Última atualização: 18/07/2018
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Prólogo

Era quase fim do ano letivo em Hogwarts, a conceituada escola de magia e bruxaria, todos os alunos estavam com suas malas prontas, apenas aguardando o momento de ir para casa. Exceto e , eles não iriam para casa, eles passariam seus verões, como de costume há quatro anos, em um lugar um tanto quanto diferente: o Acampamento Meio Sangue.
e Woods. Primos, de todas as formas possíveis. Adolescentes um tanto quanto especiais. e têm 17 anos, entre eles apenas cinco dias de diferença. Tiveram uma infância um pouco atípica, em meio a estudos especiais e conversas sonhadoras com a avó.
Aos 11 anos, descobriram que as conversas não eram assim tão sonhadoras, quando encontraram corujas em sua porta, carregando cartas com os dizeres que mudariam suas vidas, estavam aceitos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, algo que a avó contou, havia sido herdado de seus filhos, a mãe de , e o pai de . Naquele dia, suas vidas mudaram, e a partir dali, passavam o período letivo aprendendo os mais variados tipos de magias. Estudavam a história da magia, aprendiam a se defender das artes das trevas com os mais variados feitiços, aprendiam poções, eram ensinados sobre as criaturas daquele mundo e até mesmo praticavam voo, em meio ao esporte bruxo, o quadribol.
Dois anos depois, no fim do ano letivo, foram novamente surpreendidos. A avó em seu leito de morte os contou a respeito de seus pais, a mãe de e o pai de . Eles descobriram que a avó não os ensinava sobre deuses mitológicos em vão, e que na verdade, eram descendentes deles. A senhora não sabia os dizer quais deuses exatamente, mas explicou que em algum momento eles descobririam, no chamado, Acampamento Meio Sangue, para onde deveriam ir em seus verões e tudo seria explicado. Antes de mais detalhes, infelizmente, senhora Woods não pôde resistir, deixando os netos inconsoláveis, mas com sua missão de vida completa. Ela sabia que eles resistiriam, a partir dali, tinham propósitos de vida dobrados.
Uma semana após a morte da senhora Woods, um sátiro os foi buscar, e logo descobriram que estariam indo para os Estados Unidos, mais especificamente, Long Island. Já tinham uma vida recém começada, e ali seria uma nova, pela segunda vez. Em sua chegada conheceram Quíron, o experiente centauro que era responsável pelo acampamento e os explicou tudo que deveriam saber sobre o acampamento, seu treinamento, seus verões, seus pais e porque ficariam no chalé de Hermes até serem reclamados por eles. Três semanas depois de sua chegada, foi reclamado como filho de Apolo, o deus do sol. E uma semana após ser reclamado, a prima teve seu momento, descobrindo ser filha de Atena, a deusa da sabedoria.
e são especiais, não tem alguém que possa dizer o contrário, mas não é como muito se imagina. Além de uma vida diferente, levam duas, o que aumenta as responsabilidades. Entender tudo entre bruxos e também entre semideuses. Aprender todas as histórias, ter todas as habilidades, correr perigos duas vezes. Mas eles têm um ao outro, e isso sempre os tranquilizou. Mas o que acontece quando esses mundos colidem?



Capítulo 01

Por

- , vamos logo, o Oliver e a Daisy estão esperando a gente! – ouvi falando na porta do dormitório feminino. O respondi com um “tô indo” saindo pela porta e dando de cara com ele. vestia uma calça jeans com uma camiseta vermelha e seu par de tênis pretos inseparáveis. Assim como eu, com meu par de tênis branco, em conjunto com uma calça jeans clara e camiseta azul.
- Não sei pra que tanta pressa, você é muito acelerado, . Eu estava arrumando minhas coisas, pra depois não fazer tudo em cima da hora.
- Nem acredito que já é verão de novo e já vamos voltar pro acampamento, já é nosso quinto ano como campistas e ainda me sinto empolgado.
- Também me sinto assim ainda, mas já me acostumei. Tenho que fazer um planejamento pro chalé, provavelmente vamos ficar cheios nesse verão como sempre.
- Você sempre reclama, mas sempre dá conta, meu chalé fica uma bagunça. Você bem que podia fazer um planejamento pra mim também, né?
- Posso pensar no seu caso, – dei um sorriso pra ele, enquanto passávamos pela saída do salão comunal da Corvinal, nossa casa.
Descemos rapidamente pelas estreitas escadas até a saída da torre, onde encontramos dois alunos do primeiro ano encarando a águia que ficava na aljava, tentando acertar o enigma necessário para entrar no salão comunal. Percebi a felicidade no olhar deles quando nos viram, parecia que esperavam há muito tempo até que a ajuda aparecesse.
- Oi, pessoal, qual o enigma? Querem ajuda? – prontamente se ofereceu, notando o mesmo que eu.
- “Um viajante se deparou com uma bifurcação na estrada em que estava, com caminhos para duas aldeias. Numa delas, as pessoas sempre contam mentiras, e na outra elas sempre dizem a verdade. O viajante precisa chegar na vila em que todos dizem a verdade, mas não existe nenhuma indicação de qual caminho ele deve seguir. Em frente à bifurcação, está um homem nativo de uma das duas aldeias. Depois de fazer uma pergunta ao homem, o viajante descobre qual caminho deve seguir. Qual pergunta o viajante fez ao homem?”
- Essa é fácil! Ele perguntou “Qual o caminho até sua aldeia?”. Se ele for mentiroso, vai apontar pra aldeia onde falam a verdade. Se for honesto, também! – respondi e rapidamente a porta se abriu, e o garoto e a garota que estavam ali agradeceram e entraram.
- Agora vamos logo, você sabe que a Daisy se irrita de ficar esperando!
Combinamos de nos encontrar em frente ao Salão Principal, para irmos até o jardim e aproveitarmos nosso tempo restante juntos. Daisy e Ollie eram um ano mais velhos que e eu, então esse era o fim de seu último ano.
Quando nos encontramos, nos cumprimentamos e seguimos nosso caminho até nosso lugar preferido, calados. Acredito que todos pensávamos o quanto era triste que nosso próximo ano não seria como os últimos, sempre juntos.
- Day, cuidado! – vi minha amiga puxar rapidamente sua varinha de seu bolso de trás e começar a olhar em volta. Comecei a rir, e todos ficaram sem entender minha reação.
- Parabéns, você foi aprovada no teste de perigos não perigosos! – disse batendo palmas – Eu só quis dizer que você estava prestes a se sentar em cima de uma lagarta! - , Daisy e Oliver se entreolharam e no instante seguinte estávamos todos rindo como se não houvesse amanhã.
Quando conseguimos parar de rir, nos sentamos e deixamos o silêncio prevalecer. Cada um tinha seus pensamentos, que pareciam atrapalhar nosso momento. Comecei a pensar o quão realmente estranho seria quando fosse só eu e , assim como no nosso primeiro ano, já que nos tornamos amigos de Daisy e Oliver apenas no segundo. Lembrei do nosso encontro num vagão do Expresso de Hogwarts, lembrei de todos os doces que compramos, e tudo que contamos de uma vez só sobre nossas vidas, como amigos de longa data. Desde então, éramos sempre nós quatro, o tempo todo.
- Vocês decidiram o que pretendem fazer? – quebrou o silêncio, direcionando a pergunta para os mais velhos, que agora deveriam escolher um caminho para seguir.
- Ah, eu não sei. Queria seguir algo relacionado a Herbologia, vocês sabem, é minha matéria preferida. Mas não tenho certeza nenhuma se é isso que quero. – Daisy disse de cabeça baixa, quase como um resmungo.
- Bom, eu queria ser jogador de quadribol, mas já sei que isso não vai acontecer – Ollie nos deu uma piscadela, e como sempre, nos tirou risadas. Era difícil se tornar um profissional no esporte, ainda mais quando se era o pior batedor da história da Lufa-Lufa, o menino não durou um jogo completo em seu terceiro ano – queria me aprofundar em poções, quem sabe um dia eu não lecione aqui.
- Se um dia eu tiver filhos, e eles me falarem que você é o professor, dou um jeito de mudar eles pra escola do outro lado do mundo! – todos riram, mas inevitavelmente o silêncio voltou a reinar – Pessoal, vamos lá, temos pouco tempo juntos! Vamos conversar, jogar alguma coisa, vamos aproveitar!
As horas passaram tão rápido, que logo nos vimos a caminho de pegar nossas coisas para partir com o Expresso de Hogwarts de volta a Londres.

Quando chegamos em Londres, com muito pesar nos despedimos de nossos amigos e seguimos caminhos diferentes. Ao atravessar a plataforma nos deparamos com um conhecido em frente a placa com o número nove, à nossa espera.
- Leo? O que você está fazendo aqui? – Leo era um sátiro, nosso amigo no Acampamento Meio Sangue.
- Eu vim buscá-los, temos que ir o mais rápido possível para o acampamento. Quíron me enviou já com nossas passagens compradas, e rezando para os deuses que o avião fizesse o voo mais rápido da história. – o sátiro falava desesperado já andando e nos puxando para o seguir.
- Mas o que aconteceu, Leo? – perguntei, curiosa com tanta pressa.
- É melhor Quíron explicar, eu não sei bem o que aconteceu, ou como. Ele só me disse que finalmente hoje vocês poderiam ir para o acampamento, nem me explicou porque não poderíamos ter os procurado antes.
A preocupação tomou conta de nossos rostos, e em silêncio seguimos Leo através da multidão, pegando um táxi até o aeroporto. De lá, seguiríamos para os Estados Unidos, e em algumas horas, estaríamos no Acampamento Meio Sangue, o lugar mais seguro no mundo para semideuses. Uma pena que eu tinha a sensação que dessa vez, não seria assim.


Por

Honestamente, não estava sendo o melhor fim de ano letivo de todos. O clima foi bem pesado na despedida de Ollie e Daisy, e mesmo que tivéssemos nos divertido um pouco no final da tarde, dizer até logo sem ter muita certeza de quando iríamos nos ver novamente era bem chato. Logicamente eu fiz o meu melhor para que ninguém ficasse para baixo, mas até eu não estava muito alegre com aquela ideia.
De qualquer forma, não tivemos tempo de remoer tais pensamentos. Assim que Leo surgiu nos informando a urgência de Quiron para voltarmos para a América, não hesitamos em partir. Não tínhamos muito quem avisar ou com o que se preocupar de qualquer forma, mas mandar um sátiro para outro país para nos buscar era, no mínimo, incomum.
No táxi, no avião e em diversos momentos que tivemos a oportunidade, eu realmente gostaria de perguntar para Leo o que estava acontecendo, mas estava claro que o sátiro não queria falar a respeito. O pobre garfo de prata que a aeromoça trouxe para ele durante o voo sentiu seu nervosismo. Ainda assim, não foi necessária a conexão empática para que eu e sentíssemos o receio do outro.
Após algumas horas, que nem foram tantas quantas eu esperava (acho que vovô Zeus estava de bom humor), chegamos a NYC. Um táxi foi o suficiente para nos levar até o acampamento e já estávamos acostumados com as explicações que tínhamos que dar aos taxistas quando eles estranhavam ficarmos no meio do nada.
Caminhamos floresta adentro, subindo a colina até chegarmos ao pinheiro de Thalia, onde o dragão Peleu... não estava? Era para ter um dragão logo abaixo do pinheiro, protegendo a árvore e o velocino que estava em seu galho mais baixo. Ao invés disso havia apenas... bom... outro dragão, mas esse não cuspia fogo e era filha de Ares.
- As estrelinhas do acampamento chegaram – provocou Harper, encostada no pinheiro mexendo na lâmina de sua espada.
- Não sabia que Peleu tinha uma afilhada. Cospe fogo também ou só parece com ele mesmo? – retrucou minha prima em seu tom irônico usual.
- Engraçadona a palhaça. Cadê a maquiagem?
- Ora sua... – ambas já estavam prestes a avançar uma no pescoço da outra, porém buscava sua varinha.
- Então chega de elogios. – intervi, segurando a mão de minha prima e encarando-a – Está querendo ser expulsa? – questionei de forma que eu não costumava fazer, afinal, ela é a responsável da dupla. Eu sou o pacifista e me orgulho disso.
- Nossa, grande merda. Ela tem uma varinha. Vai fazer o quê? Aparecer dignidade? – prosseguiu Harper de maneira bem madura. Apesar de ser uma garota de 17 anos, grande e com feições extremamente agressivas, característica do deus Ares, e possuir hostilidade desde suas cicatrizes na cara até o coturno que usava até o joelho, suas atitudes eram de uma menina de 12 anos.
- Chega, Harper. Vai falar qual é o motivo desse aqui estar comendo até tampinha de garrafa ou a gente vai ter que perguntar pra alguém mais inteligente? – questionei apontando para Leo, que observava a briga sem ter apreço nenhum por ela.
- Pra variar, vocês não sabem de nada – respondeu a menina, aparentemente não tão empolgada em me provocar – Houve um ataque no acampamento. Tudo durante a noite e sem ninguém perceber. Tivemos várias baixas, inclusive Peleu.
- Peleu? – espantei, imaginando como um dragão daquele porte poderia ser morto sem alarde.
- Peleu não morreu, diferente dos outros, amanheceu desacordado e aparentemente sem previsão de volta - a menina revirou os olhos com meu espanto, como se desdenhasse nossa existência para aquele lugar – O colocamos próximo ao lago, para tirá-lo daqui.
- Quem mais morreu? – perguntei, esperando alguma seriedade dela.
- Tenho cara de mensageira, por acaso? Pergunte a Quíron.
- Vaca... – disse .
- O que foi que você disse? – Harper colocou a mão na espada, espumando.
- Vaca! Espero que tenha vaca para o jantar, foi o que ela quis dizer – expliquei sorrindo para a garota e puxando minha prima pelo ombro – Obrigado, Harper. Você foi muito útil. Boa sorte no novo cargo de dragão. – conclui, já a uma distância segura da garota.

