Taste The Feeling

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Última atualização: 04/01/2022

Prólogo

⭐🎄⭐


Você já teve encontros inesperados, não é? Sabe aqueles em que você encontra velhos colegas de turma, da época da escola, que praticamente não se lembrava mais de ter memórias ou que se esforçou muito para esquecê-las. Aqueles encontros casuais nos corredores do mercado, que você finge não ver de propósito a pessoa porque não quer conversar ou aquele antigo amigo, talvez um ex-namorado, que você encontrou no seu restaurante preferido que costumava ir com ele antes. Há também aqueles encontros de supetão, em que ficamos absurdamente chocados e felizes de rever à pessoa ou então aqueles outros em que ainda não a conhecemos, a surpresa do encontro inesperado é, justamente, a chegada de alguém novo na sua vida.
Doze de novembro de 2021 foi o dia em que o maior dos encontros inesperados aconteceu. Para dez pessoas diferentes cujas histórias se conectam de alguma forma, uma cidade nunca foi tão pequena e um Natal nunca foi tão doce.


O Primeiro Grande Encontro

⭐🎄⭐


O dia em que encontrou com Dylan O’Brien pela primeira vez em sua vida se encaixa perfeitamente na categoria dos felizes encontros inesperados.
Era a primeira vez que iria ao The Tonight Show, o programa de Jimmy Fallon, e estava a caminho do estúdio onde seria gravado com sua assessora e relações públicas, Lindsay Gauthier. O silêncio reinava dentro do carro, exceto pela voz de Miley Cyrus saindo do rádio, e, embora fosse um dia quente, podia sentir seu corpo inteiro arrepiado, de ansiedade e de um certo nervosismo pelo programa que participaria. Naquela semana, seu último livro tinha chegado ao topo das paradas de vendas internacionais e entrava, oficialmente, para a lista dos dez maiores escritores da década. A nova adaptação em filme de um de seus livros acabava de ser anunciada oficialmente, produzida pela Warner, e o time de atores e atrizes contratados havia saído naquela manhã, feito por um comunicado oficial da produção. Era um dia atípico, uma semana atípica, cheia de informações e conquistas, tudo parecia um sonho como se, finalmente, começasse a correr bem depois de tantos anos de esforços.
nunca se imaginou conquistando os espaços que ocupava nos últimos quatro anos. De eventos famosos ao centro das vitrines e prateleiras das mais conceituadas livrarias, ela simplesmente não esperava pertencer àquela parcela tão incrivelmente afortunada do mundo. Começou a escrever quando ainda era uma adolescente, quando seus pais se mudaram para os Estados Unidos e a escrita era a válvula de escape do processo de integração ao novo país, a nova escola, as novas pessoas. Algumas de suas histórias contavam o sonho de poder um dia ser prestigiada, de conhecer pessoas famosas e frequentar lugares luxuosos, confortáveis, que a destacavam, que se interessavam por ela e por tudo que ela tinha a contar. E olha onde ela estava agora.
Ela sorriu sozinha, orgulhosa de si mesma e um tanto saudosa sobre o passado que a fez chegar até aquele exato lugar. Muita coisa havia acontecido, muito havia mudado. Talvez devesse começar a escrever uma autobiografia, ela pensou. Sentada ao lado dela, no banco de trás do carro, Lindsay desviou sua atenção de seu celular até a amiga, notando o sorriso bobo perdendo-se junto com seu olhar fora da janela do carro, estava longe. Fisicamente longe de casa e mentalmente longe da Terra. Lind fez um sinal para que o motorista desligasse o rádio, o que chamou atenção da amiga. Já estavam perto de onde desceriam.

— Como está se sentindo, ?

Ajeitando seus longos cabelos ruivos, ela tinha os olhos cheios de expectativa na escritora, já imaginando exatamente como ela estava se sentindo. Apesar de saber que ela também estava animada e um tanto eufórica por acompanhá-la na gravação do programa, sua voz estava calma, como sempre. Lindsay tinha uma segurança de outro mundo, parecia estar sempre pronta para absolutamente tudo. Nenhuma câmera, programa ao vivo, gravações, personalidades famosas ou qualquer coisa parecia intimidá-la. suspirou pesadamente, tentando controlar sua respiração. Às vezes, em momentos como aquele, desejava ser um pouquinho mais como Lind.

— Não sei — ela respondeu sorridente, tentando manter-se calma — Acho que estou em choque.

Lind apenas assentiu com a cabeça e desviou seu olhar para a rua afora, pela janela, reparando que o carro já entrava no estacionamento do programa. À porta do prédio, dezenas de pessoas pareciam esperar por , fãs que nenhuma delas sabia como conseguiram tão rápido a localização da escritora. Junto com eles, alguns paparazzis faziam hora, esperando qualquer que fosse a movimentação, mas pareceram não reparar no carro preto, todo insufilmado, passando casualmente por eles até dar a volta no prédio e ingressar na garagem.

— Já repassamos as possíveis perguntas, vai dar tudo certo — Lind sorriu carinhosa — Só seja você mesma e divirta-se, ok?
— Está bem, mãe — a escritora sorriu, vendo a outra mulher revirar os olhos — Vou tentar não ter um surto, mas por dentro estou berrando sem parar: "aí caralho, eu estou no Tonight Show".

tapou a própria boca, como se quisesse segurar um grito interno de emoção. Lindsay deu uma risada fraca e negou com a cabeça, descendo do carro assim que sua porta foi aberta por algum funcionário do edifício. O jeito mais sério e introvertido dela equilibrava-se com o jeito divertido e descontraído de , faziam uma boa dupla. Assim como sua assessora, a autora também desceu do carro e sorriu agradecida, dando passos rápidos em direção à entrada do prédio. Estava tão absurdamente feliz e satisfeita de estar naquele lugar que podia mesmo gritar seus pulmões afora. A cada passo que dava para dentro do edifício, a cada pessoa que sorria, a cumprimentava ou vinha falar com ela, a mulher sentia seu coração bater mais forte, suas pernas tremerem, seu sorriso aumentar em seu rosto como se nada no mundo a pudesse fazer ainda mais feliz.
Não era novidade para ninguém que a escritora tinha um carisma de outro mundo. Estava sempre animada, rindo, fazendo piadas nas entrevistas, com seus fãs. era a graça em pessoa, se não conquistava pelas palavras e pelos mundos que criava em suas histórias, certamente conquistava as pessoas pelo sorriso e pela disposição em divertir todo mundo a sua volta.
E naquela noite, não foi diferente. Apesar de cansada e ansiosa, conseguiu manter-se calma e focada no que precisava gravar no programa. Passou pelos retoques de maquiagem e figurino e, exatamente uma hora e meia depois que chegou, estava sentada no sofá cinza-azulado confortável em frente a Jimmy Fallon, conversando, rindo e entrando nas graças do apresentador. Respondeu às perguntas sobre seus livros, sobre como andava sua carreira, projetos do passado que fizeram sucesso e projetos do futuro que ela ainda pensava em lançar. Falou do recente término, poucos meses atrás, do relacionamento de dois anos com o ator Barry Keoghan, justificando pelo fato de terem tido tempo para conviver intensamente durante a quarentena e os “desacordos terem sido expressivos”, além de toda dinâmica de dividir a vida entre os Estados Unidos e a Irlanda não ter funcionado bem para eles. Apesar do término, contudo, seguiam se dando bem e com muito respeito e carinho um pelo outro.
Brincando sobre sua queda por britânicos, ela comentou sobre sua amizade com Ben Barnes, que surgiu no set de filmagem da primeira adaptação de um livro seu para o cinema, dois anos atrás, quando o ator topou fazer o vilão. Com os mesmos gostos para literatura, cinema e para eventos em que podiam só ficar em casa usando pijamas, os dois tinham muito em comum e passaram a conversar mais tempo do que tinham planejado. e Ben tinham uma amizade formal e pública, não era novidade para ninguém no mundo. Fato também que ele era o responsável por sempre apresentá-la para amigos ingleses. Nesse ponto da conversa, desmentiu os rumores de que estaria tendo um caso com Freddy Carter, apesar de sim tê-lo conhecido por intermédio de Ben e sim ter saído com ele algumas vezes. A conversa leve e casual foi tomando um rumo divertido, Jimmy estava bastante interessado e sabia conduzir as perguntas até o lugar exato de resposta que queria ouvir.
E era boa de conversa. Respondia tudo com um toque cômico, provocava Jimmy em certas horas e sempre que podia interagia com a plateia. De trás das câmeras, Lindsay acompanhou a entrevista orgulhosa e muito satisfeita pelo grande sucesso de sua amiga. Estava se saindo muito melhor do que podiam imaginar, parecia uma amiga próxima, de anos, de Jimmy Fallon, como se sentasse naquela poltrona pelo menos uma vez por mês para conversar. Vestindo um conjunto três peças, monocromático vermelho em veludo escovado, com calça de cós alto, um top e um blazer por cima, tinha as pernas cruzadas e estava encostada no sofá, confortável e casual, seu scarpin de salto alto preto destoando das cores da roupa, os brincos compridos igualmente vermelhos balançando de um lado a outro conforme ela gesticulava. Ela estava segura de si, do que tinha a contar e de quem era, e, para Lindsay, aquilo era absolutamente lindo de assistir.

— Bom, e falando em atores, relacionamentos, seus livros — o apresentador bebericou um pouco de sua água, na caneca com o logo do programa — Eu queria te perguntar uma outra coisa.
— Lá vem — ela arregalou os olhos falsamente tensa, tirando uma risada leve da plateia.
— Eu li em algum lugar, sem querer, que você começou sua carreira na escrita com uma inspiração em especial — ele segurou a risada, vendo a mulher rir também, incrédula.
— Ah não — se ajeitou no sofá, negando com a cabeça — Eu não vou falar sobre isso.
— Acho que já se entregou o suficiente com essa negação,
— Eu sabia que me arrependeria de vir nesse programa hoje, eu sabia — a escritora tentou disfarçar, pegando sua caneca e tomando um gole da água.
— Eu tenho certeza absoluta de que não irá se arrepender! Mas, então, é verdade? — Jimmy insistiu, estava curioso para saber aquela informação e, mais do que isso, precisava dela para o que vinha a seguir.
— O que é verdade? — ela se fez de desentendida.
— Que há uma pessoa em especial que inspirava suas histórias no começo? — tentando manter-se sério, Jimmy olhava da mulher a sua frente para a folha em cima da sua mesa.
— Eu não sei — ela seguiu séria, falsamente desentendida, tirando risos baixos da plateia — Talvez um amigo imaginário.
— E se ele tivesse um nome assim, qual seria? — Jimmy deixou um riso escapar vendo lançar-lhe um olhar significativo, mas logo voltou a ficar sério. Ela já estava entendendo onde ele queria chegar.
— Vozes da minha cabeça — tentou explicar séria, mas estava claramente se segurando para não rir — Minha inspiração sempre veio do meu eu interior.
— Eu sei que isso é mentira — ele riu — Mas vamos fazer assim, para facilitar sua confissão: posso tentar adivinhar?
— Manda ver — a escritora estava convicta de que ele não acertaria e ela poderia aproveitar alguma deixa para desviar daquele assunto. Mas foi só ele dar o primeiro palpite para aquele plano ir por água abaixo.
— Ok, ok — ele segurava a risada — Talvez, um pouco de inspiração veio de Teen Wolf?
riu boquiaberta, ouvindo a plateia gritar eufórica.
— Eu te odeio.
— Eu acertei? — ele bateu palma comemorando, enquanto a encarava.
— Não sei — parecia ficar envergonhada.
— Ok, vou continuar — Jimmy pensou por um único segundo, sem esperar pela resposta dela, até continuar: — De Maze Runner, então?
— Já chega! — ela negou com a cabeça, rindo junto com Jimmy e a plateia.
— Bumblebee? — Jimmy ia para frente, apontando para ela empolgado — E… e Amor e Monstros?
— Tudo bem, tudo bem, eu vou contar — fez um sinal para ele parar, com as mãos. Tinha certeza de que Lindsay tinha jogado aquela informação constrangedora para Jimmy e agora o resto do mundo saberia. Mas o que mais sobre já não sabiam? Ela engoliu a vergonha — E vou me arrepender depois, certeza. Mas eu sempre fui muito fã do trabalho do Dylan O'Brien, desde adolescente, e, bom, quando comecei a escrever… — ela passou às mãos do rosto, envergonhada e sorridente — Eu não acredito que vou dizer isso, mas quando comecei a escrever, ele sempre era meu personagem principal. Em tudo. Tipo, em T-U-D-O.
— Tipo uma fanfic? — ele a cutucou um pouco mais.
— Exatamente uma fanfic! — a escritora concordou com a cabeça.
— Ah meu Deus, eu amei saber disso — o apresentador olhou para as pessoas da plateia, animado — E agora, que você tem a chance de fazer adaptações dos seus livros e personagens para o cinema, Dylan ainda está cogitado?
— Definitivamente sim — sorriu, sem nem pensar duas vezes e sem perder a oportunidade de dizer: — Se ele quiser, eu sempre o quero.
Eufóricas, as pessoas da plateia gritaram com a confissão, assistindo Jimmy ir para trás com a cabeça, boquiaberto, enquanto ria alto.
— Bom, vamos perguntar a ele então — Jimmy deu tapa na mesa a sua frente e se virou para uma das câmeras laterais e apontou para o ponto de entrada dos convidados — Senhoras e senhores, Dylan O'Brien.

arregalou os olhos e, no choque, se levantou da poltrona que estava sentada, gritando “o quê?”, rindo, enquanto as pessoas aplaudiam animadas. Pela entrada dos convidados, Dylan vinha feliz, acenando para a plateia que pareceu aumentar ligeiramente sua euforia em vê-lo ali também. Jimmy ria alto da cara de assustada da escritora, os olhos dela vidrados no ator, suas mãos involuntariamente tapando seu rosto vermelho. Usando uma calça preta e um suéter cinza, em linho, ele abriu os braços para assim que a viu de pé, sorrindo abertamente, caminhando na direção dela. A escritora não sabia exatamente como estava se sentindo diante daquilo, mas por um momento se sentiu bem para caralho. Aquele era, definitivamente, o seu momento.
Dylan a abraçou apertado assim que chegou perto o suficiente, a cumprimentando tão animado quanto ela própria estava. O cheiro frutado que emanava dos cabelos dela chamou atenção dele, a risada sutil e um tanto envergonhada em seus ouvidos parecia uma música feliz e reconfortante. Dylan não se lembrava da última vez em que ficou tão animado em conhecer alguém, mas desde aquela manhã quando soube que estava no casting do novo filme baseado em um dos livros de , no livro dela que ele mais amava, seu coração ficou ansioso. Pelo trabalho, com certeza. Por conhecer a autora, definitivamente. E bastou a produção do Tonight Show ligar para saber se ele tinha disponibilidade de fazer uma aparição surpresa para aquele dia ser, em muito tempo, um dos mais incríveis para ele.

