Última atualização: 06/06/2019

Prólogo

Já passava das oito da noite quando Johnson deixou o irmão Michael assistindo televisão, pegou sua bicicleta e saiu do Brooklyn para chegar ao centro de Nova York. Seu pai era zelador em um dos prédios das Indústrias Oscorp e toda segunda-feira ela ia até o trabalho dele e lhe entregava o lanche que havia preparado. Naquele dia não seria diferente.
pedalava o mais rápido possível, passou pela pizzaria do Joe e pela padaria do Sr. Giancarlo, logo as ruas de seu bairro se abriram para avenidas mais largas e ele acelerou a corrida até chegar nas principais vias da cidade.
As noites ainda estavam quentes, era o fim das férias de verão. Nova York nunca dormia, então sempre havia muito movimento e ela optava por ir cortando os bairros por ruas residenciais ao invés de se aventurar nas grandes avenidas.
Ela se aproximou de um quarteirão que era um conglomerado de prédios empresariais. Quando ela estacionou a bicicleta na calçada, subiu os degraus grandes feitos de um granito prateado que cheirava a capitalismo. Passou pela porta giratória e tocou na aba do seu boné da NASA enquanto sorria para o porteiro.
-Olá, ! -Disse o porteiro. -Seu pai está limpando a ala oeste hoje, onde fica o laboratório de genética.
Ela abriu a mochila e tirou um pote de plástico dela e entregou ao porteiro.
-Obrigada, Ronald. Fiz um sanduíche para você também. -Ele pegou o pote e eles trocaram um high-five.
entrou no enorme prédio coorporativo, a catraca foi liberada para ela. Ela correu para o elevador e apertou o botão do último andar. Naquele horário era tranquilo, todos iam embora por volta das 18hrs e os cientistas que ficavam até tarde tinham suas próprias salas isoladas.
O elevador era todo de vidro e permitia que ela pudesse ver toda a empresa em sua grandiosidade. O sonho de era trabalhar em lugar como aquele fazendo pesquisas que pudessem mudar o curso da humanidade.
A porta se abriu e saiu do elevador. A porta de vidro do andar estava aberta e entre as fileiras do laboratório viu o pai usando o uniforme de trabalho. Ele se virou para ela e sorriu.
-…. -Ele disse franzindo a testa como se quisesse parecer sério. -Já está tarde. Não pode ficar atravessando a cidade naquela bicicleta.
Ele caminhou até a filha e ela estendeu a mão com o pote de comida em uma e uma garrafa de suco em outra.
-Mas eu trouxe comida. -Ela murmurou e ele finalmente deixou o sorriso surgir. Ele tirou o boné dela libertando seus cachos escuros e volumosos.
-Tudo bem, eu deixo essa passar. Campeã. -Ele colocou o boné rosa com o símbolo da NASA de volta na cabeça dela e pegou a comida.
As mesas do laboratório estavam vazias e nenhum equipamento estava à vista. Aquilo deixou a menina um pouco desapontada.
Charles Johnson puxou uma das cadeiras e se sentou para comer.
-Como está nosso garoto? -Ele perguntou se referindo ao irmão dela.
-Ele já jantou e fez o dever de casa. Deixei ele assistindo desenho animado. -Ela contou, sempre fazia um resumo da rotina para o pai. Ele trabalhava o dia todo e no fim de semana prestava serviços para vizinhança consertando qualquer coisa que estivesse quebrada. Não tinham a mãe desde que Michael, o mais novo, nascera.
Charles era o seu pai e sua mãe. achava que levar o jantar para ele de vez em quando era um sacrifício que fazia com muito amor. Sem falar que tinha a oportunidade de andar pelas Oscorp e sonhar um pouquinho mais.
-No fim de semana vamos jantar com Caroline. -Contou o pai. suspirou evitando mostrar uma careta.
Caroline Baxton era a nova namorada do pai. Uma mulher de 40 anos que parecia achar que tinha 15. Eles namoravam há dois meses e o pai já falava de um possível casamento.
Não era um problema para ela que o pai estivesse em um relacionamento, o problema era ele achar que ela poderia ser "uma nova mãe".
-Tudo bem. -Ela disse já que não deveria se opor. –Mas à noite você prometeu que iríamos ver a constelação de Orion. Não vamos conseguir uma boa vista até agosto do ano que vem. –Charles balançou a cabeça concordando com a boca cheia demais para responder. -Posso dar uma volta?
-Nada de locais restritos e volte daqui quinze minutos. -Ele resmungou com a boca suja de macarrão com queijo.
ajeitou a aba do boné rosa e saiu para caminhar pelo andar.
Ela andou pelos corredores e colocou o headphone, caminhou descontraidamente espiando pelas paredes de vidro as lousas com anotações, pilhas de papéis e frascos separados sob as mesas. A música emitia ondas em seus ouvidos e vez ou outra ela tentava um passo improvisado enquanto seguia para duas portas principais.
Elas estavam abertas e por isso não hesitou em entrar, geralmente lugares proibidos nunca estavam acessíveis, principalmente depois do horário comercial. Quando ela entrou na área não viu a placa de “Acesso Restrito” à sua direita, estava distraída demais com voz e as batidas de Post Malone.
seguiu observando que a sala oval parecia ligeiramente maior que as outras, havia microscópios na mesa à esquerda e na direita havia frascos com substâncias diferentes, ela se aproximou ajeitando a aba do boné para enxergar melhor. Pareciam soros em cores diversificadas, mas cada um tinha um nome científico diferente: Panthera leo, Canis latrans, Selachimorpha. Na outra fileira de frascos havia outros nomes, dessa vez da classificação de invertebrados: Coleoptera, Anthophila, etc.
Na mesa embaixo dos frascos havia um relatório: Resultados, testes em humanos.
sabia que não deveria mexer, mas não pode deixar de virar a primeira página. Seus olhos percorreram as primeiras linhas do texto e focaram na imagem de um humano amarrado a uma maca.
definitivamente não deveria mexer.
Vozes se aproximaram, ela olhou para a porta da sala e não viu ninguém. Mas as vozes definitivamente estavam chegando perto. A parede da sala oval estremeceu e uma porta oculta se tornou visível ao se abrir. só teve tempo de prender a respiração, ela caiu com o susto, as pernas estavam bambas. O que de certa maneira foi bom, pois ela percebeu que precisava se esconder antes que pudesse encrencar o pai.
O único provável esconderijo no momento eram as mesas e bancadas do laboratório. Ela engatinhou para baixo da mesa com frascos e viu três pares de pernas caminhando pelo corredor à sua frente.
-Não podemos deixar nada, precisamos destruir tudo. –A voz parecia vir do homem que usava jaleco, não conseguia ver o seu rosto. Os outros dois usavam calças pretas e pares de coturnos pretos.
-Vamos fazer rápido. –Garantiu um deles.
-Sejam cuidadosos. Nada neste andar pode ficar de pé. –Disse o que usava jaleco branco. –Preservem o resto do prédio.
-Podemos começar agora? –Disse o outro.
-Sim, já me certifiquei que não tem ninguém no prédio. –Disse o de jaleco branco e saiu pela porta de vidro.
Alguma coisa estava errada, tinha pessoas no prédio. e o pai estavam lá.
Um dos homens abriu uma mala, ele colocou as coisas em cima da bancada. não conseguiu ver o que era, olhou para a saída cogitando em correr, mas eles estavam interceptando seu caminho. De qualquer maneira seria pega.
-Pronto. -Disse um deles. -Vamos para a próxima sala.
Os dois homens saíram pela porta de vidro e a fecharam.
engatinhou para fora e no instante em que estava levantando para correr, uma onda de energia explodiu na sala. Ela voltou a cair no chão sentindo o ouvido doer. Os frascos caíram sobre ela enquanto as chamas se erguiam sobre a porta de vidro.
Ela não sentia cheiro da fumaça, sentia o cheiro de algo amargo. Seu rosto e o boné estavam molhados e quando ela passou as mãos sobre ele sentiu o líquido quente. O frasco ao chão tinha um rótulo, ela olhou para o nome nele e sua visão ficou turva. Ela respirou a substância, sentia ela impregnar em suas narinas e descer pela garganta.
tossiu ficando em pé, a porta à sua frente estava bloqueada pelas chamas. O fogo crescia ainda mais, frascos de substâncias explodiam conforme o calor aumentava. Ela precisava chegar até o pai, aquilo estava errado.
Um pressentimento a fez olhar para o relatório sobre a mesa, ela o pegou dobrando as folhas e guardou no bolso interno da jaqueta jeans. Algo estava errado e era testemunha, iria levar o que podia consigo. Caso saísse de lá.
Ela não conseguia chegar até a porta e a janela não fornecia nenhum apoio para que ela saísse de lá e uma queda livre era apenas uma opção de morrer mais rápido.
A visão dela ficou turva de novo, mas ela pode ouvir a porta de vidro se quebrando e um vulto veio sobre as chamas. Ele se apoiou na parede ao lado dela.
-Vou te tirar daqui. -Ele disse.
Era a voz de um garoto.
A visão de focou no rosto dele.
-Meu pai está nesse andar. -Ela tossiu e ele a tomou em um de seus braços.
-Já vasculhei o andar...
-Não, meu pai está aqui! -Ela insistiu enquanto ele pedia para ela segurar firme. apertou os braços ao redor dele.
-Eu preciso primeiro tirar você daqui. -Disse o Homem-Aranha apontando para as chamas que iam até o teto. -Hoje não é dia de virar churrasco!
E sem esperar por uma resposta ele pulou com ela pela janela.
pensou em gritar, mas sua mente girou, seu rosto inteiro queimava, o cheiro azedo da substância ainda em si. Ela caiu na escuridão enquanto o Homem Aranha a levava para longe da segunda explosão nos laboratórios da Oscorp.
Nova York tremeu.


