That's a Love Story

Última atualização: 05/12/2017


Chapter 1

If I could fly
I'd be coming right back home to you
I think I might give up everything
Just ask me to



Era um dia de chuva. Estava todos dentro de suas casas com medo das trovoadas. Mas havia uma moça, uma moça que não estava se preocupando com trovoadas. Ela estava dentro de seu quarto olhando para o lado de fora. É claro que não poderia sair, mas não queria ficar ali dentro. Estava esperando alguém, porém duvidava que ele apareceria. Puff, quem ligaria para ela naquele momento? Até parece que ele sairia de sua casa quentinha para estar com ela naquela chuva.
A moça saiu da janela e foi em direção a sua cama. Estava claro que se ele realmente fosse estar com ela, arrumaria um jeito de chamá-la.
Suspirou baixinho, enquanto se sentava sobre seu lençol de renda. Ela só queria um abraço, alguém que a entendesse, mas por enquanto não tinha aquilo. Sua irmã, Mafalda, só queria saber de assuntos fúteis; com certeza não gostaria de falar de amor, até porque… ela saberia dizer o que é isso? Bom, para a garota, com certeza não. A única opção que tinha era ele. Mas estava com cara de que nem ele gostaria de conversar com ela. “Puxa, será que sou tão chata assim?”, pensou.
Ela pensou em descer para o salão e ir tocar, mas seus pensamentos foram interrompidos por um grito. Um grito que ela conhecia muito bem por sinal. Sorriu inconscientemente e correu para a janela, vendo ele. Ah, ali estava ele. Lindo como sempre, mesmo molhado. Molhado? Oh, estava chovendo, como havia se esquecido disso repentinamente?
Abriu sua janela um pouco e o olhou. Ele estava sorrindo para a garota, que retribuiu o mesmo.
- Vai vir aqui logo ou vai me deixar ficar ensopado? - gritou o garoto.
- Desculpe. Estou descendo!
Ela correu para fora de seu quarto e desceu as escadas, que, agora, pareciam não terminar nunca. Correu até o lugar onde as criadas da casa ficavam e abriu a porta dos fundos.
- Meredith! - gritou à empregada.
- Sim, senhorita? - respondeu a mesma no mesmo momento.
- Pode me dar uma capa de chuva e dois guarda-chuvas? - pediu, apressada.
- Sim, senhorita. Só preciso encontrar.
- De preferência rápido, Mê.
- Para que tanta pressa, senhorita ? - perguntou Meredith, com curiosidade.
Ela só se limitou a sorrir para a senhora e saiu correndo em meio a chuva, com seu guarda-chuva já devidamente aberto.
- Desculpe a demora. Meredith ainda foi encontrar a capa de chuva – disse ao rapaz, enquanto segurava o guarda-chuva para que cobrisse os dois. Estava o esperando vestir a capa de chuva.
- Tudo bem – ele sorriu para a menina, que corou. - Pelo menos você chegou, e eu pensando que iria me abandonar.
- Até parece que se livraria de mim tão cedo! - Ele sorriu com o que foi dito e a abraçou. Abraçou forte.
- Os seus pais não vão ligar que você saiu de casa nessa chuva, não? - questionou a ela, preocupado.
- Esperamos que não – riu e o puxou para o lugar deles. Assim que se sentaram em um lugar coberto e cheio de pilastras, ela o observou. - Obrigada por vir. Está chovendo e mesmo assim você veio!
- Você sabe que eu desistiria de tudo por você, não sabe? - ele comentou, e a garota ao seu lado sorriu, tímida.
- Claro que sei, você é o meu bichinho de estimação – brincou e ele riu.
- Ah, por favor, !
Ela suspirou e apoiou sua cabeça no ombro do rapaz.
- … - chamou ela.
- Sim?
- Meu pai está pensando em conceder minha mão ao Ralf – a moça soltou de uma vez o que estava a afligindo e percebeu que, nesse momento, os músculos do braço do rapaz ao seu lado ficaram rígidos.
- E o que você pensa sobre isso? - questionou ele.
- Bom, você sabe que eu não quero essas coisas. Mas meu pai disse que estou esperando demais e que se eu não encontrar alguém que eu queira logo, ele mesmo escolherá – suspirou, e a abraçou por trás, fazendo-a se aconchegar em seu peito.
Ele permaneceu quieto e com o olhar distante.
- ? - chamou-o novamente.
- Sim?
- Não dirá nada?
- Você não sabe ainda alguém que queira?
Desta vez, ela permaneceu calada. Na verdade, ela sabia, mas não queria falar; segundo seus pensamentos “não era a hora”, mas… quando seria, não é verdade?
- Sabe… eu até sei, mas não sei como falar.
- Se não quiser me falar não precisa, não é? Você sabe disso, huh? - sua voz estava estranha, não tinha animação.
- Ainda vai chegar a hora, não apresse as coisas, está bem? - pediu a menina acariciando as bochechas do rapaz.
- Vai falar com o seu pai primeiro?
- Na verdade, não – deu de ombros e sorriu enigmática para o garoto.
percebeu que o garoto estava triste e pulou em cima do mesmo, o derrubando no chão.
- O que foi isso, ? - ele riu e, quando olhou para ela, sentiu seu coração pulsar mais rapidamente dentro do seu corpo. Ela era linda. Mas não era dele e isso o deixava bem triste.
- Nada.
Ele girou seu corpo ficando por cima do dela, e os dois se olharam. Ela olhou para o lado com vergonha, e ele continuava a observando.
Não era possível existir pessoa como ela. E para ele não existiria mesmo.


Chapter 2

Pay attention, I hope that you listen
'Cause I let my guard down
Right now I'm completely defenceless



Todos ficaram em choque com o garoto que estava a frente de . Mas todos aplaudiram a cena. Claro que aplaudiram, era o príncipe da Eslováquia ali. O que não era nada bom; não para o garoto que assistia tudo; não para a garota que recebia o agrado do príncipe. O príncipe Ralf ajoelhou-se perante a princesa e sorriu, cheio de cortesia. A menina, que antes olhava para Ralf, procurou o amigo com os olhos, desesperadamente, o encontrando logo depois. Ele a olhava, estava triste; a garota sentiu seu coração se despedaçar naquele segundo, sentiu uma imensa vontade de chorar.
o encarava com os olhos tristes, e, então, deu de ombros. O que mais ele poderia fazer, certo? Abaixou sua cabeça e saiu dali. Ele iria para casa e pretendia não tão cedo voltar.

Cinco horas antes

Mafalda estava afobadíssima. Camila ainda não havia terminado seu vestido, estava desesperada. Andava de um lado para o outro em seu quarto. Porém a irmã não estava tão afobada assim. Meredith havia acabado seu vestido no dia anterior, estava tudo indo conforme o planejado; bom, pelo menos por agora.
- Mê! - chamou.
- Sim, senhorita ?
- Pode me ajudar aqui?
Meredith foi ao encontro da menina ajudando-a a fechar o vestido. Assim que fechou, olhou-se no espelho.
Ela estava com um vestido longo, com a saia inteira colorida de rosa e azul, igualmente na parte de cima do vestido, que era tomara que caia. Minha maquiagem estava natural, um marrom claro e escuro na pálpebra, com grandes cílios. O cabelo meio preso meio solto, com uma trança lateral e cachos. É, estava apresentável para este grande dia.
- Você está linda, senhorita! - Meredith sorriu, e então a garota sorriu também, com sua boca pintada com uma cor rosa escuro.
- Muito obrigada, Mê! Você tem certeza que estou bem? - questionou a garota, dessa vez preocupada.
- Essa preocupação toda é por causa de quê? Hein? - questiono de volta e soltou uma risadinha. - Ou melhor, por causa de quem?
- Ai, Mê! De ninguém! Tenho que ficar apresentável, virão muitos convidados de outros países! - desconversou, e a criada soltou uma gargalhada. - Meredith! - corou.
- Não falei nada demais, senhorita. Mas… ele virá, certo? - questionou, e suspirou, logo sorrindo.
- Virá! E eu o esperarei! Agora vá, Mê! - sorriu e empurrou a criada para fora do quarto. - Se ele chegar me avise! - disse em tom brincalhão, e Meredith riu, afirmando.
- Acho que alguém está apaixonada…
- Meredith!
Ela saiu rindo, e ficou mais corada que já estava. Puxa, estava tão na cara assim?

Três horas antes

- , não pode dar um tempinho não? - o garoto perguntou a puxando.
- , estão chegando muitos convidados! Todos querem falar com a aniversariante – a garota apontou para si, e o garoto riu. - Daqui a uma hora, vou com você, pode ser?
- Ah, , mas é tão chato ficar fazendo nada, sem ninguém para conversar…
- Eu dou um jeito! - disse, e o garoto sorriu, beijando o topo de sua cabeça.
- Eu sei que dá. Você sempre dá.
sorriu boba e nem reparou que estavam entrando mais pessoas. Enquanto ela recebia os convidados, o rei Freddie observava a cena calado.
- O que você tanto observa, Fred? - sua esposa o questionou. Observou o que ele fitava atentamente e sorriu. - Aquele garoto. Ele realmente gosta da nossa menina, não é?
- Sim. E isso me preocupa – finalmente, Freddie falou. Estava com o semblante preocupado.
- Por quê?
- Porque o príncipe daqui a pouco pedirá a mão dela, Sophie – a rainha o encarou profundamente.
- Você não deu muito tempo para a garota fazer a escolha!
- Não tinha mais tempo, Soph, eles desistiriam. Ela também não comentou nada sobre quem ela queria, aposto que nem está apaixonada. Apaixonada, ainda mais por ele? Claro que não – riu, nervoso.
- Eu acho que você deveria ter feito a proposta a ela. Porém não a fez.
- Deixa, Sophie, agora não tem mais como voltar atrás! - o rei estava andando em direção aos convidados quando a esposa o parou.
- Nem se ela quiser?
Ele não respondeu, apenas saiu andando como se nada tivesse acontecido. Sorriu para os convidados, mais precisamente o rei, rainha e príncipe da Eslováquia.

