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Finalizada em: 14/12/2019

Prólogo

- Pra mim chega, . Eu não posso me envolver com alguém assim, você mudou demais em pouco tempo.
- , eu ainda sou o mesmo de sempre.
- Você não é o mesmo de sempre. Você não pensa direito nas coisas, você desaparece de casa, você é grosso com todo mundo à sua volta. Você não tem mais nada do de antes.
- Eu achei que tivesse você, .
- Eu e todas as groupies que te seguem, . Eu achei que você pudesse me tratar diferente, porra, eu te conheço a vida inteira, garoto. Eu te acompanhei em tudo, eu sempre estive com você, e eu não mereço nem mesmo que você apareça em casa no dia do meu aniversário? Logo agora que eu acreditei que a gente poderia realmente dar certo.
- , eu tinha um show e você sabe muito bem disso, mas, acredito que chegamos ao problema real, não? Você não tem problema algum comigo, ou meu jeito de agir.
- Um show, . Um show que acabou às 10 da noite, e depois disso? Algum motivo pra você nem aparecer? Eu vi as fotos, . Eu sei que não temos nada oficial, não temos nada sério, mas o mínimo que eu esperava era que você tivesse algum carinho, algum respeito por todos os nossos anos de amizade, eu acreditei que você pudesse entrar de cabeça nessa comigo, mas não.
- Tudo bem, . Se você quer arrumar um motivo pra gente terminar, você aparentemente tem muitos pra escolher. Eu não vou lutar contra, afinal, você está bem decidida. Mas quero deixar claro uma coisa, eu não te traí em momento algum, e eu espero, de coração, que você saiba disso.
- Eu sei que não, e eu não duvidei disso em momento algum. Mas claro que você não vai lutar contra, vai ser finalmente uma liberdade pra você, não vai? Eu vou sofrer, , mas vai passar. Eu te amo muito, você é meu melhor amigo desde que me conheço por gente, e fazendo isso eu vou apenas me machucar, porque você não é capaz nem de sentir remorso na situação em que você está. Mas um dia você vai. Espero que você perceba a forma como está agindo antes de perder mais do que precisa.


Capítulo Único

12 anos depois
- É claro que eu vou, mãe. Eu não vou deixar de estar aí. Pode arrumar meu quarto que eu vou ajeitar minhas coisas aqui e estarei aí o quanto antes. Não fala pra ela, tudo bem? Não sei como ela vai reagir.
Desliguei o telefone ouvindo minha mãe resmungar mais uma vez sobre como as coisas tinham chegado a ficar daquela forma e rolei os olhos me jogando na cama, preparado para ligar pra todo mundo que precisaria para desmarcar as coisas que eu tinha na próxima semana.
Ouvi diversas reclamações de Raphael e Alyssa sobre não ser possível desmarcar tudo em cima da hora, e que isso poderia me levar a ficar mal visto com as emissoras que eu teria entrevista e blá, blá, blá, ignorei tudo que eles poderiam dizer e expliquei que não tinha opção, que era uma emergência e eu teria que ir para minha cidade natal o quanto antes. Aproveitei e pedi para que comprassem a passagem para o próximo horário possível para que eu voasse ainda hoje.
Enquanto tomava banho, deixei que os pensamentos que eu tentava ignorar tomassem conta de mim. Já haviam se passado 10 anos de nosso último contato, quando tentei explicar para ela que eu estava errado dois anos antes e que eu havia mudado e que queria ela de volta em minha vida, tentei convencê-la de que poderíamos ser amigos novamente, tentei fazer com que ela confiasse em mim, mas recebi apenas um “Não posso, , desculpe. Não me procure, por favor” em resposta.
Aceitei sua posição e segui em frente, até cheguei a cogitar procurá-la um tempo depois, porquê talvez dois anos ainda não havia sido tempo suficiente para que ela deixasse as coisas que aconteceram pra trás. Porém, desisti da ideia ao conversar com sua mãe quando fui visitar meus pais um tempo depois e a sra. me disse que ela havia aproveitado o meu pedido de reconciliação para pegar uma caixa cheia de coisas nossas e tentar colocar fogo. Sua mãe me disse que teve tempo de salvar tudo e que havia guardado por acreditar que um dia, talvez, ela se arrependesse se fizesse isso.
Sra. era o motivo pelo qual eu voltaria para cidade. Infelizmente, minha mãe havia me ligado cedo três dias atrás para me dar a notícia que ela falecera durante a noite, e eu não imaginava que uma notícia poderia doer tanto quanto aquela estava. Ela era uma mulher incrível, era como minha segunda mãe já que eu e passávamos grande parte de nosso tempo juntos quando pequenos. Eu sempre buscava visitar minha casa entre as agendas de shows e eu nunca, nenhuma vez, deixei de visitar a sra. , era ela quem me falava como estava para matar minha curiosidade, me contava sobre a cidade e tudo mais que minha mãe quisesse esconder de mim.
O pai de não era presente, nunca foi. Emilly a criou sozinha, desde que ele foi embora quando a garota nasceu. Se eu não estava sabendo lidar com a notícia, tentei imaginar pelo que não estaria passando naquele momento, e eu esperava que ela me deixasse apoia-la, pois eu queria estar ali por ela. Emilly era sua mãe e seu pai ao mesmo tempo, as duas tinham uma relação linda, e elas tinham apenas uma a outra devido à distância de sua pequena família.

- Oi, mãe. – abracei a mulher assim que ela abriu a porta para que eu entrasse.
- , querido! – ela me apertou em seus braços e pude sentir algumas lágrimas caírem em minha roupa. Quando ela se afastou pude ver que seus olhos estavam um tanto quanto vermelhos. Ela e Emilly eram amigas há muitos anos, ela também não estava sabendo lidar com o momento, ninguém estava.
- Pai. – me aproximei, abraçando-o.
- Odeio que o motivo da visita seja tão triste, filho.
- Nem me fale. – coloquei a mão em seu ombro e, quando minha mãe se aproximou de nós, senti que todos estávamos compartilhando um sentimento de tristeza junto à apoio, apenas estando um na presença do outro.
- Você já viu a , mãe? Ela chegou? – ela assentiu e mais lágrimas apareceram em seus olhos, escorrendo livremente por seu rosto.
- Ela está horrível, . Eu não sei como ajuda-la, meu amor, ela está em choque. Eu consegui resolver tudo que ela precisava, ela não estava em condições de tratar nada. Tivemos que medicar ela, acho que a ficha só caiu quando ela chegou aqui, eu a trouxe pra cá, ela está no seu quarto.
- Ela tá aqui? – olhei para escada que levava pro andar de cima e antes que minha mãe pudesse terminar a frase que havia iniciado com “Sim, mas acho melhor...”, eu já havia deixado minha mochila cair no chão e estava subindo os degraus de dois em dois.
Abri a porta de meu quarto devagar para que não fizesse barulho e vi que minhas coisas estavam exatamente da mesma forma que deixei da última vez que estivera ali há alguns meses, com exceção da mulher deitada em minha cama. Ela estava de lado, com um braço embaixo do travesseiro e outro esticado ao lado. Seu cabelo estava jogado sobre o seu rosto, mas era possível ver o tom avermelhado na região dos olhos. Senti uma vontade imensa de deitar ao seu lado e abraça-la, da forma como foi durante tantos anos. Vê-la ali num canto que já foi nosso um dia, me fazia sentir como se não fossem 10 anos que eu não a via. Não era como se eu não acompanhasse tudo que era possível, não tivesse visto as diferentes cores de cabelo que ela teve nesse tempo, fotos de sua formatura ou do apartamento em que ela morava sozinha há algum tempo, apesar de não saber onde era, já que todos me escondiam essa informação.
Entrei no quarto e encostei a porta novamente, sem batê-la, e me sentei ao lado da cama, encostado junto ao móvel. Deitei minha cabeça em um pedaço livre no colchão e aproveitei aqueles minutos para observá-la, pois eu não tinha ideia de como ela reagiria à minha presença. Me perguntei se meus pensamentos eram exagerados, afinal, 10 anos são muita coisa, mas eu preferia manter meus dois pés atrás. sempre fora uma pessoa extrema, o clássico oito ou 80, o que muitas vezes pode ser divertido, mas algumas vezes pode ser traumatizante.

