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Última atualização: 28/12/2020

Capítulo 1

- Dave, acalme-se. – Roger dizia, vendo o guarda/grande amigo andando de um lado para o outro na sala de reuniões.
- Roger, minha filha sofreu um atentado por um de nossos guardas por mandato de alguém daqui. – Dave respondeu, furioso. – Minha filha poderia estar morta.
-Eu sei, vamos resolver isso. – Rei Roger passou as mãos nas costas do amigo e logo depois viu o filho mais novo de Dave entrar em fúria na sala, junto com seus dois filhos. – Benjamin? ? ?
- Era para parecer suicídio. - Ben falou, tremendo.
- Encontramos essa carta de suicídio. - , abalado, disse, entregando ao pai a carta que encontraram na cabeceira da cama de .
- Não é a letra do Kendrick. – começou a falar. – Também não é a letra de , mas é uma letra que eu conheço, só não me recordo de quem.
- Vamos interrogar aquele homem pela manhã novamente, até que ele fale quem mandou para matar , caso ele não fale, iremos começar as investigações, pegaremos as letras de todos desse castelo. – Roger falou e depois encarou Dave, que estava chocado lendo a carta. – Vamos pegar e punir essa pessoa, meu amigo, eu te prometo. - assim que ele terminou a frase, Lady Devimon entrou na sala como um foguete, ao lado de Denver.
- Dave, Benjamin, Denver, eu sinto muito pelo que acabou de acontecer com . – ela segurou as mãos de Dave. – Eu lhe prometo segurança máxima para a garota pelos próximos dias, até pegarmos o monstro que fez isso. Rei Alan disse que vai deixar guardas aqui apenas para proteger .
- Céus, tem o Alan ainda para cuidarmos. – passou as mãos no rosto. – Pelo menos acho que vamos conseguir o acordo.
- Única coisa boa por aqui. – Dave sorriu sem mostrar os dentes. – Vou avisar Karin que está bem, ela deve estar enlouquecendo depois da ligação de um certo alguém.
- Me desculpe, não podia deixar de contar para a mãe dela que a filha quase morreu. – Denver falou, na defensiva. – Vou rondar o castelo e mais tarde fico com .
- Não, filho, vá descansar, você e sua família estão dispensados por hoje. – Lady Devimon falou, prontamente. – Vão se cuidar.
- Obrigado, majestade. – Ben fez uma reverência e saiu da sala com Denver, indo para seus quartos. Já Dave, foi resolver mais problemas.
Em Avallon, estavam tendo ataques diários em diversas cidades, especialmente nas divisas de Taim com South Camp, cidade do reino de Vantron, estava tudo sem controle. Avallon precisava fechar contrato com Agartha, para uma maior proteção para os dois países. Avallon, Agartha e Vantron faziam a maior tríade do mundo nesse século, eram os países maiores e poderosos, uma guerra entre si causaria o maior estrago para o resto do mundo, mas o maior problema para todos ali, era o atentado contra a vida de .

~ POR ~


Eu tremia, eu não tinha palavras para descrever o que estava sentindo. Uma mistura de medo, raiva, tristeza, e para ser sincera, curiosidade e receio, para saber os motivos que levaram alguém a tentar me matar. Kendrick e eu nunca fomos próximos, eu atazanava a vida dele e deixava bem claro que não gostava dele, assim como ele fazia comigo, mas não havia motivos suficientes para isso. Não queria acusar ninguém, e ao mesmo tempo em que queria saber quem foi, eu não queria. Estava tão confusa.
- , seus exames estão ok. – Dr. Poirot entrou no meu quarto hospitalar. - Você é minha paciente mais frequente, se continuar assim, vou colocar sua foto como paciente do mês. – ele conseguiu tirar um sorriso de mim, mas na realidade, eu estava me segurando para não chorar. – Oh, minha querida. – ele me abraçou enquanto eu respirava fundo, tentando conter o choro. - Você é a pessoa mais forte que eu conheci, eu sou muito grato por ter te conhecido.
- Forte? - ri pelo nariz, secando uma lágrima teimosa que insistiu em cair.
- Não conheço ninguém tão jovem que passou por tantas coisas e ficou de cabeça erguida. – Poirot se sentou ao meu lado. – Sei que você não está pensando na Coroa agora, e, sinceramente, você nem pensa nela, mas eu, um mero senhorzinho metido a médico, iria me curvar para você e amar ter você como rainha.
- Eu acho que não me querem. – disse, sorrindo sem mostrar os dentes. – Mas obrigada por isso...
- Respire fundo, leve o tempo necessário para se recuperar, erga a cabeça e volte para a sua luta. – ele segurou minha mão antes de levantar. – Muita gente conta com você, minha filha, não deixe que uma pessoa infeliz tire de você a sensação de ser amada e querida. Provando isso para você, tem um carinha e três moças ali fora, esperando para falar você.
Sorri, triste, vendo-o partir e respirando fundo para receber a próxima pessoa. Me surpreendi ao ver Alan ali, ele carregava uma rosa branca, não pude nem ter qualquer reação, Alan veio e me deu um abraço que me aliviou, um pouco, pelo menos.
- Ah, ... Vim assim que soube. – me ajeitei na cama. – Não imagino como você deve estar se sentindo, mas queria que soubesse que estou aqui e minha proposta ainda está de pé.
- É horrível isso que eu estou sentindo. – comecei a falar e olhei para ele. – E eu te acho um partidão. – ri, vendo-o dar aquele sorriso brilhante. – Mas você merece ficar com alguém que ame. – ele abriu a boca, mas eu o interrompi. - Não importa a sua opção sexual, você é um líder incrível e seu povo é igual a você. Talvez sua sexualidade seja um tabu ainda, mas você passará por isso.
- Se eu ordenar, você aceita? - rimos juntos e logo depois ele segurou minha mão. - Nem depois de um atentado você deixa de ser sensata?
- É um dom. – sorri, recebendo um empurrãozinho dele. – Eu adoraria ser sua rainha, mas nós dois seriamos infelizes... Você merece toda a felicidade. – ele sorriu, me dando um longo beijo na testa.
- Eu espero que um dos três paspalhões te faça feliz. – mal sabia ele que eu não podia ficar. - E você sempre terá um lugar em Agartha. Sempre.
- Pelo menos eu arrumei um amigão... Obrigada, Alan. - abracei ele. Era inevitável, eu tinha feito amigos incríveis, e tudo foi graças à Seleção.
- Espero não estar atrapalhando. – era a voz de Summer, uma das últimas pessoas que esperava ver. – Sinto muito pelo que você passou hoje. – ela me surpreendeu com um abraço, ultimamente ela vinha me surpreendendo demais. – Tem algo que eu possa fazer por você?
- Nós. - Beth apareceu, me fazendo rir.
- Eu também. - era Sam. Aquela foi a deixa de Alan, que saiu rindo daquela cena, mas prometendo que voltaria.
- Vocês me acompanham até o meu quarto? – sorri, estendendo a mão.
Minutos depois, esqueci completamente do que havia acontecido, pois por alguns minutos, furacão Summer e Beth terremoto eram de torrar a paciência de qualquer um, mas eu estava amando ver o improvável. Summer sendo uma das melhores pessoas que passaram na minha vida naquela estadia do castelo, e Lizzie sendo a pior delas. As meninas não tocaram no assunto que havia acontecido, tentavam me distrair e eu apenas aceitava essa ajuda, estava funcionando.
- O que é isso? - perguntei para três guardas na porta de meu quarto, eu não conhecia nenhum deles. Havia segurado o braço de Sam, foi involuntário.
- Nós ficaremos de guarda para você, senhorita . – um deles começou a falar.
- Não, eu nem conheço vocês, eu não quero. – falei, mais alterada que o normal. Escutava as meninas pedindo para que eu tivesse calma, mas eu não conseguia.
- Entendo, senhorita, mas são ordens, e...
- Vão embora, eu não quero vocês aqui. – o homem olhou para mim e seu olhar mostrava empatia, eu não queria ser rude, mas as circunstâncias mudaram para mim. Ele me encarava, mas percebi que o olhar havia desviado para quem vinha atrás de mim. Segui aquilo e dei de cara com meu pai e .
- O que está havendo aqui? - Dave perguntou, sério.
- Major. – os três fizeram uma reverência e um deles explicou o motivo.
- Meninas, obrigado por acompanharem ... Peço que se cuidem, os guardas de vocês estarão atentos para qualquer coisa, cuidaremos dela agora. – , carinhoso, começou a falar. Agora sim eu reconhecia aquela personalidade. Elas se despediram de mim com um abraço longo, respirei fundo e observei elas indo embora, todas deslumbrantes com seus vestidos de festa, afinal, o baile ainda estava acontecendo. - Senhores, façam a ronda, nós cuidaremos de . – eles fizeram mais uma reverência e se retiraram. Entrei no meu quarto e assim que a porta se fechou, corri para os braços de meu pai. Naquele instante, parecia que tudo iria ficar bem, realmente parecia que ele nunca iria me soltar e eu ficaria protegida pra sempre.
- Minha filha... - ele disse, depois de alguns minutos abraçado comigo. - Nós pegaremos a pessoa que fez isso.
- Já não pegaram? - perguntei, assustada.
- Filha, foi o Kendrick. – Dave começou a falar, me soltando do abraço. Por incrível que pareça, eu não estava tão surpresa quanto achava que ficaria.
- Então por que você disse que vai pegar quem fez isso?
- Encontraram uma carta aqui, . – falou pela primeira vez desde que havia entrado no quarto. – Era uma carta de suicídio. Era para parecer que você tinha se matado... Nós não sabemos de quem é a letra ainda, mas vamos começar uma investigação amanhã.
- Eu quero ver a letra. – o encarei, séria. - A gente sabe quem pode ter feito isso.
- Não vamos tomar decisões precipitadas. – meu pai colocou a mão em meu ombro. – Vamos fazer isso do jeito certo, ninguém entra e ninguém saí desse castelo até resolvermos tudo isso.
- Por isso a segurança está redobrada. – se aproximou de nós.
- Não conheço aqueles homens, não quero que eles cuidem de mim, é mais fácil me deixarem com uma arma. – eles se encararam. Ambos pareceram pensar na hipótese, mas fizeram uma careta juntos e negaram com a cabeça. - Eu ficaria mais à vontade.
- Eu não, minha filha com uma arma? Ainda mais nessas circunstâncias? - Dave começou a falar, andando pelo quarto e analisando as coisas. - Você seria o terror do castelo.
- Eu não confio neles. – eu parecia mimada, mas naquela situação, eu realmente não confiava em ninguém quase.
- Eu confio, filha.
- Confiava em Kendrick, e olha o que aconteceu. – ele olhou para , que fez uma cara de “touché”.
- Nunca confiei nele. – ele admitiu, me fazendo respirar fundo. – Montei a minha equipe de confiança, , você estará segura.
- Como vou saber quem são da sua equipe de segurança?
- Ben sempre estará por perto, Denver quer ficar aqui para cuidar de você também. - aquilo partia meu coração, meus irmãos tinham uma vida antes de virarem babá.
- E para você ficar mais segura e eu ficar mais seguro de que você está bem... Podemos fazer um sinal com eles, para fazerem sempre quando forem se aproximar de você. - colocou a mão em meu ombro.
- Isso não basta, qualquer um pode perceber isso e fazer para tentar me enganar. – eles se encararam. – Pai, faça uma marca na roupa da sua equipe, sei lá, um ponto branco na boina, um ponto vermelho no punho, é uma segurança a mais e a que vai provar que estou com sua equipe mesmo, só assim vou me sentir segura sem um de vocês por perto.
- Você é um gênio. - ele sorriu, me dando um abraço. - Deixarei tudo pronto e te aviso assim que fizer isso. Nosso sinal vai ser na reverência, três segundos a mais curvado, esse é o código.
- Obrigada, pai.
- A marca na roupa pode ser o ponto vermelho no punho, o Major pode fazer isso com tinta quando tirarem o uniforme, caso contrário, só dê ordens de que isso é feito apenas para marcarem quem está perto da promoção de cargo, eles vão cair. – se sentou na cama, Dave o fuzilou e o mesmo levantou rapidamente. Eu quis rir da cena, mesmo nos piores momentos, eles conseguiam tirar o melhor disso.
- Perfeito, vamos comigo fazer isso, alteza? - Dave perguntou, segurando o braço do garoto.
- Nã...
- Vamos sim, precisa descansar.
- Mas eu queria...
- Me ajudar. – Dave completou, observava a cena com a sobrancelha arqueada. bufou, me deu um longo abraço prometendo em meu ouvido que voltaria, e logo saiu, acompanhado de meu pai. Era uma surpresa ver que Dave era do tipo ciumento, achei engraçado, meu pai querendo me proteger. Eu achava que não precisava de ajuda de ninguém, mas apenas em uma situação, eu vi que tudo havia mudado, eu precisava sim de ajuda.
Alguns minutos depois disso, Olivia entrou em meu quarto e disse que passaria a noite comigo. Pela primeira vez, eu não insisti para ficar sozinha, eu queria ela ali comigo. Ela chorou quando me abraçou, dizia que não imaginava uma monstruosidade dessa acontecendo comigo, que eu sempre passava por uma situação ruim, que não aguentava me ver sofrer. Aquilo me deixava triste, afinal, ela era uma pessoa tão importante para mim, eu não queria vê-la triste.

(Coloque para tocar)


- Querida, está tudo bem, quer dizer... Vai ficar – sorri, fazendo-a sentar-se na cama, a barriga estava enorme e tão linda, nem acreditava que haviam se passados tantos meses desde que cheguei no castelo.
- Sinto muito por tudo isso.
- A culpa não é sua. – segurei sua mão. - Eu estou bem.
- , eu sei que o momento não é oportuno, mas eu preciso te dizer uma coisa. – olhei para ela, esperando que continuasse. - Você é a pessoa mais incrível que já conheci na vida, é boa, é generosa, é justa, certa, batalhadora, forte, boa índole, sei que não demonstra, mas no fundo, eu sei que você mima muito quem ama, eu tive o prazer de ser uma dessas pessoas. – ela riu, me fazendo ficar com os olhos marejados e rindo junto com ela. – Eu quero que minha filha seja igual a você.
- Filha? - perguntei, sorrindo.
- Descobri hoje. – ela sorriu.
- Oh, Olivia, estou tão feliz por você e pela nossa bebezinha. - dei um abraço nela.
- Peyton Robins... Ela vai levar o sobrenome do pai. – ela sorriu.
- É perfeito. – passei as mãos em suas costas.
- Peyton Hilarie Robins. – dessa vez, eu senti uma lágrima escorrer, Hilarie era meu nome do meio, quase ninguém sabia daquilo. – Meu discurso te bajulando não foi à toa, eu quero que você saiba o tanto que te admiro e o tanto que eu gosto de você.
- Olivia, assim você vai me matar. – ri, secando as lágrimas.
- Quero que minha filha seja assim como você, e quero que você esteja presente na vida dela. – segurei sua mão, ouvindo aquilo tudo. – Sei que você é... Uma figura Real, é besteira você querer participar da vida de uma ninguém, mas sei que você não acha isso, sei que somos amigas antes de qualquer coisa e eu quero que você seja madrinha da minha filha.
- Espero que você nunca mais repita que é uma ninguém. - comecei a falar. - Você é uma das pessoas mais importantes para mim, e eu nunca imaginaria que você fosse querer que eu fosse um exemplo para sua filha. – rimos juntas enquanto eu deixava as lágrimas escorrerem. – Eu vou adorar ser madrinha da sua filha, Olivia.
- Ela vai ter a melhor do lado dela. – ela sorriu e me abraçou. Eu não gostava de chorar, eu sabia que não estava chorando apenas por isso, na realidade, esse convite foi o estopim de tudo, eu estava mais feliz do que nunca, aquela tristeza que eu havia sentido mais cedo havia passado, dando espaço para um novo sentimento. Eu não poderia me sentir mais forte.
- Claro que vai, ela vai ter você.

~


No dia seguinte, acordei com as minhas meninas me arrumando para uma reunião de emergência com os meninos e o Rei. Me arrumei e parti ao lado de Ben e Denver, eu estava de cabeça erguida, decidida para o que faria nos próximos minutos. Vestia um vestido longo e simples, em um tom lilás, meu cabelo estava preso e eu me sentia bonita. Cheguei na sala, diferente das que eu conhecia, ela parecia um lugar que ninguém poderia saber. Os meninos estavam estonteantes, estava em pé, olhando a janela, estava em outro canto da sala, olhando uns papéis ao lado de meu pai, e estava sentado ao lado do pai.
- , minha querida. – Rei Roger me recebeu com um abraço. - Sinto muito pelo que você passou, novamente.
- Obrigada, majestade.
- Acho que você notou que essa sala é bem afastada dos lugares que você costuma passar. – concordei com a cabeça, sorrindo. - É porque estamos prezando pela sua segurança, e pela segurança do caso.
- Eu sou muito grata por isso, majestade. – segurei sua mão e olhei para , que deu um sorriso de canto e uma piscadinha. Depois olhei para , que deu aquele enorme sorriso que eu amava ver. Aí veio , que acenou com a cabeça, e levantou a mão.
- Leigh não está presente e nem sabe que isso está acontecendo. – ele continuou falando. – Não posso ser... Irresponsável, e ignorar o fato de que minha esposa pode vir a ser uma das suspeitas disso, e sinto muito por isso, . - fiquei surpresa com o que havia acabado de ouvir. – Tomarei as devidas providências caso isso exploda para o lado dela.
- Espero que não precise chegar nesse ponto. – mantive a cabeça erguida.
- Bom, tenho outro ponto importante para dizer. – o encarei. - Você sofreu um atentado de um dos nossos guardas, bem, segundo nosso contrato, você pode sair da Seleção sem precisar da autorização dos meus filhos, é um poder que você tem. - olhei para os meninos. não me encarava mais, parecia ter perdido a respiração, ainda olhando os papéis junto com meu pai, que me encarava com um sorriso no rosto. Eu conhecia aquele sorriso, era o sorriso triste. permanecia olhando a paisagem. - Você não precisa viver em um local onde não se sente segura, nós iremos sustentar você até que ache um marido. – arregalei os olhos, ainda digerindo aquilo tudo. passava as mãos em seu rosto, balançava a cabeça e riu baixinho. - E por mais que me doa dizer tudo isso, você pode decidir entre ir e ficar.
- Você conseguiu, , a sua liberdade. – falou, com a voz triste, mas ainda debochado. Era sua essência, afinal.
Olhei para toda aquela situação, pensei em todo mundo daquele castelo que importava para mim, pensei na Olivia e na Peyton, na Robin, no meu pai e nos meus irmãos. Lembrei do meu projeto e pensei em todas as pessoas que precisavam de mim, em todo o povo Avallonês que precisava de alguém que lutasse por eles. Não iria deixar que nada interferisse no que fui destinada a fazer, eu havia descoberto o meu propósito e lutaria por ele. Olivia, mesmo sem perceber, havia feito com que eu ficasse mais forte, eu lutaria por um país melhor para minha afilhada, mulher em um reino machista; pelas minhas irmãs e por todas que precisavam de uma luz, pois aquilo que eu sofri com Merck e aquilo que passei com Kendrick, me machucaram, mas eu não permitiria que mais ninguém fizesse isso comigo.
Naquele instante eu havia decidido que ninguém me machucaria mais, e que não permitiria que acontecesse com mais ninguém.
- Majestade, eu vou ficar!

Capítulo 2

~Por ~


- A cerimônia da Caneta vai acontecer hoje, ao pôr do sol. – meu pai dizia para nossa equipe e para a equipe de Alan, ele finalmente havia aceitado o acordo.
- Fico muito honrado de assinar com vocês. - ele respondeu, sorrindo.
- Vai ser um momento histórico para Agartha e Avallon. – eu falei ao lado de meu pai. – A Cerimônia da Caneta vai ser o elo mais forte e abrirá portas para outros elos. - eles levantaram a taça de champagne. – Viva à Agartha! Viva à Avallon!
- VIVA! - Um coral uníssono saiu dali, era de arrepiar, a cerimônia da Caneta era basicamente um acordo sendo assinado perante às câmeras e perante ao povo. Era um momento histórico, já que a última cerimônia da Caneta foi feita no século passado, quando meu tataravô assinou um acordo com Fighyt, um país do outro lado do mundo. Em poucos minutos a sala foi se esvaziando e restou apenas eu, meus irmãos, meu pai, Dave e Alan.
- Estou tão ansioso, obrigado, Alan. – falei, apertando a mão dele.
- Eu que agradeço, , vocês me mostraram como é importante ter essa aliança, sei que teremos aliados fortíssimos e dispostos a defender uns aos outros.
- Nosso povo aprendeu muito com vocês nesse pequeno período juntos, acredito que juntos possamos acabar com essa guerra sem força bruta. – meu pai disse, fazendo todos concordarem. – Pensei que não conseguiríamos esse acordo.
- As selecionadas nos receberam muito bem, meu povo logo de cara se identificou aqui, meus guardas trabalharam bem com os seus. – Alan começou a falar. – mostrou que está disposto a qualquer coisa pelo bem do país, nunca vi alguém tão dedicado e fazendo isso por amor, acredito que esse é o líder que todo mundo precisa, eu queria ser assim. – ele riu, enquanto eu ficava grato e maravilhado com o que ele dizia. Realmente, eu fazia aquilo por amor. – Ah, também tem muito dedo nisso, ela está disposta a muita coisa para defender o povo, mesmo tendo passado por coisas horríveis, quais ela esquece pelo povo. - Dave pareceu ficar com os olhos brilhando ao ouvir a filha sendo elogiada, não era para menos. - Eu a convidei para ir comigo para Agartha.
- O QUÊ? - só faltou gritar. – Quer dizer, como assim?
- Não me levem a mal, mas eu adorei aquela garota, preciso de alguém com aquela garra ao meu lado, sei que ela é propriedade de Avallon, mas não custava nada tentar...
- Você não pode... - começou a falar.
- Eu posso, mas ela não quis. – por uns minutos eu fiquei aliviado, essa é a minha garota. – Ela não quis, pois está apaixonada por algum de vocês, mas vocês são infantis o suficiente para brigarem entre si, quando na verdade, quem tem que tomar uma decisão, é ela!
- Alan, concordo com você. - Dave começou a falar enquanto o encarávamos. – Minha filha não merece isso, e nem vocês.
- Acredito que ela será uma líder fantástica, tudo que falta por aqui. – Ok, ele se referiu à minha mãe?
- Como sabe que ela será boa líder? - minha mãe disse. Era o que faltava naquela situação, ela estragaria o acordo se pudesse, apenas pelo fato de Alan estar ao lado de .
- Ela tem garra e luta pelo povo, Majestade... Você sabe melhor do que ninguém que aquela garota é “A” garota.
- Ela realmente vai ser uma líder incrível. - concordou. Eu concordei com ele, já que contra verdades, não há argumentos.
- Isso todos aqui fazem, não precisamos de uma qualquer para fazer o óbvio. - minha mãe novamente começou a atacar.
- Com todo respeito, Majestade, você não faz nem o mínimo. Por ser rainha e levar a coroa, poderia fazer muito mais. - encarei meus irmãos, que seguraram a risada, e meu pai, que arregalou os olhos, mas não interviu, sinal de que ele concordava com aquilo. - merece a coroa e merece alguém que faça de tudo por ela, nesse quesito, vocês estão bem...
- Alan, você é apenas um jovem que está no começo da carreira, irei relevar sua falta de educação e aguardar sua retratação, não é e nem será digna de usar uma dessas três coroas. – ela não aguentou ficar quieta. – Ela não saberá governar.
- Você também não sabia. – dessa vez, foi meu pai quem falou, fazendo-a arregalar os olhos. – E acredito que você tenha se esquecido de tudo que foi ensinado a você até hoje. tem sangue de líder nas veias.
- Ela é filha do soldado. – Alan falou, sorrindo, e todos olhamos para Dave.
- Tenho certeza de que ela será uma líder magnífica, assim como e assim como e , nas áreas em que escolherem seguir. – ele sorriu para mim, eu queria abraçá-lo. Dave sempre foi um dos poucos que acreditava em mim e no meu potencial para Rei.
- será o próximo Rei. – Leigh-Anne riu com deboche, olhando aquela situação toda. – Ele foi criado desde sempre para isso. , meu filho, você mais do que ninguém sabe que não tem culhão para algo desse porte.
- Mãe! - a repreendeu, eu apenas a encarei, já era acostumado com aquilo que ela fazia. – Nascemos no mesmo dia, são minutos de diferença entre nós, isso não deveria validar ele como incapaz.
- Que fosse o primeiro, então. - ela deu de ombros e se retirou, senti as mãos de em minhas costas e meu pai indo até mim.
- Eu ainda sou o Rei de Avallon, meu filho, e de Rei para príncipe, você será um rei incrível, não importa se precise esperar anos para isso acontecer. - sorri. Era importante aquilo, ver que meu pai me achava digno. – Depois desse acordo, você é digno.
- Obrigado, meu pai. – o abracei e logo pude ouvir a voz de , que nos fazia rir.
- Querem um lencinho? - ele fez careta. – Todos aqui sabemos que você é o único que quer essa coroa, eu a renuncio desde que descobri que sou herdeiro.
- Você nunca gostou de nenhum compromisso, . – nosso pai falou, sorrindo e lhe dando um empurrão leve. – Mas eu amo vocês por essa individualidade de vocês. Vieram ao mundo juntos, mas, biologicamente falando, a única coisa que vocês têm de igual, é o sangue e alguns traços, mas de resto, são diferentes.
- Engano seu, Roger, eles são diferentes, mas são iguais, você criou bons homens. – Alan sorriu, caminhando até a porta. - Não é à toa... Tal pai, tal... Filhos.

