Última atualização: 05/11/2018
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Prólogo

Coulson terminou de dar de mamar a filha, enquanto ela mesma comia, sem parar de prestar atenção no horário.
- Vamos, . – Falou para a filha depois de dar sua última garfada.
Ela não queria se atrasar para o trabalho mais uma vez, embora seu chefe fosse seu amigo, não gostava de abusar, mas não arrotava.
Depois de mais umas balançadinhas e tapinhas nas costas, a neném emitiu um pequeno som, fazendo sorrir aliviada. A menina logo correu, pegando a bolsa da filha e a sua própria e saiu do apartamento, o trancando. Bateu na porta ao lado e sorriu para a vizinha, a senhora Rosária, enquanto a entregava .
- Eu volto lá para meia-noite. A senhora sabe, certo? – A mais velha assentiu sorrindo.
- Sem problemas, querida.
Depois que engravidou, aos 18 anos, a menina se viu perdida. A mãe tinha lhe expulsado de casa, o pai de disse que não iria assumir e tudo com que a menina pôde contar, foi com a ajuda de seus colegas de trabalho.
sempre fora esforçada, trabalhava desde os 14 anos – primeiro através do jovem aprendiz, depois com um emprego fixo –, então graças as suas economias e a ajuda de amigos, tinha conseguido alugar um pequeno apartamento e mobiliá-lo com um mínimo de coisas.
Pouco tempo depois de se mudar, ela conheceu dona Rosária, a mulher que tinha salvado sua vida e a jovem agradecia a Deus com todas as suas forças por isso. Foi de grande ajuda quando, depois de conhecer sua história, a senhora se ofereceu para lhe ajudar com a bebê. E ela nem queria aceitar nada por isso, dizendo que era uma criança maravilhosa de se cuidar, mas, sabendo que as condições da senhora não eram melhores que as suas, ela sempre fazia questão de dar pelo menos uma cesta básica para ela.
Se despediu da moça e de sua filha e correu para pegar o metrô. Se ela fosse rápida o suficiente, não se atrasaria para o trabalho aquele dia.
Passou pela catraca correndo ao escutar o barulho do metrô estacionando abaixo de si e desceu as escadas mais rápido ainda, sem embolar os pés, já estava acostumada com aquilo. Dentro do metrô pôde finalmente respirar com calma. Sentou-se no chão e aguardou até chegar à estação que ela teria que desembarcar.

***


- Chegou na hora hoje. Finalmente. – Caio, seu chefe, disse com um sorriso brincando no rosto e ela revirou os olhos.
- Vai se foder.
- Perdeu-se o respeito mesmo. Esses jovens de hoje em dia. – Negou com a cabeça dramatizando e ela riu.
- Boa tarde, xuxu. – Se aproximou dele e lhe deu um beijo na bochecha.
Caio, felizmente, era um dos amigos que tinha lhe ajudado. Aos 29 anos, graças a condição de vida que tinha ganho de seu pai, ele era dono da loja de roupas que trabalhava, mas estava sempre por lá para ver o andamento das coisas.
- Maju já chegou? – Perguntou e Caio fez careta.
- Não sei dela. Brigamos esse fim de semana. – Respondeu e revirou os olhos mais uma vez.
Desde que tinha chegado ali, Maria Julia, que era atendente junto com ela, e Caio tinham esse lance. Um relacionamento ioiô, porém saudável.
- O que houve dessa vez? – A menina perguntou, de dentro do box do banheiro, enquanto colocava a roupa do trabalho.
- Ela não quer me assumir. – Escutou a resposta e riu.
- Caio!
- É sério, . Toda vez que eu falo de apresentá-la para os meus pais, ela começa a falar de outro assunto e tenta me fazer esquecer. – saiu do box, já vestida, respirando fundo.
- Ela tem medo, Caio. Medo de seus pais não aceitarem ela, medo de algo acabar dando errado e ela perder o emprego. – Guardou as roupas normais dentro do armário. – Fora que ela sabe o que aconteceu comigo quando me envolvi com um riquinho feito você. – Caio semicerrou os olhos para a amiga.
- Eu não sou ele, .
- Eu sei que não, mas isso não a impede de ficar receosa. – Deu de ombros. – Conversa com seus pais primeiro, sobre isso tudo, e depois, dependendo do resultado dessa conversa, conta para ela e marca um jantar. – sorriu. – Se você quiser, eu posso ir também.
- O que seria de mim se não fosse você? – O homem a abraçou de lado e ela riu.
- O mesmo que seria de mim se não fosse você. Nada.
Dito isso, a menina saiu dos bastidores da loja para abri-la e começar a atender. Ela contava com a ajuda de mais três pessoas para esse trabalho – Maria Julia, Natan e André –, pois a loja costumava a ser movimentada, mas como ainda era de manhã, ela conseguia se manter sozinha até os colegas chegarem.
Menos de cinco minutos depois, André se juntou a ela e depois, com meia hora, Maria Julia e Natan já estavam na loja também.
Um tempo depois, , que estava posicionada atrás do balcão, recebeu um sorrisinho de Maria Julia que veio correndo para o seu lado.
- O que foi? – Perguntou confusa e Maju apontou com a cabeça para a pessoa que André atendia.
Estava na hora do melhor horário de dia, segundo , Maria Julia e Natan. Avaliar a bunda dos clientes – homens – que entravam na loja, sozinhos ou acompanhados.
- E então? – Maju perguntou para e a menina fez um bico enquanto pensava.
- Lindíssimo que as peruas não me chamaram. – Escutou Natan falar antes que pudesse responder.
- Acabamos de começar. Calma. – Maju informou.
- Acho que sete. – fez careta.
- Eu achei bem redondinha, mas parece meio mole. – Foi a vez de Natan. – Oito.
Maju fez um bico enquanto pensava, tinha pego essa mania da amiga.
- Concordo com a , sete.
No fim do expediente, correu para a faculdade, semana de provas estava chegando e agora cada minuto de aula era valioso. Chegou na PUC, onde tinha bolsa, poucos minutos antes do professor chegar e é lógico que ele a notou por esse fato. era a atrasilda dos roles, tomava todo o seu tempo.
Com o findar do dia, já se encontrava novamente em seus aposentos com sua filha, fazendo rapidamente algum exercício de Política para entregar no dia seguinte.




- Eu não te entendo. – Maria Julia reclamou. – Por que você veio hoje se o Caio disse que você poderia faltar para estudar?
- Porque a prova de hoje eu só preciso revisar, vou deixar para faltar quando for realmente preciso.
- Mas o Caio não se importa com isso, .
- Eu sei que não, Maju, mas eu não quero me aproveitar da boa vontade dele. – Respondi dobrando as roupas e colocando no balcão de mostruário. – Quando for necessário de verdade, eu falto. – Maria Julia revirou os olhos reclamando sobre o quanto eu era teimosa. – Ele já conversou com os pais dele? – Maju mordeu o lábio inferior.
- Não sei. Não estamos conversando muito sobre isso, porque eu não quero saber caso eles não aceitem. Então pedi para ele não me falar nada. – Deu de ombros e foi a vez de revirar os olhos.
- Eu nunca vi um casal tão complicado feito vocês.
- Bundinha na área. – Natan passou por nós cochichando e nos juntamos para olhar o trio de homens que passava pela porta – um moreno com a pele escura, outro com a pele mais clara e um loiro.
- Oi, boa tarde. – Um deles, o loiro, falou sorrindo para mim.
- Boa tarde. – Respondi. – Posso ajudar? – Ele assentiu.
- Estou procurando um terno para mim, meio diferente, eu gosto de me destacar. – Sorriu e eu o acompanhei. – E um vestido para minha irmã. Ela quer vermelho. Eu não sei quanto ela veste, mas... – Fez uma pausa me olhando de cima abaixo. – Acho que ela tem o seu corpo. – Deu um leve sorriso e eu prendi o lábio inferior entre os dentes.
Era comum receber cantada dos clientes, eu não era feia afinal, e geralmente não ligava. A não ser que fosse algo desrespeitoso, era bom para levantar a autoestima.
- Então ela deve vestir M. – Informei sorrindo de volta para ele. – Vocês vão precisar de alguma coisa? – Me virei para os outros dois homens, mas eles negaram.
- Nós só estamos acompanhando. – O de pele mais escura falou.
- Ok. Então, senhor...?
- Arthur, mas sem essa coisa de senhor.
- Então, Arthur, vamos ver seu terno primeiro. – Chamei ele até o canto direito da loja. – Você vai querer com colete? – Ele negou. – Bom, eu tenho um que acho que combinaria com você, mas ele é quase vermelho, não sei se vai gostar de andar combinando com a sua irmã. – Ri enquanto mostrava e ele fez uma careta.
- Acho que prefiro outra cor. – Informou rindo e eu assenti.
- Temos esse azul. – Mostrei para ele. – É uma espécie de azul caneta, só que mais escuro e ele tem as lapelas pretas. – Apontei a parte que falava e ele assentiu.
- E você acha que ele vai me dar destaque? – Arthur perguntou brincalhão.
- Bom, é o homem que faz o terno, não o terno que faz o homem. – Dei de ombros, ainda segurando o terno em mãos.
- E esse homem é capaz de fazer esse terno? – Arqueou uma das sobrancelhas para mim com um sorriso no canto dos lábios.
- Eu tenho certeza que sim. Além do mais, ele combina com os seus olhos. – Fiz um leve bico, pensativa, enquanto olhava os olhos azuis do homem.
- Está decidido então. Será esse. – Assenti contente. – Vamos ver o vestido da sua irmã agora. Sabe que tipo de estilo sua irmã gosta? – Perguntei enquanto caminhava até o outro lado da loja e o olhei por cima do ombro. Arthur fez careta e eu ri. – Seda, renda, brilho?
- Acabei de perceber que sou um péssimo irmão. – Deixou os ombros caírem. – Eu realmente não faço ideia.
- Tudo bem. – Respondi me divertindo com o desespero que vi em seus olhos. – Eu vou pegar alguns modelos e você me diz o que mais acha a cara dela, okay? – Ele concordou. – Longo ou curto?
- Curto.
Arthur se sentou enquanto eu procurava alguns vestidos. Não muito tempo depois, voltei com três modelos e chamei Natan para ajudar a segurar e exibi-los.
Primeiro mostrei um com o tecido mais pesado, com a saia rodada e uma mistura de decote coração e V. Ele tinha uma manga curta que deixava os ombros a mostra e era totalmente liso. Depois um com o mesmo tipo de manga e saia, porém, completamente rendado e com gola joia. E, por último, um vestido com o mesmo estilo de gola ao anterior e, também, de renda. A diferença era que a gola era trabalhada em um corte diferente, a renda só era aparente nos braços, já que as mangas eram longas e a saia tinha um caimento mais justinho, como um midi.
- E então? – Foi Natan que perguntou.
- Qual você gostou mais? – Arthur passou a mão no queixo.
- Qual você gostou mais? – Perguntei.
- O último.
- Então confie no seu gosto e leve o último. – Sorri e ele me acompanhou.
Nos encaminhamos até o caixa e Arthur pagou sua conta. Quando ele estava indo embora com os amigos, corri para trás do balcão junto de Natan e Maju.
- O mais moreno definitivamente merece um nove. – Falei com um sorriso levado.
- Gata, nove? Eu dou dez sem pensar.
- Eu também. – Maju concordou.
- Não. É grande demais. Homem tem que ter bunda na medida certa!
- E o outro? – Natan perguntou. – Dou um seis e meio. – Eu e Maju concordamos com a cabeça.
- Arthur é super simpático, mas acho que a bunda estava com vergonha e ficou em casa. – Falei fazendo meus amigos gargalharem.
- Eu vou dar um cinco pela simpatia dele. – Natan falou.
- Quatro. – Foi a vez de Maju.
- Quatro e meio. – Disse enrugando o nariz.
- Vocês estão falando da bunda dos clientes de novo? – André perguntou causando a nossa risada.
- Você devia participar com a gente. – Maju disse e o homem fez careta.
- Dispenso, mas agradeço a consideração.

