Finalizada em: 12/06/2018
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Prólogo

- A gente vai casar! – Robert olhou para e para mim diversas vezes, olhando entre um e outro e algumas vezes para o chão. Ele levou sua mão até a cabeça e abaixou, em direção ao chão. Olhei para e ela mantinha seus olhos arregalados, assustada.
- Acho que vou enfartar, não tenho mais idade para grandes emoções, crianças, meu tempo já passou – ele riu e a garota ao meu lado soltou todo o ar que guardava em si, me fazendo rir. Segurei a mão dela e observamos Robert voltar ao normal – Não acredito que vou levar minha menininha para o altar – falou emocionado e respirou fundo, parecendo que tentava assimilar a informação.
- , não acredita que deveria ter pedido minha mão primeiro? – caçoou pelo fato de que ela tivesse me pedido em casamento, e Robert riu, sem entender o motivo de sua expressão tão irônica.
- Como se fosse necessário. – Robert bateu a mão espalmada em meus ombros e eu assenti, sorrindo.
- Robbie, além de levar sua menininha para o altar, eu preciso muito te pedir algo. – olhou para mim, de sobrancelhas arqueadas. – Eu tenho diversos amigos, mas nenhum deles é tão importante como você, porque apesar de meu sogro. – ele negou com a cabeça e rolou os olhos, rindo. – Você é meu melhor amigo há ainda mais tempo. – dei de ombros tentando não fazer daquele um discurso tão emotivo – E uma representação de pai também. Você seria meu padrinho? – abriu a boca em um perfeito “O” e eu apertei sua mão, sorrindo em sua direção.
Robert encostou-se ao sofá e respirou fundo mais uma vez, aparentemente hoje íamos matá-lo. Vi seus lábios se transformarem em um enorme sorriso e ele se levantou, caminhando em minha direção. Me levantei também, ficando em sua altura, o mais velho se aproximou e levou seus braços em volta de meu corpo, me dando um abraço apertado.
- Com certeza eu serei, filho. – disse ele.
- Abraço em grupo! – gritou e se jogou em cima de nós dois.



Capítulo Único

01 ano depois...

- , é meu aniversário, não quero ter que escolher nada hoje! Depois a gente pensa nisso. – ela me olhou, bufando.
- Por favor, , você tá me enrolando por preguiça! É algo importante, vamos, por favor!
revirou os olhos e jogou o lençol para o lado, se levantando devagar e calçando suas pantufas. Fiquei parado sorrindo, enquanto ela me encarava mal-humorada antes de se dirigir ao banheiro. Joguei meu corpo por cima do seu e beijei seus lábios delicadamente, vendo um simples sorriso surgir ali.
- Bom dia, amor da minha vida, pessoa que tá ficando velha! – ela revirou os olhos, mas o sorriso em seu rosto não se apagava – Se você se arrumar logo, prometo que antes de ir onde quero, te alimento naquela padaria que você mais gosta.
Ela arregalou os olhos e me empurrou com toda sua força para o meu lado da cama, se levantando as pressas e correndo até o banheiro. A garota bateu a porta e começou a rir sozinha de lá, o que me fez pensar que eram essas pequenas coisas que faziam nossa vida melhor.

Sai da padaria em silêncio, aproveitando que estava cheia demais para puxar qualquer assunto ou se fazer de pessoa curiosa. Liguei o rádio, como de costume, e comecei a bater no volante o ritmo da música sempre que podia, o que despertou curiosidade na garota.
- O que foi? – ela perguntou, de sobrancelha arqueada.
- Nada. – dei de ombros.
- , eu te conheço!
- Ah, fica quieta, vai! – falei rindo, animado. Ela rolou os olhos e encostou a cabeça no vidro, fechando os olhos.

Estacionei o carro e vi abrir instantaneamente os olhos. O caminho não era exatamente longo, era apenas o que estávamos acostumados a fazer sempre, e ainda assim ela dormira tranquilamente. Vi-a arregalar os olhos e abrir um sorriso imenso.
- É sério? – ela disse e eu assenti.
- Não acha que está na hora? – ela assentiu e tirou seu cinto de segurança, jogando seus braços em volta de meu corpo.
- Melhor presente de aniversário de todos! – ela riu, feliz.
Descemos do carro e andamos de mãos dadas até a igreja, prontos para dar o passo que demoramos tanto a chegar, era hora de marcar a data e finalmente tornar minha esposa. Eu nem mesmo conseguia me acostumar a manter aquela palavra em minha mente, e acredito que nunca falara ela em voz alta. Sorri com meu pensamento e apertei mais ainda a mão da garota na minha, a trazendo para perto.
- Mas você tem ideia de que data quer? – ela parou abruptamente no último degrau de entrada, me assustando.
- Só não quero marcar pra daqui a 10 anos, por favor! – ela riu e deu um tapa em meu braço.
- Tô falando sério, . – sua voz soava impaciente.
- Eu também estou falando sério! Quero que seja logo. – fiz bico e ela deu um selinho em meus lábios enquanto acariciava meu cabelo levemente.
- Eu também.

“07 meses são mais que suficiente para arrumar um casamento.” Essa foi a frase que disse quando viu a data de 23 de dezembro livre no calendário, pois havia acabado de vagar. Eu havia a chamado de louca, sem dúvida alguma, mas seus olhos brilharam tanto que foi impossível dizer não. E não é como se eu também não estivesse completamente acelerado com aquilo.
- A gente vai casar! – ela disse, estática, quando se sentou no banco do carro. Eu a olhei e puxei suas mãos para colocar entre as minhas. Seus olhos subiram em direção aos meus e pude vê-los marejar. Sorri e ela deixou com que as lágrimas rolassem livremente e se aconchegou, mesmo que de qualquer forma por conta do espaço, em meu peito, molhando minha blusa. Beijei o topo de sua cabeça e ficamos ali por tempo suficiente que ela se recuperasse.
Meu coração estava tão louco quanto o dela, eu mal conseguia acreditar e talvez ainda não estivesse na mesma situação pelo fato da ficha não ter caído. Sim, eu quisera marcar a data, eu quisera surpreendê-la, mas isso não queria dizer que me cérebro entendia as proporções daquele momento. Me lembrei de nosso primeiro beijo e então as coisas se perderam mais ainda em minha mente... Como havíamos chegado até ali?

“Como se esquecesse tudo que se passava pela minha cabeça, agi por impulso.
Antes que pudesse pensar em certo ou errado, normal ou anormal, princípios ou não, grudei meus lábios rapidamente aos seus. Não teve tempo para olhos serem fechados, sensações serem sentidas, borboletas serem apresentadas. Não teve tempo suficiente nem para que nossas peles se conhecessem. Pareceu algo infantil, algo imaturo.
Soltei a mão de e coloquei minhas mãos sob minha cabeça, claramente estava louco. Ela parecia não saber como reagir também, parecia assustada, surpresa.
- , ai meu Deus, me desculpa. Eu não acredito... – antes que pudesse ao menos terminar minhas desculpas, a garota segurou minha cintura se aproximando e juntando nossas bocas. Dessa vez, o toque dos lábios durou pelo menos alguns segundos. Mas não o suficiente. Naquele momento, era como se nunca fosse ser suficiente.
Quando nos afastamos ela estava corada. Ainda tinha a expressão confusa, mas dessa vez misturada a graça. Ela parecia achar aquilo engraçado, e então a única coisa que me restou fazer foi rir. Sentamos na areia, rindo como se aquilo fosse a reação mais natural que poderíamos ter. Optamos por não falar nada, na verdade, não acredito que tenha sido uma opção, preferia não pensar em nada agora
.”

- Pai, a gente vai casar! - falou quando atravessamos a sala de estar de sua antiga casa e encontramos Robert na cozinha.
- Mas de novo anunciando isso? - ele perguntou rindo e deixando seu pano de prato pendurado na alça do forno antes de correr para a filha e abraçá-la, desejando os parabéns pelo seu aniversário.
- 23 de dezembro. - ela disse, direta. Robert me cumprimentava com um aperto de mão e logo nos olhou, de olhos arregalados.
- Vocês marcaram? - assentiu, como se aquilo não fosse nada, mas logo não conseguiu esconder a animação e saiu saltitando pela cozinha.
- Acabamos de vir da igreja. - falei e Robert me puxou para um abraço. - Preparado? - perguntei e ele bateu em minhas costas.
- Nunca estarei, filho. - rolou os olhos e abraçou o pai mais uma vez.
- O que teremos por aqui hoje? - ela destampava todas as panelas tentando descobrir o que o pai cozinhava.
- Seu prato preferido, claro! - ela bateu palmas e se sentou na bancada de mármore, sendo reprovada pelo pai. - Vocês ficarão por aqui hoje, não? - eu assenti, mesmo com me olhando de sobrancelhas arqueadas, já que não sabia meus planos. Olhei para ela e dei de ombros antes que ela me fulminasse mais ainda com o olhar.
- Ok, né? - a garota não parecia se importar com muita coisa, então apenas deu de ombros e desceu da bancada em meio a protestos de Robert.

- , vamos! - falei já na porta enquanto ela ainda descia as escadas.
- Eu estava colocando meu tênis, quero andar tranquilamente, aquela sapatilha estava machucando. - ela fez bico e eu mordi seu lábio, a fazendo rir. - Fiquei ansiosa! Mas você parece mais ansioso que eu.
- Talvez eu esteja! Mas eu não tenho culpa, você simplesmente decidiu casar em pouquíssimo tempo, quanto antes conseguirmos encontrar o salão, melhor! E não me diga que não está louca pra passar a tarde apenas indo de buffet em buffet, provando comidas e escolhendo algumas poucas coisas?
- Vai ser incrível! - ela bateu a porta e eu liguei o carro, pronto pra seguir em direção ao centro.
e eu queríamos um casamento tradicional. Desde o dia em que eu a chamara pra morar junto comigo em Michigan, e ela me pedira em casamento, nós conversávamos sobre como seria. Havíamos decidido que não seria nada naquele momento, nos estabilizaríamos primeiro no apartamento e então montaríamos da forma que quiséssemos. Sempre optamos por tudo tradicional, casar na igreja e então irmos para o salão e nos divertirmos o máximo possível. Escolheríamos local, comida, decoração, tudo juntos. Tudo que sempre dissemos sobre nunca ter um planejamento prévio havia ido por água abaixo desde o momento que decidimos nos casar, porque a ansiedade se tornara tanta que não podíamos simplesmente não pensar naquilo.
Enquanto cantava animada uma música qualquer, me peguei sorrindo, lembrando do dia em que tudo pareceu se encaixar mais perfeitamente do que eu poderia esperar.

“- Esse apartamento é seu, ? – ela parecia explodir em felicidade, conseguia imaginar a tranquilidade e excitação que se passava por seu corpo, já que estávamos preocupados com a distância agora que ela estava para terminar o curso, mas já estava com trabalho e vida feita aqui em Michigan. Neguei com a cabeça para sua pergunta e pude ver sua expressão se tornar confusa.
- É nosso, desde que você aceite morar comigo – sorri para ela, dando de ombros, ela tinha os olhos marejados. Não sabia se era surpresa, felicidade, ansiedade ou tudo junto. tremia e estava visivelmente desestabilizada. Segurei seu corpo e o recostei no meu – Se você quiser um tempo pra pensar, tudo bem, sei que é um grande passo.
- Eu não preciso pensar, , eu quero – ela apertou seus braços em volta de mim e pude sentir sua boca encostar próxima ao meu ouvido – Sabe o que seria legal também? Se você aceitasse casar comigo – ela se afastou do meu corpo e deu de ombros, me deixando mais surpreso do que já pude ficar em toda minha vida. Eu havia sido pedido em casamento?
- Isso é sério? – ela assentiu, rindo envergonhada. Suas bochechas ficaram vermelhas e eu apenas senti vontade de a apertar até não poder mais.
- Sei que não é um grande pedido, mas se fosse, ou se fosse você pedindo, seria tudo feito com planos... E a gente sempre disse que não precisávamos de plano nenhum – ela sacudiu os ombros mais uma vez, parecendo nervosa.
- Você é a mulher mais incrível do mundo, ! E vai ser a noiva mais linda desse mundo – pisquei para ela, que entendeu que aquilo era um sim e se jogou em meu colo, beijando meus lábios animadamente – Eu quero casar com você e viver a vida toda ao seu lado, sim. Eu estou planejando e não estou nem aí – encarei seus olhos, que pareciam reluzir a felicidade estampada em seu sorriso, e neles encontrei a maior certeza da minha vida: ela.”

