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Finalizada em: 21/05/2021
Music Video: I NEED U - BTS


TRILOGIA YOUNG FOREVER
PARTE UM: EU PRECISO DE VOCÊ
OST


ATENÇÃO: A narrativa contém conteúdo sobre transtornos psicológicos, tais como depressão e ansiedade generalizada. Se isso lhe serve como gatilho, a autora recomenda a não leitura.



O céu está azul, o sol está brilhante
Então, você pode ver, claramente, minhas lágrimas
Por que eu amo você? Por que você?
Por que eu não consigo te deixar?
I Need U – BTS


Prólogo


“Você vai ficar bem, como uma estrela em ascensão.”


— Eu acho que só consigo dizer que estou muito orgulhosa de você…
— E dizendo estar orgulhosa de uma mulher basicamente desistir de um sonho por um homem, só pode ser mesmo porque você está fazendo a coisa certa, .
Não era comum ver concordar com , mas acontecia vez ou outra. Assim como também não era comum ver dizer em voz alta como estava e esteve apaixonada por Yoongi desde há muito tempo — pelo menos ela acreditava que era algo que já estava ali desde o princípio.
As três riram do comentário e, depois de um longo suspiro de — que ponderava estar mesmo fazendo a coisa certa em desistir de estudar na Inglaterra para ficar em Seul, continuando com sua vida na cidade e ao lado de Yoongi —, notaram o silêncio de . Elas se entreolharam e, silenciosamente, concluíram sobre o que se tratava.
Do contrário de e em concordância, estava se tornando muito comum e sua impaciência com o namorado. Desde que ela havia começado as atividades de seu ano letivo na universidade que ingressara, as discussões com Jungkook haviam se intensificado; ele pedia por mais atenção e ela sabia que aquela reclamação do namorado tinha fundamento. O resultado? Algumas conversas simples estavam sempre acabando em uma briga ou outra.
Isso era um tanto preocupante, eram todos amigos em primeiro lugar e ninguém queria que um mal estar se instalasse entre eles — principalmente por quererem sempre o melhor uns para os outros.
— Quer conversar sobre isso, ? — questionou, recebendo o incentivo de ao olhar para o banco de trás brevemente.
dirigia no caminho de volta para a cidade, depois de um final de semana dividido apenas entre as quatro amigas, por exigência de — que até a sexta-feira estava firme na posição de “estou indo embora”. ia ao lado dela na frente, pois, se fosse preciso trocar com a amiga o posto de motorista, já estaria preparada; afinal era um caminho de quase oito horas saindo de Jeju para Seul e, além de , ela era a única com idade para ter uma habilitação dentre as mulheres ali.
Poderiam ter ido de avião, mas somente e possuíam poder aquisitivo para gastar com passagem aérea e outros detalhes durante a viagem. Pelo menos a estadia ficara por conta dos pais de , visto que disponibilizaram a casa deles na ilha para a filha passar aqueles três dias com as amigas.
— Eu tô bem.
— Tem certeza? Não quer que a assuma a direção? Você parece cansada...
se colocou no meio dos dois bancos, olhando incisivamente para . A motorista estava com a cabeça apoiada no vidro e seus olhos pareciam lacrimejar; estava tensa, preocupada de estar sendo chata demais ao falar sobre sua felicidade e animação em pedir Min Yoongi em namoro enquanto a irmã dele, e sua melhor amiga, estava naquele momento difícil do relacionamento. a olhava com expectativa na resposta que seria dada para , pronta para assumir o volante naquele período noturno se fosse preciso.
Não se importaria, mesmo que o carro não fosse dela e sim de Yoongi; as outras duas amigas não tinham licença para dirigir e ela havia descansado durante o dia para isso.
— Eu tô bem… dirigir vai me distrair. — tentou sorrir, se ajeitando no banco.
O silêncio entre elas se instalou no veículo, somente a voz de algum grupo de K-Pop tocava no rádio pela seleção das quatro no Spotify. mantinha Seokjin informado de cada passo e já compartilhava com ele o orgulho que estava sentindo por decidir diminuir o próprio ego para aceitar que era apaixonada por Yoongi, que a amava e muito — mas sem contar o detalhe sobre a decisão da amiga, aquilo seria surpresa. Também disse ao namorado que ele precisava conversar com Jungkook ou pedir para que Hoseok o fizesse, a fim de diminuir um tanto os ânimos entre ele e a namorada, para que pudessem conversar sem gritar um com o outro. Não achava que aquilo era muita intromissão, apenas queria que os amigos estivessem bem, e tanto ela quanto Seokjin sabiam até qual ponto tinham liberdade para aquilo.
Mas, em um certo momento da estrada, o sinal de celular sumiu e elas tiveram de conversar sobre algo e, quando o assunto acabou, e foram as primeiras a dormirem. continuou atenta ao lado de fora da estrada, observando a luz da lua que iluminava o caminho passado, o qual o farol do carro não mirava mais. Chegou a abrir a janela para aproveitar aquele clima natural e seu braço do lado de fora sentia o vento forte causado pela velocidade do veículo.
Ela estava ansiosa para voltar para Seul e ir direto para sua casa, o apartamento que passaria a dividir com Seokjin a partir deste ano, um lugar onde haviam projetado tantos planos.
Fechou os olhos por um instante e se permitiu vagar por aquele sonho que já alimentava por anos, desde quando havia descoberto o amor que sentia por ele e concluído que a ligação que possuíam era única. Podia enxergar o apartamento comprado com ajuda dos pais, mobiliado da forma como queriam em conjunto; não muito extravagante, claro. Eles gostavam de coisas simples.
Até o cheiro do jantar sendo preparado por ele, vindo da cozinha, ela conseguia sentir.
Ela sentia tudo como se estivesse vivendo naquele momento. Porém, o coração, que estava batendo tranquilamente com a sensação mais pura do amor, acelerou quando abriu os olhos por algum instinto que a dizia “acorde”.
! — gritou, acordando as outras, inclusive a motorista, que parecia estar imersa demais em algo que procurava.
O carro que vinha na contramão não iria desviar, então o instinto óbvio de foi virar o volante em cento e oitenta graus, mas, pelo nervosismo e falta de controle pela velocidade, não conseguiu frear a tempo de evitar que o veículo passasse da borda da ponte e caísse direto no rio.
sempre tinha aquele sexto sentido; entretanto, naquela noite, foi um pouco tarde. Ou não, talvez tenha sido exatamente quando tinha de ser.


Capítulo Único


“Então por que você não fica? Por favor, não vá embora.”


