Última atualização: 31/12/2018

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Capítulo 26

(Agora já não tem mais jeito, amo até seus defeitos, não dá pra fugir. Se eu tenho um milhão de motivos pra te conquistar, eu não vou desistir. Você é frio, é calor, é febre de amor, saudade de paixão. Eu sigo sempre rumo ao seu coração. Pra ter o seu amor, eu viajei pelo seu mundo, me vi com seus olhos, descobri quem sou. Pra ter o seu amor, te pedi pra Deus de presente, pra me ver contente, ele te inventou. - Jorge e Mateus, Pra Ter o Seu Amor).

- Eu não acredito que você fez isso! - Ouvi a voz do meu pai em meu ouvido e suspirei, passando a mão no rosto.
- Eu não sabia o que fazer, pai. Eu não queria perdê-la. – Suspirei fundo, limpando as lágrimas que caíam de meus olhos. – Eu não posso perdê-la.
- E o que você acha que acabou de acontecer? – Ele me perguntou e eu fechei os olhos, escondendo o rosto nas mãos. Que decadência, com 45 anos nas costas, levando bronca do meu pai.
O ouvi suspirar e em seguida o assento afundou ao meu lado e seu braço passou pelo meu corpo, me trazendo para perto de si. Encostei minha cabeça em seu pescoço e deixei que as lágrimas caíssem livres de meus olhos, eu estava na merda, havia perdido tudo, tudo por medo.
- E o filho faz o mesmo erro do pai, tudo que eu não queria. – Ergui meu rosto.
- Eu não a traí, pai, e eu quero voltar para minha família. – Suspirei, esfregando meus olhos. – Não é o mesmo erro. - Ele se levantou e olhou para mim, com a testa franzida, a mesma reação em meu rosto estava na dele.
- Então, eu não entendi. – Ele suspirou.
- Eu estou doente, pai. – Falei, olhando para ele.
Meu pai já não estava muito bem, a idade tinha judiado dele, então, ele sentou na poltrona mais próxima e puxou o ar forte, soltando-o levemente diversas vezes.
- O que aconteceu? – Ele perguntou após um tempo.
- Faz seis meses, eu estava mal na rua, notei que meu olho saltou de repente, fui para o hospital e descobri que é uma doença que ataca a glândula de tireoide. – Falei e olhei em seu rosto com outro ponto de interrogação.
- E o que isso faz? – Ele perguntou, com os olhos fixos no meu.
- É uma forma tóxica de hipertireoidismo. Tem alguns termos técnicos, mas isso pode causar hipertrofia da glândula e também aumenta o metabolismo. – Falei olhando para ele.
- E por que é tão difícil falar para ? – Respirei fundo.
- Existem diversos sintomas, um deles é o coração acelerado, e eu já tive uma parada cardíaca.
- Oh, meu filho! – Ele se sentou ao meu lado, segurando minha mão. – E você está escondendo isso há quanto tempo?
- Seis meses. – Falei, suspirando. – Foi por isso que eu descansei um pouco, parei com meus compromissos, para ver como eu reagiria ao tratamento oral.
- E como você foi? – Neguei com a cabeça, soltando o ar fortemente.
- Não foi. – Ele apertou minhas mãos fortemente. – Eu tentei com betabloqueadores, nada, depois com iodo radioativo, também nada, eu vou precisar fazer cirurgia.
- E por que eu sinto que não é algo simples?
- Porque é na garganta e eu tenho que estar sedado. Tirando os outros riscos da cirurgia. – Falei e senti que ele tocou em mim e eu passei a mão em sua cabeça, trazendo-o para perto de mim.
- Você não precisa aguentar esse fardo sozinho. – Ele falou, me apertando contra seu corpo. – Você tem uma família que te ama e te quer bem.
- Eu não quero que eles estejam perto se acontecer algo comigo, eu não aguentaria. – Ele soltou um suspiro e afirmou com a cabeça.
- Nós vamos cuidar disso para você voltar para sua família. – Meu pai falou e eu sorri de lado, não sabendo se eles me receberiam de volta. – A partir de agora, você está de castigo. – Ele falou se levantando e eu revirei os olhos.

- Você precisa saber algumas coisas antes de fazer essa cirurgia, , existem riscos.
- Imaginei. – Falei, olhando para o médico.
- Toda cirurgia tem riscos e a sua é bastante invasiva e ainda tem que ficar um bom tempo de repouso, os pontos demoram a cair, é um pouco chato.
- Se fosse fácil, não seria tão interessante. – Falei e ele riu.
- Na sua cirurgia, como os dois medicamentos que deram para você não funcionaram, isso ajudou com que ele aumentasse a glândula, então o tratamento que ocorre antes da cirurgia que é aumentar a glândula, para facilitar sua retirada, não vai ser necessário, já que a própria tireoide se alimentou dos medicamentos. – Afirmei com a cabeça.
- E o pós-cirúrgico? – Meu pai perguntou ao meu lado.
- Um mês de repouso, você fica internado por uma semana no hospital, pois a alimentação será só por sonda, já que ela fica bem próximo a garganta e pode causar inchaço, uma afetando a outra. Em seguida as alimentações começam a melhorar, sopa, depois coisas mastigáveis, em torno de um mês tudo volta ao normal.
- E com isso retirado, eu não terei mais problema pelo resto da vida? – Perguntei.
- Como no seu caso nós retiraremos a glândula, não terá nenhuma recorrência, mas pedimos para fazer exames de check-up contínuos, por precaução.
- E o que causa isso? – Meu pai perguntou.
- É uma doença autoimune, então os próprios anticorpos do corpo começam a produzir mais hormônio que o normal, algumas causas são fumar, mas ninguém tem um motivo concreto do que é, não é o ar, não é a comida, não são agentes externos, é algo que acontece no corpo. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça.
- É possível que eu tenha outro ataque cardíaco? – Perguntei e ele afirmou com a cabeça.
- Infelizmente sim, se sua pressão subir bastante, pode acontecer.
Passei a mão na testa e suspirei, pensando nas minhas alternativas, que não eram muitas, na verdade. Parecia que tudo estava indo por água abaixo, mas eu já tinha perdido tudo, boa parte pelo meu medo de perder as pessoas que eu amo, que faziam com que elas se afastassem cada vez mais de mim.
- E se eu não fizer a cirurgia? – Perguntei. – O que acontece?
- Todos esses sintomas que você tem como perda de peso, taquicardia, nervosismo, irritabilidade, insônia, o olho saltar, suor excessivo vai continuar se manifestando em seu corpo. E você não tem respondido ao tratamento convencional. – Ele falou e eu suspirei. – Do contrário, o corpo está absorvendo-o para alimentar a doença. – Cocei a testa. - Não parece sério, mas é, . Você teve um ataque cardíaco, tudo por causa de algo pequeno, não é pequeno. – Ergui os olhos para ele. – Eu sou bom, prometo.
- Além disso, algum outro efeito?
- Você terá duas cicatrizes na garganta. Se isso te curar, não vejo como algo ruim. Para um ator até que pode, mas existem maquiagens. – Soltei uma risada fraca.
- Agende, então. – Falei e ele afirmou com a cabeça.

- Eu vou matá-lo! – Ouvi uma voz estridente que eu não ouvia há muito tempo e franzi a testa, ouvi as portas da casa do meu pai baterem uma atrás da outra, ficando cada vez mais alta.
- Calma, vai devagar! – Ouvi outra voz conhecida.
- Não encosta em mim, quem ele tá pensando que é? – Reconheci a voz da minha mãe e arregalei os olhos, ficando em pé de prontidão.
- Lindsay, por favor, vai com calma. – Meu pai falou e a porta do quarto bateu com tudo contra a parede e uma Lindsay raivosa apareceu.
- Quem você pensa que é? – Foi a primeira coisa que ela falou, antes de virar um tapa na minha cara, me fazendo arregalar os olhos e sentir o local arder. – Eu não te ensinei isso, moleque. – Ela gritou.
- Lindsay. – Meu pai a repreendeu.
- Moleque sim, porque um homem não faz isso. – Ela falou, olhando fixamente em meus olhos. – Eu fui de surpresa passar o réveillon com a sua família, fiz um esforço para ir, quando eu chego lá, está a maior cara de enterro, sua esposa há dias sem dormir porque não sabe onde você está ou com quem você está. Seu filho, se ele te pegar, ele te mata, ! De tanta raiva que ele está, e o pior é a Violeta, o que você tem na cabeça? – Ela gritou na minha cara.
- Mãe... – Ela estendeu a mão para cima para que eu ficasse quieto, e eu obedeci, como fazia quando criança.
- E o pior, está aqui em Boston, escondido na casa do seu pai, como se nada tivesse acontecido. – Ela suspirou. – Só me faltava essa, te dar bronca depois de velho. – Ela falou e eu sentei na cama novamente, sentindo as lágrimas caírem dos meus olhos.
- Mãe... – Seth falou.
- É bom que chore pelo menos ele pensa no que fez. – Minha mãe bufou novamente.
- Aconteceu algo, Lindsay. – Meu pai falou e eu suspirei, passando a mão no rosto. – Ele está doente.
- Como assim? – Ela olhava de mim para meu pai, perdida em tudo que estava acontecendo. – O que você não está me contando, filho?
- Chama Doença de Graves, ele não reagiu ao tratamento convencional, já teve um ataque cardíaco, ele vai passar por uma cirurgia em alguns dias. – Soltei um suspiro e ergui o rosto, olhando para minha mãe que parou por um momento, processando a informação diversas vezes.
- É por isso que você estava diferente nesses últimos tempos, é por isso que você foi embora? – Ela perguntou, se sentando ao meu lado.
- Eu não fui embora, eu só preciso ter certeza que eu vou ficar bem antes de voltar. – Falei e ela deu outro tapa em meu braço.'
- Você nunca ouviu falar de “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”? – Ela gritou novamente. - Por acaso o padre se esqueceu de falar isso para vocês?
- Eu não quero machucá-los, mãe. Especialmente a .
- Mas desse jeito você também está magoando-a, ela não tem ideia de onde você está, com quem, fazendo o quê. Você sabe as ideias que se passam na cabeça dela? – Ela falou e eu afirmei com a cabeça.
- Eu juro que eu não a traí, mãe. Machucaria um milhão de vezes mais em mim do que nela. – Falei e ela abriu um sorriso.
- É bom ouvir isso, filho. Mas você precisa voltar.
- Não, agora eu marquei a cirurgia aqui, eu vou ter certeza que vou ficar bem, antes de voltar para eles... Voltar para ela. – Dona Lindsay coçou a testa, não muito contente com o que estava acontecendo. – É melhor que ela pense mil coisas erradas minhas, do que ficar sofrendo por mim, nem era para você saber.
- Me mataria se algo acontecesse contigo, filho, mas eu estou aqui contigo, todo mundo está aqui por você. – Ela falou, fazendo meus olhos embaçarem novamente. – Tudo vai ficar bem.
- Espero que sim. – Falei e ela me abraçou fortemente.
- Agora me conte mais sobre essa doença. – Seth falou, e eu ergui o rosto a tempo de vê-lo enxugar o rosto. - Porque eu realmente não quero perder meu irmão. - Soltei uma risada fraca e o chamei para perto de mim, abraçando-o.

- Quando sua mãe me ligou dizendo que você estava aqui, eu só não te enchi de pancada porque ela me contou o que estava acontecendo. – Melina falou, assim que entrei pelo seu escritório em Boston que eu tanto conhecia. – Você tem alguma ideia de que sua esposa está triste, que ela...
- Melina! – A repreendi. – Eu sei de tudo, por favor, não me faça sentir pior do que eu já estou.
- Não é porque você pode morrer nessa cirurgia que eu vou deixar barato. – Ela respondeu, se levantando. – Minha amiga está com uma dor muito pior do que a sua, e nenhuma cirurgia cura a dela.
- Como ela está? – Perguntei.
- De coração partido, triste, tendo que aguentar o peso de uma família só para ela, tentando impedir que seu filho mais velho te dê uma bela de uma surra e ainda enganar uma menina de nove anos, falando que o papai teve que ir viajar. Olha, a Violeta é pequena, mas quem viaja na madrugada de Natal? – Ouvi a voz de Derek atrás de mim e a cada palavra eu sentia meu coração apertar, aquela foi a pior ideia que eu já tive. – Te fiz se sentir culpado o suficiente?
- Sim, obrigado! – Falei, olhando para ele que deu um sorriso e entrou na sala, fechando a porta.
- Que porra aconteceu, ? – Ele perguntou, falando um pouco mais baixo agora.
- A vida aconteceu, Derek. – Falei e ele suspirou, passando a mão nos cabelos.
- A vida é uma bosta.
- Você não vai dar um belo de um xingo nele, Derek? – Melina perguntou e ele riu fraco.
- Só pelo fato de eu já saber que ele não a traiu, eu não o odeio mais. – Ele respondeu e eu sorri, agradecendo com um aceno da cabeça.
- Só me deixa terminar o que eu planejei. – Falei.
- Você planejou isso?
- Sim! – Respondi.
- Você podia dividir com as pessoas os seus planos, sabia? – Melina gritou para mim.
- Nem sei por que eu tive um plano, quando um descobre, conta para mais três. – Bufei. - Eu fiquei em tratamento nesses últimos meses, aí eu faria a cirurgia e depois voltaria.
- Ah e um dia você estaria o senhor carrancudo e no outro o senhor perfeição novamente? – Ela revirou os olhos. – Aqui que esse plano daria certo. Você é casado com uma jornalista! Ela investiga as coisas. – Melina falou.
- Capaz de essa sala estar toda grampeada, já. – Derek falou assoviando e eu ri fraco.
- Deixe-me resolver isso, ok? Se eu voltar vivo, vocês podem me jogar na fogueira, só me deixem terminar agora que já estou na merda. – Falei.
- Só porque você já está na merda, e porque eu sei que você vai apanhar bastante se voltar agora, além de ainda ter que fazer a cirurgia. – Melina falou. – Faça a cirurgia, se recupere e volte para Los Angeles o mais rápido possível. – Ela rosnou a última parte e eu afirmei com a cabeça.
- Eu hein, você consegue ser pior que minha mãe. – Falei.
- Sério?
- Não, ela me deu um tapa na cara.
- Vai, Lindsay! – Derek falou, comemorando. – Desculpa, ainda sou do time . – Ele deu de ombros, voltando para sua sala.
- Nós vamos te ajudar a corrigir isso, . – Melina falou, colocando a mão em cima da minha. – Só não seja idiota novamente.

- Vai ficar tudo bem, , você não vai sentir nada, você estará totalmente sob meu controle, só se mantenha calmo, vá para um mundo onde você é feliz, relembre os melhores momentos, lembre para quem você está fazendo tudo isso. - O médico falou para mim e eu afirmei a cabeça, segurando a barra da coberta em cima de mim. - Você vai sentir uma picada no braço, vamos entubar você, colocar o batente de pressão no seu braço e te dar um calmante, quando você acordar, tudo estará bem.
- Obrigado! – Falei e ele sorriu.
- Me agradeça depois. – Ele respondeu. – Vamos lá!
Um dos enfermeiros empurrou a maca em direção a sala de cirurgia. Se era para eu pensar no meu lugar feliz, que fosse no colo de quem eu amo. Eu errei, que isso não seja motivo para eu não consertar as coisas, que seja motivo para eu voltar e compensar com três pessoas importantes na minha vida. Que, além disso, eu possa voltar para o pessoal e fazer o que eu tenho sido tão bom nos últimos anos, fazer filmes, atuar em filmes, eu era melhor assim, tudo que eu fazia, era por causa disso, quem eu era, era por , com quem eu havia casado, era tudo por causa da minha carreira, e que eu possa melhorar para continuar fazendo isso.
Passei a mão em meu rosto e respirei fundo, aquele não era o fim, eu não seria estúpido o suficiente em morrer sem antes me desculpar com a mulher que eu amo, eu não podia ser tão covarde em fazer isso.
- Vai ficar tudo bem. – A enfermeira falou para mim e eu afirmei com a cabeça, fechando os olhos novamente.
Fui colocado no meio da sala de cirurgia novamente e as preparações começaram. Senti uma das enfermeiras puxar meu braço e conectar o aparelho de pressão que apertava meu braço a cada cinco minutos e no outro conectou um cateter.
- Conte até 10 ao contrário, por favor. – A enfermeira falou, enquanto injetava algo em meu braço.
- 10, nove, oito... – Comecei a ficar zonzo e puxei a respiração forte, ainda vendo um tubo ser colocado sob minha boca, antes de eu fechar os olhos.
- , ! – Fui chamado e ouvi alguns estalos próximos ao meu ouvido e abri meus olhos novamente, olhando para o médico em minha frente. – Não tente falar, você está entubado ainda. – Engoli com dificuldade, notando que tinha um cano em minha garganta, me ajudando a respirar. – A cirurgia foi ótima, você está na UTI do hospital ainda, está tudo bem, volte a dormir, depois conversamos. – Afirmei com a cabeça e senti meus olhos pesarem novamente e os fechei.

Me olhei no espelho novamente, vendo as duas cicatrizes finas em meu pescoço e respirei fundo, fiz um sinal da cruz sob meu peito, fazendo uma reza silenciosa e soltei a gola da blusa novamente, vendo uma das cicatrizes serem escondidas. Soltei uma risada fraca e neguei com a cabeça, aliviado.
- Senhor ! – Olhei para o doutor e sorri.
- Ei! – Falei e o cumprimentei.
- Como você está? – Ele perguntou. – Fiquei surpreso ao me chamarem aqui.
- Eu vim agradecer. - Falei e ele abriu um sorriso.
- Não precisa! - Ele respondeu e eu ri fraco.
- Eu sei que é complicado um médico pegar um caso de outro, mas você aguentou minhas burradas e escolhas erradas como se estivesse por dentro da situação. – Ele riu, tirando os óculos.
- Todos nós erramos, não é exclusividade de ninguém isso. – Ele falou. – E sim, às vezes dói, mas só podemos nos perdoar e esperar que os outros nos perdoem.
- Eu espero. – Falei e suspirei.
- Conte a verdade, se ela te ama do jeito que você a ama, as coisas podem ser consertadas.
- Espero que ela ainda me ame.
- Ninguém deixa de amar uma pessoa em dois meses, principalmente depois de 10 anos de casamento.
- Eu estou sendo um idiota há um pouco mais que isso. – Falei.
- Não seja mais. - Ele riu fraco. - Bem, sempre somos. - Ri, balançando a cabeça. – Mas pegue o conselho de alguém que está casado quatro vezes mais que você: o amor fala mais alto.
- Eu fiz uma promessa para ela antes do nosso casamento, e eu não tenho cumprindo nos últimos meses. – Entortei a boca.
- Qual promessa? Se me permite perguntar.
- Conserte, não quebra.
- Sim, o mundo precisa um pouco mais disso. – Ele sorriu. – Estou torcendo por você.
- Obrigado, estou precisando.
- E, por favor, não suma. Preciso dos seus exames mensalmente. – Afirmei com a cabeça.
- Vamos ver se tudo vai se ajeitar, aí eu volto. – Ele riu fraco.
- Por favor! – Ele sorriu.

***

Ouvi o despertador tocar e bati a mão nele imediatamente, como se eu tivesse dormido aquela noite e na anterior, ou pelos últimos dois meses, maldito! Olhei para a cama vazia ao meu lado e me levantei da cama, aquela era a pior parte do dia. Fui direto para o banho e deixei com que a água quente caísse sobre meu corpo, não enrolando muito no banho. Olhei meu rosto no espelho e vi grossas marcas pretas embaixo do meu olho e passei uma base no rosto, para tentar esconder aquilo e treinei meu sorriso novamente, conferindo se era o mesmo sorriso falso do dia anterior e dos últimos dias.
Parti para o closet e tentei ignorar o cheiro das roupas do à minha volta e peguei minha calça jeans, uma camiseta e dessa vez um casaco quente para acompanhar, já que estava frio lá fora. Vesti tudo e calcei meu tênis.
- Vamos começar mais um dia, menina! – Falei, acariciando a cabeça de Leslie e saí do quarto, caminhando primeiro para o quarto de Violeta. - Vi, amor, vamos levantar. – Falei entrando em seu quarto e me sentei na beirada da cama, fazendo um carinho em seus cabelos. – Vamos, Violeta. – Falei, sacudindo-a um pouco.
- Tá frio, mãe. – A ouvi reclamar e me levantei novamente, puxando sua coberta.
- Vai, filha, está na hora da escola. – Chamei e ela bufou, se sentando na cama e coçou os olhos. – Agora!
- Tá bom, já acordei. – Ela bocejou e eu acendi a luz do seu quarto, antes de sair do mesmo.
Caminhei a passos firmes até o quarto de Larry e abri a porta do mesmo, dando de cara com a luz apagada ainda e ele sentado na beirada da cama, passando a mão nos cabelos.
- Vamos, Larry, você vai se atrasar. – Falei e ele bocejou.
- Eu tenho mesmo que ir? – Ele me perguntou, encostando a cabeça na cama novamente.
- Você tem prova de química no primeiro tempo, então, tem! – Falei, acendendo a luz do seu quarto também.
- Ah, mãe, não sei como você consegue. – Ele falou, bocejando.
- Só não pensar nisso e a vida continua, eu ainda tenho dois filhos para cuidar, contas para pagar, pessoas para conviver. – Voltei para a porta. – Se você for para diretoria de novo por brigar, eu juro que quebro seu videogame em dois.
- Ah, mãe, menos, se o papai decidiu ser um filho da puta e sair de casa, não sou eu que vou levar xingo.
- Então, aja como se nada aconteceu, pelo menos para sua irmã. – Respondi.
- O que eu fiz? – Ela apareceu, em direção ao banheiro e eu a olhei.
- Quer um pouco de chocolate para o lanche? – Perguntei e ela afirmou com a cabeça, caminhando em direção ao banheiro. – Você também?
- Coloca café na minha térmica, por favor. – Afirmei com a cabeça e segui em direção à cozinha, começando a preparar os lanches e o café da manhã, vendo Larry mal tocar em sua comida também.
Eu estava desmoronando, mas precisava me permanecer forte. Aquilo passaria, eu gostava de me manter um pouco mais otimista do que eu era e fingir que aquilo era verdade. Não havia contado nada para Violeta. Para ela, havia viajado para um novo filme que ele tinha arranjado, acho que seria melhor do que contar que ele havia fugido com outra mulher, eu nunca pensei que ele poderia fazer isso, que idiota, acontecendo bem embaixo dos meus olhos, certeza que ele passava as manhãs fora, pelo menos eu não dependia dele parar viver. Já Larry, bem, se ele encontrar com na rua, é capaz de dar um soco muito bem dado na cara dele, eu só tentava controlar tudo. Mas sozinha, era difícil.
Larguei as crianças na escola e segui para a confeitaria, estava na hora de trabalhar, aquela era a minha melhor distração do dia, Larry havia conseguido um trabalho de meio período em um cinema perto de casa, ele falava que era bom para distrair também, ofereci um estágio na confeitaria, mas depois que um bolo quase explodir em casa por excesso de fermento, achei melhor não, e ele não era um dos melhores em matemática. Cada um no seu canto era melhor. Violeta passava o dia com a babá, que também acreditava na mesma coisa que contamos a Vi, ele estava em uma gravação de um filme novo, pena que esse filme não sairia nunca.

