Última atualização: 25.11.2018

Capítulo 1

"Eu nunca soube de um assassino que não tem medo de fantasma."
(John Philpot Curran)



(Miami)
15/12 – 3:45AM – 's House


acordou com o barulho irritante do celular. Pegou e sem ao menos olhar o visor atendeu.
- ? Aqui é o Caine. – Escutou a voz do parceiro de trabalho do outro lado da linha e teve vontade de chorar.
- Estou de folga, Caine, me deixa. – pediu choramingando.
- Sinto muito, querida, preciso de você. – A mulher respirou fundo, já se levantando.
- O que houve? – Perguntou entrando no banheiro e colocando o celular no viva-voz.
- Carro na Vigésima Quinta, Nordeste.
- E o que eu tenho a ver com isso?
- ... – Ela ouviu a repreensão e suspirou novamente.
- Ok, Caine, estou a caminho.

15/12 – 4:17AM – Miami Beach

se sentia naquele constante "joguei pedra na cruz". Não era possível que, nem mesmo no dia de sua folga, ela poderia ter um descanso. Valha Deus!
Pelo endereço que Caine tinha falado, o suposto crime tinha acontecido em algum beco perto da linda e famosa praia de Miami. Que ela se recusava a entrar. O tanto que corpos que já tinham achado lá...
Estacionou o carro há uns 20 metros de onde viu o alvoroço e desceu batendo a porta. Com força. Andou pela calçada da praia apertando o casaco ao seu redor.
Mais alguns passos e avistou Caine conversando com uns policiais.
- Estou aqui, querido, o que temos até agora? – Perguntou, olhando o senhor charmoso e loiro ao seu lado.
- O carro foi encontrado por aquele homem – Fez menção com a cabeça. – E aparentemente se encontra em perfeitas condições. Tirando o sangue por todo lado. Delko está te esperando para falar com a testemunha. Você sabe... Ele não consegue ser durão como você. – Horatio piscou para ela.
- Tudo bem. Qualquer coisa...
- Eu sei, eu sei. Nos encontramos na cama. – Disse e riu.
- Não é que você aprendeu? – o acompanhou na risada.
Atravessou a pista principal, saindo da orla, e caminhou até o beco onde o carro havia sido encontrado. Ele ficava numa rua transversal a principal, era estreito e escuro, apenas para caçambas de lixo, escadas de emergência. E um carro cheio de sangue, claro.
- Ajuda, Delko? – Chegou perto do cubano.
- Estava te esperando. – Eric sorriu desviando a atenção de qualquer assunto com a testemunha e olhando para ela.
- E aí, qual o nome do sujeito? – Perguntou olhando o homem que tinha encontrado o carro.
O cara era consideravelmente baixo, tinha aparência de alguém do Oriente Médio, uma barba rala, pele queimada, olhos castanhos e o cabelo bem escuro. Estava vestindo uma touca preta em perfeito estado, assim como o casacão, os jeans e os tênis, no entanto eram surrados.
- John Martin. – Delko respondeu.
- E o que o John estava fazendo aqui essa hora? – Eric ia responder, mas John foi mais rápido e o cortou.
- Eu estava voltando do bar. – Eric enrugou as sobrancelhas e a agente teve certeza que a mente diabólica dele começou a trabalhar como a dela.
- Você está mentindo?
- Não, não estou. – Ele respondeu olhando fixamente para Delko, enquanto apertava o casaco contra o corpo.
- Já procurou ele no banco de dados, Delko?
- Ainda não.
- Então vamos ver isso. John, o senhor se incomodaria de nos acompanhar? – Perguntou porque era como o treinamento mandava.
- Como se eu tivesse escolha. – Ele murmurou enquanto seguia Delko, que riu.
- Calleigh, pode tirar as digitais do sujeito para mim, por favor? – Delko indagou a colega de trabalho e sua namorada.
- Claro, - Duquesne respondeu colocando as luvas. – Mas, da próxima vez, lembre-se que estamos no trabalho e aqui eu sou a agente Duquesne. – Sussurrou sorrindo.
- Ok, Duquesne. – Falou devagar, como se separasse as sílabas e riu da bobeira deles.
Calleigh separou os documentos que estava mexendo e abriu a maleta que tinha nosso laptop com scanner, limpou as digitais de John e passou na tela. Uma. Duas. Três vezes. Cada dedo e cada palma.
- Já sabem a surpresa que estava com o nosso amigo? – Calleigh colocou um sorriso cínico no rosto olhando para o homem. John desviou o olhar.
- Que surpresa? – e Delko perguntaram juntos.
- Um saco com um pó suspeito... Eu diria cocaína.
- É para uso próprio. – John se defendeu rapidamente, mas Calleigh deu o sorriso mais sarcástico do mundo.
- Se eu ganhasse dinheiro cada vez que escutasse essa desculpa, eu não precisaria estar aqui, recolhendo suas digitais às quatro da manhã e te explicando que se aquilo tudo que tinha no saco era mesmo para uso próprio, daqui a um mês você estaria em um saco. Por overdose.
- Você não me parece um dependente químico. – se intrometeu.
- Isso não te diz respeito, você parece gostosa, mas eu não disse nada. Até agora. – A agente revirou os olhos.
- Ele quer incluir assédio e desacato na ficha dele. – Delko puxou o homem pelo braço e colocou na parte de trás da viatura.

15/12 – 6:00AM – Sede do AICS

- Quando foi que eu passei de testemunha a suspeito? – John indagou assim que entrou na sala de interrogatório com Delko.
- Álibi falso, o porte de drogas confirmado e ter achado um carro cheio de sangue somado a isso. – Eric enumerou nos dedos enquanto se sentava. preferia ficar em pé, próximo a porta que era para onde os suspeitos sempre olhavam. Dava uma visão mais ampla deles.
- Não se esqueça de todas as mentiras contadas. – acrescentou.
- Que mentiras? – O homem juntou as sobrancelhas e sorriu.
Saiu do seu lugar e levou até ele a pasta que tinha nas mãos com seus exames.
- Seu exame de sangue deu que você está limpo, nada de cocaína, e você se diz usuário.
- Tem um tempo que eu não uso. – Ele foi rápido em responder.
- Quanto tempo?
- Uma semana.
- Mais uma mentira. – Delko se curvou apoiando os braços na mesa. – A cocaína demora, no mínimo, duas semanas para sair do seu organismo.
- O bar que você falou, onde fica? – indagou, mas ele não respondeu. Voltou para o seu posto próximo a porta. – O bar mais próximo de onde você estava fica a dois quilômetros, você realmente andou isso tudo? – Sem reposta novamente. – Eu devo pontuar seu comportamento, John – Pausou olhando ele se remexer na cadeira. – Atitude inquieta, falas curtas, o contato direto, olhando sempre nos olhos... Sabe quem age assim? Pessoas que estão mentindo. Culpados.
- O fato de não querer papo com policiais que estão tentando me incriminar e responder olhando nos olhos, agora, me torna um culpado?
- Basicamente. Seres humanos têm essa coisa de não saber lidar com o outro muito bem, então quando estamos em uma conversa usual não olhamos nos olhos, mas quando estamos mentindo – A agente abriu os braços e sorriu. – Aí, sim, nós tentamos passar confiança com esse olhar.
- Isso não se aplica a todo mundo.
- Mas é claro que não, John – Eric se encostou na cadeira e apoiou um braço na que estava ao lado. – Não poderíamos te manter aqui só por isso. Nós temos a sua ficha criminal. E adivinha o que eu descobri? Porte de arma, associação ao tráfico e suspeito de um homicídio. Então o que você tem a dizer?
- Eu quero um advogado. – John olhou para a porta e mexeu as mãos nervosamente.
- Mas é claro que você quer. – sorriu ironicamente enquanto saía da sala para contatar a defensoria pública.


Capítulo 2

“Quanto mais longe você olhar para trás, mais à frente conseguirá ver.”
(Winston Churchill)



15/12/14 – 6:20AM – AICS’s Head Office

- Nat, meu amor, bom dia! – disse assim que entrou no laboratório da amiga.
- Hmmm... Bom dia, raio de sol. – Natalia retribuiu a amiga.
- Você já viu se alguém deu queixa de roubo do Porsche?
- Wolfe tinha me dito que veria isso, então nem me preocupei. Estou analisando as fibras encontradas. – BoaVista balançou um vidro de teste na frente do rosto.
- Alguma coisa interessante? – Se posicionou ao lado da amiga olhando a tela do computador.
- Até agora, nada. Só algo relacionado a coco e algodão. Separadamente, claro.
- Okay. – suspirou. – Me deixe saber se você encontrar algo.
- Tudo bem. – A morena sorriu meneando a cabeça positivamente. – Ah! ! – BoaVista chamou quando a outra já quase saía da sala. – Caine quer falar com você.
- Vish! O que será que eu fiz dessa vez? – fez careta.
- Organizou demais os casos, só se for isso. – Respondeu já se virando e voltando a analisar os resíduos, sem perceber a língua que a outra agente havia lhe mostrado.

saiu em direção ao escritório de Caine, antes passando na sala de buscas para conferir se Wolfe tinha alguma notícia do Porsche, mas o lindão dos olhos cor de mel – ou verde, ainda não tinha decidido – não tinha encontrado nada.
Chegou a porta do chefe e bateu, entrando quando ouviu um “entra”.
- Queria falar comigo? – A sentou na cadeira de frente para o chefe.
- Você vai ter que testemunhar no tribunal no caso do Lockjaw Club. Eu não quero ouvir reclamações. – Informou logo que viu a agente escorregar na cadeira, jogando a cabeça para trás e fazendo uma cara forçada de choro.
- Mas, Caine... – Prolongou o nome do chefe.
- Sem “mas”, , você é a única agente primaria que estava no caso e vai ter que ir ao tribunal.
- Eu não entrei no AICS para ficar tendo que ir ao tribunal. – A mulher continuou reclamando e Caine revirou os olhos.
Ele sabia que ela odiava ir ao tribunal, a conseguia atirar como ninguém, mas falar em público não era o seu forte.
- Eu também não entrei aqui para lidar com crianças birrentas, mas veja só minha situação. – Arqueou as sobrancelhas e abriu os braços. A mulher logo se ajeitou na cadeia olhando o superior com os olhos semicerrados.
- Me respeita, Horatio. – Disse inconformada e ele riu. – Porque você não dá uma chance aos agentes do outro grupo que trabalharam no caso? É bom para eles se destacarem. – Horatio revirou os olhos de novo respirando fundo.
- Não sei se a senhorita se lembra, mas temos uma ordem a seguir.
- Eu não segui essa ordem, - ela lembrou. – Fui logo ao primeiro grupo. – Cruzou os braços com um bico no rosto, típico de uma criança, e fez Caine rir.
- É, mas eu virei chefe para mandar, então estou mandando. Quando você virar chefe pode decidir o que fazer. – Piscou para ela que retribui com uma careta e um “esnobe”. – Agora, volte para o caso do Porsche e vai trabalhar, porque estamos terminados.
- Você é um ogro. – reclamou. – Eu vou trocar de departamento. – Continuou, mas o chefe nem deu atenção, apenas murmurando um “como se você conseguisse me abandonar”, que ela prontamente respondeu com “um dia eu vou”. – Aliás, não temos nada do caso do Porsche. Natalia não achou nada relevante nas fibras, Wolfe não achou nenhuma queixa de roubo...
- E todo aquele sangue no carro? Acho que é um bom lugar para começar, não?
- Está na conta da Valera.
- E nossa testemunha-suspeito?
- Se escondendo atrás do advogado. – Respondeu e o homem loiro juntou as sobrancelhas. – Ele tem uma ficha de quinze quilômetros de comprimento, dez de largura e dois de profundidade. – Caine riu.
- Traduzindo... ele não vai falar nada. – assentiu se levantando.
- Para quando está marcado o julgamento da Lockjaw?
- O arquivo está na sua mesa, querida. – Ela balançou a cabeça andando até a porta.

A foi em direção a própria sala ainda com raiva de ter que depor naquele julgamento.
Caine sabia que ela odiava falar em público, principalmente em tribunais que exigia falar de seu trabalho na frente dos papa-erros, mais conhecidos como advogados de defesa. Ela gostava do que fazia e sabia que fazia bem, mas não tinha toda essa confiança exagerada em si mesma.
Pior que isso só quando ele a colocava para dar coletivas de imprensa.
A única pessoa que conhecia que tinha essa confiança para falar em qualquer lugar, ou pelo menos aparentava ter, era Horatio. Um dia ela chegaria lá.
Sentou-se na cadeira e olhou o arquivo dentro da pasta kraft parda que tinha “BOATE LOCKJAW” em letras de máquina na capa.

INCÊNDIO LOCKLAW CLUB
Data: 27 de janeiro de 2013

Causa: Irregularidades no local
Vítimas: 242 mortos e 630 feridos
Réus: Elissandro Spohr e Mauro Hoffman (homicídio doloso; tentativa de homicídio), Moises Fuchs (fraude processual e tentativa de homicídio), Luciano Bonilha (falso testemunho)

Juiz encarregado: Ulysses Louzada

sentia vontade de chorar toda vez que lia sobre aquele caso, dezenas de pessoas mortas porque alguns bastardos preferiam não pagar pela manutenção do local.
A tinha a cena vívida na mente... Os corpos mortos pelo chão e os que não morreram por pouco, o cheiro de carne queimada, pais chorando sem parar ao saber que seu filho estava entre as vítimas, os telefonemas de pessoas que ela nem conhecia, mas que teve que atender para dar aquela infeliz noticia e chamar para reconhecer os corpos.
Foi uma das poucas vezes que a agente desabou e foi amparada por Caine e Wolfe, chorando por pessoas que ela nunca tinha visto.
Não era nem um pouco fácil ser um AICS.
tinha certeza de que não teria problemas com os advogados de defesa de Elissandro e Mauro, afinal eles eram donos da boate e não tinham como se salvar de toda a merda. Luciano também seria tranquilo, o cara deu um testemunho falso e estava respondendo em liberdade. Mas já sentia dor de cabeça só de pensar em como lidaria com os advogados do bombeiro Fuchs.
Aquele bastardo. Principalmente porque eles a acusariam de ter batido no bombeiro. O que não era mentira, mas ele mereceu. O babaca estava mexendo no local para tentar se safar, já que ele que fazia a inspeção da boate. A única parte que a agente gostava de se lembrar daquele dia foram os – poucos, porque Wolfe logo veio segurá-la – socos e chutes que ela deu no bombeiro, enquanto gritava que era trabalho dele zelar por aquelas vidas. Foi nessa hora, inclusive, que ela desabou.
continuou folheando o arquivo para dar uma olhada nos detalhes e quando seria o próximo julgamento. Descobriu que não precisaria lidar com o guitarrista do falso testemunho, pois ele já tinha sido julgado, tendo que pagar uma multa e fazer trabalhos voluntários, e estava indo apenas como testemunha e que o julgamento seria dali a 5 dias. No dia que ela tinha marcado de sair para fazer compras de Natal com a melhor amiga... Ótimo! iria matá-la.