O fim da escola é sempre muito aguardado e comemorado, uma vez que ele chega. A ansiedade dos jovens nesse período de transição da fase adolescente para a parte em que começam as vivências mais adultas é completamente notória e pouco se ouve falar que gostariam que fosse diferente, que a menoridade fosse longeva. Isso só acontece, na verdade, quando o período adulto aperta mais.
E como em todo clichê de acontecimentos fora do senso comum, para o grupo de onze amigos inseparáveis isso não se fazia uma regra.
Eles se importavam com as questões que envolviam a mudança na vida de cada um ali, principalmente pela preocupação com o “vamos continuar ganhando mais e mais responsabilidades, e agora?”. Por isso que, pensando em como a vida a partir de então se tornaria mais carregada pela chegada da rotina menos jovial, haviam prometido que nunca deixariam seus verdadeiros “eu” se perderem e muito menos esqueceriam de momentos como os quais viviam. A incluir aquele em que estavam, depois da cerimônia da formatura.
Depois de receberem seus canudos, serem contemplados e apreciados pela jornada encerrada, decidiram que iriam comemorar da forma como queriam. Não optaram por fazer a festa de formatura ou ir para algum lugar com seus pais depois do coquetel oferecido pela instituição em que estudaram, o Colégio Internacional de Seul: Memorial Hyun-Gi. Queriam comemorar juntos e aproveitar a própria companhia.
Foram quatro anos esperando pelo fim do ensino médio e o ano de preparação para a universidade. O desejo comum beirava o distanciamento da instituição.
O local escolhido no final daquela noite foi a lanchonete mais frequentada pelo grupo durante o ensino médio. A favorita de Yoongi e Namjoon, por conta das batatas fritas. Para e Seokjin por ter sido ali que o primeiro beijo do casal aconteceu alguns anos atrás. Assim como Jungkook e porque dividiam o lanche de nome bem brasileiro. Era um lugar com muitas características específicas para eles.
Quando entraram pela porta do estabelecimento, foram recebidos com sorrisos nos rostos dos funcionários do lugar que já estavam acostumados com eles. Foram entrando um por um, o silêncio no ambiente passando a se tornar inexistente.
— Pega três batatas grandes, Jin. — pediu, se jogando no sofá e puxando Yoongi para se sentar ao lado dela, para que pudesse se aninhar nos braços dele.
Seokjin apenas confirmou com um aceno de cabeça, sendo seguido por Jungkook até o balcão para fazer os pedidos; eles sabiam exatamente quais eram.
O restante foi se arrumando no sofá e nas cadeiras em volta da mesa escolhida.
— Eu não queria, mas não posso deixar essa passar. — Namjoon iniciou, sentando-se do outro lado de Yoongi. — vai comer fritura? É isso mesmo?
Ela apenas o encarou, antes de se encolher no peito de Yoongi e ouvir a risada dos amigos.
— Em minha defesa: existe essa tal comemoração sobre finalmente se formar, entende?
Disse, olhando as unhas; havia batido o pé pouco tempo atrás dizendo que não iria mais ingerir nenhum alimento que fosse “banhado” em óleo, como ela mesma justificou. E os amigos haviam dito que aquilo não duraria, já que ela e Yoongi passavam muito tempo juntos e ele adorava esse tipo de alimentação mais rápida.
— Mas, se está com ciúmes de eu dividir com Yoon uma batata, posso fazer isso com o Hoseok ou o Jimin. — completou.
— Relaxa, eu deixo essa batata para você e o bonitão.
— Hoje é dia de todo mundo dividir momentos, ninguém veio para um encontro romântico. — se expressou, apontando para os dois que estavam conversando.
— Poxa, só porque eu pensei que veria Min Yoongi dividindo uma batata frita com a estilo A Dama e o Vagabundo, ? — a voz grossa afetada de Taehyung tomou conta e, depois do rápido silêncio entre eles, todos gargalharam.
— O máximo que teremos do casal que não gosta de ser chamado de casal é isso, abraçadinhos em público. — apontou, olhando na direção de Jungkook, sorrindo ao vê-lo lhe mandar um beijo.
Os dois, que estavam sendo objeto de comentários naquele momento, se encararam por alguns instantes, insinuando que iriam se beijar, e passaram a serem ovacionados, pela expectativa. Quando estavam bem próximos e com os lábios a milímetros de distância, viu pelo ombro de Yoongi os outros dois voltarem com os pedidos e sorriu, virando o rosto e beijando a bochecha dele, rindo tanto quanto o mesmo.
— Eu não acredito que vocês dois vão continuar com essa frescura! — Namjoon revirou os olhos e por reflexo pegou um punhado de batatas quando Seokjin colocou a bandeja em cima da mesa, jogando no “casal”.
— Ei! — Yoongi reclamou, se afastando de e fazendo o mesmo que o outro.
— Ah, pronto! As batatas são caras!
olhou para Seokjin, com um sorriso preso nos lábios. Novamente um silêncio cresceu entre o grupo, mas durou pouco tempo.
— É só comprar outra, amor. — ela o disse, se esticando na mesa e fechando sua mão em um punhado, mantendo o contato visual.
… não…
Ele não teve muito tempo para reclamar ou dar continuidade a qualquer fala, recebendo da namorada um punhado de batatas fritas em direção ao seu rosto. Tempo ele teve de apenas fechar os olhos e respirar fundo, estufando o peito; o que causou uma guerra de batatas fritas e a trilha sonora continuou a mesma: as gargalhadas.
Não havia reclamação de quem trabalhava na lanchonete, por já conhecerem eles e saberem que dali não sairia nada irresponsável além de coisas do tipo, um tanto joviais demais. O casal Choi, donos do estabelecimento, adorava quando eles apareciam no final da noite e ficavam ali, fosse conversando, vezes estudando ou apenas comendo em silêncio; era sempre muito divertido de se observar a forma como eles se tratavam com tanto respeito e harmonia, os fazia ficar admirados. Era uma amizade muito rica em detalhes.
E qualquer um que observasse de fora acharia o mesmo.
O ápice foi Taehyung subir na mesa, sendo incentivado por , já que ela sempre o incentivava a fazer o que queria e que o trouxesse alguma felicidade. Sendo, para ele, um dos principais pontos daquele relacionamento: a forma como ela o aceitava do jeito que ele era e mesmo assim o fazia se sentir capaz de ser menos impulsivo, menos explosivo e mais centrado na própria essência.
Muitas batatas espalhadas e gargalhadas depois, alguém recobrou a razão.
— Gente, juntem as batatas do chão e comprem outras. Acabamos de cometer o maior pecado humano, tenham um pouco de vergonha…
— Jimin, seja menos chato. — Jungkook riu, se ajeitando ao lado da namorada. E completou para ele:
— Todos temos entre vinte e vinte um anos, finalmente indo para a faculdade e no ponto para conhecer a vida de verdade. Isso aqui não vai acontecer de novo…
— Realmente, já é meio estranho você não ter tido um compromisso com a universidade e nos deixado comemorar o fim da cerimônia sem sua presença.
Isso era um assunto delicado.
Depois dos três anos do ensino médio considerado “regular”, veio o ano de preparação para o ensino superior, mais outros doze meses frequentando o Memorial Hyun-Gi para se considerar oficialmente formados — cortesia do sistema de ensino oferecido pelo colégio particular. Até que então se iniciou 2018 e já desde janeiro, mesmo sendo antes da cerimônia oficial de formação da escola, estava tendo contato com a universidade na qual iria estudar. Era algo sobre adaptação pelo sistema de ensino ser estrangeiro, então exigia dela muito foco e, por ser em uma zona totalmente afastada da grande cidade, ela perdia bastante tempo em trajeto — mesmo que fosse sempre levada por Yoongi de carro.
E isso estava a fazendo ter menos tempo para sua vida pessoal com amigos, família e o Jungkook. Até mesmo consigo, ela pouco conseguia conciliar tudo. O que estava fazendo com que rolasse um tipo de linha um tanto distante de tênue entre os dois, causando com certa frequência algum desentendimento e outro sobre detalhes simples que antes não aconteciam.
Não era como se Jungkook não a apoiasse, pelo contrário, ele só queria que ela o colocasse mais participativo de tudo e que entendesse que, apesar de ele estar com dificuldades em encontrar uma forma de entrar em concordância com o pai sobre não cursar algo voltado para administrar a empresa do mesmo, por não possuir interesse em assumir o negócio multinacional da família, não tinha nada a ver com ela. E que gostaria de estar presente naquele novo caminho de sua vida.
, por outro lado, reconhecia que precisava encontrar uma forma de deixá-lo ter essa participação maior. Ela queria, só precisava encontrar um meio.
E como esse assunto já havia sido bem debatido no meio dos amigos, quando Jungkook se expressou, um tanto sem pensar antes, ninguém esboçou uma reação tão assertiva. Os meninos começaram a juntar a sujeira que haviam feito, enquanto e foram pegar mais batatas e os outros pedidos que haviam ficado prontos.
Durante esse meio tempo, Yoongi e decidiram que iriam seguir o rumo deles para outro lugar.
— Jungkook, acha que consegue deixar a em casa sem brigarem? — perguntou ao amigo, se levantando em seguida de Yoongi.
— Hoje vocês demoraram mais para decidirem ir pro ninho de amor. — Namjoon riu, comentando antes de Jungkook responder à pergunta.
— Que honra a nossa, não é mesmo, Joonie?
riu e Yoongi revirou os olhos.
— Consegue ou não, Jungkook? — reforçou a pergunta, ignorando o comentário do mesmo.
— Eu vou fingir que você não me perguntou isso, Yoongi. — se fez de ofendido em resposta. — É claro que eu deixo a minha namorada na casa dela, cunhadinho.
— Por que me deixa em casa?
— E você ainda pergunta, ? — Taehyung, voltando a se sentar depois de juntar a bagunça, comentou para a amiga que recém havia retornado à mesa.
Cansando-se da demora, suspirou e puxou o braço de Yoongi, que estava parado na ponta da mesa ainda, esperando o término dos comentários e demonstrando seu tom preocupado com a irmã — como sempre; não que ele não tivesse confiança em Jungkook, era algo por instinto mesmo, a relação com era de muita amizade e ele a amava extremamente; afinal era sua irmã gêmea, sua história de vida não tinha uma parte em que ela não estivesse.
— Olha, considerando que vocês falam pelos cotovelos e que a trouxe soju, eu vou é pegar logo o Yoongi. — declarou. — Nos vemos depois e parabéns, formandos.
Ela deu um aceno geral, se despedindo e puxando Yoongi, os dois ouvindo o “tchau, casal que não é casal” em uníssono. Não deixando de se despedir também dos funcionários e do casal Choi, como sempre faziam, até mesmo em forma de demonstrar respeito.
De modo automático, durante o curto caminho da saída da lanchonete até o local onde o carro estava estacionado, Yoongi deixou os dedos se entrelaçarem aos de e recebeu um pequeno aperto no braço, da outra mão que ela deixava livre — um aperto carinhoso, diga-se de passagem. E em um silêncio confortável fizeram o caminho não só até o veículo, mas também até o local em que sempre acabavam juntos há pelo menos dois ou três anos: o motel no subúrbio de Seul. Durante o trajeto deixaram o som do carro ser o responsável pela trilha sonora e as mãos carinhosas permaneceram grudadas, já que o veículo era automático e Yoongi não precisaria soltar para trocar de marcha.
Em um todo, não se fazia necessário dizer que eles eram um casal, se rotular, no caso. Depois de quase cinco anos juntos, sendo, além de duas pessoas que se gostavam, melhores amigos, não parecia ser preciso dizer que estavam juntos, da forma como estavam. Os comentários sobre como optaram por serem um com o outro, de forma totalmente pessoal até mesmo perto dos amigos mais próximos, não importavam; e as brincadeiras que ouviam vez ou outra também eram fácil de relevar. O que parecia um tanto complicado no momento era a transição na vida dos dois. Dentro de alguns dias ela pegaria um voo com destino a Nottingham, na Inglaterra, a fim de ingressar em seu primeiro ano letivo em uma universidade particular na qual seus pais haviam a apoiado para que estudasse. E estava ansiosa para esse detalhe, ela queria e muito estudar bioquímica na Universidade de Nottingham; alimentava esse desejo por voltar ao país desde que, aos 16 anos, teve que se mudar para a Coreia do Sul, pois o pai iria assumir um cargo elevado na empresa que trabalhava e a mãe estava atolada em trabalho no hospital que comandava, resultando em indo morar com os avós paternos em Seul — também servindo como uma medida para que ela conhecesse e se familiarizasse mais com sua cultura ascendente.
Por sua vez, Yoongi ficaria em Seul. Era filho de administradores e as finanças da família não davam condições para que fosse estudar em outro país, principalmente no ocidente. Ele ao menos tinha recebido respostas sobre as faculdades com o Suneung. Estar um tanto mais carinhoso com significava essa saudade iminente, já sabendo que ela logo não estaria mais ali.
— Eu acho muito incrível que toda sexta-feira o senhor Smith deixe este quarto nos esperando. — comentou assim que se jogou de bruços na cama, enquanto Yoongi trancava a porta.
— Se ele soubesse que a gente passa a maior parte dormindo, comendo e, ou, assistindo, diria que é um dinheiro jogado fora. — ele a respondeu, tirando os sapatos para subir na cama.
inverteu a posição, ficando de barriga para cima e apoiada nos próprios cotovelos dobrados a suas costas, olhando-o.
— Mas a gente sempre aproveitou bem o tempo aqui nessas quatro paredes, Yoongi — rebateu o comentário dele.
— Realmente.
Ele sorriu de lado, colocando-se em sobre ela devagar e não a dando tempo para pensar. Com uma mão no colchão, ao lado do corpo dela, servindo de sustento para não deixar que seu peso fosse todo sobre ela, levou a outra livre até a nuca de , trazendo o rosto dela para mais perto do seu, assim iniciando um beijo. E se tinha uma coisa que adorava em compartilhar seu corpo com Yoongi, era como tudo se encaixava. Parecia que nenhum outro homem seria capaz um dia de a fazer sentir todos aqueles sentimentos passionais, com toques libertinos, mesmo que ela quisesse — e ela não queria, por Deus, não!
A forma como a mão dele se encaixava perfeitamente em cada centímetro que tocasse de seu corpo a fazia assinar embaixo do que dizia que tinham o encaixe perfeito. Daria de tudo para entrar em uma discussão com quem dissesse o contrário.
Para os dois, não haveria ninguém no mundo que conseguisse e fosse capaz em grau e nível para substituir um ao outro.
Quando o ritmo passou a ser mais rápido e os lábios precisos, o corpo de foi levado mais para cima na cama e, em uma inversão de posições, ela se colocou por cima; e a visão dela tirando a própria camiseta, revelando o sutiã preto de renda e totalmente transparente, para Yoongi foi como um oásis.
Ele nunca se cansaria daquela vista e ela não se sentia nem um pouco perto de se esgotar em se entregar a ele e com ele.