- About Pastries, bom dia! – Atendi ao telefone da confeitaria, com o papel pronto para anotar mais um pedido de casamento, estávamos em fevereiro, poucos meses de maio, o mês dos casamentos, então o telefone não parava de tocar. – Alô? – Perguntei de novo. – Olhei para o telefone novamente e o desliguei. – Acho que foi engano. – Falei, entregando-o para Grace.
- , pode vir nos ajudar, por favor? – Ouvi uma voz vinda da cozinha e afirmei com a cabeça, passando pelo corredor de atendimento, aproveitando para dar uma conferida se todas as mesas estavam servidas e entrei na cozinha, vendo os diversos bolos de chocolate espalhados pelas mesas. – Precisa passar o chocolate branco por cima deles.
- Me dá um saco de chocolate branco, fica com o preto e a gente termina isso rapidinho. – Ela afirmou com a cabeça e saiu correndo em direção as bacias de chocolate derretido e encheu cada um com um tipo de chocolate e me entregou o mesmo. Fiz um pequeno corte na ponta do mesmo e fui de bolo em bolo, fazendo um trançado de chocolate no meio dele, vendo-o cair pelas laterais do bolo, deixando uma decoração simples e caprichada.
Era aquilo que me acalmava, me distraía um pouco, era algo que eu realmente gostava de fazer, então ficar por doze horas na confeitaria, fazia com que eu saísse do mundo, partisse para uma realidade alternativa, onde ninguém poderia me atrapalhar, e eu só fizesse as pessoas sorrirem e era lá que eu queria estar. Mas a realidade me puxava pela perna novamente e me jogava de volta a realidade. Eu estava começando a cogitar comprar outra casa para mim e as crianças, era muita dolorido ficar naquela casa com todas as coisas me lembrando ao , era como se a cada vez que eu pisasse ali eu fosse estapeada diversas vezes.
Após enfeitar os bolos, eu parti para a fritura dos sonhos, eram quase quatro horas e as crianças começariam a chegar em alguns minutos. Era sexta-feira e minha confeitaria havia se tornado um point para os adolescentes vir brincar e rir, quem sabe Larry não apareceria por ali depois do serviço?
Cuidei pessoalmente da preparação dos sonhos, fiz mais massa, enquanto elas cresciam, eu fazia o creme de confeiteiro novinho para encher os sonhos que estavam sendo fritos, aquilo era um processo lento, ele precisava ficar bem frito por fora, sem queimar e ainda ficar cozido por dentro, e como eu estava desatenta, às vezes dava errado.

- Ei, ! – Ergui o corpo, sentindo minhas costas reclamar e minha atendente mais jovem sorriu.
- Oi, Nina. - Falei e ela se aproximou de mim.
- Quer trocar? Você está aqui a tarde toda, creio que suas costas estão doendo já. – Ri fraco e afirmei com a cabeça.
- Pois é, trabalho repetitivo! – Falei e ela sorriu.
- Eu fico de olho no que vai saindo, vai lá para frente, você gosta de ver o pessoal jovem.
- Eu vou. – Falei para ela que riu. – Deixa eu só terminar de confeitar esses cupcakes, que eu já os levo comigo. – Ela afirmou coma cabeça e se colocou em uma das mesas de trás, começando a rechear os croissants salgados, que era bastante pedido agora à tarde.
Olhei a cobertura que estava em minha mão e vi o tom azul na mesma. Suspirei e finalizei de confeitar a última fornada e joguei longe o saco de confeiteiro e peguei a bandeja, desviando dos funcionários que atendiam os jovens que começavam a chegar e olhei para a porta de vidro, vendo que o sol começava a se por. Me abaixei por um minuto e comecei a encher a estufa com os cupcakes que estavam na bandeja em minha mão.
- Não, sem brincadeira, Mary, ele era enorme. – Ouvi Josh falar ao meu lado e gargalhei, não contendo a risada.
- Gente, que papo é esse? – Virei para eles.
- O cara que eu saí ontem, chefinha, ele era enorme. – Ele repetiu.
- Isso eu já entendi. – Falei e movimentei a cabeça de um lado para outro. – E não foi só uma saída, pelo que eu entendi! – Olhei para ele de baixo.
- Ah! – Ele deu de ombros e eu me levantei novamente.
- Coube? – Perguntei e Mary gargalhou ao meu lado.
- Cansei desse papo. – Abri um sorriso e continuei organizando os outros doces, que estavam bagunçados.
- Boa noite, eu gostaria de um cupcake com cobertura azul, por favor. – Ouvi alguém fazendo um pedido.
- Você deu sorte, senhor, eles acabaram de sair. – Ergui o rosto, não esperando pela pessoa que estava em minha frente, me fazendo ficar estática por um tempo, encarando seus olhos azuis.
- E um sonho com creme de confeiteiro, por favor, minha esposa os ama.
Eu desaprendi a respirar, a falar, a me mexer, eu parecia uma estátua ali do lado de dentro. Fechei os olhos por algum momento e puxei a respiração novamente, achei que era melhor falar alguma coisa, já que eu não havia contado nada para os meus funcionários, mas as palavras não saíam da minha boca. Tossi um pouco, abrindo os olhos novamente e lembrei que eu não havia feito nada de errado e decidi entrar na sua brincadeira.
- Claro, senhor, mais alguma coisa? – Falei, pegando um prato e colocando as duas coisas que ele me pediu e esticando o prato por cima do balcão.
- Dois chocolates quentes, por favor. – Ele mexeu na gola do casaco e eu notei duas manchas em seu pescoço e franzi a testa, tentando perguntar pelo olhar o que estava acontecendo, mas ele era tão cafajeste que só ficava sorrindo para mim como se nada tivesse acontecido, mas minhas pernas ainda tremiam.
- Fique à vontade, já levamos para você. – Finalizei e ele afirmou com a cabeça, pegando o prato e indo em direção à mesa que normalmente sentávamos, no canto do salão de trás e suspirei, passando a mão na cabeça. – E eu pensando que seria um dia calmo.
- Nossa, que tensão! Está tudo certo, chefinha? – Ouvi a voz de Josh e virei o corpo na bancada, pegando dois copos de isopor e servindo chocolate quente que já estava ali. – Para, , você está tremendo, eu faço isso. O que aconteceu?
- Bem, vamos só dizer que ele estava sumido desde o Natal e estamos em crise, ou nos separamos, vai saber. – Falei ironicamente, fazendo-o arregalar os olhos e me puxando para o canto contrário de onde estava.
- Como assim? Então, é por isso que você está cheia de olheiras. – Ele falou e eu arregalei os olhos. – Tenta retocar a maquiagem que tudo melhora. – Ele falou e eu suspirei. – Como? O que houve?
- Eu não sei, ele está diferente, aí depois da ceia de natal ele disse que precisava ir, mas queria que eu permitisse que ele voltasse.
- Como assim?
- Eu não sei, eu não estava disposta a fazer perguntas, então estou tão perdida quanto você, mas se ele foi, cansou da vagabunda dele e agora quer voltar, ele que não vai ter.
- Oh, meu Deus, , eu nem suspeitava.
- Era a intenção. Precisamos ser felizes aqui. – Falei e ele afirmou com a cabeça.
- Por quanto tempo você treinou seu sorriso? – Ele falou ironicamente e eu suspirei. – Vai falar com ele, agora! – Ele me empurrou e eu tropecei em meus pés. – Ou eu vou lá botar ordem nisso.
- Entendi, Josh! Calma!

***

Tudo que você precisa são cinco segundos de loucura extrema, e eu acho que esses segundos foram muito mais do que eu havia feito em toda minha vida, chamá-la para sair, pedi-la em casamento, nada disso foi fácil, afinal, naquela época eu sabia o que ela pensava de mim e seus sentimentos por mim, parece que eu voltei para a estaca zero. Um garoto que nunca tinha namorado na vida, pedindo para uma garota ir ao baile de formatura, era louco e torturante, e na maioria das vezes você levava um não.
Olhei para o cupcake em minha frente e a intenção era apelar pelo sentimental dela, porque eu não estava com fome, não conseguiria comer aquilo mesmo, apesar de eu saber que deveria estar uma delícia. A olhei conversar com um dos seus funcionários e quase cair sozinha, sendo puxada por ele.
Ela estava mal, eu podia notar isso, não tinha mais aquele brilho em seu rosto, ela tinha olheiras profundas e eu nunca a vi com aquilo, seu cabelo estava preso com força em um coque, enfiado dentro da touca da confeitaria. Ela movimentou seus lábios diversas vezes enquanto caminhava em minha direção, provavelmente ela contava para se manter calma, ou treinava algumas palavras que deveria dizer, eu tentei no carro, mas não deu muito certo.
Ela parou no cabideiro que eles tinham e tirou o avental, pendurando-o no mesmo, mas manteve a touca em seu cabelo. Ela estralou os dedos enquanto caminhava em minha direção e parecia uma eternidade ou ela realmente estava andando devagar. Ela abriu um sorriso para alguns adolescentes que estavam ali perto, fazendo meu coração bater mais rápido e dessa vez não tinha nada a ver com a doença, era por causa dela mesmo. Eu havia esquecido o que ela causava aquilo em mim.
Ela puxou a cadeira em minha frente e se sentou, colocando as mãos no colo, tentando escondê-las, mas eu sabia que ela estava mexendo-as freneticamente, provavelmente estava suando.
- O que você quer? – Foram as primeiras palavras que ela disse.
- , por favor, não seja...
- Assim? – Ela finalizou minha frase em formato de pergunta. – Como eu deveria ser então? – Ela passou a mão no rosto cansado e suspirou, olhando para mim, mas ela não olhava em meus olhos.
- Eu vim para gente conversar.
- Bom, muito bom, mas eu preferia que você me desse o que eu tenho que assinar e a gente acabe com isso sem que mais pessoas se machucassem. – Essa doeu.
- O que você está dizendo? – Perguntei.
- A não ser que seja para falar de divórcio, eu não entendo porque você veio. – Ela falou, puxando a respiração forte. – Não fui eu que fui atrás de você, afinal, nem saberia por onde procurar.
- Eu não quero me separar de você. – Falei direto, apoiando os braços na mesa, para me aproximar dela.
- Então, o que você quer? – Ela perguntou, com a voz rouca.
- Conversar. – Encarei seus olhos castanhos.
- O quanto eu vou chorar nessa conversa? – Ela perguntou, respirando fundo.
- Espero que bastante. – Falei.
- Por quê?
- Porque assim eu vou saber que você se importa. - Senti meus olhos ficarem embaçados e ela engoliu em seco, passando a mão no rosto. – Me dê uma chance, eu sei que você não vai se arrepender.
- Então, você vai me prometer que vai dizer tudo, cada detalhe, e eu não vou perguntar nada, nem vou te interromper. – Afirmei com a cabeça. – Comece.
Eu contei toda a história para ela, tentei não deixar nada de fora, nenhum momento, nenhum desejo, nenhum sentimento, ela precisava saber de toda a verdade, quem sabe assim ela me perdoasse. Comecei falando sobre o motivo que eu havia largado do trabalho um pouco, pois eu havia passado mal, tido um ataque cardíaco e começado a aparecer alguns problemas, problemas que eu não sabia de onde vinham e porque vinham. Havia descoberto que era uma doença estranha, foi quando ela começou a se interessar.
Depois segui para o problema do tratamento, que nada parecia ter efeito, nesse meio tempo contei que alguns dos sintomas começavam a aparecer e faziam com que eu ficasse em casa o dia inteiro em uma tentativa de tudo ir embora. Aí foi que eu entrei no motivo da distância, já que eu não queria machucá-los, como já era de se esperar que a cirurgia não seria tão simples assim, pelo local que ela era feita e que eu não aguentaria vê-la triste, sabendo tudo que eu poderia perder em poucos segundos.
Falei da cirurgia, do meu plano de ficar isolado do mundo um pouco, já que além dela, eu tenho um carinho enorme por diversas pessoas da minha vida, e diversas pessoas descobriam onde eu estava, em Boston e, ao invés de eu me sentir um pouco melhor, ao ouvir tudo que falavam sobre ela, eu não acreditei que eu havia sido estúpido o suficiente para deixá-la sozinha, deixar meus filhos sozinhos e que se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria e fazia tudo diferente.
Por fim, eu contei da cirurgia, falei do procedimento inteiro, tentei aliviar um pouco a situação, mas ela sabia onde a tireoide era, então, não era fácil esconder que você havia feito uma cirurgia na garganta, e muito menos esconder suas cicatrizes que ainda estavam com pontos na região, eu puxei a gola da camiseta um pouco e mostrei a ela.
- Mas está tudo bem, e é por isso que eu voltei. – Respirei fundo. – Porque eu fiz uma promessa à mulher que eu amo. Que eu consertaria as coisas. Demorou um pouco, mas voltei.
E sabe o que ela fez? Ela gargalhou.
Sua gargalhada ecoou pela confeitaria, não chamou tanta atenção, afinal, aquele lugar estava cheio, então o que você mais ouvia eram risadas de adolescentes passeando de lá para cá, mas me deixou assustado e deixou seus funcionários assustados, já que era certeza que eles estavam espionando, mesmo não conseguindo ouvir nada, eu espero.
- Ok! – Ela falou, passando a mão nos olhos, não sabendo se era de choro ou de risada e ela suspirou. – Então, você quer dizer que no meio dessa confusão toda, em todo esse tempo, não tinha nenhuma mulher no meio do caminho? – Ela falou e eu franzi a testa, soltando uma risada em seguida.
- Ok, por essa eu não esperava. – Falei, coçando a testa.
- Mas ainda assim, eu vou dar na sua cara. – Ela falou, aproximando o rosto de mim, falando em um cochichado gritado, que eu não entendia como ela fazia. – Como você me faz isso, seu idiota? A gente não prometeu que estaríamos juntos para o que der e vier, na saúde e na doença? – Agora ela tinha lágrimas em seus olhos.
- Quando eu pensei na possibilidade de te perder, eu só queria me afastar, quem sabe assim causaria menos danos.
- Danos, ? - Agora ela já chorava. – Como se afastar pode causar menos danos? Eu pensei que eu tinha te perdido para sempre, seu filho vai te matar quando você chegar casa. - Sorri.
- Então, você me aceita de volta em casa? – Perguntei alegre e ela riu fraco.
- Claro que sim, pensar que eu te perdi foi a pior coisa do mundo. – Ela respirou fundo. – E ainda você fez uma cirurgia, como isso? Como você me faz tudo isso sem me contar? – Ela colocou a mão na boca, engolindo a seco.
- Eu...
- Quer saber? Não, a gente vai conversar direito quando chegar em casa, essa choradeira já está me dando dor de cabeça. – Ela falou, apoiando os cotovelos na mesa e apertou a cabeça, eu conhecia aquela sensação. Aproveitei a deixa e ergui seu queixo, encostando meus lábios levemente nos dela, eu sentia saudades daquilo e ela também pelo suspiro que deu, mas se afastou logo em seguida.
- Eu ainda não te perdoei. – Ela falou, e se levantou.
- Por que você tem que ser tão difícil? – Perguntei.
- Isso é para você sentir como foi todos esses meses sem você, além dos que você se distanciou de mim. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça, rindo fraco. – Saio as oito, se quiser me esperar.
- Se o Larry estiver tão puto quanto todo mundo está falando, acho que preciso de um escudo. – Ela riu fraco.
- E esse era o homem que se dizia Poseidon. – Ela zoou.
- Rá, rá, rá! – Falei e ela se afastou da mesa.

***

- Ei, garoto! - falou, batendo na porta de Larry, que estudava para alguma prova.
- O que você está fazendo aqui? – Larry falou rispidamente e eu empurrei pelas costas, fazendo-o entrar no quarto do mais velho e eu o olhei se aproximar.
Larry se fazia de forte, afinal, ele teve que se fingir de forte por muito tempo durante sua vida, mas assim que alguém o confrontava, ele desmoronava igual manteiga derretida, as vezes eu o achava muito parecido comigo para ser adotado.
Assim que o abraçou, ele desmoronou, começando a chorar no colo do pai, tendo como consequência eu chorando ao olhar aquela cena. Eles precisavam conversar, e eu precisava ficar bem longe dali.
Caminhei para o quarto de Violeta e abri a porta levemente, encontrando minha pequena dormindo, sua TV estava ligada e ela estava toda torta na cama, para tentar ver a TV melhor. Desliguei e passei meus braços pelo seu corpo, colocando-a por inteiro na cama e agradecendo por ela já estar de pijama. Puxei a coberta para cima do seu corpo e coloquei um de seus bichos de pelúcia ao seu lado, dando um beijo em sua testa e fazendo um sinal da cruz em seu peito.
- Vamos, Leslie! – Sussurrei para minha cadela e a tirei do quarto de Leslie, puxando a porta em seguida.
Entrei em meu quarto novamente, tirando minha roupa e colocando meu pijama de frio em seguida, preparando minha cama para dormir, que não estaria tão gelada naquele dia. Soltei um suspiro e fechei os olhos por um momento. A vida realmente podia nos pregar algumas peças, e nós realmente não sabíamos como agir em certas situações. Era só deixar as coisas acontecerem normalmente, e não confiar nela cegamente, às vezes você pode estar errada.
No que passou pelo batente da porta, me assustei, pois Leslie começou a latir e a pular nele, me fazendo gargalhar, afinal, ela também estava com saudades. desviava de todos os jeitos da língua de Leslie, mas em vão, a sorte é que nossa velinha cansava mais rápido, fazendo com que ela parasse de se agitar por muito tempo.
- O que está acontecendo aqui? – Violeta havia saído de seu quarto e coçava os olhos. – Papai! – Ela gritou quando viu . – Você voltou de viagem! – Ela pulou em e passou as pernas pela sua barriga, dei um sorriso e suspirei, enquanto caminhava em direção ao banheiro. Hoje era um dia emotivo para todos.

- Desculpe! – Ele falou, assim que saiu do banheiro, com sua calça de moletom e camiseta branca.
- Por que dessa vez? – Perguntei.
- Por quase perder isso. – Ele sorriu de lado.
- Se você perdesse isso, eu nunca te perdoaria. – Falei e ele se sentou ao meu lado da cama, fazendo com que eu erguesse meu corpo na cama.
- Eu prometo que tentarei não perder nada. – Ele falou e eu afirmei com a cabeça.
- Promessa é dívida.
Ele aproximou seu rosto do meu, colocando uma mão de cada lado de meu corpo e encostou os lábios delicadamente nos meus, como se estivesse reconhecendo o território e eu suspirei, sentia saudades daquilo. Ele subiu suas mãos pela minha barriga, acariciando-a por baixo da blusa e suspirei, dando uma leve mordida em meus lábios.
Ele subiu na cama, colocando o corpo em cima de mim e eu passei minhas mãos em suas costas, sentindo seu corpo arrepiar. Ele passava as mãos em meu corpo, tocando cada pedaço de pele como não fazia há muito tempo. Suspirei, virando meu corpo, me colocando em cima dele, colocando uma perna de cada lado do seu corpo e puxei minha blusa para cima, vendo-o abrir um sorriso de leve.
- Eu senti falta disso.
- Eu também. – Falei entre risadas e ele me silenciou com outro beijo, firmando as mãos no fim das minhas costas, fazendo meu corpo se movimentar junto com o seu.

- Mãe! – Ouvi Violeta gritar em desespero e eu e nos entreolhamos, largando os utensílios de cozinha e corremos lá fora. – Ela não está bem, mãe. – A pequena estava ao lado de Leslie, acariciando a cabeça dela e tinha lágrimas nos olhos. Eu engoli em seco, sentindo um aperto no coração.
- Vai lá para dentro, filha. – falou, afastando Vi com o braço.
- O que ela tem, mãe?! – Ela gritou relutante em sair.
- Larry, leva-a para dentro. – Larry apareceu e repetiu, fazendo-o segurar Violeta e a erguer no colo, levando-a para dentro.
- Leslie! – Ouvi o grito de Violeta ficar abafado.
- Calma, garota, vai ficar tudo bem. – falou, se sentando ao lado de Leslie e acariciando seu pelo.
- A respiração dela está muito fraca. – Falei, olhando para ela deitada no chão gelado, com a boca entreaberta, respirando com dificuldade.
- Não me deixa, menina, não agora quando está tudo bem. – A voz de era embargada e eu passei a mão nos olhos, puxando o ar fortemente.
- Ela está...?
- Vamos levá-la ao veterinário. – Ele falou e pegou Leslie no colo, enquanto eu corria para dentro de casa. – Leve as crianças. – Ele gritou de novo.
- Mãe, o que está acontecendo? – Violeta gritou e eu tentei ser forte, mas sabia que não seria possível, eu sentia meus olhos molhados e meu rosto ferver.
- Vamos para o carro, gente. – Peguei a chave do carro, vendo Larry me olhar confuso.
- Leslie? – Ele perguntou e eu afirmei com a cabeça, vendo-a colocar a mão na boca.
- Vamos, filhos, rápido. – já havia colocado Leslie deitada no porta-malas e Violeta não parava de chorar no banco de trás enquanto olhava para ela vulnerável daquele jeito, entrei ao lado de e, em silêncio, nós quatro fomos para o veterinário.
Quando chegamos lá, Leslie foi levada por um dos veterinários do lugar e nós ficamos do lado de fora, esperando. Acho que agora eu entendia porque minha mãe não queria ter cachorro, você criava um vínculo com o animal e era como se fosse um novo membro da família, e um dia você teria que dar adeus.
Violeta estava com a cabeça deitada em meu colo, aos prantos, acho que ela era uma das que mais sofria, durante seus nove anos, quem mais foi sua amiga, foi Leslie, mesmo que fosse só para estar presente e, também, Vi era a que menos estava preparada para uma perda dessas. Larry estava estático ao meu lado, ele não sabia o que falar, e ele também não chorava, ele realmente não se mexia, parece que o tempo havia parado para ele.
Eu pensava mais em , ele parecia forte, tinha o rosto sério, as mãos no bolso, mas eu sabia que ele não estava bem assim, seria a segunda grande perda na vida dele e eu sabia que a primeira dor nem havia sido curada completamente quando optamos por ficar com Leslie, mas ele também não falava nada e nem chorava.
- ! – A veterinária abriu a porta e Violeta olhou imediatamente. – Venha aqui um momento. – Ela chamou e ele me olhou, fazendo com que eu assentisse com a cabeça, vendo-o entrar na sala.
Ele não demorou lá dentro, foi coisa de 10 minutos, mas quando saiu, seus olhos estavam vermelhos, provavelmente iguais os meus. Com certeza não era coisa boa.
- Crianças, venham aqui. – chamou os dois e eu tentei engolir o choro e esconder os olhos, sem muito sucesso.
Violeta levantou chorosa do meu colo e se aproximou do pai, que a pegou no colo e Larry também se levantou, tentando manter a respiração calma, mas em vão.
- Vocês precisam dizer adeus. – Ele falou e eu me levantei, ficando de costas, aquilo doía. – Leslie precisa ir embora.
- Não! – Violeta foi a primeira a dizer e eu sabia que não estava pronta para aquilo, corri alguns passos e saí da sala, não querendo ouvir ou ver mais nada, aquilo doía muito.
O que me parou foi a grade que tinha na saída do veterinário. Ali eu chorei. Aquilo realmente não estava acontecendo, não podia estar acontecendo, era tudo coisa da minha imaginação. Mas por outro lado, eu sabia que ela estava conosco há bastante tempo e também sabia que aquilo era natural, ela precisava ir.
- Você também precisa dizer adeus. – Ouvi a voz de atrás de mim e virei meu corpo para ele, passando meus braços pelo seu corpo, enterrando meu rosto em seu pescoço.
- Me diga que é mentira.
- Eu gostaria muito de dizer isso. – Ele falou e eu escondi o rosto nas mãos, querendo sumir dali. – Vem! – Ele falou, segurando minha mão e eu fechei os olhos por um tempo, tentando fazer as lágrimas pararem, mas em vão.
Olhei de canto de olho e vi que Larry e Violeta estavam abraçados em um canto da sala de espera, Larry tentava consolar a irmã, mas agora ele também chorava. Entrei na sala e olhei para minha garota deitada do mesmo jeito que a encontramos mais cedo, mas dessa vez em uma maca e os olhos levemente abertos. Me sentei no banco que tinha disponível e puxei a respiração, notando que meu nariz estava entupido e passei a mão em seu pelo, notando que ela não se mexia, somente piscava os olhos.
- Oi, garota! – Falei, sentindo a voz embargada. – Eles me pediram para dizer adeus para você, mas eu realmente não quero dizer isso. – Falei, com a visão embaçada. – Eu te amo, menina! – Encostei minha cabeça na dela. – Eu só tenho que te agradecer por tudo, por ser aquele filhote sapeca que escolheu a gente. Você sempre foi muito importante para gente, tinha que ficar conosco para sempre. – Falei, sentindo a mão de apoiada em meu ombro. – Eu prometo que vamos ficar bem, ok?! – Suspirei. – Mas vamos sentir muito a sua falta. – Falei, fechando os olhos novamente, não impedindo as lágrimas de cair. – Se cuida, ok?! – Falei, dando um beijo em sua cabeça e soltei a respiração com dificuldade.
O sensor que estava conectado a Leslie parou de apitar, e foi quando eu tive certeza que havia perdido uma grande amiga. Encostei o rosto na maca novamente e fechei os olhos, acariciando a pata de Leslie, esperando que a vida não tivesse mais nenhuma surpresa ruim guardada para mim.
- Ela faleceu de causas naturais. – Ouvi a voz da veterinária. – O coração começa a trabalhar mais e não aguenta. Normalmente um buldogue vive por 10 anos, ela passou dois anos da expectativa, ela foi muito feliz.
- Ela foi! - Ouvi falar e suspirei.