— Ainda me odeia? — o apresentador perguntou assim que todos se acalmaram, vendo sentar-se mais perto da mesa dele, dando espaço para que Dylan se sentasse ao lado dela.
— Eu não sei — ela respondeu confusa, tirando risadas dos presentes — Eu não sei mais o que está acontecendo aqui.
— Surpresa — Jimmy abriu os braços — Nós ficamos sabendo hoje cedo que o Dylan está na adaptação de “Nenhuma Nova Linha” (NNL) e quisemos te fazer uma surpresa.
— Espera, você está na adaptação? — se virou para o homem sentado ao seu lado. Dylan sorriu e concordou com a cabeça.
— Você não sabia?
— Não me deixaram ver o casting final — a escritora falou dramática — Eu não acredito, agora tudo fez sentido!

Lindsay havia segurado a lista de atores que fariam parte do novo filme de propósito. De trás das câmeras, a viu mandar beijos no ar para ela, rindo animada por ter conseguido guardar aquele segredo da amiga. A autora não pode participar das audiências para o filme, estava com a agenda comprometida em outros trabalhos nos dias e só ficou sabendo sobre quem havia de aplicado por meio da agente que, claramente, não comentou nada sobre Dylan O’Brien ser uma das pessoas. jurava que poderia morrer de felicidade naquela noite.

— Eu nem sabia que Dylan tinha se aplicado para o papel — sorridente, ela virou-se do ator para o apresentador — Isso foi realmente uma ótima surpresa.
— Acredite, saber que você escreve fanfics comigo também foi — o ator respondeu no mesmo tom de voz animado e surpreso, tirando gritos das pessoas.
— Ai meu Deus, alguém me tira daqui — pediu alto, afundando-se no sofá — Para deixar claro: eu escrevia, no passado, agora não mais.
— Por favor escreva — falsamente desesperado, ele segurou no braço dela — Você é minha melhor oportunidade de ter um emprego pelos próximos anos — riu suavemente junto a plateia, observando o homem virar-se então para olhar o apresentador — Obrigada, Jimmy, por esse presente.
— Eu fico feliz de ser seu presente essa noite — tirando da plateia pequenos surtos, sorriu para ele, o encarando.
— Se me permite dizer o que achei do presente — com o braço apoiado no encosto do sofá atrás de onde a mulher estava encostada, Dylan encarou galanteador, descaradamente de cima a baixo, sorrindo de lado, a vendo assentir com a cabeça para ir em frente. Se bem conhecia ele, sabia que o que estava prestes a vir: — Acho que veio embrulhado demais.
— APAGUEM AS LUZES — Jimmy gritou animado, aplaudindo o momento enquanto os dois riram.

Brincadeiras à parte, e apesar de todo o momento descontraído, a entrevista seguiu com os dois contando mais sobre o filme que viria aí. contou a parte mais geral da história, suas inspirações e os detalhes que podia dar para divulgar o projeto, enquanto Dylan falou de seu personagem e da preparação que teria que enfrentar para fazê-lo nas telas de cinema. No final, como já tinha passado algum tempo conversando com , o apresentador focou-se brevemente nos trabalhos mais recentes de Dylan e os convidou para participar da segunda parte do programa, jogando Musical Beers.
Levados até um anexo do estúdio, ao lado de onde a entrevista do programa foi gravada, e Dylan foram posicionados ao redor de uma grande mesa redonda. Sobre ela, estavam distribuídos quatro copos vermelhos com cerveja dentro, um em cada lado. Ao fundo do local, apenas há alguns passos de distância da mesa, em uma cabine elevada, um DJ esperava pelo jogo começar enquanto Jimmy chamava outras pessoas para completar o jogo: , que também tinha sido confirmada no elenco de “Nenhuma Nova Linha” e a atração musical daquela noite, a cantora , quem tinha acabado de lançar um novo single com videoclipe.
Os quatro participantes se cumprimentaram animados e ouviram o apresentador explicar-lhes como o jogo funcionaria. Enquanto o DJ tocava a música, os cinco deveriam caminhar ao redor da mesa e, assim que a música parasse, todos deveriam pegar um copo e tomar a cerveja dele. Como havia um copo a menos do que o número de participantes, alguém ficaria sem e seria desclassificado do jogo. A cada rodada, uma pessoa saía e, com ela, um copo de cerveja era retirado da mesa. O jogo não demorou mais do que dez minutos para acabar, mas foi o suficiente para que eles se divertissem e tirassem novas risadas da plateia. foi a primeira eliminada, seguida por Jimmy, e, enfim, , dando a vitória no jogo para Dylan.
O apresentador agradeceu a presença deles, os cumprimentando com abraços calorosos e entrou, enfim, com a atração musical da noite, , que cantou ao vivo uma das músicas de seu novo álbum. Animado em trabalhar pela primeira vez junto com a escritora e, uma vez mais, com uma de suas amigas, Dylan as convidou para jantar em um restaurante ali perto, tentando carregar seus agentes junto. tinha acabado de chegar de viagem, direto para o programa, e indisposta, não conseguiu acompanhá-los. também não pode ir, porque estava de viagem para o México naquela mesma noite, e, os agentes, Lindsay e Brandon, percebendo que cada vez menos pessoas se juntariam a eles no jantar, também deram desculpas e não foram. e Dylan jantaram juntos, sozinhos, pela primeira vez naquela noite.
Tudo tinha sido incrivelmente casual, natural e bastante informal. Dylan e tinham jeitos muito parecidos de conduzir conversas e pareciam bastante confortáveis na presença um do outro, embora aquela fosse a primeira vez que estivessem juntos. Tudo fluiu tão bem que algumas partes do programa rodaram em vídeos pela internet durante semanas e o público parecia cada vez mais animado em ter qualquer outra oportunidade de vê-los juntos outra vez. Dylan passou a seguir nas redes sociais no dia seguinte ao programa, horas depois que a deixou em casa de volta do jantar. Sem querer dar mais falatório do que as fotos deles saindo juntos do restaurante já estavam dando, a escritora esperou alguns dias até o seguir de volta.
Seis meses se passaram desde então.
E o encontro inesperado dos dois se tornou proposital com o tempo. Dylan estava entrando na fase preparatória para o papel na adaptação do livro de e, com isso, tinha sempre uma boa desculpa para vê-la. De entender melhor a essência do personagem até treinar algumas falas com ela, em cafés casuais e entre taças de vinho em dias chuvosos, na casa dele ou na casa dela, eles foram se aproximando, se conhecendo e se conectando cada vez mais. Foram abrindo suas vidas como quem abre uma porta com receio, lenta, cuidadosamente, sem grandes pretensões no começo e com um mundo de possibilidades no final. A verdade era que, apesar do tempo que passavam juntos, nenhum dos dois tinha visto o outro como um amigo em potencial. Desde o começo tinham certos interesses em comum, só não tinham coragem de assumir um para o outro, porque nunca achavam que era a hora certa.
Entre flertes que mais pareciam brincadeiras e carinhos disfarçados de amizade, nem nem Dylan sabiam exatamente o que acontecia entre eles. Não conseguiam ver com clareza o que o outro estava fazendo, não conseguiam decidir se havia um próximo passo a ser tomado ou se só estavam inventando coisas em suas cabeças. Aquela confusão toda de sentimentos gerava tanta insegurança neles que mal conseguiam conversar sobre o assunto, não fosse com amigos próximos de um e de outro, isoladamente.
Como um bom idealista e um romântico de carteirinha, Ben achava que deveria dar uma chance a si mesma e a Dylan, e se permitir sentir o que quer que ela estivesse sentindo por ele, sem amarras. Mas Lindsay achava arriscado. Primeiro porque tinha saído há pouco menos de um ano de um relacionamento de longa data que, por mais amigável que tenha terminado, ainda assim a tinha deixado mal. Depois porque Dylan era, justamente, alguém que ela teria que trabalhar, e por isso conviver, pelos próximos meses e não seria fácil lidar com essa proximidade caso fosse um tiro em falso. Entre os conselhos que ouvia de Ben Barnes, alguém que vivia chorando e escrevendo músicas para a ex-namorada mesmo dois anos depois do término, e Lindsay, uma mulher forte e racional, era melhor seguir a amiga.
Não era incomum ver manifestações públicas de carinho entre eles. Haviam dezenas de fotos dos dois andando juntos, indo comer, correr ou mesmo a caminho de reuniões referentes ao filme. Sempre sorrindo, brincando um com o outro, dividindo a mesma bebida ou o mesmo sorvete, sempre amáveis com os fãs e até arriscando postar fotos e vídeos tirando sarro ou mostrando um pouco mais do dia a dia que compartilhavam. Mas a internet começou a ir abaixo mesmo, nas últimas semanas quando descobriram, por uma foto que postou em seu Instagram, que ela estava vestindo um moletom de Dylan e dias depois, quando ele postou em seu Twitter um vídeo dela dormindo no sofá de sua casa, abraçada com o cachorro dele, Tony. E tudo começou a parecer para os fãs, de repente, íntimo demais para serem só dois amigos.
Nenhum dos dois, contudo, comentou qualquer coisa sobre aquilo um com o outro. Fingiam que não viam as marcações e fotos, ignoravam fãs que eventualmente os encontravam nas ruas e perguntavam sobre eles. Se faziam, literalmente, de sonsos a ponto de fingirem surpresa quando viram uma hashtag com um nome de casal, de shipper deles, entrar nos trending topics do Twitter - e trocarem tuítes usando a tag e emojis de coração, marcando um ao outro, sem dizer nada mais. Apesar disso, Dylan lia em segredo o máximo de comentários e análises dos fãs que conseguia, na internet, tentando se apegar a qualquer sinal mínimo de que, se quisesse ser mais do um amigo de , ela também corresponderia.
Tinha que ser paciente, mas talvez, só talvez, tivesse que criar mais oportunidades de entender o que realmente acontecia entre eles. E na trigésima semana depois que se conheceram inesperadamente, deitado na cama de um quarto espaçoso e luxuoso do hotel que tinha acabado de entrar em Londres, cheio de insônia pelo jet lag, ele decidiu dar o primeiro passo.

DM TWITTER
Dylan O’Brien
@dylanobrien

Boa noite, .

Acho que já queria te ver...

😞😞😞


Foi a mensagem que ele enviou, depois de tê-la apagado três vezes, incerto se deveria mesmo ser tão direto. Fazia pouco mais de três semanas que a tinha visto pessoalmente e, desde então, estavam se falando todos os dias apenas por mensagens e vídeo chamadas. Cada um deles teve que cumprir agenda em um lugar diferente e, pelas próximas cinco semanas, ainda se desencontrariam - deveria estar em um programa de culinária na Louisiana, provavelmente para fazer pratos inspirados em seus livros como parte da divulgação de seu trabalho, e Dylan participaria de um reality show da Netflix, a ser gravado em Londres.
Ao vivo, em tom de brincadeira, ele já tinha dado indiretas de que estava com saudades dela, mas as respostas de no mesmo tom o faziam ficar confuso se ela também estava ou se só estava brincando. Dizer assim, por mensagem, parecia mais sério, um tom que talvez nenhum deles dois ainda estivesse confortável em usar. E se ela entendesse errado? Mas o que tinha de errado naquilo? Dylan bufou. Se sentia um pré-adolescente apaixonado por uma garota pela primeira vez na sua vida, inseguro e vulnerável, era ridículo. Ele parou por um instante pensando naquilo. Apaixonado? Será?
Afastando os pensamentos antes que eles se formassem de vez, Dylan esperou alguns minutos, encarando a tela do celular com a conversa aberta, até se tocar de que estava em outro fuso-horário. estava seis horas antes do que ele, talvez estivesse ocupada demais, possivelmente jantando, enquanto ele deveria estar dormindo. No dia seguinte teria que se apresentar na gravação inaugural de um reality show, era melhor estar descansado. Dylan deu uma última olhada na conversa, mas, antes mesmo que pudesse bloquear o telefone para novamente tentar dormir, ele leu a mensagem com um sorriso aberto no rosto:

DM TWITTER
Dylan O’Brien
@dylanobrien

Boa noite, .