- Meu Deus! – disse ao entrar no terceiro salão que visitávamos. Ela parecia se deslumbrar com cada mínimo detalhe enquanto andava.
O lugar estava cheio, assim como todos os outros que havíamos entrado. A escada era branca bem no centro do salão, saindo de um mezanino onde diversas mesas ficavam divididas de uma forma organizada e não amontoada, algo normalmente difícil de se ver. O salão principal estava decorado em tons de laranja, que deixavam o ambiente extremamente gracioso ao pôr do sol que acontecia por entre os enormes vidros bem desenhados em detalhes simples que revestiam o local quase por inteiro.
- Respira fundo! – falei quando vi uma moça vindo em nossa direção, para nos atender.
- Sejam bem vindos! Posso ajudar? – a mulher perguntou.
- Claro, gostaríamos de um orçamento para casamento. – minha noiva falou, sorrindo de orelha a orelha.
- Um belo casal, se me permitem acrescentar. Sou Candace! – ela sorriu, simpática e também nos apresentamos, agradecendo. – Qual seria a data?
- Aí está o problema, se eu te disser e você me disser que está ocupada, eu vou chorar como um bebê aqui. – disse, sincera.
- Eu nunca a vi com os olhos brilhando tanto quanto o momento que ela entrou aqui, acredito que nem eu causo isso. – dei de ombros e a mulher riu enquanto rolava os olhos.
Enquanto andávamos até a sala de Candace, a garota apertava minha mão com toda sua força e utilizava a outra para batucar a própria perna, apreensiva. não sabia nada a respeito do salão, preços, comida oferecida, serviços... Ela apenas já se preocupava se a data escolhida estaria ali esperando por nós.
- 23 de dezembro. – falei quando nos sentamos em frente a mulher, que já digitava seu acesso ao computador.
- Não vou negar, é uma data difícil. Eu não fechei com ninguém para esse dia, mas preciso olhar o calendário, só um instante.
Ficamos em silêncio enquanto ela mexia em sua máquina, provavelmente procurando pelo tal calendário e esperando que ele abrisse para poder acessar as informações. chacoalhava a perna mais do que insistentemente e batia seu pé no pé da cadeira, fazendo um barulho tanto quanto irritante. Seu nervosismo estava me deixando tão nervoso quanto, e eu só queria que ela nos respondesse logo.
- Então... – a mulher abriu um sorriso, nos fazendo ficar mais apreensivos. – Podemos decidir todo o necessário para o orçamento? – soltou todo o ar que guardava e respirou fundo, pronta para decidir os primeiros detalhes sobre o nosso casamento.

- Você tem certeza que gostou? – perguntei pela milésima vez enquanto dirigia de volta para a casa de Robert.
- Tenho, ! Eu tô muito feliz, você não tem ideia! – seus olhos brilhavam, o que me fazia ver o quanto ela estava certa do que havia decidido.
- Isso que importa. – puxei sua mão e deixei ali um beijo.
- Temos que escolher logo os convites pra poder entregar! – ela falou, acelerada.
- Calma, relaxa, logo a gente vê isso! – eu ri de seu desespero e ela mesma riu de si, percebendo o quanto parecia tudo ir rápido demais. – Vamos curtir cada decisão. – sorri e ela sorriu em retorno.

- Surpresa! – deu um pulo pra trás, esbarrando em mim enquanto eu fechava a porta. Acendi a luz e a vi colocar suas mãos no rosto, completamente surpresa.
A sala estava arrumada com fitilhos e balões em tons de prata e lilás, provavelmente fora decorado por Alex que conhecia o gosto mais simples possível de . Havia mesas com comidas e aperitivos diversos e apesar de não ter tanta gente assim, Robert como sempre fizera comida de sobra. Joguei meus braços ao redor da cintura da garota e encostei minha cabeça na curva de seu pescoço, observando o mesmo que ela. Ali estava a maior parte de seus amigos da faculdade e trabalho, que haviam se tornado a família de , já que ela nunca tivera uma família muito grande próxima, alguns amigos meus que também eram amigos dela, claro, Robert, sua mãe conseguira chegar a tempo apesar de ter conversado comigo dizendo que talvez fosse difícil, e no canto da sala, estava minha família também. Quando comentei com meus pais, eles não pensaram duas vezes antes de comprar passagens e vir passar um tempo conosco, Robert os buscara no aeroporto em meio a toda organização que eu já até mesmo havia o ajudado em meio a viagens durante a semana sem que soubesse.
- Não vai falar com ninguém? – Robert questionou e riu.
- Eu odeio tanto vocês! – ela gritou, batendo os pés e se virando na minha direção. – Você me paga, . – colocou o dedo indicador apontado em meu nariz e logo em seguida me abraçou, apertando o máximo que conseguia. – Eu amo você.
- Eu amo você, . – beijei sua testa e ela então correu para cumprimentar a todos, assim como fiz também.

Enquanto todos se preparavam para cantar parabéns para e cortar o bolo, subi até seu antigo quarto, no qual dormíamos sempre que vínhamos para cá, e peguei seu presente. Quando desci as escadas vi que ela já me procurava para que eu ficasse ao seu lado e vi diversas câmeras apontadas para nós.
- Parabéns... – puxei a canção tão conhecida e todos me acompanharam, deixando envergonhada e sem saber ao certo o que fazer. Ela batia palmas, fazendo graça para todos e se mexia de um lado para o outro, inquieta.
Quando a música terminou e todos gritavam seu nome, se abaixou para apagar as 25 velas dispostas sem ordem em cima do bolo. Olhei para aquela idade e simplesmente não podia acreditar, quando nos conhecíamos ela tinha apenas 15 anos, e quando nos envolvemos, a garota tinha 18. Tantos anos já tinham se passado, e eu podia sentir ainda as mesmas sensações daquele dia que sai inconsequentemente de uma balada para buscá-la em Ohio porque ela me ligara chorando.

“- , eu não quero ir – sua voz parecia embargada pelo choro que parecia guardar há algum tempo. – Vou falar pra minha mãe que vou voltar pra casa. Antes fazer isso agora, do que quando chegar na Europa.
- , você tem certeza disso? – assim que ouviu minha pergunta, percebi que suas lágrimas cairiam livremente e os soluços começavam a ficar claros. Ficamos alguns minutos em silêncio, até que ela disse, entre suspiros, que sim, mas que prometia que ficaria bem e desligou.
Voltei até a mesa que Steve, Sebastian e Justin estavam e pedi por um refrigerante, recebendo críticas daqueles que já nem sabiam mais como levantar e continuavam no álcool. Conversa vai, conversa vem, e a única coisa em minha cabeça era o estado de no telefone. Então fiz a coisa mais impulsiva a se fazer, levantei me despedindo dos caras e fui até meu carro, eles conseguiriam um táxi.
Não tive tempo de pensar, quando vi, estava à meia noite dirigindo pela estrada I-80 em direção a Parma, cidade de Ohio onde havia me falado que estaria.”

- Fiquem quietos pra eu fazer meu pedido em paz! – ela gritou, rindo.
- E você ainda precisa de mais? – apontei para mim mesmo e ela rolou os olhos enquanto ouvíamos diversas vaias vindas de todos. – Agora, espera um pouco aí, senhorita. - puxei-a para mim e ela me olhou com as sobrancelhas arqueadas. – Pessoal, eu não chamei todos aqui apenas pra comemorar mais um ano de vida dessa pirralha aqui. - apertei-a entre meus braços e fiz um carinho exagerado em seu cabelo, a irritando. – Eu queria contar pra vocês que apesar de um longo ano desde que decidimos que faríamos isso, as coisas ainda não estavam preparadas, e agora estão.
Afastei um pouco meu corpo do de e me ajoelhei em sua frente em meio a diversos “Awn”. Encarei sua expressão de surpresa aumentar quando puxei a caixinha que havia guardado em meu bolso. Não a pediria em casamento, claro, o pedido já estava feito, mas queria surpreendê-la de alguma forma e acreditei que ela nunca poderia imaginar que lhe daria alianças.
- Você tem certeza? – perguntei, antes de deslizar a aliança por seu dedo, fazendo ela e todos a nossa volta rirem. assentiu e rapidamente puxou a outra aliança de dentro da caixinha e fazendo com que eu me levantasse para colocar em meu dedo também.
- Beijo, beijo... – vimos todos repetirem enquanto Robert negava com um sorriso no rosto. Claro, ele sabia de tudo. se jogou em meus braços envergonhada e se encostou em meu peito, me apertando.
- Já que não tem beijo, corta logo esse bolo! – Meu irmão disse em meio a todos que concordaram com gritos.
- Obrigada, . – ela sussurrou em meu ouvido antes de voltar a atenção para todos ali.
Eu me sentia extremamente feliz de toda nossa companhia em casa, mas mal podia esperar pelo momento de deitar na cama e me aconchegar com minha noiva, conversando sobre diversas coisas aleatórias como eram todos os dias desde que havíamos nos mudado para a mesma casa. Hoje, mais do que todos os dias, eu esperava por esse momento. Eu queria terminar aquele dia fazendo diversos planos, e agradecendo por mais um ano de vida da pessoa com quem escolhi passar minha vida inteira.

- Eu ainda não consigo acreditar. – falou quando entramos em nosso quarto na casa de Robert. Ela se jogou na cama, que havia sido trocada de sua de solteiro para uma de casal, e levantou a mão, encarando a aliança em seu dedo.
- Você gostou? – perguntei, esperando uma resposta sincera.
- Você me conhece, , não tinha como errar. – a garota se levantou e me puxou para que eu deitasse ao seu lado.
- Como foi seu dia? – coloquei meu corpo sobre o dela e afastei uma mecha de cabelo que cismava em cair em seus olhos.
- Pergunta desnecessária, não? – ela sorriu. – Você é inacreditável! Eu tô tão surpresa até agora. – suas mãos se posicionaram em meu rosto e ela grudou nossos lábios, num beijo calmo e delicado. – O que eu fiz pra te merecer? – ela perguntou, cortando o beijo abruptamente.
- O que eu fiz pra te merecer, não?
- Talvez a gente devesse parar de se perguntar isso e aceitar que nascemos um pro outro, não?
- Que clichê, ! – falei, rolando os olhos e ela me estapeou, rindo. – Mas não podia concordar mais. – beijei sua bochecha e joguei meu corpo ao seu lado na cama. – Você me ama muitão?
- Que pergunta é essa, ? – sua testa estava enrugada, o que a deixava uma graça, já que não conseguia nunca aceitar sua expressão brava.
- Eu só quero ouvir, poxa. – fiz bico e ela riu. – Eu te amo muitão, sabia?
- Eu também te amo muitão, meu futuro marido.
Continuamos com nossos corpos enroscados um ao outro por um tempo, até que um dos dois decidisse que era hora de tomar banho pra realmente dormir. Não dormimos, ou conversamos, ou qualquer coisa, estávamos apenas juntos, desfrutando um da companhia do outro.

- , tá tudo bem? – perguntei entrando no banheiro depois de ouvi-la resmungar diversas vezes.
- Não muito. – ela estava agarrada ao vaso, parecendo ter caído por ali com a pressa que eu a senti sair da cama. – Eu falei pro meu pai que aquele patê estava uma delícia, mas tinha algo estranho. Pelo jeito a casa toda tá de piriri, já ouvi a porta do banheiro do corredor várias vezes.
- Eu não tô muito legal também, mas não comi tanto quanto você ou a minha mãe, por exemplo. – dei de ombros. – Quer que eu segure seu cabelo?
- Muito gentil, mas pode voltar pra cama, eu já vou também. – ela riu e se levantou, correndo para a pia para escovar os dentes.
Voltei para a cama e fiquei rolando por alguns minutos, mesmo depois de já ter se deitado, pois se tinha algo que acontecia raramente, era ela ficar doente. Eu tinha muito mais dias assim do que a garota, então era um tanto quanto estranho vê-la mal.

- Faltam cinco meses e vocês ainda não fizeram a lista de casamento? – a mãe de perguntou, indignada. Eu e nos entreolhamos e demos de ombro, deixando sua mãe um pouco irritada. – Vamos hoje mesmo.
- Ah, mãe, eu tô cansada! – não aguentava mais sua mãe, sentira falta durante muito tempo, mas aparentemente agora a mulher queria recuperar o tempo perdido, como ela dizia. “Vamos ali”, “Vamos aqui”, “Vamos comer em algum lugar?”, “Vou te buscar no trabalho”, e fazia apenas um mês que ela decidira ser nossa hóspede.
- Cansada de quê? Você tá deitada nesse sofá desde a hora que acordou. – ela rolou os olhos e puxou a filha pela mão.
- , você vai? – me olhou, implorando pelas costas da mãe.
- Até queria, , mas tenho algumas coisas pra finalizar, desculpa. Você consegue fazer isso sem mim? – perguntei e por alguns segundos acreditei que ela diria “não, vou outro dia”, mas ela apenas rolou os olhos e se dirigiu até o quarto para se trocar.

- ? – ouvi a voz de Emma ao atender uma ligação de .
- Oi!
- Querido, não fique preocupado, mas você poderia vir até o hospital? disse que é o único que vocês sempre vem.
- O que aconteceu?
– calcei meus sapatos rapidamente e já estava indo para a porta. Uma grande sorte da vida? Ter um ponto de táxi em frente ao seu prédio, já que Emma e haviam saído com o carro.
- Não sei ao certo, ela começou a dizer que sentia muito calor, e do nada apagou, dentro da loja. Me ajudaram a colocar ela no carro e no caminho ela já tinha até mesmo acordado e não queria vir. Ela está na enfermaria e não quer falar comigo, disse que quer você. – a mulher falava aquilo com uma certa mágoa em sua voz, mas infelizmente eu não podia ajudar quanto a isso.
- Avise-a que já estou no caminho. – bati a porta do táxi e Emma apenas concordou, se despedindo e desligando o telefone.