- Acho que eu roubei sua cama. – ouvi sua voz baixa ao meu lado e abri os olhos, vendo-a sentada com as pernas cruzadas. – Desculpe, eu não esperava te ver aqui.
- , oi. – suspirei, encarando-a. – Não esperava me ver na minha casa? – sorri, tentando fazê-la rir.
- Não te esperava na cidade, acho. – ela juntou os lábios em um meio sorriso.
- Eu queria estar aqui por você, espero que não tenha problema. – ela negou com a cabeça e vi as lágrimas escorrerem por seu rosto. – Por mim também, é claro, mas você entendeu. – ela assentiu e seu choro se tornou ainda mais constante, fazendo com que ela soluçasse e tentasse tampar seu rosto com as mãos a todo custo.
- , isso não pode tá acontecendo, me fala que é um pesadelo, por favor. – ela falou entrecortada pelos soluços.
- Ei, calma. – me levantei e sentei ao lado dela, cruzando minhas pernas e puxando-a para que se deitasse encostada em meu corpo. Ela passou os braços em torno de minha cintura e a senti se acomodar junto a mim, relaxando seu corpo e deixando suas lágrimas correrem livremente, fazendo com que seu peso se movimentasse para cima e para baixo junto aos soluços.
- Eu não sei o que vou fazer. Eu queria ter estado com ela mais tempo, não sei por que tive a ideia de mudar, não sei por que ela não aceitou se mudar comigo. A gente podia ter passado muito mais tempo junto. – ela falou tão rapidamente que era quase impossível compreender suas palavras. – Eu não suporto a ideia de que não vou mais vê-la, não vou mais ouvir a voz dela, que ela não vai mais brigar comigo.
- Você tem que começar a pensar em tudo de bom que vocês tiveram, , e não em tudo que você não vai ter mais. Seja feliz pelo que passou, seja grata por ter ela como a sua melhor amiga. Sei que nada que eu fale vai tirar a sua dor, por mais que eu queira pegar ela pra mim, não tenho como, e eu não posso falar que entendo pelo que você tá passando, porque eu não entendo. Nada vai tirar todo esse sentimento de você, e eu sei que pedir calma ou qualquer coisa assim só vai te deixar mais nervosa, mas eu estou aqui e eu vou tentar tudo que for possível, tudo bem? – ela assentiu, apertando seus braços ao meu redor com mais força.

- Obrigada. – ela disse quando conseguiu se reestabelecer e fazer com que sua voz saísse novamente. Vi a porta abrir e minha mãe entrou no quarto, buscando por .
- , meu amor, eu acho que temos que ir. Você está bem? – ela olhou para nós e vi que tentava esconder um quase sorriso.
- Na medida do possível. – ela resmungou, afastando seu corpo do meu. – Sei que tenho que ir, mas é tão difícil. Eu não quero me despedir. – ela parou na beirada da cama para calçar suas sapatilhas.
- Nós vamos estar lá com você. – minha mãe falou e sorriu, agradecida.

A casa estava cheia de pessoas, parecia que todos da cidade queriam ter a chance de se despedir da sra. . Todos pareciam saber o que tinha acontecido entre e eu, então todos me encaravam ao me ver no canto do cômodo acompanhando todos os passos da garota. Eu não queria me aproximar do corpo que estava sendo velado, não era algo que eu gostava de fazer para despedidas, então decidi apenas ficar ali, a uma distância segura, mantendo a melhor imagem possível que eu tinha de Emilly em minha mente.
Cada pessoa que abraçava fazia com que ela chorasse cada vez mais. Ela não saiu do lado da mãe por nenhum segundo, e minha mãe estava ali ao lado dela, chorando junto, mas ainda assim tentando se manter forte pela garota, como todos ali.
Quando chegou o momento em que realmente deveríamos nos despedir, não pude ficar longe como estive durante todo o tempo. Vi o rosto de empalidecer e corri para o seu lado antes que o pior acontecesse. Antes que eu pudesse falar algo, seu corpo amoleceu e tive apenas o tempo de segura-la.
- . – minha mãe apareceu, desesperada, apertando a mão da garota para tentar acorda-la. – , eu acho melhor levarmos ela pra casa. – eu assenti. - Leve-a, eu cuido de tudo aqui.
- , ei, acorda. Vamos, vou te levar pra casa. – ela resmungou algo incompreensível, mas abriu seus olhos. – Tudo bem se eu te levar?
- Eu não quero ir. Eu quero ficar aqui com a minha mãe.
- Eles têm que levar ela, . Vamos comigo, por favor, você não está bem. – ela olhou mais uma vez para o ambiente e pareceu considerar minhas palavras, tentando fazer força para se mover sozinha. – Vem. – coloquei meu braço em suas costas para que ela se apoiasse em mim e ela aceitou. Lágrimas voltaram aos seus olhos, mas ela tentou não olhar para trás outra vez, seguindo para porta comigo.
Minha casa era próxima à casa de , nós éramos quase vizinhos, algo que sempre foi maravilhoso para nós. Seguimos lentamente pela calçada descendo a rua, em silêncio.
Abri a porta de casa e vi entrar e se sentar no sofá, jogando sua cabeça para cima e encarando o teto enquanto respirava fundo.
- Se quiser subir e deitar no meu quarto, pode ir, tudo bem? Se quiser eu te acompanho até lá em cima.
- Não quero dormir. Senão, não vou dormir à noite. Já acho que não vou, então melhor não arriscar. – ela bufou. – Acho que vou começar a passar pela fase da raiva. Estou irritada.
- Eu sei. – me sentei ao lado dela e ela me encarou.
- Não consigo entender por que isso tinha que acontecer, ela estava bem. Não faz sentido pra mim.
- Não faz pra ninguém, . – ela assentiu, concordando.
- Eu só tenho vontade de ficar deitada chorando, mas parece que nem tenho mais lágrimas. Eu nunca tinha desmaiado na vida, sabia? É bem ruim, minha cabeça está doendo.
- Vou pegar remédio pra você. – ela assentiu, fechando os olhos novamente.
Fui até o armário de minha mãe e encontrei a caixa de medicamentos no lugar de sempre. Ela sempre guardava alguns ali para emergências, apesar de não ser a mais adepta a tomar remédios por qualquer coisa.
- Aqui. – entreguei para junto a um copo de água e ela tomou, me entregando o copo de volta e agradecendo. – Vou fazer alguma coisa pra você comer, tudo bem?
- Não estou com fome.
- Eu sei, mas você tem que comer alguma coisa. – me virei, indo em direção a cozinha.
- Se eu comer, vou passar mal. – ela reclamou, se sentando no banco próximo ao balcão.
- Essa parte a gente vê depois. Se quiser, pode ficar na sala.
- Posso te ajudar? Não confio em você na cozinha. – ela riu da minha expressão de indignação. – Brincadeira, é que pelo menos assim eu me mexo um pouco.
- Mas eu não confio em você na cozinha. – arqueei as sobrancelhas e ela me encarou com uma expressão brava. – Você é meio louca, nem é por mexer com comida, é por se cortar, se queimar, derrubar tudo. Você é completamente desastrada.
- Eu não sou! – reclamou. - Eu melhorei muito, está bem?
- Não consigo acreditar nisso. – ela riu, dando de ombros e começando a pegar as coisas na geladeira para que fizéssemos algo para comer.