15/12/14 – 6:30PM – ’s House

- Eu tenho uma notícia para te dar. – começou a falar com a amiga, já devidamente jogada no sofá. Ela mal tinha chegado em casa quando lhe ligou, parece que pressentia.
- Lá vem. – A amiga suspirou. – Fala.
- Não vou poder sair com você para as compras de Natal. – Soltou de uma vez espremeu os olhos e a boca numa careta já sabendo do esporro.
- Ah não, , de novo não. reclamou com a voz mais fina que o normal. – Você prometeu.
- Eu sei, eu sei, mas não é minha culpa. O Caine me intimou a ir ao tribunal e... – Foi interrompida pela amiga.
- Você está sempre me largando por causa dessa merda desse trabalho. – Reclamou com a voz chorosa.
- Falou a top model que nem em Miami mora mais.
- Eu moro aqui, sim. Estou aqui, inclusive, de férias e você não veio me fazer uma visita. E agora ainda está desmarcando comigo.
- , sem drama. A gente pode ir outro dia.
- Que dia, ?
- Qualquer um, ué. Um dia antes, um dia depois...
- Como se você tivesse de folga. – Resmungou rabugenta.
- Bom, aproveita que por enquanto eu não estou com casos, o único que eu tinha provavelmente será arquivado.
- Conta mais sobre. disse animada. Reclamava, reclamava, mas amava o trabalho da amiga.
- Achei que você achasse meu trabalho uma merda. – zombou.
- Conta logo e cala boca. – Falou impaciente.
- Mas é para contar ou é para calar a boca?
- Vai se foder e conta logo, por favor. riu.
- Tá, mas não tem muito o que contar... Achamos um carro, muito sangue, a testemunha virou suspeito e já é acusado de homicídio, enfim... Realmente nada demais.
- Tá se mordendo por dentro, não tá? – Pasternak riu.
- É claro que eu estou. – começou injuriada. – Eu simplesmente odeio quando isso acontece, odeio não ter respostas.
- Mas não acharam nada com o sangue? E a placa do carro?
- O carro está sem placa e até a hora que eu saí de lá não tinha combinação para o sangue.
- Saco.
- Saco!
- Mas e aí? Não rolou nada com o Wolfe ainda?
- Pasternek, - começou com a voz já cansada. – Quantas vezes eu vou ter que te falar que eu não vou pegar o Ryan?
- Até a hora que você pegar e eu falar “eu te avisei”.
- Não vai rolar.
- Está bom. respondeu debochada.
- Eu tô dizendo que não vai.
- E eu tô dizendo que está ué.
- Você nã... Ah, foda-se, , pense o que quiser. – desistiu fazendo a amiga rir.
- Ele é super a fim de você.
- Ele quer me levar para cama, você diz.
- Tem diferença? riu. – Ele é gato, você é gata. Ele está solteiro, você está solteira. Ele te quer, você está precisando transar... Vai dar teia. cantarolou a última parte.
- Eu vou ignorar e só direi, desiste disso, ele é meu colega de trabalho, não vai rolar.
- Já peguei muitos colegas de trabalho e estou inteira. - Inteiramente arrombada. – gargalhou e ouviu um “vai dar” da amiga que riu também.
- Mas a parte do arrombada é culpa do Eve. respondeu a amiga que riu.
- Como ele está? – Everett era o atual namorado de , com quem ela mais durou inclusive, e ela era louca por ele.
As duas continuaram conversando sobre como deveria dar uma chance para o Ryan e como Eve estava bem e era sensacional na cama. Falaram também do último trabalho que fez para a Victoria’s Secret e como ela tinha ficado sexy, até ter que desligar para ir dormir, pois no dia seguinte teria mais um longo dia de trabalho.

16/12/14 – 8:10AM – AICS’s Head Office

- Bom dia, queridos. – disse quando chegou a sala que dividia com os amigos fazendo um biquinho de beijo para todos.
- Veio se juntar aos mortais. – Delko zombou, já que era uma das poucas agentes que tinha, também, uma sala privada.
- De vez em quando faz bem respirar o ar comum. – Ela respondeu rindo.
- Metida. – Calleigh disse após dar um beijo na bochecha da amiga.
- E aí? Alguma novidade sobre o Porsche?
- Encontramos um DNA quase correspondente ao do sangue encontrado no carro. – Ryan se levantou da mesa com uma folha na mão para entregar à .
- Quase? – Enrugou a testa, mas entendeu quando leu a folha. – DNA mitocondrial bate com o de Jonathan Harris? Jonathan Harris, o Jonathan Harris? Assassinado pelo John? Filho do deputado? – olhou espantada.
- Ele mesmo! – Ryan respondeu.
juntou as sobrancelhas e deu alguns passos para trás para se apoiar na mesa.
- É uma perseguição a família, então? – ficou analisando tudo que sabia sobre o caso na cabeça.
- É o que parece. – Natalia se pronunciou pela primeira vez.
- Mas porque? John não está associado aos Harris de forma alguma, ou está?
- Aparentemente não. – Natalia respondeu mais uma vez. – Vamos ter que interrogá-lo.
- Não adianta. – Calleigh passou a mão nos cabelos. – Ele não vai falar nada. Principalmente agora que descobrimos que o sangue é do irmão do cara que ele está sendo acusado de assassinar. Ele está, praticamente, no corredor da morte.
- Mas se ele colaborar pode diminuir isso. – Natalia insistiu.
- Ou aumentar. E ele não vai correr esse risco de jeito nenhum. – suspirou.
- Então é isso? Beco sem saída? – Wolfe indagou.
- Ainda temos que achar o corpo de Joseph, o irmão do Jonathan. – Delko lembrou. – Quem sabe isso nos leve a algo.
- E onde iremos procurar? Não é o tipo de coisa que se anuncia na TV. Ou no Facebook. – Ryan pontuou.
- A gente vai dar um jeito. – falou. – Começando por falar com a família dele. Eles não comunicaram nenhum desaparecimento.

16/12/14 – 12:53PM – Harris’ House

e Eric Delko se encaminharam a casa dos Harris para interrogá-los, mas não gostava muito desse termo, para ela parecia que a família era suspeita e ela sempre deixava essa opção em último caso. A não acreditava que a família pudesse ser tão ruim com seus próprios membros, embora ela já tenha visto casos bem tristes relacionados a isso.
Os Harris eram uma família de grande influência na cidade, Alexander Harris, o patriarca da família, era um deputado federal muito famoso – fosse por seus grandes feitos ou por suas falcatruas –, assim como seu pai, também Alexander, uma vez fora. Bethany Harris, a mãe, era uma advogada reconhecidíssima, chegara a ter um programa na televisão, mas que logo acabou, pois, segundo a própria, estava sendo difícil conciliar a fama ao trabalho, mas as más línguas diziam que foi para cuidar do problema de drogas do filho mais novo. O casal tinha três filhos, Alexis, a mais velha que era arquiteta, Jonathan, que seguiu os passos da mãe e virou advogado, era um menino muito centrado por isso ninguém acreditou quando ele foi assassinado, e Joseph, o mais novo e que não queria nada com a vida além de farra.
Assim que chegaram à casa, tocaram o interfone anunciando que eram do AICS e logo foram liberados para entrar, sendo recebidos por Bethany.
- A que devo a visita? – A mulher de cabelos ruivos pintados perguntou enquanto abria caminho para os agentes entrarem.
- Estamos aqui por Joseph. – Delko respondeu a mulher.
- Joseph não está.
- Imaginamos que sim, por isso estamos aqui. – Bethany olhou de Eric para alternadamente sem conseguir raciocinar em nada para falar.
- A senhora tem notícias de Joseph?
- Não. – Respondeu já com a voz tremula.
- Não tem uma maneira muito fácil de dizer isso, senhora Harris... – começou. – Mas achamos que seu filho, Joseph, pode estar morto. Qual foi a última vez que ele veio em casa? Ele mora com a senhora, certo?
- Sim, mora. Ele... Ele veio em casa dia 13 e saiu por volta de meia noite com dois amigos para ir a balada. – A mais velha se desconcertou. – Desculpem, porque acham que meu filho está morto?
- Achamos um carro com sangue dele. Alguém da sua família tem um Porsche?
- Não. – A ruiva deixou o olhar se perder no quadro atrás dos agentes, uma pintura de todos, incluindo o cachorro da família. Ela não aguentaria perder mais um filho. – Eu... Eu não falei nada com a polícia porque Joseph sempre faz isso, sempre some, mas vocês já devem saber disso.
- A senhora saberia o nome desses dois amigos dele?
- Sim, claro. Conor McGregor e Nate Rodriguez.
- Conor, o lutador? – Delko indagou escrevendo no pequeno bloco de notas.
- Sim, ele mesmo. – Suspirou.
- Eles saíram daqui de carro?
- Sim, uma Mercedes SLR, acho que era do McGregor.
- E a senhora se lembra da placa?
- Não, mas posso tentar ver nas câmeras de segurança. – se perguntava como a mulher tinha pulso para se segurar tanto e não se derramar, ali, na frente deles, porque ela claramente estava se segurando.
- Poderia nos levar ao quarto de Joseph? – Delko voltou a perguntar.
- Sim, me acompanhem.
Eles foram até o quarto do menino, mas não encontraram nada que pudesse lhes dar uma pista. Na verdade, o quarto era praticamente intocado o que não era muito impressionante, já que ele quase não ficava em casa.
- Está bem, senhora Harris, muito obrigada pela sua atenção. – A agente apertou a mão da mulher. – A equipe entrará em contato para pegar as imagens da câmera de segurança e dar alguma notícia.

- Vamos ter que falar com a operadora para receber as gravações de ligação dele. – comentou enquanto eles voltavam para a sede do AICS.
- E vamos precisar de um mandado. – Delko bufou. Quando não se era amigo de nenhum juiz conseguir um mandado se tornava uma tarefa cansativa.


Capítulo 3

“Previu nosso destino, pelo decreto dos deuses, todos ouviram e ninguém acreditou.”
(Grimm)



16/12/14 – 2:20PM – AICS’s Head Office

- Algo novo, queridos? – Calleigh foi a primeira a perguntar assim que os agentes retornaram à sala.
- Bom, o que sabemos é que ele foi em casa pela última vez há três dias e saiu de lá acompanhado de McGregor e um outro amigo. – Delko respondeu a namorada.
- Em uma Mercedes SLR. – completou. – Sem placa no momento, mas a senhora Harris irá separar as imagens da câmera de segurança para nós.;
- Um minuto, - Wolfe interrompeu. – McGregor, o McGregor?
- Eu ia perguntar isso também, mas achei inoportuno. – Natalia comentou.
- Sabe que eu sou o cara das inoportunidades.
- Você é sem noção, Wolfe. – revirou os olhos, mas riu.
- Sim, é esse McGregor. – Delko começou e Natalia soltou apenas um “uau”, mas Wolfe interrompeu a conversa novamente.
- Eu vou interrogar ele.
- Você não vai nada. – disse sem ao menos olhá-lo.
- Voltando ao que importa, - Delko recomeçou e colocou a mão na boca do amigo. – Temos que chamar os dois amigos de Joseph aqui e conseguir um mandado para os telefones dele.
- Já vou avisando que eu não vou dormir com nenhum juiz para conseguir esse mandado. – BoaVista falou fazendo todos rirem.
- Ainda bem que eu sou compromissada. – Calleigh se juntou a amiga.
- Vai ter que ser você, . – Wolfe zoou.
- Você também está sobrando aqui, Ryan. – Calleigh cutucou o amigo.
- Me tira dessa.
- Ninguém vai ter que dormir com ninguém. – disse apoiando as mãos na mesa e fazendo cara de cansada. Os amigos eram bem crianças quando queriam.
Conseguir um mandado não era esse monstro de sete cabeças, a não ser que você fosse do AICS. Principalmente sendo do grupo primário de agentes que já ferrou com muito juiz que não prestava.
- É, ele já está morto mesmo, não vai ser difícil conseguir. – Ryan disse e levou um tapa de BoaVista.
- Natalia, você liga para o McGregor. Wolfe, com o Nate Rodriguez. – informou.
- Por que a tem que comandar a gente mesmo? – Wolfe pediu injuriado.
- Porque o Caine comandou ela comandar a gente. – Natalia respondeu.
- Odeio você. – O agente entonou semicerrando os olhos para e já saindo da sala.
- Posso viver com isso.
- Principalmente com você chamando ela para sair toda sexta à noite. – Calleigh zoou o amigo.
- Mais um motivo para eu odiar, ela sempre diz não. – riu e mandou um beijinho para ele que fingiu desviar.
passou o dia em sua sala particular revendo o caso da boate Lockjaw e as provas que tinha contra os acusados. A série de fatores que levou àquela atrocidade mostrava que os donos do lugar, juntamente com quem fazia a avaliação do local, não estavam ligando nem um pouco para as vidas alheias.

20/12/14 – 12:45PM – Wilkie D. Ferguson Jr. U.S. Courthouse

já estava no tribunal há exatos quinze minutos. A odiava esperar, mas também odiava passar uma má impressão, por isso chegou lá meia hora antes do julgamento começar, mesmo que só fosse entrar cerca de meia hora depois. Já estava completamente entediada – sentada nas cadeiras ao lado da sala 51A, onde aconteceria o julgamento – quando o telefone começou a vibrar em seu bolso.
- Alô?!
- Oi, querida. escutou a melhor amiga falar.
- No que posso ajudar, querida?
- Quero saber quando vamos fazer as compras de Natal, querida.
- Amanhã é um ótimo dia, querida.
- Que bom, querida. Espero que não desmarque de novo, querida.
- Não irei, querida.
- Acho bom mesmo. finalmente saiu do loop-querida. – Já está no tribunal?
- Infelizmente. – suspirou.
- Quer que eu te busque no fim?
- Estou de carro, mas obrigada.
- Eu te busco de Uber. – Pasternak insistiu e riu.
- Tudo bem, mas não sei que horas deve acabar aqui. E depois, também, terei que dar uma breve passada no meu quartel general.
- Ótimo, bom que eu dou uma surra no Caine. – Comentou como se falasse que ia comer pastel.
- Ah, claro! – zombou da amiga que murmurou um “eu sou forte, tá?!”.
- Chego aí por volta das cinco. - Tudo bem. Espero do fundo do meu coração que tenha acabado até lá. Beijos. – Finalizou a ligação após ouvir o “tchau” da amiga.

