Capitolo centodiciotto
- Isso é estranho. – Falei em um sussurro, olhando para o campo.
- O quê? – Virei para o lado, vendo Treze e Pavel virando para mim.
- Falei alto demais? – Franzi os lábios.
- Sim! – Eles disseram e ri fracamente.
- É só que... A Supercoppa... – Suspirei. – Sinto falta do Gigi... – Neguei com a cabeça. – Além de Barza lesionado, Mario lesionado, Higuaín no outro time... Supercoppas me lembram da Manu... – Suspirei. – Desculpe, acho que só estou emotiva. – Puxei a respiração, levando o dedo médio até o canto do olho, secando-o levemente.
- O jogo nem começou. – Pavel disse.
- Gravidez, meu amigo! – Treze disse e suspirei.
- É... – Levei minhas mãos à barriga. – Estamos chegando no sétimo mês, tenho que começar a pensar que logo ela vai sair daqui.
- É indicado você viajar por aí? – Pavel perguntou.
- Na teoria, não, mas não podia deixar de vir hoje. – Suspirei. – Na Itália e na Europa eu vou reduzir um pouco agora, mas tinha que vir para cá.
- Beh, apesar de seu momento super emotivo aí, pensa que ao menos todos que você citou ainda estão perto de nós. Você não disse que falou com a Manu? – Pavel disse.
- Sim, mandei mensagem para ela há alguns meses, conversamos meio esporadicamente. – Suspirei.
- E como ela está? – Ele perguntou.
- Ela está trabalhando em uma seguradora, não está muito feliz, não. Falei para ela voltar para cá. – Eles riram fracamente.
- E o que ela diz disso? – Treze perguntou.
- Beh, pelo que ela me disse de como estão as coisas já no Brasil, se ela surtar, ela vem! – Eles riram. – Só falta isso.
- Beh, é a Manu, para ela surtar não precisa de muito. – Pavel disse rindo.
- Maldade! – Ele riu fracamente.
- Vai começar! – Treze disse e virei o rosto para o campo, vendo os dois times entrarem.
Essa Supercoppa me lembrou da final da Coppa Italia no ano passado. Eu recém-descoberto da saída de Gigi, nossas brigas, o soco, minha mão, minhas fugas por tentar escapar da realidade, tudo não passava de lembranças, mas até aquele jogo tinha uma sensação melhor do que esse. Chiello puxava a fila, Leo, Alex, Mira e Dybala estavam juntos na escalação, mas eu sentia que tinha algo errado.
Pensei que pudesse ser eu. Presidente, vendo todos os árabes com falsas feições de felicidade por terem que agradar uma mulher, mas acho que era só a falta dos meus meninos mesmo. Sendo os que estavam fora por lesão ou os que escolheram não estar aqui agora. Estávamos na Arábia Saudita há dois dias e eu já estava pronta para voltar para casa.
O jogo começou interessante para o nosso lado, logo aos quatro minutos Douglas teve uma tentativa, mas foi muito para o lado direito. Aos 12, foi a vez do Milan atacar, mas o tiro foi tudo, menos com mira. Aos 17, Cancelo tentou, mas foi para fora.
Aos 34, um começo de esperança para nós, Douglas fez um passe para dentro da pequena área e Matuidi só deu um toquinho para dentro, mas estava claramente impedido. Ao menos era a prova que podíamos fazer mais. Aos 43, foi a vez de Douglas fazer um passe para Ronaldo, mas foi para fora, finalizando o primeiro tempo.
O segundo começou com o Milan mostrando que ainda não estavam morto, mas foi na trave de Tek. Aos 61, Pjanic fez o passe e Ronaldo chutou, Donnaruma até chegou a pegar a bola, mas acabou escapando de sua mão e entrou! Achei que pudesse estar impedido, mas não, 1x0 para nós.
Aos 68, outro gol para nós, Dybala dessa vez, mas esse sim estava impedido. Ele estava quase sozinho com o goleiro, não tinha como não ser. Aos 74, Kessie, do Milan, ganhou um vermelho após dar um pisão em Can. Aos 77, Douglas tentou chutar de longe, mas Donnaruma pegou dessa vez.
E foi isso! Os últimos 13 minutos foram com ataques não conclusivos, substituições e fim. E eu vim lá de Turim para isso. É, talvez eu devesse ter ficado assistindo esse jogo de casa. Até o Milan Fashion Week, onde finalmente lançamos a primeira coleção street wear da Juve, foi mais legal.
- Uhul, ganhamos! – Falei, me levantando e Treze foi o primeiro a me abraçar.
- Primeiro prêmio hein, presida? – Ele disse, me fazendo rir e abracei Pavel ao seu lado.
- Beh, alguma vantagem isso precisa ter, né?! – Dei de ombros e ele riu fracamente.
- Parabéns, ! – Fabio me abraçou, me fazendo sorrir.
- Parabéns para todos nós, ragazzi. – Eles sorriram.
- Ok, vamos lá! – Pavel disse e segui com eles pelo camarote.
Cumprimentei alguns sheiks e árabes com rápidos acenos de cabeça devido a mão e uma cultura deles com mulheres e segui junto dos outros três até o térreo. Os meninos comemoravam no campo enquanto o palco era arrumado. Entrei no campo, sentindo firmeza com o salto grosso do sapato e sorri para os meninos.
- CHEFA! – Fede foi o primeiro a me abraçar, me fazendo sorrir.
- Auguri, Fede! – Abracei-o fortemente. – Douglas! – Abracei-o em seguida.
- Chefa! – Ele sorriu.
- Ah, ragazzi! – Segui em direção a Tek, abraçando-o. – Auguri!
- Grazie, chefa! – Ele me abraçou apertado, me fazendo sorrir.
- Pinso! – Abracei-o em seguida e segui pelo pessoal, batendo rapidamente nas mãos de Alex e Cancelo que estavam jogados no chão.
- Chefa! – Sorri para Higuain, abraçando-o fortemente.
- Ah, Pipita! – Suspirei, recebendo um beijo em minha bochecha. – Você precisa se encontrar. -Ele suspirou. Não era a primeira vez que ele jogava ruim e nem que encrencava em campo.
- Eu estou bem! – Ele disse e assenti com a cabeça.
- Fica mesmo! – Sorri para seus colegas milanistas. – Ragazzi. – Eles fizeram o mesmo e segui em direção a Allegri.
- Ah, ela aí! – Ele disse, me abraçando fortemente e ri fracamente. – Primeiro troféu, hein?!
- Ah, como presidente, né?! Como funcionária eu acho que cheguei no vigésimo! – Ele riu fracamente. – Obrigada por essa parceria! Você é demais!
- Ah, grazie! – Ele sorriu e me afastei. – Gennaro. – Cumprimentei o técnico do Milan.
- ! – Ele sorriu. – Bom trabalho.
- Você também! – Pisquei e ele riu fracamente.
- CHEFA! – Virei para Chiello e Leo que abriram os braços animados, me fazendo rir.
- Ah, meus meninos! – Entrei no meio de ambos, sentindo-os me abraçarem juntos. – Auguri, auguri! – Falei repetidamente.
- Grazie, presida! – Leo disse, me fazendo rir e dei um beijo em sua bochecha, depois na de Chiello antes de seguir para outros jogadores.
- Sami! Sami! – Ele riu fracamente e abracei-o junto de Pjanic. – Auguri, ragazzi!
- Grazie, chefa! – Eles sorriram.
- Meninos! – Abracei Ruga, depois DeSciglio. – Auguri!
- Grazie! – Eles disseram felizes e segui para bentancur, depois Matuidi, Ronaldo, Can, Spinazzola, até chegar em Filippi que estava com Perin e Del Favero, jogador da sub-23 que veio conosco.
- Ah, nossa presidente! – Filippi disse, me fazendo rir e abracei-o fortemente antes de seguir para Perin e Del Favero.
- Ragazzi! – Eles sorriram.
- Então nossa princesa já nem nasceu e já é campeã? – Filippi disse, me fazendo rir fracamente.
- Beh, graças a vocês! - Eles riram fracamente.
- O que estão cochichando aí? – Tek apareceu com Pinso, passando o braço em meus ombros.
- Estamos falando mal de você! – Perin disse, me fazendo rir fracamente.
- Como está nossa menina? – Tek disse.
- Está bem, desanimada com esse jogo sem graça aí! – Eles riram.
- É, foi bem de boa! – Pinso disse.
- Sem emoção. – Falei e eles ponderaram com a cabeça.
- È vero! – Tek concordou comigo. – E você? Bem?
- Sim, eu estou! Igual antes do jogo! – Disse, ouvindo-o rir fracamente.
- Ah, você sabe! – Ele deu de ombros.
- Tek, vocês não precisam compensar a saída do Gigi ficando em volta de mim.
- Eu sei, mas você vinha mais com a turma dos goleiros! – Ele disse, me fazendo rir.
- E sentimos uma necessidade especial em cuidar de você! – Pinso disse e virei para Filippi.
- Isso é coisa sua?
- Não, com certeza não! – Ele disse, me fazendo rir fracamente. – Mas não estão errados.
- Vocês são bobos! – Ri fracamente. – Eu estou bem, prometo!
- Com essa coisinha fofa, quem não estaria? – Pinso disse em tom infantil, me fazendo rir fracamente.
- Quero só ver quando ela sair daqui. – Eles riram fracamente.
- Beh, você vai ter vários padrinhos não declarados. – Filippi disse. – Porque te amamos e nos importamos contigo. – Sorri. – E não é por você ser presidente.
- Eu sei que não. – Sorri, assentindo com a cabeça. – Grazie! – Eles sorriram e abracei Pinso e Tek que estavam perto.
- Ei! Vamos! – Leo cutucou Tek e ri fracamente.
- Vai! Vai! – Empurrei-os de leve, vendo-os seguirem em direção ao palco para pegar suas medalhas.
Desviei meu corpo de onde estava, dando alguns passos para ficar mais de frente e parei ao lado de Pavel e Fabio para ver cada um pegar sua medalha. Chiello ficou por último dessa vez e sorri ao pensar que ele levantaria um troféu 14 anos após entrar no time. Sentia uma falta enorme de Gigi, mas não seria tão ruim.
Sorri quando vi Chiello levar a taça até o meio do pessoal e erguê-la, fazendo todos os jogadores fazer o mesmo com ele e os confetes e papéis picados subiram pelos ares. Sorri, vendo a comemoração do pessoal e senti um braço em minha cintura, vendo Angela ali.
- Ei! – Falei.
- Sinto que você está esperando alguém. – Ela disse e ri fracamente.
- É, talvez... – Suspirei. – Não estamos tão longes do Catar, estamos? – Perguntei e ela ponderou com a cabeça.
- Uns 800 quilômetros, por quê? – Suspirei. – Ele está no Catar, né?! – Levei as mãos até a barriga.
- Sim. – Pressionei os lábios.
- Sabe o que isso deixa claro? – Ela se colocou em minha frente.
- O quê? – Perguntei.
- Vocês pertencem um ao outro. Não sei como vocês vão fazer para se resolver, mas...
- Ele precisa me contar a verdade, os motivos de não ficarmos juntos, depois os motivos de ir embora... – Suspirei. – Na verdade, ele precisa voltar antes.
- Isso eu entendo, mas sobre a questão de dizer a verdade, você também tem um segredo dele, e acho que é um pouco mais relevante para ele do que os motivos dele saírem do time. – Suspirei.
- Não sei, talvez... – Neguei com a cabeça. – Podemos não conversar sobre isso aqui?
- É claro, isso deixa óbvio que você entende. – Ela disse e suspirei.
- Eu vou contar a ele, eu prometo. – Falei e ela assentiu com a cabeça.
- Se quiser, peço para o avião fazer uma parada no Catar antes de irmos para...
- Angela. – A repreendi.
- Ok! – Ela deu de ombros. – Mas depois não diga que eu não avisei. – Suspirei
- Pode deixar. – Pressionei os lábios, sabendo que ela tinha razão.
Depois da minha idade, existem coisas que não me surpreendem mais, acho que eu já vi todo tipo de coisa na minha vida e profissão, inclusive fiz parte de muitos momentos históricos, digamos assim, mas 9x0, acho que nunca tinha visto isso enquanto em jogo.
Já ouvimos falar de várias diferenças de placar de grandes times, seleções, mas eu nunca estive em campo. Nem levar e nem fazer um placar tão alargado assim, acho que o máximo foi 4x0, 4x1, 5x0, 5x1, mas 9x0, NOVE A ZERO, era loucura!
E foi assim que a gente derrotou o Guingamp pelo campeonato, por 9x0. Nove a zero! Era tão bom falar, parecia chiclete na boca! Thiago e Tuchel bem que falaram que precisávamos ganhar para ser tipo uma revanche após sermos eliminados por eles da Coupe de la Ligue, a Coppa Italia deles, mas eles nos derrotaram por 2x1... Não 9x0. A revanche tinha vindo com troco, juros e correção monetária!
O mais interessante foi que eu realmente não fiz nada o jogo inteiro! Não teve um lance do nosso lado, eu não precisei fazer nenhuma defesa, poderia ter jogado cartas, tomado um café que ninguém ia sentir a minha falta. O mais legal foi que os três primeiros gols foram no primeiro tempo, o restante do baile foi no segundo. E que baile!
- Você parece um tonto rindo, Gigi! – Thiago disse e ri fracamente.
- Eu não consigo acreditar ainda nisso. – Neguei com a cabeça, apoiando a mão em seu ombro. – Eu literalmente já vi de tudo na vida. Já vi diversos placares, contra, a favor, mas isso? – Neguei com a cabeça.
- Seu amigo não estava feliz. – Ele disse e soltei-o, pegando a camisa e passando pelos braços, começando a abotoá-la.
- Ah, o Marcus não deve ter ficado mesmo. – Suspirei, lembrando do filho do Lilian que é do Guincamp.
- Ao menos continuamos em primeiro e ganhamos alguns gols extras. – Ele deu dois tapas em meus ombros.
- Garanto que foi mais do que alguns extras! – Marquinhos disse, nos fazendo rir.
Terminei de me arrumar, passando a toalha na cabeça e descartei-a junto de meus colegas. Voltei para meu lugar, penteando os cabelos para o lado e eu precisava cortar isso logo. Arrumei minha mochila novamente, guardando a camisa que troquei com Caillard, o coitado do goleiro que levou nove gols.
Terminei de guardar tudo e joguei a mochila nas costas. Era sábado e eu não tinha a mínima ideia do que fazer quando chegasse em casa. Talvez pedir alguma coisa ou comer alguma das diversas coisas que minha mãe fez e deixou congelada no freezer. Abrir uma garrafa de vinho e algum filme. Meus meninos falaram tanto de Star Wars no Natal que eu acabei assistindo ao episódio nove com eles, mas eu não lembro de nada do sétimo e nem o oitavo, e eu acho que eu assisti com eles.
- Ciao, gente! Até segunda-feira! – Falei para os jogadores.
- Tchau, Gigi! – Eles responderam com acenos e dei rápidos abraços no pessoal mais perto antes de sair do vestiário.
- Ciao, ciao! – Falei para Tuchel e Gianluca, abraçando ambos.
- Nos vemos segunda-feira! – Tuchel disse.
- Pode deixar! – Sorri. – Se cuidem!
- Você também! – Gianluca disse e segui de volta para dentro do túnel.
Passei pela entrada privativa do estádio e vi os carros que o time disponibilizava para gente ir embora. Isso era algo diferente da Juve, vínhamos juntos, mas eles disponibilizavam carros para irmos embora. Eu podia escolher ir para o CT ou ir para casa, como já tinha acostumado a ir de táxi para o CT, iria para casa.
- Bonne nuit. – Falei para o motorista.
- Bonne nuit! – Ele retribuiu, abrindo a porta para mim e entrei, me acomodando enquanto ele seguia para o outro lado. – Para onde?
- De Grenelle, por favor. – Ele assentiu com a cabeça.
O jogo tinha acabado há quase duas horas, então as ruas já estavam mais vazias, não tive problemas de sair do estádio. A distância do estádio para minha casa não passava de 10 minutos em dias normais, mas demorou uns minutos a mais, sábado, ruas mais cheias, entre outras. Mesmo assim, não era nem nove quando cheguei em casa.
- Merci! – Falei quando ele parou em frente ao meu apartamento e saí do carro, dando um último aceno antes de vê-lo seguir pela rua e passei por dentro.
- Bonne nuit, monsieur! – Sorri para o porteiro.
- Bonne nuit, Pierre! – Respondi.
- Que jogaço, hein, monsieur? – Ele disse e ri fracamente. Pierre era torcedor fanático do PSG.
- Assistiu? – Coloquei a mochila nas costas, entrando no lobby.
- Claro. Foi ótimo! – Ele riu fracamente. – Nem vi o senhor.
- Foi bem relaxante! – Rimos juntos.
- Chegou isso para o senhor. – Ele colocou um envelope largo em cima do balcão e franzi a testa, não estava esperando nada. Observei o envelope e vi o nome “Angela Bernardi”, me deixando confuso.
- Merci! – Falei e ele assentiu com a cabeça.
- Tem algo que eu possa fazer pelo senhor? – Ele perguntou.
- Não, não, devo ficar em casa mesmo. Boa noite!
- Para você também! – Ele disse e segui para o elevador, apertando o último andar.
Chequei a embalagem, confuso e curioso ao mesmo tempo. Por que Angela me mandaria um envelope? O que estivesse dentro era grosso, como se tivesse muitas folhas empilhadas no mesmo.
Saí do elevador quando ele parou e peguei a chave na mochila para abrir a porta e entrar no apartamento. Bati a porta, deixei as chaves na mesa e a mochila na primeira poltrona. Segui até o sofá, me sentando no mesmo e rasquei a parte de cima do envelope, puxando a proteção coberta com plástico-bolha e tinha um post-it colado na mesma.
“Achei que gostaria de ver isso. Parece que ela ficou bem confortável com a imprensa, não acha? Angela”.
Franzi a testa e tirei o plástico-bolha, notando que era uma revista, virei a mesma e fiquei sem ar quando vi a capa da Vanity Fair Italia. Na capa tinha , mas não uma com estilo administrativa, era uma que acho que nem eu tinha visto antes. Ela usava acho que um biquini preto, um robe da mesma cor levemente transparente, deixando sua barriga à mostra, além dos saltos. Ela caminhava em frente a uma piscina e a foto estava distante o suficiente para pegar mais da paisagem do que ela em si.
Tirando o logo da revista no topo, tinha somente mais cinco palavras no rodapé: “ : mulher, mãe, presidente”. Vi que havia uma marcação na revista e abri a mesma, vendo a reportagem de seis páginas com e diversas fotos tão lindas e incríveis quando a da capa, mas a da capa era especial.
Relaxei meu corpo no sofá e comecei a ler a entrevista. Não tinha nada que eu não sabia, eles falavam da carreira da na Juve, da vida pessoal dele, sobre os pais e o grande segredo dela, depois sobre se tornar presidente da Juventus, sobre seus seis meses na posição e, por fim, falava sobre sua gravidez. Ela não deu tantos detalhes sobre isso, disse somente que estava na hora e que era uma felicidade enorme na vida dela, apesar da correria com a nova posição.
Apesar de ela estar bem animada com a posição e com a gravidez, achei interessante da parte dela deixar isso em segredo. poderia estar se acostumando finalmente com a atenção, mas tinham certas coisas que ela gostaria de deixar privada. O que me deixava mais curioso assim.
Suspirei, fechando a revista e olhei para a capa novamente. É muito estranho eu querer me masturbar com isso? Não, acho que não, se eu estivesse com ela, talvez ainda estivéssemos transando se não fosse desconfortável. De quanto tempo ela estava? Cinco meses? Algo assim.
Abanei os pensamentos da minha cabeça e peguei o celular, procurando o contato de Angela que era sempre um dos primeiros, inclusive ela tentou me convencer a fugir da turnê no Catar e ir para a Arábia Saudita acompanhar a Supercoppa. Vontade não faltou, mas tive que acompanhar pela televisão.
“Grazie!” - Enviei para ela, suspirando.
Levantei do sofá, seguindo até o quarto para trocar de roupa, colocar meu pijama e fui para a cozinha. Peguei uma lasanha congelada e coloquei no micro-ondas. Peguei um vinho e o abri, me servindo em uma taça. Quando a lasanha ficou pronta, coloquei-a em cima de um prato e levei com a taça e a garrafa embaixo do braço para a sala.
Me sentei novamente no sofá, deixando o prato no colo e a garrafa e a taça na mesa de centro. Peguei o celular novamente, vendo que tinha uma nova mensagem e vi que Angela tinha respondido.
“Prego. Sabia que ia gostar! Ah, avisando, já esgotou! Acho que tem mais gente de olho na sua mulher!”
“Há, há, há, se ela ainda tiver olhos só para mim, eu não me importo”. – Enviei de volta.
“Parece que você ainda está com sorte!” – Ela disse, me fazendo rir fracamente e deixar um sorriso ficar em meus lábios.
- É claro que eu te libero, Medhi, mas eu queria tentar entender o motivo, você estava indo tão bem aqui! – Ele suspirou.
- Beh, dois motivos me fizeram decidir sair, o primeiro é que eu tenho quatro filhos... – Ele suspirou. – Eu sou muçulmano e gostei muito de crescer nessa cultura, então gostaria de dar essa oportunidade aos meus filhos... – Assenti com a cabeça.
- Sim, claro. – Suspirei. – E a segunda?
- O Bonucci voltou e ele acabou ganhando preferência no Allegri, acabei sendo jogado para escanteio...
- É, eu notei, você só jogou sete vezes em meia temporada. – Ele pressionou os lábios.
- É, e eu tenho quase 32 anos, ainda posso jogar um pouco. – Assenti com a cabeça.
- Claro, Medhi, eu entendo sim, mas saiba que eu vou sentir muito sua falta. – Ele segurou minha mão na mesa.
- Eu também, chefa! Eu também. – Suspirei, me levantando.
- Eu vou fazer todos os trâmites com o Al-Duhail o mais rápido possível para te liberar para eles. – Ele assentiu com a cabeça e dei a volta na mesa.
- Promete que vai se cuidar? Cuidar dessa princesa e me mandar várias fotos? – Ri fracamente.
- Se eu não fizer isso, te garanto que você deixou amigos o suficiente aqui para te enviar. – Ele sorriu, assentindo com a cabeça e nos abraçamos.
- Se cuida, . Vai ser feliz, ok?! – Assenti com a cabeça.
- Pode deixar, Medhi. Se cuida também, e acho que chega de filhos. – Ele riu fracamente e me afastei dele.
- Provavelmente... – Rimos juntos.
- Já que hoje é seu último dia, acho que eu posso te contar um segredo, mas não pode sair daqui. – Ele suspirou.
- A Sienna é filha do Gigi, não é? – Arregalei os olhos.
- Co-como... – Ele riu fracamente.
- O Barza e o Chiello…
- Ah, aqueles puttanos.
- Não, não, eles não contaram nada, mas eu os ouvi conversando com o Gigi e eles reduziram um mês da contagem real, a gente perguntou o motivo e eles tiveram que contar.
- “A gente” quem? – Perguntei.
- Eu e o Mario, só.
- Tem certeza? – Ele riu fracamente.
- Sim, eu tenho. E prometo guardar seu segredo, apesar de não concordar. – Suspirei.
- Eu sei, eu sei, eu vou resolver isso em breve. – Ele assentiu com a cabeça.
- Fico feliz pelo filho ser dele, é a prova perfeita de que esse relacionamento ainda tem esperança. – Ri fracamente.
- Beh, depende muito mais do que eu para fazer isso funcionar. – Ele assentiu com a cabeça.
- Ao menos é um começo. – Assenti com a cabeça. – Se cuida, chefa!
- Você também, querido. Muito sucesso, ok?! – Ele assentiu com a cabeça, dando mais um beijo em minha bochecha. – Obrigada pelo presente.
- É um prazer ter a camisa de um grande amigo na minha coleção. – Ele sorriu e assentiu com a cabeça.
- Obrigado por tudo. – Assenti com a cabeça antes de vê-lo seguir para fora da sala.
Suspirei, checando a hora no relógio e era quase oito horas, tinha jogo e eu não fui assistir por causa da janela de transferência, mas queria ver ao menos de casa. Peguei a caixa com a blusa de Medhi e coloquei-a na bolsa antes de apoiar em meu braço. Segui pelas escadas abaixo, feliz pelas botas fofas e confortáveis. Elas não eram as melhores para combinar, mas ao menos elas eram fofinhas e com a entrada do oitavo mês, meus pés parecia pãezinhos e isso não era muito confortável.
- Ah, quem eu estava procurando.
- Cáceres? – Falei surpresa e ele me esperou no último degrau.
- Vim te ver. – Ele disse e ri fracamente.
- Não acreditei quando Fabio disse que estava de volta! – Abracei-o quando cheguei nos últimos degraus e ele me apertou fortemente.
- E eu não acredito que está grávida! – Ele disse, me fazendo rir.
- Ah, que saudades suas, Martin! - Ele riu fracamente.
- Só você para me chamar de Martin, chefa! – Sorri, nos afastando devagar. – E esse bebê aqui? Posso?
- Claro! – Falei, sentindo suas mãos em minha barriga por cima do casaco grosso e sorri.
- Estou surpreso, confesso. – Ri fracamente.
- Muita coisa aconteceu desde que saiu. – Ele suspirou.
- É, fiquei sabendo, você grávida, presidente do time, Gigi não está mais aqui, Manu também não... – Assenti com a cabeça.
- Ao menos sobraram alguns. – Suspirei.
- Apesar de tudo, acho que você merece meus parabéns. – Assenti com a cabeça.
- Grazie. – Ri fracamente.
- E esse bebê? Muito para chegar? – Ri fracamente.
- Entrei no oitavo mês. – Ri fracamente. – Ela logo está aqui para gente.
- Ela?
- É. – Sorri e ele riu fracamente.
- Ah, já estou empolgado! – Sorri. – Vou ser um titio babão! – Rimos juntos.
- Entra na fila! – Rimos juntos. – Já reencontrou o pessoal?
- Ainda não, não conseguimos terminar tudo para eu ir no jogo. – Assenti com a cabeça.
- É a FIGC está meio chata com essas coisas, mas logo você entra. – Ele riu fracamente. – Beh, eu preciso correr que eu preciso acompanhar o jogo, a Sienna nem chegou ainda e já adora ouvir gol! – Ele riu fracamente.
- Tomara que dê certo. – Nos abraçamos de novo.
- A gente se fala melhor depois. – Ele assentiu com a cabeça e me deu um beijo na bochecha.
- Se cuidem vocês duas. – Sorri.
- Você também! Benvenuto!
- É sempre bom estar de volta! – Ele disse e rimos juntos.
Acenei com a mão e segui em direção ao estacionamento, entrei em meu carro e dirigi em direção a casa de tia Gio. Estava ficando mais lá do que em casa, beh, quando eu ia para casa, o que era quase esse horário na maioria das vezes, isso quando não tinha jogo. Gio e o restante dos Vitale estavam me tratando praticamente no colo.
Não tive problemas durante o caminho e entrei na garagem quando eu cheguei, grata mais uma vez pelo controle remoto que Gio havia me dado. Desliguei o carro, peguei minha bolsa e a mochila no banco de trás e segui em direção a porta dos fundos.
- Ciao, famiglia! – Falei, fechando a porta novamente.
- Ciao, ! – Os meninos falaram.
- O jogo já começou?
- Está no hino! – Giulia falou e deixei as bolsas na mesa da cozinha, dando um beijo na bochecha de Gio de lavava a louça.
- Como está? – Ela perguntou enquanto eu tirava o casaco e o colocava no encosto da cadeira.
- Tudo bem, desculpa a demora, entrada e saída de jogadores. – Abanei a mão.
- Quem vai sair? – Ouvi a voz de Gianni e segui até a sala onde os outros estavam.
- Benatia! – Falei e parei ao lado da cadeira de nonna.
- Como estão? – Ela acariciou minha barriga e sorri.
- Estamos bem. – Dei um beijo em sua cabeça. – E vocês?
- Tudo bem. – Eles falaram e segui passando um por um, recebendo beijos e carinhos na barriga de cada um.
- Dinda! – Kawan ficou em pé no sofá, me abraçando e sorri, dando um beijo em seus cachinhos.
- Treze não voltou ainda? – Perguntei para Giulia, sentindo o mais novo dar beijinhos em minha barriga.
- Ainda não, deve voltar semana que vem. – Ela disse.
- Beh, assim eu tenho você só para mim. – Rimos juntas.
- E minha sobrinha e afilhada! – Ela disse, me fazendo rir. – Já escolheu os padrinhos, por sinal?
- Seria eu e você, não?! – Pietro disse e ri fracamente.
- Sim, amor! – Falei rindo. – Só estava pensando no Barza também, ele me ajudou muito nos primeiros meses. Ele e o Chiello, na verdade.
- Mas eu sou seu irmão querido há quase 20 anos. – Ri fracamente.
- Eu sei, meu amor. – Sorri.
- Está com fome, ? – Angela perguntou.
- Sim! – Falei, rindo fracamente.
- A gente fez bruschetta, quer? – Ela perguntou.
- Sim! – Falei animada.
- Então relaxa aí, logo trago. Aceita um chá também? – Ela perguntou.
- Aceito sim, mas eu ainda posso esquentar um pão e fazer um chá para mim, Gio! – Falei e ela riu fracamente.
- Eu sei, mas preciso aproveitar minha única filha a ficar grávida, por favor. – Ela disse, me fazendo rir.
Me sentei no sofá ao lado de Fabrizio, sentindo-o passar a mão em meus ombros e me abraçar. O jogo logo começou e não teve nenhum lance relevante no começo, então deu tempo de eu comer as três bruschettas e beber o chá sem quase derrubar tudo por causa da um gol. Apesar que seria difícil vir um gol assim, parece que com Barza e Leo lesionados, nossa defesa completamente nova não estava dando conta do recado. Ainda com a saída de Chiello aos 27 por alguma pequena lesão, ficou pior.
O primeiro gol foi deles aos 37 minutos. Cancelo não conseguiu fazer a contenção do jogador da Atalanta, perdeu a bola e Ruga acabou sendo pego desprevenido e não conseguiu conter, nem Tek. O segundo veio dois minutos depois, deles também, outra bagunça na defesa vez com que nem Tek aguentasse o segundo.
Allegri deixou o campo irritado antes mesmo do intervalo e Pavel e Fabio seguiram para o vestiário no intervalo mesmo, coisa pouco comum. Talvez assim conseguíssemos uma mudança. Beh, isso só não ia depender de Allegri, pois Landucci estava em seu lugar na beirada do campo e ele estava junto de Pavel e de Fabio. Alguma coisa tinha acontecido, mas não pretendia me envolver para saber.
O primeiro lance do segundo tempo foi de Fede aos 47, ele fez um drible perfeito, mas Ronaldo não chegou a tempo para matar. Aos 55, depois de um recuo de bola, Bentancur conseguiu atacar, mas a bola desviou em alguém e subiu demais. Aos 68, Sami tentou um chute, mas foi nas mãos do goleiro.
Aos 86, a garantia que não iríamos passar. DeSciglio tentou recuar a bola para Tek, mas o atacante deles chegou antes, driblou Tek que deu uma de Gigi e saiu antes na bola e mandou para o fundo do gol. Era isso. Não que um gol fizesse a diferença, mas isso estava uma verdadeira bagunça. Como estávamos em primeiro no campeonato mesmo?
O apito final foi soado e era isso, estávamos eliminados da Coppa Italia nas quartas... Isso não acontecia há quatro anos, porque os quatro seguintes foram vitórias em cima de vitórias. Como presidente, a gente começa a sentir mais pelas derrotas e isso eu sentiria muito! Allegri também, aposto. Pior que essa bagunça toda precisava se resolver logo, tínhamos muitos jogadores
- É, acho que não era para ser assim. – Pietro disse
- Não mesmo. – Suspirei.
Sorri com a imagens, vendo o pezinho do bebê de aparecer sobre a pele ao chutar e tombei minha cabeça para o lado. Kawan, o filho de Giulia, levou as mãos sobre o local, como se tentasse pegar e a risada de ecoou pelo som, me fazendo suspirar.
- Vai demorar para chegar, mamãe? – O mais novo perguntou.
- Ainda tem um tempo, amore! – A voz de Giulia foi ouvida e Kawan levou a mão para a barriga de antes do vídeo terminar.
Suspirei, voltando ao story novamente, assistindo pela milésima vez e deixei o sorriso se formar em meus lábios mais uma vez. Eu quero muito ser o pai dessa criança. A temporada precisa acabar logo para eu voltar para ela e tentar reconquistá-la, fazer parte da vida dessa criança e ajuda-la a criar e ter a chance de finalmente passar minha vida com ela. Só faltava mais três meses, se nós ou eles formos para a final da Champions que seria no dia primeiro de junho. É, mas para isso precisávamos ir muito bem nas oitavas que começavam na semana que vem.
“Cheguei!” – Vi a notificação da mensagem de Verratti e chequei o horário, eu havia perdido total noção de tempo.
“Estou descendo!” – Respondi e me sentei na pressa, calçando os sapatos.
Me levantei e peguei o paletó vermelho na cadeira e o vesti, abotoando o primeiro botão. Coloquei a carteira, o convite e o celular no bolso e peguei o casaco preto, colocando-o por cima de tudo. Peguei o presente e segui para fora de casa, puxando a trancando a porta, guardando a chave no bolso.
- Bonne nuit! – Falei para o porteiro.
- Bonne nuit! – Ele respondeu e vi o carro de Verratti parado na porta e abri a porta, entrando ao seu lado.
- Fala aí, Gigi! – Ele disse. – Ei, você está bonito! – Ele disse rindo.
- Beh, não sei que tipo de festa é, mas acho que melhor estar a mais do que menos...
- É, mas estamos falando do Neymar, não costuma ser exatamente uma festa com muita classe! – Ri fracamente. – Pelo menos não até o fim!
- Espero que não tenha nada que me coloque em problemas. – Ele riu fracamente.
- Quer ficar? – Virei para ele.
- Sério? É nesse nível? – Perguntei e ele deu de ombros, desviando o olhar da rua para mim. – Espero que as imagens não vazem.
- Não apronte que você não tem nada a dever. – Ele disse.
- Cara, você conhece as mulheres, pode não ter nada que elas ainda vão achar motivos para ter. E eu estou cheio de problemas. – Ele riu fracamente.
- Isso é verdade! Mas você nem está com ela, pode se divertir...
- Ah, não! Sem diversão! Um ano sabático para mim. Completamente. – Ele riu fracamente.
- Desejo boa sorte para você, então. – Suspirei.
- Eu deveria ter ficado em casa. – Ele riu fracamente.
Marco dirigiu em direção ao Pavillon Gabriel, uma casa de eventos similar ao OCR em Turim que ficava na rua de trás da Champs Elysée. A frente do local era chamativa e tinha luzes vermelhas, combinando com o tema da festa, logo na entrada tinha um valet e eu e Marco saímos assim que ele parou.
Na frente do local tinha vários fotógrafos e dei rápidos sinais de positivo ao passar pela área coberta onde tinha um tapete vermelho de verdade, além de um pequeno serviço de bar. Queria me manter sóbrio essa noite, não costumava enlouquecer tanto, mas já tive meus efeitos de beber e não lembrar o que fiz ou falei.
Tirei o casaco e parei ao lado de Marco para tirar umas fotos, dando rápidos sorrisos. Quando entrei, o lugar estava espetacular! As cores, a decoração, pensando que estávamos falando de Ney, tudo era demais! Ele faria 27 anos e essa festa estava quase tão grande e glamorosa quanto meu casamento.
Deixei o presente com uma organizadora, depois deixei o celular em um porta-volumes. Ao menos não era permitido entrar com celulares, então esperava que não tivesse nenhum problema.
- Ciao! Ciao! – Falei ao encontrar meu grupinho de Thiago, Marquinhos e Dani.
- Ei, Gigi! Está na beca! – Dani disse e ri do seu terno espalhafatoso.
- Você também! – Falei, ouvindo Thiago gargalhar.
- É, ele está sempre chique assim! – Ambos riram, me fazendo rir.
- Gigi, se lembra da minha esposa Belle? – Thiago a indicou.
- Sim, claro! – A cumprimentei com dois rápidos beijos.
- E essa é Carol, minha esposa. – Marquinhos disse sorrindo, indicando-a e dei-lhe dois rápidos beijos.
- É um prazer conhecê-las! – Sorri.
- Te colocamos na nossa mesa, se não se importa. – Thiago disse.
- Não, não, agradeço. Não estou acostumado com esses tipos de festas. – Falei, rindo fracamente.
- Como se divertiam lá em Turim? – Thiago perguntou.
- Ah, eles são mais caretas! – Dani disse, apoiando a mão em meu ombro, me fazendo rir.
- Também não é assim. – Falei. – Eu estou velho, gente! Eu gosto de ficar relaxado em casa. Com uma companhia especial, você não precisa de mais nada. – Eles riram.
- Eu tenho que concordar. – Belle disse e Thiago lhe deu um beijo.
- Nossas maiores festas eram de conquistas de campeonatos, íamos para uma balada e afins, mas eu gostava mesmo de ir em uma trattoria que tinha lá perto do estádio, era mais confortável. – Eles sorriram.
- Eu prefiro algo mais calmo também. Essas festas não me agradam tanto. – Thiago disse.
- Onde está o aniversariante? – Falei e eles riram.
- Ah, espero que não tenha pressa. Ele gosta de entradas triunfais. – Marquinhos disse e assenti com a cabeça.
- Eu vou dar uma volta, logo os encontro de volta. – Eles assentiram com a cabeça.
- Nossa mesa é a 32. – Thiago disse e confirmei com a cabeça.
- Ok, já volto! – Falei, dando um rápido aceno e segui pelo salão da festa.
Tirando os diversos jogadores, Alphonse, Kylian, Cavani e outros. Muitos que eu não conhecia pediam para tirar fotos comigo, não sabia muito quem são, mas estava em um lugar praticamente desconhecido para mim, então seria bom me enturmar.
- Gigi? – Virei o rosto, me surpreendendo ao ver Douglas ali.
- Douglas? – Falei, gargalhando e ele pulou em meu colo, me abraçando.
- Ah, Gigione! Que saudades! – Ele disse e sorri.
- O que está fazendo aqui? – Perguntei, vendo-o se recompor.
- Eu sou amigo do Ney! – Ele disse. – E Turim é bem perto daqui... – Ele disse sugestivamente, me fazendo rir fracamente.
- É, eu sei! – Ri fracamente. – Como estão as coisas lá?
- Ah, muito bem! – Ele disse. – Campeonato, Champions, time... – Ele deu de ombros. – Agora me faça a pergunta que você realmente quer saber.
- Como ela está? – Perguntei rindo fracamente.
- Ela está bem. – Ele suspirou. – É estranho vê-la sem você, mas ela está se dando muito bem nessa coisa de presidente.
- E a gravidez? – Perguntei.
- Cada vez maior! – Ele riu fracamente e sorri. – A vi no sábado, o bebê mexe demais, acho que estava empolgado pelo jogo. – Sorri.
- Beh, sendo filho da , nada mais justo do que ser apaixonado por futebol. – Ele riu fracamente.
- Ah, vai ser! Já se empolga na barriga, imagina aqui fora?! – Sorri.
- Fico feliz. E vi que o time está invicto no campeonato. – Falei.
- Sim! Estamos, primeiro lugar desde a segunda rodada. – Ele riu fracamente. – É bom.
- E o restante do pessoal? Tudo bem?
- Tudo ótimo! – Ele sorriu. – E você? Já está pronto para voltar? – Ele perguntou e suspirei.
- Sim, com certeza, mas tenho alguns meses ainda. – Falei.
- Está perto, logo acaba. Não precisa subir pelas paredes, ela ainda está solteira.
- Ainda! – Repeti e ele riu fracamente.
- Sem surto! – Rimos juntos.
Fiquei mais alguns minutos com Douglas, depois segui até a mesa encontrar o restante dos casais. A vontade de enviar mensagem para havia aumentado com a conversa com Douglas, mas eu precisava me conter.
Durante meus pensamentos, Neymar chegou, em uma entrada triunfal como Marquinhos falou, ele estava de muletas devido a lesão e fez um discurso em português, o que eu não entendi nada, mas ele se emocionou com a fala. Logo o parabéns, também em português, foi cantado, ao menos era o mesmo ritmo do italiano, então pude aplaudir no ritmo.
Neymar deu uma volta entre as mesas, onde pude dar um abraço e desejá-lo feliz aniversário por amanhã. Quando ele voltou ao palco, a festa realmente começou, cantores brasileiros subiram ao palco, inclusive um que pediu para eu tirar foto com ele, Wesley, Weasley, algo assim.
Eu não conhecia as músicas e queria ficar o mais discreto possível, mas as músicas tinham uma batida boa, ao menos eu conseguiria me manter ocupado por mais algumas horas antes de finalmente ir embora.
- Então, vamos ver como ela está... – Federica mexeu o aparelho em minha barriga e imediatamente o bebê apareceu na tela. – Aí ela!
- Ah... – Fiz um pequeno bico, suspirando toda vez que eu a vida. – Ciao, amore. – Falei baixo, ouvindo as batidas fortes do coração dela. – Como ela está?
- Ela está bem! – Ela disse, sorrindo. – O coração está batendo forte, ela está se mexendo bem aqui dentro, mas está acabando o espaço dela aqui. – Rimos juntas. – Você está de 33 semanas?
- Quase, completo na segunda. – Falei.
- Beh, deixa eu medir ela aqui... – Ela disse. – Já decidiu sobre o parto?
- O que a senhora acha? – Perguntei, vendo-a se silenciar por alguns segundos enquanto fazia as medições.
- Eu acho que sua gestação está sendo muito saudável, então se a bolsa estourar e você tiver uma dilatação boa, podemos fazer normal. Agora se tiver muito problema, medo e afins, podemos marcar uma cesárea. – Suspirei.
- Acho que eu prefiro o parto normal, mas quero o que seja melhor para ela, é claro.
- Claro, com toda certeza. – Ela sorriu. – Mas está indo tudo bem, , mais um ou dois meses e ela sai daí. – Sorri.
- Ai, mal vejo a hora, confesso! – Rimos juntas.
- E espero que ela saia logo daí, sua bebê já tem 43 centímetros, ! – Arregalei os olhos.
- Sério?
- Sim! E quase um quilo e 700 gramas. – Ela riu fracamente. – Beh, pensando no tamanho da mãe e do pai, não pense que sua menina vai ser pequenininha. – Ri fracamente.
- Ah, nem me lembra disso, doutora. Estou com uma pressão enorme em cima das minhas costas. – Suspirei.
- Ainda não contou?
- Não... – Suspirei. – Todo mundo me fala para contar, mas eu acho que agora é tarde, sabe? Isso vai causar muitos problemas. – Neguei com a cabeça.
- Beh, apesar de a sua gestação estar calma, não é indicado você se estressar, ainda mais agora na reta final. – Suspirei.
- É, eu pensei nisso. Isso vai me dar uma carga de nervosismo que eu não quero enfrentar agora. – Ela assentiu com a cabeça.
- Não acho que eu deva dar palpite sobre isso, , mas você já chegou até aqui. Um mês a mais ou um mês a menos realmente não vai fazer diferente. Ele vai ficar bravo e chateado da mesma forma, talvez seja melhor quando ela estiver aqui fora, não? – Suspirei.
- Não sei mais nada, confesso. – Ela pressionou os lábios.
- Beh, você ainda tem um tempo para pensar. – Ela disse. – Eu quero que você pense sobre seu plano de parto, onde você vai querer fazer, quem você vai querer estar presente, você disse que seu plano permite o andar privado no AOU, certo?
- Sim! – Falei.
- É uma ótima pedida, você é uma figura pública, pode ter uma privacidade e um conforto maior. – Assenti com a cabeça.
- Sim, é uma boa. Já ouvi falar coisas ótimas de lá da esposa do antigo presidente... – Ela confirmou com a cabeça.
- Você pode ter o melhor, , então não economize, de verdade.
- E você faria o parto? – Perguntei, vendo-a descansar o aparelho do ultrassom.
- É claro! – Ela disse, rindo fracamente. – Não vou perder a oportunidade de trazer esse milagre ao mundo. – Sorri, vendo-a me estender algumas toalhas de papel.
- Agradeço, de verdade. – Suspirei, passando-as na barriga, tirando o gel. – Quero que tudo seja perfeito!
- Vai sim, você está se comportando, não teremos problemas. – Ri fracamente.
- Beh, devo dizer que estou ganhando bastante peso... – Me sentei, jogando as pernas para fora da maca.
- Ah, ! – Ela disse rindo. – É sua primeira gravidez, você está enfrentando boa parte dela no frio, relaxa! Você recupera isso rapidinho. – Sorri. – E é um ganho de peso controlado, se você tivesse exagerado, eu já teria puxado sua orelha. – Me levantei, subindo a calça.
- Olha, eu não vou sentir falta nenhuma dessas calças de elástico. – Ela gargalhou.
- Ao menos você consegue fazê-las ficarem estilosas. – Ela disse e coloquei o sobretudo por cima, abotoando os botões laterais.
- Ah, eu estou escondendo esse elástico com casacos compridos. – Ela riu fracamente, me entregando mais umas fotos do ultrassom e indicou a sala. – No calor eu podia usar vestidos, mas não sabia da gravidez.
- Logo você pode novamente, se tudo continuar da forma que está, pelas próximas semanas ela encaixa, ganha mais peso e tudo fica pronto para um parto calmo. – Sorri, assentindo com a cabeça.
- Espero que seja mesmo, acho que já sofri demais. – Ela riu fracamente e me sentei à mesa novamente.
- Vai dar tudo certo. – Ela disse e assenti com a cabeça. – Eu vou te pedir mais uns exames de sangue, está bem? Inclusive alguns de coagulação, algumas coisas mais chatas pensando em uma possível cesárea, mas não se assuste, é só para não sermos pegas desprevenidas.
- Grazie. – Ela esticou a receita na mesa.
- E seu plano de parto. Para você já adiantar também. – Ela me entregou uma folha mais pesada.
- Combinado! – Sorri.
- Se nada mudar, te vejo daqui um mês. – Assenti com a cabeça.
- Eu tenho uma viagem na próxima semana. – Falei. – Dia 19, na verdade.
- Pode ir, se notar alguma diferença, me liga. Seja na ida ou na volta, mas não é para ter, ela já acostumou a essa vida corrida da mamãe. – Rimos juntos.
- Combinado, então. Grazie! – Me levantei e estiquei a mão.
- Se cuidem! – Ela disse e assenti com a cabeça, seguindo para fora do consultório. Voltei para a recepção e acenei para a recepcionista.
- E aí? – Carina perguntou.
- Daqui um mês, se nada mudar. – Ela assentiu com a cabeça.
- Te mando mensagem, então! – Ela disse e confirmei com a cabeça.
- Um bom dia!
- Para vocês também! – Ela disse e sorri, seguindo para fora e andando até meu carro que estava parado na rua.
Entrei no mesmo e olhei para os papéis que ela havia me dado. Receita de mais hormônios, mais vitaminas, exames de sangue e o plano de parto. Observei-o rapidamente e suspirei, vendo os diversos espaços que eu tinha para preencher. “Nome da mãe, nome do pai, familiares presentes na sala de parto”.
Suspirei, isso ainda me deixava triste. Eu sei que a família de Giulia já era minha família, mas certas coisas ainda me deixavam chateada. Ter que preencher esses tipos de fichas me deixavam para baixo. Sei que poderia colocar os nomes deles sem perguntar, mas eu sentia certo freio em algumas coisas.
Sacudi a cabeça e dirigi em direção a casa de Giulia. Eu precisava encontrar o time ainda por causa do jogo contra o Sassuolo amanhã. Era em Reggio Emilia, então iríamos de trem, mas eu queria falar de como estava Sienna. Parei na frente da casa quando cheguei e dei duas buzinadas antes de sair do carro.
- Cia-ao! – Pietro disse animado ao abrir a porta e abracei-o fortemente.
- Oi, amore! – Falei, esticando a foto do ultrassom para ele.
- Ah, oi, lindinha! – Ele falou para a foto e fechei a porta.
- Cadê o pessoal?
- Mamãe e papai estão na cozinha, Gianni no treino, Giulia na casa dela. – Ele disse.
- Vim rapidinho, preciso ir para Juve, vou viajar ainda. – Suspirei, atravessando a sala e entrando na cozinha. – Ciao, ragazzi!
- ! – Giovanna disse animada e sorri, sentindo-a me abraçar. – Como você está? Como estão?
- Tudo bem! – Sorri, vendo Pietro entrar e esticar a foto.
- Ah, que grande, ! – Sorri.
- Ela está com 43 centímetros já, Gio.
- Nossa! – Ela sorriu. – Ela está grande!
- Deixa eu ver! – Fabrizio disse, debruçando sobre a foto. – Ah, minha netinha linda! – Ri fracamente ao ouvir seu tom infantil e ri fracamente. – Está tudo bem?
- Sim, está tudo bem, nós duas. – Eles riram fracamente. – Ela me deu mais vitaminas, hormônios e pediu alguns exames de sangue, além do meu plano de parto.
- Hum, já estamos nessa? – Gio perguntou e eu suspirei.
- Sim, já, mais um mês ou dois e ela sai. 33 semanas, né?! – Dei de ombros, dando um curto sorriso.
- Por que você parece que está meio murchinha? Pensando no Gigi? – Ela perguntou e suspirei.
- Nem é, na verdade. – Neguei com a cabeça. – É besteira, não se preocupem.
- Vamos, fala com a gente. – Fabrizio disse e suspirei.
- O plano de perto pede nome do pai, da mãe... – Abanei a mão. – É besteira, eu sei, já faz tanto tempo, quase 30 anos. – Gio passou a mão em meus cabelos.
- Não é, querida. – Ela disse. – Você está grávida, é inevitável pensar que eles poderiam estar te acompanhando nisso. – Suspirei.
- Eu sei, é só que... – Neguei com a cabeça. – É besteira. – Eles se entreolharam, pressionando os lábios.
- Beh, acho que é a oportunidade perfeita para gente discutir algo contigo. – Gio disse e franzi a testa.
- Como assim? – Perguntei.
- Por que não se senta? – Fabrizio indicou e segui até a cadeira, me sentando, vendo ambos se sentarem nas cadeiras e Pietro na outra.
- A Giulia e o Gianni não deveriam estar aqui? – Pietro perguntou.
- Estamos adiando isso há uns três meses, agora é o melhor momento. – Gio disse.
- O que estão falando? – Perguntei e Giovanna segurou minhas mãos.
- Você sabe que é parte da nossa família, não sabe? – Ela perguntou e assenti com a cabeça. – Que não é brincadeira quando falamos que você é nossa filha, que Sienna será nossa neta, tudo isso, certo?
- Sim, eu sei. – Assenti a cabeça. – Eu me sinto confortável aqui, Giulia e os meninos são meus irmãos e... – Dei de ombros.
- Com a sua gravidez, a gente imaginou que chegaria um momento, tipo um plano de parto, que precisaria de um responsável legal por você e tudo mais. – Fabrizio disse e assenti com a cabeça. – Beh, nos informamos, e a gente queria oficializar isso. – Franzi os lábios.
- Como assim? – Prendi a respiração.
- Queremos te adotar, . – Gio disse e senti que minha respiração falhou.
- Na verdade, a palavra certa não é adotar, porque você teve mãe e pai e não queremos tirar isso nunca da sua vida. A palavra certa é representantes legais. – Fabrizio disse sorrindo. – Já chegamos em uma idade em que vocês precisam cuidar da gente, mas queríamos te dar os privilégios de verdade sobre a nossa família...
- Que você pode negar, se quiser. – Gio disse rapidamente.
- A gente queria entrar como seus representantes legais, te oficializar como uma Vitale. – Fabrizio disse. – Nós responderíamos como seus pais até o fim de nossas vidas, você se tornaria oficialmente irmãos dos meninos e teria alguns direitos legais como divisão na herança, nosso sobrenome e... Outras coisinhas.
- Se você quiser, é claro! – Gio disse e pressionei os lábios, sentindo as lágrimas me cegarem.
- Isso é... Isso é sério? – Senti minha voz falhar.
- Sim! – Pietro disse animado. – Você é nossa irmã desde que eu e o Gianni nascemos, . Não sabemos o que é a família sem você. – Pressionei os lábios.
- A médica disse que era melhor eu não ter muitas emoções. – Falei e eles riram, Gio apertou meus cabelos e apoiou sua testa na minha. – Isso é sério?
- Completamente! – Fabrizio disse. – Nós temos até os papéis já. – Suspirei.
- Eu... – Assenti com a cabeça. – Eu preciso pensar sobre essas regalias, mas si-sim. – Sorri, vendo os largos sorrisos nos lábios deles.
- Ah, maninha! – Pietro me abraçou de lado e apertei-o fortemente. – Eu te amo.
- Eu também te amo, amore! – Suspirei, passando as mãos nos olhos e olhei para Gio e Fabrizio.
- A gente deixa você continuar chamando a gente de tio e tia, mas se quiser chamar de mamãe, a gente não se importa. – Ri fracamente, segurando a mão de Giovanna.
- Eu amo vocês. Muito, muito! – Suspirei. – Obrigada! Sério! – Eles sorriram.
- Nossos sentimentos não mudam em nada, com ou sem papel, mas sabemos que faz para você, e não queremos que nada te falte, querida. – Fabrizio disse.
- Nada me falta, gente! – Suspirei. – Vocês são minha família, e eu sempre vou ser grato por me encontrarem e cuidarem de mim. – Gio se levantou, me abraçando.
- Estamos ficando velhos, então logo vocês vão ter que tomar conta da gente, mas você é nossa filha, Maurizio e Stella que se cuidem. – Ri fracamente.
- Eles estariam felizes, eu tenho certeza. – Suspirei, fechando os olhos.
- E nós prometemos cuidar muito bem de você, se precisarmos prestar contas. – Fabrizio brincou, me fazendo rir fracamente.
- Vocês já estão... Há 20 anos. – Eles sorriram.
- E vamos continuar pelo máximo que conseguirmos. – Gio disse, me fazendo sorrir.
- Grazie. – Suspirei.
- Não precisa agradecer de nada. – Fabrizio disse.
- Que clima fofo é esse aqui? – A voz de Giulia nos distraiu e erguemos o olhar para ela, passando as mãos nos olhos. – VOCÊS CONTARAM? – Ela disse animada e assenti com a cabeça. – AH, EU POSSO TE CHAMAR DE IRMÃ DE VERDADE AGORA! – Gargalhei, vendo-a vir correndo em minha direção e me abraçar.
- Já somos, Giu. – Suspirei. – Isso não muda nada.
- Talvez não... – Ela me apertou. – Mas agora você legalmente tem a responsabilidade de cuidar de dois velhinhos. – Ela disse, me fazendo gargalhar.
- GIULIA! – Fabrizio a cutucou, nos fazendo rir.
- Ok, dois velhinhos, de mim, da nossa, dois jovens adultos chatos e duas lojas de materiais de construção. – Rimos juntos.
- Ao menos eu sei que tenho emprego garantido para sempre agora! – Brinquei e eles riram.
Lui
Soltei um suspiro, girando o pescoço para todas as direções e dei uns pulinhos no lugar, soltando o ar devagar. Estar no PSG era um meio para um fim sim, mas eu tinha uma oportunidade em continuar ganhando uma Champions. Sei que era estranho pensar nessa possibilidade sem a Juve, mas era o que tinha hoje. E oportunidade é algo que a gente não deveria negar.
- Vamos! Vamos! – Thiago disse e peguei as luvas em meu espaço no vestiário aqui de Old Trafford e suspirei, seguindo para fora do vestiário.
Caminhei junto de meus colegas, cumprimentando equipe ou reserva por que passava até chegar no túnel no encontro dos dois times. Tirando o goleiro De Gea e Lukaku, eu só conhecia mais um jogador que ainda não tinha chegado. Cumprimentei todos, dando um abraço mais demorado em De Gea, trocando rápidas palavras com ele e me coloquei atrás de Thiago, fazendo um último relaxamento antes do jogo começar.
- Gigi! – Virei para o lado, vendo Pogba e sorri quando ele me abraçou.
- Ah, garoto! – Falei, rindo, dando dois tapas em suas costas e ele sorriu. – Que saudades, cara!
- Nem fala! – Ele riu fracamente. – Fiquei triste por não te encontrar quando a Juve veio, mas o destino jogou a favor. – Sorri.
- É, eu fiquei sabendo que jogaram na fase de grupos! Como você está? – Ele riu fracamente.
- Estou bem, estou bem! – Ele sorriu. – E você? Que mudança, hein?!
- Ah, é bom mudar os ares! – Falei, rindo fracamente.
- Estou chocado como as coisas mudaram. – Ele apertou meu ombro. – E só faz três anos.
- Ah, você era um pirralho quando chegou para gente! – Ele riu fracamente.
- Não mudou muitas coisas... – Rimos juntos.
- Ah, sempre muda! – Sorri, apertando-o fortemente. – Bom te ver, sério!
- Eu também! – Ele sorriu. – Talvez possamos conversar depois?
- É, claro! Vamos ficar aqui essa noite. – Ele assentiu com a cabeça.
- Eu te encontro após o jogo. A gente pode colocar o papo em dia, igual fiz com a e o pessoal... – Assenti com a cabeça.
- Combinado! Depois que a gente vencer! – Ele riu fracamente.
- Nem vem! – Ele deu dois tapinhas em meus ombros, me fazendo rir.
- Bom jogo! – Falei e ele assentiu com a cabeça, seguindo até seu lugar novamente.
Suspirei, estralando o pescoço e não demorou para os árbitros puxarem a fila. O estádio estava lotado. Muita coisa havia mudado desde a final da Champions de 2003, mas eu ainda fazia comparações com aquele dia.
Pogba me abraçou mais uma vez durante os cumprimentos e tirei a foto rapidamente antes de seguir para o gol. O Manchester United era um time forte e conhecido pelos diabos vermelhos, e isso se aplicava à torcida furiosa deles. Fiz meus cumprimentos tradicionais em direção à torcida e me ajeitei em meu espaço, marcando os pontos de saída de bola.
Como esperado, o jogo começou quente, era o tipo de jogo bastante equilibrado, então era preciso conseguir preencher os espaços que eles deixavam vazios e eram até bastante, mas De Gea era um goleiro incrível e não seria nada fácil chegar nele.
A primeira chance de gol foi nossa aos seis minutos, Di María fez o chute, mas a bola subiu demais. Aos nove, o retorno deles, a bola provavelmente sairia, mas fiz a defesa no cantinho com um soco. Aos 16, Pogba tentou se aproximar, mas eu peguei antes de ele tentar completar o gol.
Aos 28, Kylian se aproximou em um drible incrível e chutou. De início deu a impressão de que tinha entrado, mas a bola estourou na rede do lado de fora. Aos 37, eles sentaram uma aproximação, mas eu tirei com um chute forte. No contra-ataque, Di María tentou novamente, mas não deu certo.
Aos 40 minutos, em uma dividida de bola, para atacarmos, Di María foi literalmente empurrado para fora do gol, batendo com tudo na grade e isso causou um pouco de estresse entre os dois times. Marquinhos foi o primeiro a ir em cima e me mantive longe da possível briga. Sabemos que eu tinha histórico por isso e o árbitro era italiano. Apesar de Ángel ter ficado bons cinco minutos desmontado no chão, sendo atendido, não levou nem um amarelo. Por muito menos eu levei um vermelho direto.
Aos 42, tentamos novamente, mas foi para linha de fundo. Aos 47, para finalizar o primeiro tempo, tivemos uma cobrança de falta, mas subiu demais. Voltamos para o vestiário precisando mudar algumas coisas para o segundo tempo, com Tuchel e Gianluca conversando sobre os pontos de espaço para preencher.
No segundo tempo, começamos bem, aos 53, Kylian começou o lance dando uma cabeçada, De Gea defendeu para fora. Na cobrança de escanteio, o pessoal foi em peso para área e Kimpembe deu um voleio maravilhoso que passou por cima de De Gea e entrou! 1x0! A torcida deles vaiou tanto que eu senti meu peito tremer com a vibração.
Aos 56 minutos, em um escanteio, a defesa deles conseguiu tirar, mas Dani pegou de fora da área e mandou em um tiro só, infelizmente estourou na defesa e saiu. Aos 59, eles voltaram a atacar e Thiago fez uma defesa, mas a bola caiu no pé deles e eu não cheguei a defender, mas fiquei de prontidão caso chegasse mais perto.
Aos 60 minutos, Di María fez um passe para Kylian que mandou de cabeça para dentro do gol! 2x0! Agora estávamos falando minha língua! Claro que houve uma provocação de Ángel depois do acidente que ele foi jogado para fora do campo. Aos 63, Kylian chegou de novo, mas acho que De Gea enjoou de levar gols e defendeu. Bernat tentou novamente e também foi defendido.
Chegando para o fim do jogo, aos 82 minutos, eles tentaram se aproximar, mas a bola subiu demais, nem precisei defender. No último lance do jogo, por causa de um erro de cálculo, Pogba levou seu segundo amarelo e, consequentemente, um vermelho. Achei meio injusto pela forma que foi, porque não pareceu que ele foi em Dani, mas eles ficaram em 10 pelos acréscimos.
Quando o juiz apitou, senti um alívio em meu corpo. Estávamos indo com dois gols de vantagem e dois gols fora de casa, isso já nos deixava bem a frente para o jogo que seria em casa. Com a ajuda de nossa torcida, poderíamos conseguir completar essas oitavas bem, só faltava esperar mais duas semanas.
E nos preparar. Nos preparar muito, pois tinha quase certeza de que eles se moldariam completamente. A vantagem é que não teriam Pogba e isso fazia uma diferença enorme.
Capitolo centodicianove
- Ei, ! – Vi Barza me esperando na saída do ônibus.
- Ei! – Falei, dando um toque em seu braço e ele seguiu comigo para dentro do estádio. – Por que eu sinto que você está me rondando? – Ele riu fracamente.
- Que isso! – Ele riu fracamente.
- Ah, qual é, Barza, somos amigos e você ainda está tentando me convencer de ser o padrinho da Sienna...
- Eu...
- O que não vai rolar! – Ele riu fracamente. – Mas você casualmente se sentou ao meu lado na viagem para Reggio Emilia, no avião hoje, pareceu bem empolgado em me ver após o jogo contra o Frosinone, tinha uma mulher linda para dançar e ficou quase que a festa inteira do Fede comigo. – Ele riu fracamente.
- Não é nada, eu fiquei dois meses fora, não posso sentir falta da minha amiga? – Ele disse e revirei os olhos.
- Quem não conhece que te compre, Barzagli. – Ele riu fracamente. – Sei que você e a Ada viajaram nas férias e os dois preferiram aproveitar sua lesão de outra forma... – Ele ficou vermelho de vergonha. – Mas você não me engana. – Parei de andar, segurando-o pelo casaco, vendo-o parar também. – Vai, fala comigo!
- Não é nada! – Ele disse, fazendo sua voz afinar e ri fracamente.
- É, e sua voz afina assim do nada? – Ele bufou, checando os outros jogadores que entravam. – Ada está grávida?
- O quê? Não! Pelo amor de Deus! – Ele disse e franzi os olhos.
- Uau! Isso foi um não muito rápido! – Falei, vendo-o rir fracamente.
- Nós conversamos sobre isso, mas não sei se estou pronto para começar isso de novo, a Cami já tem oito anos. – Ele suspirou.
- E é algo que a Ada quer? – Perguntei.
- Eu não sei... Você está fugindo do foco. – Ele abanou a mão e ri fracamente.
- Ok, posso estar, mas só um detalhe: se você pretende ter uma nova vida com ela, você precisa estar aberto a isso. Ela literalmente aprendeu a viver contigo... – Ele suspirou.
- Não é como se a gente se preocupasse muito com isso, se acontecer, eu vou aceitar, é claro, mas esse não é o...
- De bom grado? – Falei firme. – Uma coisa é apoiar porque quer, outra porque precisa. – Falei firme.
- ! Eu voltei há 10 dias e já está me dando lição? – Ele disse. – Quer realmente falar sobre isso? Porque eu tenho algumas coisas na lista para devolver... – Revirei os olhos.
- Ok, Barza modo defensor, entendi. Desembucha, então! – Cruzei os braços.
- Eu não... – Ele suspirou.
- E sem enrolar! – Falei firme e ele soltou a respiração fortemente.
- Talvez, só talvez, se eu continuar com essas lesões, eu devo me aposentar no fim da temporada. – Arregalei os olhos.
- OI?! – Falei um pouco alto demais e ele suspirou.
- É! – Ele deu o braço para mim e seguimos pelo estádio do Atlético de Madrid. – Eu fiquei quase dois meses e meio fora, e deu para pensar...
- Despense! Não, não! Eu não vou aceitar isso. – Falei firme, sentindo meu tom de voz aumentar.
- , por favor. – Ele pediu um pouco mais alto e suspirei. – Eu tenho quase 38 anos, estou aguentando bem. Uma hora isso vai chegar.
- Uma hora, não agora! – Falei, suspirando. – Qual é, Barza. Eu preciso de você! Se você sair, fico só com o Chiello e o Leo que não está muito merecendo...
- Eu sei, é só que... – Ele suspirou. – Esses meses me deram um tempo para pensar. Para começar que eu tive uma lesão ridícula e demorei dois meses para me recuperar, meu corpo não é mais o mesmo. Segundo que eu sou considerado velho, Allegri confia muito em mim, mas ele tem jogadores mais jovens para colocar em guerra. – Engoli em seco. – E conhecer a Ada me fez pensar diferente. – Virei para ele, parando de andar. – Eu não sei se quero começar de novo, mas se for para acontecer, quero que seja com ela. E eu vou querer fazer diferente do que eu fiz com a Maddalena. – Ele suspirou.