- Ei, você até que cozinha bem. Não esperava isso de alguém que provavelmente tem tudo pronto. – ela riu e eu a encarei, sabendo que ela estava sendo sincera sobre seu pensamento.
- Eu não tenho tudo pronto. Eu até poderia, mas eu gosto de cozinhar pra mim quando posso. Arrumo minha própria cama sempre que não tenho que sair correndo, até lavo minha roupa quando preciso. A vida pode ser mole pra quem quer que seja, eu não sou assim. – ela arregalou os olhos e eu senti que poderia ter parecido grosso. – Desculpe, não era pra soar dessa forma, estou falando de um jeito bom, tenho orgulho de gostar de fazer minhas próprias coisas.
- Isso é bem legal. Inclusive, sua carreira tem sido incrível, e parece que sempre melhora, fico feliz. Suas músicas são muito boas. – ela deu de ombros.
- Você escuta? – perguntei incrédulo e ela assentiu, parecendo envergonhada.
- Não é como se eu ouvisse com um grande sorriso no rosto, mas não dá pra ignorar que eu curto, até porque você sabe que sempre foi meu estilo de música. A pegada John Mayer conquista qualquer um.
- Nunca imaginei ouvir isso de você. Juro.
- Não é porque tenho minhas mágoas que não vou reconhecer seu trabalho, . Sempre admirei isso e você sabe.
- Outch. Da próxima fico calado pra não tomar essa. – ela deu de ombros, rindo. – Senti sua falta, 10 anos são muito tempo. – ela torceu a boca, como se não quisesse tocar no assunto. – Eu acho que assim, estamos muito desequilibrados, você com certeza sabe coisas sobre mim, até porquê é só ouvir minhas músicas, e eu não sei nada sobre você.
- Nada mudou muito. Segui minha ideia de cursar medicina, me formei e me mudei pra Nova York, trabalho lá, moro sozinha já que minha mãe não quis ir comigo. – ela sorriu amarelo e respirou fundo, tentando controlar seus sentimentos.
- Nova York? – rolei os olhos e a encarei. – Por isso elas nunca quiseram me contar onde você estava morando. – reclamei e ela riu. – Tudo bem, faz sentido.
- Nova York é uma cidade muito grande, tem espaço suficiente pra nós dois, principalmente pra não nos encontrarmos. E você não passa tanto tempo assim lá, você está sempre viajando. – ela deu de ombros e eu concordei.
- Outch, mais uma. Vou ficar quieto. – coloquei uma garfada de comida na boca e ela torceu seu nariz, fazendo o mesmo.
- Suas músicas dizem muito mesmo sobre você. – ela comentou, e antes que eu pudesse responder, vi meus pais entrarem na cozinha. Minha mãe tinha seus olhos extremamente vermelhos e sua primeira reação foi se sentar ao lado de e abraça-la. – Vai ser difícil. – ela sussurrou para minha mãe, colocando seus braços ao redor dela.
- Muito, meu amor. Ela era minha companhia aqui, você sabe, não? – assentiu, sorrindo.
- Tenho certeza que ela vai continuar sendo, mesmo de longe. – minha mãe concordou.
- Eu vou dormir, tudo bem? – ela se levantou e se colocou na porta, por onde meu pai já tinha passado com um “boa noite”. – , você cuida da ? – eu assenti, batendo continência e fazendo rir. – Boa noite. – ela beijou a bochecha de da garota e depois a minha, saindo da cozinha.
- , teria problema se eu ficasse aqui essa noite? Eu não queria ir pra casa e ficar sozinha. – ela respirou fundo, bebendo seu refrigerante.
- Você acha que eu deixaria você ir pra lá? – ela sorriu, tímida. – Vou arrumar meu quarto pra você, não está bagunçado, mas vou dar uma arrumada. – me levantei e ela se levantou junto.
- De forma alguma, é seu quarto, eu fico com o sofá. – gargalhei e ela me encarou com o cenho franzido. – Não estou brincando, .
- Sonho seu se acha que vou deixar você dormir no sofá, . Pode me odiar, mas não me trate assim. Você sabe que eu nunca deixaria.
- Eu não te odeio. Odiar é uma palavra muito forte.
- Gostei dessa resposta, já é alguma coisa. – beijei o topo de sua cabeça, surpreendendo-a. – Vem. – apaguei as luzes e subi para o segundo andar com ela logo atrás de mim.

- . – senti a mão de tocar meu braço, me assustando.
- Ei, tá tudo bem? – falei sonolento, me sentando no sofá onde dormia. Ela se sentou ao meu lado, negando com a cabeça.
- Não consigo dormir, de jeito nenhum. – reclamou, bocejando. Peguei meu celular e olhei o horário.
- , já são 4h, você não dormiu nada ainda? – ela negou com a cabeça.
- Você pode ficar lá comigo? Só até eu dormir. – ela parecia falar as palavras com grande dificuldade.
- Claro. – ela se levantou e caminhou em direção a escada. Peguei me travesseiro e a segui, entrando no quarto e me sentando no sofá que tinha no canto.
- Obrigada. – ela sorriu, se deitando na cama virada de frente para mim. – Te devo uma.
- Eu vou cobrar. – pisquei para ela e a vi rir antes de fechar os olhos.

- Sinto que vocês têm 14 anos de novo. – minha mãe entrou no quarto, rindo e nos assustando.
- Bom dia. – falou, se espreguiçando.
- Tudo bem por aqui? Já é hora do almoço, não é porque vocês são dois velhos que vou deixar vocês dormirem o dia inteiro e vou deixar de tratar vocês como crianças.
- É bom ter alguém pra me tratar assim de vez em quando. – comentou e eu concordei.
- Queria que meu produtor fizesse isso as vezes, mas ele sabe que sou adulto, é uma droga. – elas riram e eu me levantei, abrindo o armário para pegar uma roupa. – Pode ir. – indiquei o banheiro para ela enquanto minha mãe saia do quarto. Ela assentiu e se levantou enquanto eu a encarava quieto.
- Tudo bem aí? – ela perguntou rindo.
- Desculpa, é uma sensação boa de nostalgia.
- É. – ela sorriu e entrou no banheiro, me deixando parado ali com milhões de coisas na cabeça.

