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Última atualização: 17/09/2020

Prólogo

Naquele final de tarde, as irmãs estavam reunidas para uma ocasião muito especial. A irmã mais nova, , finalmente havia se formado no High School. Fazia alguns meses que elas não se viam, e enquanto se maquiavam colocavam a conversa em dia.
- Meu Deus, me sinto uma velha nesse momento. - falou, olhando para , que se admirava no espelho.
- Meu Deus, para com isso. Se alguém tem que se sentir velha aqui, é a . – tirou sarro da irmã.
- Olha, eu só não te dou uns cascudos, pirralha, porque você se formou. - abraçou a mais nova de lado com um lindo sorriso.
- Obrigada por vocês terem vindo. Sério.
- Nós não poderíamos não estar aqui, .
- E você já decidiu o que fará daqui para frente? - questionou.
- Talvez não seja o melhor momento para perguntar isso, . - rebateu.
- Eu procurei não pensar muito nisso. - disse enquanto passava o batom.
- Você ainda tem aquela vontade que tinha de ir para Austrália? - perguntou para mais nova, lembrando que a ouvira falar disso algumas vezes enquanto ela própria tomara essa decisão alguns anos atrás.
- Sim. Austrália é um ótimo lugar. Por quê?
- Eu acho que se você tem essa vontade, posso te ajudar, não acha? Você poderia passar as férias lá comigo, e ver se algo realmente te agrada, se cabe nos seus planos. Vai ser bom ter você por perto.
parou o que estava fazendo e se voltou para as irmãs em dúvida. Poderia sim ser uma oportunidade. Novos ares, novas comidas, e seu velho sonho...
- Pode ser. Mas e você, , o que acha?
- , você bem que parece precisar de umas férias também. - riu e deu de ombros ao ver a careta da mais velha.
- Estou cheia de trabalho na Irlanda, e não estou com tempo para férias, mas quem sabe, não é? Vai ser maravilhoso ter vocês duas lá, mais uma motivação para conhecer a Austrália.
- Posso levar esse convite a sério, então? Posso contar com a ideia de que vocês vão pensar em ficar um pouco comigo por lá? Vai ser legal. – completou a ideia, animada.
- Se depender de mim, sim, mas ainda tenho que informar isso aos nossos pais. Não sei bem como vou fazer isso, mas acredito que eles vão liberar, tendo em mente que vou justamente para ver o que quero da vida. - passou a mão no cabelo, dando uma bagunçada de leve.
- Prometo que pensarei com carinho. Mas com certeza nossos pais não causarão nenhum empecilho, . Vai sim, apoio essa experiência para você. – ajeitou os cabelos, lembrando-se de seu intercâmbio no Peru, havia o feito com a mesma idade de .
- E o que nossos pais teriam contra? Você vai estar com sua irmã super responsável. - ela deu de ombros, rindo. - As duas, se parar de frescura e arrumar um jeito de ir também. Essa áurea dela precisa de um bom sol australiano para animar.
- Responsável? Isso é uma piada, né? - zombou de . - E não, estou bem. Você sabe que eu não sou muito fã de sol.
- Pois eu, meu bem, vou aceitar de bom grado esse sol australiano. Quero finalmente ter marquinha de biquini. – riu enquanto se sentava na cama e observava as irmãs.
Era realmente bom tê-las ali, com ela. Claro que conversavam via Skype, mas não era a mesma coisa que uma conversa pessoalmente. Pegou seu celular e resolveu tirar uma foto, postando no Instagram em seguida. Instantaneamente uma mensagem de , seu melhor amigo, subiu na tela, perguntando se ela demoraria a chegar. Ela respondeu com um simples “não”, pensando que talvez fosse gostar da ideia de ir passar um tempo com elas, já que ele também sonhara com a amiga em estudar e morar na Austrália desde pequenos.
- , posso ver com o se ele quer ir? Por favorzinho? - ela olhou com cara de pidona para irmã.
- Você não quer um tempo longe dele, não? - perguntou, torcendo o nariz.
- Deus que me livre. Somos inseparáveis.
- Que grude, meu Deus, desde quando usavam fraldas, eca. - lembrou-se de que os dois eram amigos desde pequenininhos e ela cansou de cuidar deles quando seus pais saíam.
- Você tem certeza de que não tem algo mais aí, ? - zombou, recebendo uma almofadada.
- Eca, que nojo. Seria como beijar uma de vocês. Não sei por que você tem tanta implicância com ele, nossa senhora. - apenas mostrou a língua para irmã mais nova em resposta. – Mas, gente, e a vida amorosa de vocês? Sei que o dia é dedicado exclusivamente a mim, mas quero saber. Andam transando muito? - deu um sorrisinho em direção às irmãs.
- O restaurante não me dá muito tempo para isso. - falou, sincera. - Com certeza a tem uma vida muito mais animada.
- Eu? Estou muito bem, obrigada. Estou 100% focada no meu trabalho, as vezes dou umas escapadas, claro, porque não sou de ferro, mas estou bem sozinha. - deu de ombros.
- Ninguém é feliz sozinho. As pessoas só tentam se enganar que sim.
- Acho que você fala demais disso para quem tem 18 anos. Já teve quantas experiências amorosas para falar com tanta propriedade, pirralha? - falou, e concordou com a cabeça.
- Minha vida amorosa vai muito bem, obrigada, mas não é como se eu quisesse namorar de verdade com alguém no momento. Acho que ainda não é a hora. - a garota sorriu de forma tranquila.
- Já acabaram aí? - elas ouviram a voz da mãe no andar de baixo. - Está na hora de irmos. , está esperando lá fora com os pais.
- Ótimo! Vem, gente! Vamos tirar fotos e postar no Insta! - a garota levantou da cama rapidamente, puxando as irmãs para que se levantassem também.
- Nem acredito. - falou para , apontando para mais nova, que corria escadas abaixo.



Capítulo Um

desligou o último fogo que estava aceso e tampou a panela dos petiscos que estava deixando preparado. Ela correu para o sofá e se jogou ali, ansiosa.
Ela morava sozinha na Austrália há quatro anos. Se mudara para ali com seus 21, depois de terminar um curso de gastronomia na Le Cordon Bleu do Canadá. Ela escolhera a Austrália por ser um lugar com uma ótima oportunidade para gastronomia, e escolhera Melbourne exatamente por isso. Ela trabalhou por um tempo como Sous Chef em um bom restaurante, e apenas completou suas economias para o que sempre quis. Em um ano, já tinha seu próprio restaurante.
Sua vida era seu trabalho. Ela amava o restaurante, gostava de administrar, gostava de cozinhar, tinha liberdade para fazer o que quisesse, quando quisesse. Ela não passava por cima de seus chefs responsáveis, mas gostava de responder para eles quando entrava na cozinha. Ela revezava entre a administração com as pessoas certas para isso, e a cozinha, onde também tinha as pessoas certas. As vezes ficava mais no serviço burocrático, as vezes se estressava no fogão, e era assim que gostava de viver. Ela saía pouco, não tinha muitos amigos, além dos que fizera no estabelecimento, mas nunca fora a melhor com relações.
A mulher pegou o celular que estava jogado embaixo de seu corpo e olhou o novo aplicativo no celular, encarando os voos salvos e abrindo cada um deles para ver onde estavam as irmãs. Elas tinham voos em horários semelhantes, mas era improvável que chegassem juntas.
Ela passara a manhã toda arrumando a casa. Ela limpara novamente todos os cômodos, e arrumou os quartos disponíveis. As casas todas dali onde morava eram enormes, e a sua não era diferente. Normalmente, ela tinha alguém para limpar, mas decidira fazer sozinha naquela semana para deixar tudo do seu jeito para receber as irmãs. Ela já tinha separado os quartos, e deixado tudo do jeito que sabia que gostavam. Com exceção do quarto que separara para , o amigo de , ela não sabia bem como poderia deixar algo ideal para alguém com quem tinha pouco contato. Só tivera experiências chatas de quando cuidava dele brincando com a irmã mais nova. Quase considerara colocar alguns carrinhos ou lama por ali, já que era a maior lembrança que tinha, de quando ela mesma já era adolescente e os dois ainda brincavam no quintal.
estava animada com aquelas férias. Ela já havia deixado organizado os lugares que elas poderiam ir, as faculdades que poderiam visitar com e , os lugares que gostaria de conhecer. Olhou o cronograma de tudo que indicava o maravilhoso verão da Austrália e se animou que poderia finalmente curtir o país como ainda não fizera, e na companhia das irmãs. Ela estava feliz que e não haviam conseguido vir em julho, como tinham combinado na formatura da menor, seria muito melhor agora, em seu verão. Ela sentia boas coisas naquela visita, que elas se divertiriam muito.
Ainda faltava uma hora para que o avião de pousasse em Melbourne, então ela aproveitou para ficar com os pés esticados para cima, descansando.

acabara descansando demais e ao acordar, notou o celular piscando em notificações. As irmãs já haviam enviado diversas mensagens e ligado diversas vezes, mas o costume do celular no mudo a traíra, como sempre. Ela levantou em um pulo e calçou os tênis, pegando as chaves do carro e a carteira em cima da bancada.
A mulher bateu a porta e desceu as escadas da entrada correndo. Distraída, trombou no portão fechado que a levaria para rua.
- Cuidado, vizinha! - riu, observando a mulher xingar enquanto batia o portão atrás de si e corria até o automóvel estacionado.
- Preciso mesmo tomar cuidado, principalmente com dormir demais. - ela resmungou e abriu a porta, se jogando dentro do carro e abrindo o vidro. - Vou buscar minhas irmãs no aeroporto, estou super atrasada por causa de um simples cochilo.
- Te conhecendo o pouco que conheço, duvido que tenha sido um simples cochilo, . - o homem a observou rir, e acenou enquanto ela se afastava a toda velocidade.

passou as mãos no rosto, enquanto mexia-se desconfortavelmente na poltrona daquele avião, sentar na poltrona do meio não tinha lá seus confortos. Colocou a cabeça no encosto e suspirou fundo, repensando tudo o que havia acontecido para estar naquela situação.
Haviam se passado seis meses da formatura de , e muita coisa aconteceu na vida de no ramo profissional, ela havia ido do céu ao inferno, literalmente, durante aquele período.
sempre foi analista de qualidade, teve seu serviço reconhecido no último ano e virou gestora de qualidade, mas com a junção com a área de RH, e o desfalque que a empresa recebeu de um dos sócios, houve o temido corte, sim, ela havia sido demitida com menos de um ano na função.
Foi difícil não se debulhar em lágrimas, afinal foram longos quatro anos trabalhando no mesmo lugar. Ela gostava de trabalhar lá, a empresa tinha um âmbito muito familiar, sentia-se acolhida. Suspirou fundo, parecia que tudo aquilo tinha sido um pesadelo, era difícil acreditar...
Aceitou o convite de quando lhe contou sobre o desligamento, a irmã sabia ser bem persuasiva quando queria, e agora estava a caminho de Melbourne. Era bom, pois ela conseguiria colocar a cabeça no lugar, e pensar com mais clareza sobre qual caminho deveria seguir a partir daquele momento.
Estava incerta, não sabia se voltaria ao Canadá para ficar mais perto dos pais, ou se tentaria outro emprego em Dublin, uma cidade muito maravilhosa, que virou seu lar. Ela gostava de morar lá, Dublin era acolhedora, ela tinha criado um afeto pelo local e pelas boas amizades que ele lhe trouxe.
Escutou o aviso que o avião pousaria finalmente em solo australiano, foram longas 18 horas de voo entre escalas, achou que nunca chegaria o momento que ouviria a informação. Apertou o cinto e sentiu aquela sensação estranha que era o avião pousando. Suas férias forçadas estavam começando, seria bom passar um tempinho com as irmãs, também estava a caminho, era provável que tivesse desembarcado antes dela, com seu fiel escudeiro .
O avião parou, ela esperou que a maioria das pessoas descessem e seguiu o caminho ainda meio incerta. Colocou os pés em solo australiano e sentiu o clima lhe tomar, a áurea daquela cidade era diferente, conseguia entender um pouco porque era tão apaixonada assim por aquele lugar...

- É por isso que eu disse para gente ter vindo na calada da noite. Você foi teimoso e não me ouviu! Quase perdemos nosso voo, ! - sacudiu o passaporte na frente do rosto do rapaz, que revirou os olhos automaticamente.
- Para de dramalhão, . Tínhamos que nos despedir de todos, não acha? Não sabemos quando vamos voltar, já são três meses a princípio.
- É, é. Tanto faz. - ele a ajudou a guardar suas coisas no bagageiro e eles se sentaram. A aeromoça fez as recomendações necessárias e logo o avião decolou.
Quando perguntou se queria ir para Austrália com ela depois da formatura e ficar com as irmãs e por um tempo, a resposta imediata foi não, mas depois a garota não levou muito tempo para convencê-lo, afinal, aquele também era o sonho dele. Estudar na Austrália sempre fora algo que eles quiseram, seria uma aventura estar lá com sua melhor amiga ao seu lado para compartilhar tudo como eles sempre sonharam, e ainda ter a facilidade do aceite dos pais da viagem, por estar com as irmãs mais velhas de .
Olhou para o lado e viu observando pela janela. Várias coisas passavam pela sua cabeça naquele momento. Queria uma mudança real em sua vida. Não queria ser mais aquele garoto tímido e medroso do ensino médio, que ainda nem mesmo tinha certeza do que cursar. Tinha uma paixão, mas não tinha certeza de que era naquilo que deveria seguir.
- Vamos fazer um trato? - ele falou, e Cherrie o encarou.
- Ãhn? Que tipo de trato? - ela se virou no assento até estar completamente voltada para ele.
- Que na Austrália seremos totalmente diferentes daquilo que éramos no Canadá. Que se quisermos fazer uma coisa, não pensaremos duas vezes. Se libertar, sabe? Fazer escolhas, mas sem pensar nas consequências naquele momento. Sejam elas para algo pessoal, ou sobre nosso futuro profissional.
- O que mais? ‘Tô gostando. - se aproximou mais dele.
- Que não nos esqueçamos que independentemente do que seguir a nossa nova vida lá nesses meses, temos um ao outro para tudo, se algo der merda. Sempre.
- Para sempre. - ela se ajeitou no assento, abraçou o braço dele e encostou a cabeça em seu ombro. - Estou ansiosa para ver esse novo , mas por favor, não se esqueça de mim quando estiver com uma namoradinha, viu? Você sabe, eu tenho ciúmes. - eles se olharam e caíram na risada, recebendo olhares de reprovação dos outros passageiros. - E uma coisa que preciso te alertar antes de chegarmos lá e você não ficar todo vermelho como sempre com qualquer comentário: minhas irmãs pensam que temos um tipo de relacionamento estranho. Tipo uma amizade colorida, sabe?
- Meu Deus, mas por quê?
- Vai entender. - ela deu de ombros. - Mas imagina só nós dois nos beijando? Eca, eca.
- Pois é, eca. – ele mostrou a língua e riu. - Já te perguntei isso, mas o que elas acham de eu ir para lá também? Não vou atrapalhar, não é?
- Se eu te amo, elas também te amam. Não esquenta com isso, tá? Só aproveita o verão.

Já fazia 20 minutos que o avião havia pousado. Mas ele ficou taxiando na pista até finalmente parar, e então e puderam enfim sair. Eles já podiam sentir os ares diferentes do que estavam habituados, acabavam de sair de um início de inverno, para o início do verão.
- Se eu pudesse, beijava esse chão. Amém, Austrália. Minha bunda estava ficando quadrada naquele avião. - ela riu para o amigo. Ela havia o feito carregar toda a sua bagagem até a parte central do aeroporto, onde combinaram de esperar por , em uma pequena cafeteria.
- E então? Já mandou mensagem para ? - perguntou, após voltar com os pedidos de ambos.
- Já, assim que consegui conectar aqui, mas ela não visualiza. Vou mandar mensagem para dizendo que já chegamos.
- E eu vou ficar admirando essas pessoas australianas, me sentindo o próprio turista. - respondeu.

- Faz uma pose! Quero postar no Insta. - ela apontou o celular para o amigo enquanto ria. Já haviam tomado seus cafés e observavam as pessoas que passavam por ali. Tinha de tudo, sério.
- E o que você não quer postar no Insta, não é? Sério, inclusive, vou começar a pedir direitos autorais de tanta foto minha que tem. Acho que até mais do que no meu.
- Mas o meu feed fica mais atraente com você sendo meu modelo. Você não pode me negar isso, .
- Eu sei. - ele deu de ombros, convencido, fazendo pose para amiga. Sua timidez não se aplicava à , nunca. - Já está próximo do voo da chegar, né? Nada da ainda? - ele perguntou, encarando um senhor que andava quase se arrastando para fora do portão de desembarque ao longe, parecendo que tinha tirado o sono mais pesado de sua vida no voo.
- Nada. Mas espero realmente que ela não faça nós esperarmos mais ainda, depois que a chegar.
- Acho que primeiro, devemos esperar que esteja tudo bem, né? Ela não nos esqueceria aqui, esqueceria? - ele riu, torcendo para que a resposta fosse não. Se ela fosse um pouco como , não teria tanta certeza.
- Não, claro que não, mas devemos nos lembrar que ela é chef e às vezes as coisas fogem do controle dela. Não sei se ela está no restaurante ou não, mas se estiver, entenderia o atraso.

