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Última atualização: 12/11/2020

Prólogo

Naquele final de tarde, as irmãs estavam reunidas para uma ocasião muito especial. A irmã mais nova, , finalmente havia se formado no High School. Fazia alguns meses que elas não se viam, e enquanto se maquiavam colocavam a conversa em dia.
- Meu Deus, me sinto uma velha nesse momento. - falou, olhando para , que se admirava no espelho.
- Meu Deus, para com isso. Se alguém tem que se sentir velha aqui, é a . – tirou sarro da irmã.
- Olha, eu só não te dou uns cascudos, pirralha, porque você se formou. - abraçou a mais nova de lado com um lindo sorriso.
- Obrigada por vocês terem vindo. Sério.
- Nós não poderíamos não estar aqui, .
- E você já decidiu o que fará daqui para frente? - questionou.
- Talvez não seja o melhor momento para perguntar isso, . - rebateu.
- Eu procurei não pensar muito nisso. - disse enquanto passava o batom.
- Você ainda tem aquela vontade que tinha de ir para Austrália? - perguntou para mais nova, lembrando que a ouvira falar disso algumas vezes enquanto ela própria tomara essa decisão alguns anos atrás.
- Sim. Austrália é um ótimo lugar. Por quê?
- Eu acho que se você tem essa vontade, posso te ajudar, não acha? Você poderia passar as férias lá comigo, e ver se algo realmente te agrada, se cabe nos seus planos. Vai ser bom ter você por perto.
parou o que estava fazendo e se voltou para as irmãs em dúvida. Poderia sim ser uma oportunidade. Novos ares, novas comidas, e seu velho sonho...
- Pode ser. Mas e você, , o que acha?
- , você bem que parece precisar de umas férias também. - riu e deu de ombros ao ver a careta da mais velha.
- Estou cheia de trabalho na Irlanda, e não estou com tempo para férias, mas quem sabe, não é? Vai ser maravilhoso ter vocês duas lá, mais uma motivação para conhecer a Austrália.
- Posso levar esse convite a sério, então? Posso contar com a ideia de que vocês vão pensar em ficar um pouco comigo por lá? Vai ser legal. – completou a ideia, animada.
- Se depender de mim, sim, mas ainda tenho que informar isso aos nossos pais. Não sei bem como vou fazer isso, mas acredito que eles vão liberar, tendo em mente que vou justamente para ver o que quero da vida. - passou a mão no cabelo, dando uma bagunçada de leve.
- Prometo que pensarei com carinho. Mas com certeza nossos pais não causarão nenhum empecilho, . Vai sim, apoio essa experiência para você. – ajeitou os cabelos, lembrando-se de seu intercâmbio no Peru, havia o feito com a mesma idade de .
- E o que nossos pais teriam contra? Você vai estar com sua irmã super responsável. - ela deu de ombros, rindo. - As duas, se parar de frescura e arrumar um jeito de ir também. Essa áurea dela precisa de um bom sol australiano para animar.
- Responsável? Isso é uma piada, né? - zombou de . - E não, estou bem. Você sabe que eu não sou muito fã de sol.
- Pois eu, meu bem, vou aceitar de bom grado esse sol australiano. Quero finalmente ter marquinha de biquini. – riu enquanto se sentava na cama e observava as irmãs.
Era realmente bom tê-las ali, com ela. Claro que conversavam via Skype, mas não era a mesma coisa que uma conversa pessoalmente. Pegou seu celular e resolveu tirar uma foto, postando no Instagram em seguida. Instantaneamente uma mensagem de , seu melhor amigo, subiu na tela, perguntando se ela demoraria a chegar. Ela respondeu com um simples “não”, pensando que talvez fosse gostar da ideia de ir passar um tempo com elas, já que ele também sonhara com a amiga em estudar e morar na Austrália desde pequenos.
- , posso ver com o se ele quer ir? Por favorzinho? - ela olhou com cara de pidona para irmã.
- Você não quer um tempo longe dele, não? - perguntou, torcendo o nariz.
- Deus que me livre. Somos inseparáveis.
- Que grude, meu Deus, desde quando usavam fraldas, eca. - lembrou-se de que os dois eram amigos desde pequenininhos e ela cansou de cuidar deles quando seus pais saíam.
- Você tem certeza de que não tem algo mais aí, ? - zombou, recebendo uma almofadada.
- Eca, que nojo. Seria como beijar uma de vocês. Não sei por que você tem tanta implicância com ele, nossa senhora. - apenas mostrou a língua para irmã mais nova em resposta. – Mas, gente, e a vida amorosa de vocês? Sei que o dia é dedicado exclusivamente a mim, mas quero saber. Andam transando muito? - deu um sorrisinho em direção às irmãs.
- O restaurante não me dá muito tempo para isso. - falou, sincera. - Com certeza a tem uma vida muito mais animada.
- Eu? Estou muito bem, obrigada. Estou 100% focada no meu trabalho, as vezes dou umas escapadas, claro, porque não sou de ferro, mas estou bem sozinha. - deu de ombros.
- Ninguém é feliz sozinho. As pessoas só tentam se enganar que sim.
- Acho que você fala demais disso para quem tem 18 anos. Já teve quantas experiências amorosas para falar com tanta propriedade, pirralha? - falou, e concordou com a cabeça.
- Minha vida amorosa vai muito bem, obrigada, mas não é como se eu quisesse namorar de verdade com alguém no momento. Acho que ainda não é a hora. - a garota sorriu de forma tranquila.
- Já acabaram aí? - elas ouviram a voz da mãe no andar de baixo. - Está na hora de irmos. , está esperando lá fora com os pais.
- Ótimo! Vem, gente! Vamos tirar fotos e postar no Insta! - a garota levantou da cama rapidamente, puxando as irmãs para que se levantassem também.
- Nem acredito. - falou para , apontando para mais nova, que corria escadas abaixo.



Capítulo Um

desligou o último fogo que estava aceso e tampou a panela dos petiscos que estava deixando preparado. Ela correu para o sofá e se jogou ali, ansiosa.
Ela morava sozinha na Austrália há quatro anos. Se mudara para ali com seus 21, depois de terminar um curso de gastronomia na Le Cordon Bleu do Canadá. Ela escolhera a Austrália por ser um lugar com uma ótima oportunidade para gastronomia, e escolhera Melbourne exatamente por isso. Ela trabalhou por um tempo como Sous Chef em um bom restaurante, e apenas completou suas economias para o que sempre quis. Em um ano, já tinha seu próprio restaurante.
Sua vida era seu trabalho. Ela amava o restaurante, gostava de administrar, gostava de cozinhar, tinha liberdade para fazer o que quisesse, quando quisesse. Ela não passava por cima de seus chefs responsáveis, mas gostava de responder para eles quando entrava na cozinha. Ela revezava entre a administração com as pessoas certas para isso, e a cozinha, onde também tinha as pessoas certas. As vezes ficava mais no serviço burocrático, as vezes se estressava no fogão, e era assim que gostava de viver. Ela saía pouco, não tinha muitos amigos, além dos que fizera no estabelecimento, mas nunca fora a melhor com relações.
A mulher pegou o celular que estava jogado embaixo de seu corpo e olhou o novo aplicativo no celular, encarando os voos salvos e abrindo cada um deles para ver onde estavam as irmãs. Elas tinham voos em horários semelhantes, mas era improvável que chegassem juntas.
Ela passara a manhã toda arrumando a casa. Ela limpara novamente todos os cômodos, e arrumou os quartos disponíveis. As casas todas dali onde morava eram enormes, e a sua não era diferente. Normalmente, ela tinha alguém para limpar, mas decidira fazer sozinha naquela semana para deixar tudo do seu jeito para receber as irmãs. Ela já tinha separado os quartos, e deixado tudo do jeito que sabia que gostavam. Com exceção do quarto que separara para , o amigo de , ela não sabia bem como poderia deixar algo ideal para alguém com quem tinha pouco contato. Só tivera experiências chatas de quando cuidava dele brincando com a irmã mais nova. Quase considerara colocar alguns carrinhos ou lama por ali, já que era a maior lembrança que tinha, de quando ela mesma já era adolescente e os dois ainda brincavam no quintal.
estava animada com aquelas férias. Ela já havia deixado organizado os lugares que elas poderiam ir, as faculdades que poderiam visitar com e , os lugares que gostaria de conhecer. Olhou o cronograma de tudo que indicava o maravilhoso verão da Austrália e se animou que poderia finalmente curtir o país como ainda não fizera, e na companhia das irmãs. Ela estava feliz que e não haviam conseguido vir em julho, como tinham combinado na formatura da menor, seria muito melhor agora, em seu verão. Ela sentia boas coisas naquela visita, que elas se divertiriam muito.
Ainda faltava uma hora para que o avião de pousasse em Melbourne, então ela aproveitou para ficar com os pés esticados para cima, descansando.

acabara descansando demais e ao acordar, notou o celular piscando em notificações. As irmãs já haviam enviado diversas mensagens e ligado diversas vezes, mas o costume do celular no mudo a traíra, como sempre. Ela levantou em um pulo e calçou os tênis, pegando as chaves do carro e a carteira em cima da bancada.
A mulher bateu a porta e desceu as escadas da entrada correndo. Distraída, trombou no portão fechado que a levaria para rua.
- Cuidado, vizinha! - riu, observando a mulher xingar enquanto batia o portão atrás de si e corria até o automóvel estacionado.
- Preciso mesmo tomar cuidado, principalmente com dormir demais. - ela resmungou e abriu a porta, se jogando dentro do carro e abrindo o vidro. - Vou buscar minhas irmãs no aeroporto, estou super atrasada por causa de um simples cochilo.
- Te conhecendo o pouco que conheço, duvido que tenha sido um simples cochilo, . - o homem a observou rir, e acenou enquanto ela se afastava a toda velocidade.

passou as mãos no rosto, enquanto mexia-se desconfortavelmente na poltrona daquele avião, sentar na poltrona do meio não tinha lá seus confortos. Colocou a cabeça no encosto e suspirou fundo, repensando tudo o que havia acontecido para estar naquela situação.
Haviam se passado seis meses da formatura de , e muita coisa aconteceu na vida de no ramo profissional, ela havia ido do céu ao inferno, literalmente, durante aquele período.
sempre foi analista de qualidade, teve seu serviço reconhecido no último ano e virou gestora de qualidade, mas com a junção com a área de RH, e o desfalque que a empresa recebeu de um dos sócios, houve o temido corte, sim, ela havia sido demitida com menos de um ano na função.
Foi difícil não se debulhar em lágrimas, afinal foram longos quatro anos trabalhando no mesmo lugar. Ela gostava de trabalhar lá, a empresa tinha um âmbito muito familiar, sentia-se acolhida. Suspirou fundo, parecia que tudo aquilo tinha sido um pesadelo, era difícil acreditar...
Aceitou o convite de quando lhe contou sobre o desligamento, a irmã sabia ser bem persuasiva quando queria, e agora estava a caminho de Melbourne. Era bom, pois ela conseguiria colocar a cabeça no lugar, e pensar com mais clareza sobre qual caminho deveria seguir a partir daquele momento.
Estava incerta, não sabia se voltaria ao Canadá para ficar mais perto dos pais, ou se tentaria outro emprego em Dublin, uma cidade muito maravilhosa, que virou seu lar. Ela gostava de morar lá, Dublin era acolhedora, ela tinha criado um afeto pelo local e pelas boas amizades que ele lhe trouxe.
Escutou o aviso que o avião pousaria finalmente em solo australiano, foram longas 18 horas de voo entre escalas, achou que nunca chegaria o momento que ouviria a informação. Apertou o cinto e sentiu aquela sensação estranha que era o avião pousando. Suas férias forçadas estavam começando, seria bom passar um tempinho com as irmãs, também estava a caminho, era provável que tivesse desembarcado antes dela, com seu fiel escudeiro .
O avião parou, ela esperou que a maioria das pessoas descessem e seguiu o caminho ainda meio incerta. Colocou os pés em solo australiano e sentiu o clima lhe tomar, a áurea daquela cidade era diferente, conseguia entender um pouco porque era tão apaixonada assim por aquele lugar...

- É por isso que eu disse para gente ter vindo na calada da noite. Você foi teimoso e não me ouviu! Quase perdemos nosso voo, ! - sacudiu o passaporte na frente do rosto do rapaz, que revirou os olhos automaticamente.
- Para de dramalhão, . Tínhamos que nos despedir de todos, não acha? Não sabemos quando vamos voltar, já são três meses a princípio.
- É, é. Tanto faz. - ele a ajudou a guardar suas coisas no bagageiro e eles se sentaram. A aeromoça fez as recomendações necessárias e logo o avião decolou.
Quando perguntou se queria ir para Austrália com ela depois da formatura e ficar com as irmãs e por um tempo, a resposta imediata foi não, mas depois a garota não levou muito tempo para convencê-lo, afinal, aquele também era o sonho dele. Estudar na Austrália sempre fora algo que eles quiseram, seria uma aventura estar lá com sua melhor amiga ao seu lado para compartilhar tudo como eles sempre sonharam, e ainda ter a facilidade do aceite dos pais da viagem, por estar com as irmãs mais velhas de .
Olhou para o lado e viu observando pela janela. Várias coisas passavam pela sua cabeça naquele momento. Queria uma mudança real em sua vida. Não queria ser mais aquele garoto tímido e medroso do ensino médio, que ainda nem mesmo tinha certeza do que cursar. Tinha uma paixão, mas não tinha certeza de que era naquilo que deveria seguir.
- Vamos fazer um trato? - ele falou, e Cherrie o encarou.
- Ãhn? Que tipo de trato? - ela se virou no assento até estar completamente voltada para ele.
- Que na Austrália seremos totalmente diferentes daquilo que éramos no Canadá. Que se quisermos fazer uma coisa, não pensaremos duas vezes. Se libertar, sabe? Fazer escolhas, mas sem pensar nas consequências naquele momento. Sejam elas para algo pessoal, ou sobre nosso futuro profissional.
- O que mais? ‘Tô gostando. - se aproximou mais dele.
- Que não nos esqueçamos que independentemente do que seguir a nossa nova vida lá nesses meses, temos um ao outro para tudo, se algo der merda. Sempre.
- Para sempre. - ela se ajeitou no assento, abraçou o braço dele e encostou a cabeça em seu ombro. - Estou ansiosa para ver esse novo , mas por favor, não se esqueça de mim quando estiver com uma namoradinha, viu? Você sabe, eu tenho ciúmes. - eles se olharam e caíram na risada, recebendo olhares de reprovação dos outros passageiros. - E uma coisa que preciso te alertar antes de chegarmos lá e você não ficar todo vermelho como sempre com qualquer comentário: minhas irmãs pensam que temos um tipo de relacionamento estranho. Tipo uma amizade colorida, sabe?
- Meu Deus, mas por quê?
- Vai entender. - ela deu de ombros. - Mas imagina só nós dois nos beijando? Eca, eca.
- Pois é, eca. – ele mostrou a língua e riu. - Já te perguntei isso, mas o que elas acham de eu ir para lá também? Não vou atrapalhar, não é?
- Se eu te amo, elas também te amam. Não esquenta com isso, tá? Só aproveita o verão.

Já fazia 20 minutos que o avião havia pousado. Mas ele ficou taxiando na pista até finalmente parar, e então e puderam enfim sair. Eles já podiam sentir os ares diferentes do que estavam habituados, acabavam de sair de um início de inverno, para o início do verão.
- Se eu pudesse, beijava esse chão. Amém, Austrália. Minha bunda estava ficando quadrada naquele avião. - ela riu para o amigo. Ela havia o feito carregar toda a sua bagagem até a parte central do aeroporto, onde combinaram de esperar por , em uma pequena cafeteria.
- E então? Já mandou mensagem para ? - perguntou, após voltar com os pedidos de ambos.
- Já, assim que consegui conectar aqui, mas ela não visualiza. Vou mandar mensagem para dizendo que já chegamos.
- E eu vou ficar admirando essas pessoas australianas, me sentindo o próprio turista. - respondeu.

- Faz uma pose! Quero postar no Insta. - ela apontou o celular para o amigo enquanto ria. Já haviam tomado seus cafés e observavam as pessoas que passavam por ali. Tinha de tudo, sério.
- E o que você não quer postar no Insta, não é? Sério, inclusive, vou começar a pedir direitos autorais de tanta foto minha que tem. Acho que até mais do que no meu.
- Mas o meu feed fica mais atraente com você sendo meu modelo. Você não pode me negar isso, .
- Eu sei. - ele deu de ombros, convencido, fazendo pose para amiga. Sua timidez não se aplicava à , nunca. - Já está próximo do voo da chegar, né? Nada da ainda? - ele perguntou, encarando um senhor que andava quase se arrastando para fora do portão de desembarque ao longe, parecendo que tinha tirado o sono mais pesado de sua vida no voo.
- Nada. Mas espero realmente que ela não faça nós esperarmos mais ainda, depois que a chegar.
- Acho que primeiro, devemos esperar que esteja tudo bem, né? Ela não nos esqueceria aqui, esqueceria? - ele riu, torcendo para que a resposta fosse não. Se ela fosse um pouco como , não teria tanta certeza.
- Não, claro que não, mas devemos nos lembrar que ela é chef e às vezes as coisas fogem do controle dela. Não sei se ela está no restaurante ou não, mas se estiver, entenderia o atraso.

- , não é a lá? - apontou para a irmã da amiga que olhava para os lados, ainda distante da cafeteria.
- É ela mesmo. - se levantou e gritou: – Ei, , aqui! - ela levantou os braços e acenou freneticamente na direção da irmã. visualizou os dois, e caminhou em direção ao local da melhor forma que conseguiu, afinal, tinha uma mala pesada com ela.
- Olá, pirralhos! – entrou na cafeteria e abordou de forma calorosa os dois, chamando a atenção de algumas pessoas por ali. - Senti saudades!
puxou a irmã para um abraço.
- Também senti a sua. te mandou alguma mensagem?
- Não olhei o celular ainda, preciso conectar à rede. Cadê meu abraço, ? Limpei suas fraldas, sem vergonha.
- Outch, essa viagem começou bem, hein? - o garoto riu e se levantou, abraçando . - Esperando por mais comentários bons como esse. Na verdade, estava ansiosa para também ouvir o de , mas ela aparentemente nos esqueceu aqui, já estamos há uma hora esperando um sinal de vida dela.
- Ah, não, ela não pode ter esquecido, não é? Ela não seria capaz, eu vou quebrar a cara dela, conversamos antes que eu embarcasse. – se sentou, puxando o copo da irmã e bebericando.
- Bom, nunca se sabe, né. - deu de ombros. - Só sei que estou cansado dessa cafeteria. A gente podia sair daqui, né?
- Eu estou com fome, preciso comer alguma coisinha, vou pedir. - se levantou.
- Pede e saímos daqui. Se a fizer o favor de carregar pelo menos uma mochila dela, consigo te ajudar com a sua mala. - ele riu, mostrando a língua para melhor amiga.
- Pensei que você era um lorde, . Me senti traída agora. – ela fez careta.
- Tento ser um lorde, mas ainda não sou um polvo. - riu, concordando com o garoto enquanto pegava a carteira.
A mulher caminhou em direção ao balcão, pegou um lanche pronto e um suco. Foi até a mesa dos amigos e pegou suas coisas para caminharem para a saída do lugar.
- Vou tentar ligar mais uma vez para ela. – equilibrou a comida com o suco e digitou desajeitadamente enquanto caminhavam no aeroporto.
- Alguma novidade? - perguntou, se sentando no chão próximo a uma janela e vendo as mulheres o encararem.
- , você realmente quer que a gente sente no meio do aeroporto? No chão? - perguntou, vendo concordar. - Vou esganar a quando ela aparecer, puta merda!
- Eu julgaria o se eu não estivesse tão cansada assim, vou acabar me sentando também. 18 horas de voo entre escalas, estou morta. – se rendeu, sentando-se ao lado do rapaz, e voltando a comer seu lanche.

dirigia o mais rápido que a rodovia a permitia. Ela tentava não olhar o celular e apenas imaginava os piores xingamentos que poderia ouvir das irmãs quando chegasse ao aeroporto.
Pensando que talvez, apenas talvez, elas pudessem estar preocupadas, ela desbloqueou a tela, tentando não perder a atenção na via em sua frente. Com apenas uma mão, buscou o contato de em seus favoritos e discou.

- Eu te mato agora ou depois? O que aconteceu? Cadê você?
- Eu juro que em 20 minutos estou aí. E já adianto minhas desculpas, deixem para me matar depois, minha consciência já está fazendo o trabalho a princípio.
- Ok, só desliga esse celular logo, aposto que está dirigindo e eu não quero ser a causadora de um acidente. Beijo.
- Chata como sempre. Me esperem do lado de fora, por favor. Logo estou aí. Nem sei onde pegar vocês, mas procurem um lugar que eu possa parar. Beijo.


desligou o telefone e bufou, sentindo-se culpada pelo atraso. Quase três horas nem eram tanta coisa assim, mas sabia que as irmãs estavam ansiosas e acabariam por ter sido as três horas mais longas de suas vidas, com certeza.

- E aí? O que ela disse? - perguntou.
- Pediu desculpas, e disse que em 20 minutos está aqui. Vamos para saída, como não conhecemos o lugar, é bom procurarmos um bom ponto de referência que ela possa nos encontrar e estacionar.
- É, é melhor. – se levantou, pegou sua mochila e o resto das malas e seguiu as outras da forma que pôde, se equilibrando e tentando ser o lorde que brincaram sobre.

Eles caminharam por um tempo, e ajudaram no fim das contas e chegaram até o lado de fora, onde ficaram próximos a uma placa enorme e amarela. Largaram as coisas ali por um momento.
- E então, , como foi sua partida de Dublin?
- Péssima, eu estou sem chão, sem rumo, não sei o que fazer. – suspirou, chateada.
- Tudo se ajeita no fim, , não se preocupa. Essa viagem vai servir para você pensar em algo.
- Oi, esses três mendigos viajantes procuram abrigo? Que expressão mais triste que vocês estão aí. - encostou o carro próximo a eles e abriu o vidro, encarando-os.
- Ridícula, vai ser no deboche mesmo? - sorriu, um pouco brava.
fez uma careta. Chamar atenção deveria ser de família. ouvia música extremamente alta, o que obviamente chamou a atenção das pessoas ao redor, enquanto ela gritava mais alto ainda para que os ouvissem.
- E aí, maluca? Claro que seria triste, mas as desculpas você nos pede depois. Agora vamos logo porque eu estou começando a feder. - resmungou.
- Isso mesmo, entrem logo e me deem a bronca no caminho. Não posso ficar muito tempo estacionada aqui. - ela falou, destravando o porta-malas e olhando para os lados.
- Abre o porta-malas para mim, por favor? - pediu.
- Já tá aberto, pirralho.
- Obrigado. - o rapaz resmungou e se dirigiu até a traseira, colocando ali as bagagens. Algumas coisas teriam que ser levadas no colo deles, já que o espaço não era dos maiores.

- Já é uma boa hora para eu pedir desculpas? - sorriu amarelo depois que todos entraram e ela já tinha conseguido sair da confusão que eram as vias de dentro e em torno do aeroporto. Ela fitou a todos passageiros pelo retrovisor central.
- Sempre. Desembucha. - tentou empurrar um pouco do peso que estava em suas pernas para o meio e para o lado de , já que havia se livrado, se sentando na frente.
- Eu dormi. - soltou, tentando não rir e acreditar que aquela sua verdade realmente seria uma boa desculpa para as irmãs.
- Isso não me choca em nada, sempre dormiu demais. - deu um tapinha na perna da irmã, negando com a cabeça.
- Em minha defesa, eu passei a manhã toda arrumando a casa, e cozinhando para ter o que vocês comerem quando chegassem. Acabei pegando no sono, desculpem. - ela riu, tentando aliviar.
- Eu perdoo, tem comida envolvida. - deu de ombros e rolou os olhos.
- Você é muito fácil, , cadê sua dignidade? - se virou, o encarando.
- Ele nunca teve, principalmente com comida. Oferece comida para você ver se ele não se rende. - falou.
- Quando vocês comerem, todos vão perder a dignidade. - riu, se gabando. - Mas e aí, como foram os voos?
- Dormi o voo todo e o me serviu de travesseiro.
- Sim, até babou no meu ombro.
- Eu não babo.
- E como você vai saber? Você ‘tava dormindo. – ele encarou a garota. - Sorte teve a que não teve um chato que nem o durante a viagem.
e riram da discussão dos mais novos, e observaram enquanto eles estendiam o assunto por alguns bons minutos.

estacionou o carro na porta de casa e ouviu todos suspirarem, aliviados. Com certeza estavam aliviados de finalmente terem a oportunidade de um descanso decente.
- Lar, doce lar. Sejam bem-vindos. - falou, tirando a chave do contato e abrindo a porta para descer.
- Ei, vizinha! Deu tudo certo? Não atropelou ninguém além do seu portão?
- Ah, meu Deus. - ficou pálida quando percebeu o rapaz que conversava com sua irmã. Abaixou a cabeça, tentando olhar para outro lado. estranhou.
- Meu Deus, se eu soubesse que você tinha um gato desse de vizinho eu teria vindo há bastante tempo, . Deus abençoe a Austrália. Por que você nunca me disse?
O rapaz abriu um sorriso sem graça ao ouvi-la, e rolou os olhos, rindo com a fala descarada da amiga.
- Fica com vergonha não, coração. Beleza tem que ser apreciada. - foi até a traseira do carro ajudar a levar as bagagens até a casa. - Ei, , tá tudo bem? - ela arqueou uma das sobrancelhas, estranhando o estado da irmã.
- Está... - colocou as mãos para esconder o rosto, ajudando também. - Por que não estaria?
- Sei lá, você tá toda estranha.
- Garota, você. - frisou. - É estranha. Deixa a em paz. – lhe mostrou o dedo do meio.
O vizinho conversava com , quando reparou de verdade em uma das irmãs e escancarou a boca. Ele conhecia aquele corpo, ele apertou os olhos, e sem dúvida alguma reconheceu. Mas aquilo era coincidência demais...
- ? - a mulher derrubou uma das malas no chão, estabanada. Ele tinha mesmo a reconhecido. Ela se virou, entrando na casa correndo, antes das irmãs.
- Você conhece minha irmã? – ouviu dizer ao longe e sentiu que o homem encarava a porta por onde ela passara, mas não ouviu sua resposta.
Ao entrarem na casa e acomodarem as bagagens no canto, se jogou em um dos sofás, sendo acompanhado por , que fez o mesmo no outro. A casa era até que espaçosa para uma solteirona, a mais nova pensou. só queria comer, mas esperaria que a dona da casa os autorizasse a fazer.
- , o que foi isso? – entrou na casa, rindo, mas não encontrou a mais velha, que já tinha ido dar uma volta na casa para fugir do assunto. – Bom, sejam bem-vindos. – ela parou na sala, onde a irmã e estavam jogados. – Vem, vou mostrar a casa e os quartos para vocês. Vocês podem tomar um banho, se quiserem, e então podemos comer.
- A melhor parte de todas. – comemorou, se levantando em um pulo e pegando algumas malas, seguindo pelo caminho que apontava, escadas acima.



Capítulo Dois

- Não vai ser todos os dias que isso vai acontecer, mas hoje vou ser boazinha. - passou no corredor onde ficavam os quartos, aos gritos. - Eu fiz o café da manhã, que na verdade já é um brunch, já que vocês demoram horrores para levantar. Próxima vez que eu me atrasar e vocês reclamarem, vou lembrar o quanto vocês dormem. - ela bateu em cada porta, ouvindo os gemidos de reclamações que todos faziam.
- Jet lag, , já ouviu falar? - ela ouviu jogar algo na porta, frustrada.
- Não me importo, estou esperando vocês lá embaixo. - ela começou a descer as escadas, mas logo voltou atrás. - E não me faça te acordar de uma forma pior, .
riu alto, não querendo desafiar a irmã.

- Ainda bem que não tive que buscar ninguém pela orelha, né? - a mulher estava parada em frente a bancada da cozinha, que já tinha diversas coisas para o brunch deles. Ela encarou todos ainda de pijamas, cabelos bagunçados e expressões sonolentas, e riu.
encarava a irmã. Era muito cedo para o timing da . Saiu do Canadá para fugir da mãe, mas pelo jeito as coisas não iam mudar muito na Austrália, com ali. Encarou ao seu lado e revirou os olhos. O cara parecia ter acordado há horas, embora ainda estivesse de pijama.
- Eu, definitivamente, posso me acostumar com isso. - ele falou pausadamente e riu, sentando-se na primeira banqueta que alcançara.
- Não pode não. Não sou boazinha assim, é só o primeiro dia. - a mulher andou até o garoto e deu um tapa de leve em sua cabeça. - E tenta não derrubar cabelo na minha comida. - riu da situação.
- Bom dia! - entrou no local, e se sentou, sonolenta. – Eu vou sofrer muito com esse fuso horário.
- Só os primeiros dias, logo você acostuma. Prometo que não vou continuar acordando vocês no susto, mas imagino que vocês queiram conhecer o restaurante, hoje é um bom dia. Podemos comer, dou uma volta para vocês verem o centro, e vamos para lá. Posso mostrar como são as coisas. - ela deu de ombros. A mulher estava feliz em poder finalmente mostrar seu lugar dos sonhos para as irmãs.
- Agradeço muito por isso. Estou louca para conhecer, você fala muito que o A&A é sua cara e só pelas fotos que eu vi, acho mesmo. - | sorriu, servindo-se de um pouco de leite.
- Nós vamos comer lá? - perguntou, fazendo as garotas rirem.
- Só vou se a me alimentar com uma de suas receitas. Estou com saudade. - riu enquanto encarava a irmã.
- Eu vou, prometo. Mas queria dizer que a noite a cozinha. Quero comer a comida dela, nem que seja miojo. Me lembra adolescência. - respondeu, encarando a irmã mais velha.
- Pois é só o que eu sei fazer mesmo, a chef da família é você. - deu de ombros.
- Que situação deplorável, sentir falta de miojo. – riu do que disse, mas logo parou. - Tenho certeza que a sabe fazer delícias também, já que viajou para vários lugares diferentes e experimentou coisas novas. Aliás, como era a comida do lugar onde você foi pela última vez? Conheceu alguém por lá? - balançou as sobrancelhas sugestivamente.
- , uma opção a menos no restaurante para você. - comentou, antes de responder. O garoto revirou os olhos.
teve um ataque de tosse, havia se engasgado com o a bebida que tomava. se levantou, tentando a fazer voltar a si.
- Eu vivo a base de comida congelada, . - comentou com um fio de voz, recuperada da crise de instantes atrás, mas ignorando a menção das viagens que já fez.
- Meu Deus, que vergonha. – se levantou. - Eu, por outro lado, sempre tive o . Eu era o ratinho de laboratório dele, que testava todas as comidas que ele fazia e, , acho que você está perdendo seu posto de melhor cozinheira na minha vida.
- Acho que a é muito fechada para contar da vida dela para gente, . - cutucou, brincando, antes de seguir o assunto. - Como assim, ? Você cozinha? - ela perguntou, encarando o amigo da irmã, que enrubesceu.
- está exagerando, como sempre. - ele respondeu, sem entrar em detalhes.
- Então temos o cozinheiro da noite. - sorriu, aliviada que os holofotes da conversa tinham mudado.
- O garoto veio para passar as férias e agora está sendo cotado cozinhar à noite. Boa sorte, a pode levar isso como competição. - deu uma cutucada de leve no ombro do amigo enquanto passava por ele.
- Sem pressão, só quero adicionar que agradar uma chefe é difícil. - comentou.
- Duvido, se é uma chefe que sente falta de miojo. - ele soltou sem pensar muito.
- Se você não tem boas lembranças relacionadas a qualquer comida, tem muito a aprender. - ela deu de ombros e encarou , que sustentou seu olhar. bufou, desviando os olhos para comida novamente, enquanto sorria, vitoriosa.
- Então, eu já terminei, estou pronta para conhecer Melbourne. - comentou, deixando o clima leve novamente.
- De pijama? - perguntou, apontando para roupa de . - Não sei, mas acho que o pessoal vai achar um pouco diferente. Sei que são turistas, mas né... É meio exagerado. Apesar que, acho que o vizinho vai gostar de ver suas pernas.
- Eu vou me trocar. – levantou-se num pulo, indo em direção ao quarto, ignorando a menção ao vizinho.
- Eu vou também. - seguiu a irmã.
- Vai, pirralho. Aproveita a deixa. - falou para , que revirou os olhos e subiu atrás de e .

- Vamos então? - perguntou, parada na porta com as chaves em mãos.
passou pela irmã, puxando consigo. Ao sair, deu de cara com o vizinho gostosão de , que vinha de uma caminhada e entrava em casa.
- Que bela bunda seu vizinho tem, . - ela riu, enquanto olhava do vizinho para . bateu na testa, desacreditado.
- Eu bem sei, ele é uma graça. Mas nunca tentei nada. - ela deu de ombros, vendo tropeçar no último degrau.
- Que bom... quero dizer... - embananou-se nas palavras. - Nem uma casquinha?
- Nem uma casquinha, . Se tiver interesse, posso falar com ele. - a mulher trancou a porta e desceu, passando por todos para abrir o carro. - Somos vizinhos há bastante tempo, acho que posso tentar apresentar vocês. Ele não vai ligar, é sozinho pelo que sempre conversamos. - falou, tentando envergonhar a irmã, sabendo que funcionaria.
- NÃO! - sentiu as bochechas esquentarem. - Não precisa, estou bem. - abriu um sorriso forçado.
- Se você diz... - riu.
- Se ela não quer, eu quero. - gritou da porta do carro.
- Cala a boca, não queria ouvir mais a história do vizinho, supostamente, gostoso de .
- Mas, ... Tirar a teia de aranha é bom, viu? Acredito que você precise mais que a . Se dê oportunidades nessa viagem, você nunca mais vai ver a pessoa de novo mesmo.
- Eu já fiz isso uma vez e acredite, eu não tenho tanta certeza disso. - comentou, enigmática. - Eu quero curtir, vamos logo para esse restaurante?
- Vamos. - falou, vendo que todos já estavam dentro do carro e de cinto. A mulher ligou o carro e acelerou, logo freando novamente, em frente à casa do vizinho, onde ele pegava a mangueira. - Ei, ! - ela abaixou o vidro, vendo-o encarar o carro com um sorriso de lado. Ele olhou para , tentando desviar os olhos de . - Se for jogar água no seu jardim, pode fazer o mesmo no meu? - ela fez bico, rindo, enquanto respirava fundo ao seu lado.
- Ei, . Olá, gente. – cumprimentou. mexeu-se no banco de forma desconfortável e respondeu ao cumprimento do homem com um aceno de cabeça. - Pode deixar, faço sim. Bom passeio a vocês! - acenou, tendo uma resposta positiva. O carro começou a se movimentar novamente.
acelerou, ainda rindo.
, e encaravam ao redor, tentando gravar cada rua que o carro virava. dirigiu por uma longa avenida durante um tempo, e em pouco tempo, eles estavam cercados por uma selva de pedra. Tinham prédios e mais prédios ao redor deles.
explicava brevemente sobre os lugares por onde passavam, comentando como conhecia cada um ali em volta, mas que logo chegariam ao centro e ali tudo era diferente. Melbourne era realmente uma cidade incrível, que todos ali ansiavam em guardar memórias.
- Essa é a Federation Square. - apontou para os prédios que ficavam em uma extensa praça em formato de “U”. - Com certeza vamos passar bastante por aqui. É onde ficam diversos dos pontos turísticos, como museus e prédios históricos. Temos que nos programar, para que vocês visitem tudo. É bem legal, mesmo. Não é só velharia, tem bastante coisa atualizada.
- Até porque de velharia, já bastam você e a aqui, não é? - brincou, rindo. - E até essa música de 2010 tocando no rádio.
o olhou enquanto tinha a boca aberta, raciocinando o que ele disse.
- E o respeito pelos mais velhos, cadê? Vou te despachar para o Canadá de volta, hein? - brincou, arrancando um olhar assustado do rapaz.
- E a vai de brinde, por trazer esse desaforado para cá. - riu, entrando na brincadeira. - “Não, vai ser legal...”, “É o , vocês já o conhecem, sabem que ele é legal”. - a irmã do meio falou, fazendo aspas com a mão livre.
- Há, há, há - a garota revirou os olhos do banco de trás.
- Posso voltar para o tour, ou as crianças tem mais algum comentário engraçadinho? - perguntou, encarando pelo retrovisor central. Ele apenas balançou a mão, como se desse permissão, o que fez as mais velhas revirarem os olhos.