***


Parei de estudar ao escutar minha filha reclamando atrás de mim, me levantei indo até o cercadinho, onde vi a neném com a cara fechada.
Me abaixei para pegá-la e voltei a sentar no único banquinho que tinha na casa, de frente para a bancada que dividia a sala da cozinha, mas a menina continuou reclamando.
- O que foi? – Perguntei e ela deixou alguns sons escaparem de sua boca.
Ri já sabendo do que se tratava. gostava de atenção. Toda vez que me via focada em algo que não fosse ela, começava a reclamar até me ter para si. Mesmo com apenas 6 meses, já era dona de uma forte personalidade.
- A mamãe precisa estudar. – Falei enquanto me sentava no chão.
Apoiei-a em minhas pernas e brinquei com suas mãozinhas.
- Se eu não estudar, não vou conseguir te dar a vida que você merece. – Sorri para minha filha que respondeu com um longo “hm-mm”.
Levantei de minhas pernas e a trouxe para perto de mim, abaixei a alça da blusa que usava e a coloquei no peito, começando a embalá-la, torcendo para que a menina dormisse logo e eu pudesse estudar.

***

Maju:
"estou a caminho, deixa a porta destrancada"
"estou com os limões"
"se a vida te der limões, taque-os na sua afilhada"

Eu gargalhei lendo as mensagens de Maju. Desde que nascera, ela me pedia duas coisas: ser madrinha e dar limão para ela quando ela já tivesse idade o suficiente; Maju era uma daquelas viciadas em ver vídeos de bebês e o sonho dela era ter uma criança para praticar aqueles vídeos. Como eu não era muito diferente dela, topei de primeira fazer o vídeo de experimentando limão pela primeira vez.
Coloquei sobre a cadeirinha dela e fechei com a mesinha que vinha acoplada, sorrindo para ela. Se eu não tinha muitas coisas, era completamente ao contrário, tudo que existia no mundo de bebês ela tinha ganhado, seja de mim, dos meus amigos ou de seus padrinhos – Caio e Maju. Eu era sortuda demais pelos amigos que tinha.
Foi quase que instantâneo, eu destranquei a porta e segundos depois Maju passou por ela; já a trancando novamente.
- Cheguei. – Anunciou jogando as mãos para o alto e fazendo gargalhar. – Quem é a neném mais perfeita da dinda que vai comer um limãozinho? – Perguntou jogando as bolsas no chão e andando até que já gargalhava de novo. – É ela, sim, tia. É ela, sim. – Se apoiou na cadeirinha da menina e a encheu de beijos.
Abaixei para ver a sacola de limões que Maju tinha trazido consigo.
- Maria Julia, qual a necessidade de tanto limão? – Mostrei a sacola para ela.
- Um é para a primeira vez, os outros são para as outras. Você pode comer também se quiser, sei que você gosta. – Fez cara de desdenho para mim e eu ri. – Vai pegar a faca, por favor. – Apontou em direção à cozinha sem olhar para mim e eu revirei os olhos.
- Eu amo o jeito que você me ama. – Reclamei andando em direção à cozinha.
- Quem beija a boca do meu filho, a minha adoça. – Ela respondeu da sala e eu ri.
Peguei um dos limões e apoiei na bancada o cortando em quatro. Juntei os pedaços na mão e os coloquei em cima da mesinha acoplada à cadeira da minha filha. Maju sorriu feito uma criança, fazendo a acompanhar, e sacou o celular do bolso dando na minha mão.
- Um limãozinho bem gostosinho ela vai comer, vai comer, vai comer, mer, mer. – Maju começou a cantar no ritmo do funk de La Casa de Papel e eu gargalhei, principalmente vendo que também ria mostrando seus dois dentinhos que estavam nascendo na gengiva inferior. – Está gravando? – Maju perguntou e eu assenti.
Ela levou um dos pedaços do limão até a boca de e a menina apenas enrugou um pouco o nariz e colocou a língua para fora.
- Não, , eu esperava mais de você. Trate de fazer uma careta digna de um vídeo viral. – Ralhou completamente séria e soltou uma gargalhada como se entendesse o que a tia estava falando. – Não estou rindo para você, não, sua palhaça. – Maju continuou séria e continuou rindo.
Minha amiga tentou de novo e dessa vez fez uma caretinha enquanto dava uma leve tremida, fazendo Maju rir de perder as forças nas pernas e cair sentada no chão.
- , você é a melhor afilhado do mundo. – Gritou fazendo careta para minha filha que gargalhou mais uma vez naquele dia.
Depois de testarmos os outros pedaços de limão, nos sentamos no chão. ficou no colo de Maju o tempo todo, rindo de todas as palhaçadas que a madrinha fazia, o que me fazia sorrir ao observar a cena.
- Você quer que eu fique com ela para você estudar? Eu sei que amanhã você tem prova de História do Direito e que tem que terminar aquele livro de 800 páginas. – Sorri de lado para minha amiga e assenti.
- Muito obrigada. – Disse e dei um beijo em sua bochecha.
- Madrinha também é para aturar a chatice sozinha, certo? – Fez outra careta para minha filha e ela riu colocando a língua para fora. – Vou lá para o seu quarto com ela, daí você consegue se concentrar melhor. – Avisou e eu assenti.
Mergulhei nos livros de onde não deveria ter saído em nenhum período desse fim de semana, já ficando caolha de ver as palavras sobre direito romano ou canônico ou cuneiforme.

***

Estava acabando de almoçar quando escutei alguém bater na porta, espremi as sobrancelhas me perguntando quem poderia ser e fui até a porta.
- Oi, minha querida. – Dona Rosária falou e logo após tossiu. - Eu não vou poder ficar com a hoje. Não estou me sentindo muito bem, tem algum problema? Você tem outra pessoa com quem possa deixá-la? – Dei um sorriso me forçando a mentir.
- Tenho sim, dona Rosária. Não se preocupe. – Ela assentiu e deu um tchauzinho para que estava dentro do apartamento em sua cadeirinha e a menina deu um sorriso para ela.
Assim que fechei a porta, senti a garganta fechar... eu e minha mania de chorar por tudo. Sequei rapidamente as lágrimas que caíram dos meus olhos, mesmo que não entendesse, eu não gostava que ela me visse assim.
Sentei de frente para o balcão da cozinha tentando raciocinar o que eu iria fazer. Não queria perturbar Caio, ele já tinha me dado o dia de folga para poder estudar, Maju estava trabalhando, assim como Natan e André, minha mãe nem era uma hipótese e o resto dos meus amigos estavam tão enrolados na faculdade quanto eu. O jeito seria levar comigo para as provas, eu não me sentia no direito de tirar esse momento de descanso da dona Rosária, ela já me ajudava demais.
Não pude ficar na biblioteca quando cheguei a faculdade, já que estava com , então aproveitei que a PUC era enorme e sentei em um dos banquinhos que ficava no meio das árvores. Isolada para conseguir estudar um mínimo. Deixei no carrinho com meu celular em um suporte para ela assistir desenho; eu não gostava de deixá-la de frente para uma tela, mas situações desesperadoras, pedem medidas desesperadas.
Abri o caderno começando a estudar para a matéria da prova, de vez em quando alguém passava e mexia com , fazendo-a desviar a atenção do celular e soltar um sorriso, o que me fazia sorrir também. Eu realmente amava quando paparicavam minha filha, tocava meu coração.
Quando deu a hora, andei com , dentro do carrinho, até o elevador e informei que iria ao sexto andar. Estava um pouco nervosa com a prova, o professor era legal, mas exigente e eu não queria perder minha bolsa.
Dei peito para enquanto o professor não chegava na intenção de deixá-la sonolenta para poder fazer a prova com calma. O professor chegou e eu continuei amamentando até ele entregar as provas, quando entregou, a coloquei no carrinho e comecei a fazer as questões. Meia hora depois, eu ainda estava respondendo a primeira questão e começou a reclamar, arregalei os olhos já sentindo alguns olhares sobre mim e a peguei no colo.
- Filha, por favor, fica quietinha. – Pedi baixinho, mas a menina ignorou completamente e continuou reclamando.
Tentei dar peito a ela, mas ela não quis, tentei mostrar o brinquedo e nada, fiquei cerca de quinze minutos tentando acalmá-la até que desisti. Saí da sala, pedindo desculpa baixinho e engolindo o choro por não poder fazer a prova, enquanto acalmava que tinha começado a chorar. Respirei fundo, piscando os olhos rapidamente, na intenção de me acalmar e não chorar junto com ela. Não era só por não poder fazer a prova, era adiar a chance de me formar, ter um bom emprego e dar uma vida digna a minha filha. Continuei acalentando ela que ainda resmungava com a cabeça apoiada no meu ombro.
Algum tempo depois senti uma mão no meu ombro e me virei assustada dando de cara com meu professor, .
- Desculpa, professor. – Pedi com um fio, mas ele negou com a cabeça e estendeu as mãos na minha direção.
- Vamos testar se ela fica quieta comigo para você fazer sua prova. – Ofereceu.
- Não precisa, eu... – Ele negou com a cabeça de novo, continuando com as mãos estendidas na minha direção.
- Eu faço questão, . – Ele disse e eu entreguei para ele.
No mesmo momento ela parou de reclamar, observando cada traço do rosto de com um sorriso encantado. Bom, era lindo e eu também olhava desse mesmo jeito para ele, então conseguia entendê-la; revirei os olhos para o meu próprio pensamento, mas tendo certeza que minha filha já era bem esperta.
- Parece que deu certo. – Ele sorriu para mim e eu assenti.
Cocei a cabeça um pouco sem graça e falei antes que perdesse a coragem.
- Você sabe cuidar de um bebê? – riu.
- Eu tenho essa cara de novinho e inexperiente, mas tenho um filho. – Brincou me fazendo rir com ele.
- Desculpa, você está tentando me ajudar e eu... – Ele me interrompeu.
- Você é mãe, . Eu te entendo, não esperaria menos. – Sorriu para mim e abriu a porta. – Vai fazer sua prova. – Eu assenti entrando na sala e indo me sentar novamente.
Suspirei aliviada por ser realmente legal e que esse meu pensamento não tenha sido formado apenas porque ele era bonito.
De vez em quando eu olhava para o meu professor e ele estava fazendo alguma careta para , fazendo-a soltar algumas gargalhadas ocasionalmente, o que resultava nele ralhando com ela, com uma falsa irritação, mandando-a parar de ser escandalosa – e é claro que isso fazia ela rir de novo. Depois de um tempo vendo que estava fazendo um bom trabalho, consegui realmente me concentrar na prova.
Ao terminar, juntei minhas coisas e coloquei na parte de baixo do carrinho de , depois fui até , entreguei a prova e estendi os braços para pegar minha filha de volta.
- Ah, você já vai levá-la de mim? – Fez um bico. – Nós estávamos tendo um papo tão bom. Não é, ? – Perguntou para a menina com um sorriso e ela lhe sorriu de volta.
- Sinto muito, professor. – Respondi com um sorriso e ele finalmente me entregou . – Muito obrigada por ficar com ela.
- Disponha. – Sorriu para mim. – Se você precisar trazê-la para prova de novo e eu estiver pela PUC, pode me falar que eu fico com ela. – Eu assenti verdadeiramente agradecida.
- Obrigada mesmo. – Dei um rápido abraço nele e saí de sala.
Corri até o ônibus de integração do metrô que parava de passar as onze da noite e cheguei a tempo de pegar o último. O motorista me ajudou a subir com o carrinho e rodou a roleta para mim. Depois que peguei o metrô, em menos de meia hora estava em casa, ninei até ela pegar no sono e depois fui dormir também.