Capítulo 1

O sol estava bem visível, as flores começavam a secar. O outono parecia que estava envolvendo a primavera com um abraço preguiçoso, tão preguiçoso como Peter acordou naquela manhã. Para o primeiro dia de aula do ano letivo ele não se atrasou, tomou café com tia May ouvindo ela falar que tinham novos vizinhos no prédio, e enquanto isso ele tentava colocar todo o material em ordem.
Ao sair do seu prédio, Peter colocou os fones de ouvido e pegou a bicicleta, no caminho ele ouvia Twenty One Pilots enquanto olhava atento para as ruas do Queens. Havia uma certa expectativa preenchendo sua mente, seria o segundo ano do Ensino Médio e tinha muita coisa que ele queria explorar e conhecer. Também seria mais um ano como o Homem Aranha e Peter queria ser um herói melhor, devia isso aos Johnsons. Depois da aula Peter planejava procurar pela filha de Charles, ele sabia que a menina havia recebido alta naquela semana e ele precisava saber se ela estava bem.
Claro que ele não iria se apresentar pessoalmente, mas vê-la de longe faria o peso em seu peito amenizar, afinal, ele sentia que deveria ajudá-la se pudesse. Mas independente de qualquer coisa, ele havia feito uma última promessa à Charles Johnson: a promessa de que salvaria sua filha.
No dia do acidente no laboratório da Oscorp, ele havia chegado tarde demais. Primeiro ele encontrou Charles na primeira sala, ele estava ao chão e o abdômen sangrava. Era um ferimento à bala, quando ele tentou levantar Charles para o tirar de lá o homem murmurou com dificuldade:
-Não, é o fim da linha pra mim, garoto. -Ele estava com dificuldades para falar, reuniu o último fôlego para um último pedido. -Tire minha filha daqui.
As chamas cresciam e Peter sabia que as chances de conseguir sair de lá eram poucas. Ele não poderia levar o corpo de Charles consigo por conta do peso e dificultaria a saída deles, aquela dura decisão quase o levou ao desespero, mas ele lembrou que precisava ajudar a filha do sujeito.
Então na cabeça de Peter fazia todo sentido de que ele se certificasse de que ela ia ficar bem fora do hospital, só pra ter certeza. Ele respirou fundo e balançou a cabeça enquanto guiava a bicicleta pela entrada da escola, estava convencido que era a coisa certa a se fazer.
Ele estacionou a bicicleta ao lado de tantas outras no estacionamento e seguiu para dentro do prédio. Estava lotado de alunos, todo mundo estava bronzeado e Peter notou que era um dos poucos que não viajava durante as férias e mal havia pegado sol. Seu traje cobria a sua pele o dia todo e não é como se ele fizesse uma pausa pra tomar sol enquanto combatia o crime.
-Pete! -Exclamou Ned assim que se encontraram no corredor. -Como foi as férias?
-Ned, eu te vi todos os dias nas últimas semanas! -Ele parou em frente ao próprio armário e colocou a senha. A tranca abriu e ele começou a separar os livros para guardar.
-A gente tentava, mas você logo saia correndo pra... -Ned olhou ao redor e diminuiu o tom de voz.- ...combater o crime ou tentar ver aquela garota no hospital.
Peter suspirou fechando o armário. Não tinha notícias da garota, o pessoal do hospital não fornecia informações para estranhos. E da janela do quarto dela no hospital, toda vez que Peter olhava ela estava na cama sem se mexer.
-Eu estava... Preocupado. -Peter murmurou enquanto eles seguiam para porta da sala de aula. O primeiro tempo era de Química.
Ned apertou o ombro dele de maneira amigável enquanto escolhiam as mesas para sentar em dupla.
-Não pode se sentir culpado para sempre. Você fez o que podia. -Ned disse enquanto se sentavam um do lado do outro. Todos os alunos ao redor escolhiam seus lugares.
Peter olhou para o lado e viu Michelle Jones sentada sozinha, a cadeira ao seu lado estava vazia.
-Você salvou a garota como o pai pediu. -Ned sussurrou, mas nada daquilo o fazia se sentir melhor.
-Salvei?! -Ele perguntou baixinho para si mesmo.
Toda a turma já estava em seus respectivos lugares quando o Professor Dawson entrou na sala, ele ajeitou o bigode grisalho e colocou sua maleta sobre a mesa.
-É impressão minha ou ele raspou o cabelo? -Ned perguntou.
Peter podia jurar que o Senhor Dawson sempre fora careca. Mas algo chamou sua atenção, algo muito mais intrigante do que a careca do seu professor de Química.
-Aluna nova! -Exclamou Ned.
Peter viu a garota caminhar até o Senhor Dawson e entregar uma folha para ele. Ele leu com atenção e se dirigiu para a frente da classe.
Ela tinha os cachos volumosos e escuros presos em um rabo de cavalo alto, usava argolas douradas nas orelhas e em sua camisa preta estava escrito “May the force be with you”. Havia um boné rosa com o logotipo da NASA pendurado na mochila em suas costas.
-Classe, temos uma nova colega. Por favor deem as boas vindas à.... -Dawson fez uma pausa e se virou para a garota.
- Johnson. -Ela completou e olhou para o restante dos alunos. Um olhar confiante como se ela dissesse “mexam comigo e eu acabo com vocês”.
À primeira vista, Peter achou que era como uma estrela cadente: um espetáculo a ser contemplado, lindo que mudava o céu, porém breve demais. Mas depois percebeu que ela era um cometa em rota de colisão prestes a sacudir o seu planeta.