- Ei! – falei me abaixando ao seu lado na cadeira em que ela estava deitada tomando soro. Parecia já estar acabando, mas sua expressão não era das melhores. estava pálida, e apertava suas mãos em torno da cadeira como se sentisse muita dor.
- Oi. – ela sorriu amarelo.
- Sua mãe está meio chateada que você não quis a companhia dela.
- Acredite, eu precisava de você aqui. – ela soltou sua mão do encosto da cadeira e a colocou apertada junto a minha. – ...
- Oh, querida, seu soro já acabou, está liberada. – a senhora se aproximou e se parou da mesa ao lado o que precisava para remover o acesso, fazendo-o. – Esse é o pai? Um belo casal!
levou sua mão até a testa batendo com um pouco mais de força que o necessário. A enfermeira fez uma expressão de assustada e em poucos segundos minha noiva estava livre de seu acesso e me encarava com os braços apoiados nos joelhos.
- Não era pra ser assim, mas eu também não sabia como fazer. – ela deu de ombros e passou a mão em meus cabelos enquanto eu apenas ficava ali, parado, tentando entender o que eu tinha ouvido.
- Hãn...
- Não precisa falar nada, , eu não sei como me sinto também. – ela riu e eu tentei fazer o mesmo, mas acreditava que só era possível ver uma grande expressão sem nada definido. – Eu só achei justo que você soubesse primeiro que minha mãe, na verdade, não quero contar isso sozinha. – ela sorriu amarelo e eu nem sei como conseguia observar isso, meus olhos estavam focados nas paredes brancas do hospital. – Eu retiro o que disse, fala alguma coisa, por favor.
- Eu... Pai? – engoli seco e riu, ela também parecia não ter digerido a informação, mas já conseguia rir de mim.
- Em casa conversamos? – assenti e a abracei, tentando recuperar o movimento de minhas pernas para levantar. – Mas tá tudo bem?
- Acho que sim. – sorri para ela e vi seus ombros relaxarem. me conhecia mais do que qualquer um, ela sabia que eu estava apenas surpreso ou qualquer sentimento nessa linha. Eu precisava colocar a cabeça em ordem antes de entender aquela frase que nem mesmo tinha saído da boca dela ainda.

Chegamos em casa e disse para a mãe que precisava descansar, mas eu sabia que ela apenas queria fugir um pouco dali. Só esperava que com a minha companhia. Então ela apontou o dedo para mim e fez um “vem” balançando-o. Sorri para ela e avisei para Emma que ficaria com , e ela concordou, dizendo que seria melhor.
- ... – falei depois de um longo tempo deitados em silêncio enquanto apenas fazia carinho em seus cabelos com ela deitada entre minhas pernas e encostada sobre meu peito.
- Oi... – ela resmungou, sonolenta, provavelmente por conta dos medicamentos que estavam misturados ao soro.
- Me conta você? Ou me belisca? – ela riu e lentamente se virou na minha direção, ficando com as pernas cruzadas de frente para mim.
- É estranho falar isso, sério. – ela sorriu e colocou a mão sobre a barriga. – . – uma de suas mãos se juntou a minha e ela olhou ternamente para mim. – Eu estou grávida. Não sei como, ou quando, ou o que a gente vai fazer, mas você vai ser pai. – ela sorriu e deu de ombros, sem jeito. – Isso vai servir pra que eu acredite também.
- É difícil, não? – sorri e me aproximei de seu corpo, a deitando na cama. – Eu acho que eu tô tão surpreso que não sei bem o que falar. Apesar de querer ter filhos, eu nunca imaginei como seria receber a notícia. Caramba, , nós vamos ter uma coisinha pequenininha que cresce só nossa! – ela riu.
- Você quer dizer, uma criança?
- É! Mas é nossa coisinha pequenininha, entendeu? Nossa. – me joguei sobre o seu corpo, me encostando em sua barriga e acariciando-a.
- Já temos nossa casa, trabalhamos, temos nosso carro, e vamos nos casar. Olha quanto a gente construiu em tão pouco tempo. – falei, emocionado e ela colocou sua mão em meus cabelos, fazendo carinho, mas então abruptamente ela pulou, assustada.
- , o casamento! – me levantei e olhei para ela, confuso. – Eu vou estar enorme! Como vou encontrar um vestido? – comecei a rir e demorou um tempo, mas me acompanhou. – Exagerei no surto?
- Um pouquinho. – a puxei para meu colo, lhe dando um selinho. – Você vai ficar linda até se tiver que casar de pijama. Já pensou o quanto vai ser incrível? Você vai ser a grávida mais linda desse mundo, e com um vestido de noiva ainda, eu acredito que não vou aguentar esse impacto. – neguei com a cabeça, deixando minha expressão séria e fazendo com que ela soltasse uma gargalhada. levou suas mãos até meu rosto.
- Você está feliz então? Caramba, , vamos ser pais! – ela bateu palmas e eu a abracei novamente a jogando na cama.
- Se eu estivesse mais feliz do que eu tô, eu explodiria. – falei rindo.

- Por que não me avisaram que viriam? – Robert perguntou quando entramos em sua casa para almoçar no domingo.
- Surpresa! – falou e abraçou o pai.
- Eu não preparei nada!
- E precisa? Podemos sair.
- Eba, verdade! – falou com os olhos brilhando. – Um Mc Donald’s ia bem! – rolei os olhos e ri. Talvez ela preferisse dar a notícia em um lugar público, nunca saberíamos como Robert reagiria, eu já levava um trauma pra vida de quando contamos para ele que estávamos namorando.

“- Robert, podemos conversar? - ele se mexeu devagar ao ouvir minha voz, se virando em minha direção.
- Acredito que não tenhamos o que conversar, – disse ríspido.
- Eu acredito que temos, Robert. Em respeito aos tantos anos que temos de amizade, você poderia ao menos me dar a palavra.
- Você realmente quer falar em respeito aos anos de amizade? - ele usou os dedos para exemplificar aspas naquela frase, soando debochado – Mas tudo bem, quero ouvir qual a justificativa maluca que você tem para essa situação absurda – ele indicou a cadeira à sua frente ao se sentar.
- Por que situação absurda? Consigo entender que possa ser uma surpresa pra você, eu mesmo me questionei muito, Robert. Sempre me preocupei com o que você pensaria, qual seria sua reação, mas não esperava que você virasse as costas e chamasse a situação de absurda – optei por ser sincero, o conhecia o suficiente para saber que ele não levaria bajulação como algo positivo, eu falaria com ele de igual pra igual, como sempre.
- , é minha filha! Você trabalha pra mim há anos, e agora aparece pra falar que está namorando minha filha? Você passou anos dentro dessa casa, conviveu como um filho pra mim, se tornou meu amigo e agora está por ai, saindo com a como se fossem amigos e estivesse me ajudando, quando na verdade está fazendo sabe-se lá o que com ela, pois prefiro nem imaginar! - ele disse se exaltando, seu rosto era tomado por uma expressão raivosa.”

- Mc Donald’s, ? De novo? – Emma perguntou, pois havíamos comido no dia anterior por opção da garota. Mal esperava por ver quando ela entendesse que agora a filha comia por dois e ia se aproveitar disso pra comer de tudo que pudesse quantas vezes quisesse.
- E qual o problema? – a garota questionou, petulante, mostrando a língua para mãe.
- Vou colocar uma roupa, então. – Robert riu e subiu as escadas, saindo do nosso campo de visão.

Na fila, trocava seu peso de um pé para o outro, completamente ansiosa. Robert e Emma procuravam por uma mesa, enquanto nós iríamos fazer o pedido, já que a garota provavelmente estava nervosa demais para ficar sentada.
- Eu nem sei como contar isso, . – ela sorriu e se encostou em meu corpo, jogando seu peso.
- Eu também não, mas se eu pudesse eu contaria por você. Mas acredito que eles prefiram ouvir da sua boca. – coloquei as mãos em sua barriga, como já havia me acostumado a fazer. – O que importa é que essa coisinha linda e pequenininha aqui, vai alegrar todo mundo. Talvez ele só tenha um infarto, mas aí a gente já corre pro hospital, vou ficar com a chave do carro na mão. – gargalhou exageradamente e depois deu um soquinho em meu braço.

- Eu estou grávida. – soltou antes mesmo de sentar, fazendo com que eu quase derrubasse a bandeja antes de colocá-la em cima da mesa. Olhei para ela, confuso. – Desculpa, era de uma vez, ou não ia conseguir.
Me sentei e encarei Robert e Emma em minha frente, enquanto eles olhavam entre e eu, incessantemente.
- Eu também não soube o que falar, se conforta. – tentei quebrar o gelo e então Robert se levantou, tentando reagir a notícia e se agachou ao lado de , passando a mão em seus cabelos e encarando sua barriga.
As pessoas ao redor olhavam, já que provavelmente haviam ouvido a notícia que dera em alto e bom som. Muitos sorriam em nossa direção, e acompanhavam enquanto os olhos de Robert e Emma se enchiam de lágrimas. Vi os olhos de minha noiva marejar também, e apenas coloquei minha mão sobre seu ombro, lhe dando meu apoio.
- Parabéns, minha filha. – ele disse, a levantando para abraçá-la.
- Eu nem mesmo consigo acreditar nisso. – Robert disse quando chegou ao meu lado.
- Acredite, eu também não. – dei de ombros e ele me puxou para um abraço apertado.
- Não existe notícia mais linda que essa. Parabéns, . – sorri para ele quando nos separamos e Emma veio logo em seguida me desejar os parabéns também. Seus olhos brilhavam e ela repetia insistentemente “Eu vou ser avó!”, fazendo todos rirem.
Algumas pessoas em volta nos parabenizaram com acenos de mão ou de cabeça, de forma silenciosa. Quando enfim nos sentamos novamente, Emma começou a falar sobre como deveria estar se alimentando melhor do que aquilo e como ela devia tomar muito água e mais mil e outras coisas. A garota apenas assentiu em concordância enquanto comia seu lanche e encarava o pai, que a olhava com os olhos brilhando, parecendo emocionado demais para falar qualquer coisa.
- Já se foram quase 03 meses. – ela falou com a boca cheia. Rolei os olhos e ela riu, se desculpando.
- Vocês não acham que seria uma boa ideia alterar a data do casamento? – Emma perguntou e rapidamente balançou sua cabeça em negação.
- De forma alguma, isso vai ser ainda mais incrível. – seus olhos brilharam intensamente e pude perceber que ela estava imaginando como poderia ser aquele nosso dia. A cada segundo que passava, nossa ansiedade aumentava, e a cada conversa que tínhamos ou cada decoração que olhássemos, a vontade era de só hibernar e acordar 23 de dezembro. – Bom, a parte mais difícil talvez seja apenas o vestido, mas sei que dá pra encontrar.

Depois de um mês de muito estresse, acordei com a casa silenciosa. Olhei para o lado e minha noiva não se encontrava mais na cama, então com muita preguiça me levantei, escovei os dentes, e decidi ir atrás dela. Provavelmente estaria ajoelhada, agradecendo a Deus por a mãe ter ido embora e parado de gritar com ela ou acelerar tudo que ela tivesse pra fazer. Os últimos dias haviam sido caóticos, as duas acordavam gritando e brigando, até o momento em que , com todos os seus hormônios a flor da pele, gritou implorando para a mãe ir embora. Claro, depois de muito choro e pedidos de desculpas, ela havia ido, e elas estavam bem uma com a outra.
- , sai daí! – gritei, a assustando e correndo para seu lado. Ela estava em cima de uma cadeira almofadada, limpando os armários altos. Ela pulou da cadeira em direção ao chão e me olhou, confusa.
- O que foi? – perguntou.
- Você podia se machucar, sabia? – ela levantou seu rosto em direção ao meu e deu um selinho em meus lábios, rindo.
- , isso sempre foi perigoso, não é porque estou grávida que vou parar de viver.
- Mas, ...
- Sem “mas”, a vida segue e gravidez não me deixa inválida.
- Não pode me chamar pelo menos pra essas coisas? Pra eu poder dormir com a consciência em paz? – falei, fazendo bico.
- Posso pensar no seu caso.
- O que eu e minha noiva grávida, vulgo mulher mais linda do mundo vamos fazer hoje?
- Nada? – ela sorriu forçado, tentando me convencer.
- Temos que comprar pelo menos as lembrancinhas, . – disse, triste, a desapontando.
- Não quero mais casar! É chato escolher as coisas. Eu tenho preguiça.
- Isso é você ou a nossa coisinha falando? – acariciei sua barriga e me abaixei, deixando um beijo ali.
- Os dois, a coisinha tá cada vez mais pesada!
- , já pensou que amanhã a gente pode dar nome pra coisinha? – coloquei meus braços ao redor de sua cintura e ela jogou seu peso, se escorando.
- Eu mal posso esperar! – a apertei em um abraço e pude ouvi-la reclamar que a estava esmagando.
- Depois vem se preocupar porque tô em cima da cadeira! Fica esmagando nosso filho!
- Filha! – corrigi.
Brincávamos com isso desde quando nos acostumamos com a ideia. Ela dizia que teríamos um filho e eu sempre dissera que sentia que era uma menina, afinal, o bebê era tão quieto que nem mesmo havíamos o sentido chutar, caso que preocupara a partir dos 4 meses, quando ela foi desesperada ao hospital para ver se estava tudo bem e estava, nosso bebê era apenas quieto demais e por sinal não queria se mostrar ainda.
- , temos algo muito importante pra conversar antes de sair. – ela me olhou com os olhos semicerrados e a peguei no colo, a levando novamente para a cama.
- O que foi?
- Não precisamos de nomes? – questionei e ela abriu a boca, surpresa.
- Eu nem havia pensado nisso, devíamos chamar de coisinha mesmo. – falou, rindo.
- Tenho uma ideia! Temos o dia todo para pensar, amanhã quando nos falarem, dizemos os nomes que queremos.
- Tudo bem. – ela deu de ombros.
- Não tão fácil assim, querida. – a puxei pelo braço quando ela ensaiou se levantar. – Eu escolho da minha suposta filha, e você do seu suposto filho. – mostrei a língua e ela rolou os olhos.
- Como posso confiar em você pra isso?
- Não sei, vai ter. – dei de ombros e ela se jogou em cima de mim com sua barriga já crescida e começando a pegar a forma extremamente arredondada que não deixava que nossos corpos ficassem realmente colados.

