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Última atualização: 25/06/2018

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Capítulo 15 - The guy who turned her down

chegou ao terceiro andar e tirava as luvas quando percebeu que havia alguém parado no corredor. Aidan estava encostado na sua porta e mexia no celular, com uma expressão séria. Levantou o rosto ao perceber os passos e guardou o aparelho no bolso.
“Onde você estava?” Ele perguntou, parecendo preocupado.
Era manhã de domingo e, só agora, ela estava voltando.
“Na casa do Zayn...” respondeu, sem emoção na voz. Passou por ele e tirou a chave da bolsa.
“Zayn? Quem é Zayn?” Aidan parou ao seu lado, tentando fazê-la olhá-lo nos olhos. “Como assim você passou a noite na casa de um cara?”
“É o meu melhor amigo. Apresentei vocês na festa, lembra?” se virou para o rapaz, sem se dar ao trabalho de alterar seu tom de voz. A noite anterior tinha sido agradável demais para que se sentisse culpada. Não era a vilã dessa história! “Minha outra opção era ficar sozinha no meu quarto...” Continuou, levantando as sobrancelhas.
Ela fez menção de abrir a porta e deixá-lo falando sozinho, mas Aidan segurou sua mão.
... Desculpe-me por ontem, por favor!” Falou, conseguindo fazer com que ela o olhasse, finalmente. Tentou transmitir o quanto se sentia mal pelo que tinha feito na troca de olhares.
A garota desistiu de entrar no quarto e, pela primeira vez, abaixou a guarda.
“Você não tem que se desculpar.” Ela disse com a voz triste, cruzando os braços e encarando o chão. “Se você não acha que nós estamos juntos, a culpa é minha por ter entendido errado. Eu só te peço pra me deixar sozinha... Eu não vou saber fazer do seu jeito... Já me envolvi demais!”
“Não! Não, !” Aidan chegou mais perto, segurando seus braços para que ela os descruzasse. “Eu... Eu quis dizer uma coisa e acabou soando como outra, e, depois, você desligou o celular, e eu precisei voltar ao teatro... Enfim. Eu não quis dizer que não levo a sério o que nós temos.” Ele explicou, chegando ainda mais perto e segurando as duas mãos dela. “Eu adoro o que nós temos e quero continuar com você... Só achei que não fôssemos o tipo de casal convencional, que faz esse tipo de programa e comemora esse tipo de data. Foi isso o que eu quis dizer!”
fungou, tentando não chorar de novo.
“É claro que eu quero comemorar o Dia dos Namorados, Aidan! Principalmente, quando eu acho que estou namorando...”
“E se é isso que você quer, então nós estamos.” Ele disse, tirando a franja dos olhos dela e segurando seu queixo para que ela levantasse a cabeça e o encarasse. “Hey... Você lembra que eu te disse que você era especial? O tipo de garota que não se pode deixar passar?” fez que “sim” com a cabeça. “Eu estava falando sério! Eu não vou te perder por bobeira, tá me entendendo?” Aidan falou, abrindo um sorriso e recebendo outro de volta.
Ele aproximou-se mais e deu um selinho demorado nos lábios dela. o abraçou e fez com que o selinho se transformasse em um beijo de verdade. Sentia-se bem em tê-lo de volta. Havia passado todo esse tempo, tentando convencer a si de que não precisava dele, ou de um namorado, ou de qualquer um... Mas, agora, sentia-se tão aliviada de terem resolvido tudo, que o mero pensamento de que era melhor mesmo se não ficassem juntos parecia ridículo!
“Pronto! Assim que eu gosto!” Aidan disse, dando um beijinho delicado em sua bochecha. “Estamos bem?”
“Estamos...” respondeu, sorrindo e fazendo carinho em sua cabeça.
“Que bom... Porque tenho uma surpresa pra você no meu quarto. Ainda dá tempo de comemorar o Dia dos Namorados?!” Ele perguntou, e a garota deixou seu queixo cair ao ouvir aquilo, fazendo-o rir. “Vem!” Aidan a puxou para o elevador, em direção ao seu andar.
o seguiu, quase flutuando pelo caminho.
O que será que ele tinha aprontado? Mal podia esperar!
Estava tão fora do ar que nem viu a mensagem de Zayn, dizendo que, se precisasse, ela poderia passar a tarde lá na casa dele de novo.

Março chegou com a promessa do começo da primavera. Estava tão frio, porém, que temperaturas mais quentes pareciam um sonho distante. E era por causa do frio que e Niall ainda estavam na cama naquela tarde de sábado. A garota estava sentada em meio aos muitos edredons, digitando o que era o seu arquivo “dissertacao1.docx”, dos muitos “dissertação.docx” que ainda viriam após as correções de Alexander.
Era engraçado pensar que, em alguns meses, defenderia seu mestrado e voltaria para casa, como era o combinado com sua mãe. Havia ido até lá no último fim de semana e, apesar de tudo parecer bem com todo mundo, ela não pôde deixar de se sentir estranhamente perdida, sem Niall a rodeando pela casa e, bom, isso era um pouco preocupante por uma série de motivos.
“Niall...” Ela chamou. O namorado tinha um dos braços passados por sua cintura e dormia pesadamente. Esta era a coisa com ele: quando estava acordado, era o ser humano mais hiperativo já visto, mas quando dormia era quase como se tivesse morrido. fez carinho em sua cabeça, e ele se mexeu, ainda sem dar sinal de vida. “Niall!” Tentou de novo. “Ni...”
Ele abriu um dos olhos preguiçosamente e sorriu para ela, encolhendo-se sob os edredons.
“Oi... Terminou aí?” Ele perguntou, depois levantou a cabeça e olhou para a televisão. “Já acabou o jogo?”
riu.
“Já! São 5 horas da tarde.”
“E você terminou o que estava fazendo?”
“Uhum!” colocou o notebook no criado-mudo e deitou-se de novo, sendo abraçada direito por Niall. Ficaram com o rosto de frente para o outro. “Niall... Você acha que somos um daqueles casais?”
“Que casais? Tipo, Posh Spice e Beckham? Provavelmente... Só que mais bonitos...” Ele respondeu sério.
riu.
“Palhaço! Não... Um daqueles casais chatos que não se desgrudam, sabe? Que passam o tempo todo juntos e nunca mais saem com nenhum dos amigos, e tal...”
Niall olhou teatralmente por cima do edredom e pelo quarto.
“Há quanto tempo nós estamos aqui?”
Era impossível falar sério com ele. A garota deu um tapinha em seu ombro enquanto ria de novo.
“Tô falando sério.”
Ele voltou a deitar a cabeça no travesseiro.
“Os meninos da república têm me cobrado um pouco por passar menos tempo lá...” Niall contou. “Apesar de não ser uma coisa que fazemos de propósito, talvez, a gente esteja em falta com nossos amigos... Alguém mais reclamou?”
“Não... Eu estava só pensando no fim de semana passado... Senti tanto a sua falta em casa!”
O garoto abriu um sorrisão e levou seu rosto para mais perto do dela.
“E quando você vai me levar pra conhecer sua família?”
engoliu em seco. É... Não em uma data próxima. Sabia que precisava contar a ele, mas... Não, não, hoje. Não agora.
“Podemos pensar nisso depois... Nosso problema, agora, é como não ser um daqueles casais.”
“O que você sugere? Tô com preguiça de pensar...” Niall falou, voltando a fechar os olhos.
“Precisamos de mais tempo com nossos amigos, criar uns programas diferentes... Vamos tentar isso esta semana? Ficar menos tempo juntos e mais tempo com eles?”
“Uhum...” Ele respondeu, sonolento. nem tinha certeza se ainda estava ouvindo. Deu um beijinho de leve em seus lábios e o sentiu apertando o abraço para que ela chegasse mais perto. “A gente pode começar isso só amanhã, né? Tá tão bom aqui!”
deu uma risadinha e também fechou os olhos.
É... Deixa para amanhã...

“Olha quem vem aí, El! Quem é ela, mesmo? Acho que é alguém que troca as amigas pelo namorado!” brincou ao ver entrar na loja.
Ela mostrou a língua e riu, indo cumprimentar Eleanor.
“Não vem, não, que, até onde eu sei, todas nós aqui estamos amando e sendo amadas, e passando mais tempo com os respectivos bofes!”
“Bom, eu tenho que aproveitar quando Lottie não está prestando atenção...” El explicou, dando de ombros.
Seu namoro com Louis continuava às escondidas da irmã dele, mas estava cada vez mais difícil encobrir e dar desculpas de, por exemplo, por que ela não investia no professor de francês gatinho, que lhe dava mole.
deu um tapinha solidário em seu ombro.
“E quando vocês pensam em contar a ela, El? Isso já tá ficando surreal!” A amiga falou.
“Nesse fim de semana, provavelmente, mas ainda estamos pensando em como faremos isso.”
“Cara, eu ainda acho que ela vai adorar...” se intrometeu. “Quem melhor pra ser cunhada dela que você?”
“A Hannah...” Eleanor falou, torcendo o nariz. “Queria saber qual é a dessa menina! O que ela tem de TÃO legal!”
“Ela, provavelmente, droga a coitada da Lottie.” respondeu, fazendo as duas amigas rirem.
“E você, ?” sentou-se na mesa do fundo da loja, balançando os pés no ar.
“Bom, eu não me definiria como ‘amando e sendo amada’, como você disse, agora a pouco, mas tudo bem... Matt é um cara bacana.” deu de ombros.
“Que desânimo! Ele parece ser tão fofo!” El falou. “Bom, ele já se derretia todo por você toda vez que vinha aqui. Agora, então... Só falta vir com a aliança no meio dos tubos de tecido!”
“Nem dê essa ideia a ele!” exclamou, levantando o dedo para a estagiária e fazendo-as gargalhar de novo.
“Então... Qual é o problema?” perguntou. “Além do fato óbvio de que ele não é o Styles.”
A amiga riu, meio triste, e abaixou os olhos.
“Ele não ser o Styles é 99% dos problemas.” Ela confessou. “Sinto falta daquele cabeça dura!”
“Tem visto ele?” Eleanor quis saber, e fez que “não” com a cabeça.
“Não frequentamos os mesmos lugares, né? Ele mudou o horário na academia...”
“Louis sai com ele, de vez em quando...” A amiga contou. “Diz que ele tenta esconder e se esforça pra ser natural, mas dá pra perceber que alguma coisa o incomoda.”
soltou a respiração pesadamente.
“Não era pra ser assim, sabe? Nós nos divertíamos tanto... Era tão bom! Mas o que tá feito tá feito, e o Matt, apesar de não ser o Harry, é um doce comigo. A gente se vira com o que tem...” Ela mordeu os lábios e se virou para El. “O Louis sabe se ele tem ficado com alguém?”
“Hum... Acho que sim. Nenhuma menina fixa, mas ele fica com algumas, de vez em quando...” Eleanor respondeu.
“Bom... Eu não deveria me importar, né? Tô com o Matt...” sorriu, e desceu da mesa e foi abraçá-la. “Viu, ? Por isso, você não pode sumir com aquele duende irlandês!”
Ela riu e deu um beijo no rosto da amiga.
“O duende irlandês, aliás, quer saber quando é a próxima terapia de tequila...”
Foi a vez de rir.
“Diga a ele que, provavelmente, em breve!”
“Olha, dependendo de como for com a Lottie nesse fim de semana, eu também irei!” El voluntariou-se, e as meninas foram abraçá-la.
“Mas, e aí, suas protagonistas de novela mexicana?! Onde vamos almoçar?” perguntou, então, esfregando as mãos.

, Jessica e almoçavam no restaurante da faculdade quando Josh entrou. O garoto reconheceu as duas conhecidas, sorriu e acenou para elas, antes de chegar até o balcão.
deu um cutucão em Jess.
“Mas olha quem tá aí, Jess!” Falou, ainda dando umas cotoveladas nela.
se virou para olhar o que as duas observavam.
"Quem é?"
“Um amigo do Niall que nós conhecemos...” Jess contou, ficando vermelha com o ataque de .
“E que é um gatinho e que... Pera aí!” se virou para a amiga ao seu lado. “Como foi lá na festa de Carnaval? Você nem me contou!”
Jess corou mais ainda e evitou olhar para a amiga.
“Eu não fui...”
“COMO É QUE É?” gritou, fazendo Jess ter vontade de entrar embaixo da mesa.
, que, até então, estava perdida, virou-se para Jessica também.
“Vocês não iam... Ninguém ia!” Ela tentou se justificar.
“O gatinho ia!” falou.
“Eu não ia aparecer lá sozinha...” Jess retrucou, dando de ombros e voltando os olhos ao seu prato.
“Tá bom, vai... Eu te entendo.” disse, por fim, dando uns tapinhas solidários no ombro da amiga. “Vou chamar o Niall e bolar um plano pra vocês se encontrarem...”
“Hey! Eu não disse que tô interessada nele! ”
“Bom, ele é bem ‘interessável’...” falou, analisando no balcão. “Se é que essa palavra existe...”
Josh voltou a carteira ao bolso de trás da calça, fez um aceno com a cabeça e se virou para as mesas, tentando achar um lugar para se sentar.
sorriu, encorajando-o a se aproximar.
“Sente-se aí, Josh!” Ela falou, apontando para a cadeira de frente para Jéssica, que não sabia para onde olhar.
“Obrigado, meninas! Oi, Jess!” Ele disse, sorrindo e, ao se sentar à mesa, nas péssimas cadeiras imóveis do refeitório, sua perna roçou nas pernas dela, que se encolheu, tímida. “Ôpa! Desculpa!” Ele disse, sorrindo ainda mais.
“Esta é a , Josh... Acho que você não a conhece.” falou. precisava admitir: a amiga virou outra pessoa desde que tinha a conhecido no início do ano letivo. Diferente para melhor, claro. Mais comunicativa, confiante... Mas ainda tão estudiosa e doce quanto no primeiro dia. “, este é o Josh. Ele estuda com o Niall.”
ofereceu a mão para cumprimentá-lo e sorriu.
“Prazer!”
“Prazer!” Josh falou e se virou para Jéssica e . “Aliás, eu e Niall iremos a uma palestra/apresentação na sexta... Se vocês quiserem ir também...”
“Uma o que?” Jess perguntou, ganhando a atenção plena dele.
“É um cara que vai tocar violão e contar umas histórias, porque ele já esteve em tudo quanto é lugar, sei lá! Eu e Niall vimos alguém comentando por aí e resolvemos ir.”
“Estranho... Não vi ninguém falando sobre isso... Nada nesta faculdade é bem divulgado, né?” reclamou, e os outros três concordaram com a cabeça. “A peça do Aidan, mesmo, é de graça para os estudantes daqui, mas ninguém divulga nada!”
“Pois é... E parece que vai ser bem legal. Vocês querem ir?” A pergunta dele era para todas as meninas, mas seus olhos estavam em Jéssica, que foi chutada embaixo da mesa (e, desta vez, não era Josh).
A garota sorriu e acertou o óculos no nariz.
“Parece ser legal. Eu curtiria ir.” Ela respondeu, fazendo Josh sorrir de volta.
“Vou avisar o Zayn!” falou, puxando o celular.
Os quatro continuaram almoçando e conversando. Jess tentava, desesperadamente, não demonstrar como estava nervosa e nem parecer idiota quando ria de algo que Josh falava. Ele era mesmo bem “interessável”, não era?