- Ter tempo? – Ele assentiu com a cabeça.
- Sim! Você é privilegiada por ter o amor da sua vida perto de você...
- É, tem desvantagens. – Ele riu fracamente.
- Mas teve muitas vantagens. – Ele suspirou. – Ada adora me ver jogar, descobriu um amor totalmente novo pelo futebol, mas eu não vou conseguir ir muito avante... E eu quero aproveitar com ela enquanto ainda tenho pique...
- Um novo amor sempre tem pique, Barza. E 38 anos não é morto, ok?! Gigi fazia coisas sensacionais aos 41...
- É, como te engravidar! – Ele disse, me fazendo rir fracamente.
- É, isso também. – Suspirei. – Eu te entendo, mas isso não é um aviso oficial, é?! – Perguntei.
- Não! Só queria compartilhar isso contigo... – Continuamos a seguir para dentro do túnel. – Você sendo a presidente, diretora de contabilidade e minha amiga me dá esse direito. – Sorri. – Mas eu e Ada estamos conversando e esse assunto saiu. Tudo vai depender desses próximos dois meses e meio... – Assenti com a cabeça. – Essas duas lesões podem ter sido uma infeliz coincidência, mas pode ter sido um aviso também...
- Entendi. – Suspirei.
- E a Ada gostou bastante do vinhedo... – Sorri.
- Esse é seu plano de aposentadoria? Viver com a Ada na Sicília e cuidar do seu vinhedo? – Ele riu fracamente.
- Não decidi ainda, mas quero fazer o curso de treinadores, é algo que sempre tive curiosidade. – Assenti com a cabeça, saindo pelo campo.
- Saiba que, enquanto eu estiver aqui, você sempre vai ter um espaço no time. – Ele sorriu.
- Eu sei. – Ele deu um beijo em minha cabeça. – E sou muito grato por isso.
- E eu fico feliz por se sentir confortável em compartilhar comigo. – Ele sorriu.
- Você é minha amiga. – Ele disse sorrindo. – Eu aqui ou longe, isso não vai mudar, principalmente com essa pequena chegando. – Sorri.
- É, essa pequena precisa chegar logo, está começando a me cansar e dar dor nas costas...
- Vamos, mamãe, vamos lá! – Ele apoiou a mão em minhas costas, me fazendo rir e pisei no campo com ele.
- OK, PARA TUDO! – Ouvi um grito conhecido e desviei o olhar, vendo Del Piero junto de Pavel e Chiellini. – ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO!
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? – Gritei, seguindo com Barza em sua direção e ele abriu um largo sorriso, me abraçando.
- Ah, como você está linda! – Ele disse, me apertando e ri fracamente. – Meu Deus! Eu não acreditei quando vi. – Ri junto dele. – Presidente, grávida, vai dizer que tem mais segredo? – Ele disse e olhei quem estava em volta.
- Talvez eu tenha mais um! – Fiz uma careta e ele arregalou os olhos.
- Eu falei brincando. – Ele disse e dei de ombros.
- Beh, nem tudo o que você lê nas revistas é real! – Dei de ombros. – Mas, ei, o que está fazendo aqui?
- Eu estou de comentarista na ESPN para o jogo de amanhã. – Ele abanou a mão. – E você? O que esconde, senhora presidente? – Ele disse sugestivamente, me fazendo rir fracamente.
- Você é um tonto! – Empurrei-o pelo ombro, ouvindo-o rir.
- Beh, quem diria que você se tornaria presidente do time, hein?! – Ele riu fracamente. – Lembro do seu primeiro dia...
- Não lembra, você não estava lá! – Falei e ele riu fracamente.
- É modo de dizer. – Ele sacudiu meus cabelos, me fazendo rir. – Mas e aí, mamãe, como está essa barriga linda aqui? – Ele levou as mãos em minha barriga por cima do casaco, me fazendo rir. – De quanto tempo você está?
- Amanhã eu entro no último mês. – Sorri. – Esse é meu último compromisso internacional. – Ele riu fracamente.
- Meu Deus, . Você está incrível, sério! Você está... Como dizem? Brilhando? – Sorri.
- É, algo assim. – Ponderei com a cabeça. – Não tem sido um ano fácil...
- Sem ele? – Ele perguntou e assentiu com a cabeça. – É por isso que decidiu fazer isso? Porque ele foi embora? – Suspirei.
- Você sabe contar um segredo? – Perguntei baixo.
- Dã, guardei o de vocês por 11 anos. – Ele disse rindo. – Na verdade, há muito mais tempo do que isso, porque ainda guardo. – Ri fracamente.
- Ok, vem cá! – Aproximei o rosto de seu ouvido e coloquei a mão na frente. – É dele... – Sussurrei e me afastei, olhando sua cara confusa.
- Dele? – Ele disse no mesmo tom e assenti com a cabeça. – O quê? – Levei as mãos à barriga. – NÃO! – Ele disse surpreso, finalmente se tocando. – Você está brincando! – Ele disse surpreso. – , isso é...
- Loucura, eu sei! – Suspirei. – Mas aconteceu. – Falei baixo, analisando o pessoal em volta e só Pavel, Chiello e Barza estavam.
- Ele sabe?
- Não e gostaria que ficasse assim até eu contar. – Ele suspirou.
- Você não pode fazer isso e...
- Eu virei presidente e descobri que estava grávida, eu sei que eu não estava pensando direito, não preciso que me digam. – Suspirei. – Pensei em contar, mas agora está meio tarde... – Ele suspirou.
- Ah, ... – Ele negou com a cabeça. – E como você está com isso? Deve estar uma bagunça, né?!
- Agora estou mais conformada, mas é... – Suspirei. – Eu descobri com quatro meses, então as coisas ficaram bem bagunçadas...
- E quem sabe? – Ele perguntou.
- Poucos. – Falei, assentindo com a cabeça. – Jogadores só aqueles dois... – Indiquei Chiello e Barza. – Agora do administrativo tem mais gente, não deu para esconder.
- E seu bebê? Está bem?
- Sim, ela está bem, crescendo, grande, forte, linda... – Ri fracamente. – Só peço que ela saia minha cara, ao menos até eu contar e ele decidir o que fazer...
- É uma menina? – Ele perguntou surpreso e assenti com a cabeça.
- Sim, vai se chamar Sienna. – Ele sorriu.
- É incrível, eu vou ser titio! – Ele levou as mãos para os olhos, me fazendo rir fracamente. – Mas você sabe o que ele vai fazer, não sabe? Eu não converso com ele há alguns anos, mas sei que ele te ama...
- Não fala isso... – Neguei com a cabeça.
- Por quê? – Ele perguntou.
- Porque ele foi embora. – Suspirei. – Ele escolheu ir embora, por conta própria, Alex! Ninguém o mandou embora. Ele escolheu isso!
- Aposto que teve um motivo muito importante para isso, . Ele...
- Eu não quero saber. – Neguei com a cabeça. – Apesar de tudo, de toda bagunça que aconteceu nessa temporada, eu consegui me desprender dele um pouco. Parte minha ainda fica curiosa com ele, os jogos e afins, mas a outra parte conseguiu se virar sem ele... – Dei de ombros. – E contar me parece um bicho de sete cabeças, porque ele vai querer ficar comigo e acontecer o mesmo que houve com as outras...
- E você não quer isso? – Ele perguntou.
- Não por esses motivos. – Suspirei. – Eu não preciso de um marido para criar minha filha, ela vai precisar de um pai sim, mas eu não preciso. – Bufei. – Agora, se ele quiser ser meu companheiro, apesar disso, eu posso pensar, mas minha resposta imediata não é “sim”, porque tem algo sobre a saída dele que não bate e ele não está sendo honesto comigo. Acho que chega de mentiras e manter coisas escondidas, não concorda?
- É, vocês precisam colocar as cartas na mesa e muita terapia de casal. – Ri fracamente, dando um tapinha em seu ombro.
- Bobo. – Ele sorriu, estalando um beijo em minha bochecha.
- Apesar de tudo, fico feliz por você, presidente. – Ri fracamente.
- É, até que não está sendo tão mal. – Ele sorriu.
- Você conseguiu lidar com a gente, . Achou que não ia lidar com um time? – Ele disse, me fazendo rir fracamente.
- Olha, acho que vocês são mais fáceis, mas só um palpite! – Ele gargalhou.
- ? – Angela se aproximou.
- Ciao, Angela!
- Ei, Alex! – Eles se abraçaram, me fazendo rir fracamente. – Está velho, hein?!
- Uh! Essa doeu! – Falei, fazendo-o rir.
- Fala! – Pedi para Angela.
- Coletiva, vai acompanhar? – Ela perguntou.
- Sim. – Falei, assentindo com a cabeça. – Nos falamos depois? – Virei para Alex.
- Claro! Podemos tomar um café, que tal?
- Um jantar? – Falei e ele sorriu. – Estou comendo por dois.
- E está fazendo isso muito bem! – Chiello disse e mostrei-lhe a língua, vendo-o rir fracamente.
- Combinado! – Alex disse e abracei-o de lado, sentindo-o dar um beijo em minha bochecha antes de eu seguir ao lado de Angela.
- Você parece feliz. – Ela disse.
- Ah, mais ou menos. – Dei de ombros. – Ver o pessoal antigo é sempre bom, mas o Barza me falou algo que me deixou pensativa e bem preocupada. – Suspirei.
- O quê? – Ela perguntou.
- Talvez essa seja a última temporada dele. – Ela suspirou.
- Já era esperado, não? – Ela disse e neguei com a cabeça.
- Talvez, mas é estranho pensar nisso. – Engoli em seco, entrando novamente pela área coberta do estádio.
- Por quê? – Mordi o lábio inferior.
- Porque o Barza foi minha primeira contratação. – Dei um curto sorriso, levemente emotiva e ela pressionou os lábios. – Tem muito mais sentimento do que só uma aposentadoria... – Ela assentiu com a cabeça. – E com todos os problemas da gravidez e da presidência, um amigo seria de muita ajuda.
- Beh, se isso realmente se confirmar, ainda teremos o Chiello aqui, o Leo... – Suspirei. – E eu! – Sorri. – A gente dá um jeito.
- Grazie. – Falei e ela assentiu com a cabeça.
- Sem chorar, ok?!
- É a gravidez. – Falei e ela riu fracamente.
- Logo mais não vai poder usar essa desculpa. – Ela disse e ri fracamente.
- Droga! – Brinquei, vendo-a sorrir.
- Merci! Até amanhã! – Falei, acenando para o porteiro e apertei o botão do elevador, esperando-o chegar antes de entrar.
Acenei mais uma vez para Pierre e suspirei. Hoje havia sido um jogo atípico e gostoso. Ganhamos de 5x1, deixei um gol tonto entrar, mas foi de meio de semana, então eu tive algo mais interessante para fazer do que passar as noites em casa.
Era quase uma da madrugada quando empurrei a porta de meu apartamento e saí apertando as luzes para acender. Fui direto para o quarto e comecei a me livrar do cachecol, depois das duas blusas quentes que cobriam meu corpo antes de tirar a blusa social.
Apesar do banho quente após o jogo, meu corpo estava gelado ainda. Certeza que era essa mudança brusca de temperatura que estava acontecendo desde o começo do mês. Estava difícil jogar sem nenhum tipo de cobertura extra. E não precisando fazer grandes defesas, as coisas ficavam bem geladas.
Tirei a calça e peguei a calça de moletom e a blusa de manga comprida dobrada na ponta da cama, indicando que a faxineira tinha passado por aqui mais cedo e corri colocar outra meia e ligar o aquecedor.
Deixei a mochila na poltrona e fui para a cozinha. Peguei leite na geladeira, esquentei e misturei um pouco de achocolatado pré-pronto que tinha dos meninos e me fiz um falso chocolate quente. Não estava com paciência para fazer o original agora e precisava de algo bem quente para me aquecer. E se tomasse café agora com certeza eu perderia o sono logo mais.
Sentei no braço do sofá e liguei a televisão, vendo qualquer canal francês passando. Mudei para os canais italianos e procurei-os, encontrando a Sky Sport, me fazendo descer para o assento do sofá com o escrito “reveja a derrota sofrida da Juventus contra o Atlético de Madrid pela UCL”.
- Cazzo!
Eu não lembrava que a Juve ia jogar hoje. Eu sabia e esperei muito por esse momento, mas simplesmente me esqueci. O jogo ainda deveria ter sido no mesmo horário do nosso contra o Montpellier e eu nem me toquei de checar o celular no intervalo e assim que acabou.
Levantei apressado para pegar o celular no quarto e me sentei novamente. O jogo estava 0x0 e com 30 minutos do primeiro tempo. Dybala literalmente acabou de empurrar um atleticano para fora do campo, o que era incomum de Paulo fazer isso.
Aos 34, Dybala deu um lindo chute de fora da área, mas Oblak, goleiro do Atlético, pegou. Aumentei o som da televisão, dei mais um longo gole do leite quente e apoiei a caneca na cantoneira.
Desbloqueei o celular e pesquisei as informações do jogo, a Juve tinha perdido de 2x0, em um jogo aparentemente sem muitos lances e sem muita falta do lado da Juve, somente Alex havia levado um cartão amarelo durante o jogo inteiro.
Peguei o celular, checando se tinha alguma notificação e nada. Nenhuma mensagem dos meus colegas do time, alguns posts sobre a derrota, mas nada muito relevante. Não tinha nem muitos stories do pessoal. Acho que essa derrota acabou deixando todo mundo meio murcho. Não podia reclamar, eu odiava perder algum jogo, ainda mais se fosse Champions que era algo muito específico e que eu ainda sonhava em conquistar.
O jogo foi para o intervalo sem mudança no placar e demorei os 15 minutos para fazer outra xícara de chocolate e pegar a coberta e colocar sobre meu corpo, esticando os pés na mesa de centro.
Aos 52, vi uma chance nossa, mas acabei me distraindo se Oblak defendeu ou nós que erramos. Nós... Era estranho me incluir junto no pessoal, mas nada havia mudado, garanto que meu coração ainda é bianconero e eu estava louco para voltar.
Sei que ainda tinha o jogo de volta, mas da mesma forma que nossa classificação era quase certa, a eliminação deles também. Nosso estádio tinha muita força e poderia ajudá-los, mas seria muito difícil depois de não garantir nenhum gol fora de casa. Era o contrário do PSG que havia conseguido fazer dois gols em Manchester e tinha a vantagem.
Griezman se aproximou e Tek conseguiu fazer a defesa, mandando-a para a trave. No rebote, Chiello tirou por cima do gol. Na cobrança de escanteio, eles conseguiram afastar o perigo das balizas.
Aos 58, um rosto conhecido foi substituído pelo Atlético, Morata entrou no lugar de Diego Costa! Nossa! Fazia tempo que eu não ouvia falar em Álvaro, mas era bom vê-lo jogando e sendo protagonista mesmo após ser mandado embora do Real Madrid. Não sei os detalhes, mas ele merecia bem mais.
Esvaziei a caneca praticamente em um gole só e peguei o celular, procurando as mensagens entre o pessoal. Suspirei ao cair na conversa de que estava parada há boas semanas e suspirei. Das duas uma: ou ela estaria dormindo, ou eles deveriam estar voltando para Turim pelo horário. Suspirei e ameacei sair da conversa quando vi a palavra “online” ao lado de seu nome e a necessidade de falar com ela foi mais alta.
“Ciao”. – Enviei, respirando fundo, desviando o olhar para a TV quando ouvi alguns gritos, mas era só mais substituições do Atlético.
“Ainda acordado?” – Ela me respondeu e sorri.
“Você também”. – Enviei, suspirando.
“Estamos voando de volta para Turim, não consigo dormir”.
“Eu fiquei sabendo do jogo. Está tudo bem?”
“Você sabe como fica o clima após uma derrota. Parece que morreu alguém”. – Suspirei.
“Eu tive jogo agora, queria ter estado aí por vocês”. – Enviei.
E eu não estava mentindo. Era horrível você ver seu antigo time perder, saber que você poderia ter feito algo para evitar – não dizendo que o Tek não fez seu máximo – e não poder fazer nada porque decidiu ir para outro time, lutar pelo grande amor da sua vida.
“Não acho que você poderia ter feito algo, Tek foi incrível!” – Suspirei.
“Estou vendo a reprise agora, ainda está 0x0”. – Enviei.
“78 e 83”. – Ela respondeu e me distraí com o barulho de gol do narrador.
Ergui o olhar para o relógio e vi que estava em 70 minutos, mas mostrava o replay de um gol, ironicamente, de Morata. A tal Lei do Ex era certeira demais, um pouco sofrida, mas sim. Vi Chiello e Alex reclamando de impedindo e sabia que o gol seria invalidado.
“Acabou de ser o gol impedido de Morata”.
“Essa noite serviu só para revê-lo, porque o restante foi um desastre”.
“Imagino que Paulo tenha ficado bastante feliz com revê-lo”.
“Faltou só a Manu para ter o grupo completo”. – Sorri, suspirando.
“Sinto muito a falta de vocês”. – Enviei, tombando a cabeça para trás
“Ainda estamos aqui”. – Ela respondeu.
“Como você está? Você e seu bebê?” – Mordi meu lábio inferior.
“Estamos bem”. – Ela disse e uma foto carregou logo em seguida.
A barriga de com um pezinho em evidência na pele foi visto e era possível ver que ela estava realmente dentro do avião. Sorri, suspirando com aquela imagem e precisava mandar algum presente para elas. Será que ela já tinha feito o quarto? Precisava me informar com alguém.
“Você está linda, ”. – Suspirei, passando a mão na lateral do rosto, secando uma lágrima.
“Grazie”.
Ergui o olhar para a televisão, vendo a cobrança de falta e vi que o relógio estava em 77, era agora. Uma bagunça enorme na falta fez com que Leo caísse e Mario chegou a tocar para tirar, mas depois eles devolveram, fazendo o 1x0. Suspirei, vendo que o pessoal reclamar da falta em Leo, mas o árbitro nem chamou para o VAR dessa vez.
“O gol deveria ter sido invalidado”. – Enviei para .
“Tentamos bastante, te garanto”. – Ela devolveu, me fazendo suspirar. – “Não era para ser, não adianta ficar tentando lutar, não vai voltar”.
“Parece que você está mais chateada do que normalmente pelo jogo”. – Enviei, rindo fracamente.
“Não preciso mais me preocupar com a sua obsessão, posso realmente aproveitar agora. Meu surto é só quando você joga”. – Ri fracamente.
“Ficou nervosa com meu jogo?” – Enviei, sorrindo ao saber que ela assistia.
“Talvez...” – Ri fracamente. – “O bebê acaba ficando por mim”.
“Ele sabe quando vou jogar?” – Enviei, tentando tirar o sorriso do rosto.
Ergui o olhar com o grito do gol e vi os atleticanos correndo e esperei pelo replay. Teve uma cobrança de falta e Mario até chegou a tirar, mas no rebote, eles colocaram no cantinho do gol de Tek. Realmente, não tinha nada para ele fazer.
“Ele sente”. – tinha respondido e meu sorriso se alargou.
“Queria estar acompanhando tudo isso ao seu lado”.
“A gestação não, mas talvez você possa fazer parte da vida dela”. – Arregalei os olhos com o pronome usado e até me ajeitei no sofá.
“Ela?” – Enviei, sentindo meu coração bater mais forte.
É uma menina!
É UMA MENINA!
está esperando uma menina!
Não podia ser verdade!
“É...” – Suspirei com sua resposta e minha cabeça começou a trabalhar mais rápido.
Eu tinha uma teoria boba na minha cabeça lá atrás. Sempre achava que quando eu e finalmente fôssemos pais juntos, seria uma menina. Depois de três meninos, eu queria muito uma menina e achava que mim e éramos a combinação perfeita para isso acontecer. E agora ela contando que era uma menina, não podia deixar de pensar que fosse minha menina. estava com uma barriga bem grande nas fotos.
“Tem certeza de que esse filho não é meu?” – Escrevi e respirei fundo.
Não, não faria isso. Apesar de tudo o que passamos, ela não me esconderia isso. Era algo importante demais para ela esconder de mim. Apaguei a mensagem letra por letra e suspirei, reescrevendo.
“Vou poder fazer parte da vida da sua menininha?” – Enviei novamente, esperando o retorno.
“Isso só vai depender de você”. – Ela devolveu e suspirei.
Ergui meu olhar com a reação do narrador e a câmera focou em Fede que tinha as mãos na cabeça. No replay mostrou a cobrança de falta de Ronaldo, ele recuou para Fede que chutou, mas Oblak defendeu.
É, a Juve teria muito o que driblar se quisesse recuperar.
Mas como nosso dilema dizia: fino alla fine.
- Buongiorno! – Acenei para o porteiro quando passei pelos portões de Continassa.
Guiei o carro em direção a entrada, dando a volta completa pelo CT, até chegar em minha vaga. Suspirei ao ver Angela parada exatamente na mesma e ela se afastou para eu poder entrar com o carro. Ah, bomba logo cedo não! Por favor! Peguei minha bolsa, empurrando a porta do carro.
- Não vai jogar bomba em mim logo cedo, vai? – Perguntei, saindo devagar, levando a mão até a barriga e fechei a porta.
- Queria que não fosse, mas acho que isso é algo que você deveria cuidar. – Suspirei.
- Ah, o que foi agora? – Tranquei o carro, colocando a chave dentro da bolsa e segui lado a lado com ela para dentro do prédio administrativo.
- Sabe o jogo de quarta? – Ela perguntou.
- Daquele jogo desastroso? Sei sim. – Falei, suspirando, seguindo pelas escadas.
- Espera! – Ela disse e apoiei a mão no corrimão, virando para ela que suspirava alto.
- É sério, então. – Falei e ela assentiu com a cabeça.
- Nós voltamos no mesmo dia, certo? – Assenti com a cabeça. – Beh, os meninos foram para uma festa depois disso.
- Como assim? – Perguntei, franzindo a testa.
- Depois que chegamos em Turim, boa parte do elenco foi para uma festa. – Ela suspirou.
- Como assim para uma festa? - Ela bufou.
- Aparentemente teve uma festa no Starhotel Majestic e eles foram! Depois de perderem de 2x0. – Ela disse.
- O quê? – Arregalei os olhos.
- Alguns jogadores colocaram nos stories ainda. – Levei a mão até a cabeça.
- Você está brincando...
- Queria! – Ela suspirou. – Segundo informações, tinha cerca de 60 modelos na festa também.
- Oi?! – Arregalei os olhos. – Orgia agora?
- Não sei se chegou a ser uma orgia, mas coisa boa que não foi. – Ela suspirou. – Não teria problema nenhum se...
- Se não tivessem perdido de 2x0 horas antes.
- É... – Bufei, pegando o papel na sua mão.
- Quem foi? – Perguntei, sentindo as palavras bagunçarem em minha visão.
- Todos, menos Barza e Berna. – Bufei, soltando a respiração pesadamente.
- O restante foram todos? – Perguntei.
- Sim.
- Que puttanos! – Falei, realmente chocado.
- Pode ter sido só uma festa mesmo, mas a gente pensa besteira. – Suspirei.
- É claro que sim! – Meu tom de voz aumentei. – Que puttanos! Nossa! Eu vou apertar o pescoço de cada um até...
- , se acalma! Pensa na Sienna.
- Ah, ela também quer fazer isso. Te garanto. – Dei as costas de volta para a entrada do administrativo.
- Aonde você vai? – Ela perguntou.
- Apertar o pescoço de cada um deles! – Falei, sentindo as botas pesadas e sem salto baterem com força no asfalto. – Eles estão treinando, não?
- Sim, estão... – Ela disse e fui seguindo rapidamente ao meu lado.
- Eles vão me pagar por me fazer ir até lá também. – Bufei.
- Quer ir de carro? – Ela perguntou e neguei com a cabeça.
- Eu não me conformo! E não é pela festa. – Bufei, soltando a respiração fortemente. – Eles são casados! Eles têm namoradas...
- Não é como se eles fossem santos, . E não é como se fosse a primeira vez.
- Ah, eu não sou o Agnelli, Angela. Se é para ser um time de família, que seja de família completamente. – Sentia minha respiração acelerada e isso provavelmente afetaria meus batimentos cardíacos. – Não vou passar a mão na cabeça de ninguém, e vou multar!
- É, talvez eles não deveriam ter feito nada.
- Ia para casa e pensava no erro! – Falei firme, entrando na área de treinamento do CT. – Como todo mundo! – Senti meus pés tropeçarem levemente com a mudança de nível e cheguei nos grandes campos abertos de treinamento.
Observei Allegri fora das duas linhas e os jogadores fazendo bobinhos em algumas rodas. Dei uma rápida contada para ver se todo mundo estava ali e parecia que sim. Soltei a respiração fortemente e parei ao lado de Allegri.
- Surpresa te ver aqui cedo! – Ele disse.
- Posso falar com eles? – Falei, sentindo a respiração sair fortemente e ele virou para mim.
- Você está bem? – Senti a respiração falhar, me fazendo bufar fortemente.
- Sim, estou. – Falei, suspirando.
- Você soube da festa. – Ele disse.
- Não soube, me contaram com todos os detalhes possíveis mesmo. – Falei.
- Está tudo bem, . É bom para eles relaxarem...
- Isso não é mais problema seu, Max. – Falei. – Isso é completamente inaceitável. – Ele arregalou os olhos. – Não estamos falando só da imagem do time, como deles também.
- As ações caíram três por cento com essa notícia. – Angela disse.
- E são oito da manhã. – Falei, bufando. – Posso?
- Fique à vontade. – Ele indicou.
- Pode chamá-los? Estou cansada. – Falei, suspirando e Max colocou o apito na boca.
- RAGAZZI! – Ele gritou, me fazendo suspirar. – Uma atenção aqui rapidinho, por favor.
- CHEFA! – Dybala disse animado.
- Ciao, ragazzi! – Falei, suspirando.
- Ei, ! – Barza disse e acenei para ele, sorrindo.
- Eu vou dividir vocês em dois grupos hoje. O grupo que está imune e o grupo que não vai receber o salário de março. – Falei.
- O quê? – Ouvi algumas vozes surpresas.
- É o preço pelo convite da festa que vocês foram... – Dei um curto sorriso. – APÓS PERDER DE 2X0! – Meu tom de voz aumentou e vi olhos se arregalarem.
- ... – Afastei as mãos de Angela.
- VOCÊS TÊM MERDA NA CABEÇA?! – Eles se afastaram. – Cara! Vocês ganham milhões de euros para se divertir, para fazer o que vocês mais gostam na vida, e vocês me fazem isso? – Senti minha garganta doer. – Juro que eu quero pegar a garganta de cada um de vocês e apertar até desmaiar. – Neguei com a cabeça. – CHE CAZZO! – Fechei minha mão em pulso.
- , a gente pode expl...
- Não tente! – Cortei Leo. – Vai ficar pior! Porque além de vocês irem festejar após a derrota, ainda tiveram “modelos” para vocês, é isso mesmo? – Ri sarcasticamente. – Bonito, não? – Neguei com a cabeça. – Você esperando um filho... – Falei para Leo. – Você também. – Virei para Chiello. – Além de outros vocês que eu não tenho tanta intimidade. – Passei os olhos mais expressivamente por Paulo, Mario e Tek. – Eu realmente espero que tenha sido uma festa e não uma esbórnia, que todos tenham mantido as promessas que fizeram às suas namoradas ou esposas, porque eu já fiz merda e a pessoa pode ser uma puttana, mas ela não tem nada a ver com isso! – Virei para eles.
- Mas o Allegri disse que tudo bem. – Douglas foi o primeiro a falar.
- O Allegri manda dentro das quatro linhas, quando a questão sai das quatro linhas e as ações caem, vocês precisam lidar comigo. – Falei firme. – E eu não estou gostando nada de precisar fazer isso. Esse é um time família, ragazzi! Em vários sentidos! – Neguei com a cabeça. – Então espero que vocês ajam como tal. Caso não estejam satisfeitos com isso, eu assino a demissão sem problemas, vocês sabem disso. – Falei, passando o olhar por todos. – Estamos conversados?
- Estamos... – Eles falaram desanimados.
- Você falou sério sobre o salário? – Paulo perguntou.
- Sim! Tirando o Barza e o Fede, não esperem o salário de março. – Falei firme. – Ele será doado para uma instituição de caridade. De todos vocês! – Falei olhando sugestivamente para Ronaldo. – É bom vencerem o Bologna e recuperarem o placar no jogo de volta. Fino alla fine, capisci?
- Sim, chefa! – Eles falaram e assenti com a cabeça.
- Bom trabalho para vocês e bom jogo amanhã! – Falei, virando de costas e vi Allegri assentir com a cabeça. Me afastei junto de Angela, andando mais devagar.
- Quer ouvir os xingos do Allegri? – Ela perguntou e ri fracamente.
- Por quê? – Perguntei.
- Provavelmente por fazer isso vazar e eu descobrir. – Ela disse me fazendo rir.
- Não, eu só quero sentar e descansar um pouco. – Neguei com a cabeça. – Já cansei e são oito horas ainda.
- Beh, sinto muito, mas achei que você soubesse lidar melhor com a situação. – Ela disse e suspirei.
- Isso me frustra demais... – Neguei com a cabeça. – Eu confio neles e...
- Está tudo bem, , garanto que eles nunca mais vão fazer isso. – Ri fracamente.
- Espero mesmo... – Neguei com a cabeça. – Aproveitando que está aqui, o que mais eu tenho para fazer hoje?
- Sua agenda está melhor, estou tentando dividir sua agenda com o Pavel para você não cansar tanto. – Ela disse.
- É, estamos no finzinho já! – Levei as mãos até a barriga.
- Está empolgada? – Ela perguntou.
- Com medo, confesso. Nervosa pelo parto. – Ela riu fracamente.
- Vai dar tudo certo, depois de tanto querer, você merece tudo perfeito. – Sorri.
- Grazie. – Falei e ela sorriu, assentindo com a cabeça.
Em jogos decisivos, a gente via a diferença gritante entre PSG e Juventus. Quando fizemos 2x0 em Manchester e ganhamos uma vantagem enorme para o jogo de volta, nas reuniões do time, Tuchel e Nasser falaram sobre fazer um belo espetáculo para a torcida, já que o jogo seria em Paris.
Ninguém falou sobre vitórias, ninguém falou sobre táticas de jogo, ninguém falou sobre nada disso. Eles queriam aproveitar os nove desfalques do United, a pouca experiência da base que iria para jogo e fazer um bom jogo.
Agora, se fosse na Juve, tenho certeza de que Allegri, Landucci, Filipi, além do restante da vida equipe técnica e equipe de resultados, além do administrativo, todos falariam somente uma coisa: vincere, vincere, vincere. O lema do Giampiero Boniperti era certo demais, “vencer não é importante, é a única coisa que conta”.
Esperava que mais pessoas pensassem assim sem que eu precisasse falar. Eu não tinha liderança aqui, apesar da idade, não me sentia à vontade falando as coisas, e não queria que o povo suspeitasse das minhas ideias de retorno da Juve até ser tarde demais, mas precisávamos vencer. Folgar e lutar por um empate não era ideal, pois da mesma forma que tínhamos vantagem fora de casa, eles podiam ter. E jogadores novos, apesar de serem inexperientes, eles queriam mostrar serviço e acabavam nos surpreendendo.
Devido a expulsão de Pogba no jogo de ida, ele não estava no túnel para os cumprimentos pré-jogo. Nem ele e nem Neymar que ainda estava se recuperando de uma lesão. Ao menos eu tinha Thiago, Marquinhos e Kherer à minha frente e era uma confiança a mais. Só esperava que eu estivesse em um dia de confiança também.
Quando saímos para o campo, diferente do treino, agora uma chuva fina caía. Fina para gelar, mas não o suficientemente para atrapalhar a visão, só incomodar. O Parc des Princes estava completamente lotado e eles esperavam um bom show, que pudéssemos dar e conseguir a passagem para as quartas de final.
Cumprimentei os jogadores do Manchester United e me juntei ao time para tirar a foto em grupo. Quando Thiago fez a divisão entre bola e campo, segui para o lado do campo, cumprimentando nossa torcida. A empolgação era enorme e precisávamos levar esse jogo da melhor forma possível.
É, pena que começou da pior forma possível.
Logo no segundo minuto de jogo, Kherer tentou fazer um recuo para mim que acabou deixando Lukaku sozinho comigo. Thiago correu muito para tentar tirar e eu saí um pouco mais cedo para tentar evitar antes da aproximação, mas eu fui driblado e ele ficou sozinho no gol. 1x0.
Esse cazzo já começou errado!
Ao menos o clima não caiu e ainda estava com 2x1 no agregado, eles só não podiam fazer mais um e acabar com a nossa vantagem. Isso não podia acontecer de jeito nenhum e eu não podia me distrair novamente assim.
Aos 12, Bernat, que estava sendo nosso salvador em diversos outros momentos, conseguiu ampliar nossa vantagem. Kylian fez o cruzamento e ele mandou literalmente uma bomba para dentro do gol. 3x1 no agregado.
Dali para frente parece que conseguimos ter mais forças e pique pera manter o jogo animado. Aos 16, Dani passou para Kylian, mas ele acabou finalizando na rede pelo lado de fora. Aos 20, Bernat conseguiu se aproximar muito para fazer o chute, mas De Gea acabou defendendo à queima-roupa. Aos 21, Di María se aproximou e, também, mandou para fora.
Era possível perceber que estávamos superiores a eles durante boa parte do jogo, mas tinha alguma coisa que não estava dando certo. Não sabia se era o clima, se era o time, se era as pessoas, mas tudo estava um pouco estranho. Eu só não sabia que estava tão certo.
Aos 30 minutos, eu recebi uma bola e era o tipo de bola muito fácil de receber. Formei a clássica concha com meu corpo para recebê-la entre os braços e a barriga, e aconteceu exatamente o planejado, só não contei com a velocidade na bola. No que ela pegou em minha barriga, ela voltou como um ricocheteio. Eu poderia correr e pegá-la de volta, mas Lukaku estava muito perto e pegou a sobra e chutou para o gol. 2x0, 3x2 no agregado.
Eu fiquei muito puto com isso! De verdade! Queria meter a cabeça no chão e ficar ali! Era um erro primitivo demais para quem tem quase 25 anos de carreira. Era um erro muito jovial e tinha sido minha culpa. Só minha!
Thiago me deu cumprimentos, Marquinhos deu um tapinha em minha cabeça, como era para ser, sempre nos apoiamos, certo? Até nos erros, mas o problema não seria só o jogo, era minha cabeça também. Eu não podia errar, não aqui! Eu não teria um time inteiro para me apoiar com meus erros, eu não teria um presidente que daria um sorriso e falava “acontece”, não teria para me abraçar e falar que tudo ficaria bem, então eu precisava acordar e ficar firme novamente.
Tentei ignorar os gritos em minha cabeça até os 36 minutos quando eles tentaram de novo, Rashford se aproximou, fez o chute e gelei quando a bola passou pertinho do gol, mas o bandeirinha já tinha sinalizado o impedimento. Aos 42, novamente, mas Marquinhos conseguiu recuperar e dar um toquinho para eu receber nas mãos.
Estava tudo dando errado!
Parecia que o time estava em completa desarmonia. Ou precisava dar valor à harmonia do United. Não parecia o mesmo time do jogo de ida, não parecia nem o time que estava vencendo todos os jogos do campeonato! E eu tinha medo de que o segundo tempo trouxesse mais surpresas indesejadas.
Durante o intervalo, Tuchel deu mais instruções, principalmente para a defesa. Gianluca também fez algumas correções no meu posicionamento, mas parecia que eu não estava mais naquele lugar. Naquele estádio, com aquelas pessoas. Eu estava completamente perdido e perdendo as esperanças.
Poucos minutos antes de voltar para o campo, eu peguei meu celular. Tinha esperança de que uma foto da me alegrasse, me desse um pouco de força necessária para continuar o jogo, mas, quando o peguei, uma notificação de mensagem me distraiu. Uma mensagem dela.
“Não é a Juve, mas mantenha a cabeça fria e lute até o fim”.
Um sorriso se formou em meus lábios, ela estava assistindo. Ela estava me apoiando mesmo de longe e isso enchia meu peito de uma forma incrível, quase como se um pé tivesse sido tirado de meu peito.
“Você está aqui?” – Enviei de volta, checando em volta se o restante do time ainda estava lá.
“Faça um bom jogo, ok?” – Ela me respondeu e sorri. Isso era um sim?
- Vamos! Vamos! – Tuchel falou e me levantei, deixando o celular na bolsa novamente.
Voltei para o segundo tempo e Thiago deu algumas observações para mim, Marquinhos e Kherer. A gente precisava se manter fechado e não deixar nada entrar. Nada mesmo! Eles não podiam chegar na gente de jeito nenhum. Pensando que podia estar aqui me dava forças maiores para conseguir realizar isso.
Parece que os xingamentos e os acordos falados no vestiário deram certo. Depois de 10 minutos sem muitos lances, Di María conseguiu espaço e fez um golaço! Aqueles lindos que a gente fica até de boca aberta, mas foi dado como impedido. CAZZO!
Aos 72, Kylian tentou se aproximar e fez o passe, a bola era para Ángel, mas eles acabaram interceptando e tirando antes. Aos 76, foi a vez de Ángel fazer o passe para Kylian, mas o chute saiu fora demais e acabou saindo. Aos 84, Kylian também se aproximou sozinho, mas acabou se desequilibrando nos dribles e perdeu a bola.
Por um momento eu achei que conseguiríamos. Eu realmente achei que os dois erros seriam compensados e a gente conseguiria chegar ao final. Mas parece que o trauma do jogo da Real Madrid ainda me acompanhava, pois aos 89 minutos, faltando um minuto mais acréscimos, eles ganharam um pênalti.
Um cotovelo na bola de Kimpembé deu um pênalti para eles.
De início o árbitro não deu nada, mas o United foi em cima deles e o VAR chamou para análise.
Eu me sentia em abril do ano passado novamente. Onde eu saí igual louco para cima do árbitro. Não arruinaria minha imagem novamente, não dessa forma, não aqui. Mas algo dentro de mim acabava de morrer. Se eles conseguissem converter esse pênalti, ficava 3x3, mas eles ganhariam por gols fora de casa e acabaria para nós.
Passou quase quatro minutos até eles confirmarem o pênalti, mas eu já estava pronto e, principal, eu precisava tentar. Era eu contra Rashford. Foi como se acontecesse em câmera lenta, ele se colocou em câmera, o árbitro pediu para arrumar a bola diversas vezes antes de ele se colocar na marca.
Quando ele fez o chute, eu tive a esperança de conseguir defender já que fomos para o mesmo lado, mas ele fez a bola subir e eu caí rente ao campo. 3x3.
A torcida murchou, mas apesar do árbitro dar três minutos de acréscimos, o que já tinha passado, ele deu tempo para mais jogo, ele só não anunciou quanto tempo mais teria, ele só deixou a bola rolando.
Aos 95 minutos, conseguimos nos aproximar para outro gol, mas De Gea tirou. Na cobrança de escanteio, Di María fez a cobrança, mas a bola saiu. Passando dos 97, Verrati jogou a bola dentro da área e Marquinhos foi derrubado, era um pênalti claro, foi nossa vez de ir em cima do árbitro, mas ele foi nem olhar, falando que havia sido uma falta de ataque.
CAZZO!
Ao menos tínhamos a falta, mas ela estourou na defesa e o árbitro apitou antes que eu pensasse em me aproximar para ser uma cabeça a mais.
Era isso!
Mais uma vez havíamos sido eliminados. Mais uma vez eu estava fora da Champions. Mais uma vez essa merda tinha acontecido! Não era para acontecer! Não era possível que algo não tivesse ligado. Não era possível que nem em outro time eu teria a chance de ganhar.
Não, nunca foi meu foco ao vir para cá, mas era uma oportunidade. E essa oportunidade tinha acabado de ir para o saco para mim e para o restante dos meus companheiros de time. E era uma merda sentir a culpa nas costas, mesmo que eu soubesse que não fosse só minha.
O pior foi para sair do campo, como você sai daqui sem cumprimentar os torcedores? Pior, como você sai daqui olhando para os torcedores? Era uma merda.
Acabei seguindo o que o Thiago fez. Ele era o capitão e eu não era aqui, mas eu me sentia por questão da idade e por saber que ao menos um gol havia sido minha culpa. Um erro juvenil. Um erro que eu não podia ter.
Os cumprimentei, distribuindo aplausos, mas era uma sensação doce-amarga, tinha quem vaiava, tinha quem aplaudia junto, eu só queria sair daqui e me afundar na cama até o próximo treino. Não seria o suficiente para recuperar o que houve hoje, mas ainda acreditava que podíamos seguir com outros campeonatos. Na verdade, outro campeonato, só faltava a Ligue 1 agora.
Voltamos para o vestiário e recebemos rápidos cumprimentos de Tuchel e Gianluca, além do restante do assistente técnico. Tanto Kherer como Kimpembe estavam tão desolados quanto eu, mas eles eram mais novos, e eu sei bem o que é ser novo e ter um peso desse em minhas costas.
Tuchel não falou nada, ele foi para seu espaço e fechou a porta com força. Sempre tinha algo a ser falado nessas horas, mas dessa vez não tinha. Allegri podia não ter o que falar, mas ele ao menos gritava e isso nos fazia acordar um pouco, sacudia os pensamentos e era isso. Ninguém ficava sofrendo por muito mais tempo, mas aqui não seria assim.
- Ok... – Thiago falou. – Se o Tuchel não vai falar nada, eu me sinto obrigado a falar algo. – Ele coçou a cabeça. – Obviamente não era o resultado esperado, mas eu não preciso dizer o que fizemos de errado, pois cada um sabe o que errou. Somos um grupo. Então se um errou, todos erramos. E vamos continuar sendo um grupo e se apoiando em todos os erros, ok?!
- Sim...
- Sim! – Os tons de vozes se sobressaíram.
- Então, vamos relaxar, tomem um banho, vão para casa, voltem para suas famílias. Vamos voltar a falar isso depois, mas não agora. Não adianta voltar nisso, já foi. Amanhã começamos de novo! – Ele disse. – Esqueçam disso, ok?! – Ele bateu palmas fortes, nos distraindo.
Fiquei perdido por alguns minutos, pensei em sair daqui correndo e tentar achar , mas não seria ideal eu sair daqui agora. E acho que não tinha trem a essa hora da noite de volta para Turim. Ao menos eu esperava.
- Gigi? – Virei o rosto, vendo Nasser. – Sinto muito.
- Sinto também! – Cumprimentei-o, vendo-o com sorriso de lado.
- Segue em frente. – Ele disse e assenti com a cabeça, vendo-o seguir para frente.
- Gigi. – Marcel veio logo atrás cumprimentei-o rapidamente.
- Ei, Marcel. – Falei, suspirando.
- Pediram para te entregar. – Ele me entregou um cartão e franzi a testa, vendo no mesmo.
Peguei o cartão, vendo que era um cartão do Hôtel Molitor, o hotel que fica aqui do lado do estádio. Virei o mesmo e vi uma caligrafia bonita atrás “Quarto 64, fino alla fine”. Ela está aqui! está aqui! E está me chamando para encontrá-la no hotel dela.
Guardei o cartão dentro da mala e segui correndo para o banheiro. Não sei quanto tempo ela ficaria aqui, mas acredito que não seria tanto e queria aproveitar cada minuto disso, só preciso tomar banho e sair daqui.
Capitolo centoveinte
Tirei o casaco com força quando entrei no quarto de hotel. CHE CAZZO! Não era para acontecer assim! Que merda! Gigi tinha um demônio que o acompanhava pelos lugares? Ah, che cazzo! Eu vim aqui em segredo, assistiria ao jogo, dormiria e iria embora para Turim no dia seguinte, mas aí com essa derrota totalmente inesperada, eu não podia simplesmente dar as costas para ele.
Não somos assim.
Então eu fiz algo que eu mesma me prometi que nunca faria quando decidi vir nesse jogo: denunciar minha presença. Se fosse só consolá-lo por causa da derrota, era fácil. Não é a primeira vez que eu faço isso e tinha certeza de que não seria a última, mas porra! Eu estou de quase nove meses, eu não quero ter que encarar a possibilidade de ele descobrir sobre a Sienna, pelo menos não agora. Não tão em cima da hora!
Cazzo! Cazzo! Cazzo! Isso vai dar muito errado!
AH! Me distraí com o interfone e segui em direção a ele, respirando fundo algumas vezes antes de puxá-lo da extensão. Levei-o à orelha e respirei fundo algumas vezes.
- Oui? – Respondi.
- Desculpa o horário, mademoiselle, mas tem um senhor aqui querendo falar com a senhora. – Respirei fundo.
- Quem é? – Perguntei, revirando os olhos após perguntar. Só tinha uma pessoa que especificamente me encontraria em um hotel em Paris. E A CULPA É TODA MINHA!
- Gianluigi Buffon. – Engoli em seco.
- Pode deixar subir! – Falei, suspirando.
Desliguei o telefone ao ouvir uma rápida confirmação do recepcionista e senti minhas mãos suarem automaticamente. O pior é que estava muito frio em Paris hoje, parece que o tempo exageradamente gelado não estava só em Turim, ainda peguei um pouco de chuva ao sair do estádio e meu cabelo estava literalmente duro. Eu precisava lavá-lo, mas agora Gigi estava subindo, eu não sabia o que fazer e...
Ah, filha, agora você vai inventar de se mexer?
- ?
- AH! – Me assustei com as duas batidas na porta e respirei fundo, soltando o ar devagar e fui até a porta. Vi minha mão tremer quando levei-a até a maçaneta e a abri devagar, vendo a imagem de um Gigi cansado se formar em minha frente.
- Uau! – Ele disse ao olhar para minha barriga e suspirei, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas devagar. – Feliz em te ver. – Dei espaço para ele entrar.
- Queria que não tivesse visto. – Fechei a porta, vendo-o deixar a mochila ao lado da porta.
- Por quê? – Ele tirou o casaco do time, deixando na poltrona mais próxima.
- Porque você não teria perdido. – Falei, vendo-o suspirar.
- É, não deu certo. – Ele passou as mãos nos cabelos, derrubando os ombros. – Estou bem! Estou bem! – Ele disse rapidamente e me aproximei devagar.
- Você pode mentir literalmente para todas as pessoas do mundo sobre isso, menos para mim. – Apoiei as mãos em seus braços.
- Eu estou bem, ! – Ele disse, olhando em meus olhos e levei a mão para seu queixo, vendo a pequena penugem que estava começando a crescer aí e puxei levemente. – ... – Ele afastou o rosto.
- Desculpe, mas ainda está feio. – Falei, vendo um sorriso se formar em meu rosto. – Você está bonito, mas não com isso... – Ele levou as mãos até minha cintura.
- Você está linda! – Suspirei.
- Como você está? – Perguntei.
- Eu estou bem! – Ele disse irritado.
- Não, você não está! – Passei meus braços pelos seus ombros, puxando-o para perto, sentindo-o me aproximar.
- Não está dando para te abraçar mais tão de perto. – Ele disse, apertando minha cintura e colando a barriga na minha.
- Não... – Suspirei, sentindo-o apoiar a cabeça em meu ombro. – Mas é gostoso.
- É uma menina, então? – Ele disse baixo e eu suspirei, passando as mãos em sua nuca.
- Sim... – Falei baixo, dando um beijo em sua cabeça. – Uma menininha.
- Já pensou no nome? – Engoli em seco, vendo-o erguer o rosto e prendi a respiração por alguns segundos quando ele olhou fundo em meus olhos.
- Ainda não... – Apoiei a mão em seu peito. – Tem muitas pessoas dando palpites. – Ele deu um curto sorriso, deslizando sua mão para minha barriga, a contraí automaticamente, mas não era como se desse muito.
- Quais os melhores nomes até agora? – Ele perguntou, acariciando-a devagar e senti Sienna se mexer dentro dela, me fazendo engolir em seco.
- Paula... – Ele riu fracamente. – Maria... – Ele ergueu o olhar. – Giorgia...
- Ah, Giorgia é legal! – Ele disse rindo. – Mas é sério?
- Sim! – Ri fracamente. – Carla, Leonarda, Federica, Juana...
- Ah, não! Os meninos são um inferno. – Abanei a mão.
- Não seria surpreendente, vai. – Ele riu fracamente.
- Queria estar contigo... – Ele suspirou. – Queria que fosse comigo... – Engoli em seco, descendo a mão pelos seus ombros até soltar.
- Acho que temos problemas mais sérios para se preocupar antes disso, não acha? – Me afastei devagar.
- Que problemas? – Ele disse e segui até a cama, me sentando na mesma.
- Você realmente acha que não temos nada para conversar? – Perguntei.
- Acho. – Ele disse, dando de ombros e revirei os olhos.
- Ah, você é incrível! – Falei irritada.
- Obrigado. – Ele disse se aproximando novamente e revirei os olhos. – Não tenho nada para conversar contigo, .
- Então, meu trabalho aqui está feito. Você está bem? – Perguntei.
- Eu estou bem, . É só uma eliminação, não é a primeira e nem a última. – Ele disse. – O jogo foi um desastre, mas...
- Você quer falar sobre o segundo gol? – Tombei a cabeça para trás, apoiando os braços para trás.
- Não, com certeza. – Ele disse rindo, se aproximando novamente. – Foi um erro idiota, ridículo e que pode ou não ter custado a eliminação, ainda bem que eu não tenho intenção de renovar o contrato com eles para o ano que vem...
- O que você pretende fazer? – Perguntei, procurando seu olhar que desviava para todos os lados.
- Você sabe. – Ele disse e suspirei.
- Não, eu não sei. Você não fala comigo. – Perguntei, suspirando.
- Não tem nada para falar. – Ele disse rindo e eu revirei os olhos.
- Então, se pensa em voltar para Juve me mantendo no escuro, vou ter que prosseguir com o procedimento padrão. – Ele se aproximou de mim.
- Qual o procedimento padrão? – Ele perguntou.
- O conselho decide se você volta ou não... Com o Leo foi assim.
- E você realmente deixaria meu destino nas mãos do conselho? – Ele puxou uma poltrona, se colocando na minha frente e se sentou na mesma.
- Sim. – Falei firme.
- Você faria isso comigo? – Ele perguntou fofo.
- Não tenho escolha!
- Você é a presidente do time...
- E já sou julgada o suficiente, então, sim, tudo dentro das regras. – Ele riu fracamente.
- Você está linda demais. – Revirei os olhos. – Seu cabelo está diferente...
- Parei de pintar pela gravidez. – Falei, endireitando meu corpo para frente. – O que você vê aqui é a raiz de 2006 e o restante do cabelo pintado.
- Traz memórias boas. – Suspirei.
- Você também está incrivelmente lindo, Gigi, mas eu não caio mais nos seus encantos. – Ele riu fracamente.
- Essa doeu! – Ele disse.
- Tenho um escudo agora. – Levei uma mão até a barriga. – Ela me protege de várias coisas. – Ele sorriu.
- Ainda bem que ela vai sair logo daí. – Revirei os olhos. – Ah, por favor, . Você está em modo defensivo.
- E você queria que eu estivesse como? – Acariciei a barriga devagar. – O tempo passa, Gigi, mas eu não esqueço das coisas. E eu não vim aqui nem com esse propósito, se você está bem pela eliminação, adeus! – Me levantei e ele fez o mesmo.
- Fica! – Ele pediu.
- Eu vou ficar, o quarto é meu por essa noite. – Falei rindo. – Você vai embora. – Ele suspirou.
- Por favor. – Ele segurou minhas mãos. – Fala comigo...
- Eu não tenho o que falar contigo. – Empurrei-o levemente, me sentando novamente, acabando com a distância.
- Se você não quer falar comigo, posso falar com ela? – Ele pediu e franzi a testa.
- Com quem? – Ele se sentou de novo.
- Com a Paula, Maria, Carla... – Ri fracamente.
- Você quer falar com ela? – Apontei para minha barriga.
- Posso? – Ele perguntou novamente e engoli em seco. – Eu vou continuar fazendo parte da sua vida, . Aqui, em Turim... – Foquei em seus olhos azuis. – A não ser que você realmente me queira longe, quando isso acontecer, eu vou me...
- Não! – Falei rápido demais, engolindo em seco em seguida, me fazendo suspirar. – Não quero falar sobre isso agora. Eu vou embora pela manhã... – Ele assentiu com a cabeça. – Eu precisava tomar outro banho, na verdade. Estou com frio.
- Você pode ir... – Ele se levantou novamente. – Eu te espero, depois você pode descansar e eu converso com essa lindinha aqui...
- Como você sabe que ela é lindinha? – Perguntei.
- Porque ela é sua filha. – Ele disse. – E porque eu tenho todas as fotos que você posta no Instagram no meu celular.
- Me perseguindo, Gigi? – Ergui o olhar para ele.
- Sim! – Ele disse sorrindo. – Cada passo seu como presidente, cada passo seu na realização desse sonho que é essa menina. – Sorri. – Eu fiz uma besteira enorme, , eu sei e não sei o que vou fazer para corrigir isso, mas eu estou muito feliz com tudo o que aconteceu contigo. Você está realizando seu maior sonho, mesmo não querendo, você se tornou presidente da Juve e está indo incrivelmente bem. Só leio notícias boas sobre isso...
- Queria que fosse fácil como parece. – Suspirei. – Estamos em três no administrativo, cheguei em um ponto da gravidez que não posso mais fazer viagens de avião, mas acaba indo tudo no automático.
- Mas você está aproveitando, não está? Imagino que os meninos estejam loucos com a gravidez... – Ri fracamente.
- Sim, está tudo bem. Eles estão me paparicando muito, principalmente o grupinho de goleiros... – Ele riu fracamente. – Barza e Chiello aparecem em casa quase toda semana. Encontrei o Del Piero em Madrid e só faltou me pegar no colo. – Ele sorriu.
- Isso é incrível, . Sério! Você merece isso e muito mais. – Sorri.
- Beh... Tem algumas coisinhas bagunçadas ainda, mas está indo tudo bem. – Dei de ombros.
- Como assim? – Ele perguntou e puxei a respiração fortemente, relaxando os ombros.
- O nosso jogo de ida da Champions... – Ele assentiu com a cabeça. – Vamos ter que fazer um milagre para passar.
- Eu vi, queria muito estar lá para ajudar vocês... – Ele disse baixo.
- Não acho que tenha sido algum erro dos meninos... A gente dominou o jogo inteiro, tivemos 62 por cento de posse de bola, 90 por cento de passes certos, mas infelizmente eles conseguiram chegar mais do que a gente... – Bufei, erguendo os olhos para ele. – Desculpe, agora eu preciso saber essas informações.
- Está tudo bem, é legal te ouvir falar assim. – Ri fracamente.
- Esperamos que a atmosfera do nosso estádio nos ajude.
- Fino alla fine. – Ele disse e sorri.
- É… Algo assim. – Rimos juntos.
- O que mais está acontecendo lá para você me contar? – Ele perguntou e pensei por um momento.
- Beh, tem algo que está me irritando, na verdade. – Falei, suspirando.
- O quê?
- Barza. – Engoli em seco.
- Por quê? O que está acontecendo? Vi umas fotos dele com a namorada, vai dizer que ele continua amargo? – Rimos juntos.
- Não, não, eles estão muito bem, mas ele meio que me deixou previamente informada sobre sua possível aposentadoria.
- Ah, não! – Ele disse surpreso.
- É... – Joguei a cabeça para trás, bufando em seguida. – Não é oficial ainda, mas não acho que consigamos fugir disso.
- Ele está se lesionando bastante?
- Duas vezes, mas ele está jogando muito menos. – Suspirei. – Eu não sei o que eles estão conversando, mas... – Neguei com a cabeça. – Enfim, vamos ver o que vai rolar.
- O que mais? Giulia? Kawan? Treze? Como está sua família?
- Ah, estão ótimos. – Falei rindo fracamente. – Na verdade, agora posso oficialmente falar que é minha família. – Disse e ele franziu a testa.
- Sério? Como?
- Eles me adotaram. – Falei e ele se levantou surpreso.
- ISSO É SÉRIO? – Ele disse feliz demais, me fazendo rir fracamente.
- É! – Disse, rindo fracamente. – Na verdade, a palavra correta é “representantes legais”, mas é... – Dei de ombros. – Eles fizeram isso só para facilitar alguns detalhes da gravidez, querem que eu tenha todo direito de filha deles, sobrenome, herança, coisas assim... – Ri fracamente.
- É incrível, ! Uau! Aposto que isso não vai mudar nada para você, mas...
- O sentimento não muda nada, eles cuidam de mim há 20 anos, mas é importante para eles. – Suspirei. – Com ou sem o sobrenome Vitale, eu já me sinto parte da família. – Ele sorriu.
- Isso é incrível, ! Sério! – Sorri com ele. – E você vai aceitar o sobrenome Vitale? – Perguntei.
- Eu não sei. – Falei, rindo fracamente. – Vitale...
- Buffon. – Ergui o olhar para ele.
- O quê?
- Vitale Buffon. – Ele disse calmamente. – Eu gostaria disso. – Bufei.
- Ah, Gigi! – Me levantei. – Para! Para! Para! – Ele riu fracamente. – Você veio para cá e continua falando besteira?
- Estamos na cidade do amor, . – Ele disse rindo.
- Não estamos em Verona, nem em Pienza, não começa. – Segui até minha mala, abrindo-a na mesa.
- Estamos em Paris. Você não acha isso interessante? – Ele disse rindo e peguei uma calcinha, o pijama e a necessaire.
- Não! – Falei firme. – Agora eu vou tomar banho! – Falei e ele deixou os tênis no chão antes de colocar os pés na cama.
- Eu te espero aqui. – Ele disse. – A não ser que queira companhia.
- Ah, cala a boca! – Falei, seguindo até o banheiro e bati a porta, trancando assim que passei.
- Você ainda está aqui?! – Ergui o olhar do celular para que saía do banheiro com o pijama que deixava sua barriga mais em evidência ainda e os cabelos presos em uma toalha.
- Você quer que eu vá embora para valer? – Perguntei e ela suspirou.
- Não... – Ela disse baixo, andando pelo quarto e seguiu até sua mala, deixando a roupa com ela.
- Então... – Abaixei os pés da cama e ela suspirou.
- O que eu faço contigo? – Ela se virou, apoiando as mãos na cintura e me fazendo rir fracamente. Desci os olhos pelo seu corpo, para sua barriga que ficava um pouco à mostra pela camiseta curta e abri um sorriso.
- Você pode me dar um beijo...
- HÁ! Engraçadinho! – Ela falou, voltando para o banheiro e tirou a toalha da cabeça ao entrar na mesma.
- Se não isso, que mais eu posso falar? – Ela ficou em silêncio e ouvi o barulho do secador de cabelo, me fazendo rir fracamente.
Fiquei mais uns 10 minutos rolando o Instagram e ouvindo o barulho do secador. Podíamos não estar fazendo nada, mas só de saber que ela estava aqui comigo, podia ficar em silêncio assim pelo resto da vida, contanto que ela estivesse ao meu lado.
- Ok, então, o que você vai fazer? – Ela perguntou, voltando para o banheiro enquanto passava as mãos em seus cabelos.
- Como assim? – Perguntei e ela suspirou.
- Eu vou dormir e você? – Ela se aproximou de uma mesa, pegando alguns remédios e enchendo o copo de água.
- Ei, nem vem, eu ainda quero bater um papinho com a sua menininha. – Ela suspirou, virando os remédios na boca e bebendo a água por cima. – O que está tomando?
- Hormônios, vitaminas... – Ela ponderou com a cabeça. – Quando se teve câncer, só um ovário e está grávida, os níveis ficam meio loucos... – Assenti com cabeça. – Tenho a prescrição médica se quiser...
- Eu confio em você! Não acredito que você vá fazer algo para machucar sua menininha. – Ela sorriu.
- Ela é meio que um milagre, Gigi! – Ela voltou para a cama, se sentando na beirada da mesma. – Por vários fatores talvez seja literalmente filha única, então preciso cuidar o máximo possível para ela vir saudável... – Assenti com a cabeça.
- Concordo com o máximo de cuidado, agora não com a filha única. – Falei, vendo-a revirar os olhos e colocar os pés para dentro da coberta.
- Você é um pé no saco, sabia? – Ela disse e me levantei da poltrona, dando a volta na cama.
- Sei sim! Mas acho que você gosta de parte de mim. – Falei e ela riu fracamente.
- O que está fazendo?
- Vou conversar com ela... – Indiquei sua barriga e ela suspirou.
- O que vai conversar com ela? – Me sentei ao seu lado, deixando os tênis no chão e me aproximei dela.
- Não te interessa! – Falei com um tom forte de sarcasmo. – Que mãe superprotetora! – Ela me deu um tapinha no ombro.
- Gianluigi Buffon, não me irrite! Minha pressão está bem-comportada. – Sorri.
- Posso? – Lhe indiquei e ela suspirou, abaixando a coberta até sua cintura novamente e levantou a camiseta até a altura dos seios.
O sorriso foi inevitável ao ver sua barriga próxima de mim. estava enorme, mas é um enorme lindo. Era possível ver algumas pintinhas em sua barriga, além de um pouco de estrias próximo à virilha, provavelmente devido ao rápido crescimento dela, mas parecia que tudo isso a deixava mais linda ainda, principalmente porque tinha um bebê aqui dentro. Seu bebê milagre.
Tudo isso ficava mais perfeito com seus seios que estavam maiores do que eu estava acostumado. Eles apertavam a camiseta tanto quanto a barriga e vocês não têm noção como eu estava me segurando para não me excitar com isso aqui.
Vi o pezinho aparecer em sua barriga e fiquei surpreso. Era igual as filmagens que ela postava, ela empurrando quase como uma criança empurra uma poltrona de ônibus ou avião. Levei minha mão devagar ao local, sentindo ter um pequeno espasmo com o feito e ergui os olhos para ela. Só pela mordida nos lábios dava para ver que ela estava nervosa. Deslizei a mão pela barriga e sorri.
- Está tudo bem. – Falei baixo e ela assentiu com a cabeça.
- Eu sei... – Sua voz saiu fraca e inclinei meu corpo para frente, levando meus lábios até sua barriga e dando um beijo na mesma.
- Ela vai te chutar. – Ela disse e ri fracamente.
- Tudo bem. A mãe já me dá tapas, o que vai ser um chute da filha dela? – Apoiei a cabeça na barriga de , erguendo o olhar para ela que me dava seu olhar julgador.
- Você é ridículo. – Ela disse, levando sua mão até meu rosto e apesar do toque gelado, era bom ser acariciado assim por ela.
- Adoro suas palavras de amor no meio das de ódio. – Falei e ela riu fracamente.
- Eu não te odeio, já falei isso! – Ela disse firme e sorri. – Não tive a capacidade de fazer isso nem com a minha avó... – Ela continuou sarcástica e ri fracamente.
- Tive uma pequena esperança de que você estivesse falando sério. – Disse antes de distribuir curtos beijos em sua barriga.
- Você se importa se eu dormir? – Ela perguntou, virando levemente para o meu lado.
- Está com sono? – Perguntei, acompanhando o pezinho de sua bebê, dando beijos pela mesma.
- Eu estou sempre com sono, Gigi. – Ela suspirou. – A diferença é que hoje eu posso dormir sem ter que resolver alguma coisa de última hora.
- Que horas você vai amanhã? – Perguntei.
- Meu trem é as 10. – Dei um beijo em sua barriga.
- Posso ficar contigo até você ir? – Ergui os para ela e senti sua mão em meus cabelos.
- Pode sim. – Ela sorriu e ergui meu corpo para o seu.
- Dorme, amore. – Acariciei seu rosto. – Eu estarei aqui, provavelmente na mesma posição. – Ela riu fracamente.
- Você é bobo. – Ela disse e aproximei o rosto do seu.
- Por você. Sempre fui! – Falei e ela levou a mão até a minha, abaixando meu braço.
- Eu sei... – Ela suspirou e colei nossas testas.
- Eu te amo. – Falei baixo.
- Não faça isso... – Ela pediu em um gemido e rocei nossos narizes.
- O quê? – Pedi baixo e sua mão subiu para meu rosto.
- Abaixar meu escudo... – Sorri.
- Parece que ela gosta de mim. – Pedi baixo e ela riu fracamente.
- Sinto lhe dizer, mas ela gosta de todo mundo. – Sorri.
- Ao menos sei que ela vai ser muito querida. – Ela assentiu com a cabeça, fazendo nossos narizes se roçarem devagar.
- Posso te beijar? – Perguntei baixo, acariciando seu queixo.
- Eu queria dizer não para você. – Ela suspirou.
- Então eu vou dizer não para gente. – Me afastei devagar, deixando um beijo em sua testa antes de me afastar. – Só quando você estiver pronta, ok?! – Ela assentiu com a cabeça e sorri. – Agora, Giorgia, vamos conversar? – Ela gargalhou, jogando a cabeça para trás.
- Você é idiota. – Ela deslizou o corpo mais para baixo na cama, apoiando a cabeça em dois travesseiros, deixando sua cabeça mais alta.
- Ei, eu e ela, você está fora! – Falei sarcasticamente, vendo-a rir fracamente. – Ok, amorzinho. – Falei, levando a mão até a barriga. – Eu sou Gigi Buffon, sou... Amigo da sua mãe. – Disse baixo. – Na verdade, sou apaixonado pela sua mãe há muitos anos, mas a gente acabou se desencontrando no meio do caminho.
- Gigi... – Ela me repreendeu.
- Ei, não é para bisbilhotar! – Ergui o rosto, vendo-a revirar os olhos.