~Por ~


- O que iremos comemorar hoje? - Beth perguntou, chegando no salão de festas, sorrindo. – Eu não sei se aguento mais uma noite de bebedeira.
- Céus, ser um agarthano definitivamente não é para mim. – Summer disse, passando as mãos na testa.
- Cerimônia da Caneta. – falei, animada e dando pulinhos de alegria, elas até estranharam aquela minha atitude. – Gente? - encarei elas. – Esperamos por esse acordo há séculos, é dia de comemorar!
- Eu sei que é dia de comemorar, mas você é a garota que foi atacada dois dias atrás? Ou foi um delírio coletivo? - Sam colocou a mão na minha testa, me fazendo rir junto com as outras meninas.
- Acho que foi apenas para chamar a atenção. - Lizzie falou de longe, arrumando um enfeite de mesa. Não queria pensar que ela podia ser a mandante do meu assassino, mas às vezes eu achava que sim, era ela.
Desde que as investigações começaram (coisa de dois dias), minha vida se resumia em me esconder e ser vigiada a cada segundo. Eu havia dito que não me abalaria, pelo menos, não mais, aquilo me deu forças para continuar e terminar o que comecei. Estava muito interessada em saber quem havia mandado me matar, mas ao mesmo tempo, não queria saber, uma hora essa pessoa apareceria. Por incrível que pareça, eu não havia entrado naquele meu transe de estresse pós traumático, o que preocupava o Dr. Poirot, minha psicóloga, meu pai e meus irmãos, os meninos e minhas amigas.
Conseguimos o acordo com Agartha, finalmente. Alan havia me contado que iria assinar alguns minutos antes de aceitar, o que foi motivo de festa na noite anterior e mais festas na noite de hoje. Agartha realmente era festiva demais, qualquer motivo era razão para pegar os galões de cerveja e o arsenal de vinho. Conheci o lado bêbado de pela primeira vez e ele começou a fazer piadas no microfone principal, foi cômico. Sam deu um show de dança e puxou Alan para dançar, o que causou uma cara muito feia em . e começaram um torneio de quem bebia mais, o que resultou em ambos sendo carregados para seus aposentos e muitos xingos da Rainha pela irresponsabilidade. Rei Roger e Lady Devimon junto com Alan começaram um torneio de baralho, em Avallon, baralho era jogo de azar e as pessoas eram muito supersticiosas, mas Agartha veio para mudar até isso e descobrimos que Rei Roger e Devimon eram truqueiros de mão cheia. Até eu aprendi como jogar, e com a minha dupla, Summer, vencemos várias partidas.
Por um momento, achei que Avallon fosse capaz de deixar o anacronismo histórico para trás.
- Sim, eu quis me vitimizar. – falei para ela, sorrindo. - Aliás, deu super certo, você não percebeu?
- Estou farta de você. - ela jogou a toalha em cima da mesa. - Você não passa de uma coitada que busca por atenção. Não suporta o fato de não poder e nem ter postura para se tornar uma líder. Volte para aquele buraco de onde você veio...
- Sabe de uma coisa? - cheguei perto dela, ficando cara a cara. – Eu é que estou farta de você. Cansei dessa sua cara amargurada, dessa sua inveja, de você se sentir ameaçada e fazer um monte de coisa ruim para conseguir o que quer... Você não vai ser a próxima princesa. Você não vai ser a próxima rainha. Você... - eu não entendia o porquê eu havia começado aquilo, eu estava me igualando a ela, mas não conseguia parar. – Não. - falei pausadamente, vendo o rosto dela ficando vermelho. – Vai. Ficar. – sorri antes de terminar. – Com o .
Em segundos, senti meu corpo cair no chão com ela em cima de mim, sentia suas mãos puxando meu cabelo e suas unhas arranhando o meu braço logo depois, eu tentava segurar seu braço e ouvia as meninas tentando tirá-la de cima de mim, mas ela havia incorporado.
- VOCÊ... MERCK DEVIA TER FEITO TUDO COM VOCÊ, VOCÊ É NOJENTA. – naquele instante, quem havia incorporado era eu. Em um movimento que não entendia, eu estava por cima dela. – SUA FAMÍLIA MERECE TODAS AS COISAS RUINS QUE PASSARAM, AQUILO FOI POUCO.
- Eu vou te ensinar o que é uma briga de verdade sem precisar usar as unhas e puxar cabelo. – disse, dando um tapa em sua cara. – Você se lembra que eu falei para você nunca mais falar de mim ou de minha família? A ameaça era verdadeira. – lhe dei outro tapa, e assim se seguiram mais três tapas seguidos. Acho que eu estava descarregando toda a minha raiva nela, lembrar de Merck me fazia ter mais ódio. A lembrança de Merck em cima de mim e de todas as vezes que ele passou a mão em meu corpo vinha forte, e logo depois disso, a lembrança de Kendrick tentando me matar também veio, o que me fez fechar o punho e levantar para dar um belo de um soco naquela garota, mas fui impedida, alguém segurou meu braço.
O barulho das meninas havia cessado, tudo estava quieto. Até mesmo Lizzie havia se calado, a vadia nem estava chorando, mas começou um escarcéu. Fui tirada de cima dela e vi quem me segurava. Ótimo.
- O que é que está havendo aqui? - me segurava. segurava Lizzie.
- Eu nunca me senti tão humilhada. – ela começou a falar, chorando e abraçando , que estava chocado com a situação. - Olha o que ela fez comigo. – tínhamos encontrado uma atriz ali. – Ela... Ela surtou! Disse coisas horríveis para mim e ainda falou... Falou que você nunca vai me querer.
- Eu não menti. – dei de ombros, vendo-a fazer mais escândalo, e me repreendeu. – Desculpa, eu estou mentindo? – perguntei, apontando para Sam, que arregalou os olhos sem entender.
- Você entende o que acabou de acontecer aqui? - me virou para ele, tirando o cabelo da minha cara.
- Sim e não me arrependo, se quiser entender o meu lado da história, estarei em meu quarto e pode perguntar para as meninas, elas viram tudo. – encarei os olhos verdes dele. – Eu cansei de passar pano para essa vadia. Ela sabotou meu vestido no dia do baile, ela já sabotou outras meninas aqui ela falou mal da minha família e disse que o Merck deveria ter terminado o trabalho.
- Céus, , como você tem coragem de mentir tanto? - ela colocou as mãos no peito. Ri, balançando a cabeça
- Espero que essa cara inchada fique bem focada nas fotos de hoje. – olhei para as mãos de ainda me segurando, foi a deixa para ele me largar e eu sair dali.

~


- Você entende que uma briga é sinal de expulsão? - Robin andava de um lado para o outro.
- Eu não posso interferir nisso. – meu pai caminhava no sentido oposto de Robin, os dois no meio do meu quarto.
- Eu vi pelas câmeras a surra que você deu nela. – Ben falou, animado, recebendo um olhar de reprovação dos dois. – Sinto muito, Lizzie merece isso há tempos, eu vi com o vestido detonado.
- Ela perde a razão quando bate igual uma lutadora. – Robin quase gritou. Ah, que saudade que eu estava daqueles gritos dela.
- Eu faria de novo e faria pior, deveria ter socado aquele olho dela. – falei, dando de ombros, vendo os dois se encararem e começarem a falar juntos um discurso de que violência não era a solução e várias coisas. Respirei fundo enquanto ouvia.
- Você claramente está surtando pelo que aconteceu. – Robin dizia, cruzando os braços. - Creio que isso amenizará tudo.
- Sabe o que vai amenizar? - me levantei e fui até o armário, tirando o vestido que ela destruiu e entregando para eles. – Isso aqui, o que ela fez de verdade. Isso aqui. – mostrei os arranhões de meu braço e meu cabelo cheio de nó. - E se eu pudesse mostrar as memórias dela jogando o veneno em cima de mim, eu mostrava e comprovava tudo. O que vale aqui é o meu caráter, quem eu sou e o que eu fiz nesse lugar. – me levantei, caminhando até a varanda. – Eu nunca fiz isso sem motivo.
Eles pareceram concordar comigo. Ficaram calados e se retiraram em alguns minutos, Ben foi o único que ficou.
- Eu não tiro a sua razão, . – ele se sentou ao meu lado na varanda, olhando a paisagem e sentindo o vento fresco. – Mas... Eu devo ficar preocupado?
- Com o quê?
- Com você. - se virou para mim. – Isso não é uma forma de escape para o que aconteceu?
- Eu não vou chorar porque tentaram me matar. – dei de ombros. – Se é isso que vocês esperam de mim, podem esquecer.
- Eu não quero que você chore. – ele pareceu ficar chocado com aquilo. – Eu quero que você converse comigo, com alguém... Só quero que você fale.
- Falar o quê? Ben, tentaram me matar, estou muito triste com isso. – ele balançou a cabeça negativamente.
- Eu estarei aqui quando acabar o deboche e a armadura em volta de você, se você precisar. – Ben caminhou até a porta. - E chorar não significa que você é fraca.
Senti a porta batendo e me tremi, meus olhos encheram de lágrimas, mas eu não as deixei cair. Eu não tinha que chorar porque bati em Lizzie Frost, ela mereceu. Aquela garota havia deixado de ser minha amiga fazia tempo, talvez até a lembrança dela sendo legal e gentil fosse um delírio. Eu estava mais forte do que nunca, e permaneceria daquela forma.
Durante a tarde, fiquei esperando alguém ir falar comigo, já que provavelmente eu seria expulsa. Talvez fosse meu destino sair de lá, talvez a realeza não fosse parte do meu destino e não adiantasse nada eu tentar lutar contra isso. Ninguém apareceu. Erámos apenas eu e minhas damas tentando esconder as marcas de unha e arrumar o meu cabelo. Meu maior receio era perder a Cerimônia da Caneta, era um momento importante para Avallon, para Alan e, principalmente, para .
Ouvi alguém abrindo a porta e minhas damas saindo rapidamente. Era . Esperei por um xingamento e mais gritos, mas o que recebi foi um abraço.
- Lutadora é mais um adjetivo na sua lista? - não o soltei do abraço, moraria ali se fosse possível. - Você sabe o que isso significa?
- Expulsão.
- Nenhuma das duas serão expulsas. – ele me afastou um pouco para olhar meus olhos.
- Nenhuma das duas? - por um momento, achei que fosse gritar.
- O caso foi apurado, ... Você foi provocada e reagiu.
- Aykroyd. – me soltei dele, querendo explodir o pensamento que tive de morar no abraço dele, eu colocaria fogo lá se pudesse. Ele caminhou rapidamente até minha cama, pegando um travesseiro e colocando em sua frente. – Aquela demônia me sabotou, sabotou várias outras meninas, me provocou, e foi ELA QUE COMEÇOU A ME AGREDIR.
- Você perdeu a razão quando deixou a cara dela roxa, acho que se tivesse deixado menos hematomas, ela teria chance de ser expulsa. – ele deu de ombros, se protegendo do que eu iria jogar nele, eu nem havia pego nada, mas estava cômico vê-lo daquela forma.
- E os meus hematomas? – mostrei. – Aquela vadia me arranhou inteira.
- E você deixou a cara dela roxa.
- Vocês estão defendendo-a! - quase gritei.
- Nós estamos protegendo você! - me assustei com ele quase gritando comigo. - Você está fazendo de tudo para ser expulsa da Seleção e a gente sempre está arrumando um motivo para você ficar, e se para você ficar, a condição é conviver com a Lizzie, você vai fazer isso! - fechei a cara, não sabia o que dizer, na realidade, não queria dizer nada. - É isso que você faz, você não aceita críticas, não aceita outra opinião. Quer ser ajudada, mas apenas nos SEUS termos. – o encarei, esperando que ele terminasse logo. – Lizzie se sente ameaçada e eu a entendo.
- Pois então, fique com ela. – falei, explodindo. – Se você tem o mesmo nível de insegurança que aquela garota, você precisa de um tratamento tanto quanto ela! Que bom que você disse o que pensa de mim. – caminhei até a porta, saindo de lá, mas depois de alguns passos, me dei conta de que não precisava sair do MEU quarto, então voltei. – Eu não preciso sair daqui, este quarto é meu. Saia daqui.
- Está vendo só? - ele balançou a cabeça e caminhou até a porta. - Você não deixou nem eu terminar.
- Não precisa, eu já ouvi bastante. – cruzei os braços, respirando fundo. – Boa Cerimônia e parabéns.
- Você não vai? - ele pareceu chateado e chocado ao mesmo tempo.
- Não sei, acho que vou estar com dor de cabeça. - sorri, devia estar óbvio o meu deboche. Ele não disse nada, apenas concordou com a cabeça e saiu.
Respirei fundo ao ouvir a porta batendo.
O que estava acontecendo comigo?

Capítulo 3

As cores rosa e laranja que começavam a aparecer no céu azul, combinavam em um tom espetacular naquele início de pôr do sol, o vento que vinha da minha varanda dava indícios de que a primavera estava chegando junto com as pequenas mudas de flores que começavam a dar nas árvores e no jardim. Naquele instante, as pessoas começavam a ir para a Cerimônia da Caneta. Eu, permanecia em meu quarto, com raiva de ; com raiva de Lizzie; com raiva de Merck, que mesmo morto, ainda continuava estranhamente me assombrando; de Kendrick, que tentou me matar; e da pessoa que mandou ele fazer isso. Me sentia péssima por tudo que estava acontecendo.
Ouvi a porta abrir e nem me importei em ver quem era, mas ao sentir aquele cheiro familiar, me virei rapidamente. Era Eric. Travei assim que o encarei. Ele estava mudado desde a última vez que eu o vira na cozinha.
- Pensei que você estivesse precisando de um amigo, e... - ele tirou o pano da mesinha que empurrava. – Comida.
- A comida pode ficar. – falei, dando de ombros, e ele riu.
- Você precisa de um amigo agora. – arqueei a sobrancelha.
- Eu tenho muitos amigos, não preciso de você.
- Você precisa de alguém que esteve com você a vida toda. – comecei a rir, só podia ser piada.
- Eric? Onde você esteve nesse tempo todo? – perguntei, o encarando. - Você deixou de ser meu amigo no momento em que eu entrei nessa seleção, não tente agir como se fossemos amigos, porque não somos.
- Eu estou tentando, . – ele suspirou. - Você precisa de alguém que te faça voltar à sua essência.
- Minha essência? - comecei a rir novamente. – Eu cansei disso e não preciso de você também.
- Você percebeu que está tão fora de si que está perdendo um dos momentos mais importantes para Avallon? - Eric perguntou, me fazendo encará-lo. – Acho que ainda pior, você percebeu que está perdendo um momento extremamente importante para seu amigo? Ou até mesmo o seu futuro esposo?
- Você não tem esse direito. – levantei o dedo e tinha quase esquecido dos olhos debochados de Eric. Ele tinha razão.
- Ainda dá tempo, . – ele sorriu, apontando para o relógio.
- Eric? - Lauretta perguntou assim que entrou junto com Olivia e Taihne.
- Lauretta. – ele sorriu, indo até ela.
- O que faz aqui? Sabe que é proibido funcionários homens não autorizados nos quartos das selecionadas. – ela falou, me encarando, nervosa.
- Eu vim te ver, achei que a srta. estaria na cerimônia, mas já me desculpei com ela. – encarei aquilo sem entender, ela sorriu para mim e eu, ainda chocada, apenas balancei a cabeça, concordando.
- Vocês têm a minha benção. – falei, meio baqueada com aquilo. – Eu... Eu vou para a Cerimônia.
Não tinha nenhum guarda na porta do meu quarto, nem mesmo Ben, eu sabia que a Cerimônia estava acontecendo nos portões de Avallon, tinha que atravessar a ponte e lá estariam os avalloneses, vendo tudo. Eu não chegaria a tempo.
Corri até as portas principais e tinha alguns guardas ali, uns com cavalos e outros andando, apenas observando tudo, afinal, todo cuidado era pouco. Eu podia correr, não chegaria a tempo, mas chegaria para ver sendo aplaudido. Independentemente de qualquer coisa, eu torcia por ele e ele precisava de mim.
-Hey, soldado. – falei para o guarda montado em um cavalo. – Preciso do seu cavalo.
- Mas... Senhorita...
- Eu imploro, e depois eu mesma me resolvo com o Major Walker. – falei, me aproximando dele. – Prometo que cuidarei dele e sua carreira permanecerá intacta. – ele olhou para o colega e pareceu querer negar. – Quer que eu ordene? - perguntei, sem paciência, e ele desceu do cavalo.
- Cuidado, eu te ajudo a... - ele começou a falar e antes mesmo de terminar a frase, eu já havia subido no cavalo. Obrigada, . - Subir.
- Obrigada, soldado. – sorri, dando partida no meu mais novo amigo.
- Vá com ela! - ouvi ele ordenando para o outro colega com cavalo para me seguir, mas eu já estava muito longe.

~Por ~


Não entendia o ódio de por Lizzie, na verdade, entendia, mas sabia que o que Lizzie fez foi apenas por desespero. era a mais privilegiada da Seleção inteira, seria inocência a nossa imaginar que algo desse tipo não ocorreria. Por mais que a voz sensata na minha cabeça dissesse “Isso é bizarro, não pode viver cheia de perigo dessa forma”, a outra dizia “Você sabe que uma boa conversa com Lizzie resolveria tudo”. Meus irmãos não concordaram com a ideia de deixarem Lizzie na Seleção, mas seria privilégio nosso expulsar uma e deixar a outra, sendo que as duas fizeram coisas ruins.
Optamos por deixar as duas e conversar com elas sobre isso.
não gostou da nossa conversa, me expulsou do quarto e com razão. Se eu tivesse no lugar dela, também iria me odiar, ainda mais estando naquela situação. Eu estava fazendo de tudo para ela me odiar. Talvez assim, ela escolhesse um dos meus irmãos. Eu abriria mão dela para ficar bem com meus irmãos e sabia que ela seria mais feliz com um dos dois, isso não significava que eu não faria de tudo pra deixá-la feliz, caso ficasse comigo. Acho que é assim que pessoas maduras agem. E estava me matando agir assim.
- Preparado? - apareceu ao meu lado, sorrindo. Estávamos fazendo a concentração na varanda do meu quarto.
- Estou nervoso. – ri. Ele balançou a cabeça, me dando uns tapinhas nas costas.
- Você só vai assinar o maior acordo de todos os tempos, não é nada demais. – e o seu sarcasmo, balancei a cabeça, rindo. – Vai dar tudo certo, isso é só o começo.
- Um grande começo. - falou da varanda dele, ao lado de Alan. – Estou orgulhoso.
- Você deveria assinar. – falei, claramente nervoso.
- Não! - ele falou rapidamente. - Você vai assinar e pronto. Isso é mérito seu.
- Mas você que é o próximo Rei, e...
- Eu renunciaria a Coroa por você. - disse, tomando um gole de seu champagne. Aquilo bateu em mim como um soco.
- Obrigado, irmão. - sorri para ele.
- Eu renunciaria a Coroa por você também. - falou, olhando para a paisagem. – Se isso não fosse matar nossa mãe.
- Que bom que alguém aqui tem senso. – revirei os olhos, só podia ser minha mãe, atrapalhando mais um dos únicos momentos meu com meus irmãos. - Está atrasado para a cerimônia, não deixe Agartha esperando.
- Agatha está aqui. – Alan falou do quarto de . – E ainda acho que a melhor escolha para Rei, é .
- Cuide do seu reino, Alan, nós cuidamos do nosso. – sentia que a qualquer momento ela iria estragar tudo.
- Chega, mãe. - falou, sem paciência. - Estou cansado de você sendo amarga com tudo e todos, até mesmo com o Monarca que vai ajudar nosso reino. Você é péssima. Sinto falta daquela mulher doce e gentil, só fale comigo ou com meus irmãos de novo quando ela retornar.
Ela nos encarou com raiva, mas não disse nada, saiu do quarto e o clima ficou pesado, sempre foi o mais direto de nós e não importava se sua sinceridade ia ou não machucar alguém, ainda mais quando se tratava de nossa mãe.
- Alguém tem que colocar ela de volta no eixo. – falou, depois de alguns minutos em silêncio. - E seremos nós a fazer isso antes que ela se destrua. Vamos começar ignorando-a até que ela perceba que agindo assim, irá nos perder.
- Você sabe que isso é impossível. – falei e concordou. – Lembra da greve de silêncio que fizemos quando criança?
- Aquilo foi por ela não deixar a gente comer doces. – revirou os olhos, nos fazendo rir. – E funcionou depois de umas semanas.
- Greve de silêncio. - repetiu, dando de ombros.
- Está na hora, vamos. – Alan falou depois de um tempo e me encarou, sorrindo. – Para o seu momento.
- Nosso momento. – sorri e fomos atrás do acordo que mudaria tudo.
Enquanto caminhávamos pelos corredores, conversando e dando risadas, afinal, estávamos felizes e meus irmãos e eu voltamos a ser como antes. Depois do ataque que sofreu, percebemos que a vida era muito curta para ficarmos discutindo por alguém, mesmo essa pessoa sendo . Fizemos nosso novo acordo de tentarmos conhecer outras garotas da Seleção e não brigarmos ou ficarmos estranhos um com o outro caso um de nós ficássemos com ela. E isso seria totalmente escolha dela.
Assim que chegamos na recepção do castelo, vimos que se formava uma concentração de pessoas ali dentro, todos esperando para irem ao local onde ocorreria a Cerimônia, fomos recebidos com palmas e isso aqueceu meu coração, mas me deixou extremamente nervoso. Quando deu o horário de sairmos todos juntos, vi que realmente cumpriu o que disse, não apareceu para ir conosco. O meu dia era para ser perfeito, mas a única pessoa que eu queria que estivesse ali, não estava.
Pegamos nossa carruagem e juntos nos dirigimos até a abertura do reino, que separava o povo do palácio. No percurso, eu tive que fingir que estava feliz, na realidade eu estava, mas era bizarro o fato de a ausência de ter me afetado tanto. Éramos amigos antes de qualquer coisa, e seu transtorno de estresse pós traumático se juntou com o ódio dela por Lizzie e de quebra, a nova personalidade dela que se aconchegou na situação, estava atrapalhando tudo e qualquer coisa. Era difícil lidar com ela em tempos normais, mas em tempos assim era ainda pior.
Chegamos no local e estava lotado. Eu sorri ao ver o povo gritando, animado. Era importante ver o meu povo feliz. Assim que descemos, acenei para eles e subi no palco improvisado, havia cadeiras para nós ali e assim que subimos aguardamos uns instantes para o nobre papa começar a dar sua benção. O discurso dele foi bem emocionante, ele agradecia e falava muito feliz que finalmente poderia presenciar um marco histórico e ficava muito feliz por ter sido eu, , a fazer isso. Logo após, meu pai começou a falar, esse foi o mais importante para mim, ele não falou muito, o mais importante foi seu abraço e ver em seus olhos que ele estava orgulhoso. Alan pegou o microfone logo depois e agradeceu também e falou que estava fazendo o que Agartha deveria ter feito há décadas e ficava feliz em ser ele a assinar o acordo. Quando chegou a minha vez de falar, foi impressionante ser amado pelo povo daquele jeito.
- Sou muito grato por ter a oportunidade de fazer algo importante. Esse acordo não teria acontecido se Alan não fosse tão disposto a cuidar de seu reino, não teria acontecido se meu pai não tivesse me dado essa oportunidade, não teria acontecido se nossas belas selecionadas não tivessem feito um belo trabalho para Agartha ver como um todo que merecemos nos unir. – sorri, olhando para algumas pessoas próximas, procurando uma em específico. - Eu não quero crédito algum disso. Eu fiz por vocês. Nós fizemos isso por vocês!
Larguei o microfone e fui aplaudido novamente, olhei em volta na esperança de vê-la, mas não achei. O papa abençoou o acordo e fez um ritual para assinarmos em seguida. Fiquei frente à frente com Alan, em frente da mesa com o acordo. Respirei fundo e peguei a caneta dourada.
Assinei o Acordo primeiro.
Alan assinou em seguida.
Fomos recebidos com palmas e gritos, não cabia tanta felicidade em mim, senti meus irmãos me abraçando e meus pais também. Olhei em volta e a vi. Em cima de um cavalo. sorria de longe para mim e acenava feliz, seus cabelos voavam por conta do vento e parecia uma pintura de tão bonita.
Me virei novamente para erguer o acordo junto com Alan. Os gritos ficaram estridentes ao ouvirmos um barulho extremamente alto, e não era barulho de fogos de artifícios. Senti meu braço arder, tudo virou uma bagunça, pessoas no chão, pessoas gritando e eu sendo envolto por vários guardas e sendo direcionado para a carruagem imediatamente. Não entendi nada no momento, pois foi muito rápido, mas ao ver as meninas chorando ao entrarem desesperadas em suas carruagens, eu entendi o que estava acontecendo. Um ataque.

(Coloque para tocar :) )


- Cadê o ? - minha mãe perguntou, desesperada. – ROGER, CADÊ O MEU FILHO?
- Dave está lá fora. – ele falou, tentando manter a calma. – Alan, você está bem?
- Eu sabia que isso iria acontecer. – ele falou, balançando a cabeça em negação. - Esse acordo mexe com a estrutura de Vantron, a gente podia ter evitado esse ataque.
- Estamos... Estamos preparados para um ataque assim. – falei, respirando fundo. – Nossos homens estão sempre a postos para algo assim, e se juntando com os seus homens, nós ficaremos bem... Fomos só... Pegos de forma cruel, só espero que ninguém tenha se ferido.
- Você se feriu? - perguntou, pegando em meu braço. - Você levou um tiro, !
- Eu estou bem! - disse, tentando ficar acordado.
- Roger, se meus filhos morrerem... - ouvi minha mãe dizer, mas não consegui escutar tudo, desmaiei na hora.