***

Estava dando banho em quando escutei meu celular tocar, corri até meu quarto para pegar o celular e quando voltei já tinha água até no espelho e a menina estava com o sabonete na boca, revirei os olhos tirando o sabonete dela com uma mão, enquanto atendia o telefone com outra.
- Alô.
- ?
- Não, o papa. Fala, Caio.
- Grossa, eu poderia ter discado errado.
- Caio, eu preciso dar banho na para não me atrasar, você pode, por favor, falar logo que merda você quer.
- Grossa. – Ele repetiu e eu bufei. – Então... – Falou manhoso e eu já sabia que lá vinha. – Você está de folga hoje.
- Não estou, não.
- Está sim. Estou decretando. Se você for para o trabalho hoje, eu te desconto.
- E eu te processo.
- !
- O que você quer?
- Eu conversei com meus pais sobre a Maju e eles aceitaram mais ou menos, eles disseram que querem conhecer ela primeiro. – Eu podia visualizar Caio com o queixo apoiado nas mãos enquanto tamborilava os dedos em algum lugar. – Alguma coisa sobre ela poder ser uma golpista que quer me dar o golpe do baú e roubar meu dinheiro. – Falou como se fosse algo casual e eu ri.
- E você quer que eu vá?
- Você falou que iria. Pelo apoio moral, sabe? – Ele perguntou e eu assenti mesmo que ele não pudesse ver.
- Era só você falar isso desde o início. Claro que... – Me interrompi depois que bateu na água fazendo-a espirrar para todos os cantos. – Droga, ! – Dei um leve pedala-robinho em sua cabeça e ela riu.
- O que houve? – Caio perguntou.
- fazendo festa na banheira. – Expliquei e ele emitiu um som de entendimento. – Enfim... claro que eu vou.
- Ok, então. Ah! – Chamou minha atenção antes que eu desligasse. – Leva a . Meus pais estão reclamando há séculos que não veem a neta deles e que você é uma péssima pessoa e blá blá blá. – Eu ri.
- Eu tenho que ir para a faculdade depois, Caio. E eu não vou levar a .
- Deixa ela com seu professor gostosão. – Senti o deboche atravessar o telefone.
- Eu vou dar na sua cara. – Ele gargalhou.
- Eu levo ela lá para casa e te entrego amanhã de manhã. Pode ser?
- Lá para a casa dos seus pais, né?
- É ué, mas o que tem se fosse a minha?
- O que tem que eu não sou louca de deixar minha filha sozinha com você. – Gargalhei.
- Ei, eu sou o padrinho dela, . – Falou totalmente ofendido e eu ri de novo.
- Não deixa de ser maluco. Eu tenho que desligar. Preciso tirar da banheira, me manda uma mensagem com o endereço do restaurante.
- Eu vou passar aí para buscar vocês. Até mais.
- Até. – Respondi e desliguei.
Coloquei o celular no bolso do short e me apoiei na bancada da pia, onde estava a banheira, buscando paciência para o show que viria a seguir.
Peguei a toalha e pendurei no ombro, indo em direção à com as mãos estendidas, na mesma hora ela se jogou para trás na banheira e começou a fazer escândalo.
- Vamos, filha, você é lindona, mas não é sereia. – A peguei no colo e enrolei na toalha.
continuou chorando e começou a espernear assim que a coloquei na cama. Revirei os olhos e respirei fundo, contando até 19 – minha idade.
Vamos, .
Calma.
Ela é só um neném, você não pode enfiar a mão no focinho dela.
Ri com meu próprio pensamento. Eu sempre disse que seria uma mãe compreensiva, mas na primeira pirraça me descobri o tipo Rochelle de mãe.
- ! – Chamei com a voz uma oitava mais alta e ela parou um pouco. – Vamos parar com a pirraça. – Segurei as pernas dela e levantei para colocar a fralda. – Ai, ai, ai, hein. – Ela fez um bico e eu vi o choro de pirraça se transformar em um choro completamente sentido. – Filha. – Fechei sua fralda e a trouxe para o meu colo. – Não pode fazer pirraça, meu peixinho. – Acariciei sua cabeça. – Você não pode ficar o dia inteiro na água, meu doce. – Dei um cheiro em seu pescoço e ela se acalmou. – Beijei sua testa e a coloquei na cama novamente.
Deixei um mordedor em suas mãos e fui para o guarda-roupa escolher nossa roupa para o almoço de hoje. Peguei um vestidinho rosa bebê que Maju tinha dado para e um vestido florido ciganinha para mim. Joguei um beijo para minha neném enquanto me abaixava para pegar minha sapatilha preta e ela sorriu.
- Eu te amo. – Disse quando já estava na frente dela de novo e me abaixei a enchendo de beijos. – Mamãe agora vai tomar banho e você vai ficar quietinha enquanto isso, certo? – Perguntei e ela riu, me fazendo semicerrar os olhos. – Vou entender isso como um sim.
Coloquei no carrinho e o empurrei com o pé até o banheiro ao mesmo tempo que já tirava minha blusa. Tomei um banho rápido, tendo que distrair algumas vezes, já que ela só gostava de ficar no carrinho quando eu podia ficar com ela no colo.
Saí do chuveiro, me sequei e empurrei o carrinho de volta para o quarto. Coloquei primeiro a roupa da pequena, senão a minha ficaria completamente amassada, deixei-a arrumada no bebê-conforto – com um brinquedo qualquer na mão, claro – e finalmente pude me arrumar.
Andei até a sala com e me sentei no sofá, fazendo careta para ela enquanto me maquiava. Sorri feliz ao me dar conta que agora eu tinha um sofá. Depois de tudo que aconteceu, a minha prioridade sempre foi , então passei meses dormindo em um colchão direto no chão, economizando dinheiro para dar a minha filha tudo que eu julgava necessário. Só quando já estava nascendo que comprei uma cama, minhas costas já não aguentavam mais dormir quase no chão. Foi a mesma coisa com a TV e com o sofá.
Assim que terminei – e saí de meus devaneios –, mandei mensagem para Caio avisando que estava pronta, ele logo respondeu que já havia saído de casa. Aproveitei para avisar a dona Rosária que hoje ela não precisaria cuidar de . Dez minutos depois escutei a buzina do carro de Caio, visto que eu morava no primeiro andar.
Quando chegamos ao restaurante Maju já estava lá, com um olhar totalmente apavorado, pois os pais de Caio também já se encontravam no local.
- Oi. – Corri para perto da minha amiga deixando Caio e para trás.
Simone e Fernando se levantaram para me cumprimentar e eu sorri lhes dando um abraço apertado.
- Quanto tempo. – Falei animada.
- Quanto tempo somente porque você não tem vergonha na cara e não nos visita. – Simone falou e eu gargalhei.
- Culpada. – Levantei a mão direita com um sorriso no rosto. – Oi, amiga. – Dei um beijo em sua bochecha. – Tudo bem? – Olhei em seus olhos e ela assentiu rapidamente com a cabeça.
- Oi, desculpa a demora. – Caio disse sentando-se do lado esquerdo de Maju. Eu estava no lado direito e ele tinha colocado o bebê-conforto de de frente para mim, ao lado de sua mãe.
- Oh meu Deus! Como você cresceu. – Simone pegou no colo e começou a encher de beijos. – A vovó sentiu tanto a sua falta. – Falou e minha filha começou a responder na língua que só ela entendia.
- É, meu amor, sua mãe não te leva na vovó, não é? – Fernando falou e continuava com seu “mm”, enquanto ele fingia entender o que ela falava. – Essa sua mãe é uma desnaturada mesmo, meu amorzinho. – Se curvou para dar um beijo nela.
Graças aos céus, o almoço se passou sem grandes emoções. Simone e Fernando acabaram gostando muito de Maju, visto que ela era minha melhor amiga e eu era um ponto vital para aquele relacionamento acontecer. Simone tinha perdido o útero por causa de um câncer, então ela dizia que eu era a filha que ela não pôde ter.
Depois que o almoço acabou, eu me despedi de todos e Fernando se ofereceu para me levar até a faculdade e eu acabei aceitando depois da insistência dele. Acabou que Simone ficou no restaurante com Caio e Maria Julia – e, obvio, minha filha.
Agradeci a Fernando quando chegamos à faculdade e ele me deu um beijo na testa e me desejou boa aula. Entrei na faculdade realmente feliz por ter pessoas tão amorosas na minha vida e passei o resto do dia completamente bem.



- Fala, vacilão. – Thomas foi o primeiro a me cumprimentar assim que cheguei ao bar.
Eu tinha acabado de dar aula, sexta-feira à noite, e, depois de muita insistência da parte de meus amigos, resolvi passar no bar que eles estavam. Não era muito longe da faculdade – e da minha casa – e eu deixei claro que só tomaria duas Coca-Cola’s, porque estava dirigindo e tinha que buscar meu filho com a mãe no outro dia.
- E aí. – Dei um aceno geral e me sentei à mesa. – Chama o garçom aí, por favor. – Pedi, pois não sabia qual dos garçons estava atendendo a mesa.
Em alguns minutos o garçom chegou com o meu refrigerante e eu iniciei um papo animado com meus amigos.
Infelizmente, tudo que é bom dura pouco e eu realmente só podia ficar o tempo de beber duas Cocas. Eu bebia rápido.
- É sério que tu já vai? – Eduardo perguntou fazendo careta e eu dei de ombros.
- Não posso mesmo, cara. Final de semana é o único tempo que tenho para ficar com meu filho e eu não vou fazer isso estando de ressaca.
- Não saiu nada ainda sobre seu pedido de guarda? – Daniel perguntou e eu neguei com a cabeça.
Minha ex-esposa tinha se mostrado uma verdadeira manipuladora depois do nosso casamento, inclusive engravidando quando eu pedi separação, o que não me fez mudar de ideia, já que eu podia ser pai mesmo separado, mas ela não gostou disso e tentou me impedir de ver meu próprio filho.
Apenas depois de uma briga na justiça, eu consegui o direito de tê-lo comigo aos fins de semana e quando mais ela permitisse. Decidida a fazer da minha vida um inferno, Jennifer só me deixava vê-lo aos fins de semana, senão poderia até ser presa.
Depois de muito meus pais e amigos me alertarem, eu realmente decidi que ela não tinha como ser uma boa mãe desse jeito, até porque, no início, Gabriel chorava na hora de sair comigo dizendo que eu era mau. A boa e velha alienação parental. Então, há um ano e meio, eu estava na justiça – novamente –, dessa vez, para conseguir a guarda do meu filho.
- Tá suave! – Thomas falou. – Mas a gente precisa marcar um role real. Sair de verdade, zoar um pouco. – Eu ri. Thomas às vezes parecia um adolescente.
- Domingo eu vou levar o Biel no Parque da Mônica. Vai ser um dia inteiro de muita aventura. – Sacudi os braços numa falsa animação. – Sintam-se à vontade para nos acompanhar.

