Contador:


Finalizada em: 10/12/2020

Prólogo

11 de maio de 2007, 03:12 p.m.

- Vem, Vic, eu te ajudo! – a amiga segurava a mão da menor e ambas olhavam para os pés com patins, tentando se equilibrar apesar do desespero por uma delas estar fazendo aquilo apenas pela segunda vez.
- , eu vou cair. – Vic se desesperou, tentando se manter em pé e evitando derrubar a amiga em sua frente.
- Você não vai cair. É fácil, olha. – encostou a amiga no muro amarelo da casa vizinha da sua, que parecia recém pintada, e soltou sua mão, acelerando aos poucos, passando por seu muro branco e velho e indo até a casa de muro verde da esquina. Ela virou seu corpo e fazia seu caminho de volta com tranquilidade, brincando com as rodinhas e fazendo gracinhas para Vic, que prestava toda atenção do mundo para entender como a amiga fazia aquilo tão naturalmente. – Viu? – antes que ela pudesse se aproximar da amiga, a menina perdeu o controle teve seu corpo arremessado no chão, próximo à árvore que dividia sua casa da casa amarela. – Aí! – lágrimas brotaram em seus olhos e ela ouviu a amiga gritar junto, preocupada.
- , eu não consigo chegar aí, eu ‘tô com medo. Você tá bem? – ela perguntou, vendo a amiga chorando encostada na árvore enquanto olhava para seu joelho esticado e ralado, e seu pé que não conseguia mexer.
- Ei, você tá bem? O que aconteceu? – um garoto saiu da casa vizinha da sua e se aproximou dela, se ajoelhando ao seu lado.
- Eu não sei. – falou entre seus soluços, apontando para seus machucados.
- Onde você mora, quer que eu chame seus pais? – ela assentiu, apontando para sua casa. As garotas estavam tão assustadas que nem pensaram que os pais de estavam logo ali, apesar de que seria difícil que as escutassem, já que a casa estava em suas últimas obras e havia muito barulho lá dentro.
O garoto abriu o pequeno portão preto entre as duas partes do longo muro branco e se aproximou da porta correndo o mais rápido que podia, apertando a campainha. Quando ele viu o adulto em sua frente, se atrapalhou nas palavras e gesticulou rapidamente para menina caída, logo correndo junto ao pai dela até a rua.
O menino havia assistido a menina sair com os pais de carro para ir até o hospital e ajudara Vic, quem já conhecia, a tirar os patins e voltar para casa.
Ele então voltou para sua casa para jogar videogame, mas ficou atento em sua janela para ver quando a garota machucada voltaria.
- Tudo bem, meu amor? – a mãe perguntou e ele assentiu.
- Estou esperando a menina voltar, quero ver se ela está bem, ela parecia bem machucada. – falou, preocupado.
- Ela com certeza está bem, mas quando ela chegar, me avise que vamos perguntar. – ele assentiu mais uma vez, sorrindo. Antes que a mãe pudesse virar as costas, ele gritou.
- Olha, mãe! Eles chegaram! – ele apontou para luz do carro que estacionava na casa ao lado.
- Vamos lá. – a mais velha riu, já abrindo a porta e vendo o filho passar por ela como um furacão para correr em direção ao carro.
Ele parou, observando o pai tirar a garota do carro no colo e a colocar no chão. Ela se ajeitava parecendo incomodada e segurava a mão do mais velho, então ele notou a bota em seu pé e imaginou que ela pudesse o ter torcido como ele fizera no verão anterior, jogando bola.
Ele sentiu sua mãe colocando a mão em seu ombro e viu a mãe da garota sorrir para ele, então tomou coragem e andou até a família com sua mãe o acompanhando.
- Oi, ela tá bem? – ele perguntou, se dirigindo ao pai, parecendo envergonhado de falar com a menina.
- Ei, nosso herói! – o mais velho falou, rindo e esticando a mão para fazer um hi-5 com o pequeno. – Obrigado por me avisar, você foi ótimo. Ela tem um ralado um pouco feio e o pé sofreu uma torsão leve, logo ela estará melhor e sem isso. – ele apontou para perna dela.
- Você tem um filho maravilhoso. – ele ouviu a mãe da menina falar para sua mãe e os adultos começarem a falar coisas que ele já nem prestava mais atenção.
- Eu espero que você fique bem logo. – ele tentou puxar assunto, ainda envergonhado enquanto a menina o encarava atentamente.
- Eu também, isso é chato, não vou poder usar meus patins para andar. – ela reclamou, ainda o observando parecendo decorar seus detalhes.
- Você é a nova vizinha? Eu sou o , mas pode me chamar de , eu moro na casa amarela aqui. – ele apontou para sua casa e a menina acompanhou com o olhar.
- Eu me mudei essa semana para essa casa branca e sem graça... – ela apontou para casa, demonstrando sua irritação pela cor desbotada. - Mas a gente vai pintar. Sou a , mas pode me chamar de .



Capítulo Único

18 de novembro de 2009, 11:23 a.m.

- , você pode me ajudar? - se aproximou da mesa que a menina dividia com as amigas e viu todas atenções voltadas para ele. Ele então se abaixou um pouco e falou em um volume mais baixo para que apenas ouvisse. - Eu pisei em um chiclete e não consigo tirar. - ele torceu a boca em um sinal de irritação e riu, assentindo e se preparando para se levantar e segui-lo.
- . - Vic puxou seu braço antes que ela pudesse sair. - Você não ouviu o que as meninas estavam discutindo agora? Meninos são idiotas, não podemos ser amigas deles.
- Mas o é meu amigo desde que eu me mudei para cá, Vic. Ele não é idiota. - ela falou alto para que todas ouvissem. Alguns rostos se torceram ao ouvir sua frase e ela bufou, vendo o amigo a olhando de longe.
- Elas vão ficar bravas, amiga. - Vic falou, diminuindo sua voz ainda mais enquanto as outras começavam um novo assunto. respirou fundo e olhou para tentando passar alguma mensagem. Ele a encarou triste e em poucos segundos se perdera numa multidão e ela já não o enxergava mais.

caminhou para entrada da escola e se sentou na calçada, esperando onde sempre o fazia. Vic iria sair com a mãe, então hoje seriam apenas ela e para caminhar até a rua Parker e suas casas coloridas. Ela observou todos os colegas saindo e viu quando todo grupinho de passou por ali, sem o amigo. Ela estranhou, mas decidiu esperar um pouco mais, pois ele sempre se atrasava de qualquer forma.
Quando ela ouviu o portão fechar com os últimos alunos saindo, ela se levantou e colocou sua mochila nas costas, começando seu caminho sozinha. odiava ficar sozinha, já era filha única e por isso não tinha ninguém em casa para conversar ou brincar, então sempre que estava em outros lugares, adorava estar acompanhada por amigos. Ela fazia amizades de forma fácil, e adorava estar rodeada de pessoas.

- Mãe, cheguei. - ela gritou e a mãe apareceu na sala, vendo a filha correndo escadas acima.
- Quer comer alguma coisa?
- Não. - a menina já gritava do andar de cima, batendo a porta de seu quarto. - ? - ela abriu a porta que levava para sua varanda e chamou pelo amigo, se encostando na grade que apenas agora, aos 11 anos, conseguia se escorar sem dificuldade. - , você tá ai? - ela perguntou, dessa vez num volume mais alto. A garota viu um vulto dentro do quarto e bufou. - Eu ‘tô vendo você, . Você me deixou voltar sozinha hoje. - ela reclamou, suspirando. - Não gosto de ficar sozinha.
- Você não me ajudou. - ela ouviu a voz dele sair de trás da cortina e sentiu seu rosto esquentar.
- Me desculpa. - falou, sincera. - As meninas disseram que não podia ficar perto de você, porque meninos são idiotas. Eu falei que você não era idiota, mas... - ela não sabia o que falar, pois esse era o único motivo, não queria contrariar as amigas, pois tinha seus amigos também.
- Não foi legal, . - ele saiu na varanda e se escorou em sua grade, de frente para ela.
- Desculpa. - ela repetiu, se sentando no chão e vendo ele fazer o mesmo.
- Tudo bem, desculpa ter deixado você sozinha, sei que você não gosta. Não sabia que a Vic não voltaria com você.
- Tudo bem.
- Obrigado por me defender. - ele deu de ombros e ela sorriu.
- Você é muito legal, não vou deixar ninguém falar mal de você.
- Você é muito legal também, . E eu sei disso, não deixo os meninos falarem o contrário. Depois quer vir jogar comigo? - ela concordou com a cabeça, animada. - Era surpresa, mas minha mãe comprou um jogo do Scooby-Doo, tenho certeza que você vai amar.

26 de setembro de 2014, 05:34 p.m.

- Te vejo no sábado então? - perguntou para Henry que estava agora cumprimentando com um aperto de mãos, depois de se despedir dela com um beijo na bochecha.
- Estarei lá, . - ele piscou para ela e observou enquanto a amiga tinha suas bochechas tomadas por um tom vermelho.
- Você vai também né, Mel? - ela perguntou para Melanie, que se despedia animadamente de Vic. Melanie e Henry eram vizinhos assim como e . Os cinco voltavam sempre juntos da escola, pois faziam o mesmo caminho por morar no mesmo quarteirão. Melanie e Henry haviam se mudado fazia pouco tempo, mas pareciam que já eram conhecidos há tanto tempo quanto , e Victoria.
- Claro, ! - a amiga abraçou a garota, animada. - Não perderia seu aniversário por nada. - soltou o ar que segurava e assistiu com um sorriso no rosto.

- Tchau, Vic, até amanhã. - falou acenando para amiga e vendo fazer o mesmo.
- Você tá animada, né? - ele perguntou, atravessando a rua com a garota ao seu lado.
- Muito. - ela falou, feliz. - Você vai me ajudar nas coisas?
- Claro, ! Agora me fala uma coisa, você gosta do Henry? - ele a encarou e viu ela arregalar os olhos.
- ! - ela reclamou. - E você gosta da Melanie, não é? - ela soltou.
- Outch! Tá na cara assim? - ela assentiu, dando de ombros.
- Até ela deve ter percebido. - ela riu e viu o garoto olhar para baixo, envergonhado.
- Espero que não.

27 de setembro de 2014, 06:07 p.m.

encostou na parede próximo ao móvel onde estavam os salgadinhos e doces que escolhera. Sua família havia escolhido colocar todos no porão e arrumar uma pequena cômoda como mesa para os petiscos. Todos os amigos deles estavam ali, ouvindo música, dançando ou apenas conversando. Eles sempre tiveram muitos amigos, mas agora tinham um grupinho ao qual eram mais apegados, e todos se juntaram a partir da amizade de e . Depois de diversas brigas entre os dois durante dois anos por conta de suas amigas e os amigos dele, eles conseguiram unir a todos.
e não eram os melhores amigos do mundo, eles ainda brigavam muito, e muitas vezes passavam dias sem ver um ao outro, mas quando se encontravam, sabiam que tinham com quem contar. Eles passavam a maior parte de seu tempo em grupo, mas um sabia os segredos do outro e tinham uma grande proximidade, afinal, nas últimas horas do dia, se um deles precisasse de qualquer coisa, estavam a apenas um chamado na janela.
- Vem, . O pessoal vai brincar de verdade ou desafio. – Melanie puxou o amigo pela mão, o acordando de seu transe e o arrastando para a rodinha de pessoas sentadas no chão.
segurava uma garrafa e parecia avaliar cada parte dela antes de colocá-la no chão. nunca havia entrado nessa brincadeira, mas sabia que a amiga o obrigaria, mesmo se ele falasse não. Ela com certeza usaria a carta de “aniversariante do dia”.
- Todo mundo sabe jogar? – Vic perguntou, encarando a todos.
Todos assentiram com sorrisos nos rostos. Além do grupo de amigos composto por , , Henry, Vic e Melanie, haviam sido convidados Alex, Nate, Karen, Lauren, Paul e Dan. encarou a todos, respirando fundo. Ele sabia o que aconteceria ali, só esperava que tudo terminasse bem e não tivessem brigas entre os amigos.
- Vai, . Começa. – Alex falou, apontando para garrafa que já estava posicionada no centro.

As coisas começaram bem melhores do que esperava. Todos pareciam levar a brincadeira da forma que deveria ser antes de usarem para outros benefícios. Nate tivera que contar algo que ninguém sabia sobre ele, e revelou que antes de dormir, ele precisava colocar meias, mesmo que as tirasse depois, antes de pegar no sono. Dan tivera que passar duas rodas falando “atchim” entre cada palavra que quisesse falar. Vic passara uma rodada sem poder falar nada. E Karen contou que colou em uma prova de matemática na outra escola e ficou três semanas indo para detenção.
- Desafio. – deu de ombros quando viu a garrafa parar entre e ele. Ele sabia que a amiga teria algo engraçado, ela sempre tinha as melhores ideias.
- Eu te desafio a beijar a Melanie. – ela piscou para a amiga, que a encarou de olhos arregalados. – Alguém tem que começar, não é? – ela perguntou, se fazendo de inocente. a encarou, negando com a cabeça, deixando claro que não esperava aquilo dela. Ele olhou para Melanie e a garota sorriu de lado, dando de ombros. Ele mostrou o dedo do meio para vizinha e se levantou, indo até Melanie que já estava em pé e juntando seus lábios aos dela.
soltou gritinhos animados e viu todos a sua volta fazerem o mesmo. e Melanie sempre trocaram alguns olhares, mas nenhum dos dois teria a coragem de dar aquele passo.
Depois que os dois se sentaram novamente, mal podia esperar para que o destino invertesse a situação para que ele se vingasse. E ele sabia que iria, pois nesse jogo tudo que você quisesse, poderia acontecer.

Após o primeiro beijo, o jogo virou completamente o sentido e tudo era baseado em desafios de beijar alguém. Vic ficará feliz em beijar Dan, mas não tão feliz em beijar Alex. Lauren ficará muito feliz em beijar Paul, e Paul em beijar Vic. foi o primeiro, beijando Melanie e depois dela, Lauren e Karen. Henry havia beijado Karen e Vic. E havia beijado Nate, Paul e Dan. A aniversariante dividia nervosamente seu olhar entre a garrafa e , sabendo que ele esperava a oportunidade de a fazer beijar Henry como ela tinha feito com ele e Melanie.
- Quero que você beije a . – Melanie falou para , decidida. O garoto a olhou, surpreso, assim como a amiga, que com certeza não esperava por aquilo.
se levantou e se aproximou da amiga com um sorriso no rosto. Ele colocou a mão em sua cintura e aproveitou para sussurrar próximo a ela.
- Você sabe que o que você fez vai ter volta, não sabe? – ela rolou os olhos e o garoto riu.
- Isso vai ser estranho. – ela mostrou a língua e ele assentiu, concordando.
puxou a garota para próximo de seu corpo e grudou seus rostos, logo sentindo a boca da amiga encostar na sua. Ninguém havia pedido um beijo de cinema, então eles apenas fizeram com que o momento acabasse o quanto antes, gargalhando ao se separarem.

- Ah, é muita sorte. – riu enquanto via ficar vermelha instantaneamente quando a garrafa apontou entre os dois. – Beije o Henry. – ele viu a vergonha da amiga, mas o que não esperava era ver o sorriso do amigo em resposta.

27 de setembro de 2014, 09:39 p.m.

- ? – o garoto havia acabado de deitar em sua cama quando ouviu a voz da amiga do lado de fora o chamando.
- Já está com saudades? Eu acabei de sair daí. – ele falou alto, sabendo que ela ouviria.
- Você não perde uma chance, né? – ela se sentou no chão, rindo.
- Nunca, . – ele falou, passando pela cortina e alcançando o vento do lado de fora.
- Você não está bravo comigo, não é? – perguntou, curiosa.
- Claro que não. Você foi um pouco maldosa, mas sei que foi uma boa intenção. – ele mostrou a língua para ela.
- E não é como se você não tivesse se vingado, né? – ela rolou os olhos, fingindo estar brava. O garoto riu, negando com a cabeça.
- Vou te dizer uma coisa, eu acho que você se deu muito bem. Eu achei que seria uma vingança, mas o Henry gostou, e muito.
- Gostou do quê? – ela perguntou, arqueando as sobrancelhas.
- Ele ficou feliz quando pedi praa vocês se beijarem. Eu acho que ele gosta de você, também. – ele deu de ombros.
- Você acha, ?
- Uhum. Sério, . Depois vou tentar perguntar para ele, tudo bem? Bem discretamente. – ele piscou para amiga e a viu sorrir envergonhada. Ele sabia o quanto significava para ela e estava disposto a conversar com o amigo para entender.
- Obrigada, . – ela falou, sincera.
- Parabéns de novo, . – ele acenou para garota, que sorriu para ele e se encostou na grade, feliz com aquele dia.

04 de setembro de 2017, 08:15 a.m.

Me sentei na cadeira e joguei minha cabeça na mesa, esticando meu braço para me colocar em uma posição confortável. Eu estava morto. Não ter dormido a noite me traria pesadelos durante o dia, sem dúvida alguma.
A professora entrou na sala e eu não consegui ouvir nada do que ela dizia. Era como se meu ouvido estivesse com um tampão. Desisti de tentar e fechei os olhos, me rendendo ao sono que sentia.

04 de setembro de 2017, 10:30 a.m.

- , acorda. Melhor não ficar aí. Por que não vai embora? - ouvi a voz de me perguntar. Ela nem estava nessa aula, o que estava fazendo aqui? Me levantei e olhei em volta, não tinha mais ninguém na sala, todos já haviam saído.
- Não quero perder o primeiro dia de aula. - falei, seco.
- Ainda acho que se você e Henry tem seus problemas, você não devia me odiar por eles. - ela falou, parecendo chateada. - Eu não fiz nada para você, . Eu nem sei o motivo para eu ainda tentar, sabia? Me arrependo toda vez. Já faz meses que brigamos. - ela virou de costas e saiu da sala, respirando fundo.
Bufei, jogando minha cabeça para trás e levando minhas mãos à cabeça, completamente nervoso. Eu sentia falta de , éramos ótimos amigos, assim como eu e Henry, e agora o grupo parecia distante. Ainda ficávamos todos juntos, mas nada parecia igual antes, e nunca seria, na verdade. Eu e Henry havíamos tido uma briga, um tanto quanto séria, e eu não conseguia aceitar como as coisas se resolveram depois.
Ele e haviam começado a namorar há dois anos e tudo era ótimo, eles eram muito amigos e sempre muito divertidos com o grupo, todos sabíamos que eles se davam muito bem e estávamos felizes por eles. Porém, nas férias de fim de ano, Henry viajara com a família e quando chegou, era como se fosse outra pessoa. Ninguém entendeu o que aconteceu, mas ele estava sendo um idiota com todos, falando diversas besteiras, e magoando aos poucos cada um do grupo.
Eu havia aceitado bastante coisa que ele havia falado e engolido tudo como se nada tivesse acontecido. Mas um dia, quando estávamos apenas entre os meninos no vestiário da escola fora do horário de aula, ele e Dan começaram com um papo um pouco mais pesado. Vic e Dan ficavam, mas não tinham nada sério como e Henry. Eles começaram a discutir sobre assuntos particulares, e como as duas eram tão próximas, mas podiam ser tão diferentes na cama, que elas deviam aproveitar a amizade e conversar mais sobre essas coisas.
Dan estava reclamando que Vic era muito mole, enquanto Henry se engrandecia, falando o quanto sua namorada era incrível e não podia reclamar. Tentei respirar fundo e me virei de costas, trocando de blusa enquanto torcia para que eles parassem de falar. Porém, Paul riu, brincando com Henry como ele se estivesse exagerando, e então Henry deu uma risada sarcástica e soltou um "Pior que nem estou, cara, ela é uma verdadeira vadia na cama". Antes que eu pudesse pensar duas vezes, já estava com meus braços em seu peito, o encostando na parede com força. Só tive tempo de ouvir Dan falar "queria que Vic fosse assim também".
Foquei minha atenção em Henry e, para ser sincero, não lembro nem mesmo o que falei, mas direcionei para os dois. Me lembro de ter batido em Henry depois dele iniciar uma briga, chutando meu estômago, pois perdi completamente meu limite depois dele me agredir. Mas não me lembro o que havia falado que o deixara tão puto a ponto de iniciar a briga. Eu o prensara na parede, sim, mas não havia feito nada além disso e de algumas palavras. Ele se ofendeu, e quando vi, já estávamos rolando no chão. Eu, ele e Dan. Paul e Nate tentavam separar, mas até que conseguissem, todos já tínhamos ao menos um hematoma evidente e sangue pingado nas roupas. Enquanto Paul segurava Dan, e Henry era segurado por Nate, eu sai dali correndo.
Não me lembro de ter chegado em casa ou como fizera isso, apenas lembro das pessoas olhando torto para um garoto machucado correndo pela rua.
Quando cheguei, estava na porta da minha casa, sentada no primeiro degrau da escada em frente. Nós brigamos. E brigamos feio. Henry já havia ligado para ela e contado o que havia acontecido, distorcendo completamente a história. Ainda assim ela queria me ajudar com os machucados, mas não deixei. Depois de ouvir que eu não devia me meter no assunto dos outros, eu corri para dentro de casa, a deixando falar sozinha.
Desde então, não conversávamos mais que o necessário, e apenas dentro do grupo. Eu evitava sair na minha sacada, assim como percebi que ela fazia. Sempre acabávamos nos encontrando ali por acaso, e depois disso, não queríamos isso de forma alguma.
Contei para Vic o que acontecera, e pedi para que ela não contasse a . Havíamos nos aproximado ainda mais depois disso, e ela até mesmo ficara um pouco ressentida por saber que não quisera ouvir minha versão da história. Elas conversavam normalmente, eram melhores amigas, mas eu sabia do ressentimento de Vic.
Os demais do grupo decidiram ignorar todo o ocorrido. Ninguém perguntou o que aconteceu, apenas seguiram em frente como se nada tivesse acontecido. Quando Henry tentou fazer isso comigo, apenas lhe mostrei o dedo do meio e me afastei. Eu sabia que parecia um motivo bobo, mas existiam certas coisas que eu não conseguia tolerar a ideia de ouvir de ninguém, pois eu já havia ouvido dentro de casa e eu via o quanto elas podiam magoar. Eu sabia que as coisas podiam sempre se tornar piores, e eu não tolerava ver alguém agir da forma como o exemplo que eu tinha constantemente em casa.
Meu pai era uma pessoa completamente explosiva, e muitas vezes o vi xingar minha mãe e ela chorar. Por várias vezes o vi falar dela para os amigos e diminuir sua imagem, por várias vezes vi o quanto aquilo a magoava. E ainda assim, ela fingia não se importar, pois o amava. Eu não conseguia entender como ela aguentava.
Uma vez, no ano anterior, perguntei se era apenas por minha causa. Ela disse que não, disse que realmente o amava, que aquilo era apenas um deslize, que ela sabia que ele a amava também. Eu fingia acreditar nela. Meu pai era ótimo comigo, e eu via momentos de carinho dele com ela, porém, eu não conseguia ignorar as explosões e todas as noites sem dormir por conta das brigas deles depois da idade que comecei a entender tudo. Ele nunca levantara a mão para ela, graças a Deus, mas isso não me fazia achar tudo aquilo normal. As brigas eram tão ruins quanto agredir alguém fisicamente, e muitas vezes eu me sentia agredido por ter que assistir aquilo.
era meu refúgio. Ela sabia porque eu estava dormindo aqui, eu tinha certeza, e por isso ela viera falar comigo. Sempre que meus pais discutiam, ela ficava comigo na sacada, conversando e me fazendo ignorar todo o resto, como minha mãe me pedia. Muitas vezes eu até mesmo ia para sua casa e ficávamos jogando alguma coisa ou vendo algum filme até que minha mãe fosse me buscar. Minha mãe e a mãe de se tornaram muito amigas, então elas sempre se ajudavam.

04 de setembro de 2017, 02:47 p.m.

Entrei na última aula do dia, agradecendo por estar acabando. Mas aquela aula realmente me deixava animado. Eu havia escolhido fotografia como opcional, pois era algo que eu sempre gostara. A aula não era muito cheia, notei poucas pessoas já esperando sentadas e algumas no corredor. Achei que fosse um pouco mais agitada, mas aparentemente nem todos pensavam em levar fotografia a sério atualmente.
Me sentei no canto da pequena sala e me encostei na parede, mexendo em meu celular.
Depois de alguns minutos, vi o professor entrar na sala e me endireitei na cadeira, prestando atenção em seus passos. Olhei para porta quando ouvi uma batida nela e então entrou, sorrindo envergonhada para o professor, pedindo desculpas pelo atraso. Eu estava na fileira próxima a porta, e ela caminhou pelo mesmo corredor, passando por mim. Nossos olhares se encontraram e pude reconhecer surpresa nos dois. Ela se sentou atrás de mim e ali se foi toda minha concentração. Tentei ignorá-la, mas ela parecia ter tanta dificuldade quanto eu, o que me deixava agoniado. Me mexi diversas vezes na mesa, tentando achar uma posição que me deixasse focar na apresentação do professor.
Quando ouvi o sinal de final de aula, recolhi minha mochila que nem havia sido aberta e me levantei rapidamente, saindo da sala.

- Eu não vou mais tentar falar com você, tudo bem? - ouvi sua voz enquanto fechava meu armário, que era próximo ao dela. - Já entendi que você não tem nenhum interesse em manter uma pequena amizade de anos.
Fiquei em silêncio a encarando e respirei fundo, vendo-a se afastar depois de não ter uma resposta.
- . - a chamei quando a vi na saída do prédio. Ela estava acompanhada por Melanie, que sorriu em minha direção e acenou para nós, andando um pouco a frente.
- Já falei que está tudo bem, . - ela sorriu, parecendo triste.
- Posso te acompanhar até em casa? Você está com alguém? - perguntei e a vi negar com a cabeça, sorrindo.
- Bom, eu ia com a Melanie e a Vic, mas eu as aviso. - ela deu de ombros.
- Se quiser, podemos ir com elas. - falei rapidamente.
- Eu acho que a gente merece uma conversa, . Não gosto de não falar com você, não gosto de você virar o rosto quando me vê. Não acho justo também. Somos vizinhos e eu não te vejo mais, não sei como está. - ela pareceu ressentida e eu suspirei, sabendo que aquilo seria complicado.
- Não foi justo a maneira como você me tratou, . - soltei, tão ressentido quanto ela estava.
- Eu sei. - ela concordou, virando para o lado contrário do caminho que sempre fazíamos. - Vamos por aqui, tudo bem? Assim não encontramos todo mundo. - eu assenti. - Há um mês, Henry me contou o que aconteceu. Ele me contou o que disse, . Ele me explicou toda a conversa. Ele se arrepende do que aconteceu e do que falou. Ele melhorou bastante, voltou ao normal dele.
- ...
- Eu sei porque você ficou do jeito que ficou, eu mesma sei quantas vezes ouvimos coisas parecidas do seu pai. - ela respirou fundo. - Não somos como seus pais, . Henry só estava passando por um momento complicado, ele sabe que errou e ele sente sua falta também. Vocês eram melhores amigos.
- Eu sei, mas não é como se fosse simples assim voltar atrás e fingir que não ouvi isso e mais todo o resto de merdas que ele falou em outros dias. Você sabe que odeio essas coisas, . Eu posso ignorar ele quando estivermos todos juntos como estou fazendo, mas não prometo mais que isso.
- Tudo bem. - ela bufou. - Me desculpa. Por explodir com você e não te ouvir. Eu sei que foi muito errado. - dei de ombros.
- Como vocês estão? - perguntei.
- Muito bem. Tudo voltou a ser incrível como sempre, . Você sabe que amo o Henry.
- Ele é realmente bom com você, ? - perguntei, preocupado. Eu sabia que podia estar exagerando e pelas razões erradas. era minha amiga há anos, eu não queria que nada de ruim acontecesse a ela, mas eu tinha que me lembrar que nem todos eram babacas como meu pai.
- Ele é, . Você sabe que eu não aceitaria estar com ele se não fosse. - eu assenti, relaxando um pouco.
- Eu vou tentar esquecer tudo, ok? - falei, por fim.
- Você é demais. Muito obrigada. - ela me abraçou de lado, mantendo nossos braços entrelaçados durante os últimos minutos de caminhada que tínhamos antes de alcançar nossa rua. - E como estão as coisas na sua casa, ? - ela questionou, parecendo receosa em entrar naquele assunto.
- Está tudo bem falar sobre, . - a tranquilizei. - Se tudo vai voltar ao normal, quem mais poderia me perguntar sobre isso se não você? - ela sorriu, parecendo realmente feliz com a conversa, apesar do assunto não ser nada bom. - Só as brigas de sempre. Dessa vez eu tive que entrar no meio e pedir para eles pararem. Aparentemente meu pai está para ser demitido do cargo de gerente por algum motivo, e ele está descontando tudo na minha mãe. Eles não querem me contar, mas eu ouvi partes.
- Você sabe que pode me chamar se precisar, certo? - paramos em frente à sua casa, encostando-nos no muro cor de rosa que estava desbotado. Eu assenti, e me aproximei dela, a abraçando. Nós não fazíamos muito isso, mas eu senti que era necessário naquele momento. apertou seus braços ao redor de minha cintura e eu beijei sua testa.
- Obrigado, . E obrigado por insistir. Senti falta de conversar com você, de fazermos esse caminho juntos. - dei de ombros e ela sorriu, concordando com a cabeça.

17 de dezembro de 2017, 06:19 p.m.

- Ei, você já conseguiu fazer o trabalho do sr. Lazart? - perguntei, saindo na sacada de meu quarto e vendo tirando fotos suas com a câmera frontal. Dei risada quando ela parou, envergonhada. - Desculpa, ouvi que você estava aqui, mas não sabia que estava ocupada. É por isso que decidiu fazer aula de fotografia? - brinquei.
- Ha, ha. Muito engraçado, . - ela revirou os olhos, mas logo em seguida riu. - Tudo bem, essa foi boa.
- A pergunta foi séria, não era para ser, mas foi. Nunca te perguntei isso. Não sabia que você gostava de fotografia.
- Nem eu. Descobri nas últimas férias. - ela deu de ombros. - Nunca pensei muito sobre o que queria fazer na vida. - ela se sentou, colocando o celular de lado. Me sentei também, ficando de frente para onde ela estava.
- E você pensa em seguir nisso? - perguntei, levando em consideração que estávamos no último ano da escola e o futuro se aproximava. Ela assentiu, incerta.
- Eu não sei algo mais em que sou boa, isso é algo que me faz feliz. Mas ainda não encontrei muitas opções de cursos. E você?
- Eu quero seguir nisso. Sem qualquer dúvida. Qualquer coisa nessa área, na verdade.
- Acho que você vai se dar bem, independente do que fizer. E já vi suas fotos, você é bom, . - dei de ombros, envergonhado. - E respondendo a sua primeira pergunta. Ainda não consegui.
- Bom, agora está a noite. Se quiser, podemos tentar juntos. - ela assentiu, animada. - Me encontra lá embaixo?

Vesti meu moletom quente, coloquei a câmera em meu pescoço e abri a porta, sentindo o vento gelado bater em meu rosto. Fechei a porta atrás de mim e desci os degraus da entrada, encarando a rua. Faltava uma semana para o Natal. Era nossa última semana de aula antes dos feriados. O frio aparecera cedo aquele ano, junto com a decoração de Natal que cobria toda nossa rua. O nosso bairro, na verdade. Era bonito de ver, parecia que todos tinham se empenhado muito e era possível encontrarmos diversos tipos de decoração, das mais básicas, às mais atuais, como papais Noel dançantes em tamanho real.
Ouvi a porta de se abrir e sua mãe aparecer ali, acenando para mim. Acenei de volta e ela sorriu, mandando um beijo para filha enquanto batia a porta.
- Ei. - falou, se aproximando e levantando a mão no ar para que eu batesse. - Para onde vamos? - ela perguntou.
- Para lugar nenhum, exatamente. - dei de ombros e ela me encarou com as sobrancelhas arqueadas. - O trabalho é sobre fotos noturnas, o que fica mais bonito a noite, nessa época, do que as decorações de Natal?
- Você é genial, ! - ela bateu palmas, animada.
Vi ela ajeitar a câmera, mexendo nas configurações enquanto focava na rua iluminada apenas pelas luzes coloridas em cada casa.
- Vem. - apontei para rua em frente e me seguiu, andando ao meu lado enquanto parecia procurar o cenário perfeito.

Algum tempo e algumas casas depois, paramos em frente ao portão do sr. e da sra. Hiram. A casa era pintada em um tom claro de verde, e eles haviam escolhido luzes brancas para iluminar o lugar. A casa deles era uma das maiores da rua, e tomava a esquina toda.
- Eu acho que aqui você pode conseguir uma melhor que as últimas. Olha como está legal. - apontei para o contraste das cores do céu de fundo, a casa, e os pisca-piscas.
Ela assentiu, parecendo feliz em encarar a lua ao fundo. Ela se afastou um pouco na rua, tentando captar a casa inteira, alcançando logo a calçada do outro lado. Entrei em frente a sua câmera e neguei com a cabeça. - Tá vendo aquela pedrinha ali no meio? - apontei para o meio da rua, entre duas faixas pintadas. - Você vai sentar ali, e tirar a foto de baixo para cima. Daqui. - apontei onde ela estava. - A luz fraca do poste vai mais te atrapalhar do que ajudar.
ouviu tudo que falei atentamente e andou até onde eu havia falado. Me posicionei atrás dela e logo me abaixei, tentando ver se não estava com uma visão errada e havia lhe passado realmente uma boa ideia. Sorri ao ver que daria certo. Aproveitei que ela estava concentrada para fazer o meu trabalho.
- , vai ser muito estranho se eu deitar aqui no meio da rua? - ela perguntou, olhando para mim com um sorriso no rosto.
- Nem um pouco. As vezes consigo fotos ótimas assim. - dei de ombros e ela sorriu, olhando em volta como se na dúvida que estávamos mesmo sozinhos, afinal, o quão estranho era uma garota deitada no meio de uma rua? - Se você quer seguir nisso, , acho que já pode começar a se preparar para esses momentos, eles são bem comuns. - falei, rindo. - Eu acompanho bastante essa vida há um tempo, diversos profissionais. É muito legal, e pelo que vi nas aulas, você vai ser muito boa também.
- Eu espero, , porque eu realmente não tenho muitas ideias. Fotografia é algo novo para mim, eu sei, mas é como se eu sentisse como parte de mim há muito tempo. Não sei, é diferente.
- Você não precisa querer algo desde pequeno para saber que gosta, ou que é bom. Quando é seu futuro, você só sabe. - ela assentiu, como se agradecesse.

- Obrigada, tá? É muito bom ter você me ajudando. - ela se sentou no muro de minha casa, que era mais baixo que o dela. Me sentei ao seu lado, com uma perna em cada lado.
- Imagina, . Fico feliz de poder ajudar.
- Lembra que eu falei que não vi muita coisa ainda? - assenti. - Eu já procurei alguns cursos, mas parece muito sonhador. - ela riu, nervosa. - Você já viu o Royal College of Art, em Londres? - sorri automaticamente.
- Com certeza. É o sonho de qualquer um. Gostei que você já pensa alto.
- Mas é muito alto, não é?
- Não acho que nada seja muito alto. Mas, se você pensa assim por ser uma grande mudança, por ser outros país, aqui temos algumas boas faculdades também. Eu estou entre algumas. Academy of Art University em San Francisco, California Institute of Arts e a Parsons the New School for Design. Mas confesso que tenho vontade de jogar tudo pro alto e ir para Londres. Claro, sei que tudo depende de ser aceito em qualquer uma delas, mas ainda assim, a gente sonha como possível. Seus pais guardaram dinheiro a vida toda para faculdade também, não é? - perguntei e ela assentiu. - Os meus também. Essa parte já deixa tudo mais possível, pois as bolsas são muito difíceis, nem sempre conseguimos.
- Eu acho que o Henry quer estudar na California... Dependendo eu podia considerar essa então, né? - eu dei de ombros, assentindo a contra gosto. - Vou pesquisar um pouco mais.
- Mas, . Não deixa de considerar qualquer uma, tudo bem? Mesmo fora do país, temos em Londres, Paris e até na Índia ótimas opções. Pensa que é o seu futuro, você pode fazer o que quiser, só não pode se arrepender depois, de não ter feito. - ela concordou, respirando fundo e parecendo ter mil pensamentos rondando sua cabeça. - Posso te mostrar meu trabalho? - perguntei.
- Claro, você já tinha feito, né? - neguei com a cabeça.
- Olha. - tirei a câmera do pescoço e entreguei a ela.
- ! - ela riu, me encarando.
Eu olhei junto com ela, vendo as diversas fotos que havia tirado enquanto ela estava no chão, tirando as fotos da casa. A luz estava ótima, e a cor neutra de roupa que ela usava, ajudava bastante. Sorri vendo que em uma delas ela parecia extremamente concentrada à meia luz, e em outra, ela estava rindo.
- Você se importaria se eu usasse? - perguntei. - Minha intenção era tirar algo com uma pessoa, mas se eu te pedisse, você ficaria nervosa e não seria tão simples quanto foi.
- Não. Eu gostei. - ela apontou para uma delas em particular. - Ficaram ótimas, .
- Obrigado. Agora você virou a musa do meu trabalho. – falei brincando e ela gargalhou, descendo do muro.
- Que honra, senhor. - ela fez uma reverência e eu olhei para cima, me gabando. - Vou ir, tá? Quero passar essas fotos pro computador, eu realmente gostei delas. - ela apontou para própria câmera. - Depois você me manda as suas para eu ter? Gostei muito.
- Claro, . Vou passar pro computador também e já te envio. Obrigado pela companhia. - pisquei e levantei a mão, esperando que ela batesse.
- Eu que agradeço pela aula. E por tudo. - ela sorriu, logo passando pelo portão e andando até sua casa.
Acenei uma última vez quando a vi entrando em sua casa, e logo em seguida, entrei na minha.

24 de dezembro de 2017, 11:05 p.m.

Respirei fundo e me sentei em minha sacada. Abri o botão da calça jeans que vestia e inspirei todo ar frio que podia, me apoiando em meus braços para quase deitar no chão.
Fiquei olhando para o céu e agradecendo por aquela noite. Nós havíamos conseguido reunir todos os parentes próximos da nossa família, e agora meus pais já haviam ido dormir e não tivemos nenhum desentendimento. Todo mundo comeu, riu, se divertiu, e sem maiores preocupações.
Peguei meu celular e fiquei vendo minhas redes sociais, olhando as fotos que as pessoas postavam naquele dia. Algumas em família, outras sozinhas, outras com amigos. Agradeci por sempre ter o Natal como um dia de união.
- Ei, tudo bem aí? – vi aparecer na sacada com um vestido vermelho que a deixava extremamente fofa e uma touca de papai Noel, o que a fazia quase parecer uma ajudante do bom velhinho do shopping.
- Tudo. Comi demais, estou tomando um ar antes de ir tomar banho e dormir. – dei de ombros e ela riu. – E aí? Como foi? – perguntei.
- Muito bem. Amo Natal.
- Eu também. Você já vai dormir? Tenho algo para você. – ela me encarou com os olhos semicerrados e uma expressão de dúvida. – Não é nada demais, só vi uma coisa e lembrei de você, então pensei em considerar como presente de Natal.
- O Henry está no banho, vai dormir aqui hoje, logo preciso entrar.
- Ah. – falei baixo. – Vou pegar rapidinho, só um minuto. – me levantei rapidamente e andei até minha cômoda, abrindo a segunda gaveta e tirando o pequeno pacote de papel dali. Sai novamente na varanda e vi abraçando os braços, começando a se incomodar com o frio que fazia. – Aqui. – joguei o pacotinho para ela, que agarrou no ar.
Ela abriu o pacote delicadamente e puxou o conteúdo para fora, sorrindo instantaneamente ao olhar o que era. Eu havia passado em uma loja com a minha mãe e aquela pulseira estava lá, me encarando entre tantas. Ela era prata, e possuía um pingente simples e delicado com uma máquina fotográfica. Era algo bem bobo, na verdade, provavelmente para qualquer um que gostasse de tirar fotos e postar no Instagram.
- Imaginei que você pudesse gostar, para sempre se lembrar da sua nova paixão, da sua escolha.
- , é linda. Você é demais! Muito obrigada. – seus olhos brilhavam enquanto ela pegava a pulseira na mão, analisando cada detalhe. – Mas eu não comprei nada para você. – ela reclamou, fazendo bico.
- E nem deveria, . Nunca fomos de trocar presente ou qualquer coisa assim, foi apenas algo que me lembrou você e eu imaginei que pudesse te empenhar ainda mais nas suas decisões. Você tem um futuro brilhante pela frente, achei legal te fazer lembrar sempre disso, já que você sempre esteve muito em dúvida.
- Obrigada, . Mesmo. – notei seus olhos encherem de lágrima e apenas sorri.
- Agora vai lá, você tá morrendo de frio. – apontei para sua porta e ela riu, concordando. – Boa noite, . Se cuida.
- Boa noite, . Você também, e obrigada mais uma vez.

01 de fevereiro de 2018, 04:42 p.m.

- Todo mundo lembrou que ontem era o último dia para as aplicações, certo? – Karen perguntou para o grupo. Estávamos todos no corredor, caminhando para fora após a última aula.
- Sim. – muitos responderam, um pouco apreensivos.
- Todo mundo tentando várias ao mesmo tempo? – perguntei, rindo ao ver todos concordarem. Aquele era um momento difícil, era bom termos uns aos outros para brincar.
- E todo mundo tem certeza que vai terminar o ensino médio? – entrou na brincadeira, fazendo todos rirem mais uma vez.
Nos dispersamos em vários pequenos grupos, e antes que pudesse notar, senti a mão de em meu pulso, puxando-me para uma direção diferente dos demais.
- Ei, tá tudo bem? – perguntei, estranhando sua atitude e a vendo enviar algumas mensagens rapidamente pelo celular.
- Uhum. – ela respondeu, ainda concentrada no aparelho.
- Tá, já percebi que não. – respondi, pegando o aparelho da mão dela e bloqueando.
- Eu só preciso me distrair. – ela bufou, pulando ao meu lado para tentar pegar de volta seu celular.
- E eu virei uma distração? – perguntei, rindo.
- Você é legal, . Só isso.
- Tá parecendo a de oito anos de idade, me falando que sou legal.
- Por isso eu preciso de você. – ela respirou fundo. – Acho que preciso me sentir com oito anos de idade um pouquinho.
- Vai me contar o que aconteceu? – perguntei, vendo-a chacoalhar nervosamente o pingente de câmera fotográfica da pulseira que eu havia dado.
- Vai me pagar um sorvete?
- Uma banana split? – perguntei, vendo seus olhos brilharem.
- Com duas bolas de chocolate e uma de menta? – eu assenti, rindo. – A cereja é minha.
- E alguma vez não foi?
- Não. – ela abriu um grande sorriso, descarada.

- Não quero despejar meus problemas em você, . – ela reclamou, pegando sua primeira colher de chantilly. – Não fazemos isso.
- Acho que você não faz, . Eu sempre fiz, você é a única que sabe dos meus problemas.
- Mas é porque sou sua vizinha, né. Não tem como, eu sempre sei.
- Ainda assim, eu poderia escolher conversar com qualquer outra pessoa. Achei que já tínhamos passado do ponto “confiança” depois de tantos anos.
- Não disse que não confio em você. – ela reclamou. – Só não queria te encher.
- , sei que você tem vários amigos e eu sou mais um entre eles, mas ainda assim, sou seu amigo. E mais recentemente, seu fã, porque olha, você foi incrível nesse último mês nas aulas de fotografia. – falei, sincero. Vi seu rosto corar e sorri, pegando um pouco de chantilly e passando no dorso de sua mão, apenas para irritá-la.
- Por sinal, podíamos fazer o trabalho juntos, né? – eu assenti, sabendo que ela falava do trabalho em grupo que nos fora passado na semana anterior.
- E o motivo de toda essa tristeza? – perguntei, voltando ao assunto inicial.
- Henry e eu brigamos. Por conta de faculdade. Ele viu que me apliquei para as faculdades que conversamos, e percebeu que todas elas são longe daqui. Ele não se conformou que não escolhi nada próximo de casa, assim como ele que apenas se aplicou para daqui. – ela bufou.
- Você realmente se aplicou para todas aquelas? – perguntei, quase ignorando o resto. Ela assentiu. – Isso é ótimo, . Fico muito feliz. – coloquei minha mão sobre a sua e apertei gentilmente, como se estivesse tentando passar algum tipo de sentimento para ela, dizendo que estava ali. Ela sorriu, agradecida. – Quanto ao Henry, você sabe que é complicado, não sabe? Quando as pessoas saem do colegial, elas podem levar o relacionamento para frente desde que os dois queiram, claro, porém, normalmente isso funciona melhor quando os dois querem coisas semelhantes. Vocês nunca tinham conversado mesmo sobre isso, não é?
- Não. E agora sinto que joguei anos de relacionamento fora, porque duvido que tenha como continuar.
- Vocês podem namorar a distância. Desde que os dois queiram, isso pode dar certo, independentemente de onde você esteja. – ela torceu o nariz, parecendo não curtir muito a ideia.
- Não acho que eu goste disso. E o Henry gostaria menos ainda. Eu acho que estou triste porque já estou me preparando para o fim.
- Sinto muito, . Sei o quanto você gosta dele. – ela assentiu, cabisbaixa. – Mas, pensa. Se for para ser, vai ser. Quando você voltar para casa, vocês com certeza ainda podem ficar juntos.
- Isso é muito tempo para frente, . – dei de ombros, concordando.
- Mas nunca é impossível. – ela sorriu.
- Obrigada, você é ótimo nisso. – dessa vez ela quem pegou o chantilly da sobremesa e invés de passar em minha mão, deixou a textura branca em minha bochecha.

26 de maio de 2018, 04:13 p.m.

Sentei em minha sacada e vi que a janela de estava aberta, tendo apenas a fina cortina cobrindo seu quarto.
Ela estava ali dentro e parecia feliz. Ela estava arrumando o quarto, parecia tirar algumas roupas para doação e pendurar peças novas no guarda-roupa. Ela dançava pelo cômodo com o aspirador de pó enquanto limpava. Sua música soava alto e eu podia ouvi-la cantando junto, animada.
Eu estava a observando já fazia ao menos meia hora, e eu não conseguia me mover dali. Estava feliz que ela ainda não tinha reparado nisso, pois seria muito constrangedor. Ainda mais ao pensar que aquela cena se tornara recorrente nos últimos dois meses.
e eu havíamos nos aproximado muito. Sempre fomos próximos, claro, mas agora, tínhamos uma ótima amizade, de verdade. Não éramos mais o grupo e nós, éramos nós e o grupo. Isso causara certos desgostos, mas não nos importamos, nos dávamos bem e precisávamos um do outro e isso que importava.
Eu entendia como ninguém, essas eram suas próprias palavras. E com o fim do colegial se aproximando, nós estávamos lotados de coisas para fazer e finalizar. Nesse tempo, descobrimos que as dificuldades dela eram minhas facilidades e vice versa, dessa forma, passamos a nos ajudar. No último mês, quase toda noite nos revezávamos. Ou vinha até minha casa, ou eu ia até a dela para estudarmos. Algumas vezes estávamos com preguiça e apenas fazíamos tudo dali mesmo, de nossas sacadas.
Ultimamente, eu sentia como se respirasse . Nós passamos tanto tempo juntos, que me sentia uma criança de novo, quando passávamos todo tempo juntos para brincar. Mas agora, era diferente. Eu a conhecia, nós dividíamos nossos problemas, nossos medos, inseguranças. Dividíamos nossa felicidade, nossas lembranças, nossas esperanças e objetivos.
Eu gostava dela.
Essa era a única certeza que tivera nos últimos meses. Eu nunca havia gostado dela. Não era aquela coisa de “como nunca percebi isso antes”? Não. Era algo novo, algo que ela me fizera desenvolver recentemente. sempre fora incrível, mas agora eu podia ver mais nela. Era como se eu enxergasse uma luz sob sua pele, uma luz que me atraia de uma forma inexplicável. Uma luz que me fazia reconhecer um amor que eu não sabia que poderia existir.
Eu passara minha vida toda ao lado daquela garota, como eu apenas conhecera aquilo agora? Aquela . Aquela que me conta todos os seus segredos e abre seu coração para mim enquanto se tortura em medos e ansiedades. Como eu sobrevivia com uma relação tão superficial quanto era antes? Agora, eu precisava mais dela a cada momento.
Ela era linda. Isso eu sempre soube. Mas ela também amava aquele que já fora meu melhor amigo um dia, assim como dela, e eu quem juntara os dois de certa forma. Acredito que isso tenha fechado meus olhos, e foi o certo, claro, mas agora não mais.
Eu não sabia o que fazer com aquilo, claro. Era apenas um sentimento que deveria passar logo, mesmo que eu tivesse que forçá-lo para fora, mas eu sabia que estava apaixonado. E era a primeira vez que sentia aquilo, toda aquela sensação de estômago remoendo enquanto você está ao lado da pessoa. Era aquilo que eu estava sentindo agora enquanto a olhava fazendo algumas danças bobas com um bichinho de pelúcia em mãos.
Respirei fundo e pensei como seria quando escolhêssemos para onde ir, qual faculdade fazer. Aquele sentimento tinha que passar, pois as chances que eu tinha com a garota eram completamente remotas. Era quase impossível ainda fazer parte da vida dela após o colegial, já que com certeza não seríamos vizinhos a vida toda. E após a faculdade, nunca se sabe tudo que poderia mudar.
Era engraçado, mas agora eu sentia que me encontrava na situação dela com Henry. Triste em terminar algo que sabia que não sobreviveria à ida para faculdade. Sabia que uma amizade era algo muito mais simples de manter, mas aquele sentimento iria me corroer por muito tempo à longa distância.

26 de maio de 2018, 10:56 p.m.

- , essa não é uma boa hora. – ouvi minha mãe dizer no andar de baixo, ainda aos gritos. Desci correndo as escadas, passando pelos vidros espalhados no chão e lançando o pior olhar que podia para meu pai.
- Eu sei. Assim como a vizinhança inteira sabe. – ela falou, suspirando, cansada. – Eu apenas vim buscar o . – ela parecia nervosa, irritada com a situação. – Ele já tem quase 18 anos, eu sei, mas prefiro que ele fique comigo do que tenha que tolerar isso mais uma vez. – eu alcancei a porta e sorri para ela, agradecido.
- , meu filho, me desculpe. – as lágrimas dos olhos de minha mãe apenas aumentavam.
- Tá tudo bem, mãe. Mas eu realmente prefiro sair, tudo bem? Qualquer coisa, vou estar na , é só gritar. – ela assentiu.
- Obrigada, . Mais uma vez. Peça desculpas aos seus pais, mas acho que isso não vai mais acontecer, podem ficar tranquilos. – ela piscou para nós e fechou a porta, me deixando ali com a respiração descompassada. Finalmente ela faria algo?
- Ei. – falou, me abraçando.
- Ei. – sorri para ela. – Muito obrigado. Mesmo.
- Está tudo bem. Na verdade, tive que vir antes que minha mãe viesse, ela estava agoniada já.
- Sua mãe é demais.
- Vem, vamos. – ela estendeu a mão para mim e a segurei, a seguindo até sua casa, já tão conhecida por mim.

Ficamos um longo tempo na sala, conversando com seus pais. Eles pareciam ansiosos por me fazer ignorar os gritos e barulhos que vinham da minha casa, o que me fazia apenas amá-los ainda mais. Os pais de eram como segundos pais para mim, já que sempre me salvavam nos piores momentos.

Subimos para o quarto de , já que ela disse que tinha algo importante para fazermos. A encarei sem entender, mas a segui, com a curiosidade junto comigo.
- Talvez, eu tenha roubado algo da sua casa. – ela falou, nervosa, puxando um envelope de seu bolso. – Eu imaginei que, como o meu havia chegado, o seu também estaria aqui.
- , não acredito. – falei, rindo e me sentei em sua cama, puxando o envelope de sua mão e vendo ali em uma letra muito bonita “Royal College of Art”. – Você já abriu o seu? – perguntei e ela assentiu.
- Sim, eu passei. – abri um grande sorriso e me levantei, abraçando-a. Mas ela não parecia tão empolgada quanto eu. – Foi só uma tentativa, . Meus pais são ótimos, mas mudar de país é algo complicado. Também passei na de San Francisco, que é mais perto ao menos. – ela deu de ombros e eu apenas assenti, um pouco desanimado por ela. – Mas agora abre isso aí. Se eu passei, você com certeza passou, e você tem que ir. – ela falou, animada.
- Tenho medo. – reclamei, cortando lentamente o papel.
- Eu sei, você espera isso há muito tempo. E você vai conseguir, . E você vai estudar lá, e vai ser incrível.
- Lê para mim? – falei, nervoso. Entreguei o papel na mão dela e ela mais rápido do que nunca o abriu.
- , no início do outono, você será um aluno em uma das melhores faculdades de fotografia do mundo. – ela falou toda atrapalhada, soltando o papel e jogando seu corpo por cima do meu em um abraço. – Parabéns, você merece tanto. Eu estou tão feliz, e orgulhosa. – eu a abracei, em êxtase com a notícia.

e eu ficamos deitados conversando sobre como seria minha vida em Londres e ela em San Francisco ou Nova York, já que ainda faltava o retorno dessa. Nós falamos de como poderíamos voltar nos verões e nos vermos, e ela até disse que gostaria de me visitar, já que morria de vontade de conhecer a terra da rainha. Nós conversamos até que pegássemos no sono. Tortos na cama, e ainda vestindo sapatos.

02 de junho de 2018, 03:36 p.m.

- , a gente precisa conversar. – falei, saindo na sacada.
- ! Recebi a resposta de Nova York agora! Eu passei! – ela apareceu, sorrindo com o papel nas mãos.
- Que bom! – falei, feliz por ela. – Mas a gente precisa realmente conversar, e é sobre a faculdade. Eu preciso muito te fazer uma pergunta. – respirei fundo, sabendo que seria complicado, mas que valia a pena tentar, por ela.
- Você está me assustando, tá todo estranho. – ela se apoiou na grade, parecendo ansiosa.
- É que é realmente sério. – tentei rir para parecer mais aliviado. – , eu quero que você seja sincera, ok?
- Tudo bem.
- Eu sei que você está considerando San Francisco e Nova York. Mas, você ainda não recusou Londres, certo?
- Ainda não mandei uma resposta, mas já sabemos qual é. – ela deu de ombros, parecendo tranquila.
- De verdade mesmo, você gostaria de estudar lá? Eu quero saber de gostar, tipo, preferiria lá do que suas outras duas opções?
- Claro, . Se não fosse tão distante, e meus pais topassem, eu iria sem problema. Você sabe, é complicado, mas é a melhor escola e eu apenas estou feliz que você possa ir. Não posso me mudar “sozinha” para outro país, é algo difícil, sua mãe é mais tranquila com isso, eu sei.
- Tudo bem, eu só precisava dessa resposta. – eu sorri e sai dali o mais rápido que pude, correndo para dentro de casa novamente. Ouvi me gritar algumas vezes, mas a ignorei, alcançando minha mãe no andar de baixo e sorrindo para ela. Em poucos segundos ela já estava de pé, na porta comigo.

02 de junho de 2018, 03:47 p.m.

- Oi, Luce. – minha mãe falou animada para mãe de que abrira a porta. – Será que podemos conversar com você e o Terry?
- Claro, está tudo bem, Elizabeth? – ela perguntou, parecendo surpresa.
- Está sim. – minha mãe sorriu, parecendo mais ansiosa que eu. Vi aparecer nas escadas e me olhar sem entender nada, me xingando apenas entre os lábios, sem emitir som algum.
Nos sentamos todos na sala. estava ao meu lado em um sofá de dois lugares. Minha estava sentada na poltrona ao meu lado, de frente para os pais de que ocupavam o outro sofá.
- Vamos lá. – minha mãe começou, rindo, um pouco nervosa. – Sei que parece uma situação estranha, mas é algo bem simples na verdade. Como vocês sabem, finalmente me separei do pai de . Eu não podia esperar mais, eu demorei para acordar, mas finalmente aconteceu. – sorriu, apertando meu braço. – Durante os últimos 10 anos, vocês me ajudaram muito. Vocês cuidaram de para mim, vocês cuidaram até mesmo de mim. Você é uma amiga maravilhosa, Luce, e eu tenho muito a te agradecer. – minha mãe tinha lágrimas nos olhos. – Mas agora, eu quero contar algo a vocês, e pedir que me deixem retribuir por tudo que fizeram por mim, e todo o apoio que me deram. – ela respirou fundo. – Como vocês sabem, minha família toda é de Londres, eu vim para cá quando estava grávida, após conhecer o pai de . – eles assentiram e eu senti a mão da garota se apertar mais em meu braço. – Agora, eu não tenho mais o que fazer aqui. Na verdade, eu vou alugar essa casa, pois sei que ainda posso querer voltar, ou . Mas não posso ficar aqui no momento.
- Vai ser triste não te ter aqui. – a mãe de falou, e seu pai concordou.
- Vai ser triste não ter vocês comigo. – minha mãe falou. – Mas, eu queria muito retribuir tudo que vocês fizeram, como falei. passou no Royal College of Art, assim como , e eu o acompanharei para Inglaterra, já que toda minha família está lá. Vocês sabem que essa é a melhor faculdade para o que os dois querem, não sabem? – eles assentiram e já estava praticamente com as unhas cravadas em minha perna agora. – Eu sei que é complicado para que a estude lá, se mude sozinha para outro país, nós já até conversamos sobre isso e eu custei em aceitar para que o fizesse. Mas agora, o cenário é outro. – respirou fundo ao meu lado. – Eu gostaria que vocês reconsiderassem essa opção dela, pensando que eu estarei lá. Gostaria que vocês considerassem que a aceite estudar no lugar que será o melhor para o futuro dela, pensando que e eu podemos cuidar dela. Ela pode morar conosco, e eles farão o curso juntos, podem estar lá um pelo outro como sempre estiveram. Esses dois tem um brilhante futuro pela frente, vocês sabem, temos filhos maravilhosos.
- Isso é uma grande decisão. – Terry falou após algum tempo em que todos nós ficamos em silêncio. Ele segurou a mão de Luce e os dois encararam a filha, que parecia segurar o ar desde o momento que minha mãe falou “reconsiderassem a opção”. – , meu amor, você realmente tem interesse nessa faculdade, certo? – ela assentiu.
- Muito, pai. Eu e pesquisamos muito, lá é o melhor lugar para aprendermos. Eu estou muito feliz que conseguiu, ele sabe, e eu até mesmo já estava tranquila em não poder ir, eu entendo nossa decisão. Mas tendo essa opção de ir com eles, eu sinto que se não aceitasse, estaria deixando passar uma ótima oportunidade. O que mais implicava era me mudar sozinha para outro país, mas estando com eles, sinto que seria muito melhor. Eu agradeço muito vocês por oferecerem isso. – seus olhos agora lacrimejavam enquanto ela se dividia entre minha mãe e eu. Coloquei meus braços ao redor de seus ombros e a trouxe para perto, a abraçando.
- Nós queremos te ajudar a ter o melhor para você, . – minha mãe falou, limpando as lágrimas dela com as mãos. – Você é como uma filha para mim, sabe disso. Vou ficar muito feliz de ter você junto conosco. – ela se virou para Luce e Terry, que pareciam distantes em pensamentos. – Vou deixar vocês conversarem, tudo bem? Qualquer coisa, estaremos na casa ao lado. – ela riu e me puxou pela mão. Eu me abaixei rapidamente e beijei a bochecha de . Ela apenas balançou a cabeça, como se agradecesse sem palavras.
- Muito obrigada. – Luce falou, sorrindo para minha mãe e eu.