- Já decidiu o que vai fazer? – minha mãe perguntou para quando nos sentamos na sala depois do almoço.
- Por mais difícil que seja, quero pegar as coisas dela pra doar o quanto antes. – ela sorriu, triste. – Acho que é a primeira coisa que tem que ser feita. – minha mãe assentiu, concordando. - Vou comprar minha passagem pra amanhã, pra voltar pra Nova York, ao menos vou fazendo minhas coisas e tento me distrair.
- Já? – perguntei ao ouvi-la terminar a frase.
- Já. Preciso voltar a trabalhar, seus horários são um pouco mais flexíveis que os meus. – ela mostrou a língua, brincalhona. – Você pode ir até lá me ajudar com as coisas? – perguntou para mim e eu assenti. - Vou deixar tudo em ordem e deixo a chave aqui com você, se não tiver problema, até eu decidir o que fazer. – ela segurou a mão de minha mãe, vendo-a concordar.

Andamos até a casa dela lado a lado, em silêncio. parecia tentar controlar o que sentia, mas seus olhos pareciam marejados quando chegamos até a porta.
Ela colocou a chave na porta e enquanto ela abria, segurei sua outra mão, sentindo-a apertar a mesma em agradecimento. Entramos na casa, que aparentemente minha mãe tinha dado uma arrumada ao final do velório, pois os móveis estavam de volta aos seus lugares.
- Não segura as lágrimas, não precisa ser forte o tempo todo. Só estamos nós dois aqui, . – ela assentiu, deixando as lágrimas rolarem por seu rosto enquanto andávamos até o quarto de Emilly.
- É tão difícil. Mexer nas coisas dela vai ser uma despedida de vez, , eu não queria fazer isso. Eu não sei como vou me recuperar, de verdade, eu não me vejo seguindo em frente, isso está martelando na minha cabeça.
- Você vai seguir em frente, . Você esteve comigo em todos os momentos ruins que tive, se não fosse por você na minha adolescência, eu não estaria onde estou hoje. Agora me deixa ser o mesmo pra você. – a abracei e ouvi seu suspiro pesado ao enroscar seus braços a minha volta. – Vamos. – eu abri a porta do quarto e entrou, respirando fundo e mantendo sua mão junto à minha.

- Acho que temos tudo aqui, certo? – ela concordou, puxando um saco enquanto eu puxava outro. – Vamos levar lá pra casa e minha mãe encontra algum lugar pra entregar?
- Sim, acho melhor. Obrigada, . – ela beijou minha bochecha. – Não sei como eu faria isso sem um apoio.
- Nem vai saber, independente do que tenha acontecido ou aconteça, eu sempre vou estar aqui pra você, . Espero muito que saiba disso. – ela assentiu, dando de ombros enquanto fechava a porta.
- Agora eu sei.

Já era tarde quando terminamos, então chegamos em casa e colocamos os sacos na garagem, subindo logo em seguida para o quarto. Havíamos pedido uma pizza enquanto arrumávamos as coisas e avisamos minha mãe que ainda demoraríamos, então ela já estava dormindo.
- Você se importaria de ficar aqui de novo? – ela perguntou sem me olhar, enquanto pegava sua roupa na bolsa. – Só até eu dormir.
- Claro que não, . Não vou te deixar sozinha.
- Obrigada. – ela sorriu, entrando no banheiro para se trocar.

- Boa noite, . – ela se deitou, puxando a coberta sobre seu corpo.
- Boa noite, . – beijei sua testa e caminhei até o interruptor, apagando a luz e indo até o sofá me deitar.
- . – ela falou depois de um tempo em silêncio. – Você vai ficar mais por aqui, ou vai voltar pra casa? – percebi que ela estava virada para o lado onde eu estava encarando-me mesmo que no escuro.
- Se você quiser minha companhia, eu posso voltar com você. – falei, sabendo que era provavelmente seu pensamento.
- Eu quero, se não atrapalhar seus planos, não sei.
- Não fiz nenhum plano, . Desmarquei meus compromissos e corri pra cá. Eu tenho que voltar, estão atrás de mim, só ficaria mais caso você precisasse. Se quer voltar, e moramos na mesma cidade, voltamos junto.
- Devem estar loucos atrás de você. – ela riu.
- Estão, você não tem ideia. Eu desliguei meu celular.
- Sua vida deve ser legal. – ela resmungou e eu percebi que sua voz estava sonolenta e ela logo cairia no sono.
- Poderia ser melhor, perdi algumas coisas pelo caminho.
- Você ainda odeia ter perdido aquele Grammy? – ela riu.
- Não, . Já perdi coisas mais importantes que isso.
- Ah. – ela respirou fundo e ficou em silêncio, em poucos segundos ela estaria dormindo, com certeza.

- Vou sentir saudades. Obrigada por tudo. – falou enquanto abraçava minha mãe no aeroporto.
- Eu também, meu amor. Se cuida, tudo bem? Qualquer coisa que precisar, ligue pra mim. Não importa quando, ou o horário. E qualquer emergência, sabe que o está ali ao lado. – ela assentiu, se afastando.
- Tchau, mãe. Qualquer coisa me liga, tá? E quando quiser ir pra casa, me avisa, está me devendo uma visita. Depois eu saio em turnê e você reclama. – ela riu, me apertando em seus braços.
- , cuida dela. E por favor, deixe de ser mole e corre atrás do que você sempre quis.
- Você não existe. – falei próximo a ela, rindo.

1 semana depois
- Oi?
- ? É a , tudo bem?
- Oi, ! Como você está?
- Não muito bem... Eu não estou conseguindo ficar sozinha. Eu estava ficando na casa de uma amiga, mas ela teve que viajar. Eu não sei pra onde correr. Me perdoa por jogar tudo isso de uma vez.
- Ei, calma. Respira fundo. Quer que eu vá ficar com você?
- Me desculpa, . Eu estou realmente desesperada, eu não queria ter que recorrer a você, não quero te atrapalhar.
- Você nunca me atrapalha, , pare de se preocupar com isso. Quando te deixei na sua casa, o que eu te disse?
- Que eu deveria ligar a qualquer minuto quando precisasse, e é o que estou fazendo, eu só estou com vergonha de precisar. Eu não tenho mais idade pra ser assim.
- A gente sempre tem idade pra precisar de companhia, senhorita super adulta. Eu tenho um pequeno show hoje, você pode me acompanhar?
- Se não tiver problema, sim.
- Te mando uma mensagem te passando o horário. Até mais tarde, .
- , obrigada.


Por mais bobo que pudesse parecer, uma esperança apareceu em meu subconsciente quando a ouvi falar meu apelido no telefone. Todos os dias em casa, e até voarmos de volta para NY, estava me chamando apenas de ou , evitando tornar nossa relação qualquer coisa próxima do pessoal, mas dessa vez, eu sabia que poderia ter minha garota de volta.