***


Quando eu chamei os caras para irem ao Parque da Mônica, não achei que eles levariam a sério, mas no domingo de manhã, quando eu estava arrumando Gabriel, os três marmanjos apareceram na minha porta me deixando totalmente confuso.
- O que vocês estão fazendo aqui? – Perguntei com as sobrancelhas juntas.
- A gente veio para o Parque da Mônica, ué. – Thomas deu de ombros. – Se esse é o único jeito da gente sair, então que seja. – Eu abri e fechei a boca algumas vezes e depois neguei com a cabeça enquanto ria.
- Vocês são doidos!
- O tio Thomas também vai? – Biel perguntou em uma completa animação.
- O tio Thomas e os outros também, seu mané. – Bruno deu um pedala-robinho na cabeça dele.
- Eu falo que sou o tio preferido. – Thomas se gabou.
- Sentem, crianças, ainda preciso dar o Nescau do Biel.
- Ih! O Biel ainda toma Nescauzinho. – Eduardo caçoou fazendo Biel fazer um bico e Thomas revirar os olhos.
- Depois vocês ficam bolados que eu sou o tio favorito. Deixa o garoto tomar o Nescau dele em paz, porra. Bate aí, sobrinho, vamos tomar um Nescauzinho junto. – Mostrou a mão para meu filho e eles fizeram um high-five.
Depois de alguma enrolação, visto que meus amigos eram mais crianças que meu próprio filho, saímos de casa e em meia hora chegamos no tal do parque.
- Caraca, eu estou muito animado! – Thomas se agitou ao lado do Biel e ele pulou junto com o tio me fazendo rir. – Vamos, Biel. – Apontou a entrada do parque, já tínhamos comprado os ingressos. – Quem chegar por último é mulher do padre. – Biel sorriu animado e correu até a entrada com o tio em seu encalço.
- Você tem quatro anos também, Thomas? – Bruno tirou com a cara dele quando chegamos perto, mas ele apenas apontou para Biel que fazia uma dancinha engraçada porque tinha ganhado.
- Melhor. Tio. – Sussurrou com os braços abertos e eu gargalhei.
Já estávamos no parque há algumas horas quando, sentado à mesa para um lanche, eu forcei a vista tentando reconhecer a pessoa que meu cérebro dizia que eu conhecia.
- O que foi? – Eduardo perguntou e fez os outros dois prestarem atenção.
- Acho que eu conheço uma pessoa ali. – Continuei olhando e eles olharam também.
A pessoa olhou na minha direção e sorriu acenando, eu sorri de volta finalmente reconhecendo minha aluna, . Ela falou alguma coisa com a mulher que a acompanhava e veio andando em minha direção com no colo, fazendo eu me pôr de pé imediatamente – sob o olhar atento dos meus amigos.
- Oi, professor. – Ela falou com um sorriso e eu fiz careta.
- Professor não, . – Respondi estendendo os braços para pegar que se jogou de prontidão nos fazendo rir.
- !
- ! – Ela assentiu com um sorriso.
- Está com comissão de pais? – Fez menção com a cabeça aos caras atrás de mim.
- Não, todos sem filhos, porém meus amigos. A gente não tinha tempo para sair, então eles resolveram vir comigo e com o Biel ao parque. Biel é o meu filho. – Apontei para o menino que a olhava atento de cima a baixo. Super discreto meu filho.
- Jesus! Que criança MAIS linda. – deu as costas para mim para dar atenção a Biel e ele sorriu tímido.
- Fala com ela, filho. – Ele me deu um sorriso envergonhado e eu dobrei o pescoço confuso, Biel não era nada tímido. – O que foi?
- Ela é bonita. – Ele falou baixinho como se fosse um segredo fazendo gargalhar e dar alguns beijos em sua bochecha.
- Muito bom ouvir isso, Biel, obrigada. – Respondeu com um sorriso.
- De nada. – Ele respondeu ainda tímido, balançando os pés.
- Caramba! Ela deixou o Biel sem fala. – Thomas riu.
- É a beleza estonteante. – Ela jogou os cabelos rindo e eu a acompanhei.
- Com certeza. – Concordei. – E você? Está com quem? – Perguntei quando ela voltou para perto de mim e ela apontou a mulher que aguardava ao longe.
- Dona Simone.
- Sua mãe?
- Quase! É como se fosse. – Deu de ombros. – Ela decidiu que precisava ter sua primeira experiência com parques. Aos seis meses de idade. – Falou como se não achasse aquilo muito são e eu ri. – Não se nega nada para dona Simone, então aqui estamos nós. – Sorriu de novo e apoiou as mãos nos bolsos traseiros da calça.
Nós ficamos nos olhando por um tempo até ela estender as mãos para pegar de volta e tanto eu, quanto , fizemos um bico.
- Você já vai levá-la de mim? – Perguntei fingindo choro enquanto olhava e a neném gargalhou.
- Sinto muito, professor. – Ela riu quando semicerrei os olhos para ela.
pegou , deu um tchau geral e, mesmo com no colo, se abaixou para falar com Biel, o fazendo ficar todo vermelhinho.
- Ela arrancou o coração do menino. – Thomas brincou de novo, sorriu para ele e depois deu as costas para nós voltando de onde tinha vindo.
- E o meu. Caralho! – Eduardo falou e eu revirei os olhos.
- A boca! – Ralhei apontando para Biel.
- Cara, ela tá tão na sua. – Thomas imitou o Greg de Todo Mundo Odeia o Cris e eu revirei os olhos para a bobeira dele. – Papo de seriedade, . A mina te quer.
- Ela é minha aluna de História do Direito. – Informei. – Não viaja.
- Isso não quer dizer nada. – Bruno se juntou a Tom.
- Fala sério. – Eduardo falou e fez um formato de violão com as mãos. – Na sua e você dando mole. Difícil entender.
- E você? – Cutuquei Biel. – Vai tentar empurrar seu pai para qualquer mulher também? – Ele negou com a cabeça rindo.
Depois de comermos, voltamos aos brinquedos. Thomas, como sempre, fazia todas as vontades de Biel e os outros caras ficavam cantando as mães solteiras ou amigas das mães; Bruno até pegou o telefone de uma professora que estava lá levando a turma. Eu só tinha amigo doido.
- Eu quero pintar a cara ali. – Gabriel apontou para a espécie de quartinho onde alguns funcionários pintavam o rosto de algumas crianças e eu assenti. – Mas vamos comigo? – Pediu olhando os tios.
- Vamos ué. – Duda deu de ombros.
- Mas é pra pintar o rosto também. - Ele falou e eu vi meus amigos arregalarem os olhos.
- Ah, Biel, assim não né. – Duda reclamou e eu ri.
- Ué, vocês não quiseram vir? – Thomas perguntou já dando a mão para Gabriel e andando até o local.
- Sério isso? – Bruno perguntou fazendo careta e me olhando, Duda o acompanhou. Foi a minha vez de dar de ombros, indo até o local também.
Cinco minutos depois, nós saímos de lá já com as pinturas. Thomas tinha feito uma máscara do Robin, porque Biel tinha pedido – ele estava de Batman –; Bruno estava com uma com a máscara do Wolverine; Eduardo tinha feito um tubarão; eu estava com a tiara da Mulher Maravilha na testa.
- Você está muito estiloso. – Bruno tentou me zoar, mas eu apenas sorri, a escolha da pintura tinha sido minha.
- Eu sou a Mulher Maravilha, né, querido. É claro que eu sou estilosa.

Depois do dia do Parque todo dia ao findar da aula, me pedia para entregar um beijo para Biel e, depois que ele reparou que ela fazia sempre isso, começou a me pedir para entregar os beijos de volta.
- Você fala que eu mandei um trilhão de beijos hoje, tá bom? – Ele pediu e eu assenti rindo.

Nós acabamos combinando de sair depois disso. Eu tinha a chamado para um passeio com as crianças para uma pracinha que tinha perto da minha casa, Biel tinha pedido muito por isso e eu não via motivos para não atender seu pedido.
Mandei o endereço para ela por e-mail – eu tinha esquecido de pedir o celular dela e tinha o e-mail por causa da faculdade – e, no dia, quando cheguei a pracinha, ela já estava lá.
- Oi. – Ela acenou sorridente e eu retribuí.
- Chegou há muito tempo? – Perguntei.
- Mais ou menos. – Fez uma leve careta e eu ri.
- Desculpa a demora. O Biel quis escolher a roupa dele. – Ela riu.
- Sem problemas. E aí, Biel? – Desviou os olhos para ele.
- Oi. – Meu filho deu um sorrisão. – Tudo bem? – Perguntou se aproximando do carrinho de .
- Estou bem, sim e você? – perguntou de volta.
- Também. – Respondeu sem olhar para ela, sorrindo para . – Oi, neném. – Continuou com o sorriso. – Dá um sorriso para mim, . – Pediu mexendo as mãozinhas na frente dela e a menina sorriu. – Ela sorriu para mim, viu? – Se virou para mim e eu assenti.
A tarde, infelizmente, passou de forma rápida, mas foi deliciosa. era uma criança encantadora, assim como , que era super inteligente e atenciosa, Gabe estava apaixonado por ela. E Gabriel, bom, Gabriel era maravilhoso igual ao pai, né.