Duas horas antes

A menina saiu a procura do garoto, depois que deixou Mafalda falando com os convidados. A princesa procurou o rapaz no jardim e o encontrou. O encontrou no lugar deles.
- Ora, ora, a que devo a honra da presença da importantíssima aqui?
- Idiota! - a menina sorriu, e o garoto a puxou para um abraço.
- Você está linda – soprou no ouvido da menina.
- Vejo que minha preocupação foi por água abaixo agora – brincou e mordeu a bochecha do garoto.
- Outch! - soltou a menina e colocou a mão na bochecha. Sorriu, porém sorriu triste.
- O que foi? - questionou, contudo não obteve resposta. - Me conta!
- Não! Não quero te contar agora, um dia quem sabe.
- Ai, , eu te odeio.
- Não adianta fazer biquinho não, me ouviu? - soltou uma risada baixinha e repousou suas mãos na cintura da menina.
sentia seu coração palpitar fortemente em seu peito. Ela gostava do garoto, porém não tinha coragem de contar isso ao pai. Nem a ele. Ela colocou seus braços em volta do pescoço do garoto e sorriu. Ele também sorriu, mas o que a garota não sabia era que ele estava triste por dentro, e esse sorriso era um sorriso triste. Ele sabia que ela seria pedida em casamento assim que entrasse novamente ao salão de festas. Ele só estava tentando se despedir da garota, pois se ela ficasse noiva do príncipe, ele não poderia a ver mais.
-
- Sim? - questionou a garota, depois de alguns minutos de silêncio só sentindo a presença do menino.
- Se você ficar noiva, você continuaria a mesma comigo? - soltou de repente.
- O quê? Que assunto é esse, ? Não ficarei noiva por enquanto – sorriu, nervosa.
- Não importa, só responde, por favor.
- Mas é claro que serei a mesma, , sempre.
- Eu ficarei muito desprotegido. Completamente sem defesa em relação a isso - disse, sincero, e a garota o fitou. -
- Diga.
- Você tem que ir! - ele disse sem emoção alguma.
- Não, eu não tenho. Eu não vou.
- … seus convidados estão esperando você – suspirou, triste, e a beijou na testa. Se soltando dos braços dela, logo depois.
- Você é o único convidado que eu me importo de verdade – soltou inconscientemente e corou. Ele a encarou e sorriu verdadeiramente. Mas o que ele poderia fazer nessas alturas, não é mesmo? - Vamos!
A menina o pegou pela mão e o puxou para dentro da casa novamente. Dentro do salão. Assim que entrou, uma luz ficou forte e apontava para ela. se soltou da garota no susto, e todos a encararam. O pai de entrelaçou seus braços no dela e caminhou com ela até o centro da pista de dança.
- Atenção! Gostaria da atenção de todos aqui, nesse momento, o qual é muito importante para todo o reino. Há muito tempo, eu conheci minha esposa… - nesse momento, a menina não entendeu absolutamente nada do que estava acontecendo. Por que seu pai estava falando sobre isso? Ficou um tempo tentando refletir. - Então, querendo continuar toda essa história de amor entre as famílias, eu gostaria que acontecesse novamente algo assim com minha filha, um amor assim, um amor que só um príncipe pode dar a ela. Um amor que somente ele sente… - espera! Ele prometeu a mão de a um príncipe? Não. Não. Não. Isso não pode acontecer. Não agora! - Príncipe Ralf!
arregalou os olhos quando o príncipe apareceu e beijou sua mão. Ele se ajoelhou em seguida. Oh, não!

Naquele momento

A garota estava em seu quarto chorando. Chorando tudo o que havia para chorar. Depois daquele momento, ela fez de tudo para tentar encontrar o melhor amigo, porém não conseguiu. As pessoas a paravam para perguntar sobre o romance, sobre o príncipe Ralf. Logo depois, o mesmo a chamou para uma dança. Não era necessariamente com ele que queria ter aquela dança. Ela escolheria o ! Porém, ele não estava ali no momento e agora aquele cara com ela se tornaria seu noivo. Como aconteceram tantas reviravoltas em um minuto? Antes não tivesse entrado naquele salão.
Assim que acabou ela correu para seu quarto. Se trancou no mesmo. Não conseguia parar de pensar nas palavras que a dissera antes daquele momento. Claramente ele sabia que aconteceria isso, agora, como, não se sabe. Ralf conversou com ela, porém ela não falou tanto. Não estava feliz e fez questão de demonstrar isso a ele. Ele a elogiou, a fez cantadas, queria até a beijar. quase riu quando o mesmo tentou. O que seria da vida dela agora? O que ela faria?
A menina se trocou e se deitou na cama de casal, lembrando-se:
“- Se você ficar noiva, você continuaria a mesma comigo?
- O quê? Que assunto é esse, ? Não ficarei noiva por enquanto.
- Não importa, só responde, por favor.
- Mas é claro que serei a mesma, , sempre.
- Eu ficarei muito desprotegido. Completamente sem defesa em relação a isso.
- Diga.
- Você tem que ir!”

Então, caiu no sono.


Chapter 3

For your eyes only
I show you my heart
For when you're lonely and forget who you are
I'm missing half of me, when we're apart
Now you know me
For your eyes only



- Adelaide? - perguntou Mafalda.
- Sim, senhorita? O que deseja? - Adelaide disse toda eficiente.
- Meu café está sem açúcar! - irritou-se.
- Ah, Maf, fica na sua e toma esse café em paz – retrucou a irmã, que a olhou furiosa.
- Meninas, por favor, estamos na mesa. Um pouco mais de compaixão e respeito – disse Freddie com calma.
- Desculpe-me, papai – disseram as duas garotas juntas.
encarou o prato com o mais delicioso pão já feito e não teve fome. “Mas como isso é possível? Esse pão é o meu preferido!”, pensou. A garota suspirou e bebeu seu chocolate quente. Olhou para os lados e haviam todos os tipos de criadas; haviam até seguranças! “É só um café da manhã, por que há tantas pessoas por aqui?”, pensou novamente.
Colocou um pedaço de pão em sua boca e pensou que fosse vomitar. Não porque estava ruim, mas sim porque não tinha fome e estava comendo forçadamente. “Já chega!”, concluiu.
- Papai, gostaria de me retirar agora – disse a garota, com um certo receio.
- Mas você nem comeu direito – comentou o pai, enquanto colocava um pedaço de bolo em sua boca.
- Estou sem fome e não me sinto bem - disse. Não era mentira, por algum motivo não estava se sentindo bem.
- Se é assim… - disse e deu de ombros. - Mas quero você bem para o jantar! O príncipe Ralf virá para jantar conosco, assim como seus pais virão. Não quero dar má impressão a eles! - continuou dizendo, olhando para uma das criadas agora. Assim que seu pai disse o nome “Ralf”, ela soube imediatamente porque não estava bem. - Meredith!
- Sim, senhor? - Quero que cuide da . Ela precisa ficar bem até o jantar!
- Claro, senhor, eu o farei.
- Agora, pode se retirar.
- Obrigada – dito isso, a garota se levantou e seguiu caminho para as escadas, com Meredith em seu encalço.
A menina parou bruscamente, fazendo a criada se assustar. Ela seguiu em direção a um dos soldados que estavam ali e lhe entregou algo.
- Eu quero que você entregue isso a – disse, simples, entregando-lhe a carta.
- Claro, senhorita, algo mais? - questionou o soldado, sorrindo sedutoramente.
- Por hora não – disse e saiu, subindo as escadas, deixando o rapaz ali sem saber o que fazer.
- Senhorita? - questionou Meredith. - Olha lá o que vai fazer, hein?
- Sei bem, Mê. Agora… que tal me mostrar o vestido novo? - sorriu e correu até o quarto. É, a noite prometeria.

Eram quase três da tarde quando a garota resolveu descer. Estava com um vestido um tanto diferente dessa vez. Não era longo e muito menos cheio, como eram todos os vestidos dela, mas, sim, curto e florido. Ela podia estar vestida daquela forma, mas, ainda assim, parecia da nobreza. Ela estava indo para onde havia combinado com . Na verdade, ela não combinou nada com ele, apenas o mandou uma carta. Já haviam se passado uma semana desde que se falaram e naquela festa ainda. Na maldita festa. Ela não sabia se ele iria, porém mesmo assim foi para o local.
preferiu que os seguranças não a acompanhassem, mas ela sabia que estavam a vigiando de longe. Ela resolveu que iria caminhas mais, visto que o “encontro” seriam às quatro horas. A moça caminhou pela feira que estava acontecendo e viu várias crianças brincando livres e, então, ela sorriu. Logo depois, a garota andou até o rio que havia ali perto e se sentou em um banco.
Ela havia levado um livro e começou a lê-lo. Ela apenas esperava ali, sentada. Era ali que ela havia “combinado” ele. Minutos depois, mais especificamente três e trinta, sentiu uma presença ao seu lado. A menina não falou e nem olhou para ver quem era, afinal ela conhecia aquela respiração bem demais. Quem estava ao seu lado também não se atreveu a falar algo.
- Pensei que não viria – comentou a garota, calmamente.
- São três e trinta, você combinou quatro em ponto – ouviu, pela primeira vez em uma semana, aquela voz da qual sentira tanta falta.
- Eu sabia que se você viesse seria mais cedo que o normal – então, finalmente, a garota olhou nos olhos daquele que ela, também, sentira falta.
- Você me conhece muito bem… - comentou ele, dando de ombros.
- Você me ensinou muito bem – a garota o encarou e sorriu pela primeira vez em uma semana. Mas logo seu sorriso se desfez quando ele a olhou e ela percebeu que ele não sorria. Estava sério. - É… Nós precisamos conversar.
- Precisamos? Pensei que você estaria lá conversando e conhecendo o seu futuro marido – assim que ele disse isso, a garota sentiu uma pontada forte no peito.
- Ele só irá à noite…
- Ah, então é isso! Você veio conversar comigo só porque ele não está lá com você! Olha, , eu tenho mais o que fazer – quando ele ia se levantar a garota o segurou.
- Não vai, ! - se levantou e ficou de frente para o garoto, que havia se soltado da moça. - Nós precisamos conversar, eu não falo com você há uma semana. Eu estou com saudades.
- Oh! Agora você fica com saudades? Pois agora eu não estou! Eu não quero nada que venha de você! - o garoto disse, revoltado.
claramente estava confusa, o que tinha dado nele?
- O quê? Do que você está falando? - questionou a moça, dando um passo para trás.
- Não sabe? Não se faça de sonsa!
- Eu não o estou fazendo, ! O que está acontecendo que eu não sei? Eu fiz algo? - questionou novamente. Estava perdendo a paciência, isso era claro, mas ela ainda não podia, não até entender o que estava acontecendo.
- Você fez algo? Por Deus! Você me dispensou em todas as vezes que eu fui à sua casa. Você me destratou, como se eu fosse um lixo e você ainda pergunta se fez algo? Você me mandou embora e nem teve a coragem de falar isso diretamente para mim! Pediu para suas criadas o fazerem! Eu esperava mais de você! Mas depois que começou a namorar com aquele cara, você me deixou de lado, me largou, como se eu não servisse para mais nada, como se eu fosse um brinquedo e agora que já arrumou um noivo, me deixou! Você me deixou! - despejava tudo o que estava sentindo para a garota a sua frente, que estava chocada.
- Como você ousa me acusar dessa maneira? Eu não fiz nada disso! Como você pode pensar que eu sou dessa forma? - não gritou, porém estava furiosa e chocada e confusa. Os olhos da menina começaram a marejar e, então, ela se virou, ficando de costas para o rapaz, que a olhava confuso.
Ele, claramente, esperava uma expressão menos confusa que a da garota. Ele esperava que, talvez, ela fosse mentir, chorar, mas não pensava que seria dessa forma, que ela ficaria chocada como estava.
- ? - questionou o rapaz, com receio, ele já não entendia mais nada. - Eu não estou mentindo, você sabe quando eu estou. Se eu disse que você me destratou, isso realmente aconteceu… - agora, ele não dizia nervoso, mas, sim, preocupado e doce.
- Você sabe que eu não estou mentindo, pelo fato de que… ah, você sabe como eu fico quando minto. Mas, agora, eu já não sei mais se você acredita em mim; pensei que soubesse como eu sou. Percebi que não. Você não pensa da mesma forma que eu… - e, então, a menina desabou. Desabou por tudo o que estava acontecendo. Por estar comprometida com Ralf, pelo mesmo ser um idiota, por seu pai ser um idiota, por que não acreditava nela, por tudo. Ela simplesmente desabou. Caiu de joelhos no chão chorando. - Eu pensava que… - soluçou – que você poderia me ajudar… - e respirou fundo – mas percebi que não – concluiu ela, levantando-se do chão e secando suas lágrimas. - Ninguém pode me ajudar, não é verdade? Eu terei que aceitar esse meu futuro de qualquer forma – terminou e deu de ombros.
- … - o menino chegou mais perto da menina, todavia ela foi mais rápida e deu um passo para trás.
- Não, ! Eu não fiz nada disso do que você disse! Nada! - O garoto segurou seus braços e a puxou para seu peito. Ela não o impediu, apenas o abraçou de volta. Era bom senti-lo novamente perto de si.
- Shhh… tudo bem, . Eu fui um idiota mesmo por ter duvidado de você – disse ele, calmo, com a voz completamente doce. - Mas se não foi você quem falou… quem foi? - questionou, cheio de dúvidas. Era verdade, se não havia sido ele… então quem?
- Eu já tenho uma ideia de quem possa ter sido, mas deixa que com essa pessoa eu resolvo. Você me desculpa? - a garota disse, ainda com a cara no peito do garoto. De fato, ela era baixinha.
- Pelo quê? - perguntou, enquanto fazia um carinho na cabeça dela.
- Por tudo, por não ter falado com você durante essa uma semana. Eu queria, mas sempre arrumavam coisas para eu fazer, eu fiquei completamente transtornada, no entanto, agora eu já sei o porquê disso tudo – concluiu, apenas apreciando o carinho que lhe era oferecido.
- Eu senti sua falta, querida .
- E eu mais ainda, querido . Eu me senti muito sozinha e eu sentia uma necessidade de te ver que, meu Deus, totalmente sem sentido.
- Eu sinto que… eu sinto que hoje eu te conheci de uma forma estranha… - comentou o garoto, rindo pela primeira vez no dia.
- Posso confessar uma coisa? - levantou sua cabeça do peito do rapaz e o olhou. Assim que ele assentiu ela continuou. - Eu não gosto do Ralf, ele é um idiota – riu, logo depois que disse isso. Ficou pensando em como seria bom se fosse no lugar. Seria tudo que ela sempre sonhara. - Preferia que fosse você – soltou, sem querer, e corou abruptamente.
- Preferia? Olha, podemos dar um jeito nisso…
- Eu sei que sim – sorriu e se soltaram.
A garota olhou as horas e viu que eram exatamente quatro e meia. Com certeza, o príncipe chegaria em sua casa cinco horas em ponto, mas o que custava deixá-lo esperando um pouquinho, certo?
Olhou novamente para o rapaz a sua frente e sorriu. Porém seu sorriso novamente foi desmanchado. Oh, céus, será que ela não conseguiria ser feliz em paz?
- , o que é isso na sua cara? - aproximou-se do rapaz, que logo deu um passo para trás.
- Não é nada, vem cá, sente-se comigo – tentou desviar do assunto.
- Não minta para mim! O que é isso? - aproximou-se mais um pouco e, mais uma vez, ele se afastou, porém, dessa vez, caindo sentado no banco. Sem escapatória!
virou a cara e fez de tudo para que não conseguisse ver o que havia nela. Mas o que ele temia aconteceu. A moça puxou o seu rosto para frente novamente e o levantou, visto que estava abaixado. Examinou parte por parte, tocando com seus dedos macios em várias que estavam extremamente machucadas.


