Última atualização: 21/05/2018

Capítulo 1 - This is our little secret

Era a primeira vez que os quatro protagonistas da nova série “Five Hills” iriam realmente se conhecer e cada um estava ansioso da sua maneira.
— Bom, meninas, esses é o — o diretor disse, apontando para um moreno bonitão — e esse é o — esse também era bonitão, mas diferente do outro era —, mas esse aqui com toda certeza você já devem conhecer.
E quem não o conhecia? Ele era , ator desde que se entende por gente, garoto propaganda de tudo que era marca importante, um dos caras mais cobiçados do mundo — e não só pelas adolescentes que sempre foram seu público alvo, mas por qualquer mulher que pudesse ter bom gosto para homens, — e dono dos olhos mais conhecidos da América. Quem não o conhecia?
— Quem será o seu par? Quem será o meu? —, uma das garotas, perguntou a outra, empolgada.
— É só você esperar que ele vai contar — respondeu rindo.
— E meninos, essas são e .
— Com quem eu vou fazer par? — , com seu jeito naturalmente espevitado, não se conteve e perguntou.
— Isso ainda é segredo, só vamos contar semana que vem, por enquanto conversem e criem afinidades — Finn disse antes de levantar e ir embora.
— Minha nossa, eles são muito bonitos. Quem você quer que seja seu par? Eu quero muito que seja o .
— Posso ser sincera? Eu prefiro o , imagina ter que ser par romântico do , ele deve ser metido e esnobe e...
— Não! — a interrompeu — Ele é super gente boa, já me falaram isso um milhão de vezes! — contou, sem ligar que mal conhecia todos ali. — Só é meio mulherengo, mas é super gente boa!
— Que seja — continuou sem dar muita importância. — Mas quem for o par dele vai viver a sua sombra pra o resto dessa série.
— Oi, meninas — chegou e veio logo atrás.
— E aí, galera! — disse — Eu vou ter que sair agora porque tenho compromisso marcado, mas que tal vocês aparecerem na minha casa hoje à noite? Vou dar uma pequena festa, seria bom que vocês aparecem pra gente poder se conhecer melhor.
— Claro — respondeu, empolgado. — Passa seu endereço.
— Faz assim, vou passar o meu número pra vocês, vocês me mandam mensagem e eu passo o endereço pra cada um. Assim já salvo seus números e fazemos duas coisas de uma vez só.
— Okay — disse. — Passa seu número.
passou o número e logo foi embora.
saiu minutos depois.
— Fala sério. O é ainda mais bonito ao vivo, não acha?
— É, ele é bonito. Mas nada que Brad Pitt, Rodrigo Santoro e Ashton Kutcher não superem.
— Mas esses não são da sua década — respondeu gargalhando.
riu, e ali percebeu que além de dinheiro essa fama iria lhe dar uma boa amiga.

Já era noite, e estava em frente à casa do se olhando pela milésima vez no espelho que tinha levado em sua bolsa. Depois de ter certeza que estava “apresentável”, respirou fundo e tocou a campainha.
— Ah, você veio! — disse quando abriu a porta. — Os outros dois chegaram faz tanto tempo, achamos que você não iria vir mais.
— Eu tenho um certo problema com horário — ela disse tentando não transparecer que estava sem graça.
— Ahh sim — respondeu e depois a olhou dos pés a cabeça. — Você está linda.
— Obrigada — respondeu, já ficando vermelha.
Mesmo a festa estando cheia de gente que não conhecia, ela pôde dizer que foi divertida.
Realmente era um cara legal — não muito modesto, mas era bem legal. ela já sabia que era, e também era bastante agradável. Passaram quase o tempo todo conversando e saíram da festa depois que a mesma já tinha acabado.

Uma semana depois

— Ansiosos para saberem quem será seu par? — Finn perguntou.
— Bastante — foi a única que respondeu.
— O casal que fará o Dylan e a Ashley será e Parker. E o casal que fará Nick e Deena será Grey e Clarke. Ah, e antes que se empolguem, eu tenho um assunto pra falar com vocês.
, que já ia começar a conversar com , calou na hora.
— Isso é mais que um pedido, é um conselho, quase uma regra. Por favor, não se relacionem.
— Como assim? — perguntou de boca aberta.
Que raios de regra era aquela? Não que ele pensasse em começar a namorar alguém dalí, mas queria ao menos saber que, se quisesse, poderia. Tinha quase certeza que aquela maldita regra tinha sido pensada por causa dele.
— Queremos que o assunto seja sempre nossa série, não supostos relacionamentos. Também sabemos que no final, qualquer briguinha de casal acaba vindo pra cá, e isso pode acabar com nossas cenas. E o pior, se você se relacionar com alguém que não é o seu par. Isso confundirá a cabeça dos telespectadores. Mas, resumindo, sei que vocês passarão a maior parte do tempo juntos, mas não queremos que nada possa interferir no nosso trabalho, então evitem qualquer distração.

Um mês depois

Era finalmente a estreia da série “Five Hills”, estavam todos reunidos em um restaurante — desde o elenco à produção -, ansiosos para saberem como iria ser a audiência, recepção do público e tantas outras coisas que podiam influenciar diretamente no andar da série.
— Só eu que estou com medo de ninguém gostar de mim? — perguntou nervosa.
— Acho que tirando o todos nós estamos — respondeu sincero.
— Vocês dizem isso, mas ainda fizeram algumas aparições na TV, e eu? Este é definitivamente meu primeiro trabalho na TV.
— Eles vão te adorar , quem não te adora? — a amiga respondeu, segurando sua mão em sinal de conforto.
Nessa hora, apareceu e se inclinou colocando o rosto no ombro de .
— Quem não adora nossa querida ? Linda, boa atriz e muito, muito gostosa.
já estava ficando acostumada com os “elogios” de , mas era impossível não ficar vermelha.
— Vai, — ele disse sentando na cadeira ao seu lado e dando uma tapinha em seu braço — dessa vez eu nem brinquei demais, elogiei seu trabalho, coisa que todos nós sabemos que é ótimo, não falei apenas do seu jeito sexy que me conquista — ele disse, fazendo e gargalharem da cara de vergonha da garota.
— Eu já disse pra você não ficar falando isso!
— Você tem que se acostumar com elogios , agora você é uma estrela — falou como se fosse óbvio.
— Finalmente o mundo vai ver toda sua gostosura em cena — continuou, tentando deixar a menina mais constrangida ainda.
— Você é idiota, , idiota! — riu e deu uma tapa nele.
— E você só não me pega por que isso seria contra as regras — ele disse rindo. — Vamos pegar alguma coisa pra beber, , aqui não estão servindo nada. — levantou junto com seu colega de elenco, mas antes falou: — Esse é o único motivo que não te peguei ainda!
— Voc...
— Eu sou um idiota, , eu sei — disse sorrindo. — Mas falo as verdades.

O primeiro episódio da série tinha sido um completo sucesso, as redes sociais só falavam disso mesmo após duas horas do término. Agora era fato: “Five Hills” era o mais novo fenômeno adolescente da América.
— Eu não acredito! Eu não acredito! — estava surtando — Meus seguidores estão aumentando na velocidade da luz! Acho que vou desmaiar.
— Por que ela não para de ser fresca, hein? — perguntou gargalhando. — Você está chamando atenção de todo mundo , então se comporte! — falou, ainda rindo.
— Eu preciso de uma bebida — foi só o que ela disse.
— Todos nós precisamos — falou e elas fizeram sinal pra que o garçom viesse.
— Ela fica tão sexy quando fala desse jeito — falou pra , mas alto o bastante para que escutasse, afinal, essa era a intenção.
— Eu já teria pegado esse homem — cochichou no ouvido dela e a fez gargalhar alto.
Foram copos e mais copos de bebida entre uma gargalhada e outra. Os quatro se entendiam muito bem, praticamente só restavam eles na mesa da equipe. Quatro jovens que até ontem era desconhecidos, mas que agora formavam uma família.
— Eu preciso ir ao banheiro, muita bebida deixa a bexiga cheia.
— Obrigada por informar disse rindo da cara de bêbada da garota.
levantou e foi caminhado até o banheiro do restaurante, ela nunca tinha bebido tanto, estava surpresa por ainda se equilibrar naquele salto enorme que ela não costumava usar nunca — nunca foi a menina mais vaidosa do mundo — e por estar lúcida o suficiente pra entender as coisas.
Quando ela já estava abrindo a porta do banheiro sentiu uma mão lhe puxar, era .
— Nunca te falaram pra não assustar garotas quase bêbadas que estão em um salto enorme? Você poderia ter provocado um belo acidente.
— Linda, — ele disse a puxando pra perto de uma parede — inteligente, gostosa e ainda tem bom humor. Ah, e é muito sexy.
— Acho que sexy e gostosa significam a mesma coisa nesse caso — falou e riu da cara que ele fez ao perceber que ela não ficou com vergonha.
— Não está com vergonha?
— Umh uhm — ela fez o barulho com a boca enquanto negava com a cabeça.
— Pois eu a prefiro assim. — Ele a encostou na parede grudando seus corpos e ela soltou um gemido.
— Eu também — foi tudo que ela respondeu antes de morder seus lábios e a beijar.
colocou a mão em seus cabelos s e os puxou de leve. Como retribuição, ele pressionou o corpo com mais força contra o dela e intensificou o beijo. Depois de terem que parar à procura de ar, falou:
— O que a bebida fez com a Clarke que conhecemos e amamos?
Isso a fez lembrar de uma coisa.
— Nossa! A bebida me fez ter muita vontade de fazer xixi — falou e tentou sair dos braços de pra ir ao banheiro
— Que tal eu te levar em casa depois que você fazer xixi? — “xixi”, era gay falar isso.
Ela o olhou por uns instantes, como se estivesse pensando se era uma boa ideia.
— Acho que vai ser legal — deu um selinho nele — Eu só posso estar muito bêbada — disse gargalhando enquanto ia ao banheiro.
Quando voltou à mesa, já estava pegando suas coisas pra ir embora, assim como .
— Você viu a por aí? Acho que ela caiu na privada! Queria dar tchau antes de ir embora.
— Acho que a bebida deve ter feito mal a ela, vai ver está vomitando, por isso a demora — mentiu.
— Não vou esperar, temos trabalho amanhã, diga que mandei um beijo. E beijo pra vocês também meninos, o táxi já está me esperando — ela se despediu dos meninos e rapidamente foi embora.
— Rola uma carona, ? Esqueci completamente de ligar pra um táxi, eles vão demorar se eu ligar agora.
— Desculpa, cara, mas é que a já me pediu carona. Você sabe, ela mora no lado oposto do seu.
— Claro que sei, de boa. Só não vá agarrar a garota no meio do caminho. — ele riu. — Vou lá fora olhar se tem algum táxi disponível por aqui mesmo. Manda beijo pra .
Demorou mais alguns minutos até chegar.
— Achei que tivesse descido pela privada, geral já foi embora. Você não estava cagan...
— Cala a boca, , eu só estava tentando dar um jeito nessa cara de bêbada. Agora vamos ou não vamos?
— Claro que vamos!
Alguns minutos depois eles já estavam em frente ao prédio que morava. olhou pra os quatro cantos meio desconfiado, o que fez rir.
— Deixa de ser paranóico, são quatro da manhã, todo mundo está dormindo. Vamos logo!
estava um tanto quanto alegre e estava se divertindo com essa versão dela. Não que a outra não fosse legal, mas essa o deixava beijá-la.
Foi beijo no estacionamento, beijo no elevador, e beijo na porta do apartamento.
— Acho melhor entrar, mesmo eu não sendo o cara mais certinho do mundo, não quero aparecer nas revistas como o cara que quase fez coisas que não deve na porta de um apartamento.
riu e abriu a porta. Quando entraram, já foi procurando o zíper do vestido da garota.
— Você deveria ficar assim mais vezes — ele disse, jogando-a no sofá já sem vestido — Nem está se preocupando com as regras.
Foi só as palavras saírem de sua boca pra se arrepender de tê-las dito. A garota travou, ficou parada olhando pra ele em cima dela.
— Acho melhor a gente parar por aqui — ela disse o empurrando e sentando no sofá.
Droga!
— Merda! Tem como eu retirar o que disse?
— Foi melhor você ter dito. Você tem noção do que fizemos? Se as pessoas descobrirem? Ai meu Deus!
— Por favor, piti feminino a essa hora da madrugada não. — ele se encolheu no sofá — Será que podemos refazer a cena e cortar a parte que eu estraguei tudo?
— Você pirou?
, entenda. Você já descumpriu as regras, agora você só escolhe se vai fazer valer a pena ou não.
— Mas se a gente, você sabe, — ela disse meio envergonhada, aparentemente tinha mesmo recobrado toda sua sanidade — vai ser bem pior.
— E como eles vão saber? Ninguém viu nada, e se viram, vai ser apenas nossos beijos. Estamos no seu apartamento, não tem câmeras, produção, paparazzi, nada! Eles jamais descobrirão isso.
— Mas...
— Não tem “mas”, já estamos aqui, — disse, chegando mais perto dela — você já está quase sem roupa, — ela olhou pra si envergonhada, e ele chegou ainda mais perto — estamos meio alcoolizados e podemos colocar a culpa nisso, caso dê alguma coisa — falou mordendo o lábio inferior da garota — e o principal, nós dois estamos com vontade. — deu um selinho nela — Esse é o nosso pequeno segredo.
Ele nem precisou falar mais nada, o agarrou e minutos depois já estavam despidos. Tudo aconteceu lá mesmo no sofá, mas não impediu de acontecer pela segunda vez no quarto também.
Fizeram o pequeno segredo valer a pena.

Capítulo betado por Bruna Kubik


Capítulo 2 – Pretend that nothing hurts you

Ao amanhecer se desesperou com a possibilidade de ter perdido a hora de gravar, mas logo depois lembrou que só precisava ir ao trabalho a tarde, então se virou na cama na intenção de acordar a pessoa que estava ao seu lado, ou pelo menos, deveria estar.
Não tinha mais ninguém na cama fora ela, logo pensou que ele pudesse estar na cozinha ou na sala, mas ao descer percebeu que tinha ido embora, provavelmente teria ido logo após ela ter dormido, assim como fazia com qualquer garotinha que ele ficava. Ela não estava com ciúmes, não esperava café na cama nem nada romântico, não sentia nada por ele, mas custava ele dizer que ia embora? Custava fazer diferente do que ele estava acostumado a fazer com as outras? Eles eram amigos afinal, ele deveria ter tido o mínimo de consideração.

nunca acreditou em santos, mas quando chegou ao trabalho naquela tarde pediu a todos que ela lembrava o nome pra que não encontrasse com nos corredores. Não tinha costume de ficar com um cara só por ficar, e nunca tinha sido “descartada” daquela maneira. Seria no mínimo constrangedor.
— Você tá bem? Ontem foi ao banheiro e não voltou mais, achei que fosse estar com uma ressaca daquelas — falou quando a encontrou.
— Eu estou bem sim.
— O te levou em casa ontem, não foi? — perguntou e não sabia que se era paranoia ou verdade, mas achou que a amiga estava com cara de quem sabia de algo. “Não iria ser nosso segredo?” ela pensou.
— Mas a gente não fez nada — falou logo na defensiva.
— Eu sei, louca, só perguntei mesmo.
— Ah, tá. Falando nisso, cadê ele e o ?
— O tá por aí, mas o ainda não chegou. — E foi só ela terminar de falar para que aparecesse.
— Falando de mim, garotas? — Como de costume, colocou o rosto no ombro de , abraçando-a por trás.
— Só perguntei se você e o já tinham chegado — respondeu, tentando soar o mais natural possível.
— Já estava com saudades? — ele indagou, soltando-a e virando pra ela com um sorriso convencido. — Só me atrasei, mas já estou aqui, babe.
— Foi só uma pergunta, , nada demais.

agradeceu por não ser o par de , era tão estranho e desconfortável ter passado a noite com ele e depois nem tocar no assunto. “Como é que algumas mulheres conseguem fazer sexo casual? Não nasci pra isso”. Jurou pra si mesma que agora só faria sexo depois do casamento, era bem menos complicado.
— Você tá legal? — lhe perguntou.
— Oi, desculpa. Viajei aqui.
— Se quiser podemos não passar o texto agora, a cena deles ainda vai demorar um pouco — falou, apontando pra e que estavam gravando.
— Não, não! Vamos passar sim. — ela colocou uma postura ereta, mas depois pareceu mudar de ideia. — , fazendo uma pergunta TOTALMENTE hipotética, — sentiu-se patética por estar fazendo aquilo, mas... — o que significa quando uma garota passa a noite com um cara e no outro dia ele já foi embora?
ergueu uma sobrancelha e a encarou sem entender de onde ela tirou aquele assunto, mas respondeu mesmo assim.
— Bom, hipoteticamente falando, pode significar que ele estava ocupado demais pra se despedir, — ele mesmo riu — que a noite não foi boa, — ela não pôde deixar de fazer cara de chocada — que ele não quer vê-la nunca mais ou só que a ficada não terá próxima vez.
— E por que não terá próxima vez? — Novamente ele a olhou, confuso.
— De que caso estamos falando especificamente?
— Um caso hipotético.
Ele ergueu a sobrancelha novamente e a encarou por um instante.
— Porque ele não sente nada por ela, — “isso eu sei”, ela pensou — porque ela é só uma biscate, ou porque como eu disse: a noite não foi boa.
— Hum — “vou ficar com a primeira opção”, pensou. — Vamos passar o texto?
— É — falou, ainda confusa.

— Corta! — Finn gritou. — , meu bem, onde você está com a cabeça hoje? Você não está entregue à cena — ele não parecia irritado, só estava preocupado com a cena e com ela. — Tá de ressaca ainda?
— Eu não estou de ressaca — ela respondeu de cabeça baixa. — Desculpe Finn, eu só não estou bem.
— Você está doente?
— Não, eu só não estou legal. Mas vamos tentar novamente, prometo que essa vai dar certo.
— Tudo bem. Vamos mais uma vez.
Eles se colocaram nos lugares e recomeçaram tudo ao ouvir: AÇÃO!
— Corta! Bom! Ao menos a cena saiu, acredito que você é bem melhor que isso, mas a cena ficou boa o bastante para ir ao ar — ele fez uma pausa. — Não sei onde você está com a cabeça, mas quero que aprenda uma coisa: — ele a fitou e sentiu vontade de chorar. Finn sempre lembrava um pai pra ela, isso a fazia sentir saudade de casa e do colo daqueles que ela sentia falta — nada pode interferir no seu rendimento, essa é a maior e talvez a única chance que você tenha pra fazer todos gostarem de você. Não deixe isso escapar por nada nem ninguém.
— Pode ficar tranqüilo, Finn. Tudo está sob controle. Só não acordei bem.
Ela disse já saindo em direção ao seu camarim, mas a acompanhou.
— Não dormiu bem? — Ele perguntou com um sorriso sacana.
— Quando se está bêbada, qualquer noite é bem dormida — respondeu e riu tentando não tocar “naquele” assunto.
— Então por que não acordou bem? Não gostou da noite passada? — Ele perguntou já se sentindo ofendido antes mesmo de obter a resposta.
— Eu não acordei bem simplesmente porque não acordei bem. Nenhum motivo com o qual você deve se preocupar — ela falou meio irritada. “Deixa-me sozinha e ainda quer que eu elogie sua performance na noite passada? Tenha santa paciência”.
— Ei, você está chateada comigo? — Às vezes o jeito lerdo dele a irritava, parecia que só pensava quando o assunto era aquelas coisas. Mas era até melhor, não iria bancar a garota largada.
— Não. A gente só não deveria ter feito aquilo. Poderíamos estar em tudo que é jornal agora.
— É isso? Relaxa! Se fosse dar alguma merda já teria dado. Você me deu o maior susto, achei que o moleque aqui — ele apontou pra sua calça — não tinha agradado.
— Você é tão idiota, — ela riu. Embora estivesse irritada demais com ele, e embora também não quisesse demonstrar isso, o riso foi verdadeiro.
— Ah, e se quiser repetir a gente faz quantas vezes quiser — ele falou rindo.
— Não me confunda com uma de suas garotinhas, eu não sou uma delas — ela pareceu um pouco irritada e ele percebeu, mas como não tinha entendido o porquê, resolveu ignorar.

— Ele é tão lindo, não é mesmo? E olha esse corpo, seria perfeito conhecer ele um dia — e conversavam animadamente enquanto olhavam uma revista.
— Do que vocês estão falando? — perguntou curioso enquanto se aproximava.
— Do corpo mais que perfeito desse ator aqui — respondeu empolgada.
— Meu corpo o que, ? — perguntou quando chegou perto.
— Seu corpo nada, meu querido — disse sorrindo —, não é você aqui nessa foto, ou é? — não podia negar que gostava da ideia de mostrar que ele não era o único cara do mundo.
— Ah, claro que não. Meu corpo é dez mil vezes melhor.
Ela pensou em dizer: já vi e não concordo. Mas isso não seria nada bom, afinal, não estavam sós.
— Há quem discorde.
— Isso porque não olharam direito ou porque precisam provar, quer dizer, quando estiver na pura consciência.
e só sabiam alternar os olhares entre e . Eles não faziam a mínima ideia do sentido daquela conversa aparentemente sem pé nem cabeça.
— Acho que talvez nenhuma das duas opções faça sentido. Tipo, qualquer garota que possa ter te visto, bêbada ou não, tem a consciência que você não ganha dele — ela apontou pra revista.
— Você está cem por cento certa disso? — ele perguntou dando-a a chance voltar atrás, e ela começou a rir. — Percebo que não está.
— Estou cem por cento certa. — ela já não ria.
— Bom saber disso, minha querida — e a puxou, colando seus corpos.
— O que você está fazendo seu doido?
— Você não perde por esperar, Clarke — falou antes de soltá-la.
apenas o encarou tentando saber o que ele pretendia, mas rapidamente começou a conversar com e , e a deixou com uma coisa que parecia ser um misto de medo, curiosidade e vontade.
Embora ela nunca fosse admitir o último sentimento.

— Olá, disse ao entrar no camarim da garota e agarrá-la por trás.
— Você está maluco? — disse, tentando soltar-se dele, mas rindo.
— Calma, não tem por que temer a um homem que perde pra um atorzinho de uma revista qualquer.
Ela começou a gargalhar alto e ele a soltou sem entender o porquê daquela risada toda.
— Você é sempre assim tão egocêntrico e vaidoso ou isso você deixa pra fazer quando está comigo? — falou em meio às próprias risadas. — Isso já faz quinze dias, , achei que já tivesse esquecido.
— Isso tudo é tão engraçado assim pra você? — Perguntou, voltando a se aproximar dela.
— É sim, qualquer pessoa consegue ferir seu ego e isso é bem engraçado.
— Isso te faz rir? — indagou enquanto caminhava pra mais perto ainda dela, obrigando-a a dar alguns passos para trás.
— Faz sim, e muito.
— Pois eu acho — puxou a garota pela cintura — que o que eu vou fazer agora é ainda mais divertido e se você deixar provavelmente te fará sorrir. — e a apertou.
sabia o que ele queria dizer, e também sabia que deveria se afastar, mas não fez isso.
— E se eu não deixar?
— Vou fazer do mesmo jeito, a diferença é que o sorriso vai vir alguns minutos depois do esperado.
— Só me solte e deixe-me tirar essa roupa e ir pra casa.
— E se eu não deixar? — indagou desafiador, antes de puxar o lábio inferior da garota.
pôde sentir um arrepio e seus joelhos ficarem meio moles. Podia não nutrir sentimentos por ele, mas existia um desejo, uma atração inevitável.
— Vamos adiantar logo isso pra você poder ir embora — ele falou já que ela não tinha respondido sua pergunta.
beijou com vontade, queria mostrá-la que era melhor que qualquer garoto de revista e queria mais ainda tê-la em seus braços, afinal, quem não queria ter Clarke em seus braços?
até deu alguns soquinhos no peito de , mas ela mesma sabia que aquilo tudo era pura cena, também estava com desejo.
Depois de alguns beijos, sentou em uma cadeira e a colocou sentada em seu colo, de forma que pareciam encaixar, eles estavam bastante empolgados, mas quando tocou na borda da blusa da garota, ela pareceu voltar a si e pulou do colo dele.
, eu já disse pra você não me confundir com uma de suas garotinhas, não disse? — Aparentemente a garota tinha surtado do nada e tentava recuperar o fôlego.
— Hã? O que? — ainda estava atordoado pela súbita parada.
— Estamos em nosso local de trabalho, você não consegue ser responsável? Você sabia que alguém poderia ter entrado aqui? Estaríamos ferrados se isso acontecesse. — Ela andava em círculos enquanto se perguntava como tinha deixado aquilo acontecer.
— Dá pra parar de piti? — Ele odiava aqueles ataques femininos, nunca tivera paciência pra coisas do tipo. — Ninguém viu nada.
— Porque tivemos sorte, você é um idiota irresponsável que entra no camarim dos outros e sai agarrando as pessoas à força.
começou a rir, rir de verdade, daquela maneira debochada que odiava.
— Você quer me dizer que te beijei a força? — Ela ia responder que sim, mas ele continuou falando. — Vai me dizer que sentou no meu colo a força também?
— Não fala assim comigo! — exclamou irritada e um pouco magoada. — Eu já disse que não sou uma de suas garotinhas.
— Você tava querendo tanto quanto eu, e deixe minhas garotas de fora disso, o que elas fizeram pra você?
“Ai meu Deus como esse homem é estúpido, ele fala das garotaS dele, garotas com S no final”, foi o que pensou antes de falar.
— E você mesmo diz que são garotas — ela gritou o garotas — com s no final.
respirou fundo e voltou a falar.
— Ainda bem que... — não terminou a frase ao perceber que talvez as suas palavras fossem demais para aquele momento.
— Ainda bem que o que?
— Nada — ela falou sem graça.
— Fala logo, , termina a merda que você iria dizer.
— Eu já disse que não era nada. — “Não me obrigue a falar, eu já não quero falar”.
— Você não é mulher pra assumir que quis me beijar e agora nem fala o que iria dizer?
tinha o dom de lhe irritar. E tinha alcançado um novo nível com aquelas últimas palavras.
— Eu iria dizer que ainda bem que usei camisinha quando ficamos, sabe-se lá o que você pegou com suas garotas.
pôde ver o rosto de enrijecer, seus punhos se fecharem, chegou a sentir medo do olhar dele.
— Você fica comigo, me beija em seu camarim de livre e espontânea vontade — ele frisou a parte: espontânea vontade. — E agora vem com isso? Vá se ferrar, Clarke! Tava estranha naquele dia por que estava com medo de ter pegado algo comigo? Vá se ferrar!— esbravejou, quase fora de si.
Dessa vez foi ela quem saiu de si.
— Vá se ferrar você! — Gritou. — Eu não estava com medo de nada, como eu estaria com medo se usei camisinha sua anta? Eu estava estranha porque passei a noite com um cara que me largou lá dormindo e foi embora sem nem se despedir, fazendo eu me sentir uma qualquer, como se nem amiga dele eu fosse — cuspiu as palavras com tanta raiva que mal se reconheceu. — Mas o cara é tão idiota que nem pensou nessa possibilidade. Então vá se ferrar você, , mas vá se ferrar fora do meu camarim, sai fora daqui!
Depois das palavras e de ver que ele não obedeceria, o empurrou, mas ele continuou lá.
— Sai fora daqui!
— Eu não sabia que isso faria você se sentir mal — falou baixo, com raiva de si mesmo.
— Isso não importa mais.
— Somos amigos, achei que isso não fosse importar. Pensei que, já que somos amigos, despedidas não fossem necessárias — ele continuou tentando se explicar.
— Eu já disse que não importa mais.
E se nem olhar no rosto de , ela abriu a porta do camarim e fez sinal pra ele saísse.
— Você está chateada comigo? — sentiu vontade de rir, afinal, aquilo estava sendo fofíssimamente engraçado, mas não riu.
— Pela última vez, eu já disse que não importa mais. Agora, por favor, saia do meu camarim.
saiu e quando virou pra se desculpar mais uma vez, a porta já estava fechada e ele achou melhor não abri-la novamente.
, você é um idiota — falou pra si mesmo.

— Vamos gente, a cena agora é com os quatro presentes.
Os quatro se organizaram no cenário que formava a casa da personagem Ashley, cada um sentando perto da pessoa que fazia seu par na série.
— Finn a chamou. — Você senta sozinha, não esqueça que você é apenas amiga da Ashley, ela é quem é amiga deles. Depois o vai se aproximar de você, porque embora a Ashley já seja louca pelo Dylan, ele primeiro se interessa pela sua personagem.
— Você é a popular desejada, brincou.
A cena começou e, como estava no texto, Dylan foi sentar-se perto de Denna e começou a puxar papo, mas ela não deu muita bola. Ele insistiu e quando os dois ficaram a sós na sala, Dylan quase a beijou, mas foi interrompido pelo barulho de um copo que Ashley acabou deixando cair ao ver seu grande amor tentando beijar sua melhor amiga.
não pôde deixar de se sentir desconfortável ao ter tão perto dela, eles discutiram no dia anterior e quando era agora tinham que fazer uma das poucas cenas mais “íntimas” deles.
— CORTA! Ficou perfeito. — Finn disse empolgado — Sua cara de tristeza ficou perfeita, , muito bem. E vocês dois — ele apontou para e —, eu não ficaria surpreso se alguns fãs torcerem pra que vocês fiquem juntos, existe uma química entre vocês que, nossa, é muito boa.
e ficaram surpresos ao ver que não iria fazer nenhuma brincadeira com .
— Você tá legal? — perguntou.
— Que foi?
— Você não vai fazer nenhuma brincadeira? — perguntou pra todos escutarem.
— Ela não está falando comigo. — respondeu com um meio sorriso na tentativa de irritar e fazê-la falar algo, mas apenas se levantou e o ignorou.
— Ela deve estar mesmo com raiva. — disse, rindo.
Depois de uns minutos resolveu ir ao camarim de .
— Coloque uma roupa, porque estou entrando — ele disse abrindo a porta enquanto ria, e ela só conseguia pensar em como ele era cínico.
— Acho que vou ter que colocar chave nessa droga de porta — ela falou sem virar para trás.
— Você vai parar com essa frescura de menininha fresca? Eu não sabia que iria te deixar magoada, tá bom? É que homem não liga pra essas coisas, e como sou homem, penso como tal.
— Esse é um ótimo jeito de se explicar, mas eu já disse que não importa.
— Vou te encher o saco até você se virar pra mim e falar direito comigo.
— Para de ser infantil — disse, virando-se pra ele rindo.
— Eu sou um idiota babaca e você já deveria saber disso.
— Esse é o jeito de pedir desculpa? — Perguntou rindo.
— Talvez.
— Você está desculpado.
— E você também está — ele disse e ela o olhou com cara de “eu te fiz o que?” — Você falou besteiras, admita.
— Tudo bem.
Quando ela terminou de falar ele deu um selinho nela.
— Você é muito fresquinha, e gosta de dar piti. Mas ainda é a que eu gosto e acho gostosa.
Ela riu e ele a abraçou
— Amigos? — indagou.
— Amigos — respondeu rindo.
— Vou nessa.
deu-lhe um beijo na testa antes de sair, e não sabia explicar o motivo, mas estava com um sorriso bobo no rosto.

Capítulo betado por Bruna Kubik

Capítulo 3 - Just Friends

No outro dia, quando chegou ao trabalho, já lhe esperava com aquela cara cínica de quem queria ver se tudo estava mesmo bem. Ao ver aquilo, ela já se aproximou dele rindo.
, assim vou achar que você está apaixonado por mim — riu. — Está tudo bem, achei que soubesse disso ontem.
— Primeiro: não se gabe; Segundo: só faço isso justamente porque não estou apaixonado por você, eu jamais teria coragem dessas coisas com alguém que eu namorasse. E terceiro: mulheres costumam mudar de ideia facilmente, eu diria que são bipolares, então não tinha como ter certeza de nada.
O rapaz deu de ombros e arrancou umas gargalhadas da amiga.
— Não somos bipolares, seu idiota! — Deu um soco no braço dele. — Apenas somos incompreendidas.
— Para mim são todas frescas, chatas e bipolares.
— Achei que também fosse dizer gostosas — disse, rindo.
— Nem todas as mulheres do mundo são como você, .
— Você não deixa de ser idiota.
— E gostoso, admita. — Provocou.
— Vamos entrar, , vamos entrar. — e o puxou para o set de filmagens.

