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Última atualização: 31/10/2020

Prólogo

Estup... – Ela ouviu alguém gritar e virou-se rapidamente, erguendo sua varinha.
Expelliarmus!
A varinha de Harry voou para longe e ele cambaleou um pouco, mas não parou.
— Você! Você o matou! – Harry Potter gritou furiosamente e foi para cima da garota, a empurrando pelos ombros e a jogando na grama. – Ele confiava em você e você o matou! Todos nós confiávamos em você!
Enquanto ela se levantava e recobrava a postura, seus olhos passaram rapidamente pela Torre de Astronomia no horizonte, de onde o corpo do bruxo que ela mais admirara em toda sua vida havia caído minutos atrás. Suas mãos estavam trêmulas, mas sua voz saiu firme e fria, como nunca soara antes. Harry não a reconheceu.
— Você não entenderia, Potter. Foi necessário.
— Como pode dizer isso? Necessário?! Para quê?!
Ela se virou, decidida a deixá-lo para trás, mas Harry gritou:
— Por que fez isso?! Responda se tem alguma coragem!
— Para que o Lorde das Trevas cumpra seu destino! – As palavras saíram em fúria antes que ela pudesse se controlar, voltando-se para Harry e vendo o olhar do garoto mudar da raiva para a repulsa.
— Traidora.
Estupore!


Capítulo 1

Black! – A Professora Minerva McGonagall chamou seu nome e, no mesmo instante, os sussurros começaram a ecoar por todo o salão. sentiu as bochechas corarem enquanto subia, trêmula, os degraus em direção ao chapéu. Os alunos, novos e mais velhos, olhavam para ela, alguns com surpresa e curiosidade e outros com um claro assombro. Ela evitou encará-los quando se sentou.
— Ora... Curioso, muito curioso... – O chapéu anunciou assim que encostou na cabeça de e ela deu um pulinho no banquinho, tentando olhar para cima e só conseguindo enxergar a borda do velho chapéu. – Finalmente Hogwarts tem uma Black novamente, já faz tempo, muito tempo, mas para onde devo mandá-la? O seu sangue grita por tantas casas diferentes, mas apenas uma trará o destino que você deve seguir.
tinha ficado nervosa ao ver o chapéu seletor por muito tempo na cabeça do famoso Harry Potter alguns minutos atrás, mas jamais esperaria que ele fosse ficar mais tempo ainda em sua própria cabeça. A cada palavra que ele dizia, ela se arrepiava.
— Seu pai, me lembro bem, realizou grandes feitos em nome da Grifinória. Você seria grande lá, assim como na Corvinal. Sua mãe foi uma escolha muito fácil, Black, inteligente, sim, muito inteligente como você. Mas você não pertence à nenhuma dessas casas, não, não. Devemos colocá-la, então, com toda certeza... – O coração de parou de bater por alguns instantes. – Na Sonserina!
Nem nem os outros alunos demonstraram qualquer reação nos primeiros segundos, mas assim que a Professora Minerva retirou o chapéu da cabeça dela e Alvo Dumbledore puxou aplausos, todos o seguiram. Diferente dos outros alunos que foram selecionados, não sentiu um entusiasmo geral vindo das outras casas, apenas da mesa da Sonserina, que a aplaudia de pé em meio aos gritos.
Enquanto caminhava até a mesa de sua nova casa, ela conseguia ouvir os comentários vindos de todos os lugares. “É a filha de Black, Sirius Black!”, “É óbvio que foi para a Sonserina, com o pai que tem...”, “Ouvi dizer que ela foi criada por comensais da morte em um castelo abandonado na Albânia”. Em choque, ela foi cumprimentada e abraçada por vários alunos da Sonserina, mas não conseguia corresponder a ninguém. Num movimento automático, se sentou no espaço disponível no banco e tentou controlar sua respiração, sendo interrompida pelo garoto ao seu lado.
— Surpresa, priminha? Espere só até papai ficar sabendo disso! Talvez mamãe tenha razão, Hogwarts pode ser muito melhor do que Durmstrang para nós.
Ela se virou para Draco Malfoy, que a encarava com um sorriso malicioso.
— Cale a boca, Draco. – sibilou entredentes. – Ou eu vou te azarar.
O garoto riu.
— Papai disse uma vez que temia que você fosse parar na Grifinória por causa do sangue do seu pai, mas mamãe garantiu que a pureza dele falaria mais alto e que você acabaria em alguma casa melhor. Mal posso esperar para...
— Draco, eu juro que vou...
— Sejam bem-vindos! – A voz de Dumbledore ecoou pelo salão e interrompeu a pequena discussão dos dois, que se viraram para ouvi-lo. – Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Destabocado! Beliscão! Obrigado.
— Bem que papai disse que o velho está cada vez mais louco... – Comentou Draco, arrancando risadinhas de alguns garotos ao seu redor. , que crescera ouvindo seu tio criticar Alvo Dumbledore, na verdade o achara simpático e ligeiramente bem-humorado. Achava que o velho bruxo se encaixava mais com as descrições que Dora fazia nas cartas secretas que trocavam. Era muito azar que Tonks tivesse se formado antes de , a companhia da prima poderia ser muito útil agora, embora tivesse certeza de que Dora fosse ficar muito surpresa com a ida da prima para a Sonserina. Droga, ainda tinha isso. Como diabos iria contar para Tonks que estava na Sonserina?! Ela vivia dizendo que tinha a cara da Grifinória, o que ela nunca entendeu muito bem se era bom ou ruim. De qualquer forma, Ninfadora estava errada.
Ela tentou se concentrar no banquete que apareceu em sua frente à mesa, mas não conseguia sentir o gosto da comida e tampouco interessou-se quando o famoso fantasma Barão Sangrento se sentou ao seu lado, despertando a curiosidade de todos. Ela só conseguia pensar que o chapéu seletor havia cometido um grande erro ao colocá-la na Sonserina.
Seja como fosse, o seu primeiro ano em Hogwarts já tinha começado de uma forma muito desagradável.


acordou no dia seguinte e encarou, sem muito ânimo, suas vestes verde e prata em cima do baú aos pés da cama. Então tudo era mesmo real, e não um sonho, como ela desejara. Na cama ao lado, sua nova colega de quarto, Pansy Parkinson, já se colocava de pé, encarando, desconfiada, a garota Black. revirou os olhos e respirou fundo, se levantando e começando a se arrumar. Não adiantaria nada ficar se lamentando na cama, perder o café da manhã e chegar atrasada para sua primeira aula. Já bastava ser da Sonserina, não precisava também se tornar uma bruxa burra.
Encarou-se no espelho, analisando como ficava com suas novas vestes e se surpreendeu. Até que não estava tão ruim assim. O verde parecia deixar seus longos cabelos e olhos mais negros ainda, dando a ela até um certo ar de poder. Ela riu. Bom, se era mesmo da Sonserina, no mínimo deveria se sentir nem que seja um pouquinho poderosa, até mesmo superior, usando as cores da casa. Guardou seu material em sua mochila, presente de sua tia Narcisa, e colocou-se para fora do dormitório, ignorando completamente Pansy e as outras duas garotas com quem também dividiam o quarto.
estava nervosa demais na noite anterior para reparar na sala comunal da Sonserina, mas, agora à luz do dia, ela se impressionou com os feixes esverdeados que entravam pelas grandes janelas que davam para as águas do Lago Negro. Quando o monitor explicou que a área da Sonserina ficava nas masmorras do castelo, ela imaginou uma decoração de aparelhos de tortura medievais, e não o elegante e iluminado espaço. Apesar de frio e um tanto gótico, ela teve a sensação de que seria muito aconchegante se deitar em um dos sofás e ficar observando as águas do lago, aquecida pela lareira. Ela seguiu alguns alunos através das paredes das masmorras e se permitiu observar os corredores de Hogwarts que tanto ouvira falar sobre.
Dora contara que ela iria viver os melhores anos de sua vida ali e ela estava bem ansiosa para saber o que a escola tinha de tão especial. Havia passado todo o verão lendo Hogwarts, Uma História, tendo que aturar as piadinhas de Draco, e estava levemente emocionada por ver tudo aquilo pessoalmente. Bom, ela ser selecionada para a Sonserina fora um balde d’água fria, mas quanto mais ela andava mais ela tentava se convencer de que Dora podia estar certa e que, quem sabe, ser da Sonserina não pudesse estragar sua experiência.
Quando se sentou ao lado de Draco, Crabbe e Goyle, dois sonserinos que ela conhecera na noite anterior e desgostara profundamente, para o café da manhã, ela duvidou muito de seu último pensamento.
. – Draco parou de falar com os garotos, que se vangloriavam sobre a Sonserina ser a campeã do campeonato das casas nos últimos seis anos e como as outras casas eram um lixo, e a chamou pelo apelido que costumava usar desde que eram crianças. – Coma essas tortinhas de abóbora, estão iguais às de casa. Tome aqui, separei algumas para você. E esse bolinho de carne também.
se surpreendeu com o gesto e o encarou, sem saber o que dizer. O garoto loiro deu um sorriso sem graça, sentindo as bochechas enrubescerem.
— Eu... Eu vi que você não estava muito feliz ontem, apesar de eu não entender o motivo já que a Sonserina é obviamente a melhor e maior casa de todas, você deveria estar honrada, então eu achei que seria... Bom, coma se quiser, estão gostosos, mas tanto faz.
Ela não pode deixar de sorrir. Draco podia ser um completo idiota na maioria das vezes, mas, querendo ou não, fora praticamente o único amigo que ela tivera durante toda sua vida. Crescera dentro da casa dele e sabia que ele não era de todo ruim. Na verdade, eles sempre foram muito próximos mesmo divergindo suas opiniões em muitos assuntos.
— Obrigada, Draco. – Ela deu uma mordida na tortinha de abóbora e soltou um gemido de satisfação. – Por Merlim! Está deliciosa!
Draco sorriu convencido.
— Eu disse. Ande, coma logo, pois a nossa aula irá começar em...
Um burburinho começou no salão assim que dois garotos entraram pelas portas e Draco parou de falar para observar Harry Potter e Ronald Weasley correndo até a mesa da Grifinória. Seu primo bufou.
— Patético, não acha? Potter andando com um Weasley. Mas o que mais poderíamos esperar de simpatizantes de trouxas? Se merecem, os dois, patéticos.
respirou fundo. E lá se foi sua empatia pelo primo naquela manhã.
— O que você esperava, Draco? Que Potter fosse ser seu amigo? Você acha que ele andaria com quem, comigo? – rebateu, enfiando rapidamente um pedaço do bolo de carne na boca.
Draco revirou os olhos.
— Eu jamais seria amigo de alguém como Potter ou Weasley, . – enfiou outro pedaço do bolinho na boca para esconder a risada que queria dar, se lembrando de Draco tentando se aproximar de Potter ontem e, bom, levando um belo fora. – Só acho patética essa situação toda. E eu estou louco para ver a cara de Potter quando descobrir quem você...
— Ok, já chega, Draco. Vamos para aula, já. – o interrompeu, se levantando e ajeitando suas vestes.
Draco se levantou com um sorriso presunçoso e Crabbe e Goyle acompanharam os dois para fora do salão.


dividia a mesa novamente com Draco enquanto eles esperavam pelo Professor Quirrell para a quarta aula do dia. Ela estava muito animada para sua primeira aula de Defesa Contra as Artes das Trevas e podia ver que Draco também se remexia em sua cadeira, inquieto.
— O que será que vamos aprender hoje? Será que é sobre vampiros? Eu espero que seja, eu ouvi dizer que Quirrell teve contato com alguns quando...
O Professor entrou na sala, fazendo todos os alunos da Sonserina e Corvinal se ajeitarem e aquietarem as bocas. Ele foi, meio trêmulo, até a frente da sala e deu um sorriso vacilante. notou um forte cheio de... Alho? Será que Draco estava certo, iriam aprender sobre vampiros?
— Bo-bo-bom di-di-dia, alunos.
E trocou um olhar com Draco, os dois já tendo a certeza de que aquela seria uma longa aula e não tão legal quanto imaginaram.
Uns 15 minutos depois, enquanto Quirrell mostrava para a classe os perigos de uma Planta-Enforca-Lesma, que curiosamente sua tia Narcisa, a mãe de Draco, gostava de cultivar em seu jardim, e os dois já estavam para lá de entediados, cutucou Draco, sentindo seu estômago embrulhar.
— Acho que não estou muito bem, Draco... – Ela sussurrou, sentindo suar frio.
Draco a analisou.
— Você está meio verde, . Acho que deveria ir até Madame Pomfrey, esse fedor de alho podre deve estar te deixando tonta.
Ela abaixou a cabeça nas mãos, respirando fundo e tomando coragem para se manifestar, mas Draco fora mais rápido.
— Com licença, Professor Quirrell. A senhorita Black não está se sentindo muito bem. O senhor me daria permissão para acompanhá-la até a ala hospitalar?
quase riu da pompa e educação exageradas de Draco, mas sua cabeça começou a zumbir assim que o Professor Quirrell se aproximou da mesa deles.
— Cla-cla-claro, senhor Mal-mal-fo-foy. Re-re-co-men-mende à Madame Pomfrey q-que ela tome um ch-ch-chá de vi-vi-virgulim, de-deve ser efeito dos dri-dri-drices.
Draco se perguntou o que diabos era virgulim e drices, mas tratou logo de agradecer ao professor e segurar o braço da prima, conduzindo-a para fora da sala sob os olhares e cochichos dos colegas.
Assim que a porta se fechou atrás deles, se sentiu instantaneamente muito bem.
— Já estou me sentindo melhor, acho que era mesmo o fedor, Draco. Sabe, é sobre coisas assim que seu pai deveria ficar sabendo. Quem sabe ele não consegue fazer Dumbledore enfeitiçar a sala para que cheire à docinhos de gengibre recém-saídos do forno?
Draco riu, ajudando a prima a se sentar no vão da grande janela que dava para o jardim.
— Não quer mais ir até Madame Pom-pom-pomfrey? – Ele questionou, zombando da maneira como Quirrell falava e, por mais que não aprovasse atitudes assim, acabou rindo.
— Não, idiota. Acho que só preciso de ar fresco. – Ela olhou ao redor e notou que os corredores estavam completamente vazios. Teve uma ideia. – O que me diz de explorarmos Hogwarts?
O primo torceu o nariz.
— Primeiro dia de aula e já quer se meter em encrencas, ? Sério?
— Ah, Draco, você costumava ser mais corajoso lá em casa. Além do mais, todos estão em aula, é só tomarmos cuidado. A não ser que você queira voltar para a aula de Quirrell e aprender sobre sei lá o que.
Draco revirou os olhos, sabendo que não conseguiria discutir com a prima. Além da aula realmente estar um saco, achou que seria uma boa oportunidade para ela se animar um pouquinho mais. Ele sabia que ela não havia ficado muito contente com a decisão de sua casa, embora ele próprio estivesse muito satisfeito com isso.
— Vamos, , mas se formos pegos eu vou dizer que você me obrigou.
E os dois saíram pelos corredores, tomando cuidado para não serem pegos por Filch nem por sua gata.


