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Última atualização: 01/09/2020

Capítulo 1 – A aposta

— Vocês duas, esperem aqui! Madame Nora viu mais alguém pelos corredores! – Argus Filch saiu em disparada pela porta, trancando as duas garotas em sua sala. olhou para a irmã, Theodora, e abriu um sorriso malicioso.
— Filch é mesmo muito burro por ainda nos trancar na sala dele depois de todos esses anos. Vamos ver as novidades confiscadas da semana.
As gêmeas vasculharam todas as gavetas da sala de Filch, mas não encontraram nada muito interessante, apenas algumas minhocas de apito, que surrupiaram. Parece que não havia sido uma semana muito produtiva para Filch, no fim das contas. Ele devia estar muito ocupado enlouquecido com os outros alunos de Durmstrang e Beauxbatons, pensou . Será que alguns deles teriam produtos diferentes? Ela já estava cansada de escapar até a Zonko’s toda vez que precisavam de algo novo ou então recorrer aos...
As duas afastaram-se rapidamente quando ouviram a chave girando na porta e Filch entrou no instante seguinte. Nenhuma delas se surpreendeu ao ver quem ele havia capturado.
— Parece que essa é mais uma noite dos gêmeos! Vou chamar as professoras MacGonagall e Sprout. Um passo fora da linha e eu ficarei sabendo, crianças. Estão avisados.
E saiu deixando os quatro alunos na companhia atenta de Madame Nora, que lançava seu olhar felino e cruel para o grupinho.
— Ora, ora, parece que as duas gracinhas resolveram sair para um passeio noturno. – Jorge Weasley falou, se espreguiçando em uma cadeira e colocando os pés em cima da mesa de Filch.
— E veja só, Jorge, pegas no pulo mais uma vez. – Completou Fred, arqueando as sobrancelhas.
As duas irmãs reviraram os olhos ao mesmo tempo, como se uma delas estivesse de frente para um espelho. Eram idênticas e a única coisa que as diferenciava era uma mecha colorida que se destacava no cabelo loiro delas, que cada uma tinha de uma cor diferente.
— Parece que não fomos as únicas pegas essa noite, Weasley. – Disse Theodora.
— Acho que aquele mapa está fazendo falta para os bonitões, não é mesmo? – soltou, abrindo um sorriso nada inocente.
Fred se encostou na parede e deu de ombros.
— Foi por uma boa causa. E, além do mais, estávamos com saudades de ver vocês por aqui.
— Com certeza, Fred. Já faz muito tempo que não nos encontramos nesse lugar romântico e aconchegante. Estava ficando sem graça.
— Poxa, se nós soubéssemos disso teríamos trazido algumas cervejas amanteigadas para nosso encontro. – respondeu com ironia, fazendo um bico chateado.
— Uma pena vocês não estarem mais com as barbas e os cabelos brancos que ganharam depois do showzinho tentando colocar seus nomes no Cálice. Nós gostamos de caras mais velhos.
— Quase mandamos uma carta para nossa avó Hilda pedindo dicas de como cuidar de idosos. Rony trocou as fraldas de vocês?
— Bem que você adoraria trocar minhas fraldas, . – Fred respondeu, sarcástico.
— Nojento. – Retrucou a artilheira da Lufa-Lufa, ignorando o olhar maldoso de Fred.
— Parece que vocês foram às compras. – Jorge apontou com a cabeça para uma das gavetas abertas que as duas tinham bisbilhotado minutos antes.
— Pois é, mas infelizmente sem muitas novidades na lojinha do Filch. – Theodora, que também era artilheira, respondeu, frustrada.
Jorge riu.
— Filch nos trouxe para cá anteontem, precisávamos de algumas coisinhas emprestadas para aprimorarmos alguns de nossos novos produtos.
Theo revirou os olhos, mas riu, imaginando o que os dois estavam aprontando dessa vez. Não havia se passado nem uma semana do dia em que ela e sua irmã tiveram que socorrer os dois, que acabaram presos nos galhos de uma árvore às margens do Lago Negro enquanto testavam feitiços explosivos para colocarem em pulseiras de contas coloridas.
— É óbvio que precisavam.
— Da próxima vez, deixem para nós algo mais interessante do que apitos, por favor. – Brincou .
— Deixarei uma foto minha, meu amor. – Fred respondeu.
— Eu prefiro bombas de bosta, obrigada. – Retrucou a garota, fazendo os outros rirem e Fred levar uma mão ao peito, fingindo dor.
— Você me deu uma ideia, docinho. – Ele piscou para ela, chamando a atenção de todos. – Já que as duas estão atrás de alguns materiais profissionais, que tal uma pequena aposta?
As gêmeas se olharam, numa conversa silenciosa, e chegaram ao nada surpreendente acordo de que estavam interessadas.
— Estamos ouvindo, Weasley. – As duas responderam juntas.
Fred abriu um sorriso e compartilhou um olhar com Jorge, exatamente como as garotas haviam feito instantes atrás. Nenhuma das duas gostou muito daquilo, mas já tinham apostado outras vezes com os dois e sabiam que geralmente valia a pena. Tirando todas as vezes em que seus pais recebiam cartas da Professora Sprout, ou até mesmo de Dumbledore, para reportar algum incidente, é claro.
— Snape recebeu alguns ingredientes perfeitos para poções do amor e nós achamos que seria muito útil nas mãos certas, ou seja, as nossas. Que tal uma aposta para ver quem consegue surrupiar algumas amostras do armário dele? – Disse Fred.
Jorge, que já estava animado antes mesmo do irmão explicar seu plano, deu uma gargalhada e cruzou os braços na altura do peito, relaxado.
— Ótima ideia, Fred. Nós também precisamos de algumas coisinhas para nosso Kit Mata-Aula e vocês duas eu tenho certeza de que conseguirão encontrar utilidade para os ingredientes que pegarem.
suspirou, se lembrando da vez no terceiro ano em que tentaram pegar algumas sanguessugas do armário de Snape e acabaram com três semanas de detenção. Tudo bem que já fazia muito tempo e elas não eram tão experientes quanto agora, mas mesmo assim Snape nunca mais dera sossego às duas. Por outro lado, conseguia imaginar perfeitamente o que fazer com os ingredientes certos... Ela sabia que Theodora estava pensando a mesma coisa.
Como se soubesse que o grupo estava discutindo algo proibido, Madame Nora soltou um miado agudo.
— E o que ganharíamos com isso, Weasley? – Questionou .
Fred abriu um sorriso.
— Isso é muito simples, querida Helius. Se vocês conseguirem botar as mãos nos ingredientes primeiro do que nós e não serem pegas, vocês ficam com o que pegaram e nós oferecemos um patrocínio até o final desse ano das Gemialidades Weasley.
— Nós que ajudamos vocês com o feitiço dos Caramelos Incha-Língua, Fred. Já deveríamos ter acesso ilimitado aos produtos Weasley por direito. – Theodora falou, arqueando as sobrancelhas.
— Bom, não concordamos. – Respondeu ele.
— Mas se vocês aceitarem, e se ganharem, estoque ilimitado até o final do ano. – Finalizou Jorge.
Theodora olhou para . Era uma oferta boa demais vinda dos Weasley. As duas sabiam que as coisas não eram tão fáceis assim com eles.
— E se vocês pegarem primeiro? – Perguntou Theodora.
— Aí, minha querida Theo, vocês nos ajudam a desenvolver mais alguns produtos. Ah, e é claro, já ia me esquecendo. – Fred se virou para . – Você vai ao Baile de Inverno comigo.
abriu a boca, em choque, e Theodora gargalhou, acompanhada de Jorge.
— Feito! – Exclamou Theo.
— O que? Não! Nem pensar! – Rebateu .
— Por que não? Já tem um par para o Baile? – Fred falou. – Porque eu sei que não tem.
— Do que diabos você está falando? – questionou, ainda sem acreditar na proposta.
— Sei que você dispensou Gathin, Joel, Mitch, Arnold e até mesmo Lino. O coitado ficou chorando por horas, sabia? Cruel, muito cruel. Sem contar os esquisitões de Durmstrang.
— Está me espionando pelos corredores, Fred Weasley? – cerrou os olhos, cruzando os braços.
Fred abriu um sorriso presunçoso.
— Sempre de olho na concorrência, Helius. Além do mais, acho que você estava só esperando pelo convite da pessoa certa.
Ela revirou os olhos. Era verdade que havia dispensado todos os outros garotos e que não havia se animado com nenhum dos convites que recebera. Até agora. Mas jamais iria admitir isso. Não para Fred Weasley, não mesmo. Ela preferia comer todas as Vomitilhas do mundo.
— E o que te faz pensar que uma aposta seria um ótimo jeito de fazer um convite e que você seria a pessoa certa?
Fred levantou os dedos para numerar enquanto falava.
— Número um, sou eu, e número dois, sou eu.
gargalhou, sem acreditar na audácia do garoto que ainda sorria. Ela olhou para a irmã, pedindo ajuda, mas Theodora apenas deu de ombros. A decisão está nas suas mãos, ela queria dizer. respirou fundo.
— Muito bem. Mas sem trapaças, Weasley.
— Vocês lufanos são muito chatinhos. Ok, sem trapaças. – Respondeu o garoto.
— Temos um acordo, então? – Jorge finalmente falou, sorrindo.
— Temos um acordo, senhor Weasley. – Respondeu Theodora, sorrindo com a mesma intensidade.
Os quatro cuspiram nas palmas das mãos, cada um apertou a mão do outro e selaram o acordo com soquinhos de punhos fechados, finalizando com as mãos e os dedos agitados para cima e fazendo barulhos de explosões com as bocas, como sempre faziam quando fechavam algum acordo.
— Feito. – Declarou .
— O prazo termina na hora do jantar de amanhã. Acho bom já escolher um belo vestido para não me fazer passar vergonha, amor.
A porta se abriu e os quatro se ajeitaram na sala, prevendo, pelas caras das duas professoras e diretoras de suas respectivas casas, que a bronca seria longa. Madame Nora correu para os braços de Filch, que abriu um medonho e gigante sorriso quando Minerva deu início ao sermão.


