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Última atualização: 26/09/2020

Prólogo

Estup... – Ela ouviu alguém gritar e virou-se rapidamente, erguendo sua varinha.
Expelliarmus!
A varinha de Harry voou para longe e ele cambaleou um pouco, mas não parou.
— Você! Você o matou! – Harry Potter gritou furiosamente e foi para cima da garota, a empurrando pelos ombros e a jogando na grama. – Ele confiava em você e você o matou! Todos nós confiávamos em você!
Enquanto ela se levantava e recobrava a postura, seus olhos passaram rapidamente pela Torre de Astronomia no horizonte, de onde o corpo do bruxo que ela mais admirara em toda sua vida havia caído minutos atrás. Suas mãos estavam trêmulas, mas sua voz saiu firme e fria, como nunca soara antes. Harry não a reconheceu.
— Você não entenderia, Potter. Foi necessário.
— Como pode dizer isso? Necessário?! Para quê?!
Ela se virou, decidida a deixá-lo para trás, mas Harry gritou:
— Por que fez isso?! Responda se tem alguma coragem!
— Para que o Lorde das Trevas cumpra seu destino! – As palavras saíram em fúria antes que ela pudesse se controlar, voltando-se para Harry e vendo o olhar do garoto mudar da raiva para a repulsa.
— Traidora.
Estupore!


Capítulo 1

Black! – A Professora Minerva McGonagall chamou seu nome e, no mesmo instante, os sussurros começaram a ecoar por todo o salão. sentiu as bochechas corarem enquanto subia, trêmula, os degraus em direção ao chapéu. Os alunos, novos e mais velhos, olhavam para ela, alguns com surpresa e curiosidade e outros com um claro assombro. Ela evitou encará-los quando se sentou.
— Ora... Curioso, muito curioso... – O chapéu anunciou assim que encostou na cabeça de e ela deu um pulinho no banquinho, tentando olhar para cima e só conseguindo enxergar a borda do velho chapéu. – Finalmente Hogwarts tem uma Black novamente, já faz tempo, muito tempo, mas para onde devo mandá-la? O seu sangue grita por tantas casas diferentes, mas apenas uma trará o destino que você deve seguir.
tinha ficado nervosa ao ver o chapéu seletor por muito tempo na cabeça do famoso Harry Potter alguns minutos atrás, mas jamais esperaria que ele fosse ficar mais tempo ainda em sua própria cabeça. A cada palavra que ele dizia, ela se arrepiava.
— Seu pai, me lembro bem, realizou grandes feitos em nome da Grifinória. Você seria grande lá, assim como na Corvinal. Sua mãe foi uma escolha muito fácil, Black, inteligente, sim, muito inteligente como você. Mas você não pertence à nenhuma dessas casas, não, não. Devemos colocá-la, então, com toda certeza... – O coração de parou de bater por alguns instantes. – Na Sonserina!
Nem nem os outros alunos demonstraram qualquer reação nos primeiros segundos, mas assim que a Professora Minerva retirou o chapéu da cabeça dela e Alvo Dumbledore puxou aplausos, todos o seguiram. Diferente dos outros alunos que foram selecionados, não sentiu um entusiasmo geral vindo das outras casas, apenas da mesa da Sonserina, que a aplaudia de pé em meio aos gritos.
Enquanto caminhava até a mesa de sua nova casa, ela conseguia ouvir os comentários vindos de todos os lugares. “É a filha de Black, Sirius Black!”, “É óbvio que foi para a Sonserina, com o pai que tem...”, “Ouvi dizer que ela foi criada por comensais da morte em um castelo abandonado na Albânia”. Em choque, ela foi cumprimentada e abraçada por vários alunos da Sonserina, mas não conseguia corresponder a ninguém. Num movimento automático, se sentou no espaço disponível no banco e tentou controlar sua respiração, sendo interrompida pelo garoto ao seu lado.
— Surpresa, priminha? Espere só até papai ficar sabendo disso! Talvez mamãe tenha razão, Hogwarts pode ser muito melhor do que Durmstrang para nós.
Ela se virou para Draco Malfoy, que a encarava com um sorriso malicioso.
— Cale a boca, Draco. – sibilou entredentes. – Ou eu vou te azarar.
O garoto riu.
— Papai disse uma vez que temia que você fosse parar na Grifinória por causa do sangue do seu pai, mas mamãe garantiu que a pureza dele falaria mais alto e que você acabaria em alguma casa melhor. Mal posso esperar para...
— Draco, eu juro que vou...
— Sejam bem-vindos! – A voz de Dumbledore ecoou pelo salão e interrompeu a pequena discussão dos dois, que se viraram para ouvi-lo. – Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Destabocado! Beliscão! Obrigado.
— Bem que papai disse que o velho está cada vez mais louco... – Comentou Draco, arrancando risadinhas de alguns garotos ao seu redor. , que crescera ouvindo seu tio criticar Alvo Dumbledore, na verdade o achara simpático e ligeiramente bem-humorado. Achava que o velho bruxo se encaixava mais com as descrições que Dora fazia nas cartas secretas que trocavam. Era muito azar que Tonks tivesse se formado antes de , a companhia da prima poderia ser muito útil agora, embora tivesse certeza de que Dora fosse ficar muito surpresa com a ida da prima para a Sonserina. Droga, ainda tinha isso. Como diabos iria contar para Tonks que estava na Sonserina?! Ela vivia dizendo que tinha a cara da Grifinória, o que ela nunca entendeu muito bem se era bom ou ruim. De qualquer forma, Ninfadora estava errada.
Ela tentou se concentrar no banquete que apareceu em sua frente à mesa, mas não conseguia sentir o gosto da comida e tampouco interessou-se quando o famoso fantasma Barão Sangrento se sentou ao seu lado, despertando a curiosidade de todos. Ela só conseguia pensar que o chapéu seletor havia cometido um grande erro ao colocá-la na Sonserina.
Seja como fosse, o seu primeiro ano em Hogwarts já tinha começado de uma forma muito desagradável.