— CORTA! — Finn gritou. — Ficou muito bom, galera! Parabéns aos figurantes, comportaram-se muito bem.
Mas mal deu pra escutar o que Finn falara, já que o estúdio estava sendo tomado por gritinhos agudos dos figurantes que segundos atrás tinham sido elogiados. Todos queriam fotos com os quatro protagonistas e, como a maioria eram garotas, e estavam cercados por muitas delas.
— Por que não mandam mais garotos, hein? — perguntou, fazendo bico.
— Lembre-se de perguntar isso ao Finn. — respondeu, rindo da cara da amiga.
— Posso tirar uma foto com vocês duas? — Uma garota perguntou, empolgada.
— Claro que sim, minha linda. Quer tirar uma separada com cada e depois com as duas juntas?
observou lidando com a fã, a menina nascera para fama. Era espontânea, simpática, bonita e, diferente de , parecia estar pronta para todo o assédio.
— Vem, , tira primeiro sozinha com ela. — Escutou falar e saiu do seu transe.
— Claro, claro — respondeu. — Posso abraçar você?
— Claro que pode! Ai meu Deus! — A fã respondeu.
Logo após tirarem a última foto com aquela menina, a garota voltou-se para elas.
— Eu tenho um fã clube para vocês, posso fazer duas perguntinhas? Por favor, eu não tenho dinheiro pra pagar por uma entrevista — a menina choramingou.
— Tudo bem — disse. — Mas não nos meta em maus lençóis.
— Prometo — respondeu, beijando o dedinho em símbolo de promessa feita. — Como vocês conseguem não pegar nenhum dos dois? — indagou, apontando pra e .
caiu na gargalhada.
— Você é boa, hein garota?! — Continuou rindo. — Mas é que acho que não seria legal envolver trabalho com namoro. Mas a gente consegue com muito esforço, muito mesmo — brincou.
— E você, ?
— Sabe — já começou a responder rindo —, eles não são atraentes depois que você conhece. Os dois arrotam, tiram o tênis com chulé e, resumindo, perdem o encanto.
Ambas gargalharam da cara da menina.
— Eu os amaria com todos os arrotos e chulés do mundo.
— Você desistiria no primeiro arroto de cebola bem na sua cara. — ria.
— Ai, eca! Vamos pra próxima pergunta, que na verdade é um pedido. Mandem um beijo pra galera que nos segue.
E assim as garotas fizeram, depois tiraram fotos com mais fãs até que os figurantes foram embora.
— Eu vou procurar o fã clube dessa menina na internet inteira, tenho que ver o vídeo sobre os meninos — falou.
— O que sobre a gente? — chegou perto indagando.
— Falamos para a menina do quanto vocês deixam de serem charmosos ao arrotarem perto da gente.
— EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊS FALARAM ISSO! — ele estava indignado, como elas podiam fazer aquilo? — Vocês sabem que isso pode diminuir a quantidade de mulheres em cima da gente, não sabem?
— Ela que começou — apontou para a outra. — Sorry, espero que o fato da gente falar de chulé não piore tudo ainda mais.
— Mas que merda! Se eu não pegar muitas mulheres, vou matar vocês duas!
— Para de drama, foi só um pequeno comentário. — disse, rindo.
— Espero que saiba que o vai matar as duas. ! — gritou.
O garoto foi aproximando-se.
— Que foi?
— Sabia que nossas queridas COLEGAS de trabalho nos difamaram para uma fã? Cara, elas falaram dos nossos arrotos! E até de chulé!
— E eu posso adivinhar de quem surgiu a ideia — ele disse, já olhando pra . — Vocês duas me pagam. Principalmente você, Clarke.
— Está ameaçando-me, ?
— Só digo que você não perde por esperar.
— Aguardo ansiosamente — ela disse, revirando os olhos. — Suas fãs vão amar saber que você tem hálito de cebola — falou e saiu gargalhando.
esperou pela vingança por uma semana, mas nem , nem fizeram algo contra ela ou contra . Isso, em vez de deixá-la calma, estava apavorando-a.
— EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊS FIZERAM ISSO! — pode ouvir a amiga gritar do set de filmagem. — Isso foi bem pior!
— O que foi que vocês fizeram? — indagou, temerosa.
, olha a foto que eles postaram! Olha!
pegou o celular e olhou a foto. Era das duas dormindo — e babando — em um intervalo de cena durante a madrugada. Se fosse uma brincadeira interna, ela até poderia rir, mas estava sendo exposto para todos.

— O melhor é a legenda. — falou rindo, mas nem perdeu tempo olhando o que tinha escrito, pulou em cima dele.
— Eu vou matar você! — ela gritou.
— E eu? Não vai matar?
— É, , mata ele. — disse, tentando livrar-se da menina que estava em cima dele. — Eu ainda ajudei vocês duas, ele ia postar uma bem pior!
— Nem vem que a gente não tem o que te agradecer — disse enquanto puxava os cabelos encaracolados do menino com força.
— Você é mesmo um idiota, ! — disse de punho cerrado. — Eu deveria matar você!
— Deixe para matar depois da segunda parte.
— Ainda tem mais? — perguntou.
Droga!
— Relaxa, agora será apenas para nossa querida . A melhor parte ainda estar por vir — gargalhou. — Vai ser delicioso.
Para muitos, aquele comentário teria apenas um sentido de deliciosa vitória da parte dele, mas ela percebeu que ele falava de outra coisa.

— Não precisa estar com roupa, mas aviso que estou entrando. — falou rindo enquanto abria a porta do camarim de .
— Dá para parar de entrar nessa droga sem perguntar se é bem vindo?
— Eu sou sempre bem vindo.
— Aqui não! Não depois da foto que postou.
— Lembra que ainda falta uma parte da vingança? — Perguntou arqueando a sobrancelha.
— Não estou interessada.
— Achei que quisesse me matar...
— Tá querendo morrer? — ela perguntou rindo.
— Desde que seja de prazer — disse puxando-a para perto de si. — Como eu disse, será delicioso.
— Sai, ! Tá louco? Sabia que podem nos pegar?
— Então será na minha casa ou na sua?
— Nem na minha, nem na sua. Vá pegar outra! Você pode arrumar quem quiser.
— E eu pego, mas hoje eu quero você — ele disse, a puxando novamente.
— Tudo bem — ela disse deixando os ombros caírem —, vamos pra sua casa resolver isso.
— Sério? — não pôde esconder a surpresa, achou que ela resistira mais.
— Super sério, vamos juntos. Pego carona com você.
Ele a olhou e ela o olhou de volta com um sorriso que ele não conseguia decifrar o significado.
Logo após o término das gravações, entrou no carro dele e eles seguiram para o apartamento do rapaz.
— Okay, vamos logo para o meu quarto — ele falou já caminhando em direção ao cômodo.
— Eu não disse que iríamos fazer sexo, eu disse que iríamos resolver isso.
— O que? — Perguntou incrédulo.
— Isso mesmo. Achou que eu viria ficar com você tão de boa assim?
, diga-me que está brincando, diga. — O garoto já estava ficando irritado.
— Somos amigos, não podemos fazer isso.
— Você, por acaso, fica com inimigo?
, não somos apenas conhecidos, somos amigos. Muito amigos, passamos a maioria das horas juntos, não podemos.
— Você pode até não querer continuar com isso, mas não foi a vontade de conversar que te trouxe aqui. — e foi aproximando-se dela enquanto tirava a própria camisa — Vamos lá, você pensou em não querer e achou que seria o mais correto, mas percebeu que estava afim — desabotoou a calça. — Então, você pensou em deixar para dizer aqui porque sabia que eu te convenceria a ficarmos mais uma vez — tirou a calça — assim você deixaria para parar com isso depois e, o melhor — tocou os lábios dela -, você não precisaria sentir-se culpada ou errada. Fui eu que te coagi a fazer o que faremos.
— Eu só faço o que quero — ela disse tirando a mão dele de seus lábios.
— Hoje a gente finge que não, a culpa será toda minha.
E, sem esperar mais uma resposta totalmente falsa dela, agarrou e beijou-a ferozmente. Ele iria fazer tudo o que desejava com ela. Se essa seria a última vez, queria que fosse a melhor de todas da vida dela. Gostava de ser lembrado pelas garotas.

— Isso foi... — começou a falar ofegante.
— Minha nossa! — falou, também ofegante.
Os dois resolveram ficar calados e apenas relaxarem pra tentar recuperar as forças, mas meio minuto depois, a menina voltou a falar.
— Acho que agora é a hora que a gente conversa sobre o assunto de antes disso tudo começar — disse e depois voltou a respirar fundo.
— Agora? Ah não, deixa para depois, agora vamos apenas deitar e tirar um cochilo, quando acordarmos conversamos.
Ela pensou em dizer não, mas dormir não lhe pareceu uma má ideia. Minha nossa, aquele homem tinha acabado com ela.
— Tudo bem.
puxou , que se aninhou no corpo do rapaz. Puxaram o cobertor e dormiram com o rapaz segurando um dos seios dela.

— Nossa, que horas são? — perguntou a ele que, pelo que se via, tinha acabado de tomar um banho, já que ainda estava de toalha.
— Quase sete da noite.
— Huuuum — ela falou meio sem graça. — Quer que eu saia pra você trocar de roupa?
— Não, relaxa! Tô de boa. — Ele ia tirar a toalha quando ela interrompeu.
— Vou pra sala.
— Você tá com vergonha de me ver trocando de roupa? — Indagou, já gargalhando. A menina ruborizou. — , eu estava deitado com você até alguns minutos atrás.
— É diferente, acho melhor eu ir pra sala.
Mas antes que ela levantasse, ele virou de frente pra ela e tirou a toalha.
— Cobre isso! — Falou fechando os olhos.
— Para de ser idiota, Clarke — disse rindo. — Abre esses olhos.
— Então coloca essa toalha de volta no lugar — dessa vez ela colocou a mão na frente dos olhos.
— Nós ficamos horas atrás, abre esses olhos — ele riu e foi em direção a ela.
— Fique onde está!
— Você está espionando ainda? — Gargalhou.
— Claro que não!
— Então como sabe que estou indo em sua direção?
— Porque não sou louca, estou percebendo o movimento na cama. Fique onde está!
— Só se você abrir os olhos.
“Meu Deus, como ela podia ser tão boba? Eles tinham ficado agora pouco, não era a primeira vez. O que tinha demais em vê-lo nu?“ Se perguntava.
— Ah, você vai sim.
Gargalhando, ele partiu pra cima dela, tirando suas mãos do rosto e fazendo cócegas até que ela abrisse os olhos.
— Para, ! — Ela estava jogada na cama rindo como uma louca graças às cócegas e ele praticamente por cima dela. — Estou com falta de ar! — Gritou em meio às gargalhadas.
Ele sabia que era tudo mentira e continuou fazendo cócegas. Cada vez que ela se debatia, o lençol ia desenrolando, até que seu corpo da cintura para cima ficou a mostra.
— Tudo bem, eu abro — falou rindo e abriu os olhos. — Satisfeito?
Ele apenas balançou a cabeça, afirmando.
— Você é um idiota! — Ela riu e começou a dar socos de leve no peito dele que estava em cima dela.
— E você não tem força alguma — disse, segurando os dois braços dela.
— Me solta! — Pediu, já gargalhando.
— Tenta.
Ela até tentou, mas não conseguiu, o que fez com que o menino caísse na risada.
— Fraca.
segurou os pulsos de apenas com uma mão e colocou os braços da garota para cima da cabeça dela. Foi como se esse movimento fizesse com que um clima diferente surgisse.
Ambos se encaram por um tempo. Mal respiravam, era como se cada movimento pudesse fazer aquilo que parecia tão frágil desmoronar. encarou e fez uma careta para ele, que retribuiu com outra. Ela riu e mostrou a língua, e ele, sem pensar muito, segurou a língua dela com os dentes. Não precisou de mais nada para que aquilo se tornasse um beijo cheio de desejo.
O papo teve que esperar mais algum tempo.

— Acorda. — ela o cutucava — Acorda, seu idiota!
— O que foi, sua baranga? — Ele disse rindo e levou uma tapa.
— Tem alguém tocando a campainha.
— O porteiro não ligou pra perguntar se a pessoa podia subir?
— Parece que não, né?! — deu uma tapa na testa dele, que a empurrou de leve.
— Espera, já volto.
Ele colocou uma cueca e já ia atender, quando ela falou:
— Você vai assim?
— Assim como?— se olhou confuso.
— Assim, apenas de cueca.
— O que tem de mais? — Novamente olhou confuso.
— Vai que seja uma senhora, respeite as pessoas.
— Você é insuportável — ele bufou e colocou uma bermuda que estava no chão. — Pronto, monitora dos bons costumes?
— Ótimo.

? O que você tá fazendo aqui? — perguntou surpreso ao abrir a porta.
— Feliz em ver você também, cara — ironizou. — Esqueceu que marcamos de sair hoje?
— Desculpa, é que eu fiquei surpreso de alguém tocar minha campainha sem o porteiro me ligar antes.
— Essa é uma das vantagens de estar ficando famoso, eles te liberam tudo. Mas você ainda não está pronto?
— E se eu te disser que esqueci completamente?
— Vai logo arrumar-se e tomar um banho enquanto eu aproveito a TV na cama fofa do seu quarto. — E já começou a subir as escadas.
— Meu quarto? — arregalou os olhos — Nããão!
— Hã?
— Tá maior zona, cara. Você não vai querer entrar naquele lugar.
— Vai bancar a mulherzinha agora, ? Quando foi que liguei pra isso? Sei que você guarda os melhores drinks lá — novamente começou a seguir.
— Não, cara. — se colocou em sua frente. — Quando eu digo zona, é a maior zona.
O amigo o olhou desconfiado.
— Tipo?
— Eu tava com uma pessoa horas atrás, imagine a situação dos lençóis, tá cheio de camisinha! Não curto deixar ninguém ver.
novamente o olhou desconfiado, mas acabou cedendo.
— Tudo bem, vai lá. Contento-me com a TV da sala e o seu sofá.
— Valeu, no máximo em meia hora eu volto.

Quando chegou ao quarto, já foi perguntando:
— Quem era?
— O .
— Ele veio aqui? — Ela perguntou assustada. — Será que ele sabe que estou aqui?
— Sim, ele veio aqui. Não, aparentemente ele não sabe. E ele ainda está aqui.
— E agora? Como vou fazer pra ir embora? O que ele veio fazer aqui?
— Eu tinha marcado de sair com ele, graças a você esqueci completamente — ela o olhou sem jeito —, ele tá me esperando pra sair. Quando sairmos, você fica com a chave, sai e deixa a chave com o porteiro.
— E se esse porteiro abrir a boca pra alguém?
— Ele é de minha confiança e, bom, isso é o tipo de risco que temos que correr.
— A gente não deveria ter ficado. Olhe agora, poderíamos ter sido pegos..
— Mesmo que ele visse, acho que ele não contaria nada — falou sem dar muita atenção à preocupação da garota.
— E se fosse outra pessoa? Qualquer um poderia aparecer aqui, estaríamos fritos. Nós erramos.
— Por favor, — disse pegando uma toalha pra tomar banho novamente —, não comece seus discursos puritanos. Não aconteceu nada demais, ninguém nos pegou! Está tudo certo.
— E com toda certeza não vamos mais correr esse risco.
— Huuuum — ele nunca teve paciência pra essas tempestades em copo d’água.
— Não podemos mais repetir isso — continuou enquanto ele já ia em direção ao banheiro. — , pode me dar atenção? A gente não pode mais fazer isso.
— Eu estou lhe dando atenção — ele rolou os olhos. — Mas não vou fazer disso uma espécie de DR. Você acha melhor que isso não se repita, então por mim tudo bem. Aposto que vai sentir falta do garotão aqui — ele apontou para baixo -, mas se assim é melhor, por mim tudo bem.
— Nossa, você é super paciente — ela disse rolando os olhos.
— Só odeio esses pitis, . Coitado de quem namorar contigo, vai sofrer pra caramba.
— Idiota — ela bufou e jogou um travesseiro nele.
— Também te amo — riu e entrou no banheiro.
— Nossa, eu estou acabado — falou enquanto massageava as têmporas, deitado em um sofá no set.
— Noite regada a muitas bebidas e sexo?
— Isso, . Mas não achei que iria ficar com uma dor de cabeça tão grande.
— Ainda bem que não sou o único — se aproximou falando. — Também estou com uma dor de cabeça dos infernos. E pra piorar, acabei dando meu número a uma garota, agora ela não para de ligar.
— E por que você não atende? Vai que termina em algo mais sério?
Nesse momento, chegou ao estúdio e foi se aproximando dos amigos.
— Algo mais sério? Eu não quero nada sério com ninguém. E outra, mulher que fica comigo na primeira oportunidade mesmo sabendo que eu jamais vou querer algo com ela, não é o tipo de mulher que eu vou querer ter um relacionamento. Essa é do tipo que vai ser sempre só diversão.
Ao escutar aquilo, a garota pensou em voltar o caminho e ir correndo pra o seu camarim. Então era isso? Ele sempre a viu como uma mulher que não merece respeito?
sentiu cada parte do seu corpo suja. Reconhecia que realmente não deveria ter ficado com ele sem ter algum sentimento, mas nunca pensou que ele pudesse achar isso dela. Agora até ela se achava assim.
? ? — gritou algumas vezes, o que a fez sair de seus pensamentos.
Tudo bem que não era pra tanto e poderia ser mais drama do que qualquer outra coisa, mas a vontade dela era chorar, nunca tinha se sentido tão suja. Já era a segunda vez que ele, querendo ou não, a fazia sentir-se assim.
— Érr... Oi — falou tentando manter a voz em um nível normal.
a olhou dos pés a cabeça, sabia que tinha algo errado com ela.
— Você tá aí faz tempo? — Ele perguntou sem graça.
pensou em dizer que não, mas outro lado seu fez ela falar a verdade.
— Tempo o suficiente pra escutar sua teoria de mulheres sem respeito — ela riu depois que falou, torcia pra que isso o fizesse achar que não foi nada demais.
pensou em se desculpar e dizer que isso não tinha a ver com ela, mas viu que a mesma sorriu depois de falar o que escutou, então ele relaxou.
“Ela entendeu que não foi com ela.”.
— Tá tudo bem? — a perguntou.
— Claro! Está tudo perfeito! — Abriu um sorriso de orelha a orelha, quem visse diria que foi o maior sorriso que ela já deu algum dia.
“Definitivamente, eu sou uma ótima atriz.” pensou, ainda com vontade de chorar.

Capítulo betado por Bruna Kubik


Capítulo 4 - Past pain

— Que tal você ir hoje lá pra casa depois do trabalho?
Havia se passado três dias desde que tinha escutado aquelas coisas, durante esse tempo ela tentou evitar ao máximo um momento como esse.
— Achei que você tivesse entendido que não teria mais próxima vez, .
— Mas você sempre muda de ideia. — ele disse, rindo.
Ah, aquele sorriso. Fazia qualquer mulher baixar a calcinha.
“Mas não eu“ Clarke pensou.
— Agora é definitivo. Eu te disse isso da última vez que ficamos.
— Eu realmente sinto em te dizer que você está perdendo — ele disse, rindo com aquele jeito metido que só ele tinha.
— Já provei e acho que consigo viver sem. Quer dizer, tenho certeza — falou e riu da maneira como murchou. — Adoro descer sua autoestima — gargalhou.
— Eu odeio você, sua pentelha — riu e a abraçou por traz, colocando seu rosto no ombro dela.
— Também acho — falou e livrou-se do abraço dele para ir ao seu camarim.
Se queria se manter longe de dor, era melhor se manter longe dele.

Depois de mais um dia exaustivo de trabalho, todos pareciam desanimados, menos , como quase sempre acontecia.
— Vamos sair hoje à noite? — chegou perguntando toda empolgada.
— Eu não estou no clima — disse.
— Nós vamos — e falaram juntos.
, vem também. Vai ser legal. Dançar, beber, beijar, se divertir.
— Eu posso dançar, beber e me divertir na minha casa.
— Mas não vai ter beijo.
— Só se você quiser levar alguém pra o seu apartamento — disse malicioso e arrancou risos dos amigos, menos de .
— Por que vocês não se pegam logo? Ai Deus, por que isso não aparece pra mim? — indagou aos risos.
— Para de ser idiota! Tudo bem, eu vou. Posso levar um amigo?
— Não precisa — disse, rolando os olhos.
Pra que levar amigo? Isso só reduziria as chances dela terminar a noite na casa dele.
— Claro que ela pode!
— Ótimo, até as oito.

— Jake, é claro que você vai comigo! — praticamente gritou.
— Mas eu já disse que...
— Não me venha com suas desculpas. Que tipo de amigo deixa sua melhor amiga indefesa ir a uma boate quando quer pegá-la, e ela não quer ser pega?
— Por favor, você indefesa? Conta outra — desdenhou — Você é a garota mais geniosa que eu conheço. E eu não quero ser sua babá, passei dessa faz, querida. E você também. Fora que eu já te disse que...
— Você pode ir pegar mulher qualquer dia, mas não hoje! Jake, quando foi que você teve a chance de ficar perto de celebridades?
— Te vejo todo dia, pra mim isso é normal — ele falou novamente com desdenho.
— Eu não sou garoto propaganda da marca mais famosa de cuecas e nem sou a garota linda que faz par romântico com ele. Por favor — pediu, colocando as mãos em posição de reza — prometo que você irá ter uma selfie com os quatro pra bombar de vez no seu Instagram e as gatinhas ficarem loucas por você só por que sonham com a chance de conhecer qualquer um daquela foto.
— Eu te odeio por sempre conseguir me comprar — ele disse e pulou em seus braços.

— Estou bonita? — perguntou pela décima vez.
, eu já te disse que sim. O que mais quer que eu diga? — Jake perguntou impaciente.
— Você tem que ser sincero — respondeu manhosa.
— Você está tão gata e gostosa que, se eu não fosse seu melhor amigo, eu te pegaria aqui mesmo. Fica calma que você vai conseguir mostrar para o que você é bem mais do que as garotas que ele pega na balada.
— Eu não estou me arrumando pra ele, okay?
— Tudo bem, agora vamos — disse, sem nem prestar atenção direito no que ela falou.

Quando chegaram à boate, quase se arrependeu de estar ali, mas lembrou que precisava curtir um pouco mais ou não aguentaria aquela rotina de trabalho. Por mais que amasse o que fazia, aquilo lhe cansava e lhe deixa louca quase que na mesma intensidade.
, você tá gostosa — Foi a primeira coisa que falou ao ver entrar na boate.
— Obrigada — disse com um pouco de vergonha — mas, por favor, não se torne um .
— Pode deixar — ele respondeu rindo.
gritou quando lhe viu.
Será que ela já estava bêbada ou era apenas felicidade?
— Nossa, você está gostosa demais. Tá querendo matar os caras de coração? — ela iria falar mais alguma coisa, mas do nada parou.
— Que foi que te deu?
— Por favor, me diga que esse seu amigo é apenas amigo seu. — Porém, não esperou que respondesse. — Esse é o cara que eu quero casar. Quero nome, endereço, documentação, tudo.
— Ele não é nada além de meu amigo e está completamente solteiro.
— Eu te amo — disse, abraçando a amiga. — Hora de partir pra o ataque.
— Nossa! Você está muito gostosa — falou assim que se aproximou da amiga.
— Não sou eu querendo me gabar não, mas você é a quarta pessoa que diz isso.
— Todos foram muito verdadeiros. — ele falou a analisando dos pés a cabeça e mordendo o lábio.
— Obrigada — disse um pouco vermelha.
— Você só consegue não ficar vermelha se beber?
— Acho que sim. — os dois acabaram rindo. Sabiam que era mesmo verdade.
— Então vamos beber, vai que essa noite não termina como da última vez.
, — ela deu uma pausa — não vai mais rolar. Era esse o combinado, não era?
— Tá bom. Agora vamos dançar.
levou até a pista de dança e começaram a dançar. Rapidamente as pessoas se afastaram formando um pequeno círculo em volta deles e aquilo não poderia parecer mais constrangedor para a garota.
— As pessoas estão nos encarando — disse sem jeito.
— Relaxa, só estão fazendo isso porque somos famosos, daqui a pouco eles voltam ao normal.
— Estou me sentindo em um filme adolescente onde o casal dança tão bem que as pessoas formam um círculo ao redor deles.
— Você não dança tão bem — disse, desdenhando.
— Idiota — riu e deu um soco de leve no peito dele.
Aos poucos foi acontecendo o que falou, as pessoas começaram a voltar a fazer o que estavam fazendo.
— Te disse que eles iriam relaxar. Eles só acharam que queríamos dar um show. — apenas sorriu de lábios fechados — Vem cá.
, com uma pegada que deixou um pouco zonza, puxou a garota para mais perto e a virou de costas.
— Vamos dançar de verdade.
De começo eles estavam apenas com os corpos próximos, mas depois a puxou para ainda mais perto, de forma que seus corpos colaram um no outro. Clarke pôde sentir um leve arrepio percorrer seu corpo.
Droga de atração física.
— Não precisa ter medo de dançar rebolando, não vou te agarrar a força — falou e riu.
— Eu sei.
— Então dança.
Ele segurou na cintura dela e aos poucos a menina foi relaxando.
— Assim que se dança. — falou baixo no ouvido de .
olhou pra os quatro cantos procurando pelos seus outros amigos, mas não conseguiu ver nenhum deles. Precisava sair dali, sabia disto, mas não estava conseguindo.
— Eles devem estar curtindo por aí — falou como se lesse seus pensamentos. — Todo mundo tá aproveitando.
Dito isso, ele beijou de leve o pescoço de Clarke que se contorceu levemente. Isso não passou despercebido aos olhos de que sorriu maliciosamente e depositou outro beijo no pescoço dela que novamente se arrepiou.
— Para — Clarke disse um pouco brava. — Tira logo esse seu sorriso do rosto. Você tem noção de onde estamos?
bufou.
— Se o problema é o lugar, podemos...
— Não, , — ela falou irritada — o problema não é o lugar. O problema é que você só pensa com a cabeça debaixo. — bufou e saiu irritada.
foi atrás dela, mas não tinha mais a intenção de insistir.
— Então a gente não fica mais, certo?
— Certo.
— Okay, não vou insistir. Você é gostosa, mas igual a você tem um monte.
pôde sentir o sangue subir a sua cabeça. Ele não a colocaria mais uma vez para baixo. Pegou o copo que o barman tinha acabado de lhe entregar com refrigerante e jogou todo o líquido no rosto de .
— VOCÊ PIROU? — ele perguntou indignado.
Se não fosse o barulho do som todos teriam ouvido, mas graças a todo o barulho aquela briga estava passando despercebida.
— Nunca mais fale assim comigo — falou entre os dentes tentando manter a respiração normal e saindo de perto de .
Ele pensou em segurá-la pelo braço e dizer umas poucas e boas a ela. Quem ela pensava que era? Tinha ficado maluca? Mas preferiu a deixar ir procurar os amigos, acontece que aquilo teria volta.
A olhou andando com aquele vestido perfeito e lhe veio uma ideia, não pôde segurar o sorriso que formou em seu rosto.

— Cadê o ?
— Sinceramente, prefiro que ele esteja no quinto dos infernos.
— O que foi que aconteceu? — perguntou preocupado.
— Nada que eu já não tenha resolvido e me vingado.
Rapidamente Jake puxou pelo braço e a levou pra um canto deixando e confusos.
— O que foi que aconteceu?
— Aconteceu que o é um puta de um babaca que só consegue fazer eu me sentir uma qualquer. Acha que pode falar o que quiser de mim e pra mim. Então eu joguei um copo cheio de refrigerante na cara dele.
— Você fez o que?
— Sorte dele que aqui não vendem alguma coisa ácida o bastante pra deformar aquele rostinho. — Jake a olhava como se ela fosse louca — Não me olha desse jeito, ele não me respeitou. Ainda tem que me agradecer por eu não ter jogado o copo de vidro como bônus.
— Você já pensou se ele tivesse perdido a paciência ou sei lá?
— Seria ótimo, assim eu o denunciaria e nesse exato momento ele estaria preso e desempregado. Olha que máximo, eu não o veria mais no trabalho e ainda poderia rir da foto dele na cadeia que com toda certeza cairia na rede.
Jake ainda abriu a boca pra reclamar mais um pouco, mas viu que estava realmente irritada e magoada, os olhos marejados entregavam isso.
— Quer ir embora?
— Ainda te devo uma selfie com o elenco. — ela parou um pouco pra pensar e depois fez um bico — Desculpa, mas eu não vou atrás do pra tirar essa foto não, vai ser eu e os outros dois.
— Se quiser nem precisamos tirar nada — Jake era sempre tão fofo.
— Eu te prometi.
Tentando manter o controle sobre sua emoções e fingindo estar bem, chegou perto dos amigos e falou:
— Ei, vamos tirar uma selfie?
— Claro — Parker respondeu empolgada.
Quando puxou o celular e todos começaram a fazer a pose, apareceu.
— Vão esquecer-se de mim?
— Corre logo — Grey gritou.
Os segundos posteriores pareceram passar em câmera lenta. correu pra foto e de repente todo o líquido que estava no copo em sua mão pareceram voar direto no vestido que estava usando.
— Meu Deus! — Parker exclamou colocando a mão na boca no mesmo momento que gritou:
— Meu vestido!
Ela passou a mão no vestido e viu um liquido meio avermelhado escorrendo por ele.
Aquilo não iria sair.
— Vou procurar água pra colocar aí, vem comigo, Jake — saiu puxando o rapaz pelo braço.
— Não, não, não! Isso não vai sair. — ela falava sozinha desesperada.
apenas olhava pra o rosto de que, mesmo tentando esconder, tinha um sorriso nos lábios.
— Trouxemos a água.
pegou a água e despejou no vestido, mas não adiantou. Aquilo não poderia estar acontecendo.
— Você fez de propósito! — gritou.
— Eu? — não conseguia conter sua felicidade pela vingança.
— Você é tão infantil, , tão infantil. Como você pôde?
Ela jogou um pouco mais de água no vestido.
— Do que vocês estão falando? — Grey perguntou.
— Ela tá achando que eu me vinguei do refrigerante que ela jogou no meu rosto. Mas não fiz.
Grey sabia que ele tinha feito, mas não iria afirmar ali, isso só pioraria as coisas.
— Eu te compro outro se você quiser. Custou quanto? Não importa o preço. — falou quase rindo.
— Dá pra você parar de ser idiota? — Jake falou irritado. Queria matar aquele homem. — A não ser que você tenha o poder de reviver pessoas, você nunca vai poder reparar o estrago que fez hoje.
— Hã?
— Vamos, , já deu por hoje. Depois vemos se conseguimos dar um jeito nisso.
segurou a mão de Jake e apenas disse tchau. Passou por e ele pôde ver que ela tinha uma lágrima escorrendo pelo rosto.
— Você fez de propósito! — falou indignado.
— Fiz nada! — negou da maneira mais cínica.
— Da próxima vez tente conter o riso.
— Obrigada por estragar a nossa noite, . — passou por ele bufando. — Eu vou nessa.
— Hoje você passou de todos os limites. — disse, dando um soco leve no braço de . — Te vejo amanhã.
— Tudo isso por causa de um vestido? — se perguntou assim que ficou só — Vou comprar outro e entrego a ela. Simples.

— Jake, me ajuda! — pediu chorando.
Desde que chegara em casa ela tentava inutilmente tirar a mancha do vestido.
, — Jake parou por um segundo tentando achar a maneira certa de falar — nós dois sabemos que essa mancha não vai sair.
— É claro que vai, ela tem que sair, Jake.
Jogou o vestido e a escova de dente que estava usando pra ver se tirava a mancha no canto do banheiro, e começou a chorar mais forte encostada na pia.
— Essa mancha precisa sair. Ela tem que sair Jake, você sabe.
Jake sabia que não era momento pra dizer nada, então se levantou, foi até a amiga e a abraçou.
— É a maior lembrança que tenho dela, — ela começou a falar enquanto chorava com a cabeça no peito do amigo — você sabe.
— Sei sim. — Jake se limitou a dizer.
— Vamos tentar novamente, aposto que dessa vez vamos conseguir.
, — ele saiu do abraço e a segurou pelos ombros — não vai mais sair. O máximo que podemos fazer é mandar isso pra alguma lavanderia pra que eles o deixem melhor e você possa o guardar. Ele vai continuar sendo seu, você só não vai mais usá-lo.
— Ela me deu poucos dias antes de tudo acontecer. Me deu o vestido e dias depois acabou me dando a vida. E eu tirei os dois dela — ela soluçava.
— Para! — ele a chacoalhou — Você não vai vir com esse papo novamente. Eu já disse para parar com isso.
Era sempre assim, bastava algo ruim que lembrasse toda história acontecer, para que começasse com a mesma culpa.
— Você também sente falta da Anne?
— Claro que sim, , claro que sinto falta. Acho que isso é normal.
— Eu sinto tanta falta dela. — ela disse, soltando-se dele e sentando na cama. — Às vezes eu começo a esquecer da voz dela, então começo a assistir vídeos nossos. Não posso esquecer-me dela. Esse vestido é sempre o que mais me trás lembranças, ele me lembra de tudo dela, inclusive daquele dia.
— Estou começando a pensar na possibilidade disso tudo ter te feito bem. Se ele te faz sentir culpa, desculpe, mas acabo ficando feliz de saber que você não vai mais vesti-lo.
Jake odiava ver a amiga se corroendo com uma culpa que não teve, todos sabiam que ela não tinha sido culpada, menos ela.
— Não seja estúpido. Vestir ele também me trazia lembranças maravilhosas. O sorriso dela, a maneira como ela se olhava no espelho e dizia que se fosse homem se pegava, ele me lembra a melhor parte da Anne.
Ele sabia que novamente não era hora de falar nada, apenas foi em direção a cama e deitou, era uma deixa pra que ela fizesse o mesmo, e ela fez. E depois de longos minutos de lágrimas, ela dormiu.

acordou com um ótimo humor. Logo após todos terem ido embora e o crucificado pelo drama de , ele encontrou uma velha amiga e tomou todas junto com ela que horas depois estava em sua cama. Fazia tempo que ele não encontrava uma mulher que o fizesse sentir tanto prazer, fora ela a mais recente foi , mas digamos que não fazia o que ela topava fazer.
— Bom dia, meu povo — ele chegou de braços abertos no set de filmagem.
— Nossa, quanto bom humor. — comentou rindo e ele agradeceu por ver que o episódio da noite anterior tinha sido esquecido.
— Parece que ele teve uma noite ótima com uma morena que tem a bunda maior que a da Nicki Minaj.
— Como você sabe?
— É para isso que servem sites de fofoca.
começou a rir.
— Só que nem tudo são flores. Também falaram que horas antes disso tudo acontecer você discutiu com a que saiu da boate chorando. E sabemos que foi verdade.
— Isso vai pegar mal pra série — comentou.
— É só a gente negar.
— Tem uma foto dela saindo chorando da boate de braços dados com o Jake.
— A garota quer bancar a Maria do Bairro e eu tenho certeza que quem vai sair como vilão sou eu — disse e rolou os olhos.
— Você tem noção que aquela mancha não vai mais sair? — perguntou um pouco irritada.
— O problema é que ela vai perder o vestido? Vou perguntar quanto ela veste e pronto, tudo resolvido. Compro outro, dinheiro não é problema.
— Eu não quero vestido algum — Ele escutou dizer.
Diferente do que ele esperava a voz da menina não parecia irritada, parecia até calma demais.
— Não quero nada que venha de você.
— Não vem bancar... — mas parou quando virou para ela e viu que os olhos da menina estavam inchados.
e se olharam sem saber o que dizer. Sabiam que tinha ficado mal pelo vestido, mas não tanto.
, você está terrível. — Antes que alguém falasse, Katharine já chegou impressionada com o rosto da garota — O que aconteceu com você?
— Meu olho fica assim se eu dormir logo após chorar. Algumas horas e eles estarão normais.
— Não temos algumas horas, vai logo pra sala de maquiagem. Precisamos dar um jeito nisso.
E as duas saíram rumo à sala.
— Nossa — falou impressionada, logo que as duas saíram.
— Acho que você deve muitas desculpas a ela.
— Grey, isso tudo é drama de mulherzinha, aposto que fez isso só pra chamar atenção.
balançou a cabeça negativamente.
— Vou ali — falou antes de sair.
ficou encarando que, embora quisesse bancar o durão, estava preocupado com . Na sua mente não parava de passar Jake falando: A não ser que você tenha o poder de reviver pessoas, você nunca vai poder reparar o estrago que fez hoje. Que merda ele teria se metido?
— Será que você pode parar de me encarar?
— É que, para um ator você finge muito mal, tá na cara que você ficou preocupado. — Ela disse, sincera. — Você sabe que desculpa não tira pedaço, né?!
— Não enche — falou antes de se levantar e ir embora.