Chegando na sacada da casa grande, um homem adulto, com a barba mal feita e cabelos compridos mal cortados, estava sentado na cadeira de balanço, usando uma camisa de leopardo, bermudas de pescador e sandálias do estilo que meu avô provavelmente adoraria usar. Em sua mão havia uma lata de diet coke e ao seu lado uma garota estava parada, conversando com ele.
- Megan! – exclamou ao ver a amiga, indo abraçá-la.
- ! – respondeu Megan, indo de encontro a ela.
Ela era uma de nossas melhores amigas ali no acampamento, Megan Hill. Uma garota bem magra, de cabelos pretos e olhos escuros, e uma pele bem pálida. Costumava usar roupas de verão, como shorts e sandálias, semelhante ao seu pai, porém com mais estilo.
Dioniso, o cara da cadeira, era seu pai. Ele é o deus do vinho e tudo mais, mas nada de muito excitante nisso. Ele está ali só para cumprir uma pena por perseguir uma ninfa. Ainda assim, fazia o seu melhor para ferrar nossas vidas, ou pelo menos era o que parecia.
- Hey, ! – cumprimentou a menina, vindo até mim e me dando um beijo no rosto, porém de maneira menos eufórica do que as duas haviam feito.
- Hey, Maggie! – respondi, fazendo-a revirar os olhos por odiar esse apelido.
- Senhor, Dylton, senhorita Lyana, até que enfim chegaram. Mais um pouco e eu teria que punir vocês pela demora – disse Sr. D, que era como chamavam-no, fingindo precisar de um motivo para punição.
- e , pai. – Megan revirou os olhos. Todos descobriram há alguns anos que ele fazia propositalmente. Com qualquer semideus que passasse por ali.
- Que seja. Entrem logo, Quíron estava ansioso para a chegada de vocês.

Quíron é o diretor chefe do acampamento, juntamente ao Sr. D, porém ele realmente se importa conosco. É bem provável que todos já tenham ouvido falar dele, sobre como treinou Hércules e outros semideuses famosos, ele é um centauro muito bacana, com cabelos e barbas muito estilosos e uma cadeira de roda mágica bem... exótica.
- Bem-vindos, meus queridos – disse ele, sentado na cadeira que mencionei, ao lado da lareira – Até que enfim chegaram.
- Quíron! Quanto tempo – falei sorrindo e sentando-me no sofá perto dele, nem um pouco preocupado com modos – Como vão as coisas? – provavelmente a esse ponto já me encarava de maneira julgadora, como se questionasse de onde vinha tanta intimidade.
- Hum... péssimas, Sr. Woods. Precisamos conversar – respondeu o centauro de maneira desconfortável, agora mais focado em minha prima do que em mim, possivelmente porque ela parecia mais séria do que eu.
- O que houve, Quíron? – ela questionou preocupada.
Naquele momento, qualquer diversão que poderia pairar por ali anteriormente, cessou. Sr. D e Megan, que estavam juntos de nós, não pareciam muito confortáveis em ouvir a história novamente, mas o choque principal foi para nós dois.

- Como assim 157 campistas mortos? – exclamei, tentando não soar desesperado – É impossível isso passar despercebido, Quíron. De quais chalés?
- Todos, meu caro. Nenhum deus foi poupado e ninguém foi alertado. Tudo ocorreu durante a noite e só percebemos quando já era tarde demais – disse o homem de maneira pesarosa.
- Mas como eles foram mortos, Quíron? É preciso muita gente para fazer isso tudo – prosseguiu , tentando manter a calma, mas claramente chocada.
- Não sabemos, minha querida, mas não há uma gota de sangue. Apenas pararam de respirar, como se morressem dormindo – informou pensativo.
Fizemos silêncio por alguns segundos, tentando processar aquelas informações e, aparentemente minha prima sabia que eu não aguentaria as emoções e acabaria falando baboseiras demais, então interveio, mostrando alguma sensatez.
- O que faremos agora, Quíron?
- Honestamente, não sei, minha cara. Mas estávamos esperando que vocês chegassem para iniciar um conselho. Precisamos tomar decisões e, se for necessário, fazer algo que não consideramos há algum tempo... – ele deixou a dedução em aberto, mas todos sabíamos o que aquilo significava. O oráculo precisaria ser consultado.



Capítulo 02

Por

Fiquei pensativa sobre a necessidade de uma missão depois de tanto tempo de calmaria, mas entendia a necessidade e imaginava que não seria apenas uma missão, e sim várias, com a intenção de recrutar campistas. Se uma guerra estava por vir, precisaríamos de reforços.
Quíron mandou convocar os conselheiros dos outros chalés para um conselho, e então vi meu primo sair pela porta da Casa Grande para ir de chalé em chalé os chamando. Eu e Megan ajudamos Quíron a organizar a mesa, e nos sentamos em nossas respectivas cadeiras, dos chalés 06 e 12. Não demorou muito para que meu primo voltasse e se sentasse ao meu lado como responsável pelo chalé 07.
Esperamos até que todos estivessem ali, com exceção do conselheiro do chalé 14, que era habitado apenas por uma menina que infelizmente se fora com a grande perda de campistas. Harper se sentou ao lado de , nos lançando um olhar furioso ainda incomodada com nossa presença como todo ano.
- Bom, visto que todos estamos reunidos e levando em consideração os mais recentes acontecimentos, temos que tomar decisões que gerem precauções para nossa sobrevivência. Não sabemos o que aconteceu, ou como, mas todos perdemos família por mais distante que fosse. O que quero debater é a respeito de missões. Já faz algum tempo que não precisamos delas, mas talvez a hora tenha chegado.
"Vamos precisar de muitos campistas, pois os sátiros não dão conta de correr atrás de todos os semideuses e precisamos trazer novamente a vida para esse lugar. Talvez, seja até melhor todos estarem ocupados, quem sabe assim não ocupamos não somente nosso corpo, mas também nossa mente.
Como eu disse, vamos precisar de muitos campistas, para o recrutamento de semideuses, mas precisamos também de um meio sangue corajoso para liderar uma missão, levando consigo mais dois. Como não sabemos o que podemos vir a enfrentar, e em decorrência dos acontecimentos, peço para que esse meio sangue leve com ele, mais dois conselheiros, devido a experiência e ao psicológico que acreditamos ser mais bem preparado."
- Quíron, será que isso realmente é necessário? – disse Harley, filho de Afrodite.
- É claro que isso é necessário, Harley, você prefere esperar que matem o resto dos nossos campistas? – retrucou Harper, e nesse momento, eu tinha que concordar com a brutamontes.
- Harley, não vejo outra alternativa que não seja essa. Não podemos deixar que isso aconteça novamente, quem sabe o oráculo não tem algo a nos dizer – Quíron se remexeu, da maneira possível, em sua cadeira – Eu preciso de um voluntário, para liderar essa missão.
Nesse momento todos os conselheiros olharam para baixo, vi a filha de Nêmesis se encolher na cadeira dando as mãos para o filho de Niké ao seu lado e também Harper, a corajosa filha de Ares desviar dos olhares que pairavam sobre ela. Percebi o medo nos olhos de todos, então decidi me voluntariar, mas ao notar meu levantar de braço, fui estapeada por que me repreendeu com o olhar. Então escutamos uma voz que não esperávamos se proclamar.
- Eu vou – todos se surpreenderam ao ver Megan como voluntária, mas não havia surpresa maior que a de seu pai, que esperava poder manter os olhos sobre a filha em momentos de crise, já que havia acabado de perder os únicos outros dois filhos que tinha na grande baixa. Megan olhou para o pai e murmurou um “vou ficar bem, prometo” e vi Dioniso assentir. Era diferente vê-lo abaixando a guarda.
- Bom, todos estão dispensados por hora então, vamos esperar a profecia e assim decidir quem a acompanhará – vimos todos saírem pela porta, mas ficamos para trás, pois sabíamos que Megan precisaria de todo o apoio possível. – , , vão para seus chalés, tomem um banho e descansem, se necessário, chamaremos por vocês. – ordens são ordens, e eu realmente precisava de um pouco de descanso, apesar do medo de entrar no chalé e ver que havia perdido grandes amigos dali.

me acompanhou até a porta de meu chalé e logo entrei, sentindo o cheiro de livros que invadia meu olfato, como eu sentia falta daquilo. Não que a biblioteca de Hogwarts não fosse repleta de livros, mas era diferente, ali as paredes pareciam ser feitas com livros.
Assim que entrei, Autumn, uma garota de belos cabelos lisos e loiros dois anos mais jovem que eu, me atualizou sobre as baixas. Não posso negar que meus olhos se embargaram em lágrimas ao ouvir que tinha perdido algumas pessoas em especial, como Tracy e Nick, que eram donos do beliche ao lado da minha cama e me acompanhavam sempre em conversas noturnas.

Depois de muito lamentar e ser completamente atualizada, tomei um banho quente e deitei em minha cama, uma pena que nem pude chegar a dormir, pois logo em seguida, Yan estava me cutucando dizendo que me esperava do lado de fora.
- , me pediram pra te chamar, Quíron quer nós dois na Casa Grande – também havia tomado banho, e agora, assim como eu, vestia a camiseta laranja do Acampamento Meio Sangue.
- Tudo bem.
Caminhamos rapidamente até lá, parando no caminho apenas para cumprimentar alguns colegas como Judd, filha de Hefesto e Laurel, filha de Poseidon, que sempre formavam alianças conosco em dias de competições. Quando chegamos à Casa Grande, Quíron estava sentado próximo à lareira e Megan estava ao seu lado, tranquila, como se não tivesse acabado de conversar com um espírito verde falante que sabia de tudo, no corpo de uma jovem ruiva.
- Senhor e senhorita Woods, acredito que nem precisaremos dos outros campistas para essa conversa, afinal, pelo que entendo a profecia lhes diz tanto respeito quanto a nossa corajosa meio sangue aqui – disse Quíron indicando Megan, ainda calma.
Megan então se levantou e virou para nós, recitando a profecia que tinha ouvido há alguns minutos com um ar de interrogação no rosto.

“Heróis de dois mundos juntos lutarão,
Enquanto o filho da noite busca dominação.
O besouro parasita suga a idade,
E sobre a cria de Atena pesará a vaidade.

Sua integridade será questionada,

E a flecha maldita contra um amigo se voltará,
Mas o vinho sagrado é a chave principal,
Para a vitória do Olimpo ou seu suspiro final.”