***

- Vai ficar tudo bem agora. – Falei para , acariciando sua cabeça que estava em meu colo.
- Como você sabe disso? – Ri fraco.
- Porque eu já passei por isso, você já passou por isso, é uma parte de nós que precisa ir embora. – Falei, dando um beijo em sua testa.
- Eu não quero ter mais nenhum cachorro, não vai ser a mesma coisa. – Ele riu fraco.
- Foi. – Ele falou e eu suspirei. – Foi igualzinho.
- Verdade, você já passou por isso. – Ela falou, erguendo o rosto e eu notei que ele estava inchado.
- Já, e isso nos fortalece. – Afirmei com a cabeça e ela sorriu de lado.
- E o que a gente faz agora? – Ela me perguntou, apertando a cabeça, ela deveria estar com dor de cabeça.
- A gente recomeça! – Falei, segurando sua mão. – E continua a viver. – Olhei para ela e dei um sorriso de lado, suspirando.
- Recomeçar! – Ela falou, jogando as pernas para o lado, caminhando para o banheiro. – Ok! – A ouvi dizer antes de fechar a porta.


Capítulo 27

(Bem, eu não pretendia que isso fosse muito longe como foi, eu também não pretendia que ficássemos tão próximos e dividir o que dividímos, e eu também não pretendia me apaixonar, mas me apaixonei. E você não pretendia me amar de volta, mas eu sei que amou. - Plain White T's, A Loneley September)

Olhei para o campus à minha frente e soltei um suspiro, sentindo um momento saudosista passar pelo meu corpo, balancei a cabeça para os lados e comecei a subir os degraus em frente ao antigo prédio e empurrei a porta com as costas, devido a pesada caixa em minhas mãos. Subi nas outras escadas espirais do lado direito e passei por um longo corredor, onde diversas pessoas iam e vinham, algumas até se esbarravam, mas era dia de mudança, então todos estavam fazendo a mesma coisa que eu: trazendo coisas para dentro.
- Acho que essa é a última! – Falei, entrando no novo dormitório de meu filho.
- Obrigado, mãe! – O mais velho falou, tirando as caixas da minha mão e colocando em sua cama.
- Está tudo certo aqui? – Perguntei, passando uma mão na outra, tirando a poeira dela.
- Está sim, papai foi dar uma olhada no banheiro, estava pingando. – Ele falou, abrindo a caixa e tirando suas roupas de lá.
- Como se ele fosse consertar alguma coisa. – Violeta falou, tirando o pirulito da boca, fazendo com que eu e Larry déssemos risada.
- Eu ouvi isso. – comentou e eu ri fraco.
- Você está confortável aqui, filho? Você sabe que pode ficar na nossa casa em Boston. – Ele riu fraco.
- Não, mãe, eu estou bem aqui, vou ficar por dentro das coisas, não fico cansado de viajar. – Ele sorriu e eu o abracei.
- Mas me prometa, qualquer coisa sua avó ou suas tias estão aqui em vinte minutos, você sabe disso. – Eu passei a mão em seus cabelos cacheados que estavam ralinhos agora.
- Eu sei, mãe, e eu também sei pegar um ônibus para Boston. – Ele riu fraco e eu o soltei.
- Por favor, se comporte!
- Eu vou, mãe. – Ele falou.
- Oi, com licença! – Outro garoto entrou, batendo na porta devagar. – Eu sou o George Matthews, seu colega de quarto.
- Ah, e aí, cara? Sou Larry . – Dei um sorriso quando ele falou o sobrenome do pai.
- Metido! – Violeta comentou e eu puxei o fone da sua orelha.
- Você é o filho do , não?! – Ele perguntou, enquanto os dois se cumprimentavam.
- Sou sim!
- Acho que tá tudo pronto, pelo menos parou de pingar. – falou, saindo do banheiro.
- E ele é o .
- Ei! – se assustou rindo e eu sorri.
- Isso é demais, cara! – George falou rindo.
- Oi, oi, tudo bem? – Sua mãe apareceu na porta, acenando para nós.
- Oi. - Dei o meu melhor sorriso, cumprimentando-a.
- Anna, Luna, vem cá! – George falou, fazendo duas meninas aparecerem na porta. – Larry, essas são nossas veteranas. Gente, esse é o Larry.
- Oi, tudo bem? – Elas sorriram e Larry ergueu a mão, eu e nos entreolhamos, rindo fraco.
- Bom, acho que já arrumamos tudo que precisava, precisa de mais alguma coisa, filho? - falou, passando o braço pelo ombro do filho.
- Acho que está tudo certo. – Ele falou, olhando em volta. – Peguei aquela cama, se não tiver problema.
- Que isso, cara, tudo igual! – George respondeu.
- Então, acho que vamos deixar o George e a família dele arrumando as coisas e vamos embora. – Falei e ele afirmou com a cabeça.
- Não precisa se incomodar. – O pai de George falou.
- Já está na nossa hora mesmo. – falou. – Nos acompanhe até lá embaixo, Larry? – Ele virou para nosso filho.
- Claro, vamos lá.
- Foi um prazer conhecê-los. – Falei, cumprimentando os três.
Segui para fora do dormitório de Harvard com Violeta ao meu lado, um pouco desatenta devido ao fone de ouvido e pulei alguns degraus, notando e Larry atrás de nós. Dei uma olhada na movimentação em volta e vi que o local era gostoso, não tinha muito movimento, era bastante arejado, afinal, era uma das melhores universidades do país. Virei o corpo quando me aproximei do carro e vi os outros dois se aproximando enquanto riam de algo.
- É isso. – falou e eu ri fraco, suspirando.
- Nada de ficar triste, mãe. – Larry falou e me abraçou, apertando meu corpo.
- É que você é tão novo, amor, só tem 18 anos, vai ficar aqui sozinho. – Eu continuava falando.
- Você foi com 17. – falou e eu franzi a testa, rindo fraco.
- É diferente! Eu tinha minha irmã. – Afastei meu rosto do dele, segurando em seus ombros. – Enfim, eu quero te pedir algumas coisas.
- Diga! – Ele falou pronto para o que eu ia dizer.
- Não beba, não se envolva com fraternidades, isso é sempre um problema, fica na tua, estuda e faça amizade com as pessoas certas.
- Eu sei, mãe, já ouvi esse discurso um milhão de vezes. – Ele falou rindo e eu passei a mão em seu rosto.
- E uma última coisa, se você engravidar alguma menina, eu juro que te recluso do mundo pelo resto da sua vida. – gargalhou ao meu lado.
- Você sabe que eu não sou assim, mãe.
- Sei, mas na faculdade tudo é possível, meu amor. – Falei e ele riu fraco. – E se cuida, ok?! – Dei um sorriso de lado.
- Eu prometo, mãe. – Ele sorriu, dando um beijo em minha bochecha.
- Qualquer problema, estamos aqui o mais rápido possível.
- Eu sei. - Ele sorriu. – Não vai ter.
- E fica de olho nesse seu colega de quarto, pareceram ser gente boa.
- Chega, , ele não vai guardar metade das coisas. – falou, passando na minha frente e eu ri, vendo-os se abraçar. – Só se cuida. Sobre o resto, te demos educação o suficiente para você distinguir o que é certo do errado. – falou, se soltando dele.
- Pode deixar! – Ele sorriu.
- Volta sempre para casa, tá?! – Violeta falou abraçando Larry, que afirmava com a cabeça.
- Pode deixar, criança. – Eles riram. – Vou sentir sua falta. – Larry completou.
- Eu também. – Ela falou, sorrindo e dando um beijo em sua bochecha. – Amo você, irmão.
- Amo você, pequena. – Ele respondeu e eu abri um sorriso, sabendo que havia feito o trabalho certo. Caminhei até o carro novamente e entrei no mesmo, abaixando o vidro antes de fechar a porta.
- Me avisem quando chegar em Boston. – Larry gritou.
- Pode deixar! – falou, entrando ao meu lado, enquanto eu puxava o cinto de segurança.
- Ah, filho, mais uma coisa: espero que esse lugar te inspire. – Falei e ele afirmou com a cabeça.
- Se não inspirar, meus pais já fizeram isso bastante. – Ele falou sorrindo, fazendo com que uma lágrima saísse de meus olhos. – Eu amo vocês! - Ele falou acenando e eu retribuí.
- Também te amamos. – Respondi, acenando enquanto o carro se afastava dele, fazendo com que eu o observasse cada vez menor, até ele fazer uma curva, me fazendo respirar fundo.
- Está tudo bem? – me perguntou e eu virei o rosto para ele.
- Está sim. – Sorri. - Síndrome do ninho vazio.
- Ei, vocês ainda têm a mim. – Violeta falou, aproximando o corpo no meio dos bancos.
- E você já vale por dois. – brincou e eu ri fraco.
- Engraçadinhos! – Ela falou, voltando para o seu lugar.
- E larga esse celular até chegar em Boston. Ou vai ficar com dor de cabeça. – Briguei com ela, vendo-a fazer uma careta, antes de abaixar o celular.

- Ah que filha da mãe, ela vem aqui e abre uma filial do lado de um ateliê de vestidos. – Virei o rosto, dando de cara com Rupert na porta, me fazendo rir.
- Ah, Rupert! – Me aproximei da porta, sentindo-o me abraçar fortemente. – Não sabia que você estava aí.
- Cheguei agora. – Ele respondeu, esticando um buquê de flores para mim. – Para dar sorte.
- Obrigado, amor! – Estalei um beijo em sua bochecha.
- Olha! O estilista mais famoso do mundo. – brincou, aparecendo pelo corredor, fazendo Rupert rir.
- Agradeço a vocês dois por isso. – Ele falou, abraçando .
- Se você agradecer mais uma vez, eu cancelo aquele vestido que eu encomendei. – Falei e ele afirmou com a cabeça rindo, fingindo que trancava a boca.
- Não, ainda preciso da minha modelo principal. – Encostei a cabeça em seu ombro, com um sorriso no rosto.
- Bom mesmo, eu neguei algumas marcas bem famosas por causa de você. – Falei, sorrindo.
- Várias! – complementou e eu ri.
- E aí, tudo pronto para a grande inauguração? – Denise apareceu pela porta e eu sorri, correndo dar um abraço nela.
- Está sim, tem alguns doces saindo daqui a pouco, se vocês quiserem esperar. – falou.
- Com certeza! – Denise brincou e eu sorri.
- Isso está maravilhoso, gente, igualzinho ao de Los Angeles. – Rupert falou, caminhando pelo salão. – Até o papel de parede. – Ri fraco.
- Isso que é uma filial, amigo. - Falei e ele fez uma careta para mim.
- Está tudo maravilhoso. – Denise falou.
- Senta. Gente. Vem cá! – falou, tirando uma caixa de uma das mesas e pegando as cadeiras ao lado.
- Mas me diga, como está tudo? – Rupert perguntou, se sentando na cadeira.
- Acabamos de deixar Larry na faculdade e Violeta lá na Lindsay, para ela não atrapalhar. – Falei, me sentando na cadeira ao seu lado.
- Jesus, Larry já foi para faculdade? – Denise perguntou.
- Já, acredita? – Ela riu fraco.
- Quanto tempo eu dormi? – Ela brincou.
- Bem, no fim do ano fazemos 12 anos de casados. – falou, virando o rosto para mim.
- Meu Deus. – Ela balançou a cabeça. – Para o mundo que eu quero descer.
- Pois é.
- E como ele está? Está tudo bem? Não quis ficar aqui na casa de vocês ou na casa da avó?
- Não, ele quis conhecer o mundo. – Eles confirmaram com a cabeça.
- E ele está certo, , ele passou parte da vida dele enfiado em um orfanato, ele precisa voar, mas eles voltam.
- E Liana? – Perguntei.
- Se forma agora no meio do ano e está querendo ir para Nova York tentar a vida como bailarina, quem sabe na Broadway. – Rupert ponderou com a cabeça.
- E Julliard? Você disse que ela tentaria. – falou.
- Ela vai, a prova é próximo à formatura.
- Então, tem tempo ainda. – falou.
- Tem sim, não queria que ela fosse sozinha para Nova York, mas...
- Passarinho tem que voar. – Falei ele afirmou com a cabeça. – E Nova York é aqui do lado também.
- Sim, vai dar tudo certo. – falou. – O tempo passa para todo mundo, vamos parar com essa depressão.
- Também, está cada vez mais perto dos 50. – Cochichei.
- Vamos, por favor, não falar disso? – falou, beliscando minha cintura e eu ri fraco.
- Vamos falar dos doces que estão no forno. – Falei, me levantando.
- Eu te ajudo. – se levantou atrás de mim.
- Até você está sabendo fazer agora, ? - Rupert perguntou surpreso.
- Ah, a gente começa aprender o ofício depois de um tempo. – Ele deu de ombros, enquanto eu passava pelo corredor da cozinha.

- Ah, que saudades dessa época. – Falei para Sharon, fazendo carinho em sua barriga de seis meses.
- Quer outro? – perguntou do outro lado da sala, piscando para mim.
- Quem sabe se eu fosse uns 10 anos mais jovem. – Falei, vendo-o rir fraco.
- E já sabem o sexo dele? Nome? – Sharon suspirou.
- Não, decidimos fazer igual a vocês. – Carlos falou, sentado do outro lado de sua esposa.
- Ela já está subindo pelas paredes? – desviou o rosto do videogame de Ethan e eu fiz uma careta para ele.
- Por enquanto está tudo controlado. – Carlos falou.
- É, mas ele está! – Cady apareceu da cozinha.
- Não faz nenhuma diferença, gente! – falou, dando de ombros. – Nascendo com saúde, o resto se ajeita.
- E a Violeta, como está? – Cady perguntou, enquanto passava a mão na barriga de Sharon.
- Está bem, agora ela inventou que vai ser jogadora de futebol. – falou. – Droga, Ethan, assim não vale. – Ri fraco, olhando para a tela do videogame.
- Agora ela vai jogar futebol? – Sharon perguntou e eu afirmei com a cabeça.
- Agora vai! – Suspirei. – Até ela resolver desistir, igual ela fez com a pintura, o balé, a patinação, o hóquei e sei lá mais o quê.
- É fase, viu?! – Cady falou. – Ethan e Mike já passaram por tudo isso, agora é a vez da Annie.
- Vamos ver o que vai dar. – falou, dando de ombros.
- E Seth, onde está? – Perguntei, sabendo que faltava alguma pessoa na roda.
- Acredite se quiser, mas ele teve um encontro. – Marcus respondeu por ele.
- Um encontro, hum? – Eles riram fraco.
- Ah, Jesus, espero que dê certo, ele merece ser feliz. – Falei.
- Bem, feliz ele já é! – Sharon falou. – Um pouco até demais. – Gargalhamos.
- Gente, fica quieto, a mãe já dormiu. – falou, sendo o primeiro a colocar a mão na boca.

- Faz tempo que a gente não faz isso! – Ouvi a voz de próximo a meu ouvido e afirmei com a cabeça, suspirando.
- Pois é, mas dessa vez vocês vão voltar com estilo! – Melina falou, guardando o celular de volta no bolso do seu terninho.
- Só por que estamos em Cannes? – Perguntei e ela abriu um largo sorriso.
- Sim, gente, estamos em Cannes! – Ela falou como se agradecesse aos céus por isso.
- Vamos arrasar, estão! – falou, segurando minha mão e sorrindo em seguida.
- O trio de volta. – Falei e eles sorriram, soltando uma risada em seguida.
- Não tão jovens quanto antes. – Melina completou.
- Vamos deixar a idade de fora. – falou e eu ri fraco.
- Vamos lá! – Melina saiu do carro, abrindo a porta ao lado de .
Ele saiu do carro, fechando seu terno preto e estendeu a mão para mim, me fazendo lembrar de algumas coisas do passado e eu sorri. Segurei sua mão e coloquei os pés no chão, vendo Melina ajeitar a barra do meu vestido longo vestido tomara-que-caia preto e branco, e se colocar ao meu lado, estendendo o braço para mim.
- Você está maravilhosa! – Ele falou e eu sorri, encostando meu rosto em seu pescoço levemente.
- E você vai arrasar, esse é especial. – Ele sorriu, dando um beijo em minha bochecha e começando a andar levemente.
Parece que depois de um tempo, as coisas ficam robóticas. Olhar para um lado, olhar para o outro, sorrir, rir de algum comentário inapropriado que sussurrava em meu ouvido, sentir seus olhos penetrantes sob meu corpo, era como se fosse a primeira vez, e eu não me cansava daquilo.
Passei meus braços pelas suas costas, sentindo suas mãos firmes e olhei para ele, arrumando levemente a gola de sua camisa que estava um pouco torta e olhei para as cicatrizes em seu pescoço, havia passado alguns anos, mas elas ainda estavam ali, faziam com que eu me lembrasse todos os dias que não importa o que você tem, não será fácil, mas você ainda precisará lutar por qualquer motivo que aparecer, e você vai gostar, mesmo que você perca algumas coisas no meio do caminho. Mas o amor cura tudo, certo?
Eu e nos encaramos ao mesmo momento, fazendo com que uma risada involuntária aparecesse em meus lábios. Não sei por que, mas isso vivia acontecendo, alguns dizem que é cumplicidade, outros não, mas era bom, a gente curtia e dava ótimas fotos no fim das contas.
- Vamos. – Ouvi Melina falar e caminhamos para os repórteres que estavam dispostos ali, dessa vez me queria ali, bem próximo dele.
- , o que você pode falar desse filme? – Um deles perguntou e eu olhei para ele.
- Bom, como minha esposa disse, esse é especial. – Ele sorriu, olhando para mim. – Fala sobre adoção, então toca em alguns pontos sociais importantes que eu acho que pode fazer algumas pessoas mudar de opinião sobre alguns fatos da vida, algumas escolhas.
- Você diz que esse filme é especial, pois tem bastante ligação com a sua família e seus filhos? – Outro perguntou.
- Você acha? – Respondi por ele e eles riram. – O que a gente vive acaba inspirando nosso futuro, e quando a história é boa, ela rende! – apertou minha cintura e eu ri.
- O que você está vestindo, ? – Soltei uma risada fraca. - Rupert Van Sanders? – Ele continuou.
- O que acha? – Respondi, com um largo sorriso no rosto, ouvindo-os rir. – Sempre o melhor.
- Como você se sente sendo o principal motivo dele ser o estouro que é hoje? – O repórter perguntou.
- A sensação é incrível, mas ele sempre foi ótimo, então era só questão de tempo das pessoas descobrirem-no. Eu só fui o atalho dele! – Sorri, fazendo-os rir.

- Acho que nas próximas férias, a gente devia viajar. – Falei suspirando, virando meu corpo na cama, para ficar apoiada no corpo de .
- Para onde você está pensando?
- Algum lugar com praia e sol. – Falei sorrindo, apoiando minhas mãos em seu peitoral. – Talvez Bahamas, mas um resort, para as crianças ficarem soltas enquanto a gente aproveita.
- Talvez um presente de aniversário de casamento? – Ele perguntou.
- Não, aí eu quero que seja só nós dois. – Respondi, vendo-o rir fraco.
- Posso pensar nisso, agora eu entro em produção só em agosto.
- Dá para aproveitar julho, quem sabe o tempo não ajuda um pouco? – Falei, vendo-o sorrir e passar os dedos pelas minhas costas.
- Toc, toc! – Ouvi uma batida na porta e virei o corpo para fora de .
- Entra! – respondeu, com um riso nos lábios.
- Cheguei! – Violeta falou, escancarando a porta.
- Como foi o aniversário do Joseph? – Perguntei e ela riu fraco.
- Foi legal! – Ela respondeu.
- Quem te trouxe? – Perguntou.
- A mãe da Ellen! – Ela respondeu.
- Vai dormir, então, chegou tarde já! – Falei e ela afirmou com a cabeça.
- Boa noite para vocês dois, sua benção. – Ela falou, mandando beijos.
- Que Deus te abençoe, meu amor. – Respondi. – Vai sair comigo amanhã cedo?
- Aonde você vai? – Ela perguntou.
- Preciso passar no mercado, depois resolver alguns assuntos no centro. – Ela fez uma careta.
- Se for depois das 10, eu vou, não antes disso. – Ri fraco, balançando a cabeça.
- Ok, eu vejo. – Respondi e ela bateu a porta de novo.
- Ela mudou tanto. – comentou, virando o corpo, passando um dos braços na minha cintura.
- Tá tão sapeca, moleca! – Falei e ele suspirou.
- É fase, ela brincou muito de boneca, agora está crescendo, está meio viciada no celular, mas pelo menos ainda corre um pouco, faz exercícios.
- Isso porque a gente deu o celular tarde. – Soltei uma risada fraca.
- Eu achei que ela roubaria meu cartão no meio da noite para comprar. – Respondi e ele riu fraco, sentindo-o acariciar minha cintura.
- Não, isso não, eles são honestos. – falou. – Os criamos bem.
- Isso eu nem me preocupo. – Falei sorrindo.
- Bem, vamos parar de falar neles e voltar a falar sobre nossa viagem para Bahamas. – Ele falou, virando o corpo, se colocando em cima de mim.
- Tem Bora Bora também, tem cada coisa linda também, aqueles chalés sobre a água. – Falei, sentindo-o dar beijos leves em meu pescoço, fazendo meu corpo arrepiar.
- Seria bem interessante isso. – Ele falou, deslizando a mão pelo meu corpo, enquanto eu fazia um carinho na lateral do seu corpo. – Não tem algum lugar mais fechado, não? Quieto?
- Ah, então você quer algo bem fechado? – Perguntei, sentindo-o descer a mão por entre minhas pernas, começando a acariciar levemente.
- Sim, algo só eu e você. – Ele respondeu, fixando os olhos nos meus.
- Acho que tirar a Violeta de casa por uma semana é mais fácil. – Falei, ouvindo-o rir, enquanto colava os lábios nos meus.
- É uma ideia boa também. – Ele respondeu e eu ergui minha mão, acariciando sua nuca levemente.
- Teremos tempo suficiente para isso. – Ele sorriu, abraçando meu corpo e me girando na cama, para me colocar em cima dele.

- Eu gostei dele, mãe! – Falei, me sentando ao seu lado.
- Ele é legal, não?! – Ela falou e eu afirmei com a cabeça.
- Ele é! – Sorri, olhando o namorado de minha mãe falar com e com o marido de Lílian, Jonas. – Vocês vão juntar as escovas de dente? – Perguntei e ela riu fraco.
- Não, cada um em um canto, não quero isso de novo. – Ri fraco e a abracei.
- Acho que você está certa. Tem que fazer o que te deixa confortável. – Falei, colocando o copo em cima da mesa de centro.
- , sua filha vai matar a minha! – Lílian gritou do quintal e eu ri fraco, me levantando e andando até o quintal.
- Violeta, coloca a Eduarda no chão. – Gritei vendo-a virar o rosto para mim.
- Mas ela que está pedindo, mãe. – Ela respondeu e eu ouvi a risada de Eduarda, que já tinha sete anos.
- Ok, mas toma cuidado! – Respondi, olhando para o outro canto, vendo Larry sentado sozinho com os olhos focados no celular. – Ei, antissocial. – Falei e ele bloqueou o celular na hora, erguendo o rosto para mim.
- Ei! – Ele falou e eu me sentei ao seu lado.
- Parece que alguém está cansado.
- Cansado da viagem! – Ele respondeu e eu afirmei com a cabeça, encostando a minha na dele.
- E com quem você teclando loucamente no celular? – Ele riu fraco, passando a mão no rosto.
- Uma menina, se der certo eu te falo. – Ri fraco.
- Tá certo! – Falei, olhando para frente onde Violeta rodava sua prima no ar. – Vou querer conhecê-la.
- Pode deixar! – Ele sorriu, bocejando.
- Vai dormir, o quarto já está arrumado.
- Já vou sim. – Ele respondeu, bocejando novamente. – Me diz, mãe, como foi crescer aqui no Brasil? – Ele me perguntou.
- É diferente de como vocês cresceram, não pelo país, mas mais pela vida que a gente leva, é tudo diferente, é mais fácil, mas não é moleza. – Ele riu fraco, afirmando com a cabeça.
- O vovô era bem bonito. – Ele comentou.
- Ele era um dos melhores homens que eu já conheci. – Ele sorriu, afirmando com a cabeça. – Agora vai, sem sentimentalismo, está tarde para isso. – Ele se levantou e deixou seu copo comigo. – Vai se cuidar.