Tinha sido um longo dia de gravação, todos estavam exaustos e enquanto as gravações do dia não terminavam de vez, todos da equipe ficavam brincando pra ver se conseguiam se manter de pé, mas mesmo com tantas brincadeiras não trocou sequer uma palavra com .
Ele odiava ser ignorado, não nascera para isso. E tinha certeza que toda indiferença da sua colega de trabalho era muito mais que raiva e sim o plano para tirá-lo do sério, afinal ela o conhecia muito bem.
— Oi — chegou ao camarim da amiga.
— Oi — respondeu sem virar para trás.
— O Jake me contou de quem era o vestido que você usou ontem.
— Apenas uma noite e você já quer roubar meu amigo? — perguntou rindo.
— Ele pode continuar sendo apenas seu amigo, quero mais que isso dele. — falou divertida — Mas voltando ao assunto... eu sinto muito.
— Eu prefiro que a gente não fale disso.
— Eu posso imaginar o quanto você ficou mal, você pode conversar comigo.
— Eu fiquei mal mesmo, mas já passou. Sempre passa.
— Ele não quis me contar toda historia, disse que era longa e que você me contaria.
, eu agradeço que você esteja disposta a me escutar. Mas como eu te disse: já passou. Estou bem agora, e prefiro não falar mais disso.
— Tudo bem. Vai continuar ignorando o ?
— Ele tá pirando, não é? — riu. — Não quero mais papo com ele, agora é apenas alguém que trabalha no mesmo local que eu.
— Eu tenho certeza que ele não teria feito aquilo se soubesse da importância que o vestido tinha para você.
— Sabendo ou não, ele fez. Fora que são n motivos.
— Você realmente sabe como deixar ele inquieto, — disse rindo antes de dar um beijo a amiga e ir embora — vou gravar.

Mais outro dia, e mais outro, e mais outros de total indiferença da parte de para com . Algumas vezes ele esqueceu e quase a abraçou por trás como sempre fazia, mas ainda bem que segundos antes ele lembrava que não podia. Já não era mais o lance de odiar ser ignorado, ele realmente sentia falta da amizade dela e algumas vezes se pegou pensando se ela também sentia falta da amizade dele.
— Tá na hora de pedir desculpas — ele falou para si e levantou decidido.
Como sempre ele não bateu na porta, apenas abriu e entrou.
— Você ficou louco? — perguntou jogando o vestido que tava na sua mão e pegando uma toalha pra enrolar seu corpo, já que estava só de lingerie.
“Meu Deus, tinha esquecido o quanto ela é linda assim." pensou.
— O que você quer? — ela praticamente gritou de maneira ríspida.
— Ér... eu... — "é só pedir desculpas, vamos lá, concentre-se" — Chega de drama por causa de um vestido, diz logo quanto você usa que eu vou comprar outro lindo para você.
— É só isso?
Ele pôde jurar que ela parecia um pouco frustrada, mas até ele estava, pretendia pedir desculpas e acabou saindo tudo de uma maneira tão estúpida quanto jogar aquilo no vestido dela. Mas agora já tinha falado, talvez tivesse sido melhor, isso era mais a cara dele.
— Sim.
— Você não vai encontrar aquele vestido em lugar algum. Ele foi feito por encomenda.
— Te compro outro. Se quiser pode escolher, já disse que dinheiro não é problema.
— E eu já disse que não quero.
— Vai ficar de drama? , para com isso, tá bom? Você sabe que eu não caio nessa, sabe que não tenho paciência. É só um vestido, vai lá e escolhe outro que eu pago. Pra que tanta frescura?
— Você é um estúpido. — foi até a porta do camarim e abriu para que ele saísse — Se manda que eu preciso me trocar.
— Não vai querer o vestido? Eu já disse que pago.
— Pegue seu dinheiro e enfie no seu — Ele a encarou. — nariz — ela disse com um sorriso cínico.

— A tá mesmo com raiva de você, achei que ela não fosse aguentar tanto tempo. — comentou durante um intervalo.
— Não entendo o porquê, mas ela tá mesmo com raiva. Ontem fui falar com ela.
— Você falou com ela? — se intrometeu na conversa.
— Nada, Parker. Falei com o Obama. Se eu disse que foi, é claro que foi.
Parker ignorou o que ele falou e continuou.
— Você pediu desculpas a ela?
— Depende do que você chama de desculpa. Tecnicamente eu não pedi de fato, mas eu fui lá e me ofereci pra comprar outro. Mas você deve conhecer sua amiga e sabe que ela negou.
— Não existe outro vestido daquele.
— Ela me disse. — ele rolou os olhos — Mas eu disse pra ela escolher qualquer outro que eu pagaria, mas ela continuou de frescura e mandou eu enfiar o meu dinheiro no meu nariz. Resumindo, ela tá de draminha por causa de qualquer coisa, era só um vestido.
pensou por um momento: "falo ou não falo? Falo"
— O vestido não é um vestido qualquer, ele tem muita importância pra ela por que foi a falecida irmã dela que deu, era dela o vestido antes de ser da . As duas eram muito apegadas — ela falou tudo de uma vez quase sem parar para respirar.
— Acho que tu deves mais desculpas do que eu imaginava — Grey falou, dando uma tapa no ombro de .
— Ainda tem mais coisa nessa história toda, mas eu não sei de mais nada. O Jake só me contou isso e a não gosta de falar do assunto.
— Pode me dar o número desse Jake?
— Jura que não vai fazer merda?
— Juro — rolou os olhos.
— Ta, okay — ela também rolou os olhos e passou o número de Jake para ele.

Alô.
— Oi Jake, aqui é o e se você tiver um humor parecido com o da sua amiga, peço que ao menos escute o que tenho pra falar e não desligue antes que eu termine, como sua amiga faria.
Ele escutou apenas um "hum" como resposta e presumiu que isso significava que ele iria escutar.
— Eu devo um pedido de desculpas a sua amiga e quero fazer isso de uma maneira perfeita. E vou precisar que você me ajude com uma coisa. Posso contar contigo? Prometo que ela vai gostar.

Capítulo betado por Bruna Kubik


Capítulo 5 – Pain, excuses and Love

Jake e estavam em um café afastado da cidade discutindo o tal plano de . O rapaz estava certo que tudo correria bem, mas Jake tinha sérias dúvidas sobre isso, afinal, o plano era cheio de furos. Além do fato, claro, de que não merecia sua confiança.
— Ela vai perceber que eu peguei — Jake falou, revirando os olhos.
— É claro que não, e posso saber por que tá revirando os olhos? Tem uma ideia melhor?
— Não, afinal é necessário, mas ainda acho que ela vai perceber. E outra, isso não é o bastante — deu de ombros.
— É claro que é, acha que alguém resiste a mim? Ainda mais quando percebe que estou tentando fazer a coisa certa.
— Olha, sei que você se acha o bonzão, e que tem gente que confirma isso, mas a não é tão boba quanto pensa. Vai por mim, não é o suficiente.
— E o que me sugere? Porque espero que tenha algo em mente.
— Eu realmente preferia não me meter nisso, — ele confessou — afinal, se tudo der errado e ela ao menos suspeitar que tô metido nisso, nunca mais olha na minha cara.
— Tudo vai dar certo.
— Então vamos fazer assim: eu até te ajudo, mas se ela ficar ainda mais magoada você sofrerá as consequências. Vou te socar até essa sua carinha de galã ficar completamente irreconhecível.
— Trato feito.
— Ou você se garante muito, ou não conhece a como conheço — ele sorriu e apertou a mão de selando o trato.

— Jake, vamos sair hoje?
— Você quer ir à balada dia de segunda?
— Não, não estou no clima pra baladas. Queria ir a algum café, restaurante, sei lá. Só estou a fim de sair.
— Acho que você deveria ficar em casa. — Jake falou, segurando o ar.
— Por quê? — o olhou curiosa.
— Porque eu acho.
— Isso não é resposta — ela falou impaciente. — Diz logo, por que eu devo ficar em casa?
— Você ainda tá meio triste com o lance do vestido. As pessoas podem querer te perguntar sobre você ter saído da balada chorando.
— Até ontem praticamente, você estava dizendo que eu precisava sair e pegar alguém — ela disse de sobrancelha erguida.
“E você se negou o tempo inteiro”, pensou. não poderia arruinar todo o plano agora, com certeza já estava à caminho da casa dela.
— Amanhã a gente sai, okay?
— E por que não hoje?
. Escute-me ao menos uma vez na sua vida e fique em casa. Eu preciso que você faça isso, confie em mim.
— Tudo bem. Vou pedir pizza e a gente come aqui mesmo.
— Eu não vou ficar. — ele disse baixo, já esperando pelo surto da amiga.
— Você não quer que eu saia, e não quer ficar aqui?
— É — ele disse simplesmente.
— Vou ligar pra . Ela vai querer minha companhia.
— Fique aqui nessa casa sozinha, sem ninguém. Por favor. — "Vamos, Jake, pense em algo cabível pra dizer." — Eu vou ali, vou demorar um pouco, mas eu vou voltar. E vou te trazer algo que você só pode ver se estiver sozinha aqui.
— Jake, você por acaso começou a usar drogas? Toda essa conversa não tem nexo algum.
— Confia em mim? — Ele perguntou firme.
— Não está drogado? — Já ela parecia meio assustada.
— Não — ele riu. — Só espera que já volto.
Jake deu um beijo no rosto dela e foi em direção à porta pra depois sair e fechar a mesma. Esperava mesmo não se arrepender de se meter naquele plano idiota de .

— Fiquei surpresa quando você me ligou dizendo que queria me ver. Achei que a estaria aqui, já que estamos tão perto da casa dela — falava sem parar.
— Eu preciso ficar aqui por perto pra ver uma coisa — Jake falou, olhando pra rua.
— Por que você tá olhando tanto pra rua?
— Já disse que preciso ver uma coisa — falou impaciente.
— E me chamou pra quê?
— Achei que quisesse...
Ao ver o carro de estacionando em frente ao prédio de acabou perdendo a linha de raciocínio e não terminou a frase.
— Jake?
— Er... Achei que quisesse passar um tempo comigo — ele ainda encarava a porta, o que fez com que olhasse para lá.
— Aquele parece o carro do ?
— Hã? Claro que não!
— Pare... — e antes que ela falasse ou olhasse pra qualquer lugar, Jake a agarrou e a beijou.

já estava ficando impaciente. Fazia quase uma hora que Jake tinha saído. Tudo bem que ele disse que ia demorar, mas precisava tanto? Quando já estava quase desistindo de esperar e decidindo que iria se arrumar pra sair, mesmo sozinha, escutou alguém tocar no seu apartamento.
— Por que ele ainda toca? Sabe que tá aberto — disse enquanto pegava um copo com água e se dirigia a porta.
Quando abriu não encontrou ninguém, olhou pra o corredor e viu apenas um carinha abrindo a porta do próprio apartamento. Foi quando olhou pra o chão e viu uma caixa. Ela abriu e viu apenas um chocolate, pensou em não abrir, — abrir um chocolate que nem sabia a procedência não era uma boa idéia, né? — mas viu que nele dizia que dentro continha um bilhete dourado. Aquilo devia ser coisa de Jake, ele sabia que ela sempre amou o filme "A fantástica fábrica de chocolate" e sempre quis encontrar o bilhete dourado. Abriu e foi logo procurando o bilhete que dizia: Você me desculpa?
começou a ficar assustada. Novamente olhou pra o corredor, e para sua má sorte percebeu que o mesmo carinha que ela achava que estava entrando no apartamento minutos atrás, agora tentava abrir a porta do apartamento que ficava apenas separado por mais um do seu. Sentiu seu corpo gelar e quando ele virou o susto foi ainda maior.
— Hã? — deixou cair da sua mão o copo com água e pulou quando sentiu alguns cacos caindo em seu pé.
— Oi — o suposto carinha falou com uma das mãos no bolso.
— O que você está fazendo aqui? Quer me matar de susto? Isso lá é brincadeira que se faça?
— O Jake jurou que ao menos agora você reagiria bem.
— O que o Jake tem a ver com isso?
— É que bom, eu tava precisando falar com você...
Ela não o deixou terminar.
— Não importa. Apenas me explique o que você está fazendo aqui. — Perguntou batendo o pé no chão com um jeito mandão.
Ele riu.
— Eu sei que eu fui um estúpido com você. Que eu não deveria ter jogado aquilo no seu vestido, que eu te tratei mal, não me importei em saber o porquê de você ter ficado tão mal, resumindo, eu sei que fui um babaca...
— Você sempre é — ela disse o interrompendo.
— Por favor, não me atrapalhe. Se não eu é quem vou me atrapalhar todo e isso não vai sair conforme o combinado.
— Então continua.
— Será que a gente pode entrar?
— Não — disse seca.
— Então, tá. Bom, como eu ia dizendo: Eu sei que fui um babaca com você, mas eu juro, juro até por você.
— EPA! — o interrompeu novamente — Nada se jurar por mim, okay? Não me coloque no meio das suas idiotices.
— Tudo bem, juro por mim, só não me atrapalhe novamente.
Ela não queria, mas riu. Seja lá o que ele estivesse tentando falar, exigia um esforço absurdo dele. Nunca o vira tão nervoso antes. Se ela não estivesse tão irritada com ele, acharia tudo aquilo uma gracinha.
— Sei que fui um babaca, mas eu juro POR MIM, que eu não teria feito nada daquilo se soubesse o significado do vestido pra você.
Novamente abriu a boca pra falar algo, mas lhe lançou um olhar reprovador e ela calou.
— Não que isso justifique o fato de eu ter acabado com sua noite, mas eu estava irritado naquele momento, e eu não sabia nada da historia. A única coisa que eu sabia era que você tinha jogado um copo de refrigerante no meu rosto. E eu sei, eu sei — ele disse, levantando a mão assim que percebeu que ela novamente queria falar — eu tinha sido um idiota e tinha merecido aquilo, mas na hora eu fiquei possesso, daí te vi linda daquele jeito naquele vestido — ela abaixou o olhar, sem graça — e só pensei em uma maneira de acabar com sua noite e qualquer possibilidade de você aproveitar. Mas é sério, eu jamais faria se soubesse que tinha sido da sua irmã, nem mesmo eu estando irritado como estava.
respirou fundo, como se dissesse sem palavras, que aquela ladainha toda estava a deixando cansada.
— Não seja tão irritante, eu estou tentando consertar as coisas — ele disse, agoniado. — Pensei em uma maneira de consertar tudo, mas a lavanderia disse que não tinha como limpar, isso foi outra coisa que não fiz de propósito, tudo bem que eu pedi a coisa mais colorida do bar, mas eu sempre achei que aquilo fosse sair, afinal era apenas uma bebida.
— Foco — ela disse, impaciente.
— Tudo bem. Bom, como não tinha como sair, eu pedi que fizessem o melhor que pudessem, mas não melhorou muito comparado ao resultado que você conseguiu na lavanderia anterior. Então eu levei o vestido em um dos melhores alfaiates da cidade e pedi que fizessem um igual ao seu, no meu ponto de vista, ficou realmente igual. E eu sei que isso não vai mudar muita coisa, mas eu apenas pensei que assim, quando você o vestisse, você ainda se olharia no espelho e veria um pouco da sua irmã lá. E quando batesse saudade do verdadeiro, era só abrir o seu closet pra olhá-lo. Você teria o melhor dos dois.
Os olhos de já estavam cheios de lágrimas nesse momento.
, o Jake me contou tudo, com detalhes. E eu só queria te dizer que você é tudo, menos culpada nessa história toda. E também queria te pedir desculpas por ter te feito lembrar isso tudo novamente, eu sempre faço tudo errado, e parece que isso multiplica por mil quando estou perto de você. Mas eu só quero que você me desculpe e que saiba que eu não sei por que, mas eu me importo muito contigo. Às vezes você me tira do sério, mas minutos depois a raiva já passa, não sei como você faz isso, mas sei que você conseguiu o que um monte de gente tenta e nunca consegue. Você conseguiu fazer eu me importar com alguém. E bom, eu sinto falta de você me enchendo o saco, mas também me fazendo rir. Eu sinto falta da minha melhor amiga.
permaneceu parada segurando a porta. Ela o olhava de cima a baixo com os olhos cheios de lágrimas.
esperou um tempo, mas não aguentou o silêncio dela.
— Bom, pelo seu jeito, isso não serviu de nada, embora eu tenha feito de tudo pra sair igual ao que o Jake me disse. Tá aqui o vestido — ele pegou uma bolsa no chão -, também trouxe flores — tirou as flores que estavam dentro da bolsa. — Acho que se alguém tem que levar uns socos é o seu amigo, que me jurou que isso poderia funcionar se eu seguisse a parte que ele implementou no plano...
— Ele que mandou você fazer tudo isso? — ele riu, ela passou tanto tempo calada, e quando falara foi pra o interromper.
— Na verdade, não. Eu fui atrás dele depois que a me falou por alto o que sabia. Queria ajuda dele pra conseguir te pedir desculpas sem levar uma facada no peito — os dois riram -, daí ele juntou tudo e me disse o que fazer. Mesmo depois de dizer que eu estava louco, ele jurou que mesmo você sendo você, e eu sendo eu, isso poderia funcionar — bufou frustrado. — Mas já que não funcionou, eu vou levar uns bons socos, e olhe que quem mais merece é seu amigo por ser um conselheiro de meia tigela. Mas combinado é combinado.
— Hã? Por que você vai levar socos?
— Ele disse que me ajudava com uma condição: caso você não me desculpasse e ficasse mal, ele me daria uns bons socos por eu ser o maior babaca que ele conhece. Achei que valeria o risco.
Ela, que agora segurava o vestido e as flores, empurrou a porta com o cotovelo a abrindo mais e disse:
— Entra — falou e foi colocar as coisas na mesa.
Mesmo desconfiado ele entrou, tentando não pisar nos cacos de vidro.
— Você não pretende me matar com esses vidros ou com alguma outra coisa, né?! Por que eu prefiro os socos do seu amigo, te juro que vai doer muito, prometo que se sentirá vingada.
riu e se virou pra ele.
— Eu não vou te matar, — ela riu novamente.
— Então o que você vai fazer? — Perguntou um pouco assustado.
— Isso.
Então pulou em seus braços e o beijou.
De começo ele ficou tão surpreso que não conseguiu retribuir o beijo, mas depois caiu em si e a puxou pra cima, de forma que ela ficou com as pernas em torno da sua cintura, e a beijou fervorosamente.
Meu Deus, como ele gostava de beijar aquela mulher. Podia sentir cada pelo da sua nuca arrepiar com o toque da mão dela. Ela só podia ter algum tipo de magia, porque aquela atração física que ele sentia por ela era quase inexplicável.
— Você está desculpado.
— Onde fica seu quarto mesmo? Não lembro mais — ele disse ofegante, e ela riu.
— Segundo a esquerda — disse rindo e voltando a beijá-lo.
Quando chegaram ao quarto, não demorou muito para ambos se despirem e fazerem o que tanto desejavam.
E uma coisa eles concordaram, foi a melhor de todas.

Jake olhou o relógio e viu que já fazia um tempo que tinha entrado, pelo tempo só poderia ter acontecido duas coisas: ou tinha o matado, ou os dois estavam se pegando. E uma coisa ele sabia, caso a primeira hipótese tivesse acontecido, ele já teria recebido um telefonema dela o chamando pra a ajudar a esconder o corpo.
— Que tal irmos pra sua casa? — ele sugeriu.
sorriu empolgada.
— Achei que não fosse propor isso nunca.
Os dois riram.

— Então, deixa eu ver se entendi, , o cara mais desencanado que conheço, foi à procura do meu amigo pra pedir conselhos sobre como me pedir desculpas? — Ela perguntou rindo, com o queixo apoiado no peito nu dele.
— Não ria, isso foi bem assustador, se você quer saber. Quando vi aqueles cacos no chão pensei: ela vai me matar com isso.
Clarke gargalhou.
— Eu não iria te matar idiota, mesmo se eu não te desculpasse.
— Então estou mesmo desculpado?
— Achei já ter dito isso.
— Mas naquela hora você estava sobre efeitos da minha perfeição, não conta.
Ela lhe deu uma tapa.
— Depois de todo esse circo que você aprontou, não teria como eu não te desculpar.
se aninhou melhor no corpo de e lhe deu um beijo que o deixou sem reação.
Nunca foi bom nessas situações, tudo aquilo lembrava muito uma cena de casal apaixonado.
Quando ele ia falar alguma desculpa pra ir embora, ela começou a fazer círculos com as unhas no peito dele e perguntou:
— Quer comer alguma coisa?
— Tipo? — Ficar passando as unhas nele não era justo, ele jamais conseguiria dizer que não.
— Tenho biscoito, salgadinho e refrigerante — disse rindo.
— Sempre achei que você fizesse a linha saudável.
— Eu tento — riu. — Mas é muito difícil, até tenho algumas coisas melhores na cozinha, mas são todas de cozinhar, e eu estou cansada.
— Te deixei acabada não foi? — Ele perguntou safado.
lançou-lhe um olhar reprovador e ele gargalhou.
— Vai pegar as coisas, a gente come aqui mesmo — falou depois de levar uma tapa dela.
— Okay — ela lhe mostrou a língua.
Quando ela ia levantando, parou e falou:
— Posso te fazer uma pergunta?
— Você já está perguntando, Clarke.
— Sério — rolou os olhos.
— Faz.
— Você já fez algo parecido pra outra pessoa?
— Não — disse simplesmente.
— Então por que fez pra mim?
— Eu já disse: me importo com você.
— Por que? — Ela parecia esperar uma resposta que ele não fazia ideia de qual era.
— Porque me importo, essas coisas acontecem. Seria a mesma coisa que te perguntar por que se importa com o Jake.
— Eu me importo porque ele me faz bem, porque ele me faz feliz, mas não sei se teria feito isso por ele com o tempo de amizade que você tem por mim. — Ela o olhou e de repente tirou a vista e mudou de assunto. — Vou buscar a comida — e novamente o beijou.
ficou no quarto pensado: "Por que todas aquelas perguntas?" Pra ele sempre foi muito óbvio o motivo de estar ali. Ela era a melhor amiga dele em anos, tudo bem que rolava uns beijos que não deveria rolar quando se fala de amizade, mas ainda assim era apenas amizade. E ele nunca ligou pra questionar nada nisso.
Mas e ela? Por que ela queria saber o motivo de tudo aquilo? E por que não se satisfez com a explicação dele?
Um pânico começou a percorrer o seu corpo. Será que aqueles beijos ali na cama significavam o que poderia significar para o resto das mulheres? Porque se sim, ele teria que sumir dali.
Levantou da cama e começou a recolher suas roupas. Quando ia começar a vestir, abriu a porta cheia de coisas na mão, e nua, só pra constar.
— Toma aqui.
Ela falou logo que abriu a porta.
se assustou.
— Que susto. — acabou derrubado as roupas no chão e agora as recolhia.
— Achei que você e sua preguiça fossem esperar na cama — ela disse rindo.
— Eu já estou indo — ele segurou o ar esperando a resposta dela.
— Você não vai comer?
— Acho melhor eu ir pra casa, os meninos já me ligaram me chamando pra uma festa, mas até acho que vou dispensar. Tô a fim de tomar uma ducha e cama.
— Por que tá mentindo?
Merda. Droga de intimidade que eles criaram em tão pouco tempo. Ela o conhecia bem.
— Não estou mentindo.
— Você quer sair com os amigos né? — Ela perguntou, calma demais pra surpresa dele. — Pode levar essas coisas e deixar na mesa? Tem muita coisa para eu comer sozinha. — começou a lhe dar alguns salgadinhos.
— Er... claro.
— Ta okay, obrigada.
Ela foi e deitou na cama, ligando a TV. Depois pegou um cobertor e se cobriu.
Tudo bem, tinha que admitir que a ideia de ficar lá na cama com ela era bastante tentadora, até cogitou, mas algo na sua cabeça apitou e disse para ele evitar momentos como esse com ela até que tivesse certeza que tudo significava o mesmo pra os dois.
Ele terminou de se trocar.
— Vou nessa.
Se dirigiu até ela e beijou a topo da sua testa.
— Até amanhã.
— Até.
Quando ele ia saindo do quanto ela o chamou:
.
— Oi — se virou pra ela.
— Obrigada pelo vestido, pelas flores, por ter consertado tudo.
Ele teve medo do que poderia vir a seguir. "Que ela não se declare".
— Também sentia falta da sua amizade — ela disse por fim.
respirou aliviado e riu pra ela. Depois fechou a porta e foi embora.
Parece que tudo estava resolvido.

Capítulo betado por Bruna Kubik


Capítulo 6 – And then?

— Oi — Jake falou, entrando na casa de Clarke.
— Você não acha que tem algo para me explicar? — ela perguntou, batendo o pé no chão.
Ele riu.
— Sei que teve uma ótima noite. — E quando ela iria perguntar como ele sabia, o amigo emendou: — Não precisei vir aqui esconder nenhum corpo com você.
— Ele foi muito fofo — confessou, escondendo o rosto nas mãos. — Você precisava ver como foi lindinho.
— Ele dormiu aqui?
— Não, foi embora um tempinho depois.
— Não rolou...
— Sim, rolou. Mas ele ficou estranho do nada, acho que tinha algo para fazer.
— E por você tudo bem?
Não era comum para ele ver a amiga ficar bem com aquele tipo de coisa, não mesmo.
— Não temos nada, Jake. Não posso querer que fique aqui na minha casa vivendo uma vida de casal.
— Não existe nenhuma parte sua que quer isso? — insistiu. A que ele conhecia não sabia ser daquele jeito.
— Aonde você quer chegar? — Rolou os olhos.
— Sou seu melhor amigo, sei quem você é de cor e salteado. E você não é do tipo desapegada. E embora ele seja um completo idiota metido a gostosão, por você, ele se torna seu tipo.
— Eu não estou apaixonada por ele — disse como se fosse óbvio.
— Não agora — advertiu, vendo a amiga bufar. — Só estou mandando tomar cuidado. Não sei até que ponto ele muda pela “amiga” dele.

Na tarde daquele mesmo dia, chegou ao set de filmagens com um sorriso radiante e mais feliz do que o normal.
— Adivinha quem teve uma noite perfeita? — cantarolou e abraçou , toda empolgada. — E advinha com quem foi!
— A pessoa que teve a noite perfeita foi você, mas quero saber com quem.
— Com seu melhor amigo, baby.
— Jake? Nossa, pelo visto a noite de todos foi ótima.
— Como assim? — Parker arregalou os olhos.
— Não... é que...
Nesse momento chegou e como de costume abraçou por trás.
— Você também teve uma noite ótima, ?
— Hã? — “Ela não pode ter contado” pensou.
— A Parker está toda feliz, porque ficou com o Jake. Só estou dizendo a ela que minha noite também foi ótima. Um bom filme, boa comida... Tudo que eu precisava.
Fez-se um silêncio até que olhou confusa para aquela cena.
— Espera. Vocês estão se falando?
— É, a gente se entendeu — respondeu, ainda abraçado com a garota.
— E isso aconteceu quando?
— Ontem.
— Mas ontem vocês saíram daqui sem se falar, onde foi isso? — indagou intrigada.
Embora não gostasse da ideia de esconder aquilo da melhor amiga que ela tinha no trabalho, achou que há certos segredos que precisam ser mantidos para que continuem sendo boas lembranças. Ela sabia que, caso aquela história vazasse, os problemas sucumbiriam tudo de bom daquela noite.
, você tá confusa demais hoje e quer nos confundir, o que importa é que estamos bem, o não consegue viver sem mim.
— Ela jura. — Deu um beijo na testa dela e outro na bochecha de . — Vamos trabalhar.

— CORTA! Maravilha, vocês podem ir para casa e estejam de volta às oito da noite. Hoje vamos madrugar por aqui.
— Alguém topa jantarmos juntos e depois virmos? — Gray perguntou.
— Por mim, ótimo.
— Por mim também.
— Então, às seis e meia todo mundo lá no restaurante de sempre — finalizou. — Vamos embora.
— Essa é a parte boa de vocês estarem de boa, podemos sair juntos. — comemorou.
— É como eu disse: — ficou de frente para e passou os braços ao redor do seu pescoço — ele não vive sem mim.
Depois disso o abraçou de verdade e o homem, novamente, escutou um sinal tocar em sua cabeça. Era sempre ele que a abraçava, por que agora ela fazia o inverso?
— Ér... — tentou falar algo. — Não acredite nisso, Clarke.

estava mesmo preocupado com o que poderia estar passando na cabeça de . Ele gostava demais dela, era a pessoa com quem mais se importava. Na cama ela era a melhor de todas, mas ainda sim, ela era apenas isso: a melhor amiga e a melhor na cama. E ele não pretendia mudar em nada as coisas, mas e ela?
Decidiu então que evitaria qualquer contato mais íntimo até que conseguisse enfiar na cabeça dela que aquilo era apenas amizade. Mas assim que ela chegou ao restaurante começou a perceber que evitar beijá-la seria bem mais difícil do que ele pensava.
Ela estava linda.
Como uma mulher consegue se diferenciar das outras, mesmo usando uma calça de jeans rasgado? Deveria ser aquela blusa dela, tava mostrando demais. Era daquelas T-SHIRTS que a lateral mostrava o sutiã e uma parte da barriga, ele teve vontade de duas coisas: arrancar a blusa e poder ver direito o corpo dela e, a vontade mais sensata, que era costurar toda a lateral da blusa da garota.
, você tá bem? — perguntou quando percebeu que o amigo encarava o nada.
— Tô, tô sim.
— Do nada calou e ficou com cara de débil mental. — o amigo constatou e as meninas riram. — Vamos fazer logo o pedido. — “E terminar logo essa tortura”, quase emendou.

Estava, todos perto da piscina que fazia parte do cenário do colégio em que os alunos de Five Hills estudavam. A cena não era nada complexa, apenas um encontro dos quatro, mas que no fim resultariam em uma briga entre as amigas Deena e Ashley. O grande problema mesmo estava no frio que fazia naquele momento, fazendo com que biquíni e sunga parecessem as piores roupas do mundo.
— Meu Deus, gravar na piscina há essa hora é a pior coisa.
— Se ao menos fosse todo mundo nu — disse e pareceu imaginar a cena.
— Deixa de ser pervertido, Gray. Que horror! — gritou.
— Vamos fingir que isso não seria legal, então. — o rapaz falou e riu. — Você não curtiria, ?
Não precisavam esperar pela resposta dele para saberem o que seria dito, afinal, ele era , o cara que nunca nega uma situação dessas, mas nessa hora chegou, sem o roupão, perto deles e fez com que esta idéia parecesse horrorosa. Como se manter longe com ela linda daquele jeito?
— Não, jamais. — ele disse um pouco nervoso com a menina vindo em sua direção. — A partir de hoje, eu não faço mais safadezas.
E respirou aliviado quando ela virou parar falar com .
, pode amarrar isso aqui direito, tá quase soltando?
— Claro. Segura aí na frente que eu vou soltar aqui.
— Okay.
Mas assim que soltou, alguém da produção gritou por ela.
— Eita! amarra aqui pra ela. Tenho que ir ali.
— Eu? — perguntou já tendo que segurar o biquíni para não deixar a amiga sem nada na parte de cima.
— Você não sabe amarrar um biquíni, ? — perguntou.
— Claro que sei, Clarke.
— Então não seja burro e arruma logo isso.
— Me irrita que eu deixo folgado para se abrir.
— Daí ficava todo mundo nu.
, você está ficando mais safado que o .
— Eu? Eu não estou pensando nada demais. — disse na defensiva.
Mas ele mentia. Ele estava sim pensando algumas coisas, coisas essas que ele definitivamente não poderia fazer em público. Mas mesmo assim ele não conseguia parar de pensar.
— Obrigada — ela disse assim que ele prendeu. — Vou pegar um roupão.
— Tô começando a achar que essa atração que você diz ter pela , não é só brincadeira. — falou assim que ela saiu.
— Hã?
— Você parecia que iria comer ela com os olhos. Ainda bem que está de roupão, não quero nem ver...
— Controle—se. E eu nunca disse que era brincadeira.
— Então por que não parte mesmo pra cima?
Já parti. pensou em dizer, mas em vez disso, falou:
— E como fica o lado profissional e a amizade nisso tudo?
— Você não está falando do pedido do Finn, ou está? Por que eu mesmo só obedeci porque ainda não apareceu ninguém que realmente me interesse. E a amizade? Eu sugeriria uma amizade contemporânea. Vocês se pegam, mas nada de cobrança, nada de nada, quando der vontade, deu. E se nunca mais der, nunca mais rola. Só aproveitar.
— Mulher nunca entende essas coisas e quando entende, não topa.
— E pra quê servem esses seus olhos ? Use seu charme e a convença.