- , não é a lá? - apontou para a irmã da amiga que olhava para os lados, ainda distante da cafeteria.
- É ela mesmo. - se levantou e gritou: – Ei, , aqui! - ela levantou os braços e acenou freneticamente na direção da irmã. visualizou os dois, e caminhou em direção ao local da melhor forma que conseguiu, afinal, tinha uma mala pesada com ela.
- Olá, pirralhos! – entrou na cafeteria e abordou de forma calorosa os dois, chamando a atenção de algumas pessoas por ali. - Senti saudades!
puxou a irmã para um abraço.
- Também senti a sua. te mandou alguma mensagem?
- Não olhei o celular ainda, preciso conectar à rede. Cadê meu abraço, ? Limpei suas fraldas, sem vergonha.
- Outch, essa viagem começou bem, hein? - o garoto riu e se levantou, abraçando . - Esperando por mais comentários bons como esse. Na verdade, estava ansiosa para também ouvir o de , mas ela aparentemente nos esqueceu aqui, já estamos há uma hora esperando um sinal de vida dela.
- Ah, não, ela não pode ter esquecido, não é? Ela não seria capaz, eu vou quebrar a cara dela, conversamos antes que eu embarcasse. – se sentou, puxando o copo da irmã e bebericando.
- Bom, nunca se sabe, né. - deu de ombros. - Só sei que estou cansado dessa cafeteria. A gente podia sair daqui, né?
- Eu estou com fome, preciso comer alguma coisinha, vou pedir. - se levantou.
- Pede e saímos daqui. Se a fizer o favor de carregar pelo menos uma mochila dela, consigo te ajudar com a sua mala. - ele riu, mostrando a língua para melhor amiga.
- Pensei que você era um lorde, . Me senti traída agora. – ela fez careta.
- Tento ser um lorde, mas ainda não sou um polvo. - riu, concordando com o garoto enquanto pegava a carteira.
A mulher caminhou em direção ao balcão, pegou um lanche pronto e um suco. Foi até a mesa dos amigos e pegou suas coisas para caminharem para a saída do lugar.
- Vou tentar ligar mais uma vez para ela. – equilibrou a comida com o suco e digitou desajeitadamente enquanto caminhavam no aeroporto.
- Alguma novidade? - perguntou, se sentando no chão próximo a uma janela e vendo as mulheres o encararem.
- , você realmente quer que a gente sente no meio do aeroporto? No chão? - perguntou, vendo concordar. - Vou esganar a quando ela aparecer, puta merda!
- Eu julgaria o se eu não estivesse tão cansada assim, vou acabar me sentando também. 18 horas de voo entre escalas, estou morta. – se rendeu, sentando-se ao lado do rapaz, e voltando a comer seu lanche.

dirigia o mais rápido que a rodovia a permitia. Ela tentava não olhar o celular e apenas imaginava os piores xingamentos que poderia ouvir das irmãs quando chegasse ao aeroporto.
Pensando que talvez, apenas talvez, elas pudessem estar preocupadas, ela desbloqueou a tela, tentando não perder a atenção na via em sua frente. Com apenas uma mão, buscou o contato de em seus favoritos e discou.

- Eu te mato agora ou depois? O que aconteceu? Cadê você?
- Eu juro que em 20 minutos estou aí. E já adianto minhas desculpas, deixem para me matar depois, minha consciência já está fazendo o trabalho a princípio.
- Ok, só desliga esse celular logo, aposto que está dirigindo e eu não quero ser a causadora de um acidente. Beijo.
- Chata como sempre. Me esperem do lado de fora, por favor. Logo estou aí. Nem sei onde pegar vocês, mas procurem um lugar que eu possa parar. Beijo.


desligou o telefone e bufou, sentindo-se culpada pelo atraso. Quase três horas nem eram tanta coisa assim, mas sabia que as irmãs estavam ansiosas e acabariam por ter sido as três horas mais longas de suas vidas, com certeza.

- E aí? O que ela disse? - perguntou.
- Pediu desculpas, e disse que em 20 minutos está aqui. Vamos para saída, como não conhecemos o lugar, é bom procurarmos um bom ponto de referência que ela possa nos encontrar e estacionar.
- É, é melhor. – se levantou, pegou sua mochila e o resto das malas e seguiu as outras da forma que pôde, se equilibrando e tentando ser o lorde que brincaram sobre.

Eles caminharam por um tempo, e ajudaram no fim das contas e chegaram até o lado de fora, onde ficaram próximos a uma placa enorme e amarela. Largaram as coisas ali por um momento.
- E então, , como foi sua partida de Dublin?
- Péssima, eu estou sem chão, sem rumo, não sei o que fazer. – suspirou, chateada.
- Tudo se ajeita no fim, , não se preocupa. Essa viagem vai servir para você pensar em algo.
- Oi, esses três mendigos viajantes procuram abrigo? Que expressão mais triste que vocês estão aí. - encostou o carro próximo a eles e abriu o vidro, encarando-os.
- Ridícula, vai ser no deboche mesmo? - sorriu, um pouco brava.
fez uma careta. Chamar atenção deveria ser de família. ouvia música extremamente alta, o que obviamente chamou a atenção das pessoas ao redor, enquanto ela gritava mais alto ainda para que os ouvissem.
- E aí, maluca? Claro que seria triste, mas as desculpas você nos pede depois. Agora vamos logo porque eu estou começando a feder. - resmungou.
- Isso mesmo, entrem logo e me deem a bronca no caminho. Não posso ficar muito tempo estacionada aqui. - ela falou, destravando o porta-malas e olhando para os lados.
- Abre o porta-malas para mim, por favor? - pediu.
- Já tá aberto, pirralho.
- Obrigado. - o rapaz resmungou e se dirigiu até a traseira, colocando ali as bagagens. Algumas coisas teriam que ser levadas no colo deles, já que o espaço não era dos maiores.

- Já é uma boa hora para eu pedir desculpas? - sorriu amarelo depois que todos entraram e ela já tinha conseguido sair da confusão que eram as vias de dentro e em torno do aeroporto. Ela fitou a todos passageiros pelo retrovisor central.
- Sempre. Desembucha. - tentou empurrar um pouco do peso que estava em suas pernas para o meio e para o lado de , já que havia se livrado, se sentando na frente.
- Eu dormi. - soltou, tentando não rir e acreditar que aquela sua verdade realmente seria uma boa desculpa para as irmãs.
- Isso não me choca em nada, sempre dormiu demais. - deu um tapinha na perna da irmã, negando com a cabeça.
- Em minha defesa, eu passei a manhã toda arrumando a casa, e cozinhando para ter o que vocês comerem quando chegassem. Acabei pegando no sono, desculpem. - ela riu, tentando aliviar.
- Eu perdoo, tem comida envolvida. - deu de ombros e rolou os olhos.
- Você é muito fácil, , cadê sua dignidade? - se virou, o encarando.
- Ele nunca teve, principalmente com comida. Oferece comida para você ver se ele não se rende. - falou.
- Quando vocês comerem, todos vão perder a dignidade. - riu, se gabando. - Mas e aí, como foram os voos?
- Dormi o voo todo e o me serviu de travesseiro.
- Sim, até babou no meu ombro.
- Eu não babo.
- E como você vai saber? Você ‘tava dormindo. – ele encarou a garota. - Sorte teve a que não teve um chato que nem o durante a viagem.
e riram da discussão dos mais novos, e observaram enquanto eles estendiam o assunto por alguns bons minutos.

estacionou o carro na porta de casa e ouviu todos suspirarem, aliviados. Com certeza estavam aliviados de finalmente terem a oportunidade de um descanso decente.
- Lar, doce lar. Sejam bem-vindos. - falou, tirando a chave do contato e abrindo a porta para descer.
- Ei, vizinha! Deu tudo certo? Não atropelou ninguém além do seu portão?
- Ah, meu Deus. - ficou pálida quando percebeu o rapaz que conversava com sua irmã. Abaixou a cabeça, tentando olhar para outro lado. estranhou.
- Meu Deus, se eu soubesse que você tinha um gato desse de vizinho eu teria vindo há bastante tempo, . Deus abençoe a Austrália. Por que você nunca me disse?
O rapaz abriu um sorriso sem graça ao ouvi-la, e rolou os olhos, rindo com a fala descarada da amiga.
- Fica com vergonha não, coração. Beleza tem que ser apreciada. - foi até a traseira do carro ajudar a levar as bagagens até a casa. - Ei, , tá tudo bem? - ela arqueou uma das sobrancelhas, estranhando o estado da irmã.
- Está... - colocou as mãos para esconder o rosto, ajudando também. - Por que não estaria?
- Sei lá, você tá toda estranha.
- Garota, você. - frisou. - É estranha. Deixa a em paz. – lhe mostrou o dedo do meio.
O vizinho conversava com , quando reparou de verdade em uma das irmãs e escancarou a boca. Ele conhecia aquele corpo, ele apertou os olhos, e sem dúvida alguma reconheceu. Mas aquilo era coincidência demais...
- ? - a mulher derrubou uma das malas no chão, estabanada. Ele tinha mesmo a reconhecido. Ela se virou, entrando na casa correndo, antes das irmãs.
- Você conhece minha irmã? – ouviu dizer ao longe e sentiu que o homem encarava a porta por onde ela passara, mas não ouviu sua resposta.
Ao entrarem na casa e acomodarem as bagagens no canto, se jogou em um dos sofás, sendo acompanhado por , que fez o mesmo no outro. A casa era até que espaçosa para uma solteirona, a mais nova pensou. só queria comer, mas esperaria que a dona da casa os autorizasse a fazer.
- , o que foi isso? – entrou na casa, rindo, mas não encontrou a mais velha, que já tinha ido dar uma volta na casa para fugir do assunto. – Bom, sejam bem-vindos. – ela parou na sala, onde a irmã e estavam jogados. – Vem, vou mostrar a casa e os quartos para vocês. Vocês podem tomar um banho, se quiserem, e então podemos comer.
- A melhor parte de todas. – comemorou, se levantando em um pulo e pegando algumas malas, seguindo pelo caminho que apontava, escadas acima.



Capítulo Dois

- Não vai ser todos os dias que isso vai acontecer, mas hoje vou ser boazinha. - passou no corredor onde ficavam os quartos, aos gritos. - Eu fiz o café da manhã, que na verdade já é um brunch, já que vocês demoram horrores para levantar. Próxima vez que eu me atrasar e vocês reclamarem, vou lembrar o quanto vocês dormem. - ela bateu em cada porta, ouvindo os gemidos de reclamações que todos faziam.
- Jet lag, , já ouviu falar? - ela ouviu jogar algo na porta, frustrada.
- Não me importo, estou esperando vocês lá embaixo. - ela começou a descer as escadas, mas logo voltou atrás. - E não me faça te acordar de uma forma pior, .
riu alto, não querendo desafiar a irmã.

- Ainda bem que não tive que buscar ninguém pela orelha, né? - a mulher estava parada em frente a bancada da cozinha, que já tinha diversas coisas para o brunch deles. Ela encarou todos ainda de pijamas, cabelos bagunçados e expressões sonolentas, e riu.
encarava a irmã. Era muito cedo para o timing da . Saiu do Canadá para fugir da mãe, mas pelo jeito as coisas não iam mudar muito na Austrália, com ali. Encarou ao seu lado e revirou os olhos. O cara parecia ter acordado há horas, embora ainda estivesse de pijama.
- Eu, definitivamente, posso me acostumar com isso. - ele falou pausadamente e riu, sentando-se na primeira banqueta que alcançara.
- Não pode não. Não sou boazinha assim, é só o primeiro dia. - a mulher andou até o garoto e deu um tapa de leve em sua cabeça. - E tenta não derrubar cabelo na minha comida. - riu da situação.
- Bom dia! - entrou no local, e se sentou, sonolenta. – Eu vou sofrer muito com esse fuso horário.
- Só os primeiros dias, logo você acostuma. Prometo que não vou continuar acordando vocês no susto, mas imagino que vocês queiram conhecer o restaurante, hoje é um bom dia. Podemos comer, dou uma volta para vocês verem o centro, e vamos para lá. Posso mostrar como são as coisas. - ela deu de ombros. A mulher estava feliz em poder finalmente mostrar seu lugar dos sonhos para as irmãs.
- Agradeço muito por isso. Estou louca para conhecer, você fala muito que o A&A é sua cara e só pelas fotos que eu vi, acho mesmo. - | sorriu, servindo-se de um pouco de leite.
- Nós vamos comer lá? - perguntou, fazendo as garotas rirem.
- Só vou se a me alimentar com uma de suas receitas. Estou com saudade. - riu enquanto encarava a irmã.
- Eu vou, prometo. Mas queria dizer que a noite a cozinha. Quero comer a comida dela, nem que seja miojo. Me lembra adolescência. - respondeu, encarando a irmã mais velha.
- Pois é só o que eu sei fazer mesmo, a chef da família é você. - deu de ombros.
- Que situação deplorável, sentir falta de miojo. – riu do que disse, mas logo parou. - Tenho certeza que a sabe fazer delícias também, já que viajou para vários lugares diferentes e experimentou coisas novas. Aliás, como era a comida do lugar onde você foi pela última vez? Conheceu alguém por lá? - balançou as sobrancelhas sugestivamente.
- , uma opção a menos no restaurante para você. - comentou, antes de responder. O garoto revirou os olhos.
teve um ataque de tosse, havia se engasgado com o a bebida que tomava. se levantou, tentando a fazer voltar a si.
- Eu vivo a base de comida congelada, . - comentou com um fio de voz, recuperada da crise de instantes atrás, mas ignorando a menção das viagens que já fez.
- Meu Deus, que vergonha. – se levantou. - Eu, por outro lado, sempre tive o . Eu era o ratinho de laboratório dele, que testava todas as comidas que ele fazia e, , acho que você está perdendo seu posto de melhor cozinheira na minha vida.
- Acho que a é muito fechada para contar da vida dela para gente, . - cutucou, brincando, antes de seguir o assunto. - Como assim, ? Você cozinha? - ela perguntou, encarando o amigo da irmã, que enrubesceu.
- está exagerando, como sempre. - ele respondeu, sem entrar em detalhes.
- Então temos o cozinheiro da noite. - sorriu, aliviada que os holofotes da conversa tinham mudado.
- O garoto veio para passar as férias e agora está sendo cotado cozinhar à noite. Boa sorte, a pode levar isso como competição. - deu uma cutucada de leve no ombro do amigo enquanto passava por ele.
- Sem pressão, só quero adicionar que agradar uma chefe é difícil. - comentou.
- Duvido, se é uma chefe que sente falta de miojo. - ele soltou sem pensar muito.
- Se você não tem boas lembranças relacionadas a qualquer comida, tem muito a aprender. - ela deu de ombros e encarou , que sustentou seu olhar. bufou, desviando os olhos para comida novamente, enquanto sorria, vitoriosa.
- Então, eu já terminei, estou pronta para conhecer Melbourne. - comentou, deixando o clima leve novamente.
- De pijama? - perguntou, apontando para roupa de . - Não sei, mas acho que o pessoal vai achar um pouco diferente. Sei que são turistas, mas né... É meio exagerado. Apesar que, acho que o vizinho vai gostar de ver suas pernas.
- Eu vou me trocar. – levantou-se num pulo, indo em direção ao quarto, ignorando a menção ao vizinho.
- Eu vou também. - seguiu a irmã.
- Vai, pirralho. Aproveita a deixa. - falou para , que revirou os olhos e subiu atrás de e .

- Vamos então? - perguntou, parada na porta com as chaves em mãos.
passou pela irmã, puxando consigo. Ao sair, deu de cara com o vizinho gostosão de , que vinha de uma caminhada e entrava em casa.
- Que bela bunda seu vizinho tem, . - ela riu, enquanto olhava do vizinho para . bateu na testa, desacreditado.
- Eu bem sei, ele é uma graça. Mas nunca tentei nada. - ela deu de ombros, vendo tropeçar no último degrau.
- Que bom... quero dizer... - embananou-se nas palavras. - Nem uma casquinha?
- Nem uma casquinha, . Se tiver interesse, posso falar com ele. - a mulher trancou a porta e desceu, passando por todos para abrir o carro. - Somos vizinhos há bastante tempo, acho que posso tentar apresentar vocês. Ele não vai ligar, é sozinho pelo que sempre conversamos. - falou, tentando envergonhar a irmã, sabendo que funcionaria.
- NÃO! - sentiu as bochechas esquentarem. - Não precisa, estou bem. - abriu um sorriso forçado.
- Se você diz... - riu.
- Se ela não quer, eu quero. - gritou da porta do carro.
- Cala a boca, não queria ouvir mais a história do vizinho, supostamente, gostoso de .
- Mas, ... Tirar a teia de aranha é bom, viu? Acredito que você precise mais que a . Se dê oportunidades nessa viagem, você nunca mais vai ver a pessoa de novo mesmo.
- Eu já fiz isso uma vez e acredite, eu não tenho tanta certeza disso. - comentou, enigmática. - Eu quero curtir, vamos logo para esse restaurante?
- Vamos. - falou, vendo que todos já estavam dentro do carro e de cinto. A mulher ligou o carro e acelerou, logo freando novamente, em frente à casa do vizinho, onde ele pegava a mangueira. - Ei, ! - ela abaixou o vidro, vendo-o encarar o carro com um sorriso de lado. Ele olhou para , tentando desviar os olhos de . - Se for jogar água no seu jardim, pode fazer o mesmo no meu? - ela fez bico, rindo, enquanto respirava fundo ao seu lado.
- Ei, . Olá, gente. – cumprimentou. mexeu-se no banco de forma desconfortável e respondeu ao cumprimento do homem com um aceno de cabeça. - Pode deixar, faço sim. Bom passeio a vocês! - acenou, tendo uma resposta positiva. O carro começou a se movimentar novamente.
acelerou, ainda rindo.
, e encaravam ao redor, tentando gravar cada rua que o carro virava. dirigiu por uma longa avenida durante um tempo, e em pouco tempo, eles estavam cercados por uma selva de pedra. Tinham prédios e mais prédios ao redor deles.
explicava brevemente sobre os lugares por onde passavam, comentando como conhecia cada um ali em volta, mas que logo chegariam ao centro e ali tudo era diferente. Melbourne era realmente uma cidade incrível, que todos ali ansiavam em guardar memórias.
- Essa é a Federation Square. - apontou para os prédios que ficavam em uma extensa praça em formato de “U”. - Com certeza vamos passar bastante por aqui. É onde ficam diversos dos pontos turísticos, como museus e prédios históricos. Temos que nos programar, para que vocês visitem tudo. É bem legal, mesmo. Não é só velharia, tem bastante coisa atualizada.
- Até porque de velharia, já bastam você e a aqui, não é? - brincou, rindo. - E até essa música de 2010 tocando no rádio.
o olhou enquanto tinha a boca aberta, raciocinando o que ele disse.
- E o respeito pelos mais velhos, cadê? Vou te despachar para o Canadá de volta, hein? - brincou, arrancando um olhar assustado do rapaz.
- E a vai de brinde, por trazer esse desaforado para cá. - riu, entrando na brincadeira. - “Não, vai ser legal...”, “É o , vocês já o conhecem, sabem que ele é legal”. - a irmã do meio falou, fazendo aspas com a mão livre.
- Há, há, há - a garota revirou os olhos do banco de trás.
- Posso voltar para o tour, ou as crianças tem mais algum comentário engraçadinho? - perguntou, encarando pelo retrovisor central. Ele apenas balançou a mão, como se desse permissão, o que fez as mais velhas revirarem os olhos.