- Quíron se assustou como se a profecia fosse integralmente sobre vocês, mas não vejo porque... Pode ser qualquer cria de Atena, flecha maldita pode vir de qualquer um e tudo mais... – Megan falou, ainda perdida.
Eu já não estava nada perdida, uma profecia pode ter muitos entendimentos e no final não significar nada do que pensávamos, mas eu sabia sobre o que aquela primeira linha falava. Ali, eu tive certeza de que não ter me deixado ser a líder nessa missão não mudava nada para e eu, nós iriamos de qualquer forma. A não ser que existisse um terceiro "mundo" que não conhecíamos, graças aos deuses.
- , acredito que você, assim como eu, já tenha entendido. E você, senhor Woods? – disse Quíron, e vimos afirmar com um aceno de cabeça, meio incerto.
- Será que vocês podem me explicar? – Megan perguntou, um pouco irritada.
- Senhorita Hill, e não são apenas semideuses. Eles também são parte de outro mundo, que por mais difícil que pareça, existe. Eles vivem em um mundo onde a magia existe e pode fazer coisas inimagináveis. Só não consigo entender como esses mundos podem estar prestes a batalhar juntos.
Megan ficou nos encarando com indagação. Ela ficou em silêncio durante um tempo, mesmo tempo em que todos nós ficamos pensando nas probabilidades que aquilo tinha de acontecer.
- Quíron, nós não podemos usar magia fora da escola ainda. O que podemos fazer? – então olhou para Megan, e percebi que ela ainda precisava de explicações – Meg, eu acho que vamos passar muito tempo juntos, prometo que vamos te explicar e contar tudo – ela então afirmou com a cabeça, entendendo que ali não tínhamos muito tempo que não fosse pensando em tudo.
- Bom, acho que vocês vão precisar recrutar além de semideuses, bruxos também. Talvez um número místico como o três que nos é certo em missões, não seja o ideal aqui.
Não sabia nem o que pensar, me sentei em uma cadeira que tinha por ali e logo senti que colocava sua mão sobre meu ombro como apoio. Não tínhamos ideia do que estava por vir, só podíamos esperar, nos planejar o máximo que desse e lutarmos lado a lado, como sempre.

Por


O chalé número 07 é uma luz em meio ao acampamento. Mesmo durante a noite o chalé parece ser energético e cheio de vida. Suas cores são amarelas e douradas tão fortes que, encarar muito pode ser o mesmo que encarar o sol, porém fazer isso é inevitável, uma vez que ao seu redor, diversas notas musicais estão esculpidas, junto com algumas harpas e liras, as quais realmente tocam músicas o dia todo e enchem o ar com alegria.
Naqueles últimos dias, porém, tudo estava parado por ali. O amarelo vivo parecia simplesmente mais uma tinta qualquer, e as harpas tocavam músicas lentas e pouco excitantes. As perdas haviam sido terríveis.
Assim que entrei no chalé fui até minha cama guardar algumas de minhas coisas e me trocar, porém antes disso minha companheira de chalé e meia irmã, Lucy, uma menina loira como ouro e extremamente amigável, veio me atualizar sobre os acontecimentos, perdemos tantas pessoas.
Quando ela mencionou o nome de Tyler, um recém-chegado de apenas 12 anos, meu coração partiu. O garoto tinha um futuro promissor. Havia acertado tantas flechas quanto eu em seus treinamentos, sem falar que era extremamente feliz e carismático. Quem quer que fizera isso, não só era uma pessoa horrível, mas iria pagar.

O dia havia sido longo, com reuniões, decisões e agora nada menos que uma profecia. Curiosidade sobre ser filho de Apolo: Você odeia profecias. Você, mais do que ninguém sabe que elas são reais. As palavras fazem um calafrio correr por seu corpo de tal maneira que, é como se fosse um grande spoiler sobre sua vida, porém de maneira enigmática. Eu já desisti de interpretá-las há anos, mas a primeira parte estava clara. Precisaríamos de bruxos e, principalmente, maior de 17 anos, que pudesse usar magia fora da escola.
Para nós, estava mais do que óbvio o que deveríamos fazer e quem deveríamos chamar. Oliver e Daisy eram as pessoas perfeitas.

Conversamos com Megan sobre nosso plano e sobre como deveríamos viajar para a Inglaterra para que a missão pudesse começar da maneira certa e por fim decidimos ir logo na manhã seguinte, assim que o sol raiasse.

Naquela noite, mal consegui dormir. Na segunda parte dela, quando finalmente peguei no sono, tive sonhos horríveis, como quase todo meio-sangue costuma ter. Dessa vez, porém, foi como nunca senti antes, como se o poder ou a força nesse sonho fosse tão real quanto uma espadada.
Eu estava em meu chalé, deitado e todas as camas estavam vazias, quando uma voz, grossa e desesperadora, surgiu em meu ouvido, preenchendo todo o quarto.
- Conheço seus medos, filho de Apolo - ela dizia e em cada palavra, mais fraco eu me sentia - Sei de suas preocupações! - ela prosseguiu, e quando olhei em volta, tudo havia desaparecido, exceto por minha cama - Sei quem você ama e sei quais são seus piores pesadelos - ela prosseguiu, fazendo surgir em minha frente alguns corpos deitados no chão. Pude reconhecê-los na hora. Da esquerda para a direita estavam Tyler, meu meio irmão recém assassinado, Oliver, Daisy, até mesmo meu pai, Apolo, e por fim minha prima .
- Não se preocupe, herói - a voz falou de maneira nada reconfortante - Não vou impedi-lo de me buscar - e nesse momento um pequeno inseto apareceu voando e pousou sobre Tyler no chão - Mas saiba que as pessoas dependem de mim para viver - aos poucos a pele de Tyler começou a se ressecar e perder a cor – E eu não permitirei que vocês tenham qualquer descanso enquanto tentarem me impedir! - e naquele momento, Tyler desintegrou como um monstro morto, deixando apenas cinzas para trás.

Pulei em minha cama, desesperado.
- TYLER! - Gritei, mas já era de manhã e todos já haviam levantado. Alguém batia em minha porta e fui verificar, ainda com as roupas de dormir. Ao abrir, era minha prima e ela já estava arrumada.
- Por Atena, . Você está fedendo mais que a Harper. Vai se arrumar - ela disse abanando o nariz - Está na hora!

Tomei banho, arrumei minha roupa para a missão e algumas reservas também, nunca se sabe, além de separar os itens que tinha que poderiam ser úteis: Saquinhos de sol instantâneo, presentes do papai, meu ukulele mágico que vira meu arco, alguns dracmas, água, ambrosia e por fim o sinalizador de Apolo. Nunca soubemos o que esse último item faz, mas é passado de conselheiro a conselheiro e sabemos que, quando chegar a hora, poderá salvar nossa vida.
Encontrei com e Megan no topo da colina meio-sangue e lá nos despedimos dos líderes do acampamento, marchando em direção à estrada para iniciarmos nossa jornada.
- Eu sei que é indelicado da minha parte comentar, mas minhas expectativas foram muito frustradas em relação a esse verão - comentei decepcionado, pensando na captura a bandeira e nos estandes de tiro ao alvo que nem cheguei a utilizar.
- Acredite, eu acho que o das vítimas também. - respondeu Megan de maneira delicada, mas deixando claro sua opinião. Me calei no mesmo instante me lembrando do sonho que tivera e imaginando o que aquilo poderia significar.
"Está tudo bem?" ouvi uma voz na minha cabeça e quando olhei para ela me encarava.
Nossa ligação empática não funcionava como um superpoder telepático ou algo assim, mas era como se conseguíssemos interpretar a emoção do outro em palavras nos nossos cérebros. Talvez ela não estivesse dizendo exatamente aquilo, mas seu sentimento era de preocupação. "Não é nada, depois te conto!" Afirmei, focando na estrada que se abria em nossa frente.

- Como iremos até o aeroporto sem um táxi? - questionou Megan, lembrando-me que aquela possivelmente era sua primeira missão.
Soltei um riso de deboche rápido, não para ela, mas pela situação que iriamos encarar. Revirei minha mochila atrás de um dracma e assim que achei mostrei para a garota.
- Ah não, ! Tudo, menos isso! - afirmou minha prima, já entendendo qual era meu objetivo.
- Você tem alguma ideia mais rápida? - questionei observando-a revirar os olhos e bufar algumas vezes. Quando decidi que ela não iria me responder, dei os ombros e joguei o dracma no meio do asfalto e gritei:
– Stêthi. Ô hárma diabolês! - e no mesmo momento a moeda afundou no asfalto. Naquele mesmo local, uma poça do tamanho da vaga de um carro começou a borbulhar em líquido preto e após alguns segundos emergiu um táxi comum de NYC, exceto pela sua cor que era cinza, escrito "Táxi das irmãs cinzentas". A janela do passageiro da frente se abriu e uma cabeça sem olho e com o cabelo branco arrepiado se colocou para fora, sorrindo.
- Os bruxos novamente! - afirmou ela com seus poucos dentes – Que surpresa desagradável.
- PASSAGEM! PASSAGEM! - gritava a segunda irmã que ficava sentada no meio, sobre o câmbio e o freio de mão.
- Três passagens para o aeroporto mais próximo, suas velhas! - afirmou ainda com cara de insatisfeita.
- Mais respeito, cria de Atena. Nós ainda somos criaturas de muito poder, sabia? - afirmou a parca da janela, deixando um de seus dentes caírem da boca.
- Haja paciência... - afirmei, abrindo a porta de trás e me enfiando lá dentro, seguido pelas garotas.
- APERTEM OS CINTOS, QUERIDOS! O OLHO ESTÁ COM A TEMPESTADE - gritou a motorista.
- Olho? - questionou Megan, mas ela já havia pisado fundo no acelerador, fazendo com que nos movimentássemos muito rápido em direção à Nova York.
- EU ODEIO ESSA IDEIA! - afirmou fechando os olhos e encostando o máximo que podia atrás.
- Lembra da primeira viagem que fizemos, ? Foi uma péssima experiência... - afirmei, tomando um susto ao ver um olho cair sobre meu colo.
- O olho semideus! Entregue para mim, por favor! - afirmou a motorista.
- CALADA, TEMPESTADE! Preciso ler os catálogos de assentos. Precisamos de um novo apoio para esse banco. - afirmou ela enfiando a mão em minha direção, mas eu já havia jogado o olho longe, na direção da irmã da ponta da direita.
- O garoto jogou para mim, então é minha vez de usá-lo! - afirmou.
- Eu não quero ter que lembrar, ! - respondeu a minha pergunta, aparentando estar enjoada. Infelizmente, não era a melhor das histórias realmente, mas foi como chegamos ao acampamento meio-sangue, junto com Leo.



Capítulo 03

Flashback, por

- Como a gente vai ficar, ? - falei encostando-me ao ombro de e deixando minhas lágrimas correrem livres por meu rosto, molhando a camiseta do garoto.
- Sozinhos, . A gente vai ficar bem, temos um ao outro – ele levantou meu rosto e sorriu, com os olhos também vermelhos de chorar.
Nossa avó havia acabado de falecer, seu velório não tinha muitas pessoas, apenas alguns poucos amigos das redondezas de casa. Todos estavam preocupados conosco, e nem mesmo nós sabíamos o que aconteceria dali pra frente. Provavelmente alguma assistência social tentaria nos colocar em um orfanato, já que não tínhamos parentes próximos vivos, e tínhamos apenas 13 anos.
Bom, a assistência social tentaria, pois acreditava que o mundo bruxo não deixaria que ficássemos com trouxas, tendo a possibilidade de não voltar para as aulas. Havíamos acabado de voltar de Hogwarts, seria difícil entrar em contato com qualquer um, o que podíamos fazer, era rezar. E ainda havia a nova parte que vovó nos contará alguns minutos antes de deixar sua alma partir, a nossa parte relacionada a deuses gregos. Eu preferia acreditar que ela estava delirando em seus últimos minutos, mas sabia que a senhora não era qualquer uma, ela estava partindo, mas estava partindo muito bem lúcida.
- , , se quiserem ficar comigo por essa noite, são muito bem vindos – disse Louis, um moço, por volta dos 25 anos que morava na mesma rua em que nós. Ele era sozinho e sempre ajudava nossa avó, principalmente durante os meses que estávamos fora, que ele acreditava que estudávamos perto da casa do nosso avô e os dois haviam se separado há muitos anos.
Olhei para e ele afirmou com a cabeça, concordando, amanhã poderíamos ver o que fazer, que medidas seriam tomadas, para onde ir. Louis sorriu para nós e começou a andar em direção ao seu carro. Não éramos dois ingênuos de 13 anos, era alguém em quem nossa avó confiava, então sabíamos que seria seguro, sabia que estávamos famintos, abatidos e precisando de descanso, não seria sensato recusar.
- Espero que saibam que independente do que aconteça, vocês podem ter certeza que pra tudo que precisarem estou aqui. E que se for necessário um guardião legal temporariamente, ou só um lugar para ficar nas férias, eu posso ficar com vocês por um tempo - ele se pronunciou depois de um tempo que já estávamos no caminho de sua casa.
Minha boca se estendeu em um "O", e pude ver dar de ombros no banco de trás, também meio assustado com a ideia do homem. Louis nos conhecia há anos, mas não esperava por isso.
- Obrigada, Louis – agradeci, com um sorriso no rosto. Era bom saber que alguém se importava conosco por ali. Infelizmente as coisas eram mais difíceis do que ele podia ver, e com nossa nova descoberta, qual ainda não entendíamos, eram mais difíceis até do que nós poderíamos ver.

