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Última atualização: 16/09/2020

Prólogo

Quanto digo, meu bem, quanto não digo,
Tudo em tua presença degenera.
Nada se pode comparar contigo.
- Nada se Pode Comparar Contigo, Du bocage.

— O que queres dizer? – Penélope perguntou, colocando as flores que segurava em cima da velha mesa de madeira. Dominic suspirou, pesado.
— Não quero dizer nada, meu amor. Só disse que...
— Dominic, sabes que eu jamais seria capaz disso. Eu te amo. – Penélope ajoelhou-se na frente do rapaz, o longo vestido deitando-se no chão empoeirado em camadas. Ela pegou as mãos de Dominic e beijou-lhe as palmas.
— Eu te amo, Penélope. Nunca duvide disso. – O rapaz passou uma mão pelo rosto da mulher em sua frente, encantado com as feições angelicais.
Penélope sorriu, doce.
— Você é tudo o que eu sempre sonhei, meu amor, não haveria o que mudar em ti. És perfeito para mim e eu jamais ousaria pedir-lhe para trocar de lugar sequer um único fio de cabelo. Seria insano e doentio. Confia em mim e me ame, é tudo o que eu te peço.
Dominic puxou Penélope pela mão e a tomou em um delicado beijo.
Do outro lado do set, assistia a cena com um olhar atento para que tudo saísse conforme o roteiro antes que pudessem finalizá-la. Um calor estranho percorreu o corpo do diretor quando pronunciou aquelas palavras com adoração, a intensidade nos olhos da atriz fazendo a cabeça dele rodar. Ele nunca se acostumaria com aquela visão.
Penélope acompanhou Dominic até a porta do casebre, onde o príncipe se despediu da garota com um breve beijo. Penélope se voltou, então, para as flores que havia repousado sobre a mesa. Ajeitando-as uma de cada vez, ela as colocou em um vaso de barro enquanto a feição em seu rosto mudava, o doce sorriso dando lentamente lugar à um olhar cada vez mais frio.
A câmera fechou no rosto da atriz e levantou os olhos para um ponto além da cena. Por alguns segundos, ela focou seu olhar beirando a crueldade em , que continuava imóvel em sua cadeira. Os olhos azuis e rígidos do diretor fitavam os seus, o indicador dele passeando em um dos lábios com certo interesse. A atuação dela lhe agradava os olhos; era suave, verdadeira. Era como se o coração de estivesse presente naquela sala a todo o tempo, embora interpretasse tão perfeitamente a vingativa e maléfica Penélope. Ele sabia que a atriz cativara todo o set de filmagens. Todos estavam no mais puro e limpo silêncio, os olhos atentos, nenhuma caneta escrevia e nenhum dedo se movia. E ele sentiu ódio. Nem todos eram merecedores de Arcadia, como ele certamente acreditava ser ele mesmo. Eram talentosos, mas ela era o próprio talento. A encarnação de Melpómene, musa grega da tragédia. Aquela era sua .
Sua .
Por um lapso de segundo, se enfureceu por todas aquelas pessoas terem sido igualmente agraciadas pela atuação de sua adorada musa. Eles não poderiam compreender a profundidade dos olhos de Penélope. Seus olhos se fecharam brevemente e ele inalou o ar do ambiente, sentindo o cheiro diferente embriagá-lo; as flores que o perfume dela exalava por ali. Ela era o significado de arte, capaz de levá-lo ao topo em poucos segundos. Seus olhos se fixaram nela novamente.
Sua devolvia sua luxúria com um olhar penetrante.
Tão rápido quanto veio, aquele olhar se foi quando alguém gritou, cortando a cena, e a atriz se virou para o outro lado, libertando de seu breve transe.
Os olhos de encontraram Thomas, que assistia a cena de pé, encostado em uma das estruturas do set, os braços cruzados e o rosto inexpressivo. Ela abriu um sorriso.
— É melhor você pegar um babador, . – falou, o sorriso iluminando seus olhos agora brincalhões. Ele enrijeceu a postura, ligeiramente surpreso. – Porque eu estou morrendo de fome, quero comer o seu sanduíche especial e não vou lambuzar todo o meu figurino de molho só porque você se comporta como uma criança.
balançou a cabeça em negação e soltou o ar, jogando a cabeça para trás ao gargalhar.


Capítulo 1


— Você pode aumentar um pouco o seu tom de voz, por favor? – Ele piscou entediado uma vez, a única desde que ela entrara em sua sala. Seu tom frio parecia construir uma enorme parede entre eles, como se o clima que o ar condicionado proporcionava ao ambiente aumentasse ainda mais com sua voz, calma e autoritária ao mesmo tempo.
Ela deu um passo à frente e raspou a garganta. fechou os olhos por alguns segundos e recebeu um olhar contrariado do seu amigo ao seu lado.
Ele dispensaria mais uma. Não gostava que raspassem a garganta durante seus testes, achava que era um típico sinal de insegurança que não poderia dar a ele a qualidade da atuação da contratada. Suspirou.
— Obrigado pelo seu tempo. – Disse simplesmente. Rispidamente, riscou o papel quando viu a moça sorrir, pegar sua bolsa e sair da sala. Ele se ajeitou em sua cadeira, jogando sua cabeça para trás no encosto.
— Mais uma? Isso é sério? – O loiro ao seu lado apoiou o rosto na mão e lhe lançou um olhar entediado, o sotaque francês levemente presente em sua fala. passou o indicador pelos lábios, olhando para a mesa a sua frente.
— Você sabe que eu não transformo atrizes, . – Sua mão livre foi até os outros papéis na mesa. – Eu não quero escalar alguém que precise de modificações para estar à altura do papel.
— Achei que seu trabalho fosse exatamente dirigi-las. – respondeu e revirou os olhos. – Qual é, isso aqui já está durando meses, você precisa se decidir logo.
arqueou a sobrancelha para o amigo.
— Achei que você tivesse se oferecido para ajudar e apoiar um amigo. – Rebateu .
— É, eu tinha me esquecido o completo louco que você é. Eu gostei de todas as cinco primeiras, mas depois da décima eu já nem lembrava mais meu nome.
— Nenhuma delas serve, , simples assim.
— Claro que não servem, nenhuma delas é a personificação da musa da sua imaginação. Se a Meryl Streep estivesse testando para esse papel, você seria capaz de dizer não para ela.
— Você não está ajudando. – passou as mãos pelos cabelos castanhos claros, bufando.
— É por isso que eu sou o produtor musical e compositor desse filme, e não o diretor. – se levantou e se espreguiçou, bocejando. – Eu preciso ir, cara.
respirou fundo, olhando o papel com o nome das candidatas – todos rabiscados – e vendo que não havia restado nenhuma opção para hoje. Ele não conseguia esconder sua frustração, sua pose sempre ereta agora curvada sobre a mesa e as mãos no rosto.
— Obrigado pela ajuda, .
deu uma batidinha nas costas do amigo.
— Relaxa, . Uma hora ou outra ela vai aparecer, só seria muito legal se isso acontecesse antes da reunião de elenco na segunda. Sem querer te pressionar nem nada, mas os produtores ficarão bem putos de fazer isso sem a protagonista.
riu seco, sem humor.
— Seu apoio é incrível.
piscou para ele e pegou o roteiro que estava em cima da mesa.
— Vou levar isso aqui, já passou da hora de eu começar a trabalhar. Te vejo na segunda.
O loiro saiu pela porta dos fundos da sala, o pensamento somente em tomar um bom banho e dormir a noite toda depois das mais de doze horas sentado naquele lugar com . Sabia que o amigo era exigente demais, ou louco demais, como ele costumava brincar, mas seria inútil tentar mudar aquilo. era assim e foi exatamente isso que o levou ao sucesso tão cedo, suas direções sendo sempre elogiadas pela Academia. Ele era brilhante, não podia negar, mas agradecia aos céus por seu trabalho com o amigo ser com a trilha sonora – já conhecia muito bem o gosto do diretor e, por mais perfeccionista que fosse, sempre conseguia entregar o que ele esperava. Na maioria das vezes, até mais.
girou sua cadeira às enormes janelas que separavam a sala do resto da cidade. Ele gostava da cidade, os prédios e as luzes. Aquela vista parecia inspirá-lo e a acústica perfeita lhe causava arrepios. Muitos bons atores e boas atrizes passaram por ali durante seus quase seis anos de cinema, muitos deles comoveram seus olhos e ativaram os maquinários de seu cérebro, que produziam incessantemente conteúdos praticamente antropofágicos. Ele se ergueu, deixando que a luz do luar acolhesse sua desistência ao menos por ora. No dia seguinte testaria mais atrizes e, com sorte, encontraria alguma a sua altura.
— Com licença?
virou os olhos para a porta.
Tinha todo o roteiro em sua cabeça, desde o início ao fim. Sua obra prima, sua homenagem aos mestres arcadistas pela inspiração e pela orientação, por terem sido autores das obras que influenciaram sua tese e, até então, a garantia de sua melhor produção. Desde os vinte e um, trabalhava a fundo em sua própria idealização de Arcadia. Queria o conceito, a inocência, a maldade e a perda. Queria uma protagonista intensa, que cobrisse todos os seus desejos adolescentes reprimidos. Uma inocente carcaça que carregava uma cigana por dentro — olhos perdidos, piscada lenta, fatal, e um eterno sorriso no canto dos lábios. queria conhecer o desconhecido nos olhos de alguém.
As pessoas naturalmente tendem a desviar o olhar quando em contato com outras pessoas que não conhecem. Aquela moça parecia negar essa regra natural, seus olhos perfurando os dele com uma confusão intensa. Ele não emitiu nenhum som ao se apoiar com as duas mãos na mesa e erguer levemente seu corpo para a frente. Não falou nada. Não conseguiu pensar em nenhuma frase concreta.