Capítulo 2 – O roubo

— Qual é, Ced. Você está andando para lá e para cá com esse ovinho barulhento todo tristonho! – Theo exclamou, sentando-se ao lado de no sofá.
Diggory, que estava jogado de qualquer forma no Salão Comunal da Lufa-Lufa quando as gêmeas retornaram da sala de Filch, bufou. Ele não conseguia colocar em palavras o tamanho da sua frustração por, depois de tanto tempo, ainda não ter conseguido desvendar o mistério do ovo dourado.
— E vocês acham que podem me animar ou me ajudar me colocando em apuros com Snape? Nem pensar. – Respondeu Cedrico, de cara amarrada.
revirou os olhos.
— Você não vai se meter em encrenca nenhuma, senhor perfeito. Só precisamos de uma distração para passarmos despercebidas.
— E você está me pedindo para abrir esse diabo de ovo berrante na frente de todos, achando que isso vai fazer vocês passarem despercebidas? Vocês são loucas!
— Mas é exatamente isso! Enquanto você abre esse troço e ele começa a gritar, e eu corremos até o estoque de Snape.
— Vocês. São. Loucas. – Declarou o garoto, firme.
grunhiu como um animalzinho.
— E você já foi mais divertido, capitão. – Ela disse ao capitão do time de Quadribol da Lufa-Lufa.
— Já, quando eu não estava prestes a me tornar o maior perdedor e a maior vergonha de toda a história de Hogwarts.
Theo riu e deu um tapa na cabeça do garoto que estava no chão em sua frente.
— Nem se você estivesse competindo contra o Malfoy e perdesse para ele você se tornaria perdedor, Cedrico.
— Sabe, não costumo distribuir elogios por aí, mas você é a única pessoa com chances reais de ganhar esse Torneio, além de ser a que mais merece a glória eterna. – fez uma careta ao pronunciar as últimas palavras.
— É verdade, Ced. Você sabe que nós não mentimos.
Cedrico riu. Sabia muito bem que as duas mentiam, e muito, quando estavam pregando suas famosas peças ou querendo escapar de algum apuro. Mas ele sabia que elas estavam dizendo a verdade naquele momento. Fizera amizade com as duas desde seu primeiro dia em Hogwarts e, apesar de ter uma personalidade muito diferente delas, sabia que seus dias seriam muito chatos sem a companhia das gêmeas e melhores amigas Helius. Ele respirou fundo e torceu a boca.
— Obrigado, meninas. Já está tarde, vocês deveriam ir se deitar. Estou dizendo isso como Monitor.
riu e se jogou ao lado de Cedrico no chão.
— Nem pensar, campeão. Estamos comovidas com a sua história de fracasso e vamos te ajudar a descobrir o que essa coisa quer dizer.
— Exatamente, gatinho. Anda, mostra esse seu ovo pra gente.
Cedrico ignorou completamente o comentário maldoso de duplo sentido de Theodora e colocou o ovo no chão, segurando-o com uma mão enquanto, com a outra, enfiava os dedos no sulco que envolvia todo o objeto. No instante seguinte, ouviram o barulho horrível, alto e agudo que saía de dentro do ovo. Theodora tomou o ovo dourado das mãos de Cedrico e o fechou com urgência.
— Mas que merda!
— Eu juro que tenho vontade de afogar essa droga de ovo na privada até um patinho sair nadando de dentro dele! Quero ver gritar assim no esgoto! – falou, massageando a cabeça pela dor que o barulho a havia dado.
— Devemos ter acordado a Lufa-Lufa inteira e metade dos elfos da cozinha. – Theo comentou.
— Só? Eu acho que acordamos o castelo inteiro! – grunhiu.
— É isso. – Cedrico murmurou e as duas perceberam que ele estava imóvel, analisando de olhos arregalados o ovo ainda nas mãos de Theo.
— É isso o que? – questionou.
— Você é genial, ! Genial! – Ele puxou a garota e deu um beijo estalado na bochecha dela, que se afastou em protesto e deu um tapa no braço dele.
— Ei, Diggory! O que pensa que está fazendo? Eu já disse que você precisa me levar em um encontro decente na Madame Puddifoot primeiro!
— É isso, meninas! E se o ovo não foi feito para ser ouvido em qualquer lugar?
Theodora franziu o cenho.
— Você diz, tipo, numa privada? – Ela falou, com asco, pensando no que sua irmã dissera que pudesse ser tão genial assim.
Cedrico revirou os olhos.
— Não, idiota. Na água!
— Então você vai mesmo enfiar o ovo e a cabeça na privada? – Provocou .
— Mas que inferno, não! Esqueçam as drogas de privadas! Vou levá-lo até o banheiro dos monitores no quinto andar e colocá-lo debaixo d’água... na banheira! – Ele completou antes que uma das duas fizesse mais alguma brincadeira, se levantando de supetão. – Vocês vêm comigo?
— Você realmente nos quer por perto enquanto toma um banho, Ced? Sei que a nossa amizade é linda, mas... – Questionou Theo, arqueando a sobrancelha.
— Particularmente eu não vejo problema nenhum, mas acho bom deixar avisado que, se você tirar suas roupas, eu tiro as minhas. – piscou para ele.
Cedrico estava tão animado com a nova possibilidade que apenas riu.
— Deixa para uma próxima.
— Não tem problema, com certeza a Murta irá nos contar algumas coisas mais tarde. – deu de ombros.
Os três riram e Theo entregou o ovo para ele, que ajeitou as vestes e foi em direção à saída da sala. Antes de cruzar a porta, parou e se virou.
— Se isso der certo, prometo a vocês que amanhã eu abro esse ovo no meio de todo mundo e ainda grito junto com ele.
E saiu pela passagem secreta.


— Você vai ter que gritar. – Começou .
— E se jogar no chão. – Completou Theodora.
— Se você puder tirar sua camisa, também, acho que será muito útil para nosso plano de distração.
— Oh, sim, com certeza. Algumas alunas desmaiando é tudo o que nós precisamos para tirar todos os professores de circulação por uns minutos. Você é o nosso agente do caos gostosão, Ced.
Cedrico apertou seu ovo dourado contra o corpo, se controlando para não mandar as duas à merda e sair correndo dali. Porém, tinha feito uma promessa e ele nunca quebrava sua palavra, por mais ridícula que fosse a situação.
— Sério, eu consigo desvendar o enigma e é isso que eu recebo? – Ele choramingou.
— Primeiro, nós desvendamos. Se não fosse a gente, você ainda estaria escondido no Salão Comunal como um bebê chorão. – Ralhou .
— E, segundo, larga mão de ser bundão, Diggory! Anda, está na hora do show! – Theodora o empurrou pelas costas em direção ao jardim onde a maioria dos alunos estavam descansando àquela hora.
— Eu juro que mato vocês. E os Weasley também. – Ele rosnou entredentes e caminhou até uma rodinha onde alguns de seus amigos estavam.
As gêmeas se posicionaram atrás de uma pilastra, sentando-se em um banco de pedra que havia ali, e esperaram.
— Você acha que vai dar certo? – Perguntou , vendo cada vez mais alunos passarem pelos corredores conforme as aulas iam terminando.
— Honestamente? Não. – As duas gargalharam. – Mas vai valer a pena para ver Cedrico passar um pouco de vergonha na frente da escola inteira. – Completou Theodora, fazendo a irmã rir novamente.
Os pensamentos de tomaram outro rumo.
— Acha que os Weasley já conseguiram entrar? – Ela questionou.
Theodora estalou a língua.
— Se tivessem, nós já estaríamos sabendo. Se tivessem sido pegos, também. – assentiu. – Mas nós duas sabemos que não estamos tão preocupadas assim com a possibilidade de perder essa aposta, irmãzinha.
a olhou, indignada.
— O que quer dizer com isso, Theodora?
Theo sorriu, maliciosa.
— Você sabe bem que estava morrendo de vontade de con... – Um som terrivelmente alto, como um agouro ou um milhão de Mandrágoras desesperadas, cortou a fala de Theodora, que tapou seus ouvidos instintivamente. Tinha começado.
passou rapidamente para a irmã um mini abafador de orelhas encantado. Ela também protegeu seus ouvidos e as duas se viraram para observar a cena que mais gostavam. O caos.
Elas sorriram abertamente com a visão. Cedrico segurava o ovo em um falso desespero, afinal também estava usando os abafadores encantados, enquanto todos à sua volta gritavam e corriam para todos os lados. Podiam ler em seus lábios que ele gritava “não está fechando, não está fechando” sem parar, enquanto tentava fechar o ovo com a ajuda de muitas mãos sem sucesso algum, já que Cedrico estava mantendo o ovo aberto de propósito.
Não demorou muito para verem os professores saindo de todos os cantos possíveis em direção ao barulho. Quando Snape passou por elas, andando apressadamente enquanto lançava um feito em suas orelhas, elas se levantaram e começaram a correr na direção oposta.
Entraram no corredor à direita, depois à esquerda, correram mais um pouco e, finalmente, pararam em frente à porta do armário de Snape. As duas ofegaram, completamente sem ar, com as mãos nas barrigas.
De dentro de suas vestes, retirou sua Joanini, uma pequena joaninha mágica que havia criado com sua irmã no ano passado e que era capaz de engolir – e guardar – qualquer coisa, de qualquer tamanho.
— Jô, você sabe o que tem que fazer! – levantou a mão com Joanini e o bichinho bateu as asas, sobrevoando as irmãs que se olhavam tensas.
Haviam criado a Jô para ser imune a qualquer feitiço, menos as três maldições imperdoáveis, e conseguir entrar sem ser detectada em locais protegidos por magia. Até agora, tinham feito testes com a Joanini nas salas de todos os professores de Hogwarts. Menos na de Snape. E e Theo tinham certeza de que essa seria a mais protegida de todas e estavam um pouco receosas com a possibilidade de ver Jô explodir em mil pedacinhos, embora tivessem passado a madrugada toda aprimorando os feitiços de proteção da criaturinha.
As duas deram as mãos quando Jô voou para baixo da porta, passando espremida no buraquinho do vão. Elas tiraram os abafadores, colando os ouvidos na porta, e respiraram aliviadas quando ouviram um leve bater de asas vindo lá de dentro.
Theodora achou engraçado estarem escutando tão bem as asinhas, já que... Merda!
— O ovo! O barulho parou! – Ela puxou a irmã para longe da porta bem a tempo de ver Severo Snape virar o corredor. – Me desculpe por isso. – Theo sussurrou para a irmã e a empurrou com força no chão.
— Ai! – gritou, surpresa, massageando a bunda.
— O que está acontecendo aqui? – Snape parou diante das duas e questionou, sua voz, como sempre, cortante e desprezível.
Theo fez um biquinho e apontou para a irmã. logo entendeu o recado e tratou de colocar sua melhor expressão de dor no rosto.
— Estávamos correndo para longe do barulho quando a caiu, professor Snape!
— Acho que machuquei meu tornozelo, professor... – falou num gemido, massageando o pé e fazendo uma careta tão convincente que lágrimas se formaram em seus olhos. Ela tinha um certo dom para o drama. Mas ainda não era convincente o suficiente para Snape. A garota poderia estar com os ossos para fora que ele não acreditaria em uma só palavra.
— Levante-se já daí, Helius! Você espera que eu acredite que vocês duas estavam fugindo da bagunça em vez de estarem balburdiando por aí como dois diabretes? – Snape cerrou os olhos, tentando decifrar a mentira por trás do rosto das duas.
— Professor, é verdade! Estávamos indo justamente para a ala hospitalar! – Theodora choramingou.
— É, professor... – fungou, as lágrimas descendo pelo rosto. – Eu não estou nem conseguindo andar direito... – Ela se curvou para massagear o pé outra vez.
Snape refletiu por alguns segundos antes de falar.
— Muito bem, irei acompanhá-las até que estejam sob os cuidados de Madame Pomfrey.
— Na-não precisa, senhor, não precisa se incomodar com isso. – apressou-se em dizer.
— Meu trabalho é zelar pelos alunos desta instituição, senhorita Helius. Não deixarei a senhorita jogada pelos cantos como se fosse uma indigente moribunda, mesmo que a tentação seja grande. Vamos, andem logo. – Ele sacudiu com a mão o caminho para a enfermaria.
As duas irmãs se olharam e, sem opção, seguiram com Snape em direção à ala hospitalar, com mancando teatralmente. Snape ainda dera uma boa olhada para a porta de sua sala, desconfiado, mas seguiu caminho.
Antes de virar o corredor, olhou para trás, tentando localizar Jô, e seu coração deu um salto. Parados em frente à porta de Snape, Fred e Jorge sorriam da forma mais sacana do mundo enquanto Jô, um tanto quanto mais gorduchinha, voava em volta deles. Quando Jô pousou no ombro de Fred, o garoto mandou um beijinho para . Ela mal teve tempo de mostrar-lhe o dedo do meio antes de sumirem de vista.