acordou no dia seguinte e encarou, sem muito ânimo, suas vestes verde e prata em cima do baú aos pés da cama. Então tudo era mesmo real, e não um sonho, como ela desejara. Na cama ao lado, sua nova colega de quarto, Pansy Parkinson, já se colocava de pé, encarando, desconfiada, a garota Black. revirou os olhos e respirou fundo, se levantando e começando a se arrumar. Não adiantaria nada ficar se lamentando na cama, perder o café da manhã e chegar atrasada para sua primeira aula. Já bastava ser da Sonserina, não precisava também se tornar uma bruxa burra.
Encarou-se no espelho, analisando como ficava com suas novas vestes e se surpreendeu. Até que não estava tão ruim assim. O verde parecia deixar seus longos cabelos e olhos mais negros ainda, dando a ela até um certo ar de poder. Ela riu. Bom, se era mesmo da Sonserina, no mínimo deveria se sentir nem que seja um pouquinho poderosa, até mesmo superior, usando as cores da casa. Guardou seu material em sua mochila, presente de sua tia Narcisa, e colocou-se para fora do dormitório, ignorando completamente Pansy e as outras duas garotas com quem também dividiam o quarto.
estava nervosa demais na noite anterior para reparar na sala comunal da Sonserina, mas, agora à luz do dia, ela se impressionou com os feixes esverdeados que entravam pelas grandes janelas que davam para as águas do Lago Negro. Quando o monitor explicou que a área da Sonserina ficava nas masmorras do castelo, ela imaginou uma decoração de aparelhos de tortura medievais, e não o elegante e iluminado espaço. Apesar de frio e um tanto gótico, ela teve a sensação de que seria muito aconchegante se deitar em um dos sofás e ficar observando as águas do lago, aquecida pela lareira. Ela seguiu alguns alunos através das paredes das masmorras e se permitiu observar os corredores de Hogwarts que tanto ouvira falar sobre.
Dora contara que ela iria viver os melhores anos de sua vida ali e ela estava bem ansiosa para saber o que a escola tinha de tão especial. Havia passado todo o verão lendo Hogwarts, Uma História, tendo que aturar as piadinhas de Draco, e estava levemente emocionada por ver tudo aquilo pessoalmente. Bom, ela ser selecionada para a Sonserina fora um balde d’água fria, mas quanto mais ela andava mais ela tentava se convencer de que Dora podia estar certa e que, quem sabe, ser da Sonserina não pudesse estragar sua experiência.
Quando se sentou ao lado de Draco, Crabbe e Goyle, dois sonserinos que ela conhecera na noite anterior e desgostara profundamente, para o café da manhã, ela duvidou muito de seu último pensamento.
. – Draco parou de falar com os garotos, que se vangloriavam sobre a Sonserina ser a campeã do campeonato das casas nos últimos seis anos e como as outras casas eram um lixo, e a chamou pelo apelido que costumava usar desde que eram crianças. – Coma essas tortinhas de abóbora, estão iguais às de casa. Tome aqui, separei algumas para você. E esse bolinho de carne também.
se surpreendeu com o gesto e o encarou, sem saber o que dizer. O garoto loiro deu um sorriso sem graça, sentindo as bochechas enrubescerem.
— Eu... Eu vi que você não estava muito feliz ontem, apesar de eu não entender o motivo já que a Sonserina é obviamente a melhor e maior casa de todas, você deveria estar honrada, então eu achei que seria... Bom, coma se quiser, estão gostosos, mas tanto faz.
Ela não pode deixar de sorrir. Draco podia ser um completo idiota na maioria das vezes, mas, querendo ou não, fora praticamente o único amigo que ela tivera durante toda sua vida. Crescera dentro da casa dele e sabia que ele não era de todo ruim. Na verdade, eles sempre foram muito próximos mesmo divergindo suas opiniões em muitos assuntos.
— Obrigada, Draco. – Ela deu uma mordida na tortinha de abóbora e soltou um gemido de satisfação. – Por Merlim! Está deliciosa!
Draco sorriu convencido.
— Eu disse. Ande, coma logo, pois a nossa aula irá começar em...
Um burburinho começou no salão assim que dois garotos entraram pelas portas e Draco parou de falar para observar Harry Potter e Ronald Weasley correndo até a mesa da Grifinória. Seu primo bufou.
— Patético, não acha? Potter andando com um Weasley. Mas o que mais poderíamos esperar de simpatizantes de trouxas? Se merecem, os dois, patéticos.
respirou fundo. E lá se foi sua empatia pelo primo naquela manhã.
— O que você esperava, Draco? Que Potter fosse ser seu amigo? Você acha que ele andaria com quem, comigo? – rebateu, enfiando rapidamente um pedaço do bolo de carne na boca.
Draco revirou os olhos.
— Eu jamais seria amigo de alguém como Potter ou Weasley, . – enfiou outro pedaço do bolinho na boca para esconder a risada que queria dar, se lembrando de Draco tentando se aproximar de Potter ontem e, bom, levando um belo fora. – Só acho patética essa situação toda. E eu estou louco para ver a cara de Potter quando descobrir quem você...
— Ok, já chega, Draco. Vamos para aula, já. – o interrompeu, se levantando e ajeitando suas vestes.
Draco se levantou com um sorriso presunçoso e Crabbe e Goyle acompanharam os dois para fora do salão.


dividia a mesa novamente com Draco enquanto eles esperavam pelo Professor Quirrell para a quarta aula do dia. Ela estava muito animada para sua primeira aula de Defesa Contra as Artes das Trevas e podia ver que Draco também se remexia em sua cadeira, inquieto.
— O que será que vamos aprender hoje? Será que é sobre vampiros? Eu espero que seja, eu ouvi dizer que Quirrell teve contato com alguns quando...
O Professor entrou na sala, fazendo todos os alunos da Sonserina e Corvinal se ajeitarem e aquietarem as bocas. Ele foi, meio trêmulo, até a frente da sala e deu um sorriso vacilante. notou um forte cheio de... Alho? Será que Draco estava certo, iriam aprender sobre vampiros?
— Bo-bo-bom di-di-dia, alunos.
E trocou um olhar com Draco, os dois já tendo a certeza de que aquela seria uma longa aula e não tão legal quanto imaginaram.
Uns 15 minutos depois, enquanto Quirrell mostrava para a classe os perigos de uma Planta-Enforca-Lesma, que curiosamente sua tia Narcisa, a mãe de Draco, gostava de cultivar em seu jardim, e os dois já estavam para lá de entediados, cutucou Draco, sentindo seu estômago embrulhar.
— Acho que não estou muito bem, Draco... – Ela sussurrou, sentindo suar frio.
Draco a analisou.
— Você está meio verde, . Acho que deveria ir até Madame Pomfrey, esse fedor de alho podre deve estar te deixando tonta.
Ela abaixou a cabeça nas mãos, respirando fundo e tomando coragem para se manifestar, mas Draco fora mais rápido.
— Com licença, Professor Quirrell. A senhorita Black não está se sentindo muito bem. O senhor me daria permissão para acompanhá-la até a ala hospitalar?
quase riu da pompa e educação exageradas de Draco, mas sua cabeça começou a zumbir assim que o Professor Quirrell se aproximou da mesa deles.
— Cla-cla-claro, senhor Mal-mal-fo-foy. Re-re-co-men-mende à Madame Pomfrey q-que ela tome um ch-ch-chá de vi-vi-virgulim, de-deve ser efeito dos dri-dri-drices.
Draco se perguntou o que diabos era virgulim e drices, mas tratou logo de agradecer ao professor e segurar o braço da prima, conduzindo-a para fora da sala sob os olhares e cochichos dos colegas.
Assim que a porta se fechou atrás deles, se sentiu instantaneamente muito bem.
— Já estou me sentindo melhor, acho que era mesmo o fedor, Draco. Sabe, é sobre coisas assim que seu pai deveria ficar sabendo. Quem sabe ele não consegue fazer Dumbledore enfeitiçar a sala para que cheire à docinhos de gengibre recém-saídos do forno?
Draco riu, ajudando a prima a se sentar no vão da grande janela que dava para o jardim.
— Não quer mais ir até Madame Pom-pom-pomfrey? – Ele questionou, zombando da maneira como Quirrell falava e, por mais que não aprovasse atitudes assim, acabou rindo.
— Não, idiota. Acho que só preciso de ar fresco. – Ela olhou ao redor e notou que os corredores estavam completamente vazios. Teve uma ideia. – O que me diz de explorarmos Hogwarts?
O primo torceu o nariz.
— Primeiro dia de aula e já quer se meter em encrencas, ? Sério?
— Ah, Draco, você costumava ser mais corajoso lá em casa. Além do mais, todos estão em aula, é só tomarmos cuidado. A não ser que você queira voltar para a aula de Quirrell e aprender sobre sei lá o que.
Draco revirou os olhos, sabendo que não conseguiria discutir com a prima. Além da aula realmente estar um saco, achou que seria uma boa oportunidade para ela se animar um pouquinho mais. Ele sabia que ela não havia ficado muito contente com a decisão de sua casa, embora ele próprio estivesse muito satisfeito com isso.
— Vamos, , mas se formos pegos eu vou dizer que você me obrigou.
E os dois saíram pelos corredores, tomando cuidado para não serem pegos por Filch nem por sua gata.