— Eu... – Ela ergueu um papel que segurava em sua mão direita e se esticou olhando para a porta da sala, aparentemente constrangida. – Me desculpe, eu acho que me atrasei. – Um leve sorriso se formou no canto dos lábios dela, uma mistura sutil entre culpa e graça. – É aqui que estão fazendo os testes para a Miss Griffith?
se surpreendeu com a pergunta, mas sua expressão permaneceu friamente neutra. Ele piscou lentamente e olhou para os papéis abaixo de si.
— Por favor, entre. – Ergueu a mão, indicando que ela se sentisse à vontade. Seus olhos acompanhavam cada movimento dela, seus passos envergonhados, mas leves como o de uma atriz teatral. Sabia com toda certeza que ela atuava majoritariamente em teatros. Seus olhos confusos, maravilhados com o esplendor do ambiente e envergonhados pelo atraso.
Ela parou seus passos no canto da sala, onde deixou sua bolsa – uma mochila – e se aproximou mais do centro. Estava longe da mesa dele, o que confirmava sua percepção sobre ser uma atriz teatral. A garota em sua frente falava para públicos, não para câmeras. Era vista por pessoas, não filtrada por profissionais.
— Seu nome? – Ele cruzou as pernas, abrindo um pequeno bloco de anotações.
. .
— Miss Griffith, não é? – Ele ergueu os olhos de seu bloco para ela novamente. Assim que recebeu uma positiva, ajeitou seus papéis sobre sua mesa, pegando o roteiro de teste da personagem em questão e o colocou em mãos. olhou para seu próprio roteiro por alguns segundos. Ele deu um sinal para ela e ela se virou de costas.
fechou os olhos e sentiu o ar fresco do ar condicionado bater contra seu rosto. Ela respirou fundo e expirou, deixando que a personagem tomasse conta de si. Se virou novamente para ele, seus olhos baixos e cansados tomaram o ambiente.
Assim que abriu sua boca, se sentiu abraçado pela timidez e temor da personagem, seus suspiros dolorosos e os comentários lamuriosos que ela entoava perfeitamente em sua caixa acústica.
fechou os olhos por alguns segundos e ele pronunciou alguma frase que dava continuidade a sua cena. Sua personagem se transformava, se revelava. Ela ergueu os olhos para ele, agora ajoelhada no chão. Olhou para o teto, analisou suas formas, seus olhos quase se perdendo no topo de sua cabeça. Suas mãos se ergueram no formato do perdão que a personagem parecia implorar.
se apoiou em sua cadeira, seus olhos fixados no rosto dela. Incessantemente, por anos, procurara pela perfeita visão física de sua querida protagonista. Seu roteiro engenhoso, seu trabalho impecável e os diálogos perfeitamente posicionados eram uma obra prima de mais de cinco anos.
Após anos de buscas, sua idealização estava ali. Diante de seus olhos, ajoelhada, em carne e osso. era perfeita em todos os aspectos. Ela era a atriz que não precisava ser mudada. teve certeza de que Arcadia havia sido escrito sob medida para aquela mulher à sua frente, sua protagonista.
E, ainda assim, ela lhe chegara com uma timidez resguardada para o teste de um papel secundário.
respirou fundo uma última vez, terminando seu teste. Ela se ergueu novamente e apertou a garganta, tentando retomar seu tom de voz normal. Não a raspou. Posicionou suas mãos à frente do corpo e olhou para ele, abrindo um sorriso gentil, mas um pouco desistente.
— O quão interessada no papel você está, ? – ergueu as sobrancelhas. coçou a cabeça e deu de ombros.
— Eu acabei de sair dos teatros e acho que essa é a minha primeira tentativa de algo no cinema, então.... Muito? — Ela riu de leve, com um tom bem-humorado e gentil para quem já parecia ter desistido. permitiu um leve sorriso e assentiu brevemente. Ele passou a mão pelos lábios, analisando a página à sua frente mais uma vez.
— Isso é o seu currículo? – Ele perguntou, apontando com a cabeça para a mão dela, onde via o borrão de um currículo excêntrico em relação aos tradicionais que recebia. Ela certamente queria ter uma boa visão, imaginou. Ela assentiu positivamente e ergueu a mão. – Pode deixar comigo.
andou na direção dele e entregou a folha. Pousou as mãos na frente do corpo, aguardando por mais alguma indicação do que fazer, alternando seu peso entre um pé e outro, ansiosa.
— Eu ligo se precisarmos de você. – Disse simplesmente, enquanto afundava seus olhos na folha e, pela primeira vez, em algo que não fosse ela. mordeu o lábio, não conseguindo conter a leve reprovação, e assentiu, retornando o sorriso gentil ao rosto e indo até as cadeiras. Pegou sua mochila e foi em direção à porta.
— Tchau, senhor... – Ela olhou para o nome indicado na mesa dele. Não tinha percebido ainda, seu nervosismo não a permitiu. – ... A-. – congelou, assustada. franziu o cenho, intrigado. Ela piscou os olhos e saiu da sala, quase fugindo, e ele a acompanhou com uma expressão confusa.
Ele checou as informações no currículo. , vinte e um. Ela era atriz desde os oito, mas, propriamente dita, desde os treze. Atuou em vários comerciais e foi atriz de teatro desde então. Foi bailarina por alguns anos e deixou sua casa em Mahone Bay, na Nova Escócia, há dois anos em uma tentativa de entrar para a televisão. Seu antigo diretor deixou, ao fim, uma nota de recomendação. Apontava como uma estudante exemplar e uma atriz notória, com potencial para grandes filmes.
ajeitou o corpo, deixando que suas costas se recostassem na cadeira e pousou a caneta entre seus lábios, piscando lentamente. era a única atriz a entrar para a lista das desejadas para o papel, mas, ainda assim, para ele, aquela decisão era uma decisão difícil. Olhou para a foto dela mais uma vez. Inegavelmente, a garota era a perfeita representação de Penélope. Sua mente se negava a crer que, após mais de anos escrevendo o roteiro, em apenas um dia, uma única garota apareceria e o deixaria estarrecido com sua atuação.
Ela o deixou revoltado.
enfiou os papéis rejeitados na lixeira ao seu lado e pegou o único papel que lhe interessava por ali – – colocando-o em sua própria bolsa. Se levantou, apagando as luzes da sala e dando uma última olhada nas janelas que cobriam a parede de trás e lhe davam a perfeita vista da cidade. Bufou, irritado.
fechou os olhos, tombando a cabeça contra a porta da sala. Ela respirou fundo, encarando o estreito corredor à sua frente. Aquilo não podia ter acontecido com ela. Mas, ao mesmo tempo, aquilo só podia ter acontecido com ela – senhorita , a rainha das vergonhas.
Ela acendeu o interruptor. A luz iluminou toda a sala diminuta, mas confortável – as paredes azul turquesa contrastavam com seus móveis brancos minimalistas, o enorme sofá repleto de cobertores e almofadas e sua mesa de centro de vidro. Seus gatos mexiam as caudas completamente desinteressados na presença da dona.
— Não façam isso comigo. Não hoje! – Ela apontou para eles. – Nada de julgamentos!
Tirou seus sapatos, deixando-os no batente, e respirou fundo mais uma vez. Colocou as mãos na cintura tentando repassar tudo o que havia lhe acontecido. Primeiro, ela chegou atrasada. Três horas, no mínimo. Depois, ela se apresentou de uma forma que considerou péssima. E, por último, a cereja no topo do bolo: não foi capaz de reconhecer .
— Ah, não... – Afundou o rosto entre as mãos e se agachou no chão. Não sabia como continuaria depois de tamanha vergonha. Um de seus gatos desceu do sofá e se aninhou próximo a ela. – Alma, você não vai acreditar. A sua mãe é uma completa idiota. Você não vai acreditar! – Ela balançou a cabeça em desaprovação e respirou fundo, se levantando. Alma se esfregou em sua perna e refez seu caminho até o sofá.
olhou para a outra gata, completamente gorda e preguiçosa. Revirou os olhos e jogou suas chaves e sua mochila sobre a pequena mesa de canto que ficava no corredor de entrada, ligou a televisão e foi na direção da janela, a abrindo.
Pegou seu celular do bolso e se apoiou no parapeito. Fez algum esforço idiota para subir no mesmo e jogou seus pés para fora da janela.
— Você não está gritando e nem pulando, porque eu não consigo ouvir daqui de baixo. Não me diga que te recusaram. – Falou a voz do outro no telefone.
— Não me recusaram, mas eu duvido que vão me aceitar. – Ela fez um bico, embora Maisie não pudesse vê-la. – Você pode subir ou o otário está aí?
A campainha tocou. deu uma breve risada e desligou o celular, o jogando no sofá e pulando no chão com uma careta. Os pais de Maisie precisariam desculpá-la por aquilo. Correu até a porta e abriu para a amiga e vizinha de baixo.
O contraste entre as duas não podia ser maior. Maisie era alta, confiante e sempre tinha os lábios avermelhados. Nunca seguraria as mãos na frente do corpo como fazia ou conversaria com os próprios gatos, se sentindo culpada pelos próprios micos. Bom, Maisie nunca pagaria os micos que pagava. Ela entrou, se abaixando para cumprimentar Alma e Kim e, em seguida, se ergueu novamente para cumprimentar . Era a regra da casa: os gatos primeiro.
— Então... – Maisie começou e foi imediatamente em direção à cozinha. nunca falhava em ter guloseimas e era exatamente daquilo que precisavam.
— Então que eu cheguei atrasada. Não tinha ninguém na fila de espera e a recepcionista relutou horrores antes de me deixar entrar. – ergueu as sobrancelhas com uma expressão engraçada, se sentando em um dos bancos e apoiou os cotovelos na bancada.
— Primeira impressão, de desesperada, check. – Maisie brincou, fazendo uma lista mental e riscando os itens.