A mulher foi chamada pelo juiz uma hora depois. Esperou mais do que ela achou que esperaria, o que já lhe dizia que o julgamento seria cansativo.
entrou na sala e se posicionou na bancada que tinha próxima ao juiz, de frente para o público. Os primeiros seriam os donos da boate, Elissandro Spohr e Mauro Hoffman.
- Senhorita , para registro poderia falar o seu nome, profissão, residência e o interesse nesse processo? – O juiz Ulysses começou.
- Meu nome é Maria , sou uma cientista forense e resido na cidade de Miami. Não possuo nenhum grau de parentesco com o acusado e estou aqui para testemunhar em nome da AICS, contra o réu.
- A senhorita jura solenemente dizer a verdade, somente a verdade e nada além da verdade?
- Eu juro solenemente. – proferiu com a mão direita erguida.
- Senhorita , está ciente de que consiste em crime federal, com pena de reclusão de 2 a 6 anos mais multa, o falso testemunho?
- Sim, estou ciente.
- A senhorita confirma tudo explicitado nos autos?
- Sim, meritíssimo.
- Poderia nos explicar, então, qual foi a causa do incêndio de acordo com a perícia?
- A perícia concluiu que o incêndio ocorreu por diversos fatores. Desde o uso de pirotecnia em ambiente fechado a falta de equipamentos adequados na boate.
- Advogado de acusação está autorizado a interrogar a testemunha. – O juiz declarou.
- Obrigado, vossa excelência. – O advogado que estava de frente para se levantou abotoando um botão de seu terno.
O advogado, apresentado como Leon, era o tipo de ... O rosto com queixo quadrado, o cabelo engomadinho, os olhos verdes brilhantes. Ele só era um pouco alto demais, mas dava para relevar. Ela riu por dentro. Não o conhecia, mas estava disposta a conhecer.
- Senhorita , poderia explicar aos jurados detalhadamente o que causou o incêndio e consequentemente a morte de mais de 200 pessoas?
- Bem, como já disse, a perícia concluiu que o incêndio se deu por uma série de erros. O primeiro foi o uso de pirotecnia, como sinalizadores e fogos de artificio, em ambiente fechado. Somado a isso, tinha o revestimento para o isolamento acústico que estava irregular e não era resistente ao fogo, como deve ser, por lei, em clubes desse porte. Essas foram as causas para o início do incêndio, já na propagação, foi constatado que o local não tinha controle de fumaça e os extintores se encontravam fora da validade e com mal funcionamento.
- Então a senhorita afirma que se a boate seguisse todas as recomendações estabelecidas por lei, essa tragédia poderia ser evitada?
- Certamente. O local, também, não possuía saídas de emergência, o que teve que fazer com que mais de 800 pessoas se encaminhassem a uma só saída, e a iluminação para casos como o do incêndio não existia.
- Pode nos confirmar quantas pessoas foram mortas?
- 242 pessoas.
- E feridas?
- 630.
- E a lotação da boate constava qual número, de acordo com o registro?
- Apenas 691 pessoas poderiam lotar a boate, incluindo os seguranças, barman e todos os outros funcionários do local.
- A superlotação pode ter acarretado o fato dessas quase 250 mortes?
- Sim, se não houvesse tantas pessoas, com certeza, seria mais fácil evacuar o local e os danos seriam menores.
- Obrigado, senhorita. – Leon deu um sorriso para que retribuiu. – Me encerro, meritíssimo.
O juiz ofereceu a palavra a defesa dos réus, mas esta não quis se pronunciar, como já havia previsto. Os donos não tinham muito o que falar mesmo, eles estavam mais que errados e a única coisa que poderiam fazer era colaborar bem com o caso e se comportar na cadeia.
O juiz deu uma pausa para a defesa conversar e saiu da sala, já que só seria solicitada de novo no julgamento do bombeiro. Ou caso a defesa quisesse chamá-la, o que era difícil acontecer.

: o advogado de defesa é muito gato, me ajuda!!!
: ai meu Deus! Dá pra ele!
: Q U E R O
: tá fazendo o que agora?
: aguardando o intervalo acabar, o show continuar, terminar e o outro começar para eu fazer meu número rsrs
: então tem como bater um papo com o advogado gostosão...
: KKKKKKKKKKK ata
: ele tá vindo na minha direção, socrrr

- Impressionante como tem presença na hora de falar. – Leon disse com um sorriso e bloqueou o celular rapidamente o apertando entre os dedos, enquanto ele vibrava sem parar.
- Obrigada. – Ela sorriu. – Mas vai mudar de ideia quando me ver suando na hora de responder os advogados de defesa. – Dessa vez foi o homem que riu.
- Aposto que você vai tirar de letra. E qualquer coisa, - Se curvou um pouco para sussurrar para a mulher que, por um momento, achou que ele fosse completar com o “nos encontramos na cama” que ela sempre falava para Horatio. – Eu te dou cobertura.
- Obrigada novamente. – Ela disse sorrindo.
- Eu soube que você deu uns chutes em um dos réus. – Ele comentou rindo e colocou a mão no rosto rindo.
- Ai, não. Como isso chegou aos seus ouvidos? Minha reputação está acabada.
- Jamais. Achei bem sexy. – Deu um sorriso galanteador.
- Sim, super sexy ficar descontrolada no trabalho ao ponto de bater em alguém. – A agente já sentia a bochecha dolorida de tanto que sorria.
- A causa foi sexy. – O advogado comentou olhando o relógio. – Preciso voltar lá, até daqui a pouco.

pegou o celular novamente e começou a rir das mensagens da amiga.

: COMO ASSIM?
: AGE NATURALMENTE
: DÁ UMA RAPIDINHA NO BANHEIRO
: LOLA CÊ TÁ PRECISANDO TRANSAR
: MEU DEUS! TÁ FALANDO COM ELE?
: AAAAAAAA ME RESPONDE
: AAAAAAAAAAAAAAA
: AAAAAAA
: AAAAAAAAAAA
: AAAA
: tá dando?
: deu?
: , quer parar de ser tão afobada?
: Não consigo! É mais forte que eu.
: e aí?
: a gente só conversou
: nada demais
: e ele falou alguma coisa sobre eu ser sexy
: AI MEU DEUS DO CÉU QUE ORGULHO ESSA É MINHA GAROTA
: VAI TRANSAR! VAI TRANSAR!
: ninfomaníaca
: santa do pau oco

Demorando mais do que da outra vez, foi chamada duas horas depois para testemunhar, já contra o bombeiro Luciano Bonilha.
Teve que passar por toda ladainha de início primeiro, depois novamente por todas as perguntas sobre o incêndio, para, só em seguida, falar especificamente sobre como Luciano foi conivente com tudo aquilo.
- Senhorita , a senhorita confirma que o senhor Bonilha tem total culpa no incêndio? – Leon perguntou.
- Sim.
- Por quê?
- O senhor Bonilha era responsável por fazer toda a inspeção da boate, inclusive temos registros de ligações periódicas ao departamento do mesmo para denunciar as falhas da boate.
- Essas ligações chegaram até ele?
- O caderno de ocorrências do batalhão dele confirma que sim. Ele anotou que tinha ido a boate, inspecionado e multado, no entanto não é possível achar nenhuma multa dada pelo bombeiro ou recebidas pela boate.
- O senhor Bonilha, também está sendo julgado por fraude processual, no qual a senhorita é testemunha, confirma? Pode nos explicar o que ele fez?
- Claro. O senhor Bonilha alterou o lugar, mexendo em provas, trocando-as de lugar... Ele chegou a levar dois extintores para plantar na cena.
- A senhorita e mais quantos viram isso? Pode citar?
- Eu, dois colegas de trabalho, Ryan Wolfe e Calleigh Duquesne, e dois bombeiros do batalhão do senhor Bonilha, cujos nomes não me recordo.
- A perícia tinha tirado foto de antes da cena ser mexida?
- Sim. E após, tiramos novamente.
- Muito obrigado. – Fez um cumprimento com a cabeça e virou ao juiz. – Obrigado, meritíssimo.

A parte mais chata do dia de foi, definitivamente, responder as perguntas incoerentes dos advogados de defesa de Bonilha. Uma enrolação que claramente não levaria a nada, já que Leon como um advogado supercompetente – e não estava pensando isso só porque o achava gostoso – tinha esclarecido tudo que havia para ser esclarecido.
Então os advogados de defesa tiraram a carta da manga:
- A senhorita confirma que, em um momento que pode ser descrito como insano, atacou o senhor Bonilha?
Mas antes que pudesse responder, Leon exclamou um “protesto excelência” perguntando a relevância daquilo, já que não era que estava sendo julgada e, sim, Bonilha. E o protesto foi concedido pelo juiz, o que fez com que sussurrasse um “obrigado” para Leon assim que passou por ele depois de liberada.
Quando saiu, já estava do lado de fora, sentada na mesa cadeira que ela anteriormente.
E desatou a falar...
“Quero conhecer o gato”.
“Quero ir embora”.
“Tô com fome”.
“Quero ver meu namorado”.
“Estava com saudades de você e você nem está ligando pra mim”.
“Quero ver se eu morrer e for um dos seus casos”.
“Preciso ir ao banheiro”.
relaxou para depois ficar – um pouquinho – tensa de novo, pois Leon saiu da sala e veio em sua direção.
- Vou ter que ir lá? – Fez cara de choro.
- Não, não. Já acabou.
- Ah sim.
Antes que pudesse abrir a boca para falar mais alguma coisa, viu a amiga voltando do banheiro, mexendo a boca e falando “é ele?” repetidamente. Ela riu e revirou os olhos, fazendo o advogado olhar para onde estava a atenção dela.
- É minha amiga.
- Ela parece animada.
- Só... ignora. – Riu. Ele olhou para trás novamente.
- É a modelo? – O homem juntou as sobrancelhas olhando surpreso para .
Pronto.
Ele era só mais um que se interessava por status e ia ficar babando o ovo da amiga.
Não que quisesse um relacionamento sério com ele, mas era pedir muito um interesse de verdade?
- Sim, ela mesma. – A agente suspirou.
- Então você é amiga da top model da ’s Secret?
- Melhor amiga. – se intrometeu sorrindo. – Pasternak, prazer. – Estendeu a mão para ele.
- Leon Johnson. – Retribuiu. queria conseguir matá-lo com a força do pensamento. – Me diz, o que você faz aqui falando com um mero mortal como eu? – Esperou um tempo e estalou os dedos na frente do rosto de que olhava para a paisagem através da vidraça. – ?
- Ah! Oi. Me desculpa. – Voltou a prestar atenção nele.
- A gente pode ir andando? Tô louca pra ver o Caine. – pediu e os outros dois assentiram.
- Me diga, o que você, amiga de modelos internacionais, faz aqui me dando bola? – O sorriso voltou ao rosto dela.
- Na verdade, eu só tenho uma amiga que é modelo internacional. O resto são meros forenses.
Foram conversando aos risos durante todo o caminho, com uma intromissão ou outra de – milagre, porque a falava à beça. Quando chegaram ao carro de – Leon fez questão de acompanhá-las até lá –, o advogado perguntou se conseguiria o número dela e ela prontamente deu, ouvindo que ele ligaria qualquer dia.
- Adorei ele. – disse, sentada no banco do carona, enquanto colocava o cinto de segurança.
- Ele é legal.
- Ele tem cara de bom fodedor.
- , você, por acaso, é uma pré-adolescente que não sabe o que é sexo? Porque tá parecendo! – gargalhou.
A modelo era apenas 3 anos mais nova que , que tinha 31, mas de vez em quando – talvez sempre – parecia ter 15 anos.
- É que eu tenho uma alma jovem, já você está toda caquética.
- Vou te jogar para fora do meu carro. – Ameaçou e a amiga riu.

20/12/14 – 21:37PM – ’s House

Depois que saíram do tribunal e passaram no AICS, teve que pedir a amiga que calasse a boca, pois a agente não estava conseguindo finalizar o relatório sobre o julgamento que tinha que entregar a Caine.
Por conta do “cala a boca, em nome de Jesus”, foi chamada de insensível pelo resto do dia e teve que ficar escutando como elas quase não se viam e que, quando acontecia, era uma ogra.
só aceitou ir embora depois de falar com todo mundo do trabalho da amiga, ela adorava, já que era a sensação do lugar. Sempre que ia tirava uma foto com Wolfe e os dois postavam, falava de desfile e moda com Calleigh e ameaçava Horatio por fazer trabalhar demais – Caine sempre respondia que iria prendê-la por desacato, mas ela respondia que a amiga abandonaria o AICS de Miami caso ele o fizesse.
Agora que estava finalmente em casa e não via a hora de deitar em sua caminha e dormir, uma vez que amanhã teria um longo – e bota longo nisso – dia de compras com a amiga.
- Boa noite, bebê. – disse abraçando a amiga de conchinha.
A mais nova se recusava a dormir no quarto de hóspedes, na verdade amava dormir agarradinha com a amiga e o sentimento era recíproco.
- Boa noite, meu amor.
- Eu te amo. – riu.
- Eu também te amo. Muito, muito.

21/12/14 – 22:00PM – ’s House

chegou no seu apartamento e se jogou no sofá.
O dia tinha sido longo e o empresário tinha passado por três reuniões, uma inclusive com seu arqui-inimigo, ou seja, o cara da empresa tão grande quanto a dele, então ele só queria sair para beber, mas , seu melhor amigo, não atendia o telefone de jeito nenhum.
preferiu simplesmente ligar a TV e assistir algum besteirol do Discovery Home and Health - que ele secretamente amava -, mas para o descontentamento do homem, estava passando o único programa que ele não gostava, já que falava sobre empresários e isso ele já vivia o dia inteiro.
O moreno suspirou e zapeou mais um pouco e achou um canal passando Truque de Mestre, um dos seus filmes preferidos, desafrouxou a gravata e se ajeitou no sofá para assistir.
O filme já estava quase na metade quando ouviu a fechadura da porta, mas não deu atenção achando que era a irmã chegando.
- E aí, vagabundo. – olhou para porta ao escutar a voz do amigo.
- Caralho, , te liguei igual um condenado. – Reclamou se levantando e só então reparando que a irmã estava com o amigo. – Ah tá! Entendi agora. – Revirou os olhos e riu.
- Olá para você também, . – segurou o rosto do irmão e deu um beijo na bochecha do mesmo.
- Oi, . – Retribuiu o beijo da irmã. – Onde vocês estavam? – perguntou para o amigo. já tinha subido as escadas para o quarto.
- Um motelzinho que tem aqui perto. – disse sacana, mas manteve a cara fechada. – Estou brincando, relaxa. A gente foi para um jantar romântico no Cipriani. – sorriu e sentou no sofá. – Mas depois a gente realmente transou. Só que foi no carro. – tacou uma almofada no melhor amigo.
- Respeito zero, você, hein. – riu da indignação do amigo.
- Sempre, meu parceiro. – Tirou os sapatos e apoiou o pé na mesinha de centro da sala. – Por que estava me ligando?
- Preciso beber! – logo tirou o pé da mesinha e colocou os sapatos de volta.
- Então vam’bora que hoje eu estou safado! – Bateu as mãos ao pronunciar “safado”.