Chapter 4

I've got scars
Even though they can't always be seen
And pain gets hard
But now you're here
And I don't feel a thing



- Não é nada, – soprou pela última vez, observando a cara de espanto da garota.
- O que aconteceu por aqui, ? - questionou a garota, preocupada. - Você… brigou? - O rapaz suspirou, uma, duas, três vezes e, por fim, assentiu. - Por quê? - questionou e se agachou, ficando de joelhos.
- Por nada, por bobeira…
- ! Por favor… - pediu, acariciando, agora, seu rosto.
- Por você – deixou escapar e logo tratou de se endireitar no banco. “Não acredito que disse isso!”, pensou ele.
- Por mim? Por que por mim? O que eu fiz?
- Você? Você… - passou as mãos pela cara e ficou alguns minutos pensando no que dizer. - Ah, … Você vai se atrasar pro seu jantar com o noivo.
- Não me importa esse jantar. Desembucha, o que aconteceu?
- Eu só estava de cabeça quente, só isso.
A moça viu que ele não queria falar, então não insistiu, mas estava curiosíssima, precisava saber porque o amigo brigou por ela.
- Vem comigo, vou cuidar de você! Há quanto tempo?
- Algumas horas antes de eu te encontrar.
balançou negativamente a cabeça e começou a caminhar com o amigo. Ela sabia bem onde havia ajuda, e estavam perto.
Após alguns minutos andando em silêncio, afinal o garoto não se atreveria em perguntar onde estavam indo, chegaram ao local de destino.
- Quem é? - perguntou uma senhora, que apareceu de repente. - ?! - sorriu alegre.
- Que saudades, tia! - a menina sorriu de volta e apresentou o rapaz. - Esse é .
- Ah, aquele seu amigo? - questionou à garota, piscando um dos olhos. riu e assentiu.
- Precisamos de ajuda, você tem algo para machucados?
- Claro, só um instante.
- Quem é ela? - questionou .
- Minha tia – respondeu a garota, sorrindo. O rapaz sorriu de volta e esperaram.
Não sabiam o porquê, mas o ar estava diferente. estava vermelha, e os olhos de estavam completamente brilhantes.
- Aqui está! - disse a senhora, colocando sobre a mesa os medicamentos necessários.
- Muito obrigada, tia – abraçou a mulher, que retribuiu de forma intensa o abraço. - Quanto é?
- Para você é de graça! Vê se aparece mais vezes – balançou a cabeça afirmativamente, e a senhora se dirigiu a . - Você também. Apareça com ela!
- Claro! - sorriu e apenas acenou para ela. - Você nunca me falou dela.
- Você nunca perguntou! - retrucou e riu. - Agora fica quieto, vou cuidar de você.
Os dois sentaram-se em um banco. começou a passar pomadas e cremes, delicadamente, na cara do garoto.
- Sabe , eu não tenho apenas essas dores – parou, não sabia se continuava. Estava indeciso, mas… ele precisava desabafar logo.
- Ah, não? E quais as outras que têm? - questionou.
- Tenho dores emocionais – hesitou, porém completou.
- Tem? Por quê? - questionou novamente, dessa vez mais curiosa.
- Porque você existe.
- Eu? - parou o que estava fazendo e o encarou. - Por que eu?

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a encarou e percebeu que aquela era a hora certa, a hora certa para tudo. Ele estava completamente aberto, desprotegido. Ela havia deixado o noivo para trás, apenas para cuidar dele. Ela estava tão linda, tão doce naquele dia. Se sentia um idiota por tê-la tratado mal há poucos minutos. Era certo, ele a amava. Estar perto dela era tudo para ele, o fazia ficar sem dor alguma. O fazia sentir-se bem. Era algo inacreditavelmente bom, mesmo que ela esteja prometida a outro.
- Porque você é a melhor garota nessa face da terra. Eu sei que sou um idiota e que seria difícil esse relacionamento pelo fato de existirem classes sociais diferentes, mas eu não pude evitar de me apaixonar por você. Era algo que não havia como parar, eu só fui te conhecendo e amando cada vez mais cada detalhe que existe em você. Quando eu vi aquele rapaz se ajoelhando na sua frente, meu mundo caiu, desabou. Eu sabia que aconteceria aquilo, mas foi mais difícil ver do que imaginar. E, bem, agora eu te perdi – jogou tudo ao vento e se levantou, não olhando para a garota.
estava em choque, paralisada com tudo o que havia escutado. Ela não sabia exatamente se era para ser um sonho ou um pesadelo. Um sonho porque tudo o que ela imaginou, passou horas de sua vida pensando, se concretizou. Um pesadelo porque agora ela era comprometida a outro homem. O mundo realmente não ia com a cara dela, certo?
ficou tanto tempo calada, que pensou que ela havia corrido dele. Felizmente, quando olhou para trás percebeu que não havia acontecido isso. Ele a fitou e percebeu, também, que talvez a tivesse perdido de vez, o restinho que sobrara dela. Suspirou pesadamente. Estava triste.
- … Eu não posso fazer muita coisa em questão disso, eu estou comprometida! Mas falarei, vulgo implorarei, com meu pai para ver se ele pode mudar alguma coisa! Eu prometo – disse firme. Ela estava feliz, apesar de tudo, muito feliz.
- O quê? Por quê? - questionou o garoto, confuso. Então, sorriu; sorriu como nunca havia sorrido antes.
- Porque, querido , – levantou-se do banco, indo em direção a ele. Assim que parou perto o suficiente para que somente ele escutasse, proferiu as palavras – eu, a princesa de Goulam, amo você – sussurrou, aproximando-se mais do menino.
O rapaz a encarou surpreso. Se alguém chegasse nele antes de conhecê-la e dissesse que ela gostaria dele, ele gargalharia e debocharia. Os olhos dele chegaram um nível a mais de brilhar, ele estava quase lacrimejando.
não pensou muito no que estava fazendo no momento e puxou a garota para mais perto. Ela colocou seus braços ao redor do pescoço do mesmo, e ele colocou as mãos na cintura da mesma. Ficaram assim por alguns longos minutos, apenas se olhando, se sentindo. Por fim, chegou seu rosto mais perto do rosto do rapaz, e ele a beijou. Era fato, nunca havia beijado alguém, ela não sabia como era e muito menos o que devia fazer, todavia ela confiava em seu companheiro, então ele a guiava. sabia que ela nunca havia beijado, assim como ela sabia que ele já havia beijado, mas isso não foi um problema para ele. Ele estava tão feliz em ser o primeiro rapaz da garota. Primeiro ele a selou com os lábios, algo normal, porém algo que fez a garota sorrir envergonhada. “Que bonitinho”, pensou ele. Segundo ele já aprofundou o beijo – ou tentou -, normal também, quer dizer… normal para ele.
- Calma – comentou ele, enquanto tentava aprofundar o beijo.
- Eu… eu não vou conseguir! - completou ela, totalmente envergonhada.
Então ele segurou o queixo da garota com a mão direita e a mão esquerda foi pousada em sua nuca. puxou a nuca da garota pra frente, o que a fez ficar mais próxima do que já estava. Aprofundou novamente o beijo e, por fim, a garota fez o mesmo, perdendo o medo e se entregando às sensações de que isso, provavelmente, a traria.
Alguns minutos se passaram com os dois deitados em uma grama que havia ali. não havia percebido, mas estava distante de onde haviam se encontrado. Estava consideravelmente perto de onde a tia trabalhava. Era um parque, um parque, muito verde por sinal, que não nunca havia ido em toda a sua vida, muito menos .
- … - o chamou, assim que percebeu que estava acontecendo o pôr do sol.
- Fala – disse, com os olhos fechados.
- São seis e meia. O jantar começa às sete – comentou, assim que olhou em seu relógio.
Arregalou os olhos e se levantou em um piscar de olhos. Como assim faltavam trinta minutos para o jantar? Se desse sorte, talvez o príncipe e os pais nem haviam chegado. Torcia para que sim, por mais que soubesse que Ralf chegava sempre às cinco. Vai que dessa vez surgiram imprevistos?
- , temos que ir. Agora! - tentou levantá-lo, porém este fazia corpo mole. - Se você não levantar, eu vou sem você! Caso você não lembre, eu ainda estou comprometida e não posso faltar a esse jantar! Anda!
O rapaz levantou-se, retirando o excesso de grama que havia em sua blusa e sua calça. Foi em direção à garota desesperada e apenas ignorou o que a mesma dizia. Puxou-a pela cintura, beijando-a novamente. Era como se fosse a primeira vez. Era intenso.
- Eu amo você – sussurrou contra os lábios rosados da garota, o que a fez sorrir.
- Eu sei, agora vamos!
- Aí,