— Perfeito pessoal. Podem ir pra seus camarins, acabamos por aqui.
Com aquele frio, ninguém quis ficar conversando antes de trocarem de roupa, por isso foi direto pra o seu. Já era uma e meia da manhã e ela precisava urgentemente da sua cama.
Tirou o roupão e assim que ia começar a tirar o biquíni, entrou com tudo em seu camarim.
— Eu definitivamente não consigo. — ele disse ofegante e parecendo muito nervoso.
— Hã? — perguntou confusa e assustada.
— Eu sei que homem é mais difícil pra controlar suas vontades, mas não é possível que você também não sinta essa atração toda, IMPOSSÍVEL. Então eu quero te sugerir uma coisa.
— Desde que você comece a fazer sentido, tudo bem. — ela o olhou curiosa.
— A gente fica, se beija, aproveita quantas vezes os dois quiserem. Pode ser a hora que for, o dia que for, desde que os dois estejam disponíveis, já quebramos as regras um monte de vezes mesmo. — falou ainda ofegante.
— O que exatamente você quer, ?
ainda o olhava confusa. O que tinha dado nele?
— Burrice há essa hora não dá, Clarke! — suspirou e recebeu uma tapa. — Sugiro que a gente aproveite essa química, física e a merda toda que a gente tem. Nada de cobranças, cada um fica e faz da sua vida o que quiser.
— Uma amizade colorida?
— Colorida dá um toque romântico demais, vamos chamar de amizade com benefícios. Você sabe de todos os meus defeitos, e eu sei que se você tiver o mínimo de juízo na sua cabeça, não vai querer nada sério comigo...
— Fato!
— Eu também não quero nada sério, e não é só com você, é com ninguém. Mas eu também quero ficar com você e sei que você quer ficar comigo. Então, que tal? Você pode se sentir livre pra procurar o cara certo nesse tempo e eu me sinto livre pra continuar conhecendo as erradas. Nada de cobranças, drama, nada de sentimentos. Puramente amizade com benefícios.
— Por que você acha que eu vou topar isso?
— Por que a gente meio que já tem isso. — ele disse como se fosse óbvio e se viu obrigada a concordar — Só vamos rotular e poupar charminho.
— Na hora que um quiser pular fora, posso, certo?
— Certo! Mas pra isso dar certo você só vai ter que me prometer uma coisa.
— O que?
— Que em hipótese alguma vai se apaixonar por mim. — falou sério demais para o orgulho da garota a sua frente.
Agora até ele achava que ela iria se apaixonar?
— Você tá se achando importante demais — ela disse, um pouco irritada com o rumo do papo.
— Não, muito pelo contrário, eu te acho importante demais. Eu não seria capaz de te fazer bem e isso acabaria com toda a nossa amizade. Entenda que eu não sou o cara certo pra namorar, e só assim nosso trato dará certo.
— Isso eu já sei. — disse como se fosse óbvio.
— Então, pronto. Vamos encurtar essa distância porque eu necessito de você agora.
E sem mais avisos ele a agarrou e a sentou na penteadeira, derrubando algumas coisas que estavam e cima.
— Será que podemos fazer isso em uma casa? — conseguiu falar no meio do beijo — Não me sinto bem fazendo coisas assim aqui, e não quero que a gente se meta em encrenca —disse um pouco sem ar.
— Você tá certa. Termina aqui e vai direto pra minha casa. Vou na frente e estarei te esperando. — E a beijou.
Depois foi embora e ela ficou lá, respirando fundo e sentindo que tava se metendo em uma grande roubada.

queria aceitar aquele trato, não tinha como negar. Mas sabia que não devia e isso também não tinha como negar. Precisava encontrar um equilíbrio entre as duas coisas e ver qual das duas era a correta. Por isso, desesperada para decidir logo — e se jogar nos braços de , embora nunca fosse admitir em voz alta — ela resolveu ligar para a única pessoa a quem teria coragem de confiar aquele segredo.
— Jake?
? O que aconteceu? Por que tá me ligando uma hora dessas?
A menina mordeu o lábio, mesmo que ele não pudesse ver.
— Você é meu amigo e eu preciso saber sua opinião.
Fala logo — disse sem paciência.
— Tipo, é que...
Achei que você tivesse escutado quando eu disse que era para falar logo. É madrugada, caramba!
— Tudo bem — bufou. — Seria muita idiotice se eu topasse ter uma amizade colorida com o ?
Sim, seria. — disse simplesmente e ficou de queixo caído.
Era tão óbvio assim que aquilo era roubada?
Mas vocês já têm mais ou menos isso mesmo, e sei que não vão conseguir parar nem tão cedo, ao menos rotulando vocês selam um trato que faça bem aos dois.
— Então eu devo mesmo aceitar?
Jake rolou os olhos. Por que ele tinha mesmo se tornado melhor amigo de uma garota? Então ele logo lembrou o porquê.

— Seu babaca, você ainda não entendeu que meninas como a Prya não foram feitas para você? — um dos grandalhões gritava enquanto Jake colocava a mão na barriga, na tentativa de diminuir a dor.
— Chris, o que você tá fazendo? — uma menina linda, de trança e de voz fina gritou, era Clarke.
— Como o que estou fazendo? Estou colocando esse garoto no lugar dele!
— Será que você pode ser menos babaca? — indagou, e depois virou pra Jake — E você, garoto, será que pode ser menos molenga? Por Deus, suspeito que não seja a primeira vez que te vejo levando uma surra. Levanta daí — e foi em direção a ele com a mão estendida.
— Ele estava dando em cima da Prya, levou até flores pra ela. Ela disse que se sentiu humilhada por um idiota como ele se declarar pra ela na frente de todos. — Matt, outro da turma dos grandalhões falou.
— Não há nada de humilhante em receber flores de um garoto como ele.
corrigiu, parecendo enojada com aquela situação.
Jake assistia calado a menina o defender.
— Ela é sua melhor amiga.
— Se a Prya quer mesmo ser minha melhor amiga, ela vai ter que entender que eu não acho essas atitudes corretas. Agora levanta — estendeu mais uma vez a mão para Jake que segurou e levantou. — Se eu ver mais uma vez vocês batendo nesse garoto ou em qualquer outro, vou à diretoria e entrego vocês e quem mandou fazer isso.
Depois puxou Jake e saiu.
— Obrigado — o menino falou assim que os dois se afastaram do bando.
— Não me agradeça, porque da próxima vez que eu ver você apanhado de quem quer que seja, te livro, mas depois quem te bate sou eu. — ele riu e ela também — Vou indo nessa, mas se eles te encherem novamente, é só me contar.
Deu um beijo no rosto do menino e foi embora.


Toda essa lembrança durou segundos, mas Jake sorriu ao lembrar dela. Ele precisou dela muitas vezes depois daquilo.
Suspeito que você já aceitou, .
— Mas se você disser que eu não devo, eu volto atrás.
Você quer, não quer?
— Não sei.
É claro que você quer. Só cuidado, tá bom? Não quero ver você machucada.
— Não vou me apaixonar por ele. — a menina disse meio ácida.
Assim eu espero. Agora será que posso voltar a dormir?
— Claro que pode. Só queria mesmo saber se você não achava tão absurdo, mas já que não acha.
Na verdade eu acho, mas o que faz sentido nessa vida? Aproveita e se previna.
— Idiota. — ela gritou e os dois gargalharam.

***



Era mais um dia de gravação e estava descansando ao lado de enquanto esperava sua próxima cena. Não sabia até quando aguentaria aquele esforço todo, estava tão cansada.
Quando já estava quase cochilando, o celular da sua amiga acabou despertando-a.
— Alô? Ai meu Deus, que tudo... Nossa primeira revista, acho que vou desmaiar.
falava toda empolgada no celular e a observava e ria.
— Você não acredita — ela começou assim que desligou. — Meu agente ligou agora dizendo que recebemos o convite para ser capa de uma revista adolescente.
— Quem recebeu exatamente?
— Nós quatro, ué? Acho que daqui a pouco seu empresário também te liga. Você tem noção do quanto isso é emocionante? Vamos estar em tudo que é bancas. Sou a pessoa mais feliz do mundo.
— É — fingiu empolgação, mas na verdade só conseguia pensar: “eu não sou tão carismática sem um texto decorado.
— Prontas para posar junto comigo para uma revista? — jogou—se ao lado de e a abraçou.
— Percebo que meu empresário anda bem atrasado. Ainda não recebi nenhuma ligação dele.
— Eu to pirando — disse, ignorando o comentário da amiga. — Vou comprar umas dez revistas pra mim. Tô sendo uma boba, não é? — perguntou ao amigo — Isso já deve ser tão normal pra você que deve tá se perguntando o que eu vejo de tão fantástico nisso.
— Isso realmente já faz parte da minha vida e eu não lembro como foi minha primeira vez nisso, porque eu era criança. Mas relaxa, entendo você, nada idiota. E você, Clarke? — virou—a para ele — Cadê sua empolgação? Nem parece animada.
— Eu estou — em pânico — animada, claro. Mas não dá pra pedir que eu fique como a .
Parker fez cara de ofendida, mas logo riu.

— Que tal comemorarmos que você vai ter sua primeira capa de revista? — já entrou falando no camarim de .
— Qual o seu problema em bater na porta, ?
— Eu sou sempre bem-vindo aqui, para quê formalidades?
— Modesto como sempre — rolou os olhos.
— Mas e aí? — continuou, ignorando a provocação. — Vamos comemorar?
— Como vai ser a comemoração?
— Sua casa, muitos beijos, nada de roupa.
Ela gargalhou.
— Você leva mesmo a sério esse lance de não ser romântico, né?!
— Eu já disse que não é para esperar...
— Não estou reclamando, só é engraçado. Vou me arrumar aqui, e te espero lá.
— Você fica sexy dizendo isso, . Repete.
— Para de ser trouxa e se manda — ela riu e ele continuou parado. — Te espero lá.
— Isso.
E os dois gargalharam.


Quando escutou sua campainha tocar, colou um sorriso no rosto e foi abrir a porta louca para se jogar nos braços do cara que estava do outro lado.
— Cheguei — ele disse assim que ela abriu a porta. — Achei que fosse estar de lingerie me esperando. — e fingiu desapontamento.
— Não é como se eu quisesse te agradar e muito menos como se eu precisasse disso pra você tá aqui.
— Tá ficando boa nisso, Clarke. — disse rindo e depois a beijou — Eu já disse o quanto você fica sexy quando fala assim?
— Talvez sim, você diz que fico sexy de várias maneiras. — falou, tentando parecer com ele.
— Preciso controlar você — rolou os olhos. — Mas faço isso depois.
— Posso saber por quê? — perguntou com um sorriso nos lábios.
— Tenho planos melhores pra gente agora. — dirigiu-se a ela e a segurou pela cintura.
— E eu posso saber quais são?
Ele mordeu o lábio inferior dela.
— Vou te mostrar.
E assim ele a beijou.

— Tô linda? — deu uma rodadinha na frente da amiga.
— Você já é linda.
— Eu não quero ouvir isso, quero saber se estou linda dessa maneira.
— Você tá maravilhosa, , maravilhosa.
— Você também está. Meu Deus, eu fico deprimida perto de você — a menina fez uma voz afetada. — Tenho vontade de te bater por ser tão linda assim e mais ainda por você ficar com essa cara de paisagem perante isso tudo. Tanta beleza e você nem parece se importar.
— Eu só não sei o que fazer, . Estou apenas em pânico. O que quer que eu faça?
— Se solte, ué? Você é linda, uma ótima atriz, muito responsável, consegue ter um charme sem precisar forçar. Se solte.
— Obrigada — disse e deu um abraço na amiga. — Você deixa as coisas mais legais, Parker.
— Essa é a minha missão nesse mundo. Sou demais.
E saiu empolgada.

— Por que será que eu não estou te achando tão empolgada quanto deveria? — dessa vez foi quem chegou comentando.
— Por que eu estou apavorada.
Ele riu.
, não ria. Isso não tem graça.
— Tudo bem — riu e ela lhe lançou um olhar irritado. — O que te apavora?
— A possibilidade de as pessoas verem que eu sou bem menos interessante do que a série mostra.
— É isso? — ele perguntou como se tudo aquilo fosse uma besteira. — Sei que isso vai soar um pouco gay, mas você é ótima do jeito que é, . Por favor, até — falou de si mesmo na terceira pessoa e ela riu — te deu uma chance, você é demais.
costuma dar chances a muitas garotas.
— Mas a nenhuma delas ele propõe uma amizade com benefícios. — falou erguendo uma sobrancelha.
— É — riu.
— Brincadeiras à parte, não minto quando digo que todos vão te adorar do jeito que você é. Lá no set, todos te adoram e você é apenas você. Então relaxa e aproveita isso aqui, te asseguro que pode ser bem divertido.
— Obrigada — e lhe deu um selinho.
— Não precisa me agradecer por dizer o óbvio. E bom, sei que sou demais, mas contenha-se, estamos em público.
A menina lhe deu uma tapa e ele gargalhou.

Os quatro já estavam com as roupas para as fotos e aguardavam apenas o fotógrafo chamar para tirarem as fotos, mas antes disso uma mulher segurando uma caderneta e um gravador de voz chegou perto deles e falou:
— Antes das fotos, vamos fazer algumas perguntas, okay?
— Claro — os quatro responderam.
De começo eram perguntas bobas, coisa como manias secretas, quem é o mais isso ou aquilo. Depois as perguntas foram ficando mais pessoais.
— E você, . O que acha desse novo mundo?
— Eu? — era a primeira pergunta direcionada diretamente pra ela.
— Sim. — a mulher respondeu, rindo.
— Bom, como já deve ter percebido, sou um pouco mais calada, o que faz com que eu ache tudo isso uma loucura bem maior que os outros três. Mas mesmo não me sentindo exatamente pronta para isso, estou amando. Claro que existem uns comentários maldosos aqui ou acolá, mas na maioria das vezes são os comentários e o carinho das pessoas que me motivam a continuar nessa carreira.
— Digam se essa menina não é fofinha? — praticamente gritou, rindo.
— Parker — a amiga repreendeu com as bochechas vermelhas.
pensou em fazer algum comentário sobre como ela ficava envergonhada com facilidade quando estava sóbria, mas lembrou que não deveria.
— Vejo que de alguma maneira os casais foram divididos de um jeito que vai além dos papéis.
— Como assim? — perguntou.
— Você e a são bem mais calados, um pouco introspectivos. Já o e a são mais soltos. Penso que viram que seria mais fácil para vocês fazerem par com quem se tem mais a ver, para a amizade se firmar mais rápido.
— Que nada — negou balançando as mãos. — Posso até ter esse jeito mais falante assim como o , mas a melhor amiga dele aqui é a .
— Sério? — a mulher demonstrou interesse e ficou preocupado com o rumo daquela conversa.
— Sim, sim — Parker respondeu. — Nós quatro criamos uma espécie de irmandade, somos muito unidos, mas os dois são ainda mais entre eles.
— Vocês já se conheciam antes, ou se conheceram na série? — a mulher direcionou a pergunta a e .
— Na série. — a menina respondeu.
— Nenhum de nós nos conhecíamos antes, cada um de um canto diferente. Quem poderia imaginar que encontraria minha versão feminina? — disse aos risos e cuidando logo de colocar os outros dois amigos no papo.
— Ah, , eu não chego a ser sua versão, jamais serei tão pervertida quanto você. — disse, brincando.
E daí iniciou outro assunto qualquer e ficou aliviado.
Depois de tudo terminado os quatro protagonistas foram finalmente fotografar.
— Acho que deveríamos ficar mais na cola do e da tal de . Suspeito que ganharemos muito dinheiro com alguns flagras — a mulher cochichou no ouvido do fotógrafo.

— E aí? Como foi a sessão de fotos? — Jake perguntou assim que a menina colocou os pés em casa.
— Tirando o pânico que senti, foi tudo bem legal. Não é como se eles quisessem retirar meu rim.
— Por que todo esse pânico, ? Você sempre foi popular na escola, não faz sentido.
— Eu era popular porque vestia roupas e sapatos de marcas. Se eu usasse coisas do preço que você usava, seria considerada uma loser.
— Claro que não. Quer dizer, óbvio que sua beleza e essas coisas contavam pontos, mas todos te adoravam. Você sempre foi popular, mas nunca foi do tipo: patricinha inalcançável. Você defendia pessoas como eu de pessoas que eram amigas suas. Isso sim era o que importava para mais da metade do colégio.
— E por minhas amizades, você quer dizer pessoas como o Chris, Matt, Prya...
— Esses mesmo — disse rindo.
— Mas eles ainda são pessoas que eu gosto, a Prya, por exemplo, é uma ótima amiga minha até hoje. Sem citar que vocês se pegavam até um dia desses.
— Nunca pensei que um cara como eu pegaria a Prya. Pena que ela só me quis de verdade depois que saímos da escola.
— É que embora você tivesse mudado e várias garotas te desejassem, as pessoas “importantes” ainda te achavam aquele loser de antes, pra Prya isso sempre contou.
— No colégio as coisas entre a gente só rolavam nas escondidas e depois do colégio a gente queria coisas diferentes, não tínhamos mais tempo pra viver o que passou.
— Vocês se falam?
— Vez ou outra trocamos algumas mensagens, ela continua linda. — disse com admiração.
— Achei que a tivesse fazendo essa fixação parar.
— Eu não sinto nada pela Prya, okay? Mas também não é como se a fosse ser a mulher da minha vida. A gente se curte.
— Ela sabe que é só isso?
— Espero que sim.
— Você deveria se abrir pra possibilidades, parece que ficou parado no colegial. Você é outro cara, a Prya é outra mulher, tudo passou. Os grandalhões que te batiam, hoje, quando te veem falam de maneira respeitosa contigo. Hora de sair daquela fase e se abrir pra um amor, sem ser o de sempre.
— Acho que no fundo eu sempre vou ser uma parte daquele garoto que repetiu de ano, se declarou para uma garota bem diferente dele no meio da escola, que apanhou de uns grandalhões e foi salvo pela menina mais popular do colégio. E se quer saber, gosto da ideia de não esquecer quem eu era. Você também não esqueceu. E se eu não tivesse passado por tanta coisa, poderia até ter sido um babaca como eles.
— Isso não tem nada ver, ninguém merece apanhar e ser humilhado na escola nem em lugar algum. Você sempre foi um cara ótimo, com surra ou sem surra de grandalhões eu sei que você continuaria sendo ótimo. O mundo não precisa de humilhações como as que você passava para existir pessoas melhores, o mundo precisa de pessoas como você pra ser um mundo melhor.
— Eu sempre disse que você era boa em palavras, mas cada dia você se supera. Lembra quando a gente dizia que um dia nos juntaríamos e faríamos campanha contra essas atitudes na escola? Passávamos horas bolando planos.
Os dois riram e se levantou do sofá em um pulo.
— É isso, Jake. É isso.
— Isso o que?
— Agora temos a oportunidade de realizar esse nosso sonho. Quer fase melhor do que agora que estou na mídia? Não vai ser nada imediato, tenho que conversar com meu empresário para ele ver algumas pessoas que podem nos ajudar.
— Você vai mesmo fazer isso?
— Claro, posso não ter sofrido bullying, mas meu melhor amigo sim, e muito. Tá na hora de usar minha exposição pra algo realmente bom, posso até pedir ajuda de outros atores que trabalham comigo.
— Nem todos vão topar, a maioria só pensa em si.
— Mas acho que a maioria topa.
— É, pode ser, mesmo que seja só pra aparecer, como a maioria dos famosos fazem.
— Não importa, mas você tá comigo, ou não?
— Claro que estou.
— Então pronto. Espera só um pouco e vamos realizar nossos sonhos.

tinha chegado à casa de fazia cerca de meia hora e a garota mal lhe deu um beijo. Apenas falava sem parar do mesmo assunto.
— Tipo, eu estou muuuuuito empolgada com essa ideia. Já tinha até esquecido desses meus projetos com o Jake. A gente sempre fazia milhares de planos, acho que esse é o grande motivo da nossa amizade, a gente sonha junto.
— Hum — foi o respondeu.
— Você acha que o pessoal lá do trabalho me ajuda?
perguntou, mas brincava com a linha do sofá e não escutou.
?
Ele continuava destruído.
!
— O que foi?
— Eu te fiz uma pergunta.
— Será que podemos pular esse papinho? — ele perguntou, se aproximando para beijá-la.
— Você não pode me escutar? — indagou enquanto o afastava.
— Eu não saí da minha casa para te ver falando sem parar. Vim aqui pra te ver de outra maneira.
o olhou, irritada. Ele não podia estar falando aquilo.
— Será que você poderia falar de uma maneira menos machista e desrespeitosa?
— O que eu fiz? — perguntou, confuso com a irritação da garota.
— O que você fez? A pergunta melhor seria o que você sempre faz. Você às vezes, e nem é tão dificilmente assim, fala como se eu não passasse de uma garota que serve apenas pra ir pra cama com você, acontece que não é assim.
— Mas é que eu vim pra cá com a intenção...
— Acho melhor você não falar mais nada, porque percebo que vai sair mais merda da sua boca.
— Então vamos partir pra parte mais divertida?
Como ele pode ser tão babaca?” Pensou.
— Não. Você vai partir daqui para a sua casa. Isso sim.
— Tá me expulsando? — perguntou, chocado.
— Tô te mandando ir embora e mandarei quantas vezes for preciso, até você aprender o que é respeito.
— Mas...
— Eu topei essa coisa de amizade colorida, com benefícios ou sei lá o que, mas não me faça voltar atrás. Por que se for falar comigo como você tá falando, isso não vai dar certo.
, desculpas, seja lá o que eu fiz.
Ela riu sem humor.
— Não peça desculpas se acha que não errou.
— É que...
— Vai embora, . Outro dia a gente se fala.
, percebendo que ela não voltaria trás, pegou seu celular e as chaves e foi embora.


Capítulo 7 – I can be better


Espera, essa coisa de amizade com benefícios começou quase ontem e já tá dando problema? — Jake perguntou.
Aquilo tinha dado errado antes mesmo do que ele esperava.
— Não é essa parte que deu problema, o problema na verdade é o . Ele é um babaca.
— Mas isso a gente já sabe faz tempo, mesmo antes de você ser famosa. Quero os novos fatos. Tipo, o que ele fez.
— Ele me trata como uma das garotinhas dele. — ela disse irritada enquanto se jogava na cama ao lado do amigo — Não sei se ele sabe, mas esse trato não dá direito a ele de me diminuir em nada, na verdade ninguém tem direito de diminuir ninguém. Ele acha que sou como várias outras garotas que ele está acostumado, onde ele fala o que quer que elas aceitam só pelo fato de estarem com a estrela do cinema e da televisão: . Sendo que nem elas merecem isso.
— Isso não foi muito esclarecedor — Jake constatou. — O que ele fez exatamente?
— Eu estava toda empolgada falando dos nossos projetos e tals, na esperança dele me ajudar com o elenco. E sabe o que ele fez? Disse que não saiu de casa para me ver falando sem parar, e já queria vir para cima de mim para fazer você sabe o que.
— Ele é mesmo um babaca. Mas o que você esperava dele?
virou-se para o amigo sem entender porque ele não estava tão revoltado quanto ela.
— Sei que você não é o maior fã do e eu até entendo, mas acredito que até você esperava ao menos que ele desse um pouco de atenção a isso e não pensasse tanto em sexo.
— Na verdade, isso não me surpreendeu. Esse projeto não é dele, é nosso. Ele não me parece do tipo bom ouvinte, ainda mais quando o assunto é esse tipo de coisa. E não me mate, — pediu, cauteloso — mas em partes eu até o entendo. Está na cara, e percebi isso desde que ele fez aquilo na balada, que o cara tem muita atração por você, até hoje não acho que aquilo foi vingança, foi um plano pra você não pegar ninguém. E como eu ia dizendo, imagina você vir cheio de vontade e quando chegar aqui ter que te escutar falando e falando?
— Agora você está do lado dele? — indagou parecendo ofendida.
— Não, eu apenas estou te explicando como funciona a cabeça de um homem, e se estamos falando do , ela funciona ainda pior.
rolou os olhos.
, eu acho sim que você tem que cobrar respeito dele, na verdade não tem coisa mais correta que isso. Mas quero logo te avisar que se você for manter esses benefícios com ele, vai ter que entender que ele é assim, babaca de nascença.
— Então eu tenho que aceitar e agradecer pela chance de ir pra cama com o ? — perguntou irritada.
— Não! Você só tem que saber que problemas como esse não acontecerão tão dificilmente assim. Se não quiser perder tanto a paciência, desista disso agora.
— Tá me dizendo que...
— Para de falar como se o que falasse fosse lei — ele disse rindo. — Eu só estou te aconselhando. Não te acho garota para o , e muito menos acho ele um garoto para você. Nem mesmo para isso que vocês têm, mas se quiser continuar, escolha sua.
— Entendi — ela balançou a cabeça e depois saltou da cama. — Agora vamos comer, falar daquele idiota me dá fome.