Entramos em sua casa e a arquitetura dela me lembrava a nossa, o que me fez sentir uma pontada absurda no peito, a falta da vovó. Havia se passado apenas um dia de sua morte, e eu não sabia se algum momento eu superaria aquilo. A mulher nos criou, fez de tudo por nós, nos apresentou tudo que poderíamos ser, sonhou conosco mesmo não fazendo parte direta de tudo aquilo, deu sua vida pelos dois netos, fez o que fez pelos filhos e duplamente pelos netos quando os filhos morreram. Era a avó perfeita, aquela das histórias amorosas, mesmo que em alguns momentos parecesse uma bruxa, estilo Wicked, não Hermione Granger (Ministra da Magia, em nosso mundo, algo como presidente).
- Podem deixar suas coisas no quarto, subindo as escadas à esquerda, e depois desçam que vou preparar algo para comer. Gostam de sopa de ervilha? - ele perguntou e pude ver segurar a risada. Sorrimos em afirmação e subimos para guardar as coisas.
- Cara, a sopa de ervilha é perseguição? - perguntou, rindo, e colocando suas coisas na cama da parede, sabendo que eu gostaria de ficar com a da janela.
- Aparentemente sim! - ri também e joguei minhas coisas de qualquer jeito por ali – Mas aposto que a dele é boa, porque a do Caldeirão Furado, sem chance.

- Mais uma vez, queria dizer que sinto muito pela avó de vocês. Eu tinha uma relação muito boa com ela, era quase como uma avó para mim também - ele sorriu de lado, colocando a sopa em cima da mesa – Espero que vocês gostem.
Louis nos serviu e pude ver devorando rapidamente, ele parecia faminto. Eu não era das mais fãs daquela sopa, então comi devagar enquanto o homem nos olhava, ele parecia não ter fome. Repentinamente ele começou a olhar para e rir, nos entreolhamos sem entender o que acontecia até ele se recompor para falar.
- É melhor que a do Caldeirão Furado ou você só estava desesperado de fome mesmo? - olhei na direção de meu primo com os olhos arregalados e vi que ele me olhava da mesma forma – Ouvi vocês falando disso, o que é Caldeirão Furado?
- Uma lanchonete perto da nossa escola – respondi prontamente.
- Na minha época também não era muito boa – ele deu de ombros – Já fui lá algumas vezes com meu pai, com meus tios...
- Ahn...
- Louis Weasley – ele sorriu para nós.
- Weasley? Como Ginny Weasley? - perguntou, interessado. Ginny Weasley fora, até alguns anos atrás quando se aposentou, uma das jogadoras de Quadribol mais adorada por meu primo.
- Minha tia, sim – ele sorriu novamente.
- Você é um bruxo? - perguntei – Por que nunca nos contou? A vovó sabia?
- Parte bruxo, parte veela. Sim, ela sabia. Eu a ajudava a lidar com isso, por mais que tenhamos nos conhecido fora a isso, de uma maneira comum, ela percebeu rapidamente que eu não era, digamos, comum. Então ela me contou de seus pais, e eu a auxiliava em relação a tudo – ele deu de ombros, como se aquilo não fosse nada. Um bruxo morava ao nosso lado, e nunca tivemos conhecimento, vovó era muito esperta.
- Parte veela? - questionei.
- Sério que você só focou nisso, ? - revirou os olhos.
- É normal para uma garota inteligente como ela – ele riu, me deixando mais tranquila, não me sentindo tão abelhuda - Não se é fácil encontrar homens que são veela.
- Impossível, na verdade, fiz pesquisas sobre isso, e...
- Então... Você sabe o que vai acontecer com a gente agora? - perguntou, com a intenção de me cortar.
- Não tenho ideia exatamente, mas vou entrar em contato com a minha tia e ver se consigo descobrir o que fazer.
- Sua tia? - perguntei, animada.
- Sim, minha tia Mione – ele riu da minha empolgação - Ter minha família tem alguns privilégios.
- Vovó fez uma amizade sensacional – falei virada para , me referindo a família famosa que ele tinha. Sua tia Mione era a ministra da magia, casada com seu tio Ron, que ajudara Harry Potter a derrotar o Lorde das Trevas anos antes dali. Era uma família que tinha uma história e tanto.
- E eu achando que eles tinham um caso e ela era tipo uma sugar mommy – Louis ficou completamente vermelho na hora, de tão forte que sua gargalhada saiu.
- Não se esqueçam que eu vou ver quando a volta de vocês para Hogwarts, durante o ano letivo, mas o verão, vocês têm ocupação - ele disse quando se recuperou.
- Você sabe disso também? - ele assentiu – E sabe como vai acontecer? Como vamos até esse acampamento, não sei...
- É algo tão novo para mim quanto para vocês, sua vó apenas me contou e disse que deveríamos esperar e a ajuda viria. Por isso ofereci para que vocês ficassem aqui, quando a ajuda chegar, quero garantir que vocês ficarão bem. Ah, tenho que lhes dar algo – ele subiu as escadas de dois em dois degraus, e voltando pulando com uma chave em mãos - Essa é a chave de vocês, do cofre do Gringotts. Ela pediu que eu entregasse – ele colocou em minhas mãos e vi rir discretamente. Louis sabia que ele não era responsável suficiente para guardar aquela chave. Qualquer um sabia.
- Obrigada, por tudo, Louis.
- Valeu – falou, se levantando.
- Se quiserem tomar um banho e deitar, fiquem à vontade, a casa é de vocês. Vou tentar entrar em contato com alguém, sobre o caso de vocês. Deve ser prático, mas vão ter que manipular trouxas, pra quê toda a burocracia de assistência social não apareça por aqui.
- Obrigada mesmo, Louis – apertei sua mão, formalmente e ele me puxou para um abraço.
- Sei que você se faz de forte para aguentar tudo, mas por dentro está em pedaços. Vocês dois, vocês são ótimas crianças - ele puxou e nos envolveu em um abraço triplo – Boa noite.

- , tem alguém na janela – acordei meu primo, que levantou rapidamente, assustado.
- Tá doida, ? Você deve tá sonhando!
- Eu não tô - uma pedra bateu na janela e viu, ficando automaticamente em estado de alerta.
se aproximou da janela e eu o segui, ficando atrás de seu ombro. Se algo nos acertasse, ele seria meu escudo humano, eu poderia viver com aquilo. Olhamos para baixo e foi possível ver um adolescente, que sussurrava nossos nomes em meio a gemidos. Ele olhava para todos os lados enlouquecidamente, como se tivesse medo de algo ali em volta.
- Ele parece precisar de ajuda – me sentei na cama e calcei meus tênis em poucos segundos, vendo fazer o mesmo. É, sairíamos de pijama – Vamos antes que Louis acorde, não quero lhe dar mais trabalho.
Descemos as escadas em passos silenciosos, e ficava o tempo todo em meu ouvido dizendo como aquela era uma péssima ideia, e que poderia ser um ladrão. Mas esse não era meu pressentimento, e eu preferia morrer a me arrepender por ter visto alguém morrendo e não ajudar. Abri a porta delicadamente, e vi o adolescente parado ali em nossa frente.
- Ah, meus deuses, achei que eu teria que invadir! Vamos, vamos! Precisamos ir logo! - ele segurou meu braço para me puxar e pude ver reagir com um sonoro tapa na mão do garoto que me segurava – Ai!
- Quem é você?
- Não temos tempo para isso – ele dizia olhando para os lados – Tenho nossas passagens, a segurança por aqui é mínima!
- Passagens? - perguntei.
- Eu sou Leo, o sátiro de vocês, temos que ir para o acampamento, os monstros estão começando a farejá-los, vamos!
Olhei para e ele parecia tão perdido quanto eu.
- É melhor vocês irem – Louis apareceu de roupão em nossas costas, com nossas mochilas em mãos - Ouvi a conversa de lá de cima – ele explicou, ao ver meu olhar culpado.
- Sim, é melhor – Leo disse, desesperado. Me virei para abraçar Louis e agradecer quando o sátiro gritou, que tínhamos que nos apressar e começou a nos puxar com uma força atípica.
- Vai ficar tudo bem, crianças, vou dar um jeito de entrar em contato com vocês para avisar a situação, boa sorte! Cuide deles – o sátiro soltou um gemido, um tipo de som animal que não reconheci, em resposta à Louis, e saiu nos carregando até um carro velho estacionado na rua da lateral.

Por

Foi tudo corrido demais. As informações e os acontecimentos não esperaram em fila para invadir nossas vidas. Todos entraram de uma vez sem se preocupar se estávamos prontos para encarar tudo aquilo e, por mais que eu odeie admitir, eu tentei ser forte pela e pela minha avó mas parecia muito maior do que eu.
Não gosto de lembrar de meus sentimentos naquele momento, mas entenda que eu estava travado. Geralmente eu seria mais piadista ou teria comentários mais inteligentes, mas as horas após o velório se resumiram em puro vazio mental.
Quando o sátiro chegou a nossas portas, foi à gota d'água. Ao colocar as mãos na minha prima, meu instinto natural foi dar um tapa, não por ele ser ameaçador (acreditem, ele não é), mas por não querer mais uma novidade em nossas vidas naquele momento.
Infelizmente não pude fazer muita coisa, pois quando percebi, já estávamos indo em direção a um táxi que iria nos levar até o aeroporto.

- Droga. Droga. - repetia o garoto enquanto mastigava um pedaço de... lata? Ok, isso era estranho.
- O que foi, Leo? - Perguntou de maneira preocupada, mas sem querer ser rude.
- Eu sinto o cheiro de vocês muito forte... - ele afirmou.
- Cara, foi um dia corrido. Não deu pra tomar banho direito! - afirmei me sentindo ofendido e cheirando em baixo do meu braço. De fato estava forte.
- Não é isso. - ele completou virando-se para trás para olhar pelo vidro, completamente paranoico. - Seu cheiro de meio-sangue. Se eu sinto...
Antes que sua frase completasse, oito garras, como do pé de uma águia porém do tamanho do meu tronco, fincaram no teto do carro e começaram a rasgar a lataria.
- O QUE É ISSO? - gritei com minha prima e o motorista em uníssono enquanto o carro virava na pista até que fomos parar no acostamento da estrada.
Sim, por sorte estávamos na estrada e não tinham muitos carros naquela hora da noite, mas na altura do campeonato, aquela foi nosso único momento de sorte.