- O restaurante não fica muito distante daqui. - comentou, estacionando o carro próximo a um centro que parecia abrigar diversos restaurantes e bares interessantes. - Vamos andando. - ela desligou o motor, tirando a chave. - Depois, na volta, passo pela praia com vocês.
- Era para eu ter trazido meu biquíni. - a mais nova lamentou.
- Só vou passar pela praia, . - riu. - Não vamos ficar por lá. Acho que temos que ir mais cedo para vocês aproveitarem.
- Concordo, o sol de antes das 10 é o mais saudável, então se preparem para levantar cedinho amanhã. - comentou, arrancando caretas de todos. - Qual é, gente?
- Não pode ser quando o Jet Lag for embora? - reclamou.
- Não. - abriu um sorrisinho fechado, fazendo e revirarem os olhos.
- Vamos logo, discutimos depois. - riu, colocando a mão nos ombros de e a puxando junto a ela no caminho.

Os quatro passaram por algumas poucas ruas, observando todos os detalhes a que podiam se apegar.
Após poucos minutos, se depararam com o logo tão divulgado por do A&A. sorriu animada, vendo a expressão dos visitantes. Ela encarou a porta de madeira e colocou sua mão no puxador, empurrando-a. sorriu para o restaurante, sempre com os olhos sonhadores da primeira vez que o vira pronto, da forma como tanto queria.
O restaurante tinha um estilo um pouco antigo, todo trabalhado em madeira, mas ainda sem perder a personalidade moderna. Diversas mesas estavam espalhadas na primeira sala de entrada, assim como do outro lado da parede que dividia o lugar.
Ao fundo, era possível ver o bar. Afinal, um bar era tudo que não poderia faltar ali, de acordo com o próprio lugar. Ela viu seus funcionários a encararem, com sorrisos nos rostos. Viu um dos bartenders acenar enquanto preparava um drink para uma mulher, que parecia estar ali pela primeira vez, já que admirava as prateleiras de bebidas que ficavam ainda mais chamativas com a iluminação acima de suas cabeças, apesar de ter também a iluminação natural do dia.
e olhavam tudo deslumbrados. pelo orgulho imenso que sentia da irmã e por aquilo assemelhar-se muito com o que ele idealizava se um dia fosse ter um restaurante seu. Apesar de não ter muita intimidade com , não podia negar que tudo era de bom gosto e ela era uma chef excelente. Já chegou a ler alguns artigos dela na internet e a forma com que ela descrevia tudo o que fazia, demonstrava o quanto amava aquilo que fazia.
sentia um orgulho tão grande da irmã mais nova, estava muito feliz por ela estar vivendo aquilo que sempre sonhou, tudo era muito a cara dela, desde a decoração até as luzes, posições das janelas. O cheiro da comida também estava irresistível, e estava a deixando com fome novamente.
- Vou mostrar tudo para vocês, vem, vamos até a cozinha. - falou, animando-se ainda mais. Ela viu os olhos de seus visitantes, parecendo tentar acompanhar tudo que tinha ali. - Reunião rápida aqui na cozinha. - ela comentava baixo, pedindo para quem conseguisse segui-la.
abriu a porta da cozinha, sempre cumprimentando todos que passavam por eles, os chamando, aproveitando que o lugar ainda não estava tão cheio.
- , não sabíamos que viria. - Luke sorriu, aproximando-se da chefe com um abraço.
- As melhores visitas são as surpresas, certo? - ela riu, vendo o homem concordar. - Obrigada a todos que me acompanharam. - ela agradeceu, olhando para as, aproximadamente, quinze pessoas que tinham ali. Mais funcionários chegavam para noite, quando era bem mais movimentado.
- Imagina só se o cara tivesse fazendo coisa errada. – cochichou para que só ouvisse e ambos riram.
- Como sabem, eu estarei um pouco mais afastada nesses próximos dois meses. Já conversamos, e já está tudo certo, mas fiz questão de vir apresentar meu motivo para vocês. - a mulher riu, vendo os funcionários a acompanharem. - Sei que Luke fará um ótimo trabalho aqui, sendo sempre meu braço direito. - ela piscou para o homem, que sorriu, orgulhoso. - Essas são minhas irmãs , e . - ela apontou para as mulheres. - E esse é . - ela se virou para eles. - E apresento para vocês, minha família de Melbourne. - ela direcionou os braços para todos que estavam ali.
- É um prazer conhecer as pessoas incríveis que trabalham para a . - sorriu, cumprimentando a todos.
- Oi, prazer. - os cumprimentou brevemente.
- Vou deixar vocês trabalharem, só queria apresentá-los. - comentou. - Vou sentar com eles na mesa 03.
- A de sempre. - Jane, uma das garçonetes, riu. - Vou atendê-los. - concordou com a cabeça, rindo.
- , posso falar com você um minuto? - Luke falou, e a mulher assentiu.
- Jane, pode acompanhá-los até a mesa, por favor? - a mulher concordou, passando pela porta e esperando para seguir com eles até a frente do restaurante, onde a dona gostava de sentar.

- Se eu falar que estou orgulhosa dela, serei muito babona? - sentou-se à mesa junto com os outros dois.
- Claro que não, pois eu me sinto da mesma forma. O lugar é sensacional. Eu detesto fotos de pratos postados em rede social, mas esse eu faço questão de postar. - mexia nos enfeites da mesa enquanto olhava ao redor. -Você e o Instagram é um caso de amor mesmo. - revirou os olhos.
- Desculpa, gente. - chegou, sentando-se ao lado de . - E aí? O que acharam?
- Maravilhoso, estou muito feliz por você. Um abraço? - fez um biquinho fofo.
- Até dois. - riu, abraçando a irmã.
- É muito legal, . Dá até vontade de realmente seguir nessa profissão. Pena que não é nada fácil ter um lugar assim. - riu.
- Não é mesmo. Mas vale o esforço. - ela respondeu.
prestava atenção na conversa.
- , conta um pouquinho para o como foi sua trajetória aqui na Austrália, vai que inspira. - sorriu.
- Não é uma má ideia. - sorriu. - Se você quiser, posso te ajudar a ver se é o que você quer. Se é uma opção que você realmente considera, posso te ajudar a decidir. Eu não me formei aqui, mas tem vários cursos legais que conheci, e conheço bastante gente também. Confesso que foi difícil abrir o meu, passei por bastante coisa em um ano, batalhando, mas valeu cada centavo do que investi.
- Acho que uma ajuda vai bem. - ele sorriu, concordando. - E sua equipe? É tranquilo? Tipo, deixar o restaurante aqui e tirar “férias”?
- O coração aperta, mas sempre estou de olho. E Luke no comando me deixa mais tranquila, ele está aqui desde o início comigo, então conhece tudo tanto quanto eu.
- Você e esse Luke já... - fez uma cara maliciosa, arrancando risadinhas de .
- Ah... Com certeza. - riu. - Nunca assumimos nada sério, mas o restaurante tem história.
- Finalmente! - gargalhou, lançando um olhar malicioso para irmã, enquanto revirava os olhos da conversa. - Se acostuma, , viver com três mulheres vai ser isso o tempo todo.
- Prometemos não te enlouquecer, tá? Talvez um pouquinho, mas você é forte, e um lorde. - piscou ao rapaz. - O que nos indica a pedir, ? Confesso que estou faminta com esse cheiro de comida.
- Os lanches são ótimos. Vou pedir os cardápios. - a mulher acenou para Jane, que prontamente se aproximou.

- Fico feliz que vocês tenham gostado. - comentou, abrindo a porta do carro.
- Ainda estou passando mal de tanto que comi. - falou, fazendo expressão de nojo. - Meu estômago vai explodir, .
- Estou do mesmo jeito, caminhar pela praia será ótimo, porque minha vontade é de dormir a tarde inteira.
- Eu não sei se aguento caminhar. - reclamou, largado no banco, tentando colocar o cinto.
- Vocês são muito moles. - riu, dando partida no carro.

seguiu pelo tour básico que dava a eles, comentando sobre alguns lugares enquanto passeavam com o carro pelas ruas. O dia já estava começando a ir embora, e o céu ficava cada vez mais bonito.
Quando chegaram à avenida que beirava a praia, todos encararam a junção do céu com o mar, contrastando com a areia fina e branca. Um sorriso tomou conta de cada um dos rostos, sentindo a brisa do lugar.
- Vamos dar uma caminhada então? - perguntou, dando seta para estacionar.
- Com certeza. - falou, animada.
Desceram do carro e começaram a caminhar pela areia que além de branquinha era macia. ia apresentando as casinhas coloridas que eram o charme dali.
- Olha! Aquela ali. - ela apontou para um dos locais próximos aonde estavam. - É a loja de artigos para surf do . Sempre fico próxima daqui quando venho.
- , o vizinho gostoso? - perguntou. - Gostoso e surfista, como você não fez nada, ? - a menor rolou os olhos.
- Estou ficando cansada, podemos ir embora? - de repente a vontade de caminhar de havia sumido.
- Mas a gente acabou de chegar. - comentou. - E olha que quem estava morto era eu.
- O sol me desanimou muito, está muito quente, sabe? Não gosto de sol quente. - inventou uma desculpa qualquer.
- , nem tem sol direito. São cinco da tarde. - a encarou, parando de andar.
- Bom... É o Jet Lag, sabe? Podemos ir? - suplicou com o olhar.
- Tudo bem. - concordou, estranhando a irmã mais uma vez desde que eles haviam chegado.
- Estranho. - comentou para , que concordou veemente com a cabeça.

Já em casa, todos desceram do carro, ainda em silêncio. e conversavam algumas poucas palavras entre eles, mas o clima parecia estranho.
encarava a casa ao lado parecendo querer vomitar. e a observavam e trocavam olhares entre si.
- , precisamos de um papo de irmãs. Tudo bem? - falou para o amigo, enquanto e entravam na casa.
- Claro, mas depois você me conta, isso tá bizarro. - ele comentou, passando a frente delas e subindo rapidamente as escadas. - Vou tomar um banho, gente. - anunciou, já no segundo andar.
- , se você não for vomitar, com essa expressão que está, vamos lá. Abre seu coração. - sorriu, colocando a mão sobre o ombro da irmã e a direcionando para o sofá, como se ela não tivesse escolha.
- Que você conhece o vizinho, você já deixou claro, mas tá fugindo por quê? - falou, vendo a irmã mais velha rolar os olhos.
- Ok, se eu não contar a vocês eu vou sufocar... - suspirou fundo. - Lembra do meu intercambio para o Peru há uns bons anos atrás? - as irmãs assentiram. - Eu o conheci lá...
- CARALHO. - não se conteve. - E foi achar o cara aqui de novo NA AUSTRÁLIA? - riu, mandando a menor ficar quieta.
- Pois é, eu ainda estou sem acreditar na minha falta de sorte. Eu estava em uma vibe completamente diferente, e em uma festa com os intercambistas eu o vi, e a gente ficou, mas não foi uma ficada convencional, digamos que em menos de poucas horas que nos conhecemos eu já estava em sua cama.
- Uau. - riu, boquiaberta. - Essa é uma que eu não conheci.
- Mas eu já adorei, histórias do passado vindo à tona me fascinam. - riu, acompanhando a irmã.
- Por que fugir dele? - perguntou. - Sei que deve ter sido uma ficada e tanto, mas depois de tantos anos, tem motivo para fugir? O é bem bacana. - a mulher repensou, começando a rir ainda mais. - Agora entendi o motivo do desespero em saber se eu tinha ficado com ele. Nossa, graças a Deus que não fiquei. - ela adicionou.
- Ai só iria faltar eu a pegar o vizinho, poxa. – comentou com um sorrisinho safado.
- Bobas. – sorriu. - Nossa história não teve um ponto final, entende? Ele me lembra coisas que eu não estou pronta para reviver.
- Mas eu acho que você não vai ter opção. - falou, vendo concordar.
- São suas férias, aproveita para colocar os pingos nos I's.
- Eu não sei... É muito complicado, eu vim para cá para relaxar, para saber o que eu vou fazer da vida...
- Existem várias formas de relaxar... - sorriu balançando as sobrancelhas, fazendo todas rirem.
- Você não presta, mulher. - falou. - Acho que você tem mais experiência que nós duas, não é possível. - abaixou a cabeça, envergonhada.
- Sabe o que a gente precisa para espairecer? - falou. - Um show. Nós três sempre gostamos de um bom show. Vamos achar algum para ir?
- Sim! - se animou. - Eu posso procurar e falo para vocês.
- Nada de estranho, procure algo legal, . - advertiu.
- Pode deixar, bar de streap tease riscado da lista. - a mais nova sorriu animada, já com o celular na mão.

- Ei. – falou, vendo entrar na cozinha.
- Oi. Cadê a e a ? – o garoto perguntou, sentando-se próximo a bancada e observando enquanto pegava algo na geladeira. – Ei, eu não ia fazer a janta?
- As meninas estão mortas, elas foram dormir, achei que você também tinha feito isso.
- Não, não ‘tô com sono. Estava falando com a minha mãe um pouco.
- Pirralho da mamãe. – a mulher brincou, vendo revirar os olhos.
- Vai, deixa eu te ajudar pelo menos. – ele se levantou, andando até o armário e pegando uma tábua. – Posso cortar as coisas?
- Todo ajudante começa assim, é uma boa. Se você souber cortar, posso pensar em te ajudar a fazer o resto. – ela deu de ombros, entregando a ele alguns temperos e vegetais.
- Todo chef é chato assim mesmo? Achei que era um papel para televisão. – ele reclamou, mostrando a língua.
- Somos todos chatos, cabe a você decidir se quer ser chato também.
- Que bela impressão você está me dando para escolher meu futuro. – resmungou. – Como você escolheu que era o que você queria?
- Sendo sincera, ? Eu só sabia. – ela sorriu, amava falar sobre cozinha, era inevitável. – Eu acho que quem gosta disso, sempre sabe. Mas tem aquela voz na cabeça duvidando de si mesmo, e sempre pensando no que os outros vão achar, e em como pode ser difícil ser alguém nesse meio.
- Não acho que isso aconteça comigo.
- Você tem certeza? – ela pressionou.
- É que... – o garoto respirou fundo e soltou a faca. – Ai. – ele reclamou, levando o dedo até a boca. – Caralho, como eu fiz isso? Eu nem senti. – tinha lágrimas involuntárias nos olhos.
- Olha, você estava indo bem. – riu, pegando a batata cortada exatamente da forma como ela fazia. – Deixa eu ver. – ela pegou a mão do garoto e passou a mão levemente por cima do corte que sangrava. – Coloca na água corrente um pouco, vou pegar um band-aid.
- Não precisa. – ele reclamou, se sentindo um idiota.
- Não seja bobo, . Se cortar na cozinha é normal, mas não é por isso que não precisa colocar um band-aid. E já aviso que não vai fugir, ok? Vai continuar cozinhando com o band-aid. – ela se aproximou novamente, tocando o ombro do garoto para que se afastasse da pia e voltasse para onde estava sentado.
- Me sinto meio tonto, só isso. – pegou a mão do garoto e puxou uma gaze de sua malinha de produtos farmacêuticos e curativos, limpando o pouco sangue que escorria do fino corte. – Talvez isso não seja para mim mesmo.
- Por causa de um corte, ? – ela gargalhou, negando com a cabeça.
- Não né, . – ele riu discretamente. - Pelos pensamentos que me fizeram me cortar. Acho que realmente me importo com a opinião dos outros.
- Não deveria. – ela piscou e o garoto sorriu, assentindo. – Vou te mostrar que você pode fazer isso e surpreender a todos, okay? Minha meta das férias.
- Você até que não é tão chata assim, achei que seria pior. – ele brincou, debochando da mulher.
- Ah, então se prepare. Na próxima, eu mesma vou te cortar com essa faca. – ela fechou a maleta e o acertou com os pequenos pedaços de gaze suja que estavam ali. – Vai, volta a trabalhar, pirralho.



Capítulo Três

havia esquecido de trazer suas camisetas de rock para a Austrália, mas sabia que tinha um estoque delas consigo. Decidiu então ir pedir uma emprestada a ela para que pudessem ir ao show mais tarde naquele dia.
- ? - entrou no quarto sem bater e olhou para os lados em busca da irmã. A porta do banheiro estava fechada, então provavelmente ela estava no banho. Se sentou na cama e decidiu folhear uma revista que estava ao lado da cama, esperando até que ela saísse.
- , oi. - a mulher saiu do banho, enrolada em sua toalha. - O que está fazendo aqui?
- Olá, . Bom dia para você também. - ela deixou a revista de lado. - Tem alguma blusa para me emprestar para o show de hoje à noite?
- Tenho sim, estou chocada que você não trouxe as suas, elas são parte de você. - caminhou até a mala, que ainda não havia desfeito, e colocou em cima da cama algumas opções para que a irmã mais nova escolhesse.
- Pois é, também não acredito. No meio da correria eu meio que acabei deixando em casa. - deu de ombros. Se levantou para poder observar as opções e escolheu uma do Metallica. - Vou pegar essa para mim, tá? - ela andou pelo quarto, que não era muito diferente do seu parou de frente para a janela, olhando para lá enquanto conversava com .
- Pode pegar, vou usar a da AC/DC. – sorriu. - , fecha a cortina, por favor? Quero me trocar e alguém pode bisbilhotar. - arrepiou-se, pensando naquela possibilidade.
A mais nova ignorou a irmã por um momento e se debruçou na janela, forçando os olhos até ver o ponto onde queria enxergar.
- Meu Deus do céu, olha aquilo ali, ! - ela apontou desesperada para a calçada da casa ao lado, enquanto tinha a boca entreaberta.
- O que houve? Alguém morreu? - correu até a janela.
- A está conversando com seu homem na calçada! Tá querendo roubá-lo de você! - falava de modo sério, mas estava se divertindo com a situação toda.
- , , limites! – ralhou com ela, mas não tirava os olhos dos dois conversando e rindo, animados.
- Essa história de vocês é muito história de novela. - saiu da janela e se virou para , rindo da irmã. - E você ainda diz que não quer ver o homem.
- Eu já te disse, nossa pseudo relação não terminou muito bem... - suspirou, saindo da janela também e retirando a toalha do cabelo.
- Ai, olha, acho que isso se resolve com uma simples conversa. – deu de ombros pegando a camiseta em mãos. - Mas quem sou eu para dizer o que você deve ou não fazer?
- Chega de cuidar da vida alheia, pegou a camiseta, já pode sair. - colocou as mãos nas costas da irmã, a expulsando do quarto de forma delicada.
- Já estou saindo. Entendi o recado. – riu, saindo do quarto. - Obrigada pela blusa.

tinha um sorriso no rosto quando colocou a mão na maçaneta da porta. Ela riu e acenou uma última vez para antes de entrar na casa.
Quando passou pela porta, deu de frente com uma emburrada descendo as escadas com uma camiseta preta em uma mão, enquanto a livre estava em sua cintura.
- Ei, está tudo bem aí? - riu, encarando a irmã mais nova.
- O que você estava fazendo lá com o ?
- , eu acho que não devo satisfações do que estou conversando com o meu vizinho, não acha? - ela riu, ainda muito sorridente com a conversa anterior.
levantou o olhar minimamente do mini-game que jogava no sofá da sala, para olhar a cena que se desenrolava na porta.
- Bom, acho que a partir do momento que você está toda com toques e risinhos para o pseudo namorado de uma de suas irmãs, aí é problema sim. Você não acha?
- Pseudo namorado, ? - a mulher gargalhou. - Eu acho que nem a vê assim. Acho que você devia aproveitar seu tempo igual o ali. - ela apontou para o garoto que fingiu não prestar atenção. - Fazendo nada. Mas perder tempo vendo o que eu faço ou deixo de fazer é bem chato. - gostaria de rir, mas tentou levar a sério para que a irmã tivesse que lhe pedir desculpas depois.
- pode até não assumir, mas a forma que ela fica só de mencionarmos o , já não é prova o suficiente que ela já sentiu algo por ele? - ela olhou do amigo para a irmã. - Por que você tem tanta implicância com ele? Olha só para a cara dele, . O menino nunca fez nada para você.
- Eu acho que o nervoso de tem bem mais a ver com alguma merda que ela fez, do que algum grande sentimento. - repensou. - Mas ela quem sabe, não tenho nada com isso. E eu não tenho nada contra o , pelo menos, eu acho. Se ele se sentir incomodado pode falar comigo, mas deixe que ele fale por ele mesmo, não você por ele. Assim como está fazendo pela . - acenou para os dois e subiu as escadas, segurando a risada que ainda guardava.
- Precisava disso tudo, ? Sério? Às vezes eu não te entendo. – o garoto se levantou do sofá e foi até a amiga.
- Mas, , você não viu o que eu vi.
- Às vezes o que você viu pode não ser o que você acha.
- É, talvez você tenha razão. - deu de ombros.
Eles foram até o sofá se sentaram lá, olhando um para a cara do outro. Depois, começou a rir.
- Ai, , você é doida, mas eu te amo. – se abraçaram enquanto riam.

- , você está pronta? - perguntou após ouvi-la dizer “entra” quando bateu na porta de seu quarto.
- Estou sim, a não teve a coragem de vir me chamar? - a mulher riu, colocando o brinco com uma das mãos e pegando a bolsa com a outra.
- Aquilo foi uma briga bem idiota. - ele comentou, sentindo que ela não reclamaria de sua opinião.
- Foi mesmo. - deu de ombros, como se tivesse feito de propósito. - O vai com a gente. - ela piscou para o garoto e passou em sua frente, descendo as escadas com um sorriso no rosto. ficou parado, entendendo o que ela estava fazendo então. Ele sorriu e desceu as escadas também. - Vamos, pessoal? - falou já no andar de baixo, e todos em pouco tempo estavam ali.
foi a última a descer e percebeu emburrada, de braços cruzados. Ela conhecia a sua irmã muito bem, ela estava brava com algo, mas o que poderia ser? e estavam aparentemente normais.
- Pronto, já estou aqui, podemos ir? - se aproximou de e sussurrou. – O que houve?
- Nada, relaxa. - ela deu um sorriso para mostrar que estava tudo bem.
- , vai abrindo o carro. - entregou as chaves na mão da irmã mais velha. - Preciso fazer uma coisa. Ah, , se importa de ir na frente e me ajudar com o GPS? - ela viu o garoto rir e concordar, enquanto revirava os olhos. assentiu e caminhou junto com em direção a saída para a frente da casa.
- Vocês brigaram. – aquilo não foi uma pergunta. tinha percebido que o problema de era .
Antes que pudesse responder, avistou a irmã vindo com e ela revirou os olhos, era uma bela de uma intrometida, ela não estava pronta para conversar com .
olhou de um para outro sem entender o que estava acontecendo ali.
- , quero te apresentar a todos, agora para valer. - se aproximou com um sorriso no rosto, mas logo esse sumiu com o olhar de sobre si. - Esses são , e . Pessoal, convidei o para ir conosco, tudo bem? - ela andou até e pegou a chave do carro de sua mão. - , se importa de ir no meio, por favor? Você é mais baixa, me atrapalha menos. - a mulher então entrou no carro e esperou que todos se recuperassem e decidissem o que fazer, logo vendo também entrar ao seu lado no banco do passageiro.
- Oi, galera. – deu um aceno de cabeça a cada um, mas seus olhos não saíram de . Dessa vez, ela não escaparia dele. Já fazia uma semana que elas estavam na Austrália, e nenhum momento ele havia conseguido conversar com ela. sentindo o olhar dele sobre si, bufou, entrando no carro rapidamente. estava ferrada, aquilo teria troco.
entrou no carro, se sentou no meio e se aproximou da irmã, falando baixo para que só ela ouvisse:
- Pelo menos ser mais baixa te deu uma vantagem em me colocar aqui, . Desculpe por ter sido uma babaca mais cedo.
- Eu falei que nem sempre o que você vê, é exatamente o que é. - falou para amiga, rindo.
- Falou o senhor da razão. - revirou os olhos.
- Está tudo bem, . Eu pesei com você. - ouviu a porta de bater e ligou o carro. - Todos bem? Podemos ir?
- Sim. – respondeu junto com . tinha os olhos fixos na janela, sem qualquer vontade de encarar ninguém.

- Então, ... - começou, ainda olhando para o GPS e indicando a direção com as mãos para , que não costumava ir para a área em que seria o show. Eles estavam no caminho há cinco silenciosos minutos. - Fala sobre você, queremos te conhecer. - riu, vendo que o garoto estava entrando no que ela havia começado. não era assim tão ruim, estivera percebendo naquela semana o motivo de e ele se darem tão bem.
- Bom, tenho 28 anos, sou formado em administração de empresas, nasci aqui mesmo em Melbourne, sou dono de uma loja de artigos de surf, inclusive, estão todos convidados a conhecerem, e se não souberem surfar, ensino a vocês. - sorriu.
- Já tentei, não recomendo. - falou e riu de si mesma.
- Se você for o professor, eu topo. - a mais nova encarou o homem ao seu lado. Adorava provocar a irmã. Olhou para , para ver se ela esboçava qualquer reação.
- A desiste muito fácil, tentamos uma única vez, poxa. – brincou. – Claro, serei eu mesmo, ensinarei com o maior prazer. - deu uma piscadinha a . negou com a cabeça.
- Não pisca para mim assim não, , eu morro. – riu. Ela adorava tirar uma com todo mundo.
- , menos. - riu, encarando a amiga. Todos observavam a reação de que fingia não mostrar interesse na conversa, mas com certeza estava odiando cada segundo, principalmente os comentários da mais nova.
sabia que estava se metendo em algo que não devia, e levando os outros com ela, mas havia confidenciado à amiga, ele queria conversar com sua irmã mais velha. Não a contara nada, mas dissera que tinha interesse em conversarem e ela o estava ignorando, mesmo passando por ele nas saídas de casa.
- , fala com a gente. - implorou, tentando soar séria.
- falava muito mais há alguns anos. – respondeu.
- Vocês se conhecem? - perguntou, indignado, olhando de um para o outro e finalmente começando a entender as coisas.
olhou para , fazendo um sinal com a mão para que ele ficasse quieto enquanto prestava atenção na cena ao lado. Ela olhava de um para outro em expectativa.
- Sim, fizemos intercâmbio juntos na América do Sul, especificamente no Peru, pensei que ela tivesse contado para vocês. - sentiu o rosto esquentar, e aquilo não era timidez, estava com muita raiva.
- Eu não sabia não. - respondeu, virando seu corpo para ver atrás de seu banco. - Que legal, , não sabia que você tinha ido para o Peru.
- Sim, faz muito tempo, nem lembro muito das coisas daquele tempo. – o encarou com um sorrisinho forçado. abriu um sorriso de lado, então as coisas seriam assim... Estava pronto para aquilo também, era um jogo para duas pessoas.
- Ah, mas o parece lembrar. Você nunca falou muito, . Conta para gente, ! - soltou, pensando que, já que seria odiada mesmo, faria o trabalho por inteiro.
- É, conta para a gente, ! - tentou pular no banco, animada, mas o cinto de segurança impossibilitou.
- Foram dois meses de muita loucura, mas foi uma experiência incrível. Praticamos o espanhol, conhecemos pessoas muito diferentes, a cultura também, fora o fuso-horário que é só 24 horas de diferença. - riu, lembrando-se. - Recomendo essa experiência. Quero voltar um dia para lá, mas tenho vontade de ir ao Brasil.
- O legal de intercâmbio é que sempre tem várias pessoas, várias línguas, né? - comentou.
- Muitas línguas, , inclusive voltei de lá com sotaque inglês canadense. - respirou fundo, estava tentando manter a calma, mas não estava tendo êxito.
- E então, , está muito longe? Está demorando muito. - finalizou a conversa.
- Eu acho que já era para termos chegado. - comentou, tentando não rir do corte da irmã. - , você tem certeza do caminho que está passando? Eu acho que era na rua de trás, agora vamos ter que dar uma super volta.
- Se você achava que era lá, não entrou por quê? - ele perguntou, sem entender.
- Você está com o GPS, imaginei que soubesse dar direções.
- Mas o GPS não mandou entrar lá, então segue o caminho. - o garoto reclamou, apontando para direita.
- Eu só quero sair desse carro. - comentou, se sentindo presa entre o clima dos dois no banco de trás e rindo de e brigando na frente.
- Então somos duas, eu só preciso sair daqui. - bufou.

O nome do bar a qual estavam indo era Purple’s Pub. Pelas fotos que tinha visto do lugar no Google, parecia ser bem legal. Quando entraram, se depararam com as imagens a qual havia visto. Havia fotos enquadradas nas paredes de várias bandas de rock, assim como várias mesas redondas pelos cantos do salão e um sofá grande no fundo. Em uma parte afastada, estava o balcão onde estavam servindo diversas bebidas, enquanto o palco já estava tudo montado para que a banda The Sixx subisse. havia visto alguns vídeos deles no Youtube e eram uma banda muito boa mesmo. No momento tocavam algumas músicas para entrar no clima, pela DJ que estava no canto do palco. Se sentaram em uma das mesas do canto, já que o meio do local estava livre para que o público pudesse se juntar ali para a apresentação.
- E aí? O que acharam? - se virou para os amigos e irmãs.
- Eu curti, não conhecia aqui. - falou. - Vou para o bar pegar algo antes do show. Depois, temos que tirar uma foto, todas de preto. - ela apontou para as irmãs e riu, se afastando.
- Eu preciso beber algo também. - ia seguir a irmã, mas seu braço foi segurado delicadamente.
- Depois, a gente precisa conversar agora. - ela suspirou fundo, se deixando ser puxada por
- Bom, então ficamos nós, né? - falou, se apoiando em .
- Pois é. - riu e deu uma olhada nas vestes do amigo. - Tá gatinho, hein? Vai botar em prática nossa promessa hoje à noite?
- É, por aí. - riu.

e caminharam um pouco pelo pub até ficarem próximos da cozinha do lugar, onde era possível sentir um cheiro de batatas sendo fritas, e aquilo de alguma forma mexeu com o estômago da mulher. Ela definitivamente precisava daquelas batatas.
- Então, , como você está? Como foram esses 10 anos da sua vida?
- Foram bons, atualmente moro na Irlanda, vim curtir as férias após um pequeno imprevisto por lá, e é isso. - estava muito desconfortável com aquela conversa.
- Irlanda? Que diferente. - ela concordou com a cabeça, e um silêncio desconfortável se instaurou ali.
- Eu estou com fome, vou pedir umas batatas... - ia caminhar, mas o homem segurou delicadamente seu pulso.
- Temos que conversar. - insistiu.
- Não acho, , tudo ficou no passado, a vida seguiu seu curso. - ela o encarou.
- É aí que você se engana, . Se tivesse ficado mesmo no passado você não estaria fugindo de mim desse jeito, quando quem deveria estar magoado com tudo o que aconteceu sou eu!
- ... O que você quer que eu te diga? - mordeu os lábios, movimento que foi capturado pelo homem. Depois de tantos anos, ainda conseguia inebriá-lo com um simples gesto.
- Talvez um pedido de desculpas fosse o mais adequado. - ele cruzou os braços, a encarando firmemente.
- Me desculpa. Agora eu já posso ir? Estou com fome e tenho um show para curtir com as minhas irmãs. - balançou a cabeça negativamente.
- Não foi verdadeiro esse pedido de desculpas. - abriu um sorriso irônico, começando a caminhar. a seguiu, vendo-a parar no caixa para pedir uma porção de batatas, e ele esperou pacientemente até que ela o fizesse. Se ela estava achando que ele desistiria, estava bem enganada. - ?
- Meu Deus, você ainda continua o mesmo chato de sempre. - revirou os olhos. - Me desculpa, ok? Eu não deveria ter bebido tanto naquela noite, eu te conheci e foi tudo muito intenso, mas muito errado. Eu tirei sua virgindade, ! As coisas ficaram muito estranhas, jamais sequer imaginei que fosse sua primeira vez. - respirou fundo. - Eu fui mesmo uma tremenda babaca de ter ido embora de Lima depois daquela noite sem me despedir de você. Satisfeito?
- Satisfeitíssimo! - ela revirou os olhos, mas sorriu. - Agora sim, vi sinceridade. - brincou.
- Me envergonho até hoje daquela noite, eu não sou daquele jeito. Ver você me fez lembrar do quão péssima eu fui lidando com tudo aquilo.
- Eu me apaixonei por você, apesar de tudo. - ficou sem palavras após a declaração do homem, foi salva graças ao seu pedido de batatas ter ficado pronto.
Tinha que sair dali o mais rápido possível, saber que ele tinha se apaixonado por ela apenas em uma noite, havia a deixado ainda mais desconfortável, se é que aquilo era possível.