Chapter 5

For your eyes only
I show you my heart
For when you're lonely and forget who you are
I'm missing half of me, when we're apart
Now you know me
For your eyes only



- Meredith? - apareceu na porta da cozinha, fazendo Meredith levar um susto.
- Que susto, mocinha! - a criada colocou as mãos no coração. riu. - O que a senhorita quer?
- Sabe onde está o papai?
- Ele saiu com o senhor Ruben – Meredith olhava para a menina quando viu seu sorriso sumir ao ser mencionado o nome do rei, pai de Ralf.
- Ah.
- O que a senhorita aprontou ontem? - a mulher, que não era tão velha, mas também não era jovem, questionou.
- Ah, nada… - a moça sorriu só de lembrar do ocorrido.
- Nada… Sei, mocinha! Como se eu visse todos os dias a senhorita sorrindo pelos cantos! Fique sabendo que eu tive que te cobrir, nunca inventei uma mentira tão cabeluda para o seu pai. Quase perdi o emprego!
- Não ia deixá-lo fazer isso, você é como minha mãe, Mê – A mulher sorriu. - Quando o papai chegar, você me avisa?
- Claro!
- Obrigada – dito isso, jogou um beijo no ar para Meredith, e a mulher riu.
Ela estava flutuando ou algo parecido? Quase não dormiu pensando no que havia acontecido à tarde. O jantar havia sido tedioso, ela não esperava para ir para o quarto relembrar dos momentos. Estava decidida: falaria com seu pai assim que ele chegasse. Esse Ralf não era o que ela queria e não casaria com ele.

Sophie entrava no quarto da filha silenciosamente enquanto a filha dormia. Meredith havia falado com o rei perto da rainha, então a própria decidiu ir conversar com a filha.
Sentou-se em uma das cadeiras do quarto imenso da filha. Soph era apaixonada por sua filha ; não que ela não amasse Mafalda, até porque amava muito, mas ela via uma alma enorme em , o que não via em Mafalda. era tudo o que a mãe sempre sonhou: feliz, animada, carinhosa, doce e, principalmente, era apaixonada. Apaixonada por tudo; tudo o que gostava de fazer; por garotos, o qual a mãe tinha certeza de quem se tratava.
Quando a filha foi prometida ao Ralf, Soph sentiu pela filha. Não era o que ela queria para , e muito menos o que a menina queria. Tentou argumentar a favor da filha, porém de nada adiantou. O rei não voltava atrás, apenas se ficasse muito arrependido do que havia feito.
Sophie percebeu que Freddie tinha medo de algo acontecer entre e o melhor amigo. Ele sabia que o menino se interessava por ela e também sabia que a filha sentia algo pelo mesmo, por isso ordenou que se o garoto fosse ver , que os seguranças dissessem que ela não queria vê-lo, para assim poder seguir sua própria vida. Ele sentia medo do que poderia acontecer, assim como Soph. Ela sabia que a filha arrumaria uma forma de não se casar, ela sempre sabia que a menina arrumava formas de ter o que queria e, agora, não seria nada diferente. Por isso estava ali: para conversar.
- ? - questionou a mãe, balançando a filha de leve e beijando o topo de sua cabeça.
- Hum? - resmungou algo, assustando-se em ver sua mãe ali.
- Calma, querida – sorriu. Era incrível a forma como havia puxado sua mãe. A forma de Soph sorrir era a mesma que a menina sorria. Os cabelos eram da mesma cor, um loiro dourado com mechas um pouco mais claras. Os olhos tinham uma cor parecida com amêndoas. Soph era linda, e, agora, também. - Só estou aqui para conversar – concluiu, fazendo carinho nos cabelos da filha.
- Conversar? Sobre o quê? - questionou, curiosa, à mãe.
- Sobre o que quiser. Meredith nos avisou.
- Ah… - respondeu, incerta. “Com minha mãe será mais fácil, certo? Espero que sim!”, pensou. Sorriu à mãe e suspirou. Era agora ou nunca. - Você passará para o papai depois?
- Se você quiser, sim!
- Ah… então, mãe… - hesitou. Oh, god! Será que seria tão fácil quanto ela pensou? Será que era melhor fazer isso?
- Diga, querida.
- É sobre o casamento – começou ela, incerta.
- Tem algo de errado com ele? Algo que não gostou? Pode dizer que eu e o seu pai vamos fazer o possível para dar certo.
- Então, tem algo que não gostei sim… - disse a menina, e sua mãe a encarou como se a encorajasse a falar. - Na verdade, tem alguém que eu gostaria que não estivesse nele.
- Alguém? - questionou, surpresa. Soph pensava que a menina se dava com todos, nunca esperou que ela fosse dizer isso. - Quem? - concluiu, e suspirou. “É agora ou nunca”, pensou.
- O noivo – disse, direta.
- O quê? - viu a mãe claramente confusa. - Como assim?
- Não gostaria que o noivo fosse, apenas isso.
- Mas, – ela riu, enquanto a filha não entendia o porquê das risadas -, ele é o noivo, ele tem que ir.
- Não, ele não tem. Eu não quero que ele vá pelo simples fato de que não quero que ele case comigo – respondeu a garota, sem humor algum.
- Filha… - finalmente a mãe entendeu o que estava acontecendo. Suspirou, afinal seria mais difícil do que estava pensando. - Seu pai, bem, ele já negociou com o rei. Você tem que se casar com Ralf. Ah, ele não é tão mau assim também, não é? Ele tem suas qualidades e parece gostar de você.
- Eu não gosto dele e não vejo nenhuma qualidade naquele garoto! Mãe, por favor!
- Mas, filha, seu pai quer o melhor para você, e você não apresentou ninguém que quisesse!
- Não pensei que o papai fosse me arrumar um noivo assim rápido! Eu não quero me casar com aquele garoto, ponto! - concluiu, quase derrotada.
- Quem você quer, então? - questionou Soph, curiosa. A filha nunca comentou nada com ela ou com alguém, por isso ficou curiosa. Soph a encarou e percebeu que havia corado e suspirado.
- Eu quero… - hesitou. Oh, céus, ela estava com vergonha. Nunca comentou isso com ninguém além do próprio garoto! - quero… Bom, mãe, eu quero o – respondeu, e a mãe a admirou, sorrindo. Finalmente, ela percebeu isso! “Pena que foi tarde”, pensou Soph.
- Oh! Ah, , não tem mais como, agora – comentou a mãe, sentindo pena da filha.
- Sei que vai falar isso ao papai, sei também que foi ele quem barrou a entrada de aqui, mas quero que você saiba de algo também: se houver o casamento, realmente, eu direi não. Direi não na frente de todos, porque, afinal, eu ainda terei o direito de escolher exatamente o que quero! - dito isso, a menina enfurecida se levantou. Olhou para os lados e saiu porta afora, deixando sua mãe perplexa no quarto.

Era uma tarde agradável. O sol estava quase se pondo e, com isso, obviamente, a noite estava chegando. Depois que saiu de seu quarto, decidiu passear pela pequena “floresta” que havia em seu quintal. No meio da mesma havia um local no qual gostava muito de ficar e relaxar: um lago. Gostava daquele lago, pois havia uma grande quantidade de lembranças. Todas elas continham a imagem dele.
A garota escrevia em uma folha, calmamente, como se rompesse a bolha de paz em que estava caso escrevesse rapidamente. Ela estava sentada de frente ao lago, encostada em uma árvore grande. Enquanto escrevia lembrava dos olhos do menino. Ah, aqueles olhos . Aqueles olhos que eram carinhosos sempre e lembravam o céu. Aqueles olhos que pareciam algodões-doces. Eram esses olhos que a faziam ter esperança e a ajudavam quando se sentia sozinha. A moça sorriu. Ela amava aqueles olhos e aquelas bochechas e aqueles cabelos. Tudo. Ela amava qualquer coisa naquele simples garoto.
Continuou escrevendo e se levantou assim que acabou. Precisava entregar aquela carta para o soldado o mais rápido possível. Essa carta tinha que estar nas mãos do dono dela antes das oito da noite.
Correu daquele ambiente agradável e avistou um homem de longe. Ótimo, seria ele.
- Hey! - chamou a menina, correndo. O rapaz a olhou. - Espere! Não se vá ainda! Tenho um serviço para você.
- O que deseja, senhorita ? - perguntou o rapaz, prestativo e preocupado com o que poderia ser.
- Preciso que entregue essa carta. O endereço está aqui – mostrou ao rapaz o endereço e continuou, afobada. - Essa carta tem que estar nas mãos da pessoa antes das oito! Muito obrigada! - explicou rapidamente e beijou a bochecha do soldado. O mesmo sorriu de forma doce e maliciosa ao mesmo tempo, concordando. Claramente havia entendido a atitude da menina de forma mal intencionada.
- E qual será a recompensa? - questionou, aproximando-se da garota.
- O quê? Como assim recompensa? - assim que disse isso, o soldado a puxou contra si, e a garota se assustou. Agora sim havia entendido. O rapaz curvou-se para estar mais próximo da garota, visto que ela era baixinha, e sussurrou algo incompreensível no ouvido direito da menina. A menina ficou roxa de raiva. Quem ele pensava que era?
- Espero você às oito no porão – sussurrou novamente. Beijou seu ouvido, e foi tudo uma questão de segundos: a garota se afastou do homem, levantou sua mão que estava livre e bateu no rosto do mesmo. Ele se afastou, colocando as mãos no rosto, com uma cara confusa.
- Quem você pensa que é para fazer isso? Eu não lembro de ter te dado permissão! Seu atrevido! Acho melhor você começar esse trabalho logo, antes que eu chame meu pai! Te dou três segundos para sumir da minha frente! - disparou a garota, enraivecida. - Que falta de respeito!
Em menos de três segundos o rapaz sumiu de sua vista e ela pôde suspirar aliviada. Só faltava essa!

Era a hora do jantar. O plano de era simples: comer pouco. Comeria pouco, pois teria tempo naquela noite de comer bastante. Ela sairia com . Mas como saberia se ele estava a esperando? Se ele havia recebido de fato a carta? Bom, ela pediu uma confirmação e obteve. Se ele tivesse realmente recebido teria que colocar um sapato na rua de frente para sua casa. E assim ocorreu. Havia uma sapato quando olhou antes do jantar. Mas, por que um sapato? Porque assim ninguém desconfiaria de nada, afinal, muitas pessoas podem perder sapatos pela rua. Era meio idiota, mas, pelo menos, funcionara.
Antes de descer para o jantar, ela resolveu colocar as coisas para comer na mochila que levaria. Meredith havia dado a ela alguns lanchinhos, depois de contar tudo à mulher. Guardou e desceu. Durante o jantar estava tudo quieto. “Até demais”, pensou.
- Então, filha, Soph me disse sobre o que você queria conversar – disse seu pai. - E eu acho que você ficará de castigo até o dia do seu casamento. Não quero você com aquele garoto. E não ouse em dizer não!
- Senão…? - questionou .
- Senão nada não é, Fred? - preocupou-se a mãe.
- Senão… Ah, , teste para você ver – esbravejou, e, então, a garota se levantou da mesa. Não disse nada, apenas correu para as escadas, subindo-as.
Na mesa, seu pai ficou gritando-a para voltar, pois o jantar não havia acabado ainda. Mas a garota não ligou, só queria paz. Trancou-se em seu quarto, sentou com as pernas encolhidas. Era só o que faltava não poder escolher o que fazer naquela casa. A garota chorou. Não sabia o porquê de chorar, porém chorou. Chorou até não aguentar mais.
“Hoje… hoje eu quero ser alguém normal e não isso, essa coisa horrível que é estar na nobreza.”