- O restaurante não fica muito distante daqui. - comentou, estacionando o carro próximo a um centro que parecia abrigar diversos restaurantes e bares interessantes. - Vamos andando. - ela desligou o motor, tirando a chave. - Depois, na volta, passo pela praia com vocês.
- Era para eu ter trazido meu biquíni. - a mais nova lamentou.
- Só vou passar pela praia, . - riu. - Não vamos ficar por lá. Acho que temos que ir mais cedo para vocês aproveitarem.
- Concordo, o sol de antes das 10 é o mais saudável, então se preparem para levantar cedinho amanhã. - comentou, arrancando caretas de todos. - Qual é, gente?
- Não pode ser quando o Jet Lag for embora? - reclamou.
- Não. - abriu um sorrisinho fechado, fazendo e revirarem os olhos.
- Vamos logo, discutimos depois. - riu, colocando a mão nos ombros de e a puxando junto a ela no caminho.

Os quatro passaram por algumas poucas ruas, observando todos os detalhes a que podiam se apegar.
Após poucos minutos, se depararam com o logo tão divulgado por do A&A. sorriu animada, vendo a expressão dos visitantes. Ela encarou a porta de madeira e colocou sua mão no puxador, empurrando-a. sorriu para o restaurante, sempre com os olhos sonhadores da primeira vez que o vira pronto, da forma como tanto queria.
O restaurante tinha um estilo um pouco antigo, todo trabalhado em madeira, mas ainda sem perder a personalidade moderna. Diversas mesas estavam espalhadas na primeira sala de entrada, assim como do outro lado da parede que dividia o lugar.
Ao fundo, era possível ver o bar. Afinal, um bar era tudo que não poderia faltar ali, de acordo com o próprio lugar. Ela viu seus funcionários a encararem, com sorrisos nos rostos. Viu um dos bartenders acenar enquanto preparava um drink para uma mulher, que parecia estar ali pela primeira vez, já que admirava as prateleiras de bebidas que ficavam ainda mais chamativas com a iluminação acima de suas cabeças, apesar de ter também a iluminação natural do dia.
e olhavam tudo deslumbrados. pelo orgulho imenso que sentia da irmã e por aquilo assemelhar-se muito com o que ele idealizava se um dia fosse ter um restaurante seu. Apesar de não ter muita intimidade com , não podia negar que tudo era de bom gosto e ela era uma chef excelente. Já chegou a ler alguns artigos dela na internet e a forma com que ela descrevia tudo o que fazia, demonstrava o quanto amava aquilo que fazia.
sentia um orgulho tão grande da irmã mais nova, estava muito feliz por ela estar vivendo aquilo que sempre sonhou, tudo era muito a cara dela, desde a decoração até as luzes, posições das janelas. O cheiro da comida também estava irresistível, e estava a deixando com fome novamente.
- Vou mostrar tudo para vocês, vem, vamos até a cozinha. - falou, animando-se ainda mais. Ela viu os olhos de seus visitantes, parecendo tentar acompanhar tudo que tinha ali. - Reunião rápida aqui na cozinha. - ela comentava baixo, pedindo para quem conseguisse segui-la.
abriu a porta da cozinha, sempre cumprimentando todos que passavam por eles, os chamando, aproveitando que o lugar ainda não estava tão cheio.
- , não sabíamos que viria. - Luke sorriu, aproximando-se da chefe com um abraço.
- As melhores visitas são as surpresas, certo? - ela riu, vendo o homem concordar. - Obrigada a todos que me acompanharam. - ela agradeceu, olhando para as, aproximadamente, quinze pessoas que tinham ali. Mais funcionários chegavam para noite, quando era bem mais movimentado.
- Imagina só se o cara tivesse fazendo coisa errada. – cochichou para que só ouvisse e ambos riram.
- Como sabem, eu estarei um pouco mais afastada nesses próximos dois meses. Já conversamos, e já está tudo certo, mas fiz questão de vir apresentar meu motivo para vocês. - a mulher riu, vendo os funcionários a acompanharem. - Sei que Luke fará um ótimo trabalho aqui, sendo sempre meu braço direito. - ela piscou para o homem, que sorriu, orgulhoso. - Essas são minhas irmãs , e . - ela apontou para as mulheres. - E esse é . - ela se virou para eles. - E apresento para vocês, minha família de Melbourne. - ela direcionou os braços para todos que estavam ali.
- É um prazer conhecer as pessoas incríveis que trabalham para a . - sorriu, cumprimentando a todos.
- Oi, prazer. - os cumprimentou brevemente.
- Vou deixar vocês trabalharem, só queria apresentá-los. - comentou. - Vou sentar com eles na mesa 03.
- A de sempre. - Jane, uma das garçonetes, riu. - Vou atendê-los. - concordou com a cabeça, rindo.
- , posso falar com você um minuto? - Luke falou, e a mulher assentiu.
- Jane, pode acompanhá-los até a mesa, por favor? - a mulher concordou, passando pela porta e esperando para seguir com eles até a frente do restaurante, onde a dona gostava de sentar.

- Se eu falar que estou orgulhosa dela, serei muito babona? - sentou-se à mesa junto com os outros dois.
- Claro que não, pois eu me sinto da mesma forma. O lugar é sensacional. Eu detesto fotos de pratos postados em rede social, mas esse eu faço questão de postar. - mexia nos enfeites da mesa enquanto olhava ao redor. -Você e o Instagram é um caso de amor mesmo. - revirou os olhos.
- Desculpa, gente. - chegou, sentando-se ao lado de . - E aí? O que acharam?
- Maravilhoso, estou muito feliz por você. Um abraço? - fez um biquinho fofo.
- Até dois. - riu, abraçando a irmã.
- É muito legal, . Dá até vontade de realmente seguir nessa profissão. Pena que não é nada fácil ter um lugar assim. - riu.
- Não é mesmo. Mas vale o esforço. - ela respondeu.
prestava atenção na conversa.
- , conta um pouquinho para o como foi sua trajetória aqui na Austrália, vai que inspira. - sorriu.
- Não é uma má ideia. - sorriu. - Se você quiser, posso te ajudar a ver se é o que você quer. Se é uma opção que você realmente considera, posso te ajudar a decidir. Eu não me formei aqui, mas tem vários cursos legais que conheci, e conheço bastante gente também. Confesso que foi difícil abrir o meu, passei por bastante coisa em um ano, batalhando, mas valeu cada centavo do que investi.
- Acho que uma ajuda vai bem. - ele sorriu, concordando. - E sua equipe? É tranquilo? Tipo, deixar o restaurante aqui e tirar “férias”?
- O coração aperta, mas sempre estou de olho. E Luke no comando me deixa mais tranquila, ele está aqui desde o início comigo, então conhece tudo tanto quanto eu.
- Você e esse Luke já... - fez uma cara maliciosa, arrancando risadinhas de .
- Ah... Com certeza. - riu. - Nunca assumimos nada sério, mas o restaurante tem história.
- Finalmente! - gargalhou, lançando um olhar malicioso para irmã, enquanto revirava os olhos da conversa. - Se acostuma, , viver com três mulheres vai ser isso o tempo todo.
- Prometemos não te enlouquecer, tá? Talvez um pouquinho, mas você é forte, e um lorde. - piscou ao rapaz. - O que nos indica a pedir, ? Confesso que estou faminta com esse cheiro de comida.
- Os lanches são ótimos. Vou pedir os cardápios. - a mulher acenou para Jane, que prontamente se aproximou.

- Fico feliz que vocês tenham gostado. - comentou, abrindo a porta do carro.
- Ainda estou passando mal de tanto que comi. - falou, fazendo expressão de nojo. - Meu estômago vai explodir, .
- Estou do mesmo jeito, caminhar pela praia será ótimo, porque minha vontade é de dormir a tarde inteira.
- Eu não sei se aguento caminhar. - reclamou, largado no banco, tentando colocar o cinto.
- Vocês são muito moles. - riu, dando partida no carro.

seguiu pelo tour básico que dava a eles, comentando sobre alguns lugares enquanto passeavam com o carro pelas ruas. O dia já estava começando a ir embora, e o céu ficava cada vez mais bonito.
Quando chegaram à avenida que beirava a praia, todos encararam a junção do céu com o mar, contrastando com a areia fina e branca. Um sorriso tomou conta de cada um dos rostos, sentindo a brisa do lugar.
- Vamos dar uma caminhada então? - perguntou, dando seta para estacionar.
- Com certeza. - falou, animada.
Desceram do carro e começaram a caminhar pela areia que além de branquinha era macia. ia apresentando as casinhas coloridas que eram o charme dali.
- Olha! Aquela ali. - ela apontou para um dos locais próximos aonde estavam. - É a loja de artigos para surf do . Sempre fico próxima daqui quando venho.
- , o vizinho gostoso? - perguntou. - Gostoso e surfista, como você não fez nada, ? - a menor rolou os olhos.
- Estou ficando cansada, podemos ir embora? - de repente a vontade de caminhar de havia sumido.
- Mas a gente acabou de chegar. - comentou. - E olha que quem estava morto era eu.
- O sol me desanimou muito, está muito quente, sabe? Não gosto de sol quente. - inventou uma desculpa qualquer.
- , nem tem sol direito. São cinco da tarde. - a encarou, parando de andar.
- Bom... É o Jet Lag, sabe? Podemos ir? - suplicou com o olhar.
- Tudo bem. - concordou, estranhando a irmã mais uma vez desde que eles haviam chegado.
- Estranho. - comentou para , que concordou veemente com a cabeça.

Já em casa, todos desceram do carro, ainda em silêncio. e conversavam algumas poucas palavras entre eles, mas o clima parecia estranho.
encarava a casa ao lado parecendo querer vomitar. e a observavam e trocavam olhares entre si.
- , precisamos de um papo de irmãs. Tudo bem? - falou para o amigo, enquanto e entravam na casa.
- Claro, mas depois você me conta, isso tá bizarro. - ele comentou, passando a frente delas e subindo rapidamente as escadas. - Vou tomar um banho, gente. - anunciou, já no segundo andar.
- , se você não for vomitar, com essa expressão que está, vamos lá. Abre seu coração. - sorriu, colocando a mão sobre o ombro da irmã e a direcionando para o sofá, como se ela não tivesse escolha.
- Que você conhece o vizinho, você já deixou claro, mas tá fugindo por quê? - falou, vendo a irmã mais velha rolar os olhos.
- Ok, se eu não contar a vocês eu vou sufocar... - suspirou fundo. - Lembra do meu intercambio para o Peru há uns bons anos atrás? - as irmãs assentiram. - Eu o conheci lá...
- CARALHO. - não se conteve. - E foi achar o cara aqui de novo NA AUSTRÁLIA? - riu, mandando a menor ficar quieta.
- Pois é, eu ainda estou sem acreditar na minha falta de sorte. Eu estava em uma vibe completamente diferente, e em uma festa com os intercambistas eu o vi, e a gente ficou, mas não foi uma ficada convencional, digamos que em menos de poucas horas que nos conhecemos eu já estava em sua cama.
- Uau. - riu, boquiaberta. - Essa é uma que eu não conheci.
- Mas eu já adorei, histórias do passado vindo à tona me fascinam. - riu, acompanhando a irmã.
- Por que fugir dele? - perguntou. - Sei que deve ter sido uma ficada e tanto, mas depois de tantos anos, tem motivo para fugir? O é bem bacana. - a mulher repensou, começando a rir ainda mais. - Agora entendi o motivo do desespero em saber se eu tinha ficado com ele. Nossa, graças a Deus que não fiquei. - ela adicionou.
- Ai só iria faltar eu a pegar o vizinho, poxa. – comentou com um sorrisinho safado.
- Bobas. – sorriu. - Nossa história não teve um ponto final, entende? Ele me lembra coisas que eu não estou pronta para reviver.
- Mas eu acho que você não vai ter opção. - falou, vendo concordar.
- São suas férias, aproveita para colocar os pingos nos I's.
- Eu não sei... É muito complicado, eu vim para cá para relaxar, para saber o que eu vou fazer da vida...
- Existem várias formas de relaxar... - sorriu balançando as sobrancelhas, fazendo todas rirem.
- Você não presta, mulher. - falou. - Acho que você tem mais experiência que nós duas, não é possível. - abaixou a cabeça, envergonhada.
- Sabe o que a gente precisa para espairecer? - falou. - Um show. Nós três sempre gostamos de um bom show. Vamos achar algum para ir?
- Sim! - se animou. - Eu posso procurar e falo para vocês.
- Nada de estranho, procure algo legal, . - advertiu.
- Pode deixar, bar de streap tease riscado da lista. - a mais nova sorriu animada, já com o celular na mão.

- Ei. – falou, vendo entrar na cozinha.
- Oi. Cadê a e a ? – o garoto perguntou, sentando-se próximo a bancada e observando enquanto pegava algo na geladeira. – Ei, eu não ia fazer a janta?
- As meninas estão mortas, elas foram dormir, achei que você também tinha feito isso.
- Não, não ‘tô com sono. Estava falando com a minha mãe um pouco.
- Pirralho da mamãe. – a mulher brincou, vendo revirar os olhos.
- Vai, deixa eu te ajudar pelo menos. – ele se levantou, andando até o armário e pegando uma tábua. – Posso cortar as coisas?
- Todo ajudante começa assim, é uma boa. Se você souber cortar, posso pensar em te ajudar a fazer o resto. – ela deu de ombros, entregando a ele alguns temperos e vegetais.
- Todo chef é chato assim mesmo? Achei que era um papel para televisão. – ele reclamou, mostrando a língua.
- Somos todos chatos, cabe a você decidir se quer ser chato também.
- Que bela impressão você está me dando para escolher meu futuro. – resmungou. – Como você escolheu que era o que você queria?
- Sendo sincera, ? Eu só sabia. – ela sorriu, amava falar sobre cozinha, era inevitável. – Eu acho que quem gosta disso, sempre sabe. Mas tem aquela voz na cabeça duvidando de si mesmo, e sempre pensando no que os outros vão achar, e em como pode ser difícil ser alguém nesse meio.
- Não acho que isso aconteça comigo.
- Você tem certeza? – ela pressionou.
- É que... – o garoto respirou fundo e soltou a faca. – Ai. – ele reclamou, levando o dedo até a boca. – Caralho, como eu fiz isso? Eu nem senti. – tinha lágrimas involuntárias nos olhos.
- Olha, você estava indo bem. – riu, pegando a batata cortada exatamente da forma como ela fazia. – Deixa eu ver. – ela pegou a mão do garoto e passou a mão levemente por cima do corte que sangrava. – Coloca na água corrente um pouco, vou pegar um band-aid.
- Não precisa. – ele reclamou, se sentindo um idiota.
- Não seja bobo, . Se cortar na cozinha é normal, mas não é por isso que não precisa colocar um band-aid. E já aviso que não vai fugir, ok? Vai continuar cozinhando com o band-aid. – ela se aproximou novamente, tocando o ombro do garoto para que se afastasse da pia e voltasse para onde estava sentado.
- Me sinto meio tonto, só isso. – pegou a mão do garoto e puxou uma gaze de sua malinha de produtos farmacêuticos e curativos, limpando o pouco sangue que escorria do fino corte. – Talvez isso não seja para mim mesmo.
- Por causa de um corte, ? – ela gargalhou, negando com a cabeça.
- Não né, . – ele riu discretamente. - Pelos pensamentos que me fizeram me cortar. Acho que realmente me importo com a opinião dos outros.
- Não deveria. – ela piscou e o garoto sorriu, assentindo. – Vou te mostrar que você pode fazer isso e surpreender a todos, okay? Minha meta das férias.
- Você até que não é tão chata assim, achei que seria pior. – ele brincou, debochando da mulher.
- Ah, então se prepare. Na próxima, eu mesma vou te cortar com essa faca. – ela fechou a maleta e o acertou com os pequenos pedaços de gaze suja que estavam ali. – Vai, volta a trabalhar, pirralho.



