Finalizada em: 20/12/2017

I

- Já chega! Eu detesto isso! – disse eu, marchando para a saída da escola.
As pessoas encaravam a cena boquiabertas, como se estivessem perdendo o chão. Revirei os olhos para aquele exagero. Parecia que eu era uma celebridade que estava cometendo um crime. Ok, talvez, só talvez, eu seja alguém importante nesse colégio; bom, talvez eu seja uma das mais conhecidas... Por que eu não estou conseguindo me sentir bem com isso? O que mudara? Por que eu não estava rindo das losers como antes? Não que eu gostasse de fazer isso, na verdade odiava, porém como toda popular era necessário isso. Não me questionem se é um tipo de regra, porque nem eu mesma sei. Na verdade, ando percebendo que não sei muitas coisas sobre as pessoas ao meu redor e sobre mim.
- Detesta exatamente o quê, ? – Ashley dizia alto o suficiente para todos pararem e ouvirem.
Saí porta afora, sentindo o vento frio passar por entre meu corpo. Abracei-o, xingando-me mentalmente por ter que usar aquela saia curta, que não tampava nem a polpa da bunda.
- Tudo! Você acha que é a coisa mais incrível do mundo, não é mesmo? Eu detesto ter que andar e fingir que ninguém existe. Isso não é humano, Ash! – falei, a voz saiu trêmula do frio.
- Desde quando você se importa com isso? Desde quando devemos nos importar com isso? – indagou, cética.
- Desde quando você tem cérebro! Aliás, eu me pergunto por que você nunca o usou. Não é bom se fazer de burra quando está com um homem, isso te faz ser idiota! Gastar oito horas no salão de beleza porque é rica e gosta de gastar o dinheiro do papai, não, veja bem, não te faz melhor que ninguém! – soltei tudo em um rompante, respirando com dificuldade.
O frio fora até esquecido pela adrenalina do momento.
Eu estava farta; farta de ter que aguentar as crises dessa garota calada; farta por ter que tratar todo mundo mal; farta de ter que sorrir falsamente para “minhas amigas”. Elas nunca levantaram a minha autoestima, sempre com críticas e mais críticas. Eu tinha que me preocupar com qual roupa usar para que as pessoas fofoqueiras não comentassem mal. Eu não me sentia confortável as usando, para ser sincera. Era cada blusinha decotada que quando eu colocava me sentia uma puta. Eu não era como elas, já tinha percebido há séculos isso.
Olhei para o portão da escola. Uma vontade imensa de passar por ali e nunca voltar me preenchia. Virei-me para encarar minha amiga – ou poderia dizer ex-amiga?
Ashley me fitava com os olhos cheio de fúria. Conhecia bem esse tipo de olhar, se eu não saísse naquele momento, ela me mataria com as próprias mãos; todavia... eu pagaria para ver.
- Como você fala de mim assim? – ela berrou, aproximando-se de mim em uma velocidade incrível. – Eu te dei fama, amizades, homens bonitos, glória... e é dessa forma que você agradece? Cuspindo no prato que comeu? – Já podia prever a hora que ela acertaria um tapa na minha cara.
Sorri, debochada.
- Sinceramente? Sim – foi o que eu respondi, abrindo ainda mais o sorriso. – Está vendo? Você só pensa na glória, nunca se preocupou de verdade com quem estava ao seu lado. Não quero ser da mesma laia que você. Eu não sou assim! Cansei de ser obrigada a fazer coisas as quais não quero – segurei o nó que preenchia minha garganta.
Não, eu não daria a ela o gostinho de me ver chorando. Nunca aconteceu isso estando com ela – sempre soube que Ashley não me ajudaria, apenas me colocaria mais para baixo -, não seria agora, no último segundo, que chutaria o orgulho e a dignidade para longe.
A menina me analisou de cima a baixo e sorriu cinicamente.
- Eu tentei fazer de você uma rainha, , uma pena que não tenha colaborado. Eu, sinceramente, não me importo mais com você. Você morreu pra mim, querida - ela lançou um sorriso e empinou o nariz.
Senti uma raiva me corroer por dentro, fazendo minhas veias esquentarem. Sem que eu percebesse, dei um tapa na cara dela; o impacto foi forte, afinal descontei minha ira ali. Não esperei para ver as reações das pessoas, simplesmente me virei e continuei caminhando como se fosse mais um dia normal, no qual eu iria para a casa. Tratei de não olhar para os lados, não queria ver a reação das pessoas com meu surto repentino – que não foi tão repentino assim.
Desde sempre eu via as maiores baixarias acontecerem naquela escola, até então eu ficava quieta, na minha. Bom... Isso até acontecer comigo. Eu estava com um cara, que era um grosso, ogro, idiota, no entanto era lindo e minha imagem ficaria bem ao lado dele. Broke era o nome dele. Porém, Broke somente se aproveitava da fama que eu tinha. Enfim, estava andando de forma relaxada, quando ouço a voz do meu ficante/namorado. Uma voz aguda saiu também do mesmo cômodo que o dele. Curiosa, resolvi seguir o som e espiar o que estava acontecendo, quando eu vi. Minha melhor amiga – ex melhor amiga – aos beijos com Broke. Claro que fiquei puta da vida. Como assim a pessoa que se dizia minha amiga ficava com meu homem? Como assim aquele babaca estava com minha ex melhor amiga? Não eu gostasse dele, longe disso, afinal sempre soube e aceitei que esse relacionamento era como se fosse um negócio: mais popularidade para ambos. Mas... Com qual direito eles me traíam bem debaixo do meu nariz?
A cada vez que relembrava o que aconteceu, sentia nojo de mim mesma. Não era assim que funcionava comigo. Todavia, aquelas pessoas me encarando como se eu fosse de outro planeta não era agradável. Será que eu já estaria arrependida de ter feito um show? Não, não podia ser. Não era a liberdade que eu sempre quis? Então por que me sentia tão desolada?