— Suas coisas não deveriam estar jogadas pelo quarto, Gryon! Será que os trouxas não conhecem o sentido da palavra organização? Da próxima vez que eu encontrar alguma coisa sua jogada por aqui, irei transfigurar em uma aranha e colocar em sua cama! – conseguia ouvir a voz de Pansy Parkinson berrar antes mesmo de abrir a porta do quarto.
Encontrou Pansy furiosa, segurando em suas mãos magricelas um par de meias pretas com uma estampa engraçada, enquanto uma outra garota, uma menina de cabelos negros, curtos e com uma franja, se colocava a rir. concluiu que estava acontecendo uma briga entre duas de suas colegas de quarto e estava decidida a não participar até ouvir a dona das meias responder.
— Pelo o que vi de seu talento em transfiguração na aula de hoje, Parkinson, acredito que você iria transformar minhas meias em uma colher, então cale sua boca.
não pode deixar de rir e acabou chamando a atenção das duas. Pansy, furiosa, jogou as meias em , que a encarou indignada.
— Ei, Parkinson! Qual é a sua?!
— Eu não acredito que Hogwarts aceite essa escória! Honestamente, já bastam os nascidos-trouxas e agora temos filhos de assassinos presos em Azkaban! Dumbledore perdeu completamente o juízo!
No mesmo instante, sacou sua varinha de sua veste, apontando-a na cara de Pansy, que soltou um gritinho agudo.
— Repita isso, Parkinson! Repita isso e eu juro que te transformo em uma ratazana!
— Vo-você não teria coragem, Black.
— Quer pagar para ver? Garanto que me saio muito melhor em feitiços do que você.
Pansy estava mais branca do que o de costume e engoliu em seco. Lentamente, afastou-se de Black, indo em direção à porta.
— Hogwarts realmente já não é mais a mesma. Isso não vai ficar assim, Black, lembre-se disso. – E saiu apressada.
respirou fundo e baixou sua varinha.
— Uau. Eu não entendi nada do que aconteceu aqui, mas gostei muito. Na verdade, eu estava torcendo para que você transformasse Pansy em uma ratazana.
se virou para a garota das meias, que a encarava com um pequeno sorriso.
— Provavelmente eu a entregaria de jantar para minha coruja.
— Coitadinha dela. Da sua coruja, é claro.
As duas riram e o clima ficou mais leve.
— Sou Zara Gryon, prazer. Acho que você já deve ter percebido que sou nascida-trouxa e estou um pouquinho perdida com o modo como as coisas funcionam por aqui.
revirou os olhos, apertando a mão da garota.
— Sou Black e, honestamente, isso é uma tremenda bobagem. Ridículo!
Zara puxou sua mão de volta, magoada.
— Ah, então você também acha que é ridículo a Sonserina, ou Hogwarts inteira, ter alunos nascidos-trouxa. Ótimo, será muito agradável mesmo dormir aqui. – Ela se virou, catando as meias do chão e as jogando pelo quarto, com raiva. Um pé foi parar na janela e o outro na cama de .
— O que? Não, não foi isso que eu quis dizer. – se apressou em se explicar, rindo ao se sentar na própria cama. – Eu disse que acho ridículo esse pensamento de sangue-puro, nascidos-trouxa e tudo mais. Não dou a mínima para isso.
— Você não está dizendo isso para ganhar minha confiança e me transformar em um coelho no meio da madrugada, não é? – Zara questionou, cerrando os olhos.
gargalhou, jogando-se de costas no colchão e pegando a meia da garota.
— Talvez, mas prometo que, nesse caso, transformo primeiro Pansy em uma grande e saborosa cenoura. O que é isso aqui desenhado na sua meia? – perguntou, analisando os desenhos na peça e não fazendo a mínima ideia do que era aquilo. Zara gargalhou.
— É o Patolino, é óbvio.
— E o que diabos é esse Patolino?
— O desenho, oras.
— Ah, conheço as gravuras de alguns livros bruxos infantis, mas, isso aqui, não, nunca vi.
— Pansy Parkinson se achando tão superior por ser uma bruxa puro-sangue e vocês não sabem nem quem é o Patolino. Francamente...
E Zara se jogou na cama ao lado de , ignorando sua curiosidade sobre o que Pansy havia dito antes e que fizera ameaçá-la, e se pôs a explicar tudo sobre os principais desenhos animados dos trouxas e, mesmo que Black não estivesse entendo absolutamente nada do que a outra falava, se sentiu bastante contente com a companhia surpresa.


— Cuidado, é a filha de Black.
ouviu alguém comentar enquanto um grupo de alunas mais velhas da Corvinal passava por ela, que estava sentada embaixo de uma macieira à beira do Lago Negro estudando com Zara, e revirou os olhos.
— Vamos achar outro lugar, não quero ficar perto dela, ela tem uma energia ruim, posso sentir. Sabe, a Professora Trelawney disse que eu tenho um dom para... – Uma das garotas puxou outra pela mão e todas saíram apressadas. Já fazia alguns dias que os alunos tinham essa reação perto dela e, agora, não se incomodavam mais nem em serem um pouquinho mais discretos em seus comentários.
— Ok, preciso confessar que andar com você fere a minha reputação, Black. – Comentou Zara, fechando seu livro.
riu e arqueou as sobrancelhas.
— Se está tão incomodada com isso, Gyron, sugiro que ande com Parkinson e sua gangue, assim você poderá espalhar esses boatos sobre mim junto com eles. Ontem mesmo um garoto esbarrou em mim na saída do banheiro e gritou com medo de que eu fosse enfeitiçá-lo porque, aparentemente, alguém está contando por aí que eu amaldiçoo as pessoas que me incomodam.
— E como eles descobriram? Pensei que fosse um segredo.
As duas riram e fechou seu livro, se deitando na grama fofinha que só ficava em volta da macieira mágica e sentindo as folhas fazerem cócegas em suas pernas.
— Acho que eles pensam que eu enfeiticei você para andar comigo. Devem pensar também que Draco está enfeitiçado desde criancinha.
— Só ando com você porque você ainda não me contou por que não deveria andar, Black. – Zara pontuou, deitando-se ao lado da amiga.
Ela mordeu o lábio, receosa, mas sabia que, uma hora ou outra, Zara ficaria sabendo. Respirou fundo e fechou os olhos antes de falar.
— Meu pai está preso em Azkaban, Zara. E, antes que você me pergunte, Azkaban é uma prisão bruxa de segurança máxima para os criminosos mais perigosos. Ele está lá há uns 10 anos e é um dos presos mais conhecidos da história bruxa. Por isso todos sabem sobre ele e por isso todos acham que eu seja perigosa.
A amiga não fez nenhum barulho por um tempo, mas a sentiu mexer-se e encostar o braço no seu.
— Bom, se você fosse tão perigosa assim, acredito que já teria dado um jeito de calar a boca de todos esses cabeças-ocas, fazendo-os voar pelos ares, então eu acho que você é uma grande farsa.
As duas riram e se sentiu mais relaxada.
— Acho que ser da Sonserina também não ajudou muito nesse processo.
— Ah, vai me dizer que você preferia ser uma nerd da Corvinal? Ou então como os exibidos da Grifinória? Você precisa admitir, Black, que a Sonserina pode ter sua má reputação por aí, mas que é muito mais divertido ser conhecida como malvada do que como uma grande molenga da Lufa-Lufa.
As duas riram e ficaram mais um tempinho deitadas em silêncio, cada uma com seus próprios pensamentos, observando o céu ensolarado, até que precisaram ir para a próxima aula.