22/12/14 – 00:12AM – Blackbird Ordinary

e tinham acabado de chegar a boate, acompanhadas de Rett, o namorado da última. A mais velha estava totalmente infeliz com isso, já que odiava baladas, principalmente se fosse para ficar de vela.
As duas tinham passado o dia fazendo as compras de Natal, incluindo enfeites, comida, roupas, presentes e uma árvore gigante – obviamente invenção da linda Pasternak. E, então, no fim do dia, inventou que elas tinham que sair e comemorar, pois estavam muito tempo sem se ver... E uma coisa que tinha aprendido é que se Pasternek manda, você obedece.
- Eu realmente não queria estar aqui. – disse analisando o vestido que a amiga tinha escolhido para ela.
As duas já estavam no banheiro, pois tinha beijado o namorado e borrado todo o batom.
- Ai, , por favor, para de ser uma velha!
- , se pelo menos estivesse só nós duas, mas não... Você tinha que trazer o Rett e me deixar sobrando!
- A gente não vai te deixar sobrando, okay?
- Disse ajeitando o batom, que tinha acabado de borrar beijando o namorado, com apenas 5 minutos de chegada. – narrou entediada e amiga fechou a cara, deixando de passar o batom e virando-se para ela.
- Se você continuar com essa droga dessa cara, aí, sim, vai ficar sobrando! – Cruzou os braços. – Você é linda, gata, mas é tão cabeça dura que não reparou no cara que quase engasgou te olhando.
- Que cara?
- Ele estava sentado no bar. – Descruzou os braços e voltou a se ajeitar. – Aposto que quando passarmos por lá novamente, ele vai ter o mesmo olhar, então... – finalizou a maquiagem e voltou a olhar para a amiga. – Se comporta que nem mocinha.
- Vai se foder, . – Foi a vez de cruzar os braços.
- E para de me chamar de .
- Achei que fosse seu nome. – A arqueou as sobrancelhas.
- Que você só lembra quando está irritada.
- Ok, ok! – levantou as mãos em sinal de rendição. – Vamos curtir essa merda.
- Melhorou um pouco. – A amiga respondeu caminhando em direção a porta. – Alias, você não precisa se preocupar, eu convidei o Leon. – Olhou para trás, onde a amiga vinha caminhando, sorrindo.
- Você o que? – perguntou perplexa.
- Ele disse que viria. Se você for uma boa moça, vai levar uma boa.
- Eu não te mereço, Pasternak.
- Merece sim. – riu e acompanhou balançando a cabeça em sinal de negação. – Repara. – sussurrou.
- O que? – sussurrou de volta.
- O cara do bar!!! – Disse entredentes apontando o local com a cabeça.
olhou e a única coisa que ela podia pensar era... Nada! A cabeça tinha dado pane e ela só parou de olhar quando levou um cutucão de que percebeu que estava encarando demais.
Se tinha dito que Leon era quase o seu tipo perfeito, o cara que, como insinuou – e acertou –, estava encarando-a era definitivamente o seu tipo perfeito.
- De repente ele está olhando para você... – A insegurança da forense começou a falar.
- Agente , ele definitivamente está olhando para você. Tipo, com toda certeza.
As duas chegaram a mesa e se sentaram, do lado de Everett e de frente para eles.
e Eve entraram numa conversa animada sobre o trabalho dele e as músicas que ele estava lançando, já que o homem era rapper, e ele ficou de mostrar umas demos para ela.
Apesar de ter reclamado da presença do homem, ela o amava. E o sentimento era reciproco, a relação fraterna deles era linda e simplesmente adorava o fato do namorado e da melhor amiga se darem bem. Era importante para a modelo que gostasse de seus namorados e vice-versa, pois era uma parte muito importante na vida dela que ela jamais deixaria para trás ou esqueceria.
Já estavam no local há cerca de uma hora quando Leon se juntou a eles. O advogado inclusive reparou nos olhares alheios para e fez questão de demarcar território, dando beijos no canto da boca, sussurros no ouvido e o braço sempre transpassado na cintura. reparou, mas não se incomodou, não queria ninguém mais no seu pé e muito menos no pé de Leon.
A partir de um momento da noite, a agente, que já tinha bebido alguns – muitos – drinks, ficou solta o bastante para dançar na pista. Primeiro dançou acompanhada da melhor amiga e depois de Leon. Mais drinks e os dois já estavam bem desinibidos na pista de dança, dançava de costas para o advogado, com o corpo totalmente colado ao dele, jogou o cabelo para um lado só, deixando o homem se aproveitar da parte livre do pescoço dela, enquanto ela sorria mordendo os lábios.
- Acho que a gente deveria sair daqui. – Johnson sussurrou no ouvido da após virá-la de frente para ele.
- Eu também acho. – Ela respondeu com a boca bem próxima da dele e os dois sorriram.
aproveitou o momento para morder o lábio inferior do homem e iniciar um beijo, sentiu as mãos do homem apertarem sua cintura e encerrou o beijo com pequenos selinhos da boca até o pescoço.
- A gente precisa mesmo ir. – Sussurrou no ouvido dele enfatizando o “mesmo”.
Os dois se despediram bem apressados dos amigos de , e agora de Leon, e foram para a casa do advogado. não gostava de levar ninguém para sua casa.

22/12/14 – 03:30AM – Leon’s House

Mesmo com o álcool já fazendo bem menos efeito quando chegaram à casa de Leon, os dois não perderam o fogo...
Assim que fechou a porta Leon pressionou a parceira contra a mesma e iniciou um beijo quente. passou a ponta da língua nos lábios do homem e depois os chupou, começando a tirar a camisa dele. Os beijos e chupões da foram descendo da boca para o pescoço de Leon, e, conforme a mulher começava a abrir a camisa, os beijos iam passando do pescoço para o primeiro botão da camisa, do primeiro botão para o segundo, do segundo para o terceiro e assim sucessivamente até o último, quando ela voltou para a boca dele, enquanto tirava a camisa por completo.
Johnson os tirou da porta de entrada e foi andando com ela, sem partir o beijo, até uma das pilastras que faziam a entrada da sala. Quando chegou lá, desceu as duas mãos para a barra do vestido dela e as enfiou por baixo apertando a bunda generosa que ela tinha. A mulher enfiava as unhas em sua nuca e não demorou muito para o vestido dela estar bem longe do corpo.
Leon a pegou no colo e foi até seu quarto, fechou a porta e colocou-a no chão. Parou um ou dos segundos para observá-la e logo a prensou contra a porta, enquanto ela sorria e jogava a cabeça para trás. Johnson levou as mãos até o fecho do sutiã dela, descendo os beijos direto para os seios dela e mordendo um carocinho ao mesmo tempo que eriçava o outro com o polegar. Deu uma lambida só na pontinha de um, fazendo delirar e apertá-lo mais contra seu corpo, e depois sugou com vontade. não conseguia prender o gemido dessa vez, sua intimidade já estava completamente molhada e ela estava louca para ser fodida de vez.
Puxou o homem para beijá-lo novamente e ele continuou acariciando seus mamilos. As mãos da agente desceram dos ombros, que provavelmente já estavam marcados, até a calça do parceiro e os dois se livraram desta. passou a mão no membro de Leon por cima da cueca e ele gemeu e mordeu o pescoço dela, o que a fez gemer também, adorava ser mordida. apertou levemente o membro do homem e começou a masturbá-lo, o que o fez partir o beijo para gemer.
Leon segurou o pulso da mulher, fazendo-a parar de masturbá-lo e sussurrou um “chega” com a boca colada na dela, logo após puxá-la para mais perto e empurrá-la na direção da cama. sentiu a cama impedi-la de continuar caminhando e sorriu sacana, grudou a boca na de Leon novamente e se jogou para trás o puxando junto e fazendo-o rir.
O advogado puxou o lábio inferior da parceira e logo foi descendo os beijos até chegar no cós da calcinha dela. Olhou para a mulher que tinha o lábio preso entre os dentes por antecipação e riu safado e, antes que raciocinasse, sua calcinha já estava longe e ele já estava dentro dela.
A cada nova estocada, sentia sua respiração faltar e o fato de Leon estar segurando firmemente suas mãos só deixava tudo dolorosamente mais gostoso - Johnson com toda certeza teria marcas das curtas unhas da mulher em sua mão.
Leon começou a sentir o membro inchar e soube que estava quase chegando lá, mas tentou segurar, pois sabia que a parceira não o acompanharia ainda. Não segurou por muito tempo, o que o fez sair da agente e soltar as mãos dela para descer uma mão para seu clitóris começando a massageá-lo e, em seguida, enfiar dois dedos nela. mordeu o lábio inferior, mas parou, achando mais preferível morder o do homem delicioso acima dela.
A respiração da mulher começou a ficar mais rápida depois que a boca de Leon sugou e lambeu seus mamilos, enquanto os dedos continuavam a penetrá-la com agilidade. As mãos dela apertaram a nuca dele o trazendo para cima para beijá-lo, mas o beijo foi interrompido por um gemido agudo da mulher. arqueou as costas e soluçou, sentindo o ventre queimar e o ápice finalmente chegar, deu mais um beijo em Leon e o homem caiu ao seu lado.

Puta merda, como ela tinha conseguido ficar tanto tempo sem isso?
Essa maravilhosa sensação...
Ela nunca mais ficaria tanto tempo sem transar!
Uma semana seria demais.
A forense riu com os próprios pensamentos - principalmente porque sabia que provavelmente ficaria, sim, muito tempo sem transar, já que o trabalho a consumia -, fazendo Leon virar para ela.
- O que foi? – Ela se virou para ele sorrindo sapeca.
- Estava tendo uns pensamentos não muito louváveis.
- Que tipo de pensamentos?
- Deixa pra lá... – riu e o moreno acompanhou.
- Eu estava pensando em umas coisas também... – Ele sussurrou chegando mais perto dela e começando a mexer no cabelo dela.
- Que coisas? – sussurrou de volta.
- Alguma coisa sobre segundo round. – Fez uma cara como se não entendesse os pensamentos. – Talvez um terceiro. – Continuou com a falsa cara, tentando prender o riso, enquanto mexia no cabelo da mulher.
- Podemos averiguar isso. – A respondeu rindo também e o beijou.

Quando acordou Leon já não estava mais na cama, mas no lugar dele tinha uma toalha, seu vestido e sua lingerie. Olhou ao redor procurando o banheiro e correu para tomar banho ao avistar a porta entreaberta no canto direito do quarto. Acabou o banho e foi para a sala, encontrando Leon no sofá que avisou que o celular dela tinha tocado a manhã inteira, mas quando ela foi olhar era só . Provavelmente querendo saber como tinha sido a noite. Tinha, também, uma mensagem de Caine, mas era só um aviso de que ela estaria realmente livre para o Natal, sorriu, mas bufou porque logo abaixo tinha um “até segunda ordem”... Merda, Caine!
já estava indo embora quando se lembrou do pepino que tinha em mãos.
- Leon... – Parou perto da porta. – Você, por acaso, é amigo de algum juiz? – Leon juntou as sobrancelhas com a pergunta.
- Sou? – Falou meio em dúvida, enquanto abria a porta para . – Por que?
- Talvez – riu. – Eu precise de um mandado. E talvez, só talvez, os juízes não gostem muito do AICS... Quais são as possibilidades de você me ajudar a conseguir um? – Passou pela porta, dando um beijo na bochecha do homem, e parando no corredor de apartamentos.
- Quais são as possibilidades de você só ter dormido comigo para conseguir um mandado? – Encostou no batente da porta e semicerrou os olhos.
Nesse momento gargalhou lembrando do discurso de Ryan.
- Nenhum, querido, fique tranquilo. – Deu um sorriso.
- Então, me avise quando precisar, querida. – Respondeu e mandou um beijo para ela, vendo-a caminhar até o elevador.


Capítulo 4

"Ideologias nos separam, sonhos e aflição nos unem"
(Eugène Lonesco)



23/12/14 – 08:30AM – Newcomm Enterprises

- , por que você não pode pedir ajuda ao Benjamin? – perguntou cansado.
O homem mal tinha se sentado em sua cadeira quando recebeu uma ligação da irmã choramingando porque ele tinha saído para trabalhar ao invés de ajudá-la com as preparações do Natal.
Desde que se tinha por gente, se lembrava de arrumar e enfeitar toda a casa juntamente com a irmã. No início com a supervisão dos pais, obviamente, mas depois passaram a fazer tudo.
Menos aquele ano.
O empresário estava completamente atolado com as coisas da empresa e toda vez que a irmã tocava no assunto, ele enrolava e falava que logo ficaria livre, no entanto o Natal já seria dali a dois dias e eles não tinham arrumado nadica de nada.
- Porque o Benjamin não é você. – A irmã respondeu decidida. – Crossie, por favor... – Usou o apelido que o homem tinha ganhado na época da escola e ele bufou.
Bufou por causa da insistência, do apelido ele gostava, principalmente quando era a irmã falando.
- , eu acabei de chegar na empresa. Não posso.
- Você é dono, você pode tudo.
- É por pensamentos assim que muitos perdem tudo. Ser dono nã... – começou, mas foi interrompido pela irmã.
- Não significa ser melhor, para ser um bom líder você tem que participar de cada detalhe... Mimimi! – A morena bufou dessa vez. – Já conheço esse discurso e estou pouco me fodendo.
- ... – Foi interrompido novamente.
- Você precisa ser um bom irmão também. E você não está sendo.
- Você está soando como uma garotinha mimada. – Acusou.
- , eu só quero meu irmão. Faz meses que não fazemos uma noite de irmãos, meses que não conversamos direito e agora você está quase quebrando um laço super importante nosso.
O mais velho suspirou.
Sabia que ela tinha razão.
Nos últimos meses ele tinha sido só trabalho, já que a empresa tinha comprado mais outras duas empresas e não era fácil mudar todo sistema de uma empresa para ela se adequar à nova. Por isso gostava de fazer isso de perto, indo nas filiais, conversando com os funcionários, dando palestras e todo o resto.
- Uma hora, okay?
- Uma hora para você estar aqui? – Indagou animada.
- Não, , uma hora da tarde estarei em casa. Pode ser? – pôde ver a irmã mordendo a bochecha e balançando a perna direita rapidamente enquanto pensava.
- Tudo bem. – Respondeu com a voz meio abafada. Mordendo a bochecha, ele tinha certeza. – Eu te amo.
- Eu também te amo. – Sorriu. – Muito! – sorriu do outro lado da linha.
- Tchau, Crossie, bom trabalho.
- Tchau, meu amor, obrigado.

Quando ele chegou em casa, a irmã já estava sentada no chão da sala de estar, de costas para a porta de entrada e com várias caixas ao redor de si, enquanto desenrolava os pisca-piscas.
- Eu tinha que ter falado para você comprar novos. - Choramingou ainda de costas para ele. Ele riu ao mesmo tempo que afrouxava a gravata e tirava o paletó.
sentou-se ao lado da irmã, arregaçou as mangas da camisa e puxou as pequenas lâmpadas coloridas da mão dela.
- Paciência você deve ter. - Imitou o Mestre Yoda e ela o empurrou com o ombro.
Num passe de mágica, como sempre, o homem desenrolou as luzes e bufou. Era realmente uma tradição... ela sentava e chorava porque não conseguia desenrolar as luzes, ele sentava e em 5 minutos já tinha até testado as luzes.
- Como você faz isso? - A mais nova fez uma cara quase infantil.
- , - ele riu. - Eu já te expliquei mil vezes.
- Mas não consigo aprender nunca!
- Você é boa em pendurá-las no lugar certo, eu não.
Os irmãos começaram a arrumar a casa, começando por enfeites pequenos, depois as clássicas meias de Natal - mesmo que já fossem grandinhos o suficiente para entender que o Papai Noel não viria -, os biscoitos com leite - para eles mesmos, pois estavam com fome e a uma certa altura da vida tinham decidido que eram eles que tinham todo o trabalho duro, então o velho barrigudo não iria comer biscoito algum -, os enfeites da linda árvore que tinha encomendado uma semana antes - e já estava montada no canto da sala próximo a bancada da cozinha -, as trabalhosas luzes de natal e, por fim, a estrela!
- Esse ano é sua vez ou minha? - perguntou segurando a estrela com uma mão e dando leves batidas com ela na palma da outra mão.
- Não me lembro! - apertou os dentes fazendo careta. - Droga, , como você não lembra?
- Ué, mas você também não lembra.
- Você é o irmão mais velho... - Ela deu de ombros. - Você que tem que ser responsável, não eu. - Ele riu com a resposta e puxou ela para perto para fazer cosquinha nela.