II

Estava aqui. Novamente. Meu plano de ficar invisível para não vir a escola não dera muito certo. Suspirei, entrando no pátio gigantesco e verde. Posso dizer com precisão que no momento que fiz isso todos os alunos que se encontravam no local se viraram para me encarar, ou era só paranoia mesmo. Arrumei a mochila nas costas, andando sem rumo por entre a imensidão que era aquela escola. A única coisa que eu tinha em mente era chegar até a sala e ficar lá, quieta, encolhida. Até agora era a única coisa em mente. Olhei para o lado, vendo uma menina, que até então nunca vira, sentada em baixo de uma árvore ajeitando os óculos, sorrindo enquanto lia algo em seu livro. Senti a paz que ela emanava de longe. Caminhei, decidida até ela. Era ali que ficaria até o sinal tocar.
Cheguei até a árvore, agachando-me para sentar em seguida. Assim que o fiz, coloquei a mochila em cima das minhas pernas esticadas e cacei meu celular dentro da mesma. Notei pelo canto do olho que a menina me encarava com as sobrancelhas curvadas, provavelmente questionando a si mesma o que uma garota como eu fazia ali, sentada ao seu lado. Virei meu rosto para ela, sorrindo amigável.
- Como você está? – tentei uma conversa, apenas para que ela visse que estava ali em missão de paz.
- A pergunta que não quer calar é: você está bem? – indagou, encarando-me como se eu fosse um et.
Fitei-a, também confusa. Como assim?
- Ahn... Sim?
- Isso foi uma afirmação ou um questionamento? – arqueou a sobrancelha, superior.
Senti uma irritação crescer dentro de mim. Ela estava tentando ser melhor? Será que não havia ninguém nessa escola que não pensasse em poder o tempo inteiro?
- Se quer se sentir melhor ou pior que eu, não é da minha conta, mas não ficarei aqui para que isso aconteça – respondi, ríspida.
Ela me encarou surpresa; os olhos arregalados; bochechas coradas; e um sorriso mínimo.
- Posso te fazer outra pergunta, além dessa? – inquiriu, voltando os olhos para o livro.
Fiz um barulho com a boca em consentimento, mal humorada.
- Quem é você? – foi o que ela perguntou.
E eu fiquei em choque. Não sei o que aconteceu comigo naquele instante, a única coisa que tenho consciência foi que meu cérebro entrou em pane com apenas aquela pergunta. O que é meio irônico, pois se ele entrou em pane, não estou consciente, certo? Não faço ideia.
Acredito que demorei muito tempo para respondê-la, visto que ela deu um sorrisinho de quem sabia mais do que deveria. Estranhei, afinal ela não me conhecia internamente para saber o que se passava comigo.
- , ué – foi o que eu disse, desviando o olhar do rosto dela.
Ela riu e se ajeitou na grama.
- Não foi isso que perguntei. Digo, eu conheço você, sei quem você é e vi o que aconteceu ontem. Aliás, a escola inteira viu – falou, e eu me encolhi com a informação. – Eu só estou muito curiosa do porquê de ter agido daquela forma e hoje estar sentada ao meu lado. Pensei que não fosse dar em nada, que voltaria para suas amigas e todos agiriam como se nada tivesse acontecido – soltou seus pensamentos.
- Eu nunca faria isso! – exclamei, ficando irada por perceber a comparação que ela fizera ao seu referir a mim e aos “meus amigos”. – Eu nunca chegaria a esse ponto de fingir que nada aconteceu! Não é meu estilo ser assim – falei, virando-me para ela. – Você tem uma ideia totalmente errada de mim – abaixei o tom de voz ao proferir as palavras.
Olhei-a no fundo dos olhos, deixando claro que, não, eu não era fingida.
- Já vejo – falou, sorrindo, agora, de um jeito leve. – Então me explique, pois eu adoraria saber: quem é você? Quem é a garota que está falando comigo agora, nesse exato momento?
Novamente, as perguntas me pegaram desprevenida. Abri a boca diversas vezes, tentando proferir alguma palavra; nada saía. Engoli em seco ao ver que não havia resposta a ser dita. A garota arqueou a sobrancelha para mim, e o sinal tocou, indicando que todos deveriam ir para suas devidas salas. Não me movi um centímetro, nem ela.
- Eu... Eu – agarrei.
Vamos, ! É uma pergunta simples, você só precisa respondê-la. Por que não responde logo?
- Eu... Não sei – admiti enquanto abaixava o rosto, aceitando a derrota.
A minha vida toda passei cercada de adolescentes gananciosos, de pessoas ricas. Nunca parei para pensar sobre mim, sobre como eu era de verdade. Agora... Agora me sinto envergonhada por não saber uma resposta para uma pergunta simples. Eu tinha minhas opiniões, claro, mas... não era a mesma coisa. Não saber quem é, pode ser terrível. Estava sentindo nojo de mim mesma por não sabê-lo, todos merecem essa descoberta.
- Vejo que o assunto é muito delicado pra você – sorriu, meiga. – Por que não pensa sobre isso? Pense sobre como você gostaria de ser, pense sobre seus gostos, suas manias... Garanto que vai se surpreender! – piscou para mim e se levantou.
Fiz o mesmo que ela, andando ao seu lado até minha sala de aula. Despedimo-nos com um simples aceno, e entrei pela porta, sentindo o olhar de todos, até da professora. A mesma me encarava surpresa, analisando-me de cima a baixo. Não estava de saia e decote, estava com a única blusa que achei no guarda roupa que me esquentaria do frio e com a única calça que eu tinha. Incrivelmente, não ligava de parecer brega. Estava confortável, era o que importava, não?

“Quem é você?”
Quem sou eu?
Era a pergunta que eu mais me fazia desde que aquela menina tocou no assunto. Não estava acostumada a pensar sobre isso, pois antes as únicas perguntas que eu me fazia era “será que esse vestido está grande?”, “será que vou causar com esse modelito?”, então não fazia ideia de como começar a organizar minha mente embaralhada. Se eu ao menos tivesse pedido o número daquela menina, poderia pedir sua ajuda. Eu já aceitara que não me conhecia o suficiente para montar um bom argumento para me defender. Eu mesma não sabia quem eu era. Vocês estão ouvindo meus gritos de frustração e vergonha? Para mim, era uma total vergonha. Eu era realmente sem escrúpulos; não tinha zelo por mim.
Arregalei os olhos, horrorizada, ao constatar que o caso era ainda pior do que eu imaginava. Engoli em seco, sentindo meus olhos marejarem, com apenas uma frase pairando por minha mente:
Eu não tinha amor próprio.


III

Buscava desesperadamente a nerd com quem tinha sentado ontem. Onde será que ela estaria? Será que faltara? Será que estava na sala? Será que estava em outro lugar com seus amigos? Será que...
Quase gargalhei de alívio ao vê-la sentada no mesmo local do dia anterior. Dessa vez, era intervalo. A menina comia despreocupadamente seu bolo de chocolate. Meu estômago deu sinais de vida. Há quanto tempo eu não comia doce mesmo? Traguei saliva ao perceber que não comia doce desde que virei popular, segundo Ashley era para “manter o corpo esbelto e maravilhoso, assim não teríamos gordurinhas”. No momento, eu não me importava com gordurinhas ou gorduronas, só fiquei com vontade do chocolate.
Caminhei até ela, sentindo alguns olhares em cima de mim. Eu estava com a mesma roupa do dia anterior. Deplorável.
Olhei para a frente novamente e notei que a nerd sorria amigável para mim. Sentei-me ao seu lado cuidadosamente.
- Antes de qualquer cumprimento, você quer um pedaço? – ofereceu.
Recusei com um simples aceno negativo de cabeça, que a fez rir.
- Você estava quase comendo com os olhos o bolo. Há quanto tempo não come? – indagou, mordendo o bolo.
Tive que cuidar para que a saliva não descesse da boca.
- Não sei, provavelmente há alguns anos – dei de ombros, sorrindo, envergonhada.
A menina pegou outro pedaço dentro de seu potinho e me entregou. Fui obrigada a pegar aquela maravilha com um sorrisinho sem jeito. Dei uma mordida, reparando, em seguida, que a nerd acompanhava meus movimentos. Tentei comer como se fosse alguém que estaria em um restaurante. Não poderia pagar mais micos, poderia?
- Então... O que te traz novamente à minha humilde presença? – curiosa, questionou.
- Eu... Espera! – exclamei um pouco alto, assustando-a. – Eu não sei seu nome, nerd!
Ela caiu na gargalhada com a forma que a chamei.
- Nerd? – questionou, divertida.
- Como eu não fazia ideia de como você se chamava, decidi optar por me referir a você como nerd - dei de ombros, sorrindo minimamente.
- Ok, ok. Meu nome é , mas para os íntimos é – sorriu.
- Tudo bem, – repeti mecanicamente, gesto que a fez rir.
- Pode me chamar de – descontraída, ela disse.
- Me chame de – sorri. – Bem, voltando ao assunto... Eu... Bem, eu descobri que realmente não me conheço, nenhum pouquinho – fiz um gesto com o indicador e o polegar. – Então, eu queria te fazer uma pergunta.
- Diga, estou ouvindo.
Virei para frente, encarando os alunos andarem de um lado para outro com seus verdadeiros amigos ou rirem alto, ou conversarem alegres. Queria aquilo para mim, e se eu precisasse largar tudo o que eu era antes, apenas para me redescobrir, eu aceitava. Aceitava de muito bom grado, pois seria bom para mim no fim das contas.
- Gostaria de saber quem eu sou, gostaria de descobrir. Mas, sozinha eu não sei nem por onde começar – eu ri, mexendo loucamente nas pontas do meu cabelo. Estava nervosa, era visível. – Você poderia me ajudar? – soltei, temerosa.
E se ela não aceitasse? E se ela achasse que eu era louca por pedir ajuda para um negócio tão pessoal? No pior dos casos, a nerd apenas cairia na gargalhada, achando que eu estaria brincando. Esperava que ela levasse a sério meu pedido.
Senti uma mão tocar meu ombro de leve e me virei para olhar seu rosto. Ela sorria de uma forma diferente, poderia até dizer que orgulhosa. Levantei uma sobrancelha, questionando o porquê do sorriso.
- Conta comigo – foi o que disse.
Nunca me senti tão feliz na vida por ter alguém que me ajudaria de verdade, que se importava comigo – isso sem ao menos me conhecer! Nunca imaginaria que uma total desconhecida seria a pessoa a fazer isso. No entanto, a partir daquele momento eu percebi que ganhara uma amiga. A amiga para todas as horas. Pergunto-me por que ela ficaria tão sozinha, sendo que era uma pessoa muito agradável e simpática.
Sorri para ela, abraçando-a de um jeito desengonçado.
- Posso, agora, eu te fazer uma pergunta? – me encarou de um jeito divertido. – Digo, outra... – ri, sendo acompanhada.
Assentiu, e procurei as palavras certas. Vai que esse era um ponto delicado sobre ela... ou não?
- Por que fica sempre sozinha por aqui? Você é tão amigável e agradável, estranho não ter companhia.
encarou-me, soltando o riso.
- Estranho é uma popular falar com uma loser, não acha? – sorriu em deboche.
- Ex popular, moça, ex - corrigi-a, sorrindo.
- Nerds - imitou-me na fala, o que me fez engasgar com o último pedaço do bolo. – geralmente ficam sozinhos – deu de ombros.
- Então... Estando com você eu viraria uma pseudo nerd? – indaguei, descontraída.
- Bem... Talvez, algum problema pra senhorita ex - deu ênfase, caindo na gargalhada – popular?
- O quê? Claro que não, será até divertido e interessante! – fiquei animada com a ideia de agir diferente e conhecer coisas novas.
- Pois, então, que tal irmos ao shopping no sábado? Creio que você não tem outras roupas – foi direta, o que me fez ter as bochechas coradas.
Eu, novamente, estava com a mesma roupa dos outros dias. Qual é, já disse que era a única que tinha decente!
Eu ri, concordando ligeiramente com a cabeça. Uma ansiedade diferente crescendo em meu ser com a ideia de ir ao shopping para comprar roupas diferentes das que eu usava antes. Mal podia esperar!


