Finalizada em: 13/04/2020

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Capítulo 26 – Do you remember

...How we felt, cause I do.
(Ruin – Shawn Mendes)

2 anos depois...

null estava ansiosa enquanto esperava no portão de desembarque. Não via null há meses e estava ansiosa para finalmente tê-la de volta à Alemanha. Quando avistou uma pessoa atrapalhada arrastando as malas, null riu e correu até a amiga.
- null null, você é a pior madrinha possível! – null falou, atraindo a atenção da morena.
- null! – null largou as malas ali mesmo e se atirou contra a amiga, tendo cuidado com a barriga estufada da loira. – Sim, eu sou uma madrinha imprestável que praticamente te colocou no filme Magic Mike na sua despedida de solteira.
- Assim compensou algumas faltas – riu, soltando-se da amiga.
- E como está o meu afilhado? – perguntou, colocando as mãos na barriga de oito meses de null e se abaixando para dar um beijo.
- Ele está ótimo. Com a agitação do casamento nesse final de semana, ele também tem estado meio agitado – falou, alisando a barriga.
null sorriu.
Há sete meses, null havia descoberto que estava grávida e como null não era um cara de gestos pequenos, havia a pedido em casamento um segundo depois do anúncio da gravidez. Como os pais dela eram rígidos em relação a filhos antes do casamento, eles fizeram o máximo para apressar a união matrimonial, mas como null também não recusaria um casamento com tudo que tinha direito, eles só estavam casando agora, no final de dezembro.
- Então, tudo certo para o casamento? – null inquiriu, arrastando as malas enquanto saíam do aeroporto.
- Sim – confirmou. – Estamos indo para o hotel fazenda agora mesmo. O helicóptero está nos esperando.
- Helicóptero? – null arregalou os olhos.
- São quase quatro horas de carro! Não temos esse tempo. O casamento é amanhã e ainda temos que provar seu vestido e fazer os ajustes.
- O null vai levar a Charlotte? – um sorriso arteiro se formou nos lábios de null.
- Ai, ele tá tão apaixonado! – null riu, empolgada. – Com certeza vão juntos.
- E eu pensando que teria um acompanhante – fez uma falsa cara de decepção.
- O null vai sozinho – falou casualmente, caminhando até o carro.
null sentiu o coração acelerar um pouco com a menção a ele. Havia tentando passar o voo inteiro sem pensar nele, mas a agitação que sentiu tinha nome, sobrenome e olhos azuis que ainda mexiam com ela.
- O null me odeia, null.
- Ele te odiou por quase um ano, mas não é o caso agora – null ressaltou. – Ele só tá com saudade.
- Eu vi que ele estava saindo com uma modelo – comentou, entrando no carro assim que null destravou.
- Ah, não é nada demais. Só sexo – fez pouco caso.
- De qualquer forma... – deu de ombros.
- Nem que eu tenha que trancar vocês dois em um quarto, vocês não vão andar pelo altar brigados – alertou. – Então trata de ir lá e falar: null, amor da vida, me perdoe por não ter mencionado que o tempo que eu ia passar fora seria dois anos. Eu ainda te amo, apesar de negar.
null revirou os olhos.
- Não vou falar isso.
- Não importa o que você falar, contanto que vocês não estejam de cara feia na hora do casamento. Vai tentar?
- Vou fazer meu melhor, null.

null estava correndo há quase duas horas. Seus pulmões estavam pegando fogo, assim como suas pernas, mas, pelo menos isso o ocupava. Iria vê-la depois de mais de dois anos e apesar da raiva ter passado, ainda não tinha a perdoado por simplesmente abandonar tudo.
- Tá treinando para que maratona, null?
Ao ouvir a voz de null, null diminuiu o ritmo e correu até onde ele estava.
- Correr nunca é demais – retrucou, sem fôlego.
- Elas chegaram.
null tentou se manter inexpressível, mesmo que seu estômago tivesse gelado com essa notícia.
- null quer que vocês se reconciliem – null continuou.
- A null quer muitas coisas – murmurou.
- null, você sabe que a null precisava daquilo.
- E eu precisava dela! – rosnou, desviando o olhar. – Me chame de egoísta, mas eu precisava dela e ela simplesmente foi embora.
- Você tem que ser tão cabeça dura? – null praticamente gritou.
- Você não passou pelo que eu passei, não tem direito de me julgar, null – dando as costas para o amigo, null começou a voltar para a casa, que apesar de ser enorme, agora parecia pequena demais com null lá.
- null, desculpa – null correu até ele. – Eu sei o que aconteceu. Eu estava lá quando você desmoronou todas as vezes. Só... A null estava sofrendo. Você mais do que ninguém sabe que o que a dor leva alguém a fazer. Só pensa nisso antes de condená-la por ter ido embora. Você a amava.
Amava, null pensou, talvez não fosse a conjugação certa.
- A gente se vê no jantar, null.
- Você pode passar na adega antes do jantar? Tem uns vinhos que o pai da null quer usar hoje à noite. São os primeiros da prateleira de cima.
- Tá.

null estava rodando pelo quarto com um vestido rosa pêssego com saia de chiffon que se mexia com qualquer movimento. Havia adorado o vestido que null escolheu, por isso não queria nem o tirar.
- Você vai precisar tirá-lo, null – null riu sentada na cama, enquanto comia bombons.
- É lindo! – null respondeu em um tom manhoso.
- Eu sei, eu que escolhi.
- Convencida – riu.
- Ouvi dizer que uma certa jornalista voltou – null colocou a cabeça para dentro do quarto, sorrindo para a velha amiga.
- null! – segurando a saia do vestido, null correu até o amigo e se jogou em cima dele. – Que saudade.
- É bom te ver – a segurou com força, dando um beijo em seu rosto.
- Você só foi me visitar duas vezes! – bateu no braço dele. – Imprestável.
- E quantas vezes você veio? – arqueou as sobrancelhas.
- No natal do ano passado, mas é sua obrigação ir me visitar – null replicou.
- Não me diga? – riu.
- null, tira esse vestido ou vai rasgar! – null gritou.
- Ai, que chata – bufou, piscando para null. – Cadê sua namorada?
- Ela não é minha namorada – null fez cara feia.
- É quase. Cadê ela? – voltou a perguntar.
- Está com a mãe da null lá embaixo – respondeu, indo deitar com null.
- null, você pode ir na adega pegar uns vinhos antes do jantar? Ia mandar o null, mas precisamos arrumar o terno dele.
- Precisamos? – null estranhou, mas ao receber uma cotovelada de null, afirmou com um aceno de cabeça. – Precisamos.
- Tá – null estranhou, mas não disse nada.
O celular de null apitou e nessa hora ela pulou da cama.
- Vai agora, null! – ordenou.
- Quando eu tirar o vestido – null falou, ainda lutando com os botões de pérolas nas costas.
- Não, vai assim mesmo. É rapidinho – correu até a morena e começou a empurrá-la para fora do quarto. – Só cuidado para não sujar a barra.
- Eu vou tirar, é rápido. O jantar é só em uma hora – insistiu.
- Não, você vai agora – arrastou null até a porta. – Suba até o terceiro andar, última porta do corredor. Precisamos botar para gelar!
Dito isso, null bateu a porta na cara de null. Ela só podia ter enlouquecido, foi a conclusão de null. Sem pressa, subiu os lances de escada até o andar indicado e seguiu até a última porta do corredor. Ao entrar na adega, viu que a luz já estava acesa e que uma pessoa já estava vasculhando a prateleira.
- Oi, te mandaram aqui para procurar o vi... – null começou, mas se interrompeu assim que viu quem estava ali.
null.
Ele parecia tão surpreso e despreparado quanto ela. Todos os momentos que haviam imaginado para o reencontro, não havia os preparado para o acontecimento em si. Estavam cara a cara agora e nenhum dos dois parecia saber o que falar e muito menos o que sentir.
Se encararam em um silêncio absoluto por alguns segundos, atônitos demais para se quer se mexer. O cabelo dela estava mais curto agora, um pouco abaixo dos ombros. Ele parecia igual a última vez que se viram, embora estivesse deixando uma barba crescer, pelo visto.
- null – ele sussurrou.
- null – ela respirou fundo.
- É... Bom te ver – clareou a garganta.
- Faz um tempo – sorriu timidamente. – Como você está?
- Ótimo – sorriu de volta. – E você?
- Muito bem, obrigada.
Um silêncio desconfortável se instalou entre eles.
- Bom, eu vou indo – null disse, erguendo as garrafas de vinho. – Já peguei o que precisava.
- Ah, claro – null deu espaço para ele sair.
null passou de cabeça baixa, evitando olhar para ela. Parecia que a mágoa que sentiu durante os últimos dois anos simplesmente dissipou quando a vontade de puxar null para seus braços falou mais alto, mas ele não podia abraçá-la e muito menos ignorar o que sentiu.
null sentia quase o mesmo. Seu coração estava apertado com a angústia depois de tanto tempo sem vê-lo. Queria falar inúmeras coisas, mas nenhuma parecia certa para ser dita ali na adega quando nenhum dos dois estava pronto para uma conversa dessas. Mesmo assim, no impulso, ela deu o primeiro passo.
- Será que nós podemos conversar? – null sussurrou, mas foi tarde demais.
null já tinha saído.