Acho que já queria te ver...

😞😞😞

Chego em Londres em 7 horas.

Amanhã te conto a confusão que a Lind fez, mas basicamente o programa que vou participar não é na Louisiana, mas sim em Londres - quem confunde isso?

Boa noite, por aí.

Saudades de você :) x

A Amiga de Um Amigo

⭐🎄⭐



A noite em que fez uma breve participação especial no Tonight Show também foi, para , um momento de grande mudança em sua vida. Ainda não seria ali seu marco do feliz encontro inesperado, mas, de certa forma, se não tivesse ido naquela noite, naquele programa, talvez tudo fosse diferente.
nunca foi de acreditar na linha vermelha da vida, que, supostamente, conectava todas as pessoas do mundo e as faziam se encontrar quando fosse a hora certa de seus encontros ou as afastavam quando assim fosse o momento. Achava o discurso bonito, sim, mas não parecia real para ela. O destino era só uma ideia, não se concretizava na maior parte das vezes, não era tangível. Mas em alguns momentos de sua vida, diante de alguns fatos e acontecimentos, ela se questionava se não estava realmente no momento exato, no local exato, diante das pessoas exatas. E olhando em retrospecto, parecia fazer algum sentido - ao menos naquela manhã, depois de ver aquela notícia.
As gravações de Nenhuma Nova Linha, ou só NNL, começaram poucas semanas após a participação de Dylan, e no programa de Jimmy Fallon. O prazo para filmagens era curto e todos os detalhes já tinham sido estipulados pela equipe de roteirização, direção e produção, uma vez que alguns atores já estavam cotados para outros trabalhos e, como se tratava de uma adaptação, pouco deveria ser mudado da obra original. Todo o elenco precisou se reunir algumas vezes para apresentação do roteiro, dos personagens, para saber mais sobre o livro e quais detalhes realmente seriam mantidos na adaptação para o cinema e isso os tinha dado um tempo bom para se conhecerem melhor e se conectarem uns com os outros.
A história do livro a ser adaptada para o cinema foi escrita por dois anos antes e, desde sua publicação, era um dos best-sellers internacionais mais cobiçados, que não saia das vitrines das livrarias mundo afora. Refletindo sobre as diferentes perspectivas do amor, a obra era simples, intensa e muito verdadeira. Exigiria dos atores muita conexão emocional e um preparo intenso para mergulhar em longas cenas de reflexões, aprendizados e sentimentalismo, em takes individuais, leves e um tanto dramáticos. estava animada em fazer parte daquele projeto. Tinha lido o livro e se apaixonado por ele, seria ótimo dar vida a uma das personagens mais seguras e complexas da história. Ela já tinha um nome sólido na Academia como uma atriz referência em drama e romances profundos, teve passagens recentes em séries de ação e de ficção e até se aventurou em um musical que lhe rendeu um Globo de Ouro, mas adaptar um livro ao cinema ainda era novo e muito, muito, animador.
A obra contava a história de uma escritora em ascensão, Nelle, que precisava desenvolver um livro de romance, mas colecionava inúmeras decepções amorosas em sua jornada, o que dificultava o processo de escrita. Pressionada por sua editora, que ameaçava quebrar o contrato de anos com ela, Nelle encontra a solução quando sua amiga e assessora, interpretada no filme por , propõe que ela vá ao encontro de seus ex-namorados para reviver a trajetória que a fez apaixonar-se por eles e entender como o amor se dava para ela.
Revivendo cada um dos três antigos amores, ela embarca em uma jornada individual sobre suas percepções de vida e de amor-próprio, até se ver sozinha viajando pela Europa, onde conhece um casal de senhores em sua segunda lua de mel, com quem aprende mais sobre relacionamentos, companheirismo e sobre se apaixonar diariamente pela mesma pessoa, por tantos anos. O casal estava indo em encontro ao filho primogênito, William, interpretado por Dylan no cinema, que vivia na Itália. Nelle se apaixonou perdidamente pelo seu jeito carinhoso, gentil e sedutor, dando luz ao clichê do amor à primeira vista, que nunca era velho demais para se querer repetir a dose. Entre confusões e muito autoconhecimento, Nenhuma Nova Linha reforçava a importância do amor na vida de qualquer ser humano e, mais do que isso, traçava paralelos entre reconhecer esse sentimento com a trajetória de uma vida inteira de diferentes emoções.
tinha participação em boa parte do filme, já que era fiel escudeira da personagem principal, enquanto Dylan aparecia mais para o final da obra. Apesar disso, focado e responsável com os papéis que assumia, o ator decidiu que ficaria presente no set de filmagens durante todas as gravações, com a desculpa de que queria entender melhor o contexto completo para que pudesse entregar seu personagem o mais fiel possível ao descrito pelo livro. Sem entender exatamente a real intenção por trás daquilo - se era para realmente acompanhar a produção, fazer conexões mais naturais com os outros atores ou simplesmente ficar próximo de , cuja proximidade havia aumentado nitidamente depois que se encontraram no Tonight Show -, a produção do filme permitiu a participação recorrente de Dylan no set, o que também agradou, e muito, .
A amizade entre e Dylan aconteceu de forma natural e até comicamente. Alguns bons anos atrás, antes de todo sucesso e da fama, conseguiu uma bolsa para estudar na Divisão de Drama da Juilliard School, em Nova York e, como parte de sua matriz curricular obrigatória, tinha que acompanhar o andamento de alguns projetos cinematográficos e, especialmente, o trabalho de algum ator ou atriz. Como uma espécie de estágio, ela foi designada para as gravações de Teen Wolf e acompanhou por um quadrimestre a dramaturgia, justamente, de Dylan O’Brien. Na época, o ator recém-descoberto começava a ganhar popularidade e a chamar atenção da Academia e, no sorteio feito pelo professor, acabou tendo que o acompanhar.
De início, a relação deles era puramente profissional. Não tinham muitos contatos pessoais e, ironicamente fechada como só ela, a estudante de artes cênicas, pela primeira vez em um set de filmagens, tinha receio de como poderia ser tratada por um jovem ator em ascensão. No final do quarto mês, contudo, muito diferente de quando tudo começou, e Dylan já estavam bastante confortáveis um com o outro. Os meses que passaram juntos, apesar de poucos, foram intensos. A estudante acompanhava o ator quase todo o dia e, para além do amor pela profissão que ambos começavam, foram descobrindo um no outro que tinham muito em comum.
Dylan foi o responsável por conseguir a ela a primeira audiência, que deu a a primeira oportunidade de atuar em um filme assim que saiu da faculdade. A partir daí, tomando caminhos diferentes, em estados diferentes e com trabalhos diferentes, se encontravam muito eventualmente e quase não mantinham contato, exceto pelas ligações e mensagens eventuais que trocavam. Eram, um para o outro, pessoas que se conheciam, que se davam bem, que se gostavam muito, que pareciam se ver sempre quando se encontravam quase nunca. Mas o cenário mudou, definitivamente, quando foram, os dois, aceitos para trabalhar em NNL, a primeira vez que atuariam juntos. E desde que haviam se reencontrado no Tonight Show, a amizade que nunca teve espaço suficiente para acontecer até ali, feliz e finalmente, encontrou um jeito de florescer.
O ator era o mais palhaço possível e estava sempre fazendo brincadeiras, pregando peças, dando sustos ou performando músicas que cantava pelos corredores. Entre uma filmagem e outra, como duas crianças extremamente animadas por estarem ali, os dois compartilhavam memes, tomavam café, estudavam juntos os roteiros, gravavam vídeos performando coisas aleatórias e, às vezes, se provocavam tanto na brincadeira, que era insuportável ficar perto.
Juntos, enchiam o set de gargalhadas altas e tumultuavam tanto o ambiente que nenhum dia pareciam que estavam trabalhando. Entre a performance de Wannabe (Spice Girls), que viralizou na internet, as histórias que contavam e as piadas que trocavam, a amizade deles foi organicamente se consolidando mais e mais. Tudo acabava se tornando muito engraçado, tudo era leve, natural e muito sincero.
Para a atriz, aquele projeto não apenas a tinha dado novamente, de presente, um amigo como nenhum outro, mas a tinha feito conhecer uma das melhores pessoas que poderia encontrar no mundo. , a escritora, passava muitas horas do dia com , a instruindo como seguir com a personalidade de sua personagem no filme, contando sobre suas histórias e ouvindo dela sobre as histórias que ela tinha a contar. Não demorou muito para que conseguissem se identificar e se aproximar. Saiam juntas eventualmente e, a tempo de divulgar o filme, quando não estava com Dylan nas entrevistas, amava ser selecionada para fazer dupla com . Era um trio. E tanto.
Apesar de ser muito expansiva, animada e amável com todos ao seu redor, se abrir para novas amizades era algo recente para , que demorava para confiar verdadeiramente nas pessoas e considerá-las suas amigas. Talvez pelo meio em que estava acostumada a viver, imersa em uma multidão de pessoas que tinham interesses fúteis e muito superficiais nela, relacionamentos em geral eram um desafio para a atriz. , contudo, a transmitia segurança, companheirismo e carinho, ainda que da forma dela, uma forma bem parecida com a de Dylan, cheia de informalidades e muitas piadinhas. O ambiente naturalmente tóxico parecia ficar ligeiramente mais agradável com eles por perto e, no tempo em que passaram juntos, ia aprendendo a confiar, ia se permitindo ser quem era e a se abrir como fez com poucas pessoas em sua vida. NNL foi um presente para ela, em muitos sentidos.
Quatro meses depois do Tonight Show, do marco zero de nossa história, era uma sexta-feira. Como qualquer manhã de sol, corria pelo Upper East Side, bairro em que morava há pouco mais de cinco anos. Seus fones de ouvido no volume mais alto tocavam músicas eletrônicas altas e os óculos de sol preto combinando com o boné da Nike tinham a função de fazê-la passar despercebida por onde corria, como se aquilo fosse o suficiente. Ao redor dela, metros de distância e sem sequer se aproximar de fato, meia dúzia de paparazzis a acompanhavam, sedentos por qualquer que fosse a foto que poderiam vender mais tarde. Imagens da atriz correndo, contudo, não eram novidade, um exercício constante somado às horas de treinamentos físicos diários que fazia desde que foi escalada para viver a Kristen Ortega de Altered Carbon, a série gravada e estreada entre 2017 e 2018. Desde então, os filmes de ação se tornaram um convite constante e manter a força era “essencial para se encaixar nos papéis", como sempre reforçava Noah, seu agente, quando ela reclamava dos exercícios.
Além disso, e apesar de não ser a maior fã do mundo fitness, correr era um exercício de conexão com seu mundo interior. gostava de passar um tempo sozinha, todos os dias, longe da histeria e das multidões que pareciam ir aonde quer que ela estivesse. Um ponto importante e essencial para sua carreira, sim. Ela sabia que a partir do momento que escolheu fazer o que fazia, estar sempre rodeada de pessoas era uma consequência imediata. Mas, apesar de se divertir e ser a pessoa mais fofa do mundo com seus fãs, cumprimentar os paparazzis e amar os eventos para os quais era convidada a participar, a atriz sempre foi do tipo mais reservado, que gostava de preservar certos espaços pessoais e não se deixar levar pela vida absurdamente pública.
não gostava de se expor. Sua vida pessoal era um mistério, o que vinha a público sobre ela, para além dos trabalhos que fazia e dos eventos que participava, eram informações pescadas por paparazzis e especulações de fãs nas redes sociais. A famosa artista low profile, com fotos de viagens, indo para a academia, carregando seu café por aí ou aparecendo despretensiosamente em fotos que outros artistas postavam em suas redes. Em todos aqueles anos de fama, desde quando saiu da Julliard, o maior escândalo da atriz, talvez, foi ter aparecido em fotos beijando Liam Hemsworth em uma praia na Austrália algumas semanas depois dele ter se divorciado. era a discrição em pessoa. Reservada, sabia separar sua vida particular de sua vida pública, mantinha tudo sobre si mesma em sigilo, sob seu controle. O único traço dela que, apesar de respeitar, Noah ainda queria ligeiramente mudar.
Quase uma hora e meia de corrida depois, exausta, ela seguia imersa em seus pensamentos, tentando organizar o que tinha para fazer naquele final de semana e repassando mentalmente algumas falas que tinha decorado na noite anterior para NNL. E como se soubesse que ela estava, justamente, pensando naquilo, seus fones de ouvido interromperam a música animada que tocava, sinalizando em seguida que uma ligação entrava. olhou de relance para a tela de seu celular, preso em um suporte esportivo na parte interna de seu braço esquerdo e sorriu ao ler o nome que aparecia.