***


Jake agora estava deitado no sofá do seu apartamento enquanto encarava uma não muito contente. E ele, mesmo com esforço, não entendia porque ela não aceitava a opinião dele.
— Não me leve a mal, . Mas eu não quero ser clicado por aí e depois tá em tudo que é capa de revista como o suposto namorado da estrela de Five Hills.
Ela o encarou um pouco encabulada.
— Então todas as vezes que a gente for ficar vai ter que ser dentro desse apartamento?
— Podemos ir para o seu também. Só não quero te beijar em público e virar um famoso anônimo.
— Isso vai ser mais difícil do que pensei então. — ela falou mais pra si mesmo, que pra ele. Porém, Jake escutou.
— Como assim?
— Não me leve a mal, Jake. — disse com um pouco de sarcasmo — Mas eu não faço o tipo que vai atrás de garotos e topa tudo do jeito deles só pra agradar. E desse jeito, só agrada a você.
— E o que sugere então?
— Que você fique aqui no seu cantinho e arrume alguém que não seja pública ou que tope tudo seu jeito.
Jake ficou surpreso com aquela resposta. Poderia jurar que pra ela tudo estaria bom desde que pudesse ficar com ele.
— E você? — perguntou, apenas para ter certeza que era aquilo mesmo que ele estava entendendo.
— Eu procuro alguém que tope ao menos ir à esquina tomar um drink comigo.
parecia muito calma ao dizer aquelas palavras e Jake ficou se perguntando para onde tinha ido toda aquela empolgação dela. Porém não deu tempo de externar essa dúvida, quando viu, já estava pegando a bolsa e colocando em seu braço para ir embora.
— Você vai falar só isso? — ele perguntou impressionado.
— Não espera que eu chore, ou espera? — a menina rebateu, impaciente.
— Não.
— Menos mal, não tava a fim de encenar agora.
Depois, abriu a porta e falou:
— Até mais, Jake. A gente se ver por aí.
O rapaz ficou encarando a porta sem acreditar que tinha tomado o toco do ano quando ele achava que, na verdade, tinha uma estrela de tevê nas mãos dele.
E só ele achava anormal o jeito que ela falava? Parecia um homem falando, e um homem bastante insensível, diga-se de passagem.
— Essa garota é maluca. — falou para si mesmo.
— Clarke? — falou assim que atendeu.
Oi, .
— Que tal sairmos pra comer algo?
Você não iria sair com Jake?
— Não vou mais, acabei de dar um pé na bunda dele — disse rindo. — Vai ou não vai sair comigo?
Vou.
— Então, no restaurante de sempre, em uma hora.
Mas...
— Sem mais, vista—se rápido, não estou afim de esperar.
Disse e desligou o telefone, sem esperar que a amiga respondesse algo.
— Eu achei que você tivesse ficado louca quando viu ele.
— E fiquei, mas seu amigo estava se achando demais, tinha que pôr ele no seu devido lugar. Onde já se viu ficar comigo e não topar tomar nem um drink na esquina? Não sou máquina de beijos e algo mais.
Rapidamente se lembrou de . Talvez Jake não fosse tão diferente dele, afinal.
— E por que ele não queria ir?
— Disse que não quer tá em capa de revistas no outro dia. Que não quer ser visto como meu suposto namorado. Tudo bem que seu amigo é lindo e gostoso, mas eu estaria fazendo um favor a ele — disse como se fosse óbvio. — Quem não quer ter seus quinze minutos de fama?
— Esses quinze minutos só serviriam se ele fosse pegar mais mulheres, mas tecnicamente ele estaria comprometido. Então, ele não tem nenhum interesse — respondeu rindo.
— E pior é que eu estava ficando mesmo interessada por ele. Essa cosia de homens, embora seja boa, dá problema.
— Isso é. — concordou.
— Mas como você pode saber? Desde que nos vimos pela primeira vez que não vi você ficando com ninguém.
— Ah, é melhor assim, longe de confusão.
— É, né?! Quando se tem , quem precisa de mais?
tossiu e quase colocou todo o suco que estava em sua boca pra fora ao ouvir aquilo.
— Você tá bem? O que te deu? — perguntou enquanto dava tapinhas nas costas de .
— Tá bem, ?
— Tô, estou sim. — disse respirando forte. — Só me engasguei.
— Percebi. — a menina riu.
— Mas, de onde você tirou essa coisa do ? Tá louca?
— Não estou dizendo que vocês se ficam, mas é nítido que a atração que ele tem, não é só brincadeira. E você também tem por ele — acusou aos risos.
— Hã? Claro que não! — negou da forma mais convincente possível.
a olhou com uma cara que dizia: Você mente.
— Por favor, até mulheres casadas se sentem atraídas pelo .
— Está dizendo que se sente atraída por ele? — questionou erguendo uma sobrancelha.
— Claro, mas não como se fosse de verdade.
a encarou, confusa.
— Simples — rolou os olhos. — Hoje eu não ficaria com ele, porque ele é o , entende? Trabalha comigo e tals. Mas se ele tivesse dado em cima de mim, como deu em você logo de cara, óbvio que eu teria dado uns beijinhos.
gargalhou.
— Você é impossível, Parker. Sabia?
— Sou apenas sincera, minha cara. Isso são apenas verdades.
E as duas começaram a rir novamente.
Era mais um dia de trabalho e que dia, por sinal. Tinham chegado ao set às seis da manhã e só conseguiu voltar ao seu camarim para descansar de verdade — sem ser no chão de alguma parte daquele imenso lugar — naquele momento, quase uma da tarde.
— Ainda com raiva de mim? — entrou no camarim perguntando.
pensou em mais uma vez reclamar do seu péssimo hábito de não bater na porta antes de entrar, mas de que adiantaria? Ele simplesmente não a obedecia.
— Eu nunca estive com raiva de você. — disse como se fosse óbvio.
— Você por acaso lembra que me mandou embora da sua casa?
— E mandaria novamente, se fosse preciso. Mas não estava com raiva de você, quer dizer, não estava com raiva da parte amigo e sim do benefício.
— Isso é confuso — Dou disse, coçando a cabeça.
— Para de fazer isso! — ordenou.
— O que? — perguntou, confuso.
— Essa cara — apontou pra ele. — Você fica com uma cara de demente sem tamanho quando não entende algo. É feio.
— Impossível eu ficar feio, minha cara. — rebateu, disse cheio de si.
— Não vou discutir isso com você — ela falou sem dar muita importância. — Tenho cenas para gravar. — e foi saindo do camarim.
Mas segurou levemente seu braço antes que ela fosse embora.
— Ainda temos uma amizade com benefícios? — perguntou.
Ela deu um sorriso que ele chamaria de cínico, embora ela fosse negar se ele acusasse.
— Dissemos que aconteceria quando os dois estivessem com vontade. Por hora, não estou com um pingo de vontade. — respondeu calmamente e mandou um beijo no ar para ele.
— Tudo bem — ele disse para si mesmo, batendo a cabeça na porta do camarim quando ela saiu. — Não é tão difícil ficar sem ter nada com ela.
— Que tal um chope antes de irmos pra casa? — sugeriu quando as gravações daquele dia acabaram.
— Eu passo, hoje eu não estou nem um pouco a fim de bebida. — disse.
Qualé, Grey, desde quando você nega chope?
— Parker do meu coração, sei que ando passando a impressão que sou um da vida, mas eu não sou tanto assim. Na verdade, sempre fui um bom garoto.
— Por que vocês sempre têm que tentar me ofender?
Os dois amigos riram.
— Porque você é a ovelha negra dentre nós. — disse, pulando nas costas do amigo.
— Pois então, como prova de que a perdida agora é você, eu não vou.
— Clarke — gritou assim que a amiga chegou perto e quase estourou os tímpanos de .
— Toma um chope comigo? Esses dois mariquinhas não querem ir.
— Tudo bem, deixa eu pegar minha bolsa.
E saiu. “Pera, pera. Clarke+bebida+eu= Clarke sem timidez e talvez benefícios ativos.“ rapidamente fez uma equação mental.
— Ér... eu vou com vocês. — disse a .
— Agorinha mesmo você não disse que provaria que não era um perdido? O que te deu?
Clarke, foi isso que deu nele — disse normalmente.
— Estou começando a achar que essa coisa toda é mais séria do que eu pensava — disse impressionada.
— Cuidado pra não se apaixonar, bonitão. — o amigo avisou.
— Adoraria ver alguém te colocar nas rédeas. — foi a vez de provocar.
— Vai usar coleira de que cor? Qual será a cor preferida da ?
— Acho que é rosa — Parker respondeu a , rindo.
— Ele vai ficar lindo de rosa, não vai? — o amigo foi e apertou as bochechas de .
— Será que vocês podem deixar de serem babacas? — perguntou irritado. — Não tem nada a ver com a , eu só quero beber. Não aguento negar um convite desses.
Os dois amigos o olharam sem colocar muita fé nele. Riram, trocaram olhares, riram novamente...
— Vão se ferrar — falou sem paciência e rolou os olhos.
— Cheguei. — anunciou. — Vamos, ?
— O vai também.
— Achei que você não fosse — disse virando para ele.
— É, nós também achamos — falou e recebeu uma tapa na cabeça, do amigo.
— Perdi alguma coisa? — ela perguntou, confusa.
— Não, só dois idiotas enchendo meu saco.
falou e os amigos gargalharam.
, não faz nem dez minutos que estamos aqui, não acha que tá bebendo demais, não? — perguntou preocupada.
— Que nada — ela balançou as mãos. — Estou na medida.
Enquanto ainda estava no seu primeiro copo e no segundo, parecia uma máquina de tomar chope.
Ela não parava.
— Não vai beber direito? — perguntou.
— Você sabe, . Perco um pouco a razão quando fico um pouco alegre — comentou rindo.
só riu.
— Mas e você, por que tão pouco?
— Não estou a fim de beber, não. Fora que acho que a vai precisar de alguém pra carregar ela, você com toda certeza não pode fazer isso.
— Não mesmo. — riu.
Eles passaram um tempo em silêncio.
— E aquele seu projeto?
— Hã?
— O que você tava me falando, já pensou em mais alguma coisa?
riu e ele não entendeu muito o porquê.
— Não precisa fazer isso, okay? — ele continuou sem entender. — Sei que a soma de bebida e eu daria igual a nós dois e que você deve estar frustrado por ver que essa soma não vai existir, mas não precisa apelar. — e novamente riu.
a olhou e quase disse umas poucas e boas a ela, afinal, ele não perguntou com sentido em nada, realmente estava interessado no assunto. Talvez ela devesse se tocar um pouco, será que até ela agora achava que ele usaria uma coleira rosa? Sentiu vontade de mandá-la procurar o lugar dela, mas em vez disso, apenas falou:
— Perguntei porque realmente estava interessado.
— Você? — ela perguntou rindo, mas com um pouco de incredulidade.
— Esquece — virou sem paciência. — , você não acha que deveria parar?
— Você falando sobre parar?
, amanhã temos trabalho e você já bebeu mais do que qualquer ser humano pode aguentar tendo que acordar cedo no outro dia.
— Me deixa contar uma coisa a vocês dois. — começou nitidamente muito bêbada. — Eu sei que sou essa pessoa brincalhona, metida a louca, irreverente, mas eu estou pirando.
e se olharam e depois voltaram escutá-la — Eu não sei se todo mundo é meu amigo mesmo, ou só querem dois minutos ao meu lado. E outra, eu preciso de sexo. — Balançou as mãos e continuou. — Mas não essa coisa casual, de hoje e depois nunca mais, quero alguém que dure ao menos umas semanas, entendem? Eu até pensei que o Jake fosse ser esse alguém, mas adivinhem, o cara não quer sair pra nenhum lugar comigo, temos que ficar trancados. E tipo, mesmo que eu esteja querendo sexo, não quero só isso. Essa fama tá me dando tanta cosia, mas às vezes eu sinto vontade de bum! — bateu uma mão na outra — Estourar uma bomba na cara de todos os fotógrafos que tiram uma foto minha na rua. Eu vou pirar.
Ela parecia prestes a chorar.
se levantou e foi em direção a ela.
— Vem, vamos te levar pra casa.
— falou enrolando a língua. — Você topa ser o cara que vai fazer sexo comigo?
— Cala a boca, Parker — riu, mas estava claramente desconcertado.
— Eu estou ligada, não dá, né? — depois colou a boca no ouvido dele e falou: — Seu lance é a . Tô ligada, vocês formam um belo casal, viu?
— Tá, tá — ele respondeu rindo.
— Se quiser eu ajudo — ela sugeriu e ele novamente riu.
— Não. Sem ajudar. — virou pra e falou: — Pega as cosias dela, vou levar ela em casa.
E saiu na frente com a amiga agarrada em seu ombro.
— Se quiser, eu posso pedir pra ela ir também, vai que rola um clima, minha casa tá liberada. — falou já fora do estabelecimento.
— Não quero. — respondeu rindo. — Agora entra, e coloca o cinto, a está trazendo suas coisas.
— Tá aqui as coisas dela. — chegou falando.
— Você veio com ela ou veio de carro?
— Vim com ela.
— Leva o carro dela pra sua casa, amanhã ela pega.
— GENTE, EU NÃO CONSIGO COLOCAR ESSE CINTO DO CÃO. — gritou.
Os outros dois, riram.
— Acho que ela vai precisar de um banho gelado.
— Ah não. Eu não vou dar banho nela. — falou logo.
— Tudo bem — riu. — Eu dou. Levo o carro pra casa dela e depois você me deixa em casa, okay?
— Tudo bem, agora vamos, antes que ela vomite meu carro.
— Ah, e não se esquece de colocar o cinto do cão.
— Okay. — gargalhou.
— Uhull — se jogou no sofá. — Vocês são ótimos amigos.
— Tá, tá. Agora você precisa tomar um banho.
— Não, , eu não estou suja. — mas foi só ela dizer isso para vomitar. Quando terminou, falou: — Talvez eu esteja um pouquinho suja, agora.
e gargalharam.
— Vem, sua louca. Você precisa de um banho.
— Tá bom, tá bom.
As duas entraram no banheiro.
— O não topou fazer sexo comigo. — disse fazendo biquinho. — Ele não era minha primeira opção, nem a segunda, mas acho que era a quinta, ou sexta, sei lá. Mas ele não topou.
— Hum — disse, enquanto desabotoava o vestido de .
— Culpa sua. Você tá ligada que ele te quer, né? — falou virando—se de frente para a amiga.
— Não estou ligada em nada.
— Ah, você também quer ele, que seu sei. Ele é gostoso — falou mordendo os lábios.
gargalhou e continuou desabotoando, até que o tirou.
— Pronto, agora entra debaixo desse chuveiro.
— MINHA NOSSA! — exclamou assim que sentiu a água batendo em seu corpo. — ISSO TÁ CONGELANTE.
— Exatamente o que você precisa.
— Eu preciso do seu amigo, isso sim.
— Achei que você tivesse dado um pé na bunda dele.
— E dei, e ele é tão idiota que nem me procurou. Acho que...
Ela virou e quase caiu no banheiro.
— Acho melhor você ficar parada aí. Vou pegar sua toalha.
— Pode me dar essa, tá limpa.
— Toma.
— Podemos ir? — perguntou assim que viu as duas amigas saírem do banheiro.
— Vou ajudá-la a colocar a roupa e depois a gente vai.
— Tudo bem. — e voltou a zapear a tevê.
Alguns minutos depois, voltou.
— Pronto, ela já está dormindo. Podemos ir.
Mas não escutou, estava deitado no sofá, dormindo.
parou alguns segundo para o encarar. Droga de atração física que existia entre eles! Ela já podia sentir seu corpo estremecer.
Balançou a cabeça, sorriu e foi o acordar.
— Ei — tocou na costela dele. — , acorda.
Ele continuava dormindo.
.
E então ele abriu os olhos.
“Droga de atração física, droga de olhos .“ pensou.
— Oi — ele disse sorrindo e ela instantaneamente sorriu.
— Já podemos ir embora, dorminhoco.
— Tem certeza? — perguntou puxando a menina pelo braço, o que fez com que ela ficasse acocorada de lado do sofá. — Você demorou.
— Testa ter que trocar de roupa em uma bêbada falante e um pouco deprimida. — ela disse rindo.
— Eu geralmente sou o bêbado da história — falou rindo e virando o rosto, ficando olhos nos olhos com ela. — Você não pode ficar tão linda a essa hora da noite. — disse simplesmente.
— E você não vem com suas cantadas. — disse, já se levantando.
Ele puxou-a pelo braço novamente, e ela voltou à antiga posição.
— Não estou te cantando. Nem agora, nem na hora que perguntei sobre seu projeto. Realmente você está linda.
Aquele frio na barriga era normal? ficou na dúvida, mas preferiu achar que sim.
— Obrigada. — sorriu de lábios fechados. — Agora vamos, já está tarde. Diferente de você, eu ainda nem cochilei.
pensou que ali, com ela sorrindo, ele sorrindo, um clima descontraído, seria uma boa hora para beijá—la, mas ele sabia que o combinado não era esse. Então não fez.
— Minha nossa, eu acho que colocaram algo na minha bebida. Além do sono, estou com uma dor de cabeça enorme.
— Quer que eu dirija? — perguntou preocupada.
— Estou com sono e com dor, não louco — disse rindo.
— Só não desejo que bata com o carro, porque estou dentro. — ela disse rolando os olhos.
Ele continuou a dirigir, até que chegaram a casa dela.
— Não quer entrar e tomar algo? Tenho remédios lá em cima.
— Acho que sou obrigado a aceitar, minha cabeça está explodindo.
— Toma, se quiser, pode tomar dois.
— Vou tomar dois mesmo. Preciso que isso passe rápido.
Ela parou alguns segundos, parecia analisar algo.
— Você pode dormir aqui.
— Como? — perguntou surpreso.
— Tem mais dois quartos aqui. Mas só um deles tem cama, geralmente o Jake usa quando não dorme comigo.
— O Jake dorme contigo? — perguntou mais surpreso ainda.
— Não desse jeito que você tá pensando, pervertido. Às vezes a gente acaba pegando no sono entre um filme, ou uma conversa e outra.
— Hum.
— Mas, e aí? Vai querer ficar por aqui mesmo?
— Não podemos dormir juntos, também? — perguntou erguendo uma das sobrancelhas.
— Para de ser pervertido.
— O que? — fez cara de desentendido. — É tipo você e o Jake.
— NÃO!
— Tudo bem, me mostra o quarto. — falou, bufando teatralmente.
— E seja agradecido, eu poderia te deixar ir embora assim.
— Obrigado pela proposta de dormir na casa de uma garota que eu super desejo, mas que não vou poder tocar nela.
— É isso, ou nada.
— Já disse que aceito. — rolou os olhos.
No outro dia levantou achando que não encontraria acordada, já que ele tinha acordado mais cedo que o normal pra poder passar em casa, mas assim que saiu do quarto, sentiu o cheiro de café vindo da cozinha.
— Uol, tá querendo me seduzir pela barriga? — perguntou, quando viu a mesa cheia de coisas gostosas.
— Não! — respondeu como se fosse óbvio. — Mas gosto que visitas sejam bem recebidas na minha casa.
Escutou o celular tocar, e assim que iria sair da cozinha pra pegar, falou:
— É a mensagem que te mandei, não precisa olhar.
— Por que me mandou mensagem se está aqui na minha frente? — ela perguntou confusa.
— Não te mandei agora, cérebro.
— Fale comigo direito. — ela mandou, autoritária.
Ele riu.
— Vamos comer, .
— Não, vou pegar o celular.
— Não vai não, você vai ficar aqui e comer comigo.
— Por que não posso pegar meu celular?
— Porque eu não quero. — respondeu rápido, como uma criança que fez algo errado.
Ela o encarou, intrigada.
— Vou pegar meu celular.
a segurou pelo braço.
— Não. Você vai comer comigo, é sério, não é nada demais.
— Tudo bem, deixa só eu pegar meu iogurte.
Ele balançou a cabeça em um sim, mas quando ela levantou, tomou outro rumo e ele correu atrás dela.
A menina voou em cima do celular e ele agarrou seus braços.
— Me deixa ler, . — pediu, gargalhando.
— Eu já disse que não precisa — ele tentava pegar o celular, mas ela trocava de mão toda vez que ele segurava um braço.
Ele começou a fazer cócegas nela, e ela em meio às risadas falou:
— Tudo bem — disse um pouco sem ar. — Eu me rendo.
— Guarda o celular.
Ela o olhou, rindo.
— Guarda, Clarke.
Ela caminhou até a mesinha, novamente se fingindo de rendida, mas estava clicando nas mensagens.
“Bom, dessa vez não passamos a noite juntos, mas ainda sim quero fazer as coisas certas, pra compensar a primeira, talvez. Então, obrigado pelo remédio, pelo teto e por ser a .
Ah, e desculpe desapontá-la, mas eu sou mais forte do que pareço, por isso não invadi seu quarto e fiz o que você, obviamente, passou a noite esperando que eu fizesse rsrsrsrs. Na verdade, eu também achei que eu fosse fazer.“

— Por que está demorando tanto? — ele perguntou, já se tocando do que a garota estava fazendo.
— Estou lendo sua mensagem. — disse simplesmente.
Ele correu para cima dela.
— Tarde demais, já li. Por nada pelo remédio, teto e bom, por ser eu. Eu estou achando que sou mais importante do que imaginava pra você.
Ele apenas rolou os olhos teatralmente.
— E outra coisa, eu não estava esperando, nem querendo nada. Não me julgue pelas suas vontades.
— Sei que passou a noite esperando isso, nem que fosse pra negar, mas sei que passou. Você pode ser minha amiga, mas ainda sim é mulher. E mulher é assim.
— Você não entende nada de mulher então — disse com firmeza.
Acontece que ela realmente ficou surpresa dele não ter aparecido lá.
— Não conheço? — ele perguntou de um jeito desafiador.
— Não — respondeu firme.
— Quer dizer que eu estou errado quando digo que quando eu te toco aqui na nuca — e tocou — seus joelhos parecem ceder um pouco? — rapidamente ela cuidou de deixar seus dois joelhos firmes. — Que se eu pegar desse jeito no seu cabelo e beijar o canto da sua boca — pegou no cabelo da mesma, e beijou o canto da boca dela. , automaticamente fechou os olhos — você não vai ficar assim, de olhos fechados? — a menina abriu os olhos e ele estava sorrindo, com a boca bem próxima da dela. — E ao contrário do que você imagina, não vou te beijar agora, embora eu esteja com vontade e você também, mas não quero me aproveitar desse momento.
ficou parada, encarando o nada. Será que a ciência explicava essa atração toda?
— Não vai vir comer? — ele perguntou, como se nada tivesse acontecido.
— Vou sim. — disse ainda sem fôlego.

***


— Mas não conta pra ela, resolveremos tudo isso entre a gente e depois falamos com o amigo dela, o Jake.
— Você envolvido com essas coisas? A tá mesmo te colocando uma coleira. — zombou.
— Por que ninguém acha que eu possa fazer isso simplesmente porque também me importo com essas questões? A ideia foi dela, mas eu querer ajudar vai além da .
— Tudo bem, se você diz.
— Vou falar com a e com mais alguns aqui. Mas lembre-se de ficar de bico calado.
— Tá bom.
— Então ele dormiu aqui e vocês não ficaram?
— Sei que pode parecer mentira, mas sim. Ele ganhou muitos pontos comigo. Me senti respeitada, entende?
Jake sorriu.
— Ele te deixa encantada, não é mesmo?
— Sim — respondeu sem pensar e logo depois tentou concertar. — Quer dizer, não da maneira que uma garota fica encantada pelo garoto que ela quer namorar. Mas gosto quando ele tenta fazer as coisas certas.
— Vocês são tão tontos.
— Por quê?
— Não enxergam nada, nem se entendem. É engraçado — ele riu.
— Tô começando a acreditar que você está mesmo se drogando — falou e ele gargalhou.

***


— Jake! Jake! — apareceu no apartamento do amigo gritando igual uma louca com o celular na mão. — Você viu isso? Você viu? — perguntou assim que ele apareceu na sua frente. — Meu Deus, por que não me avisou que já estava começando a campanha? Meu Deus, tá perfeito pra um começo.
E mais uma vez ela começou a ver os vídeos dos amigos no Instagram, onde todos eles falavam a mesma coisa: “Não estamos aqui para sofrer calados, dê voz a sua dor que todos chamam de insignificante. Fale sobre bullying. Queremos escutar você
— Tá perfeito, Jake. Perfeito. — e abraçou o amigo.
— Já está no ar? Vou até postar o meu, não que eu tenha tantos seguidores assim.
— Precisamos pensar em um nome oficial para a campanha, vi que muita gente tá perguntando. Como você conseguiu fazer isso? Tá lindo.
— E se eu te disser que apareceram aqui com texto pronto e pessoas selecionadas?
— Como? — perguntou confusa.
— A única coisa que eu fiz foi dizer que gostei do texto e autorizar todos a postarem. Ele sugeriu marcar nós dois e eu disse que seria legal já que fomos nós que pensamos nisso.
Ela mordeu os lábios enquanto pensava em quem poderia ter feito isso. Afinal, quem mais sabia sobre aquilo?
“— Tipo, eu estou muuuuuito empolgada com essa ideia. Já tinha até esquecido desses meus projetos com o Jake. A gente sempre fazia milhares de planos, acho que esse é o grande motivo da nossa amizade, a gente sonha juntos.
— Hum — foi o respondeu.”

Ela logo lembrou. A única pessoa que ela tinha falado sobre isso foi com e duvidava muito que Jake tivesse contato a .
Será que naquele dia do bar ele queria mesmo ajudar?
— Jake, — começou com uma voz baixa — quem fez isso tudo?
Os olhos dela já entregavam sua suspeita.
Jake riu e falou:
— Sim, . Foi o .
— Eu preciso ir. — Foi tudo que ela falou e saiu pela porta tão rápido como quando entrou.
Assim que encarou a porta parou pra pensar o que realmente estava indo fazer ali. Mas logo percebeu que sempre soube o que faria.
Tocou mais uma vez e alguns segundos depois, que no seu ponto de vista parecia uma eternidade, alguém abriu a porta.
começou a falar, mas calou assim que encarou uma morena linda a sua frente.
— Ele tá no banho, pensou que fosse o porteiro com a pizza, mas bom, a não ser que o porteiro se pareça muito com Clarke, ele errou feio. — a garota sorriu de uma maneira tão perfeita que teve vontade de socar a cara dela. — Quer que eu peça pra ele sair logo? — perguntou, já que a encarava calada.
sorriu e respondeu:
— Não, não precisa. Quando ele estiver desocupado eu falo com ele. — respirou fundo e completou — Vou nessa.
Quando virou acabou esbarrando no porteiro e quase derrubou a pizza.
— Acho que agora sim a pizza chegou — disse, tentando não parecer tão idiota. — Xau.
A garota, que se chamava Peyton, pegou a pizza um pouco confusa e entrou.
— Foi a pizza mesmo? — chegou perguntando.
— Sim e não. A pizza chegou logo depois da sua amiga de trabalho, .
— A está aqui? — ele perguntou surpreso.
— Não, ela disse que falaria com você quando não estivesse ocupado. Me pareceu uma ótima garota.
— Onde ela foi? — perguntou agoniado.
— Pra casa ué.
saiu disparado pela porta.
— Aonde você vai? — Peynton perguntou, mas ele nem escutou. Já estava entrando em um dos elevadores.
Assim que chegou na recepção, correu pra porta do prédio, mas o carro de já não estava mais lá.
— Droga! — esmurrou a parede.
— Acho que não é muito apropriado o senhor estar aqui socando a parede e de toalha. — o porteiro falou e só então ele se deu conta que nem estava de roupa.
— Desculpe.
subiu para o apartamento xingando até a quarta geração da Peyton e a décima dele próprio.
Onde já se viu deixar as mulheres que ele fica abrir a porta? E por que ela não disse: Não, acho que você é quem deve atender?
Saiu do elevador e ignorou as perguntas que Peyton lhe fazia assim que ele entrou.
— Será que você pode me dizer o que tem? — a garota quase gritou enquanto ele tentava ligar para . “Você ligou para a . A não ser que eu esteja surda, morta ou esquecido meu celular, o que são coisas bem difíceis, eu simplesmente não quero te atender. Mas deixa seu recado, tudo é possível”.
— Merda!
! — Peynton exclamou, precisando de explicações.
— Será que você pode vazar?
— Como?
— Você é ótima, Peyton. Mas não estou no clima. Sinto muito. — e apontou a porta.
A garota pegou as suas coisas e saiu sem entender absolutamente nada. Enquanto isso continuava ligando para e escutando sempre a mesma mensagem.
Resolveu deixar uma mensagem.
— Ér, você apareceu aqui. Era algo importante? Tô esperando você me ligar. Ér, então, é isso. Me liga.
— Eu sou um grande idiota — falou de si mesmo.
E bom, , que estava realmente ignorando as ligações dele, concordava com ele.


Capítulo 8 – Feeling

— Me diz, Jake, por que o burro do tem que sempre estragar tudo?
— Faz parte do estilo dele — o amigo brincou, passando as mãos no cabelo na tentativa de imitar .
— E ele não para de me ligar! — ela exclamou enquanto mostrava o celular acender com a foto do rapaz.
— Não sei se essa é a melhor pergunta para o momento, mas por que te irrita tanto saber que ele estava com uma garota?
— Ele não podia estar disponível na hora que eu o procuro? Ele tinha que estar logo agarrado com uma piranha?
— Ela pode não ser uma piranha.
— Eu sei. — murmurou, um pouco culpada.
— Acho que você gosta dele. — Jake constatou.
— Não, eu não gosto. — ela respondeu até tentando um sorriso.
— Eu acho que você gosta.
— Homens são burros, você não seria uma exceção. Eu não gosto dele, mas sim, acho que ele poderia ter dado uma bola dentro ao menos uma vez na vida e deveria estar sozinho quando fui lá.
Jake riu sem que a amiga percebesse. Estava na cara, ao menos pra ele, que sim, sua amiga estava gostando ao menos um pouco do babaca do . Nessa hora seu sorriso sumiu, caramba, era um babaca! De tantos caras no mundo, tinha que ser logo ele? Era bonitinho ver sua amiga gostando de alguém, mas também era bastante triste lembrar quem era a tal pessoa.
— Jake, você tá surdo?
— Desculpe, tava viajando aqui.
— Não importa, vou tomar um banho e comer alguma coisa. E não atenda meu celular. — avisou.
— Vou querer comer também.
Assim que saiu seu celular voltou a tocar, Jake sabia que não podia entender, embora quisesse.
— Jake, ela te mata se você fizer isso. — falou pra si mesmo.
Ele olhou para os quatros lados e logo teve uma ideia.
— Não posso atender, mas nada me impede de ligar para ele. — voltou a olhar para os lados e depois gritou: — , VOU AQUI. JÁ VOLTO.
Assim que colocou os pés fora do apartamento da amiga, ligou para . Demorou um pouco pra que o celular não desse ocupado, mas no fim conseguiu.
— Você não cansa de ligar pra ela, não?
O que você…
— Ela não vai te atender, babaca. E olha só, é a última vez que te ajudo quando na verdade deveria quebrar sua cara, será que você não pode fazer a coisa certa ao menos uma vez na sua vida?
Ela não tem porque estar irritada, eu apenas…
— Se você acha, por que está ligando sem parar pra ela?
bufou ao perceber que de certa forma, nem ele acreditava na sua inocência.
— Ela não vai te atender, você deveria vir aqui, só assim ela vai te dar atenção.
Tudo bem. Obrigado?
— Por nada. Da próxima eu quebro sua cara.
Jake desligou e entrou novamente no apartamento da amiga, se surpreendeu ao vê-la procurando uma roupa arrumada.
— Para onde você vai?
— Pra onde vamos, você quer dizer — ela corrigiu. — Vamos ao shopping. Hoje estou uma pura atriz mimada que vai descontar seu estresse em compras.
Jake rapidamente lembrou que seu plano estava indo por água abaixo e até pensou em fazê-la ficar, mas logo depois viu que não merecia.
— Vamos, deixa só eu passar uma mensagem dizendo que não vamos ficar em casa.
— Mensagem? — perguntou, confusa.
— É que eu estava com uns planos, mas prefiro ficar com você.
Quando recebeu a mensagem ele já estava pronto para sair de casa, e não sabia se agradecia ou ficava irritado por ela ter saído. Era melhor agradecer. Desde quando ele se tornou aquele clichê ambulante que cria planos para se desculpar, liga sem parar, deixa tudo pra ir atrás de uma garota? Ele não era assim, nem podia ser assim.
— Preciso de uma bebida.
“Você vai agir normal, . Ele é babaca, mas estava no direito dele. Você vai agir normalmente.” Desde que saiu de casa e entrou no carro rumo ao set que não parava de repetir isso em sua mente, e ao chegar em seu trabalho começou a repetir ainda mais. Não podia e nem iria bancar a garota enciumada, nem enciumada ela estava, afinal.
— Oi.
foi a primeira pessoa que ela viu.
— Oie. — tentou ser natural.
— Tudo bem? — o rapaz perguntou inseguro.
— Claro que sim — ela respondeu, dando uma tapa de leve no braço dele.
não pareceu acreditar na naturalidade daquela conversa e falou:
— Você não atendeu nenhum telefonema meu esse final de semana inteiro.
— Eu estava ocupada — ela tentou explicar.
— Compras no shopping?
— Como? — indagou, sem saber do que ele falava.
— Saiu algumas matérias sobre o passeio ao shopping da estrela de Five Hills.
— Ah, sim. — se limitou a dizer.
— Super ocupada.
— Sabe como é, comprar é algo muito importante para uma garota — brincou.
— Verdade, mas você não é como essas garotas.
Por que ele insistia naquele assunto? Será que não podia fingir acreditar em qualquer uma daquelas desculpas?
— Tava na hora de tentar, sou uma garota, afinal. — tentou e sorriu sem jeito.
— Claro.
pensou que era melhor aceitar aquelas desculpas, nem tinha porque se importar com aquilo.
Quando ia virando rumo ao seu camarim, escutou dizer:
— Obrigada. — o rosto dele expressava certa confusão e por isso ela emendou: — Você sabe, pela campanha, pelo apoio, pela iniciativa. É muito importante pra mim.
— Pode ser surpreendente, mas eu também me importo com essas coisas. — tentou falar algo, mas ele continuou. — Por nada, .
Durante as gravações o clima entre e ainda estava estranho e ambos se perguntavam por que isso os incomodava tanto.
— Você está bem, ? — perguntou.
— Estou sim — sorriu. — Vou me trocar pra ir embora. Até amanhã — e beijou o rosto da amiga.
Não demorou muito pra passar por lá decidido a acabar com aquele clima.
— Você viu a ?
— Ela acabou de ir para o camarim dela. Vocês estão irritados um com o outro?
não consegue me irritar. Valeu pela informação.
ainda estava vestida de sua personagem quando escutou sua porta abrir e nem precisou virar para saber quem era. Afinal, quem mais entraria em seu camarim sem bater na porta?
— Fala, . — disse, sem paciência.
— Como?
— Quem mais entraria aqui sem bater na porta? Você é a pessoa mais mal-educada que conheço.
— Tanto faz — ele ignorou. — , por que você está tão irritada comigo?
— Embora você seja por si só uma pessoa irritante, eu não estou irritada contigo.
— Foi embora da minha casa sem nem dizer um motivo…
— Você estava acompanhado e ocupado, queria que eu fizesse o que? Sugerisse filmar vocês ou algo assim? Eu sei onde me cabe, qualquer pessoa faria isso.
É, fazia sentido.
— Essa parte, tudo bem. Mas você não entendeu meus telefonemas, não retornou.
— Eu já expliquei que estava ocupada.
, você está sentindo algo por mim? — foi logo direto ao ponto, mesmo temendo a resposta.
virou para o amigo, incrédula. Quanto amor próprio aquele babaca tinha.
— Não, , eu não estou apaixonada por você, se é isso que quer saber.
— Mas…
— Sai daqui e me deixa trocar de roupa, tenho uma entrevista marcada daqui a pouco e não posso me atrasar.
— Precisamos dar uma basta nesse clima, você é minha melhor amiga! Fingir que não temos intimidade me irrita profundamente.
— Eu realmente não posso me atrasar para essa entrevista, deixe-me ir e depois conversamos. — falou da maneira mais segura de si possível.
percebeu que ela realmente não estava interessada na conversa.
— Amanhã conversamos, então.
— Se puder me dar licença agora — pediu, sem confirmar que conversaria sobre aquele assunto outra vez.
— Claro. — bufou e saiu.
No outro dia estava em seu intervalo de gravação quando sentiu o celular vibrar com uma mensagem de Jake.
“Será que poderíamos nos encontrar naquele barzinho de sempre?”
Bom, vontade de aceitar o convite não faltava e isso era fato. Mas, não foi ele mesmo que disse não querer ser visto com ela? Como agora resolve a chamar pra ir ao bar? Estava na hora de mostrar a Jake que as coisas não dependiam apenas da vontade dele.
“As chances de nos verem juntos em um bar são extremamente grandes, acho melhor não.”
Jake riu com a resposta, embora contasse com a possibilidade de um não, não esperava uma resposta tão sarcástica como aquela. Em outra ocasião ele simplesmente deixaria esse assunto para lá, acontece que hoje ele precisava dela, desde o colegial que não se sentia tão vulnerável, tão menino indefeso. Precisava dela.
E o motivo disto era simples e igualmente chato e assustador: Prya. Fazia tanto tempo que ambos não se viam e durante a manhã daquele dia, enquanto finalmente comprava algo saudável para colocar no seu armário, deu de cara com Prya. Não achava que aquele encontro fosse mexer tanto, fazia tanto tempo que eles não se falavam que achou que toda aquela química tinha ficado no passado, mas ao menos nele não ficou, ainda tinha vontade de beijá-la, e vê-la acompanhada de um namorado o fez perceber que aquele adolescente ainda morava nele.
Precisava de , fora Prya ela foi a única garota que ele realmente teve vontade de falar da vida, de passar um sábado junto. Precisava dela agora, era de extrema necessidade deixar aquele adolescente medroso e inseguro no passado.
“Fui um verdadeiro imbecil aquele dia, me dê a chance de me desculpar. Te pego às sete e meia, não atrasa tanto. Beijos.”
leu a mensagem e se perguntou como ele podia ter certeza que ela aceitaria o convite, mas bom, agora que ele finalmente estava se desculpando não era tão ruim aceitar o convite, ao menos teria algo para fazer aquela noite, estava cansada de trabalhar tanto e não curtir.

Novamente depois da gravação escutou sua porta abrir sem ninguém ter batido antes.
— Você não pode ficar com raiva de mim por uma coisa que nós dois sabemos que posso fazer.
— Eu não estou com raiva de você. — respondeu, virando-se para ele.
— Não?
— Não.
— Então me beija — desafiou. — Me beija e eu vou ao menos tentar acreditar que você não está chateada comigo.
— Eu não preciso te provar nada — sorriu, nervosa.
— Você precisa deixar de bobagem e voltar a ser a de sempre.
— Eu sou a mesma.
— É? — lançou-lhe um olhar desafiador. — Se você ainda é a mesma suponho que não vá se importar se eu te beijar aqui — e deu um leve beijo no pescoço dela.
Foi tão de leve que ela mal sentiu os lábios do garoto em sua pele, mas a proximidade bastou para um arrepio percorrer seu corpo. Coisa que não passou despercebida pelo amigo.
— É, você ainda é a minha .
— Eu não sou sua. — falou, segurando o rosto do rapaz e o encarando.
— E é isso que mais me encanta em você.
Dito isso colou os lábios no dela e ao apertar aquele corpo tão magrinho contra o seu percebeu que o motivo de estar ali era mais que saudade da amizade, ele tinha saudades dela, do beijo dela. Sentiu medo ao perceber isso, mas logo pensou que provavelmente todos que já tiveram a oportunidade de beijar Clarke também sentiam a mesma coisa.
Depois de mais alguns beijos, falou:
— Tudo bem, tá bom, tá legal, mas estamos no set e não podemos nos arriscar assim. Melhor você ir embora.
— Todo mundo bate na sua porta antes de entrar.
— Vai que essa sua má educação pega — brincou.
— Você não me respeita. — fingiu-se ofendido.
— Claro.
— Como te aturo?
— Você não sabe viver sem mim, . Me aturar é sua única opção.
— Já disse que você fica linda pra cacete quando fica metida desse jeito?
— Já, mas na verdade você me acha linda de qualquer jeito.
— Linda, gostosa... Aí, cara, vamos fechar essa porta, eu não vou conseguir deixar pra te beijar depois.
Ela gargalhou enquanto ele corria rumo à porta e passava a chave sem se preocupar com problemas que poderiam surgir.
— Vocês viram a ? — Finn perguntou quando entrou em um dos cenários.
— Acho que já deve ter ido embora — respondeu.
— Não, ela está no camarim dela — respondeu .
— Vou até lá, preciso conversar uma coisa com ela. Se acharem o digam que também estou o procurando.
Finn bateu de leve na porta apenas pra sinalizar que estava entrando, mas assim que rodou a maçaneta da porta percebeu que a mesma estava trancada. Uma estagiária passava por ali e ele lhe perguntou:
— A já foi embora? — era a única explicação pra o seu camarim estar fechado, mesmo que ela nunca tivesse o costume de fechar.
— Não que eu tenha visto.
— A porta está trancada.
— Tem certeza? Vi o entrando aí faz alguns minutos.
Finn parou uns segundos para entender o que a garota tinha lhe dito e logo pensou em algo.
— Não, isso é loucura. — falou pra si mesmo.
— Como?
— Nada, só me informe se a ver sair e diga a mesma que eu estava a sua procura.
— Tudo bem — ela respondeu, prontamente.
— Ah! — Finn voltou do caminho que já estava traçando. — Também me informe se ela saiu sozinha daí.
A garota não viu quando os dois saíram do camarim, mas aquela porta fechada não seria esquecida por Finn.
Quando o porteiro interfonou para , ela já sabia quem a esperava lá embaixo e nem esperou o senhor falar, apenas disse que já estava descendo.
Ela estava linda, sorriu ao se olhar no espelho e perceber isso. Não estava tão produzida, mas também não estava no estilo mais simples do mundo. Aquele vestido solto e curto unido com a sua trança e o batom vermelho que ela tanto amava tinha lhe deixado com cara de mulher inocente. E mesmo gostando de vestidos mais justos, tinha que admitir que aquele ar de inocência lhe caía bem, muito bem na verdade. Jake teria um problema e ela também, já que tinha saído de seu apartamento jurando não ficar com ele, mas sabendo que não resistiria se ele tentasse a beijar.
— Você está linda. — foi a primeira coisa que o rapaz falou ao vê-la.
— Obrigada — ela sorriu, mostrando que fazia total ideia disso. — Você não está nada mal.
— Seu amor próprio é algo invejável, sabia?
— Sabia.
Foi dar-lhe um beijo no rosto, mas ele a segurou e beijou sua boca.
— Vai com calma, amigo. É muito fácil sermos fotografados aqui.
— Hoje eu não estou me preocupando com nada, só quero você.
E isso não era mentira, ele a queria mesmo. Mas sentiu-se estranho quando lembrou que aquele desespero por ela estava ligado a outra mulher.