- Ei, . – abri a janela do carro e chamei sua atenção, vendo que ela olhava para o celular.
- Ah, oi! – ela sorriu, abrindo a porta e se sentando ao meu lado. – Obrigada mais uma vez, sério, você está me salvando.
- Estou retribuindo por toda minha adolescência. – sorri para ela que rolou os olhos.
- Já passou tanto tempo, né? – ela comentou, olhando para fora.
- Até demais. – falei, sincero. Ela me encarou enquanto eu estava focado na avenida a frente e eu apenas sorri, sem conseguir ver se ela sorria também.
- Ainda fico meio pé atrás nas minhas mágoas, , mas eu estou tentando.
- Eu sei, . Eu estou vendo, e agradeço muito, de verdade. É muito importante pra mim.
- Essa conversa é tão adulta que nem parece nossa. – comentou, rindo.
- Não mesmo. – me juntei a ela. – Está preparada pra me ver ao vivo? – perguntei, presunçoso.
- Como se eu nunca tivesse visto, né?
- Agora é diferente, aqui é tudo profissional. – mostrei a língua pra ela enquanto esperava que abrissem o portão para que eu entrasse no estúdio onde faria um pocket show que seria gravado por uma emissora.
- Sua voz sempre foi profissional, isso que importa.
- Não sei receber elogios, droga. – bati a cabeça no volante depois de estacionar, fazendo ela rir.

Here's to the ones that we got (Um brinde às pessoas que temos)
Cheers to the wish you were here, but you're not (Brinde ao desejo de que você estivesse aqui, mas não está)
'Cause the drinks bring back all the memories (Porque as bebidas trazem todas as lembranças de volta)
Of everything we've been through (De tudo que já passamos)
Toast to the ones here today (Um brinde para aqueles aqui hoje)
Toast to the ones that we lost on the way (Um brinde para aqueles que perdemos pelo caminho)
'Cause the drinks bring back all the memories (Porque as bebidas trazem todas as lembranças de volta)
And the memories bring back, memories bring back you (E as lembranças trazem, as lembranças trazem você de volta)

There's a time that I remember (Há um tempo em que eu lembro)
When I did not know no pain (De quando eu não conhecia nenhuma dor)
When I believed in forever (De quando eu acreditava no para sempre)
And everything would stay the same (E de que tudo continuaria igual)
Now my heart feel like December (Agora, meu coração parece como dezembro)
When somebody say your name (Quando alguém diz o seu nome)
'Cause I can't reach out to call you (Porque eu não consigo te ligar)
But I know I will one day, yeah (Mas eu sei que irei um dia, sim)

Doo-doo, doo-doo-doo-doo
Doo-doo-doo-doo, doo-doo-doo-doo
Doo-doo-doo-doo, doo-doo-doo
Memories bring back, memories bring back you
(As lembranças trazem, as lembranças trazem você de volta)
Memories (Maroon 5)

Durante os primeiros anos de carreira, eu jurei que não escreveria nada para , porque parecia que aquilo me deixaria fraco. Porém, eu cheguei em um período em que eu não entendia o motivo de não conseguir deixá-la de lado. Já haviam se passado anos, e eu não conseguia seguir em frente, qual era o sentido em tudo aquilo? Então eu quebrei minha promessa e mesmo que de forma pequena e singela, eu dei um jeito de expressar o que sentia através das letras. Memories era um single do meu terceiro álbum, e foi uma música de grande sucesso, mas, eu não a cantava mais nos shows. Coloquei a mesma na setlist de hoje porque ela me trazia algumas lembranças de quando eu esperava que um dia pudesse me aproximar de novamente, como estava fazendo no momento.

- Eu adoro Fear, mas Memories é uma das músicas que mais gosto. – comentou enquanto entravamos no carro.
- É uma que tenho um carinho especial também. – sorri para ela, ligando o carro. – Gostou?
- Muito. Você é incrível, . É muito bom te ouvir cantar assim de novo. Confesso que já comprei ingresso pra um show seu e desisti de última hora, uns dois anos atrás.
- Você sempre me surpreende. O que te fez desistir?
- Perceber que eu estaria tomando o primeiro passo pra te perdoar.
- Quanto tempo vou passar tomando essas cacetadas do passado? – falei, rindo.
- Acho que bastante tempo.

3 meses depois
- Oi. – entrou no carro e beijou minha bochecha, me cumprimentando. – Como você tá?
- Estou bem e você? Dormindo bem?
- Sim, agora já durmo a noite toda. – falou como se estivesse orgulhosa, o que me fez rir.
- Droga, ter sua companhia não seria ruim.
- Você tem ela nesse momento. E obrigada, você anda me salvando toda hora. – sorriu, agradecida. – Sabe Deus o que aconteceu com o meu carro, só deixei na oficina e voltei pra casa bufando. E odeio que eu tenha essa palestra logo hoje, se fosse pra ir pro consultório era tão fácil. – ela bufou.
- Relaxa, . Eu não tinha nada pra fazer além de dormir. E você tem que parar de me agradecer, já está chato. – dei de ombros e ela concordou com a cabeça.
- É, acho que um não fez mais que sua obrigação cumpre o papel.
- Ah é? Vou te largar aqui no meio da cidade. Você merece.
- Você não tem coragem. – ela mandou um beijo no ar, brincando.
- Não mesmo.
Era engraçado o quão incrível nossa relação estava, me sentia nos anos de nossa amizade novamente. Muita coisa estava diferente, claro, era tudo diferente afinal agora estávamos próximo dos 30. Mas tudo estava caminhando para algo muito bom, de novo. Eu nem acreditava que estava conseguindo fazê-la se abrir comigo, e nesses últimos meses já havíamos até feito uma sessão de filmes de comédia romântica que ela gosta, o que fazíamos mais novos.

- . – a chamei quando ela estava abrindo a porta do carro. Segurei seu braço e ela se virou para mim, sorrindo. – Seria muito absurdo eu te chamar pra sair no seu aniversário? – seus olhos se arregalaram e eu senti que essa era minha resposta.
- , você não acha que está exagerando um pouquinho? As coisas não são muito recentes? – falou, calmamente. Sua resposta me deu esperanças, já que em nenhum momento ela havia negado, citando apenas o tempo como um empecilho.
- Desculpa, mas eu não acho que é exagero, não é como se a gente não se conhecesse o suficiente, . – segurei sua mão e ela respirou fundo. – Tudo bem se você não quiser, okay? Eu só queria expressar o que tenho vontade.
- Eu vou pensar, tudo bem?
- Vai pensar com carinho? – perguntei, insistente.
- Vou, . Às vezes eu me esqueço o quão chato você pode ser.
- Isso nunca vou te deixar esquecer. – falei enquanto ela batia a porta do carro e me mostrava a língua.
- Tchau, . Obrigada pela carona.
- De nada. - acenei para ela e sai com o carro.