Eleanor havia sido dispensada de sua aula de Desenho com , naquela noite, porque a patroa sairia para jantar com Matt. Porém, estava sentada em seu quarto, tentando terminar um desenho que havia começado e que estava, talvez, pela primeira vez, gostando bastante.
Reclinou-se na cadeira e se espreguiçou, olhando, satisfeita, para o vestido que estava criando. Estava alcançando sua caneca no criado-mudo quando Lottie colocou a cabeça para dentro de seu quarto.
“Hey!” Ela cumprimentou, alegre. Toda vez que ela aparecia era o mesmo ataque do coração.
El sempre achava que ela entraria, gritando que sabia de tudo.
“Hey, você! Não tinha te visto, hoje, ainda!” El sorriu, convidando-a para entrar.
Lottie entrou no quarto e parou atrás da amiga.
“Tá ficando tão lindo! Você é tão talentosa, El!”
“Obrigada! Eu estou realmente feliz com este! Eu consigo imaginar o tecido aqui, sabe?” Ela disse, apontando para a saia do vestido.
Lottie colocou as mãos no ombro dela.
“Você vai mandar fazê-lo?”
disse que, no final do ano letivo, me ajudará a costurar o que eu gostar mais e colocará na loja...”
“Acho que já temos uma campeã!”
“É, acho que sim...” El tomou mais um gole do chá.
“Tenho boas notícias!” Lottie falou, saindo de trás da cadeira. “Hannah virá pra cá nesse fim de semana.”
A mão de Eleanor desceu involuntariamente, fazendo a caneca bater no tampo da mesa e espirrar chá por todo seu desenho. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela nem sabia por qual dos motivos estava mais chateada.
“Ai, caramba!” Falou, observando seu desenho todo borrado e molhado.
“El!” Lottie falou. “O que houve?”
“Eu... Eu me distraí!” Falou, correndo para o banheiro para pegar uma toalha e tentando não chorar. “Que merda!”
Lottie continuava olhando-a, sem saber o que fazer ou como ajudar. A garota tentava secar o papel, mas o desenho já estava arruinado. Ela levantou os olhos para a amiga, dando-se por vencida.
“Não fica assim, El!” Lottie falou, indo abraçá-la. Algumas lágrimas caíram de seus olhos. “Você vai fazer outro ainda mais bonito que esse! Você vai, com certeza!”
Eleanor fungou e se desvencilhou do abraço, tentando, por tudo, esconder o segundo motivo de sua tristeza.
“Então, a Hannah vem pra cá?”
“Vem! Nesse fim de semana!”
“Louis já sabe?”
“Não!” Lottie falou, fazendo cara de quem aprontou. “Será uma surpresa... Nós temos tentado combinar isso há séculos!”
El limpou as lágrimas em sua bochecha.
“Mas eles já não se viram no réveillon, Lottie, e não deu em nada?” Ela começava a ficar cansada da teimosia da cunhada e da tal ex-namorada de Louis.
Ele não a queria mais! Que saco!
“Sim, mas, naquela época, ele estava começando com a vaca... Você sabe que, no começo, é tudo lindo, né? Eu queria ver a cara dela quando visse a Hannah e o Louis pelo campus!”
Bom... Ela já estava vendo.

e Matt voltavam de mãos dadas do jantar. Ela tinha que admitir que o rapaz era muito engraçado e ainda estava rindo de algo que ele havia dito há algum tempo.
Além disso, Matthew parecia empenhado na tentativa de fazê-la se sentir feliz. Era fofo, romântico, mandava mensagens bonitinhas durante o dia, ligava nos fins de semana e sempre que aparecia na loja, “a negócios”, tentava ser o mais profissional possível, mas não saía de lá sem roubar um beijo dela, antes de ir embora.
Eleanor costumava passar alguns segundos examinando , depois que Matt saía, mas nunca dava sua opinião, porque, apesar de tudo, ria, se despedia e, rapidamente, voltava seus olhos aos papéis que estava lendo antes de ele aparecer. Sem suspiros, sem sorrisinhos bobos, sem acenos de cabeça que diziam “Para de pensar nele e foca no trabalho!”. E sentia-se verdadeiramente agradecida por El não colocar em palavras o que ela também sabia que era verdade:
Não estava apaixonada.
Mas estava viva, e isso significava que ainda estava tentando. E, neste momento, andando pela rua, de mãos dadas com ele, os dois caminhando pertinho um do outro para diminuir o frio que o vento trazia, ela quase conseguia sentir o tipo de intimidade comum nos casais.
“Aonde iremos? Sua casa? Tomar um café antes?” Matt perguntou.
“Podemos tomar um café!” disse, sorrindo. Estavam andando pela rua onde ficava sua cafeteria favorita. “Adoro o café daquela lojinha ali!” Apontou.
Estavam no meio do caminho quando o avistou. Vinha andando de cabeça baixa por causa do vento, as mãos enterradas nos bolsos do sobretudo... Tão lindo que parecia uma visão! Tirou as mãos do casaco e mexeu o cabelo daquele jeito peculiar, e, ao fazer isso, levantou a cabeça.

Música

“You know I see you in another light.
Where did the days go when it all felt right?
And all I know is there was fire in the room.
But it got cold too soon…”


A garota não foi rápida o bastante para se desvencilhar de Matthew e, quando Harry a olhou, o casal ainda estava de mãos dadas. Os olhos dele passaram por seu rosto e se prenderam nesse fato por algum tempo, antes de se virar e entrar na cafeteria.
A cafeteria que e Matt entrariam também.
“Hum... Matt...” Ela começou, nervosa. “Acho que não preciso de café... Quer ir direto para casa?”
“Tá tudo bem?” Ele perguntou, olhando-a.
Estava distraído por algum tempo com as vitrines.
“Claro... É que tá frio...” mentiu, tentando sorrir.

“Listened to the rain, and it doesn't sound the same.
And it was fun, fun, fun.
The silence in your road, we're not talking anymore.
We better run, run, run.
The way you look at me in any opportunity until I come undone.
It's the sound of our hearts getting louder beating like a hollow drum.
Like a hollow, hollow, hollow drum...”


“Hum... Posso comprar para levar, então? Eu realmente queria um café.” Matt falou.
Não tinha como impedi-lo. Não tinha desculpas.
“Claro... Eu te espero aqui fora.” Ela disse, soltando suas mãos. “Lembrei que tenho que ligar para Eleanor... É rapidinho.”
“Dá folga à sua estagiária. Coitada!” O rapaz brincou, sorrindo.
deu uma risadinha forçada e continuou do lado de fora quando ele entrou na cafeteria, mas ficou olhando para dentro pela vitrine. Harry terminava de fazer seu pedido e seu olhar parou em Matt quando o mesmo aproximou-se. Olhou em volta, procurando-a, e, então, seus olhos encontraram os de .

“So hold your tongue, you can't look me in the eye.
And you won't remember, you won't even try.
All I knew is there was fire in the room.
But it got cold too soon.”


Não havia definição para sua expressão. Ele estava sério. E triste. E decepcionado. E com raiva. Mas, de algum modo, também havia presunção em seus olhos, uma vez que , ao escolher ficar do lado de fora, dava a entender que tinha medo de ficar tão perto dele. Eram todos esses sentimentos que ela pensava distinguir. O garoto continuou encarando-a por mais algum tempo, até que ela desviou o olhar e deu um passo para trás para que seu rosto ficasse encoberto pelo logo da loja no vidro.
As perguntas giravam em sua cabeça.
Por quê? Por que as coisas tinham que ser assim? Por que ele não podia ser a pessoa que ia sair da cafeteria e segurar sua mão, e acompanhá-la até à sua casa?

“Listened to the rain, and it doesn't sound the same.
And it was fun, fun, fun.
The silence in your road, we're not talking anymore.
We better run, run, run.”


A porta se abriu, e Harry saiu de lá, colocando a mão livre de volta no bolso. Passou em sua frente, sem nem olhá-la direito, o que feria mais que qualquer olhar indecifrável. Quando Matthew apareceu, precisou inventar uma desculpa esfarrapada para que o rapaz não subisse. A intimidade que estava sentindo não existia mais. A vontade de tentar também não. Só havia o sentimento de culpa... A solidão... Um buraco.
Mais uma vez, havia um buraco.

“The way you look at me in any opportunity until I come undone.
It's the sound of our hearts getting louder beating like a hollow drum.
Like a hollow, hollow, hollow drum...”


Harry continuou andando, sem olhar para trás, forçando-se a não olhar para trás.
Ele estava certo durante todo esse tempo… O cara que estava com era mais velho. Era da idade dela. Sentiu uma raiva enorme e uma tristeza do mesmo tamanho, mas, enquanto assoprava seu chocolate quente, o que ele realmente pensava era que sentia muita falta de . Queria ser o cara levando-a para casa, comprando o café dela.
De alguma forma, ele a queria de volta.
Seu celular apitou, e ele quase desejou que fosse ela, mas era a garota com quem tinha ficado na noite anterior, perguntando onde Harry estava e o que estava fazendo. Sem muita emoção, mentiu que estava em seu quarto, estudando, e continuou andando, sem rumo, pela cidade.
Ele queria de volta, nem que fosse para provar a si que não precisava ser mais velho para tê-la.
Mas o que podia fazer agora?

“It's the sound of our hearts getting louder beating like a hollow drum.
Like a hollow, hollow, hollow drum…”


“A gente pode dar um tempo nesse negócio de não se ver? Tô com saudade! Você vem?”
sorriu para a mensagem. Era sexta-feira à tarde, e isso deveria significar liberdade, mas ela ainda tinha uma longa lista de referências para corrigir.
“Não vou conseguir sair agora, mas passarei aí pra te buscar e te levar ao terceiro andar depois. Chega dessa brincadeira! Você é só meu esta noite, Horan!”
Continuou olhando para o nome do namorado no celular, sorrindo. Para falar a verdade, estava morrendo de saudade dele, mas não fazia a menor questão de ir àquela palestra/apresentação/sei lá o que, onde Niall estava. O garoto nem tinha conseguido explicar a ela quem era o cara e do que se tratava!
“É alguém que morou aqui, estudou aqui, nasceu aqui... Não sei direito...”
“Qual é o nome dele?”
“Hum... Johnson, Johnny... Não sei direito também.”
“Você sabe alguma coisa com certeza, criatura?”
“Que vai ser no Anfiteatro 9... E que eu tô com fome!”
Iria terminar suas referências e ir buscá-lo. Seria a melhor utilização do seu tempo. Suspirou, colocando o celular de lado e voltando sua atenção ao notebook.

“Você vai, sim! Para de graça!”
Enquanto isso, no terceiro andar, respondia a mensagem de uma Jessica surtada com a notícia de que ela não iria mais. Enviou a resposta, voltou os braços para debaixo do cobertor e deu play de novo no seriado que assistia.
não estava se sentindo bem, mas não era algo físico... Simplesmente, precisava de um tempo sozinha, sem ninguém perguntando a ela o que iria cair na prova, sem cálculos, datas, nomes, sem pensar em nada importante... Sem se dar conta de que Arquitetura não era mesmo o que ela queria para o resto de sua vida e como aquilo era o maior dos problemas que já enfrentara.
Por isso, havia dito a Jess que não ia mais com o pessoal para a apresentação e, ao invés disso, tinha vestido seu pijama e, agora, estava deitada sozinha em seu quarto, vendo Jessica Day brigar com Nick Miller pela milésima vez.
O problema é que não conseguia se desligar. Seus pensamentos pareciam aquelas bolinhas com dezenas de ventosas que grudam em qualquer superfície lisa. Se puxasse um deles e tentasse jogá-lo fora, acabaria colado em algum outro lugar. Mexeu-se, incomodada, na cama, achando que, no fim, a ideia de ficar sozinha tinha sido a pior de todas. Que ótimo!
Ouviu alguém batendo na porta, e logo Liam colocou a cabeça para dentro, franzindo a testa.
?! Você não deveria estar com as meninas ou estudando? Tá tudo bem?”
sentiu um nó na garganta. Não estava tudo bem, e ela começava a ficar cansada de fingir que estava. Fez que “sim” com a cabeça, sem dizer nada, olhando para ele, e sem se levantar da cama. Se abrisse a boca, choraria.
“Uhum...” Fez, por fim.
O garoto a olhou, desconfiado, e entrou no quarto, indo até ela.
“O que você tem?” Perguntou com a voz terna e abaixou-se para que seus rostos ficassem no mesmo nível.
desviou seus olhos do dele e piscou algumas vezes para se livrar da vontade de chorar.
“Eu só tô cansada...” Mentiu. A mentira que ela vinha contando a si mesma há algum tempo.
Liam a estudou mais um pouco, depois levantou-se e segurou em seus ombros, fazendo com que ela erguesse a parte superior do corpo. Sentou-se na cama e a colocou no colo.
“Eu consigo enxergar dentro de você que não tá tudo bem...” Ele disse com a voz grave e séria. “E eu tô aqui, pedindo, quase implorando, pra você me deixar te ajudar.”
“Liam...” começou, aninhando-se no colo dele, mas evitando perder o contato visual que tinham. “Eu... Eu não sei o que fazer. Eu sinto que tô lutando em uma batalha perdida...” Ela tentava explicar. Era tão difícil colocar em palavras! “Eu não estou gostando do curso como achei que iria gostar... Não sei se é isso mesmo que eu quero! Mas, se não for isso, o que mais poderia ser? E o que eu vou dizer aos meus pais? Eles vão ficar tão decepcionados!”
Já não era mais possível enxergar o rosto de Liam. As lágrimas saiam, atropelando-se, dos olhos de . As lágrimas de desespero que ela vinha guardando há tanto tempo. Nem acreditava que estava dando voz aos seus pensamentos pegajosos. O namorado, por sua vez, a abraçou mais forte.
... Calma! Você tem que colocar sua cabeça no lugar. Essa é uma decisão muito difícil e importante, mas não é o fim do mundo! Você só não pode se precipitar...”
“Eu sei, eu sei...” Ela disse, limpando os olhos. “Mas não é de hoje que venho pensando nisso, Liam... E, se eu for ser bem sincera, durante este ano, tudo o que fiz foi pelos meus pais. Eu nunca estudei por estar realmente interessada ou apaixonada pela matéria!”
“Isso é muito grave, ! Não tá certo fazer isso com você mesma... Não são quatro ou cinco anos... É a sua vida inteira!”
“Você acha que eu não sei? Mas o que vou fazer? Meus pais não podem pagar minha faculdade! Eu dependo dessa bolsa! E, bom, eu nem sei o que quero!”
Liam mordeu os lábios. Realmente, não era uma situação fácil.
“Vamos dividir o problema em partes para resolver devagar. Primeiro, nós precisamos descobrir o que você gosta. Eu vou te ajudar! Vamos ler livros de cursos, fazer testes vocacionais, passar a madrugada no Google... O que for preciso. É isso que faremos, sem pensar no resto, por enquanto. Vamos nos concentrando aos pouquinhos...” Disse, mexendo no cabelo de para que ela se acalmasse. “Tá bem? Vamos fazer assim?” Perguntou, buscando os olhos da garota.
sentiu um arroubo sem tamanho de gratidão por ele. No meio de todo o caos que se encontrava, havia Liam. E parecia bastar para que ela reencontrasse seu equilíbrio.
A garota fez que “sim” com a cabeça, encarando-o.
“O que eu faria sem você?” Ela perguntou. “O que eu faria se não te encontrasse no quarto em frente ao meu?”
“Você me procuraria...” Liam respondeu, sorrindo. “Foi o que você me disse, lembra?”
“Lembro... E, provavelmente, é exatamente o que eu faria.”
Ele encostou sua testa na dela, e seus lábios foram de encontro aos da namorada, quase instantaneamente. passou seus braços em volta do pescoço de Liam, que a abraçou pela cintura, deitando-a na cama. O beijo se intensificou, e ele desceu as mãos até a barra da camisa de pijama que usava, fazendo pressão em sua cintura e brincando, depois, com o cós de sua calça. Quando se levantou e puxou a própria camiseta para cima, ficando livre dela, o coração de deu um solavanco, e a garota precisou tomar fôlego para falar:
“Liam...” Chamou com a voz fraquinha e ofegante. “Eu...” Como ia dizer aquilo? “Eu... Nunca fiz isso...” Confessou.
Liam, que tinha voltado a se deitar sobre ela, levantou o rosto para encará-la, e mordeu os lábios, nervosa. Nunca tinham exatamente conversado sobre isso.
O garoto a examinou, sem saber bem o que fazer.
...” Ele começou, apoiando-se nos cotovelos para levantar o tronco e fazendo menção de sair de cima dela. “Eu não...”
A garota, porém, se sobressaltou e o segurou pelos ombros, forçando-o a voltar.
“Não... Não... Mas eu quero! E quero que seja com você! Hoje.”
Liam ainda a observava, incerto do que fazer.
“Você tem certeza?”
fez que “sim” com a cabeça.
“Você sabe que pode falar, se mudar de ideia, né?” Ele perguntou, chegando mais perto.
O coração dela voltando a martelar quase dolorosamente.
O garoto lhe deu alguns beijinhos de leve nos lábios. Depois, desceu os beijos devagar pelo seu pescoço e colo, voltando as mãos à barra do pijama dela.
Tinha que ser ele. Tinha que ser naquela hora.
E achando que a melhor ideia para se distrair era assistir seriados...