- Ei, todo mundo bem? - se aproximou de e , que estavam olhando para o palco.
- Acho que sim. Bom, e não sei, na verdade. - riu, indicando que eles ainda não haviam voltado.
- Hoje tem! - comentou, animada. Cada vez mais gente entrava no salão para poder acompanhar o show.
- Espero que eles voltem para ver o show. Essa era para ser nossa noite. - riu, lembrando-se que elas escolheram o lugar por gostarem das mesmas coisas.
voltou nervosa com um pequeno recipiente com batatas na mão direita. a seguia, e não parecia muito diferente dela. Ela ter se esquivado quando ele havia aberto seus antigos sentimentos, o deixou chateado.
- Cadê a bebida, ? Trouxe comida. - sorriu forçadamente.
- Aqui. - ela entregou o copo para irmã. - Ei, vê se muda essa cara, vamos aproveitar e depois você me mata. - ela sussurrou, recebendo uma encarada como resposta. e se afastaram um pouco, engatando uma conversa sobre o lugar.
- Você não tem ideia do que fez hoje, e preocupe-se, eu vou me vingar. – sorriu de lado, dando uma bebericada no copo. - Aliás, eu vou me vingar das duas, a pirralha vai receber por te apoiar também.
- O quê? Mas eu sou inocente. – ela levantou os braços. - Quer saber? Se acalma, , vamos aproveitar a noite e se você não se sentir confortável, só finge que ele não está aqui. Se o veio, é porque ele quer se divertir também.
- Eu não contei a história toda para vocês, enfim... Vamos nos divertir, em casa eu conto melhor.
- Já aviso que desculpa eu não vou pedir. Ele é bonito e vocês seriam um casal legal. - comentou, rindo. - Mas é isso. A banda vai entrar, nosso momento de gritar e extravasar chegou. - ela deu início então a uma gritaria sem necessidade pelo porte do lugar, vendo as irmãs seguirem seu exemplo.
A DJ deu lugar à banda, que começaram a tocar Nickelback, Burn It To The Ground para agitar e deixar o pessoal no clima para o início de noite. As pessoas que estavam espalhadas pelo salão começaram a se juntar ali no meio da pista.
- Meu Deus, minha banda! - levantou da cadeira que estava sentada e começou a pular e cantar junto.
- Eu é que não vou ficar sentada. - riu, levantando-se também.
- Vamos mais para frente – chamou as irmãs. - Parece que são gatinhos.
- Muito. - concordou.
- E são mesmo, olha só o vocalista. Ganhou meu coração só por começar com Nickelback.
- Qualquer homem bonito ganha seu coração, , por favor. – riu, não perderia a oportunidade.
- Ainda tá irritada com o lance do ? é bonito sim, mas não é pro meu bico - riu da cara da irmã. mostrou o dedo do meio a ela.
- Ei, . Não é qualquer homem, ela ainda ignora o . - brincou e concordou.
- nunca me quis. – riu e mostrou a língua pra irmã.
- Ele te conhece de pequena, sabe o quão chata você é. - ela respondeu, mostrando a língua também em resposta.
- Ele é um guerreiro sem sombra de dúvidas, não é uma tarefa fácil. - riu, voltando a cantarolar a música que tocavam.
- Outch. - ela riu e continuou a cantar e pular junto como todo mundo ali. - Olha, vocês que me desculpem, mas eu vou lá para perto do palco. Vocês vêm?
- ‘Tô bem por aqui, não gosto de ir com bebida para frente da multidão. - falou, apontando para o copo. - Logo vou buscar outro.
- Eu também estou de boa, não tenho mais pique para isso, mas vai e aproveita. – a irmã mais velha a incentivou.

então seguiu em direção ao palco, pedindo passagem entre as pessoas. Depois de muita dificuldade, finalmente conseguiu, ficando bem próxima de onde toda a ação estava acontecendo. Eles agora cantavam a música Need You Tonight, do INXS. A garota balançava ao ritmo da música, cantava junto... E quando resolveu olhar para o palco, o vocalista a encarava enquanto cantava. Ok, talvez ela desmaiaria ali, se tivesse espaço. sustentou o olhar até que ele se abaixasse até ela, com o microfone em mãos, e apontasse em sua direção, para que cantasse junto. E ela foi.
não estava nem aí com o fato de cantar lindamente mal. Queria era se divertir, como uma recém-formada. O vocalista então se endireitou e sorriu na direção dele, agradecida.
Durante o show todo que se seguiu, e até quando ela ficou lá na frente, e o vocalista trocaram olhares. Bom, que mal faria, não é mesmo? Não o veria de novo...

respirou fundo. Ela estava encostada no bar, esperando pela bebida que havia pedido ao barman. Um homem estava a encarando de longe, provavelmente pensando no que falaria para ela, qual cantada barata e ruim ele usaria.
O homem se aproximava devagar, mas a mulher podia sentir seu cheiro de álcool de longe, era algo horrível de sentir-se. Ele não era feio, na verdade, seus olhos verdes a chamavam atenção, porém, não tinha a menor chance de considerar sequer um beijo em alguém, que agora que se aproximava, a fazia sentir também o cheiro de cigarro. A cada passo que ele dava para o lado dela no bar, a mulher dava um para o contrário, rezando que o barman trouxesse sua bebida o quanto antes.
-Ei. - o homem finalmente se aproximara, fazendo-a sorrir amarelo. - Eu acho que nunca vi alguém tão bonita assim antes... - ele riu, se atrapalhando nas palavras.
- Não acho que você está em condições de ver alguma coisa... – falou, séria. Ele pareceu não gostar muito, mas riu.
- Eu acho que a gente podia dar uma volta, sabe? Se conhecer melhor, se é que você me entende. - ele tentou sorrir, mas pareceu quase como um derrame.
- Eu acho que não. - ela deu um passo para o lado quando o homem tentou apoiar os braços ao redor de seu corpo, fazendo-o tropeçar.
- Mas você é tão bonita... - o estranho fez bico, quase como se estivesse triste. A mulher se perguntava se ele riria disso, caso se lembrasse amanhã.
- Vai demorar? - perguntou, virando-se para o barman. Ela sentiu dois braços a envolverem e automaticamente tentou soltar-se, nervosa.
- , tá difícil conseguir uma bebida? - ela ouviu a voz de atrás de si e seu corpo relaxou.
- Um pouquinho, . – ela riu, encarando o homem que agora rolava os olhos, passando sua mão por trás das costas do garoto. Ele saiu de perto, tropeçando até a próxima vítima de sua chatice.
- Desculpa. – ele tirou os braços dos ombros da mulher. – Ele tava bêbado, né? Vi que você tava incomodada. – falou, tímido.
- Agora entendi o motivo delas te chamarem de lorde. – riu, vendo o barman se aproximar com seu copo.
- Não sou um lorde, mas estou acostumado a ficar de olho na . – ele deu de ombros. – Talvez eu seja um pouco superprotetor com ela, mas não consigo evitar, é minha melhor amiga. Não queria me meter, e sei que você ia se afastar sozinha se quisesse e tudo mais, mas ele parecia um pouco chatinho. – fez cara feia e riu, vendo o homem se aproximar de uma outra mulher com um sorriso que ele tentava fazer parecer galanteador. Não devia ser muito mais velho que ele. Bêbado é algo chato, ninguém suporta.
- Bom saber que a está sempre bem acompanhada. – ela sorriu para o garoto. – Obrigada. Não era nada demais, realmente, mas foi um gesto legal. – ela deu de ombros. – Não que, com essa carinha recém-saída do High School, você consiga valer muita coisa.
- Você não perde uma, ! – ele gargalhou e tomou o copo da mão da mulher, vendo-a encará-lo.
- Não posso perder, você já aprendeu isso. – ela mostrou a língua e ele apenas balançou a cabeça, negando. – De nada. – ela apontou para o copo.
- Falar com você me desgasta, o mínimo que pode fazer para compensar, é me dar sua bebida.
- Você é um desaforado.
- Mas, falando sério, você gosta de mim, né? Pelo menos um pouquinho. Você e a estão aprendendo a me suportar nessa semana. – ele deu de ombros e riu, vendo a expressão de nojo que fizera.
- Você só é irritante, mas é gente boa. E obrigada por me apoiar hoje mais cedo. Mesmo sem entender. – ela sorriu, sincera.
- Imaginei que você fosse fazer algo legal, e o não parece seu tipo de cara.
- Ah, então agora você sabe o meu “tipo de cara”? – ela fez aspas com a mão.
- Não exatamente, mas acho que você não curte o tipo surfista empreendedor, senão já estaria com ele. – ela fez bico, sendo obrigada a concordar.
- Sou muito chata, . Por isso nem procuro muito, por sinal. Acho que ainda nem encontrei o que seria meu “tipo de cara”. – ela deu ênfase mais uma vez.
- Tenho certeza que, nesse caso, você vai descobrir no susto. – ele riu, vendo-a o acompanhar.
- Provavelmente vai ser algo bem chato, e monótono, já que não frequento tantos lugares interessantes. Mas a gente tá falando da minha vida amorosa por que, mesmo?
- Não sei, vai que você, com toda sua zero experiência, pode me ensinar algo. – ele riu.
- Zero experiência, ? Olha, eu só não acerto seu nariz, porque ele é bonitinho. – ela brincou.
- Não só o nariz, pode assumir. – ele abraçou a mulher novamente pelos ombros e a puxou em direção a um canto, já que não encontravam nenhum dos amigos por ali. – Vai, me fala mais daqui da Austrália, do restaurante, de você. Não temos nada para fazer mesmo.


Capítulo Quatro

- , você realmente não vai largar esse celular? - falou, descendo as escadas com e encontrando a garota largada no sofá. - Até o falou mais com a gente nos últimos dias. - fingiu que não era com ela.
- Ela está obcecada nesse vocalista, se ela não está olhando esse celular, ela está falando o quanto ele é lindo. - complementou.
- Já deve ter enchido as fotos do cara de comentários, coitado. - as irmãs mais velhas riram.
- Eu não queria ter essa garota como fã não, coitado mesmo. - encarou a mais nova que levantou o dedo do meio a ela.
levantou o olhar do celular e arremessou a almofada na direção das duas, não se importando em qual delas acertaria.
- Parem de me encher.
A garota voltou para o celular e continuou conversando com o tal vocalista que as irmãs falavam, que depois do show que ela foi com e , juntamente dos amigos, descobriu se chamar . havia encontrado no breve momento de pausa que ele teve para poder se hidratar. Ele achou bem divertido a animação que a garota demonstrava ao falar dos pontos altos da apresentação no ponto de vista dela, assim como comentários sobre as bandas dos covers que eles haviam feito.
Então, como quem não queria nada, perguntou se a banda tinha conta nas redes sociais, para que pudesse seguir e divulgar para algumas pessoas. Após alguns stories da garota marcando a banda, o próprio a seguiu no Instagram e desde então eles conversavam. estava adorando a experiência daquilo tudo. Nunca teve qualquer tipo de contato com alguém que tocasse em alguma banda.
- , larga essa menina aí com o celular, vamos lá no mercado comigo e a . Precisamos de alguém para carregar as coisas mesmo. - brincou, chamando-o com um aceno. já os esperava na porta, com o olhar perdido na casa ao lado.
- Só querem me usar, eu mereço. - ele riu e se levantou. Quando viu que as mulheres já estavam distantes, se abaixou perto da melhor amiga. - Se você realmente não quer que elas saibam, devia aprender a dividir sua atenção melhor. - ele piscou para e saiu atrás das irmãs mais velhas da garota.
ficou encarando , até que se deu por vencida ao ouvir o celular apitar.

[]: Temos um show para a próxima semana. Quer ir? Acesso ao backstage. Oportunidade imperdível de me ver pessoalmente.
[]: Agora de verdade.
[]: Mas é um pedido sem segundas intenções?
[]: Porque se não for, eu não vou.
[]: 😂
[]: Você é impossível, garota.
[]: Brincadeirinha. Vou dar um jeito de dar um perdido no pessoal aqui e nos encontramos lá.

×××

- A gente bem que podia fazer aquele prato que você me falou que foi o seu primeiro, né? - falou, sentando-se próximo a , na cozinha.
- Ah. Eu ‘tô com preguiça, . - ela fez bico, deixando os ombros caírem.
- Você não fez nada o dia todo. Como uma chef tem preguiça de cozinhar? - ele reclamou. - Você falou que ia me ensinar.
- Eu só sei que qualquer um dos dois que cozinhar está bom, estou com fome. - abriu um enorme sorriso.
- Promessa é dívida, né? Temos meses pela frente, você é acelerado demais.
- Se eu não cobrar, duvido que você vá se propor. - ele deu de ombros. A mulher rolou os olhos e atirou nele o que tinha mais próximo de si, um fouet.
- Realmente não sei quando te dei tanta intimidade, pirralho.
Antes que pudesse responder, a campainha tocou e interrompeu o momento de descontração. Todos se encararam, ninguém estava disposto a se levantar, vendo que ninguém iria, a anfitriã, a contragosto, caminhou até lá.
- ? - ela encarou o vizinho ali, com uma xícara em sua mão, levantando-a na direção dela.
- Oi, vizinha, teria um pouquinho de açúcar para me arrumar? - coçou a nuca, sem graça.
- Cara, desculpa, mas eu acho que a da xícara de açúcar não cola mais hoje em dia. É assim que você tenta conquistar as mulheres? Não tá errado que está sozinho. - zombou, aparecendo na porta atrás de .
- É sério que ele usou a da xícara? - falou, levantando a cabeça e dando um tapinha na própria testa. Estava na escada que dava de frente para a porta.
- Até o soltaria uma melhor, tenho certeza. - riu, apontando para o garoto.
- Obrigado por não me chamar de pirralho dessa vez. É bom lembrar às vezes que tenho nome. - sussurrou no ouvido de , fazendo-a lhe mostrar o dedo do meio.
- Mas é sério, eu preciso mesmo de açúcar. - tentou, mas ninguém acreditava naquilo, inclusive que estava segurando a risada.
- , o precisa de uma xícara de açúcar, vem aqui, você é um docinho mesmo. - chamou, saindo da frente da porta e andando de volta para cozinha, puxando consigo.
- ! - gritou, chamando a atenção da irmã, mas era possível escutar as gargalhadas dela junto com . - Me dá essa xícara aqui, vou colocar o açúcar. Pode se sentar, fica à vontade. - ela bufou e fechou a porta, depois de entrar.
Caminhou até a cozinha, e ainda escutou umas risadinhas presas ali, pegou o bendito açúcar e encheu a xícara do vizinho.
- Ei, , espero que você não tenha jantado, porque a e o vão cozinhar. Fica com a gente. - o convidou.
- Se eu não o colocar para fora da minha cozinha pela janela primeiro, claro. - riu e puxou um pedaço de seu cabelo de leve, zombando da mulher.
- Ah, não, não quero atrapalhar vocês. - o vizinho respondeu. - É um jantar de família.
- Que família o que, o nem é da família e vai estar. – olhou para o amigo e começou a rir. - Vem, não faz essa desfeita para a gente, do meu coração.
- Bom, então se não for atrapalhar, eu aceito sim. - sorriu.
- Mas você não ia usar o açúcar, ? Algo não está certo. - o homem sentiu as bochechas inflamarem com o comentário de .
- Eu falei que a do açúcar não era uma boa, amigo. - comentou, fazendo e gargalharem.
- Para de ser chata, mulher. – implicou com a irmã.
- Eu fiz uma pergunta inocente, poxa? - brincou. - Mas enfim, você é bem-vindo para jantar, tá? Não precisava inventar desculpa nenhuma.
- Esse aí tá gamadão na . - comentou baixinho, olhando para o celular e esperando por mensagens de . - Senta aí, . - se levantou da escada e foi até o sofá. - Vem, vamos conversar. - bateu a mão no assento do sofá, ao lado dela.
- Obrigado, garotas. - sorriu, sentando-se. - E então, quando terão disponibilidade para umas boas aulas de surf?
- ‘Tô precisando ganhar marquinha de biquíni, então logo. Mas como surgiu esse interesse por surf? Alguém da sua família gosta?
- Ah não, você não perguntou isso. Ele vai começar a história mais longa da vida. - gritou da cozinha.
- Exagerada! – gritou de volta para ela. - Minha família é do surf, eu aprendi a surfar com meu pai, que aprendeu com meus tios, meu pai é o caçula de três irmãos. É nosso programa de família.
- Você já chegou a competir em algo no surf, como naqueles programas que passam na tv, ou faz mais por diversão?
- Já sim, quando mais novo, mas hoje em dia só surfo por diversão, tenho uma loja para administrar, mas é algo que me relaxa. - deu de ombros. o observou, não conhecia esse lado de .
- Cara, passar pelo interrogatório das é difícil, viu? - apareceu na sala, brincando com a situação de .
- , se você quer aprender, fica na cozinha. - o puxou de volta pelo pulso, e o garoto saiu reclamando.
- Inclusive, aturar elas, é pior que o interrogatório. - ele bufou.
- Desculpa a pergunta, mas ganha bem? - mantinha a mão apoiada no queixo enquanto ouvia atentamente o que o rapaz dizia.
- , meu Deus! - encarava a irmã, extremamente sem graça.
- Que foi? Foi só uma pergunta. Se não quiser responder, fala, ué.
- Não posso reclamar, , tenho a vida que sempre sonhei e trabalho no que eu gosto.
- Só falta uma mulher, né, ? - gritou, novamente entrando na conversa dos três na sala. a encarou, rindo e comentou apenas para ela “falou a encalhada”, tomando um tapa no braço automaticamente.
- Com certeza, aí eu estaria com a minha vida perfeita, quem não gosta de uma história de amor? - sorriu, encarando , que teve uma crise de tosse.
olhava de onde estava um para o outro, com um sorriso divertido no rosto.
- Bom, , posso te ajudar nessa tarefa. - ela balançou as sobrancelhas para o homem. - Calma, para sua infelicidade não sou eu.
- Eu vou subir, preciso pegar umas coisas lá em cima. - caminhou para as escadas rapidamente, prevendo o que aquele assunto renderia. soltou o ar que prendia, qual era o problema de tentarem alguma coisa? Ela em todas as vezes se esquivava e aquilo o intrigava.

- Eu converso com você um único dia, e você já toma a liberdade de me chamar de encalhada.
- As pessoas não têm liberdade de falar a verdade para você? – riu quando viu rolar os olhos.
- , você tá cortando errado. Olha o tamanho disso. – ela apontou para o tomate em pedaços maiores do que ela queria. – Você tem que segurar assim. – tomou a faca da mão de e a posicionou da forma certa.
- Você ensina no grito, né? É engraçado, zero didática. É assim no restaurante também?
- Meu Deus, eu jurei que eu ia ter paciência, mas você a tira de um jeito muito rápido. – ela riu, brincando. – Você não consegue passar um minuto sem fazer gracinha? – perguntou, encarando-o.
- Acho que não. – ele fez bico. Antes que pudesse perceber, pegou a pedra de gelo que ela estava usando para preparar alguma bebida e havia deixado no balcão atrás dela. Ele rapidamente colocou a mão na nuca da mulher e colocou a pedra de gelo, que escorregou por dentro de sua blusa.
- ! – ela gritou, surpresa. – Você é um idiota. – ela estapeou o braço do garoto com a maior força que conseguira.
- Outch, foi só um gelo. – ele reclamou, segurando o braço onde ela havia acertado.
- Vai todo mundo ficar sem janta hoje, não aguento mais o . – ela falou, andando até a sala com um pano de prato pendurado no ombro e bufando. – , te odeio por ter um melhor amigo tão chato, quero ele fora dessa casa. – ela falou, rindo. a seguiu, parando ao seu lado e apoiando o braço em seu ombro.
Não tinha como não rir das idiotices que fazia, e nenhuma delas realmente a irritava. Ela não ria tanto quanto naqueles últimos dias com o garoto desde sua época do colegial, já que na faculdade de gastronomia, um parecia mais ter vontade de comer o outro vivo do que fazer amizade. Era um ramo competitivo, não dava para negar.
- Melhor amigo de quem? Quem é ? Aquela ali que não larga o celular? – ele comentou, fazendo todos rirem. – Você falou que se eu quero aprender, tenho que ficar na cozinha, então não me enrola, volta para lá. – ele ignorou o dedo do meio que a melhor amiga mostrava e saiu da sala, puxando de volta com ele para cozinha.

- Você realmente vai embora rápido assim para não entrar na guerra sobre lavar a louça? Que deselegante. - brincou quando anunciou que estava tarde, e acordaria cedo no dia seguinte.
- Me pegou, poxa. – entrou na brincadeira dela.
- Eu não peguei não, essa piada devia vir para outra . - rebateu, esperando o olhar furioso da irmã.
- Se a outra estivesse interessada eu não me importaria se ela me pegasse. – sentiu as bochechas quentes. - Não é, ?
- Acho que depois dessa, eu vou lavar louça, o clima mudou aqui. - se levantou e puxou a melhor amiga com ele, gargalhando.
- Opa, senti a indireta aqui. Vem, vamos, . - enganchou o braço no do rapaz e foram até a cozinha limpar a zona, puxando com eles.
- Não vão, preciso mesmo ir embora, amanhã eu tenho que abrir a loja cedo. - ele gritou, impedindo que os três saíssem da sala, já tinha torturado demais por uma noite. – Sexta-feira então?
- Por mim sim. - concordou com um sorriso, vendo e também afirmarem. Eles encararam , esperando sua resposta.
- Ok, tudo certo. – respondeu, sabia que seria voto vencido naquela situação.
- Certo, até sexta. - caminhou até a porta e sem esperar que alguém abrisse, saiu por ela. respirou aliviada, tinha ficado tensa durante a noite inteira.
- Ei, ! - correu até a porta. - Esqueceu sua xícara, cara. - ele entregou o objeto para o homem. Ele lhe encarou, mostrando o dedo do meio e fazendo todos dentro da casa rirem.
- Isso se ele ainda quiser o açúcar que está dentro, né? - falou após fechar a porta. Eles observaram rolar os olhos.
- Gente, vocês não cansam de me juntar com ele? - ela encarou rapidamente um a um ali naquela sala.
- Nunca, a gente ama você. - respondeu.
- Eu não quero viver um amor de verão, porque eu não vou morar aqui, e eu sei que vou magoar o . Ele é uma pessoa sensível demais.
- Então é só por isso? - perguntou. - Eu tenho vários quartos, você não tem um trabalho para voltar... Fica à vontade. - cutucou a irmã, sabendo que seria odiada.
- Eu cansei, vou dormir. - revirou os olhos se levantando da mesa deixando todos ali prendendo a risada. As desculpas dela estavam ficando cada vez mais escassas.
- Aquele convite se estende? - perguntou para , vendo-a rolar os olhos assim como a irmã mais velha havia feito. Todas tinham as mesmas expressões, o DNA era incrível entre elas, principalmente no ponto de serem irritantes.

×××


Naquela manhã as irmãs combinaram de ir até a tão famosa praia Brighton Beach, conhecida por suas casinhas coloridas, a mesma que haviam visitado anteriormente de forma rápida. Nesse momento estavam e deitadas na areia e tomando sol, enquanto jogava vôlei com próximo dali. A praia em si era bem bonita, e até estava movimentada para uma manhã de sexta-feira. Mulheres tomando sol como elas, crianças na areia brincando com seus familiares... Algumas pessoas estavam na água se aventurando no surf, já que estavam próximos da loja de e todos pareciam conhecer o rapaz, e usavam seus equipamentos.
O celular de apitou, denunciando o recebimento de uma nova mensagem. Ela se sentou, procurando entre suas coisas o objeto. Quando o achou, viu a mensagem dele.

[]: E aí, tá fazendo o quê?
[]: Nada de muito interessante, mas aposto que o seu dia está bem mais animado que o meu.
[]: Talvez? Depende do que você quis dizer com animado.
[]: Envolve algo perigoso?
[]: Sim, se a pessoa não souber para onde vai.
[]: É, tá vendo? Mais interessante.
[]: Às vezes queria mais adrenalina na minha vida.

- , larga esse celular, vamos lá. - apareceu, derrubando o celular da garota na areia e a puxando pela mão para que se levantasse. Ele apontava para loja de artigos de surf de . - Você também, . E não foge, . Todo mundo vai tentar.
- Ai, para quê? Tava tão bom aqui. - limpou um pouco de areia do corpo e ajeitou suas coisas. - Só vou se você passar protetor em mim depois. - assentiu, concordando.
- Alguém já te disse o quão chato você é? - perguntou.
- Sim, você. Várias vezes nas últimas duas semanas, por sinal. - ele rolou os olhos e puxou a mulher pela mão também, para que ela se levantasse.
- Ok, vamos todos tentar surfar. – concordou com , seria uma experiência interessante.

- Minha turma da manhã chegou. - falou, vendo o grupo entrar, parando seus olhos em .
- Pois é, prometemos que viríamos, não? - respondeu por todos eles.
revirou os olhos.
- Oi, , amor da minha vida. Promessa é dívida.
- , cara, estou precisando de uma manutenção na minha prancha. - um homem entrou na loja. olhou para ele, mas não conseguiu identificar quem era, pois a prancha cobria o rosto. - Pode dar uma olhada para mim? - ele deixou a prancha sobre a bancada e olhou ao redor.
quase caiu para trás.
- Oi, . - o rapaz a cumprimentou.
- O-o-oi. - ela gaguejou, engolindo em seco. - Como vai?
- Muito bem. - ela o viu pôr as mãos nos bolsos do short. Ele sorriu enquanto olhava para ela.
- Ih, não é o carinha que estava tocando aquele dia no show? - perguntou.
- Sim, é ele mesmo, que coincidência louca é essa, hein? Detalhe, eles se conhecem! - tinha um sorriso maroto na face.
- Também, o que o cara deve ter sofrido com ela nas redes sociais. - completou. - Inclusive, desculpa a loucura dela, viu? - ela direcionou a fala para ele, que ainda encarava a irmã menor.
desviou o olhar de para encarar as pessoas ao redor dela. Deviam ser as irmãs que tanto falava por mensagem.
- Loucura? Não, ela é adorável. - sorriu na direção de .
Se tivesse um buraco ali, pode ter certeza de que a mais nova enfiaria a cabeça, com tanta vergonha que estava sentindo.
- Pensei de ter comentado com vocês no dia do show. O aqui... – se aproximou do rapaz e colocou o braço ao redor dele. - É meu cliente faz um tempo. , eu tinha combinado de ensinar as meninas e o a surfar. Posso deixar para cuidar da sua prancha depois?
- Claro, . – ele se virou para o amigo. - Ensinar a surfar? Vai querer ajuda? Sou um ótimo professor.
- Nossa, ! Que incrível, você é muito solícito! Eu tenho certeza de que minha irmãzinha ia adorar que você a ensinasse. Como eu falei, ela ficou meio louca depois do show de vocês, ela ficou bem fã mesmo. - comentou, ouvindo e concordarem rapidamente.
- Você é meu amigo, tem é que me apoiar, não entrar na onda dessas aí. - ela cochichou para .
- Não fiz nada demais. - deu de ombros. - Aliás, já que a não nos apresenta, eu sou o .
- Coitada, perdeu até a língua, mas ela topa que você a ensine. - empurrou a irmã levemente na direção do rapaz. - Ela é meio sem educação mesmo, eu sou a , a do meio.
- E eu sou a , a mais velha. – deu um sorrisinho educado ao homem.
- E essa aqui, que tá de saída com você, é a mais nova. Uhul, todos nos conhecemos, agora vamos deixá-los. - entregou os equipamentos, que já havia separado, para e .
- Vai ter volta. - falou olhando para trás, onde as irmãs estavam, antes de sair com da loja. Ela sorriu e enfim enlaçou o braço ao de .
- ‘Tô de olho em vocês. - comentou para melhor amiga, emburrado.
- Tá nada, deixa a menina em paz. - o cortou, vendo-o mostrar a língua para ela em resposta.
- Então ficamos nós, não? - encarou , com as mãos nos bolsos da bermuda tactel.
- Sim. Vamos surfar. - mordeu os lábios.
- Gente... - começou a falar, trocando rapidamente um olhar com . - Eu fiquei de mostrar um restaurante aqui perto para o pirralho, então vou ficar devendo o surf. , você sabe, não presto para isso.
- Ficou? - perguntou inconscientemente, e a mulher rolou os olhos, pisando discretamente em seu pé e ouvindo um “aí”. Logo em seguida, ele concordou.
- Está tudo bem, , não tem problema. - havia entendido e até agradecido a ajudinha que ela havia dado aos dois, e ele não perderia a oportunidade.

×××


- Você não precisava pisar no meu pé, viu? – reclamou, andando na calçada. Já haviam saído da loja para o lado contrário da praia.
- Você só entende as coisas rápido quando quer, né?
- Eu não tenho culpa que você age de cupido de todas as formas possíveis e eu não consigo acompanhar, .
- Eu não ‘tô agindo de cupido. – ela respondeu, fazendo rir. – Tudo bem, talvez um pouquinho... Mas minhas irmãs merecem um pouco de aventura, eu gosto de ver elas envergonhadas, e felizes, claro.
- Então se a gente encontrar qualquer um na rua... Alguém, assim, que eu ache legal... Eu posso fazer o mesmo com você? Se elas merecem um pouco de aventura, acho que você também, não é? – ele falou, olhando para um homem que vinha na direção deles, correndo. Ele estava em bermudas floridas, e sem camisa. Assim que ele passou pelos dois, e se encararam, gargalhando.
- Você definitivamente não presta, .
- Juro que eu presto, só é pouco. – ele deu de ombros. – Então, para onde estamos indo? No restaurante?
- Que restaurante? Não tem restaurante. Foi realmente uma desculpa para deixar os dois sozinhos.
- Ah, achei que pelo menos tinha um restaurante.
- Não, mas tem um lugar legal que podemos ir. Continua andando aí. – ela o empurrou e seguiu andando ao seu lado, em silêncio.

- Um píer é um lugar legal? – perguntou, pisando nas pedras e andando até a frente do local que o havia levado.
- Um píer é um lugar muito legal, . Qual o seu problema?
- Para ter me tirado de uma aula de surf, achei que você ia pelo menos me mostrar um lugar bem australiano e legal.
- Você acha que sou o quê? Guia turístico? – ela perguntou, o encarando.
- Talvez. – ele comentou, sabendo que a irritaria.
- Só fica quieto e me deixa quieta então, vai. – reclamou, andando até mais em frente e sentando-se na beirada do píer.
- Sabe quais são os momentos que te vejo mais feliz? – falou, sentando-se ao lado da mulher. – Quando você está fazendo graça com as suas irmãs, de resto, você parece difícil de agradar. Difícil de sorrir. Claro, eu consigo, mas não estou contando isso. – ele riu, vendo-a negar com a cabeça, mas com um sorriso no rosto.
- Por que está fazendo uma análise minha, posso saber?
- Não sei. – ele deu de ombros, sincero.
- Esse é meu lugar preferido, gosto de vir aqui e fazer nada. – a mulher confessou, olhando para a praia ao longe.
- Então você é uma guia turística... Mas mais pro lado espiritual? – ele tentou segurar a risada, mas falhou.
- , meu Deus. – a mulher gargalhou, não aguentando a brincadeira. – A disse que você era tímido, ainda não encontrei essa personalidade.
- Eu sou, muito. Mas não sei, com você e a me sinto como com a , então sou mais eu. Vocês são muito parecidas, talvez nem vocês percebam o quanto. – ela concordou com a cabeça, pois as achava tão diferentes de si mesma.
- Bom, isso é bom, né? Quer dizer que se sente à vontade conosco.
- Confesso que me sinto bem à vontade com você. – ele falou, sério. – Não sei, te irritar me faz rir, e isso é legal.
- Isso quer dizer que sou uma grande brincadeira para você, não é, ? – ela arqueou a sobrancelha e o garoto rolou os olhos.
- Quando eu tento ser sério, você quebra o momento. – ele mostrou a língua e a mulher lhe mostrou o dedo do meio. – Me conta alguma coisa diferente sobre você. Nada do restaurante, ou da Austrália. Sobre você.
- Por quê?
- Não sei, , porque estou tentando ter uma conversa com alguém que acho legal, eu preciso de mais motivo?
- Ok, desculpa. – ela riu. – Não sei falar sobre mim, não costumo fazer isso. – confessou.
- Pronto. Você acabou de falar sobre você. – ela torceu o nariz. – Pode não gostar, mas foi o que fez. Por que não costuma fazer isso?
- Porque não sei se percebeu, mas não tenho grandes amizades por aqui. Conheço várias pessoas, tenho o restaurante com ótimas pessoas, mas nada como... Como você e a , por exemplo. Sempre tive essa relação apenas com as meninas, e ainda assim, as coisas ficaram difíceis depois que decidi me mudar, né?
- Então, entendi. – ele falou, tentando manter a expressão séria no rosto. Ele aproximou seu corpo do de . – Você está carente, precisa de um amigo. De um ombro amigo. – ele riu, encostando a cabeça da mulher em seu ombro e vendo-a fazer força para se livrar de seu quase abraço.
- , não tem como levar você a sério. – ela reclamou, tentando não dar um leve chilique em meio às suas risadas.
- Mas é sério, se precisar de um amigo, estou aqui. – ele deu de ombros, vendo-a sorrir de lado, pois sabia que ele estava sendo verdadeiro.
- Quando ficamos sentimentais assim? – perguntou, fingindo vomitar. – Não era apenas para falarmos de cozinha, sei lá?
- Não. Pensa um pouco, você agiu de cupido para suas duas irmãs, a tendência é que elas te deixem sozinha agora, e só vai sobrar quem? Eu mesmo. Melhor conversarmos sobre tudo. – o garoto riu quando a viu concordar, sabendo que fazia sentido.