- Ah, você é ridículo. – Ela virou o corpo para o lado, apoiando uma mão embaixo do travesseiro.
- Para de se mexer! – Falei e ela riu.
- Você que falou para eu não me envolver. – Ela disse e levei a mão em sua barriga.
- É, mas não tem como separar as duas. Ainda não! – Ela revirou os olhos, fechando-os em seguida. – Ok, amorzinho, mamãe vai dormir, mas fica comigo. – Pedi, acariciando a barriga e vi o pezinho novamente. – Eu vou ser a pessoa que mais vai te amar nesse mundo.
- Caham! – disse.
- Ok, depois da mamãe, mas mamãe não deveria nem entrar na conta. Ela vai te amar incondicionalmente, mesmo quando você fizer bagunça, o que aposto que você vai ser bem bagunceira. – riu fracamente. – Eu te amo muito, lindinha e estou empolgado em te conhecer. – Dei um curto beijo.
“Sabe, eu e a mamãe temos uma vida bem bagunçada, talvez você descubra pelo titio Paulo no futuro, ele adora contar essa história, mas se tem uma coisa que eu aprendi, é que ela sempre estará lá por nós. Sempre, sempre, sempre. Sua mãe é a pessoa mais linda, inteligente, incrível e apoiadora que eu já conheci na vida. Mesmo quando eu faço besteira, tipo hoje...” A risadinha de saiu no meio a frase.
“Eu posso não ser seu pai, mas prometo que vai ser só de sangue, porque na vida real eu vou ser seu pai... Beh, se você quiser, é claro. Se sua mãe deixar também, mas ela vai sim. Ela é durona, mas ela gosta de mim.” – Passei a mão em sua barriga, distribuindo beijos conforme eu falava.
“Eu posso não ser o melhor pai do mundo, na verdade, acho que meus outros três filhos têm muito o que reclamar da forma que foram criados, mas eu nunca gostei de verdade das mães deles. Agora sua mãe... Uau! Pensa em uma mulher incrível! É ela! Sua mãe foi escolhida a dedo. Você vai ser muito amada, por ela, por mim, pela sua família, você foi muito querida, te garanto”.
- Ah, lindinha... – Dei um beijo em cima da marca do seu pé. – Estou louco para te conhecer! Te segurar, te abraçar, te encher de beijos, brincar contigo, te ensinar a jogar bola, deixar sua mãe assustada quando eu te jogar para cima e muitas outras coisas... – Ergui o olhar para cima, vendo dormindo calmamente e suspirei. – Ah, minha linda. – Ergui a mão para seu rosto, acariciando-a devagar. – Eu te amo demais. Você, sua filha... Vou tentar fazer uma família de verdade. Para você, para sua menina, para meus filhos... Vamos ser felizes, amore.
Acariciei sua barriga mais uma vez, vendo o pezinho sumir para dentro novamente e deixei um último beijo na mesma. Abaixei a blusa de e subi a coberta até a altura de seus seios. Deitei meu corpo ao seu lado, sentindo sua respiração bater sobre a minha e me cobri também. Bati a mão no disjuntor, desligando as luzes, deixando a pouca iluminação da janela entrar pelo quarto.
Subi a mão para seu rosto, acariciando-a levemente e deixei um beijo em seu rosto antes de deitar a cabeça no travesseiro. Apoiei a mão em sua barriga, me aproximando a ponto de nossas barrigas se colarem e relaxei meu corpo.
- Boa noite, meus amores. – Sussurrei, fechando os olhos em seguida, sentindo sua filha se mexer dentro da barriga, me fazendo sorrir.
- O QUE ACONTECEU? – Angela perguntou rápido assim que abri a porta do carro.
- Calma! – Pedi, entregando minha bolsa para ela que segurou enquanto eu tentava me desentalar do carro.
- Como assim “calma”? Você me mandou uma mensagem totalmente louca em caixa alta escrito “NÃO AGUENTO MAIS” e você me pede calma? – Ela gritou na parte da frase.
- A calma era para eu sair do carro. – Bati a porta. – Agora sobre a mensagem, é, eu não aguento mais! – Tranquei o carro, seguindo a passos pesados da bota para dentro do estádio.
- ? – Ela correu em minha direção. – O que está acontecendo?
- Eu cansei! Eu vou contar para todo mundo da Sienna! – Falei.
- OH! OH! OH! – Ela me puxou pelo braço. – O que isso quer dizer? Contar para quem? – Parei antes da entrada, bufando e virei o rosto para ela. – ...
- Sabe o que é você acordar e o pai da sua filha estar com a cabeça apoiada na sua barriga porque ele dormiu conversando e fazendo carinho nela? – Senti minha voz afinar e engolir em seco.
- Não sei, mas isso aconteceu? – Ela perguntou e assenti com a cabeça.
- Eles foram eliminados da Champions, um dos erros foi de Gigi e eu não podia simplesmente ir embora... – As lágrimas deslizaram pela minha bochecha. – Scusi, são os hormônios... – Passei as mãos no canto dos olhos, limpando as lágrimas.
- Está tudo bem...
- Então, ele me encontrou no hotel e ele quis conversar com a Sienna e VOCÊ NÃO TEM NOÇÃO COMO FOI DIFÍCIL NÃO ABRIR TUDO PARA ELE. – Meu tom de voz aumentou.
- Se calma! Se acalma! – Ela me apertou pelo braço e peguei minha bolsa de volta. – Se você não quis, por que não contou?
- Agora? – Falei firme. – Entrando na trigésima sétima semana? Ah, minha médica vai adorar fazer uma cesárea de emergência porque EU BRIGUEI COM O PAI DO MEU FILHO! – Gritei e ela levou a mão até minha boca.
- Ok, eu entendo que você esteja nervosa e que tudo esteja bagunçado na sua cabeça, mas você ainda é presidente do time e as pessoas ainda não sabem desse detalhe. Por causa de você mesma! – Suspirei, soltando o ar devagar. – O que você exatamente vai fazer?
- Beh, já que eu não posso contar para ele, eu vou contar para o time. – Segui para dentro do estádio, acenando para algumas pessoas e ouvi seus pés pesados correrem atrás de mim. – Ciao, Marco.
- Ciao, ! – O segurança falou.
- , você pensou bem nisso? Assim, é bastante gente para ficar sabendo, pode chegar nele. – Ela disse e parei para pensar.
- A gente faz um acordo de confidencialidade e coloca uma multa alta. Eles são bobos, mas nem tanto! Já estão sem salário de março. – Entrei no elevador e ela veio atrás de mim.
- Você bebeu ou algo assim? – Ela me perguntou.
- Só muito chocolate quente! – Suspirei, virando para ela.
- Ok, então explica a agitação, mas você pensou bem nisso? – Ela me perguntou firme.
- Eu pensei por umas 44 horas e acho que pensei demais. Sorte sua que eu tinha bastante trabalho, ou eu contaria no treino mesmo. – O elevador se abriu novamente.
- Ok... – Ela veio atrás de mim. – A vida é sua, mas...
- PAVEL! – Gritei, vendo o loiro.
- Ei, ! – Ele me abraçou e sorri, apertando-o fortemente.
- Está tudo bem?
- Não! Está louquinha! – Angela disse.
- VIRGINIA! – Gritei para ela. – Ah, você está tão linda. – Levei a mão até sua barriga.
- Grazie, ! – Ela disse franzindo os lábios.
- Pena que é um mini Bonucci, né?! Vai ser um demônio igual o pai. – Revirei os olhos.
- Está tudo bem com ela? – Ela se virou para Angela.
- Não, mas eu preciso falar com o time. – Respondi eu mesma. – Já voltaram do treino?
- Sim, já! – Ela disse confusa.
- Ok, eu preciso falar com eles. – Disse rapidamente.
- Ela vai contar! – Angela disse e entrei no vestiário.
- O QUÊ? – Ouvi o grito de Pavel e segui em frente. – , VOCÊ PENSOU MELHOR NISSO?
- Ciao, ! – Filippi disse.
- Oi, amore! – Ele me abraçou.
- ! – Vi Pavel se aproximando.
- Sim, eu pensei nisso. – Falei, entrando no vestiário. – Ciao, ragazzi.
- Ciao, chefa! – Eles disseram.
- Tem certeza? – Ele me perguntou mais baixo e suspirei.
- Sim! Eu tenho! Eu preciso fazer isso.
- Fazer o quê? – Chiello perguntou e passei a mão em suas costas, trocando dois rápidos beijos com ele.
- Preciso contar aquilo para vocês. – Falei.
- O QUÊ? – Ele gritou rápido.
- Por favor, eu preciso fazer isso. Eu estou me sufocando. – Falei apoiando a mão em seu ombro e ele respirou fundo. – É para vocês ou para ele e aposto que vai me implicar em irritações maiores.
- Ok... – Ele disse, suspirando.
- O que está acontecendo? – Virei para Barza de uniforme e braçadeira.
- Ei, você vai voltar! – Abracei-o fortemente.
- Ela está louca! – Angela disse e suspirei.
- Eu preciso falar. Eu preciso contar para alguém ou eu vou explodir. – Falei rapidamente.
- Ok, tudo bem, tudo bem, mas o que aconteceu para você mudar de ideia? – Barza perguntou.
- Ele mesmo. – Suspirei. – Olha, a história é longa, mas eu quase mandei no grupo do WhatsApp e não acho que seria ideal...
- É, não. – Chiello disse.
- OK, ENTÃO VAMOS LÁ! – Falei mais alto, batendo as mãos. – ANDIAMO, RAGAZZI! TODO MUNDO PARA O FUNDO DE NOVO!
- Oh, calma! Está tudo bem? – Allegri veio apressado em minha frente.
- Sim, está! Mas eu preciso falar com vocês urgente! – Falei e ele franziu os olhos, olhando para Chiello e Barza.
- Deixa! – Chiello disse e engoli em seco.
- A gente vai para o fundo? – Ruga perguntou.
- Sim! – Falei apressada.
- O-ok. – Ele disse e vi o pessoal fazer o mesmo da última vez.
Pegaram seus uniformes, chuteiras e afins e foram para a sala da fisioterapia no fundo. Fui junto deles, vendo o restante do staff entrar e os olhares se misturaram com medo e curiosidade. Eu não conseguia mais continuar com isso. Eu precisava abrir para alguém, eu precisava de um apoio para isso. E se eu não podia contar para ele agora, que fosse para os amigos dele.
- Ok, todo mundo aqui! – Angela disse e olhei para os jogadores e sentia que estava faltando algumas pessoas.
- Todo mundo mesmo? – Perguntei.
- Falta alguns, mas todo mundo que está aqui, está na sala. – Ela respondeu, suspirando.
- Ok, ok! Vocês repassem a informação. – Abanei a mão. – Preciso contar algo para vocês.
- Está tudo bem? – Dybala perguntou e suspirei.
- Não! Não está! – Falei rapidamente. – Eu estou escondendo um segredo de vocês faz quatro meses e eu não consigo mais esconder, não agora, não nunca. – Soltei pesadamente, apoiando a mão na pilastra.
- O que está acontecendo? – Mario perguntou cruzando os braços.
- Quero falar da Sienna. – Levei as mãos à barriga.
- ESTÁ TUDO BEM? – Eles perguntaram quase todos juntos e me assustei.
- Sim! Está! – Franzi a testa, dando um passo para trás pelo susto. – Mas vai surpreender todos vocês... Bastante. – Suspirei.
- O quê? – Pinso perguntou e respirei fundo, soltando-o devagar.
- A Sienna é... – Puxei a respiração, passando pelos olhos deles. – Filha do Gigi!
- O QUÊ?! – Ouvi uns gritos.
- VOCÊ ESTÁ BRINCANDO!
- COMO ASSIM? – Respirei fundo.
- EU SABIA! – Ergui o olhar para Tek.
- NÃO, ! CALMA! – Leo gritou e respirei fundo.
- Ok, eu espero as reações de vocês! – Apoiei as costas na pilastra.
- NÃO, VOCÊ NÃO PODE SIMPLESMENTE ESPERAR QUE A GENTE ACHE QUE FICA TUDO BEM! – Leo gritou.
- Você pode falar mais baixo. – Pedi.
- Desculpa. – Ele suspirou. – Saiu mais alto que o esperado. – Ele soltou a respiração pesada. – Mas do Gigi! , isso é... – Ele colocou as mãos no rosto surpreso.
- Querida... – Filippi apoiou a mão em meu ombro. – Isso é sério?
- É... – Suspirei, passando a mão embaixo dos olhos. – Eu precisava compartilhar.
- Mas por quê? Por que agora? – Allegri falou agitado.
- Porque eu não aguento mais esconder isso. – Soltei a respiração pesadamente. – E eu não posso contar para ele agora, então...
- ELE NÃO SABE? – Dybala gritou.
- Claro que não, idiota! – Tek deu um tapa em sua cabeça. – Você acha que ele estaria longe daqui se soubesse?
- E espero que continue assim até eu contar para ele. – Pedi, suspirando. – Poderia contar agora, mas eu estou na fase final, não quero nenhuma surpresa agora.
- Mas por que esconder? – Mario perguntou cauteloso.
- Porque eu estava estressada, brava, irritada, porque ele foi embora. – Suspirei. – Ele me deixou no escuro aqui, e eu tinha acabado de me tornar presidente, me pareceu uma boa ideia para abafar tudo. – Neguei com a cabeça. – Me desculpem, meninos, mas eu não sabia o que fazer.
- Está tudo bem, chefa! Tenho que dizer que estou surpreso por isso e muito feliz. – Tek disse, me fazendo rir fracamente.
- Como você sabia? – Virei para Barza e Chiello.
- NÓS NÃO CONTAMOS NADA!
- ELES SABIAM? – Leo gritou.
- Sim, eles sabiam. – Falei.
- E EU NÃO? EU SOU PARTE DO GRUPO...
- VOCÊ SAIU! – Gritei.
- ISSO ESTÁ SAINDO DE FOCO! – Angela gritou e suspirei.
- Eu suspeitei porque vocês sempre tinham algo nas férias ou perto das férias, pensei que tivesse rolado algo antes de ele ir embora. – Tek disse.
- E eu ouvi os dois falando com o Gigi um dia. – Mario disse.
- VOCÊS CONTARAM PARA GI...
- NÃO! – Eles gritaram.
- Não, não! Eles mentiram a gestação em um mês, e você tinha acabado de falar para gente que estava de cinco e eles falaram para o Gigi que estava de quatro. – Mario disse.
- A gente não conseguiu achar uma explicação. – Chiello disse.
- Alguém mais ouviu?
- Sami e Medhi. – Mario disse.
- Medhi eu contei antes de ele ir embora. – Suspirei.
- Ok, então acho que é isso. – Angela disse. – Vamos para o jogo.
- Peço que vocês não contem nada para ele. Eu vou contar, só preciso que ela saia daqui agora. – Apertei minhas mãos na barriga.
- Um acordo de confidencialidade vai resolver tudo. – Angela disse e suspirei.
- É, se vocês não se importarem... – Pedi.
- Não, não... – Eles falaram rapidamente.
- Você está bem? – Cáceres perguntou. – Sobre tudo...
- Não aliviou tanto quanto achei que aliviaria, mas... – Ponderei com a cabeça. – Agora vocês já sabem. – Suspirei.
- Nós vamos continuar cuidando de vocês duas, . – Tek disse. – Com ou sem ele. – Sorri. – Mas é realmente interessante essa menina ser dele, sabe? – Ele riu fracamente. – É quase como se...
- O universo estivesse lutando para ficarmos juntos. – Falei. – Eu sei! Eu sei! Mas isso não muda nada. – Suspirei. – Não agora.
- É, talvez... – Dybala deu de ombros, me abraçando. – Vai ficar tudo bem.
- Grazie, amore. Agora vamos para o jogo! – Dei um tapinha em suas costas e eles me abraçaram um por um, dando um beijo em minha testa antes de seguir para o vestiário.
- Mancada! – Leo disse, me fazendo rir. – Mas estou feliz por você. – Acariciei seu rosto.
- Saiba que você pode confiar muito na Virginia, jurava que ela ia te contar. – Falei rindo.
- ELA SABE? GINI! – Ele procurou-a com o olhar.
- Ei, me tira dessa! – Ela se afastou, me fazendo rir fracamente.
- Você vai ficar bem? – Filippi me abraçou e suspirei, apertando-o fortemente.
- Sim, eu vou. – Sorri. – Grazie di tutto. – Ele assentiu com a cabeça.
- Vou proteger vocês dois para sempre, . De tudo o que importa. – Ele deu um beijo em minha testa e assenti com a cabeça.
- Eu agradeço muito vocês, meninos. Vocês são meu time, não podia continuar escondendo isso de vocês. – Apoiei no batente da entrada do vestiário.
- Agradecemos por confiar na gente. – Ronaldo disse e assenti com a cabeça.
- Bom jogo, ragazzi! – Dei um toque nos ombros de Barza. – Forza, Barza!
- Grazie! – Ele sorriu e atravessei o vestiário, saindo pelo outro lado.
- Andiamo! – Falei para Pavel, seguindo em direção ao elevador.
- O que deu para você surtar com isso? – Ele perguntou e suspirei.
- Eu encontrei o Gigi ontem. – Entrei no mesmo.
- Ok, entendi agora! – Ele disse e suspirei, batendo a mão no último andar, vendo o elevador se fechar.
- Não quero falar sobre isso. Quero assistir ao jogo e ficar na calma. – Falei.
- Tudo bem... Posso fazer perguntas?
- Não! – Falei firme.
- Tu-u-udo bem! – Ele disse e virei para ele, vendo-o sorrir e ri fracamente. – Logo ela está aí!
- Sim, a partir da semana que vem já podemos esperá-la. – Ele sorriu.
- Empolgada? – Ele perguntou.
- Sim! – Sorri. – Nervosa também.
- Vai dar certo. – Ele disse. – Estarei lá para o que você precisar.
- Grazie. – Suspirei, vendo as portas se abrirem novamente. – Vamos trabalhar?
- Andiamo! – Ele sorriu.
Seguimos pelo corredor dos camarotes e encontramos o pessoal de sempre. Fizemos todos os clássicos cumprimentos antes de chegar no camarote principal. Os jogadores já entravam e Barza puxava nossa fileira hoje junto de um elenco levemente bagunçado. Era a Udinese, não deveríamos ter problema, mas era triste pensar que hoje Barza era o capitão do time mais fraco quando era do mais forte.
- Oi, Ada! – Cumprimentei a namorada de Barza.
- Oi, ! – Ela trocou dois rápidos beijos comigo. – Demorou hoje!
- Conversei com os meninos, até chegar aqui, já viu, né?! – Falei e ela assentiu com a cabeça.
- Está tudo bem?
- Sim, agora está. – Sorri. – Então, Barza voltou, hein?!
- Sim, ele me disse. Estou feliz! – Ela sorriu e abracei-a de lado.
O jogo começou calmo, como era esperado. Nosso placar abriu aos 11 minutos com um gol de Kean e assistência de Alex Sandro. Kean era um dos jogadores que, junto de Gianni, estavam no radar de Allegri, e estava sendo bem utilizado. Era bem interessante.
Aos 25, uma péssima surpresa. Barza de repente tirou a braçadeira com raiva e pediu substituição. Ninguém o atingiu, ele não caiu com cãibra, mas algo com certeza tinha dado errado. Não acredito que ele havia se lesionado de novo. Isso não podia acontecer.
- O que aconteceu? – Ada se levantou preocupada e vi Barza cumprimentando Tek, depois Fede antes de parar com Allegri e ser substituído por Leo que o abraçou forte. – Andrea? – Ela se inclinou na marquise para vê-lo entrando no vestiário.
- Vai! Vai! – Empurrei-a de lado. – Vai falar com ele! – Falei firme e ela deu um aceno de cabeça antes de seguir correndo para dentro.
- Só falta essa agora. – Pavel disse e suspirei.
- Isso não está me cheirando bem. – Falei, engolindo em seco.
O restante do jogo foi muito bem. Kean dobrou o placar, ele se aproximou sozinho, viu a oportunidade e chutou! Esse garoto estava literalmente arrasando, precisava tentar segurá-lo a todo custo.
Aos 67, Can aumentou para 3x0 com um pênalti após uma rasteira que Kean recebeu dentro da grande área. Achando que o jogo estava resolvido, Matuidi ainda alargou para 4x0 aos 71 de cabeça com um passe de Spinazzola, que foi para Bentancur, passou para Fede, voltou para Bentancur que alargou para Matuidi que esperava dentro da área.
Era o jogo perfeito, para não ficar tão feito, eles conseguiram fazer um gol aos 84 minutos quando Cáceres, Ruga e Leo deram uma bobeada, mas 4x1 me parecia muito bom para um aquecimento de um jogo importante da Champions.
- Vamos lá! – Falei, me levantando e seguindo com Pavel e Fabio de volta para o vestiário e queria saber como estava Barza.
Descemos novamente, parando para cumprimentar algumas pessoas pela vitória e logo saímos no túnel lá de baixo novamente. Cumprimentei alguns jogadores que ainda entravam e entrei rapidamente no vestiário, procurando Barza com o olhar.
- Cadê ele? – Perguntei para Mario que entrava.
- Lá no fundo! – Ele disse e fui para a área da fisioterapia, vendo-o deitado em uma maca com Ada ao seu lado.
- Ragazzi... – Me aproximei, apoiando a mão na maca, perto da cabeça de Barza.
- Ei, chefa! – Ele disse e vi gelo entre suas coxas.
- Gêmeos de novo? – Perguntei e ele bufou, assentindo com a cabeça.
- Sim. Parece que dois meses e meio não foi o suficiente. – Ele disse e engoli em seco.
- Que merda, Barza. – Suspirei.
- Está tudo bem, chefa! – Ele apoiou a mão na minha. – Acho que tenho minha decisão agora.
- Não brinca com isso. – Ada disse.
- Eu não vou aceitar, Barza. – Falei, engolindo em seco.
- Não é porque eu vou me aposentar que você vai deixar de ser minha melhor amiga. – Pressionei os lábios, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas. – A mulher que me deu a chance da minha vida. Alargou minha carreira em oito anos e meio.
- Não fala isso... – Suspirei, passando as mãos nos olhos. – Eu estou grávida, para! – Ele riu fracamente.
- Eu estou bem com isso, chefa! – Pressionei os olhos. – Prometo. – Ele pressionou os lábios e me debrucei sobre ele, apertando-o fortemente e senti sua mão em minhas costas. – Vai ficar tudo bem. – Ele disse e funguei. – Tudo vai ficar bem.
- Não sei viver sem você, Barza. – Ele riu fracamente.
- Você não vai se livrar de mim tão cedo, . – Sorri. – Espero que tenha vaga para um ex-jogador. – Ri fracamente, me afastando e apoiando a mão em seu peito.
- Conversamos isso depois, quando você se aposentar. – Ele pressionou os lábios em um sorriso. – Você logo vai estar de volta.
- Acho que não, chefa! – Ele suspirou. – Não mais... – Engoli em seco.
- Eu te amo, ok?! – Ele sorriu.
- Eu também! – Ele respondeu. – Mas eu não vou morrer, ok?! É só uma lesão. – Suspirei, assentindo com a cabeça.
- Eu me preparei muito para isso ano passado e acabei tendo uma surpresa doce-amarga, mas nunca esperei que você seria o próximo. – Ele riu fracamente.
- Eu sou novinho, eu sei, mas nem tanto. – Ri fracamente. – Agora chega! Ou eu vou começar a chorar aqui também. – Ele passou as mãos nos olhos e ri fracamente, olhando para Ada e ela assentiu com a cabeça.
- Eu vou deixar vocês a sós. – Falei e eles sorriram. – Mas repensa, ok?! – Ele riu fracamente.
- Está tudo bem. – Ele sorriu e senti uma mão em meu ombro e vi Chiello atrás de mim e ele me abraçou forte, me fazendo suspirar.
- Vai ficar tudo bem, chefa! – Ele disse e sorri, suspirando.
- VEM, PAI! – Ouvi o grito de Lou.
- Espera! Espera! – Saí correndo da cozinha com o balde de pipoca quando ouvi o hino da Champions e pulei no sofá, fazendo algumas pipocas caírem e me ajeitei entre Lou e Dado. – Aqui para vocês!
- Valeu. – Dado enfiou a mão no balde, pegando bastante antes de levar à boca e encostei as costas no sofá.
- DAI, JUVE! – Lou gritou e suspirei.
- Dai, ragazzi, vamos virar esse jogo. – Suspirei, vendo a câmera passar pelos jogadores do Atlético de Madrid e vi Morata entre eles. Hoje ele começava no line-up.
Depois de perder de 2x0 em Madrid, a Juve voltava para seu jogo de oitavas de final contra o Atlético em casa. Eles precisavam fazer o jogo perfeito se queriam passar, diferente do que fizemos em Paris. Eles precisavam ganhar e não deixar eles fazerem gols. Seria difícil.
- Eles precisam ganhar, papai! – Lou disse.
- Precisam. – Suspirei.
Eu não estava junto com o time, mas eu torcia muito para eles. A Juve tinha um tabu em volta disso. Fazia mais de 20 anos que não ganhava nenhum torneiro europeu, por muito tempo eu pensava que a maldição estivesse sobre mim, talvez eu estivesse certo, mas não importa. Eles precisavam ganhar, principalmente se essa besteira for real.
- PAI, OLHA! – Dado gritou e olhei para a televisão, vendo Fede no escanteio. Ele fez a cobrança e foi direto para nossa área. Após uma bagunça entre Leo, Chiello e o pessoal, Chiello chutou para o gol.
- GOL! – Gritamos juntos.
- Ou não... – Falei, vendo o juiz invalidar o gol.
- Por quê? – Lou disse, se aproximando da TV e fiz o mesmo.
O replay do lance passou e fiquei confuso se havia sido pelo Mario estar em posição de impedimento ou Ronaldo ter feito uma falta em Oblak antes do chute, de uma forma ou de outra, precisava parar.
- Não entendi também, filho. – Suspirei. – Ao menos eles começaram bem.
O jogo seguiu e era claro que estávamos atacando mais do que eles, mas o tempo passava e nada de sair mais gol. Aos 21, foi a primeira vez que o Atlético realmente conseguiu atacar, mas a bola passou bem longe de Tek, ele pulou mais pelo ritmo, mas não teve perigo nenhum.
- DAI, JUVE! – Lou gritou empolgado, enchendo a boca de pipoca e suspirei.
Conforme o tempo passava, eu sentia quase uma coceira, algo que me fazia querer estar lá com eles. Eu sei os motivos que me fizeram sair, mas depois da forma que tudo aconteceu, parecia tão idiota e eu só queria voltar! Voltar para Juve, voltar para Turim, voltar para , simplesmente voltar. Mas ainda falta dois meses. Só dois meses.
Aos 27, aquela fagulha de esperança voltou. Em um passe de bola erada para eles, Fede, que estava fora da grande área, fez um passe e Ronaldo, quase ao lado de Oblak, cabeceou e deixou-o atordoado, fazendo a bola entrar.
- GO-O-O-O-O-OL! – Gritamos juntos, fazendo algumas pipocas caírem pelo chão e os meninos se levantaram, pulando junto.
- Isso, gente! Dai, ragazzi! – Suspirei.
O agregado já estava em 2x1 e menos de 30 minutos de jogo. Era possível! Eles estavam bem-motivados, certeza de que Max ou falou algo sensacional para eles se empolgarem. Pena que Barza não estava ali. Depois do jogo de sexta-feira, conversamos e ele havia confirmado minhas suspeitas e o que falou: iria se aposentar. Era triste pensar que Barza se aposentaria antes de mim. Apesar da minha idade, eu pretendia continuar.
Aos 29, em uma cobrança de falta deles, Leo subiu para cabecear, mas Tek acabou segurando antes, fazendo a saída de bola. Aos 31, uma falta nossa, Fede bateu e subiu um pouquinho, indo para fora. Aos 34, quase um lindíssimo gol de bicicleta de Fede. Spinazzola mandou para dentro da pequena área e Fede subiu para tentar a bicicleta, ele conseguiu, mas a bola subiu muito alta.
- Uau! Seria lindo! – Dado disse.
- Seria mesmo. – Abracei-os de lado, suspirando.
Era bom demais ter meus meninos comigo. Faltava só Leo, mas Ilaria não estava facilitando tanto as coisas, falando que ele era novo demais para ficar muito tempo longe de casa, mas isso mudaria quando eu voltasse para Itália. Nem que eu mesmo o pegasse em Milão e depois o devolvesse, mas ela não me deixaria sem ver meu filho.
Aos 43, Ronaldo conseguiu se aproximar em um lance, mas a bola subiu demais. Eles estavam lutando. Isso era muito bom! O estádio não estava com grandes mosaicos e afins, mas a torcida parecia estar empolgada. Na cobrança de escanteio de Mira, Chiello conseguiu cabecear, mas subiu e deve ter chegado a relar na trave superior.
Aos 47, Morata finalmente conseguiu se aproximar e cabeceou, Tek também pulou com o possível gol, mas foi para fora. O primeiro tempo acabou sem a saída de bola de Tek. 1x0 era pouco para o primeiro tempo, eles precisariam recuperar no segundo.
- XIXI! – Dado gritou, me fazendo rir quando ele correu para o banheiro.
O intervalo passou e acabou focando nos jogadores treinando em campo. Gianni estava lá. O irmãozinho de estava entre os jogadores e aquilo me fez sorrir. Gianni tinha 20 anos? Algo assim? E estava tendo uma chance no time principal. Talvez não jogando, mas ao menos estava com os jogadores.
O segundo tempo começou e fizemos o primeiro ataque, mas não havia tido resultado. Ao menos medo eles estavam botando, mas precisava de mais um gol. Ao menos mais um e aí acabaria com os gols de vantagem lá de Madrid.
Foi eu pensar nisso que aconteceu. Em uma tentativa de ataque, Fede perdeu a bola e eles fizeram o contra-ataque, mas não conseguiram chegar, pois Ronaldo interceptou a bola. Ele passou para Spinazzola que se aproximou da grande área e passou para Pjanic fora da área. Ele repassou para Can que tentou passar para Ronaldo, mas recuou. A bola acabou em Cancelo que chutou. Ronaldo conseguiu cabecear, mas a bola voltou de Oblak em defesa, mas eles começaram a reclamar.
- PÊNALTI? – Lou se levantou animado.
- NÃO, GOL! – Dado gritou quando os jogadores correram para outro lado, comemorando.
Fiquei confuso com o replay, mas estava explicado, quando Oblak defendeu, a bola já estava dentro do gol, a tecnologia pegou. 2x0, a vantagem deles acabou e agora poderíamos começar o jogo de verdade.
- A ! – Lou gritou quando mostrou a animada no camarote, comemorando com Pavel e um largo sorriso apareceu em meu rosto. – Você viu, papai?
- Vi, amore! – Suspirei, puxando-o pela cabeça e dei um beijo em sua cabeça.
- Você a viu, papai? – Dado perguntou.
- Sim, ela veio no meu jogo na semana passada.
- Veio?! – Eles perguntaram juntos.
- Veio sim, ela veio me apoiar. – Suspirei.
- E como ela está? – Lou perguntou.
- Ela está ótima! Está linda, a barriga cada vez maior... – Sorri. – Em um mês e pouco a menininha dela nasce.
- Ela vai ser linda! – Dado disse.
- Como a ! – Lou disse.
- Ah, apaixonadinho! – Falei e ele riu fracamente.
- Não desse jeito, pai! – Ele disse, me fazendo rir. – Mas ela é linda. – Sorri.
- Eu sei, amore. – Suspirei.
- Você vai voltar? – Dado perguntou.
- Pretendo, mas não depende dela. – Suspirei.
- Como não? Achei que estava tudo certo. – Lou disse.
- Estava, se o Agnelli continuasse presidente, mas as coisas mudaram. – Suspirei. – Então agora eu vou pelas regras do time, mas Pavel está lá, ele deve me ajudar nessa.
- Você tem que voltar, pai! – Dado disse.
- É! O plano sempre foi esse! – Lou disse, me fazendo suspirar. – Você tem que voltar para o time, aí você volta para a e a gente ganha uma irmãzinha... – Ri fracamente.
- Como vai chamar o bebê da , pai? – Lou perguntou.
- Ela disse que não decidiu ainda. – Passei a mão em seus cabelos.
- Precisa ser um nome bem lindo!
- Que tal...
A voz de Dado sumiu para mim quando algo muito estranho aconteceu aos 69, Morata empurrou Chiello três vezes na linha, aparentemente proposital. E a bola nem estava com nenhum dos dois. Fiquei confuso, pois no replay pareceu que ele o empurrou, mas também pareceu que esticou a mão para ajudá-lo a levantar. No fim das contas, Pjanic o empurrou e Leo o conteve por alguns segundos.
- O que acha, pai? – Dado falou e virei para ele.
- Desculpa, filho. O que você sugere? – Perguntei.
- Ah, Chiara, Maria, Stella...
- Você quer dar o nome da sua avó para o filho da ? – Perguntei e ele riu fracamente.
- O nome da mãe da é Stella também, não é? – Ele falou e franzi a testa. – Eu li na revista. – Ele mostrou a Vanity Fair na mesa de centro e ri fracamente.
- É uma boa. – Sorri. – Por que você não sugere para ela? – Passei a mão em seus cabelos.
- Vou escrever uma carta e pedir para o Alessandro levar na próxima reunião de acionistas. – Ele disse do marido de Alena e ri fracamente.
- É uma boa ideia, amore. – Ele sorriu.
Aos 79, em uma cobrança de falta, Tek conseguiu segurar a bola com muita facilidade. Aos 82, Kean, que havia entrado após substituição de Mario, se aproximou e conseguiu fazer o chute, mas a bola literalmente passou lambendo a baliza do lado direito de Oblak. Seria o gol da classificação, porque do jeito que está, quem fizer gol, passa.
Aos 84, Fede se aproximou com sua rapidez característica e, quando entrou na grande área, ele foi derrubado, o juiz não pensou e deu o pênalti. Isso era incrível! Era perfeito! Era realmente o que estava esperando.
- ISSO! – Gritamos animados.
- AGORA VAI! – Falei, me levantando em um pulo.
Não teve tantos problemas do lado do Atlético, o pênalti era claro. Ronaldo fez a cobrança e Oblak e a bola foram para lados diferentes, fazendo a bola entrar. Hat-trick dele, 3x2 no agregado e 86 minutos no relógio. Só faltava mais quatro e os acréscimos, tudo podia acontecer.
Nos acréscimos, dava para sentir a energia deles, o estádio voltou a cantar, os jogadores eram abraçados por qualquer falta que sofriam e o árbitro parecia bem certo em suas decisões. Aos 94, Chiello foi derrubado dentro da grande área e Tek precisou tirá-lo, junto de Mira, para não ter nenhum problema, mas Chiello acabou fazendo uma graça básica, nada de novo.
Nos segundos finais do jogo, a câmera focou no camarote e em que apertava os ombros de Pavel na fileira de baixo. Quando o árbitro apitou, eles comemoraram e ela pulou em suas costas, me fazendo sorrir, e outros entraram no abraço deles. A câmera mudou rapidamente e o time inteiro estava enlouquecido. Eles se jogavam no chão, pulavam, comemoravam e isso era incrível.
Eu realmente queria estar lá.
- Você está feliz, pai? – Lou perguntou e virei para ele.
- Claro que estou, amore. – Sorri.
- É que você não está lá. E foi eliminado aqui. – Ele disse e ri fracamente.
- Você precisa apreciar a vitória dos seus amigos mesmo se não fizer parte dela. – Puxei-os para perto de si. – É difícil, mas precisamos ficar felizes por eles. – Eles sorriram, assentindo com a cabeça.
- Não é algo fácil, pai. – Dado disse. – Às vezes nosso amigo tem coisas mais legais ou fez coisas mais legais que a gente poderia fazer também. – Sorri.
- Sim, amore, é difícil mesmo, mas isso pode acontecer com vocês também, mas cada um tem seu tempo. Veja eu e a , nós tivemos tantos altos e baixos, talvez vamos ficar juntos só agora. – Falei, suspirando. – E está tudo bem. – Suspirei.
- ESTÁ TUDO BEM, A GENTE PASSOU! – Lou disse animado, me fazendo rir.
- É, mas sem comemorar muito, vocês já passaram do horário de dormir e precisam fazer as atividades que a escola mandou! – Falei, me levantando.
- AH, PAI! – Eles reclamaram juntos.
- Ah nada. Vamos! Vamos! – Falei, vendo-os rirem e olhei para a televisão por mais alguns segundos antes da transmissão mudar para o comentarista.
É o que dizem: fino alla fine.
Capitolo centoveintuno
Ouvi o despertador, desviando o rosto para a iluminação que vinha dele e suspirei, desligando-o. Eu já estava acordada há muito tempo, fosse por Sienna que estava incrivelmente agitada, pelos funcionários de Ignazio lá no quarto de Sienna ou pelos meus pensamentos que não paravam de me irritar e dessa vez nem era sobre o Gigi.
Ontem perdemos pela primeira vez no campeonato. Depois de 28 rodadas, perdemos para Genoa, um time que estava em décimo primeiro lugar na tabela e em uma péssima constância. O resultado foi de 2x0, mas o VAR anulou um gol de Paulino. Para ajudar, parece que a Lei do Ex insiste em acontecer, pois o primeiro gol veio de Sturaro. NOSSO Sturaro. Ao menos Perin fez um trabalho sensacional e deixou que menos gols chegassem nele.
Acho que foi realmente a única coisa que prestou da viagem de ontem, rever Sturaro. Ele ficou feliz em me ver grávida e ficou um bom tempo acariciando minha barriga e eu já estava chorando como uma manteiga derretida de novo. Ela precisava sair daqui de logo e meus níveis voltarem ao normal, porque até com uma derrota tonta daquelas, que não afeta em nada nossa classificação, eu chorei.
Mas tudo bem, dia 25 eu completaria nove meses e 39 semanas, mas a cesárea já estava marcada para o dia 13 de abril, caso ela não viesse por conta própria, o que eu esperava que acontecesse, estava dando tudo muito bem até agora.
Ontem foi a primeira vez também que eu precisei encarar a imprensa. Dar uma declaração sobre o time e tudo mais, e eu realmente não servia para falar as coisas ruins. Pavel falava das ruins e eu lidava com as boas, era assim e continuaria sendo, sem mais nem menos. Principalmente porque eu não podia ser sarcástica sempre e acho que meus hormônios estavam me deixando mais do que normalmente...
Levantei da cama, calçando os chinelos e fui direto para o banho. Deixei a água quente cair sobre meu corpo enquanto acariciava a barriga com o sabonete, sentindo Sienna já dar seus pequenos sinais de movimentação aqui dentro.
- Buongiorno, amore! – Suspirei, deslizando-a devagar. – Hoje prometo que o dia vai ser mais calmo, ok?! Os meninos vão para suas seleções, então as próximas duas semanas estarão mais calmas, prometo.
Beh, depois o campeonato continuaria, já sabíamos que o Ajax seria nosso adversário nas quartas da Champions, então realmente esperava que Sienna estivesse já aqui quando chegasse lá, porque com ou sem Gigi, minha pressão sempre aumentava nesses momentos, não imagino que vá ser diferente.
Deixei Sienna se acalmando e lavei os cabelos que estavam caindo mais do que o normal. Bem que a doutora Federica disse que isso aconteceria por conta dos hormônios, mas logo mais eu não teria mais cabelo na cabeça. Esperava que com o puerpério isso melhorasse, mas Sienna precisa sair daqui antes.
- Vamos para mais um dia, amore? – Acariciei a barriga ao desligar o chuveiro.
Saí do box com cuidado e me enrolei na toalha. Sequei os pés e voltei para o quarto, seguindo até o closet. Peguei uma calcinha e a vesti, me livrando da toalha. Olhei para as diversas opções de roupas e suspirei, estava cada vez mais difícil. Acabei escolhendo a tradicional calça estilo legging preta, um vestidinho soltinho até pouco abaixo dos joelhos e tênis branco nos pés. Não gostava muito desse estilo, mas era para o bem da Sienna.
Voltei para o banheiro, secando os cabelos e fazendo uma escova um tanto apressada, já que ficar erguendo o secador cansava meus braços, e segui para fazer a maquiagem igualmente simples. Acho que estava ficando meio rabugenta com tudo.
Terminei de me arrumar e pendurei a toalha de volta no banheiro antes de sair do quarto. O barulho da remodelação ficou mais alto, mas suspirei antes de seguir até lá. Sorri ao ver o quarto quase inteiro montado, as paredes haviam sido decoradas com tons pastéis de rosa, azul, verde e amarelo e nuvens como tema. Agora eles montavam os móveis.
- Buongiorno. – Falei um pouco mais alto e Ignazio virou para mim.
- Buongiorno! – Eles disseram e Ignazio veio em minha direção.
- Como está, ? – Ele me abraçou e trocamos rápidos beijos.
- Tudo bem e as coisas aqui?
- Está quase tudo pronto. Falta só os móveis. – Sorri.
- Está ficando tudo lindo. – Suspirei.
- Como quer os móveis? Da forma que dissemos? – Ele perguntou.
- Sim, sim, coloca a cama atrás da porta, o berço na diagonal, aí o trocador e o móvel aqui na parede da porta. – Indiquei tudo. – E a poltrona pode ficar ali no canto, perto da janela.
- Não quer o trocador da janela? – Ele perguntou.
- Não, não. Deixa assim mesmo, a gente já reduziu o cômodo pela metade e ainda ficou enorme. – Ele riu fracamente. – Talvez um cercadinho ou algo assim... – Dei de ombros. – Não estou com muito tempo para pensar.
- Cuida dela, o resto a gente se ajeita. – Sorri, passando a mão na barriga.
- Ela está bem. – Ele sorriu. – Beh, vou descer, bom trabalho para vocês.
- Te mando mensagem quando terminarmos. – Ele disse e assenti com a cabeça.
- Combinado. – Sorri, seguindo em direção às escadas, tomando o maior cuidado do mundo.
- Buongirono, signora. – Virei o olhar para Martha.
- Ciao, Martha... – Franzi a testa ao ver uma caixa enorme em cima da mesa da cozinha. – O que é isso?
- Entregaram agora pouco. – Ela disse e me aproximei da mesma.
- Tem remetente? – Perguntei, me aproximando até ela.
- Veio da França. – Ela disse e virei o olhar para ela, vendo-a sorrir.
- Gigi? – Perguntei baixo e ela deu de ombros.
Passei a mão na caixa e procurei pela etiqueta da mesma. Gianluigi Buffon, Paris, França. O que ele me mandou? Virei a caixa, sentindo-a pesada e vi um post-it preso do outro lado da caixa: “Achei sua cara quando vi, faça bom uso”.
- Martha? Me ajuda aqui, por favor? – Pedi.
- Claro! – Ela veio em minha direção e viramos a caixa pesada juntas e ela pegou a tesoura, me entregando.
Cortei os durex que a fechava e Martha me ajudou a abrir. A segurança de isopor o mantinha preso, mas as instruções estavam logo em cima, só precisei virar para vê-las. Era um berço... Mas também era um balanço que ficava preso no teto. Ele era quase de tricô.
- Ele é lindo! – Martha falou e sorri.
- É lindo demais. – Suspirei, vendo outro papel e peguei, vendo uma carta com a letra de Gigi.
“Ciao, .
Pensei muito no que eu poderia dar para você e sua pequena. Faz meses que eu só penso nisso, mas nada parece incrível o suficiente e você merece muito mais sempre. Isso é um berço que pendura no teto, imagino que já tenha um bercinho para sua menina, mas o vendedor disse que é mais para acalmar e algumas sonecas, não para dormir horas, porque a movimentação dele pode dar um pouco de enjoo ao bebê. Achei sua cara. Espero que faça bom uso.
Aproveitando, parabéns pela classificação, fiquei feliz demais com o resultado. Vocês são incríveis. Quem sabe chegue a uma final hoje?
Um grande beijo,
Eu te amo”.
- Ah, Gigi. – Suspirei. – É um balanço que pendura no teto. – Falei, tirando o isopor de cima e vi o detalhe em crochê bege. Ainda vai combinar com o quarto. – Segura aqui. – Falei, puxando a parte em cima e o tecido foi expandindo até ele sair da caixa.
- Uau! – Martha disse. – Isso é lindo.
- É maravilhoso. Vou montar já! – Suspirei. – IGNAZIO! – Gritei.
- OI?! – Ele gritou de volta.
- VEM CÁ! – Pedi e logo ouvi seus pés pelas escadas.
- O que foi? – Ele perguntou.
- Tem como a gente pendurar isso perto da janela? – Perguntei e ele se aproximou.
- Uau! Isso é diferenciado, hein?! – Ele disse rindo.
- Acabei de receber. – Falei e ele assentiu com a cabeça.
- Tem como sim, posso levar para cima e ver como funciona? Provavelmente vamos precisar de um peso equivalente no telhado.
- Claro, claro! – Peguei a carta de Gigi, dobrando-a e deixando-a de lado.
- Vou resolver isso. – Ele disse, fechando a caixa e sorri. – Alguém especial mandou?
- É! – Falei, ouvindo-o rir e empurrei-o de lado. – Chato! – Ele gargalhou antes de pegar a caixa e seguir para o segundo andar. – Beh, eu preciso comer algo.
- Preparei sua vitamina de banana, mamão, ovos e torrada. – Martha disse, colocando um prato na minha frente e ri fracamente.
- Ah, Martha. – Suspirei, me sentando na cadeira.
- Come tudo! – Ela disse colocando o copo junto.
- Você está cuidando muito de mim, viu?! – Ela riu fracamente.
- E vou continuar cuidando de você e da Sienna. – Ela disse, me fazendo sorrir.
- Falando nisso... – Estalei o dedo. – Nós precisamos conversar sobre isso.
- O quê, senhora? – Ela perguntou.
- Eu falei com o Pavel e disse que vou tirar 15 dias após o parto do trabalho em si, quando voltar eu vou reduzir a minha jornada para seis horas e devo voltar somente para jogos locais até o fim da temporada, ou jogos que voltaremos no mesmo dia, Milan, Inter, Sampdoria, etc... – Ela assentiu com a cabeça. – Por mais que eu pretenda levá-la para o trabalho comigo alguns dias, eu vou precisar de alguém para olhá-la nesses outros momentos. – Ela assentiu com a cabeça. – Queria saber se você tem interesse. Vou aumentar seu salário, fazer tudo conforme a lei implica, mas queria saber se você quer...
- Ter, eu até tenho, mas o problema são os horários, né?! – Ela suspirou. – Eu estudo à noite e você tem seus horários estranhos... – Rimos juntas.
- É verdade, não posso te pedir para trabalhar meia-noite, uma, duas da madrugada... – Suspirei.
- Posso te ajudar no começo, mas depois não tenho como. – Assenti com a cabeça.
- Não, sem problemas! Eu procuro alguém e peço ajuda da Giulia no começo. Eu te enchi o saco a voltar a estudar, você precisa finalizar isso agora. – Rimos juntas. – E está indo bem?
- Só notas acima de oito, senhora. – Sorri.
- Você tem um futuro incrível, Martha. Saiba que eu vou te ajudar no que você decidir. – Ela assentiu com a cabeça.
- Agradeço muito. – Sorri.
- Beh, eu vou comer, preciso ir para o time, pelo menos boa parte dos jogadores estão com suas seleções, então só tem o pessoal legal: Barza, Mario... – Ela riu fracamente e peguei o copo, virando um copo, suspirando com o leite gelado. – Hum, delícia! – Ela sorriu.
- Vou ver com o Ignazio se eu posso limpar o outro cômodo. – Ela disse e assenti com a cabeça, suspirando.
- Cadê o meu celular? – Virei para o lado e suspirei.
- Quer que eu traga? – A voz de Martha ficou mais alta.
- Não, logo subo de novo. – Falei, ouvindo-a rir fracamente.
- GOL! – Lou gritou e tombei a cabeça para trás.
- Ah, não acredito! – Falei rindo e meus três filhos gargalharam.
- GANHEI! GANHEI! GANHEI! – Lou disse e ri fracamente, negando com a cabeça.
- Ah, eu não vou passar por baixo.
- VAI SIM! – Os três falaram animados, me fazendo rir.
- Foi o combinado, pai! – Leo disse.
- Vai, pai! – Lou disse e olhei para ele.
- Ok, ok! Vamos lá! – Fingi me esticar, fazendo meus meninos rirem e Lou e Dado puxaram as cadeiras em volta da mesa.
- Precisa passar de cumprimento, hein?! – Lou disse e ri fracamente.
- Pega o celular! – Dado disse.
- NÃO! – Falei, ouvindo-o rir. – Não filma!
- Seria interessante. – Lou disse.
- Vai, pai! – Leo gritou e suspirei, olhando para meus três pestinhas que tinham largos sorrisos no rosto e vi o caminho aberto embaixo da mesa da cozinha.
- Ok, vou lá! – Falei, me abaixando e ouvi as risadas dos três quando me coloquei de quatro.
- PAI! PAI! PAI! – Os meninos começaram a gritar e engatinhei embaixo da mesa até o outro lado ao som dos meninos. – ISSO! – Eles aplaudiram quando me levantei, apoiando as mãos na mesa.
- Pronto! Promessa é dívida! – Falei, ajeitando a camiseta e eles gargalharam.
- Pai? – Leo perguntou.
- Sim, amore?
- Algo cheira mal. – Ele disse, fazendo uma careta.
- A LASANHA! – Eu e os meninos mais velhos falamos juntos e segui a passos rápidos até a cozinha e abri o forno, vendo um pouco de fumaça sair dela.
- Oh! – Abanei a mão e fui até a janela, abrindo-a mais.
- Acho que nosso almoço já era! – Dado disse e rimos juntos.
- Me dá as luvas, por favor. – Indiquei e Leo as pegou, me entregando e coloquei-as antes de tirar a lasanha borbulhante do forno e colocar nas bocas do fogão.
- Parece que queimou só embaixo. – Lou disse e desliguei o forno antes de fechar a porta.
- O que vocês acham? – Peguei uma faca, afundando-a na lasanha.
- Ah, nem está tão ruim. – Dado disse.
- A gente pode tentar comer. – Lou disse, me fazendo rir.
- Qualquer coisa tem sorvete! – Leo disse e viramos para ele, vendo-o com seu sorrisinho fofo e rimos com ele.
- Eu acho a ideia ótima! – Dado disse, nos fazendo rir.
- Ok, vamos para a mesa. Lou, refrigerante! – Falei e ele assentiu com a cabeça, abrindo a geladeira para pegar a garrafa de Coca-Cola. Peguei a lasanha e levei-a até a mesa arrumada que ainda tinha as cadeiras afastadas e Leo as aproximou uma a uma.
- Vamos come-e-e-er! – Dado disse animado, se sentando na cadeira.
- Vem, Leo! – Lou ajudou o mais novo a subir na cadeira mais alta.
- ‘Bigado! – Ele disse e Lou se sentou ao meu lado.
- Ok, agora é a hora da verdade. – Falei, pegando a faca para cortar a lasanha, sentindo dificuldade quando chegava lá embaixo.
- A gente deveria brindar, pai! – Lou disse, servindo os copos de refrigerante.
- A que você quer brindar? – Consegui tirar um pedaço de lasanha, colocando no prato de Dado.
- Ah, pai, não estão tão ruim! – Ele frisou, nos fazendo rir.
- A gente precisa brindar a você. – Lou disse.
- A mim? – Falei surpreso, servindo um pedaço menor para Leo e depois outro maior para Leo antes de me servir.
- É, é Dia dos Pais, não? – Ele disse e me sentei na mesa.
- É, mas eu estou feliz por estar com vocês. – Falei, vendo eles sorrirem. – E sou muito feliz por ser pai de vocês.
- Ah, pai! – Dado revirou os olhos, me fazendo rir.
- Não é mentira, gente! – Falei. – Agradeço muito pelo amor de vocês mesmo depois de tudo o que aconteceu.
- Ah, pai! – Leo disse e baguncei seus cabelos.
- Vamos brindar a esse dia, que tal? – Lou disse. – Por conseguir passar os três contigo.
- Está ótimo para mim. – Sorri, pegando meu copo e aproximamos de Leo que tinha segurava seu copo de plástico com as duas mãos.
- A você, a esse dia... – Lou foi falando.
- A vocês. – Falei firme.
- E a todas as coisas boas que podem trazer esse ano. – Dado disse.
- Bonito, filho. – Tocamos os copos e bebi um gole do refrigerante, vendo Leo bebendo de seu copinho.
- Ok, agora vamos comer! – Lou disse.
- Deixa eu cortar para você! – Peguei o prato de Leo e ele me estendeu os talheres menores dele. – Papai corta com o dele. – Cortei a lasanha dele em pedacinhos menores.
- Olha, pai, pegou embaixo, mas está gostosa! – Lou disse e ri fracamente.
- É, estou tentando tirar o queimado aqui do Leo. – Falei rindo.
- Deixa a casquinha! – Leo disse.
- É queimado, filho, não é gostoso. – Eles riram.
- Não está tão mal! – Dado falou e devolvi o prato para Leo.
- Come devagar, está quente.
- Bastante! – Dado disse, me fazendo rir.
Ajeitei meu prato e comecei a comer devagar, espiando devagar meus três filhos. Fiquei feliz por poder passar o Dia dos Pais na Itália, pena que eles tiveram que ir aqui na França para isso, mas era gostoso fazer algo diferente, principalmente em data FIFA que não tem nada do PSG, nada da Juve e nem todos os dias têm jogos das Nazionali. Com os meninos aqui eu consigo me distrair e ir aos treinos.
- Eu quero uma revanche depois! – Falei, olhando para Lou.
- Não! – Ele disse firme. – Não quero.
- Por quê? Medo de perder? – Brinquei e ele me mostrou a língua.
- Não, mas não quero perder meu posto. – Rimos juntos.
- Podemos jogar Mario Kart. – Dado disse.
- Eu quero jogar também. – Leo disse.
- A gente precisa jogar algo com ele. – Falei.
- A gente pode jogar o do dragão! – Leo disse e eu não tinha a mínima ideia do que era.
- Eu gosto do dragão. – Lou disse. – Combinado!
- Eba! – Leo comemorou, me fazendo rir.
- A gente joga o jogo do Leo, depois jogamos Mario Kart. – Dado disse.
- Depois minha revanche de pebolim! – Falei.
- Ah, pai! – Lou tombou a cabeça para trás, nos fazendo rir.
- Vai, Lou, se você é bom, ganha do pai de novo! – Dado o provocou.
- Ah, eu odeio vocês! – Ele disse, bufando e eu e Dado rimos juntos, trocando sorrisos cúmplices.
- Lou! – Leo o chamou, esticando seu copo.
- Fala! – Lou virou o rosto. – Mais Coca?
- Sim! – Ele disse.
- Eu também quero. – Dado disse e rimos da careta que Lou fez.
- Eu coloco! – Falei, pegando a garrafa de refrigerante.
- Não sei se é uma ideia ou...
- Você sabe que possui completa autonomia, Braghin. – Falei para ele. – Seja com o time feminino, seja com os infantis. Se você acha que uma mudança vai bem, posso colocar em votação no conselho na reunião de fim do mês. – Falei.
- Mas o que você acha disso? – Suspirei, apoiando as mãos na barriga.
- Como mulher, eu acho horrível o futebol feminino não ser regularizado ainda, então para mim tudo é errado. – Cocei a testa com a tampa da caneta. – Ao menos possuímos bons patrocinadores e eles nos ajudam a pagar salários das meninas. – Suspirei e ele assentiu com a cabeça. – Mas eu sempre vou concordar com o que for melhor para o time, qualquer time. – Ele assentiu com a cabeça. – Vamos fazer o seguinte, vou pedir para o pessoal de contabilidade fazer um orçamento rápido, com isso nós conversamos melhor o que é viável para melhorar em Vinovo com mais antecedência do que nosso cronograma, o que acha?
- Acho que você é um anjo. – Rimos juntos.
- Mal vejo a hora de poder construir um estádio para elas... – Suspirei.
- Uma coisa de cada vez. – Ele disse, me fazendo rir.
- É, o masculino demorou 114 anos, mas volta ao que eu falei: se o futebol feminino fosse mais valorizado, poderíamos usar o Allianz para elas também.
- É, mas os ingressos são bem mais baratos, o patrocínio não cobre... – Braghin falou e assenti com a cabeça.
- É. – Suspirei. – Vamos devagar. – Escrevi algumas palavras rapidamente em minha agenda. – Se nada mudar, falo contigo na semana que vem.
- Combinado, vou esperar para sua menina chegar logo! – Ri fracamente, passando a mão em minha barriga.
- Grazie. Se algo mudar sobre a regulamentação, só me falar, ok?! – Ele se levantou e fiz o mesmo, mais devagar, lhe esticando a mão.
- Combinado, . Obrigado por me receber. – Sorri, sentindo-o apertar. – Fique bem, sim?!
- Claro! Pode deixar! – Ele sorriu e seguiu para fora da minha sala, me fazendo suspirar.
Olhei para o relógio do computador e vi que passava das três da tarde. Ao menos as reuniões haviam acabado, agora eu só precisava checar algumas coisas e talvez eu pudesse descer no CT e matar o restante do dia ou passar o resto do dia com a minha família.
Passei os olhos para a agenda, vendo que precisava arranjar um espaço no orçamento para fazer uma reforma em Vinovo para melhorar o público para os jogos do time feminino. Era difícil que só três por cento do nosso orçamento fosse dedicado a elas, mas o futebol feminino não ser uma profissão em si, complicava mais ainda.
Desviei meu corpo para trás, ameaçando sentar novamente na cadeira, mas senti uma vontade louca de fazer xixi. Primeiro achei que fosse igual as diversas outras vezes a qual eu ia no banheiro a cada hora, mas dessa vez eu não consegui controlar, umedecendo minhas pernas e parte até vazou pelo tecido fino da legging.
- Cazzo! – Xinguei baixo, fazendo uma careta e apertei minha barriga, sentindo uma pontada. – Droga! Minha bolsa!
Ok, respira, ! Está tudo bem. Sua bolsa estourou! Isso é bom, é bom, não? Você não está com dor, não tem contrações ainda, mas acho que eu preciso ir para o hospital, ligar para minha médica. As coisas já estão no carro... Será que está faltando algo? Eu preciso falar com a Giulia e preciso que alguém me leve ao hospital, não tenho a capacidade de fazer isso sozinha.
Segui em direção à porta, sentindo meu caminhar de forma estranha e outra pontada me incomodou. Respira, ! Está tudo bem! Não tem dor, não tem contração. Você está bem, está com tempo.
- Sandra? – Perguntei após ouvir a porta devagar, caminhando até sua mesa e apoiando a mão nela.
- Sim, senhora? – Ela ergueu o olhar.
- Pavel está por aí? – Perguntei.
- Ele foi para o CT, senhora. Ele e o Paratici. – Ela disse.
- Ok, ok... – Abanei a mão. – E quem do time está aí? – Perguntei.
- Beh, deixa eu ver... – Ela disse e teclou algumas coisas no computador. – Pinso, De Sciglio, Barzagli, Rugani, Pjanic, Khedira, Can, Douglas e Mario.
- Ok, ótimo! – Soltei a respiração devagar, assoprando-a levemente. – Você chama eles e... Ai! – Reclamei de uma pontada. – Droga.
- Está tudo bem? – Ela se levantou apressada.
- Sim, sim! Está tudo bem. – Soltei a respiração devagar. – Mas minha bolsa estourou.
- O QUÊ? – Ela gritou, dando a volta na mesa e me contendo pelas costas.
- Eu estou bem! Eu estou bem! – Falei, sentindo-a me acompanhar até o sofá mais próxima. – Só preciso que alguém me leve para o hospital. – Falei, soltando a respiração. – Barza, Mario, Pjanic, Khedira, Pavel... Qualquer um.
- Eu vou ligar para eles! – Ela disse apressada e eu me sentei, soltando a respiração fortemente.
- Está tudo bem, sem estresse, eu estou bem... – Soltei a respiração devagar, passando as mãos na barriga. – Certo, Sienna? Você está bem...
- PAVEL? – Ouvi a voz dela, me fazendo rir fracamente. – A VAI DAR À LUZ!
- E eu falei com calma. – Falei baixo, rindo em seguida.
- ISSO, VEM LOGO! E TRAZ O BARZAGLI! – Ela disse, desligando o telefone e suspirei.
- Aposto que ele chega antes. – Falei, suspirando.
- Está tudo bem? Precisa de alguma coisa? – Sandra voltou em minha direção. – Seu telefone? Sua bolsa?
- Ah, seria bom... – Falei e não deu tempo de eu terminar a frase, vendo-a sair correndo para dentro da minha sala e ri fracamente.
Acho que as pessoas estão mais surtadas do que eu.
- Aqui! – Ela voltou com minha bolsa e apoiei-a ao meu lado, procurando pelo meu celular.
- Acho que está na minha mesa. – Suspirei e ela entrou na mesma novamente, voltando com meu aparelho em mãos. – Ah, grazie. – Suspirei, pegando o mesmo. – O Trezeguet está por aqui?
- Acho que sim. – Ela disse, dando à volta na mesa novamente.
Soltei a respiração devagar, sentindo minhas mãos tremerem um pouco e parecia que eu estava sem digital, pois nada acontecia na tela, me deixando frustrada e tentando cada vez mais apertar com força.
- Cazzo!
- Ele não está! – Ela disse e suspirei.
- Tudo bem, a Giulia liga para ele depois... – Parei de falar ao ouvir passos rápidos pelas escadas.
- MANA! – Gianni foi o primeiro a aparecer em meu campo de visão.
- !
- !
- Ei, amore. – Ele se ajoelhou em minha frente e vi literalmente todo o time que estava aqui em Vinovo aparecer em minha visão.
- Como você está? – Ele perguntou.
- Eu estou bem. – Suspirei. – A bolsa só estourou.
- Como você está? – Barza, Mario e Pinso se aproximaram.
- Está tudo bem, a bolsa só estourou, mas eu estou sem dores... Sem dores fortes. – Falei, fazendo uma careta com outra pontada.
- O que fazemos? – Barza perguntou rapidamente. – Você quer que ligue para alguém? Te leve ao hospital?
- CALMA! – Gritei. – Sem surtos desnecessários, por favor! – Pedi firme, respirando fundo. – Eu preciso que alguém ligue para minha família...
- Já mandei mensagem para Giu. – Gianni disse.
- Preciso que alguém ligue para minha médica...
- Qual o nome dela? – Mario pegou o telefone da minha mão.
- Federica Scalli. – Ele assentiu com a cabeça, se afastando.
- Chegamos! – Pavel, Allegri e Filippi apareceram.
- Uau, vocês demoraram! – Pinso falou, nos fazendo rir.
- Não estão tão em forma! – Brinquei e Filippi veio em minha direção.
- Está tudo bem? – Ele perguntou, apoiando a mão em minha cabeça.
- Está tudo bem. – Suspirei, soltando a respiração devagar. – Só preciso ir para o AOU.
- Ok, vamos lá, então! – Barza bateu as mãos fortemente.
- Você não vai me levar sozinho, Barza. – Falei e ele riu fracamente.
- Eu te ajudo. – Pinso disse.
- Ok, vamos lá, apoia nas costas e segura as pernas...
- Eu acho que consigo andar... – Falei, vendo ambos se aproximarem.
- Você acha? – Ruga perguntou.
- Ah, me levem vai. – Suspirei. – Minhas chaves estão na bolsa.
- Ok, aqui. – Barza disse e ele e Pinso apoiaram os braços em minhas costas e nas dobras dos meu joelho antes de me levantar e passei os braços nos ombros deles.
- Estou com as chaves. – Sami disse.
- Ok, agora vamos logo, porque parece que eu quero fazer xixi de verdade agora. – Falei, soltando a respiração devagar e senti os dois começarem a andar.
- Fala, mãe! – Ouvi a voz de Gianni que andava ao nosso lado enquanto atravessávamos os corredores do último andar. – Isso! Está tudo bem... MÃE, SE ACALMA!
- Ah, me dá aí. – Falei e ele colocou o telefone no viva-voz.
- GIANNI, SE VOCÊ NÃO ME RESPOND...
- GIO! – Falei mais alto.
- ? – Ela disse.
- Sim, tia, sou eu...
- MANA, COMO VOCÊ ESTÁ? – A voz de Giulia se sobressaiu.
- Eu estou bem, estou indo para o hospital, me encontrem lá. – Falei.
- Você tem suas coisas? – Giovanna perguntou.
- Sim, eu tenho. – Soltei a respiração devagar. – Minha bolsa e do bebê estão na mala do carro faz tempo. – Senti minha voz alterar conforme o defensor e o goleiro desciam as escadas.
- Ok, estamos indo lá! – Giulia disse e chegamos ao térreo.
- Vamos trazer meu sobrinho ao mundo! – Gianni disse animado.
- Nem vem, é meu! – Barza disse, me fazendo rir.
- É de todos vocês, mas é afilhado do Pietro. – Falei, vendo Gianni abrir a porta do meu carro.
- Ok, devagar agora... – Barza disse e coloquei os pés no chão.
- Eu consigo entrar agora. – Falei, me sentando no banco do lado do passageiro.
- Coloca o cinto. – Pinso disse.
- Eu dirijo! – Mario disse.
- Eu vou também. – Barza disse. – Vem, Gianni! – Ele chamou meu meio-irmão.
- Filippi, você vem comigo? – Pedi e ele abriu um largo sorriso.
- É claro! – Ele seguiu rapidamente para o carro.
- Te encontramos lá! – Pavel disse e assenti com a cabeça.
- NÃO NASÇA ANTES DA GENTE CHEGAR! – Douglas gritou, me fazendo rir fracamente e a porta se fechou.