Jessica balançava a perna nervosamente, olhando para o outro lado do corredor. Um bolo de já estava contabilizado. Quantos mais levaria?
O suposto palestrante/músico/sabe-se-lá-Deus-o-que-mais passou por ela com o violão em punho e conversando animadamente com alguém que deveria ser um estudante já formado. Até que não era feio...
No fim do corredor, viu vir, conversando com Zayn, e respirou, aliviada. Pelo menos, não estaria totalmente desacompanhada.
“Jeeeeess!” A garota deu um sorriso largo ao avistá-la. “Hum... Veio toda gatinha!”
A garota corou, olhando para baixo. Já era tenso ser zuada. Ser zuada perto do Zayn era um pouquinho pior!
“Tô normal...” Falou, passando a mão pelo vestido que usava (e que havia sido escolhido cuidadosamente).
“Sei... Sei...” brincou, mas foi até ela para lhe dar um abraço da solidariedade.
Zayn parecia entediado, para variar, olhando pela janela e parecendo estar morrendo de vontade de ir até lá fora fumar. Será que dava tempo? Porém, antes que pudesse dizer a o que estava pensando em fazer, Niall e Josh apontaram no fim do corredor. O irlandês vinha no seu imperturbável andar, que era quase como se pulasse, e Josh ria com ele, vindo com as mãos nos bolsos.
deu um apertão no braço de Jess.
“Ele é tão gato!” Falou.
“É... Ele é...” Jess concordou/confessou.
“E aí? E aí?” Niall falou quando os alcançou. Cumprimentou as meninas com um beijo no rosto e apertou a mão de Zayn. “Você trabalha com a , né?” Perguntou, animado.
“Uhum...” Zayn respondeu, sem emoção, recebendo um olhar assassino de .
Niall ficou um pouco sem graça e mudou seu alvo.
“Hey, Jess... Cadê a ?”
Jess ainda estava atrapalhada, tentando lidar com sua timidez e o fato de que parte do seu cérebro tinha saído do ar. Quando foi que se deixou ficar assim? Tudo culpa de falando na cabeça dela! E a amiga nem estava ali para ajudá-la!
“Ela não virá. Não me explicou direito o porquê, na verdade.” Disse, franzindo a testa e mexendo os braços, meio sem saber onde colocá-los. Seus olhos passaram por Niall e foram até Josh, que sorria, prestando atenção ao que ela dizia. “Ah, oi, Josh!”
“E aí, Jess?! Bom ver você!” Falou, dando um aceno com a cabeça.
“A gente pode entrar?” Zayn perguntou, apontando para a porta, e todos concordaram e foram em direção ao anfiteatro.
o cutucou nas costelas.
“Comporte-se!” Ameaçou.
“O que eu fiz, porra?” Zayn falou entredentes, dando um passo para o lado e tentando não perceber que sentiu um arrepio com o toque da amiga. As coisas estavam começando a ficar muito estranhas!
Sentaram-se em uma das fileiras no meio da sala. Jessica, primeiro, depois, Josh e Niall, e, por fim, e Zayn. Os espectadores fizeram silêncio quando as luzes ficaram um pouco mais fracas, e o tal cara, entre seus 25 ou 30 anos, entrou no palco. Algumas pessoas na primeira fileira assobiaram e gritaram. Ele era conhecido? O rapaz deu uma risada alta e apontou para os “fãs”.
“Boa tarde! Obrigado por virem!” Ele disse, pegando o violão no meio do palco e passando a alça pela cabeça, ajeitando-a. “Meu nome é Daniel Jones. Estudei aqui, nesta mesma universidade, há algum tempo e, devo dizer, nunca fui tão bem tratado como hoje!”
Algumas pessoas riram, e Zayn franziu a testa.
“Mas esse não é o...” Começou, curvando-se para olhar para Niall.
O garoto falava com Josh animadamente e parecia desconhecer totalmente a identidade do tal rapaz.
“Oi?!” perguntou, olhando de Zayn para Niall. “Quem é quem?”
“Hum... Nada...” O amigo voltou a se recostar na cadeira. “Não tenho nada a ver com isso.”
Foi a vez de franzir a testa, confusa, mas não arrancou mais nenhuma palavra dele, e logo Daniel começou a tocar a primeira música.
“Esse cara é bom!” Niall exclamou.

vinha, subindo a escada rapidamente, meio ofegante. não estava errada de todo. Não ia matá-la fazer um pouco de exercício (talvez, não fazer, sim, fosse matá-la). Abriu a bolsa enquanto andava, procurando o celular para mandar uma mensagem para Niall, perguntando se a palestra já havia acabado.
A coisa toda começou quando ela ouviu duas risadas combinadas. Duas risadas que ela conhecia bem e que não eram de maneira alguma para ser ouvidas juntas. Levantou os olhos, e a cena à sua frente fez seu coração parar.
Dois pares de olhos azuis a encararam. O primeiro era amigável, feliz, pacífico... Os olhos que, ultimamente, tranquilizavam-na, divertiam, os olhos que faziam com que ela se sentisse amada novamente. O segundo par de olhos azuis, porém, traziam a confusão que ela própria estava sentindo: medo; susto... Eram os olhos que haviam prometido muitas coisas a ela no passado, os olhos os quais ela tinha acreditado e que tinham jogado-a no mais escuro e fundo dos poços em que já havia estado. Ela lembrava-se desses olhos, mas também lembrava-se de como foi quando eles se distanciaram de sua visão.
Caminhou em direção à dupla, sendo assistida por ambos e sentindo-se pequena, frágil e bizarramente artificial. Por que estava indo naquela direção? Deveria que correr no sentido oposto!
“Até que enfim! Achei que ia ter que te sequestrar naquele laboratório!” Niall brincou, alegre, e sorriu para ele.
“Eu... Estava tentando terminar tudo.” Falou, forçando um sorriso maior.
O namorado enlaçou seus dedos nos dela e deu um selinho em seus lábios. estava prestes a desmaiar.
“Perdeu, !” Niall continuou. Tanto ela quanto Danny pareciam completamente incapazes de falar. O rapaz continuava a encará-la, descrente. Seus olhos iam, de vez em quando, a Niall e voltavam a ela. “Este é o Danny, o palestrante. Ele é um gênio! Esteve em tudo quanto é lugar, tocando. Acabou de chegar da América do Sul.” Contou.
Danny sorriu para ele pelo elogio, mas ainda parecia desnorteado. Tão desnorteado quanto .
“América do Sul?” Ela perguntou diretamente a Danny, que pareceu intimidado ao ouvi-la falar com ele.
“Uhum...” Respondeu, abaixando os olhos, incapaz de encará-la por mais tempo. Seu celular tocou, e ele quase agradeceu de joelhos por poder se livrar, ainda que por alguns segundos, do julgamento dela.
“Sei que combinamos de ir para casa, mas o que você acha de darmos uma passada no pub antes?” Niall perguntou a , com a voz um tom mais baixo, lhe dando um selinho.
“Na verdade...” Ela começou, pensando em que história contaria. “Eu vim mais pra te dizer que aconteceu umas coisas em casa e não tô muito bem...” Mentiu.
“O que houve? O que aconteceu?” Niall chegou mais perto dela, segurando seu rosto com as duas mãos.
continuava a olhar para o garoto, mas percebia que cada um de seus movimentos era estudado meticulosamente por Danny, em sua visão lateral.
“Nada demais, mas acho que não serei uma boa companhia hoje...” Falou, segurando as mãos dele em seu rosto e fazendo carinho nelas com seus polegares, e impedindo, também, que Danny continuasse olhando para ela.
“Eu vou embora com você.” Niall disse, decidido. “Faço chá e coloco você na cama.”
sorriu.
“E depois vai pra gandaia, né?” Zombou, fazendo-o gargalhar.
“Você que inventou a semana dos amigos...”
Assim, sem enxergar Danny, quase podia voltar ao normal, mas sua realidade logo virou de cabeça para baixo de novo quando o rapaz tossiu, voltando para perto deles. Niall tirou as mãos de seu rosto e a abraçou pela cintura. Os olhos de Danny o traíram, observando o movimento.
“Hum... Você vai ao pub, então?” Ele perguntou a Niall.
“Agora, não.” Respondeu, olhando para a namorada. “Tenho que cuidar de um assunto mais importante.”
olhou para baixo, sem saber o que fazer.
“Ah... Entendo... Ok.” Danny disse. “Bom, foi um prazer conhecê-lo!”
Estendeu a mão trêmula, que Niall apertou, sem maiores problemas. O garoto não sabia mesmo quem ele era, né?
, contudo, não conseguiria tocar nele. Era muito mais do que poderia suportar! Antes que essa ideia passasse pela cabeça de Danny, ela acenou e saiu andando, meio correndo, puxando Niall pelas mãos. Quando já estavam longe, diminuiu os passos. Sua visão estava turva... Aquilo só podia ser um pesadelo!
“Você, realmente, não parece bem...” Niall falou, preocupado. “Tem certeza de que não é nada grave? Eu não preciso sair, . Posso passar a noite cuidando de você!”
Ele era tão adorável! Tão especial! A garota sorriu, passando os braços em volta de seu pescoço e continuando a andar no corredor, abraçando-o por trás. Deu um beijo em seu ombro, antes de responder:
“Não precisa! Eu só tenho que dormir... Vai ficar tudo bem!” Falou, tentando convencer a si.
Os dois entraram no carro dela e foram ao SPR, onde Niall, como havia prometido, preparou um chá e ficou observando-a, enquanto ela tentava dormir, fazendo carinho em seu cabelo. fingiu que tinha pego no sono, e o garoto lhe deu um beijo na testa e saiu do quarto, pedindo a no corredor que ficasse de olho na namorada.
A garota se encolheu e se escondeu embaixo do edredom, tentando sumir da vista de todos. Tentando sumir do mundo. O mundo que, mais uma vez, incluía Danny Jones.

Quando acordou, na manhã seguinte, sentiu como se tivesse tomado o maior porre da história. Como podia ter ressaca, sem ter colocado uma gota de álcool na boca?
Levantou-se da cama, planejando ir até a cozinha, buscar um copo com água para tomar um analgésico. O motivo da dor de cabeça, porém, estava escorado na porta do elevador, batucando com as mãos nas pernas e parecendo impaciente.
Danny endireitou-se ao vê-la e deu um sorriso de lado.
“Sabia que te encontraria aqui.” Falou. Já não parecia mais tão assustado quanto no dia anterior. Para o desespero de , ele se parecia mais com o garoto confiante que ela havia namorado. “RA, hein? Cadê a ?”
“O que você tá fazendo aqui?” rosnou.
Não era justo que ele aparecesse dois anos depois, achando que podia falar com ela como se fossem grandes amigos separados pela vida.
“Precisava te ver...” Ele respondeu, simplesmente. “Quer tomar um café?”
A situação era inevitável. Se Danny estava de volta e disposto a falar com ela, não tinha mais para onde correr.
“Vou trocar de roupa...” falou, ainda séria, e Danny deu dois passos em direção a ela. “Hey, aonde você tá indo? Me espera aqui!”
Não tinha mais onde se esconder.