As garras haviam desaparecido então decidimos olhar pelo vidro procurando o bicho. Quando finalmente encontrei, desejei nunca ter visto. Uma águia de quase 3 metros de altura, penas douradas como se fossem ouro e olhos vermelhos como os faróis de um carro estava fazendo a volta no ar e vindo em nossa direção.
- ELA TÁ VINDO! - gritei olhando para Leo na expectativa que ele fizesse algo.
- Eu tenho algo aqui que p-pode ajudar. - disse o sátiro abrindo a mochila e me entregando uma espada, enquanto dava um arco e flecha para minha prima. - Foi tudo que eu trouxe. Vão ter que dar um jeito.
- O quê? Eu nunca lutei com uma espada! - afirmei balançando a lâmina de susto quando diversas penas de bronze fincaram na lataria do carro, próximas aos nossos corpos.
- MALDITAS CRIANÇAS E SEUS DRONES TECNOLÓGICOS! - gritou o taxista descendo do carro e correndo. Eu não parei para pensar muito no que ele queria dizer com "drone", mas fiquei com dó do pobre Billy. Ele nos ofereceu bala quando entramos.
- Está no sangue de vocês! Agora vão logo antes que a gente morra sem nem tentar. - e quando ele disse isso, deu um chute tão forte na porta do carro que a mesma voou longe para o meio da estrada, me deixando perplexo.

Ok, essa cena nunca vai estar num livro de ação, de história ou de práticas marciais. Não foi nem de perto uma das lutas mais bonitas que já tivemos, mas foi uma das mais assustadoras. Naquele ponto da noite estava caindo uma leve garoa. Eu, com uma espada na mão no meio da estrada, observava o céu tentando encontrar o maldito pássaro dourado, minha prima fazia o mesmo tentando se adaptar ao arco, e Leo se escondia com uma flauta em sua mão.

- Ali, ! Agora! - gritei para minha prima ao ouvir um pio raivoso vindo do céu, seguido pelo pássaro que mergulhava como um míssil em minha direção.

Ela colocou a flecha na corda, puxou com muita força e acertou em cheio uma árvore que estava do outro lado do acostamento.

- ! - Gritei novamente desesperado ao ver o bicho vindo em minha direção.
- Eu tô tentando, ! Gritar não ajuda. - e disparou outra flecha que subiu, mas muito longe do pássaro.
- EU NÃO TENHO COMO NÃO GRITAR! - Afirmei, agora ciente de que eu teria que me defender sozinho. Em questão de segundos, balancei a espada no ar confiante de que decaptaria o bicho como faca quente na manteiga. Senti um impacto e fechei os olhos. "Por Merlin, que eu tenha conseguido!"
Abri os olhos novamente e eu estava preso no chão com uma garra em cada ombro, a espada jogada do outro lado da estrada e dois olhos vermelhos me encarando com ódio. Naquele momento eu jurei que se eu sobrevivesse, nunca mais comeria frango.
Quando o bico do pássaro abriu, notei que ele não era um robô ou algo assim. Apenas uma criatura viva feita de bronze. Seria lindo se não fosse aterrorizante. O grito ensurdecedor da criatura ecoou pelo vazio da noite e ela investiu contra mim no momento em que eu aceitei a morte, apenas fechando meus olhos.

PLANK!

Que barulho estranho que meu crânio fez ao ser destruído.

Abri os olhos e lá estava , com os cabelos molhados por causa da garoa, segurando minha espada com as duas mãos e bloqueando o bico da águia contra meu corpo, completamente heroica.
- Sai daí, seu idiota! - ela brigou fazendo força e afastando a águia de mim. Quando tive tempo de pular para trás ela deu mais um ataque e cortou algumas penas da águia antes que ela voasse novamente para nos atacar. - O Arco, ! Tenta você!
Não pensei duas vezes. Corri até onde ela havia deixado, prendi ele em minhas mãos, encaixei uma flecha na corda e encarei o monstro com toda minha raiva. Esperei o momento certo e... - Come isso daqui, passarinho! - Zum! Como um raio a flecha deixou o meu arco e apagou um dos olhos vermelho da águia, fazendo-a rodar até acertar o chão com tudo.
me encarou surpresa e eu com certeza estava com cara de idiota.
- Bom tiro! - ela afirmou sorrindo.
- Valeu. Mas acho que eu poderia ter levantado mais o ombro pra...
- AINDA TÁ VIVO, GALERA! - gritou Leo de dentro do carro quando viu o animal ficando de pé e nos encarando.
- Vai lá! Eu te dou cobertura! - afirmei posicionando outra flecha no arco. Quando correu na direção do animal, o mesmo deu um grito para espantá-la e aquela foi a minha chance. Soltei uma flecha certeira na garganta dourada do frango gigante, fazendo-o ficar quieto na hora.
Provavelmente aquilo o distraiu muito, pois ele nem notou quando minha prima o alcançou correndo e, deslizando com os joelhos no chão e espada para cima, ela atravessou o pescoço do animal com a lâmina, separando cabeça para um lado e corpo para o outro por alguns segundos, antes que tudo virasse pó.
- MEU MERLIN! O QUE FOI ISSO? - gritei, empolgado indo em direção a minha prima e abraçando-a.
- EU QUE TE PERGUNTO. Você já havia praticado arco e flecha antes?
- Lógico que não. Eu... nem faço ideia de como fiz isso. - afirmei olhando para o arco.
- Eu disse. Está no sangue de vocês! - afirmou Leo vindo em nossa direção. A empolgação foi tanta que demorei a notar que este estava sem calças e suas pernas eram peludas como a de um bode, literalmente. - Agora vamos. Estamos perto do aeroporto e as aves do lago Estinfalo nunca voam sozinhas.
O resto daquela noite continuou sendo traumático, mas nada que não pudéssemos aguentar. Pousamos em Nova York e ao invés de usarmos um táxi convencional Leo decidiu nos apresentar o táxi das irmãs cinzentas. Como todos sabem: Olhos voando de um lado para o outro, algumas vezes elas se batiam entre si e a pior parte eram os comentários maldosos.

- Vocês fedem como porcos, sabiam? Porque semideuses tem que ser tão fedidos? - perguntou a do meio que estava com o olho. - Queria que dividíssemos o mesmo nariz, pois daí ficaria com vocês essa parte. - concluiu rindo.
- Cala a boca Tempestade. Esses aqui ainda vão fazer muitas coisas. Não percebeu? São bruxos também! - afirmou a que estava no volante.
- Ah, então finalmente os bruxos semideuses apareceram. Que maravilha! Não aguentava mais ouvir especulações sobre esses pestinhas. - disse a terceira irmã com um sorriso em seu único dente.
A que tinha o olho virou para trás e me encarou no fundo da alma. - Vocês vão dar muito trabalho ainda, semideuses. - ela chupou com o nariz de maneira mais nojenta que o comum. - As pessoas vão adorar saber que vocês finalmente chegaram!
- Ok, já chegamos. Podem parar de falar. - afirmou Leo abrindo a porta e nos puxando para fora. - Malditas Gréias. Não calam a boca. Venham!
Finalmente subimos ao topo da colina meio-sangue aonde pousava um lindo dragão que não nos agrediu muito menos nos estranhou. Olhamos para baixo e tudo que o nascer do sol tocava era lindo. Sentíamos os cheiros dos morangos de longe e já podíamos avistar alguns campistas saindo de seus chalés e correndo pelo acampamento. Na praia alguns pégasos voavam sobre a água e brincavam com ninfas e nós finalmente nos sentimos seguros pela primeira vez naquela semana.
- Venham! Quiron está ansioso para conhecer vocês. - e assim iniciamos nossa trajetória como meio-sangues.



Estar de volta no táxi era péssimo exatamente por esse motivo. Nos lembrava de tudo que jamais gostaríamos de lembrar. Insegurança. Perda de um lar. Perigo. Finalmente as bruxas estacionaram na frente do aeroporto, falando para nós mais uma meia dúzia de baboseiras e desapareceram no ar. Agora sim, nossa missão estava começando.



Capítulo 04

Por

O aeroporto estava vazio, por incrível que pareça. O caminho apesar de enjoado, fora tranquilo, com exceção de tudo que tivemos que ouvir daquelas mulheres. O pior, ouvir e não entender.
Nossas passagens já estavam compradas, a equipe do acampamento resolvia tudo para o início da missão. Depois, boa sorte, adeus, que os deuses te acompanhem.
Para passar pelo detector de metais, e não termos que despachar nossas mochilas, a névoa tinha que ser controlada. Não era algo fácil, eu e Lucas havíamos demorado até entender a névoa, quem dirá controlá-la. Megan era a experiente entre nós, não que ela tivesse que fazer muitas vezes, já que passava maior parte do tempo no acampamento, mas lá ela tinha bons treinamentos que perdíamos em nosso ano letivo.

- Agora vocês começam a me explicar? - ouvi Meg dizer quando se sentou na cadeira do corredor, depois de e eu. Meus olhos já estavam fechados, prontos para um cochilo de algumas horas até a terra da rainha.
- Ah, eu quero dormir. – resmungou e vi a garota revirar os olhos.
- Eu também. - choraminguei.
- Mas eu não vou conseguir dormir, eu não entendi nada dessa coisa de bruxos, dois mundos, vocês me deixam no escuro.
- Tá, eu explico. – falei – Dorme aí, reclamão. - dei um tapa nas costas do meu primo, indicando para que ele trocasse de cadeira comigo e se sentasse na janela.
- Tem tanta coisa assim pra explicar? - Meg perguntou, curiosa.
- Talvez. – falou mais para si mesmo do que para nós e se recostou na janela, já pegando no sono quase automaticamente.
Esperava que ele dormisse melhor dessa vez. Sabia que ele vinha tendo noites agoniantes, já que sentia suas emoções e até mesmo acordava no meio da noite gritando quando ele provavelmente também acordara, assustado. Às vezes tentava esconder as coisas de mim, e eu só queria rir, para que ele se lembrasse da nossa ligação, que viera já no mesmo ano que descobrimos que éramos semideuses.

Nós nem ao menos sabemos como se deu essa conexão, mas uma noite, durante uma missão que tivemos para buscar raspas de pó de minotauro, como dizia , já que não era nada importante, eu comecei a sonhar com maçãs. Eu odeio maçãs. Mas ama maçãs. Foi estranho e eu acordei me sentindo faminta. Levantei rapidamente e ao olhar para a cama de hotel ao lado da minha, não encontrei meu primo. Me assustei, até olhar para o lado da janela e vê-lo sentado em um beiral olhando para fora. Comendo uma maçã.
- Tudo bem, ? – ele me olhou, preocupado, e eu assenti, assustada.
- Isso é uma maçã? – perguntei e o vi arquear as sobrancelhas.
- É o que parece, não? Eu estava inquieto, acordei com fome. – ele deu de ombros.

Voltei a dormir sem comentar mais nada, mas o assunto surgiu dias depois, quando me questionou sobre eu estar com saudades da vovó e preocupada com o tanto de lição de casa que teria naquele ano quando voltássemos para Hogwarts. Eu não havia falado nisso.
Ao retornar da missão, comentamos esse fato engraçado com Quíron. Ele sorriu ternamente e nos explicou que há alguns anos não via relatos disso, e que apesar de incomum ele sabia que estava evoluindo assim como o ser humano. Nós estávamos ligados por uma conexão empática, normalmente ela se dava por querer, mas já ocorrera entre dois semideuses que nem mesmo eram amigos e tiveram que se virar. Essa ligação intercalava nossas emoções, algumas vezes até brincava com nossos pensamentos, como eu e sempre brincamos. Era algo bom para certos momentos, mas também era perigoso. É algo tão forte que se um morrer, o outro também se desligará.

Voltei ao presente, tentando deixar de lado algumas lembranças que pareciam insistir no fundo da mente e comecei a explicar para Meg tudo que precisava para deixá-la a par para começarmos a missão. Seria difícil ter que explicar tudo pra todo mundo, explicar um lado para o outro, e teríamos que aprender a resumir ou fazer quem quer que fosse segurar a ansiedade e descobrir sozinho. Eu esperava, do fundo do coração, que aquela missão acabasse o mais rápido possível, mas como a profecia não estabelecia prazo, era capaz da brincadeira durar o ano todo. O ano todo não, deuses. Eu preciso voltar pro meu último ano.

- , acorda. – senti me chacoalhando. Despertei de meu cochilo, já acordando também Meg, para colocarmos os cintos para o pouso do avião. Olhei pela janela e pude ver a Inglaterra. Eu amava o acampamento meio-sangue, mas aquele lugar me fazia sentir em casa. Borboletas brincavam em meu estômago, de saudades da minha avó, que me criara ali.