- Todos dentro? – Mario disse e Gianni segurou minha mão.
- Sim! – Barza disse e ouvi o barulho do motor.
- Ok, vamos trazer essa princesa para o mundo! – Mario disse e respirei fundo, segurando no apoio de mão.
- Está tudo bem? – Gianni me perguntou baixo e assenti com a cabeça.
- Sim, só sinto uma pontada um pouco mais longa. – Suspirei.
- Tem certeza de que foi a bolsa que estourou? – Mario perguntou.
- Ou foi a bolsa, ou fiz xixi sem cheiro. – Falei, ouvindo suas risadas.
- Vai devagar, Mario! Não precisa fazer o bebê nascer no carro também! – Barza disse, se segurando no carro, me fazendo rir fracamente.
- Está tudo bem, gente. – Suspirei, levando a mão na barriga. – Mas não me importaria de ir mais rápido...
- Por quê? – Barza desviou de Gianni para eu vê-lo.
- A Sienna está quieta, isso não me parece algo bom.
- OK, VAMOS LÁ! ABRE ESSE SINAL, CAZZO! – Mario gritou e soltei a respiração devagar.
Apesar de Mario parecer um motorista de Velozes e Furiosos e a cidade estar mais vazia, ainda demoramos uns 20 minutos para chegar no Azienda Ospedaliero Universitaria Città della Dalute e della Scienza di Torino, mesmo hospital que eu havia feito minha cirurgia da tirada do ovário e do tumor do câncer. Mario parou no embarque e desembarque.
- Eu pego a cadeira de rodas. – Filippi disse, pulando assim que o carro parou e soltei a respiração devagar, vendo a porta ao meu lado se abrir e vi Barza.
- Está tudo bem? – Ele perguntou, passando a mão em minha testa que estava suada.
- Estou bem. – Assenti com a cabeça.
- Vamos trazer essa menininha ao mundo, sim? E começar a dar solução aos problemas. – Ri fracamente.
- Vou tentar. – Ele sorriu.
- Aqui! – Barza deu licença e vi uma enfermeira aparecer em meu campo de visão.
- ? – Ela perguntou.
- Sim! – Saí do carro devagar, me sentando na cadeira.
- Sua médica ligou, ela logo chega. – Assenti com a cabeça, suspirando devagar.
- Vamos lá, mana! – Gianni disse.
- Vai com ela, Filippi? – Barza perguntou.
- Você não vai? – Virei para ele.
- Vou ligar para Ada e estacionar com o Mario. – Ele disse e assenti com a cabeça. – Tudo vai ficar bem, ok?! – Ele disse e soltei a respiração devagar, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.
- Estaremos lá contigo, . – Filippi disse e assenti com a cabeça, segurando sua mão.
- Ok, vamos lá! – Soltei a respiração devagar, sendo levada para dentro.
- Lou, chega de bater a bola na parede, o apartamento é alugado! – Falei.
- Eu amo seu apartamento, pai, mas não dá para bater bola! – Ele disse e ri fracamente.
- Em Turim tem espaço o suficiente, só mais um pouco. – Falei, vendo Leo brincando no chão da sala.
- Você vai voltar para Turim, pai? – Leo perguntou, erguendo seu rosto para mim e suspirei.
- Vou sim, meu amor. No meio do ano.
- Você não vai morar comigo? – Ele perguntou e escorreguei o corpo no sofá e me sentei atrás dele, deixando-o entre minhas pernas.
- Não vou mais, meu amor. Eu e a mamãe não estamos mais juntos.
- Por que não? – Suspirei, apoiando o queixo em sua cabeça.
- São coisas que acontecem na vida, meu amor. Às vezes duas pessoas não dão certo. – Falei.
- Ou às vezes a pessoa é uma putt...
- LOU! – O repreendi que resmungava. – Por favor. – Falei baixo. – Ele não merece...
- Scusi. – Ele disse, suspirando.
- E você vai morar com quem? – Ele perguntou.
- Por enquanto eu vou morar sozinho. E vocês vão me visitar sempre. – Falei baixo, vendo-o encaixando as formas na caixa. – Vai ser mais fácil do que aqui.
- Mas você não pode ficar sozinho! – Ele disse e sorri.
- Não vou estar sozinho, amor. Tudo vai ficar bem. – Suspirei, passando a mão em seus cabelos lisos.
- E vai ficar com quem? – Ele perguntou e ri fracamente.
- Uma mulher muito legal, que ama muito vocês três.
- Ama mesmo! – Lou disse, se jogando no sofá, me fazendo rir fracamente. – Nós quatro, deixando claro.
- Bobo! – Dei um tapa em sua perna, vendo-o rir.
- E a gente vai te ver sempre? – Leo perguntou.
- Vai, meu amor. E eu vou fazer questão de ser muito mais do que era aqui, porque lutei muito por isso.
- Vai ser legal! – Ele disse.
- Vai sim, amor. – Dei um beijo em sua cabeça.
- Ok, acho que acabei. – Dado disse, aparecendo no corredor.
- O que estava fazendo? – Virei o rosto para ele. – Trabalho?
- É, eu tinha que fazer uma redação para aula de italiano. – Ele disse entediado, deixando a redação na mesa. – Precisava escrever da pessoa mais famosa que eu conheço.
- Escreveu sobre mim? – Perguntei sorrindo e ele revirou os olhos.
- Não! Escrevi da . – Meu sorriso sumiu, mas ponderei com a cabeça.
- Muito esperto! – Ele riu fracamente. – O que escreveu dela?
- Ah, nada demais, só que ela é presidente da Juventus e amiga do meu pai. Não é difícil de acreditar, né?! – Ele deu de ombros.
- Já enviou?
- Não, Lou, dá uma olhada? – Ele esticou o papel para Lou.
- Claro! – Meu mais velho se levantou.
- E eu não posso olhar? – Perguntei.
- Não, não quero! – Ele disse envergonhado, me fazendo rir.
- Nós precisamos pensar na janta. – Falei. – Vocês querem comer algo aqui? Querem sair?
- Eu quelo quepe! – Leo disse.
- O que você quer, amore? – Abracei-o.
- Quepe! De nella! – Franzi a testa.
- O quê?
- Crepe de Nutella! – Dado disse, se jogando onde antes estava Lou.
- Hum, gostoso, hein?! – Fiz cócegas em Leo que gargalhou.
- A gente pode dar uma volta e comer na rua, o que acha? – Lou perguntou. – Sei que é chato com paparazzi em cima, mas não temos mais o que fazer aqui em casa e hoje ainda é quarta-feira.
- A gente pode ir na Torre, né?! – Dado disse.
- Eu deveria levá-los em um museu, ganhar algum crédito nas aulas de história da arte. – Eles riram.
- Ah, pai! – Os mais velhos reclamaram, me fazendo rir.
- Ei, eu aprendi a gostar de arte tarde, mas vocês poderiam começar mais cedo. – Falei, vendo-os rirem.
- Não mesmo! – Lou disse.
- Ao menos no museu vocês teriam o que fazer, o que querem fazer na Torre? – Perguntei.
- Dá para gente sentar, fazer piquenique, tirar foto... – Fiz uma careta. – É legal, vai! – Dado disse.
- Eu gosto de iquetique! – Leo disse, me fazendo sorrir.
- Está bom, Dado, só corrigi dois errinhos mais feios. – Lou disse, se levantando da mesa da sala.
- Ok, é o que vocês querem? – Perguntei.
- Sim! – Os três falaram juntos.
- Ok, vamos nos arrumar, então! – Falei, me apoiando no sofá para me levantar. – Vocês dois coloquem boné, tênis e passem bastante protetor solar. Não quero devolvê-los parecendo uns camarões para sua mãe. – Eles riram, seguindo para o quarto.
- Me ajuda, pai? – Leo perguntou.
- Claro que sim. – Ajudei-o a se levantar. – Vai indo lá que eu já vou. – Disse e ouvi seus passinhos rápidos pelo corredor.
- Ah, Lou, sai daí! – Dado gritou e ouvi as batidas na porta do banheiro, me fazendo rir fracamente.
Vi a redação de Dado na mesa e virei-a discretamente para mim, vendo sua letrinha garranchada ainda.
“A pessoa mais famosa que eu conheço é a , atual presidente da Juventus. Ela é muito legal e uma grande amiga do meu pai. É engraçado eu falar que ela é mais famosa do que meu pai, talvez não, mas ela é tão incrível e tão legal comigo que eu tinha que falar dela.
Ela está na Juve há muitos anos. Começou como estagiária e virou presidente. A conheço desde que nasci, apesar de não me lembrar, e ela gosta muito de mim e é muito legal com a gente...”
- Ei, sem olhar! – Dado tirou o papel da minha frente, me fazendo rir fracamente.
- Só checando se não escreveu nada comprometedor. – Falei e ele riu fracamente.
- Nunca que eu faria isso, pai! – Ele disse. – Mas mal vejo a hora de poder falar que ela é minha madrasta. – Suspirei, bagunçando seu cabelo.
- Se Deus quiser, será em breve, meu amor. – Ele sorriu.
- Vai dar certo, pai! O que importa é que você sabe que errou, então sabe o que corrigir. – Assenti com a cabeça.
- E vou passar minha vida inteira corrigindo, demore o tempo que for. – Ele sorriu.
- A gente te dá uma força! – Ele disse, me fazendo sorrir.
- Pa-a-a-ai! – Leo gritou e ri fracamente.
- Já volto! – Falei e ele assentiu com a cabeça. – Passou protetor?
- Estou esperando a Cinderella sair do banheiro. – Ele disse.
- Vai no meu! – Falei e ele assentiu com a cabeça, seguindo correndo para o meu banheiro e fui em direção ao outro quarto, vendo Leo com os tênis na mão.
- Me ajuda? – Ele pediu e quase desmaiei com a fofura.
- Ajudo, meu amor. – Suspirei, me aproximando dele.
- Olha! Eu amo todos vocês, mas minha vagina está restrita para as enfermeiras e os médicos! – Falei firme. – Da direita para fora! – Apontei para porta, ouvindo a enfermeira rir quando abaixou o pano novamente.
- Acredite, , se ela estivesse realmente restrita só a isso, nós nem estaríamos aqui. – Mario disse e lhe estiquei o dedo do meio.
- Há, há, há! Engraçadinho. – Os meninos gargalharam.
- Só avisando, na hora do parto não tem como deixar todo mundo aqui, ok?! – A enfermeira falou e assenti com a cabeça.
- Ainda bem! – Disse e Barza fez uma careta. – Como estamos?
- Três ainda. – Assenti com a cabeça. – Como está?
- Eu estou bem... – Soltei a respiração devagar.
- Seus sinais estão ótimos também, vamos continuar assim. Já volto. – Assenti com a cabeça, vendo-a desviar de todos os jogadores na sala e sair.
- Será que vamos ficar aqui a noite toda? – Barza disse, apoiando a mão em minha testa e ri fracamente.
- Vocês podem ir para casa, sabe? – Falei e ele sorriu.
- Eu sei, mas você realmente acha que vamos perder a chegada de um milagre? – Ele piscou e sorri.
- Ligou para Ada?
- Sim, ela vai sair da clínica e vir. – Assenti com a cabeça.
- Que horas são? – Perguntei.
- Quase seis. – Suspirei, tombando a cabeça para trás.
- Ai, vai um tempo ainda.
- FILHA? FILHA? – Barza se afastou e vi Giovanna entrando rapidamente no quarto junto de Giulia, Fabrizio e Pietro.
- Gio! – Sorri e ela se colocou ao meu lado.
- Ah, meu amor!
- Eu estou bem! Ela ainda não nasceu. – Falei e ela sorriu, dando vários beijos em minha testa.
- Você deu um susto enorme na gente.
- Por que demoraram tanto? – Gianni se levantou da cadeira do meu outro lado.
- Não conseguimos fechar a loja, e o David não estava em casa, foi uma bagunça. – Giulia disse, vindo ao meu lado.
- Está tudo bem, eu estou bem. – Suspirei.
- E que festa é essa? Sienna já vai nascer com festa? – Fabrizio disse e ri fracamente.
- Não é culpa minha se a bolsa estourou no time. Ao menos não tinha o elenco inteiro. – Falei e ele deu um beijo em minha testa.
- Como estamos? – Pietro perguntou.
- Lento ainda. – Suspirei e ele apertou minha mão.
- Quero minha afilhada bem, ok?
- Eu vou ter que brigar com o Pietro para ser padrinho dela? – Barza falou.
- Barza, você não vai ser o padrinho dela! – Falei firme e ele bufou. – Já conversamos sobre isso.
- É! – Pietro falou firme e ri fracamente.
- Está tudo bem, querida? – Gio perguntou.
- Sim, estou bem. – Suspirei. – Ficando com fome, mas bem.
- Será que pode comer algo? – Ela perguntou.
- Tudo depende se ela chegar logo ou não. – Suspirei.
- E a médica? Já che...
- Uau! – Eu e todos as pessoas no meu quarto viramos o rosto para a porta e vi minha médica entrando.
- Falando nela. – Disse e Gio riu. – Ei, doutora! – Falei.
- Scusi! – Ela disse, chegando perto de mim. – É o banco de reservas da Juventus ou... – Ela se aproximou.
- A bolsa estourou no time. – Falei, ouvindo-a rir.
- E como você está? Parece que está calma ainda? – Ela perguntou.
- Contratação a cada 11 minutos. – A enfermeira disse. – Pressão 12 por nove, batimentos por volta dos 110, dilatação de três centímetros.
- Parece que está tudo bem calmo aí, não? – Ela disse e ri fracamente.
- Acho que até demais. – Suspirei. – Só vim porque a bolsa estourou. – Ela assentiu com a cabeça.
- Você quer continuar com o parto normal? – Ela perguntou.
- Sim, se possível, quero sim. – Ela afirmou com a cabeça.
- Perfeito. Nós vamos precisar esperar então, ok?! – Ela disse. – Vamos acompanhando a cada minuto, até ter a dilatação completa. Se não tiver, ou sua pressão aumentar, vamos para cesárea. Não quero longos trabalhos de parto, sua gestação aconteceu muito bem até agora e a Sienna está encaixadinha.
- Tudo bem, doutora. O que for melhor. – Ela assentiu com a cabeça.
- Vamos fazer um ultrassom só para ver se está tudo bem aí? – Ela perguntou.
- Sim, por favor. – Suspirei.
- Gente, vamos dar uma licença, por favor? – A médica disse e ri fracamente. – Só para fazer os exames.
- Estaremos lá fora. – Barza disse e assenti com a cabeça.
- Minha família pode ficar? – Perguntei e ela olhou rapidamente para trás.
- Claro, claro! – Ela disse e vi a enfermeira empurrar o ultrassom para mais perto.
- Eu estou preocupada que ela não está se mexendo, doutora. – Falei. – Ela costuma ser bem agitada.
- Ah, não é anormal, com a bolsa estourando, ela sabe que logo precisará sair, então tem toda preparação do corpo. – Ela abriu a roupa que eu usava do hospital, tomando cuidado para meus seios não ficarem a mostra e suspirei quando senti outra pontada.
- Ah, contração. – Falei, apertando as mãos na barriga, mantendo o indicador para cima devido ao medidor de saturação e soltei a respiração devagar, pressionando os olhos.
- Respira. – Ela disse. – Respira...
- Ok, ok... – Suspirei, sentindo a mão de Pietro acariciar minha testa suada e sorri da melhor forma para ele.
- Vamos que vamos! – Ele disse e dei um beijo em sua mão tatuada.
- Vamos lá! – Assenti com a cabeça e senti o gelado do gel em minha barriga. – Ah, ela está bem. – Ela disse e virei o rosto para a tela do computador e ela apertou um botão que fizesse os batimentos saírem pela máquina. – Ouve? – Ela disse.
- Sim... – Sorri.
- Ela está bem. – Ela sorriu. – Essa calmaria é normal, mas ela está bem ainda. – Assenti com a cabeça. – Mas precisamos de mais dilatação, vou te dar alguns remedinhos e vamos ver se isso agiliza o processo, pode ser? – Assenti com a cabeça.
- Tudo natural, né?! – Perguntei.
- Sim, tudo natural. – Ela disse, afastando o aparelho e me entregou um papel toalha, o qual eu passei delicadamente na barriga.
- Tudo bem, então. – Ela assentiu com a cabeça.
- Ah, , apesar de adorar esse amor em volta de você, somente duas pessoas na hora do parto, pode ser? – Ela perguntou e minha boca abriu levemente, ficando sem som e olhei rapidamente entre as cinco pessoas muito importantes para mim ali no quarto.
- Três? – Perguntei, fazendo uma careta. – Pode ser três? Sabe, gêmeos valem como um. – Falei rapidamente, pensando em meus irmãos.
- Ok... Três. – Ela sorriu e assenti com a cabeça. – Logo volto. – Ela disse e suspirei, vendo-a sair do quarto.
- Ei, doutora! – Chamei-a e ela se virou. – Posso comer algo?
- É melhor ficar só no líquido agora para não ter nenhum acidente. – Rimos juntas e assenti com a cabeça, vendo-a se retirar.
- Três? – Giovanna perguntou.
- Vocês se importaram se eu ficar só com a Giulia e os meninos? – Fiz uma careta e ela sorriu.
- Claro que não, minha querida. – Ela acariciou meu rosto. – Estaremos do outro lado da parede e vamos entrar assim que acabar. – Assenti com a cabeça.
- E a gente vai dar todas as informações privilegiadas quando esse momento chegar. – Giulia disse e assenti fracamente.
- Eu estou assustada. – Assumi, suspirando.
- Por quê? – Gianni perguntou.
- Sei que não fiz a coisa certa em esconder isso do Gigi, mas agora, tão perto de...
- Não! – Giulia disse firme. – Você não vai pensar nele agora! Já foi! – Ela falou.
- Filha, por favor...
- Não, mãe! Ela não pode ficar pensando nisso agora. – Giulia disse. – Não é o momento... – Suspirei. – Não pensa nisso, . Não vale à pena. – Neguei com a cabeça, levando as mãos até a barriga e fechei a roupa novamente. – Você escolheu isso, agora vamos até o fim. Ok?! – Assenti com a cabeça.
- Ok... – Falei fracamente.
- Oi, posso entrar? – Virei na porta, vendo David colocando Kawan em sua frente.
- Titia-a-a! – Ele disse animado, sacudindo as perninhas e David o trouxe para mais perto. – A Nena vai chegar? – Sorri, vendo David o colocar ao meu lado na cama.
- Vai sim, amore.
- A gente pode ver? – Ele perguntou.
- É melhor não. – David disse, me fazendo rir fracamente. – Como você está? – Assenti com a cabeça.
- Eu estou bem! – Sorri. – Bem calma ainda.
- Vamos continuar assim, então. – Assenti com a cabeça.
- Sim, tomara. – Suspirei, vendo a médica entrar novamente.
- Oh, tem mais! – Ela disse, me fazendo rir fracamente.
- Família italiana, sabe? – Falei e ela riu.
- Vamos tentar agilizar esse processo? – Ela disse e assenti com a cabeça.
- Vamos lá! – Falei baixo, suspirando, levando minhas mãos à barriga mais uma vez.
- Eu falei que ia ser legal! – Lou disse gargalhando.
- Ah, claro! Foi superlegal! – Dado disse sarcasticamente. – Eu derrubei meu sorvete e ainda ralei o joelho.
- Ah, mas só porque você tropeçou! – Lou disse.
- Foi engraçado! – Leo disse, me fazendo rir.
- Valeu, pai! – Dado disse e todos rimos novamente.
- Nos divertimos, filho. Eu faço um curativo quando a gente chegar em casa. – Falei. – E todo mundo vai tomar banho.
- Ah, pai! – Eles reclamaram.
- Ah, nada! Já passam das oito. Quero todo mundo de banho tomado, dente escovado e pronto para dormir. Se quiserem ficar jogando videogame, tudo bem, mas prontinho para dormir. – Falei, guiando o carro até a entrada do prédio, vendo a garagem ser aberta sem maiores.
- Eu tô com sono. – Leo falou e observei meu mais novo pelo espelho retrovisor.
- Te ajudo com o banho e te coloco lá na cama do papai. Está bem? – Ele assentiu freneticamente com a cabeça e sorri.
Guiei o carro pelo estacionamento subterrâneo do prédio e estacionei o carro no meu espaço. Lou saiu ao meu lado e Dado logo atrás. Desliguei o carro, guardando a chave no bolso e abri a porta de trás, vendo Leo já solto do cinto e ajudei-o a sair da cadeirinha antes de pular no chão e correr atrás de Dado que lhe deu a mão.
Peguei as compras no porta-malas, inclusive algumas besteiras para eles comerem e tranquei o carro. Segui junto dos três até o elevador e Lou o segurou até eu chegar lá. Apertei o botão do último andar e não demorou muito para chegarmos. Entreguei a chave para Lou que saiu na frente para destrancar a porta.
- Ok, eu vou dar banho no Leo...
- Eu consigo fazer sozinho, pai! – Ele disse manhoso.
- Ok, eu vou acompanhar o banho do Leo, e um de vocês usem o outro. – Falei.
- Eu vou antes! – Dado disse.
- Lava bastante esse joelho, viu?! – Falei. – E depois já me dá a roupa que eu vou ver se não rasgou.
- Acho que não! – Ele disse, me fazendo rir fracamente.
Os três seguiram para o corredor dos quartos e deixei as sacolas na mesa de jantar antes de trancar o apartamento. Acho que não sairíamos mais hoje. Eu tinha treino amanhã só na parte da tarde, mas com esses pestinhas com uma energia enorme, eu precisava representar enquanto estava com eles.
- Pai, você esqueceu seu telefone aqui? – Lou perguntou, colocando a cabeça para fora do quarto deles.
- Sim, por quê? – Perguntei, abrindo os botões da blusa.
- Porque eu acho que está apitando. – Ele disse e suspirei.
- Ah, quem será essa hora? – Perguntei, seguindo até meu quarto, vendo Leo entrar no banheiro só de cuequinha. – Deixa a porta destrancada. – Falei.
- ‘Tá bem! – Ele disse e o vi entrar na mesma, deixando a porta entreaberta.
Peguei o celular, vendo que nada tocava e me sentei na cama. Desbloqueei-o e vi que não tinha nenhuma chamada perdida. Puxei as notificações e vi que tinha algumas das redes sociais e tinha algumas mensagens.
- Não é ligação, filho, é mensagem! – Falei, vendo que tinha três mensagens de Barza.
“A bolsa da estourou, estamos no hospital” – Arregalei os olhos.
“Mandaram todo mundo sair que o parto vai começar”
“CADÊ VOCÊ?”
- LOU! – Gritei.
- O QUÊ?! – Ele apareceu rapidamente.
- O bebê da vai nascer.
- O QUÊ?! – Ele veio correndo e comparei as horas nas mensagens. A primeira veio as quatro, as segunda as oito e outra há uns 10 minutos.
- A bolsa dela estourou, o bebê vai nascer! – Falei, me levantando apressado e digitei para Barza.
“Estou aqui! Meus filhos estão aqui, não fiquei perto do celular!” – Enviei, respirando fundo.
- Ela está bem? – Lou perguntou.
- Parece que sim, ele falou que quatro horas estavam no hospital. – Disse.
- Quatro horas e meia já! – Ele disse e suspirei.
- Por favor, Deus, que dê tudo certo. Que dê tudo certo! – Falei baixo, suspirando.
“Ela está lá dentro ainda, estamos aqui fora”. – Barza disse e logo uma foto foi carregada.
Era um corredor de hospital, reconheci Giovanna e Fabrizio, além de Treze, Kawan, Mario e Pinso jogados no chão. Um sorriso enorme se abriu em meu rosto. Eu queria estar lá, mas ela estava bem acompanhada.
“Feliz que estejam com ela”. – Enviei.
“Todo mundo que não está lesionado ou em compromissos internacionais estão aqui, além do Pavel, Allegri e Filippi”. – Sorri.
“Cuida da minha garota, ok?” – Pedi, suspirando.
“Promessa é dívida”. – Ele respondeu e eu suspirei.
“Vai me avisando, por favor”. Enviei novamente.
- Como ela está? – Lou perguntou.
- Ela está lá dentro, está em trabalho de parto. – Suspirei.
- Vai dar tudo certo, pai! – Ele disse e assenti com a cabeça.
- Fica de olho no seu irmão, por favor? Rapidinho. – Pedi.
- Claro! – Ele disse, se sentando na minha cama e deixei meu celular, seguindo até a sala principal e entrei no pequeno quarto que tinha ali.
Encostei a porta e me sentei no sofá, apertando a medalhinha de São José que eu guardava desde que ela havia me dado. Fiz um sinal da cruz e fechei os olhos. Só queria que tudo desse certo para ela. Que essa criança viesse bem, com saúde, que nenhuma das duas sofressem e que finalmente pudesse aproveitar muito esse sonho.
Aproveitei e pedi por nós. Que eu consiga reconquistá-la, fazer compensar todos esses anos de altos e baixos, de incertezas, de insegurança, todos esses anos que não cuidei do nosso amor como deveria e agora precisava vê-la sendo feliz com um filho de um cara qualquer que ela não sabe nem quem é.
Ao menos na teoria, é claro. Eu ainda pretendo ser o pai dessa criança, mesmo que só por chamamento. Mas não importa pensar nisso agora, só importava ela ficar saudável agora. As duas, na verdade. Saudáveis e felizes. Aproveitei meu momento de reza e fiz alguns Pai Nosso e Ave Maria, antes de finalizar com um sinal da cruz. Segurei a medalhinha novamente e dei um beijo nela.
- Vai dar tudo certo, minha linda. – Sussurrei.
Levantei do sofá, abrindo a porta novamente e fui em direção ao corredor novamente, vendo Lou exatamente da mesma forma que eu havia deixado, mas agora com seu celular em mãos e deitado no meio da cama.
- Alguma novidade? – Perguntei e ouvi um toque novamente.
- Talvez sim! – Ele se sentou rapidamente e ouvi outro toque em seguida, pegando o celular e vendo que era mensagem de Barza novamente.
“Nasceu!” – Sorri, suspirando.
“A princesinha da Juve nasceu”.
- Nasceu! – Falei, sentindo os olhos se encherem de lágrimas.
- NASCEU?! – Lou gritou, se colocando em pé.
- Nasceu, meu amor. – Suspirei, sentindo-o me abraçar e sorri, fazendo um discreto sinal da cruz.
- Qual o nome? Como elas estão? – Ele perguntou apressadamente.
- Calma! – Falei, rindo. – Ele vai avisando conforme acontece.
- Será que alguém postou no Instagram? – Ele perguntou e ri fracamente, vendo-o mexer no seu celular.
- Eles não vão ter notícia ain...
- O Pinso postou! – Ele disse e franzi a testa, girando o celular para mim.
Era uma selfie com Pinso em primeiro plano e diversos outros jogadores da Juve no fundo: Barza, Mario, Douglas, Sami, Mira, Mattia, Ruga, Emre, além da namorada de Barza, os pais de , Pavel, Allegri e Filippi, como tinha na foto de Barza. No cantinho tinha uma figurinha de uma chupeta e o escrito “esperando Sienna”.
- Sienna? – Perguntei, franzindo a testa.
- Será que é o nome dela? – Lou perguntou e suspirei.
- Talvez... – Falei pensativo.
Sienna? Sienna? Siena? Será que tinha alguma relação com a cidade?
Me lembro vagamente de uma relação com a cidade. 2012? Ou 2013? Quando fomos juntos para Carrara que minha mãe tinha sofrido um acidente de carro. Eu estava tão nervoso que ela acabou se perdendo no meio do caminho e acabamos nos perdendo na cidade. Será que tinha alguma relação?
Talvez fosse uma incrível coincidência, o nome era bonito, não podia negar. Sienna , nascida dia 20 de março de 2019... Ergui o olhar para a hora da mensagem. Nasceu às 20:45. Ri fracamente, negando com a cabeça.
- O que, pai? – Lou perguntou.
- Ela nasceu 20:45. – Falei, vendo-o franzir o rosto. – Horário de jogo. – Ele riu fracamente.
- Vindo da , você esperava outra coisa? – Ele disse e sorri.
- Pa-a-ai! – Ouvi Leo. – Acabe-e-ei!
- Eu acabei também. Preciso de um curativo. – Dado apareceu enrolado na toalha. – O que estavam gritando?
- A filha da nasceu! – Sorri.
- MESMO? – Ele gritou.
- Mesmo. – Sorri e ele retribuiu.
- Tem foto?
- Calma! Ainda não! – Falei, vendo-o rir. – Parece que estão me empolgados do que eu.
- Ela vai ser quase nossa irmãzinha, pai! A gente está empolgado! – Dado disse e sorri.
- PA-A-AI! – Leo gritou.
- Já volto. – Falei para o dois e eles riram. – Logo eu faço o curativo.
- Está bem, está bem!
Capitolo centoveintidue
- Ok, temos 10, . – Assenti com a cabeça, soltando a respiração devagar. – Vamos começar.
- Tudo bem... Tudo bem... A-a-ah! – Gemi quando a contração me atingiu.
- Respira! Respira! – Giulia disse, apertando minha mão.
- Chame todo mundo, vamos começar! – Federica disse e respirei fundo. – É melhor vocês ficarem lá fora.
- Vai ficar tudo bem, meu amor! Você está indo bem. – Giovanna apareceu em meu campo de visão e assenti com a cabeça.
- Não vão embora... – Pedi com a voz falhada, gemendo mais uma vez devido a contração.
- Estaremos aqui do lado, torcendo por você! – Assenti com a cabeça e ela deu um beijo em minha testa suada antes de se afastar.
Eu não conseguia falar muita coisa, a dor foi intensificando muito ao longo das horas quando as contrações passaram de 11 minutos para 11 segundos. Meu corpo já estava inteiro mole, eu estava cansado e Sienna ainda não tinha saído. Eu estava entre desistir e pedir uma cesárea e eu nem tinha começado a fazer força.
- ? ? – Senti um toquinho em meu rosto e vi Federica.
- Esto-ou a-aqui! – Falei, sacudindo a cabeça.
- Eu preciso de você acordada. Vamos lá! Só mais um pouquinho! – Ela disse e gemi com a contração, forçando o corpo para frente.
- Eu estou cansada! – Suspirei.
- Vamos, maninha! Você consegue! – Pietro segurou minha mão e soltei a respiração devagar.
- Eu não consigo... – Senti minha voz afinar.
- Você consegue! – Ele repetiu.
- Olha para mim, mana! – Virei para Giulia do outro lado. – Estamos a minutos da sua menina estar aqui. Seu maior sonho vai estar em seus braços em poucos minutos, seu sonho e do amor da sua vida...
- Você disse para não falar dele...
- Mas eu preciso. – Ela suspirou. – Pensa em tudo o que te trouxe aqui. Todos os altos e baixos, todos os momentos, todos os beijos, todas as noites, todas as brigas. Apesar de tudo isso, resultou em um bebê e talvez ela finalmente seja a solução para todos os seus problemas.
- Ah! – Gemi com a contração.
- Mas você precisa fazer um pouquinho mais de esforço, amore. Ok?! – Assenti a cabeça, vendo a doutora mexer em minhas pernas, já que elas estavam anestesiadas desde que chegamos aos oito centímetros.
- Vamos lá, ? Pronta para fazer força? – A médica perguntou e vi a enfermeira injetar mais alguma coisa em meu soro, fazendo com que meu corpo automaticamente se acalmasse.
- Melhor? – Ela me perguntou e assenti com a cabeça.
- Sim! – Suspirei, soltando a respiração.
- Ok, vamos lá! Irmãos, prontos? – Federica perguntou e senti Giulia segurar uma mão, Pietro em outra e Gianni fazia um carinho em minha cabeça.
- Eu vou machucar vocês. – Falei para Pietro.
- Não tem problema! Estamos aqui contigo! – As lágrimas voltaram para meus olhos e assenti com a cabeça. – Agora força!
- Força, , vamos lá! – A médica disse.
- Acompanhe as contrações. – A enfermeira disse e soltei a respiração devagar. – Quando vier, você empurra!
- Ok... Ok... – Soltei a respiração pela boca, sentindo a contração chegar. – A-A-A-AH! – Fiz força, sentindo a respiração falhar no meio do caminho e apertei as mãos de Giulia e Pietro.
- Isso, ! Assim mesmo. Agora de novo. – Ela disse.
- Vai, ! Você consegue! – Pietro disse e fiz força quando outra contração veio.
- A-A-A-A-A-AH! – Meu grito acabou ficando mais alto e meu corpo foi involuntariamente para frente.
- Isso, ! Vamos, mais forte! – A médica disse e meu corpo começou a trabalhar involuntariamente.
- FORÇA! FORÇA! – Meus irmãos começaram a gritar comigo.
A cada forte pontada que eu sentia da contração, eu fazia força e um grito alto saía de minha garganta, fazendo-a doer. A médica me estimulava a ir cada vez mais rápido, indicando que já conseguia ver a cabeça da minha filha.
Dentro de toda essa comoção, eu só consegui pensar em Gigi. Como eu me arrependia de ter escondido isso dele. Como eu queria que ele estivesse aqui comigo, segurando uma das mãos. Como eu queria ver seu rosto sorrindo para mim na expectativa do nosso sonho: da nossa filha. Como eu queria sua família conosco, seus filhos, todo mundo fazendo parte disso, mas era tarde agora.
- Vai, ! Agora uma bem forte para livrar os ombros dela. – A médica falou e apertei as mãos de Pietro e Giulia.
- Eu estou cansada... – Falei em um gemido.
- Só mais uma, maninha! – Gianni disse próximo da médica.
- Vai, ! Força! – Giulia disse.
- Só mais uma, vamos! – A médica disse e pressionei as mãos dos dois.
- A-A-A-A-A-A-A-A-A-A-AH! – Apertei as mãos deles com força, apoiando-as na maca.
Meu grito foi silenciado por um choro fino e tombei meu corpo para trás, sentindo as lágrimas naturalmente deslizarem pela minha bochecha. Os lábios de Giulia se mexiam, mas não conseguia ouvir o que ela dizia pelo choro da minha filha. Da minha Sienna.
- Descansa, mamãe! Você foi incrível! – Tombei meu corpo para trás, suspirando.
- Eu quero vê-la! – Falei, soltando a respiração fortemente, relaxando meu corpo na maca.
- Ela é linda! – Gianni disse, fazendo mais lágrimas deslizarem pela minha bochecha e vi a médica finalmente aparecer novamente em minha visão.
- , eu quero que você conheça alguém... – Ela veio com o embrulho em minha direção, fazendo o choro fino ficar cada vez mais alto. – Sienna. – Ela disse e estendi minhas mãos para ela, sentindo-a colocar minha filha em meu colo.
Minha respiração faltou ao ver o embrulho chorão em meus braços e as lágrimas me cegaram por alguns minutos. Ela é comprida e gorducha, as bochechas rosadas e, a boca, nariz e olhos fechados afundados nas bochechas. Acariciei seu rostinho ainda sujo, abrindo um largo sorriso que fez meu corpo relaxar. Minha menina, minha filha, finalmente está aqui.
- Ela é linda! – Falei, rindo fracamente, vendo seus cabelos ralos escuros iguais do pai em sua cabeça, me fazendo rir fracamente. – Ah, amore. – Dei um beijo em sua cabeça, suspirando, ouvindo quase como mágica o choro reduzir até parar. – Sienna. Mio amore...
- Parabéns, mana! – Virei o rosto para Giulia. – Você fez um trabalho incrível. – Pressionei os lábios, sentindo as lágrimas ainda deslizarem pelo meu rosto.
- Eu quero ele aqui... – Falei baixo, pressionando os lábios. – Eu quero ele aqui! – Repeti com mais força.
- Ah, mana! – Ela me abraçou de lado, me fazendo respirar fundo. – Ele vai vir, em breve.
- Eu não deveria ter escondido, eu não...
- Xi, xi! – Ela apoiou a cabeça na minha. – Não faça isso agora. Aproveita sua menina.
- Ela é a cara dele. – Falei, vendo-a rir fracamente.
- Não é, não. Só o cabelo. – Ela deu um beijo em minha testa. – Mas isso muda. – Suspirei. – Mas ela tem sua boca, seu queixo... – Rimos juntas.
- Ela é perfeita, mana! – Pietro disse e sorri, sentindo-o dar um beijo em minha cabeça.
- Podemos pegá-la para fazer alguns exames? – A enfermeira perguntou e assenti com a cabeça. – A gente logo a devolve limpinha. – Ri fracamente.
- Ok, mas não vai longe. – Falei, dando um beijo na testa dela que riu fracamente antes de segurá-la novamente.
- Como você está? – A médica veio em minha direção. – Cansada?
- Sim! – Falei, sentindo a respiração falhar ainda.
- Você fez um trabalho incrível, . Parabéns! – Sorri.
- Grazie. – Suspirei, ouvindo o choro de Sienna novamente e a enfermeira falando com ela.
- Está gelado, eu sei, mas logo acaba e você fica quentinha! – Sorri.
- 20 de março, às 20:45. – Federica falou e sorri.
- É claro que ela tinha que nascer em alguma relação a jogo de futebol. – Ela riu fracamente.
- Que nome vai ser? Sienna ou quer adicionar outro sobrenome? – Engoli em seco, suspirando.
- Sienna por agora. – Suspirei. – Depois eu mudo quando ele descobrir. – Ela assentiu com a cabeça.
- 53 centímetros e três quilos e 400 gramas. – A enfermeira falou. – Completamente saudável. – Suspirei.
- Parabéns, mamãe! – Sorri, rindo fracamente.
- Grazie. – Suspirei.
- Vamos ver como você está? – Ela disse e assenti com a cabeça, vendo-a voltar a checar meus sinais mais uma vez.
- Vou abaixar aqui. – A outra enfermeira disse, abaixando minhas pernas e tirou os materiais usados no parto antes de me cobrir novamente com a coberta.
- Você está muito bem. – Federica disse. – Está sentindo algo estranho? – Ela perguntou.
- Fome. – Falei e ela riu fracamente. – Fome de pizza. – Ela riu fracamente.
- Talvez possamos arranjar para você. – Rimos juntas. – Descansa um pouco enquanto cuidamos dela, pode ser? Depois vamos tentar fazer a primeira mamada e esperar a anestesia passar. – Assenti com a cabeça, apoiando as mãos no peito e senti um carinho na cabeça, vendo Pietro.
- Guerreira! – Ele disse e sorri, apoiando minha cabeça na dele.
- Padrinho! – Falei e ele sorriu, suspirando.
- Não fala isso que eu choro. – Ele disse, me fazendo rir fracamente.
- Posso avisar meus pais? – Ouvi Giulia perguntar para a médica.
- Sim, claro! Só não deixa ninguém entrar ainda até terminamos tudo com a . – Ela assentiu com a cabeça e se virou para mim.
- Já volto.
- Eu vou ficar bem. Tenho dois guardiões comigo. – Ela sorriu. – Um sumiu, na verdade.
- Estou registrando todos os primeiros momentos da sua lindinha. – Gianni disse, me fazendo rir e vi Giulia sair da porta devagar, fechando-a em seguida.
- Descansa, mana. – Ouvi Pietro e assenti com a cabeça, relaxando a cabeça no travesseiro, mas espirando a enfermeira e Gianni na bancada com Sienna.
- GOL! – Ri fracamente com algum grito lá fora e ouvi os aplaudindo e gritando lá fora, me fazendo rir fracamente.
- Acho que nem uma final de Champions causa esse tipo de comoção. – Brinquei e eles riram.
- É o que acontece quando se tem a presidente da Juventus aqui. – Federica disse e suspirei.
- Hoje eu não sou nada disso. – Suspirei. – Hoje só sou a .
- Ok, Só . – Ri fracamente com Federica. – Aproveite sua nova vida, porque eu sei o quanto você desejou. – Suspirei.
- Nem fala. – Suspirei, bocejando antes de relaxar o corpo na maca, sentindo os carinhos de Pietro em meus cabelos.
Já passava das 22:30 e não tive novas mensagens de Barza, apesar de eu estar infernizando-o. A última foi que Giulia saiu e avisaram que ambas estavam bem e que Sienna havia nascido com 53 centímetros e três quilos e 400 gramas. Comprida e talvez um pouco magricela, mas pensando na altura da mãe, não seria baixinha.
Leo já dormia há algumas horas e o vídeo game de Lou e Dado parece que havia sido desligado mais cedo, pois o barulho já havia sido cessado. Eles correram bastante no trocadero da Torre Eiffel, deveriam estar bem cansados, assim como Leo.
“Alguma novidade?” – Enviei, antes de me levantar devagar.
Guardei o celular no bolso da calça de moletom, sentindo-o forçar a calça para baixo um pouco e segui a passos lentos para fora do quarto, encostando a porta assim que passei. Abri a porta do quarto de Lou e Dado e vi ambos jogados nas camas dormindo e a televisão ligada com o menu do jogo repetindo diversas vezes.
Fui perto de cama um deles, tirando os controles de suas mãos e colocando sobre a mesa. Segui até Dado e ajeitei-o na cama, ouvindo-o resmungar e subi a coberta até seus braços. Dei um beijo em sua testa e fiz um rápido carinho em sua bochecha. Segui para Lou, fazendo o mesmo e acariciei seus cabelos, também deixando um beijo em sua testa.
- Pai? – Ele resmungou e sentei na beirada de sua cama.
- Estou aqui, amore...
- Novidade da ? – Ele perguntou e suspirei.
- Ainda não, mas pode dormir, amanhã saberemos mais. – Ele assentiu com a cabeça.
- A gente pode ligar para ela amanhã? – Suspirei, pressionando meus lábios em um sorriso.
- Claro, amore. Agora dorme. – Suspirei e Lou fechou os olhos novamente, se virando para o outro lado.
Me levantei, cobrindo-o e deixei outro beijo em sua cabeça. Desliguei a televisão, fazendo o som abafado e a luz cessarem e saí do quarto, puxando a porta. Fui em direção à sala e peguei um saco de amendoim na sacola de compras de guloseimas dos meninos e uma garrafa de vinho tinto.
Fui até a cozinha, abri a garrafa com o saca-rolhas e me servi bem mais do que uma taça ideal de vinho. Voltei para a cozinha e me sentei no sofá. Abri o saco de amendoins, colocando alguns na boca e dei um gole no vinho, engolindo tudo junto, me fazendo suspirar. Senti o celular vibrar em meu bolso e puxei-o com pressa, deixando a taça em cima da mesinha de centro e vi uma nova mensagem de Barza.
“Ela é perfeita!” – Dizia sua mensagem e logo um vídeo foi carregado, me fazendo conter a respiração.
O vídeo tinha só dez segundos, mas abri na expectativa. Assim que ele abriu, eu soltei um longo suspiro, sentindo as lágrimas deslizarem de meus olhos. estava com os cabelos bagunçados e alguém segurava sua filha perto dela. Ela deixou um curto beijo na bochecha de sua menina que mexia as mãos dentro da coberta e colocava a língua para fora. As bochechas eram rosadas e gordas, assim como Lou era, me fazendo rir fracamente e passar as mãos nos olhos.
Os cabelos estavam escondidos embaixo de uma touca rosinha e os olhos fechados, mas ela é linda! Uma linda menina! Passei a mão nos olhos, tentando dissipar as lágrimas que não cansavam de cair e suspirei, rindo sozinho. Como eu queria estar ao lado dela. Como queria estar com ela nesse momento tão importante.
Saí do vídeo após assisti-lo ao menos umas 15 vezes e vi que tinha outras fotos na conversa. Nas primeiras ainda estava descabelada, logo após o nascimento. com ela em seu colo, em seu peito, outras com Pietro ao seu lado, dando um beijo, outra da sua família com ela em volta da maca. Depois tinha as fotos em que ela estava mais arrumada, os cabelos presos e sua menina em seu peito, além de uma dela com os cabelos presos, sua menina em seu colo e ela mordendo um grande pedaço de pizza, me fazendo sorrir.
- Ah, minha linda. – Passei as mãos no nariz, fungando. – Como eu te amo!
“Como ela está?” – Enviei, suspirando.
Antes que ele esperasse, entrei em nossa conversa e apertei para começar uma ligação com . Não sei se ela me atenderia agora, mas eu precisava ouvir sua voz. Precisava saber como ela está, qualquer coisa. Só preciso falar com ela.
A ligação chamou duas vezes antes de cair. Achei estranho, olhei para o celular e vi que a chamada havia sido encerrada. Não como quando a ligação toca até cair, mas como se ela havia sido negada. Repeti a ligação, mas a mesma tocou somente uma vez antes de cair, me fazendo franzir a testa.
Olhei para o telefone e voltei para a nossa conversa que estava parada desde que ela havia vindo para Paris e pedi para ela me avisasse quando chegasse na estação. Suspirei e vi a palavra “online” ali em cima e escrevi uma mensagem.
“Auguri, amore! Você fez um trabalho incrível!” – Suspirei, esperando ver se tinha algum retorno, mas nada. A mensagem não ficou azul e a palavra “online” sumiu após alguns segundos.
Suspirei, pressionando os lábios e voltei para as fotos de . Mesmo com esses cabelos bagunçados, ela está linda! Saí da conversa e entrei no Instagram, procurando as contas de quem eu seguia e Gianni foi o primeiro a aparecer ali. Abri seus stories e a primeira foto era de Pietro olhando para o berço. As tatuagens e os cabelos pintados os diferenciavam agora. Pietro olhava para o berço e fazia caretas para Sienna.
A foto passou e foi a vez de Gianni estar nela. Ele tirava uma selfie de longe, mostrando toda a bagunça do time no quarto e vi que Filippi estava próximo de , com a mão apoiada em sua testa e eles conversavam. Perto do berço estava Barza e sua namorada que paparicavam Sienna.
A foto mudou mais uma vez e era uma foto do time com Sienna. Barza a segurava no colo e Mario, Sami, Mira e Douglas faziam sinais de paz e amor enquanto olhavam para câmera e Barza parecia realmente em outra realidade com ela em seu colo.
As fotos foram passando uma a uma e eu poderia ficar ali para o resto da minha vida, só acompanhando esse momento tão incrível na vida dela, mas o celular começou a vibrar em minha mão e vi o nome de Barza. Deslizei-o, colocando-o rapidamente em minha orelha.
- Barza? – Atendi.
- Ei, Gigi. – Ele disse baixo e ouvi outras vezes atrás dele.
- Você está falando baixo. – Falei.
- Estamos aqui no hospital ainda. Devemos ir embora logo para eles descansarem e ficarem em família. – Ele disse no mesmo tom.
- Como estão as coisas aí? Como elas estão? – Perguntei.
- Elas estão ótimas! Ela é magricela, mas as bochechas gorduchas. – Sorri.
- E a ?
- Ela está ótima. Só esperando a anestesia passar mesmo. Agora ela está feliz que ela comeu. – Ri fracamente.
- Eu vi as fotos. Pizza? A essa hora?
- Ela queria antes do parto. – Sorri, suspirando. – Você está bem?
- Queria estar aí com ela. – Suspirei.
- Em breve, Gigi. – Ele disse. – Tudo vai ficar bem.
- Ela está muito ocupada? Tentei ligar para ela, mas ninguém atendeu.
- A Giulia está com o celular dela, aposto que não quer que ela fale contigo. – Suspirei.
- Por quê? – Perguntei.
- Dramalhão Gigi e até hoje? É realmente necessário?
- Mas não é drama, só quero parabenizá-la e saber como ela está. – Meu tom acabou aumentando.
- Dá um tempinho para elas. Elas devem ficar aqui até sexta, ambas estão bem e perfeitas. – Ele disse.
- Mas já? – Perguntei.
- Sim, elas estão bem, por quê? – Ele disse.
- Ela não é prematura? – Perguntei, franzindo a testa.
- Não, por quê?
- Porque você me falou. – Falei, me levantando. – Barza, você tem algo para me dizer?
- O quê? Nã-não, Gigi. Você deve ter se confundido ou até eu, não sei contar nessas semanas de grávidas. – Ele falou apressado. – Elas estão bem.
- Barza, Barza, Barza...
- Você está enlouquecendo, Gigi. Relaxa! – Ele disse firme, me fazendo suspirar.
- Eu estou relaxado. – Falei, suspirando. – Eu só sei quando eu transei com a , Barza. E se a bebê não é prematura, só pode dizer que...
- Ok, chega, chega! – Ouvi outra voz. – Alô?
- Alô? – Falei confuso.
- Gigi, Filippi. – Sorri.
- Ei, Lippi! – Falei, suspirando. – Como estão as coisas aí?
- Tudo bem, graças a Deus! – Ele riu fracamente. – Ela é linda, a está bem, já viu as fotos?
- Sim, sim... – Cocei a testa, sentindo a cabeça doer. – Posso falar com ela?
- Liga mais tarde, pode ser? Talvez você consiga falar com ela, está tudo meio bagunçado ainda, tanto que vamos embora para liberar espaço.
- Filippi, eu estou confuso... – Suspirei.
- Por quê? O que está acontecendo? – Engoli em seco, suspirando.
- Tem certeza de que essa criança não é minha?
- Eu só digo o que ela diz. – Ele disse.
- Ela não disse nada? – Perguntei firme.
- Nada! Ela falou que fez uma fertilização, só isso. – Engoli em seco. – Você não acha que ela mentiria para você, acha? – Suspirei, me sentando novamente.
- Eu não sei mais de nada. – Falei e peguei a taça, virando-a quase inteira em um gole.
- Sem teoria da conspiração, Gigi. Não faça isso consigo mesmo e nem com ela. Passou. – Soltei a respiração fortemente.
- Elas estão bem? – Perguntei.
- Sim, estão ótimas. comeu, não para de falar que precisa tomar banho, mas a anestesia não passou ainda...
- Ela já mamou? – Perguntei.
- Sim, foi muito rápido. – Ele disse, rindo fracamente. – Parece a gravidez perfeita, sabe? – Ele disse, me fazendo rir fracamente.
- Ela merece tudo isso. – Suspirei.
- Eu vou passar para o Barza, ok?! A gente se vê em breve.
- Ok, grazie. Bom falar contigo. – Suspirei e ouvi o telefone ser passado.
- Gigi? – Ouvi a voz mudar.
- Ei! – Falei, suspirando.
- Eu tenho que desligar, vou para casa com a Ada agora e eu já parei a fisio antes da hora hoje...
- Barza! – Chamei-o.
- O quê? – Ele disse.
- Ela não esconderia algo sério de mim, esconderia? – Perguntei e notei que ele hesitou para responder. – Barza...
- Acho que para ter certeza sobre ela, você precisaria perguntar a si mesmo antes. Você esconderia? – Engoli em seco, pensando em todos os motivos que me trouxeram para Paris.
- Barza, o que você está dizendo? – Puxei a respiração fortemente.
- Que vocês são mais complicados do que eu imaginava. – Engoli em seco. – Tenho que ir, boa noite. – Ele disse e fiquei travado no lugar, sentindo a respiração falhar e milhões de perguntas em minha cabeça.
Sienna é minha filha?
a esconderia de mim?
Ela faria isso por causa do que eu fiz?
Não... Isso não é possível.
Ou é?
Engoli em seco e bati a mão em minha cabeça, me fazendo suspirar. Não, ela não faria isso, ela não faria isso.
Mas por que eu não conseguia confirmar isso? Por que eu não conseguia confiar nisso? Tudo está muito bagunçado em minha cabeça agora e eu não sabia o que fazer. Eu tinha mais dois meses em Paris, mas eu só queria largar tudo aqui e voltar para Turim. Para confrontá-la e ter certeza de que isso não é verdade!
Isso não é verdade!
Ouvi um barulho fino e me mexi na maca, sentindo meu corpo levemente travado pela posição que eu estava. Minhas pernas não se mexiam ainda, mas parecia que tudo estava levemente dormente. O barulho mais alto me distraiu e abri os olhos, vendo a enfermeira ao lado do berço e arregalei os olhos na pressa.
- Calma! Calma! – Ela disse e suspirei, virando para o lado, vendo Sienna com os lábios abertos e as mãos fininhas para cima, me fazendo suspirar.
- Ela está com fome? – Perguntei, bocejando em seguida.
- Sim, quer colocá-la em seu peito novamente? – Assenti com a cabeça, passando a mão na testa e depois as apoiei na maca, erguendo meu corpo mais para cima e a enfermeira ergueu a maca, deixando-a mais levantada.
- Ela está bem? – Perguntei baixo.
- Ela está perfeita, não precisa se preocupar. – Ela disse e sorri, vendo-a colocar Sienna em meu colo.
Apoiei-a em meu colo, segurando-a com firmeza com as duas mãos, apesar das agulhas e medidor de saturação conectados em mim e acariciei suas bochechas gordinhas delicadamente, ouvindo o choro fino ecoar pelo quarto.
- Aqui, vamos abrir... – A enfermeira disse, me ajudando a abrir um lado de minha camisola. – Leve o rostinho dela para perto. – Ela disse e fiz o que ela mandou, sentindo a mãozinha de Sienna em meu peito. – Isso, leva o bico até a boca dela e... – Sienna mordiscou o bico devagar.
- Ela não está sugando.
- Devagar, ela só fez isso uma vez. Vocês duas estão aprendendo. – Puxei meu seio para mais próximo de Sienna e vi sua boquinha começar a sugar, me fazendo sorrir. – Isso, viu?! – Assenti com a cabeça.
- Ela é linda. – Suspirei, acariciando o bumbum gordo devido à fralda.
- A médica disse que é algo que você sempre quis. – Ergui o olhar para ela, assentindo com a cabeça.
- Sim. – Sorri. – Ela é meu pequeno milagre. – Suspirei, passando as costas do dedo em sua bochecha. – Minha pequena. – Suspirei.
- Ei, mana! – Ergui o olhar para Giulia entrando no quarto enquanto falava baixo, já que Giovana e Fabrizio dormiam nas duas poltronas para visitantes.
- Ei, achei que tivesse ido embora. – Falei e ela se aproximou de mim.
- Queria não ir embora, mas o Kawan precisa dormir e o David tem viagem na sexta, ele precisa de algumas horas de sono.
- Vai para casa... – Apoiei a mão livre na sua. – Você volta amanhã, se quiser levar seus pais também, eles não têm idade para isso.
- Não adianta tentar. – Ela disse e ri fracamente. – Vou levar os gêmeos, Pietro tem aula e Gianni tem treino com o Allegri. – Assenti com a cabeça.
- Sim, não vale à pena deixar todo mundo aqui só vendo ela. – Falei e ela riu fracamente.
- É o que mais queremos. – Sorri, sentindo um beijo em minha cabeça.
- Você pode mandar uma mensagem para Martha? Eu não contei. – Suspirei.
- Claro! Claro! – Ela assentiu com a cabeça. – Os meninos disseram que mandaram todas as fotos para o seu celular, se quiser anunciar ao mundo, presidente. – Suspirei, rindo em seguida.
- Ok, grazie. – Ela deu um beijo em minha cabeça.
- Parabéns, mana! – Sorri.
- Grazie. – Ela fez um carinho em Sienna e se afastou, me fazendo ver Pietro e Gianni.
- A gente volta amanhã, ok?! – Gianni disse, me dando um beijo.
- Obrigada, meus amores. – Pietro veio logo em seguida.
- Parabéns, . Ela é demais! – Suspirei.
- Grazie, amore! – Ele deu um beijo em minha testa e retribuí.
- Ignora o que a Giulia diz e siga seu coração, ok?! – Ele disse e suspirei, assentindo com a cabeça antes de vê-los saírem.
Suspirei, abaixando meu rosto, vendo que Sienna ainda sugava devagar e levei a mão até seu rosto devagar. Seus olhos eram , como os meus, mas não podia levar muito em conta isso, pois os olhos acabavam mudando ao longo do tempo, só me perguntava se ela teria sorte em ter os olhos azuis de Gigi. Apesar de que é algo que nenhum dos outros meninos tiveram. E os cabelos? Continuariam assim ou seriam mais claros como os meus?
Ironicamente eu não tinha pressa nenhuma em descobrir, não conseguia pensar na minha menina crescida, pois parecia que tinha muita coisa para resolver até lá e isso me assustava um pouco.
- Ciao? – Ergui o rosto, vendo Angela entrando na porta.
- Angela? – Falei surpresa e ela entrou devagar, espiando meus pais na porta.
- Posso entrar?
- É claro! – Falei, abrindo um largo sorriso e ela veio em minha direção.
- Parabéns, ! – Ela disse, dando um beijo e meu rosto e abri um largo sorriso.
- Grazie. – Ela suspirou, olhando para Sienna em meu colo.
- Essa é a famosa, então? – Ela disse, sorrindo para mim e suspirei.
- É, mais famosa do que muita gente! – Fiz uma voz infantil e ela riu fracamente.
- Desculpa não ter vindo antes, vocês ficam folgados em pausa internacional, mas a gente...
- Não se preocupe, não precisava vir hoje, que horas são? – Virei para os lados, procurando algum relógio.
- Pouco depois da meia-noite, mas eu não podia deixar de vê-la. – Sorri e ela esticou um embrulho. – Presente para ela.
- Ah, Angela, não precisava. – Ela riu fracamente.
- Você não teve tempo nem de fazer um chá de bebê, mas ao menos um presente você merece. – Ri fracamente.
- Pode abrir, por favor? – Pedi e ela abriu o embrulho.
- De uma juventina para outra. – Ela disse, tirando uma zebra de pelúcia do saco, me fazendo rir fracamente, ela era um pouco menor do que Sienna.
- Ah, meu Deus! – Fiz um bico, pegando a zebra. – É perfeito.
- Precisamos começar desde cedo. – Ri fracamente.
- Ah, com toda certeza. – Suspirei. – Primeira roupinha é da Juve. – Ela riu fracamente. – Pavel deu.
- Você sabe que precisamos apresentar sua lindinha para o mundo, não? – Ela disse e ri fracamente. – Senhora presidente.
- Eu não estou nem lembrando de Juve com ela no meu colo. – Falei e ela riu fracamente.
- Você não, mas a imprensa sim e eles estão em peso lá fora. – Neguei com a cabeça.
- Evitei tanto, agora isso... – Deixei a frase no ar.
- Você está indo bem, . – Suspirei. – E sempre fui adepta ao fato de não esconder nada, eles podem ser bem chatos quanto a isso.
- Não, não, sem esconder. Ainda lembro da Princesa Diana. – Ela assentiu com a cabeça. – Mas podemos fazer isso amanhã? Eu ainda estou anestesiada e eu preciso de um banho. – Ela riu fracamente.
- É claro que sim. – Ela passou a mão em minha cabeça. – Beh, vamos só anunciar oficialmente, porque seu irmão já encheu de fotos, ao menos de longe. – Ri fracamente.
- Eles estão felizes, é o primeiro bebê na família vindo de forma natural desde eles. – Ela riu fracamente.
- Aproveite, ok?! – Assenti com a cabeça. – Eu vou ficar um pouquinho aqui, mas já olhou suas redes sociais? O pessoal está dando parabéns até em posts que não é dela. – Ri fracamente.
- Eu nem olhei, não sei nem onde está meu celular. – Falei, dando uma rápida olhada em volta. – Veja na minha bolsa, por favor. – Pedi, indicando-a no sofá e ela mexeu na bolsa. – Tem bateria?
- Sim, um pouco, mas tem. – Ela me esticou e suspirei, desbloqueando o celular.
Tinha centenas de notificações, espero que Sandra tenha avisado que o bebê ia nascer, pois vários e-mails aqui eram de confirmação de reuniões, inclusive alguns de confirmação de informação da área de contabilidade. Suspirei, limpando as notificações uma a uma e entrei em meu WhatsApp.
Eu tinha mensagem em 37 conversas. 37 conversas que eu demoraria bastante para ver, isso é certeza! Passei os nomes pelas pessoas, inclusive algumas pessoas da velha guarda como Del Piero. Passei pelos nomes e encontrei Gigi no meio de todos eles, me fazendo engolir em seco pela expectativa. Desviei o olhar para Sienna que havia soltado um gemido e ela já havia soltado o seio.
- Lindinha! – Deixei o celular de lado, erguendo-a devagar e fechei minha camisola.
Ela parecia confortável ali, então só ajeitei a coberta em cima de seu corpinho e observei-a dormir calmamente. Peguei o celular novamente, entrando na conversa de Gigi e vi que tinha algumas mensagens não lidas.
“Vi algumas fotos. Ela é linda!”
“Tentei te ligar, mas acho que você só tem olhos para uma pessoa agora, não é mesmo?” – Ri fracamente e franzi a testa, rolando para cima a conversa e vi que tinha outra mensagem.
“Auguri, amore! Você fez um trabalho incrível!”
Além de outras duas chamadas que haviam sido negadas. Franzi a testa e tentei lembrar se havia mexido no celular, mas com certeza não. Fiquei tão distraída com Sienna e com as pessoas aqui no quarto que não toquei no celular. Só se... Giulia. Ela estava tão focada em não deixar eu falar ou pensar em Gigi, o que era impossível, que deve ter negado as ligações dele e lido a mensagem dele. Ao menos ela não apagou.
Suspirei, vendo o último horário que ele estava online e comparei com o horário do celular. A diferença era de menos de 15 minutos. Será que ele estava acordado ainda? Será que eu deveria ligar? Antes mesmo de eu ter minha resposta, eu já tinha apertado para fazer uma chamada dele, colocando o telefone na orelha, prendendo a respiração. O telefone chamou uma vez, duas, três, quando pensei em desligar, ouvi o barulho mudar.
- ? – Engoli em seco ao ouvir sua voz e suspirei, sentindo as lágrimas deslizarem fortemente de meus olhos. – ? – Passei as mãos nos olhos, secando-os e olhei para Sienna. – Eu estou aqui, amore. Pelo que você precisar. Para sempre. Eu sempre vou estar aqui.
Senti algo vibrando embaixo de mim e franzi o rosto, abrindo os olhos devagar e me encontrei abraçado a Leo. Girei meu corpo devagar, tentando entender o que estava acontecendo e vi uma luz vinda da minha mesa de cabeceira. Vi que era meu celular e peguei o rapidamente, ficando levemente cego pela claridade, mas identifiquei o nome de .
- Oh!
Me levantei da cama devagar, evitando ao máximo acordar Leo e peguei o telefone, seguindo para fora do quarto. Fechei a porta devagar e andei a passos rápidos até a sala, finalmente deslizando o botão e coloquei-o na orelha.
- ? – Falei baixo, entrando no quarto escondido na sala e puxei a porta, podendo falar mais alto. – ? – Repeti, me sentando no sofá e só conseguia ouvir sua respiração pesada saindo pelo bocal e engoli em seco. – Eu estou aqui, amore. – Soltei a respiração devagar, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas. – Pelo que você precisar. Para sempre. – Mordi o lábio inferior, sentindo a coceira em minha garganta querer perguntar para ela o que é que estava acontecendo. – Eu sempre vou estar aqui. – A ouvi pigarrear e suspirei.
- Eu sei... – Ouvi sua voz fraca e sorri, passando as mãos nos olhos.
- Ciao, amore... – Ouvi um largo suspiro dela e fiz o mesmo, passando as costas da mão no nariz.
- Me desculpe... – Ela disse baixo e fechei os olhos.
- O que houve, amore? – Perguntei, engolindo em seco.
- Eu queria que estivesse aqui comigo. – Ela disse baixo e sorri, suspirando. – Teria sido tudo tão mais fácil...
- Ah, amore. – Levei a mão até a medalhinha. – Eu estava em pensamento contigo. Todo esse tempo.
- Não é a mesma coisa. – Sorri, suspirando.
- Como você está? – Perguntei. – Deu tudo certo?
- Eu estou bem. – Ela pigarreou novamente. – Cinco horas de trabalho de parto, mas 15 minutos para ela nascer. – Ri fracamente.
- Safada ela, não? – Suspirei.
- Um pouco aparecida. Parece alguém que eu conheço. – Ri fracamente e suspirei.
- , eu... Eu preciso saber... Eu preciso...
- Volta para gente, ok?! – Ela me interrompeu e engoli em seco.
- Eu vou... – Suspirei, engolindo em seco novamente. – Só mais dois meses.
- É muito... – Ela soltou a respiração fortemente.
- Eu sei, amore, mas vai valer à pena, eu prometo...
- Não vai, Gigi. – Ela puxou a respiração. – Um ano longe, o que mudou para você?
- Algumas coisas... Menos meu amor por você. – Cocei os olhos.
- Não diga isso...
- Como você me disse uma vez: dizer ou não, não faz diferença nenhuma, não vai mudar o que eu sinto. – Ela suspirou. – Mas uma coisa mudou nesse ano todo...
- O quê? – Ela perguntou.
- Minha saudade só aumentou. – Ela riu fracamente.
- Você me viu há duas semanas...
- E já estou morrendo de saudades. De você, da sua pequena... – Ela suspirou.
- Gigi, ela é perfeita. – Ela disse, me fazendo sorrir.
- É claro que é, amore, é sua filha.
- Ela é bochechuda... – Ela disse, me fazendo rir. – Dá vontade de apertar, igual o Lou tinha, lembra? – Sorri.
- Lembrei da mesma coisa quando vi uma foto. – Suspirei. – Mas o Lou ainda tem as bochechas, ele só está mais magro. – Ela riu fracamente.
- Eles estão contigo? – Ela perguntou.
- Sim, eles ficaram felizes ao saber que ela nasceu. – Ela suspirou.
- Manda um beijo para eles, ok?! – Ela pediu. – Estou com muitas saudades deles, muitas, muitas.
- Eles também. – Suspirei, tombando meu corpo para trás. – Eles estão loucos para te ver, para conhecê-la. Sienna, né?!
- É... O que você acha? – Ela perguntou.
- Melhor que Paula, Carla ou Giorgia... – Ela riu fracamente.