Capítulo 16 - Too close for comfort


continuava perdida e zonza. Nem tinha tido tempo de ligar para ! O que faria sem os conselhos da amiga? Como lidaria com essa situação totalmente sozinha?
Os dois andavam lado a lado sem trocar uma palavra. Ele parecia não saber por onde começar e ela parecia não querer começar nada. Não tinham combinado aonde iam, mas sendo eles, tinham certeza que acabariam no parque que ficava atrás da faculdade. Tinham ido tantas vezes juntos àquele lugar que seus passos eram quase movidos por piloto automático. Pararam juntos no meio da ponte e ficaram observando o vento fazer ondinhas na água do lago. Total e absoluto silêncio por mais um bom tempo.
“Você tá linda!” – Danny se atreveu a dizer, olhando-a de rabo de olho.
Ele estava também. Parecia mais velho, o cabelo mais curto, mais forte e não parecia certo que ele usasse óculos de sol e jaqueta enquanto ela estava de moletom e tênis... Mas ela jamais devolveria o elogio.
“Obrigada!” – Disse, seca.
“A ainda mora aqui?”
“Mora. Montou uma loja pra ela no centro da cidade...”
Danny abriu um sorrisão, parecendo genuinamente feliz pela amiga.
“Ela queria tanto! Jura?”
“Uhum.” – Ela tentou não gostar de ouví-lo tão feliz pela felicidade de .
“E os meninos? Tom, Harry...”
deu de ombros.
“Não me lembro quando foi a última vez que falei com eles, a não ser o Poynter. Tudo mudou bastante depois que você foi embora...” – Ela disse. – “... Pela segunda vez.” – Completou.
“Visitei o Dougie ano passado, quando estive na Austrália...” – Danny comentou. Estranho, Dougie não tinha dito nada a ela... Mas não era de se surpreender.
A garota ergueu as sobrancelhas.
“Você esteve na Austrália?” – Perguntou, admirada. – “Teve algum lugar em que você não passou nos últimos dois anos... Além daqui?”
Ela não podia evitar alfinetá-lo. Era a defesa que tinha! O que mais faria se não jogar toda sua raiva e frustração nele?
Danny não respondeu e voltou a olhar para o lago. O silêncio caiu sobre os dois mais uma vez.
“Não sabia que você tava namorando...” – Ele disse, algum tempo depois.
“E como você esperava saber?” – Ela perguntou, franzindo a testa. – “Bola de cristal?”
“Talvez o Tom...”
“Já te disse que não falo com ele há um século! Ele não te contou isso? Que sumiu depois que casou? Que resolveu que a Giovanna e a vidinha dos dois eram mais importantes que eu ou mesmo a ?” – Mas então, pareceu lembrar-se de algo e arregalou os olhos para Danny. – “O que o Tom te contou?” – Perguntou urgente.
“Como assim?” – O rapaz a observava atento.
“Se você esperava que Tom te contasse que eu estava namorando, é porque ele te contou outras coisas... Antes.”
Danny continuou a encarando, tão intensamente que parecia tentar ler a mente da ex-namorada. Por fim, deu de ombros.
“Nada... Tom não me disse nada.”
cerrou os olhos tentando decidir se acreditava ou não. Decidiu que aquele era um assunto para ser discutido mais para frente. A conversa tinha que seguir uma ordem. E só havia uma pergunta para começar. A pergunta que rodava na cabeça dela desde que o viu no corredor na tarde do dia anterior.
“O que você tá fazendo aqui, Daniel?”

Eleanor estava sentada na sala lendo uma revista. Mais folheando a revista do que realmente lendo, na verdade. Estava tão ansiosa e agitada, que não conseguia fazer suas pernas pararem. Lottie tinha saído para buscar Hannah na rodoviária e elas já deveriam estar voltando.
Na noite anterior, ela havia se desesperado e ido até o quarto de Louis contar a ele o que ia acontecer. O garoto bufou e xingou, mas não havia nada que os dois pudessem fazer para impedir os planos de Lottie sem que ela soubesse que El havia falado com Lou. Ela iria fingir que nem o conhecia direito, ele ia fingir surpresa quando a visse e os dois passariam mais um fim de semana sem contar a verdade à irmã caçula.
Ouviu um “click” na porta e se levantou rapidamente, alisando o vestido com a mão e arrumando o cabelo.
A porta se abriu e as duas entraram gargalhando. Lottie abriu um sorrisão ao ver Eleanor parada no hall de entrada as esperando.
“El! Finalmente você vai conhecer a Hannah!” – Ela disse.
Hannah era loira, magra e tinha um rosto bonito. Usava vestido e botas e parecia estar amando a ideia de passar o fim de semana com a ex-cunhada e o ex-namorado. Abriu um sorriso quase tão grande quanto o de Lottie e foi até Eleanor para abraçá-la.
“Oi, El!” – Falou, animada. – “Lottie me falou tanto de você, que parece que nós já somos amigas!”
Oi?
A garota deu umas batidinhas nas costas da recém-chegada e a abraçou, completamente sem jeito.
“Acho que posso dizer o mesmo...” – Foram as palavras que conseguiu dizer.
Hannah a soltou e Lottie avisou que iam subir com a mochila dela, mas já voltavam.
“E nós vamos direto pro SPR acordar o Lou!” – Falou, fazendo Hannah rir como uma menininha.
“Você acha que ele vai gostar?” – Perguntou, enquanto subiam as escadas.
“Ele vai amar, né?”
Eleanor as observou desaparecendo para o andar de cima e mordeu os lábios. Será que ainda tinha como pular fora dessa?

Liam cantarolava uma música conhecida acompanhando o autofalante, enquanto passava pelos corredores do supermercado. Tinha prometido a que faria o almoço deles.
Estava absorto pensando em que molho faria para o macarrão (não era um Jamie Oliver na cozinha, poxa... Tinha que fazer algo simples!) quando alguém parou ao seu lado e deu uma tossidinha. Era Danielle.
“Ah, oi, Dani! Como vai?” – Ele falou, sorrindo. Lembrava-se da última conversa dos dois e estranhamente parecia que havia sido anos atrás. Se lembrou também do encontro na cafeteria e de como tinha sido incômodo. Considerando tudo isso, fazia muito tempo que não tinha uma conversa normal com Danielle!
Ela sorriu também, ajeitando a cestinha de compras nos braços.
“Tudo bem e com você?”
“Tudo certo... E seu doutorado?” – Percebeu que não doía mais falar com ela... Ou saber da vida dela. Na verdade, era quase como encontrar um velho amigo de escola. Aquele interesse em saber o que a pessoa tem feito no tempo em que passaram sem se ver.
“Andando...” – Ela respondeu, também estava feliz em poder voltar a conversar com ele. – “... E quase me deixando louca!”
Os dois riram.
“Mas tem dado certo pelo menos?”
“Defina dar certo...” – Ela brincou, ainda rindo. – “Bom, não sei... Algumas coisas sim, outras não. Mas...” – Dani o encarou e mordeu os lábios. – “... Eles aceitaram meu pedido e eu vou passar um ano em Praga, fazendo parte do meu projeto lá. Uma vez eu te contei que tinha vontade de ir, lembra?”
Liam fez que sim com a cabeça, é lógico que se lembrava. Tinha sido o começo das brigas e discussões deles sobre o futuro. Tinha sido o começo do fim.
“Isso é ótimo, Dani! Exatamente como você queria!” – Ele não estava mentindo ou fingindo. Estava mesmo feliz. – “Quando você vai?”
“Mês que vem... Só tenho que arrumar meus documentos e ir.”
“Você merece, tem trabalhado tanto!” – O garoto falou. Queria que ela soubesse que era verdadeiro.
“Obrigada, Liam! Era... Era importante pra mim, saber que você apoia...” – Danielle abaixou os olhos e mexeu distraída em algo dentro de sua cesta. – “Fico feliz que você esteja feliz também. Sua felicidade é visível nos seus olhos... É radiante!” – Levantou a cabeça e sorriu. – “De verdade.”
Liam sorriu de volta.
É difícil entender quando coisas ruins acontecem, mas normalmente elas fazem muito sentido algum tempo depois. Os dois realmente tinham que se separar no ano anterior. Para que ele conhecesse . E para que Danielle pudesse ir viajar sem sentir que deixava coisas para trás. Os dois precisavam estar livres para o que a vida ia trazer.
“Vai ter festa?” – O garoto perguntou, fazendo-a franzir a testa, confusa. – “De despedida?”
“Ah, acho que sim...” – Dani respondeu. – “Ainda não contei pra ninguém, a resposta saiu ontem... Mas acho que vamos sim...”
Liam fez um aceno com a cabeça.
“Me avisa, hein?” – Pediu e ela concordou com a cabeça. – “Posso... Posso te dar um abraço?”
Ele só sabia que queria abraçá-la e não sentia que era algo errado. Podia não amá-la mais como antes, mas Danielle seria sempre alguém de quem ele se lembraria com carinho. Ela era alguém especial.
A garota fez que sim com a cabeça e colocou a cestinha no chão indo até ele. Liam abriu os braços e a envolveu, sorrindo. Dani se segurou para não chorar, porque sabia que não deveria. Sabia que tinha feito tudo do jeito certo... Mas seu coração ainda apertava um pouquinho. Assim, bem pouquinho.
“A gente se vê, Liam!” – Ela falou, se soltando do abraço dele.
Até mais, Dani!” – O garoto disse, voltando a olhar para os molhos. – “E parabéns!” – Exclamou, voltando os olhos para ela.
Dani pegou sua cestinha e saiu do corredor. Um ano depois, agora sim parecia o fim. E era um final feliz.

Danny não respondeu a pergunta de primeira. Virou-se, dando as costas para o lago, de forma que ficasse mais fácil ver o rosto de . Ela continuou olhando para ele, esperando a resposta.
“Meu contrato acabou... Eu resolvi voltar em vez de renová-lo.” – Falou, dando de ombros.
“Por quê?”
“Porque eu queria voltar... Voltar a ter um endereço, um lugar só meu...” – Ele abriu e fechou a boca, olhando para o outro lado. É claro que ele também tinha voltado por ela. Claro que queria que o endereço fixo fosse um lugar onde os dois pudessem morar juntos... Devia dizer? – “Me cansei de não ter pra onde voltar depois de um dia de trabalho... De não ter pra quem voltar...”
sentia que estava entrando em terreno perigoso, tinha medo do rumo que aquela conversa tomaria. Tinha medo do que não sentia há muito tempo. Medo dos sentimentos ainda estarem por ali. Sem nem perceber, deu um passo para a esquerda, se afastando mais dele.
“Foi você quem escolheu viver assim, Danny...” – Ela disse, colocando as mãos nos bolsos e olhando para o horizonte. – “Era o seu sonho...”
“E foi bom enquanto durou... Não estou reclamando.” – O rapaz respondeu. – “Mas acabou. Tudo acaba...”
“É... Tudo acaba...” – repetiu.
Danny olhou para baixo, ainda sem saber se queria ou não dizer a ela tudo o que tinha ensaiado dizer. parecia fria e distante... Uma barreira que ele não podia ultrapassar.
“Quer tomar alguma coisa? Você saiu de casa sem comer.” – Disse, mudando de assunto.
A garota piscou e virou os olhos para ele.
“Não tô com fome...”
“Já passou da hora do almoço.”
“Eu acordei tarde.”
Continuava teimosa. Continua brava com ele. Continua a mesma, mesmo estando tão diferente.
“Você quem sabe...” – Danny deu de ombros e se virou para o lago de novo.
“E o que você veio fazer aqui, Danny? Voltar pra Inglaterra, tudo bem... Mas por que você voltou pra cá?”
“Você não tem nem ideia mesmo?” – Ele se inclinou na grade e a encarou.
engoliu em seco. Mais um passo para o lado.
“Você veio só pra palestra? Ou vai ficar?” – Perguntou, cruzando os braços e olhando para baixo.
“Ainda não sei. Me chamaram pra falar sobre como foi a experiência e eu vim... Nem pensei muito.”
“Quando você chegou?”
“Anteontem. Vim direto pra cá... Minha mãe deve estar surtada!” – Falou, dando uma risadinha. abriu um sorriso pela primeira vez.
“Não, não deve não. Ela já tinha desistido de você muito antes de você ir embora...”
Danny deu uma das suas risadas características. Alta, alegre, única. E agora, apesar de ainda achá-las parecidas, sabia que podia distinguir a risada de Niall ou Danny facilmente e a qualquer distância. Seu estômago se contraiu ao pensar em Niall. Apertou o celular desligado no bolso ao pensar que ele tentaria ligar e não conseguiria. Se sentiu culpada, se sentiu errada.
“Podemos ir até o outro lado do lago?” – Danny perguntou, se aproveitando do momento de descontração. – “Senti saudade desse lugar. De andar por aqui... Com você.” – Ele se desencostou da grade e colocou as mãos nos bolsos. ficou em dúvida sobre o que fazer. Olhou mais de uma vez para o outro lado. O lado de onde tinham vindo. – “Não se preocupa, não vou te agarrar em um dos arbustos... A não ser que você queria, você costumava gostar...” – Ele disse, sorrindo de lado.
rolou os olhos e saiu andando na frente, em direção ao outro lado da ponte. Danny riu e a acompanhou.

Eleanor tinha o queixo encostado nas mãos e observava Hannah se sentar quase no colo de Louis no sofá da Monte Olimpo. Por que mesmo estava fazendo parte disso? Lottie lançava olhares otimistas a ela de vez em quando, como se dissesse “Nosso plano vai dar certo!”. E Lou, quando conseguia, olhava para Eleanor com terror nos olhos, do tipo “Me ajuda a sair daqui!”. Não tinha adiantado a cara de poucos amigos que ele havia feito ao abrir a porta do quarto, não tinha adiantado a expressão facial de total tédio durante o almoço, nem dizer à irmã que “eles conversavam depois”... As duas pareciam alheias à realidade, em um mundo onde ainda havia esperanças para Louis e Hannah como um casal.
“Vocês querem alguma coisa da cozinha?” – Ela disse, por fim, se levantando.
“Ah, a gente podia fazer pipoca pra comer assistindo filme, né?” – Hannah falou, olhando em volta. – “O que vocês acham? Ou a gente podia dar uma volta... Quero conhecer a cidade.”
“Ou você podia voltar pra Manchester... Ou você podia ir pro inferno...” – O lado negro de Eleanor pensou.
“Decidam aí. Vou beber água...” – Foi o que ela realmente disse, secamente. Estava cansada de esconder seu mau humor.
Hannah olhou para a garota saindo do cômodo e depois para Lottie, de olhos arregalados.
“O que ela tem?” – Lottie deu de ombros. – “Será que tá com ciúme de mim?” – Perguntou, fazendo Louis olhá-la quase com desprezo. – “Digo, por sermos tão amigas?”
“Não deve ser isso... El é um doce...” – Lottie disse, ainda olhando para a porta por onde a amiga tinha sumido.
“Deve ser só um dia ruim, Han, o mundo não gira em torno de você...” – Louis completou, fazendo as duas olharem ofendidas para ele. Mais alguém estava perdendo a paciência.
Hannah mordeu os lábios e continuou olhando para o ex-namorado, desconfiada, quando ele se levantou e foi para a cozinha também.
“Vou pegar um copo d’água também...”
Louis entrou na cozinha e encontrou Eleanor parada na porta, olhando para o quintal.
“Hey...” – Chamou baixinho, dando uma olhada na porta e lhe dando um beijo rápido nos ombros. – “Você tá bem?”
“Sabe o que eu não entendo?” – Eleanor começou. – “Porque Lottie gosta mais dela do que de mim. Sei que é uma coisa ridícula de se dizer, mas é a verdade... É só no que eu tenho pensado durante todo o dia. Desculpa, Louis, mas essa menina é péssima!” – Falou, apontando para a sala, fazendo o namorado rir e lhe dar um selinho.
“Hannah não costumava ser assim, acredite em mim. Sempre foi falante demais e animada demais, mas nunca foi desagradável como está sendo agora. E talvez eu tenha terminado quando percebi que ela estava mudando...” – Lou disse, dando de ombros. – “E não se preocupe com o que a Lottie acha ou quem a Lottie prefere. Eu prefiro você!” – Completou e Eleanor o puxou para o quintal, para poder beijá-lo em paz, mas quase desejando que elas os pegassem em flagrante. Seu lado negro deu uma risadinha satisfeita.