Estava distraída atrás do balcão, mexendo no celular, quando senti um cutucão de Maju. A olhei e ela estava com os olhos arregalados.
- O que foi? – Perguntei e ela apontou com a cabeça para o cliente que Natan estava atendendo.
- Olha essa perfeição de bunda. – Ela sussurrou e eu parei para admirar alguns segundos a bunda do homem que estava de costas para nós.
- Caralho. – Sussurrei quando ele se abaixou para pegar colocar os sapatos que estava testando e sua calça social ficou colada na bunda.
- Sim!
- Definitivamente 10! E que dez! – Mordi o lábio inferior e Maju gargalhou, fazendo o homem virar para nós.
E foi a minha vez de ficar com os olhos esbugalhados.
- ! – falou animado e eu tossi tentando me livrar do susto. – Eu não tinha te visto.
- Eu também não. – Falei com a voz fraca, totalmente envergonhada mesmo que ele não tivesse visto o que eu estava fazendo.
- Ah não? – Maju perguntou debochada e eu dei um pisão em seu pé atrás do balcão. – Ai.
- Não sabia que você trabalhava aqui. – Ele disse se aproximando do balcão.
- Desde que o mundo é mundo. – Respondi me recompondo. – O padrinho da minha filha é o dono. – Falei a fim de continuar a conversa. – E a Simone que estava comigo no parque é mãe dele. – Ele assentiu.
- Entendi. Bom, já que já estou te vendo aqui, já deixo logo seu beijo da semana. – sorriu e eu sorri de volta.
- O que? – Maju falou com a voz esganiçada e gargalhou.
- O filho do manda beijo para mim toda semana.
- Ai, Jesus, eu vou beber uma água. – Avisou já caminhando para os bastidores da loja.
- Ela é dramática, não liga.
- Você pegou meu cliente, ? – Natan semicerrou os olhos para mim e colocou as mãos na cintura.
- Bem que ela queria. – André passou falando e puxando Natan e eu arregalei os olhos.
- Ah, mas será possível? – Perguntei chocada com a quantidade de frases com duplo sentido que meus colegas poderiam falar. – Me desculpa por isso, . – Pedi consternada e ele riu.
- Sem problemas.
- Está sozinho? – Perguntei tentando mudar de assunto.
- Não. O Duda veio comigo. – Apontou o amigo no canto da loja e eu assenti.
- , o que acha desse? – O amigo dele se aproximou com o terno vinho que eu tinha mostrado a Arthur algumas semanas antes.
- Não sei, Eduardo. – revirou os olhos.
- É para você, como você não sabe? – Perguntou inconformado e deu de ombros me fazendo rir. – Ah, oi! Você é a , certo? – Assenti, me lembrando que ele era um dos amigos que estavam com no parque.
- Qual é a ocasião? – Perguntei apoiando os braços na bancada.
- Cara, a realmente vai pegar meu cliente. – Natan voltou para perto de nós com Maju.
- Cala a merda da sua boca.
- Tsc, tsc, tsc... Uma mãe de família com uma boca tão suja. – Implicou e eu revirei os olhos.
- Cara, eu odeio vocês.
- É para uma palestra que vou lecionar. E depois tem uma reunião. – Deu de ombros. – Eu, de verdade, nem queria ir. Vai ser no fim de semana e fim de semana é o único tempo que eu tenho com o Gabe. – Assenti. – Mas estou sendo obrigado pelos babacas que chamo de amigos. – Apontou Eduardo que colocou uma mão no peito fazendo uma falsa cara de ofendido.
- É bom sair um pouco. Para espairecer. Às vezes os nossos amigos idiotas têm razão.
- É mesmo? – Natan perguntou com um sorriso ladino e eu apenas o ignorei.
- É por isso que esse final de semana você vai deixar a com a minha sogrinha e vai badalar com a gente, não é? – Maju perguntou se apoiando no balcão ao meu lado e eu bufei.
- Eu já falei que não. Você vai com o Caio. Natan vai com o novo peguete dele. E eu não sou obrigada a ficar segurando vela para vocês.
- Aposto que isso é desculpa esfarrapada e que você arranja um peguete para você em dois tempos. – Eduardo falou casualmente e Maju estendeu a mão para ele, trocando um high-five. – Se você me falar qual a balada, eu até faço esse sacrifício de me voluntariar. – Ele deu de ombros e eu senti minhas bochechas esquentarem.
- Cala a boca. – deu um tapa na cabeça dele e ele riu.
- Você não aproveita, eu faço por você. – Fingiu sussurrar como se fosse um segredo.
- Acho que nós precisamos de amigos novos. – falou para mim.
- Definitivamente. – Concordei. – Mas voltando ao terno... experimenta! – Incentivei e ele assentiu.
pegou o terno da mão do amigo e entrou no provador, minutos depois ele saiu e eu senti meu coração dar um pulo no peito.
Deus! Como aquele homem era bonito.
- E então? Bonito o suficiente para combinar comigo? – Perguntou brincando e eu abri e fechei a boca algumas vezes sem conseguir raciocinar direito.
- A costuma dizer que é o homem que faz o terno, não o contrário. – Maju soltou no ar.
- E ela é expert em escolher os ternos certos. Ou homens. – Natan completou.
- O que você acha, ? Ele fez o terno? – André entrou na brincadeira e eu o olhei chocada.
- Eu acho que esse terno foi desenhado para você. – Tentei ser o mais neutra possível e sorriu.
- Então vou levar. – Disse e voltou ao provador.
Após pagar, se despediu de todos nós e eu o acompanhei até a porta, como fazia com a maioria dos clientes e pude ouvir Eduardo falando para ele:
- O Thomas tinha razão. Ela tá na sua. E você na dela.



Eu acabei deixando meus amigos me convencerem que deveríamos ter uma noite dos caras. Sob o pretexto de que Gabe ficaria chateado por não ter dois dias com o pai, já que eu já tinha perdido o sábado por conta da palestra, eles me intimaram a passar a noite de domingo na bebedeira em um bar que Eduardo tinha escolhido.
E então no domingo eu acabei parando no tal bar.
- Caramba! – Eduardo abriu a boca e levou uma das mãos ao peito, fingindo um choque. – Não é a ali? – Apontou e eu olhei no mesmo instante. – Que coincidência, não é mesmo? – Ele cruzou os braços.
- Eu não acredito que você fez isso. E eu tenho certeza que vocês sabiam. – Apontei para Bruno e Thomas que levantaram as mãos como se fossem inocentes. – Vocês parecem um bando de adolescentes tentando juntar um casalzinho.
- E você parece um adolescente bobão com medo de chegar na mina. – Eduardo deu de ombro.
- Vai se foder, Duda.
- Eu juro, , juro mesmo, que se você não chegar nela, eu chego. – Duda continuou e Thomas deu um tapa na cabeça dele.
- Para de talaricagem.
- Não é talaricagem se ele não pegou. – Deu de ombros de novo. – Fala sério! Olha aquele vestido. – Ele falou olhando-a e eu me permiti fazer o mesmo.
Droga! É lógico que era bonita. Até demais. Mas eu era seu professor e isso era completamente antiético.
Decidi que não olharia mais na sua direção, independente do que meus amigos falassem, mas minha decisão foi por água abaixo em menos de cinco minutos, visto que Thomas fazia o favor de citar cada movimento dela de forma a atiçar minha curiosidade.
E, merda, aquele vestido era realmente um perigo. Principalmente quando ela dançava.
Tentei parar de prestar atenção nela de novo e foquei em beber. Eu estava ali para isso! Mas eu era forte para bebida, então o pouco que pegava só me fazia querer olhar mais para ela.
Mais alguns copos e o álcool virou coragem, sob a vigia de meus amigos passei as mãos na nuca tentando me convencer de não fazer aquilo.
- Ele está entrando em conflito. – Thomas comemorou. – Ele vai lá!
- Eu vou estourar um champanhe. – Escutei Bruno comemorar e olhei na direção que estava.
Se antes eu estava com dúvida, depois daquela visão foi impossível continuar com ela. estava apoiada no bar, curvada para frente e conversando com o barman, o que fazia seu vestido subir quase que indecentemente. Bufei me levantando e caminhando até ela em passos largos.
Quando cheguei perto, me posicionei ao seu lado e a abracei pela cintura. Ela me olhou surpresa, mas eu não a deixei falar.
- Eu tenho uma proposta. – Comecei e tirei a mão de sua cintura por alguns instantes para ajeitar seu cabelo de modo que eu pudesse sussurrar para ela. – Eu estou em um dilema desde que você chegou, me perguntando o nível da merda que poderia dar se eu prosseguisse com isso, até que eu decidi não ligar. Droga, , você é maravilhosa demais para ficar por aí e não ser tocada. – Observei ela respirar fundo e sorri. – Então a minha proposta é a gente sair daqui agora, ter uma noite espetacular e depois fingir que nada disso aconteceu. O que você me diz?
apenas se virou para mim e me puxou para um beijo.
- Vou assumir que isso seja um sim. – Eu disse depois de finalizar o beijo e ela mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça positivamente. – Você está com tudo que precisa aí? – Ela negou.
- Preciso pegar minha bolsa com a Maju. – Assenti.
Entrelacei minha mão na sua e andei com ela até a mesa que ela estava, onde ela simplesmente pegou a bolsa e saiu sem falar nada, me puxando em direção à saída.
Já dentro de um dos táxis que estavam disponíveis na porta do bar, perguntei:
- Você se importa de ser em um motel? – Ela riu e revirou os olhos.
- É para ser impessoal, certo? – Ergueu uma das sobrancelhas e eu assenti passando o endereço para o taxista.

Eu mal tinha fechado a porta, me prensou contra a mesma atacando minha boca e desabotoando minha blusa social, tirando-a do meu corpo segundos depois. Deixei um suspiro escapar quando ela desceu com a boca para o meu pescoço dando chupões e mordidas, desci as mãos pelo seu corpo parando nas suas coxas e trazendo suas pernas para minha cintura.
Aos beijos, andei com até a cama e nos colocamos de joelho sobre a mesma. Levei a mão até a barra de seu vestido, puxando-o rapidamente e já aproveitando para tirar seu sutiã. Beijei o pescoço dela enquanto acariciava seus seios e ela soltou o primeiro gemido apertando suas unhas na minha nuca. Um gemido tão gostoso que coloquei como meta fazê-la gemer o máximo possível naquela noite.
Espalhei beijos por sua mandíbula até chegar em seu lóbulo, depois desci pelo pescoço e alcancei seus seios, passei a língua ao redor do esquerdo que já se encontrava eriçado e depois o mordi levemente, o que fez gemer de novo. Me movi em direção ao direito, dando um chupão um pouco acima do bico que com certeza deixaria marca; sorri com isso. Passei a língua ao redor do bico e depois soprei, observando-a se arrepiar.
Subi com a boca pelo seu pescoço novamente, enquanto distribuía beijos e senti sua mão apertar meu membro, iniciando um vai-e-vem por cima da calça. Grunhi com a boca grudada na dela e puxei seu lábio inferior entre os meus dentes. desabotoou minha calça e a empurrou para baixo junto da cueca, voltando a fazer o vai-e-vem com a mão, agora sem pano atrapalhando. Ela levou a boca até minha mandíbula dando pequenas mordidas sem parar de me masturbar. Gemi e segurei sua mão, levando minha boca para perto de seu ouvido.
- Vira e segura. – Ordenei apontando para a cabeceira e ela obedeceu de imediato. – Boa menina. – Sussurrei atrás dela, depois de terminar de tirar a calça e a cueca.
Beijei da ponta de seu ombro até o pescoço e deixei outro chupão ali. Ela gemeu.
- Você gosta de ser chupada, não é? – Perguntei com a voz rouca, enquanto entrava com a mão por dentro da sua calcinha e ela gemeu em resposta.
Acariciei seu clitóris levemente e depois deslizei com o dedo até a sua entrada sentindo quão molhada ela estava.
- . – Gemi em seu ouvido. – Você já está tão pronta. – Dei uma mordida em seu pescoço.
Acariciei seu clitóris de novo e, dessa vez, belisquei de leve, fazendo-a soltar uma espécie de soluço e chamar meu nome. Repeti a ação algumas vezes e ela jogou a cabeça para trás, apoiando em meu ombro, aproveitei para mordiscar seu pescoço. Escorreguei dois dedos até a entrada da sua intimidade e penetrei de uma vez só. se jogou para frente, apoiando, agora, a cabeça na cabeceira e arfou.
Entrei e saí dela com os dedos por algumas vezes revezando com alguns beliscos em seu clitóris, sempre mordendo seu pescoço ou beijando sua boca. Só parei quando a senti se desmanchar nos meus dedos. Virei ela para mim e a beijei lentamente. apoiou as mãos nos meus ombros tentando controlar a respiração e depois tentou se abaixar, mas eu a puxei de volta.
- Eu quero te chupar. – Sussurrou perto da minha orelha, enquanto arranhava minha nuca e eu me segurei para não atender ao pedido dela.
- Outra vez, princesa. – Trouxe sua boca para perto da minha. – Hoje eu só quero ouvir você gemer. – Dei alguns selinhos no bico que ela fez enquanto sussurrava que não teria outra vez. – Vira. – Mandei novamente e, assim como da primeira vez, ela obedeceu logo.
Forcei as mãos nas costas dela para fazê-la ficar de quatro, mas ela já sabendo o que aconteceria, se virou para mim de novo.
- A camisinha. – Mordi o lábio inferior assentindo e puxei minha calça que estava na beirada da cama para pegar o preservativo. Assim que o peguei, ela o tirou da minha mão, rasgando e colocando em mim ao passo que dava um chupão no meu pescoço. – Afinal de contas, a gente não quer uma surpresa daqui a nove meses. – Riu de leve enquanto continuava deslizando a mão pelo meu membro.
Fechei os olhos e me permiti aproveitar um pouco de sua carícia, soltando alguns gemidos que pareciam a agradar tanto quanto os dela me agradavam.
- Chega. – Segurei sua mão de novo.
A virei rapidamente e empurrei suas costas, fazendo-a ficar com a bunda empinada para mim e, em poucos segundos, eu já estava dentro dela entrando e saindo com tudo. Segurei em sua cintura com força enquanto entrava e saía rápido.
- Mais forte. – Ela pediu no meio de um gemido e eu obedeci.
Dando estocadas cada vez mais rápidas e mais fortes e ela começou a investir o quadril contra mim, escutei os gemidos dela começarem a ficar mais agudos,enquanto eu mesmo já sentia a garganta secar pelos meus. choramingou por alguns segundos, apertando os lençóis abaixo dela com força e deu seu último gemido. Mais algumas estocadas e eu me juntei a ela, caído na cama após um delicioso orgasmo.