— Depois disso eu me apresentei que nem uma criança e fiquei nervosa demais pelo atraso. Pelo menos não fui repreendida por isso, mas, bem... – Deu de ombros. – Atuação ruim.
— Atuação ruim, check!
— Calma, fica pior. A cereja no topo do bolo, Maisie. Você não vai acreditar. – Ela tombou o rosto sobre a bancada e balançou negativamente a cabeça. – Eu já sabia que quem dirigia esse filme era o fucking , mas eu nunca, NUNCA imaginaria que ele escalaria o elenco figurante pessoalmente. – Balançou a cabeça. – Meu cérebro me abandonou, Maisie. Eu não reconheci o homem.
Maisie a olhou estática por alguns segundos e então começou a gargalhar. ergueu os ombros como se merecesse aquilo, com um sorriso derrotado no canto do rosto.
! – Ela fechou os olhos e riu mais um pouco. – Eu não acredito que.... Você nem, sei lá, perguntou o nome dele? Não passou pela sua cabeça?!
— Não, não passou. – Ela apoiou a cabeça na própria mão e torceu o lábio. – Eu estava concentrada demais em tentar dar uma boa impressão e... Bom, no final, aparentemente meu currículo vai ficar perdido no meio de muitos outros.
— O novinho que eu fiz para você?! – Maisie apoiou a mão na cintura e olhou para ela em reprovação. – Muito obrigada!
— No final das contas, continua sendo apenas uma mera atriz de teatros em meio a um mundo que supervaloriza Hollywood e não quer saber das plebes do cenário. Talvez eu consiga o papel de Julieta de novo? – Ela fez uma careta engraçada e gargalhou.
— Eu não vou ver você atuar a mesma peça com o mesmo diretor pelo terceiro ano consecutivo, . Sério. Você precisa mandar mais currículos e procurar outras produções! Eles querem novas atrizes, novos rostos! Tarantino não estava vindo com um filme novo? Você adora ele!
olhou para ela arqueando as sobrancelhas e gargalhou alto.
— Tarantino?! Você está brincando, né? Alô, Maisie, ele nunca me escalaria! Tarantino trabalha com elencos pesados e você sabe. Eu sou uma mixaria. – Brincou acompanhando com os olhos os braços da amiga que iam em direção à pequena adega. Maisie tirou uma garrafa de vinho qualquer dali e duas taças da enorme estante de .
— Você precisa beber e pensar melhor nisso tudo amanhã. Sim? – Ergueu as sobrancelhas. – Sempre soubemos que esse mundo era difícil, mas quem liga? É o que você quer fazer, então você definitivamente vai conseguir. Agora, por favor, vamos encher a cara e esquecer de como você é sua pior inimiga.
ergueu sua taça sem muito ânimo, mas com um sorriso no rosto. Não importava a situação, Maisie sempre a levantaria do chão.
Ela esperou que a amiga terminasse de fazer seu discurso de bêbada algumas horas depois. As duas se despediram com um beijo amigável no rosto e então fechou a porta. Bufou, sentindo seu corpo ainda mais pesado pela bebida; finalmente podia dizer que estava exausta.
Andou até a bancada da cozinha, removeu todas as taças e pratos de petiscos que contavam com alguns restos por ali, jogando-os no lixo e lançando os pratos na pia sem muita importância. Deixou seu celular largado pelo sofá em algum lugar e, sem nem tomar banho, se jogou em sua cama. Precisava descansar e renovar as energias, no dia seguinte teria tempo o suficiente para pensar no que faria dali em diante. Era sexta, o próximo dia seria um sábado e era uma das primeiras vezes na vida em que torcia para que o fim de semana acabasse logo.
O sábado havia sido o dia mais desinteressante de toda sua vida. Convidar Maisie para passar o dia em sua casa comendo besteiras não funcionou, a amiga havia combinado sair com seu namorado naquele dia. não entendia bem como poderia gostar dele, sendo um dos piores caras que já vira – bruto, chato e muito exigente. Era tudo o que Maisie não precisava em sua vida. Um homem mandão e machista? Aquilo era muito para a cabeça de .
Decidiu então aceitar a companhia de seus gatos, que insistiam em julgá-la mesmo sabendo que a dona precisava de amor e carinho naquele momento. Ainda pela manhã, saiu de casa ainda em seus pijamas – um roupão largo e pantufas enormes em seus pés, parecendo uma adolescente. Foi até uma loja de conveniência próxima e comprou alguns sacos de seus chips favoritos, um litro de refrigerante e alguns doces capazes de alegrar seu dia. Se deitou no sofá em frente à televisão e pareceu se contentar em ficar de molho ali o dia inteiro assistindo todos os documentários possíveis que passavam repetidamente no A&E.
Depois de tanto aprender sobre acumuladores compulsivos e os efeitos negativos de se ter um na família, observou o céu sumir pelo horizonte e decidiu que aquele realmente havia sido o dia mais chato de sua vida. Lotou Maisie de mensagens ainda pela noite, antes de tomar um bom banho e se deitar em sua cama. A amiga respondeu.

[19:32] 🌻: mocreia
[19:32] 🌻: vc pretende me abandonar o fds todo pra ficar com esse chatao aí?
[20:12] 🌻: amiga pelo amor de deus
[20:12] 🌻: mais 5 minutos nessa merda de a&e e minha alma sucumbirá ao tedio
[00:23] Maisie xuxu 💕: amiga im so sorry
[00:23] Maisie xuxu 💕: caleb acabou de sair, tava superando os limites da chatice hoje deu não
[00:24] Maisie xuxu 💕: desculpaaaaa ☹ posso passar ai amanha? A gente come aquele yakisoba de respeito e vc me perdoa por ser uma péssima amiga
[00:26] 🌻: vc paga bjs boa noite

deu algumas risadas e deixou seu celular de lado em sua mesa de cabeceira, finalmente sucumbindo ao sono que vinha sentindo durante todo o dia.
Acordou no domingo com um cheiro delicioso vindo da cozinha. Curiosa, coçou a cabeça e tombou o rosto, vendo um de seus gatos parados na porta de seu quarto que, estranhamente, estava aberta. Ela abriu um sorriso singelo e foi guiada pelo cheiro magnífico de comida recém feita até a cozinha. Já eram onze da manhã e lá estava Maisie, como prometido.
A mulher estava parada em frente ao fogão, o cheiro de vegetais frescos sendo refogados em um molho incrível de alho invadiram as narinas de . Ela fungou e fez uma expressão engraçada, quase sexual. Ouviu o barulho da panela fritando os vegetais quando Maisie os misturou em uma quantia generosa de macarrão.
se aproximou do fogão lambendo os lábios.
— Como prometido, aqui está seu yakisoba, bela adormecida. – Ela fez uma expressão engraçada e deu um sorriso generoso. abraçou a amiga por trás, imobilizando os braços dela.
— Ah, meu Deus, Maisie! Foi difícil sobreviver ao dia de ontem sem sua presença ilustre. – Fez um bico. – Principalmente sabendo que você estava ocupada com aquele bundão.
— Você sabe que eu não vou te xingar por falar assim dele, mas sabe que isso também não vai me fazer dar um pé na bunda dele. Se bem que ele tem merecido. – Deu de ombros, desligando o fogo. – Sabe do que ele me veio reclamar ontem?
— Seu vestido? Seu batom? Um simples sorriso agradável no seu rosto? – chutou, provocativa.
— Não. Ele implicou com meu amigo do trabalho. Sabe o Henry? – Ela gesticulava, tirando alguns pratos limpos do escorredor. – Então, eu expliquei um trilhão de vezes que ele é gay e acabou de se mudar pra cá, por isso ele colou em mim logo de cara. Caleb se recusa. Ele acha que é um super hétero tentando me enganar.
— Qual o problema em ter um amigo hétero? – coçou a cabeça. – Foda-se a orientação do seu amigo, Maisie! Alô, me erra! Mesmo que fosse hétero!
— Enfim... Falei com ele que não tinha com o que se preocupar e ele ficou lá, o resto do dia com aquela cara de bunda. – Ela entregava os pratos para que prontamente os ajeitava na mesa, deixando o espaço do meio para a panela do macarrão. – Aí eu fiz ele se mandar.
bufou um pouco frustrada. Não conseguia entender o que exatamente sustentava o relacionamento dos dois. Talvez Caleb fosse realmente bom na cama - ela sabia que aquilo era uma característica importante para Maisie. Talvez eles realmente se amassem, embora fossem um casal difícil de engolir. Pensou em seus antigos namorados, em como eles eram pouco relevantes na vida dela.
Pensava se alguém algum dia viria a ter tanta relevância em sua vida quanto Caleb na de Maisie ou vice-versa. Ela cortou sua linha de pensamento rapidamente, terminando de ajeitar a mesa e finalmente se sentando. A amiga se sentou logo do outro lado, posicionando a panela no meio de forma que ambas pudessem se servir à vontade.
— Você já decidiu pra que tipo de filme vai fazer testes agora? – Maisie se servia.
— Hm, não. Eu me dei o fim de semana de folga mesmo sabendo que eu só tô empurrando todas as minhas obrigações pro último segundo. – Deu de ombros, aceitando o pegador que agora a amiga a oferecia e começando a se servir. – Só sei que preciso de algo logo. Se precisar de mais um real do bolso dos meus pais, eu vou ter que ouvir por uma semana no mínimo…
— Você sabe que a gente não liga de emprestar, se precisar. – A morena protestou, se referindo a ela e Caleb. – É melhor do que correr pros seus pais e você pode me pagar quando estiver confortável.
— Sabe que eu sou muito grata, mas não posso aceitar. – Deu a primeira garfada, se encostando em sua cadeira e fechando os olhos. Soltou um “hmmmm” longo, causando algumas risadas em Maisie. – Realmente, um yakisoba de respeito!