Quando era por volta de uma da tarde, e já haviam conversado sobre tudo um pouco. Desde séries de TV que gostavam, até seus pratos preferidos e suas famílias, por mais que ambos conhecessem as famílias uns dos outros. Eles riram juntos durante a maior parte do tempo, tiraram fotos um do outro, e quando decidiram que era hora de encontrar o caos que poderiam ter virado as outras e seus rolos, ambos pareciam adolescentes bêbados voltando para casa.
- Não quero levantar. – fez bico, esticando os braços para que a puxasse para cima.
- Vamos, daqui a pouco a tá gritando por aí atrás de nós. O celular ela só lembra para falar com o vocalista.
- Outch, alguém está com ciúmes? – passou a mão no short, limpando qualquer sujeira que pudesse ter onde estava sentada.
- Não. Se ela não tivesse louca de desespero para conhecer o cara, eu não estaria aqui conversando com você. – ele falou, sem pensar. juntou os lábios, tentando processar a frase do garoto. – Foi legal, vai. – ele tentou amenizar, percebendo que sua frase soara mais estranha do que legal, como ele pensara.
- Foi. – concordou, relaxando os ombros. - vai ficar com ciúmes da nossa amizade, com certeza. - ela riu, vendo-o concordar com uma expressão maléfica. Com certeza ele brincaria com isso com a melhor amiga. – ... – ela falou enquanto eles começavam a andar para sair do píer. – Posso tirar uma foto com seu celular? – ela pediu e o garoto, sem nem pensar, lhe entregou o aparelho. – Fica parado aí, tá muito legal, depois eu troco com você, e você tira minha, pode ser? – ele concordou, ficando parado na ponta do píer, fazendo uma pose engraçada para que ela tirasse a foto, como eles estavam fazendo alguns minutos antes. – Lembra quando você me chamou de encalhada?
- Você guarda rancor, né? – ele sorriu e ela tirou a foto.
- Não, imagina. – se aproximou do garoto como se fosse lhe entregar o celular e o empurrou, vendo-o cair com um grito na água.
- ! – ela se pendurou na ponta da pedra, olhando-o lá embaixo, vendo apenas a cabeça do garoto aparecer. – Isso vai ter volta! – ele riu, sabendo o quão engraçado aquilo deveria ter sido.
- Te encontro ali. – ela apontou para a calçada, por onde tinham andado para chegar, e mandou um beijo para ele, ainda rindo de sua ideia.

×××


e procuraram uma área mais vazia da praia, onde o garoto sabia que normalmente ensinava as pessoas a surfarem, e ajudou a vestir a roupa especial. A garota sentia um frio enorme na barriga, estando ali tão perto dele.
- Quando você disse que fazia algo perigoso, não fazia ideia que seria justamente surf.
- Por que você diz justamente? - ele perguntou enquanto estava concentrado em apoiar a mulher para que ela pudesse se vestir.
- Porque é estranho você conhecer o vizinho da minha irmã e a gente se encontrar aqui.
- Bom, não acho. - deu de ombros e encarou a garota. queria desmaiar. Que homem lindo, nossa senhora . - Vamos lá, então. Você precisa se aquecer primeiro. - começou a se alongar e o seguiu. - Assim, você tem que elevar mais o braço. - ele tocou no braço dela para que ela seguisse o que ele dizia.
- Você tá me deixando toda arrepiada. - ele riu com o comentário dela.
- Eu nem te toquei direito.
- Mas você é bonito demais, não dá.
- Então se eu me aproximar assim de você - ele se abaixou um pouco e aproximou o nariz do pescoço dela -, o que acontece?
- Eu caio mortinha no chão. - riu e se afastou um pouco, encarando-o por um momento até que os olhos de ambos descessem para os lábios um do outro.
Ao fundo ouviu o som de uma criança que corria e gritava ao fugir do pai. Quando eles se afastaram, viram o pai do garoto pegá-lo no colo e dar um pequeno sermão de como aquilo não deveria ser feito porque tinha pessoas má intencionadas e blá, blá, blá.
- Então... - quebrou o mal-estar que se instaurou ali entre eles depois do clima ser quebrado. - Há quanto tempo você surfa?
- Faz pouco tempo, na verdade. Quando vim da minha cidade natal, Hornsby, precisava de um hobbie para me desestressar um pouco de toda a pressão que venho tendo junto com todos os meus colegas de banda para atingirmos alguma gravadora de sucesso. Mas e você, , tem algum hobbie?
- Hobbie acho que não, mas minhas irmãs falam que eu adoro elogiar homens bonitos para descontrair e não meço muito minhas palavras. Pode ser considerado como hobbie?
- Para falar a verdade, não sei. - riu e pausou por um momento. - Então eu sou um homem feio?
- Ãhn? - parou de puxar a cordinha da roupa. Aquilo balançando a estava irritando muito. a ajudou prendendo a cordinha dentro de sua roupa de surf. Ela finalmente se tocou do que ele havia perguntado. - Longe disso. O quase desmaio já não foi prova suficiente?
- Como a maioria dos homens, eu gosto de ter o ego inflado.
- Idiota. - riu, o empurrando levemente.
- Bom, enquanto o pessoal não chega, eu vou te passar alguns movimentos. - ele se deitou na prancha de para demonstrar. Era um movimento de nado mesmo. - Tenta fazer o mais rápido que conseguir, porque você vai precisar se levantar até a onda rápido. Quando sentir confiança no mar, você se levanta assim. - ele se levantou rápido, fazendo o movimento. Depois, deu lugar para que ela tentasse.
- Assim? - fez o movimento de nado.
- Abaixa um pouco, porque senão sua coluna vai sentir mais tarde. - ele orientou e ela fez o que foi pedido. - Isso, perfeito! Agora quando você se sentir segura, você levanta e faz aquele movimento que te mostrei por último. - ela se levantou toda desajeitada e fez, mas caiu.
- Meu Deus, se eu caio na areia, imagina no mar.
- É questão de prática, . Não se preocupe quanto às quedas. Estarei lá para te ajudar.
- É? Você vai estar sempre?
- Posso ser seu instrutor pessoal, se você quiser.
- Aulas vips assim, de graça?
- De graça não, uma hora você vai me pagar. - ele sorriu na direção dela.
- É? E quando seria?
Quando estava prestes a responder, foi interrompido.
- Oi, você é o , do The Sixx, né? - uma garota os interrompeu. - Sua banda é um máximo! Pode tirar uma foto comigo?
- Claro. - ele olhou para e pediu desculpas. A garota olhou para onde ele olhava.
-Você pode tirar para gente? - ela não esperou uma resposta. Entregou o celular na mão de e tratou logo de agarrar um dos braços do vocalista.
achou graça da situação. Se era assim que ela parecia para as irmãs, da próxima vez ia pedir para uma delas a socar até ela acordar para realidade.
A garota apontou o celular na direção deles e tirou várias fotos, com a fã fazendo várias poses para as fotos.
- Muito obrigada, ! - antes de sair, ela deu um beijo no rosto de , que ficou sem reação. - Espero te encontrar de novo. - dizendo isso, saiu.
se aproximou dele novamente com um ar divertido.
- Isso quase foi uma sessão de photoshoot. As fãs estão surgindo, , sinal de que a fama logo vem.
- Bom, sim... - deu de ombros. - Quem sabe? Às vezes eu queria poder jogar tudo para o alto por causa do estresse que vem junto.
- O estresse é normal. Você é super talentoso, logo sua banda vai assinar com alguma gravadora, não se preocupe.
- Obrigado. - eles ficaram sorrindo um para o outro.
quebrou o contato depois de um tempo e olhou para o lado, onde a irmã de e estavam. Depois, voltou a encarar .
- Então, vamos praticar de verdade na água? - a garota balançou a cabeça freneticamente e pulou, animada. riu e pegou a prancha, indo em direção ao mar e sendo seguido pela mulher.
observava um pouco afastado, mas não muito, o que fazia e a alertava quando necessário.
- , se prepara! Está vindo uma onda legal. - como ainda estavam perto da margem, a onda não era tão alta assim. - Nada o mais rápido que conseguir e levanta quando sentir que é a hora.
- E como eu vou sentir que é a hora, ?! - ela gritou desesperada, enquanto nadava.
- Você vai saber, não se preocupe.
A garota nadou, nadou, nadou, até que enfim sentiu confiança e se levantou sobre a prancha, fazendo exatamente o que havia lhe ensinado, mas acabou por cair.
Adorou a experiência.
- Isso é demais, ! - ela gritou após emergir da água. - Eu amei!
De longe, ele sorria. Ultimamente ele andava bem risonho quando o assunto era .
É, , você estava completamente ferrado.
×××

estava sentada na areia, já havia vestido a roupa apropriada de surf e via passar parafina na prancha que ela usaria. Era impossível não prestar atenção aos atributos físicos do homem.
Ela o olhava atenta, estava sem camisa, ela podia observá-lo muito mais, os braços bem musculosos e definidos, não era algo exorbitante, mas estava perfeito para ela. A barriga... Definitivamente ela queria muito passar as mãos ali, não era um tanquinho exagerado, mas era bem definido. As pernas, não eram nada mal, ele não era um funil, provavelmente gastava algumas horas na academia... Balançou a cabeça, virando-a para o outro lado, não podia e nem devia ficar avaliando o rapaz daquela forma.
- Está tudo pronto, . - chamou sua atenção, ela se levantou, deu uma limpada na roupa, e se aproximou dele.
- Eu não faço ideia de como isso vai ser. - deu uma risadinha.
Ela olhou para o lado um pouco mais a frente e pôde visualizar e , a irmã acenou, ela acenou de volta com um pequeno sorriso. parecia se divertir com o vocalista, torcia internamente que o rapaz fizesse bem a sua irmãzinha, não queria que ela tivesse uma decepção amorosa assim tão cedo.
- Primeiro, você precisa ganhar equilíbrio na prancha, tenta ficar em pé aqui. - ela o encarou, despertando do transe que estava. Foi até a prancha no chão e tentou se equilibrar nela, obtendo êxito. - Agora, você precisa treinar um movimento essencial chamado de pop-up, que consiste em subir rapidamente na prancha. Você precisará empurrá-la para baixo, apoiando as palmas das mãos na prancha na altura do peito e firmando os pés para conseguir subir. - ele fez o movimento, tentou em sua prancha, mas de primeira não conseguiu. Tentou por mais algumas vezes, e nada.
- Agora eu entendo minha irmã dizendo que não leva jeito com isso. - ela o olhou, tentando mais uma vez.
- Não leve a experiência de a sério, você sabe que ela é bem preguiçosa quando as coisas não saem do jeito que ela quer. - o encarou com o cenho franzido.
- Sim, ela é. - riu. - Você fala com tanta propriedade... Faz quanto tempo que se conhecem?
- Desde que ela mudou para cá, acho que uns três anos, não sei ao certo.
- , você nunca tentou nada com ela? Qual é? Eu sei, minha irmã é a coisa mais linda e perfeita desse mundo.
- Na verdade, não, eu estava noivo na época que a conheci e bom, depois que eu terminei já éramos muito amigos, mas não posso negar que é uma mulher bem atraente, mas ela e eu nunca rolou nada.
- Ah. - se repreendeu mentalmente, não tinha que ter interesse nenhum em saber se ele havia se interessado em , ela não queria nada com , certo?
Ficaram um tempinho calados, a via tentar e não conseguir fazer o movimento, se desequilibrando em todas as vezes, ele se aproximou dela.
- Posso? - ele pediu autorização para colocar as mãos na cintura dela, que assentiu. - Mais devagar, . - foi direcionando-a delicadamente ao movimento certo. - Agora tenta de novo, sozinha.
- Consegui! Finalmente! - abriu um enorme sorriso para o rapaz, que se sentiu verdadeiramente feliz, era a primeira vez que ela sorria de verdade para ele.
- Repete mais algumas vezes. - ela o obedeceu, realmente havia conseguido pegar o jeito da coisa. - Consegue se equilibrar bem, se sente confiante?
- Olha, confiante eu não diria, mas aparentemente estou ok. - agora foi a vez de sorrir.
- Vem, vamos para a água. - ela saiu de cima da prancha e viu a pegar. Eles caminharam juntos em direção ao mar. - Pronto, aqui não tem ninguém praticando, vai ser mais tranquilo para você aprender.
- Eu estou com medo, , e se eu me afogar? Tá passando tantas coisas na minha cabeça enquanto eu olho o mar. - soltou um riso nervoso.
- Eu jamais deixaria nada acontecer com você, e não vamos para o fundo. Relaxa. - ela assentiu, tentando ficar mais calma. - Deita na prancha e vai remando devagar. - ela assim o fez.
- , isso não vai dar certo... - ela negava freneticamente com a cabeça, pensando na hora que teria que se colocar de pé na prancha. - Não quero mais, sou muito medrosa.
- Mas estamos na margem ainda, . - ele tentava prender a risada. - Vamos lá, eu estarei aqui com você. - a mulher suspirou fundo. - Tenta ficar de pé agora. - tentou ficar de pé para uma onda pequena, mas como o esperado, se desequilibrou e caiu e prontamente a segurou, e eles tiveram uma crise de risos.
- Obrigada. - se desvencilhou dos braços do homem rapidamente, aquele contato não faria nada bem para os ânimos dela, que só tinha em seus pensamentos o quanto o homem era gostoso.
- Mais uma vez, vamos lá, . - ela revirou os olhos, manhosa, mas o obedeceu.

- Chega, estou cansada, esse sol e o mar acabaram comigo. - ela tinha se sentado na areia, deixando a prancha ao seu lado. Mexia os braços freneticamente, tentando anuviar a dor que estava sentindo neles.
- É normal no início essa dor, o cansaço, mas essa só é sua primeira vez tendo contato com a prancha, com o tempo você vai se adaptar, e vai ficar expert. - brincou, arrancando um pequeno sorriso dela.
- Achei que desistiria de mim. - deu de ombros. - Eu sei, sou a rainha do drama e extremamente medrosa.
- Desistir de você não está nos meus planos, , entenda isso. - ele a encarou, desviou o olhar para outro ponto da praia, mas não deixou que um sorriso escapasse de sua boca.
- , eu me referia ao surf, e não...
- Eu sei. - ele a cortou. - Aproveitando que entramos no assunto, quero te pedir desculpas por entrar nas brincadeiras com as suas irmãs, você claramente não tem interesse em mim, e bom, eu devo respeitar isso. Não vou mais te incomodar.
- Minhas irmãs gostam de me irritar. Coisa de irmãos mesmo e você não sabe porque não tem irmãos. - ele riu. - Mas está tudo bem, desculpas aceitas. Amigos? - estendeu a mão na direção dele. Ele suspirou, mas a apertou.
Ela desfez o aperto de mão, e se encararam, em silêncio. levou a mão direita ao cabelo dela, arrumando uma mecha que estava fora do lugar, mas tudo o que ele conseguia reparar era nos lábios da mulher, precisava senti-los junto aos seus. Sua mão ficou parada ao lado do rosto dela, afagando-o, sentiu o rosto esquentar com a forma que a encarava. Sem que pudesse perceber se aproximou ainda mais dela, a encarando firmemente, arfou, porque o rapaz estava prestes a beijá-la, quebrando um acordo firmado há segundos. O problema daquilo? É que ela não estava com a mínima vontade de afastá-lo...



Capítulo Cinco

- Oi, galera, quem está a fim de comer? - chegou de repente e quebrou a áurea daquele momento que eles compartilhavam. rapidamente recolheu sua mão de volta ao lugar. quis estapear por interromper os dois, ele era muito tapado mesmo.
e se aproximaram deles em seguida, alheios a tudo.
começou levar as mãos até atrás da roupa, em busca do zíper da roupa. Não conseguiu alcançar, então a ajudou a abrir.
- Falei de comida e a já chegou, ela me entende, certeza. - comentou, apontando para amiga.
- Ahn? - o olhou e depois lembrou do que tinha dito. - Ah, sim, é meu parceiro de comida. Para onde a gente vai? ? Tem alguma ideia? Opção pra sugerir? Aliás, vocês estão intimados a irem junto com a gente – ela apontou para e .
- Bom, tem um restaurante de frutos do mar aqui perto que eu gosto muito de ir. – deu de ombros, levantando-se do chão.
- É bem perto, né? - perguntou, apontando para . - Ele não vai entrar no meu carro assim, e vocês também não. - ela apontou para as irmãs.
- Chata... - revirou os olhos para a irmã.
- Engraçado que eu não estaria assim, se você mesma não tivesse inventado de me molhar. - o garoto reclamou e deu de ombros.
- Essa daí só tá de implicância. Vem, gente, deixa ela aí. - saiu puxando e pelos braços. - Não vou deixar ninguém mexer com meu . - ela olhou para , que ria.
- Você faz parecer que eu sou uma criança que precisa da proteção da mãe. - disse, emburrado.
- E não é? - comentou, pegando a chave do carro nas mãos.
- Eu só queria dizer que estou com fome, então decidam logo onde vamos comer, por favor!? - olhava entediada para todos.
- Como vamos todos? - perguntou.
- Mesmo você odiando, eu vou no carro com você. - se manifestou com um sorrisinho e rolou os olhos.
- Sei que não tenho opção, mais quatro vão comigo, e aí?
- Eu acho que devíamos levar a no porta-mala. - falou, ainda emburrado com a amiga.
- Ei! - ela disse com as mãos na cintura.
- Bom... De qualquer modo, eu vim de moto... ? - coçou a nuca, olhando para a mais nova.
- Sim! Tudo o que você disser é um sim. Vamos, então?
- Por que o não vai com o ? Eles se conhecem há muito tempo, certo? - comentou, não queria sua irmã mais nova na garupa de um estranho.
- Por mim tudo bem, eu vim a pé. - deu de ombros.
- Ela não está errada. - comentou, apoiando . Ela mal conhecia o cara.
- Ai, não corta o barato, gente. Eu vou ficar bem.
- Também não é como se eu fosse sequestrar a . - deu de ombros.
- Nós não sabemos disso... - falou, olhando para o garoto.
- Não está em discussão, , o vai e pronto. Todos separados, podemos? - encerrou o assunto como a boa irmã mais velha protetora que sempre foi.
- Desculpa, . - ela olhou para o rapaz.
- Tudo bem, . Não faltará oportunidades. - ela sorriu para ele, toda ruborizada, mas logo depois o rapaz viu a garota sair, entrando no carro e batendo a porta.
- Bom, se estamos decididos, tô morto de fome. - falou, entrando também no carro, ao lado da amiga.

×××

- Você é um traidor, mas não consigo ficar com raiva de você - cochichou para que só o amigo ouvisse. - E o que combinamos antes de virmos pra cá? O lance de viver intensamente? Você tá me empatando, . Da próxima vez, eu raspo seu cabelo enquanto você estiver dormindo.
- O lance não envolvia você na garupa da moto de um cara aleatório. - ele rolou os olhos.
- Pelo amor de Deus, ! - ela balançou os braços na frente dele, dramaticamente. - Para de ser chato. Credo, parece a . O convívio diário não está te fazendo bem. Já tá virando um amargurado igual ela. - ela disse essa última, olhando para enquanto dirigia.
- A não é amargurada. - ele falou sem pensar, vendo a mulher o encarar pelo retrovisor.
- Mas que...? Você está defendendo ela?! Vocês dois se merecem! Ainda bem que a é minha irmã preferida.
- Obrigada, é muito amor mesmo, não é? - afagou o braço de .
- Engraçado que foi ela quem te cortou, e eu fiquei quase quieta. - reclamou, com vontade de jogar a irmã mais nova para fora do carro.
- ”Quase” não é nada. Você deveria ter me apoiado. Enfim, pé nesse acelerador aí que eu quero chegar logo.
- Eu fiz o que precisava ser feito, eu quero conhecer esse , antes de deixar rolar algo entre vocês, porque é nítido que tem algo aí. Você é minha bebezinha, não quero que se magoe, caras de bandas são um pouco... Mulherengos. - se justificou.
- Agora eu sei o que o pobre do passou. Me lembre de pedir desculpas a ele quando o ver.
- Você está muito revoltada... - falou, sabendo que seria odiado pela amiga.
- , não diga coisas que não sabe, eu já te disse que minha história com foi muito errada. - bufou.
- Ai, , tudo se resolve com uma simples beijo. Se for bom, vai que é sua. Se não, tchau e bençãos pra pessoa. De todo modo... Espera aí, o beija bem? - ela tentou se aproximar da irmã, mas o cinto de segurança a impediu. - Tem pegada?
- Desde quando a conversa virou de mim para o ? - a irmã mais velha tentou se esquivar.
- Desde quando todo mundo quer saber, . - falou, como se fosse óbvio.
- Quando a gente ficou, o era virgem, foi horrível a transa, mas sim, ele beija bem, satisfeitos?
- A gente só perguntou do beijo, informação demais, meu Deus.
- , por que diabos você tem sempre que ser assim? Senta aí e fica quieta! - pediu. Ela o olhou de forma séria. - Por favor?
- Agora vocês param de me atormentar com o . E concordo com o , vamos virar o disco?
- Chega de drama, chegamos. - parou o carro e desceu rapidamente.
- Até o final desse período na Austrália eu entro num hospício. Eu disse a mim mesmo que se eu conseguisse aguentar uma , eu aguentava as outras, mas tá difícil.
- Mas eu sou a sua favorita. - disse.
- Até quando é a questão.
- O que, ?!
- Eita. – colocou fogo.
- Eu não tenho culpa se vocês se fecham cada uma em um mundo, você com o celular ou o , e a com o . - ele deu de ombros, descendo do carro também.
- Eu com o ? Elas me empurrando para o . - desceu do carro, correndo para respondê-lo.
- Então só resta a ? Então ela é sua preferida agora? - viu o amigo ficar vermelho.
- Eu não disse isso.
- Não com essas palavras, mas disse.
- E aí, o que rola? - se aproximou deles junto com .
- Nada. Vamos entrar logo nesse restaurante porque minha fome está quase sumindo. - os deixou para trás, entrando logo no estabelecimento e encontrando que já estava sentada numa mesa para seis.
- Vish, desculpa – levantou os braços.
- Brigaram? - perguntou.
- Briga é normal entre as e aqueles que as rodeiam. Quer mesmo entrar nessa? vale pelas duas juntas - suspirou.
riu enquanto via a mulher se aproximar.
- E aí? Vamos entrar? - olhou para os dois rapazes que a encaravam. - Que foi?
- Nada, o só estava me dizendo que você é maravilhosa e que era para cuidar de você.
- O ? Obrigada, acho? - ela olhou para o amigo. Ele ergueu os braços como se não soubesse de nada e entrou no restaurante, procurando pelas .
- Vamos entrar? e estão nos esperando. - começou a caminhar e os outros o seguiram.
- Desculpa pelo drama de agora pouco. Não sou assim normalmente. - ela disse para .
- Não cai nessa não, que é furada. - disse ao ouvir a fala da amiga quando chegaram na mesa. o olhou de forma matadora.
- Podemos pedir? Agora que todos decidiram se sentar? - perguntou, encarando a todos na mesa.
- O que nos sugere pedir, ? - perguntou, sabendo que o rapaz frequentava o lugar. Estava tentando soar simpática pelos minutos atrás.
- Como um bom australiano sugiro Balmain Bug, que é lagosta, vocês vão gostar. - ele sorriu.
- Por mim, pode ser. - respondeu, ouvindo e concordarem.
- Quero o mesmo. - disse.
- Bom, eu vou de Fish and Chips – disse ao olhar o cardápio.
A atendente anotou os pedidos e saiu.
- E então, , faz quanto tempo que tem sua banda? - o encarava com um sorrisinho meigo.
- E quantos anos você tem também, por favor. - adicionou, seguindo a irmã.
- Bom, eu já toco desde os meus doze anos. Antes tocava solo, mas aí com um amigo formamos o The Sixx. De início foi algo bem amador, só para nos divertirmos, mas acabamos percebendo que poderíamos ir mais além, sabe? Hoje, com meus 22 anos – ele olhou para – estamos em busca de uma gravadora que queira entrar nessa nossa loucura com a gente. Estamos até que nos saindo bem. Digo, entregamos algumas demos para algumas gravadoras, mas elas recusaram. Mas a esperança é a última que morre, não é? - deu de ombros, encarando a todos ali na mesa.
- Já pensou no que a fama pode trazer? Dinheiro, mulheres... - o perguntou, balançou a cabeça, negando.
- Bom, isso é uma consequência, mas embora aparente que eu seja bem mulherengo, eu sou bem tranquilo.
- Ei, , desculpa por antes, tá? - falou baixinho para o rapaz, se referindo ao interrogatório anterior, feito com ele.
- Ah, não se preocupe. - riu.
- O que vocês querem saber mais? Passei no teste? - questionou às irmãs.
- Gostei dele. - deu de ombros, rindo pela pergunta do garoto.
- Eu também, mas não conte isso a ele, deixa ele achar que eu sou a irmã ruim. – cochichou para a .
- Diz aí, ... Hipoteticamente falando... Se você ficasse famoso... Ia viajar o mundo, né? Como seria se tivesse alguém esperando em casa? - questionou, querendo pirraçar a irmã mais nova.
- Eu acho que assim, quando duas pessoas se amam e confiam uma na outra, apesar desse obstáculo, fariam dar certo. Pode ter várias coisas que ponha tudo aquilo à prova, mas se as duas pessoas estão comprometidas o suficiente em fazer dar certo, o esforço vale a pena. Não acham?
- Pois é, eu também acho, viu? - comentou, olhando discretamente para .
- Ele não é maravilhoso, gente? - olhava toda abobada para ele, com a mão apoiando o queixo.
- Nossa, incrível. - resmungou sarcástico, rolando os olhos. - Assim... Hipoteticamente falando também... Se você se envolvesse com uma pessoa que tem um melhor amigo muito próximo... Você sabe que seria um grande perigo, né? Se ele fosse bem grande, forte, e tudo mais...
- , pega aqui seu refrigerante, melhor. - puxou a lata da bandeja do garçom e colocou na frente do garoto.
- Ah, sim, seria um problema, mas é só ter cuidado. - riu. - Tá quase parecendo que eu vou pedir a em casamento. Nem namorando a gente está... bem, não fiz o pedido ainda. - ficou vermelha da cor de um tomate.
- Não, imagina... Aqui o interrogatório é até para beijar na boca mesmo. - deu de ombros.
- Passei por um parecido, , vai se acostumando – riu.
- Acredite, ter a interrogando é pior. - complementou.
- Fazer o quê... Entrar pra família é difícil, gente. Somos muito exigentes. - comentou. - Mesmo que você não esteja realmente tentando, qualquer tentativa a gente já considera. Pode ir com calma.
- Deve, na verdade. - adicionou.
A garçonete interrompeu a conversa disponibilizando os pratos de cada um. Ao receber seu prato, o encarou com nojo.
- Parece que isso aqui tá vivo. - ela pegou a lagosta na mão e começou a balançar. - Como você come isso, ?
- Meu Deus, , não me envergonhe. – olhou para os lados, prendendo a risada. - Para de frescura e experimenta.
- Cozinhar isso deve ser legal. - comentou com ao seu lado, vendo-a concordar.
- Se você não conseguir, pode pegar o meu. – sussurrou para ela.
-Sério? Você faria isso? - ela olhou surpresa para ele.
- Claro, não me importo. - ele trocou os pratos para que ela pudesse comer enfim.
- Se você quiser, posso trocar com você também. - falou para , apontando para os pratos iguais.
- Claro, não me importo. – imitou a voz de , fazendo e rirem também.
- Há há há. Muito obrigada, .

- Preciso ir ao banheiro. - falou, indicando para que se levantasse.
- É, é melhor, tem alguma coisa no seu dente. - zombou, recebendo um dedo do meio como resposta.
- Também preciso. , nos acompanha? - se levantou juntamente com .
- Por quê? - ela olhou para as irmãs.
- Porque meninas sempre vão juntas ao banheiro. Isso que dá só ter amizade com esse garoto. - apontou para .
- Ai, tá bom. - se levantou e seguiu as mais velhas até o banheiro.
- E então, , o que está achando dessa família de loucas? - perguntou ao rapaz.
- Já está íntimo a esse ponto de chamar elas de loucas? Meu Deus. – o rapaz riu. - Mas, bem, elas não são de todo ruim.
- Acho que o problema é a intensidade de tudo. - comentou, rindo.
- Você está interessado em qual , ? A ?
- . - comentou, rapidamente, não dando chance para responder.
- Está tão na cara assim, ? - brincou. - Mas sim, é a irmã mais velha que é a pessoa mais difícil e intensa que já conheci. Essa mulher faz o que quiser de mim.
intercalou o olhar entre os dois.
- Então se você está interessado na , o está na ?
- Quê? - riu. - Não, a gente sobra aqui entre os casais. Sou apenas o melhor amigo da , que vem na bagagem. - ele brincou, olhando para .
- Ah, é mesmo? Vocês são amigos faz muito tempo?
- A vida toda, pelo menos não lembro algum momento em que não tenha sido.
- Está mesmo interessado na ? - questionou o vocalista. - Confesso que não vi vocês conversando no dia do show.
- Não vou negar que estou sorrindo mais ultimamente com a presença dela. Nunca senti algo parecido, então não posso classificar como um amor ainda... ou posso? Você que tem mais experiência com isso, o que acha, vendo de fora? Aliás, você também, .
- Não sou o mais experiente no quesito amor, porque me apaixonei duas vezes na vida, e saí de um relacionamento longo há pouco tempo, mas começa assim, cara.
- Eu nem sei o que é gostar de alguém, cara. - riu. - Não costumo ser o cara que se aproxima das mulheres e sai por aí. Sou careta, normalmente só saio com a e ficamos juntos, rindo dos outros. - confessou.
- Então estamos todos no mesmo barco... e presos a uma de algum jeito.
- Vamos sair mais vezes, , se o garotão aqui não tiver namorando ainda. - referiu-se a . - Podemos incluí-lo também. Vou te apresentar uns lugares legais para você desgrudar da .
- É, pode até rolar. - se animou.
- Eu topo fácil. - concordou. - Tenho mais dois meses aqui, a princípio, então temos tempo. Seria bom sair um pouco da loucura que é ficar com as três.
- Fim de semana está aí, vamos fazer algo. - se animou, seria bom se divertir um pouco.
chegou com as irmãs, logo se sentando.
- Fazer o quê? - perguntou, sentando-se também.
- Nada demais, meninas. - a respondeu rapidamente, trocando um olhar com os rapazes.
- Ah, sei... - arqueou a sobrancelha, sabendo que tinha algo ali.

- Bom, meninas, agradeço pelo convite para o almoço. Nos vemos em breve. - fez um leve movimento de cabeça - , vai querer carona?
- Não vai desviar muito da sua rota?
- Claro que não.
- ... - chamou, trocando um olhar rápido com . - Preciso te perguntar uma coisa. - ele puxou consigo, se afastando. - Podem ir entrando no carro. - ele comentou para e , que o encaravam, sem entender.
- Fala aí.
- Nada não, só queria dar um tempo pra . - riu, apontando para a amiga acompanhando até a moto.
- Nossa, nem tinha me tocado do seu plano, boa, . - riu.
- Acho que tô aprendendo com a . - ele comentou, lembrando-se dela saindo para deixar e sozinhos.
- A é a melhor nessas coisas mesmo, inclusive, tem me ajudado em muito com a . Mas não está fácil.
- Eu acho que ela vai ceder em algum momento. - ele deu de ombros.
- Estou contando com isso. Porque eu realmente gostei muito dela, acho que ainda gosto porque depois de todo esse tempo eu ficar insistindo desse jeito...
- Ela realmente deve ser inesquecível, hein? - o garoto zombou.
- É sim, sem dúvidas. - riu, sem graça.

foi até onde sua moto estava e o acompanhou.
- Obrigada pela aula e pelo almoço. Foi quase um encontro, né?
- Podemos dizer que sim. Sua família é bem animada.
- Obrigada? - ela riu, sem graça. - Bom, só te acompanhei para agradecer e pedir desculpas pelo interrogatório.
- Sem problemas. - ele segurou o capacete com uma das mãos. o beijou no rosto rapidamente. sorriu e se abaixou, segurando seu queixo e se aproximou levemente, depositando em seus lábios um breve beijo. - O que era para ter acontecido mais cedo. – disse ao se afastar lentamente e a encarar. - Obrigado por hoje, .

- Vai demorar, pirralho? - gritou de dentro do carro, olhando pelo retrovisor e conversando. Ele então percebeu que já havia entrado.
- Chata para caralho. - riu, comentando com .
- E eu não sei? Acho que eles já se despediram, o deve estar me esperando. Me passa seu celular para a gente combinar a saída. - digitou seu número para e se despediram.
- Valeu.
- , libera a criança que quero ir embora. - gritou novamente, buzinando, enquanto e riam.
- Todo seu, . - acenou, rindo.

- Pronto, pode sair voando com a sua pressa. - reclamou, entrando no carro ao lado de .
- Você fica de tititi com seu amigo novo, eu quero ir pra casa. - ela deu de ombros, saindo com o carro.
- E aliás, o que estava rolando na mesa quando fomos ao banheiro? - perguntou, curiosa.
- Estávamos conversando, ué. - ele respondeu, simplesmente.
- Mas o quê? - perguntou.
- Coisas de homens, não podemos?
- Você é uma criança, , nada de coisas de homens. - zombou, fazendo rolar os olhos e as irmãs rirem.
- É difícil escutar isso, você é um bebê. - zoou ainda mais, deixando-o vermelho.
- Vocês me irritam. Por que não pegam no pé da ? Temos a mesma idade. - reclamou, bufando.
- Elas pegam, mas é muito mais legal com você, sem dúvidas. - comentou. - Mesmo que não sejam 20 anos de diferença. - ela adicionou, reclamando também.
- Quem fica com as bochechas vermelhas e com vergonha? Você. - virou-se para trás, tentando apertar a bochecha dele.
- Vocês nem viram nada, tem que ver ele tentando ficar com alguém em uma festa. - riu, recebendo um dedo do meio do amigo, que já estava irritado.
- Grava da próxima vez, quero ver. - sorriu.
- Mas dá certo, pelo menos? Porque é legal me chamar de encalhada, mas com 18 eu não era, pelo menos.
- Acho que você tá muito interessada em saber, , você quer testar? - ele questionou, irritado.
- Hum... - soltou uma risadinha maliciosa. - E aí, ?
- Tô encalhada, mas nem tanto. Se você pensou nessa gracinha, quer dizer que você pensou nisso, pirralho? - ela parou no semáforo e virou para trás, o encarando. ficou vermelho e olhou para fora pela janela.
- Gente, ui! - estava adorando assistir aquilo. – Ele com certeza pensou, ficou sem graça! Eu shippo, e você, ?
- Não acho, nada a ver esses dois. - a mais nova deu de ombros, voltando a mexer no celular.
- , menos. Não dê esperanças pra criança. - riu. - E relaxa, , estou brincando com você. Não precisa ficar com vergonha, tá? - ela sorriu para ele, amigavelmente. Ele respondeu da mesma forma, agradecido.