O jantar foi servido às oito e estava tão cheio que null e null nem se quer trocaram olhares. A jornalista foi requisitada por várias pessoas da família de null que estavam ansiosas para revê-la depois de tanto tempo. Foi um alívio para os dois, que se permitiram relaxar um pouco depois do encontro constrangedor na adega.
- Você ficou muito quieta – Charlotte falou.
null olhou para a não-namorada do seu melhor amigo e sorriu. Os olhos azuis da garota eram tão acolhedores que mesmo sem conhecê-la direito, era impossível não falar a verdade para ela.
- Foi um dia longo – respondeu. – Estava só pensando.
- Mas não longo o suficiente para ter um minutinho de conversa com... – ela apontou para o outro lado do salão, onde null sabia que null estava.
Balançou a cabeça em negação, soltando um suspiro cansado e evitando deixar o olhar seguir a direção que Charlotte indicou.
- Não sei se eu estou pronta para essa conversa – inconscientemente, começou a brincar com a taça de vinho vazia. – Me assusta o que eu ainda sinto por ele. Sabe o que é irônico?
- O quê?
- Que eu não o suportava – soltou uma risada amarga. – Eu não conseguia nem ouvir o nome dele sem querer revirar os olhos. Agora, eu não consigo ouvir também, mas por um motivo totalmente oposto. Meu coração que revira no peito, me lembrando como eu ainda não consegui deixar para trás mesmo depois de dois anos.
Charlotte pegou a mão dela, dando um aperto solidário.
- Sempre me falaram que amor e ódio vivem em uma linha tênue – murmurou, sorrindo calmamente. – É difícil passar pelo que vocês viveram e depois esperar que tudo volte ao normal, null. Vocês tiveram um filho, se apaixonaram no caminho e depois... Bom, todo o resto aconteceu. Mas vocês não tiveram um final, talvez seja isso que está atormentando vocês dois.
O olhar da jornalista ergueu e mesmo sem querer, ela olhou para null enquanto as palavras de Charlotte se encaixavam na sua mente. Fazia todo sentido, é claro. Ficara remoendo durante esse tempo todo o que ela poderia ter dito para ele, mas que nunca teve coragem suficiente. Ainda não tinha.
Parecendo sentir o olhar dela em si, null virou para trás, se dispersando da conversa que estava tendo com os colegas de time e seu olhar encontrou o dela de imediato. O momento foi rápido, mas pareceu durar o suficiente para null decidir uma coisa.
Eles precisavam falar sobre tudo que não tiveram coragem até agora.
Era hora do ponto final.

O jantar havia acabado há mais de uma hora e todos os convidados se recolheram para descansar para o casamento do dia seguinte. null tentou deitar, mas estava com a cabeça cheia demais e começando a se sentir inquieto, o que o fez levantar para dar uma volta e tentar espairecer para tentar dormir.
Tentou ir chamar null para conversar no mínimo mil vezes durante a tarde e o jantar, mas ela passou o tempo todo correndo de pessoa para pessoa, todos animados por vê-la. Ele queria ter sido uma dessas pessoas. Queria ter dado o abraço que seu corpo ansiava, falado tudo que desejava falar. No fim, não fez nada. Era um tanto frustrante toda a situação.
- Também não conseguiu dormir?
Ele ficou surpreso ao ouvir a voz atrás de si, mas quando virou, sabia que encontraria null. Ela ainda estava usando o vestido preto do jantar, que havia caído perfeitamente nela. Seus olhos pareciam cansados.
- Muita coisa na cabeça – respondeu, cruzando os braços. – E você?
- Também – arriscou um meio sorriso. – Acho que metade das coisas na minha cabeça são as que eu quero falar para você.
Os ombros dele enrijeceram quase que imediatamente.
- As minhas também – null cruzou os braços. – Tentei falar antes, mas você estava bem ocupada.
- Ah, sim – null coçou a bochecha, se sentindo na necessidade de mexer em algo. – Todo mundo ficou bem surpreso em me ver. Não entendi tanto espanto, afinal, null é minha melhor amiga, é claro que eu viria.
- Pelo que todos sabem, você não vem aqui há um tempão – ele deu de ombros. – Acho que até eu fiquei surpreso mesmo sabendo que você vinha.
- Quando cheguei no aeroporto, confesso que quis voltar correndo para Londres – voltou a encará-lo. – Não estava pronta.
- Para estar de volta?
- Para te ver.
null deu alguns passos hesitantes para quebrar a grande distância entre eles. null apenas a encarou, esperando pelo que viria em seguida.
- Porque eu sei que inúmeras verdades não foram ditas – o lábio dela tremeu. – E eu ainda não sei por onde eu deveria começar a falar.
- Por que não tenta achar um ponto de partida? – sugeriu.
Era visível a inquietação dela. null percebeu que ela continuava com as mesmas manias de mexer no cabelo quando estava nervosa ou de mover os pés diversas vezes quando deveria ficar quieta. Ele também notou que lembrava de todos os detalhes que havia aprendido sobre ela nos cinco meses que moraram juntos.
- Eu acho que eu devia começar pedindo desculpa por ter simplesmente decidido que eu não podia te ter na minha vida.
A dor nas palavras dela fez o peito de null latejar com a lembrança dos meses que seguiram a partida de null. As ligações rejeitadas. As mensagens ignoradas. O silêncio com o qual aprendeu a lidar com o tempo. Isso o machucou mais do que o fato de ela ter decidido ir embora.
- Por quê? – questionou, ignorando as desculpas.
Ela piscou, confusa.
- Por que você teve que me tirar de vez da sua vida? – null continuou. – Por que você resolveu que isso seria uma boa ideia quando nós dois precisávamos um do outro.
- Eu não sei – seu olhar estava tão perdido que null se perdeu junto. – Eu só... Não sabia o que fazer. Acho que depois do que aconteceu, eu me perdi. Achei que ficar longe de você ajudaria a me encontrar.
Ele assentiu lentamente.
- E ajudou? – ergueu o queixo. – Você se encontrou?
Foi a vez dela de assentir.
- Sim – sussurrou. – É uma pena que para me encontrar novamente, eu tenha te perdido.
Os olhos de null nublaram com um tormento que null só lembrava de ter visto no fatídico dia quando ele a consolou no hospital após a notícia do bebê. Foi um olhar suficiente para lhe roubar o ar.
- O pior... – ele olhou para o céu aberto, soltando um riso sem a mínima graça. – É que nem isso te fez me perder, null.
Os lábios de null se entreabriram em pura surpresa, seu coração acelerou de tal forma que poderia haver uma corrida de fórmula 1 acontecendo dentro de si.
- Eu percebi agora o quão idiota eu sou – prosseguiu, encarando os olhos castanhos que fitavam os seus. – Pelo tanto que eu senti sua falta.
- Eu também senti! – null elevou o tom de voz mais do que pretendia. – Eu senti muito a sua falta.
- Nós dois perdemos o Elliot aquele dia – o lábio de null tremeu. – E eu não estava pronto para perder você também... Mas, null, você não me perdeu. Não sei se o que eu precisava era de um ponto final definitivo na nossa história, mas eu não consegui te deixar. E, nossa, eu tentei. Eu bebi e saí com mais mulheres nesses últimos anos do que na minha vida inteira, apenas tentando buscar uma saída para o que eu sinto por você.
Ele carregava tanta intensidade que seus olhos brilharam quando a luz bateu, refletindo as lágrimas presas nas íris claras. null respirou fundo, lutando contra a vontade de chorar.
- Por que você acha que eu estava tão assustada em voltar aqui? – piscou para afastar as lágrimas. – Porque eu não queria descobrir que tudo que eu achei que superei, ainda está aqui dentro de mim.
null segurou a mão dele, fazendo um calor familiar se espalhar por ambos. Se aproximando ainda mais, ela apertou seus dedos contra os dele.
- E eu sinto, null. Eu sinto muito – fechou os olhos com força. – Eu ainda sinto tudo.
Sem pensar duas vezes, null a puxou para seus braços. Seus braços arrodearam a cintura de null com tanta força que ela perdeu o ar pelos primeiros segundos. null afundou o rosto na curva do pescoço dele, se perdendo no cheiro inebriante do perfume que atormentou seus sonhos durante os últimos anos. As mãos dela se agarraram no suéter macio que ele estava usando.
Agora não importava o quanto ambos se magoaram antes e nem que ela voltaria para a Inglaterra em breve.
Nessa noite, ela estava ali nos braços dele novamente e isso era tudo que importava.