- Oliver? – perguntou e eu afirmei, já esticando minha mão para chamar um táxi.
- Ele é o bruxo? – eu afirmei com a cabeça.
- Ele e a Daisy, acabaram de se formar, já podem usar magia fora da escola. Olly mora bem no centro de Londres, e Daisy não muito longe. – ela assentiu e entramos no táxi, onde um senhor muito bondoso nos ofereceu balas, que não aceitamos, claro, e conversou conosco durante todo o percurso, falando até mesmo do tempo. Foi bom conversar com alguém alheio. Só os deuses sabem o nervosismo que eu estava.

- O que desejam? – uma mulher, por volta dos 40 anos, perguntou ao abrir a porta.
- É aqui que Oliver Giggs mora? – perguntou e a mulher nos olhou, intrigada. Tudo bem, ela tinha direito, três adolescentes esquisitos na porta da casa dela, era de se estranhar mesmo.
- Quem deseja saber?
- Somos amigos dele, da escola. – falei.
- Ah, sim! – ela sorriu – Olly! – a ouvimos falar mais alto – Entrem, por favor. – a mulher nos deu espaço para passar, nos indicando o sofá, onde um homem que parecia apenas um pouco mais velho que ela, estava sentado, lendo um jornal... Que se mexia. Ele tirou os olhos por alguns segundos e acenou brevemente com a cabeça para nós.
Passaram anos e eu ainda não havia me acostumado. Os jornais eram incríveis, parecia que você estava rolando o Facebook e vendo diversos GIFS... Claro, eu sabia disso antes dos meus 13 anos, pois depois que descobrimos sermos semideuses, tivemos que cortar qualquer relacionamento com tecnologia, já que atraia monstros. Já imaginou, você faz check-in em um lugar e o monstro acessa seu Facebook? Mesmo não deixando ele público, vai que eles sabem hackear, não? Eles vêm da Grécia Antiga, mas se atualizam assim como todo mundo. Nunca se sabe o que tem no Tártaro.
- ? ? – Oliver nos olhou, completamente surpreso – O que fazem aqui?
- Olly! É assim que recepciona os amigos? – vi senhora Giggs rolar os olhos e tentei bravamente não rir.
- Estou muito feliz de vê-los, mãe. – ele disse olhando para ela, mas já se aproximando de para lhe dar um abraço, e me cumprimentando com um beijo na bochecha – Você é nova! – ele sorriu, olhando para Megan – Sou Oliver, Olly. – ele lhe estendeu a mão.
- Sou Megan, Meg. – ela o cumprimentou.
- Mas o que estão fazendo aqui?
- Ahn... Precisamos ter uma conversa séria com você – falou, desajeitado, com medo dos pais de Olly não gostarem.
- Vamos – ele subiu as escadas, sem dizer nada para os pais. Apenas olhamos na direção deles e sorrimos, educadamente – Entrem. – ele falou, encostando a porta a nossas costas.
- Sinceramente, eu acho que nem sei como contar isso, se tem um jeito fácil, algo que não pareça suicida, porque na verdade é. – dei de ombros, despejando tudo de uma vez ao ver e Meg me olhando como se me encorajassem a falar – Eu falo, eu explico, mas depois você que explique tudo que ele precisar saber.
- Espera ai... Ele é um bruxo? – vi Megan confusa, olhando para Olly.
- Oi? – Oliver arqueou as sobrancelhas.
- Sim, por quê? – perguntei para ela e vi mandar o garoto esperar que já explicaríamos.
- Porque ele é... Normal? – ela respondeu.
- O que você esperava? Chapéu pontudo? Nariz com verruga? Um caldeirão? Uma casa de doces onde engordo criancinhas? – ele perguntou em um misto de ironia e seriedade – Só um minuto que eu me transformo pra você – ele saiu do quarto, fechando a porta, nos deixando perdidos – Ah, é! Isso não existe. – ele bateu em sua cabeça, entrando novamente no quarto.
Nos entreolhamos e começamos a rir, fazendo com que Olly fizesse uma reverência como em agradecimento de uma peça. Ainda não sabíamos como sobreviveríamos ao último ano sem essa pessoa!
- Agora vamos lá, falem – ele sentou ao nosso lado e esperou. Tomei fôlego e procurei as palavras mais simples e rápidas para explicar.
- Blá, blá, blá, deuses antigo. Blá, blá, blá, Grécia. Blá, blá, blá, ficavam com humanos. Blá, blá, blá, nasciam semideuses. Blá, blá, blá, fazemos parte desses casos. Meu pai era bruxo, minha mãe é Atena. Minha tia era bruxa, o pai do é Apolo. E nossa amiga Megan, é filha de Dioniso com uma humana. – Olly apenas pareceu tentar processar, rindo do meu modo de falar, e assentiu – Bom, você não tem porquê questionar como existe esse mundo super estranho, afinal, você também tem sua parte estranha. – dei de ombros, rindo – A questão é que recebemos uma profecia. pode te explicar um pouco melhor sobre tudo depois, se você aceitar, teremos muito tempo. Nessa profecia, nos foi designada uma missão, na verdade, foi designada à Meg, porém, uma estrofe específica falava sobre dois mundos juntos.
- O mundo de vocês, e o nosso? – ele perguntou e assentiu.
- É o que entendemos pelo menos. – ele assentiu – Para realizar a missão, acreditamos que seja necessário levar conosco pessoas desse outro mundo, já que eu e não podemos usar magia até completarmos 17 anos.
- Sim, é uma missão suicida, muita coisa ruim pode acontecer. – eu falei e fui interrompida por recitando alguns versos da profecia e Olly pareceu entender do que falávamos – Nós não pediríamos se não fosse extremamente necessário, mais de 100 dos nossos foram mortos da noite para o dia, como se apenas tivessem deixado os corpos dormindo. – falei, sentida.
- Nós vamos falar com a Daisy também, se você quiser pensar, podemos marcar de nos encontrar amanhã cedo, quando já tivermos falado com ela. – deu de ombros e Olly assentiu.
- Eu não sei o que eu poderia, possivelmente, falar para os meus pais, mas eu estou vendo que vocês realmente precisam, quem não gosta de uma missão suicida, não? Não passei sete anos estudando para não poder viver pelo menos uma aventura. Mas eu quero saber mais sobre tudo!
- Como dissemos, se vier conosco, temos tempo – falei sorrindo.
- Onde nos encontramos amanhã?
- Me encontrem na London Bridge às oito horas. Eu vou estar lá independente do que decidir.

Por

A parte fácil havia passado. Olly era uma pessoa extremamente compreensível e os pais dele eram bruxos então, na pior das hipóteses, achariam estranho e não permitiriam a aventura, mas tudo dentro do normal. Daisy, por outro lado, era filha de trouxas. Não que os pais dela fossem idiotas, mas eles não eram bruxos e isso poderia complicar nossa situação seriamente, pois, se é difícil aceitar que seu filho solta poderes, imagina aceitar que os amigos dela fazem parte do mesmo universo que um desenho da Disney.
Diferente da casa de Oliver, a de Daisy combinava com a cidade. Era cinza e fixada no meio das outras. Uma escada pequena subia para a porta de entrada e ao batermos algumas vezes, ouvimos gritos lá dentro como se uma pessoa mandasse outra atender. No final das contas quem abriu a porta foi a mãe de Daisy, senhora Rose.
A expressão dela ficou clara, mesmo que disfarçada. Ela não estava feliz em nos ver.
- , ... Que... Bom ver vocês. – cuspiu a simpatia como faço com brócolis – É... Vocês combinaram de ver a Daisy hoje? Já está tão tarde... – prosseguiu ela ainda pela fresta da porta, como se fôssemos perigosos.
- Na verdade, senhora Rose, é uma emergência! – afirmou , fazendo com que eu quisesse dar um soco nela. Nunca diga que é uma emergência para uma mãe psicologicamente abalada.
- EMERGÊNCIA? O QUE HOUVE? – ela questionou com seus olhos mais arregalados que o comum.
- Não se preocupe, senhora Rose, o que a quis dizer é que é urgente, pois... – pensei um pouco antes de inventar a desculpa – Temos que organizar o aniversário do Oliver!
- Ah, certo! Claro. Ela havia comentado... – mentiu para não parecer tão assustada, afinal, Oliver só fazia aniversário em março. – E esse aniversário, vai ser perigoso?
- Ok, mãe, já chega. – ouvimos uma voz familiar vindo de dentro e abrindo a porta de uma vez.
- Daisy! – exclamamos em uníssono ao ver a menina de vestido florido.
- Oi, seus idiotas. – ela sorriu, parecendo aliviada em nos ver tão desesperados. – Venham, vamos para meu quarto falar do aniversário do Oliver.
Todos sorrimos pela agilidade da garota em sentir nosso desespero e começamos a entrar na casa enquanto ignorávamos a senhora Rose falar para limparmos os pés e não destruirmos nada.
O quarto de Daisy era diferente da casa. Claro, cheio de vida e cor. Nas janelas cresciam flores e em uma das paredes havia uma trepadeira de visgo do diabo. A planta é mortal se mal utilizada, mas isso não era problema para a menina. Além disso, vasos de plantas frutíferas se espalhavam por todos os cantos de maneira organizada, como uma estufa bem cuidada. Daisy sentou-se na cama assim que entramos e suspirou aliviada.
- Vocês não têm noção do quanto é bom ver vocês! – ela afirmou encarando . – Minha mãe tem sido mais louca agora do que de costume.
- Que isso, Day. Nem notei. – afirmei irônico fazendo com que a garota virasse os olhos.
- Mas o que fazem aqui? E... – ela apontou para Megan – Quem é ela?
- Filha de Dioniso! – afirmei tentando ver a reação da garota, que pareceu confusa e deu risada.
- E daí que o pai dela chama Dioniso? O que isso tem a ver?
- Não, Daisy, não um Dioniso. O Dioniso. – afirmei sorrindo. – Resumo da história: somos filhos de deuses gregos. Essa é Megan, nossa amiga, e ela foi selecionada pra uma missão. Essa missão tem uma profecia, que falava sobre dois mundos lutando juntos. Obviamente tomamos isso como bruxos e semideuses, já que nós dois estamos dos dois lados – nada melhor do que cuspir tudo de uma vez, certo?
- Mas eu e ainda não podemos usar magia fora da escola então precisamos de você e do Olly. – ela pausou, notando a expressão da menina. – Olha! Eu sei que é difícil de acreditar, mas qual é, nós somos bruxos, então se você pensar um p...
- Eu topo! – a garota afirmou.
Um silêncio predominou no quarto por alguns instantes.
- Ela disse que topa? – perguntou Megan.
- Eu acho que sim. – afirmei.
- Lógico que eu topo, seus mentirosos. – disse com um tom de birra, como se estivesse magoada por só saber da nossa vida agora. – Minha mãe está me enlouquecendo. Eu quero investir em herbologia e ela quer mais do que nunca que eu vire contadora. Parece que o fim da escola só aumentou os surtos dela.
- Mas então o que você vai dizer pra ela? – questionou , também surpresa.
- Nada, ué. Ou vocês precisam da autorização dela por escrito? – retrucou rindo.
- Não, mas... Ela vai ficar preocupada, Day. – falei mais maduro do que de costume.
- Ok, eu escrevo um bilhete – disse ela revirando os olhos e pegando o papel e a caneta. – Mas eu quero saber mais dessa vida dupla de vocês no caminho, ok?
- Combinado! – afirmamos sentando na cama para descansar um pouco enquanto ela se preparava. A garota colocou de tudo na mochila, desde roupas até às mais variadas sementes e ervas. Prendeu seu cabelo com uma fita, colocou um tênis que combinava com seu ar florido e não tinha nada a ver com sua personalidade. Depois de um longo cochilo, até mesmo Daisy, ela se levantou rapidamente e abriu a janela, apontando para fora, nos fazendo acordar assustados.
- Vamos?