— Eu acho que essa entrou para meu top três, neném.
Yoongi resmungou alguma coisa, de olhos fechados, tentando recobrar a própria consciência, fazendo carinho no braço de que estava esticado de transversal em seu tronco; ela o agarrava como um coala agarra uma árvore. Os dois contemplavam o silêncio alguns minutos depois de mais uma boa e marcante foda. Era como se o voo de Ícaro tivesse sido de fato alcançado.
— E desde quando você tem um top? — Ele resolveu falar um pouco mais alto.
— Desde que eu achei que seria legal listar as minhas fodas favoritas.
Outro resmungo dele que ela não entendeu.
— Está preocupado com o quê, exatamente? — questionou, o apertando mais.
— Nada. É que eu não sabia que você tem uma lista. — a respondeu, cessando o movimento com os dedos no braço dela.
— Aham, te conheço, Yoongi — suspirou. — Você ocupa todos os lugares, seu bobo.
— Seria estranho se não ocupasse… — Yoongi riu fraco, abrindo os olhos, se ajeitou e mudou a posição para ficar de frente com ela, sentindo-a passar uma de suas pernas por cima de seu quadril. amava ficar daquela forma agarrada com ele, e claro que ele não reclamava. Pelo contrário. — E quais são as outras duas desse top três?
A ver corar era uma das coisas mais adoráveis que existia em seus momentos juntos, que não eram poucos. E ela estava corada.
— Teve aquela no aniversário de casamento dos meus avós e a nossa primeira vez aqui — sorriu para ele, um tanto nostálgica. — Antes dessa de hoje, tinha a do Memorial — completou em um tom mais baixo, encolhendo os ombros.
Era um tanto raro para qualquer um ver Oh Capaldi estar com vergonha ou agir de forma introvertida; dentre as quatro meninas do grupo, ela era a mais solta e que menos se preocupava com o que os outros diriam sobre si, o que Yoongi adorava e admirava intensamente na mulher em sua frente. Havia participado dos últimos anos de sua vida e visto como ela tinha se tornado uma mulher incrível e extremamente encantadora, como já era quando a conhecera.
— E por que a nossa foda mais perigosa e inconsquente saiu para a de hoje entrar?
O olhar dela caiu e uma pontada no peito dele denunciou um pressentimento sobre o que vinha como resposta, trazendo a certeza de que tinha algo a ver com o fato de ela ir embora.
— Porque já que você não vai comigo para a Inglaterra-
… por favor. — Yoongi a cortou imediatamente e tentando não soar grosseiro.
Não, ele não queria ouvir que aquilo era uma despedida.
— Yoongi, eu te amo. Distância nenhuma vai mudar isso, mas a gente tem que se acostumar que eu tô indo e você vai ficar.
Sim, as palavras dela eram duras até para si, mas de alguma forma ela não conseguia segurar e era uma característica própria de não rodear assunto e muito menos se limitar em falsa realidade. O que poderia ser um tanto frio para terceiros e, se Yoongi não a conhecesse tão bem além do corpo que tanto já havia tocado, se assustaria com a mulher.
Mas de certo modo ele se sentia grato por ela conseguir ser transparente, porque às vezes ele não conseguia e alguns pingos nos i’s ficavam faltando.
— Eu já disse que você pode vir comigo, minha prima não vai se importar de dividir com nós dois o apartamento — insistiu, vendo que ele ainda a encarava e nada dizia. — Você pode se aplicar em alguma universidade por lá, meus pais podem te ajudar. Não vai ser difícil e muito menos complicado, se for sobre dinheiro, você sabe que-
Ela parou abruptamente conforme ele também saiu da cama de forma rápida e um tanto grosseira — se fosse comparar em como normalmente agia de forma cordial e carinhosa com ela. O encarou lhe dar as costas e parar na frente da janela, vestindo novamente a cueca no meio do caminho e tendo apenas a luz dos postes de fora iluminando o quarto e consequentemente ele. se sentou na cama, suspirando. Infelizmente dessa vez seu orgulho estava a blindando de enxergar que haviam coisas que não se resumiam apenas em um simples cheque assinado de bom grado.
Viu ele manusear o isqueiro na mão direita, como fazia quando estava nervoso ou com alguma ansiedade. Não era comum de Yoongi fumar, apesar de sempre carregar o acendedor e um pacote de cigarros consigo; ele o fazia de forma totalmente rara. Usava mais como uma metáfora, para provar que o cérebro é o maior ditador de um corpo humano e que vícios poderiam sim ser controlados e enfrentados de forma mais intimista com o próprio neurônio. Algo que entendia, mas às vezes só respeitava porque ainda não entrava em sua compreensão. E ela era a única a saber daquilo.
Se levantou em silêncio, enrolando-se no lençol da cama e o abraçando por trás, depositando um beijo nas costas dele.
— Eu não me importaria de esperar mais alguns dias para você ir comigo.
, não se trata apenas de uma simples decisão sobre eu ir ou ficar! — elevou um tanto de sua voz, tirando os braços dela de seu tronco, indo para outro lado. — Não entendeu ainda que eu não tenho o apoio dos meus pais para estar com você? — A encarou duro.
— Eu sei que não.
— Mas não parece! — seu tom a assustou, fazendo-a apertar mais o pano no próprio corpo. — Você continua batendo nessa tecla como se fosse extremamente fácil eu dizer que vou te seguir, pra viver às suas custas.
— Não seria assim! Existe uma coisa chamada emprego, Yoongi! Nottingham-
— Nottingham é pra você, não pra mim.
Os dois se encararam friamente por um bom tempo, até que ela tomou a iniciativa de juntar as próprias roupas espalhadas e se vestir às pressas.

— Não, você está certo. É o meu sonho, meu desejo e meus planos — virou na direção dele enquanto fechava o sutiã nas costas. — Me perdoa se eu encontrei uma forma de ter você comigo e foi egoísta.
— Não foi egoísta, ! Nós só temos realidades diferentes.
Yoongi tentou se aproximar, mas ela se afastou, já vestindo o jeans.
— E em cinco anos isso está sendo um problema só agora? Porque eu bem compreendo que não tenhamos rótulo de namorados ou um casal alma gêmea igual e Jin, isso não combina comigo e com você — parou no movimento de fechar o zíper para o encarar. — Se é que existe um nós além dessas quatro paredes — retornou o que estava fazendo.
— Você está sendo imatura! É óbvio que existe um nós.
— Mesmo? Quando foi que você respondeu um “eu te amo” meu? — Os breves segundos que ela o deu não lhe trouxeram nenhuma resposta. — Exatamente, Yoongi.
— Agora é sobre isso? Não é mais sobre eu te apoiar em seu sonho e querer que você me apoie na minha decisão que envolve coisas sérias e não simplesmente uma vontade de não ir?
— Não, Min Yoongi.
— É sobre o que então, Capaldi?
Novamente ele tentou se aproximar, desta vez tendo êxito porque ela não se afastou. Mas não moveu um metro, ficou o encarando séria até umedecer os lábios e abaixar os ombros para dizer:
— É sobre termos que seguir caminhos diferentes a partir de agora, Yoon.
A mão dele foi direto no rosto dela, mas desta vez não se demorou nessa sensação. Ela queria ir embora dali e chorar no colo de alguém, talvez Jimin e Hoseok, que sempre tinham coisas legais para dizer e confortar os momentos difíceis que ela passava — tanto em situações com o próprio coração, quanto as pessoais sobre família; os dois irmãos postiços tinham bem alguma experiência relativa ao que ela se frustrava com os pais, então a conexão ia sempre mais além.
Se afastou mais uma vez dele e buscou a camiseta e seu celular, vestindo a peça e pegando os sapatos no chão antes de sair pela porta do quarto sem olhar para trás. Já sentia as lágrimas rolarem por seu rosto e ao mesmo tempo que descia um degrau ou outro da escada e tentava calçar o tênis, se ansiava por chamar o próprio motorista que, com muita sorte, logo chegaria.
— Senhorita ?
Ouviu a voz de Smith, o londrino dono do motel.
Respirou fundo e o encarou, sabendo que já tinha resquícios em sua face do choro.
— Está tudo bem? — Ele a questionou e ela fez que “não” com a cabeça, prendendo o choro. — Você está ferida… machucada? — Smith perguntou olhando para cima, para a direção do quarto, com ela ainda parada no degrau da escada.
— Fisicamente estou bem — foi o que ela conseguiu responder, finalmente enviando a mensagem para o motorista.
— Tem alguma coisa que eu possa fazer por você?
— Depende, se for fazer meu coração parar de doer, eu aceito, senhor Smith.
Ela recebeu um sorriso genuíno de volta ao mesmo instante que o celular vibrou com a resposta de que logo seria levada para fosse lá qual destino queria. Apertou o celular contra o corpo e olhou de volta para o dono do motel, finalizando os últimos degraus.
— Por que tem que doer? — soluçou, sentindo as lágrimas descontroladas.
— Porque se dói é que existe amor. E ao contrário do que querem nos vender na literatura, o amor não é uma ficção perfeita, senhorita. — Smith pareceu sincero.
E talvez ele estivesse mesmo sendo sincero e certo sobre aquilo. O amor pode ser mais humano do que , Yoongi ou qualquer outro ser tenha pensado sobre, porque ele estava longe de ser perfeito.