O casamento foi lindo. O pôr do sol fez com que null parecesse um anjo enquanto caminhava até null no altar. null e null entraram de braços dados com uma facilidade incrível depois da noite que tiveram. Após as emoções acalmarem, sentaram para conversar sobre tudo que aconteceu na vida dos dois nos anos que passaram e ao amanhecer, quando cada um foi para seu quarto, havia uma sensação de familiaridade e conforto que os permitiu aproveitar tudo.
A própria null se surpreendeu na hora das fotos com a leveza que o ex-casal estava levando tudo, mas ficou extremamente feliz quando null revelou que haviam conversado e esclarecido tudo.
Agora, com a festa se encaminhando para o final, estava na hora do discurso dos padrinhos e null seria a primeira. Ela estava se sentindo tão nervosa que precisou de mais taças de champanhe do que o normal.
- Chegou sua hora, querida – a cerimonial chegou perto de null.
- Claro – assentiu.
- Senhoras e senhores, é a hora do brinde – a cerimonial anunciou, recebendo aplausos empolgados. – null null, a palavra é sua.
null sorriu e pegou o microfone, ficando em pé.
- Eu conheço a null desde quando me entendo por gente. Nossa amizade jaz a mais de vinte anos, então acho que posso dizer com propriedade o quanto o null trouxe para ela – null começou, olhando para a melhor amiga. – Eles são aquela definição de opostos que se atraem. null é sempre louca, superinquieta, enquanto o null é calmo e sereno. Acho que eles se balanceiam quando estão juntos.
null sorriu afetuosa para a amiga.
- Escolher alguém para amar é uma tarefa complicada e às vezes nós amamos a pessoa mais improvável – nessa hora, foi inevitável não cruzar os olhares com os de null, que também a encarava. – Ou a que esteve sempre ali. Às vezes fazemos besteira e nos afastamos. Às vezes o destino faz isso por si só... Mas acredito que se duas pessoas foram feitas para ficarem juntas, elas vão encontrar o caminho de volta uma para outra – os olhares entre ela e null se cruzaram novamente. – null e null são prova disso. Quantas vezes eu não a ouvi dizer que tinham acabado e agora era definitivo? Mas uma hora depois eles já estavam no maior amor de novo?
O casal riu.
- É em nome do amor que as pessoas fazem coisas loucas e gestos imensos. – null continuou, voltando a olhar para o casal. – Erros são perdoados, o passado é esquecido, recomeços travados. É em nome do amor que estamos aqui, compartilhando isso com null, null e o meu afilhado que chegará em breve. Então, um brinde a eles.
null estava segurando as lágrimas enquanto aplaudia. Apesar de saber que o discurso era sobre ela e null, também sabia que a amiga havia escrito pensando no goleiro que discursaria logo após ela. Quando os aplausos cessaram, a cerimonial anunciou que agora seria o discurso do padrinho. Assim que null sentou, null levantou e pegou o microfone.
- Aviso com antecedência que não sou tão bom com as palavras, mas fiz o meu melhor – ele fez graça, virando para a mesa do casal. – Como a null prontamente apontou, escolher alguém para amar não é fácil. Se a escolha for errada, sua vida inteira toma um rumo completamente errado também. Para null e null, esse não é o caso. Lembro de quando o null a viu pela primeira vez e me disse: Cara, eu vou amar essa garota. Dito e feito, alguns meses depois ele falou que a profecia havia se concretizado – nessa hora todos riram. – Amar alguém é assustador. A pessoa se torna sua fraqueza, mas, ao mesmo tempo, ela é o que te faz mais forte.
Os olhares de null e null voltaram a se encontrar.
- Eu senti isso na pele alguns anos atrás e foi a melhor coisa do mundo, então fico feliz por saber que meu amigo tem ao seu lado a mulher que o faz perder o chão. Fico muito feliz em saber que meu melhor amigo vai ter alguém como a null com ele. Por isso, acho que posso afirmar com toda certeza do mundo que null e null nunca serão menos que perfeitos um para o outro.
Quando finalizou, os aplausos irromperam por todo salão, assim como no discurso de null. Porém, ele só estava interessado em uma pessoa. Quando encontrou o olhar dela, seu peito apertou.
Eu senti isso na pele alguns anos atrás, a frase ecoou na sua mente.
E continuava sentindo agora, se fosse ser sincero consigo mesmo.
Após o discurso, a valsa foi anunciada e todos se reuniram ao redor dos noivos para prestigiar a cena. Beauty and the beast da Celine Dion começou a tocar quando null e null chegaram no meio do salão. Observar a cena fez null sorrir. No entanto, no meio da música, null parou de súbito, parecendo alarmada. null teve a mesma reação quando olhou para o chão. Todos ao redor, curiosos, procuraram o que estava errado.
- A bolsa estourou – null anunciou.



Capítulo 27 – We’re just two ghosts

...Standing in the place of you and me trying to remember how it feels to have a heartbeat

(Two ghosts – Harry Styles)

null entrou correndo no hospital sendo seguida por null, null e Charlotte. Os quatro entraram no carro assim que null e null entraram no helicóptero que os levou de volta para Munique. null constantemente ligava para saber notícias da melhor amiga. O grupo acabou chegando na metade do tempo que levariam normalmente, com null dirigindo a 180 por hora.
- null null! – null olhou em desespero para a recepcionista do hospital. – Precisamos chegar até ela.
A recepcionista se assustou com o olhar da jornalista, mas foi checar imediatamente.
- A Sra. null deu entrada há duas horas na maternidade, quarto 409 – explicou na maior calma. – Preciso da identidade para liberar o acesso.
null agradeceu mentalmente que Charlotte tivesse lembrado do detalhe dos documentos quando estavam prestes a sair. Prontamente entregaram as identidades para a recepcionista e um por um, ela entregou um crachá de identificação. Assim que pegou o seu, null disparou pelo corredor onde a placa indicava “maternidade” e apertou furiosamente no botão para chamar o elevador.
- Você sabe que fazer isso não vai fazer o elevador descer mais rápido – null cruzou os braços atrás das costas.
Ela apenas o ignorou.
- Mas ajuda a aliviar a tensão – Charlotte a apoiou. – Eu faço o mesmo quando estou atrasada.
- Obrigada, Charlotte – null sorriu.
- Pronto! – null anunciou, apontando para o elevador quando mostrou o número 0. – Chegou.
null, que estava estranhamente calado, entrou primeiro e null foi logo atrás. Na pressa, null acabou pisando na saia do vestido de madrinha que null ainda usava, o que a fez desequilibrar e tropeçar de frente para o ex. Ela prendeu a respiração por um momento quando a mão de null segurou sua cintura e ele sentiu a boca ficar seca com o calor que a proximidade dos dois exalou. null murmurou um pedido de desculpas, mas eles não ouviram.
- Tudo bem? – null perguntou.
Ela assentiu, apoiando as mãos nos ombros largos do goleiro para poder se recompor e lentamente se afastou, se sentindo uma adolescente pelo local que formigava onde null a segurou.
- ‘Tô bem – murmurou, evitando o olhar.
Era estranho ainda. Mesmo depois da conversa esclarecedora que tiveram na noite anterior, null ainda sentia que algo estava errado entre os dois, mas não conseguia dizer o que era. Eles haviam conversado tão abertamente sobre tudo que aconteceu durante o tempo separados e apesar da pontada de ciúmes, ela não podia culpá-lo por ter seguido em frente, pois fez o mesmo.
Ou tentou.
Achava que tinha seguido em frente, mas sempre que estava perto de null e seus olhares se encontravam, parecia que seus sentimentos eram os mesmos de dois anos atrás quando se descobriu apaixonada pela pessoa que pensou que odiaria para sempre.
- Finalmente! – Charlotte suspirou, saindo apressada do elevador.
null sorriu afetuosamente, entrelaçando os dedos nos da namorada. null sorriu para eles, lembrando da história que null contou de como se conheceram ao ficarem presos no elevador da empresa quando Charlotte foi fazer entrevista para a vaga de redatora.
- Qual o quarto mesmo? – null perguntou, olhando diretamente para null.
- 409 – null respondeu, apontando para a placa que indicava a direção dos quartos.
null novamente tomou as rédeas. Segurando a barra do vestido, praticamente correu pelo corredor chamando atenção pelo barulho dos saltos no porcelanato do piso. Ao chegar no quarto, abriu a porta com alarde e correu até a cama onde null estava.
- null! – a loira gritou, suspirando aliviada. – Finalmente.
- Como você tá? – correu até a cama, empurrando null para poder abraçar a amiga.
- Ei! – ele reclamou, contrariado.
- Agora não, null – null reclamou, focando em null. – E então? Dilatação?
- Ainda em 6 centímetros – lamentou, agarrando a barriga. – E as contrações são terríveis.
- Como vai o despejo do null Junior? – null perguntou, abrindo um sorriso enorme.
null revirou os olhos.
- null, eu avisei que só chamaria meu filho assim se eu marcasse o gol que você previu contra o Leipzig – null brincou. – Você sonhou errado.
- Vocês estavam apostando com o nome do meu filho? – null os encarou com indignação. – Eu pensei que era só o null delirando com essa ideia absurda.
- Você também apostou comigo, null – null lembrou. – Se fosse menina, você colocaria aquele nome que eu sugeri.
- Eu falei porque sabia que ia ser menino – ela resmungou, recebendo olhares divertidos.
- E ainda bem que sim! Kristoff é bem melhor que Josephine – Charlotte fez uma careta.
- É o nome da minha avó! – null fez uma careta. – Era uma homenagem.
- Por isso que eu sugeri esse, cara – null apertou o ombro do melhor amigo em apoio.
- Obrigado, cara – bateu de leve nas costas do goleiro em agradecimento. – A próxima vai ser uma menina, tenho certeza.
Nessa hora null teve outra contração e agarrou a mão de null com tanta força que a jornalista teve que se morder para não gemer junto com ela. Os outros no quarto prenderam a respiração e encararam com pavor a expressão de dor no rosto das duas melhores amigas. Em poucos segundos null se acalmou e caiu de volta contra os travesseiros, finalmente soltando a mão de null.
- Não vai ter próxima – null ofegou. – Kristoff vai ser filho único.
- A gente não precisa tomar essa decisão agora – null sorriu, beijando a testa da esposa.
- Eu acho que preciso de um raio-X para me certificar que você não quebrou minha mão, null – null choramingou, abraçando a mão contra o peito.
- Sinto muito se eu estou lhe machucando por precisar de apoio ao empurrar uma melancia pela vagina! – grunhiu, olhando feio para null.
- O que significa essa festa aqui?
Os seis olharam para a porta onde a médica se encontrava aparentando não estar muito feliz com o tumulto no quarto.
- A grávida tem direito a um acompanhante, não a quatro – ela acrescentou, entrando no quarto. – Vocês podem esperar na sala de estar.
- Mas ela é a extensão do meu corpo – null olhou em desespero para a médica, puxando null para perto. – Eu preciso dela e do null.
- Sinto muito, mas apenas um acompanhante – a médica explicou. – Você pode escolher sua amiga ou seu marido.
- Eu vou estar na sala de espera, null – null tranquilizou a amiga. – O null vai cuidar direitinho de você, amor. Esse momento é de vocês e vai ficar tudo bem, daqui a pouco o Kristoff vai estar nos seus braços e a dor e o desespero vão passar.
null pareceu relutante, mas finalmente soltou null. Depois de despedidas rápidas, tapinhas no ombro e desejos de boa sorte, os outros foram para a sala de espera. Não havia muito o que fazer, mas null estava inquieto. Ele mal parou sentado e depois das duas primeiras horas isso começou a dar nos nervos de null.
- null, vamos comigo comprar um café – null pediu, não esperando para ouvir a resposta e já o levando consigo pela mão.
Ele não reclamou e a seguiu em silêncio até a cafeteria do hospital. Por ser tarde – quase uma da manhã – o local estava praticamente vazio, exceto por alguns enfermeiros e duas mulheres que estavam comendo em mesas no fundo. null pediu um expresso e quando null disse que não queria nada para beber, ela pediu um chá gelado para ele mesmo assim.
- Você estava me dando nos nervos, precisa de um chá – a morena explicou.
- Então foi por isso que você me arrastou? – arqueou uma sobrancelha.
- Foi – admitiu, abrindo um sorrisinho. – Mas você não me impediu.
- Não impedi – passou a mão pela nuca, se sentindo cansado depois de toda a agitação do dia. – Não ‘tô conseguindo ficar parado, foi mal.
- Eu não pensei que você tava nervoso assim para ver seu afilhado – null pegou o chá gelado e entregou para null, depois pegou a xícara fumegante que a balconista a entregou. – Obrigada.
- Obrigado – null agradeceu a balconista, voltando sua atenção para null depois. – E não estou. Se eu for ser sincero, é um sentimento bem pior que nervosismo.
- Quer conversar sobre isso? – franziu a testa.
Os dois foram em direção a uma mesa próxima a janela e bem longe das mesas ocupadas. null sentou de um lado, null ocupou a cadeira em frente a dele, cruzando as pernas e ajustando o vestido longo que ainda usava. Infelizmente haviam deixado as malas no hotel e os pais de null iriam trazer quando fossem embora no dia seguinte.
- É só... – o goleiro desviou o olhar para a janela, perdido demais para começar. – Eu estou sim ansioso porque o null e a null vão ter um bebê, estou muito feliz por eles.
- Mas... – null apoiou o cotovelo na mesa, fitando o perfil do seu ex.
- Mas eu também estou com inveja porque eles estão tendo o que nós não tivemos.
A confissão fez o coração de null apertar da forma dolorosa que sempre acontecia quando o assunto era esse. E, é claro, ela o entendia perfeitamente e sentia exatamente o mesmo. Parecia egoísta e horrível demais admitir que sentia uma pontada de inveja da melhor amiga.
- Eu sei – murmurou, baixando o olhar para o café. – Eu sinto o mesmo.
null a encarou com compreensão e levou o copo aos lábios para umedecer os lábios levemente secos e para se manter ocupado por um segundo antes de responder.
- Às vezes eu acabo pensando em como teria sido – falou, chamando a atenção de null novamente. – Com o Elliot.
- Eu também – deslizou o dedo pela borda da xícara. – Eu sonhei com isso quando estava no hospital.
- Com o Elliot?
Ela assentiu.
- Com nós três sendo uma família – explicou, sorrindo levemente ao lembrar do sonho. – Estávamos em um parque brincando. Ele estava pulando nas poças de lama e você o incentivava.
null soltou um riso anasalado. Apesar da risada, sentiu um gosto amargo por saber que isso nunca passaria de um sonho. Ele mesmo já havia sonhado com o garoto inúmeras vezes. Imaginava se teria seus olhos ou os de null, se teria puxado ao seu gênio ou o da mãe.
- Parece com algo que eu faria – ele sorriu nada culpado.
- Eu sei – ela revirou os olhos, sorrindo também. – Mas eu o faria torcer pelo Borussia só para me vingar.
- Você ainda tá nessa, null? – gemeu, cobrindo o rosto com a mão.
- É óbvio que eu estou – piscou para ele. – Eu posso ter me apaixonado por você, mas só parte do meu bom senso foi comprometida.
E então null riu da forma verdadeira e gostosa que não fazia há anos. null sentiu o estômago agitar com aquela sensação calorosa que também não sentia há anos.
- Como é? Eu aceito xingamentos dirigidos a mim, mas não ao meu time – alertou, apontando um dedo ameaçador para ela.
- Ah, por favor – ela o encarou com desdém. – Não estou desmerecendo o null, é um time muito bom e forte. Fez uma campanha incrível em outras temporadas, mas nessa tá fraca demais, você tem que admitir. Vocês estão na quarta posição, o Borussia tá na segunda, mas é questão de tempo. Eu estou confiante.
- Não vou negar que estamos tendo um momento difícil com a saída do Jupp, mas a diferença não é assim tão grande da primeira posição, tá? E do Borussia é só quatro pontos, então não comemora ainda, princesa.
- Você quer apostar, null? Porque eu estou muito confiante no meu time – desafiou, arqueando uma sobrancelha com a arrogância que apenas ela conseguia ter.
- Eu adoraria – se inclinou sobre a mesa, erguendo o canto da boca em um sorriso igual arrogante. – Eu sou sempre muito confiante no meu time.
Ali, na cafeteria do hospital, null e null foram novamente a versão deles mesmos que não acharam que podiam voltar a ser um dia.