- Ela podia ter escolhido futebol americano. – choramingava da arquibancada e eu revirei os olhos.
- Ah tá que sua filha de 13 anos jogaria futebol americano. – Falei, balançando os batedores em minha mão, fazendo um barulho oco.
- Ela podia jogar nos Patriots no futuro.
- Fica quieto que o jogo já vai começar. – Falei e ele riu fraco.
- Só não estou gostando daquele papinho dela com o Joseph! – Ele reclamou e eu olhei para o lado oposto do campo, onde Violeta estava para o lado de dentro, apoiada na mureta, conversando com Joseph.
- Você acha que dá namoro ali? Será que não é uma amizade igual à que nós tivemos com Trish e Rodrigo? – Perguntei, abaixando os batedores.
- Não é não, o olhar é diferente, ele é apaixonado por ela. – falou e eu olhei novamente para eles.
- E ela o deixa na friendzone? – Perguntei e riu, bagunçando com a cabeça.
- Acho que eles não pensam em namoro ainda, são muito novos. – Ele falou, sorrindo para mim. – Mas podia deixar!
- Ah, , coitado do garoto! – Dei uma cotovelada nele.
- “Ah, ”, nada, ele pode magoar minha princesa.
- Eu prefiro não entrar nessa discussão. – Falei, virando o rosto para o campo, observando o time de verde entrar em campo.
- Acaba com eles, filha! – gritou e eu franzi a testa, puxando-os para se sentar novamente.
- É um jogo de crianças, , ninguém quer morrer aqui não. – Falei e ele riu fraco, coçando a cabeça.
- Acho que me empolguei!
- Igual você se empolga nos seus jogos de futebol. – Comentei e ele riu fraco, fazendo uma careta.

- É aqui que tem uma moça precisando de carona? – perguntou, batendo na porta da confeitaria e eu corri para a porta, destrancando a mesma.
- É sim! – Falei e ele sorriu, encostando a porta atrás de si.
- O que aconteceu?
- Eu ia pegar carona com uma das funcionárias, mas ela precisou ir mais cedo porque a filha dela passou mal na escola.
- Ih, virose?
- Não sei, mas parece! – Respondi, ajeitando o pequeno enfeite nas mesas, após arrumar as toalhas de mesa.
- Que surto, hein?! – Ri fraco.
- A Violeta tá bem?
- Tá sim, tá lá de repouso em casa, com um curativo gigante na lateral do corpo. – Ele falou e eu fiz uma careta. – Isso porque alguém disse que futebol não era violento, a menina voou seis metros.
- Não, eu disse que era menos violento do que futebol americano.
- Entre futebol e o americano, ela vai ter que ficar de repouso até aquele roxo sarar, o médico disse que podia ter acertado o fígado dela.
- Jesus pai! – Respondi, passando as mãos no rosto.
- Mas está tudo certo. – Ele me aliviou.
- Você não deveria contar as coisas assim, me deixa nervosa! – Falei e ele sorriu.
- Está tudo pronto, então? – Ele perguntou.
- Me deixa só desligar o rádio lá dentro e conferir como está tudo. – Falei, caminhando em direção à cozinha, ouvindo a música que tocava baixo.
- A nossa música aí! – Ele falou, se referindo à música de nosso casamento e eu ri fraco, balançando a cabeça. – Vem, dança comigo! – Ele estendeu a mão.
- A gente precisa ir embora, !
- Vem, é rapidinho! – Ele puxou minha mão, me aproximando de seu corpo.
Encostei meu corpo no seu, apoiando minha mão em seu ombro, e a outra em sua mão, sentindo o corpo de movimentar o meu levemente, no ritmo da nossa música. Acho que agora, mais que nunca, essa música era nossa, afinal, para lidar com um casamento, nem sempre era fácil, até nós tivemos nossos altos e baixos, mas você precisa se apaixonar de novo por essa pessoa, para que ela seja a escolhida pelo resto das suas vidas.
E era isso que o significava para mim, tinha dias que eu queria matá-lo, ficava brava com ele, irritada, mas quando eu ia dormir e olhava seu corpo naquela cama, tudo ficava perfeito, parecia que todas as correrias da vida acabavam, que não existia nada que pudesse nos impedir de ser feliz, bem, não tinha. Ninguém nos manteria separados.
Encostei minha testa na sua, com os olhos focados em seus olhos azuis e suspirei, sentindo suas mãos descerem pela minha cintura e eu subi as mãos pelo seu pescoço, balançando o corpo mesmo que a música já tivesse acabado e outra um pouco mais agitada tivesse começado, eu poderia ficar ali para sempre. Ele encostou os lábios levemente nos meus e sorriu.

- Como assim o Larry está namorando? Como isso aconteceu tão rápido? Eu não consigo entender. – Falei andando de lá para cá pela casa, ouvindo o barulho dos meus saltos bateram contra o chão.
- , calma! O garoto merece ser feliz. E nem foi tão rápido, faz quase dois anos que ele está na faculdade.
- Eu sei, mas pensei que ele fosse mais do tipo pegador. – Falei, ouvindo Violeta gargalhar.
- Ele é romântico igual o pai.
- Hum, tá! – Falei, rindo fraco. – Você é romântico, , mas também já foi pegador, por muito tempo.
- Ah, é?! Por essa eu não esperava. – Violeta brincou.
- Quem sabe quando você for mais velha, a gente não te conta! – falou, sorrindo sarcasticamente para ela e ela suspirou, fechando a cara.
- Mãe, pai. Cheguei! – Ouvi a voz de Larry e ajeitei minha roupa, vendo se levantar ao meu lado.
- Oh, meu amor! – Falei, assim que ele passou pela porta da sala, abraçando-o fortemente. – Que saudades de você!
- Também senti! – Ele falou, rindo fraco.
- Ei, eu conheço você! – Falei, olhando para a menina que estava ao seu lado.
- Ei! – Ela falou, rindo fraco e eu olhei para que gargalhava ao meu lado.
- O que você está fazendo aqui, Liana? – Perguntei e Larry sorriu.
- Mãe, ela é minha namorada. – Arregalei os olhos, olhando de um para outro, tentando processar o que estava acontecendo.
- Então, é por isso que ele ia para Boston nos fins de semana. – falou, passando a mão nos olhos, de tanto que riu.
- Gente, eu estou em choque! – Falei, soltando uma risada fraca. – Por que não me contou antes?
- Eu não sabia como você reagiria. – Larry falou para mim.
- Ah, querido, eu conheço Liana antes de você, desde que ela foi morar com os meninos, você acha que eu faria alguma objeção à ela? – Passei meu braço pelo seu ombro, vendo-a rir fraco ao meu lado.
- Mas como isso aconteceu? – Violeta perguntou, franzindo a testa.
- Nós temos uma história bem parecida. – Sorri, afirmando com a cabeça, afinal, ambos eram adotados. - E aí, a gente passou bastante tempo junto, começamos a conversar... – Ele deu de ombros, segurando a mão da sua namorada.
- E tem mesmo, filho! – Sorri, rindo fraco.
- Eu ainda estou em choque, gente, acho que buguei. – Violeta falou, me fazendo rir.
- Buga enquanto come, então. – falou. – É bom que seja você, Liana! – Ela sorriu.
- Obrigada por me receber bem! Eu estava um pouco nervosa, confesso. – Ri fraco.
- Ah, gente, vocês foram muito bobos, não tem nenhum problema, pelo amor de Deus. – Falei e eles sorriram.

- Oh, , isso está maravilhoso! – Falei, assim que saí do quarto, vendo a casa com diversas velas colocadas no chão e uma mesa redonda para dois no espaço vazio da sala.
- Só cuidado com as velas, eu quase incendiei a casa duas vezes. – Ele falou e eu ri fraco, andando devagar por entre as velas e ele segurou minha mão quando me aproximei da mesa.
- Está tudo lindo! – Falei apoiando minha mão em seu pescoço e depositando um beijo em seus lábios.
- Achei que deveríamos fazer algo especial só para gente.
- Cadê as crianças? – Perguntei e ele riu.
- Foram dormir na Melina.
- Coitada! – Falei e ele riu fraco, puxando a cadeira para que eu sentasse, ajeitei o meu tubinho preto antes de sentar.
- Você que fez tudo isso? – Perguntei, olhando a delicadeza na decoração da mesa.
- Sabia que o Matt é muito bom com decorações? – Ele falou e eu ri fraco. - Vinho tinto? – Ele perguntou.
- Por favor. – Falei vendo-o servir as duas taças com o líquido arroxeado.
- Espero que você goste do cardápio. – Ele falou. - Risoto de frutos do mar.
- Você sabe que eu adoro. – Falei e ele se aproximou de mim, puxando as duas coberturas dos pratos e voltou na bancada rapidamente antes de sentar na minha frente.
- Vamos fazer um brinde? – Ele ergueu sua taça e eu fiz o mesmo, olhando para ele.
- Aos 14 anos de casamento? – Perguntei.
- Além disso, aos nossos filhos, que apesar das dificuldades da vida, se tornaram pessoas maravilhosas, e a você que se dispôs a se mexer e tem sido um sucesso por toda Los Angeles, a que mais?
- A você, que passou por dificuldade e mesmo assim não quis que os outros o vissem chorando, mas deveria. – Ele riu fraco e eu toquei minha taça na dele levemente, ouvindo um tilintar baixo, tomando um gole em seguida.
- Você está tentando recriar o dia que me pediu em namoro, não? – Perguntei e ele ficou vermelho rapidamente.
- Você notou.
- Só que lá não tinha as velas e aqui não tem a vista de Seul. – Ele ponderou com a cabeça.
- Uma coisa compensa a outra.
- Nada precisa compensar nada, estamos aqui do mesmo jeito que estávamos em Seul, mas pensar que já passou muito tempo daquilo... – Suspirei. – Algumas rugas e cabelos brancos apareceram depois daquilo.
- E eu agradeço por eles todos os dias. – respondeu e ele segurou minha mão sobre a mesa.
- Minha vida virou uma loucura por causa de você, eu tinha medo de ser mais uma, e olha o que aconteceu! – Assumi e ele riu.
- Eu sei, eu era meio volátil na época. – Ele falou e eu sorri, acariciando sua mão na mesa.
- Eu podia ficar assim a noite toda, sabia? – Falei.
- Nada te impede. – Ele deu uma piscadela para mim.
- Eu vou gostar bastante disso. – Falei e ele riu, abrindo um largo sorriso.

- Vai, Corujas! – gritou no meu ouvido e eu fiquei zonza por um minuto, sem saber se era o grito dele ou se era o sol do meio dia que batia no meu rosto.
- ! – Reclamei, empurrando-o com o braço e ele abriu um sorriso, passando-o pelos meus ombros.
- Ela é boa, não é?! – Ele falou, após Violeta segurar uma bola que ia em direção ao gol.
- Eu falei, amor. – Soltei uma risada e ajeitei o boné em minha cabeça e coloquei os óculos escuros. – Nossa pequena tem futuro.
- Tá! Também não vamos passar o carro na frente dos bois. – Ele reclamou e eu sorri.
- Presta atenção no jogo, . – Falei, olhando para o relógio e vendo que faltavam poucos minutos para o fim.
- Me diga, onde vocês vão querer almoçar depois? – Ele passou o braço em minhas costas e eu até estiquei o corpo.
- Tô suada, tô suada! – Falei e ele ergueu os braços, revirando os olhos.
- Pelo amor de Deus, , estamos juntos faz 20 vinte anos e você vai realmente chiar por causa disso? – Ele me apertou em seus braços e eu ri, olhando para o campo novamente.
- Mas isso é nojento. – Reclamei e ele riu.
- Vai, estou com fome, onde vamos comer?
- Sua filha escolhe, mas provavelmente sairemos para comemorar. – Falei, vendo Violeta focada em outra bola que ia a sua direção e eu dei um pulo gritando.
- Vai! – Gritei, vendo se levantar ao meu lado e pulamos animados que ela tinha salvo outra bola.
- Eu quero carne! – cochichou em meu ouvido.
- Uma das amiguinhas dela é vegetariana. – Falei para ele.
- Ela que fique. – Ele falou e eu gargalhei, dando um tapa em seus ombros.
- !
- A menina tem 14 anos, ela deveria estar comendo as coisas erradas da vida e não sendo certinha! – Ele falou de volta e riu.
- Aí vem ela! – Falei, descendo das arquibancadas vendo Violeta correndo em nossa direção.
- Mãe, pai, eu ganhei! Vocês viram? – Ela veio gritando, com o uniforme molhado e me abraçou forte, me fazendo rir.
- Vimos sim, amor! – Sorri, beijando sua bochecha e ela logo correu para o .
- Que pegada, hein?! – Ele falou, abraçando a pequena.
- Viu?! Eu disse que sou boa! – Ela se gabou e eu sorri, piscando para e ele riu.
- Vimos, filha. – Ele falou e eu ri.
- Vamos, V, a gente vai comemorar agora! – Uma das meninas veio correndo em nossa direção. – Vamos, tia, vamos almoçar com a gente? – A mais nova falou e eu sorri.
- Claro, aonde vamos? – Perguntei, sentindo segurar minha mão.
- No Napoleon’s! – Ela falou, sorrindo.
- Sim! – gritou ao meu lado e eu gargalhei. – Carne! – Ele sorriu. – É por isso que gosto de você, Sam!
- Obrigada, tio! – Ela sorriu, franzindo a testa e ela e Violeta saíram correndo na frente.
- Mas e a Dany? – Elas perguntaram da menina vegetariana.
- Ela que coma salada. – A outra respondeu e eu arregalei os olhos.
- Eu gosto dela! – comentou rindo ao meu lado, me segurando pela cintura!
- Você é pior que as crianças! – Soltei uma risada.

- Ah! – Violeta bufou ao meu lado e eu virei o rosto para minha filha, cruzando os braços.
- Não, não! - Falei para ela, abaixando seu braço. - Não em frente às câmeras. - Ela soltou um suspiro e deu um sorriso, olhando para mim. - O que foi?
- Larry! - Ela falou bufando e eu ri, virando o rosto na direção que meu filho mais velho se encontrava.
Larry e estavam próximos à imprensa, ambos muito bem vestidos. provavelmente falava da felicidade dessa reunião da Máxima e como nunca havia acontecido e como não via os amigos há muito tempo, pois foi o que treinamos nessa manhã. Já Larry estava um pouco mais para o lado, conversando com as fãs que gritavam seu nome enlouquecidamente, me fazendo rir e balançar a cabeça.
Ele havia crescido e ficado lindo demais, os cabelos estavam mais curtos, mas ainda com um topete. Por causa dos exercícios seus ombros haviam ficado mais largos e, apesar do galã ainda estar muito bonito, mesmo depois de alguns cabelos brancos, as meninas de 15 a 25 anos estavam mais de olho no filho dele, que usava um smoking muito bonito.
- Ah, querida, convenhamos que seu irmão virou um pedaço de mau caminho, as meninas vão cair matando em cima dele em todo evento. - Falei, ajeitando seus fios lisos ao lado do rosto.
- Eca! - Violeta reclamou e eu dei risada, virando meu rosto novamente para Connie Santoe Vanessa Edwards que estavam ao meu lado. - Aposto que Liana está morrendo de ciúmes.
- Ela está! - Liana apareceu atrás de mim, com um vestido nude decotado maravilhoso que seu pai havia feito para ela e dava para notar que sua respiração estava pesada, me fazendo rir.
- Devo lembrar as duas que têm várias câmeras tirando várias fotos de vocês? - Comentei e Liana abriu um sorriso, rindo em seguida. - Ele só tem olhos para você, querida, faz o quê? Quase dois anos de namoro? - Comentei.
- Já? - Connie falou surpresa ao meu lado.
- E outra, filha, você só não está sendo paparicada porque não quer, você é a nossa pequena Poseidon, eles amam você. - Comentei e minha filha mais nova abriu um largo sorriso, dando uma pirueta em volta do próprio corpo.
- Você está certa, mãe! - Ela comentou. - Já volto! – E falando isso, ela colocou seu vestido curto azul rodado para caminhar em direção ao pai, segurando na mão dele assim que ela se aproximou. olhou para baixo por um tempo e fez um carinho na cabeça da filha, começando a rir com algo que Violeta falou e eu sorri.
- E você? Não vai fazer parte desse grupo? - Vanessa comentou. - Eles também amam você.
- Eu sei. - Ri fraco. - Mas esse pessoal não se junta faz 10 anos. - Suspirei. - O momento é de vocês. - Ri fraco. - Esses dois só estão querendo aparecer um pouco.
- Reunião de dez anos. - Julie apareceu, passando o braço em minhas costas e de Vanessa. - Quem diria que as mulheres permaneciam juntas? - Rimos fraco com ela.
- 10 anos. - Comentei, virando meu rosto para que estava me encarando. Soltei uma risada fraca, dando uma mordida em meu lábio inferior e suspirei.
- E você e o , como estão? Tenho visto vocês menos. - Connie perguntou, me fazendo soltar uma risada em seguida.
- Bem, eu tenho ficado muito em Boston por causa da filial, Larry está lá também. Já tem ficado muito em casa, ele está produzindo bastante coisa, sendo convidado para várias coisas. E Violeta tem a escola, então fica aqui em Los Angeles também. - Abri um sorriso.
- Larry está em Harvard, não? O que ele está fazendo?
- Está indo para o terceiro ano de Direito, já. - Suspirei e vi Julie arregalar os olhos.
- Eu estou velha, chega disso! - Ela balançou as mãos rindo e eu sorri.
- Mas temos um legado maravilhoso para deixar para nossos filhos. - Connie sorriu, olhando em direção a seus filhos e eu sorri.
- Temos. - Sorri, vendo Larry agora com Violeta em seu colo e Liana ao seu lado.
- Olha quem tá aqui! - Senti alguém me abraçando pela cintura e me tirando alguns centímetros do chão, me fazendo assustar.
- Malcon! - Gritei com ele, fazendo-o rir e me colocar no chão.
- Ah, que saudades, gente! - Ele falou feliz, abraçando eu e Julie pelos ombros.
- Malcon, você passou ontem na confeitaria para comprar dois quilos de sonho. - Ele abriu um sorriso fraco, fazendo outros da roda rir e beijou minha bochecha.
- Que estavam magníficos, obrigado! - Ele falou, fingindo que limpava a boca de farelo.
- Ah, todo mundo junto! - Henry apareceu, abraçando Connie. - Que saudades! - Ele falou todo sentimental e eu ri.
- Oh, , não vamos exagerar! – Jackson Jones apareceu atrás dele, dando um tapa em suas costas e eu dei alguns passos para trás, abrindo a roda. - Eu nunca vi um evento tão grande. - Ele falou eu ri.
- Malcon! - Violeta chegou correndo, abraçando Malcon pela cintura e o mais velho a pegou no colo.
- Como está minha garota favorita? - Ele a ergueu no colo, abraçando-a.
- Estou bem. - Ela falou baixo, sorrindo.
- Do que estamos falando? – Ryan Maddox se colocou ao lado de Vanessa
- Nada importante, creio eu. - Dante apareceu atrás dele rindo.
- Podemos falar dos irmãos da ciência agora. - Henry falou e Ryan fez uma careta.
- Isso é tão velho, mas parece novo ainda. - Dante reclamou e eu ri, vendo as esposas começarem a se juntar e a gente formar uma grande roda em meio ao tapete vermelho.
Afinal, isso era um jantar que a Máxima estava dando para comemorar os 10 anos da primeira fase de “Os 12 Deuses do Olimpo”, ou seja, até o final de “Entre Céus e Mares”, então tinha muita gente ali. Era um jantar só com o pessoal que fez parte do elenco nessas e suas famílias, mas isso dava muita gente. Eu nunca havia visto tantos repórteres e fotógrafos assim, era muita gente, então eles estavam loucos atrás do pessoal.
- Eu não sei vocês, mas eu estou com fome. – Theo Johnson apareceu, com sua filha ao seu lado e eu ri, vendo o pessoal se explodir de risadas.
- Eu também. – Renan reclamou.
- Querendo falar nada não, mas eu aceitava muito uma bebida agora. - Meu marido apareceu atrás de mim, me abraçando pela cintura e encostando o queixo em meu ombro descoberto pelo vestido tomara-que-caia preto com costuras em dourado que imitavam penas de pavão por ele inteiro.
- Por quê? Falou demais? - Dante provocou e fez uma careta.
- Aparentemente, já tá liberado. - Meu filho falou, dando uma cutucada nos ombros do pai, saindo da sua roda dos filhos adolescentes.
- Tá liberado, galera! - Malcon gritou, me assustando e Violeta foi para o chão de novo.
- Vamos, maninha! - Larry estendeu um braço para Liana, que o segurou e deu a mão para sua irmã mais nova, andando em direção ao grande salão.
- Vamos, meu par? - estendeu o braço para mim e eu sorri, passando uma das mãos em seu rosto, sentindo sua barba roçar em minhas mãos e deu um pequeno beijo em seus lábios, fazendo-o sorrir.
- Vamos. - Segurei seu braço, andando a passos lentos para dentro. - Eu não te vejo pulando de alegria faz tempo.
- Ei, eu não estou chato. - Ele reclamou e eu ri balançando a cabeça.
- Não, não, eu digo em premiações, eventos e tudo mais. - Ele afirmou com a cabeça.
- É! - Ele abriu um largo sorriso.
- Você está com sua gangue. - Brinquei e ele riu.
- Mas a melhor parte é que vocês três estão comigo. - Ele sorriu e eu olhei para frente onde Larry, Violeta e Liana caminhavam. – E Liana, é claro. – Ri fraco. - Antes que Larry volte para faculdade, e só volte no Natal.
- Sim, mas a gente fez um bom trabalho. - Comentei e ouvi suspirar ao meu lado.
- Sim, eu tenho muito orgulho do que eles se tornaram. - Ele falou sorrindo.
- Agora está orgulhoso da sua filha jogar futebol? - Perguntei, cutucando-o.
- Você realmente vai deixar nossa pequena ir jogar bola do Qatar? - Ele perguntou.
- Eu vou deixar que ela participe do campeonato internacional que vai durar 15 dias. Até ela se formar no ensino médio, se ela quiser jogar futebol profissional vai ser aqui, ou no Brasil, perto da minha mãe. - Comentei.
- Ah tá, pensei que a mãe coruja tinha ficado largada. - Soltei uma gargalhada.
- Nunca! - Ele sorriu.
- Apesar de que, para ela querer ir para o Brasil não é difícil. – Ele ficou pensativo e eu revirei os olhos.

