respondi prontamente. - Sempre achei que tinha dificuldade com criança ou que não me daria bem, mas a Bells vem me mostrando o contrário. - eu sorri feliz.
- Ela realmente gosta de você. - sorri e a vi fazer o mesmo.
Estacionei novamente na garagem de casa e descemos do carro. usava uma calça jeans de lavagem clara e parecia carregar milhões de blusas em seu corpo, mas a vista usava uma blusa rosa de lã, com uma jaqueta branca por cima, e em seus pés, um par de all star rosa.
- Melhor deixar sua bolsa em casa, não? - ela assentiu. - Não é como se eu fosse te deixar ir embora de metrô depois, . - rolei os olhos e ela me encarou.
- Eu não achei que deixaria. - ela aliviou sua expressão e riu. - Vamos logo. - ela apertou o botão do elevador.
- Eu subo rapidinho, pode esperar aí. - ela sorriu, agradecida, e me entregou a bolsa.

- Vamos? - perguntei, fazendo-a acordar de um transe.
- Vamos!
Saímos do prédio e nos deparamos com uma multidão seguindo na mesma direção, a qual acompanhamos.
parecia extremamente animada. Ela sorria para todos os lados enquanto assoprava as próprias mãos, que havia coberto com luvas desde que pisamos fora de casa. Seguimos em silêncio junto com as pessoas que nos rodeavam, parecia que estávamos em meio a uma procissão, e esse pensamento me fizera rir, deixando curiosa.
- Não parece uma procissão? - perguntei e ouvi ela gargalhar em resposta.
- No próximo ano me lembre de trazer uma vela. - ela comentou, enquanto eu entregava nossos ingressos para a pessoa responsável, para que entrássemos na área mais próxima que agora tinha ingressos vendidos dois meses antes da data. Era possível ver a queima de fogos de qualquer lugar em volta, mas para diminuir o tumulto em torno do lugar, eles haviam tornado pago, para controle do número de pessoas e maior conforto. Ou melhor, menor desconforto pelo que as pessoas me contavam.
- Acredita que no próximo ano estaremos aqui? - perguntei, aproveitando sua escolha de palavras e fazendo-a corar e dar de ombros, sem me dar diretamente uma resposta. - Bom, eu espero que sim. - falei sincero. Ela assentiu, sorrindo de lado. - Sempre vou te lembrar disso, toda vez que puder.
- Você gosta tanto assim de ser romântico dessa forma?
- Eu sou romântico? Temos um romance aqui? - apontei para nós dois, me fazendo de desentendido.
- Argh. - ela resmungou, estapeando meu braço. – Sem graça. Falta muito? – ela perguntou, se referindo à meia-noite e eu assenti.
- Ainda são dez, vai ter que me aguentar mais um pouco.
- Seria muito ruim se eu sentasse aqui no chão?
- Morta! Não aguenta nem cinco minutos em pé.
- O jogador de futebol aqui é você, não eu. – ela me mostrou a língua e eu, sem pensar, a tomei em meus braços e a abracei.
- As vezes dá vontade de te apertar até você gritar, de tão fofa que você é com alguns gestos. – falei, rindo e soltando-a, vendo seu rosto corar e ela se encolher.
- O que vamos fazer em tanto tempo? – ela perguntou, mudando de assunto.
- Quer jogar verdade ou desafio de novo? – perguntei.
- Só se for pra te desafiar a pular no Tâmisa. Estamos no meio de uma multidão, menos, .
- Eu pularia. – dei de ombros e ela riu, mantendo um silêncio entre nós por um tempo, prestando atenção a nossa volta e todas as pessoas que estavam ali.
então puxara assunto com a mulher ao seu lado, que estava ali com o marido e a filha para ver os fogos. Ela se aproximara no momento em que a menina esbarrara em sua perna, fazendo-a cambalear para se manter em pé, então ela e a mãe em meio a desculpas, engataram uma conversa sobre filhos, logo dando sequência em diversos assuntos, aos quais me enturmei também.