Capítulo 3

havia esquecido de trazer suas camisetas de rock para a Austrália, mas sabia que tinha um estoque delas consigo. Decidiu então ir pedir uma emprestada a ela para que pudessem ir ao show mais tarde naquele dia.
- ? - entrou no quarto sem bater e olhou para os lados em busca da irmã. A porta do banheiro estava fechada, então provavelmente ela estava no banho. Se sentou na cama e decidiu folhear uma revista que estava ao lado da cama, esperando até que ela saísse.
- , oi. - a mulher saiu do banho, enrolada em sua toalha. - O que está fazendo aqui?
- Olá, . Bom dia para você também. - ela deixou a revista de lado. - Tem alguma blusa para me emprestar para o show de hoje à noite?
- Tenho sim, estou chocada que você não trouxe as suas, elas são parte de você. - caminhou até a mala, que ainda não havia desfeito, e colocou em cima da cama algumas opções para que a irmã mais nova escolhesse.
- Pois é, também não acredito. No meio da correria eu meio que acabei deixando em casa. - deu de ombros. Se levantou para poder observar as opções e escolheu uma do Metallica. - Vou pegar essa para mim, tá? - ela andou pelo quarto, que não era muito diferente do seu parou de frente para a janela, olhando para lá enquanto conversava com .
- Pode pegar, vou usar a da AC/DC. – sorriu. - , fecha a cortina, por favor? Quero me trocar e alguém pode bisbilhotar. - arrepiou-se, pensando naquela possibilidade.
A mais nova ignorou a irmã por um momento e se debruçou na janela, forçando os olhos até ver o ponto onde queria enxergar.
- Meu Deus do céu, olha aquilo ali, ! - ela apontou desesperada para a calçada da casa ao lado, enquanto tinha a boca entreaberta.
- O que houve? Alguém morreu? - correu até a janela.
- A está conversando com seu homem na calçada! Tá querendo roubá-lo de você! - falava de modo sério, mas estava se divertindo com a situação toda.
- , , limites! – ralhou com ela, mas não tirava os olhos dos dois conversando e rindo, animados.
- Essa história de vocês é muito história de novela. - saiu da janela e se virou para , rindo da irmã. - E você ainda diz que não quer ver o homem.
- Eu já te disse, nossa pseudo relação não terminou muito bem... - suspirou, saindo da janela também e retirando a toalha do cabelo.
- Ai, olha, acho que isso se resolve com uma simples conversa. – deu de ombros pegando a camiseta em mãos. - Mas quem sou eu para dizer o que você deve ou não fazer?
- Chega de cuidar da vida alheia, pegou a camiseta, já pode sair. - colocou as mãos nas costas da irmã, a expulsando do quarto de forma delicada.
- Já estou saindo. Entendi o recado. – riu, saindo do quarto. - Obrigada pela blusa.

tinha um sorriso no rosto quando colocou a mão na maçaneta da porta. Ela riu e acenou uma última vez para antes de entrar na casa.
Quando passou pela porta, deu de frente com uma emburrada descendo as escadas com uma camiseta preta em uma mão, enquanto a livre estava em sua cintura.
- Ei, está tudo bem aí? - riu, encarando a irmã mais nova.
- O que você estava fazendo lá com o ?
- , eu acho que não devo satisfações do que estou conversando com o meu vizinho, não acha? - ela riu, ainda muito sorridente com a conversa anterior.
levantou o olhar minimamente do mini-game que jogava no sofá da sala, para olhar a cena que se desenrolava na porta.
- Bom, acho que a partir do momento que você está toda com toques e risinhos para o pseudo namorado de uma de suas irmãs, aí é problema sim. Você não acha?
- Pseudo namorado, ? - a mulher gargalhou. - Eu acho que nem a vê assim. Acho que você devia aproveitar seu tempo igual o ali. - ela apontou para o garoto que fingiu não prestar atenção. - Fazendo nada. Mas perder tempo vendo o que eu faço ou deixo de fazer é bem chato. - gostaria de rir, mas tentou levar a sério para que a irmã tivesse que lhe pedir desculpas depois.
- pode até não assumir, mas a forma que ela fica só de mencionarmos o , já não é prova o suficiente que ela já sentiu algo por ele? - ela olhou do amigo para a irmã. - Por que você tem tanta implicância com ele? Olha só para a cara dele, . O menino nunca fez nada para você.
- Eu acho que o nervoso de tem bem mais a ver com alguma merda que ela fez, do que algum grande sentimento. - repensou. - Mas ela quem sabe, não tenho nada com isso. E eu não tenho nada contra o , pelo menos, eu acho. Se ele se sentir incomodado pode falar comigo, mas deixe que ele fale por ele mesmo, não você por ele. Assim como está fazendo pela . - acenou para os dois e subiu as escadas, segurando a risada que ainda guardava.
- Precisava disso tudo, ? Sério? Às vezes eu não te entendo. – o garoto se levantou do sofá e foi até a amiga.
- Mas, , você não viu o que eu vi.
- Às vezes o que você viu pode não ser o que você acha.
- É, talvez você tenha razão. - deu de ombros.
Eles foram até o sofá se sentaram lá, olhando um para a cara do outro. Depois, começou a rir.
- Ai, , você é doida, mas eu te amo. – se abraçaram enquanto riam.

- , você está pronta? - perguntou após ouvi-la dizer “entra” quando bateu na porta de seu quarto.
- Estou sim, a não teve a coragem de vir me chamar? - a mulher riu, colocando o brinco com uma das mãos e pegando a bolsa com a outra.
- Aquilo foi uma briga bem idiota. - ele comentou, sentindo que ela não reclamaria de sua opinião.
- Foi mesmo. - deu de ombros, como se tivesse feito de propósito. - O vai com a gente. - ela piscou para o garoto e passou em sua frente, descendo as escadas com um sorriso no rosto. ficou parado, entendendo o que ela estava fazendo então. Ele sorriu e desceu as escadas também. - Vamos, pessoal? - falou já no andar de baixo, e todos em pouco tempo estavam ali.
foi a última a descer e percebeu emburrada, de braços cruzados. Ela conhecia a sua irmã muito bem, ela estava brava com algo, mas o que poderia ser? e estavam aparentemente normais.
- Pronto, já estou aqui, podemos ir? - se aproximou de e sussurrou. – O que houve?
- Nada, relaxa. - ela deu um sorriso para mostrar que estava tudo bem.
- , vai abrindo o carro. - entregou as chaves na mão da irmã mais velha. - Preciso fazer uma coisa. Ah, , se importa de ir na frente e me ajudar com o GPS? - ela viu o garoto rir e concordar, enquanto revirava os olhos. assentiu e caminhou junto com em direção a saída para a frente da casa.
- Vocês brigaram. – aquilo não foi uma pergunta. tinha percebido que o problema de era .
Antes que pudesse responder, avistou a irmã vindo com e ela revirou os olhos, era uma bela de uma intrometida, ela não estava pronta para conversar com .
olhou de um para outro sem entender o que estava acontecendo ali.
- , quero te apresentar a todos, agora para valer. - se aproximou com um sorriso no rosto, mas logo esse sumiu com o olhar de sobre si. - Esses são , e . Pessoal, convidei o para ir conosco, tudo bem? - ela andou até e pegou a chave do carro de sua mão. - , se importa de ir no meio, por favor? Você é mais baixa, me atrapalha menos. - a mulher então entrou no carro e esperou que todos se recuperassem e decidissem o que fazer, logo vendo também entrar ao seu lado no banco do passageiro.
- Oi, galera. – deu um aceno de cabeça a cada um, mas seus olhos não saíram de . Dessa vez, ela não escaparia dele. Já fazia uma semana que elas estavam na Austrália, e nenhum momento ele havia conseguido conversar com ela. sentindo o olhar dele sobre si, bufou, entrando no carro rapidamente. estava ferrada, aquilo teria troco.
entrou no carro, se sentou no meio e se aproximou da irmã, falando baixo para que só ela ouvisse:
- Pelo menos ser mais baixa te deu uma vantagem em me colocar aqui, . Desculpe por ter sido uma babaca mais cedo.
- Eu falei que nem sempre o que você vê, é exatamente o que é. - falou para amiga, rindo.
- Falou o senhor da razão. - revirou os olhos.
- Está tudo bem, . Eu pesei com você. - ouviu a porta de bater e ligou o carro. - Todos bem? Podemos ir?
- Sim. – respondeu junto com . tinha os olhos fixos na janela, sem qualquer vontade de encarar ninguém.

- Então, ... - começou, ainda olhando para o GPS e indicando a direção com as mãos para , que não costumava ir para a área em que seria o show. Eles estavam no caminho há cinco silenciosos minutos. - Fala sobre você, queremos te conhecer. - riu, vendo que o garoto estava entrando no que ela havia começado. não era assim tão ruim, estivera percebendo naquela semana o motivo de e ele se darem tão bem.
- Bom, tenho 28 anos, sou formado em administração de empresas, nasci aqui mesmo em Melbourne, sou dono de uma loja de artigos de surf, inclusive, estão todos convidados a conhecerem, e se não souberem surfar, ensino a vocês. - sorriu.
- Já tentei, não recomendo. - falou e riu de si mesma.
- Se você for o professor, eu topo. - a mais nova encarou o homem ao seu lado. Adorava provocar a irmã. Olhou para , para ver se ela esboçava qualquer reação.
- A desiste muito fácil, tentamos uma única vez, poxa. – brincou. – Claro, serei eu mesmo, ensinarei com o maior prazer. - deu uma piscadinha a . negou com a cabeça.
- Não pisca para mim assim não, , eu morro. – riu. Ela adorava tirar uma com todo mundo.
- , menos. - riu, encarando a amiga. Todos observavam a reação de que fingia não mostrar interesse na conversa, mas com certeza estava odiando cada segundo, principalmente os comentários da mais nova.
sabia que estava se metendo em algo que não devia, e levando os outros com ela, mas havia confidenciado à amiga, ele queria conversar com sua irmã mais velha. Não a contara nada, mas dissera que tinha interesse em conversarem e ela o estava ignorando, mesmo passando por ele nas saídas de casa.
- , fala com a gente. - implorou, tentando soar séria.
- falava muito mais há alguns anos. – respondeu.
- Vocês se conhecem? - perguntou, indignado, olhando de um para o outro e finalmente começando a entender as coisas.
olhou para , fazendo um sinal com a mão para que ele ficasse quieto enquanto prestava atenção na cena ao lado. Ela olhava de um para outro em expectativa.
- Sim, fizemos intercâmbio juntos na América do Sul, especificamente no Peru, pensei que ela tivesse contado para vocês. - sentiu o rosto esquentar, e aquilo não era timidez, estava com muita raiva.
- Eu não sabia não. - respondeu, virando seu corpo para ver atrás de seu banco. - Que legal, , não sabia que você tinha ido para o Peru.
- Sim, faz muito tempo, nem lembro muito das coisas daquele tempo. – o encarou com um sorrisinho forçado. abriu um sorriso de lado, então as coisas seriam assim... Estava pronto para aquilo também, era um jogo para duas pessoas.
- Ah, mas o parece lembrar. Você nunca falou muito, . Conta para gente, ! - soltou, pensando que, já que seria odiada mesmo, faria o trabalho por inteiro.
- É, conta para a gente, ! - tentou pular no banco, animada, mas o cinto de segurança impossibilitou.
- Foram dois meses de muita loucura, mas foi uma experiência incrível. Praticamos o espanhol, conhecemos pessoas muito diferentes, a cultura também, fora o fuso-horário que é só 24 horas de diferença. - riu, lembrando-se. - Recomendo essa experiência. Quero voltar um dia para lá, mas tenho vontade de ir ao Brasil.
- O legal de intercâmbio é que sempre tem várias pessoas, várias línguas, né? - comentou.
- Muitas línguas, , inclusive voltei de lá com sotaque inglês canadense. - respirou fundo, estava tentando manter a calma, mas não estava tendo êxito.
- E então, , está muito longe? Está demorando muito. - finalizou a conversa.
- Eu acho que já era para termos chegado. - comentou, tentando não rir do corte da irmã. - , você tem certeza do caminho que está passando? Eu acho que era na rua de trás, agora vamos ter que dar uma super volta.
- Se você achava que era lá, não entrou por quê? - ele perguntou, sem entender.
- Você está com o GPS, imaginei que soubesse dar direções.
- Mas o GPS não mandou entrar lá, então segue o caminho. - o garoto reclamou, apontando para direita.
- Eu só quero sair desse carro. - comentou, se sentindo presa entre o clima dos dois no banco de trás e rindo de e brigando na frente.
- Então somos duas, eu só preciso sair daqui. - bufou.

O nome do bar a qual estavam indo era Purple’s Pub. Pelas fotos que tinha visto do lugar no Google, parecia ser bem legal. Quando entraram, se depararam com as imagens a qual havia visto. Havia fotos enquadradas nas paredes de várias bandas de rock, assim como várias mesas redondas pelos cantos do salão e um sofá grande no fundo. Em uma parte afastada, estava o balcão onde estavam servindo diversas bebidas, enquanto o palco já estava tudo montado para que a banda The Sixx subisse. havia visto alguns vídeos deles no Youtube e eram uma banda muito boa mesmo. No momento tocavam algumas músicas para entrar no clima, pela DJ que estava no canto do palco. Se sentaram em uma das mesas do canto, já que o meio do local estava livre para que o público pudesse se juntar ali para a apresentação.
- E aí? O que acharam? - se virou para os amigos e irmãs.
- Eu curti, não conhecia aqui. - falou. - Vou para o bar pegar algo antes do show. Depois, temos que tirar uma foto, todas de preto. - ela apontou para as irmãs e riu, se afastando.
- Eu preciso beber algo também. - ia seguir a irmã, mas seu braço foi segurado delicadamente.
- Depois, a gente precisa conversar agora. - ela suspirou fundo, se deixando ser puxada por
- Bom, então ficamos nós, né? - falou, se apoiando em .
- Pois é. - riu e deu uma olhada nas vestes do amigo. - Tá gatinho, hein? Vai botar em prática nossa promessa hoje à noite?
- É, por aí. - riu.

e caminharam um pouco pelo pub até ficarem próximos da cozinha do lugar, onde era possível sentir um cheiro de batatas sendo fritas, e aquilo de alguma forma mexeu com o estômago da mulher. Ela definitivamente precisava daquelas batatas.
- Então, , como você está? Como foram esses 10 anos da sua vida?
- Foram bons, atualmente moro na Irlanda, vim curtir as férias após um pequeno imprevisto por lá, e é isso. - estava muito desconfortável com aquela conversa.
- Irlanda? Que diferente. - ela concordou com a cabeça, e um silêncio desconfortável se instaurou ali.
- Eu estou com fome, vou pedir umas batatas... - ia caminhar, mas o homem segurou delicadamente seu pulso.
- Temos que conversar. - insistiu.
- Não acho, , tudo ficou no passado, a vida seguiu seu curso. - ela o encarou.
- É aí que você se engana, . Se tivesse ficado mesmo no passado você não estaria fugindo de mim desse jeito, quando quem deveria estar magoado com tudo o que aconteceu sou eu!
- ... O que você quer que eu te diga? - mordeu os lábios, movimento que foi capturado pelo homem. Depois de tantos anos, ainda conseguia inebriá-lo com um simples gesto.
- Talvez um pedido de desculpas fosse o mais adequado. - ele cruzou os braços, a encarando firmemente.
- Me desculpa. Agora eu já posso ir? Estou com fome e tenho um show para curtir com as minhas irmãs. - balançou a cabeça negativamente.
- Não foi verdadeiro esse pedido de desculpas. - abriu um sorriso irônico, começando a caminhar. a seguiu, vendo-a parar no caixa para pedir uma porção de batatas, e ele esperou pacientemente até que ela o fizesse. Se ela estava achando que ele desistiria, estava bem enganada. - ?
- Meu Deus, você ainda continua o mesmo chato de sempre. - revirou os olhos. - Me desculpa, ok? Eu não deveria ter bebido tanto naquela noite, eu te conheci e foi tudo muito intenso, mas muito errado. Eu tirei sua virgindade, ! As coisas ficaram muito estranhas, jamais sequer imaginei que fosse sua primeira vez. - respirou fundo. - Eu fui mesmo uma tremenda babaca de ter ido embora de Lima depois daquela noite sem me despedir de você. Satisfeito?
- Satisfeitíssimo! - ela revirou os olhos, mas sorriu. - Agora sim, vi sinceridade. - brincou.
- Me envergonho até hoje daquela noite, eu não sou daquele jeito. Ver você me fez lembrar do quão péssima eu fui lidando com tudo aquilo.
- Eu me apaixonei por você, apesar de tudo. - ficou sem palavras após a declaração do homem, foi salva graças ao seu pedido de batatas ter ficado pronto.
Tinha que sair dali o mais rápido possível, saber que ele tinha se apaixonado por ela apenas em uma noite, havia a deixado ainda mais desconfortável, se é que aquilo era possível.