Capítulo 02

“Querida tia Dromeda, tio Ted e Dora.
Como estão? Estou sentindo tanta sa
udade!
Sinto muito por ficar tanto tempo sem escrever, mas acho que vocês sabem como as coisas são loucas por aqui.
Vou começar logo com a notícia principal: estou na Sonserina. Eu queria tanto ir para a Grifinória ou para a Corvinal como meus pais ou então para a Lufa-Lufa como você, Dora, mas o chapéu seletor disse algo sobre apenas uma casa ser a que me fará seguir meu destino. De verdade? Fiquei um pouco assustada. Seria legal se Dora estivesse aqui para me animar.
Draco está comigo na Sonserina, mas isso não é surpresa para ninguém, era o sonho dele. Harry Potter está no meu ano e acho que ele não sabe sobre papai, mas faço algumas aulas com ele e temos um problema em comum: o Professor Snape nos odeia! Sempre que Potter perde pontos para Grifinória durante as aulas de Poções, Snape arranja algum jeito de me repreender por qualquer coisa e tira pontos meus. Aparentemente, sou a única aluna da Sonserina que consegue perder pontos com o próprio diretor da casa. Isso está insuportável e não faço ideia do motivo.
Descobri que uma das garotas com quem divido o quarto, Zara Gryon, é nascida-trouxa e muito legal, duas coisas absurdamente raras para a Sonserina. Nós duas gostamos de nos sentar debaixo da macieira perto do Lago Negro e comer algumas maçãs enquanto estudamos ou falamos mal dos outros alunos – obrigada pela dica, Dora!
Por favor, não fiquem decepcionados comigo por ter ido para a Sonserina e me escrevam constantemente. Agora não teremos que fugir das fiscalizações dos Malfoy!
Eu amo vocês.
Com todo o amor, Black.”
estava sentada nos degraus da escada da Torre de Astronomia e escrevia, finalmente, uma carta para os Tonks. As primeiras semanas de aula foram tão intensas que ela não teve tempo de parar e pensar em algo legal para escrever. Na verdade, ela sabia que estava com um pouquinho de medo de contar as novidades para a família Tonks. Já tinha escrito uma carta para seus tios, Narcisa e Lúcio, para falar que estava na Sonserina e, no dia seguinte, uma coruja a entregou chocolates, penas e pergaminhos importados, presentes dos dois como parabenização e demonstração de orgulho. Não sabia se iria receber a mesma coisa de Ninfadora e seus pais, Andrômeda e Ted, de quem ela tanto gostava. Ela bufou, nervosa.
A relação que tinha com os Tonks era completamente diferente da relação que tinha com os Malfoy. se sentia muito amada por ambas as famílias, mas as duas eram tão opostas que, na maioria das vezes, ela ficava muito confusa. Os Malfoy a haviam criado para ser orgulhosa de seu sangue, poderosa e grande e, no fundo, ela não achava isso tão ruim. Ser da Sonserina, para eles, mostrava que a família pertencia à realeza. Mais do que tudo em sua vida, queria orgulhar os tios, mas isso ia contra o que os Tonks pensavam e ela não queria Andrômeda, Ted e Dora pensando que ele era uma pessoa ruim por isso – sem contar que já tinha perdido a conta de quantas vezes ouviu Dora falar sobre a fama dos alunos da Sonserina, embora considerasse Narcisa e Lúcio, dois sonserinos, duas de suas pessoas favoritas no mundo. Ela não sabia como agradar ambos os lados. Pior, ela não sabia como se agradar.
Quando seu pai foi para Azkaban quando ela era um bebê e sua mãe foi morta por Comensais da Morte, a garota foi colocada em uma curiosa disputa familiar. Sirius Black, seu pai, havia se casado secretamente com Atena Black, prima dele e irmã de suas tias Narcisa, Andrômeda e Bellatrix – que ela nunca chegou a conhecer. Da união dos rebeldes da família Black, nasceu . Após a prisão de Sirius e a morte de Atena, tanto Andrômeda quanto Narcisa entraram em uma briga para decidir quem iria ficar com a garota. Dora contou que foi a primeira vez em muitos anos que as duas se encararam novamente, já que Andrômeda, assim como Sirius e Atena, foi deserdada da família Black por se associar com trouxas e não concordar com os princípios puro-sangue. Porém, Narcisa usou a influência do nome Malfoy para demonstrar que tinha mais condições de criar em um ambiente bruxo adequado. No final, Narcisa e Lúcio ganharam a causa e criaram .
Mesmo assim, sua tia Andrômeda deu um jeito de manter contato com a sobrinha apesar da proibição de Narcisa. Quando tinha uns três anos, Andrômeda começou a se esgueirar para dentro da mansão dos Malfoy, levando sua filha junto, com a ajuda de alguns empregados amigos. Elas passavam algum tempo brincando na cozinha ou no porão e amava esses momentos. Quando aprendeu a escrever, Dora lhe ensinou um feitiço simples e eficaz para trocarem cartas escondidas. Em uma dessas cartas, Dora contou que Narcisa e Atena haviam cortado as relações assim que Atena fugiu de casa quando Andrômeda foi deserdada por se casar com Ted. Depois disso, Atena viveu com Andrômeda e Ted até se casar com Sirius.
E era por tudo isso e mais um pouco que tinha tanta dificuldade em escrever para os Tonks. Se não fosse por eles terem acolhido sua mãe e apoiado a relação dela com Sirius, provavelmente ela nem existiria, muito menos acreditava que consideraria seu pai inocente das acusações que o prendiam em Azkaban, já que desde os primeiros encontros com Andrômeda ela sempre fez questão de afirmar para que não acreditava que Sirius fosse culpado. Na única vez em que questionou os Malfoy sobre o pai, seu tio entortou a cara e disse “devemos confiar nas decisões do Ministério, querida”.
Ela gostaria de saber se todas as outras garotas de 11 anos também tinham preocupações iguais às dela.
releu toda a carta e suspirou. Achou melhor não mencionar que alguns alunos eram bem maldosos com ela, fazendo piadas sobre seu pai, e que ela simplesmente se cansou dessa palhaçada e começou a responder que eles não deveriam falar assim com a filha de um assassino. Enrolou o pergaminho e o guardou na mochila, decidida a ir até o corujal para entregar a carta à Perséfone, sua coruja, mas esbarrou em alguém enquanto descia as escadas. Ela escorregou e caiu de costas, batendo a cabeça, enquanto a outra pessoa rolou uns oito degraus para baixo.
— Ai! Minha cabeça! – reclamou, sentindo a nuca latejar e se sentando, meio zonza.
— Sua cabeça?! Eu quase voei para fora da torre! O que é que você estava...
O garoto que havia rolado escada abaixo se levantou e tornou a subir, mas parou de falar assim que viu de olhos fechados, a cabeça encostada na parede. Ele chegou rapidamente até ela, se abaixando em sua frente.
— Você está bem? Bateu mesmo a cabeça? Quer que eu te leve para a ala hospitalar?
riu sem humor e ignorou a pontada de dor que isso lhe causou. Abriu os olhos e virou a cabeça para o garoto, que a olhava preocupado. Ela notou que ele usava vestes da Lufa-Lufa e tinha os cabelos penteados de uma forma arrumadinha demais, o que a irritou um pouco. A única pessoa com cabelo engomadinho que ela estava disposta a aturar era Draco.
— Está preocupado que eu vá te lançar uma azaração por ter derrubado a filha de Sirius Black? – falou, cerrando os olhos.
Ele a encarou um pouco confuso, mas riu quando percebeu que a garota estava se esforçando para assustá-lo. Na realidade, ele achou a cara dela muito engraçadinha, tentando ser ameaçadora e falhando completamente. Era quase fofa.
— Na verdade estou mais preocupado com esse olhar de mosca-morta na sua cara. Sabe, sempre sonhei que a primeira pessoa que eu fosse derrubar seria um inimigo das trevas e não uma garotinha do primeiro ano por acidente. Essa sua cara está me preocupando.
abriu a boca, indignada.
Do que você me chamou?!
O garoto deu de ombros, um sorriso brincando em seu rosto.
— Bom, consciente você está, o olhar deve sumir com o tempo. Toma, são caramelos. – Ela fitou inexpressiva o garoto pegar algumas balas de sua capa. – Toda vez que eu levo um balaço na cara durante o quadribol, eu gosto de comer uns doces para voltar o cérebro pro lugar.
o encarou sem saber o que dizer e, de tão sem reação, acabou rindo. Ela pegou os caramelos da mão dele e enfiou todos na boca, sentindo-os derreterem na mesma hora.
— Obrigada, eu acho. – Murmurou. – Da próxima vez, tente me ajudar não me insultando, seria legal.
— Da próxima vez, tente não me ameaçar com seu pai, seria legal também. – revirou os olhos e ele riu. – Ah, me deixa, não é todo dia que eu posso zombar de um aluno da Sonserina, pelo menos não na cara. Essas oportunidades são raras.
Ela deu uma risadinha, balançando a cabeça indignada.
— Espero que você derrube Flint e tente zombar da cara dele. Acho que não terá tanta graça assim.
O garoto fingiu estremecer.
— Não, obrigado. Esbarrar com Flint no quadribol já é desagradável o suficiente. – Os dois riram e o garoto estendeu a mão. percebeu que ele ainda continuava abaixado no degrau em sua frente e se perguntou se as pernas dele não estavam doendo. – Sou Cedrico Diggory, mas se for realmente me azarar, me chamo Greta Burke.
não conseguiu evitar gargalhar, reconhecendo o nome da insuportável monitora da Sonserina. Ela segurou a mão do garoto.
— Prazer, Greta. Sou Black.
— Vem, Black, vou te acompanhar até o final dessa perigosa escada para que você tenha uma segunda impressão minha melhor do que a primeira. Meu pai ficaria profundamente triste se soubesse que tratei uma dama dessa forma e a deixei à mercê do destino.
Ele a ajudou a se levantar e indicou o caminho afrente, fazendo revirar mais uma vez os olhos e contendo a vontade de dar outro sorriso. Estava rindo demais para o garoto.
— Ok, sem exageros. Eu nem sei como azarar alguém. Ainda.
— Ainda. Não queremos correr nenhum risco por ter derrubado a filha de Sirius Black, não é mesmo?
O rosto da garota corou e ela mordeu o interior das bochechas, repentinamente sem graça.
— Eu só disse aquilo porque... Bom, alguns alunos enchem o saco falando sobre isso, com brincadeiras, então achei que... Enfim, me desculpe. – Ela se enrolou um pouco, incomodada. Era péssima com desculpas.
Eles chegaram ao fim da escada e Cedrico sorriu, relaxado.
— Não se preocupe, eles vão esquecer disso daqui um tempo. Acredite em mim, sempre há novidades em Hogwarts que substituem rapidamente as antigas.
— Mal posso esperar para a próxima novidade acontecer.
Cedrico fingiu uma cara de terror.
— Não diga isso, nunca se sabe o que Hogwarts nos reserva. Temos que ter cuidado.
— Aposto que nada muito pior do que a filha de um cara mundialmente conhecido como um grande assassino. – riu, ácida, e Cedrico deu uma risadinha surpresa, achando o humor da garota muito curioso. – Bom, obrigada pelas balas.
— Sem problemas, Black. Cuidado com as escadas para o corujal, elas costumam ser escorregadias.
franziu o cenho, confusa.
— Como sabe que estou indo para lá?
— Porque sempre que eu quero ficar em paz para escrever alguma carta, é para cá que eu venho. – Ele tirou do bolso um rolo de pergaminho e uma pena, subindo as escadas logo em seguida.
o viu sumir enquanto subia. Não lembrava de tê-lo visto antes pela escola, mas, de qualquer forma, não é como se prestasse muita atenção nos alunos da Lufa-Lufa. Talvez devesse se atentar um pouquinho mais.


— Eu achei a solução perfeita para nossos problemas.
Zara se assustou com a repentina aproximação de enquanto tomava café da manhã, derrubando sem querer sua tigela de cereais. Os alunos que estavam ao seu redor riram e ela olhou para a amiga que havia acabado de se sentar ao seu lado, frustrada.
— Obrigada.
— Ops. Mas você vai ficar tão animada com o que vou te contar que vai esquecer disso rapidinho. Eu descobri uma coisa. – Ela virou a cabeça de Zara de uma maneira pouco delicada em direção à mesa da Grifinória, onde os primeiros alunos começavam a chegar para o café. Zara varreu a mesa com os olhos, mas não entendeu o que quis dizer.
— Do que você está falando?
apontou para dois garotos ruivos.
— Daquilo.
Zara observou os gêmeos Weasley. Um deles, ela não fazia ideia qual, estava exibindo algo em sua mão para um aluno do sexto ano enquanto o outro guardava em uma pequena bolsa alguns galeões. Zara não conseguiu ver o que o garoto havia comprado, mas pelo sorriso malicioso em seu rosto ela não achava que era algo exatamente bom.
— Muito bem, me explique.
abriu um sorriso exageradamente grande e se aproximou de Zara a fim de contar seu plano, mas foi interrompida.
— Toma, . – Draco soltou alguns chocolates na mesa à sua frente e sentou-se preguiçosamente ao lado dela.
Curiosamente, continuou a passar mal em todas as aulas de Quirrell, mas Draco sempre dava para ela alguns doces na esperança de que ela se sentisse melhor. Não funcionavam muito bem, mas ela acabou se acostumando à sensação ruim principalmente depois que o professor, aparentemente, pegou gosto por ela, a fazendo ficar sempre alguns minutos a mais na sala de aula. Da última vez, ela aprendeu alguns encantamentos em objetos e estava agora tentando encantar uma harpa para que tocasse sozinha – e falhando miseravelmente. desconfiava que o professor só fazia aquilo pois ele sempre a via meio verde durante as aulas dele e tentava a recompensar de alguma forma por pura dó da garota. Talvez ele soubesse que ela passava mal com seu cheiro – era a primeira suspeita de – e até se sentisse culpado.
— Obrigada, Draco. Hoje vou ficar até mais tarde com Quirrell, então será muito útil. – Ela sorriu para o primo, incapaz de falar que os chocolates eram, na verdade, inúteis.
— Ainda acho que você não deveria se sujeitar a isso. – Draco disse e fez uma careta.
— Honestamente? Também acho, mas eu gosto da oportunidade de aprender um pouco mais, já que ele quer ensinar. – Ela deu de ombros.
— Nerd. – Draco zombou, um sorrisinho maldoso. fechou a cara, mas segurou um sorriso.
— Cala a boca.
— Espero que ele não tenha esperanças de que, puxando seu saco, faça alguma diferença com papai. Fiquei sabendo que os dois se desentenderam algumas vezes no passado. – Draco comentou e pegou a maçã que Zara havia reservado, dando uma mordida.
Zara o olhou, brava, e bufou.
— É claro, já que é muito difícil para você acreditar que talvez sua prima esteja lá porque ele quer ou porque ela é boa.
duvidava muito que fosse por isso, mas sorriu para a amiga em agradecimento.
— Não se meta, Gryon. Você devia se preocupar em limpar essa bagunça – Apontou para a mesa suja com o cereal de Zara. – e não se meter em assuntos de família. Nascidos-trouxas como você não entendem a influência que um nome como o nosso pode ter e a inveja que pode causar.
deu uma cotovelada em Draco, irritada. O garoto gemeu, indignado.
— Não seja idiota, Draco! Grande coisa ter um nome, veja só a fama dos Black. Metade da família morta, a outra metade deserdada, os moradores de Azkaban e eu. Pelo menos os trouxas não precisam lidar com isso.
— O que?! Quanta bobagem, , você deve estar louca! Acho que você se esqueceu de quem somos. Andar com essa aí – Draco apontou com o queixo para Zara, que cerrou os olhos como um felino. – deve estar te fazendo mal. Papai não vai gostar nada de saber disso. Acho que você precisa rever suas amizades e escolher melhor com quem anda.
arqueou as sobrancelhas, irônica.
— Acho que consigo dizer qual é o melhor tipo sozinha, obrigada. Mas acho que você já ouviu isso antes.
Ela roubou um pãozinho e puxou Zara para longe da mesa, sabendo que Draco ficaria furioso com sua resposta.
— E saiba que minha mãe é uma grande advogada, Malfoy, e que se eu pudesse eu te processaria por ser o garoto mais idiota que já conheci! – Zara berrou ao passarem pelas portas da entrada do salão, atraindo os olhares de todos e risadas de alguns.