***


— Prya, você sabe que te amo, né?! Mas não consigo achar legal você se aproximando do Jake.
, eu estou namorando, só tenho intenção de ser amiga dele.
— Mas e ele?
— Você mesma não disse que ele tem um rolo com sua amiga? Ele também quer só minha amizade.
— E vocês precisam almoçar sozinhos pra serem amigos? Não podem almoçar comigo? Prya, eu te conheço e conheço ainda mais o Jake, isso vai dar merda, você quer que dê merda.
Prya respirou fundo.
— Eu gosto do meu namorado — já foi se explicando. — Mas preciso arrumar de uma vez por todas meu assunto com o Jake.
— Eu achei que já estivesse resolvido isso, até quando vocês vão ficar presos na adolescência?
— Seu amigo é adulto e vacinado, ele não vai se partir em pedaços porque almoçou comigo.
— O Jake tá ótimo sem você, você está ótima sem ele, não bagunce tudo mais uma vez — pediu.
— Pode deixar — mas algo naquela voz dizia que a bagunça era algo certo.
Jake chegou a restaurante muito incerto se Prya iria mesmo ao local. Não seria nenhuma surpresa sito acontecer. Por isso, quando ela sentou à sua frente, ele logo confessou seu temor.
— Eu ainda achei que você fosse furar.
— Você sabe que não sou mais aquela garota do colégio, a época de furar com você ficou em um passado bem distante.
— Como você tá?
No começo o papo foi mesmo apenas de dois amigos, mas Prya não estava ali pra isso e no fundo, nem ele.
me falou que você está ficando com a Parker.
— É, fala muito.
— Primeira vez que vamos nos ver sem ficarmos, não é mesmo?
— Crescemos, não é mesmo? — indagou no mesmo tom brincalhão.
— É, pode ser, talvez agora a gente saiba resistir as vontades.
— Minhas?
— Nossas — ela respondeu.
— Prya — ele riu. — Você namora.
— É, eu namoro.
— Achei que esse fosse um bom motivo pra você não ter mais nenhuma vontade.
— Deveria ser.
— Putz — ele gargalhou.
Estava na cara onde aquilo daria. E Jake sabia muito bem disto.
— Você não facilita, não é mesmo?
Ela também gargalhou.
— Não é minha intenção. — falou, inocentemente.
— Claro que é — ele conhecia bem a garota a sua frente.
— Eu gosto do meu namorado, sério. Mas caramba, eu também gosto de você, gosto mais de você.
— Prya…
— Me diz que não quer nada e pronto, a gente segue nossa vida.
— A gente nunca vai dar certo — Jake preferiu dizer.
— Então você não quer. — ela levantou da mesa, mas sabia que ele a pediria pra sentar.
Uma coisa que todos sabiam, até mesmo Jake, era que Prya não tomava uma atitude sem que ela fosse milimetricamente calculada. E seus cálculos garantiam que ela jamais perderia o que desejava.
— Senta — pediu, e ela sentou. — Eu não namoro, você sim.
— Vou dar um tempo com ele.
— Vamos fazer merda.
— Por mim — ela deu de ombros.
— Ahh, dane-se. — Jake falou, recebendo uma gargalhada de Prya em resposta.
Saíram dali diretamente pra casa de Jake.

***


, eu não posso acreditar que você vai ficar de cara feia pra mim até morrermos.
— Até lá é muito tempo, mas bem que você merecia.
— Por favor, essa não é a primeira vez que fico com a Prya…
— E não é a primeira vez que digo que isso é burrada, idiotice, babaquice, estupidez — parou um pouco pra tomar ar. — E agora tem a , você tem noção que vai machucar ela?
— Não namoramos.
— Mas ficam e ela leva isso a sério, bem mais que da outra vez. Você vai trocar isso pela Prya? Não cansou de ser feito de idiota?
— Eu não sou idiota! — Jake falou, sem paciência com a opinião da amiga.
— A Prya mais uma vez está jogando com você e você está jogando com a .
— Eu não tenho nada sério com ambas, a Prya e eu nunca daríamos certo.
— E eu espero mesmo que você tenha certeza disso. Não sei se você sabe, mas o “ex namorado” — fez aspas com os dedos enquanto falav com um tom sarcástico — da Prya é irmão do chefe dela. A Prya não dá ponto sem nó. Amo minha amiga, mas ela tem alvo e você, um mero publicitário, não acrescenta em nada pra ela.
Mas logo se arrependeu das palavras, sabia que tinha pegado pesado.
— Eu realmente prefiro não escutar sua opinião, afinal, quem é você pra falar de relacionamento? — Jake falou irritado enquanto levantava do sofá da amiga;
Ela o olhou confusa e ele logo emendou, se explicando:
— O é um babaca e você sabe disso, mas mesmo assim ainda fica com ele.
— O meu lance com o tem termos bastantes pré-estabelecidos.
— Você está apaixonada por ele e assim como eu sei, você também sabe, só se engana. Mas ainda assim aceita ficar com o que resta dele, como se isso fosse o suficiente. Somos dois idiotas, , somos dois idiotas.
Ela não o expulsou da sua casa, afinal, mesmo com raiva não conseguiria fazer isso, mas correu pra o seu quarto e bateu a porta com toda sua força. Jake entendeu o recado e foi embora também irritado.
No dia seguinte, amanheceu péssima por dois motivos: sua discussão com Jake e o medo de realmente estar gostando de .
, não entra nessa, claro que você não sente nada por ele. — disse para si.
Jake também não acordou bem, sentiu-se mal pela discussão com a amiga, e culpado em relação à . Acontece que ele gostava de estar com ela, sentia-se bem e Prya iria embora mais dias, menos dias. Mesmo com todas as desculpas, não conseguia deixar a culpa de lado.
Mesmo se sentindo horrível seguiu para o trabalho e assim que colocou os pés lá, viu seu amigo lhe olhar com uma careta.
— Que cara é essa? — indagou.
— Nada — limitou-se responder.
— Você pode conversar se quiser.
— Briguei com o Jake, e estou tão confusa, não em relação a esta briga, mas outra coisa. Não ando tendo muito controle sobre as coisas.
— Coisas do coração? — ele perguntou, rindo.
— Como?
— Você e o , não é?!
— Hã? Tá louco? — tentou disfarçar.
— Eu sei que vocês ficam, só finjo que não pra que vocês se sintam mais à vontade. Você é tão certinha que nem acredito que está passando por cima das regras — ele comentou, rindo.
— foi o que ela disse, chocada.
— Mas você não precisa se preocupar com isso, eles aceitarão se for o jeito.
— Eu não tenho nada — tentou novamente, mas viu que não adiantaria mentir. — Não temos nada sério, nem teremos, somos apenas amigos.
Falou um pouco vermelha.
— Que se pegam.
— Esse é o problema — bufou.
— Qual o problema, afinal?
Ela pensou um pouco, era melhor não contar nada, ele e eram muito próximos.
— Não é nada, vai passar.
— Conte para ele o que sente. — disse, como se fosse a coisa mais simples.
— Eu não sinto nada por ele.
— Então faça como ele e fique com outras pessoas também.
— Eu não sei ficar com mais de uma pessoa. — disse como se fosse óbvio.
— Você não nasceu pra ter o que tem com o , ou sai dessa procurando alguém pra se apaixonar de verdade, ou assume o que está sentindo algo por ele.
— Eu, eu…
— Não sente nada por ele — completou, tentando facilitar a mentira da amiga. — Ou você se joga no que tem agora, ou procure outro lugar pra se jogar, não vai dar pra viver fingindo pra sempre.
teve vontade de chorar, queria tanto achar que não estava fingindo, e de certo modo não estava. não nutria nenhuma esperança de ter algo sério com , mas a maneira como ele a despia de toda segurança, como ele sempre conseguia mexer com ela e também, infelizmente, a magoar algumas vezes só podia significar uma coisa: ela estava prestes a se meter na maior roubada da sua vida. Estava prestes a se apaixonar por ele.


Capítulo 9 – You Make Me Feel

— Eu estava sentindo falta disso — disse, meio sem pensar, enquanto beijava , que também não pensou muito quando deixou entrar em seu apartamento.
— Você não suporta a ideia de ficar sem mim — brincou e viu-o congelar. — O que foi?
balançou a cabeça tentando tirar os pensamentos que estavam em sua mente naquele momento.
Ele não sabia muito o porquê, mas dias atrás teve uma conversa com ele e contou que sabia do seu rolo com , depois veio com um papo de que os dois formariam um belo casal, e quando negou, viu o amigo rir e falar: você não suporta ficar sem atenção dela.
, você tá bem? — perguntou, tirando-o do transe.
— Você realmente acha isso?
— Hã? Acho o quê?
— Isso aí que você falou.
, o que eu falei? Do que você tá falando?
— Esse lance de eu não suportar ficar longe e tals — não teve coragem de dizer a frase completa.
Ela riu.
— Eu sempre te provoco com isso. — olhou pra ele confusa. — Ficou assim por isso?
— Então, é só uma brincadeira?
Ela o encarou, o que tinha dado nele?
— Eu estava te provocando, apenas. De fato você é péssimo em ser ignorado por mim, mas eu só brinquei.
Droga, ela também achava.
— Nossa, acabei de lembrar que marquei uma coisa com o , quase que perco a hora, vou ter que ir embora. — ele falou, procurando a camisa na cama.
— Você tá de brincadeira, né?
— É que…
, você vai mesmo embora? A gente — apontou pra ele e depois pra si, vestindo apenas calcinha e sutiã.
“Ela bem que podia ser feia, droga.” Ele pensou.
— Desculpa, , mas é que eu vou ser um cara morto se não for agora. Prometo que depois a gente se vê.
— Você realmente tem algo importante ou está só procurando uma desculpa pra se mandar?
— E por que eu faria isso? — esforçou-se o máximo pra não entregar a mentira em seus olhos, ela sempre sabia quando ele mentia.
— Você ficou todo estranho do nada, veio com aquele papo sobre a brincadeira e depois diz que tem que ir, isso não faz nenhum sentido. E mesmo que faça, acha mesmo que a sua saidinha com o vai ser mais legal que ficar aqui? — e sentou sobre o corpo dele.
Aquilo era demais. Ele não conseguiria ir embora.
— Dane-se o . Dane-se tudo. — e puxou-a para um beijo.
— Que tal um banho? — sugeriu.
Ele e estavam enrolados em um lençol, deitados enquanto brincava com as divisões da barriga dele.
— Só um banho mesmo, ou isso tem algum outro sentido?
— O que você sugere?
— Eu estou cansada… — falou, manhosa;
— Eu arraso, não é mesmo?
— Odeio quando fala desse jeito — revirou os olhos. — Estou cansada porque trabalho demais.
— Por isso acho que um banho faria bem. Depois uma massagem pra relaxar.
— Você? Fazendo massagem? Nem deve saber como fazer.
— Claro que sei. Deita aí, vou mostrar.
Mesmo duvidando da capacidade dele, balançou a cabeça em um sim.
, aprenda uma coisa: sabe todas as maneiras de satisfazer uma mulher.
— Idiota. — deu uma tapa e depois virou com a barriga para baixo. — Vai, quero ver se você é bom mesmo.
Ele resolveu pegar umas coisas no banheiro dela pra poder fazer aquilo de maneira perfeita. Começou a passar a mão pelo corpo da garota e vez ou outra ela esboçava um sorriso.
Conforme a massagem foi continuando, começou a olhar para a garota a sua frente e pensar em o quanto era bom estar com ela, mesmo em momentos assim, onde só ele era quem fazia o máximo pra agradar. Ele gostava de agradá-la. E de tocá-la, beijá-la, sentir sua pele em atrito com a sua, escutar suas histórias e ver seu sorriso.
Riu ao perceber o quanto estava sendo bobo por ficar pensando essas coisas de mulherzinha.
— Do que tá rindo? — virou o rosto pra perguntar.
Ela ficava linda com o cabelo todo bagunçado, se não achasse tão gay falar essas coisas, já teria lhe falado isso.
— De nada, bobeira minha. Gostando da massagem?
— Tudo que eu precisava — e sorriu do jeito que ele adorava.
De onde surgiu aquele clima tão romântico? Ambos se perguntaram.
Dava pra sentir à vontade, os segredos, os desejos, a amizade, o interesse. Tudo isso estava no ar e quando sorriu deixou tudo mais concreto.
Ele precisava beijar a dona daquele sorriso lindo e ela precisava beijar o causador daquele sorriso.
— Merda, eu preciso te beijar. — disse, parando a massagem e agarrando-a.
Ela só riu e enlaçou a cintura dele com as pernas.

***



— A gente precisa sair pra algum lugar hoje. — informou ao seu amigo entre um intervalo nas gravações do dia.
— E eu posso saber por que a urgência de sairmos hoje? — perguntou, curioso.
— Preciso pegar mulher.
— A não basta?
— Mulher que não seja a .
— Se eu tivesse uma pra mim, não iria querer mais ninguém.
— Isso é você, meu amigo, que no fundo é um romântico incorrigível, mas eu não sou assim. Não nasci pra ter apenas uma pessoa, não nasci pra relacionamento.
— E o que Clarke acha disso? — perguntou de sobrancelhas erguidas.
— Nada — deu de ombros. — Temos um trato. Eu continuo ficando com mulheres erradas e ela continua procurando o cara certo, sem interferência.
— Mulher nunca consegue ter esse tipo de lance.
— Isso porque elas não são Clarke. — respondeu prontamente.
— Você acredita mesmo nisso ou quer fingir que acredita? — perguntou, enquanto segurava o riso e tentava manter uma cara de dúvida real.
— Acredito — mais ou menos, mas eu acredito. Completou mentalmente.
— Vou te dizer duas coisas, : Não importava quem seja, mulher não sabe ter esse tipo de relacionamento. E tome cuidado, é altamente apaixonável.
— Por isso mesmo que estamos dando certo. Eu não me apaixono.
apenas de um sorriso e maneio de cabeça em resposta.
só podia estar fazendo duas coisas naquele momento: mentindo, ou sendo burro. Se fosse a primeira, preferia apenas fingir que acreditava. E se fosse a segunda, era melhor deixar ele perceber seu grande engano sozinho.

Parker estava guardando suas coisas na bolsa quando vurou para Jake e falou:
— Vou à casa da hoje, vamos comigo?
— Foi mal, , mas e eu não estamos muito bem.
— O que aconteceu? Nunca vi vocês brigarem.
— Por que a gente não briga, quer dizer, não brigamos sério. — ele falou o que até dois dias atrás era uma verdade.
— Dessa vez parece ser sério — constatou. — O que aconteceu?
Não dava pra contar a ela o motivo.
— Melhor deixar entre ela e eu mesmo.
— Claro. Mas, por que não vai comigo e tenta se entender com ela? “Porque irmos juntos só seria mais um motivo pra briga.” Jake pensou.
— Melhor eu ir outra hora, vai que a gente briga, deixa pra depois.
— Tudo bem — deu de ombros.
Quando ia se despedir, o celular de Jake começou a tocar, era Prya.
Ele olhou quem era e achou melhor ignorar a ligação.
— Não vai atender?
— Não é nada importante.
— Tem certeza? Pode atender, já estou indo.
— Então me dá logo um abraço e um beijo, à noite a gente se vê.
— Tá bom. — e deu o abraço e o beijo que ele pediu.
Assim que saiu o celular parou de tocar e Jake não pensava em retornar, mas logo o aparelho tocou novamente e ele atendeu.
Hey, tava ocupado?
— Mais ou menos isso.
Hum. — houve um silêncio.
— Você ligou pra quê?
Ah, sim. — Prya pareceu lembrar o motivo. — Hoje vai rolar uma festinha aqui e queria te chamar.
— À noite?
Sim — riu, era óbvio que seria a noite.
Droga, ele tinha marcado com . Mas, bom, Prya estava ali por poucos dias, estaria ali sempre.
— Tá bom, apareço por aí às oito.
Okay, babe. Traga cuecas — falou e gargalhou.
— Sabia que tinha segundas intenções nesse convite.
Entre nós, sempre tem.
Depois que desligou, Jake se sentiu péssimo, que tipo de homem ele estava sendo? Por acaso tinha se tornado um cara como aqueles sem noção que zoavam dele na infância?
Mas Prya era tão linda… era tão linda. Como poderia escolher? Uma acendia toda aquela coisa de amor adolescente e a outra lhe dava a calma e a paz que sempre quisera, como escolher?
Pensou em ligar logo pra desmarcando, mas lembrou que ela estava na casa de e suspeitava que a amiga teria coragem de contar tudo, sempre odiou traição principalmente com pessoas que ela ama.
Você vem, não é?
— Claro, Prya. Mas posso saber o motivo da festa?
Só pra curtir mesmo, já estou perto de ir embora, quero aproveitar mais os meus dias aqui.
— Hum… — olhou pra que mexia no celular e teve uma ideia. — Posso levar uns amigos do trabalho?
Você quer saber se pode trazer as estrelas da série mais bombada do país? — as duas riram. — Claro, baby, pode trazer quem você quiser.
Logo se despediram e cuidou de convidar .
— Que tal uma festinha, hoje?
— Putz, tenho algo marcado pra hoje.
— Você não pode desmarcar? Por favor, quero você comigo hoje.
— Quanta carência — brincou. — Tuuudo bem, vou desmarcar.
Mandou uma mensagem para Jake explicando que tinha aparecido um compromisso de última hora e que não poderia faltar.
Jake suspirou aliviado quando viu a mensagem, assim ele não precisava mentir, nem furar com ela. sempre resolvendo a vida dele. Sorriu ao se lembrar do bem que a garota lhe fazia. Parou de sorrir no momento que lembrou a maneira estúpida como estava agindo com ela.
— Que compromisso era esse que você quase não ia comigo?
— Tinha marcado com Jake, mas já mandei uma mensagem pra ele desmarcando.
achou estranho Jake ter marcado algo, por acaso ele não tinha sido convidado? Estranho.
— Então, vai pra casa se arrumar que às sete quero você aqui.
— Vai chamar os meninos?
— Seria uma boa, não é? Vou mandar uma mensagem no grupo.
“Festinha na casa de uma amiga minha, quem topa? A já topou. Quero os dois aqui em casa às sete, não atrasem, mocinhas”
“Mocinha é o senhor seu…
amigo . Sim, ele é uma mocinha.”
respondeu, arrancando risos das amigas.
“Vão se catar, babacas.
Às sete estou aí, não sou homem de negar uma festa.”
respondeu.
“Só lembrando que nada de beber demais, amanhã temos trabalho logo cedo.” lembrou.
“Sempre certinha, essa é a minha garota.” brincou e mesmo sem ter a intenção, arrancou um sorriso sincero e constrangido da amiga.
“Droga, , por que você tá sorrindo desse jeito?” Ela pensou.
— Não é por nada não, mas quando você vai finalmente pegar esse homem? — perguntou com um sorriso sacana nos lábios enquanto encarava a amiga à sua frente.
— Ele é meu amigo, .
— Diz isso pra esse sorrisinho que se formou nos seus lábios — riu da cara que a amiga fez. — Amor, vocês se desejam e isso é nítido, se gostam e isso também é nítido.
— Nos gostamos? — perguntou, chocada.
— Eu acho. — deu de ombros. — Esse seu sorriso, você ficou boba porque ele te chamou de minha garota.
— Claro que não — protestou. — Eu ri da besteira deles.
— Aham.
— É sério.
— Aham.

— Vamos brincar da brincadeira do finjo? — a olhou, confusa. — Eu finjo que acredito e você finge que eu acreditei. Tudo certo e nada errado.
a olhou incrédula com o jeito sarcástico da amiga e gargalhou.
Pensou que quem deveria ficar com era ela. era meio que a versão feminina dele.
— Cala essa boca. Não tem sorrisinho, desejo, sentimento e muito menos brincadeira do finjo.
Escutou a amiga gargalhar novamente.
, por que você não morre?
— E quem iria jogar na sua cara a verdade? Minha missão ainda não acabou, só poderei morrer quando vocês dois estiverem juntos.
— Ou seja, você será imortal.
— Bem que eu queria — fez cara de triste. — Mas acho que morrerei logo, logo. — novamente gargalhou e jogou uma almofada no seu rosto.
Às seis e quarenta e cinco bateu na porta de e assim que a moça abriu, ficou de queixo caído com a amiga.
— Uol, onde você acha que vai vestida pra matar desse jeito?
— Ah — fez cara de tímida, mas com a intenção de mostrar que não estava tímida. — Foi a primeira roupa que vi no armário. — disse. E tanto ela como caíram na risada. — Você ainda não está pronta?
— Falta só colocar o vestido, achei melhor arrumar o cabelo logo, o vestido eu coloco por baixo.
— Vai lá então, a propósito, sua trança está magnífica.
— Talento de família. — e mandou beijo no ar.
Quando os meninos chegaram — com quinze minutos de atraso — foi quem abriu a porta.
— Cadê a ? — foi logo perguntando.
— Fica calmo aí. — falou, colocando a mão no peito do rapaz. — Sua paixão já está descendo.
apenas revirou os olhos, eles só podiam estar loucos. Paixão, ele riu só de pensar nessa bobeira.
Quando desceu, no entanto, só conseguiu pensar a coisa mais idiota do mundo: é capaz de tudo. Inclusive de transformar um vestido florido e inocente em algo extremamente sexy.
Ela parecia um anjo, e tudo bem que tecnicamente se ela parecia um anjo não deveria estar sexy, mas é que aqueles lábios rosa pink pediam pra serem beijados e aquela cintura destacada pelo vestido que era justo até a mesma pedia pra ser segurada, aquelas pernas — mesmo finas — pediam pra ser tocadas.
— Você está linda! — disse à amiga.
— Tá parecendo um anjinho, — foi a vez de elogiar.
— Obrigada — falou, sem jeito.
— Que fofinho, ela ficou tímida.
Os dois começaram a rir e ela os acompanhou.
estava aéreo a tudo isso. Ele só conseguia se perguntar de onde estava vindo aquela vontade de beijá-la.
Olhou pra ela, e viu nos olhos da garota a pergunta de com ela estava. “Vamos , fale que ela está gostosa ou gata, como sempre faz.” Mas ele só conseguia pensar em beijá-la e que a festa poderia ser deixada para depois, queria ficar com ela naquele mesmo momento. “Assim como um adolescente bobão faria”, pensou.
? — estalou os dedos pra chamar sua atenção. — Como estou? — não queria ter perguntado, mas também queria saber a opinião dele.
“Você é tão boba, .” Falou consigo mesma, apenas na mente.
— É… — olhou-a novamente de cima a baixo e a viu sorrir quando voltou a olhar para o rosto da mesma. Ele deveria ter dito algo típico dele, deveria, sabia que deveria, mas em vez disso, falou: — Você está mais linda que nunca. Duvido que nessa festa alguém esteja mais perfeita que você.
ruborizou na mesma hora e ficou sem palavras. Ela não esperava escutar algo como aquilo, até já estava preparada para dar-lhe uma tapa pela brincadeira que ele faria sobre ela. Mas em vez disso ele a elogiara, e de maneira sincera, sem sarcasmo, safadeza, ou gracinha, parecia ser sua opinião sincera. Demorou um pouco até ela responder:
— Obrigada, .
Ela tinha que olhar tanto nos olhos dele pra dizer isso? Aquilo ela desconcertante, não sabia onde pôr as mãos. Como se já não bastasse aquele elogio patético, digno de filme, agora os dois estavam se encarando e ele tinha vontade de socar o próprio rosto.
Alguém pigarreou, era .
— Ér... — ele não sabia bem o que falar, mas sabia que tinha que fazer alguma coisa, aquele clima tava deixando até ele constrangido. — Acho que está na hora de irmos. Não?
— Claro, claro. — ficou ainda mais desconcertada e não sabia bem o que falar.
— Que tal saímos do apartamento? — tentou, se controlando pra não rir.
Como ainda teve a coragem de negar o sentimento mais cedo na conversa que ambas tiveram?
— Vamos todos no mesmo carro, ou cada um vai no seu?
não tá de carro, ele veio comigo.
— Alguém pretende beber? — perguntou.
— Eu — os três na sua frente levantaram a mão.
— Eu levo os três. Deixo os três em casa depois da festa, e amanhã vocês passam aqui pra pegar o carro. Ninguém vai dirigir bêbado.
— Certinha. — implicou e esperou falar algo também. Mas ele apenas riu e saiu na frente.
“Aquilo não foi nada demais, é óbvio que não foi nada. Você só falou a verdade, ela está linda, e ela só agradeceu, simples.” E o que foi aquela sensação que sentiu?
ia dirigindo o carro, no banco do carona e e iam no banco de trás. Eles conversam bobeiras e faziam snapchat’s sem sentido, até que lembrou que tinha que avisar Jake sobre ir à festa. Até então achava que Jake não tinha sido convidado, mas aquilo não fazia sentido algum, era melhor avisar.
“Não sei se você está sabendo, mas a Prya está dando uma festa hoje e bom, sinto muito se ela não tiver te chamado. Mas voltando ao motivo da mensagem, e os meninos estão indo comigo, caso esteja aí ou esteja pronto para ir, pense no que vai fazer. Não magoe nenhuma das duas, ou melhor, não magoe a , ela é a única que sairá machucada disto.”
— Que tal um pouco de cerveja? — Prya perguntou, já com uma cerveja para dar a Jake.
Ele ainda estava sem acreditar na mensagem que tinha acabado de receber. estaria ali? E agora?
Pensou melhor, não era motivo pra pânico, era só dizer que logo depois da mensagem dela, ele também foi convidado, era amigo da dona da festa. Mas o que faria para controlar Prya, que com toda certeza tinha segundas intenções e não estava nem um pouco incomodada de expor isso na frente de todos? O pânico voltou. estava certa, ele não podia machucar e ele sabia que a machucaria. Desde que eles voltaram a ficar que ela não escondia que dessa vez estava se envolvendo. Tinha que fazer alguma coisa. Agradeceu aos céus por Prya já saber de , o jeito era mandar a real pra ela. Ou mais ou menos isso.
— Chega aqui. — Pediu e Prya foi ao seu encontro.
— O que foi?
— Não vamos poder ficar hoje.
— O que? Já tinha algo em mente.
— Você sabia que a tá trazendo os amigos de trabalho dela?
— Sim, ela me perguntou se podia. Imagina só se eu ia negar. — riu de si mesma.
— Não sei se você lembra, mas eu e a , amiga de trabalho da — frisou essa parte — temos um lance.
— Vocês ainda estão ficando?
Ela não podia dar piti agora, Jake precisava que ela não surtasse.
— Tecnicamente não, mas ficou algo mal resolvido e eu não quero magoar ninguém, ela é ótima.
— E já é grandinha pra entender as coisas. — replicou.
— Você sabe que não sou assim, então, por favor, facilite e me ajude nessa. Vamos fazer assim, a gente age sem nenhuma proximidade na festa, depois eu fico aqui e terminamos a noite juntos.
— Gostei da ideia. — mordeu o pescoço dele e foi embora.
Agora era torcer para que ela realmente tivesse entendido o que é não ter nenhuma proximidade.
Jake bufou.
Ele estava agindo igual os caras que sempre odiou. Sendo um babaca com uma ótima garota por causa de uma peituda que ele desejava.
— Vai na frente — disse pra , que sorriu ao ver a amiga um pouco tímida.
Nunca tinha a visto com vergonha.
se juntou a , não tinha nenhuma intenção com isso, apenas sentiu vontade de entrar na festa ao lado dela, ele sabia como ela não gostava de ser o centro das atenções.
— Obrigada, odeio ser o centro das atenções — agradeceu e ele apenas sorriu, mas depois disse:
— Disponha, nasci pra brilhar — os dois riram.
— Vocês estão tão melosos hoje — comentou, rolando os olhos.
— Ciúmes? O é todo seu — brincou.
— Como se você fosse suportar a ideia de dividi-lo — cochichou no ouvido dela.
A mesma corou e por fim se perguntou: Ela aguentaria? Mas tinha que aguentar, não era? Eles tinham um trato que deixava possibilidades disso acontecer. Sentiu o estômago revirar um pouco com a ideia e cuidou logo de jogar essa sensação pra longe, não podia e nem devia nutrir sentimentos por .
— Prya chegou gritando. — Amiga, você está linda! Tão meiga e tão, tão, não sei o nome, mas se fosse um homem te pegaria — comentou aos risos e mentalmente concordou com o elogio. — Achei que não fosse chegar.
— Lembra o juramento que fizemos no ensino médio? Enquanto for possível, nunca faltarei uma festa sua. Quem vai te carregar pra cama depois?
— Palhaçada isso. — fingiu irritação. — Oi — disse, quando viu os outros três.
— Ops, me esqueci de apresentar — falou. — Gente, essa é a Prya, minha amiga desde que me entendo por gente e dona dessa festa. Prya, esses são...
Grey, Parker e , quem não sabe?
— Isso mesmo — deu de ombros.
— Sejam muito bem vindos, podem aproveitar a festa.
Cumprimentaram-se e logo após Prya falar com , lembrou de algo.
— Ah, o Jake tá aqui, já viram ele?
Foi automático procurá-lo com os olhos.
— Jake! — Prya gritou assim que o viu.
Quando Jake viu de quem Prya estava acompanhada sentiu seus joelhos falharem. Prya era competitiva e muito corajosa, ela teria ousadia suficiente pra agarrá-lo na frente de .
— Oi — falou com cara de culpado, ao menos foi assim que chamou a cara dele.
— Não sabia que você também ia estar aqui — falou.
— É… Também sou amigo da Prya.
— Bom, gente, como falei, sintam-se à vontade. Aproveitem. — Prya falou e saiu dali.
foi procurar algo para beber e saiu com , restaram apenas e Jake.
— Se eu soubesse que também viria pra essa festa, nem tinha desmarcado, a gente teria vindo junto.
— É que aqui tá cheio de gente, eu ainda não estou pronto pra sair em capa de jornais.
incomodou-se com aquilo, mas não iria admitir, não iria insistir.
— Tudo bem, então.
Jake riu, sabia que ela diria isso e agradeceu por a garota ser tão orgulhosa.
A festa ia muito bem para , já tinha conhecido duas garotas lindas e interessantes, uma delas ele seria capaz de casar. Riu. Talvez ele fosse mesmo um romântico, mesmo que lá no fundo.
estava bastante assustado, conforme a festa rolava ele só conseguia pensar em como estava linda. Dispensou quatro garotas e se uma parte queria se socar por causa disso, a outra apenas lhe dizia que ele fez o certo, afinal, nenhuma delas era mais interessante que .
— Por favor, pare de comer minha amiga com os olhos. — escutou Jake falar atrás de si.
— Eu não…
— Eu nunca achei que fosse dizer isso, mas, talvez você devesse ir ficar com ela.
— Você tá bem? — perguntou, sarcástico
— Não me faça mudar de ideia. — Jake respondeu entre risos.
ponderou a ideia que Jake lhe dera, mas no fim achou que talvez fosse melhor não fazer isso. Já não bastava falando dele e , agora Jake apoiava e por fim ainda tinha aquela confusão na sua mente, por hora, era melhor se manter distante.
— Obrigado, eu acho. Mas hoje não vai ter e eu. Ela está aproveitando a festa com as amigas e eu vou fazer minhas amigas também — e sorriu de forma sacana.
— Como é?
— Você sabe, vou paquerar um pouco. — riu.
— Pode vir aqui comigo? — Jake chamou, tentando se controlar.
Mesmo sem entender direito, o seguiu.
Assim que chegaram a um lugar sem pessoas, Jake falou:
— Olha só seu playboyzinho de merda, — e empurrou contra a parede — sinceramente eu pouco me importo com quem você fica ou deixa de ficar, mas na frente da você não vai paquerar uma garota sequer.
— Eu não sei se você sabe, mas e eu não somos impedidos de paquerar — e arrancou as mãos de Jake do seu peito.
— Então eu vou reformular a frase. Tudo bem assim? — colocou apenas uma mão contra o peito de e falou: — Não me importo com quem você fica e também não me importo com esse trato idiota que você tem com a , mas você não vai paquerar ninguém na frente dela. Sei que é um merdinha, mas até o seu cérebro é feito de merda?
No fim frase, Jake já não parecia tão bravo, apenas indignado. entendeu isso e percebeu que ele só estava preocupado com a amiga.
— Tudo bem. Não vou paquerar ninguém, mesmo podendo fazer isso — brincou.
— Sei que no fundo se importa com ela e também vejo como a olha, alguma coisa, mesmo que mínima, muda quando você a vê. Então, imagina só se ela começa a se agarrar com um cara nesse exato momento…
— Ela pode — disse, apenas pra tentar bancar o desencanado, mesmo que estivesse incomodado só de pensar.
— Sei que ela pode — Jake revirou os olhos. — Mas sei que você ficaria incomodado, mais até do que você imagina — piscou um olho.
— Não estamos apaixonados — tentou esclarecer.
— Estão envolvidos. — riu e saiu.
Deixando ainda mais encanado.
Tudo bem, aquela festa estava longe de correr como imaginava, mas tentaria se divertir com os amigos.
! — chamou animada. — Vem tirar foto com a gente.
— Assim que chegou perto, ela brincou. — Você está tão gato essa noite.
Ele retribuiu fazendo das suas mãos garras.
— Sei que sou gostoso.
Nesse momento, tirou uma foto dos dois, eles estavam tão espontâneos e ela gostava de ter esses momentos.
Postou com a legenda “Meus gatinhos, preferidos. Dupla dinâmica.”
Quando viu, achou que também deveria postar uma foto de e .
— Ah, nós dois somos os estilosos e bonitos dos quatro — falou. — Veja só como merecemos ser capa de revista — e fez pose de modelo junto com , que gargalhava.
flagrou esse momento e postou “It couple, só que não.”
— Vamos trocar os casais agora. — sugeriu.
— Vem aqui, minha gostosa — a puxou e ela gargalhou agarrada a ele.
“Não roube minha dupla” postou como legenda da foto dos dois.
— Nossa vez. — disse, já que isso estava óbvio.
Ambos queriam poder dizer que aquela foto sairia tão natural como as outras, mas ambos se olharam sem saber como fazer a pose. Posar como um casal deixava os pensamentos atuais ainda mais perturbadores.
— Vão ficar enrolando até quando? — indagou.
procurou pelos olhos de e quando os encontrou, perguntou:
— Vamos?
— Vamos. — e sorriram um pra o outro.
capturou esse momento, sorriu ao ver como aquela foto demonstrava a cumplicidade que os dois tinham, eles pareciam um casal.
Inocente sobre o que acontecia com eles, se perguntou por que os dois não ficavam logo.
achou que tirariam uma foto comum, mas era pedir demais que se comportasse como gente.
Ele mordeu sua orelha e no exato momento que ela fez cara de surpresa, tirou a foto. As gargalhadas vieram quando Bemjamin já pensava na legenda.
“Nunca te falaram que vingança não é algo legal, @? Tire a boca daí.
Não se desgrudam.”
Depois das fotos voltaram a dançar e instintivamente procurou Jake pela casa. Ele estava sentado, não parecia nada animado com a festa. Resolveu ir até ele.
— Você não me parece bem. Tá acontecendo alguma coisa?
— Só estou cansado, acho. E também estou confuso.
— Com o que?
— Nada demais, não tem importância.
estava pronta para perguntar novamente quando Prya apareceu.
— Jake, vamos dançar? Você deve ter melhorado desde nosso baile de formatura.
— Vocês foram juntos? — perguntou, curiosa sobre a adolescência de Jake.
— Não. — Prya riu. — Eu era muito popular na época, Jake também era, mas alguns ainda o viam como o loser do passado. Acabou que dançamos escondidos no corredor da escola.
— Ah — queria ter parecido mais animada, já que a lembrança arrancava risos de Prya, mas na verdade sentiu ciúmes.
— Obrigado, Prya — Jake voltou ao assunto anterior. — Mas eu já ia dançar com a Parker.
— Ah, sim.
O olhar irritado da garota não passou despercebido pelos outros dois.
— Impressão minha ou a tal Prya está com ciúmes de você?
— Que nada, apenas a Prya nunca foi boa em receber um não.
— E a tal dança nos corredores? Isso arrancou risos dela e até um sorriso seu.
— O que você quer saber, ?
— Não é nada. — mexeu as mãos para espantar o pensamento.
Depois que a música acabou foi para perto dos amigos, Jake estava pronto pra se unir aos outros quando sentiu alguém segurar seu braço.
— Agora a gente dança. — Prya falou, já o puxando para dança.
— Eu acho que você não está fazendo o que pedi. — Jake comentou enquanto dançava.
— Não entendi.
— Claro que entendeu — rolou os olhos. — Você não está fazendo o que pedi sobre manter a distância na frente da , ela está suspeitando de algo.
— E você está mentindo para mim.
— O que?
— Não tem nada de mal resolvido entre vocês, tudo parece resolvido até demais, vocês tem algo.
— Não, não temos.
— Claro que tem. Se não tem, me beije.
— Eu não vou te beijar aqui, a está ali.
— E o que tem ela? — perguntou, já irritada.
— Ela já está, já está — não tinha como explicar tudo sem contar que de fato tinha mentido.
— Assuma que está mentindo ou me beije agora. — ordenou.
— Mas…
Quando percebeu, Prya já estava o puxando para um beijo e ficou tão nervoso que a única coisa que fez foi empurrá-la de leve e sair dali. Aquilo foi visto por muitos, inclusive por , que foi ao seu encontro.
— O que foi aquilo?
Ele respirou fundo, como diria tudo a ela? Percebeu que seu medo não era apenas que ela deixasse de ficar com ele, mas tinha medo de magoá-la, perdê-la para sempre. E ele queria a mesma por perto. Como foi burro, precisou estar ali, frente a frente com a mesma em um momento que certamente a faria o odiar, para perceber que Prya jamais seria garota para ele, ele era só mais um brinquedo que ela não sabia abrir mão, e o principal, precisou estar ali para se dar conta que não queria e nem podia ficar sem a garota à sua frente, gostava mesmo dela.
— Jake?
— Eu não sei o que deu nela, quando vi, ela já estava perto de me beijar.
— Jake — sussurrou. — Vocês têm algo?
Ele deveria contar tudo? Será que ela o perdoaria? Preferiu mentir.
— Não. A Prya deve estar um pouco bêbada. Meu negócio é você, Parker.
— Não estou de carro, que tal me levar até em casa? — ela sugeriu.
— Adoraria — sorriu.
Disfarçadamente se despediram e foram embora. não conseguiu esconder a surpresa e a culpa ao ver aquilo.
— Que cara é essa? — perguntou.
— A vai me odiar. — murmurou.
— O que? A é louca por você, como ela te odiaria?
— O Jake está sendo um babaca com ela e eu sei disso, mas contar significaria trair o Jake e eu não consigo, por mais que discorde, que me sinta culpada, não consigo trair o Jake. — ela parecia prestes a cair no choro.
— Ei, ei, eu entendo você, quer dizer, não na prática, mas entendo. Você é a pessoa que mais me importo e acho que seria capaz de te apoiar em praticamente tudo, talvez fosse capaz de esconder um corpo com você.
Ela gargalhou, ele apenas sorriu, mas depois ficou sério.
— Por isso não se culpe tanto, saiba que eu provavelmente seria capaz de fazer parecido ou até mais por você.
Um arrepio percorrer a espinha de . Sem pensar falou:
— Queria poder te beijar agora.
Ele não esperava por isso, mas sorriu, feliz por saber que ela queria o mesmo que ele, mesmo que não fosse admitir.
— Sou irresistível, não é mesmo?
— Você é muito idiota, isso sim. — disse rindo.
— Que tal irmos pra sua casa?
— E o ?
— Não é como se ele não soubesse. Vou só avisar que ele vai ter que ir de táxi, a julgar pela empolgação dele com aquela garota, esse já era o seu plano.
Olharam pra ele e sorriram. e a tal garota pareciam se engolir.
— Te espero, então.
Foi se despedir de Prya e foi falar com o amigo.
— Você pode ir de táxi, hoje?
— Claro — riu, sabendo o que aquilo queria dizer.
— Obrigado.
Quando já estava indo embora, escutou o amigo chamar.
— Vocês estavam lindos hoje. Não deixe essa garota passar.
— Cale essa boca.
— Você está apaixonado, , não demore tanto para perceber — falou, rindo.
e mal entraram no apartamento e já estavam aos beijos. Quando chegaram ao quarto e se despiram, quando já não aguentavam mais de tanto desejo, as palavras de vieram à mente de : Você está apaixonado, , não demore tanto para perceber. Será que ele poderia estar apaixonado? O pânico tomou conta de si e só saiu de seus pensamentos quando escutou o chamar, preocupada.
? O que aconteceu?
— Como?
— Estávamos no meio…
— Ainda estamos — falou, seguro de si. — Só senti uma tontura.
E voltou a beijá-la, porém aquilo não estava funcionando, as palavras do amigo não saíam da sua mente. Não dava pra focar em mais nada. Tentou beijá-la novamente, mas ela não permitiu.
— Acho melhor deixarmos isso pra depois. Que tal dormir um pouco? Podemos ver um filme.
— O que? , eu consigo! — sentiu-se um incapaz.
— Acho que já foi humilhante demais para mim, não vamos tentar novamente. — forçou um sorriso.
— O que? , não é nada com você. — falou, sentando na cama agoniado e a encarando.
— Por favor, vamos dormir.
— Caramba, como você… , você é a garota mais sexy do mundo, eu te desejo demais, eu apenas me senti mal e não consegui, hum, você sabe.
— Tudo bem — murmurou.
Não podia acreditar na estupidez daquela garota, como ela podia achar que o problema era ela?
— Olha pra mim. — pediu e ela virou-se para ele. — Não tem nada de errado com você, não seja idiota. Eu te desejo demais, pra ser sincero queria te desejar menos, porque às vezes acho que vou te agarrar em público. Não tem nada com você, , não me faça sentir-me ainda pior do que já estou, não suporto a ideia de ter te magoado mais uma vez.
Ela sorriu, sentindo borboletas no estômago.
— Acredito em você.
Minha garota.
Com um selinho inocente depois dessa frase, o clima mudou e já estavam se beijando. Seria tolice dizer que o clima de antes voltou, por que dessa vez era diferente. O desejo não falava mais alto, dessa vez era sentimento. E mesmo sem admitir ambos sabiam disso.