IV

Eu olhava para os lados maravilhada com tanta roupa bonita... e cara. Óbvio que pouparia meus pais desse desgosto de ter a filha comprando roupas caras, por isso escolhi as bonitas e baratas. comprara algumas – lê-se muitas – roupas também, alegando que sempre usava as mesmas blusas e detestava repetir roupa. Como eu não tinha roupas decentes, tive que colocar um vestido curtíssimo estampado para ir ao shopping. Lógico que os olhares que recebia estavam me incomodando, então quanto mais rápido acabássemos melhor. Na verdade... Agora que penso sobre isso, tive uma ideia.
- Vou no banheiro tirar essa roupa – avisei a nerd.
me encarou de forma esquisita, perguntando-se, obviamente, o que eu queria dizer com aquilo.
- Ahn? Como assim vai tirar a roupa? Vai andar por aí pelada? – abriu a boca em um “O”, encarando-me horrorizada.
- Claro que não, idiota. Eu vou colocar uma das roupas que comprei de uma vez! Quero me sentir eu rápido – fiz uma careta no final da frase, referindo-me à roupa que usava.
- Ah! Entendi – sorriu abertamente agora. – Então, espera! Vamos comprar outro vestido, dessa vez do teu gosto e você troca por ele, pode ser? – sugeriu, puxando-me para outra loja.
- Mas eu já comprei – encarei-a, confusa.
- Eu sei que sim, mas é melhor que já saia com a roupa no corpo. Vai demorar demais para se trocar – foi o que disse, empurrando-me loja adentro.
Fui obrigada a escolher um vestido, o qual não me custou tempo, visto que logo bati o olho em uma prateleira e lá estava o precioso. Escolhi-o, olhando cuidadosamente o tamanho. Fui no provador e me apaixonei pelo que vi. Sorri para o espelho, apreciando a beleza que era a peça de roupa e, por incrível que pareça, apreciando, também, a minha. Sai de lá com o vestido mesmo, pagando por ele. A atendente tirou o negócio branco, que eu não sabia o nome, para que não apitasse na hora da saída, e tirou, também, a etiqueta. e eu saímos rindo de tudo, como se tudo fosse maravilhoso.
- Tô com fome – alertei, passando a mão na barriga.
- Vamos para a área da alimentação.
Assenti, subindo as escadas rolantes a procura da praça. Começamos a andar sem rumo, olhando para as placas que haviam, completamente perdidas. Empurrávamos uma a outra, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Sorri sozinha ao constatar que eram umas simples compras, mas eu nunca me divertira tanto comprando com alguém; na verdade, nunca me divertira tanto assim na vida.
Era sábado no dia de hoje. Eu e a nerd combinamos em ir em um parque de patinação no gelo que tinha aberto na cidade no dia seguinte, ou seja, domingo. Eu nunca patinara na vida; embora minhas “amigas” soubessem patinar muito bem, elas nunca me chamaram para um programa como esse.
não. Ela nem me conhecia direito – estava conhecendo agora – e já era a melhor amiga que tive na vida. quis me ajudar. Se eu soubesse que mudar de vida me daria uma amiga como ela, já teria feito a mudança há séculos.
Nós estávamos tentando a amizade e estava fluindo, muito bem por sinal. A companhia dela me fazia bem. transmitia uma paz, que qualquer um sentia a quilômetros de distância. Quem diria que me tornaria amiga de uma loser? Bom, no momento, estava adorando fazer parte desse grupo.
- Olha ali! – exclamou, animada, apontando para o Mc Donald’s.
Olhei para o ponto, no qual ela apontava, sorrindo. Meu estômago roncou ao sentir o cheiro de hambúrguer, pizza, caldos e tudo o que havia de bom no mundo.
- Ok. O que vamos comer? – questionei, em dúvida se pedia um X-Tudo ou Pizza.
- Vou querer... hmm...
Andamos em direção a uma mesa vazia, sentando-nos.
- Que tal pedirmos uma pizza, assim nós dividimos a conta e a pizza – comentei, rindo da cara dela.
- Por mim tudo bem, estou louca para comer mesmo – sorriu, travessa. – E... Há quanto tempo não come pizza?
- Não faço ideia, acho que alguns anos – fiz careta. – Sinceramente, vou provar pela primeira vez depois de anos pizza novamente – levantei os braços, comemorando.
- Se tiver que ficar gorda, eu fico também para te acompanhar – riu, levantando-se. – Vou pedir. Vai querer de quê? E o que para beber?
- Algum sabor que você saiba que é bom. Pepsi.
Ela assentiu, indo em direção à TelePizza. Sair de uma dieta nunca foi tão maravilhoso.