~POR ~


Cheguei a tempo de ver dando o seu discurso, curto, mas sincero e inspirador. Do jeito que ele era, não via a hora de falar isso para ele, que briguinha idiota alguma iria me afastar dele, principalmente briguinhas causadas por Lizzie. Eu me dei conta que meu surto era desnecessário e eu falaria isso para ele. merecia o meu melhor agora.
Após o seu discurso, o papa deu a sua benção antes dos meninos finalmente se aproximarem do acordo, que me deixou ansiosa por algum motivo. Vi segurando a caneta e se curvando para assinar o acordo, depois que ele fez isso, Alan assinou logo em seguida. Foi naquele instante que a multidão foi à loucura, não só eles, eu também. Não tirava os olhos dele e foi lindo vê-lo sorrir daquela forma, foi mais lindo ainda ele olhar para mim por uns instantes, eu levantei a mão, lhe dando um aceno tímido, ele sorriu de volta e se virou para sua família.
- Srta. , que bom que te encontrei. – o guarda em cima do cavalo apareceu ao meu lado. – Venha, vamos voltar para o castelo, podemos evitar broncas para nós dois. – ele riu e eu ri junto, não era uma má ideia, evitar broncas era importante e eu não queria problemas para ele. Me preparei para segui-lo, quando de repente fomos surpreendidos, o guarda caiu ao levar um tiro, me desesperei, não sabia da onde tinha vindo, do nada os barulhos não pareciam mais ser de fogos de artifícios e os gritos não eram mais de alegria. Olhei para onde os meninos estavam e gritei ao ver um tiro vindo diretamente na direção de e logo depois vários guardas indo para cima deles, para protegê-los. Não poupei esforços ao ir na direção deles, mas fui impedida pela grande movimentação de pessoas desesperadas. Do nada, tudo virou uma bagunça, eu não entendia mais nada e me preocupava com todos ali, vi de longe algumas pessoas sendo escoltadas até as carruagens, mas o que mais me assustou foi uma explosão, um pouco distante da onde estávamos. Senti uma mão em meu braço, olhei para o lado, já me preparando para bater em quer que fosse.
- O que você está fazendo aqui? - era meu pai, extremamente bravo. – E o que está fazendo aqui em cima de um cavalo? Desce daí! Está sendo um alvo muito mais fácil aí de cima.
- Pai, eu... - desci do cavalo, ficando ao lado dele que tratou logo de ficar em cima de mim.
- Todas as carruagens estão saindo. – ele falou, preocupado. – E sendo bem sincero, eu não quero que você fique longe dos meus olhos agora. – Pegue o cavalo, vá em direção à nossa cabana, você sabe chegar lá, certo?
- Sei. – disse, arregalando os olhos. Como entrar na floresta a noite poderia ser mais seguro do que a carruagem? - Eu estou com medo.
- Não tenha, eu vou te buscar assim que tudo acabar. – ele me abraçou e me entregou uma arma. Ótimo, meu pai havia me dado uma arma. - Faça esse percurso escondida atrás do cavalo, não suba nele ainda, só faça isso quando estiver na floresta, pegue essa lanterna se necessário e vá com o meu cavalo, Greiguer sabe chegar na cabana, é o melhor cavalo. – respirei fundo, segurando a corda de Greiguer, eu estava preocupada com meus amigos e com o meu pai. - Você é filha do soldado.
Não pensei duas vezes antes de sair correndo para a floresta ao lado de Greiguer, o animal era bravo demais e chegou a dar um coice em um pobre guarda que ousou passar por nós durante o pequeno trajeto. Subi nele assim que pude e me surpreendi com a esperteza do animal, não fiz movimento algum e ele começou a correr em direções que eu nem pensaria.
- Greiguer, onde estamos indo? A Cabana não é por aqui. – sussurrei, nervosa. Ele não estava mais correndo, estava bem devagar, o que me deixava ainda mais preocupada, podíamos ser pegos. O cavalo estava atordoado e estava tudo escuro, tinha medo de ligar a lanterna e chamar a atenção errada. Respirei fundo e deixei ele nos guiar, afinal, eu não iria contra ele. Após alguns minutos, ele simplesmente parou. – Greiguer? - perguntei, nervosa. Queria que ele soubesse falar, mas o que ele fez foi praticamente uma leitura da minha pergunta, ele se abaixou. Eu saí de cima dele logo após isso. Ele, super protetor, bufou, como se quisesse dizer para eu ficar atrás dele, foi o que eu fiz. Minutos depois, ouvimos outro cavalo, foi o suficiente para eu entender o motivo das atitudes dele. Fiquei ainda mais escondida, com a arma preparada para qualquer situação.
Quando o outro cavalo se aproximou da gente, eu senti que não conseguia respirar, era o meu fim?
- Que droga. – ouvi a pessoa falar assim que o cavalo parou do nada, bem perto da gente. Foi o suficiente pro outro cavalo reconhecer que tinha alguém ali, foi o suficiente pra Greiguer se levantar bruscamente e assustar o outro cavalo, que derrubou o cara de cima dele. Liguei a lanterna e me aproximei do homem caído no chão, a arma na outra mão não escondia o meu desespero.
- O quê? - falei ao ver que conhecia o corpo reclamão no chão. - Como me achou aqui? – perguntei, o encarando completamente chocada.
- Segui meu coração. - respondeu, me fazendo arquear a sobrancelha e aguardar a risada dele logo depois. – Certo, isso foi horrível. - tentei segurar a risada, mas foi impossível, o ajudei a levantar. - Eu vi você saindo com o cavalo na direção da floresta, eu te segui logo depois. Na verdade, eu fugi de um cara que apontou uma arma pra mim, achei um cavalo e corri, você foi só um pretexto.
- Você arriscou sua vida. – falei, me tremendo só de imaginar os Vantronis o pegando. – , como será que eles estão?
- Espero que estejam bem, . – ele suspirou e resmungou de dor novamente. – Não sei ainda se são os Selvagens ou Vantronis.
- São os Vantronis. – falei sussurrando, e ele suspirou. – Os Selvagens não atacariam a gente, não hoje, com duas tropas preparadas para qualquer ataque possível. Os Vantronis atacaram a gente logo após o acordo, céus... quase levou um tiro. – comecei a tremer novamente e ele me puxou para baixo de uma árvore, peguei Greiguer e fomos juntos até lá. O outro cavalo havia saído correndo.
- Ele está bem. Todos estão bem. – acho que ele falou isso mais para si mesmo do que pra mim.

Capítulo 4

- Acho que podemos encontrar a cabana. – falou depois de um tempo em silêncio e vendo que eu estava congelando.
- É perigoso sair agora, está escuro demais. – falei, tentando não mostrar que estava congelando mesmo.
- Podemos ser picados por algum bicho. – liguei a lanterna na cara dele e comecei a rir. – O quê?
- Achei uma coisa que tira Aykroyd da pose de macho alfa. – ele bufou, revirando os olhos. – Meu Deus, você tem medo de aranha e cobra!
- Quem não tem medo de animais peçonhentos? - perguntou na defensiva. - Você não é desse mundo, !
- Eu convivo com duas najas todos os dias. – ele arqueou a sobrancelha. - Não me assusto tão facilmente.
- Eu sei que uma é Lizzie, quem é a outra? - arqueei a sobrancelha e ele entendeu. – Ah, minha mãe...
- Desculpe, não aguentei. – falei, me aconchegando em seus braços.
- Se você não falasse, eu falaria. – ele riu, me fazendo o acompanhar, era bom quando não estávamos os dois na defensiva. – Eles vão nos resgatar mais facilmente se formos para lá.
- Certo, vamos! – me levantei com a ajuda dele e subi no cavalo de meu pai. subiu atrás de mim. – Se você ousar se aproveitar disso, eu te derrubo daqui. – falei, ligando a lanterna e apontando para cara dele assim que senti suas mãos em minha cintura.
- Estávamos indo tão bem. – ele fez biquinho, me fazendo revirar os olhos, mas não era de todo mal, eu estava gostando da companhia dele.
Rodamos por muito tempo por aquela floresta, não sei exatamente o quanto, mas foi o suficiente para começarmos a sentir fome e eu não aguentar a vontade de fazer xixi. Greiguer parecia confuso no caminho, mas depois do que pareciam horas, ele pareceu se encontrar e começou a correr. Estava morrendo de medo de sermos vistos, foi nesse momento que Greiguer parou em um lago, eu reconhecia aquilo, na verdade, eu o parei.
- A cabana é atravessando esse lago, estamos do outro lado da floresta. – eu disse, olhando em volta.
- Vamos atravessar o lago, chegaremos mais fácil. - falou e eu neguei rapidamente. – Por que não?
- É perigoso. – eu estava com medo nos olhos.
- Greiguer é treinado para esse tipo de situação, é só nadar ao lado dele, próximo de sua corda. Acredito que o lago não seja tão fundo. – ele disse, me fazendo negar novamente com a cabeça. - É nossa melhor opção.
- Como pode ser nossa melhor opção? Olha o frio que está fazendo! - quase gritei. E voltamos ao normal.
- Céus, você só quer me contrariar! Sabe que essa é nossa melhor chance.
- Se o lago não é tão grande, podemos contornar ele, e... - escutamos um tiro um pouco distante dali de onde estávamos. Encarei , que parecia ter se assustado e depois me encarou como quem dissesse “Eu avisei”. - Vamos atravessar o rio.
Eu sabia nadar, eu não nadava tão bem, mas sabia. Tinha medo de sobrecarregar Greiguer, por isso optei por não ficar em cima dele enquanto atravessávamos o lago. puxou Greiguer e os dois entraram juntos enquanto eu criava coragem para entrar naquele lago terrivelmente gelado.
- Eu ainda sinto o chão, pelo jeito você... - debochou, a água ainda batia em seu peito, e, no meu caso, eu estava literalmente só com a cabeça para cima e nadando feito cachorrinho.
- Que bom, , espero que você se afogue com o seu deboche. – resmunguei, me concentrando para não sofrer nenhum karma do meu pedido.
- Não é legal falar essas coisas estando em um lago. – ele estava feliz com aquilo, na realidade, ele estava tão tranquilo que chegava a me irritar. Havia esquecido o quanto ele amava água.
- Eu estou congelando. – choraminguei, mas pelo menos já havíamos atravessado a metade do lago.
- Chegando na cabana você tira essa roupa. – o encarei e ele sorriu. – E coloca uma camiseta seca, deve ter algo dos seus irmãos lá.
- Sim, você ficará do lado de fora da cabana, otário. - retruquei, desta vez segurando a corda de Greiguer, pois estava cansada e sem fôlego. O que me confortava era que estávamos chegando no final do lago. Depois de uns minutos, com fazendo comentários que eu tive que me concentrar para não rir, já que ele era um idiota, chegamos do outro lado do rio, eu estava tão pesada que estava amaldiçoando aquele vestido, me prepararia para situações inusitadas como a de agora, ninguém merece. - É por ali. – apontei, segurando Greiguer e indo ao seu lado.
- Vamos, rápido, não é seguro aqui. – foi ao meu lado, me cobrindo quase inteira com o seu corpo.
- Vamos ter que esconder Greiguer, é perigoso para ele ficar aqui fora, e é perigoso para nós que o vejam aqui. – falei, olhando para cima e vendo ele respirar fundo, era muita coisa a se pensar. – Acho que no fundo dessa casa tem um lugar para os cavalos. – comentei assim que chegamos na cabana onde eu e meus irmãos nos “tornamos” irmãos “de verdade”. Fiquei aliviada por estar ali.
- Eu vou ver se a casa está livre de qualquer perigo, fique aqui fora. – ele falou assim que chegamos na entrada. Passei a mão em Greiguer, concordando com a cabeça. Peguei a chave que ficava escondida dentro de um vaso de flor e entreguei a ele. Por uns minutos, nos quais eu fiquei do lado de fora com Greiguer, decidi levá-lo para o fundo da cabana, onde ele teria água e comida junto com um lugar quentinho para dormir. O lugar estava limpo, o prendi ali e prometi que pela manhã eu voltaria.
Conforme voltava para dentro da casa, escutei uns barulhos estranhos, o que mais me assustou foi o barulho de algo quebrando.
- . – falei, correndo para dentro e vendo a segunda cena mais desesperadora do dia, um homem em cima de . A primeira coisa que vi, foi a arma no chão, próxima da janela. Corri até ela e não pensei duas vezes antes de encostá-la no pescoço do homem, que travou. – Eu não me importo de explodir sua cabeça aqui e agora. – eu disse, vendo que ele tinha um sorriso sádico nos lábios. - Sai de cima dele. – falei pausadamente e ele obedeceu. Levantou calmamente as mãos e começou a se levantar. – Fique ali. – apontei para o meio da sala. - Você está bem? - perguntei para , que concordou com a cabeça, se levantando também. – Procure uma algema, deve ter em algum lugar por aqui, no quarto de Dave.
- Acho melhor eu ficar aqui e você pegar a algema. – o encarei, brava, e ele pareceu entender que aquilo não iria rolar. - Já volto.
- Ora, ora, se não é a coroa dois, ao lado da selecionada problema. – o homem falou pela primeira vez, ele era novo e estava bem vestido, com total certeza era um Vantroni. - Você era um de nossos alvos de hoje, sabia?
- E olha só como o karma é engraçado, não é? - debochei, me referindo a nossa situação.
- Nosso alvo era o maldito Aykroyd que assinou o acordo, ele nos paga. – o homem disse, me fazendo respirar fundo, pois eu estava prestes a vomitar de nervoso. – Depois o tolo de Alan, o pai dele deve estar se remoendo no túmulo que nós cavamos.
- Por sorte, Alan não liga para o que o pai pensaria, ele está fazendo isso pelo povo.
- Povo? - ele riu pelo nariz. – O povo nunca teve voz em lugar algum.
- Talvez em Vantron essa ditadura funcione bem, a nova geração está mudando a monarquia e vai ser assim daqui para frente. – dei de ombros, ainda apontando a arma para ele, que começou a rir.
- Você é nosso próximo alvo exatamente por isso. – ele continuou rindo. - Você está tentando fazer uma revolução, e isso prejudica nossos negócios.
- É uma honra ser considerada uma ameaça para um reino tão grande como Vantron. – sorri, me sentando na frente dele.
- Vai ser uma honra acabar com você. - ele se levantou e pulou em cima de mim, foi o suficiente para que eu me assustasse e apertasse o gatilho. – Vadia... - ele sussurrou depois de alguns segundos. – Isso é só o começo, avise-os, tigre dourado. – empurrei-o de cima de mim, minhas mãos tremiam, aquele sangue em minha roupa me deixava nervosa.
- Eu lutarei até o final. – passei por cima dele, vendo chegar correndo, desesperado, até a sala e vendo aquela cena toda.
- Você está bem? - ele segurou meu rosto, olhando em meus olhos, e depois tirou a arma de minha mão.
- Eu estou. – respondi, olhando para o homem no chão com o ferimento na barriga. – Ele é que não está. - ele olhou para o cara, que estava respirando ainda. - Eu cansei de sentir medo. – falei, olhando nos olhos dele, eu estava com os olhos marejados.
- Vem cá. - senti os seus braços me envolvendo, foi o suficiente para que eu sentisse uma lágrima teimosa escorrer.
Depois de uns minutos daquele jeito, pegou o corpo e arrastou para fora da casa e jogou perto de umas madeiras que Dave usava para a fogueira. No dia seguinte, quando fossem nos buscar, seria importante que vissem o que eu tinha feito, em autodefesa, obviamente. Ele entrou de volta na casa e trancou a porta.
- Vamos ficar bem. – concordei com a cabeça e depois olhei para minhas mãos, com sangue. - Vá tomar um banho, vou procurar alguma roupa limpa por aqui e toalhas.
- Você não precisa cuidar de mim. – ele balançou a cabeça, sorrindo sem mostrar os dentes, e revirando os olhos, indo calmamente até um dos quartos.
- Eu sei, mas eu quero.
Fui para o banheiro, ainda baqueada com tudo, era informação demais ter que pensar em como estava Avallon e principalmente as pessoas que eu amava e me importava, queria que todos estivessem bem. As pessoas que estavam lá fora no evento, tinham mais ajuda dos guardas para se proteger, eu torcia para que os funcionários tivessem tido o mesmo tratamento, ou que nem tivesse dado tempo de entrarem no castelo. Esse cara que nos atacou aqui na cabana também havia me deixado ainda mais nervosa, pelo jeito Vantron não estava mesmo contente com o acordo e aparentemente eu estava irritando até eles. Que ótimo, mais um inimigo para minha lista de suspeitos. Tigre dourado significava o quê? Assim que a gente saísse de lá, contaria para meu pai e os meninos, rei Roger e rei Alan devem saber que Vantron tem algo preparado para nós e que eu sou um dos alvos, talvez se usássemos isso, daria para termos algumas cartas nas mangas, proteger os meninos e Alan, proteger o povo. Eu faria de tudo por isso.
Sentia a água quente escorrendo pelo meu corpo e consequentemente o chão sujo, misturando a terra e a sujeira que havia acumulado da floresta com o sangue em minhas mãos, eu estava um pouco aliviada, eu me sentia mais forte, mas a que preço? Eu teria que machucar as pessoas que eu gostava para me sentir melhor? Não me importava em machucar um desconhecido que havia me atacado e atacado o cara que eu gosto, mas me importava por ter magoado e Ben com a minha boca sincera, só conseguia rezar para que os dois estivessem bem e eu conseguisse me desculpar. Desliguei o chuveiro e fui até a porta, vendo que tinha apenas a toalha ali, me sequei e me cobri com ela, indo até um dos dois quartos, torcendo para não dar de cara com .
- Eu achei só essa camiseta por aqui. – ele falou assim que me viu, me dando um belo de um susto. – Eu falei para me esperar no banheiro, nem adianta me xingar de tarado.
- Só branca? - fiz careta e ele sorriu.
- Nunca percebeu que sem a farda, sua família só usa branco?
- Eu nunca os vi sem farda. – peguei a camisa da mão dele e a coloquei, por cima da toalha. – Obrigada.
- Vou tomar um banho, não faça besteira nos meus cinco minutos de ausência.
- Vou desligar a água quente se você me atazanar mais um pouco. – ele deu aquela gargalhada gostosa e saiu em direção ao banheiro, fiquei sentada na cama até que ele saísse realmente do banheiro. Tinha medo de mais alguém aparecer, mas estava doida para reagir a qualquer coisa. Ouvi o chuveiro sendo desligado e depois de um tempo apareceu no quarto, com uma calça de moletom e secando os cabelos, obviamente sem camisa, o que me deixou um pouco nervosa, não tinha o visto sem camisa e tê-lo tão perto me assustava. – Coloque uma camiseta. – falei, vendo que o bonitinho havia sorrido para aquilo e depois olhado descaradamente para minhas pernas.
- Coloque uma calça. - ele retrucou, me fazendo revirar os olhos. - Não gosto de dormir de camiseta, mas pode ficar tranquila, eu vou ficar na sala. – sorriu, saindo do quarto e me deixando sozinha mais uma vez. Eu não estava com sono. Fiquei mais alguns minutos sentada na cama até que ele voltou com algumas frutas. – Foi o que eu achei aqui para você comer.

(Coloque para tocar)


- Não precisava... - sorri e ele concordou com a cabeça, indo em direção à porta. – ...
- O que foi? - ele se virou para mim e encostou na porta.
- Já comeu? - eu queria dizer uma coisa, mas não conseguia.
- Não, só achei isso e você precisa comer.
- Deixe de ser bobo, venha aqui, isso dá para nós dois. – ele caminhou até a cama e se sentou ao meu lado, comendo o pêssego. - Eu sei que não sou uma pessoa muito fácil de lidar, mas... Me desculpe por tudo e estou feliz que você esteja bem.
- Eu sei que não sou uma pessoa muito fácil de lidar, mas... Me desculpe por tudo e estou feliz que você esteja bem. – ele repetiu o que eu disse, mas eu sabia que não era por deboche, rimos daquilo. Éramos complicados o suficiente para nos entendermos. - Você está em um momento complicado da sua vida, eu não te culpo por estar agindo dessa forma, e sendo bem sincero, eu gosto de você com a sua grosseria e deboche apenas quando você está bem consigo mesma, porque aí eu sei que você está apenas sendo você e não tentando machucar alguém.
- E eu gosto dessa sua nova versão. – sorri, o encarando. - Você continua chato, mas agora está suportável. Obrigada por não desistir de mim.
- E tem como? - ele riu, me encarando. - Você vale a pena.
- Eu não sei reagir quando você fala essas coisas. – ri, nervosa. Acho que as únicas vezes que eu ficava sem palavras era quando eles faziam isso comigo. – Eu não tenho nem para onde fugir aqui.
- Então não foge. – sorriu, tímido. Era a primeira vez que eu via aquilo. – Vamos ter uma noite só nossa, sem ataques, deboches ou provocações... Uma noite que ninguém possa nos atrapalhar e que amanhã a gente só fique com ela em nossas memórias, torcendo para termos uma próxima. - ele segurou meu rosto delicadamente. – A gente faz o que você quiser. - o encarei nos olhos e depois encarei seu corpo exposto. Encostei minha testa na dele e respirei fundo.
- Se lembra da noite em que eu bebi todas? - perguntei e ele concordou com a cabeça. - Eu lembro que você não quis fazer nada comigo e disse que só faria algo quando eu estivesse sóbria e quisesse. Por quê? – ele arregalou os olhos
- Achei que não lembrava.
- Eu lembro. – ri, balançando a cabeça. - Por que você não fez nada? Você me teria de mão beijada.
- Eu nunca faria nada com você fora de si. Nem ninguém para ser mais exato. Além do mais, se for para termos algo, quero que você se lembre de tudo, para você nunca se esquecer de Aykroyd.
Ele deu um riso nasalado e me encarou, como se esperasse uma resposta o contradizendo, mas tudo o que eu consegui fazer foi agarrar sua nuca e beijar sua boca. ficou surpreso pelo meu ato, já que arregalou os olhos. Na real, até eu mesma fiquei, mas logo após ambos fecharmos os olhos e quando ele contornou toda a extensão dos meus lábios com a língua, eu cedi sua passagem, começando um beijo suave e que poderia dizer muitas coisas.
Inconscientemente, comecei uma contagem muda, como se tivesse algo prestes a explodir, o porquê, eu não sabia.

3


As mãos dele saíram do meu rosto, contornando todo o meu corpo cautelosamente até pararem na minha cintura, onde ele apertou com força, me incentivando a levantar e sentar em seu colo, colocando cada perna de um lado e me encaixando nele sem nos separarmos. Aprofundei o beijo, sendo mais agressiva e rápida. Eu estava enlouquecendo aos poucos, descontava tudo o que tinha acontecido comigo nos últimos meses naquele beijo, às vezes mordendo com mais força sua boca, outras, sugando com mais precisão, e só parei quando se afastou de mim devagar, levando seus lábios ao meu ouvido.
- Está tudo bem? - perguntou antes de pegar meu lóbulo com seus dentes, dando leves mordidinhas.
- ... - sussurrei ao passo que seus beijos iam descendo, até pegarem a pele arrepiada e quente do meu pescoço. passou sua língua ágil e experiente entre minha clavícula e o começo do meu rosto, para no final, me deixar um beijo estalado próximo ao queixo e depois voltar a dar leves chupões no meu pescoço. Se ele deixasse uma marca, ele ia se ver comigo.
Por um instinto, pressionei a minha bunda em sua já evidente ereção, fazendo separar a boca do meu pescoço e murmurar coisas desconexas de olho fechado. Pressionei de novo e dessa vez ele aprofundou o contato, colocando as mãos na minha bunda e fazendo mais força, tendo nós dois gemendo baixinho em resposta. Já podia sentir minha calcinha úmida e quente.
2

Segurei a barra da camiseta comprida que eu usava, indecisa se eu tirava ou não, já que não estava vestindo mais nada por baixo além da calcinha, mas pareceu compreender minha batalha e me encarou, passando toda a confiança que eu precisava através daquele olhar antes de me ajudar a tirar a peça de roupa, sentindo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem quando minha barriga desnuda teve contato com a sua.
Encarei seu rosto novamente, passando minha mão em sua bochecha e franzindo o cenho. O que estava acontecendo? Tudo dentro de mim se revirava de ansiedade. Uma ansiedade que eu nunca senti antes. Eu nunca havia feito aquilo, parecia que eu estava fora de controle
- Você é tão linda, . - não liguei para seu olhar em direção aos meus seios já enrijecidos pela tamanha vontade dele que eu estava, na verdade, eu até estava gostando dessa atenção que recebia, me sentia desejada como nunca. Quando senti sua mão gelada em contato com meu seio esquerdo, gemi baixinho em resposta.
Não respondi nada e voltei a procurar seus lábios, iniciando novamente um beijo afoito e bruto, enquanto ele mantinha as mãos em meus seios. Mais uma vez pressionei minha pélvis na sua e praticamente senti seu membro pulsar por debaixo da calça de moletom, rebolando mais um pouco, a fim de tentar melhorar o formigamento que sentia, fazendo gemer mais uma vez contra a minha boca.
Ainda o beijando, comecei a brincar com o cós da calça dele, morrendo de curiosidade sobre o que me aguardaria. Me levantei de seu colo, dando a ele uma visão mais precisa do meu corpo desnudo (com exceção da calcinha) e pude ver seus olhos quase pulsarem de tanto desejo enquanto com as mãos ele contornavam meu corpo todinho.
Fiquei de joelhos à sua frente, pronta para tirar aquele moletom, mas um barulho alto lá fora nos fez nos encararmos assustados. Não tão assustados quanto quando ouvimos quem era.

1

- ? - era uma voz familiar... Era Dave. Benção aos céus que tínhamos lembrado de trancar aquela porta. - , é você?
Quando cai na real, pulei em direção à minha blusa, a vestindo de qualquer jeito e nem ligando se estava virada do avesso ou não, enquanto tentava arrumar meu cabelo e dar menos na cara o que estávamos prestes a fazer.
Abri a porta rapidamente e nem tive tempo de responder nada, pois senti os braços de meu pai me apertando forte assim que me viu. Eu estava tão aliviada por vê-lo bem, mas morrendo de medo também.
- Céus! Achei que tinha acontecido algo com você, me arrependi de ter te mandado para cá no meio daquele caos. – ele respirou fundo, ainda me abraçando. - ? - meu pai encarou com o cenho franzido enquanto se soltava de mim e encarava-o por completo, parecendo compreender algo.
- Que bom ver você, Dave. – ele sorriu, meio nervoso, ainda sentado na cama com a almofada no meio das pernas. - Já acabou a confusão? Podemos voltar? - perguntou o príncipe, coçando a cabeça.
- Conseguimos conter tudo faz uns minutos, então vim verificar se a estava aqui. – falou, ainda encarando , mas dessa vez numa expressão raivosa. - Nós podemos conversar? De preferência no celeiro, onde eu guardo minhas armas. - disse essa última frase em um sussurro de arrepiar os pelos, vendo o príncipe dar de ombros.
- Pai, er... - cocei a cabeça, nervosa, e depois segurei seu braço. - Vocês viram um corpo ali fora?
- Corpo?
- Sim, era um vantroni, ele nos atacou e eu atirei nele. – falei, um pouco confusa.
- Não tem corpo algum lá fora. – Dave falou, balançando a cabeça. - Além de tudo, você deu a arma para minha filha? Aykroyd, você vai levar tanto tiro de borracha que nunca mais vai chegar perto da minha filha. – ele sussurrou essa última frase novamente.
- Pai, isso não importa agora, ele deixou uma ameaça bem clara aqui. – o encarei. – Alan e são os primeiros alvos deles, ele disse também que eu sou uma ameaça para eles, me chamou de tigre dourado, o que isso significa?
- Eles deixaram bem claro o que vieram fazer hoje nesse ataque. – Dave balançou a cabeça. - Precisamos de mais acordos antes que isso vire um mar de sangue... Tigre dourado?
- Isso muda muita coisa, Dave. – falou, o encarando, sério.
- Alguém pode me explicar? - perguntei, sem paciência. - Ninguém vai falar nada? Quero falar com , ele vai me contar tudo que eu quiser saber. – Dave olhou para baixo e depois encarou . – O que aconteceu? Pai, o que aconteceu com ?
- Filha, eu preciso que você se acalme. – aquilo foi o suficiente para o meu coração parar uns instantes. – Ele levou um tiro, está em cirurgia.