Capítulo 3 – Encantadora como um basilisco

— Não acredito que vocês me fizeram passar por aquela humilhação e não vão ganhar a aposta! – Cedrico exclamou, indignado.
— Humilhação, Cedrico? Todo mundo está culpando Ernesto por ter deixado o ovo cair e quebrar o fecho! – Theo respondeu, colocando um pouco mais de purê de batatas em seu prato.
Ao seu lado, riu, sem humor.
— Não é você que terá de ir ao baile com Fred Weasley, Diggory.
— Como se você estivesse achando ruim! – Ele praticamente gritou, fazendo a garota se assustar um pouco ao seu lado na mesa de jantar. – Não me faça de otário, .
ignorou o comentário, dando um longo gole em seu suco de abóbora.
— De qualquer forma, o que está feito, está feito. – Falou Theo, botando uma mecha do seu cabelo loiro atrás da orelha. – Agora nós só temos que nos preocupar em achar um feitiço para sua próxima prova e...
— Boa noite, perdedoras. – Duas vozes anunciaram atrás delas. Nenhuma das irmãs Helius precisou se virar para saber quem eram seus donos.
— Achamos que deveríamos vir pessoalmente cumprimentá-las pelo grande plano de hoje cedo. – Começou Fred.
— Que terminou em uma miserável derrota. – Acompanhou Jorge.
— Para vocês duas, é claro.
— E em uma gloriosa vitória para nós dois.
As gêmeas se viraram no banco para encará-los, odiando os sorrisos presunçosos que ambos carregavam. Alguns alunos das mesas mais próximas assistiam a cena, já esperando por algum entretenimento de qualidade que quase sempre era garantido quando os quatro estavam envolvidos em algo.
— Ok, Weasleys. Vocês venceram. – Declarou Theo.
— De forma desonesta, é claro, se aproveitando de nossos esforços, mas venceram. – Falou .
Os dois riram.
— As perdedoras não estão no direito de reclamar. Agora, queremos nossa parte do acordo. – Disse Jorge.
— Nós cumprimos nossas promessas, Weasley. Iremos ajudar vocês com os feitiços. – Theo respondeu.
— E eu irei acabar com a minha reputação indo ao baile com você. – encarou Fred com um sorriso sarcástico no rosto e o garoto estreitou os olhos, divertindo-se com a cena.
— É claro que vão cumprir, nós azararíamos as duas caso pensassem em nos passar a perna. Mas, antes, só mais uma coisinha. – Jorge falou e entregou para Fred algo cinzento e feioso que estava segurando atrás do corpo. Um punhado de plantas esquisitas, galhos secos e flores gigantes e medonhas, tudo envolvido por duas meias velhas amarradas que formavam um laço horroroso na parte da frente.
— Você não achou que eu não iria fazer um pedido especial para uma dama especial me acompanhar em um baile especial, não é? – Fred perguntou e piscou para , que estava imóvel como uma estátua.
Ao seu lado, Theo e Cedrico já estavam dando risadas abafadas e, se apenas alguns alunos estavam olhando antes, agora todo o Salão Principal acompanhava a cena, principalmente depois que Fred subiu em um dos bancos.
— Fred Weasley, o que você pensa que... – sibilou, furiosa, mas foi cortada pelo grito de Fred.
Heléne Helius! – Ele berrou e até os fantasmas se viraram para olhar. pegou uma laranja da mesa e atirou no garoto, que desviou facilmente da fruta e acabou atingindo a cabeça de Neville Longbottom do outro lado. – Você é doce como um feijãozinho de cera de ouvido, delicada como o Salgueiro Lutador e encantadora como um basilisco! Não há um dia em minha vida desde que te conheci em que eu não tenha pensado em te azarar, te explodir ou te derrubar de sua vassoura, mas não faço isso pois seria ilegal. – Ele piscou em direção à mesa dos professores e se recusou a virar-se para ver a reação de qualquer pessoa. Já bastava ouvir as risadas e gritinhos vindos de todos os cantos. – Você me daria a honra de ir ao Baile de Inverno comigo? – Ele declamou, pomposo, e ofereceu aquilo que deveria ser um buquê à garota. – Você tem que dizer sim.
queria derrubar Fred da mesa, pegar sua varinha e estuporá-lo. Ela sabia que suas bochechas não estavam vermelhas de vergonha, mas sim de raiva. Theodora e Cedrico estavam completamente pirados se achavam que tinha alguma chance de a garota estar minimamente feliz por se meter nessa palhaçada.
Ignorando sua vontade de agredir Fred, ela respirou fundo e abriu um sorriso sarcástico, pegando a droga daquela nojeira de buquê.
— Sim, Fred, eu aceito.
E o salão explodiu em gritos, principalmente vindos de Jorge e Theo. Ela revirou os olhos e, alguns segundos depois de falar, arfou, sentindo os dedos das mãos formigarem e afastando um pouco aquele negócio fedorento de seu corpo.
Os galhos secos, plantas mortas e flores horrorosas começaram a se transformar em margaridas branquinhas e girassóis amarelados e vívidos, os favoritos de . Em choque, ela observou borboletas de todas as cores saírem de onde antes estavam as meias velhas e voarem ao seu redor. Uma, de tom alaranjado, pousou em seu ombro. Ela conseguiu ouvir vários “oh” e “awn” vindos de todos os cantos.
— Fred... – Ela sussurrou, mas, pela primeira vez na vida, não fazia nem ideia do que dizer.
Fred sorriu, dando de ombros, e se aproximou dela.
— Se você tivesse dito não, as meias teriam arrancado sua mão fora.
Ela riu, balançando a cabeça em negação.
— Eu tenho certeza que sim. – Foi o que ela conseguiu falar, ainda sem saber o que pensar.
Ele aproximou sua boca do ouvido da garota, que ficou completamente imóvel, e sussurrou:
— Nem sempre é ruim perder uma aposta para um Weasley, .
Fred deu um beijo na bochecha da garota e, sorrindo maroto, saiu pelo corredor acompanhado por Jorge, que levantava os braços pedindo por mais gritos como se estivessem em uma partida de Quadribol.


— Você precisa admitir que foi fofo. – Theo comentou, sentada na cama de no dormitório da Lufa-Lufa, aproveitando para conversar já que suas colegas de quarto ainda não tinham vindo se deitar.
se jogou de costas no colchão, fazendo a irmã quase cair.
— Fofo? Estamos falando de Fred Weasley, Theo. Nada do que ele faz é fofo.
Theo arqueou as sobrancelhas.
— Vai me dizer que não gostou das flores?
— Gostei, mas isso não quer dizer nada.
— Não quer dizer nada? Desde quando ele faz alguma coisa sem propósito, só por fazer?
se virou de barriga para baixo no colchão e falou, a voz abafada:
— Foi só pela aposta, Theo. Sai dessa.
Theodora respirou fundo, balançando a cabeça em negação mesmo que a irmã não pudesse ver.
— Eu não entendo vocês dois, sério. Até as escadas sabem que ele gosta de você e que você gosta dele, . Não há razão para não ficarem juntos de uma vez.
deu uma risada descrente, virando a cabeça para observar a irmã, os cabelos loiros caindo por toda parte à sua volta.
— Você realmente acha que o Fred gosta de mim? Tipo, de verdade? – Ela perguntou cheia de ironia, arqueando as sobrancelhas do mesmo jeito que a irmã tinha feito antes.
— Eu acho sim. Do jeito dele.
— É, o jeito dele que é o problema. – revirou os olhos.
Theo franziu o cenho.
— Como assim?
— Ah, Theo, você sabe... – começou, se ajeitando na cama para se sentar e sentindo as bochechas ficarem mais quentes, o que era raro de acontecer em qualquer situação, especialmente quando estava sozinha com a irmã. Seu olhar se perdeu nas flores que ela havia deixado na mesinha ao lado da cama. – É uma brincadeira para ele.
— Você não sabe disso.
— É o Fred. – deu de ombros, soando estranhamente desanimada.
— E para você, também é uma brincadeira? – Theo perguntou, embora não tivesse necessidade nenhuma. Ela conhecia a irmã mais do que a si mesma e sabia, desde o momento em que ela e o gêmeo Weasley riram juntos pela primeira vez, que tinha algo diferente nos olhos da irmã.
— Sei lá. – desviou o olhar.
— Você não precisa esconder isso de mim, . – Theo se ajeitou para sentar-se ao lado dela, encostada na cabeceira de madeira. – Até porque, isso está óbvio.
Theo pegou nos dedos a mecha colorida do cabelo da irmã. Desde que eram crianças, as duas tinham uma única mecha em seus cabelos que mudava constantemente de cor, na maioria das vezes de acordo com o humor de cada uma. Geralmente, as mechas se mantinham em um tom amarelo ouro e a mãe delas explicara que era por causa da proximidade da família com Hélio, o deus grego do sol. Mas, nos últimos anos, a mecha de vinha escurecendo, puxando um certo tom avermelhado, e agora encontrava-se em uma tonalidade forte de laranja.
Theo tinha certeza de que a mecha ruiva significava algo nos sentimentos de , uma vez que a mecha de seu próprio cabelo estava em uma tonalidade esmeralda exatamente da cor dos olhos de Elliot Armand, seu namorado da Corvinal.
puxou a mecha das mãos de Theo.
— Não estou escondendo nada. – Ela murmurou. – Só não quero ficar pensando em um monte de idiotices e depois quebrar a cara.
— Como é que você pode achar isso depois do que aconteceu nas férias? Depois que vocês dois...
— Ok, ok, chega! – cortou a irmã, se levantando da cama. – Nós dois somos amigos, Theo, só isso. O que aconteceu ano passado foi, sei lá, empolgação.
Theodora gargalhou, sem acreditar no que a irmã estava dizendo.
— Empolgação?! Vá à merda, . Que desculpa péssima!
grunhiu.
— Que seja! Não quero mais falar disso porque não há nada para falar. Vou até a cozinha pegar alguma coisa para comer. Boa noite. – E saiu sem dar qualquer chance de resposta para a irmã, que encarava o espaço vazio, perplexa.
Theodora amava , mas a achava incrivelmente burra para algumas coisas.