— Você tem certeza disso? – Perguntou Zara enquanto saiam da aula de Poções. Apesar de estar louca de raiva com os acontecimentos da última hora, não havia desistido de seu plano. Muito pelo contrário, parecia mais motivada ainda.
Um aluno da Sonserina, que também saia da sala, esbarrou em seu ombro com força demais, a fazendo derrubar seus livros no chão. Ela sabia que não tinha sido sem querer.
Absoluta. – Respondeu trincando os dentes, vendo Pansy Parkinson rindo da cara dela um pouquinho mais adiante. E o pior: com Draco ao seu lado. Ela conhecia o primo e sabia o quão idiota ele conseguia ser quando se empenhava, mas aquilo já era demais, com ou sem a discussão que tiveram no café da manhã. Ele simplesmente estava vendo tudo aquilo de camarote, rindo e achando que era uma ótima maneira de aprender uma lição. Ela desejou que os dois estivessem em casa, competindo em suas vassouras, para que ela pudesse jogá-lo no chão e fingir que foi um acidente.
Enquanto Zara a ajudava a recolher seu material, Harry Potter passou por elas acompanhado de, que surpresa, Ronald Weasley. Por um segundo, ele hesitou e ela achou que ele fosse falar alguma coisa sobre o que tinha acontecido, mas foi puxado para longe rapidamente pelo amigo. Ela bufou.
— Isso está passando dos limites, essa coisa com o Snape. Talvez eu devesse aprender algum feitiço que o fizesse ter dor de barriga para sempre e ele nunca mais pudesse dar aulas. – falou raivosa enquanto caminhavam pelo corredor abarrotado de estudantes.
— Esqueça isso, tenho certeza de que o problema está em Snape, não em você.
— Talvez esteja no Potter.
— Que seja. Você ainda é uma das alunas do nosso ano que mais ganha pontos para a Sonserina nas outras aulas.
— E a que mais perde pontos com o Snape. A única. De todos os anos.
— Um detalhe bobo.
Durante a aula de Poções, Neville Longbottom, um aluno desastrado da Grifinória que estava na mesa ao lado, deixou suas sanguessugas entrarem, sabe-se lá como, em suas vestes. Desesperado para se livrar das amiguinhas, ele saiu pulando pela sala e acabou derrubando alguns caldeirões com as poções em preparo. A situação seria ruim de qualquer jeito, mas um dos caldeirões atingiu a capa de Snape, deixando o professor furioso. Mas ele ficou mais furioso ainda quando se levantou de sua cadeira para ajudar o garoto e acabou tirando cinco pontos da Sonserina pelo comportamento inadequado de Black. E aí ele tirou também cinco pontos da Grifinória, além dos que já tinha tirado de Neville, por Harry Potter, que teve seu caldeirão derrubado, não ter sido ágil o suficiente para segurá-lo. repassou a cena várias vezes em sua cabeça e não conseguiu entender qual era a droga do problema de Snape com ela, ela não tinha feito absolutamente nada.
Harry e ela já haviam notado esse tratamento especial que recebiam de Snape e, a não ser que Potter fosse um completo panaca, ela tinha certeza de que ele se incomodava com isso tanto quanto ela.
— Olha ali.
apontou para um local no corredor onde os gêmeos Weasley estavam, os dois rindo em cima do muro de um dos arcos que separavam a parte interna do jardim. Ela não esperou a reação da amiga e arrastou Zara pela mão em direção a eles, atropelando os outros alunos pelo caminho.
limpou a garganta, chamando a atenção dos dois, que olharam para baixo.
— Olá. – Ela disse simplesmente.
Os dois franziram a testa ao mesmo tempo, curiosos, e achou aquilo engraçado.
— Sou Black e essa é minha amiga Zara Gryon. Nós queremos conversar com vocês. – Ela completou, impaciente com a falta de resposta dos dois.
— Nós sabemos quem você é, Black. – Um dos dois disse, por fim.
— E estávamos esperando você vir falar com a gente. – Completou o outro.
olhou para Zara, confusa, e a amiga deu de ombros.
— Como assim? – Ela questionou.
— Você não é muito boa em ser discreta.
— Passou a semana inteira nos espionando e Jorge e eu até discutimos se você não estava tentando nos azarar em segredo.
— Ou talvez estivesse apaixonada. – Finalizou o outro que agora ela sabia ser Jorge.
fez uma careta de nojo e Zara riu, recebendo um olhar zangado da amiga.
— Eca! Não, eu só quero conversar com vocês. Precisamos dos seus serviços.
Os gêmeos se olharam, muito interessados no rumo em que a conversa estava levando.
— Serviços? – Fred questionou, um sorriso nos lábios.
— Queremos dar uma lição em uma pessoa. – Zara finalmente falou e Jorge a encarou divertido.
— Uau, quem diria que as garotas da Sonserina têm senso de humor? – Jorge disse.
— Podem nos ajudar ou não? – perguntou, impaciente.
— Depende. – Disse Fred.
— De qual casa é a vítima? – Questionou Jorge.
— Se for Grifinória, nem pensar.
— E se você mentir, vai ser pior.
revirou os olhos com a ameaça.
— A pessoa é da Sonserina.
Fred e Jorge se olharam, compartilhando um sorriso maldoso. Jorge deu alguns tapinhas no topo da cabeça de , como se fizesse carinho em um cachorro. Ela deu um tapa na mão do garoto, zangada, e deu um passo para trás para se afastar.
— Olhe só, Fred, duas traidoras na casa das cobras.
— Ok, tchau. – pegou Zara pelo braço e elas se viraram para sair dali, mas a voz de Fred fez as duas pararem.
— Vamos discutir isso no nosso escritório. A Sonserina está cheia de alunos curiosos esse ano. – O ruivo respondeu, apontando com a cabeça para o garoto de cabelos platinados que observava a conversa do outro lado do corredor, mas que se virou raivoso e foi embora quando percebeu ter sido notado. Os gêmeos desceram do muro com um salto.
— Escritório? – franziu a testa, trocando um olhar com Zara enquanto acompanhava os dois.
— Bom, na verdade é só o vão debaixo da escada principal. – Respondeu Fred.
— Pegamos essa ideia do Harry. – Completou Jorge, embora nenhuma das duas tivesse entendido o que ele quis dizer.


— Eu acho que estou ouvindo alguma coisa, professor. – arriscou, os olhos atentos na harpa, sua varinha erguida na direção do instrumento.
Quirrell, que estava sentado em sua mesa do outro lado da sala, deu uma risadinha e ela se conteve para não revirar os olhos.
— N-não o-o-ouço nada, B-black.
— Tem certeza? Eu juro que estou ouvindo bem baixinho. – Ela deu um sorriso inocente para o professor, que arqueou as sobrancelhas.
— B-b-black...
— Ok, não tem som nenhum. – Ela abaixou a varinha e se jogou em uma cadeira, frustrada. – Professor, deve ser a terceira aula que eu tento esse feitiço e nada acontece, não podemos pular para o próximo? – Ela choramingou.
Quirrell jogou sua capa para trás e se levantou, indo até a garota com um sorriso que odiava. Quando o professor parou ao seu lado, ela sentiu o já costumeiro mal estar, sua cabeça latejando e a visão embaçando. Ela respirou fundo, tentando se concentrar, e enfiou a mão no bolso de sua capa para alcançar um dos chocolates que Draco dera mais cedo. Eles podiam não funcionar, mas pelo menos o doce aliava o gosto ardido causado pelo cheiro do professor. sempre se perguntava se algum dia ele sequer lavara aquele turbante. Discretamente, enfiou o chocolate na boca.
— V-vo-você n-n-não po-po-de desis-ti-tir assim, Black. É u-uma d-d-das melhores a-a-alunas d-d-do seu ano. Te-tenho ce-ce-certe-teza d-de que v-vai conseguir.
Ela imaginou que o professor estava sorrindo para ela com a melhor das intenções, mas ela não se comoveu nenhum pouco. Muito pelo contrário, só ficou mais irritada ainda.
— Estou seriamente duvidando disso. – Ela resmungou. – Senhor, com todo respeito, eu gosto muito de praticar depois das aulas, mas eu gostaria de entender por que o senhor me escolheu para isso, não vi mais nenhum outro aluno recebendo esse treinamento. – Ela questionou, intrigada, balançando os pés na cadeira para frente e para trás.
Quirrell limpou a garganta e pareceu hesitar por um segundo, o que julgou ter sido ele pensando se contaria ou não para a garota que ela só estava ali por ele se compadecer com os constantes enjoos dela, mas, quando ele falou, tinha mais um daqueles sorrisos perturbadores no rosto.
— A s-s-sen-sen-horita é m-m-muito talentosa, s-sen-horita B-black. Ac-credito que t-t-todo ta-ta-lento c-c-como seu d-deva ser in-incentivado, é m-meu pa-pa-pa-pel de p-p-professor.
— Acho que está sendo bem decepcionante então eu não conseguir enfeitiçar uma simples harpa. – Ela deu um risinho sem humor. Por mais que não gostasse de Quirrell, ela odiava não ser capaz de fazer alguma coisa e queria mostrar para ele que conseguia fazer qualquer coisa. Ela não queria decepcionar ninguém. Mesmo se ele a passasse uma nova tarefa, ela sabia que iria insistir na droga da harpa até dar certo.
— É u-um f-f-fei-ti-tiço c-c-com-complicado para uma a-a-aluna d-do pri-primeiro ano, se-senhorita Black, m-mas e-e-eu sei que v-v-ocê vai c-c-conseguir.
— Claro, daqui oitenta anos. – Ela revirou os olhos e o professor fez uma careta engraçada.
— N-n-não se ap-p-presse, B-black. Mag-gia d-de qualidade d-d-deve ser fe-feita com calma e mu-muito tre-tre-treino. Le-leve o tempo q-que precisar.
notou algo curioso no olhar de Quirrell enquanto ele falava. Ela cresceu aprendendo a esconder alguns segredos, como sua relação com os Tonks, e se tornou muito boa em identificar mentiras e verdades – o que sempre foi muito útil quando Draco escondia os últimos doces em casa e dizia para ela que haviam acabado. Ali, no olhar de Quirrell, a garota conseguia ver claramente que, apesar de o professor afirmar que não havia pressa para ela aprender aquele feitiço, algo dizia exatamente o contrário. guardou esse pensamento, sem saber muito bem o que fazer com ele.
Então, sorriu para o professor, desanimada, limpou a mente para se concentrar – e tentar ignorar a dor em sua cabeça – e ergueu novamente sua varinha para a harpa.


— O que você estava falando com aqueles dois hoje? – Draco questionou , que estava sentada com Zara em uma das mesas na sala comunal da Sonserina fazendo seu dever de Defesa Contra as Artes das Trevas. A garota respirou fundo, sem paciência para o primo que a tinha ignorado o dia todo.
— Nada, Draco. – Ela respondeu sem parar de escrever.
Draco puxou a cadeira livre ao seu lado e se sentou, irritado.
— Você já mentiu melhor.
deu uma risada sem humor e pousou sua pena na mesa, se virando para ele.
— E você saberia o que eu estava fazendo se não estivesse tão ocupado com idiotices o tempo todo. – Ela revidou. Zara soltou um risinho, mas não levantou o olhar.
Draco estreitou os olhos.
— O que quer dizer com isso?
— Que eu estou vivendo um inferno por causa das mentiras da sua amiguinha e você não faz nada para me ajudar. – Ela ralhou, um pouco magoada, mas muito furiosa.
— Eu achei que você já tivesse ajuda o suficiente com a sua amiguinha. – Draco apontou os olhos para Zara, cerrando os dentes. Zara ignorou a acusação, fingindo não ouvir nada.
— Pelo menos alguém me ajudou. – Ela fuzilou Draco com o olhar e ele estreitou os olhos, indignado.
— Se você não tivesse ameaçado Pansy no dormitório, nada disso teria acontecido.
— Você está dizendo que a culpa é minha?!
— Eu não...
Um barulho alto de explosão cortou Draco e os três se viraram assustados em direção ao som, aparentemente vindo da direção dos dormitórios femininos. Eles ouviram alguns gritos e imediatamente sentiram um cheiro podre tomar conta da sala. Todos os alunos que estavam ali taparam os narizes, sem entender nada.
— Mas o que...
— Vocês são malucas! – Pansy Parkinson berrou, saindo do corredor que levava até os dormitórios, acompanhada de Daphne Greengrass, a quarta moradora do dormitório de , Zara e Pansy, que parecia horrorizada. – Duas loucas! – Ela foi direto até e Zara, que tentavam segurar a risada vendo a garota completamente coberta de... não conseguiu se controlar e gargalhou. Daphne relutou, mas segurou a amiga pelo braço, ignorando a sujeira, tentando arrastar a garota para fora da sala.
— Perfume gostoso, Parksinson, combina com sua personalidade. – debochou, deixando Pansy mais furiosa do que já estava. Alguns alunos deram risadinhas.
— Eu vou te matar! – Pansy se desvencilhou da mão de Daphne e avançou em , mas Draco se colocou entre as duas, sua varinha encostando no ombro de Pansy enquanto ele a encarava com nojo, evitando encostar na garota.
— Que tal um banho primeiro? – Ele disse, a voz anasalada por evitar respirar.
— Acho melhor jogar na privada e dar descarga. – Provocou Zara com um sorriso maldoso.
— Isso não vai ficar assim.
Pansy grunhiu e saiu furiosa pela porta da masmorra, sendo seguida por Daphne, e e Zara gargalharam. Draco encarou as duas, desacreditado.
— Me diz que vocês não explodiram uma bomba de bosta no quarto de vocês.
trocou um olhar divertido com Zara.
— Nós não explodimos uma bomba de bosta no nosso quarto. – Ela deu de ombros.
Draco passou as mãos pelos cabelos milimetricamente penteados, nervoso.
— Vocês estão muito ferradas! Parkinson vai direto contar para Snape e, se ele já tirava pontos de você sem motivo antes, vai deixar a Sonserina zerada depois disso!
revirou os olhos.
— Quero ver ela tentar provar alguma coisa.
— Tentar provar? Ela está coberta de bosta! – Ele disse, exasperado.
As duas gargalharam de novo e ele fechou a cara.
— Draco, ela passou as últimas semanas inteiras espalhando um monte de mentiras sobre mim para toda a escola e colocando insetos nas minhas meias. Ela mereceu!
— Ainda assim, bomba de bosta, ! – Ele exclamou e o olhou indignada.
— Da próxima vez vou resolver com a mesma classe que você, talvez eu devesse ter roubado alguma coisa dela e jogado pelos ares só para ver Pansy cair da vassoura na frente de todo mundo. – Ela respondeu, irônica, lembrando Draco sobre o episódio do lembrol de Neville. O garoto se calou, não conseguindo encontrar nenhuma resposta, e sorriu para ele. – Foi o que pensei.