- Ei, todo mundo bem? - se aproximou de e , que estavam olhando para o palco.
- Acho que sim. Bom, e não sei, na verdade. - riu, indicando que eles ainda não haviam voltado.
- Hoje tem! - comentou, animada. Cada vez mais gente entrava no salão para poder acompanhar o show.
- Espero que eles voltem para ver o show. Essa era para ser nossa noite. - riu, lembrando-se que elas escolheram o lugar por gostarem das mesmas coisas.
voltou nervosa com um pequeno recipiente com batatas na mão direita. a seguia, e não parecia muito diferente dela. Ela ter se esquivado quando ele havia aberto seus antigos sentimentos, o deixou chateado.
- Cadê a bebida, ? Trouxe comida. - sorriu forçadamente.
- Aqui. - ela entregou o copo para irmã. - Ei, vê se muda essa cara, vamos aproveitar e depois você me mata. - ela sussurrou, recebendo uma encarada como resposta. e se afastaram um pouco, engatando uma conversa sobre o lugar.
- Você não tem ideia do que fez hoje, e preocupe-se, eu vou me vingar. – sorriu de lado, dando uma bebericada no copo. - Aliás, eu vou me vingar das duas, a pirralha vai receber por te apoiar também.
- O quê? Mas eu sou inocente. – ela levantou os braços. - Quer saber? Se acalma, , vamos aproveitar a noite e se você não se sentir confortável, só finge que ele não está aqui. Se o veio, é porque ele quer se divertir também.
- Eu não contei a história toda para vocês, enfim... Vamos nos divertir, em casa eu conto melhor.
- Já aviso que desculpa eu não vou pedir. Ele é bonito e vocês seriam um casal legal. - comentou, rindo. - Mas é isso. A banda vai entrar, nosso momento de gritar e extravasar chegou. - ela deu início então a uma gritaria sem necessidade pelo porte do lugar, vendo as irmãs seguirem seu exemplo.
A DJ deu lugar à banda, que começaram a tocar Nickelback, Burn It To The Ground para agitar e deixar o pessoal no clima para o início de noite. As pessoas que estavam espalhadas pelo salão começaram a se juntar ali no meio da pista.
- Meu Deus, minha banda! - levantou da cadeira que estava sentada e começou a pular e cantar junto.
- Eu é que não vou ficar sentada. - riu, levantando-se também.
- Vamos mais para frente – chamou as irmãs. - Parece que são gatinhos.
- Muito. - concordou.
- E são mesmo, olha só o vocalista. Ganhou meu coração só por começar com Nickelback.
- Qualquer homem bonito ganha seu coração, , por favor. – riu, não perderia a oportunidade.
- Ainda tá irritada com o lance do ? é bonito sim, mas não é pro meu bico - riu da cara da irmã. mostrou o dedo do meio a ela.
- Ei, . Não é qualquer homem, ela ainda ignora o . - brincou e concordou.
- nunca me quis. – riu e mostrou a língua pra irmã.
- Ele te conhece de pequena, sabe o quão chata você é. - ela respondeu, mostrando a língua também em resposta.
- Ele é um guerreiro sem sombra de dúvidas, não é uma tarefa fácil. - riu, voltando a cantarolar a música que tocavam.
- Outch. - ela riu e continuou a cantar e pular junto como todo mundo ali. - Olha, vocês que me desculpem, mas eu vou lá para perto do palco. Vocês vêm?
- ‘Tô bem por aqui, não gosto de ir com bebida para frente da multidão. - falou, apontando para o copo. - Logo vou buscar outro.
- Eu também estou de boa, não tenho mais pique para isso, mas vai e aproveita. – a irmã mais velha a incentivou.

então seguiu em direção ao palco, pedindo passagem entre as pessoas. Depois de muita dificuldade, finalmente conseguiu, ficando bem próxima de onde toda a ação estava acontecendo. Eles agora cantavam a música Need You Tonight, do INXS. A garota balançava ao ritmo da música, cantava junto... E quando resolveu olhar para o palco, o vocalista a encarava enquanto cantava. Ok, talvez ela desmaiaria ali, se tivesse espaço. sustentou o olhar até que ele se abaixasse até ela, com o microfone em mãos, e apontasse em sua direção, para que cantasse junto. E ela foi.
não estava nem aí com o fato de cantar lindamente mal. Queria era se divertir, como uma recém-formada. O vocalista então se endireitou e sorriu na direção dele, agradecida.
Durante o show todo que se seguiu, e até quando ela ficou lá na frente, e o vocalista trocaram olhares. Bom, que mal faria, não é mesmo? Não o veria de novo...

respirou fundo. Ela estava encostada no bar, esperando pela bebida que havia pedido ao barman. Um homem estava a encarando de longe, provavelmente pensando no que falaria para ela, qual cantada barata e ruim ele usaria.
O homem se aproximava devagar, mas a mulher podia sentir seu cheiro de álcool de longe, era algo horrível de sentir-se. Ele não era feio, na verdade, seus olhos verdes a chamavam atenção, porém, não tinha a menor chance de considerar sequer um beijo em alguém, que agora que se aproximava, a fazia sentir também o cheiro de cigarro. A cada passo que ele dava para o lado dela no bar, a mulher dava um para o contrário, rezando que o barman trouxesse sua bebida o quanto antes.
-Ei. - o homem finalmente se aproximara, fazendo-a sorrir amarelo. - Eu acho que nunca vi alguém tão bonita assim antes... - ele riu, se atrapalhando nas palavras.
- Não acho que você está em condições de ver alguma coisa... – falou, séria. Ele pareceu não gostar muito, mas riu.
- Eu acho que a gente podia dar uma volta, sabe? Se conhecer melhor, se é que você me entende. - ele tentou sorrir, mas pareceu quase como um derrame.
- Eu acho que não. - ela deu um passo para o lado quando o homem tentou apoiar os braços ao redor de seu corpo, fazendo-o tropeçar.
- Mas você é tão bonita... - o estranho fez bico, quase como se estivesse triste. A mulher se perguntava se ele riria disso, caso se lembrasse amanhã.
- Vai demorar? - perguntou, virando-se para o barman. Ela sentiu dois braços a envolverem e automaticamente tentou soltar-se, nervosa.
- , tá difícil conseguir uma bebida? - ela ouviu a voz de atrás de si e seu corpo relaxou.
- Um pouquinho, . – ela riu, encarando o homem que agora rolava os olhos, passando sua mão por trás das costas do garoto. Ele saiu de perto, tropeçando até a próxima vítima de sua chatice.
- Desculpa. – ele tirou os braços dos ombros da mulher. – Ele tava bêbado, né? Vi que você tava incomodada. – falou, tímido.
- Agora entendi o motivo delas te chamarem de lorde. – riu, vendo o barman se aproximar com seu copo.
- Não sou um lorde, mas estou acostumado a ficar de olho na . – ele deu de ombros. – Talvez eu seja um pouco superprotetor com ela, mas não consigo evitar, é minha melhor amiga. Não queria me meter, e sei que você ia se afastar sozinha se quisesse e tudo mais, mas ele parecia um pouco chatinho. – fez cara feia e riu, vendo o homem se aproximar de uma outra mulher com um sorriso que ele tentava fazer parecer galanteador. Não devia ser muito mais velho que ele. Bêbado é algo chato, ninguém suporta.
- Bom saber que a está sempre bem acompanhada. – ela sorriu para o garoto. – Obrigada. Não era nada demais, realmente, mas foi um gesto legal. – ela deu de ombros. – Não que, com essa carinha recém-saída do High School, você consiga valer muita coisa.
- Você não perde uma, ! – ele gargalhou e tomou o copo da mão da mulher, vendo-a encará-lo.
- Não posso perder, você já aprendeu isso. – ela mostrou a língua e ele apenas balançou a cabeça, negando. – De nada. – ela apontou para o copo.
- Falar com você me desgasta, o mínimo que pode fazer para compensar, é me dar sua bebida.
- Você é um desaforado.
- Mas, falando sério, você gosta de mim, né? Pelo menos um pouquinho. Você e a estão aprendendo a me suportar nessa semana. – ele deu de ombros e riu, vendo a expressão de nojo que fizera.
- Você só é irritante, mas é gente boa. E obrigada por me apoiar hoje mais cedo. Mesmo sem entender. – ela sorriu, sincera.
- Imaginei que você fosse fazer algo legal, e o não parece seu tipo de cara.
- Ah, então agora você sabe o meu “tipo de cara”? – ela fez aspas com a mão.
- Não exatamente, mas acho que você não curte o tipo surfista empreendedor, senão já estaria com ele. – ela fez bico, sendo obrigada a concordar.
- Sou muito chata, . Por isso nem procuro muito, por sinal. Acho que ainda nem encontrei o que seria meu “tipo de cara”. – ela deu ênfase mais uma vez.
- Tenho certeza que, nesse caso, você vai descobrir no susto. – ele riu, vendo-a o acompanhar.
- Provavelmente vai ser algo bem chato, e monótono, já que não frequento tantos lugares interessantes. Mas a gente tá falando da minha vida amorosa por que, mesmo?
- Não sei, vai que você, com toda sua zero experiência, pode me ensinar algo. – ele riu.
- Zero experiência, ? Olha, eu só não acerto seu nariz, porque ele é bonitinho. – ela brincou.
- Não só o nariz, pode assumir. – ele abraçou a mulher novamente pelos ombros e a puxou em direção a um canto, já que não encontravam nenhum dos amigos por ali. – Vai, me fala mais daqui da Austrália, do restaurante, de você. Não temos nada para fazer mesmo.


Capítulo 4

- , você realmente não vai largar esse celular? - falou, descendo as escadas com e encontrando a garota largada no sofá. - Até o falou mais com a gente nos últimos dias. - fingiu que não era com ela.
- Ela está obcecada nesse vocalista, se ela não está olhando esse celular, ela está falando o quanto ele é lindo. - complementou.
- Já deve ter enchido as fotos do cara de comentários, coitado. - as irmãs mais velhas riram.
- Eu não queria ter essa garota como fã não, coitado mesmo. - encarou a mais nova que levantou o dedo do meio a ela.
levantou o olhar do celular e arremessou a almofada na direção das duas, não se importando em qual delas acertaria.
- Parem de me encher.
A garota voltou para o celular e continuou conversando com o tal vocalista que as irmãs falavam, que depois do show que ela foi com e , juntamente dos amigos, descobriu se chamar . havia encontrado no breve momento de pausa que ele teve para poder se hidratar. Ele achou bem divertido a animação que a garota demonstrava ao falar dos pontos altos da apresentação no ponto de vista dela, assim como comentários sobre as bandas dos covers que eles haviam feito.
Então, como quem não queria nada, perguntou se a banda tinha conta nas redes sociais, para que pudesse seguir e divulgar para algumas pessoas. Após alguns stories da garota marcando a banda, o próprio a seguiu no Instagram e desde então eles conversavam. estava adorando a experiência daquilo tudo. Nunca teve qualquer tipo de contato com alguém que tocasse em alguma banda.
- , larga essa menina aí com o celular, vamos lá no mercado comigo e a . Precisamos de alguém para carregar as coisas mesmo. - brincou, chamando-o com um aceno. já os esperava na porta, com o olhar perdido na casa ao lado.
- Só querem me usar, eu mereço. - ele riu e se levantou. Quando viu que as mulheres já estavam distantes, se abaixou perto da melhor amiga. - Se você realmente não quer que elas saibam, devia aprender a dividir sua atenção melhor. - ele piscou para e saiu atrás das irmãs mais velhas da garota.
ficou encarando , até que se deu por vencida ao ouvir o celular apitar.

[]: Temos um show para a próxima semana. Quer ir? Acesso ao backstage. Oportunidade imperdível de me ver pessoalmente.
[]: Agora de verdade.
[]: Mas é um pedido sem segundas intenções?
[]: Porque se não for, eu não vou.
[]: 😂
[]: Você é impossível, garota.
[]: Brincadeirinha. Vou dar um jeito de dar um perdido no pessoal aqui e nos encontramos lá.

×××

- A gente bem que podia fazer aquele prato que você me falou que foi o seu primeiro, né? - falou, sentando-se próximo a , na cozinha.
- Ah. Eu ‘tô com preguiça, . - ela fez bico, deixando os ombros caírem.
- Você não fez nada o dia todo. Como uma chef tem preguiça de cozinhar? - ele reclamou. - Você falou que ia me ensinar.
- Eu só sei que qualquer um dos dois que cozinhar está bom, estou com fome. - abriu um enorme sorriso.
- Promessa é dívida, né? Temos meses pela frente, você é acelerado demais.
- Se eu não cobrar, duvido que você vá se propor. - ele deu de ombros. A mulher rolou os olhos e atirou nele o que tinha mais próximo de si, um fouet.
- Realmente não sei quando te dei tanta intimidade, pirralho.
Antes que pudesse responder, a campainha tocou e interrompeu o momento de descontração. Todos se encararam, ninguém estava disposto a se levantar, vendo que ninguém iria, a anfitriã, a contragosto, caminhou até lá.
- ? - ela encarou o vizinho ali, com uma xícara em sua mão, levantando-a na direção dela.
- Oi, vizinha, teria um pouquinho de açúcar para me arrumar? - coçou a nuca, sem graça.
- Cara, desculpa, mas eu acho que a da xícara de açúcar não cola mais hoje em dia. É assim que você tenta conquistar as mulheres? Não tá errado que está sozinho. - zombou, aparecendo na porta atrás de .
- É sério que ele usou a da xícara? - falou, levantando a cabeça e dando um tapinha na própria testa. Estava na escada que dava de frente para a porta.
- Até o soltaria uma melhor, tenho certeza. - riu, apontando para o garoto.
- Obrigado por não me chamar de pirralho dessa vez. É bom lembrar às vezes que tenho nome. - sussurrou no ouvido de , fazendo-a lhe mostrar o dedo do meio.
- Mas é sério, eu preciso mesmo de açúcar. - tentou, mas ninguém acreditava naquilo, inclusive que estava segurando a risada.
- , o precisa de uma xícara de açúcar, vem aqui, você é um docinho mesmo. - chamou, saindo da frente da porta e andando de volta para cozinha, puxando consigo.
- ! - gritou, chamando a atenção da irmã, mas era possível escutar as gargalhadas dela junto com . - Me dá essa xícara aqui, vou colocar o açúcar. Pode se sentar, fica à vontade. - ela bufou e fechou a porta, depois de entrar.
Caminhou até a cozinha, e ainda escutou umas risadinhas presas ali, pegou o bendito açúcar e encheu a xícara do vizinho.
- Ei, , espero que você não tenha jantado, porque a e o vão cozinhar. Fica com a gente. - o convidou.
- Se eu não o colocar para fora da minha cozinha pela janela primeiro, claro. - riu e puxou um pedaço de seu cabelo de leve, zombando da mulher.
- Ah, não, não quero atrapalhar vocês. - o vizinho respondeu. - É um jantar de família.
- Que família o que, o nem é da família e vai estar. – olhou para o amigo e começou a rir. - Vem, não faz essa desfeita para a gente, do meu coração.
- Bom, então se não for atrapalhar, eu aceito sim. - sorriu.
- Mas você não ia usar o açúcar, ? Algo não está certo. - o homem sentiu as bochechas inflamarem com o comentário de .
- Eu falei que a do açúcar não era uma boa, amigo. - comentou, fazendo e gargalharem.
- Para de ser chata, mulher. – implicou com a irmã.
- Eu fiz uma pergunta inocente, poxa? - brincou. - Mas enfim, você é bem-vindo para jantar, tá? Não precisava inventar desculpa nenhuma.
- Esse aí tá gamadão na . - comentou baixinho, olhando para o celular e esperando por mensagens de . - Senta aí, . - se levantou da escada e foi até o sofá. - Vem, vamos conversar. - bateu a mão no assento do sofá, ao lado dela.
- Obrigado, garotas. - sorriu, sentando-se. - E então, quando terão disponibilidade para umas boas aulas de surf?
- ‘Tô precisando ganhar marquinha de biquíni, então logo. Mas como surgiu esse interesse por surf? Alguém da sua família gosta?
- Ah não, você não perguntou isso. Ele vai começar a história mais longa da vida. - gritou da cozinha.
- Exagerada! – gritou de volta para ela. - Minha família é do surf, eu aprendi a surfar com meu pai, que aprendeu com meus tios, meu pai é o caçula de três irmãos. É nosso programa de família.
- Você já chegou a competir em algo no surf, como naqueles programas que passam na tv, ou faz mais por diversão?
- Já sim, quando mais novo, mas hoje em dia só surfo por diversão, tenho uma loja para administrar, mas é algo que me relaxa. - deu de ombros. o observou, não conhecia esse lado de .
- Cara, passar pelo interrogatório das é difícil, viu? - apareceu na sala, brincando com a situação de .
- , se você quer aprender, fica na cozinha. - o puxou de volta pelo pulso, e o garoto saiu reclamando.
- Inclusive, aturar elas, é pior que o interrogatório. - ele bufou.
- Desculpa a pergunta, mas ganha bem? - mantinha a mão apoiada no queixo enquanto ouvia atentamente o que o rapaz dizia.
- , meu Deus! - encarava a irmã, extremamente sem graça.
- Que foi? Foi só uma pergunta. Se não quiser responder, fala, ué.
- Não posso reclamar, , tenho a vida que sempre sonhei e trabalho no que eu gosto.
- Só falta uma mulher, né, ? - gritou, novamente entrando na conversa dos três na sala. a encarou, rindo e comentou apenas para ela “falou a encalhada”, tomando um tapa no braço automaticamente.
- Com certeza, aí eu estaria com a minha vida perfeita, quem não gosta de uma história de amor? - sorriu, encarando , que teve uma crise de tosse.
olhava de onde estava um para o outro, com um sorriso divertido no rosto.
- Bom, , posso te ajudar nessa tarefa. - ela balançou as sobrancelhas para o homem. - Calma, para sua infelicidade não sou eu.
- Eu vou subir, preciso pegar umas coisas lá em cima. - caminhou para as escadas rapidamente, prevendo o que aquele assunto renderia. soltou o ar que prendia, qual era o problema de tentarem alguma coisa? Ela em todas as vezes se esquivava e aquilo o intrigava.