- Ei, . - puxou a mulher quando eles entraram em casa, vendo e subindo as escadas em direção aos quartos.
- Oi. - ela riu, estranhando a atitude do garoto.
- Está tudo bem mesmo? Desculpa pela brincadeira. - ele falou, sincero. Suas bochechas tomaram um tom avermelhado novamente.
- Claro que está, ! Deixa de ser bobo. Não caia na pilha das meninas, elas querem só irritar. Somos amigos, não somos? - perguntou.
- Somos. - ele sorriu, sincero. - Mesmo que você tenha me jogado do píer, sem nem saber se eu sabia nadar. – brincou, lembrando-se de mais cedo.
- É claro que eu sabia, . - ele franziu o cenho, sem entender. - Você é melhor amigo da , realmente acha que eu e não sabemos tudo que é possível sobre você? Mesmo que a gente tenha se distanciado nos últimos anos pela mudança, ainda estivemos presentes. Sei mais do que você pensa. - ela se aproximou, beijando a bochecha do garoto. - Está tudo bem, não entre na pilha, ok? - ele assentiu e viu a mulher subir as escadas atrás das irmãs. Ficou parado ali, rindo de sua atitude incomum.


Capítulo Seis

O ambiente estava escuro e o pouco de luz que vinha era da luz da rua, que passava pela janela da cozinha. As irmãs estavam todas ali, reunidas no sofá, dividindo pipoca enquanto assistiam ao filme Magic Mike. havia saído da sala mais cedo com a desculpa de que não assistiria aquilo, nem mesmo pela melhor amiga, era demais para sua cabeça.
- Gente, eu sei que o Channing é tudo nesse filme, mas minha paixão ainda fica com o Alex Pettyfer. - comentou, encarando a tv.
- Qualquer um dos dois na minha cama eu seria a mulher mais feliz desse mundo. – abriu um sorrisinho malicioso.
- Sonho distante. - respondeu, atirando pipoca em .
- Meu Deus, vocês estão mais assanhadas que eu. O que há? - riu enquanto pegava mais pipoca.
- Falta. - as duas responderam em uníssono.
- Eu atendo. - passou gritando para as meninas, descendo as escadas apressado para atender a campainha que acabara de tocar.
As meninas pararam o que estavam fazendo para prestar atenção na cena que ocorria ali, diante dos olhos delas.
- Hey, cara! - o saudou assim que a porta foi aberta, fazendo um high-five com ele. - Oi, meninas.
- ? - perguntou, levantando o olhar do sofá que estava deitada e vendo as irmãs fazerem o mesmo, encarando a porta. - O que está fazendo aqui? Sem querer ser mal educada... - ela riu.
- Hm... Se vocês não se importarem, o me chamou para sair com ele. - comentou, timidamente.
As garotas encararam mais uma vez os dois, incertas. vestia uma bermuda em um tom azul claro, com uma blusa preta e seus All Star também pretos nos pés, era possível sentir seu perfume de onde estavam. Assim como , que tinha um perfume maravilhoso, lembrou do dia da praia. Ele vestia uma camiseta de cor branca, uma bermuda jeans na cor preta, e um All Star branco nos pés. Elas se entreolharam, de sobrancelhas arqueadas.
- Olha só que bonitinho, ele finalmente vai tirar a bunda de casa. - comentou, rindo. - Aproveita, meu bem.
- E eu posso saber onde você vai levar o nosso pirralho? - perguntou, encarando ao invés de olhar para .
- Vou mostrar as noites maravilhosas de Melbourne, esse garoto aqui precisa ser iniciado. – sorriu, animado. que até então estava calada, rolou os olhos, eles iam à caça aquela noite, sentiu um leve incomodo.
- Aproveitem vocês dois. - disse e voltou a atenção para a tv.
estranhou não vir nenhum comentário espertinho da mais nova.
- Tudo bem... - ele respondeu, com a testa franzida. - , , tudo bem por vocês? - perguntou, lembrando da implicância das meninas com e na semana anterior.
- Claro, divirtam-se! - respondeu pelas duas.
- Só porque você está com , senão íamos fazer pior do que com a , pode ter certeza. - deu de ombros. - Cuide dele, não estou com vontade de enfrentar uma mamãe ursa furiosa se algo acontecer, somos responsáveis por ele aqui. - ela olhou seriamente para .
- Ei! - ralhou com a irmã. - Estamos no século vinte e um, meu amor. Já ouviu falar de direitos iguais?
- Já, e sou bem adepta. Só não sou adepta a caronas em garupas de moto de rockstar wanna be. - respondeu, direta, vendo os dois garotos acenando e fechando a porta.
- Rockstar wanna be? - olhou para a tv, mas tinha o olhar perdido, com um sorriso no rosto enquanto passava o indicador no lábio inferior. - E que rockstar, minhas irmãs...
- E nós estamos piores que você? - jogou a almofada na irmã. - Inclusive, , acho que você está perdendo seu homem, viu?
- Decidimos na praia que seríamos amigos, que ele fique com quem ele quiser. - deu de ombros. - Inclusive, podíamos sair também, não é?
- Ah, eu não estou muito no clima. - respondeu, fazendo bico. - Não vou achar um cara assim em lugar nenhum de Melbourne. - ela apontou para cena que passava na TV.
- Eu muito menos. - concordou.
- Tem razão, vamos ficar vendo esses deuses. - comentou, derrotada.
- Mas não se esqueça, ... Você tem um deus esperando por você. - piscou, gargalhando ao ver a reação da mais velha.

×××

- O vai encontrar a gente aqui? - perguntou para enquanto entravam no lugar que o homem havia escolhido.
- Sim, inclusive ele já deve estar aqui – procurava o amigo com o olhar enquanto andavam pelo lugar.
- Você acha que as meninas ficaram bravas? - o mais novo perguntou, também buscando por , estava preocupado, já que estava na Austrália apenas por conta de estar com elas.
- Acho que não, . É só uma saída de amigos, mulheres não têm dessas coisas também? - deu de ombros, despreocupado.
- É. - ele tentou relaxar, observando o lugar. - Ali, ele. - apontou para , encostado em um canto, mexendo no celular. - Ele e a são o par perfeito. - riu, vendo concordar.
levantou a cabeça do celular e encontrou seus... amigos? É, já poderia chamá-los assim, haviam conversado muito durante a semana que passara. Viu e se aproximarem de onde estava e se cumprimentaram.
- E aí? - sorriu do jeito de ser. - Foi sufoco sair de casa? - ele andava conversando muito com além dos rapazes, então sabia como a família poderia ser difícil às vezes.
- Até que não. - riu, já mais despreocupado. - Acho que a implicância das é com você mesmo. - ele deu de ombros.
- Tem que ter paciência, logo, logo você conquista o coração das irmãs, ao menos de uma você conseguiu. - deu um sorrisinho sacana.
- E como conseguiu... - comentou. Conhecia a melhor amiga, sabia que ela estava completamente jogada aos pés de .
- E é a que mais importa pra mim. - riu e depois olhou para . - Nesses tempo de amizade, você nunca tinha me trazido aqui.
- Ok, , eu te chamo no nosso próximo encontro romântico. – zombou do vocalista.
- E eu irei adorar. - estalou um beijo no rosto de brincando com o amigo. Olhou para e ele os olhava estranho.
- Gostariam que eu me retirasse? - brincou.
- Não, a gente curte um relacionamento a três - gargalhou.
- Tá difícil até ter um em dois, quem dirá três, pessoal. - ele respondeu, rindo.
- Ele é sempre assim? - apontou para . - Temos que sair mais com ele, . - ele disse enquanto mantinha um dos braços em volta do pescoço de .
- Com certeza, . - sorriu - Menino , seja sincero, você já transou?
- Calma aí que a ingenuidade existe, mas não é tanta, é só o papel. - o garoto respondeu. - Não acreditem tanto assim nas brincadeiras das , principalmente , até porque ela sabe sobre tudo da minha vida e ainda assim gosta de me pintar de bom moço por aí para me encher. - reclamou.
- Hum... então você gosta de agir na surdina, isso aí! - deu um soquinho fraco no ombro dele.
- Quem come quieto, come sempre. - brincou, tentando entrar na onda dos dois, rindo da própria frase idiota.
- Meu Deus do céu - balançou a cabeça, desacreditado. - Como diz um amigo da banda, vamos começar os serviços. - chamou um barman e pediu bebidas para todos.
- Caras, o exagero é brincadeira, ok? - ele voltou atrás, se sentindo envergonhado novamente e pegando a cerveja no balcão. - Mas o High School corrompe as pessoas, antes disso eu era realmente um idiota. – riu.
- Relaxa, , você é muito certinho. Espero que a universidade te corrompa de vez. - brincou, lembrando-se de seus tempos de fraternidade.
- Imagino que um intercâmbio faça ainda mais, né? - o garoto respondeu, zombando de .
- Bom, eu já sou bem corrompido mesmo não tendo passado completamente por uma faculdade. - deu de ombros enquanto bebericava sua cerveja. - E antes que me julgue, eu sou um corrompido moderado.
- Todos falando sobre serem corrompidos, papo super cabeça... Mas perdem o coração fácil para uma .
- Fala com tanta propriedade, , está perdendo a cabeça por uma também? - tomou mais um pouco de sua bebida.
- Nem brinca com isso, já rolou esse papo semana passada e foi bem esquisito. - ele fez uma careta. - Apenas amigos. E não é como se a pudesse olhar para mim dessa forma. - o garoto riu, virando uma grande quantidade da cerveja.
- Como assim? - perguntou, curioso. - Quer dizer que ela não pode ter interesse em você e nem você nela? Qual o problema?
- Sou melhor amigo da , algo sobre me odiar porque éramos chatos demais quando pequenos e todo o blá blá blá de “te vi crescer com a minha irmã mais nova”. Eu não disse que não podia ter interesse nela, mas seria idiotice.
- Ela só faz isso pra te provocar, porque sabe que você se irrita com isso. A partir do momento que você passar a ignorar ela, ela irá te olhar com outros olhos e aí, meu querido, corre pro abraço.
- é gostosa, . Se eu não fosse tão amigo dela ou não estivesse interessado na ... - complementou.
- Podem me explicar como chegamos nisso? Em nenhum momento falei que tinha interesse, já sofro demais com a , obrigado. - ele riu, tentando ignorar os comentários.
- Vai me dizer que você nunca reparou na ? Tipo, olhar mesmo? - bebeu sua cerveja e encarou .
- Com licença, rapazes. - o barman se aproximou deles dizendo. – Aquelas moças ali pagaram essas cervejas para vocês.
Os três se entreolharam e deram de ombros, acenando para as mulheres que estavam do outro lado do bar.
- Eu vou. - riu, apontando para direção em que elas estavam.
- A diversão finalmente começou. - levantou a cerveja em direção as moças. fez o mesmo, mas sem dar tanta importância.
- Aproveitem bem vocês dois. – riu, balançando a cabeça e bebendo mais de sua cerveja, comendo alguns petiscos.

×××

- Quer saber? Estou de saco cheio desse sofá, podíamos ter uma noite das meninas também. - levantou depois de duas horas que tinha visto e saírem, decidida.
- Amém! - se levantou do sofá em um pulo.
- Bom, eu vou ficar em casa, bem quietinha. Estou morta de sono. – se esticou do sofá, se levantando e colocando a almofada no lugar. - Boa saída para vocês.
- ! Não acredito, logo você? - reclamou.
- Tá com febre? - colocou a mão na testa dela.
- Osh, me deixa, garota, eu tô bem. - riu da reação imediata da irmã. - Só não estou a fim.
- Invés de sair, vai ficar de sexting nesse celular. - zombou, apontando para o aparelho na mão da menor.
- E não é um programa muito melhor do que sair com duas solteironas e que são velhas, ainda por sinal? - ela gargalhou.
- Velha é a . - se defendeu, rapidamente, rindo.
- Ingratas! – pulou em cima de , bagunçando o cabelo da irmã, que começou a rir.
- Bom, nós vamos então, pestinha. Vou levar a para um lugar legal, quem sabe ela melhora o mau humor.
- Você quer um soco agora ou depois? Estão muito abusadas vocês duas. – mostrou o dedo médio a .
- Pode ser depois, vou me arrumar. - mostrou a língua e correu escadas acima. riu e subiu atrás dela.

[]: O que você está fazendo?
[]: Tô vestida para ir dormir, mas eu simplesmente não consigo pegar no sono.
[]: E você? Tá fazendo o quê?
[]: Então, eu saí com os caras.
[]: e ? Não brinca! 😂
[]: É, pois é... Só que agora estou sozinho em um canto enquanto eles paqueram.
[]: Tá bem chato. Não gosto de ficar de vela.
[]: Mas me consolo porque pelo menos tenho alguma diversão. Eles não têm tanto jeito assim.
[]: Ah, sério? E você tem?
[]: O quê?
[]: Jeito pra paquera.
[]: Bom, acho que sim... Mas por que a pergunta?
[]: É porque a forma que você falou pareceu que você teve bastante experiência...
[]: Eu senti um tom de ciúmes? 👀
[]: Eu, com ciúmes? Jamais!
[]: Enfim, se tá tão chato, por que decidiu sair com eles?
[]: disse que eu já estava caidinho por uma moça aí. Uma tal de , então eu meio que acharia tudo desinteressante sem você aqui.
[]: 😳
[]: Sabe o que estava pensando aqui? De apressarmos o nosso encontro.
[]: Porque você ainda me deve... Você sabe, pela aula...
[]: Anima?
[]: Claro, mas não vai ficar chato? Porque você saiu com os meninos e de repente vai sair daí para me encontrar?
[]: Eles esqueceram que eu estou aqui. Vou te buscar aí na sua casa. Me manda o endereço.
[]: Você bebeu? Porque se você bebeu, nem que me pague eu subo na garupa da sua moto.
[]: Bebi um pouco, mas faz tempo, então o efeito já deve ter passado.
[]: Sério mesmo? Sou doidinha, mas não a esse ponto.
[]: Sério mesmo. Pode confiar.
[]: Certo. Me dá só 20min e a gente se encontra. Vou te mandar o endereço.
[]: Ok.
×××

- Eu costumo vir bastante aqui, gosto desse lugar. - comentou com , entrando no local escolhido. Era o lugar que ia sozinha ou acompanhada, e até mesmo ia se estivesse feliz ou triste.
- Parece bem legal aqui – deu uma checada rápida pelo ambiente. - Vamos dançar?
- Bom, acho que é a melhor opção, não vou beber. - respondeu, guardando a chave do carro.
- Justo, porque eu vou beber por nós duas. Não me deixa fazer nenhuma besteira, ok? - suplicou.
-Vou tentar. O único perigo é eu achar um bonitão e te deixar aqui. - brincou com a irmã.
- Se isso acontecer, eu vou entender – sorriu.
- Não faria isso, só deixando claro. - ela riu. - Mas vamos, vou cuidar de você bebendo. - ela apontou para o bar, antes do local aberto em que todos dançavam.
- Vou começar bebendo algo doce. Vamos ver o que Melbourne tem a me oferecer – sorriu, animada.
×××

estacionou a moto em frente à casa das e mandou mensagem para , dizendo que já estava lá. Ela disse que já iria descer.
Antes de sair do bar, pensou se avisava a ou dos seus planos, mas eles estavam bem entretidos com algumas mulheres. que não iria estragar a onda deles, então decidiu só por mandar uma mensagem os informando.
Ouviu o som de uma porta se fechando e levantou a cabeça, olhando para a mulher que saía.
estava linda como sempre. Vestia uma blusa branca com uma jaqueta por cima, calça jeans azul e tênis vans. O cabelo estava preso.
Quando ela se aproximou o rapaz a beijou no rosto. Não sabia muito bem como agir depois do beijo do almoço que tiveram.
- Olá. - ela sorriu para ele.
- Olá para você também.
- Para onde vamos? - ela questionou enquanto ele colocava o capacete nela e o prendia. - Não é nada muito chique, né? Eu não me sinto bem em lugares assim.
- Como assim? - riu - Sua irmã tem um restaurante de nome na cidade, .
- Mas é diferente. Ela é minha irmã. E você não respondeu minha pergunta.
- Não é tão chique, mas também não é nada de ruim. Não se preocupe.
Ele subiu na moto e deu apoio para que ela fizesse o mesmo.
- Segura firme, tá?
- Não corre, pelo amor de Deus - ela riu enquanto via o rapaz ligando a moto e dando início à viagem.
A garota nunca havia andado em uma moto na vida. A sensação era desesperadora, mas libertadora ao mesmo tempo. Fora a adrenalina que você sentia quando começava a deixar seus medos e inseguranças de lado. Ela então abraçou pela cintura e descansou a cabeça em suas costas, sentindo o cheiro do perfume de até chegarem no lugar do encontro.

×××

As irmãs haviam passado um tempo dançando, mas após o calor da pista às vencer, caminharam em direção ao bar do local. optou por um drink de morango, já optou por uma água sem gás.
- ... - deixou a água no balcão, suspirando. - Eu acho que acabei de descobrir para onde saiu com o pirralho. - ela riu e limpou a garganta, encarando a pista de dança ao longe, de onde elas tinham voltado.
- Ah, não. Não me diga que... - deixou a frase morrer quando viu dançando de forma sensual com uma mulher enquanto eles se beijavam.
- É... Acho que você não deu conta do seu surfista, é isso que acontece. - zombou, mas se sentiu culpada ao ver a expressão da irmã, que fingia não se importar. Sabia que seus sentimentos de anos e anos atrás haviam ficado balançados com o reencontro.
- Ele é solteiro, faz o que quiser, eu também sou e faço o que eu quero.
- Tudo bem. - deu de ombros, concordando. - Mas abre um sorriso aí, essa expressão não combina com a frase.
- Eu só fiquei surpresa demais de a gente ter vindo para o mesmo lugar que eles.
- Eu nem pensei que pudesse vir para cá, mas esse lugar é o que mais venho, assim como ele também, e muitas vezes viemos juntos. - ela sorriu, culpada.
- Que seja, o destino gosta de me colocar nos mesmos lugares que ele.
- Bom, pelo menos dessa vez foi só uma nova coincidência em Melbourne, e não do Peru para Austrália. - a irmã brincou, tentando aliviar o clima enquanto ainda encarava a cena ao longe.
- Com certeza, pelo amor de Deus, foi muita falta de sorte. – ou não? Completou mentalmente.
- Olha... - pensou, respirando fundo. - Mesmo entre todas as brincadeiras, saiba que eu realmente gosto do , e acho que vocês poderiam se dar bem. Sei que se conheceram e ficaram de uma forma incomum, mas vale a pena pelo menos conhecê-lo um pouco. - ela deu de ombros.
- Eu realmente não sei, dessa vez não quero brincar com os sentimentos dele, e ele parece querer se envolver e bom, eu não.
- Ok, se você diz. - ela sorriu, percebendo que era melhor não insistir.
- Vamos dançar, cansei de falar disso. - cortou rapidamente o assunto, puxando a irmã de volta para a pista.

×××

puxou a cadeira para que pudesse se sentar. Ela olhava o lugar fascinada.
Eles haviam ido até o restaurante de um amigo dele, Hector. O lugar era bem iluminado, com lustres enormes que além de iluminar, decoravam o local. As cores do local variavam do cinza chumbo ao branco. Na parede, havia algumas imagens de países. Tinha discos de bandas famosas também. O local era especializado em comida italiana, então que maneira melhor do que trazer alguém para um primeiro encontro?
- Esse lugar é lindo, .
- Não deixa o Hector ouvir, senão ele vai se juntar a nós no jantar e contar toda a história do restaurante. - brincou.
- Como você conheceu ele?
- Bom, o Hector sempre foi um cara que viajou muito, então nos conhecemos no festival de rock na Alemanha, o Wacken Open Air em 2016, que acontece todos os anos no verão europeu.
- Que legal você conhecer alguém em um lugar onde normalmente batem cabeça - ela brincou.
- Sim, pode-se dizer que sim. O grupo que tinha ido se envolveu em uma briga, que gerou a maior confusão e tivemos que nos dispersar depois para não sermos expulsos. Acontece que um tempo depois, quando saí tarde da noite para andar, encontrei com ele. O cara é muito bom de memória, viu? Não se esqueça disso. - riu.
- Pode deixar que não vou esquecer.
O local estava com iluminações que faziam com que tornasse o ambiente mais aconchegante. As cadeiras não combinavam entre si, mas pareciam confortáveis. Havia dois andares. e estavam no de baixo, próximo ao vidro que dava para a rua movimentada. O cheiro que saía por ali era muito gostoso e despertou uma fome que não sabia que estava. Os cardápios estavam depositados na mesa quando chegaram, então analisaram atentamente o que iriam pedir.
- Só não me diz que você vai pegar outro caranguejo, que aí eu não vou poder te salvar dessa vez, hein. - estava atenta às diversas opções que tinha ali, que quando olhou para , o mesmo tinha as mãos entrelaçadas sobre a mesa e a encarava, sorrindo.
- Ah, para, ali você ganhou uns pontinhos com as minhas irmãs. Elas não esperavam que você fosse ser tão fofo.
- Então eu sou fofo?
- E não está óbvio?
- Bem, fofo nunca esteve no meu vocabulário. - franziu os lábios e deu de ombros.
Ambos caíram na risada, e foram surpreendidos pelo garçom.
- Eu vou querer o de sempre, Carlos. Obrigado. - entregou o cardápio e olhou para , para que ela fizesse o pedido.
- Irei pedir Cacio e Pepe, obrigada. - o garçom anotou os pedidos e saiu da mesa. - Então, o que seria o de sempre para você?
- Tagliatelle al ragu - arriscou um sotaque italiano. - Sou uma pessoa fiel, . Quando Hector me apresentou aos pratos, esse me conquistou.
- Então quer dizer que eu também não sou a primeira mulher ao qual você traz aqui? - resolveu brincar, e ficou encarando ela, analisando como responderia.
- Por quê? Já está com ciúmes? - ele resolveu entrar na brincadeira também.
- Relaxa, , eu não sou ingênua não. - ela abanou o ar para deixar para lá - Então… Hector está por aqui? Gostaria de conhecê-lo.
- Há dias que ele não trabalha, e um desses dias é hoje.
- Ah, poxa, que pena. Bem, de qualquer forma, não faltará oportunidade para conhecê-lo.
- Então haverá um outro encontro? - sorriu.
- Se o lugar desse possível outro encontro for aqui, sim.
E durante aquela noite, e compartilharam um com o outro seus medos e anseios para a vida, além de algumas memórias da infância, muitas dela que incluíam suas irmãs e . Destacou que era uma das pessoas mais importantes na sua vida e que o considerava como um irmão. Confidenciou também como foi difícil para ela quando as irmãs saíram de casa e seguiram com suas vidas e que foi sua chavinha de salvação. contou que possuía 2 irmãos mais velhos e que eles já eram casados. Um deles ia ser papai daqui a poucos meses, além de dizer que havia ido para a faculdade, mas abandonou o curso ao qual havia escolhido por não ter sentido tanta afinidade assim. Poucas pessoas sabiam daquele detalhe. Não gostava de contar para todo mundo.
Riram muito em diversas ocasiões, pois motivos não faltaram ali e aproveitaram muito bem a comida que o restaurante do Hector havia feito.

×××

- Acho que você está sendo observada. - apontou para um homem que as encarava do outro lado da pista.
- É bonito? - ajeitou os cabelos.
- Muito. - falou sincera, encarando o homem.
- Se eu for lá seria muito atirada? - deu uma checada rápida no rapaz, aprovando-o.
- Nem um pouco. Vai lá. - arrumou a gola simples da blusa da mais velha.
- Prometo não demorar, não quero te deixar sozinha. - sorriu, confiante.
- Aproveite, vou procurar algo também. - piscou para irmã, olhando em volta e encontrando algo que a deixara ainda mais animada. Riu sozinha com o que faria.
- Feito, até mais tarde. - acenou para a irmã e abriu um largo sorriso em direção ao homem que sorriu galanteador em sua direção.

andou até o bar e pediu outra água, sempre olhando para trás para não o perder de vista.

- Ai meu Deus, me desculpe. - ela esbarrou no garoto, derrubando água em suas costas. estava conversando com uma garota e xingou mentalmente quando sentiu o líquido em suas costas.
- Está tudo... - ele se virou, vendo uma que tentava esconder um sorriso travesso. - Não está muito bem não. - ela gargalhou. - O que está fazendo aqui?
- Aproveitando a noite com a , mas não aproveitando tão bem quanto você, aparentemente. - ela sussurrou para o garoto.
- Aparentemente não estou mais aproveitando tão bem assim, graças a você. - ele sussurrou de volta, brincando.
- Já estou indo. - ela mostrou a língua, virando-se para andar na direção oposta. - Ele é bem legal, vai na fé. - ela gritou para que a garota a ouvisse.
saiu de perto do garoto, rindo da cena que tinha feito.
- Ei. - sentiu seu pulso sendo puxado, e se virou, encontrando . - Oi. - ele sorriu para mulher, que o olhou de sobrancelhas arqueadas.
- Minha intenção era apenas te irritar, não que você decidisse fazer o mesmo.
- É assim que funciona, não é? Você tenta, eu tento fazer o mesmo. - ele deu de ombros, rindo.
- Eu acabei estragando, né? - ela perguntou, sentindo-se culpada.
- Um pouco, mas eu não me importo. - ele riu, tentando tranquiliza-la. - Estou indo pegar algo para beber, me acompanha? Acho justo você beber algo, já que eu derrubei sua água, não? - ironizou, apontando para o copo vazio na mão da mulher, que rolou os olhos.
- Eu acho que se você queria uma noite dos garotos e fugir um pouco de nós, eu te acompanhar até o bar não vai ser a melhor ideia, .
- Eu não disse que queria fugir de vocês.
- Mas nós podemos considerar isso, estamos te enlouquecendo. - ela riu. - E você merece se divertir, todas nós, na verdade. Por isso saímos também. - ela pediu uma coca-cola ao se aproximar do balcão novamente, vendo pedir uma cerveja. - Já é a vigésima? - encarou o garoto.
- Não me enche. - ele sorriu, puxando-a mais para o lado e encostando-se no canto do balcão. - Se eu ficar aqui com você um pouco, vou estar atrapalhando a questão de diversão individual? - perguntou, observando a mulher que chacoalhava a cabeça no ritmo da música que tocava.
- Acredito que só a sua, . - ele negou com a cabeça, dando de ombros. - Como foi até agora? - perguntou, maliciosa, fazendo-o rir.
- Bem.
- E nem corou, a cerveja faz milagres, hein? - ela apertou as bochechas do garoto e riu ao vê-lo rolar os olhos.
- Muito. Inclusive, assim que você acabar sua coca-cola, vamos dançar. - ela o observou com um sorriso no rosto, surpresa.
- Ok. - não pensou em dizer não, nem por um segundo. Seria divertido, sabia se divertir.

se despediu do rapaz que havia trocado momentos quentes e agora procurava com o olhar, mas não estava localizando a irmã. Pegou o celular da pequena bolsa que estava com ela, mas antes que pudesse digitar alguma coisa, o aparelho foi ao chão com a trombada que recebeu de uma mulher extremamente alcoolizada.
- Olha por onde anda, imbecil! - comentou, brava. Abaixou-se para pegar o celular do chão e antes que pudesse alcançá-lo alguém o fez por ela. - Obrigada – agradeceu a quem quer que tivesse a ajudado, mas quando direcionou seu olhar para cima, viu que conhecia bem aquele rosto.
- Oi! - sorriu para ela, estava levemente alterado pelo consumo de bebidas. - Vem sempre aqui? - brincou, se aproximando dela, e lhe dando um beijo na bochecha
- Oi – riu, voltando seu olhar ao celular para ver se ele não havia danificado pela queda. - Sempre, meu lugar favorito. - entrou na brincadeira do rapaz.
- Ficou com inveja de me ver saindo e quis fazer igual? - ela abriu a boca, rindo irônica.
- Jamais, está se achando muito, baixa a bola aí. - mal ele sabia que sim, ela havia tido vontade de sair por causa dele.
- Hum... sei – ele jogou, a vendo ficar irritada. - Já que esta frágil donzela está desacompanhada nesse lugar, o que acha de aceitar dançar com esse humilde rapaz? - sorriu, estendendo a mão na direção dela.
- Essa donzela aqui aceita sim. - segurou a mão dele, e o puxou para a pista de dança.
Começaram a dançar de forma louca, os dois estavam com álcool no sangue então as coisas estavam muito mais leves entre eles.
- Se mexe, – ela mexia-se no ritmo da dança e o homem tentava acompanhá-la, mas era uma tarefa humanamente impossível.
- Não sou um bom dançarino, . - ela sorriu.
- Me segue, ok? - segurou ambas as mãos dele e foi mexendo-as conforme se mexia, arrancando um enorme sorriso do homem.
era incrível mesmo aos seus olhos, ele estava hipnotizado com a forma como ela se movia e tentava o fazer se mover também, era tão gracioso, ao mesmo tempo sensual, mas era , ela respirar era sensual para aquele pobre homem.
- ! Você não está se esforçando. - chamou a atenção dele, que ainda a encarava maravilhado.
- Eu tô tentando, juro, mas... - apertou a mão direita dela, a entrelaçando com a sua. - Tem algo em você que... - ele parou de mexer-se e ela o imitou. - Me encanta de um jeito louco.
- Lembra que a gente combinou que seríamos amiguinhos? - mordeu os lábios, com um pequeno sorriso.
- Ainda quero ser seu amigo, mas um amigo que pode te beijar eventualmente. - ele arriscou, tudo o que mais queria desde que a viu em Melbourne descendo desengonçada daquele carro era encostar sua boca na dela.
- , eu não vou ficar em Melbourne, ok? Eu vou voltar para Dublin ao fim desse verão... - suspirou, derrotada, ela o queria não conseguia mais negar. - Prometa que não vai se envolver.
- Eu prometo o que você quiser. - se ela quisesse que ele prometesse que ele iria à lua, ele prometeria, ele só a queria mesmo, e faria qualquer coisa para tê-la.
- Ninguém vai saber disso, combinado? - ele assentiu com a cabeça.
- Ninguém vai saber, fica tranquila. - ele concordou rapidamente, e de forma até desesperada.
- Que seja, espero não me arrepender disso. - se aproximou dele e o beijou.
O beijo começou urgente, os dois queriam aquilo mais do que tudo. Suas mãos estavam inquietas, de uma forma louca queriam se explorar. Se separaram, ofegantes, o puxou para um canto mais afastado do local, no qual ninguém pudesse os vê-lo, e lá eles voltaram a se beijar de forma ainda mais intensa.
Tinha se esquecido como ele beijava bem, se repreendeu internamente por não ter o beijado antes. As mãos dela percorriam por todo o corpo do homem, mas estacionaram em sua barriga, ela sentiu a barriga definida do rapaz, e suspirou entre o beijo, e se separou minimamente dele.
- Não tinha isso aqui quando eu te conheci, . - ela sorriu maliciosa.
- Não tinha muitas coisas, , eu evolui e foi para melhor, assim espero. – ele tirou uma mecha de cabelo do rosto dela, a encarando de forma terna.
- Foi sim. - ela lhe deu um selinho curto. a pegou pela cintura a trazendo para perto dele de uma forma rápida. - Definitivamente não tinha isso aqui também.
Ele riu, voltando a beijá-la mais uma vez naquela noite.

×××

- E você realmente dança? - perguntou, encarando-o enquanto ele começava a se mexer de um lado para o outro em sua frente.
- Sei me mexer, acho que isso já conta.
Os dois dançavam a música eletrônica que tocava, um de frente para o outro, encarando-se algumas vezes, e mantendo os olhos em volta em outras. Sempre que olhavam um para o outro, riam como duas crianças, como já faziam naturalmente. fazia caretas para , que o observava com um sorriso no rosto.
Quando a música tocou para um pop mais ritmado, o garoto se aproximou de , colocando uma de suas mãos na cintura da mulher, que o encarou com uma sobrancelha arqueada.
- Está muito abusado, pirralho. - ela riu, colocando seus braços por cima dos ombros dele.
- Não sei por que você insiste nesse apelido. - falou, sincero.
- Te incomoda? - ela perguntou.
- Um pouco.
- Está aí sua resposta. - ela piscou, vendo-o sorrir de lado.
- Justo.
encarava . Tendo seus corpos próximos, ele podia entender o motivo de e o terem pressionado antes. Ele sorriu sozinho, realmente era maravilhosa. E em todos os sentidos, pois ele adorava ficar ao lado da mulher. Eles conversavam sobre tudo, ela o apoiava em suas decisões quando tocavam em qualquer assunto sério, eles riam juntos o tempo todo. Ela era uma pessoa que ele queria manter em sua vida, principalmente se ficasse ali na Austrália, mas não conseguia pensar dessa forma, pois sabia que ela nunca deixaria de vê-lo como o melhor amigo da irmã.
A diferença de idade entre eles era de apenas sete anos, apesar das brincadeiras, era tão jovem quanto ele e . Achava que a diferença estava apenas no que ela já tinha conquistado nesses anos, como morar sozinha em outro país, e ter o próprio restaurante. Ele ainda tinha muito chão pela frente para chegar naquela fase de apenas viver, ainda tinha muito para lutar.
- ... - ele começou, pensando se poderia perguntar o que estava em sua cabeça. Respirou fundo e aproximou sua boca do ouvido dela, para que o ouvisse. - Você realmente me vê assim? - perguntou. - Juro que é uma pergunta geral, queria entender como as pessoas me veem. - ele se atrapalhou nas palavras, tentando organizar os pensamentos.
- Assim? - ela perguntou, sem entender.
- É, pirralho e tudo mais. - ele riu, vendo-a rir também.
- Não. - respondeu, sincera. - Ainda menos depois de hoje. - ela sorriu, apontando para os dois e em seguida para o local.
- Ah. Legal. - ele deu de ombros, sorrindo sincero.
percebia que a cada dia daquele mês, estava passando mais tempo próxima a . Os dois se encontravam pela casa e começavam a conversar. Quando estavam entre as irmãs, de alguma forma, acabavam em uma discussão própria. Se saiam, estavam sempre próximos, se divertindo e divertindo aos outros com suas brincadeiras. Uma das noites naquela semana, haviam até mesmo passado a noite acordados, vendo filme juntos no sofá.
curtia a companhia dele, e se sentia confortável até mesmo ali, dançando com o garoto. Suas brincadeiras os haviam dado intimidade de uma amizade de anos, e em meio a tantas conversas, ela parara de ver apenas como o amigo de , e agora o via como uma pessoa próxima dela também. Com seu jeito inseguro e adorável, o garoto conquistaria tudo, e ela sabia que ele tinha um futuro incrível para seguir, no que fosse. Ele era incrivelmente inteligente, e ela sabia que ele tinha uma mente à frente de sua idade, sempre pensando longe, o que a cativava, pois via muito de si mesma nele. Ela não o via como um pirralho, mas ainda era incrível chamá-lo assim para irritar.
Observou o corpo de próximo ao seu e tentou afastar o pensamento que a atingiu, de que nem assim o via daquela forma. era lindo, e ela não negaria isso para ninguém que a perguntasse. Estava acostumada a ficar com homens mais velhos, como Luke, seu caso de sempre, mas sabia reconhecer qualquer beleza, e o garoto podia tirar suspiros de qualquer uma. Riu do próprio pensamento e viu o garoto a encarando, curioso.
- Não é nada, só um pensamento bobo.