, querida, como está?
Estávamos tão ansiosos esperando uma carta sua, achamos que pudesse ter se esquecido de nós! Quando Perséfone chegou, fizemos uma festa.
Querida, quantas vezes nós vamos precisar lhe dizer que, não importa o que aconteça, sempre estaremos com você? , a única coisa que pode definir quem você é, é você mesma. Você ir para a Sonserina não diz nada além do fato de que você é uma garota determinada, confiante e, acima de tudo, muito astuta. E nós confiamos que você irá usar todas essas ótimas qualidades para seguir seu coração da melhor forma. Creio que nunca te contei isso, mas, assim como você, também fui da Sonserina. Eu fiz as minhas escolhas, , você também irá fazer as suas e todos nós estaremos ao seu lado.
Ficamos tão felizes em saber que você encontrou uma boa amiga! Quanta a Potter, não fazemos ideia do quanto o garoto sabe, mas não se preocupe com isso, querida, você não tem nada a ver com o que aconteceu. Sobre Snape, ignore-o como pessoa e tente absorver dele somente os ensinamentos durante as aulas. Ele sempre foi extremamente desagradável, mesmo quando aluno.
Continue fazendo amizades, se divertindo e aprendendo tudo o que puder. Nós temos certeza de que você será grandiosa e continuará nos enchendo de orgulho como sempre fez. Se sua mãe estivesse aqui e seu pai pudesse saber a garota maravilhosa que você se tornou, os dois estariam absurdamente felizes e orgulhosos.
Aproveite Hogwarts, . Nos escreva toda semana, por favor. Estamos enviando alguns presentes, esperamos que goste.
Nós te amamos!
Com muito amor, tia Andrômeda e tio Ted.
PS.: sabemos que Ninfadora enfiou algumas coisas escondidas no embrulho, saiba que não nos responsabilizamos mais por essa garota. Desistimos dela faz tempo.”
riu, limpando as lágrimas em seus olhos, sentindo como se um peso enorme tivesse sido tirado repentinamente de suas costas e o coração agora pudesse bater muito mais tranquilo, e vasculhou o embrulho ao seu lado no degrau, pegando a segunda carta e a abrindo.
“EU SABIA QUE VOCÊ ERA UMA COBRA, BLACK! EU AVISEI MINHA MÃE, DESDE O DIA EM QUE TE VI PELA PRIMEIRA VEZ, TODA CATARRENTA, QUE AQUELA CRIATURA NÃO ERA COISA BOA! VEJA SÓ NO QUE DEU!
, sua grande idiota. Como você pode achar que eu iria te odiar por ser da Sonserina? Ok, eu tenho a minha grande parcela de culpa por ter falado mais do que devia todos esses anos sobre minha experiência com sonserinos, mas talvez eu tenha exagerado um pouquinho. Até porque, se todos os sonserinos fossem malvados e sem coração, seria impossível minha mãe ter uma filha tão maravilhosa como eu.
Aproveite sua glória, gatinha. Ser da Sonserina deve ter muitas vantagens – mas pegue leve com os lufanos, por favor. Nós só queremos um mundo melhor e é muito difícil fazer isso com vocês tentando enfiar nossas cabeças na privada o tempo todo.
Queria muito estar aí com você, mas fico feliz em saber que você gostou da macieira. É um ótimo lugar para ficar com os amigos e, daqui alguns anos, para outras coisas que você ainda vai descobrir.
Não se preocupe com Snape, ele odeia todos os alunos, nem sei como esse cara acha que é uma boa ideia ele ser professor.
Eu te amo, sua cobrinha. Nada no mundo vai mudar isso. Me mande uma carta sempre que precisar, ok? Eu estou morrendo de saudades de você!
Ah, e se você pensar em seguir para o lado clichê dos sonserinos, com todo o lance das trevas, saiba que meu treinamento como auror está sendo muito eficaz e que eu não vou pensar duas vezes antes de dar um chute nessa sua bunda.
Espero que goste dos presentes! Com amor, Dora.

enfiou a mão na embalagem mais uma vez e procurou por alguma coisa, levando um susto quando sentiu algo se movimentar. Ela puxou a mão, curiosa, e espiou o pacote.
Lá dentro, além de alguns laços de cabelo verde e um medalhão prateado, algumas cobrinhas de chocolate estavam rastejando, meio emboladas umas nas outras. gargalhou, balançando a cabeça. Dora era ridícula.
— Ok, estou morrendo de curiosidade para saber o que foi capaz de te dar tantas expressões diferentes ao mesmo tempo. Você fica muito engraçada chorrindo, Black.
levou um susto, erguendo a cabeça para ver quem havia dito aquilo, dando de cara com Cedrico Diggory parado alguns degraus abaixo, encostado na parede com a mesma expressão relaxada que ela vira no outro dia.
— O que está fazendo aqui? Há quanto tempo você tá parado aí?! – Ela questionou, indignada. Ele riu e subiu a escada, se sentando um degrau abaixo dela.
— Tempo suficiente para te ver chorar, rir, chorar, chorar e depois rir de novo.
— E não passou pela sua cabeça que talvez eu precisasse de privacidade? – Ela arqueou as sobrancelhas. Ele deu de ombros.
— Estou te cedendo meu lugar especial, Black, tenho todo o direito de ficar aqui.
— Não vi nenhuma placa com seu nome, Diggory.
— Vou providenciar uma, então, quem sabe assim eu evito intrusos como você.
Ela riu, revirando os olhos.
— Você é muito convencido, já te falaram?
— Não, mas espero que você não decida explodir uma bomba de bosta no meu quarto por isso. – Ele arregalou os olhos teatralmente. abriu a boca, surpresa.
— Como você sabe?
Cedrico a olhou com se ela tivesse oito olhos.
— Todo esse tempo em Hogwarts e ainda não entendeu que as fofocas por aqui voam mais rápido do que uma Nimbus 2000? Eu esperava mais de você.
— Bom, saiba que foi merecido.
— Que garota mais vingativa.
Ela ignorou Cedrico e puxou uma das cobrinhas de chocolate do fundo da embalagem. A cobrinha deslizou por sua mão, se enrolando em seu pulso. Ela ergueu a embalagem para Cedrico, que enfiou a mão lá dentro e pegou outra cobrinha, a expressão curiosa, e os dois morderam seus doces.
— Que sensação engraçada. – Cedrico comentou, sentindo o chocolate dançar em sua língua.
deu uma risadinha e tornou a enfiar a mão no pacote para pegar os laços e o medalhão. Ela achou os laços lindos, mas o medalhão foi o que mais chamou sua atenção. Era prateado e oval, com um desenho engraçado que não entendeu de primeira. Analisando melhor, percebeu que, na verdade, era um relicário.
— Você faz ideia do que é isso? – Ela questionou, entregando o objeto para Cedrico. Ele observou os desenhos por alguns segundos e deu um sorriso.
— Tá vendo esses pontos aqui? – Ele passou o dedo pelas marcações, que eram pequenos relevos na joia, brilhantes. – É a constelação do Cão Maior, já ouviu falar?
observou os pontos e balançou a cabeça negativamente.
— Bom, esse ponto maior aqui – Ele parou o dedo no local onde o relevo era mais profundo e brilhava bem mais do que os outros. – é a estrela mais brilhante do céu visível a olho nu. – Ele fez uma pausa, mordendo o lábio, apreensivo. – Ela se chama Sirius.
ficou imóvel, sentindo seu corpo se arrepiar. Ela estendeu a mão trêmula para Cedrico, que a devolveu o objeto um pouco hesitante. Ela abriu o relicário e um papel estava dobrado dentro dele. Num movimento automático, desdobrou o pequeno pedaço de pergaminho.
— “Sua mãe deixou isso comigo antes de morrer e acho que agora você poderá usá-lo sem precisar escondê-lo. É para você nunca se esquecer de que eles estão sempre com você. Andrômeda”. – Ela leu em um sussurro.
Ela observou o interior do colar. De um lado, uma foto de um jovem casal, ele de cabelos negros e ela de cabelos loiros. A foto se mexia, os dois se abraçando e sorrindo um para o outro, compartilhando um olhar apaixonado e ela mostrando a língua para ele logo em seguida. Do outro lado, o mesmo casal agora segurava uma criança, um bebê que deveria ter por volta de um ano. O rapaz dançava com a garotinha nos braços, rodopiando enquanto ela ria sem parar, animada, e a mulher observava os dois, rindo.
— São seus pais? – Cedrico perguntou, a voz cautelosa.
Ela não percebeu que estava chorando até o momento em que precisou fungar para poder responder. Ela passou as mãos nos olhos, limpando as lágrimas.
— Sim. – Respondeu em um sussurro, a voz embargada.
— Você tá bem? – Ele perguntou, sem saber muito bem o que fazer. Sentia que não devia estar ali, participando daquele momento, mas achou errado ir embora.
— Estou sim. – Ela deu um sorrisinho que não chegou aos seus olhos.
— Quer saber? Que tal irmos lá na cozinha e ver se conseguimos alguma coisa para comer? Os elfos sempre me dão alguns pudins.
Ela riu um pouco, balançando a cabeça.
— Você não precisa fazer isso, Diggory.
Ele franziu a testa.
— Fazer o que?
— Ser legal, se sentir obrigado a me animar. – Ela fez uma careta e deu de ombros. Ele abriu um sorriso convencido.
— Primeiro, eu sou sempre legal. Segundo, não estou sendo obrigado a nada. Só gosto de comer pudins quando estou meio triste e achei que você poderia gostar, senhorita cabeça-dura.
riu, um pouco mais animada agora, e sorriu agradecida para ele enquanto juntava seus pertences e se levantava.
— Obrigada, Diggory, mas acho que prefiro levar isso tudo até meu quarto para guardar e ficar um pouco sozinha.
Cedrico sorriu.
— Sem problemas. Você vai ficar bem?
revirou os olhos e ele riu, vendo que ela estava voltando ao normal.
— Sim, senhor. – Ela desceu alguns degraus enquanto ele ria, mas se virou antes da curva da escada. – Obrigada novamente, Diggory. Seria legal se você não...
— ... não falasse sobre isso para ninguém? Fica tranquila, Black, eu sou um túmulo. – Ele piscou e passou um dedo pelo lábio, como se estivesse fechando um zíper.
deu mais uma risadinha e balançou a cabeça em agradecimento, sumindo escada abaixo.