DOMINGO

- Pelo amor de Deus, me fala que tem um professor de patinação por aqui – pedi, desesperada.
Era a décima vez que eu caía ao som das gargalhadas da menina. Olhei feio para ela, que nem tentava abafar a risada para não chamar atenção.
- Não tem, – falou, limpando as lágrimas.
Rolei os olhos, levantando-me pela décima primeira vez desde que entrara naquele local. Maldita ideia de vir patinar sem saber.
- Você podia colaborar e tentar me ensinar – pedi, emburrada, andando o mais devagar que eu conseguia para não estabanar no chão novamente.
Fui em direção à barra de ferro que havia ali, com a intenção de me segurar. Não precisava de mais uma queda. Se caísse mais uma vez, minha bunda ficaria quadrada e dolorida, não queria isso para mim.
segurou no meu braço, ainda se divertindo as minhas custas. Revirei os olhos outra vez por ver que ela segurava o riso.
- Não sou um tipo de entretenimento grátis – falei, quase caindo. - Desculpe – riu alto. – Em vez de resmungar, por que não me conta o que achou das compras ontem? Descobriu algo sobre si mesma?
A pergunta dela me pegou de surpresa. Como mudamos tão rápido de assunto assim?
Sorri, assentindo.
No dia anterior, quando cheguei em casa, tomei banho e caí na cama, refleti sobre o dia e sobre o que eu pensava sobre tudo. Nunca pensei que fosse gostar de vestidos longos ou até os curtos, só que não mostrando parte da bunda, só curtos, sabe? Quando você senta sem medo de mostrar nada, ou quando você anda sem perigo de todos olharem para você. Surpreendi-me com as estampas e modelos escolhidos por mim; eram simples, porém, ao mesmo tempo, lindos. Não sabia que gostava de sapatilhas, por exemplo. Ou de como é bom ser livre para vestir o que quiser. É uma sensação maravilhosa. Seria legal se todos tivessem a oportunidade.
Não sabia como era bom chamar a atenção, só que de uma forma sem noção, por exemplo, por rir alto ou por comer de um jeito estranho. Passei o ensino médio inteiro chamando atenção de uma forma fútil e sexual. Era interessante ser taxada de louca e não sexy. Descobri, também, pelo meu estilo de roupa que era uma pessoa fofa e estilosa. Eu era descontraída, não fingia uma gargalhada com , ela somente saía da minha garganta, não saberia explicar. Nunca, em meus sonhos mais profundos, imaginaria que, eu, , poderia ser a pessoa mais tímida, vergonhosa e sonhadora da face da terra.
Foram umas descobertas e tanto.
- São tantas coisas que nem sei por onde começar – falei, sendo sincera.
- Adoraria ouvir o que tem a dizer, além do mais será uma honra ser a primeira pessoa a conhecer de verdade - sorriu para mim, orgulhosa.
Ao longo dos dias, que não foram muitos, fui descobrindo mais sobre . A nerd me contava várias situações pelas quais já passou, quem gostava ou não gostava, sobre sua vida. Eu desvendei alguns sorrisos que a mesma lançava, já sabia algumas manias e gestos também. Nós éramos um time um tanto quanto diferente: eu era tímida, todavia era mais; era literalmente uma nerd; eu era bem descontraída em relação a ela. Por isso, éramos uma dupla um tanto engraçada, pelo menos quem olhava de fora parecia pensar dessa forma. Claro que desabrochava comigo e, com certeza, com os outros amigos também, mas, ainda assim, tímida.
- Será uma honra ter como ouvinte – respondi, rindo. – Entretanto, para que isso aconteça, tenho que arrumar um jeito de sair daqui sem cair de cara no chão.
A menina sorriu, guiando-me para o lado de fora. Assim que pisei em terra firme, tirei os patins e pulei no chão, feliz. riu da minha criancice.
- Vamos logo, , para de pagar mico – disse, sentando-se na cadeira ao nosso lado.
Dei de ombros, chamando o garçom. Parece que nossa conversa seria longa, e eu colocaria tudo para fora depois de anos. Não podia me sentir melhor – e, não, não era ironia.


V

O ensino médio é uma coisa engraçada. Na verdade, os losers são uma coisa engraçada. Por que digo isso? Bem, algumas semanas se passaram desde o dia em que fui patinar no gelo com . Ok, mas o que isso tem a ver com o fato de os losers serem engraçados?
Vou contar a vocês:
Desde o dia em que comecei a andar, comer, conversar, ir para a casa, sair etc com a nerd, todos eles vêm me olhando estranho; como se tivessem nojo ou algo parecido. Não dá para entender, não é? Parece que gostam da forma que os populares os tratam. Eu creio que já disse, todavia direi novamente: odeio ser tratada como eles são e odiava tratá-los daquela maneira. É como se eu não servisse para nada além de ocupar espaço no mundo. Parece que o colégio inteiro era paga pau dos populares.
Durante essas semanas, toda a escola vinha me avaliando, desde as minhas novas roupas até o meu comportamento. Acho que já posso dizer que todos me odeiam por simplesmente ter abandonado o posto de queridinha.
O mais engraçado de tudo é que eu não me importava.
Exatamente.
Não me importava.
Com o que exatamente? Bom, com tudo. Eu não estava interessada em saber qual a opinião que eles tinham para as roupas que resolvi usar, ou se gostavam ou não da minha personalidade. Não eram eles que tinham que gostar, e sim eu.
dizia que já era um grande avanço, visto que antes eu era formada pela opinião alheia.
- ! Será que você pode comer mais rápido? Eu não tenho a vida inteira pra te esperar não – a nerd ralhou.
Ri pelo nariz, engolindo o último pedaço do hambúrguer.
- Acabei, calma, calma – levantei as mãos em forma de rendição.
Terminei o suco para, então, podermos nos levantar da lanchonete.
Era segunda feira. Sairíamos para ir ao cinema assistir A estrela de Belém, filme que falava desde que saiu nas telonas. Claro que a menina tinha que me empurrar para ir; todavia não recusei, queria comer pipoca.
Olhei para os lados, assim que levantei, constatando que haviam algumas pessoas da nossa turma no lugar. Os mesmos nos encaravam de forma estranha, como se estivessem vendo um alienígena ou algo do tipo. Revirei os olhos, sendo empurrada de leve pela menina atrás de mim.
- Você não se incomoda com esses olhares? – indagou, já do lado de fora do estabelecimento. – Digo, ao ser vista comigo. Não se incomoda? – franziu o cenho.
- O quê? Não. A única coisa chata é todo mundo nos encarar descaradamente. É algo intrigante pra mim, pois antes eu amava esses tipos de olhares. Atualmente, só sinto vontade socar a cara de cada pessoa que faz isso. É irritante – desabafei, virando a cabeça para a direita e esquerda.
Como não vinha nenhum carro, decidimos atravessar. O cinema era meio longe, teríamos que ir a pé mesmo.
- É mesmo – a nerd concordou.
Sorri de leve. Eu costumava amar todos os olhares voltados para mim. Hoje em dia, quando percebo, logo viro a cara. Não gosto. Ou talvez nunca gostei. Provavelmente era só o meio no qual eu vivia que influenciava. De qualquer forma, estou bem assim, obrigada.
- – chamei.
Observei a garota virar a cabeça para me encarar.
- Hm.
- Você me contou uma vez sobre seus amigos. Não me apresentará a eles? Ao bando de nerd? – inquiri.
Um sorriso divertido brotava em minha face enquanto eu encarava o horizonte. Ouvi gargalhar ao meu lado.
- Já ia me esquecendo desse detalhe – riu, balançando as mãos como se fosse esquecida. – Claro que vou apresentar. Na verdade, amanhã vai ter uma “festinha” com eles lá em casa – fez aspas com a mão. – Se quiser ir, tá convidadíssima.
- Uh, não sabia que nerds faziam festas – zombei, recebendo um tapa em resposta.
- É só uma reunião de amigos, – balançou a cabeça negativamente.
- E o amor vai estar lá? – provoquei-a.
- Cala a boca – falou, histérica.
Gargalhei ao vê-la corar furiosamente.
- Parece que sim, então – soprei, ainda rindo da cara dela. – Parece que ficarei de vela – fingi um biquinho decepcionado.
- Que mentira! Eu acho que você vai se dar muito bem com meus amigos, muito mesmo – sorriu de um jeito secreto.
Não entendi. Alguma coisa dentro de mim dizia que era melhor não entender mesmo. No outro dia eu entenderia – assim esperava!