Capítulo 5

O barulho do relógio começava a me irritar. Aquele tic-tac não ajudava nada e parecia que quanto mais barulho ele fazia, menos a hora passava. Aquela madrugada havia sido bem conturbada, e às quatro da manhã, sem qualquer informação sobre o estado de , nos deixava ainda mais ansiosos e nervosos. Eu não deveria estar ali, mas Dave havia conseguido que eu ficasse com a família e Alan.
Avallon foi atacada cruelmente, havia muitos feridos e alguns mortos por conta daquele ataque. Summer havia levado um arranhão na correria e foi a única selecionada a se machucar, as pessoas do castelo que foram machucadas, também não sofreram muito, foi um grande susto. O guarda que me ajudou havia morrido, e nada tirava da minha cabeça que aquilo foi culpa minha. Os vantronis não chegaram a entrar no castelo, e ao menos isso me deixou tranquila.
Dr. Poirot estava operando , a bala havia entrado e tinha que ser retirada se ele quisesse mexer o braço novamente, aquilo me assustava. Depois do que aconteceu na cabana com , eu nem conseguia me perdoar por ter me divertido enquanto estava sofrendo, aquilo havia sido tão errado. A rainha não estava presente, ela havia tomado calmantes e ido para seus aposentos, rei Roger estava sentado apenas encarando a parede branca, havia saído para buscar algo para eles tomarem e eu fiquei muito feliz ao finalmente poder tomar um café quente, estava olhando a janela, um pouco distante da gente. Caminhei até ele.
- Não acredito que meu irmão está passando por isso. – ele falou, tomando o café que eu entreguei a ele. Assim que chegamos da cabana, nem nos trocamos, ele estava com uma camisa branca de Dave e eu estava com o casaco de meu pai. Dave havia surtado por ter nos encontrado juntos e ele não era bobo, havia entendido o que estava acontecendo. - Podia ter sido eu, não ele.
- Não fale assim, não deveria acontecer com nenhum de vocês. - falei, o encarando. – Isso que aconteceu foi horrível, mas vai ficar bem. – falei mais para mim do que pra ele. – Ele é forte e ele vai se reerguer.
- Eu sei que você gosta dele. – falou baixinho. - Você ainda não percebeu, mas você gosta dele.
- ? – falei, rindo de nervoso. – Eu estava até agora com você.
- Eu não estou falando que você não gosta de mim. – ele sorriu sem mostrar os dentes. – Eu só estou dizendo que você gosta do meu irmão e isso pode magoar alguém...
- Eu não quero magoar nenhum de vocês, . – balancei a cabeça e ele olhou para janela.
- Eu sei que não. - fomos chamados a atenção quando Dr. Poirot saiu da sala e todos levantaram, indo até ele.
- é forte. – ele sorriu, fazendo com que ficássemos aliviados. – Ocorreu tudo bem, uma semana de repouso e mais algumas de fisioterapia e ele estará pronto para causar mais um ataque. – rimos daquilo, era verdade. – Ele está acordado.
- Céus, vou avisar a Leigh! - Rei Roger saiu da sala correndo.
- Podemos vê-lo? - perguntou e Dr. Poirot me encarou.
- Ele quer ver a primeiro. – arregalei os olhos e todos olharam para mim. suspirou e incentivou que eu fosse. – Venha, minha filha.
Caminhei um pouco confusa até a sala especial, destinada apenas para membros da realeza, dr. Poirot falava algumas coisas, mas eu não conseguia ouvir o que ele dizia. Tinha muita coisa ali envolvida, coisa demais. Ao entrar na sala, estava de olhos fechados, ainda era efeito da anestesia. Me aproximei em silêncio e observei ele, estava pleno e sereno, lindo como sempre, fiquei extremamente aliviada por vê-lo e meu coração parecia que ia sair pela boca. Alguns segundos depois, ele abriu os olhos e deu um sorriso lindo, me fazendo sorrir de volta com os olhos marejados.
- Eu preciso quase morrer para te ver chorar? - ele brincou, rindo ainda, um pouco baqueado.
- Nunca mais faça isso comigo, Aykroyd. – falei, segurando a mão dele. – Foi uma bela cerimônia, eu fiquei feliz por ter chegado na melhor parte, o seu discurso.
- A melhor parte foi ver você ali. – eu tombei a cabeça para o lado, passando a mão em seu rosto. – Desculpe se eu fui grotesco falando sobre Lizzie, não quero que nada fique no nosso caminho, nem que você fique brava comigo.
- Esqueça essa vadia, eu nunca mais vou deixar nada ficar entre nós, nem mesmo ela. - ele sorriu, recebendo o carinho. - Nós dois não podemos deixar nada abalar o que temos.
- É uma bela amizade. – ele falou, fechando os olhos e sorrindo sem mostrar os dentes. – Poderia ser mais que isso.
- ...
- Tudo bem, eu sei. – suspirei, vendo-o segurar minha mão e levá-la até seu peito. – Eu estou te esperando, me desculpe por ter sido um idiota.
- Eu ainda estou confusa... Me desculpe fazer você se sentir assim, mas você não deve esperar eu escolher alguém.
- Você vai me escolher. – me deu uma piscadinha. - Você só não sabe disso ainda, e sabe por que eu sei disso? - arqueei a sobrancelha, sorrindo para aquela cena. – Porque eu te conheço.
- Você é um idiota. – deitei ao seu lado, lhe abraçando. - Céus, eu estou tão feliz por você estar bem.
Ficamos abraçados por muito tempo, quietos. Era um silêncio bom, daquele que ficávamos confortáveis um com o outro e que nada precisava ser dito. O alívio que eu sentia por ele estar bem era indescritível, estava tão feliz que queria apenas ficar ali com ele e esquecer que tinha um reino muito poderoso querendo as nossas cabeças, ou que tentaram matar o cara mais legal do mundo. Por um momento, esqueci o que havia acontecido na cabana e me senti culpada, pois eu havia gostado, me fez e me faz muito bem, só que descobrir isso, não faria bem. Além disso, eu sabia que era errado o que eu estava fazendo, e esse dilema estava me matando.
- Hey, irmão. - eu estava de olhos fechados, e por algum motivo, eu permaneci assim, mas sabia que era .
- Que bom que você está bem. – falou, baixinho, mas sabia também que ele sorria.
- Você que leva o tiro e se preocupa com os outros? - riu, se sentando ao lado de . – Melhore logo para você revoltar mais Vantronis.
- Devo dizer que você causou uma revolução. - dessa vez era . - Deu um susto enorme na gente.
- Desculpe, mas aconteceu o que eu esperava. – os irmãos pareciam surpresos com aquilo. – O tiro no meu braço e a explosão contra nosso povo foi inesperado, mas aconteceu o que eu queria. Vantron tem medo da gente, isso faz com que possamos formar mais elos, estamos mais fortes.
- A cerimônia ao vivo foi uma afronta para eles. – pareceu ter entendido o pensamento. – Eles vão lutar pesado, .
- Nós estamos preparados para isso, Alan sabia das consequências desse acordo e nós vamos fazer acordos com vários reinos agora, gente, nós acabaremos com Vantron.
- A que custo? - perguntou. - Você se machucar mais?
- Ninguém vai se machucar, confiem em mim!
- Então você tem que saber que Vantron colocou na lista de próximas mortes. – pareceu ficar um pouco abalado e se mexeu delicadamente, tentando não me acordar, pena que eu não estava dormindo. – Ela é o tigre dourado.
- Como você sabe disso?
- Não importa, isso muda tudo, . – falou, dando de ombros. – Ela corre perigo.
- Ela é quem vai mudar tudo. – falou, um pouco abalado.

~


- Temos um comunicado para vocês. - Rei Roger falou na frente de todos no jantar, Agartha já tinha ido embora, tudo havia voltado ao normal. Já fazia algumas semanas desde o atentado, estava na fisioterapia e eu estava de castigo, sim, meu pai havia me deixado de castigo desde que me pegou na cabana com . – Eu e meus filhos iremos para duas missões diferentes, nos dividiremos para visitar esses destinos que não poderemos falar para vocês por motivos de segurança, vocês ficarão seguras, triplicamos a segurança do reino nas últimas semanas.
- Levaremos uma tropa conosco. Durante a madrugada, sairemos escondidos daqui. – tomou a palavra, aquilo havia me feito ficar nervosa, não sabia como me sentir em relação aquilo. – Voltamos em alguns dias.
- Durante o período que eles vão ficar fora, eu ficarei no controle. – agora sim eu estava preocupada, a rainha Leigh-Anne no controle era a última coisa que eu precisava. – Vamos ficar bem.
- Vamos viver em uma ditadura. – falei baixinho e as meninas que estavam perto de mim começaram a rir.
- Algum problema? - ela perguntou, me encarando.
- Só queria desejar uma boa viagem aos meninos, cuidem-se. – falei, encarando-os, mesmo sabendo que não estavam falando muito comigo, por causa da cabana.
deixou uma marca no meu pescoço e aquilo deixou uma consequência devastadora para todos à minha volta. não falava comigo desde que ligou os pontos, me ignorava como se eu não existisse, algumas meninas que queriam também. Meu pai me deixou de castigo e eu magoei , dizendo que aquilo não havia significado nada, quando, na verdade, havia sim. A última coisa que eu queria era magoar eles.
Depois do comunicado, terminei meu jantar e fiquei na mesa, esperando a fila da despedida diminuir, para que eu conseguisse tentar me despedir de algum deles. Pude ver todo amoroso com Sam e Lizzie, aquilo me deu enjoo, pela Lizzie, é claro, Sam e estavam muito mais próximos que antes e eu estava distante dele. estava bem mais próximo de Courtney, o que era bizarro, já que ela estava afim de , esse estava bem mais próximo de Summer, uma união que eu não imaginava, mesmo estando surpresa em como Summer havia mudado para melhor, ela também estava próxima de . Quando ficou finalmente sozinho, foi a minha deixa de me aproximar.
- Eu sei que está bravo comigo, mas... Independente de onde for, tome cuidado. – ele estava sério e me encarou.
- Não finja que se importa, .
- Céus. - balancei a cabeça, rindo. – O que eu vou ter que fazer para você me desculpar? , nós prometemos guardar aquele dia para nós, mas você deixou uma marca no meu pescoço, você viu como fui perseguida por todos, até mesmo meu pai surtou! Eu estava nervosa e falei sem pensar, não quis magoar você.
- Esse é o seu problema. – começou a dizer, coçando a cabeça, visivelmente sem paciência. - Você nunca quer magoar a gente, eu sei disso, mas o faz mesmo assim. Não querer, não te impede de fazer. – aquilo me atingiu como um soco no estômago, ele tinha razão.
- Você está certo. – concordei com a cabeça alguns segundos depois, indo até ele e lhe dando um beijo no rosto. - Você é importante para mim, sinto muito.
olhou para mim por cima de Courtney e pareceu visivelmente não querer papo, aquilo foi o suficiente para que eu me retirasse de perto deles, não antes de olhar para , que sorriu sem mostrar os dentes, mas logo tratou de sair... Pela outra porta. Fui em direção ao meu quarto pensando nas palavras de .
Eu era a pior pessoa do mundo. Encontrei as meninas no meu quarto e logo pedi para que elas tirassem uma folga. Os guardas que estavam na minha porta eu tinha confirmado que eram os amigos do meu pai, então fiquei mais tranquila.
Elas saíram e eu ouvi uma batida na porta, abri e era meu pai.
- Veio se despedir?
- Voltamos logo. – ele sorriu sem mostrar os dentes, fechando a porta.

(Coloque para tocar)


- Vocês são burros o suficiente para saírem no meio de uma pré-guerra? – falei, visivelmente irritada. - VOCÊS SÃO OURO PARA OS VANTRONIS!
- Filha, não tem motivos para se preocupar! Iremos disfarçados e sem chamar atenção. Vamos sair junto com os aviões de exportação, foi tudo muito planejado! - meu pai sorriu, se sentando na cama.
- Como não me preocupar? As pessoas que eu amo serão enviadas como pacotes de uvas, vinhos, patês e doces! - ele me puxou para um abraço. - Se cuida, por favor.
- Denver ficará aqui cuidando de você e ficando no meu lugar no período fora, mas Ben vai, para ficar com e . - concordei com a cabeça. - Eu ligo assim que possível dando notícias.
- Voltem bem, para quando retornarem, eu poder bater em vocês sem culpa. – meu pai riu, aquilo tirou um sorriso de mim. Ele me deu um beijo na testa e saiu, logo Benjamin entrou, foi o suficiente para que meus olhos enchessem de lágrimas, eu estava sensível. - Vocês são burros, eu não acredito que vão sair em missão suicida, e o pior de tudo é que vão os seis juntos!
- Você terá que virar rainha para impedir atitudes idiotas desse tipo. – o encarei feio enquanto ele ria e se sentava ao meu lado, me abraçando pelos ombros.
- Homem em si já é idiota, mas vocês, além de idiotas, são burros e irresponsáveis. – Ben começou a rir.
- Se comporte nesse tempo que ficaremos fora, você e a megera não se dão bem, então, por favor, se comporte!
- Ela fica na dela e eu fico na minha. - dei de ombros e ele sorriu. – Se cuida e cuida daqueles idiotas.
- Pode deixar, eu te amo, patetinha.
- Eu também te amo, Ben. – abracei ele.
- Vou pegar minhas coisas, sairemos um de cada vez a cada hora, o primeiro foi assim que ele terminou as despedidas, agora sou eu. – ele se levantou, me dando um beijo na testa. – Te vejo em breve.
Fiquei sozinha com os meus fantasmas, não sabia o que fazer, me sentia incapaz de fazer qualquer coisa e aquilo era horrível. Rezaria para que eles ficassem bem, eu não era muito crente, mas rezaria por eles. Era a maior burrice o que eles estavam fazendo, eu estava com ódio dos seis, ainda mais por causa das ameaças claras de Vantron contra nós. A RAINHA AINDA ME ENTREGARIA PARA ELES.
Alguém bateu na porta novamente, um tempo depois da última visita, mas me surpreendeu ver aquela pessoa em específico.
- ? - ele se virou, sorrindo sem mostrar os dentes. – Entre!
- Decidi que não posso ficar bravo com você por fazer algo que teve vontade. – ele se sentou na poltrona. – Que tipo de pessoa eu seria se ficasse bravo por você ter atitudes que eu tive? Não serei hipócrita.
- Tem razão. - concordei com a cabeça. - Mesmo assim, me desculpe por te magoar.
- Não se desculpe, você sabe que não precisa. – sorriu, segurando minha mão. - Nenhum de nós pode te condenar por isso, nem mesmo , por ter escutado errado, sim, eu sei, eles me contaram.
- Você é a melhor pessoa do mundo, sabia? - passei a mão em seu rosto. – Sam é uma garota de sorte.
- Você também é, você me tem a hora que quiser. – o encarei, assustada. – Desculpe, falei sem pensar... Mas sim, eu gosto muito dela, ela me faz bem e me entende.
- Isso é o que mais importa para mim. - sentei ao seu lado, o abraçando. - Tome cuidado, isso é uma missão suicida!
- Ficaremos bem, não se preocupe. – dei um tapa em sua testa.
- Se mais alguém mandar que eu não me preocupe, eu terei uma síncope! VOCÊS SÃO BURROS? QUEREM SE MATAR? ALÉM DE TUDO VÃO TODOS E DEIXAM O CASTELO NA MÃO DAQUELA MEGERA METIDA A HITLER! SE ACONTECE ALGUMA COISA, ESTAREMOS TODOS FERRADOS! TODOS FERRADOS!
- Ei! - ele me segurou pelos ombros. - Não vai acontecer nada! Vocês ficarão bem e nós também. Minha mãe tem ordens para não encostar em você.
- Ela só faz o que quer. – balancei a cabeça. - E que se dane, eu não vou me deixar intimidar por ela!
- Nós sabemos disso e ela também! - ele me abraçou novamente. – Bem, tenho que ir.
- Já? - fiquei triste, mas por um momento, um fio de esperança brotou em meu peito, poderia se despedir de mim.
- Sou o último antes de Dave e meu pai. – a minha expressão não passou despercebida. – e já foram. – concordei com a cabeça e ele sorriu sem mostrar os dentes. – Mas mandou essa carta para você. - ele tirou do paletó a carta e me entregou, o encarei, um pouco receosa. - Vocês ficarão bem.
- Obrigada, . – sorri, o abraçando forte.
- E se não ficarem, eu estarei aqui. – ele depositou um beijo em minha testa e saiu.
Respirei fundo antes de abrir aquela carta, não esperava por ela, na realidade, não esperava que ele fosse sair sem se despedir de fato, mas a carta foi o ponto final para provar o quanto ele estava chateado comigo. Mas estava certo, eu não tinha que me desculpar. Encarei aquela carta por muito tempo até criar coragem de abrir e ler, mas logo comecei a ficar com os olhos marejados, assim que peguei a primeira folha. Era uma foto nossa, no primeiro baile, ambos sorridentes e felizes. Eu não tinha a mínima noção de que me importaria tanto com nenhum dos três. Respirei fundo e comecei.

“Ei, ... Sei que nesse exato momento você deve estar sentada em sua cama, com várias lembranças graças a essa foto. Eu também fiquei assim por um tempo. Sei também que deve estar nos xingando de burros e estar completamente brava por termos saído dessa forma, pode parecer estupidez agora, mas quando terminarmos, você vai entender que tudo foi pelo seu bem.
Sinto muito não ter me despedido pessoalmente de você, ainda não estou pronto para encarar essa situação, peço que não se culpe, sei que está fazendo isso, pare imediatamente! Você é tudo para mim, só é difícil ficar por perto quando não é recíproco.
Dói.
Isso não é culpa sua, eu sou responsável pelo o que eu sinto, você só é responsável pelo que faz em relação a ele. Espero que esse tempo longe de nós, você coloque a cabeça no lugar e descubra de quem gosta mesmo. Independente da sua resposta, eu continuarei te amando e estarei com você.
Ah, não deixo de me preocupar com o castelo, com você e minha mãe se odiando, espero que quando voltarmos, vocês não tenham destruído tudo e ainda estejam vivas.
Fique bem.
Sempre e...?
Com amor, .”


- Para sempre. – completei, sorrindo ao terminar de ler.

Capítulo 6

Já haviam se passado quatro dias desde que os meninos viajaram, eles davam notícias uma vez por dia, mas não se estendiam nas ligações, elas eram sempre rápidas e específicas. O castelo parecia que havia perdido o brilho e tudo estava cinza. A megera havia mudado absolutamente tudo e criado ordens que não cabiam a ela.

• Horário para sair do quarto;
• Horário para voltar;
• Horário de atividades diárias;
• Nada de se dirigir a ela sem que fosse importante;
• Nada de sair para o jardim;
• Obrigatório o horário do chá, que era claramente o momento que ela precisava que bajulassem ela;
• Ou fazíamos o que ela queria, ou ficaríamos de castigo, e o castigo era sentir dor.

Entre outras regras idiotas e desnecessárias, mas havia prometido evitar criar caso com aquela megera, então só me preocupava em terminar o dia e rezava para que os meninos voltassem logo. A carta de me fez pensar muito e eu não havia chegado à conclusão nenhuma, parecia que quanto mais eu ficava longe deles, pior era a decisão.
Estava em meu quarto, me recusando a sair dele e querendo matar aquela desgraçada que me fazia levantar às cinco e meia da manhã para estar no saguão às seis para as atividades diárias, a minha era limpar a biblioteca. Segundo ela, precisava de organização. Café da manhã apenas após as atividades, e eu queria matar aquela mulher fazendo o inferno na minha vida em plena TPM. Fui até a maldita biblioteca e comecei a fazer o que era necessário, completamente irritada por estar organizando livros, eu os amava, mas odiava a pessoa que me obrigava estar ali.
- Nós não podemos fazer isso assim. – escutei uma voz bem conhecida falando em uma das prateleiras, era Denver.
- Eu sei, mas eu senti tanto a sua falta! - fiquei surpresa ao ver que a outra voz era masculina. Observei os dois se beijando e achei meigo, mas a parte protetora que existia em mim começou a se preocupar com aquilo, meu irmão era gay, ser gay em Avallon era... Crime. Sem querer, chamei a atenção dos dois ao derrubar os livros que segurava.
- Me desculpe, eu não vi nada, eu juro! – falei, saindo dali quase correndo.
- ! - Denver me chamou, indo até mim. – Sinto muito, eu...
- Não se desculpe! - eu disse, visivelmente brava por ele achar que eu era como todos os outros. - Você não deve se desculpar por amar! Nenhum de vocês. - olhei para o parceiro dele, reconheci ele como um dos guardas que ficava de vigia em meu quarto, era Ted.
- Eu sei... Eu esqueço que tenho um tigre dourado às vezes. – ele sorriu, me abraçando.
- Estou triste, se eu não tivesse visto vocês sem querer, eu nunca saberia! - os dois riram. – Estou com vocês, certo?
- Obrigada, srta. . – Ted falou, se curvando.
- Deixe disso, me chame de ... Cunhado. – Denver sorriu e encarou Ted, que sorriu para mim. Eu estava feliz. – Se cuidem, estarei de vigia ali na porta, eu toco o sininho se chegar alguém. Fiquem à vontade.

~


Depois do café, que mais parecia um regime militar, fui para o meu quarto fazer minhas atividades e ler sobre as partes finais do meu projeto, aquele que já estava em andamento em algumas cidades, de forma de teste para melhor solução no resto. O castelo iria entrar no teste, mas então a rainha assumiu o poder e deixou claro que era contra. Patética.
Southampton e outras duas cidades eram as testadas, e em todas, o treinamento para mulheres estava quase completo, as psicólogas estavam preparadas para conversar com qualquer pessoa e o telefone especificado para mulheres estava sem andamento. O atendimento seria feito apenas por mulheres, mulheres sem emprego algum que ganhariam uma renda através daquilo. Me deixava tranquila saber que nenhuma estaria desamparada.
Ouvi uma batida na porta e era Denver.
- Hey, patetinha.
- Oi, idiota. – sorri, esperando que ele sentasse.
- Eu queria agradecer por hoje mais cedo. – eu concordei com a cabeça. - Você vai ficando mais legal a cada dia que passa...
- Benjamin e Dave sabem? - perguntei, curiosa.
- Nunca escondi isso deles. – ele respondeu, sorrindo. – Nosso pai nem se abalou, ele é muito especial, ... Benjamin, bom, ele sempre soube, quando eu assumi, ele só me abraçou e nada mudou.
- Eu amo vocês mais a cada dia que passa. – falei, sorrindo com aquilo. Denver contou a história dele com Ted e eu descobri que os dois se conheceram através da Lady Devimon e ela também sabia daquilo e havia apoiado. Ninguém mais sabia. Óbvio que nada sairia da minha boca, eu guardaria aquilo para sempre, se necessário. Agradeci por ter uma família evoluída e torcia para que as pessoas fossem assim algum dia, temia pelo preconceito que ele sofreria, ainda mais estando na posição que ele estava, seria um massacre.
- Obrigado por ser você, é muito bom saber que a tenho ao meu lado para qualquer situação. - ele me abraçou. - Podemos dar uma volta com os cavalos hoje, sair desse lugar e conversar um pouco sobre você sabe o que e quem.
- Mas e a megera?
- Ela nem vai saber, voltaremos antes do almoço, e se não voltarmos, as suas damas podem falar que você não está bem. – ele deu uma piscadinha e se levantou, se meu irmão mais velho falou, quem era eu pra discordar?
Me arrumei rapidamente e avisei minhas damas, Olívia concordou com aquilo e eu saí com Denver. Fomos escondidos até o estábulo e logo pegamos os cavalos, eu escolhi o Greiguer, o cavalo do meu pai. Começamos nossa corrida para a floresta em meio a risadas e comentários ridículos sobre nós mesmos, nunca havia tido tantos momentos íntimos com Denv, mas isso não significava que não tínhamos nossa proximidade perfeita, o que eu tinha com Ben era igual o que eu tinha com Denv, só não precisávamos estar juntos o tempo todo. Paramos depois de um tempo em uma clareira, um lugar diferente dos que eu conhecia ali.
- Esse é meu lugar preferido. – ele falou, se sentando próximo ao lago. – Ted e eu costumamos vir aqui, longe de tudo. Temos paz.
- É um bom lugar. – falei, olhando a paisagem, o sol estava bem forte, mas em Avallon, fazia frio naquele dia, então era bom. - Quanto tempo estão juntos?
- Ah, uns seis anos já. - ele sorriu, se lembrando de algo. – Nos conhecemos na época de treinamento, desde então nós não nos desgrudamos, nosso pai me transferiu para cuidar da Lady Devimon, mas eu retornava algumas vezes, foi difícil, mas deu certo. Então um dia ele foi recrutado para o mesmo lugar que eu estava, finalmente deu certo... - ele suspirou e me encarou. – E quando eu descobri que tinha uma irmã, a eterna rainha Devimon me fez voltar para cá... Eu amei!
- Oh, Danv. – sorri, o abraçando, completamente apaixonada pela história dele. – Isso é lindo, e obrigada por ter vindo por mim.
- E perder o marco histórico que é ? Jamais! - ri daquilo, eu não estava entendendo nada e muito menos o motivo de sempre se referirem a mim dessa forma. – Bom, mas vamos falar de você...
- Minha vida amorosa é muito complicada, Denv. – ele tirou do bolso dois saquinhos de salgadinhos e começamos a comer.
- Estamos com tempo, e quem sabe eu não te ajudo? - contei toda a história desde o dia em que eu cheguei, falei de cada um dos meninos e como eu me sentia em relação a eles, contei o que aconteceu na cabana com , foi muito fácil falar tudo pra ele. - Você está confusa ainda?
- Eu te contei tudo isso, é óbvio que estou. – Denver sorriu, balançando a cabeça. - O que foi?
- Você já escolheu, . – o encarei, sem entender. - Você só fica achando motivos e colocando nos outros meninos para ficar se martirizando na hora de escolher realmente.
- Então quem é? – perguntei, realmente confusa.
- Eu não posso fazer isso por você. - Denv segurou minha mão. - Eu iria te influenciar e não posso fazer isso com você.
- É tão errado isso que estou fazendo.
- Eles aceitaram isso e estão esperando você, no seu tempo. – concordei com a cabeça, mesmo não achando que aquilo era certo. - , eu sei o quanto eles gostam de você e o quanto você gosta deles. Independente de tudo, você vai ficar bem e vai ficar bem com eles. – respirei fundo e ele sorriu. – Mas eu simplesmente amo o , ele é o meu preferido, e o jeito que vocês dois se complementam é surreal, mesmo achando que você e combinam demais, o jeito que ele mudou pra melhor por você e tal... Épico! Ah, mas não posso esquecer que e você juntos tem química, e ele também mudou muito depois de você, parece que agora ele fala por si só e não é a marionete da rainha.
- Você não me ajudou. – comecei a rir e ele me acompanhou. – De qualquer forma, obrigada... Posso pensar nisso tendo a sua visão dos fatos.
O tempo passou tão rápido que quando percebemos eu já sabia tudo da infância dos meus dois irmãos e como Dave era um pai super protetor e babão, parece que depois que eu apareci, ele tinha triplicado, mas o ciúme de Dave havia aparecido apenas depois que ele percebeu que eu era um interesse amoroso dos meninos e que tinha que me proteger das armações deles. Quando nós nos demos conta, já era bem tarde e corremos para o castelo, uma corrida fantástica, daquelas que a barriga chegava a doer de tanto rir. Eu amava o meu irmão e ficava muito feliz por ter um cara tão incrível na minha vida. Senti falta de Kurt naquele momento, fazia um tempo desde que eu não o via, Kiara e Kira me mandavam cartas, mas Kurt só falava comigo pelo telefone, minha mãe falava comigo pelo menos uma vez por semana, mas a saudade batia forte deles.
Chegamos ao castelo, me despedi de meu irmão o abraçando bem forte, depois fui diretamente para o Salão Principal, onde estava acontecendo a maldita reunião do chá, horário obrigatório da bajulação. Estava super atrasada, mas conseguiria aparecer dando o meu melhor sorriso falso, o que a rainha odiava. Entrei no salão chamando a atenção de todas as pessoas que ali estavam, principalmente da megera.
- Melhorou do seu mal-estar, ? - ela perguntou com a sobrancelha arqueada.
- Estou me recuperando, mas não quis perder a hora mais importante do dia, certo? O chá das três. – falei, me sentando em uma das mesas, sendo servida imediatamente com aquele chá horrível.
- Que bom que se juntou a nós, mas não me lembro de ter permitido a sua ausência no almoço. - me segurei para não revirar os olhos e engoli qualquer resposta malcriada.
- Perdão, eu vou me atentar na próxima vez e aparecer com um baldinho para segurar meu vômito. - as meninas seguraram a risada e a cara da rainha foi impagável. - Não quero ir contra as suas ordens, majestade.
- Que bom, . – ela sorriu sem mostrar os dentes, também havia usado o sarcasmo.
Um tempo depois, ouvi toda a baboseira que se tratava da rainha e em como as meninas a elogiavam e depois tive que aguentar ela mesmo se bajulando, como se brigar com uma criada por ter deixado uma manchinha em seu lençol fosse a tornar boa. Me levantei na hora em que a música começou a tocar, naquele instante eu podia comer todos os docinhos e salgadinhos da recepção, quando resolvi comer um salgadinho de queijo, ouvi a última pessoa falando ao meu lado.
- Eu sei muito bem o que você fez hoje, .
- Perdão? – perguntei.
- Você e seu irmão desrespeitaram as minhas regras. – arqueei a sobrancelha. – Meus filhos não estão aqui e nem meu marido pode te defender das consequências desse ato.
- Eu não tenho medo de você. - respondi, pegando mais um salgadinho. – Desde quando você começou sua própria ditadura no castelo?
- Não me subestime, . – ela segurou meu braço. - Eu sou capaz de muita coisa.
- Estou sendo ameaçada? - perguntei, sorrindo, e depois encarei a mão dela. – Me solte antes que eu comece a gritar e estragar sua falsa imagem de boazinha.
- Me aguarde, . Você vai se curvar a mim em algum momento. – revirei os olhos, sentindo sua mão se afrouxar. – E você vai ver que quem manda aqui, sou eu. Você não tem chance contra mim, esse reino é meu.
- Eu nem quero isso. – falei, sorrindo. – Mas se for para tirar você da vida de tantas pessoas inocentes, eu faço.