23/12/14 – 09:30AM – ’s House

- , são nove horas da manhã, eu não acredito que você está me importunando essa hora. – reclamou indignada enquanto a amiga abria as janelas de seu quarto e puxava suas cobertas.
- A gente precisa terminar de arrumar a casa. – Colocou uma mão na cintura e com a outra abanou o ar sinalizando para a amiga levantar.
- Eu vou tomar minha chave de você, . – se sentou na cama.
- Para de reclamar. – Puxou a amiga pela mão para que ela levantasse logo. – Foi você quem quis que o Natal fosse comemorado aqui. – Começou a arrumar a cama da amiga enquanto ela ia ao banheiro. – Aliás, alguém do seu trabalho vem? E seus pais?
- Meus pais vão viajar, como sempre. – A agente tirou a escova de dentes da boca para falar. – Natalia vai pro México, provavelmente, mas Eric disse que ele e Calleigh viriam. – Voltou a escovar os dentes.
- E Wolfe? – parou na porta do banheiro e parou de escovar os dentes novamente para olhar para ela com uma cara bem sarcástica. – É, eu sei... Ele não perde nosso Natal, mas há uma primeira vez para tudo, né?
- Não vai ser essa a primeira vez. – saiu do banheiro. – O que falta arrumar? – Perguntou e prendeu os cabelos em um rabo de cavalo.
- A decoração do lado de fora e as luzes coloridas. – sorriu animada mexendo as sobrancelhas. riu.
- Você é muito criança, .
- Como se você não fosse.
Assim como todos tinham suas tradições, a tradição de e Pasternak era passar o Natal juntas. Independente de qualquer coisa. Mesmo que fosse só as duas primeiras horas, pois uma das duas iriam trabalhar, elas estavam juntas nessa data.
No início, a tradição era apenas delas, mas, depois de Ryan perder seu irmão – única família que ele tinha –, ele se juntou a elas.
O Natal deles era bem alegre e as luzes coloridas as quais se referia, não eram pisca-pisca, mas, sim, um jogo de luzes que eles colocavam na casa de para fazer uma espécie de balada natalina – ideia de Wolfe que e adoraram, por mais que a última não admitisse.
- Você ainda tem que trabalhar hoje? – indagou.
- Tenho. – Comentou aérea. – Preciso ver se o mandado saiu, se as imagens da câmera deram em algo e se os interrogatórios trouxeram alguma novidade. – A agente enumerou nos dedos e a amiga fez careta.
- Ainda bem que eu não sou você. – Gargalhou quando a amiga lhe estendeu o dedo do meio.

23/12/14 – 03:45PM – AICS’s Head Office

Quem dizia que só mandava, devia comer merda. Era o que Tim pensava, vendo a agente não desgrudar da cadeira e dos fones de ouvido por horas, atenta para alguma conversa estranha que Joseph pudesse ter tido nos últimos três meses. Obviamente, a agente não escutaria os áudios todos sozinha, já que precisavam de agilidade e rapidez, mas Tim tinha certeza que, se fosse necessário, ela ficaria ali até o Ano Novo para tentar captar algo.
- Alguém encontrou alguma coisa? – tirou o headphone para perguntar aos outros agentes que a ajudavam, mas a resposta de todos foi negativa.
Da última vez, com o irmão de Joseph, tinha sido a mesma coisa, escutaram ligações e ligações, porém não encontraram nada pertinente.
A mulher se levantou frustrada e caminhou até a sala que dividia com os amigos, a essa hora eles já teriam encerrado os interrogatórios e, com sorte, teriam alguma coisa para ajudar.
- E aí? – Indagou assim que entrou na sala. Natalia e Ryan já estavam lá.
- Olha, nada muito relevante. – Natalia começou. – O álibi dos dois confere, assim como a descrição do que aconteceu durante a noite com Joseph.
- É... Foram para a balada, se drogaram e cada um seguiu para o seu canto. – Wolfe falou. – O jeito é ir a boate e ver se conseguimos alguma informação, mas os dois estão limpos, com certeza. – suspirou.
- Natalia, você vai comigo até a tal boate?
- Claro.

23/12/14 – 04:10PM – GRAMPS NightClub

- Tem certeza que era essa a boate? – perguntou desacreditada enquanto batia a porta do carro. Até ela ia em boates melhores.
- Sim. É onde eles costumam vir para cheirar cocaína e não sair nos jornais. – Natalia deu de ombros.
- Parece que está fechada ainda.
- No Google diz que só abre as 11 da noite.
- Ok. – caminhou até a entrada do estabelecimento. – AICS. – Deu três batidas leves. Que não foram respondidas. – AICS, abram a porta! – Bateu com mais força, mas continuou sem resposta. – Eu vou ter mesmo que derrubar essa merda? – Perguntou a Natalia que riu.
- Nós não temos um mandado. – A amiga alertou.
- É, droga, nós não temos um mandado. – Andou de um lado para o outro e depois voltou a socar a porta.
quase deu na cara do homem que veio, finalmente, abrir a porta, perguntando:
- Calma, moça, quer quebrar? – Ela o olhou sem paciência e suspirou.
- Quero.
- AICS, Natalia BoaVista. O dono da boate está? – Natalia mostrou o distintivo.
- Ele está encrencado? – Respondeu com outra pergunta.
- Ele está ou não? – respondeu.
O homem olhou para a agente, parada ao lado da porta, com o cotovelo apoiado na parede e a mão segurando o rosto numa expressão completamente tediosa.
- Ela é sempre impaciente assim? – Se dirigiu a BoaVista e ela riu afirmando com a cabeça. – O dono sou eu, Ricardo Sanchez, em que posso ajudar?
- Conhece esse homem? – Mostrou a foto de Joseph Harris.
- Sim, vinha aqui quase todos os dias.
- Teve notícias dele recentemente? – indagou.
- Hmmm... – Ricardo coçou a barba rala. – Não. Já tem mais de uma semana da última vez que ele esteve aqui.
- Aparentemente aqui foi o último lugar que ele foi visto. Você tem câmeras de segurança? Se importaria da gente dar uma olhada? – Ricardo finalmente deu espaço para as agentes entrarem, junto com um “fica à vontade”.
Ricardo levou-as a sala de monitoramento e colocou as filmagens do dia que Joseph esteve lá para rodar.
- Natalia, o que você vai fazer no Natal? – perguntou.
- Mexico, mi amore. – BoaVista respondeu carregada no espanhol. riu e balançou a cabeça em afirmação. – Wolfe e o casal vão para sua casa, né? – Recebeu um “sim” da amiga. – No próximo ano eu prometo que vou.
- Sei. – fez um bico e a amiga riu.
As agentes voltaram a prestar atenção nas filmagens, mas elas não mostravam nada conclusivo, assim como todo o caso. Joseph chegava com os amigos, sentava em uma das mesas, tomava algumas bebidas, pegava algumas mulheres e depois voltava a beber. A cocaína também fez parte da sua noite até a hora que ele foi embora, saindo pela porta dos fundos, muito tempo depois dos amigos.
- O que tem na saída dos fundos? – perguntou.
- Estacionamento.
- Mas porque ele estava indo pro estacionamento se o carro era do McGregor e ele já tinha ido embora com o Nate? – Natalia indagou.
- Vamos lá ver. – respondeu, deixando de apoiar na mesa e pegando as luvas em seu bolso para coloca-las.

~~~***~~~


- ! – Natalia chamou assim que elas chegaram a saída dos fundos e apontou para o chão.
- Isso é de fibra de coco? – indagou se abaixando para olhar o tapete no chão.
- Parece que sim. – Observou a parceira enfiar a mão por dentro do casaco e pegar a pinça e o envelope. – Se bater com as fibras encontradas no Porsche significa que aqui foi o último lugar que ele esteve. – Natalia comentou enquanto ainda recolhia algumas fibras do tapete para guardar como evidência.
- Você tem uma câmera aqui para os fundos? – A se dirigiu ao dono do local, ainda abaixada e examinando o tapete com uma lanterna, mas ele negou. se levantou.
- Acha que ele tem algum envolvimento? – BoaVista perguntou a amiga enquanto andavam pelo estacionamento tentando captar algo de errado.
- A leitura corporal dele me pareceu normal. E ele está colaborando. – Deu de ombros. – Esses caras geralmente são previsíveis, acredito que se ele tivesse envolvido, teria pedido um advogado ou um mandado.
- Faz sentido.

23/12/14 – 07:00PM – AICS Head’s Office

- , vai para casa. – Caine disse.
A mulher estava na sala que dividia com os outros agentes, relendo o que tinham sobre o caso.
- Me deixa trabalhar em paz, Horatio.
- Vai arrumar suas coisas do Natal. Eu vou dar uma passada lá e quero tudo muito bem preparado. – revirou os olhos.
- Já está tudo arrumado. – Comentou sem dar muita importância.
- Então vai descansar.
- Eu não estou cansada. Meu turno começou mais tarde hoje.
- Quando eu te mando trabalhar, você reclama... quando eu te mando descansar, você reclama. O que você quer afinal?
- Que você me deixe em paz, Horatio. – Falou entre os dentes e ele riu.
- Eu vou ter que te dar outra medida disciplinar para você ir para casa e descansar? Sabe que está escalada para o Natal esse ano, certo? – respirou fundo e jogou as pastas na mesa.
- Estou indo para a droga da minha casa, Horatio. – Ele riu de novo.
- Gente muito estressada tem quatro vezes mais chance de enfartar que o normal.
- Você é estressado, toma viagra e ainda tá vivo, então acho que também vou sobreviver. – Ela implicou com ele.
- Quem disse que eu tomo viagra, ? – Cruzou os braços a encarando.
- Fala sério, Caine, você é velho.
- Você sabe que eu tenho uma arma, né? – Semicerrou os olhos para ela e ela gargalhou.
- Estou indo, chefinho, - falou enquanto pegava a bolsa e saía da sala. – Qualquer coisa... – Ele a interrompeu.
- Eu já conheço o discurso, ... – Revirou os olhos. – Nos encontramos na cama. – Ela deu uma piscadela para ele.
- Mas não esquece o viagra. – Gargalhou e correu quando ele ameaçou tirar a arma do coldre.

24/12/14 – 07:00PM – ’s House

olhou, da bancada da cozinha, para a casa arrumada e toda enfeitada e sorriu. Ela era meio rabugenta às vezes, mas tinha que admitir que adorava aquilo... adorava passar um tempo com os amigos, sem preocupações, implicando e se divertindo.
Reparou que Wolfe a olhava e deu língua pra ele, que riu e se virou voltando a conversar com e Eve, seu namorado. Wolfe tinha chegado mais cedo naquele dia para, finalmente, ajudar com alguma coisa: a comida. Ryan era especialista em fazer um assado divino, assim como uma gemada que, por mais que ele tivesse explicado mil vez como fazer, ninguém conseguia.
O trabalho de Eve, trazer as bebidas, foi super fácil, considerando que ele era patrocinado por uma marca de bebidas – que não se lembrava o nome –, ela e ficaram responsáveis por organizar a casa – como tinham feito dias antes – e ajudar Ryan Wolfe com a comida.
Agora, só faltavam Eric e Calleigh, que queriam contribuir com um total de nada, usando a desculpa de “somos convidados”, mas logo cortou a ladainha deles e os fez encarregados da sobremesa. E ela esperava que não tivesse arruinado a sobremesa de todos com isso.
Faltando exatamente um minuto para as oito da noite, o casal da sobremesa chegou e quase ajoelhou agradecendo aos céus pela linda torta de maçã que a mãe de Eric tinha preparado e pelo bolo de cenoura com chocolate que Calleigh tinha comprado em uma loja brasileira que eles amavam.
- Serio que vamos ficar ouvindo Silent Night? – Eric reclamou da música de Natal que tocava.
- É Natal, a gente tem que escutar música de Natal. – Ryan deu de ombros.
- E a balada?
- É balada natalina.
- Ah tá bom! – Eric foi irônico. – Ainda bem que o DJ da noite sou eu. – Se levantou indo até o notebook.
- Só não vai colocar aquela sua porcaria de jazz. – Ryan implicou e Eric colocou a mão no peito se fingindo de ofendido.
- Jazz é ótimo, eu não tenho culpa se você não tem um gosto refinado o suficiente para isso. – Respondeu, mas Wolfe o ignorou, abrindo e fechando a mão na sua direção, como uma criança faria em “fala com a minha mão”.
Eric riu e gritou um “é disso que eu tô falando” quando se levantou, no mesmo instante que ele colocou That’s What I Like, para dançar. A se animou totalmente e puxou o amigo para dançar, fala sério, era Bruno Mars, impossível ficar parado com Bruno Mars. Calleigh riu vendo a amiga e namorado dançando e cantando um pro outro numa empolgação quase infantil.
- Eu quero ver a dançando direito. Ela sabe! – Ryan começou e os amigos incentivaram gritando como se tivessem em um estádio.
- Só se Eve dançar comigo. – Chamou o “cunhado” e ele foi dançar com ela.
Eve era rapper, mas também sabia dançar e , com seu jeito maluquinha quando estava perto de , se empolgava e aprendia as coreografias com o namorado da amiga. Os amigos começaram a gritar e aplaudir, enquanto os dois imitavam os passos de Bruno Mars e Eric tentava acompanhar.
Depois de muito dançar e cantar, até Britney Spears, perceberam que já era quase meia noite e foram comer, já que a regra era meia noite, em ponto, começar a troca de presentes do amigo oculto. Sentaram-se a mesa, em meio a piadinhas de tio, gritaria de quem iria pegar a parte mais tostada do peru e, por fim, uma oração antes de comerem.
estava rindo de alguma piada imbecil que Ryan tinha feito, enquanto separava os presentes para começar a troca, quando a campainha tocou.
- Deve ser o Caine. Eu abro. – A modelo foi até a porta e abriu com um sorriso. – Oi, coisa linda do meu coração. – O abraçou e ele retribuiu apertando-a e sorrindo.
Depois que o abraçou reparou que ele tinha trazido o filho, Kyle, então largou Caine para abraçar o menino também.
- Oi, . – Entrou. – Oi, pessoal. – Acenou para todo mundo e o filho o imitou.
- Chegou na hora certa. – Calleigh falou. – Vamos começar o amigo oculto.
- Então vamos! – Sentou no sofá. – Quem começa?
- Eu. – Kylie falou animado.
- Vai, criança. – Ryan implicou e ele revirou os olhos.
Não importa quanto tempo passasse, para os agentes do AICS, Kylie sempre seria o mascotinho da agência. Mesmo que o menino já tivesse com 20 anos.
- Então, o meu amigo oculto... é uma mulher e é . – Disse e todo mundo fez auê, já que todas as mulheres da sala tinham a mesma cor de cabelo. – Calma, vocês estão apressados?
- Estamos. – Alguém falou, mas ele não deu atenção.
- Ela é mais velha que eu. – Auê novamente. – E é a mulher mais bonita que eu conheço.
- Ah, então sou eu. – Calleigh falou e todos riram.
Era de conhecimento geral que Kylie tinha uma quedinha pela agente , então ficou bem fácil descobrir quem era o amigo oculto dele. levantou e foi até ele, pegou o presente e o abraçou pedindo obrigada.
- Mulher mais bonita, hein, que isso. – Caine falou e ela sorriu.
- Ele só falou o que todos já sabiam. – Disse cheia de si. – Bom, o meu amigo oculto é o meu melhor amigo. – Deu de ombro e a sala foi a tensão, enquanto segurava o riso.
- Sou eu. – Ryan falou.
- Claro que não. – Eric disse indignado. – Eu sou o melhor amigo.
- Será que eu conto? – Eve entrou na conversa.
- Não, você é tipo cunhado dela. – Calleigh falou rindo.
- Mas, então, somos bem amigos e eu sou namorado da melhor amiga. – gargalhou.
- Não é você, Rett. – Ela disse e ele semicerrou os olhos para ela.
- Sou eu, porra. – Ryan voltou a dizer.
- Se toca, Ryan. – Eric debochou.
- Por que seria você? Fala sério, quem sempre anda com ela e com a ? Nós somos as três espiãs demais, Delko, você é só um amigo figurante. – A sala explodiu em gargalhadas e pulou no amigo e lhe entregou o presente. – Eu disse que era eu.
- , eu não acredito. – Eric se mostrou totalmente desolado.
- Eu só fiz isso para ele ficar feliz. – cochichou para Delko como se estivesse falando um segredo, mesmo que ela estivesse sentava no colo de Ryan.