Eu acordei no outro dia pronta para fugir. Tirei lentamente o braço de de cima de mim e me levantei de forma mais calma possível. Já com os pés no chão, corri vestindo minha lingerie e o vestido, calcei os saltos enquanto conferia se minhas coisas permaneciam dentro da bolsa – eu tinha jogado ela no chão de qualquer jeito – e saí fechando a porta com calma.
Fui para casa de ônibus mesmo, não podia ficar gastando dinheiro à toa. Corri para tomar um banho assim que pisei em casa, eu precisava trabalhar e daqui a pouco Caio apareceria com .

***


- Como foi a noite? – Foi a primeira coisa que ouvi assim que cheguei ao trabalho.
- Bom dia para você também, Maria Julia.
- Corta essa. Foi bom? – Mordi o lábio inferior e olhei para ela e Natan que me olhavam atentamente.
- Estou estragada para qualquer outro homem, porque foi simplesmente a melhor foda da minha vida. – Choraminguei prendendo os cabelos em um coque.
- Também... com uma bunda daquelas ele tinha que ser bom fodedor. – Natan soltou e eu ri.
- Ninguém te merece, Natan.
- Você está com uma marquinha no pescoço. – Maju comentou passando a mão no local.
- Estou com marca no corpo todo, Maju. Ele é bruto. – Falei enquanto me abaixava para colocar o sapato de trabalho. – De um jeito maravilhosamente bom. – Passei as mãos pelo pescoço sentindo calor ao me lembrar da madrugada passada. – Chega. Já dei as informações, agora precisamos fingir que nunca aconteceu. Esse foi o combinado.
- Depois desse chá de piroca que ele te deu? Impossível. – Natan gargalhou saindo dos bastidores e eu ri.

***


De qualquer forma, depois do acontecido eu e passamos a nos tratar como estranhos, nem nos informávamos mais sobre os beijos que Gabe mandava. Mais por minha culpa do que dele. Eu fazia questão de chegar na sala após a aula já ter começado e sair no momento que ele nos liberasse, para não precisarmos trocar nenhuma palavra. E para mim estava ótimo assim.
Eu me sentia envergonhada apenas por estar no mesmo ambiente com ele, mesmo com todos os alunos em volta, imagine sozinha. O que eu iria falar? O que ele iria falar? Iríamos realmente fingir que nada tinha acontecido? Com essas perguntas na cabeça, decidi que eu realmente não era o tipo de pessoa para sexo casual.
Como de costume, cheguei na sala na hora que ele estava fazendo a chamada, bem na hora do meu nome. Evitei contato visual o máximo possível e assim que ele liberou, peguei minha mochila já me encaminhando a porta, até ouvir sua voz.
- . – Chamou e eu senti minha respiração falhar. – Eu gostaria de falar com você, pode ficar, por favor? – Pediu e eu assenti, voltando para a cadeira que eu estava antes.
Depois da turma se esvaziar completamente, ele fez um sinal com a mão para que eu fosse até a sua mesa.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei receosa e ele negou.
- Achei. – Me estendeu um envelope. – Biel vai fazer cinco anos e ele insistiu para que eu convidasse você e a . – Sorriu para mim. – Aliás, alguma professora dele falou que Gabe era apelido de gente grande e agora ele só quer ser chamado assim. Disse que Biel é apelido de bebê. – Deu de ombros rindo e eu acompanhei.
- Eu vou fazer o possível para ir. – Falei e ele assentiu.
- O aniversário dele caiu no domingo, então a festa está por minha conta e vai ser no salão do meu condomínio. – Ele informou e eu confirmei. Antes de termos nos beijado, já tínhamos conversado sobre a mãe do Biel não ser uma pessoa muito boa. – Ele vai adorar ver vocês por lá.
- Obrigada pelo convite. – Pedi e me virei, correndo para fora da sala.

***


Eu tinha decidido ir à festa de Biel, ou melhor, Gabe, sabia que ele iria ficar realmente feliz com nossa presença. Então no domingo, me arrumei da forma mais simples possível, apenas uma calça jeans e uma blusa de alcinha com uma estampa de flores, e emperiquitei minha filha, porque, bom, ela era minha boneca particular. Sorri boba vendo parecendo uma mocinha com o vestidinho vermelho com bolinhas brancas e um laço gigante na cabeça – eu sempre falei mal das mães que faziam isso, mas agora eu estava pagando minha língua.
Tapei minhas olheiras com corretivo, passei um pouco de rímel, um batom e peguei o celular para pedir um Uber. Geralmente eu iria de metrô e voltaria de Uber, mas como Caio disse que nos buscaria na festa, resolvi me dar esse privilégio.
O Uber chegou nos exatos cinco minutos mostrados no aplicativo e meia hora depois, devido a falta de trânsito por ser final de semana, estávamos em frente ao condomínio de – que era, obviamente, muito mais chique que o meu, afinal de contas ele era professor da PUC e da UFRJ.
- Boa tarde. – Falei com o porteiro, ainda eram cinco da tarde. – Eu vim para a festa do Gabriel . – Informei e ele assentiu com a cabeça abrindo o portão da portaria.
- A senhora precisa de ajuda? – Apontou o bebê conforto que estava deitada e eu neguei sorrindo.
- Obrigada.
- É no final desse corredor. – Apontou e eu balancei a cabeça e agradeci de novo.
Fiz careta ao entrar no salão e ver que não tinha quase ninguém ainda. Eu e essa minha mania de ser pontual. Apenas duas crianças com seus pais, uma mulher loira sozinha, os amigos de que eu conhecia e, claro, com Biel – mas ele estava saindo do salão, então nem chamei.
Ia sentar em uma das mesas logo na entrada, mas vi Eduardo fazendo sinal com a mão para eu me juntar a eles.
- Oi, meninos. – Falei colocando a mochilinha que tinha as coisas de acima da mesa.
Soltei do bebê-conforto e a peguei no colo, finalmente passeando com o olhar pela mesa de forma atenta. Franzi a sobrancelha ao ver um rosto novo. Dois, na verdade, se fosse considerar a menina que tinha acabado de se juntar a mesa.
- Eu não conheço você. – Apontei para ele que sorriu.
- Eu também não conheço você. – Deu de ombros com um sorriso e eu ri.
- Justo.
- Esse é o Dean, . – Thomas informou. – Ele é o outro membro vital dessa relação.
- Mas é casado e tem filho. – Thomas complementou e eu assenti em entendimento.
- Essa é a . – Bruno falou para Dean e ele trocou um olhar com todos na mesa, menos eu.
- A ?
- Sim, a . – Arqueei minhas sobrancelhas.
- Não entendi. – Falei olhando para Bruno de braços cruzados.
- Não olha para mim, não. Quem te divulgou foi o Duda e Thomas. – Apontou para os amigos e eu arqueei a sobrancelha para eles.
- É que você é uma mulher digna de ser divulgada. – Eduardo falou e eu fiz um “haha” para ele.
- Eu sou Luísa. – A menina que estava ao lado de Thomas se apresentou e estendeu a mão para mim. – Irmã do . – Eu estendi a mão de volta para ela sorrindo.
- Prazer.
- O prazer é meu. Você está completamente famosa lá em casa. Biel não para de falar de você.
- É Gabe! – Escutei uma voz infantil falar e me virei dando de cara com Gabriel de braços cruzados e cara séria.
- Oh! É mesmo, me desculpe! – Ela disse levando uma mão na cabeça e negando como se estivesse chateada consigo mesma. – Eu e essa minha cabeça.
- Oi, Biel! – Falei animada, sem me lembrar que ele tinha acabado de brigar com a tia por conta do apelido, mas ele estendeu os braços para mim animado e eu me agachei o abraçando. – Caramba! Você já está um rapazinho. Parabéns! – Falei quando o soltei e ele deu um sorriso orgulhoso.
Senti as costas reclamarem por eu estar agachando com no colo, mas ignorei.
- Ué, a pode te chamar de Biel? – Luísa perguntou para ele que fingiu nem ouvir.
- É que ele tem uma quedinha pela . – Bruno falou e eu ri.
- Aparentemente todo mundo tem uma quedinha pela . – Dean falou fazendo minhas bochechas corarem.
- Cadê seu pai, Gabe? – Perguntei tentando mudar de assunto.
- Na cozinha. Vem, vou te levar lá.
Gabe estendeu uma das mãos para mim, com um sorrisão no rosto, e eu estendi a mão que não segurava para ele, deixando ele me levar até a cozinha.
- Olha quem chegou, pai. – Biel anunciou animado quando chegamos na cozinha e , que estava de costas conversando com a loira que eu tinha visto no início, olhou para trás.
Assim que se deu conta de que era eu, se virou imediatamente, ignorando o que a loira falava e me olhando de cima a baixo.
- Você veio. – Falou com um sorriso e eu balancei a cabeça positivamente.
- Vim. – Respondi e senti se agitar no meu colo, tentando se jogar para . Revirei os olhos e a entreguei para ele. – Toma sua fã. – Falei e ele riu começando a brincar com a menina.
- Ela é tão lindinha. – Gabriel falou com um biquinho e subiu em uma cadeira para ficar perto da menina. – Você é uma bebezinha muito linda. – Falou como se fosse um adulto e gargalhou para ele.
- Você adora os homens dessa família, né, filha. – Tentei chamar sua atenção, mas fui piamente ignorada.
- Você é? – A loira que antes conversava com perguntou.
- , prazer. – Estendi a mão para ela com um leve sorriso, mas ela não retribuiu.
- Essa é a Jennifer, , mãe do Biel. – explicou e eu balancei a cabeça em compreensão.
- Entendi. – Revirei os olhos. Se ela podia ser grosseira, eu também podia. – Bom, vou voltar para a mesa. Estou sentada com os meninos. – Estendi os braços para , mas ela virou a cara. – ! – Chamei, mas ela continuou me ignorando.
- Pode deixar ela comigo, vai lá. – Mordi o lábio inferior.
- Tem certeza?
- Tenho. A gente vai se divertir muito, né, ? – Sorriu para ela e ela deu um sorrisão de volta.
- Você é muito dada, minha filha. – Me aproximei dando um beijo em sua bochecha.
- Vou com você, . – Biel pegou minha mão quando viu que eu sairia da cozinha.
- Vamos, bebezinho muito lindo. – Imitei o jeito que ele tinha falado com e o peguei no colo, fazendo-o gargalhar.
A hora acabou passando bem rápido, quase não ficou no meu colo, já que todos os amigos de , e ele próprio, faziam questão de segurar ela para – segundo eles – me dar um descanso, mas eu sabia que era só porque minha filha era uma doçura mesmo. Em compensação, Gabriel toda hora me chamava para fazer alguma coisa com ele; não que eu não gostasse, Gabe era uma criança maravilhosa e eu atendia seus pedidos com gosto.