~


Estava deitada em minha cama, visivelmente cansada do dia bom que eu tive, aquele sol que tomei com Denver me deixou totalmente vermelha, então eu precisava de cuidados com a minha pele, estava coberta de creme relaxante que Olivia havia passado, não durou muito tempo até Taihne aparecer com uma cara não muito boa e Olivia ir até ela. Logo depois, Lauretta, Taihne e Olivia entraram juntas com a mesma cara que me assustaram uma vez. Havia acontecido algo muito ruim.
- Tudo bem? – perguntei.
- Não tivemos notícias de , Rei Roger e Dave hoje, . – Olivia falou, me fazendo levantar, um pouco assustada. – Mas , Benjamin e deram notícias e estão bem. – respirei aliviada, mas meu coração começou a ficar preocupado.
- Não deve ser nada, . – Lauretta falou, se aproximando do meu guarda-roupa e me entregando um vestido preto. – Eles estão bem... Você pode se vestir?
- O que está acontecendo? – perguntei, confusa, estava escurecendo e Taihne nem conseguia olhar pra minha cara.
- Vocês têm um evento de última hora. – Olivia falou, mexendo em meu cabelo, arrumando-o. Taihne tirava o excesso do creme de meu corpo e Lauretta passava maquiagem rapidamente, fui vestida em questão de minutos e já estava sendo retirada do quarto, ao lado das três. Elas nunca saíam do quarto, em qualquer evento, elas ficavam lá e eu era acompanhada de algum guarda. Encontrei Summer e suas damas no caminho.
- O que está acontecendo? - perguntei para ela, com medo. As damas estavam de cabeça baixa e aparentemente todos os guardas estavam fora de seus postos.
- , eu estou com medo. – ela falou, choramingando. – Elas nunca saem com a gente, os guardas ficam onde devem ficar e agora está tudo bagunçado, aconteceu alguma coisa grave. Já ordenei as minhas damas falarem, mas elas não abrem a maldita boca, eu nunca pensei que fosse odiar a rainha Leigh-Anne, mas ela é uma megera!
- Eu concordo. – falei, descendo as escadas e dando de cara com o salão principal cheio, tanto de guardas, como de selecionadas e serviçais, eu nunca fiquei tão nervosa.
A angústia só piorou quando a rainha Leigh-Anne desceu as escadas com as suas damas. Robin estava logo atrás dela, com uma cara muito triste. Quando nossos olhares se encontraram, ela sorriu sem mostrar os dentes. Todos estavam de preto. Procurei por Denver, mas não o vi em lugar algum. Respirei fundo várias vezes até que Leigh caminhasse até a porta principal, todos nós entramos nos carros, os quais nos levaram até a ponte onde Alan e assinaram o acordo, mas o que me assustou mesmo, foi o cadafalso, era diferente do que o Merck fora executado, e tinha duas pessoas presas ali, com um pano preto escondendo o rosto.
Meu coração parou quando eu vi quem eram as pessoas.

Capítulo 7

(Coloque para tocar)


Antes do pano preto ser tirado do rosto dos dois homens, eu já sentia que algo ruim estava por vir, mas quando vi o pano sendo retirado, eu travei.
Pânico.
Era tudo que eu sentia vendo aquela cena.
Em cima daquele cadafalso estava Denver, o meu irmão, meu doce e amado irmão. Também estava Ted, seu namorado e um grande homem.
Meu estômago se revirava e eu me concentrava em não vomitar ali mesmo, meu coração estava quase saindo do peito e eu estava apoiada nas minhas criadas, que naqueles meses no castelo se tornaram minhas amigas e sabiam da minha relação com Denver. Minhas pernas vacilaram várias vezes até eu chegar perto daquele palco horroroso de madeira, meu irmão estava bem, fisicamente, tirando a boca e o supercílio cortados. Ted havia levado alguns socos na cara, estava com o olho roxo, eu senti as lágrimas escorrerem ao ver tamanha maldade. A rainha se aproximou da gente, ficando com as selecionadas, a sua postura de nobre não passava de fingimento, ela tinha o coração podre.
As cornetas, as que eu morria de medo de escutar, tocaram alto, a última vez que eu as escutei foi quando Merck foi executado, eu não conseguia acreditar naquilo, parecia um pesadelo. O mesmo homem que executou Merck subiu ao cadafalso e as pessoas presentes urravam ao vê-lo.
- Nos encontramos de novo, Avallon! - ele falou, sorridente. Patético - Mas, dessa vez, é para punirmos mais pessoas que foram contra a coroa! - mais urros, meu coração permanecia quase saindo de mim, minhas damas me seguravam, assim como Robin, que estava atrás de mim. – Esses dois homens foram pegos juntos! - a multidão fez um coral surpreso. – Sim! Aos beijos! Isso é crime! Eles vivem um romance debaixo do teto do Rei! Isso é uma ofensa. - olhei para as meninas, que estavam de cabeça baixa. A Rainha permanecia plena, encarando o assassino naquele palco. – Denver Patrick Walker, soldado, filho, e braço direito do nosso majestoso General Walker, braço direito do rei, e Teodore Aid Winter, soldado das forças terrestres Avallonesas, vocês estão condenados a sofrer o açoitamento até a morte! - eu gritei, eu gritei tão forte que todos olharam assustados para mim, até mesmo Denver e Ted. Vi dois homens gigantes entrarem com seus chicotes, estalando-os no chão, fazendo um barulho horrível, escapei dos braços das minhas damas e dei um soco na cara de um guarda que tentou me segurar. Quando vi, estava na frente de Denver, ele estava de costas, esperando o primeiro chicote em suas costas, mas não foi na dele.
Foi na minha.
A dor foi cruel, mas não era nada perto do que eles estavam prestes a sentir. Todos ficaram surpresos e do nada tudo ficou em silêncio, os homens não sabiam o que fazer, todos olhavam para mim, a Selecionada que havia sido chicoteada no lugar de um guarda. Segurei o grunhido de dor e encarei os homens, que ousaram se aproximar de mim. Eu os encarei.
- Vão mesmo? - perguntei ameaçadoramente. - Vão mesmo ousar colocar as mãos em mim depois dessa chicotada? Tenho três príncipes que me protegem custe o que custar, eles não vão gostar nada de ver essa cicatriz. – senti meu vestido molhado nas costas. Era sangue. Aguentei firme.
- , saia daqui! - Denver falou, baixinho. Meus olhos se encheram de lágrimas. - Você vai se machucar. Vamos ficar bem, eu prometo.
- Eles vão matar vocês. - encostei minha testa na dele assim que fiquei em sua frente, ele respirou fundo, se concentrando para não mostrar fraqueza, assim como eu. – Eu não posso permitir.
- Eu te amo, patetinha. – ele sorriu, beijando minha testa enquanto eu chorava descompassadamente. - Não chore, eu falei que vamos ficar bem.
- ELES SÃO UMA ABERRAÇÃO! - o assassino com microfone falou, se aproximando de mim e pegando em meu braço, o suficiente para Denver e Ted tentarem se soltar para me defender, mas foi em vão. Por sorte, eu estava com tanta raiva que fiz isso sozinha, dei um chute no meio de suas pernas, fazendo-o se ajoelhar de dor.
- VOCÊ É UMA ABERRAÇÃO! - gritei, com ódio. Olhei para a multidão, que antes gritavam ansiosos para o açoitamento. - E vejam só vocês! - peguei o microfone, olhando para cada rosto. - Vocês são meros marionetes da rainha, não passam de súditos que trabalham para os elitistas! Estão torcendo para o fim dos seus! ESSES HOMENS VÃO PARA GUERRA DEFENDER SUAS VIDAS E É ASSIM QUE ELES SÃO RETRIBUÍDOS. - comecei a rir, passando a mão no rosto. - Não, eu devo corrigir, para defender a vida de quem está lá dentro. – aponto para o castelo. – Porque aquela mulher não está nem aí para vocês. Enquanto estivermos servindo a coroa, ela não tem com o que se preocupar... ELES SÃO COMO VOCÊS, SÃO MARIONETES DELES! - gritei novamente, chutando o assassino que estava de joelhos, ameaçando se levantar, nenhum guarda se mexia diante ao meu discurso, eles se encaravam. A rainha me encarava com ódio. - E do que se trata essa Seleção? Amor, não é? Mas vocês... Isso é um espetáculo, não param até ver a última gota de sangue, essa mulher não é superior a ninguém, ninguém aqui é. - uma multidão urra contra mim, aquilo me irritou. – ESSA SELEÇÃO PREGA O AMOR, MAS QUANDO O AMOR DE FATO ACONTECE, VOCÊS O CONDENAM! VOCÊS NÃO ESTÃO AQUI PARA VER AS PESSOAS SE AMANDO, VOCÊS QUEREM O SANGUE! - senti a mão de um guarda segurando meu braço, bem forte. Grunhi de dor. – Se continuarem assim, o próximo sangue será o de vocês! - foi a única coisa que consegui falar antes de ser arrastada pelo cadafalso, de joelhos.
Sentia minha pele ralando, mas nada doía mais do que ouvir o estalo nas costas de meu irmão e de Ted, os dois se encararam e eu pude ver o tanto de amor que existia ali. Denver não gritava, ele aguentava a dor, quieto, assim como Ted. Ele me encarou enquanto eu lutava para não ser tirada de lá, dando socos e chutes em quem tentava me segurar, li o que saía de seus lábios: “Você é o Tigre Dourado, lembre-se disso.”
Não conseguia mais encarar aquilo, havia feito o que eu podia, havia dado o meu melhor, mas não era o suficiente. Meu irmão estava sofrendo apenas por amar, era egoísta eu sentir dor por uma chicotada que havia cortado minhas costas enquanto eles estavam sendo massacrados. Me colocaram junto com as minhas damas, e mesmo que eu não conseguisse olhar para eles, eu escutava os chicotes acertando-os. Olívia tentava cuidar de mim, mas não conseguia cuidar de si mesma, estava passando mal com sua gravidez e ainda estava ali, sendo obrigada a assistir ao espetáculo.
Eu sentia a raiva dentro de mim, era algo que não diminuía, aumentava conforme eu ouvia os grunhidos quase silenciosos de Ted, sentia meu irmão sofrendo, lembrava das atrocidades que ela fez enquanto eu estava ali. Dei dois passos para o lado, onde a megera estava, ela sorriu.
Ela sorriu.
Senti a mão que eu havia dado os socos nos guardas encostando dura e friamente no rosto dela.
Foi um choque para todos os presentes, até para ela.
Eu soquei o rosto da rainha.
Ela me encarou, com as mãos onde foi agredida, eu vi em seu olhar o medo, eu senti vários homens me segurando enquanto eu relutava e tentava agredi-la mais um pouco. Eu iria morrer mesmo. Vi que no meio da confusão, ela gritava para me prenderem, eu só tentava me soltar dos guardas, mas era em vão. Eu havia perdido.
Não consegui salvar meu irmão, meu cunhado, nem a mim.
Senti uma picada em meu braço, era Dr. Poirot. Ele me pediu desculpas, eu não entendia o que estava acontecendo, minha visão foi ficando turva e a última coisa que vi antes de desmaiar, foi meu irmão caindo no chão.
Morto.

~


Acordei, com dificuldade para abrir os olhos, sentia dores em todas as partes de meu corpo. Não reconheci o local que me encontrava, era diferente. O lugar que eu estava era escuro, tinha uma janelinha quadrada e algumas luzes, vi um guarda passando pelo corredor e então tudo fez sentido, eu estava em uma cela. As grades pareciam reais agora que tudo havia parado de girar. Senti minha mão doer, a mão que eu havia socado os guardas e a rainha. Ninguém cuidou de mim enquanto eu estava ali, e tinha medo de quanto tempo eu tinha dormido. As roupas ainda eram as mesmas e eu temia pelas minhas costas, o corte ardia e eu sentia o pano transparente do meu vestido grudado. Por ironia, ele era aberto nas costas, mas com o pano transparente. Continha alguns detalhes, era uma obra de arte, mas agora, estava acabado.
Só conseguia pensar em Denver, meus olhos se encheram de lágrimas novamente, mas eu não iria chorar, não mais. Parte de mim queria que os meninos estivessem ali, queria que tentasse impedir aquilo com suas ordens, que gritasse com a sua mãe e que controlasse seus homens, mas a outra parte sabia que eles não iriam contra a mãe e a coroa, não naquela situação. Pensava em meu pai e em Benjamin, que assim que voltassem, receberiam a pior notícia do mundo. O que o rei faria? Ele permitiria o filho do General sofrer dessa maneira? No fim das contas, eles eram aquilo. Eles eram a Coroa.
Escutei uma risadinha vindo da cela da frente, era um homem, visivelmente machucado, mas pelas vestimentas, ele era um Vantroni. Na cela ao lado, estava um garoto e uma garota, não estavam machucados, mas se vestiam com roupas rasgadas e maltrapidas, deduzi que eram selvagens.
- Eu diria “A pobre garotinha”, mas disso você não tem nada. – permaneci com a postura ereta, mesmo que minhas costas doessem. – O que você fez? Deixe-me adivinhar, foi contra o sistema!
- Céus, cale a boca. – falei, sem paciência. Ele gargalhou novamente.
- Há boatos, enquanto a bela adormecida dormia, que você socou a rainha Leigh-Anne. – olhei para o lado, não querendo prolongar o assunto. - Não achei que isso fosse acontecer tão cedo. Você está ficando um Tigre Dourado bem violento.
- O que diabos é isso? - perguntei, me levantando, com raiva.
- Você não sabe? Ah, ninguém te contou? - ele usou o deboche, me irritando ainda mais. – Claro que não te contariam, você sem saber já faz esse estrago, imagina se soubesse!
- Não acredito em você.
- Não tenho motivos para mentir, minha eterna lady, eu vou morrer mesmo, mas posso falar o que vão fazer com você, quer ouvir? - o encarei. - Você vai morrer.
- Quer me contar alguma novidade? Isso eu já sei.
- Entenda, você vai morrer por fazer uma Revolução. - agora ele havia me deixado curiosa. - Você é o fenômeno apagado da dinastia. Existe uma lenda, criada há mais de mil anos, uma garota como você, causou um rebuliço enorme em todos os países. Milhares de civis se juntaram a luta da Tigre Dourado, tentaram derrubar a monarquia, mas foi em vão, nós éramos mais fortes, vocês quase conseguiram.
- O que eu tenho a ver com uma lenda infantil? - me segurei na cela para não cair, estava muito fraca.
- Você é a lenda, . – comecei a rir, mas parei aos poucos com as pontadas na minha cabeça. - Não digo que lá está escrito que é VOCÊ, mas VOCÊ está causando uma revolução pelo mundo todo, vários povos estão se virando contra o seu reino e isso é ofensivo, pelo menos para nós.
- Ele está falando a verdade, srta. . – a garota da outra cela falou pela primeira vez, sendo repreendida pelo colega de cela, mas isso não a impediu de falar. - Nós, os “selvagens”, como vocês chamam, vemos em você a revolução. Você é o rosto dela. O fenômeno. A lenda. Nós lutamos pela mesma coisa, no final das contas, você só não tem um lado, se esconde entre eles, mas no final, você sabe que é como nós.
- Eu não sou como vocês. – falei, claramente ofendida. - Vocês matam pessoas, querem ser diferentes deles, mas agem igual!
- Não chega nem perto dos que eles matam e deixam morrer. - ela respondeu friamente. – Vamos começar pelos homens que estão sendo obrigados a se alistar para proteger o castelo deles. – ela apontou para o vantroni ao lado, que estava entediado. – Mas esquecem da divisa que temos com eles, que todos os dias é bombardeada, matando sempre muita gente. A maioria? Pobres. Os que vão ao rio pegar água para beber, tomar um banho, tentar viver estando na miséria. - ela estava falando de Taim. – Imagine, , seu irmãozinho indo pegar água para tomar e recebe uma bomba.
- Não ouse falar da minha família, não vai ser assim que você vai me fazer abraçar a sua causa. – falei ameaçadoramente. Só de pensar em perder mais um irmão, meu coração doía.
- Você já abraçou nossa causa, Tigre Dourado, hoje foi a gota d’água para você, para todos nós. - dessa vez, quem falou foi o rapaz. – Como você se sentiu, vendo seu irmão sendo açoitado? Sei que você lutou contra isso, as suas costas não mentem, você foi açoitada junto com ele. Quem faz isso por alguém, ? Seu irmão está muito orgulhoso de você, nós temos certeza disso. – como eles sabiam que Denver era meu irmão? Aquilo havia tocado friamente nas minhas feridas.
- Não sei do que vocês estão falando. – dei de ombros, negando o fato de Denver ser realmente meu irmão.
- Nós sabemos de tudo. – ele falou, sorrindo. - Nós estamos por todos os lugares, . Como esse imbecil diz, você está mudando muita coisa.
- Mas vocês vão morrer. – ele falou, rindo.
- Então por que vocês a enxergam como uma ameaça? - Ophelia retrucou, fazendo o outro calar a boca. - Foi o que eu pensei.
- O que me diz, Tigre Dourado?
Respirei fundo, aquilo era loucura, os Selvagens eram ruins, eles causavam morte e destruição. Nós sofremos em suas mãos, Olivia foi abusada por um deles, eles quase mataram no primeiro ataque que eu presenciei no castelo, mataram muitos inocentes.
Mas eu reconhecia que lutávamos pela mesma coisa. Eu estava cansada da rainha, daquela monarquia injusta, de ver as mulheres serem abusadas, das crianças serem obrigadas a crescer cedo para conseguir dinheiro para sustentar a casa, já que haviam perdido o pai em uma missão. Pedi para pensar antes de responder qualquer coisa, muita coisa estava envolvida ali.
Pensei nos meninos, o que eles pensariam ao me ver fazendo uma aliança com os selvagens? Mas então me subia uma raiva gigantesca ao lembrar das mentiras que eles não me contaram. Por que eles esconderam isso de mim?
- Me provem que vocês não são esses monstros que eles pintaram. – falei depois de algumas horas, depois que o vantroni dormiu, sabia disso pois ele roncava e babava feito um porco. - Não tenho um lado, eu tenho a minha verdade, isso basta para mim.
- Provaremos, . – Ophelia sorriu, animada. Ela era morena dos olhos verdes, seus cabelos tinham vários cachos, mas diante da situação, eles estavam bagunçados, ela não parecia ligar. Era uma garota bonita e jovem, me doía vê-la ter que crescer tão nova.
- O nosso lado é o seu.

~


Parecia que pelo menos três dias haviam se passado desde que Denver e Ted morreram. Não recebi nenhum cuidado médico nesse período e temia por isso, me sentia muito fraca, minha mão estava extremamente inchada e minhas costas ardiam. Eu rasguei meu vestido para tentar limpar com a pouca água que a gente recebia no dia, tentava não gritar de dor, não daria esse gosto para a rainha. Nem para ninguém. Eu seria forte como Denver. Com o lençol do colchão, eu cobri minhas costas para não infeccionar, mas era em vão, já estavam infeccionando. Os guardas ali embaixo me tratavam feito lixo, ordens da rainha, é claro.
O vantroni havia irritado tanto o guarda de plantão, que ele lhe cortou a língua, ordens da rainha, depois que soube que o linguarudo falou demais por lá, agora tínhamos um companheiro de cela sem poder falar. Não senti um pingo de dó, ele mereceu. Ophelia e Cayto permaneciam presos, o motivo da prisão: roubo de comida. Por sorte, segundo eles, era uma maneira de entrar no castelo e conversarem comigo, já que os últimos não conseguiram, eles achavam que também não conseguiriam, até eu ir parar na cadeia. A rainha tentava me punir de várias formas, começando pelo meu irmão, depois, com a maldita cadeia sem comida, apenas água. Eu me sentia suja.
Nos meus sonhos, eu encontrava e nós mudávamos o mundo juntos, mas sabia que ele nunca aceitaria ficar ao meu lado sendo aliada dos Selvagens, ele tinha sangue de Rei. Algo em meu peito dizia que ele aceitaria, pelo povo, mas não com essas alianças, não teríamos muita escolha. Em outro sonho, eu via claramente comigo, nós dois lutando contra Vantron, as injustiças, menos a sua mãe, ela era a minha maior inimiga, ela tinha que cair. Com , eu via uma vida totalmente diferente, sem alianças com Selvagens e aguentando aquilo tudo, sendo repreendida - não por ele – e vivendo infeliz. Com nem um dos três eu poderia contar. Eu queria vingança e eu queria a Revolução, mais do que tudo. Ouvi a voz de , achei que era um sonho, mas quando eu abri os olhos, eu o vi.
- ABRA ESSA CELA! - ele gritou com raiva para o guarda que estava de plantão, o guarda gaguejou e disse que não podia, ordens da rainha. – ELA É UMA SELECIONADA, A RAINHA NÃO TEM PODER ALGUM SOBRE ELA ENQUANTO EU E MEUS IRMÃOS ESTIVERMOS POR PERTO.
- Sinto muito, alteza. – ele abaixou a cabeça. - Por mais que eu queira abrir, a chave está com a sua mãe.
- Cadê a cópia? - O guarda negou com a cabeça, alegando não saber. me encarou, com os olhos desesperados, eu sabia o porquê, estava deplorável, desidratada, machucada e completamente detonada. - Eu vou te tirar daí, eu prometo. – ele começou a socar a fechadura da cela, mas era em vão, ele só iria de machucar daquele jeito. Me levantei, desajeitada e me apoiei na porta, pegando a sua mão, ele parou, assustado, analisando a minha mão machucada. – Sinto muito, , sinto muito mesmo.
- Eu sei. – respondi, sorrindo fraco. – Eu fiz amigos na cadeia. – ele riu, sem nem acreditar na minha piada sem graça, olhou para Ophelia e Cayto, que acenaram de qualquer jeito.
- Nós voltamos assim que soubemos da maldita merda que minha mãe fez. – encostou a testa na minha. – Ela denunciou que não estávamos no castelo, ela acabou com a nossa missão, ela... Ela açoitou Denver. – ele estava com os olhos cheios de lágrimas, Denver era um grande amigo dele.
- Não foi só ele. – falei, tirando o lençol das minhas costas e mostrei a ele, arregalou os olhos e quando eu me virei para ele, ele deu outro soco na maldita fechadura. – Isso não vai resolver, .
- Como ela deixou chegar nesse ponto? - perguntou, chocado.
- Eu preciso ver meu pai, eu preciso ver Ben. – falei, séria, e ele entendeu o motivo.
- Benjamin está chegando, eles chegam daqui a pouco. – fiquei aliviada por saber que ao menos eles estavam bem. - Não vou permitir que você perca mais ninguém, .