Capítulo 2

Peter estava feliz em saber que a garota estava bem, parecia bem recuperada. Ela caminhou pelas mesas e chegou até ao lugar vago ao lado de Michelle, também bem ao lado esquerdo de Peter.
-Posso me sentar? -Ela perguntou.
Michelle sorriu ao dizer:
-Só porque sua camiseta é maneira.
Droga, Peter pensou. Ele ia usar a camisa como início de conversa.
se sentou ao lado de Michelle e Peter achava que a aula continuou, apesar de não ter certeza porque em momento algum conseguiu prestar atenção.
-Pete, cara! -Ned murmurou entregando um dos frascos para ele. -Faz um esforço aqui!
Mas ao invés de reparar na equação da fórmula, Peter só reparou que não tocou nas coisas do laboratório. Absolutamente nada.
-Oi! -Ele disse se virando para ela.
-Oi! -Ela respondeu.
Um longo segundo constrangedor se estendeu enquanto Peter percebia que não tinha planejado o que dizer a seguir.
-Esse esquisito número um é o Peter e o outro esquisito número dois é o Ned. -Explicou Michelle. Ned acenou entusiasmado.
-Qual seu filme preferido da saga? -Ned perguntou apontando para a camiseta dela.
Droga, aparentemente todo mundo consegue puxar assunto sobre a camiseta.
-O meu preferido é O Império Contra-Ataca. –Ela tinha um sorriso leve, uma postura educada. Alguns cachos escapavam do rabo de cavalo.
-Legal! É o nosso também! –Ned disse cutucando Peter que balançou a cabeça concordando.
-Significa que eu posso ser a esquisita número três? –O olhar dela tinha uma certa expectativa.
-Eu já sou a número três. –Michelle ponderou e Peter tinha certeza de que nunca tinham estabelecido isso antes. –Mas você é bem-vinda no time.
-Cara, ela quer andar com a gente? –Ned perguntou em um tom não muito baixo.
-Todos nessa escola são meio nerds. – disse e por acaso o olhar dela encontrou o de Peter. Ele sentiu o rosto queimar involuntariamente e desviou os olhos. –É melhor que eu ande com os nerds mais descolados.
O Senhor Dawson continuou a aula e Peter continuou a fingir o interesse na matéria, pelo menos ao olhar para a lousa podia esperar que o rosto corado voltasse ao tom normal. Ned passou a aula inteira fazendo referências aos filmes de Star Wars e as piadas já estavam começando a ficar saturadas, mas não deixou de responder. Ela e Michelle embarcaram em algum assunto que envolvia piadas existencialistas e ele começou a desejar que tivesse prestado a devida atenção à última aula de literatura para buscar uma oportunidade de entrar na conversa.
O fato era que Peter tinha iniciativa em combater o crime, mas não possui a mesma habilidade para começar uma nova amizade.
Na hora do almoço Ned e Peter pegaram suas bandejas com a comida e sentaram na mesma mesa de sempre, agora outros alunos do Declato Acadêmico se uniam a eles. A primeira a chegar foi Michelle. Ela se sentou ao lado de Ned e colocou a bandeja sobre a mesa.
-Ei, Pete. Pode reservar a cadeira ao seu lado para garota nova? –Ela pediu no instante em que Flash se juntou ao grupo.
-A garota nova vai sentar com a gente?
-Ele perguntou se direcionando à cadeira ao lado de Parker que jogou a mochila sobre ela o impedindo de sentar.
-Está reservada. –Ele explicou ignorando a careta que Flash fez.
pegou sua bandeja com comida e olhou para o refeitório à procura de um lugar. Michelle ia levantar a mão para chamá-la, mas Ned levantou o braço tão rápido que derrubou o próprio suco. A garota se aproximou da mesa e Flash tirou a mochila de Parker a jogando para ele.
-Aqui, . Guardamos um lugar para você. A propósito meu nome é Flash. –Ele estendeu a mão para ela, olhou para o gesto um pouco surpresa e apertou a mão dele.
-Suponho que esse seja o esquisito número cinco? –Ela murmurou só para Peter que engasgou um pouco surpreso e despreparado para uma interação.
-Não, esse é o único e número um pé no saco. –Ele sussurrou de volta.
Ela sorriu. E havia algo naquele sorriso fácil que fez Peter se sentir orgulhoso por ter causado aquilo.
-Então, ... –Michelle passou para ele uma caixinha de suco extra que havia pegado no refeitório. -O que te trouxe a Midtown?
-Eu queria uma escola voltada pra ciência e tecnologia. Achei que seria bom para o que quero do meu futuro. -Ela disse e pareceu um pouco sem graça.
-Qual área te interessa? -Ned perguntou e Peter começou a temer que fossem enchê-la de perguntas que ela não queria responder, afinal ela havia perdido o pai há algumas semanas.
-Eu sou apaixonada por física e astronomia. -Ela disse quase sorrindo.
Peter involuntariamente olhou para o boné rosa da NASA pendurado na mochila dela. Era o boné que ela estava usando na Oscorp, parecia que o levava para todo lugar.
-E o que os seus pais fazem? -Perguntou Flash.
hesitou, o restante do grupo esperou pela resposta. Peter se sentiu aflito de repente.
Ele se levantou bruscamente.
-Minha nossa, eu esqueci uma coisa no laboratório de química. precisamos ir lá. -Ele disse acelerado enquanto se levantava da própria cadeira.
-Precisamos? -Ela perguntou confusa.
Peter pegou a mochila com um braço e apressou com a outra mão.
Ela engoliu o último pedaço de sanduíche e se levantou correndo.
-Esqueceram o quê? -Ned questionou, mas eles saíram apressados do refeitório.
-Estranho... -Murmurou Michelle ao seu lado.
Os dois correram pelo corredor de volta à sala da primeira aula. Peter foi na frente, cada passo que dava pensava no que diria sendo que não esqueceu nada.
Eles entraram na sala e seguiu pelas mesas até chegar na que Peter tinha sentado mais cedo.
-O que você esqueceu? -Ela perguntou se inclinando para ver as mesas.
-Na verdade.... Nada. -Ele suspirou e se aproximou dela passando a mão pelo cabelo. -Foi mal te trazer aqui assim, mas eles começaram a fazer tantas perguntas e eu não queria que se sentisse desconfortável no seu primeiro dia de aula.
estava surpresa, seus lábios se abriram e fecharam enquanto ela tentava organizar as palavras.
-Tem sido um dia muito difícil pra mim, Parker. -Ela confessou e olhou nos olhos dele. -Obrigada.
Dessa vez nenhum deles desviou o olhar.
-Bem.. ahn... -Peter se odiou por não conseguir dizer uma palavra que fizesse sentido. -Se quiser voltar agora....
-Não. -Ela acrescentou rapidamente. -Quer dizer, o pessoal é legal. Mas eu não estou muito bem pra perguntas no momento. Podíamos ficar aqui?
-Claro... Claro. -Peter balançou a cabeça mais vezes do que era necessário. -Eu fico com você.
Ela puxou uma cadeira para perto dele e os dois se sentaram.
-Eu tenho sanduíches, você quer um? -Ela perguntou abrindo a bolsa e tirou dela um pote onde guardava o lanche.
Peter recebeu um e ficou com o outro.
-Eu sempre faço mais de um, costumava levar para o meu pai. -Ela comentou enquanto eles mordiam o pão.
-Obrigado. -Peter disse de boca cheia.
Ele percebeu que ela nunca mais entregaria sanduíches para o pai, queria dizer que sentia muito. Mas não podia dizer aquilo ainda.
-Já sentiu vontade de desaparecer? -Ela perguntou de repente esticando as pernas por baixo da mesa. O tênis dela encostou no dele e Peter se perguntou porque estava tão consciente daquilo de repente
-Tipo, ir pra outro planeta? -Ele perguntou e ela sorriu de novo.
-Sim, exatamente.
-É o que vai fazer no futuro? -Ele perguntou.
Ela tirou o boné da bolsa e o colocou sobre os cachos escuros. O boné cobria seu olhar cansado.
-Eu espero que sim.
-Cassandra, a primeira mulher astronauta de Midtown High. -Ele falou com um sorriso, a boca suja de requeijão.
-Na verdade, é apelido de . -Ela disse sorrindo e limpando o rosto dele.
Peter sorriu ainda mais.
- como a constelação. -Ele murmurou. -Você realmente nasceu pra ver as estrelas de perto.
Ele e terminaram os sanduíches e passaram o resto da hora do almoço falando sobre as estrelas, sem saber que poderiam construir um universo inteiro juntos.