VI

Coração acelerado. Mãos suando. Frio na barriga.
Geralmente são sintomas os quais você deve prestar atenção. Principalmente quando são causados por beleza excessiva.
Não conseguia tirar o olho dele desde que pisei na sala de estar de .
Quando eu ficava/namorava de forma fake com o Broke, o único sentimento que eu tinha por ele era repulsa. Ele nunca me fez estar nas nuvens, flutuar de felicidade. Nunca fiquei ansiosa perto dele.
Agora, era diferente. Eu o vira pela primeira naquela noite e senti tudo e mais um pouco. Adorável era a palavra para descrevê-lo. Carismático, também servia; lindo, fofo, gentil...
Suspirei, olhando para a mesa. Eu já corara trilhões de vezes quando o mesmo dirigia a palavra a mim. Fazia papel de pateta? Provavelmente, mas o que podia fazer?
Às vezes, para piorar minha situação, sentia seu olhar sobre mim – minto, não só às vezes, sempre.
Era um sentimento esquisito e diferente. Creio que durante meus dezessete anos de vida, nunca me senti assim. Sempre existe uma primeira vez, certo?
Nós conversávamos sobre todo e qualquer assunto, e, pela primeira vez, eu não falava sobre beleza e coisas do tipo. Estava realmente sendo produtivo.

- Sim. Comecei com uma coleção de livros recentemente. Há tantos livros que gostaria de ler – falei, pensando na minha estante lotada de calhamaços. – Pena que não tenho dinheiro – ri, sendo acompanhada por ele.
- São realmente caros – concordou, sorrindo de leve. Meu estômago deu voltas. – Posso te fazer uma pergunta?
- Já não o fez? – respondi de um jeito idiota.
Sorri sem graça para o menino, que riu.
- Digo, outra – Assenti, com as bochechas vermelhas. – Como você e se conheceram?
Abri um pouco os olhos, surpresa. Não pensava que seria essa a pergunta.
- Nós estudamos na mesma escola – dei de ombros, roubando um salgadinho da bandeja em cima da mesa.
- Sim, isso eu entendi. Mas, pelo que ela disse, faz pouco tempo que são amigas, só que parece que se conhecem a mais de anos – sorriu, admirado. – Como isso aconteceu? não é tão aberta conosco; com você, ela é outra garota.
Corei um pouco com suas palavras. Eu considerava como minha melhor amiga. Sei que era cedo para isso, mas a nerd era a amiga que nunca tive e tive o prazer de conhecer. Eu realmente tinha um carinho muito grande por ela. Não foi sua obrigação ajudar uma ex popular a se achar na vida. A grande surpresa disso tudo foi que ela quis. Nunca vou esquecer o que fez por mim, sempre vou citar esse fato.
Todavia, a questão agora era: contar do meu passado ou não a ele?
Não gostava do que eu era, porque, simplesmente não era eu antes. Não sei se ele entenderia. Também não sei por que estou me preocupando com a opinião que o mesmo terá com relação a mim se souber. Talvez seja pelo fato de que estou interessada nele, e não quero perder sua amizade – que nem sei se tenho. é incrível, seria uma pena perdê-lo.
Espera...
Quem falou em perder mesmo?
Balancei a cabeça para os lados. Honestidade era algo que estava prezando ultimamente, visto que ninguém era honesto naquela escola. Pensando nisso, olhei para ele, que me encarava curioso. Sorri sem jeito e abri a boca.
- Bem... Foi algo um tanto engraçado e completamente estranho – comecei, rindo. Olhei para que conversava com seu amor. – Eu nunca tinha percebido ela na escola – voltei meu olhar para , que rolava os olhos teatralmente –, afinal ela pode ser bem invisível quando quer, mas eu briguei com uma ex amiga em um dia, no outro eu me sentei embaixo da mesma árvore que ela – falei, lembrando-me dos detalhes.
- Então você está conversando com ela só porque brigou com outra garota? – ele arqueou a sobrancelha direita, e eu arregalei os olhos com o que estava sugerindo.
- Não! – exclamei, prontamente.
O sorriso voltou ao seu rosto, como quem soubesse que eu daria essa resposta.
- é importante para mim – soltei. – Sem ela, eu provavelmente estaria perdida no mundo dos populares de novo – fiz careta.
- Como assim? – questionou, agora interessado.
Suspirei, sabendo que teria que contar tudo. Então, decidi começar prontamente.
- Eu era popular...

Estávamos no quintal da nerd, olhando para o céu e conversando. Eu e os amigos dela estávamos indo muito bem, obrigada. Nomearam-me oficialmente do grupo. Confesso que fiquei lisonjeada com tamanha recepção.
- Vou pegar mais suco pra mim – anunciei para , que assentiu, sorrindo.
- Pega pra mim também.
Levantei, caminhando em direção à cozinha. Levei algum tempo para isso porque me perdi no caminho. Ri sozinha da minha idiotice.
Cheguei no lugar, indo em direção, agora, aos copos. Peguei dois e fui até a geladeira.
- Pegue mais um copo – uma voz soou atrás de mim.
Pulei de susto, derrubando um pouco do suco na bancada. Virei imediatamente para trás, a fim de ver quem era. Respirei fundo ao ver ali, gargalhando.
- Que susto, garoto! Eu tenho um coração só. Não pode fazer isso – ralhei, tentando normalizar a respiração.
- Desculpa, – falou, distraído.
Engoli em seco ao ouvir meu apelido saindo de sua boca pela primeira vez na noite. Meu coração se aqueceu com seu tom carinhoso. Sorri e fiz o que me pediu. Peguei mais um copo para colocar o suco.
- Aqui está – entreguei-o.
Tomou um gole enquanto eu ainda o encarava. Corei. Colocou o copo com o líquido na mesa ao lado e não esperou para levar as mãos para minhas bochechas. Tentei não deixar transparecer o nervosismo. parecia que estava hipnotizado, pois eu o toquei e nem se mexeu.
- Você é linda – falou, baixinho.
Um frio passou pela minha espinha. Acredito que era para ser em pensamento a confissão, mas não foi. Segurei uma risada. Eu o encarava encantada.
era tímido, porém menos que eu. Ele era um cara... normal. Simplesmente normal. Nada de diferente; apenas normal. Era atencioso, otimista, entusiasmado. Era de bem com a vida.
Um simples e puro cara normal.
Suas bochechas obtiveram o tom avermelhado após alguns segundos. Percebi que não era mais ele que me fitava hipnotizado, agora era minha vez de cometer o mico. Bom, pelo menos eu não falei nada... Ou esperava que não tivesse.
Sorri para o menino e quando tiraria sua mão da minha bochecha, ele abriu a boca.
- Sai comigo? – uma simples e pura pergunta saíra de sua boca.
Prendi a respiração, sentindo meu coração começar a acelerar.
- Claro.
Um sorriso leve brotou em seu rosto, ato que foi refletido em mim.
- Eu te mando uma mensagem.
Seus lábios se aproximaram do meu rosto, e eu arregalei de leve meus olhos. Senti sua respiração próxima a minha boca. Fechei os olhos inconscientemente. Segundos após, consegui sentir com precisão seus lábios tocarem minha bochecha com carinho. Contive meus impulsos de beijá-lo na boca. se afastou vagarosamente e, pegando o copo da mesa, saiu porta afora, deixando para trás uma garota completamente atônita e vermelha, vulgo eu.