29 de junho de 2018, 05:19 p.m.

- ? – ouvi a voz de do lado de fora e soltei a gravata que segurava, indo até a sacada.
- Oi. – falei, mas logo segurei minha respiração, a encarando. Ela usava um vestido longo, verde escuro. Ele possuía alguns brilhos discretos, mas no geral, era muito simples. – Você tá linda.
- Obrigada. – ela corou e eu sorri, tentando recuperar a postura. – É... Bom, eu ia te perguntar se estava legal, acho que tá então, né? – ela riu. – Cabelo preso ou solto?
- Preso vai ficar muito bonito. Solto também, mas voto no preso. – dei de ombros e ela assentiu.
- Você sabe que agora vai ser meu consultor oficial, não sabe? – eu concordei, rindo.
- Não vou ter muita opção, né? – ela negou. – Mas tudo bem, é por um ótimo motivo.
- Ótimo mesmo. Eu ‘tô tão feliz. – ela suspirou, pegando seu salto na beirada da porta e se virando novamente para mim, enquanto o calçava. – Vou morrer sem saber como agradecer, eu amo tanto vocês. – ela suspirou mais uma vez.
- E nós amamos você, . Por isso sempre queremos seu melhor. – entrei rapidamente e peguei minha gravata borboleta, colocando-a no lugar. - Logo você cansa de agradecer, acho que vai ficar chato agradecer todos os dias já que vamos morar juntos, não acha? – ela sorriu.
- Nunca vou cansar de agradecer, . Vocês são incríveis. Eu nem acredito que daqui dois dias estaremos em Londres. Estou tão ansiosa.
- Eu também, muito. Eu já conheço, claro, mas vai ser legal ter você comigo agora.
- Ei, você não está nada mal também, viu? – ela piscou para mim, apontando para minha roupa. Sorri para ela e mostrei a língua. – Nos vemos no baile? – ela perguntou.
- Nos vemos no baile. – afirmei.

19 de outubro de 2018, 05:02 p.m.

- Você vai comigo? – abriu a porta do meu quarto e me encarou, largado na cama.
- ‘Tô com preguiça. – reclamei.
- Por favor, . – ela fez bico e eu sorri, revirando os olhos em seguida. – Vai ser nossa primeira festa de verdade.
- Eu vou, chata. Vou me arrumar. – ela concordou, fechando a porta e gritando do lado de fora.
- Coloca aquela blusa vinho, fica muito bonita. – respirei fundo e me levantei, abrindo o guarda-roupa.

Há três meses minha vida se resumia a . Se eu já tinha me aproximado dela nos últimos meses da escola, imagine quando passamos a morar juntos em outro país.
Nós saíamos juntos, conhecemos a maior parte das coisas, e agora íamos para faculdade juntos, fazendo o mesmo curso. Nós realmente vivíamos juntos. O que isso tinha feito com meus sentimentos descobertos algum tempo atrás?
Triplicado.
Acreditei que quando ficássemos tanto tempo assim juntos, eu passaria a me irritar com ela. Que nós descobriríamos tudo de pior um do outro e passaríamos apenas a nos suportar. Mas havia acontecido o contrário. Eu estava cada vez mais confortável ao seu lado, e ela parecia se sentir da mesma forma.
Minha mãe era ótima, ela nos dava todo apoio do mundo e estava sempre ao nosso lado. Andando pela cidade, correndo atrás de descobrir as novidades da faculdade. Ela nos ajudou em tudo, realmente. Ela estava mais feliz, eu nunca a vira tão bem quanto depois da separação.
Eu sentia que ela desconfiava de meus sentimentos por , então ela sempre estava de olho em mim. Ela não tinha coragem de chegar e perguntar, e ela também não via problema em nos deixar sozinhos, tinha sua confiança. Porém, ela estava de olho e tentava me perguntar de formas discretas, mas não tão discretas assim.
- . – ouvi a voz de minha mãe e a pedi para que entrasse. Estava procurando meu perfume dentro do armário.
- Oi. – falei, a olhando.
- Só queria pedir para que tomasse o triplo de cuidado hoje, ok? Cuide da , por favor.
- Mãe, você sabe que sempre cuidamos um do outro.
- Eu sei, meu anjo. – ela se aproximou, beijando minha cabeça. – Festas de faculdade deixam qualquer mãe com o pé atrás. – ela riu. – Apenas se cuidem. – ela saiu e bateu a porta novamente.

19 de outubro de 2018, 08:15 p.m.

- Sem condições. – eu estava encostado em uma parede, observando em volta, quando me alcançou. – Isso aqui é chato. Parece que só quem bebe horrores se diverte, não tenho paciência, não quero beber até cair.
- Bom, você sabe que também não sou dos mais fãs. – dei de ombros e ela se apoiou em meu braço.
- Vamos embora? – ela sorriu, como se tentasse me convencer. – Vamos fazer alguma outra coisa, não sei.
- Você não precisa nem falar duas vezes. – eu ri e ela segurou meu rosto, beijando minha bochecha.
- Por isso você é o melhor. – ela segurou minha mão e me puxou por entre as pessoas, andando comigo até a porta da casa que estávamos. – Metrô? – ela perguntou e eu assenti. Ela soltou minha mão e então nos guiou pelo mesmo caminho que viemos, enquanto tagarelava sobre quão chatas eram as pessoas que ela tentou conversar.

- O que quer fazer? – perguntei, encarando o mapa em nossa frente. Ainda não havíamos decorado tudo para andar tranquilamente pelas gigantes linhas de metrô dali.
- Não sei, acho que só andar por aí, depois voltamos para casa. – ela deu de ombros. – Vamos pro centro. – ela apontou para estação Piccadilly Circus.

19 de outubro de 2018, 10:22 p.m.

- Quer entrar? – ela me perguntou, apontando para um pub qualquer depois de andarmos tanto que saímos da parte central da cidade.
- Pode ser. – dei de ombros e ela entrou rapidamente na fila.

- Você não está cansado de sair comigo? – ela perguntou enquanto estávamos em pé, apoiados uma pequena mesinha de canto.
- Como assim, ? – perguntei, rindo.
- Não sei, . As vezes sinto como se estivéssemos muito próximos, sabe? Tenho medo de ter estragado sua experiência de mudar de país, de ir para uma faculdade tão legal. Você passa o tempo todo comigo no seu pé.
- , já pensou que eu posso sentir o mesmo sobre você? Você sabe que não precisa ficar junto comigo se não quiser, não sabe? Tenho medo de que você considere isso uma obrigação.
- De forma nenhuma. – ela sorriu abertamente. – Eu fico perto de você porque gosto, . Sempre gostei da sua companhia, não seria agora que isso mudaria. Me sinto confortável com você, você é meu amigo e eu não sei o que faria se não tivesse você aqui.
- Me sinto da mesma forma. – coloquei minha mão sobre a dela, por cima da mesa. – Não sei o que seria da minha experiência sem você comigo, você torna tudo melhor. É incrível ter alguém com quem compartilhar tudo isso. – ela apertou minha mão em resposta.
- Me desculpa por entrar nesse assunto? Foi só algo que me passou pela cabeça.
- Passou pela minha também, bastante, na verdade. Fico feliz que você esteja tão bem quanto eu com isso.
- Você pode dançar comigo? – ela sorriu de um jeito diferente, sabendo que eu odiaria a ideia e ela teria que me convencer, diferente da saída da festa.
- Ah, . Não posso tirar fotos suas dançando? – eu falei, rindo. – Tem muita gente, eu não posso fazer meus passinhos idiotas no meio das pessoas.
- Só fica lá comigo, vai. Por favor. – ela fez bico e andou até ficar de frente para mim. – Não me deixa ir sozinha.
- Você sabe que eu faço tudo que pede, então se aproveita disso, não é? – ela puxou minha mão e andou até a multidão de pessoas. A música que estava tocando terminou bem no momento que começaríamos a dançar, mas outra já deu sequência rapidamente.