Capítulo 3

A primeira semana de aula de havia sido mais fácil que o esperado. Ela não queria dar detalhes de sua vida particular, havia coisas que não poderia em hipótese alguma revelar. De alguma forma Michelle parecia querer ela por perto na escola e elas conseguiam manter conversas que aliviava o aperto em seu coração.
Ned claramente era o alívio cômico.
Flash era o pé no saco.
E Peter, bem... Parker era o mais bonito e mais atencioso. Ele tinha uma sutileza que a impressionava, mas logo que ela percebia estar pensando nele afastava o pensamento para longe.
Ninguém podia se aproximar demais, ninguém poderia saber. faria de tudo.
Era cansativo esconder. Ela acordava mais cedo e preparava o café da manhã dela e do irmão. O arrumava para ir para a escola e esperava o ônibus da escola dele chegar, Michael lhe dava um beijo na bochecha e subia no ônibus. pegava sua velha bicicleta e seguia para Midtown High.
Era uma sorte enorme ela ter se matriculado para começar o ano letivo em uma nova escola. Ninguém saberia do seu pai ou do que aconteceu, ninguém saberia que estava criando o irmão sozinha.
Desde que ela ficara no hospital após o acidente, a justiça havia deixado a guarda provisória com Caroline sua madrasta. A casa em que morava com o pai estava com a hipoteca vencida e foi tirada da família para pagar as dívidas que Charles não conseguiu pagar em vida.
Enquanto se recuperava no hospital, Caroline ajudou na mudança do Brooklyn para o Queens e passou o dia de alta de com eles. Ela achava que poderia contar com Caroline, mas no dia seguinte achou o bilhete dela na geladeira.
“Desculpe, não posso fazer isso”.
entrou em desespero. Eles não tinham ninguém, nenhum familiar. Seu pai havia abandonado a vida em outro país e se mudado para Nova York quando jovem, eles não tinham familiares.
Ela sentiu tanta raiva de Caroline e seu casaco de pelos rosa.
mantinha aqueles pensamentos em sua mente o dia todo. Só percebeu que a aula de Biologia estava quase no fim porque Michelle a cutucou e perguntou se poderia pegar a borracha emprestada.
-Você está meia aérea hoje. –Michelle comentou como sempre fazia, era muito observadora. Mas de uma maneira diferente de Peter.
-Estava pensando no meu irmão, Michael. –Ele confessou. Estava ansiosa com o fato de que precisava de um trabalho de meio período para pagar as contas.
O acidente nas indústrias Oscorp foi considerado apenas um acidente e a empresa ainda achou uma forma de declarar que e o pai estavam no local indevidamente. Segundo a diretoria da empresa, naquele dia foi proibido que os funcionários estivessem no local já que ocorreriam testes. Com esse argumento a Oscorp foi considerada “inocente”,
sabia que não, ela tinha ouvido e foi tudo planejado. A empresa se propôs a pagar para ela um valor mensal do seguro de vida do pai, mas este servia apenas para pagar o aluguel. E a vida de Charles Johnson valia infinitamente mais para ela.
queria a verdade. Se ao menos ainda tivesse o relatório que encontrou no laboratório, ele poderia servir como prova. Mas quando ela acordou no hospital, os papéis haviam sumido.
-O almoço hoje é almondega! –Ned anunciou enquanto eles andavam pelo corredor. Ela nem mesmo tinha percebido que havia guardado o material e acompanhado os amigos para fora da sala.
Ela tentou focar no presente e se envolver na conversa, mas havia algo que sua mente que não deixava.
Além de tudo isso, coisas estranhas estavam acontecendo com ela.
No hospital informaram que seu corpo estava bem, mas que precisaria de alguns dias para se recuperar de todos os componentes químicos e da fumaça que inalou. Já faziam duas semanas e só sentia os sintomas piorando.
A visão ficava muito turva e às vezes ela jurava que nem precisava mais do par de óculos. Outras vezes ela conseguia ouvir a voz dos colegas muito antes de eles chegarem perto dela e na aula de Educação Física ela parecia muito mais ágil, até mesmo recebeu um convite para ser líder de torcida.
Tudo aquilo de uma vez fazia sua cabeça doer e ela só queria que passasse. Estava cansada. Queria que a Oscorp pagasse pelo que fez.
Na saída da escola em meio à multidão de alunos, Michelle perguntou:
-Quer ir com a gente tomar um milk-shake?
Tudo que conseguia pensar era que não tinha um centavo para o milk-shake e se tivesse compraria primeiro um para o seu irmão.
-Fica para outro dia, eu tenho que procurar um trabalho de meio período perto de casa. –Ela disse enquanto ela e Michelle trocavam um cumprimento elaborado, primeiro batiam uma mão na outra aberta e depois uma sequência rápida de três socos.
Ela pegou a velha bicicleta, ajeitou o boné sobre os cachos presos e saiu pelas ruas de Nova York.