Olhei para o pôr do sol de Los Angeles e bebi mais um gole do meu vinho, olhando para as diversas cores que podiam ser vistas do quintal de casa. Azul, laranja, rosa, aquele dia estava perfeito para uma véspera de natal. Olhei para o lado e estava na churrasqueira, mexendo nas picanhas que eu havia escolhido mais cedo.
Apesar da vida turbulenta, os anos havia feito bem para mim e , eu ainda tentava correr um pouco toda noite. Mesmo sem Leslie eu havia criado esse costume, se estivesse em casa, ele iria comigo, mas a idade fazia com tudo começasse a ir por água abaixo e cair, literalmente, afinal, poucas pessoas chegam aos 45 inteiras sem cirurgia plástica, e eu me orgulhava de dizer que fazia parte disso, mas não faço por medo de ficar repuxada, porque gostaria de tirar um pouco do pneuzinho.
estava muito bem também, ele ainda se exercitava um pouco, não da mesma maneira que antes, mas, junto dos cabelos grisalhos em seu peito, um pouco mais abaixo podia ser vista uma barriguinha saliente, já que ele estava sem blusa, provavelmente causado pela cerveja que ele virava em sua boca, direto do gargalo.
Violeta estava boiando dentro da piscina, literalmente, o corpo deitado sobre a água e os olhos focados no céu, provavelmente observando a mesma beleza natural que eu. Aquele Natal estava quente, mas também estava maravilhoso. Violeta estava entrando na pré-adolescência, já tinha menstruado, os seios estavam começando a nascer e tudo aquilo trazia um turbilhão na minha cabeça, e principalmente na de , mas ela estava feliz.
Virei meu rosto para novamente e o vi derrubar um pouco de cerveja na barriga descoberta. Soltei uma risada e ele olhou para mim, sorrindo.
- Me encarando? – Ele gritou e eu dei de ombros, me levantando da espreguiçadeira perto da piscina e andei devagar em sua direção.
- Só vendo o que o passar dos anos fizeram com a gente. – Comentei, colocando minha taça vazia na mesa ao lado da churrasqueira.
- E o que você acha?
- Nós não somos mais tão jovens! – Falei e ele fez uma careta, sorrindo em seguida e passou os braços pela minha cintura, me abraçando.
- Mas eu te amo da mesma forma que quando nos conhecemos. – Ele comentou sorrindo e eu afirmei com a cabeça.
- Sim, e você ainda me trata como se eu tivesse 28 anos. – Comentei.
- Ah, nem passou tanto tempo assim! – Ele falou e eu sorri, passando meus braços eu seu pescoço e o abraçando fortemente.
- Desculpa dizer, amor, mas passou. - Falei e ele sorriu.
- Contato que você esteja aqui, deixa o tempo passar. – falou e eu sorri.
- Está dando uma de romântico? – Perguntei e ele deu de ombros.
- É dezembro, eu sempre sou romântico em dezembro. – Ele falou e eu ri fraco.
- Larry chegou! – Ouvi a voz de Violeta e virei o rosto para o outro lado, vendo o carro entrar na garagem e Violeta passar correndo, espalhando água para os lados. – Larry! – Violeta gritou e Larry saiu do banco do motorista, abraçando sua irmã molhada.
- Que saudades de você, peste! – Ele falou, soltando uma risada. – Só não te xingo porque vou entrar na piscina daqui a pouco.
- Presente para mim? – Ela perguntou sorrindo e eu revirei os olhos, bagunçando seus cabelos.
- Ei, seu aniversário é em uma semana. – Ele falou.
- Presente de Natal, então?! – Ela abriu um sorriso engraçado e Larry esticou o embrulho para ela que saiu pulando de alegria para a primeira mesa que viu.
- Oi, mãe! – Ele sorriu.
- Ah, meu querido! – Falei, apertando meu filho nos braços. – Que saudades de você. – Falei, colocando minhas mãos em seu rosto. – Está tudo bem?
- Está sim, mãe! – Ele afirmou com a cabeça. – Senti saudades também. – Ele sorriu.
- Como está a faculdade? – Perguntei.
- Passei em tudo! – Ele falou e eu sorri.
- Parabéns, amor! – O soltei.
- Oi, sogrinha! – Liana veio ao meu lado e eu a abracei forte. – Feliz Natal.
- Feliz Natal, meu amor.
- Filhão! – Ouvi falar e soltei Liana depois de um tempo.
- Está tudo bem em Nova York também? – Perguntei a ela que afirmou com a cabeça.
- Fala aí, família? – Derek abriu um sorriso, com os braços abertos e eu ri fraco.
- Fala aí, família! – Repeti e o abracei forte, soltando uma risada em seguida.
- Que foi? – Ele perguntou.
- Depois de anos de amizade, nós viramos parentes, hein?! – Brinquei.
- É para você ver como as coisas dão certo demais. – Ele falou e eu o soltei, abraçando Rupert que vinha logo em seguida.
- Alguém emagreceu. – Comentei e ele riu. – Parou de comer os doces da minha franquia lá do lado?
- A diabetes me pegou, , precisei fazer algo. – Ele falou e eu ri.
- Cadê sua avó? – Perguntei para Larry que falava com .
- Está chegando, a gente se perdeu deles entrando no estado da Califórnia, tio Marcus entrou errado. – Ele franziu a testa. – Mas já liguei, eles estão chegando.
- Bem, vocês estão viajando faz três dias. Sei que é véspera de Natal, mas já estamos assando uma carne para vocês se alimentarem e não ter que esperar até meia-noite para dormir.
- A gente não liga, , relaxa. – Derek falou.
- Eu ligo. – Larry falou e eu ri. – Estou com fome!
- Vai comer, gente! – Falei, empurrando-os.
- Eu tenho um presente para você e o papai depois. – Ele falou e eu revirei os olhos.
- Ah, filho, obrigada, mas você sabe que não precisa ficar gastando seu salário do escritório com a gente. – Ele deu de ombros.
- Oh meu Deus! – Ouvi um grito vindo de Violeta, que provavelmente toda a West Hollywood Hills ouviu. – É um uniforme da seleção da Itália! – Ela gritou novamente e eu ri.
- Sabia que gostaria pestinha! – Ele falou e ela esticou a blusa para mim.
- E é do Buffon! – Ela gritou novamente e eu ri, vendo o número um e o nome do goleiro favorito dela. Buffon não jogava há anos, mas ela o amava e, honestamente, eu também tive uma queda por ele quando mais nova.
- Guarda lá no seu quarto, filha, para não deixar com esse cheiro de carne logo cedo. – falou, apontando para dentro com o espeto da carne e eu ri.
- E você, senhora , como está? – Derek perguntou e eu dei de ombros.
- Eu tenho um marido saudável que me ama, meu filho mais velho se forma em dois anos, está estagiando em um escritório de advocacia em Boston, Violeta está indo bem na escola, está se dedicando cada vez mais no futebol... – Abri um sorriso. – Eu realmente não tenho o que reclamar.
- Você falou de todos, menos de você, . – Liana falou e eu ri fraco.
- Eu moro em cima de uma nuvem, gente, não poderia estar mais confortável. – Falei e eles riram e eu abracei Liana de lado. - Eu estou muito bem. – Suspirei. – me ama com a força de um adolescente e eu fico feliz por ficar fora o dia inteiro, pois às vezes não tenho a mesma força que ele para demonstrar.
- Não importa! Você o ama incondicionalmente, isso que vale. Você acha que ele também não está cansado após um longo dia de trabalho? – Soltei uma risada e senti alguém apertar as laterais da minha barriga.
- Sim, ele está, Rupert. – falou ao pé do meu ouvido. – Mas eu me esforço em parecer feliz sempre ao lado dela. – Ele beijou meu pescoço, me fazendo arrepiar.
- E eu não?! – Perguntei, passando minhas mãos em cima da dele.
- Não, definitivamente não. – Ele brincou e riu logo em seguida, me fazendo dar um tapa em sua mão. – Mas eu te amo do mesmo jeito.
- Eu também, mesmo que pareça cansada diversas vezes. – Comentei e ele sorriu.
- Fácil resolver as diferenças deles, não?! – Ouvi Rupert falar.
- Bem, se você fosse o , até eu. – Derek respondeu e eu gargalhei.
- Acho melhor a gente sair daqui. – falou em meu ouvido e eu ri.
- Eu vou junto! – Liana falou, dando de costas e eu ri.

Parei na porta do quarto e olhei para deitado na cama, rindo com alguma coisa que ele estava vendo em seu celular e eu parei um momento para olhá-lo. Mais um ano de casado, quem diria que a vida faria tão bem a gente. Que todas as dificuldades, não seriam nada comparado com todos os momentos de felicidade.
Voltei para o banheiro e tirei a toalha do meu cabelo, pendurando-a e passei um pente no meu cabelo, achando alguns cabelos brancos perto da minha raiz, me fazendo suspirar, teria que pintar de novo. Penteei meus cabelos castanhos curtos com algumas mechas douradas e franzi a testa. Estiquei minha camisola e saí do banheiro, puxando a porta do mesmo, fazendo virar o corpo para mim.
- O que você está rindo aí? – Perguntei, puxando também a porta do closet e ele balançou a cabeça, ajeitando o corpo na cama e encostando as costas na cabeceira.
- O pessoal está pegando fotos do nosso casamento e comparando com nós hoje. – Ele falou e eu sentei na cama, deitando meu corpo na cama e apoiando a cabeça em seu braço.
- A coisa está feia? – Perguntei e segurei sua mão, ouvindo-o rir.
- Não podemos impedir que os anos passem, certo? – Ele falou e eu afirmei com a cabeça, vendo-o colocar o celular de lado.
- Não mesmo! – Comentei e virei meu corpo, apoiando meus braços em seu peito e encostando minha cabeça nas mãos.
- Você ainda faz isso. – Ele falou e eu sorri, afirmando com a cabeça.
- Sim. – Falei e ele esticou o rosto, dando um beijo em minha cabeça e eu sorri. – Essa é a minha parte favorita do dia. – Falei.
- Dormir? – Neguei com a cabeça, passando a mão levemente sobre seu pescoço, onde a cicatriz branca estava mais escondida.
- Não. – Ri fraco. – Na verdade, sim, pois é o momento que eu estou mais cansada. – Ele gargalhou. – Mas deitar contigo e falar sobre nosso dia. – Suspirei. – Como foi seu trabalho, como Violeta foi na escola, quando Larry liga de Boston. – Ele me apertou em seu corpo.
- Você até arrepia ao falar disso. – Ele comentou, passando a mão em meus braços.
- Eu tenho muito orgulho da minha família, sabia? – Suspirei.
- Sei, porque eu sinto do mesmo jeito. – Ele falou. – Especialmente de você, por tudo que você batalhou. – Ri fraco, balançando a cabeça e virei meu corpo na cama novamente, encostando minha cabeça no travesseiro, afofando o travesseiro.
- É... – Ele riu fraco e eu sorri. – Obrigada! – Falei e ele se mexeu na cama, colocando uma das mãos próxima ao meu rosto e a outra em minha cintura, encostando seu corpo no meu.
- Você ainda fica encabulada quando eu te elogio. – Ele falou, roçando o nariz no meu.
- Nem vem que você também fica todo vermelho quando eu elogio seus filmes. – Falei e ele riu fraco, distribuindo curtos beijos em meu rosto.
- Para você ver como a gente é! – Ele comentou, fazendo uma careta. - Nós somos demais! – Ele falou e eu gargalhei, subindo uma mão para seus cabelos grisalhos.
- E muito metido! – Comentei, colocando a outra mão em suas costas, fazendo-o rir.
Ele desceu o rosto, dando leves beijos em meu pescoço, fazendo com que eu apertasse minha mão em seus cabelos, sentindo sua respiração fazer cócegas em meu corpo. Ele subiu o rosto em direção ao meu novamente, me fazendo sorrir. Ele encostou os lábios nos meus, iniciando um beijo lento, roçando sua língua na minha de leve, ainda causando diversos arrepios pelo meu corpo.
Seu dedo deslizou pela minha bochecha em um carinho de leve e sua mão puxava meus cabelos levemente, me fazendo soltar o ar pelo nariz. Passei a mão por seus ombros, arranhando levemente seu corpo, fazendo separar nossos lábios por um tempo, soltando a respiração pela boca e depositou mais um beijo em meu corpo, subindo a mão por dentro da minha camisola.
- Mãe! – franziu a testa antes que eu e suspiramos, passando a mão no rosto. – Mãe! – Ela gritou de novo.
- Você se lembra de quando a gente namorava? – perguntou. – Alguém nos interrompendo?
- Tenho uma lembrança vaga disso. – Respondi e saiu de cima de mim.
- Mãe! – Ouvi de novo e a porta se abriu. – Vocês já vão dormir? – Ela franziu a testa.
- Na verdade não, a gente ia... – Dei uma cotovelada em .
- O que você quer, filha? – Perguntei, me sentando na cama, passando a mão em meus cabelos molhados.
- Vou sair com as meninas e depois vou dormir na Sam, ok?! – Ela falou, puxando a porta.
- Ei, ei! – A impedi e ela abriu a porta novamente.
- Aonde vocês vão? Quem vai? – Perguntei.
- A Rachel chamou a gente para comer pizza na casa do pai dela, e depois vamos fazer uma festa do pijama na Sam! – Ela falou animada.
- Não seria mais fácil fazer a festa do pijama na casa da Rachel também? – Perguntei e ela deu de ombros.
- Já estava marcado na Sam. – Ela falou.
- Ok, leva o celular...
- Como se precisasse pedir. – falou ao meu lado.
- E me avisa quando chegar na Sam, ok?! Se você não me avisar, eu vou te ligar no meio da noite ou vou ligar na casa da Sam, combinado?
- Mãe! – Ela reclamou.
- Você pode não ir, se preferir! – falou irônico, dando de ombros.
- Ah, pai! – Ela falou e riu.
- Combinado, Violeta? – Perguntei e ela afirmou com a cabeça.
- Combinado! – Ela suspirou.
- Avisa Matt que você está saindo e que não volta hoje. – Ela afirmou com a cabeça.
- Já sei! – Ela disse.
- Pegou tudo que precisa? – Perguntei.
- Peguei. – Ela sorriu feliz. – Posso ir agora?
- Pegou toalha, roupa de cama, pijama, escova de dente... – Ela fez uma careta. – Pois é!
- Esqueci só o pijama.
- Só o mais importante em uma festa do pijama! – riu ao meu lado e eu sorri.
- Vai pegar e pode ir, liga para gente quando for para te pegar, mas tenha bom senso, hein?! Não fica lá até a noite, quando o povo começar a ir embora, vem também.
- Tá bem, mãe, eu não sou sem noção! – Ela falou e eu ri. – Até mais.
- Ei! – gritou. – E meu beijo de boa noite? Só porque tá na adolescência acha que não precisa dar beijinho nos pais? – falou irônico e eu ri.
- Boa noite, pai! – Violeta entrou no quarto, dando um beijo na bochecha de e depois deu a volta na cama.
- Boa noite, filha. – falou.
- Boa noite, mãe! – Ela falou, beijando minha bochecha e eu fiz um sinal da cruz em seu peito.
- Boa noite, amor. Que Deus te abençoe. – Falei.
- A vocês também. – Ela falou e eu sorri. – Posso ir agora?
- Vai logo, a Sam já deve estar cansada de esperar. – brincou e Violeta franziu os lábios, bufando.
- Tchau! – Ela falou e eu ri, vendo-a puxar a porta do quarto.
- Finalmente a sós! – falou, virando o corpo em cima do meu novamente e eu ri.
- Você é muito malvado quando quer, sabia? – Falei e ele riu.
- Você sabe que eu gosto de brincar com ela.
- Sei bem! – Comentei e ele deu um beijo em meus lábios novamente.
- Mas é por situações assim que eu sinto falta da nossa época de namorados. – Ele comentou.
- Não adianta. Esses tempos não voltam mais. – Falei e ele ponderou com a cabeça, rindo, beijando meus lábios novamente.

Eu fingia que não estava ouvindo nada, mas Larry e falavam um pouco alto, então tudo que eles falavam, eu podia ouvir com clareza.
- Eu a amo demais! – falou, suspirando em seguida.
- Amar nunca é demais! – Larry falou.
- Meu filho virou poeta agora?
- Ué, eu cresci com meus pais falando para eu testar meus diferentes talentos, alguma coisa tem que dar certo. – Abri um sorriso de lado, mexendo nas revistas a minha frente.
- Seu talento é ser uma pessoa boa, Larry, você não se deixa abalar. Por isso que escolheu ser advogado, para fazer o bem. – Virei o rosto para trás, vendo os dois dando um gole em suas cervejas e ficou levemente vermelho, dando um sorriso para mim.
- Eu te amo. – Movimentei os lábios e ele piscou para mim.
- O que você está fazendo aí, mãe? – Larry perguntou, enquanto eu separava as revistas uma do lado da outra.
- Isso aqui, filho, são todas as notícias que saíram do seu pai, de mim, ou de nós, desde que nos conhecemos. – Falei e Violeta surgiu ao meu lado, com Joseph um pouco atrás dela. – Há 17 anos.
- Mentira! – Ela gritou.
- Não, só olhar. Algumas nós somos capas, outras têm notícias pequenas nas páginas internas, outras são fotos que eu guardo dos eventos. – Fui mostrando as pilhas para ela.
- É por isso que o quartinho está cheio de coisas! – Larry falou.
- A gente ocupa bastante espaço! – brincou, aparecendo o meu lado.
- Aqui, essa é do nosso casamento. – Estendi a revista que fomos capa. – Essa foi quando a Violeta nasceu. – Estendi outra capa. – Essa foi quando seu pai ganhou três Oscares de uma vez só. – Estendi outra. – Quando adotamos você. – Ergui outra capa. – E por aí vai! – Falei rindo fraco.
- Que fashion você era, Violeta! – Larry falou e eu ri fraco, vendo Violeta empurrá-lo. - E qual é a mais importante para você? – Larry perguntou e eu suspirei, tive um estalo e comecei a procurar pela revista mais importante de todas.
- Essa! – Ergui uma revista da People, onde nenhum de nós dois era capa.
- Por que essa? – Abri a página marcada e estendi a Violeta que perguntou.
- Era as últimas gravações do segundo filme do Poseidon, e o primeiro compromisso que eu acompanhei seu pai.
- Tudo começou aí! – falou e Violeta olhou a pequena manchete onde tinha uma foto dos bastidores e uma nota falando que as gravações em Cleveland estavam acabando.
- Papai loiro? Essa é nova para mim. – Violeta falou.
- Espera aí, você nunca viu Poseidon? – Larry gritou para ela.
- Não, eles não me deixavam ver alguns filmes.
- E depois ela acabou esquecendo! – Falei.
- Até eu já assisti. – Joseph comentou e apontou rindo.
- Viu?!
- Ah não, vamos mudar isso agora! – Larry se levantou na pressa e correu ligar a TV da sala e procurou entre os DVDs antigos guardados, o primeiro do Poseidon. – Senta aí! – Ele falou e Violeta se acomodou no sofá, cheia dos risinhos nos lábios e eu e nos sentamos no sofá lateral.
Eu assisti àquele filme diversas vezes, mas fazia anos que eu não assistia o filme em que tudo, mas parecia que eu nunca tivesse deixado de assistir, tudo trazia uma lembrança boa para mim, não tinha como ser diferente.
Os comentários de Violeta eram os melhores, mas a melhor parte estava para vir, a parte da transformação, que Poseidon virava o rei dos mares. Minha filha nem piscava com a transformação, seus dedos mexiam igual os do pai, era nervosismo aquilo, era certeza, e quando as portas se abriram, ela ficou encarando o pai. – Ok, agora eu sei por que a mãe se apaixonou por você.
- Ah, maldosa! – brincou, jogando uma almofada nela, que riu.
- Licença que eu estou vendo um filme. - Ela falou, pegando a almofada, e eu ri fraco.
- Eu podia escrever um livro sobre isso. – Falei baixo, ao pé do ouvido de .
- Pensando em ser escritora agora?
- Nunca pensei, a ideia surgiu agora. – Ri fraco.
- Quem sabe um roteiro, você vende os direitos para mim e eu produzo.
- Pretensioso! E por que eu venderia os direitos para você? – Ele riu fraco e eu virei meu corpo, encostando minhas costas nele, voltando a acompanhar o filme, enquanto sentia um carinho gostoso em meus braços.
- Porque você me ama! – Ele falou, estalando um beijo em minha bochecha e eu ri, sentindo cócegas.
- Sim, eu amo! – Abri um sorriso, apertando seus braços em meu corpo.




Epílogo

- Cheguei! – Gritei, batendo a porta de casa e vendo a louça seca do aniversário de Larry em cima da pia e imediatamente deu preguiça de guardar.
- Tô no quarto. – Ouvi a voz da Violeta e caminhei em direção ao seu quarto, onde ela estava apoiada na escrivaninha, com diversos cadernos a sua volta. – Oi.
- Oi, filha, como foi o dia? – Perguntei.
- Foi tudo certo, tenho prova de física amanhã.
- Precisa de ajuda? – Ela negou com a cabeça.
- Não, fiquei no reforço até tarde hoje, já ajudou. – Afirmei com a cabeça.
- Qualquer coisa me chama. – Falei.
- Tá, o Larry ligou e disse que já chegou em Boston de novo, ele falou que quer falar sobre o presente de aniversário do papai mais tarde, quando o papai estiver bem longe. – Afirmei com a cabeça.
- Falando nele, onde ele está?
- Está lá no escritório. – Ela falou e eu afirmei com a cabeça.
- Estuda bastante! – Falei e puxei a porta novamente.
Passei pelo quarto, tirei meus sapatos e coloquei meus chinelos no lugar. Joguei minha bolsa em cima da cama, depois daria um jeito naquilo, o dia havia sido corrido e eu precisava descansar. Passei pela porta do meu quarto que dava para varanda e saí da mesma, pisando na grama. Olhei a porta do antigo quartinho aberta e entrei na mesma, vendo sentado na escrivaninha, de costas para a porta.
- Cheguei! – Falei e ele virou o rosto para mim.
- Ei, como está? – Entrei no quartinho, devagar para não esbarrar nas caixas jogadas pelo local ainda.
- Cansada, mas nada que um banho e sono não resolvam, e aí? – Perguntei.
- Recebi um novo roteiro hoje. – Ele falou suspirando.
- Atuação ou direção? – Perguntei.
- Direção. – Ele suspirou, fazendo uma careta sofrida.
- E por que parece que esse é tão difícil de aceitar ou negar? – Perguntei.
- Porque é uma produção gigantesca. – Ele ergueu o roteiro e eu arregalei os olhos.
- Nossa! Essa é grande mesmo. – Me aproximei dele, colocando minhas mãos em seus ombros e encostando o queixo na sua cabeça.
- O que você acha? – Ele perguntou.
- Eles mandaram isso só para você? – Perguntei.
- Sim, eu sou a primeira opção.
- Bem, se eles te mandaram, é porque sabem que você é capaz, acho que você só precisa confiar em si mesmo.
- Você confia em mim?
- Claro que sim e o melhor é que você sabe como funciona, depois do seu primeiro filme você se especializou, aprendeu. Já dirigiu vários outros filmes, ganhou vários prêmios. A diferença é que esse tem mais efeitos especiais. – Dei de ombros e ele riu fraco.
- Eu estou com medo de não dar conta. – Ele suspirou.
- Dá sim! – Abaixei meu rosto, dando um beijo em sua bochecha.
- Então, você acha que eu deveria aceitar? – Ele virou o rosto para mim.
- Acho! Você já treinou bastante com produções menores, agora precisa dar uma guinada nisso. – Ele suspirou. – Você precisa responder ainda hoje?
- Não, dá para eu pensar.
- Então, vamos lá para dentro, tomar um banho quente, relaxar, faço um chocolate quente... – Falei, puxando sua cadeira para trás, fazendo com que ele se levantasse.
- Acho que eu gostei dessa ideia. – Ele falou, caminhando até a porta.
- Mas, se minha opinião valer de alguma coisa, você deveria aceitar.
- Vou conversar com alguns diretores da marca e pedir uma opinião de profissional. – Afirmei com a cabeça e suspirei, dando mais uma olhada no roteiro, que parecia mais um livro grosso, com o tão conhecido logo vermelho da Máxima estampado na capa, o nome de algum super-heróis no título e diversos carimbos de “Secreto” colados no mesmo, abri um sorriso. Seria igual com o Poseidon, ele também não achava que devia fazer e foi um dos maiores sucessos desse estúdio.
Suspirei, com um sorriso tímido no rosto, sentindo cada vez mais orgulho do homem com quem eu havia me casado. Puxei a porta do escritório, correndo até meu marido e segurei sua mão, entrelaçando-as, fazendo-o dar uma piscada para mim e eu ri fraco. Entrei em casa, seguindo em direção à cozinha e me puxou para outra direção, me fazendo rir, estalando um beijo no topo da minha cabeça, me fazendo sorrir.


E agora, uma conto bônus!
Passos de Nova Geração

5 Anos Depois


(Amor, não significa nada, a menos que você esteja aqui para dividir comigo. Eu posso respirar, eu posso sangrar, eu posso morrer em meu sono, porque você sempre estará nos meus sonhos. - Fall Again, Glenn Lewis).