“Você precisa aprender a escrever direito, Malik...” – falou, apertando o botão do viva-voz no celular, e voltando a digitar. Estava corrigindo a primeira versão da monografia do garoto.
“Vai à merda...” – Foi o que ele respondeu, naquele tom entediado. Era quase como se tivesse dito “Beleza!”
“Tô falando sério. Você não espera que eu vá corrigir sua tese de doutorado, né?”
“Achei que eu tava te pagando pra isso...” – Ele zombou. Estava deitado no sofá de sua casa, zapeando pelos canais, sem achar nada interessante para assistir.
“Pagando em quê? Porque minha conta bancária tá zerada!”
“Você tá precisando de dinheiro?” – Ele perguntou, parecendo preocupado.
“Não... Claro que não, Zayn! Foi maneira de dizer...” – coçou a cabeça. Havia se esquecido que já tinha reclamado de dinheiro para ele uns dias atrás.
“Porque você sabe que pode pedir, né? Tenho uma poupança dos cachês dos shows...”
“Desculpa aí, ricão!” – Ela brincou, mais para descontrair. – “Fica tranquilo, playboyzinho! Não tô passando fome, não!”
“Bom... Eu posso te pagar em bebidas então...”
“Essa sim é uma boa ideia!”
“E quando você pode?” – Zayn rolou de barriga para cima no sofá e encarou o teto. Não estava fácil encontrá-la desde o dia dos namorados. Ou estava com Aidan, ou ia sair com o Aidan, ou ia assistir uma peça de Aidan ou...
“Hum...” – fez, pensando. Ultimamente estava complicado encontrá-lo. Além da faculdade e de ter um namorado, havia o fato de que seu namorado não gostava muito da ideia dela ter um melhor amigo. Sempre que Aidan a pegava no celular com Zayn era a mesma ladainha!
“O que esse cara quer?” ou um “Você quer sair com ele, vai em frente... Parece importante...” cheio de sarcasmo ou “Você vai ficar aí falando com o seu amigo ou vai vir?”, todo impaciente.
“Esquece... Quando você puder me avisa, tá?” – Zayn falou, antes que ela pudesse responder.
“Zayn...”
“Não, não tem problema. Aliás, melhor desligar, né? Não quero que ele brigue com você... Tchau, !” – Ele falou, com a voz meio derrotada, e desligou o celular.
Continuou deitado no sofá, brincando com o celular e encarando o nada. Podia aceitar não vê-la quando eles moravam a quilômetros de distância, como havia sido até o ano anterior. Mas saber que ele e moravam na mesma cidade e os dois não conseguiam se encontrar por causa de um babaca qualquer o deixava muito bravo. Nunca tinha deixado de lado por causa de ninguém e se sentia incomodado que ela fizesse isso.
Mas mais do que qualquer sentimento de raiva, sentia saudades. Brigar com ela pelo celular não era a mesma coisa. Olhou para a tela do aparelho de novo, pensando se deveria ligar para alguém... Combinar um encontro.
Foi o desânimo em pensar nisso que o alertou. Zayn devia estar “com defeito”.

Niall ia andando em direção à loja de , tentando pela milésima vez ligar para o celular de . Caixa Postal de novo.
Virou a esquina e encontrou a própria olhando para uma vitrine sorrindo. Era uma ONG de animais para adoção.
“Hey!” – Niall chamou sua atenção. – “Achei que ia te encontrar na loja...”
A garota sorriu ao vê-lo e voltou os olhos para a vitrine.
“Fechei mais cedo hoje... Tava aqui olhando esses filhotinhos. Acho que quero um!”
Niall deu uma batidinha no vidro fazendo um deles pular e colocar as patinhas para cima. Os dois riram.
“Você sabe da ? Não consigo falar com ela...” – Ele perguntou. – “Achei que fosse encontrá-la com você.”
franziu a testa e tirou o próprio celular da bolsa. Nenhuma chamada perdida, nenhuma mensagem. Estranho...
“Hum... Não sei de nada não. Será que ela voltou pra casa?” – Indagou, mais para ela do que para Niall. Discou e tentou ligar para a amiga. Nada também. – “Vocês tinham combinado algo?” – Quis saber, enquanto digitava uma mensagem.
“Não, mas ontem ela não tava se sentindo bem... Falou alguma coisa sobre a casa dela...” – O garoto falou, passando a mão pela nuca. – “Eu nunca sei qual é o problema lá, mas sempre parece importante, então...”
tirou os olhos do visor do celular e encarou Niall. Sentiu um pouco de pena dele. Precisava dizer a que contasse logo tudo para o namorado. Não era justo que ele ficasse assim, às escuras.
“Não deve ser nada grave...” – Ela disse, para tranquilizá-lo. – “Eu saberia...”
“Espero que não...”
enviou a mensagem e guardou o celular, voltando a olhar para os cachorrinhos.
“O que você acha desse?” – Perguntou, apontando para um filhote gordinho preto, branco e caramelo.
“Acho que ele ia gostar de brincar com a cortina da sua sala!” – Niall respondeu, rindo.
“É... Eu também acho...” – tamborilou os dedos no vidro, fazendo o animalzinho vir até eles, e sorriu. Seria uma boa ideia ter um bichinho para encher sua casa de barulho e ocupar suas noites.

Harry ia voltando da biblioteca quando viu com um cachorrinho no colo e deu um sorriso involuntário ao observar a cena. Ela estava cada dia mais bonita e era uma covardia com ele. Horan, o irlandês da JJJ, vinha andando ao seu lado e os dois conversavam animadamente. “De onde eles se conhecem?”, pensou com um certo ciúmes. Então se lembrou de tê-la visto com o cara mais velho. Será que ainda estava com ele? Será que tinha sido só aquele dia e, talvez, terem se encontrado estragou tudo? Aquela opção pareceu animá-lo. O garoto diminuiu os passos para continuar vendo-a à distância. Não queria cruzar com .
Ela se despediu de Niall e atravessou a rua, indo em direção a sua loja/casa. Este, por sua vez, acenou e começou a andar na mesma calçada, vindo de cabeça baixa olhando para a tela do celular. Quase passou reto por Harry.
“Hey, cara!” – Ele o cumprimentou, trazendo sua atenção de volta. Niall desfranziu a testa ao reconhecê-lo e abriu um sorriso.
“Opa! E aí, cara? Quanto tempo! Você sumiu!”
Harry riu da animação dele.
“Pois é … Mas e aí? Como tá o pessoal da JJJ?”
“Todo mundo do mesmo jeito… Bebendo, indo mal na faculdade e ganhando todos os beer pong do campus!” – Niall respondeu, dando de ombros. – “Mas e aí? E a sua garota do réveillon? Se resolveu com ela?”
“Nós terminamos aquele dia, cara…” – Harry respondeu sem jeito, coçando a nuca. Por algum motivo não quis completar com um “Alias, era ela que tava ali com você, como vocês se conhecem?”
“Que sacanagem! Bom, pelo menos você não tem uma namorada perdida…” – O amigo falou apontando para o celular.
“E a namorada é aquela que não ia na festa?”
Os olhos de Niall se iluminaram.
"A própria! No fim ela apareceu e nós estamos juntos desde então…” – Contou. Harry não pode deixar de sentir um pouco de inveja. Os dois então perceberam que o assunto ia morrer e se cumprimentaram de novo. – “Po, aparece lá na JJJ! Onde você disse que mora mesmo?”
“SPR!”
“É onde a mora!” – Niall exclamou. – “Minha namorada…” – Explicou.
? A melhor amiga de ? Bom, isso explicava eles se conhecerem.
“Ah! Acho que sei quem é… Do andar do Tomlinson?”
"Você conhece o Tomlinson também? Precisamos marcar alguma coisa mesmo então!”
Harry riu.
“Vamos combinar sim! Só me avisar ou me chamar lá no quarto andar!”
“Tá certo! Cara, eu vou indo que eu ainda tenho que achar ela e encontrar o Murs na cafeteria.”
“Beleza! Bom te ver, Horan!”
“Se cuida, Styles!”
Os dois saíram um para cada lado. O mundo era mesmo muito pequeno!

e Danny já haviam andando pelo parque por tempo suficiente. Tempo demais até, ela achava. Danny a envolveu direitinho em um papo sobre o passado e sobre lembranças que ambos tinham da época da faculdade. Estavam rindo como velhos amigos e isso era preocupante. Olhou para o relógio e se assustou. Quanto tempo tinha passado ali?
“Danny, preciso ir embora...” – Falou, quase como se pedisse desculpas.
Estavam de volta à ponte e ele se apoiou na grade, parecendo incomodado.
“Fica... Fica mais... Vamos tomar um café?” – Não era uma ideia, era um pedido.
“Preciso ir pra casa... Ligar pro...” – Ela levantou a cabeça, tirando os olhos do celular, e mordeu os lábios. – “... Preciso ir pra casa.”

Bruno Mars - When I Was Your Man

“Same bed but it feels just
A little bit bigger now
Our song on the radio
But it don't sound the same
When our friends talk about you
All it does is just tear me down
Cause my heart breaks a little
When I hear your name
It all just sounds like
Too young, too dumb to realize…”


“Quanto tempo você tá com ele?” – Danny perguntou, ainda parecendo totalmente desconfortável.
não queria responder. Era ridículo, mas não queria dizer “3 meses”. Queria que Danny achasse que ela havia o superado há muito mais tempo. Que, na verdade, nunca tinha se importado tanto assim.
“Um tempo...” – Respondeu vagamente, dando de ombros.
“E a gente, ?” – O rapaz levantou a cabeça.
“A gente?” – Ela deu uma risadinha irônica. – “A gente, Daniel? A gente o quê? A gente quem?”

“That I should've bought you flowers
And held your hand
Should've gave you all my hours
When I had the chance
Take you to every party
Cause all you wanted to do was dance
Now my baby is dancing
But she's dancing with another man…”


Danny soltou a grade e se encostou nela, de costas para o lago.
“Eu voltei por você!” – Ele disse. Ainda usava óculos de sol, mas era certo que a encarava. – “Você sabe disso, né? Você sabe que eu tô aqui por sua causa. Que essa palestra foi só uma desculpa pra estar aqui, pra te ver.”
fez que não com a cabeça.
“Você não pode desaparecer e voltar cinquenta anos depois falando essas coisas, Danny!” – Não era justo! Não era justo ele abrir uma porta qualquer e cair de volta na vida dela! Mais uma vez. – “Eu não te entendo! Você deve ter um problema psicológico! O tempo passa dentro da sua cabeça? Você sabe que sumiu por dois anos? Pior! Você sabe que fez isso depois de passar 5 meses longe, voltar do nada, que parece ser sua especialidade, dormir comigo e ir embora sem se despedir... Pela segunda vez? Você tem a mínima noção de tudo o que você fez, Danny?”
“Eu nunca quis te magoar... Tudo o que eu fiz foi porque achava que tava fazendo o certo...”

“My pride, my ego, my needs and my selfish ways
Cause the good strong woman like you to walk out my life
Now I'll never… Never get to clean up the mess I made
Ooh and it haunts me every time I close my eyes
It all just sounds like
Too young, too dumb to realize…”


“Desculpa, Danny. Não é suficiente...” – falou, dando de ombros. – “Você repetiu o mesmo erro...” – E então lhe ocorreu um pensamento. – “Você já sabia, não é? Que ia me deixar antes que eu acordasse?”
O rapaz abaixou a cabeça e demorou a responder.
...” – Ele começou. – “Eu só queria ficar com você enquanto podia. E sabia que não ia conseguir me despedir... Eu nunca consegui. Sou um covarde!”
“É... Você é.” – respondeu, concordando vigorosamente com a cabeça. – “E sua covardia custou tudo o que a gente tinha... Tudo o que a gente construiu em quatro anos de namoro.”
Danny olhou para o outro lado e não disse nada. colocou a mão nos bolsos de novo, olhando para o lago.

“That I should've bought you flowers
And held your hand
Should've gave you all my hours
When I had the chance
Take you to every party
Cause all you wanted to do was dance
Now my baby is dancing
But she's dancing with another man”


“Teria sido melhor se a gente se falasse?” – Ele perguntou, fazendo voltar a olhá-lo. – “Eu digo... Se nós continuássemos em contato enquanto eu estava longe? Teria evitado você estar com outro cara hoje, se eu tivesse ficado naquela manhã?”
nem conseguia se imaginar segundo essa opção. Não havia como saber como seria com Niall, tampouco... Talvez eles virassem amigos e só, porque a garota estaria esperando por Danny. Ou talvez só teria feito com que os dois ficassem juntos antes... tinha demorado tanto para admitir o que sentia, por causa do que havia passado com o ex-namorado!
Resumindo, o que ela sabia era que tudo teria sido completamente diferente! Sob esse ponto de vista, o período mais conturbado de sua vida teria uma luz no fim do túnel. Teria sido menos depressivo, menos solitário. Ela não teria sentido tanto medo.
“Teria evitado a raiva que eu sinto de você...” – Foi o que respondeu. Porque era a única certeza que tinha. – “Isso faz diferença na sua vida? Na minha faz...”
Danny colocou os dedos por baixo dos óculos de sol e secou os olhos. abaixou a cabeça para não ver a cena.
“Eu não queria ter te machucado tanto...” – Ele falou, com voz de choro. – “Eu te amava tanto! E eu ainda amo você, ! Eu não vou embora de novo! Eu te juro!”
“Você demorou demais...” – Ela também sentiu um nó na garganta e se odiou por isso. – “Eu não podia te esperar pra sempre sentada naquele corredor, Danny!”

“Although it hurts
I'll be the first to say
That I was wrong
Oh I know i'm probably much too late
To trying apologize for my mistakes
But I just want you to know…”


“Ele é o amor da sua vida?”
“Oi?”
“O irlandês, seu namorado. Ele é o amor da sua vida?” – Danny perguntou.
Ele não tinha o direito de perguntar aquilo! Não tinha direito nenhum de querer que ela comparasse o que havia sentido por ele e o que estava sentindo agora.
“Essa pergunta é ridícula!” – disse, fechando a cara.
“Por que ridícula? É uma pergunta como outra qualquer...”
“Porque eu não morri, Danny! Como eu vou saber quem foi o amor da minha vida, se eu não cheguei nem na metade dela ainda?” – Respondeu, astutamente.
“Você me entendeu...” – O rapaz também fechou a cara.
“Entendi. E minha resposta é essa.” – deu de ombros.
“Você não o ama...” – Danny respondeu, vindo em sua direção. – “Não como me amava. Nunca vai ser como era com a gente. Eu também tentei, , eu também falhei.”
“Eu nem quero que seja como era com a gente, Danny. Eu quero um amor novo, quero sensações novas...”
“Eu posso te dar isso... Um amor novo. Se é isso que você quer, pode ser tudo diferente.” – Ele quase implorava.
“Não, Danny, a gente não pode. EU não posso.”
“Por favor, ...” – Pediu, se aproximando mais e levantando os braços para tocar seu rosto. Assim que suas mãos alcançaram as bochechas dela, se encolheu e deu um passo para trás.
“Danny... Não...” – Falou, também quase implorando. – “Eu... Eu... O amo sim. Amo o Niall. Ele me faz feliz!” – Deu dois passos para trás. – “Você não queria tomar café? Vamos... Vamos sair daqui...”