VII

- Preciso te contar uma coisa – disse, assim que me sentei a sua frente embaixo da árvore.
- Pela sua cara parece ser algo bom – observou, o que me deixou mais corada ainda.
- Eu tenho uma quedinha pelo , pronto, falei.
A nerd esbugalhou os olhos, prontamente sorrindo, animada.
- Não. Acredito. Nisso – foi o que disse, pausadamente. – Ele é realmente um fofo. Mas quem diria que se apaixonaria por um cara normal quase nerd – ela gargalhou da minha cara, óbvio. – Com um Broke atrás de você, que é realmente gato, você se interessa pelo . Olha, você não se encontrou somente na personalidade não, hein.
Rolei os olhos para minha amiga. Que bela amiga que fui arrumar.
- Cala a boca, hein. E Broke tem só beleza externa mesmo, não vale a pena – dei de ombros. – O me chamou pra sair – soltei outra “bomba”, gargalhando da cara dela.
- O quê? Você está falando sério? – questionou, ainda descrente. – Impossível. Ele é um dos caras mais tímidos que conheço. Como ele deixou de ser tímido, assim, do nada?
Dei de ombros, mostrando que não fazia ideia do que ela estava falando. balançou a cabeça para os lados, cética, porém feliz por mim. Sorri. Também estava feliz. Muito feliz.
- Vamos lá no refeitório? Quero comprar uma torta de bombom maravilhosa que tem lá! – pedi, já me levantando.
- Claro! Mas só se você me der um pedacinho.
- O quê? Nunca – disse, correndo na frente dela.
vinha atrás de mim, rindo alto como uma criança. Ri sozinha, pensando que éramos realmente idiotas.

Raiva era o que se apossava de mim no momento. Vontade de assassinar alguém, ou mais especificamente Ashley, também estava presente no meu ser. Se eu não fosse presa por esse crime...
- Com licença – pedi de forma educada pela terceira vez, ignorando tudo o que ela disse.
Ela forçou uma risada, que perfurava meus tímpanos. Os alunos foram obrigados a rir também.
- Então, quer dizer que virou realmente uma loser - riu debochadamente. – Uma ótima escolha, afinal combina com a sua cara.
Os alunos seguraram a risada. Enfureci-me mais ainda por esse fator. estava bem atrás de mim, sussurrando milhões de ”calma, , mantenha a calma”.
Decidi por retrucar. Não é porque eu me auto descobri que vou agir como uma menina indefesa, muito pelo contrário, eu convivi com essa garota repugnante minha vida inteira, não daria a ela o gostinho da vitória.
- Sabe o que combina com sua cara também? – arqueei a sobrancelha, moldando um sorrisinho cínico. – A palavra corna.
Os estudantes engasgaram com a gargalhada presa. Pela expressão no rosto de Ashley, esta não curtiu muito o que foi dito.
- O quê? Você pensou mesmo que o Caleb estava só com você? Oh, querida, perdão, mas ele transa com a Camille nas horas vagas. Ou você achava mesmo que ele jogava videogame com os amigos? – continuei, vendo o rosto da minha ex amiga se tornando cada vez mais escarlate de raiva.
Ashley encarou Camille, e eu soube que a última seria deserdada dos populares. Bem feito. Ninguém mandou mexer com o homem dos outros.
- Eu tenho mais coisas pra fazer da vida. Se você quiser ficar parada aí com a cara de bosta de sempre, à vontade. Ah, só mais uma coisa: a maquiagem está borrada - sorri novamente, esbarrando no ombro dela enquanto passava.
Coloquei um chiclete na boca para ver se adoçava meu dia. Ouvi seu gritinho e pedidos por espelhos. segurou uma risada. O que uma frase não fazia com uma pessoa, não é mesmo? Principalmente com alguém paranoica igual ela.
- Quando você perceber que essa vida merda de nerd não é pra você, eu vou ter piedade, então deixarei você voltar. Afinal, ninguém merece andar com loser gorda e ridícula – ouvi sua voz dizer, mais uma vez.
Virei meu corpo para ela, sorrindo, cética.
- Não preciso do seu perdão, piedade ou o que for. É a última coisa que quero nessa vida. E, ah, quem está com problemas maiores agora, é você.
Dizendo isso, tirei meu chiclete da boca e, sem Ashley ter tempo para esboçar uma reação, prensei o chiclete na raiz do seu cabelo.
Eu sabia que esse pequeno objeto adoçaria meu dia.
Virei-me, saindo do refeitório com a sensação de dever cumprido. Ela nunca mais vai mexer comigo ou meus amigos – ou talvez mexa, afinal ela é vingativa. Preferi não pensar nisso.
A nerd vinha ao meu lado gargalhando alto. Todos no refeitório ficaram em um silêncio, que era digno de funeral.
- Um a zero para minha melhor amiga – soltou de repente, rindo.
Rolei os olhos, logo adquirindo a mesma postura que ela. Estava feliz.
Não precisava de nenhum tipo de luxo para que eu me sentisse bem. Eu era eu.
Senti meu bolso vibrar enquanto caminhávamos para debaixo da árvore. Minha amiga dava pulinhos alegres enquanto eu apenas sorria largamente para o nada. Tudo estava começando a se encaixar; a entrar no seu devido lugar. Eu sentia isso; era uma sensação ótima. Uma liberdade avassaladora que nunca pensei que sentiria.
Assim que sentamos no nosso lugar de sempre, peguei meu celular que estava no bolso de trás e liguei a tela.
Uma mensagem.
Uma mensagem de .
O aparelho vibrou novamente na minha mão, anunciando outra mensagem. Abri a primeira, já sorrindo.

"Que horas você saí da escola hoje?"
9:50 AM

Prendi a respiração com a pergunta. O que ele queria dizer com aquilo?

"Digo... Desculpa, foi bem informal. Aqui é o .
Perguntei só pra saber se... sei lá, você queria comer alguma coisa depois comigo? Se já tiver compromissos não tem problema sério. Foi bem de repente mesmo. Quer saber? Não precisa. Eu mando mensagem depois perguntando quando pode ir no cinema. Quer dizer, ainda quer?
Ah, desculpa se estou te atrapalhando, você tá na aula, né? Desculpa, que ideia idiota. Tchau"

9:53 AM

Eu deveria estar carregando uma expressão beirando ao ridículo, pois minha amiga pegou o celular da minha mão em um rompante. A única coisa que pude fazer foi soltar um “Ah!” meio em transe.
- Puta merda, ! – ela exclamou, chamando minha atenção.
Voltei ao mundo real com ela chacoalhando as mãos igual uma retardada.
- O que foi? – indaguei.
Um sorriso gigantesco surgindo na minha face, sendo acompanhada pelo dela.
- Ele era muito mais tímido que isso, eu já te falei sobre isso hoje. Aí, , o que você fez com meu amigo? – brincou, batendo palminhas e rindo.
- A pergunta é: o que ele fez comigo? – inquiri, abobalhada novamente.
Que situação ridícula! Mas feliz, muito feliz.

"Saio 12:30 PM.
Será adorável comer com você depois da aula, ! Quando chegar,
manda uma mensagem avisando, pode ser?
Até depois, xx"

9:58 AM



VIII

Eu entrava no táxi enquanto respondia minha amiga via iMessage.

“Eu não tô SAINDO do táxi, eu tô ENTRANDO no táxi pra IR.
Espero que tenha entendido que ACABEI de SAIR DE CASA.”