- Finalmente te achei, apareceu desesperada na frente da irmã. - Achei que tivessem te abduzido. - Oi, !
- Estávamos aqui há muito tempo, que estranho. - riu. - decidiu me fazer companhia.
- Eu fui péssima, disse que seria jogo rápido e sumi por algumas boas horinhas. - lamentou-se.
- Espero que tenha aproveitado. - a irmã falou, sincera.
- Aproveitado o quê? - apareceu, juntando-se aos três.
- A noite, ! Nem sabia que estava aqui também. Oi! - sorriu para ele.
- Mas a gente viu ele, . - a encarou, estranhando o comportamento da mais velha. riu, trocando um olhar rápido com .
- Ah, nossa, verdade, o vimos no bar. Relevem estou com álcool no sangue. - deu de ombros.
- Não vou te julgar, estou meio tonto também. - comentou.
- Então vamos embora. - falou, imaginando que, pelo horário, era por isso que havia vindo atrás dela.
- Sim, estou cansada, confesso. Quero um bom banho e minha cama. - comentou, com a expressão desanimada.
- Vamos, então. Tudo bem por você, ? - perguntou.
- Viemos de uber, justamente porque eu beberia, então por mim ok, agradeceria a carona. Engraçado, a não veio com vocês? - comentou, curioso.
- Disse que estava muito cansada. - falou. - Vai entender.
- Interessante, porque o foi embora há muito tempo dizendo que ia encontrar alguém. - especulou.
- O estava aqui? - perguntou, arqueando as sobrancelhas. - Filha da puta essa sua irmã, .
- Enganou a gente direitinho, eu sabia que ela estava aprontando algo, desde quando ela recusa alguma coisa? - a irmã mais velha complementou .
- Agora já foi, né? - comentou, bocejando. - Em casa encontramos ela e vocês podem brigar.
- Ela que me aguarde. – murmurou.
- Quando você estiver sóbria, né? - zombou, finalmente saindo do local e andando até o carro com todos a seguindo.
- De preferência amanhã, não? - sorriu.
- Definitivamente amanhã. - concordou com ele.
- Só quero minha cama. - comentou.
- Eu também. - concordou e repensou a frase. - A minha cama. - sentiu a necessidade de completar, mesmo sabendo que ninguém pensaria o mesmo que ela.
- Seria mesmo na sua cama, na de quem seria? - arqueou a sobrancelha.
- Do moço bonitinho que eu acabei não pegando lá dentro, me atrapalhou. - brincou, recebendo um dedo do meio do garoto.
- Ok, eu não passei vontade nessa noite, irmã, você deveria ter feito o mesmo. - piscou entrando no carro. olhou para cima, disfarçando, com um sorrisinho de lado.
- Está tudo bem, me diverti. - sorriu para o amigo, que entrara no banco do passageiro, deixando e no banco de trás.
- O importante é isso, . - a apoiou.
×××

- Ah, . - falou dentro do carro, acendendo os faróis altos na direção da porta de casa, onde e estavam encostados na moto do garoto.
- Eu disse que ia me estressar amanhã, mas simplesmente não dá. - negou com a cabeça.
- Deixem eles, gente. - falou. - realmente está gostando dela, nós conversamos bastante, eu, ele e .
- Sim, ele não quis ficar com ninguém lá, ele está realmente gostando dela, deem uma chance ao rapaz. - ajudou .
encarou , respirando fundo. As duas trocaram um longo olhar pensativo e olharam para e , que as observavam.
- Mas vamos conversar pela parte de fugir invés de conversar. A gente brinca, tiramos ela do sério, e somos um pé no saco com ela, mas sempre confiamos uma na outra, isso não é legal. - comentou, descendo do carro. concordou, por hora seria a melhor medida para tomar.
- Boa noite, casal. - passou pelos dois, rindo, enquanto e passavam direto, apenas acenando.
- Opa, boa noite, galera. - sorriu. - Só falta eu ter uma casa aqui nessa rua.
- Se precisar de um quartinho, minha casa está sempre a disposição - riu, dando um tapinha no braço dele. - Boa noite, gente. - caminhou até sua casa.
- Mas, estão nos devendo uma, viu? Seguramos um escândalo para vocês por conta da fujona aí. - riu, acenando para todos e correndo para dentro da casa também.
- Acho melhor eu entrar logo, , conheço as irmãs que eu tenho, elas devem estar chateadas porque não avisei. Boa noite, e obrigada por tudo. - sorriu. Trocaram um rápido selinho e ela correu para dentro.
Dom ficou um tempo parado analisando o que tinha acontecido naquela noite, até que decidiu ir embora. Uma bela forma de finalizar a noite, não?


Capítulo Sete

- Tô cansada. - reclamou, tirando os brincos rapidamente e colocando-os sobre a mesa de canto que ficava no hall, enquanto encarava .
- Nem me fala, cadê a que não entrou ainda? - jogou-se no sofá, tirando os sapatos do pé.
- Não adianta a gente dar bronca, né? - falou, pensativa.
- Não. - respondeu, se intrometendo no assunto, passando por elas e sentando-se nas escadas. - Ela já vai entrar.
- Oi, meninas! Como foi a balada? - entrou na sala com um sorriso cínico.
- Acho que você nos deve uma explicação, não? - questionou, incrédula.
- , por que você não foi sincera com a gente? - emendou.
- Talvez porque eu achasse que não valeria a pena, vocês iam querer me barrar. - ela respondeu, emburrada.
- Você nem nos perguntou, como saberia? Agora sair assim sem nos avisar não é algo maduro! - a encarou, chateada.
- Eu sei que você acha que a gente tá sendo chata e tudo mais, mas foi só até conhecer ele, poxa. Nós nunca fomos de conhecer as pessoas por aí e nos apaixonar, ficamos com medo do que poderia acontecer, você não pode nos julgar. Não esqueça que, apesar de você ter 18 anos, a mamãe e o papai confiam que vamos cuidar de você, pelo menos um pouco. - reclamou.
- Ok, vocês estão certas, me desculpem. Agora, eu vou dormir. - caminhou em direção às escadas.
- Você podia ter me avisado. - comentou baixo, ainda sentado na escada por onde a amiga passava.
- ... - começou.
- Tudo bem. Não vou te julgar, mas sei lá, seria legal ter avisado, se acontecesse alguma coisa, a gente nunca se perdoaria. - terminou, chateado.
- Mas não aconteceu. Estou bem e viva, como nunca estive em toda a minha vida. - deu um afago no ombro do melhor amigo, subindo as escadas.
- O que fizeram com a ? - encarava , em choque.
- Ela aceitou quieta, ou seja, ela está feliz. - respondeu, suspirando.
- Ainda bem que alguém percebeu. - gritou do andar de cima, fazendo todos rirem.
- Amamos você, chatinha. - gritou de volta.
- Como vocês podem ser tão complicadas? Fico perdido. - riu, seguindo o caminho da melhor amiga escadas acima.
- Vamos dormir também, é o que nos resta, . – levantou-se do sofá com as mãos na cabeça, zonza e foi saindo dali.
- Boa noite, . - ela acenou para irmã, que já subia também. Então apagou as luzes e fez o mesmo.

se jogou na cama com um sorriso bobo nos lábios, a noite tinha sido melhor do que havia imaginado, estar com tornava as coisas tão mais leves e muito mais divertidas. Estava mesmo gostando dele, e isso era muito novo para ela... Escutou o celular vibrar e abriu ainda mais o sorriso quando viu quem era:

[]: Obrigado pela noite, por mais bobo que isso possa parecer. Espero que esteja tudo bem por aí.
[]: Está, sim.
[]: E eu que devo agradecer, você é incrível, .
[]: Vou sentir sua falta na próxima semana. Tenho um show em Camberra. Nosso empresário está tentando agendar nas cidades grandes, para dar mais visibilidade. Sidney já ganhamos, agora falta a capital.
[]: Ah, vai ser triste não te ver 🙁
[]: Mas estarei aqui quando você voltar.
[]: Boa noite, .
[]: Boa noite, .

tinha saído do banho, já vestida com o pijama, a cabeça ainda estava zonza, mas estava muito mais sã. Olhou pela janela e visualizou a casa de , foi inevitável não rir feito uma louca pela noite que tiveram. Imagina o que suas irmãs achariam daquilo? Não estava pronta para dar o braço a torcer ainda.
Quem diria que teria evoluído tanto assim, o garoto inseguro agora tinha se tornado um homem e tanto... Suspirou, mas balançou a cabeça, se repreendendo, não deveria acontecer mais, ele se machucaria, mesmo ele dizendo que não. Se jogou na cama, e rapidamente pegou no sono, era tudo o que precisava.

×××


- Ei, . – bateu na porta do quarto em que ele estava. – ? – chamou mais uma vez, sem resposta.
- Quê? – o garoto resmungou baixo, provavelmente acabara de ser acordado, haviam chegado tarde no dia anterior. – ? – ele perguntou, tentando permanecer acordado.
- Quem mais seria? – ela perguntou baixo, não queria acordar as irmãs.
- Pode entrar, tá aberta. – ela abriu a porta, encontrando o garoto deitado na cama, tentando manter pelo menos o tronco encostado na cabeceira. Ele coçava os olhos com uma mão enquanto tentava arrumar os cabelos com a outra. – Oi. – falou com voz de sono, encarando a mulher. – Por que tão cedo?
- , já são onze horas. – ela riu, encarando-o. – Sei que fomos todos dormir tarde, mas eu preciso resolver um negócio com um fornecedor no restaurante, queria saber se você queria ir comigo. Queria companhia. – ela deu de ombros. - Posso te mostrar como é no almoço, você pode ver o pessoal trabalhando.
- Sério? – ele perguntou, animado. – Você é demais, . – ele se levantou e andou até a mulher, tirando-a do chão em um abraço desajeitado.
- Solta, . – ela falou, rindo. – Vai se arrumar, tô te esperando lá embaixo.

- Vai avisar as meninas? – ele perguntou quando chegou no último degrau.
- Deixei um bilhete, deixa elas dormirem. – riu, pegando a chave do carro.
- Dá tempo de eu comer alguma coisa?
- A gente para e pega algo no caminho, pode ser? – ele assentiu.
- Você está me mimando, gosto disso. – o garoto deu de ombros, vendo a mulher rolar os olhos.
- , eu nem sei por que insisto.
- Acredite, nem eu. – ele riu, seguindo-a porta afora.

- O que você vai querer? – ele perguntou quando a mulher encostou em frente à cafeteria. – Eu desço, vai, vou te poupar dessa.
- Não vou reclamar. – ela riu. – Quero um suco de uva, e um muffin.
Ela observou enquanto o garoto saía do carro e andava até a fila do estabelecimento. Ele estava distraído, mexendo no celular. deu risada ao vê-lo sorrir para o nada, provavelmente rindo de alguma mensagem ou algo divertido que vira em alguma rede social. era engraçado, e ela aprendera a observá-lo nos menores detalhes, como no dia anterior enquanto dançavam juntos.
Ele parecia muito confortável com ela, principalmente após o dia do píer, onde eles conversaram o suficiente para uma vida. o chamara para acompanhá-la, pois admirava o garoto, que com um empurrão certo, conseguiria se livrar do medo e seguir na profissão que tinha vontade.
Ela achava legal que ele quisesse fazer o mesmo que ela, adorava qualquer um que quisesse entrar de cabeça naquela profissão da qual tanto se orgulhava, mas mesmo que fosse qualquer outra, ela o apoiaria. Não conseguia entender pais que não davam todo suporte para o que o filho quisesse, pois os seus sempre ensinaram a ela e às irmãs, que deviam seguir os sonhos, por mais diferentes e arriscados que fossem. E ela nem considerava a gastronomia algo assim.
- Ei, oi? – perguntou, entregando a ela seu pedido, que pairava no ar. – Tá pensativa. – ele falou, rindo.
- Por incrível que pareça, estava pensando em você. – ela falou, vendo ele franzir o cenho. – Só estou feliz de estar te levando lá. Vai ser legal ter um peso na sua decisão de futuro. – a mulher deu de ombros.
- Você sabe que só pelo jeito que você fala de tudo, eu já me decidi, não é? Você fala com tanta certeza do que fez, que é só isso que quero para mim. Quero ter certeza igual você, sabe? Me desligar do resto e focar no que gosto. Não que eu ainda não possa olhar alguns cursos e fraquejar, mas você torna minha primeira opção a mais óbvia.
- Ah, . – ela suspirou. – Não sei o que responder. – a mulher riu, sincera, bebendo um pouco de seu suco. – E você realmente tem a mesma vontade que a da ? De ficar na Austrália? – ela o olhou pelo canto do olho, curiosa.
- Uhum. – ele assentiu, lembrando-se de todos os planos feitos com a melhor amiga desde sempre.
- E eu posso mesmo te ajudar, olhando alguns cursos? – perguntou. - Onde da Austrália você pretende ficar? Seus pais não vão surtar? – ela falava animadamente, fazendo o garoto rir. – Desculpe, é que eu me animei tanto nessa época de escolhas, que eu acho incrível ver vocês passando por ela. Mas estou bem mais próxima de poder te ajudar, do que da . Estou descontando minha animação em você invés da minha própria irmã. – confessou.
- Ei, isso é ótimo para mim. É bom ter com quem dividir. Essa viagem está sendo a melhor coisa para mim. – ele suspirou. – Sou muito grato pela ter me convidado e vocês terem me aceitado por aqui, é muito bom fazer algo diferente de ficar em casa pensando no que fazer da vida, sem realmente aproveitar. Eu nunca tinha viajado assim, e vocês estão deixando tudo divertido.
- Eu estou adorando ter a sua companhia, . Pode contar comigo e com as meninas, para o que precisar. – ela o encarou e riu. – Inclusive para tirar massa de muffin do seu cabelo para você não pagar mico por aí. – a garota levou as mãos até os cabelos de , chacoalhando rapidamente para que os pedacinhos de massa caíssem. – Olha a sujeira que você faz. – ela apontou para o colo do garoto e o chão, e ele mostrou o dedo do meio para ela.

- Oi! – falou, animada, entrando na cozinha. Ela foi recepcionada com diversos “olá” animados dos funcionários. – Que saudade que eu estava de vocês.
- Que mentira, duvido! – Jane riu, fazendo um hi-5 com .
- Você esqueceu de nós. – Luke saiu de onde estava e se aproximou de , rindo. Ele beijou a bochecha da mulher, que sorriu, envergonhada.
- Nunca. – ela mostrou a língua para o homem. – Vim resolver aquele problema. Que pessoal chato da Hanitch. – rolou os olhos. – Enquanto eu resolvo, vocês poderiam mostrar como funcionam as coisas por aqui para o ? É meu novo aprendiz. – ela sorriu, indicando o garoto que acenava para todos que passavam por ele e o cumprimentavam. – , o Luke pode te mostrar como ele comanda a cozinha e quem faz o quê. – o garoto assentiu, animado, apertando a mão de Luke.
- Olha, você conseguiu uma boa chef para te ensinar, hein?
- Ela é meio chata, mas estou aprendendo a lidar. – deu de ombros e rolou os olhos, rindo.
- Vamos lá, cara. Vou te apresentar a cozinha de verdade.

×××


levantou-se da cama com uma tremenda dor de cabeça, estava desacostumada a beber, essa era a verdade. Fez sua higiene matinal, trocou de roupa e desceu as escadas. Estranhou o silêncio, conhecia bem e sabia que a irmã não iria ficar tanto tempo dormindo assim. Sempre teve espírito de velha, só dormia demais em cochilos da tarde e, principalmente, quando não podia.
Entrou na cozinha e avistou um bilhete pendurado na geladeira informando que ela e tinham ido até o restaurante para resolver um problema. Olhou a geladeira e suspirou, estava com zero vontade de fazer alguma coisa. Estava ficando mal acostumada com fazendo sempre comida para ela. Sentou-se em uma cadeira, desanimada e preguiçosa.
Um pensamento nublou sua mente, era tão errado, mas qual mal faria, não é? Pegou uma xícara do armário e com um sorriso saiu de casa, seu destino era a casa do lado. Inventaria alguma desculpa e tomaria café da manhã, ou almoço, na casa do . Tocou a campainha e aguardou pacientemente até que o homem viesse e não demorou tanto.
- ? Oi. – sorriu, se aproximou dela e não sabia como a cumprimentar. Acabou depositando um beijo na bochecha dela, que o retribuiu. - Estou surpreso com sua visita. Entra. – ele abriu ainda mais a porta para que ela entrasse.
- Oi. – sorriu. - Pois é, eu... - a ideia ficou bem melhor na mente dela. - Queria um pouquinho de café, acabou em casa.
- Claro. – franziu o cenho, quando a viu entrar na casa. Fechou a porta com um sorriso mínimo. - Acho que é o momento em que eu devo te zoar, essa do café também está bem batida. - ela gargalhou.
- Não vale usar isso comigo. É verdade, poxa. - riu.
- Eu também disse que era verdade e ninguém acreditou em mim. - deu de ombros e ela soltou um suspiro derrotado.
- Tá, vou ser sincera, não tem nada pronto, a saiu junto com o , está desmaiada na cama e eu estou com preguiça de fazer algo para comer, então eu pensei, será que meu vizinho temporário não teria feito algo para comer? - arqueou a sobrancelha com um sorriso.
- , você é demais. – gargalhou com a cara de pau dela. - E sim, eu acabei de fazer meu café da manhã, compartilho com você.
- Obrigada, está salvando a minha vida, e meu estômago também. - o seguiu para a cozinha. Percebeu ali que a decoração da casa de era bem minimalista, não esperava nada diferente daquilo. Tudo em cores neutras, bem organizado. A estrutura da casa era idêntica à de , era um espaço grande para uma pessoa só. - Se eu disser que imaginava a sua casa exatamente assim seria um clichê?
- Na verdade não, mas todo mundo que entra aqui diz o mesmo, então já estou acostumado. - ele se sentou e ela o copiou. - Sinta-se à vontade. - tinha ovos mexidos, suco de maracujá, pães, e ela acabou optando por um pãozinho. Começaram a comer, calados, não sabendo muito bem o que falar, a situação estava desconfortável para eles.
- Precisamos conversar sobre ontem. - ela despejou.
- Já sei o que você vai falar, que foi um erro, que não deve acontecer nunca mais... - ele deu de ombros, estava pronto para aquilo.
- Na verdade não... - ele arregalou os olhos. - Eu não achei que foi um erro, eu gostei, você gostou e pronto. Curtimos o momento, . - ele ainda a encarava, surpreso com a reação dela. - O quê? Para, não me olha assim.
- Impossível, eu não estou conseguindo acreditar.
- Isso só prova que você tem uma imagem péssima de mim, . - ela deu de ombros, voltando a comer.
- Se eu casualmente te beijasse de novo, você não me afastaria? - se aproximou dela com um sorriso brincando nos lábios.
- ... - ela suspirou, sentindo o homem extremamente perto de si. - Eu disse que não foi um erro, mas se a gente continuar, talvez se torne.
- , eu sou adulto, sei dos meus sentimentos por você, você está sendo 100% honesta comigo, mas eu não sou mais aquele garoto que você conheceu no Peru. Você foi a minha primeira, mas a vida caminhou, vieram outras pessoas, outros relacionamentos, e eu sobrevivi a tudo. Vou sobreviver quando você for embora.
- Tudo bem, você me atrai demais, . Se você consegue separar as coisas, eu quero sim curtir esse verão com você, porém, não quero que minhas irmãs saibam, nem o , nem ninguém.
- Por quê? - o homem a encarou, curioso.
- Porque eles vão começar a achar que isso vai evoluir e tem esperanças de que vou ficar em Melbourne, e não, eu não vou ficar. Não quero que ela crie expectativas. - havia omitido a verdade, nem ela sabia o porquê daquilo.
- Ok, isso fica entre nós. - ele se aproximou ainda mais dela, deixando um beijo em seu pescoço, a arrepiando. - Você não quer conhecer o andar de cima? - sussurrou no ouvido dela, a deixando ainda mais arrepiada.
- Acho uma ótima ideia. - terminou de beber o suco e não demorou para que capturasse os lábios dela e aos tropeços eles subissem para o quarto do rapaz, e com certeza não conseguiu reparar na decoração dele, estava muito mais ocupada com o homem ali.

×××


- Ei, tudo bem por lá? Ouvi os gritos. – riu quando viu Luke entrar em sua sala, ela estava finalizando as assinaturas nos papéis, depois de uma longa hora no telefone com a responsável pelo fornecimento de sucos naturais.
- Tudo bem. Estava ensinando que a pressão numa cozinha é real, não é brincadeira de televisão. O garoto leva o jeito, apesar de ainda ser meio afobado. Coloquei ele para trabalhar, espero que não se importe. – o homem riu, se encostando na mesa de , em frente a ela. Ele levou uma de suas mãos aos cabelos de , como em um carinho. – Você faz falta. – ele riu.
- Não me importo nem um pouco. vai ser um bom chef um dia, tenho certeza. E pretendo ajudá-lo nisso de qualquer forma que puder. – ela sorriu, animada, fazendo Luke rir. – Vou ajudar ele a procurar alguns cursos.
- Ele vai ficar por aqui?
- Acho que sim, ele e querem ficar na Austrália. Vamos ver o que acontece até o final dessas férias, mas estou feliz em tê-los aqui. Obrigada de verdade por estar tomando conta de tudo para que eu possa aproveitar minhas irmãs. – ela segurou a mão do rapaz ternamente, tentando transmitir sua gratidão.
- Você ignorou meu comentário. – Luke falou, entrelaçando os dedos aos da mulher.
- Também sinto falta de ficar por aqui. – ela deu de ombros. – Mas mereço essas férias. – riu e Luke concordou, se aproximando dela e fazendo a mulher respirar fundo.
- Sinto falta de mais coisas também. – ele riu, olhando fixamente os lábios da mulher, que desviou o olhar para porta ao vê-la abrir.
- ... – entrou na sala com seus olhos brilhando, e um pedaço de massa nas mãos, deixando-a cair aos seus pés ao perceber que parecia estar atrapalhando, vendo Luke e próximos, com as mãos entrelaçadas. – Meu Deus, me desculpem. – o garoto se abaixou, envergonhado, pegando o pedaço da massa e tentando, inutilmente, limpar a farinha do chão.
- . – riu, levantando-se, envergonhada. – O que é isso? – ela se abaixou, junto a ele. – Deixa isso, depois peço para alguém limpar. – O que você fez?
- Hm... – ele ainda parecia envergonhado, vendo Luke, ainda de costas, respirar fundo. – É uma massa de macarrão, ela parece ter ficado muito boa, me animei e queria te mostrar. O Ray estava me ajudando a fazer. – ele colocou uma das mãos na nuca, parecendo nervoso, o que fez sorrir. O jeito de era único, e sua animação já havia passado a animá-la tanto quanto, fosse na cozinha ou em qualquer momento que compartilhassem.
- Está bom mesmo. – ela apertou a massa, descartando-a no lixo ao lado. - Só falta um pouco mais de farinha, mas vou te ensinar o segredo. Vamos lá, pirralho, já terminei o que tinha para fazer. – passou a mão em seu pescoço, tirando a farinha dali, que se misturava em seus cabelos. sorriu, agradecido, andando de volta para a cozinha, sendo seguido por , que ignorara a presença de Luke ainda ali na sala que ela deixava para trás.
- Me desculpa. – sussurrou para quando ela o alcançou.
- Você me salvou de uma conversa que eu não queria ter agora. – ela piscou para ele, rindo. – Obrigada.
- Não me importo de te salvar, , mas ele parece te idolatrar.
- Eu sei, e eu não gosto disso. Não consigo pensar num relacionamento com Luke, ele sempre leva tudo muito a sério, me coloca num pedestal, nunca discorda, nem na cozinha... E não temos muita diversão, tipo, vendo um filme, por exemplo. Fora... Você sabe. – ela corou, fazendo rir. – Bom, mas isso não é nosso assunto, vamos para mão na massa, literalmente.

×××


- Pelo visto não somos os únicos dando rolê por aí. - falou para enquanto estacionava o carro na porta de casa, buzinando diversas vezes para , que se assustou, olhando para trás.
- Que susto! Meu Deus! - tinha as mãos no peito, o coração estava acelerado, se tivessem chegado há poucos segundos teriam a pegado no flagra.
- Tava dando uma voltinha no jardim, ? - perguntou, descendo do carro e vendo rir.
- Eu fui dar uma caminhada pela vizinhança. - sorriu, negando com a cabeça.
- Ah, que legal! - falou, sincera. - A vizinhança daqui é realmente muito boa, não sei se percebeu. - completou com um tom malicioso em sua voz.
- , não começa com isso. E vocês dois, hein? Saíram e nos deixaram sem nada para comer. - mudou rapidamente o assunto.
- A me levou para conhecer um pouco mais da cozinha do A&A. - falou, feliz, aproximando-se de . - Foi muito legal! Exceto a parte que eu atrapalhei os amassos que ela ia dar. - ele gargalhou, recebendo um dedo do meio de .
- O quê? , pode me contando essa história direito. Com quem? O seu ajudante gostosão? - puxou a irmã e elas entraram juntas, deixando para trás.

- Ei, melhor amiga sumida. - falou, entrando no quarto de , onde ela estava jogada na cama.
- Olha quem fala, você que me trocou pela . - deu de ombros, largando o celular de lado e encarando o rapaz.
- Você não tem um restaurante para me oferecer, tem? - o amigo riu, jogando-se na cama e se ajeitando ao lado dela.
- Não tenho um restaurante, mas posso ser muito mais divertida que a . - deu de ombros, arrancando um sorriso de .
- Vocês são mais parecidas do que você pode aceitar. - ele mostrou a língua. - Mas não gosto de ser abandonado por uma melhor amiga apaixonada. - o garoto fez bico, encarando .
- O é diferente da relação que eu tenho com você, jamais te trocaria por ele. - sorriu. - Tenho espaço suficiente para os dois. - se aproximou, abraçando-o de lado.
- Eu sei. Estava só brincando. - ele riu. - O é muito gente boa, realmente gostei dele.
- Pois é, o senhor saiu com ele e não fez nem questão de me contar. Temos segredos agora, ? Era isso que estavam escondendo no restaurante?
- quis me levar para uma saída de homens, e eu achei que você pudesse contar para suas irmãs, acho que ele não queria que a soubesse. - deu de ombros. - Aqueles dois são estranhos. - ele riu nasaladamente.
- Huum, sei. - ela o encarou – Mas sim, os dois são muito estranhos.
- Agora me fala de você e do . - ele colocou a cabeça apoiada nas duas mãos, como se estivesse ali para uma simples fofoca, arrancando uma gargalhada de .
- Seria errado se eu dissesse que estou me apaixonando por ele?
- Errado acho que não, mas me surpreende, nunca ouvi você falar isso de ninguém. - ele suspirou. - É muito bom, na verdade. Você merece, .
- Eu nunca me senti assim, é um cara muito divertido, e eu sei que as coisas estão muito rápidas, mas eu não consigo controlar. - mordeu os lábios.
- Nem deve, acho que esse seu rolo entra na nossa promessa, não entra? Acho legal você só sentir. - ele sorriu, sincero. - Temos mais um tempo aqui, acho que muita coisa ainda pode acontecer, e acho que vocês podem dar muito certo. Você pretende mesmo ficar na Austrália, então já é um problema a menos para se preocupar se quiser entrar de cabeça. Bom, mais do que já está. - zombou, recebendo um tapa em seu braço.
- Bobo. - sorriu. - Obrigada, estou vivendo nossa promessa, literalmente. - fez um biquinho, chateada. - Não vou vê-lo por agora, ele vai para Camberra, vai ficar até o fim de semana lá.
- Nem sei se isso é longe, para ser sincero. - riu. - Minha geografia é péssima, você sabe. Mas que chato. Pelo menos a semana passa rápido. - incentivou a amiga.
- 7 horas daqui, . - riu do amigo.
- Então não é tão ruim. - riu, considerando. - Agora me conta outra coisa...
- Oi, crianças. - e entraram pela porta, se jogando na cama ao lado dos dois. - Queremos conversar também, vocês estão muito na fofoca aqui, podemos ver.
- Meu Deus, , você não perde uma. - mostrou o dedo do meio para mulher, que jogou suas pernas por cima do corpo dele em resposta. - Eu ia entrar num assunto bem legal, para ser sincero. Ia perguntar se a pesquisou mais faculdades para ver, além das de Melbourne, não podemos esquecer do real motivo de estarmos aqui. - ele deu de ombros.
- Vamos, ainda não conhecemos nenhuma. - estava animada.
- Eu procurei meu curso em várias faculdades, as mais legais foram Melbourne, Sydney, e Camb... - sorriu, animada. - CAMBERRA! , a gente pode ir visitar a Universidade de Camberra? Seria demais viajar até lá? Acha longe? - encheu a irmã de perguntas, ainda com um sorriso no rosto.
- Não é tão longe, seria uma viagem legal. Não é uma cidade tão boa quanto Melbourne, mas é a capital, né? - riu da animação da irmã.
- Podemos ir nessa semana? - encarou as duas irmãs mais velhas, com olhos pidões.
- Nossa, ! Para que a pressa agora? - riu.
- vai passar a semana em Camberra, ela quer unir o útil ao agradável. - comunicou, recebendo os olhares das três.
- Ah, ! - sorriu. - Você está muito apaixonada, não acredito!
- Acho que não precisamos ficar a semana toda, certo? - confirmou, feliz, já que parecia que receberia um sim. - Podemos ir na quinta e ficar o fim de semana, o que acha?
- Ele tem um show no fim de semana, seria incrível! E vai ser uma viagem divertida, todos nós. - ela pulou na cama, amontoando as irmãs e à sua volta.
- Vai sim, vamos turistar pela Austrália. - sorriu, animando-se junto com .
- Não é uma super road trip, pois não é tão longe, mas vai ser legal. - deu de ombros. - , está preparada para aguentar esses dois numa viagem de sete horas?
- Preparada a gente nunca está, mas é o que teremos para o momento. - brincou, recebendo um dedo do meio de .
- Posso falar para ele? - perguntou.
- Olha a cara de irmã boba que a está, , é claro que pode falar para ele, o coração dela amoleceu com a sua paixão. - zombou, não perdendo a oportunidade, e recebeu um rolar de olhos da mulher.
- Pode falar se quiser, , mas uma surpresa também é legal. Vamos organizar as ideias e ver onde podemos ficar e tudo mais. Vou pegar o computador para aproveitar a animação. - ela se levantou. - E você, pirralho, já pense se tem algum lugar que quer também. Espero que sim, e que seja distante de Melbourne.
- É, acho que você tem razão em relação à surpresa. - sorriu animada.

×××


estava saindo do banho quando ouviu o telefone tocar, chamando sua atenção. Pegou o aparelho e riu ao ver uma mensagem de .

[]: , tem como dar uma enrolada nas para conversarmos?
[]: Conversarmos? Nossa, que sério, cara Hahahahaha Logo apareço aí.

O garoto vestiu a roupa rapidamente e desceu as escadas, encontrando largada no sofá.
- Ei, estou indo ali no , tá? Logo estou de volta. - ela levantou apenas o polegar para o garoto, concordando.

- Alguém morreu? - perguntou quando abriu a porta.
- Eu estou quase morrendo por estar acontecendo uma coisa e eu não poder contar para ninguém. - riu, dando um rápido abraço em .
- Opa, ninguém sou eu mesmo. - brincou, entrando na casa. - Não existe mais ninguém que eu, principalmente se for para saber o que te aflige. - zombou.
- Olha o nível do meu desespero, contando minha vida para um garoto de 18 anos. - riu, chamando com a mão para que se sentasse.
- Ah, não, pegou a neura da e da , está passando muito tempo com elas.
- Nem me fala das , meu problema é uma delas. - passou a mão pelos cabelos.
- Desenrola, . - o garoto arregalou os olhos, curioso.
- Lembra de ontem que eu dei uma sumida? - assentiu. – Eu encontrei a , e ficamos. Hoje mais cedo ela veio aqui e ficamos de novo.
- Ah, ! - bateu nas costas do amigo, sorrindo. - Finalmente! Por isso não está se aguentando aí.
- Nossa, essa mulher é incrível. - sorriu, lembrando-se. - Mas eu estou proibido de contar sobre nós para qualquer uma das , e você também. Então, não comenta isso com ninguém, foi difícil conseguir essa mulher.
- Eu nem sei de nada, sou ninguém. Amigos, amigos, as à parte. - o mais novo deu de ombros, sorrindo. - Foi bom contar? Aliviou a cabeça? - riu. - E o principal: foi bom? Está feliz? Você sabe que vai ser difícil.
- Valeu, cara. - sorriu, aliviado. - Aliviou demais. Se foi bom? Foi o melhor impossível, aquela mulher ela... - cortou-se com o olhar que tinha para ele. - Enfim, foi bom.
- Ah, , anos depois e você ainda não superou mesmo. - riu. - E nem ela, por sinal. Claramente não se aguenta quando olha para você.
- Estou sem expectativas, ela já deixou claro que não vai ficar aqui, não posso me apaixonar de novo por ela, vai ser uma droga.
- Vai nada. Se tem uma coisa que percebi nela, é que está confusa. Aproveita esse momento para dar algo para ela se apegar. - deu de ombros. - Ficar muito tempo com elas é bom para aprender um pouco.
- Desde quando você ficou tão sábio? - o olhou, curioso.
- Não sou sábio, só passo tempo demais com a sua amada. - gargalhou. - Estou aqui para te apoiar, você foi legal comigo desde o começo, é meu “obrigado”.
- Eu que agradeço, de verdade. Estamos aí para isso. Se precisar de algo, sabe que pode contar comigo também.
- Mas, fala aí... O que você acha da capital da Austrália?