- Ah, finalmente em casa! – falou, jogando as malas no corredor em frente à porta e eu suspirei, seguindo-o.
- A gente nunca mais vai fazer algo assim. – Falei, suspirando, seguindo para a cozinha e procurando por um copo.
- Ah, amor, foi legal! – Ele disse, se apoiando no balcão e eu enchi o copo com água.
- Sim, foi maravilhoso, Bora Bora é incrível, mas não é uma viagem para fazer em cinco dias. – Suspirei, apoiando os braços na bancada e ele segurou minhas mãos, sorrindo.
- Não é culpa minha que alguém não desapega do trabalho. – Ele falou e eu revirei os olhos, suspirando.
- Ei, quem tem compromisso antes de ir para Washington é você! – Falei e ele franziu a testa.
- Eu preciso dormir por uns dois dias seguidos antes de estar preparado para qualquer coisa. – Ri fraco, balançando a cabeça.
- Eu preciso ligar para o pessoal e ver como estão as coisas nas confeitarias. – Ele suspirou.
- Você precisa parar de trabalhar. – Ele disse, se levantando novamente e eu ri fraco, balançando a cabeça.
- Nem vem! – Ri fraco. – Eu estou na melhor fase da minha vida. – Ele balançou a cabeça.
- Olha quem voltou! – Sorri ao ver Matt entrando pela porta que dava para a varanda.
- Oi, Matt, tudo bem? – Perguntei ao nosso segurança.
- Tudo bem! – Ele sorriu. – Como foi a viagem?
- Maravilhosa, mas bem cansativa! – Ele assentiu com a cabeça sorrindo. – Cadê Jordan?
- Falando com o pessoal que está limpando a piscina. – Concordei, suspirando.
- Nem sei por que não esvaziamos a piscina, não vai ser nesse inverno que vamos usar. – comentou, rindo.
- Para de besteira, você é o primeiro a querer nadar quando faz um calor exagerado. – Ele deu de ombros. – Quais as novidades, Matt? – Perguntei.
- Senhor Rupert enviou um vestido para você ir à première do senhor e enviou o vestido para o casamento. Ele quer saber se você aprova, se não, falar com o pessoal do ateliê dele em Los Angeles. – Ri fraco.
- Eu posso ter ganhado alguns quilos nos últimos anos, mas ele sabe que eu sempre estou satisfeita com os trabalhos dele. – Ele riu fraco, balançando a cabeça.
- Foi o que eu disse. – Ele comentou. – Não sobre os quilos a mais... – gargalhou.
- Eu sei, querido! – Suspirei. – Não sou mais quem eu costumava ser, mas ainda sim...
- Meus patrões favoritos! – Jordan apareceu pela porta e eu ri fraco.
- Ah, meu Deus, o que você quer? – falou rindo.
- Já prometemos dar férias para vocês dois enquanto estivermos em Washington, até o ano novo. – Falei e eles riram.
- Que isso, só estou feliz em ver vocês bem! – Balancei a cabeça.
- Bem, senhores, foi muito bom ver vocês. – Falei, batendo a mão nos ombros de . – Eu preciso tomar um banho, desfazer mala... – Balancei a cabeça. – Obrigada por ficar de olho na casa para gente. – Eles assentiram com a cabeça. – Não sei o turno de quem é agora, mas um de vocês precisa ir para casa. – Eles riram.
- Eu já vou. – Matt falou e eu assenti com a cabeça.
- Ah, , sua irmã ligou, ela quer saber se encontra vocês aqui ou em Washington. – Suspirei e cocei a cabeça.
- Ok, eu ligo para Lílian. E minha mãe?
- Tanto sua mãe, quanto a de , disse que encontram vocês em Washington. – Suspirei.
- Bem, se uma senhora de quase 80 anos consegue se virar sozinha, quem sou eu para dizer, certo? – Eles riram. – Até mais, senhores. – Acenei com a cabeça.
- Eu vou aproveitar a deixa também. – falou.
Passei pelo quarto de Larry e de Violeta e vi que ambos estavam do mesmo jeito que eles haviam deixado depois das férias de meio de ano. Fazia algum tempo que era só eu e nessa casa.
Eu havia chego aos meus 50 anos no meio do ano e aos seus 55, muita coisa havia mudado desde o último Natal com todos morando aqui. Violeta havia se mudado para Turim, na Itália, ela era goleira do time feminino de lá, agora com seus quase 21 anos, já estava realizando diversos dos sonhos que eu sei que eu demorei em realizar.
Violeta havia caído no lado mais artístico e cultural da coisa, como . Larry havia ido para o meu lado. Após se formar com honras e um ano antes em Harvard, ele havia conseguido um emprego no Pentágono como advogado criminal, trabalhando ao lado do presidente dos Estados Unidos.
Ambos estão muito bem. Apesar de tudo, nossos filhos haviam chego no lugar que toda mãe sonha, no topo, e nem precisou com que a gente intervisse em nada, foi puro mérito deles. E agora, após sete anos de namoro, Larry e Liana finalmente se casariam, poucos dias antes do Natal, como estávamos acostumados. A cerimônia seria em Washington, onde eles moram há alguns anos.
Ah, além disso, Liana havia se formado em Julliard pouco antes de Larry e, quando eles decidiram se mudar juntos para Washington, ela ingressou no grupo de balé de lá, tendo nós já assistido várias de suas peças e solos maravilhosos.
- Você quer companhia no banho? – Ri com a pergunta de e balancei a cabeça.
- Não mesmo! – Falei, empurrando-o de leve. – Sabia que parece que você não mudou nada nesses 25 anos que a gente se conhece? – Ele abriu um largo sorriso.
- Posso estar velho, mas o espírito ainda é jovem. – Ri fraco.
- Pega as malas lá na sala e jogue tudo na cama, depois eu organizo. – Falei, entrando no banheiro e fechando a porta.

- O telefone está tocando. – falou e eu suspirei, franzindo a testa.
- Eu sei. – Fiz uma careta, suspirando.
- Atende. – falou e eu suspirei.
- O telefone está do seu lado. – Ele bufou e eu abri os olhos, vendo-o rolar para o lado contrário ao meu e soltar um suspiro alto.
- Alô? – Ele falou meio sonolento e eu respirei fundo, coçando os olhos. – O que você está fazendo ligando a essa hora, Violeta? – Ele falou e eu arregalei os olhos.
- É ela? – Sentei na cama correndo.
- É sim. – Ele disse. – Nove horas de diferença, aqui são cinco da manhã. - E eu saí correndo em direção a sala, procurando outro telefone e coloquei na orelha.
- Filha? – Gritei animada.
- Oi, mãe! – Violeta falou animada. – Como vocês estão? Como foi a viagem?
- Ah, querida, foi bom demais, pena que foi muito rápido.
- Vocês sabem que ela está gastando com ligação internacional, não é? – falou da outra extensão.
- Quem vai pagar é ela, então eu nem ligo. – Falei e minha filha riu do outro lado da linha.
- Eu cheguei em Roma faz pouco tempo, liguei para dizer que eu chego aí hoje a noite.
- Ah que bom, querida! – Falei feliz. – Mamãe está com saudades. – Ela riu.
- Eu sei, mãe, eu também estou.
- Chega hoje do horário de Los Angeles, não é? – perguntou.
- É, pai! – Ela falou rindo.
- Filha, podem ser duas da tarde para você, mas são cinco da manhã ainda, eu não to sabendo calcular. – Ele disse, me fazendo rir.
- Mas isso não é culpa do horário, pai! – Ela respondeu e eu segurei a risada, seguindo de volta para o quarto, me sentando na beirada da cama.
- Vou deixar você falando sozinha, hein?! – falou e eu passei a mão em sua perna, negando com a cabeça, e ele colocou a mão na boca, tentando segurar a risada.
- Enfim, vocês podem me pegar? – Violeta perguntou.
- Claro, querida! – Suspirei. – Estaremos lá, não se preocupe. Estamos com saudades.
- Sim, querida. – falou sorrindo.
- Ah, mãe... – Ela falou e eu notei que estava meio indecisa sobre o assunto.
- O quê? – Perguntei receosa.
- Pai, não me mate! – Ela disse e eu suspirei.
- O que foi, Violeta? – Respirei fundo.
- Eu estou levando alguém. – Ela disse e eu abri um pequeno sorriso, suspirando.
- O quê? – gritou e eu dei um beliscão em sua perna. – Ai.
- Sério? – Perguntei.
- Sim, Larry disse que eu podia. – Assenti com a cabeça.
- É aquela pessoa que você me contou? – Perguntei com um pequeno sorriso no rosto.
- É sim! – Assenti com a cabeça, suspirando.
- Quem? – perguntou, olhando para mim.
- Faça uma boa viagem, querida, eu falo com seu pai. – Falei sorrindo. – Estaremos lá sim, manda por WhatsApp o número do voo para gente rastrear.
- Ok, mãe, pode deixar.
- Boa viagem, filha. Quem é essa pessoa? – perguntou alto e eu ri.
- Tchau, até algumas horas. – Ela disse e eu desliguei o telefone, suspirando.
- O que está acontecendo aqui? Que máfia é essa? – perguntou e eu ri fraco, abaixando o telefone e me virei na cama, rindo fraco.
- Você sabe que sua filha está namorando, certo? – Olhei para ele.
- Eu já suspeitava, pela forma que ela fala e tudo mais. – Ele deu de ombros. – Ela tem 20 anos, não é como se eu fosse me preocupar, mas queria saber quem é o tonto. – Ele bufou e eu suspirei.
- A tonta, você quer dizer. – Falei e ele arregalou os olhos.
- Ela é...
- Não sei. – Balancei a cabeça, erguendo as mãos. – Eu aprendi com seu irmão a não colocar rótulos em ninguém. – Suspirei. – Mas ela tinha me contado dessa menina, que elas estavam saindo e virou algo sério. – Ela deu de ombros.
- Mas ela namorou o Joseph... – Ele estava incrédulo.
- Amor, isso não quer dizer nada. – Acariciei sua perna e ele suspirou, balançando a cabeça.
- Ela é jogadora como a Violeta? – Ri fraco.
- Não, eu não sei o que ela faz, na verdade, mas sei que ela não é italiana também. – Dei de ombros. – Amanhã a gente descobre.
- Ah meu Deus! – Ele soltou um suspiro alto. – Não é assim que se conta as coisas, nem que nossa filha é gay e nem que ela tem alguém. – Ri fraco, me levantando novamente.
- Você deveria voltar a usar seu Instagram, se for a menina que ela vive postando fotos juntas, eu sei quem é. – Dei de ombros, colocando o chinelo e ele passou a mão na cabeça.
- Isso é muito para um dia. – Revirei os olhos.
- Nem é, vai! Você tem algumas horas para processar. – Ele deu de ombros e eu ri fraco.
- Aonde você vai? São cinco da manhã.
- Minha filha está chegando, vou preparar várias coisas para ela comer, doces e tudo mais. – Dei de ombros.
- Coisas que se o treinador dela descobrir, ele te mata. – Ri fraco.
- É só ele não descobrir. – Mandei um sorriso para ele e o vi jogar o rosto de volta no travesseiro.

- Você está vendo elas? – me perguntou pela centésima vez e eu suspirei, olhando para a televisão no alto da parede.
- O avião acabou de pousar, . – Ele suspirou, passando a mão no rosto.
- Eu estou com sono. – Ri fraco, balançando a cabeça.
- Não é mais tão jovem, hein?! – Ele franziu a testa.
- São 11 da noite, . – Ele virou para mim, me fazendo rir.
- É amor, a vida não melhora com o passar do tempo. – Ele riu fraco, me abraçando de lado.
- Eu estou ficando preocupado. – Ele comentou e eu ri fraco, olhando para o lado.
- Dê atenção para as meninas que vem chegando.
- ? – Ri ao ver algumas adolescentes aparecerem. – Pode tirar uma foto com a gente?
- Claro! – falou e eu voltei a olhar para a TV em frente à saída de voos internacionais e suspirei, conferindo o relógio mais uma vez.
- Obrigada! – As ouvi dizer e sair puxando suas malas, me fazendo sorrir.
- Eu acho que vou ao banheiro! – Ele disse e eu suspirei, apertando o casaco no corpo.
- Mãe? – Virei o rosto, abrindo um largo sorriso ao ver minha menina com um largo sorriso, puxando uma grande mala e saindo da sala de desembarque.
Joguei minha bolsa para e dei uma rápida corrida em sua direção, vendo-a vir muito mais rápido e abracei minha filha fortemente, passando meus braços pelo seu corpo e respirei fundo, sentindo que estava chorando e ri fraco. Nos separamos rapidamente e segurei seu rosto em minhas mãos, vendo seus olhos azuis chorando também. Passei a mão em seus cabelos, agora curtos e com mechas rosa no mesmo, me fazendo rir.
- Você pintou seu cabelo? – Perguntei rindo.
- É isso que você vai falar depois de ficar seis meses sem me ver? – Ela falou e eu ri fraco, estalando alguns beijos em seu rosto, apertando-a em meus braços novamente.
- Ah, minha querida. Senti saudades. – Falei sorrindo. – Como você está?
- Eu estou bem! – Ela sorriu. – Eu estou em casa. – Assenti com a cabeça.
- Como vai minha goleira favorita? – falou e eu ri fraco, vendo-os se abraçarem fortemente.
- Ah, pai! – Ela falou rindo. – Como vocês estão? – Ela tinha um largo sorriso no rosto.
- Bem, e felizes por você estar aqui. – sorriu e eu observei um pouco longe uma loira meio tímida atrás de Violeta.
- Não vai nos apresentar? – Perguntei e ela bateu com a mão na cabeça, rindo fraco.
- Ah meu Deus! – Ela falou rindo. – Polly, vem cá! – Ela disse e eu abri um sorriso, a moça era loira e tinha a pele bem clara, contrastando com o bronzeado que Violeta tinha adquirido de ficar bastante tempo no sol. – Mãe, pai, essa é Polly, minha namorada. – Abri um largo sorriso e vi a menina ficar envergonhada um momento. - Polly, esses são meus pais.
- É um prazer te conhecer, querida! – Sorri, abrindo os braços para um abraço que ela aceitou rindo.
- O prazer é meu. Violeta disse muito sobre vocês. – Ela sorriu e eu a soltei, rindo fraco.
- Eu gostaria de dizer o mesmo, mas fiquei sabendo sobre você hoje de manhã! – falou rindo e abraçou a loira, me fazendo rir.
- Desculpa, eu não sabia como você reagiria. - Violeta falou rindo.
- Eu sou um pai legal, Vi, só não gostei da minha esposa escondendo de mim. – Revirei os olhos.
- Vamos para casa, meninas? – Perguntei. – Eu fiz sua comida favorita, com muitos cookies para você largar a dieta um pouco. – Ela riu fraco, balançando a cabeça.
- Você fez lasanha? – Ela perguntou, arregalando os olhos e eu ri fraco.
- Três, para garantir que tenha o sabor que todo mundo gosta. – Ela riu fraco. – E sim, fiz com presunto cru e ricota.
- Ah mãe, obrigada! – Ela me abraçou de lado. – Sério, a melhor parte de estar na Itália é comer, mas também é a pior parte, eu não posso comer nada. – Polly riu do meu outro lado.
- Me deem suas malas, meninas. – falou, pegando a mochila do ombro de Polly e a mala de puxar de Violeta.
- Então, Polly, me diga, o que você faz? – Ela riu fraco, olhando para o chão.
- Eu sou australiana e estudo moda em Milão...
- Ah que legal! – Abri um sorriso. – Mais uma colega para fazer roupas maravilhosas para gente. – Ela riu fraco, colocando o cabelo atrás da orelha.
- Ela está fazendo estágio no estúdio da Marchesa. – Violeta disse.
- Isso é grande! – falou surpreso.
- É, mas eu queria estagiar com o Van Sanders. – Polly falou tímida e eu ri fraco.
- Bem, Violeta deve ter dito que meu filho vai casar com a filha dele? – Ela riu fraco.
- Sim, ela mencionou. – Polly assentiu com a cabeça, rindo fraco.
- Bem, então, ela pode arranjar um papo entre vocês. – falou, piscando para nossa filha, me fazendo rir.
- E como vocês se conheceram? – Perguntei, destravando o carro e vi abrir o porta-malas e eu abri a porta de trás para as meninas.
- Polly é Juventina também, então, um dia ela foi visitar o estádio e a gente estava treinando. – Violeta deu de ombros e eu ri fraco.
- Ah, gente, estou feliz, mesmo! – Sorri. – Espero que você goste daqui, Polly. Que se sinta em casa. – Ela sorriu.
- Aposto que vou gostar, senhora , vocês são ótimos. – Ri fraco.
- A senhora estará no casamento também, aqui é ‘tia’ ou , sua escolha. – Ela riu fraco, assentindo com a cabeça.
- Vamos para casa que eu estou faminta. – Violeta falou, nos fazendo rir.

- Olá, meus amores! – Falei, empurrando a porta da confeitaria, ouvindo o sininho tocar e todas as pessoas atrás do balcão sorriram para mim.
- Olha quem voltou! – Joshua falou e eu sorri, me aproximando dos mesmos. – A viagem foi boa, é?! – Ri fraco, balançando a cabeça.
- Foi ótima, mas a felicidade é por outro motivo. – Sorri para eles, apoiando as mãos no vidro.
- Hum, deveria saber qual é? – Mary perguntou.
- Meu bebê está em casa! – Eles abriram largos sorrisos, rindo da forma que eu falava de Violeta.
- Ah que bom. – Nina sorriu. – Aproveitando bastante. – Ri fraco.
- Não tanto quanto eu gostaria, ela trouxe a namorada. – Eles arregalaram os olhos.
- Namorada? – Joshua perguntou. – Ela é das minhas, é? – Ri fraco, balançando a cabeça.
- Aparentemente sim. – Dei de ombros. – Ela já havia me contado que tinha essa suspeita, mas deu uma surtada um pouco, mas está tudo bem. – Ri fraco.
- To achando que ela descobriu meio tarde. – Joshua colocou a mão no queixo e eu ri fraco.
- Não vamos esquecer que até os 17 anos ela ficou jogando futebol aqui em Los Angeles mesmo, teve um curto relacionamento com Joseph e nunca focou em outras coisas, e aposto que na Itália ela deve sair só com as meninas do time.
- E ela é do time? – Balancei a cabeça.
- Ironicamente não, é uma aluna de moda, bem simpática por sinal. – Ri fraco e eles balançaram a cabeça.
- Manda um beijo para ela. – Joshua falou. – Quando vocês vão para Washington? – Ele perguntou.
- Em uma semana. – Suspirei. – Ainda temos muito que fazer. – Eles assentiram com a cabeça. – Cadê Eveline? Preciso falar com ela do bolo.
- Ela chegou cedo e não saiu mais do escritório. – Assenti com a cabeça.
- Eu vou falar com ela, depois volto para falar com vocês sobre o fim do ano. – Eles confirmaram com a cabeça e eu segui para o fundo da confeitaria, subindo a nova escada em espiral no fundo e empurrei a porta do escritório, sentindo o ar quente mais forte lá dentro. – Parece que alguém está com frio. – Entrei no mesmo, vendo dois olhos grandes por trás dos óculos de grau de Eveline aparecer atrás do computador.
- Oi, chefia, tudo bem? – Ri fraco, me sentando na cadeira em frente a ela.
- Tudo bem e contigo? – Ela suspirou.
- Tudo bem sim. – Ela sorriu.
- Eu vim saber como estão as coisas do casamento de Liana lá em Washington? Não quero ter que resolver nada em cima da hora lá. – Ela assentiu com a cabeça.
- Liana já resolveu tudo e eles começaram a produção, ela escolheu o bolo de merengue com pasta americana branca, pérolas e flores comestíveis, o recheio de caramelo com nozes glaceadas e morango, e alguns doces básicos, para lembrança eles optaram por um par de cupcakes com cobertura preta e branca. – Assenti com a cabeça.
- Falou sobre a alergia de Liana a lactose? – Perguntei e seus olhos arregalaram rapidamente.
- Ah, meu Deus! – Ela disse, correndo para pegar o telefone e eu suspirei, esticando as pernas na cadeira da frente e fiquei ouvindo a conversa. – Eu preciso falar com America agora! – Ela disse e esperou alguns segundos, soltando a respiração alta. – America, aqui é Eveline da matriz de Los Angeles, os bolos e doces do casamento Sanders já começaram a ser produzidos? – Ela esperou pela resposta. – Cancela agora! – Ela gritou. – Todos eles precisam ser feitos com leite de soja. – Ela falou alto me fazendo olhar assustada para ela. – Como assim o carregamento chega só em três dias? Eu mandei faz tempo. – Ela falou alto e eu suspirei, segurando a risada. – Eu não ligo, America, ela é a noiva, é a noiva do filho da nossa chefe que está casando, faça um milagre, compre aí e resolva isso. – Ela disse, colocando a mão na testa. – Eu vou ligar amanhã, se isso não estiver resolvido, você receberá uma ligação da . – Ri fraco, vendo-a abrir um largo sorriso e ela desligou o telefone.
- Calma, Eveline! – Falei, colocando a mão em cima da sua. – Relaxa! – Ela riu fraco, suspirando.
- Desculpa, é que é muita coisa, eu estou trabalhando 14 horas por dia e parece que não é o suficiente. – Arregalei os olhos.
- Espera aí! – Me levantei. – Eu não sabia dessa. Como você não me informa? – Ela suspirou.
- Ai, , é que são 28 franquias, é muita coisa para administrar e tem os carregamentos certos para cada franquia. – Assenti com a cabeça.
- Então, vamos fazer o seguinte, você saia daqui as seis da tarde, mesmo se tiver coisa pendente. Manda no meu e-mail as planilhas desse mês que eu vou dar uma olhada e ver se a gente pode contratar mais umas duas pessoas, até Joana voltar de férias, para ajudar vocês. – Ela assentiu com a cabeça.
- Obrigada! – Ela sorriu, quase em um alívio.
- E manda o telefone da America no meu WhatsApp, ela realmente vai querer falar comigo. – Ela riu. – Café? – Ela apontou para o computador. - É uma ordem. – Falei e ela sorriu, fechando a tela do notebook.

- Você está sempre arrasando, hein, mãe? – Violeta falou quando eu apareci na sala de estar com um vestido decotado dourado, colado no corpo e eu ri fraco.
- Você sabe que Rupert ainda deixa seus melhores desenhos para mim. – Dei uma volta e ela riu fraco, sorrindo.
- Vocês duas também estão muito bem. – Elas sorriram, se levantando, fazendo poses com seus vestidos floridos e curtos.
- Obrigada! – Elas disseram juntas.
- Vamos, então? – falou, saindo do quarto e eu sorri ao vê-lo, ajeitando sua gravata e ele sorriu, depositando um beijo em minha testa.
- Vamos, querido! – Falei e ele estendeu a mão para mim e caminhamos para fora de casa, com Violeta e Polly atrás de nós.
Seguimos para fora de casa e Henry nos esperava no carro com a porta aberta e eu sorri, entrando no banco de trás com as meninas. foi na frente e logo o carro saiu.
- E aí, Henry, o que está achando de Los Angeles no inverno? – Ele riu fraco.
- Melhor que Boston, senhora . – Ele respondeu e as meninas riram.
- Saudades de quando ele me chamava de senhorita. – Comentei e suspirei.
- Faz um tempo, amor. – comentou e eu estiquei a mão, colocando em seu ombro.
- Pai, sobre o que se trata esse filme? – Violeta perguntou.
- Não fez a lição de casa, é? – Ele perguntou, me fazendo rir.
- Eu não vejo um filme no cinema faz quase um ano pai, é só Netflix. – Ri fraco, balançando a cabeça.
- É o terceiro filme dos Super Táticos. – Ele disse. – Da Máxima, final da trilogia. Eu sou o diretor. – Ri fraco.
- Ah, esse eu gosto! – Polly comentou. – O que vai acontecer com a Mulher Magia? – Ri fraco, franzindo a testa.
- Vai ter que assistir para ver. – comentou.
- Eu acho que eu parei de assistir após o segundo, quantos foram depois disso? – Ri fraco.
- Ah, filha, é a Máxima, você tem uma penca de filmes interligados para ver. – Ela suspirou, cruzando os braços.
- Depois a gente assiste. – Polly falou. – O segundo da Mulher Magia é demais!
- Que bom que gostou, Polly! – falou e eu revirei os olhos, olhando para Violeta que segurava a risada.
- Mas eu sinto saudades do senhor como ator. – Ela comentou.
- Você não é a única. – Comentei e ficou quieto. – Ele não quer fazer filmes porque só dão papel de velho para ele.
- Não é só por isso. – Ele comentou, me fazendo rir.
- É sim! – Falei. – Nem vem! – Suspirei.
- Chegamos! – Henry falou e a porta ao lado de Polly foi aberta, fazendo com que as duas saíssem e eu fosse em seguida, vendo esticar a mão para mim. Senti os holofotes do tapete vermelho me cegarem e abri um largo sorriso quando os fãs começaram a gritar por nós.
- Vamos, querido, depois a gente conversa sobre você voltar a atuar. – Ele riu fraco, afirmando com a cabeça e eu dei o braço para ele, ajeitando a barra do vestido e caminhei com pelo tapete vermelho, sorrindo para os fãs e fotógrafos que ali estavam.