Estava tentando com todas as minhas forças cumprir o combinado que tinha feito com , fingir que nada tinha acontecido, mas era difícil observá-la do mesmo jeito que eu observava antes daquele fatídico dia. Principalmente com aquele jeans completamente colado no quadril, quadril que eu sabia bem do que era capaz. Suspirei enquanto a observava conversar com Aline, a esposa de Dean.
Eu realmente achava que ela nem viria a festa, ela estava me evitando completamente e eu não a culpava, já que fazia o mesmo. Era uma situação complicada, muito fogo para um local totalmente inflamável, podia dar uma merda colossal, afinal eu era seu professor.
No final da festa, a vi sentada perto da saída do salão, apenas com dormindo no bebê-conforto, olhando o celular de cinco em cinco minutos.
- O que foi? – Perguntei chegando perto dela e ela pulou com o susto. – Desculpe. – Ri e ela fez sinal com a mão como se dissesse que era para deixar para lá.
- Caio disse que viria nos buscar, mas acho que ele esqueceu. Estou ligando para ele feito uma condenada e nada. – Olhou o celular mais uma vez. – Nem minhas mensagens ele recebeu.
Cocei a nuca me perguntando se eu devia mesmo fazer aquilo e, como um adolescente impulsivo, fiz.
- Você quer que eu te leve? – Ela fez um bico enquanto me olhava.
- Não quero te atrapalhar. – Começou, mas eu não a deixei completar.
- Não vai.
- E o Biel? – Dei um sorriso de lado um pouco incomodado.
- É noite de domingo, Jennifer vai levá-lo para casa. – Dei de ombros e ela assentiu.
- Tudo bem então. – Respondeu e eu sorri para ela.
Peguei a cadeirinha de , onde ela dormia bem plena – a menina tinha passado a festa toda fazendo bagunça – e guiei até a garagem.
Com pouco tempo chegamos a sua casa e , ainda no banco do carona, olhou da entrada de seu prédio para mim algumas vezes, antes de morder o lábio inferior e quase sussurrar:
- Você... – Passou a mão pelos cabelos o prendendo em um coque e respirou fundo. – Você quer entrar? – Apontou pela janela a entrada.
Sem pensar, girei a chave na ignição, desligando o carro na mesma hora e tirei meu cinto.



Mordi o lábio inferior pela milésima vez naquele dia, me sentindo estupidamente nervosa. Eu tinha acabado de fazer as coisas não serem mais impessoais.
Abri a porta do meu apartamento, sentindo atrás de mim, e me senti um pouco envergonhada por alguns instantes, ele era simples demais para os padrões que estava acostumado, eu sabia disso.
- Ele é bem simples. – Comecei sem graça, mas me interrompeu.
- Eu realmente não me importo com o jeito que é seu apartamento, . – Sussurrou bem próximo ao meu ouvido e depois deu um beijo no meu pescoço. – Onde eu coloco a ? – Perguntou com a boca ainda próxima ao meu pescoço.
Respirei fundo três vezes, tentando ignorar as reações do meu corpo.
- No quarto. – Respondi com a voz fraca.
- E onde fica o quarto? – riu e colocou uma das mãos na minha cintura, me empurrando para dentro e fechando a porta, só naquela hora me dei conta que ainda estávamos parados no corredor.
Comecei a andar em direção ao quarto sendo seguida por , que ainda estava com a mão na minha cintura. Me virei, desabotoando o cinto de segurança do bebê-conforto de e a peguei no colo, colocando no berço em seguida. Me abaixei e dei um beijinho em sua testa, depois de sussurrar um boa noite.
Assim que me virei de volta para , ele passou as mãos por trás dos meus joelhos, me fazendo cruzar as pernas ao seu redor. Caminhou comigo de volta a sala enquanto distribuía beijos pelo meu pescoço, me fazendo suspirar.
- Não faça muito barulho. – Disse assim que se sentou no sofá com o nariz colado no meu. – Não queremos acordar , certo? – Puxou meu lábio inferior entre seus dentes.
- Certo. – Respondi depois de dar alguns selinhos nele.
Senti as mãos de invadir minha blusa enquanto iniciávamos um lento beijo. Ele acariciou minha cintura e me puxou mais para perto dele, suspirei sentindo novamente os beijos molhados em meu pescoço. Senti o membro crescer embaixo de mim e rebolei em seu colo, procurando por um contato que as roupas nos impediam de ter.
Levei a mão até a barra da blusa dele e a puxei para cima, distribuindo beijos e mordidas no seu tórax logo em seguida. Saí de seu colo e me ajoelhei no chão, continuando os beijos até o cós de sua calça e me levantei, voltando a sua boca. Ainda o beijando, desabotoei sua calça e ele desviou as mãos de minha cintura para me ajudar a tirá-la, suas mãos voltaram a minha cintura, mas logo desceram até o botão da minha calça, dando a ela o mesmo fim que a sua.
sorriu quando ao deslizar a mão por dentro da minha calcinha, alcançando meu clitóris, me fez gemer contra sua boca. Sugou meu lábio, enquanto continuava a pirraçar com meu clitóris, me fazendo usar sua boca como escapatória para não gemer alto.
parou de me masturbar e trouxe seus dedos até a minha boca, fazendo eu chupá-los, logo depois ele me puxou para um beijo sorrindo depois disso e falando:
- Eu estou louco para sentir seu gosto. – Tentou me puxar, mas eu neguei com a cabeça e tirei suas mãos de mim.
- Você disse que a próxima vez seria minha. – Sorri de volta para ele que semicerrou os olhos. – Cumpra seus tratados, . – Falei fingindo estar brava.
- Você não me parece nem um pouco decepcionada por eu ter quebrado nosso trato. – Sussurrou e levou a boca até o meu pescoço me dando um chupão. – Na verdade, – Chupou meu lóbulo esquerdo. – Se me lembro bem, você que se ofereceu para quebrá-lo.
- Cala a boca. – Eu empurrei seu ombro o fazendo rir.
Empurrei sua cueca para baixo enquanto iniciávamos um novo beijo e passei a mão por seu membro totalmente rígido, começando a masturbá-lo. suspirou contra minha boca, puxando os fios de cabelo da minha nuca com certa força, procurando aliviar a tensão.
Mordi meu lábio inferior e ajoelhei entre suas pernas, senti a respiração de falhar na mesma hora que coloquei seu membro na minha boca. Chupei primeiro a cabeça e depois desci, engolindo o máximo que conseguia, fazendo-o soltar um gemido rouco. Voltei a repetir o movimento e levou uma das mãos até meu cabelo ditando como ele queria e eu obedeci. Olhei para cima, encontrando-o com uma expressão completamente extasiada, mordendo o lábio inferior com a cabeça apoiada no sofá.
Depois de um tempo, tentou me puxar para cima, avisando que iria gozar, mas eu empurrei sua mão e continuei chupando, mesmo depois dele gozar. Sorri quando ele escorregou sua mão até meu rosto, fazendo um leve carinho com o polegar enquanto se recuperava. Me levantei e sentei no colo dele novamente, distribuindo leves chupões pelo seu pescoço. Subi, com beijos, pela sua mandíbula me encaminhando até sua boca e lhe dei alguns selinhos.
esfregou seu nariz com o meu e iniciou um beijo calmo ao passo que levantava minha blusa e tirava meu sutiã. Ele começou a acariciar meus seios, ainda me beijando, e eu o senti inchar embaixo de mim novamente, o que me fez rebolar, louca para senti-lo dentro de mim.
- Não quero mais esperar. – Pedi manhosa e rebolei de novo quando ele mordeu o bico do meu seio direito.
Ele levantou a cabeça, me olhando nos olhos, e assentiu para mim, me fez levantar e desceu minha calcinha pelas minhas pernas. segurou seu membro e eu me sentei sobre ele, fechando os olhos e mordendo o lábio para suprimir o gemido de satisfação.



Acordei sentindo um incomodo nas costas e entendi o motivo ao abrir os olhos, tínhamos dormido no sofá. Tentei sair de debaixo da que ainda estava dormindo sem acordá-la, mas não fui bem-sucedido, ela abriu os olhos, olhou para a janela e os arregalou em seguida, levantando em um pulo.
- Que horas são? – Perguntou e eu olhei o relógio em meu pulso.
- Meio dia e trinta e quatro.
- Ai puta que pariu. Estou muito atrasada. Já era para estar a caminho do trabalho. – Choramingou. – Merda.
Observei caminhar até o quarto e voltar com um vestido e no colo. Ela olhou para mim e revirou os olhos, se abaixando e catando minhas roupas que depois jogou em cima de mim.
- Coloca a merda da roupa.
botou na cadeirinha de alimentação e foi na cozinha. Coloquei a roupa com uma preguiça colossal e quando terminei ela já estava com uma papinha e uma colher, dando comida para .
- Se arruma que eu dou para ela. – Falei já pegando a colher de sua mão e ela fez um bico.
Eu já tinha reparado que ela fazia esse bico toda vez que estava pensando.
- Anda, . – Empurrei ela com o quadril e ela assentiu.
Com menos de quinze minutos, a mulher já estava de volta, penteando os cabelos enquanto me olhava colocar para arrotar.
- Ela chorou? – Perguntou e eu franzi a testa. – De manhã. Você acordou com o choro dela? – Neguei com a cabeça e ela bufou caminhando para perto de mim. – Lindíssima, quando eu realmente preciso acordar cedo ela fica quietinha no berço. – Ralhou com a menina que continuou apoiada no meu ombro como se nada tivesse acontecendo. – Só dando no seu focinho, Coulson. – Deu um tapinha na testa dela e ela riu.
- Você quer que eu te leve para o trabalho?
- Se não for incomodar.
- Não vai. – Ela assentiu sorrindo e pediu obrigada.
Sumiu para o quarto de novo e voltou com a mochilinha de em mãos junto com sua própria bolsa.
- Vamos.
- Você não vai comer nada? – Ela negou com a cabeça.
- Estou atrasada, .
- E a cadeirinha da ?
- Ela fica com a minha vizinha.
- Vamos. – Apontou para a porta já aberta e eu assenti.
Levei a mão no bolso para conferir se estava com tudo ali e andei para o corredor, veio atrás de mim, mas parou na porta seguinte.
- Oi, dona Rosária. – Disse sorrindo quando uma senhorinha atendeu.
- Eu estou muito atrasada e não tive tempo de dar banho na . – Entregou a mochilinha dela. – Eu vou deixar minha chave com a senhora e a senhora faz isso por mim, por favor? – Pediu e a moça assentiu com um sorriso.
- Claro, meu amor. – pegou de meu colo e entregou para ela.
- Tchau, filha. – Se inclinou dando um beijo na bochecha da menina. – Eu te amo. – Disse por fim e puxou minha mão em direção à saída.
Destravei o carro e logo entrou, me apressando e soltando um estressado: “dirige, ”. Demoramos um pouco para chegar ao nosso destino, graças ao trânsito, o que fez com que bufasse de cinco em cinco minutos.
- O Caio não é seu compadre? – Ela assentiu. – Então você não precisa estar tão nervosa assim. Ele é o dono da loja, certo?
- Isso não é motivo para eu não ser profissional.
- Bom, ele não te buscou ontem. – Lembrei e ela riu.
- E não respondeu minhas mensagens até agora. – Respondeu e conferiu o celular. – Acabou de responder. – Bufou.
- E aí?
- O celular deve deu pau e ele não sabia o endereço de cor. – Revirou os olhos. – Por que não pediu a mãe ou a Maju para me ligar?
- Bom, chegamos. – Disse parando na frente da loja e assentiu.
- Obrigada. – Tirou o cinto de segurança e eu destravei as portas. – Tchau, . – Abriu a porta, mas eu segurei seu braço.
- Você gritou comigo, tacou a roupa na minha cara, bateu a porta do meu carro e agora não vai me dar nem um beijo? – Perguntei fingindo indignação e ela riu.
Ela puxou a porta do carro, fechando-a de novo e se inclinou na minha direção, me dando um selinho.
- Isso é tudo que você merece por hoje. É sua culpa que eu esteja atrasada. – Ralhou e saiu do carro me fazendo rir.