- Olá, . Olá, . – disse a médica nos cumprimentando quando entramos em seu consultório. Soltei a mão de e nos sentamos em frente a doutora, que logo começou com as perguntas a respeito de como vinha sendo a gravidez, se no último mês havia ficado tudo ok, e eu nunca deixava com que a garota diminuísse o que acontecia, como ela tentava fazer. – E então, estão prontos?
mal esperou que ela se levantasse para se colocar de pé e andar até a maca, nos fazendo ficar parados em volta da mesa, rindo de sua expressão que já nos procurava, olhando para trás. Ela bateu os pés impaciente, brincando, e depois escondeu o rosto em suas mãos, envergonhada. Me aproximei dela e beijei sua testa, a ajudando a se colocar na posição certa para que a médica pudesse fazer o ultrassom.
Enquanto a médica organizava o aparelho, o monitor e os equipamentos necessários, como o gel, juntei minha mão a de e apertei forte, percebendo que as minhas tremiam tanto quanto as dela. A doutora nos olhou carinhosamente e sorriu, perguntando se podíamos começar.
Ela levantou a blusa de , e limpou com um papel antes de jogar o gel que fez com que a garota se arrepiasse pelo gelado em contato com sua pele quente e risse logo em seguida da sensação de cócegas que sentira quando a médica grudou o aparelho à sua barriga.
- É difícil ver alguma coisa, não se desesperem. – a doutora riu, vendo que se esticava e mexíamos os olhos freneticamente de um lado para o outro, tentando entender aquela imagem confusa em tons de preto e cinza que se mexia descoordenadamente. – Aqui!
Ela parou a imagem e a deixou travada na tela, me fazendo ficar com uma expressão provavelmente confusa, já que eu não enxergava nada ali que pudesse me ajudar de qualquer forma a entender algum significado. Vi os olhos de marejarem e a médica apertar sua mão, a parabenizando.
- Eu não consigo entender, alguém traduz, por favor! – falei, completamente impaciente. riu e se esticou para beijar minha cabeça.
- Vocês serão pais de uma linda menina, que está incrível para o tempo dela. Sua formação está ótima, e a posição está mais do que correta.
Olhei para e abri minha boca, surpreso. Eu não sabia bem o que dizer, então acabei comentando a primeira coisa que se passava pela minha cabeça.
- Como vocês enxergam isso?
- , olha aqui, as perninhas abertas! E não tem nada no meio! – falou apontando para o monitor, em meio a diversas risadas junto a doutora.
- É a nossa Natasha? – falei, sorrindo e vi me olhar com as sobrancelhas arqueadas.
- Que nome lindo. – disse a médica.
- Você está de brincadeira comigo, não? – minha noiva disse, com uma expressão um tanto quanto insatisfeita.
- Estou. – gargalhei e a doutora nos olhou, sem entender. estalou um tapa em meu braço e eu beijei sua mão. – Sophie.
Ela sorriu para mim e ficou com os olhos nos meus enquanto sua barriga era limpa e ela podia se preparar para se levantar. Quando ficou em pé ao meu lado, segurou minha mão e carinhosamente me deu um selinho.
- Eu gostei. – dei de ombros e ela me abraçou, antes que voltássemos para a mesa da médica para as instruções finais para o próximo mês, até a próxima consulta que viria.
Claro que não saímos do consultório sem antes dizer porque nossa filha nunca poderia se chamar Natasha se dependesse de . Eu era um tanto quanto fã da Viúva Negra.

- Eu preciso falar com você. – disse com uma feição séria.
- Aí, meu Deus, você tá grávida? – perguntei e vi sua expressão mudar drasticamente para uma divertida e ela gargalhar alto.
- Como você soube? Foi meu pai? Ele te contou? – ela disse, entrando na brincadeira.
- Bom, não me leve a mal, mas você engordou um pouquinho, meu amor... – ela deu um tapa leve em meu rosto, enquanto encenava uma expressão de novela mexicana. – O que você quer? – perguntei, rindo.
- Acho que nem lembro mais! Besta! – dei um selinho em seus lábios enquanto ela fazia uma linda expressão de pensativa. – Quero um momento com você, só eu e você.
- Não temos isso o tempo todo? – tentei entender.
- Quero sair, ! Aproveitar minha gravidez com você, tirar algumas fotos. Acredita que ainda não tirei fotos assim? – ela apontou pra barriga que já tinha uma grande circunferência e começava a fazê-la se sentar na cama no meio da noite, resmungando de dor.
Eu nunca, nem nos mais profundos pensamentos, conseguiria imaginar a sensação de carregar alguém dentro de você, todo o peso, além da responsabilidade, deveria ser demais... Bom, com certeza era melhor que aqueles caras que carregavam cerveja em suas barriguinhas moles.
- Tudo bem, vamos arrumar algumas coisas, eu sei pra onde ir. – coloquei uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha e lhe dei um beijo. – Vamos levar lençol, comida, e leve roupas. – ela nem mesmo questionou, apenas assentiu e foi em direção ao quarto.

- E aí, pra onde estamos indo? – perguntou quando entramos no carro, enquanto ligava o rádio.
- Surpresa. – dei de ombros e ela revirou os olhos.
- Na última surpresa você me obrigou a marcar um casamento. – falou, rindo.
- Agora eu quero o divórcio, sinto muito!
Ela me bateu e deixou com que Maroon 5 tocasse na rádio enquanto repetia todas as palavras cantadas por Adam Levine. Sabia que era uma grande fã da banda, então a dei um pen drive com diversas músicas de diversos cd's, só não imaginei que ele nunca mais seria desconectado do carro.
- Dorme aí pra surpresa ficar mais legal. – mostrei a língua para ela e ela me mostrou o dedo do meio.
- Eu não vou dormir. – assenti, sabendo que seriam poucos segundos para que acontecesse, afinal, sua noite não havia sido das melhores e com a gravidez seu sono apenas piorara. Na verdade, agora eu a chamava de soninho ambulante, porque era extremamente engraçado.

- , vamos. – ela despertou e percebeu que o carro já estava parado, então olhou em volta e deixou com que um sorriso tomasse conta de seus lábios automaticamente.
- ! – ela suspirou e seus olhos brilharam. Seu corpo se voltou para a porta e ela desceu do carro rapidamente, respirando fundo.
Estávamos em um parque, mas com um grande significado para nós. Quando eu a buscara em Parma, alguns anos atrás, nós havíamos parado ali durante o retorno para casa, e foi onde tudo se iniciara, na praia que ficava em meio aquele lugar.

“Me sentei na areia e fiquei olhando se divertir. Ela brincava sozinha, mergulhava, jogava água em si mesma, ou apenas ficava olhando para o céu. Depois de alguns minutos assim, ela fez seu caminho de volta para onde eu estava, parando no caminho para fazer carinho em um cachorro, que mais parecia um urso, que estava ali com os donos. Ela se aproximou e abaixou como se fosse pegar o tênis, mas ao invés disso, ela se jogou em cima dos meus ombros, encharcando minha roupa e me derrubando na areia, caindo por cima de mim.
- Ah, você me paga, ! – ela se levantou numa rapidez impressionante e começou a correr em direção ao mar. Ela entrou na água e olhou para mim com uma expressão sapeca, acreditando que eu não entraria ali para pegá-la. Quando dei o primeiro passo para dentro do mar também, ela arregalou os olhos e começou a rir descontroladamente correndo para os lados da forma mais rápida que a água permitia.
- Não, . – ela ria descontroladamente e saia da água para que pudesse correr normalmente sem que a correnteza a atrapalhasse. Não demorei muito para alcançá-la e logo já parecíamos dois cangurus pulando de um lado para o outro, beira mar.”

- Um pouquinho de nostalgia faz bem, não? – perguntei e ela assentiu, se jogando em meus braços. – Bom, pelo menos hoje eu também trouxe roupa! – dei risada e ela ponderou, concordando e gargalhando logo em seguida.
- Você pega as coisas? – assenti e a vi correr em direção a entrada do parque, provavelmente ignorando tudo até que chegasse na praia.
Tirei todas as coisas que precisávamos para passar a tarde ali e as empilhei entre mochila nas costas, lençol nos braços, refrigerante na mão, e tudo mais que fosse possível carregar. Quase deixei tudo cair quando precisei trancar o carro, mas com muito esforço havia dado certo.
Quando alcancei na praia, ela já estava descalça e encarava o sol com uma das mãos nos cabelos, para os manter fora do rosto, e a outra segurava os tênis. Deixei tudo que segurava no chão e peguei meu celular, pronto para tirar uma foto daquele momento e guardar comigo. Consegui ajeitar a câmera para focar perfeitamente da forma como eu queria e então quando apertei para tirar a foto, a garota se mexera bruscamente, pulando no lugar onde estava. Ela então olhou para mim, a alguns metros de distância e gritou.
- , vem aqui! Rápido! – sai correndo, preocupado ao vê-la olhando para sua barriga. – Ela está chutando, finalmente! – falara, animada e emocionada, num misto de sensações. – Mais uma vez! – ela disse quando me aproximei e já me ajoelhei ao seu lado, levando minhas mãos até o lugar em que ela tocava.
Coloquei minha mão no local indicado por ela e esperei. Durante alguns segundos não senti nada, mas quando menos esperava e já estava desistindo, Sophie chutou. Não foi nada incrivelmente forte, mas pude sentir claramente sua movimentação. Fiquei com as mãos ali e dei um beijo em sua barriga antes de me levantar e beijar os lábios de .
- Não é incrível? – assenti, feliz. – Acho que ela gosta da nossa história.
- Não tinha lugar melhor que aqui! – dei mais um selinho em e me abaixei novamente, para falar com Sophie. – Espero que você imagine o sorrisão que o papai está nesse momento! – me voltei a minha noiva mais uma vez. – Sabe o mais engraçado? Eu estava prestes a tirar uma foto incrível sua. – rolei os olhos e riu.
- Sophie não gosta de ser fotografada aparentemente.
- Talvez não, mas vamos tentar! Vem cá! – a puxei pela mão e comecei a tentar ter ideias de forma que pudesse fotografá-la, e também formas de conseguir tirar fotos de nós dois juntos. Bom, três.

- Sabe o que acabei de perceber? – falou quando nos sentamos para comer. – Falta um mês, . – ela sorriu.
- Eu nem mesmo tinha me tocado. Não está na hora de ver seu vestido? Não acredito que sua barriga vá crescer mais que isso.
- Ela vai, eu tenho certeza! – a garota riu. – Vou deixar para uns 15 dias antes, por mais loucura que isso seja. Ainda temos tantas coisas pra decidir. O que acha de sairmos para ver as coisas que faltam e aproveitarmos pra comprar algumas coisas para Sophie? Ainda não temos nada preparado, nem quarto, nem roupas, sinto que estamos tão atrasados.
- E eu sinto que estamos apenas curtindo nosso momento, tanto de pré-casamento, quanto da gravidez. – a abracei.
- , depois do casamento, fevereiro vai chegar muito rápido, não teremos muito tempo pra resolvermos tudo de uma vez para um bebê.
- Então vamos resolver antes, mas sem estresse, porque eu tô gostando muito disso aqui. – a puxei entre minhas pernas e encostei seu corpo no meu, colocando minhas mãos em sua barriga redondinha. – Não tem nada melhor, sabia?

- Queria ter um day off de aniversário também, sabia? – rolou os olhos quando o despertador nos acordou. – Parabéns, meu amor!
- Tô ficando velho! – resmunguei, ainda acordando.
- Só não te chamo de vovô porque você ainda vai ser pai! – a garota riu e se levantou da cama. – Comemoramos mais tarde? Tudo bem?
- Claro! E não reclame do meu day off, logo mais você vai ficar meses em casa!
- É, com a Sophie gritando no meu ouvido. – ela falou rindo e logo se abaixou, deixando um beijo em meu rosto. – Até mais tarde, .