- Você foi a primeira pessoa a conseguir me tirar de perto do meu afilhado, Elsa, então espero que seja coisa quente.
null entrou no escritório da diretora de imprensa do null, que já a esperava sentada em uma cadeira confortável atrás de uma mesa de vidro. Elsa riu com o comentário e levantou prontamente para cumprimentar a velha conhecida.
- Eu soube que a null teve o bebê, fiquei muito feliz! null deve estar babando, né? – a mulher atravessou a mesa para abraçar a recém-chegada. – É um prazer revê-la, null.
- Sim! Todos nós estamos babando, mas null e eu em tempo integral – brincou, dando um beijo no rosto da mais velha. – É muito bom te ver também, Elsa. Fiquei bem surpresa quando recebi sua ligação.
- Eu soube que você estava na cidade e não pude deixar a oportunidade passar – explicou, dando um passo para trás. – Sente, por favor.
Intrigada, null ocupou uma das confortáveis cadeiras acolchoadas que ficavam do outro lado da mesa. Elsa também retomou o seu lugar de antes, parecendo muito confortável. Ela parecia mais velha do que quando null a viu pela última vez, o que era extremamente compreensível já que dois anos se passaram e a própria null já estava surtando com as rugas que apenas ela via depois de ter chegado aos vinte e oito anos.
- Tá, eu estou bem curiosa – null falou. – Eu não cubro mais esportes, Elsa.
- Ah, eu sei – ela fez um gesto de descaso com a mão. – Eu não vim para te dar nenhum furo. Vim te falar sobre coisa mais interessante.
- Que é...? – perguntou. Não aguentava o suspense que vinha lhe atormentando desde a ligação na tarde de ontem.
- Eu estou me aposentando, querida – informou calmamente. – Não tenho mais a disposição e o ânimo para cuidar de tudo isso.
- Como é? – o choque tomou conta de seu rosto. – Você é a última pessoa que eu iria cogitar se aposentar por livre e espontânea vontade, Elsa!
- Trabalho na área há mais de 35 anos, null – disse. – Amo o meu trabalho, mas estou pronta para me dedicar a outra coisa que amo igualmente, talvez até mais.
null piscou, ainda extremamente surpresa. Elsa havia sido um dos seus primeiros contatos quando foi a uma visita técnica no jornal onde Elsa era âncora, mas nunca imaginou que a veria se aposentar. Era nítida o quanto amava o que fazia, especialmente quando mudou para a área de assessoria.
- Eu nem sei o que dizer... – se inclinou mais para frente. – Bom, parabéns pela decisão! Você foi uma tremenda inspiração para mim, com certeza para muitas outras pessoas também.
- Obrigada, null – sorriu agradecida. – Mas eu não te chamei para falar sobre isso.
- Imaginei que não – deu de ombros. – Então vai tirar minha curiosidade?
- Vou sim, meu bem – com um brilho esperto no olhar, Elsa apoiou casualmente os braços na mesa. – Em uma conversa há não tanto tempo assim, você me disse que tinha interesse em tentar a área de assessoria algum dia, estou certa?
null apenas assentiu, lembrando vagamente dessa conversa.
- Bom... Existe alguma chance desse dia já ter chegado? Pois com a vaga livre de diretora do setor de imprensa, seu nome foi um dos citados na reunião que eu tive.
Se estava chocada antes, agora estava mil vezes mais. null arregalou os olhos, completamente estarrecida com a proposta. Amava trabalhar na redação, mas tinha se apaixonado pela assessoria de imprensa no decorrer dos anos. Mal conseguia acreditar naquilo.
- Isso é... Uau! – balançou a cabeça, atordoada. – Eu não faço ideia do que dizer, Elsa. Essa não estava em nenhuma das coisas que eu pensei que essa reunião fosse tratar.
A mais velha riu.
- Notei o seu olhar surpreso – voltou a se encostar nas costas da cadeira. – Eu sei que você tem um emprego estável e bastante desejado em Londres, mas espero que pense nisso, null. Podemos discutir os detalhes se você precisar de mais incentivos. Temos outras opções igualmente boas, mas pedi para me deixarem tentar com você antes.
- Eu acho que não faz mal ouvir os detalhes – sorriu.
Depois de uma conversa longa com Elsa, null se sentiu extremamente perdida em relação ao seu futuro. A proposta era tentadora demais. Cobiçava um emprego na assessoria há muito tempo e aquele em específico tinha todas as vantagens que poderia querer, além do bônus de ser perto de casa. Adorava Londres, amava o seu emprego e os amigos que havia feito lá, mas sua vida estava de cabeça para baixo quando se mudou.
Como sempre fazia quando precisava de conselhos, null correu para a casa da melhor amiga. Ela nem ousava tocar a campainha então entrou lá como um furacão e saiu gritando por null no meio da sala.
- Não grita! O Kristoff acabou de dormir – null entrou desesperada na sala. – Meu bonequinho tem sono sensível.
- null, ele dorme feito uma pedra – revirou os olhos. – Assim como você. Estou aqui há três dias e ele mal ficou acordado durante esse tempo.
- Não quero arriscar – retrucou, botando as mãos na cintura. – Mas qual é o incêndio?
- Me ofereceram o cargo de gerente de assessoria de imprensa no null.
A reação de null foi semelhante a dela e a loira agarrou seu braço, arrastando-a até o sofá.
- Meu Deus, isso é incrível! – null abriu um sorriso de orelha a orelha. – O que você disse?
- Eu pedi um dia para pensar – admitiu, encolhendo as pernas no sofá.
- Como é? – ficou indignada. – O que você ainda tem que pensar?
- null, minha vida tava um caos quando eu fui para Londres, mas eu acabei me apaixonando por lá – explicou com calma. – Mas aqui tem toda minha vida. Você, o Kristoff, o null...
- O null – acrescentou como quem não quer nada.
- Tem o meu passado também – preferiu ignorar a parte sobre null.
- Meu amor, seu passado vai te acompanhar em todo lugar. Aqui, Londres, China, Brasil... É parte sua, te fez quem você é hoje. Eu sei que dói e eu nem imagino o quanto, especialmente agora que eu tenho o meu. Mas, null, o que vocês tiveram foi incrível e lindo. Olha só isso! Você ainda o ama e ele também. Apesar de toda a dor que vocês passaram, depois dos anos separados e todas as pessoas que entraram na vida de vocês. Eu sei que é mais fácil ignorar tudo e voltar para sua nova vida em Londres, mas você tá perdendo todos nós – null envolveu os braços ao redor de null, a puxando para um abraço. – Eu adoraria te falar pra escolher aqui porque eu te amo e sinto muito a sua falta, mas não posso. Se você precisa estar longe para estar bem, então vai.
null retribuiu o abraço com força, se segurando na melhor amiga enquanto sua mente bagunçada tentava lhe dar a resposta sobre como prosseguir. Sempre foi lógica, sempre teve a resposta para tudo, mas essa não era uma questão apenas do emprego dos sonhos, mas toda a carga emocional que vinha junto. Respirando fundo, se separou de null.
- Eu preciso sair.
Sem esperar por resposta, null levantou e saiu correndo tão rápido quanto entrou. Não sabia para onde estava indo, mas precisava sair, respirar e pensar. Talvez beber fosse uma ótima ideia também. Entrou no carro emprestado de null e estava prestes a ligar o motor quando seu celular começou a tocar. Não conhecia o número na tela, mas atendeu mesmo assim.
- Alô? – falou.
- null?
E simples assim, seu coração acelerou ao reconhecer a voz de null.
- Oi! Onde conseguiu meu número?
- Com o null – respondeu. – Preciso que você me encontre agora.
null fez uma careta.
- Para quê?
- Só vem, por favor. Sem perguntas.
- E onde eu te encontro?
- Na minha casa.