- Você gosta? – Ela perguntou sugestivamente e engoli em seco, tentando analisar o que isso significava.
- É perfeito, ! – Falei, suspirando. – Me lembra de uma época boa nossa.
- Tivemos uma época boa? – Ela perguntou.
- Sim, no meio dos nossos problemas, sempre tivemos bons momentos. E você foi minha âncora sempre. – Ela suspirou.
- Então, por que está longe? – Ela perguntou, me fazendo fechar os olhos.
- Prometo que vai compensar, . Tudo vai ficar bem. – Ela suspirou.
- Eu não vejo como. Somos dois fodidos, Gigi. – Ri fracamente. – Não tem como isso dar certo.
- Tem sim, mio amore. – Suspirei. – A gente precisa de bastante terapia, mas... – A gargalhada de foi ouvida e abri um largo sorriso. – Vai dar certo... – Ouvi um choro fino sair pelo bocal.
- Ah, amore, desculpa... – falou fofa. – Está tudo bem, é o... – suspirou. – Uma pessoa muito importante para mamãe... – Ela suspirou. – E vai ser importante para você também. – Ouvi o choro se tornar um resmungo e pressionei os lábios.
- Ela está bem? – Perguntei.
- Sim, sim. Ela está no meu colo, ela se assustou com a risada. – Ela disse e suspirei. – Fabrizio também acordou, mas a Gio parece uma pedra. – Ri fracamente.
- Eles estão aí contigo?
- Sim, Giulia foi embora com Kawan, David tem uma viagem na sexta. Pietro tem aula amanhã e Gianni treino, mas eles voltam amanhã. – Suspirei.
- E os meninos? – Perguntei.
- Eles têm treino amanhã, Barza disse que vem, mas não sei que horas, ele tem fisio e a Ada trabalha em horário comercial. – Suspirei. – Mas não devo demorar para levá-la ao time.
- Ah, já vi vários comentários no post do Gianni que eles não se conformam de ela ter nascido em data FIFA. – Ela riu fracamente.
- Beh, já tinha umas 14 pessoas aqui no quarto, sem contar minha família, imagina se tivesse mais. – Rimos juntos.
- Não é culpa sua se você é muito amada e sempre cuidou bem de todo mundo. – Ela suspirou.
- Está sendo uma temporada estranha, mas sempre vou ter um carinho especial por eles. Eles me paparicaram muito com a gravidez. – Sorri.
- Agora todo mundo quer conhecê-la.
- Sim, vai faltar só você... Os meninos... – Pressionei os lábios.
- Eu ainda tenho minha casa perto da sua, posso...
- Devagar, Gigi. – Ela pediu. – Não sei por que está fazendo isso, mas você tem um contrato com eles. Não perca a confiança.
- Eu sei, mas dois meses... – Ela suspirou. – Dois meses é muito tempo, .
- Um ano também. – Ela disse e engoli em seco. – E eu ainda estou viva.
- Você sabe o quanto eu te amo, não? – Falei, me erguendo na poltrona e ela suspirou. – ...
- Eu não posso responder essa pergunta agora, Gigi. Não depois de tudo o que aconteceu. – Bufei.
- Mesmo depois de tudo o que aconteceu, eu te amo. – Falei firme. – Independente do que você fez, eu te amo. – Suspirei.
- Termina o que tem para fazer aí e volta, ok?! – Ela pediu e assenti com a cabeça como se ela conseguisse ver. – Ela dormiu de novo, eu vou tentar dormir até a próxima mamada. Espero acordar e sentir minhas pernas de novo.
- Vai dar tudo certo, mio amore. – Suspirei. – Eu vou estar contigo sempre...
- Eu sei... – Pressionei meus olhos. – Vai descansar também. Amanhã a gente conversa melhor.
- Tudo bem. Boa noite, minha linda. Dorme bem. – Ela suspirou.
- Você também. – Ela falou e não demorou alguns segundos para a ligação ser desligada.
Deixei meu celular no canto e senti as lágrimas deslizarem com força pelas minhas bochechas. Eu preciso voltar! Eu preciso voltar para Turim e cuidar da e da minha filha! Eu preciso fazer isso e resolver tudo! Colocar todas as cartas na mesa e voltar para . Custe o que custar. Não dava para ficar mais assim.
Depois de tantos anos, tantas escolhas erradas, tantos problemas, chega! Não dava mais para ficar assim! Eu não queria mais sofrer por não tê-la, não queria fazê-la sofrer mais e precisar tomar decisões com base na raiva e no ódio. Também não queria mais perder nada da vida dela e nem de Sienna. Chega! Chega!
Agora basta!
- Você vai sair, dar um rápido aceno para os repórteres lá embaixo e entrar no carro. É isso. – Angela disse e suspirei.
- Nunca pensei que esse tipo de coisa fosse acontecer comigo. – Suspirei.
- Não mesmo? – Ela virou o rosto para mim. – Se não fosse por você ser presidente da Juve, seria pelo pai da sua filha. – Ela falou baixo. – E seria dessa mesma forma. – Suspirei.
- Ao menos agora eu sou reconhecida por mim, não por quem eu transo. – Falei baixo e ela riu fracamente.
- Beh, são grandes coisas. – Ela disse, me fazendo rir fracamente.
- Podemos ir? – Perguntei.
- Claro. Vamos lá. – Falei e peguei Sienna, que estava embrulhada na manta, apoiando-a em meus braços. Ela deu uma gemida com a mudança de posição, mas logo se ajeitou em sua nova posição.
- Pronta? – Vi Giovanna e assenti com a cabeça.
- Sim, vamos lá! – Suspirei.
- Já falei com a Martha, ela deixou tudo prontinho para vocês duas e está preparando um almoço delicioso. – Ri fracamente.
- Você não precisava, eu estou bem. – Virei para Fabrizio que pegava a mala do bebê e minha mochila. – Cadê minha bolsa?
- Comigo! – Giovanna disse e suspirei.
- Ah, o que eu faria sem vocês? – Falei e eles riram fracamente.
- Ainda bem que não precisamos descobrir, né?! – Fabrizio disse, dando um beijo em minha cabeça e ri fracamente.
- Ainda bem. – Sorri, saindo do quarto que eu estava há pouco menos de 48 horas e vi as duas enfermeiras que me atenderam, além de doutora Federica e outra moça mais jovem. – Grazie.
- Você não precisa agradecer de nada. – Federica falou e eu suspirei.
- Preciso sim, ela não seria possível sem tudo o que aconteceu há quase 10 anos. – Ela sorriu.
- Tudo acontece com um propósito, . – Ela suspirou. – Tudo vai ficar bem agora. – Assenti com a cabeça, sentindo-a me abraçar de lado e trocamos um rápido beijo.
- É, falta uma coisinha para resolver, mas...
- Tudo vai ficar bem. Mude seu ponto de vista, agora você tem ela! – Ela fez um carinho na cabeça de Sienna. – E eu sei o quanto você a quis. Deu certo de formas erradas, mas ela está aqui. – Assenti com a cabeça.
- Grazie. – Rimos juntas.
- Beh, eu te vejo daqui um mês com novos exames de sangue, e deixa eu te apresentar a doutora Marilena, ela é pediatra, e imagino que você nem pensou nisso ainda. – Rimos juntas.
- Não mesmo. – Suspirei e estiquei a mão para a outra. – É um prazer.
- O prazer é meu. – Ela sorriu.
- Ela é de Turim, se formou tem oito anos, fez residência aqui mesmo, possui um consultório em Borgo Po e é discreta... – Ela disse sugestivamente e assenti com a cabeça.
- Eu te encontro na semana que vem, então? – Perguntei para Marilena que sorriu.
- Com toda certeza. – Ela me entregou um cartão e sorri.
- Eu te ligo. – Falei.
- Caso tenha alguma emergência antes disso, pode ligar também, tem meu celular pessoal no cartão. – Ela disse.
- Ah, pessoas que entendem mãe de primeira viagem, adoro! – Falei, ouvindo-a rir fracamente.
- Sempre tem uma primeira vez para tudo. – Rimos juntas.
- Uma pergunta importante: Juve ou Toro? – Ela fez uma careta, sendo pega de surpresa.
- Grande Torino. – Fiz uma careta.
- Hum... – Brinquei, vendo Federica rir. – Tudo bem, ainda dá tempo de mudar. – Elas sorriram. – Grazie.
- Prego, . A gente se fala. – Federica disse e sorri, dando um beijo em cada uma delas, depois nas duas enfermeiras que me acompanharam nesses dias.
- Muito obrigada. – Elas sorriram.
- O prazer foi nosso. – A enfermeira que me ajudou nas primeiras mamadas e banhos disse. – Seja feliz.
- Pode deixar! – Sorri, cumprimentando a outra. – Ciao, ragazze! Diz ciao, amore! – Falei baixo e elas sorriram, dando curtos acenos.
Suspirei, vendo Angela, Giovanna e Fabrizio esperando e segui com eles, vendo algumas pessoas nos corredores nos acompanharem com o olhar e dei rápidos acenos com a cabeça. Essa é a desvantagem de ser presidente do time, a fama, a curiosidade. Mas Angela tinha dito certo, se por acaso eu não fosse presidente e fosse anunciado que fosse um filho de Gigi, a comoção seria a mesma. Entramos no elevador e vi Angela bater a mão no mesmo.
- Já sabe o que vai fazer quando chegar em casa? – Gio perguntou.
- Não tenho a mínima ideia. – Ri fracamente. – Pedi para Pavel rever minha agenda, vou ficar 15 dias fora de trabalho total! O que é uma pena, pois vou perder o jogo das meninas no estádio, mas ok, ninguém esperava. – Suspirei. – Depois eu vou reduzir minha jornada para seis horas até o fim da temporada, pelo menos, e só vou em jogos em casa ou perto, tipo Milão e Gênova.
- Temos só um Juve x Inter no fim de abril, mas você pode pensar até lá também. Ninguém vai te obrigar aí sabendo que esse era seu maior sonho. – Suspirei.
- Eu sei, mas está acabando a temporada, estamos quase fechando o scudetto, mas eu vou ver...
- Você pode deixá-la conosco, você sabe, certo? – Giovanna disse.
- Eu sei, mas não sei se eu consigo. – Falei, vendo-os rirem e senti o elevador parar.
- É o começo, aos poucos você vai se ajeitando. – Suspirei.
- Aos poucos eu vou repensando minha vida, isso sim. – As portas se abriram.
- Vamos lá. Uma coisa de cada vez. – Angela disse e suspirei, caminhando com ela somente do elevador até a porta e me surpreendi pelos diversos fotógrafos ali. – Relaxa. – Angela disse baixo e suspirei.
Dei um rápido aceno de cabeça, saindo do hospital e dois seguranças me ajudaram a chegar no carro. Angela abriu a porta para mim e vi a cadeirinha de bebê já instalada daquele lado. Coloquei Sienna no mesmo, prendendo-a no cinto e fechei a porta devagar. Dei a volta no carro e acenei para os fotógrafos que tomavam a frente do hospital e entrei no carro, fechando a porta.
- Aqui, querida! – Fabrizio me entregou a bolsa de Sienna e coloquei entre mim e ela.
- Para casa? – Giovanna perguntou.
- Sim, por favor. – Falei, sorrindo, vendo Sienna dormindo na cadeirinha.
Fabrizio nos tirou dali com muita calma, para não ter perigo de atropelar nenhum repórter e aproveitei o caminho para pegar meu celular, vendo outras diversas mensagens, aumentando o número de 37 para 54. Ótimo! Eu demoraria dias para responder isso. Observei a conversa da Manu ali, tínhamos retornado nossa conversa há alguns meses e ela mandou um longo texto me parabenizando pela Sienna. Agora tinha uma resposta e a última eram dois áudios. Apertei o primeiro play e coloquei o telefone na orelha.
- Ciao, , come stai? – Ri fracamente do seu italiano travado. – Olha, deixa eu falar, eu acabei de dar a louca, larguei meu emprego e comprei uma passagem para ir para Turim daqui um mês. Meu pai não está nada feliz com isso e, para aliviar, eu acabei dizendo que ficaria contigo e que você me daria um emprego no time. Ele quer falar contigo, poderia confirmar essas informações, por favor, quando falar com ele? – Ri fracamente e ouvi o segundo áudio começar automaticamente. – Ah, e quando ele perguntar se você se casou, teve filhos ou se algo mudou, tipo virar presidente do maior time italiano, poderia negar e falar que está tudo como antes? Eu juro que não vou te atrapalhar, eu só preciso urgentemente sair dessa cidade e Turim acabou sendo minha oportunidade. Parabéns mais uma vez pela Sienna, ela é linda igual a mãe! Beijos!
- Ela é louca! – Falei, rindo fracamente.
- O que foi, amore? – Gio perguntou.
- Acho que acabei de encontrar a babá que eu estava procurando. – Ri fracamente.
- Por quê? – Ela perguntou.
- Vocês se lembram da Manu? Minha assistente de cabelo azul que foi embora em 2016?
- Sim, claro! Ela era uma mini Giulia! – Fabrizio disse, me fazendo rir fracamente.
- Ela acabou de me dizer que comprou uma passagem para Turim e chega em um mês. – Falei, rindo fracamente.
- Isso é sério? – Gio perguntou.
- Sim! – Falei risonha. – A Manu chega em um mês!
- Isso é uma boa, querida? Essa hora? – Gio perguntou.
- Vai ser bom uma companhia naquela casa enorme, Gio. – Suspirei. – E uma ajuda quando Gigi voltar. A temporada está no fim, Barza vai se aposentar, vai ter outra festa igual à do ano passado... – Suspirei. – Ele vai vir para isso, tenho certeza.
- E você está pronta para isso? – Fabrizio perguntou.
- Depois de ontem, tenho certeza que não. – Suspirei.
- O quê? O que aconteceu? – Fabrizio perguntou.
- Eu acho que ele sabe que a Sienna é filha dele, eu só evitei que ele perguntasse. – Suspirei.
- Como? – Ele perguntou.
- Eu não sei e não quero saber, mas ainda me surpreendo por ter conseguido esconder todo esse tempo. – Suspirei. – Eu não estou pronta para encarar isso, mas se ele aparecer em casa e quiser conversar e brigar comigo, vamos lá.
- Vai dar tudo certo, querida. – Fabrizio disse. – Ele é bagunçado, mas é um bom homem. – Suspirei.
- É, bem vemos. – Bufei baixo, me silenciando o resto da viagem inteira.
Assim que chegamos em casa, alguns fotógrafos estavam na porta, mas Fabrizio entrou com o carro na garagem e o som dos obturadores ficaram para fora. Sem mais dor de cabeça por hoje. Queria só relaxar com minha princesinha.
- Chegamos! – Fabrizio disse e empurrei a porta, colocando minha bolsa no ombro e dei a volta.
- Vamos lá, mio amore. Essa é a sua casa! – Abri a porta do outro lado, vendo que Sienna continuava dormindo na cadeirinha e tirei-a da mesma com cuidado, apoiando-a em meu braço e Gio fechou a porta.
- Vamos lá! – Gio disse e dei a volta, vendo Martha parada na porta dos fundos.
- Ah, olha quem chegou! – Ela disse com um largo sorriso no rosto e andei até ela, abraçando-a de lado, me fazendo sorrir.
- Ciao, Martha!
- Deixa eu ver. – Ela disse e afastei-a devagar. – Oh, oi, lindinha! do céu, ela é linda! – Senti meus olhos se encherem de lágrimas.
- Grazie. – Suspirei e ela deu espaço para eu entrar.
- Eu já arrumei tudo lá em cima como dona Giovanna pediu e deixei o Moisés aqui embaixo caso você queira deixar ela enquanto estiver fazendo outra coisa. – Martha disse.
- Você é um amor. – Sorri.
- Várias pessoas e jogadores mandaram flores e presentes. As flores eu espalhei pela casa, agora os presentes estão todos no seu quarto. Agora tem um presente que eu não faço a mínima ideia onde colocar. – Ela disse, rindo fracamente.
- O quê? – Perguntei e ela indicou para outra sala e vi Olga, Ricky e Carmela aparecerem. – Ah, não acredito! – Senti meus olhos se encherem de lágrimas.
- Você realmente achou que a gente fosse ficar longe quando ela nascesse? – Entreguei Sienna para Giovanna e segui apressada para abraçar os três.
- Ah, que saudade de vocês! – Apertei Olga e os outros dois me abraçaram de lado.
- Ah, querida, a gente não perderia esse momento importante na sua vida. – Olga sussurrou e assenti com a cabeça.
- Eu não sabia, co-como? – Perguntei apressada.
- Eu os avisei. – Giovanna disse e me afastei de Olga, abraçando minha tia Carmela em seguida.
- Ah, querida! Você está linda! – Ela me abraçou e ri fracamente.
- Eu não te vi no Natal. – Ela riu fracamente.
- Desculpa, tive alguns compromissos, mas para ver minha sobrinha neta, eu precisava. – Rimos juntos.
- Ah, ela é linda! – Olga disse e abracei Ricky.
- Ah, tio Ricky! – Apertei-o.
- Parabéns, minha menina! Tudo de bom na sua vida. – Suspirei.
- Isso é incrível! Não acredito! Eu vou chorar de novo. – Passei as mãos nos olhos.
- A gente não quer atrapalhar, está bem? Viemos só para o fim de semana e vamos ficar em um hotel. – Olga disse.
- Ah, que isso, Olga! – Falei, suspirando. – Eu não os vejo desde o Natal, vocês precisam aproveitar.
- Não, não! Você está com um bebê agora, não queremos atrapalhar. – Ri fracamente.
- Ela é linda, . Parece que vejo alguns traços seus? – Ricky disse e ri fracamente.
- É, dizem que muda muito nesse tempo, vamos ver. – Ponderei com a cabeça.
- Se for mudar, a gente já percebe em um ou dois meses. – Olga disse.
- Beh, deixa eu pegar o Moisés dela para ela continuar dormindo e a gente conversar melhor. – Falei.
- Quer algo, senhora ? – Martha perguntou.
- Eu sei que são 10 e pouco ainda, mas tem alguma coisa para eu comer? – Perguntei, suspirando.
- Sim, tem cornetto. – Ela disse. – Posso rechear um para você.
- Não, não, só manteiga mesmo. – Falei e ela assentiu com a cabeça. – E um cappuccino. Sinto falta. – Ela sorriu.
- Eu faço e levo para senhora. – Ri fracamente.
- Grazie. – Sorri, vendo Fabrizio aparecer com o Moisés e ele o apoiou na mesa antes de eu colocar Sienna no mesmo. – Chega de sacudir, né, amore? – Falei, dando um beijo em seus cabelos.
- Ciao, Gigi! – Sorri ao ver Ellen pela tela do notebook.
- Ciao, Ellen! – Falei, acenando para ela.
- Desculpa te atender assim, mas não consegui ir para Paris. – Ri fracamente.
- Não, sem problemas, fico feliz por ter me recebido da melhor forma que pode. – Suspirei.
- Então, isso é uma consulta? Ou uma conversa? – Ela perguntou e suspirei.
- Eu não sei, honestamente. – Apoiei os cotovelos na mesa.
- Eu não ouvia falar de você desde que a mulher da sua vida apareceu grávida, isso faz uns cinco meses? – Ela perguntou.
- É, por aí. – Suspirei.
- E agora você apareceu pedindo um horário urgente? – Ela disse e ri fracamente.
- É... – Engoli em seco.
- O que está sentindo?
- Eu estou bem, um pouco perdido, talvez, mas estou bem. – Ela assentiu com a cabeça. – Eu só... Acho que isso é uma conversa. – Falei. – Vai me cobrar mais barato?
- Com certeza não! – Ela disse e rimos juntos. – Fala comigo. O que aconteceu nesses meses?
- Beh... A senhora já deve estar de saco cheio, mas...
- Eu sou sua psicóloga, Gigi, não importa o motivo. Não sou seletiva. – Assenti com a cabeça.
- É sobre ...
- Certo, e o que tem ela? – Ela perguntou.
- Beh, se lembra na nossa última conversa que eu disse que ela estava grávida devido a uma fertilização in vitro e estava incomodado por ela ter seguido em frente sem mim?
- Sim, lembro sim. – Ela disse, desviando o olhar de mim e do caderno na mesa.
- Hum... Eu não acho que ela seguiu em frente de verdade. – Engoli em seco. – Eu acho que o filho dela é meu... – Ela olhou fixamente para tela, visivelmente surpresa.
- Desculpe minha reação, mas... – Ela abanou a cabeça. – Por que acha isso? – Ela perguntou.
- Porque a criança nasceu na semana passada. – Ela assentiu com a cabeça. – Pelas minhas contas faltava um mês, mas ela nasceu, é completamente saudável e não ficou em incubadora. Inclusive saiu dois dias depois do hospital. – Ela assentiu com a cabeça. – E, desculpa tamanha intimidade, mas se ela tinha completado os noves meses ou estava perto disso, bate com a nossa transa.
- Mas ela poderia ter feito uma fertilização semanas depois...
- Poderia, mas meus amigos dizem que ela ficou bem triste com minha saída e demorou um pouco para voltar. – Suspirei. – não é o tipo de pessoa que faz as coisas sem pensar com clareza e milhares de vezes.
- Entendo. – Ela assentiu com a cabeça. – E você já conversou com ela sobre isso? Abordou esse assunto?
- Eu tentei, mas não me pareceu a coisa certa a fazer no momento e ela tentou desconversar, meu amigo também desconversou...
- E por que eu sinto que tem um “mas” nessa história? – Ela perguntou. – Se a datas batem, se a criança é saudável, o que complica na história?
- Ela ter me escondido... – Suspirei. – Olha, Ellen, você sabe dessa história desde nosso primeiro encontro, pois eu queria ficar melhor da depressão para ficar com ela, mas, apesar de termos uma história bem complicada, a gente não mente para o outro... Não mais.
- Tem certeza disso? – Ela perguntou.
- Sim, ainda mais algo grandioso assim. – Falei.
- Ela sabe o motivo da sua ida para Paris? – Ergui o olhar para ela que deu um aceno de cabeça.
- Mas é diferente...
- Ela não sabe que é diferente. – Ela disse. – E você me disse como ela ficou magoada com sua saída.
- Mas me esconder um filho...
- Estamos falando em suposições aqui, certo?
- Sim, eu não tive coragem de perguntar e ela não tem nenhum traço meu, tirando os cabelos, mas qualquer pessoa tem cabelo preto. – Ela assentiu com a cabeça.
- É um bebê, eles demoram um pouco para mudar os traços, ela pode mudar ou não, não deve ser levado em conta. – Ela assentiu com a cabeça. – Mas... – Ela suspirou. – O que eu quero dizer, Gigi, é que... Não que eu concorde com o que ela fez, mas da mesma forma que você teve um motivo para não contar, ela também pode ter.
- Mas é completamente diferente, eu estava sendo chantageado, duvido que ela esteja.
- Você não sabe. – Ela disse. – Tem várias coisas a levar em conta, Gigi. – Ela movimentou as mãos. – Eu não sou terapeuta dela, mas pensa em tudo o que ela pode ter passado contigo ao longo dos anos, todos os altos e baixos que eu acompanhei, aí vem essa gravidez no pior momento possível: ela está machucada pela sua saída, ela se tornou presidente do time, você foi embora. Ela pode ter se desesperado.
- Mas esconder um filho? – Engoli em seco, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas. – Quantas vezes eu te contei do nosso sonho? Quantas vezes eu e ela conversamos sobre ter esse filho? Por quanto tempo a gente pensou sobre isso? – Ela suspirou.
- É difícil pensar em uma situação dela, mas talvez ela tenha seus motivos. – Ela pressionou os lábios. – Quando você decidiu montar seu plano para poder ficar perto dela, você pensou que ela poderia descobrir, certo?
- Diversas vezes. – Suspirei.
- Você armou uma proteção em volta dela para ela tentar sentir menos a sua falta. – Assenti com a cabeça. – Talvez ela tenha feito o mesmo. Escondido esse filho para evitar se machucar. Ou talvez ela pretenda te contar também, mas está com muita coisa na cabeça.
- Mas um filho... – Ela suspirou. – Eu quero fazer parte da vida delas. Eu quero viver com elas, eu quero... – Soltei a respiração fortemente.
- O que você pretende fazer sobre o seu plano? Você vai contar para ela, ou...
- Eu não sei ainda. – Suspirei. – Eu queria não contar, queria reconquistá-la de volta, começando do zero, esquecer que isso passou.
- E você acha que ela deve te contar? Estamos trabalhando nos mesmos termos, certo? – Suspirei.
- Eu vejo de forma diferente, porque se eu contar para ela que tudo o que eu fiz foi para protegê-la, ela pode ficar comigo com mais facilidade...
- E você não quer?
- Acho que tem muito mais para resolver do que só isso... – Suspirei.
- Então, você quer o caminho mais difícil?
- Talvez... – Cocei a testa.
- Talvez ela não queira, mas foi forçada a isso pela situação em geral. Muito aconteceu com ela esse ano. – Suspirei. – Tentou falar com ela?
- Não acho que eu tenha esse direito.
- Por que não? É seu filho, não? – Suspirei.
- Eu... – Fiquei sem palavras. – Não me parece certo. – Suspirei. – Ela odeia quando falo de relacionamentos porque estou em Paris, que a gente conversa quando ela voltar, mas até lá eu já vou ter perdido dois meses da criança, além da gravidez inteira que já foi. – Ela assentiu com a cabeça.
- Não acha que ela possa estar esperando você voltar para finalmente decidirem o que vão fazer? Sobre tudo?
- Como assim?
- Você mesmo disse que tem várias coisas para conversar e colocar a limpo... Talvez a criança seja uma delas...
- Se eu disser que não está me ajudando em nada você vai ficar chateado comigo? – Ela riu fracamente.
- Nunca, Gigi, mas imagino que você está em um problema pessoal de verdade, que uma terapia não vai ajudar. – Ela disse. – Você está com uma incerteza de que essa criança possa ser seu filho ou não e se deve conversar com ela ou não, mas aí você pensa nas suas decisões que escondeu dela e fica em dúvidas. – Ponderei com a cabeça. – Isso não é um problema que eu vou te ajudar, podemos conversar e você pode desabafar o quanto quiser, mas você não está perdido na sua mente ou no seu coração, você está em dúvidas sobre um fato ou não.
- E você acha que é um fato? – Perguntei e ela ponderou com a cabeça. – Perguntando sua opinião pessoal agora. – Ela suspirou.
- É suspeito sim. – Ela assentiu com a cabeça.
- E eu devo falar com ela ou não?
- Você acha que isso vai te fazer bem? – Ela perguntou.
- Eu não sei.
- Por que não? – Ela perguntou.
- Porque se ela for minha filha ou se não for, eu vou agir como se ela fosse da mesma forma, pois eu amo a e vou lutar por nós... – Ela assentiu com a cabeça. – Mas eu ainda preciso cumprir o restante do meu contrato aqui, então vou ficar fora ao menos mais dois meses...
- Ok... – Ela disse.
- Mas também penso se eu vou magoá-la se eu enfrenta-la. – Suspirei, coçando os cabelos.
- E isso é importante para você?
- Sim, demais. – Suspirei forte. – Ela não pode se machucar mais por algo que eu fiz, Ellen. Até nós dois temos limites. – Ela assentiu com a cabeça.
- Eu não posso te dar um conselho sobre isso, Gigi. Não quero que isso influencie sua decisão, então acho que você precisa seguir seu coração. – Suspirei. – Se você pode esperar mais alguns meses ou se você quer acabar com essa indecisão logo. – Mordi meu lábio inferior. – O que é importante para você?
- Ela. – Engoli em seco. – Sempre ela. É por isso que eu estou aqui e por isso que eu estou fazendo isso. – Apertei minhas mãos na mesa.
- Então, talvez você tenha sua decisão.
- Talvez... – Suspirei. – Mas por que eu não me sinto bem com ela? – Ela sorriu.
- Porque pode ser seu filho e você não quer ficar longe dela. – Assenti com a cabeça.
Capitolo centoveintitre
- Pronto! Pronto! – Falei com Sienna, ouvindo seus resmungos. – Já está lindinha e de bianconera! – Passei a mão em seu body curto preto e branco. – Não pode ser diferente para você visitar seu reino, né?! – Ri fracamente, passando a mão em seu corpinho, vendo-a fazer uma careta e levar as mãozinhas no laço preto que eu havia colocado em sua cabeça. – Vai ser uma festa quando você chegar lá. Eles querem te conhecer!
Me afastei do Moisés, pegando as meias ao lado e voltei, colocando nela, vendo-a esfregar suas perninhas nos lençóis que cobriam o macio e quase tirar eles. Suspirei, mordendo meu lábio inferior para conter outro dos meus milhares de sorrisos com ela e levei as mãos até os olhos, secando-os levemente para não estragar a maquiagem.
- Vamos, então? Mamãe só precisa colocar um sapato. – Peguei a mala dela, colocando-a no ombro e segurei o Moisés pelas alças, ouvindo-a resmungar com a movimentação.
Saí de seu quarto e voltei para o meu, colocando-a na cama e segui rapidamente até o closet, peguei meu scarpin preto com o salto não tão alto e suspirei ao sentir que meu pé não doía mais. Sem pés inchados.
- Ok, amore, vamos lá! Só uma voltinha, sair de casa, tomar um sol... – Peguei minha bolsa na poltrona, checando se as coisas estavam lá e peguei o celular e joguei no mesmo. – E vamos logo que daqui a pouco é hora do almoço e mamãe tem uma reunião com o titio Mario. – Coloquei a bolsa no mesmo braço da bolsa. – Vamos fazer um pouco de malabarismo? – Peguei-a com a outra mão e segui para fora do quarto.
Passei pelo corredor e tomei cuidado para descer as escadas. Fazia uns cinco meses que eu não enfiava um salto alto, não queria nenhum acidente, principalmente com Sienna em minhas mãos.
- Martha, eu vou para o time. - Falei, vendo-a varrer a cozinha.
- Vai mesmo? – Ela perguntou e deixei Sienna em cima da mesa.
- Ah, preciso ao menos levar Sienna para eles conhecerem, eles não param de me mandar mensagem. – Ela riu fracamente.
- Eu fiz um chazinho de erva cidreira, se ela tiver mais cólica. – Martha disse.
- Ah, ótimo. Vou levar um pouco, mas ela passou a noite bem. – Falei, pegando a mamadeira pequena na bolsa de Sienna e levei até a chaleira. Abri a mesma, tirando o bico e enchi a mesma, fechando-a logo em seguida.
- Está morno, mas até você dar vai estar mais gelado. – Ela disse.
- Não, está ótimo. – Sorri. – Só espero não precisar. – Coloquei a mamadeira na bolsa e travei a parte.
- Como foi a noite? Dormiu bem?
- Levantei três vezes para ver se ela estava respirando. – Ela riu fracamente. – Uma quarta para trocar fralda e uma quinta para amamentar.
- Ah, mamãe! Está fazendo direitinho! – Ela disse, me fazendo rir fracamente.
- Me ajuda a colocar as coisas no carro, por favor? – Pedi.
- Claro! – Ela disse e tirei Sienna do Moisés, ouvindo seu chorinho fino.
- Ah, amore! A gente vai passear! Todo mundo vai querer te paparicar! – Falei baixo, acariciando sua cabeça enquanto andava até o carro. – Você gosta de passear? – Martha tinha a porta aberta para mim e coloquei-a devagar na cadeirinha, tomando cuidado com a cabeça e o chorinho continuou enquanto eu ajeitava o cinto nela. – Está tudo bem, amore! – Falei baixo, dando um beijo em sua cabeça, vendo-a tentar esfregar as mãozinhas no rosto e sorri, ouvindo Martha fechar o porta-malas devagar.
- Pronto, coloquei lá dentro. – Ela esticou a bolsa para mim e coloquei-a no ombro.
- Eu não devo demorar muito lá, devo voltar antes de você ir. – Ela assentiu com a cabeça.
- Sem problema, a gente vai se falando. – Fechei a porta do carro devagar.
- Talvez a Giulia venha mais tarde trazer o Kawan, ele está apaixonadinho. – Ela sorriu.
- E quem não está? – Rimos juntas.
- Até mais. – Dei um rápido beijo em sua bochecha. – Grazie!
- Prego! – Ela disse e dei a volta no carro rapidamente, entrando e percebi que o silêncio já havia sido cessado.
- Ah, sua safada! Quer passear, né?! – Brinquei, abaixando minha bolsa no chão do lado do passageiro e liguei o carro, abrindo o portão.
Saí do mesmo devagar, checando se não tinha nenhum fotógrafo ali na porta e, milagrosamente, estava vazio. Dirigi em direção a Continassa tomando o maior cuidado do mundo, demorando quase meia hora para chegar lá. Parei na portaria e abaixei o vidro e o porteiro sorriu para mim.
- Olha quem resolveu aparecer! – Pasquale veio em minha direção e abri um largo sorriso.
- Ciao, Pasquale! – Ele sorriu, apoiando a mão no vidro.
- Como você está? – Ele perguntou.
- Eu estou ótima!
- Auguri! – Sorri.
- Grazie! Dá uma olhada! – Abaixei o vidro de trás e ele se aproximou.
- Ah, ! Parabéns! Olha que coisa mais linda! – Sorri. – Já veio no estilo bianconero?
- Igual a mãe! – Falei e ele voltou à minha janela.
- Parabéns! – Ele sorriu.
- Grazie! – Rimos juntos. – Onde está o pessoal?
- Jogadores? – Ele perguntou.
- Sim!
- Restaurante do CT. – Ele disse.
- Ok, é para lá que eu vou, então. – Ele sorriu.
- Pode entrar! – Ele acenou e fiz o mesmo, guiando o carro para dentro de Continassa.
Atravessei toda a área do CT, passando pelo administrativo, até chegar do outro lado, vendo os diversos carros dos jogadores estacionados e somente minha vaga livre. Estacionei na mesma e peguei somente meu celular e coloquei dentro do bolso da calça jeans. Segui até o porta-malas e peguei o Moisés e a bolsa de Sienna, abrindo a porta de Sienna.
- Parece que alguém precisa de ajuda! – Virei para trás, vendo Pavel e ri fracamente.
- Como soube? – Perguntei, vendo-o pegar a bolsa e o Moisés de minha mão.
- Sandra me avisou! – Rimos juntos e ele deu um beijo em minha bochecha. – Como estão?
- Ah, muito bem! Levemente viradas, mas bem! – Ele riu fracamente. – Segura firme para eu coloca-la aí, por favor. – Pedi e ele assentiu com a cabeça.
- O pessoal só fala de você, que você precisa vir, que você precisa voltar...
- Estou aqui! – Falei, ouvindo-o rir fracamente. – Mas só por causa da reunião com o Mario, eu faço questão de fazer isso. – Tirei Sienna da cadeirinha, ouvindo-a resmungar novamente e deitei-a delicadamente no Moisés.
- Vai voltar? – Ele perguntou. – Tem jogo no sábado em casa. Milan.
- Eu sei, mas eu não decidi ainda. – Suspirei. – Talvez eu abuse um pouco mais do trabalho em casa. – Ele riu fracamente.
- O que você decidir, . – Fechei o carro, trancando o mesmo e ele me entregou o Moisés.
- Vamos ver, como estamos para o fechamento do scudetto? – Perguntei.
- Precisamos de duas vitórias e é isso. Talvez contra o SPAL dia 13.
- Ok, então esse dia eu vou. – Ele assentiu com a cabeça enquanto entrávamos na área coberta do CT.
- E a Champions dia 10?
- Em casa ou na Holanda?
- Holanda! – Ele disse.
- Ok, então eu não vou! Vou só no daqui.
- Combinado. – Ele abria as portas para eu passar.
- Depois vou vendo a cada jogo. – Falei.
- O que você quiser. – Sorri. – Vamos lá?
- Vamos lá! – Falei, rindo fracamente e ele abriu a porta do restaurante, fazendo algumas vozes saírem e Pavel foi na frente.
- Ciao, ragazzi! – Ele chamou um pouco mais alto.
- Ciao, Pavel! – Eles responderam.
- Tenho uma surpresa para vocês! – Ele disse e saí do corredor de entrada, vendo os jogadores nas mesas.
- AH! – Eles gritaram.
- XI! XI! – Pedi, apontando para o Moisés.
- Ah, ela está aqui! – Paulo foi o primeiro a se levantar.
- Calma! Calma! – Pedi baixo. – Deixa eu colocá-la na mesa. – Pedi, vendo Tek, Chiello e Leo se levantar, além de outros que já a conheciam ou não. Me aproximei de uma mesa vazia e deixei o bebê conforto ali, vendo Sienna aproveitando seu soninho.
- do céu! – Chiello sussurrou próximo ao meu ouvido. – Ela é linda!
- Meu bebê! – Sorri e ele me abraçou fortemente.
- Parabéns! Parabéns! Tudo de bom para vocês! – Sorri.
- Grazie. – Suspirei, vendo Leo sorrindo ao seu lado.
- Vem cá! – Ele me abraçou fortemente, me fazendo rir fracamente. – Auguri! Ela é incrível! – Sorrimos juntos.
- Pensando em quem são os pais, é esperado! – Fede disse e ri fracamente, abraçando-o apertado. – Auguri, !
- A gente ficou com inveja por ter sido junto em data FIFA. – Tek disse e rimos juntos.
- Juro que ela veio sozinha! – Falei, ouvindo-os rirem baixinho.
- Mas é melhor assim. – Cuadrado disse. – Sem muita festa! – Rimos fracamente.
- Diga isso para 14 pessoas na sala de parto. – Falei e ele riu fracamente.
- Abu! Bubu! – Virei para Paulo que monopolizava Sienna, me fazendo rir fracamente. – Ciao, amore! Lindinha do titio!
- Ah, agora aguenta! – Ouvi Barza e ri fracamente, abraçando-o devagar.
- Bom te ver aqui! – Ele sorriu.
- Devo voltar na semana que vem! – Ele disse e confirmei com a cabeça.
- Mesmo?
- É, e anunciar minha aposentadoria.
- Ah, não quero saber! – Abanei a mão e ele riu fracamente, me abraçando e dando um beijo em minha bochecha.
- Como ela está? – Ele perguntou.
- Muito bem. – Suspirei. – Fazia tempos que eu não sabia o que era me desligar do trabalho. – Ele riu fracamente.
- Nem é difícil com ela, né?!
- ABU-U-U! – Paulo forçou.
- Paulo, ela tem duas semanas, ela não vai rir! – Ouvi Tek falando, me fazendo rir e me aproximei do pessoal amontoado em cima dela.
- Demora um tempo para isso acontecer, amore! – Falei, apoiando minhas mãos nos ombros de Paulo. – Agora a gente só baba com qualquer movimento dela.
- Auguri, chefa! – Ele virou o rosto para dar um beijo em minha bochecha. – É o bebê mais lindo que eu vi na minha vida. – Sorri. – Parabéns!
- Grazie, amore. – Suspirei.
- Posso segurar? – Ele perguntou.
- Não deixa! – Tek falou rapidamente, me fazendo rir.
- Até deixo, mas depois, pode ser? Logo ela vai acordar para mamar, aí ela já vai ficar agitada.
- Ok! Mas eu vou primeiro! – Ele disse empolgado.
- Ih, você é o décimo quinto ou décimo sexto da fila, isso sem contar a família dela! – Ri fracamente, vendo Mario perto de Barza, me fazendo rir fracamente.
- Você é chato, cara! – Paulo disse, me fazendo rir fracamente.
- Cuida dela, por favor? – Falei para Tek que assentiu com a cabeça e segui para fora do pessoal, vendo Mario todo arrumado de paletó e calça social. – Uau! – Falei, vendo-o sorrir. – Está chique, hum?
- É um dia importante! Vamos tirar uma foto juntos! – Ri fracamente, abraçando-o de lado.
- Eu coloquei maquiagem para você, ok?! – Ele riu fracamente. – Preciso perder alguns quilos, mas isso a gente resolve depois!
- Você continua linda. – Filippi falou ao meu lado, me fazendo rir e abracei-o. – Agora você sorri mais. – Rimos juntos.
- Eu tenho o motivo perfeito para isso. – Ele assentiu com a cabeça, dando um beijo em minha têmpora. – Barza, vem cá! Preciso falar contigo!
- Comigo? – Ele pareceu surpreso.
- Sim, contigo! – Falei, rindo fracamente. – Alguém olha o Tek olhando o Paulo que está olhando a Sienna, por favor? – Mario e Filippi ficaram confusos, mas assentiram com a cabeça. – Sienna! – Falei.
- Ah, sim! – Eles disseram e puxei Barza pela mão até me afastar da movimentação deles em cima de Sienna.
- O quê? O quê? – Barza perguntou e franzi o rosto.
- Por que você está na defensiva? – Perguntei.
- Você vai me xingar, não vai? – Ele perguntou.
- Por que eu te xingaria? – Perguntei, franzindo a testa e ele pareceu assustado, tentando relaxar o rosto. – Você contou Gigi? – Falei, suspirando e ele pareceu surpreso.
- Não, mas eu sou ruim de mentir! Filippi tentou me livrar disso, mas não sei se ele descobriu ou não! – Ele falou apressado.
- Relaxa, Barza! – Suspirei. – Nós conversamos, ele não confirmou que sabe, mas não escondeu que tem 99 por cento de certeza que é, mas também não apareceu aqui.
- Me desculpa, me desculpa!
- Relaxa, Barza! – Repeti, rindo fracamente. – Ele vai descobrir uma hora ou outra e, se eu não precisar contar, confesso que fico mais feliz. – Ele riu fracamente.
- Então, por que você me chamou aqui no cantinho? – Ele olhou em volta e rimos juntos.
- Eu quero te contar uma coisa, mas você não pode surtar! Não quero contar para o pessoal ainda. – Falei firme e foi sua vez de franzir a testa.
- O quê? – Ele perguntou baixo.
- Você não vai acreditar quem está voltando para Turim. – Falei no mesmo tom.
- Gigi? – Ele fez uma careta.
- Costumava ser mais baixa do que ele e ter cabelo azul! – Falei, vendo seus olhos arregalarem.
- Mentira! – Ele disse, colocando a mão na boca. – Manu? – Assenti com a cabeça.
- Sim! – Falei, rindo fracamente.
- Quando? – Ele perguntou.
- Ela chega dia 20. – Ele pareceu surpreso.
- Duas semanas. – Ele disse e assenti com a cabeça.
- E ela me mandou mensagem há duas semanas. Aparentemente ela surtou no Brasil e precisa de uma mudança na vida dela.
- Você está brincando!
- Não! – Falei, rindo fracamente. – A turma vai se juntar de novo. – Ele sorriu, me abraçando fortemente.
- Ah, não acredito nisso! – Ele disse rindo. – A Manu vai voltar?
- Sim! – Falei, rindo fracamente.
- Por que você não conta para o pessoal? – Ele pediu.
- Porque eu não quero que o time comece a zoar o Fede com isso. – Ele compreendeu, assentindo com a cabeça. – Bico fechado agora, ok?!
- Já imaginou o Fede e a Manu juntos de verdade? – Ele perguntou e ri fracamente.
- Já faz dois anos e pouco, Barza. Ele está totalmente em outra realidade, vai ser pai, a situação é totalmente diferente. – Falei.
- Beh, só depende deles, não é mesmo? – Ele disse e dei de ombros.
- Talvez a Manu precise passar o mico depois do tombo. – Rimos juntos e ouvi um choro alto sair.
- PAULO! – Ouvi alguns gritos.
- Não conta! – Pedi para Barza.
- Pode deixar! – Ele disse e segui a passos rápidos de volta para o pessoal.
- Eu não fiz nada! Só estava fazendo carinho. – Paulo se explicou.
- Está tudo bem, ela precisa almoçar! – Falei rindo, vendo Sienna se mexendo no Moisés enquanto chorava. – Vem cá, amore! – Segurei-a com cuidado, tirando-a do Moisés. – Mamãe está aqui.
- É, o homem mau já foi embora! – Leo disse e Paulo bateu nele, me fazendo rir.
- Senhores, se me dão licença, ela precisa comer e eu não gostaria de diversos homens em cima dos meus seios como foi no parto. – Pedi e foi fácil o entendimento.
- Vocês a ouviram! Espaço! – Allegri disse e ri fracamente, andando até uma cadeira e me sentei na mesma, apoiando Sienna em meu colo.
- Vamos lá, amore! – Abri os primeiros botões da blusa, depois o sutiã de amamentação e aproximei Sienna do mesmo, direcionando com a ponta dos dedos até ela pegar o peito.
- Isso, amore. – Acariciei seus cabelos.
- Precisa disso? – Ergui o olhar, vendo Chiello com uma toalhinha.
- Sim, definitivamente. – Falei, rindo fracamente e ele se sentou ao meu lado, somente me fazendo companhia, enquanto os outros espiavam de longe, me fazendo rir fracamente.
- Terra para Gianluigi! – Ergui o olhar, vendo Thiago em minha direção, voltando com a toalha apoiada no ombro.
- Ei, já saiu do banho? – Ergui o corpo.
- É, e você nem foi! – Ele disse rindo e se sentou ao meu lado.
- Estou desligado. – Passei as mãos nos cabelos.
- Percebi, antes do jogo, no jogo, depois... – Ri fracamente.
- Desculpa! Aqueles dois gols foram estúpidos. – Suspirei.
- Isso acontece, Gigi. – Ele riu fracamente. – Mas você está assim desde que eu voltei. Nos treinos, no jogo contra o Toulouse. Não fala com ninguém. – Ri fracamente.
- Eu sou transparente até demais. – Falei, vendo-o rir fracamente.
- Precisando conversar? – Ele me olhou sugestivamente e ri fracamente.
- Nah! Você não merece reclamações de um velho de 41 anos. – Rimos juntos.
- Talvez não, mas acho que a posição de capitão me obriga a me importar. – Gargalhamos juntos. – E eu sinto que tem alguma relação com o nascimento da filha da presidente da Juventus. – Ele disse mais baixo, me obrigando a olhar em volta e suspirei, vendo que nenhum do “top” do PSG estava no vestiário ainda. Já havia passado mais de uma hora do jogo, eles já vieram, foram e eu estava na mesma posição ainda.
- Minha filha. – Falei, soltando uma lufada de ar forte demais.
- Sua... – Ele arregalou os olhos, olhando para mim. – Sua?
- Ao que tudo indica, sim! – Suspirei, me levantando apressadamente como se eu tivesse com formiga pelo meu corpo.
- Co-co-como isso? – Ele perguntou e eu suspirei.
- Você quer a forma literal ou a que se conta para crianças? – Falei. – Desculpa, exagerei no sarcasmo. – Suspirei, soltando o com força.
- E você não sabe? Não tem certeza? – Ele perguntou.
- Não! – Falei, rindo fracamente. – Ela não me disse, mas a data de nascimento, os comentários dos meus amigos e até dela indicam que sim. – Suspirei, tirando a segunda pele com força, ficando entalado na mesa.
- Ok! Ok! Relaxa! – Senti as mãos dele me ajudarem e puxei-a da minha cabeça, vendo-o novamente. – Isso é...
- Loucura, eu sei! – Suspirei.
- E o que você vai fazer? – Ele perguntou e suspirei, me sentando novamente.
- Não tenho a mínima ideia. – Falei, rindo fracamente. – Zero ideia!
- Você vai pedir um exame de DNA? Ou...
- Não, não preciso de DNA com a , ela só precisa ser honesta comigo. – Suspirei.
- Já falou com ela?
- Ainda não.
- Por que não? – Ele perguntou confuso.
- Porque eu também estou escondendo coisas dela e não me parece certo cobrar algo que eu não faço. – Suspirei.
- Mas é uma filha! – Ele disse e eu assenti com a cabeça.
- É, repete mais umas duas mil vezes que você vai chegar aonde eu cheguei! – Falei, rindo fracamente.
- Gigi... – Ele parecia surpreso.
- É! – Falei, rindo fracamente.
- E agora? Se for sua mesmo? O que vai fazer? – Suspirei.
- Honestamente? Acho que de forma prática, não muda muita coisa.
- Como não?! – Ele perguntou chocado.
- Desde que eu soube dessa gravidez, eu queria ser o pai dessa menina. Desde o primeiro dia. – Ri fracamente. – Eu amo a e amo essa criança desde que eu soube da existência dela. – Ele sorriu. – Agora eu só vou ter que dar declarações para pessoas que eu realmente não estou a fim e não tenho ideia como vão reagir. – Ri fracamente.
- Como assim?
- Meus filhos, minha família, a imprensa...
- E você está preocupado com isso? – Suspirei.
- Um pouco. – Assenti com a cabeça. – Com a minha família, é claro! – Ponderei com a cabeça. – Meus filhos gostam dela e estão felizes por isso, mas não sei se ter mais uma irmãzinha vai ser bom de verdade, com o Leo foi difícil. – Suspirei.
- É uma situação diferente, não?
- É, eles odiavam minha ex. – Rimos juntos. – E eles sempre amaram a .
- Acho que você está indo um pouco a frente demais, não acha? – Ele disse e virei para ele.
- Eu sei, eu sei! Eu preciso saber se ela é minha filha antes disso. – Falei, rindo fracamente. – Mas eu só quero ir embora, sabe? Minha cabeça não está aqui, está lá com elas.
- Você pode tentar conversar com eles e...
- Não, não! – Neguei com a cabeça. – Eles já não estão felizes comigo por causa da Champions, não posso perder a confiança das pessoas. – Suspirei. – É diferente estar em um time por 17 anos e depois por um. – Ele pressionou os lábios, confirmando.
- Sei bem! – Ele riu fracamente. – Pensa que temos pouco mais que sete semanas para o fim da temporada. – Assenti com a cabeça.
- O problema é passar. – Ele assentiu com a cabeça.
- Fica perto da sua família! Da gente! – Ele disse. – Talvez não sejamos lindas como ela e fofas igual sua filha, mas... – Rimos juntos.
- Sabe o mais engraçado? Eu nunca tive filhas. Nunca! Brincava que era porque a mãe não era certa. – Ele riu fracamente.
- E agora veio uma menina... – Assenti com a cabeça.
- Sim! – Ri fracamente. – Uma linda menina. Vai ser linda igual a mãe, pode esperar! – Ele sorriu.
- Posso só te dar uma dica? – Ele perguntou.
- É, claro! – Assenti com a cabeça.
- Tenta não demonstrar problemas no time, Nasser é meio chato nessa questão. Acha que problemas pessoais devem ser resolvidos em casa, e profissionais no time. – Assenti com a cabeça.
- Entendi o recado! – Ele confirmou com a cabeça.
- Agora vai! Vai tomar seu banho, quem sabe não saímos para beber ainda? – Rimos juntos.
- Combinado! – Sorri, batendo em sua mão e seguindo até minhas coisas no espaço do vestiário.
- Parece que eles estão com dificuldade de atacar. – Giulia comentou.
- Sim, eu contei uma chance do Fede logo no começo e outras cinco deles. – Suspirei, me movimentando devagar para ninar Sienna.
- Pelo menos o Tek está trabalhando bem. – Gianni disse. – Até demais. – Suspirei, ouvindo Sienna resmungar.
- Ah, amore, não chora. – Dei um beijo em sua cabeça, movimentando-a de um lado para o outro.
- De novo! – Gianni disse após a chance do Ajax aos 35 minutos que acabou indo para fora.
- Gente, a falta que o Barza e o Chiello fazem... – Suspirei, vendo que só Leo do BBC estava em campo.
- Já sabe o que vai fazer com a aposentadoria do Barza? – Gianni perguntou.
- Precisamos de alguém à altura para substituí-lo. – Falei, suspirando.
- VAI, FEDE! – Gianni gritou, se levantando na expectativa do gol de Fede, mas acabou indo para fora.
- Cazzo. – Xinguei baixo, suspirando.
- Tem algum nome em mente? – Gianni perguntou.
- Não tinha, mas estou gostando do número quatro do Ajax. – Falei, andando pela sala de casa.
- De Ligt? – Pietro disse.
- É! – Suspirei. – Eu estou vendo o Barza nele. – Me desviei, ouvindo meu celular tocar. – Vê quem é, por favor? – Pedi para Pietro que ergueu o mesmo.
- Amelia Curtrone! – Ele disse.
- Amelia? Agora? – Pedi o celular com a mão e ele se levantou.
- Vamos trocar. – Ele disse e entreguei Sienna para ele. – Vem cá, amore! – Ele falou fofo e peguei o celular, atendendo e colocando na orelha.
- Alô? Amelia? – Falei com uma das acionistas majoritárias.
- Ciao, ! – Ela disse.
- Ciao! – Falei, me afastando da sala de TV. – Surpresa receber uma ligação sua.
- Estou atrapalhando? – Ela perguntou. – Com a bebê?
- Não, não! Estamos vendo o jogo. – Me afastei da televisão. – O jogo está difícil.
- Sim, bastante. – Ela disse rindo fracamente. – Eu queria te ligar antes, mas não sabia se estava atrapalhando, queria te parabenizar pela bebê. Ela é linda! – Sorri.
- Ah, grazie, Amelia. – Andei pela sala de estar. – Recebi seu presente, espero que não tenha esquecido de agradecer.
- Eu recebi o cartão, não se preocupe! – Ela disse, me fazendo sorrir. – Como estão as coisas? Tudo bem?
- Sim, tudo bem! – Ri fracamente. – Me acostumando a ter uma criança comigo 24 horas por dia, mas estou vivendo o melhor momento da minha vida.
- Ah, que delícia! Você merece! De verdade! – Sorri.
- Grazie, grazie!
- Tem alguma ideia de quando vai voltar? – Ela perguntou.
- Ah, eu devo ir na reunião de abril e na de finalização da temporada, não se preocupe. – Ela riu fracamente.
- Nenhum pouco, mas com essa remodelação, precisamos do máximo de esforços para a próxima temporada e você sempre tem a melhor resposta para tudo. – Ri fracamente.
- É, claro, mas não precisamos pensar tanto nisso agora, jogadores vêm e vão sempre, mas vamos manter a constância, vai dar certo. – Comentei, passando as mãos nos cabelos.
- Ah, isso sim, mas com a saída do Allegri, muita coisa vai mudar. – Arregalei os olhos.
- Desculpa, o quê? – Perguntei.
- GOL! – Ouvi os gritos vindo da sala e o choro de Sienna logo em seguida.
- Desculpe, Amelia, aparentemente abrimos o placar. – Falei, andando para mais longe. – Você disse sobre a saída do Allegri?
- Sim, uma mudança vai ser ótimo, mas começar do zero também pode ser desafiador, ainda mais sendo o Sarri. – Ela disse, rindo fracamente e eu estava em choque.
- O pessoal anunciou na reunião de fim do mês? – Perguntei.
- Sim, sim, você não foi, então o Pavel presidiu e fizemos a votação. Acabou dando 4x6, mas caso empatasse, você precisaria votar, e sei que odeia mudanças. – Bufei baixo.
- Nem fala! – Suspirei, ouvindo o choro de Sienna. – Amelia, eu tenho que desligar, Sienna está chorando, podemos conversar depois? – Perguntei.
- Claro! – Ela disse. – Vai cuidar dela! Nos falamos depois.
- Grazie, ciao, ciao! – Falei e desliguei o telefone antes dela responder e voltei a passos rápidos para a sala, vendo meus irmãos, Kawan e Sienna no mesmo.
- ‘Ponto, ‘ponto! Tá tudo bem. – Giulia falava baixinho para Sienna.
- A mamãe aqui! – Pietro disse e segui até Giulia, pegando Sienna de seu colo.
- Vocês não vão acreditar! – A ajeitei em meu ombro, tocando levemente seu bumbum.
- Ronaldo abriu o placar e foi para o intervalo. – Gianni disse.
- Ah, que ótimo, vou aproveitar e ligar para o Pavel. – Falei, ajeitando o celular na mão, apoiando-o na barriga para discar.
- O quê? O que houve? – Giulia perguntou.
- Eles demitiram Allegri!
- O QUÊ?! – Eles gritaram.
- Sim! – Falei firme. – E contrataram o Sarri! Aquele nojento do Sarri que não ganhou nem campeonato de bolinha de gude! – Falei.
- Você está brincando. – Giulia se levantou.
- Não! Como eles fizeram isso sem me consultar? É só eu sair de licença que eles fazem isso pelas minhas costas? – Disquei o número de Pavel. – Não consigo acreditar! Ele não tem sucesso no Chelsea e a gente o contrata? Isso só pode ser brincadeira.
- Está 1x0, não vai me dizer que ligou para dar dicas de jogo? – Pavel atendeu.
- Você é um puttano, Pavel Nedved! – Falei firme e Giulia veio em minha direção, ameaçando pegar Sienna e neguei com a cabeça.
- Uau! Essa foi funda. – Ele disse.
- Você demitiu o Allegri na minha ausência, não me conta, finge que nada aconteceu, e ainda contrata o Sarri? Sério? Porque o Sarri vai nos ajudar a ganhar uma Champions? Com toda certeza. – Falei.
- Como ficou sabendo? – Ele perguntou.
- Mulheres conversam. – Falei firme. – Onde você estava com a cabeça, Pavel?
- A presidência não cuida dessas decisões, .
- Mas a contabilidade cuida e, caso você se esqueceu, eu sou ambos. – Falei firme.
- Podemos conversar quando eu voltar para Turim?
- Não! Você vai me explicar agora por que você deu essa facada nas minhas costas. – Falei forte. – Você vai trocar o cara que nos levou em duas finais de Champions, ganhamos cinco scudetti, contando que esse já está quase ganho, quatro Coppa Italia, duas Supercoppa, além de vários prêmios individuais, por um cara que não ganha nada desde a promoção do Empoli para Serie B em 2014! – Bufei, negando com a cabeça.
- O Chelsea está indo bem na Europa League.
- É! NA EUROPA LEAGUE! – Falei firme. – Algo que todos vocês abominam só de pensar. – Suspirei.
- , por favor. – Ele disse. – Eu não posso falar aqui perto do pessoal, mas são cinco anos. Você não acha que está na hora de mudar?
- Por acaso se mexe em time que está ganhando? – Andei com Sienna pela sala de estar. – Você sabe a resposta.
- Precisamos ganhar uma Champions, .
- E você realmente acha que Maurizio Sarri é a melhor opção para isso? Sinceramente? – Suspirei.
- É alguém diferente. – Ele disse. – Talvez o diferente seja bom. – Ele falou e bufei.
- Nós ainda vamos voltar a falar sobre isso, mas quando a confiança morre, Pavel, ela não volta nunca mais...
- Lá vem você com drama. – Ele disse firme.
- Ei! Ei! Você me colocou na presidência, caso tenha sido só de brincadeira, você escolheu a pessoa errada, porque se é para fazer o trabalho certo, eu vou fazer... – Bufei, suspirando.
- Eu sei, , é por isso que você foi escolhida, de verdade, mas o conselho votou, deu 4x6, se você estivesse lá para votar, seria 5x6...
- Se eu estivesse lá, não teria ido para votação! – Falei firme. – Eu estou realmente em choque, Pavel. Honestamente. O Allegri tem sido incrível para gente, parte da família, os jogadores vêm jogar por causa dele, o que está pensando? Ronaldo centro de projeto técnico? Ou um técnico que seja uma marionete na mão do administrativo? – Bufei. – Meu foco não é esse, você sabe disso.
- Ele tem sido bom para gente há cinco anos, , mas estagnamos. – Ele disse. – Uma mudança vai ser bom, sacudir as coisas, fazer o pessoal voltar a trabalhar duro e...
- Eles já fazem tudo isso. – Suspirei. – Allegri nos levou a uma final de Champions depois de 12 anos. Outra dois anos depois... – Pressionei os lábios. – O problema começa quando se duvida do próprio time, Pavel. E eu não tenho dúvida nenhuma com nosso elenco atual. Agora se você tem, fala comigo. Comigo em contabilidade, que a gente vê os problemas que eu não vejo. Assumo que essa temporada está uma bagunça para mim com presidência, contabilidade, gravidez, Gigi fora, eu assumo isso, mas se você está vendo problema, fala comigo, pelo amor de Deus! Não faça nada pelas minhas costas. – Suspirei.
- Agora já foi, .
- Foi sim, porque você teve um motivo para me esconder isso. E sabemos que é porque eu não gosto de mudanças, né?! – Suspirei. – Veremos quem tem razão em maio do ano que vem, ok?! Poderia não ter o Allegri, mas temos outras opções muito melhores e que combinam com o stilo Juve. – Neguei com a cabeça.
- Você está falando de fracasso e a temporada nem começou.
- Quantos scudetto você viu o Sarri ganhar? – Perguntei.
- Ele não tinha nosso time. – Ele disse.
- Não, não tinha. Ou a gente que não tinha o Sarri, né?! – Suspirei. – Você vai se encarregar de conversar com o Allegri, ok?! Sendo bem honesto, como não foi comigo.
- Ele já sabe. – Ele disse. – Não faria isso sem antes contatá-lo.
- Olha! Ainda existe esperança.
- Agradeceria se parasse com o sarcasmo. – Ele falou.
- Não! Se eu não posso pagar te dando um belo de um soco na cara, como eu quero dar agora, vai ser com sarcasmo. – Suspirei.
- A gente volta a conversar, . – Ele disse.
- não, não venha tente me cantar com meu apelido. – Falei, ouvindo-o rir fracamente.
- Me desculpe, não vai acontecer de novo. – Ele disse.
- Ótimo, aproveitando que você está aí, peça para o Fabio conversar com o De Ligt, ele me parece uma ótima substituição ao Barza. – Falei.
- De Ligt?
- É, o número quatro, ciao! – Falei, desligando o telefone e bufei, virando para a sala de TV novamente, vendo Giulia na porta.
- Adoro que a Sienna chorou com nossa comemoração de gol, mas ficou calminha com seus gritos. – Ela disse, me fazendo rir fracamente e dei um beijo na cabeça de Sienna.
- Tal mãe, tal filha! – Falei e ela riu fracamente. – Eu não acredito que eles fizeram isso. – Neguei com a cabeça, ajeitando Sienna em meu colo.
- Qual a desculpa dele?
- Que estamos estagnados há cinco anos e precisamos de mudanças. – Voltei para a sala com ela.
- E o que você pensa? – Ela perguntou.
- Eu odeio mudanças, mas me pergunto se minha visão não está comprometida por isso. – Suspirei, voltando a me sentar na quina do sofá em “L”.
- Como assim? – Ela perguntou.
- Talvez ele esteja certo. – Suspirei. – Mas nunca que o Sarri é uma boa opção. Vai ser um desastre! – Neguei com a cabeça.
- Beh, ainda bem que você não vai ser presidente mais no ano que vem, né?! – Ela disse e ergui o olhar para ela. – Não é?
- Honestamente? Não faço a mínima ideia, preciso falar com Agnelli. – Bufei.
- Ok, agora chega de papo cabeça, vai voltar. – Gianni disse e engoli em seco.
Inclinei meu corpo para trás e ajeitei a toalhinha de Sienna em meu peito e coloquei-a por cima, vendo-a tentando apertar meu peito enquanto ela se ajeitava na superfície. Acariciei seu corpinho devagar, sentindo o pijama fofinho que ela usava.
- Dorme, amore. Mamãe vai ficar quieta. – Falei baixo, dando um beijo em sua cabeça.
- Aposto que não dorme hoje. – Giulia disse.
- Talvez não. – Suspirei. – Preciso tentar visualizar como vai ser a temporada ano que vem e achei que estava fácil.
- Como assim? – Gianni perguntou.
- Com técnico novo, significa remodelação no time, então ele pode querer mandar jogadores embora e trazer jogadores de volta ou novatos e eu não gosto disso. – Suspirei. – Ainda mais vindo do Sarri que eu não sei o que esperar.
- Ih! Droga! – Gianni disse e olhei para a televisão, vendo o empate do Ajax ao primeiro minuto do segundo tempo.
- Cazzo! – Levei a mão na testa, suspirando.
É, talvez uma remodelação seja necessária, mas antes do jogo de volta. Eles dominaram o jogo. 65, 83, tudo chance deles e Tek só defendendo e aguentando as bombas que vinha. Mais para o fim do jogo tivemos duas chances aos 85 e 88, uma foi na trave e a outra foi defendida por eles.
Apesar de tudo, ainda teríamos que resolver isso em casa, no jogo de volta, se quiséssemos seguir para a semifinal. Ironicamente, dessa vez eu não estava preocupada, mas bastante empolgada com isso. Mas tínhamos o jogo de sábado ainda, fechamento do scudetto e anúncio de aposentadoria de Barza antes disso.
As coisas estavam ficando sérias e eu finalmente comecei a ficar nervosa pela temporada que vinha. Sem Barza, novo técnico, Gigi de volta... Parecia que eu estava entrando em uma realidade alternativa em um carro sem freios e, o pior, eu estava guiando.
- Ah, bom dia! – Falei, vendo Lou finalmente sair do quarto.
- Bom dia! – Ele falou manhoso, coçando os olhos.
- Ficou acordado até que horas jogando ontem? – Perguntei.
- Tarde! – Ele disse.
- Tarde demais! – Falei firme. – Porque seu irmão veio dormir na sala. – Olhei para ele. – Vai trocar de roupa, escovar os dentes, se quiser almoço tem na geladeira e precisa esquentar. – Neguei com a cabeça.
- Desculpa, pai!
- Não pede desculpas, você sabe que eu não ligo de vocês dormirem tarde, mas infelizmente só tem um quarto! E o Leo ainda fica comigo! – Disse, negando com a cabeça.
- Queria você de volta em Turim. – Ele disse.
- Se Deus quiser, isso acontece em 45 dias! – Falei suspirando. – Mas a gente aguentou bem até agora, por favor! Você está mal-humorado.
- Eu acabei de acordar. – Ele disse.
- E são quase três. O jogo vai começar. – Indiquei a televisão, onde SPAL x Juve começaram a se organizar no túnel.