Assim que ouvi batendo a porta em saída, apesar da grande preguiça, me levantei. Já havia planejado tranquilamente o que faria o dia todo. Escovei meus dentes e rapidamente me troquei, pois apesar de saber que o tempo era curto, eu havia deixado tudo semi organizado. Abri o quarto que seria o quarto de nossa Sophie e abri a janela, para deixar que a luz entrasse e o quarto ficasse arejado. Liguei para o moço que eu havia contratado e ele dissera já estar chegando, então fiz um café da manhã simples para eu e ele.
Algumas vezes enganar era a parte mais fácil de tudo, e quando ela estava extremamente feliz era melhor ainda. Enquanto ela pensava que ainda não havíamos feito nada, eu já havia me planejado para hoje. As coisas para o quarto de Sophie estavam encomendadas e enquanto eu as retiraria na loja e veria algumas diversas outras coisas, o quarto seria arrumado. Três das paredes já eram brancas, o quarto estava até bem organizado, o que seria feito além da limpeza seria colocar um papel de parede na maior, onde ficaria o berço.
Eu havia escolhido decorar com tons de rosa e roxo, cores que eu sabia serem uma ótima combinação que gostava. O pequeno guarda roupa das portas roxas seria montado agora pela manhã, e o berço seria o último, na maior correria sem dúvidas. Havia chamado Alex e combinado com ela pra que ficasse ali enquanto eu comprava tudo que faltava, pois não queria deixar os montadores e o moço do papel de parede sozinhos em casa.

Quando cheguei à loja, a vendedora me reconhecera e logo viera ao meu encontro. Passei tanto tempo a enchendo naquele lugar que acredito que na verdade todos ali me reconheceriam, era tão difícil escolher cores, e berços e qualquer coisa assim. Assinei todos os papéis depois de checar cada detalhe das peças que seriam montadas e conferir todo o pagamento, então tudo foi liberado e eu caminhei até a loja onde havia comprado o guarda roupa para finalizar o mesmo processo.

Algumas horas depois, logo após os minutos que tirei para um rápido almoço, entrei em uma loja de enxovais e ali acreditei que realmente me perderia. Era tudo tão lindo, e tão incrível. Comecei olhando o jogo de berço e mesmo que me matasse depois, eu o escolheria todo branco, porque havia acabado de ver um lindo voal rosa para colocar em volta, e ele ficaria simplesmente incrível com a decoração. Achei que demoraria mais, porém, estava tão lindo daquela forma que não tinha muito o que me decidir. Quando me aproximei do caixa, encontrei a sessão de bolsas e me lembrei da saída da maternidade, ali eu realmente me perdi.
Depois de uns 10 minutos e várias opiniões de mães que estavam ali, escolhi uma bege, simples com desenho de ursinho, de um tamanho razoavelmente grande, pois elas diziam ser necessário ter bastante espaço. Agradeci e me dirigi até a sessão de roupas para saída, como estaríamos no inverno, tinha que escolher algo bem quentinho. Claro, eu passaria na loja de roupas e compraria várias coisas que acreditava serem legais pra encher aquela bolsa e mais casacos quentinhos, porém a saída da maternidade seria algo simples e lindo. Depois de mais alguns minutos rodando por entre as araras e olhando roupas rosas, vermelhas, azuis e até pretas, encontrei uma no tom de roxo, bem puxado para o escuro, que ficaria linda. Eu mal podia esperar para vê-la vestida com aquela roupa. E esperava que gostasse tanto quanto eu.

Depois de parar em uma loja e fazer mais uma dívida, comprando a pequena cômoda que já seria entregue montada, consegui chegar em casa. Olhei o horário e notei que estaria ali em uma hora, esperava que tudo lá dentro já estivesse nos conformes.
- , que bom gosto! – Alex bateu palmas, animada quando entrei em casa. Ela estava no corredor, próxima a porta do quarto que estava sendo montado, de onde era possível ouvir barulhos.
- Ficou legal? – perguntei, ansioso.
- Ficou incrível! – antes que eu pudesse ir até o quarto, ouvi a campainha e atendi, agradecendo a Deus a rapidez da loja e minha ideia de comprar na mais perto possível, a cômoda já estava ali. Agradeci os entregadores que eu já havia deixado avisado na portaria que subiriam. – Que linda!
Alex elogiou o móvel, que assim como o berço e o guarda roupa, era branco, mas tinha seu detalhe encantador, uma porta no mesmo tom do papel de parede escolhido. Não sabia que eu levava jeito para decoração, mas estava sendo muito divertido. E ver a expressão de quando chegasse seria a melhor coisa do mundo.

- Querido, cheguei! – disse estridentemente, brincando. Sai do quarto, carregando comigo tudo que eu usava para terminar de limpá-lo e escondendo. Cheguei até a sala e encontrei a garota jogada no sofá, acariciando a própria barriga. – Sophie está pulando tanto hoje! Acho que ela sabe que é aniversário do papai. – ela disse quando me viu. Andei até ela e lhe dei um selinho, logo cumprimentando também Sophie, para que ela não ficasse com ciúmes da mãe.
Nunca imaginei que um dia eu poderia ser tão babão como estava sendo. As pessoas brincam sobre ser o primeiro filho ou chamam de pai de primeira viagem, mas eu não acredito que as coisas seriam diferentes se viessem mais dois, três, ou vinte filhos. A sensação de ter alguém no mundo por sua causa era indescritível. Saber que existia alguém que você poderia amar incondicionalmente antes mesmo de conhecer, era alguém que você nunca precisara ter ideia de que existiria para ter certeza que era seu destino, e que dali pra frente aquela coisinha pequenininha dependeria de você até que pudesse se virar por si próprio.
- Posso tomar um banho e então decidimos o que fazer? – perguntei, já sabendo que ela me chamaria pra fazer qualquer coisa, afinal, eu estava ficando velho. Ela assentiu e eu corri para o banheiro, ansiando por tomar o banho mais rápido da vida, pra poder mostrar logo a ela o que eu havia aprontado.

- , vem cá, por favor! – gritei, saindo do banheiro.
- Ah, eu tô cansada!
- Por favor. – gritei novamente e a ouvi resmungando enquanto levantava do sofá.
- Diz. – a abracei e ela amoleceu, deixando com que eu a apertasse em meus braços.
- Grossa! – reclamei e ela riu. – A gente não pode sair pra comprar as coisas do quarto da Sophie?
- Essa hora? As lojas já fecharam, !
- Pode ser amanhã. - dei de ombros e ela sorriu.
- Vai ser incrível escolher as coisas, mas to tão gigante que não me aguento mais em pé. E só estou indo pro sétimo mês, ainda vão faltar dois.
- Quer olhar o quarto? Pra gente decidir o que comprar, como colocar as coisas... - perguntei, ansioso pra que ela abrisse a porta que estava ao nosso lado.
- Pode ser mais tarde? Não podemos sair para comer? Tô morta de fome – ela disse e eu fiz bico, triste. Sabia que ela estava mal, mas queria tanto que ela se empolgasse tanto quanto eu.
- Tudo bem. - assenti. Quando voltássemos ela poderia olhar e aproveitar o momento, da mesma forma.

- ! - ouvi o grito de e me assustei quando olhei e a vi parada ao meu lado, com a porta do quarto aberta.
Olhei para baixo e vi que estava vestindo apenas minha cueca e estava com um moletom por cima de sua roupa íntima também. Havíamos saído e quando chegamos estávamos tão cansados que não olhamos nada, a garota estava com os hormônios à flor da pele, como sempre, e quis apenas aproveitar um momento só nosso antes de nos rendermos ao sono.
- Aconteceu alguma coisa? Tá nascendo? - pulei, desesperado.
- O que você fez? - ela se sentou ao meu lado e pude ver seus olhos brilharem a meia luz da lua que invadia a fresta da cortina em nosso quarto. - Quando você fez isso?
- Ah! - escondi meu rosto em seu peito e ela acariciou meus cabelos.
- , ficou maravilhoso! Vem aqui! - ela levantou e puxou minha mão para que eu a seguisse. Vi o quarto com a porta aberta e pude olhá-lo agora com calma e tranquilidade, arrumado e limpo. Havia ficado algo extremamente delicado e feminino, mas não tinha tons enjoativos como muitas vezes acontecia. Mais uma vez, eu não entendia nada disso, mas ao meu gosto estava incrível e pelo sorriso de minha noiva, ela estava apaixonada.
- Você gostou mesmo? - perguntei, ansioso.
- Eu amei! - ela dizia de boca aberta, observando cada detalhe, abrindo portas e gavetas e puxando todas as roupas de dentro da mala de saída do hospital para abraçar e sentir o cheiro de novo.
- Por que você estava aqui? - perguntei, a abraçando pelas costas.
- Não conseguia dormir, fiquei acelerada quando lembrei que você comentou de comprar as coisas. - ela deu de ombros e se virou para mim, me encarando.
- Você é a melhor pessoa do mundo, sabia? Obrigada, . - recebi um beijo na ponta do meu nariz e por mais incômodo que pudesse ser, a puxei para meu colo, tirando-a do chão.
- Acho que eu que devo agradecer, não? - olhei para sua barriga e ela sorriu junto a mim.
- Mal posso esperar pelo casamento. Acho que estou ficando ansiosa.
- Nem me fale, você vai ficar tão linda. - falei, imaginando de vestido branco, entrando na igreja, com a barriga mais redondinha do que já estava. Ela seria a noiva mais linda desse mundo, sem dúvida alguma.

"I believe in you, you know the door to my very soul. You're the light in my deepest darkest hour. You're my saviour when I fall." (Bee Gees – How Deep Is Your Love - 1977.)

Olhei para o espelho em minha frente e ajeitei minha gravata, respirando fundo. Ouvi o barulho da porta abrir e sem tirar meus olhos do espelho pude ver o reflexo de Robert entrando na sala onde eu terminava de me arrumar.
- Como você está? - perguntamos juntos e então rimos.
- Eu estou bem, um pouco nervoso, talvez. Não é como se ela fosse me largar e sair correndo, mas acho que o frio na barriga é mais que normal, não é? - perguntei.
- Sem dúvida alguma, . Eu estou tão nervoso, parece que sou eu que vou me casar. Eu nem consigo acreditar nisso, sabe? Você vai se casar com , quando na minha vida eu imaginaria isso? - vi seus olhos se encherem de lágrimas e o abracei, sem medo algum de amarrotar minha roupa, era um ótimo motivo pra isso. - Só não vou chorar tudo aqui falando com você, porque tenho que guardar para meu discurso de padrinho.
- E não se esqueça que tem a dança de pai e filha pra chorar também.
- Ah, meu Deus, hoje eu vou inundar a igreja, o salão, minha casa! - Robert riu e bateu em minhas costas. - Só espero que você aproveite, porque é um momento incrível e você nunca vai esquecer desse dia.
- Robbie, como ela está? - perguntei.
- Simplesmente incrível. - vi lágrimas se juntarem em seus olhos e ele se virou para trás, indo em direção a porta – Acredite, você vai chorar apenas de vê-la, assim como eu o fiz.
Me lembrei da noite anterior, quando Emma chegou em casa por volta das sete da noite aos gritos com Alex, procurando por .

A garota saiu do quarto correndo e as encontrou cheia de coisas na sala como um véu de brincadeira. Quando as encontrei, elas o colocavam na cabeça de minha noiva e as enrolavam em papel higiênico enquanto ela gargalhava desesperadamente.
- O que é isso? Pensei que tínhamos combinado que ninguém aqui quer se despedir de nada. – falou para as duas.
- E não vai! Não é uma despedida, mas você sabe que o noivo e a noiva devem ficar separados na noite antes do casamento, huh?
- Mãe, não precisamos de sorte. Nem todo azar do mundo separa isso aqui. – ela rolou os olhos e a mãe fez o mesmo.
- Vamos embora, querida, amanhã vocês se encontram.
- Você não vai desistir, né? – perguntei a Emma e ela negou. – Tudo bem, . – coloquei uma mecha atrás de seu cabelo e a abracei. – Pega suas coisas e vai logo antes que elas destruam nossa casa! – ri e a afastei de meu corpo para que pudesse olhar em seus olhos. – Nos vemos no altar? – ela assentiu, com um grande sorriso e me beijou. Assim que nos afastamos me curvei e beijei sua barriga, dando adeus também para Sophie.

Quando acordei hoje, com o pouco que consegui dormir, meu irmão já batia em minha porta, pronto pra me encher o saco junto a meu pai. Nunca imaginei que pudesse ficar tão ansioso na vida, afinal, a ansiedade do casamento se juntava ao pouco tempo que faltava para que minha filha nascesse e tudo parecia estar se tornando perfeito com a maior rapidez que poderia.