Capítulo 28 – Not really sure how to fell about it

... Something in the way you move, makes me feel like I can’t live without you
It takes me all the way
I want you to stay
(Stay – Rihanna)

null abriu um sorriso involuntário ao voltar para a varanda da piscina e ver Zagueiro confortavelmente deitado no lugar que ele estava sentado minutos atrás. A cabeça do cachorro estava apoiada no colo de null, que o acariciava sem receio algum, fazendo-o abanar o rabo alegremente. O homem quase riu ao lembrar do primeiro encontro entre os dois que tinha sido muito diferente do de hoje.
- Eu não posso sair por cinco minutos que perco o meu lugar e a minha convidada – resmungou, dando um olhar reprovador para o cachorro.
- Ah, ele só estava com saudade – null sorriu, erguendo os olhos para null. – Aproveitou a deixa como o garoto esperto que ele é.
- Ele não é o único com saudade – o comentário saiu antes que ele mesmo conseguisse filtrar.
No entanto, o clima não ficou pesado. null sorriu, mordendo o canto da boca para tentar esconder, o que não funcionou muito e só atraiu o olhar do goleiro para a região.
- Eu também – admitiu, alisando distraidamente a cabeça do cachorro. – Senti falta dos dois.
null olhou feio para Zagueiro antes de sentar na cadeira oposta ao pequeno sofá onde null estava. Pegando as taças vazias, null encheu cada taça com o novo vinho que havia ido pegar depois de acabarem o primeiro.
- Eu fiquei surpresa quando você me convidou – null comentou, pegando sua própria taça. – E fiquei mais surpresa ainda pelo motivo.
O olhar dos dois viajou até as portas francesas da cozinha onde a labrador do vizinho de Theo estava com os sete filhotinhos aninhados em uma almofada. Kassie e Zagueiro haviam se tornado papais de lindos filhotinhos brancos como a mãe, mas a maioria tinha os olhos azuis de Zagueiro e um até tinha heterocromia com um olho azul e outro castanho. É óbvio que null se apaixonou por esse.
- Eu achei que seria bom você conhecê-los – deu de ombros, bebendo um gole do vinho. – Já que eu comentei sobre eles.
- Ah, eu adorei! – seus olhos brilhavam quando voltou a encará-lo. – Eu perdi o medo de cachorros graças ao Zagueiro.
- E a mim – lembrou.
- E a você – revirou os olhos. – Mas ele fez a maior parte do trabalho em me desafiar a gostar dele.
- Ele teve seu mérito – concordou. – Então, quando você volta para Londres?
- Eu tenho um voo marcado para quinta à tarde – bebericou o vinho, mantendo a taça nos lábios. – Ainda tenho uns dias para matar a saudade de algumas pessoas.
- Já foi ver seus pais? – perguntou, apoiando o cotovelo no braço da cadeira.
- Fui ontem – abriu um sorriso enorme. – Minha mãe falou que vocês mantêm contato! Como assim?
- Eu pedi a receita daquela torta de maçã dela uma vez – explicou, rindo com a lembrança. – E ela insistiu que só porque você e eu terminamos, eu não precisava terminar com ela também.
null explodiu em risos e balançou a cabeça, incrédula. Isso era tão típico da sua mãe que ela não ficou nem surpresa. Enquanto seu pai e seus irmãos eram pouco receptivos com seus namorados, sua mãe os adotava como se fossem filhos. Menos os que ela não gostava.
- Então agora vocês são melhores amigos? – arqueou uma sobrancelha. – Cuidado, hein? Meu pai é bem ciumento. Se ele souber que ela anda trocando receitas com você, talvez ele venha te fazer uma visita para te intimidar.
- Ah, não se preocupa – sorriu com a malícia que sempre foi seu ponto forte. – A gente é bom em esconder o relacionamento.
- Isso soou tão sujo – gemeu, cobrindo os olhos com uma mão. – Não quero imaginar você e minha mãe juntos. É horrível!
- Eu não falei nada sujo, null! – ele riu alto. – Você e sua mente pervertida que imaginaram esse cenário.
- Tá bom, eu não quero que continue na minha cabeça – resmungou, pensando nos filhotinhos de Zagueiro para limpar a mente.
- Além do mais – null relaxou contra a cadeira. – Ela e seu pai sabem que a única mulher daquela família que eu quero, é a que está na minha frente agora.
null afastou o braço da frente dos olhos lentamente, assimilando a confissão que ele tinha acabado de soltar. Não era a primeira vez que ele insinuava. null gostava de flertar com ela e isso tinha acontecido todas as vezes que se viram na última semana na casa de null e null, mas ele nunca tinha sido direto assim. O estômago dela gelou um pouquinho.
- Você tem que parar de dizer essas coisas – murmurou, tomando o resto do vinho em um gole só. – Eu não tenho mais a mesma força que antes para negar até a morte que eu quero o mesmo.
- E por que você devia negar? – ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
- Porque negar é a única coisa que eu sei fazer quando se trata de você – confessou, provocando um sorriso no goleiro.
- Ainda não responde o que eu quero saber – ele retrucou. – Por que você tem a necessidade de negar?
null pendeu a cabeça para trás, encontrando o apoio do sofá e fechou os olhos enquanto pensava em uma resposta para a pergunta. Nem ela mesma sabia a necessidade que seu consciente tinha de negar tudo e qualquer coisa relacionada a null null. Suas defesas se erguiam a todo vapor mesmo que ela não tivesse dado nenhum motivo para isso.
- Porque eu sou uma pessoa lógica – ela começou, respondendo a primeira coisa que apareceu no fundo da sua mente. – Eu gosto de estar no controle, sempre gostei. E eu sou bem orgulhosa, como você testemunhou milhares de vezes. Eu não gosto de estar vulnerável e evito qualquer situação que me faça sentir assim. Mas com você, eu nunca estive no controle de nada.
Reabrindo os olhos, null fitou os olhos azuis de null que estavam intensos em direção a ela.
- A gravidez, eu ter ido morar com você, ter me apaixonado, o acidente... – suspirou, soltando um riso sem graça. – Eu nunca estive no controle de nada disso. E ainda não estou. Eu não consigo controlar nada do que eu sinto por você, null. E isso me deixa louca e com raiva. E com medo. Nossa, eu tenho tanto medo dos meus sentimentos que chega a ser patético.
- Não é patético, null – garantiu, falando num tom de voz tão suave que ele mesmo ficou surpreso. – Não tem nada de errado em ter medo de amar alguém.
- Nós ficamos longe um do outro por anos – continuou, ignorando o comentário de null. – Eu fiquei com várias pessoas nesse meio tempo. Namorei sério por cinco meses até perceber que eu estava enganando ele e a mim mesma. Eu passei dois anos apaixonada por você e ainda estou aqui, sentindo o mesmo que eu senti antes de ir embora. Então sim, eu tenho medo do amor. Porque dois anos depois e eu ainda te amo. Se nem assim eu consegui te superar, o que diabos eu deveria fazer?
Os olhos de null brilharam com a confissão e o coração dele revirou com um sentimento que ele não experimentava desde que null foi embora. Ele nunca achou que fosse capaz de amar alguém assim. Pensou que nunca sentiria isso novamente nem mesmo por ela depois que foi embora. Mas, olhando para ela do outro lado da varanda, vendo a vulnerabilidade no seu olhar, ele sentiu.
- Você deveria ficar comigo – decretou.
Deixando a taça em cima da mesa de centro, null levantou do sofá e foi até null, tirando a taça da mão dela e colocando junto com a outra. Zagueiro se agitou, pulando do sofá e saindo rapidamente como se percebesse que os dois precisavam de um momento. A jornalista aceitou a mão que null estendeu e segurou, levantando para ficar de frente para ele.
- Você devia ficar comigo – repetiu, abaixando o rosto para olhar melhor para null que era alguns centímetros mais baixa.
As palavras dele fizeram null ficar sem palavras, o que era extremamente raro para alguém como ela. Suas mãos tremiam e seu coração estava desembestado no peito. Ela sabia que null provavelmente podia sentir isso, mas não estava conseguindo ligar para nada que não fosse as palavras que continuavam a se repetir em sua cabeça.
- Eu não te pedi para ficar da última vez porque eu não achei que era justo te pedir isso quando você precisava daquele tempo, mas agora eu ‘tô pedindo – erguendo uma mão, null tocou o queixo dela, deixando o polegar deslizar pela bochecha de null. – Eu não posso te deixar fugir novamente quando eu sei que você ainda sente o mesmo.
- Você torna muito difícil o trabalho de pensar racionalmente – respondeu, quase rindo. – Porque quando eu saí da casa da null, eu tinha duas opções igualmente maravilhosas. Continuar onde eu estou em Londres ou voltar e trabalhar na assessoria do null. E agora ficar parece a única opção considerável.
null riu, deslizando a mão para a nuca dela e outra para a cintura, a puxando ainda mais para perto.
- É a única opção que você deveria ter considerado desde o começo – falou baixinho. – Eu sabia da proposta da Elsa.
- É claro que sabia – revirou os olhos, mas não estava brava. – Como eu disse, eu não me deixo levar pelos meus sentimentos. Eu sigo a lógica. Eu penso e pondero. E mesmo que essa seja uma oportunidade maravilhosa, eu amo o meu emprego atual. A proposta me pegou completamente de surpresa e eu não queria ser precipitada em responder.
- Eu sei, eu conheço você o suficiente, null – sorriu, acariciando a nuca dela com a ponta dos dedos. – Mas mesmo te conhecendo o suficiente para saber disso, eu achei que valia a tentativa. Eu não sou o único motivo pelo qual você devia ficar, mas certamente sou um deles. Porque eu sei que eu te amo e eu sei que você me ama e sei que nós dois somos algo para sempre. Como você prontamente apontou, você não me superou e eu não te superei. Eu quero que você fique, null. Quero você aqui, comigo, de onde nunca devia ter ido embora.
null balançou a cabeça, atordoada demais para respondê-lo. Sabia que não dava para dar a resposta que ele queria, pelo menos não agora quando sua mente estava inundada pela emoção. Não que achasse que ainda tinha muito o que decidir, mas ela precisava da sensação de controle de estar tomando uma decisão racional e agora não era o momento para isso.
- Eu não posso escolher isso agora, null – admitiu, encostando a testa na dele. – Mas sim, eu amo você e, sim, tenho vários motivos para ficar e com certeza isso vai influenciar muito na minha decisão quando eu tomar uma. Só que agora, a única decisão que eu vou tomar é essa.