- Sabe o que me pergunto? – falou, se aproximando de mim quando a família decidira procurar alguns amigos que os esperavam mais para frente. – Como as pessoas não te reconhecem? Ou reconhecem e não falam nada? Normalmente todo mundo se desespera por ver alguém famoso. E bom, não vi ninguém tirando fotos também. - ela riu.
- Ainda um pouco traumatizada? - ela assentiu. - Muita gente fica olhando, já vi pelo menos umas cinco pessoas aqui em volta me encarando. Muitas pessoas acompanham futebol, mas nem todas prestam realmente atenção nos rostos dos jogadores. O que é ótimo pra mim, confesso. Mas, por exemplo, o cara com quem a gente tava conversando, ele sabia, mas preferiu ficar quieto. Dava pra ver que ele queria falar algo. O que importa é que estamos em paz. - deixei meus ombros relaxarem e aproximei mais meu corpo do dela.
- Falta muito? - ela perguntou curiosa.
- Aparentemente nos distraímos bem, apenas mais meia hora até 2019. Não quer fazer uma revisão do seu ano?
- Não sei se tenho muito o que rever. Tô feliz com esse ano, as coisas parecem certas. A Bells está ótima, minha família está bem, a farmácia tá indo incrivelmente bem de uma forma que eu nem mesmo esperava...
- E ainda tem eu! - a cutuquei, fazendo-a rir. - Eu gostei bastante desse ano também. Minha família está bem, minha vida está ótima, o time tá indo bem demais!
- Isso é bom pra mim também, não sou um exemplo de torcedora, mas confesso que é mesmo meu preferido.
- Uma ótima confissão pra fazer pra um jogador dele. E tá ansiosa? Pra 2019? - riu e eu percebi que estava parecendo um primeiro encontro onde a pessoa está desesperada pra conversar e não quer ficar em silêncio. - Desculpa.
- Tá tudo bem. Eu gosto quando você fica tagarela assim, é engraçado. Só espero que seja tão bom quanto esse ano. E você?
- De diferente, só quero que isso continue. - falei sincero parecendo um disco arranhado com todas as vezes em que falava algo do tipo e encostou a cabeça em meu peito, tentando se esconder. Passei meus braços em volta de seu corpo e a grudei próxima a mim.
- Eu gosto demais de você, . - falei próximo ao ouvido dela.
- . - ela falou com tom de repreensão e se virou, ficando de frente para mim.
- Poxa, eu só tô sendo sincero. Eu não quero levar isso pro próximo ano sem nem ao menos você saber.
Ela sorriu e abaixou a cabeça, repetindo o gesto que a acompanhava em momentos que se sentia constrangida. Fiquei encarando-a e senti suas mãos se espalmarem em meu peito e seu corpo se aproximar do meu com um passo em meio aos gritos de contagem regressiva que podíamos ouvir mesmo de dentro da nossa própria bolha.
5
- Eu sei, .
4
- Você não precisa falar nada, eu só queria mesmo soltar isso.
3
- Eu sou um peso nas suas costas pra você aliviar? – ela riu e eu dei um tapa em seu ombro.
2
- De forma alguma. – falei, respirando fundo.
1
- Tá mais pra pessoa que fica insistentemente na minha cabeça desde que eu me aproximei.

Ouvimos diversos gritos e então os fogos explodiram pelo céu. Eu olhei para cima rapidamente e então abaixei meu olhar, encontrando com o de que me encarava. Juntei minhas mãos as dela e então juntos encaramos o início daquela queima de fogos, uma das mais bonitas ao redor do mundo. Diversos casais apaixonados em nossa volta se beijavam, crianças pulavam em volta dos pais e observavam atentamente o céu, admirados com a beleza daquela ocasião.
Tentei manter meus olhos no espetáculo, tentei manter minha cabeça no novo ano e em silêncio fazer promessas em relação a ele, mas naquele primeiro minuto do ano, junto a mulher em minha frente, eu não tinha olhos para mais nada. sorria para o céu, mas desviava os olhos envergonhados para mim a cada segundo, tornando o trabalho de admirá-la cada vez melhor.
- . - chamei-a e seus olhos focaram-se nos meus.
- Oi.
Em um ímpeto curvei meu corpo, coloquei minhas mãos em seu rosto gelado e aproximei meu rosto do seu, parando a centímetros antes de deixar com que nossos lábios se encontrassem. Ela tinha uma expressão suave, e um sorriso parecia querer se desenrolar, então quando notei que ela não repreendia minha ação, toquei suavemente sua boca com a minha em um selinho demorado. As mãos de foram para minha cintura em um abraço, e eu podia sentir seu corpo relaxado com nossa proximidade.
Era possível ouvir ao longe o som de gritaria das pessoas e os estouros que os fogos faziam ao chegar ao céu, mas eu não os via, e também não. Estávamos cercados apenas por nossas vontades e sentimentos bagunçados. Eu estava cercado por seus braços, e nada poderia ser mais quente naquela noite fria.

*Zona 02 = modo como é dividida Londres. As zonas 01 e 02 são as principais, onde ficam por exemplo, a London Eye e os principais pontos turísticos em torno dela e o Stamford Bridge, estádio do Chelsea.





Continua...



Nota da autora:

Essa é a Lola. Ela realmente existe e ver ela me deu toda a ideia hahahahah é uma fofura!
Se alguém está aqui e não está no meu grupo, entre, por favor, vou adorar! Sempre vou avisar qualquer coisinha lá <3



Outras Fanfics:

Two Worlds Collide (Em Andamento/Harry Potter e Percy Jackson)

Shorts

04. She Will Be Loved
14. Maneira Errada (continuação de She Will Be Loved)
I Do (continuação de She Will Be Loved e Maneira Errada)
Mixtape: Uma Criança Com Seu Olhar
01. Dancing Queen
07. Fall
07. You're My Favorite Song
08. Two Worlds Collide
09. Baby


Nota da beta: “Eu só realmente gosto muito de você, gosto da sua companhia, do seu jeito. Você me faz muito bem. E porque você, eu não sei. Me apeguei de uma forma engraçada, né?” AAAAAAWWWNN que amoor, meu Deus! Eu tô shipando loucamente, alguém me segura, por favor? Feliz Natal <3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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