***


começou pelo Brooklym que era o bairro que conhecia desde que nasceu e também conhecia os comerciantes por lá. Porém não ajudou nada que pudesse fazer em um horário aceitável. Tinha que ser um trabalho depois do horário de aula e que não a fizesse chegar tarde em casa. Michael não podia ficar muito tempo sozinho.
Se alguém suspeitasse de que as crianças Johnson viviam sozinhas e acionasse a justiça, e o irmão seriam levados para um abrigo e poderiam até ser colocados para adoção. E ela sabia muito bem que raramente adotavam adolescentes e isso poderia os separar.
olhou em volta para as ruas, as mãos apertavam o guidão da bicicleta com força. Tantos carros, prédios, pessoas, uma cidade tão viva. Deveria haver um jeito. não deixaria que a separassem do irmão.
Ela respirou fundo e voltou a pedalar, tinha que continuar procurando! Virou à esquerda e na curva fechada ela sentiu algo, um zumbido na orelha esquerda, seu corpo se arrepiou e ela não precisou pensar.
Foi como um instinto primário tomando conta de seus sentidos, ela sabia exatamente o que fazer sem precisar pensar ou realmente ver o que estava acontecendo.
Ela tomou impulso com o quadril conduzindo a bike para cima, suas pernas arquearam levando os pedais consigo. Os braços que seguravam o guidão deram o impulso da manobra que a levou a jogar a bike e o seu corpo no ar.
Ela podia ver tudo ao seu redor quase que em câmera lenta. Ela rodopiou com a bicicleta há alguns metros do chão no momento exato em que um táxi amarelo passou abaixo dela buzinando. Por pouco não havia sido atropelada.
Seu corpo pousou a dianteira e a roda traseira ao mesmo tempo equilibrando todo o peso. A velha bicicleta não aguentou o baque e desmontou ali mesmo, a única coisa que ficou em pé foi o guidão que ela estava segurando.
O motorista do táxi que havia freado bruscamente colocou a cabeça pra fora do carro e gritou:
-Olha por onde anda, garota!
E acelerou voltando a correr.
olhou para as partes soltas da bicicleta.
-Porcaria.

***


Ela voltou para casa a pé e chegou quando o sol já estava se pondo. Felizmente havia conseguido uma vaga na padaria da esquina, e ainda teria desconto se comprasse comida lá. Só isso já a fez pensar que tudo valeu a pena. Mesmo que tivesse que arrastar pelo Queens sua bicicleta quebrada, mesmo que seu rosto estivesse sujo de graxa e ela nem mesmo tentou limpar, mesmo que estivesse cansada.
Ela chegou na frente do pequeno prédio em que morava, olhou para as degraus em frente à porta de entrada e suspirou erguendo a bike. Começou a subir respirando fundo, seu prédio não era o melhor local do Queens, mas tinha um aluguel acessível que era possível pagar com a “contribuição” da Oscorp.
Ela subiu até o andar do seu apartamento e tirou a chave de casa de dentro da mochila e destrancou a porta e arrastou a bike para dentro. No mesmo instante, Michael saiu correndo do sofá onde estava e abraçou ela passando os braços pela cintura dela. Foi como se toda a energia gasta fosse recarregada naquele abraço.
-E aí, Capitão Mike! -Ela disse passando as mãos pelo cabelo do irmão bagunçando os cachos molhados. -Alguém acabou de sair de banho...
Ele se afastou e ela percebeu o quanto ele estava crescendo rápido, quase chegando a altura dos ombros dela e tudo isso com apenas dez anos. Ele sorriu, os olhos castanhos brilhando pra ela.
- eu fiz a lição de casa já. Estava te esperando pra gente jantar. -Ele puxou ela pelas mãos até a bancada da cozinha.
Ela sorriu deixando a bicicleta no canto da sala, toda a chateação por ela estar quebrada desapareceu. Ela tirou a jaqueta e bolsa deixando sobre uma das cadeiras da mesa de jantar e abriu a geladeira.
-Nós temos almôndegas ou hambúrgueres! -Ela anunciou enquanto Michael pegava os pratos no armário.
-Almondegaaaaas. -Ele comemorou. E o que ele escolhesse ela faria e daria pra ele o quanto quisesse.
tirou o arroz da geladeira e começou a fritar as almôndegas enquanto observava Mike. Ele tinha a pele em um tom de marrom como era o dela, mais claro que o pai e mais escuro que o da mãe pelo que ela se lembrava. Os cachos dele eram mais baixos e definidos como se mostrassem toda a gentileza do garoto, combinavam perfeitamente com seus grandes olhos castanhos.
-Desculpe ter ficado o dia todo longe. -Ela disse. Ele ergueu os olhos para ela e em momentos como aquele ela sentia o peso que era um amor incondicional que acompanhava a responsabilidade.
-Tudo bem. -Ele disse e se sentou. -Eu entendo, mas fico com saudade.
A voz dele começou a ficar trêmula. puxou a cadeira e se sentou ao lado dele.
-Sente falta do papai? -Ela perguntou em um sussurro carinhoso enquanto fazia carinho no rosto dele.
-Sim... -Ele respirou e tomou um tempo, todos os Johnson tentavam ser fortes ao falar. -Mas também de você, .
Ela abraçou Michael segurando todo pedaço dele e jurando para si mesma que iria protegê-lo, deixou que ele descansasse a cabeça em seus braços e o puxou para o seu colo mesmo que ele não coubesse mais.
-Vai ficar tudo bem, Cap Mike. -Ela usou o apelido carinhoso. -As coisas vão melhorar.
-Eu sei que vai, Campeã. -Ele também usou o apelido carinhoso. Os dois riram.
-Te amo ao infinito e além. -Eles disseram juntos.
Durante o jantar sentiu a revolta crescendo dentro de si, sentiu que precisava montar um plano. Queria descobrir e expor a Oscorp.
Ela os faria pagar.


Capítulo 4

Peter estava atrasado, ele precisou parar um carro com fugitivos às 07:30 da manhã. Parece que nunca é cedo para se cometer um crime. Por mais que ele conseguisse se locomover mais rápido com suas teias indo de prédio a prédio, a aula já havia começado. Ned não parava de mandar mensagens para o seu celular.
“O que eu invento dessa vez? Digo que você perdeu a hora?”
“Não, é melhor algo mais criativo. Vou dizer que seu cachorro passou mal”.
“Atividade na primeira aula. Salve o mundo e corre pra salvar sua nota também”.