— Suas coisas não deveriam estar jogadas pelo quarto, Gryon! Será que os trouxas não conhecem o sentido da palavra organização? Da próxima vez que eu encontrar alguma coisa sua jogada por aqui, irei transfigurar em uma aranha e colocar em sua cama! – conseguia ouvir a voz de Pansy Parkinson berrar antes mesmo de abrir a porta do quarto.
Encontrou Pansy furiosa, segurando em suas mãos magricelas um par de meias pretas com uma estampa engraçada, enquanto uma outra garota, uma menina de cabelos negros, curtos e com uma franja, se colocava a rir. concluiu que estava acontecendo uma briga entre duas de suas colegas de quarto e estava decidida a não participar até ouvir a dona das meias responder.
— Pelo o que vi de seu talento em transfiguração na aula de hoje, Parkinson, acredito que você iria transformar minhas meias em uma colher, então cale sua boca.
não pode deixar de rir e acabou chamando a atenção das duas. Pansy, furiosa, jogou as meias em , que a encarou indignada.
— Ei, Parkinson! Qual é a sua?!
— Eu não acredito que Hogwarts aceite essa escória! Honestamente, já bastam os nascidos-trouxas e agora temos filhos de assassinos presos em Azkaban! Dumbledore perdeu completamente o juízo!
No mesmo instante, sacou sua varinha de sua veste, apontando-a na cara de Pansy, que soltou um gritinho agudo.
— Repita isso, Parkinson! Repita isso e eu juro que te transformo em uma ratazana!
— Vo-você não teria coragem, Black.
— Quer pagar para ver? Garanto que me saio muito melhor em feitiços do que você.
Pansy estava mais branca do que o de costume e engoliu em seco. Lentamente, afastou-se de Black, indo em direção à porta.
— Hogwarts realmente já não é mais a mesma. Isso não vai ficar assim, Black, lembre-se disso. – E saiu apressada.
respirou fundo e baixou sua varinha.
— Uau. Eu não entendi nada do que aconteceu aqui, mas gostei muito. Na verdade, eu estava torcendo para que você transformasse Pansy em uma ratazana.
se virou para a garota das meias, que a encarava com um pequeno sorriso.
— Provavelmente eu a entregaria de jantar para minha coruja.
— Coitadinha dela. Da sua coruja, é claro.
As duas riram e o clima ficou mais leve.
— Sou Zara Gryon, prazer. Acho que você já deve ter percebido que sou nascida-trouxa e estou um pouquinho perdida com o modo como as coisas funcionam por aqui.
revirou os olhos, apertando a mão da garota.
— Sou Black e, honestamente, isso é uma tremenda bobagem. Ridículo!
Zara puxou sua mão de volta, magoada.
— Ah, então você também acha que é ridículo a Sonserina, ou Hogwarts inteira, ter alunos nascidos-trouxa. Ótimo, será muito agradável mesmo dormir aqui. – Ela se virou, catando as meias do chão e as jogando pelo quarto, com raiva. Um pé foi parar na janela e o outro na cama de .
— O que? Não, não foi isso que eu quis dizer. – se apressou em se explicar, rindo ao se sentar na própria cama. – Eu disse que acho ridículo esse pensamento de sangue-puro, nascidos-trouxa e tudo mais. Não dou a mínima para isso.
— Você não está dizendo isso para ganhar minha confiança e me transformar em um coelho no meio da madrugada, não é? – Zara questionou, cerrando os olhos.
gargalhou, jogando-se de costas no colchão e pegando a meia da garota.
— Talvez, mas prometo que, nesse caso, transformo primeiro Pansy em uma grande e saborosa cenoura. O que é isso aqui desenhado na sua meia? – perguntou, analisando os desenhos na peça e não fazendo a mínima ideia do que era aquilo. Zara gargalhou.
— É o Patolino, é óbvio.
— E o que diabos é esse Patolino?
— O desenho, oras.
— Ah, conheço as gravuras de alguns livros bruxos infantis, mas, isso aqui, não, nunca vi.
— Pansy Parkinson se achando tão superior por ser uma bruxa puro-sangue e vocês não sabem nem quem é o Patolino. Francamente...
E Zara se jogou na cama ao lado de , ignorando sua curiosidade sobre o que Pansy havia dito antes e que fizera ameaçá-la, e se pôs a explicar tudo sobre os principais desenhos animados dos trouxas e, mesmo que Black não estivesse entendo absolutamente nada do que a outra falava, se sentiu bastante contente com a companhia surpresa.


— Cuidado, é a filha de Black.
ouviu alguém comentar enquanto um grupo de alunas mais velhas da Corvinal passava por ela, que estava sentada embaixo de uma macieira à beira do Lago Negro estudando com Zara, e revirou os olhos.
— Vamos achar outro lugar, não quero ficar perto dela, ela tem uma energia ruim, posso sentir. Sabe, a Professora Trelawney disse que eu tenho um dom para... – Uma das garotas puxou outra pela mão e todas saíram apressadas. Já fazia alguns dias que os alunos tinham essa reação perto dela e, agora, não se incomodavam mais nem em serem um pouquinho mais discretos em seus comentários.
— Ok, preciso confessar que andar com você fere a minha reputação, Black. – Comentou Zara, fechando seu livro.
riu e arqueou as sobrancelhas.
— Se está tão incomodada com isso, Gyron, sugiro que ande com Parkinson e sua gangue, assim você poderá espalhar esses boatos sobre mim junto com eles. Ontem mesmo um garoto esbarrou em mim na saída do banheiro e gritou com medo de que eu fosse enfeitiçá-lo porque, aparentemente, alguém está contando por aí que eu amaldiçoo as pessoas que me incomodam.
— E como eles descobriram? Pensei que fosse um segredo.
As duas riram e fechou seu livro, se deitando na grama fofinha que só ficava em volta da macieira mágica e sentindo as folhas fazerem cócegas em suas pernas.
— Acho que eles pensam que eu enfeiticei você para andar comigo. Devem pensar também que Draco está enfeitiçado desde criancinha.
— Só ando com você porque você ainda não me contou por que não deveria andar, Black. – Zara pontuou, deitando-se ao lado da amiga.
Ela mordeu o lábio, receosa, mas sabia que, uma hora ou outra, Zara ficaria sabendo. Respirou fundo e fechou os olhos antes de falar.
— Meu pai está preso em Azkaban, Zara. E, antes que você me pergunte, Azkaban é uma prisão bruxa de segurança máxima para os criminosos mais perigosos. Ele está lá há uns 10 anos e é um dos presos mais conhecidos da história bruxa. Por isso todos sabem sobre ele e por isso todos acham que eu seja perigosa.
A amiga não fez nenhum barulho por um tempo, mas a sentiu mexer-se e encostar o braço no seu.
— Bom, se você fosse tão perigosa assim, acredito que já teria dado um jeito de calar a boca de todos esses cabeças-ocas, fazendo-os voar pelos ares, então eu acho que você é uma grande farsa.
As duas riram e se sentiu mais relaxada.
— Acho que ser da Sonserina também não ajudou muito nesse processo.
— Ah, vai me dizer que você preferia ser uma nerd da Corvinal? Ou então como os exibidos da Grifinória? Você precisa admitir, Black, que a Sonserina pode ter sua má reputação por aí, mas que é muito mais divertido ser conhecida como malvada do que como uma grande molenga da Lufa-Lufa.
As duas riram e ficaram mais um tempinho deitadas em silêncio, cada uma com seus próprios pensamentos, observando o céu ensolarado, até que precisaram ir para a próxima aula.