- Eles fecham o scudetto hoje, não? – Lou disse.
- Fecham! – Dado disse. – Agora vai, vai! – Ri fracamente com Dado e Lou jogou a cabeça para trás.
- Barza está de capitão! – Falei, sorrindo ao ver meu amigo puxando a fila de entrada.
- Ele vai se aposentar, pai? – Dado perguntou e suspirei.
- Segundo a , sim. – Neguei com a cabeça, passando as mãos nos cabelos lisos de Leo que estava em meu colo.
- Você está bem, pai? – Leo perguntou e olhei para ele.
- Estou, amore. Só penso quanta coisa eu perdi saindo. – Suspirei.
- Não pensa assim, pai! Você veio para cá com um propósito, cumprimos. Agora voltamos a luta! – Dado disse empolgado, me fazendo rir fracamente e puxei-o pelo pescoço.
- Amo muito vocês, sabia? – Ele sorriu, envergonhado. – Vocês me ajudaram demais. – Falei, suspirando.
- No que, papai? – Leo perguntou e acariciei sua cabeça.
- Papai te conta em breve, amore. – Suspirei.
- Por que só eles podem saber? – Ele perguntou com sua voz mais fina.
- Porque você é novinho ainda! – Dado fez a mesma voz de Leo, fazendo cócegas no mais novo, fazendo Leo gargalhar e ri com eles.
- Para! Para! Para! – Leo empurrou Dado, fazendo-o parar e dar um beijo na barriga dele.
- Vem, levanta! – Dado disse, dando as mãos para Leo que levantou e se sentou próximo dele.
Ouvi o micro-ondas e virei o olho para trás, vendo Leo andando pela cozinha, mas parecia que ele estava dormindo ainda. Neguei com a cabeça, virando o olhar para a televisão novamente, vendo que o jogo já estava em 20 minutos.
Lou voltou da cozinha com a tigela completa de macarrão e franzi a testa ao vê-lo sentar na poltrona, dobrar as pernas e colocar a tigela em uma almofada e em seu colo. Ele colocou o garfo na pasta, enrolou-a e colocou uma porção enorme na boca, me fazendo rir fracamente.
- Quê? – Ele virou para mim com a boca cheia.
- Meu mais velho está virando um adolescente e eu não percebi. – Suspirei.
- Ah, pai! Sem dramalhão. – Ele disse, voltando a olhar para o prato e sorri, negando com a cabeça. Olhei para TV e vi Barza dando uma cabeceada no nada e caindo de cara no chão, me fazendo rir fracamente.
- Vai, Barza! – Meus meninos riram também e olhei para eles.
O contra-ataque foi nosso e Cuadrado passou para Cancelo que fez o chute, mas acabou desviando em Kean. O goleiro tentou pegar, mas foi para o fundo do gol, me fazendo sorrir. 1x0, estava tudo caminhando bem.
- GOL! – Meus meninos comemoraram e Leo pulou animado na sala e sorri.
- A ! – Lou gritou de boca cheia quando focou nela, Pavel e Fabio no camarote comemorando o gol de Kean.
- Ela foi. – Falei surpreso.
- Ela não ia, pai? – Lou perguntou.
- Ela disse que não ia em jogos fora. – Comentei.
- Ah, é fechamento de scudetto, né?! – Ele disse. É, talvez. Suspirei, olhando para Lou esfomeado.
O tempo realmente passou e eu não vi. Meu filho mais velho já tem 11 anos, Dado tem nove, Leo tem três. Eu tenho 41 e não percebi isso também. Pensando todas as bagunças da vida, não era de estranhar que eu estou cansado. Queria menos dor de cabeça e mais isso aqui. Eu e meus filhos, vendo jogo, comendo besteiras. Só faltava duas mulheres nessa equação. Só duas. Aí ficaria perfeito.
- Pai? – Leo me chamou.
- Fala, amore! – Pedi.
- A gente pode comer gelatto? – Ele perguntou.
- Hum, gelatto! – Lou disse e ri fracamente.
- Vai lá, dragãozinho! Pega para gente! – Falei e ele fez uma careta.
O jogo foi para o intervalo e Lou pegou sua pequena tigela e foi para a cozinha. Leo se sentou junto de seus brinquedos no chão e Dado se aconchegou em meu colo, apoiando a cabeça e jogando as pernas para fora.
- Gelato-o-o! – Lou disse, voltando e Leo olhou.
- Eu quero! Eu quero! – Leo disse animado e Lou esticou uma tigela para Leo.
- Dado! – Lou o chamou e ele se levantou, pegando a tigela e fiquei com a última.
Não deveria ficar comendo besteira, mas com meus meninos aqui, era difícil. E eu estava curtindo essa vibe caseira com eles, vibe família. Acho que eu nunca tinha feito isso desde o nascimento do Lou.
O jogo voltou do intervalo e os meninos logo foram pegar outra tigela de sorvete, enquanto eu me forçava a não comer tudo de uma vez só. O jogo recomeçou e logo aos 49 eles tiveram o empate após um escanteio. Eles cabecearam e sem chance para Perin.
- Droga! – Lou reclamou e eu suspirei.
Eles precisaram realmente de um ponto para fechar o scudetto. Só um. Com um empate ainda era possível. Aos 58 minutos, após outro escanteio, Perin conseguiu fazer uma defesa incrível, evitando que o placar se alargasse. Aos 61, algo incrível aconteceu, na hora da substituição, Allegri tirou Kastanos, jogador da Primavera, e colocou Gianni! Gianni Vitale estava entrando em jogo. Foi inevitável não se emocionar.
- O Gianni está entrando! – Falei, rindo fracamente.
- Quem é ele, pai? – Dado perguntou.
- Irmão da ! – Falei, suspirando. – Joga com a Primavera.
- Qual a idade dele? – Dado perguntou.
- 19, 20, por aí. – Ri fracamente, vendo a câmera focar em que tinha um largo sorriso nos lábios e pulava como uma criança de sete anos na manhã de Natal. – Não acredito que isso aconteceu!
- Ele joga em que posição? – Lou perguntou.
- Meia, se eu não me engano. – Falei, rindo fracamente, passando as mãos nos olhos a tempo de Cuadrado fazer um passe para ele e ele dar uma de Marchisio, mandando para o gol, mas o goleiro defendeu.
- UH, SERIA BONITO! – Lou se empolgou.
- Começou bem, garoto! – Falei, rindo fracamente. – deve estar muito orgulhosa. – Sorri.
Aos 74, o SPAL conseguiu passar. A defesa jovem de Allegri não conseguiu segurar o capitão do SPAL e ele fez gol. Era estranho, pois SPAL era um time de fim de tabela. E estava impedindo a Juve de fechar o scudetto. É, a ironia está aí.
Aos 81 minutos, Allegri tirou Barza e o substituiu por Fede. Barza saiu apressado, colocando o casaco e sendo cumprimentado pelo time, antes de se sentar. O jogo acabou com quatro minutos de acréscimos e uma cobrança de falta de Fede que deu em um cabeceio de De Sciglio que acabou indo para fora. O scudetto seria resolvido em casa na semana que vem, só se o Napoli perdesse contra o Chievo amanhã, mas pensando na nossa sorte...
- Beh, quem sabe na semana que vem, né?! – Falei e os meninos jogaram a cabeça para trás.
- Ah, não acredito! – Dado disse.
- Ao menos vai ser em casa. – Falei, dando um meio sorriso e eles me olharam desanimados.
- Não, pai! – Lou disse. – Não é legal.
- BARZA! – Dado gritou e vi que havia mudado para as entrevistas e Barza era o primeiro na fila.
- Ciao, Barza. O jogo não foi ideal hoje, o que aconteceu?
- Beh, o resultado não foi o esperado, encontramos um time bem-preparado e isso acabou nos atrasando um pouco, mas é preciso uns tropeços para acordar novamente.
- E sobre você? Você vem de três lesões essa temporada, volta hoje em um jogo que foi pouco utilizado, deixando espaço para os mais novos.
- Beh, Allegri gosta muito de trabalhar com os mais jovens e tivemos ótimos exemplos aqui hoje, lutando e dando seu sangue pela Juve. E é preciso dar espaço para eles... – Ele suspirou. – Eh... Scusa. – Ele disse, engolindo em seco e vi uma mão apertar seu ombro, uma mão com unhas pintadas de vermelho. – É por isso que eu vou me aposentar ao final da temporada.
- Droga. – Suspirei, levado a mão à boca.
- Essa decisão é com base na sua temporada? Suas lesões? Sua idade? – Ele perguntou.
- Na verdade, eu decidi me aposentar porque sinto que já dei tudo o que eu tinha para dar. Fisicamente eu não tenho sido tão bem quanto no passado, mas não é só isso. Tem um limite mental também. – Ele suspirou. – Eu sinto que não consigo mais performar em alto nível como eu fazia e isso me incomoda. Então, se não estou fazendo o máximo, melhor parar por aqui.
- E como você imagina sua despedida?
- Beh, eu não sei, me sinto feliz e orgulhoso por ter jogado por oito anos e meio nesse time maravilhoso. Fui acolhido e atingi grandes feitos, mas uma despedida com a torcida no Allianz já me satisfaz. – Ele sorriu, pressionando os lábios.
- E para você, senhora ? – A câmera virou para o lado, comprovando que a mão é de mesmo. – Como é para você se despedir de mais um grande jogador? – riu fracamente e ela e Barza se abraçaram, rindo juntos.
- A ! – Lou gritou animado.
- Beh, para mim é difícil ver nossas lendas indo embora ou se aposentando, mas ver o Barza ir tem um sentimento diferente, pois ele foi minha primeira contratação aqui na Juve, se tornou um grande amigo e é difícil ver o time sem ele ou uma temporada como essa em que ele apareceu pouco. – Ela fungou, piscando diversas vezes. – Mas é isso o futebol, não é? Os jovens vêm e fica a lembrança das lendas. – Barza sorriu, abraçando-a de lado. – Mas ainda temos o jogo de volta da Champions, um scudetto para fechar e seis rodadas do campeonato, então vamos aproveitar cada momento. – Ela sorriu.
- Grazie! Grazie! – O repórter falou e e Barza se afastaram da câmera e ela pegou-os se abraçando fortemente e suspirei, não sabendo quem chorava mais, ele ou ela.
- Barza vai se aposentar. – Dado disse.
- Vai. – Suspirei. – Dai, Barzaglione. Não consigo acreditar, e eu ainda aqui. – Falei e eles riram ainda.
- Você é o Superman, pai! – Lou disse.
- Garanto que muitas vezes só fui o Superman por causa dele, Leo e Chiello. – Suspirei. – E é difícil ver essa turma indo embora de verdade. – Neguei com a cabeça.
- Você está bem, pai? – Dado perguntou e ri fracamente.
- Eu vou ficar bem. – Dei um curto sorriso.
- Ah! – Dado me abraçou de lado, me fazendo sorrir e logo senti Lou me abraçando por cima e Leo as minhas pernas, me fazendo suspirar.
Capitolo centoveintiquattro
Suspirei ao descer do carro e ver os LEDs do Allianz Stadium, nosso estádio. Não voltava aqui desde o dia oito de março contra a Udinese, depois Sienna nasceu e ser mãe sobressaiu o ser presidente e eu não queria largá-la de jeito nenhum. Mas hoje é um dia importante, hoje é o jogo de volta da Champions League e precisamos arrasar, ao menos deixamos um gol de vantagem lá em Amsterdam.
Cruzei a bolsa no corpo e passei pelas portas da área VIP do estádio, vendo a recepcionistas sorrirem para mim e andei pelo local, vendo Angela próxima ao elevador com um largo sorriso em minha direção, me fazendo rir fracamente.
- Bem-vinda de volta! – Ela disse e abracei-a, suspirando.
- É bom estar de volta. – Ela sorriu.
- Pronta para tomar seu reino? – Rimos juntas.
- Ah, me contento em dar um abraço no pessoal. – Ela assentiu com a cabeça e o segurança ao lado do elevador sorriu ao me ver.
- Bom te ter de volta. – Ele disse e sorri, dando um rápido abraço nele.
- Vamos voltar ao trabalho! – Disse e ele confirmou com a cabeça antes de eu entrar no elevador.
- Você chegou cedo hoje. – Angela disse e ri fracamente.
- Minha irmã acabou me expulsando de casa, mas assim que o jogo acabar eu vou voltar para casa. – Ela riu fracamente.
- Não quis trazê-la ainda? – Ela perguntou.
- Ah, muito novinha ainda. Talvez eu a traga no último jogo da temporada, mas a Manu vai estar aqui, ela me auxilia.
- Não acredito que a Manu vai voltar. – Ela disse rindo.
- Em quatro dias! Vai estar aqui no jogo contra a Fiorentina. – Falei, rindo fracamente.
- Emanuelle em jogo contra a Fiorentina? – Ela disse e saí do elevador.
- Beh, o problema dela na Fiorentina joga com a gente agora, espero que ela se lembre desse detalhe. – Falei, rindo fracamente – O mais engraçado é que ambos estão tão diferentes...
- Acho que sou obrigada a começar a torcer para dar certo. – Ela disse e ri fracamente.
- A menina nem chegou ainda. – Andei pelo túnel vazio, seguindo em direção ao campo.
- Ah, mas te garanto que Paulo e companhia estão fazendo o plano para quando ela voltar.
- Você sabe que a Manu e o Paulo possuem uma tatuagem combinando, não sabe?
- Mesmo? – Ela disse surpresa.
- Sim! Morata também, não entendo como a amizade deles deu tão certo. – Ri fracamente.
- Não entendo como você e o Gigi possuem esse relacionamento eterno, se você puder me explicar isso, você me explica a amizade desses três. – Ri fracamente.
- Talvez esteja certa. – Sorri, saindo para fora do estádio, ficando levemente na ponta dos pés ao pisar no campo e olhando para os dois times em treinamento. – Falando neles. – Suspirei ao ver uma rodinha de treinamento com Fede, Paulo, Barza e outros.
- Vai ser interessante. – Angela disse.
- Beh, as pessoas se intrometeram no meu relacionamento, mas não vou me intrometer no da Manu... A não ser se ela quiser. – Falei, ouvindo-a rir fracamente e caminhei pelo lado direito do campo, vendo Pavel e Paratici ali.
- Olha quem voltou! – Pavel disse e ri fracamente.
- Nem vem, eu fui no jogo do fim de semana. – Falei, dando um rápido abraço nele, depois em Fabio.
- Ah, mas foi pelo Barza, não pelo jogo em si. – Ri fracamente.
- É bom voltar. – Suspirei.
- Não trouxe ela? – Pavel perguntou.
- Não, ainda não, ela é muito novinha. – Abanei a mão. – Quem sabe no último jogo da temporada?
- É uma boa! – Ele disse e sorri.
- Sim! – Levei meu olhar para o gol, vendo Tek, Perin e Pinso treinando. Tínhamos alguns jogadores lesionados, inclusive Chiello novamente, mas precisávamos dar tudo de si se quisermos passar.
- Olha lá! – Fabio disse e virei o rosto para o campo adversário. – Ele é enorme! – Identifiquei que ele falava de De Ligt e, realmente, o menino era um armário. E menino, porque o garoto tinha 19 anos só.
- Existe interesse? – Perguntei.
- Estamos conversando, se tiver a oferta ideal... – Virei para ele e ponderei com a cabeça.
- Não temos Mario e nem Chiello nesse jogo, mas a competição foi boa no jogo de ida.
- Até demais! – Fabio disse, nos fazendo rir.
- Ah, chefa! – Paulo veio em minha direção e abracei-o, sentindo-o me dar um beijo na bochecha. – Bom te ver.
- Grazie, amore! – Sorri.
- Cadê a Sienna? – Ele perguntou.
- Em casa, espero que não dando muito trabalho para Giulia! – Falei, ouvindo-o rir fracamente.
- Você precisa trazê-la para um jogo.
- Eu vou, amore! – Abracei Leo que veio logo atrás. – Talvez no fim da temporada. – Falei.
- No último jogo? – Ele disse animado.
- Talvez... – Disse firme.
- Eu posso entrar com ela? – Ele disse apressado. – Se você trouxer ela?
- Eu não confiaria! – Leo disse.
- Ei! Ei! Ei! Vocês precisam fechar o scudetto antes, desacelera. – Falei, ouvindo-o rir.
- Ok, mas pensa com carinho.
- Eu não pensava. – Barza disse e ri fracamente, abraçando-o. – Como você está?
- Tudo bem. – Sorri. – E você?
- Melhor... – Assenti com a cabeça, lembrando de quanto tempo ele chorou após o anúncio.
- Não é mais do que um minuto, . – Paulo disse. – Eu entro com ela, depois já te devolvo e fico na paz. – Ele disse e ri fracamente.
- Vamos pensar no jogo de agora, Paulo? – Tek disse, me cumprimentando rapidamente e abracei-o. – Ciao, chefa!
- Ciao, amore! – Sorri.
- É melhor a gente subir também. – Angela disse ao meu lado. – Muitas pessoas vão querer falar contigo. – Suspirei.
- É, claro. – Ri fracamente.
- Olha quem está aqui! – Pinso correu em minha direção, me abraçando e erguendo alguns centímetros.
- Ah, vocês estão animados demais! – Falei, rindo fracamente e Perin me deu dois rápidos beijos.
- Bom ver você! – Ele disse e passei a mão em seus cabelos curtinhos, vendo-o sorrir.
- ! – Filippi veio e sorriu, abraçando o mais alto, sentindo-o dar um beijo em minha cabeça.
- Como você está?
- Tudo bem! – Sorri e ele assentiu com a cabeça.
- Sua menina?
- Tudo bem, graças a Deus. – Ele sorriu.
- Mana! – Sorri com Gianni e deu um beijo nele, bagunçando seus cabelos.
- Amore! – Abracei-o fortemente.
- Para! O pessoal vai me zoar! – Ele disse envergonhado.
- Ah, claro, te garanto que eles vão te zoar mesmo sem motivo! – Ele riu fracamente.
- Ok, ragazzi! Andiamo! Deixa a mamãe respirar! – Allegri disse e trocamos um rápido cumprimento antes de ele ir correndo para dentro.
- Vamos lá! – Angela disse e assenti com a cabeça, seguindo para dentro.
Durante meu caminho de volta para o elevador, abracei rapidamente Alex, Mira, Fede e Sami. Só Angela subiu comigo. Depois de 40 dias, sabia que meu caminho seria longo até chegar realmente no camarote.
Não foi diferente das outras vezes, mas como eu havia ficado muito tempo fora e tive a Sienna há quase um mês, todo mundo queria me parabenizar, falar o quanto ela era linda, falar como eu fazia falta, essas coisas, inclusive sempre tinha um inconveniente que falava:
“Ah, um pai faz uma falta na vida de uma criança”
Garanto que sim, mas ele estaria de volta em menos de um mês e eu estava COMEÇANDO A SURTAR com isso, então preferia não pensar. Vamos pensar na Manu, ela chega em quatro dias, e só ela para mudar meu humor agora.
- ! – Sorri para Allegra Agnelli.
- Senhora Allegra. – Nos abraçamos rapidamente e deu um beijo em sua bochecha.
- Que felicidade te ver aqui! – Ela disse sorrindo. – Como você está? Parabéns pela bebê. Recebeu meu presente?
- Recebi sim! Muito obrigada. – Sorri.
- Como está a nova vida? – Ela perguntou.
- Ah, muito relaxante. – Falei, rindo fracamente. – Estou nas nuvens!
- É tudo o que você mais quis, não é? – Assenti com a cabeça.
- É sim, nunca achei que fosse possível amar alguém que a gente nem conhecia antes. – Ela sorriu.
- Você merece, aproveita, porque eles crescem muito rápido. – Rimos juntos.
- Ah, não fala isso! – Rimos juntas.
- Aproveita! – Ela disse, acariciando meus cabelos e sorri, acenando para ela e andando pelo camarote. Cumprimentei outras pessoas antes de ver Ada acenando para mim.
- Então você realmente voltou! – Ela disse, me fazendo rir e nos abraçamos rapidamente.
- Eu não decidi se eu voltei, mas eu vim hoje e venho no sábado, depois eu penso. – Eles riram juntos.
- Vai dar certo. – Ela indicou o assento. – Como estão as coisas? – Ela perguntou.
- Ah, tudo na mesma. – Suspirei.
- Falou com ele?
- Não. – Suspirei. – O que me assusta levemente. Qualquer campainha, eu acho que pode ser ele, aí é tipo o entregador ou o carteiro. – Ela riu fracamente.
- Vai ver ele vai respeitar seu pedido. – Virei para ele.
- Se isso for verdade, seria a primeira. – Suspirei. – Confesso que mal vejo a hora disso tudo acabar.
- Andrea já falou diversas vezes “eu avisei”?
- Ah, com toda certeza, se seu namorado aparecer vermelho, é porque eu dei um soco na cara dele. – Rimos juntas.
- Tudo bem, eu perdoo. Porque quase eu estou fazendo isso. – Rimos juntas.
- E como estão vocês dois?
- Tudo bem, ele está meio chateado com a aposentadoria, então estou tentando fazer planos para gente após as férias. Sair daqui, dar uma volta na praia, qualquer coisa. – Assenti com a cabeça.
- É, faz isso. Barza sempre cobrou demais de si mesmo, ele vai surtar no começo, aposto. – Rimos juntas.
- Ele disse que você ofereceu uma posição para ele. – Ela disse.
- Sim, ele nunca demonstrou interesse em ser técnico, ao menos não para mim, mas...
- É uma opção. – Ela disse rapidamente. – E eu gostei de Turim, então...
- Prefere ficar por aqui? – Perguntei e ela deu de ombros.
- Não sei se aqui, por causa do Andrea, filhos dele, etc, mas com certeza não volto para Milão. – Sorri.
- Feliz que Turim abriu seus olhos. – Ela sorriu.
- Demais. – Rimos juntas e ouvi o hino da Champions começar a entrar.
Dybala puxava a fila e suspirei, sem Chiello e sem Mario seria um pouco difícil, mas fino alla fine, né?! E, pela primeira vez em 18 anos, eu estava calma com o resultado que tivesse esse jogo, pois agora eu só precisava pensar em mim e no time, e ninguém mais. O quão irônico seria ganhar uma Champions agora? Sem o Gigi?
Meu sonho durou boas duas horas, mas realmente não era para ser e acho que ficava levemente aliviada por saber que a maldição não estava em Gigi, mas talvez no time mesmo. Cada tive teve uma chance, eles aos 21, onde Ruga tirou por cima do gol de Tek, e outra nossa aos 23 onde o goleiro deles pegou. Em uma cobrança de escanteio aos 28, Fede fez a cobrança e Ronaldo cabeceou para dentro. Estávamos na frente. Isso durou bons seis minutos, pois aos 34, eles empataram novamente. Tek acabou ficando na área sozinho e não conseguiu segurar.
No intervalo, acabei precisando dar uma volta por aí, tinha várias lendas do time presente como Edgar Davids e Edwin van der Saar, goleiro que saiu e acabou dando na contratação de Gigi, que hoje é o equivalente ao Paratici do Ajax. Então precisei fazer o trabalho comunicativo da presidência.
No segundo tempo, eles começaram atacando mais aos 52 e 58, mas Tek estava cada dia mais me mostrando que, talvez, ele podia ser um ótimo Wojciech Szczęsny. Aos 61, Kean teve uma chance, mas foi para fora. Aos 63, eles tiveram uma chance, mas Pjanic tirou quase na linha.
O jogo estava ficando perigoso. Os minutos iam passando e qualquer um que fizesse gol ali teria vantagem, eles mais por estarem na nossa casa. Como uma maldita boca, aconteceu. Eles tiveram escanteio aos 67, De Ligt subiu mais que Ruga e Mattia e mandou para o fundo do gol.
Deu para perceber que o clima ficou mais quente depois desse gol do Ajax. Mais pesado para gente e mais animados para eles, pois aos 74 eles tentaram novamente. Aos 78 um lance duvidoso, tivemos uma chance de ataque, mas o goleiro deles pegou, mas De Ligt atropelou Ronaldo dentro da área. Não foi dado nada, mas o lance podia ter sido revisto com o VAR.
Apesar disso, eu estava gostando desse estilo do De Ligt, queria muito ele aqui na Juve. Ele era bem maior que Barza, mas me lembrava muito as primeiras temporadas do Barza aqui na Juve. Ao menos daríamos medo na concorrência.
Aos 80, eles fizeram outro gol, o que estava impedido, então foi cancelado, mas deu para perceber ali que tínhamos perdido, pois eles começaram a dominar o jogo e a pressionar muito mais do nosso lado. Mesmo que a gente conseguisse atacar, eles dominavam, e sua torcida minúscula tinha calava nossa torcida.
Aos 90 minutos, pouco de anunciar os acréscimos, tivemos um toque de mão na área deles, o VAR foi analisar, mas deu como se não fosse, quando claramente os telões mostravam que sim, mas tudo bem. Ao menos eu não estava fazendo nada de diferente dos presidentes anteriores: sem Champions. Teria que me contentar com uma Supercoppa e um scudetto, que era o principal para mim.
- Você vai descer? – Ada perguntou.
- Sim, vou dar uma rápida passada lá, nos falamos no sábado? – Perguntei, abraçando-a rapidamente.
- Claro! Com toda certeza! – Ela sorriu. – Festejar um pouco, quem sabe o Barza não melhore o humor?
- A Manu vai estar aqui, garanto que vai melhorar tudo. – Falei, vendo-a sorrir.
- Curiosa para conhecer essa menina. – Rimos juntos.
- Faz quase três anos, já virou uma mulher. – Sorri e acenei mais uma vez antes de subir com Pavel e Paratici.
Eu realmente não tinha o que falar e não estava no clima para ouvir Pavel e Paratici reclamando dos problemas desse jogo. Honestamente, não vi nenhum erro drástico, eles tiveram mais chance, a arbitragem não nos ajudou em alguns momentos, era isso. Fino alla fine. Puxei o celular da bolsa, vendo se tinha alguma coisa de Giulia ou de Giovanna, mas só tinha uma mensagem ali, de Gigi.
“Sinto pela eliminação. Precisa de colo?” – Ri fracamente, negando com a cabeça.
- O que é engraçado? – Fabio perguntou.
- Garanto que não você! – Falei, saindo do elevador quando ele abriu, fugindo para responder Gigi.
“Nah, hoje não!” – Respondi, sorrindo.
- Ciao, ciao! – Acenei para meus colegas, colocando a bolsa nos ombros.
- Tchau, Gigi! – Os que sobraram responderam e dei um rápido abraço em Alphonse antes de seguir para fora do vestiário.
Parei ainda com Tuchel e Gianluca, cumprimentando ambos antes seguir pela rua do CT e caminhei em direção ao estacionamento, acenando rapidamente para alguns funcionários que passavam por ali.
- Gigi! – Me surpreendi ao ver Nasser, presidente do time, ali.
- Nasser. – Cumprimentei-o, sentindo-o dar dois tapinhas em meus ombros.
- Então, Gigi, como você está? – Ele perguntou.
- Beh, tudo bem, tudo bem. Tivemos duas derrotas, mas prontos para o jogo de domingo, sem desanimar agora! – Ele assentiu com a cabeça.
- Eu gosto da sua mentalidade, Gigi.
- Talvez porque temos quase a mesma idade. – Brinquei e ele riu.
- Talvez! Talvez! – Ele deu um tapinha em meu ombro. – Sabe, Gigi... – Ele parou. – Tem um minuto ou está com pressa?
- Não, não, sem compromissos. – Falei e ele indicou o caminho.
- Vem comigo, por favor. – Ele pediu e fui ao seu lado, para dentro do administrativo.
Sabe quando você tem 12 anos, é acostumado a aprontar e te chamam na diretoria? Mas dessa vez você não sabe o que fez para ir para a diretoria? Eu estava me sentindo assim. O que tinha acontecido?
- Pode entrar, Gigi! – Ele disse e entrei logo atrás dele em sua sala, vendo-o indicar os sofás e fui até ela enquanto ele fechava a porta. – Eu queria falar contigo sobre a temporada, o que aconteceu, o que deixou de acontecer...
- Claro, claro! – Falei, me sentando e deixando a mochila em meu pé.
- Quando começamos nossa conversa, queríamos cumprir nossos objetivos, nós dois, com a Champions, e acabou não dando certo.
- Sim, por uma falha minha também. – Encostei o corpo no sofá, esticando a mão no encosto.
- Beh, sempre fui jogador de tênis e sempre levava a culpa, aqui acho que temos outros culpados sobre aquele fracasso, mas também pode simplesmente não acontecer... – Assentimos com a cabeça. – Mas acho que, no geral, nosso plano junto, fracassou. Se puder dizer assim.
- Sim, sim, com certeza. – Falei.
- Isso me faz pensar na próxima temporada, temos só mais um mês e pouco, depois entrarão as férias, então queria saber se estamos na mesma sintonia. – Assenti com a cabeça. – Você pareceu se dar muito bem com o time, se entrosou com facilidade, tem sido uma liderança dentro e fora de campo.
- Creio que já joguei ao menos uma vez com a maioria do elenco, principalmente com os brasileiros que acabei me aproximando, nos encaramos algumas vezes, então... – Ponderei com a cabeça e ele assentiu com a cabeça. – Thiago jogou na Itália...
- Sim, sim! – Ele disse.
- Então, eu tenho duas opções para você, uma é continuar jogando, no mesmo esquema dessa temporada, dividindo com o segundo goleiro a titularidade, pensamos em trazer um jogador maior também... – Assenti com a cabeça. – E a outra é entrar para o nosso time como assistente técnico, caso tenha cansado de jogar. – Rimos juntos.
- Beh, Nasser...
- Quais são seus planos? – Ele perguntou.
- Honestamente, Nasser, quando eu vim para Paris, eu tinha um plano em mente. Eu tinha um foco, um objetivo, e ele era em volta de um novo desafio, uma nova oportunidade, uma nova liga, a chance de tirar a maldição da Champions nas minhas costas, e tudo isso deu certo... – Ele assentiu com a cabeça. – Eu só me esqueci que eu já tenho 41 anos e um histórico enorme nas minhas costas.
- Como assim?
- Eu tenho família, filhos, negócios, pessoas dependendo de mim na Itália. – Ele assentiu com a cabeça. – E essa temporada em especial acabou me mostrando que eu posso sair da Juve, mas eu não posso sair da Itália, ou mais que 300 quilômetros de Turim... – Ele riu fracamente. – Tem uma pessoa me esperando, senhor. E depois de 18 anos, eu não posso deixá-la esperando mais um ano, por mais que seja um plano muito tentador. – Ele assentiu com a cabeça.
- Entendo.
- Além dos meus filhos, eles perderam diversas semanas de aula estando aqui comigo, então... – Ele confirmou.
- Confesso que estou levemente decepcionado com isso, mas entendo. Família.
- É. – Suspirei, assentindo com a cabeça. – Eu sempre estive com eles, então nunca foi uma balança pesada, mas essa temporada me mostrou que não tem como mais. Eu não vou poder fazer um bom trabalho se estiver com essa falta. Foi muito difícil.
- Compreendo, compreendo. E você vai voltar para a Juventus ou...
- Eu não sei, honestamente. Não fiz nenhum contato e nem tive contato deles, mas a única certeza é que eu vou voltar para a Itália após todos os nossos compromissos. Se eu tiver alguma oferta, posso aceitar, mas eu percebi que preciso dar mais valor à minha família. E não lembro de pensar assim desde meu primeiro filho, apesar de eu sempre me prender a isso. – Pressionei os lábios, pensando em tanto que eu adiei ficar com por causa da “família”.
- Então, nem preciso contar contigo para um novo contrato? – Ele perguntou.
- Queria poder dizer que sim, mas o eu de 41 anos precisa negar. – Ele assentiu com a cabeça.
- Compreendo. – Ele suspirou. – Desculpa parecer decepcionado, mas...
- Eu também! Achei que fosse um pouco mais aventureiro do que isso. – Falei e ele riu fracamente.
- Acho que você já foi. – Ele disse. – Ao aceitar sair da sua zona de conforto depois de tanto tempo. – Assenti com a cabeça.
- É, não foi uma decisão fácil. – Suspirei.
- É uma pena que nosso projeto não tenha dado certo, mas continuamos na luta. – Ele estendeu a mão e me levantei, apertando-a.
- Eu costumo ter uma boa relação por onde passo, então não quero que fique nenhum ressentimento, caso precisarem de algo...
- Ah, sim! Com toda certeza! – Ele disse. – É uma conversa amigável. – Ele disse. – Nossas portas sempre estarão abertas para você. – Confirmei com a cabeça.
- Feliz em saber disso, Nasser! – Ele disse e peguei a mochila, colocando no ombro. – Nos vemos no jogo no domingo?
- Sim, claro! – Ele disse e assenti com a cabeça, dando mais um aperto de mão antes de seguir para fora de sua sala e fechar a porta.
Foi como se a pata de um elefante tivesse sido levantada de meu peito. O alívio era enorme. Ao menos não precisava mais usar desculpas e falsas explicações. Até o fim de maio eu estava fora daqui. Para nunca mais voltar. E, apesar das palavras, eu tinha quase certeza de que nossos caminhos nunca mais voltariam a se encontrar. Nem meu e de Nasser. Nem meu e do PSG.
Mas agora eu tinha um desafio muito mais difícil a enfrentar: reconquistar e compensar com Sienna tudo o que eu não fiz com Lou e Dado. Não seria fácil, mas eu estou disposto a tentar, nem que isso me obrigue a parar de jogar. Eu realmente não me importo mais, agora só quero .
- Martha, eu vou subir, dar banho na Sienna, amamentar e deixá-la prontinha para levar na Giovanna. Se a Manu chegar...
- Eu falo para ela subir! – Assenti com a cabeça.
- Fechado! – Sorri e segui escadas acima, entrando no quarto de Sienna que estava pouco iluminado pela pouca fresta que eu havia deixado entrar pela janela.
- Cadê minha princesinha? Dormindo ainda? – Me aproximei das cortinas, abrindo-as e me aproximei do berço que pendia no teto que Gigi havia dado, vendo Sienna com os olhos abertos, me fazendo suspirar.
Cada dia que passava os olhos como o meu se tornavam mais azuis escuros e sabia que logo mais deveriam chegar na tonalidade dos de Gigi. E isso honestamente me assustava um pouco, nenhum de seus três filhos têm olhos azuis, mas pelo visto Sienna teria. Ao menos os cabelos estavam começando a ficar mais como os meus, quase um douradinho ao longe.
- Está acordada, minha princesa? – Acariciei sua barriga, vendo-a fazer manha devido às cócegas e sorri. – Ah, mi amore. Hoje é dia de festa, né?! Você está completando um mês, Manu vai chegar, a gente vai ganhar o campeonato... – Falei com a voz infantil enquanto a pegava no berço. – A gente tem muito o que comemorar! – Ela soltava resmungos conforme eu a movimentava, me fazendo sorrir. – Vamos tomar banho e ficar linda? Tia Gio fez um bolinho para você! – Dei um beijo em sua bochecha, ouvindo seu gemido baixo.
Caminhei com ela pelo quarto, seguindo até a cômoda e abri a mesma, pegando um body curto branco e rosa claro com orelhas de coelho no capuz, meinhas do mesmo tom de rosa e um tênis da mesma cor que estaria fora dos pés dois segundos depois que eu colocar. Fechei-a com o quadril e desci mais um, pegando uma manta rosa. Estava esquentando cada dia mais aqui em Turim, mas eu morria de medo de ela sentir frio.
- Vamos tomar banho? Tirar essa fralda? – Segui até o trocador com ela, deitando-a levemente no mesmo, vendo-a virar o rosto para a zebrinha dela que estava apoiada no mesmo. – Você gosta, né?! – Fiz careta, soltando os botões do body e tirei, jogando no cesto de roupa ao lado e abri a fralda. – Hum, lembrança para a mamãe? – Brinquei, vendo-a colocar a mão na boca.
Tirei a fralda, dobrando-a e jogando no lixo ao lado e peguei o algodão e limpei-a antes de levá-la para a banheira em si. Peguei-a no colo junto da toalhinha do trocador e segui com ela até o banheiro. Abri as duas manoplas do chuveiro, ajustando a água antes de ajeitar a banheirinha dela embaixo do jato de água, ouvindo seus gemidinhos.
- Vamos ficar cheirosa? Tirar esse cheiro de cocô? – Falei, dando um beijinho em sua barriga, ouvindo-a gemer fracamente. – Ah, minha linda! Eu te amo tanto. – Suspirei.
Esperei a banheira encher até o nível e desliguei o chuveiro. Tirei Sienna da toalhinha, pendurando-a no box. Chequei a temperatura da água e coloquei-a delicadamente na água morna, ouvindo os gemidos de Sienna.
- Está gostosa? – Perguntei baixo, tirando a mão de sua boca. – Vamos logo antes que você comece a jogar água na mamãe, mas não tenho como tomar banho agora. – Falei, jogando água devagar nela.
Devido ao meu receio e pouca experiência, demorei o tempo usual para dar banho nela, tomando cuidado para não cair espuma nos olhos. Eu ficava super desconfiada com isso de “não arde os olhos”, então evitava ao máximo. Quando finalizei, enrolei-a novamente na toalha e abri o ralo da banheirinha para escoar a água e secar.
Saí do box, secando os pés no piso e voltei para o quarto de Sienna. Coloquei-a no trocador novamente, secando-a devagar e depois limpei seu nariz e suas orelhas. Peguei uma fralda, colocando-a embaixo de seu corpo e sequei mais um pouco antes de passar a pomada de assaduras antes de colar as fivelas.
- Agora está cheirosa! – Dei um beijo em sua barriga, ouvindo seu gemido e sorri. – Linda.
Peguei a escova, dando uma leve penteada nos poucos cabelos de sua cabecinha e depois coloquei o body, deixando a touquinha para fora até os cabelos secarem e os sapatos, pois ela ia tirar logo mais.
Peguei-a no colo novamente e fui até a poltrona próxima da janela, me sentando na mesma. Ajeitei-a em meu colo e abri a blusa que eu usava, o sutiã de amamentação e aproximei-a devagar, apoiando sua cabeça. Era incrível como o bebê evoluía bastante em um mês, não sei se era o meu cheiro, mas ela pegava o peito com muito mais facilidade e apertava com a outra mãozinha.
Tenho que admitir que é minha parte favorita em ser mãe. Esse contato próximo dela, os olhinhos fechados, a mãozinha em meu corpo. É simplesmente perfeito.
- Com licença? – Ouvi uma voz e virei para trás, abrindo um largo sorriso ao ver Manu entrando pela porta.
Dio mio, como quase três anos fazem uma grande diferença. Aquela menina de cabelos azuis cacheados, gordinha e com um estilo de roupa que combinava bastante com seus cabelos, cresceu e se tornou uma linda mulher. Os cabelos azuis deram lugar aos cabelos longos, lisos e escuros, já as roupas mais chamativas sumiram e deram lugar a uma calça skinny escura, uma camiseta de algum kit antigo da Juve e tênis Adidas nos pés. Ela está linda!
- Manu! – Chamei-a com a mão, vendo-a limpar as lágrimas das bochechas e veio em minha direção, me abraçando pelos ombros. – Como você está linda!
- Ah, chefa! – Ela me apertou pelos ombros, dando diversos beijos em minha cabeça.
- Alguém já está chorando? – Ela riu fracamente.
- Eu estou tão feliz por você. – Dei um beijo em sua bochecha, vendo-a se ajoelhar ao meu lado.
- Você não tem ideia como eu estou feliz em te ver. – Acariciei seu rosto, o rosto estava mais fino, mas as bochechas ainda estão lá.
- Eu também. – Ela acariciou a cabeça de Sienna devagar. – Como você está?
- Muito bem! – Respondi, sentindo-a apoiar a cabeça em meu ombro.
- Você me parece muito bem mesmo, como eu nunca vi antes. – Assenti com a cabeça.
- E você está linda, Manu! Meu Deus! Como três anos fazem diferença. – Rimos juntas.
- É a falta do cabelo azul, vai! – Levei a mão até seus cabelos e desci até seu rosto.
- Muita diferença. – Suspirei. – Senti tanta falta sua!
- Eu também. Foram lo-o-o-ongos três anos. – Ela falou dramática e Sienna gemeu em meu colo.
- Já acabou, é?! Ou está sem fome? – Passei o polegar delicadamente pela sua boquinha. – Acho que acabou! – Fechei o sutiã e ergui Sienna, dando leves toquinhos em suas costas.
- Oi, sua lindinha! Eu sou sua tia Emanuelle. – Manu falou fofa, me fazendo rir fracamente. – Você é uma coisa linda demais. – Ela suspirou.
- Ela é meu bebê milagre. – Falei, ouvindo o pequeno arroto de Sienna.
- Oh, delícia! – Manu brincou, me fazendo rir fracamente.
- Um mês hoje, não? – Manu se levantou.
- Sim, um mês. – Afinei a voz, erguendo Sienna e deu um beijo em sua barriga, sentindo-a apertar meu rosto. – Quer segurá-la?
- Sim! Sim! – Manu disse, se sentando na cama de solteiro no canto do quarto e peguei uma toalhinha na cômoda, esticando para ela.
- Coloca no ombro, ela acabou de comer, o leite pode voltar. – Falei e ela assentiu com a cabeça.
- Vem com a titia! – Manu falou fofa e entreguei Sienna para ela, vendo-a segurar com cuidado. – Você é uma lindinha, ‘godinha e bochechuda! – Manu fazia careta enquanto a segurava devagar e me sentei na poltrona novamente, suspirando. – Ela é calma assim?
- Barza diz que tive tudo perfeito, gestação, maternidade. – Ela sorriu. – Falando nisso, você e eu precisamos conversar, sabia? – Ela disse, acariciando a cabeça de Sienna delicadamente.
- Você me falando isso? Eu que tenho que te falar isso. Entender o que te trouxe aqui de novo. – Ela bufou.
- Não é nada diferente do que eu te falei por mensagem, eu preciso de uma agitação na minha vida. – Passei a mão em meus cabelos, sentindo-os secos. – Depois de três anos sensacionais, eu passei três anos horríveis que só serviu para o meu pai me trancar em casa, chega! Não aguento mais! Eu surtei e fim. – Ela deu de ombros. – Podemos conversar com calma, mas não sai disso. Quero ver se acho alguma agitação na minha vida aqui, talvez um emprego, enfim... – Assenti com a cabeça.
- Vamos conversar com calma, quando a temporada acabar. – Falei. – Mas aceito uma babá enquanto isso, que tal? – Rimos juntos.
- Fechado! – Ela disse rindo. – Esse emprego inclui passe livre para os jogos e para Continassa? – Ela fez uma careta, me fazendo rir.
- Consigo.
- E você? O que quer falar comigo? – Ela suspirou e vi que Sienna parecia já querer emendar outro sono.
- Há quanto tempo a gente se conhece? – Franzi a testa.
- Cinco anos e meio, por quê?
- A Sienna não é in vitro, é?! É do Gigi, não é? – Soltei um longo suspiro, tombando a cabeça para trás.
- É. O que denunciou? Porque os olhos estão começando a aparecer agora. – Ela tentou ver Sienna com a cabeça apoiada em seu ombro.
- Eu lembro que a gente conversou quando descobrimos que o Gigi seria pai do Leo, perguntei se você não pensava em ser mãe por fertilização in vitro e você tinha me dito que não era algo que você pensava, seria natural ou adoção. – Ela suspirou, se levantando da poltrona e colocando Sienna no berço. – Sei que não temos intimidade o suficiente para isso, mas eu queria entender por que ele não está aqui.
- É complicado. – Suspirei. – Tem muita coisa para você saber, mas indo pelo caminho mais curto: após a final da Champions, ele disse que me amava, eu cortei, por causa da relação conturbada que estávamos levando, porque ele ainda estava com a Ilaria, e aí ele se afastou, acabou tento alguns momentos, mas bem diferente do que era, em maio de 2018 o agente dele me avisa que ele não vai renovar. Quando conversamos ele só me fala que era por mim, que tudo ia ficar bem, tudo ia se resolver... – Abanei a mão. – Você deve imaginar como eu fiquei... – Ela assentiu com a cabeça.
- Até eu fiquei em choque. – Suspirei.
- Ele veio se despedir nas férias, não usamos camisinha ou estourou, nove meses depois Sienna estava aqui. – Dei de ombros. – Com a presidência e a bagunça da minha vida, preferi esconder. – Suspirei. – Imagina o que aconteceria se eu falasse que essa criança é filha do Buffon? Acho que o escândalo dele com a Alena e a Ilaria já é o suficiente para o resto da vida.
- Mas e agora? – Ela perguntou.
- Eu acho que ele já sabe. – Dei de ombros. – Aparentemente o Barza acabou falando que eu estava grávida de um mês a menos para tentar despistar, mas aí Sienna não é prematura, ele acabou me perguntando algumas coisas, eu fugi, penso que todo dia ele vai bater à porta tentando entender, mas isso não aconteceu até agora, então acho que ele vai terminar os trabalhos dele em Paris antes de colocarmos as cartas na mesa.
- E você ainda o ama? – Suspirei.
- Sim, não acho que um dia não amarei, mas a gente precisa resolver muita coisa antes de ficarmos juntos, Manu. – Neguei com a cabeça. – Olha a que ponto chegamos: ele sai do time e eu escondo uma filha nossa! – Ela riu fracamente. – Muito problemático.
- Mas vocês se amam, é fácil resolver. – Ela deu de ombros.
- Não acho que seja tão fácil, mas uma coisa de cada vez. – Ela confirmou com a cabeça, fingindo que fechava sua boca com um zíper, me fazendo sorrir. – Eu tenho o Barza se aposentando, o Allegri saindo, uma filha recém-nascida e ainda preciso lidar com as questões de entradas e saídas de jogadores.
- Eles sabem? – Ela perguntou.
- Sim, primeiro contei para todo mundo isso de in vitro, mas um dia eu surtei e falei a verdade, porque queria contar a verdade para o Gigi mesmo. – Ela confirmou com a cabeça. – Eu precisei ser honesta com meu time, eles são minha família. – Ela assentiu com a cabeça. – Mas vamos mudar de assunto? Hoje é um dia de festa, podemos, e espero conseguirmos, fechar o oitavo scudetto consecutivo, além de 150 jogos em casa, é importante. – Ela confirmou com a cabeça.
- Boca fechada, chefa! – Me levantei, andando até ela, vendo que Sienna dormia.
- Deixa eu colocá-la no berço. – Pedi e Manu esticou os braços em minha direção e a coloquei em meu colo.
- Agora, me diga, que história é essa do Barza se aposentar? – Ela riu fracamente e coloquei Sienna no berço devagar, apoiando a mão na grade.
- Também não estou muito feliz com essa ideia, mas ele acha que chegou a hora. Foram três lesões em seis meses, eu entendo o lado dele. Barza sempre foi muito exigente, ele acha que não está mais cem por cento, então decidiu finalizar enquanto está bem. – Desviava o olhar de Manu para Sienna.
- Como ele está com tudo isso? – Ela apoiou os braços para trás.
- Está bem, graças a Deus a Ada apareceu na vida dele e tornou nosso dinossaurinho mais calmo, mais feliz... – Ri fracamente.
- Eu disse que ele ia arranjar alguém que o mudaria, lembra? Lembra? – Rimos juntas.
- Você é descendente de bruxas, aposto.
- Talvez eu seja! – Ela se gabou, me fazendo rir. – Falta só você e o Gigi. – Revirei os olhos.
- Sua chata. – Rimos juntas.
- E ela? É legal? Melhor que a Madda Mata? – Gargalhei, levando a mão à boca para não assustar Sienna.
- Nossa, tinha esquecido desse apelido. – Rimos juntas. – Mas sim, ela é ótima, vai estar lá hoje. Ela é biomédica, trabalha no J-Medical.
- Biomédica? O Barza está namorando uma biomédica? – Ela perguntou surpresa.
- Está! – Falei, rindo fracamente. – Ela é doutora, participava de uma pesquisa superimportante com células tronco em Milão, você precisa ver...
- E está com o Barza? – Ela repetiu, me fazendo rir fracamente.
- Está sim. – Sorri. – Mas você precisa ver como é incrível. – Falei. – Não parece que eles são tão diferentes, eles têm sincronia, ela o apoia, ele a apoia, é saudável, sabe?
- Que bom! Ele merece muito, ele é um bolinho fofo... – Ri fracamente.
- Estou te esperando lá, Manu. – Virei o rosto, vendo Martha na porta.
- Ah, nossa! – Manu se levantou em um pulo. – Eu vou assaltar sua cozinha. – Ela disse baixo.
- Falei que ela chegaria morrendo de fome. – Falei, ouvindo-a rir e chequei o relógio. – É, vai logo, come, toma banho, se arruma, precisamos sair daqui as cinco. Eu deixo a Sienna na Giovanna e vamos para o estádio.
- Ok, eu tenho pouco mais de duas horas. – Ela puxou o tecido da blusa que usava. – Rola uma blusa mais atual também? – Peguei o aparelho da babá eletrônica e segui para fora do quarto com elas.
- Rola, mas só lá no estádio. – Falei, ouvindo-a
- Contra quem é o jogo? – Ela seguiu à frente, descendo as escadas.
- Fiorentina. – Falei, dando um sorriso.
- O quê? – Ela parou. – Ok, precisamos falar sobre isso.
- O quê? – Falei, não contendo a risada.
- VOCÊS CONTRATARAM ELE! – Ela falou alto, me fazendo gargalhar. – O Paulo me lembrou disso só depois que eu comprei passagem.
- Ah, Manu! – Ri fracamente. – Que besteira! O Fede é um garoto ótimo, e está fazendo uma temporada incrível, já perdi a conta de quantas assistência ele deu. Além de ele também ser um bolinho fofo, como você diz. – Ela tombou a cabeça para trás dramaticamente.
- Mas como eu vou olhar para ele, ? – Ela disse rindo. – Não se esqueça o que aconteceu comigo em 2015! Ainda tenho uma cicatriz. – Ela levou a mão para a pequena cicatriz no queixo.
- Ah, Manu, qual é, faz quatro anos. – Ela suspirou.
- Foi o mico da vida, , qual é. Eu sou desastrada, mas aquilo foi ridículo. – Rimos juntas.
- Eu entendo, Manu, mas o melhor que você tem a fazer é levar isso na diversão, porque o Paulo faz questão de que ninguém se esqueça. – Ela bufou. – Inclusive o próprio Barza o lembrou quando falei que você viria.
- Ah, eu mato ele. – Ela disse baixo, me fazendo rir.
- Manu, relaxa, vai dar tudo certo! Ainda é uma ótima forma de começar amizade, depois vocês esquecem disso e vira uma lembrança gostosa. – Empurrei-a pelos ombros, obrigando-a a descer os degraus.
- É, só tem um problema nessa equação toda. – Ela disse.
- Qual? – Franzi a testa.
- ELE ESTÁ GATO DEMAIS! – Ela gritou. – Eu caí nos pés de um garoto magricela, com um topete ridículo, agora ele está gato, musculoso, gostoso e...
- A evolução, né?! Você também está gata, gostosa e...
- Eu emagreci um pouco e pintei da cor natural de novo, agora ele... – Ela apertou as mãos com força, me fazendo rir. – Ele virou um deus grego! – Gargalhamos.
- Ah, o Fede é bonito mesmo, não que faça meu tipo, mas ele é um fofo também. – Ela suspirou. – Ah, Manu! Vamos! – Apertei seus ombros. – Você pode até fugir do jogo de hoje, mas se quiser um emprego no time ou comigo, você vai ter que passar por esse primeiro encontro. – Ela suspirou.
- Por que eu não chequei quem está no squad antes? – Ela fez um bico.
- Você realmente não viria por causa dele? Achei que precisasse extravasar. – Falei.
- Talvez eu me preparasse melhor. – Revirei os olhos.
- Vamos, Manu! Além de ser zoada, o que você acha que pode acontecer? – Ela suspirou.
- Esse homem lindo e gostoso rir da minha cara?! – Ela disse em tom de pergunta.
- O Fede não é assim, Manu. – Me sentei na mesa da cozinha. – Você vê essa pose dele e pensa que ele é um cara metido, nojento e algo assim, mas ele é um fofo demais. – Ela suspirou. – Quem sabe não vira em algo a mais? – Pisquei para ela, vendo-a rir sarcasticamente ou nervosamente.
- Há, há, há, ok, ok, vamos desacelerar, não estou com coragem nem de falar oi para ele. – Rimos juntas. – Desacelera. Melhor de tudo, para! – Ela disse firme. – Tenho certeza de que um homem daquele nunca vai querer algo comigo.
- Ok, vamos melhorar essa autoestima, depois a gente vê. Você é bem famosa e aposto que ele está empolgado em te conhecer. – Martha colocou um prato de pasta em sua frente.
- Ah, quem não está animada em conhecer a palhaça da Juve? – Ela deu de ombros e revirei os olhos.
- Ah, Manu, cala a boca e come! – Falei e ela fez um bico antes de atacar o prato, me fazendo rir fracamente e revirar os olhos. Ela não mudou nada.
- Nós perdemos pontos importantes, mas vamos recuperar. – Thiago disse.
- Sim, a começar pelo jogo de amanhã! – Marquinhos disse e assenti com a cabeça.
- Estamos prontos, seja eu ou Alphonse. – Falei e eles assentiram com a cabeça.
- Combinado, a gente se vê amanhã! – Thiago disse e assenti com a cabeça.
- Bom descanso para vocês! – Falei e eles acenaram com a mão quando chegamos no estacionamento.
- Vocês também! – Marquinhos disse e segui em direção ao meu carro, checando rapidamente o horário.
Os goleiros e a defesa ficaram conversando e acabei perdendo noção do tempo. Era 17:33, o jogo começava as 18 e eu demorava ao menos 30 minutos para chegar em casa. Seria um milagre eu chegar a tempo, mas eu precisava correr.
Hoje é dia de fechamento de scudetto, podia não estar lá, mas estava torcendo muito por eles. Acho que é a primeira vez que eles fecham tão antes. Acho que ainda faltaria quatro jogos para o fim da temporada. Quatro jogos inúteis, pois vencendo esse, tudo acaba. E era um dia muito empolgante, principalmente para que teria o primeiro scudetto como presidente e, pela primeira vez, um scudetto a mais do que eu.
Estacionei na garagem e apertei fortemente o botão do elevador, esperando qualquer um dos quatro chegar. Quando o primeiro chegou, entrei no mesmo e, devido à minha pressa, ele parou no térreo para pegar um morador e depois um andar acima para deixá-lo, me fazendo sorrir e querer apertar seu pescoço. O homem parecia ter uns 35 anos, se ele subisse mais de escadas, talvez perderia a pança dele.
- Bonne nuit. – Ele disse e dei um sorriso, tentando esconder o falso nos lábios.
Quando finalmente cheguei no último andar, mal deu tempo de eu esperar a porta se abrir e segui apressado pelo corredor. Abri a porta e a bati com força assim que passou, procurando pelo controle. Ao menos a televisão já estava no canal correto e sorri ao ver o jogo em andamento e somente quatro minutos passados do relógio, além do 0x0 ainda.
Da mesma forma que na semana passada, precisávamos de um ponto para fechar. Só um ponto, então isso poderia vir de uma vitória ou de um empate, menos de uma derrota. E o time da semana passada era mais fácil do que a Fiorentina. Apesar que os viola estavam em décimo terceiro na tabela. Não sei o que estava acontecendo.
Peguei meu celular, jogando-o no sofá e puxei a camiseta para cima. Segui rapidamente até o quarto, tirando a calça e peguei uma bermuda de tactel, colocando-a rapidamente enquanto chutava os tênis para fora.
- GO-O-O-O-OL! – Saí correndo para a sala de TV, vendo a Fiorentina comemorando.
- Cazzo! – Suspirei, vendo a reprise e um uma bagunça na pequena área acabou dando no gol, mas Tek havia ficado no chão, aparentemente com um problema na mão.
O replay passou diversas vezes e, pelo visto, foi uma pisada de Rugani que fez com que Tek fosse atendido. Pinso foi para aquecimento, mas parece que Tek iria continuar. Levar um pisão na mão era fatal, ainda mais nos primeiros cinco minutos de jogo.
Olhei para a televisão rapidamente e terminei de tirar as meias e voltei para a sala. Fui até a cozinha e abri o pacote de uma pipoca, colocando-a no micro-ondas e selecionar o botão da pipoca. Seria minha janta. Peguei uma long neck na geladeira, abrindo-a e fiquei na porta da cozinha, observando o jogo pela televisão.
Assim que a pipoca ficou pronta, abri o saco e coloquei em uma tigela. Coloquei um pouco de sal e segui até o sofá, me sentando no mesmo e apoiei a long neck na mesa de centro e a tigela ao meu lado no sofá.
- Andiamo, ragazzi. Andiamo! – Coloquei uma mão cheia de pipoca na boca e passei a mão rapidamente na bermuda antes de pegar o celular.
Entrei no Instagram e vi a página atualizar, me dando uma foto de Manu em primeiro lugar, me fazendo franzir a testa. Era uma foto de Manu entrando no Allianz. O nosso estádio em Turim. Cogitei ser foto velha, mas ela estava com os cabelos escuros de atualmente e a entrada VIP tinha o escrito “Allianz Stadium”, não mais “Juventus Stadium” como foi até 2017. E legenda também me ajudou com o escrito em italiano “De volta ao lar”.
- Manu está em Turim? – Desviei o rosto quando o narrador falou empolgado e vi Bernardeschi perder uma chance aos 14 minutos. – Manu? Fede? Será?
Procurei rapidamente pelos seus stories e vi que tinha várias atualizações nas últimas 24 horas.
O primeiro era uma foto de um letreiro de aeroporto e o escrito “Quase lá”, além de uma localização do aeroporto de Heathrow.
O segundo era de uma vista passando em um trem e o escrito “Chegando”, e a localização havia mudado para Milão.
A terceira era uma foto de paisagem, parecia a frente da estação principal de Turim, onde dava para ver a Mole Antonelliana no fundo, o emoji de uma casa e a localização de Turim confirmou as suspeitas.
A quarta me surpreendeu com uma selfie dela e de , não era selfie, na verdade, era um boomerang. Ela e Manu intercalavam sorrisos e mostravam a língua. Isso me fez sorrir demais. Manu está em Turim! Depois de... Três anos, Manu está de volta!
- CONCLUSIONE! – Ergui o rosto, vendo outra chance de Fede aos 21 minutos, o que acabou desviando e lambendo a trave pelo lado de fora.
- Alguém está querendo se exibir! – Falei, rindo rapidamente.
O quinto story mudou sozinho e vi outra selfie, dessa vez era de Manu, tirada de cima e, em seu colo, estava Sienna. Ela dormia no peito de Manu que fazia um bico com a fofura dela e a legenda “Princesinha do reino Juventus” e uma coroa, me fez sorrir mais ainda.
O sexto story era um vídeo de Sienna, aparentemente presa na cadeirinha de carro. Manu parecia filmar do seu lado e os olhos de Sienna olhavam curioso a pessoa que fazia gracinha para ela.
- Não acredito que a Manu conheceu minha filha antes de mim... – Ri fracamente, desviando o olhar para o jogo rapidamente.
Ao menos a minha confirmação de Sienna ser minha filha estava vindo logo, pois tinha a leve impressão de que os olhos dela estavam se tornando azuis. O que era bem legal, pois nem Lou, nem Dado e nem Leo conseguiram meus olhos azuis e parece que minha princesinha teria.
- GO-OL... NO! – O narrador falou e ergui o olhar, vendo a bola dentro do gol, mas ninguém da Fiorentina comemorava. Impedido.
- CAZZO, JUVE! DAI! DAI! – Falei.
Não dava para ser assim, eles perderam só dois jogos na temporada inteira e agora no final deixariam isso acontecer? Não, não dá!
O próximo story passou e era a versão em vídeo da foto de Manu na frente do estádio. Ela caminhava com os dedos em sinais de paz e amor e fazia uma careta para quem estivesse filmando, sinalizando onde ela estava com as mãos
O seguinte era quase o mesmo, mas agora de entrando no estádio na mesma cena, ela estava de costas, a saia preta e blusa branca tradicional, além dos saltos e uma bolsa na mão, sem nem olhar para trás. Manu escreveu o mesmo que eu penso “Rainha da Juventus” e colocou uma coroa em sua cabeça, me fazendo rir.
O penúltimo story era Manu já no camarote, filmando tudo e um escrito em letras garrafais e neon “CASA!” E o último era a mesma cena, mas ela, e Pavel em uma selfie com o estádio de fundo, me fazendo sorrir.
- A Manu está em Turim! – Falei, rindo fracamente.
Essa definitivamente é a notícia mais louca que eu já tive na minha vida. Mais ainda do que estar grávida e a filha ser nossa. Manu foi embora devido a uns problemas familiares em 2016, mas ela fez falta todos os dias que se seguiram, tanto que ela ainda tem um lugar especial no coração de todos que a conheceram. E ela voltar? Era incrível!
Confesso que estava curioso para ver o reencontro dela com o pessoal e com Bernardeschi, principalmente. Depois daquele tombo em dezembro de 2015, ela prometeu que nunca mais iria a um jogo da Fiorentina. Olha a ironia, ela volta e o primeiro jogo dela é contra a Fiorentina, mas Fede não joga mais com eles e sim conosco.
Ah, a vida é uma delícia.
Enfiei a mão no balde de pipoca, enchendo a boca novamente e vi uma chance de Ronaldo aos 33 minutos de fora da grande área, mas o goleiro deles pegou. O gol finalmente saiu aos 37 minutos, em uma cobrança de escanteio de Mira, Alex deu uma cabeceada de outro mundo, mandando no cantinho do gol, me fazendo sorrir.
- GO-O-O-O-O-O-O-O-O-OL!
Já tínhamos o scudetto, agora eles poderiam aumentar a diferença para não ficar no sufoco igual na semana passada. Não demorou eu falar, Chiesa, filho de Enrico, meu ex-companheiro de Parma, tentou um chute que bateu na trave e acabou indo para fora no ricocheteio aos 43 minutos. Foi por muito pouco!
Aproveitei intervalo para finalmente desfazer minha mochila e organizar já para o jogo de amanhã. Seria só as nove da noite, mas eu não tinha o que fazer agora e também não teria o que fazer amanhã.
O segundo tempo começou devagar, mas aos 53, veio o segundo gol. Após uma passada de Ronaldo, primeiro deu a impressão de que o gol seria de Fede, mas no replay mostrou que acabou sendo da própria defesa da Fiorentina. Não importava para gente, estava 2x1 e agora estava mais confortável, só não dava para folgar demais, eles estavam achando as falhas nossas e chegando para o ataque, incluindo um aos 62.
Em nosso contra-ataque, um milagre aconteceu, Ronaldo tentou e foi defendido, Fede tentou de jogo e também, Cuadrado por fim também. Não era para ser, com toda certeza. Aos 64, foi a vez de Mira tentar, mas o goleiro tirou para cima em um lance empolgante.
O jogo se tornou equilibrado e a torcida já começava a cantar. Eu já tinha virado toda a cerveja e comia com pressa a pipoca, no nervosismo de que esse placar mudasse do nada, mas seria difícil para ambos os lados atacar agora que as defesas se fecharam mais. Duas das três substituições foram para reforçar a defesa, então Allegri já estava contando com o fim.
Nos minutos finais, Ronaldo ainda tentou mais uma vez, mas acabou indo para fora. Quando o árbitro apitou, aquela festa começou com os jogadores de fora de campo comemorando. Juan com famoso spray de barbear, Fede com sua animação sempre e todos foram para o meio de campo.
- Auguri, ragazzi! – Suspirei, vendo os meninos comemorando no centro de campo, pulando em círculos e era difícil ver alguém que não estivesse com as cabeças brancas de creme de barbear.
O pessoal foi em direção à Curva Sud, aplaudindo-os e comemorando com eles e eu queria muito estar lá. Muito mesmo. Era sempre um dos dias mais felizes da minha vida. Principalmente pois era uma desculpa para falar comigo, se ela não estivesse falando.
Sorri ao ver Chiello e Barza andando lado a lado pelo campo e eles estavam felizes, com largos sorrisos no rosto. Ao menos Barza terminaria de uma forma muito positiva. De pensar que ele entrou na Juve em janeiro de 2011 e, de lá, tirando o final da primeira temporada, ele nos ajudou a conquistar os outros oito.
Dai, ragazzi. Dai, Barzaglione.
Peguei meu celular, procurando pelas mensagens e entrei na conversa com . Fazia um tempo que não nos falávamos, ela me mandava algumas coisas de Sienna, o que me fazia crer mais ainda que é a minha filha, talvez uma forma de não perder tanto, mas nada demais. Abanei a cabeça e escrevi poucas palavras, como sempre.
“Auguri, chefa! Pronta para o nono agora?” – Enviei, suspirando. Ela não responderia agora, mas queria ser o primeiro a parabenizar. Se isso fosse possível.
- Siamo noi! Siamo noi! I campioni dell’Italia siamo noi! – Falei baixo, rindo comigo mesmo.
Capitolo centoveinticinque
- CONSEGUIMOS! – Manu gritou, me abraçando fortemente pelos ombros, me puxando para baixo e eu só consegui suspirar aliviada.
Fechamos. O trigésimo nono – ou trigésimo sétimo para os mais chatos – era nosso e a sensação era deliciosa! A única parte chata era que literalmente toda pessoa que estava no camarote veio me cumprimentar. Seja acionistas, conselheiro, só benfeitor ou até algum familiar dos meninos que estavam lá. Eu realmente não lembro disso da época do Agnelli, mas acho que agora entendo por que eles sempre fogem do camarote assim que o apito é soado ou segundos depois, como diabo fugindo da cruz. Não é fugindo da cruz, é fugindo deles mesmo.