O mais engraçado era que Karen, o sistema operacional do seu traje, lia as mensagens sem emoção alguma, Ned deveria estar surtando quando as escreveu. Peter aterrissou no terraço do colégio, tinha a vantagem de todos já estarem dentro da escola e assim ninguém o veria.
Ele tirou o traje com pressa e colocou a roupa que havia guardado na mochila. A camisa branca, a blusa xadrez e a calça jeans eram as peças mais fáceis que ele tinha para vestir em tempo recorde, por isso já saía de casa com a roupa pronta na mochila. Depois de guardar o traje, Peter correu para a porta do terraço, desceu as escadas do prédio e correu mais ainda pelo corredor para a sala de literatura.
A porta estava aberta e a Sra. Handersen estava de costas ajudando que outro aluno encontrasse a página correta. Os olhos de Peter automaticamente procuraram por Ned e o encontrou sentado no canto esquerdo com Michelle ao seu lado. Então ele percebeu que a sala havia se dividido em duplas.
Sentiu um momentâneo nervosismo ao pensar que faria atividade sozinho, até que do lado direito da sala ele viu e ela sorriu para ele acenando com a mão. A cadeira ao lado dela estava vazia e ela o chamava acenando a mão direita.
Peter se aproximou e ela tirou a mochila da mesa para lhe dar espaço.
-Guardei seu lugar, Ned avisou que iria chegar atrasado. -Ela disse enquanto ele se sentava, ele olhou para Ned que de longe levantou um dos polegares e sorria como se aquele fosse seu plano desde o princípio.
-Obrigado. -Peter disse se virando para ela. O cabelo de estava preso em um rabo de cavalo alto e seus cachos volumosos estavam no topo da cabeça como uma coroa. Alguns escapavam do penteado e emolduravam o rosto dela e então ele percebeu que deveria estar encarando demais e desviou os olhos. -Achei que fosse fazer a atividade com a Michelle.
Por um breve momento pareceu incerta do que havia feito e prontamente segurou a bolsa como se fosse se levantar.
-Eu posso pedir pra trocar com o Ned, se preferir.
Algo em seu peito quase o fez dar um pulo, ele segurou o braço dela gentilmente de forma impulsiva. era escorregadia, ela sempre estava escapando. Quando parecia estar chegando perto, se afastava. Nunca ficava para os encontros depois das aulas, nunca saía com o pessoal nos fins de semana e nunca falava da sua vida antes de Midtown High. Algo em Peter sabia que ele não podia deixá-la escapar.
-Não foi o que eu quis dizer. -Ele se apressou em dizer. -Na verdade, isso é bom. A gente só conversa na hora do almoço.
-Sim, também acho que devíamos conversar mais. - parecia conter um sorriso e Peter começou a dizer para o seu cérebro que não precisava fazer um alvoroço por conta daquilo.
-Para esse trabalho eu quero que estudem um texto de outros períodos, como o clássico, o barroco ou qualquer outro de sua preferência. Leiam ele, façam uma análise e em até três semanas apresentem para a classe. A razão deles continuarem sendo apreciados até hoje mesmo com todo nosso avanço como sociedade. -A Sra. Henderson falou enquanto escrevia as orientações na lousa.
abriu o caderno para copiar e enquanto ela procurava por uma caneta, Peter observou as folhas do caderno que tinham anotações bem organizadas e ao redor era cheio de desenhos de estrelas e planetas, como se fosse um mapa de constelações.
Ele sorriu se aproximando mais e pensou em puxar o caderno pra si, mas percebeu que talvez fosse algo pessoal de e ela sempre era muito reservada. Quando ele ergueu os olhos para ela viu que ela estava olhando.
-Eu gostei, são incríveis. -Ele disse.
Ela sorriu um pouco incerta.
-São só traços e bolinhas, como um liga pontos. -Ela explicou colocando a ponta do lápis em um pontilhado que representava uma estrela.
-Você conhece bastante as constelações. -Ele murmurou Ela entregou um lápis pra ele, gentilmente e quase hesitante, segurou a mão dele com a sua e conduziu o lápis pelo caderno.
O toque dela era macio, leve e quase carinhoso ou talvez Peter que queria que fosse carinhoso, talvez ele queria que significasse algo. Ela desenhou as linhas formando um “W” de estrelas e ele conhecia aquele padrão.
-Essa é a sua constelação, . -Ele sussurrou e dessa vez ela não segurou o sorriso.
-Você também conhece constelações. -Ela sussurrou de volta.
Peter conhecia algumas, mas o quê ele queria mesmo conhecer eram todas aquelas galáxias nos olhos de Johnson.

*

A manhã havia sido corrida, mas em compensação a tarde estava calma. Peter ficou pelo Queens de bairro em bairro, não houve nenhuma ocorrência. O Homem-Aranha fez algumas coisas para ajudar a vizinhança: resgatou um gato teimoso de uma árvore, ajudou um comerciante a colocar a placa nova de sua loja, ajudou a empurrar um carro até engatar a marcha.
Depois ele se sentou no alto de um prédio e comeu um sanduíche enquanto olhava o sol se pôr. Ficou surpreso quando percebeu que o sanduíche lhe lembrou de e imaginou o que ela estaria fazendo naquele momento. Imaginou se não deveria escolher alguma conto grego para o trabalho de literatura, algo clássico e poético que ela fosse gostar.
Quando terminou o lanche decidiu que era hora de voltar para casa. Ele entrou pela janela do quarto e tirou o uniforme, era melhor manter o hábito. May já havia descoberto, mas mesmo assim ele não podia entrar pela porta da frente vestido de Homem-Aranha, seria estranho.
Ele tirou o traje e colocou uma camisa branca com uma calça moletom preta e se dirigiu para a cozinha que cheirava à comida chinesa e brownies.
May estava na bancada organizando os brownies em uma tigela de vidro. A comida chinesa estava em um prato de plástico fechado. As embalagens da comida estavam na lixeira.
-Peter! -Ela exclamou quando o viu se aproximar. -Que bom que chegou! Eu preparei algumas coisas para dar as boas-vindas aos nossos novos vizinhos.
E com preparar ela queria dizer que havia comprado. Sorte dos novos vizinhos, porque a comida de May era difícil de digerir.
-Temos vizinhos novos? -Ele perguntou roubando um pequeno pedaço de brownie, estava uma delícia. -Não vi ninguém novo. -Ele acrescentou de boca cheia.
-Faz duas semanas já! Tentei três vezes encontrá-los, mas nunca tem alguém em casa. -Ela explicou reunindo os brownies e pegando a tigela. -Mas eu vi alguém chegando agora há pouco. Vamos lá, Peter!
Ele tentou protestar, mas ela o puxou com a mão livre para fora do apartamento. Eles caminharam pelo corredor do prédio e May bateu na porta do apartamento. Peter sabia que aquele local estava vazio há meses e não sabia de ninguém que tivesse mudado recentemente. Por outro lado, ele passava o dia todo fora de casa, então não tinha como ter certeza.
May estava animada e já com o sorriso pronto no rosto. Há anos que ela tenta fazer amizade com os vizinhos, pelo menos dessa vez ela havia comprado comida pronta.
Eles esperaram por um tempo, mas não houve resposta.
May bateu novamente. Dessa vez Peter conseguiu ouvir barulho do outro lado da porta, May tinha o olhar cheio de expectativas.
A porta se abriu e Peter engasgou com o último pedaço de brownie que tentou engolir.