Capítulo 03

não esperava que, dois meses e uma fofoca sobre a explosão da bomba de bosta depois, ela estivesse se sentindo tão mais à vontade em Hogwarts a ponto de ter alguns alunos sorrindo para ela pelos corredores, a achando divertida. Ainda tinha quem a olhava torto, mas ela percebeu que simplesmente não se importava mais com isso.
Agora, ela tinha amigos. Zara era a melhor companhia que ela poderia desejar e adorava finalmente ter uma garota da mesma idade como amiga. Ela sempre teve Dora, mas com Zara era algo completamente diferente, uma amiga que ela conquistara por ser ela mesma, e não parte da família, e ela gostava muito disso. Cedrico, mesmo que não fosse propriamente um amigo, era uma surpreendente agradável companhia de vinte ou trinta minutos enquanto ela lia e escrevia suas cartas, e sentia que podia confiar no metidinho da Lufa-Lufa já que ele não contara sobre o dia do medalhão para ninguém, nem mesmo voltou a tocar no assunto. Também tinha feito outras amizades um pouco mais... excêntricas. Depois de ter ajudado Neville na fatídica aula de Poções, o garoto passou a ter uma certa adoração por ela. achava engraçado e até gostava dele, além de ser muito útil durante as aulas de Herbologia.
E Draco... bom, Draco era Draco. Era seu primo, a pessoa que ela mais conhecia nesse mundo e, acima de tudo, seu melhor amigo desde que se entendia por bruxa. E era exatamente por conhecer o garoto tão bem que ela não se surpreendia com as atitudes dele, embora ela desejasse profundamente que ele não as fizesse. Ela sabia como ele pensava e que ele não considerava as novas amizades de dignas, mas ela não estava disposta a abrir mão disso só por causa dele – ele mesmo tinha as próprias amizades que não aprovava e parecia não se importar nenhum pouco com a opinião da prima. Então o relacionamento dos dois estava numa eterna gangorra de momentos de paz, porque eles simplesmente se ignoravam, e momentos de discussões acaloradas, porque eles decidiam se confrontar. Às vezes, desejava que tia Narcisa estivesse ali para obrigar os dois a pedirem desculpas um para o outro, já que ela sabia que, espontaneamente, nenhum dos dois faria isso. Bendito sangue da família.
foi tirada de seus devaneios quando Neville bateu com a varinha na testa dela.
Estavam aprendendo a fazer objetos voarem na aula de Feitiços com o Professor Flitwick e Neville estava sentado à sua esquerda com Dino Thomas, um garoto bem bonitinho, mas muito chatinho, agitando sua varinha de uma forma muito perigosa. soltou uma exclamação de dor e olhou brava para o garoto, que estava vermelho como as vestes da Grifinória.
Zara, do seu outro lado, ria disfarçadamente. Draco, no outro canto da sala, ria abertamente.
— Longbottom, você vai cortar minha cabeça desse jeito. Por Merlim, é assim que...
— Você está fazendo o feitiço errado! – A voz irritante de Hermione Granger, que estava sentada na mesa da frente com Ronald Weasley, a cortou. – É Wingardium LeviÔsa, e não LeviosÁ!
Ronald largou sua varinha na mesa, bravo.
— Faz você então, sabichona! – Ele rebateu.
Hermione enrolou as mangas das vestes e bateu a varinha em sua pena.
Wingardium Leviosa!
E a pena flutuou por quase um metro acima da cabeça deles, arrancando elogios do professor e de outros alunos da Grifinória. revirou os olhos, contendo a vontade de botar fogo na pena. Ronald tinha razão ao chamar Hermione de sabichona, se irritava muitas vezes com a mania insuportável da garota de querer responder todas as perguntas em todas as aulas, mas não podia negar que ela era realmente inteligente. Zara dizia que não gostava muito de Hermione porque as duas eram grandes sabichonas, ao que a mandava calar a boca.
— Viu só, Neville? Girar e sacudir, e não agredir alguém. – Ela bateu sua varinha na pena sobre sua mesa, limpando a garganta. – Wingardium Leviosa!
Sua pena subiu, não tão alto quanto a de Hermione, mas o suficiente.
— Muito bem, muito bem! Cinco pontos para Grifinória, por Hermione Granger, e cinco pontos para Sonserina, por Black! Vejam só!
Os alunos da Sonserina fizeram uma festa pela conquista e Zara olhou engraçado para . Ela sabia o que a amiga queria dizer, por isso a deu um beliscão.
Ao final da aula, Dino zombava de Neville por receber instruções de uma garota da Sonserina e estava pronta para iniciar uma discussão, enquanto andavam atrás de Ronald Weasley e Harry Potter no corredor, quando a voz de Weasley se sobressaiu.
— Não admira que ninguém suporte ela. Ela é um pesadelo! – Ronald praticamente gritou, de muito mau-humor.
E então Hermione passou por eles e tinha certeza de que ela esbarrou propositalmente em Potter e que estava chorando. Zara se enfureceu ao seu lado.
— Como são idiotas, os dois! Além de muito burros são dois grandes cabeças de bosta! – Ela bravejou e os dois se viraram para elas.
Harry se assustou com a garota, mas parecia um pouco aborrecido também.
— Acho que ela ouviu o que você disse, Rony...
— E daí? – Ronald respondeu, mas pareceu meio sem graça, o rosto pegando fogo. – Ela já deve ter reparado que não tem amigos.
deu um passo na direção deles que, instintivamente, deram um passo para trás.
— Talvez se você passasse menos tempo falando bobagens e mais tempo aprendendo alguma coisa, não ia precisar ser humilhado em todas as aulas, Weasley.
Ronald ficou branco.
— Eu... Eu não... – Ele gaguejou, parecendo que ia cair duro. Uma outra voz se fez presente na minidiscussão.
— Problemas com a escória, ? Esses dois panacas estão te incomodando?
se virou para Draco, surpresa e mais aborrecida ainda. O primo a ignorara o dia inteiro e agora queria agir como se ele se importasse com ela? Ele era mesmo um tremendo babaca.
— Não preciso da sua ajuda, Draco. Vá lustrar seus sapatos.
E puxou Zara para longe, deixando os três garotos imóveis.


— Buuu!
deixou seus livros caírem no chão, se assustando com a voz repentina, e tropeçou nos próprios pés, sendo segurada por uma mão antes que caísse da cara no corredor, arrancando risadas de alguns alunos que passavam.
— Mas o que...? – Ela se virou, confusa e aborrecida, para ver quem a segurava.
Cedrico tinha um sorriso maroto no rosto, a mão ainda a mantendo segura.
— Feliz Halloween, Black. Eu sabia que você era do tipo que se assustava fácil.
revirou os olhos, puxando o braço.
— Claro, com essa fantasia horrorosa que você está usando, quem não se assustaria? – respondeu, irônica, e depois abriu a boca em um falso choque. – Oh, me desculpe, não é fantasia nenhuma, é apenas o seu rosto.
Cedrico gargalhou, animado como sempre, e escondeu um sorriso. Ele parecia um filhotinho de cachorro.
— Senti saudade do seu senso de humor.
— Uma pena que não posso dizer o mesmo. – Ela respondeu e tornou a andar, com ele ao seu lado.
— Sempre tão doce. – Ele continuava a sorrir. – Para onde você está indo?
torceu a boca.
— Para a aula da Minerva, mamãe. Esqueci meus livros no dormitório e precisei voltar para buscar. Acredita que não podemos usar Accio para a maioria das coisas aqui? Eu acho isso um absurdo.
Cedrico deu uma risadinha.
— Eu sei, descobri isso no primeiro ano da pior forma. Esqueci minha blusa e fui para uma aula do Snape no meio de dezembro e, depois que eu tentei convocar meu agasalho e falhei, ele deixou as masmorras mais geladas ainda. Passei uma semana na enfermaria para me recuperar da gripe. – Ele bufou e riu, sabendo que isso era bem típico de Snape e que, se fosse com ela, provavelmente ele faria nevar dentro da sala. – Ei, eu queria saber se você já está sabendo do jogo que vai acontecer daqui algumas semanas.
franziu o cenho, confusa.
— Acho que sim, é da Sonserina, certo?
— E da Lufa-Lufa. – Ele lembrou.
Ela sorriu, maldosa.
— Sempre me esqueço da existência dessa casa, ops.
Cedrico estreitou os olhos.
— Engraçadinha.
— Pensei que gostasse do meu senso de humor. – Ela deu de ombros.
— Enfim, vai ser o nosso primeiro jogo contra a Sonserina desse ano e eu vou jogar como apanhador, seria legal se você fosse.
Ela ficou francamente surpresa por alguns segundos. Os dois não costumavam interagir muito fora da Torre de Astronomia, apenas se cumprimentando quando se viam pelos corredores. Mesmo que considerasse o garoto e que até gostasse da companhia dele, embora nunca fosse admitir, ela não esperava por isso.
— Claro, eu... – limpou a garganta, que tinha ficado um pouco seca de repente. – Eu vou sim. Para ver a Lufa-Lufa perdendo, é claro. – Ela acrescentou rapidamente, recobrando sua postura usual.
Cedrico, para variar, riu.
— Ótimo, assim você já pode ir se preparando para quando for jogar contra mim no ano que vem.
arqueou as sobrancelhas.
— E o que te faz pensar que eu vou querer entrar para o time de quadribol, Diggory?
Ele deu um outro sorriso espertinho.
— Você, Black. Quando disse que sentia falta de voar com seu primo. Imaginei que fosse querer jogar quando pudesse.
se surpreendeu pela segunda vez no dia. Da última vez em que se encontraram na Torre, ela estava lendo uma carta que havia acabado de receber de seu tio Lúcio e ele a havia questionado sobre as aulas de voo, que ambos consideravam patéticas. Quando Cedrico perguntou qual era o motivo do bico da garota, ela respondera rapidamente que era porque estava com saudade de poder voar de verdade por aí em sua vassoura, e não naqueles trapos horrorosos e vergonhosos que a escola oferecia para as aulas. Foi um comentário tão bobo que não acreditava que ele se lembrava. De qualquer forma, ela respondeu com um sorriso irônico.
— Bom, reze para isso não acontecer, Diggory.
Ele a encarou, confuso, e eles pararam em frente à sala de Transfiguração.
— Por quê?
O sorriso de cresceu.
— Porque eu te faria chorar no primeiro jogo.
Ele abriu um sorriso.
— Suas ameaças são mais fofas do que as de Flint, sabia?
Ela rolou os olhos e estava pronta para retrucar quando um furacão ruivo apareceu em sua frente. Um, não. Dois.
— Olá, Sonserina. – Fred Weasley anunciou com um sorriso largo no rosto.
— Como vai, Black? Pensando em explodir alguma coisa hoje? – Jorge falou, apoiando um braço no ombro do irmão.
— Sabe, o nosso negócio cresceu consideravelmente depois do seu ato de rebeldia no dormitório feminino. Estamos sem estoque de bomba de bosta, sabia? – Fred continuou.
— Mas temos outros produtos que podem te interessar. Que tal aproveitar a noite de Halloween para algumas travessuras? – O outro gêmeo completou.
riu, desacreditada.
— Vocês estão tentando me usar para vender mais produtos? – Ela questionou, divertida.
Fred deu de ombros.
— Sim.
— Mas – Jorge falou, com o dedo indicador levantado enquanto tentava justificar seu ponto. – se você tiver alguma coisa em mente para hoje, nós oferecemos o que você precisar de graça.
abriu um sorrisinho maldoso.
— Vocês têm alguma coisa aí que pode deixar um mauricinho de cabelinho lambido careca?
— Você vai atacar Draco dessa vez? – Cedrico, que estava só observando, questionou.
— Não, eu estava falando de você mesmo. – Ela respondeu, alargando o sorriso, e ele revirou os olhos. – Muito obrigada pela oferta, Weasley, mas hoje eu pretendo ter uma noite tranquila e sem confusão nenhuma, desculpa.
Jorge a olhou decepcionado.
— Eu esperava mais de você, Black.
— Mas você sabe onde fica o nosso escritório caso mude de ideia. – Fred piscou para ela, que riu.
— Só pode ser brincadeira. – Uma outra voz se fez presente, chamando a atenção do grupo.
Parado atrás deles estava Draco, com a maior cara de desgosto que já vira, rodeado por seu grupinho. Ela respirou fundo, mas mordeu o lábio para não rir. Sabia que Draco deveria estar à beira de um ataque do coração com a visão: ela conversando com os gêmeos Weasley e Cedrico. Ela desejou que Zara também estivesse ali, completando o grupo dos indignos, só para deixar Draco mais bravo ainda.
— Não sabia que você gostava tanto de fazer caridade, . – Ele comentou ao passar com os amigos por eles e entrou na sala, sem nem olhar na cara dela.
conteve uma vontade tremenda de tirar sua varinha da capa e azarar o primo.
— Tem certeza de que não quer mesmo nenhuma travessura para hoje, Black? – Fred questionou, arqueando uma sobrancelha sugestivamente.
Ela estreitou os olhos por alguns segundos, encarando as costas de Draco dentro da sala e avaliando verdadeiramente a proposta, mas balançou a cabeça em negação.
Ela queria transformar Draco em uma barata naquele momento? Sim. Ela era idiota o suficiente para ser incapaz de fazer qualquer coisa contra o primo? Talvez.
Antes que mudasse de opinião e decidisse aceitar a oferta dos gêmeos, ela bufou, irritada, e entrou na sala, deixando os dois irmãos e Cedrico para trás enquanto caminhava até a mesa onde Zara já a esperava.
Uma noite tranquila e sem confusão, ela repetiu para si mesma, sentando-se.