— Oi, Maluma — ela disse animada, ouvindo Dylan bufar do outro lado da linha.
Você não esquece isso, que inferno — ele respondeu prontamente, desejando que ela o pudesse ver revirar os olhos. Desde que precisou pintar o cabelo de loiro, a amiga vivia dizendo que ele tinha ficado parecido com o Maluma.
— Ninguém mandou você pintar o cabelo de loiro.
Eu te odeio, .
— Se me odiasse não estaria me ligando nessa hora — ela reduziu o ritmo da corrida, arfando, vendo no relógio de pulso ser perto das dez e meia da manhã — Vai me dizer que está ligando porque já está de volta em Nova York?
Precisamente na porta do seu apartamento, cheguei agora há pouco de Londres. Onde você está? — Dylan saia do elevador, vendo a enorme porta do apartamento luxuoso da amiga à frente.
— Correndo — ela acenou sorrindo para um casal próximo, que acenavam contentes em vê-la passar por eles.
Corra de volta para casa, então, seu cachorro está destruindo o sofá — a voz de Dylan pareceu distante, os latidos do cachorro sendo ouvidos no fundo.
— Isso é uma grande mentira! Ollie não faria isso, ele é instruído, diferente de você — Dylan pareceu nem sequer ouvi-la.
Olivier, desce daí — segurando o celular no ouvido, Dylan puxava o Pug gordinho de com a outra mão, o impedindo de morder uma das almofadas do sofá.
— Espera — ela parou de correr por um minuto — Como conseguiu entrar na minha casa? — sem ter uma resposta breve, ela gritou — DYLAN!
Estou aqui, salvando seu sofá, garota, espera — puxando o cachorro para seu colo, ele então se jogou sentado no sofá da amiga e apoiou os pés na mesa de centro — Cadastrei minha digital na sua fechadura da última vez que você bebeu demais e tive que te trazer embora.
— Você é muito folgado — voltou a caminhar, sentido sua casa.
Eu te salvo e ainda sou folgado — Dylan a repreendeu falsamente, encarando o cachorro aconchegado em seu colo — Sua mãe é muito mal-agradecida, Ollie, ainda bem que você puxou o pai.
— Ele não tem um pai.
Ah, nossa, que bom que puxou esse assunto porque, falando nisso, vamos sair hoje — completamente do nada, propositalmente induzindo a conversa para aquele assunto, Dylan comentou casual. respirou fundo, conhecia o jeito do amigo, lá vinha bomba.
— O que uma coisa tem a ver com a outra? — voltando a correr calmamente, de volta para casa, ela não demoraria mais do que alguns minutos para chegar.
Você está cheia de perguntas hoje, né? — questionou o ator e, então, fez uma pausa dramática, mas como não obteve resposta de , continuou — Vamos sair, porque caso você não saiba, o que acho difícil, pois sou super popular e meu nome está em todo lugar agora — a atriz, do outro lado da linha, não pode deixar de rir — sou o novo ex da Taylor Swift e preciso comemorar.
— Desde quando você e Taylor Swift estão saindo? — ela parecia realmente surpresa.
Desde o dia em que ela deixou o cachecol na casa da minha irmã — cantarolou Dylan uma parte da música All Too Well da cantora, mas não obteve nenhuma resposta da amiga Não sei se devia me sentir magoado, por você não acompanhar meu trabalho, ou dar risada da sua cara por acreditar que eu teria mesmo uma chance com a Taylor Swift.
— Eu acredito nas coisas que você me fala — revirou os olhos — E esse é o meu maior erro.
Fico feliz por te passar tanta credibilidade — ele riu.
— Dylan, foco! Eu não consigo acompanhar essas referências de fanboy bebeu um pouco de água da garrafa que carregava e dobrou a esquina da rua de sua casa.
Pelo visto, temos muita coisa para conversar mesmo, mas vou te adiantar: — o ator emitiu um som como se fosse fazer um grande anúncio — vou ser o protagonista do novo clipe da Taylor Swift.
— É SÉRIO? — ela gritou animada. Apesar de bonito e muito carismático, Dylan estava tendo certa dificuldade de conseguir papéis nos últimos anos, mas aquele cenário parecia estar mudando, finalmente. Merecia ser mais reconhecido — Isso é incrível, Dy.
Sem brincadeira alguma dessa vez — Dylan parecia orgulhoso de si mesmo.
— Você tem noção de que estará num clipe de uma das maiores artistas do século? Se prepare para chover trabalhos e, bom, fãs te assediando.
— Me sinto pronto — ele respondeu seguro, fazendo rir — Você já pode dizer que é amigo de uma estrela, .
— Juro que queria entender como você consegue ter um ego tão grande para alguém com apenas 1,78 de altura. Favor controlá-lo para não encher toda a minha casa, já estou chegando — Dylan se ajeitou ainda mais no sofá com Ollie deitado ao lado de seu peito quando ouvir a trava na porta abrir-se.
— SURPRESA!!!! — assim que viu a amiga entrar, tirando os óculos de sol e o boné, enquanto deixava os tênis do lado de fora, na porta, totalmente acabada pela corrida, o ator gritou levantando os braços, no sofá, assustando ligeiramente o cachorro e fazendo revirar os olhos.
— Seria uma surpresa se você não tivesse literalmente invadido meu apartamento, Dylan — jogou as coisas que carregava sobre a mesa e, fazendo um hi-five com o amigo assim que passou por ele, colocou os pés de Dylan para o chão, se sentando ao lado do amigo. — Agora, por gentileza, será que o Maluma poderia me contar o real motivo de termos que sair?
— Vamos comemorar meu novo trabalho, é isso — ele deu de ombros.
— E você precisou mesmo invadir minha casa para me convidar para sair por esse motivo? — levantou as sobrancelhas. Dylan odiava o fato dela ser esperta. Ele respirou fundo.
me chamou para sair hoje.
— É por isso que você está se escondendo no meu sofá? — ela o olhou divertida — Tudo fez sentido agora.
— Primeiro, não estou me escondendo, ainda — ele abaixou o tom de voz na última palavra — Segundo, você também vai.
— Nem fudendo! — a atriz respondeu alto demais — Segurar a vela de vocês? Estou fora, obrigada.
— É aí que você está errada, minha amiga, não tem vela nenhuma, porque somos amigos. A-M-I-G-O-S, e também porque ela vai levar um amigo próximo que está na cidade trabalhando por algumas semanas.
— Nananina não, sem essa — a atriz disse levantando-se e indo para cozinha, Dylan continuou na mesma posição, apenas colocou os pés de volta na mesa de centro — Você e , amigos? Depois do vídeo no Twitter essa desculpinha não cola mais, meu querido. E que história é essa de levar um amigo? Está querendo me arranjar alguém assim do nada?
— Muitas perguntas, , muitas perguntas. Você virou jornalista agora para ficar fazendo tantos questionamentos?
— Se você está fugindo de todos eles é porque tem alguma coisa errada aí.
— Tem sim, um amigo que quer juntar suas duas melhores amigas para conversar e jantar. Isso é um crime agora? — Dylan fez drama e olhou com as sobrancelhas arqueadas para que estava escorada no batente da porta da cozinha, segurando um copo com água.
— Meu Deus! Quando você vai parar de ser dramático desse jeito? — ela revirou os olhos.
— Quem faz drama aqui, e muito bem-feito, é você — ele a provocou de volta — Tem até um Oscar por isso, inclusive.
— Que vou usar para te agredir já, já, se não falar sério — ela apontou para o ator.
— Credo, violenta — Dylan pareceu falsamente amedrontado, tirando da amiga uma risada baixa.
— E esse tal amigo que vai com ? Que papo é esse? — perguntou falsamente casual, tomando um gole de sua água. Estava curiosa.
— O homem que a vai levar é meramente um enfeite — o ator explicou rápido — Ele está hospedado na casa dela e não pode deixá-lo sozinho, seria falta de educação deixar um convidado em casa enquanto sai com os melhores, mais talentosos, lindos e gostosos amigos que ela tem na vida.
— Dylan… — o repreendeu, parecendo não gostar muito da ideia.
— Acabei de te fazer um elogio e você me trata assim, ? — Dylan colocou a mão no peito como se tivesse ofendido. — Está cada dia mais difícil manter essa amizade.
— Já pode parar de atuar, Maluma, não tem nenhuma câmera aqui — o ator revirou os olhos não aguentava mais o apelido — Eu não sei, não, está soando uma roubada e tanto. Não vou ficar de vela de vocês.
— Não tem vela, porque não temos nada, — Dylan suspirou, negando com a cabeça.
— Não têm, porque você não tem coragem de assumir que é a fim dela — cirúrgica, o encarou — E pode usar o jantar de hoje para isso. Estou fora.
— Sem chances! — ele desesperou-se, falando tudo muito rápido — Não tem contexto e eu não estou certo do que ela sente por mim. Não é o momento e eu estou implorando sua ajuda para não me deixar sozinho nessa situação. É isso — ele fez um biquinho fofo, quase convencendo a amiga que o olhava sorrindo.
— Essa parte entendi — pensou — Mas me dê um bom motivo para ir ao tal jantar.
— Vamos ir comer num lugar diferente, eu e vamos estar lá e vai ter uma pessoa nova para você conhecer — ele listava os motivos nos dedos, olhando a amiga — Qual é, , vai ser legal. E você precisa conhecer pessoas novas, está encalhada.
— Eu juro que não ouvi isso — bufando, ela virou-se de costas para ele e foi para a cozinha.

Dylan riu sozinho, baixo, sabendo que tinha jogado sujo, porque aquele era um tema sensível. não saiu muito bem do último relacionamento. O cara ficou com ela por um ano, vivendo o sonho e o romance que tanto queria, para, no final das contas, chegar um belo dia e dizer que achava ser melhor serem só amigos, pegado suas coisas e ido embora. Literalmente foi embora, mudou-se de país e nunca mais a procurou para nada. A mulher sempre teve dificuldades de confiar nas pessoas e, depois disso, pareceu ter se fechado completamente para relacionamentos sérios. Se fosse para sofrer o que sofreu, se fosse para terminar sendo só a amiga no final das contas, que ela só pegasse quem tivesse interesse de pegar e não criasse ali raízes muito profundas.
E era o que vinha tentando fazer desde então. Mas aquele não era, definitivamente, o seu jeito. E apesar de ter saído com outros homens, como aconteceu com Liam Hemsworth e, mais recentemente, com Richard Madden, algo parecia a segurar depois de algum tempo que já os estava vendo e, sem querer, talvez, se afastava deles antes que pudesse de fato se envolver. Não cairia mais no conto de fadas de um amor ideal, porque sempre, em alguma medida, alguém magoava e alguém saía magoado da história. Não queria mais passar por aquilo.

— Ouviu sim — Dylan continuou falando, mais alto para que ela pudesse ouvir, indo em direção a cozinha — Precisa conhecer alguém decente com quem possa ficar mais de um mês.
— E o que te faz pensar que esse amigo de é essa pessoa? — perguntou virando-se para ele assim Dylan apareceu no batente da porta.
— Acredite quando te digo: ele é essa pessoa — ele parou por um momento e deu de ombros — Pelo menos, passou no meu teste de qualidade para você.
— Bendita hora que fui encontrar você nessa vida — ela olhou para o céu, como se pedisse forças.
— Por favor!
— Você não tinha que me meter nisso só porque quer ver a , Dylan.
— É só um jantar.
— É um encontro arranjado.
— Se quiser chamar assim, tudo bem — ele deu de ombros outra vez — Mas eu não disse que seria.
— Mas é o que é.
— Não é, — se aproximando dela, ele segurou seus ombros — É só você pensar que vamos sair para celebrar meu novo trabalho, fim.
— O que é uma mentira, porque você está claramente usando isso como desculpa só para ver — ela falou pausadamente.
— Talvez — ele assumiu baixo, chacoalhando a amiga pelos ombros — Mas isso não quer dizer que você vai estar de vela, porque vai ter uma outra pessoa lá. E é bem bonitão.
Bonitão? — ela repetiu na mesma entonação dele. Sem aguentar a cara que ela fez, Dylan riu alto — Meu Deus, que desastre.
— Desastre é você perder essa oportunidade, vai por mim, .
— Não vai me deixar em paz até eu aceitar, não é?
— Não.
— Que horas vai ser?
— Isso quer dizer que você vai? — Dylan levantou a voz, como uma criança animada, uma vez mais acordando Ollie na sala.
— Não sabia que você queria tanto assim sair comigo — a atriz disse pegando seu celular — Mas, sim, ok, eu vou.
— Sabia que dizer que ele era bonitão iria te convencer — ele abraçou a amiga animado, tirando ela uma risada.
— Se for terrível, eu vou reclamar o resto da vida e você vai ter que ouvir — o abraçou de volta, logo o vendo voltar para a sala, cheio de entusiasmo.
— Posso lidar com isso. Esteja pronta às 20h, passo aqui para te pegar — Dylan pegou as chaves de seu carro que haviam caído no sofá e foi quase que correndo em direção a porta para que não desse tempo para a amiga desistir — Por favor, não me faça passar vergonha, seja instruída que nem o seu doce Ollie — antes de sair completamente da casa, o ator viu colocar o dedo do meio para ele e gritar:
— Você que vai pagar, estou avisando.