Capítulo 02

“Querida tia Dromeda, tio Ted e Dora.
Como estão? Estou sentindo tanta sa
udade!
Sinto muito por ficar tanto tempo sem escrever, mas acho que vocês sabem como as coisas são loucas por aqui.
Vou começar logo com a notícia principal: estou na Sonserina. Eu queria tanto ir para a Grifinória ou para a Corvinal como meus pais ou então para a Lufa-Lufa como você, Dora, mas o chapéu seletor disse algo sobre apenas uma casa ser a que me fará seguir meu destino. De verdade? Fiquei um pouco assustada. Seria legal se Dora estivesse aqui para me animar.
Draco está comigo na Sonserina, mas isso não é surpresa para ninguém, era o sonho dele. Harry Potter está no meu ano e acho que ele não sabe sobre papai, mas faço algumas aulas com ele e temos um problema em comum: o Professor Snape nos odeia! Sempre que Potter perde pontos para Grifinória durante as aulas de Poções, Snape arranja algum jeito de me repreender por qualquer coisa e tira pontos meus. Aparentemente, sou a única aluna da Sonserina que consegue perder pontos com o próprio diretor da casa. Isso está insuportável e não faço ideia do motivo.
Descobri que uma das garotas com quem divido o quarto, Zara Gryon, é nascida-trouxa e muito legal, duas coisas absurdamente raras para a Sonserina. Nós duas gostamos de nos sentar debaixo da macieira perto do Lago Negro e comer algumas maçãs enquanto estudamos ou falamos mal dos outros alunos – obrigada pela dica, Dora!
Por favor, não fiquem decepcionados comigo por ter ido para a Sonserina e me escrevam constantemente. Agora não teremos que fugir das fiscalizações dos Malfoy!
Eu amo vocês.
Com todo o amor, Black.”
estava sentada nos degraus da escada da Torre de Astronomia e escrevia, finalmente, uma carta para os Tonks. As primeiras semanas de aula foram tão intensas que ela não teve tempo de parar e pensar em algo legal para escrever. Na verdade, ela sabia que estava com um pouquinho de medo de contar as novidades para a família Tonks. Já tinha escrito uma carta para seus tios, Narcisa e Lúcio, para falar que estava na Sonserina e, no dia seguinte, uma coruja a entregou chocolates, penas e pergaminhos importados, presentes dos dois como parabenização e demonstração de orgulho. Não sabia se iria receber a mesma coisa de Ninfadora e seus pais, Andrômeda e Ted, de quem ela tanto gostava. Ela bufou, nervosa.
A relação que tinha com os Tonks era completamente diferente da relação que tinha com os Malfoy. se sentia muito amada por ambas as famílias, mas as duas eram tão opostas que, na maioria das vezes, ela ficava muito confusa. Os Malfoy a haviam criado para ser orgulhosa de seu sangue, poderosa e grande e, no fundo, ela não achava isso tão ruim. Ser da Sonserina, para eles, mostrava que a família pertencia à realeza. Mais do que tudo em sua vida, queria orgulhar os tios, mas isso ia contra o que os Tonks pensavam e ela não queria Andrômeda, Ted e Dora pensando que ele era uma pessoa ruim por isso – sem contar que já tinha perdido a conta de quantas vezes ouviu Dora falar sobre a fama dos alunos da Sonserina, embora considerasse Narcisa e Lúcio, dois sonserinos, duas de suas pessoas favoritas no mundo. Ela não sabia como agradar ambos os lados. Pior, ela não sabia como se agradar.
Quando seu pai foi para Azkaban quando ela era um bebê e sua mãe foi morta por Comensais da Morte, a garota foi colocada em uma curiosa disputa familiar. Sirius Black, seu pai, havia se casado secretamente com Atena Black, prima dele e irmã de suas tias Narcisa, Andrômeda e Bellatrix – que ela nunca chegou a conhecer. Da união dos rebeldes da família Black, nasceu . Após a prisão de Sirius e a morte de Atena, tanto Andrômeda quanto Narcisa entraram em uma briga para decidir quem iria ficar com a garota. Dora contou que foi a primeira vez em muitos anos que as duas se encararam novamente, já que Andrômeda, assim como Sirius e Atena, foi deserdada da família Black por se associar com trouxas e não concordar com os princípios puro-sangue. Porém, Narcisa usou a influência do nome Malfoy para demonstrar que tinha mais condições de criar em um ambiente bruxo adequado. No final, Narcisa e Lúcio ganharam a causa e criaram .
Mesmo assim, sua tia Andrômeda deu um jeito de manter contato com a sobrinha apesar da proibição de Narcisa. Quando tinha uns três anos, Andrômeda começou a se esgueirar para dentro da mansão dos Malfoy, levando sua filha junto, com a ajuda de alguns empregados amigos. Elas passavam algum tempo brincando na cozinha ou no porão e amava esses momentos. Quando aprendeu a escrever, Dora lhe ensinou um feitiço simples e eficaz para trocarem cartas escondidas. Em uma dessas cartas, Dora contou que Narcisa e Atena haviam cortado as relações assim que Atena fugiu de casa quando Andrômeda foi deserdada por se casar com Ted. Depois disso, Atena viveu com Andrômeda e Ted até se casar com Sirius.
E era por tudo isso e mais um pouco que tinha tanta dificuldade em escrever para os Tonks. Se não fosse por eles terem acolhido sua mãe e apoiado a relação dela com Sirius, provavelmente ela nem existiria, muito menos acreditava que consideraria seu pai inocente das acusações que o prendiam em Azkaban, já que desde os primeiros encontros com Andrômeda ela sempre fez questão de afirmar para que não acreditava que Sirius fosse culpado. Na única vez em que questionou os Malfoy sobre o pai, seu tio entortou a cara e disse “devemos confiar nas decisões do Ministério, querida”.
Ela gostaria de saber se todas as outras garotas de 11 anos também tinham preocupações iguais às dela.
releu toda a carta e suspirou. Achou melhor não mencionar que alguns alunos eram bem maldosos com ela, fazendo piadas sobre seu pai, e que ela simplesmente se cansou dessa palhaçada e começou a responder que eles não deveriam falar assim com a filha de um assassino. Enrolou o pergaminho e o guardou na mochila, decidida a ir até o corujal para entregar a carta à Perséfone, sua coruja, mas esbarrou em alguém enquanto descia as escadas. Ela escorregou e caiu de costas, batendo a cabeça, enquanto a outra pessoa rolou uns oito degraus para baixo.
— Ai! Minha cabeça! – reclamou, sentindo a nuca latejar e se sentando, meio zonza.
— Sua cabeça?! Eu quase voei para fora da torre! O que é que você estava...
O garoto que havia rolado escada abaixo se levantou e tornou a subir, mas parou de falar assim que viu de olhos fechados, a cabeça encostada na parede. Ele chegou rapidamente até ela, se abaixando em sua frente.
— Você está bem? Bateu mesmo a cabeça? Quer que eu te leve para a ala hospitalar?
riu sem humor e ignorou a pontada de dor que isso lhe causou. Abriu os olhos e virou a cabeça para o garoto, que a olhava preocupado. Ela notou que ele usava vestes da Lufa-Lufa e tinha os cabelos penteados de uma forma arrumadinha demais, o que a irritou um pouco. A única pessoa com cabelo engomadinho que ela estava disposta a aturar era Draco.
— Está preocupado que eu vá te lançar uma azaração por ter derrubado a filha de Sirius Black? – falou, cerrando os olhos.
Ele a encarou um pouco confuso, mas riu quando percebeu que a garota estava se esforçando para assustá-lo. Na realidade, ele achou a cara dela muito engraçadinha, tentando ser ameaçadora e falhando completamente. Era quase fofa.
— Na verdade estou mais preocupado com esse olhar de mosca-morta na sua cara. Sabe, sempre sonhei que a primeira pessoa que eu fosse derrubar seria um inimigo das trevas e não uma garotinha do primeiro ano por acidente. Essa sua cara está me preocupando.
abriu a boca, indignada.
Do que você me chamou?!
O garoto deu de ombros, um sorriso brincando em seu rosto.
— Bom, consciente você está, o olhar deve sumir com o tempo. Toma, são caramelos. – Ela fitou inexpressiva o garoto pegar algumas balas de sua capa. – Toda vez que eu levo um balaço na cara durante o quadribol, eu gosto de comer uns doces para voltar o cérebro pro lugar.
o encarou sem saber o que dizer e, de tão sem reação, acabou rindo. Ela pegou os caramelos da mão dele e enfiou todos na boca, sentindo-os derreterem na mesma hora.
— Obrigada, eu acho. – Murmurou. – Da próxima vez, tente me ajudar não me insultando, seria legal.
— Da próxima vez, tente não me ameaçar com seu pai, seria legal também. – revirou os olhos e ele riu. – Ah, me deixa, não é todo dia que eu posso zombar de um aluno da Sonserina, pelo menos não na cara. Essas oportunidades são raras.
Ela deu uma risadinha, balançando a cabeça indignada.
— Espero que você derrube Flint e tente zombar da cara dele. Acho que não terá tanta graça assim.
O garoto fingiu estremecer.
— Não, obrigado. Esbarrar com Flint no quadribol já é desagradável o suficiente. – Os dois riram e o garoto estendeu a mão. percebeu que ele ainda continuava abaixado no degrau em sua frente e se perguntou se as pernas dele não estavam doendo. – Sou Cedrico Diggory, mas se for realmente me azarar, me chamo Greta Burke.
não conseguiu evitar gargalhar, reconhecendo o nome da insuportável monitora da Sonserina. Ela segurou a mão do garoto.
— Prazer, Greta. Sou Black.
— Vem, Black, vou te acompanhar até o final dessa perigosa escada para que você tenha uma segunda impressão minha melhor do que a primeira. Meu pai ficaria profundamente triste se soubesse que tratei uma dama dessa forma e a deixei à mercê do destino.
Ele a ajudou a se levantar e indicou o caminho afrente, fazendo revirar mais uma vez os olhos e contendo a vontade de dar outro sorriso. Estava rindo demais para o garoto.
— Ok, sem exageros. Eu nem sei como azarar alguém. Ainda.
— Ainda. Não queremos correr nenhum risco por ter derrubado a filha de Sirius Black, não é mesmo?
O rosto da garota corou e ela mordeu o interior das bochechas, repentinamente sem graça.
— Eu só disse aquilo porque... Bom, alguns alunos enchem o saco falando sobre isso, com brincadeiras, então achei que... Enfim, me desculpe. – Ela se enrolou um pouco, incomodada. Era péssima com desculpas.
Eles chegaram ao fim da escada e Cedrico sorriu, relaxado.
— Não se preocupe, eles vão esquecer disso daqui um tempo. Acredite em mim, sempre há novidades em Hogwarts que substituem rapidamente as antigas.
— Mal posso esperar para a próxima novidade acontecer.
Cedrico fingiu uma cara de terror.
— Não diga isso, nunca se sabe o que Hogwarts nos reserva. Temos que ter cuidado.
— Aposto que nada muito pior do que a filha de um cara mundialmente conhecido como um grande assassino. – riu, ácida, e Cedrico deu uma risadinha surpresa, achando o humor da garota muito curioso. – Bom, obrigada pelas balas.
— Sem problemas, Black. Cuidado com as escadas para o corujal, elas costumam ser escorregadias.
franziu o cenho, confusa.
— Como sabe que estou indo para lá?
— Porque sempre que eu quero ficar em paz para escrever alguma carta, é para cá que eu venho. – Ele tirou do bolso um rolo de pergaminho e uma pena, subindo as escadas logo em seguida.
o viu sumir enquanto subia. Não lembrava de tê-lo visto antes pela escola, mas, de qualquer forma, não é como se prestasse muita atenção nos alunos da Lufa-Lufa. Talvez devesse se atentar um pouquinho mais.