“I hope he buys you flowers
I hope he holds your hand
Give you all his hours
When he has the chance
Take you to every party
Cause I remember how much
You love to dance
Do all the things I should've done
When I was your man
Do all the things I should've done
When I was your man…”


se sentou na cafeteria, exausta. Estava com dor de cabeça e querendo fugir do mundo mais uma vez. Não, queria que Danny sumisse de novo, isso sim. Dessa vez ela não ligaria. Dessa vez, ela ia fazer a dança da vitória. Encostou a cabeça nos braços enquanto ele estava no balcão fazendo os pedidos. Precisava falar com ! Precisava falar com alguém que não fosse Danny. Tirou o celular da bolsa, ligou-o e viu mais chamadas perdidas dela e de Niall.
Estava escrevendo um pedido de socorro para a melhor amiga quando alguém gritou.
“EU NÃO ACREDITO! NÃO ACREDITO NO QUE EU TÔ VENDO!” - Era a voz de Olly. Merda! – “O HOMEM! O MITO! DANNY JONES!”
(sentada de costas para a porta) se virou, colocando metade do corpo no corredor entre as mesas, e seu coração gelou.
Parado atrás de Olly estava Niall, com uma expressão confusa. A garota se levantou para ir até lá, mas assim que a viu, seus olhos se arregalaram e ele abriu a boca em choque.
“Niall...” – Ela começou, chamando a atenção dos outros dois. O garoto fez que não com a cabeça e saiu da cafeteria. – “NIALL!”
Olly a encarou e mordeu os lábios, também entendendo o problema.
...” – Danny tentou, mas foi em vão. Ela já havia saído atrás do namorado.


Capítulo 17 - That’s the truth

“Niall…” – o chamou pela décima vez. O garoto ia na frente, andando muito mais rápido do que deveria, já que seu joelho estava detonado. Ela desistiu de chamá-lo, não iam discutir no meio da rua de qualquer forma. Ele foi andando até a JJJ, balançando a cabeça de vez em quando e passando as mãos pelo cabelo.
Ao chegarem à república, se apressou para segurar a porta antes que ele a fechasse. Assim que entraram no hall de entrada, Niall bufou e se virou.
“Eu sou tão burro! Sou tão idiota! Como eu não me toquei ontem?” – Ele gritou na direção dela. Os meninos que estavam na sala arregalaram os olhos e juntaram suas cervejas e caixas de pizza, indo para a cozinha.
“Niall! Calma... Não... Não é nada disso que você tá pensando!” – Aquela frase era TÃO cretina! Mas realmente não era o que parecia.
“Então aquele cara não era seu ex? Não era o tal Jones, o mito, o cara que todo mundo idolatra?”
abaixou a cabeça.
“É ele sim, mas...”
“E você sabia que eu ia na palestra, apresentação, sei lá o que dele e não me falou nada? Você deixou eu ir até lá apertar a mão do cara e dizer que ele era um gênio? Deixou eu convidar ele pra sair comigo e com a minha namorada?”
Ela levantou os olhos e balançou a cabeça vigorosamente.
“Não, Niall! Eu não sabia, eu...”
“Era por isso que tava toda estranha! E eu preocupado com você! Preocupado porque você tava mal ontem e sumiu hoje!”
“Eu fui pega no susto, também não...” – Mas ela não conseguia terminar nenhuma frase.
“... E você passou o dia com ele! Sem me avisar, sem me contar nada! Nem a sabia! O que você ia fazer depois? Convidar ele pra conhecer o seu quarto? Pra se lembrar como era namorar o incrível Jones?”
“NIALL!” – Foi a vez dela gritar. As coisas começavam a sair do controle. – “Pelo amor de Deus me escuta por cinco segundos!” – O garoto cruzou os braços e deu um passo para trás, fazendo que não com a cabeça. – “Sim, ele é meu ex-namorado. O Jones que todo mundo fala... Mas eu também não sabia que ele iria voltar! Fazia dois anos que eu nem sabia por onde ele andava! E eu fiquei em choque quando vi vocês dois juntos e conversando, eu fiquei sem saber o que fazer, como agir...”
“E aí você mentiu pra mim...”
“Eu ia fazer o quê? Te dizer ‘Ih, Niall, esse é meu ex-namorado que me largou e sumiu por 2 anos... Corre, que é cilada!’ na frente dele?”
“Se você tivesse se dado ao trabalho de me contar direito o que se passou entre vocês dois, eu teria entendido como um sinal ou algo assim. Mas por algum motivo você sempre me vem com meias histórias e um ‘é complicado’ no final.”
não podia negar, aquilo era verdade.
“Eu sei... Eu sei. E não tenho desculpas pra isso e nem pra ter mentido. Mas eu só queria sair dali! Sair de perto dele...”
“Entendi. Você queria fugir dele ontem, mas passou o dia com o seu ex hoje... Faz sentido.” – Niall falou, irônico. Seu tom de voz doía mais do que suas palavras. Nunca tinha o visto usar de tanta ironia.
“Ele apareceu no terceiro andar hoje de manhã. A gente precisava conversar... Eu precisava saber o que ele tava fazendo aqui! Por que ele voltou...”
“E em que parte do seu dia lotado você pretendia lembrar que tinha namorado?”
“Eu passei o dia me lembrando disso, Niall.” – respondeu entredentes. – “Passei o dia me sentindo mal e pensando que tinha que te ligar e explicar tudo... Que não era justo te deixar no escuro. Você acha que eu não sei que estou errada? Eu vim atrás de você justamente pra te pedir desculpas e te explicar. Mas você precisa acreditar no que eu estou dizendo... Senão, não faz o mínimo sentido!” – Ela disse. Sabia que não estava em condições de dar lição de moral, mas realmente não via o porquê continuar tentando falar com Niall se ele não estava disposto a ouvir.
“Eu só achei que você confiasse em mim...” – O garoto respondeu, magoado. Ele encarava o chão. – “Achei que não ia ter que passar por essa situação de ser o último a saber de algo.”
“Você quer ouvir a história?” – Ela perguntou. Estava tão cansada! Seu cérebro parecia estar sendo espremido como uma esponja desde o dia anterior. – “Eu não te contei porque eu não gosto de nada relacionado a ela, Niall. E isso inclui o Daniel.”
O garoto levantou a cabeça e mordeu o cantinho do lábio inferior.
“Eu não queria que fosse um esforço... Mas achei que nós pudéssemos contar coisas um para o outro. Eu te contei tantas coisas!”
Ela fez que sim com a cabeça e respirou fundo.
“Eu sei. Me desculpa!” - suspirou e fechou os olhos por um segundo. - “Resumindo, porque a história é longa… Eu namorei o Danny por 4 anos, durante toda minha graduação. Aí na noite da minha formatura, ele sumiu... Desapareceu sem deixar um bilhete, um endereço, não respondeu meus telefonemas, minhas mensagens... Sumiu e foi viver de música pela Europa afora. Por cinco meses. E então ele voltou no Dia de Ação de Graças e eu achei que ia ser diferente e que daquela vez ele não ia me abandonar sem dizer nada... Mas eu estava errada. Ele me abandonou pela segunda vez e eu passei dois anos sofrendo por isso. Me escondendo, me impedindo de viver... Achando que, se Danny tinha feito aquilo, então não havia mais ninguém que poderia me fazer feliz.” – Ela deu um passo a frente e Niall a encarou, começando a entender várias coisas. O Dia de Ação de Graças! O dia que ela tinha dito a ele que os dois não dariam certo. – “Felizmente, eu estava errada de novo. Porque eu conheci o garoto mais adorável e encantador do mundo e, mesmo morrendo de medo e tentando me afastar, eu não consegui impedir que ele entrasse na minha vida. E agora meu medo é de perdê-lo por um motivo idiota!” - Falou, dando um sorriso simples para ele. Era importante que Niall entendesse a importância que tinha para ela.
sabia que estava faltando uma parte importante na história que tinha acabado de contar. Mas precisava contá-la primeiro para outra pessoa. Niall deu um sorriso, ainda meio tímido, e também deu um passo a frente.
“Você tem noção do que eu senti quando te vi com aquele cara e percebi que ele era o seu ex?” – Ele disse. Não estava mais brigando, seu tom de voz era meio desesperado, na verdade. – “O tal Jones de quem todo mundo sempre falava quase babando e que parecia muito melhor que eu aos olhos de todo mundo? Que EU mesmo o achava muito melhor? Era o fim do jogo pra mim...”
A garota fez que não com a cabeça e, sem pensar, colocou seus braços em torno do pescoço do namorado.
“Mas não é fim do jogo! Eu amo você, Niall! Eu estou feliz com você. Não preciso do Danny de volta na minha vida, não preciso dele de volta de forma nenhuma.”
Niall passou seus braços pela cintura dela e a trouxe mais para perto afundando seu rosto na curva do pescoço da namorada.
“Você tá falando sério?” – Ele perguntou com a voz abafada. mexeu em seu cabelo e lhe deu um beijo no pescoço.
“Você tá maluco, irlandês? Você é meu amuleto da sorte! E você prometeu realizar todos meus pedidos...” – Ela respondeu, fazendo-o dar uma risadinha. Niall levantou a cabeça e a encarou bem de pertinho, sorrindo. – “Você é precioso demais pra eu te perder...”
Seus lábios estavam muito próximos agora, mas os dois ainda ficaram um tempo apenas abraçados e sorrindo um para o outro. Foi que inclinou o rosto e chegou mais perto, fazendo com que suas bocas se tocassem.
Era verdade que os casais precisavam de tensão às vezes, porque aquele foi provavelmente o melhor beijo que já haviam trocado até então. Niall deu dois passos e a encostou na porta, beijando-a ainda mais intensamente. Quando perceberam que teriam que sair do hall de entrada da república, se separaram e começaram a rir, pensando se iam para o quarto de Niall (que era mais perto, mas menos conveniente já que a casa estava cheia) ou para o dela (longe, porém não devia ter ninguém no terceiro andar a essa hora).
Decidiram que Niall precisaria de uma bolsa de gelo para o joelho no outro dia.

Os dias que se seguiram foram tranquilos até demais para o gosto de . Acabou pegando a mania de checar se havia algum barulho suspeito antes de sair do quarto. Queria, pelo menos, ter opção de escolha se Danny estivesse parado do lado de fora da porta. Mas nada aconteceu. Depois de sair correndo atrás de Niall e tê-lo deixado na cafeteria, não havia o visto mais. Talvez tivesse desistido e ido até a tal gravadora, produtora ou sei lá para dizer que ia sim renovar o contrato, afinal não o queria mais. Ou talvez simplesmente tivesse ido visitar a mãe, ou Tom, ou Harry...
, assim que conseguiu, correu para contar para tudo o que tinha acontecido. Se surpreendeu ao ver uma bolinha de pelos pretinhos pulando desajeitada em seus pés e percebeu que a amiga tinha novidades também.
“Esse é o Hendrix.” – Ela disse, pegando o filhotinho no colo. – “E se você tentar achar a razão psicológica para isso, eu te bato!”
riu e coçou as orelhas do cachorrinho.
“Fica tranquila, amiga. Eu sei, mas não vou falar nada.”
As duas riram e se sentaram para colocar o papo em dia. ainda estava com a boca aberta e a expressão confusa depois de ouvir sobre a volta de Danny. E de seu novo sumiço. Quem havia colocado o mundo de cabeça para baixo?
“E você e o Niall?”
“Estamos bem. Ele aceitou minhas desculpas e, como Daniel sumiu, acho que ele desencanou...”
, pelo amor de Deus! Você precisa contar tudo pra ele logo!”
, nem o Danny sabe ainda! E agora ele sumiu pela milésima vez...”
“Você vai esperar o Jones reaparecer? , pode levar dez anos!”
A garota abaixou a cabeça, sabia que estava certa. Mas ainda não se sentia pronta... Alguma coisa lhe dizia que Danny iria voltar dessa vez e ela contaria a ele primeiro. E depois para todo mundo e para Niall.
“E você e o Matthew?” – Ela mudou de assunto.
deu uma risadinha sem humor.
“Eu adotei um cachorro. Achei que isso respondia todas as perguntas sobre mim.”
“Podia ser um cachorro de vocês dois...” – tentou, fazendo a amiga dar a mesma risada.
“Não, não é o caso.” – tirou os olhos do filhote, parecendo triste. – “Encontrei o Styles uns dias atrás...”
“E aí?”
“E aí, nada. Ele me viu com o Matt e depois saiu sem nem trocarmos uma palavra...”
, agora eu é que falo pelo amor de Deus! Larga de ser orgulhosa e vai atrás dele! E para de pensar se vão te julgar ou não. Foda-se!”
“Eu não posso! Eu não consigo...” – A garota falou, parecendo ainda mais triste. – “Não consigo dar o braço a torcer!”
As duas continuaram ali conversando, fazendo carinho em Hendrix e tentando chegar a um consenso sobre seus problemas. Ainda bem que continuavam se amando mesmo quando ignoravam o conselho uma da outra.
Mas tudo seguia dentro dos conformes e bem (na medida do possível) para elas.