- Grazie! Grazie! – Sorri e virei para Manu e Adalina, fechando o sorriso. – Eu odeio essa parte do trabalho. – Falei e elas riram.
- É um dia de festa, chefa! Você conseguiu! – Manu me abraçou pelos ombros novamente. – Depois dessa temporada louca e insana para você e para o time, nós fechamos! – Ela sorriu.
- É, amore! Conseguimos! – Ada sorriu para mim. – Agora, vamos lá embaixo? – Sorri para Manu que puxou a respiração fortemente e soltando devagar. – Vamos! – Puxei-a pelo braço e Ada riu.
- Ei, ele é um garoto bonito! – Ada disse, nos fazendo rir.
- É esse o problema para ela! – Seguimos lado a lado e ainda precisei parar para alguns rápidos cumprimentos e abraços, mas conseguimos chegar no elevador.
- Por quê? O que tem? – Ada perguntou.
- Ah, é complicado! – Manu disse rindo. – Eu não sei lidar com caras bonitos, ok?! Eu fico sem fala, aí eu engasgo e posso desmaiar.
- Ah, exagerada! – Falei rindo. – Te mostrar de novo nosso squad de 2016, que tal?
- É diferente! Mas vocês nunca vão entender. – Ela abanou a mão.
- Se você explicar...
- Ah, depois, depois. Estou há duas horas me preparando para isso. Vamos lá! Paulo me salva...
- HÁ! – Ri sarcasticamente. – Capaz de te jogar nele. – Ela fez uma careta.
- Ah, você tem razão. Meu amigo é um coglione. – Ela disse.
- Oh! Algumas palavras sumiram do seu vocabulário, mas os xingamentos... – Falei e ela riu fracamente.
- Na ponta da língua! – Rimos juntas. – Você não vai me julgar, né?! – Ela se virou para mim.
- Pelo quê? Falar com o pessoal? Nunca! – Falei, rindo fracamente.
- Ok, porque eu estou super empolgada com isso. – Ela deu uns pulinhos e o elevador se abriu.
- Bentornata a casa, Manu! – Falei e ela saiu primeiro no elevador e fui logo atrás com Ada, vendo algumas pessoas me pararem no túnel. – Vai na frente, logo chego! – Falei e sorri ao ver Mauro Camoranesi ali com a repórter da DAZN.
- Ah, meus olhos não me enganam! – Ele sorriu e andei rapidamente até ele, abraçando-o fortemente. – ! Quanto tempo! – Sorri.
- Nossa! Que delícia te ver! Eu te vejo ligado a várias coisas da Juve, mas parece que eu nunca estou para te encontrar! – Ele riu fracamente.
- Nem fala! Eu te procuro e cadê a famosa presidente da Juventus? – Rimos juntas.
- Ocupada! Ocupada! – Ele sorriu.
- Presidência, um bebê... – Ri fracamente. – Parabéns! – Sorri.
- Grazie! Bom te ver, sério! – Sorri.
- ! – Ouvi o grito de Manu, me assustando e virei para ela que estava na porta do vestiário.
- Se acalma! – Falei e ela fez uma careta.
- Você está ocupada, presidente, nos falamos depois! – Mauro disse e abracei-o novamente.
- Não some! Eu estou aqui para todos os jogos. – Brinquei e ele riu fracamente.
- Tentarei! Ainda quero conhecer sua menina. – Sorri.
- Pode deixar! – Trocamos dois rápidos beijos e me afastei, rindo fracamente. Era engraçado, de uma forma Mauro não parecia ter mudado nada, em compensação a idade não lhe fez bem. Já fiquei sabendo dele em algumas pré-temporadas nos Estados Unidos, em alguns jogos que estávamos, mas nunca consegui falar com ele. – Vamos, sua chata! – Indiquei o vestiário, vendo Manu entrar devagar.
Manu entrou claramente receosa e Ada ria ao meu lado. A antessala do vestiário estava vazia, mas o piso grudento denunciava que eles já tinham passado por aqui. Acho que demorei uns 40 minutos para descer. Era essa parte que eu não gostava da presidência. O trabalho era muito social e eu odiava ser sociável por precisar ser.
- Mana! – Sorri ao ver Gianni ali com a blusa comemorativa do oitavo scudetto e abracei-o fortemente.
- Ah, meu menino! – Ele riu na minha orelha. – Parabéns! Parabéns! – Estalei um beijo em sua bochecha.
- Agradeço por tudo o que você fez por mim! – Ri fracamente.
- Esse é só o começo, meu amor. – Ele sorriu e segui cumprimentar Kean.
- Chefa! – Ele sorriu e estalei um beijo em sua bochecha,
- Você foi incrível! – Ele sorriu assentindo com a cabeça e passei para Blaise que estava ali também.
- Mon amour! – Ele brincou e abracei-o fortemente.
- Auguri! – Falei, rindo fracamente e abracei Gozzi, outro garoto da base que havia tido uma chance com Allegri.
- AH! – Um grito me adiantou até a sala da fisioterapia no fundo e vi Dybala pular nos ombros de Manu, abraçando-a fortemente e abri um sorriso vendo Cuadrado e Cáceres abraçarem-na também, me fazendo rir fracamente. – VOCÊ ESTÁ AQUI! VOCÊ ESTÁ AQUI! – Dybala gritava, pulando com ela.
- Ah, Paulo! – Manu o abraçou de volta e vi o sorriso nos lábios de Paulo, fazendo uma lágrima escorrer de minha bochecha. Amizade verdadeira é aquela que transcende o espaço e tempo. Como a deles.
- Chefa! – Sorri ao ver Filippi ao meu lado e abracei-o fortemente. – Parabéns pelo scudetto.
- Parabéns para nós! – Rimos juntos, ouvindo os gritos do pessoal cumprimentando Manu e segui para Allgeri. – Bom trabalho, mister. – Pisquei para ele que retribuiu. – Vou sentir muito sua falta.
- Eu também. – Ele sorriu. – Ainda mais com essa louca de volta! – Rimos juntos e depois abracei Landucci, assistente dele.
Depois de abraçar Manu, os jogadores vieram em minha direção me abraçar e cumprimentar: Paulo, Cuadrado, Cáceres, Alex, Leo, Mario, Spinazzolla, com exceção da Barza que estava largado em uma maca por algum motivo, já que não jogou, Ruga e Sami, além do resto do pessoal que deveriam estar no banho.
- Conseguimos, chefa! – Chiello me apertou.
- Conseguimos! – Suspirei, recebendo um beijo em minha bochecha. – Somos uma ótima dupla, Chiello.
- Desde 2005! – Ele esticou a mão e bati na dele, rindo e Mario se aproximou.
- Como está se sentindo? – Mario perguntou, me abraçando pelos ombros e sorri.
- Eu estou muito bem. – Ri fracamente. – Você sabe que só falta uma coisa para isso ser perfeito. – Ele assentiu com a cabeça, dando um beijo em minha têmpora.
- Em breve, chefa! – Assenti com a cabeça.
- Eu sei... E é disso que eu tenho medo. – Rimos juntos.
- Não vai me esquecer, hein?! – Ouvi Allegri falar com a Manu e sorri, seguindo para perto do pessoal
- Não mesmo, mister! – Ela disse, abraçando-o fortemente. – Também não estou feliz que vá sair do time, mas aceito e agradeço pelos anos incríveis. – Eles sorriram.
- Você está tão diferente, mas tão igual. – Allegri disse, me fazendo sorrir.
- Beh! Evolução, né?! Olha o Dybala... – Todos gargalhamos, menos Paulo, é claro. – E-vo-lu-ção. – Falei devagar, ouvindo-o rir.
- Chefa! – Sorri para Pavel e abracei-o de lado. – Você conseguiu, chefa! – Suspirei.
- Não, nós conseguimos, Pavel! Apesar de tudo... – Ele riu fracamente e segui cumprimentar o restante do pessoal.
- Como está a mão? – Perguntei para Tek.
- Pronta para próxima! – Ele disse, me fazendo rir e abracei-o fortemente.
- Parabéns! – Ele sorriu e segui para Pinso que me levantou do ar. Em seguida vieram Perin, Mattia, Cancelo, Mira, Douglas e Ronaldo foi o último. Realmente, faltava só o Fede. Isso não podia ficar melhor. Na verdade, Emre e Rodrigo também, então ficava um pouco melhor.
- Parabéns, Cris! – Falei para ele que sorriu.
- Grazie! – Rimos juntos. – É empolgante! – Dei de ombros.
- Campeonato italiano é o melhor do mundo. – Falei e ele sorriu. – Ragazzi! – Bati na mão de Sami, depois na de Ruga e parei em Barza que riu fracamente.
- Chefa! – Ele sorriu e debrucei sobre ele, abraçando-o fortemente.
- Alguém parece feliz! – Falei e rimos juntos.
- Scudetto número oito seguido, Manu de volta, tem como não ficar feliz? – Me afastei dele, suspirando.
- Você só poderia ficar mais. – Rimos juntos.
- Já tomei minha decisão, . – Assenti com a cabeça, vendo Manu conversando com Paulo e Juan.
- Eu sei, mas não custa tentar. – Apoiei a mão em seu ombro, rindo fracamente. – Já conhece o resto do time, Manu? – Perguntei, andando pela sala, desviando das pessoas até parar ao lado de Pavel e Ada próximo ao banheiro.
- Vamos lá! – Ela disse. – Tek, Pinso, Perin... – Ela foi apontando para as pessoas. – DeSciglio, Cancelo, Pjanic, Douglas e Ronaldo. – Sorri satisfeita.
- Muito bem! – Ela piscou para mim. – Gente, essa é a Emanuelle, ela trabalhou conosco de 2014 a 2016 como minha assistente, foi uma parte importante no time. – O pessoal que ela não conhecia acenou com a mão. – Aproveitando, quero agradecer vocês pelo hoje, meu primeiro scudetto como presidente não podia ser mais especial. – Sorri, mandando um beijo para eles.
- Falando nisso... – Leo disse e vi ele e Chiello erguerem o cooler de bebidas e jogarem em minha cabeça.
- AH! – Gritei, sentindo meu corpo inteiro se arrepiar e me fazer tremer.
- AUGURI, CHEFA! – Chiellini falou, fazendo o pessoal gritar e aplaudir, me fazendo rir.
- Ah, vocês são loucos. – Falei, tirando os cabelos do rosto.
- Ah, uma tradição, né?! Não podíamos deixar para lá. – Leo deu de ombros e empurrei ambos.
- Ah, bons tempos. – Suspirei, negando com a cabeça.
- Falando em bons tempos, Manu... – Dybala falou, se virando para Manu.
- Por que você está sorrindo para mim? – Manu perguntou, andando para trás devagar.
- E lá vamos nós... – Cochichei para Pavel.
- Eu tenho uma leve ideia. – Cáceres falou.
- Nem vem. – Manu tentou se esconder com Barza que só ria.
- Temos um presente de boas-vindas para você. – Cuadrado sorriu.
- CUADRADO, NÃO! NÃO SE APROXIMA! – Ela gritou.
- Vem aqui! – Juan disse e todos começaram a encurralá-la
- É meu primeiro dia, qual é! – Ela disse, se desviando, me fazendo rir.
- Eu espero isso há três anos! – Cáceres falou gargalhando.
- Achei que fôssemos parceiros, Paulo!
- Éramos, até você aprontar comigo também. – Dybala falou e vi Filippi me estender uma toalha.
- Grazie. – Sorri, passando-a no rosto, antes de colocar nas costas
- Por bem ou por mal, Manu! – Mario falou sério.
- Ah, qual é! Vocês sabem que vai ter troco, né?! – Manu disse.
- Esse é o troco! – Bonucci falou e Barzagli gargalhava alto demais, me fazendo rir com ele.
- Você fica quieto. Me ajuda, ! – Arregalei os olhos.
- Ah, nem a pau! Você está sozinha nessa! – Neguei com o dedo..
- Barza? Eles te zoam também que eu vejo. Junto do Alex! – Manu literalmente tentava se safar de todos os lados, mas eram uns 10 contra uma. Ela era boa, mas nem tanto.
- Eu estou fora dessa! – Alex ergueu os braços.
- O Alex é de boa, o Douglas que irrita mais. Ele e o Paulo. – Barzagli falou.
- Brasileiros têm que se proteger, qual é! – Ela disse firme.
- Eu estou fora dessa. Isso é antes do meu tempo. – Douglas falou, me fazendo rir.
- Vai, Manu! Encara suas gracinhas! – Falei e ela me mostrou a língua.
- Eu odeio vocês. – Ela disse antes de sair correndo pelo vestiário, fazendo os diversos homens correram atrás dela, me fazendo gargalhar.
- Dai, Manu! – Barza brincou, se aproximando.
- Dio mio! – Virei o rosto, vendo Fede sair com a calça de terno do banho.
- Fede! – Sorri, abraçando-o. – Parabéns! – Falei, dando um tapinha em suas costas.
- Para todos nós! – Ele cumprimentou o restante rapidamente. – Aquela é a Emanuelle? – Perguntei.
- Pois é! – Falei, tentando conter a risada. – Causando por todo lugar que vai.
- Ela está bonita! – Ele disse e sorri, passando a mão em seus cabelos ralos e o puxei para mim.
- Ela sempre foi.
- NÃO! ISSO VAI TER VOLTA. – Seus gritos voltaram. – É MELHOR VOCÊS DORMIREM COM O OLHO ABERTO. – Cuadrado, Dybala, Bonucci e Chiellini seguravam-na pelos braços e pernas, enquanto ela tentava se soltar deles.
- O pior de tudo é que eu sei que você vai se vingar, mas tem dias que precisamos ganhar. – Bonucci falou.
- Você não tem nem moral para falar, nos abandonou na temporada passada. – Gargalhei alto, colocando a mão na boca. – TRAIÇÃO!
- Ah, fica quieta! – Ele disse e seguiram até a banheira gelada.
- Dybala também, achava que era meu amigo, meu parceiro, mas... – Ela ainda tentava se soltar, se desse certo ainda era capaz de dar de cabeça no chão.
- Eu te amo, Manu, sempre vou te amar, mas agora... – Paulo disse.
- Quais suas últimas palavras? – Cuadrado perguntou e a sala inteira ficou quieta.
- Fino alla fine! – Ela falou, me fazendo rir e eles a soltaram dentro da banheira, fazendo as gargalhadas voltarem.
- Isso que é ser juventina. – Barza disse, abraçando sua namorada.
- Isso não podemos negar. – Falei, vendo Manu sair completamente enxarcada da banheira.
- Estamos quites? – Cuadrado perguntou e ela sacudiu as mãos molhadas em direção e ele.
- Claro, agora o placar é de 200 contra um, mas foi bom. – Ela disse, batendo o queixo. – Vai ter volta.
- Tivemos três anos para nos preparar, pode vir. – Dybala falou e ela riu fracamente.
- Agora me dá um abraço, vai! – Ela tentou se aproximar do pessoal, nos fazendo rir.
- Sai daqui! – Dybala correu, esbarrando em uma mesa.
- Ela não mudou nada. – Barza disse rindo.
- Acho que foi uma ótima apresentação. – Comentei, vendo-a se aproximar e ela finalmente notou Fede, já que finalmente se calou.
- Você se lembra do Fede, não? – Barza disse, gargalhando e tentei segurar a risada, estava perto demais deles. – 2015, que você levou um tombo... – Me afastei, não contendo a risada.
- Você ainda está me devendo um abraço decente. – Ela ameaçou Barza e ele deu dois passos para trás. – Lembro sim. – Ela suspirou. – Bernardeschi, né?!
- Federico! – Ele falou fofo e fiz um pequeno bico, puxando Barza pela blusa. – É um prazer te conhecer propriamente.
- Ai, gente! – Sussurrei.
- Xi! – Barza disse.
- Emanuelle, o prazer é meu. – Ela falou e não lembro da última vez que ela foi educada assim. – Imagino que eles fizeram você se lembrar desse fato, não?
- Sim. – Ele riu fracamente. – Mas, na realidade, eu nunca esqueci. – É algo difícil de esquecer. Os cabelos, os olhos... – Ele falou fofo.
- O tombo... – Revirei os olhos quando ela levou na brincadeira.
- Também. – Ele sorriu.
- Alô! Ainda estamos aqui! – Paulo disse e Barza deu um tapa em seu ombro. – Ah! – Ele reclamou.
- Posso tomar uma ducha quente? – Manu se virou para mim. – Eu estou tremendo de frio.
- Vai lá, eu vou arranjar roupas secas para você. – Disse.
- Eu tenho na minha mochila. – Barza e Fede abriu espaço para ela entrar no banheiro.
- AH! – Ela gritou e a vi de bunda no chão, não conseguindo conter mais a risada.
- É, ela não mudou nada! – Ri fracamente.
- E esse é só o primeiro dia. – Leo disse. – Quando tempo ela vai ficar mesmo?
- Não tenho a mínima ideia. – Falei e ambos riram.
- Se você magoar ela, eu te mato! – Barza falou e virei o rosto, vendo um grupinho em volta deles.
- Ah, seus chatos! Não começa! – Puxei Barza e Chiello pela gola da blusa. – Só porque ficou velho precisa ficar chato também?
- Ai! Ai! Ai! – Eles reclamaram até eu soltar.
- Essas coisas acontecem devagar, suave! – Falei movimentando as mãos.
- A gente só está brincando! – Chiello disse.
- Sério, sobre esse departamento, não. Ou se esqueceram do Sturaro? – Falei.
- Oh! – Eles fizeram uma careta e assenti com a cabeça.
- Agora andiamo! Roupas para Manu! – Falei, batendo as mãos.
Os últimos dias foram muito estranhos. Como se já não bastasse ficar buscando informações de , Sienna e da Juve, agora eu usava Manu como fonte para as informações de e Sienna!
Manu sempre gostou muito de tirar fotos e boa parte do seu Instagram nesses três anos que ela esteve fora, são de fotografias de paisagens e lugares, poucas coisas dela, mas fico feliz por isso ter mudado. Ao menos nos stories ela postava diariamente e muitas coisas. O melhor era ver sua relação com Sienna, ela sempre postava algo de novo. Seja dela acordando, mamando, tentando dar seu primeiro sorriso e coisas assim. acabava sempre sendo pega em segundo plano e eu amava tudo isso, principalmente com Sienna.
estava sendo uma mãe incrível. Apesar do seu trabalho duplicado, ela estava conseguindo fazer tudo e ainda passar bastante tempo com Sienna. Ao menos é isso que Manu mostrava em seus diversos stories. Aos jogos ela até que estava indo, mas depois do fechamento do scudetto eles tiveram um contra a Internazionale em Milão, do lado de Turim, e outro em casa contra o Torino. Ambos terminados em empate 1x1. Vamos ver se ela vai contra a Roma amanhã.
Depois do fechamento do scudetto, ela foi responder minha mensagem só no dia seguinte e era só uma foto dela com Sienna no colo com um macacãozinho de coelho com grandes orelhas e um bolinho com o número um no mesmo. Ela não escreveu nada e não precisava. Nossa menina já tinha feito um mês e eu não estava lá para ver isso.
Não tive coragem de responder nada mais do que diversos corações. Eu queria perguntar isso com todas as letras, gritar para ela que queria fazer parte da vida de ambas, mas sabia que não era a hora. Ao menos os dias estavam passando mais rápido e se aproximava cada dia mais da minha ida para Turim, o momento em que eu veria , Sienna, me despediria de Barza e outras coisas.
Pena que eu ainda tinha alguns compromissos em Paris, mas tudo bem, depois do dia 25 eu realmente não precisava mais vir para Paris. A não ser que fosse para trazer em um encontro romântico de verdade. Porque nossos dois encontros – no literal sentido da palavra – foram desastrosos.
Logo após o fechamento do scudetto da Juve em Turim, nós fechamos o scudetto aqui, na verdade, não se chama scudetto, mas fechamos o campeonato francês em uma vitória contra o Monaco em casa. Depois perdemos contra o Montpellier na cidade deles – o qual eu joguei, ironicamente –, empatamos contra o Nice em casa e agora nos preparávamos para jogar contra o Angers em Angers, e eu estava no line-up.
Pela última vez usando a camisa do PSG.
Ainda tínhamos mais dois jogos além desse para o fim da temporada, mas o próximo era no dia 18, o qual eu não iria, pois pedi para ir para a Itália para uns compromissos pessoais, e outro no dia 24, que Tuchel deveria colocar Alphonse, porque eu faltaria à bastantes treinos.
Eu estava em uma situação doce-amarga. Eu estou feliz que essa temporada está acabando, estou feliz por ter conseguido cumprir todos os motivos de eu ter vindo para cá, feliz por conseguir ver , nem que fosse de formas estranhas, estou feliz por finalmente poder voltar para Turim e colocar ordem na bagunça que ficou nossas vidas há 18 anos, mas parte de mim também estava chateado.
O PSG, sem saber os motivos verdadeiros, deu a chance a um cara de 40 anos que só precisava de um refúgio para resolver problemas de um relacionamento estranho e perturbado. O plano principal era a Champions que acabou dando drasticamente errado, mas tive experiências que eu nunca mais ia esquecer. Aprendi coisas que não aprenderia em nenhum outro lugar.
A primeira é que eu nunca mais ficaria longe de . Ela querendo ou não. Ela é a mulher da minha vida e, se tudo que eu fiz foi para protegê-la, agora eu queria continuar fazendo o mesmo, mas ao seu lado, onde ela poderia me estapear sempre que quisesse quando eu fizesse algo errado.
Piadas à parte, sentiria muita falta do elenco, Thiago e Marquinhos, principalmente, me ensinaram a jogar com uma defesa diferente que eu não conhecia há anos. Neymar e Marco me trataram como um jovem de 20 anos como ele e não como um veterano em tudo. Kylian, Kherer e Rabiot ouviram minhas sugestões e conselhos para ajudar suas carreiras a decolar mais ainda. Ainda o prazer por poder ter jogado com Cavani, Di María, rever Dani, e compartilhar o gol com Alphonse, um garoto novo que me lembrou muito o Neto e tinha uma carreira brilhante pela frente. Sem contar a equipe técnica que foi fantástica para tentar me ajudar em um italiano/inglês/francês muito complicado.
Mas o principal de tudo, que eu acho que eu realmente vou levar para vida, foi que eu consegui valorizar minha família como eu não fazia há anos. As semanas e fins de semana que meus filhos vieram me visitar, nossas saídas ou jantares em casa, as brincadeirinhas, as comidas queimadas, encontrar velhos amigos, entre outros, isso tudo só me deu vontade de colocar em prática. E era o que eu faria. Com um filho a mais e esperando que sua mãe me aceitasse de peito aberto. Com todos os erros e as falhas.
- Cinco minutos! – O organizador avisou ao passar rapidamente pelo vestiário e suspirei.
“Vai dar tudo certo!” – Era a mensagem de Chiello em meu celular.
Acabamos conversando um pouco depois do fechamento do scudetto e essa era a resposta com base no que eu falei sobre tudo, inclusive sobre meu último jogo. Só espero que ele esteja certo. Espero que realmente dê tudo certo, pois sei que eu só quero paz depois de tudo, imagino que também.
- VAMOS! VAMOS! – Thiago se levantou, batendo as mãos e fiz o mesmo.
Ameacei guardar o celular na bolsa e o senti vibrar. Vi a notificação de uma mensagem de e abri a mesma. Uma foto carregou inicialmente e vi que a câmera focava na televisão em sua frente com a escalação do meu jogo. Além disso, mostrava suas pernas descobertas dobradas, a cabeça de Manu apoiada no sofá e, ao seu lado no chão, Sienna deitava em um paninho confortável e a cabeça virada para a televisão.
“Instruindo desde cedo”. – Dizia as palavras de e sorri, sentindo uma lágrima deslizar pelos olhos.
Sábado à noite, Manu em Turim e colocou meu jogo para assistir. Colocou meu jogo para ela assistir junto da nossa filha... Nossa filha! Era uma expressão simplesmente incrível e magnífica.
- Vamos? – Senti um tapinha em minhas costas e assenti para Thiago.
- Vamos lá! – Suspirei, seguindo com ele para fora do vestiário.
Segui até a fila no túnel e cumprimentei o goleiro do outro time. Relaxei os ombros e o pescoço antes da entrada e segui pela entrada junto de meus companheiros e nos colocando em posição ao lado dos árbitros.
Eu só queria um último jogo calmo, relaxado, sem muitos problemas, pois já tinha dado mais problemas do que solução para o PSG em jogos importantes. Não era um jogo importante e mais três pontos poderiam não fazer a diferença nesse caso, mas não podia acabar de forma ruim.
Fiz uma grande defesa logo no começo primeiro tempo. Talvez desnecessária, mas desviou a boa. Aos 20, Neymar abriu o placar com uma cabeçada após uma passada longa de Kylian. No segundo tempo, Di María conseguiu aumentar o placar aos 58 também de cabeça, deixando o goleiro desprevenido. Por volta dos 85, o maior lance do jogo: Marquinhos derrubou um jogador na grande área, levou vermelho e o juiz sinalizou o pênalti. Eu defendi o pênalti, mas não o rebote e eles fizeram 2x1.
Não finalizei com uma clean sheet, mas finalizei com um resultado positivo, um pênalti defendido aos 41 anos e bom o suficiente para falar: Juventus, aqui vou eu!
Beh... Depois que eu resolver todos os problemas com .
Mas estou indo! Devagar, mas estou.
- Família, cheguei! – Empurrei a porta da casa de Giovanna.
- Pode entrando! Pode entrando. – Passei pela porta, trazendo comigo o bebê-conforto com Sienna.
- Estamos na cozinha! – Ouvi a voz de Giovanna e segui entrando, vendo Manu fechar a porta.
- Ciao, família! – Apareci na cozinha, vendo todos os Vitale na mesa da cozinha de Giovanna fazendo pasta.
- Amore! – A nonna falou e deixei Sienna em uma cadeira vazia, seguindo para falar com ela.
- Amore! – Pietro veio correndo em direção à Sienna, passando as mãos de farinha na calça.
- Como você está? – Dei um beijo em sua cabeça, acariciando seus cabelos brancos.
- Tudo bem. – Sorri.
- Coisa fofa do padrinho! – Pietro disse, fazendo carinho no nariz de Sienna que soltou um espirro digno de fada.
- Ownt. – Manu disse fofa.
- Olha a mão de farinha nela, filho! – Giovanna disse e passei pela mesa, dando um beijo em cada um deles.
- Gente, vocês se lembram da Manu, certo? – Apontei para ela.
- Lembro sim, mas não dessa forma! – Gio disse rindo. – Seja bem-vinda.
- Espero não estar atrapalhando. – Manu disse.
- Ah, que isso. – Gio a cumprimentou rapidamente. – Sabe cozinhar?
- Sim! – Falei rapidamente. – Era dela os bolos que eu trazia para vocês naquela época.
- É, eu sou melhor com doce, mas me meto! – Manu disse.
- Então, pode lavar as mãos, pegar uma touca e um avental e ajudar a gente.
- Chegou cedo! – Fabrizio disse.
- Já volto! – Pietro disse.
- Ah, eu tenho o jogo dos meninos mais tarde, achei melhor vir antes para gente aproveitar um pouco mais. – Parei em Giovanna.
- Feliz dia das mães, mamá! – Falei para Giovanna que fez uma cara de assustada.
- Ah, querida! – Ela disse com os olhos cheios de lágrimas e abracei-a fortemente, sentindo-a me apertar com força e vi Fabrizio sorrindo do outro lado.
- Obrigada por tudo. – Sorri, dando um beijo em sua bochecha.
- Não precisa agradecer de nada! – Ela disse e ri fracamente.
- Preciso sim, não seria nada do que eu sou hoje se não fossem vocês. – Ela passou as costas das mãos no nariz.
- Ai, eu vou chorar! – Ela disse, me fazendo rir fracamente.
- Sienna tem um presente para vovó depois. – Falei.
- Ah, gente! – Ela disse e Fabrizio riu de como Giovanna chorava com facilidade. – Dona Stella não vai ficar com ciúmes?
- Não, ela está bem com isso. – Sorri, vendo-a seguir em direção ao bebê-conforto de Sienna onde uma pequena caixinha estava em sua barriga.
- É para mim? – Gio disse em tom fofo para Sienna.
- Tem um para você também. – Pietro voltou com um embrulho de presente e Gianni com outro. – Mamãe!
- Ah, gente! – Falei, rindo fracamente e ele veio em minha direção, me apertando fortemente, me fazendo rir. – Eu amo vocês.
- Esse é nosso. E esse é da Sienna. – Gianni disse.
- Da Sienna? – Falei e eles riram fracamente.
- Ela escolheu e tudo! – Gianni disse e puxei-o para um abraço.
- Você não deveria estar em Roma para o jogo da noite? – Empurrei-o de leve, pegando os dois presentes e levei para a bancada, longe da farinha.
- Estiramento muscular. – Ele disse, girando a perna e vi o adesivo antibiótico na parte da trás de sua coxa esquerda.
- Ah, Deus! – Revirei os olhos. – Vocês são muito amores. – Abri primeiro o pacote maior deles, vendo um lindo vestido preto e branco. – É lindo, gente! Grazie.
- Achamos que combina com suas roupas! – Pietro piscou e mostrei-lhe a língua, vendo-o rir fracamente antes de abrir o presente de Sienna que era um pingente em formato de um pezinho de bebê.
- Ah, gente...
- É para sua pulseira. – Pietro explicou. – Você tem a medalhinha que divide com o Gigi, agora tem algo da Nena. – Sorri. – Ela achou que você fosse amar.
- Amei sim. – Dei um beijo na testa dele e depois segui para Gianni. – Amo vocês.
- Também te amamos. – Segui para perto de Sienna que parecia interessada demais na zebra que mordia e deixei um beijo em sua testa, tirando o bichinho de sua boca.
- Te amo, amore. – Sussurrei para ela. – Então, precisam da minha ajuda? – Perguntei.
- Não seria nada mal uma mão a mais para fechar os tortellini. – Gio disse.
- Posso ter uma folga para segurar minha bisneta? – Nonna perguntou se levantando e sorri.
- Claro que pode, mamãe! – Fabrizio disse.
- Eu vou no seu lugar. – Falei, vendo-a seguir até a pia.
- Tem braço forte, hein?! – Giovanna comentou, vendo Manu amassar a massa.
- Não é a minha primeira vez. – Ela disse e rimos juntas e me sentei no lugar de nonna e comecei a fechar os tortellini que já tinham um pouco de recheio.
- E as meninas? Já fecharam o scudetto? – Fabrizio perguntou.
- Sim, elas já finalizaram, acabou dia 20, junto com os meninos. Foi em Verona, então não fui. – Sorri.
- E como estão as coisas? Tudo bem?
- Eu gosto muito de ver as meninas, apesar da minha relação maior com os meninos, elas são ótimas.
- E bem menos frescurentas que os meninos, isso eu garanto. – Manu falou sugestivamente e ergui o olhar para ela.
- Não mentiu. – Fabrizio disse, nos fazendo rir.
- Família-a-a! – Vi Giulia entrar.
- Amore-e! – Falei, ouvindo os passinhos de Kawan.
- Ciao, família! – Ele disse animado, sacudindo a sacola em sua mão.
- Ciao, amore! – Falei sorrindo.
- Neninha! – Ele disse, vendo nonna segurando-a e seguiu até ela.
- Sua priminha. – Nonna disse, abaixando Sienna devagar e Kawan deu um beijinho em sua cabeça.
- Priminha linda! – Sorri.
- Ciao, mana! – Giulia veio em minha direção, me abraçando. – Feliz dia das mães! – Ela disse sorridente.
- Feliz dia das mães! – Falei rindo fracamente e ela deu um beijo em minha cabeça. – Seu presente está ali na bancada. – Apontei para o presente que Manu havia trazido para dentro para mim.
- Grazie, o seu está...
- ‘Tá aqui! – Kawan esticou os bracinhos e sorri.
- Ah, amore. – Passei as mãos nos shorts e me abaixei para ele me abraçar.
- Feliz dia das mães, titia! – Ele disse e dei um beijo em seus cachinhos.
- Ah, amore. Grazie. – Ele sorriu, se afastando para perto de Sienna de novo.
- Os meninos já deram o presente da Sienna para você? – Giulia disse.
- Já sim. – Pietro disse e abri o presente de Giulia, vendo uma bolsa bonita lá dentro.
- Ah, é linda! – Falei para Kawan. – Grazie, amore.
- Prego! – Ele disse envergonhado.
- O restante do seu presente está dentro da bolsa. – Giulia disse.
- Como assim restante? – Me sentei novamente.
- O restante do presente da Sienna. É a caixinha de joias e o que está dentro da bolsa. Não tive tempo de trazer aqui para eles. E sabia que eles não iam esperar. – Giulia disse, me fazendo rir fracamente e abri a bolsa, encontrando um envelope preto ali.
- Não mesmo! – Os gêmeos disseram, me fazendo rir.
Tirei o envelope da bolsa e virei o mesmo, encontrando-o sem escrito. Abri o mesmo e vi uma mensagem digitada em um papel que foi claramente impresso.
“Ciao, mamá! Feliz dia das mães!
Queria muito estar aí contigo para poder comemorar seu primeiro, mas pela situação toda, não foi possível. Espero que seja o último momento importante seu como mãe que eu perca, porque não vou aceitar perder nenhum outro mais. Nenhum mesmo.
Achei que um pingente fosse propício, já que reparei que ainda usa a medalhinha combinando com a minha, então penso que ainda compartilhamos algo juntos, além de Sienna. Muito precisa ser resolvido e tenho milhões de perguntas para te fazer, mas hoje só gostaria de desejar que esse dia seja lindo e emocionante para você. Que você possa aproveitar com sua família da melhor forma possível – e que a Juve te dê uma vitória no fim do dia.
Dia 19 eu estou aí para continuar lutando por você. Pode parecer que sim, mas a luta não parou. E agora acho que está na hora de fazer as coisas certas. Pela primeira vez em muito tempo.
Te amamos muito.
Sienna e papá!”
Levei a mão ao peito, suspirando e mordi meu lábio inferior, sentindo uma lágrima deslizar pela minha bochecha. Não precisava de uma assinatura para saber de quem era, mas realmente não importava, Gigi se preocupado em comprar um presente para Sienna “me dar”, como todo pai de criança pequena faz no dia das mães.
- Está tudo bem? – Ergui o rosto para Manu e suspirei.
- Sim, está. – Suspirei, virando para Giulia. – Como você fez isso?
- Ele me mandou mensagem. – Ela disse e deu de ombros. – Fiz mal?
- Não... – Suspirei. – É só que... – Neguei com a cabeça.
- O quê? – Manu perguntou antes.
- Está tudo perfeito. Ele não me colocou contra a parede, ele está comendo pelas beiradas, ele... – Neguei com a cabeça. – Ele está fazendo tudo certo.
- E isso é um problema? – Giulia perguntou.
- Não sei... – Suspirei. – Nunca é, até que se torna.
- Acho que ele também quer fugir disso, como ele disse na carta. – Giulia disse.
- Você leu minha carta? – Perguntei.
- Você realmente achou que eu não fosse palpitar? Vai que ele escreveria algo errado? – Ela disse, me fazendo rir fracamente.
- É, claro! – Suspirei. – Mas ele ainda foi embora. E não me disse o motivo.
- Uma coisa de cada vez, chefa! – Manu disse. – Ainda temos tempo.
- Uma semana até o último jogo da temporada em casa. – Suspirei. – E eu não estou pronta para isso.
- Estaremos contigo, vai dar certo! – Manu disse e assenti com a cabeça, suspirando.
- Ok, vamos parar de drama? – Fabrizio disse.
- É e vamos começar a cozinhar os tortellini. – Giovanna disse e suspirei, assentindo com a cabeça.
- Tem certeza de que o senhor vai ficar bem aqui?
- Sim, sim! Claro! – Abanei a mão. – Não se preocupe, ela sabe que eu estou aqui. Eu vou para o estúdio logo mais. – Sorri.
- Tudo bem, fique à vontade. – A assistente abriu a porta do camarim e sorri quando ela se afastou.
Entrei no mesmo, dando uma rápida olhada no camarim e me surpreendi por ter foto de Leo e Pietro. Milagre! Mas eu não estava aqui para fazer bagunça, então me sentei no sofá próximo da porta e fiquei mexendo no celular por alguns minutos.
Depois lembrei que estou em um estúdio de televisão, então procurei o controle da larga televisão que tinha ali e liguei-a, vendo a fuça de Ilaria aparecer na televisão. Apesar de ouvir sua voz, não me importei muito com exatamente o que ela falava, só não queria que ela levasse um susto quando entrasse. Apesar que seria engraçado.
Acompanhei a despedida no final do programa e relaxei o corpo no sofá, erguendo os pés e guardei o celular no bolso. Não demorou muito para que eu ouvisse sua voz pelo corredor e a porta se abriu.
- Você pode fazer isso... – Sua voz travou no meio do caminho ao reparar a televisão ligada.
- Ciao, Ilaria! – Falei.
- AH! – Ela pulou de susto e bateu a mão no disjuntor, fazendo a luz de cima acender.
- Te assustei? – Dei um sorriso e vi uma contrarregra com ela.
- Está tudo bem? – Ela perguntou.
- Sim, sim! – Ilaria disse. – Podemos falar sobre isso depois? – Ela falou para a outra mulher.
- Sim, claro! – A mais nova disse antes de sair e Ilaria bateu a porta com força.
- O que está fazendo aqui? – Ela perguntou e ri fracamente, abaixando os pés.
- Ah, nada demais. – Abanei a mão. – Vou aparecer no E Poi C' Cattelan hoje, como é no mesmo estúdio, achei legal te fazer uma visita! – Dei um sorriso com os lábios pressionados.
- Nossa! Que amor de pessoa! – Ela disse. – Pena que notei um sarcasmo na sua voz. – Ela disse, tirando os brincos e se sentou na penteadeira.
- Ah, você é muito esperta mesmo. Nunca que eu conseguiria te enganar. – Neguei com a cabeça e ela revirou os olhos pelo espelho.
- Desembucha, Gigi! O que fez fazer aqui? – Ela perguntou.
- Sabe, achei um milagre você ter foto dos seus filhos no camarim. – Me levantei, mexendo nos diversos porta-retratos que ela tinha ali com celebridades. – Achei que teria fotos com o demônio ou...
- Ok, ok! Entendi o que você está fazendo. – Ela se levantou rapidamente, batendo em minha mão. – Mas você não precisa vir ao meu trabalho falar isso. Já entendi o seu ponto. Agora desembucha! – Ela falou firme e me afastei dela, me sentando no sofá novamente.
- Vim conversar contigo! – Apoiei os cotovelos nos joelhos, juntando as mãos entre as pernas.
- Sobre... – Ela se apoiou na cômoda, cruzando os braços.
- Você! – Falei firme e ela franziu os olhos.
- Como assim? – Ela me olhou confusa.
- A temporada está acabando, Ilaria! Em 10 dias a temporada na Itália acaba, na França também e eu quero ter certeza de que não teremos nenhum problema! – Afastei meu corpo, colando-o no encosto.
- Que tipo de problemas?
- Ah, por favor, não se faça de sonsa. – Suspirei. – Nenhum problema no geral! – Falei firme.
- Você precisa ser mais específico do que isso. – Ela disse cínica.
- Sobre nosso filho e sobre . – Falei. – Eu não tenho a mínima ideia do que eu vou fazer na próxima temporada, mas eu vou voltar para Turim e vou atrás da finalmente. – Ela riu incrédula. – Eu só quero saber se eu vou precisar me preparar para um de seus truques.
- Nosso acordo acabou, não é mesmo? – Ela disse.
- Sim, acabou, mas você não pretende colocar suas manguinhas de fora novamente, não?
- Entendo que tivemos nossos problemas, mas achei que estava resolvido. – Ela disse.
- É, mas você quebrou minha confiança, Ilaria, não pode achar que vou voltar a confiar em você novamente. – Ela bufou. – Eu não sei em que pé eu e vamos ficar, mas eu vou atrás dela e quero ter meu filho na minha vida e, se Deus quiser, na de .
- E sua filha? Não vai falar nada? – Ergui o olhar para ela. – Ou você realmente acha que eu não sei que a Sienna é sua filha?
- Como você sabe? – Perguntei.
- É meio óbvio, Gigi. – Ela riu fracamente.
- E você não fez nada sobre isso? – Franzi os olhos.
- Para você ver que pode confiar em mim. – Ela deu de ombros.
- Não consigo, simplesmente. – Ela deu de ombros.
- Beh, a decisão é sua. – Ela bufou. – Mas você não precisa ter nenhum receio quanto a mim. Nossa única relação, como você quer, vai ser falar sobre o Leo. – Ela falou. – E você de volta em Turim vai ser mais fácil.
- Você não precisa se preocupar com isso, eu o trago, eu o levo, não precisa se importar...
- Você pode ter uma péssima visão sobre mim, Gigi, e eu não te julgo, mas eu tento ser uma boa mãe.
- É só isso que eu preciso de você, Ilaria. E uma relação calma. Entre mim, você, . Da mesma forma que tivemos com Alena todos esses anos. – Ela bufou.
- Nossa única relação vai ser o Leo. – Ela disse. – Sem mais. Só o Leo.
- Ótimo! – Sorri. – Estarei de volta para valer no dia 27. Devo sair de férias com Louis e David em junho, se eu puder levar Leo também... – Ela assentiu com a cabeça.
- Me avise o dia que planeja ir e eu me programo aqui. – Ela disse.
- Perfeito! – Me levantei rapidamente do sofá. – Eu tenho uma gravação, posso pegar o Leo amanhã?
- Você vai ficar aqui?
- Sim, só não dia 18. Barza vai se aposentar e eu vou no último jogo dele.
- Hum, entendi! – Ela disse rindo.
- E sim, vou rever a ! – Pisquei para ela. – Até mais.
- Até! – Ela disse e abri a porta, seguindo para fora.
Eu tinha um sorriso ridículo no rosto, mas parte de mim ainda tinha receio de que algo poderia acontecer. E eu precisava estar disponível. Relaxado! CALMO! Para lidar com qualquer desafio que viesse daqui para frente.
Atravessei os corredores do estúdio, cumprimentando algumas pessoas e perguntando onde era o estúdio que eu deveria estar, porque eu não tinha decorado. Acho que nos anos que eu namorei a Ilaria, eu nunca tinha vindo aqui.
- Ciao, ciao! – Acenei, entrando no local e uma contrarregra me recebeu.
- Senhor Gianluigi, boa noite.
- Gigi, por favor! – Cumprimentei-a.
- Eu vou te levar para seu camarim para você se arrumar e, em breve, o Cattelan vai conversar contigo sobre os assuntos da entrevista. – Assenti com a cabeça.
- Claro, vamos lá! – Falei, seguindo com ela.
- Além de você, hoje teremos a Chadia, cantora. – Assenti com a cabeça.
- Não é do meu tempo, mas meus filhos ouvem! – Falei e ela riu comigo quando entramos no corredor.
- Cattelan talvez queira fazer alguma brincadeirinha, o senhor está disposto?
- Meu pai eu não sei, eu talvez! – Falei, vendo-a rir novamente.
- Você! – Ela corrigiu e assenti com a cabeça.
- Espero que tenha. – Catellan apareceu no final do corredor, me fazendo rir. – Porque eu você demorou cinco anos para vir no meu programa e agora que vai finalizar... – Nos abraçamos, fazendo-o rir.
- Eu sei! Eu sei! Mas pensa bem, vamos ter muito para conversar! – Dei um tapinha em suas costas, ouvindo-o rir fracamente.
- Grazie, Anna! – Ele disse para a contrarregra. – Eu vou deixar você se trocar e nos falamos daqui a pouco. – Nos cumprimentamos.
- Até já! – Falei, sorrindo e segui a tal de Anna até uma das portas.
- Fique à vontade, logo o maquiador vem te ajudar também. – Ela disse.
- Grazie! – Sorri, entrando na mesma e suspirei, sentando no sofá.
- Eu não queria que acabasse assim. – Suspirei e Max sorriu para mim, apertando minha mão no braço do sofá. – Eu queria ter podido lutar mais com você, eu queria...
- Eu sei! – Ele sorriu. – Mas ia acontecer esse ano ou no próximo, . – Ele suspirou. – Depois de cinco anos é difícil transmitir as mesmas coisas, manter a motivação, mas tivemos falhas imperdoáveis...
- Nada é imperdoável contigo, Max! – Ele sorriu.
- Eu só tenho que agradecer, ! Por tudo. Por me permitir cinco anos de vitórias, um grupo incrível, motivado, autonomia para várias decisões e, principalmente, sua amizade. – Ri fracamente.
- Sabe... Desde que eu entrei na Juve, eu sempre disse que meu técnico favorito era o Lippi... – Ele assentiu com a cabeça. – Ele é um homem incrível, à frente do seu tempo, sábio e vitorioso. – Ele assentiu com a cabeça. – No tempo que eu trabalhei aqui, ele nos levou a uma final de Champios. Antes disso, chegamos em três finais em três anos... – Ele assentiu com a cabeça. – Mas isso foi em um tempo que o futebol era diferente, menos complicado, mais enraizado... – Suspirei. – E então, depois de um baque ao perder um antigo colega, você sabe que eu tenho afeição a coisas antigas... – Rimos juntos.
- É claro! – Ele sorriu.
- Veio você! – Suspirei. – Aquele maldito técnico do Milan, que fez eles ganharem desde 2004. – Ele riu fracamente. – Eu te subestimei, Max, e fico muito feliz por ter podido mudar de ideia e, se Marcello Lippi me permite, ter se tornado o melhor técnico da Juventus que eu vi. – Rimos juntos.
- Do jeito cavalheiro de Marcello Lippi, talvez ele entenda. – Assenti com a cabeça.
- Eu realmente não queria me despedir assim, mas saiba que, enquanto eu estiver na Juve, você sempre vai ter um espaço. Mesmo que eu não tenha voz nisso. – Ele riu fracamente.
- Agradeço, . – Ele sorriu. – Por tudo! Pelas conversas honestas, pelos gritos e xingos, pelo aprendizado e pela amizade. Está acabando, mas fico feliz por poder terminar esse ciclo com você anunciando minha saída. – Sorri. – Porque mesmo nos momentos mais difíceis, você nunca duvidou do meu trabalho.
- Não mesmo. – Sorri e me levantei, vendo-o fazer o mesmo e nos abraçamos fortemente.
- Se cuida, ok?! Viva sua vida da melhor forma possível! Aproveite, cuide de Sienna e seja feliz, principalmente! – Ele falou baixo em meu ouvido e assenti com a cabeça, apoiando o queixo em seu paletó.
- Pode deixar! Você também! Cuide do seu filho, da sua filha... Quem sabe não seja a hora de encontrar um novo amor também? – Falei e ele riu fracamente, se afastando.
- Você está falando para mim ou para você?
- Ah, para você! Eu cansei de procurar, sei onde o meu está. – Ele riu fracamente, assentindo com a cabeça.
- Será que finalmente veremos o fim dessa história? – Ele perguntou e suspirei.
- Eu não sei honestamente, ainda duvidamos um do outro e isso não é saudável. – Ele confirmou com a cabeça.
- Você ouviu o que eu disse: seja feliz. Você nunca pensou em si mesma, pelo menos não nos cinco anos que estive aqui, talvez agora esteja na hora. – Suspirei.
- Quem sabe? Uma nova temporada, um novo técnico que eu não vou me dar bem...
- Até que dê... – Rimos juntos.
- É... – Ponderei com a cabeça. – Lippi demorou dois anos para voltar para nós, quem sabe? – Ele riu fracamente.
- É, vamos ver. – Rimos juntos.
- Está pronto?
- Da mesma forma que no primeiro dia. – Ele disse e assenti com a cabeça.
- Vamos lá! – Suspirei, abrindo a porta da antessala e vi Angela do lado de fora.
- Prontos? – Ela disse e assenti com a cabeça.
- Sim! – Ele disse e ela indicou a mão.
Segui à frente de Allegri, passando pelo corredor e abri a porta que dava para a sala de coletiva, entrando na mesma. Pela minha surpresa, o time inteiro ocupava as primeiras fileiras da sala e aplaudiram quando Max entrou, me fazendo sorrir para eles, feliz por essa homenagem a Allegri. Além disso, vi Pavel, Fabio, Agnelli e Manu ali, sorrindo.
- Não façam isso, vocês vão me fazer chorar! – Max disse, me fazendo rir. – Eu já chorei no treino ontem! – Max entrou a minha frente na mesa e segui logo atrás, me sentando em meu espaço. – As perguntas vão ser feitas pelos jogadores hoje, é verdade?
- E os jornalistas vão jogar bola depois! – Brinquei, ouvindo-os rirem e indiquei para Angela.
- Lembrem-se de anunciar seu nome e veículo antes de fazer as perguntas e sempre fazerem uma pergunta por vez. – Angela disse e suspirei, ajeitando o microfone próximo à minha boca.
- Hoje é um dia difícil para mim. – Suspirei. – Essa sala traz muitas expectativas de todos vocês, de nós, dos jogadores, pois cada pessoa que é anunciada aqui já chega com um peso, já chega com a pressão nas costas de que precisa fazer um bom trabalho, precisa mostrar trabalho, trazer títulos, mas, naquele tempo que eles chegam aqui, não temos a mínima ideia do que vai acontecer. Se vai dar certo o trabalho, se vai se adaptar à nossa filosofia ou à nossa equipe. – Soltei a respiração devagar. – Mas da mesma forma que essa sala presencia diversos momentos de felicidades e emoção, ela também presencia momentos de tristeza. E essa é o único sentimento que eu tenho no momento por me despedir de Max e de Barza. – Indiquei-o à frente.
“Eu me lembro da primeira vez que eu ouvi sobre o Max, muito antes de ele vir para a Juventus, muito antes de eu virar presidente desse time. Era férias entre as temporadas 11 e 12 e eu xingava a pessoa que havia deixado Pirlo ir embora. Como uma pessoa tinha aquele tipo de julgamento? Como o maestro do futebol é simplesmente enxotado de um time?” – Ouvi as risadas do pessoal.
“Depois disso, o nome simplesmente sumiu de minhas pesquisas, até aparecer de novo. A Juve precisava de um novo técnico, alguém que estivesse disposto a usar nossas cores, cantar conosco e abraçar o projeto, mas será que um antigo milanista poderia fazer isso? Após algumas conversas internas com um ex-colega de time, que também vai se despedir de nós, não tive dúvidas de que Max poderia ser o camaleão que precisávamos para continuar vencendo. Continuar um trabalho que começou comigo, Andrea, Pavel, Fabio e Marotta.”
“Com Max foram cinco scudetti seguidos, quatro Coppa Italia seguidas, duas Supercoppas e, o principal, Max tirou o tabu das nossas costas e, sim, podemos chegar na final da Champions... Vamos resolver a parte da vitória depois”. – Eles riram e soltei um longo suspiro.
“Eu me sinto feliz em estar aqui hoje, me despedindo desse técnico, amigo e homem com quem eu aprendi muito! Pois sei o quanto foi difícil aceitar a vinda de Max para a Juve e mais difícil ainda dar o braço a torcer ao ver todas as maravilhas que ele fez com o nosso time. Pode parecer besteira, mas o que é mostrado nos vídeos, nas fotos, nos documentários, é a realidade do que Max faz com o time. Existe uma felicidade enorme entre treinador, jogadores e equipe que acaba sendo o tempero especial dessa Juventus”.
- O futuro é incerto, já adianto que não vou falar sobre isso hoje, não vou responder perguntas sobre a próxima temporada. – Ergui os olhos para Angela que assentiu com a cabeça. – Hoje, e no jogo amanhã, eu quero celebrar a carreira de Allegri e Barzagli. Duas pessoas que chegaram aqui após todos os seus planos darem errado. – Ambos gargalharam. – Mas ambos se superaram. Obrigada por tudo! – Falei, ouvindo os aplausos do pessoal e vi Manu passando a mão embaixo dos olhos, me fazendo sorrir e virei para Max ao meu lado.
- Grazie! – Ele disse, me abraçando de lado e assenti com a cabeça. – Boa noite a todos, primeiro gostaria de agradecer a presidente pelas palavras sobre mim, quero agradecer aos jogadores que vieram... – Os meninos voltaram a aplaudi-lo. – Por tudo o que eles deram para mim esse ano, todos os jogadores que vieram, que foram, eu estou deixando uma equipe campeã que tem grandes chances de repetir os feitos dessa temporada.
“Minha saída vem com muita calma, principalmente pela relação que eu tenho com a presidente , com Pavel e com Fabio. Quando eu cheguei aqui, peguei um time muito organizado e crescemos juntos. E chegou a oportunidade de seguirmos caminhos diferentes, mas deixo um time sólido com um grupo incrível de jogadores do ponto de vista técnico e pessoal, porque, para vencer, os jogadores precisam ser homens também, e eles são pessoas incríveis!”
- Amanhã devemos celebrar, devemos celebrar duas coisas. Primeiro: a vitória do scudetto. E, segundo: a saída de Barza! – Bati a mão na testa, ouvindo as risadas do pessoal. – O professor da defesa vai sair, deixando Leo, Martin e Daniele sem seus conselhos, então precisa ser uma noite incrível de celebração. Porque esses últimos cinco anos foram incríveis! Grazie! – Vi Barza rindo e sorri. – Eu vou parar de falar por aqui antes que eu fique emotivo, então chega! – Ri fracamente. – Porque amanhã temos que celebrar, temos um jogo, temos uma festa, então é isso! – Sorri.
- Vamos começar com as perguntas! – Angela disse e respirei fundo, esperando as bombas.
- Joel Marrone, minha pergunta é para presidente. Ano passado foi dito que Allegri poderia estender por mais alguns anos, por que essa mudança agora?
- Beh, muita coisa mudou do ano passado. – Falei, rindo fracamente. – Ano passado eu não estava nessa posição. Eu estava sentada ali chorando igual todos vocês... – O pessoal riu comigo. – Foi o que o Max disse, algumas reformulações são necessárias e acabou vindo a calhar agora. – Dei de ombros.
- Alguma chance de Antonio Conte voltar à Juve?
- Eu disse que não ia falar sobre isso, cara! Sem comentários! – Ri fracamente, abaixando o microfone.
- Temos Barzagli aqui! Ele pode ser nosso novo técnico! – Max brincou e levei as mãos ao rosto. Eu não ia aguentar até o fim dessa coletiva.
- Claro! Claro! Eu topo! – Barza fez um positivo para mim e neguei com a cabeça.
- Próxima pergunta, por favor. – Pedi, feliz em ver todos esses sorrisos.
Eu tinha um preconceito enorme com Sarri, mas tinha certeza de que nada seria como Allegri. E com a saída de Barza, além de só Deus sabe quem mais, sabia que seria igual as férias de 2011, um divisor de águas, só que dessa vez eu não tinha esperanças nenhuma para o ano que vem. Só espero honestamente que os jogadores continuem sendo a alma desse time, porque vamos precisar!
Depois de dias dizendo que eu não voltaria para Paris até depois do jogo do Barza, eu voltei para Paris!
Depois de conversar com a minha mãe e minhas irmãs – não sobre Sienna ser minha filha, isso teria que ser em um momento até que especial e que eu pudesse dedicar realmente longas horas para falar disso – eu decidi vir ao jogo de entrega do “scudetto” francês. Como eu vinha dizendo há tempos, o PSG não tinha nada a ver com as minhas decisões de sair da Juventus, meus colegas de equipe também não.
Outro motivo que fez a balança pesar foi: estou entediado em Milão, vou para Turim e, depois da coletiva de Allegri, onde – e o resto do time – foi simplesmente incrível, imaginava que ela deveria estar uma pilha de nervos sobre tudo. Sobre a saída de seu grande amigo, sobre a entrega do scudetto, sobre a homenagem que teria para Barza – o qual eu só soube por Chiello – e, principalmente, sobre meu retorno.
Eu havia confirmado minha presença no começo do mês e, da mesma forma que eu estou me preparando e até ensaiando as palavras que eu vou dizer ao encontrar com ela, imaginava que ela devesse também. Então, ficar sem fazer nada em Milão, me faria correr para Turim e destruir o plano que deveria estar sendo esquematizado há uns 20 dias. Ao menos em Paris eu precisava de muito mais do que só uma hora e meia de viagem de carro.
Então, eu voltei! Trouxe meus três filhos e vim para o último jogo em casa da temporada. Era difícil falar isso, “em casa”, eu não me sentia nada em casa ao entrar nesse estádio. Era grande, bonito, incrível, todas as pessoas foram muito simpáticas e carinhosas comigo, mas o Parc des Princes não era minha casa. Agora o Allianz Stadium e o estádio do Parma, esses sim faziam com que eu me sentisse bem e relaxado.
O jogo de hoje é contra o Dijon, jogamos na cidade deles em março e ganhamos por 4x0 em um jogo que eu fiquei no banco, e ficaria hoje novamente. Era difícil conhecer os times muito bem após somente um ano, mas eles estavam na zona de rebaixamento, então ganhar para eles faria uma diferença. Para nós não, mas seria bom para os quase 50 mil torcedores que lotavam o Parc des Princes hoje.
O jogo acabou sendo melhor que o esperado, da mesma forma que metemos 4x0 em Dijon há dois meses, isso se repetiu hoje. Di María abriu o placar aos três minutos, Cavani alargou aos quatro e Kylian finalizou aos 36 e depois aos 56.
Se eu estava acostumado com as celebrações incríveis do nosso scudetto, eu fiquei realmente surpreso pela celebração da Ligue 1. Após o jogo, eles fizeram uma linda queima de fotos no campo por quase cinco minutos.
Diferente da Juve, eles chamaram o presidente para o placo, o que me fez pensar que seria ótimo ver com mais esse tipo de atenção. Depois trouxeram o troféu e chamaram Tuchel e o restante da equipe técnica. Por último, nos chamaram, mas ao invés da Juve que chama um por um por número ou posição, aqui eles chamaram todos de uma vez só e, como eu sou o número um, puxei a fila. Totalmente contrariado, é claro.
Ao invés de uma medalha, como no campeonato italiano, nós recebíamos um mini-troféu. Então cumprimentei o presidente, recebi o meu e me coloquei ao fundo do palco. Era uma conquista para gente, oitava Ligue 1 consecutiva para o PSG, mas queria mesmo era estar comemorando o oitavo scudetto consecutivo da Juve. Ao invés de cantar “Allez, Allez Paris” ou “Ici C’est Paris”, cantar “Juve, storia di un grande amore” ou “Forza La Juve” entre tantas outras canções que a gente canta frequentemente.
Eu tentei aproveitar. Eu realmente tentei, mas eu só conseguia pensar que, a essa hora amanhã, eu estava passando por, provavelmente, o momento mais difícil da minha vida. Onde eu precisava confrontar o amor da minha vida sobre nossa possível filha – ainda existia aqueles cinco por cento de dúvida, porque ela não faria isso comigo, faria? – sem que eu me descontrolasse a ponto de deixar de ser o amor da vida dela também.
Eu estava fodido.
Meus meninos gostaram de aproveitar a comemoração com Neymar, Kylian e outros jogadores mais famosos. Eu aproveitei e cumprimentei todos os meus colegas de time. Ainda teríamos mais um jogo na semana que vem e eu viria, mas eu abracei cada um e agradeci muito pela oportunidade, principalmente Thiago. Quem diria que se tornaríamos tanto amigos depois das constantes brigas quando ele estava no Milan? Ao menos tudo isso ficava dentro de campo.
- Pare de viver pelos outros e viva por si mesmo, Gigi! – Ele disse com a testa colada na minha. -É uma merda essa vida de aparências, fama e tal, mas não é isso que você vai levar para o resto da vida. – Assenti com a cabeça.
- Grazie, Thiago! Uma pena não continuar no ano que vem, mas vou continuar torcendo pelo seu sucesso! Você é enorme! – Ele sorriu.
- Um enorme reconhece o outro, né?! – Rimos juntos e abracei-o fortemente. – Vá atrás da sua mulher, Gigi. Vá ser feliz. – Confirmei com a cabeça.
- Grazie. Vocês também.
Por último, eu fui atrás da torcida. Eles me acolheram muito bem desde o primeiro dia. O primeiro momento em que eu vim para cá, vim para o estádio, eles estavam comigo e fui bem recebido de todas as formas possíveis, eu precisava agradecer por isso. Eles não sabiam ainda e eu adiaria o anúncio até o fim oficial da temporada, no começo do mês que vem.
Mas antes disso precisava me certificar que eu teria um emprego na Juve. Com , tudo mudaria. Nem sei se o contrato que eu fiz com Agnelli no ano passado ainda valeria, mas honestamente esperava que não tivesse tanta raiva de mim a ponto de frear meu retorno.
Acabei não alongando muito mais na comemoração, eu estava com três crianças, tremendo só de pensar nas próximas 24 horas e precisava voltar para Itália ainda. Com três crianças. É, eu estava em espiral já!
- Ok, todo mundo para cama! – Falei quando entrei em casa.
- Já? – Dado disse.
- Já passa da meia-noite, menino! – Passei a mão em seus cabelos e ele fez uma careta. – Vamos que o pai precisa dormir também. – Suspirei, levando Leo para meu quarto no fundo, desviando de algumas caixas de roupas quando entrei. Deitei-o devagar e me sentei ao seu lado para começar a tirar seus sapatos.
- Você ‘tá quieto. – Lou disse e suspirei. – ‘Tá nervoso para amanhã?
- Bastante. – Dei um sorriso, tirando os tênis de Leo.
- Por quê? Você deveria estar feliz por ver a . – Suspirei, me tocando que meus filhos não sabiam ainda sobre Sienna.
- Eu estou, amore. Mas se lembra ano passado que eu saí por ela?
- Sim... – Ele assentiu com a cabeça.
- Ela não sabe disso. – Suspirei.
- Conta para ela, pai. – Ele disse. – Ela vai entender. – Suspirei.
- Uma coisa de cada vez, filho. Eu e a precisamos conversar demais.
- Mas vocês vão ficar juntos, né?! – Ele disse.
- Só depende dela, amore. – Ele assentiu com a cabeça. – Mas deixa com os adultos agora, ok?!! Vocês já me ajudaram demais.
- Tudo bem, papá, mas estou empolgado para encontrar com ela, estou com saudades. – Sorri.
- Aposto que ela também. – Suspirei. – Agora vai se arrumar, amanhã o dia vai ser cheio.
- Você vai ficar bem? – Dado apareceu na porta.
- Agora eu posso dizer com todas as letras que sim. Eu vou ficar bem. – Eles sorriram. – Agora tudo vai ficar bem.
Capitolo centoveintisei
- Ah, como meu bebê ‘tá lindo de Juve! – A voz de Manu me tirou de meus devaneios. – Que ‘gotosa, mamãe! – Ela fez sua voz infantil, fazendo Sienna sorrir e levar as mãozinhas para o rosto de Manu. – A Juventina mais linda desse mundo! – Ela assoprou a barriga de Sienna que soltou um gemido gostoso.
- Eu preciso... – Olhei em volta, vendo a tirinha branca de Sienna em minha mão. – Aqui! – Falei, me colocando mais no meio do trocador e coloquei a tirinha branca na cabeça de Sienna, ajeitando os poucos fios em sua cabeça.
- Você está bem? – Manu perguntou e ergui o olhar para ela antes de sacudir a cabeça.
- Sim, sim... Sim! – Falei, negando com a cabeça e me estiquei para pegar os tênis de Sienna.
- , olha para mim. – Ela falou e apoiei a mão na barriga de Sienna e ergui o olhar para ela. – É normal você ficar assim. – Ela suspirou. – Mas vai dar tudo certo, confia.
- Confiar no que, Manu? O Gigi sabe da Sienna, ele vai vir igual um gavião em cima de mim quando vê-la. – Ela suspirou.
- Ele não veio até hoje, . Você aguentou dois meses bem! – Ela suspirou. – Eu vou te ajudar. Se o encontrarmos na entrada, eu distraio ele e você leva a Sienna para baixo. Não acho que ele vá te colocar contra a parede agora. Gigi sempre te admirou. – Suspirei, sentindo Sienna tentar girar embaixo de minha mão e virei o corpo para ela.
- Volta aqui! – Falei, ajeitando-a e coloquei os tênis brancos em seus pés.
- Vai dar tudo certo! Hoje é o dia do Barza! – Ela suspirou. – Vamos focar nele, ok?!
- Ainda tenho mais essa para pensar. – Suspirei.
- Você é boa com as palavras, chefa! Vai dar tudo certo. – Assenti com a cabeça e passei a mão no final da trança que ela havia feito em seus cabelos longos, que caíam em cima do escudo da Juve.
- Você está linda. – Ela sorriu.
- Você também! Agora vamos, já são sete e meia. – Assenti com a cabeça.
- Claro, claro! Deixa eu só... – Virei para trás, procurando pelo bebê conforto de Sienna e trouxe para o trocador, vendo Manu segurá-la. – Vamos, lindinha! – Manu a colocou no bebê conforto, afivelando o cinto e virei novamente, pegando a bolsa de Sienna, dando uma checada. – Chupeta, fraldas, mamadeira...
- Está tudo aí, ! Respira! O jogo começa em uma hora e estamos em casa ainda! – Assenti com a cabeça.
- Fone de ouvido! – Falei rapidamente, andando até uma das gavetas e peguei o headphone que colocaria em Sienna na hora do jogo para abafar um pouco dos gritos da torcida. – Pronto! – Coloquei-o na bolsa.
- Vamos, então! – Ela disse.
- Ok, vamos lá! – Suspirei. – Eu vou colocar meus sapatos e...