Capítulo 4 – Conversas na cozinha

percebeu que seu sorvete acabou, outra vez, e jogou a tigela vazia no chão, frustrada. Será que existiria sorvete de creme suficiente em Hogwarts que pudesse deixá-la um pouco menos... nervosa?
Ela nem sabia direito porque estava tão inquieta e incomodada. Nunca se sentira assim antes e estava se achando absurdamente ridícula. Ela não era o tipo de garota que invadia a cozinha da escola no meio da noite para tomar sorvete jogada no chão só porque estava nervosa com uma conversa sobre garotos. Não, não mesmo.
Ela suspirou, fechando os olhos e encostando a cabeça na parede de pedras atrás de si. De repente, cenas do último verão passaram por sua mente e ela focou em uma específica, se odiando por isso. Fred e ela, deitados na relva do bosque atrás da casa dos Weasley.
Os pais de e Theodora, Emre e Aria, eram grandes amigos de Arthur e Molly Weasley. Emre e Arthur trabalhavam juntos no Ministério e, quando ajudaram o irmão de Ludo Bagman, Otto, a escapar de uma briga, ambos ganharam ingressos para a Copa Mundial de Quadribol para toda a família. Emre e Aria já tinham planos de visitar alguns familiares em Creta, na Grécia, naquele verão, mas Theo e , duas grandes fãs de Quadribol, não queriam deixar a oportunidade passar. Arthur e Molly se ofereceram, então, para hospedar as garotas por algumas semanas enquanto eles estivessem viajando e depois elas poderiam ir à Copa com Arthur. Os pais das gêmeas aceitaram e ainda deram os dois ingressos que sobraram para os Weasley, o que possibilitou a ida de Harry Potter e Hermione Granger.
Theo e e Fred e Jorge compartilhavam da mesma fama em Hogwarts: a de grandes causadores de confusão. Isso fez com que uma perigosa amizade nascesse naturalmente entre eles desde o primeiro ano, entre muitas apostas, provocações, confusões e detenções.
Os primeiros dias na casa dos Weasley foram tranquilos e não demorou muito para que Fred e Jorge envolvessem as garotas em seus experimentos para seus produtos próprios, fazendo com que os quatro passassem a maior parte do dia trancados no quarto dos gêmeos ou vagando pelo bosque ao redor da propriedade atrás de ingredientes.
Durante esse tempo com os Weasley, convivendo vinte e quatro horas com Fred, foi impossível para não pensar naquilo tudo que ela já sabia há algum tempinho, mas que ignorava fielmente. No primeiro ano, quando Fred a defendeu de um aluno da Sonserina, ela se sentiu grata. No segundo, quando ele assumira a culpa por uma brincadeira que ela tinha feito, notou que seu cabelo tinha mudado ligeiramente de cor. No terceiro, quando Weasley a levou no meio da madrugada até a cabana de Hagrid para que pudessem ver o nascimento de um dragão pela janela, seu cabelo já havia adquirido uma tonalidade amarelo gema. No quarto ano, Fred revelou para ela o Mapa do Maroto e os dois foram até a Zonko’s reabastecer seus estoques pessoais. E foi no ano passado, no quinto ano, que levara sua pior queda durante um jogo de Quadribol, caindo de sua vassoura após ser atingida por um raio no meio de uma partida contra a Grifinória. Fred foi o primeiro a alcançá-la no chão, antes mesmo de Theo, não se importando em ser do time rival. Naquele ano, seu cabelo estava avermelhado.
Ela não era burra. Sabia o que estava acontecendo e via seu cabelo mudando gradualmente por causa do que estava sentindo, mas simplesmente não tinha o que fazer. Fred e ela se provocavam desde os onze anos das mais diversas formas. A culpa era toda dela se, com o passar do tempo, ela não conseguia mais levar tudo somente na brincadeira, por mais que fingisse fazer isso muito bem. Então ela simplesmente jogava para longe aquela sensação esquisita e sufocante, até o dia em que tudo mudou e ela soube que estava fodida.
Fred e ela foram apanhar algumas ervas perto de um riacho que corria atrás da casa dos Weasley, enquanto Jorge e Theo preparavam o resto de uma poção. Era um dia particularmente ótimo porque o senhor Weasley estava trabalhando e Molly estava fora, então todos os outros moradores d’A Toca estavam em festa, com Rony e Gina competindo em suas vassouras pelo campo e Percy fazendo alguma chatice qualquer. contava para ele sobre a possibilidade de Cedrico acompanhá-los na Copa quando Fred simplesmente a jogou dentro do rio. Indignada e querendo se vingar, ela, obviamente, o puxou para dentro d’água e eles começaram uma guerrinha. Ela não sabia explicar o que foi que aproximou os dois ali, mas ela jurava que parecia uma força magnética impossível de controlar. Então, Fred a beijou e ela perdeu qualquer controle que um dia teve sobre si.
Ela achava que aquela era a melhor sensação do mundo até que eles se olharam e perceberam que queriam mais um do outro. Pelo menos ela sentiu que queria tudo o que podia ter dele e acreditou que o fogo que ardia nos olhos do garoto significava a mesma coisa. nunca imaginou como seria sua primeira vez, esse tipo de fantasia era muito boba para ela, mas ela jamais imaginaria que fosse com Fred no meio de um bosque, os dois embaixo de um velho carvalho tão grande que os galhos da árvore se voltavam para o chão, formando quase uma proteção de folhagem para eles, cercados por margaridas brancas.
Ela nunca havia se sentido tão feliz na vida, ali com Fred passando um dedo em suas costas como se desenhasse algo. Ao mesmo tempo, nunca estivera tão assustada por não saber o que aconteceria em seguida. não estava arrependida, mas pensar que Fred pudesse se arrepender ou a rejeitar lhe revirava o estômago. Ela não queria que virassem namorados, não assim e não apenas por causa do que tinha acontecido, mas também não queria perder a amizade com Fred. Quando nenhum dos dois soube o que dizer, ela apenas riu, mais por nervosismo do que qualquer outra coisa, e o garoto a acompanhou, então os dois se sentiram confortáveis o suficiente para continuarem se provocando pelos próximos dias e meses, não como se nada tivesse acontecido, mas como se o que aconteceu não tivesse mudado nada.
Mas sabia que muita coisa tinha sim mudado para ela, principalmente essa droga de mecha ruiva berrante que a acompanhava desde o dia do bosque. E ela fazia um esforço diário para trancar tudo isso em uma parte de seu cérebro, ou coração, seja o que fosse, mas as vezes Fred simplesmente não a ajudava. Como com toda essa história do baile. Ela lembrou das flores que ele havia enfeitiçado mais cedo e se permitiu pensar se ele havia escolhido as margaridas de propósito.
Pensar que Fred Weasley poderia levar alguma coisa a sério, principalmente ela, era ridículo.
Droga, ela realmente havia recusado todos os convites por pura falta de interesse em todos os garotos que a haviam abordado, mas não tinha parado para pensar no que estava faltando para que ela se interessasse por alguém. Theo disse que, dispensando todo mundo desse jeito, ela acabaria indo sozinha. E aí ela aceitou aquela maldita aposta com os Weasley e agora se sentia muito boba por questionar-se se valia a pena ir com Fred, depois de tantos convites de caras legais recusados, só por causa de uma aposta boba.
Como se não bastasse, o Baile seria no Natal, também conhecido como seu aniversário de dezessete anos – e, consequentemente, de Theo.
— Pensando em mim, amor?
abriu os olhos, soltando um gritinho agudo com o susto. Fred se abaixou e tapou rapidamente sua boca com a mão.
— Shhh! Você quer chamar a atenção de todos os elfos domésticos do castelo?
mordeu a mão dele para se soltar.
— O que diabos você está fazendo aqui, Weasley?
— Eu te pergunto a mesma coisa, Helius. – Ele arqueou a sobrancelha e revirou os olhos.
— Que seja, boa noite. – Ela pegou impulso para se levantar, mas Fred a segurou pelos ombros.
— Eu sei o que você está pensando.
franziu a testa, confusa.
— O que?
Fred suspirou e pegou uma grande bandeja de tortinhas que estava em cima de um balcão e sentou-se ao lado de .
— Tortinhas de amora? – Ele perguntou e ela rolou os olhos, mas aceitou.
Os dois comeram as tortinhas em silêncio por um momento, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Era muito desconfortável para ficar em silêncio com Fred – geralmente estavam dando risadas, bolando algum plano, azarando alunos da Sonserina em segredo ou se xingando durante os jogos
— Eu sei o que você está pensando. – Repetiu Fred, fazendo se virar para o olhar confusa. – E a resposta é não.
— Do que você está falando? – Ela questionou, de boca cheia.
— Se eu só te convidei para o Baile por causa da aposta. A resposta é não. – Ele disse, sereno.
sentiu algo se revirar dentro dela – e não eram as tortinhas ou os milhares de litros de sorvete.
— Eu não faço ideia do que você quer dizer, Weasley.
A resposta dela foi tão pouco convincente que ela quase riu, frustrada, se sentindo idiota por não ser capaz de mentir em algumas situações. Era lufana, afinal de contas. Fred riu baixinho e deu uma cotovelada de leve em suas costelas.
— Eu ia te convidar logo que saí daquela aula humilhante de dança com a MacGonagall, mas, quando eu te achei, Mitch Frayer estava te convidando.
ficou confusa.
— Mas eu disse não.
Fred deu de ombros.
— Exatamente. Você disse não para Mitch Frayer, o fodidão da Corvinal, depois disse não para mais uns dez caras.
— Eu ainda não entendi.
Ele respirou fundo, torcendo a boca. Tinha tanta dificuldade quanto ela para falar sobre isso.
— Se você disse não para todos eles, por que iria dizer sim para mim? Não que eu não saiba meu valor, que provavelmente é alto demais para qualquer pessoa, mas convenhamos que o cabelo de Gathin McGheller é tão sedoso que até eu aceitaria ir ao Baile com ele.
Os dois riram novamente e precisou se concentrar para não gaguejar como uma panaca. Ela estava imaginando coisas ou acabara de ver Fred Weasley inseguro pela primeira vez na vida?
— Porque não era com nenhum deles que eu queria ir. – Ela respondeu antes mesmo que pudesse se controlar, tão baixo que saiu quase como um sussurro.
Fred abriu um pequeno sorriso.
— Eu sei. Quer dizer, me toquei disso depois que Jorge me xingou de todos os nomes possíveis e disse que eu provavelmente era o cara mais idiota de todo o mundo.
gargalhou, ignorando o calor que começava a subir por seu colo e pescoço.
— Jorge tem razão nisso.
— É, e isso me fez entender que eu estava sendo o maior cuzão de Hogwarts.
— E aí você decidiu apostar comigo. Muito esperto. – foi irônica.
— Eu nunca ia imaginar que você pudesse pensar que era só por causa de uma brincadeira.
— Eu sou muito inteligente, Fred, mas não consigo adivinhar as coisas. Ainda. – Ela murmurou com um pequeno sorriso.
— Eu também descobri isso depois, e por isso vim aqui falar com você. – Ele respondeu no mesmo tom.
— Como sabia que eu estava aqui?
— Você passou a madrugada toda escondida na cozinha lá de casa naquele dia. Eu imaginei que pudesse estar por aqui hoje também, acabando com alguns potes de sorvete.
deu uma risada meio sem graça ao ouvi-lo mencionar aquele dia.
— Culpada.
Fred sorriu, mas percebeu que algo em seu rosto ainda não parecia certo.
— O que foi? – Ela perguntou.
O garoto brincou com a tortinha em sua mão, refletindo como se algo em seus pensamentos não se encaixasse.
— Você... se eu não tivesse apostado, se eu só tivesse te convidado... ou se você não tivesse perdido a aposta, – Ele falava sem tirar os olhos das mãos. – você ainda, bom, você sabe, iria comigo?
Ver Fred sem graça era algo tão fora do comum, inimaginável, que precisou de um tempo para processar antes de falar. Se Fred aparentemente estava sendo sincero com ela, e naquele momento ela acreditava nisso da mesma forma como acreditou que viu algo a mais nos olhos dele aquele dia no riacho, ela deveria ser igualmente sincera, no mínimo. Então ela abaixou sua guarda, mesmo que se sentisse na beira de um penhasco.
— Eu não iria com mais ninguém além de você, Fred. – Ela não conseguiu conter a intensidade em sua voz. – Achei que isso estava claro também. – Ela repetiu o que o garoto havia dito antes, o fazendo sorrir.
Fred levou os dedos até o cabelo de , pegando sua única mecha ruiva e a analisando mais de perto.
— Gosto dessa cor em você.
Ela sorriu.
— Eu também.
Eles se olharam por alguns instantes, que considerou surpreendentemente confortáveis, e Fred levou a mão até o bolso, tirando de lá um minúsculo bichinho vermelho com pintinhas pretas. Joanini bateu suas asas e voou ao redor de .
— Jô! Sua traidorazinha! – exclamou, observando a joaninha subir e descer animada no ar.
— Devo admitir que o feitiço de Jô é um dos mais incríveis que já vi e que foi muito inteligente usá-la para roubar os ingredientes de Snape. Ela conseguiu engolir uns cinco frascos da sala dele. Parabéns, Helius.
sorriu abertamente para Fred.
— Obrigada, Weasley.