~~~***~~~


Era a vez de falar, quando os agentes escutaram um bip suspeito vindo de Caine.
- Ah não. – fez cara de choro.
- Ah não o que? – indagou em pé, segurando o presente, no meio da sala. observou Caine tirar o pager do bolso e fazer careta.
- É... Parece que a diversão acabou. – Caine se levantou. – , Delko, vamos. – Disse já indo para a porta. – liga para o Tim, Eric para o Colton. Eu vou ligar para o Jeff. – Avisou e os agentes se botaram de pé.
correu para o quarto para tirar o vestido e colocar uma roupa mais adequada, enquanto Eric já ligava para Colton.
- Mas o que aconteceu? – perguntou ainda parada no mesmo lugar.
- Alguém matou alguém, aparentemente, esse ano eles estão escalados pro Natal. – Calleigh falou tristonha.
- Mas será que nem no Natal essas pessoas podem sossegar e me deixar curtir meus amigos? – fez voz de choro se jogando ao lado do namorado que a abraçou e deu um beijo em sua têmpora.
- Sem chororô. – voltou a sala já vestida com uma calça preta e uma blusa branca. Abaixou e beijou a amiga. – Eu já volto. Vão curtindo enquanto isso. – Se despediu de todos os amigos e encontrou com Delko e Caine já no carro.


Capítulo 5

"Há muitos caminhos para chegar no mesmo lugar.”
(Ditado Apache)



24/12/14 – 08:47PM – Crime Scene

- Qual o status? - perguntou a um agente qualquer que estava parado a porta.
- Só isolamos a área por enquanto, estávamos aguardando o Horatio. - acenou e passou por baixo da faixa amarela que isolava o lugar.
Colocou o kit acima da bancada que tinha próxima a entrada e o abriu, vestindo as luvas logo em seguida.
Começou pelas portas e janelas, procurando um sinal de entrada forçada, já que, no carro, Horatio havia informado que um adolescente ligou informando o assassinato dos pais. A agente, no entanto, não achou nada. Usou a lâmpada ultravioleta para ver se distinguia algum sangue na porta, mas, também, nada.
Ela mordeu o lábio inferior. Talvez a pessoa tivesse usando luvas, assim como ela, no entanto, não tinha sinal algum de entrada forçada, deixando como única opção que o assassino tivesse entrado pela porta da frente quando ninguém via. Tendo em mente que o assassino precisaria observar a família, mais provavelmente por alguma janela para saber o momento de entrar, pediu para que um dos agentes desse uma olhada do lado de fora procurando por pegadas.
Continuou a busca, dessa vez usando a lâmpada ultravioleta para buscar sangue em algum lugar. Passou, primeiro, pela entrada, depois virou a direita e seguiu para sala, onde se encontrava um dos corpos, o da mãe do menino, por volta de seus 50 anos. A se perguntou o que motivaria uma pessoa matar duas pessoas já idosas na véspera de Natal, principalmente tendo em vista que o adolescente tinha sido poupado. Não fazia sentido.
- Achou alguma coisa? - Eric a tirou de seus devaneios enquanto ela olhava o corpo da senhora.
- Não, e você?
- O garoto tem 19 anos, se chama Lucas, disse que a família não comemora o Natal, pois são judeus e que costumam dormir cedo. Disse também que todos já haviam se recolhido para dormir, ele veio beber água e encontrou a mãe assim, - Apontou o corpo da senhora. - Correu até o quarto do pai, mas não o encontrou melhor que isso. Então ligou para polícia.
- Se eles já haviam se recolhido, porque ela estava aqui embaixo? Qual nome dela?
- Cecilia. O Lucas falou que escutou a campainha tocar, mas achou que estava sonhando e que a TV estava ligada e ela poderia estar sem sono e assistindo.
- Tem câmeras de segurança na casa ou na rua? - Indagou e o companheiro respondeu que não. - Enfim... vou continuar procurando. Já ligaram para Alex?
- Ela está quase chegando. - abriu a boca, mas, antes que pudesse falar, Delko respondeu: - Não achamos a arma do crime ainda, aparentemente os dois morreram a facadas.
caminhou até a cozinha, mas esta parecia intacta. Aliás, tirando os corpos – e o sangue provido deles - toda casa parecia intacta, nada parecia fora do normal, o que fez a agente excluir uma tentativa de roubo que acabou mal. Até porque, aparentemente, o patriarca da família estava dormindo no momento, então não tinha razão para assassiná-lo nesse caso. Voltou a avaliar o cômodo e abriu as gavetas em busca de facas. Todas as que achou colocou sobre o balcão, deixaria para Alex, a legista, analisar depois.
espirrou a mistura de luminol sobre as facas para conferir se havia algum vestígio de sangue e depois acendeu a luz ultravioleta por cima. Apenas uma faca apresentou a coloração florescente na junção entre o cabo e a lâmina, mas isso não significava muito, já que poderia ser sangue animal. A mulher separou a faca dentro de um saco de evidências e continuou olhando a casa. Quando acabou a cozinha foi direito para a sala encontrando Alex ajoelhada próximo ao corpo. Não precisava ir ao andar de cima, pois este já estava sendo vistoriado por outro agente, então aproveitou para se informar do que Alex tinha conseguido descobrir.
- Com certeza, os cortes são de uma lâmina, mais provavelmente uma faca, de aproximadamente 8 polegadas, 20 centímetros… - Abriu os cortes para observar melhor. - A pessoa foi incisiva na hora de fazer. Não tem sinais de exitamento, quem fez isso estava com raiva e determinado.
- Alex, a faca seria como essa? - Abriu o kit e mostrou a faca que tinha separado.
- Absolutamente. Estava na casa?
- Faz parte do faqueiro da família. - As agentes se olharam como se trocassem pensamentos. - Qual foi a hora da morte, All?
- Pela temperatura do fígado, eu diria que duas horas. - olhou o relógio.
- Isso coloca a hora da morte entre sete, sete e meia. O garoto é um adolescente… impossível estar dormindo essa hora.
- Tem alguma coisa errada nessa história. - balançou a cabeça em concordância com a legista.

24/12/14 – 11:24PM – ’s House Horatio estacionou em frente à casa de faltando pouco menos de uma hora para o Natal. Os agentes desceram do carro rapidinho e logo entraram na casa, fazendo os amigos darem um grito de felicidade. decidiu não trocar a roupa de novo, pois já estava cansada, mas, enquanto não dava meia-noite, continuou a dançar com Delko. E depois com . E Caine. E Calleigh. E todos da festa.
Colocaram o relógio do celular para avisar da contagem regressiva, então quando faltava um minuto para meia-noite ficaram atentos a notificação. A primeira a gritar, como já era esperado, foi , mas claro que dessa vez todos os outros seguiram.
- 10!
- 9!
- 8!
- 7!
- 6! - Se olhavam sorrindo com as taças de champagne na mão.
- 5!
- 4!
- 3!
- 2 e…
- Feliz Natal! - Gritaram brindando e já partindo para o abraço.
- Eu amo vocês! - gritou pulando no sofá, o que fez com todos rissem.

25/12/14 – 12:00AM – ’s House

O Natal dos era bem menos agitado. Entre governar uma empresa e ser uma das modelos mais famosas do mundo, a vida dos irmãos já explodia em agitação, então no Natal eles simplesmente separavam um momento para os dois passarem juntos – as vezes com a intromissão de -, jogando jogos de tabuleiro, vestidos com aqueles casacos de lã cafona e bebendo algo quente. Os irmãos só perceberam que o Natal já tinha chegado quando ouviram os fogos.
- Já é Natal. - trouxe a xícara para perto da boca para dar um gole após falar. Os dois estavam sentados no chão, um de frente para o outro e com um tabuleiro no meio, jogando Detetive. sorriu para ela.
- Feliz Natal, meu doce. - Se levantou e sentou ao lado dela, a abraçando de lado.
- Feliz Natal. - Ela retribuiu o abraço. - Eu te amo.
- Eu também te amo. - Ele disse enchendo a bochecha dela de beijos e a fazendo rir.

28/12/14 – 11:24AM – AICS’s Head Office

De volta a vida real, se viu perdida em meio a dois casos sem resposta. De um lado, um carro misterioso que levava a vida de dois irmãos, de outro um assassinato sem possível motivação e sem respostas conclusivas. Até agora. A agente sorriu olhando que Valera, do laboratório, a tinha bipado.
- Fala, querida. - Disse assim que passou pelo portal de vidro.
- Ah! Oi, . - Maxine sorriu. - Aqui estão os resultados. O sangue é humano, sim. - Informou a princípio, o que fez já entender o resto.
O resultado tinha dado positivo para sangue humano e compatível com o da senhora Hellman, a que tinha sido assassinada no Natal. Mas mais uma coisa peculiar havia lhe chamado atenção. A agente mordeu o lábio inferior, soltou um breve obrigada a Valera e correu para a sala de Caine.
- Lucas é o assassino do casal Hellman. - soltou rapidamente.
- O que? - Caine demorou a entender sobre o que sua perita estava falando.
- O caso do Natal. O garoto matou os pais. - Caine sentou na beirada da mesa e cruzou os braços.
- O que te faz pensar isso?
- O resultado do DNA da faca saiu, é da senhora Cecilia Hellman.
- Isso não quer dizer que o menino a tenha matado.
- Eu sei, presta atenção. A Valera conseguiu uma digital e algumas parciais na faca… Adivinhe com quem elas batem.
- Lucas? Mas… - o interrompeu.
- Caine, ele estava calmo, desde sempre, quase num estilo sociopático. Não exitava em responder, não chorava, não mostrava sinais de que estava abalado com o fato de ter encontrado os próprios pais assassinados. A gente sabe que leitura corporal e emocional não diz nada para os juízes, mas somando isso ao fato de que ele demorou para ligar para polícia e que a faca que foi lavada continha a digital dele… eu acho o suficiente.
- Pera, vamos rebobinar, ainda não entendi.
- O que tem para entender, Horatio? Como a digital dele estaria na arma do crime se a mesma foi lavada depois do crime? Ele não teria porque pegar na faca, a não ser que ele tivesse matado e tivesse lavado a faca depois. Fora que não há sinais de entrada forçada, nada foi roubado, nenhum dos vizinhos ouviu nada e todos disseram que ninguém teria algo contra o casal. Quem matou os Hellman foi alguém da confiança deles, não há sinal de defesa da parte deles, provavelmente nem acreditaram que aconteceria algo assim.
- Eu vou juntar as evidências do caso e tudo que sabemos até agora. - Pegou os papéis da mão dela. - Sabe que terá que testemunhar, não sabe? - Arqueou as sobrancelhas.
- Sem chance. Coloca a Alex. Se você me botar pra testemunhar, eu vou faltar e você será notificado. - Horatio riu.
- Sai daqui e vai trabalhar, .
- Como sempre. - Suspirou se fingindo de cansada.
- Alguma notícia sobre o Porsche? - Horatio indagou antes da se afastar demais. Ela parou.
- Não, eles vão desmontar o carro para ver o número do chassi.
- A placa?
- Fria. E ninguém colocou alerta, nem colocarão.
- Eu vou tentar dar uma olhada no carro antes deles sucatearem… Não tive a oportunidade fazer isso.
- Boa sorte. - Caine desejou e ela sorriu, respondeu um “obrigada” e foi em direção ao pátio.
A começou olhando a lataria do carro, mas não encontrou nada extraordinário, seguiu para o porta-malas, mas encontrou apenas algumas fibras dispensáveis. Começou a examinar o interior, olhando até mesmo a parte cheia de sangue do filho do deputado.
Olhou os bancos, entre os bancos, abaixo dos bancos, até o tapetinho do carro, porém nada ali. Foi para a parte da frente e fez a mesma inspeção, bancos, meio, abaixo, lados, já estava quase desistindo quando percebeu uma mancha abaixo do volante. Tirou os óculos do kit – os colocando logo em seguida -, o cotonete e a solução de fenolftaleína, passou na mancha e sorriu ao ver a forte cor rosa, indicando sangue.
Era quase impossível que aquele sangue fosse de Harris, estava em um padrão muito diferente e, talvez, aquela fosse a pista que precisavam para prosseguir com o caso.
Pegou uma amostra e correu ao laboratório de Tim, insistindo para que ele rodasse aquilo o mais rápido possível, em menos de meia hora, um nome piscava na tela: .


Capítulo 6

“Só avalie o trabalho ao final do dia e com a tarefa cumprida.”
(Elizabeth Barrett Browning)



28/12/14 – 1:17PM – AICS's Head Office

estava há meia hora tentando entender o porquê do alvoroço geral quando ela citou o nome de como match para o sangue no carro. Ela sabia que a qualquer momento, quando percebessem que ela não estava alvoroçada do mesmo jeito, iriam começar a tirar sarro dela por não ser ligada no mundo pop ou sei lá o que.
- Você não faz ideia de quem seja, né? – Caine sussurrou do lado dela. A agente apenas negou e soltou um muxoxo. – Dica: é um empresário bem famoso. – Ela riu e sussurrou um “obrigada” para ele.
Quando o alvoroço passou, Wolfe foi o primeiro a começar a perturbação.
- Você sabe quem é ele, ? – Falou com um sorriso maldoso.
- Eu sei que ele é empresário. – Falou rápido. – Famoso. – Todos riram. Era óbvio de que ela não fazia ideia de quem era .
- Você é uma péssima mentirosa. – Calleigh apontou e a mocinha deu de ombros.
- Eu sei que ele é lindo. – Natalia disse com um sorriso safado.
- Se é. – Calleigh concordou e as duas começaram a cochichar olhando a foto do suspeito.
- Você está vendo isso, Erik? – Ryan sinalizou para Calleigh e Natalia.
- Eu estou, sim. – Se fingiu de bravo e a namorada jogou um beijinho para ele.
- É... Ele é bonito. – comentou, depois que chegou perto das amigas para observar a foto.
- Bonito? Ele é lindo! – Calleigh se empolgou e fez o namorado gritar um “ei”.
- Tenho impressão de conhecer ele de algum lugar. – comentou novamente.
- Deve ser da TV. – Natalia respondeu.
- Ou das baladas que você vai com seus amigos riquíssimos. – Wolfe implicou e ela riu.
- Voltando ao que importa, - salientou. – Eu vou pedir para um dos oficiais entrar em contato com ele. Agora eu vou almoçar. – Fez o caminho para sair da sala, enquanto ouvia um coro de “eu também” atrás dela.