***

havia chegado do trabalho e Mike já a esperava em casa. Ele sempre corria para a abraçar quando ela entrava, ele contava pra ela do seu dia na escola e seguia pela casa falando. Ela pegava suas roupas limpas e ia tomar banho, Mike e ela conversavam o tempo todo. Ele sempre a esperava do lado de fora do banheiro.
Para os irmãos Johnson todo tempo era precioso e eles o aproveitavam juntos. saiu do banheiro e seguiu para a cozinha.
-A lição de matemática foi super fácil! Depois eu vou te mostrar, eu já sabia os exercícios. Eu queria logo ter física igual a você.... -Mike tinha uma energia incrível e até perdia o fôlego de tanto falar.
-Meu Deus! Você queria ter física logo no ensino fundamental?! - riu enquanto abria a geladeira para recolher os ingredientes do jantar.
-É porque já tá tudo meio previsível. Menos literatura, a professora indicou O Senhor do Anéis. A gente podia ver o filme no fim de semana. -Mike se sentou enquanto observava organizar as panelas no fogão. Ele achava o filme um saco, mas assistiria só pela irmã. -Ah, , hoje alguém bateu na nossa porta umas duas vezes antes de você chegar.
se virou para ele um pouco preocupada:
-Você não atendeu a porta, não é? -Ela perguntou e Mike balançou a cabeça sacudindo as trancinhas de um lado para o outro.
-Não, você disse pra não atender quando você não estiver em casa. -Ele disse com as mãos batucando na mesa. -Se fosse a assistente social, estaríamos fritos.
-Bem fritos! -Ela concordou.
-Mas aconteceu na semana passada também. Eu peguei o meu banquinho e subi para olhar no olho mágico e era a mesma mulher da semana passada. -Ele colocou o queixo sobre uma das mãos, seu olhar infantil parecia preocupado.
-Você fez certo, Capitão Mike. - passou os dedos pelas tranças dele para o tranquilizar. Michael sorriu para ela e voltou para o fogão para mexer o arroz.
Foi quando a campainha tocou.
Os Johnson congelaram.
Mike arregalou os olhos para que apertou o cabo da colher apreensiva.
Alguém estava procurando por eles e não era a primeira vez. precisava atender a despistar a pessoa pelo menos uma vez.
Ela fez um sinal de silêncio para Mike e seguiu até a porta. Se aproximou do olho mágico, mas ele estava tão embaçado que não era possível identificar a pessoa.
A campainha soou de novo, Mike se levantou para ir até mas derrubou os potes que estavam na mesa. Ela olhou para o irmão atônita, enquanto Mike fazia um beicinho sussurrando “desculpa”.
Ela contou até três e abriu a porta.
Era uma mulher linda e jovem, parecia muito uma atriz de comédia romântica antiga que o pai de costumava assistir. Ela sorria como se o fato de ter aberto a porta fosse a melhor coisa do dia.
-Oi! Eu sou sua vizinha! -Ela disse estendendo a mão enquanto segurava uma vasilha de brownies de chocolate na outra.
Alguém tossiu e foi então que colocou a cabeça no corredor e viu Peter Parker.
Era Peter.
Tinha que ser o Peter?
E ele estava com o canto da boca suja de chocolate. A mente de ficou extremamente confusa, nada fazia sentido. Tinha uma moça desconhecida na sua porta, Peter Parker estava no corredor do seu prédio e por que diabos a primeira coisa que ela olhou foi a boca dele?
Atrás de , Mike se aproximou e colocou a cabeça pela fresta da porta que a irmã mantinha aberta. Ele olhou bem para a mulher e em seguida para Peter.
-Estamos fritos? -Mike perguntou para que estava surpresa demais para falar.


Capítulo 05

Peter ficou surpreso por um instante e no segundo pareceu se atrapalhar com as palavras como acontecia sempre que começavam a conversar.
-Oi, oi, nossa você por aqui.... Meu Deus, que coincidência, que coisa louca. Oi, garoto. Tudo bem?–Ele disse no mesmo segundo sem respirar.
Mike olhou para Peter:
-Sua boca está suja.
May sorriu para o menino dizendo:
-Oi, que olhos lindos! Qual o seu nome?
-Minha irmã me proibiu de falar com estranhos. -Michael virou a cabeça para como se esperasse que ela confirmasse aquilo. Ela percebeu que os dois estavam se espremendo na fresta aberta e ela finalmente cedeu e abriu a porta por completo.
May riu do que Mike havia dito e se virou para Peter.
-Você a conhece?
Peter balançou a cabeça mais vezes do que o necessário:
-Sim, estudamos juntos! Ela foi transferida no início das aulas. -Ele disse olhando para os olhos de .
-Bem, então você já conhece o Peter. Eu sou a May, tia dele. -E estendeu a mão para .
Finalmente a menina conseguiu se recuperar para falar.
-Eu sou a Johnson e esse é o meu irmão Michael. -Ela apertou a mão de May.
-Michael Johnson e não Jackson. -Frisou Mike. -As pessoas geralmente confundem.
-E aí, Michael. Prazer em te conhecer. -Peter estendeu a mão. Mike deu uma rápida olhada para , ela acenou levemente com a cabeça e o menino apertou a mão de Peter.
-Seus pais estão em casa, ? -May perguntou ainda toda sorrisos. -Trouxemos brownies para vocês!
Peter olhou para May esperando que ela não enchesse a menina de perguntas. Ele sabia que nunca falava sobre a família.
Mike ficou tenso e encostou as costas na irmã buscando apoio, ela o envolveu com o braço direito de forma protetora quase inconscientemente.
tinha a mentira pronta em sua cabeça.
-Nossa madrasta está trabalhando. Às vezes ela fica com o turno da noite. -Ela disse sorrindo. -Os brownies parecem deliciosos, não precisava se dar o trabalho.
-Ah, tão gentil de sua parte. Mas não foi trabalho algum.
Claro, você os comprou prontos, Peter pensou lançando um sorriso secreto à May.
-Nós não queremos atrapalhar vocês, só viemos nos apresentar e dizer que se precisarem de qualquer coisa é só chamar. Estamos aqui na frente de vocês. -May disse entregando a vasilha de brownies à e a puxou para um abraço tão carinhoso e surpresa que a menina ficou sem ar.
Depois May abraçou Mike que sorriu todo bobo por ter ganhado sua sobremesa favorita.
-Muito obrigada, Senhora....
-Ah, não, não. Me chame de May. -Ela interrompeu com um sorriso doce.
Os irmãos Johnson evitavam os vizinhos para não levantar suspeitas de sua situação, mas logo era possível perceber que seria difícil não querer May por perto. E ainda tinha Peter.
o olhou e os olhos dele sorriam.
-Agora vai ser fácil pra gente se encontrar e fazer aquele trabalho de literatura. -Ele lembrou enquanto May se virava para voltar para o apartamento deles.
-Sim, e agora não vamos conversar só na hora do lanche. -Ela disse.
Os dois se olharam por um longo segundo.
Mike olhou de um para outro já impaciente.
-Eu quero saber quando vamos comer esses brownies. -Ele disse tentando tirar a vasilha de .
-Só depois do jantar, Michael Johnson! -A irmã respondeu o puxando para dentro do apartamento. -Boa noite, Peter. Te vejo na aula.
Ela fechou a porta e Peter se virou para o corredor caminhando até sua porta onde May estava parada o esperando.
-Que sorrisinho é esse, Peter? -Ela perguntou com um olhar brincalhão enquanto eles entravam.
Ele nem havia percebido que estava sorrindo abertamente.
-Nada. Nossa, que fome, vamos comer! -Ele acrescentou rapidamente seguindo em direção a cozinha.