Capítulo 8

~Por ~


- Pai, conseguimos! Nós estamos quase fechando o acordo de proteção para nosso povo! - eu falei, animado, assim que o rei Speyk nos deixou em sua sala gigantesca.
Speyk era o rei de Valaydes, um reino que ficava distante de Avallon, atrás das montanhas frias do outro lado do oceano. Valaydes se recuperava de uma guerra civil, na qual poderosos lutavam contra os pobres, que lá eram chamados de Inferiores. Com tamanha força do povo pobre, Valaydes cedeu e ouviu seu povo, tirando os seus interesses que beneficiariam apenas a classe alta e focando no que realmente importava. Era nossa melhor chance de proteger o nosso povo e vencermos Vantron, o país que aterrorizava todas as dinastias. Eles não lutavam só para derrubar Avallon, eles lutavam querendo conquistar nosso território, e isso não acontecia só com a gente, vários outros reinos eram ameaçados por Vantron, Agartha que o diga, certo?
Meu pai sorriu, apertando minha mão, Dave estava em pé, atrás da gente, mas senti sua mão em meu ombro, aquilo era gratificante. Rei Speyk voltou a sala, mas com três pessoas ao seu lado. Uma garota, um homem fardado e uma mulher.
- Essa aqui é Ellie, minha filha, será rainha no dia em que eu morrer. – Speyk falou, apontando para a menina, ela devia ter uns 16 anos, no máximo. Nós nos curvamos e ela também. - Esse é Linus, ele representa nossos guardas, o meu braço direito. – ele também se curvou. – E essa é Titânia, a representante dos rebeldes.
- Ou líder da rebelião dos Inferiores, se preferirem. – ela deu de ombros, quase me fazendo rir, lembrava .
- Depois do que passamos aqui em Valaydes, eu decidi que mesmo em uma monarquia, é necessário que tenhamos equilíbrio para com os nossos. – eu assenti. – Eles precisam ser ouvidos, então agora eles têm um lugar na nossa corte, para defender os seus interesses.
- Não é o que merecemos, mas é um começo, eles estão tentando. - Titânia falou novamente.
- Juntos nós decidimos o que é melhor para o nosso reino. – meu pai coçou a cabeça, ele não concordava tanto assim com aquele liberalismo todo, significava fraqueza. – Se, eles concordarem, mando nossas tropas voluntárias para Avallon. – tropas voluntárias? Aquilo era perfeito. Aquele país era de outro mundo.
- Eu acho arriscado. – Linus respondeu prontamente. – Vantron enfim nos esqueceu e agora iremos cutucá-los novamente?
- Ninguém sabe que estamos prestes a fechar um acordo. – Ellie falou pela primeira vez. – Avallon veio aqui na surdina, nossas tropas podem se camuflar com a deles e agir como avalloneses. – meu pai admirou a garota, aquilo fazia todo sentido.
- Muito bem, alteza. – Dave a parabenizou. - É uma bela estratégia.
- Eu aceito o acordo. – Ellie concordou. Era um sim e um não, estava nas mãos de Titânia agora.
- Meus homens estão recuperados de uma luta feia contra a coroa, alteza. – ela começou a falar. - Não os deixaria lutar novamente. – fechei os olhos, já aceitando que não rolaria acordo algum. – Mas então eu vi aquela garota na TV... A namoradinha de vocês. - arqueamos a sobrancelha. - Há meses nós a observamos e foi ela que me incentivou a lutar, e agora nós estamos aqui, juntos e nos reerguendo... Aquela garota lutou muito e não a deixaria só, eu e meus homens topamos.
- Eu agradeço pelo apoio, Titânia, mas do que exatamente você está falando? - meu pai perguntou pela primeira vez.
- A selecionada, a bonitona bocuda. . - ela continuou falando. – Eu não ia querer formar uma aliança com um país que condena gays com açoitamento público, mas diante à bonitona, aquele discurso que ela fez e a forma que lutou para defender os rapazes, foi impressionante, sem falar no soco que ela deu na cara da Rainha... - Dave ficou inquieto e perdeu totalmente a postura de general, não o culpo, parecia que meu coração ia sair pela boca, meu pai ficou travado por alguns segundos, mas logo tratou de tentar acalmar Dave. - Vocês não sabiam?
- De qualquer forma, fechamos o acordo. – Ellie falou, não se importando com o que Titânia havia dito e nem com o nosso choque. - Não por vocês, condenar alguém pela opção sexual ainda é horrível, mas sim pela Tigre Dourado, ela vale a luta. E eu quero ver Vantron em chamas.
- Eles mataram minha esposa, eu quero a queda daquele império logo. - Speyk falou, terminando o assunto e assinando uma papelada, os outros assinaram também, restávamos eu e meu pai. Eu estava em choque, pensando em quem havia sido açoitado, o quanto devia estar sofrendo com as consequências do soco que deu em minha mãe. Respirei fundo antes de assinar e logo meu pai também o fez. Nunca vi Dave tão perdido, ele estava nervoso e eu imaginava o motivo, . - É um ótimo acordo... Venham conhecer o castelo, tomar um vinho para comemorarmos e...
- Sinto dizer, mas não poderemos ficar, temos uma longa viagem de volta para Avallon. – falei antes de Dave ou meu pai. - Não sabíamos desse açoitamento, queremos averiguar tudo de perto.
- Façam isso, mandaremos nossas tropas voluntárias em dois dias. Por precaução, mandaremos roupas, cobertas, mantimentos para os desabrigados, faz frio em Avallon.
- Será muito bem-vindo. – meu pai respondeu, sorrindo.

~Por ~


- Precisamos achar um lugar para avisar que estamos bem. – Ben falou, depois de alguns minutos perdidos em Demph, um reino que ficava atrás de Agartha, em cima de uma grande montanha. – Ligar para Cavalry. – o príncipe herdeiro de Demph. Estávamos em uma cidade litorânea, eu sabia que estávamos perto do castelo, mas não tínhamos como chegar lá em três dias em um navio, viemos transportados feito cargas. estava deitado embaixo de uma árvore, se recuperando da viagem conturbada, ele odiava navios.
- Não precisa! Eu estou aqui. – Cavalry falou rapidamente, saindo do meio das árvores. Nos assustamos, mas logo eu abracei o meu mais antigo amigo da linha da dinastia. - Demoraram, hein?
- Me tire daqui. Eu imploro. – suplicou, fazendo-nos rir.
- Ajudem aquele pobre homem. – Cavalry ordenou, nos fazendo rir novamente, parecia morto, carregado, era um palhaço mesmo. Logo nos dirigimos para o meio das árvores e depois de uma longa caminhada, fomos recebidos com um carro que nos levou para o castelo.
Durante a viagem, pude pensar no que estávamos fazendo. Um plano maluco de que eu havia dito que era meu, para ser aceito mais facilmente diante do conselho. Ele me fez jurar que conseguiria fazer aquilo e eu me sentia mal por ter ganhado o crédito por isso. Fazermos alianças na surdina era brilhante. pensava no povo, eu pensava no castelo, era egoísmo? Eu querer proteger o meu lar? Ele criou esse plano pensando em , essa história de Tigre Dourado nos deixou sem ação, então agiu. Quanto mais gente ao nosso lado, menos reinos querendo matar , e de quebra conseguíamos proteção para nosso povo.
Quando chegamos no castelo, fomos dirigidos para nossos quartos, para descansarmos por um tempo, mas fez de tudo para conseguir um telefone para avisar que estávamos bem e sabermos de nosso pai, ele estava preocupado. Quando finalmente teve contato com , sossegou. Cavalry nos chamou pela tarde, para bebermos e falarmos sobre o nosso acordo, o acordo que queria à todo custo e destinou a mim a tarefa.
- Como é? - Cavalry perguntou, chamando a atenção de todos na sala. – Uma Seleção?
Olhei para , que bebericou o vinho, dando de ombros
- As nossas meninas são bem tranquilas, isso é bom. – eu falei, fazendo alguns caras rirem. - É difícil lidar com todas elas, são temperamentos diferentes e elas lutam para conquistar a gente.
- E como vocês fazem? Afinal, são três príncipes com várias meninas. – Vicen, o general, perguntou.
- Nós conversamos sobre todas. – respondeu. – Sabemos quem é área restrita ou não. Somos bem resolvidos. – Mentiroso. Eu pensei, mas não falei, não precisávamos mostrar que estávamos nos reerguendo de uma briga. - Caímos muito antes de entrarmos em um acordo de que independente de qualquer coisa, não brigaríamos.
- Vocês podem ter qualquer uma, por que brigariam? - Cavalry questionou, sorrindo, e eu e nos encaramos, Benjamin estava ao nosso lado, balançando a cabeça, querendo rir.
- Nem todas. – Ben respondeu, sorrindo. Ele se referia à irmã, e tinha orgulho dela.
- Quem é imune aos Aykroyd?
- Bom, Cavalry, vamos falar sobre o que realmente importa. – arqueei a sobrancelha. – O acordo.
- Sabemos que você odeia Vantron. – disse, ele não era ligado em política, nem em tropas de guerra, mas sabia como argumentar e ser persuasivo. Eu focava mais nas malditas táticas de guerra e luta, em vão, ultimamente. – Estamos sofrendo ataques constantes, eles querem nossas terras, querem as terras de Agartha, e não demorará muito para que eles venham até vocês e comecem uma guerra.
- Nós temos um tratado com Vantron, eles não podem pisar em nossas terras. – Cavalry falou, mais sério, e ouvindo atentamente o que tínhamos a dizer.
- É exatamente por isso que um acordo com vocês poderá mudar tudo. – eu respondi, sorrindo.
- O tratado tem furos. – tirou de sua pasta papéis que continham informações que ele estudou durante a viagem, ele conhecia a história, ele amava aquilo, odiava governar, mas amava saber sobre absolutamente tudo, ele era o mais inteligente de nós. tinha amor pelo povo e depois que surgiu em nossas vidas, ele fazia de tudo pela causa dela, que agora, era a dele também. E eu? O perdido. Criado para governar algo que eu não gosto e que não era o meu lugar. - É um tratado arcaico, feito há anos, antes mesmo de você nascer. Se estudado da maneira certa, nós podemos ver aqui que há brechas, eles não podem atacar onde tem a sua bandeira.
Cavalry olhou para o seu braço direito, Vicen, e eu fiquei esperançoso pelas palavras de meu irmão.
- Não vejo o que ganharemos com isso além de nosso nome na lista de Vantron. – Vicen falou, se apoiando na mesa. – Vejo furos apenas em nossas cabeças.
- A Tigre Dourado do lado de vocês. - Ben falou depois de um longo silêncio nosso, já que não tínhamos resposta para aquilo. – Seu povo está se rebelando, não? - Cavalry encarou Vicen novamente. – é a sua melhor escolha para acalmar seu povo e evitar um desgaste em seu reino.
- Cavalry, Demph está condenada na lista de Vantron, você sabe que é questão de tempo até eles atacarem, se acabarmos com eles antes, temos chances de sobreviver, juntos nós podemos. - eu falei e ele estava com os olhos nas folhas de .
- Se eu, um mero príncipe que foge da Coroa, consegui decifrar esse furo no Tratado, não demorará muito para eles fazerem o mesmo e darem um jeito de burlar ele para atacar vocês. - falou, tirando risada de alguns presentes, todos membros do conselho de Demph. - Juntos nós conseguimos.
- Meu pai está vegetando em sua cama há meses, , eu não sei se posso tomar uma decisão tão grande desse jeito sem ele. – eu o entendia, ele era como eu. Treinado para ser rei sem querer ser um.
- Por que ele está vegetando? - arqueou a sobrancelha. – Vantron, certo? - Você não é burro, meu grande amigo, você sabe, no fundo você sabe, que Vantron está armando algo grande.
- Faça o certo, Cavalry, se não por nós, pelo seu povo e pelo legado de seu pai, ele é um bom homem, sempre foi! - eu o encarei. - Não foi por acaso esse acidente dele, está acontecendo aos poucos... O pai de Alan foi morto, ele caiu para que ficasse mais fácil a entrada de Vantron lá. Seu pai é mais uma vítima, eles acreditavam que você não estava preparado para governar... Prove que eles estão errados.
Ele respirou fundo e se levantou, parecendo nervoso. Nós o deixamos respirar um pouco, ele precisava. Cavalry se retirou rapidamente da sala e nós permanecemos lá com o seu povo.
- Você usou a para barganhar? - perguntou para Ben e ele deu de ombros.
- Ela é nossa maior vantagem. – ele deu de ombros. – Ela não vai negar ajudar um reino em troca de proteção para com os seus.
- Ela vai nos odiar. – balancei a cabeça, tentando não surtar com a possibilidade de tudo dar errado.
- Não é o reino de vocês? - um homem falou, olhando para o visor da grande sala.
Nós nos deparamos com a cena de muita gente concentrada na praça principal de Avallon, aquela que se encontrava na frente do Portal, onde assinou o Acordo. Achei estranho, era pra Avallon ficar sem programações aéreas e terrestres ao vivo fora do castelo, somente Marie e Jeremy dando as notícias do país, sem que ninguém percebesse que nós estivéssemos fora do castelo. me encarou, arrumando sua postura, e Ben fez o mesmo. Vimos ali o Cadafalso, meu coração pareceu parar por alguns instantes com aquilo, as ordens eram de minha mãe. Dois homens estavam ali com os típicos sacos preto no rosto. Logo depois, as câmeras focaram nos carros vindo do castelo, todos de preto, tradição em dia de morte.
O que me fez parar de respirar mesmo, foi ver os criados ao lado dos nobres do castelo, isso nunca aconteceu, NUNCA. Minha mãe estava impecável, acompanhada por todas as suas quinze ladies e as criadas. Ela se posicionou ao lado das selecionadas. Alguns minutos depois, o pano do rosto dos dois homens foi retirado, se levantou no ato, como se pudesse mudar alguma coisa, assim como Benjamin. Eram Denver e Ted.
A câmera focou na expressão dolorida de , parecia que ela ia vomitar, aquilo não era para menos, o irmão dela estava ali. As cornetas foram tocadas. Em vinte e um anos em Avallon, eu ouvi aquilo inúmeras vezes, mas nenhuma me doeu tanto quanto ouvirem-nas sendo tocadas para Denver. Kriker, o responsável pelos discursos subiu ao palco, fazendo o seu discurso que me fazia sempre querer vomitar.
- Nos encontramos de novo, Avallon! - ele sorria, aquilo sempre me assustou, ele sorria prestes de a maior desgraça acontecer. – Mas, dessa vez, é para punirmos mais pessoas que foram contra a coroa! - mais urros, o povo gostava daquilo. – Esses dois homens, foram pegos juntos! - a multidão fez um coral surpreso, Benjamin estava com as mãos cobrindo a boca, os olhos estavam tristes, eu também estava assim. – Sim! Aos beijos! Isso é crime! Eles vivem um romance debaixo do teto do Rei! Isso é uma ofensa. - a câmera focou em minha mãe, ela sorria minimamente, e eu sabia o motivo. Foi uma surpresa descobrir daquela forma a sexualidade de Denver, mas não parecia surpreso, nem Ben. – Denver Patrick Walker, soldado, filho e braço direito do nosso majestoso General Walker, braço direito do rei; e Teodore Aid Winter, soldado das forças terrestres Avallonesas, vocês estão condenados a sofrer o açoitamento até a morte! - fechei os olhos, incomodado com aquilo, todos da sala pareciam surpresos e nervosos, assim como nós.
O grito que veio em seguida me fez abrir os olhos. Era . A câmera focou nela. Vimos claramente o momento em que ela socou um dos guardas que tentaram impedir a sua fúria e então ela correu até o irmão, os brutamontes estavam prestes a dar a primeira chicotada em Denver e Ted, mas ela não aconteceu, pelo menos não neles.
Foi nela. Acertaram ela.
Nós nos levantamos juntos, mas era em vão, não podíamos fazer nada. passava as mãos no cabelo, nervoso, Benjamin se sentou e cobriu o rosto, eu olhava para , a câmera focava em seu rosto. Ela fechou os olhos com força contendo o grito de dor, aquilo me surpreendeu e surpreendeu todos ali que assistiam. Os dois brutamontes junto com os guardas ficaram sem saber o que fazer, ela se levantou e ajeitou as costas, como uma verdadeira líder e os encarou, com raiva.
- Vão mesmo? - ela quase urrou, seu rosto estava vermelho. - Vão mesmo ousar colocar as mãos em mim depois dessa chicotada? Tenho três príncipes que me protegem custe o que custar, eles não vão gostar nada de ver essa cicatriz. – ela tinha razão, eu queria estar ali e socar todos eles, salvar Denver e Ted. Ela se virou e foi de frente com Denver, pude ver as costas dela totalmente rasgadas e sangrando, aquela chicotada conseguia cortar um homem como Denver, foi ainda pior na pele delicada de . O chicote pegou de seu ombro esquerdo e ia até o final de sua cintura, do lado direito.
- Filhos da puta. – socou a mesa.
- Eu vou matar todos eles quando chegar em Avallon. – Benjamin grunhiu, vendo a cena.
- , saia daqui! - Denver falou, quase em um sussurro, mas conseguíamos ouvir. - Você vai se machucar. Vamos ficar bem, eu prometo.
- Eles vão matar vocês. - ela encostou a testa na do irmão, Denver era um homem forte, mas eu sabia que ele não demonstraria fraqueza alguma, assim como a irmã. – Eu não posso permitir.
- Eu te amo, patetinha. – ele sorriu, beijando a testa dela, enquanto ela chorava descompassadamente. Meus olhos marejaram ao assistir aquilo. - Não chore, eu falei que vamos ficar bem.
- ELES SÃO UMA ABERRAÇÃO! – Kreik falou, se aproximando de e pegando-a pelo braço, o suficiente para Denver e Ted tentarem se soltar para defendê-la, mas foi em vão. Ela estava com tanto ódio que se defendeu sozinha, chutando-o no meio das pernas e fazendo-o cair, urrando de dor.
- VOCÊ É UMA ABERRAÇÃO! - ela gritou, seus olhos pareciam fogo enquanto ela olhava para a multidão que crescia cada vez mais. - E vejam só vocês! - pegou o microfone, olhando para cada rosto. - Vocês são meros marionetes da rainha, não passam de súditos que trabalham para os elitistas! Estão torcendo para o fim dos seus! ESSES HOMENS VÃO PARA GUERRA DEFENDER SUAS VIDAS E É ASSIM QUE ELES SÃO RETRIBUÍDOS. - ela ria, nervosa, mas eu temia por ela e por esse discurso. - Não, eu devo corrigir... Para defender a vida de quem está lá dentro. – apontou para o castelo, era assim que ela nos via? Eu e meus irmãos? – Porque aquela mulher não está nem aí para vocês, enquanto estivermos servindo a coroa, ela não tem com o que se preocupar... ELES SÃO COMO VOCÊS, SÃO MARIONETES DELES! - ela berrou, chutando novamente o assassino que estava de joelhos, ameaçando se levantar. Nenhum guarda se mexia diante ao seu discurso, eles se encaravam. Minha mãe a encarava com ódio. - E do que se trata essa Seleção? Amor, não é? Mas para vocês isso é um espetáculo, não param até ver a última gota de sangue. Essa mulher não é superior a ninguém, ninguém aqui é. - uma multidão urrou contra ela. Eu encarei , que estava com os olhos vermelhos. – ESSA SELEÇÃO PREGA O AMOR, MAS QUANDO O AMOR DE FATO ACONTECE, VOCÊS O CONDENAM! VOCÊS NÃO ESTÃO AQUI PARA VER AS PESSOAS SE AMANDO, VOCÊS QUEREM O SANGUE! - um guarda a pegou pelo braço e ela grunhiu. – Se continuarem assim, o próximo sangue será o de vocês! - foi o que ela conseguiu falar, antes de cair e ser arrastada pelo cadafalso. Eu pude ver seu sangue no chão, suas lágrimas não eram pela dor, eu a conhecia o suficiente para saber disso, era por não conseguir salvar os dois.
A câmera focou em Denver e Ted, eles se encararam e sorriram um para o outro, vi Ben sorrindo e secando uma lágrima teimosa que insistia em escorrer e aquilo terminou de partir meu coração. Benjamin nunca havia chorado, não na minha frente, pelo menos. lutou até o final.
Ela não encarava mais nada, estava com a cabeça baixa junto com as suas criadas, que choravam com ela. pulava a cada estalo que ouvia, mas não encarava a cena e eu fiquei aliviado por isso, ela não merecia ver o irmão daquele jeito, o irmão não merecia aquilo. Ted e Denver não gritavam, aguentavam tudo quietos. Minha mãe sorriu para e a câmera pegou o momento exato daquilo, então vimos fechando a mão e batendo diretamente no rosto de minha mãe. Todos da sala soltaram um som, surpresos, até mesmo nós. Menos , ele parecia saber que aquilo iria acontecer. Minha mãe a encarava, assustada e surpresa. lutava para bater mais nela, mas os guardas a seguravam, aquilo havia ficado ainda mais bagunçado. As meninas tentavam tirar das mãos dos guardas, mas Dr. Poirot interviu. Vimos os olhos castanhos de fechando lentamente junto com suas lágrimas. Denver caiu, Ted logo depois. Nós sabíamos o que aquilo significava. Eles morreram, as câmeras foram cortadas e tudo parou.
Todos ficaram em silêncio por uns minutos, os demphianos nos encaravam, esperando uma reação, mas a única coisa que receberam foi choque, não sabíamos o que fazer.
- Aquela é a Tigre Dourado, eu presumo. – nem percebi que Cavalry havia voltado e assistido tudo, eu o encarei e Benjamin se levantou, eu queria poder dizer algo para ele.
- Se ficar ao nosso lado, vai tê-la no seu time, eu te garanto que seu povo vai respeitá-la e não te darão dor de cabeça. - Benjamin caminhou até a porta e encarou o chão antes de dizer o resto. – Arrumem suas coisas, partiremos essa noite no primeiro navio para Avallon.
- Vocês... Vocês já vão? - Cavalry perguntou, confuso, e Ben se retirou sem se dar o trabalho de responder.
- Eles eram importantes para nós. - falou, limpando a garganta. – E aquela garota vai além de um título lendário para mim.
- Nós assinamos o Acordo, vocês terão nossas tropas ao seu lado e nossa bandeira também. – Cavalry falou, assinando o papel que tinha em cima da grande mesa. – Mas quero aqui o quanto antes, precisamos acalmar nosso povo! - assenti com a cabeça, nem conseguindo comemorar aquela vitória. Nem pensei em como a iria se sentir servindo como moeda de troca, ela falava e a gente conseguia proteção.
Saímos da sala, abalados com o que acabamos de assistir. Eu estava enjoado. Só queria estar em casa, teria evitado tudo isso. Minha mãe é má, e aquilo me matava por dentro, ela não era essa pessoa, ela já fora boa, mas mudou totalmente, minha mãe havia morrido há muito tempo, agora só existia uma mulher ambiciosa e cruel. Ela fazia de tudo para afetar .
- Ela vai matar a gente quando descobrir esse acordo. – falou, balançando a cabeça.
- Nós precisamos disso, ela vai entender. – respirei fundo. - Não sei o que dizer para Ben.
- Se acontecesse algo desse tipo comigo, eu não iria querer ninguém em cima de mim, ainda mais o filho da megera que mandou açoitar meu irmão até a morte. - parou na frente de seu quarto e me encarou. – ... Eu... Eu. – sorri sem mostrar os dentes, eu sabia o que ele queria dizer. não era muito sentimental, nem mesmo eu, pelo menos não com os meus irmãos, mas eu sabia o que ele queria dizer, eu sentia o mesmo.
- Eu também, irmão. – ele sorriu sem mostrar os dentes também. - Eles vão precisar da gente, Ben, Dave, .
- Nós vamos cuidar deles, nós também perdemos alguém importante, ... Passe pelo luto mais rápido, daremos conta. – abriu a porta de seu quarto. – Fique bem, nos vemos daqui a pouco.
- Fique bem.

~Por ~


Eu amava o mar, amava a água em si, mas navegar? Odiava. Eu ficava enjoado e me sentia tonto, sempre passava mal. Preferia voar, pelo menos eu não passava mal e não colocava um rim para fora. Engraçado que na viagem de volta para Avallon, eu não sentia nada, na verdade, parecia egoísmo sentir algo enquanto meu amigo sofria por ter perdido o irmão, enquanto nenhum criado sabia me dizer qual o paradeiro de ou como ela estava. Minha mãe nem se deu ao trabalho de nos atender, e meu pai, céus, meu pai surtava, apenas no pouco contato que tivemos, ele berrava aos quatro cantos o quanto estava com ódio. Não era para menos, Dave era seu melhor amigo, e Denver, Benjamin, e agora, , eram importantes para ele, tanto quanto. Ele sempre dizia que Dave dava a vida por nós, protegia eu e meus irmãos, e o mínimo que ele poderia fazer era proteger os filhos dele, mas não conseguiu, Denver estava morto.
Ben estava sério, não havia dito uma palavra sem ser o necessário nos dias em que viajamos, nesses três dias de viagem, eu vi um lado de Ben que conheci uma vez na vida, na morte de sua mãe ele quase não conseguiu se reerguer. Temia por ele e temia por , ela poderia mergulhar na sua depressão e nunca mais voltar para nós. Só queria abraçá-la, tentar dar algum conforto, mas sabia que não adiantaria nada. Nada disso faria Denver voltar para ela.
Já conseguia ver Avallon pelo navio, meu coração parecia não caber mais no peito, não sabia como tudo estaria lá, como encontraria a , e nem sei como encararia a minha mãe, eu nunca pensei que ela fosse capaz disso, não assim, não com Denver.
Algumas horas se passaram até que parássemos no porto de Avallon, as cargas vindas de Demph eram descarregadas junto com a gente. Não perdi tempo até ver que nossos guardas nos esperavam com três cavalos. Um dos nossos guardas eram um dos que tentou segurar no cadafalso, foi o suficiente para que Ben voasse em seu pescoço. Nós o seguramos.
- Acalme-se, ele não teve culpa! - falou, segurando-o, ele tremia de ódio.
- ELE ARRASTOU ! - Fechei os olhos, respirando fundo, me lembrando daquela cena. sangrava pelo chão do cadafalso. - VOCÊ DEIXOU-O MORRER!
- Eu só estava cumprindo ordens da rainha. – o homem grunhiu, abalado com aquilo. - Você cumpre as ordens dela quando ela manda.
- Não. - Benjamin riu, me assustando com a atitude. - Não mais. – ele montou em seu cavalo, saindo em disparada em direção ao castelo. Eu fiz o mesmo, peguei minha égua e parti em direção ao castelo. Em direção à .
Estava muito chateado com ela, por ter entendido que o que fizemos na cabana não significou nada para ela, mas tinha que entender, a situação que ela estava não era nada fácil. Tudo passou quando a vi sofrendo, me senti culpado por ter desejado que ela sentisse como é ser traído, mas não daquele jeito, não daquela forma, ela foi literalmente, atingida nas costas.
Benjamin corria como nunca, e eu tentávamos acompanhá-lo, mas por mais que Anchor fosse veloz, não era páreo para Ben, que queria encontrar a família. Assim que chegamos no castelo, eu comecei a dar ordens para os criados me dizerem onde estava, mas nenhum me sabia dizer, ou melhor, não podia. Fomos diretamente para a sala de reuniões, onde meu pai estava com e Dave. O encontro do pai com o filho foi triste, eles se encararam, não falaram nada, mas Dave estava se segurando muito para não desabar ali mesmo. Benjamin o fortalecia e os dois se seguravam um no outro, vi meu pai, que estava com a cabeça abaixada, e , que foi até nós e nos abraçou. Só eu sabia o quão aliviado eu estava por ter os dois aqui comigo. Não queria sentir o que Ben e estavam passando nunca.
- Cadê ela? - perguntei e Dave ficou em silêncio, serrando os punhos, eu já imaginava o pior.
- Presa. – respondeu. Os ombros caíram e ele suspirou, triste.
- Por que não tiraram ela de lá? - quase berrou.
- Sua mãe sumiu com a chave da cela, todas as chaves. – Dave falou antes que alguém perguntasse da chave extra.
- Cadê ela? - eu perguntei, bravo.
- Saiu para cavalgar, já ordenei para que trouxessem ela, nem que seja amarrada. – meu pai disse, socando a mesa.
- Vou vê-la. – Ben saiu imediatamente, foi com ele.
- É em vão, não vão poder entrar. – Dave falou, respirando fundo.
Não me contive e abracei o general, Dave pareceu surpreso no começo, mas aceitou rapidamente e me apertou forte. Eu sentia a sua dor, não entendia, mas sentia. Ele ficou abraçado comigo por mais algum tempo, até meu pai enfim perguntar sobre Demph. Contei para ele tudo que aconteceu e que Benjamin ofereceu como moeda de troca, ambos odiaram aquilo, não era a melhor pessoa para se contar agora depois desse episódio, mas iríamos arriscar, não tinha o que ser feito. Fiquei aliviado por termos fechado negócio com Valaydes. As missões foram um sucesso, independente da situação. voltou um tempo depois, completamente desolado.
- Não acredito no que ela fez com . – balançou a cabeça, chocado. – Ben não quis subir, ele vai ficar com ela até abrirem a cela.
Minha mãe entrou na sala um tempo depois, se assustando com todos nós ali, ela estava impecável, mesmo com sua roupa de cavalgada. Eu tive nojo dela.
- Ah, já voltaram? - ela falou, caminhando até meu pai, que se esquivou. – O que foi?
- Você denunciou que não estávamos aqui. – começou a falar, com raiva. – Quando nós ordenamos que era para você agir como se estivéssemos aqui.
- Fiz isso, meu filho. – ela o encarou, me fazendo revirar os olhos. – Mas aconteceu o flagrante do crime, eu não pude fazer nada.
- ERA DENVER! ERA O GAROTINHO QUE VOCÊ VIU CRESCER! QUE PROTEGEU NOSSOS FILHOS! - meu pai urrou, se eu não o conhecesse, pensaria que ele fosse bater nela.
- Não é diferente e nem melhor do que os outros. – ela falou, sem se abalar com o surto dele. Parecia que estava gostando.
- Você é uma hipócrita, Leigh-Anne. – Dave começou a falar, se controlando. – Quando seu maior crime, eu quem ajudei a esconder, eu que lutei por você e seu casamento, impedi que fosse você naquele cadafalso e...
- Basta! - ela arregalou os olhos, brava, ficando cara a cara com Dave. - Você está aqui para nos servir.
- Não sirvo mais a você, você morreu para mim. – Dave ficou cara a cara com ela e minha mãe sorriu diabolicamente.
- Como Denver? - eu a puxei para trás antes de Dave levantar a mão para agredi-la, meu pai fez o mesmo, o puxando.
- Por mais que você mereça isso, de novo, devo ressaltar... – meu pai falou, encarando-a. – Dave não merece sujar as mãos. Não com você.
Ela desfez o sorriso na hora.
- Cadê a chave da cela? - Dave perguntou e ela arregalou os olhos.
- Não vamos soltar aquela garota, ela me agrediu!
- Você matou o irmão dela, isso foi pouco. – rebateu, surpreendendo-a.
- Nos dê a chave antes que eu mesmo te acuse de crimes como omissão de socorro, abuso de poder e um crime seu bem antigo que você apagou da sua mente, mas eu tenho até agora em meu coração.
- Eu joguei a chave fora. – ela respondeu, por fim. Mas era mentira. Ela escondia tudo valioso com ela, a chave estava em seu colar, escondido de todos. Eu encarei aquilo, ela seguiu meu olhar e pareceu ficar assustada com aquilo.
- Você é previsível. - arranquei a sua corrente na força, estourando-a e assustando ela. – Fica longe dos Walker, fica longe de , fique longe dos meus irmãos, fique longe do meu pai e fique longe de mim. – peguei a chave e joguei a sua corrente preferida longe, ela estava com os olhos marejados, mas não me abalava. – Espero que a vovó venha logo para casa, você sofrerá nas mãos dela por ter matado os guardas que ela amava e tinha como filho.
- Eu...
- Você não pensou no resto, certo? Só pensou em afetar e machucá-la. Isso tem consequências, e as suas só estão começando. - falou duramente, puxando Dave pelo braço, deixando minha mãe com o meu pai, mas não durou muito, todos nós seguimos até a cela de . Ela ficou sozinha.
A cena que eu encontrei na cadeia foi horrível. Bem sentado no chão, encarando a irmã, que estava sentada ao seu lado. estava acabada, olheiras profundas, boca seca e cabelos desgrenhados, o pano branco escondia suas costas, mas podíamos ver o sangue que secou no lençol. Eu quis agarrá-la e tirar sua dor naquele instante. Seus olhos encontraram os meus, o brilho dele havia sumido. Dave tomou a chave de minha mão e correu até a fechadura, abrindo a cela.
O encontro dos três foi triste, eu tive que segurar as lágrimas. Doía.
Vi Dave desabar nos braços fracos de , ela chorava e Benjamin chorava com eles naquele abraço, não parecia se importar com a dor, acho que nada a abalava mais do que Denver.
- Eu tentei, pai, eu tentei salvá-lo. – dizia, aos prantos. Benjamin tentava acalmá-la, mas não adiantava.
- Eu sei, você lutou como uma Walker. Seja lá onde Denv estiver agora, ele tem orgulho de você. - Dave segurou o rosto da filha, parando de chorar e voltando a ser a rocha que sempre foi, fazendo-a imitá-lo. Em segundo, os Walker engoliram o choro e arrumaram a postura, até , que estava fraca e frágil não parecia mais estar assim. - Eu tenho orgulho de vocês. Venha, , vamos te levar para cuidar desses machucados.
Eles são fortes. Naquele instante eu vi, ia doer, mas eles superariam. Passariam por cima disso, era o que Denver faria.
- , sinto muito por tudo isso, queria poder fazer algo por você, mas... - meu pai começou a falar, estava apoiada em Dave e Ben.
- Você pode, majestade. – ela disse, fraca. – Liberte-os. – ela apontou para os dois selvagens. Nos encaramos por alguns instantes, eles ficaram surpresos com o pedido de . - São apenas pessoas precisando de comida.
- Claro. – meu pai concordou com a cabeça. O guarda ficou receoso, afinal, a rainha não queria que eles saíssem. - Não ouviu a garota? LIBERTE-OS.