***


Ben Barnes estava em Nova York há poucos dias. Como embaixador da marca, tinha ido para a cidade para fazer uma sessão de fotos para o lançamento de Uomo, o novo perfume de Salvatore Ferragamo e, aproveitando a deixa, decidiu visitar . Eram amigos fazia anos, desde quando ele atuou em uma das adaptações de um dos livros dela. Os dois eram opostos complementares, o que o ator tinha de introspectivo, reservado e discreto, a escritora tinha de expansiva, era mais falante e gostava de manter sua vida pública. Apesar disso, se davam absurdamente bem, de uma forma leve e natural, e se tratavam feito irmãos, já que a diferença de idade entre eles fortalecia esse sentimento. Mantinham contato diariamente por mensagens, atualizando um ao outro sobre seus novos projetos e o que mais estavam trabalhando, fazendo fofocas ou só checando como as coisas estavam indo e, sempre que os dois estavam nos EUA ou na Inglaterra, davam um jeito de se encontrarem. O ator tinha ficado muito animado em saber sobre a nova adaptação do livro de , o novo filme, pois sabia da importância da obra para a amiga e havia a lido em primeira mão assim que ela terminou de escrevê-la.
Ben não ficaria muito tempo na Big Apple. Precisava voltar para Londres rapidamente porque estava empenhado em finalizar o desenvolvimento de seu primeiro projeto musical, que contava com singles inéditos, e dois videoclipes. Aquele era o seu primeiro passo para uma carreira também de cantor e Ben estava absurdamente animado e dedicado em dar o melhor de si. Dava atenção a outros trabalhos e cumpria as agendas que estava comprometido, mas, sempre que podia, priorizava a realização daquele sonho.
O apartamento de em Nova Iorque era bastante diferente da casa gigantesca que ela tinha em Los Angeles. Dividindo a vida lá e cá, a escritora passava alguns meses do ano em um lugar e outros no outro, tinha se acostumado a ter dois lares. E para Ben, aquele era o melhor cenário possível, pois sempre que tinha trabalhos nos Estados Unidos, e geralmente em Nova Iorque ou em Los Angeles, já tinha onde ficar hospedado. As casas de eram como se fossem dele, se sentia confortável e pertencente, assim como ela quando precisava de um abrigo em Londres.
Durante os dias, como a escritora estava quase sempre dentro de sua biblioteca escrevendo, dando entrevistas ou em reuniões, assim como Ben, que sempre tinha agendas absurdamente lotadas quando estava de passagem pelo país, eles aproveitavam das noites para conversar sobre o dia que tiveram, bebendo vinho, ouvindo música, rindo das besteiras que contavam. Ainda, Ben gostava de tocar algo no piano que tinha próximo a sala de seu apartamento, de onde podia ver o Central Park, e que, segundo ela, tinha vindo junto com parte da mobília do local - uma explicação razoável para o fato de ter um instrumento daqueles, já que música não era uma área que ela dominava, a não ser por toda a discografia de Frozen, uma trilha sonora que ela conhecia muito bem.

— Se alguém mais me falar qualquer coisa com a palavra "prazo" hoje, eu juro que vou ser obrigada a beber! — afirmou abrindo as duas grandes portas que faziam divisão entre a biblioteca e a sala principal de seu apartamento. Ben estava sentado em um dos grandes sofás dispostos na sala, enquanto mexia desinteressado em seu celular, com Sirius, o gato de estimação da amiga, no colo.
— Tenho que entregar algumas coisas com prazos essa semana, sabia? — querendo dar-lhe um motivo para beber, o amigo riu e dirigiu seu olhar para uma cansada que se sentava ao lado dele.
— Tá bom, você me convenceu! — ligeira e repentinamente disposta, a escritora pegou seu celular e digitou algo rapidamente com um sorriso no rosto — E nem precisamos pensar no que fazer: acho que temos um jantar marcado.
— Jantar? Achei que fossemos passar mais uma noite bebendo até você virar vinho no sofá branco de novo — a escritora revirou os olhos. Sabia que quando bebiam em casa ela ultrapassava um pouquinho dos limites, já que estavam apenas entre amigos e podia confiar em Ben. O dia a dia era estressante, além de todos os compromissos que tinha no dia, ainda, depois das gravações, tinha que ficar horas revisando as cenas gravadas para ver se nenhum detalhe essencial para história se perdeu. Amava as adaptações de seus livros para o cinema. Mas até que fossem lançados, era trabalho atrás de estresse.
— Olha só quem está engraçadinho hoje — uma notificação apitou no celular de , que gargalhou com a mensagem — É, nós realmente temos um jantar — olhou novamente para o aparelho — E precisamos sair de casa, Ben. Estamos parecendo dois solteirões de meia idade, não que você não seja um desses.
— Estou solteiro por opção, ok? — ele levantou as sobrancelhas.
— Por opção das mulheres que você já saiu, né? — ela o provocou, risonha.
— Achei que você fosse escritora, não comediante.
— Sou um pouco dos dois — a escritora deu de ombros, fazendo Ben rir
— Não encontrei ninguém que valha a pena abrir minha vida — sincero, ele encolheu os ombros — E você não venha com esse papo de solteirona para cima de mim — o ator apontou para a amiga — Porque você tem o Dylan e eu sei disso
— Quantas vezes vou ter que te dizer que eu e Dylan somos amigos. — revirou os olhos.
— Eu sou seu amigo e nem por isso te dou uma foto do meu cachorro para você colocar no seu escritório.
— Você não me deu porque não tem um cachorro, Benjamin — ela o olhou com obviedade — Se tivesse um e me desse uma foto, colocaria também na minha escrivaninha.
— Nem você cai na sua própria desculpa, , não seja ingênua — Ben sorriu de lado, cutucando Sirius para que ele acordasse.
— Vamos falar do que interessa?
— Desviar do assunto é a sua nova forma de responder às minhas perguntas? — ele riu, vendo a cara de poucos amigos de . Era fácil irritar ela.
— Você não me perguntou nada, apenas saiu afirmando um monte de bobagens — o ator seguiu rindo da forma que a amiga rebateu. Sempre tinha resposta para qualquer que fossem suas perguntas — Vou tomar um banho de princesa da Inglaterra agora, porque estou precisando, e nós saímos às 20h — a escritora estava se levantando e indo em direção ao corredor dos quartos — Nem mais nem menos. Seja pontual feito o britânico que é.
— Vamos só nós dois? — o ator perguntou e a amiga se virou, dando alguns passos de costas.
— É — a escritora fez uma pausa, juntando as mãos no centro do corpo — Quase isso — e simplesmente saiu, deixando um Ben confuso com Sirius em seu colo na sala.

***


Por volta das 7h40 da noite, o som animado de Sweet Dreams de Alan Walker enchia o apartamento de , enquanto ela terminava de se arrumar. Se sentia festiva, empolgada em sair naquela sexta e, tendo e Dylan por perto, tinha certeza de que seria ótimo e, ao menos, divertido. Pela praticidade e pela ocasião misteriosa, sem saber exatamente o que esperar no ambiente que iam, ela vestia um look todo preto. Composto por uma calça de alfaiataria, reta e mais justa ao corpo, um top cropped parecido com um corset, de alças médias e decote coração, e com detalhes em transparência discreta, ela decidiu usar os scarpins que tinha recebido de presente de Jimmy Choo recentemente. A maquiagem que a atriz fez, antes de se trocar, ressaltava seus traços naturais, e as joias que escolheu eram discretas para não pesar muito, já que estavam indo jantar e sua roupa mais escura já carregava o suficiente.

— Isso aqui virou uma rave? — Dylan disse adentrando o apartamento de .
— Já não bastava invadir meu apartamento uma vez, você foi lá e fez isso duas vezes… e no mesmo dia — a atriz gritou do banheiro, onde passava um batom mais avermelhado. Já estava esperando que ele aparecesse de surpresa, de novo, a qualquer momento.
— Se eu tenho a chave de acesso, não é invasão, certo? Certo — o ator foi em direção ao banheiro performando uma coreografia própria, no ritmo da música. começou a gargalhar e se juntou a ele na dança, brevemente, enquanto passava seu perfume em abundância.
— Alguém já te disse que você está muito bonita? — ele perguntou reparando na amiga, sem parar de dançar. riu e agradeceu fazendo uma pose forçada, sendo imitada por Dylan.
— Alguém já te disse que você é muito estranho? — risonha, dando uma última olhada no espelho e ajeitando seus cabelos soltos, ela se virou para sair do cômodo. Estava pronta.
— Várias vezes, mas não me importo muito — ele disse enquanto sacudia os braços parecendo um boneco de posto — Gosto de ser autêntico.
— Vamos embora logo, mister autenticidade, antes que eu mude de ideia.

Depois de tirar meia dúzia de fotos juntos, que certamente parariam nas redes sociais mais tarde, os dois deixaram a casa de e se dirigiram ao suposto local onde Dylan a levaria para jantar com e o amigo misterioso. A atriz só esperava que realmente não ficasse de vela a noite inteira e tivesse que beber uma garrafa inteira de vinho sozinha ou que o amigo de fosse, pelo menos, simpático o suficiente para que ela pudesse, ao menos, conversar com ele. As luzes da Time Square brilhavam fora do carro junto com as estrelas no céu aberto, quase sem nuvens, enquanto Closer tocava na rádio. Não muito tempo depois, o ator estacionou o carro próximo a uma rua que era desconhecida pela amiga e, logo depois, pegou o celular.

— Oi, fanfiqueira! Acabamos de chegar, vocês já estão aí dentro? — o ator falou assim que sua ligação foi atendida, dando a entender, pelo apelido, que ele estava falando com . Logo depois, Dylan respondeu uma sequência tripla de “aham” e desligou o telefone contente.
— E aí?
, você sabe que te amo e não faria nenhum mal para você, não sabe? — Dylan se virou para amiga e, antes que desse tempo dela responder, continuou — Do jeito que eu falei parece que vou te matar, mas não é isso — ele fez uma pausa — Não dessa vez! — a amiga sinalizou como se dissesse obrigada, rindo de nervoso — Preciso que você se permita aproveitar a noite.
— Sério, isso foi muito assustador — a atriz disse tirando o cinto — Você podia ser um pouquinho mais normal às vezes — e os dois riram — Mas nunca disse que não iria aproveitar. O que está acontecendo?
— Então está ótimo — ignorando a última pergunta, o ator disse saindo do carro, sendo acompanhado pela amiga — Depois não diz que eu não avisei.

e Ben haviam deixado o apartamento dela no mesmo horário e chamado um Uber. Depois de deixar o amigo curioso no sofá, a escritora realmente tomou um banho de princesa, demorado e cheio de pétalas de rosas, tentando se concentrar no jantar que teriam e no que podia vestir. Ben ficou mais um momento na sala, esperando que ela voltasse com mais alguma informação, porém isso não aconteceu, o que fez com ele entendesse que precisava se mexer para se arrumar também. Sirius o acompanhava pela casa, como se Ben fosse seu dono e morasse com eles há muito tempo.

— Não entendo por que você não compra um carro — Ben disse assim que desceram do veículo.
— Primeiro porque é mais fácil despistar os paparazzis — um fato, pois nunca sabiam se ela tinha saído de casa até algum deles a encontrar sem querer em algum lugar — Depois, porque tem muito trânsito na cidade, é um caos. E fora isso, você sabe que eu não conseguiria focar em um ponto só com tanta coisa acontecendo à minha volta — ela deu de ombros, os dois estavam à frente de um restaurante que nunca tinham ido. Normalmente costumam frequentar bares baratos ou redes de fast food, não se importavam muito. Bastava ter comida e bebida que, para eles, estava ótimo — Gostou do lugar? — perguntou feliz, notando Ben apreciar curioso e levemente impressionado a fachada do local.
— Parece muito bonito, por fora pelo menos. O que te fez escolher um restaurante de verdade dessa vez? — o ator abriu um sorriso.
— A experiência — a escritora disse despreocupadamente — Os garçons são cegos.
— Você está brincando com a minha cara de novo, não é? — Ben disse abrindo a porta para que conseguisse passar, a escritora apenas riu, entrando no local.
— Boa noite, vocês têm reserva? — a recepcionista do local perguntou cordial, sorridente, logo que e Ben passaram pela porta. O ator reparou que realmente havia homens de óculos escuros no hall de entrada do restaurante. Não, ela não estava de brincadeira.
— Sim, elas estão no nome de Dylan O’Brien — respondeu casualmente ao recepcionista. Se Ben já estava confuso antes, agora, ouvindo o nome de Dylan, ele não estava entendendo mais nada.
— 4 lugares? — a escritora confirmou com um gesto de balanço de cabeça — O Omar vai levar vocês até a mesa — a recepcionista então apontou para um dos supostos garçons de óculos escuros.

Ben pareceu paralisar por um segundo, sem saber direito o que estava acontecendo. Procurando por uma resposta rápida, ele então se deparou com um letreiro que explicava resumidamente como o jantar funcionava. Com o intuito de ampliar espaços de inclusão, o restaurante foi criado e, com exceção do recepcionista, apenas contratava pessoas cegas. Lá dentro, a partir do momento que entrassem no salão principal, onde poderiam se sentar e jantar, não haveria luz alguma. Nenhum tipo de luz ou sinalização, seria tudo escuro. Um verdadeiro jantar às cegas. O ator já tinha lido algo sobre restaurantes assim espalhados pelo mundo, mas nunca tinha ido a algum deles. Parecia uma experiência interessante, no mínimo diferente, e certamente a cara de e Dylan.
Aproveitando que o amigo estava distraído, lendo a elegante placa que contava um pouco da história e do funcionamento do local, curvou-se para a recepcionista e abaixou a voz, pedindo-lhe discretamente:

— Por favor, quando nossos dois convidados chegarem, peça para que a mulher vá na frente e se sente primeiro à mesa.
— Certo, pode deixar — a recepcionista concordou, sorrindo cordial para a escritora.
— Coloque sua mão direita no meu ombro direito e seu amigo coloque a mão no seu ombro — Omar, quem os guiariam salão adentro, disse a que obedeceu prontamente indo de encontro ao homem. Ben, por sua vez, a seguiu colocando a mão no ombro da amiga — Muito obrigado — o garçom agradeceu quando a escritora fez o que foi pedido — Cuidado com os degraus da escada! — avisou — O próximo ambiente é completamente escuro, não podem ligar o telefone, nem o iluminar de forma alguma, ok?