Mais uma madrugada que Jimin não conseguiria dormir depois da discussão que teve com sua mãe sobre o próprio futuro — o que ele não aguentava mais. Mesmo que estivesse próximo a fazer vinte e um anos, ela ainda continuava a tratá-lo de forma que fizesse parecer não ter controle sobre a própria vida. E ele sabia que tinha o fundo sobre a preocupação de uma mãe quanto ao futuro de um filho, porém não aguentava mais os mesmos discursos vindo dela sobre ser melhor e maior.
Era a busca por uma grandeza que ele não tinha a menor vontade. E o que deixava tudo mais pesado era ela ter o apoio do padrasto, que estava mais para pai de Jimin — o que o fazia se sentir mais ainda irmão de Hoseok.
O pai de Hoseok e sua mãe eram casados desde que os dois tinham dez anos e, na posição de diretora do Memorial Hyun-Gi, ela havia conseguido uma bolsa de estudos para os filhos no colégio. Não havia essa diferença na casa deles, nunca tinham tido nada separado ou de forma mais individual, eram tratados como irmãos e filhos de um único casal. O pai biológico de Jimin nunca aparecia, nem mesmo por carta ou sinal de fumaça, enquanto a mãe de Hoseok infelizmente havia falecido durante seu nascimento.
Portanto, essa cobrança excessiva baseada em uma preocupação convencional quanto ao que seria do futuro dos filhos era equilibradamente feita para os dois. Não importava quão boas fossem as notas de Jimin e o nível de talento de Hoseok para dança, o rendendo uma bolsa de estudos numa universidade de arte em outra divisão geográfica do globo: o ocidente. Eles ouviam sempre a cobrança para que não errassem — mas não era algo que colocasse o amor dos pais por eles em prova, não, é tão comum quanto respirar um pai e uma mãe exigirem e quererem o melhor do filho, já que o ideal é que os filhos não cometam os mesmos erros dos pais.
Ideal em um ponto de vista padronizado, visto que para se criar um filho não há uma fórmula exata de acerto, além dos princípios básicos envoltos na educação.
Tomar remédios para o transtorno de ansiedade generalizada que se excedia pelo excesso de futuro fazia com que Jimin e Hoseok se sentissem fracos e muitas vezes optassem por querer desistir do que tinham, apesar de se apoiarem como verdadeiros irmãos — não havia dúvidas quanto ao que um significava para o outro. Haviam momentos que se tornavam desgastantes demais, por mais felizes que tivessem de ser, e eles nunca iriam culpar diretamente os pais, porque isso seria injusto demais.
Ninguém vem ao mundo sabendo exatamente como viver.
Por mais que estivessem felizes ao chegarem em casa, depois do tempo passado com os amigos e o alívio de finalmente estarem livres de todos os compromissos com o Memorial, veio o momento de crise. Para ambos.
E agora? A partir de segunda-feira vocês precisam tomar uma decisão do que querem fazer da vida”, foi o que deu início ao extenso diálogo que terminou com os dois esgotados e cada um indo para seu quarto.
Naquela noite eles não se juntaram para darem força um ao outro, apenas queriam contemplar o silêncio que era perturbado pela chuva de pensamentos, fossem os de calmaria, os confusos e até mesmo os suicidas. Não sentiam que queriam continuar. Não sentiam que tinham uma resposta para dar a outras pessoas, sendo pai e mãe ou não, sobre a própria vida. Porque eles queriam fazer aquilo que lhes fazia felizes e completos, mas que, porém, não tinham apoio.
Então, não conseguindo dormir, virando de um lado para outro na cama, próximo ao início da madrugada, Jimin resolveu que colocaria o seu fim em prática. Tão simples, tão fácil e bem prático, porque ele não sentia desejo algum de ir contra aquele pensamento ceifador. Entrou no banheiro da própria suíte e deixou que a banheira se enchesse enquanto despia-se precisamente, evitando encarar o próprio reflexo. Ele tinha medo de se olhar e sentir a falta de orgulho em si, assim como parecia que seus pais não tinham.
Quando estava mergulhando o corpo naquela banheira cheia e com a água quente, sentiu o peito pesar, como se ali não tivesse vontade alguma de debater-se contra aquela corrente negativa. As duas únicas coisas que tinha em mãos eram um isqueiro e uma foto que gostava, a qual havia tirado com e Hoseok quando os três tinham se apresentado num trabalho em trio do colégio; era uma apresentação para a aula de artes, onde dançaram um ballet que ele mesmo havia buscado a coreografia.
No fundo, olhando para o sorriso da amiga naquela foto, estando no meio dos dois, ele queria que ela não fosse embora. Porque era para ele e Hoseok como uma fortaleza, e, mesmo que a conexão com o restante do grupo fosse boa, haviam pontos específicos que cada um se identificava com cada um. Formavam uma aliança verdadeira por isso, pelas características individuais.
Deixou o papel queimar quando acendeu o isqueiro na ponta dele e o jogou para fora da banheira, junto do outro objeto, para jogar todo o seu corpo dentro daquela água.
Pareceu mais fácil do que ele tinha em mente. Sentia o pulmão pesar, o ar faltar e a dor começar. Só não sentia vontade de voltar para a superfície, mesmo sabendo que a água transbordava e provavelmente molhava o chão do quarto, passando pelo vão da porta. Nada iria pará-lo naquele momento.
Talvez, se não tivesse aparecido, sim, nada iria detê-lo. Mas ele já estava tão próximo de inconsciente que ela o chamou inúmeras vezes e não obteve resposta alguma, sendo forçada a agir rapidamente e o puxar com toda a sua força para fora dali. Jimin não a respondia e muito menos ajudava diminuindo o peso em seu corpo, ele estava inerte demais para qualquer decisão.
Ela deveria saber que não ter sido atendida por ele ou por Hoseok só podia significar uma coisa.
O desespero de enquanto o chamava e não tinha nenhuma resposta só aumentava. Ele continuava olhando fixo para o teto e não se movia, não a respondia. Então seu instinto natural foi deixar que as lágrimas causadas pelo medo do que ele estava fazendo rolassem por seu rosto, enquanto o puxava para um abraço apertado e sem se importar por estar se molhando por conta do corpo encharcado dele.
— Não conta para eles, por favor. — a voz baixa, rouca e esforçada de Jimin ecoou, enquanto ele se agarrava à amiga.
— Jimin…
— Por favor, eu vou ficar bem, . Só não conta para eles. — ele continuou a apertando, dizendo com o mesmo tom.
Não seria ela a ir contra sua vontade, mas não gostava nem um pouco de como ele e Hoseok estavam caminhando nos últimos tempos. Totalmente dependentes daquela ansiedade que só judiava dos dois.
Demorou mais um pouco para que ela conseguisse ajudar ele a se recompor e sair daquela posição. Quando conseguiu, cruzou o corredor rapidamente, tentando não se demorar para que não tivesse nenhuma surpresa ao retornar para o quarto de Jimin, indo até Hoseok. Bateu na porta mais de três vezes e ele não atendeu, então ela tomou a decisão de entrar e se assustou quando o viu sair do próprio banheiro, pálido e com a caixinha em mãos denunciando o que planejava.
Ela apenas suspirou, sentindo-se aliviada por ter chegado a tempo naquela noite para os dois. Mesmo que fosse porque tinha brigado com Yoongi, isso havia entrado em segundo plano.
Os dois ficaram se encarando por segundos, até que ela limpou a própria garganta, inibindo o bolo que se formava, e disse:
— Quando você pensar nisso de novo, me liga primeiro. E se fizer, eu farei junto.
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— Eu não vou te julgar agora e muito menos lhe dar um sermão sobre como você deve se sentir quanto à própria vida. — ela sorriu tentando passar conforto para ele, estendendo o braço em sua direção. — Então só pega minha mão e vamos lá no quarto do Jimin assistir alguma coisa e comer besteiras o resto da madrugada.
— Teve problemas no paraíso? — Hoseok abaixou os ombros, deixando a caixinha com os comprimidos em cima de sua cômoda e começando a caminhar na direção da amiga.
— O paraíso é uma utopia que somente e Jin possuem, Hobi. — riu fraco, fazendo uma careta.
— Talvez eles tenham sido os únicos a passar por esse processo seletivo quando vieram para terra.
— Pelo menos alguém de nós tinha que ter tido o privilégio. — o respondeu, sentindo-o pegar em sua mão.
Hoseok a encarou por um tempo antes de puxá-la para um abraço apertado, depositando um beijo no topo de sua cabeça.
— Mas por que você está molhada? — estranhou e a afastou, vendo-a titubear. — Jimin? — afirmou com a cabeça. — Mas o que-
— Vocês terão muito tempo para conversar sobre isso, acho que no momento ele só precisa de companhia. Assim como eu e você.
Hoseok apenas afirmou com um aceno positivo; os dois seguiram para o quarto de Jimin e o encontraram terminando de secar o banheiro, e, assim como havia pedido, ninguém se questionou, apenas contribuíram para ajeitar tudo para que pudessem deitar na cama e assistir algum filme na companhia de muitas coisas para comer.
Ser uma figurinha carimbada na casa deles lhe dava esse privilégio de poder estar ali naquele momento e, ao ter chegado pouco antes, não precisar de muito para ser anunciada. Por mais chocante que tenha sido encontrar os dois naquele estado durante aquela noite, se sentia aliviada por ter sido ela a passar por isso e poder estar ali, dando suporte para os dois melhores amigos. E enquanto isso se distraía da própria dor passional.
A conexão dos três cuidava, por hora, para que aquelas feridas estivessem sendo cuidadas.