Havia marcado de encontrar às oito horas e eu tinha tudo planejado desde o momento em que ela me ligou há três dias falando que aceitaria, com uma grande incerteza em sua voz. Eu não insisti depois do dia em que nos vimos, não liguei, não citei novamente o convite, eu deixaria com que ela pensasse livremente. Foi uma grande surpresa quando eu estava respondendo sua mensagem e ela me ligara simplesmente pra falar “Oi, , tudo bem? Eu aceito.” da forma mais engraçada possível.
Eu apenas fiz um barulho aleatório com a boca, surpreso, e perguntei se era sério. Ela então riu e disse que sim, fazendo meu coração saltar. Aquela era uma grande vitória, e eu estava incrivelmente feliz. Meu primeiro passo após desligar foi ligar para minha mãe gritando de felicidade. Eu precisava dividir aquilo com a pessoa que mais ansiava por aquele momento além de mim.
Quando decidiu que deveríamos nos separar, ela conversou com minha mãe, algo que fiquei sabendo um bom tempo depois. Quando descobri, compreendi o motivo de minha mãe ter ficado tão irritada comigo a ponto de ter passado alguns dias de cara virada sem quase nos falarmos. disse a ela que eu estava completamente mudado e que ela não poderia aceitar um relacionamento que estaria fadado ao término. Ela disse que tinha medo de que eu me deslumbrasse com a fama e em algum momento, em meu ponto mais alto, eu a descartasse por me sentir preso a nós dois. E ela explicou que tinha certeza que isso aconteceria, pois já no começo eu estava me perdendo em coisas simples que poderiam custar uma carreira que nem havia se iniciado, quem diria quando eu estivesse no topo.
Eu não sabia que tinha ciência do que acontecia, de quando decidi que deveria provar de tudo que o mundo poderia me oferecer. Estávamos iniciando um relacionamento quando comecei a fazer meus primeiros shows. Sempre fomos grandes amigos, mas chegou um momento, que nem mesmo consigo definir como foi, que percebemos que também existia uma grande atração física. Foi engraçado, e eu me lembro até hoje da sensação de ter seus lábios nos meus pela primeira vez e como não pudemos nos negar já naquele momento.

- Eu odeio quando minha mãe precisa passar a noite lá sem que já esteja planejado. – ela resmungou se afundando no sofá de sua casa quando chegamos da festa de aniversário de James.
- Você não gosta de ficar sozinha, eu sei disso. – dei risada, me sentando ao seu lado. – Se você quiser, eu posso ficar com você, só preciso avisar minha mãe.
- Já que você insiste. – ela deu de ombros, me fazendo gargalhar.
- Você não tem nem vergonha na cara. Vou ligar pra minha mãe. – falei, me levantando e indo até o telefone. – Mãe, a sra. vai ter que passar a noite no hospital, vou ficar aqui com a , tudo bem? – ouvi-a rir, sabendo de como minha amiga odiava ficar sozinha e concordar. – Pode deixar, amanhã cedo vou pra casa, sei que temos que sair. Beijo, boa noite. A mandou um beijo. - desliguei o telefone, voltando para o sofá. – Ela te mandou outro.
- Sua mãe é incrível, salvou minha vida. De novo.
- Tem roupa minha aqui, né? – ela assentiu.
- Sempre tem, você sabe. Quer tomar banho e depois ficamos vendo filme até dormir?
- Até você dormir, né?
- Não tenho culpa que filmes me dão sono.
- Morta. – mostrei a língua pra ela e a vi sorrir, se levantando.
– Vou pegar sua roupa, guardei no meu quarto. Vou deixar no quase seu quarto e você se troca quando sair. – falou, se referindo ao quarto de hóspedes.
A acompanhei escadas acima e entrei no quarto, indo direto para o banheiro, mas havia tido uma ideia engraçada que não poderia deixar passar. Tirei as milhões de camadas de roupas que vestia por conta do frio que fazia do lado de fora e fiquei apenas de cueca, abrindo novamente a porta e dando de cara com . Ela me encarou de sobrancelhas franzidas, tentando entender o que eu estava fazendo e então eu passei por ela e corri escadas abaixo, indo em direção ao quintal. Abri a porta da cozinha que dava no jardim e fiz a coisa mais ridícula e absurda que poderia fazer naqueles 2ºC que faziam, pulei na piscina.
Quando voltei à superfície com o queixo batendo de tanto frio que sentia, me encarava da porta e eu não conseguia saber se sua expressão era irritada ou divertida. Porém, imaginei que fosse uma grande irritação quando ela deu as costas indo em direção à sala. Estava preparado para sair da água quando a vi de peças íntimas correndo para se juntar a mim.
- , você é louca? Está muito frio, não é porque eu tenho problemas que você tem que ter também.
- Você entrou primeiro, . – ela reclamou, falando entrecortado pois seu corpo tremia devido a temperatura.
- E não é por isso que você deve me seguir, sua doida. Você vai ficar doente, vem. – segurei seu pulso, a puxando em direção a borda para que pudéssemos sair.
- Eu não quero, daqui a pouco esquenta. – ela deu de ombros, parecendo que tentava me irritar.
- Você faz de propósito pra me tirar do sério, só pode. – eu ri, sabendo que não adiantaria ficar bravo com ela, seu gênio era impossível.
- Talvez eu faça, mas se lembre, se você não tivesse pulado, eu não teria. Se eu ficar doente, a culpa vai ser sua.
- Tudo bem, não vai adiantar eu falar nada mesmo.
- Fala sério, tá frio, mas a noite tá linda. – ela disse, olhando para cima e encarando a lua que não era coberta por nenhuma nuvem.
- Está mesmo. – olhei para cima, seguindo onde ela olhava.
Ficamos em silêncio, apenas encarando o céu e vez ou outra andando pela piscina devagar. Vi que me olhava algumas vezes, assim como eu a olhava. Estava preocupado com passarmos muito tempo ali e ficarmos extremamente doentes, nossas mães nos matariam.
- Ei, você tá muito gelada, . – falei, me aproximando e tocando seu rosto. – Vamos sair? – ela concordou, respirando fundo e encarando minha mão que ainda a tocava.
Senti seus braços envolverem minha cintura em um abraço e ela se encostar em meu corpo, joguei meus braços também em volta dela, a puxando ainda mais perto. Quando ela se moveu para sair, provavelmente desejando ir em direção a borda para deixarmos aquele lugar gelado, eu segurei seu pulso e a puxei de frente para mim, subindo seu corpo à minha altura e grudando nossos lábios frios. A princípio, senti sua surpresa em seu corpo e como ela estava distante. Porém, quando pedi passagem para aprofundar o beijo e grudei nossos corpos novamente, ela reagiu. Suas mãos se encontraram em minha nuca e eu coloquei as minhas em sua cintura enquanto ela impulsionava seu corpo para cima, entrelaçando suas pernas em minhas costas.
- , eu acho melhor a gente sair. – ela sorriu, ainda com o rosto muito próximo ao meu.
- Ahn, é. – encarei seus olhos em frente aos meus e enquanto parecia possível, lhe dei um selinho e nos afastei, vendo sair e ir em direção à casa.
Sai logo atrás e a vi correr escada acima, provavelmente na intenção de não molhar tanto a casa. Dei risada e fiz o mesmo, entrando e fechando a porta rapidamente, e então subindo os degraus de dois em dois. Entrei no banheiro do quarto de hóspedes novamente e fiquei parado, encarando o box em frente a mim, pensando no que tinha acabado de acontecer. Meu corpo ainda parecia em choque, e apesar de todo o frio, eu me sentia quase aquecido. Respirei fundo e tomei então mais uma decisão sem muito pensamento. Andei para fora do quarto e fui até o quarto de , vendo que ela já havia entrado no banheiro e parecia estar ligando o chuveiro.
- . – falei, batendo na porta.
- O que? – ela respondeu e eu percebi que não tinha resposta para aquela pergunta. O que eu estava fazendo ali?
- Não sei. – falei, sério. Percebi que ela ficara em silêncio, provavelmente tentando me entender, e então ela abriu a porta. O chuveiro estava ligado, mas ela ainda estava com suas roupas íntimas molhadas da piscina. Eu a encarei, dando de ombros e ela riu.
- Tá tudo bem, ?
- Acho que não. Não sei, eu estou perdido. – dei um passo para dentro do banheiro e ela fechou os olhos com nossa proximidade, me dando o espaço que eu precisava para que pudesse colar nossos corpos molhados outra vez.
Dessa vez ela reagira rapidamente, dando um passo para trás e fechando a porta atrás de mim. Nossos corpos se batiam um contra o outro com uma intensidade que não tinha anteriormente, enquanto nossos lábios pareciam não se desgrudar nem por um segundo para que respirássemos. Alguns segundos depois, o banheiro todo estava enfumaçado por conta da água quente do chuveiro e então senti que nos puxava em direção ao box, sem que nos separássemos.
Coloquei-a embaixo do chuveiro para que água quente caísse sobre seu corpo e ela então separou nossas bocas para soltar o ar, parecendo feliz em finalmente esquentar-se. Sorri vendo sua expressão e ela deu de ombros, invertendo nossas posições para que eu pudesse me molhar também. Notei que ela encarava meu corpo enquanto estávamos distantes e aproveitei para fazer o mesmo com o seu, enquanto tentava controlar meus pensamentos para não mostrar o quanto a desejava naquele momento, o que sabia que não aconteceria, pois meu corpo já demonstrava indícios, o que me fez sentir envergonhado e ela percebeu, sorrindo em minha direção.
- Eu não sei como... – ela deu um passo para nos aproximar novamente e sua mão passeou por meu corpo de forma leve, o que me fez arrepiar. – Ou porquê... – sua mão parou próxima a minha cueca, fazendo-me suspirar. – Mas eu quero você, . – tomei conta de meu corpo novamente, apoiando minha mão em sua bunda e a puxando para mim enquanto encarava seus olhos.
- , e se nos arrependermos depois? – tentei falar sério, aproximando minha boca da sua em um ato automático.
- Depois a gente pensa. Começou, tem que terminar. – um sorriso malicioso surgiu em seus lábios e então com sua permissão, tomei o primeiro passo e rapidamente soltei o sutiã de suas costas.


Durante quatro meses, nós ficávamos sempre, e inconscientemente não tínhamos mais ninguém em nossas vidas. Até eu começar a fazer os shows, e conhecer caminhos diferentes para diversão. Acreditei que não soubesse, mas ela sempre foi muito esperta, e aposto que ela escondeu de mim por ainda me dar um voto de confiança, até eu fazer questão de perde-lo em seu aniversário de 17 anos, quando fiquei com os caras após o show para me drogar e ter diversas meninas em meu pescoço naquela noite, ao invés de ir até sua festa, a qual ela estava tão ansiosa, a qual eu havia me programado para lhe pedir em namoro, ao menos até estar alto o suficiente para nem me lembrar disso.
Foi quando ela me deixou que eu tive certeza que tudo estava errado. No começo achei legal a ideia de não ter me prendido a alguém, mas então percebi que perdi a única que estaria ao meu lado todo o tempo, e após o gelo de minha mãe, me liguei que eu poderia sempre perder mais daquela forma. Elas me colocaram no lugar. , mesmo não estando ao meu lado, foi quem me salvou de algo que poderia ter me afundado, sua ausência me salvou e eu sempre seria grato a ela, grato às suas atitudes. Eu sabia que havia a magoado e nos tirado uma chance incrível de vivermos juntos, e era disso que eu corria atrás agora, do tempo perdido por uma besteira minha.