Por um momento, Ben pensou que seria brincadeira do garçom, mas ao descer as escadas, o ambiente ficou totalmente escuro, um breu, não havia sequer uma luz de lanterna para guiá-los até as mesas. A única pessoa em que tinham que confiar era em Omar para serem colocados no espaço que reservaram. Esperava surpresas vindo de , mas ela parecia animada, como se aquilo já estivesse em seus planos. Planos. Por um momento Ben se perguntou se tinha caído em um plano armado pela amiga e pelo suposto amigo da amiga. De todo modo, fosse o que fosse, o ator não estava entendendo mais nada, a confusão parecia ficar cada vez maior e só restava a ele entrar no momento e curtir o máximo que podia.

— Sua mesa se encontra à direita — Omar afirmou virando-se para o lado que havia indicado — Peço, por gentileza, que vocês se sentem do mesmo lado da mesa, para que quando os dois outros convidados chegarem possam se acomodar no espaço vago, à sua frente.
— Pode deixar! — a escritora respondeu ao garçom, feliz — Ben, você pode ir na frente! — dirigiu-se ao amigo, o ator movimentou-se, contornando a amiga que estava mais a frente e se sentou do lado direito da mesa, ao canto, próximo a parede.
— Você realmente é uma caixinha de surpresas, não é? — o ator dirigiu-se a amiga que já estava acomodada próxima a ele.
— Sou, não sou? — disse convencida — Estou sempre te proporcionando experiências inesquecíveis — os dois riram.

Passaram-se cerca de cinco minutos em que Ben e estavam no restaurante, conversando sobre assuntos casuais do trabalho e também da vida pessoal de ambos. O ator, ainda que curioso, evitou fazer mais perguntas sobre aquele encontro porque sabia que não conseguiria arrancar nenhuma resposta concreta da amiga, tudo que receberia seria sarcasmo e mais enigmas. No restaurante, cada pessoa tinha um garçom exclusivo para atendimento, para que dessa forma o pedido não acabasse sendo confundido, uma vez que os profissionais apenas diferenciavam os clientes pela voz.

— Sua mesa se encontra à direita — Ouviram novamente Omar falar e, surpresos, pararam de conversar um instante. sabia que agora as coisas ficariam interessantes. Ben, por sua vez, se remexeu na cadeira, sem saber se deveria levantar-se, como estava acostumado, para receber outras pessoas em sua mesa. Como não os podia ver, contudo, permaneceu sentado, curioso para saber o que aconteceria a seguir e o porquê de tanto mistério. Pelas risadas leves e baixas, podia reconhecer que Dylan havia chegado, mas a mulher com ele era um mistério. Um mistério proposital que Ben só entendeu naquele instante. Estava em um encontro arranjado e mataria por isso mais tarde. Naquele momento, contudo, ao menos a mulher parecia estar se divertindo com a situação, a tirar pelas risadas leves que dava — Seus convidados já estão os esperando, por favor dirijam-se ao lado esquerdo da mesa.
— Pode ir na frente — Dylan disse soltando sua mão do ombro de , a apoiando delicadamente nas costas da amiga, como se a quisesse conduzir até onde ela deveria se sentar, no local exato solicitado por . Dessa maneira, a disposição da mesa ficou com Ben na frente de e na frente de Dylan. — Hoje estou cavalheiro, aproveite.
— Sempre cheio das piadinhas, Dylan! — A escritora disse ao perceber os dois atores se acomodarem à sua frente — Oi , conseguiu sentar?
— Você gosta fanfiqueira, eu sei que gosta — Dylan respondeu convencido para a escritora, que revirava os olhos.
— Acho que sim, sentei em algo, pelo menos — a atriz riu divertida, respondendo à pergunta da amiga — Te daria um abraço, no seu amigo também, se soubesse onde vocês estão.
— O abraço é recíproco — Ben sorriu.
— Ótimo, começamos bem — Dylan celebrou animado, fazendo rir de nervoso pelo comentário e Ben logo voltar a falar, ignorando qualquer possível constrangimento:
Teen Wolf, que bom te encontrar — brincalhão, já conhecendo Dylan o suficiente para quantidade de vezes que falava sobre ele, Ben falou feliz, tirando uma risada baixa da mulher a sua frente e ganhando um leve tapa de , como se pedisse para ele controlar a boca.
— Mais um apelido não dá, eu desisto — Dylan comentou falsamente irritado, logo mudando o tom — Que bom que a parou de te esconder. Já estava achando que você era fake, um amigo imaginário.
— É por isso que eu não apresento as pessoas para você — a escritora o cutucou com o pé, por baixo da mesa.
— Eu sou real, eu juro — Ben moveu-se levemente para frente. só então percebeu que o amigo da estava sentado à sua frente, podia sentir o perfume delicioso e marcante que usava — Cara, estou tentando te dar a mão, onde você está? — passando a mão cuidadosamente por cima da mesa, ele perguntou rindo, até alcançar algo — Achei!
— É a minha mão — respondeu risonha, virando sua mão para para cima, como se o cumprimentasse, a apertando levemente.
— Realmente estranhei a mão de Dylan ser macia assim — Ben respondeu gentil, soltando delicadamente a mão dela depois de apertá-la.
— Todos contra Dylan nesse jantar? Vou ir embora — ele se fingiu afetado — Adeus, me lembrarei de vocês todos na terapia.
— Ele é sempre dramático assim? — Bem perguntou sereno, divertido.
— Muito pior que isso, espere para ver — sussurrou, tirando risadas de todos.
— Ok, alguma das duas crianças pode nos explicar o que é essa brincadeira toda? — a atriz perguntou alegre, cruzando suas pernas.
— Chamar nosso jantar entre amigos de “brincadeira” é quase uma ofensa, senhorita respondeu a atriz com as típicas piadinhas que sempre estavam presentes entre elas, falando seu nome de propósito para que seu amigo soubesse exatamente quem estava bem ali, diante dele. Ben sentiu seu coração parar por um instante, uma onda de animação percorrendo seu corpo. . . A atriz? Não era possível — E a ideia foi do Dylan, ele disse que você estava muito triste em casa, depois que Ollie destruiu o sofá — O ator deu uma risadinha culpada.
— Meu Deus, que mentira — falou estridente — Ollie nem destruiu meu sofá.
— Ih, fudeu — Dylan comentou baixo, tirando novas risadas de todos.
— Quer se explicar, Dylan? — perguntou.
— Talvez você também possa explicar, dona virou-se para onde achava que ela estaria — Porque Dylan me disse que foi você quem o convidou e até sabia que estava com um amigo.
— Um amigo bonitão, eu disse — Dylan a corrigiu — Não era um amigo qualquer assim.
— Obrigado — Ben riu. Já não estava entendendo mais nada.
— Meu Deus, ele acabou de entregar todo o meu segredo — bateu uma mão em sua testa.
— Espera — Ben virou-se para a amiga — Você quem armou tudo isso e estava se fazendo de “convidada casual”?
— Tipo isso — Dylan concordou.
— Não foi nada disso — o corrigiu — Nós dois só queríamos sair e ter uma noite diferente, uma experiência nova e misteriosa.
— Ok , essa é a hora que saímos daqui — Ben brincou, levando a fala de sua amiga para outro sentido. Tirando risadas de todos, respondeu no mesmo tom:
— Você gosta de comida japonesa? Tem um restaurante ótimo aqui perto.
— Vocês têm que ficar, porque vocês fazem parte da experiência — insistiu.
— Está piorando, socorro — murmurou, gargalhando com os demais.
— Acho que sou do tipo mais clássico — Ben murmurou de volta, tentando manter-se sério, segurando a risada que escapava às vezes — Se é que me entendem, duas pessoas é o suficiente.
— Eu odeio vocês, eu juro — ria alto, enquanto Dylan tapava os próprios olhos envergonhado, sem conseguir parar de rir — Mas é sério. A gente só queria sair um pouco, celebrar o novo papel do Dylan em All Too Well, queríamos que fosse diferente e, por último, mas não menos importante, Ben, meu amigo aqui, ator, cantor e tudo no que vem no pacote para um homem britânico completo, precisava ver a noite Nova Iorquina para além das grades do meu apartamento.
claramente tinha inflado um pouco aquela fala para que coubesse a breve apresentação de seu amigo. parou para pensar rapidamente, raciocinando todos os “Bens” que conhecia e qual deles seria possível estar diante dela, até que uma lembrança de comentando algo sobre um Ben em especial, dias atrás no set de gravações, passou em sua mente.
— Se tem uma coisa que eu não estou fazendo nesse momento é ver, você sabe, né? — Ben falou e arrancou novas gargalhadas dos outros três que estavam à mesa.
— Mas, espera, me diz uma coisa importante agora: Ben de Ben Barnes? — a pergunta delicada tinha um pingo de surpresa. Ben sorriu, sua mente dizendo “isso, isso, isso” mil vezes sem parar enquanto sorria também, sem que ninguém pudesse ver a expressão animada dela. Bonitão era um eufemismo extremo de Dylan. Se fosse ele mesmo, estava diante de um cara que ela… bom, melhor não descrever o que faria.
— O próprio! — respondeu tão feliz que, naquele momento, tudo ficou oficialmente claro: estavam mesmo, mesmo, em um encontro. e Dylan estavam atingindo seu objetivo, um ponto para os cupidos.
— A surpresa é boa ou ruim? — Ben perguntou risonho. Sua voz apesar de grave, era baixa, serena, muito doce.
— É ótima, eu acho — a atriz respondeu calma, soltando uma risada tímida na sequência. Não conseguir ver nada e nem ninguém tinha lá suas vantagens.
— Ben também trabalhou comigo em uma das minhas adaptações, mas, diferente de certas pessoas, — a escritora fingiu uma tosse — ele sempre foi comprometido com o trabalho e as piadinhas ficaram fora do set. Depois viramos amigos e sou obrigada a abrigar ele na minha casa e aguentar o humor britânico que, cá entre nós, não é dos melhores.
— UOU, eu não deixava — Dylan começou uma vaia.
— Ela fez uma crítica a você, não percebeu? — Ben provocou de volta.
— Não — Dylan deu de ombros.
— Dylan, é sério, quantos anos você tem? — a fala de fez com que todos rissem.

, ainda que achasse que o jantar seria um total fracasso, por não conseguir ver ninguém, e especialmente o homem sentado próximo a ela, estava gostando bastante do início da noite. Ela reparou que, no começo, Ben interagiu pouco, uma reação normal ao fato dela, e Dylan estarem convivendo juntos agora e terem mais o que falar. Contudo, nem por isso o britânico se intimidou e sempre que tinha algo para acrescentar ou uma piadinha para soltar, ele aparecia. Era extremamente educado, atencioso, gentil e quando se referia a era sempre com muito carinho, os dois demonstravam muito o quanto se importavam um com o outro, assim como e Dylan - o britânico notou.
Conforme a noite passava e a conversa fluía, e Ben pareciam ficar mais confortáveis com a situação. Em alguns momentos em que a conversa se deslocava, trocavam algumas frases só entre eles, dando certo espaço para que Dylan e também pudessem fazer o mesmo e compartilhavam algumas bebidas. O perfume dela parecia dançar pelo corpo dele, a fragrância marcante que ele podia sentir para sempre, enquanto a voz suave dele soava como uma música tranquila e viciante. Ao meio da noite, já estavam, ambos, satisfeitos por terem aceitado ir àquele jantar.
bebeu algumas taças de champagne, porque segundo ela, a rotina a estava matando. A recente adaptação precisava de muitas revisões, era cansativo e repetitivo fazer aquilo diariamente. Dylan estava bebendo também, porém, no caso, muita água, já que estava dirigindo - o que achou estranho, pois parecia que o homem estava desidratado há 40 dias. Ben pediu vinho e dividia a garrafa com ele, para acompanhar seus pratos. Tudo parecia ótimo até que, em certo momento da noite, as coisas começaram a ficar um tanto estranhas outra vez.

— Vou ao banheiro — a escritora disse, pressionando o botão que tinha na mesa para chamar os garçons, para a levar ao lugar — Acho que bebi demais.
— Vou com você — Dylan respondeu prontamente.
— Comigo? — ela questionou confusa. e Ben riram baixo.
— Não literalmente junto com você, mas também preciso ir tirar a água do joelho — o ator empurrou sua cadeira para trás, para poder se levantar.
— Dylan, você precisa definir se é uma criança ou um velho de 78 anos — disse, fazendo Ben e rirem — Quem fala “tirar água do joelho”?
— Tanto faz, — Dylan deu de ombros — o que importa é que também preciso me retirar para… ir ao banheiro. — O ator gaguejou — isso, ir ao banheiro.
— Vi que fui solicitado, em que posso ajudá-los? — a voz do garçom ecoou de onde eles estavam.
— Eu e meu amigo à minha frente precisamos ir ao banheiro. Você pode nos guiar, por gentileza? — a escritora pediu gentilmente.
— Sem problemas — o garçom disse, se levantou primeiro que Dylan — Peço apenas que repitam o gesto que fizeram ao ingressar no restaurante, um atrás do outro, em fila, com as mãos apoiadas no ombro da pessoa à frente.

Tentando acompanhar minimamente a movimentação de e Dylan ao redor, sem conseguirem ver nada e, estranhamente, sem os ouvir dizer mais nada, o casal que restou na mesa esperou alguns minutos, sem saber exatamente o que estava acontecendo e o que deveriam fazer. O silêncio se instalou na mesa em que e Ben estavam, o movimento leve de pegar suas taças, tomar goles e devolvê-la na mesa era o único que podiam sentir acontecer ali.

— Você tem um cachorro? — Ben quebrou o silêncio entre eles, achava que se ficassem naquele silêncio constrangedor até os amigos voltarem podia achar que ele era arrogante ou que não queria falar com ela, e não queria passar essa ideia para ninguém, muito menos para a mulher que o fazia se sentir nervoso só de estar por perto dele. Era . . Por Deus.
— Tenho — ela riu e desembestou falar animada — Ele se chama Ollie, juro que ele não é o monstro que esses dois pintaram. Ele é fofo, gosta de dormir e, bom, é muito companheiro, tendo em vista que somos só eu e ele desde que me mudei para Nova York. Você também tem algum animal de estimação?
— A serve? — o ator disse e os dois riram em seguida — Tirando as brincadeiras, não tenho. Minha agenda está conturbada entre a Inglaterra e os Estados Unidos, com isso não consigo manter uma residência fixa, fico alguns dias aqui e outros lá.
— Entendo! Fico morrendo de saudades dele quando preciso viajar, uma das partes ruins da nossa profissão, não é? — ela suspirou, tomando um novo gole do vinho.
— De cachorros a relacionamentos amorosos, tudo é meio complexo demais para gente, eu acho — a voz dele pareceu um tanto triste — Complexo de manter.
— Sim, super, eu acho que… Ai meu Deus, alguém encostou no meu cotovelo — a atriz riu levemente assustada — Dylan e ainda não voltaram, não é?
— Se voltaram estão como fantasmas — Ben passou as mãos sobre a cadeira da amiga para ver se ela realmente não estava ali — Tenho 100% de certeza que pelo menos ela não está aqui — fez o mesmo com a cadeira de Dylan.
— Então é pior ainda! — ela disse entre risos — Esse lugar me dá arrepios, parece que a qualquer momento alguém vai me tocar ou puxar o meu pé — eles riram — Se não foram eles, quem foi?
— Bom, não fui eu, porque estou tocando outra coisa — o ator levou sua taça de vinho à boca, tirando da mulher uma gargalhada alta pela ousadia inesperada.
— Pode parar com isso, Barnes, — fez uma pausa, pegando também a taça de vinho — imediatamente, por favor — os dois riram. Dessa vez, foi ela quem puxou assunto — disse que você também é cantor, achei muito legal, quer dizer... — espontânea, ela soltou — Você é um ótimo ator, eu acho pelo menos, sou viciada em Justiceiro pelo seu personagem, Deus, não deveria ter dito isso — ela riu envergonhada, tirando dele um sorriso absurdamente charmoso que ela não pode ver — O que eu quero dizer é que se atua bem, deve ser um ótimo cantor também. Como está sendo viver a vida dupla?
— Obrigado, ouvir isso de você é… não sei descrever porque, uau, é… bem, você — ele riu tímido, sincero — Na verdade é bem curioso, porque a música sempre foi a minha verdadeira paixão, não que eu não goste de atuar, longe disso. Mas vejo, ali, naquelas poucas linhas de cada estrofe uma forma de expressar tudo que está passando na minha cabeça, no meu coração. Como se… — ele parou para pensar um instante — Como se fosse uma união de poesia e melodia que, para mim, pessoalmente, carrega mais significado do que grandes gestos — Ben passou a mão pelos cabelos — Vou lançar um EP em breve, é um frio na barriga diferente porque é algo novo depois de tantos anos fazendo mais do mesmo — outra vez, o ator ficou brevemente em silêncio — Desculpa, você me fez uma pergunta simples e eu acabei falando demais — ela riu. Mal sabia ele que, sentada de frente para ele, curvada para frente pelo interesse em ouvi-lo, sorria enquanto tomava seu vinho tranquilamente. Amava ouvir as pessoas falando das coisas que mais gostavam — Não gostei deste restaurante, não consigo olhar para o seu rosto e ver se estou apenas te entediando com muitas informações que talvez você não queira saber.
— Nesse caso, vou te contar um segredo, Ben. — A atriz fingiu um tom de seriedade — Mas você tem que jurar que fica só entre nós.
— Claro! Sou um ótimo guardador de segredos — não conseguia enxergar, pela falta de luminosidade, porém Ben fez um xis sobre os lábios como se fizesse uma promessa e tomou mais de seu vinho em seguida.
— Não estou nem um pouco entediada essa noite e acho que, parte da culpa é sua, na verdade — ele riu, um sorriso sincero, como se estivesse aliviado por não ter sido, até então, uma companhia ruim para ela. Contudo, antes que ele pudesse responder, passos foram ouvidos próximo a eles. Ben se arrumou na cadeira, assim como .
— Obrigada, Omar — Dylan agradeceu ao garçom.
— Disponha senhor — Novos passos foram ouvidos, o que indicava que o garçom estava se deslocando.
voltou? — Dylan questionou a e Ben, assim que se sentou de volta.
— Não — Ben e responderam em uníssono.
— Será que aconteceu alguma coisa? Ela tá bem? Por que vocês não perguntaram ao garçom sobre ela? — Dylan começou a balbuciar muitas perguntas em sequência.
Ei, fanfiqueiro, estou viva! — chegando acompanhada por outro garçom, eles puderem ouvir, mais longe, a voz de responder, até logo sentar-se ao lado de Ben — Só não conseguia enxergar a saída do banheiro e sou míope, tenha um pouco de paciência comigo — os quatro riram.

Decidindo por pedir a sobremesa, na sequência, a conversa dos quatro passou então a girar em torno da nova adaptação do livro de ao cinema. De fato, Dylan gostava sempre de elogiar o trabalho de , orgulhosamente contando que fez parte do início da carreira dela e que gostava de dividir as cenas com ela. Mas naquela noite, contudo, não sabia se aquilo não passava de uma mera tentativa de fazer propaganda dela para Ben ou se os elogios eram verdadeiros.
, por sua vez, também dirigiu muitos elogios à atuação da atriz como Peyton e disse que nunca imaginou que a personagem ficaria tão fiel ao que tinha imaginado quando escreveu a história. Ben comentou sobre alguns filmes que gostava que sabia que ela fazia parte, como Mamma Mia e o Grande Gatsby, e elogiou a última atuação em um filme de Scorsese que lhe rendeu um novo Oscar.
Tímida, a atriz tentava mudar de assunto discretamente para tirar de si o foco, mas ficaram bons minutos na maior das propagandas sobre que ela mesma já tinha vivido. E, então, passaram a falar sobre Ben. De Nárnia a Sombra e Ossos, foram comentando sobre os trabalhos dele, fazendo perguntas e, claro, piadas sobre seus personagens e sobre o que ele contava das experiências de vivê-los.
Os quatro estavam em harmonia, fazendo com que a conversa fluísse normalmente sem que houvesse algum silêncio constrangedor. Dylan escolheu as sobremesas para todos eles, afirmando que o restaurante tinha os melhores doces do mundo, incluindo o seu favorito. Não demorou muito para que quatro garçons aparecessem com os deliciosos pedaços de bolo de morango com sorvete sem açúcar de chocolate belga meio amargo. No final, não sabiam se pela sobremesa ou por todo o contexto, aquela noite tinha sido, definitivamente, doce.
Para realizar a saída dos quatro, o garçom pediu para que saíssem de dois a dois, mas que fossem na ordem de quem estava na frente de quem. Dessa forma, saiu com Dylan e, na sequência, com Ben. Enquanto esperava para que todos se reunissem novamente na recepção, local iluminado e que poderiam, finalmente, se ver pela primeira vez naquela noite, , como uma boa escritora, ficou conversando com a recepcionista, pensando que seria uma ótima ideia desenvolver alguma história baseada nos encontros que aconteceram no local, enquanto Dylan acertava a conta.
Ben respirou fundo, os traços da mulher a sua frente sendo iluminados levemente, passo a passo, até que pudessem, enfim, aparecer no claro, no canto da recepção iluminada onde o garçom os deixou. Curiosa, virou-se de frente para ele, se deparando com o homem mais charmoso que ela já tinha conhecido na vida. Vestindo uma roupa social cinza escura perfeitamente alinhada, ele tinha gel nos cabelos penteados para trás, uma mão no bolso da calça e um sorriso lateral que pareceu se abrir ainda mais quando seus olhos encontraram os dela. Não só o ambiente ao seu redor, Ben sentiu também, naquele momento, que algo nela o iluminou por dentro.

— Agora que pode me ver, ainda está de pé aquele abraço do começo? — foi o que Ben perguntou no segundo seguinte, reparando nos traços finos e graciosos dela. Ela abriu o sorriso mais lindo que ele já tinha visto.
— Estava esperando por isso — ela riu abrindo os braços, logo sendo tomada por um abraço breve, confortável e delicado, tão doce quanto o perfume dele. Risonha, ela logo se separou do homem, seus olhos não deixando os dele nem por um instante — Isso é muito estranho.
— Ah não — ele encolheu os ombros, fingindo frustração, apontando para si mesmo enquanto dizia: — Me achou estranho. Não gostou do que viu? Está decepcionada?
— Quer a verdade? — ela perguntou ficando mais séria, o fazendo olhá-la novamente.
— Não sei — ele riu nervoso, suas bochechas levemente vermelhas, talvez por reparar no quanto ela era bonita e em como o encarava atenciosa e interessada, talvez por ter bebido vinho demais, não podia cogitar uma mulher como aquela verdadeiramente interessada nele, podia? Talvez fosse melhor saber a verdade — Ok, manda.
— É bem melhor, na realidade — ele sorriu tímida — Bem melhor do que nos filmes e bem melhor do eu estava imaginando.

O rosto de Ben pareceu tomar uma cor ligeiramente vermelha, pela timidez, mas ele não conseguiu responder nada. Dylan logo se aproximou deles, chamando para irem embora. Carinhoso e cavalheiro, reparando que ela estava com uma roupa sem mangas e que a rua, possivelmente estaria fria, Ben jogou seu blazer nos ombros de antes que pudessem efetivamente sair do restaurante, alguns passos atrás de e Dylan que caminhavam abraçados, conversando baixo sobre algo. Barnes olhava discretamente para a atriz que caminhava ao seu lado na saída, e não pôde deixar de reparar o quanto ela era linda, observando como o tom escuro de seus cabelos destacava seus olhos, o quanto aquela roupa parecia perfeita para ela. De fato, não precisava de muito para se destacar na multidão, ele sabia, o mundo inteiro sabia. Mas ali na calçada de um restaurante às cegas, caminhando sem pressa abraçada ao blazer dele, enquanto procurava algo em sua bolsa, com um sorriso no rosto e os cabelos levemente esvoaçados, Ben viu brilhar nela toda a beleza de uma noite inesperada de um recomeço. Como se todas as luzes possíveis tivessem se tornado, de repente, lamparinas e ele desejou que nunca mais se apagassem.

— Droga, não consigo achar meu celular — a atriz disse mexendo em sua bolsa — Dylan liga para ele, por favor.
— Até poderia fazer isso, — Alguns passos à frente, Dylan virou-se para ela e sacudiu o celular dele — mas minha bateria morreu.
— Posso ligar, se você quiser — Ben comentou, tirando seu celular do bolso.
— Se não for incômodo, eu agradeceria — com um arrepio percorrendo as mãos de ambos quando seus dedos se tocaram minimamente, Ben passou o celular para ela.
— É ótimo — ele sorriu a olhando — Assim já fico com seu número.