null o beijou, jogando os braços ao redor dele, matando a vontade que estava guardando a tempo demais. null praticamente grunhiu, envolvendo o braço com mais força ao redor dela e a puxando o mais perto que seus corpos permitiam. Ela aproveitou o momento, ditando o ritmo lento do beijo, sentindo o quanto estava com saudade de beijá-lo. Para ele, parecia surreal que o beijo não tivesse mudado em nada durante o tempo longe.
Os lábios se moldavam perfeitamente, as mãos sabiam exatamente onde tocar. O gosto do vinho seco acabou deixando os dois inebriados. O que começou lento e calmo, evoluiu para uma urgência que provocou uma onda de desejo nos dois. As unhas de null rasparam a pele nua do pescoço de null, enquanto as mãos dele retorceram o vestido dela entre os dedos com a força do seu aperto.
- Eu quero você – ela murmurou, ofegante contra os lábios dele.
null não precisou falar duas vezes. Descendo as mãos para a parte inferior das coxas dela, null a ergueu no colo, fazendo-a enrolar as pernas ao redor de sua cintura. O beijo foi interrompido para que null não fizesse os dois caírem no caminho até o andar de cima, mas null o distraiu com beijos e chupões pelo pescoço esguio durante o caminho até o quarto principal.
Chegando ao quarto, null fechou a porta com o pé para impedir que algum dos cachorros entrasse no cômodo e cambaleou com null até a cama, sentando-a na ponta do colchão. Os olhos castanhos dela escureceram de desejo acompanhando enquanto null parou na frente dela para tirar os sapatos e a camisa. Puxando-o pelos passadores da calça, null sorriu, olhando diretamente nos olhos dele antes de beijar o peito duro do goleiro.
null prendeu a respiração quando a língua dela deslizou pelos gominhos do seu abdômen e as mãos deslizaram por suas costas nuas. O toque dela ainda estava gelado por conta da temperatura lá fora. Ela continuou descendo pelo V do quadril que se perdia tentadoramente no cós do jeans. Erguendo o olhar novamente para ele, null ficou satisfeita ao encontrar os olhos azuis intensos fixados em cada movimento que ela fazia. Soltando o botão e descendo o zíper da calça, ela mordeu o lábio ao ver o volume contra a boxer escura.
null não estava se sentindo muito paciente para jogos por mais que quisesse prolongar o momento. Ela abaixou a calça dele junto com a cueca até os tornozelos e null deu um passo para trás, se livrando das peças. Os lábios de null estavam entreabertos, ainda vermelhos pelo beijo enquanto ela olhava para a ereção de null quando ele deu um passo para frente. Ele estremeceu em antecipação.
Sem delongas, null espalmou as mãos nas nádegas dele, o puxando para muito mais perto. Os lábios dela envolveram suavemente o pênis de null e os olhos dele quase fecharam com isso, mas ele manteve os olhos abertos, olhando diretamente para os de null que não se desviavam por nenhum momento enquanto o chupava. Ela sentia a calcinha úmida, a buceta já latejando só de olhar para a expressão torturada de null. Ele passou a língua pelo lábio inferior e null não deixou de imaginar ele fazendo o mesmo movimento no pontinho dolorido entre as pernas dela.
null colocou uma mão na nuca de null, entrelaçando os dedos na cabeleira escura, puxando levemente enquanto ela continuava deslizando a boca pelo pau dele, apertando os lábios e aumentando o ritmo. Levando a mão até a base do pênis dele, null girou a língua na ponta, usando a mão em sincronia com a boca quando começou a ir mais rápido. Os dedos de null apertaram no cabelo dela, sua respiração mais falha a cada movimento da boca quente ao redor do seu comprimento.
- Eu vou gozar – avisou em um murmuro.
Segundos depois, null o sentiu gozar em sua boca e lambeu toda a extensão enquanto null gemia, aproveitando a sensação do próprio orgasmo. Quando seu batimento voltou ao normal e a nuvem de prazer se dissipou o suficiente, null abaixou, ainda segurando a nuca dela.
- Eu acho que você ainda tá muito vestida, null.
Um arrepio correu pela espinha com seu sobrenome saindo tão rouco pelos lábios dele, mas quando null abaixou na frente dela, seu corpo inteiro arqueou com o toque leve em suas coxas. As mãos dele subiram lentamente, arrastando o vestido para cima enquanto acariciavam a pele quente de null. Os lábios dela se entreabriram quando ele subiu para o quadril, erguendo-a da cama apenas o suficiente para conseguir terminar de tirar o vestido.
A peça se juntou ao resto das roupas no chão do quarto e null apreciou a visão dos seios nus da mulher na sua frente. null só estava usando uma calcinha fina e nada mais. Empurrando-a de costas na cama, null subiu em cima, se apoiando nos cotovelos e baixou seu rosto para beijá-la. null arfou contra os lábios dele quando as mãos de null começaram a descer e subir pela lateral do seu corpo até que ele apertou um dos seios, roçando o polegar no mamilo eriçado.
O toque rendeu um gemido baixo que se transformou em um longo e alto quando null interrompeu o beijo em um movimento brusco e afundou a boca no outro seio dela. As costas de null arquearam quando a língua dele circulou o mamilo e os dentes rasparam na pele sensível quando ele o prendeu entre os lábios. null estava feliz em torturá-la assim e continuou até que null estivesse se remexendo, esfregando as coxas uma na outra.
- Ah, não – ele reclamou, separando as pernas dela com as dele. – Não chegamos aí ainda.
- Então seja rápido – ofegou, mas não estava particularmente apressada para que ele parasse o que estava fazendo nos seus seios.
- Tão mandona – riu, chupando o mamilo dela com mais força.
null respondeu algo nada inteligível, que ele ignorou. Para provocar mais um pouco, null desceu uma mão entre os dois, roçando a ponta dos dedos no estômago dela até o cós da calcinha. Ela tremeu só com o simples toque e quase derreteu quando ele adentrou a renda da última peça entre eles e deslizou os dedos pela extensão úmida da buceta dela.
- Tão molhada – null gemeu, erguendo os olhos para null. – Eu mal posso esperar para me enterrar em você, null.
Mas antes que ela respondesse, null tirou os dedos e abaixou até o quadril dela. Ele foi rápido em tirar a calcinha de null e os olhos dela brilharam em expectativa quando null plantou um beijo no interior da coxa, bem perto de onde ela o queria realmente. E então a boca dele foi exatamente onde a pressão estava insuportável e null gemeu alto, fechando os olhos com força quando null lambeu o clitóris inchado que clamava por atenção há tempo demais.
null segurou com força as nádegas dela, fazendo-a ficar quieta ao mesmo tempo que o ângulo o permitiu aproveitar ainda mais o gosto de null. As unhas dela fincaram no edredom da cama enquanto null continuava a mover a língua numa lentidão torturante pelo clitóris dela, alternando entre chupar e lamber.
- Puta que pariu – null arfou, agarrando o cabelo dele. – Mais.
Os lábios dele envolveram a buceta dela com mais ferocidade e rapidez, fazendo null se contorcer e choramingar, apertando os próprios seios em busca de alívio. Liberando o quadril dela, null levou dois dedos até ela e empurrou os dois na buceta úmida, provocando uma série de tremores que fizeram null se apoiar nos cotovelos.
null sentia que estava prestes a explodir com a rigidez da nova ereção que cutucava a perna de null enquanto seus dedos se movimentavam dentro dela e sua língua continuava a provocar o clitóris. A visão de null ofegante, nua e totalmente dele era de tirar o fôlego. Então, quando ela gozou, seu rosto se contorceu em uma expressão que o fez ficar mais duro ainda. Quando as costas de null tombaram no colchão enquanto se recuperava do orgasmo, null se esticou para alcançar uma camisinha na gaveta da cômoda.
Os olhos de null queimavam de desejo quando null voltou a ajoelhar entre as pernas dela. A respiração ofegante dos dois preencheu o quarto quando os olhares se encontraram e em um consenso silencioso, null deslizou para dentro dela. Os dois gemeram audivelmente e ele abaixou contra ela, tomando seus lábios em um beijo quando começou a se mover.
O beijo estava desengonçado e ofegante, sendo interrompido de momento em momento por gemidos a cada estocada forte. As mãos de null passeavam livres pelas costas musculosas de null, tensas pelo esforço. A cada nova vibração, as unhas dela se fincavam na pele dele, mas null não dava a mínima indicação de dor no olhar fixo no de null.
Em algum momento, necessitada por mais, null começou a erguer o quadril quando null afundava mais uma vez nela, fazendo os gemidos intensificarem em ambos os lados. As costas dela arquearam quando null acelerou as estocadas e foi puxada por null até que ela estivesse montada no quadril dele. As mãos dele apertaram a bunda dela quando null afundou mais uma vez, ajudando-a nos movimentos.
- Você é tão malditamente perfeita – ele murmurou, plantando um beijo no ombro nu dela. – E eu senti tanta falta de você assim.
- Eu senti sua falta também – ela respondeu, mordendo a própria boca. – Da sua boca, do seu corpo contra o meu. Por Deus, eu senti falta de tudo.
null chocou novamente sua boca contra de null em um beijo necessitado quando as centelhas de um orgasmo começaram a se formar. null aumentou o ritmo, erguendo o quadril contra ela, fazendo a bunda de null bater ruidosamente contra as coxas dele a cada movimento. E quando o orgasmo finalmente chegou, null jogou a cabeça para trás gemendo o nome dele enquanto as mãos de null a mantinham firme. Ele também não demorou e com mais algumas estocadas, gozou, afundando o rosto no pescoço suado de null.
Depois que as respirações se acalmaram e null saiu de dentro dela para jogar a camisinha usada, null se aninhou contra o peito dele quando null voltou para a cama. A mão dele começou a traçar círculos nas costelas nuas dela, enquanto null lutava para não fechar os olhos.
- Eu sou tão seu que eu sei que eu estou fodido por qualquer decisão que você tomar, null – null sussurrou. – Porque se você não ficar, eu vou ser obrigado a ir junto.
Os olhos dela arregalaram em surpresa, pois nem em mil anos imaginou que null se quer cogitaria deixar o null e muito menos por ela. Ele amava o time, ela não tinha dúvidas. Se inclinando, null deu um beijo leve no queixo dele.
- E eu sou tão sua que eu estou completamente fodida, ponto.
Quando ele sorriu e a beijou novamente, null fez sua escolha.