- Eu converso com você um único dia, e você já toma a liberdade de me chamar de encalhada.
- As pessoas não têm liberdade de falar a verdade para você? – riu quando viu rolar os olhos.
- , você tá cortando errado. Olha o tamanho disso. – ela apontou para o tomate em pedaços maiores do que ela queria. – Você tem que segurar assim. – tomou a faca da mão de e a posicionou da forma certa.
- Você ensina no grito, né? É engraçado, zero didática. É assim no restaurante também?
- Meu Deus, eu jurei que eu ia ter paciência, mas você a tira de um jeito muito rápido. – ela riu, brincando. – Você não consegue passar um minuto sem fazer gracinha? – perguntou, encarando-o.
- Acho que não. – ele fez bico. Antes que pudesse perceber, pegou a pedra de gelo que ela estava usando para preparar alguma bebida e havia deixado no balcão atrás dela. Ele rapidamente colocou a mão na nuca da mulher e colocou a pedra de gelo, que escorregou por dentro de sua blusa.
- ! – ela gritou, surpresa. – Você é um idiota. – ela estapeou o braço do garoto com a maior força que conseguira.
- Outch, foi só um gelo. – ele reclamou, segurando o braço onde ela havia acertado.
- Vai todo mundo ficar sem janta hoje, não aguento mais o . – ela falou, andando até a sala com um pano de prato pendurado no ombro e bufando. – , te odeio por ter um melhor amigo tão chato, quero ele fora dessa casa. – ela falou, rindo. a seguiu, parando ao seu lado e apoiando o braço em seu ombro.
Não tinha como não rir das idiotices que fazia, e nenhuma delas realmente a irritava. Ela não ria tanto quanto naqueles últimos dias com o garoto desde sua época do colegial, já que na faculdade de gastronomia, um parecia mais ter vontade de comer o outro vivo do que fazer amizade. Era um ramo competitivo, não dava para negar.
- Melhor amigo de quem? Quem é ? Aquela ali que não larga o celular? – ele comentou, fazendo todos rirem. – Você falou que se eu quero aprender, tenho que ficar na cozinha, então não me enrola, volta para lá. – ele ignorou o dedo do meio que a melhor amiga mostrava e saiu da sala, puxando de volta com ele para cozinha.

- Você realmente vai embora rápido assim para não entrar na guerra sobre lavar a louça? Que deselegante. - brincou quando anunciou que estava tarde, e acordaria cedo no dia seguinte.
- Me pegou, poxa. – entrou na brincadeira dela.
- Eu não peguei não, essa piada devia vir para outra . - rebateu, esperando o olhar furioso da irmã.
- Se a outra estivesse interessada eu não me importaria se ela me pegasse. – sentiu as bochechas quentes. - Não é, ?
- Acho que depois dessa, eu vou lavar louça, o clima mudou aqui. - se levantou e puxou a melhor amiga com ele, gargalhando.
- Opa, senti a indireta aqui. Vem, vamos, . - enganchou o braço no do rapaz e foram até a cozinha limpar a zona, puxando com eles.
- Não vão, preciso mesmo ir embora, amanhã eu tenho que abrir a loja cedo. - ele gritou, impedindo que os três saíssem da sala, já tinha torturado demais por uma noite. – Sexta-feira então?
- Por mim sim. - concordou com um sorriso, vendo e também afirmarem. Eles encararam , esperando sua resposta.
- Ok, tudo certo. – respondeu, sabia que seria voto vencido naquela situação.
- Certo, até sexta. - caminhou até a porta e sem esperar que alguém abrisse, saiu por ela. respirou aliviada, tinha ficado tensa durante a noite inteira.
- Ei, ! - correu até a porta. - Esqueceu sua xícara, cara. - ele entregou o objeto para o homem. Ele lhe encarou, mostrando o dedo do meio e fazendo todos dentro da casa rirem.
- Isso se ele ainda quiser o açúcar que está dentro, né? - falou após fechar a porta. Eles observaram rolar os olhos.
- Gente, vocês não cansam de me juntar com ele? - ela encarou rapidamente um a um ali naquela sala.
- Nunca, a gente ama você. - respondeu.
- Eu não quero viver um amor de verão, porque eu não vou morar aqui, e eu sei que vou magoar o . Ele é uma pessoa sensível demais.
- Então é só por isso? - perguntou. - Eu tenho vários quartos, você não tem um trabalho para voltar... Fica à vontade. - cutucou a irmã, sabendo que seria odiada.
- Eu cansei, vou dormir. - revirou os olhos se levantando da mesa deixando todos ali prendendo a risada. As desculpas dela estavam ficando cada vez mais escassas.
- Aquele convite se estende? - perguntou para , vendo-a rolar os olhos assim como a irmã mais velha havia feito. Todas tinham as mesmas expressões, o DNA era incrível entre elas, principalmente no ponto de serem irritantes.

×××


Naquela manhã as irmãs combinaram de ir até a tão famosa praia Brighton Beach, conhecida por suas casinhas coloridas, a mesma que haviam visitado anteriormente de forma rápida. Nesse momento estavam e deitadas na areia e tomando sol, enquanto jogava vôlei com próximo dali. A praia em si era bem bonita, e até estava movimentada para uma manhã de sexta-feira. Mulheres tomando sol como elas, crianças na areia brincando com seus familiares... Algumas pessoas estavam na água se aventurando no surf, já que estavam próximos da loja de e todos pareciam conhecer o rapaz, e usavam seus equipamentos.
O celular de apitou, denunciando o recebimento de uma nova mensagem. Ela se sentou, procurando entre suas coisas o objeto. Quando o achou, viu a mensagem dele.

[]: E aí, tá fazendo o quê?
[]: Nada de muito interessante, mas aposto que o seu dia está bem mais animado que o meu.
[]: Talvez? Depende do que você quis dizer com animado.
[]: Envolve algo perigoso?
[]: Sim, se a pessoa não souber para onde vai.
[]: É, tá vendo? Mais interessante.
[]: Às vezes queria mais adrenalina na minha vida.

- , larga esse celular, vamos lá. - apareceu, derrubando o celular da garota na areia e a puxando pela mão para que se levantasse. Ele apontava para loja de artigos de surf de . - Você também, . E não foge, . Todo mundo vai tentar.
- Ai, para quê? Tava tão bom aqui. - limpou um pouco de areia do corpo e ajeitou suas coisas. - Só vou se você passar protetor em mim depois. - assentiu, concordando.
- Alguém já te disse o quão chato você é? - perguntou.
- Sim, você. Várias vezes nas últimas duas semanas, por sinal. - ele rolou os olhos e puxou a mulher pela mão também, para que ela se levantasse.
- Ok, vamos todos tentar surfar. – concordou com , seria uma experiência interessante.

- Minha turma da manhã chegou. - falou, vendo o grupo entrar, parando seus olhos em .
- Pois é, prometemos que viríamos, não? - respondeu por todos eles.
revirou os olhos.
- Oi, , amor da minha vida. Promessa é dívida.
- , cara, estou precisando de uma manutenção na minha prancha. - um homem entrou na loja. olhou para ele, mas não conseguiu identificar quem era, pois a prancha cobria o rosto. - Pode dar uma olhada para mim? - ele deixou a prancha sobre a bancada e olhou ao redor.
quase caiu para trás.
- Oi, . - o rapaz a cumprimentou.
- O-o-oi. - ela gaguejou, engolindo em seco. - Como vai?
- Muito bem. - ela o viu pôr as mãos nos bolsos do short. Ele sorriu enquanto olhava para ela.
- Ih, não é o carinha que estava tocando aquele dia no show? - perguntou.
- Sim, é ele mesmo, que coincidência louca é essa, hein? Detalhe, eles se conhecem! - tinha um sorriso maroto na face.
- Também, o que o cara deve ter sofrido com ela nas redes sociais. - completou. - Inclusive, desculpa a loucura dela, viu? - ela direcionou a fala para ele, que ainda encarava a irmã menor.
desviou o olhar de para encarar as pessoas ao redor dela. Deviam ser as irmãs que tanto falava por mensagem.
- Loucura? Não, ela é adorável. - sorriu na direção de .
Se tivesse um buraco ali, pode ter certeza de que a mais nova enfiaria a cabeça, com tanta vergonha que estava sentindo.
- Pensei de ter comentado com vocês no dia do show. O aqui... – se aproximou do rapaz e colocou o braço ao redor dele. - É meu cliente faz um tempo. , eu tinha combinado de ensinar as meninas e o a surfar. Posso deixar para cuidar da sua prancha depois?
- Claro, . – ele se virou para o amigo. - Ensinar a surfar? Vai querer ajuda? Sou um ótimo professor.
- Nossa, ! Que incrível, você é muito solícito! Eu tenho certeza de que minha irmãzinha ia adorar que você a ensinasse. Como eu falei, ela ficou meio louca depois do show de vocês, ela ficou bem fã mesmo. - comentou, ouvindo e concordarem rapidamente.
- Você é meu amigo, tem é que me apoiar, não entrar na onda dessas aí. - ela cochichou para .
- Não fiz nada demais. - deu de ombros. - Aliás, já que a não nos apresenta, eu sou o .
- Coitada, perdeu até a língua, mas ela topa que você a ensine. - empurrou a irmã levemente na direção do rapaz. - Ela é meio sem educação mesmo, eu sou a , a do meio.
- E eu sou a , a mais velha. – deu um sorrisinho educado ao homem.
- E essa aqui, que tá de saída com você, é a mais nova. Uhul, todos nos conhecemos, agora vamos deixá-los. - entregou os equipamentos, que já havia separado, para e .
- Vai ter volta. - falou olhando para trás, onde as irmãs estavam, antes de sair com da loja. Ela sorriu e enfim enlaçou o braço ao de .
- ‘Tô de olho em vocês. - comentou para melhor amiga, emburrado.
- Tá nada, deixa a menina em paz. - o cortou, vendo-o mostrar a língua para ela em resposta.
- Então ficamos nós, não? - encarou , com as mãos nos bolsos da bermuda tactel.
- Sim. Vamos surfar. - mordeu os lábios.
- Gente... - começou a falar, trocando rapidamente um olhar com . - Eu fiquei de mostrar um restaurante aqui perto para o pirralho, então vou ficar devendo o surf. , você sabe, não presto para isso.
- Ficou? - perguntou inconscientemente, e a mulher rolou os olhos, pisando discretamente em seu pé e ouvindo um “aí”. Logo em seguida, ele concordou.
- Está tudo bem, , não tem problema. - havia entendido e até agradecido a ajudinha que ela havia dado aos dois, e ele não perderia a oportunidade.

×××


- Você não precisava pisar no meu pé, viu? – reclamou, andando na calçada. Já haviam saído da loja para o lado contrário da praia.
- Você só entende as coisas rápido quando quer, né?
- Eu não tenho culpa que você age de cupido de todas as formas possíveis e eu não consigo acompanhar, .
- Eu não ‘tô agindo de cupido. – ela respondeu, fazendo rir. – Tudo bem, talvez um pouquinho... Mas minhas irmãs merecem um pouco de aventura, eu gosto de ver elas envergonhadas, e felizes, claro.
- Então se a gente encontrar qualquer um na rua... Alguém, assim, que eu ache legal... Eu posso fazer o mesmo com você? Se elas merecem um pouco de aventura, acho que você também, não é? – ele falou, olhando para um homem que vinha na direção deles, correndo. Ele estava em bermudas floridas, e sem camisa. Assim que ele passou pelos dois, e se encararam, gargalhando.
- Você definitivamente não presta, .
- Juro que eu presto, só é pouco. – ele deu de ombros. – Então, para onde estamos indo? No restaurante?
- Que restaurante? Não tem restaurante. Foi realmente uma desculpa para deixar os dois sozinhos.
- Ah, achei que pelo menos tinha um restaurante.
- Não, mas tem um lugar legal que podemos ir. Continua andando aí. – ela o empurrou e seguiu andando ao seu lado, em silêncio.

- Um píer é um lugar legal? – perguntou, pisando nas pedras e andando até a frente do local que o havia levado.
- Um píer é um lugar muito legal, . Qual o seu problema?
- Para ter me tirado de uma aula de surf, achei que você ia pelo menos me mostrar um lugar bem australiano e legal.
- Você acha que sou o quê? Guia turístico? – ela perguntou, o encarando.
- Talvez. – ele comentou, sabendo que a irritaria.
- Só fica quieto e me deixa quieta então, vai. – reclamou, andando até mais em frente e sentando-se na beirada do píer.
- Sabe quais são os momentos que te vejo mais feliz? – falou, sentando-se ao lado da mulher. – Quando você está fazendo graça com as suas irmãs, de resto, você parece difícil de agradar. Difícil de sorrir. Claro, eu consigo, mas não estou contando isso. – ele riu, vendo-a negar com a cabeça, mas com um sorriso no rosto.
- Por que está fazendo uma análise minha, posso saber?
- Não sei. – ele deu de ombros, sincero.
- Esse é meu lugar preferido, gosto de vir aqui e fazer nada. – a mulher confessou, olhando para a praia ao longe.
- Então você é uma guia turística... Mas mais pro lado espiritual? – ele tentou segurar a risada, mas falhou.
- , meu Deus. – a mulher gargalhou, não aguentando a brincadeira. – A disse que você era tímido, ainda não encontrei essa personalidade.
- Eu sou, muito. Mas não sei, com você e a me sinto como com a , então sou mais eu. Vocês são muito parecidas, talvez nem vocês percebam o quanto. – ela concordou com a cabeça, pois as achava tão diferentes de si mesma.
- Bom, isso é bom, né? Quer dizer que se sente à vontade conosco.
- Confesso que me sinto bem à vontade com você. – ele falou, sério. – Não sei, te irritar me faz rir, e isso é legal.
- Isso quer dizer que sou uma grande brincadeira para você, não é, ? – ela arqueou a sobrancelha e o garoto rolou os olhos.
- Quando eu tento ser sério, você quebra o momento. – ele mostrou a língua e a mulher lhe mostrou o dedo do meio. – Me conta alguma coisa diferente sobre você. Nada do restaurante, ou da Austrália. Sobre você.
- Por quê?
- Não sei, , porque estou tentando ter uma conversa com alguém que acho legal, eu preciso de mais motivo?
- Ok, desculpa. – ela riu. – Não sei falar sobre mim, não costumo fazer isso. – confessou.
- Pronto. Você acabou de falar sobre você. – ela torceu o nariz. – Pode não gostar, mas foi o que fez. Por que não costuma fazer isso?
- Porque não sei se percebeu, mas não tenho grandes amizades por aqui. Conheço várias pessoas, tenho o restaurante com ótimas pessoas, mas nada como... Como você e a , por exemplo. Sempre tive essa relação apenas com as meninas, e ainda assim, as coisas ficaram difíceis depois que decidi me mudar, né?
- Então, entendi. – ele falou, tentando manter a expressão séria no rosto. Ele aproximou seu corpo do de . – Você está carente, precisa de um amigo. De um ombro amigo. – ele riu, encostando a cabeça da mulher em seu ombro e vendo-a fazer força para se livrar de seu quase abraço.
- , não tem como levar você a sério. – ela reclamou, tentando não dar um leve chilique em meio às suas risadas.
- Mas é sério, se precisar de um amigo, estou aqui. – ele deu de ombros, vendo-a sorrir de lado, pois sabia que ele estava sendo verdadeiro.
- Quando ficamos sentimentais assim? – perguntou, fingindo vomitar. – Não era apenas para falarmos de cozinha, sei lá?
- Não. Pensa um pouco, você agiu de cupido para suas duas irmãs, a tendência é que elas te deixem sozinha agora, e só vai sobrar quem? Eu mesmo. Melhor conversarmos sobre tudo. – o garoto riu quando a viu concordar, sabendo que fazia sentido.

Quando era por volta de uma da tarde, e já haviam conversado sobre tudo um pouco. Desde séries de TV que gostavam, até seus pratos preferidos e suas famílias, por mais que ambos conhecessem as famílias uns dos outros. Eles riram juntos durante a maior parte do tempo, tiraram fotos um do outro, e quando decidiram que era hora de encontrar o caos que poderiam ter virado as outras e seus rolos, ambos pareciam adolescentes bêbados voltando para casa.
- Não quero levantar. – fez bico, esticando os braços para que a puxasse para cima.
- Vamos, daqui a pouco a tá gritando por aí atrás de nós. O celular ela só lembra para falar com o vocalista.
- Outch, alguém está com ciúmes? – passou a mão no short, limpando qualquer sujeira que pudesse ter onde estava sentada.
- Não. Se ela não tivesse louca de desespero para conhecer o cara, eu não estaria aqui conversando com você. – ele falou, sem pensar. juntou os lábios, tentando processar a frase do garoto. – Foi legal, vai. – ele tentou amenizar, percebendo que sua frase soara mais estranha do que legal, como ele pensara.
- Foi. – concordou, relaxando os ombros. - vai ficar com ciúmes da nossa amizade, com certeza. - ela riu, vendo-o concordar com uma expressão maléfica. Com certeza ele brincaria com isso com a melhor amiga. – ... – ela falou enquanto eles começavam a andar para sair do píer. – Posso tirar uma foto com seu celular? – ela pediu e o garoto, sem nem pensar, lhe entregou o aparelho. – Fica parado aí, tá muito legal, depois eu troco com você, e você tira minha, pode ser? – ele concordou, ficando parado na ponta do píer, fazendo uma pose engraçada para que ela tirasse a foto, como eles estavam fazendo alguns minutos antes. – Lembra quando você me chamou de encalhada?
- Você guarda rancor, né? – ele sorriu e ela tirou a foto.
- Não, imagina. – se aproximou do garoto como se fosse lhe entregar o celular e o empurrou, vendo-o cair com um grito na água.
- ! – ela se pendurou na ponta da pedra, olhando-o lá embaixo, vendo apenas a cabeça do garoto aparecer. – Isso vai ter volta! – ele riu, sabendo o quão engraçado aquilo deveria ter sido.
- Te encontro ali. – ela apontou para a calçada, por onde tinham andado para chegar, e mandou um beijo para ele, ainda rindo de sua ideia.