8:20 PM


Ri sozinha pela pressa da minha amiga. Falei o endereço para o taxista e o carro começou a se movimentar em direção a casa do .
Meu coração deu um solavanco e esquentou assim que pensei nele. Ele era tão adorável.
Como se fosse uma conspiração do universo para que eu lembrasse ainda mais dele, o táxi passou em frente a lanchonete que almoçamos juntos a uma semana atrás. Sorri ao lembrar o quão nervoso e sem jeito ele estava. Não se parecia nada ao que conheci na casa de . Se parecia a versão tímida do menino, que amei conhecer devo ressaltar. Nós conversamos sobre exatamente tudo. Ele perguntou sobre meus pais, minha família em geral, minhas ex amigas, meu futuro... No fim, quando nos despedimos, eu deixei um singelo beijo em seu rosto. Notei que ele sorriu, carinhoso.
Lindo.
Desde então, trocamos mensagens, muitas mensagens. Ele tem me ajudado bastante nesse processo de conhecimento pessoal, por mais que não saiba disso.
me deu um livro que era dele. pediu para que eu lesse e dissesse depois o que achava. Assim o fiz, e olha, nunca pensei que gostaria de distopias. Foi algo realmente emocionante para mim, por mais que seja bobo dizendo dessa forma.
- Moça – chamou o homem.
Acordei do meu transe, encarando-o interrogativamente.
- Chegamos – sanou minha curiosidade.
Olhei em volta, surpresa por ter sido rápido. Todas as casas estavam escuras. Será que tinha falado o endereço errado?
- Espero um momento – pedi, pegando o celular e ligando para .
No terceiro toque ela atendeu.
- Onde você está? - indagou, com a voz embargada de riso.
- Bem, não sei. Será que pode sair pra que eu descubra onde é? – perguntei, procurando o dinheiro na bolsa para entregar ao homem.
- Claro, claro, estou indo. Te vejo agora, tchau.
Ela desligou enquanto eu entregava as notas ao taxista e esperava pelo troco, já do lado de fora. Ele me entregou, e eu sorri agradecida.
Voltei meu olhar para a rua escura e deserta. Engoli em seco com um pouco de medo, que se esvaiu assim que vi os olhos brilhantes do garoto que tirava meu sono ultimamente. Um sorriso inconsciente e largo brotou nos meus lábios e quando percebi, caminhava em direção a ele quase correndo.
- Oi – falei quando parei em sua frente.
De repente, eu estava muito tímida.
- Oi – repetiu, abrindo um sorriso lindo. – Vem, entra.
Entrei na casa não tão grande dele. A reunião de hoje seria ali – acho que já perceberam.
- Como você está? – questionei, seguindo-o casa adentro.
- Melhor agora – respondeu, baixíssimo, só para ele, mas eu ouvi.
Prendi a respiração, ficando vermelha. Que ridículo!
- O quê? – fiz-me de boba.
- Nada, eu disse que estava bem.
Assenti, mesmo que ele não pudesse me ver.
Adentrei a sala gigante, onde todos os amigos estavam lá, inclusive a nerd.
- Vejam só, a nerd está socializando – brinquei.
Todos riram do que eu disse, menos ela que me deu a língua. Fiz cara de medo e me sentei ao seu lado, abraçando-a.
- Nem parece que me viu hoje – sorriu, sapeca.
- Deixa de ser idiota.
se acomodou ao meu lado também. Sorri para ele, e então todos engataram em uma conversa sobre qual filme seria assistido naquele momento.

Eu estava apoiada na grade da varanda do quarto do , olhando para todos lá embaixo, rindo e se divertindo.
- O que faz aqui sozinha? – a voz que estava me encantando mais a cada momento fez-se ouvida.
- Nada, só estava vendo a vista que tem aqui – respondi, sorrindo abertamente.
Fechei os olhos, sentindo meus cabelos grudarem na minha cara devido ao vento forte.
- me contou mais detalhes sobre como você mudou – começou.
Suspirei, assentindo. Eu comecei até a estudar mais, acreditam? Usava roupas mais largas também...
De fato, uma nerd.
- Mudei, estou feliz com isso.
Abri meus olhos, tirando os fios do rosto. Virei para trás para olhar para o garoto, que me fitava de forma carinhosa. Ele levantou a mão e puxou meu braço, consequentemente me fez sair totalmente da varanda e ficar, agora, dentro de seu quarto.
Encarei-o confusa, até sentir uma mão se embrenhar nos cabelos da minha nuca firmemente. Prendi a respiração por senti-lo tão perto. Meu coração batia em um ritmo acelerado. Algo que mudou em mim foi também o fato de que eu finalmente estava gostando de um cara, da forma mais sincera e pura possível. Eram incríveis as sensações causadas por esse sentimento.
Atrevi-me a passar meus braços ao redor do seu pescoço.
- Sabe o que mais? – indaguei, meio dopada. Ele negou com a cabeça, ainda em silêncio. – Você me ajudou muito nessa mudança, de uma forma maravilhosamente boa – sorri, esticando-me para beijar sua bochecha.
O que eu não esperava era que ele virasse a cabeça e chocasse desesperadamente seus lábios nos meus.
Vai ser clichê o que vou falar? Provavelmente muito, mas não existem palavras no mundo que descrevem os meus sentimentos no momento. O toque macio de seus lábios, tão suaves. Sua língua adentrando minha boca de forma tão carinhosa. Eu me senti protegida - mais um clichê?
O aperto dos seus dedos nos meus cabelos intensificou, conforme o beijo. Não foi algo violento, intensificou mais para algo mais urgente ainda com um toque de “não quero te largar tão cedo”. Puxei-o mais para mim, percebendo, agora, o seu outro braço envolver minha cintura. me puxou mais para si. Eu podia sentir a batida do seu coração e tinha quase certeza que ele conseguia sentir as minhas também.
Fui desacelerando o beijo conforme eu abria um sorriso. Tinha certeza que era o sorriso mais satisfeito e encantado que eu já dera na vida. Não abri os olhos; não queria que essa sensação entorpecente acabasse tão cedo. deu leves beijos pela minha boca, passando para a bochecha e, por fim, voltou para o nariz, depositando um selinho que quase não senti.
Tentava normalizar minha respiração, enquanto acariciava seus cabelos da nuca.
- Isso foi... de repente – soprei.
- Desculpe – pediu. – Não consegui segurar.
Eu dei uma risada, baixa.
- Tudo bem, eu não estou reclamando – beijei seu pescoço.
- Você é linda.
Sorri mais ainda.
- É a segunda vez que fala isso.
- Desculpe, às vezes penso alto.
Não foi necessário abrir os olhos para saber que ele ficara constrangido.
- Você é lindo – ri, sabendo que ele passara do estágio constrangido. – Desculpo se parar de pedir desculpa.
Não esperei que ele me respondesse, apenas segui com minha boca até a sua, pretendendo recomeçar mais um dos nossos incontáveis beijos, que vieram depois claro.


IX

Se tinha alguma coisa que eu havia aprendido nessas semanas foi: ignore que vão parar de encher o saco.
O que eu quero dizer com isso? Bem, as pessoas me olhavam nos primeiros dias e falavam; falavam da minha roupa; do meu cabelo; da minha vida. Eu sinceramente acho que ninguém naquele lugar tinha a ver com minha vida ou com o que eu fazia com ela. Eu me sentia incomodada no início, porém aos poucos fui percebendo que prestar atenção naqueles estudantes não mudaria nada. Tudo continuaria o mesmo. Decidi por ignorar e, para minha surpresa, funcionou bem, muito bem. É como se eu ficasse invisível para todos, como se fosse mais uma aluna ferrada. Eu virei uma pessoa comum, normal. Eu não podia estar mais feliz com isso. Não que quero passar despercebida, mas esse sentimento de ser um livro aberto era terrível. Eu estava indo bem nesse quesito de aluna igual aos outros, até passar a me buscar quase todos os dias na porta da escola. De repente, o assunto e o foco voltou a ser eu. Pelo simples fato de que eu estava saindo com um loser e não um bad boy como o Broke. Tentava ignorar, todavia era difícil.
Eu não gostava de atenção.
Se alguém no início do ano dissesse que eu tentaria buscar desaparecer, provavelmente riria da cara dessa pessoa e falaria um “óbvio que não, eu amo esse ambiente” – no fundo, eu saberia que era mentira e estava fingindo gostar. Fico feliz de ter me tocado que não era para mim aquela vida fútil antes que não pudesse voltar mais atrás.
Agora, eu tentava ignorar exatamente esses mesmos olhares enquanto caminhava em direção a . Ele não ficava muito confortável com toda essa gente o encarando como se fosse um et - nem eu ficaria e fico.
Sorri timidamente para o mesmo, que estava encostado no carro. Ele segurou a minha cintura assim que me aproximei o suficiente.
- Onde está a ? – indagou, depositando um beijo no meu pescoço.
Eu adorava abraçá-lo, era uma sensação única.
- Já foi. Ela tinha coisas pra resolver.
Ele balançou a cabeça, mostrando que entendera.
- Acho melhor irmos, encontramos com ela lá, tudo bem? – indagou, olhando por cima do meu ombro.
Assenti, virando-me, curiosa, para saber para onde ele tanto olhava.
Ashley sendo Ashley; sendo fútil.
Ela passou por mim, sorrindo falsa e debochadamente. Provavelmente tirando sarro do meu... Meu o quê?
Devolvi o sorriso, sentindo os braços do garoto exercerem mais força contra minha pele. Voltei meu rosto para ele, ainda sorrindo cínica. Depositei um selinho em seus lábios, mudando meu sorriso drasticamente para sincero. retribuiu, ignorando a existência da garota ao nosso lado, beijando-me logo em seguida. Não esperei nem um segundo para retribuir.