Capítulo 10 – Jealous

folheava uma revista de fofoca e olhava a foto de si mesma saindo de uma boate com alguns amigos, aos seus olhos aquilo era uma coisa tão inocente que não conseguia entender o porquê daquela manchete tão horrorosa: Estrela de Five Hills sai de boate com amigos, fontes dizem que ela ficou com todos os quatro dentro do estabelecimento.
Ela sabia que ninguém disse aquilo, tinha certeza daquilo, de onde tiraram aquela notícia absurda?
— Você já viu, né? — perguntou, claramente triste pela amiga.
riu sem humor.
— Tudo mundo já viu isso, então?
— Acho que quase isso. Você está na capa e bom, estrelas de Five Hills andam vendendo muito.
— Mas isso é sem fundamento! Eu estou apenas rindo com eles e eles ficaram com outras pessoas lá dentro, não beijei ninguém aquela noite.
— Eu sei que não! — respondeu tentando confortá-la. — Eles só querem vender, não se preocupam com a veracidade das coisas.
Provavelmente alguém dessa revista sentou em frente ao computador e digitou a primeira coisa que veio à mente, sem procurar saber de nada.
— De todas as bobeiras que já escreveram sobre mim, essa foi, de longe, a mais absurda e a que mais me magoou.
— Ao menos os caras são gatinhos, né? — tentou brincar e até conseguiu arrancar um leve sorriso da amiga, mas não mais que isso.
estava alcançando muitos dos seus objetivos como atriz, talvez até mais do que sonhara algum dia, mas aquele tipo de notícia sempre fazia com que ela questionasse se valia mesmo a pena. Com tantas coisas para escreverem, tipo sua participação no clipe da Taylor Swift, o filme que ela faria parte do elenco, os ótimos índices que Five Hills estava dando… Mas não, eles preferiam inventar coisas como aquela, que ela jamais seria capaz de fazer.
— Vou gravar, fica bem.
— Obrigada.
continuou ali por mais alguns minutos, sua próxima cena demoraria cerca de meia hora para ser gravada, resolveu ir para o seu camarim, ao menos lá não deixaria alguém penalizado com sua cara triste.
— Estou entrando. — disse quando já tinha aberto a porta. — Que cara é essa? — perguntou, um pouco assustado com a feição da garota.
— Ainda não viu isso? — respondeu, jogando-lhe a revista.
leu aquilo e riu, riu de verdade.
— Qual a graça nisto tudo, hein?
— Eles não tinham coisa melhor para inventar, não? Até eu pensaria em algo melhor, e olha que não me formei em jornalismo.
— Isso não tem nenhuma graça, . Minha vida está sendo exposta para todo mundo, e o pior, baseada em mentiras. Milhares de jovens me assistem, dizem para mim todos os dias que eu sou uma referência para eles, falam que se espelham em mim, e o que eu mostro? Essa coisa horrível aí.
— Mas ninguém é perfeito. — disse como se isso já devesse ser óbvio para ela.
— Mas as pessoas querem que eu seja, todo mundo espera isso. Se você ler os comentários sobre mim na internet…
— Dane-se esses comentários, você nem fez isso de verdade, não tem que se preocupar com o que as pessoas pensam de uma mentira sobre você.
— Para você é fácil, . Para início de tudo, ser homem é bem mais fácil nesse mundo hollywoodiano. Se fosse você ficando supostamente com quatro garotas, não teriam tantos comentários ruins como tem para mim. E outra, as pessoas já estão acostumadas com o seu jeito, notícias desse tipo soa até como elogio, você cresceu nesse meio e teve a chance de ser quem você quis ser.
— Olha, eu sei que você está bem puta da vida, mas não vem colocar tudo nas minhas costas. Você acha mesmo que é fácil crescer em frente às câmeras, que eu resolvo ser quem eu quero, simples assim? Você não sabe o que é ter todo mundo te perguntando sobre seu primeiro beijo, primeira transa. Ter o primeiro beijo fotografado, não poder ir à escola em paz. Eu tinha vontade de sair com os meus amigos, fazer coisas de adolescentes, mas ninguém queria “fazer coisas de adolescentes” com alguém que provavelmente faria todas as merdas saírem nos jornais no dia seguinte. Você não sabe quantas vezes eu tive vontade de sair dessa vida, de como eu cogitei tomar outro rumo.
Não vem falar como se tivesse sido fácil, é difícil pra todo mundo.
bufou, sabia que ele não era culpado por tudo, mas é que pra ele parecia tão mais fácil.
— Eu sei, me desculpa.
sorriu pelo nariz e puxou a amiga para um abraço.
— Não deixa que eles acabem com a alegria disso tudo. — disse enquanto mexia no cabelo dela.
abraçou forte a cintura de . Quem diria que aquele abraço ajudaria tanto?
afastou o pouco a menina do seu corpo, apenas para beijar sua testa. sorriu com o ato, lembrou de quando era criança e se machucava, sempre fazia o maior escândalo, sua mãe, conhecendo a filha melhor que todos, apenas perguntava onde tinha machucado e assim que descobria beijava o machado e dizia: Passou.
Era um santo remédio, as lágrimas cessavam no mesmo instante.
— Está mais calma? — ele perguntou, sorrindo e recebendo um olhar intenso em troca.
não respondeu, apenas ficou um pouco na ponta dos pés e beijou o rapaz. , mesmo tendo sido pego de surpresa, parecia que já estava pronto para isso. Agarrou aquele corpo frágil e juntou ao seu, sentindo vontade de curar cada dor dela.
— Você é cheio de surpresas, . — disse, sorrindo.
— É? O que fiz de tão surpreendente? — indagou com um sorriso nos lábios.
— Deixa para lá, não quero o convencido entrando em ação.
— Você é maravilhosa — ele disse, sem perceber o quanto aquilo poderia significar para ela.
Claro que o empresário de cuidou de mandar uma nota desmentindo aquela notícia horrorosa, Peter conseguia fazer milagres, menos de uma semana depois ninguém nem falava do assunto, se bem que depois daquela conversa com , mal se importava.
Quem diria que logo conseguiria fazer tão bem pra ela? Não que ele fosse má pessoa ou algo do tipo, na verdade ele tinha um coração enorme, mas é que ele nunca foi muito o estilo de amizade que procurava cultivar, Jake era seu estilo. Por mais popular que sempre tenha sido, ela sempre gostou de ficar perto de gente de verdade, sem nenhuma veia de egos, e muitas vezes o era o ego em pessoa.
E ele também se perguntava como logo virou a sua amiga, ela também não fazia seu tipo de amizade. Sempre gostou de conversar com mulheres mais imponentes, aquelas que gostavam de mostrar que manda, que tentam chamar atenção por onde passa. , mesmo sendo talvez a mulher mais linda na opinião dele e de muitos, não parecia disposta a provar nada pra ninguém, muitas vezes ele achava que ela tinha até medo de provar algo pra si mesma.
Ambos sabiam muito um do outro, mas também tinha algumas noções bastante erradas. não era tão egocêntrico e auto-suficiente como tentava demonstrar, acontece que ele cresceu em frente às câmeras e desde muito tempo teve que procurar um perfil que agradasse ao público, de começo claro que todos amavam o jeito inocente dele, mas depois começaram a cobrar um amadurecimento, um crescimento que ele não sabia como demonstrar, então começou a fazer o que todos os adultos do meio faziam e começou a convencer todos, confiança é tudo, não é mesmo? E esse era o charme de , ele não era apenas um famoso que curtia a vida adoidado, ele era O cara que curtia a vida do jeito que queria e que não ligava pra nada. Assim nasceu o bad boy, seu perfil de maior sucesso. De tanto viver aquilo, acabou pegando gosto, mas por vezes sentia medo, arrependimento, culpa, ele só não demonstrava.
— Prya! — Jake assustou-se pela amiga ser a única pessoa na sala de . — Onde…
? Ela tá no quarto, vamos sair hoje.
— Queria conversar com ela.
— Ela me disse que vocês não estavam muito bem? Tenho culpa nisto?
Ele poderia dizer a verdade, mas não queria iniciar um assunto sobre os dois, ainda mais na casa de .
— Não. Foi coisa nossa mesmo.
— Se bem conheço os dois, não aguentarão por muito mais tempo.
— É. — respondeu, tentando esconder seu desconforto.
— Fico feliz que eu não tenha sido motivo da briga — Prya disse, jogando-se no sofá de qualquer jeito, com uma expressão de quem tinha um plano. — Quer dizer, precisa entender que você já é grandinho, não é? Você sabe que o que a gente tem é especial.
— Prya…
— Não tanto como a atriz é para você, mas sei que é.
— Não coloca a nisso.
— Foi ela quem entrou nesse lance, docinho. Senta aqui. — pediu, batendo no lugar indicado.
— Prya…
— Para de ser bobo, eu não vou te agarrar, não aqui.
Jake pensou que aquele era o momento certo para pôr um fim em tudo aquilo, mas caramba, como fazer sua boca falar o que seu desejo teimava em contestar?
— Você está namorando, não é?
— Já disse que dei um tempo.
— Prya, quantas vezes já fizemos isso? Várias vezes damos início a essa conversa e terminamos em uma cama, adiando o inevitável.
— Já parou para pensar que talvez esse seja o nosso jeito de dar certo? — ao ver a incredulidade nos olhos de Jake, Prya continuou. — A gente sempre vai ter esse desejo, tipo aqueles mocinhos de filme. Não rola ninguém se meter no meio disso — disse, rindo.
— Estamos bem longe disso. Mocinhos não magoam ninguém.
— E estamos magoando quem?
Ao ver o silêncio e a culpa nos olhos do rapaz, ela logo entendeu quem era a pessoa a ser magoada.
— Aquela atriz tem essa importância toda na sua vida? Minha nossa, estou quase sentindo ciúmes dela.
— Quase?
— Não é a primeira vez que nos encontramos quando você tem alguém em sua vida — riu. — Isso alguma vez nos impediu de algo? Já passamos dessa fase, a atriz não é uma ameaça.
— A atriz tem nome, Prya. Ela se chama . — falou, um pouco irritado.
Prya se mexeu no sofá, claramente irritada com o que escutou.
Ela nunca perdia nada. Era capaz de ter tudo que queria, ainda que as pessoas insistissem que uma coisa faria ela perder a outra. Ela tinha tudo, nada lhe escapava. Algo só deixava de ser seu se ELA perdesse o interesse e abdicasse disto, e ela não tinha a menor intenção de abdicar de Jake, não agora.
— Ela está mesmo mexendo com você, não é mesmo?
— Quer a verdade? Sim.
— Deseja mais ela que eu? — indagou, sentando no colo do rapaz.
— É diferente…
— Não tem diferença, é uma pergunta muito simples, reponde. Quem você deseja mais? — desta vez ela depositou um beijo no pescoço dele.
— Eu odeio você, Prya.
— Sei que sim. — respondeu rindo, segundos antes de ter seu rosto puxado por Jake e iniciarem um beijo.
Depois de alguns beijos, Jake falou:
— Chega! A não pode nos ver assim.
— Minha casa ou a sua?
Jake ignorou aquela pergunta.
— Vou subir pra ver a . — ele disse, apressado.
— Hey!
— Veio ver a Prya? — indagou, irônica.
— Eu nem sabia que ela estava aqui.
— Hum.
, nunca passamos tanto tempo distantes um do outro. Vim acabar com esse clima entre nós.
resolveu deixar a maquiagem e virou para o amigo.
— Eu sei que minha vida amorosa não é nenhum exemplo, ela nem existe de verdade. Mas ainda assim é diferente, sabe? Quando isso acabar o máximo de dano causado será para duas pessoas, as verdadeiras culpadas. Ninguém inocente vai se magoar com isso.
— Eu não quero magoar a .
— Sério, Jake? Então que tal ser o Jake que eu esperava que fosse e decidir sua vida? Eu não vou dizer que você é um idiota em escolher a Prya, quem sou eu, não é mesmo? Mas você será um baita idiota se escolher as duas.
— Você nunca sentiu uma atração tão forte por alguém que te deixa sem pensamentos no momento? Que te faz esquecer o quanto isso é idiota?
— Por que você acha que aceitei o trato do ? — ela respondeu com um meio sorriso.
Jake riu também, ela não estava entendendo sua pergunta.
— Eu estava falando da Prya.
— Eu sei.
— Mas vocês dois não são como a Prya e eu.
olhou pra o amigo e rolou os olhos.
— Eu vou te dizer o que eu sinto em relação à .
Mesmo sem entender o que ele queria com aquilo, deixou que ele continuasse.
— Sempre foi só sexo, entende? Ela é extremamente linda, atraente e não precisa de ninguém para lhe dizer isso, ela sabe. Acho que a confiança dela foi o que mais me atraiu. É uma confiança diferente da que a Prya tem, ela não joga, só acredita em si mesma, simples. Então, tudo era só sexo. Eu tinha uma mulher atraente, engraçada, amiga, ótima de cama e não precisava me preocupar em tentar ser o cara perfeito para ela, ela era auto-suficiente e não precisava disto. Mas aí as coisas começaram a mudar, a gente foi ficando mais constante e ela parecia gostar da minha companhia, não apenas do meu sexo e eu fui percebendo que não foi apenas ela quem mudou, eu também tinha mudado o que mais gostava nela. Comecei a ver na uma espécie de porto seguro, alguém com quem eu não precisava fingir estar bem. E é isso que você sente pelo , , por mais que não queria admitir, é isso que sente. Só que há algo que você já sabe, que eu ainda não sei em relação à .
Em vez de negar, perguntou:
— O que?
— Você sabe que gosta dele, de verdade. Sabe que não tem atração física com outro cara que te faça questionar isso. Talvez já saiba porque para mulher é mais fácil e porque é ele quem vive errando, não você, daí você já passou por coisas suficientes para provar que é dele que você gosta. Eu preciso saber disto em relação a também.
ficou com os olhos cheios de lágrimas, mas preferiu não responder nada, apenas virou-se para o espelho e continuou a fazer sua maquiagem.
— Quando estiver pronta para assumir, eu vou estar aqui. — Jake disse sincero.
— Eu vou estar aqui depois de sua escolha também.
— Então esteja para mim agora. Porque independente da , eu já escolhi não ter mais a Prya.
Prya escutava tudo do lado de fora do quarto e sentia-se irritada pela amiga ter escondido o seu caso dela, mas ainda mais irritada por estar perdendo alguém pela primeira vez em sua vida.
Isso não iria acontecer. Ela não iria permitir que acontecesse.
Para testar a opinião que escutou Jake falar para , Prya resolveu levar a amiga para um dos bares mais badalados da cidade e sugerir, de todas as formas possíveis, que ela ficasse com alguém.
— Olha aquele rapaz te encarando. Ele quer algo. — Prya comentou no ouvido de .
— Sinto muito por ele, eu não quero ninguém.
, ninguém vem a uma boate pra ficar sozinha. Qual é?! Fica com ele e de quebra traz o amigo dele pra mim.
— Eu não tô no clima, sabe?
— Cadê o aqui? De certo você estaria beijando nesse exato momento.
automaticamente colocou o pouco de bebida que estava em sua boca pra fora. Como ela sabia disto?
— Eu tava indo te apressar quando escutei o Jake falando. Por que você me escondeu isso? — perguntou, um pouco irritada e magoada.
— Ai, Prya, não fica irritada. Não é nada demais, sabe? A gente só fica de vez em quando, mas a verdade é que somos apenas amigos.
— Você foi embora com ele da minha festa, não foi? Há quanto tempo vocês ficam? Ele beija bem?
— Sim, ele beija bem. E ficamos a primeira vez no dia que Five Hills estreou. Mas não tem uma constância, nem nada, é pele. Só!
— Se é assim, por que desde que cheguei à cidade que não te vejo ficando com ninguém?
— Eu nunca fui disso, você sabe.
— Mas ninguém te atrai mais. Ou é isso, ou você tá se tornando assexuada. E não é o caso.
apenas tomou mais um gole de sua bebida.
— Você sabe que te amo, não é? — Prya indagou e balançou a cabeça em um sim. — O é tudo de bom, claro, qualquer mulher se sente atraída por ele, mas ele não é pra você, .
Vocês são opostos. Eu nem sei como ainda saiu amizade disso.
— Eu sei disso tudo que você acabou de falar. — murmurou frustrada.
— Se sabe, também sabe que tem que se abrir para outras pessoas, dessa sua quase relação com ele não vai sair nada mais que sexo e você nunca foi uma garota de apenas sexo. Em vez de ficar aí com a bunda parada esperando, sei lá, ele aparecer por aqui, mexa-se e conheça outras pessoas, procure a pessoa certa. Alguém que não seja ele, porque sabemos que é a pessoa errada.
bufou. Odiava admitir que a amiga estava certa.
Eles realmente não tinham nada a ver, não passaria de sexo o que eles tinham, e ela realmente se sentia esperando por ele e sabia que não deveria.
— Tudo bem, vamos dar um oi para os dois ali. Mas eu não vou ficar com ele, okay?
— Desde que eu consiga falar com o amigo dele, você faz o que você quiser. — Prya respondeu animada, enquanto puxava a amiga para ir em direção aos dois rapazes.
— Oi, meninos. — Prya iniciou a conversa.
— Oi, garotas. Estávamos aqui pensando se deveríamos ir até vocês, mas…
— Viemos antes, pontos para nós duas. — Prya continuou a frase do rapaz.
— É, ponto para vocês. Me chamo Lian e esse aqui é o Danny.
— Eu sou a Prya e essa é a .
— Sabemos — os dois responderam juntos e corou.
— Será que podemos conversar ali, Prya? — Danny indagou.
— Claro. Tudo bem eu ir, não é, ?
— Claro. Vai lá.
Assim que ficou a sós com Lian, o rapaz falou:
— Posso confessar que pisei no pé do Danny só para ele chamar sua amiga?
— Hã?
— Ele não tá afim de ficar com ninguém, só chamou ela pra deixar nós dois sozinhos.
riu, Prya ficaria irritada quando percebesse.
— Objetivo concluído, estamos sozinhos. — ela brincou.
Lian se inclinou para mais perto dela e falou ao seu ouvido:
— E eu não poderia estar mais satisfeito.
Iniciaram uma conversa sobre coisas triviais, mas a todo momento o rapaz deixava claro qual era o seu objetivo.
Claro que estava se divertindo com aquilo, era bom saber que caso desejasse sair daquele lance com , teria opções interessantes. Mas tudo seria mais fácil se ela quisesse sair daquele lance.
— Que tal irmos para um lugar mais reservado?
— Onde seria? — indagou com um sorriso brincalhão nos lábios.
— Minha casa? — ele disse e fez uma careta engraçada enquanto esperava a reposta.
— Olha, Lian, eu adorei o papo, mas não vai rolar o que você pretende. — ela foi sincera.
— Fiz alguma coisa errada?
— Não — respondeu, rindo. — Você me deu uma noite ótima, é só que eu não vou, eu deveria ter dito que não costumo tomar esses rumos.
— Então a noite acaba aqui?
— Sim. — ela falou, um pouco sem jeito.
— Tudo bem, a noite também foi ótima pra mim e não me importo que acabe agora, mas eu só preciso de algo pra deixar perfeita.
Sem mais palavras ele segurou o rosto da menina e depositou um beijo em seus lábios. , assim que viu as mãos dele vindo rápido ao seu encontro, fazia ideia do que ele iria fazer, mas não recuou, ela precisava daquilo também, mesmo que não sendo pelos mesmos motivos que o dele. Ela só precisava saber se Lian não poderia ser aquele alguém especial.
O beijo foi bom, ótimo, mas sua pergunta estava respondida, ele não seria o tal alguém.
— Até qualquer dia, . — ele falou, dando-lhe um selinho e virando-se para pegar sua bebida no balcão do bar.
— Até qualquer dia, Lian.
E assim se despediram. Sem troca de números, sem estender a noite. Apenas satisfeitos com o pouco que rolou.
Assim que Lian se afastou, Prya chegou perto da amiga.
— Ainda bem que ele foi embora, eu estava ansiosa para levantar e vir pra cá. Aquele Danny mal falou, um mala.
riu, lembrando do plano de Lian.
— Por que você beijou ele?
— Na verdade, ele me beijou. Eu só não o afastei.
— E aí? Ele beija mal?
— Não.
— Então, por que não foi embora com ele? Quer dizer, estou muito grata por não ter feito isso, mas…
— Você tá cansada de saber que eu nunca fico com um cara de primeira.
— Você deu seu número a ele?
— Não. Foi bom, mas foi só isso, Prya. Só um beijo e uma conversa muito agradável.
— Você é estranha.
— Idiota.
No dia seguinte chegou ao set e viu muita gente a encarando com um sorriso nos lábios. Mesmo curiosa, continuou andando e assim que encontrou os amigos, sua curiosidade foi sanada.
! — chegou abraçando a amiga, toda animada. — Quando pretendia nos contar que estava de paquera com alguém?
— Quando eu estiver, talvez. — respondeu.
apenas levantou o celular e apontou para a tela do mesmo.
— O que é isso?
Antes que pudesse chegar até o celular do amigo, surgiu na sua frente também com um celular.
— Já é o momento de nós três te darmos parabéns?
tomou o celular de sua mão e olhou a matéria.
— Ai, não. Que merda!
Clarke e seu novo affair
A garota encarou o rosto de que mantinha uma expressão aparentemente calma no rosto, ela teria acreditado se não tivesse visto seus punhos cerrados.
— Quem é ele? — perguntou, ainda empolgada. — A imprensa deve estar doida a procura dele.
, percebendo o clima entre o casal, falou:
— Depois a te conta tudo, Parker. Agora preciso dela para ensaiar uma cena.
— Você é péssimo, .
— Eu sei. — ele riu e puxou .
Assim que se afastaram a menina suspirou alto.
— Obrigada.
Ele apenas abraçou a amiga de lado.
— Devo conversar com ele? — ela perguntou, referindo-se a .
— Tecnicamente não, mas acho melhor ir sim. Foi uma surpresa pra todo mundo.
— Aquilo não é o que parece.
— Parece um beijo, não é? — ele brincou.
— Isso é. — respondeu, também rindo. — Mas não tem nada de affair, não tem nada de nada. Eu nem tenho o número dele.
— Entendi. Mas vamos deixar isso para lá, ao menos agora. É hora de trabalhar.
Tanto , quanto preferiram não falar sobre aquilo durante as gravações, o grande motivo de relacionamentos serem proibidos era que eles atrapalhariam o trabalho e os dois não permitiriam isso. Mas assim que as gravações terminaram e foi para o seu camarim, foi atrás dele.
Bateu na porta e falou:
— Posso entrar?
bufou antes de responder que sim.
A menina entrou no camarim olhando cada detalhe, na tentativa de que com sua demora, ele falasse alguma coisa. não falou.
— Eu não estou de affair com ninguém.
— Entendi.
— Eu nem tenho o número dele, nem nada. Só o vi ontem, foi só um beijo.
— Você não precisa se explicar, Clarke.
— Não precisaria se você tivesse entendido certo e ficado de boa.
— Eu estou de boa.
— Você só me chama de Clarke por três motivos: me provocar, quando está louco pra ficar comigo e o último, quando está com raiva.
olhou-se no espelho por uns segundos, tentando não agir como um namorado.
— Eu só fiquei surpreso. Não sabia que estava à procura de um namorado agora.
— Nosso trato dizia justamente que eu deveria continuar procurando. — ela respondeu.
— Claro, por isso, tudo certo. — disse enquanto dava um sorriso de lábios fechados.
— Para! Nosso trato diz isso, e eu sei que posso, mas você me conhece o suficiente para saber que no dia que eu resolver namorar, a gente não vai mais ficar.
, você ficou com ele. Eu sei que você quer ser a amiga aberta, mas eu não preciso de detalhes, não preciso de nada.
— Não tem detalhes a serem contados, ele só me deu um beijo, simples. Nada comparado ao que você já fez muitas vezes.
— Que assim como você, também posso, não é mesmo? — indagou, finalmente mostrando um pouco de irritação.
— Pode, claro que pode. Pode tudo! Eu... — reiniciou, tentando deixar o incômodo de lado — eu não vim aqui discutir os termos do nosso trato, só vim aqui falar para você relaxar seus punhos porque não há ninguém para você quebrar por aqui. A Prya queria ficar com o amigo dele, fomos lá e eu conversei com ele, ele foi muito agradável e eu até pensei que se tivesse aberta para relacionamentos, ele poderia ser uma opção, mas mesmo assim neguei seu convite de ir à sua casa. Gentil, o Lian entendeu e só me deu um beijo de despedida, eu sou solteira e não recuei. Foi agradável, mas sem qualquer possibilidade de ter outra vez. Simples. Nada de affair, nada de segundo encontro, nada de nada.
— Terminou? — ele perguntou, irônico.
— Relaxou? — falou no mesmo tom.
— Não sei de onde você tirou que eu podia estar irritado, mas se isso fizer você parar com esse drama: sim, relaxei.
— Até o viu sua irritação. — acusou.
Ele riu, sarcástico.
— Você já tem até parceiro de papo sobre esse assunto?
— Quer saber? Dane-se.
— Também te amo.
A menina deu um gritinho e saiu dali irritada.
esperou uns segundos ates de jogar um urso, que tinha ganhado de uma fã, longe. Ele não podia ficar daquela maneira, não fazia sentido.
Agradeceu que teriam folga e só se veriam na festa de término da primeira temporada. Nem parecia que já fazia quatro meses que o primeiro capítulo foi ao ar.
Era isso, se manteria longe dela até a festa e aproveitaria a mini férias que eles teriam após ela para tirar qualquer parte de da sua mente.
Era a hora de sair daquele problema.