Capítulo 5 – O Baile de Inverno

Fred se sentia um grande babaca plantado aos pés da grande escada enquanto esperava, junto com uns outros vinte alunos ansiosos, seu par aparecer.
Ele sempre zombava das atitudes de garotos assim, mas lá estava ele – andando de um lado para o outro, quase fazendo um buraco no chão.
— É sério, você vai furar seus sapatos antes mesmo de começar a dançar. – Jorge caçoou ao seu lado, de braços dados com Angelina Johnson, seu par que havia chegado há uns dez minutos atrás.
— Se eu fosse Fred, também estaria com medo dela desistir. – Brincou Angelina.
— Calem a boca. – Fred grunhiu, virando-se para recomeçar sua marcha.
— Você está parecendo Snape andando pela sala para pegar alguma cola. Relaxe um pouco! – Disse Jorge.
— Eu estou...
— Fred! – Angelina apontou para a escada e o garoto se virou rapidamente.
Ele sentiu o coração parar de bater com a visão.
descia as escadas acompanhada por Theo. A garota parecia estar vestida de nuvem e Fred se perguntou como aquilo era possível.
O vestido dela se mexia como uma dança a cada passo que ela dava, o tecido pregueado descendo como uma cascata abaixo da cintura, dividida por um fino cinto dourado, e cobria os pés. Suas mãos coçaram para saber qual era a sensação de seus dedos passeando pelo tecido, tentando sentir a pele da garota por baixo.
Enquanto ela se aproximava, Fred se perdeu por um tempinho no decote, que começava perigosamente aberto nas largas alças e terminava fechando em um V em um lugar que Fred supôs ser pouco acima do umbigo da garota, onde o cinto ficava, deixando seu colo exposto de uma maneira que fez um calor subir por todo seu corpo. Ele percebeu que as alças do vestido caiam como uma cachoeira pelas costas dela, quase como uma capa mágica, que a rodeava e que estava encantada para evitar pisões indesejados, as barras desparecendo e reaparecendo conforme as pessoas passavam por ela.
Fred observou, chocado, que o vestido não era branco como achava, mas sim colorido como um arco-íris, tão clarinho que as cores sumiam e se misturavam quando ela se movia.
Ele duvidou que existisse alguma garota mais bonita do que ela em Hogwarts. Ou no mundo. Ela parecia uma luz.
. – Fred estendeu a mão para a garota quando ela chegou ao fim da escada.
— Fred. – Ela sorriu, dando-lhe a mão e, num gesto galante e muito surpreendente para ambos, Fred beijou-lhe o dorso, como ela ouvia falar nas histórias antigas.
— Você está linda. – Ele disse, sentindo que aquelas palavras não fariam jus à visão que tinha, mas incapaz de pensar em qualquer outra coisa.
Ele notou que seu cabelo tinha duas tranças finas, que começavam nas laterais e se prendiam atrás de sua cabeça como se a coroassem, o resto do cabelo solto em cachos perfeitos. Ele viu que a mecha laranja estava mais brilhante do que nunca e sorriu, abobalhado.
abriu mais ainda seu sorriso.
— Obrigada. – Ela afastou-se um pouco para analisar o ruivo, o sorriso agora brincalhão. – Você também não está nada mal. Confesso que fiquei com medo de você estar usando um babador igual ao seu irmão.
Fred riu, relaxando a postura. Era apenas , afinal, a mesma de sempre.
— Rony e eu temos estilos diferentes.
assentiu, deleitando-se com a visão que era Fred Weasley em trajes formais. Ele usava uma longa capa preta por cima de um colete em um tom dourado, que ela achou que destacava ainda mais o brilho no olhar de Fred, e de uma camisa perfeitamente branca e lisa, de botões igualmente dourados. A calça preta combinava com a capa e sua gravata era diferente das outras que ela tinha visto pelos corredores, um laço preto mais fino e bem dado, elegante, que fez ficar surpresa com o bom gosto do rapaz. Os cabelos dele, que estavam longos esse ano, caiam ao redor do rosto e ela sorriu, imaginando que ele deveria ter ficado um bom tempo tentando ajeitá-los de alguma forma e acabara desistindo.
Ele estava perfeito.
Theodora tossiu nada discreta, agora parada ao lado de Elliot, seu namorado, que ela devia ter encontrado em algum momento no meio do transe dos dois. Ela usava um longo vestido verde-esmeralda de alças finas e tecido liso, que combinava perfeitamente com o colete que Elliot estava usando. Fred sabia que ela devia estar tão linda quanto a irmã, mas não conseguiu reparar por muito tempo, atraído de volta para o brilho de .
— Vamos? – indicou o Salão Principal com as mãos, sorrindo.
— Vamos. – Fred respondeu, dando o braço para que pudesse segurá-lo.
— Você está extremamente elegante, Fred Weasley. Quase se passa por um perfeito cavalheiro. – brincou, ficando na ponta dos pés para falar baixinho no ouvido do garoto, que se arrepiou.
— Bom, ganhei uma aposta com uma garota muito exigente e agora tenho que dar meu melhor para que ela tenha uma noite deveras agradável. – Ele respondeu no mesmo tom, guiando-a até uma mesa vazia. Ele puxou a cadeira para sentar-se, fazendo-a rir, enquanto Theo e Elliot e Jorge e Angelina se sentavam nas outras cadeiras vazias. Ele se acomodou ao lado dela.
— Vamos ver o que ela diz até o final da noite. – piscou.