- Eu acho que deveríamos pular dentro dessa piscina. Todos – sugeriu Martin.
- Eu acho que vocês deveriam pular e eu assistir – comentei, recebendo um tapa de .
- Nós vamos pular! – decretou.
Suspirei, pesadamente, derrotada. Incrível como eu não tinha voz naquele lugar.
- Estou com a ! Vamos pular! – falou por último.
Levantei as mãos em sinal de rendição, mostrando que concordava – por mais que não tivesse escolha.
Estávamos em um clube com diversas piscinas. Elizabeth, filha do dono, tinha ingressos, como era apaixonada pelo , deu para ele e para seus amigos. Meu interior ficou feliz em saber que ele já me considerava uma amiga.
Demos impulso e corremos até a piscina maior, pulando de qualquer jeito. De baixo d’agua, senti minha cintura ser segurada com força, e quando virei para ver quem era e o que estava acontecendo, emergi. Senti minha boca chocando contra algo macio, que logo compreendi que era outra boca. No susto, empurrei a pessoa, que, graças a água, foi para longe. Abri os olhos, esfregando-o algumas vezes até conseguir abri-lo. Vi se aproximar novamente, sorrindo de canto, divertido.
- Pensou que fosse outra pessoa, é?
Rodeou minha cintura com os braços, colando-me ao seu corpo.
- Você me assustou! Não estava esperando por isso – ralhei.
- ! Deixe o seu namorado por um instante e venha tirar a foto!
puxou-me sem dar tempo de falar nada.
Era a famosa photobomb, na qual todos saíam de formas estranhas e engraçadas. Devo dizer que meu dia estava ótimo com todos essas pessoas. Não precisava de mais nada nessa vida. Pela primeira vez eu estava realmente feliz.
Afastei-me depois de algum tempo, observando minha melhor amiga fazendo algumas palhaçadas, realmente se divertindo. Sorri, pensando...
- Vai ficar parada aí mesmo só olhando?
veio até mim, colocando-se atrás, nas minhas costas. Apoiou o queixo no meu ombro.
Como eu estava pensando antes de ser interrompida: não existe nenhum lugar no mundo em que eu queira estar, aqui, com eles, é muito bom.
- O que você é meu? – indaguei, de repente.
exclamou, claramente surpreso com a minha pergunta repentina.
- Posso ser o que você queira que eu seja – respondeu.
Eu ri com a mínima complexidade na frase, virando-me para ele. Passei meus braços pelo seu pescoço, sorrindo, radiante.
Definitivamente, não havia nenhum lugar no mundo que eu quisesse estar no momento, a não ser nos braços dele, claro.
Engraçado como o mundo dá voltas. Eu gostei tanto de mudar meu jeito, gostei tanto de me redescobrir, de ser eu. Acho que a e o foram presentes que a vida me deu por fazer as escolhas certas, como uma recompensa maravilhosa. Não podia ser mais grata por ter uma amiga que se importava comigo e não com a boa reputação – que, por acaso, ela nem tinha – perante às pessoas; e, também, tinha que agradecer ao por me fazer muito feliz de verdade, e por ter me feito conhecer esses sentimentos incríveis que eram completamente desconhecidos por mim. Nunca pensei que gostaria de alguém como ele.
Que puta sorte eu tive.
- Hmm, então o que eu quiser, huh? – inquiri, preguiçosa.
Ele sorriu largamente, apertando-me mais em seus braços. Movimentou a cabeça para cima e para baixo em um gesto afirmativo. Passou o nariz pelo meu rosto, carinhoso.
Abri um sorriso, amolecendo em seus braços.
- Que tal você ser meu? – questionei, fechando os olhos.
Aproveitava o carinho quando fiz a pergunta. Ele parou aos poucos e afastou seu rosto. Não abri meu olhos.
Sentia a água bater nos meus braços e a sensação era realmente relaxante; era ótima.
A respiração quente do menino ficou, de repente, próxima demais. A frase que saiu de sua boca, seguida de sua voz completamente cativante e sedutora, fizeram-me arrepiar da cabeça aos pés. Precisei puxar seus cabelos fortemente para que me controlasse. Claro que ele não deixou de perceber o que causou em mim, soltando uma risada baixa.
- E eu já não sou? – questionou no meu ouvido. – Vai parecer meio, ou talvez muito, clichê, mas eu sou seu desde o momento em que coloquei meus olhos em você.
Beijei-o com vontade, sendo retribuída da mesma maneira. Óbvio que controle teria que ser a base de tudo, afinal estávamos em um lugar público.
- ! – ouvimos chamar.
Ele resmungou alguma coisa contra minha boca, soltando-se apenas para encarar o amigo.
- O que é?
- Vem jogar futebol com a gente! – abriu a boca para negar, porém foi mais rápido. – Eu acho que sua namorada quer um pouco de espaço, já que você não desgruda do pé dela. Vem, vamos!
O garoto foi até nós pela borda da piscina e ameaçou puxar pelos cabelos. Comecei a gargalhar histericamente da situação, recebendo um olhar confuso do .
- Pode ir, . Vou com a – sorri, incentivando-o.
Seu olhar ainda era indeciso. estava perdendo a paciência.
- Não s...
Foi interrompido por mim. Comecei a empurrá-lo e dizer “sabe sim, vai!”. Em sequência, tentei andar apressadamente até minha amiga, sem dar chances para que ele voltasse. Sorri quando constatei que o garoto saíra da piscina com o amigo.
Definitivamente, eu tenho as melhores pessoas ao meu lado; nunca gostei tanto de ser alguém na vida. Nunca gostei tanto de ter amor próprio.
Ser um pouquinho egoísta, às vezes, não era problema, certo?


F I M!



Nota da autora: Olás! Como estão? Aqui estou eu com mais um ficstape. Bem que disseram que quando você pega um, pega mais trinta haha. Acho que a maldição do ficstape caiu sobre mim.
Bem, eu levei um tempão pra fazer esse ficstape pelo simples fato de que a ideia não vinha, não fluia, e quando veio foi isso. Eu gostei ao mesmo tempo que não gostei. Acho que nenhuma autora gosta realmente da sua fanfic; sempre vai pensar que poderia ter sido melhor ou que faltou isso e aquilo.
Porém, eu espero de coração que vocês gostem, foi feito com muito carinho, e, caso isso aconteça, deixem um comentário, a autora aqui gosta de comentários HAHA.
Agora, preciso ir, pois tenho INÚMEROS PROJETOS DO NÓS EXISTIMOS pra fazer KKKKKKKKK - rindo de nervoso.
Obrigada por ter lido e, desde já, obrigada pelo comentário também.
Anyway,
Moony xX




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