— Eu achei a solução perfeita para nossos problemas.
Zara se assustou com a repentina aproximação de enquanto tomava café da manhã, derrubando sem querer sua tigela de cereais. Os alunos que estavam ao seu redor riram e ela olhou para a amiga que havia acabado de se sentar ao seu lado, frustrada.
— Obrigada.
— Ops. Mas você vai ficar tão animada com o que vou te contar que vai esquecer disso rapidinho. Eu descobri uma coisa. – Ela virou a cabeça de Zara de uma maneira pouco delicada em direção à mesa da Grifinória, onde os primeiros alunos começavam a chegar para o café. Zara varreu a mesa com os olhos, mas não entendeu o que quis dizer.
— Do que você está falando?
apontou para dois garotos ruivos.
— Daquilo.
Zara observou os gêmeos Weasley. Um deles, ela não fazia ideia qual, estava exibindo algo em sua mão para um aluno do sexto ano enquanto o outro guardava em uma pequena bolsa alguns galeões. Zara não conseguiu ver o que o garoto havia comprado, mas pelo sorriso malicioso em seu rosto ela não achava que era algo exatamente bom.
— Muito bem, me explique.
abriu um sorriso exageradamente grande e se aproximou de Zara a fim de contar seu plano, mas foi interrompida.
— Toma, . – Draco soltou alguns chocolates na mesa à sua frente e sentou-se preguiçosamente ao lado dela.
Curiosamente, continuou a passar mal em todas as aulas de Quirrell, mas Draco sempre dava para ela alguns doces na esperança de que ela se sentisse melhor. Não funcionavam muito bem, mas ela acabou se acostumando à sensação ruim principalmente depois que o professor, aparentemente, pegou gosto por ela, a fazendo ficar sempre alguns minutos a mais na sala de aula. Da última vez, ela aprendeu alguns encantamentos em objetos e estava agora tentando encantar uma harpa para que tocasse sozinha – e falhando miseravelmente. desconfiava que o professor só fazia aquilo pois ele sempre a via meio verde durante as aulas dele e tentava a recompensar de alguma forma por pura dó da garota. Talvez ele soubesse que ela passava mal com seu cheiro – era a primeira suspeita de – e até se sentisse culpado.
— Obrigada, Draco. Hoje vou ficar até mais tarde com Quirrell, então será muito útil. – Ela sorriu para o primo, incapaz de falar que os chocolates eram, na verdade, inúteis.
— Ainda acho que você não deveria se sujeitar a isso. – Draco disse e fez uma careta.
— Honestamente? Também acho, mas eu gosto da oportunidade de aprender um pouco mais, já que ele quer ensinar. – Ela deu de ombros.
— Nerd. – Draco zombou, um sorrisinho maldoso. fechou a cara, mas segurou um sorriso.
— Cala a boca.
— Espero que ele não tenha esperanças de que, puxando seu saco, faça alguma diferença com papai. Fiquei sabendo que os dois se desentenderam algumas vezes no passado. – Draco comentou e pegou a maçã que Zara havia reservado, dando uma mordida.
Zara o olhou, brava, e bufou.
— É claro, já que é muito difícil para você acreditar que talvez sua prima esteja lá porque ele quer ou porque ela é boa.
duvidava muito que fosse por isso, mas sorriu para a amiga em agradecimento.
— Não se meta, Gryon. Você devia se preocupar em limpar essa bagunça – Apontou para a mesa suja com o cereal de Zara. – e não se meter em assuntos de família. Nascidos-trouxas como você não entendem a influência que um nome como o nosso pode ter e a inveja que pode causar.
deu uma cotovelada em Draco, irritada. O garoto gemeu, indignado.
— Não seja idiota, Draco! Grande coisa ter um nome, veja só a fama dos Black. Metade da família morta, a outra metade deserdada, os moradores de Azkaban e eu. Pelo menos os trouxas não precisam lidar com isso.
— O que?! Quanta bobagem, , você deve estar louca! Acho que você se esqueceu de quem somos. Andar com essa aí – Draco apontou com o queixo para Zara, que cerrou os olhos como um felino. – deve estar te fazendo mal. Papai não vai gostar nada de saber disso. Acho que você precisa rever suas amizades e escolher melhor com quem anda.
arqueou as sobrancelhas, irônica.
— Acho que consigo dizer qual é o melhor tipo sozinha, obrigada. Mas acho que você já ouviu isso antes.
Ela roubou um pãozinho e puxou Zara para longe da mesa, sabendo que Draco ficaria furioso com sua resposta.
— E saiba que minha mãe é uma grande advogada, Malfoy, e que se eu pudesse eu te processaria por ser o garoto mais idiota que já conheci! – Zara berrou ao passarem pelas portas da entrada do salão, atraindo os olhares de todos e risadas de alguns.