- Para, Violeta! – Falei, batendo a mão na da minha filha.
- Ai, mãe! – Ela reclamou, soltando o cookie. – Você fez para gente comer, caramba.
- Sim, comer, não se matar pela boca. – Polly riu ao meu lado. – Seu treinador vai me matar se você aumentar seu peso.
- Ah, eu perco de novo. – Ela falou, me fazendo revirar os olhos e voltei a olhar para a panela de molho vermelho que borbulhava.
- Cadê seu pai? – Perguntei.
- Escritório! – Ela disse, se sentando na bancada e abraçando Polly pelos ombros.
- está no escritório e sua irmã está aqui! – Me assustei ao ver a louca da minha irmã entrando pela porta da frente de casa.
- Titia! – Violeta falou animada.
- Prima! – Eduarda falou e ambas sorriram, se abraçando correndo e eu desliguei o fogão, saindo de trás do balcão e abraçando minha irmã.
- Só um compromisso familiar para gente se ver, não é? – Ela falou, me apertando pelos ombros.
- Ah, Lílian! – Sorri. – Faz tempo mesmo.
- Não sou eu que sou dona de 50 franquias da confeitaria mais famosa dos Estados Unidos e não tenho tempo nem para uma viagem com meu marido. – Lílian foi irônica e eu ri fraco.
- 28, mas você chegou perto! – Falei e ela riu. - Cadê Jonas? – Perguntei olhando para a porta.
- Sendo um cavalheiro e trazendo as malas das senhoritas! – Ele falou, colocando as malas no canto da porta e abri um sorriso.
- Você está mais bonito a cada dia, hein?! – Falei, franzindo os lábios e ele riu.
- Igual um bom vinho! – Lílian disse, passando o braço ao redor do seu marido, me fazendo rir.
- E aí, querida? – Falei para a Eduarda de 16 anos, dando um beijo em sua bochecha.
- Tudo certo! – Ela sorriu.
- Então, quem é a intrusa? – Lílian perguntou e eu ri fraco, olhando para Violeta e ela assentiu com a cabeça.
- Essa é Polly! – Falei, segurando-a pelos ombros. – Namorada da Violeta.
- Nossa! Tá podendo, hein?! – Lílian falou, me fazendo rir. – Eu sou Lílian, Jonas e Eduarda, tios da sua namorada. – Ela falou, esticando a mão para Polly e eu ri fraco.
- Qual o motivo da bagunça aqui? – entrou em casa e olhou direto para Lílian. – Ah, deveria ter imaginado! – Ele falou, franzindo os lábios e eu ri fraco.
- E aí, cunhado? – Ela falou animada e eu balancei a cabeça.
- Prontos para o casamento do ano? – Ele perguntou e ela riu.
- O casamento do fim do ano, você quer dizer.
- Alguém já usou essa piada no meu casamento, então já está velha! – Comentei, voltando para trás do balcão.
- Ah, que família de querer fazer tudo perto do Natal, existem outros dias no ano, sabia? – Lílian falou e eu balancei a cabeça.
- Violeta, leve eles para o quarto de Larry e, , abra a cerveja, vamos comemorar! – Falei e ele riu, comemorando, me fazendo rir.
- Você fica com a gente, Duda! – Violeta falou.
- Eu não vou atrapalhar? – Ela perguntou e eu ri fraco.
- Não vai! – falou firme. – Ela não tem coragem de fazer nada nessa casa. – Ele comentou e Jonas ficou vermelho tentando segurar a risada.
- Valeu, pai, minha moral já era baixa, agora não existe mais. – Ri fraco, balançando a cabeça. - A gente pode conversar até mais tarde, ver Netflix... – Violeta falou, sorrindo.

- Aqui, meninas! – Coloquei as roupas em cima da cama dela. – As roupas que vocês pediram para passar.
- Como a gente vai levar os vestidos do casamento? – Ela perguntou.
- Como bagagem de mão, como eu e seu pai fazíamos sempre. – Ela assentiu com a cabeça.
- Beleza! – Ela assentiu, voltando a colocar suas roupas na mala.
- Polly está no banho? – Perguntei.
- Sim, está! – Ela assentiu com a cabeça.
- Você parece feliz, querida. – Falei, colocando a mão em sua cabeça.
- Eu estou, mãe. – Ela sorriu. – É um pouco novo para mim, porque eu nunca namorei sério assim e nunca pensei que gostaria de mulheres, mas está sendo legal descobrir isso com a Polly! – Ela disse e eu dei um beijo em sua testa.
- Que bom, querida! – Sorri. – Só quero te ver feliz. – Ela sorriu, assentindo com a cabeça.
- Ah, mãe, sabe se o Larry convidou o Joseph, a Melina? Aquele povo lá? Faz tempo que eu não os vejo. – Ela falou e eu suspirei.
- Há quanto tempo vocês não conversam? – Perguntei e ela deu de ombros.
- Acho que desde a última vez que eu vim. – Assenti com a cabeça, suspirando.
- O marido de Melina foi transferido para Nova Zelândia, ela passou a ACCESS para o Derek e foi. – Ela fez uma careta. – Pelo menos ela parou de trabalhar um pouco.
- Como assim? – Ela falou, se sentando na cama. – Ah, mancada! – Ri fraco.
- Você realmente anda com pouca vida pessoal, não é? – Ela assentiu com a cabeça.
- É! – Ela suspirou. – E o que eu tenho livre, eu uso para sair com a Polly.
- Mas você está bem lá? – Perguntei.
- Estou sim, é bem legal, os dormitórios são ótimos, seis refeições por dia, seis horas de treino e duas de exercícios, além de ganhar em euro, o que é muito bom. – Ri fraco, assentindo com a cabeça.
- Como se você precisasse desse dinheiro. – Ela deu de ombros.
- Não preciso, mãe, mas é bom não ter que prestar contas contigo. – Ri fraco, dando um beijo em sua cabeça.
- Vai dar um jeito nesse rosa, está muito desbotado! – Ela riu fraco.
- Amanhã eu vou retocar, tá tudo certo. – Assenti com a cabeça.
- Termina de arrumar as malas logo e não durmam tarde, vamos acordar antes das cinco. – Ela fez uma careta engraçada.
- Tá quase pior que acordar em Turim! – Ri fraco.
- Suas escolhas, meu amor! – Falei, saindo do quarto dela, dando de cara com Polly.
- Opa, desculpa! – Ri fraco.
- Você também, Polly, finaliza as malas, já coloquei as roupas que pediram para passar no quarto e vão dormir, amanhã vamos acordar cedo. – Ela confirmou com a cabeça.
- Obrigada, tia , vocês são legais. – Ri fraco.
- A gente tenta! – Dei de ombros, entrando no meu quarto, vendo focado no celular e não na mala aberta no meio da cama. - Vamos se mexer? – Falei e ele se assustou, me fazendo rir.

- Olá, boa noite! – Sorri.
- Temos reservas de três quartos para o casamento de Larry e Liana Sanders. Dois para duas pessoas e um para três. – Falei e ela confirmou com a cabeça.
- Documentos, por favor! – Ela disse e tirou o seu da carteira e entregou para ela e Lílian entregou seu passaporte.
- Então, serão dois para e um para ? – A atendente perguntou e eu confirmei com a cabeça. - Um segundo. – Ela falou.
- O que vocês estão fazendo aqui? – Eu e os outros seis viramos nossos rostos para trás e eu abri um largo sorriso ao ver meu filho e sua noiva entrando no hotel.
- Ah, querido! – Larguei as coisas em cima do balcão e segui em sua direção, apertando-o em meus braços fortemente e estalando alguns beijos em sua bochecha. – Que saudades, amor!
- Mãe, eu estou passando vergonha! – Ri fraco, me afastando dele e passei a mão em sua bochecha, limpando o batom.
- Como vocês estão? – Sorri, seguindo para abraçar Liana. – Você está cada dia mais linda, querida! – Ela riu fraco.
- Obrigada, tia . – Ela sorriu e eu assenti com a cabeça.
- E aí, filhão? – falou, abraçando o filho e eu suspirei.
- E o que vocês estão fazendo aqui? – Liana perguntou. – Vocês deveriam ficar em casa.
- Não, querida, ficaremos aqui e vocês ficarão bem lá! – Pisquei para ela que riu.
- Ah, meu irmão vai casar! – Violeta falou animada e Larry a abraçou, girando-a no ar, me fazendo sorrir. – Isso é demais! – Ela falou rindo. – Meu presente está na mala, depois eu entrego.
- Ah, baixinha, obrigado! – Larry sorriu. – Fala aí, gente? – Ele acenou para Lílian, Jonas e Duda, fazendo-os se cumprimentarem fortemente, fazia tempo que eles não se viam.
- Olha o que o vento trouxe de volta! – Virei o rosto, abrindo um largo sorriso ao ver meu moreno e meu ruivo favorito entrando atrás deles no hotel. Claro que, atualmente, as cores dos cabelos eram cobertas por alguns cabelos brancos, como o meu era coberto por loiro tingido.
- Ah, vocês! – Ri fraco, seguindo em direção a Rupert e Derek e abracei os dois, me fazendo sorrir.
- Quanto tempo a gente não se vê? – Derek perguntou e eu ri fraco.
- Um ano? – Perguntei rindo. – Com certeza batemos nosso recorde. – Eles riram e eu suspirei.
- E nossos filhos vão se casar. – Rupert falou animado e eu olhei para Larry e Liana de mãos dadas e suspirei.
- Estou velho! – falou e eu ri fraco.
- Eu vou chorar! – Falei, passando as mãos embaixo dos olhos.
- Ah, querida! – falou e eu suspirei.
- Eu não vou falar nada, porque estou igual! – Derek falou, fazendo sua filha rir.
- Então, o que vamos fazer? – Larry falou e ele virou o rosto para o lado. – Ei, você é Polly! – Larry falou, se afastando de Liana e se aproximando da loira, me fazendo rir.
- Você sabia? – perguntou e eu dei de ombros.
- Sabia! Acho que eu fui o primeiro a saber. – Ri fraco.
- Cara, mancada, Violeta. Dó eu não sabia! – falou, cruzando os braços em seguida e eu suspirei.
- Desculpe, pai. – Violeta repetiu pela milésima vez e Larry abraçou Polly rapidamente.
- É bom finalmente te conhecer. – A loira sorriu.
- Eu sou teu pai, eu te amo não importa o quê. – falou. – Você pode ser dançarina de boate que eu não ligaria. – Ele parou. – Bem, eu ligaria por ter vários caras te olhando seminua. – Ri fraco.
- Gente, onde tem uma ótima pizzaria aqui? Acho que merecemos! – Falei rindo.
- Eu vou chamar os táxis, acho legal vocês levarem as malas lá para cima. – Assenti com a cabeça.
- E a vovó, mãe? – Larry perguntou.
- Chega amanhã com o resto do pessoal do Brasil. – Ele assentiu com a cabeça.
- Polly, Rupert Van Sanders. Rupert, essa é a minha namorada, ela estuda moda. – Ouvi Violeta falar e virei o rosto, notando um largo sorriso nos lábios de Polly.

- Vamos começar com os brindes, pessoal? – A organizadora do casamento falou e eu sorri, assentindo com a cabeça. – Quem gostaria de começar? – Ela falou e eu vi Violeta se levantando.
- Eu vou! – Ela falou, pegando seu copo e seguiu para a ponta da mesa.
- Vai lá, maninha! – Larry gritou, me fazendo rir e minha mãe se virou para trás, sorrindo para mim e eu segurei sua mão em minha perna.
- Oi, pessoal! – Violeta começou. – Eu sou Violeta, irmã mais nova / mais velha de Larry. – Ri com ela. – Eu nasci antes, ele chegou depois... Enfim, se vocês estão aqui, vocês sabem dessa história. – Ri fraco, vendo-a abanar a mão. – Eu conheço Liana desde que eu nasci, a conheço a mais tempo que meu próprio irmão, para falar a verdade. Então, imaginem a minha felicidade, de meus pais, do tio Rupert e tio Derek ao ver que a família e Sanders se juntaram? – Ela sorriu. – Era meio óbvio que, quando eles se conhecessem, ou ficassem mais tempo juntos, eles acabariam compartilhando experiências e teriam algo em comum. – Ela suspirou. – Além de outras coisas! – Ela ficou quieta por um segundo. – Eu ainda lembro o dia que Larry apareceu em casa, ele tinha o cabelo grande e cacheado. – Ela riu fraco. – Diferente desse look James Bond dele de hoje. – Ele balançou a cabeça, sorrindo. – E Liana, bem, Liana estava lá no dia no meu nascimento, ela prometeu ser minha amiga. – Ela sorriu. – E ela é, até hoje. – Liana sorriu, assentindo com a cabeça. - Eu não tenho muito que dizer, só que esses dois são o casal mais perfeito que vocês vão encontrar na vida. – Ela se virou para os convidados. – Depois dos meus pais. – Ela piscou para gente e eu ri, balançando a cabeça. – E eu desejo a vocês muito mais amor, felicidade, sucesso e que continuem sendo essas pessoas maravilhosas, mesmo após alguns desastres na vida. – Eles riram, esticando o copo. – A Larry e Liana. – Ela sorriu e esticou sua taça, bebendo um gole de champanhe e eu sorri para eles.
- Obrigada, maninha! – Larry falou e eu sorri, sentindo beijar meu ombro.
- Você quer ir antes? – Derek falou para mim e eu e nos entreolhamos, assentindo com a cabeça e nos levantamos.
- Ah, agora vai. – Larry falou e eu ri fraco.
- Se for para te fazer chorar, acho que eu ganho! – Comentei e ele riu, segurando minha mão por alguns segundos, antes de eu e chegarmos a ponta da mesa.
- Oi, pessoal! – falou, acenando para os convidados e eu ri fraco. – Somos e , pais de Larry. – Ele disse e virou para mim.
- Oh, é isso o que vai falar? – O pessoal riu. – Ok! – Balancei a cabeça. – Eu acho que não posso falar de Larry e Liana sem falar sobre mim, sobre , Rupert, Derek, Ruth e outras pessoas aqui presentes. – Sorri. – A história chega há quase 25 anos, quase 30 para Derek e Rupert, mas ela é incrivelmente cheia de amor e paixão. – Suspirei. – Um dos dias mais felizes da minha vida, foi em um dezembro de uns 22 anos atrás, creio eu, quando meus dois melhores amigos me avisaram que seu pedido para pais havia sido aprovado e que eles adotariam uma linda menina, o qual tinha o nome de Liana. – Sorri. – Liana cresceu muito bem, algumas corridas ao hospital por sua alergia e pela falta de atenção de dois pais inexperientes. – Eles riram. – Mas ela teve uma vida plena. – Sorri. – Alguns anos depois, eu e casamos, tivemos nossa primeira filha, mas não conseguíamos ter outro, então, porque não adotar? tem uma irmã adotada, então eles foram os maiores incentivadores. – Sorri para Sharon que assentiu com a cabeça. – Fomos com a intenção de querer um bebê, afinal, éramos novos ainda e podíamos trocar muitas fraldas, mas Larry entrou em nosso caminho e foi outra melhor coisa que nos aconteceu. – Sorrimos cúmplices. – Alguns traumas de sua vida passaram como um raio, afinal, ele estava bem. Alguns anos se passaram e ele nos surpreendeu ao passar na melhor faculdade do país, depois nos surpreendeu ao namorar Liana. – Sorri para ambos. – Uma coisa levou à outra e estamos aqui hoje...
- Para celebrar o casamento... – continuou, me fazendo rir e segurei sua mão.
- Para celebrar não só esse amor, mas também celebrar todas as lutas e diversidades que esses dois passaram. – Sorri. – Então, ergam suas taças, para celebrar o casal mais propaganda de margarina que eu já vi. – Os dois riram. – 27 anos, com suas vidas feitas, empregos incríveis e muitos sonhos pela frente. – Eles sorriram. – A eles, que eu considero ambos meus filhos, que eles sejam muito feliz. – Sorri.
- A eles! – O pessoal repetiu e eu sorri, ouvindo-os nos aplaudir e o casal se levantou, nos abraçando e eu apertei meu mais velho forte nos braços.
- Eu tenho muito orgulho de você. – Cochichei em seu ouvido e ele sorriu.
- Obrigada, mãe. Eu sou grato a vocês! – Ele disse e eu assenti com a cabeça, sorrindo.

- Deixa eu ver você! – Falei, colocando as mãos em seus ombros e girando-a devagar, observando seu vestido rosa claro de um ombro só. – Você está linda, querida! – Ela sorriu, me apertando em seus braços e eu suspirei.
- Ainda bem que ela escolheu algo claro. – Violeta falou, ajeitando a barra do vestido, me fazendo rir.
- Você é uma mulher agora, filha. Apesar de jogar bola, andar suada o dia inteiro, você é uma mulher, vai fazer 21 anos em alguns dias. – Ela sorriu. – Eu tenho orgulho dos meus filhos, sabia? – Ela sorriu, assentindo com a cabeça.
- O casamento nem começou e eu já vou chorar. – Violeta falou e eu ri fraco.
- Vamos, quero ver como os dois estão, antes de começar. – Falei, segurando em sua mão e caminhamos juntas pelos corredores do hotel fazenda, no interior de Washington, onde seria o casamento, e vi puxar a porta de um dos quartos devagar.
- Olha minhas meninas aí! – Ele disse e eu sorri. – Você está incrível. - Ele falou e eu sorri, girando meu corpo para mostrar o vestido azul turquesa com aplicações de flores em tons mais escuros e estiquei a mão para ele.
- Rupert! – Sorri. – Ele sabe fazer com que eu fique bem! – Ele riu fraco, estalando um pequeno beijo em seus lábios e eu não me contive em ajeitar sua gravata que estava torta.
- Você está lindo, meu amor! – Ele sorriu, passando a mão no paletó do smoking.
- E eu? – Violeta falou e riu, estalando um beijo em sua bochecha.
- Você também, querida! – Ele falou.
- Estava com Larry? – Perguntei.
- Sim, ele está bem! – Ele balançou a cabeça. – Acho que eu estou mais nervoso que ele! – Ri fraco. – Dei um pouco de vodca para ver se acalma ele. – Balancei a cabeça.
- Ah, homens! – Suspirei. – Não vá deixar meu filho bêbado! – Ele riu fraco.
- Pode deixar! – Ele falou animado.
- A gente vai dar uma olhada em Liana, nos encontramos no pé da escada? – Perguntei e ele confirmou com a cabeça sorrindo.
- Vamos casar esses dois! – Ele disse e eu ri fraco, passando uma mão nos ombros de e colando meus lábios nos seus rapidamente.
- Eu te amo! – Falei e ele abriu um largo sorriso.
- Eu também! – Ele disse.
- Eu ainda estou aqui, sabia? – Violeta falou e eu ri fraco.
- A gente também te ama, querida! – falou, me fazendo rir e eu voltei a caminhar pelo corredor com Violeta, dando alguns toques na última porta e uma moça, provavelmente amiga de Liana, abriu a porta.
- Li, é sua sogra e a Vi! – A moça falou e Liana desviou o olhar do espelho e se virou para nós, sorrindo.
- E aí, sogrinha, o que você acha? – Ela me perguntou e o choro subiu à garganta, me fazendo engolir em seco, e eu suspirei.
Como eu sempre conheci Liana, ela não escolheu algo espalhafatoso para o seu casamento. Seu vestido era simples, um tomara-que-caia drapeado nos seios, uma pequena faixa em sua cintura e a saia abria até o chão. Seus cabelos estavam presos para trás e ela usava uma maquiagem simples em seu rosto, com um batom quase cor de pele. Seu colo e seus braços estavam livres, somente com o anel de noivado que Larry havia lhe dado e pequenos brincos nas orelhas.
- Você está incrível, querida! – Segurei suas mãos, apertando-as contra meu peito. – Como você está? – Ela respirou fundo.
- Surtando, para falar a verdade! – Ri fraco, fazendo um leve carinho em seu rosto.
- Isso é normal! – Falei e ela sorriu. – Pensa que só vai acontecer uma vez, então, você tem o direito de querer que isso seja perfeito. – Ela assentiu com a cabeça, sorrindo.
- Obrigada, tia ! – Ela sorriu e eu suspirei, puxando-a para um forte abraço. – Já disse que meu pai deixa os melhores vestidos para você? – Ela falou e eu ri fraco.
- Eu fui a primeira modelo dele, eu posso! – Falei e ela riu fraco, balançando a cabeça.
- Foi mesmo! – Rupert falou, entrando no quarto e eu ri fraco. – Ela pode, querida! – Ri fraco, dando um rápido beijo nele e Derek chegou logo depois.
- Vamos? – Derek perguntou sorrindo. – Está na hora! – Abracei meu amigo de lado e observamos as madrinhas começarem a se levantar, todas com o vestido igual de Violeta e suspirei. - Tendo um dejá vu? – Derek perguntou a mim e eu ri fraco.
- Um pouco. – Afirmei com a cabeça. – Faz tempo já. – Falei e ele riu fraco, dando um beijo em minha cabeça.