Epílogo

- Gabe, pega a lancheira da sua irmã. – pediu e o garoto assentiu. – Seu pai vai levar vocês para a escola? – Perguntou e o garoto assentiu novamente. – O gato comeu sua língua? – Semicerrou os olhos para ele quando ele deu mais uma balançada de cabeça.
Depois daquele dia, e deixaram o medo de lado, passando a se encontrar sempre. Então fizeram outro acordo, seria uma amizade colorida e secreta por quanto tempo durasse, mas, em menos de duas semanas, quebrou o acordo, apresentando-a como namorada para seus pais. ficou desesperada com medo do que os sogros pensariam daquilo, afinal de contas era 10 anos mais velho que ela, mas, felizmente, eles a amaram.
Eles decidiram que tudo bem mudar o status do Facebook para relacionamento sério e decidiram continuar assim, sem medo, até quebrar o acordo dizendo para que o amava – o que ele prontamente retribuiu. Logo depois foi a vez dele de quebrar novamente o acordo a chamando para morar com ele; com a desculpa de que era bem mais próximo do trabalho dela e da faculdade, fora que era cansativo ter que ficar indo até a casa dela sempre.
No meio disso, conseguiu a guarda de Gabriel, Jennifer tentou recorrer alegando, para a justiça, o relacionamento de e , mas foi ignorada.
E então o acordo foi quebrado de novo. Dessa vez pelos dois. Depois de pedir a que deixasse ele registrar como sua filha, dizendo que ele amava a garota tanto quanto a amava, a mulher o pediu em casamento. Na lata. E ele aceitou. Após isso, casaram-se em dois anos, tempo o suficiente para terminar a faculdade e organizar o casamento perfeito do jeito que queria – grande e chique, descobriu que era um dos sonhos dela e fez questão de realizá-lo.
Por fim, decidiram começar com a empreitada de aumentar a família.
- O que tem de café da manhã? – perguntou assim que entrou na cozinha fazendo a esposa vincar as sobrancelhas.
- Nada. – Respondeu simples e foi a vez dele de vincar as sobrancelhas.
- Ué.
- Ué o que? Eu tenho que trabalhar, você achou que eu ia fazer café da manhã para o dondoco porque você acordou tarde? – Arqueou as sobrancelhas e riu negando com a cabeça.
- Me explica porque me casei com você? – Perguntou observando a mulher fechar a lancheira dos filhos.
- Porque você me ama, . – Respondeu e passou por ele em direção à sala.
colocou a lancheira na mochila de rodinha da filha e entregou a de Gabriel em suas mãos, voltando para a cozinha após isso.
- Se eu bem me lembro, a culpa d’eu acordar atrasado é sua. – proferiu com um sorriso ladino.
- Bom, eu estou de pé, certo? – Mexeu as sobrancelhas e colocou as mãos na cintura. – E já tomei banho, café da manhã, acordei as crianças, alimentei e arrumei para a escola. – Enumerou nos dedos e riu.
O homem se inclinou, laçando com os braços a cintura da mulher e a puxando para um beijo molhado.
- Eu realmente te amo. – Disse sorrindo contra a boca dela e ela sorriu de volta.
- Eu também te amo. Agora corre porque você ainda precisa levar as crianças para a escola. – Falou e ele acenou com a cabeça.
pegou apenas uma maçã para não ficar com a barriga vazia e gritou pelos filhos, já passando a mão na chave e na carteira, deu mais um beijo em e saiu para a sala.
- Pai, me leva nas costas. – pediu de braços levantados.
riu da cara que o marido fez, mas, como sempre fazia as vontades da filha, se abaixou virando as costas para ela e ela pulou nele com um sorriso enorme. Gabriel, que também era um trouxa pela irmã, passou a mão pela mochila de rodinhas da menina, a puxando para fora.
- Tchau, mamãe. – acenou com a mão que não segura os ombros do pai e acenou de volta.
- Tchau, minha filha.
- Tchau, mãe. – Gabe correu até a cozinha para dar um beijo na mãe.
- Tchau, meu príncipe. – Ela respondeu sorrindo.
Sentia seu coração aquecer com Gabe a chamando de “mãe”. Ela nunca se acostumaria com isso, sempre seria um presente para ela ser considerada pelo garoto.
concluiu sua rotina matinal. Pegou sua pasta, as chaves de seu carro – sim, agora ela tinha um – e foi até a garagem, de onde partiria para o escritório de advocacia que ela trabalhava há um ano. Ela tinha um ótimo horário, entrava às 13h e saía às 17h, às vezes precisava ir até as sete da noite, mas não se importava, amava o que fazia.
Naquele dia, tendo saído no horário certo, passou na escola para buscar as crianças, mas quando isso não acontecia bastava mandar uma mensagem para sua sogra, Caio, Maju ou até mesmo Simone que eles fariam isso por ela. Chegou em casa com os zumbidos no ouvido, já que seus filhos não paravam de gritar e cantar no carro e correu para preparar um lanche para os dois antes que começassem a gritar pedindo por isso.
- Mãe. – Biel chamou sentado à mesa, tomando a atenção da mulher que lia sobre um caso.
- Fala. – Incentivou vendo que ele permanecera calado.
- Eu vou te contar um negócio, mas a senhora não pode brigar comigo. Tá bom? – Pediu e a mãe arqueou uma das sobrancelhas. – Promete? – Ele insistiu.
- Não prometo nada, Gabriel . O que você fez? – O garoto bufou.
- Eu levei uma advertência. – Contou nervoso.
- Você o que? – A voz de levantou algumas oitavas.
- Foi minha culpa. – falou baixinho olhando a mãe. – Não briga com ele.
- Não foi nada. – Ele defendeu a irmã. Os dois eram assim desde sempre.
- O que aconteceu? O que está escrito na advertência?
- Eu bati em um garoto. – arregalou os olhos.
- Você o que? – Repetiu com a voz ainda mais elevada. – Por que você fez isso, Gabriel?
- Ele fica implicando com a , mãe. – Falou como se isso explicasse tudo. – Eu já tinha avisado a ele que se ele não parasse, eu ia bater nele. – Deu de ombros como se fosse a melhor saída.
- Você não tem que bater em ninguém, Gabriel , mesmo que seja para defender sua irmã. Você tem doze anos, praticamente acabou de ter idade para sentar no banco da frente, imagina bater em alguém! Meu Jesus! – A mais velha se sentia prestes a colapsar. – Eu vou deixar passar, Gabriel, mas apenas dessa vez, está me escutando?
- Sim. – Sussurrou.
- Da próxima vez, você avisa para algum coordenador, inspetor ou professor o que está acontecendo. Isso serve para você também, dona . – Apontou para a filha que assentiu. – Ou então conta para mim ou seu pai que nós resolvemos. Estamos entendidos?
- Sim. – Os irmãos responderam juntos.
- Ótimo. – Encerrou o assunto.
- Desculpa, mãe. – O menino sussurrou de novo, completamente envergonhado, e a mãe suspirou.
- Está tudo bem, Biel, já passou. Só não quero que se repita. Vai buscar a advertência que eu assino e seu pai nem precisa saber sobre isso, okay? – O menino balançou a cabeça concordando e correu até a mochila, logo voltando com o papel e uma caneta. – Pronto. – Entregou de volta para ele e deu um beijo em sua testa. – Vou tomar um banho. Se comportem! – Avisou. – Coloquem os pratos na pia depois de acabar. O controle da TV está lá no quarto da , porque o dela quebrou.
O resto do dia se passou sem problemas e quando chegou em casa todos já estavam dormindo, inclusive sua esposa. Ele tomou uma ducha rápida e se juntou a ela na cama. acabou acordando com a movimentação do marido.
- Chegou tarde. – Disse sonolenta e ele fez uma careta.
- Tive que substituir um amigo. – Ela acenou e sorriu com os olhos pesados pelo sono.
- Eu queria fazer uma surpresa, mas acabei dormindo.
- Que surpresa? – Perguntou fazendo um carinho na bochecha dela.
- A ideia era te seduzir para transar comigo e quando você tirasse minha blusa ia se deparar com uma foto colada na barriga. – riu.
- Que foto? – Ela levantou um pouco, tateando o criado-mudo atrás do marido e pegou o que queria.
- Essa. – Mostrou para ele o pequeno quadrado que continha a imagem de um ultrassom.
arrancou a foto da mão dela e sentou-se na mesma hora ligando o abajur. Olhou para a foto por alguns segundos tentando raciocinar. Eles vinham tentando aquilo por muito tempo, mas tinha descoberto cistos no ovário e estava com problemas para engravidar.
- É o que eu estou pensando? – Perguntou olhando para a esposa que sorriu.
- Bom, se você está pensando que vamos ser pais de novo. Sim, é. – Respondeu, ainda deitada, como se não fosse grande coisa e viu os olhos do marido brilharem. Ele deixou algumas lágrimas caírem logo depois. – Eu já tinha me livrado dos cistos há algum tempo, mas queria fazer surpresa. – Deu de ombros.
O homem colocou a foto de volta no criado-mudo e se jogou em cima dela a enchendo de beijos.
- Eu amo você mais que tudo nessa vida. – Falou, ainda em cima dela com os braços apoiados no colchão para não a amassar, enquanto fazia um carinho em seu rosto e dava mais alguns beijos.
- Eu também. – Sorriu largamente.
se jogou para o lado, deitando de frente para a esposa e sorrindo feito um bobo. se virou de costas para ele, puxando seu braço para abraçá-la e fechou os olhos, genuinamente feliz, sentindo o leve carinho que ele fazia em sua barriga. Sem acreditar que um imprevisto com a babá de tinha feito tudo aquilo por eles, dormiram.




Fim



Nota da autora: Antes de mais nada, queria pedir perdão as leitoras de AICS, porque eu estou escrevendo fics novas ao invés de atualizar a antiga...........
E, agora... Caralho, eu amo essa fic. Eh isto!
Sou encantada para um caralho neste pp e amei escrever essa história (eu comecei e terminei ela em dois dias!!!).
Espero muuuito que vocês tenham curtido e, por favor, comentem <3
Queria, também, agradecer MUITO a essa beta maravilhosa aka Thay Sandes por ter betado essa fic e ser um ANJO na minha vida <3 <3 <3
Caso se interessem, agora tenho um grupo no facebook para falar sobre qualquer coisa que vocês queiram e avisar sobre novas fanfics. Ele é bem pequenininho ainda, mas espero vocês :)



Outras Fanfics:
AICS - [Restritas - Seriados/Em Andamento]
06. Rainbow - [Ficstape #122 Jessie J - Who You Are]
Burned - [Restritas - Esportistas/Finalizada]

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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