Zara torceu a boca, vendo as centenas de morcegos que sobrevoavam o salão principal como parte da decoração da festa de Halloween. Odiava morcegos. , que não era muito fã deles também, preferiu acompanhar Zara na missão de pegar suas comidas e levá-las escondidas até algum canto do castelo para comerem em paz.
Estavam rindo e comendo, jogadas no chão do terceiro andar completamente vazio. A luz do luar entrava pelas janelas e as duas brincavam de fazer sombras nas paredes.
— O que diabos é isso, Zara?
— Ai, , é óbvio, é o Mickey Mouse!
— E isso existe?
— Claro que existe, é um rato que fala, outro desenho animado.
torceu o rosto.
— Por que um desenho de um rato que fala seria legal?
— Legal?! É incrível! Existe até um parque de diversões por causa dele, ele é o rato mais famoso do mundo!
riu.
— Um parque para um rato? Zara...
Um soluço que mais parecia um latido de cachorrinho vindo do banheiro das meninas, logo à esquerda, chamou a atenção das duas.
— Isso foi o Pirraça? – Zara perguntou, se ajeitando para evitar levar um susto do Potergheist que vivia no castelo.
— Pirraça está lá embaixo comemorando, ouvi o Barão Sangrento dizer que ele conseguiu uma autorização para celebrar junto com os outros fantasmas. – respondeu, dando de ombros. – Deve ser só uma coruja ou...
E ouviram mais uma vez o soluço. Definitivamente não era uma coruja. As duas se levantaram, arrumando as vestes e enfiaram os morceguinhos de alcaçuz que sobraram nos bolsos.
— Vem, vamos ver o que é isso. – puxou a amiga pelo braço.
, eu cresci com trouxas e, nos nossos filmes, quando as pessoas ouvem um barulho estranho em um lugar isolado e vão ver o que é, em vez de fugir, acabam mortas. – Zara brincou, fingindo espanto, mas tão curiosa quanto a amiga para saber o que estava acontecendo.
— Os filmes trouxas parecem horríveis.
As duas entraram no banheiro das meninas e ouviram um chiado vindo de uma das cabines, logo identificado como um choro. Elas se entreolharam, sem saber muito bem o que fazer, e Zara limpou a garganta.
— Er, está tudo bem? Você precisa de ajuda?
— Me deixem em paz! Já disse que não quero ser incomodada! – Uma voz feminina gritou da cabine, embolada. No mesmo instante, reconheceram a voz de Hermione.
suspirou. Não acreditava no que ia dizer.
— Granger, você está perdendo uma festa muito animada lá embaixo por causa daqueles dois idiotas. Sabe, você deveria sentir orgulho por ser inteligente e não chorar porque um asno como o Weasley disse alguma coisa estúpida. É só isso que ele sabe dizer.
Zara a olhou com a boca escancarada e revirou os olhos.
Um silêncio se fez e elas ouviram Hermione fungar uma última vez, finalmente abrindo a porta. Ela tinha a cara amassada e as duas se sentiram mal ao vê-la daquele jeito. Hermione pareceu surpresa ao ver quem é que estava do lado de fora.
— Obrigada. – Hermione respondeu, um pouco sem graça, e as três se olharam sem saber muito bem o que dizer. Novamente, Zara tomou a dianteira.
— Eu tenho certeza de que você pode muito bem azarar os dois a qualquer momento, então considere-se sempre misericordiosa por não os fazer passar por humilhações assim. Além do mais, minha mãe sempre disse que garotas nunca devem chorar por causa de garotos.
As três riram e Hermione ajeitou os cabelos.
— Sabem, eu sei que posso ser um pouco chata às vezes, falando demais ou dando a impressão que quero ser – Hermione torceu a boca. – sabichona, mas é que eu estava tão ansiosa para vir para Hogwarts que acabei me empolgando. Sou a primeira bruxa na família, então... – Ela corou. Zara estalou a língua.
— Nem me diga! Venho de uma família de trouxas, nunca nem tínhamos ouvido falar em Hogwarts até eu receber a carta. Meus pais acharam que era uma pegadinha de televisão e quase não me deixaram vir.
— Eu não sei o que é televisão e não cresci numa família trouxa, mas, se serve de consolo, eu li todos os livros escolares antes de vir para cá. Umas três vezes cada. – confessou e as três caíram na risada de novo.
— Eu acho que não precisamos disso, mas, Hermione Granger, Grifinória. – Hermione estendeu sua mão para as duas, um pouco receosa.
Zara sorriu e foi a primeira a apertar a mão dela.
— Zara Gryon, Sonserina.
Hermione se virou para , se sentindo estranha, mas, ao mesmo tempo, ligeiramente confortável com a situação.
Black, Son...
Um grande estrondo assustou as três, que gritaram e correram para o fundo antes que a porta de entrada do banheiro caísse em cima delas.
Algo dizia que a noite tranquila e sem confusão de tinha sido destroçada junto com a porta do banheiro. Fred e Jorge ficariam furiosos ao descobrirem que nenhuma travessura de Halloween que possam ter planejado para hoje chegaria aos pés daquilo.
Um grande trasgo encarava as três com seus olhos miúdos em uma cabecinha incrivelmente pequena para seu corpo de quase quatro metros de altura. Em suas mãos, ele segurava um bastão que, antes que pudessem sequer se mexer, ele lançou contra as cabines, fazendo pedaços de madeira voarem por todos os lados e as três garotas se atirarem em cantos diferentes do banheiro, tentando se proteger.
— Zara, a minha varinha! – gritou para a amiga, que tinha caído ao lado da varinha que ela deixou escapar de suas mãos.
Zara tentou agarrar o objeto, mas o trasgo lançou seu bastão na pia onde ela estava escondida, fazendo com que ela fosse atingida por um pedaço da cerâmica e caindo desacordada no chão.
— Zara! – Hermione gritou, tentando correr até a garota. O trasgo se virou para ela, atraído pelo som de sua voz, e a encurralou em uma parede.
De repente, dois garotos entraram correndo pelo buraco onde antes ficava a porta. Harry Potter gritou:
— Distrai ele!
E Ronald Weasley agarrou um pedaço de tora e jogou na cabeça do trasgo. O trasgo se virou, mas focou em Harry, partindo para cima dele com o bastão erguido.
Por mais que não fosse muito com a cara dos dois, não queria que Potter virasse comida de trasgo e começou a gritar e a jogar tudo o que via pela frente na criatura, enquanto Weasley fazia o mesmo do outro lado.
Em uma atitude que ela considerou muito estúpida, Harry deu um salto e se encaixou no pescoço do trasgo. Quando ele soltou um urro, percebeu que a varinha de Potter estava enfiada na narina do trasgo, que ficou mais agitado do que antes, o bastão batendo em tudo o que via pela frente. Se Potter tinha um plano, ele era muito ruim, pensou a garota.
correu até onde Zara estava jogada, percebendo que a amiga estava recobrando a consciência, mas focou em tentar recuperar sua varinha. Antes que ela pudesse fazer alguma coisa, ouviu Weasley proclamar:
Wingardium Leviosa!
E o bastão do trasgo saiu de sua mão, levitando no ar e subindo até ficar exatamente em cima da criatura, e caiu com tudo na cabeça dele. O trasgo urrou e cambaleou, caindo de cara no chão e jogando Potter para longe.
ajudou Zara a se levantar e os cinco se aproximaram do trasgo desacordado.
— Ele está... morto? – Hermione falou, sua voz quase em um sussurro.
— Claro que não, se fosse tão fácil pra alguém de onze anos matar um trasgo desse jeito, ninguém teria medo deles. – respondeu e ganhou um olhar atravessado de Weasley.
Não tinham nem conseguido reparar na bagunça que haviam feito quando ouviram o barulho de pessoas se aproximando. A Professora Minerva, Filch e os Professores Quirrel e Snape entraram no que sobrou do banheiro e, julgando pela reação de McGonagall, nenhum deles seria parabenizado por terem derrotado o trasgo.
— O que é que vocês estavam pensando? – Ela começou a bronca, furiosa, e se sentiu um pouco triste por chatear sua professora favorita, mas nada arrependida por ter feito parte dos últimos acontecimentos. Na verdade, ela se sentia bastante eufórica e muito orgulhosa. – Vocês tiveram sorte de não terem sido mortos. O que estão fazendo fora de seus dormitórios?
Nenhum dos cinco abriu a boca para responder de imediato, mas Hermione foi a primeira a falar, surpreendendo a todos.
— Eles vieram me procurar, Professora. Saí procurando o trasgo porque achei que podia enfrentá-lo sozinha.
Weasley deixou sua varinha cair no chão, perplexo, enquanto os outros a encaravam chocados. Hermione Granger mentindo para um professor? Aliás, por que diabos ela dissera isso? conseguia pensar em, pelo menos, outras quinze desculpas melhores.
— Se eles não tivessem me encontrado eu estaria morta agora. Harry, Rony, Zara e derrubaram o trasgo, professora.
Minerva parecia muito dividida entre acreditar na história ou não, mas acabou cedendo.
— Quanta estupidez, Granger, eu não esperava isso de você! Menos cinco pontos para Grifinória por essa loucura! E vocês, Potter, Weasley, Black e Gryon, tiveram sorte por sobreviverem. Alunos do primeiro ano enfrentando um trasgo sozinhos, francamente! Porém, cinco pontos para cada um e suas respectivas casas pela... sorte.
Eles se entreolharam com sorrisos gigantes. Até Snape abrir a boca.
— Black, Gryon, menos cinco pontos por terem fugido da festa no Salão Principal. Andem, já para seus dormitórios antes que eu decida tirar-lhes mais alguns pontos pela grande obra de arte que fizeram no banheiro.
Os cinco saíram rapidinho do banheiro.
— Devíamos ter ganhado pelo menos uns cinquenta pontos. – Resmungou Weasley.
revirou os olhos.
— Temos sorte de não termos sido expulsos, isso sim. Além do mais, não estaríamos no banheiro das meninas se você não tivesse sido um idiota com Hermione hoje mais cedo. Porque estavam lá, de qualquer forma?
Ronald corou.
— Nós ficamos sabendo sobre o trasgo e que Hermione estava no banheiro das meninas... Viemos ajudá-la... Eu sinto muito pelo o que eu disse mais cedo, Mione, me desculpe. Você é... legal.
Hermione também ficou com as bochechas coradas, mas deu um grande sorriso.
— Obrigada, Rony.
Chegaram ao corredor que os dividia e Zara deu uma boa olhada nos dois garotos.
— Você vai ficar bem, Hermione?
Granger balançou a cabeça positivamente.
— Muito bem. E... obrigada. Vocês foram muito gentis comigo.
e Zara sorriram para Hermione, virando-se para seguirem em direção às masmorras, enquanto Harry e Rony trocaram olhares confusos.


— Cobra peçonhenta.
O buraco na parede das masmorras se abriu, revelando a entrada para a sala comunal da Sonserina, e Draco correu ao encontro de e Zara. As duas não tinham nem entrado direito quando o garoto agarrou a prima em um abraço.
— Por Merlim, ! Onde você estava? Tinha um trasgo no castelo! Eu fiquei tão preocupado, achei que... – Ele desatou a falar, deixando muito confusa.
— Calma, Draco! Está tudo bem. Nós encontramos o trasgo no banheiro das meninas e...
— Vocês o que?!
— ... e derrubamos ele com a ajuda de Granger, Potter e Weasley. Mas está tudo bem, sabe? Até ganhamos alguns pontos para a Sonserina por termos enfrentado o trasgo...
— ... e perdemos outros por termos enfrentado o trasgo. – Completou Zara e as duas riram.
— Vocês só podem estar loucas! Não deviam nada que ter se metido com aquela gente e muito menos com um trasgo. Honestamente, , o que tinha na cabeça?
se irritou, toda a sua frustração acumulada com o primo gritando dentro de si.
— O que você tem a ver com isso, Draco? Aposto que correu para cá com os seus amiguinhos idiotas assim que soube do trasgo, de tanto medo que deve ter ficado!
— Cala a boca, Black! Você não sabe do que está falando!
pensou em retrucar, mas desistiu assim que ouviu Draco a chamando de Black. Eram muito raras as vezes em que isso acontecia e só quando ele estava furioso com ela e, geralmente, eles ficavam dias sem se falar depois disso. Além disso, ele nunca a havia mandando calar a boca daquele jeito. Com uma sensação horrível no estômago, ela puxou Zara para irem para seus dormitórios, ignorando os outros alunos que assistiam à discussão.
estava arrumando sua cama para se deitar quando Pansy entrou no quarto, a olhando com desgosto.
— Sabe, eu não devia me meter, Black, porque eu realmente não me importo com você, mas acho injusto você falar assim com Draco quando ele perdeu cinco pontos para a Sonserina sendo pego pelo Filch por ter fugido para ir atrás de você quando não te viu no salão comunal com os outros alunos.
não respondeu e se jogou na cama, cobrindo sua cabeça com o cobertor para que nenhuma das garotas a visse chorando.


— E-eu achei q-que v-v-você estaria mais a-a-animada com a conquista, B-Black.
tirou os olhos da harpa, que tocava uma marcha fúnebre horrível, finalmente sob o efeito do feitiço que ela lançara, e encarou Quirrell. O professor tinha um olhar exageradamente animado desde o momento em que a harpa começara a tocar sozinha e isso só fez sua costumeira dor de cabeça aumentar.
— Desculpe, professor. É claro que estou feliz, obrigada por me ensinar. – Ela forçou um sorriso.
— Há a-a-alguma co-coisa te incomo-dan-dando, Black? – O professor questionou, olhando para ela com uma preocupação piedosa que a faria revirar os olhos se seus pensamentos não tivessem sido arrastados até Draco.
Ela havia passado a noite anterior inteira chorando em sua cama até dormir e hoje acordara com os olhos tão inchados que parecia Trevor, o sapo de Neville. Ela estava tão lamentável que nem mesmo Pansy se atreveu a fazer alguma piada com ela, apenas a olhando com seu habitual ar de desdém. Zara limitou-se a perguntar como a amiga estava, recebendo um sorrisinho desanimado, e a ser uma companhia silenciosa durante a manhã – já conhecia o suficiente para saber que ela lidava com algumas coisas em silêncio e preferia não conversar sobre, o que, curiosamente, era exatamente a mesma forma que Draco estivera agindo o dia todo. Zara achava muito intrigante o quanto eles eram absurdamente parecidos e diferentes ao mesmo tempo.
suspirou profundamente, encarando o chão.
— Não é nada, professor, apenas problemas com alguns amigos. – Ela deu de ombros.
O olhar de Quirrell se iluminou como uma brasa.
— Ah, minha cri-cri-criança, os c-c-conflitos dessa idade p-p-podem ser mu-muito preocupantes, eu enten-tendo. A-a-acho q-que tenho algo que po-pode te ajudar, só um mo-momento-to. – E ele disparou para dentro de sua sala reservada, anexa à sala de aula, deixando confusa, e retornou com uma caixa em mãos. – I-i-isso deve ajudar, c-com ce-ce-certeza.
— O que é isso, professor? – questionou, curiosa, endireitando a postura na cadeira.
Quirrell abriu a caixa e tirou de lá um grande e ornamentado tabuleiro de xadrez, com peças robustas douradas e prateadas. reconheceu o jogo antes mesmo que o professor se pronunciasse.
— Xa-xa-xadrez bruxo, B-b-black. A senhorita já jo-jo-jogou? – Ele explicou, organizando as peças em cima da mesa entre eles.
deu um sorrisinho. Era um dos jogos favoritos dela e de Draco.
— Sim, professor.
Quirrell balançou a cabeça freneticamente, as mãos tremendo ao posicionar a última peça.
— Ótimo, p-p-perfeito, mu-muito b-bom mesmo. O q-que acha de uma pa-pa-partida para finaliza-zarmos a a-a-aula de hoje, B-black? Acredito que a se-senhorita não vá negar uma di-distração, certamente.
refletiu. Era isso ou então voltar a se arrastar pelos corredores como uma morta-viva. Quirrell era uma companhia extremamente desagradável, mas era melhor do que nada. Ela deu de ombros.
— Claro, professor.
Quirrell quase pulou da cadeira de entusiasmo.
— Ma-maravilha! V-você pode levar o jo-jogo depois, B-black, para jogar com seus a-a-amigos. Nada melhor do q-que uma boa partida de xa-xadrez bruxo para acalmar os ânimos e b-b-botar as coisas no lugar, não a-acha?
E como não conseguia pensar em nenhuma outra resposta que não envolvesse ela enumerando todas as outras formas de fazer Draco ser menos estúpido, ela apenas balançou a cabeça positivamente e moveu sua primeira peça.