Capítulo Oito

- Meu Deus, eu estou morta. - se jogou em cima de no sofá.
- Para de drama, você só pegou uma mala, . - ele riu, afagando as costas da amiga. - Quem teve todo o trabalho fui eu.
- Mas você é homem e mais forte que eu, não vale.
- Gente, temos que sair logo, se quisermos chegar na hora do almoço, levantem logo desse sofá! - apareceu na frente dos dois mais novos.
- Sim, senhora! - a mais nova fez continência, se levantou de cima do amigo no sofá e ele fez o mesmo.
- Que bom que pelo menos as malas já estão no carro. Só precisamos fazer alguns lanchinhos para viagem. - disse, se dirigindo até a cozinha.
- Bem, ainda bem que já fiz isso, né, ? - desceu as escadas e foi até a cozinha. - Sou uma mulher prevenida.
- Definitivamente, . - sorriu, indo para a cozinha para ajudá-la.
- Ok. - levantou as mãos, desistindo.
- Falta pegarmos mais alguma coisa, gente? Vou subir para pegar meu celular e já vou para o carro.
- Creio que não, vamos de uma vez. - voltou da cozinha, pegando a chave do carro.
- Tá. Já venho. - saiu correndo da cozinha até o andar de cima. Pegou o que tinha que pegar e desceu novamente. - YAY! Road trip! - ela deu um pequeno pulinho, animada.
- Yay! - imitou a amiga, só que com menos entusiasmo, apenas para zoar com ela. Colocou as mãos nos ombros da garota e os direcionou até a saída da casa.
- Entrem aí e calem a boca. - mandou e logo entrou no carro, sendo seguida pelos outros. - Toma. - ela entregou uma bolsa com lanches para que cuidasse. - , o que tanto olha para casa do vizinho? - questionou de cenho franzido.
- Ele está triste porque não se despediu do , o papai. - riu do amigo.
- Sim, estou muito triste, não vê? - ele limpou as lágrimas inexistentes. - Pé na estrada, .

×××


A cidade de Camberra era bem bonita. Não tanto quanto Melbourne, mas ainda assim, bonita. Os mais novos estavam bem elétricos, cantaram a viagem toda e até conseguiram levantar , o que irritou bastante . Ela estava com os ouvidos doendo e uma dor de cabeça horrível.
- Graças a Deus, chegamos! - disse ao estacionar em frente do hotel no qual ficariam aqueles dias. Todos saíram e um dos funcionários pegou a chave do carro de , enquanto os outros descarregavam as malas do carro. - Vamos entrar, crianças. - ela disse, com os mais novos na calçada esperando por ela e .
- Você só pode estar de brincadeira com a minha cara! Isso é perseguição agora? - encarou a recepção do hotel, encontrando uma surpresa.
- Olá, galera! Que coincidência, não? - abriu um sorriso. acabou rindo da cara de pau do homem.
- Cara, que coincidência, realmente! - riu, dando tapinhas nas costas do amigo.
- Como assim, mano? Isso está é muito estranho. Por que você está aqui na nossa road trip de família e agregado? - apontou com a cabeça pra .
- Eu fui convidado pelo , somos amigos, esqueceram? Não é por isso que estão aqui? - respondeu, pegando a chave de seu quarto, dando espaço para o próximo.
- Sim, e não. - o respondeu. - Viemos para conhecermos a Universidade de Camberra.
- Temos futuros universitários aqui. - apontou para os mais novos. - E acredito que são futuros universitários da Austrália mesmo. - ela abraçou de lado, animada.
- Ok, você está bem animada para alguém que passou sete horas dirigindo. - riu da irmã.
- É a dor controlando meu corpo. - respondeu, se adiantando na recepção para pegar os quartos.
- Agora conta para mim, , foi por causa do show mesmo ou você deu uma de stalker para o lado da minha irmã? - deu uma cutucada com o cotovelo no rapaz. - Não vou te repreender, mas que está estranho, isso tá.
- Você nunca vai saber. - piscou para ela, pegando suas coisas e caminhando até o elevador.
- E nem preciso de resposta mesmo. - deu de ombros, indo até uma desinteressada. - E aí? O que achou dele aqui?
- Previsível. - deu de ombros.
- Ah, nem é tão previsível, vai… - comentou.
- , você foi o único que não ficou surpreso com ele aqui, você sabia? - arqueou a sobrancelha.
- Claro que fiquei surpreso. - reclamou, falando rapidamente. – Mas, sei lá, né? Ele é amigo do , e eles parecem bem próximos. É um show importante para ele, é uma cidade diferente da que ele sempre tá. - deu de ombros.
- Podemos? - perguntou, se aproximando do grupo com alguns cartões magnéticos, as chaves dos quartos. - Estou morta.

×××


- , você tem certeza de que também não quer ver alguma faculdade? - perguntou enquanto estacionava em frente à Universidade de Camberra.
- Tenho, tudo que pesquisei direciona para Melbourne, onde tem os melhores cursos e tudo mais. Se a gostar mesmo daqui, posso considerar ver algo. - deu de ombros, sorrindo para melhor amiga.
- Que fofinho. - encarou os dois.
- Para onde eu for, ele vai. Ponto. - a mais nova riu e saiu do carro, olhando bem em volta. A universidade era bem bonita, era rodeada de árvores e o seu prédio, pelo que havia visto, tinha sido reformado recentemente. Por ser verão, a faculdade estava sem estudantes. Só tinha pessoas visitando o campus, assim como eles estavam fazendo ali.
- Não vou reclamar de vocês ficarem em Melbourne. - deu de ombros. - Tenho que confessar o quanto eu ficaria feliz em poder ter vocês por perto.
- Vocês. - repetiu, rindo, e recebeu um dedo do meio de .
- Quero todo mundo mesmo em Melbourne, assim, quando eu for visitar, ficará mais fácil. - sorriu.
- Não quero entrar nesse ponto agora, mas você não tem nada te prendendo em Dublin, não se esqueça. - falou, descendo do carro antes de ouvir a reclamação da mais velha.
- Ai, gente, só vamos olhar, não quer dizer que eu e vamos estudar já aqui. - a garota revirou os olhos com o drama.
- Nós sabemos, pirralha. Mas deixa a gente planejar o futuro, é nossa obrigação. - rebateu.
- , você é chata demais. - concordou com .
- Se ficar enrolando, vai perder seu horário. - comentou, apontando para entrada do prédio. - Nós vamos dar uma volta por aqui.

seguiu o instrutor com mais alguns potenciais alunos, e o rapaz foi mostrando cada local da Universidade, contando a história por trás. prestava bastante atenção, comparando a todo momento com as coisas que tinha visualizado na Universidade de Melbourne pela internet. Era impossível não comparar tudo a outra faculdade. Talvez estivesse mais que claro que ela não queria estudar ali, mas o que custava olhar sem compromisso? Em Camberra ela teria que pesar muito mais a questão financeira e as horas longe da irmã, do que se fosse para a de Melbourne.
Apesar da brincadeira que havia feito mais cedo, ela também tinha que pensar no seu amigo. Camberra não tinha tanto renome quanto a de Melbourne. Tudo o que faziam era juntos, desde crianças, e não seria agora que seria diferente. Queria ter alguém para compartilhar os estresses da faculdade, melhor ainda se fosse da mesma faculdade. Sim, ali, naquele momento de reflexão, enquanto o instrutor explicava a faculdade e suas salas, ela tomou a decisão. Não iria estudar em Camberra nem que a pagassem para fazer.
Saiu do meio do grupo e correu, procurando pelas irmãs e por , até que enfim os encontrou, sentados em um banco, conversando.
- Não gostei.
- Mas já? A visita ainda não acabou, . - respondeu. - Tem certeza?
- Sim. Podemos ir?
- Mas qual foi o motivo? Tem que ter motivo, . - a encarava, curiosa.
- Não tem. Só não gostei. - ela olhava para longe.
A menina não queria encarar a todos. Não queria assumir que não queria ficar longe deles. Aquilo soaria estranho vindo dela.
- Que seja, vamos embora então. - encerrou o assunto, levantando-se do banco.
- Desculpem ter trazido vocês aqui e ter terminado assim, tá? Só… Não curti. - ela disse enquanto andavam até o carro.
Na porta, havia algumas pessoas entregando uns panfletos de um festival de bandas novas que haveria no sábado à noite. A garota pegou e leu, sorrindo ao ver de quem se tratava.
- Olhem, gente, é do .
- Que incrível! - exclamou. - Acho que vai encher, estão pegando os prováveis universitários. Sempre uma boa turma. - riu.
- A banda do seu namorado é inteligente, . - alfinetou a irmã, sabendo que ela rebateria.
- Eu sei que sim, ainda bem que tirei a sorte grande, não? - mandou beijinhos no ar.
- Então evoluiu para um namoro mesmo? Ia contar quando? - questionou.
- Para que rotular algo assim? Tá tão bom… Não precisamos disso, . Você deveria seguir meu conselho também. - a garota brincou.
- Se eu quiser rotular de groupie, tá tudo bem? - zombou.
- Groupie não. Groupie soa feio. Que tal a melhor e maior fã do The Sixx?
- Foi brincadeira, pirralha, não precisamos rotular. - abraçou a irmã. - Mas talvez única fã do The Sixx também sirva. - deu de ombros, esperando o olhar mortal que receberia.
- É por isso que ninguém te quer, . Não sei por que o te aguenta.
- Simples, porque ele te aguenta.
- Eu sou um amor perto de você. Não é, ? Fala para ela.
O garoto olhou de para e levantou os braços.
- Não me meta nisso.
- As duas são insuportáveis, pronto. - salvou o rapaz. - Somos guerreiros, .
- Falou a flor do campo. - rebateu. - Simpática que só, né? que o diga.
- , e . Só tem esse argumento, sabemos a verdade, sou a irmã mais legal, porque sou a primeira.
- , esse é o único argumento porque ele sempre te pega. - riu. - Suas reações são as melhores.
- Na verdade, isso só mostra que vocês não têm nada melhor para falar de mim e ficam na mesma tecla sempre. - abriu um sorrisinho irônico.
- Mas vocês estão de boa, né? Pois tem um lugar legal para irmos mais tarde, podíamos chamar ele. - perguntou.
- Se ele for ou não, zero diferença na minha vida. - a encarou de cenho franzido, ela sabia muito bem mentir, seria habilidade das ?

×××


- Lanches, bar, jogos, gente estranha, isso aqui é incrível.
O local era realmente interessante, fugindo do básico. Era possível ver tantas coisas ao mesmo tempo, que podiam se perder no que chamava mais atenção.
A entrada era simples, mas dando o primeiro passo para dentro, podiam se maravilhar com um ótimo cheiro, uma música alta, mas agradável, e pessoas diferentes. Muitos adolescentes aproveitavam o lugar em grupo, vestidos com diversas fantasias dos mais variados filmes e vídeo games. Além do bar e restaurante, diversos jogos estavam espalhados, fossem tabuleiros ou máquinas com um ar bem antigo.
- Comer ou jogar, essa é a questão! - riu, olhando deslumbrado para o local.
- Os dois ao mesmo tempo parece uma boa opção. - respondeu, também encarando cada detalhe.
- Fazia muito tempo que eu não vinha em um lugar assim, duvido alguém ganhar de mim no Guitar Hero. - olhava encantada o lugar.
- Estou morrendo de sede, vou pegar uma água primeiro. Querem pegar um lugar? - falou.

- Ganhei! Eu falei que ninguém era páreo para mim. - comemorava com uma dancinha engraçada por ter ganhado de .
- Não foi justo! - reclamou, jogando a guitarra para . - Eu não jogava faz tempo. E foi só minha primeira, tem volta. - fez bico e afastou-se, observando se preparar e parando ao lado de e , que já haviam perdido também.
- Conversa de mal perdedor. - rebateu, se preparando para os acordes iniciais da música.
- Vai, ! - gritou, torcendo para que ele finalmente tirasse dali.
- Ela não vai se concentrar jogando com ele. - falou, dando de ombros.
- Isso vai ser divertido de assistir. - riu.
estava atenta, nem piscava, era muito competitiva em tudo e as irmãs sabiam bem como era.
- Não me subestime, . - ela já liderava o jogo no solo de Slash em Sweet Child O' Mine. estava errando bastante.
- , acho que a está precisando de um beijinho para acalmar os nervos. - falou, tentando desconcentrar a mais velha.
- Cala a boca, se eu beijasse o ele perderia de vez mesmo. - sorriu, vitoriosa.
- Alguém ganha logo dessa menina? Vai, . - comentou.
- Por favor, vença dela logo para tirar essa carinha presunçosa. - pulou em cima de , animada.
- Estou tentando, mas ela é bem competitiva, não lembrava desse lado dela. - tentou, mas já não dava mais para ganhar.
- Eu desisto, ele vai perder isso aí, vou jogar outra coisa. - bufou, olhando em volta. - , quer ir ali no negócio de realidade virtual comigo? Não quero ir sozinha. - ela fez bico.
- Bora lá, . - desceu da banqueta e foi até a irmã.

- Promete que não vai me zoar? Vou parecer uma idiota com aqueles óculos. - falou, enquanto já andavam em direção ao aglomerado de pessoas que usavam o jogo.
- Prometo. Até porque dependendo do jogo, eu vou parir um filho também.
As duas irmãs foram até onde os jogos de realidade virtual ficavam. Uma galerinha estava jogando também, ao lado, então pelo menos elas não passariam vergonha sozinhas.
- Quem vai primeiro? Eu ou você? - a mais nova questionou.
- Você! - respondeu, rapidamente.
- Cagona. - ela riu e entregou o celular para a irmã. - Me filma aí, então. Vou tentar não passar vergonha.
colocou os óculos e automaticamente começou a rir, fazendo todos em volta se juntarem a ela. filmava enquanto a garota se mexia rapidamente e falava alto, esquecendo que era apenas uma realidade alternativa, mostrando que estava imersa de verdade na situação.
Enquanto filmava a irmã mais nova, sorriu ao ver as observando. O garoto tinha um sorriso no rosto e a encarava, mesmo de longe. Ela viu que e ainda se matavam, mas agora rindo um do outro durante os erros na segunda música que tocavam. balançou a cabeça, pensando que deveria ir até elas, já que estava sozinho. Antes que ela pudesse pensar em chamá-lo, ele já estava caminhando e parava ao lado dela, dando de ombros.
respirou fundo e fez bico, tirando os óculos.
- Surtei. Mas você vai adorar, foi divertido até.
- Vamos lá. - riu, pegando os óculos. - Não riam de mim, por favor.
- Não prometo nada. - respondeu prontamente.
- Não peça isso para mim. - observou a irmã. - Agora vá.

- Minha chance de te humilhar de volta. - falou, se aproximando da máquina de Mortal Kombat junto de e . - Você ficou rindo de mim, é uma péssima pessoa.
- Você sabe que minhas chances de te humilhar de novo são maiores, né? - o menino respondeu, parando em frente à máquina.
- Não são, fique em paz. - ela deu de ombros, estralando os dedos e se posicionando do lado direito.
- Vai, ! - comentou, sabendo que isso deixaria a irmã brava.
- ! É sério isso? - comentou , revoltada.
- Só para ter alguém por você, hoje sou time ! - deu um soquinho no ar, motivando a irmã.
- Torcida de consolação, ótimo. - ela revirou os olhos. - Vamos lá, pirralho.
- Para de drama. - a mais nova revirou os olhos
- Eu estou torcendo por você, ! Arrebenta o ! - riu.
- Quero a Sheeva. - selecionou a personagem, vendo escolher Scorpion.
A garota respirou fundo e aguardou a finalização da contagem para começar a apertar os botões da melhor forma que sabia. É claro que apertando as teclas certas seria bom, mas nunca parecia interessante o suficiente, ao menos, não mais do que apertar todos ao mesmo tempo, e ficar pulando de um lado para o outro o tempo todo para irritar o adversário.
- Eu não acho que você realmente saiba jogar isso, . - riu, vendo a “tática” da mulher.
- Você que não sabe, afinal, está perdendo. - ela apontou com a cabeça para a barra de vida do personagem do garoto que já havia sido atingido diversas vezes pelos quatro braços de Sheeva.
- Não mais. - ele riu, usando seu especial, a maldita corda, e diminuindo a barra de vida de quase completamente em uma única vez.
- Ei, vamos apostar? - cochichou para e .
- Aposto no , está muito descontrolada. - cochichou de volta.
- Como adoro uma boa competição e se tratando de mulher contra homem, aposto na . Faremos aposta de dinheiro ou algum mico?
- Mico. - respondeu. - Continuo na .
- Qual vai ser o mico? O perdedor da aposta terá que andar de peça íntima no corredor dos quartos do hotel e bater na porta de todo mundo?
- Feito. - esfregou as mãos com um sorrisinho diabólico.
- Que vença o melhor. - olhou para . - Vença dele, !
- , eu achei que você era meu amigo. - reclamou, ignorando os demais, aguardando o início do último round.
- Jogo é jogo. - ele deu de ombros, rindo. - E você quem pediu por isso, competitividade é algo ruim, viu? - zombou.
- Não é, é ela que vai me fazer ganhar.
- Vai, ! - comentou.
decidiu seguir as regras naquele último round, usando os botões corretamente. Porém, estava realmente motivado, e em pouco tempo já tinha conseguido acertar a personagem da garota diversas vezes.
- Caralho! - gritou, se descontrolando novamente e batendo nos botões de forma descoordenada como já havia feito desde o início, mas dessa vez usando-os para descontar a raiva, jogando toda sua força neles.
- , para de ser boba, você vai se machucar. - ele riu, vendo-a atingir a máquina diversas vezes, cada vez com mais força. - Aí, já acabou, não tem como ganhar.... - ele apontou para tela com uma mão e tentou segurar a mão da mulher com a outra, a colocando embaixo dos botões que ela batia com tanta vontade. Antes que pudesse perceber o que aconteceria, acertou sua mão com um soco, com ainda mais força do que deveria atingir o painel, descontando a raiva do final da partida.
- . Meu Deus! - a mulher gritou, vendo lágrimas surgirem automaticamente nos olhos do garoto enquanto sua mão ficava vermelha, já que o dorso da mão havia sido prensado nos botões com o impacto.
- Quando eu disse para você arrebentar o , não era para ter levado a sério. - ria discretamente.
- , me perdoa, nossa. - falava, desesperada. - Meu Deus, não é possível que eu tenha machucado sua mão! Qual o seu problema, por que você fez isso? - falou, nervosa.
- Eu? - o garoto tentava respirar fundo e controlar a dor. Não queria dobrar a mão, pois, mais do que o impacto da mão de contra a sua, o que doeria quase nada, o dorso de sua mão sentia os botões ainda grudados em sua pele, pois estavam marcados ali como arranhões. - Eu não fiz nada, você quem fez, você me acertou, ! - ele reclamou.
- Me perdoa! - resmungava, estava aflita com a ideia de ter conseguido machucar o garoto em uma brincadeira tão boba, havia sido sem querer, mas era fruto de sua idiotice. Resumidamente, se lembraria de não ser tão competitiva.
- Acho melhor irmos, não? - mordia os lábios, tentando não rir da cena.
- Eu acho melhor. - concordou, andando até o amigo. - , vamos, vem. - ela segurou a mão do garoto, que a encarava, ainda tentando respirar fundo enquanto olhava para mão avermelhada. - Mas gente, quem perdeu a aposta? - ela olhou para os lados, procurando por resposta.
- . - falou alto, repreendendo-a. A mulher estava realmente chateada e envergonhada com o que havia acontecido. Ela não conseguia encarar o garoto, que tentava também não olhar para ela, dividindo seu olhar entre a mão avermelhada e dolorida, e a conversa dos outros enquanto andavam até o lado de fora.
- ganhou, , então eu ganhei. - sorriu. - Quero os dois de peças íntimas hoje!
- Nem fodendo. Eles não terminaram o jogo. - ralhou.
- Até a se descontrolar, ele ganhava, então sejam bons perdedores e cumpram a aposta. - deu de ombros.
- Não valeu, não, . Está tão louca assim para me ver pelado de novo? - sussurrou o final da frase no ouvido dela.
- Imbecil! - fingiu não se importar com o comentário dele.
- Belo jeito de se terminar uma noite, não? - a garota zombou com o melhor amigo.
- Cala a boca, , puta merda. - reclamou.

Capítulo Nove

estacionou o carro no hotel e desceu, batendo a porta com força. Ela mal esperou que todos descessem e andou na frente, partindo em direção às escadas, não queria pegar o elevador com todos rindo, seu estresse ainda estava alto pelo ocorrido antes de saírem do local, seria bom andar um pouco.
- Então tá… - viu a mulher sumir em sua frente e fez uma careta.
- Pega leve com ela, tá? Não seja um mau garoto. - alertou ao andar lado a lado com ele até o hotel.
- Está tudo bem, não sei o motivo dela estar tão estressada se quem se machucou fui eu. - ele rolou os olhos.
- é meio temperamental, , vá se acostumando se pretende ficar próximo dela. O problema não é você, e sim, ela. - apareceu de surpresa ao lado dele e afagou as suas costas. - Está doendo ainda?
- Pior que está um pouco dolorido sim, ficou machucado aqui. - ele apontou para os leves arranhões que ainda estavam bem avermelhados. - Mas logo passa, vou lavar e tudo mais, não é nem um machucado absurdo, por isso não era para tanto. - falou, entrando no elevador e segurando a porta para que todos o acompanhassem.
- Pode deixar que vou fazer a ir massageá-los para você. - comentou sugestivamente, balançando as sobrancelhas.
- Nossa, que engraçada. - rolou os olhos.
- Hum… Não seria uma má ideia, hein, ? Ela cuidando de você… - entrou na zoeira com .
- Você realmente quer entrar nessa? - perguntou para o amigo, tentando usar seu tom mais neutro. - Você não tem moral para zoar ninguém depois da desculpa da xícara de açúcar, cara. - fechou o sorriso no mesmo momento.
- Não sabe nem brincar! - riu com a fala do rapaz.
- Não tenho culpa que ele realmente foi idiota a esse ponto. - gargalhou. - E nem conseguiu o que queria. - zombou.
- Vão ficar discutindo agora? Homens… - revirou os olhos.
- Vamos logo subir, pelo amor de Deus, essa noite rendeu, mas só dormiremos depois que esses dois aqui cumprirem a aposta. - complementou. Eles aguardavam o elevador chegar até o térreo. Assim que o fez, embarcaram no mesmo.
- Não quero ninguém sem roupa na minha porta não, hein? Ainda mais às minhas custas. - riu.
- A tá doida para ver o sem roupa, por isso não vai deixar isso quieto. Eu, no entanto, adoro um desafio. - a mais nova gargalhou.
- Nada a ver, maninha, eu estou apenas querendo que a aposta seja cumprida, se fosse o contrário duvido que não estariam me pressionando. - deu uma piscadinha de olho para .
- Touché, maninha, touché.
- Vou poder filmar isso? - perguntou, caminhando para fora do elevador junto aos outros.
- E por que você vai querer me filmar seminua? - arqueou uma das sobrancelhas. - O vai te bater, moleque.
- Pelo simples fato de você não ter apostado em mim, melhor amiga. - o garoto respondeu. - Você merece a vergonha pública.
- Me senti ofendida agora - ela pôs a mão sobre o peito.
- Para você ver, , nem um dos seus amigos apostou em você. - sorriu. - Somente eu.
- Por isso você é minha nova preferida. - o garoto riu, beijando a bochecha de e parando em frente ao seu quarto. - Que horas vai ser essa zona aí?
- Vai talaricar o amigo agora? É isso mesmo? - riu e recebeu um dedo do meio em resposta.
- Talaricar quem? Viajou, hein? - fechou a cara. - Por mim, agora.
- Eu só faço com uma boa dose de álcool no meu organismo.
- Vamos logo mesmo com isso, quer muito ver esse corpinho de novo. - levantou a blusa que usava, tirando-a.
gritou com a cena, se abanando.
- Vou entrar no quarto para vocês poderem bater na minha porta. - abriu a porta do quarto e entrou, se jogando na cama e deixando-os no corredor.
- Meu querido, a última coisa que faremos vai ser bater na sua porta. - ela disse vendo o amigo entrar no quarto, ignorando-a. - Bom… Vai nos acompanhar, ?
- Eu vou assistir, estou dispensando ficar seminua com vocês. Fiquem à vontade. - encostou-se na porta do próprio quarto.
- Nunca recuso uma aposta, então… - ela começou a fazer um mini strip tease, cantando os acordes iniciais da música You Can Leave Your Hat On e jogando as roupas em cima da irmã.
- Ui. - segurou as roupas de . - Estou hipnotizada. - tirou o tênis que usava, deixando ao seu lado, desabotoou a calça jeans, e engoliu em seco, tentando desviar o olhar dele tirando a calça. Talvez uma visitinha noturna no quarto do rapaz não fosse de todo mal.
- Pronto, estamos seminus. - deu uma voltinha. - Agora batemos nas portas dos quartos, é isso?
- Isso. No 3, ok? 1...2...JÁ! - gritou, começando a bater nas portas à sua esquerda, batia nas portas do seu lado direito.
- Cadê o 3, ? - reclamou.
- Minhas regras, meu querido.
Já era tarde da noite, então muitos dos que saíam, xingavam os dois. havia ido para um corredor diferente do que havia ido. Quando foi bater em mais uma porta e assustar a pessoa que abrisse, se deparou com quem não esperava.
- ? - olhou para ele, com a mão no ar ainda.
- ? - ele esfregou os olhos se certificando que era ela mesmo ali. - Você…? - ele apontou para o corpo dela. - Que merda é essa, ? Como você…? - ele mal conseguiu terminar a frase.
- É uma aposta, tá? Não se preocupe que não estou fazendo nada de errado… Quer dizer, talvez só um pouquinho, talvez a gente tome uma multa do hotel ou algo assim…
- Mas que merda de aposta é essa?
- Não posso explicar agora, tá? Tenho que terminar de importunar mais algumas pessoas. - ela começou a se distanciar da porta dele e ele começou a sair do quarto, para ir atrás, até que ela se virou. - Mais tarde eu volto. - sorriu, pensando rapidamente, e mandou um beijinho no ar, saindo dali.
balançou a cabeça, rindo da situação toda. É, ele estava completamente fodido

chegou até o local de partida, onde uma entediada estava os esperando.
- E aí, quem fez em tempo recorde? - puxava o ar para dentro de si com rapidez. Havia corrido muito.
- Você, o ainda não voltou. Ah, olha ele vindo aí. - apontou com a cabeça o rapaz que vinha no mesmo estado de cansaço de .
- Estou enferrujado. - ele se aproximou das duas, pegando suas roupas do chão. - Foi uma boa noite, meninas. Fazia tempo que não me divertia assim.
- Ih, ah lá, o cara é dono de uma loja de surf, é surfista, e não aguenta uma corridinha? Você está mais que aprovado para ser meu cunhado se me deixar ganhar sempre.
- Feito, só falta sua irmã me querer. - deu um sorriso na direção de , que revirou os olhos.
- Continua assim que logo, logo você derrete esse coraçãozinho de pedra dela. Bom, se vocês não se importam, irei para meus aposentos. - recolheu as roupas e entrou no quarto que iria dividir com as irmãs.
- Ai. - reclamou, batendo de frente com , que entrava no quarto. - Meu Deus, que cena. - a mulher riu, vendo a irmã menor com as roupas nos braços e encarando um também seminu. - Vocês não prestam.
- Apostas devem ser cumpridas, . - sorriu.
- Rolou até um convite entre eu e o , porque tecnicamente já estamos no jeito, se é que você me entende. - ela gargalhou.
- Onde está indo, ? - já tinha parado de rir, enquanto aguardava a resposta da irmã.
- Acho que eu devo desculpas a alguém. - ela comentou, envergonhada. - Vou ver se ele está bem.
- Está certa, ele ficou todo chateado. - afagou as costas da irmã, entrando no quarto.
- Eu não tenho culpa dele ser idiota de colocar a mão onde eu estava batendo. Só vou pedir desculpas porque eu não deveria estar tão nervosa por algo bobo. - riu. - Logo estou de volta. - ela acenou para os três e andou até a porta de , logo vendo as garotas entrarem no quarto e andar até o quarto em frente.

respirou fundo e bateu na porta do quarto do garoto, esperando que ele não estivesse ocupado ou já dormindo. Quando chegaram, ela havia entrado, tomado um banho e relaxado durante os poucos minutos que , e estavam no corredor, imaginava que tivesse ido fazer o mesmo e cuidado da mão. Ele agora deveria estar melhor, ela esperava, pois não conseguiria dormir da forma que estavam seus pensamentos culpados, mesmo que com uma situação tão boba e sem sentido.
- Ei. - abriu a porta e sorriu ao encontrar ali. - Eu te desculpo.
- Eu não pedi desculpas, . - ela reclamou, rolando os olhos. riu e a encarou, abrindo os braços para que ela se aproximasse.
O garoto vestia apenas um shorts de pijama, mas seu corpo estava incrivelmente quente, provavelmente havia acabado de sair do banho. Ela colocou seus braços em volta da cintura dele e o abraçou, aceitando bem o carinho que ele fazia em suas costas. deu um passo para trás e fechou a porta, puxando consigo até a cama.
- Me desculpa, pirralho. - falou, finalmente, sentando-se ao lado dele.
- Veio fazer a massagem na mão que a mandou? - ele riu, lembrando-se da fala da amiga.
- Quê? - ela perguntou, franzindo o cenho, tentando entender.
- A não falou nada?
- Não, . Eu vim porque estava me sentindo incomodada com o jeito que você ficou, estava preocupada. - reclamou. - Não preciso que ninguém coloque peso na minha consciência.
- Por que você tem que ser tão assim?! - o garoto perguntou, bufando. - Sai da defensiva, . Eu só perguntei por que foi algo que ela disse, eu já esperava que você viria até aqui, mas imaginei que a brincaria também.
- Eu não estou na defensiva. - resmungou. - Para de falar que estou na defensiva.
- Vem cá, estava melhor te abraçando para acalmar sua fera interior. - ele puxou a mulher para um novo abraço, se encostando na cabeceira da cama e a encostando próxima de si. - Bom, agora eu também sei que tem a fera exterior, capaz de machucar pobres e indefesos. - ele mostrou a mão, colocando-a na frente de para que ela pudesse ver.
- . - ela grunhiu. - Não tem graça, poxa. Está melhor? Você é um idiota, você não tinha que colocar a mão ali, você viu que eu estava descontando na coitada da máquina.
- Eu também não sei por que eu fiz, estava brincando. - ele riu. - Mas pensa, se eu não tivesse me machucado, você provavelmente teria.
- Eu não ia me machucar.
- Claro que você ia, . Meu Deus, que cabeça dura. - o garoto revirou os olhos, apertando mais seus braços em volta da amiga. - Estou feliz que você não me empurrou para longe ainda, sabia? - ele riu, vendo a expressão de desgosto de .
- Deveria, só por você ser tão… Argh. Não consigo definir. - ela riu. - Mas assim, vou confessar... Sou ruim, mas adoro abraços.
-Você não é ruim. - afirmou. - Seu coração só é de gelo, . - ele gargalhou, recebendo um tapa em seu peito.
- Ele não é, sem graça. Só não… Ah, sei lá. - ela suspirou. - Enfim, estou desculpada, posso dormir em paz.
- Você está com sono? - perguntou, segurando-a entre suas pernas para que ela não levantasse ainda.
- Não. - riu.
- Então fica aqui. - ele deu de ombros, segurando a respiração e aguardando por uma reação zombeteira, digna de .
- Tudo bem. - concordou, saindo de onde estava e se ajeitando ao lado dele. - Quer assistir alguma coisa?
- Só isso? - perguntou, apoiando-se em um braço e virando o corpo para ela, a encarando, sem entender.
- Só isso, , nem tudo precisa ser complicado, quero ficar aqui. Acho que a culpa me consumiu.
- Não acho que a culpa te consumiu, . Acho que você só gosta muito da minha companhia mesmo. - ele sorriu, sincero.
- Convencido demais, sr. . - ela riu.
- Vou tomar isso como um “é verdade”.
- Pode ser. - ela deu de ombros. - Viu? É uma amizade assim que falta no relacionamento com o Luke, que te falei aquele dia. - ela bufou. - É tão bom só ficar assim, confortável, rindo. Me sinto bem.
- Como cortar um clima, não é, ? - o garoto riu.
- Que clima, ? - ela o encarou, de olhos arregalados. - ...
- Ei, eu tô brincando! Olha você já na defensiva de novo. - abriu a boca para responder, mas a interrompeu. - “Eu não tô na defensiva”. - ele afinou a voz e fez aspas com a mão, fazendo a garota sorrir, irritada.
- Você é meio louco, eu não duvidaria que você pensasse isso, pirralho.
- Não sou tão louco assim, pode ficar em paz. - ele riu. - Vai, vê se tem algo passando aí nessa televisão logo, antes que eu desista e te coloque para correr do meu quarto.
- Não, agora eu quero ficar aqui e você vai ter que aguentar. - ela se aproximou de , deitando em seu peito e sentindo ele ajeitá-la ali, afagando seus cabelos. - Vai, liga aí, .