- Cheguei! – Virei para trás, sorrindo ao ver meu filho aparecer na ponta da escadaria e eu sorri, suspirando.
- Você vai casar de branco? – Ele riu fraco.
- Eu gosto! – Ele disse e eu o abracei fortemente, suspirando.
- Eu quero que você seja muito feliz, ok? – Falei e ele me apertou contra seus braços. – Eu sei que você e Liana estão morando juntos faz tempo, tem suas vidas ajustadas, mas casar é um grande passo, ok?! – Ele assentiu com a cabeça sorrindo e eu dei um beijo em sua testa. - Vamos lá? Eu vou ser a mãe de um cara casado agora! – Ele riu fraco. - Ah, eu estou velha! – Fiz careta e ele riu.
- Não, mãe! Você não está! – Ele disse. – Você é jovem para ter um filho de 27 anos. – Ri fraco.
- Talvez você esteja certo! – Ri fraco, esticando a mão para ele, que entrelaçou os braços em mim e eu suspirei, olhando para frente.
- Como está Liana? – Ele perguntou e eu ri fraco.
- Eu não vou te contar! – Disse, começando a descer os degraus do hotel fazenda, vendo, lá embaixo, as cadeiras dos convidados colocadas dos dois lados e o juiz de paz no meio do arco de folhas.
- Qual é! – Ele disse, enquanto descíamos as escadas e eu ri fraco.
- Você aguenta dois minutos, querido! – Falei e ele suspirou, rindo fraco e assentiu com a cabeça.
- Acho que sim! – Ele disse e eu sorri, continuando o caminho, até que as escadas terminassem e seguissem para o caminho de pedras com o tapete branco colocado no meio delas.
Reconheci várias pessoas. Tirando as famílias de dois lados, os filhos e netos, namorados desses filhos e netos, ainda existia os amigos de Liana e de Larry, o pessoal que trabalhou comigo na ACCESS, alguns amigos de da época de ator e de infância, todos estavam lá para celebrar o casamento do meu pequeno.
Dei um beijo em sua testa ao deixá-lo em frente ao arco de folhas e ele sorriu, retribuindo com um grande abraço e eu sorri, assentindo com a cabeça e eu o deixei ali, seguindo para o primeiro banco, me colocando ao lado de , que segurou minha mão rapidamente, me fazendo sorrir.
Não demorou muito e comecei a ouvir a marcha nupcial sendo tocada no violino, da mesma forma que foi quando eu me casei. Todos nos colocamos de pé e, lá no topo das escadas, já pude ver Liana, de braço dado com Rupert e Derek, nesse momento tive vontade de chorar, respirando fundo para despistar. As madrinhas e padrinhos também desciam à sua frente.
me abraçou pela cintura, me fazendo respirar fundo e suspirei, colocando minhas mãos em cima das dele. Liana atravessou aquele corredor graciosamente, afinal, ela era uma bailarina, então tudo o que ela fazia era de forma graciosa. Virei o rosto para o lado contrário e olhei para Larry em cima daqueles dois degraus. Ele tinha as mãos no rosto e os olhos cheios de lágrimas, me fazendo sorrir e sentir uma lágrima escorrer pela bochecha.
Larry desceu os degraus e deu um forte abraço em Rupert e em Derek, mantendo aquele largo sorriso no rosto. Observei os lábios de Rupert falarem para ele cuidar dela e sorri, mesmo sabendo que era mais graça deles, afinal, eles namoravam há quase 10 anos, era bastante tempo.
Meu filho segurou sua noiva pela mão e deu um beijo na mesma, fazendo-a sorrir e ambos voltaram a subir no pequeno degrau, em frente ao arco de flores, fazendo o juiz de paz se aproximar.
- Boa tarde! – Ele falou. – Estamos aqui reunidos para celebrar a união de Liana Van Sanders e Lawrence . – Suspirei. – No momento em que um casal vem marcar a data de casamento, nós passamos um tempo com eles para conhecer um pouco sobre eles e a trajetória que os levou até esse momento. – Ele sorriu. – Larry e Liana tem uma vida bem parecida, tiveram outra família e acabaram sendo adotado por pais famosos. – Ri fraco, piscando para Rupert. – Mas algo que eles também tem em comum, é o cuidado e o carinho que eles tem por todos ao seu redor. – Sorri, entrelaçando o braço no de , sorrindo. – Com carreiras tão distintas, mas vidas tão parecidas, eles escolheram se amar e, agora, passar a vida toda juntos. – Ele sorriu. – As alianças, por favor! – Ele falou e Violeta se aproximou com a pequena almofada em suas mãos, cada um pegou uma aliança e ela logo se afastou para o lado do irmão, sorrindo. – A dama primeiro. – O juiz virou para Liana. – Liana Van Sanders, você aceita esse homem como seu legítimo esposo, para amar e respeitar, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, todos os dias da sua vida, até que a morte os separe?
- Sim. – Ela abriu um largo sorriso, deslizando a aliança no dedo de Larry, me fazendo sorrir.
- Lawrence . – O juiz se virou para meu filho sorridente. – Você aceita essa mulher como sua legítima esposa, para amar e respeitar, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, todos os dias da sua vida, até a morte os separe?
- Sim! – Larry sorriu, colocando a aliança no dedo de Liana. esticou um lencinho para mim e eu sorri, passando-o levemente embaixo dos olhos.
- Pelo poder investido em mim pelo distrito federal de Washington, eu vos declaro marido e mulher! – Ele disse e começamos a aplaudir animados. – Você pode beijar a noiva! – Ele disse para Larry que depositou uma mão no rosto de Liana e tocou seus lábios levemente, fazendo com que Violeta gritasse animada ao lado de Larry, me fazendo rir e me apertou em seus braços, estalando um beijo em minha bochecha.

- Agora somos realmente uma família? – Derek se aproximou de mim e de e eu ri fraco, suspirando.
- Parece que sim! – Sorri, observando nossos filhos andarem por entre as mesas, cumprimentando os convidados.
- Demorou um pouco para isso acontecer, mas realmente aconteceu! – Ele disse, me fazendo rir.
- Só avisando que os Natais serão comigo! – Disse e riu ao meu lado.
- Ah, começou! – Ele falou e eu ri fraco.
- Tudo bem, eu gosto do Natal da família ! – Derek deu de ombros, me fazendo rir e eu suspirei.
- Perfeito! – Falei rindo.
- É a hora da valsa! – O mestre de cerimônia falou e eu abri um sorriso ao ver nosso casal favorito se caminhar até o meio da pista de dança, se colocando frente a frente. – Eles gostariam da participação dos seus pais nesse momento.
Eu e Derek nos entreolhamos e franzimos a testa e vi Rupert colocar a mão na testa, me fazendo rir. estendeu a mão e eu sorri, segurando-a firme e ele me conduziu até a pista de dança, nos colocando ao lado de Larry e Liana.
- Esse é para vocês! – Larry falou piscando para mim e eu ri fraco, franzindo a testa.
- O que isso quer dizer? – perguntou e eu dei de ombros, me colocando na posição de valsa, agora realmente sabíamos dançar.
- Eu não tenho ideia! – Falei e eu soltei um suspiro quando soltaram a nossa música fazendo com que meus olhos se enchessem de lágrimas automaticamente, virei o rosto para Larry e Liana novamente. – Obrigada! – Falei e meus filhos sorriram, começando a dançar pelo salão.
- É a nossa música! – cochichou e eu assenti com a cabeça, apoiando a cabeça em seu ombro, soltando um suspiro alto.
- Feels like a fire that burns in my heart, every single moment that we spend apart. I need you around for every day to start, I haven’t left you alone. There’s something about you, I stare in your eyes, and everything I’m looking for I seem to find. All this time away is killing me inside... – A música tocava devagar, fazendo com que me conduzisse pelo salão, fazendo com que eu tentasse segurar as lágrimas de meu rosto, vendo como meu marido ria de mim, assentindo com a cabeça.
- I need your love in my life. – Cantei baixo, erguendo o rosto para observar que movimentava os lábios no ritmo da música.
- I wanna spend time till it ends, I wanna fall in you again, like we did when we first met, I wanna fall with you again.
fez da mesma forma que no dia de nosso casamento, ele me rodou pelo salão, fazendo com que eu girasse, mas que sempre voltasse para suas mãos, me fazendo sorrir. Dessa vez era diferente, a gente sabia o que estava fazendo.
Ele encostou os lábios em minha bochecha, me fazendo fechar os olhos e eu suspirei, ajeitando a mão em cima de seu ombros, virando o rosto para o lado, observando Larry e Liana rodopiando pelo salão como nós, me fazendo abrir um largo sorriso. Observei Rupert e Derek, dançando quase parados, me fazendo rir fraco, depois de tanto tempo, eles ainda tentavam ser discretos, mesmo que o mundo já soubesse sobre eles.
- You’ll try everything you never thought would work before, when you live, when you love, and you give them your all, you can always give up some more. – cantou baixo em meu ouvido, me fazendo sorrir. - Baby nothing means anything unless you’re here to share with me, I can breathe, I can bleed, I can die in my sleep, cause you’re always there in my dreams. – Erguei os olhos para olhá-lo e notei que estava chorando novamente, fazendo-o rir, balançando a cabeça e ele soltou uma mão de minha cintura, erguendo-a para meu rosto, secando as lágrimas que escorriam pela minha bochecha.
- I wanna spend time till it ends, I wanna fall with you again. – Cantei baixo, sentindo minha voz falhar. - Like we did when we first met, I wanna fall with you again. – Suspirei, escondendo meu rosto em seu ombro novamente, mantendo os movimentos mais devagar e no local, enquanto a música acabava.
O pessoal voltou a aplaudir e eu e nos separamos, fazendo o mesmo e eu ri fraco, passando os dedos embaixo dos olhos e eu suspirei, rindo fraco. Larry e Liana sorriram entre si e se separaram, fazendo com que meu filho viesse em minha direção e Liana em direção a seus pais.
- Pai, você deixa eu dançar com a mamãe um pouco? – abriu um sorriso, dando um beijo na cabeça de Larry e ele estendeu minha mão para nosso filho, me fazendo rir.
- Não se esqueça de que eu ainda sou o par número um dela! – Ele falou, me fazendo rir.
- Sempre! – Eu e Larry falamos juntos e eu ri fraco, me colocando na posição de valsa novamente, sentindo meu filho começar a me movimentar devagar.
- Eu gostaria de saber por que você escolheu essa música tão velha! – Falei e ele riu fraco, dando de ombros.
- Porque eu acompanhei meus pais durante 11 anos. – Ele sorriu para mim. – Vocês brigam, são super ocupados, mas daqui a pouco estão sorrindo, se beijando. – Ele deu de ombros. – Vocês são a melhor representação de amor que eu tive, mãe. – Ele sorriu e eu senti meus olhos embaçarem novamente. – A gente passou por bastante coisa, mas vocês nunca deixaram de se amar. – Suspirei.
- Eu fico feliz em saber que você nos vê assim, acho que nunca pensei em como nosso casamento afetaria você e a Violeta. – Ele riu fraco.
- Pode ficar tranquila que afetou de forma positiva. – Ele sorriu e eu dei um beijo em sua bochecha, sorrindo.
- Que vocês sejam muito felizes, viu?! – Falei e ele sorriu. – Estamos em costas diferentes, mas para eu vir correndo por vocês, eu venho! – Ele confirmou, me fazendo rir.
- Obrigada, mãe! Por tudo! – Ele disse e eu sorri.

- Esse casamento está me deixando muito com dejá vu. – Falei e riu ao meu lado, abaixando o pote de mousse.
- Pois é! – Ele disse, me fazendo rir. – Com uma diferença de mais de 20 anos, mas ainda sim! – Ri fraco, dando um tapa em seu braço, fazendo-o rir.
- Cadê Violeta? – Perguntei.
- Lá fora com a Polly. – Assenti com a cabeça sorrindo.
- O que está achando disso? – Me virei para .
- O quê? Polly e Violeta? – Ele perguntou e eu assenti com a cabeça. – Eu não vou negar que fiquei surpreso quando você me contou. Mas foi meio igual ao Seth, eu já tinha aquela suspeita lá dentro, depois que o negócio com Joseph acabou muito rápido. – Assenti com a cabeça. – Se ela estiver feliz, eu estarei feliz, não tem nem o que falar. – Sorri.
- Quem está falando de mim aqui? – Seth apareceu, me fazendo suspirar.
- Vocês têm uns timings perfeito! – Falei, suspirando e ele bebeu um gole do que estivesse em sua taça.
- Estamos falando da sua sobrinha. – falou e eu bocejei, colocando a mão na boca.
- Pois é, que surpresa, não? – Ele falou e eu ri fraco.
- Até parece que foi surpresa para você. – Falei e ele arregalou os olhos.
- Eu juro que não sabia de nada! – Ele ergueu as mãos. – Não se esqueçam de que fazia uns três anos que eu não a via. – Ri fraco, balançando a cabeça e bocejei novamente.
- Ok, está perdoado.
- Alguém está com sono! – comentou e eu assenti com a cabeça.
- Já não tenho mais idade para ficar até tarde nessas festas. – Ele riu ao meu lado.
- Mãe, pai! – Vi Larry se aproximar e me levantei da cadeira. – Estamos indo! – Ele disse e eu afirmei com a cabeça.
- A gente se vê ainda? – Perguntei e ele assentiu com a cabeça.
- Sim, a gente se vê no Natal. – Larry falou. – Fiquem, vamos fazer o Natal aqui! – Assenti com a cabeça.
- Ok, só converse com o resto da família. – Falei e eles riram.
- Pode deixar! – Ele disse e eu o abracei fortemente, sorrindo e depois segui para Liana.
- Que vocês dois sejam muito felizes, viu?! – Falei sorrindo e olhei para os dois. – Vocês vão se dar bem. – Eles riram fraco.
- Já aprendemos a lidar com toalha molhada em cima da cama e abaixar a tampa da privada nesses três anos. – Liana falou. – A gente vai se ajeitando.
- Vão sim! – Derek falou, abraçando os dois. – Tendo amor, o resto se ajeita. – Ri fraco.
- Vocês viram Violeta? – Larry perguntou. – Quero dar tchau para ela. – Assenti com a cabeça.
- Ela está lá fora com Polly. – falou, após abraçá-los.
- Não quero atrapalhar. – Ele disse e eu ri fraco.
- Não se preocupe, vocês ficam muito tempo sem se ver, vai lá! – Falei e ele sorriu, me abraçando rapidamente.
- A gente se vê no Natal? – Ele perguntou e eu confirmei com a cabeça.
- Com certeza! – Sorri e eles deram as mãos se afastando.
- Mais um dever cumprido. – Rupert falou suspirando e eu ri.
- Mais um, meninos! – Sorri. – E eu acho que vamos aproveitar a deixa e ir também. – Suspirei. – Eu estou cansada.
- É a idade chegando! – Derek falou, me fazendo rir.
- Ela já chegou faz tempo, querido! – Falei, dando um leve tapa em seus ombros. – A gente se vê?
- Com certeza! – Eles sorriam.
- Vamos que ainda tem muita água para rolar. – falou e eu dei a mão para ele.
- Vamos falar com a Violeta e vamos. – Falei e assentiu com a cabeça.
- Tchau, galera! Até mais! – Ele falou e eu ri fraco, acenando para os dois.

- Eu não acredito que a gente casou um filho! – Falei, suspirando, tirando os grampos do meu coque.
- Daqui a pouco casamos outro. – Ri fraco.
- Não começa a apressar as coisas. A Violeta só tem 20 anos. – Ele riu fraco, puxando sua gravata para cima.
- É, mas ela faz 21 em alguns dias, tem uma namorada. – Ele deu de ombros. – Ela está começando a caminhar sozinha. – Balancei a cabeça.
- Não começa, ! – Falei, soltando os cabelos. – Ela ainda é meu bebê.
- Ah, você com isso de novo. – Ri fraco, suspirando.
- Para você ver como as coisas andam rápidas, amor. – Ele disse, tirando a camisa e jogando em cima da poltrona do hotel.
- Me ajuda com o vestido? – Perguntei e ele riu fraco.
- Sempre! – Ele disse e eu sorri, sentindo suas mãos no zíper de trás do meu vestido e o pano se alargar rapidamente.
- Obrigada! – Falei, mas ele não se afastou, depositando um beijo em meus ombros descobertos e eu suspirei, rindo fraco.
- Nada mudou, não é? – Perguntei e ele me abraçou pela cintura.
- Nada! – Ele disse, beijando meus ombros e subindo pelo meu pescoço. – Talvez alguns quilos a menos, mais cabelos brancos. – Ri fraco, virando meu corpo. – Mas é só isso. – Sorri, assentindo com a cabeça e passei meus braços ao redor do seu pescoço, colando meus lábios nos dele, soltando um suspiro quando ele me apertou pela cintura novamente.
- Estamos muito bem para quem já passou dos 50. – Ele riu fraco.
- Você me obrigou a ficar em forma de novo, aqui estou! – Ri fraco, colando nossos lábios novamente e ele me puxou em direção à cama, puxando meu vestido para baixo, permitindo que ele deslizasse pelo meu corpo e eu deitei na cama, sentindo-o se colocar em cima de mim.
Ele passou a mão em meu corpo, puxando a cinta para baixo e jogou para o lado, e seguiu para me encarar nos olhos novamente, me fazendo sorrir. Ergui uma das mãos para seu rosto, relembrando seus traços. Tirando algumas rugas, nada havia mudado. O cabelo e a barba escura, os olhos azuis, a boca que eu adorava, o nariz levemente torto. Realmente, nada havia mudado.

- Alivia na bebida, você não vai conseguir aguentar nem até meia-noite! – Falei para ele que riu, me puxando pela cintura para sentar em seu colo.
- Relaxa, isso é só gemada. – Ele falou rindo. – Essa é a gemada mais sem uísque que eu já tomei. – Ri fraco.
- Sua mãe já está bem velhinha para fazer isso, vai ver ela está aliviando. – Ele riu fraco, me apertando pela cintura.
- Oh não, foi outra pessoa que fez isso, dona Lindsay tá tacando a mão na bebida esses dias. – Ri fraco, aproximando meu rosto do dele e depositando um beijo em seus lábios.
- Vou perguntar para Larry cadê a garrafa de uísque! – Ele falou e eu me levantei de seu colo, rindo.
- Ah meu Deus, parece criança de novo! – Comentei e ele piscou para mim rindo.
- O tempo passa, mas algumas coisas não mudam! – Derek se aproximou de mim e eu sorri, confirmando com a cabeça.
- Nem fala! – Suspirei. – Acho que eu nunca tive tantas lembranças como essa semana! – Ele me abraçou de lado.
- Ah, querida! – Ele passou o braço em meu pescoço. – É Natal, um momento para relembrar.
- Você continua sendo dramático, Derek! – Ele riu fraco, suspirando.
- Bem, há coisas que nem o tempo se dá ao trabalho de mudar. – Sorri, abraçando-o de lado. – E Melina, hein? Tem falado com ela? – Dei de ombros.
- Na verdade não! – Suspirei. – O fuso-horário é completamente diferente, né?! E você?
- A gente se fala por e-mail, eu mando, ela responde 12 horas depois, por aí vai. – Rimos juntos.
- Mãe, pai, vocês querem falar algo? – Violeta perguntou e eu sorri.
- Porque a gente? – perguntou.
- Porque vocês estão completando 22 anos de casado, mamãe completou 50, vocês não...
- Ei! – Falei rindo. – Não precisa ficar anunciando para todo mundo que eu cheguei nessa idade. – Falei e o pessoal riu.
- É, mas seria legal se vocês disserem algo. – Larry disse sorrindo e eu suspirei.
- Eu sou péssimo com as palavras. , é com você. – disse, atravessando a sala e se colocando ao meu lado.
- Disse o ator. – Falei e o pessoal riu. – Eu não sei, gente, só tenho que agradecer por tudo que está acontecendo. – Sorri. – Chegar aos 50 sempre pareceu algo desesperador, complicado e nada realista. – Eles riram. – Mas parece que tudo está muito bem. – Sorri. – Minha família está mais unida do que nunca, meus dois filhos são um sucesso, meu mais velho casou com alguém que eu acompanhei crescer. – Balancei a cabeça. – Eu tenho o casamento perfeito, minha confeitaria só cresce. – Dei de ombros. – Então é isso, obrigado, gente! – Suspirei. – Minha mãe, minha irmã e sua família, a família do . – Sorri. – Perdemos Marcus recentemente. – Cady assentiu com a cabeça. – Mas tudo ficará bem, se continuarmos juntos. – Sorri. – Feliz Natal! – Falei sorrindo.
- Feliz Natal! – Dissemos juntos.
- Vamos para o amigo secreto, então? – Larry falou animado e eu ri fraco, olhando para Eduarda que corria de um lado para o outro e rezei para que ela gostasse do meu presente.

- De volta para casa! – falou, abrindo a porta de casa e Violeta e Polly entraram após ele e eu vim em seguida.
- Deus, tá quente aqui! – Minha filha reclamou e eu ri fraco, dando de ombros.
- A piscina está limpa, tem refrigerante e cerveja na geladeira, só ligar o som e aproveitar! – falou e eu ri.
- E você queria deixar vazia. – Comentei e ele riu.
- Eu topo! – Polly falou e eu ri, vendo as duas seguirem para o quarto e eu apoiei minha bolsa na bancada, sentando em um dos bancos.
- Violeta, o que você vai querer de aniversário? – Gritei.
- Ah, mãe... – Franzi a testa ao parar de escutar.
- Não estou escutando! – Gritei novamente, suspirando.
- Sei lá, mãe! – Ela apareceu na porta do quarto. – Acho que um bolo de cookies com creme e comemorar na noite de ano novo mesmo. – Ela deu de ombros e eu confirmei com a cabeça.
- Então está fácil! – Falei e ela riu. – Vocês querem algo para comer?
- Eu testou bem! – Violeta falou e olhou para dentro do quarto. – Polly também.
- Beleza! – Suspirei. – Aproveitem a piscina, eu vou deitar um pouco. – Falei e confirmou com a cabeça.
- Descansa, mãe, parece que você foi atropelada por um trem! – Violeta falou e eu ri fraco.
- Até quando você vai ficar aqui? – Perguntei.
- Até fevereiro! – Ela sorriu. – Tem tempo! – Sorri, assentindo com a cabeça.
- Vamos que eu vou contigo! – disse e eu me levantei do banco e ele me abraçou pelas costas, me levando em direção ao quarto.
- Você deve estar cansado também! – Falei e ele riu, fechando a porta do quarto.
- Vamos dizer que eu bebi por uma semana inteira, dormi mal e ainda tive que ficar de olho em muitas crianças... – Ri fraco.
- Nem temos mais criança, , todo mundo é velho já. – Ele riu fraco. – Nem o Christian é mais criança. – Ele riu fraco.
- Bem, Sharon está enlouquecendo com ele, então acho que é sim, ele ainda é uma criança. – Balancei a cabeça.
- Ok, o Christian sim, mas ninguém é mais bebê. – Ele sorriu e eu deixei os sapatos no canto do quarto e puxei minha blusa para cima, jogando-a em um canto e tirei a calça também, deitando na cama.
- Eu não posso falar de crianças com você assim. – Ele disse e eu ri fraco, vendo-o fazer o mesmo e se deitar ao meu lado.
- Então, vamos falar de nós. – Disse, virando o corpo e apoiando meu queixo em seu peito.
- Você está pronta para o próximo passo, senhora ? – Ele me perguntou e eu ergui o rosto para ele.
- Qual seria o próximo passo? 25 anos de casado? – Perguntei e ele riu fraco.
- Também. – Ele disse. – Mas talvez sermos avós. – Fiz uma careta e ele riu em seguida.
- Oh não! – Falei rindo. – Eu aguento chegar aos 50, eu aguento casar um filho, mas sou jovem para ser avó. – Ele riu fraco, fazendo carinho em minhas costas.
- Lembre-se de que quando nós casamos, o primeiro bebê veio rapidinho. – Sorri.
- Sim! – Balancei a cabeça. – Ainda parece como se fosse ontem.
- Deus, parece uma eternidade! – falou e eu gargalhei, voltando meu corpo para a cama.
- É, um pouco! – Virei o rosto para ele, abraçando o travesseiro.
- Só podemos continuar fazer o que a gente fez bem, criar nossos filhos. – Ele falou, acariciando meu rosto e eu assenti com a cabeça, sorrindo.
- É, acho que, pelo menos nisso a gente acertou. – Ele assentiu com a cabeça.
- Dorme, meu amor. – Ele falou, dando um rápido beijo em minha testa. – Seus olhos estão pequeninos. – Ri fraco, suspirando.
- Só me acorde quando for ano novo. – Ele riu fraco, descendo a mão pela minha cintura.
- Até parece que você vai dormir por cinco dias. – Ele foi irônico e eu ri fraco. – Daqui a pouco já vai estar preocupada com o que vamos jantar, com as roupas que precisam ser mandadas para lavar, com o que eu como de certo e errado. – Abri um sorriso.
- É amor, nem quando eu desligo, eu aquieto! – Ele encostou sua testa na minha.
- Eu sei! – Ele disse. – É por isso que eu te amo! – Ele disse e eu só consegui sorrir, mas minha cabeça já estava longe.




Fim.



Nota da autora: Oi, gente! Chegamos ao final de Um Passo de Cada Vez, para quem me conhece de lá atrás, sabe que essa história é Steps to a Life Together sem fandom, que eu precisei tirar o fandom, pois estou transformando em livro e quem sabe no futuro consigamos vê-la nas prateleiras do Brasil e do Mundo? Sonhar faz parte! Hahaha
Por isso eu decidi postar ela aqui, muitas pessoas acabaram se apaixonando por causa do Evans com STALT, mas ainda existem pessoas que são restritas, além de que você pode ler com seu ator favorito diversas vezes!
Chegamos ao final dessa história com o spin-off como capítulo extra e espero honestamente que vocês tenham gostado!
Para o pessoal antigo que voltou aqui para ler, me deixa muito feliz, e para o pessoal novo, obrigada por dar essa chance!
Obrigada, gente! Espero encontrar vocês em outras oportunidades!
Obrigada Naty por betar mais uma longa história minha!
Espero que vocês tenham gostado e não se esqueçam de deixar seu comentário aqui embaixo!
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Beijos.
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Outras Fanfics:
  • Steps to a Life Together (versão com Chris Evans)


    Nota da beta: Cara, a gente sabe que eles morrem, mas pqp a gente nunca tá preparada para a morte deles, tô aos prantos aqui pela morte da Leslie.
    Eu ameeei esse final, família mais do que unida, esse epílogo foi maravilhoso, o nosso pequeno Larry se tornou um grande homem. E a Violeta? Foi foda! Ameeei tudo, meus parabéns por essa história totalmente reaal! <3
    Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.

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