- Você está pronto? – minha mãe entrou na sala com lágrimas em seus olhos, que eu sabia que não ficariam ali por muito tempo. – Ela já chegou. – me levantei da cadeira em que havia ficado sentado por um longo tempo após Robert sair e caminhei em direção a ela, a abraçando. – Você está lindo, meu amor! – ela beijou minha bochecha demoradamente e se afastou, dando uma última ajeitada em minha gravata.
- Como ela está? – perguntei também a minha mãe, curioso.
- Largue de ser curioso, em poucos minutos você verá. – ela piscou e riu, provavelmente da expressão que eu fizera. – Ela está tão linda grávida, . Queria ter estado aqui para acompanhar. – seus olhos começaram a se encher de água novamente e eu as limpei no mesmo segundo em que elas escorreram.
- Você está aqui agora, mamãe.
- E não vou embora até minha neta nascer! Vocês terão que aguentar a mim, Emma e Robert, um bando de babões! – ela riu e respirou fundo. Minha mãe era um tanto quanto ansiosa, e havia alugado um quarto próximo a minha casa e de , para ficar durante alguns meses invés de retornar para casa. Ela dizia que já havia perdido muito, e ter alguém por perto seria sempre ótimo para nós dois, mas avisou desde quando tivera a ideia que não ficaria em nossa casa, pois era um momento em que precisaríamos de privacidade. – Vamos, querido? – ela perguntou, me tirando de meu transe e eu apenas assenti, pegando meu celular de cima da cadeira e andando até a porta para acompanhá-la.
Fechei a porta daquela pequena sala e pensei que quando voltasse ali pra buscar minhas coisas, estaria casado. Sai com um grande sorriso no rosto e meu nervoso começou a esvair em meus passos já que assim que sai pela porta tropecei, quase indo de encontro ao chão e fazendo minha mãe rir desesperadamente.
- É filho, chegou a hora. – ela disse quando parou ao meu lado me ajudando a me recuperar.

Pelo canto da igreja pude ver as diversas pessoas sentadas, aguardando nosso momento. Vi minha família misturada com a família de , bem na frente do altar, e vi também nossos amigos tirando diversas fotos e rindo, mais ao fundo. Os bancos estavam quase inteiramente preenchidos e poucas pessoas estavam desacompanhadas, então o volume de vozes ecoando pela igreja era alto.
Vi a responsável pela organização me chamar com um sorriso no rosto e andei até ela, pisando para fora da igreja. Encarei a rua que estava cheia de carros, mas não tinha sequer uma pessoa andando. Parei em frente à porta central e fiquei olhando para seus vidros ladrilhados e coloridos como um mosaico, enquanto ouvia vagamente as instruções de Valerie, que pedia pra que eu entrasse devagar, principalmente, pra que as fotos ficassem boas. Procurei por minha mãe, que havia deixado meu lado por alguns segundos pra falar algo para alguém e a vi vindo em minha direção, atravessando a fila de padrinhos e madrinhas que se formava na lateral esquerda. Todos acenavam cheio de sorrisos para mim e eu apenas balancei minha mão na direção deles, pois naquele momento eu não conseguia pensar em nada, eu só queria entrar logo ali e ver atravessar aquela porta o mais rápido possível, direto para meus braços.
Minha mãe entrelaçou seu braço ao meu e pude sentir Valerie dar um leve empurrão em minhas costas quando ouvi o instrumental da música Secrets do One Republic ecoar pela igreja e a porta em minha frente se abrir, revelando aquele caminho, que parecia mais longo que o normal, até o altar. Minhas pernas tremiam e parecia que eu nunca alcançaria o final daquela caminhada, mas tentei colocar um sorriso em meu rosto, que provavelmente parecia mais nervoso do que feliz, e me apoiar em minha mãe, que parecia já ter dado início ao seu mar de lágrimas.
Parei em frente ao altar e me curvei, antes de me tornar para minha mãe e abraçá-la, sentindo suas lágrimas cada vez mais rápidas e seu corpo amolecido junto ao meu. Segurei seu rosto e a coloquei olhando em meus olhos, antes que ela se afastasse para tomar seu lugar na igreja.
- Eu amo você. – falei e ela assentiu, como em concordância. Imaginei que ela não queria falar nada ali, naquele minuto, então apenas beijei sua testa e ela limpou os olhos com um lencinho, se afastando e andando até seu lugar.
Cumprimentei o padre que chegava ao seu lugar com um aceno de cabeça e me virei para frente da igreja, vendo a porta ser aberta mais uma vez para que os padrinhos entrassem. A música que havia escolhido tocava enquanto todos entravam, casal por casal, lentamente. Alex entrara sozinha, pois era a madrinha de honra de e assim, deveria entrar com meu padrinho de honra, porém, Robert não poderia entrar ali agora, afinal, ele tinha uma filha para casar. Sorri para todos que passaram por mim, os meninos me desejando sorte e as garotas tentando controlar as lágrimas que já pareciam querer cair. Fiquei me perguntando se choraria, pois parecia que todo casamento era obrigatório. Eu nunca havia ido a um casamento, o que me fez notar que se eu fosse uma pessoa chorona e emotiva, estrearia esse fato no meu próprio dia.

Depois de um longo tempo parado, criando um buraco no chão de tanto que balançava meu peso de um lado para outro, vi Valerie dar um sinal para a banda e as portas centrais se fecharem. Meu coração parecia parar naquele minuto e acreditei que não estaria vivo nem mesmo para o meu próprio casamento, pois não era possível aguentar toda aquela ansiedade que parecia dançar com a minha alma. Fiquei olhando atentamente para o vidro, esperando ver Robert e posicionados, procurando por qualquer spoiler que fosse, mas vi uma cortina longa e vermelha se fechar, grudada aos belos mosaicos da porta, provavelmente a prova de noivos curiosos como eu.
Eu esperava tanto por ver minha noiva, que nem mesmo me dei conta quando a marcha nupcial tomou o local. Meus olhos estavam fixados naquele corredor imenso que nos separava e minha mente me enganava segundo a segundo, tirando aquela cortina de minha frente e me fazendo imaginar diversas imagens diferentes. Quando aquele amontoado de panos foi puxado, pude ver um borrão branco pintado por detrás do vidro, antes que a porta se abrisse, mostrando Robert com os braços entrelaçados a uma magnífica.
Ela já havia chorado. Eu sabia disso. Quando as portas se abriram, eu vi seus olhos vermelhos e os meus automaticamente se encheram de lágrimas. Robert já tinha o rosto vermelho, provavelmente tentando ser forte, mas os dois caminhavam com o maior sorriso que existia. estava incrível, seu vestido era simples, com rendas nas mangas compridas e apesar de saber que ela havia considerado, ela não pudera abandonar o clássico vestido de noiva, com uma bela armação. O busto do vestido possuía detalhes delicados, com um pouco de brilho, e esses detalhes se estendiam até sua cintura, onde havia uma faixa fina, de um tom prateado. Eu não conseguia ver seus pés, mas sabia que ela provavelmente usava uma sapatilha, normalmente a garota já não usava muitos saltos, quem dirá aguentando seu peso, o do vestido e de mais uma pessoa.
Mas entre tudo que poderia ser observado e cada detalhe que eu pudesse ali descrever, o mais belo de todos era a cena por inteiro. Ela estava ali, vestida de noiva, com seus olhos brilhando e com aquele detalhe mais que especial, que me emocionava a cada segundo de cada dia que se passava pelos últimos meses. Sua barriguinha redonda era marcada pelo tecido fino do vestido e deixava ela mais aparente do que qualquer outra roupa já fizera, e eu imaginava que todos encaravam aquela cena com a mesma felicidade e emoção que eu fazia, pois eu nunca cansaria de me dizer como aquele era o momento da minha vida, nunca.
Quando Robert e chegaram em minha frente, ele soltou seu braço do da garota e olhou-a por alguns segundos, antes de beijar sua testa e então se dirigir a mim. Ele se aproximou e me abraçou, logo me deixando e pegando a mão da filha para colocar junto a minha que se esticava em sua direção. Quando nossas mãos se tocaram eu finalmente pude encará-la de perto e seus lábios se contraíram como em um momento de vergonha e eu percebi que ela estava em seu modo tímida, que quase nunca acontecia, muito menos ao meu lado. Olhei para Robert e balancei a cabeça, em agradecimento, ele então andou para o lado, como se fosse se sentar no primeiro banco da igreja, mas então bateu com a mão na testa e deu meia volta, subindo a escada do altar para se posicionar próximo de onde eu ficaria, no seu lugar de padrinho. A igreja riu e só pude distinguir aquilo por conta do som, pois meus olhos não se desviaram dos de para a multidão, parecia impossível que eu visse qualquer coisa além dela naquele ângulo.
- Oi. - sorri para ela, que fez o mesmo, abaixando a cabeça.
- Olá. - seus olhos se levantaram novamente em minha direção e eu levei minhas mãos para sua barriga, acariciando, e me aproximei de seu rosto, deixando um beijo em sua testa.
- Você está linda. - sussurrei e a vi corar, abaixando sua cabeça mais uma vez. - Acho que deveríamos ir ali casar, não? - olhei rapidamente em volta e percebi que todos nos encaravam e o padre nos esperava, com um sorriso no rosto.
Ela colocou a mão livre sobre o rosto o escondendo e concordou. Sua outra mão segurava um lindo buquê de rosas, pois por mais clichê que fosse, aquelas eram suas flores preferidas e ela disse que não poderia usar qualquer outro arranjo naquele momento, fora difícil até mesmo fazê-la concordar que toda a decoração da igreja não deveria ser em rosas. Alex se aproximou de nós e pegou o buquê das mãos de , então subimos no altar e a garota ajudou minha noiva a arrumar sua enorme calda enquanto nos ajoelhávamos no almofadado em frente ao padre.
- Boa tarde. – disse ele. – Hoje estamos aqui para presenciar a união de e , em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. – fizemos o sinal junto a ele e então minha mão encontrou a de entre nossos corpos e ela as apertou, virando levemente seu rosto para mim e sorrindo mais uma vez.