- Cadê você? O seu voo sai em duas horas, null! – null gritou ao telefone, inconformada. – Eu tentei falar com você o dia todo.
O dia tinha sido extremamente corrido para null, então ela sabia que sua melhor amiga estaria surtada quando finalmente retornou à ligação. Tinha tanta coisa para resolver nos últimos dias dela em Munique que foi quase impossível guardar segredo de todo mundo.
- Eu sei, null! Eu pedi para o meu pai passar aí e pegar minhas coisas, eu vou direto para o aeroporto – avisou, correndo para atravessar a rua enquanto o sinal estava fechado.
- Como é? – null gritou. – Você não vai se despedir de mim?
- Amiga, eu vou te ligar daqui a pouco, ok? Eu vou explicar tudinho, prometo. Só liguei para avisar que meu pai vai buscar as coisas. Beijos, eu também te amo.
E desligou antes que null começasse a gritar. null olhou para o Säbener Strasse onde null havia informado que eles iam ter treino essa tarde e correu para dentro, encontrando Elsa a sua espera para liberar a entrada para a área de treinamento.
- Muito obrigada por isso, Elsa! – sorriu agradecida, a cumprimentando com um abraço. – Vou ser rápida, juro.
- Você chegou na hora da pausa, tem dez minutos – Elsa informou. – Vamos.
null correu atrás dela em direção ao campo de treinamento. Começou a ver os pontinhos vermelhos antes mesmo de chegarem ao gramado, mas seus olhos estavam atentos procurando uma pessoa em específico. Não foi difícil de encontrá-lo, pois ainda estava próximo ao gol com mais um dos goleiros reserva. Ela foi direto para lá, tentando passar despercebida pelos outros jogadores, o que conseguiu já que eles estavam entretidos com outra coisa.
Seu coração estava acelerado a cada passo que dava em direção a null e quando ele finalmente a viu, seus olhos azuis se acenderam com uma luz que provocou as infamas borboletas no estômago dela. Deixando a garrafa de água com o colega, null foi de encontro a null, parando na frente dela e em uma parte do gramado que estava especialmente vazia.
- Ei, não sabia que você vinha aqui – ele comentou, visivelmente surpreso.
- É, eu precisava me despedir – null mordeu o canto da boca, lutando com um sorriso. – Meu voo para Londres sai em duas horas.
O sorriso de null falhou com a notícia e ele piscou, parecendo atordoado e sem muito o que dizer. null queria rir, mas se ocupou em beijá-lo. Os olhos dele se arregalaram em surpresa antes que seu corpo relaxasse e ele a puxasse contra si, aproveitando os lábios doces de null. A boca dela estava com gosto de café, enquanto a dele estava com gosto de suor, o que fez ela o empurrar cedo demais.
- Eu volto em algumas semanas porque tenho algumas coisas para resolver lá – null explicou casualmente. – Elsa me liberou para começar no começo do mês para que eu possa ter tempo de me organizar.
- Você vai ficar? – a ficha caiu, fazendo um sorriso incrédulo aparecer em seus lábios.
- A escolha não foi tão difícil de fazer, eu só estava com medo – deu de ombros. – Agora não estou mais com medo. Eu vou ficar.
Sem se importar, null segurou sua nuca e trouxe para perto pra mais um beijo. null riu, o empurrando para trás.
- Sem beijos até você tomar um banho, por favor – fez uma careta de brava. – Eu vou chegar fedida no aeroporto.
- Eu não vou me desculpar por te beijar, linda – umedeceu os lábios, sorrindo. – Por que você não me disse antes?
- Honestamente? – franziu os lábios. – Acabei esquecendo desse pequeno enorme detalhe. Eu estava tentando ver apartamentos, falar com o jornal, com o proprietário do meu apartamento em Londres... Enfim, muita coisa. Nem a null sabe ainda!
- Eu estou feliz que você resolveu ficar – confessou, soltando um suspiro aliviado.
- Eu também – admitiu. – Mas só pra você saber, não significa que estamos juntos.
- Eu nem sonharia em fazer esse tipo de suposição.
- Ótimo – sorriu satisfeita. – Da primeira vez nós pulamos direto para um bebê e morar juntos, então perdemos a parte divertida da coisa.
- Que é...? – arqueou uma sobrancelha.
- Encontros, a tortura em nos fazer esperar por sexo, umas mãos bobas nos encontros e as sessões de beijos que levam a frustração no fim da noite quando eu não dormir com você de primeira – a expressão maliciosa no rosto dela fez null desatar a rir.
- Oh, null – se inclinou para frente. – Você acha mesmo que resiste a mim em um encontro? Nós nunca tivemos um, então você não faz ideia do que te espera. Dois podem jogar seu jogo.
- Ah, eu estou ansiosa para te ver tentar – seu olhar brilhou em expectativa. – É bom se programar para esse encontro enquanto eu estiver fora. Vou esperar pelos updates.
- Pode deixar, assim que você voltar, eu te mostro como é um encontro de verdade – cruzou os braços na frente do peito. – Vai fazer parecer que seus outros encontros eram de brincadeira.
- Alguém já disse que você tem um ego enorme demais para o seu próprio bem?
- Uma jornalista pé no saco já mencionou isso, mas não deixo me abalar.
- Pé no saco? Ela me parece bem sensata, na verdade.
- Ela não é.
Estreitando os olhos, null se aproximou de null e deixou os lábios roçarem no ouvido dele quando falou.
- Eu vou te deixar com bolas azuis por três meses só por me chamar de pé no saco, null – murmurou, mordendo de leve o lóbulo. – Escuta o que eu digo.
Ignorando a ameaça, null a puxou pela cintura, colando seus corpos e enfiando uma perna entre as coxas dela, null teve sérias dúvidas sobre realmente conseguir seguir esse plano. Seu corpo traidor respondia ao dele muito bem e quando null roçou a boca na dela, ela quase fechou os olhos.
- Isso é o que nós vamos ver, null.