“STYLES, MEU QUERIDO!” – Louis gritou, ao ver o calouro saindo do SPR. Harry riu ao ver o veterano. – “Tá sumido!”
“Eu? Quem mudou de andar e casou foi você!” – Brincou, indo até Lou, que parecia estar voltando da biblioteca e carregava uns 8 livros. – “Quer ajuda?”
“Você tá muito ocupado?”
“Não... Dá uns livros aqui, eu te ajudo!” – Falou, pegando os primeiros da pilha. – “E como tão as coisas?”
“A vida anda uma desgraça!” – Falou. – “Lottie inventou de trazer minha ex pra cá!”
“Ela ainda não sabe de você e da Calder?”
“Não! Sempre acontece alguma coisa quando a gente tenta contar...”
“E o que sua ex veio fazer aqui?” – Harry franziu a testa, entrando no elevador com o amigo.
“Confusão, Styles. Ela veio fazer confusão. El ficou uma fera com a Lottie, mas não podia fazer nada... E Hannah tá cada dia mais inconveniente... Foi um caos!” – Harry tentou segurar, mas soltou uma risadinha e deu uns tapinhas solidários nas costas de Louis. Sempre tem alguém tão na merda quanto a gente. – “E você, Styles? Soube que a tá namorando um cara...”
“Namorando?” – Ele perguntou. Achava que podia ser alguma coisa menos séria.
“Pelo que eu ouvi, sim...” – Lou respondeu, já se arrependendo de ter dito aquilo. – “Achei que você soubesse, desculpa! Eu e minha boca grande!”
“Não, tá de boa...” – O garoto coçou a nuca, entregando os livros a Louis na porta de seu dormitório. – “Tá tudo bem. Superei já!”
É, estava com cara mesmo...
“Tava indo pra onde?” – O veterano perguntou, tentando consertar. – “Eu, Liam e o Horan vamos no campo de futebol hoje. O time da Universidade joga às 9 horas...”
“Tava indo na academia. Mas topo sim... Uns caras da minha sala jogam. Eu desço aqui então! Até mais, Tomlinson.” – Falou, saindo meio chocado com a notícia. E bravo consigo mesmo por se sentir abalado com isso ainda.

continuava digitando sua dissertação e começava a achar que, como todas as outras dissertações da Terra, a sua só ficaria pronta em cima da hora. Ela não se ajudava, porém, e no momento trocava mensagens com Niall e segurava a risada se lembrando de cenas do Saint Patrick’s Day. Por algum motivo obscuro ela e o namorado não se lembravam de metade da festa e, mesmo uma semana depois, ainda se pegavam relembrando cenas e conversas e mandavam um para o outro, tentando refazer a ordem cronológica dos fatos. Estava segurando a risada e dizendo a Niall que ele tinha sim puxado uma senhorinha para dançar macarena quando ouviu alguém bufar ao seu lado.
Por um segundo, achou que Zayn estava incomodado com suas risadinhas, mas o garoto olhava o próprio celular e estava com a testa franzida.
“Hey!” – Ela chamou. – “O que você tem?”
Zayn não respondeu, em seu jeitinho simpático de sempre, e continuou digitando. Levantou a cabeça quando terminou e percebeu que ainda o encarava.
“Nada... Não é nada...” – Falou, estressado. Mas parecia meio decepcionado também.
Quem é que tinha o deixado assim? Será que ele tinha levado um fora? Hum... Difícil! Será que uma de suas peguetes finalmente tinha dito a ele que ZAP era um nome horrível?
“Pode se abrir comigo, Malik! Sou eu...” – disse, fingindo que eram grandes amigos apenas para irritá-lo. Se atreveu até a dar um soquinho em seu braço. Era legal demais irritá-lo! O garoto arqueou as sobrancelhas.
“Você tomou seu remédio hoje?” – Perguntou, fazendo-a rir.
“Sério agora, tem alguma coisa que eu possa fazer?”
Zayn ficou um tempo a encarando, como se a avaliasse. Depois pareceu achar que ela era digna de confiança.
“Não aguento mais esse cara que a tá namorando...” – Confessou.
se sentiu um pouco culpada. Ultimamente estava passando tempo demais com Niall e de menos com as garotas. Não sabia o que Aidan havia feito.
“O que houve?” – Ela quis saber.
“Ele fica me cortando! Colocando minhoca na cabeça dela... A gente não se vê nem metade do que se via antes...”
estava vendo o que achava que estava vendo?
“Zayn... Ela tá namorando. Começo de namoro é assim mesmo. Ela tá dando atenção pra ele.” – Explicou. Era isso que ela também vinha fazendo...
“Não... Você não está entendendo! Esse cara tem um problema pessoal comigo!”
“Que namorado não teria?” – deixou escapar, fazendo Zayn sorrir de lado.
“Seu namorado tem?” – Ele perguntou, erguendo uma sobrancelha e voltando a se parecer mais com o garoto engraçadinho que ela conhecia.
“Não. Niall nem liga, na verdade... Aliás, ele acha que você canta pra caramba!” – Respondeu, fazendo seu sorriso de lado desaparecer. Zayn voltou à expressão zangada/magoada de antes.
“De qualquer forma, ele fica falando na cabeça da e ela vai se afastando cada vez mais! Ela é minha melhor amiga, caralho! Ela é... É a única pessoa com quem eu realmente me sinto confortável!” – Ele olhou para baixo e deu um sorriso triste. – “ costuma dizer que eu só sou legal com ela...”
já tinha ouvido uma história parecida antes e não acabava bem. E, por conhecer algo tão semelhante e por conhecer o garoto o suficiente, pôde entender algo que nem ele e nem sua amiga viam.
Zayn estava apaixonado por .

“Eu desisto, !”
continuava encarando a mensagem que tinha recebido de tarde. Não sabia mais o que fazer! Sentia pressão dos dois lados: seu namorado não ia com a cara de Zayn e sempre dava piti e seu melhor amigo cobrava que as coisas fossem como antes. Queria voltar para a época medieval e dizer para os dois: “Duelem e se resolvam!”, enquanto virava as costas e ia ler um livro.
Ainda não sabia o que responder, mas o tempo estava passando e deixar a mensagem sem resposta era ainda pior. A porta da cozinha se abriu e ela tirou os olhos do aparelho e encontrou .
“DR?” – Ela perguntou, analisando a expressão da garota.
“Com o melhor amigo... Serve?” – Respondeu, passando as mãos no cabelo.
“O que o Zayn fez dessa vez?”
deu uma risadinha sem humor.
“Pior que dessa vez eu nem sei se é ele que tá errado. Tenho tentado me equilibrar e dividir meu tempo entre Aidan, a faculdade e meus amigos... Mas parece que com o Zayn não tá dando certo! Além do mais, Aidan não gosta dele. O que torna tudo mais difícil.”
se sentou de frente para a amiga. Conhecia uma história como aquela.
“Eu já passei por isso... Mas vi a situação sob outro ponto de vista.” – Ela começou, fazendo levantar os olhos, interessada. – “Eu também tinha um melhor amigo e ele era a pessoa que eu mais amava nesse universo, chegava a ser ridículo! Éramos nós dois contra o mundo sempre e, mesmo depois eu conheci a e minhas outras amigas, ele ainda era o meu porto seguro. O meu amigo mais especial...”
franziu a testa. Nunca tinha parado para pensar, mas era isso. Zayn era seu amigo mais especial, mesmo com as meninas, mesmo com a distância, mesmo com o jeito arrogante dele às vezes.
“O que aconteceu?” – Ela perguntou, querendo ouvir mais.
“Aconteceu uma outra mulher...” – respondeu, dando um sorriso triste. – “Tom conheceu a atual esposa e, aos poucos, foi me podando da vida dele. No começo essa garota parecia me adorar, achei que nem seria tão mal se eles ficassem juntos... Mas quando percebeu como nossa amizade era, ela começou a criar barreiras pra gente se ver, não passava meus recados pra ele, inventava programas quando a gente combinava de sair... Foi um inferno assistir a isso de mãos atadas e Tom não fez muito também porque estava apaixonado... Giovanna falava, ele obedecia. No fim, ele se formou, foi embora morar com ela, casou... E nós mal nos falamos hoje.” – segurou o choro. Odiava tanto pensar nisso! Em como tudo tinha mudado quando ela jamais imaginou que seria possível. estendeu o braço e apertou sua mão, solidária. – “Eu não tô te falando que é isso que vai acontecer... Cada caso é um caso. Mas eu já estive do lado do Zayn na história e dói muito perder seu melhor amigo pra alguém que nunca vai amá-lo mais que você... Entende?”
concordou.
“Eu não quero perdê-lo também!” – Falou, fazendo que não com a cabeça como se a ideia fosse absurda. – “Zayn é meu amigo desde sempre... A gente continuou melhores amigos mesmo quando ele se mudou pra cá!”
“Que bom que você sabe o quanto essa amizade é importante. E é compreensível esse ciúmes do Aidan, mas tenta passar por cima disso. Nunca vai ser igual enquanto você namorar, mas se vocês dois estão sofrendo por isso e seu namorado tá tranquilo, é porque a situação não tá tão equilibrada quanto você acha que tá.”
entendeu o recado. Só ela estava cedendo. Cedendo... Cedendo... Exatamente como o amigo de fez. Mas o que ela faria se um dia percebesse que não tinha mais contato com Zayn nem para ligar e aborrecê-lo sem motivo? E se só se desse conta tarde demais?
“Você tá certa, ! E eu nunca enxergaria sozinha!” – Levantou o rosto e apertou as mãos de mais uma vez. – “Obrigada mesmo! E não fica assim... Quem sabe a história não acabou? Quem sabe vocês ainda tenham outra change de voltarem a serem amigos como antes?”
sorriu de volta.
“Eu duvido... Mas vou ficar feliz se souber que você conseguiu consertar os erros antes de ficar irremediável!”
“Eu vou!” – afirmou. – “Vou agora!”
Pegou o celular de novo e digitou uma mensagem:
“Sem drama, Zayn Malik! Chego aí na sua casa em meia hora! (Te amo, seu marrento)”
Depois deu um beijo no rosto de e foi se arrumar. A garota sorriu para a porta da cozinha se fechando e voltou a olhar além da janela acima da pia. Quisera ela poder dar um jeito e ter seu melhor amigo de volta!
Ficou um tempo por ali, se lembrando de Tom, até se dar conta de que já era tarde e ela deveria ir embora. Estava saindo da cozinha em direção ao quarto de , mas parou ao perceber uma algazarra no quarto de Liam. e Eleanor dividiam a cama dele enquanto os meninos berravam na frente da TV para Louis e Niall que disputavam uma partida de futebol no videogame. Mas então, percebeu um quarto garoto. Alto, magro e com um tique nervoso de mexer no cabelo. Ele ria de Niall, que estava perdendo, e o zuava com um jeito todo peculiar de falar.
Desde quando Harry Styles era frequentador do terceiro andar?

(Coloquem No Name - Ryan O'Shaughnessy para tocar)


"Every now and then I see a part of you I've never seen
Birds can swim and fish can fly
The road is long
I wonder why"


Zayn estava sentado no balcão da cozinha de sua casa e observava cozinhar. Ela tinha essa mania de sempre girar a colher o mesmo número de vezes para a direita e para a esquerda, mas nem devia perceber. E mordia os lábios algumas vezes, parecendo incerta sobre a receita.
"Que foi, moleque?" - Ela perguntou, olhando-o de rabo de olho e percebendo que o garoto a observava. Ele balancou a cabeça, se livrando de seus devaneios.
"Você tem certeza que essa gororoba vai dar certo?" - Ele indagou, apenas para irritá-la. - "Tá com uma cara estranha!"
"VOCÊ tem uma cara estranha, Malik! Vai à merda!" - Ela retrucou, jogando o pano de prato nele, que gargalhou.
Zayn puxou o maço de cigarro do bolso e recebeu outro olhar de lado.
"Que foi?"
"Você é retardado? Vai disparar o alarme de incêndio!"
"Eu desliguei o alarme da cozinha..." - Ele respondeu, acendendo o cigarro. - "Fica tranquilinha, mãe!"
"Vou. Vou ficar sim... Sabendo que você desligou o alarme do cômodo mais perigoso da casa só pra fumar essa merda!"
Ele sorriu ao perceber que estava realmente preocupada.

One of these days you'll realize
What you mean to me
Ohh-hh, every now and then I see a part of you I've never seen
Every now and then I try to tell you just how I feel
Heavens talk, the rain begins, the sky turns black
Nobody wins


mexeu mais um pouco a panela e desligou o fogão. Zayn pulou do balcão e foi andando atrás dela até a sala.
"Que porra é essa, afinal?"
"Chama brigadeiro. É um doce brasileiro... Uma menina da minha sala me ensinou. Você vai querer?" - Ela ofereceu uma colher a ele, que a mergulhou na panela pegando um pouco. Sorriu ao sentir o gosto. Teria que dar o braço a torcer... Estava delicioso!
"Até que ficou bom!"
"Vindo de você, devo considerar um elogio!"
Zayn pegou mais uma colherada e ficou observando enquanto fazia o mesmo, assoprava o doce e levava a colher à boca. Seus pensamentos em resposta a essa cena foram no mínimo assustadores. Eles vinham e voltavam, sendo desde um pouco cafonas até os mais impróprios possíveis. O que aquilo significava? Porque ultimamente ele SEMPRE acabava tendo esse tipo de pensamento?

Well, I try to talk but I can't
My soul has turned to steel
This happens every now and then when I try to tell you just how I feel


"A gente pode ir assistir filme no seu quarto?" – pediu, já indo em direção ao quarto do garoto, que estava preso no chão. – "Você vem?"
Ele tentou ser o mais natural possível e se deitou ao lado dela, a panela de brigadeiro no meio. Estava sem fome, estava sem vontade de fazer nada. Estava morrendo de medo.
A garota deu play no filme e se ajeitou na cama, encostando a cabeça no amigo, que pareceu se petrificar ao sentir o rosto dela em seu ombro. Ele nunca tinha se sentido assim. Nunca tinha ficado tão estranho. Era , porra! Sua melhor amiga! Aquilo não podia ser verdade... Não estava apaixonado, não estava! Ele estava só com ciúmes porque estava namorando. Era só isso.
"Tá tudo bem?" - se virou para ele.
"Tá. Tá tudo bem sim... Obrigado!" - Zayn respondeu e sorriu, fazendo-a franzir a testa.
"Você tá sendo educado?"
Ele riu de nervoso.
"De vez em quando eu sou legal, lembra?"
riu e se levantou pegando mais uma colherada de brigadeiro. Antes de se deitar, afastou o braço de Zayn e se deitou em seu peito. O garoto levou o braço até a cintura dela e seu coração deu um solavanco. Olhou para baixo e ficou admirando-a por longos minutos, desejando mexer em seu cabelo, mas apavorado demais com essa ideia.
Estava na merda. Estava muito na merda.
Estava apaixonado pela última pessoa por quem deveria ficar apaixonado.