28/12/14 – 4:00PM – AICS's Head Office

estava sentada em sua sala particular quando um agente veio informar que o famoso empresário havia chegado. Ela ajeitou as coisas que estavam na mesa e pegou a pasta do caso.
Ao chegar na sala de interrogatório, reparou que o homem não parecia nem um pouco preocupado em estar ali, ele estava relaxado, com os cotovelos apoiados na mesa e o celular na mão.
- O senhor é uma pessoa difícil de contatar, senhor . – Ela anunciou empurrando a porta de vidro.
No momento que ele olhou para ela, ela sentiu a boca secar se lembrando muito bem de onde conhecia ele, principalmente quando ele lhe ofereceu um sorriso nada bondoso de canto de boca.
- Sou um homem de negócios, senhorita...?
- . – Respondeu e continuou com o interrogatório. – No domingo?
- Senhorita . Você, também está trabalhando hoje, não? – Ela deu de ombros. – Eu não te conheço de algum lugar? – sabia bem que ele estava apenas fingindo uma amnésia e, por isso, não caiu no jogo dele.
- Sim, na, semana passada, eu estava na Blackbird com meus amigos e você não parava de olhar para a gente. Acho que era o destino mostrando que você seria meu próximo suspeito. – Ela sorriu sem vontade, enquanto mexia na pasta puxando algumas imagens para fora. Olhou para ele a tempo de vê-lo engolindo em seco.
Separou as fotos do carro para ele, assim como as fotos do corpo de Jonathan e do assassino do mesmo. Começou virando a foto de John Martin, assassino de Jonathan, para ele.
- O senhor reconhece esse homem? – Observou bem a expressão do homem.
- Não. Nunca vi. – Continuou olhando para foto mesmo após responder, o que significava que ele estava sendo sincero e procurando em sua mente se, por acaso, já tinha esbarrado com o homem. – Eu deveria conhecê-lo? – Deixou de olhar a foto para olhar a agente.
- Não sei. – Virou algumas fotos do Porsche para ele e recolheu a do assassino. – E esse carro? Reconhece? – Ele mordeu o lábio inferior.
- Sim. Era um dos meus carros, ele foi roubado. – Deu de ombros, ainda parecia relaxado.
tirou um tempo para observar a postura do empresário. Estava com o paletó apoiado na cadeira que estava sentado, vestindo apenas a blusa e a calça social, ambos em um tom médio de cinza. A postura tranquila desde o momento que a agente o vira pela primeira vez condizia com suas palavras, já que em momento algum ele se exaltou ou perguntou sobre o que era aquilo tudo. O homem parecia muito centrado e livre de culpa. Ele observava o fato dela olhá-lo, parecendo estudá-la também.
- É só isso? – Ele perguntou e ela negou.
- Seu carro, - apontou as fotos. – Foi encontrado por esse homem, - mostrou a foto de John novamente. – Em um beco, cheio de sangue de um dos filhos de deputado Harris.
- Bom, como eu disse, ele foi roubado.
- O senhor não se preocupou em dar queixa? Ou acionar o seguro do seu carro? – Ela não deixou ele responder. – John é acusado do assassinato de Jonathan Harris. – Mostrou as fotos do corpo de Harris. – E, agora, ele achou o seu carro com sangue do irmão de Jonathan, Joseph. Sangue o suficiente para o declararmos como morto.
- Senhorita... , certo? – assentiu. – Não é querendo ser esnobe, mas o Porsche é um dos carros mais baratos que eu tinha, tenho coisas mais sérias a me preocupar do que o roubo dele. Sobre Joseph ou Jonathan, os irmãos Harris, sinto muito, mas não tenho nada a ver com isso.
- Achamos seu sangue no carro. A única coisa que tinha no carro era o seu sangue e o de Joseph.
- O carro já foi meu, acho que é normal ter meu DNA nele.
- Você não me parece preocupado em ser suspeito.
- Eu sei que não fiz nada e também sei que se tivesse algo concreto contra mim, eu já estaria algemado e na cadeia. – assentiu. – Se for apenas isso, eu realmente preciso ir, cancelei duas reuniões para estar aqui.
- Onde e quando o senhor ou o seu carro foi roubado? – Pela primeira vez, durante toda conversa, viu a expressão do homem se perturbar um pouco.
- Meu motorista estava indo me buscar na Blackbird, - olhou para ela sorrindo. – Eu tenho costume de ir lá, no meio do caminho pararam ele e levaram o Porsche. Se não me engano, foi na primeira semana do mês.
- Se lembra que rua exatamente? – Ele pareceu pensar.
- Sudoeste 18th Road. – anotou no bloco.
- Mais uma coisa, onde estava na madrugada do dia 15? – Ele tirou o celular do bolso para olhar na agenda.
- É pessoal. – arqueou as sobrancelhas. – Você precisa mesmo saber? – Ela continuou o olhando incisiva. – Eu estava transando. – revirou os olhos, começando a recolher as fotos. Típico de um cara como ele.
- Você está liberado, senhor .
- Pode me chamar de , senhorita . – Sorriu para ela. – Aqui está meu cartão, caso precise de algo. – Entregou na mão dela, pegou o paletó e saiu de sala.
Depois de alguns minutos, organizando o que tinha escutado, anotando o que achava importante e arrumando a pasta, a agente também deixou a sala.
Bipou seu chefe para avisar que deixaria os arquivos em sua sala privada e, em seguida, foi para casa.

28/12/14 – 6:00PM – ’s House

A agente chegou em casa completamente aborrecida. A única pista que tinha conseguido do caso tinha dado em um beco sem saída, o trânsito estava um horror por causa de um bastardo qualquer que tinha batido o carro e, para completar, o próprio carro começou a fazer um barulho estranho no meio do caminho. Ela tinha certeza que aquele barulho daria trabalho.
Deixou as bolsas e a chave acima do balcão da cozinha, tirou os saltos e procurou a sobra do vinho de Natal na geladeira. Bebeu em um copo qualquer, não se importava em usar taça a não ser que fosse alguma data especial. Se jogou no sofá e mandou mensagem para perguntando como estava o Brasil – a modelo estava lá desfilando.

28/12/14 – 8:00PM – ’s House

- Você foi chamado na polícia? – Foi a primeira coisa que ouviu assim que colocou os pés dentro de casa.
O empresário riu. A irmã estava com os olhos arregalados e uma feição preocupada o olhando.
- Tecnicamente, não. – Jogou a maleta e a si mesmo no sofá. – Eu fui chamado pelo AICS.
- , isso não é brincadeira. – Repreendeu ao ver que o irmão ria. – O que aconteceu?
- Se eu soubesse que você ficaria assim, não teria mandado te avisar. Não foi nada demais, , eles apenas encontraram um carro meu.
- Te chamaram no AICS porque encontraram seu carro? – Perguntou desacreditada.
- Tinha alguma história de sangue envolvida... Não me lembro muito bem. – Foi vago propositalmente.
- !!! – Ouviu a voz da mais nova sair esganiçada e riu.
- Não se preocupa, não foi nada demais. De verdade. Se fosse, eu não estaria aqui. – Ela mordeu o lábio inferior e se sentou ao lado dele.
- Você não fez nenhuma besteira, certo? – Perguntou manhosa enquanto deitava a cabeça no peito do irmão e o abraçava desajeitadamente. Ele riu de novo. – Você é meu único irmão, eu não posso ficar sem você.
- Ai, meu Deus! – Ele apertou ela. – Está tudo bem, eu já disse! Você não vai perder seu irmão. – Depositou um beijo no topo da cabeça dela. – O que você fez para comer? – Ela olhou para ele sorrindo sapeca.
- Seu prato predileto.
- Eu te amo. – Quase gemeu e correu para cozinha.
Lasanha era seu prato preferido. E, por Deus ser muito misericordioso, a lasanha de era a melhor possível.