Aquela era, de longe, a mesa mais animada – ou descontrolada – de todo o salão. Os gritos e risadas eram ouvidos mesmo com a música e os seis não se importavam nem um pouco com isso. Muito pelo contrário.
Enquanto comiam, os gêmeos Weasley imitavam Rony, que estava emburrado como uma velha chata em um canto, e as gêmeas Helius riam de algumas garotas da Sonserina, que pareciam ter se preparado para um velório e não para uma festa. Até mesmo Elliot e Angelina, que geralmente eram mais reservados do que seus respectivos pares, gargalhavam e falavam alto, contagiados pelo clima.
se deixou olhar para Fred por um instante e mordeu o lábio enquanto o via fazer uma careta e gargalhar logo em seguida. Era ridículo o quanto ela se sentia aquecida vendo aquela expressão e ouvindo aquela risada. Ela achava que aquele era o rosto mais bonito que ela já havia visto e se permitiu, naquela noite, não negar nada que seus sentimentos gritavam.
Não sabia o que tinha acontecido exatamente na cozinha, nem tinha certeza alguma de que Fred correspondia aos seus sentimentos, mas hoje ela não iria se importar com isso. Que se acabasse de chorar amanhã.
Os Campeões do Torneio Tribruxo abriram caminho pelo salão e deram início ao baile, puxando uma dança. Quando os outros alunos e professores se juntaram para dançar, Fred aproveitou a deixa.
— Me concede uma dança, mademoiselle? – Ele perguntou, brincalhão, já que estavam falando sobre o sotaque carregado de Fleur minutos atrás.
Oui, monsieur. – respondeu, pegando na mão do garoto e deixando-o conduzi-la até o meio do salão.
— Tente não pisar muito no meu pé, por favor. – Fred pediu, dando uma mão para a garota e posicionando a outra na cintura de .
— Vou tentar. – respondeu, fazendo uma careta.
Os dois se moveram alegremente ao som da música. Era uma sensação estranha e nova para os dois, dançarem juntos. Enquanto deixava que Fred a guiasse, o que ele estava fazendo com uma surpreendente facilidade, se encabulou de repente, pensando que, mesmo depois de tanta coisa, nunca tinha se sentido tão próxima ou íntima do garoto, ali enquanto dançavam, seus corpos muito próximos.
. – Fred a chamou, suave, fazendo-a levantar o olhar para ele, que era muitos centímetros mais alto do que ela. – No que você está pensando?
Ela considerou o que dizer, mas lembrou de sua promessa a si mesma de deixar para pensar nas consequências no dia seguinte.
— Em como é estranho estar aqui com você. – Ela respondeu, fazendo Fred enrugar levemente a testa. Ela sorriu. – Mas muito bom.
Ele deu uma risadinha aliviada.
— Você não faz ideia de como eu estava insuportável achando que você simplesmente me daria um pé na bunda hoje.
franziu a testa.
— Por que achou que eu faria isso?
— Porque você é difícil de entender. Eu nunca sei quando estamos falando sobre a mesma coisa ou não. – Ele confessou.
Ela arregalou ligeiramente os olhos, pega de surpresa.
Você me acha difícil de entender? – Ela questionou, indignada. – Fred, você faz ideia do quão maluco isso soa vindo de você?
— Como assim?
— Eu... porra, Fred, que merda.
travou, sem saber se queria continuar aquela conversa apesar da promessa sobre não pensar nas consequências. Sabia que, se continuassem a falar sobre isso, ela teria que abrir o jogo com ele e ela não fazia ideia do que ia acontecer depois. Ela via Fred como duas pessoas diferentes. Um Fred era seu amigo, o que a acompanhava nas brincadeiras, apostas e detenções e que era absurdamente fácil de conviver. O outro era o Fred do bosque, que ela havia beijado e transado, que a provocava de formas não tão inocentes, que a deixava louca por não saber o que ele pensava, que a encarava algumas vezes como se pudesse ver tudo dentro dela e que ela não sabia como lidar. Como ela iria explicar isso para ele? Como ia dizer que, algumas vezes, ela não sabia com qual dos dois Freds estava lidando, como quando ele lhe deu as flores ou quando ficaram conversando no chão da cozinha? Ou melhor, qual era o Fred que estava dançando com ela naquele momento?
Fred a girou e, quando a puxou para perto novamente, levou a mão que estava entrelaçada na da garota até o rosto dela, fazendo um carinho na lateral de sua face. suspirou com o toque.
— Por favor. – Ele pediu.
Os dois estavam parados no meio do salão, se encarando, e as pessoas em volta passavam bravas por eles, precisando desviar seus caminhos enquanto dançavam. foi tomada por um turbilhão de sentimentos que ela não conseguia identificar, mas que faziam sua cabeça dar cambalhotas.
Então, era isso.
— Por favor? – Ela notou que seu tom saiu exasperado, mas não conseguiu se controlar. Estava com aquilo entalado a muito tempo para ser delicada. Aparentemente, o sentimento que tomou a dianteira fora a raiva. – Fred, honestamente, quem tem que te pedir por favor sou eu! Como você tem a coragem de bancar o sonso comigo? Por Merlim, você não é da Sonserina para se fazer de idiota!
Ele se assustou com o tom da garota – ela mesma também estava surpresa –, se afastando um pouco. Definitivamente não estava esperando por aquilo.
, o que...
— Não, agora você vai me ouvir!
As pessoas começaram reparar na discussão que se iniciava e aquilo irritou . Ela puxou Fred pelo braço e o arrastou para fora, atraindo mais olhares ainda, inclusive o da irmã e o de Cedrico, que rodopiava com a sem sal da Cho Chang, mas ela pouco se importava. parou quando chegaram na área externa do castelo, que estava enfeitado com centenas de fadinhas brilhantes em torno de roseiras, dando um ar ainda mais mágico ao local. Ela não notou nada disso.
Eles pararam em frente à um arbusto alto e enfiou um dedo no peito de Fred.
— Então você não consegue me entender? Não consegue saber do que eu estou falando? Pois imagine como é tentar descobrir o que você quer dizer, Fred! Nunca saber se você está brincando ou falando sério, nunca saber se algum dia já olhou para mim e viu alguma coisa além de uma parceira de maluquices! Vá se foder, Fred Weasley! Você não tem o direito de me dizer uma coisa dessas quando em um dia você planeja uma aposta e no outro me entrega aquelas porcarias de margaridas! Isso não é justo!
Fred encarava a garota, boquiaberto. Sua mente, que sempre funcionava na velocidade máxima e nunca parava, parecia ter entrado em pane.
— E quer saber mais? – continuou, aparentemente muito cheia de adrenalina para se conter. – Pois bem, que saiba! Sim, Fred, eu estava só esperando pelo seu maldito convite para esse maldito baile porque eu sou uma grande idiota! Desde aquele dia no bosque eu passo o tempo todo tentando entender você, tentando descobrir o que você pensa sobre o que aconteceu entre nós, o que você pensa de mim! Toda vez que eu acho que te entendi direito, que eu não sou louca por achar que existe uma chance de você, argh, – Ela grunhiu. – gostar de mim ou sei lá o que...
Fred tapou a boca dela, sentindo que ela já tinha falado o suficiente. Ela tentou mordê-lo, mas ele conseguiu evitar o machucado. Tomando coragem, Fred enfiou a mão livre no bolso de sua calça, tirando de lá um pequeno pacotinho de veludo azul, e estendeu para ela.
— Feliz aniversário, Helius.
, que ainda estava agitada pelo desabafo de segundos atrás, demorou alguns segundos para erguer a mão, confusa, para pegar o embrulho.
— Se eu te soltar, você para de gritar como um berrador? – Fred questionou, arqueando ironicamente a sobrancelha. Ela revirou os olhos e ele deu uma risadinha, recolhendo a mão.
abriu o pacotinho e o virou em sua mão, o conteúdo caindo em sua palma com um leve tilintar metálico. Era um colar, uma corrente dourada com um único pingente no lado oposto ao fecho. Ela pegou o pingente para observar melhor. Era uma margarida, uma margarida de verdade, em perfeito estado e com as pétalas macias. Automaticamente, ela levou a flor até o nariz e arfou quando conseguiu sentir seu cheiro.
— Fred, por favor, não me dê isso se não tiver para você o mesmo significado que tem para mim. Por favor. – Sua voz saiu embargada e rouca.
Fred abriu um sorriso, parecendo muito aliviado e muito feliz.
— É seu presente de aniversário. Pedi para minha mãe pegar no bosque atrás de casa, embaixo do carvalho, e me mandar, o que a deixou extremamente confusa. Está enfeitiçada para nunca murchar ou perder o cheiro. Eu achei que você fosse gostar de se lembrar, porque eu nunca me esqueci.
assentiu, perplexa. Fred pegou o colar das mãos da garota e abriu o fecho, andando até suas costas e passando a corrente pelo pescoço dela. Ela se arrepiou quando o metal frio entrou em contato com sua pele quente, mas estremeceu mais ainda quando Fred deu um beijo em seu pescoço, bem abaixo da nuca, depois de fechar o colar. Ela fechou os olhos, sentindo o arrepio chegar em todas as partes certas de seu corpo.
— Tem o mesmo significado para mim, Helius, e eu não estou brincando. – Ele sussurrou contra a pele dela. – Eu nunca estou brincando quando o assunto é você.
se virou de frente para ele, buscando em seus olhos algum indício de que ela estava interpretando as coisas erradas, mas nos olhos do ruivo ela só conseguia ver o próprio reflexo.
— Fred... – Ela sussurrou.
— Se eu sou um sonso e idiota, você é uma grande cega e surda. Há anos que eu tento chamar sua atenção de todas as formas possíveis e parece que nunca é o suficiente para você me enxergar além das brincadeiras. Como você nunca viu isso? – Ele falou, frustrado, o rosto sem nenhum sinal de brincadeira. – , eu implorei para Jorge acabar com você nos jogos porque eu simplesmente não era mais capaz de rebater os balaços na sua direção. Você faz ideia do quanto ele se diverte às minhas custas por causa disso?
riu, um pouco histérica. Teve a sensação de que, se pudesse, riria de felicidade até o dia amanhecer.
— Eu sempre achei que o melhor dia da minha vida tinha sido quando eu entrei para o time de Quadribol ou quando Jorge e eu pegamos o Mapa do Maroto, mas aí eu percebi que nada se comparava àquele dia nas férias, com você no bosque. E eu duvido que alguma coisa algum dia chegue perto disso.
A cabeça da garota estava um furacão. Em um momento, ela estava jogando em cima de Fred tudo o que sentira nos últimos anos, de uma forma confusa e nervosa, e, no outro, Fred simplesmente acabara com todas as dúvidas que ela tinha, espantando para longe aquela fumaça negra que a acompanhava todos os dias. Sentia que seu coração fosse sair pela boca.
precisou de toda sua concentração para não cair estatelada no chão e reunir forças para falar.
— O melhor dia da minha vida é sempre quando você me faz rir. – Ela confessou.
O sorriso que o garoto abriu era, de longe, o mais lindo que ela já tinha visto. Ele pegou o rosto de com uma mão, enquanto puxava a garota pela cintura com a outra.
— Eu vou te beijar. – Ele anunciou. – E eu nunca falei mais sério na minha vida.
sorriu, o corpo se arrepiando.
— Você pode me beijar sempre que quiser, Fred Weasley.
Então ele se inclinou e a beijou, suavemente. não quis se mexer, com medo de estragar o momento, mas assim que Fred intensificou o beijo, sua língua buscando a dela com urgência, ela perdeu o controle. Por Merlim, aquilo era muito melhor do que ela se lembrava em seus sonhos.
Fred arfou quando passou as mãos por seu pescoço, uma das mãos da garota indo parar em seus cabelos e a outra na gola de sua capa, o puxando para mais perto. Automaticamente, Fred apertou a cintura de , que soltou um leve grunhido de satisfação. Fred aproveitou o momento para matar sua curiosidade sobre como era a sensação do tecido do vestido na pele da garota, e a resposta era maravilhosa.
sentiu que podia viver naquele beijo para sempre e seria a bruxa mais feliz de toda a história. Fred pensava o mesmo.
Quando a mão de desceu da capa para o peitoral do garoto, passeando pelo local até que ela chegasse nas costas dele, onde ela brincou com as unhas, ele precisou parar para respirar e se controlar, aproveitando para explorar o pescoço da garota.
. – Ele soprou contra a pele sensível do pescoço dela, a fazendo fechar os olhos e sua respiração sair descompassada.
— Fred, eu... – Ela começou, mas Fred deu uma mordidinha em seu pescoço e ela perdeu suas palavras. O garoto riu, fazendo-a se arrepiar mais ainda.
— Eu sei. Eu também. – abriu os olhos e encarou Fred, sabendo que ele tinha entendido o que ela pretendia dizer e que ele sentia o mesmo. Era tão óbvio. Será que sempre foi assim e realmente era cega?
— Mas será possível que eu não passe um dia sequer sem me aborrecer com algum de vocês dois? – A voz de Snape assustou ambos, os fazendo virar-se rapidamente para o professor, que os encarava com profundo desgosto e irritação. – Era só o que me faltava. – Ele rosnou para eles que agora estavam de mãos dadas. – Menos dez pontos para a Grifinória, senhor Weasley, e menos dez pontos para a Lufa-Lufa, senhorita Helius.
— Mas, professor... – começou, indignada.
— E comportem-se se não quiserem perder mais pontos! – Ele agitou a varinha, um feitiço fazendo os dois separarem-se pelo menos uns cinquenta centímetros, e saiu para gritar com um casal que estava escondido em uma das roseiras.
— Você quer sair daqui? – Fred sussurrou, ansioso.
Ela mordeu os lábios, nervosa, mas sorriu. Não tinha mais nada no mundo que ela quisesse mais.
— Vamos. – Ela puxou Fred pela mão e os dois saíram rindo baixinho, se esgueirando pelos corredores enquanto tentavam se esconder dos professores que estavam tentando evitar exatamente o que os dois planejavam fazer.