O final de semana havia passado. A segunda-feira era um dia que , particularmente, não gostava. No fim do dia, depois de todas as atividades na universidade, ela se encontraria com o grupo da sua turma e iria para um tipo de encontro mais descontraído ali perto do endereço da faculdade, a fim de passarem um tempo se conhecendo mais pessoalmente além das paredes formais da instituição.
Portanto, aquela segunda em específico carregava um tom menos detestável, apesar de ter tido um final de semana estranho estando afastada de Jungkook, como em muito tempo não faziam, já que precisou organizar toda sua rotina com seus pais e irmão para começar pra valer os próximos dias sua vida acadêmica. Inclusive, usou do tempo em casa para ficar com Yoongi e o ajudar a distrair, fosse lá o que tivesse acontecido entre ele e para o mesmo estar se sentindo tão mal como esteve no sábado e domingo — na verdade, sabia que era a partida iminente da amiga para a Inglaterra que estava deixando o irmão nervoso e preocupado, porque, mesmo que ele não dissesse em voz alta, amava com todo o seu ser.
Afinal, Yoongi e se amarem era tão certo quanto e Seokjin serem almas gêmeas.
Mesmo com a distância entre ela e Jungkook, que parecia crescer cada vez mais, o final de semana atípico separados ainda não foi o suficiente para impedir que a troca de mensagens acontecesse, independente de uma resposta ou outra não agradar quem recebesse. Eles ainda estavam tentando, a todo custo e em nome do amor que sentiam um pelo outro, não sucumbir àquele novo caminho que a rotina dos dois passaria a enfrentar.
Jungkook sempre passou pelo radar de terceiros como o garoto que teria um futuro brilhante e se formaria em alguma universidade cinco estrelas, fosse na Ásia ou fora dela. Ser de família influente e que não desconhecia o privilégio fazia dele um jovem cercado por expectativas quanto às suas escolhas, principalmente sendo filho de um dos maiores empreendedores de toda a Coreia do Sul. Era esperado que o jovem Jeon Jungkook, herdeiro da grande companhia de transportes express, assumisse o lugar de seu pai quando o momento chegasse. Mas ele não queria.
Ele não se sentia pronto para isso, nem mesmo desejava cursar algo na faculdade que fosse voltado para essa situação. Diferente da namorada, que já tinha tudo sob seu controle e sonhos bem planejados. Portanto, essa divergência precisava ser bem trabalhada no momento, o que infelizmente não estava acontecendo.
Durante a tarde daquele dia eles conversaram por mensagens, seguindo com a rotina, e ela se sentiu feliz por ele ter a iniciativa de dizer que a buscaria no local que estaria ao fim da noite. Sem demonstrar ciúmes ou qualquer sentimento negativo, Jungkook apenas desejou que ela se divertisse e o mantivesse informado sobre qualquer situação adversa, afinal sua preocupação pela namorada estar em um bairro do subúrbio ainda era existente.
Não conheciam aquele grupo de amigos novos, não tinha como saber até que ponto eram confiáveis e não era bem conhecida por ser uma pessoa que conhecesse muito bem a maldade do mundo. Ela era extremamente educada, gentil e de bem com a vida, quase um ser inocente; não enxergava muito bem seres humanos em seu lado tóxico, o que causava em Jungkook uma preocupação um tanto mais excessiva, consequentemente gerando desentendimentos entre os dois.
Mas naquele dia em específico, ele estava tranquilo, tentando ser o menos exagerado possível, afinal era adulta e sabia se cuidar. Ele não poderia ser responsável por ela cem por cento do tempo, principalmente se não passassem mais boa parte dos dias juntos, já que a namorada estaria em uma região totalmente fora de seu alcance. Então, quando chegou o horário de buscá-la, ele já estava fazendo o caminho pelas ruas movimentadas da grande Seul.
No rádio do carro tocava alguma música da playlist de que sempre ficava salva em seu celular, e ele sabia bem a letra. Então estava submerso naquele mundo, com a melodia em seus ouvidos fazendo-o se lembrar de todos os momentos gostosos que viveu com ela até então. Se lembrou de quando haviam finalmente feito os vinte e um anos coreanos e tiveram autorização para fazer todo o processo da licença para dirigir; foi muito memorável passar por esse processo com , Yoongi e Seokjin, os únicos do grupo que tinham a mesma faixa etária além de , que era dois anos mais velha, podendo o fazer.
Ele era péssimo para estacionar de ré, enquanto ela não tinha paciência para decorar placas de sinalização. E quando finalmente passaram a praticar, Jungkook sempre a levava para a fazenda dos pais dele, onde tinham espaço suficiente para pegarem o carro pelo campo e não colocarem em risco qualquer ser humano.
Não tinha como negar que o completava de uma forma que não saberia explicar, e a forma como ela o fazia sentir que aquilo era extremamente recíproco não o deixava dúvidas quanto à certeza sobre estarem juntos. Jungkook conseguia se amar e amar-se, e isso era extremamente gratificante. Sentia como ela era a pessoa certa, não o fazendo ter qualquer lapso de hesitação em apoiá-la na nova fase de vida.
Mesmo que ele não estivesse pronto para dar um passo daquele tamanho quanto ao próprio rumo profissional, a apoiar não era como uma obrigação e sim algo naturalmente feito pelo sentimento dentro de si. Ele a amava e a queria bem, mesmo que fosse em situações que ele precisasse estar mais afastado. Como naqueles últimos tempos.
Pensar que não o tinha como uma prioridade era algo que vinha como uma sabotagem vez ou outra e Jungkook se sentia oficialmente a pior pessoa no mundo, porque, ao mesmo tempo em que a estava apoiando, nutria um sentimento de medo que o arrastava para a dúvida de como seria o futuro dos dois a partir daquilo. A partir do momento oficial em que tanto ela quanto ele estivessem cursando uma faculdade em extremos diferentes da cidade e horários que não batiam. Jeon Jungkook definitivamente não sabia lidar com a hipótese daquela distância entre eles se tornar mais oficial e simbólica com o tempo.
Pelo GPS ele sabia que estava chegando no local em que encontraria com ela, ensaiando em sua mente como a convenceria de que não iria entrar e socializar com os amigos novos, não era um ciúmes ou algo do tipo, ele só não tinha interesse. Mas, quando entrou em uma rua menos iluminada e foi se afastando mais da grande avenida que cortava o bairro, o carro começou a falhar. Checou o nível de combustível e estava certo, algo sobre o óleo e nada de anormal, até a luz do nível de temperatura apitar e o veículo simplesmente morrer, não ligando mais.
Para ajudar, no sentido figurado, seu celular estava sem bateria.
Demorou um tempo com a cabeça apoiada no volante, decidindo por fim ir andando. Se estivesse certo de sua localização, ele precisava apenas caminhar até o final daquele quarteirão, que era sem saída, para encontrar a casa em que estava. E aí desceu do carro, o trancando e acionando o alarme — internamente desejando que nada acontecesse durante aquele meio tempo; havia acabado de ganhar seu primeiro carro e não queria soar tão irresponsável para seus pais naquele momento, precisava continuar os convencendo de que tudo estava sob controle em sua vida, o que ele não tinha total certeza interna ainda.
A caminhada seria silenciosa por conta da rua estar vazia e, enquanto dava os primeiros passos pela calçada extremamente limpa e de comércios já fechados, pensou em tudo e nada ao mesmo tempo. Tanto que mal havia notado quando um carro passou por seu lado e logo parou, com alguns homens barulhentos e arruaceiros descendo pelas quatro portas e o alcançando.
O susto de Jungkook foi grande ao ter seu corpo jogado contra a porta de uma loja fechada.
— Passa a chave do carro! — o primeiro deles disse, soando grosso e alto. Ele era segurado pelos ombros por outros dois e o quarto homem estava parado atrás do que falou, com o rosto completamente coberto pela sombra do capuz.
— O quê? Eu não tenho chave, não tenho carro. — resolveu mentir. Sem nem ao menos perguntar outra vez, o rapaz desferiu um golpe em sua face.
— Não vou pedir uma terceira vez, moleque! Passa a chave! — insistiu.
— Eu não sei do que está falando. — Jungkook o respondeu voltando o rosto para frente, sentindo a dor e quentura nos lábios pelo sangue que escorria.
— Todo playboy acha que somos sonsos. — um dos que segurava seu ombro disse com tédio, lhe dando uma joelhada na altura do estômago, o fazendo se curvar para frente.
— Não tem problema, Koo, a gente não precisa do carro dele — foi a vez do rapaz de capuz dizer, rindo.
Jungkook estava curvado quando um soco cruzado veio até seu queixo, o fazendo ir para trás e chocar-se contra a porta novamente, causando um barulho extremamente alto. Eram golpes de todos os lados vindos de dois dos quatro homens e, quando caiu no chão se esforçando para proteger a própria cabeça, viu que os outros dois desocupados depredaram seu carro.
Ele só conseguia pensar em como queria sair dali o mais rápido possível e saber se estava bem, com pessoas de caráter não duvidoso e viva. Porque, por mais que se esforçasse para não alimentar o ponto de vista elitista do lado em que morava na cidade, aquela recepção do subúrbio não era nem um pouco agradável e tampouco deixava alguma boa primeira impressão.
Quando finalmente os golpes pararam e os quatro saíram, ele se arrastou pela calçada para sentar-se encostado na porta, tentando se manter acordado e aguentar as dores no corpo e, principalmente, em seu tronco. Ele precisava buscar alguma força interior para se erguer e continuar a caminhada.


— Mas você acha seguro esperar lá fora, ? Angi olhou de forma genuína para a nova colega; a preocupação dela era voltada pela realidade, estava tarde da noite e a rua era sem saída, escura, não tinha presença de nenhuma outra vida do lado de fora até chegar na avenida principal. Extremamente perigoso para ficar sozinha. Mas ela era um tanto teimosa, então acabou que a pergunta de Angi foi a última coisa que ouviu ao sair pela porta, não deixando uma resposta.
Tinha esse incômodo em seu peito quanto a Jungkook não responder suas mensagens; em três anos de relacionamento ele nunca havia feito isso, sumir de repente e não a responder, não desligava o celular de uma hora para outra sem avisá-la. Mas o incômodo não se tratava somente sobre isso, o conhecia tão bem que cogitava a possibilidade do mesmo não ter carregado o aparelho antes de sair de casa e ficar sem bateria no meio do caminho.
Seu sexto sentido dizia outra coisa, algo que ela não conseguia identificar e a sensação de aperto no coração estava a deixando sufocada.
Desceu os degraus das escadas para chegar na saída do prédio em que estava e, quando chegou no hall de entrada, ficou parada. Não viu nenhum movimento vindo do lado da rua que entrava e pro seu lado esquerdo era o fim, não tinha pra onde sair. O barulho de carros que conseguia ouvir vinha da avenida que estava bem distante dali, talvez coisa de um quilômetro e meio.
Seguindo o que seu íntimo dizia, ela saiu em direção à rua, para o lado que daria na avenida. Podia descrever como se naquele momento um imã de corpos a estivesse puxando — ponderou que, pelo tempo passado desde que Jungkook havia avisado estar a cerca de cinco minutos do local, se ele estivesse chegando naquele momento a veria caminhando por ali. Caminhou segurando firme o fichário contra o próprio corpo com um dos braços, enquanto a outra mão estava na alça da bolsa no ombro direito, respirando fundo em um intervalo de cinco passos.
Sentia-se angustiada.
Quando fez a única curva que tinha naquela rua, viu um carro saindo acelerado e, ao reconhecer os outros elementos daquela cena, soltou o fichário e a bolsa no chão, correndo em direção ao corpo de Jungkook na calçada, encostado na porta da loja fechada.
— Kook! Amor? — chamou, se agachando ao lado dele.
As suas mãos foram direto no rosto de Jungkook, com cuidado, mas totalmente necessitadas de tocá-lo para ter a certeza de que ele ainda estava ali inteiro, que por baixo de todos aqueles hematomas e o sangue vivo e pisado em sua pele ele ainda estava bem. Não queria o perguntar o que havia acontecido, ver o carro dele pouco à frente, totalmente destruído, e ele naquele estado, espancado, lhe dava arrepios negativos em lugares do corpo que não sabia existir. Era somente juntar aquelas peças que ela teria a resposta para as dúvidas de como ele havia encontrado aquele estado.
Jungkook respirava com um pouco de dificuldade e, quando ouviu a voz dela e sentiu os toques em sua pele, aquela forma tão única e que ele não confundiria com nenhum outro toque, abriu os olhos. Tentou sorrir quando mirou os olhos dela, mas pareceu uma careta.
— Oi… — A voz dele saiu rouca e muito mais baixa que o normal.
— O que fizeram com você? O que- Jungkook, eu preciso chamar uma ambulância! — cortou a própria fala automática, procurando em volta por sua bolsa, a fim de encontrar o celular.
— Não! Eu to bem. Só pede pra alguém vir até aqui… — Mesmo com dificuldades ele pediu, apertando a mão dela que havia caído na lateral de seu corpo.
— JK… Não! Você está muito machucado, precisa de um médico! — insistiu, segurando o rosto dele com as duas mãos desta vez.
, por favor! Eu só quero ir pra casa.
Ela ficou o encarando por um tempo, no fim cedendo ao pedido dele.
— Está bem! Mas vamos pra minha casa — ergueu a sobrancelha vendo-o querer falar algo, um gesto suficiente para que ela não fosse interrompida. —, lá eu posso cuidar de você e eu peço para Yoongi vir nos buscar.
Sabendo que ela seria irredutível no que havia colocado em mente, ele apenas abaixou os ombros, acatando. sorriu minimamente, beijando de forma leve e cautelosa os lábios dele, aumentando o sorriso ao se afastar.
— Me desculpa por isso — sussurrou olhando nos olhos grandes dele.
— Não foi culpa sua…
— Foi, você não tinha que estar aqui.
— Claro que eu tinha que estar, . Você é minha namorada, não é minha obrigação, mas eu vim porque eu quis, como sempre. — o vinco na testa de Jungkook aumentou e ela continuou em silêncio. — Ei… — chamou-a, esforçando-se para levar uma mão até o queixo dela e erguer para o encarar. — Tá tudo bem, eu tô bem.
Vendo o brilho da sinceridade nos olhos dele, com a tentativa do sorriso para convencê-la, sentiu o coração desacelerar e como se aquilo fosse uma vassoura, varrer a angústia de seu peito. Então as lágrimas rolaram silenciosamente por seu rosto.
— Não chora… por favor!
— Eu te amo, não sei o que aconteceria comigo se você…
— Mas eu não... Eu estou bem, então não precisa pensar nisso. — novamente sorriu de forma genuína para ela, porém agora limpando as lágrimas dela que caiam. — E eu também te amo, Min . Agora me ajuda a levantar e vamos ligar para seu irmão.
— E o seu carro? — olhou na direção do veículo.
— Peço para alguém vir buscar e levar para um desmanche.


A noite da quarta-feira havia chego e Namjoon encarava seu terceiro dia de trabalho no posto de combustível perto de sua casa. Era o meio da semana ainda e ele já estava emocionalmente esgotado com aquele tanto de gente que acreditava ter um rei na barriga passando por ali, sempre o tratando como se ele não fosse nada. Não era como se ele ligasse para tudo o que diziam a seu respeito ou ações, afinal sabia que muitas pessoas poderiam carregar um corpo vazio por aí, sem conteúdo nenhum. Mas não tinha sangue de barata.
E no terceiro dia de trabalho daquela semana, a noite havia chego, faltava poucas horas para que fosse liberado e pudesse ir embora quando um carro preto adentrou o espaço do posto, para ser abastecido. Namjoon prosseguiu com seu protocolo de atendimento e, quando foi receber o pagamento por aquela venda de gasolina, reconheceu o aluno da sua antiga turma do primeiro ano que estava no banco de acompanhante — o mesmo curvou o corpo para frente para que pudesse ser visto.
— Olha só se não é o grande Namjoon! — Lee disse.
— Boa noite, Lee. — o respondeu por educação, separando o troco para o homem que havia lhe dado o dinheiro, provavelmente fosse o pai do antigo colega.
— Achei que estaria em alguma gravadora fazendo sucesso no fim do Memorial, Joon!
Respirar fundo e contar até o máximo que conseguia pela milésima vez naquele dia pareceu uma terapia falha. Mas ele tentou mesmo assim.
— Pois é, Lee, nem todos possuem meios que facilitem esse caminho.
Tentou seu melhor sorriso ao respondê-lo, tentando evitar as lembranças negativas do rapaz no tempo em que estudavam juntos. Lee era o típico garoto que se esperava que Jungkook fosse, mas felizmente não era. Ele conseguia ser o adolescente de elite mais padrão impossível, a incluir aquele típico comportamento problemático com os outros retratado em ficções americanas. Quando, no segundo ano do ensino médio, ele conseguiu um contrato com uma gravadora que seu próprio pai estava patrocinando, Lee se mudou para a China e não foi mais comentado nada sobre ele.
Para a felicidade de Namjoon, porque aquele garoto era extremamente uma pedra no seu sapato. Sempre querendo implantar uma competição que só existia na própria cabeça, achando-se superior pelo poder aquisitivo familiar, enquanto Namjoon estava umas casas abaixo e estudava no Memorial Hyun-Gi por uma bolsa de estudos de cem por cento.
No fim era sempre o comportamento de quem achava possuir o rei na barriga. E quanto a isso, Kim Namjoon já estava um tanto acostumado e blindado, ele apenas estava cansado demais naquela quarta-feira à noite em específico para ficar controlando seu nível de paciência. Tinha certeza sobre o próprio potencial e não iria diminuir seus sonhos e seus esforços para alcançá-los só porque o caminho para Lee havia sido diferente e mais privilegiado.
— Você tem razão, Joon! — Lee sorriu abertamente. — Se precisar de qualquer coisa, só ligar no meu número, ainda é o mesmo. Eu posso te ajudar no caminho, se você ainda quiser ser uma lenda do rap.
— Agradeço, Lee. — o respondeu simples e, depois de finalmente entregar todo o troco para o homem mais velho, curvou-se um tanto.
— Não, fica com o troco. — o outro disse mais baixo, já voltando o corpo encostado no banco. — Pai, dê a ele o troco.
O bolo na garganta de Namjoon foi crescendo mais e piorou quando o senhor simplesmente lançou em sua direção, não sendo firme na entrega, o que causou que as cédulas caíssem no chão. O carro saiu e ele respirou fundo de novo, agachando-se para pegar as notas caídas. Quando se levantou, pôde ouvir as vozes de Taehyung e , a gargalhada dela era inconfundível.
— Está pronto? — perguntou ao chegar perto, dando um leve toque no ombro de Namjoon.
— Para o quê? — ele respondeu confuso, guardando o dinheiro no bolso e aceitando o pirulito que Taehyung o oferecia, ao dizer:
— Vamos para o Parking Lot — mencionou o estacionamento abandonado perto do Memorial, para o qual sempre iam em grupo passar um tempo juntos.
— Mas Jungkook não estava evitando sair? — questionou.
acha que vai ser bom para ele se nos encontrarmos em um lugar que não seja o quarto dele. — ela deu de ombros. — Então vamos unir um pouco do útil ao inútil e com o agradável.
Namjoon riu fraco, tirando o pirulito da boca para perguntar:
— Eu quero saber o que é o inútil?
— Bem, se você considerar fazer uma fogueira no meio de um espaço asfaltado e abandonado, bem na metade da semana…
— E o que é útil, ?
— Ah, Namjoon, parece que você não dá atenção ao nosso grupo. O ano é 2018 e ainda fica com preguiça de ler mensagens. — ela revirou os olhos, mas o deu a resposta em seguida. — Útil é fazer a e Yoongi se encontrarem antes dela pegar voo para Inglaterra na próxima segunda.
— Assim como fazer Jungkook se animar depois de ser espancado na rua e ter que sucumbir à consulta médica. — Taehyung completou.
— E agradável é estarmos juntos, tá bom, já entendi. — por fim, Namjoon se convenceu e aceitou, sorrindo.