So if you ever love somebody
You gotta' keep them close
When you lose grip of their body
You'll be falling
'Cause I'm falling
Deeper in love
In love
In love
In love..."


olhava em volta para todos os folhetos e livros espalhados em sua cama. Ela e Liam tinham embarcado em uma missão de descobrirem qual era sua verdadeira vocação, mas ainda não haviam chegado a nenhuma resposta definitiva.
Presa ao seu mural estava uma lista com dez profissões que ela considerava interessantes e que, de alguma forma, poderiam fazê-la mais feliz que Arquitetura. Mas ainda tinha medo. Medo de errar mais uma vez, medo de dar outro tiro no escuro. Também estava apavorada com a ideia de se empolgar com outra faculdade e não conseguir arranjar uma maneira de cursá-la. E havia ainda algo pior: E se precisasse ir embora e deixar o namorado, as meninas e o terceiro andar?
Suspirou mais uma vez e voltou a ler sobre Economia. Mas não, essa definitivamente não iria para a sua lista.
Olhou de novo para o mural. Psicologia ainda estava no número 1 e parecia ser realmente um curso legal. Ela se lembrava de dizendo a ela para se enturmar, para viver a faculdade e, apesar de saber que lidaria com casos BEM mais graves do que esse, gostava da ideia de ajudar pessoas a se sentirem melhor, se libertarem do que as prendiam e se tornarem mais felizes. Mas será que tinha vocação?
Liam abriu a porta e sorriu ao vê-la em meio a um mar de papéis.
"Ia perguntar se você tá pronta, mas acho que não, né?" - Ele disse, sorrindo.
olhou para o relógio. Tinham combinado de ir ao cinema, mas ela havia perdido completamente a noção da hora.
"Liam! Eu me esqueci!" - Ela disse, pulando para o chão e correndo para o guarda-roupa, fazendo o namorado rir. - "Quanto tempo a gente tem? Pega minha bolsa!"
O garoto entrou no quarto rindo e fez o que ela pedia, se sentando na cama depois.
"Algum curso novo no Top10?" - Ele quis saber.
"Hum... Design de Interiores. Os prós são que ia ser bom depois desse primeiro ano de Arquitetura e meus pais aceitariam mais fácil, por ter alguma relação com o curso que eu já to fazendo. Os contras são que eu acho que não levo jeito pra coisa - Liam gargalhou - e que não tem aqui na Saint Mary."
"Já te falei pra não se prender a esse detalhe!"
fechou a porta do guarda-roupa e o encarou.
"Não é um detalhe! Eu não quero ir embora!"
"Mas existem outras faculdades aqui por perto..."
"Mas em nenhuma tem o terceiro andar. Eu não seria eu sem esse lugar, Liam. Estar na faculdade não seria a mesma coisa... Eu não quero ir, não quero deixar o lugar que me mudou em tão pouco tempo!"
"Se é por causa do terceiro andar, tudo bem. Mas se fosse por causa de mim..." – Ele falou, com um ar de riso.
sorriu de lado.
"Lógico que é por sua causa também... Você faz parte do pacote do terceiro andar!" – Explicou.
Liam abriu os braços e a namorada foi até ele e se sentou em seu colo.
"Eu só não quero interferir numa decisão tão importante..." - Ele disse.
"Tarde demais. Você ja é parte da decisão, você ja é parte de tudo!"
O garoto deu um selinho em seus lábios e sorriu.
"Eu amo você!"
"Também amo você."
passou seus braços pelo pescoço do namorado e o abraçou, distribuindo beijos pelo seu rosto. Depois se lembrou que já estava atrasada e se levantou correndo para continuar a se arrumar. Liam jogou os papéis na escrivaninha e se deitou na cama.
"A gente pode ficar por aqui também..." - Tentou, com um olhar sapeca.
"Liam Payne, Liam Payne..." - A garota chamou, rindo. - "Se comporte! A gente pode voltar pra cá mais tarde, mas prometi à Jessica que íamos hoje, ela fica toda sem graça perto do Josh."
"E esse Josh aí? Gente boa? É o calouro amigo do Niall, né? Hum..."
riu ao perceber a preocupação do namorado.
"Tá com ciumes, Liam?" - Perguntou, enquanto colocava os brincos.
"E só um instinto protetor. Jessica é tipo uma irmã caçula pra mim."
"Você acabaria com todos os sonhos impuros dela dizendo isso." - resmungou, rindo só para si.
"Oi?" - Liam não tinha certeza se havia entendido direito.
"Nada..." - A garota falou, pegando sua bolsa e puxando o namorado pela mão. - "Eu não disse nada. Vem!"

“E um pássaro aqui. Sei lá, ia ficar maneiro. Também tenho vontade de fazer uma no peito, uma frase… Mas não sei o que ainda…” – Louis tinha passado os últimos 15 minutos contando a El as ideias mais absurdas que tinha para tatuagens. Os dois estavam deitados na cama do garoto e pareciam ser os únicos habitantes do terceiro andar naquela tarde fria de sábado.
“Que brega, Louis!” – Foi o que Eleanor respondeu, segurando a risada. O namorado se sentou na cama de uma vez, parecendo extremamente ofendido.
“Como é que é, Eleanor?”
A garota deu uma risada debochada.
“To brincando…”
“Retira já o que você disse!”
Ela fez que não com a cabeça.
“Não?” – Ele perguntou de novo, erguendo as sobrancelhas e indo para cima dela. – “Tem certeza?”
A garota gargalhou e se levantou, correndo em direção à cozinha. Se apoiou na pia e deu um gritinho quando o namorado entrou no cômodo.
“Você está em apuros, Calder!” – Ele disse simplesmente, caminhando devagar em sua direção, com as mãos nos bolsos.
“Não, Lou, não!” – Respondeu, rindo.
“Brega? Foi isso que você disse?” – Ele perguntou, se aproximando, com um sorriso de lado.
Eleanor mordeu os lábios e sentiu as mãos de Louis em sua cintura, a puxando para perto.
“Lou, aqui não… As menin…” – Começou, olhando para a porta da cozinha.
“Não tem ninguém aqui agora. Relaxa…” – Foi o que o garoto disse antes de beijá-la. Ele deu dois passos para frente, a encostando de novo na pia.
A medida que o beijo se intensificava e o clima esquentava, El foi colocada sentada em cima do balcão. A ideia de continuarem aquilo na cozinha parecia ridícula, mas nenhum dos dois parecia estar raciocinando direito. Qualquer um podia entrar a qualquer momento.
Qualquer um mesmo…
“LOUIS! ELEANOR!”
Os dois se separaram ainda meio desnorteados. Lottie estava parada segurando a porta da cozinha e os olhava chocada. Não havia como contornar a situação. Eleanor estava usando apenas calcinha e uma regata do namorado, Louis estava sem camisa e os dois estavam, em um português claro, se atracando no meio da cozinha do terceiro andar.
“Lottie!” – Louis se virou, coçando a nuca. El pulou para o chão, completamente envergonhada.
“Eu não acredito que isso tá acontencendo. E bem embaixo do meu nariz! BEM EMBAIXO DO MEU NARIZ!” – Ela atirava sua raiva para os dois, mas seus olhos estavam cravados em Eleanor.
“Lo…” – Ela tentou, torcendo as mãos nervosamente.
“Cala a boca! Não fala comigo! Que nojo de você, que nojo de você!”
“Você é que não vai falar assim com ela!” – Louis respondeu. – “Ninguém é criança aqui, Lottie! Para de agir como uma!”
“Bem que a Hannah me falou que tinha alguma coisa errada com os dois. Que Eleanor não tinha ido com a cara dela… Que tinha sido estranho Louis ir atrás de você na cozinha… Ela tava certa! E eu te defendi! Disse que você nunca faria isso comigo!” – A garota não parecia estar ouvindo, continuava fora de controle e irada com Eleanor.
“Lottie, me escuta…” – Ela começou de novo. – “Nós íamos te contar! Eu nunca quis mentir, mas estava com medo da sua reaç…”
“Eu odeio você! Eu odeio vocês dois!” – Ela gritou de novo, lançando um olhar de desprezo para o casal e sumindo pela porta.
“Louis…” – El se virou para o namorado com os olhos cheios d’água. Os dois tinham demorado tanto, que as coisas acabaram acontecendo da pior forma possivel.
“Calma, meu amor!” – Lou foi até ela e segurou seu rosto com as duas mãos. – “Não fica assim. Eu vou atrás dela e você fica aqui me esperando.”
“Não, eu quero ir falar com ela! Eu preciso!”
“Deixa que eu vou primeiro. Me espera! Não se preocupa, vai ficar tudo bem! Eu te amo... Não esquece disso!” – O garoto deu um selinho demorado na namorada e saiu correndo pela porta.
Eleanor abafou o choro colocando as mãos no rosto. O olhar que Lottie tinha direcionado a ela tinha sido como se a garota estivesse vendo algo podre. Nojo mesmo, como havia gritado mais de uma vez. Era horrível! O que aconteceria dali para frente?

O terceiro andar, porém, não estava completamente desabitado. colocou a cabeça para fora da porta ao ouvir a gritaria, mas não parecia haver nada de errado. Saiu franzindo a testa e estava quase chegando na cozinha, quando o elevador se abriu. Para sua surpresa, Danny saiu de lá de dentro.
“Hey! E aí?” – Ele perguntou animado. – “Vim te procurar aqui, mas achei que você ia estar em algum outro lugar. Até que o tempo tá bom… Pelo menos não tá chovendo. Você quer...”
Peraí! PERAÍ! Mas uma vez ele parecia completamente alheio a tudo o que já havia sido conversado, discutido e gritado entre eles dois. Que porra de memória de Dori era essa que ele tinha?
“Danny... O que voce tá fazendo aqui?” – Ela começava a ficar cansada de perguntar isso toda santa vez que se encontravam.
“Vim te ver, oras…” – O rapaz respondeu, como se fosse óbvio.
“Eu perguntei num geral… Eu nunca vi ninguém sumir e reaparecer com a mesma facilidade que você!”
“Fui para casa… Precisava dar sinal de vida para minha mãe. Mas agora voltei de vez! Acredita que tem uma kitnet vaga perto do pub? Acho que vou…”
“Voltei de vez”? “Kitnet perto do pub”? devia ter deixado quem quer fosse gritando os pulmões para fora, devia ter ficado quietinha em seu quarto. Tinha se esquecido da política de SEMPRE checar antes de sair.
“Você vai se mudar pra cá?” – Ela perguntou, para confirmar seus piores pesadelos.
“Acho que sim. Tom me chamou pra passar um tempo com ele... Mas acho que vou ficar por lá só enquanto arrumo um emprego por aqui. Pensei em ir no pub, perguntar se eles não precisam de um músico residente, sabe?”
colocou as mãos nas têmporas, tentando não surtar.
“Você devia ficar morando com o Tom de vez. A cidade é maior… Mais oportunidades…” – Tentou.
“Eu quero ficar perto de você.”
“Jones, pelo amor de Deus. Que parte da nossa última conversa você não entendeu?”
“Eu entendi tudo. Não quer dizer que eu concorde, que eu não vá tentar ou que eu não possa ficar por aqui… A gente pode sair de vez em quando, sei lá…”
“Nós não somos amigos, Danny. Desculpa te desapontar e jogar isso na sua cara, mas é a verdade e você sabe disso. Nunca fomos e não vamos ser agora. Nós dois nunca vamos sentar num bar e jogar conversa fora como velhos amigos.”
O rapaz deu de ombros, como se não estivesse ouvindo nenhuma novidade.
“Não quero ser seu amigo…” – Foi o que respondeu. Mas então pareceu ligeiramente desapontado. – “Você e o garoto se acertaram, por fim?”
“Sim! Eu e Niall estamos muito bem, obrigada. E não vamos brigar de novo por sua causa, eu vou cuidar disso pessoalmente… E se você tá ciente de que não vamos ser amigos, pode ir embora…” – Falou, apontando para o elevador.
Ele a encarou e mordeu os lábios, parecendo pensar se dizia o que queria dizer ou não.
“Eu disse que você seria pra sempre a minha garota. Na carta. E você se esqueceu disso.”
Não, ela não tinha esquecido. Se lembrava de cada palavra daquele bilhete. De todas elas.
“Você também disse que ia parar de entrar e sair da minha vida, lembra?” – Falou, erguendo uma das sobrancelhas. – “Além do mais, eu ERA sua garota. Mas não sou uma garota mais…”
“Continua agindo como uma…” – Danny respondeu, cruzando os braços. – “Quantos anos ele tem, ? 15? O que isso significa? Crise dos 25? Síndrome do Peter Pan? Não esperava essa falta de maturidade de você…”
O sangue dela esquentou e subiu, como água em ebulição. Imatura? Ele estava se atrevendo a chamá-la de imatura? Ele não sabia do que estava falando!
“Imatura? Eu sou imatura?” – Ela repetiu, erguendo a voz a cada sílaba. – “NÓS TEMOS UMA FILHA, DANIEL!” – Berrou na direção dele. – “E enquanto você estava andando pelo mundo com uma guitarra na mão e uma ideia na cabeça, eu estava aqui grávida, em depressão e trancando meu mestrado pra cuidar dela! A imatura aqui passou quase o ano todo longe da própria criança, pra terminar minha pós e poder ter uma qualificação melhor e arranjar um emprego melhor! E você, Senhor Maturidade? Onde você esteve esse tempo todo?”
A garota sentiu uma especie de alívio em colocar tudo aquilo para fora. A verdade. Toda a verdade. Danny, por sua vez, parecia incapaz de qualquer reação.





Continua...



Nota da autora: HIHIHIHIHIHIHI....Opa, esqueci de contar pra vocês? A personagem principal tem uma filha!! E ela é linda! Alguém quer arriscar o nome? Vamos as opções de título para o Capítulo 18:
( ) If U C Kate
( ) Little Joanna
( ) ... *Vai procurar no google os nomes das músicas do McFLY*
Porra, McFLY! Só duas músicas com nome de mulher?! Okay, as opções são essas mesmo, façam suas apostas! A briga do casal Horan durou muito pouco? Não tem problema! A gente coloca um fator complicante a mais na história! Hehehe... O que eu posso dizer é que eu adoro o capítulo 18, mas vocês vão começar a amar a bebezinha mais do capítulo 19 pra frente. Aguardem ;)
E alías, quero mandar um “Alô” pra Raissa e pra Inara que mataram essa nos comentários do capítulo passado! Vou ter que pedir o reembolso do meu curso de fazer mistério na escolinha JK Rowling hahahahahaha.
E Zayn <3 Aaaah, Zayn! Quando a gente ia imaginar que Zayn Malik ia ser friendzoned?!?! Só em fic mesmo.
Antes de ir embora, quero divulgar meu grupo no facebook e minhas outras fic aqui embaixo. Obrigada por lerem e comentarem e também obrigada a quem votou em mim pra autora do mês de Maio e em 08. Flicker como Shortfic do mês. Ganhei? Não. Mas aquele Top5 já valeu demaaaaaais, vocês não fazem ideia!
Enfim… Espero que vocês continuem lendo e curtindo o que está por vir. OTTF tá chegando ao fim =(
Boa semana e até a próxima!
Lari




Outras fics:
Trap (1D/Finalizada)
04. When we were young (Ficstape 25/Finalizada)
While my guitar gently weeps (Outros/Finalizada)
06. Glasgow (Ficstape Catfish and the Bottlemen/Finalizada)
08. Flicker (Ficstape Flicker/Finalizada)
08. Sound of Reverie (Fictape Lovely Little Lonely/ Finalizada)
09. Then there’s you (Ficstape Nine Track Mind/Finaliada)
10. Here we go again (Ficstape Turn it up/Finalizada)
Daydreamer (Outros/Finalizada)
Someone like you (Outros/Finalizada)


Nota da beta: Menina, tô é no chão e totalmente I M P A C T A D A com essa revelação de final de capítulo 😧. Meu chute pro nome da filha da pp é Joanna hehehehe. FAÇAM JÁ SUAS APOSTAS! 😊

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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