— Porra, eu tô te falando! – Ela gargalhou, também comendo. – Mas ainda sobre o dinheiro, sério. Você pode aceitar sempre que precisar, . Não vai me dar problema nenhum.
— Obrigada. – Ela assentiu e desviou o assunto. – Acho que hoje está com cara de As Branquelas e mais um litrão de Pepsi. O que me diz?
— Leu minha mente, gata.
As duas continuaram a discutir sobre Maisie e Caleb quando o assunto voltou à tona e, quando finalmente terminaram de comer, deixaram seus pratos sobre a pia e foram direto para a sala. A morena conseguia deixar o dia de um pouco melhor com sua presença, cantando músicas idiotas e rindo de piadas ainda mais idiotas. Juntas, elas eram uma dupla completamente dinâmica. Não imaginavam mais a vida sem ter uma a outra como vizinha.
Maisie ficou ali até tarde e só pela noite, quando parecia estar realmente cansada e à ponto de cair no sono novamente, deixou o apartamento. A loira tomou uma ducha rápida e se jogou em sua cama, exausta. Deixou seu alarme para despertar às nove do dia seguinte, pois era um horário bom o suficiente para ter uma manhã produtiva, mas, ainda assim, ter um sono digno.
Suas preocupações e seu estresse ameaçaram dar as caras mais uma vez antes de cair no sono, mas foram empurrados para longe como se não tivessem relevância alguma. enfiou na cabeça que pensar naquilo àquela altura era inútil e, então, adormeceu como um bebê: sem preocupações ou necessidade alguma de trabalhar e produzir dinheiro para se sustentar.
Seus sonhos eram bons e claros, com muitos filhotes e um sol agradável em seu rosto. As boas sensações que tinha foram interrompidas bruscamente pelo toque irritante de seu celular. Ela franziu o cenho, furiosa. Olhou para o despertador ao lado da cama; ainda eram sete e meia, não fazia sentido. Tinha colocado o celular para despertar nove, não tinha? Ela tinha certeza.
Pegou o aparelho notando que, na verdade, alguém ligava para ela. Um número que ela não conhecia. Julgou ser algum telemarketing e tentou deixar de lado, mas a bondade de sua alma não deixaria que ela ignorasse um vendedor de telemarketing nem se quisesse. Bufou, completamente frustrada, e atendeu.
— Alô?
— Você não quer mais o papel, é isso? – Uma voz feminina soou ríspida do outro lado. franziu o cenho completamente confusa.
— Papel...? Que papel?
— Argh, meu Deus do céu. Por que é que o me faz passar por isso? – A voz bufou. – Com quem eu falo?
. – Piscou, se erguendo sentada na cama. ? O diretor? estava pedindo que ligassem para ela?
— Garota, você está atrasada. Já faz trinta minutos que meu chefe não para de tagarelar na minha cabeça porque quer iniciar as gravações. Dá pra você ou tá difícil?
— Gravações...? – arregalou os olhos, completamente maravilhada. Ela colocou a mão na boca. Tinha conseguido o papel? Tinha conseguido, finalmente, um papel em um filme? – Espera, isso é sobre o papel de Mrs. Griffith? Eu passei?! Porque, moça, se eu passei, ninguém me informou sobre isso e…
— Mrs. Griffith?! Garota, por favor, sem brincadeiras com a minha cara essa hora da manhã. Eu sou realmente pouco fã de acordar cedo. Escuta, arrasta sua bunda pra cá agora antes que eu vá aí te buscar, e eu falo sério. – Ela soou ainda mais brava e pôde ouvi-la resmungar baixo do outro lado. – Mrs. Griffith, até parece... Por que toda garota que ele escala para protagonista é tonta desse jeito?!
arregalou ainda mais seus olhos e continuou imóvel. A mulher do outro lado resmungou rapidamente o endereço e desligou, e sequer o som da linha em espera a fez acordar de seus devaneios. Ela havia sido escalada por , realmente, para o papel de protagonista. Devia haver algo errado naquilo, tinha certeza de que sim. Fizera o teste para Mrs. Griffith e acreditava fielmente que aquele era o máximo que podia ter conseguido. Seu coração se acelerou com a remota possibilidade, mas só a notícia de ter um emprego que salvaria sua pele já parecia o suficiente. Ela suspirou e se levantou, eufórica, indo se arrumar. Afinal, ela precisava ir para o set – o mais rápido possível, antes que a tal mulher a viesse buscar.

Capítulo 2


passou os quarenta minutos do trajeto entre sua casa e o local indicado pela tal mulher no telefone pesquisando, de forma medíocre, sobre no Google. Por mais estúpida que tivesse sido no dia de seu teste, não o reconhecendo, era óbvio que ela sabia quem era o diretor. Não devia existir uma pessoa no mundo que gostasse de filmes e não tivesse visto algo dele ou ao menos ouvido falar em seu nome. Ainda assim, queria estar preparada para o que poderia vir a seguir.
é um diretor de cinema, roteirista e produtor britânico. Seus três longas-metragens e um documentário já arrecadaram o equivalente a mais de 2,8 bilhões de dólares em todo o mundo, fazendo do diretor um dos mais bem-sucedidos de Hollywood. É, também, o mais jovem diretor a receber indicações ao Oscar. Com 27 anos, coleciona duas indicações de Melhor Diretor e uma indicação de Melhor Documentário. É neto de Edward , um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos”. Com um bolo na garganta, ela desistiu do Wikipedia e desceu a tela em seu celular, se deparando com algumas notícias. “Com a colaboração de no roteiro, The Lady in Red é a maior vencedora do Emmy deste ano”; “Morgana Evans: a atriz fala sobre a experiência de trabalhar com ”; “Entenda como se tornou o jovem diretor mais importante do século e como suas obras podem mudar o futuro do cinema”. encarou a foto de por alguns segundos. Ele era obviamente muito bonito, mas sempre aparentava uma seriedade absurda para alguém de 27 anos. Não achou nenhuma foto do homem de cabelos castanhos claros sorrindo e isso não era algo positivo ao seu ver, então bloqueou o aparelho, sentindo o estômago embrulhar. Aquilo era demais para ela.
— Senhorita? – Ela se assustou, olhando para o taxista que a chamava. – Seu nome, por favor.
Ela olhou ao redor, confusa. Estavam na portaria de um lugar que reconheceu, com um guarda a encarando impaciente de dentro de uma guarita. Era a entrada de um dos famosos complexos de estúdios de Los Angeles, em Burbank, um que ela havia visitado anos atrás quando se mudou para a cidade e decidiu passar por todas as experiências de turista possíveis. Ela deu uma risada desacreditada. Ridículo, aquilo era ridículo.
.
esperou que o guarda fosse dizer que ela não podia entrar, mas ele liberou a entrada e orientou onde o carro deveria ir. Estúdio sete.
Ela observou os galpões enormes passarem pela janela até que o carro parou na entrada de um deles, onde saltou do táxi com as pernas tremendo, rezando para não cair dura ali mesmo. Por favor, que não tivesse sido um engano. Ela não saberia lidar com a decepção.
Sem saber o que fazer ou onde entrar, ela alisou seu vestido vermelho de bolinhas brancas, nervosa. Ela considerava que o modelo envelope era elegante o suficiente para a ocasião, mas a barra de babados um pouco acima do joelho e as mangas longas a deixavam um pouquinho divertida. Bom, foi o melhor que ela conseguiu fazer nos quinze minutos que teve para se arrumar correndo e quase saiu de casa descalça, mas voltou para pegar seu par de All Star brancos, que calçou no táxi. As pessoas que passavam por ela pareciam importantes demais, bem vestidas demais, e ela ajeitou os cabelos loiros, tentando parecer menos infantil e mais responsável. Puta merda, ela parecia uma adolescente?! Devia pelo menos ter deixado a mochila e escolhido uma das bolsas de Maisie, ou então...
A porta do galpão se abriu e ela se virou, um pouco assustada quando uma mão agarrou seu pulso.
— Finalmente! Eu quero te matar! Como é que você me atrasa desse jeito hoje, criatura?! – A mulher que a segurava berrou enquanto a puxava pelo braço para dentro do local, as duas caminhando por um longo corredor.
se engasgou e reconheceu a mulher como aquela que ligara mais cedo.
— E-e-eu não sabia, moça. Fiquei sabendo quando você me ligou, eu não fazia ideia... e na verdade eu ainda não sei muito bem o que está acontecendo. – Ela revelou. A mulher parou e respirou fundo, fechando os olhos como se meditasse. Ela era ruiva, o rosto cheio de pequenas sardas e, quando encarou novamente, ela pode ver os olhos verdes praticamente pegando fogo.
é um idiota e eu não recebo o suficiente para passar por isso. Querida, sinto muito, mas não temos tempo para explicações. Parabéns pelo papel ou meus pêsames, você decide. – Ela entregou um grosso maço de papéis para , deu uma batidinha em uma porta que estava fechada e, depois de alguns segundos, a abriu. – Com licença, a senhorita chegou.
A mulher deu espaço e tomou coragem, entrando na sala.
Ela congelou.
Nunca, jamais, ela imaginou que fosse se deparar com a cena que via.
Em uma mesa gigante, alguns dos atores e atrizes mais famosos de Hollywood a fitavam. Emmanuel L. Jacob, Michael James, Scarlett Haymitch, Violet Davis e Zoë Fox. tinha certeza de que pelo menos cinco daquele grupo tinha no mínimo um Oscar para chamar de seu. Nas outras cadeiras, uns cinco atores que ela já tinha visto em outras produções. Era impossível, simplesmente impossível, que ela fosse protagonista de qualquer coisa no meio de um elenco como aquele. Ela também notou rostos desconhecidos, mas que mesmo assim pareciam tão importantes quanto qualquer outro naquela sala. Ela se sentiu completamente deslocada e precisou se controlar para não sair correndo. chutou ter mais ou menos umas trinta pessoas naquela mesa, sem contar as outras que estavam em pé pelos cantos.