Capítulo 6 – O Sol e Fred Weasley

Os dois corriam pelo corredor do terceiro andar, que estava completamente deserto, e Fred a puxou para uma minúscula salinha à direita.
— Sério, Fred? – questionou, olhando o pequeno e sujo armário de vassouras.
— Calma. – Ele respondeu, rindo ao ver a expressão no rosto da garota.
Fred ergueu a mão sem muita dificuldade até a prateleira mais alta, onde uns baldes de madeira estavam apoiados cheios de poeira, e parecia procurar por algo. tentava entender o que Fred estava fazendo quando ouviu um barulho grave, como alguma coisa pesada se arrastando, e assistiu, espantada, a parede de prateleiras se mover para trás, revelando uma estreita escada em espiral.
— Que lugar é esse? – Ela questionou enquanto ele a puxava pela mão escada acima. Parecia não ter fim.
— Jorge e eu achamos no mapa alguns anos atrás e só viemos aqui uma vez. Estava marcado como “Local preferido de Almofadinhas para consolar garotas tristes de todas as casas”.
deu uma gargalhada, já um pouco cansada com tantos degraus, agradecendo ao feitiço que havia lançado na barra de seu vestido e que permitia que ela subisse a escada sem muita dificuldade.
— Imagino o que isso queira dizer.
— Bom, de qualquer forma, obrigado, Almofadinhas. – Fred piscou, finalmente chegando a uma porta no final da escada e a abrindo.
Os dois entraram em um espaço amplo, o teto pontudo indicando que estavam em uma das torres. Havia alguns móveis antigos espalhados pelo local, um sofá robusto e largo, uma estante com alguns livros e uma mesa velha com um castiçal empoeirado em cima. No extremo da sala, a parede se abria para uma varanda.
Fred acendeu a vela com sua varinha, o espaço se iluminando em uma bruma dourada. A luz fez com que brilhasse e Fred ficou abobado.
— Você parece o sol.
se virou para Fred, confusa.
— Oi? – Ela questionou. Fred riu.
— Você tem um brilho, . Eu não consigo explicar. É como se você fosse um sol. Parece ridículo, mas é exatamente isso o que eu vejo.
As bochechas de ficaram vermelhas.
— Bom, acho que isso faz sentido se você pensar no meu sobrenome. Minha família na Grécia ficaria muito lisonjeada com esse comentário. – Ela abriu um sorriso tímido.
Fred ficou curioso.
— Seu sobrenome?
— Corre a lenda em Creta de que a família Helius é descendente dos filhos de Hélio, o deus do sol. Minha mãe fala que é por isso que nós temos essa mecha nos cabelos e tudo mais. – Ela deu de ombros, como se não ligasse muito para essa história.
— Isso explica por que você parece uma deusa grega. – Fred falou, se aproximando da garota, que riu baixinho. – Toda vez que eu te vejo parece que tudo fica mais quente, iluminado. Acho que você é meu sol particular, Helius.
fechou os olhos quando ele a tocou no rosto, fazendo um carinho em sua bochecha. Ela sentiu a outra mão do garoto fazendo movimentos circulares em seu pulso e, quando abriu os olhos novamente, o reflexo do brilho da vela no olhar dele destruiu qualquer autocontrole que ela tinha.
Naquele momento, ela percebeu que só existia um único Fred. Ele era o amigo de , o que aprontava horrores com ela e que a fazia rir, e também o que a fazia gritar dentro de sua mente só de imaginar como seria beijá-lo novamente. E ela queria aquele Fred de todas as maneiras possíveis.
puxou Fred pelo colete, beijando-o com urgência. O garoto não se surpreendeu e correspondeu rapidamente, segurando pela cintura e a guiando até que ela encostasse as costas na pesada mesa. Suas línguas buscavam uma pela outra sem nenhuma timidez.
levou os dedos até os cabelos do garoto, dessa vez puxando os fios com um pouco mais de violência, o fazendo gemer baixinho contra a boca dela. O som fez arfar, automaticamente pressionando seu corpo contra o dele nas partes certas. Aquele contato fez com que os dois sentissem que não tinham mais sangue circulando em suas veias, e sim fogo.
Fred subiu as mãos pela lateral do corpo dela, uma indo parar nas costas da garota, como se fosse possível trazê-la ainda para mais perto, e a outra desceu novamente pelo braço arrepiado de até chegar em seu quadril, onde ele não se importou em continuar descendo mais um pouco até conseguir puxar a coxa da garota para cima, levantando seu vestido até a altura da cintura dela e fazendo-a enroscar a perna em seu corpo. Automaticamente, envolveu seus braços em volta do pescoço de Fred e se agarrou ali, enroscando também a outra perna em torno dele, que a apoiou sentada sobre a mesa.
As pernas abertas de em volta de Fred fizeram a garota sentir uma sensação tão deliciosa que ela precisou interromper o beijo para respirar, jogando a cabeça para trás.
Fred aproveitou o momento para explorar, desta vez, o colo de Helius. Ele distribuiu os beijos desde o pescoço até chegar na clavícula da garota, descendo a boca lentamente até chegar ao meio do decote, no vão entre os seios. Ele lambeu a pele dela naquele ponto e ela soltou um gemido baixo, apoiando os braços na mesa. abriu os olhos e tudo o que conseguia ver no rosto de Fred era desejo, puro e forte.
— Fred... – Ela praticamente implorou.
O garoto entendeu perfeitamente o recado e jogou rapidamente sua capa no chão, enquanto desfazia o laço bem dado da gravata dele, já descendo as mãos para abrir o colete do garoto. Fred observou o rosto de quase com adoração, achando absurdamente sexy a determinação da garota em abrir os botões, agora de sua camisa, com tanta pressa e concentração, um vinco no meio da testa dela. Até parecia que ela estava fazendo uma prova muito complicada, onde precisava tirar a nota máxima. Quando ela o ajudou a jogar a camisa em algum canto, foi a vez de Fred buscar pela abertura daquele vestido que se tornara um grande incômodo. Ele alcançou o zíper nas costas da garota e o puxou, mais lentamente do que gostaria, até chegar ao final. Ela passou os braços pela abertura e levantou o corpo para que Fred pudesse puxar a peça por baixo dela, que também foi parar no chão aos pés dele.
pensou em se cobrir com as mãos quando se viu apenas de calcinha na frente de Fred, mas o olhar que ele lançava sobre ela a imobilizou. Fred sentia que nunca, em todo o mundo, houve uma visão mais bonita do que a de ali, seminua, sob a luz vacilante da vela, usando o colar que ele havia acabado de dar a ela. Ele não estava brincando quando disse que ela parecia uma deusa – algo nela não era desse mundo, nem do mundo bruxo e muito menos do mundo trouxa. Tinha que ser intervenção divina.
Fred a puxou para perto novamente, tomando sua boca em outro beijo, dessa vez deixando as mãos explorarem livremente o corpo dela, finalmente sem nada entre sua mão e a pele da garota. Ele mordeu o lábio inferior de com certa violência, sentindo um grande incômodo em suas calças, e desceu os beijos novamente pelo colo dela. se apoiou outra vez com os braços na mesa, mas sentiu que podia vacilar a qualquer momento, principalmente quando Fred passou a língua em torno de seu mamilo direito.
Fred mordiscou o mamilo que estava em sua boca e apertou o outro seio em sua mão, a fazendo gemer e cruzar novamente as pernas em torno da cintura dele, buscando desesperada por qualquer contato. Fred se demorou ali mais um pouco, deliciando-se com os seios da garota, mas logo mudou de rumo.
Desceu os beijos pela barriga de e ela desistiu de se apoiar em seus braços, se jogando de costas na mesa e dando à Fred uma visão maravilhosa. Quando a boca do garoto chegou ao baixo ventre de , ela ergueu ligeiramente seu quadril, em expectativa para experimentar aquilo pela primeira vez.
Fred passou um dedo por cima da calcinha branca, sentindo o quanto a peça já estava molhada e arrancando um suspiro pesado de . Ele sorriu e puxou a calcinha pelas laterais, tirando a peça com uma dolorosa lentidão, que estava enlouquecendo . Quando a peça foi ao chão, Fred abriu as pernas da garota, afastando as coxas e mantendo-as naquela posição com as mãos. A visão fez Fred pensar que havia morrido e chegado ao paraíso.
— Você é linda. – Ele sussurrou contra ela, fazendo-a se contorcer na mesa com a sensação de seu hálito contra sua parte mais sensível.
Antes que ela pudesse fazer alguma coisa, ele afundou sua cabeça entre as pernas da garota e ela perdeu completamente os sentidos. Puta que pariu.
Ela sabia que Fred já estivera com algumas outras garotas antes dela – teve que passar por momentos complicados ao ouvi-lo falar sobre alguns de seus encontros no último ano – e sabia que ele tinha mais experiência do que ela, mas se sentiu extremamente grata por aparentemente o garoto saber muito bem o que estava fazendo. Para ela, pelo menos, estava perfeito.
A língua de Fred se moveu por toda a extensão de seu sexo, explorando-a e deliciando-se com seu gosto. Ela gemia a cada nova sensação que sentia, sem conseguir se controlar. Fred a manteve com as pernas abertas, segurando-a firmemente pelas coxas, que apertava com gosto. Com certeza ele deixaria algumas marcas ali.
levou as mãos até os cabelos de Fred e ele entendeu aquilo como um estímulo, intensificando seus movimentos com a língua e puxando a garota mais ainda pelo quadril. Fred levou os dedos até a intimidade de , movimentando-os no lugar certo.
Um gemido alto saiu da boca de , anunciando que ela estava muito próxima de seu ponto alto e Fred a chupou com mais devoção, enlouquecido para dar todo o tipo de prazer possível à garota e sentir seu gosto em sua boca.
— Fred. – Ela gemeu alto o nome do garoto, o som mais delicioso que Fred já ouvira em toda sua vida.
E então ela explodiu em mil pedacinhos, o orgasmo a atingindo como uma bala de canhão, levando-a ao céu. Fred sentiu o gosto quente em sua boca e a limpou com sua língua, não querendo desperdiçar nenhuma gota sequer.
estava jogada na mesa como uma boneca de pano, tentando recobrar os sentidos e respirando com dificuldade.
— Isso foi... – Ela tentava falar. – Incrível. Puta que pariu.
Fred riu, puxando-a delicadamente para que voltasse a ficar sentada na mesa. Os cabelos da garota estavam colados na testa e nas costas pelo suor, seu peito subindo e descendo rapidamente. Linda, absolutamente linda, ele pensou.
— Muito bom saber que eu tenho outros dons além de te fazer rir, senhorita Helius.
riu alto, balançando a cabeça em negação. Não cabia em seu peito o quanto ela gostava daquele garoto.