×××


e procuraram uma área mais vazia da praia, onde o garoto sabia que normalmente ensinava as pessoas a surfarem, e ajudou a vestir a roupa especial. A garota sentia um frio enorme na barriga, estando ali tão perto dele.
- Quando você disse que fazia algo perigoso, não fazia ideia que seria justamente surf.
- Por que você diz justamente? - ele perguntou enquanto estava concentrado em apoiar a mulher para que ela pudesse se vestir.
- Porque é estranho você conhecer o vizinho da minha irmã e a gente se encontrar aqui.
- Bom, não acho. - deu de ombros e encarou a garota. queria desmaiar. Que homem lindo, nossa senhora . - Vamos lá, então. Você precisa se aquecer primeiro. - começou a se alongar e o seguiu. - Assim, você tem que elevar mais o braço. - ele tocou no braço dela para que ela seguisse o que ele dizia.
- Você tá me deixando toda arrepiada. - ele riu com o comentário dela.
- Eu nem te toquei direito.
- Mas você é bonito demais, não dá.
- Então se eu me aproximar assim de você - ele se abaixou um pouco e aproximou o nariz do pescoço dela -, o que acontece?
- Eu caio mortinha no chão. - riu e se afastou um pouco, encarando-o por um momento até que os olhos de ambos descessem para os lábios um do outro.
Ao fundo ouviu o som de uma criança que corria e gritava ao fugir do pai. Quando eles se afastaram, viram o pai do garoto pegá-lo no colo e dar um pequeno sermão de como aquilo não deveria ser feito porque tinha pessoas má intencionadas e blá, blá, blá.
- Então... - quebrou o mal-estar que se instaurou ali entre eles depois do clima ser quebrado. - Há quanto tempo você surfa?
- Faz pouco tempo, na verdade. Quando vim da minha cidade natal, Hornsby, precisava de um hobbie para me desestressar um pouco de toda a pressão que venho tendo junto com todos os meus colegas de banda para atingirmos alguma gravadora de sucesso. Mas e você, , tem algum hobbie?
- Hobbie acho que não, mas minhas irmãs falam que eu adoro elogiar homens bonitos para descontrair e não meço muito minhas palavras. Pode ser considerado como hobbie?
- Para falar a verdade, não sei. - riu e pausou por um momento. - Então eu sou um homem feio?
- Ãhn? - parou de puxar a cordinha da roupa. Aquilo balançando a estava irritando muito. a ajudou prendendo a cordinha dentro de sua roupa de surf. Ela finalmente se tocou do que ele havia perguntado. - Longe disso. O quase desmaio já não foi prova suficiente?
- Como a maioria dos homens, eu gosto de ter o ego inflado.
- Idiota. - riu, o empurrando levemente.
- Bom, enquanto o pessoal não chega, eu vou te passar alguns movimentos. - ele se deitou na prancha de para demonstrar. Era um movimento de nado mesmo. - Tenta fazer o mais rápido que conseguir, porque você vai precisar se levantar até a onda rápido. Quando sentir confiança no mar, você se levanta assim. - ele se levantou rápido, fazendo o movimento. Depois, deu lugar para que ela tentasse.
- Assim? - fez o movimento de nado.
- Abaixa um pouco, porque senão sua coluna vai sentir mais tarde. - ele orientou e ela fez o que foi pedido. - Isso, perfeito! Agora quando você se sentir segura, você levanta e faz aquele movimento que te mostrei por último. - ela se levantou toda desajeitada e fez, mas caiu.
- Meu Deus, se eu caio na areia, imagina no mar.
- É questão de prática, . Não se preocupe quanto às quedas. Estarei lá para te ajudar.
- É? Você vai estar sempre?
- Posso ser seu instrutor pessoal, se você quiser.
- Aulas vips assim, de graça?
- De graça não, uma hora você vai me pagar. - ele sorriu na direção dela.
- É? E quando seria?
Quando estava prestes a responder, foi interrompido.
- Oi, você é o , do The Sixx, né? - uma garota os interrompeu. - Sua banda é um máximo! Pode tirar uma foto comigo?
- Claro. - ele olhou para e pediu desculpas. A garota olhou para onde ele olhava.
-Você pode tirar para gente? - ela não esperou uma resposta. Entregou o celular na mão de e tratou logo de agarrar um dos braços do vocalista.
achou graça da situação. Se era assim que ela parecia para as irmãs, da próxima vez ia pedir para uma delas a socar até ela acordar para realidade.
A garota apontou o celular na direção deles e tirou várias fotos, com a fã fazendo várias poses para as fotos.
- Muito obrigada, ! - antes de sair, ela deu um beijo no rosto de , que ficou sem reação. - Espero te encontrar de novo. - dizendo isso, saiu.
se aproximou dele novamente com um ar divertido.
- Isso quase foi uma sessão de photoshoot. As fãs estão surgindo, , sinal de que a fama logo vem.
- Bom, sim... - deu de ombros. - Quem sabe? Às vezes eu queria poder jogar tudo para o alto por causa do estresse que vem junto.
- O estresse é normal. Você é super talentoso, logo sua banda vai assinar com alguma gravadora, não se preocupe.
- Obrigado. - eles ficaram sorrindo um para o outro.
quebrou o contato depois de um tempo e olhou para o lado, onde a irmã de e estavam. Depois, voltou a encarar .
- Então, vamos praticar de verdade na água? - a garota balançou a cabeça freneticamente e pulou, animada. riu e pegou a prancha, indo em direção ao mar e sendo seguido pela mulher.
observava um pouco afastado, mas não muito, o que fazia e a alertava quando necessário.
- , se prepara! Está vindo uma onda legal. - como ainda estavam perto da margem, a onda não era tão alta assim. - Nada o mais rápido que conseguir e levanta quando sentir que é a hora.
- E como eu vou sentir que é a hora, ?! - ela gritou desesperada, enquanto nadava.
- Você vai saber, não se preocupe.
A garota nadou, nadou, nadou, até que enfim sentiu confiança e se levantou sobre a prancha, fazendo exatamente o que havia lhe ensinado, mas acabou por cair.
Adorou a experiência.
- Isso é demais, ! - ela gritou após emergir da água. - Eu amei!
De longe, ele sorria. Ultimamente ele andava bem risonho quando o assunto era .
É, , você estava completamente ferrado.
×××

estava sentada na areia, já havia vestido a roupa apropriada de surf e via passar parafina na prancha que ela usaria. Era impossível não prestar atenção aos atributos físicos do homem.
Ela o olhava atenta, estava sem camisa, ela podia observá-lo muito mais, os braços bem musculosos e definidos, não era algo exorbitante, mas estava perfeito para ela. A barriga... Definitivamente ela queria muito passar as mãos ali, não era um tanquinho exagerado, mas era bem definido. As pernas, não eram nada mal, ele não era um funil, provavelmente gastava algumas horas na academia... Balançou a cabeça, virando-a para o outro lado, não podia e nem devia ficar avaliando o rapaz daquela forma.
- Está tudo pronto, . - chamou sua atenção, ela se levantou, deu uma limpada na roupa, e se aproximou dele.
- Eu não faço ideia de como isso vai ser. - deu uma risadinha.
Ela olhou para o lado um pouco mais a frente e pôde visualizar e , a irmã acenou, ela acenou de volta com um pequeno sorriso. parecia se divertir com o vocalista, torcia internamente que o rapaz fizesse bem a sua irmãzinha, não queria que ela tivesse uma decepção amorosa assim tão cedo.
- Primeiro, você precisa ganhar equilíbrio na prancha, tenta ficar em pé aqui. - ela o encarou, despertando do transe que estava. Foi até a prancha no chão e tentou se equilibrar nela, obtendo êxito. - Agora, você precisa treinar um movimento essencial chamado de pop-up, que consiste em subir rapidamente na prancha. Você precisará empurrá-la para baixo, apoiando as palmas das mãos na prancha na altura do peito e firmando os pés para conseguir subir. - ele fez o movimento, tentou em sua prancha, mas de primeira não conseguiu. Tentou por mais algumas vezes, e nada.
- Agora eu entendo minha irmã dizendo que não leva jeito com isso. - ela o olhou, tentando mais uma vez.
- Não leve a experiência de a sério, você sabe que ela é bem preguiçosa quando as coisas não saem do jeito que ela quer. - o encarou com o cenho franzido.
- Sim, ela é. - riu. - Você fala com tanta propriedade... Faz quanto tempo que se conhecem?
- Desde que ela mudou para cá, acho que uns três anos, não sei ao certo.
- , você nunca tentou nada com ela? Qual é? Eu sei, minha irmã é a coisa mais linda e perfeita desse mundo.
- Na verdade, não, eu estava noivo na época que a conheci e bom, depois que eu terminei já éramos muito amigos, mas não posso negar que é uma mulher bem atraente, mas ela e eu nunca rolou nada.
- Ah. - se repreendeu mentalmente, não tinha que ter interesse nenhum em saber se ele havia se interessado em , ela não queria nada com , certo?
Ficaram um tempinho calados, a via tentar e não conseguir fazer o movimento, se desequilibrando em todas as vezes, ele se aproximou dela.
- Posso? - ele pediu autorização para colocar as mãos na cintura dela, que assentiu. - Mais devagar, . - foi direcionando-a delicadamente ao movimento certo. - Agora tenta de novo, sozinha.
- Consegui! Finalmente! - abriu um enorme sorriso para o rapaz, que se sentiu verdadeiramente feliz, era a primeira vez que ela sorria de verdade para ele.
- Repete mais algumas vezes. - ela o obedeceu, realmente havia conseguido pegar o jeito da coisa. - Consegue se equilibrar bem, se sente confiante?
- Olha, confiante eu não diria, mas aparentemente estou ok. - agora foi a vez de sorrir.
- Vem, vamos para a água. - ela saiu de cima da prancha e viu a pegar. Eles caminharam juntos em direção ao mar. - Pronto, aqui não tem ninguém praticando, vai ser mais tranquilo para você aprender.
- Eu estou com medo, , e se eu me afogar? Tá passando tantas coisas na minha cabeça enquanto eu olho o mar. - soltou um riso nervoso.
- Eu jamais deixaria nada acontecer com você, e não vamos para o fundo. Relaxa. - ela assentiu, tentando ficar mais calma. - Deita na prancha e vai remando devagar. - ela assim o fez.
- , isso não vai dar certo... - ela negava freneticamente com a cabeça, pensando na hora que teria que se colocar de pé na prancha. - Não quero mais, sou muito medrosa.
- Mas estamos na margem ainda, . - ele tentava prender a risada. - Vamos lá, eu estarei aqui com você. - a mulher suspirou fundo. - Tenta ficar de pé agora. - tentou ficar de pé para uma onda pequena, mas como o esperado, se desequilibrou e caiu e prontamente a segurou, e eles tiveram uma crise de risos.
- Obrigada. - se desvencilhou dos braços do homem rapidamente, aquele contato não faria nada bem para os ânimos dela, que só tinha em seus pensamentos o quanto o homem era gostoso.
- Mais uma vez, vamos lá, . - ela revirou os olhos, manhosa, mas o obedeceu.

- Chega, estou cansada, esse sol e o mar acabaram comigo. - ela tinha se sentado na areia, deixando a prancha ao seu lado. Mexia os braços freneticamente, tentando anuviar a dor que estava sentindo neles.
- É normal no início essa dor, o cansaço, mas essa só é sua primeira vez tendo contato com a prancha, com o tempo você vai se adaptar, e vai ficar expert. - brincou, arrancando um pequeno sorriso dela.
- Achei que desistiria de mim. - deu de ombros. - Eu sei, sou a rainha do drama e extremamente medrosa.
- Desistir de você não está nos meus planos, , entenda isso. - ele a encarou, desviou o olhar para outro ponto da praia, mas não deixou que um sorriso escapasse de sua boca.
- , eu me referia ao surf, e não...
- Eu sei. - ele a cortou. - Aproveitando que entramos no assunto, quero te pedir desculpas por entrar nas brincadeiras com as suas irmãs, você claramente não tem interesse em mim, e bom, eu devo respeitar isso. Não vou mais te incomodar.
- Minhas irmãs gostam de me irritar. Coisa de irmãos mesmo e você não sabe porque não tem irmãos. - ele riu. - Mas está tudo bem, desculpas aceitas. Amigos? - estendeu a mão na direção dele. Ele suspirou, mas a apertou.
Ela desfez o aperto de mão, e se encararam, em silêncio. levou a mão direita ao cabelo dela, arrumando uma mecha que estava fora do lugar, mas tudo o que ele conseguia reparar era nos lábios da mulher, precisava senti-los junto aos seus. Sua mão ficou parada ao lado do rosto dela, afagando-o, sentiu o rosto esquentar com a forma que a encarava. Sem que pudesse perceber se aproximou ainda mais dela, a encarando firmemente, arfou, porque o rapaz estava prestes a beijá-la, quebrando um acordo firmado há segundos. O problema daquilo? É que ela não estava com a mínima vontade de afastá-lo...



Capítulo 5

- Oi, galera, quem está a fim de comer? - chegou de repente e quebrou a áurea daquele momento que eles compartilhavam. rapidamente recolheu sua mão de volta ao lugar. quis estapear por interromper os dois, ele era muito tapado mesmo.
e se aproximaram deles em seguida, alheios a tudo.
começou levar as mãos até atrás da roupa, em busca do zíper da roupa. Não conseguiu alcançar, então a ajudou a abrir.
- Falei de comida e a já chegou, ela me entende, certeza. - comentou, apontando para amiga.
- Ahn? - o olhou e depois lembrou do que tinha dito. - Ah, sim, é meu parceiro de comida. Para onde a gente vai? ? Tem alguma ideia? Opção pra sugerir? Aliás, vocês estão intimados a irem junto com a gente – ela apontou para e .
- Bom, tem um restaurante de frutos do mar aqui perto que eu gosto muito de ir. – deu de ombros, levantando-se do chão.
- É bem perto, né? - perguntou, apontando para . - Ele não vai entrar no meu carro assim, e vocês também não. - ela apontou para as irmãs.
- Chata... - revirou os olhos para a irmã.
- Engraçado que eu não estaria assim, se você mesma não tivesse inventado de me molhar. - o garoto reclamou e deu de ombros.
- Essa daí só tá de implicância. Vem, gente, deixa ela aí. - saiu puxando e pelos braços. - Não vou deixar ninguém mexer com meu . - ela olhou para , que ria.
- Você faz parecer que eu sou uma criança que precisa da proteção da mãe. - disse, emburrado.
- E não é? - comentou, pegando a chave do carro nas mãos.
- Eu só queria dizer que estou com fome, então decidam logo onde vamos comer, por favor!? - olhava entediada para todos.
- Como vamos todos? - perguntou.
- Mesmo você odiando, eu vou no carro com você. - se manifestou com um sorrisinho e rolou os olhos.
- Sei que não tenho opção, mais quatro vão comigo, e aí?
- Eu acho que devíamos levar a no porta-mala. - falou, ainda emburrado com a amiga.
- Ei! - ela disse com as mãos na cintura.
- Bom... De qualquer modo, eu vim de moto... ? - coçou a nuca, olhando para a mais nova.
- Sim! Tudo o que você disser é um sim. Vamos, então?
- Por que o não vai com o ? Eles se conhecem há muito tempo, certo? - comentou, não queria sua irmã mais nova na garupa de um estranho.
- Por mim tudo bem, eu vim a pé. - deu de ombros.
- Ela não está errada. - comentou, apoiando . Ela mal conhecia o cara.
- Ai, não corta o barato, gente. Eu vou ficar bem.
- Também não é como se eu fosse sequestrar a . - deu de ombros.
- Nós não sabemos disso... - falou, olhando para o garoto.
- Não está em discussão, , o vai e pronto. Todos separados, podemos? - encerrou o assunto como a boa irmã mais velha protetora que sempre foi.
- Desculpa, . - ela olhou para o rapaz.
- Tudo bem, . Não faltará oportunidades. - ela sorriu para ele, toda ruborizada, mas logo depois o rapaz viu a garota sair, entrando no carro e batendo a porta.
- Bom, se estamos decididos, tô morto de fome. - falou, entrando também no carro, ao lado da amiga.