Na ponta da mesa, estava ele. Com uma feição inexpressiva, a encarava de uma forma que a fez se sentir mais intimidada do que jamais estivera em toda sua vida. Não estava sentado, mas sim apoiado na mesa.
— Obrigado, Margot. – A voz dele a tirou do transe e a secretária ao lado de assentiu com a cabeça, fechando a porta atrás dela. apontou para uma cadeira vaga entre Michael James e Zoë Fox. – Sente-se, .
ignorou as pernas bambas como gelatina e andou até a cadeira, dando um sorriso envergonhado ao se sentar, tentando parecer menos idiota com a mochila de couro no colo, os papéis entregues por Margot agora sobre a mesa. Por Deus, o que é que ela estava fazendo ali?
ajeitou a postura e, ainda fitando , anunciou:
— Apresento a vocês , a Penélope Poussini.
Enquanto ouvia palmas e até alguns gritinhos de animação, congelou ao ouvir o nome. Penélope Poussini? Quem diabos era Penélope Poussuini?! No roteiro do teste de Miss Griffith não tinha nada sobre Penélope alguma.
— Uau, finalmente! Eu estava morrendo de curiosidade para conhecer a minha amada musa. – Michael James brincou ao lado dela, abrindo um sorriso charmoso que ela tentou corresponder da melhor forma possível. Era difícil assimilar que o sorriso do homem mais sexy do ano eleito pela revista People estava sendo direcionado à ela.
— Eu... também estava ansiosa. – Ela resolveu falar, por educação e porque não tinha realmente nada melhor para responder. Não fazia a mínima ideia do que o homem queria dizer.
Do outro lado da sala, um rapaz alto, de cabelos loiros na altura dos ombros, que estava encostado na parede com os braços cruzados, gargalhou, chamando a atenção de todos.
— Você não faz ideia do que está acontecendo, faz? – Ele perguntou como se tivesse acabado de ler a mente dela, a voz com um sotaque carregado e as sobrancelhas arqueadas, parecendo se divertir muito com a confusão de , o que a deixou bastante aborrecida.
Não é porque estava visivelmente perdida que ela precisava que ressaltassem isso para todos.
sentiu as bochechas corarem quando alguns deram risadinhas e tomou coragem para falar novamente.
— Bom... na verdade eu só soube disso tudo uns... cinquenta minutos atrás, me desculpe... – Ela mordeu o lábio para conter o nervosismo, se odiando por ser tão boba a ponto de pedir desculpas por algo que ela realmente não tinha culpa.
O rapaz deu uma outra risada, balançando a cabeça, mas não disse mais nada. Do seu outro lado, Zoë Fox sorriu para ela.
— Você deu sorte. Da última vez que trabalhei com , só descobri que tinha sido escalada quando cheguei no set para o primeiro dia de filmagens. – A morena piscou para a garota, que sorriu em agradecimento enquanto os outros riam.
— Muito bem. – chamou a atenção de todos, o olhar quase cirúrgico e que não refletia em nada o clima descontraído de segundos atrás. Ele se sentou na cadeira posicionada na cabeceira da mesa. – Acredito que eu esteja em contato com a maioria de vocês há mais de um ano para esse projeto e que todos já estejam familiarizados com o roteiro. Antes de tudo, agradeço novamente por fazerem parte dessa história. Será uma honra dirigi-los, alguns novamente e outros pela primeira vez, no filme que possivelmente é o maior de toda a minha carreira.
— Até o momento. – Emmanuel L. Jackson, um ator com mais de trinta anos de carreira e sabe-se lá quantos prêmios, brincou com o diretor, um sorriso gentil nos lábios.
balançou a cabeça, mas se permitiu um breve sorriso.
— Esperamos que sim, Emmanuel. De qualquer modo, Arcadia é fruto de muito trabalho, passei os últimos seis anos aprimorando essa história para que um dia tudo estivesse perfeito e todos os elementos se encaixassem. – O olhar de encontrou o de tão rapidamente que ela se perguntou se não estava alucinando.
— E é exatamente por isso que todos nós temos a certeza de que ninguém chegará ao fim desse filme cem por cento são. – Brincou o mesmo rapaz loiro de antes e reparou que o estilo dele se destacava visivelmente de todos naquela sala, um dos braços todo tatuado e brincos nas orelhas. revirou os olhos, mas os outros riram. não sabia se deveria rir também.
— Obrigado, Thomas. Bom, vamos começar então nossa primeira leitura. – Ele pegou um bolo de papéis sobre a mesa, que reparou ser igual ao que ela recebeu. Nervosa, ela puxou o maço e leu o título. “A Musa de Arcadia, escrito e dirigido por ”. Seu dedo passeou pelas letras enquanto ela absorvia aquela informação. Aquilo na sua frente era o roteiro do filme, o roteiro de verdade, oficial, completo. E aquele que estava na ponta da mesa era mesmo . Todas aquelas pessoas eram reais, ele não estava alucinando. Ela sentiu uma gota de suor descer gelada por sua nuca até suas costas.
— Vamos começar com a página setenta e quatro. – anunciou e folheou rapidamente as páginas, reconhecendo de cara que aquela era a cena que ela testara anteriormente. – Zoë, Michael, por favor.
Zoë iniciou e arregalou os olhos. Zoë Fox seria Miss Griffith. Ela ouviu a atriz declamar as mesmas falas que ela mesma proferira dias atrás, porém agora em um diálogo com Michael James, os dois tomados pelos personagens que interpretariam. continuava a fazer a leitura das ações e mudanças de cena da mesma forma que fizera com ela, e tentava absorver o máximo de informações que aquelas falas passavam. Assim como ela mesma fizera, Zoë implorava pelo perdão de Michael, ou melhor, Miss Griffith implorava pelo perdão de Dominic Azan, tentando se justificar.
A primeira menção ao personagem Penélope fez se ajeitar na cadeira. Miss Griffith havia acusado Penélope de traição e o príncipe a condenava por isso, defendendo sua amada de forma calorosa e irredutível.
A garota percebeu, ao ler rapidamente como Penélope deveria reagir daqui alguns momentos, pelo tom de voz e pela expressão que ela deveria assumir, que sua personagem talvez não merecesse aquela defesa. Algo lhe dizia que Penélope, talvez, fosse culpada por todos aqueles minuciosos crimes descritos por Miss Griffith, e, quem sabe, por outros mais. Imersa em suas próprias percepções enquanto passava os olhos pelo resto da página, não conseguiu conter um pequeno sorriso espontâneo quando notou que tinha elaborado perfeitamente o roteiro daquele filme; não que fosse qualquer surpresa para ela, mas ver a obra de um artista se desenrolando em sua frente, com seu criador assistindo tudo, era estrondoso para uma atriz de quinta – como ela jurava que era.
Ergueu seus olhos ainda tímida para Michael. Ele segurou sua mão. Na cena em questão, os personagens estavam sentados em uma mesa, dispostos quase como estavam ali. Miss Griffith puxava um dos braços de Penélope e a acusava, mas, do outro lado, Dominic segurava o outro braço da garota de forma defensiva. Sua fala estava se aproximando e ela sabia que deveria agir. Já tinha feito aquilo centenas de vezes; ela vinha do teatro e aquelas pessoas ao seu redor não eram nada além de seu público. É a mesma coisa, , está tudo bem, ela repetiu para si mesma mentalmente. contou até três, enchendo o peito de uma coragem que ela nem sabia que tinha, respirou fundo e se levantou da cadeira. Era agora ou nunca. Sua chance de provar que talvez não estivesse louco por colocá-la ali.
— Parem agora mesmo! – Ela gritou, como o roteiro pedia. Todos os olhos da mesa se viraram para ela, focados, e houve um silêncio instantâneo. As expectativas pareciam altas, e era o único deles a carregar uma expressão neutra. Este é seu palco, . Você consegue. Ela continuou. – No que te diz respeito, não creio que te possa esclarecer mais! Sou uma dama íntegra, digna, assim como você. Uma mulher desde o início dos pés à ponta do último fio de cabelo! Apaixonada, sim, mas fervorosamente intacta no âmago. E se me permite dizer, no que não te diz respeito, não creio que deva te esclarecer mais do que lhe é explícito!
— Pois não o permitirei! – Zoë ergueu seu tom de voz, se levantando. A mesa não pareceu tão chocada por vê-la gritar quanto pareceu por ver erguendo o tom de voz. A mulher, encarnando Mrs. Griffith, continuou a falar rapidamente enquanto checava o roteiro regularmente. – És demasiadamente dissimulada para formares um bom para o príncipe, e isto não podes negar! Não podes estar sério ao dizer que essa é sua escolha, Dominic! Escolher essa bruxa dissimulada e vil... Em nada me surpreenderia que já tenha estado na cama de todos os outros homens deste reino!
— Não ouse! – O tom de voz de mudou. Seu rosto cheio de ódio, sua expressão carregada de fúria e sua postura atacante se desmancharam. As sobrancelhas se ergueram tristes, ela soltou um grande suspiro decepcionado e fechou os olhos. Lágrimas começaram a descer por seus olhos, sua postura completamente vitimista encheu os atores presentes na sala com um frio crescente na barriga.
Nostalgia. Era quase como se ela se parecesse com alguém que conheciam, alguma artista extremamente famosa e talentosa – mas não. era natural, ela era espontânea. Ela não era parecida com alguma artista famosa, mas ela era uma. Todos podiam notar aquilo com clareza agora. também podia sentir isso, um estranho calor correndo por todo seu corpo como nunca sentira antes.
Ela se jogou em sua cadeira, desistente. Havia uma garrafa d’água para cada integrante da mesa, incluindo ela. pegou a sua, fingindo ser a bolsa que a personagem usava na cena que interpretava. Dando mais uma rápida conferida no roteiro, virou-se para Michael.