Tomada por uma coragem insana e deixando Fred um pouco confuso, ela se colocou de pé e o virou, fazendo-o encostar as costas na mesa.
— Eu quero tentar uma coisinha, Weasley. – Ela sorriu, um pouco acanhada, enquanto levava as mãos até a calça do garoto.
Fred, pego de surpresa, arfou com o toque de em seu membro já duro. Ela sorriu com a reação do garoto e continuou com o carinho, começando a beijá-lo no pescoço, o ponto fraco de Fred. Ele soltou um suspiro pesado, a cabeça girando, enquanto ela descia os beijos por seu peitoral, sem parar com os movimentos de suas mãos. lambeu o peito do garoto, descendo com a língua até a barra da calça. Fred jogou a cabeça para trás.
Ela hesitou, as mãos no fecho, de repente tomada pelo nervosismo. Fred sentiu a hesitação da garota e a puxou delicadamente pelo braço para que ela se levantasse.
— Você não precisa fazer nada que não quiser, . – Ele falou, suavemente.
deu um sorriso tímido.
— Eu quero, Fred. Eu só... – Ela fez uma careta. – tenho medo de não fazer direito... de você não gostar. – Ela baixou o olhar.
Ele levantou seu rosto, o dedo no queixo da garota.
— Não tem nenhuma chance de eu não gostar, Helius. Acredite em mim. – Ele a puxou para um beijo, que foi tão terno que poderia derreter as pernas da garota.
cortou o beijo e sorriu para Fred, então tornou a ficar de joelhos, descendo as mãos para a calça dele e, com muito mais segurança, a abriu lentamente e puxou-a para baixo junto com a cueca, ele chutando as peças para longe.
ergueu seu olhar para Fred, vendo-o a encarar de volta com a mesma intensidade. Ela fechou os dedos em torno dele, fazendo-o arfar com o contato direto.
Lentamente, ela passou a língua pela cabeça do membro de Fred, tirando um gemido desesperado do fundo da garganta dele. sentiu de repente um calor absurdo dentro de si e lambeu toda sua extensão antes de colocá-lo por completo em sua boca, saboreando-o e se surpreendendo com o quanto tinha gostado da sensação de tê-lo dessa forma.
... porra. – Fred agarrou o cabelo da garota, grunhindo. Ela entendeu aquilo como um sinal de que, até ali, não estava fazendo um trabalho tão ruim assim.
levou as mãos à base do membro do garoto, complementando os movimentos de vai-e-vem, deliciando-se com a forma rígida de Fred o mais fundo que conseguia em sua boca. Queria fazê-lo perder-se da mesma forma que ela.
Quando arranhou a barriga de Fred com uma das mãos, ele xingou.
— Caralho, . Eu não vou aguentar.
Ele a puxou para cima novamente, beijando-a com urgência. tomou impulso e enlaçou as pernas ao redor do corpo de Fred, as intimidades roçando dolorosamente enquanto ele caminhava com ela até o sofá, onde sentou-se com ela em seu colo.
— Eu preciso de você, . – Fred grunhiu, cada movimento fazendo-o arfar.
— Eu também preciso de você, Fred. Sempre. – Ela respondeu, rebolando no colo do garoto.
Ele a ergueu pela cintura, observando seus olhos brilharem de desejo enquanto ela se encaixava por cima dele, posicionando seu membro na entrada molhada da garota. não cortou o olhar quando deixou o corpo descer, sentindo Fred invadi-la por completo.
Os dois gemeram.
No bosque, na primeira vez em que eles ficaram juntos, a primeira vez de , tudo havia sido calmo e sereno. Quando Fred a deitou na grama, não havia pressa nem urgência, os dois tão assustados quanto curiosos com o que estavam fazendo. Foi inocente e puro.
Ali, com o vento gelado soprando pela parede aberta, fazendo os dois se arrepiarem, não havia muito espaço para a calma ou inocência. O clima estava completamente tomado pelo desespero que cada um tinha em sentir o corpo um do outro.
Fred movimentou-se por baixo de , fazendo-a afundar o rosto na curva do pescoço do ruivo. Ela nunca havia se sentido tão completa, física e emocionalmente.
Ela apoiou as mãos nos ombros de Fred e se impulsionou para cima, e depois para baixo. Fred gemeu, rouco, quando ela embalou um ritmo constante, uma cavalgada que enlouquecia os dois.
Quando gemeu o nome de Fred, ele a segurou pela cintura e a deitou cuidadosamente no sofá, as costas arqueadas e apoiadas no braço do móvel. Com uma perna apoiada no chão e a outra no sofá, ele conseguiu se movimentar melhor para dentro dela, aumentando o ritmo conforme os gemidos dos dois também cresciam. enlaçou as pernas ao redor de Fred para se estabilizar melhor e a posição fez com que ele conseguisse ir ainda mais fundo dentro dela. Ela urrou de prazer, arranhando sem dó as costas do ruivo.
— Fred... – Ela arfou novamente, alto. Estava sentindo aquela mesma sensação de que iria explodir a qualquer momento.
Fred se inclinou para beijá-la, tomando sua boca com a mesma intensidade que se movimentava, as testas coladas e suadas, ainda segurando pelo quadril.
Ela abriu os olhos e os dois se encararam, perdidos um no outro. Ela levou uma mão até o rosto de Fred, tirando os cabelos ruivos grudados da frente do rosto do garoto. Queria ver a cara dele enquanto sentia prazer por ela e com ela.
— Fred! – gritou o nome do garoto quando o segundo orgasmo do dia tomou conta de si, fechando os olhos involuntariamente.
Ele arfou e soltou um gemido grave, estremecendo ao chegar ao seu ápice segundos depois dela.
... – Ele sussurrou, deixando o corpo cansado e trêmulo cair ao lado dela no sofá.
O único som que conseguiam ouvir além do barulho do frio cortante era o de suas respirações, descontroladas e falhas, ambos tentando puxar o máximo de ar para seus pulmões.
encarava o teto pontiagudo da torre, ainda abraçada ao corpo de Fred. Por alguns segundos, a insegurança tomou conta de sua mente e ela entrou em pânico, com medo de que o final dessa noite fosse igual ao do busque, com nenhum dos dois sabendo o que dizer. Ela não saberia o que fazer caso ele simplesmen...
— Eu te amo. – Fred disse, baixinho.
Os pensamentos de foram cortados abruptamente pela confissão. Ela desviou os olhos do teto para o garoto e percebeu que ele a encarava intensamente.
— Eu te amo, Helius. – Ele repetiu, um pouco mais alto dessa vez, com um sorriso sincero no rosto.
sentiu o coração pegar fogo. Ouvir aquilo foi melhor do que qualquer outra coisa em sua vida. Ela sorriu.
— Se você estiver prestes a fazer uma brincadeira, Fred Weasley, sugiro que pare agora ou... – Ela apontou para as partes baixas do garoto e passou os dedos pelo pescoço, deixando claro que alguma coisa seria cortada.
Ele riu.
— Eu não me atreveria, Helius. Não quando eu conheço muito bem a sua capacidade de azarar seus inimigos. Não quero terminar com aranhas saindo pelos meus ouvidos.
Os dois riram, lembrando-se de quando fizera exatamente isso com uma garota da Sonserina.
E lá estava ele, Fred Weasley, fazendo sorrir.
— Eu também te amo.
O sorriso de Fred se alargou e ele lhe roubou um beijo, calmo e doce.
— Eu tive uma ideia, minha cara . – Fred falou.
— Hmm. – Ela murmurou, estreitando os olhos.
— Que tal uma aposta?
Ela gargalhou, indignada, e Fred se endireitou no sofá, puxando-a para que ela se sentasse também.
— Uma aposta? Que diabo de aposta? – Ela questionou, passando as mãos pelos braços para se aquecer agora que o corpo do garoto já não a cobria mais.
— Simples, Helius. – Fred se levantou e foi até o bolo no chão que eram as roupas dos dois, pegando-as e voltando para o sofá. Entregou para sua camisa e a calcinha da garota, que rapidamente as vestiu, enquanto ele colocava sua cueca e cobria os dois com sua capa, sentando-se ao lado dela. Quase se distraiu vendo com sua camisa, mas retomou o pensamento. – Eu aposto que você vai aceitar ser minha namorada.
abriu um sorriso tão largo que Fred conseguiria contar todos os dentes na boca da garota. Lá estava ela, seu sol.
— Aposta, é? E se eu disser não? – Ela provocou.
— Se você disser não, nunca mais vai ter esse pedaço de mal caminho para você. – Ele apontou para o próprio corpo.
revirou os olhos, rindo.
— E se eu disser sim?
— Então tudo isso – Ele apontou para si mesmo outra vez. – será só seu. Para sempre.
Ela colocou uma mão no queixou, como se pensasse na proposta.
— Interessante, Weasley, muito interessante. E o que te faz pensar que por acaso eu quero esse pedaço de mal caminho para mim?
Fred abriu um sorriso sacana.
— Ah, você sabe. Você gemendo na mesa, você gemendo no sofá, você gemendo no bosque, você...
— Ok, chega! – Ela o cortou, rindo. – Acho que você está querendo trapacear, Weasley. Sabe que é uma aposta perdida para mim.
Fred deu de ombros.
— Não é minha culpa se eu sou muito melhor nas apostas do que você. – deu um tapa no braço dele, rindo. – Então isso é um sim?
Ela rebateu.
— Então isso é um pedido? – Ela arqueou as sobrancelhas.
Fred sorriu.
Helius, você aceita apostar ser a minha namorada?
— Aposta aceita, Fred Weasley.
Os dois cuspiram nas palmas das mãos e as uniram em um aperto, selando o acordo e dando soquinhos com os punhos fechados. Antes que terminasse de fazer os movimentos com as mãos, Fred a pegou pela cintura e a jogou de costas no sofá, os dois rindo em meio aos beijos.
achou que as apostas com Fred seriam muito mais interessantes dali em diante e Fred mal podia esperar para lançar um novo desafio à sua namorada.
— Nem sempre é ruim perder uma aposta para um Weasley, .


Fim!



Nota da autora: Olá, marotos! Como estão?
Sim, é isso mesmo: mais uma fic minha do universo de Harry Potter e, dessa vez, com o nosso crush eterno: Fred Weasley!
Espero que essa short tenha deixado vocês com o coraçãozinho aquecido pois foi o que aconteceu comigo. Fiquei completamente apaixonada por esse casal e morrendo de vontade de saber quais outras aventuras os dois já se meteram - ou vão enfrentar daqui para frente!
Mais uma vez, minha total gratidão às meninas do grupo do especial de Harry Potter que dão um PUTA incentivo para continuarmos escrevendo. Você são lindas e maravilhosas!
Não se esqueçam de fazer essa humilde autora feliz deixando seu comentário aqui em baixo. Aceito críticas, elogios, sugestões e tudo mais que vocês quiserem falar!
Vejo vocês nas próximas histórias! Com muito amor, Zurc <3
Malfeito, feito.






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A Cobra e o Leão
A Traidora
A Musa de Arcádia


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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