Estávamos os quatro rumo a London Bridge no meio da madrugada enquanto Daisy perguntava tudo que podia sobre nosso mundo. Não era a cena mais comum, afinal, garotos de nossa idade deveriam, no mínimo, andar de táxi ou algo assim, mas ainda faltavam três horas para encontrarmos Oliver então decidimos passar em um restaurante próximo a ponte para tomar café.
- Bom dia, Nancy. Pode nos trazer sete sucos e quatro pratos de panquecas? – falou a menina para a garçonete que sorriu e foi para a cozinha com seu cabelo extravagante balançando. - Certo. Última pergunta: o que faremos agora? – ela nos encarava curiosa – Quer dizer, a profecia não dizia nada de “partam de tal lugar”. Como sabem para onde iremos?
Ficamos em silêncio por alguns instantes, pensando nisso.
- Geralmente elas acontecem nos Estados Unidos então acho que devemos voltar pra lá, né? – afirmou e questionou ao mesmo tempo, incerta da resposta.
- É... – concordei também meio perdido – Honestamente... Não sabemos exatamente quando a missão começa. Às vezes acontece algo que ligamos a profecia, ou vamos para algum lugar que parece suspeito em relação ao que está acontecendo, mas só percebemos que já estamos dentro da missão tarde demais! – conclui com o pouco de experiência que eu tinha.
- Talvez já estejamos nela e nem saibamos, então? – perguntou Daisy.
- É possível...
- Que maravilha... – respondeu sarcástica enquanto pegava a comida que Nancy havia trazido e colocava em sua frente. – E elas costumam ser perigosas? Tipo, sempre tem morte?
- Às vezes... – respondeu – Mas uma coisa é fato: as profecias sempre se concretizam.
E então ficou tudo em silêncio sobre nossa mastigação por alguns minutos enquanto o sol nascia. Só ouvimos a voz um do outro novamente quando Daisy riu de algo pela janela de vidro.
- Olha só, pelo menos acordar cedo tem seus lados engraçados, olhem lá. – apontou pela janela em direção à beira da ponte. – Em qual outro horário você consegue ver um cara, provavelmente bêbado, batendo uma vassoura em um barco? – prosseguiu rindo, mas nós não acompanhamos, pois a cena só era engraçada na visão dela.
A névoa não nos enganava e nós vimos claramente o que estava acontecendo. Era um rapaz jovem com uma espada na mão lutando contra uma serpente marinha na beira da ponte de Londres.
- Deve ser um semideus! – afirmou .
- Vamos, temos que ajudar! – completou Megan me empurrando da cadeira.
- Quê? É só um bêbado, gente. – questionou Daisy sem entender o que acontecia. Balancei minha mão na direção do rosto dela como já havia praticado antes e notei a mudança no olhar da garota quando viu a cena real. – Como você fez isso? – Respondeu pasma.
- Foi a névoa. Longa história! Temos que ir ajudar o cara a não virar café. Você vem? – questionei indo para a saída.
- É... Sim! Estou logo atrás!




Capítulo 05

Por

Daisy pagou a conta rapidamente e deixamos tudo no prato para sair correndo em direção ao menino que precisava de ajuda. Que os deuses estivessem com a gente, aquele bicho era muito feio, inacreditável. E pior ainda, ao chegar perto, ele era gigante e já havia quebrado a mureta que separava o rio da rua.
O garoto foi empurrado no chão com força pelo monstro, que pretendia aproveitar para puxá-lo para água junto dele. Antes que isso acontecesse, pude ver meu primo puxar seu arco das costas e encaixar uma flecha, direcionando-a para o olho do animal. Vi o menino olhar para trás assustado.
- Quem são vocês? O que fazem aqui? - ele tentou se levantar, mancando, enquanto o monstro se retorcia, furioso.
- Cara, eu acho que você precisa de ajuda, as perguntas ficam pra depois – falou, se aproximando mais da água.
- Eu não preciso de ajuda – o garoto disse e caiu sentado à uns 20m de onde estava antes ao ouvir o barulho que a serpente fizera quando retornou do fundo da água para a superfície novamente. Pude ver ele revirar os olhos, orgulhoso.
- Infelizmente achamos que precisa, então levante daí antes que a situação piore – vi Meg se aproximar do rapaz ao mesmo tempo que o monstro tentou investir com sua grande cabeça na direção dos dois. Pulei na frente deles, me abaixando para tocar em minha tornozeleira, onde ficava minha joia mágica de onde vinha minha espada.
- Por Merlin! O que é isso? - ouvi a voz de Daisy atrás de nós, espantada.
- Uma serpente marinha – respondeu enquanto eu posicionava minha espada de modo que não fosse tão fácil me engolir ali em sua frente – Sai daí, !
Dei um passo para trás, mas parecia que o corpo da serpente não tinha um limite, ela se esticava cada vez mais para o lado de fora, mesmo sem sair da água. Olhei para trás e notei que Megan havia conseguido carregar o semideus para longe da batalha, próximo aos prédios na outra calçada e o aproximara de Daisy, que buscava por algumas coisas dentro da bolsa.
A rua, graças aos deuses, não estava movimentada. E eu gostava de não pensar no que os mortais estavam vendo ali, já que devia ser algo absurdo. Notei uma mulher de cima da ponte, nos observando, de olhos semicerrados parecendo tentar enxergar melhor. Ela não parecia surpresa com a cena, e isso me intrigou.
- O que fazemos? - Meg perguntou, já ao meu lado.
- Você não tem uma flecha mágica ai não, ? - perguntei, sabendo a resposta e vendo ele rolar os olhos.
- Esquece essa de flecha mágica, só podemos fazer tudo rezando pros deuses estarem com a gente.
Dizendo isso, ele começou a atirar flechas aleatoriamente pelo corpo da serpente, enquanto minha mente quase pegava fogo tentando criar uma estratégia para chegar perto do monstro sem que ninguém ficasse em pedacinhos.
- Eu preciso pensar! - gritei e então Daisy se levantou rapidamente e puxou sua varinha, deixando o garoto sentado ao seu lado a olhando.
- Petrificus Totalus! - uma das flechas que atirou voltou em direção à rua quando o monstro paralisou, mantendo apenas seu olho bom movendo freneticamente entre um e outro, tentando entender o que acontecera.
- O quê? - o garoto se levantou, parecendo melhor – Como? - Daisy deu de ombros.
- Pensa, !
- Agora ficou fácil - falei, sabendo que o feitiço não duraria muito me aproximei da serpente que mantinha seu olho em mim enquanto eu me preparava para atacá-la.
- , isso é meio arriscado – Meg disse, se aproximando de mim com sua adaga em mãos.
- Alguma coisa a gente tem que tentar.
- Isso não vai dar certo – ouvi a voz do garoto chegando mais perto.
A serpente se mexeu rapidamente, e quando meu reflexo agiu, me fazendo tentar levar a espada de encontro ao seu corpo para torná-la pó, a força do monstro foi maior. Senti meu corpo ser arremessado longe, encontrando outro no meio do caminho. Cai com metade do corpo em cima do garoto desconhecido e metade no chão de asfalto.
Eu não conseguia levantar, e duvidava que o semideus conseguiria. O impacto havia sido muito forte, e eu não conseguia nem ao menos me mexer, pois a dor era latejante. Tentei levantar meu pescoço para olhar o que acontecia na batalha, mas quando consegui tudo que vi antes de desmaiar foi pó.

Acordei deitada no colo de alguém, senti as pernas da pessoa dobradas por baixo da minha cabeça, e seu corpo tremia enquanto falava. Tentei abrir os olhos, mas ainda sem sucesso, meu corpo parecia ter sido atropelado por cinquenta caminhões guincho, mas me lembrei que fora uma serpente marinha mesmo.
- Precisamos ir, será que ela não vai acordar?
- Eu não sei, mas vocês pretendem esperar só ela acordar e sair correndo, largando o menino aí?
- Ele nem mesmo queria ajuda.
- É, mas a gente ajudou, não vamos simplesmente largar ele aqui, né?
- Por mim...
- ? ? - senti meu primo me chacoalhar, e abri os olhos, vendo seu rosto em cima do meu - Graças aos deuses!
- Ela acordou? - ouvi Oliver perguntar e ele também apareceu em meu campo de visão.
Senti que meu corpo estava melhor, então deduzi que haviam me dado néctar enquanto eu dormia. Todo mundo estava ao meu redor quando tentei levantar meu corpo do colo de . Tentei me lembrar do que acontecera e onde eu estava, então olhando para meu lado direito percebi que estávamos no mesmo lugar. Vi a mureta quebrada por onde a serpente passava, que agora estava vazia, e aquela ponte que nunca parecera tão tranquila. Ironia, não?
- O que aconteceu? - perguntei com a voz ainda falha.
- Você me derrubou – vi o menino rolar os olhos, enquanto segurava uma bolsa de gelo na cabeça - Obrigado, a propósito - sorri sem graça para ele, apesar de sua arrogância.
- Além disso – Daisy começou a falar – você fez besteira, caiu, se machucou e atrasou bastante a gente.
- Vocês são ótimos, obrigada!
- Fazer o que se estamos chamando atenção aqui faz tanto tempo? Será que você consegue levantar para irmos pelo menos para algum parque, um lugar maior, antes de pensar em pegar um avião? - falou, rindo e se levantou, para me apoiar.
- E você? - Megan perguntou, olhando para o garoto.
- Eu vou para casa – ele se levantou em um pulo, parecendo bem melhor.
- Podemos pelo menos saber quem você é e ter ideia do porquê te ajudamos? - Daisy rolou os olhos.
- Como já disse, não precisava de ajuda, mas bom, que sou um semideus vocês já sabem, já que me deram néctar na tentativa. Se eu não fosse já estava morto.
- Precisa ser arrogante assim? - perguntei.
- Tenho 20 anos e sou um semideus.
- Tá tudo explicado - falou Megan rindo.
- E vocês? - todos se apresentaram rapidamente, sem dizer sobre ser filho de alguém ou não, para que não comprometêssemos Olly e Daisy que teriam muitas explicações, e o garoto parecia curioso em cima deles – Pronto, tudo lindo, agora posso ir?
- Bom, se não quer nem ao menos saber de nós, fique à vontade.
O garoto então virou as costas e seguiu seu caminho por entre as pessoas. Todos se prepararam e então fomos para o lado contrário ao dele, com intenção de seguir até o Guy Street Park.

Já eram 09h quando chegamos lá. Estávamos aproveitando para nos divertir enquanto era possível, então Olly, Daisy e Megan estavam se conhecendo, sabendo que teriam um longo período pela frente juntos. Apesar de tentar me divertir, estava meio quieta ao lado de , que parecia entender que eu apenas estava me recuperando. Não gostava quando meus planos davam errado, eu era uma filha de Atena, algo que eu deveria saber instantaneamente eram estratégias.
- , foi só uma vez, não fique assim – ouvi meu primo falar.
- Tá tudo bem – sorri para ele e vi Megan correr de Daisy que tentava alcançar ela. Então do nada, todos nós corríamos para direções diferentes tentando nos esconder.
Me escondi atrás de um arbusto, ajoelhada. Ouvi Olly rindo descontroladamente quando achou Daisy brincando de se esconder atrás de um poste. Apoiei minha mão no chão para me levantar e antes que conseguisse ver qualquer coisa, fui puxada para baixo, sendo levada para o escuro.

Por

Alguns anos de campista haviam criado na minha cabeça um instinto de batalha, mas era de costume que minha prima tomasse a iniciativa e eu obedecesse. Ela era filha de Atena! Ninguém melhor pra traçar estratégias do que ela.
Infelizmente daquela vez ela parecia um pouco distraída e eu não tinha certeza do motivo. Tudo que vi foi a estratégia mais suicida de todas seguida por uma colisão dolorosa de dois corpos. Meu sangue esquentou quando vi ela caindo no chão e meu corpo estremeceu com a dor dela. Esse é um dos pontos negativos de ser ligado em alguém.
Eu não podia abandonar a batalha para ajudá-la então foquei no monstro. A espada de parecia ter atingido algum ponto no corpo dele, pois o monstro jorrava sangue conforme investia mais em terra firme.
- Ei, bafo de peixe, aqui! – atirei três flechas na cabeça dela para chamar sua atenção. – Megan, a ferida! – gritei, fazendo com que ela focasse na batalha também.
Graças aos deuses ela entendeu minha deixa. Eu corria como um desgovernado de um lado para o outro para que a serpente me seguisse e mantivesse seu corpo próximo ao chão até que Megan pulou com a adaga em mãos abrindo mais ainda a ferida até que ela tivesse quase dois metros de comprimento.
O monstro deu um grito agonizante de dor que fez com que diversos alarmes de carro disparassem. Provavelmente os mortais em volta ouviram uma buzina de navio ou algo assim, pois as crianças aplaudiram enquanto o monstro se desfazia em pó para todos os lados.
Não tive tempo de comemorar. Corri até minha prima e ajoelhei ao seu lado abrindo minha mochila. Em questão de segundos eu já havia feito todos os exames possíveis para saber o que havia acontecido com ela e só então me senti mais aliviado ao entender que ela ficaria bem com um pouco de néctar. Ajudei o garoto contra minha vontade também, mas ele teve uma recuperação mais rápida e logo todos já estávamos seguindo nosso caminho.