— Sinto, meu amor. Talvez realmente não possa estar junto a ti, mas sabe que meu amor é e sempre será teu. – passou a mão carinhosamente pelo rosto de Michael. O homem segurou sua mão com uma expressão triste e a observou enquanto ela o soltava lentamente. leu a narração na cena e Penélope fez seu caminho até a porta da estalagem onde estavam na cena, que ali era apenas uma mímica no ar e se afastando alguns centímetros de Michael, ainda em sua cadeira.
— Vês? O que fizeste?! – Ele se virou para Zoë, furioso.
continuou a narração.
Dominc deixa a estalagem logo atrás de Penélope. A musa o espera do lado de fora, observando a luz do luar e o céu estrelado que tanto gosta.
Penélope vira-se para ele assim que ouve os passos do homem chegando. Um sorriso triste se abre no rosto dela quando, sem falar nada, Dominic se ajoelha à sua frente. O homem a abraça pela cintura, arrastando seus pés pelo chão. Penélope fecha os olhos e, assim que Dominic afunda seu rosto no vestido completamente arrasado da mulher, ela abre um sorriso de canto e seu olhar dissimulado se revela.
Os olhos quase fechados pareciam vazios e tombou levemente o rosto, olhando na direção da mesa. Não capturou o olhar de nenhum dos atores, que demonstravam uma surpresa tão grande que era quase ofensiva, mas capturou o do diretor.
Havia algo nos olhos de que se assemelhava ao sentimento de Penélope naquele momento. Ele parecia perigoso, quase beirava a psicose. Seu sorriso podia ditar que ela saísse do local naquele mesmo instante ou podia significar sua passagem para dentro do set. O homem parecia um exímio artista. Seus olhos estavam perdidos nos dela, sua cadeira estava virada na direção da garota. Repousava uma das pernas sobre o joelho da outra, sua mão circulava um copo com alguma bebida sobre a mesa. sentiu como se todas as luzes fossem desligadas, mas um holofote enorme garantisse que ela pudesse enxergá-lo. O diretor, o maior artista daquela história. lambeu os lábios e fechou os olhos, quase como se quisesse sentir verdadeiramente aquela cena.
— O amarei até a última batida de seu coração. – Ela disse, mesmo sabendo que aquela frase estava fora do roteiro, porque simplesmente sabia que era algo que Penélope diria. Ela conseguia sentir a força da personagem dentro de si. Michael ergueu seus olhos de Dominic para sua musa e ela segurou o rosto dele, com um sorriso de canto.
A cena acabou, mas o silêncio continuou na sala. deu um suspiro, exausta, como se a atuação lhe tivesse custado toda a pouca energia vital que tinha naquela manhã, o que era exatamente o caso. Ela fechou os olhos e abriu um sorriso para Michael, que a envolvia com o braço.
Todos começaram a bater palmas. Enquanto os sons ecoavam pelo galpão, ela pôde ver que não movia um músculo sequer. Ele ainda bebericava de seu copo, mas os olhos estavam focados nos dela. Viu a garganta dele se movimentar enquanto engolia o líquido e, então, sua mão colocar o copo sobre a mesa. Ele lambeu os lábios novamente.
Os olhos de passaram dela para Michael em questão de segundos. O rapaz cochichava algo engraçado para , que riu como se estivesse aliviada, e pareceu ter notado aquilo. Sua expressão neutra não denunciava o que ele realmente pensava, mas Thomas, do outro lado da sala, podia dizer que nada bom.
, pessoalmente, estava calado. Ele não podia opinar tanto sobre a atuação, mas podia opinar sobre a inspiração que aquela garota lhe causou. A atuação de lhe trouxe milhares de arranjos na cabeça, notas musicais que se esvaíam por todo seu corpo. Ele queria tocar. Tinha um bloco em mãos e anotava algumas coisas – qualquer um que pegasse não compreenderia uma palavra sequer. Para ele, elas faziam sentido e era só isso que importava. Ele tinha o começo de uma música em mãos, o tema de Penélope. Algo fúnebre e ao mesmo tempo doce, algo triste e ao mesmo tempo vil. Precisava de quatro arcos diferentes para essa personagem e tinha toda a inspiração que precisava bem em sua frente. . Penélope. Ela era, de fato, Penélope. havia acertado.
— Ok, uau! Isso foi uau! – Zoë praticamente gritou ao lado de , trazendo a garota de volta para o mundo real.
Agora, com todos a encarando com satisfação, e não mais como se ela fosse um objeto de análise, ela podia respirar um pouco mais aliviada. mal conseguia acreditar no que tinha acabado de fazer, mas, honestamente, estava muito orgulhosa de si mesma. Ela sorriu para Zoë.
— Obrigada, eu acho. – Ela riu, dando de ombros timidamente.
— Você vai longe, querida. – Violet Davis sorriu para ela, do outro lado da mesa, e se segurou para não sair aos pulos pela sala.
— Muito obrigada, de verdade. Significa muito. – Ela respondeu, emocionada.
— Não que eu duvide de você, , mas você realmente estava falando a verdade quando disse que esse será o maior filme da sua carreira. – Scarlett Haymitch se pronunciou, o lábio vermelho curvado em uma genuína satisfação.
arqueou uma sobrancelha, aparentemente bem-humorado.
— É muito bom saber que você já pensa isso, Scarlett, pois ainda temos mais duas horas de leitura pela frente e seria terrível se você passasse esse tempo todo achando que o filme será um desastre.
se surpreendeu com a capacidade do diretor de fazer uma brincadeira e arrancar risadas das pessoas na sala, mas não conseguiu pensar em mais nada antes de ordenar que abrissem em mais uma página.
abriu um sorriso quando Zoë comentou, aos sussurros, algo sobre a cara engraçada e mal-humorada de Margot, que conversava com agora que a extensa leitura havia acabado e todos estavam finalmente comendo e conversando, descontraídos. Ela observou o diretor brevemente, guardando em seu cérebro a promessa de tentar decifrar mais tarde se a expressão vazia do homem significava que ele aprovava ou não seu trabalho. Bom, ela não havia sido expulsa por ele, o que devia ser um bom sinal. Os outros também pareciam ter gostado de sua atuação ao longo da leitura e ela precisava se parabenizar por ter conseguindo conduzir tão bem uma personagem que havia acabado de conhecer. Com certeza aquele tinha sido o maior desafio de sua vida e ela…
— Tem um minuto, ? – A voz de a surpreendeu, calmo e cortês, tirando-a de seus devaneios.
, por favor. É claro. – Ela sorriu, gentil, apesar do nervosismo que cresceu dentro dela. Ele ergueu uma das mãos, indicando o caminho para onde esperava que ela seguisse. Ela pediu licença para Zoë, que sorriu e foi em busca de algo para comer.
Os dois caminharam até um canto mais reservado da enorme sala.
— Então… Isso tudo ainda meio que parece um sonho pra mim. – Ela não se conteve em comentar, sorrindo. – Eu realmente não sei como te agradecer.
— Não agradeça. – Ele esboçou um sorriso quase invisível. – Você está aqui por mérito, . Mérito todo seu.
! – Ela ainda mantinha o sorriso gentil. – Quando a minha mãe diz “" com todas as palavras, geralmente significa que está muito brava comigo.
— Bom, eu definitivamente não estou. – Ele riu e supôs que era uma risada social; ela não conseguia ver a risada refletindo em seus olhos. Na verdade, não conseguia ver nada refletido nos olhos do diretor. – Você foi realmente muito bem. Quero dizer, tanto no teste quanto aqui. Todos estão surpresos.
— Obrigada. – Ela se resumiu a um agradecimento, agora pouco confiante diante do olhar indecifrável dele. – Eu realmente ainda não sei o que falar... Quero dizer, você me escalou para a Penélope. Não que eu não esteja grata, acredite, eu poderia morrer de gratidão agora mesmo, mas é que… Bom, não entendo – Ela soltou, confusa e tagarela.
sorriu e finalmente viu algum traço de diversão passar por ele. Ele achou muitíssimo fofa a forma como ela mexia nas mechas soltas dos cabelos quando estava envergonhada. Foi perspicaz ao notar o segundo em que ela abaixou a cabeça e pareceu sorrir mais uma vez. Estava completamente exultante, mesmo que ainda duvidasse de si mesma, e isso era visível para qualquer um que olhasse para ela.
— Uma responsabilidade e tanto pra você, . – Ele cruzou os braços e se apoiou atrás de si. – Não tenho a menor dúvida do seu potencial. Você tem?
perdeu a fala. Ela olhou para ele, os olhos um pouco arregalados. Não esperava aquela pergunta.
— Eu não sei. Eu…
— Vai precisar ser mais confiante do que isso para a Penélope, . – tombou a cabeça, a observando por cima. A diferença de altura entre eles a incomodou um pouco naquele momento. Não gostava que a medissem de cima, principalmente uma pessoa que estava exigindo dela auto-confiança.
— Eu posso perguntar o que fez você me enxergar como ela? Digo... – apoiou a lateral do corpo na parede também. – Não somos parecidas, na minha opinião. Embora seja bem rasa, já que é a primeira vez em que eu li o seu roteiro.
— Foram os olhos. Olhos de Penélope, . Você os tem.
— Eu fui a única a aparecer aqui com "olhos de Penélope"? – Ela perguntou, com um tom de voz que ele considerou provocante. Um sorriso no canto de sua boca indicava uma acidez bem-humorada e ele gostou daquilo.
— Você foi a única a conseguir usá-los para me convencer. Você não queria, mas sua suposta prepotência me chamou a atenção. – deu de ombros – Não acreditava que conseguiria um papel coadjuvante, mas teve a ousadia de vir aqui tentar. Não sabia o meu nome e não chegou na hora... Acredite, , você e Penélope são muito parecidas.
ergueu as sobrancelhas e fez uma careta engraçada, enquanto batia palmas dramáticas e lentas para a fala do diretor, se sentindo subitamente mais à vontade na presença dele.