Capítulo 11 – The Party



Tinha chegado o dia da grande festa de encerramento. Os produtores da série levaram a sério a palavra grande. Diferente da comemoração simples que fizeram quando Five Hills iniciou, apenas se reunindo em um restaurante, dessa vez escolheram um grande clube, fizeram uma decoração maravilhosa e repórteres de todas as revistas do país estavam lá.
Fazia cinco meses que Five Hills estava no ar e cerca de sete meses que os seis protagonistas se conheceram. Tanta coisa se passou. Brigas, segredos, paixão, amizade, medo, eles já não eram mais os mesmo de quando tudo aquilo começou. Principalmente e , que, desde o amanhecer pensavam em como seria rever o outro depois de quinze dias.
— Liliiiii! — gritou empolgada quando viu a amiga entrar no grande salão. — Você tá vendo tudo isso? Não parece um sonho? Deus, isso é demais!
— Eu fiquei um pouco insegura com aquele monte de fotógrafos e pessoas perguntando coisas. — A menina confessou, encolhendo os ombros. Quando iria se acostumar?
— Essa foi, de longe, a melhor parte. Nunca vou enjoar disso. — confessou, rindo.
— Os meninos já chegaram?
— Não! E depois dizem que mulher demora pra se arrumar. — Falou e rolou os olhos. — O Jake vem?
— Sim, ele ia vir comigo, mas teve um problema no trabalho.
— Entendi.
Elas conversaram mais um pouco e também acenaram e aceitaram elogios nesse meio tempo, até que avistaram os meninos chegando.
estava acompanhado.
pôde jurar que seus joelhos falharam, a certeza surgiu tanto do susto quanto da sua amiga segurando seu cotovelo, como se a sustentasse enquanto assistia a cena. estava acompanhado. O cara que ela mantinha uma espécie de amizade colorida - que não tinha acabado, só pra constar - estava entrando na festa acompanhado de uma garota linda, linda como ela achava que jamais seria. Aquilo era algo inesperado até mesmo vindo dele.
— Eu não posso acreditar que ele fez isso. — falou baixinho.
— Como? — indagou, tentando não olhar para o casal a sua frente.
— Você gosta dele, . Ele sabe disto e alimenta. Como ele pode fazer isso?
quase contou, ali mesmo, que era muito pior que isso, que os dois tinham um rolo. Mas não era hora nem lugar, fora que a julgar pela cara de , o tanto que ela achava que sabia já era o suficiente pra fazer um barraco.
avistou as amigas de longe e sentiu o coração perder o compasso quando viu . Tinha que manter o seu plano, não podia dar para trás agora.
Ele passou todos aqueles dias pensando em como deixar aquela coisa de para trás, e como sabia que conversar com ela terminaria nele agarrando-a, achou que era melhor levar uma garota e simplificar tudo. Na verdade, para o bem dela, era mesmo melhor que ela o odiasse. Eles só não podiam confundir tudo.
Aproximou-se das meninas sentindo o olhar fumegante de . Buscou os olhos de para ver se encontrava a mesma raiva, mas ela não o encarava. olhava para o celular como se ele fosse a coisa mais importante de sua vida, e naquele momento era mesmo, seu celular era a única coisa capaz de fazê-la não chorar.
— Ele tá vindo. — cochichou para preparar a amiga.
resolveu encarar aquilo de frente em vez de agradecer a pena da amiga. Por isso, colocou seu melhor sorriso, olhou para e falou:
— Não sei se você vai acreditar, . Mas a verdade é que eu não ligo. — E estalou um beijo no rosto da amiga.
— Olá. — saudou quando chegou e logo percebeu que ele não estava confortável com aquilo.
Queria conhece-lo menos, às vezes.
— Oi, babaca. — disse, dando-lhe um abraço irritado.
foi em sua direção para um abraço logo depois, e quando finalmente se abraçaram, ela se aproximou do ouvido dele e falou:
— Ela tá brava porque você trouxe acompanhante. Mas tudo bem, eu sempre esperei coisas assim de você.
ficou sem ação depois das palavras de sua melhor amiga, soltou-a e buscou seu rosto para ver se nele tinha dor ou até mesmo lágrimas, mas não encontrou nada disto lá. tinha em seu rosto um ar de decepção, algo parecido com sua feição no set depois dela ir a sua casa e encontrar Peyton lá.
Seu coração quebrou quando viu que em vez de raiva, ela só parecia ter desistido dele. E não era desistido apenas da relação sem compromisso, ela tinha desistido dele, por completo.
— Como é o seu nome? — Ele despertou do seu transe ao ouvir perguntar o nome da sua acompanhante.
— Agnes. — A menina respondeu, corando por estar na presença de alguém tão importante como .
“Não vai dar pra sentir raiva dessa garota." constatou.
— Você conhece o há muito tempo, Agnes? — perguntou, parecendo uma mãe protetora.
— Alguns meses, não é, ? — Indagou olhando para o companheiro.
— É sim. — Ele se limitou a responder.
— Bom, a gente vai deixar vocês curtirem a festa. — falou, batendo uma mão na outra. — Se o te encher é só dizer que a bate nele.
— Ah, sim. Eu bato sem nenhum remorso. — disse mandando um olhar assassino para o amigo enquanto era puxada por para sair de lá.
— Você deveria ter me deixado quebrar a cara dele em vez de me tirar de lá. — disse quando já estavam longe.
— E porque raios você faria isso? O não fez nada pra gente.
— Você quer mesmo manter essa pose de inabalável? Pode colar com quem for, mas eu sei que você não tá bem com isso.
— Sai dessa,
— Eu vi vocês na festa da Prya. Eu vi seu jeito quando ele te elogiou, eu vi como vocês entraram lá. Você sente algo por ele e ele sabe disto, .
— Mesmo que hipoteticamente você estivesse certa, ele ainda está no direito dele. Para de ser boba, eu realmente estou bem com isso.
a encarou, preocupada.
Aquela era uma festa onde elas deveriam estar festejando por fazerem parte de um projeto tão grande e importante como era Five Hills, Parker não queria ver sua amiga sofrendo justamente naquele dia.
— Jura? — Indagou.
— Juro.
— Então vem, só hoje deixe de ser nossa perfeita e vamos meter o louco.
sabia que nem de longe conseguiria meter o louco como sugerira, mas resolveu curtir aquela festa mais do que sempre curtiu qualquer outra. Ali era lugar pra ser feliz, e pensar em não era a melhor maneira de sorrir.
— Prontas para uma festa de muita diversão? — já surgiu gritando ao ver as amigas.
— Siiiim. — respondeu enquanto dizia o mesmo, porém sem tanto exagero.
— Cadê o ?
— Está com uma mina que ele trouxe. — disse dando de ombros.
A única coisa que conseguiu fazer foi abrir a boca e olhar confuso.
— Sei bem o que significa essa cara. Também estou indignada. — disse rolando os olhos. — Mas ainda bem que você não ficou com ele, . O não te merece.
— Eu já disse que não tenho nada com isso.
— E ainda bem.
— Vamos deixar esse papo pra lá, vão se divertir que eu já volto. – Grey disse.
saiu de perto das amigas e começou a procurar dentro do lugar. Precisava entender o que estava acontecendo. Desde a festa de Prya que ele podia jurar que Doulicia estavam a mil maravilhas. Como assim o mané agora aparece com uma garota justamente na festa da série?
Aquilo era loucura até mesmo para .
Tinha que haver um porquê.
Quando viu o amigo, não tardou em chama-lo a sós.
— E aí, bundão. Será que a gente pode ter um papo sozinhos?
— Não vai falar com os desconhecidos. — disse rolando os olhos.
— Olá. Posso pegar esse rapaz emprestado por uns minutos?
— Claro. — Agnes respondeu, ruborizando ainda mais do que quando falou com e .
Grey puxou e assim que se afastaram de Agnes, o primeiro já indagou:
— Você não poderia ter escolhido outra festa pra chegar acompanhado, não?
— Como?
— Essa festa também é da , cara! — Grey exclamou, se perguntando mentalmente como o amigo podia ser tão idiota. — Você tava mil maravilhas com a menina há quinze dias atrás e agora aparece com outra em um momento de felicidade dela? Me diz qual a lógica nisso!
rolou os olhos na intenção de fingir, até para si próprio, de que não estava se sentindo mal por fazer aquilo.
— Para de drama. A gente nunca teve nada sério.
— Isso não quer dizer que você tenha tomado a melhor decisão. — Grey respondeu como se fosse óbvio.
— Acredite em mim, . Eu tomei a melhor decisão pra todo mundo.
Sem deixar que falasse mais qualquer coisa, saiu apressado pondo um fim naquela conversa.
Odiava drama e odiava ainda mais se importar com eles. Precisava deixar aquela coisa toda pra lá ou estaria perdido.

- mesmo ainda abalada com tudo - estava só sorrisos juntamente com . Resolvera que não deixaria lhe tomar mais do que seu orgulho e então foi curtir a festa como se nada tivesse acontecido.
— Tem uns jornalistas que desejam falar com vocês e os meninos depois, então, se mantenham sóbrias até lá, heim? — Uma das produtoras falou quando encontrou as duas.
— A gente ainda não colocou uma gota de álcool na boca, baby. Isso é só felicidade — respondeu, já puxando para longe da mulher.
— Ela vai ficar irritada. — comentou.
— E quem liga? Vamos aproveitar porque quando o Jake chegar vou te deixar pra dar uns beijinhos.
As duas acabaram gargalhando, sem fazer ideia do que acontecia do lado de fora da casa de show.

— Jake! — Prya gritou quando viu o rapaz saindo do carro. — Que coincidência, acabei de chegar também.
Um pouco sem jeito Jake se aproximou.
— Oi. Eu já vou entrar, tá? Tá cheio de fotógrafos aqui.
Mas antes dele virar, Prya enlaçou seus braços.
— Não vai deixar uma dama passar por esse monte de marmanjos sozinhos, né? — E piscou o olho pra ele.
— Tudo bem.
Os dois caminharam rumo à porta de entrada e antes de chegarem ao destino ouviram um dos jornalistas gritar:
— Você é o melhor amigo da Clarke, não é?
Jake bem que tentou ignorar e continuar andando, mas logo sentiu um peso lhe puxar. Era Prya.
— Ele é sim. Nós dois somos as pessoas mais próximas a ela.
— Uma vez saíram rumores que você podia ter algo com ela, é verdade? – Um jornalista indagou sobre a amizade dele com .
Jake bufou de maneira discreta.
— Não. e eu somos como irmãos. Nunca tivemos e nem teremos nada.
O fotógrafo olhou para os dois e depois para os seus braços entrelaçados perguntou:
— Vocês são um casal?
Prya deu um risinho e Jake quis se bater por ter acreditado que entrar com ela não traria problemas.
— Ah. Então, você e realmente não tem nada.
— Mas…
— É a nossa amiga que é famosa, Jake e eu não vamos falar das nossas vidas.
O que? De onde Prya conseguia fazer e falar coisas tão comprometedoras? Ela não podia estar fazendo aquilo.
— Vamos entrar. Beijo pra vocês.
E sem deixar Jake explicar mais nada, Prya o puxou rumo a porta de entrada.
— Você ficou maluca? O cara acha que a gente tem algo! — Jake praticamente gritou, se livrando dos braços da moça.
— Eles nem vão publicar nada sobre isso. Nem somos famosos, Jake. Relaxa.
— A é um dos motivos dessa festa, Prya. Você vai acabar com o momento dela.
Prya não dava a mínima para aquele assunto de , mas mesmo que desse, não via culpa alguma sobre ela.
— Eu não fiz nada, okay? Não disse que somos um casal, mas também não neguei porque a gente é bem mais que amigos, né? Se você se preocupasse tanto com essa garota deveria ter negado a chance de ficar comigo. Mas não foi nem o que aconteceu. Ficamos, e ficamos várias vezes.
Jake abriu e fechou a boca várias vezes sem saber o que falar. Sabia que Prya estava jogando com ele, mas também sabia da culpa que tinha.
— Foi o que eu pensei. — Prya falou, antes de dar-lhe um selinho e sair.
Assim que ficou sozinho Jake começou a procurar sua amiga, mas antes disso encontrou que para sua surpresa e ao mesmo tempo não, estava acompanhado.
— O que eu te falei sobre pegar garotas na frente da ? — Jake indagou assim que Agnes saiu para pegar algo pra beber.
— Vai todo mundo ficar me olhando desse jeito hoje? A beijou um cara dia desses e saiu em todas as revistas. Ninguém pareceu se importar com isso.
— Você lota as revistas de fotos com mulheres várias vezes. Apesar de que devo admitir que esse número caiu consideravelmente nos últimos tempos.
— E você achou que só por isso eu agora era um cara super recatado que largaria a minha vida para viver um romance desses da série que faço parte. — ironizou.
— Na verdade eu só achei que você tivesse percebido o quanto a é maravilhosa e como ela não iria querer sua amizade depois de você fazer ela passar por algo como tá fazendo hoje. Mas parece que você não percebeu nada disso.
temeu as palavras de Jake. Lembrou do olhar de quando o abraçou e ali teve certeza que estava certo. Ela tinha desistido dele.
— A foi falar com você quando as fotos dela beijando saiu nas revisitas, ela me disse isso. Se você fosse minimamente inteligente saberia que isso significa que ela se importa e até gosta de você.
riu sem humor.
— Se isso tudo for verdade, então você deveria estar me dando obrigado. Eu não sou um cara por quem a deve se apaixonar.
Jake o encarou e percebeu o quanto estava sendo sincero ao dizer aquelas palavras.
— Pela primeira vez na vida tenho que dizer que concordo com você. é alguém que você nunca será capaz de merecer.

A festa seguia seu rumo normal de comemorações como aquela. Todo mundo rindo, dançando, tirando fotos, dando entrevistas para os jornalistas mais vip’s que conseguiram a chance de entrar no local…
Prya já havia encontrado a essa altura e agora dançava com ela e .
— Você viu o Jake? — perguntou a moça.
— Sim, sim. Chegamos juntos.
Parker não pôde conter a desconfiança que tomou conta de si ao saber daquilo. Queria muito estar errada, mas até a entonação de Prya sugeria mais alguma coisa.
— Vocês são bem amigos, né?
— Pode-se dizer que sim. — Prya respondeu, após fazer cara de quem pensava no assunto.
— Do que vocês tão falando? — quis saber, se aproximando mais para poder escutar a conversa.
— Eu estava perguntando se ela tinha visto o Jake. Eles chegaram juntos.
e já eram amigas o suficiente para entenderem certas indagações presentes no olhar da outra. E naquele momento a pergunta de era bem clara: há alguma coisa que eu deva saber?
, você pode vir comigo falar com aquele pessoal? Prya, nós já voltamos.
— Claro. Tudo bem.
Quando ficaram a sós não tardou em perguntar:
— Eu sei que posso estar sendo neurótica e insegura, mas ainda assim eu preciso perguntar. , Jake já teve algo com a Prya?

— Não enrola, . Eu sei que você é amiga do Jake, mas acredito que me veja como amiga também. Eu só quero saber o que rola.
— Sim, eles já tiveram algo. — confessou, claramente desconfortável.
— Só mais uma coisa. Esse lance ficou no colegial ou passou disto?
— O que você quer saber, ?
— Ele gosta dela, não é?
— Eu não entendo nada desse negócio deles, mas um tempo antes eu diria que sim. Hoje, não sei mais.
segurou os ombros da amiga e a olhou nos olhos. Talvez aquela fosse a noite de deixar todas as questões amorosas resolvidas.
— Se você quer saber qualquer coisa, a melhor pessoa para isso é o Jake. Ele tá aqui, basta você encontra-lo e fazer as perguntas certas.
— Tudo bem. Embora, pelos seus olhos eu já saiba mais que o suficiente.
foi embora sem dizer mais nada e deixando claro, pela sua feição, a mágoa que estava tanto de Jake como da amiga.
Ela queria não sentir nada em relação à , afinal, sempre soube que Jake era como um irmão e a pessoa mais importante naquela cidade pra ela, mas não conseguiu evitar se sentir traída pela menina. Aquele olhar nervoso e culpado de enquanto respondia deixava claro que ela sabia mais do que queria contar, e que ela já sabia dessas coisas há muito tempo.
Quando encontrou Jake circulando pelo local adiantou seus passos para acompanha-lo.
— Será que a gente pode ir até o bar conversar? — Indagou assim que o alcançou.
Jake primeiro pareceu um pouco assustado com a abordagem, mas logo respondeu se maneira preocupada:
— Alguma coisa aconteceu?
— Vamos?
— Tudo bem.
Assim que sentaram pediu a primeira coisa com álcool da noite. Iria precisar.
— Eu vou ser bem direta porque já vi drama romântico demais por uma noite. — Ela disse assim que o barman foi fazer sua bebida. — Mas antes vou adiantando que já sei que você e Prya já tiveram um rolo, até porque ela não parece querer esconder muito isso. Se ela quer, vou logo adiantando que ela é péssima nisto. Então, você pode poupar as mentiras sobre vocês terem sido sempre bons amigos.
O barman chegou com a bebida bem na hora da pergunta e ela parou uns segundos para tomar um gole da mesma.
Aquilo sim era o que chamava de chegar na hora certa.
— Quando foi a última vez que vocês dois se pegaram?
, eu só…
A garota levantou a mão em sinal para que ele parasse. Não tava afim de enrolação.
— É uma pergunta bem simples, Jake. Não preciso de mais nenhuma palavra do que o dia.
— Acontece que…
— O dia, Jake. Eu só quero saber o dia.
— Não faz isso. — Ele pediu angustiado.
levantou do banco em um pulo e pegou a bebida.
— Tudo bem. Como dizem: para um bom entendedor meia palavra basta. Ou meias, no seu caso.
, a Prya — Jake iniciou, tocando no braço de pra que ela não fosse embora.
— Não precisa, tá? Eu te poupo desse drama todo. — Ela disse, parecendo prática demais para a situação. — Agora você pode curtir a festa com ela, ou até com outra garota se assim quiser. Eu só tô fora dessa coisa toda porque desde nova odeio triângulos amorosos.
— Por favor. – Jake suplicou.
— Aproveita a festa. — finalizou antes de sair rumo à pista de dança e gritar bem alto.
Quando voltou à pista de dança encontrou dançando pouco animada com Prya. Parker terminou de beber sua bebida em gole só e chegou falando:
— Eu tô chateada contigo — Disse virando-se para . — E provavelmente eu não vou querer ver você nunca mais depois de hoje. — Falou dessa vez pra Prya. — Mas eu nem quero pensar nisso agora, só quero aproveitar a festa. Então… VAMOS DANÇAR!
E sem mais nenhuma palavra ela agarrou o pescoço das duas garotas e começou a pular com elas. Porque pouco importava o que aconteceria amanhã. Aquela era a festa da maior conquista dela até então e ela não deixaria nada nem ninguém estragar aquilo.

dançava animadamente com suas duas amigas quando sentiu alguém tocar-lhe o braço. Achou que fosse alguém da imprensa ou até mesmo algum produtor de filme querendo falar com ela. Grande foi a surpresa quando virou e encontrou Lian parado, com um sorriso maroto nos lábios.
— Tudo bem? — Ele perguntou assim que percebeu que ela lhe reconhecera.
— Ér… — começou a responder, um pouco surpresa com aquilo. — Claro, claro. — Por fim conseguiu dizer que sim. — E você? Não esperava te ver aqui.
Sem precisar pedir nem chamar, os dois começaram a se dirigir a um lugar menos lotado de pessoas.
— Na verdade eu também não esperava vir. Mas é que o cantor da música de abertura da série de vocês é um velho amigo. Como ele veio pra cidade por causa da festa, a gente acabou se vendo e ele me chamou pra vir com ele.
acabou rindo sem graça. Sem saber o que fazer a seguir.
— Que bom. — Foi o que respondeu.
— Que bom, mesmo? Porque eu tô te achando meio sem graça para quem gostou mesmo. — Ele brincou e acabou deixando ainda mais sem jeito. — Eu tô brincando.
— Não. É que eu estou apenas surpresa. Digamos que essa não esteja sendo uma noite muito fácil e previsível.
Lian a encarou e se perguntou o que poderia não estar bem para ela. A garota estava em uma festa da qual ela era um dos motivos, estava linda, dançando com as amigas… Mas depois lhe ocorrera que pouco importava o motivo, ele só precisava fazer ela relaxar.
— Quero não ser mais uma dessas surpresas ruins. Me permite tentar melhorar sua noite?
acabou sorrindo. Talvez a noite fosse melhorar.
— Claro.
— Então vamos dançar.

estava se divertindo na pista de dança. Lian, além de um cavalheiro e ótimo dançarino, também tinha uma conversa bem agradável. E agora, sem aquele pouco de incerteza que estava da primeira vez que o viu, o papo estava fluindo bem melhor que antes. A noite realmente tinha melhorado.
— Ali em cima os fotógrafos não possuem autorização pra entrar? — Lian apontou para uma parte que parecia uma espécie de área vip.
— Sim. É pra dar mais privacidade.
— Que tal irmos pra lá?
entendeu a sugestão que estava subtendida naquela pergunta. Logo lembrou de e de que ele estava lá na festa. Mas por que se importar com quem não se importava com você? Provavelmente nem iria se incomodar com aquilo, ela pensou. Tava na cara que ele não se importava com ela.
— Acho ótimo.
Subiram a quando chegaram lá em cima pôde sentir um pouco de vergonha. Apenas casais e pessoas querendo passar um pouco da linha estavam ali. Sabia que ficaria com ele ao chegar lá, mas não sabia que seria tão óbvio assim.
— Vamos começar a dançar? — Lian indagou.
— Sim.
A dança com distância de lá de baixo deu lugar a uma bem mais colada e sensual. Estava nítido o desejo de Lian e mesmo com certo receio foi se entregando ao momento também.
Sentiu quando Lian tocou seu queixo e levantou seu rosto para olhar-lhe nos olhos. Ela sabia o que viria a seguir. E mesmo outro cara tendo passado brevemente pela sua mente e até pelos seus olhos, resolveu se entregar de vez ao momento e beijar o ótimo rapaz a sua frente.
Lian, diferente da outra vez, beijou com bem mais intensidade e desejo. Talvez fosse o lugar ou a dança, mas a verdade era que o beijo era claramente mais quente, o que deixava outras tantas sugestões subtendidas.
Quando pararam de se beijar e finamente abriu os olhos, acabou encarando o que antes do beijo ela achou ter sido coisa da sua cabeça. Não tinha sido o seu subconsciente projetando no seu olhar antes dela beijar Lian, ele estava mesmo naquele local. E agora lhe encarava paralisado, sem expressão alguma, mesmo que não tirasse os olhos dela.

Quando subiu com Agnes para a área mais reservada, tudo que ele queria era tentar finalmente aproveitar a festa, porque até então ele só conseguia tentar procurar com o olhar. Era a culpa, ele repetia pra si mesmo, só isso explicava àquela preocupação com ela. Mas uma culpa de amigo, claro.
Assim que percebeu que estava agindo exatamente como tinha decidido não agir mais, resolveu que precisava de mais do que apenas levar Agnes para a festa, ele precisava aproveitar a festa de verdade. Incapaz de magoar ainda mais , decidiu que era melhor fazer isso em um lugar mais reservado. Imagine a surpresa que foi chegar lá e ver dançando com o cara da revista e pior, prestes a beijá-lo.
De começo achou que ela tivesse o visto e por um segundo pensou que por isso ela o pouparia de ver aquela cena, mas quando olhou novamente ela já estava entregue nos braços do rapaz. Assistiu tudo sem se mover, era como aquelas cenas de filmes de suspense, onde você sabe que não vai gostar do que vem a seguir, mas ainda assim continua assistindo. Quando finalmente parou de beijar, ele percebeu que só naquele momento ela tinha mesmo o visto. A maneira como ela também congelou entregava isso.
queria parar de encará-la, virar e apenas fingir que não viu nada, mas tudo que conseguiu foi continuar lá parado, como se tivesse cola nos sapatos.
Depois do rapaz falar algo para , ela finalmente virou o rosto e embora tivesse tentando parecer normal, sabia que ela não estava mais confortável. Nesse momento seu celular vibrou no bolso da calça e ele viu que era uma mensagem de dizendo que Finn o procurava para que os quatro desse uma breve entrevista para um programa de tevê qualquer.
Ele respondeu que já está descendo e depois do amigo perguntar se ele sabia de , ele foi avisá-la de que ela também precisava descer.
— O Finn tá chamando a gente pra dar uma breve entrevista. — Chegou já dizendo, ignorando Lian.
— Tá certo, já estou descendo.
foi embora sem dizer mais nada e quando já estava longe o bastante, Lian comentou:
— Achei que ele era mais simpático.
— Só tava apressando. — disse, desconfortável. — Preciso descer.
— Vou também.
Quando chegaram a pista de dança comum Lian ficou por lá com o amigo e seguiu para a entrevista. Quando chegou lá, por incrível que pareça, já parecia outra pessoa, bem diferente daquela pessoa incomodada de minutos antes.
Responderam às perguntas rapidamente, e graças ao fato de ter levado Agnes, e não estranharam a falta de intimidade de e . Quando as perguntas terminaram, foi seguindo junto com , mas acabou voltando e chamando .
— Posso falar contigo?
Obviamente não queria ter que falar com ela agora. Ele estava em uma crise interna sem entender o porquê da mesma, e tudo que ele menos desejava era ter que falar justamente com o motivo de tudo, mas mesmo assim respondeu que sim.
— Aham.
Calmamente eles se dirigiram para uma área externa e praticamente sem ninguém. Quando as únicas duas pessoas ali presentes perceberam a presença dos dois, acabaram indo embora.
— Não existe mais trato algum, né? — perguntou sem olhar nos olhos dele.
De tudo que ela poderia falar, não esperava aquela pergunta. Não conseguia entender nem o motivo dela ter perguntado aquilo.
— Hã?
— Aquele trato de amizade colorida ou com benefícios. A gente não tem mais isso.
Quando ela finalmente afirmou em vez de perguntar, lembrou das palavras dela quando foi falar com ele sobre Lian. Ela tinha deixado claro que se quisesse ficar sério com alguém iria pôr um fim naquilo.
— Isso é só pra poder ficar com o carinha da revista sem culpa? Você sabe que sempre foi livre pra isso, né? — falou cheio de ironia.
rolou os olhos e respirou fundo.
— Não, . Não se trata disto, até porque você trouxe uma garota pra festa. Isso anula as chances de eu me sentir culpada.
— Eu achei que ele tivesse sido apenas um beijo. Não foi isso que você disse? — Indagou, sarcástico.
mordeu o lábio inferior, tentando manter o controle das suas emoções. lhe tirava dos eixos.
— E eu achei que você tivesse o mínimo de respeito e que não faria o que você fez hoje. — Ela desabafou.
— Trazer uma garota? — Riu da maneira que sabia que ela odiava. — Você beija quem quiser e eu trago quem quiser também.
Ali foi a gota d’água para e seus sentimentos, quando deu por si, já estava colocando muito do que estava sentindo para fora.
— É a festa da nossa séria, . Um dos momentos mais esperados por mim, um dos mais maravilhosos. Você pode já estar acostumado, mas deve fazer ideia do quanto isso é importante pra mim. Tinha que ser logo hoje? Você tinha que estragar tudo?
não conseguia dizer nada.
Passados alguns segundos de silêncio, apenas com respirando forte, ele finalmente disse algo.
— Você não pode ficar incomodada ou enciumada. — Falou, calmo demais.
— Nem você. — rebateu.
riu sem humor e depois bufou. Ela estava certa.
— Justamente, nenhum de nós dois.
Se encostou na parede e encarou a menina à sua frente. Aquele olhar tava matando ele.
, eu não sei que cara você imaginou que eu fosse, mas eu te afirmo que você está enganada. Eu não sou o tipo de cara que se desculpa, que dá flores, que arma um plano só pra ter o perdão de alguém. Não monto um chocolate do Willy Wonka. Eu não sou esse tipo de cara.
— Eu nunca te pedi pra fazer nada disso. — Ela respondeu com a voz partindo.
— Eu sei. — bufou. — Eu fiz tudo isso porque me importava com você, e acredite, ainda continuo me importando. Mas acho que isso foi longe demais, .
apenas encarava calada o rapaz a sua frente. Viu ele passar as mãos no cabelo e puxá-los de leve, como se estivesse se sentindo péssimo. Depois ele tomou um pouco de ar e voltou a falar bem mais baixo que antes.
— Não tem motivos pra gente estar tendo essa conversa. Não há motivos para ter DR porque aqui falta o essencial pra isso: um relacionamento. Sei que as coisas se bagunçaram, mas chegou a hora de arrumar. Nós não somos um casal, Clarke.
E ali viu que estava enganado sobre algo. O olhar que lhe dirigiu quando chegou, o que ela tinha lhe direcionado logo no início daquela conversa, nenhum deles era o pior que ele já tinha visto. Mas naquele momento, quando ela o encarou com os olhos parecendo ter água, aquele olhar sim tinha lhe quebrado por inteiro. E embora ele achasse que tinha feito o melhor para ambos, jamais deixaria de se achar um babaca. Porque foi assim que ele se viu nos olhos dela.
logo olhou para baixo, sabendo que se o encarasse mais uma vez iria chorar. Respirou fundo e disse:
— Okay.
Foi tudo que ela falou antes de sair dali quase voando de tão rápido.
Seguiu pelo meio do salão evitando olhar para os lados e encontrar qualquer conhecido que lhe puxasse para uma conversa. Queria sair daquele lugar o mais rápido possível. Precisava respirar assim como precisava da sua cama.
Quando já estava perto da saída viu Finn se colocar em sua frente com o olhar preocupado.
— Onde você vai? — Ele perguntou.
Tentando fazer jus a sua profissão, respirou fundo e segurou o choro antes de encará-lo.
— Eu tô cansada, vou pra casa.
Finn colocou as duas mãos no rosto dela e depois limpou uma lágrima solitária que nem sabia que tinha derramado.
— Você é brilhante, menina. E ele não merece alguém como você. — Finn disse cheio de um carinho paternal.
— Como? — indagou, surpresa.
— Eu achei e torci muito para estar enganado, mas eu sei que esse seu cansaço tem nome e sobrenome. . — Quando notou a confusão nos olhos da garota, explicou: — Uma vez encontrei seu camarim trancado e me falaram que o tinha entrado lá. E hoje eu vi quando vocês saíram juntos depois da entrevista.
— A gente não tem mais nada.
Finn riu do receio da menina.
— Eu não quero nem saber do que vocês tinham ou deixavam de ter, apenas saiba que ele não é pra você. Como diretor eu te digo pra isso não se repetir, você sabe das regras. E como alguém que se importa demais com você, eu te falo pra não deixar isso estragar com tudo.
— Já passou. — tentou.
— Sabe, não é a primeira vez que eu trabalho com . Por isso ele foi logo contratado, tanto eu como os produtores já conhecíamos o trabalho dele. E eu já vi esse olhar e esse sorriso forçado outras vezes. Causado por outros atores e até atrizes, causados por ele… Não importa o causador, mas as consequências são parecidas. Eu vi pessoas abandonarem o set de filmagem com esse olhar, fazerem as piores cenas da sua vida, terem uma crise de choro e serem dispensadas. Vi gente ficar e fazer um bom trabalho, mas sem nenhuma alegria com isso. Não seja a próxima. Escolha seguir em frente e seguir bem. Aproveite o seu momento sem deixar ninguém interferir.
se controlou para não chorar, e depois de respirar fundo umas três vezes passou a mão pelos cabelos e rosto e falou:
— E eu vou seguir, Finn. Mas só hoje, só por hoje, eu preciso da minha casa. Mas acredite em mim, eu vou ficar bem.


Continua...



Nota da autora:
Que tiro foi esse? Nossos OTP’S todos chegando ao fim. Eu falei que essa festa prometia.
Só eu gosto demais do Finn e do carinho de pai que ele tem pela Clarke? Vamos torcer pra que ela fique mesmo bem. Mas me digam: quem tá com muita raiva do PP? Pra vocês, a Parker tem que perdoar o Jake?
Espero que tenham gostado do capítulo e aguardem que já, já temos mais. Entra no nosso grupo do Facebook porque vai rolar spoiler.




Outras Fanfics:
The Better Part Of Me (McFly/Andamento)
12. I Want it All (Ficstape High School Musical)
Meu anjo (Challenge 19)
Our Love Is Not a Lie
02. Me Voy (Ficstape RBD)
You Happened



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus