Última atualização: 17/07/2018

VERSE 1.

“Você tem planos para esta noite?”
“Que tipo de pergunta é essa?” Eu ri da maneira apressada de iniciar a conversa por telefone.
“Estava pensando em te ver.”
, eu estou do outro lado do mundo.”
“Só preciso pegar um voo.”

Continuei a rir. Era uma amizade de anos. Nos conhecemos na infância, através de nossos pais. Agora era uma pessoa famosa. Cantava e muitos gritavam por sua atenção. Eu estava em um intercâmbio… no Japão, há seis meses.

“Eu sei que parece loucura. Mas eu só quero te ver.”
“Nos veremos no Natal”

Nossas famílias costumavam se reunir para ceia no Natal, naquele ano não seria diferente.

“É sério, . Ainda é cedo por aí, não é? Algumas horas e eu chego.”
“Você pirou, só pode.”
“Me manda a localização. Vou chegar de madrugada. Vê se não dorme. Eu to saindo.”

Desligou. costumava brincar tanto sobre as coisas que eu nunca acreditaria no que estava dizendo. Mandei a localização de meu apartamento, que ficava próximo à Tokyo Skytree, com um complemento: “dúvido você chegar com comida japonesa”. Havia decidido jogar seu jogo, sem saber que várias horas depois tocaria o interfone sem parar. Eu estava dormindo. Obviamente. Acordei e atendi com raiva.

“Caiu no sono, acertei?”

Sua voz me invadiu tão prontamente quanto o susto. “Não é possível”, pensei. Coloquei um roupão de banho. Liberei o portão através do interfone. Lavei o rosto, já havia me visto em piores condições, então não havia preocupação. Dois toques na minha porta, abri para encarar comida japonesa embalada para viagem.

- Sorte sua que no Japão tem comida japonesa pra todo lado. - Uma piscada enquanto entrava.

Eu estava em paralisia. realmente viera. Saíra do outro lado do mundo e viera parar aqui.

- O que diabos deu em você?
- Você. - Foi a resposta. - Não conseguia te tirar da cabeça.

Flertávamos assim às vezes, mas sempre era na brincadeira. Era amizade. Só amizade? Brincadeira com fundo de verdade, eu diria, da minha parte pelo menos. Fiz uma careta e revirei os olhos, fechando a porta.

- Eu estou só estresse ultimamente. Aquelas pessoas que só pensam no marketing para o meu trabalho. Eu queria algo simples por uma noite pelo menos. Eu queria você.
- Eu sou simples então. - Dei uma gargalhada.
- Você entendeu.

Nos jogamos no sofá e comemos sushis enquanto conversávamos. Parecia que estava em algum estranho sonho com a pessoa que eu mais gostava no universo.

- Não acredito que você veio.


VERSE 2

- Me leva para o melhor lugar em Tokyo que você conhece.
- São três da manhã, .
- Melhor ainda. As ruas serão só nossas.

Ri de seu entusiasmo.

- Vaaamos! Vai ser divertido.

Aproximei-me ao máximo. Nossos rostos ficaram a centímetros um do outro. Eu podia sentir a tensão que se instalou em nossos corpos. Deixei que um sorriso provocativo tomasse conta de meu rosto e depois de alguns segundos apenas me afastei levando comigo a embalagem vazia de comida que estava ao lado.

- É melhor pegar mais de um casaco. - Completei.

Nos animamos por fim. Caminhar pelas ruas de Tokyo a noite não era nem tão deserto e nem tão gelado como parecia. Talvez porque inventávamos de apostar pequenas corridas, nos empurrar para lá e para cá, ou andar somente em pulando. Não estávamos fazendo nada além de tentar manter a temperatura de nossos corpos em meio àquele inverno, mas eu nunca sentira tamanho conforto. Fomos observar o monte Fuji de longe. Ventava gelado e neve começou a cair. fez algumas bolinhas de neve e começamos a nos atacar. Meu abdômen doia de tanto rir naquele frio. Era sempre assim quando se tratava de mim e .

- Quero conhecer o distrito da luz vermelha. - disse depois de uma hora e meia de nada a fazer.
- Aaaah, agora está explicado. - Brinquei. - Você queria curtir uma balada sem paparazzi.

fez uma careta dando um novo empurrãozinho em meu ombro.