Capítulo 9

~Por ~


- Ben, não acho que seja uma boa ideia irmos até lá. - tentei segurá-lo, mas ele se soltou rápido.
- É a minha irmã! - concordei com a cabeça, ele estava certo. - É a única irmã que eu tenho agora, a sua mãe tirou Denver da gente e fará de tudo para tirar também, ela não vai chegar nem perto da minha irmã, nunca mais!
- Não vamos deixar. – falei, o acompanhando, querendo negar que minha mãe era realmente esse monstro. – Minha mãe não é tão cruel como você pensa, você sabe, você a conhece. - nós cruzamos o castelo até a cadeia em minutos. Benjamin estava calado, mas assim que demos de cara com a cena, ele me encarou, com os olhos arregalados.
- Tem razão, ela é pior do que eu pensava. – meu coração se partiu ao ver encostada na grade de sua cela, ela estava sentada no chão, provavelmente por estar fraca e frágil. Ao nos ver, abriu um sorriso fraco. – Meu Deus, oi, – Ben colocou as mãos na boca e se agachou assim que fez questão de se levantar. - Está tudo bem, está tudo bem, não precisa se mexer, eu tô aqui.
- Eu... Eu tentei tanto, Ben. – ela falou, segurando as lágrimas. - Eles amaram vê-lo grunhir de dor, todos são monstros, são cruéis.
- Srta. , eu adorava Denver, não o queria morto. – o guarda que estava de vigia falou, abalado, e ela o encarou, furiosa.
- Você não fez nada para impedir, você é fraco, eu te odeio e tenho pena de Denver por ter amigos tão ruins. – mesmo fraca, ela era cruel. Não a condenava, ela estava em uma das fases do luto, Ben abaixou a cabeça, ele concordava com a irmã. O guarda não falou nada, eu pedi para que ele se calasse apenas com as mãos e ele concordou, provavelmente arrependido e envergonhado.
- Hey, . – me aproximei dela, me sentando ao lado de Ben, que segurava as mãos da irmã, elas estavam machucadas, uma completamente inchada e a outra com hematomas de luta. Ela sorriu novamente, odiava vê-la assim. – Vamos cuidar de você.
- Eu sei que vão. - ela falou, mais como um sussurro. – Mas não é comigo que eu me preocupo agora... Cuide do meu pai e de Benjamin.
- Eu não preciso de cuidado algum. - Ben falou, sorrindo fraco e acariciando o rosto da irmã, ele devia estar pensando o mesmo que eu, ela estava toda ferida e mesmo assim se preocupava com a sua família.
- Precisa sim, tanto quanto eu. – ele concordou com a cabeça, não quis resistir a uma luta na qual ele perderia.
- Vou tentar fazer com que abram essa cela logo, dr. Poirot estará a postos para te atender assim que sair daqui e minha mãe sofrerá as consequências por tudo que ela fez, eu te prometo. – ela concordou com a cabeça, mas nós sabíamos que eu era incapaz de fazer algo contra minha mãe.
Eu nunca imaginei que fosse ver tão entregue assim. Algo em mim pareceu se quebrar, ela era minha amiga, eu a amava e não queria vê-la mal, mas também amava minha mãe e não queria acreditar que a mulher boa que eu conheci um dia, se tornou meu pior pesadelo. Ela havia colocado os interesses dela na frente da sua família e da Coroa.

~


- Sam. – falei, surpreso, assim que vi a menina que fazia meu coração bater mais rápido tanto quanto . Ela arqueou a sobrancelha e cruzou os braços, eu tinha medo dela quando ela fazia isso.
- Eu não sou uma pessoa que cobra atenção de ninguém, Aykroyd, mas a sua educação ficou a desejar nesses últimos três dias. – respirei fundo, esperando mais broncas. – Ia falar comigo quando? Eu fiquei preocupada com você, eu fui até a igreja rezar pela vida de vocês, eu fiquei ao lado daquele telefone tentando atender uma mísera ligação de vocês, eu vi dois homens do bem serem chicoteados até a morte, eu vi minha amiga ser açoitada e não pude fazer nada! Eu tentei tirar ela da cadeia junto com Summer e Beth e nós ficamos presas no quarto por ordens da sua mãe, sem comida! A única coisa que eu esperava, era que você tivesse o mínimo do bom senso de vir até mim e mostrar que minhas orações deram certo!
Abaixei a cabeça, completamente assustado com aquele discurso. Eu não imaginava que minha mãe tivesse tão descontrolada daquela forma. Eu havia errado muito com Sam, ela não merecia.
- Sam, eu... Me desculpa. – falei, sincero, segurando suas mãos. Ela não se afastou, seus olhos não estavam furiosos, como normalmente ficaria, mas sendo bem sincero, eu preferia que ela estivesse brava comigo, ver em seus olhos a decepção era pior ainda. - A gente chegou da viagem e eu fiquei preocupado com a , tive tantos imprevistos para resolver, além de preparar uma busca pelos corpos dos meninos, ninguém sabe onde o corpo de Denver e Ted estão, minha mãe não colaborou com nada e eu não quero que Ben e saibam disso, Dave está destroçado, e...
- Os corpos sumiram? - ela colocou as mãos na boca. - Céus, vai ficar desolada!
- Me desculpe. – repeti, olhando em seus olhos.
- Estou chateada, mas entendo. – ela suspirou. - Porém, ainda sim, estou decepcionada. Eu esperava que você recorresse a mim em tempos de crise, eu estou aqui para isso, para você - sorri com a forma que ela falou, Sam era muito decidida em todas as suas atitudes, mas quando se tratava de coração, ela era tímida.
- Obrigado por isso, eu prometo que vou melhorar. – ela sorriu sem mostrar os dentes.
- Você pode me levar para ver a ? Você estava indo para o leito, eu sei que estava. – eu respirei fundo. Dave havia proibido a entrada de qualquer um, mesmo sendo pessoas que gostasse, por precaução mesmo, mas eu podia fazer esse esforço, ela merecia e precisava.

~Por ~


Estava na enfermaria, estava no soro e sendo cuidada pelos nossos melhores profissionais. Benjamin e Dave estavam com a nossa psicóloga, eles se obrigaram a fazer isso antes, por , eles não estavam bem e queriam matar a minha mãe, três Walker desequilibrados não era exatamente uma coisa boa para nós no momento. Não a deixaria só nem por um segundo. Minha mãe havia se trancado em seu quarto e não sairia de lá tão cedo, afinal, nem mesmo meu pai queria falar com ela. Ele até pediu para arrumarem um quarto para ele, bem longe do dela. Por mais que me doesse admitir isso, eu imaginava que minha mãe fosse capaz de mandar para cadeia, afinal, ela a odiava, mas não imaginaria que seu ódio fosse capaz de fazer matar Denver apenas para afetá-la.
estava destruída, por fora e por dentro. Rezava para que minha mãe não tivesse conseguido acabar com ela, teria que se reerguer.
Eu faria o impossível por isso.
- Ela está dormindo, vai ficar assim por algumas horas. – Dr. Poirot falou assim que saiu da sala. – Bom, o caso dela é crítico, não tanto por fora, é forte, os ferimentos vão se curar rápido, a infecção já está controlada, a cicatriz nas costas não é nada perto da cicatriz que ela tem no coração. Ela se culpa.
Aquilo me deixava ainda pior.
- Sedamos ela, estava surtando e dizendo que devia ter feito mais por ele, que devia ter lutado mais, a culpa vai consumi-la.
- Nós vamos conseguir. – falei, tentando convencer a mim mesmo disso. – Ela é forte, não é? Ela vai passar por isso.
- Nós faremos o possível. Pode ficar com ela enquanto Dave e Benjamin não chegam.
Corri para o quarto em que ela estava. Ela dormia, mesmo mal, ainda estava linda e por um momento, eu quis acreditar que ela estava bem e que aquilo não passava de um sonho ruim. Eu puniria um por um dos homens que machucaram ela. Kreik seria o primeiro, eu havia me cansado daquele homem, ele me amedrontava desde pequeno, mas agora eu não tinha mais medo, eu tinha ódio. Os brutamontes que acertaram ela nas costas, eles seriam os segundos, não tinham o direito disso, não podiam ter feito isso. Fiquei com as mãos na mão que não estava machucada e ficaria ali até alguém me expulsar.

~


- Você corre como uma criança. - Ben gritou, correndo na frente.
Eu estava encarregado de cuidar dele. me fez prometer e eu iria cumprir a promessa. Em uma das poucas vezes que eu a encontrei acordada. Eu preferia ficar com ela pela noite, vê-la dormindo, evitar uma conversa que iria causar briga, nós dois sempre terminávamos em briga, não queria aquilo, não agora, ela não precisava se desgastar mais, pelo menos eu estava lá. Mas, não prometi apenas por ela, mas por mim também, Benjamin era meu melhor amigo, eu amava Denver e os dois estavam lado a lado com e para mim, fomos criados juntos, Denver me pegava pela gola da camisa e me fazia de exemplo para as outras crianças, ele tentava colocar medo delas fingindo que era bravo e forte e eu sempre cooperava, não queria apanhar, mas o engraçado era que ele só fingia ser bravo. A sua força ele nunca precisou fingir, e ela durou até o fim de seus dias. Seus curtos dias.
Benjamin estranhamente estava bem, ou pelo menos fingia bem, ele se parecia muito com , em relação a aparência, mas ele era menos fechado que ela e aguentava muita coisa calado, com os anos de treinamento ele aprendeu como a guardar sua raiva, mas sempre demonstrava o que sentia através de seu rosto (e não ficando calada), a gente sabia quando ela estava brava ou chateada, Ben não era assim, eu só sabia o que ele estava sentindo depois que ele falasse.
- Eu sei o que você está fazendo. – ele falou assim que paramos para beber água e observar as árvores.
- O que estou fazendo?
- Uma parte de mim fica feliz por ver você se importando com alguma coisa que não seja só você. - eu teria ficado ofendido, mas aquilo não era mentira, eu sempre fui egoísta. - A outra parte não gosta de ter babá vinte e quatro horas.
- Nada que eu faça vai trazer Denver de volta. – comecei a falar e ele virou a cabeça, olhando para o nada. – A única coisa que posso fazer, é cuidar de você, de Dave e da sua irmã, para que nada leve vocês também.
- Não preciso de cuidados. – Ben estava na defensiva, eu conhecia bem aquilo, os Walkers eram bons nisso, estava calejado com anos ao lado dos dois irmãos, do próprio irmão, e agora, com a mais nova Walker, era o meu maior treinamento para lidar com pessoas difíceis.
- Vocês cuidaram e cuidam da gente a vida toda, Ben. – falei, suspirando. – Eu vou cuidar de vocês, você querendo ou não.
- Denver está morto, . Sua mãe o matou. – aquilo me atingiu como um soco. – Eu não vou ficar remoendo, não é isso que ele faria. Ele ergueria a cabeça e continuaria a vida. É isso o que eu vou fazer, seguir os passos do meu irmão. - concordei com a cabeça. - Aceito sua ajuda se não for para ficar me tratando como um brinquedo quebrado.
- Ótimo, estava cansado de ficar falando fofo com você. - respirei aliviado, recebendo o primeiro sorriso sincero de Ben em três dias. - Você corre como uma marica! Não aprendeu nada no treinamento?

~Por ~


precisava de espaço. De tempo. Tinha muita gente ao lado dela. Ela podia até achar que não era importante, mas se visse o tanto de gente que ia na enfermaria visitá-la, ficaria surpresa, mas eu não. Eu era uma dessas pessoas. Por mais que eu tentasse ficar distante, eu voltava para o mesmo lugar, todos os dias levando uma flor diferente para ela, esperando que ela ficasse feliz e me abrisse aquele sorriso que só ela conseguia, estava difícil, mas não desistiria. Nenhum de nós desistiria.
Vê-la naquela cela me quebrou de várias formas, não só eu, todos naquele castelo. Vazaram fotos dela na cela, as pessoas se revoltaram. Selvagens. A selecionada açoitada na cadeia por defender um criminoso, era assim que as manchetes saíram por três dias seguidos. Minha cabeça vagava nas lembranças de Denver, ele era meu melhor amigo. Se eu não tivesse feito essa missão, deixado minha mãe sozinha, nem um dos três teriam sofrido isso, não teria feridas externas nem internamente, e Denv, junto com Ted, não teriam aquele fim cruel e injusto. As coisas não estavam fáceis. Benjamin se dedicava totalmente para sua irmã, não saía do seu lado, só quando Dave estava presente, ou eu e meus irmãos.
O casamento de meus pais estava extremamente conturbado. Talvez aquela fosse a maior crise dos dois. Os demônios de minha mãe pareciam que estavam retornando aos poucos, aquilo deveria ser difícil até mesmo para a poderosa e majestosa Leigh-Anne, a rainha regente. Mas meu pai estudava formas de tirar esse título dela, a separação oficial era impossível, principalmente agora com nossos acordos recém-assinados, um casamento em crise era sinal de fragilidade na estrutura política. Eles teriam que atuar. Nós também. Não suportava ver minha mãe caminhando como se nada tivesse acontecido, como se estivesse certa. herdou isso dela, também. Os Aykroyds foram criados para isso, para que apenas a nossa verdade fosse a certa, ao menos eu sabia diferenciar se a minha verdade beneficiaria apenas uma pessoa. Eu, normalmente quando essa possibilidade era levantada, iria na direção oposta, afinal, nunca era uma coisa boa. Infelizmente minha mãe havia se tornado uma víbora e eu temia por ela.
Hoje era o dia em que eu resolveria todas as pendências com os acordos que fizemos, estava com , enquanto levava Ben para fora do castelo, ordens da própria . Três dias se passaram depois que voltamos para o castelo e a encontramos. Ela permanecia sob os olhares de Poirot, a infecção foi controlada no primeiro dia, mas voltou a dar problema ontem. Pelo menos ela estava bem. Pelo menos eu estava com ela. Fiz todas as minhas obrigações o mais rápido possível para vê-la. Corri para o jardim para pegar mais uma flor. Dessa vez uma peônia, ela amava. Não que ela fosse o tipo de garota que gostasse de receber flores, em tempos normais ela jogaria todas elas na minha cara e ainda falaria “Tirou ela do jardim para morrer em um vaso? Que desperdício.”, mas agora, ela sorria. Efeito pós Denver.
Cheguei na porta de seu quarto, a enfermeira nem me parava mais. Ela sorriu. Antes de eu entrar, fiquei escorado na porta, vendo a cena. e Sam, de mãos dadas perto de , ela sorria e conversava com os dois abertamente.
- Você precisa voltar logo, Lizzie está nos atormentando e se achando a próxima rainha.
- É megera igual mesmo. – falou, tirando uma gargalhada da amiga, e eu também ri. - Não tenho estruturas para lidar com aquela garota, se eu soquei a cara da rainha, imagina o que eu posso fazer com Lizzie?
- É melhor manter distância mesmo, pelo seu bem, não pelo dela. – falou, sorrindo sem mostrar os dentes. Ele olhou para trás e me viu escorado na porta com os braços cruzados.
- É um encontro na sala hospitalar? – perguntei, fazendo Sam corar.
- Eu implorei para me deixar ver , a segurança estava bem relutante de nos deixar entrar. – ela explicou, me fazendo concordar com a cabeça. - Vamos deixar eles a sós. - pareceu relutante por um momento, mas logo cedeu. Deu um beijo na testa de , que sorriu fraco, recebendo o carinho. Sam fez o mesmo. – Estamos com você. Até Summer está quase agredindo os guardas, é melhor evitar mais confrontos.
- Eu pagaria para ver essa cena. – riu e observou os dois saírem. me deu um apertão no ombro e eu os observei caminhando pelo corredor branco. – A que devo a honra de ver o príncipe Cabeça das missões secretas em meu leito pela segunda vez no dia de hoje? - continuei encostado na porta com os braços cruzados, escondendo a flor.
- Não fui eu quem tive a ideia dos acordos. – falei, dando de ombros, e ela arqueou a sobrancelha.
- Eu te conheço, eu sei que partiu de você. - Touché. - é um ótimo príncipe regente, mas não tem a visão que você tem, não para algo grande como isso. Ele monta as estratégias de ataque, você monta a defesa.
- As ideias foram totalmente dele, o ajudou a convencer Demph a se aliar com a gente através de dados históricos, foi muito teórico e preciso, o ajudou nas propostas e Ben deu um incentivo. – tentei distraí-la na minha mentira. seria o próximo rei, ele precisa fazer coisas que o colocassem no topo disso, eu nunca seria Rei, não faz sentido eu ir contra a coroa, era o meu povo. não acreditou naquilo, conseguia ver apenas pelo seu olhar.
- Continue tentando me enganar, mas no fundo, o único enganado aqui é você. - ela respirou fundo e eu também. - Vai só contar sobre a vitória dos nossos irmãos ou vai me falar como você se saiu também? - eu sorri, me aproximando dela e me deitando ao seu lado. Ela sabia o quanto eu queria contar tudo logo.
- Céus, eu nunca imaginei que Valaydes fosse aceitar um acordo com a gente. – ela apoiou a cabeça em meu peito, mas logo se ajeitou, com dificuldade, para olhar em meus olhos enquanto eu contava. – Linus, o general deles não quis, ele estava com medo de Vantron, a filha do rei aceitou, mas a chave de mestre deles, pasme, , é uma líder dos rebeldes, eles têm um lugar no conselho em Valaydes, é genial. O país tem inúmeras tropas, mas nem uma pessoa é obrigada, todos são voluntários! - olhava para mim com os olhinhos brilhando, aquilo parecia um sonho para ela, não julgava, eu também achava aquilo perfeito. - Eles toparam o acordo, mas não por nós, por você. - ela ficou surpresa com aquilo e eu ri.
- Eu?
- Você é uma inspiração para eles, os rebeldes. – ela me encarava, ouvindo tudo com atenção, mas para a minha surpresa, ela não estava surpresa. – Em Valaydes, Titânia te chamou de “Bonitona bocuda”. - ela riu, ficando corada.
- Na cabana... – ela começou a falar e eu senti meus ombros ficando rígidos, eu não queria lembrar da cabana, do que ela e viveram lá, eu sentia raiva, ciúmes e... Inveja. Do meu irmão. Estava tentando superar aquilo. – Quando fomos atacados pelo vantroni, antes de eu atirar nele, ele me chamou de ameaça e me chamou de Tigre Dourado, o que isso significa?
- É besteira. – menti, abaixando a cabeça e evitando contato com seus olhos. - Não se pode acreditar nas palavras de Vantronis, eles são inimigos. – achei que ela iria surtar, gritar, me xingar e descobrir que tudo era uma farsa, que eu estava mentindo para ela, mas ela deu de ombros, se aconchegando em meu peito, resmungando de dor. Agradeci por ela ter acreditado.
- Estou tendo um déjà vu. - ela falou, cutucando meu rosto, me fazendo rir.
- Temos que parar de nos encontrar no hospital. – ela gargalhou. Não era mentira, todas as vezes que nós ficávamos bem, eram em um leito.
- Estou cansada disso, quando eu sair daqui, me leve em um encontro de verdade. – fui pego de surpresa com aquilo, mas não me permiti vacilar, sorri e falei o que estava dentro de mim fazia tempo.
- É tudo que eu quero, e já tenho tudo em mente. – sorriu. Eu amava aquele sorriso. Achei que minha mãe tinha tirado isso dela, levado junto com Denver as coisas que a tornavam ela. A tornavam viva.
Nunca a vi sem ser na defensiva, mas agora eu sentia falta.