- O casal escreveu seus votos? - o padre perguntou próximo a nós, afastando sua boca do microfone assim que havia terminado a homília. Eu e balançamos a cabeça, incertos.
- Você não escreveu? – perguntei e ela negou, rindo e apontou para a cabeça.
- Tá tudo aqui. – seu sorriso aumentou. – Você não escreveu? – arqueou as sobrancelhas.
- Tá tudo aqui. – repeti o que ela havia feito e o padre riu, voltando-se para a igreja.
- Por favor, fiquemos todos em pé para testemunhar os votos do casal. – todos se levantaram e eu e nos viramos de frente um para o outro, então ele nos entregou o microfone.
- Começa. – disse. – Falei primeiro. – dei de ombros e ela rolou os olhos, rindo.
- Estamos casando, isso não é o jardim de infância. Mas tudo bem. – ela posicionou o microfone em sua boca e respirou fundo, pensando.
“Como sempre todo mundo diz, eu não tenho ideia do que falar. Meus olhos enchem de água apenas de pensar em qualquer coisa relacionada a nós dois. Todo mundo que tá aqui é prova de tudo que aconteceu entre nós, e apesar de muitos conhecerem nossa história, ninguém tem a mínima noção dos sentimentos envolvidos e como foi algo completamente fora do normal e difícil pra que nós aceitássemos, principalmente para você.
Eu ainda tenho a impressão, sabe? De que as pessoas nos olham e sabem que existe uma pequena diferença de idade aqui, e elas julgam isso, mesmo sabendo o quão feio é, e é engraçado, porque é só ficar ao nosso lado por dois minutos para saber que ela não significa realmente nada. Você é a pessoa mais criança que eu já conheci, e você tem um dom maravilhoso de me fazer bem desde que nos conhecemos, há, não sei, dez anos atrás? Eu era uma criança, , eu estava passando pelo pior momento de todos, e você estava lá, junto comigo. Era apenas o amigo do meu pai, um chato do escritório, e estava lá para mim, de uma forma que além de você, só ele estava. Depois dessa fase, você esteve ao meu lado no momento mais confuso de uma adolescente, você correu atrás de uma faculdade comigo, me ajudou a escolher meu curso, visitou casas e mais casas até que eu encontrasse Alex. Você aceitou ficar longe de mim, mesmo sabendo que isso mataria nós dois de saudades, sempre pensando no futuro. E, bom, você está aqui ao meu lado ainda.
Eu acredito que o maior voto que eu posso fazer aqui, a forma que eu melhor posso me entregar pra te retribuir por tudo que você já fez por mim, é te dizendo que eu vou estar aqui por você da mesma forma em que você me acolheu nos seus braços sem nem ao menos me conhecer direito. Meu maior voto é me tornar uma pessoa como você, para você. Eu sei que você vai dizer que já sou, mas eu te tenho em um pedestal, sabe? Seu coração é incrivelmente maravilhoso e você é tão honesto e bom, que chega a dar raiva. Não digo que você não tenha defeitos, afinal, você deixa a toalha molhada em cima da cama, mas eu queria ser metade da pessoa que você é, e espero que eu consiga um dia te fazer tão bem quanto você me faz.
Me casar com você é realizar um sonho de infância, quando você vê os filmes das princesas e sonha em encontrar aquele cara maravilhoso, ter o casamento dos sonhos, ter filhos, cantar com os pássaros... Casar com você é isso, uma felicidade sem fim que pode ser comparada aos filmes mais sonhadores que crescemos acreditando, nem que seja um pouquinho. Você é a parte mais incrível de mim, e eu nunca vou cansar de te agradecer, seja entre nós dois, ou aqui em frente a todos, com Deus como testemunha do nosso amor. Sei que nós nunca fizemos planos, não exatamente, mas acredito que você mesmo com o pé atrás, sabia tanto quanto eu que chegaríamos aqui, nesse momento. Eu amo você, .”
Algumas lágrimas teimosas escorriam em meu rosto, assim como o de estava todo molhado e seus votos haviam sido marcados por soluços por entre seu choro. Olhei em volta e todos pareciam emocionados, minha mãe chorava copiosamente encostada no ombro de meu pai, e uma tia de que nem era assim tão próxima, estava tão ruim quanto minha mãe. Limpei as lágrimas dos olhos de minha noiva e peguei o microfone de sua mão, respirando fundo antes de procurar palavras para começar. Juntei uma mão a sua, e a outra usei para levar o microfone em direção a minha boca.
- Eu acredito que acabei perdendo tudo que tinha pra falar depois disso, sem brincadeira. Eu até tinha alguma coisa planejada, mas parece impossível, eu só queria te abraçar a noite toda, bem apertado. Mas você me deu algo por onde começar, sabia? Vou começar pela parte em que me defendo, porque a toalha molhada na cama é só as vezes. - a igreja fez aquele alto som de pessoas rindo e vi revirar os olhos, negando com a cabeça. - Brincadeiras à parte, alguns dias atrás decidi procurar por votos de casamento no google. Errado, eu sei, mas foi só pra me deixar mais paranoico com todos aqueles sites sobre casamentos e diversos especialistas dizendo o quanto é a parte mais emocionante do dia e tudo mais. Eu enlouqueci, porque foi quando eu realmente vi onde estávamos, nesse dia vi aonde chegamos e parei pra refletir como tudo vem sendo uma loucura desde que nos conhecemos, mas como nós dois, juntos, tratamos tudo com a maior calmaria. Claro, entre gritos, problemas, e você brigando comigo pra que eu amadurecesse e assumisse o que sempre soubemos que poderíamos ser. Tenho certeza que muita gente deve pensar que o forte da relação fui eu, quando na verdade, você me acordou pra vida e tornou tudo isso que criamos possível. Se não fosse a sua maturidade, algo que tanto admiro em você desde que te conheci, nós não estaríamos juntos, não teríamos nossa casa, e não estaríamos nesse altar, fazendo votos diante de Deus, com a nossa pequena esperando para sair e construir de vez nossa família.
“Eu me lembro daquele dia em que você decidiu sair e ir pra algum lugar se distrair, e talvez eu não devesse falar disso aqui, - olhei para Robert e sorri para ele. – mas você foi parar na minha porta. Chorando, pensando que não era nada, e que nunca encontraria alguém, se achando feia, a coisa mais sem sentido que já ouvi. E olha na porta de quem você foi bater, pra me enlouquecer, é claro.
Naquele dia eu já sabia o que estava acontecendo, eu já notava as coisas se desenrolando, e acredito que você também, mas naquele dia eu surtei. Eu não dormi naquela noite, não porque o sofá era ruim e você havia tomado minha cama pra você, mas porque eu passei horas encarando o teto e pensando que aquilo era errado. Caramba , 08 anos a menos, eu nunca havia tido um relacionamento pra valer, e se fossem 08 anos a menos e só, estava tudo ok, mas não, ainda tinha o fator de ser filha do meu melhor amigo. Naquela noite eu tive certeza que eu deveria me mudar pra China, sumir desse país e nunca mais voltar. Mas como eu poderia fazer isso? Eu não podia me afastar de você, era algo impossível, então eu apenas fiquei e torci pra que tudo aquilo passasse e fosse só algo besta da minha cabeça.
Mas então, em outro dia, nós brigamos. Você gritou comigo, e me chamou de inseguro, e eu nunca vou esquecer isso, porque foi algo que me atingiu. Você me disse que eu não me aceitava, então eu nunca teria um relacionamento, e você estava certa. E você foi quem me ajudou a me aceitar, com uma única frase, você me ajudou a perceber que se o que a gente tinha era da proporção que eu sentia, o errado não seria continuar e ter medo do que os outros pensariam, o errado seria deixar isso pra trás. E ainda bem que você tem toda essa força que tem, porque se isso está acontecendo, é por sua causa, ."
- E agora, eu não consigo imaginar o que seria de mim sem você. – notei que meus olhos se enchiam de lágrimas e minha voz começava a falhar. – Sei que você sempre diz que eu te ensinei muita coisa e te ajudei em muita coisa, mas eu sinto que foi ao contrário. Você me ensinou a coisa mais incrível que alguém poderia, você me ensinou a amar, você me ensinou o que é ser amado e como tudo isso funciona.
"Você me mostrou o que é vibrar em ver uma mensagem no celular dizendo apenas “bom dia”. Você me mostrou o que é ser cuidado num dia de gripe. Você me mostrou o carinho de dividir um cobertor num dia frio, ou até mesmo um casaco, ou um guarda chuva. Depois de tanto tempo sozinho, você me mostrou que não existe nada melhor do que ter companhia. E sua companhia, é a melhor do mundo.
Aqui, eu só queria te pedir algo, queria muito que você continuasse a ser essa mulher incrível que fica ao meu lado até nos meus piores momentos, e nunca me deixa cair. Nós dois sabemos do que somos capazes e sabemos que não existe nada mais certo do que está acontecendo. Sempre fomos fortes um pelo outro, e agora tudo isso intensifica com a nossa união sendo firmada. Nosso futuro será incrível, pirralha. Eu, você e a nossa pirralhinha que vai ser idêntica a mãe, mais uma pra me enlouquecer."
Limpei as lágrimas que escorriam em meu rosto e tentei retomar minha voz para me aproximar dela e dizer que a amava, mas não foi possível. Minha voz parecia ter sumido, e então eu apenas abracei uma em soluços e toda a igreja se manteve em silêncio, como se respeitasse nosso momento.
- Temos uma bela união sendo formada aqui, diante do Pai. - o padre sorriu quando nos afastamos e conseguimos olhar novamente para ele. ainda tentava respirar fundo para retomar o ar, e toda a igreja já se encontrava sentada novamente. - e , os pergunto, é de livre e espontânea vontade que desejam se unir em matrimônio?
- Sim. - respondi prontamente, assim como minha noiva.
- Unindo-se em matrimônio, prometerão amor e fidelidade um ao outro. É por toda a vida que o prometeis?
- Sim.
- Estão dispostos a receber com amor os filhos que Deus vos confiar, educando-os na lei de Cristo e da Igreja?
- Sim. - falamos, automaticamente virando nossos olhos em direção a sua barriga, onde ela colocou sua mão livre.
- O padre então pediu para que uníssemos nossas mãos direitas, para selar nosso consentimento matrimonial, e repetíssemos a frase que ele dizia. Juntei minha mão a de , e então mantivemos nossos olhos uns nos outros.
- Eu, , te recebo, , por minha esposa e te prometo ser fiel, te amar e te respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida. - encarei o sorriso da mulher a cada palavra proferida, sorriso qual apenas aumentava a cada segundo.
- Eu, , te recebo, , por meu esposo e te prometo ser fiel, te amar e te respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.
Marry You, do Bruno Mars soou na igreja. achara completamente clichê aquela escolha, mas ela sabia que seria impossível utilizar outra música, aquela era uma de suas preferidas e não existia letra mais ideal. As portas da igreja se abriram e pudemos ver minha prima e o primo de entrando. A garotinha usava um vestido que lembrava o da noiva, e o pequeno parecia um pinguim, até mesmo no modo envergonhado em que atravessava o corredor. A menina trazia a almofada com as alianças e ao se aproximar, sorriu para nós dois, as estendendo. Cumprimentamos os pequenos com um beijo no rosto e eles saíram pela lateral.
A música seguiu tocando num som baixo e ambiente, enquanto o padre se preparava para dar sequência ao casamento e tentava controlar suas emoções enquanto apertava minha mão insistentemente.
- Deus abençoe estas alianças que entregarão um ao outro em sinal de amor e fidelidade. - ele então deu sequência, sussurrando baixinho as palavras que deveríamos repetir naquele momento como combinado. Era a hora, finalmente.
- , receba esta aliança em sinal do meu amor e da minha fidelidade. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. - pronunciei, deslizando a aliança por seu dedo.
- , receba esta aliança em sinal do meu amor e da minha fidelidade. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. - ela disse, fazendo o mesmo com a aliança, deslizando-a por meu dedo.
- Pelo poder investido a mim, eu os declaro marido e mulher. - olhei para , que mantinha um enorme sorriso no rosto assim como o meu e então virei meu corpo em direção ao dela novamente, sabendo o que viria em seguida, antes que a missa tivesse sua continuação para ser finalizada. - Pode beijar a noiva.
Juntei minhas mãos as de minha, agora, esposa e aproximei nossos corpos com um passo. Sorrimos um para o outro e em meio a aplausos e gritos que eu nem sabia se eram ideias para o local, nos beijamos calmamente.

- E agora, acompanhemos a primeira dança da noiva com seu pai. - ouvi o DJ dizer, e a música "I Loved Her First" soou no salão e pude ver no meio da pista, com a luz branca em seu rosto enquanto ela procurava pelo pai, que se aproximava por entre a multidão que nos cercava de encontro a ela.
Eu não sabia se algum dia poderia encontrar uma música que definisse melhor Robert. Quando procuramos por músicas especificas para diversos momentos, essa brilhou em nossos olhos, nós nem ao menos conhecíamos a música antes de procurar por algo tão especifico.

But I loved her first and I held her first (Mas eu a amei primeiro e a abracei primeiro.)
And a place in my heart will always be hers (E ela sempre terá um lugar em meu coração.)
From the first breath she breathed (Desde a primeira vez que ela respirou.)
When she first smiled at me (Quando ela me deu seu primeiro sorriso.)
I knew the love of a father runs deep (Eu soube o quão profundo é o amor de um pai.)
And I prayed that she'd find you someday (E eu rezei pra que ela te encontrasse algum dia.)
But its still hard to give her away (Mas ainda é difícil entregá-la)
I loved her first (Eu a amei primeiro)

Os dois valsavam pelo salão, em meio à roda de pessoas e eu aproveitei para puxar minha mãe para dançar comigo no canto onde eu estava. Enquanto eu me juntava a ela, observei Robert e , ela estava encostada em seu ombro e ele se apoiava na cabeça da garota e lágrimas rolavam livremente por seu rosto. Era impossível não se emocionar com a cena, a cumplicidade que podia ser observada entre os dois era algo que qualquer um invejaria, a ligação que eles tinham era normal entre pais e filhas por todo o mundo, mas eles tinham algo especial e era possível ver, só era difícil definir em palavras. Olhei para todos que estavam ali em volta e notei a emoção que eles passavam, pois todos pareciam estar se segurando para não chorar, com exceção de algumas pessoas que já haviam desistido. A música deixava o momento especial, a letra trazia uma sensação absurda para aquela cena, e quando ela chegou ao fim, Robert me procurava.
Beijei a testa de minha mãe e me afastei, indo em direção a Robert e . Ele passou a mão por seu rosto para se livrar das últimas lágrimas e então sorriu para mim, me entregando a mão direita de .
- Vamos aplaudir o casal da noite em sua primeira dança.
Todos em nossa volta gritaram e aplaudiram. O instrumental do tema de A Bela e a Fera começou a tocar e minha mão se colocou automaticamente na cintura da garota, aproximando nossos corpos. Olhei em seus olhos e sorri, recebendo o mesmo em retorno, de forma muito empolgada. Aquela música significava muito para a paixão de por animações e princesas, ela sempre dissera que usaria ela de alguma forma quando se casasse, então não tivemos muito o que decidir para aquele momento, não poderia fugir daquilo.
- Estou ansiosa pra ficar com você, e curtir nosso momento. - ela disse baixo, próxima a mim.
- Nem me fale, senhora . - utilizei meu sobrenome e vi suas bochechas ficarem vermelhas no mesmo instante. - Eu sei, também parece difícil de acreditar para mim. - dei de ombros e fiquei alguns segundos apenas curtindo o som da música e rodando por ali enquanto a luz do holofote nos acompanhava, assim como todos os olhares do salão.
- Eu te amo tanto, . Obrigada. - ela encostou sua cabeça em meu peito e mudou nossa posição, colocando seus dois braços ao redor de meu corpo e fazendo com que eu colocasse os meus ao redor dela. Senti sua respiração acelerada e sorri, beijando o topo de sua cabeça.
- Eu amo você, pirralha. Essa é nossa primeira dança, de muitas outras pelo resto da nossa vida. Sejam elas em salões, casamentos, bailes, na cozinha de casa, ou na sala enquanto a Sophie assiste algum desenho maluco na televisão.
Ouvi os últimos acordes da música sendo finalizados e afastei nossos corpos, curvando meu corpo e beijando sua barriga antes de me voltar a ela e finalizar nossa dança com um longo e delicado selinho.