— Você tem certeza disso? – Perguntou Zara enquanto saiam da aula de Poções. Apesar de estar louca de raiva com os acontecimentos da última hora, não havia desistido de seu plano. Muito pelo contrário, parecia mais motivada ainda.
Um aluno da Sonserina, que também saia da sala, esbarrou em seu ombro com força demais, a fazendo derrubar seus livros no chão. Ela sabia que não tinha sido sem querer.
Absoluta. – Respondeu trincando os dentes, vendo Pansy Parkinson rindo da cara dela um pouquinho mais adiante. E o pior: com Draco ao seu lado. Ela conhecia o primo e sabia o quão idiota ele conseguia ser quando se empenhava, mas aquilo já era demais, com ou sem a discussão que tiveram no café da manhã. Ele simplesmente estava vendo tudo aquilo de camarote, rindo e achando que era uma ótima maneira de aprender uma lição. Ela desejou que os dois estivessem em casa, competindo em suas vassouras, para que ela pudesse jogá-lo no chão e fingir que foi um acidente.
Enquanto Zara a ajudava a recolher seu material, Harry Potter passou por elas acompanhado de, que surpresa, Ronald Weasley. Por um segundo, ele hesitou e ela achou que ele fosse falar alguma coisa sobre o que tinha acontecido, mas foi puxado para longe rapidamente pelo amigo. Ela bufou.
— Isso está passando dos limites, essa coisa com o Snape. Talvez eu devesse aprender algum feitiço que o fizesse ter dor de barriga para sempre e ele nunca mais pudesse dar aulas. – falou raivosa enquanto caminhavam pelo corredor abarrotado de estudantes.
— Esqueça isso, tenho certeza de que o problema está em Snape, não em você.
— Talvez esteja no Potter.
— Que seja. Você ainda é uma das alunas do nosso ano que mais ganha pontos para a Sonserina nas outras aulas.
— E a que mais perde pontos com o Snape. A única. De todos os anos.
— Um detalhe bobo.
Durante a aula de Poções, Neville Longbottom, um aluno desastrado da Grifinória que estava na mesa ao lado, deixou suas sanguessugas entrarem, sabe-se lá como, em suas vestes. Desesperado para se livrar das amiguinhas, ele saiu pulando pela sala e acabou derrubando alguns caldeirões com as poções em preparo. A situação seria ruim de qualquer jeito, mas um dos caldeirões atingiu a capa de Snape, deixando o professor furioso. Mas ele ficou mais furioso ainda quando se levantou de sua cadeira para ajudar o garoto e acabou tirando cinco pontos da Sonserina pelo comportamento inadequado de Black. E aí ele tirou também cinco pontos da Grifinória, além dos que já tinha tirado de Neville, por Harry Potter, que teve seu caldeirão derrubado, não ter sido ágil o suficiente para segurá-lo. repassou a cena várias vezes em sua cabeça e não conseguiu entender qual era a droga do problema de Snape com ela, ela não tinha feito absolutamente nada.
Harry e ela já haviam notado esse tratamento especial que recebiam de Snape e, a não ser que Potter fosse um completo panaca, ela tinha certeza de que ele se incomodava com isso tanto quanto ela.
— Olha ali.
apontou para um local no corredor onde os gêmeos Weasley estavam, os dois rindo em cima do muro de um dos arcos que separavam a parte interna do jardim. Ela não esperou a reação da amiga e arrastou Zara pela mão em direção a eles, atropelando os outros alunos pelo caminho.
limpou a garganta, chamando a atenção dos dois, que olharam para baixo.
— Olá. – Ela disse simplesmente.
Os dois franziram a testa ao mesmo tempo, curiosos, e achou aquilo engraçado.
— Sou Black e essa é minha amiga Zara Gryon. Nós queremos conversar com vocês. – Ela completou, impaciente com a falta de resposta dos dois.
— Nós sabemos quem você é, Black. – Um dos dois disse, por fim.
— E estávamos esperando você vir falar com a gente. – Completou o outro.
olhou para Zara, confusa, e a amiga deu de ombros.
— Como assim? – Ela questionou.
— Você não é muito boa em ser discreta.
— Passou a semana inteira nos espionando e Jorge e eu até discutimos se você não estava tentando nos azarar em segredo.
— Ou talvez estivesse apaixonada. – Finalizou o outro que agora ela sabia ser Jorge.
fez uma careta de nojo e Zara riu, recebendo um olhar zangado da amiga.
— Eca! Não, eu só quero conversar com vocês. Precisamos dos seus serviços.
Os gêmeos se olharam, muito interessados no rumo em que a conversa estava levando.
— Serviços? – Fred questionou, um sorriso nos lábios.
— Queremos dar uma lição em uma pessoa. – Zara finalmente falou e Jorge a encarou divertido.
— Uau, quem diria que as garotas da Sonserina têm senso de humor? – Jorge disse.
— Podem nos ajudar ou não? – perguntou, impaciente.
— Depende. – Disse Fred.
— De qual casa é a vítima? – Questionou Jorge.
— Se for Grifinória, nem pensar.
— E se você mentir, vai ser pior.
revirou os olhos com a ameaça.
— A pessoa é da Sonserina.
Fred e Jorge se olharam, compartilhando um sorriso maldoso. Jorge deu alguns tapinhas no topo da cabeça de , como se fizesse carinho em um cachorro. Ela deu um tapa na mão do garoto, zangada, e deu um passo para trás para se afastar.
— Olhe só, Fred, duas traidoras na casa das cobras.
— Ok, tchau. – pegou Zara pelo braço e elas se viraram para sair dali, mas a voz de Fred fez as duas pararem.
— Vamos discutir isso no nosso escritório. A Sonserina está cheia de alunos curiosos esse ano. – O ruivo respondeu, apontando com a cabeça para o garoto de cabelos platinados que observava a conversa do outro lado do corredor, mas que se virou raivoso e foi embora quando percebeu ter sido notado. Os gêmeos desceram do muro com um salto.
— Escritório? – franziu a testa, trocando um olhar com Zara enquanto acompanhava os dois.
— Bom, na verdade é só o vão debaixo da escada principal. – Respondeu Fred.
— Pegamos essa ideia do Harry. – Completou Jorge, embora nenhuma das duas tivesse entendido o que ele quis dizer.


— Eu acho que estou ouvindo alguma coisa, professor. – arriscou, os olhos atentos na harpa, sua varinha erguida na direção do instrumento.
Quirrell, que estava sentado em sua mesa do outro lado da sala, deu uma risadinha e ela se conteve para não revirar os olhos.
— N-não o-o-ouço nada, B-black.
— Tem certeza? Eu juro que estou ouvindo bem baixinho. – Ela deu um sorriso inocente para o professor, que arqueou as sobrancelhas.
— B-b-black...
— Ok, não tem som nenhum. – Ela abaixou a varinha e se jogou em uma cadeira, frustrada. – Professor, deve ser a terceira aula que eu tento esse feitiço e nada acontece, não podemos pular para o próximo? – Ela choramingou.
Quirrell jogou sua capa para trás e se levantou, indo até a garota com um sorriso que odiava. Quando o professor parou ao seu lado, ela sentiu o já costumeiro mal estar, sua cabeça latejando e a visão embaçando. Ela respirou fundo, tentando se concentrar, e enfiou a mão no bolso de sua capa para alcançar um dos chocolates que Draco dera mais cedo. Eles podiam não funcionar, mas pelo menos o doce aliava o gosto ardido causado pelo cheiro do professor. sempre se perguntava se algum dia ele sequer lavara aquele turbante. Discretamente, enfiou o chocolate na boca.
— V-vo-você n-n-não po-po-de desis-ti-tir assim, Black. É u-uma d-d-das melhores a-a-alunas d-d-do seu ano. Te-tenho ce-ce-certe-teza d-de que v-vai conseguir.
Ela imaginou que o professor estava sorrindo para ela com a melhor das intenções, mas ela não se comoveu nenhum pouco. Muito pelo contrário, só ficou mais irritada ainda.
— Estou seriamente duvidando disso. – Ela resmungou. – Senhor, com todo respeito, eu gosto muito de praticar depois das aulas, mas eu gostaria de entender por que o senhor me escolheu para isso, não vi mais nenhum outro aluno recebendo esse treinamento. – Ela questionou, intrigada, balançando os pés na cadeira para frente e para trás.
Quirrell limpou a garganta e pareceu hesitar por um segundo, o que julgou ter sido ele pensando se contaria ou não para a garota que ela só estava ali por ele se compadecer com os constantes enjoos dela, mas, quando ele falou, tinha mais um daqueles sorrisos perturbadores no rosto.
— A s-s-sen-sen-horita é m-m-muito talentosa, s-sen-horita B-black. Ac-credito que t-t-todo ta-ta-lento c-c-como seu d-deva ser in-incentivado, é m-meu pa-pa-pa-pel de p-p-professor.
— Acho que está sendo bem decepcionante então eu não conseguir enfeitiçar uma simples harpa. – Ela deu um risinho sem humor. Por mais que não gostasse de Quirrell, ela odiava não ser capaz de fazer alguma coisa e queria mostrar para ele que conseguia fazer qualquer coisa. Ela não queria decepcionar ninguém. Mesmo se ele a passasse uma nova tarefa, ela sabia que iria insistir na droga da harpa até dar certo.
— É u-um f-f-fei-ti-tiço c-c-com-complicado para uma a-a-aluna d-do pri-primeiro ano, se-senhorita Black, m-mas e-e-eu sei que v-v-ocê vai c-c-conseguir.
— Claro, daqui oitenta anos. – Ela revirou os olhos e o professor fez uma careta engraçada.
— N-n-não se ap-p-presse, B-black. Mag-gia d-de qualidade d-d-deve ser fe-feita com calma e mu-muito tre-tre-treino. Le-leve o tempo q-que precisar.
notou algo curioso no olhar de Quirrell enquanto ele falava. Ela cresceu aprendendo a esconder alguns segredos, como sua relação com os Tonks, e se tornou muito boa em identificar mentiras e verdades – o que sempre foi muito útil quando Draco escondia os últimos doces em casa e dizia para ela que haviam acabado. Ali, no olhar de Quirrell, a garota conseguia ver claramente que, apesar de o professor afirmar que não havia pressa para ela aprender aquele feitiço, algo dizia exatamente o contrário. guardou esse pensamento, sem saber muito bem o que fazer com ele.
Então, sorriu para o professor, desanimada, limpou a mente para se concentrar – e tentar ignorar a dor em sua cabeça – e ergueu novamente sua varinha para a harpa.