Chapter 6

I can feel your heart inside of mine
I feel it, I feel it
I've been going out of my mind
I feel it, I feel it
Know that I'm just wasting time
And I hope you don't run from me



Era madrugada. Não havia ninguém na rua. Estava tudo completamente deserto. Completamente vírgula, pois havia uma garota. Apenas uma garota. Uma garota que estava morrendo de medo.
- Está desacompanhada, senhorita? - perguntou uma voz completamente calorosa. Quente, sexy.
- Estou – respondeu ela, fingindo estar com medo.
- O que faz essa bela moça estar só? - desta vez a voz estava ao pé do seu ouvido, o que fez a garota ficar arrepiada no mesmo momento. Sorriu e se virou para o dono da voz.
- Estou esperando alguém… - disse, ainda sorrindo.
- Seria uma pena se ela fosse sequestrada antes… - o garoto disse, aproximando-se mais da menina.
Puxou-a para perto pela cintura e beijou seu pescoço. O rapaz estava vendo a menina cada vez mais arrepiada e sorriu com o fato. Subiu com os beijos para o queixo até chegar em sua boca, macia como um algodão.
Pressionou os lábios nos da garota até que eles próprios se abrissem automaticamente, acostumados com o contato. A garota apreciava novamente esse contato íntimo com o garoto. O rapaz sorriu no meio, pois havia sentido a garota subir com as mãos para o seu peitoral. Suas línguas dançavam em um ritmo completamente harmônico. O encaixe perfeito.
A menina deu um leve empurrão no menino, apenas para olhá-lo nos olhos. Assim que o fez, o abraçou.
- Vai ser mais difícil do que pensei, – comentou ela, com a cabeça enterrada no seu peito.
- Calma, . Vamos esquecer isso por agora, tudo bem? - levantou a cabeça de , apenas para olhá-la. - A noite é só nossa – assim que disse isso, sorriu mal intencionado. A garota riu e concordou com a cabeça. - Onde iremos?
- Não sei, você que conhece esse lugar melhor que eu.
- É verdade! Vem, vamos ali, pelo menos para comer algo; estou com fome! Esperei esse momento desde o almoço! - disse, e soltou uma gargalhada.
- Que horror, !
Os dois foram a procura de algum lugar para ir comer. Não foi difícil achar um banco em uma das praças da cidade. Assim que avistaram um, correram até ele. colocou a cesta que carregava no mesmo e continuou em pé.
- Não se sentará? - questionou o menino, confuso.
- Sim, mas… - a garota ficou em pé por um momento e logo olhou para o gramado. - Que tal no chão? Eu trouxe uma toalha.
- Se vamos fazer isso, então que façamos direito – sorriu de lado.
Esperou que a garota colocasse a toalha e se sentasse. Os dois comeram, beberam suco e conversaram.
- Onde vamos após comer? - questionou a garota, e o menino sorriu.
- Não sei, podemos andar por aí. Tenho planos com você depois – piscou, olhando para a garota.
- Planos? Que planos? - mais uma vez ela questionou.
- Surpresa! - exclamou , rindo.
- Por que não podemos fazê-los depois de comer?
- Muitas perguntas, senhorita, agora relaxe.
E assim o fez. A menina relaxou como nunca feito antes. Realmente, ela estava precisando. Refletiu sobre o que poderia ser a tal surpresa, mas não chegou a lugar nenhum. Decidiu, então, andar por ai. Só pra curtir. Queria se sentir uma pessoa normal e não ser tratada como uma princesa.
Levantou-se subitamente, fazendo o rapaz assustar-se.
- Vem, vamos andar! - correu para longe do menino, que sorriu e aceitou o convite e o desafio de pegá-la.
Enquanto corria para o mais longe que podia, se levantava para segui-la. começou a correr atrás da jovem garota. Claro que quem ganharia seria o rapaz, afinal ele era bem mais rápido que ela. Correram por todo o parque, que era gigantesco, e ele a pegou. Agora, ela já não ria, mas gargalhava. Assim que ele a pegou, a abraçou fortemente; e ela, por sua vez, fazia cócegas no garoto, que, agora, já estava rindo de qualquer coisa. escapou dos braços do homem e tentou correr, não obtendo sucesso, já que ele apenas esticou os braços que a capturou. se desequilibrou e caiu, com ficando por cima da mesma. Ele ria, e ela o admirava. Ela havia acabado de achar um som no qual adoraria ouvir todos os dias: sua risada. Ele parou de rir aos poucos e percebeu que ela o observava. Corou. E ela sorriu. Ficaram um tempo se encarando, até que o rapaz se curvou. A garota automaticamente fechou os olhos. Ela já podia sentir a respiração dele perigosamente perto. Seu coração começou a bombear sangue de forma mais rápida; ela estava respirando de forma descompassada, tanto pela corrida quanto pelo fato de ter o cara que ela mais gostava perto de si daquela forma. Seu coração estava diferente, mais vivo, mais livre. E a mesma havia gostado; havia amado se sentir daquela forma, principalmente por causa de um garoto. O garoto.
encostou suas testas, já prevendo uma situação em que havia se acostumado: as borboletas no estômago, o frio que invade a barriga, correndo por todo o corpo e chegando ao coração. Essa era uma situação comum em seu dia, visto que desde sempre sentia isso pela garota. Aconchegou-se a essa sensação gostosa. Era bom ser retribuído. Na verdade, era ótimo! Quem não quer que o sentimento seja recíproco, certo?
soltou um suspiro que nem sabia que estava segurando, e sentiu o cheiro do hálito da menina. Morangos. Ela cheirava morangos. Haviam comido muitos morangos alguns minutos antes. aproximou-se da bochecha direita da garota e a beijou. Desceu os beijos para o queixo da mesma e soltou um suspiro contra seu pescoço, fazendo-a ficar arrepiada. Levantou os olhos para olhá-la. Ela estava linda com aquele vestido. Não era de princesa, era um vestido comum, como se ela fosse uma garota comum da cidade. Ela estava linda também com aquelas bochechas coradas. Ela desviou o olhar dos olhos que o garoto tinha. Era intensidade demais que ele passava para ela conseguir absorver e corresponder. Olhava algum ponto longe de sua cara. Estava vermelha demais e nem sabia exatamente o porquê. “Ela é fofa demais”, pensou , sorrindo bobamente.
Se aproximou do ouvido de e sussurrou:
- Você fica tão linda quando está com vergonha… - beijou o maxilar da mesma, assim que sussurrou. Viu a menina se arrepiar e sorriu de canto. - Você é tão linda… - sussurrou novamente, porém desta vez próximo a bochecha dela. Depositou um beijo ali também e levantou a cabeça, apenas para olhá-la, assistindo, assim, a menina deixar a coloração vermelha e passar para a roxa. Riu baixinho. não se atreveu a falar nada, nem sequer sabia se conseguiria pronunciar uma palavra. Pensou até que havia se esquecido como falar. - Sabe… - começou novamente, depois de alguns minutos de silêncio. - Eu descobri recentemente que se você me pedir qualquer coisa… eu faço. Mas… Eu gostaria de saber se também é recíproco, sabe? - ele já sabia que era, porém queria ouvi-la falar, já que o único que falava era ele. E ele gostava do som da sua voz. Gostava não, amava. Ele, que estava com as duas mãos apoiadas no chão para se sustentar, levantou uma, apoiando-se pelo cotovelo com a mão que ainda estava como apoio, e segurou no rosto da menina, que estava caído para o lado, virando-o para ele. Seus olhares se cruzaram novamente, e a menina sentiu seu peito enchendo mais do que antes. Eram só alguns minutos, mas sentiu falta do olhar dele sobre o dela. Sorriu de canto, vendo uma com um sorriso mínimo. Claramente estava se contendo para não sorrir mais. - Então… Você faria qualquer coisa que eu te pedisse? - ele dizia, passando as mãos pelos braços da garota. O olhar dela estava cravado em seus olhos . Era como se ela conseguisse vê-lo por dentro. Ela movimentou a cabeça para baixo e para cima, concordando. Ele sorriu e depositou um leve beijo em sua boca macia, levantando-se depois.
Era um fato perceptível por todos - até para , afinal, ele não era bobo - que ela estava completa, total e claramente na dele. O que ele não pedia sorrindo que ela fazia chorando, certo? É…
- Vem, vamos! - chamou-a.
Só então a menina percebeu que estava calada demais, idiota demais. Meu Deus! Ela estava parecendo uma boba! Também não era para menos, o garoto a provocava. perdia até os sentidos. Assim que se recuperou, levantou-se.
- Vamos para aonde exatamente? - disse, depois de muito tempo. Ficara até surpresa, pensava que não sabia mais falar.
Ele finalmente a olhou. Sorriu para ela após escutar sua voz novamente. Estava até com medo de ter feito ou falado algo que ela não gostara.
- Surpresa!
Então, ele correu. Ela permanecia parada, até ver que era um convite, portanto correu.
se virou para encarar uma esbaforida a sua frente. A menina nunca correu tanto na vida, devia ter perdido uns seis quilos.
- Espero que seja um ótimo lugar, se não for nunca vou te perdoar por isso – disse ela, tentando acalmar sua respiração.
- Você gostará, pequena! - comentou ele, olhando para os lados.
- Espero que sim… O que você tá olhando? - questionou, curiosa.
Segurou nos braços do rapaz que estava caminhando na frente. Ele sorriu.
- Está com medo, ? - perguntou. Não queria que tivesse saído tão fofo seu tom de voz, mas saiu.
- Estou – mas é claro que estava! Nunca saiu de madrugada!
Então ele parou de andar e se virou, encarando uma encolhida.
Puxou a menina pela cintura e a abraçou. Apertou-a fortemente, fazendo-a se sentir segura novamente ou, pelo menos, um pouco.
- Eu não vou deixar nada acontecer com você, pequena – ele disse de forma abafada. Seus lábios estavam enterrados no topo da cabeça de . - Eu prometo.
sorriu, afastando-se dele. Olhou para cima, visto que era baixinha em relação a ele, e levantou os pés, chegando a uma altura boa. Aproximou-se do rapaz o suficiente, passou seus braços em volta do pescoço do mesmo e o puxou para perto, beijando-o. se surpreendeu, porém não deixou de retribuir o carinho. Rapidamente seus braços já estavam firmes ao redor da cintura da menina. Ele a puxava para mais perto, porém não durou por muito tempo. descolou suas bocas e voltou a posição em que estava inicialmente. Os pés da moça doíam de ficar nas pontas.
- Vamos, ? - questionou ela, sorrindo boba.
- Vamos, antes que eu faça uma loucura com você aqui mesmo – comentou, balançando a cabeça negativamente.
Segurou as mãos da garota e começaram a caminhar novamente.
Ambos jogavam conversa fora e riam das bobeiras que eram faladas. Eles estavam caminhando por ai, felizes, como se não existisse ninguém pelo mundo, apenas eles. Trocavam carícias algumas vezes, corriam, brincavam, como se fossem crianças novamente, só que com um porém: crianças apaixonadas demais.
- ? - chamou-o.
- Sim? - respondeu, distraído com algo.
- Você não desistirá de mim, certo? - perguntou. Havia hesitado, mas o que poderia fazer?
- Eu? Por que motivo eu faria isso? - respondeu com outra pergunta. Agora ele a fitava, confuso.
- Bom… eu vou me casar… - ela continuaria, todavia ele a interrompeu.
- Você não vai se casar! - respondeu, firme.
- Como você tem tanta certeza?
- Você, por algum acaso, quer se casar com o Ralf, ? - questionou, duvidoso. Não queria que ela respondesse que sim, claramente.
- Claro que não! - respondeu no mesmo instante. - É só que… Ah, você sabe como essa coisa de prometido funciona…
- Olha para mim – pediu, e assim ela o fez. Colocou suas mãos no rosto macio da moça e acariciou com os polegares, que estavam de cada lado, suas duas bochechas. - Vai dar tudo certo, sim? Você confia em mim?
- Confio – Ele sorriu e beijou sua testa.
- Ótimo, agora vamos, estamos quase chegando.
Andaram mais um pouco, desta vez não falaram nada. O silêncio estava bom para ambos. Assim que chegaram, abriu o portão de uma casa pequena para a menina, que entrou sem questionar nada, por mais que estivesse curiosa. Seguiu até um quintal e o esperou quando ele pediu.
- Vem, – chamou-a. Ela andou até o local onde estava e se deparou com uma porta, que mais parecia ser do porão, aberta. - As damas primeiro! - fez uma reverência, o que fez a garota rir.
- Vou depois de você! - disse ela.
Ele deu de ombros e entrou em sua frente. entrou e fechou a porta, assim como ele pediu, descendo as escadas logo depois. Não estava entendendo nada, mas não falava nada, só esperava para ver o que era a tal surpresa. “Essas escadas são intermináveis ou o quê?”, pensou, impaciente.
Assim que avistou o garoto pisando em chão firme, desceu mais rápido, pisando no chão também. Estava tudo apagado, ela não via nada.
- Feche os olhos – pediu ele.
- O quê? Por quê? - questionou.
- Apenas feche! - Ela bufou, impaciente, com o pedido, e fez o que lhe foi pedido.
Não soube o que o garoto fez, mas logo ele já estava atrás dela. A segurava pela cintura fortemente e a puxava para cada vez mais perto - se é que era possível.
Virou-a em um ato repentino, então ela abriu os olhos. Ele a olhava com todo o carinho do mundo.
- Não disse que era para abrir ainda – disse, brincalhão.
- Eu nem estou olhando para sei-lá-o-que-é – disse, rindo. - Estou olhando para você, não posso por acaso?
- Você pode tudo comigo… Pensei que já tivesse dito isso – comentou, aproximando-se mais da garota.
- E você disse! - ela sorriu e deixou que ele a beijasse.
“Finalmente!”, pensou ele, “Estou esperando isso desde a hora no parque!”, completou, sorrindo.
- O que foi?
- Nada, só estava pensando – disse, ainda a beijando.
- Não fala nada, ! Não estraga! - advertiu a menina, rindo.
- Shiu, – dito isso, ele caminhou com ela até um sofá que havia ali.
Ela assustou-se de início, mas logo viu que era um sofá e se permitiu cair. Mais uma vez o garoto estava por cima, e, bem, não gostava tanto assim desse fato, já que ela ficava toda mole com ele assim. O garoto mudou a forma calma que estava beijando para uma mais intensa. apenas o seguia, até o momento em que percebeu que lhe faltava ar. Desgrudou os lábios da boca quente do garoto e puxou todo o ar que havia perdido. Enquanto ela estava concentrada em obter seu ar novamente, , também necessitado de ar, beijava seu pescoço de forma afobada. A garota se arrepiava a cada vez que os lábios molhados do menino encostavam em sua pele. Havia ficado difícil pegar algum tipo de ar enquanto havia um rapaz em cima de si, beijando-a de forma sobrenatural. , para ficar mais confortável, pediu para a menina afastar as pernas. Assim que ela o fez, ele ficou entre elas. Ajoelhou-se, apoiando seus braços ao lado da cabeça de . Ele não queria jogar todo o seu peso em cima dela, poderia machucá-la. buscou pelos lábios do rapaz e quando não os encontrou, levantou sua mão e puxou sua cabeça para cima. a fitava encantado. Nunca havia se encantado tanto por uma garota. Beijou-a novamente. Dessa vez, ambos estavam com a respiração perigosamente descompassada. As mãos de passeavam pelos cabelos do rapaz, nuca, ombros, costas e peitoral. As mãos do homem, continuavam apoiadas perto da cabeça dela. Ele não aguentaria muito tempo assim. Eles buscavam por ar de novo, porém não queriam separar suas bocas, era como se algo faltasse. Até que os separou para poder retirar sua camisa. Ele jogou de qualquer forma em algum lugar e voltou a beijar a moça, que arrepiou-se ao encostar em seu corpo nu. Logo, já estava desabotoando o vestido da moça por trás.
“Para que tantos botões?”, questionou em pensamento,“Que ideia idiota, colocar botões!”
Assim que desabotoou o último botão, pronto para tirá-lo, foi interrompido pela garota.
- … - disse, suspirando. Oh, céus, os beijos dele eram ótimos!
- Diga-me – pediu, continuando com os beijos pelo pescoço, descendo pelo colo.
- Você tem certeza? - hesitou em perguntar.
- Certeza do quê? - agora, ele já a olhava. Não a beijava mais.
- Disso…? - disse, incerta do que era exatamente o “isso”. Apontou para os dois ali, deitados, em estados, agora, deploráveis.
- Você… Você não quer? - questionou o rapaz, agora com dúvida. - Não tem problema , se você não quiser, não podem… - não conseguiu concluir o pensamento, visto que o beijara.
Durou alguns segundos apenas.
- Eu quero, se for com você eu aceito tudo… - sorriu, largamente. - Mas, é só que…
- Esquece tudo, ! Foca aqui, agora! - exclamou, baixinho, beijando a ponta do nariz da menina. Ela sorriu e concordou, e, com isso, fez o menino voltar a beijar seu colo.
- Tem mais uma coisa… - disse, mais uma vez.
- O que é, ? - falou, impaciente. riu.
- Cadê a surpresa?
- Bom, está bem aqui! - disse e mostrou com as mãos o espaço do porão. - Mas, depois você vê! Agora fica quieta, garota! - mergulhou novamente para cima de , e ela riu.
Ele finalmente tirou o vestido da menina, todavia até a metade.
“É, parece que não irei para casa”, pensou , rindo do carinho que ele fazia em sua nuca.
- Para de rir! Não é engraçado – comentou, beijando sua barriga enquanto ainda acariciava sua nuca.
- Ah, … - suspirou pesadamente pela mordidinha que havia levado.
- Ah, pequena… - disse, enquanto segurava o vestido para tirá-lo completamente. Encarou o corpo quase nu da garota e suspirou. - Eu amo você.