- Boa noite. – Robert limpou a garganta e respirou fundo.
Eu e estávamos sentados em frente ao palco, com nossas mãos juntas em cima da mesa. já tinha seus olhos completamente vermelhos e confesso que os meus provavelmente não estavam longe. Alex já havia feito seu discurso emotivo assim como o da mãe de , e meu irmão havia feito seu discurso brincalhão. Meus pais foram rápidos e sucintos, fazendo piadas e chorando e nos fazendo chorar ao mesmo tempo. Minha mãe quase não conseguira falar, mas meu pai a empurrava delicadamente até que suas palavras saíssem.
Quando Robert pisara no palco, todos respiraram fundo e o silêncio tomou o lugar. Todos sabiam da importância que aquele momento teria. Era meu melhor amigo ali, e era também, o pai de minha esposa.
- Bem, eu não sei ao certo se estou aqui fazendo um discurso de pai da noiva ou de padrinho de honra, afinal, minha vida não poderia ser um pouquinho menos confusa, ou torturante. Todos sabem o quanto foi difícil pra que chegássemos até aqui, e confesso que nunca nem imaginei que chegaríamos a isso quando esses dois decidiram me contar que estavam juntos. Acredito que nunca me senti tão impotente na minha vida e ainda nem sei explicar pra alguém tudo que se passara por minha cabeça naquele dia. Vou tentar contar um pouquinho, mas me perdoem se em algum momento tudo parecer blá blá blá, não sei por quanto tempo meus olhos aguentam sem suar.
Bom, tinha . Meu funcionário exemplar, meu parceiro de escritório, o cara novinho do trabalho que saia pra beber comigo algumas vezes. Solitário, trabalhador, um grande amigo mesmo, que se tornara para esse velho, uma das poucas pessoas de confiança. Esse cara me ajudou nos piores momentos, em todas as crises e tropeços, e principalmente me ajudou no pior momento de todos com minha filha. Quando eu achava que tinha a perdido, que ela não sorriria mais, deixaria os estudos e desistiria de seguir em frente, ele apareceu e a ajudou a retomar a escola, e a se deixar sorrir e brincar novamente. Não saímos mais para beber, na maior parte do tempo ficávamos em minha casa comendo besteiras e jogando jogos, sempre distraindo . E ele nunca sequer reclamou. Apesar de ser um adulto, com sua vida feita, nunca se queixou uma única vez de deixar de lado uma saída com os amigos, para ficar em casa jogado comigo e minha filha. Ele e se deram bem desde o princípio e qualquer um podia ver a grande amizade que eles teriam dali em frente e como todas aquelas brincadeiras, estudos, jogos e conversas haviam feito bem para ela, como ele havia feito bem para ela. Da mesma forma que sempre me havia feito bem.”
- . – ele virou seu corpo direcionado ao lugar onde a filha estava, olhando em seus olhos. – Minha menininha, a garotinha que nasceu pra me deixar louco da cabeça e me dar todos os cabelos brancos que estão aqui. – ele apontou para a cabeça, indicando uma grande parte de fios grisalhos que haviam nascido nos últimos anos. – É difícil, sabe? – seus olhos começaram a marejar quando ele se virou novamente para o salão, olhando fixo para um ponto na parede do fundo. – É bem difícil esse momento para mim, ver minha pequena casando é algo fora do que sempre imaginei. Eu sabia que um dia ela cresceria e teria sua própria família, sairia de casa, casaria, teria filhos, mas para um pai esse momento parece nunca chegar. Você aproveita todos os minutos que tem com a criança, depois cuida ternamente na adolescência, vê todos os problemas da pior fase da vida desse ser humano, e simplesmente espera que tudo isso não passe. Que você possa ter só mais dois minutinhos com aquela pessoa que representa o mundo pra você, só mais dois minutinhos dela sendo toda sua e dependendo de você pra comer, pra aprender a andar, pra ser ensinada a falar, pra fazer uma lição de casa, ou ir para o shopping com as amigas, iniciar um trabalho, qualquer coisa. – chorava livremente ao meu lado, se apoiando em meu ombro e deixando com que seu peso ficasse solto em meu corpo. Robert a olhava e as lágrimas caiam cada vez mais rápido por seu rosto, emocionando a qualquer um ali com o momento em que pausou seu discurso, pois não era capaz de seguir naquela situação. – Mas então, esse moço se aproximou demais da minha filha, mais do que poderia ter dado liberdade pra ele. E eles ficaram próximos, e saiam pra cima e pra baixo juntos, sempre conversando e marcando diversas coisas em casa pra nós. Eu me senti a pessoa mais feliz do mundo de ver que voltava a vida, e a ajudava, o que me fazia melhor ainda já que era alguém em que eu confiava. E em seguida veio a notícia, aquele “boom” na sala da minha própria casa e os dois revelando que estavam namorando. Confesso, - ele riu – eu surtei. Eu não sabia o que fazer, eu não sabia o que pensar. Como minha garotinha podia estar namorando aquele marmanjo? Pelo amor de Deus, o garoto saia pra beber comigo há tão pouco tempo e agora estava por aí com a minha filha! Eu ainda o odeio por isso, filho, acredite. Eu tentei proibir , eu briguei com ela e eu falei coisas das quais eu me arrependo até hoje. Não digo que eu admito que estava errado, porque eu não estava, eu apenas me assustei e pensei só em mim, o quanto eu achava aquilo absurdo, o quanto eu não queria aquilo, sem nenhum momento pensar nos dois.
“E então as coisas foram ficando apenas piores, eu deixei de falar com a minha própria filha, e eu comecei a maltratar até mesmo no escritório, eu me tornei uma pessoa horrível por não apoiar minha própria filha, como se ela não soubesse o que estava fazendo da vida. Um pouco super protetor, talvez? – ele deu de ombros – Quando Phil, pai de , apareceu em minha porta eu me assustei. E me assustei mais ainda quando notei que ele estava ali para me ensinar a fazer meu papel de pai. Na hora, aquilo foi demais para mim e acredito que tenha o tratado com uma hostilidade que não condiz comigo, mas foi quase insuportável saber que ele viera de longe e estava ali com minhas duas pessoas preferidas no mundo, as apoiando e dando o suporte que eu não havia dado. Aquilo abriu meus olhos de uma forma incrível e então eu parei para fazer o que ele dissera, eu parei para observar os dois em pequenos momentos como sempre havia feito, e notei que eles pertenciam um ao outro. Notei que esse dia chegaria uma hora ou outra. – ele apontou para nós dois, fixando ali seu olhar. – Vocês completam um ao outro de uma forma que eu nunca vi em outro lugar além de filmes. Acredito que nem mesmo nos filmes seja assim. A diferença de idade de vocês que tanto afeta a todos e é sempre a mesma tecla batida, não significa nada, ouviram? Nada. Esse pequeno problema que todos, inclusive eu, enxergamos, não é nada comparado ao amor de vocês e a capacidade de serem companheiro um ao outro que vocês sempre tiveram. Eu me orgulho tanto de vocês, que realmente não é possível não chorar. Viver esse momento é um sonho pra vocês e é dividido comigo, porque ver as duas pessoas que mais amo nesse mundo se casando, é uma felicidade que não cabe no peito. – ele pegou a taça de champanhe que estava na mesa ao seu lado e a estendeu para o ar”. – Levantem suas taças, por favor. – vi mais algumas lágrimas rolarem por seu rosto. – Desejo a vocês tudo de melhor nessa nova fase, que vocês aprendam cada vez mais um com o outro e nunca deixem para trás todo esse amor que qualquer um pode ver em seus olhos. Brinquem, briguem, reclamem, e acima de tudo, se amem e se respeitem, porque essa é a base de um casamento. Ah, só mais uma coisa antes do brinde. Vocês serão excelentes pais, e eu tenho certeza absoluta disso, cuidem bem da minha Sophie. Eu amo vocês. Saúde! – ele brindou com todos do salão que levantavam suas taças e então desceu do palco, caminhando em nossa direção.
se levantou em um pulo e se jogou nos braços do pai. Me levantei e me aproximei dos dois, apenas observando a cena que era fotografada por todos os ângulos.
- Meu sonho é um dia ser um pai como você. – falei, o abraçando assim que ele largara . – Se eu um dia for metade do que você é, eu vou me sentir o pai mais feliz do mundo e saberei que Sophie terá um ótimo exemplo. Obrigado por tudo, Robbie.



Epílogo

“When you're one with the one you were meant to find, everything falls in place, all the stars align.” (Demi Lovato – Heart by Heart – 2013.)

- Tem certeza que a gente precisa comemorar o dia dos namorados? Eu tô cansada, . – falou, deitada no sofá com a barriga para cima. – Acredito que Sophie não está afim, ela está quieta.
- Mas não é Sophie que tem que estar afim, temos que comemorar ! A gente só vai sair pra comer, eu reservei, não vamos nem pegar fila. – fiz bico e ela estendeu a mão para mim, pedindo ajuda para levantar do sofá, o que havia se tornado comum para tudo já que sua barriga estava parecendo um balão prestes a explodir. Parecia que Sophie já iria nascer adulta, impossível.
- Você é muito chato, já faz dois meses que nem namorados somos mais. – ela deu de ombros e se jogou no meu pescoço quando a repreendi.
- É pior ainda, somos casados! E eu que sou chato. – rolei os olhos e ela sorriu, caminhando em direção ao quarto. – 15 minutos! – vi ela aparecer novamente no corredor.
- Me ajuda então? Por favor. – sorriu tímida e eu a acompanhei até o quarto.
estava no final da gestação, Sophie nasceria dali alguns dias e ela já não aguentava mais. Seu corpo não se aguentava mais em pé, ela vivia deitada de barriga para cima e nem mesmo tinha paciência para fazer qualquer coisa como ver tv ou ler um livro. Era algo absurdamente engraçado, mas minha esposa virara o Garfield, ela não gostava de lasanha, mas compensava no sono. Acho que eu nunca vira alguém dormir tanto assim na vida.
Ela se sentou na cama e eu a ajudei a colocar sua meia calça, pois o vento lá fora estava gelado, e logo em seguida joguei seu vestido de lã por cima de seu corpo. Ele possuía mangas compridas e a gola era um pouco alta, algo que adorava. Aquele vestido era incrível, havíamos comprado há pouco tempo e ele já ficara incrivelmente justo e isso a incomodava. Bom, não era como se tivéssemos muita opção, a essa altura do campeonato tudo a incomodava.

- Vamos? – ela assentiu e passamos pela porta. Me virei para trancá-la e logo estávamos no elevador, a caminho do carro.
- Se minha filha nascer com gripe, a culpa vai ser sua. – ela disse quando colocamos nosso corpo pra fora do prédio e o frio nos atingiu. – Tenho certeza que quando ela nascer, o médico vai bater na bunda e invés de chorar, a coitada vai espirrar. – ela rolou os olhos e eu gargalhei, fazendo com que ela me acompanhasse quando notou o que havia falado.
- Criatividade é tudo, por isso amo você! – ela riu e grudou em meu braço, tentando se aquecer até chegarmos ao carro.

- Boa noite, senhores. – o recepcionista disse quando nos aproximamos. – Reserva?
- Boa noite, está em nome de . – pisquei e ele logo entendeu, arrumando sua postura.
- O senhor Grimmes vai acompanhá-los. – ele apontou para o garçom que se aproximava.
- Obrigada. – sorriu agradecida.
Grimmes nos cumprimentou e então andou conosco por entre as pessoas, diversos casais apaixonados, taças de vinho que combinavam com aquele friozinho e pratos delicados, mas generosos e muito bem enfeitados.
Saímos do salão principal e o garçom nos levou escada acima, para um mezanino pouco utilizado, como havíamos combinado. Eu havia preparado uma surpresa clichê para , pois apesar de não realmente se importar com essas coisas, eu sabia que ela amaria e ficaria extremamente feliz.
Havia mais alguns casais ali, e quando chegamos ao final do corredor, encontramos nosso sofá. Era um assento simples, dois sofás e uma mesa, e o canto estava repleto de fotos nossas, desde o início do relacionamento até mesmo ao nosso casamento e fotos de sua gravidez. Algumas flores enfeitavam a mesa e um buquê a esperava no local onde ela sentaria, junto a um cartão.
Encarei e ela estava com um enorme sorriso no rosto, que era tampado pelas mãos que ela levara à boca, surpresa. Seus olhos brilhavam e ela revezava seu olhar entre meu rosto e a decoração, se dispersando também para o garçom que nos encarava feliz.
- Você gostou? - perguntei, ansioso.
- Isso é incrível, . - ela se aproximou e beijou meus lábios. - Obrigada!
- Vem, vamos sentar! - a puxei para próximo à mesa enquanto o garçom pegava os cardápios. Me sentei de um lado e esperei que ela se sentasse do outro, mas o que pude ver foi um sorriso brotando em seus lábios, delicadamente.
- , não se sente. - a encarei com as sobrancelhas arqueadas. - Acredito que alguém ficou com ciúmes e nosso dia acaba de ganhar uma companhia. - minha boca se abriu e o garçom se aproximou, olhando para o chão em volta de . - A bolsa estourou.
- Acredito que esse dia dos namorados ficará para daqui alguns anos! - eu ri e ela me encarou, rindo também.





Fim!



Nota da autora: E aí gente? O que acharam da surpresa de dia dos namorados? Eu tô completamente emocionada ter escrito isso! Eu estava morrendo de vontade de escrever um casamento, e esses pps são meus amores e sei que de muita gente, eu não podia deixar passar a oportunidade!
Não posso dizer que acaba por aqui, porque se alguém falar "A" eu continuo... Alguém acha melhor parar antes que eu fique compulsiva e escreva até os dois no asilo? HAHAHAHAHA Me digam se ficaram felizes, se choraram, se riram... Por favorrrr <3



Outras Fanfics:

Two Worlds Collide (Em Andamento/Harry Potter e Percy Jackson)

Shorts

04. She Will Be Loved
14. Maneira Errada (continuação de She Will Be Loved)
Mixtape: Uma Criança Com Seu Olhar 08. Two Worlds Collide


Nota da beta: Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


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