— O que você estava falando com aqueles dois hoje? – Draco questionou , que estava sentada com Zara em uma das mesas na sala comunal da Sonserina fazendo seu dever de Defesa Contra as Artes das Trevas. A garota respirou fundo, sem paciência para o primo que a tinha ignorado o dia todo.
— Nada, Draco. – Ela respondeu sem parar de escrever.
Draco puxou a cadeira livre ao seu lado e se sentou, irritado.
— Você já mentiu melhor.
deu uma risada sem humor e pousou sua pena na mesa, se virando para ele.
— E você saberia o que eu estava fazendo se não estivesse tão ocupado com idiotices o tempo todo. – Ela revidou. Zara soltou um risinho, mas não levantou o olhar.
Draco estreitou os olhos.
— O que quer dizer com isso?
— Que eu estou vivendo um inferno por causa das mentiras da sua amiguinha e você não faz nada para me ajudar. – Ela ralhou, um pouco magoada, mas muito furiosa.
— Eu achei que você já tivesse ajuda o suficiente com a sua amiguinha. – Draco apontou os olhos para Zara, cerrando os dentes. Zara ignorou a acusação, fingindo não ouvir nada.
— Pelo menos alguém me ajudou. – Ela fuzilou Draco com o olhar e ele estreitou os olhos, indignado.
— Se você não tivesse ameaçado Pansy no dormitório, nada disso teria acontecido.
— Você está dizendo que a culpa é minha?!
— Eu não...
Um barulho alto de explosão cortou Draco e os três se viraram assustados em direção ao som, aparentemente vindo da direção dos dormitórios femininos. Eles ouviram alguns gritos e imediatamente sentiram um cheiro podre tomar conta da sala. Todos os alunos que estavam ali taparam os narizes, sem entender nada.
— Mas o que...
— Vocês são malucas! – Pansy Parkinson berrou, saindo do corredor que levava até os dormitórios, acompanhada de Daphne Greengrass, a quarta moradora do dormitório de , Zara e Pansy, que parecia horrorizada. – Duas loucas! – Ela foi direto até e Zara, que tentavam segurar a risada vendo a garota completamente coberta de... não conseguiu se controlar e gargalhou. Daphne relutou, mas segurou a amiga pelo braço, ignorando a sujeira, tentando arrastar a garota para fora da sala.
— Perfume gostoso, Parksinson, combina com sua personalidade. – debochou, deixando Pansy mais furiosa do que já estava. Alguns alunos deram risadinhas.
— Eu vou te matar! – Pansy se desvencilhou da mão de Daphne e avançou em , mas Draco se colocou entre as duas, sua varinha encostando no ombro de Pansy enquanto ele a encarava com nojo, evitando encostar na garota.
— Que tal um banho primeiro? – Ele disse, a voz anasalada por evitar respirar.
— Acho melhor jogar na privada e dar descarga. – Provocou Zara com um sorriso maldoso.
— Isso não vai ficar assim.
Pansy grunhiu e saiu furiosa pela porta da masmorra, sendo seguida por Daphne, e e Zara gargalharam. Draco encarou as duas, desacreditado.
— Me diz que vocês não explodiram uma bomba de bosta no quarto de vocês.
trocou um olhar divertido com Zara.
— Nós não explodimos uma bomba de bosta no nosso quarto. – Ela deu de ombros.
Draco passou as mãos pelos cabelos milimetricamente penteados, nervoso.
— Vocês estão muito ferradas! Parkinson vai direto contar para Snape e, se ele já tirava pontos de você sem motivo antes, vai deixar a Sonserina zerada depois disso!
revirou os olhos.
— Quero ver ela tentar provar alguma coisa.
— Tentar provar? Ela está coberta de bosta! – Ele disse, exasperado.
As duas gargalharam de novo e ele fechou a cara.
— Draco, ela passou as últimas semanas inteiras espalhando um monte de mentiras sobre mim para toda a escola e colocando insetos nas minhas meias. Ela mereceu!
— Ainda assim, bomba de bosta, ! – Ele exclamou e o olhou indignada.
— Da próxima vez vou resolver com a mesma classe que você, talvez eu devesse ter roubado alguma coisa dela e jogado pelos ares só para ver Pansy cair da vassoura na frente de todo mundo. – Ela respondeu, irônica, lembrando Draco sobre o episódio do lembrol de Neville. O garoto se calou, não conseguindo encontrar nenhuma resposta, e sorriu para ele. – Foi o que pensei.


, querida, como está?
Estávamos tão ansiosos esperando uma carta sua, achamos que pudesse ter se esquecido de nós! Quando Perséfone chegou, fizemos uma festa.
Querida, quantas vezes nós vamos precisar lhe dizer que, não importa o que aconteça, sempre estaremos com você? , a única coisa que pode definir quem você é, é você mesma. Você ir para a Sonserina não diz nada além do fato de que você é uma garota determinada, confiante e, acima de tudo, muito astuta. E nós confiamos que você irá usar todas essas ótimas qualidades para seguir seu coração da melhor forma. Creio que nunca te contei isso, mas, assim como você, também fui da Sonserina. Eu fiz as minhas escolhas, , você também irá fazer as suas e todos nós estaremos ao seu lado.
Ficamos tão felizes em saber que você encontrou uma boa amiga! Quanta a Potter, não fazemos ideia do quanto o garoto sabe, mas não se preocupe com isso, querida, você não tem nada a ver com o que aconteceu. Sobre Snape, ignore-o como pessoa e tente absorver dele somente os ensinamentos durante as aulas. Ele sempre foi extremamente desagradável, mesmo quando aluno.
Continue fazendo amizades, se divertindo e aprendendo tudo o que puder. Nós temos certeza de que você será grandiosa e continuará nos enchendo de orgulho como sempre fez. Se sua mãe estivesse aqui e seu pai pudesse saber a garota maravilhosa que você se tornou, os dois estariam absurdamente felizes e orgulhosos.
Aproveite Hogwarts, . Nos escreva toda semana, por favor. Estamos enviando alguns presentes, esperamos que goste.
Nós te amamos!
Com muito amor, tia Andrômeda e tio Ted.
PS.: sabemos que Ninfadora enfiou algumas coisas escondidas no embrulho, saiba que não nos responsabilizamos mais por essa garota. Desistimos dela faz tempo.”
riu, limpando as lágrimas em seus olhos, sentindo como se um peso enorme tivesse sido tirado repentinamente de suas costas e o coração agora pudesse bater muito mais tranquilo, e vasculhou o embrulho ao seu lado no degrau, pegando a segunda carta e a abrindo.
“EU SABIA QUE VOCÊ ERA UMA COBRA, BLACK! EU AVISEI MINHA MÃE, DESDE O DIA EM QUE TE VI PELA PRIMEIRA VEZ, TODA CATARRENTA, QUE AQUELA CRIATURA NÃO ERA COISA BOA! VEJA SÓ NO QUE DEU!
, sua grande idiota. Como você pode achar que eu iria te odiar por ser da Sonserina? Ok, eu tenho a minha grande parcela de culpa por ter falado mais do que devia todos esses anos sobre minha experiência com sonserinos, mas talvez eu tenha exagerado um pouquinho. Até porque, se todos os sonserinos fossem malvados e sem coração, seria impossível minha mãe ter uma filha tão maravilhosa como eu.
Aproveite sua glória, gatinha. Ser da Sonserina deve ter muitas vantagens – mas pegue leve com os lufanos, por favor. Nós só queremos um mundo melhor e é muito difícil fazer isso com vocês tentando enfiar nossas cabeças na privada o tempo todo.
Queria muito estar aí com você, mas fico feliz em saber que você gostou da macieira. É um ótimo lugar para ficar com os amigos e, daqui alguns anos, para outras coisas que você ainda vai descobrir.
Não se preocupe com Snape, ele odeia todos os alunos, nem sei como esse cara acha que é uma boa ideia ele ser professor.
Eu te amo, sua cobrinha. Nada no mundo vai mudar isso. Me mande uma carta sempre que precisar, ok? Eu estou morrendo de saudades de você!
Ah, e se você pensar em seguir para o lado clichê dos sonserinos, com todo o lance das trevas, saiba que meu treinamento como auror está sendo muito eficaz e que eu não vou pensar duas vezes antes de dar um chute nessa sua bunda.
Espero que goste dos presentes! Com amor, Dora.