Chapter 7

For your eyes only
I show you my heart
For when you're lonely and forget who you are
I'm missing half of me, when we're apart
Now you know me
For your eyes only



As luzes da manhã entravam pelo vidro da janela, batendo diretamente na cara da jovem garota que dormia. Sentiu-se incomodada com a repentina luz. Levantou os braços em uma tentativa falha de afastá-la.
“Não coloquei cortina de novo?”, pensou.
Bufou, impaciente, e abriu os olhos pouco a pouco, tentando se acostumar com a claridade. Olhou em volta e se assustou. Não estava em casa? Tentou mover-se para levantar, todavia não pôde completar sua ação com sucesso. Havia alguém em cima dela! Olhou para a pessoa e reconheceu Niall. Oh, céus! Ela havia dormido ali! Era para ter ido embora e não ficado. Só então se lembrou do que passaram. Corou violentamente. Pelo menos a sua primeira vez não seria mais com Ralf e, sim, com alguém que ela amava. E nem queria lembrar de Ralf, ela não se casaria com aquele idiota nunca. Abandonou os pensamentos desagradáveis e olhou para os cabelos do rapaz, que encostavam em sua cara. Sorriu largamente após lembrar de todos os detalhes novamente. Remexeu-se a procura de uma forma de levantar, o que era impossível no momento. Queria saber quantas horas eram, todos deveriam estar a sua procura.
“Eu vou levar um sermão…”, pensou, suspirando.
Decidiu, então, fazer carinho em um garoto que estava com uma cara de anjo. Ela sorriu de canto e se permitiu esquecer de tudo, passando as mãos pelo rosto avermelhado de Horan. Logo depois, fez um cafuné nos cabelos macios do rapaz. Ele se mexeu em cima da menina e a abraçou forte. Depois afundou sua cara no colo da mesma, provavelmente sentindo a claridade. Assim que fez isso ela sorriu, achando tudo muito fofo. Minutos depois, Jubs sentiu a boca do menino tocando sua pele. Ele dava pequenos beijinhos carinhosos em seu colo.
- Bom dia – Juliana sussurrou, com a voz suave.
- Bom dia, pequena – disse, com a voz abafada.
Horan levantou um pouco a cabeça, apenas para olhá-la. Esfregou os olhos, afinal estava vendo embaçado, e sorriu. Porém era um sorriso diferente, visto que acabara de acordar e estava completamente com cara de sono. Seus cabelos estavam todos desgrenhados, fazendo a garota sorrir com as lembranças da noite que tiveram.
- Quantas horas são? - questionou a menina.
Niall fitava o rosto da garota cada vez mais encantado. Aquela garota só podia ser de outro planeta.
- Não sei, Jubs, por quê? - questionou com a voz rouca.
Voz que fez Juliana se arrepiar da cabeça aos pés.
- Tenho que ir, não tenho? - respondeu, suspirando. Não queria sair dali nunca mais.
- Bom, se você não quiser… não precisa – respondeu, olhando para a garota de forma mal intencionada.
A moça riu e balançou negativamente a cabeça, não acreditando no que estava ouvindo.
- Eu não quero, mas preciso sim! Tem que existir pelo menos alguém certo aqui! - respondeu a ele, que, por sua vez, subiu um pouco o corpo para, assim, poder ficar com a cara de frente a ela.
- Ou podemos simplesmente ficar aqui, no nosso cantinho – deu de ombros, beijando a ponta do nariz da moça.
- Ficaremos no nosso cantinho quando der, imagina se sou proibida de sair de casa!? - enquanto ela dizia, ele fazia carinho em sua nuca.
- Não será! - dizendo isso, ele a beijou.
Era um beijo calmo, carinhoso, cheio de paixão e nada intenso ou com segundas intenções. Como sempre, Juliana se sentiu vazia assim que o menino desgrudou os seus lábios dos lábios dela. Ele sorriu para menina, que estava por baixo dele, e beijou sua bochecha. Logo depois, fez menção em levantar e estava fazendo isso, mas parou assim que viu que sua pequena havia ficado em choque.
- O que foi? - questionou, enrugando a testa. Estava começando a ficar preocupado, quando viu a menina tampando a cara. - Ahn? O que aconteceu, Jubs? - Ela abriu uma fresta através de sua mão para encará-lo. Ele tirou as duas mãos da face da moça e a encarou confuso. Ela estava vermelha. - Por que está corada, pequena? - questionou mais uma vez.
Ela o encarou envergonhada, estava assim por agir como uma boba naquele momento e por vê-lo completamente nu em sua frente.
- Ahn… Ah… - não conseguia nem falar uma palavra coerente! Que vergonha! Tossiu para tentar disfarçar, mas ele já havia percebido há tempos. - É… - ela apontou para ele, e ele seguiu seu dedo com os olhos e, finalmente, percebeu o porquê dela estar daquela forma.
Ele a encarou rindo e achou fofo sua vergonha.
- Ah, Jubs… - aproximou-se dela novamente. - Você fica linda com vergonha… - beijou sua barriga. - Pelo que eu me lembre eu já disse isso, sim? - beijou mais acima, entre os seios da menina. - Não precisa ter vergonha mais, você me viu assim a noite inteira… - sorriu de forma pervertida e beijou seus lábios. - E a propósito, você é linda – sussurrou, fazendo, logo depois, o beijo de esquimó.