×××


pegou celular do lado do móvel que tinha ao lado da sua cama, olhou as horas e viu que se passavam das duas da manhã. Viu dormindo, olhou a cama de e ainda estava vazia. Deu de ombros, levantando devagar, sem fazer qualquer barulho, tinha que ser esperta, não queria que descobrisse nada. Arrumou a cama de forma que tivesse um corpo deitado, olhou mais uma vez na direção de , que aparentava dormir, pegou os chinelos nas mãos e saiu do quarto, tentando fazer o menor barulho possível com a porta.
bateu na porta do quarto em frente, olhando a todo momento para os lados, temendo que ou aparecesse no corredor. franziu o cenho, se levantando da cama, ainda meio sonolento, quem poderia ser aquele horário? Abriu a porta, se deparando com com um sorrisinho malicioso.
- O quê? - tinha os olhos arregalados.
- Surpresa! - ela o empurrou para dentro do quarto, fechando a porta atrás de si e lhe roubando um selinho casto. - Não gostou? Se quiser, eu vou embora. - ameaçou se virar e abrir a porta, mas ele a segurou pela cintura.
- Não. Fica. - ela sorriu, virando-se completamente em sua direção. - Só não esperava mesmo, não combinamos nada. Como fez com suas irmãs?
- Montei um corpo com as cobertas, espero que engane, está dormindo e ainda não voltou ao quarto. - olhou para e fez uma cara maliciosa. - Será? Hum… - os dois acabaram rindo.
- e são as velas do grupo, então não seria estranho ver os dois juntos. - deu de ombros.
- Na teoria, não? Não pretendo compartilhar o nosso lance com mais ninguém. Assim está ótimo, você vê as piadinhas o tempo inteiro, imagina se soubessem de algo?
- Será que pegariam no nosso pé mesmo? Às vezes as brincadeirinhas parassem… - tentou.
- Talvez, mas com certeza expectativas seriam criadas, e acredite, seria terrível, conheço bem as irmãs que eu tenho. - ela negou, contar estava fora de cogitação. abriu um sorriso fechado. - Você contou a alguém? - ela o encarava, o estudando minuciosamente. - ! Você contou! - ela lhe deu um tapa no braço. - Para quem, alma de Deus? Não me diga que contou para uma das minhas irmãs!
- Não, não contei para elas, mas eu posso ter deixado escapar para o
- Eu não acredito nisso, não acredito, ele vai contar para a ! Merda! - ela andava de um lado para o outro no quarto.
- Calma, ele me jurou que não contaria, e eu precisava desabafar, é um cara muito gente boa. - ela suspirou fundo, cansada.
- Eu não sei com que cara eu vou encarar o amanhã, ele deve me achar uma louca, ! - ela soltou um riso nervoso. - Se você não fosse tão gostoso eu juro que já tinha ido embora desse quarto. - ele tentou se aproximar dela, que se afastou dele. - Tô muito brava ainda.
- Eu errei, me desculpa. Fica brava não. - ele a puxou pela cintura, a fazendo se assustar, mas ainda tinha um biquinho no rosto. - Prometo que não conto a mais ninguém.
- Só falta contar ao , pronto, aí eu fico como a traíra para minhas irmãs. - ele negou com a cabeça.
- Juro que não vou contar ao , é sério. - ela suspirou fundo.
- Ok, não quero mais brigar com você. - ela tirou as mãos dele de sua cintura, jogando-o na cama. - Quase me matou fazendo o strip-tease mais cedo, tive que ser uma grande atriz. - se deitou por cima dele, distribuindo beijos por seu peitoral.
- A intenção foi essa mesmo. - ele sentiu uma mordida em seu ombro. - Eita, que selvagem, gosto disso. - ele inverteu as posições, prendendo as duas mãos dela.
- Você merece. - eles se beijaram, um beijo cheio de luxúria e afeto.
ainda a prendia embaixo de si enquanto esfregava seu corpo no dela. descia as mãos por todo o peito de , se separaram, ofegantes, e ela voltou os beijos para o pescoço dele, distribuindo alguns beijos quentes, e arranhões, que mais tarde trariam alguns questionamentos, mas eles não estavam pensando muito nisso naquele momento, aliás, os dois não pensavam em nada, a não ser saciar a vontade que tinham um do outro.
Não demorou para que as roupas dos dois virassem um amontoado ao lado da cama do rapaz, e tudo o que podia ser escutado naquele cômodo eram suspiros e gemidos, aquela noite seria longa para os dois...

×××


estava quase pegando no sono, esperando o melhor momento para poder se levantar e ir até o outro quarto, quando viu uma movimentação. Ela tinha certeza de que era , já que não havia voltado ainda, mas não iria tentar descobrir ali naquele momento, para que seus planos não fossem estragados. Então, ouviu a porta bater e no minuto seguinte levantou da cama, tirando a coberta de cima de si. Olhou para a cama a qual pertencia a e deu uma batidinha, constatando o que já sabia.
- Maldita! Roubou minha ideia. - ralhou, depois rindo e seguindo o plano da irmã, enchendo a cama com travesseiros para parecer que ela estava ali, dormindo.
Após isso se dirigiu até o quarto de , bateu na porta, olhando para os lados para ver se havia alguém no corredor.
- Achei que não viria mais. - ele falou de forma áspera com ela, o que a surpreendeu. Nunca o tinha visto daquela forma.
- Quer que eu volte? Se quiser, eu não me importo, só não estou a fim de uma briga, ok?
- Não é isso. Que cena foi aquela mais cedo?
- Está com ciúmes? Por favor, , eu não gosto disso, tá bom?
- Ciúmes? Eu? - ele riu, descrente. Depois, passou a mão pelo cabelo, parecendo enfim ter se acalmado. - Desculpa. Vem, entra. - ele puxou ela, enfim, para o quarto.
- Aquilo foi uma aposta, tá? Não passou dos limites. Eu e perdemos e tivemos que pagar. Não se preocupe, não fiz nada de errado.
- Tudo bem, tudo bem. Eu que exagerei. Não precisa se explicar. - ele suspirou, se recuperando do leve surto. - O que faz aqui?
- Bem, eu disse que viria. - ela riu e se jogou na cama, encarando .
- Não, digo, para Camberra.
- Por você, por que mais seria? - ela olhou séria para .
- Sério?
- Não. - gargalhou da cara que o rapaz fez. - Quer dizer, em partes sim, mas eu e viemos olhar faculdades.
- E aí? Gostou?
- Não. Vou tentar ver pelas redondezas de Melbourne mesmo. Não quero ficar longe da minha irmã e melhor amigo.
- E de mim?
- De você também não, bobo. - riu e se esticou para beijá-lo. - E como andam os preparativos para o show?
- Cansativo, mas bem. - deu de ombros.
- Que bom. - ela olhou para os lados sem saber o que fazer. Olhou nos olhos dele e sorriu. Sentia um frio enorme na barriga toda vez que olhava, conversava ou fazia qualquer coisa com . Era um sentimento bom, certo? Quer dizer, nunca tinha sentido esse tipo de coisa com ninguém, então talvez fosse algo bom.
se ajoelhou e beijou o rosto do rapaz, que sorriu. Eles se olharam por um tempo, até que enfim resolveram por beijar de verdade. Foi um beijo calmo, sem pressa, não tinha ninguém os interrompendo… Foi diferente. Ela pôs as mãos no rosto dele e se sentou em seu colo, com colocando as mãos em sua cintura. queria transmitir com gestos o que não conseguia verbalizar, o rapaz a segurou firme e a jogou na cama, ficando por cima. A situação estava ficando perigosa e imediatamente uma luz surgiu na cabeça de , fazendo com que lembrasse de um pequeno detalhe.
Ela partiu o beijo e o encarou, séria.
- , para. - ele a olhou sem entender muito bem o motivo. Tinha feito alguma coisa errada? - Eu… É… Nunca fiz isso, tá?
Ele parou imediatamente, olhando-a, sério.
- Por que nunca me disse?
- Bom, não era bem o momento certo e não é como se eu saísse por aí falando para todo mundo que sou virgem.
- Porra, , desculpe. Exagerei nos meus atos. - ficou de joelhos e esfregou o rosto.
- Tudo bem, . Eu tive minha parcela de culpa também. - ela sentia um frio ruim percorrer seu corpo, com um misto de vergonha. - Eu estraguei tudo, não foi?
- Estragar por quê? , isso é uma coisa normal, tá? Só porque não sou mais virgem, não quer dizer que você também deveria seguir meus passos. Só que agora tomaremos mais cuidado, tudo bem?
- Se você não quiser mais ficar comigo, eu vou entender, tudo bem?
- Não fala bobagem, . Cada pessoa tem sua hora e não quer dizer que eu sou seu namorado simplesmente para dormir com você.
- Não é? Mas namoros são para isso, não são? - ela arqueou a sobrancelha e riu.
- Não, . Namoros são mais que só transa. Namoro é você compartilhar algum momento bom com o parceiro, além dos ruins também. É ter alguém para sempre beijar e te aconselhar… Ter alguém para abraçar… Assim. - ele se deitou atrás dela, a abraçando pela cintura.
- Tá, tudo bem, talvez você me tenha me convencido e tirado um pouco da minha neura. Mas esse papo morre aqui, tá? Eu te mato se você falar para alguém.
- Pode deixar que não cometeria tal ato. - ele aproximou o rosto da nuca da mulher, se aproximando mais e inalando seu cheiro.
- ?
- Hum?
- Então estamos namorando? - sorria, a mão entrelaçada com a do rapaz.
- Achei que isso estivesse claro. Você queria que eu fizesse um pedido?
- Não, por favor, não, pedidos de namoro já saíram de moda faz tempo.
- Bom, você que sabe, porque se você quisesse, eu faria o maior e melhor pedido de todos.
- Exagerado. - ela riu e beijou a mão dele. - Obrigada, .
- Não precisa me agradecer. Fico feliz que as coisas enfim se esclareceram entre nós.
- Boa noite, .
- Boa noite, . - ele deu um beijo na nuca da menina e ambos fecharam os olhos, se rendendo ao sono.

Capítulo Dez

As irmãs estavam todas juntas tomando o café da manhã em um silêncio estranho, o que não era comum entre elas. parecia alheia em seus pensamentos, assim como , que ocasionalmente sorria para o nada. ainda pensava no ocorrido da noite anterior.
- Hum, gente? - resolveu chamar a atenção delas. Quem melhor para lhe dar conselhos do que as próprias irmãs?
- Diga, . - a encarava, tinha despertado de seus pensamentos. prestava atenção a conversa.
- está aqui, no mesmo hotel que a gente. - ela encarou as mais velhas.
- Oi? - tinha uma expressão surpresa na face.
- Como assim? Vocês combinaram, ? - a questionou.
- Não, eu juro que não. Me pegou de surpresa também. A questão não é essa. Bom, eu dormi no quarto dele ontem. - ela disse, mas estava tentando criar coragem para contar a outra parte da situação. Como contar aquilo sendo que tudo o que fazia na frente delas denotava que já havia feito muito mais com outras pessoas? Por um momento travou e ficou encarando as irmãs.
- Você o quê, ?! - largou a xícara na mesa e encarou a mais nova, desacreditada.
- Eu não acredito que você dormiu com ele, , meu Deus. - a encarava, incrédula. - Pretendia esconder da gente mesmo?
balançou a cabeça, tirando da mente toda aquela besteira. Se não botasse tudo para fora, a situação ficaria muito feia. Não só para si, mas para também.
- Calma, gente, não é bem assim. Eu… - ela engoliu em seco. - Sou virgem. - ela esfregou as mãos, já suadas, na calça que vestia.
- Eu já sabia. - respondeu. - Achei que tivesse perdido ontem.
- , por que você nunca comentou conosco sobre isso? Sempre fomos tão abertas… - a encarou.
- Ah, não sei, acho que por causa do tempo que ficamos separadas, quando nos vimos eu quisesse parecer descolada do lado de vocês duas, não sei. Fora que também nunca surgiu a oportunidade de chegar em vocês e dizer “Oi, eu sou virgem.” Mas eu também nunca senti essa pressão, sabe? Mas ontem foi diferente… não forçou nada comigo, foi um fofo, mas sabe quando você já queria ter passado por aquela experiência para ter de novo com a pessoa que você gosta? Pois é, aconteceu comigo, mas a insegurança é maior que tudo. Eu sinto que com o é diferente, mas mesmo assim… Ai, sei lá. - ela esfregou o rosto, envergonhada. Era a primeira vez em muito tempo que se sentiu assim.
- Meu Deus, eu não sei se brigo com você ou te abraço. - suspirou fundo, encarando a irmã.
tinha os braços cruzados sobre a mesa e encarava a irmã.
- , isso que você está sentindo é completamente normal. Você acabou de sair da escola e está entrando na vida adulta. Não é porque eu e a já experienciamos isso na mesma idade que você, que você tem que fazer o mesmo. Sabe quando você vai fazer isso? - levantou a cabeça e encarou - Quando você se sentir segura para tal. E sabe quando você vai saber isso? Bem, você vai saber. Pelo o que vemos do , apesar das roupas estranhas que ele usa, ele não é lá um completo babaca... Talvez só um pouquinho. - ela torceu o nariz, rindo logo em seguida. - Mas o quero dizer é que não tem uma fórmula mágica, . Se você estiver com a pessoa certa, e com isso eu quero dizer que te entenda, saiba seus limites, te escute e seja paciente, tudo dará certo. As coisas fluem, sabe? Você se deixa levar.
- Concordo com tudo o que a disse, cada um tem seu tempo, eu perdi a virgindade com 17 anos, porque eu confiava no meu parceiro, gostava dele, mas se eu não tivesse me sentido a vontade, perderia com 20, ou 30 anos, independente, isso é um tabu que precisa ser quebrado. Ser virgem jamais deve ser um martírio.
- E você não precisa sentir vergonha de ser virgem, .
A mais nova se levantou de onde estava e ficou entre as cadeiras das irmãs, as abraçando ao mesmo tempo.
- Não sei o que faria sem vocês. Eu amo muito vocês duas. - ela estalou um beijo no rosto de cada uma. Parecia que um peso tinha saído de suas costas com toda aquela conversa.
- Estamos aqui por você e para você, . Jamais duvide disso, ok? - sorriu, abraçando a irmã mais uma vez.
Elas se levantaram, indo juntas até a área da piscina. O dia estava ótimo para um banho de sol.
- Espera aí, , se você é virgem e você fazia tudo com o , quer dizer que ele também é virgem?
gargalhou.
- Aquele ali tem só a cara de santo, mas de santo não tem nada. Se você soubesse o que eu sei, , você ia ficar de cabelo em pé. - ela continuou, gargalhando.
- Eu estou chocada, ele tem cara de anjo. - riu, desacreditada.
- Só se for o Lúcifer, né?
- Não consigo ver dessa forma. - riu, pensativa.
- Por que vocês estão olhando pro nada dessa forma com essas caras? Gente, morre aqui, tá? Vocês estão pensando em emboscar o garoto? - a mais nova brincou. - Mas é sério, o não é de se brincar não, pelo que ouvia pelos corredores da escola.
- Droga, nem posso zoar ele? - perguntou com um sorriso malicioso no rosto.
- Você destruiu a imagem de bom moço que eu tinha do , agora tudo o que eu consigo pensar e ele sendo dominador no BDSM. - riu.
- ! - gargalhou, tentando tirar a cena da cabeça. - É o pirralho, não dá para pensar nisso, me ajudem. - ela segurou a barriga, já sentindo doer devido às risadas.
- Não diria um Christian Grey, mas tá bem próximo.
- Chega, pelo amor de Deus, eu não posso mais ouvir, eu não vou conseguir me controlar quando ver o , vou querer rir. - já sentia a barriga doer.
- Você bugou minha cabeça, . Ele é tão… Ele. - riu mais baixo, se acalmando do ataque de risos.
- Bom, de qualquer forma ele continua sendo fofo.
- E o , ? Como é? - perguntou, encarando a irmã.
- O quê? Eu já disse para vocês a péssima experiência da primeira vez, esqueceram? - deu de ombros, evitando encará-las.
estreitou os olhos, encarando a irmã. Ela se lembrou de algo da noite passada.
- Ah, jura? Bom, então você poderia me dizer o que você foi fazer ontem à noite? Porque antes de eu ir pro quarto do , eu chequei sua cama, , e ela estava muito - frisou a palavra - bem forrada, sabe? Até parecia que tinha alguém ali. Eu fiz o mesmo na minha, sabe? Porque aprendi com a melhor forradora de camas que o Canadá poderia ter criado.
- Oi? - perguntou, arqueando a sobrancelha.
- Eu saí do quarto porque precisava tomar um ar, não estava conseguindo dormir. Não queria preocupar vocês. - abriu um sorriso fechado.
- Aham, vamos fingir que acreditamos, não é, ? - cutucou a irmã com o cotovelo.
- Acreditamos sim, sem dúvida. - sorriu forçadamente para .
- O que vocês acham que aconteceu? - jogou para elas.
- Bom, se eu tive a mesma ideia de forrar a cama como você fez e me ensinou um dia, e logo depois eu fui pro quarto do , você também foi caçar macho. E o macho da história aqui é o .
- O quê? Claro que não, meu Deus! - ela escancarou a boca, forçando a expressão no rosto de espanto.
- Arrumou outro, então? - perguntou, cogitando a ideia.
- Talvez? - deu de ombros com um sorrisinho malicioso. - Eu posso ter olhado para alguém no hall do hotel... Enfim, vocês me colocam como a tarada das .
- Ah, agora que a gente descobriu a virgindade dessa aqui. - abraçou de lado, bagunçando seus cabelos para irritá-la. - Você sempre foi, agora só estamos reforçando. - riu, mandando um beijo para irmã.
- Papai e mamãe ficariam orgulhosos por ter criado a gente. - comentou ironicamente.
- Tenho minhas dúvidas se o papai acha que sou virgem, será? - riu.
- Ele com certeza não espera que você case virgem. - a mais nova pontuou.
- Espero que ele não espere isso de nós todas, na verdade. - riu. - Seria ingenuidade, não? Eles nos conhecem.
- Eu nunca falei abertamente sobre isso com ele, mas com a mamãe sim. - ficou pensativa.
- , lembra quando a mamãe perguntou para gente da e do ? - comentou, vendo rir com ela.
- Como assim? Mamãe foi perguntar a vocês sobre a gente? - riu, negando com a cabeça.
- Até a gente suspeitava mesmo que vocês tivessem algo. - complementou.
- Acredito que todo mundo, na verdade, os pais do também com certeza. - deu de ombros. - Mas acho que agora sabemos bem que realmente não tem nada a ver, vocês são bem diferentes até pelo jeito. - riu, lembrando-se do assunto anterior.
- Hoje foi o divisor de águas, sem dúvidas. - tentou não rir pensando no assunto.

×××

Todos chegaram ao Summer Festival Camberra por volta das cinco da tarde. Ficaram sabendo que não seria somente a banda de que se apresentaria ali, e sim, mais dez bandas com estilos diferentes, já que o público do festival era diverso. De acordo com o folheto que tinham recebido a apresentação do seria as 20 horas, se não tivesse nenhum imprevisto.
Assim que colocaram os pés no local, sorriram, já da entrada era possível ver uma roda-gigante, uma montanha-russa, e o palco um pouco mais a frente. Próximo do palco havia o bungee jumping com uma pequena fila. Haviam chegado cedo, daria para se divertirem antes de começarem as apresentações.
A estrutura do evento era grandiosa, havia alguns estabelecimentos credenciados que vendiam desde lanches a comidas mais sofisticadas, os preços das comidas eram caros também, ainda bem que estavam prevenidos para aquela viagem. Conforme andavam por ali, ficavam surpresos com o tamanho, o palco era ainda maior de perto.
- Uau, quem diria, hein? Não sabia que um festival desses poderia ser tão animado. - comentou, olhando tudo em volta.
- Sim, e é muito grande. Não conhecia. - comentou.
- Nem achei que fosse ser algo tão assim, esse seu namorado vai longe e vamos ter muitos desses para ir, de preferência. - falou. – ‘Tô apoiando muito esse namoro agora, muito bom, né, ? - riu, cutucando a irmã.
- Eu nunca fui contra, até incentivei mandando ela andar na garupa dele. - sorriu, cínica.
- Interesseiras. - cochichou.
- Então agora é assim? Se para convencer vocês era preciso trazer para um festival, era para eu ter feito isso antes. - fez bico, olhando para as irmãs.
- O que importa é que a hora chegou, cadê o ? Já quero falar para ele que vocês têm nossa aprovação pro casamento. - brincou, fingindo procurar o garoto que provavelmente estava nos bastidores com a banda. - Mas falando sério, eu adoro festivais, e sei que a também. - sorriu para irmã, animada.
- Sim, amo muito e faz muito tempo que não vou a um, estava focada demais no meu trabalho. - suspirou, chateada.
- Nossa, você realmente trabalha tanto assim, ? - perguntou. - Meu Deus, você não parece tão chata assim. - riu.
- Você não conhece a profissional, eu sou mesmo muito focada, e a chata na empresa. - sorriu.
- Se fosse só na empresa estava bom. - zombou. - Mas vocês realmente querem falar de trabalho? Vou ir embora para o restaurante e vou deixar o na loja. - riu.
- Por favor, viemos nos divertir, não? - deu de ombros. - Começamos a explorar por onde? Roda-gigante? Montanha-russa?
- Montanha-russa sempre tem a maior fila, vamos aproveitar como está. - apontou, vendo todos concordarem e começarem a caminhar para lá.
- Tenho medo dessas pequenas, sempre me dá a impressão que vão desmoronar a qualquer momento. - comentou, rindo.
- Vamos lá, eu seguro sua mão, . - falou, dando um tapa na cabeça do garoto.
- Aproveita, que não é sempre que ela faz isso, viu? - deu umas batidinhas nas costas do amigo.
- Na verdade, acho que eu estou sobrando aqui. - riu. - ferrou o esquema de duplinhas. - parou no final da fila, vendo que todos já estavam ali.
- Não ferrou nada, vai com um desconhecido, eu vou com você. - sorriu, segurando o braço da irmã.
- Não, não. - reclamou. - Sem chance. Vai que conheço um desconhecido bonitinho, obrigada por ser essa pessoa maravilhosa, mas vocês dois numa montanha-russa é tudo que quero, parece essa amizade louca de vocês. - gargalhou, vendo e concordarem nada discretamente.
- Eu concordo, é uma oportunidade perfeita. - deu de ombros, desinteressado.
- Poxa, então eu queria ir com a . - fez um biquinho fofo.
- Tá atirando para todos os lados só para fugir? - falou, caminhando mais um pouco na fila, ainda tinham um tempinho por ali.
- Ai, vocês são muito complicados, nossa senhora - revirou os olhos. - Bom, eu não me importo de ir sozinha, já que o está se preparando para o show e não pode estar aqui.
- Relaxa, , já está dividido. - riu. - Olha o bonitinho ali na frente, espero que ele fique sozinho no grupo dele. - deu uma piscadinha para as irmãs.
- Você não perde tempo mesmo, hein? - riu, balançando-a pelos ombros.
- ‘Tô precisando esfriar a cabeça, ‘tô passando tempo demais só com vocês. Vocês deviam fazer o mesmo, já que não se pegam, né? - riu, esperando a reação dos dois.
- E quer melhor companhia do que a gente? Ih, ah lá. - riu, se apoiando em , que estava mais próximo dela.
- Boa ideia, não é? Acho que vou dar uma circulada pelo festival mais tarde. - comentou e a encarou sem piscar.
- Concordo, eu e a não vai rolar mesmo, vou atrás de uma boa companhia. - ele a encarou e ela arqueou a sobrancelha.
- É. - respondeu direta.
- Gente, olha, o bonitinho ficou sozinho. - riu, apontando.
- Tem um aí para vir? - o funcionário responsável pelo brinquedo chamou, vendo diversos grupos que estavam juntos.
- Eu. - falou, correndo pela fila e passando rapidamente pelo portão.
- ! - gritou, recebendo uma risada do garoto em resposta, que apenas acenou e apontou para própria mão, como se fosse uma vingança. - Filha da puta. - bufou.
- Meu Deus… - riu, olhando a cena.
- é mesmo vingativo. Parece que terá que ir com o , . - alfinetou a irmã.
- Se eu agarrar ele no carrinho, não reclame. - retrucou.
- Ou se eu não te agarrar, não é? Não sou muito adepto a altura. - jogou, vendo bufar.
- É, , seremos nós dois então… - piscou para o homem, entrelaçando seus braços e andando na fila com ele ao seu lado.
- Vamos, finalmente chegou a nossa vez. - entrelaçou seu braço no de .
- Você me paga, . - encarou o menino na plataforma, ele havia acabado de deixar o carrinho e apenas deu de ombros.
- Espero vocês lá fora. - mostrou a língua e recebeu um dedo do meio da garota.
- , vem cá. - o puxou para longe de e , que conseguiram se sentar no primeiro carrinho do brinquedo. - A frente não é boa para quem tem medo de altura. - mentiu o motivo pelo qual queria o homem distante das irmãs.
- Eu não tenho mesmo medo, era blefe. - comentou, inocente. Sentaram no penúltimo banco do brinquedo.
- Hm, esperto. - piscou para o garoto. - Mas não vejo muito sentido em fazer ciúme em alguém que você já tem no bolso. - deu de ombros, prendendo a trava e aguardando que o brinquedo começasse a subir.
- No bolso? A ? Não. - ele negou, nervoso.
- Ah, eu acho que sim, não sei, tenho esse sentimento. Ela não falou nada, e tal, mas… - deu de ombros novamente, se fazendo de sonsa. O brinquedo estava entrando na subida, e ela aguardava pelo momento certo de soltar sua última carta. - Bom, ainda aposto que vai dar certo. - sorriu para ele, sincera.
- Sua irmã já deixou claro aos quatro ventos que nunca vai rolar nada entre a gente, não sei porque está especulando.
- Realmente acho que não vá rolar nada, até porque já rolou, não é? - viu o homem a encarar, com as sobrancelhas arqueadas e parecendo tentar dar alguma resposta. - não esteve no quarto essa noite, , a viu.
- No meu quarto ela não foi parar, dormi sozinho ontem. - ele evitou encará-la, vendo o brinquedo estar cada vez mais alto, os primeiros carrinhos já estavam no início da descida.
- Bom, é um belo arranhão que você tem aqui, querido. A propósito, combina com o chupão que tentou esconder. - antes que pudesse encará-lo, o carrinho desceu a toda velocidade. sentiu o frio na barriga duplicar, já sabia, e ele estava ferrado, ia achar que ele tinha aberto a boca.

-Nossa, , está tudo bem? - perguntou, vendo o homem descer do carrinho com uma grande palidez.
- Está muito pálido mesmo. - se aproximou, segurando o rosto do rapaz, examinando.
- Tenho certeza de que ele está muito bem, foi divertido. - afirmou, dando batidinhas no ombro de .
- Sim, é que tenho medo de altura. - engoliu em seco. - Vou logo ficar bem.
- Por que eu tenho a impressão de que não foi só a altura? - comentou, olhando de uma sorridente, para um pálido.
- É que a minha presença deixou tudo muito emocionante pro coração dele. - riu e passou pelo portão, encarando , que os aguardava ali fora. - Eu te odeio, só deixando claro. Sua sorte é que foi muito mais divertido ir com . - piscou para .
- , só para constar, eu também te odeio. - deu dois tapinhas no ombro do rapaz.
- E só para constar, me dei bem mal, o seu bonitinho era esquisito. - revirou os olhos. - Ele estava cheirando cerveja barata, mal chegamos, gente.
- Alguém está aproveitando bem. - soltou.
- Logo você estará também, apenas duas horas para o show do . - abraçou a irmã de lado.

- Ainda bem que começamos a andar aqui mais para frente logo, olha como está cheio agora. - comentou, olhando a multidão para trás de onde o grupo estava. Não era um lugar em que as pessoas ficavam tão apertadas umas ao lado das outras, mas estava cheio, e a maior parte das pessoas estavam em grupos de amigos como eles.
- mandou mensagem de áudio. Parece que o bichinho vai parir de tão nervoso que tá, tadinho. - riu, afastando o celular do ouvido.
- É o primeiro show grande dele? - questionou.
- Sim. Esses shows são ótimos para visibilidade, como você pode ver - ela apontou para a multidão que se formava. - Fora que eles estão na luta para encontrar gravadoras, né. Tão atirando para tudo quanto é lugar.
- Estamos aqui para apoiá-lo, vamos gritar muito. - deu um grito repentinamente, assustando o grupo. - Só um aquecimento, ué. - ela riu. - THE SIXX, EU VIM AQUI PARA VER VOCÊS. - gritou novamente ainda rindo.
pegou o celular, gravando os gritos que os amigos e familiares faziam.
- Olha só como estamos animados, . Arrasa! - ela mandou uma mensagem de voz para o namorado.
Viram as luzes se apagarem e de imediato a multidão começou a gritar loucamente. De repente, barulhos de baterias foram ouvidos. As luzes começaram a acender e desligar em partes aleatórias do palco. As batidas pararam e deram início aos acordes de Red Hot Chili Peppers - Scar Tissue.
- , se você não soltar loucamente essa voz, eu te mando de volta para o Canadá. - brincou, vendo a banda entrar no palco ao som de aplausos e gritos animados da plateia. Aquele realmente era um público que dava muito apoio, isso era incrível para as bandas que estavam ali buscando por fãs.
- Eu amo essa música. - foi cantando alto junto com a banda. - Eles estão mandando muito bem.
- O realmente é muito bom, não dá para negar. - concordou, cantando, animado.
- Me levanta, . Faz que nem a gente fazia no Canadá. - ela pediu. O amigo se abaixou e segurou para que ela subisse em seus ombros. Segurava as mãos dela, dando-lhe apoio. Quando levantou, levantou de uma vez e com uma eufórica em seus ombros. A garota gritava e cantava a música junto a . achou que ele não a veria ali, mas viu, e quando viu sorriu daquela forma que só ele fazia. No fogo do momento, gritou algo que nem ela mesmo estava esperando. - Eu te amo, !
- ! - gritou.
- O que tem? Ele nem tá ouvindo. - olhou para baixo e gritou no meio da multidão. Voltou a olhar para o palco e gritou novamente, com os braços abertos e sorriso no rosto. - Eu te amo, !
- Essa menina não existe. - riu e encarou , que ria também. - Você devia ser bem resolvida com seus sentimentos como ela é. - gritou no ouvido da irmã, para que ela conseguisse ouvir.
- Como assim? - gritou de volta, não tinha entendido.
- Ah, , fica no ar. - ela apenas suspirou, voltando sua atenção para o show.
- , não faz isso comigo, detesto as coisas nas entrelinhas. - insistiu.
- Eu sei, essa é a graça. - ela deu de ombros. - Agora curte o show aí. - mostrou a língua.
A música Sky Full Of Stars, do Coldplay tocava e todos curtiam como deveria ser em um festival de verão. dançava, pulava, brincava com os companheiros de banda… Ao final da música ele decidiu que seria um bom momento agradecer àqueles que o rodeavam e como se sentia grato pela oportunidade que estava tendo.
- Boa noite, Camberra! Estão curtindo a noite? - todos gritaram em resposta. - Obrigado por comparecerem aqui esta noite e apoiar as bandas que estão tocando hoje. Estamos muito felizes de tocar para vocês e ver que estão animados. - respirou fundo, sentindo a energia do local. - Essa última música que tocamos não costuma entrar em nosso repertório, mas pareceu um bom momento para tocá-la. Estava ouvindo-a recentemente e percebi o quanto ela se encaixa na minha vida nesse momento que estou conhecendo alguém especial. Saiba que essa é para você. - ele sorriu, sem entrar em detalhes. - E agora vamos para última!
- Eu posso morrer agora, gente? - gritou para os amigos e as irmãs a ouvissem.
- E se for para outra? - zombou, recebendo um tapa da amiga.
- Você nem ouse falar um negócio desses para mim! - riu de nervoso. - Me desce, , acho que minhas estruturas estão abaladas.
- Se acalma. - brincou, colocando uma mão sobre o ombro da irmã mais nova. - Isso foi lindo. - sorriu, pensando nas simples palavras de para .
- Foi muito fofinho, gente. - olhava encantada para o palco.
- Já podemos tentar sair da multidão? - perguntou. - Acho que você vai querer encontrá-lo, não?
- Sabe aquele assunto que conversamos, garotas? Acho que é agora. - gargalhou, brincando.
- Sinto que estamos sendo excluídos. - falou, rindo com , que concordou.
- , se tiver certeza, vai que vai. - riu. - Só não me vai soltar que ama o garoto aos berros sem ser durante um show, pelo amor de Deus, vai assustá-lo. - brincou.
- Por favor, e principalmente: proteja-se. - sussurrou no ouvido da irmã mais nova.
- . - a repreendeu. - Esse assunto vai para um momento mais privado, coitada. - riu.
- Eu não falei alto, ok? Não quero ser tia agora, e também não quero minha irmã com DST. - deu de ombros.
- Puta que pariu, fala mais alto. Ninguém ouviu. - queria morrer ali de tanta vergonha. a encarava, sem entender.
- O que foi, meninas? - as encarou, curioso.
- Nada. - as três responderam em uníssono.
- Vamos sair daqui e esperar o amor da . - comentou, virando-se e tentando sair da frente do palco, se distanciando das pessoas.

- Ele vai demorar para aparecer? Quero ir na roda gigante. - falou, rindo.
- Mas e seu medo de altura? - perguntou, se fingindo de inocente.
estava alheia ao que conversavam ao seu redor. Tudo o queria fazer naquele momento era ver ali na sua frente.
[]: Vai demorar? Tenho que te falar uma coisa.
[]: Tô saindo.
[]: Tô indo até a parte que você me falou.
[]: Estou te vendo.
- Meu Deus, precisava ser tão descritivo assim? - disse ao se virar e vê-lo ali na sua frente.
- Queria dar um ar dramático. - riu.
então sorriu e correu para diminuir a distância que tinha entre eles, pulando em cima de . Ele não teve muito tempo de pensar, apenas a segurar em seus braços.
Os dois se encararam por um tempo, até que segurasse seu rosto com as duas mãos e dissesse:
- Obrigada pela música. Gosto muito de você, ! - e o beijou ali mesmo, com todos em volta.
Ambos ficaram um bom tempo se beijando, até que enfim se separaram.
- Ai, meu Deus! Foi incrível, ! - correu e pulou nos braços do amigo, fazendo todos rirem. - Mas eu queria uma homenagem também. - fez bico.
- Sai de cima, mano - riu, afastando o amigo. - O que combinamos? Nada dessas cenas em público. Em público eu deixo pra
- Tudo bem, tudo bem. - fingiu fungar, se afastando do amigo de cabeça baixa.
- E eu? Você conheceu esses dois ontem? Temos anos de romance, . - entrou na brincadeira, empurrando e abraçando o amigo. - Parabéns, cara. Foi ótimo o show.
- Tem um para todo mundo, gente. Menos para as outras , porque de só basta uma. - ele piscou para .
- Relaxa, . Uma já está muito bem acompanhada. - piscou para o garoto, apontando para . - E a outra está indo procurar companhia. - riu.
- Você não ia no Bungee Jumping comigo? - perguntou, confuso, a encarando e vendo-a bater na testa.
- É, ela vai procurar companhia depois. Vamos lá, pirralho. - puxou o garoto pela mão, saindo de perto do grupo.
- Eu estou com fome. - sentiu o estômago reclamar. Olhou de soslaio para .
- Eu também estou, vamos comer alguma coisa. Se divirtam por aí, casal.
- Juízo aos dois. E, , parabéns pelo show, ficou incrível. - acenou saindo de cena, acompanhada de .
- Então… Quer ir descansar ou aproveitar o local? - perguntou ao rapaz ao ver todos saindo.
- Que tal irmos até o camarim e conhecer o resto do pessoal? Você ainda não os conhece.
- Acesso VIP ao camarim para conhecer os TheSixx? ‘Tô me sentindo uma groupie sem realmente ser.
- Ai, , você é uma graça. - ele entrelaçou os dedos nos dela e beijou sua mão, rindo.
E então os dois foram juntos até uma porta que os levariam até onde todos estavam. Indo até o camarim do The Sixx.




Continua...



Nota das autoras: E então, esse capítulo foi super fofinho, né? Primeiro aquela cena incrível das meninas, depois a conversa sobre o ser pique Christian Grey hahahahah... E a descobrindo todo o rolo da irmã mais velha? E para fechar, a ceninha da declaração do para a . Enfim, nos contem tudinho o que acharam nos comentários, amamos as interações de vocês, nos dá muito gás para escrever mais e mais.


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