Liguei no restaurante às 18h para confirmar a reserva, peguei minha roupa na lavanderia e fui para casa para tomar banho e me arrumar. Entrei no chuveiro e enrolei uma grande parte do meu tempo ali, saindo alguns minutos depois em direção ao quarto e estranhando ao ouvir a campainha tocar. Nada poderia atrapalhar meu dia, não era possível. Enrolei a toalha na cintura e andei até a porta, olhando pelo olho mágico e vendo do outro lado.
- , tá tudo bem? – ela me encarava vestida com sua calça de moletom e uma camiseta do Flash. Seus olhos estavam vermelhos, o que me fez perceber que ela estava chorando.
- Você tá se arrumando?
- Sim, teoricamente saímos em 40 minutos. – falei, olhando para o relógio da cozinha.
- Me desculpa. – ela sussurrou, de cabeça baixa.
- Você não quer ir, não é? – perguntei, respirando fundo e dando passagem para que ela entrasse. Ela então me surpreendeu, jogando seus braços ao redor de meu corpo, abraçando-me.
- Eu quero, mas minha consciência não me deixa seguir em frente e eu fico revivendo momentos de anos atrás na minha mente. – ela me soltou e se sentou no sofá, suspirando. – Estou com dificuldades em deixar algumas coisas pra trás, . Por mais que eu saiba que vale a pena tentar e os tempos são outros, confiar em você é algo delicado pra mim. Em algumas coisas minha confiança é toda sua, mas em outras eu tenho meus medos.
- , você achou que eu não iria, não é? Que eu não apareceria. – andei até ela, sentando ao seu lado e encostando sua cabeça em meu peito. Ela colocou sua mão sobre meu corpo descoberto e senti um arrepio me percorrer por conta de nossa proximidade.
- Sim. – ela fungou, tentando não chorar.
- Ei, você pode conversar comigo. Eu sei que eu já te magoei uma vez, , mas eu não sou mais assim. Eu sou outra pessoa agora, na verdade, sou aquele cara que você conheceu lá no início. – limpei as lágrimas que escorriam em seu rosto. - Não precisa ter medo, eu estou aqui. Você está apegada a uma fase horrível que eu acabei deixando como marca. Eu ia estar lá hoje, às oito da noite para te buscar.
- Eu sei que qualquer um que olhe não vai entender a complexidade do que aconteceu, mas pra mim foi algo grande, . Muito grande. Eu estava perdidamente apaixonada, e eu caí feio. Eu já estou melhor, sabe? O tempo ajudou muito, mas eu ainda tenho alguns pensamentos que não me abandonam, confiar é algo difícil. 12 anos se passaram e eu ainda sofro de lembrar do aniversário que todo mundo ficou me perguntando onde você estava e eu não tinha a menor ideia.
- Me perdoa, . Eu prometo que a gente vai dar um jeito nisso tudo, só me fala por onde eu posso começar. Eu quero que isso dê certo, eu faço tudo que precisar por você.
- Você já começou, você tomou o primeiro passo, você me fez ver que é o que eu quero também. – ela beijou minha bochecha, me fazendo sorrir. – Eu vou melhorar, eu só não imaginei que poderia ter como melhora, ficar perto de quem me magoou um dia. Eu precisava disso. – ela apontou para nós e se aproximou ainda mais de mim, enquanto eu apertava meus braços ao redor dela.
- Eu sonho com isso há tanto tempo, você não tem ideia. Eu sei que vamos ter muitos passos pra tomar até tudo isso ser 100% real, mas a gente vai se ajeitar. Meu coração é todo seu, , sempre foi. Todos os dias eu agradeço por você existir, por mais clichê e bobo que isso possa soar.
- Você está usando seu dom com palavras comigo, eu odeio isso, você sabe. – ela revirou os olhos ao falar novamente algo que ouvi durante toda minha adolescência. – Sabe algo que eu odeio? Ter te ajudado tanto na sua carreira. – a encarei, sem entender. – Eu estava lá, morrendo de ódio de você, enquanto via você superfeliz no palco cantando sobre nós dois. – abri a boca para responder, mas fechei novamente, fazendo-a rir. – Ah, , vai me dizer que não fui sua maior fonte de inspiração? Pelo menos no início da carreira.
- Foi. – resmunguei, concordando. – Eu te magoei, mas eu também me magoei, você sabe. Eu demorei, mas depois de um tempo eu senti, e aí eu senti por muito tempo. Eu nunca segui em frente. – dei de ombros e ela me encarou. – Você vê as notícias, já me viu com alguém por muito tempo? Nada se compara a nossa amizade, . Eu não quero ficar com alguém por ficar, eu quero ter algo forte com a pessoa. Você me fez assistir muitas comédias românticas, eu fiquei com vontade de ter um romance daqueles. E isso só vai acontecer se for com você, alguém com quem eu posso rir ou chorar e vai me entender em todos os momentos. Assim como eu quero ser esse cara pra você, afinal, você também quer um amor dos filmes. – mostrei a língua pra ela e a vi rir, se escondendo em meu peito.
- Primeiro, você está fazendo de novo. – ela reclamou, querendo fazer referência às minhas palavras. – Segundo, eu não sou mais tão sonhadora assim. Mas você me faz ser. – ela rolou os olhos e se aproximou, me dando um selinho que me surpreendeu.
- Ei, feliz aniversário. – falei, empurrando-a gentilmente para o sofá e me levantando para pegar o presente que havia comprado para ela. Ela se levantou, vindo em minha direção com um sorriso no rosto.
- Não precisava, . – ela pegou o envelope de minhas mãos e abriu, pulando pela sala logo em seguida ao ver as credenciais atrás dos ingressos para o show de John Mayer. – Você é demais. – ela me abraçou e eu a apertei em meus braços, rodando-a.
Parei de gira-la e fiquei em sua frente, encarando seus olhos. Levei minha mão até seu rosto, deixei um carinho em sua bochecha e sorri quando a vi fechar os olhos com meu toque. Sua respiração parecia mais funda naquele minuto e notei que inconscientemente a minha estava parecida, então me aproximei lentamente da garota, juntando nossas bocas e iniciando um beijo que demonstrava saudade.
Nunca consideraria que qualquer coisa poderia ser cedo ou tarde com ela, não tínhamos momentos certos pra nada. Ela havia deixado claro que queria o mesmo que eu, então eu sabia que trabalharíamos naquilo juntos, aos poucos. E eu faria dar certo dessa vez, não existia nada no mundo que eu não faria por .
- . – ela falou com a respiração cansada. – Eu tenho muitos problemas, e temos muitas coisas pra trabalhar pra levarmos isso a sério, mas lembra que eu falei que tinham algumas coisas em que eu confiava completamente em você? – eu assenti, tentando entender onde ela queria chegar. – Então... – ela passou suas mãos por meu peito, descendo até minha barriga, e logo senti a toalha que estava amarrada em minha cintura cair no chão e me encarar com a expressão mais tarada que ela poderia ter.
- Você não existe, . – falei rindo um pouco tímido, e coloquei a mão em sua nuca, pronto para juntar nossos corpos novamente.
- Eu senti saudades, . – ela se apoiou em meus ombros e eu coloquei minhas mãos em suas coxas, sabendo o que ela faria. Peguei-a no colo e caminhei até meu quarto enquanto ela ria entre nossos selinhos trocados, me mostrando que estava extremamente feliz ali. Tudo que eu poderia querer.
Eu sabia que um perdão não viria fácil, mas só de saber que ela estava me dando aquela chance, eu era o cara mais feliz do mundo. Eu faria tudo que passamos valer a pena no final.


Epílogo

Abri a porta da casa de minha mãe e a vi sentada no sofá com um sorriso no rosto ao nos encarar entrando na sala.
- Ai meu Deus, que felicidade que vocês estão aqui. – ela se levantou, andando em nossa direção e abraçando , fazendo com que a mesma soltasse minha mão.
- Já estava morrendo de saudades. – falou para ela, a apertando forte. – Estou sentindo muito a falta dela nesses feriados. – confessou, me fazendo suspirar triste.
- Eu também, meu amor. Fico feliz que você se sinta à vontade em estar aqui conosco.
- Vocês são minha família, agora mais do que nunca. – ela sorriu, olhando para mim. Andei até minha mãe e a abracei, vendo meu pai surgir da cozinha.
- Essa é a , cadê a nora maravilhosa que você ia nos apresentar? – ele falou rindo e minha namorada andou até ele para lhe abraçar.
- Infelizmente você vai ter que se contentar com a como nora mesmo. – ela falou, brincando.
- Não existe honra maior, minha menina. – minha mãe falou após me soltar e parar, olhando para nós mais uma vez enquanto eu cumprimentava meu pai com um rápido abraço. – Eu estou tão feliz, demorou tanto.
- Eu não tenho culpa que virou um idiota, senão já estaríamos casados com uns 10 filhos.
- Ainda bem que virei um idiota, eu não quero 10 filhos não, .
- Ai, . – ela se aproximou, me dando um rápido selinho. – Estou ansiosa por esse ano que está por vir. – ela sussurrou próxima a mim enquanto seguíamos meus pais até a cozinha.
- Eu também. Será um ótimo ano, eu não podia escolher uma maneira melhor de começá-lo. – ela sorriu, se apoiando em meu ombro e entrelaçando nossas mãos ao lado de seu corpo.
- Eu amo você.
- Eu também amo você, . – beijei sua testa e sorrimos ao ver meu pai nos alcançar com uma garrafa de champagne, nos servindo em duas taças.




Fim.



Nota da autora: Oi gente! Uma loucura ter pego uma música pro ficstape antes de termos a letra, mas foi uma experiência extremamente incrível, ainda mais quando percebi que essa combinava perfeitamente com o tipo de história que amo escrever. Ela é minha música favorita do álbum, e não só por ser a que peguei e isso ter me aproximado mais ainda dela, mas é o tipo de música que sempre se torna minha preferida, a letra, o ritmo, tudo <3 Me digam se gostaram, por favor <3




Outras Fanfics:
Longfic (Em andamento):
  • Something Blue

    Shorts:
  • 04. She Will Be Loved
  • 14. Maneira Errada (continuação de She Will Be Loved)
  • I Do (continuação de She Will Be Loved e Maneira Errada)
  • Mixtape: Uma Criança Com Seu Olhar
  • 08. Two Worlds Collide


    Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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