28/12/14 – 9:00PM – ’s House

havia acabado de desligar o telefone onde falava com a mãe. Como sempre, a mulher arrumou um jeito de fazê-la sentir-se mal por quase nunca telefonar para os pais. A agente explicou que, por conta do trabalho, tinha a vida muito corrida, mas a mãe disse que não queria ouvir desculpas, o que fez com que a filha usasse a carta do “você nunca pode vir passar o Natal comigo”, fazendo, consequentemente, a mais velha trocar o assunto para se safar.
Conversaram sobre o trabalho da filha, sobre como estava indo o atelier de arte da mãe – que ela tinha acabado de abrir – e o trabalho do pai, dando aulas na autoescola. A matriarca também perguntou dos amigos de , pedindo detalhes das festas e saídas – não que tivessem muitas.
Por fim, se despediram e, agora, estava deitada de pijamas na cama, jogando uma espécie genérica de Candy Crush no celular, pronta para cair no sono.

~~~***~~~

Como estava de folga, na manhã seguinte ela decidiu ir à praia. Se não morasse em Miami, provavelmente não teria essa oportunidade, já que era época do inverno, mas como não era o caso, ela aproveitou a oportunidade. Claro que não iria a nenhuma praia no condado de Miami Beach, já que ela tinha trauma com essas praias.
Arrumou uma bolsa, com protetor, toalha, dinheiro, carteira, chaves e bronzeador, e colocou o biquíni. Iria à Hollywood Beach, então esperava que o carro continuasse apenas com o barulho estranho, sem dar problema.
Depois de 50 minutos, pela 95 Expressa, chegou. Desceu do carro, com a bolsa no ombro e os óculos de sol na cara, e caminhou até a areia, estendendo a canga no chão quando encontrou um lugar que lhe agradasse. Depois de deitada, catou o celular para mandar mensagem para algum amigo, amava ir à praia, mas odiava quando não tinha companhia. No entanto, nenhum lhe mandou uma resposta positiva.

29/12/14 – 11:00AM – Hollywood Beach

gostava de ficar livre na última semana de dezembro e no início de janeiro, por isso tinha trabalhado por todos os fins de semana do mês de dezembro para conseguir suas férias. Estava em casa com a irmã, quando o melhor amigo mandou mensagem o chamando para passear por Hollywood. Não que ele já não tivesse estado em Hollywood várias vezes, mas como o amigo trabalhava em um canal de TV ali, ele e a irmã sempre acabavam parando por lá nas férias.
Obviamente, deixou em oculto que o passeio deles, na verdade, seria na praia, isso porque o empresário não suportava areia, era mais um cara de piscina. Apenas quando já estavam na metade do caminho que a irmã soltou um “trouxe o seu calção” com um sorriso inocente nada inocente e antes que ele pudesse reclamar, ela colocou os fones de ouvido e virou a cara para a janela.
Estava desde que chegou, há exatas duas horas, embaixo do guarda-sol, bufando, enquanto falava no seu ouvido para ele apreciar as beldades de biquíni. Que beldades, afinal? Era segunda-feira! E mesmo que fosse época de férias, as pessoas não estavam interessadas em praia.
Ele só parou de bufar, quando reparou em uma figura chegando pela areia. Era coincidência demais, ele riu e abaixou os óculos observando a beldade.
- O que foi? – perguntou notando a súbita mudança de humor do irmão.
- . – Ele respondeu com um sorriso.
- Aquela ? – se intrometeu e apenas concordou com a cabeça.
- Que , gente? – perguntou perdida.
- Lembra a mulher da Blackbird que o ficou falando? – assentiu. – Ela é a .
- E porque você não vai falar com ela? – Cutucou o irmão.
- Porque ela também é a que interrogou ele ontem. Na verdade, foi assim que ele descobriu o nome dela. – soltou um gritinho, fazendo e arregalarem os olhos e este último puxar a revista da mão dela para esconder o rosto. Com certeza a agente teria escutado.
- Ela está olhando. – sussurrou encarando a agente que juntou as sobrancelhas encucada.
- É lógico que ela está olhando, você gritou! – Falou exasperado. – Você só me faz passar vergonha, . – Levantou, jogou a revista no colo dela e saiu para comprar um coco.
Quando estava voltando, viu a irmã acenando para , arregalou os olhos novamente e depois os revirou.
- , o que você está fazendo? – Se colocou na visão das duas, após ver que retribuiu o gesto.
- Sendo educada, ué. – Deu de ombros como se não fosse nada demais. – Vocês se conhecem, mesmo que profissionalmente, você deveria falar com ela também. – O empresário sentiu que a qualquer momento seus olhos sairiam das órbitas de tantas vezes que o rolava naquele dia. – Você já foi melhor nisso, aliás...
- Nisso o que? – Indagou confuso.
- Flertar.
- Eu não estou flertando.
- Claro que está. Ou pelo menos tentando, se não estivesse, não iria se importar tanto com o que eu faço ou não. Eu te conheço, Crossie. – Alisou o rosto do irmão sorrindo, enquanto o chamava pelo apelido de adolescência.
- Ótimo, com você acenando para ela e alisando meu rosto, ela vai pensar que você é alguma coisa minha.
- Por que está preocupado? Você disse que não estava flertando. – Ergueu as sobrancelhas.
- Você é um saco, . – Ela sorriu convencida.
- Vou resolver seu problema. – A morena falou, levantou, ajeitou o biquíni e puxou .
- O que foi? – perguntou confuso.
- Vamos nadar! – olhou de para e de para , depois voltou a olhar a pseudo-namorada e sorriu.
- Tudo bem. – Levantou animado, pegando-a no colo e correndo para água, fazendo a menina dar gritinhos dizendo que precisava se preparar para a água gelada.
novamente revirou os olhos.
Estava fora de cogitação ele ir falar com a agente.
Sem condições.
Ao contrário de , ele tinha senso.
Ficou de braços cruzados observando a irmã e o amigo na água.
Quando voltou do mar e percebeu que o irmão ainda não tinha ido falar com a agente, o circo foi montado; a morena não parou de insultá-lo, chamando-o de bundão, covarde e sem papo.
Encheu tanto o saco do mais velho, que este se levantou para ir ao mar e fugir do falatório da menina. Antes ele tivesse ficado para ouvir o falatório dela, pois ao voltar a areia a irmã não estava mais sentada no lugar que deveria, pelo contrário, ela estava deitada na areia ao lado da agente conversando e trocando risinhos.
- O que ela está fazendo lá? – Perguntou desesperado.
- Conversando. – deu de ombros.
- E você deixou?
- E desde quando alguém manda na ?
- , você é um bundão.
- Somos dois.
Bufou se encaminhando até o local que a irmã se encontrava.
- . – Chamou sem demonstrar a impaciência, mas com a voz firme.
- Ah! Oi, Crossie. – Usou toda sonsisse dentro de si para responder o irmão.
- Oi, Crossie. – olhou para ele com um sorriso sapeca.
- Oi, agente . Desculpa a minha irmã, eu pedi para ela não te incomodar, mas acho que tinha um pouco de areia no ouvido dela.
- Está tudo bem, o papo estava agradável. E pode me chamar de . – Franziu o nariz.
- Achei que você se apresentasse como agente sempre. – Ele provocou e ela mordeu o lábio inferior rindo.
desistiu de atrapalhar a conversa das duas. Elas pareciam ter se dado bem e, aparentemente, estava se comportando. Ele voltou para seu lugar original e, alguns minutos depois, voltou também – tagarelando sobre como a era legal.
Certo tempo depois, se levantou, arrumou suas coisas e foi embora, acenando para , e . Eles ainda ficaram por mais umas duas horas, só saíram quando o Sol já tinha se posto.

31/12/14 – 11:00AM – AICS’s Head Office

já estava há algumas horas no trabalho, apenas revendo papelada de casos, dando assinaturas e ajudando os novos agentes. Passou por algumas pastas até chegar na do depoimento de , analisou o que o homem tinha dito e colocou para rodar o áudio do interrogatório.
A agente sempre gostava de analisar os casos o máximo possível, observar bem as provas, a resposta corporal dos suspeitos, as fitas de áudio; tudo isso fazia com que ela fosse a excelente agente que era.
Ouvindo as fitas do interrogatório do empresário, ela notou algo que não tinha percebido na hora... Ele vacilou na hora de comentar do carro. É claro que poderia ser só por causa pressão, mas ela não poderia excluir a ideia de que tinha mais alguma coisa ali.
Se encaminhou até a sala de buscas, ouvindo o barulho de seus saltos ecoarem no chão, e sentou-se na cadeira de frente para a enorme tela do computador. Com a pasta em mãos, buscou pelo carro com rua, horário e dia... Nada. Tentou procurar dois dias antes ou dois dias depois, passou cada filmagem da madrugada, no entanto não encontrou nada.
- Filho da puta. – Sussurrou.
Tirou o telefone do bolso, caminhando rápido para a sala de Caine, e discou os números de Delko que atendeu imediatamente.
- Bipa o Wolfe, vai até a casa do . Ele está mentindo.


Capítulo 7

“Sabíamos que o mundo não seria o mesmo. Algumas pessoas riram, algumas pessoas choraram, a maioria ficou em silêncio.”
(J. Robert Oppenheimer)


31/12/14 – 03:30PM – ’s House

- , o que está acontecendo? – perguntou assustada assim que viu a agente.
Há cerca de 10 minutos, alguns policiais haviam praticamente invadido sua casa – bom, eles tinham batido na porta e mostrado um mandato, mas ainda assim ela se sentia invadida –, procurando por algo que ela não sabia o que era e lhe enchendo de perguntas sobre .
- , onde o está? – perguntou séria, com um bloco e uma caneta nas mãos.
- Ele está fora dos Estados Unidos. Foi para a Argentina, está abrindo uma nova empresa por lá. – bufou. – , o que está acontecendo? – Perguntou novamente e a mulher passou as mãos pelos cabelos devagar.
Ela não podia falar muita coisa, mas não queria deixar em pânico. A modelo era uma pessoa bacana.
- Seu irmão está sendo procurado pelo assassinato de Joseph Harris e, como ele não está nos Estados Unidos agora, está sendo considerado fugitivo. – arregalou os olhos.
Talvez explicar o que estava acontecendo também não fosse uma boa maneira de não a deixar em pânico.
- , pelo amor de Deus, é do meu irmão que estamos falando. não tem coragem de matar uma mosca, imagina uma pessoa. Nós estávamos na praia anteontem, você nos viu. Ele não está fugindo. Está viajando a trabalho. Meu irmão não fez nada. – A agente suspirou.
- Sinceramente, , não espero que você acredite que seu irmão é um assassino. Isso é algo completamente difícil e eu entendo, mas acontece. Agora eu preciso fazer meu trabalho. – Saiu a procura dos companheiros deixando a modelo para trás.
sentia seu rosto queimar... Os olhos começaram a arder e a garganta começou a secar. Seu irmão jamais faria algo desse estilo, ela confirmava isso com todas as suas forças. Caminhou até a cozinha e bebeu um copo d’água enquanto observava os agentes ainda fuxicando cada canto de sua casa.
A modelo pegou o celular e discou o número do irmão, pedindo aos céus, que ele lhe atendesse logo, mas ele não atendeu. Pelo horário, provavelmente ele estava em alguma reunião. Tentou, então, o de . Ela só precisava de alguém para lhe confortar. Após alguns toques, o homem atendeu e, ela estava tão nervosa, que não conseguia falar, então apenas deixou algumas lágrimas escorrerem pedindo para ele ir até a casa dela.
Quando chegou os policiais e agentes já tinham ido embora, mas ainda estava sentada na cozinha em choque. Não acreditava que uma coisa dessas estava acontecendo.

31/12/14 – 05:00PM – AICS’s Head Office

- Alguém conseguiu contato com ele? – perguntou assim que entrou no escritório que dividia com os amigos, mas não obteve resposta. – Droga, ! Droga. – Saiu da sala bufando.
- Aonde você vai? – Natalia correu atrás dela.
- Banco de dados.
- Que banco de dados, ? Nós já tentamos todas as comunicações de lá.
- Eu tenho o meu próprio banco de dados, BoaVista. É por isso que eu sou a chefe de vocês. – Deixou a amiga para trás.
- Metida. – Escutou ela gritar e riu.
- Continuem tentando contato. – Gritou de volta.
andou até o estacionamento rapidamente, ela sabia jogar com as cartas certas para ter resposta, por isso, em menos de meia hora ela voltou ao lugar que lhe daria todas as respostas.

31/12/14 – 05:27PM – ’s House

tinha o telefone pessoal de , ele tinha lhe dado, mas se ele tinha mesmo alguma culpa, não a atenderia de jeito nenhum, assim como não estava atendendo. Então que lugar melhor para conseguir falar com ele senão do telefone da própria irmã?
Suspirou e tocou a campainha, a porta foi aberta, segundos depois, por que lhe recebeu com uma careta.
- O que você quer agora? – Perguntou inconformada e a agente suspirou.
- Olha, , eu sei que isso não é fácil. Acredite em mim, eu sei, mas eu preciso da sua ajuda e se você realmente acha que seu irmão é inocente, você vai ter que me ajudar.
- O que você precisa?
- Preciso entrar em contato com o . Todos os meios que tentamos não estão funcionando.
- Eu já tentei ligar para ele, ele não atende. Deve estar em alguma reunião. – A agente assentiu.
- Posso entrar? – Perguntou e deu espaço. – Antes de mais nada, eu não estou aqui oficialmente, então não tenho o direito de mexer ou fazer nada. A não ser que você deixe. Mas eu ainda sou uma oficial da justiça, então qualquer coisa a minha vista continua tendo a possibilidade de ser uma prova, tudo bem? – Informou fazendo a morena assentir. – Tem alguém com você?
- O . Meu... Namorado, eu acho. – Suspirou e balançou a cabeça. – Enfim, é o outro que estava comigo na praia. – A agente acenou em compreensão. – Eu vou buscar meu telefone para tentar ligar de novo.
se sentou no sofá, observando a mulher dar as costas e subir as escadas lentamente. Pouco tempo depois, ela voltou com o telefone já no ouvido e com o rosto vermelho, sendo seguida por quem reconhecera como o cara da praia. Ela se juntou a e entregou o telefone para ela.
- Agente , com quem eu falo?
- Que droga está acontecendo? – Ouviu um grito do outro lado do telefone e revirou os olhos.
- Com quem eu falo? – Repetiu.
- Você foi na droga da minha casa pedir para minha irmã me ligar, com quem você acha que está falando? – Perguntou exaltado como se fosse obvio, mas ignorou.
- Alô. Com quem eu falo? – Tornou a repetir e ouviu o barulho de algo se quebrando do outro lado da linha.
- . , porra. sorriu.
- Ah, sim. Oi, senhor . – Falou com a voz mais gentil do mundo, enquanto observava comer os dedos a sua frente. – Minha equipe tentou contato com o senhor o dia inteiro, mas aparentemente o senhor não estava disponível. – Continuou calma, aproveitando a respiração forte do homem completamente nervoso. – O senhor é um grande suspeito de uma investigação nossa, inclusive já tínhamos conversado sobre ela antes.
- E eu já falei que não tenho nada a ver com isso. disse entredentes.
- Bom, não é o que as provas dizem. Afinal, o senhor mentiu ao dizer que tinha sido roubado. – deu um leve sorriso ao constatar que não ouvia mais a respiração do homem. – Se não voltar até amanhã, será considerado fugitivo e nós não queremos isso, certo? Não é bom para o seu nome e só vai me dar mais trabalho.
- Vou arrumar minhas coisas e pegarei o próximo voo. - Tudo bem. Minha equipe entrará em contato com o senhor de novo e é bom que atenda dessa vez. – Riu. – Nós lhe recepcionaremos no Aeroporto Internacional de Miami. – A desligou o telefone e se levantou, entregando-o de volta a dona. – Muito obrigada pela ajuda, . – Sorriu cordialmente. – Felizmente, tudo irá se resolver bem. Tchau, . – Acenou para ele e se dirigiu a saída.
- Tudo bem que nós não comemoramos o Ano Novo, mas precisava ser assim? – sentou-se no sofá emburrada.
- Talvez vocês devessem considerar comemorar. – se juntou a ela. – Bom, isso se o não for para a cadeia, né. – Deu de ombros e o olhou indignada.
- !
- O que? – Riu e passou um dos braços por seus ombros, dando-lhe um beijo na testa logo depois.
- Você é impossível. – A menina acabou por rir também.

31/12/14 – 06:13PM – AICS’s Head Office

- Nós conseguimos falar com . – Natalia falou assim que viu entrar na sala que dividiam.
- Eu sei. – Respondeu mexendo nos arquivos acima de sua mesa. – De nada. Ele informou o horário do voo?
- Disse que provavelmente chegará aqui as seis da manhã, no máximo sete. Pediu para não o buscarmos no aeroporto e Caine liberou. – bufou.
- Desde quando Caine tem coração mole? – BoaVista deu de ombros. – Saco. Eu vou para casa, Nat. Vai descansar também, amanhã nos encontramos aqui. Okay?
- Okay. – Natalia deu um beijo na bochecha da amiga. – Vê se relaxa.
- Filhos de deputado, Natalia.
- Você não vai comemorar? – A amiga perguntou e franziu a testa. – O Ano Novo, .
- Não. Eve me chamou para uma festa no apartamento dele, mas não estou com saco.
- Eu vou para um luau com uns amigos do México. Vou te passar o endereço, se quiser, apareça por lá. – assentiu sorrindo.
- Obrigada.

31/12/14 – 10:00PM – South Beach

Depois que foi para casa percebeu que não teria sentido ela ficar ali sozinha, se preocupando com algo que não deveria. Pelo menos não no momento. Por isso, decidiu se arrumar rapidinho e ir para o luau que Natalia tinha falado. Ela não queria algo tão animado quando a festa na casa de Eve.
- Eu sabia que você viria. – Natalia falou animada e a abraçou. – Pessoal! – Deu um gritinho chamando por seus amigos. – Essa é , minha amiga do trabalho.
BoaVista a apresentou para todos ali e, como esperado, eles eram tão simpáticos quanto ela. se permitiu sorrir e se divertir naquela noite, esquecendo das coisas que lhe afetavam.
Em algum ponto da noite, Natalia perguntou se a agente gostava de homens latinos e prontamente respondeu que gostava de homens, o que lhe rendeu uma virada de ano aos beijos.
Ela voltou para casa apenas quando era cinco da manhã, com BoaVista em seu encalço, já que as duas precisavam trabalhar. Dormiram juntas na cama de por poucas horas, as oito da manhã levantaram apressadas para chegar ao trabalho. Àquele ponto, já deveria ter sido interrogado.

01/01/15 – 09:30AM – AICS’s Head Office

ignorou a bronca que Horatio tentou lhe dar assim que ela colocou o pé na sede da empresa, ela o interrompeu perguntando se alguém já tinha falado com o empresário e ao ouvir a resposta negativa, deu-lhe as costas para fazer seu trabalho.
não estava enjaulado. Estava sentado na sala de interrogatório, sem algemas, com um policial o observando do lado de dentro e o outro do lado de fora. Vantagens de ser rico, era o que presumia.
Ela sorriu para ele assim que entrou, colocando um tablet na mesa, virado para ele.
- Bom dia, . Gostaria que você desse uma olhada nesse vídeo. – Apertou o play e mostrou o vídeo que tinha no tablet, sem tirar os olhos de cada reação dele.
O vídeo, de cerca de 20 minutos, mostrava em câmera rápida algumas ruas, as imagens ficavam lentas quando algum carro passava e o vídeo aproximava a placa.
- Isso era para significar alguma coisa? – Ele perguntou confuso quando o vídeo finalizou e ela sorriu novamente.
- Me diz você. Estas filmagens são do horário da madrugada que você falou que seu carro foi roubado. Contém uma margem de erro de dois dias para mais e para menos, assim como de horário, já que você poderia ter se enganado ao me passar seu depoimento, mas, como você viu, seu carro não aparece em nenhum momento. – A agente cruzou os braços, ainda sem tirar os olhos dele. – Preciso de um motivo muito bom, , para não te mandar daqui para a cadeia.
- Se você fosse me mandar para cadeia, já teria feito isso.
- Você não é um agente federal. Eu sou. Então não me conteste, responda as perguntas. – Falou séria e o empresário engoliu em seco. - Seu depoimento foi completamente vago do início ao fim. Você não sabia exatamente quando tinha sido roubado, em que rua, nem o horário.
- Eu te falei quando.
- Você deu meias informações.
- Seu álibi para o dia 15 é de que estava transando. Eu não sei se você, conhecedor da lei, sabe, mas esse é o tipo de álibi que te deixa encrencado. Ele não tem base, a testemunha é apenas você e a parceira, ou parceiro, que você pode ter pago. A não ser que você tenha ido a um hotel, ou apareça em alguma câmera de segurança no dia 15, eu tenho todo direito de te mandar para a cela quatro por quatro que temos aqui. Para completar, o seu carro, segundo as câmeras de segurança que você acabou de ver. – Apoiou o dedo no tablete. – Não estava onde você falou que estaria.
suspirou pesadamente e esfregou a nuca com a mão direita.
Merda, merda, merda.
Mil vezes merda.
arqueou uma das sobrancelhas para ele.
- Você tem como provar que estava com alguém no dia 15? – Ele negou.
- Eu não estava, .
- Agente .
- Eu não estava, agente . – Ele revirou os olhos.
- Aonde você estava, ?
- Numa luta clandestina. Era lá que eu estava no dia 15 e na semana que perdi meu carro, na verdade, perdi meu carro na luta. – franziu a testa.
- Você não tinha dinheiro para pagar?
- Eles queriam o carro como seguro para eu lutar. – A agente fez uma careta surpresa.
- Uau. E você está me contando isso por quê...?
- Porque eu prefiro pagar uma multa por ter me envolvido numa luta do que ficar preso por ter cometido um crime que não cometi.
- Suponho que você não tenha como me provar que estava numa luta clandestina.
- Não. – Ele apoiou os cotovelos na mesa, apoiando o rosto nas mãos em seguida. – Droga.
- Quais dias essas lutas acontecem?
- Todos os dias.
- Alguma preparação especial para ir? Algum tipo de roupa diferente?
- Não. Roupa normal, dia-a-dia. – Ela assentiu.
- Vamos então. – Se levantou.
- Vamos aonde?
- Para a luta, . Você vai ter que arrumar um jeito de me provar que estava lá no dia 15.

Continua...




Nota da autora: Sem nota.


Qualquer erro nessa fanfic e reclamações somente no e-mail.




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