Nesse caminho até o parque, enquanto eu caminhava ao lado da minha prima, fui inocente o suficiente para pensar “Poxa, que azar encontrarmos um monstro. Mas foi só coincidência, agora tudo vai ficar tranquilo”. E daí me lembrei do lado ruim de ser um Bruxo-Semideus. Nada nunca fica tranquilo!
Uma simples brincadeira de esconde-esconde se tornou uma caça quando simplesmente desapareceu. Lembrei da voz em meu sonho e a forma que ela matou meus entes queridos sem nem pensar duas vezes. Aquilo não me tranquilizou.
Andar pelo parque gritando pelo nome dela foi tão ruim quanto. Me senti uma mãe que perdeu o filho no supermercado. Nos dividimos para cobrir uma área maior e quando vi já estava rodando a pelo menos duas horas. Estava exausto. O sol do meio dia brilhava forte em cima da minha cabeça e foi nessa hora que decidi deitar no chão de grama e aproveitá-lo. Da mesma forma que a água ajuda um filho de Poseidon ou o fogo um filho de Hefesto, sol é meu ponto forte. Posso ficar deitado horas nele sem sequer me queimar.
Eu havia prometido que seriam só alguns minutos, mas antes disso uma voz me tirou de meu transe.
- Eu também adoro fazer isso. – falou o rapaz – Mas sem camiseta, obviamente – e foi então que eu soube quem era.
- Eu não sou tão confiante que nem o senhor, pai. – respondi para Apolo abrindo os olhos para enxergar o jovem rapaz de 25 anos, bronzeado e com cabelo de surfista loiro. Seus olhos eram castanhos como o pôr do sol no oceano e seus cabelos brancos como neve. Ele usava chinelos, uma bermuda verde clara e uma camisa de manga curta aberta até metade do corpo.
- Senhor? Qual é, , sou tão jovem quanto você, não sou? – pergunto ofendido, necessitando daquele apoio.
- Claro. Talvez até mais. – respondi me sentando apoiando meus braços sobre meus joelhos. – Mas o que faz aqui?
- Você me chamou, ué – respondeu enquanto seu rosto brilhava até aparecer um Rayban em frente seus olhos. – Não com palavras, mas eu vi seu coração, filhão.
Eu sabia o que ele queria dizer. Muito mais do que o fato de estar desaparecida, nós estávamos perdidos. Pegamos Oliver, pegamos a Daisy e daí o quê? Estávamos seguindo nosso instinto que poderia simplesmente nos levar até a boca de um dragão.
- Você pode ajudar?
- Não.
- Muito bom, viu? Pai do ano. – respondi irônico.
- É verdade, ué. Se Zeus me pegar interferindo em missões de heróis, tenho medo do que ele possa fazer dessa vez. – comentou assustado, me fazendo pensar o que ele quis dizer com “dessa vez” – Eu aprendi minha lição.
- Hãn... Que bom pra você. – disse incerto – Mas se não pode ajudar, o que veio fazer aqui?
- Um pai não pode simplesmente visitar seu filho? Jogar bola com ele?
Encarei-o desconfiado.
- Ok. Ok. Eu não posso ajudá-lo, mas sei quem pode. – concluiu sorrindo de forma pensativa enquanto encarava o céu. – Sabe, ... As coisas estão mudando. Eu não sei muito bem o que irá acontecer e o pouco que sei não posso te falar, mas essas mudanças são muito frágeis... – ele respirou fundo e puxou algumas gramas do chão, soltando-as no vento. Naquele momento ele se pareceu mais com um mortal do que nunca – Pessoas podem e vão se aproveitar disso e nós precisamos de heróis como você para tomarem a frente.
- Que tipo de mudanças? Que tipo de heróis?
- Corajosos. Dispostos a abrir mão de tudo pelos que ama. – ele sorriu de maneira jovial – Como eu disse, não posso te ajudar nem contar nada, mas se eu te disser aonde está a pessoa que pode te ajudar não é como se eu estivesse te apontando uma direção, certo? – disse enganando a si mesmo.
- Claramente não. É apenas um... Comentário!
- Exatamente, filho. Por isso gosto de você! Você me entende... – nós rimos e ele prosseguiu – Sua tia Ártemis está na Grécia com as caçadoras, sabia? Está investigando algo que não sei o que é... – levantou as sobrancelhas indicando que estava mentindo – E ela me deve um favor, sabe... Acho que você poderia utilizar esse favor e nesse meio tempo quem sabe você não entenda melhor sua missão?
Por alguns instantes pensei no que ele estava fazendo e sorri.
- Por quê? - questionei-o referindo a aquelas dicas
- Já estive em seu lugar e realmente sei que não é justo. Mas você dá conta. – me deu um soquinho no ombro antes de levantar. – Agora lembre-se, você tem até domingo para achá-la. – o que significava menos de dois dias.
- Você vai nos dar uma carona, né? – questionei pasmo com o prazo.
- Tá louco, menino? Quer virar fricassê? Não dessa vez... – deu com os ombros – Mas quando encontrar sua prima acho que ela terá uma ideia de como chegar lá.
- Sabe onde ela está?
- Puxa, olha a hora. Preciso ir. – olhou para seu pulso sem relógio. – Até mais, mano. Boa sorte nesse corre. – tentou soar jovial antes de explodir em claridade e brilho de volta para o céu, o que teria me cegado se não fosse seu filho.

Encontrei meus amigos próximo as 14h e nada de minha prima. Estava menos preocupado após o encontro com Apolo, mas continuava com medo dela estar mal.
- Acho melhor voltarmos para onde estávamos antes, não? Ela pode estar por lá onde ela sumiu! – sugeriu Oliver.
- Você não sente nada, ? – questionou Megan sobre a conexão empática.
- Um pouco de dor, mas só. Nenhuma direção, nem nada.
- Vocês não andam com celular, não? – questionou Daisy tirando o seu do bolso e desbloqueando.
- Não e você também não vai usar, mocinha. – puxei o item de sua mão e bloqueei. – Isso aumenta nosso cheiro para...
- Monstros! – disse Megan.
- Exatamente!
- Não, . Monstros! – ela apontou para uma das trilhas de caminhada e eu vi três cachorros negros e demoníacos de quase 2 metros de altura vindo em nossa direção.
- Feliz, Daisy? – questionei.
- O que é aquilo? – perguntou Oliver se afastando.
- Cães infernais... O que fazem aqui? – indagou Megan.
- Não quero descobrir. Daisy, são três. Precisamos igualar as coisas. Um para cada dupla. Prende um! – gritei entrando em pose de combate com meu arco em mão.
A garota hesitou um pouco, mas após alguns segundos lembrou-se do que deveria fazer. – Incarcerous! - Ela gritou e cordas negras voaram da varinha dela até o menor cão, enrolando no pescoço dele para que ele caísse e lutando para não sufocar.
- Elas não vão durar muito!
- Certo! Eu e Oliver vamos no da esquerda, você é Megan no da direita, ok? – Sugeri não muito aberto a discussões enquanto atirava flechas no animal.
O bicho era enorme e quanto mais se aproximava mais me assustava. Quando ele pulou sobre nós para abocanhar o que pudesse, pulamos um para cada lado e ele foi direto em uma árvore.
- Estupefaça! – gritou e um raio atingiu a perna do bicho e ele decidiu que seu alvo seria o autor daquele ataque: Oliver!
O monstro não estava distante e com uma investida jogou meu amigo no chão, pronto para enfiar os dentes nele. Por sorte aquele jogador de quadribol aposentado era magrelo e escorregou por entre as patas do bicho, prendendo-se na barriga dele.
O cão entrou em desespero, batendo-se de um lado para o outro para alcançar o bruxo em seu pelo. Era minha chance.
- Oliver, lembra do incidente com a calcinha da Melanie no 3° ano? – gritei.
- Você... Quer... Lembrar... Disso... Agora? – questionou em meio aos movimentos.
- Não. Só faz a mesma coisa com a flecha. – apontei outra para o animal e esperei o momento certo para lançá-la.
- Engorgio! – gritou Oliver no meio do trajeto e a flecha tornou-se um arpão de um metro e meio de cumprimento que perfurou o couro do cachorro, apenas fazendo-a ganir até desaparecer em pó.
- Boa, garoto! – corri até ele quando ouvi um grito feminino do outro lado. O outro cão havia se soltado e encurralou Megan entre suas patas.
Meu corpo congelou ao ver a cena, mas no mesmo instante Oliver disparou sobre o animal de uma forma que eu nunca havia visto ele fazer em um jogo de quadribol. O bruxo pulou no pescoço do cão antes que aquele sequer notasse o que havia o agarrado e enfiou sua varinha no pescoço do bicho como uma faca.
- Bombarda... Máxima! – BUM. O monstro ficou sem cabeça antes de explodir em pó para todos os lados.
- Você está bem? – perguntou Ollie para Megan ajudando a levantar.
- Ahan. Eu me distrai! Só isso. – ela levantou pegando a adaga para o terceiro. Infelizmente aquele era o maior e Daisy estava sozinha.
Ela lutava muito bem contra ele. Uma vinha havia crescido no chão e agarrado as patas do bicho e ela parecia ter toda a situação sob controle quando o animal se soltou e bateu nela com a pata, claramente acertando as unhas em seu ombro e fazendo com que ela rodasse no ar para longe até acertar o chão.
Megan e eu entramos em posição de combate enquanto Oliver foi ajudar Daisy. Megan lutava com sua adaga de uma maneira que eu invejava enquanto eu apenas dava cobertura de longe, impedindo o bicho de acertá-la. Ela pulou por cima da cabeça dele e cortou sua orelha, o que o deixou muito zangado, mas antes que ele a atingisse, acertei uma flecha em sua pata e ele a perdeu de vista novamente em meio aos seus pelos.
O bicho estava ficando zonzo com a velocidade da menina e ela já havia cravado a adaga nele várias vezes, mas aquele golpe foi excepcional. Pulando com os dois pés sobre as costas da criatura, Megan ficou equilibrada por alguns longos segundos antes de pular pra longe. No ar, conforme ela caia no chão, jogou sua adaga na cabeça do monstro, passando por onde havia uma orelha antes e cravando a arma em sua cabeça. O animal soltou um rugido de dor e caiu no chão apagado enquanto se desfazia em pó.
- Meu Santo Apolo, onde aprendeu a lutar assim? – questionei-o pasmo
- Ah... Passo muito tempo no acampamento, né...
- Gente, venham rápido! – ouvimos Oliver gritar e nós viramos para vê-lo. – É a Daisy. Ela está apagada!



Continua...




Nota dos autores:
Alô pessoal? Existe alguém por aqui? Alguém acompanhando? Hahaha Se sim, apareça! Eu e o Lu estamos ansiosos por escrever cada vez mais, tem muita coisa legal vindo por aí! Beijo!



Outras Fanfics da Lala:
04. She Will Be Loved
14. Maneira Errada (continuação de She Will Be Loved)
Mixtape: Uma Criança Com Seu Olhar
08. Two Worlds Collide
I Do - Especial Dia dos Namorados



Nota da beta: Hum... esse garoto novo me deixou intrigada... E a pp, onde ela se enfiou? Adorei a aparição de Apolo kkkkkkkkk <3 Continuemm

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.




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