O Parkin Lot era um estacionamento muito usado até 2015, mas depois desse ano alguma coisa havia acontecido e ele fechou, ficando só um terreno pavimentado com uma guarita e totalmente abandonado. As idas ali eram completamente pontuais, quando precisavam de um tempo para desligar-se das preocupações do mundo, após alguma prova complicada, ou simplesmente para se divertirem, afinal esse era o objetivo.
Naquela noite em que todos combinaram de se encontrarem ali, por ser um lugar o qual não seriam perturbados por pais ou fosse lá quem, Yoongi e Jungkook foram os primeiros a chegarem, já que o primeiro estava com o carro naquele dia e o namorado da irmã ainda estava em sua casa. iria direto da universidade para lá, e, pelo o que haviam entendido, encontraria com em algum lugar — esta que, como sempre, estaria com seu motorista à disposição, e poderia dar carona para a amiga.
Não demorou muito para que , Taehyung e Namjoon chegassem e então Jungkook e Yoongi tiveram ajuda da mulher para acender a fogueira, algo típico que eles sempre faziam quando se encontravam no Parking Lot à noite. Eram encontros regados à soju, cobertores em noites frias, um violão, petiscos, risadas e muito companheirismo.
— Você tem certeza que consegue se abaixar, JK? — perguntou ao amigo enquanto tirava da sacola que trouxe consigo o resto de madeira para completar o monte sendo colocado no chão.
— Conseguir ele consegue, mas é cada reclamação…
— Fica quieto, Yoongi. — Jungkook revirou os olhos. — Eu consigo, , as pernas não estão doendo tanto hoje — sorriu para ela, que o encarava de baixo.
— Entendi. Mas se quiser eu peço para o Tae colocar a cadeira pra você, nós trouxemos porque imaginei que seria melhor do que você sentar no chão.
Ela insistiu mais uma vez, olhando para trás e vendo Namjoon com Taehyung conversando sobre alguma coisa enquanto deitados no chão asfaltado e olhando para o céu. Estava sendo sincera em sua justificativa, ela e o namorado haviam pensado sobre o bem estar de Jungkook, já sabendo que o médico tinha recomendado que ele não fizesse muito esforço com as pernas, pelas sequelas do que havia acontecido dois dias antes.
Ao contrário do que todo mundo achava, por não ser da mesma escola que eles e ser dois anos mais velha, ela era uma parte do grupo como qualquer um outro ali e isso a fazia se sentir bem entre eles, incluindo assumir o papel de “mãezona”, sempre pensando o melhor para todos e por todos.
— Não precisa se preocupar, vou ficar de pé por enquanto. Daqui a pouco a chega e eu tenho certeza que ela deve ter feito a trazer uma cama king size pra eu não dobrar os joelhos.
— Bem, você quem sabe… — ela se levantou, batendo as mãos para limpar o pó. — Yoongi, vai esperar o restante chegar para acender?
— Não, vou fazer isso já, eles devem estar chegando já. — a respondeu olhando no próprio relógio, parecendo um pouco impaciente.
se sentou no chão mesmo, usando o cobertor que tinha trazido consigo para se aquecer, enquanto observava Yoongi acender o fogo nas madeiras. Se lembrou de como havia desabafado nos últimos dias sobre a saudade que sentia dele e em seu interior estava pedindo encarecidamente aos céus para que os dois pudessem se falar tranquilamente naquele dia, antes que ela fosse embora definitivamente e a única lembrança dos dois ficasse por conta do último dia no qual haviam se visto.
Não queria que os dois amigos tivessem uma experiência boa de anos juntos, como passaram, sendo estragada por um final complicado. E, tentando não soar egoísta, agradeceu por estar bem com Taehyung, mesmo que o mundo dos dois não fosse um conto de fadas padronizado — e talvez soasse estranho para que ouvisse de fora; já que ela não foi aceita em nenhuma faculdade quando teve sua chance e ele por não se sentir pronto ainda para esse passo na própria vida, com a posição social contribuindo para isso.
Não demorou muito para ter seus pensamentos cortados, enquanto encarava o namorado e o primo dele ainda deitados no chão mais à frente, quando o barulho da porta de carro ecoou por ali, tendo , Jimin e Hoseok saindo do carro de Seokjin com sacolas em mãos e os próprios cobertores para aquela noite de temperatura baixa. Eles caminharam em direção à fogueira e foram direto ao cooler despejar as bebidas trazidas.
— Boa noite, recém-adultos! — foi a primeira a dizer, completamente animada e, depois de deixar a sacola que tinha em mãos com Hoseok, seguiu direto até Jungkook. — Você tinha que estar em repouso! Cadê a cadeira que você disse que trouxe, ? — virou-se direto para a amiga.
— Estou bem em pé, !
— Você ouviu bem o que o médico disse, não? — ela insistiu com o tom autoritário e Jungkook revirou os olhos, ainda com as mãos dentro dos bolsos.
— Ouviu e quem vai ouvir também vai ser o Seokjin ou um dos dois bocós ali no chão — Yoongi cortou o assunto, apontando para a direção em que Namjoon estava com Taehyung.
A feição incrédula de foi a mais comum de todas, enquanto observava o namorado fazer círculos em volta dos dois amigos no chão, com o carro em uma velocidade um tanto alta para o local.
— Eu me questiono às vezes se será saudável mesmo morar com Kim Seokjin… — diz revirando os olhos e colocando as mãos na cintura, logo vendo o carro diminuir a velocidade e estacionar no lugar certo, ao lado do de Yoongi.
Em seguida foi a vez do carro tão conhecido por eles chegar, era . A primeira a sair foi , indo logo em direção aos amigos, chegando apressadamente em Jungkook, enquanto a outra dizia algo para o motorista e descia do veículo de vez.
— Você deveria estar sentado! — mal se aproximou e já começou o mesmo discurso para o namorado, encarando-o insatisfeita.
— Eu to bem! Quero ficar em pé.
— A ideia de vir pro Parking Lot era de nos divertirmos e estarmos com os amigos, não de você se esforçar e colocar-se em risco, Jeon Jungkook!
— Mas eu estou bem, amor. — ele a puxa para seu peito, evitando reclamar quando os corpos se chocam. — Obrigado por se preocupar comigo — murmura, deixando um beijo em sua têmpora.
— Olha só se não é meu grupo favorito! — diz alto, chegando perto de todos e sendo recebida pelo abraço de Hoseok, com Jimin logo à espera.
Encarou os dois fixamente, para ter certeza de que estavam ali inteiros e que os sorrisos não eram falsos. Havia passado alguns dias apenas conversando com eles por mensagens, enquanto resolvia os detalhes de sua viagem que tinha sido adiada em uma semana por detalhes com o voo particular que faria. Os cuidados de seus pais eram tantos que ela iria para a Inglaterra em um jatinho fornecido pela empresa para a qual seu pai trabalhava.
— Pra quem vai embora você parece radiante demais! — Namjoon comenta se aproximando com os outros dois que estavam afastados daquele foco.
Foi inevitável a troca de olhares. e encararam diretamente, vendo-a olhar para o chão enquanto Yoongi mirava sua direção, sendo observado por Jungkook e pelo canto de olho. Mas o silêncio não perdurou, Seokjin tinha sua carta na manga para isso.
— É óbvio que ela está radiante, estamos juntos, Joon! — disse, deixando um tapa de leve na cabeça do amigo com a mão que estava livre.
— Falando em estarmos juntos, senhor Kim, que história é essa de ficar rodando com o carro em volta dos outros dois bocós? — chamou a atenção dele, recebendo uma carinha de culpado do namorado, que levou a mão livre até a nuca.
— Às vezes ele tem que fazer o papel do irresponsável, .
— Pois é, Jimin, só não tô acostumada porque ele sempre faz isso quando não estou perto. — ela responde ao amigo, forçando sua feição preocupada. — Me faz até ponderar sobre-
— Não completa! Combinamos de contar juntos! — Jin a corta, já sabendo sobre o que ela iria comentar.
Desta vez a feição de culpada foi de . Ela deu a volta nos amigos e parou ao lado do namorado, ambos recebendo o olhar curioso dos demais.
— Ponderar sobre o quê?
Os dois se encaram com a pergunta curiosa de e, conversando por aquela troca de olhar, sorriram juntos, como sempre, o que não surpreendeu a nenhum dos amigos. Então decidiram falar:
— Encontramos um apartamento. — começou.
— Nossos pais concordaram com os planos e-