~Por ~


Nos últimos três dias eu me deixei ser tratada com todo amor, carinho e cuidado que me ofereceram, iria ficar assim até sair desse leito da enfermaria, eu precisava daquilo, eu precisava sentir o que Denver sentia. Ele era amado por todos, eu queria sentir como era aquilo, por alguns instantes, eu o sentia ali. Tinha dias que eu acordava e imaginava que tudo não passava de um pesadelo, mas então sentia minhas costas e a lembrança de Ted e Denver sendo açoitados, em silêncio, vinham com tudo.
Meu pai me tratava como um brinquedo quebrado, às vezes queria gritar para ele parar com isso, mas ele estava sofrendo tanto quanto eu, afinal, eu conhecia Denver há menos de cinco meses, Dave conhecia o filho a vida toda, exatos vinte e cinco anos ao lado dele. A dor era maior nele, então eu o deixava cuidar de mim da forma que necessitava. Deixava todos cuidarem de mim da forma que precisavam. Não foi só eu que perdera Denver, como eu disse, ele era importante.
Ben já agia diferente, ele me tratava como sempre me tratou em tempos normais no castelo, como se nada tivesse acontecido, mas qualquer pessoa que batia na porta, ele ficava preparado para atacar e me defender. As coisas mudaram, por mais que eu quisesse acreditar que não. Benjamin não tolerava ser tratado como um brinquedo quebrado, talvez por isso ele não me tratava como um.
era atencioso, evitava me tratar como uma indefesa, me mantinha informada das coisas do castelo e contava sobre as fofocas reais dos parentes dele, uma de suas tias de Taim foi pega com um Lorde de outro reino, um verdadeiro escândalo real. Ele me levou a maior surpresa que eu podia pedir. Sam. Ela chorou ao me ver e pedia desculpas por estar chorando, pedia desculpas por não ter ajudado, e eu fiquei sabendo que ela, Beth e Summer haviam sofrido consequências com o ato de tentar me tirar da cela, aquilo me fez querer chorar, elas viraram prisioneiras e passaram fome por minha causa. A rainha Leigh-Anne montou uma ditadura nos seus termos.
estava estranhamente ausente, aquilo me assustava, quase não o via, ele se mantinha ocupado o dia todo, talvez estivesse me evitando, não o julgava por isso, a última vez que nos vimos, ele estava chateado, eu merecia seu rancor, mas em uma das poucas vezes que ele me visitou, eu conversei com ele e ele me prometeu cuidar de Benjamin, aquilo valia mais que tudo. Sentia falta das nossas trocas de farpas, ele era a única pessoa que eu esperava que me tratasse normal, mas aparentemente ele nem queria me ver.
era só amor, todos os dias ele me levava flores diferentes e me enchia de afeto e muita risada, isso não era uma mudança total do que éramos antes do... Antes do assassinato de Denver. Era fofo vê-lo pisando em ovos comigo, mas tentando disfarçar que tinha medo de que eu quebrasse, mas era alguém que eu conseguia ler facilmente, eu o conhecia muito bem, sabia quando mentia, quando estava com vergonha, bravo, e até mesmo quando ele estava prestes a ter uma ideia brilhante. Me doía ver ele tentar esconder que tinha feito um marco histórico em questão de semanas, três acordos era mais do que Avallon jamais conseguiu fazer em séculos, sendo bem sincera, não sabia como um reino como o nosso sobrevivia sem alianças fortes como Agartha, e agora tínhamos Demph e Valaydes conosco. A intenção de era boa, ele tentava ajudar o irmão, que não queria a coroa mesmo tendo sido condenado a ela, mas não era o certo. Deixei-o se enganar com a própria mentira, no fundo, ele sabia que eu sabia que a ideia fora totalmente dele, um dia eu o colocaria no topo. Lá era o seu lugar de direito.
Todos estavam sempre me paparicando, mas sempre fugindo da responsabilidade de me contar a verdade, contar sobre a verdadeira causa dos Selvagens, sobre os motivos de Vantron nos atacar tanto, contar sobre a Lenda do Tigre Dourado e me explicar o motivo de eu ser essa lenda e ser a responsável por tantas rebeliões, ser taxada a terror mundial pelas dinastias. Nem meu pai, meu irmão ou meus três príncipes eram capazes de me contar.
Eu precisava ouvir deles.
Não era burra para confiar na palavra de um Vantroni condenado ou na palavra de dois selvagens, poderiam facilmente me manipular. Mas uma voz na minha cabeça gritava: e se eles também estiverem me manipulando? Não. Eles não fariam isso comigo.
Esperava que me contasse, mas a minha última esperança se foi. Ele mentiu para mim. Sabendo que eu sabia quando ele mentia. sempre foi o pior mentiroso, não sabia mentir, mas acreditava na sua própria mentira. Quando ele por fim dormiu, me levantei com dificuldade e fui até o banheiro, eles me observavam, os Selvagens, deixei um recado para eles em meu roupão antigo, no bolso. Quando ele fosse para lavanderia alguém iria resgatá-lo, assim eu esperava.
Mesmo com remédios, minhas costas doíam. Poirot se negou a dar pontos, se tratava de uma ferida artificial, mesmo parecendo ser profunda. Ainda não tinha olhado para ela, não com os milhares de curativos que eles usavam para cobrir, os curativos iam do meu ombro até minha cintura. Os tirei, com raiva. Meus olhos marejaram quando eu senti a dor do vento de Avallon batendo contra a minha pele machucada.
Ardia como fogo queimando a pele.
Uma cicatriz que eu carregaria pelo resto da minha vida.
Graças à maldita Rainha Leigh-Anne.
Ela havia deixado essa marca em mim, e ela pagaria por isso.

Capítulo 10

~Por ~


- Atira no alvo, ! - Dave falava de forma séria. Ali naquele circuito, ele não era meu pai, ele era meu treinador.
Meu projeto estava caminhando para a perfeição desde quando foi aprovado, finalmente chegou ao castelo e todas as mulheres estavam fazendo o treinamento de autodefesa, até mesmo as criadas. Aquele circuito continha várias etapas, começávamos com o alongamento, depois íamos para exercícios que fariam nosso corpo ficar mais rígido, e com isso, para o treinamento em diversas situações possíveis para defesa. Nossos parceiros eram os guardas que cumpriam as ordens de Dave, que não saía de perto todos os dias.
Eu estava na fase da arma. Era uma forma de defesa, principalmente para nós que estávamos cercadas de guardas armados todos os dias, treinamos a nossa mira. Eu estava apontando a arma para um alvo distante e eu via ali o maldito rosto da rainha Leigh-Anne. Ela havia sumido. Não a vi desde o dia que ela matou meu irmão, já se passava um mês desde que Denver foi tirado da gente. Meu pai me contou que o corpo de Denver não foi achado ainda, não tivemos a chance nem de fazer um funeral digno. O corpo de Ted foi encontrado dias depois, perto do mar, mas Denver não.
Todo o meu estresse e tristeza eram descontados naquele treinamento.
- Muito bem. – Dave falou e eu quase sorri, orgulhosa de mim mesma, mas fui levada ao chão em segundos graças a uma rasteira dele.
- Ei! - quase gritei e ele continuou pleno, com as mãos atrás das costas.
- Atira no alvo do chão. - quase rosnei, minhas costas ainda doíam. Fiz o que ele mandou, atirando na cabeça do alvo.
As coisas iam ficando ainda mais difíceis, ele me mandava mais alvos, cada vez mais perto, eu desviava e me defendia, até que um ficou próximo o bastante do meu rosto, apontando uma faca. Aqueles alvos eram de última geração. Minha arma havia ficado sem munição. Grunhi, desviando do alvo maníaco, levantando, e com a perna, chutando a faca para longe, a última coisa que eu precisava era de uma facada de um robô. Arregalei os olhos quando o alvo começou a jogar outras facas na minha direção, eu desviava até chegar no chão onde a primeira faca que eu chutei estava, peguei a mesma e a joguei na cabeça do alvo.
Me ajoelhei no chão, cansada e assustada. Meu coração doía por mulheres que passaram por homens dissimulados que a fizeram temer dessa forma. Os treinos eram baseados em situações de ataques, mas especialmente ataques que já aconteceram e foram denunciados. Aquele não era diferente. Escutei palmas à minha volta.
Eu tinha plateia.
- Muito bem, . – Dave falou, sério, mas eu podia ver seu lábio querendo sorrir de orgulho da filha. Eu era uma Walker, afinal de contas. Olhei em volta e não consegui desviar os olhos dos dois irmãos. e , ambos estavam ajudando no treinamento das garotas. – Creio que hoje você está dispensada.
- Controle o seu robô! – sussurrei, passando por ele, que sorriu.
- Eu não o deixaria fazer isso se não soubesse que você daria conta. – ele respondeu, me fazendo sorrir de volta.
Me sentei longe do maldito circuito e observava as outras garotas. Nem todas tinham sorte, mas todas se defendiam. Summer socava um guarda que estava coberto de almofadas para amenizar a dor, Beth treinava correndo e se defendendo sem armas, apenas com o seu corpo. Sam era uma dama mesmo assim, mantinha a elegância ao chutar as partes baixas de . Comecei a rir, vendo-o chorando no chão, e ela desesperada, não duvidaria se ele não tivesse pedido para ela se defender com tudo.
- Se hidrate, furacão . – fui pega desprevenida com uma garrafa voando até minha testa. Grunhi, colocando a mão na cabeça no local atingido. - Você desvia de cinquenta facas ao mesmo tempo, mas não desvia de uma garrafa de água?
Gargalhei, jogando uma pedra em . Ele se sentou ao meu lado, sorrindo.
- Se formar galo, eu irei me vingar. – ameacei, vendo-o dar de ombros.
- Nada que eu não esteja acostumado. – ele se referia ao tapa na cara que eu dei nele algumas semanas atrás, nos primeiros treinos.
- Aquele dia você me derrubou no chão. - me defendi.
- E você me bateu!
- Você mereceu, não fui avisada de que iria quase quebrar o nariz e ficar dolorida por cinco dias depois. – joguei água nele e ele riu, jogando de volta.
- Você arrasou no treino hoje, nem parece aquela menina desengonçada do primeiro dia de treino. – sorri sem mostrar os dentes. Aquilo era um elogio, ter evoluído desse jeito era bom.
- Tive bons professores. – ele sorriu. Eu tive Dave, Benjamin, e me ajudando todos os dias.
- Eu já tinha comprovado que você era uma Walker, mas ver você lutando só reafirma isso. – respirei fundo, olhando para Dave e Ben que treinavam as meninas, era para Denver estar ali. – Desculpe, fiz você lembrar de Denver, me desculpa.
- Não se preocupe. – segurei sua mão por impulso, eu não suportava as pessoas sofrerem por pisarem em ovos comigo. – Tudo aqui lembra ele, , eu até gosto, sabe? Tira a lembrança da carinha dele sofrendo naquele cadafalso e me faz lembrar dele sorrindo pelos corredores, como se fosse o dono do mundo.
- Sinto falta dele também. - ele disse, apertando de volta a minha mão. - Mas é aquilo, ele nos socaria se nos visse na fossa dessa forma.
Gargalhei, era verdade.
- Então vem, me ajude a treinar. – levantei, o puxando para treinar mais um pouco comigo e ele resmungou.
- Garota? Você estava fugindo de cinquenta facas não faz nem cinco minutos.
- Tá vendo como você é uma marica? - me encarou, fingindo estar ofendido, eu adorava irritá-lo e ele adorava me irritar. Depois do hospital, nos aproximamos mais, brigamos menos e isso é bom, mas as trocas de farpas nunca acabaram.
- Vou te mostrar a marica.

~


Estava em meu quarto, descansando do meu treino bem conturbado, conseguiu me mostrar que não era uma marica, me fazendo cair várias vezes. Parecia mais uma preparação para guerra do que treinamento de defesa, Vantron não desistia da luta mesmo com três países ao nosso lado, talvez fosse bom nos prepararmos para algo pior. Independente das duas alternativas, estaríamos prontas para ambos.
Olivia caminhava de um lado para o outro no quarto, seu barrigão já estava indo para o oitavo mês de gestação e eu nem acreditava que estava no castelo há tanto tempo. A seleção já estava quase completando um ano. Era bizarro, parece que ontem mesmo fazia brincadeirinhas comigo na primeira vez que nos vimos, quando eu descia a escadaria para a minha apresentação oficial. Ou indo contra os guardas e ordenando que me deixassem sair para o jardim. Ou , me provando que não era uma máquina. Um ano que eu havia mudado completamente.
Recebia relatórios sobre meu projeto todos os dias, muitas mulheres estavam se defendendo dos maridos ou estranhos, isso era triste por um lado, mas por outro era super positivo. O que mais eu queria era isso, mostrar a elas que eram fortes o suficiente para não serem caladas. Nosso telefone único para violência contra a mulher também estava funcionando, as guardas mulheres iam até elas e protegiam as meninas, tudo estava indo muito bem.
Escutei um barulho vindo da sacada. Alguém estava jogando pedras na porta de vidro.
Comecei a rir antes de sair e ver quem era.
- Não acredito que você está fazendo isso. – me debrucei, vendo os cabelos loirinhos de bagunçados, enquanto ele sorria para cima, o sol estava deixando os olhos dele ainda mais claros.
- Rapunzel, jogue suas tranças. – falou, fazendo uma pose forçada, me fazendo gargalhar mais ainda.
– Isso é brega, até para você.
- Fazer o que se eu sou um romântico antigo? - revirei os olhos, segurando um sorriso. – Venha, vamos dar uma volta!
- Você não tem obrigações de príncipe? Eu tenho obrigações de selecionada. – ele riu, balançado a cabeça.
- Como príncipe, eu ordeno que você venha até aqui para aquele encontro que você pediu!
- E se eu negar?
- Terei que ir aí e te carregar.
- Então eu vou até você, que saco. – fingi estar indo contra minha vontade e sorriu, me vendo desaparecer em meu quarto. Por sorte, eu estava arrumada para qualquer imprevisto. Deixei um recado para minhas damas, e saí.
Encontrei ele no jardim. estava sorridente e sentado em um banco, me recebeu com um abraço e me fez ir com ele até o celeiro. Pegamos nossos cavalos, que já estavam prontos graças a ele, e eu comecei a segui-lo
- Onde vamos? - perguntei depois de um longo percurso cavalgado.
- Surpresa. – ele respondeu por cima do ombro, bufei e corri até ele, ficando ao seu lado. – Vai ter comida, se é o que te perturba.
- Idiota. – revirei os olhos e escutei a risada dele. – Eu odeio surpresas, você sabe disso.
- Vai amar o nosso encontro, de longe é um dos melhores que já fiz. – fiz uma careta, não queria imaginar tendo encontro com outras pessoas, mas segurei a minha língua. - Entre nessa trilha.
- Que trilha? - olhei para um monte de árvores, ele sorriu com o meu mau humor falso e entrou na trilha que eu jamais teria visto. O segui com meu cavalo, bufando, depois de uns cinco minutos de muita conversa e troca de farpas, chegamos em um lugar lindo, eu não conhecia. Aquela floresta ficava cada vez mais bonita.
Não pude deixar de lembrar de Denver, a última vez que eu o vi antes do açoite, foi em um lago, não era esse, mas me lembrava mesmo assim. O lago era gigante, tinha até uma cachoeira um pouco mais distante, a vista era perfeita. Perto do lago, em uma sombra agradável, estava uma cesta gigante, tinha um pano no chão, sorri ao perceber que tinha planejado nosso encontro realmente. Desci do cavalo facilmente, chegando até a margem do lago.
Senti suas mãos envolvendo minha cintura por trás e me levando delicadamente até seu peito, eu estava de costas para ele. Coloquei minha mão por cima da sua, aproveitando o momento, beijava o topo da minha cabeça. Eu não sabia como deveria me sentir, mas todos os meus problemas desapareceram ali, eu me sentia confortável.
- Aqui é lindo. – falei, sorrindo e me virando para ele.
- Sabia que você ia gostar. – ele retribuiu o sorriso, me puxando de mãos dadas para onde estava nossa cesta. – Como eu disse, eu planejei esse encontro faz tempo. – tirou da cesta uma flor. Ele não deixou de fazer isso mesmo depois que saí do hospital real. Todos os dias eu era surpreendida com uma flor. Normalmente eu acharia ruim, xingaria ele para parar com isso, mas não conseguia. despertava meu lado afetivo. – E olha, muita comida! - Apontou para cesta lotada de comida, comecei a rir. - Venha, sente!
Fiz o que ele falou. estava tão animado e ansioso que eu via que sua mão tremia. Eu não estava diferente àquela altura. Era algo novo para gente. Um encontro oficial, sem ninguém observando, sem câmeras, selecionadas, nossos pais e nossos irmãos. Até mesmo um encontro sem ser numa ala hospitalar, sem brigas ou farpas. As coisas eram simples com .
não deixou de preparar o banquete. Tinha muitas frutas, chocolate, pães, muito queijo, ele sabia que eu amava. Sorri ao ver ele tirando da cesta um suco, logo depois duas taças, arregalei os olhos quando me surpreendeu com uma garrafa de vinho e mais uma garrafa com cerveja, a bebida de Agharta.
- Eu quero chegar viva em casa. – falei na hora que ele abriu o vinho em segundos e nos servia.
- É para comemorar! - peguei a taça. - Nosso acordo com a tríade poderosa da dinastia, seu projeto e as milhares de vida que você está salvando e protegendo. Essas mulheres te veneram. – senti minha bochecha queimar, sorri erguendo a taça.
- A você que teve a ideia dos acordos. Sem você, nada teria dado tão certo. – resolvi alfinetar. Ele negava todas as vezes que eu entrava nesse assunto, mas no fundo ele sabia que tentar esconder isso não o tornava nobre. O tornava burro.
- Você sabe que...
- Não, não vamos abrir uma brecha para discussão, por favor. – choraminguei, ele sorriu e apenas deixou passar, brindamos, e antes de eu beber, soltei. – Eu ganharia a discussão, claro.
- Você não presta. – balançou a cabeça, inconformado com a minha afronta, eu sorri bebendo todo o líquido da taça em segundos. – Mas você tem razão. Sobre tudo. – ele admitiu, sorrindo sem mostrar os dentes.

Coloque para tocar


- , Avallon nunca chegou tão longe, não com tantos acordos assim. – segurei sua mão. - Você fez tanto e não quer os créditos?
- Eu não fiz por reconhecimento, . – ele suspirou e me encarou. – Eu não preciso disso, eu não mereço isso. Nunca serei Rei, está tudo bem, tive a vida inteira para aceitar isso, o que eu puder fazer para ajudar meu reino, eu vou fazer... Não preciso provar nada. – suspirei e apertei sua mão. Me machucava vê-lo lutando por tudo e todos, mas não sendo reconhecido. Não falo de poder, eu falo sobre o coração de ouro que ele tinha. merecia tanto e não sabia aceitar isso.
- Um dia eu vou fazer você perceber o quanto é importante e o quanto merece. – deu um sorrisinho tímido, mas não prolongou esse assunto.
Bebemos tudo em questão de minutos, nossa conversa durou horas, conversamos sobre tudo e nunca citávamos assuntos que acarretaria uma discussão. O sol começava a se pôr, sobrou muita comida ainda. Eu não queria ir embora.
- Temos duas opções. - ele começou a falar, vendo minha cara triste por não querer sair dali. – A primeira, a gente volta para o castelo, bêbados. - comecei a rir, bebemos todo o arsenal alcoólico que ele trouxera. – A segunda, podemos passar a noite aqui.
- A segunda seria perfeita, mas não temos como passar a noite aqui, não tem nem luz. – sorriu e se levantou, de trás de uma árvore gigante ele tirou uma mochila e uma caixa.
- Como eu disse, planejei esse encontro há meses. – arqueei a sobrancelha e ele começou. - Posso montar uma barraca, temos uma lanterna e ainda muita comida. Podemos ficar aqui essa noite, se você quiser.
- Você é cheio de surpresas, Aykroyd. - ele deu de ombros e começou a montar a barraca, talvez aquilo não fosse uma boa ideia, quebraríamos muitas regras passando a noite fora, mas eu não ligava. Nós dois precisávamos de paz e distância do castelo e de seu peso.
- Hoje também vai ter uma chuva de meteoros, aqui é o lugar prefeito para assistir. – sorriu, se sentando ao meu lado depois de longos minutos montando a barraca preta. - Você vai gostar.
Em Southampton, quando era criança, tinha assistido uma chuva de meteoros com a minha família, Kurt nem existia ainda, nem Kiara, mas foi um momento importante para mim, eu não esqueço de minha mãe sorrindo e Kira pulando animada com os meteoros. Assistir isso depois de tanto tempo era emocionante, ainda mais com . Estava muito quente em Avallon, eu tive a brilhante ideia de entrar no lago, mas achou uma péssima decisão.
- Você está com medo da água? – ri, vendo-o revirar os olhos.
- Só quero evitar que você pegue um resfriado. – eu sorri, me levantando e indo calmamente até o lago. A água estava uma delícia quando tocou em meus pés. - ! - a bebida fazia com que eu tomasse decisões erradas, mas aquela nunca pareceu tão certa.
- Tem certeza de que não quer entrar? – perguntei, respirando fundo antes de tirar a alça de meu vestido e sentindo o mesmo escorregando até o chão, me deixando apenas com a calcinha preta.
Ainda de costas para ele, olhei por cima do ombro e ele estava paralisado, sem saber o que fazer e não tirava os olhos de mim. Por um momento, achei que estava se sentindo mal, olhando a marca já cicatrizada em minhas costas, mas ao levantar o rosto, só conseguia ver um fogo diferente. Sorri com aquilo. Entrei no lago e só parei quando a água me cobria até o busto. Eu encarava o horizonte, o céu tinha uma tonalidade laranja e rosa, com algumas estrelas brilhando, estava lindo.
Sorri novamente ao sentir as mãos de em minha cintura, como ele fez quando chegamos, me arrepiando quando minhas costas nuas encostavam no peito nu dele. Ele também havia tirado a roupa e só vestia a cueca, e mesmo dentro da água, calor irradiava de seu corpo.
Em um lapso de consciência, me perguntei o que eu estava fazendo no meio da floresta com o príncipe à noite, com vários ataques acontecendo no reino, com uma seleção que com certeza sentiria falta de uma participante e um príncipe no castelo, com uma rainha maluca sumida que a qualquer momento poderia aparecer para tentar estragar mais ainda a minha vida, mas tudo caiu por terra quando o senti deslizar as mãos da minha cintura ao meu quadril, apertando levemente.
— Você não deveria tentar um príncipe desse jeito. - sua voz rouca fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem, levando embora todo e qualquer indício de sanidade que ainda me restava.
— Ah, é? E por quê? – perguntei, deitando minha cabeça em seu ombro e fechando os olhos, tentando desfrutar de suas mãos em meu quadril e seus lábios resvalando em minha orelha.
— Porque eu não vou saber ser misericordioso! - sua voz saiu tão baixa dessa vez que se não fosse o silêncio que só a floresta poderia proporcionar, eu talvez não teria escutado, mesmo com sua boca colada em meu ouvido.
Sem conseguir aguentar mais, procurei seus lábios às cegas ao mesmo passo que redirecionava seu rosto de encontro ao meu, fazendo esforço para beijá-lo ainda de costas para ele. Querendo aprofundar o beijo, me virei num ímpeto, colocando as línguas para jogo quando escorreguei na pedra em que pisava e o puxei junto comigo, sem descolar nossa boca mesmo debaixo d’água.
Ele abriu os olhos rapidamente, assustado com a queda, mas assim que me encarou sorrindo contra seus lábios relaxou um pouco e me fez enlaçar as pernas ao redor de sua cintura, tentando continuar o beijo até emergirmos para buscar o ar novamente.
— Você é doida!? - sua pergunta foi mais uma afirmação enquanto esboçava um sorriso divertido no rosto, puxando o ar com toda a força que podia. Nossos narizes se tocavam de tão próximos que ainda estávamos.
— Você ainda tem alguma dúvida? - sussurrei contra sua boca, ainda o encarando, logo após, passando minha língua em toda a extensão de seus lábios para depois prender o inferior entre meus dentes fortemente. Ele soltou um murmúrio, não sei se de dor ou excitação, mas pouco me importei.
Com a água gelada, consegui colocar meus pensamentos em ordem e já estava quase 100% sóbria da bebida que tomamos, mas agora tinha me embriagado de algo muito pior que álcool: o tesão.
— Cadê a falta de misericórdia que você falou sobre, Alteza? — acho que esse foi o impulso que precisava.
Pude notar uma leve mudança na pupila de seus olhos, algo como um fogo ardendo como brasa. Algo muito diferente do príncipe meigo e divertido que eu estava acostumada, mas não é como se eu não tivesse gostado.
E no segundo seguinte, minhas costas já estavam sendo pressionada contra a parede rochosa da cachoeira sem muita delicadeza e desceu as mãos até minha bunda, apertando com força enquanto procurava meus lábios novamente, me envolvendo num beijo muito mais agitado e agressivo.
Ainda com as pernas entrelaçadas em torno do quadril do príncipe, comecei a sentir algo duro que não sentia antes batendo na minha bunda, me fazendo sorrir sacana entre o beijo e deslizar uns centímetros para baixo a fim de fazer um pouco de pressão, arrancando um gemido entrecortado e outro empurrão contra a parede. Se continuar assim, amanhã estarei toda vermelha nas costas e não posso deixar vestígio nenhum do que fizemos aqui.
... Ir... Barraca... – falei, ainda desconcertada, e duvidava que ele havia me entendido, mas ele apenas assentiu e começou a nadar comigo ainda no colo para sairmos do lago.
— Droga, ! - ele reclamou quando eu decidi recolher com a língua uma gota de água que escorria pelo pescoço dele assim que pisamos em terra firme. Quer dizer, assim que ele pisou. Repeti o gesto do outro lado, vendo-o tremer da cabeça aos pés. - Assim eu vou acabar te derrubando. - quando comecei a fazer o mesmo na parte da frente de seu pescoço, senti o tapa mais forte que alguém já havia me dado na bunda, me fazendo dar um pulinho em seu colo e por reflexo acabar mordendo um pouco a pele em volta do Pomo de Adão dele, arrancando um gemido de excitação e dor de ambos.
Não havia feito sexo com muitas pessoas na vida. Na verdade, apenas com uma já que eu não cheguei a transar com , então eu não tinha muita experiência nisso e sempre pensei em como reagiria a um tapa no meio da transa. Definitivamente foi uma das coisas mais prazerosas que eu já provei.
A barraca até que era espaçosa, com vários cobertores e até mesmo um travesseiro onde me deitou delicadamente e me olhou de cima, se dando conta de que não tinha dado atenção ao meu busto desnudo ainda. Seus olhos me queimaram todinha dos pés à cabeça, parando demoradamente na calcinha de renda preta que eu vestia para logo após fixá-los em meus seios. Podia sentir meus mamilos duros, mas já não tinha mais certeza se era por conta frio repentino que senti quando saímos da água ou pela excitação. Acho que os dois.
— Vai ficar a noite toda me olhando ou vai me beijar? – questionei, já cansada de sua demora.
— Olha, , não quero que você faça nada do que vai se arrepender depois, sabe? - ele tirou uma mecha do meu cabelo de meu rosto, analisando-o. - Não se sinta na obrigação de fazer isso comigo só porque, sei lá, você e o tiveram uma chance. Nós somos amigos acima de tudo e eu...
Aykroyd, cala a boca e me beija agora. - Robin ficaria até orgulhosa se me visse falando com tanta firmeza desse jeito, digno de uma princesa. Culpa das aulas de protocolo. Até pareceu notar meu tom, mas não falou nada, indo me beijar mais uma vez.
Com o príncipe em cima de mim, foi muito mais fácil de sentir o volume que sua cueca guardava, pressionando propositalmente vez ou outra em mim, me fazendo quase implorar durante o beijo, mas foi quando ele desceu a boca para meu seio que eu gritei. O contraste de sua língua quente com minha pele fria foi maravilhoso e eu precisei me controlar a beça para não tremer embaixo dele. Com a ponta dos dedos, ele apertava e puxava o outro mamilo, enquanto eu sentia meu corpo começar a dar pequenos espasmos.
...- gemi arrastado num pedido quase mudo e quando captou o que eu queria, rasgou minha calcinha como quem rasga papel, tirando sua cueca boxer logo em seguida.
E numa afirmação muda, onde nossos olhos falavam mais do que nossa boca, ele me penetrou, me fazendo ver estrelas e meteoros antes mesmo da chuva começar.



Continua...



Nota da autora: O QUE ESTÁ ACONTECENDO??????? PARA AS TEAM MAIS NOVO, ESTÃO FELIZES? PQ EU TO! JAHHAHAHA
Confesso que o pp mais novo é o meu preferido no momento! Mas, fiquem calmas, isso ainda não é uma decisão! Quem manda é a PP e ela não quer me dizer quem é o escolhido KKKKKKKKrying. Me digam, o que acharam desse BA-BA-DO?
Obrigada, Mariana Rufino, pelo mimooooo (pra quem não acompanha o grupo do fb - O que tão esperando??? - é a Mari quem me ajuda muuuuuito, mas principalmente a criar esse tipo de cena, já que sou horrível). Estamos só o surto e a culpa é sua <3





Nota da beta: EU TÔ MUITO BRAVA, PQP! NÃO, NÃO E NÃO! ELA NÃO PODE FICAR COM ELE, AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! Nossa, tô muito brava HAHAHAHAHAAH sério, eu quase parei de betar, porque meu coração é REALMENTE todo do pp do meio, não dá! VOCÊ ESTÁ ME MATANDO, MULHER! Manda o próximooooooooooo!

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