— Nossa. Depois desse sermão, pode ter certeza de que o seu nome eu não vou esquecer. – Ela respondeu e ele riu de leve, comprovando que a garota realmente tinha um humor curiosamente ácido onde a principal vítima era ela mesma.
— Também não se esqueça do horário. Começamos às sete e, quando formos começar mais tarde, ou com tomadas noturnas, Margot vai avisar. Ela deve enviar seu cronograma hoje mesmo, para você ver também as datas onde as filmagens acontecem em outros lugares. Já conversaram sobre um e-mail profissional? Suponho que que você não tenha um.
— E, mais uma vez, está correto. – Ela fez uma careta, culpada. – Eu não tenho, mas vou falar com ela sobre.
— É extremamente importante para manter o sigilo sobre as informações do filme. Você pode pegar o roteiro completo com ela e começar a ensaiar suas falas, as gravações começam na próxima semana. Você também pode pegar meu número. – Ele tirou o celular do bolso e , instintivamente, tirou o próprio de dentro da mochila. – Qualquer dúvida, eu posso esclarecer melhor. A qualquer hora do dia.
— Mais um insone na minha vida? – Ela resmungou brincalhona, enquanto digitava o número dele em seu celular.
— O seu namorado é insone, ? – ergueu as sobrancelhas.
não sabia se detectava perspicácia ou ironia ali, mas havia alguma coisa que a fez corar. Se soubesse o quão patética era sua vida amorosa, teria pena de perguntar algo assim e se arrependeria de escalá-la para um papel tão passional como Penélope.
— Saberia te responder se eu tivesse um. – Ela fez um biquinho engraçado em meio a uma careta. a analisou, curioso, e ela percebeu, mas ignorou para evitar corar ainda mais. – Pronto. Salvo!
— Ótimo. E eu falo sério: a qualquer hora do dia. – Ele guardou seu próprio celular depois de salvar o número dela. – Posso esclarecer mais alguma insegurança sobre o papel? – Ele brincou, mas a brincadeira parecia carregar uma porção avantajada de verdade.
— Eu realmente não sei se sou apta para isso, mas, de verdade e sem garantia de que será a última vez, muito obrigada. Você não faz mesmo ideia do quão importante é ter conseguido esse papel. – disse, sincera.
— Não me agradeça, . E mais uma vez: seja a Penélope. Se duvidar do seu potencial e me decepcionar entregando uma performance medíocre, eu certamente vou precisar mandar matar você. – Mais uma vez, dizia uma verdade mascarada, muito mal, por uma brincadeira. sentiu o impacto das palavras dele como se fossem uma crítica duríssima. Ela refletiu, lembrando de quantas vezes ouvira durante o dia que aquele era simplesmente maior o filme da vida daquele homem. Ela tinha certeza de que, se tivesse alguma dúvida, a atenderia no meio da madrugada para explicar por horas a fio o que quer que fosse, tudo para evitar qualquer estrago em sua obra. Não teria espaço para ser maleável, ela precisaria ser perfeita e nada menos do que isso.
Ela assentiu, um sorriso sério no rosto.
— Estou trabalhando nisso.
— Não se preocupe. Você é a minha musa, afinal. – Ele piscou para ela e ela se desconcertou por alguns segundos com a atitude inesperada. – Seja você e será a Penélope.
Ela sorriu abertamente e então Margot interrompeu o momento, pedindo algo a , que logo se ocupou. se sentiu desconfortável em continuar ali e decidiu voltar até Zoë, a atriz que agora atacava a mesa de doces, com quem esperava continuar a conversa de antes.
Depois de mais alguns minutos de conversa com a atriz e outros integrantes do elenco, a próxima pessoa a requisitá-la foi a própria Margot. esteve atenta à conversa da secretária com do outro lado da sala, já que o indicador dele não parava de apontá-la em meio aos outros. Ela viu Margot assentir uma última vez e então se virou para o grupo onde ela estava. Acenou para ela abertamente, o que estranhou, abotoou seu terno e deu meia volta, sumindo pelo set.
Ela não teve tempo para acenar de volta, mas deixou bem claro que o viu. Então, Margot se virou para ela e veio em sua direção. vinha preparando frases para puxar uma conversa com a mulher desde que a vira conversar com o diretor, mas, para sua surpresa, foi atropelada antes mesmo de poder começar.
— Olá, “Musa de Arcadia”. – Margot disse com uma expressão sarcástica. – A vossa senhoria tem um minuto? Argh, sério. O é insuportável.
raspou a garganta. Margot arqueou as sobrancelhas. Ah, se visse isso...
— Oi, Margot. – comprimiu os lábios. – É claro, eu tenho. Ele disse mesmo que nós precisaríamos conversar… Escuta, eu não entendo tanto sobre...
foi interrompida mais uma vez.
— Não, nananinanão. Nós conversaremos no meu escritório, aqui nem pensar. Não aguento mais um minuto trancada nesse lugar. – Margot ralhou e, então, deu as costas para . Seu indicador foi para trás em um gesto convidativo e a seguiu por alguns minutos até o outro bloco do complexo de estúdios, onde um prédio enorme se estendia à frente das duas. Margot passou o próprio cartão de acesso duas vezes e deu uma pequena risada da cara que fez.
— Logo terá o seu, não se preocupe.
Aquilo confortou de alguma forma.
As duas subiram pelo elevador até o décimo quarto andar e assim que as portas se abriram, um luxuoso hall com grandes janelas espelhadas e muitos itens de figurino foi o primeiro ambiente que os olhos de viram. Margot bufou.
— Desculpe pela bagunça. Mudamos de figurinista recentemente e a nova ainda está se ajeitando, vou ter que conviver com isso aqui até as provas das roupas acabarem. – Ela balançou a cabeça em negação. – Como você pode imaginar, é óbvio que foi o meu andar que o emprestou pra ela… deixar essas tralhas.
— São lindos… – , maravilhada, passava as mãos por um dos vestidos em um cabideiro. Tinha um tecido vibrante que ela nunca tinha visto na vida, verde com tons azulados. Margot a encarou de cima a baixo.
— É. Lindos. Que seja. – Seu tom mal humorado habitual murchou , que voltou a segui-la sem falar mais nada. As duas entraram em uma das portas por ali. O escritório de Margot era como descreveria a própria dona do lugar: moderno, organizado e metódico. Limpo. Não havia nenhuma poluição visual ali, era tudo extremamente bem decorado. Porém, muitíssimo sem graça. Poderia acrescentar alguma cor ali e assim o consideraria perfeito. Ou, quem sabe, algumas fotos de seus gatos e algumas almofadas...
— Eu preciso do contato do seu empresário, . Tudo isso aqui precisa ser visto por ele e por um advogado. – Margot deu uma batidinha em uma pilha de papéis que estava sobre uma mesa e puxou de volta para o mundo real, se sentando em uma cadeira em frente ao computador e indicando para a cadeira do lado oposto.
A cabeça de girou enquanto ela se acomodava.
— Empresário? – Ela questionou, pateticamente.
Margot respirou fundo.
— Estou supondo que você tenha um, , se não eu realmente vou precisar sair daqui direto para um retiro no Tibet. – Ela grunhiu.
passou a mão pelos cabelos, frustrada. Ainda não tinha absorvido tudo o que acabara de acontecer e ainda tinha mais isso. Era óbvio que ela precisaria de um empresário, mas a ideia era absurdamente cômica.
— Bom, eu tenho a Helga.
Margot arqueou as sobrancelhas ruivas.
— Helga?
— Quando eu cheguei aqui ela me ajudava a conseguir alguns papéis no teatro.
— Estamos falando de Broadway ou de você figurando como árvore em Sonhos de Uma Noite de Verão?
sentiu as bochechas corarem, mas deu uma risadinha.
— Julieta, na verdade.
Margot grunhiu.
— Você confia nela para te empresariar pra valer, garota?
— Na verdade, não. – mordeu o lábio. – Ela costumava ficar com sessenta por cento do meu pagamento.
— Maravilhoso, perfeito! – Margot se exaltou, jogando as mãos para o alto, e se encolheu.
— Obrigado, Margot, mas não precisa gritar dessa forma toda vez que você me ver. Eu sei que sou tudo isso. – Uma voz anunciou atrás de , a assustando.
Ela se virou e encarou o rapaz loiro da sala. Thomas, era esse o nome. Ele tinha o mesmo sorriso debochado no rosto, mas agora Margot era seu alvo.
— Saia logo daqui, Thomas, eu não estou para brincadeiras agora.
Thomas ignorou a fala da mulher e se sentou preguiçosamente ao lado de na cadeira vaga, entrelaçando as mãos de forma relaxada atrás do pescoço.
— Me diz qual é o problema que eu te dou a solução, meu amor.
Margot revirou os olhos.
— A não ser que você tenha uma babá disponível e que de quebra também seja uma empresária para a nossa amiga aqui, eu não acho que você será muito útil. – Ela falou, apontando para de forma rude.
Thomas franziu a testa, encarando a garota.
— Você não tem um empresário?
— Não. – respondeu, agora enfurecida.
Ele riu, os olhos azuis se fechando por um momento.
— Eu realmente preciso parar de me surpreender com o .
— Nem me fale. – Margot completou.
— Ok, chega. – bateu as mãos na mesa, fazendo os dois arregalarem os olhos. – Eu sei que eu não sou nenhuma mega atriz importantíssima de Hollywood e que isso tudo é ridículo, mas eu preciso de ajuda. Não, eu não tenho empresário e muito menos advogado, nem sei exatamente como eu vim parar aqui e nem porque eu fui escalada para esse papel, mas aconteceu e eu não vou deixar nada estragar essa oportunidade. Se você não pode me ajudar – Ela fitou Margot e depois se virou para Thomas. – e você só sabe ser engraçadinho, eu vou dar o fora daqui e ir atrás de alguém que me leve a sério.