enfiou a mão na embalagem mais uma vez e procurou por alguma coisa, levando um susto quando sentiu algo se movimentar. Ela puxou a mão, curiosa, e espiou o pacote.
Lá dentro, além de alguns laços de cabelo verde e um medalhão prateado, algumas cobrinhas de chocolate estavam rastejando, meio emboladas umas nas outras. gargalhou, balançando a cabeça. Dora era ridícula.
— Ok, estou morrendo de curiosidade para saber o que foi capaz de te dar tantas expressões diferentes ao mesmo tempo. Você fica muito engraçada chorrindo, Black.
levou um susto, erguendo a cabeça para ver quem havia dito aquilo, dando de cara com Cedrico Diggory parado alguns degraus abaixo, encostado na parede com a mesma expressão relaxada que ela vira no outro dia.
— O que está fazendo aqui? Há quanto tempo você tá parado aí?! – Ela questionou, indignada. Ele riu e subiu a escada, se sentando um degrau abaixo dela.
— Tempo suficiente para te ver chorar, rir, chorar, chorar e depois rir de novo.
— E não passou pela sua cabeça que talvez eu precisasse de privacidade? – Ela arqueou as sobrancelhas. Ele deu de ombros.
— Estou te cedendo meu lugar especial, Black, tenho todo o direito de ficar aqui.
— Não vi nenhuma placa com seu nome, Diggory.
— Vou providenciar uma, então, quem sabe assim eu evito intrusos como você.
Ela riu, revirando os olhos.
— Você é muito convencido, já te falaram?
— Não, mas espero que você não decida explodir uma bomba de bosta no meu quarto por isso. – Ele arregalou os olhos teatralmente. abriu a boca, surpresa.
— Como você sabe?
Cedrico a olhou com se ela tivesse oito olhos.
— Todo esse tempo em Hogwarts e ainda não entendeu que as fofocas por aqui voam mais rápido do que uma Nimbus 2000? Eu esperava mais de você.
— Bom, saiba que foi merecido.
— Que garota mais vingativa.
Ela ignorou Cedrico e puxou uma das cobrinhas de chocolate do fundo da embalagem. A cobrinha deslizou por sua mão, se enrolando em seu pulso. Ela ergueu a embalagem para Cedrico, que enfiou a mão lá dentro e pegou outra cobrinha, a expressão curiosa, e os dois morderam seus doces.
— Que sensação engraçada. – Cedrico comentou, sentindo o chocolate dançar em sua língua.
deu uma risadinha e tornou a enfiar a mão no pacote para pegar os laços e o medalhão. Ela achou os laços lindos, mas o medalhão foi o que mais chamou sua atenção. Era prateado e oval, com um desenho engraçado que não entendeu de primeira. Analisando melhor, percebeu que, na verdade, era um relicário.
— Você faz ideia do que é isso? – Ela questionou, entregando o objeto para Cedrico. Ele observou os desenhos por alguns segundos e deu um sorriso.
— Tá vendo esses pontos aqui? – Ele passou o dedo pelas marcações, que eram pequenos relevos na joia, brilhantes. – É a constelação do Cão Maior, já ouviu falar?
observou os pontos e balançou a cabeça negativamente.
— Bom, esse ponto maior aqui – Ele parou o dedo no local onde o relevo era mais profundo e brilhava bem mais do que os outros. – é a estrela mais brilhante do céu visível a olho nu. – Ele fez uma pausa, mordendo o lábio, apreensivo. – Ela se chama Sirius.
ficou imóvel, sentindo seu corpo se arrepiar. Ela estendeu a mão trêmula para Cedrico, que a devolveu o objeto um pouco hesitante. Ela abriu o relicário e um papel estava dobrado dentro dele. Num movimento automático, desdobrou o pequeno pedaço de pergaminho.
— “Sua mãe deixou isso comigo antes de morrer e acho que agora você poderá usá-lo sem precisar escondê-lo. É para você nunca se esquecer de que eles estão sempre com você. Andrômeda”. – Ela leu em um sussurro.
Ela observou o interior do colar. De um lado, uma foto de um jovem casal, ele de cabelos negros e ela de cabelos loiros. A foto se mexia, os dois se abraçando e sorrindo um para o outro, compartilhando um olhar apaixonado e ela mostrando a língua para ele logo em seguida. Do outro lado, o mesmo casal agora segurava uma criança, um bebê que deveria ter por volta de um ano. O rapaz dançava com a garotinha nos braços, rodopiando enquanto ela ria sem parar, animada, e a mulher observava os dois, rindo.
— São seus pais? – Cedrico perguntou, a voz cautelosa.
Ela não percebeu que estava chorando até o momento em que precisou fungar para poder responder. Ela passou as mãos nos olhos, limpando as lágrimas.
— Sim. – Respondeu em um sussurro, a voz embargada.
— Você tá bem? – Ele perguntou, sem saber muito bem o que fazer. Sentia que não devia estar ali, participando daquele momento, mas achou errado ir embora.
— Estou sim. – Ela deu um sorrisinho que não chegou aos seus olhos.
— Quer saber? Que tal irmos lá na cozinha e ver se conseguimos alguma coisa para comer? Os elfos sempre me dão alguns pudins.
Ela riu um pouco, balançando a cabeça.
— Você não precisa fazer isso, Diggory.
Ele franziu a testa.
— Fazer o que?
— Ser legal, se sentir obrigado a me animar. – Ela fez uma careta e deu de ombros. Ele abriu um sorriso convencido.
— Primeiro, eu sou sempre legal. Segundo, não estou sendo obrigado a nada. Só gosto de comer pudins quando estou meio triste e achei que você poderia gostar, senhorita cabeça-dura.
riu, um pouco mais animada agora, e sorriu agradecida para ele enquanto juntava seus pertences e se levantava.
— Obrigada, Diggory, mas acho que prefiro levar isso tudo até meu quarto para guardar e ficar um pouco sozinha.
Cedrico sorriu.
— Sem problemas. Você vai ficar bem?
revirou os olhos e ele riu, vendo que ela estava voltando ao normal.
— Sim, senhor. – Ela desceu alguns degraus enquanto ele ria, mas se virou antes da curva da escada. – Obrigada novamente, Diggory. Seria legal se você não...
— ... não falasse sobre isso para ninguém? Fica tranquila, Black, eu sou um túmulo. – Ele piscou e passou um dedo pelo lábio, como se estivesse fechando um zíper.
deu mais uma risadinha e balançou a cabeça em agradecimento, sumindo escada abaixo.





Continua...



Nota da autora: Olá, marotos! Como estão? ;)
Eis aqui o segundo capítulo dessa história que, ai ai, promete! Finalmente conhecemos o nosso campeão de Hogwarts e ainda tivemos um gostinho de que talvez a nossa Black seja uma discípula do tipo de caos aprovado pelos gêmeos Weasley. Também vimos um pouco da história dela e de como diabos a filha de Sirius Black foi parar na casa dos Malfoy. Ah, e é claro, um pouco mais da amizade dela com Draco e Zara. Eu fiquei muito intrigada com a Black aprendendo a enfeitiçar uma harpa. Mais alguém se sentiu assim? Hm...
Quero saber a opinião de vocês, me contem tudinho nos comentários! Muito obrigada por terem lido e eu prometo que o terceiro capítulo virá com momentos intrigantes e BEM emocionantes, além de alguns sinais sobre o destino da nossa PP e como ela acabará naquele momento. Vejo vocês na próxima atualização! Com muito amor, Zurc <3
Malfeito, feito.




Outras Fanfics:
  • O Sol e Fred Weasley
  • A Cobra e o Leão
  • A Musa de Arcádia

    Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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