×××

- Você é um traidor, mas não consigo ficar com raiva de você - cochichou para que só o amigo ouvisse. - E o que combinamos antes de virmos pra cá? O lance de viver intensamente? Você tá me empatando, . Da próxima vez, eu raspo seu cabelo enquanto você estiver dormindo.
- O lance não envolvia você na garupa da moto de um cara aleatório. - ele rolou os olhos.
- Pelo amor de Deus, ! - ela balançou os braços na frente dele, dramaticamente. - Para de ser chato. Credo, parece a . O convívio diário não está te fazendo bem. Já tá virando um amargurado igual ela. - ela disse essa última, olhando para enquanto dirigia.
- A não é amargurada. - ele falou sem pensar, vendo a mulher o encarar pelo retrovisor.
- Mas que...? Você está defendendo ela?! Vocês dois se merecem! Ainda bem que a é minha irmã preferida.
- Obrigada, é muito amor mesmo, não é? - afagou o braço de .
- Engraçado que foi ela quem te cortou, e eu fiquei quase quieta. - reclamou, com vontade de jogar a irmã mais nova para fora do carro.
- ”Quase” não é nada. Você deveria ter me apoiado. Enfim, pé nesse acelerador aí que eu quero chegar logo.
- Eu fiz o que precisava ser feito, eu quero conhecer esse , antes de deixar rolar algo entre vocês, porque é nítido que tem algo aí. Você é minha bebezinha, não quero que se magoe, caras de bandas são um pouco... Mulherengos. - se justificou.
- Agora eu sei o que o pobre do passou. Me lembre de pedir desculpas a ele quando o ver.
- Você está muito revoltada... - falou, sabendo que seria odiado pela amiga.
- , não diga coisas que não sabe, eu já te disse que minha história com foi muito errada. - bufou.
- Ai, , tudo se resolve com uma simples beijo. Se for bom, vai que é sua. Se não, tchau e bençãos pra pessoa. De todo modo... Espera aí, o beija bem? - ela tentou se aproximar da irmã, mas o cinto de segurança a impediu. - Tem pegada?
- Desde quando a conversa virou de mim para o ? - a irmã mais velha tentou se esquivar.
- Desde quando todo mundo quer saber, . - falou, como se fosse óbvio.
- Quando a gente ficou, o era virgem, foi horrível a transa, mas sim, ele beija bem, satisfeitos?
- A gente só perguntou do beijo, informação demais, meu Deus.
- , por que diabos você tem sempre que ser assim? Senta aí e fica quieta! - pediu. Ela o olhou de forma séria. - Por favor?
- Agora vocês param de me atormentar com o . E concordo com o , vamos virar o disco?
- Chega de drama, chegamos. - parou o carro e desceu rapidamente.
- Até o final desse período na Austrália eu entro num hospício. Eu disse a mim mesmo que se eu conseguisse aguentar uma , eu aguentava as outras, mas tá difícil.
- Mas eu sou a sua favorita. - disse.
- Até quando é a questão.
- O que, ?!
- Eita. – colocou fogo.
- Eu não tenho culpa se vocês se fecham cada uma em um mundo, você com o celular ou o , e a com o . - ele deu de ombros, descendo do carro também.
- Eu com o ? Elas me empurrando para o . - desceu do carro, correndo para respondê-lo.
- Então só resta a ? Então ela é sua preferida agora? - viu o amigo ficar vermelho.
- Eu não disse isso.
- Não com essas palavras, mas disse.
- E aí, o que rola? - se aproximou deles junto com .
- Nada. Vamos entrar logo nesse restaurante porque minha fome está quase sumindo. - os deixou para trás, entrando logo no estabelecimento e encontrando que já estava sentada numa mesa para seis.
- Vish, desculpa – levantou os braços.
- Brigaram? - perguntou.
- Briga é normal entre as e aqueles que as rodeiam. Quer mesmo entrar nessa? vale pelas duas juntas - suspirou.
riu enquanto via a mulher se aproximar.
- E aí? Vamos entrar? - olhou para os dois rapazes que a encaravam. - Que foi?
- Nada, o só estava me dizendo que você é maravilhosa e que era para cuidar de você.
- O ? Obrigada, acho? - ela olhou para o amigo. Ele ergueu os braços como se não soubesse de nada e entrou no restaurante, procurando pelas .
- Vamos entrar? e estão nos esperando. - começou a caminhar e os outros o seguiram.
- Desculpa pelo drama de agora pouco. Não sou assim normalmente. - ela disse para .
- Não cai nessa não, que é furada. - disse ao ouvir a fala da amiga quando chegaram na mesa. o olhou de forma matadora.
- Podemos pedir? Agora que todos decidiram se sentar? - perguntou, encarando a todos na mesa.
- O que nos sugere pedir, ? - perguntou, sabendo que o rapaz frequentava o lugar. Estava tentando soar simpática pelos minutos atrás.
- Como um bom australiano sugiro Balmain Bug, que é lagosta, vocês vão gostar. - ele sorriu.
- Por mim, pode ser. - respondeu, ouvindo e concordarem.
- Quero o mesmo. - disse.
- Bom, eu vou de Fish and Chips – disse ao olhar o cardápio.
A atendente anotou os pedidos e saiu.
- E então, , faz quanto tempo que tem sua banda? - o encarava com um sorrisinho meigo.
- E quantos anos você tem também, por favor. - adicionou, seguindo a irmã.
- Bom, eu já toco desde os meus doze anos. Antes tocava solo, mas aí com um amigo formamos o The Sixx. De início foi algo bem amador, só para nos divertirmos, mas acabamos percebendo que poderíamos ir mais além, sabe? Hoje, com meus 22 anos – ele olhou para – estamos em busca de uma gravadora que queira entrar nessa nossa loucura com a gente. Estamos até que nos saindo bem. Digo, entregamos algumas demos para algumas gravadoras, mas elas recusaram. Mas a esperança é a última que morre, não é? - deu de ombros, encarando a todos ali na mesa.
- Já pensou no que a fama pode trazer? Dinheiro, mulheres... - o perguntou, balançou a cabeça, negando.
- Bom, isso é uma consequência, mas embora aparente que eu seja bem mulherengo, eu sou bem tranquilo.
- Ei, , desculpa por antes, tá? - falou baixinho para o rapaz, se referindo ao interrogatório anterior, feito com ele.
- Ah, não se preocupe. - riu.
- O que vocês querem saber mais? Passei no teste? - questionou às irmãs.
- Gostei dele. - deu de ombros, rindo pela pergunta do garoto.
- Eu também, mas não conte isso a ele, deixa ele achar que eu sou a irmã ruim. – cochichou para a .
- Diz aí, ... Hipoteticamente falando... Se você ficasse famoso... Ia viajar o mundo, né? Como seria se tivesse alguém esperando em casa? - questionou, querendo pirraçar a irmã mais nova.
- Eu acho que assim, quando duas pessoas se amam e confiam uma na outra, apesar desse obstáculo, fariam dar certo. Pode ter várias coisas que ponha tudo aquilo à prova, mas se as duas pessoas estão comprometidas o suficiente em fazer dar certo, o esforço vale a pena. Não acham?
- Pois é, eu também acho, viu? - comentou, olhando discretamente para .
- Ele não é maravilhoso, gente? - olhava toda abobada para ele, com a mão apoiando o queixo.
- Nossa, incrível. - resmungou sarcástico, rolando os olhos. - Assim... Hipoteticamente falando também... Se você se envolvesse com uma pessoa que tem um melhor amigo muito próximo... Você sabe que seria um grande perigo, né? Se ele fosse bem grande, forte, e tudo mais...
- , pega aqui seu refrigerante, melhor. - puxou a lata da bandeja do garçom e colocou na frente do garoto.
- Ah, sim, seria um problema, mas é só ter cuidado. - riu. - Tá quase parecendo que eu vou pedir a em casamento. Nem namorando a gente está... bem, não fiz o pedido ainda. - ficou vermelha da cor de um tomate.
- Não, imagina... Aqui o interrogatório é até para beijar na boca mesmo. - deu de ombros.
- Passei por um parecido, , vai se acostumando – riu.
- Acredite, ter a interrogando é pior. - complementou.
- Fazer o quê... Entrar pra família é difícil, gente. Somos muito exigentes. - comentou. - Mesmo que você não esteja realmente tentando, qualquer tentativa a gente já considera. Pode ir com calma.
- Deve, na verdade. - adicionou.
A garçonete interrompeu a conversa disponibilizando os pratos de cada um. Ao receber seu prato, o encarou com nojo.
- Parece que isso aqui tá vivo. - ela pegou a lagosta na mão e começou a balançar. - Como você come isso, ?
- Meu Deus, , não me envergonhe. – olhou para os lados, prendendo a risada. - Para de frescura e experimenta.
- Cozinhar isso deve ser legal. - comentou com ao seu lado, vendo-a concordar.
- Se você não conseguir, pode pegar o meu. – sussurrou para ela.
-Sério? Você faria isso? - ela olhou surpresa para ele.
- Claro, não me importo. - ele trocou os pratos para que ela pudesse comer enfim.
- Se você quiser, posso trocar com você também. - falou para , apontando para os pratos iguais.
- Claro, não me importo. – imitou a voz de , fazendo e rirem também.
- Há há há. Muito obrigada, .

- Preciso ir ao banheiro. - falou, indicando para que se levantasse.
- É, é melhor, tem alguma coisa no seu dente. - zombou, recebendo um dedo do meio como resposta.
- Também preciso. , nos acompanha? - se levantou juntamente com .
- Por quê? - ela olhou para as irmãs.
- Porque meninas sempre vão juntas ao banheiro. Isso que dá só ter amizade com esse garoto. - apontou para .
- Ai, tá bom. - se levantou e seguiu as mais velhas até o banheiro.
- E então, , o que está achando dessa família de loucas? - perguntou ao rapaz.
- Já está íntimo a esse ponto de chamar elas de loucas? Meu Deus. – o rapaz riu. - Mas, bem, elas não são de todo ruim.
- Acho que o problema é a intensidade de tudo. - comentou, rindo.
- Você está interessado em qual , ? A ?
- . - comentou, rapidamente, não dando chance para responder.
- Está tão na cara assim, ? - brincou. - Mas sim, é a irmã mais velha que é a pessoa mais difícil e intensa que já conheci. Essa mulher faz o que quiser de mim.
intercalou o olhar entre os dois.
- Então se você está interessado na , o está na ?
- Quê? - riu. - Não, a gente sobra aqui entre os casais. Sou apenas o melhor amigo da , que vem na bagagem. - ele brincou, olhando para .
- Ah, é mesmo? Vocês são amigos faz muito tempo?
- A vida toda, pelo menos não lembro algum momento em que não tenha sido.
- Está mesmo interessado na ? - questionou o vocalista. - Confesso que não vi vocês conversando no dia do show.
- Não vou negar que estou sorrindo mais ultimamente com a presença dela. Nunca senti algo parecido, então não posso classificar como um amor ainda... ou posso? Você que tem mais experiência com isso, o que acha, vendo de fora? Aliás, você também, .
- Não sou o mais experiente no quesito amor, porque me apaixonei duas vezes na vida, e saí de um relacionamento longo há pouco tempo, mas começa assim, cara.
- Eu nem sei o que é gostar de alguém, cara. - riu. - Não costumo ser o cara que se aproxima das mulheres e sai por aí. Sou careta, normalmente só saio com a e ficamos juntos, rindo dos outros. - confessou.
- Então estamos todos no mesmo barco... e presos a uma de algum jeito.
- Vamos sair mais vezes, , se o garotão aqui não tiver namorando ainda. - referiu-se a . - Podemos incluí-lo também. Vou te apresentar uns lugares legais para você desgrudar da .
- É, pode até rolar. - se animou.
- Eu topo fácil. - concordou. - Tenho mais dois meses aqui, a princípio, então temos tempo. Seria bom sair um pouco da loucura que é ficar com as três.
- Fim de semana está aí, vamos fazer algo. - se animou, seria bom se divertir um pouco.
chegou com as irmãs, logo se sentando.
- Fazer o quê? - perguntou, sentando-se também.
- Nada demais, meninas. - a respondeu rapidamente, trocando um olhar com os rapazes.
- Ah, sei... - arqueou a sobrancelha, sabendo que tinha algo ali.

- Bom, meninas, agradeço pelo convite para o almoço. Nos vemos em breve. - fez um leve movimento de cabeça - , vai querer carona?
- Não vai desviar muito da sua rota?
- Claro que não.
- ... - chamou, trocando um olhar rápido com . - Preciso te perguntar uma coisa. - ele puxou consigo, se afastando. - Podem ir entrando no carro. - ele comentou para e , que o encaravam, sem entender.
- Fala aí.
- Nada não, só queria dar um tempo pra . - riu, apontando para a amiga acompanhando até a moto.
- Nossa, nem tinha me tocado do seu plano, boa, . - riu.
- Acho que tô aprendendo com a . - ele comentou, lembrando-se dela saindo para deixar e sozinhos.
- A é a melhor nessas coisas mesmo, inclusive, tem me ajudado em muito com a . Mas não está fácil.
- Eu acho que ela vai ceder em algum momento. - ele deu de ombros.
- Estou contando com isso. Porque eu realmente gostei muito dela, acho que ainda gosto porque depois de todo esse tempo eu ficar insistindo desse jeito...
- Ela realmente deve ser inesquecível, hein? - o garoto zombou.
- É sim, sem dúvidas. - riu, sem graça.

foi até onde sua moto estava e o acompanhou.
- Obrigada pela aula e pelo almoço. Foi quase um encontro, né?
- Podemos dizer que sim. Sua família é bem animada.
- Obrigada? - ela riu, sem graça. - Bom, só te acompanhei para agradecer e pedir desculpas pelo interrogatório.
- Sem problemas. - ele segurou o capacete com uma das mãos. o beijou no rosto rapidamente. sorriu e se abaixou, segurando seu queixo e se aproximou levemente, depositando em seus lábios um breve beijo. - O que era para ter acontecido mais cedo. – disse ao se afastar lentamente e a encarar. - Obrigado por hoje, .

- Vai demorar, pirralho? - gritou de dentro do carro, olhando pelo retrovisor e conversando. Ele então percebeu que já havia entrado.
- Chata para caralho. - riu, comentando com .
- E eu não sei? Acho que eles já se despediram, o deve estar me esperando. Me passa seu celular para a gente combinar a saída. - digitou seu número para e se despediram.
- Valeu.
- , libera a criança que quero ir embora. - gritou novamente, buzinando, enquanto e riam.
- Todo seu, . - acenou, rindo.

- Pronto, pode sair voando com a sua pressa. - reclamou, entrando no carro ao lado de .
- Você fica de tititi com seu amigo novo, eu quero ir pra casa. - ela deu de ombros, saindo com o carro.
- E aliás, o que estava rolando na mesa quando fomos ao banheiro? - perguntou, curiosa.
- Estávamos conversando, ué. - ele respondeu, simplesmente.
- Mas o quê? - perguntou.
- Coisas de homens, não podemos?
- Você é uma criança, , nada de coisas de homens. - zombou, fazendo rolar os olhos e as irmãs rirem.
- É difícil escutar isso, você é um bebê. - zoou ainda mais, deixando-o vermelho.
- Vocês me irritam. Por que não pegam no pé da ? Temos a mesma idade. - reclamou, bufando.
- Elas pegam, mas é muito mais legal com você, sem dúvidas. - comentou. - Mesmo que não sejam 20 anos de diferença. - ela adicionou, reclamando também.
- Quem fica com as bochechas vermelhas e com vergonha? Você. - virou-se para trás, tentando apertar a bochecha dele.
- Vocês nem viram nada, tem que ver ele tentando ficar com alguém em uma festa. - riu, recebendo um dedo do meio do amigo, que já estava irritado.
- Grava da próxima vez, quero ver. - sorriu.
- Mas dá certo, pelo menos? Porque é legal me chamar de encalhada, mas com 18 eu não era, pelo menos.
- Acho que você tá muito interessada em saber, , você quer testar? - ele questionou, irritado.
- Hum... - soltou uma risadinha maliciosa. - E aí, ?
- Tô encalhada, mas nem tanto. Se você pensou nessa gracinha, quer dizer que você pensou nisso, pirralho? - ela parou no semáforo e virou para trás, o encarando. ficou vermelho e olhou para fora pela janela.
- Gente, ui! - estava adorando assistir aquilo. – Ele com certeza pensou, ficou sem graça! Eu shippo, e você, ?
- Não acho, nada a ver esses dois. - a mais nova deu de ombros, voltando a mexer no celular.
- , menos. Não dê esperanças pra criança. - riu. - E relaxa, , estou brincando com você. Não precisa ficar com vergonha, tá? - ela sorriu para ele, amigavelmente. Ele respondeu da mesma forma, agradecido.

- Ei, . - puxou a mulher quando eles entraram em casa, vendo e subindo as escadas em direção aos quartos.
- Oi. - ela riu, estranhando a atitude do garoto.
- Está tudo bem mesmo? Desculpa pela brincadeira. - ele falou, sincero. Suas bochechas tomaram um tom avermelhado novamente.
- Claro que está, ! Deixa de ser bobo. Não caia na pilha das meninas, elas querem só irritar. Somos amigos, não somos? - perguntou.
- Somos. - ele sorriu, sincero. - Mesmo que você tenha me jogado do píer, sem nem saber se eu sabia nadar. – brincou, lembrando-se de mais cedo.
- É claro que eu sabia, . - ele franziu o cenho, sem entender. - Você é melhor amigo da , realmente acha que eu e não sabemos tudo que é possível sobre você? Mesmo que a gente tenha se distanciado nos últimos anos pela mudança, ainda estivemos presentes. Sei mais do que você pensa. - ela se aproximou, beijando a bochecha do garoto. - Está tudo bem, não entre na pilha, ok? - ele assentiu e viu a mulher subir as escadas atrás das irmãs. Ficou parado ali, rindo de sua atitude incomum.






Continua...



Nota das autoras: Oi, gente! E aí? Não foi dessa vez para o nosso casal remember, rs. O que acharam da curiosidade das irmãs com o ? Gostaram dele sendo tão questionado? Hahahaha. No final compensou tudo, quando rolou um beijo, né? Nos contem o que acharam desse capítulo e o que esperam do próximo aqui na caixa de comentários.
Beijos e até a próxima att!

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