O coração dela batia forte. Ela não costumava estourar, mas tinha chegado ao seu limite. Estava perdida, sim, mas não era uma completa otária – mesmo que tivesse agido como uma a maior parte do dia. Se eles não queriam levá-la a sério, para o inferno os dois! Ela tinha largado toda sua vida no Canadá para ir atrás do seu sonho e finalmente ela tinha essa chance. Se não iam botar fé nela, ela não ligava. Ela iria pedir para Maisie ser a droga da sua empresária ou então...
— Finalmente. – A voz de Thomas a tirou de seus devaneios e ela focou o olhar nele, que exibia um sorriso malicioso, mas não maldoso.
— Finalmente o que? – Ela praticamente rugiu.
— Eu estava convencida de que tinha arrumado mais uma sonsa para me dar dor de cabeça, mas acho que você só precisava de um empurrãozinho. – Margot completou, sorrindo da mesma forma que Thomas.
— Eu não sou sonsa. – respondeu, ofendida.
Os dois riram.
— Ok, garota. Vamos ver o que posso fazer por você. Não tenho agora nenhum empresário para te indicar, mas posso ver isso com calma mais tarde.
— Ligue para Barbara Lewis. – Thomas falou.
Margot deu uma risadinha descrente.
— Você não pode estar falando sério, . Lewis jamais iria aceitar uma novata completamente desconhecida.
— Eu vi o que ela fez lá dentro, Maggie. Acredite em mim, ela está no nível Barbara Lewis. – Ele falou e o encarou, tentando achar algum vestígio de brincadeira, mas aparentemente ele falava sério.
— Isso foi um elogio? – Ela questionou, incerta.
Thomas piscou para ela, se levantando e indo em direção à porta da sala.
— Você vai se sair bem, O’. Precisa ter um pouquinho mais de confiança em si mesma, mas o não teria te escolhido se não acreditasse em você. Ele pode ser um pouco complicado, mas não iria estragar sua obra escalando qualquer atriz, acredite em mim.
abriu um sorriso sincero, se sentindo finalmente bem pela primeira vez naquele dia. Ela também percebeu finalmente de onde vinha o sotaque carregado do rapaz: o modo como ele havia dito seu sobrenome denunciou que ele era francês.
— Obrigada, Thomas.
Ele abriu a porta e o sorriso que já tinha entendido ser típico dele retornou ao seu rosto.
— Se tudo der certo com a Lewis, pode me chamar de . Se não, esqueça que já me conheceu algum dia.
gargalhou e ele saiu da sala.
— Bom, lá vou eu colocar meu emprego em risco mais uma vez. É bom ele estar certo, . – Margot empurrou para um bolo de papéis quase tão grande quanto seu roteiro e depois alcançou seu celular. – Isso aqui é o calendário de gravações, acho bom já ir dando uma olhada e não marcar nada para os próximos... – Ela discou um número na tela e o levou o aparelho até a orelha. – cinco meses. Isso sem contar a press tour, premières e festivais. Pensando bem, estou oficialmente reservando o seu ano, . Alô, Barbara? Como vai, querida? Isso, é a Margot, assistente do . Eu acho que temos alguém aqui que pode te interessar.
Maisie correu para abrir a porta de seu apartamento, assustada com as batidas na porta. Mal girou a chave e um furacão de cabelos loiros se atirou em cima dela, fazendo-a gritar.
— Eu consegui, Maisie! Meu Deus, eu consegui! – gritava sem parar, ainda agarrada à amiga.
— Do que você está falando, ? Conseguiu o que?! – Maisie perguntou, confusa, mas então ela arfou, afastando a garota para poder encará-la. – Espera aí, não brinca! Você tá falando do papel?!
gritou e deu outro pulo em cima da amiga.
— Sim, Maisie! Eu consegui o papel! Eu vou atuar no filme do ! – Ela berrou e agora as duas gritavam e pulavam juntas.
— Puta que pariu, caralho, merda! ! Eu sabia, puta merda, eu sabia que você ia conseguir! – Ela xingou animada e as duas pararam de pular, gargalhando. – Você vai ser a melhor Miss sei lá o que de todos os tempos!
— Maisie! Você não vai acreditar! – se jogou no sofá, gargalhando. – Eu não vou ser a Miss Griffith.
Maisie arregalou os olhos e puxou pelo braço, a fazendo se endireitar.
— O que? Como assim? Porra, eu juro que se você tiver me feito surtar para dizer que conseguiu um papel como figurante de dois segundos eu vou...
— Não, idiota! Primeiro, figurantes são extremamente importantes, ok? Mas eu não serei uma porque eu fui escalada para o papel da Penélope! – terminou com outro gritinho.
— Que seria...? – Maisie questionou, impaciente, e abriu o maior sorriso de sua vida.
— A protagonista.
Se fosse possível, o queixo de Maisie teria se descolado do resto de sua cabeça e estaria no chão. A amiga não iria fazer uma brincadeira daquela com ela, iria? Não, nem pensar. Maisie se jogou no sofá ao lado da amiga.
, isso... Uau.
balançou a cabeça, concordando.
— Eu sei.
— Como que isso aconteceu? Não que eu não saiba o quão talentosa você é, só que... Uau. – Ela repetiu a última palavra, ainda em choque.
— Eu não faço ideia, Maisie. Quero dizer, gostaram de mim. Na verdade, gostou, por mais impossível que isso possa parecer.
, você é incrível, ele com certeza percebeu isso e achou que você merecia uma chance. – Maisie segurou a mão dela, que suspirou.
— O cara simplesmente disse que é a produção mais importante da vida dele, amiga. É difícil acreditar que alguém como ele possa ter visto algo em mim que seja tão grandioso, sabe?
— Então ele não ia querer cagar tudo isso colocando uma zé-ninguém para fazer alguma coisa tão importante.
levou um dedo até a boca, revivendo o velho hábito de roer as unhas quando estava muito nervosa.
— Eu sei, mas você não faz ideia de como foi tudo assustador. Maisie, me ligaram tipo faltando uns trinta minutos para a reunião de elenco começar, eu estava dormindo e...
— Reunião de elenco?! – Maisie a cortou, exasperada.
— Ai, Maisie, meu Deus, eu não te contei isso. Você não vai acreditar em quem eu conheci hoje. – deu uma risada, revivendo sua manhã em sua mente.
— Não brinca com o meu coração, . Eu juro que se você for contracenar com o Zac Efron, você precisa preparar meu coração antes de contar uma bomba dessas. – Maisie levou a mão ao peito, dramática. riu.
— Não, mas acho que é melhor ainda. Zoë Fox, Violet Davis, Emmanuel L. Jacob, Scarlett Haymitch e... Michael James.
Maisie a encarava como se ela tivesse falado em outro idioma.
— Você tá brincando com a minha cara, .
riu.
— Eu disse que era tudo muito absurdo, Maisie.
— Michael James? Tipo o grande gostoso Michael James? E Violet Davis tipo a que ganhou o Oscar?!
concordou com a cabeça, voltando a roer as unhas.
— Puta que pariu.
— Pois é. E eu só fiquei sabendo quando cheguei no estúdio e, pra variar, passei vergonha. Todo mundo estava reunido para a primeira leitura do roteiro e eu não sabia nem qual era o meu papel, Maisie, fala sério. Foi horrível.
Maisie gargalhou.
— Isso é tão... você.
revirou os olhos, mas antes que pudesse abrir a boca, seu celular apitou de dentro da mochila anunciando uma nova notificação.
Ansiosa, ela correu para abrir a bolsa, pegando aparelho e vendo um novo e-mail sendo anunciado na tela.
“Ok, , temos boas notícias. Barbara Lewis aceitou ter você como cliente e eu também estou surpresa com isso, mas é um bom sinal. Você estará em ótimas mãos, as melhores, eu diria. Você tem um encontro com ela amanhã às 8h30, NÃO SE ATRASE OU EU MESMA VOU TE CAÇAR PELO RESTO DA VIDA. O endereço está no cartão em anexo. Amanhã você também terá seu primeiro teste de figurino, venha logo que sair da reunião com a Lewis. Também estou enviando uma cópia do contrato para você se preparar antes, se tiver alguma dúvida eu posso tentar te ajudar antes de você falar com ela. Ah, e o mais importante: as gravações começam na próxima segunda-feira. A ordem das filmagens segue abaixo. Boa sorte, . Atenciosamente, Margot Prichet”.
Maisie espiava ao seu lado a tela do celular, que agora carregava o contrato. desceu as páginas tentando dar uma olhada por cima nos pontos mais importantes, embora não entendesse muito sobre aquilo, quando Maisie ofegou e arrancou o celular das mãos dela.
— Ai. Meu. Deus.
— O que foi?! Tem algo errado? Ai, eu sabia que tinha alguma coisa errada! – choramingou, pegando uma almofada e escondendo a cara, mas Maisie a puxou bruscamente pelos cabelos, fazendo a garota reclamar.
— Maisie!
— Olha isso, . Olha. Isso.
Maisie apontou com o dedo para um número em negrito no contrato e precisou voltar umas três linhas para cima para entender o que aquilo era. Era seu pagamento, o valor que ela receberia pela produção.
E ele era alto. Obscenamente alto. olhou para a amiga, em choque.
— Maisie...
Maisie gargalhou, histérica.
— Algo me diz que você nunca mais vai precisar pegar dinheiro emprestado no fim do mês para pagar o aluguel, . Tipo assim, pro resto da sua vida.

Continua...



Nota da autora: Olá, amorecos! Queremos dizer que estamos incrivelmente felizes por Arcadia ter alcançado as 1.000 views, e muito feliz por termos conseguido cativar vocês! No mais, entregamos com todo o coração esse capítulo novinho e bonito pra vocês! Um beijo, e esperamos que gostem!



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