Daquela noite em diante, não conseguiu mais esquecer Ben. Ficou com cada palavra dele durante o jantar presa em sua mente, com o jeito gentil que ele a olhou quando a viu pela primeira vez, na luz, com o sorriso tímido e charmoso que abriu, preso em seus sonhos. A barba bem-feita, o sotaque britânico acentuado, a voz baixa, a postura elegante, ela não esquecia dos detalhes dele. Ele parecia tímido, bastante reservado, muito paciente e cavalheiro. Apesar do contexto ter sido diferente do que ela estava pensando, terminou muito melhor do que ela podia imaginar. A feliz noite atípica em que o inesperado aconteceu para ela.
E para ele também.
Aproveitando a deixa de ter conseguido o número dela, Ben o salvou em seu celular e foi embora naquela noite pensando que, de repente, poderia aproveitar mais do que esperava da sua estadia nos Estados Unidos. Deixou seu blazer com ela de propósito para que tivesse um motivo para vê-la, pelo menos, mais uma vez e pelos dias que se seguiram, ele trocou algumas mensagens com ela - sem coragem de iniciar o papo, foi quem mandou um ‘oi’ para ela pelo telefone dele, pela primeira vez - e, dois dias depois do primeiro encontro, lá estavam eles em um dos bares que costumava ir com a amiga quando estava de passagem pelo país. No dia seguinte ao bar, almoçaram juntos no restaurante preferido de e, mais alguns dias depois, foram visitar uma exposição nova no MET e tomaram um café na sequência. Encontros marcados por mensagens animadas e ansiosas, registrados em fotos e vídeos um do outro em seus celulares e que sempre pareciam terminar mais rápido do que os dois gostariam.
tinha um gosto ótimo para música, para livros, gostava de poesias, de ir em cafés e tomar vinho, de andar em museus, de correr pela manhã. Ben a ouviu contar sobre algumas coisas pessoais, sobre seu cachorro, sua história até chegar ali e comentaram sobre alguns trabalhos que eles tinham feito. Ele a viu parar o que estava fazendo e falar com pessoas que eram fãs dela, a viu rir e brincar com eles, tirar quantas fotos quiseram. Viu os olhos interessados dela nos dele, ouvindo o que falava sobre sua família e sobre o time que torcia, sobre seus trabalhos futuros e tudo fluía. Fluía como nunca fluiu para ele. Tinham gostos em comum, amigos em comum, tinham a mesma profissão, planos para o futuro, reclamações e incertezas parecidas.
Descobriram que foram aos mesmos eventos algumas vezes, mas que nunca tinham se encontrado e a cada bebida que tomavam, cada risada que compartilhavam e cada história que contavam um ao outro, tudo parecia ficar magicamente mais interessante, mais conectados. Eram o número exato um do outro. Doze anos mais velho do que ela, 1,85m de altura, cabelos e olhos escuros como a noite, Ben Barnes chegou de uma vez, como uma tempestade, na vida de . E na semana seguinte em que foram ao jantar arranjado por e Dylan, o casal de atores foi oficialmente um casal pela primeira vez.
Se despedindo dela depois de terem saído para tomar algo, Ben beijou apaixonadamente pela primeira vez e, não suficientes com o beijo, foram para o apartamento dela, terminar o que tinham começado, matar o desejo, a vontade, que os consumia. Tudo tão calmo e intenso, que a sensação, o toque, o perfume dela, perduraram dias nele. Ben perdeu o voo para casa no dia seguinte. A melancolia de ter que voltar para Londres o consumiu, uma vontade esquisita e nova de querer ficar nos Estados Unidos pela primeira vez em toda sua vida. Mas Ben voltou para casa depois da semana que passou em NY, sentindo um vislumbre de felicidade inesperada passar por ele. seguiu seus trabalhos, desejando que, no fundo, aqueles dias tivessem perdurado mais tempo, talvez para sempre.
E nunca mais devolveu o blazer dele. Chegou a levá-lo nos primeiros encontros, mas Ben nunca o aceitava de volta, dava um jeito de mantê-lo com ela, como se aquilo fosse a garantia de que se veriam de novo, de novo e outra vez.
Os dois passaram, então, a conversar todos os dias. Trocavam mensagens, faziam videochamadas, começaram a se seguir nas redes sociais e interagir em público, se falavam com naturalidade, deixando crescer neles uma amizade divertida e leve. Seguiram assim por algumas semanas, tentando eventualmente entender se poderiam se encontrar novamente alguma hora, até Ben, carregado de saudades e querendo muito vê-la, a convidar para participar de seu primeiro videoclipe. Já conhecia o trabalho de desde antes de conhecê-la pessoalmente e, com a aproximação deles, aquela ideia brotou em sua mente como uma flor. Seria a oportunidade perfeita de estrear sua primeira música com a participação de uma das atrizes mais reconhecidas do momento e uma oportunidade melhor ainda, uma desculpa, de poder vê-la, senti-la outra vez.
Sem pensar muito e já sabendo que talvez aquele fosse um passo que a amiga recusaria a dar, por medo de acontecer o que lhe aconteceu no último relacionamento, Dylan aceitou o convite por . Na casa dela no dia em que recebeu o áudio de Ben a convidando a pegar o papel e falando melhor sobre como seria o videoclipe, Dylan a esperou ir tomar banho e respondeu a mensagem. Quinze dias depois, estava de novo nos braços de Ben, fazendo a namorada que ele perdia em seu primeiro clipe, 11:11, e a mulher que ele ganhava cada dia mais na vida real. As saídas, os encontros, os beijos, o sexo foram ficando mais constantes e mais urgentes, embora fossem discretos e sempre cuidadosos para não gerar rumores errados e superexposição. Estavam aproveitando o máximo de tempo juntos, gostando de trabalhar um com o outro ao longo dos dias, de virar as madrugadas juntos ao longo das noites.
Seus fãs tomaram conhecimento de que estavam trabalhando juntos, porque o casal anunciou a participação dela no videoclipe de Ben nas redes sociais. A mídia, atenta aos movimentos deles, justificou o fato de terem começado a se seguir por este trabalho e não davam muita atenção a eles, senão como duas pessoas que tinham, agora, um projeto em comum. Nem nem Ben gostavam da exposição. Boa parte de suas vidas já era pública demais, não tinham por que tornar o que tinham, seja lá o que aquilo era, um fato público. Tudo já era complicado demais por serem quem eram, não precisavam de mais pressão, rumores e fofocas os sondando. Por isso, concordaram em manter o que tinham apenas entre eles e diante apenas de pessoas muito íntimas que conviviam.
Mas, apesar das semanas perfeitas que passou com ele em Londres, ela teve que ir embora. tinha uma vida em outro continente e, uma vez que as gravações do clipe terminaram, já tinha novos compromissos a cumprir de volta aos EUA. NNL estava chegando ao fim das gravações e alguns retrabalhos precisavam ser feitos. Fora isso, a continuação de A Bailarina, filme que deu a ela um Oscar naquele ano, começaria em breve e outros projetos menores começavam a aparecer - eventos a ir, programas a participar, reuniões a comparecer. Ben, por sua vez, estaria ocupado com o lançamento de seu EP, com participação confirmada em uma dúzia de Comic Cons mundo afora, para divulgar Sombra & Ossos, e com novos projetos vindo aí. Apesar dos esforços que estavam dispostos a fazer, seria difícil se encontrarem dali em diante.
Com a dificuldade da comunicação entre os dois, por conta dos trabalhos e do fuso horário, e Ben acabaram se distanciando ainda mais, o que não era vontade de nenhuma das partes. Naquele momento era necessário que ambos se focassem em seus próprios projetos, pois seriam experiências importantes para suas carreiras, que trariam boa visibilidade para os seus trabalhos e muitas possibilidades futuras. O tempo e a distância foram fatores que começaram a pesar, mas o diálogo, ou talvez a falta dele, foi um dos principais motivos que afetou a relação que haviam iniciado.
Ben acreditava que não podia ser invasivo com o espaço dela, nem a forçar para que estivesse presente ou disponível para ele, afinal, não tinham definido nada sério, não eram namorados ou algo do tipo. Ele sabia que não poderia cobrar dela que fosse para ele algo que ele gostaria, e muito, de ter. Apesar disso, Ben sempre pensava nela. Se lembrava do que tinham vivido constantemente, via as fotos que tinham juntos em seu celular. Algumas vezes, chegava a digitar mensagens para ela, mas as apagava na sequência, não querendo forçar a barra. Talvez tivesse se apaixonado cedo demais. E quando seu videoclipe ficou pronto e ele o assistiu pela primeira vez, pareceu como se tivesse feito aquela música para ela. Cada cena, cada detalhe de naquela gravação, seria tudo que ele teria dela pelos próximos tempos.
foi como a última noite do verão para Ben: intensa, calorosa, feliz e tão marcante que estava deixando nele uma porrada de saudades, de vontades. Mas era , afinal. Talvez areia demais para o caminhão dele, talvez alguém que tivesse percebido que o esforço, por ele, não valeria a pena. Talvez Ben não devesse ter se apaixonado por ela, de jeito algum.
, por outro lado, acreditou que com este afastamento espontâneo dos dois, Ben tivesse perdido o interesse nela e estava a evitando, a distanciando cada vez mais das coisas que ele estava vivendo, se afastando do mundo dela. Apesar de ter consciência de que tinha se apaixonado perdidamente por ele e do que tinham construído até ali, sabia que não tinham nada mais do que um caso. Um rolo e era isso. Mas sempre que sentia saudades, digitava uma mensagem e a apagava na sequência, sempre que se entristecia levemente por não se falar mais direito ou quando se pegou chorando ao assistir a versão final do clipe de 11:11, algo nela a dizia que só estava tentando se convencer daquilo. Era mais do que um caso, não era? Mas se fosse, talvez tivessem sido sinceros um com o outro e conversado sobre o que tinham. Não houve conversa. E por mais que ela desejasse que tudo fosse diferente, não tinha um próximo passo, foi um caso e ela tinha que se convencer de que sim.
Talvez tivesse sido ligeiramente ingênua ao cogitar a chance de que poderiam dar certo se quisessem dar certo. Talvez ela tivesse que guardar as lembranças boas dele e seguir sua vida ignorando tudo o que sentia por Ben Barnes. E, assim, ela decidiu não o procurar tanto mais quanto antes e vice-versa.

***


O sol adentrava as janelas da sala de quando ela se mexeu no sofá, com o Ollie deitado no chão ao seu lado. A atriz virou a noite estudando roteiros até o cansaço a consumir e, sem perceber, pegou no sono ali mesmo. Os dias só iniciavam para ela após um bom café forte e essa foi a motivação para ela se levantar. Sonolenta, enquanto o café passava na cafeteira, pegou seu celular e, sem procurar nada especial, ignorando as mensagens desesperadas de Noah a avisando de que ela tinha que fazer as malas pois iriam em breve para Londres, apenas rolou o feed do Instagram, como tinha costume, antes de realmente pensar em fazer algo útil.
Estava pensando se deveria ou não enviar uma mensagem para Ben, casualmente comentando que estaria em Londres nas próximas cinco semanas e, quem sabe, vê-lo. Queria vê-lo. Sentia saudades dele. Não tinham se falado nos últimos dias, na verdade, pareciam meio afastados, engolidos pelos milhares de compromissos que tinham a cumprir. Apesar disso, das últimas vezes que ele esteve em NY ou que ela foi para o UK, se falaram, se organizaram, se encontraram todos os dias e tudo foi naturalmente incrível. Talvez fosse a chance de quebrar aquele afastamento e se aproximarem novamente.
Mas antes que pudesse pensar em abrir o aplicativo de mensagens, algo absurdamente estranho chamou sua atenção. Sem querer, uma foto junto com uma manchete em especial, postada por um site confiável de novidades sobre famosos no Instagram, pareceu não só impedi-la de enviar a mensagem a Ben como acabou com seu dia e colocou o ponto final definitivo que faltava na história deles dois:
@justjared: “Para além das telas: os atores Ben Barnes e Jessie Mei Li são vistos em clima de romance durante as gravações de Sombra e Ossos. No começo desta semana, já pudemos vê-los almoçar juntos em Londres. Estamos torcendo pelo novo casal. Veja as fotos.
#shadowandbone #benbarnes #jessiemeili
Photos: Getty”.




Continua...



Nota de autora Ju: Oi gente <3, espero que estejam bem e se cuidando. Passando para desejar um feliz ano novo, cheio de muito amor, saúde e boas energias! Que tenhamos um 2022 recheado de novas histórias e motivos para escapar da realidade.
Chegamos ao cap. 2 de TTF que, particularmente, é dos meus favoritos. Ele foi escrito com todo o carinho do mundo e é um dos meus favoritos por três motivos. Primeiro, porque ele da boas-vindas a minha dupla do reality, o meu neneco, o homem mais fofo e gostoso do mundo, ele mesmo: Ben Barnes (fiquem espertos e Dylan, nós chegamos hehehe). Depois, porque tem muito de quem eu sou nesse capítulo - nos diálogos, nos cenários, nos lugares, nas inspirações. E fico feliz demais por isso! Milene me conhece como ninguém e fez uns diálogos massas demais, divertidos e tão leves quanto ela. É o merge perfeito! Te amo, Mimis. Enfim, em terceiro lugar está o fato de ter sido um capítulo tão intenso e um plot que amamos tanto, que ele não coube apenas em TTF e, dele, nasceu 11:11 - um spin-off bem hot (18+) e um tantinho meigo com Ben Barnes, para você que também quer sonhar um pouco mais com esse homem e conhecer mais desse casal que vai tumultuar TTF!
11:11 foi, de novo, uma colab com o melhor time fanfiqueiro do mundo: escrito em dupla com a Mi e scriptada pela Tha, e deve entrar em breve (ou até mesmo já ter entrado no momento dessa att). Esperamos vocês para nos contar o que acharam!
Espero que gostem desse capítulo e desse casal tanto quanto eu AMO! E fiquem atentas porque o próximo já está chegando ;)
Um super beijo, Juju :) x

Nota de autora Mi: Feliz ano novo fanfiqueirass! 2022 inicia com mais um gostoso (desculpa aí, Ju) entrando em TTF. Ben Barnes vem para acabar com nossos corações em sua forma mais romântica, sedutora e boiola como só a Julia poderia fazer.
E um bônus para vocês, como a mente de fanfiqueira não para, precisei pausar a escrita de TTF para escrever um hot com esse homem em dupla com a Ju e scriptada pelas rainhas dos hots e minha maior apoiadora para os contos eróticos Thais Santos.
Espero que vocês gostem do Juleneverso, porque ele não para! <3
Até a próxima att! Boatos que vem mais um homão aí e ele gosta de corridas.

Nota da Scripter: EI K K K K Que difamação! Logo eu, metida em hot?
Parabéns pelo desenvolvimento excelente fanfic, meninas, o enredo está super equilibrado e coeso. Estou amando acompanhar! <3




Ju S.: Universo Marvel
Care Bears
Project Neriine
Vingt-Cinq

Ju S. & Milene L.: Universo Taste The Feeling
11:11 (Ben Barnes)

Milene L.: Universo Marvel The Amazing Spider-Man
Flashes


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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