- Horan, isso ficou realmente bom! Não acredito que fez isso para nós! - disse ao garoto.
Apenas agora notara o porão, que mais parecia um quarto. Ali estavam objetos que Jubs o presentou e haviam também sofá, cama, estante, roupas, entre outras coisas. As pareces eram creme e algumas partes das mesmas eram de madeira. O piso era de madeira também. Havia luzes no teto, que era de cor branco. Aconchegante era a palavra de descrevia o local.
- Gostou? Que bom, demorou muito para ser feito.
- Melhor surpresa! - disse, depois que calçou seus sapatos. - Mas, Horan…?
- Sim? - pediu ele, aproximando-se da menina.
- Esquecemos a cesta no parque… - comentou, sorrindo, assim que o rapaz a puxou pela cintura, colando-a a ele.
- Se você quiser eu te dou outra – disse, beijando a bochecha da baixinha.
- Não precisa, só que… Sei lá.
- Tinha mais alguma coisa lá dentro? - disse, beijando o queixo, testa, cabeça e ponta do nariz da menina, que, por sua vez, ria dos atos do garoto. - Se quiser podemos ir lá ver.
- Não, não, está tudo bem. Não me fará falta!
- Então, tudo bem – comentou, distraidamente.
Niall beijava seu pescoço carinhosamente, porém tratou de parar com o ato e observá-la. Jubs sorriu de uma forma que o menino considerava meiga, e ele a beijou. Assim que o rapaz fez isso, ela colocou seus braços ao redor do pescoço do mesmo.
- Niall… - chamou-o, manhosa.
- Hm? - respondeu, entretido com o beijo.
A moça deu um selinho rápido em sua boca, interrompendo o beijo.
- Eu tenho que ir – falou, olhando para suas mãos, que faziam um carinho gostoso na nuca do rapaz. Ele suspirou e se soltou da moça. - Horan… Não fica assim! - concluiu, puxando o rosto de Niall, que estava olhando para o chão, para que pudesse vê-lo.
- Vou tentar não pensar o resto do dia que você estará nas mãos daquele cara – respondeu, sério.
- Shh… Logo tudo se resolverá. Só que para isso eu preciso não chegar dessa forma em casa! - sorriu, brincando.
O rapaz riu e concordou. Logo depois, ambos já estavam caminhando de volta à casa de Juliana.

Assim que a garota se despediu do garoto, entrou pelo gigantesco portão sem querer ser vista. Passou pela porta dos fundos, que dava à cozinha, e entrou. Ninguém pareceu notar sua presença no local, porém Meredith sim.
- Senhorita Juliana! - falou, baixinho, mas afobada. Não queria que ninguém a visse ali. - Onde estava? Precisa ir imediatamente para o seu quarto. O rei está ficando enfurecido que você não sai daquele quarto! Tive que trancá-lo para todos pensarem que você estava lá e não queria sair – disse, de forma rápida. Juliana não teve tempo de processar tudo, pois Meredith empurrava a menina em direção às escadas.
As duas subiram uma escada, a qual era escondida, que havia para os funcionários, apressadas. Andaram quietas até o quarto e Meredith o abriu. A garota entrou rapidamente e foi direto ao banheiro. Foi trocar de roupa. Meredith entrou no mesmo e esperou a menina sair.
- Deite-se rápido! - exclamou, ajudando-a a se deitar. Assim que estava tudo devidamente certo, Juliana suspirou de alívio. - Agora, diga-me! Onde a senhorita esteve? - questionou, curiosa. - Assim que vi seu bilhete na mesa da cozinha percebi que teria grandes problemas – riu.
- Eu estava aproveitando… - comentou a garota.
Riu e não aguentou, teve que contar tudo para a mulher, que ouvia atentamente e ficava com os olhos brilhando.
- Ah, senhorita, o que fará para conseguir que seu pai concorde em não deixar você se casar com Ralf?
- Não sei, Mê. Estava pensando em falar com os pais dele… - comentou o que pensava.
Juliana viu a criada arregalar os olhos.
- O quê? Senhorita! Seu pai te mata se fizer isso sem falar com ele!
- Eu falarei com ele… Enquanto estiver falando com os pais de Ralf! - sorriu, esperta! Ela faria qualquer coisa para não precisar casar com aquele garoto. - Mê?
- Sim, senhorita?
- Por que não haviam seguranças na frente do portão? Pensei que chegaria, me veriam e contariam ao meu pai!
- O rei pediu para eles fazerem um trabalho, e os que sobraram, bem, eu pedi que fossem à feira com a desculpa de que ninguém poderia largar o trabalho. Não foi tão difícil afinal… - sorriu para a menina, que riu.
- Muito obrigada, Meredith!
- Não há de quê! Faço de tudo quando o assunto é a senhorita! - afagou Jubs.
- Tudo bem, então pode começar me chamando apenas de Juliana ou, se preferir, Jubs!
- Então eu tentarei, senh… Ops, Juliana – Ambas riram do ocorrido, e Meredith saiu, deixando a porta destrancada.
Seria hoje ou nunca.