Epílogo

- null, não deixa o null subir na mesa – null alertou o marido, para ele tirar o cachorro que já estava com as patas na mesa.
- Hoje não, garoto – null riu, tirando o cachorro da mesa.
- Você acha que a null vai me matar? – a jornalista perguntou, virando-se para null.
- Por que mataria? – ele aproximou-se dela, enlaçando sua cintura.
- Por quê? – arqueou as sobrancelhas. – Nós fugimos para casar! Ela vai me matar por não ter feito um casamento apropriado onde ela poderia ser a madrinha e o Kristoff o menino das alianças.
- O Kristoff mal aprendeu a andar. Não acho que ela vai te matar por isso – tentou amenizar a situação, apesar de saber que sim, a loira iria matá-la.
- Você é tão fofo querendo disfarçar que vai ficar viúvo tão cedo – desdenhou, sentando em um dos bancos altos da cozinha.
- Você mostra o bolo – null sorriu, ficando entre as pernas dela. – A null vai adorar o bolo.
- Meu pai vai te matar.
O sorrisinho de null se desmanchou.
- Eu não pensei nisso. Sua família é realmente toda de militares? – comprimiu os lábios, pensando em suas opções.
null assentiu, risonha.
- Meu avô era da Interpol.
- Então é provável que ele me ache em qualquer lugar que eu tentar me esconder, certo?
- Bem provável – ela riu, puxando null para um beijo rápido.
- Nós sempre podemos fazer outro casamento, certo? Um enorme. Com pombas e tudo que ele quiser – null desembestou a falar. – Podemos falar que hoje é apenas festa de noivado.
- Não, não vamos falar isso – null continuou a rir. – Vamos falar que aproveitamos a nossa estadia em Las Vegas para casarmos. Foi um ato tempestuoso e espontâneo de amor.
- E eles vão aceitar? – pareceu incrédulo.
- Não custa nada tentar – deu de ombros.
- Vão nos fazer casar de novo.
- Não, não vão.
Assim que a campainha tocou, os dois se soltaram. À medida que a casa enchia, dúvidas pairavam no ar sobre o motivo de estarem todos ali. Quando todos haviam chegado, o casal se preparou para anunciar.
- Vamos – null puxou null pela mão.
- Eu ainda topo a ideia do noivado – murmurou no ouvido dela.
- Não! – riu, dispensando a ideia.
Ao verem os anfitriões no topo da escada, os convidados se calaram.
- Bom, nós queremos agradecer a presença de vocês aqui hoje – null começou, colocando um braço ao redor da cintura de null.
- Sim, estamos muito felizes em tê-los aqui – null disse, sorrindo para o marido. – Pois queremos aproveitar a oportunidade para anunciar que nós estamos casados!
Tudo virou um silêncio sombrio. O pai e o avô de null se olharam, null pareceu indignada, enquanto as mães do casal em questão também pareceram incrédulas.
- Sem nós? – null foi a primeira a protestar. – Vai casar de novo. Vou ser madrinha sim! E depois de tudo, vocês merecem uma festa enorme.
- Minha filha única se casou sem que eu a levasse até o altar? – Leonard cruzou os braços. – Vocês irão casar novamente.
- O que eu te falei? – null murmurou para null.
Mas a jornalista apenas riu.
- Eles não podem nos obrigar a casar de novo, null – disse confiante.

10 meses depois...

- Eu não acredito que vocês vão me fazer casar de novo – null bufou, levantando da cadeira.
- Ah, você está linda, null – Kristen abraçou a nora pelos ombros. – E vocês foram egoístas em não pensarem em nós para o casamento.
null sorriu. Claro que não queria ter precisado casar de novo, mas havia adorado planejar o casamento. Escolher o vestido foi a melhor parte, sem dúvida. Agora, se vendo no espelho, prestes a caminhar pelo altar da Frauenkirche, null se sentia muito feliz por terem os obrigado a casar novamente.
- E o Kristoff vai levar as alianças com o null! – null comemorou, sorrindo besta para onde o filho estava brincando com um dos filhotes de Zagueiro, que null havia colocado o nome de null, por ter levado a sério uma brincadeira de null. O pequeno estava em um terno de cachorro que levou horas para vestir porque o filhote era agitado demais. Kristoff faria dois anos em quatro meses e apesar de estar mais estável quanto a andar, null era um furacãozinho para ser guiado.
- O null é super hiperativo, vai arrastar o Kristoff – null olhou com receio para o bebê, que tinha pouco mais de um ano.
- Ah, o Kristoff aguenta, né amor? – null pegou o filho no colo.
- Os carros estão aqui – a mãe de null entrou no quarto para avisar.
- Vamos? – Kristen sorriu, estendendo o braço para null se apoiar.
null sorriu e aceitou a ajuda de Kristen, enquanto null e sua mãe ajudavam segurando o véu que null havia escolhido. null foi em um carro com seu pai e as outras mulheres no outro carro.
- Pai? – null chamou a atenção dele.
- Sim, querida.
- Eu sinto que tenho que te dizer uma coisa. Eu queria dizer para você e a mamãe juntos, mas... – null respirou fundo, mas foi interrompida pelo pai antes que terminasse.
- Que você está grávida? – sorriu calmamente. – Eu sei.
- Sabe? – franziu a testa. – Como?
- Querida, você tem passado muito tempo lá em casa. No jantar de noivado não bebeu, está evitando certas comidas, também sei dos enjoos. Sua mãe teve quatro filhos. Você acaba ficando craque no assunto – piscou para ela. – De quanto tempo você está?
- Oito semanas – sorriu, colocando a mão na barriga.
- O null já sabe? – perguntou.
- Ainda não – null disse. – Só quem sabe é você e a null.
- Tenho certeza que o null ficará muito feliz.
- Eu também.
O resto da viagem foi preenchida por um silêncio confortável. A cerimônia não poderia ter sido mais bonita. Thousand years foi a marcha de null até o altar e o olhar de null fez todo o resto valer a pena. Disseram seus votos em apenas três palavras “Nós somos algo”. A maioria dos convidados achou simples e até confuso, mas eles se entendiam.

A festa já estava rolando há algum tempo. null e null haviam feito os discursos, o pai de null também havia falado e o casal havia dançado a valsa. Estavam agora cumprimentando os convidados, mas no intervalo entre um e outro, null resolveu puxar null para o canto.
- Não quer esperar até estarmos em um quarto, Sra. null? Vai ser meio complicado tirar tanto pano – null fez graça, a encostando na parede do corredor vazio.
- Muito engraçadinho, null – ela riu, o dando um beijo rápido. – Não estragaria meu penteado por nada no mundo.
- Assim você me faz querer testar essa afirmação – provocou.
- É sério, não estou aqui para isso – continuou, se desvencilhando dos braços dele antes que realmente caísse na tentação. – Preciso te contar uma coisa.
- O quê?
Olhando-o tão sério, null desatou a rir. null, que agora pensava que ela estava zoando com sua cara, deu as costas para voltar para festa, mas null o puxou de volta.
- É sério, preciso te contar uma coisa – null reafirmou, tentando parar a crise de riso. – Ok, lá vai.
- Estou esperando – null levou aos lábios a taça de champanhe que estava segurando e tomou um gole.
- Eu estou grávida.
- Hein? – engasgou, tendo que colocar a taça no suporte mais próximo.
- São gêmeos – acrescentou, sentindo o sorriso ampliar.
- Gêmeos? – repetiu, ainda sem acreditar. – Gêmeos?!
- Dois humaninhos.
null a abraçou tão forte que seus pés saíram do chão e os dois logo se viram rodopiando a vista dos convidados, que olhavam com um misto de curiosidade e deleite para o óbvio ato de um casal apaixonado.
- Que notícia maravilhosa, null – null finalmente a colocou no chão e beijou sua testa.
- Sim, eu fiquei de morrer assim que descobri. Eu queria te contar assim que descobri, mas resolvi esperar até completar as oito semanas – sorriu, olhando para a felicidade estampada no rosto de null. – Só temos um problema.
- E qual é? – a expressão de null voltou a ficar preocupada.
- Eles vão ter que torcer pelo Borussia.
null caiu na gargalhada, deixando sua cabeça pender para trás de tanto rir.
- Sonha, null – sussurrou no ouvido da esposa.





Continua...



Nota da autora: Então, agora é definitivo! Gente, amei escrever essa história. Quando comecei a escrever, nem pensei em publicar. Seria só uma besteirinha para escrever quando não tivesse nada para fazer, mas então mudei de ideia e cá estamos. Só pra você saberem, eu comecei a escrever em 2016 e terminei em 2016, mas aqui no Fanfic Obsession, acabei demorando beeem mais do que eu esperava pra terminar de postar. Além do mais, mudei os últimos capítulos porque escrevi a primeira versão na pressa e não gostei de como finalizei. Eu só tenho a agradecer pelas leitoras maravilhosas que The German Mistake me trouxe e pelo carinho (e paciência) de todas vocês. Eu amei escrever essa história e me dói pensar que esse é definitivamente o fim.
Quero deixar um agradecimento super especial para a Naty, esse anjo em forma de beta que sempre foi um amor comigo e com a minha história. Não canso de dizer que você é o Flash disfarçado pela rapidez que consegue betar tão rápido! Enfim, você é maravilhosa, obrigada por tudo!
E, eu preciso dar uma palinha do futuro que eu imagino para os PPs e a família que estão prestes a formar! Primeiro, os gêmeos que a PP está esperando é um casal. O PP conseguiu fazer a menina torcer para o Bayern, mas o menino é louco pelo Borussia! A melhor amiga e o amigo do PP acabam tendo outro filhinho (outro menino) que foi concebido no dia do casamento dos PPs. E pra terminar os spoilers: O Kristoff acaba se tornando melhor amigo dos gêmeos e... Ele e a menina acabam namorando!
É isso, coisas lindas! Mais uma vez: Obrigada por chegarem até aqui. Um beijão!





Nota da beta: Ah, meu Deus, eu nem acredito no fim ali em cima, Dany! Eu já te disse eu acompanhava TGM como leitora, e quando a outra beta precisou sair, sem nem pensar duas vezes eu me candidatei a pegar a história. Foi um misto de felicidade porque eu estava unindo o últil ao agradável rs!
Acompanhar a evolução deles como um casal foi tão gratificante, ver toda a gestação e morrer de tristeza quando ela perdeu o bebê, levei mais uma facada no peito quando ela foi embora para Londres hahah! Ver esse final dos dois foi algo lindo e tão a cara deles, casar em Los Angeles uma vez, casar de novo porque a família exigiu hahahh! Não podemos esquecer do filhotinho como o mesmo nome do Manuel hahaha. E esse final com os gêmeos? Ahhh foi tão incrível, Dany.
Parabéns, parabéns por escrever de forma tão fluida e gostosa, você tem um dom, então não pare de escrever! E já sabe, se escrever nem que seja uma linha, exijo betar, hein? Hhahahaha. E eu não posso esquecer: I’am The Flash hahaahah! <3


Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


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