**

Depois do jantar, Mike pediu à irmã que assistissem algo na televisão. Eles se sentaram no velho sofá, Michael esticou todo o corpo e deitou a cabeça no colo de . Em menos de meia hora ele já havia pegado no sono.
Ela passava os dedos pelas trancinhas dele e reparava no quanto ele estava crescendo. Logo ela teria que o carregar para o quarto, mas antes queria dar uma olhada no noticiário. Ela pegou o controle da televisão e procurou pelo canal de reportagens.
Como de costume havia várias imagens do Homem-Aranha e dos seus feitos do dia. suspirou frustrada, não sentia muito afinidade por ele. Ver a imagem dele sendo aclamado incomodava ela profundamente, ele era o salvador do bairro, mas seu pai não podia dizer o mesmo. Ela sentiu as lágrimas começando a queimar em seus olhos, até que a reportagem mudou.
Uma mulher de aparência jovem e quase vintage apareceu na tela, ela falava ao microfone frente à uma reunião de um Congresso de Defesa Civil. a reconheceu imediatamente. O cabelo cor de chocolate em ondas, o batom vermelho, a postura de alguém que viveu em outra década e mais ainda a força feminina de cada palavra.
se inclinou na direção da televisão ansiosa para ouvir as palavras da Lady de Aço, sua heroína favorita.
“Não podemos nos calar diante das inúmeras provas e casos encontrados. Precisamos dar continuidade às investigações para acabar com os vestígios das Grandes Guerras, acabar com os estudos e experimentos para transformar humanos em armas assassinas.”
Ela dizia com uma força inspiradora. Afinal, ela era a mulher que sobreviveu a um programa de tortura e controle mental, a Miss Stark era uma lenda viva.
“Nós vamos continuar lutando e desmascarando toda corporação, grupo, entidade e laboratório que colabora com esta prática. Acabar e cortar não só os tentáculos da Hydra, mas também toda essa herança de procedimentos cruéis que matam nossa humanidade.” - ergueu o rosto na imagem, seus olhos encararam a câmera. –“ A justiça prevalecerá. Os culpados devem pagar”
O comitê presente se levantou para aplaudir. sentiu o peito se inundar com a força que precisava há semanas, o primeiro vestígio da esperança que sentia desde o acidente no laboratório da Oscorp.
A justiça prevalecerá. Os culpados devem pagar.
os faria pagar.
Ela precisou chamar Michael para ele ir para o quarto. Ela o ajudou a se arrastar na cama, o cobriu e beijou a sua testa desejando boa noite. Depois voltou para o próprio quarto e abriu o guarda-roupa, retirou todas as reportagens que havia salvado da explosão no laboratório. As organizou, cortou as partes mais importantes e começou a colar uma por uma na parte interior da porta do guarda-roupa.
Havia uma reportagem em particular que ela olhou na dúvida, não sabia se a aguardava ou jogava fora.
“Homem Aranha salva jovem da explosão no Laboratório da Oscorp. A identidade da garota não foi revelada, a Oscorp solicitou que os dados fossem preservados para segurança da vítima”.
E a imagem da matéria era uma gloriosa foto do Homem-Aranha. Que não tinha salvado , mas sim a feito continuar a vida sem o pai. Se Charles fosse salvo ele poderia estar cuidando de Michael agora. não só não podia cuidar do irmão, como vivia com medo de que os separassem.
Ela colocou a imagem do Homem-Aranha junto com as outras matérias para a lembrar de que ninguém poderia salvá-la além dela mesma.
Então ela descobriria o que havia acontecido e descobriria do que era capaz. Era hora de entender o que aquelas substâncias haviam causado nela. Era hora de mostrar ao mundo que havia algo de errado na Oscorp. Era hora de vingar Charles Johnson.

**

Peter acordou um pouco adiantado, se arrumou e tomou o café correndo. Não havia nenhuma ocorrência da polícia ou da emergência pela manhã, então seu plano poderia dar certo.
-Por quê está com pressa? Acordou mais cedo que o normal hoje! -May observou enquanto Peter mastigava seu omelete como um doido e ela calmamente bebia sua xícara de chá de limão.
-Quero chegar mais cedo. -Ele disse simplesmente. Se levantou pegando a bolsa, deu a volta na mesa e beijou a testa da tia. No segundo seguinte ele saiu pela porta. May se perguntava se ele achava mesmo que ela não tinha percebido. Bem, talvez Peter começasse descobrindo só agora que estava agindo diferente.
Toda a energia e entusiasmo que o fez levantar da cama se tornaram receio e ansiedade. Ele parou em frente à porta de e não sabia se batia. Não sabia nem mesmo se ela saía naquele horário, mas deduziu que ela deveria sair mais cedo para esperar o ônibus levar Michael e depois ir para Midtown, o que explicava porque eles nunca se encontravam de manhã.
Isso e o fato de que Peter saía e entrava pela janela do quarto ao invés usar a porta de frente.
Enquanto ele tentava se decidir se batia ou não, a porta do apartamento se abriu e Michael saiu para o corredor. Ele usava um boné sobre as tranças, carregava a mochila em um ombro deixando a outra alça solta.
Ele tinha só dez anos e já era mais legal do que Peter jamais seria na escola.
-Oi, Peter Parker. -Ele disse e abriu um sorriso, aqueles que crianças dão quando querem alguma coisa dos adultos. -Trouxe mais brownies?
-Desculpa, eles acabaram. -Peter deu de ombros olhando para o sorriso divertido de Mike. Ele tinha os mesmo olhos castanhos que . E ela apareceu saindo do apartamento, olhou para Peter no corredor enquanto trancava a porta.
-Oi, Peter. Está indo agora também? -Ela perguntou enquanto eles seguiam Mike em direção às escadas.
-Sim, resolvi ir mais cedo hoje. -Ele tentou dizer em um tom descontraído como se não tivesse se programado para encontrá-la naquele horário. -Você vai de bicicleta, não é?
-Antes sim. -Ela disse enquanto eles desciam o último lance de escada e saíam pela porta do prédio. -Mas a minha quebrou na semana passada, então eu vou caminhando. Você vai de bicicleta hoje?
Peter geralmente ia saltando de prédio em prédio jogando teias.
-Às vezes vou de bicicleta. Mas hoje resolvi ir caminhando também. -Ele respondeu.
O dia estava com a temperatura agradável, o sol já iluminava boa parte da rua. O ônibus amarelo parou na calçada e Michael se virou para dando um abraço na irmã e ela o beijou no rosto desejando boa aula.
Michael segurou a mochila e acenou para Peter enquanto corria em direção ao ônibus:
-Tchau, Peter Parker!
-Tchau, MJ. -Ele acenou para o menino.
Michael entrou no ônibus, escolheu um lugar perto da janela e acenou para até o ônibus se afastar e eles o perder de vista.
Peter sentiu um carinho tão intenso pelos Johnson naquele momento e desejou que Charles estivesse orgulhoso dos filhos aonde quer que estivesse.
Ele e começaram a caminhar pela calçada enquanto o sol ia ganhando mais força no céu. A luz dele ficava mais intensa e os atingia nos olhos com uma luminosidade morna.
-Então você acordou mais cedo hoje? -Ela perguntou segurando as alças das mochilas sobre os ombros.
-Ah sim, queria aproveitar pra ver se a gente podia escolher um conto para o trabalho de literatura. -Ele pensou na primeira desculpa que veio à sua mente. Ela o olhou um pouco descrente.
-A gente podia marcar de procurar algo na biblioteca e analisar o texto depois do jantar. -Ela parecia pensativa e Peter se perguntou se ela estava refletindo se era uma coisa boa deixar alguém se aproximar assim. Eventualmente poderia falar do que aconteceu com o pai.
Peter queria que ela soubesse que ele estava lá naquela noite, mas não podia fazer isso.
-Sim, eu não queria ter que esperar até a hora do almoço para falar com você. -Ele disse e logo percebeu que tinha deixado escapar o pensamento em voz alta.
parou de andar e o olhou avaliando sua expressão.
-É que o trabalho de literatura é importante. -Ele acrescentou.
Ela riu e voltou a caminhar com ele até o prédio da escola, sem questionar.


Continua...



Nota da autora: Agora que chegamos na metade da história, fico muito feliz de citar a Lady de Aço aqui! Ela vai ter uma participação especial e a narrativa vai expandir para vários pontos de vista no último capítulo porque vamos entrar em Guerra Infinita. Ainda tem um caminho pela frente e espero que vocês gostem dessa jornada.





Outras Fanfics:
Colors (Superman - Finalizada)

Série heroínas
The Gost of You (Capitão América - Finalizada)
Scars (X-men - Em Andamento)


Qualquer erro no layout dessa fanfic, notifique-me somente por e-mail.


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