- Okay. Eu te levo para conhecer Kabukicho. - Me convenci.

Andávamos a pé durante todo o tempo, mas para ir até Kabukicho precisaríamos pegar o metrô. Poderíamos alugar um veículo, já que no Japão tudo geralmente era bastante prático e não tão caro para alugar, não era necessário nem mesmo falar com pessoas, apenas pagar e retirar cartão de desbloqueio em máquinas.

- Isso é tecnologia demais para minha cabeça. - disse quando eu comentei.
- Você queria conhecer o Japão, não queria? - Eu ri, mas decidimos pelo metrô.

Fomos até Shinjuku, centro comercial de Tokyo, onde ficava Kabukicho e as coisas mais malucas da vida noturna que se pode imaginar. A estação de metrô era muito próxima. Caminhamos pelo mar de luzes que era Kabukicho e nos divertimos comentando coisas aleatórias. Eu fora ali poucas vezes, mas sempre me espantava. Estava sempre apinhado de gente, turistas. Uma loucura, mas inacreditável. Nunca havia realmente entrado em uma das casas noturnas. Era tudo muito caro por ali.

- Vamos entrar em alguma?
- Até parece! - Eu ri. - Acredite em mim, nada nesse lugar é no valor que meu estágio pode pagar, nem que a gente dividisse!

Eu fazia estágio no mesmo lugar em que fazia meu curso de língua japonesa e ganhava alguns ienes por isso. Uma bolsa auxílio.

- Eu posso pagar. - Esquecia às vezes que tinha fama e dinheiro. Para mim era apenas a mesma pessoa que conheci aos oito anos de idade. Levantei uma sobrancelha. já ergueu os braços para o alto. - Retiro o que disse.
- Podemos ir ao Champions Bar, no Golden Gai. Fica a uns 3 min daqui. - Aquele lugar eu conhecia, era engraçado: tinha bebida barata e karaokê.

Golden Gai era um espaço underground, eu diria. Não tinha as luzes e modernidades de Kabukicho. Era um beco cheio de pequenos bares e alguns deles não aceitavam turistas, mas o Champions era ótimo. Eu era horrível no karaokê, ao contrário de , que afinal já cantava como profissão. Eu nunca me importei com isso. Conseguia arrancar muitas gargalhadas com minha incapacidade para cantar. Bebemos sem chegar ao ponto de passar mal ou perder a consciência, mas estávamos alegres o suficiente para soltarmos a voz. Não que precisasse disso para cantar. Depois caminhamos de volta e conseguiu um mini-ursinho em uma daquelas máquinas de brinquedos que existem por toda Tokyo. Me deu de presente. Adentramos o metrô novamente, rindo mais que o normal e quando chegamos ao apartamento mal conseguimos subir as escadas de canseira. Pelo menos eu já nem sentia mais o frio. Os cantos dos meus olhos estavam molhados das risadas. Havíamos pegado uma pizza no caminho, sim existe muita pizza em Tokyo. Nos perdemos por um tempo, até que encontrarmos o rumo novamente, nos rendendo ao GPS. E ali estávamos, no chão de meu quarto minúsculo, dividindo um cobertor. Estava quase amanhecendo.

- Essa pizza é a melhor pizza que eu já comi. - suspirou.
- A minha também. - Suspirei junto e rimos mais.

Caímos no sono depois disso, ali mesmo nas almofadas no chão. Sonhei que ia embora. Minha mente insistia em mostrar, até mesmo em sonhos, que aquilo tudo não iria longe. Não teria como ir.

Continua...



Nota da autora: Agradeço muito por estarem aqui lendo o que escrevi com amor. Shawny me inspirou com esta linda música e quis trazer algo que vocês pudessem desfrutar sem limitações. Sabemos que a língua portuguesa infelizmente nos faz obrigatórias imposições de gênero. Meu desejo é driblar isso para que seja uma história de amor livre. Se houver deslizes, eu já peço perdão, mas sei que cada comentário irá enriquecer mais e mais minha decisão de escrita. Quebrem esses couple hundred miles entre nós <3 beijoquinhas.







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