Eram exatamente cinco e meia quando os convidados haviam chegado. A princesa ainda estava em seu quarto, preparando-se para descer. Estava vestida com um vestido rosado cheio de babados, tomara que caia e sapatos altos de cor nude. Ainda não entendia o porquê de estar vestida daquela forma. Afinal, era apenas um jantar, não era? Oh, céus, e se fosse outra coisa? Nem quando apenas Ralf ia a sua casa se vestia assim. Será que seria hoje que ele mostraria as alianças? Ou a daria? Bom, não se importava, não casaria com ele mesmo.
Desceu até o salão, lugar onde todos estavam, e colocou o melhor sorriso que tinha antes de entrar. Assim que entrou, foi recebida com abraços: do rei, da rainha e, claro, de Ralf. Porém, o último deu um beijo no canto de sua boca.
“Ele nunca fez isso!”, pensou, chocada, “Deve ser para impressionar os pais”, riu internamente e se sentou junto a todos em uns sofás que havia ali.
- Querida, você está linda – comentou Freddie.
- Obrigada, papai! - agradeceu a ele.
“Tenho que estar deslumbrante para o que virá a seguir!”, pensou.
Todos começaram a conversar e a se distraírem. Falavam sobre óperas, músicas, contratos, o país, o que poderia melhorá-lo, entre outros. Juliana quase dormia quando Ralf decidiu se sentar ao seu lado.
- O que acha? - questionou ele, sorrindo para a garota.
Ela a cada dia que passava tinha mais certeza que todos aqueles sorrisos eram falsos. Meredith uma vez disse a ela que viu Ralf falar com Mafalda. Não normal, mas, sim, com segundas intenções, visto que Mafalda estava na parede enrolando seus cachos e ele de frente a ela.
- Do quê? - respondeu ela.
- Da minha roupa nova, oras! - respondeu ele, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Juliana rolou os olhos e suspirou. “Calma, Juliana, calma! Está quase acabando. Calma!”, repetia a si mesma enquanto olhava a figura a sua frente dar uma rodada.
- Está bom – disse, simples.
- Só simples? Eu estou deslumbrante, amor. Você vai se casar com o príncipe mais lindo de todos – sentou-se novamente, e Jubs quase engasgou com a água que havia pegado em cima da mesinha no centro.
- O que você disse? - respirou fundo, tentando voltar ao seu controle normal.
Ele não havia a chamado disso, não perto de seus pais.
- Que você vai se casar com o príncipe mais lindo – gabou-se.
- Não, a outra parte?
- Ah, sim – sorriu, pervertido. - Te chamei de amor.
- Que bonitinho, Ralf – comentou a mãe, sorrindo para o garoto.
Juliana bufou e o repreendeu.
- Não te dei o direito de me chamar assim, Ralf – disse, baixinho, apenas para que ele escutasse.
- Ah, por que não, Jubs? Eu vou ser seu marido daqui a duas semanas! - reclamou.
- Ralf, você sabe muito bem que eu não quero! - exaltou-se, falando mais alto dessa vez.
Ela atraiu os olhares para si e corou. Opa! Será que ouviram?
- Eu sei, você sabe que eu também não estou muito afim, mas o que podemos fazer? - questionou, duvidoso.
Ele podia ser idiota, mas era sincero também. Juliana não odiava Ralf, ela apenas não ia com a cara dele. Mas até que poderiam ser amigos?
- Você gostaria de ser meu amigo? - perguntou, distraída.
Amizade até que não seria tão ruim, ela até achava ele engraçado… quando não estava com raiva, claro.
- Amigo? - riu, descrente. - Você é muito bonita, Juliana, não seria legal apenas amizade. Eu posso não querer casar com você, mas não posso falar que seria ruim também… - disse, dando de ombros. - Não é porque não quero casar com você que não quero te beijar ou até outras coisas… - comentou, sorrindo de forma pervertida.
- Minha boca já tem dono – disse, seca.
- Então você gosta de alguém e esse alguém não sou eu… Hm… Posso saber quem é o sortudo? - questionou.
- Não, não pode. Você não tem nada a ver com a minha vida.
- Eu sou seu noivo! Eu tenho total direito de saber quem minha noiva beijou! Sem contar que isso é traição, certo? Você sabe disso, não é? - provocou, fazendo Juliana bufar de raiva.
- Eu não vou te falar. Não, não sei, afinal, não te considero como nada! - disse, e seus pais, que estavam perto, se chocaram quando ouviram. Ela havia dito alto demais.
- O que está acontecendo, minha filha? - Fred questionou a Juliana. - O que você disse? - questionou novamente, firme.
Juliana engoliu a seco. Era agora ou nunca, certo?
- Disse exatamente o que ele precisava ouvir, papai – começou.
Não queria passar má impressão aos pais de Ralf, eles não tinham culpa do que estava acontecendo.
- E o que exatamente era isso? - o pai de Ralf, curioso, perguntou.
A menina já havia conversado com ele antes e percebeu que ele gostava de sinceridade, não importava se era ruim a situação ou não.
- Que eu não considero ele como nada – respondeu, normal.
Tentou soar o menos indiferente possível.
- Como não, querida? - Freddie estava furioso pela filha.
- Por que não? - a mãe de Ralf perguntou, igualmente curiosa.
- Porque eu não o amo – respondeu, tímida.
Oh, céus, falar de Niall era mais difícil do que ela pensava. Sorriu, assim que pensou no rapaz, abaixando a cabeça.
- Oh! Vejo que você gosta de outro rapaz… - deduziu a mulher, sorrindo com pena.
- Minha filha gosta de Ralf! - seu pai insistiu.
- Não pai, eu não gosto! Eu não quero me casar com Ralf, você tinha me dado um tempo para escolher quem eu queria, e agora eu sei quem eu quero! Você se apressou demais! E pelo que eu sei, hoje que vão assinar realmente o contrato, visto que o casamento começará a ser preparado amanhã. Então, pai, por favor, eu não quero me casar com ele – apontou para o rapaz, que estava com a mão ao redor da cintura da menina. - Senhor, me perdoe por isso, por eu não ser a esposa que você sempre sonhou para seu filho, me perdoe por não amá-lo e não querer casar com ele. Mas é uma tortura para mim ter que deixar quem eu amo para trás. Eu não desejo isso a ninguém – disse, lacrimejando. Ela choraria. Não gostava de ser forçada a nada, mas ela aceitaria qualquer coisa desde que casasse com quem ama. Uma lágrima escorreu de seus olhos. - Não assinem o contrato, por favor! - pediu, mais uma vez.
Os pais de Ralf a olhavam de forma esperançosa e a incentivando a correr atrás do que ela gostaria de ter.
- Você tem sorte, Juliana. Eu sou o maior exemplo que você tem aqui hoje de quem corre para seu amor. Quando eu tinha sua idade, passei por muitos obstáculos e pensei que perderia o meu amor para sempre. Porém eu nunca desisti e veja só como eu estou hoje. Tenho uma família linda, que eu amo. Nunca fui a favor de casamentos arranjados, todavia meu filho estava e está na idade de se casar e não achou ninguém que queira – terminou de dizer, e Juliana sorria.
Não sabia se ele falava isso a ela porque a permitiria casar com quem quisesse ou se apenas queria que ela se lamentasse por não ser como aconteceu com ele.
- Bom… se eu não me casar com seu filho… - pensou por um momento. Bingo! Era isso! - Se eu não me casar com seu filho, eu sei de alguém que gostaria muito – disse, rindo, feliz por se livrar de Ralf e poder seguir sua vida.
Oh, Deus, ela estava mais que feliz, ela estava soltando fogos por dentro.
- Sabe? Quem? - questionou o rei, interessado.
- Mafalda é o nome dela – disse, e Sophie olhou para ela com os olhos arregalados.
- Juliana! Está bem? - Freddie olhou para a filha com a cara extremamente confusa.
- Papai, a Mafalda também não está na idade de casar? Está quase passando! Não podemos deixá-lo escapar para a Mafalda. Ela necessita disso mais que eu! - falou, normal.
Sophie sorriu para Juliana e cutucou o marido com o braço. Fred olhou para a esposa, que o olhava de forma doce. Era verdade. Mafalda estava passando da idade de se casar, seu pai nunca conseguiu alguém para ela. Se a filha não queria, então seria Mafalda, certo? Era o método mais certo até o momento, além de que os pais de Ralf já haviam a conhecido e gostaram dela. Assim como Ralf, mas disso ninguém sabia, apenas Juliana e Meredith. Freddie ponderou por alguns longos minutos, mas que para Juliana foi uma eternidade, e, por fim, suspirou.
- Tudo bem, Mafalda realmente está precisando. E vocês também a conhecem. Não perderemos o acordo, apenas trocaremos as filhas – respondeu, e Jubs se levantou no mesmo instante.
A menina começou a pular, alegre, feliz, animada. Uma explosão de sentimentos aconteceu dentro de si. Não estava acreditando! Ela não se casaria com Ralf! E sim com Niall… Espera!
- Papai… - disse, ainda de pé, olhando para o rei.
- Sim, Juliana? - pediu ele, suspirando. - Não me peça nada mais.
- Mas, papai… O Niall… - disse, olhando para o pai, que suspirou e concordou com a cabeça.
Agora sim ela estava se sentindo completa.
- Eu amo você! - falou, correndo para fora do salão.
Pretendia dizer ao garoto o quanto antes.
Enquanto caminhava apressada para a cozinha, onde se encontrava Meredith, cantarolava algumas músicas. Seu sorriso não saia do rosto. Era como se ela estivesse no céu, andando nas nuvens. Que felicidade!
- Mê! - chamou-a, fazendo as cozinheiras olharem para a menina.
- Sim, senhorita? - disse, correndo até a moça.
- Juliana, Mê, por favor! - sorriu. - Me arruma um cavalo com o Dreak?
- Claro, mas, agora? O jantar está quase pronto! E… seu pai não a deixará sair a essa hora! - comentou, andando. Juliana a seguia.
- Ele deixou – deu de ombros.
- O quê? O que você disse para convencê-lo? Não temos visita? - questionou, enrugando a testa.
- Temos, porém para Mafalda – sorriu de canto. - Minha mãe mandará uma criada que estava por ali pedir para que ela se arrume rapidamente.
- Para Mafalda? - olhou para a menina, confusa. - Mas não é seu noivo que está lá?
- Não – deu de ombros, novamente.
- Claro que é, Juliana! É o Ralf! - exclamou, parando de andar assim que chegou no estábulo.
Virou-se para olhar a garota.
- É sim, Mê! Mas a visita não é para mim, e sim para Mafalda – comentou, observando os cavalos a procura do seu. Assim que a avistou correu até ela. Meredith corria atrás dela. - Ralf é noivo de Mafalda – comentou, normal.
- De Mafalda? - chocou-se. Só então percebeu o que estava acontecendo. - Você não irá se casar com ele mais? Não acredito, Juliana! - exclamou, alegre. - Vai atrás de Niall?
- Mas é claro, Meredith! Me deseje sorte! - piscou para a criada e montou em seu cavalo, Dornius.
Teve uma pequena dificuldade para fazer tal ato porque o vestido estava ali, enorme.
Ela amava aquele cavalo, porém não montava nele havia um tempo. Que saudades! Vivia indo para o estábulo, quando pequena, pentear o cavalo, dar comida, dar carinho. Continuou fazendo isso, porém poucas vezes. Assim que conheceu Niall, passou a fazer isso novamente só que com o garoto. Dornius amava o menino. Às vezes, o garoto montava nele. Geralmente, Dornius não deixava ninguém além de Juliana montá-lo, contudo havia uma exceção para Niall.
- Vai dar tudo certo! - Meredith falou, depois que a garota estava em cima do animal.
- Quanto tempo, hein, amigão! - disse para o cavalo e fez carinho na cabeça dele. - Vamos? - disse e saiu com ele para encontrar o seu futuro noivo: Niall Horan.

Juliana teve dificuldades para encontrar o local onde Niall morava, visto que ele nunca a contou. Mas algo dizia que ela sabia. Parou o cavalo e tratou de pensar. “Onde ele mora?”, pensou. Até que achou a solução: o lugar deles.
Estava escuro quando foram, mas se lembrava onde haviam entrado para chegar lá. Provavelmente era a casa dele, mas já que se lembrou do quarto deles, então era para lá que iria. Cavalgou até o local, que se lembrava bem, e desceu do animal. Não havia onde prendê-lo, então pegou a corda do cavalo e abriu o portão devagar. Não sabia se fazia barulho, por isso era melhor prevenir, certo? Entrou com o animal até o quintal pequeno que havia ali. Onde deixaria o cavalo?
“Bom, tem uma árvore aqui, então deixarei ele preso aqui”, pensou.
Enrolou a corda que segurava no tronco da árvore e se certificou de que não sairia. Foi para perto da cara do animal que ela amava tanto.
- Fique aqui, certo? Não vou demorar – disse, meiga, ao Dornius e beijou sua face.
A menina andou até a porta que havia ali. Ela pensou estar trancada, mas assim que girou a maçaneta a porta abriu. Espantou-se de início, mas deu de ombros. Isso significava duas coisas: ou ele estava ali, ou ele não trancava.
Entrou, fechando a porta atrás de si, e desceu as intermináveis escadas de antes. Quando estava quase chegando e haviam seis degraus para descer, agachou-se para ver se alguém estava ali, constatando que, sim, havia alguém ali. Ela sorriu e retirou os sapatos de salto, assim não faria barulho. Queria fazer surpresa. Quando chegou na penúltima escada, percebeu que o rapaz estava deitado no sofá, sua cabeça estava virada contrário a escada, ou seja, ele não veria se alguém, por algum acaso, entrasse. Ele estava lendo. Juliana segurou o vestido, que arrastava no chão devido a falta dos sapatos, e se aproximou do menino. Agachou-se novamente, porém desta vez ela engatinhava, chegou próximo aos cabelos do menino e tampou seus olhos.
- Mas o quê está acontecendo? - assustou-se, soltando o livro. - Quem é? Ahn? - Juliana deu uma risadinha abafada e sentiu as mãos grossas do menino por cima das suas.
Niall sentiu mãos finas e macias em seus olhos e percebeu que não era um assalto. Se fosse talvez ele já estaria morto. Riu de sua constatação e continuou segurando as mãos da garota, que não sabia quem era. Sentiu o cheiro de um perfume doce, que já havia sentido em algum lugar. Sorriu.
Juliana aproximou do rapaz em passos lentos; ele já havia sentado, ficando em sua frente. Foi direto ao seu ouvido e soltou ali um suspiro. Viu o menino se arrepiar e, no mesmo instante, sentiu as mãos do mesmo segurarem de forma ágil sua cintura, puxando-a para perto.
- Sentiu minha falta, Horan? - questionou a garota, sussurrando ainda em seu ouvido.
Ela retirou as mãos dos olhos do menino, que no mesmo instante a encarou fascinado.
- O que faz aqui? - perguntou, confuso.
- Bom, vim comunicar ao meu futuro marido que temos um jantar para ir – comentou, normal.
Ela olhou para ele, e ele a encarava de olhos arregalados.
- O que você disse? - piscou os olhos rapidamente, não acreditando.
- Que eu e meu noivo temos um jantar para ir – repetiu a menina, sorrindo.
A informação estava sendo processada lentamente pelo garoto, mas assim que entendeu, gargalhou. Ele não entendeu nada de como isso aconteceu, porém ficou feliz, muito feliz. Sorriu e beijou a garota firmemente. Jubs suspirou quando ele separou as bocas e, então, encostou suas testas.
- Quando? - perguntou, assim que recuperou o ar.
- Amanhã – sorriu de canto.


C O N T I N U A



Nota da autora: Dessa vez foi bem rápido a att, huh? Bem, espero que gostem desse novo capítulo!
Estamos na reta final - já que o próximo é o último capítulo -, e eu realmente fico bem orgulhosa de mim por ter finalizado uma das poucas fanfics que escrevi. Sem mais delongas...
Obrigada por ter lido e chegado até aqui. Obrigada por comentar, caso tenha comentado, significa muito para mim.
Tenham um bom dia, uma boa tarde ou boa noite.
Jubbs. xX





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