- Eu te encontro no carro. – Ela colocou a bolsa de Sienna nos ombros e assenti com a cabeça.
Passei as mãos na saia e segui para fora do quarto de Sienna. Eu estava em completo surto! Hoje é o último jogo de Barza e a comemoração pelo scudetto, mas além de tudo isso, era o primeiro jogo que eu levaria Sienna, já que Paulo me convenceu a entrar com ela, e Gigi estaria lá. Eu realmente não sabia o que esperar. Parecia que minha cabeça ia explodir só com a expectativa. As mãos já congelaram, garanto.
Calcei os scarpins e peguei o blazer preto. Passei no banheiro para dar uma batidinha em meus cabelos e passar o batom. Saí fechando portas e desligando as luzes e desci as escadas, dando uma rápida olhada na cozinha para ver se eu não havia me esquecido de nada e puxei a porta, trancando-a, encontrando Manu fazendo gracinhas para Sienna que havia dado seus primeiros sorrisos há uns dias. Manu estava de jeans, All-Star e a blusa do kit novo com nome e número de Barza.
Havia falado pouco com Ada hoje e, pelo jeito, Barza estava uma pilha de nervos, mas era esperado. Decidir pela aposentadoria já havia sido algo difícil para ele, imagino agora que o dia chegou, mas nós preparamos diversas surpresas para ele e espero que nosso Barzaglione gostasse e que eu derrubasse aquela casca grossa dele.
- Vamos! – Falei e ela se afastou de Sienna. Chequei novamente se ela estava bem presa e fechei a porta.
- Partiu! – Manu falou animada e suspirei.
Os 30 minutos até o Allianz foram usuais, com Manu as coisas estavam melhores, tinha mais coisa para me distrair, além de suas diversas músicas de várias nacionalidades e línguas, e ela cantava como se não houvesse amanhã. Entrei no estacionamento privativo do estádio e parei na vaga reservada para mim.
- Vamos lá! – Falei, empurrando a porta do carro e saí do mesmo. – Você...
- Eu levo a bolsa! – Ela disse apressada e suspirei. – Relaxa, ! Foca no que você precisa focar hoje, sua vida pessoal a gente cuida depois! – Assenti com a cabeça.
- É, você tem razão! É claro que você tem razão! – Falei, saindo do carro e bati a porta. Abri a porta de Sienna, sorrindo para ela e seus olhos azuis me olharam, me fazendo suspirar. – Vamos lá, amore! Manu!
- Aqui! – Ela disse e virei seus ombros, abrindo a mochila de Sienna e peguei uma mantinha.
- Mamãe logo aparece, amore. – Fiz um carinho no rosto de Sienna, vendo-a movimentar o pescoço em cócegas e abri a manta em cima do bebê conforto.
- Por que vai fazer isso? – Ela vai perguntar.
- Porque eu ainda sou presidente da Juventus e essa é a primeira vez que eu saio em público com ela. – Falei.
- E por Gigi.
- É, isso também! – Suspirei, empunhando o bebê conforto e tirando do carro. – Vamos lá. – Fechei a porta, tranquei o carro e coloquei a chave na bolsa de Sienna.
- Ok, mas relaxa! – Ela disse, andando lado a lado.
- Eu estou relaxada, Manu! – Falei firme.
- Não, não, eu falei para relaxar mesmo, o Gigi está ali na entrada com a Angela. – Ergui meu olhar, vendo Gigi com o celular em frente ao rosto e suspirei.
- Ah, “confia, vai dar certo, confia”. – Imitei a voz de Manu que riu fracamente.
- Eu o distraio. – Ela disse, me estendendo a mochila de Sienna.
- O que você vai fazer?
- Vocês não falam que eu sou a Manu? Então, vou ser a Manu! – Ela disse, andando uns passos à minha frente e a vi criar velocidade enquanto corria na direção de Gigi. – GIGI! – Ela gritou e pulou em seus braços, me fazendo rir.
- É, sendo a Manu mesmo. – Neguei com a cabeça, me aproximando deles.
- Que saudades de você! – Gigi disse e me aproximei, vendo os olhos de Gigi me acompanharem quando me aproximava.
- Ah, eu quero tanto te matar! – Manu disse, me fazendo rir e me aproximei deles.
- Ciao, Gigi! – Falei, apoiando a mão em seu ombro e estalando um beijo em sua bochecha.
- Ciao, ...
- Chefa! Você está atrasada! – Angela disse.
- Não estou atrasada, só com pressa. Te encontro lá embaixo! – Falei, seguindo para dentro, me certificando que Manu ainda está agarrada em Gigi e acenei para o segurança ao lado do elevador. – Ciao, Marco.
- Ciao, senhora! – Ele disse, apertando o botão do elevador e a porta se abriu.
- Ciao, Marco. – Brinquei e ele riu fracamente quando apertei o botão do térreo, suspirando aliviada. – Não vamos fugir do Gigi, não, que isso! Não é sua filha! Ai, eu sou muito idiota. – Suspirei quando a porta se abriu novamente e me vi no túnel lá embaixo.
- Ah, ! – Sorri ao ver Pavel.
- Ei! – Ele veio em minha direção, me abraçando.
- Temos companhia hoje? – Ele perguntou.
- Sim, minha lindinha! – Falei fofa e ele riu fracamente. – Onde está o pessoal? – Perguntei.
- Já entrou!
- Perfeito, vamos lá! – Falei, seguindo em direção ao vestiário. – Ragazzi! Ragazzi! - Entrei no mesmo.
- ! – Sorri ao ver Filippi e passei um braço pelos seus ombros, dando um beijo em sua bochecha. – Como está ela?
- Está ficando pesada. – Falei rindo fracamente.
- Posso? – Ele perguntou.
- Claro! – Entreguei o bebê conforto para ele. – Logo volto!
- Vai lá! – Ele disse e segui para dentro do vestiário.
- Ciao, ragazzi! – Entrei no mesmo, vendo os jogadores se trocando.
- Ciao, chefa! – Falei para todos e abracei Chiello rapidamente antes de seguir mais para o meio do vestiário, vendo Barza sorrindo para mim.
- Achei que estaria uma cara mais de enterro! – Brinquei e ele riu fracamente, passando os braços pelo meu corpo e me abraçou fortemente.
- Está tudo bem! – Ele disse baixo. – Eu sou grato por todos os momentos que eu passei nesse time, mas uma hora precisa acabar, né?! – Assenti com a cabeça.
- Eu te amo e fico feliz por tudo! Os momentos bons, os ruins, os bagunçados... – Rimos juntos.
- Chega de bagunça! – Ele sorriu e acariciei seu rosto.
- Você tem uma nova oportunidade, Barza. Uma namorada que te ama desse jeitinho carrancudo, dois filhos, um negócio que você ama. Vai curtir sua vida, ok?! – Ele sorriu.
- Achei que me quisesse aqui na próxima temporada. – Ri fracamente.
- Quero sim, mas só se você quiser! – Falei firme. – Como eu disse para o Max ontem, você sempre vai ter um espaço aqui, você sabe disso.
- Sei sim! – Ele me abraçou fortemente de novo. – Sei de tudo isso e agradeço. – Sorri, estalando um último beijo em sua bochecha.
- Aproveite!
- Pode deixar! – Ele sorriu e me afastei para ele terminar de se arrumar.
- Onde está Ada? – Perguntei. – Ela não vem aqui embaixo?
- Está esperando no túnel com meus filhos. – Ele disse e assenti com a cabeça.
- Ok, eu vou falar com ela e nos falamos logo mais. – Assenti com a cabeça.
- Cadê a Sienna? – Paulo perguntou.
- Está ali! – Indiquei Filippi que agora estava com ela apoiado em uma mesa e fazia caras e bocas, me fazendo sorrir.
- Ah, posso? – Barza perguntou.
- Claro que pode. – Falei, empurrando-o pelo ombro e ele colocou a blusa do uniforme enquanto seguia em sua direção. – Vocês estão prontos? – Sussurrei para o pessoal perto.
- Sim! – Eles sorriram e assenti com a cabeça.
- Vamos tentar fazer o muro chorar! – Brinquei e eles riram.
- Olha, gente! Minha afilhada! – Barza voltou com Sienna no colo.
- Ah, mas é muito cara de pau! – Gianni gritou, me fazendo gargalhar.
- Muito mesmo! – Puxei meu irmão pelo braço, dando um beijo em sua bochecha e neguei com a cabeça.
- Oi, coisa ‘gotosa do tio! – Paulo se aproximou, fazendo carinho em suas costas.
- Achei super estilosa com a blusa do uniforme! – Max falou da divisão com a outra sala e segui até ela, abraçando-o fortemente.
- Manu a chama de princesinha da Juventus, precisamos fazer ser, né?! – Dei de ombros.
- Ela está aqui? – Fede perguntou e sorri.
- Sim! Está em algum lugar segurando o Gigi para mim! – Falei, ouvindo Mario e Tek rir ao meu lado.
- Não conversaram ainda? – Mario perguntou.
- Não, por enquanto eu só fugi mesmo. – Falei, ouvindo-o rir fracamente. – Quem sabe amanhã?
- Vai ficar tudo bem, ! – Filippi disse e suspirei.
- Espero que sim, mas vamos pensar nisso depois! Logo volto. – Abanei a mão. – Eu vou cumprimentar a Ada e já volto.
- E eu vou fazer eles agilizarem! – Ouvi a voz de Angela. – Com a Sienna eles não conseguem focar, ! – Ri fracamente.
- Só um pouquinho! Quem sabe não traz uma vitória depois dos últimos resultados? – Falei e ela riu fracamente. Me aproximei dela e apoiei a mão em seu ombro. – Cadê ele?
- No campo, cumprimentando a torcida. – Assenti com a cabeça.
- Fica de olho nela, por favor! – Sussurrei!
- Eu fico! Eu fico! – Manu apareceu no vestiário e assenti. – Ciao, ragazzi.
- Ciao, Manu! – O pessoal disse e segui para fora do vestiário, vendo as diversas crianças que entrariam com os jogadores com suas mãos e acenei com a cabeça, cumprimentando algumas mães.
- ! – Sorri para Natalia, namorada de longa-data de Cáceres.
- Ah, Dio mio! Quanto tempo! – Abracei-a fortemente.
- Que bom te ver! – Ela sorriu e sorri para sua filha, Martina.
- Como você está grande! – Falei e ela riu fracamente. – Como estão?
- Tudo bem? E você? Presidente, fiquei sabendo da sua filha. Ela está aqui?
- Está sim, está lá dentro com os meninos. – Falei, rindo fracamente.
- Ah, quero conhecê-la! – Sorri.
- Vai ser um prazer! – Falei, acariciando os cabelos de Martina e segui para o grupinho que tinha Carolina, Virginia e Ada, me fazendo sorrir. Parece que o grupo das esposas e namoradas do BBBC mudou e só sobrou Carol da turma original.
- Ragazze! – Sorri, vendo Ada virar para mim com os olhos avermelhados. – Já está chorando? – Ri fracamente, abraçando-a apertado.
- Eu só estou emotiva! – Ela disse, me apertando pelos ombros e sorri.
- Ah, entendo sim! Estou sentindo o mesmo com menores proporções. – Ela sorriu quando nos afastamos. – Não sei o que decidiram, mas você sempre vai ter um espaço na Juve também. – Ela assentiu com a cabeça.
- Eu sei! E agradeço muito, esse time mudou minha vida, de verdade! – Assenti com a cabeça e dei um beijo em sua bochecha antes de seguir para Carol e Virginia.
- Como estão? – Perguntei, acariciando a barriga mais evidente de Virginia.
- Tudo bem! – Carol sorriu, segurando Bianca, sua sobrinha, filha do irmão gêmeo de Chiello.
- Ah, quantas grávidas! – Acariciei a barriga de Carol em seguida.
- Para você ver. Pronta para mais uma? – Ela brincou.
- Ei, calma! – Elas riram. – Brincadeiras à parte, acho que Sienna vai ser filha única.
- Até não ser! – Carol disse.
- Nunca planejei ter filhos e estamos aqui apaixonadas já! – Virginia disse, me fazendo rir fracamente.
- Falta só a Ada! – Brinquei e ela riu sem graça.
- Vamos mudar de assunto! – Rimos juntas.
- Cadê a sua? – Carol perguntou.
- Com 23 jogadores e 10 assistentes técnicos. – Falei rindo fracamente, ouvindo o estádio gritar e virei o rosto para o lado, vendo Gigi no campo, cumprimentando a torcida, me fazendo suspirar.
- Não contou para ele ainda? – Virginia perguntou.
- Ainda não! – Suspirei, negando com a cabeça. – Não deve passar de amanhã. – Neguei com a cabeça.
- Vai ficar tudo bem! – Carol disse, esfregando minhas costas e suspirei.
- Uma coisa de cada vez, né?! Primeiro a gente despacha uma terceira-idade, depois cuida de outra. – Elas riram comigo. – Cadê a Camilla e o Mattia?
- Por ali, brincando com o Cristianinho e... – Ada disse, abanando a mão e encontrei os cabelos mais claros de Mattia e Camila.
- A gente vai dar início à homenagem, você pode ficar ali fora com eles. – Ela assentiu com a cabeça.
- Grazie, ! – Ela disse e neguei com a cabeça.
- Eu que tenho que te agradecer, por dar uma nova cara ao nosso Barzaglione. – Falei e ela sorriu, me apertando novamente.
- Vamos lá! – Passei a mão nos ombros e suspirei.
- Força, ! – Carol disse, me fazendo rir fracamente e assenti com a cabeça, voltando para dentro do vestiário, checando o horário, apesar de tudo, ainda precisávamos cumprir os protocolos de jogo.
- Cadê o pessoal? – Perguntei, entrando no vestiário e encontrei Mario com Sienna no colo.
- Ciao, mamá! – Ele fez uma careta, me fazendo rir fracamente.
- Ah, Mario! – Neguei com a cabeça. – Posso pegar minha filha, por favor?
- Pega, porque logo eles não devolvem! – Manu disse e procurei-a com o olhar, vendo-a sentada no espaço de Mario, que ficava ao lado do de Fede que estava igualmente sentado, arrumado.
- Ok, todo mundo para fora! – Angela disse e Mario me entregou Sienna.
- Vai com a mamãe! – Mario falou fofo.
- Não sabia que tinha jeito com crianças! – Falei e ele riu fracamente.
- Eu sou uma caixinha de surpresas! – Ele disse.
- Está mais para uma caixa de Pandora! – Manu falou ao passar por nós, me fazendo rir.
- Ciao, ragazzi! Finalmente após um ano precisamente, daquele 19 de maio de 2018, voltei ao Juventus Stadium para saudar o Barzaglione porque merece e é um cara incrível! A tragédia é que ele está se aposentando antes de mim, mas hoje é um dia importante para você, e saudaremos também o mister! Eu estou emocionado e felicíssimo em estar aqui! Um abraço a todos, ciao, ciao! – Falei, apertando o botão novamente. – O que acha?
- Está perfeito! – Angela disse. – E você? Conseguiu sobreviver?
- Foi difícil! – Falei, rindo fracamente. – Mas vamos lá!
- GIGI! – Me assustei com um grito, vendo uma mulher vindo em minha direção e só reconheci que era Manu, pois vinha logo atrás dela.
- E vai começar! – Angela disse e estiquei os braços para Manu e ela pulou em meu colo, passando as pernas pela minha cintura.
- Ah, Manu! Que saudades de você! – Falei, sorrindo.
- Ah, eu quero tanto te matar! – Manu disse e ri, vendo, por cima dos ombros de Manu, se aproximar e senti que Manu não me soltaria tão cedo.
- Ciao, Gigi! – Tentei olhar o bebê conforto que ela carregava, mas ela apoiou a mão em meu ombro, aproximando o rosto do meu para deixar um beijo em minha bochecha.
- Manu...
- Chefa! Você está atrasada! – Angela disse e a voz dela sumiu quando entrou rapidamente com .
- Manu! – Falei firme.
- O quê? – Ela perguntou.
- Também senti sua falta, mas você pode me soltar! – Falei e senti seus pés soltarem de minha cintura e ela me soltou devagar.
- Desculpa por isso. – Ela disse, rindo fracamente e virei para trás, vendo que entrava no elevador.
- Boa tática, sua doida! – Virei para ela que sorriu. – Dio mio! Você está linda! – Falei, acariciando seu rosto e ela sorriu, me fazendo abraçá-la de verdade agora. – Que saudades, Manu!
- Eu também! – Ela suspirou e sorri quando nos afastamos de novo.
- O que está fazendo aqui? – Perguntei, vendo-a rir fracamente.
- Ah, a história é longa... – Ela abanou a mão. – Pai superprotetor, vida estagnada, chance de mudanças... – Ela deu de ombros. – Vim passar um tempo com você.
- Quanto? – Perguntei curioso.
- Não faço a mínima ideia, a passagem foi só de ida. – Ela disse, me fazendo rir.
- Está ótimo! Mais uma para me ajudar. – Sorri, passando os braços pelos seus ombros.
- Ajudar no quê? Nem vem! Eu quero te matar! – Ela disse, tirando o braço e se colocando em minha frente. – Você foi embora! – Ela disse firme. – Você deixou a sozinha aqui! Você deixou que ela seguisse em frente sozinha! Você deixou que ela engravidasse sozinha!
- Primeiro de tudo: eu tenho ótimos motivos para ter feito isso. Segundo de tudo: eu sei sobre a verdadeira paternidade da Sienna. Terceiro...
- Você sabe? – Ela perguntou, franzindo os olhos.
- Ela é minha, certo? – Ela arregalou os olhos.
- Ah... – Ela relaxou o rosto logo em seguida. – Não! Não! Não! – Ela disse rapidamente, se afastando e puxei-a pelos ombros.
- Manu! – Falei firme.
- Eu não sei nada, Gigi, por favor! – Ela balançou a cabeça. – E não mude de assunto! Você é o motivo aqui. – Bufei e a seguimos até o elevador. – Ciao, Marco.
- Ciao, senhorita Emanuelle! – Ele disse e acenei, cumprimentando-o. – Bom te ver, Gigi.
- Você também! É bom estar de volta! – Sorri, esperando o elevador.
- Você tem muito para falar! O que deu na sua cabeça? – Ela bateu os nós dos dedos em minha cabeça.
- Ai! Ai! Ai! – Falei, tirando sua mão. – O campo está minado, por favor! – Ela bufou e o elevador se abriu.
- Senhores.
- Grazie, Marco! – Manu disse, entrando primeiro e segui logo atrás, apertando o botão e foi só as portas se fecharem para ela virar para mim. – Ok, desembucha!
- Minha saída da Juve foi tudo um plano, Manu! – Falei firme.
- Plano para que? – Ela perguntou.
- Você precisa prometer que não vai contar para , isso é de extrema importância. – Falei firme.
- Por que vocês ficam de segredinhos um para o outro, hein?! Não veem que isso só os machuca? – Ela disse, revirando os olhos.
- O time inteiro sabe, Manu! Isso tudo está sendo planejado há quase dois anos. – Ela virou para mim.
- E deu certo? – Ela perguntou e o elevador se abriu novamente e só saímos dele, sem andar.
- Sim, deu, estou aqui, não estou? – Falei, segurando-a pelo pulso.
- Ok... Fala! – Ela movimentou as mãos para eu agilizar.
- Tudo não passou de uma completa sequência de erros, mas começou quando eu tentei terminar com a Ilaria e ela me chantageou, falando que se eu não ficasse com ela, ao menos para publicamente, ela contaria o segredo sobre a família de Nápoles de e me deixaria sem ver meu filho. – Ela arregalou os olhos.
- O QUÊ?! – Ela gritou e coloquei a mão em sua boca, puxando-a mais para o canto.
- Xi! Não é para contar para ninguém ainda, nem para ! – Falei firme.
- Mas por que esse segredo em especial? A tá pouco se fodendo para família dela de Nápoles. – Ela disse.
- É, eu sei, mas não sabia como a imprensa ia reagir e... Enfim, não é relevante agora. Eu fiz um acordo com Ilaria que me aposentaria, ficaria com Ilaria por mais um ano e, enquanto isso, o pessoal aqui faria abrir esse segredo para a imprensa e, depois que você foi embora, depois do meu rolo com a Ilaria, ela ficou mais difícil ainda com a imprensa. – Ela assentiu com a cabeça.
- Ok, só não entendi por que você foi embora. – Ela disse.
- Porque o contrato só tinha validade na Itália. Se eu saísse daqui, a Ilaria não tinha mais poder sobre mim. E como a virou presidente, ela contou isso na primeira oportunidade.
- O-o-oh! – Ela disse surpresa! – É por isso, então!
- É! – Falei firme. – Não saí à toa, Manu. Acabou que tudo se resolveu fácil demais e eu precisei de mais oito meses para voltar, mas eu estou livre! Eu não tenho mais Alena, nem Ilaria para impedir que isso aconteça. Eu estou disposto a lutar pela agora nos termos dela. – Ela sorriu.
- Bom saber que você não nos traiu, capitano! – Ela falou e sorri, sentindo-a me abraçar novamente. – Mas você tem um longo caminho pela frente, ela não está muito feliz contigo.
- É, eu sei, ela me escondeu um filho. – Olhei para ela, esperando alguma reação, mas ela fingiu fechar a boca com zíper.
- Vocês dois são complicados, estranhos e sensacionais. É perfeito! – Ela deu de ombros. – Agora vai! Eu vou para o vestiário, mas você não pode mais entrar lá! – Ela me empurrou pelos ombros, me fazendo rir fracamente.
- Gigi! – Vi Angela. – Quer cumprimentar sua torcida? – Ela indicou o campo e sorri.
- Vamos lá! – Passei ao seu lado. – Vai comigo?
- Eu vou trazer a criançada, logo apareço. – Ela disse e assenti com a cabeça.
Passei pelo túnel e reconheci os dois filhos de Barza, mas a mulher que estava com eles não era Maddalena, talvez seja a nova namorada dele. Ela é muito bonita, cabelos escuros, um pouco mais baixa do que ele e usava sua blusa, assim como Manu. Passei por ela com um rápido aceno, fazendo-a confirmar e segui para o campo, entrando de fininho.
Era incrível voltar para esse estádio exatamente um ano após minha partida! Parecia que nada havia mudado e essa era a melhor parte dele. As torcidas cheias, as bandeiras, as flâmulas, as homenagens para Barza. Tudo estava incrível! Era bom estar de volta.
A torcida começou a gritar quando percebeu minha presença e comecei acenar para eles, dando uma volta olímpica por todo o estádio, por assim dizer. Era bom voltar e, em breve, eu voltaria para campo com o uniforme. Beh, se tudo desse certo.
Voltei para a saída do túnel quando percebi que os jogadores já saíam e segui até eles, vendo mais para o meio do campo com Virginia, organizadora – e namorada de Leo, pelo visto –, que segurava uma placa comemorativa, e me aproximei dos jogadores.
- Gigione! – Cumprimentei Chiello, rindo fracamente e abracei-o com força. – Sobreviveu, hein?!
- Você não tem nem noção! Foi uma aventura! – Rimos juntos.
- DAI, GIGIONE! – Pinso pulou em mim, me fazendo rir e abracei-o com força.
- Ah, ragazzi! – Sorri, soltando-o e abracei Fede logo em seguida. – Como estão?
- Voltou, hein?! – Fede disse rindo e abracei Tek em seguida, me apertando com força.
- Cuidaram dela para mim!
- Beh, a gente teve o poder da multiplicação! – Mario disse. – Você deixou uma e transformamos em duas! – Ri fracamente, abraçando-o fortemente.
- Seus tontos! – Dei um tapinha em sua cabeça.
- Só não falem tão alto, ela está ali! – Alex disse e abracei-o apertado.
- Ah, não ligo mais, estou com meu time! – Abracei Leo em seguida, sorrindo.
- GIGI! – Paulo pulou em minhas costas, me fazendo rir.
- Dai, ragazzi! – Cumprimentei Ronaldo. – Você é um puttano, veio quando eu fui embora?
- Tinha que compensar aquele gol! – Rimos juntos e abracei-o apertado.
- Martin!
- Dai, Gigi! – Ele me abraçou apertado, me fazendo rir e abracei Mattia ao seu lado.
- Como está? – Juan perguntou, me fazendo rir fracamente.
- Eu estou bem, eu estou em casa! – Sorri, cumprimentando Douglas, Rodrigo, Sami, Emre, Blaise, Spinazzola, vendo-os passarem por mim e, por último, Gianni e Kean.
- Garoto! – Abracei Gianni apertado, vendo-o rir. – Você está arrasando!
- Eu só joguei dois jogos! – Ele disse rindo.
- É assim que começa! – Ele sorriu.
- Não pense que eu não estou chateado contigo ainda. – Ele riu fracamente.
- Vim atrás dela. – Falei e ele assentiu com a cabeça.
- Isso é jeito de falar da irmã do garoto? – Mario me deu um tapinha em meus ombros, nos fazendo rir.
- Tenho moral nenhuma! – Gianni disse.
- RAGAZZI! – Virei para Angela. – Em fila! – Ele disse e o time se separou em duas fileiras junto da equipe técnica e sorri ao ver Filippi. Fugi da minha fileira rapidamente, abraçando-o que sorriu.
- Bom te ver! – Ele disse.
- Nos falamos depois. – Voltei ao meu lugar e ele assentiu com a cabeça.
O silêncio tomou conta de nós por alguns minutos até que começasse. estava no final da fila com um microfone na mão e imagina que tivesse uma homenagem para ele. Do outro lado do túnel, logo na entrada, Manu estava com a namorada de Barza e seus dois filhos e me perguntei onde estava Sienna, mas o narrador do estádio começou a falar.
- Depois de vencer o primeiro campeonato com a Juventus, ele não pensava em férias, ele só pensava em vencer o segundo campeonato seguido, desde aquilo, ele não parou mais, pois é um jogador incrível, uma instituição, um exemplo de profissionalidade e aplicação sem igual, uma certeza, um defensor insuperável, uma rocha! nossa rocha! E nosso número 15, Andrea...
- BARZAGLI! – A torcida gritou e Barza saiu do túnel cumprimentando a torcida e seguiu pelo túnel enquanto era alvoroçado pela torcida.
Seus olhos vermelhos mostravam que estava sendo difícil aguentar, e eu sei como foi difícil para mim no ano passado. Ele passou por nós, cumprimentando e sorriu ao me ver, me dando um forte abraço, antes de seguir ao fim do túnel ao lado de .
- Andrea Barzagli, nossa rocha, nosso muro, nosso Barzaglione! – Ela começou, claramente contendo as lágrimas. – Minha primeira contratação e a última que eu gostaria de me despedir. A melhor durante esses oito anos e meio. – O pessoal riu fracamente e sorri. – Existem somente dois jogadores em todos esses anos de Juve que venceram todos os campeonatos, Chiellini, nosso capitano e Andrea Barzagli...
“Sua carreira ficará sempre guardado no coração de todos os juventinos pelo clássico BBBC ou BBC, que nos ajudou a voltar a esse tempo de vitórias. Essa sigla é conhecida no mundo do futebol como sinônimo de defesa e autoridade. Com trabalho, dedicação, paixão, você nos ajudou a atingir muitas vitórias, muitos troféus e a subir sempre um degrau mais alto”.
“Você é uma lenda, Barza! Uma bonita lenda que veio trazer felicidade a todos nós, seja no campo, no vestiário, nos encontros em grupo. Você honrou essa camisa, você lutou por ela, você venceu por ela, você se esforçou por ela. Por isso, sua camisa ficará exposta no museu junto de tantos outros jogadores igualmente importantes. Você é isso que você é, Barza! Depois de hoje, sua história vai ficar para sempre marcada por todo torcedor juventino”. – Sorri, rindo fracamente. A pessoa só ia para o museu se tivesse 300 aparições no time, Barza não tinha isso, mas era completamente merecido!
- Seu tempo como jogador chegou ao fim, mas seu tempo como juventino nunca acabará! Grazie, Barza. Por tudo o que você nos deu nesses últimos oito anos e meio. Você é incrível! E não há melhor adjetivo para eu descrever como grande, seja jogador ou amigo. Independente dos seus próximos passos, nossa casa sempre vai estar aberta para você! In bocca al lupo! – Ela terminou, abaixando o microfone e Barza sorriu junto com a torcida.
Ambos se abraçaram e suspirei, vendo o abraço apertado que ambos estavam trocando. De pensar tantos altos e baixos que esses dois já passaram. A começar pela relação de ele ser o primeiro contratado dela, depois pela amizade em volta de ambos terem morado em Palermo, até o breve relacionamento que eu destruí, depois uma amizade que tinha tudo para dar errado e acabou se tornando tão grande quanto meu amor por . Hoje ela ser presidente do time acaba sendo especial, pois, quem sabia o que eles tinham passado, sabe quantos segredos ocultos esse discurso tem.
entregou a placa comemorativa para Barza e ele tirou um momento para ser aplaudido e ovacionado pelo estádio que não parava de gritar seu nome, mas Barza era tímido, então isso não passou mais do que 20 segundos.
Quando ele voltou para o túnel, o pessoal correu dar tapinhas em sua cabeça e eu fiz o mesmo, vendo-o entrar. Acabei sendo um dos últimos a seguir, pois outros vieram me cumprimentar. passou por mim e pressionou os lábios, seguindo em frente.
- Vamos? – Virei para Manu.
- Vamos! – Falei.
- Você vai assistir ao jogo lá de cima? – Ela perguntou.
- Posso? – Perguntei confuso.
- Sim, claro! Me faz companhia? – Ela perguntou.
- E a ?
- Paulo vai entrar com a Sienna, ela não vai subir até isso terminar. – Ela disse e ri fracamente.
- Ok, então vamos subir porque eu não quero perder nenhum segundo disso. – Falei e ela deu o braço para mim, me puxando com ela.
Meu corpo se aliviou por poucos minutos quando vi Manu puxando Gigi de volta para o túnel. Eu consegui! Minha primeira vez literalmente falando para o povo juventino havia sido bem. Pena que agora minha cabeça doía, pois eu chorei bastante quando abracei Barza. Uma parte de mim havia se quebrado, talvez uma bem maior que quando Gigi foi embora. Apesar da indecisão, eu sabia que encontraria Gigi ao menos no mundo do futebol, agora não fazia a menor ideia de quando eu encontraria Barza.
De meu primeiro contratado para amigo, depois namorado, depois amigo novamente, eu sabia que sentiria muito sua falta dele. Só esperava que ele realmente levasse a sério a ideia de ser assistente técnico na próxima temporada, mas muito podia acontecer, inclusive ele precisa passar pelo curso antes de tudo.
Abanei a cabeça, entregando o microfone para Virginia e segui para dentro do túnel, vendo o Atalanta pronto para entrar em campo e ri sozinha. Barza tinha um histórico de só fazer gols contra o Atalanta, quem sabe ele não finalizaria isso hoje também. Vi nosso time também se organizando e vi Paulo acenar com a mão para mim.
- Cadê ela? – Ele perguntou e ri fracamente.
- Vou pegá-la! – Falei e segui para dentro do vestiário, indo para o fundo nele onde havia deixado Sienna no bebê conforto em cima de uma das macas. Tirei a manta que cobria e sorri. – Oi, amore! – A vi com os olhinhos de sono. – Vamos nos divertir um pouco? – Me levantei, pegando o headphone na bolsa e coloquei levemente em sua cabeça, ajeitando nas orelhas, ela reclamou um pouco. – Calma, amore! Só um pouquinho! – Falei, pegando-a no colo e apoiando-a levemente em meu peito. – Vamos que o titio Paulo vai cuidar de você. – Segui para fora do vestiário e vi os diversos olhares em mim.
- Ah, meu Deus! – Carol falou e ri fracamente. – Olha que princesa! – Ela disse e sorri.
- Meu bebê! – Paulo falou animado, esticando as mãos.
- Cruza os braços na frente do corpo. – Falei e ele fez o que eu mandei. – Toma cuidado com ela! – Pedi, colocando-a levemente sobre seus braços e ele ajeitou. – É meu bem mais precioso!
- Eu sei, ! Não se preocupe! – Ele disse e vi Carol, Virginia, Ada e Natalia me olhando pelos ombros. – Vou cuidar bem do seu coração! – Sorri e dei um beijo em sua bochecha.
- Grazie. – Ele sorriu.
- Prego! – Rimos juntos e me afastei alguns passos para os árbitros se aproximarem.
- Você está com medo? – Carol perguntou.
- Morrendo! – Falei, rindo fracamente e elas riram.
- Vai dar certo! – Assenti com a cabeça.
O sol estava finalmente se ponto, então, enquanto o narrador falava a escalação, a última escalação de Barza, o estádio ficava quase inteiro escuro. Tek, Mira, Cristiano, Paulo, Alex, Blaise, Barza, Cuadrado, Bonucci, Cancelo e Emre saíram, alguns com filhos e outros não, além de Kean que parecia estar com uma criança emprestada de Leo, Pinso que deveria estar com sua sobrinha, Chiello com Nina e Bianca, Spina com seus filhos e Martin com suas filhas mais velha e mais nova.
Fiz um pequeno sinal da cruz, saindo atrás deles, feliz ao ver o sorriso envergonhado de Barza, mas como uma boa mãe babona, tirei algumas fotos de Sienna no colo de Paulo. Ela parecia confortável demais ali. Na hora dos cumprimentos, Paulo seguiu com ela, cumprimentando o outro e logo os jogadores vieram em nossa direção.
- Viu? Cuidei certinho! – Ele falou e ri fracamente, pegando Sienna de seu colo.
- Bom jogo!
- Valeu! – Ele sorriu, voltando para o campo e ajeitei Sienna em meu colo.
- Dai, Barza! – Falei para ele que sorriu e ele me deu um rápido abraço. – Bom jogo!
- Grazie, minha amiga! – Sorri e o vi seguir para a divisão de campo.
Observei que alguns fotógrafos haviam me feito de foco e era esperado sem Sienna, imagina com ela em meu colo. Dei uma volta ao redor do corpo, indicando as torcidas para a “princesinha” da Juventus e ela arregalou seus olhos para tudo e dei um beijo em sua cabeça, suspirando.
- Você vai ficar no camarote, ? – Ada me perguntou.
- Sim, vou! – Falei, suspirando. – Beh, eu acho. – Olhei em volta, procurando os filhos de Barza. – Cadê as crianças?
- A Maddalena está aqui. – Ela disse.
- Mesmo? – Perguntei surpresa.
- O Barza a convidou, achou justo após ela tê-lo acompanhado por 14 anos. – Assenti com a cabeça.
- E como está com isso? – Ela deu de ombros.
- Super ciumenta... – Rimos juntas. – Mas hoje ele dorme na minha cama.
- Gostei! – Falei, rindo fracamente. – Vamos lá, eu só realmente não sei o que fazer. – Indiquei o túnel e desviei dos fotógrafos, entrando no mesmo.
- Seus pais estão aí, não? – Ela disse.
- Sim, estão. – Suspirei.
- Por que não deixa com eles?
- Porque Gigi vai saber que eu estou fugindo. – Mordi meu lábio inferior.
- A Manu parece que está amarrada dele. – Ela disse. – Literalmente.
- Sim, ela está ajudando a distraí-lo. – Suspirei. – Mas ele pode muito bem levantar do lugar dele e vir até mim. E eu não... Não posso lidar com isso agora. – Falei, engolindo em seco.
- Ele sabe disso, não sabe? – Ela falou e entrei no vestiário, seguindo até o fundo novamente e chequei se precisava trocar a fralda de Sienna antes de colocá-la no bebê-conforto.
- Como assim? – Perguntei, virando para ela.
- Dois meses, ! – Ela disse. – Não o conheço, mas não acredito que ele vá te colocar contra a parede justo agora. Junto de todo mundo no camarote. – Dobrei a manta, colocando-a dentro da bolsa.
- Mas e se... Se ele vier até ela e... – Engoli em seco. – Eu vou começar a chorar e... – Senti a voz afinar.
- Ele já sabe, . – Ela negou com a cabeça. – Deixe fluir. – Engoli em seco, suspirando.
- Espero que esteja certa! – Neguei com a cabeça, colocando a bolsa no ombro e empunhei o bebê-conforto.
- Você vai ver, todo mundo vai em cima de você. Ele não vai se meter agora, principalmente que todo mundo foi em cima dele lá embaixo. Imagina aqui em cima... – Assenti com a cabeça, suspirando. – Eu vou na frente. – Confirmei com a cabeça.
Saímos do vestiário e fui até lá em cima procurando por Gigi em qualquer esquina. Quando chegamos, Ada foi em minha frente até entrar no lounge que saía no camarote da presidência e respirei fundo quando saí do mesmo a passos lentos, segurando o bebê-conforto de Sienna. Vi Ada indicar lá embaixo com a cabeça e olhei rapidamente em volta, procurando meus pontos de conflito.
Encontrei Gigi à minha esquerda, sentado algumas poltronas abaixo com Manu. Ada seguiu pelo lado direito e indicou Carolina de um lado. Suspirei, olhando para frente e vi que o relógio já marcava oito minutos, mas ainda estava zero a zero. Olhei para Gigi novamente e podia ficar em segredo aqui embaixo, mas todos os Agnelli estavam aqui hoje e eles fariam uma festa enorme quando vissem Sienna e minha posição seria denunciada.
- Ok, vamos lá. – Suspirei, olhando para Sienna que parecia ter se aconchegado novamente e dormido. – Fica assim, amore. – Sussurrei e segui pelo lado direito, descendo um degrau, parando ao lado de Pavel.
- Ah, chegou! – Ele disse, me abraçando de lado. – Está tudo bem?
- Si-sim! – Ele riu fracamente e pulou uma poltrona para eu me sentar do lado e apoiei Sienna no chão, no degrau.
- Ciao, ciao! – Sussurrei para Agnelli e Fabio em minha frente.
- ! – Agnelli se virou e vi Allegra se virar também.
- Ah, querida! – Ela sorriu, me dando um rápido abraço.
- Ciao, ciao! – Falei baixo.
- Ah, você trouxe? – Ela virou para Sienna no chão e se virou para vê-la.
- Ah, . – Deniz disse e sorri. – Ela é linda!
- É! – Suspirei, evitando olhar para Gigi, não sabia, mas eu podia estar sendo observada. Ou só ficando louca.
- Auguri, ! – Agnelli disse e sorri.
- Bom te ver, presidente! – Falei e ele riu fracamente.
- Não, esse trabalho é seu! – Assenti com a cabeça. – E tem feito muito bem.
- Grazie! – Afastei meu corpo para trás e tentei aproveitar o jogo. Dessa vez eu não estava chorando e realmente poderia assistir ao jogo. E eu queria, ver Barza jogando é realmente como ver uma lenda, e eu sentia muita falta dele em campo.
O jogo parecia totalmente desequilibrado. Eles estavam atacando muito mais do que nós e algumas bolas até chegavam em Tek, mas ele defendia bem ou, em outros casos, como aos 27 minutos, ele só dava sorte de a bola não entrar.
Aos 31 minutos foi nosso primeiro ataque, mas o goleiro pegou e acabou dando em um contra-ataque, mas Alex, que estava literalmente sozinho, conseguiu tirar, recebendo aplausos do estádio.
Não conseguimos segurá-los, pois aos 33, eles voltaram, mas Barza conseguiu tirar a bola sendo parabenizado por Alex e Tek, na cobrança de escanteio, eles conseguiram fazer um cabeceio, passando para outro jogador mais ao fundo na fila que mandou para o gol. 1x0 para eles. Ótimo, que ótimo jeito de se aposentar, Barza.
Aos 36, Dybala conseguiu chegar, que passou para Cuadrado e fez o passe para Mira... Que mandou para fora! Aos 38, Cuadrado correu como louco para conter uma bola de sair e passou para Paulo que também mandou para fora.
Quando começou a chegar perto do intervalo, eu comecei a ficar nervosa novamente. Seria a oportunidade perfeita para Gigi e os Elkann, que já tinha acenado de longe, virem me abraçar e eu me distrair e Gigi chegar em Sienna, então eu me levantei com a desculpa que precisava trocar Sienna.
- Scusi! – Falei, segurando Sienna me levantei, seguindo para o fundo da sala. Obsevei Gigi conversando algo com Manu e segui rapidamente até o trocador, fechando a porta. Respirei fundo para entrei no mesmo e apoiei minhas mãos no bebê-conforto. – Mamãe está passando um sufoco aqui hoje. – Falei baixo, suspirando. – Me ajuda, pode ser? – Olhei o relógio, contando mentalmente uns 20 minutos.
Dei um beijo na testa de Sienna e tirei o headphone de sua cabeça, vendo que isso a despertou de seu sono, mas ela se ajeitou novamente e voltou para seu soninho. Sorri, erguendo-a levemente do bebê-conforto e puxei a calça que ela usava, vendo que a fralda estava cheia. Ri fracamente com a ironia e abri uma manta em cima do colchãozinho acolchoado na bancada.
- Vem, mozinha! – Falei baixo, colocando Sienna na mesma.
Enquanto tirava a calça que ela usava e a fralda, olhava toda hora para a porta, checando se alguém não abriria no susto, mas por sorte isso não aconteceu. Tinha que agradecer à Manu, ela deveria estar falando igual uma matraca com Gigi para nem ele e nem ela virem atrás de mim.
Limpei Sienna, passei pomada novamente e coloquei uma fralda limpa. Achava uma graça como ela sempre colocava a mão na boca quando eu a trocava. Coloquei a calça novamente, recoloquei os tênis e a coloquei novamente no bebê-conforto. Ajeitei o headphone em suas orelhas e peguei a manta dela, desdobrando-a e colocando sobre seu corpo, ajeitando-o nos cantos do bebê-conforto. O sol já havia sumido e o frio começava a vir.
Chequei o relógio novamente e vi que já era 21:30, o segundo tempo já deveria estar começando. Abri a porta devagar, checando o ambiente e me assustei quando um rosto apareceu do escuro e vi Giulia.
- Ah, cazzo! – Xinguei-a.
- Desculpe! – Ela disse, rindo fracamente. – Demorou, hein?!
- Onde ele está?
- Agora ele está sendo alugado pelo Treze! – Ela disse e suspirei. – Vamos, eu te dou cobertura. – Assenti com a cabeça.
- Ok, deixa eu só... – Voltei para dentro do trocador e terminei de arrumar as coisas de Sienna de volta na bolsa e coloquei-a no meu ombro e empunhei o bebê-conforto antes de sair do mesmo.
- Você parece fugitiva, . – Giulia disse.
- Eu sei, eu só preciso passar por isso.
- Relaxa, vai dar certo! – Ela disse e suspirei.
- O que eu perdi? – Perguntei.
- A premiação das meninas! – Fiz uma careta.
- Ah, cazzo! Eu esqueci! – Bati na testa.
- Foi rápida! – Ela abandou a mão.
- E o jogo? – Ela perguntou.
- 1x0 ainda, Ronaldo levou um cartão no fim do primeiro tempo. – Ela disse.
- Por quê? – Franzi a testa.
- Vocês estavam no meio de um lance e o árbitro apitou. Ele ficou puto e levou cartão. – Suspirei.
- Ah, nada de novo. – Suspirei, entrando no camarote novamente e procurei por Gigi mais uma vez. Agora ele estava à esquerda com Treze, na mesma direção que nós duas, e Manu ainda estava de segurança. Ela sorriu para mim, assentindo com a cabeça e suspirei, voltando a me sentar novamente, colocando Sienna ao meu lado.
- Relaxa, ok?! Eu estarei aqui. – Ela disse, subindo um degrau e apoiando no mesmo, me fazendo assentir com a cabeça.
O jogo já estava em 51 minutos, seis minutos do segundo tempo, segundos depois, Cuadrado fez um passe e Blaise e Ronaldo tentaram cabecear, mas acabou em falta da Atalanta em cima de Cancelo. Após a falta, Fede tenteou cabecear, mas foi para fora... Espera! Fede? Dei uma rápida olhada em campo, tentando identificar quem havia saído. Barza, Leo, Alex... Alex!
Conforme o tempo passava, eu sabia que estava chegando a hora de Barza ser substituído, eu só não queria ver esse momento. A saída de Gigi já havia me doído e eu nem sabia que ele queria voltar após... Sei lá o que ele resolveu lá. Agora Barza? Seria literalmente a última vez. 21 anos de carreira, oito times, oito scudetti, quatro Coppa Italia, quatro Supercoppa, duas finais de Champions, além de um campeonato Serie C, um Serie D, uma Bundesliga, uma Copa do Mundo, uma medalha de bronze nas Olimpíadas, terceiro lugar na Copa das Confederações, além de ser cavalheiro e oficial da República Italiana, tudo terminava aqui. Allianz Stadium, 19 de maio de 2019.
A torcida já estava preparada, com flâmulas “Andrea Barzagli Grande Campione” tremulando na Curva Sud e, aos 61 minutos, ele foi chamado! A primeira pessoa em que ele foi, foi Paulo, onde ele deixou sua braçadeira de capitano. Emre o abraçou, depois Matuidi, e todos os jogadores foram em cima dele. Eu só consegui me levantar e aplaudí-lo. Barza merecia isso e muito mais. Muito mais mesmo.
Barza aplaudiu o carinho do povo e deu uma chorada quando abraçou Leo. Meu BBC estava morrendo cada dia mais e isso doía muito. Passei as mãos embaixo de meus olhos quando ele saiu de campo e trocou por Mario. Os substitutos foram em cima dele e Allegri o abraçou fortemente. Não conseguia imaginar o que estava passando na cabeça dele nesse momento.
Procurei Ada com o olhar e a vi em pé, igualmente aplaudindo e saí do meu lugar, apontando para Sienna para Giulia e ela assentiu. Fui até Adalina e toquei seu ombro, vendo-a se virar com lágrimas nos olhos e a apertei fortemente, ouvindo-a suspirar próximo de meu ouvido.
- Vai ficar tudo bem! – Falei baixo e ela assentiu com a cabeça.
- Eu sei! – Ela disse. – Ele está bem! Eu só estou sentida por ter aproveitado pouco. – Rimos juntas.
- Não, é só o começo! – Falei e ela sorriu, assentindo com a cabeça. – Vai lá embaixo, com ele...
- Ele vai cumprimentar os torcedores ainda. – Ela indicou e vi Barza próximo à Curva Sud.
- Mas desce! Ele vai entrar, certeza! – Falei e ela confirmou com a cabeça.
- Grazie! – Ela falou e neguei com a cabeça.
- Não tem que me agradecer de nada. – Ela sorriu e dei licença para ela sair de sua fileira e seguiu a passos rápidos lá atrás.
Suspirei, voltando para meu lugar e encontrei Giulia e Sienna da mesma forma. Encontrei os olhos de Gigi virado para mim e suspirei, me sentando novamente. Sienna ainda dormia e parecia mais bem aconchegada do que antes, me fazendo suspirar. Ai, amore...
O jogo já passava dos 68 minutos e ainda perdíamos. Eles podiam ao menos fazer um gol, né?! Assim o último jogo de Barza não terminaria com um resultado sem graça. Falando em Barza, ele ainda andava pelo campo sendo cumprimentado pela torcida, agora ele estava quase terminando a volta.
Aos 80 minutos, finalmente o nosso gol veio. Em um passe lindo de Cuadrado, Mario conseguiu chegar à frente, dar um chutinho quase de fora da área, a bola ainda passou embaixo das pernas do goleiro! Um gol maravilhoso! Só um gol que Mario Mandzukic poderia fazer. Minutos depois, foi a vez de Fede tentar, mas ainda não entrou.
- Eu já vou descer. – Sussurrei para Pavel.
- Já? – Ele perguntou.
- É! – Falei firme. – Você sabe o porquê!
- Ok, logo te encontro lá! – Assenti com a cabeça e virei para Giulia.
- Distrai o Gigi? – Perguntei baixo e ela assentiu com a cabeça.
- A gente se vê depois?
- Eu posso deixar a Sienna na sua casa enquanto for na festa?
- Claro que sim! – Ela disse e confirmei com a cabeça.
Vi Giulia seguir até David, Gigi e Manu e engoli em seco. Me levantei, pegando o bebê-conforto novamente e subi rapidamente para fora do lounge. Fiquei olhando sobre meu ombro para ver se ele aparecia até eu entrar no elevador. Talvez todo mundo estivesse certo, talvez eu estava fugindo de boba e ele realmente ia me respeitar até sentar e conversar. Saí pelo túnel novamente, vendo-o vazio e segui em direção em direção ao vestiário.
- Eu não entraria se fosse você. – Virginia estava apoiada na parece.
- Por quê? – Virei para ela.
- Barza e Ada estão aí dentro. – Ela disse e arregalei os olhos. – Eles estão... – Ela assentiu com a cabeça.
- Dai, Barzaglione! – Falei, rindo fracamente e ela sorriu. – Eu vou acompanhar o fim do jogo.
- Quer deixá-la aqui? – Ela perguntou. – Preciso treinar. – Ri fracamente.
- Grazie. – Falei, deixando-a ao lado dos pés de Virginia e segui até o final do túnel.
Quando voltei para ele, Mario estava caindo no chão no maior estresse de sempre. O que não seria nenhuma novidade. Faltava só os acréscimos e estava convencida que o jogo seguiria assim até o fim. Parece que a boca maldita sempre funciona, aos 92, Fede chegou empolgado demais em um jogador da Atalanta, algo que eu vi como normal, e levou um vermelho.
- Fala sério! – Revirei os olhos, vendo que faltava um minuto de jogo e neguei com a cabeça.
Fede nem reclamou, mas foi se desculpar do jogador antes de seguir pelo túnel. Ao menos ele estava sendo aplaudido pela torcida. Essa era uma bela forma de fugir do último jogo da temporada e pegar férias mais cedo.
- Chefa! – Ele disse e ri fracamente.
- Muito bem! – Falei, vendo-o rir fracamente.
- Ah, nem foi! – Ele disse.
- Não foi mesmo. – Disse, ouvindo os apitos finais. – Ao menos é uma ótima forma de chamar atenção. – Ele riu fracamente.
- Manu está aqui embaixo? – Ele perguntou.
- Não, continua de segurança pessoal de Gianluigi Buffon! – Ele riu fracamente.
- Eu vou cumprimentar o pessoal! – Ele disse.
- Vai lá! – Sorri, passando a mão em seus cabelos e ele seguiu de volta para o campo. Suspirei, observando os dois times se cumprimentarem e vi Barza saindo apresado do túnel. – Decidiu aparecer, foi? – Falei e ele riu fracamente.
- Não é só você que se diverte nos vestiários! – Ele disse e ri fracamente.
- Só coloca a blusa direito! – Indiquei o moletom e ele olhou-o, ajeitando a gola.
- Grazie! – Rimos juntos e abracei-o de lado.
- Vai cumprimentar sua torcida, Barzaglione! – Empurrei-o pelas costas e o vi seguir campo adentro. – E eu vou atrás da minha princesinha! – Suspirei, me desencostando da pilastra central.
- Sim, é muito bom, você deveria ir lá! – Giulia falou animada.
- Eu preciso ir lá! Esse papo me deixou com fome! – Manu disse esfomeada como sempre.
- A gente pode combinar de ir...
- É, vai ser legal!
- AH, CALEM A BOCA! – Me irritei, virando para os três que se calaram imediatamente. – Eu sei o que vocês estão fazendo e acho esse joguinho ridículo! – Falei firme, cruzando os braços e Manu pressionou os lábios em um bico.
- A gente não está...
- Estão sim! – Cortei-a. – já foi com Sienna, há uns cinco minutos e vocês não param de falar! – Disse firme.
- A gente só estava...
- Me distraindo! – Cortei Giulia. – Eu sei, mas parece que ninguém aqui me conhece, inclusive você, Treze! – Bufei, cruzando os braços
- Por quê? – Manu perguntou calmamente.
- Eu nunca confrontaria a aqui. – Falei, suspirando. – Por mais que eu esteja louco, desesperado, para conhecer minha filha, porque sim, a ação de todos vocês acabou com as minhas dúvidas, eu nunca vou confrontar a aqui, no espaço de trabalho dela. Com os chefes dela, com pessoas que não sabem de nada na história. – Olhei para cada um deles. – Eles não sabem, certo? – Eles se entreolharam.
- Giulia? – Perguntei firme para ela.
- Não! – Ela disse, suspirando e bufei alto, relaxando meus ombros.
- Relaxa, Gigi! – Falei para mim mesmo, apertando os dedos.
- Que foi? – Manu perguntou.
- Sienna é minha filha! – Suspirei, soltando a respiração devagar.
- Mas você disse...
- Uma coisa é eu suspeitar, outra é vocês literalmente confirmarem para mim. – Engoli em seco. – Como ela fez isso? Por que ela escondeu de mim?
- Você vai ter que falar com a , Gigi. – Giulia disse. – Fui contra a todo tempo, mas entendi depois. – Assenti com a cabeça.
- Eu quero falar com sobre isso, mas não aqui! – Suspirei. – Não com todo mundo olhando para gente. Eu não sou tão idiota assim. – Bufei, revirando os olhos.
- Vocês vão conversar com calma, longe de todo mundo, mas a ... – Giulia suspirou. – Ela não ficou bem depois que você saiu. Ela não falou para ninguém o que aconteceu nas férias. – Engoli em seco. – Mas ela ficou um pouco vingativa. – Giulia suspirou.
- Mas eu saí por ela... – Suspirei.
- Mas ela não sabe. – Giulia disse.
- Não? – Perguntei.
- Acredite, esconder seu segredo foi muito mais fácil do que esconder o dela. – Ela suspirou. – Ela está desesperada.
- Eu sei! – Falei firme. – Eu imagino que ela está! – Suspirei. – É, , sou eu, nossa história não é fácil. Por que magicamente agora seria fácil? – Neguei com a cabeça. – É isso que eu quero acabar.
- O quê? – Os três perguntaram apressados.
- Essa complicação! – Falei firme. – Eu a amo, estou finalmente solteiro, sem pendências. Se ela me ama também, por que não podemos ficar juntos?
- Vocês podem. – Manu disse. – Por favor! – Suspirei. – Eu não aguento mais ver a chorando pelos cantos. – Ela pressionou os lábios. – Desde que eu voltei para cá, ela está feliz, porque ela tem a Sienna, mas se ela tiver você... – Ela pigarreou. – Vai ser perfeito, Gigi. Vocês merecem ser felizes, chega de briguinha, chega de achar que um não faz mais parte da vida do outro.
- É por isso que eu saí, Manu, para me limpar. E eu fiz isso e larguei tudo em Paris. – Ela assentiu com a cabeça e a abracei de lado. – Eu só quero me resolver com ela e me esforçar todos os dias para fazê-la feliz. – Ela assentiu com a cabeça, apoiando a cabeça em meu ombro. – Beh, agora no dela e no de Sienna.
- Você tem meu apoio, Gigi. – Giulia disse. – Ela pode mentir em palavras para mim, mas nunca em ações. – Assenti com a cabeça. – Ela ainda te ama, e com a Sienna, foi mais difícil te esquecer, porque não teve uma pessoa que não tentou fazer ela te contar.
- Além do Barza e do Chiello, quem mais sabe? – Perguntei.
- O quê?
- Que ela é minha filha. – Falei baixo e Giulia soltou um suspiro longo, pensando.
- Todo mundo! – Manu falou mais rápido.
- Oi? – Virei para ela.
- Todos os jogadores e equipe técnica sabem. – Ela sorriu. – E eu soube quando cheguei, mas eu já suspeitava lá do Brasil. – Ela deu de ombros.
- Como? – Perguntei.
- Uma vez conversamos e me disse que nunca faria fertilização in vitro. Se não fosse nos meios normais, só adotando. – Ela deu de ombros. – é uma pessoa de opiniões fortes, ela não mudaria de ideia do nada. – Suspirei.
- É! Faz sentido. – Cocei a cabeça, vendo as luzes do estádio mudarem de cor.
- Vai começar! – Giulia disse.
- Eu vou lá embaixo! – Manu falou rápido. – A gente se vê na festa? – Ela se virou para mim.
- Você vai? – Perguntei.
- Sim! É claro! – Ela disse rindo. – Não devo ficar muito, mas vou com a !
- A gente se vê lá, então. – Falei e ela estalou um beijo em minha bochecha antes de sair correndo.
- Me desculpa, Gigi! – Giulia disse. – Eu não podia contar.
- Eu sei! – Virei para ela. – É irônico, não? – Ri fracamente. – Pedir que ela não me esconda algo importante quando eu escondi.
- Farinhas do mesmo saco. – David disse, me fazendo rir fracamente.
- Até demais.
Observei o campo montado com o palco e acho que era a primeira vez que recebíamos – olha eu me incluindo já – um prêmio à noite. Em oito anos, acho que sempre recebemos de dia, no máximo no fim de tarde. Mas, como sempre, a Juve soube fazer algo incrível. As luzes estavam tocas focadas no palco no centro do campo. O tapete azul se abria em dois e, nas laterais, luzes de laser com a silhueta do troféu.
- Senhoras e senhores, a squadra campeã da Itália 2018/2019! – O narrador disse. – A começar pelos goleiros, o trabalho mais dedicado, o papel mais difícil, a última chance e, a eles, não pode errar, por sorte nossa, eles não erram, são os nossos goleiros. Com o número 22, Mattia...
- PERIN! – Sorri ao ver Perin entrar em campo. Acho que é a primeira vez em 24 anos de jogador profissional que eu via do campo, mas sem participar.
- Com o número 21, Carlo.
- PINSOGLIO. – Sorri ao ver Tek entrando e indo receber o prêmio. Quando anunciavam o jogador, os lasers mudavam para o número do jogador.
A Juve está chique demais.
- E nosso número um, Wojciech...
- SZCZĘSNY! – Gritei, aplaudindo-o. Tek havia feito um trabalho incrível nessa temporada. Nem parecia que estava somente há dois anos no time.
- Uma frase antiga disse: o ataque vende os ingressos, mas a defesa vence a partida. E também neste ano, a nossa foi a melhor defesa do campeonato, nossos defensores! Com a número 12, Alex...
- SANDRO! – Alex entrou cumprimentando.
- E O NOSSO NÚMERO 15... – O narrador gritou mais forte. – ANDREA...
- BARZAGLI! – Gritei, sorrindo ao ver Barza entrando em campo sendo ovacionado pela torcida.
- Número 19, Leonardo...
- BONUCCI! – Sorri ao ver que Leo havia voltado e continuado seu legado aqui no time.
Ao menos as coisas haviam dado certo de alguma forma. Por uma loucura da vida, Leo estava namorando Virginia. A mesma Virginia que deveria trabalhar na Juve desde 2015, senão antes! Eles se encontraram ao menos uma vez por semana durante todos esses anos – eu sei porque os RPs era frequentes nos jogos – e nunca houve nada, mas parece que algo havia dado certo e ela ajudou a colocar Leo de volta nos trilhos. E vem mais um mini Leo por aí.
- Número quatro, Martin...
- CÁCERES! – Loucura mesmo era voltar e Martin estar de volta à Juventus. Ele entrou com a blusa de Barza que riu quando viu.
- Número dois, Mattia...
- DE SCIGLIO!
- A blusa número 20, João...
- CANCELO! – Esse eu não conhecia, deve ter entrado esse ano ou voltado de algum empréstimo.
- E o número 24, Daniele...
- RUGANI! – Na minha época eles faziam a premiação diferente também, por números, não por posições, mas era legal também, mais confuso, mas legal!
- A parte crucial de cada time, os responsáveis pela manobra, o coração pulsante da Juve, o nosso centro-campo! – O narrador disse. – E o número 30, Rodrigo...
- BENTANCUR! – Ele entrou poucos meses antes do fim da temporada e eu não havia jogado com ele ainda.
- Número 23, Emre...
- CAN! – Esse também eu não conhecia, mas parece que tem feito bem.
- Número seis, Sami...
- KHEDIRA! – Era bom ver Sami bem e arrasando ainda.
- E o número 14, Blaise...
- MATUIDI! – Agora que percebi que as crianças não estavam correndo com eles. Será que Angela finalmente colocou ordem nisso?
- Número cinco, Miralem...
- PJANIC!
- Número 37, Leonardo...
- SPINAZZOLA! – Esse eu conhecia um pouco da seleção italiana. Garoto tinha um futuro muito bom pela frente.
- São os terrores dos adversários, são os campeões que te dão felicidades incríveis, para sonhar em cada partida, só os nossos atacantes! E o número 33, Federico...
- BERNARDESCHI!
- Namorado da Manu! – Falei baixo, ouvindo Treze rir.
- Está interessante! – David disse.
- Já rolou algo? – Virei para ele.
- Não, mas ele obviamente quer! – Rimos juntos.
- Número 16, Juan...
- CUADRADO! – Juan entrou dançando, me fazendo sorrir.
- Não vai ser fácil. – Falei, rindo fracamente.
- Por quê? – Giulia perguntou.
- Número 11, Douglas...
- Costa!
- A Manu era fechada demais para isso no passado. Quantos jogadores já deram em cima dela e nada? – Falei, rindo fracamente.
- Mas ela parece ficar bem envergonhada perto dele. – Ele disse.
- Você sabe a história do tombo, pelo visto ela gostou dele no passado...
- E o nosso número 10, Paulo...
- DYBALA! – Paulo também entrou com a blusa de Paulo, me fazendo sorrir.
- Número 18, Moise...
- KEAN! – Sorri com o jogador da base.
- Vai ver é a chance que ela tem! – Giulia disse. – Recomeçar!
- Talvez... – Ponderei com a cabeça. – Vou saber melhor quando voltar a conviver com ela. Três anos é bastante tempo!
- E o número 17, Mario...
- MANDZUKIC!
- Ela mudou bastante! – Giulia disse.
- A número sete, Cristiano...
- RONALDO!
- MUITO! – Falei exagerado! – Quem diria que mudar os cabelos, alguns quilos a menos e roupas mais normais deixariam a Manu gata? – Eles riram. – Ela sempre foi bonita, mas fofa! Agora ela está... Mulher!
- Ela encorpou! – Giulia disse. – E parou de se esconder no jeito estranho dela.
- É! – Concordei.
- Mas continua doidinha, tá?! No dia das mães ela literalmente tropeçou em uma correção de piso! – Ela disse e rimos juntos.
- E pelo time, aquele que trabalha forte e merece um aplauso forte, porque se estamos festejando hoje, é graças a eles. A nossa equipe técnica, Marco Landucci, Maurizio Trombetta, Aldo Dolcetti, Claudio Filippi, Simone Folletti, Andrea Pertuzio, Duccio Ferrari Bravo, Stefano Grani, Enrico Maffei! – Aplaudi animado a equipe técnica que eu convivi por quatro anos, com exceção de Claudio que eu estou desde 2011.
- Cinco temporadas ao comando da Juventus, 11 troféus, não precisa dizer mais nada, só precisa erguer as mãos e acompanhá-lo até o fim! O treinador, Massimiliano...
- ALLEGRI! – Sorri ao ver Allegri entrando animado em campo. Queria saber o que aconteceu para demitir Allegri ou os motivos de ele decidir sair. Era confuso para mim.
- E o nosso guerreiro, o nosso guia, o nosso capitano, o nosso número três... – Sorri, aplaudindo e gritando com a torcida. – Giorgio..
- CHIELLINI! – Sorri ao ver Chiello entrando em campo e era delicioso vê-lo feliz e contente, finalmente sendo capitão da Juve. Eu me tornei depois de 11 anos, ele se tornou depois de 13! Era incrível!
Vi Chiello receber sua medalha e subir para levantar o troféu. Barza e Paulo subiram no segundo andar com ele. A torcida já gritava e eles comemoravam com o pessoal! Era um dia de festa! Podia estar ali com eles, mas tinha uma vantagem boa disso tudo: o time conseguiu seguir vitorioso sem mim, e esperava que conseguisse sem Barza também. Lembro como fiquei desesperado com a saída de Del Piero, mas a gente sempre acaba dando um jeito mesmo. Só não tem jeito se sair, mas a gente pensa nisso mais para frente.
- O presidente da Lega Serie A, Gaetano Miccichè, e os diretores, concedem o troféu de Campeões da Itália 2018/2019 ao capitano da Juventus, Giorgio Chiellini! – Ele disse alto e Chiello ergueu o troféu com a ajuda de Barza, me fazendo sorrir quando os focos e papéis explodiram, dando uma imagem linda com o estádio completamente escuro.
Era por essas e outras que minha vida era o futebol e eu atrasaria ao máximo para largar. Minha vida é o futebol, meus amigos são o futebol, meu amor é o futebol. E eu vou continuar lutando por cada um deles, nem que seja a última coisa que eu faça!
Sorri, vendo o pessoal seguindo para a placa comemorativa, ainda comemorando e sorri, suspirando. Procurei por ou Manu lá embaixo e acabei encontrando abraçando alguém fortemente. Certeza que era Barza. Era realmente uma perda e tanto! Para Juve, para o futebol, pela amizade frequente. Seria difícil demais! Mas tudo precisa chegar ao fim, mesmo que a gente não queira.
Sorri ao ver todo mundo erguendo Barza, jogando-o para cima e lembrei do meu ano passado. Boa parte daquela festa havia sido uma enorme fraude, eu não iria embora para sempre, não era meu fim na Juve, mas tive muitas lembranças daquele dia que eu vou guardar pelo resto da minha vida. E espero que Barza faça o mesmo!
- Quer descer? – Treze perguntou e suspirei.
- Acho melhor eu ficar aqui! – Falei e ele assentiu com a cabeça.
Continua...
Nota da autora: Oi, gente! Demorei para aparecer aqui de novo!
Bastantes capítulos para vocês, enquanto eu vou revisando o restante!
Espero que estejam gostando!
Beijos e boa leitura!
Outras Fanfics:
Em breve!
Bastantes capítulos para vocês, enquanto eu vou revisando o restante!
Espero que estejam gostando!
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