Eu mexia meu corpo próximo a , mas ela quem dançava. Ela mexia seu corpo de um lado para o outro de uma forma bonita. Não era algo desengonçado como eu, era algo leve. Eu observava enquanto ela dançava e não conseguia nem ao menos desviar minha atenção. Eu sabia que quem olhasse, reconheceria meu olhar de desejo para aquela garota, mas ela provavelmente nem mesmo sonhava com aquilo.
havia acabado de terminar seu relacionamento com Henry e se mudado para outro país. Eu não sabia como estavam seus sentimentos. Eu não sabia o que ela queria dali para frente. Eu sabia que ela não era do tipo que terminou o relacionamento e só por isso queria ficar com diversas pessoas. Eu sabia que ela preferia algo sério a várias ficadas.
Também sabia que ela não estava mal. Ela ficara mal por Henry alguns meses antes de terminarem, quando me contou que sabia que chegaria ao fim. Eles ficaram juntos até que ela viesse para Londres, até o dia do baile. E então se separaram tranquilamente, como amigos. Eles haviam se preparado para aquilo e eu gostava da forma madura como trataram tudo, o que me fez até mesmo tolerar ele nos últimos meses de aula.
Eu realmente gostava de . E eu queria muito que ela também gostasse de mim, nem que fosse um pouco. Só um pouco seria o suficiente para mim, pois me daria coragem de dar o primeiro passo para lhe falar. Se ela me desse qualquer sinal de que me via de qualquer forma que não fosse apenas um amigo, eu tomaria coragem e a faria se apaixonar por mim a cada dia.
A cada dia eu precisava mais dela, era como se eu respirasse nossos momentos juntos. A cada minuto eu me sentia mais feliz ao seu lado, e eu queria que ela tivesse a chance de ver tudo dessa forma também, e reconhecesse o amor que poderia nascer e que poderíamos ter um pelo outro, eu ansiava por aquilo. Se tinha algo que nós dois já havíamos percebido, era que não precisávamos de muito para nos divertir, ou para nos apoiar, podíamos estar juntos e conquistar o que fosse. E eu a queria dar motivos para viver e sentir tudo na intensidade que eu viera vivendo nos últimos meses.
Senti ela apoiar seu braço sobre meus ombros e juntar suas mãos atrás de minha nuca. Respirei fundo e a encarei, enquanto ela soltava os cabelos e jogava sua cabeça para trás, ainda imersa na música. Coloquei minhas mãos em sua cintura e aproximei nossos corpos, vendo-a me olhar de uma forma engraçada. Ela tinha um leve sorriso nos lábios e eu sabia que ela estava se divertindo.
- Não faça nada que vá se arrepender depois. – ela suspirou, ainda encarando meus olhos de uma forma intensa.
- Se você falar que eu vou ter motivos para me arrepender depois, eu não vou fazer nada.
- Tenho medo de que eu me arrependa. – ela confessou, sorrindo.
- Eu sei que vou me arrepender se não tentar. E esse tipo de arrependimento eu odeio, . – vi seu sorriso aumentar e então me aproximei, sabendo que ela estava me dando uma deixa. A mesma deixa, o mesmo sinal, que eu havia pensado há dois minutos.
Grudei nossos lábios devagar, deixando-nos sentir o momento, mesmo que fosse em meio a uma pista de dança agitada.
- Acho que eu nunca tinha pensado em nós desse jeito. – ela riu, fazendo carinho em minha nuca com suas unhas.
- Eu tinha, muito. Você não tem ideia. – respondi, sem pensar. – Desculpa. – falei rapidamente, fazendo-a rir.
- Acho que você conseguiu me fazer pensar, e sinceramente, quero pensar mais um pouquinho. – eu sorri, aproximando nossos lábios novamente e apertando sua cintura contra meu corpo.



Epílogo

- Estou ansiosa pra ver meus pais. – respirou fundo e juntou sua mão na do namorado.
- Eu estou com saudade deles, confesso. Mas ainda não acho que sua melhor ideia foi esconder até chegarmos aqui. – falou, nervoso. – Eles vão ficar irritados, afinal, já faz uns seis meses que estamos juntos.
- Mas não faz seis meses que estamos namorando mesmo, pra valer. Então acho que tudo bem. – a garota deu de ombros. – Eles vão ficar felizes, eles te amam, .
- Eu sei, . Mas fico com o pé atrás, afinal, você está morando com seu namorado. Eu e minha mãe te levamos para outro país e agora escondemos seu namoro. – ele torceu o rosto em uma careta.
- Você é muito exagerado, para de sofrer antes da hora. – ela o puxou pelo aeroporto, andando rapidamente até o portão de desembarque para pegar suas malas e sair o quanto antes dali.
e pisaram na escada rolante e seus corações aceleraram, felizes em voltar para cidade que tanto amavam. Eles passaram o ano distante dali, em sua nova casa, e tanto havia mudado. A garota sentia falta dos pais, e mal podia esperar para vê-los e lhes atualizar pessoalmente de tudo que já haviam contado nas diversas chamadas de vídeo e mensagens. Quase tudo.
Eles olharam para saída e sorriram instantaneamente, vendo os pais da garota com uma placa com seus nomes, sorrindo na direção deles. A mãe dela tinha lágrimas em seus olhos, e ela correu até a filha, rasgando o cartaz sem nem perceber, em meio a seu desespero. Em poucos segundos, as duas já estavam abraçadas e abraçava Terry, que lhe dava diversas batidinhas nas costas.
- Vocês têm tanta coisa para nos contar. Estamos ansiosos para ouvir o resumo de um ano inteiro. – Luce falou animada, quando já estavam no carro, na metade do caminho de volta para rua que viveram por anos. – , sua mãe não ficou triste de vir com a ? Sentiu falta daqui também?
- Senti saudade de vocês. Da cidade também, mas senti saudade de vocês. – o garoto falou, sincero. – Não queria passar três meses sem a , também. – ele riu, encarando a namorada enquanto ela quem ficava nervosa agora.
- Imaginávamos que você iria querer uma folga da , sabemos que não é fácil aguentá-la, ainda mais morando na mesma casa. – Terry riu, os encarando pelo retrovisor.
- Mãe, pai. É engraçado ter que falar isso, mas eu não aguento mais, eu estava muito ansiosa. – ela riu, se encostando entre os bancos dos pais no meio do carro. – Eu e estamos namorando. Eu não sei como aconteceu, mas aconteceu, e eu acho que não tem nada mais certo que isso. Vocês o conhecem desde que somos pequenos, nós sempre estivemos juntos e ele me faz muito feliz, sempre fez, mesmo quando éramos duas crianças remelentas brigando e eu não tinha ideia de que isso poderia acontecer.
- Ah, meu Deus. – Luce falou surpresa e Terry apenas arregalou os olhos.
- Eu espero que vocês não fiquem bravos, vocês sabem que eu e a somos ótimos amigos antes de qualquer coisa e eu a conheço muito bem. Eu nunca a machucaria. - olhou para o namorado e sorriu, agradecida.
- Acredito que falo por mim e por Luce. Estamos surpresos, mas nunca ficaríamos bravos com isso. – ele relaxou, rindo. – Você é como um filho para nós, . Sempre foi. Se tem alguém a quem confiamos aguentar essa garota chata, é você. – rolou os olhos e o pai riu.
- Você cuidou dela desde o momento em que se conheceram, . Só estamos surpresos, não esperávamos que esconderiam isso. – Luce encarou os dois, reclamando.
- Desculpa. – falou, envergonhada. – Eu nem esperava isso acontecer, para ser sincera. Sempre gostei de , mas nunca havia pensado dessa forma.
- Mas depois que vocês realmente se aproximaram, acredito que era uma questão de tempo. – Terry falou, dando de ombros. – Vão ter que nos contar mais sobre isso, ok? – ele parecia ansioso.
- Vocês são os melhores. – falou, feliz com a reação dos pais da namorada.
- Mas vocês terão um primeiro desafio, eu acredito. – Luce falou, respirando fundo e abrindo a porta quando o carro foi estacionado. – Era para ser surpresa, mas todos seus amigos estão lá dentro. Todos. – ela apontou discretamente para casa. – Achei melhor vocês saberem.
encarou e eles entenderam o recado, rindo. Não sentiam problema nenhum pelo ex-namorado da garota estar ali, claro, mas seria estranho, por melhor que eles tivessem terminado e sabiam não sentir mais nada um pelo outro desde antes mesmo do término. Mas não seria nada além de estranho, sabiam que todos brincariam com a novidade e passariam por muita vergonha ao contar.
Naquele ano que se passara, o grupo havia conversado por mensagens e vídeos, mas eles mal podiam esperar para ver uns aos outros, afinal, tinham ali amizades de quase uma vida toda com uma grande saudade acumulada.
e desceram do carro e encararam a rua, sentindo o ar de sua infância. Eles encararam a antiga casa amarela do garoto em contraste com a casa rosa da garota, qual eles estavam prestes a entrar. Dali era possível até mesmo ver as sacadas de seus quartos vazias, onde muito acontecera, onde eles passaram tanto tempo em sua infância e adolescência.
estendeu sua mão para namorada sentindo a nostalgia do lugar e a puxou para perto, beijando sua testa e se deixando então ser puxado para matar a saudade de tudo ali. Fosse do lugar, dos pais, ou dos amigos.
Seria ótimo reviver todas as sensações ao lado da garota, mas dessa vez da forma com que ele sonhara quase inconscientemente quando deixou aquela casa amarela um ano antes. Com um novo combo de sentimentos misturados à sua felicidade.





Fim!



Nota da autora: Olá!!!! E ai? Curtiram essa curtinha fofíssima? hahahaha
Confesso que sou apaixonada no plot vizinhos, é uma delícia mexer com algo tão sensacional quanto essa coisa de sacadas de quarto uma de frente pra outra!
Obrigada Fla pela capa linda, e obrigada Nat por ter pego esse ficstape incrível e me ajudado do começo ao fim mais uma vez, sendo a melhor beta da vida!
Me digam o que acharam e se gostam desse plot também hahaha





Outras Fanfics:
Something Blue
08. Two Worlds Collide
12. Hesitate


Nota da beta: Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


comments powered by Disqus