apertou o tabuleiro contra o corpo, se sentindo muito idiota após ter rodado por Hogwarts a tarde toda atrás de Draco.
Por incrível que pareça, a ideia de Quirrell não era tão ruim assim. Ela e Draco costumavam passar horas enfiados na biblioteca dos Malfoy jogando xadrez bruxo, um jogo que deveria ser sobre silêncio e concentração, mas que os dois transformavam em um campeonato de xingamentos e até mesmo leves agressões físicas, como quando Draco puxou o cabelo da prima a acusando de roubo e ela revidara com um chute na canela dele e os dois acabaram ficando uma semana inteira de castigo.
Ela não queria pedir desculpas, mas, mais ainda, não queria ficar nessa situação com ele. Odiava tudo aquilo.
estava passando pelo jardim quando avistou o cabelo loiro do primo atrás de uma árvore. Respirando fundo, ela tomou coragem e caminhou até ele.
Draco estava concentrado em seu dever e não a viu se aproximar. Ela raspou a garganta, chamando a atenção do garoto, que a olhou com um vinco na testa. Ele ainda estava muito bravo, sabia disso.
— Oi. – Ela disse, dando um sorrisinho tímido.
Draco a encarou sem mudar a expressão, esperando. Ela bufou e se sentou na frente dele, colocando o jogo entre eles.
— Eu... – Ela começou, meio sem graça. – trouxe isso pra gente jogar. Você quer?
Ele moveu os olhos para o tabuleiro e depois voltou a olhar para a prima.
— Não.
mordeu o lábio.
— Achei que seria legal... eu sei que você gosta, então...
Draco tornou a encarar seu dever, a pena escrevendo freneticamente em sua mão.
— Não tô afim, Black.
Ela sentiu a mesma sensação estranha no estômago que sentiu na noite anterior.
— É só um jogo, Draco, a gente pode...
— Mas que droga, eu já disse que não quero! Por que você não vai jogar com seus outros amiguinhos? – Ele a interrompeu, furioso, olhar cinza mais gelado do que nunca.
sentiu os olhos arderem e a garganta doer.
— Eu... ok... – Ela tentou engolir o choro, mas não conseguiu pegar o tabuleiro e se levantar rápido o suficiente antes que as lágrimas começassem a descer pelo seu rosto.
Draco levantou o olhar quando percebeu a mudança no tom de voz da prima e sentiu como se tivesse levado um soco na cara quando a viu chorando.
, espera! – Ele exclamou, se levantando e a puxando pela mão. Ela puxou a mão de volta, magoada.
— O que é?! – Ela gritou, a voz embolada, e limpou o rosto.
— Eu quero jogar com você. – Ele disse, mas ela revirou os olhos chorosos e se virou novamente. – Por favor! – Ele pediu e ela parou, refletindo por alguns instantes, mas balançou a cabeça positivamente, fungando uma última vez.
Em silêncio, voltou até a árvore e se sentou na grama, com Draco a acompanhando. Ela abriu o tabuleiro e ele a ajudou a organizar as peças.
Ele fez um sinal com a mão para que ela começasse e eles jogaram sem trocar nenhuma palavra por alguns minutos. Apenas quando fez um movimento que destruiu uma das peças de Draco de forma dramática e ele grunhiu, um som tão familiar para que a fez rir, foi que ele tomou coragem para falar.
— Eu não queria te fazer chorar. E eu não queria te mandar calar a boca. – Ele murmurou, sem olhar para ela.
sentiu o coração saltar e observou atentamente o movimento que ele fazia.
— E eu não queria te chamar de medroso. – Ela sussurrou de volta, as bochechas vermelhas. Ali estava, o pedido de desculpas não verbalizado que ambos sabiam que deviam um ao outro.
— Eu fiquei preocupado com você ontem, . Você não deveria nada ter se metido com aquele trasgo ou estar lá. – Ele confessou e ela sorriu ao ouvir o apelido, parte de seu peito se aliviando. Ela moveu mais uma peça.
— Não foi por querer. Eu estava no corredor com a Zara quando ouvimos Hermione chorando no banheiro e fomos lá ver o que estava acontecendo, então simplesmente o trasgo apareceu.
Draco fez uma careta.
— Se você estivesse comigo na festa, isso não teria acontecido.
suspirou.
— Eu sei, mas você estava com seus amigos, nem deve ter sentido a minha falta até o trasgo aparecer.
Draco arregalou os olhos para ela.
— O que? Mas é claro que eu senti! Eu sinto sua falta o tempo todo, !
arqueou a sobrancelha.
— Então por que você vive com eles e não comigo? Porque não me acompanha mais nas aulas, não almoçamos mais juntos e nem nos falamos direito?
Draco deu de ombros, mas suas bochechas ficaram vermelhas. Ele voltou os olhos para o tabuleiro e fez mais uma jogada.
— Porque você está sempre com aquela idiota da Gryon e eu não entendo por que você prefere andar com ela do que comigo.
ficou surpresa.
— Eu não prefiro nada, Draco. É você quem anda com aqueles imbecis que me odeiam e ainda não faz nada para me defender quando eles falam alguma merda sobre mim.
Draco abriu a boca, em choque.
— Não faço nada?! Por favor, , por qual motivo você acha que Pansy não revidou pelo episódio da bomba de bosta? – Ele questionou, exasperado.
refletiu. Sim, ela estava esperando que Pansy fizesse alguma coisa contra ela depois de deixá-la, literalmente, na merda, e estranhou quando a garota simplesmente passara a ignorar sua presença em todos os lugares, mas considerou que ela só estivesse com medo do que pudesse fazer novamente.
— Por que ela sabe que eu faria algo pior em troca?
Draco riu, seco.
— Não seja absurda. Você não faz ideia de quantas vezes eu já a impedi de botar fogo nas suas roupas ou então de transformá-la em um ganso no meio do corredor.
quase perdeu a fala.
— O que? Você fez isso?!
Draco a encarou como se aquilo fosse óbvio.
— Mas é claro, idiota! E depois ela concordou em te deixar em paz porque eu disse que só assim você a deixaria em paz.
— E por que você faria isso? Pensei que você não estava nem aí.
— Porque mesmo você só andando com aquela garota, você ainda é a minha melhor amiga. – Ele confessou, o rosto raivoso.
— Eu pensei que Pansy fosse sua melhor amiga agora. – retrucou, mas não conseguiu deixar de sorrir com o que tinha acabado de ouvir.
— Você ficou maluca? Ela é legal, mas não é... – Ele corou. – você.
— Ela falou do meu pai, Draco.
— Eu sei, e eu disse que se ela falasse algo assim novamente eu mesmo iria azará-la.
abriu um sorriso.
— Obrigada.
Ele deu de ombros, como se aquilo não importasse.
— Tanto faz.
Ela continuava a sorrir.
— Draco, você é o meu melhor amigo, não importa o que aconteça. Sempre vai ser assim.
Foi a vez de Draco arquear as sobrancelhas loiras, irônico.
— Pensei que Zara fosse sua melhor amiga agora. – Ele repetiu a fala da prima, maldoso.
— Zara é maravilhosa, mas não é você. Ninguém é. – Ela piscou para ele, também usando a mesma resposta que ele havia dado anteriormente.
Draco deu uma risadinha.
— É, mas ela é... menina. – Ele torceu a boca e gargalhou.
— E daí? – Ela perguntou em meio aos risos e ele revirou os olhos.
— E daí que vocês têm coisas de meninas para falar!
— O que é que eu falaria com ela que eu não poderia falar com você?!
— Eu não sei, são... coisas de menina, , por Merlim! Como eu poderia saber?! – Ele corou e ela riu mais ainda.
— Draco, acredite em mim, eu não vejo diferença nenhuma entre você e uma menina. – Ela zombou e o primo jogou uma torre do tabuleiro na cabeça dela, que exclamou de dor, mas não parou de rir.
— Eu deveria deixar Pansy te transformar numa galinha, ou eu mesmo fazer isso.
arqueou as sobrancelhas.
— Aposto que eu conseguiria te transformar em um galo primeiro.
Draco riu e o coração de ficou muito quente ao ouvir aquele som. E então ela entendeu. Os dois estavam sendo grandes cabeçudos o tempo pelo mesmo motivo: ciúmes. estava absurdamente insegura por ver Draco fazendo novas amizades e ele também. Não estavam acostumados a ter que dividir a companhia um do outro, principalmente com pessoas que não gostavam, mesmo que eles soubessem que cada um tinha personalidades diferentes. Ela respirou fundo.
— Eu achei que você não quisesse mais ser meu amigo. – Ela falou aquilo que estava entalado dentro dela há muito tempo, tão baixinho que Draco não teria ouvido se não estivesse tão próximo. – Não quero mais brigar com você por causa disso, Draco.
Draco deu um sorrisinho.
— Nem eu.
— Porque você não dá uma chance para conhecer Zara? Ela é ótima, eu juro.
O sorriso de Draco sumiu.
— Você quer que eu seja amigo de uma sague ru...
— Draco! – Ela o cortou, indignada. Ele revirou os olhos.
— Eu não entendo como você consegue ser amiga de gente assim, , de verdade. Quantas vezes papai já nos disse que não devemos nos misturar?
— Eu sei disso, mas você sabe que eu não penso assim.
— É, nem imagino de onde você tenha tirado essas ideias absurdas. – Algo passou pelo olhar de Draco e franziu a testa, mas ele continuou a falar antes que ela pudesse questioná-lo. – Se você der uma chance para Pansy e para os outros, eu posso até pensar nessa sua loucura. Mas só porque Gryon, pelo menos, é da Sonserina e isso deve significar alguma coisa. Mas eu juro que se você me pedir para ser amigo daqueles manés dos gêmeos Weasley ou daquele bocó da Lufa-Lufa que você estava falando mais cedo, eu vou...
— Chega, Draco! Ok, ok! Eu devo estar louca por aceitar isso, mas se você der uma chance para Zara, eu dou uma chance para a sua... gangue. E eu nem acredito que você realmente considere aqueles garotos idiotas amigos seus.
Draco a fuzilou com o olhar.
— E eu não acredito que você considere uma nascida trouxa amiga sua e você sabe disso.
respirou fundo.
— Temos um acordo?
Ele revirou os olhos uma última vez, mas assentiu. Por mais que a ideia de ter qualquer contato amigável com uma bruxa como Zara fosse demais para a cabeça de Draco, ele sabia que, se se importava com alguém, automaticamente ele passaria a se importar também com essa pessoa, e vice-versa. Era uma droga, mas pelo menos ela também estava no mesmo barco.
— Sim, , temos um acordo.
— Ótimo. Agora eu vou terminar de acabar com você nesse jogo. – Ela sorriu e voltou sua atenção para o tabuleiro de xadrez, onde as peças restantes se mexiam impacientes, esperando que os jogadores retomassem a partida.
— Nos seus sonhos, priminha. – Ele respondeu, sorrindo maldoso, e moveu uma peça prateada, que destruiu com violência uma peça dourada de , que o xingou.




Continua...



Nota da autora: Olá, meus marotinhos. Como estão? <3
Espero que esse capítulo, que demorou um pouquiiiiinho mais para entrar, mas que veio nessa atualização especial de Halloween, tenha deixado vocês felizes – eu, como fã da amizade da Black com o Draco, e que estava aguardando demais a entrada do Golden trio nessa trama, fiquei exultante, rs.
Cada vez mais sentimos um gostinho do que está por vir e espero que vocês estejam curiosos com o desenrolar dessa história. Eu sei que estão todos ansiosos para certos acontecimentos – eu estou, principalmente – mas os primeiros anos da Black em Hogwarts e tudo o que ela vive durante esse tempo são extremamente importantes para o futuro da nossa traidora.
Vocês já pegaram algum indício do que pode rolar no próximo capítulo? Me contem, eu quero saber! Deixa o seu comentário ali embaixo para me fazer uma autora feliz, eu tô doida para trocar teorias com vocês!
Mais uma vez, muito obrigada por terem lido. Espero que vocês continuem acompanhando os próximos capítulos! Ah, se quiserem ser avisados sobre as próximas atualizações, me sigam no Twitter ou no Insta! Sempre aviso por lá quando entra capítulo novo.
Com muito amor, Zurc.
Malfeito, feito!
Malfeito, feito.




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