— Pegamos a chave hoje. — ela completou a fala do namorado, sorrindo de orelha a orelha.
Mais uma coisa que não se fazia surpresa aos demais. e Seokjin se conheciam há tantos anos que aquilo era mais que a fórmula com a resposta exata para o que o futuro os guardava. Não era dúvida para ninguém como eles se completavam e pareciam tão certos um para o outro, sendo o maior modelo de companheirismo e amizade para aqueles que iniciavam um relacionamento ainda jovens. Eram como almas gêmeas e não havia um ser neste mundo sequer que seria contrário àqueles dois, porque era algo que podia se sentir de longe, a forma como pareciam tão certos um para o outro.
Se aquele grupo fosse colocado em uma pirâmide, por exemplo, e Seokjin seriam como a base para eles — não diminuindo, claro, a importância que cada um tinha ali naquela amizade, afinal eram seres individuais e as diferenças se faziam completamente comuns. Até porque quando se tem um grupo com várias pessoas, se torna anormal todos serem iguais e não o contrário. E isso era o que dava para todos eles uma ligação maior, sem exceções.
— Eu. Não. Acredito! — foi a primeira a dizer, animada.
— Sim! Finalmente vamos começar a ter nossa vida tão planejada…
— E o mais importante é que temos o apoio dos nossos pais, não é, meu bem? — Jin se virou para beijá-la.
— O que eu ia dizer agora mesmo! — Hoseok exclamou. — É tão legal ver que vocês estão tendo o apoio dos pais.
E novamente foi um tópico meio complicado. Até porque dali, a vida não era tão prática para todos.
Yoongi e possuíam uma diferença social exorbitante e os pais dele não apoiavam o relacionamento com ela; para Taehyung e Namjoon, os dois primos, aquela coisa sobre ganhar dos pais um apartamento era algo completamente distante da realidade deles. Hoseok e Jimin não poderiam dizer o mesmo quanto ao apoio dos pais e não tinha sequer o pai e a mãe vivos para chegar a alguma conclusão, ela não tinha tido o prazer de conhecê-los para saber se um dia a apoiariam em algo.
Mas, de alguma forma, estava tudo bem para eles se esbarrar nessas diferenças. Não tinha sentimento de inveja de um para outro, apenas felicidade, o que acentuava a amizade e o laço, ambos criados com base nas diferenças.
As congratulações continuaram até todos decidirem se sentar em volta da fogueira. Jungkook se rendeu à cadeira trazida por e Taehyung, muito por estar sentindo dores nas próprias pernas, sabendo que teria dificuldades para se levantar caso se sentasse direto no chão com as pernas dobradas.
ficou sentada no chão, entre as pernas dele, tendo e Jin logo ao lado, ela estando entre as pernas do namorado também, porém os dois sentados no chão. Enquanto se colocou sentada entre Hoseok e Jimin, tentando evitar estar diretamente perto ou no ponto de vista de Yoongi, que se sentou entre Jin e Hoseok. e Taehyung estavam lado a lado e por fim vinha Namjoon, fechando o círculo entre o primo e a cadeira de Jungkook.
— Sabe, eu estava pensando… — começou, quando o silêncio se fez presente após Namjoon comentar sobre o ocorrido no trabalho antes de ser resgatado por e Taehyung.
— Lá vem…
— Quero ver com quem você vai implicar quando eu for embora, Namjoon — revirou os olhos, jogando um salgadinho por cima da fogueira em direção a ele.
— Existe uma coisa chamada tecnologia que nos abençoou com aparelhos celulares e aplicativos de mensagens!
Todos fizeram uma pausa de cinco segundos, para então soltarem suas indignações em direção a ele, fazendo o mesmo que havia feito e jogando os petiscos em cima dele. Namjoon gargalhava, sabendo qual o motivo por o tratarem daquela forma, dentre todos ele era o mais cobrado por responder às mensagens e atender ligações.
— Ainda bem que estaremos então com essa tecnologia entre nós, vou me ver livre das suas piadinhas.
— Ah, qual é, !? Você adora. — Hoseok brincou, recebendo um soquinho em resposta.
— Mas, falando sério agora… O que você estava pensando, futura biomédica? — Jimin a incentivou, esbarrando os dois ombros.
— Em como nossa vida vai se desenrolar nos próximos anos. — não conseguiu evitar que seu olhar cruzasse com o de Yoongi ao erguer o rosto para olhar cada um de seus amigos naquela roda.
— Passei muito tempo pensando em não dar bola pra isso, que agora me sinto um pouco sufocado em pensar como as coisas irão prosseguir. — Taehyung disse, com a boca um pouco cheia.
— Eu acho que é melhor não ficar pensando, corremos perigo de ficar igual aos nossos pais e envelhecer mais rápido.
— Você tá certo, Hoseok. — Jimin concordou, outro com a boca cheia.
Seokjin se ajeitou, puxando mais para si.
— Sei que nos próximos anos teremos muitas mudanças, assim como nos últimos — iniciou. — E não seremos o mesmo que somos hoje, da mesma forma que não somos os mesmos de três anos atrás.
— Com exceção de Namjoon, que continua sendo esse deus da destruição. — comentou.
— Boa observação. — Jungkook apontou para ela.
— Pegar no meu pé é um fetiche?
— Olha só, agora você acha ruim piadinhas com a sua pessoa? — estreitou o olhar.
Namjoon ergueu os braços em rendição e Taehyung continuou:
— Entendo o que vocês estão dizendo — olhou de um a um. — E por mais que eu não esteja bem resolvido como vocês, sei que daqui a dez anos, por exemplo, minha vida vai ser completamente diferente e eu espero que pra melhor.
— Vai ser, amor. — disse, deixando um beijo carinhoso em seu queixo.
— Então eu proponho uma coisa — Yoongi disse mais alto, pela primeira vez na noite, parecendo sair de seu próprio mundo.
— Ah… estou curioso. — Jimin replicou.
— Daqui dez anos, independente de onde estivermos e quem nos tornamos, iremos voltar aqui.
Os onze se entreolharam, um a um. E no fim, acabou por sair a concordância unânime de todos.
— E pra completar o momento family friend antes de eu ir embora — tornou a falar, olhando a hora em seu celular assim que confirmou o retorno do motorista para buscá-la. —, meninas, que tal irmos para a casa dos pais de em Jeju no final de semana? — completou olhando para a amiga, sugestiva.
— Eu acho essa ideia maravilhosa! — a própria respondeu, sorrindo.
— E por que eu sinto esse tom de exclusão no uso especifico de “meninas”? — Hoseok questionou com a sobrancelha erguida.
— Porque é somente as meninas mesmo e…
— A vai embora na segunda, Hobi. Considerem hoje como a despedida. — completou o que a amiga iria trazer no assunto, sabendo que para ela era um pouco mais difícil de proferir tais verdades, já que Yoongi estava ali.
— Então daqui alguns dias começarão os desfalques…
— Pois é Jungkook. — Jimin murmurou, abraçando de lado, a mesma deitando a cabeça em seu ombro enquanto mantinha o olhar fixo no de Yoongi, causando ao redor o clima que todos conheciam bem.
A distância entre eles parecia ser gritante e fazia com que todos eles sofressem pelos dois.
— Então vamos aproveitar por hora, cancele o motorista, . Depois eu te deixo em casa. — Jin disse, se levantando. — Acho que deve ter algum jogo de tabuleiro no meu carro ou o violão do Yoongi, ainda é cedo pra ir embora — piscou para ela, recebendo seu sorriso.
— Concordo com o Jin!
— E eu concordo que o Hoseok concorde com o Jin, pode ser a nossa última vez assim, todos reunidos. — Jimin complementou.
Por dentro, individualmente, todos carregaram aquilo com um pesar. Porque, infelizmente, era verdade. Poderiam vir a se encontrar novamente ali, mas com outras perspectivas e tendências diferentes, afinal, a transição da vida iria cuidar disso.


Era sexta-feira.
, , e haviam conseguido sair ainda de tarde de Seul para Jeju. Iriam de avião, mas nem todas as quatro tinham as mesmas condições financeiras, portanto acabaram indo de carro. O que seria uma aventura maior e mais interessante para passarem mais tempo juntas. E durante o dia todo elas mandaram fotos da viagem direto no grupo em que estava todo mundo.
Quando a noite chegou, Seokjin se viu um tanto sozinho, já que era de costume passar todas as sextas com a namorada. Optou por convencer os outros rapazes a se encontrarem e, andando sem rumo pelos trilhos abandonados, acabaram por parar em um vagão qualquer de trem e usar daquele espaço para admirar a noite que havia caído.
Estavam em silêncio quando a voz de Jungkook foi ouvida.
— Eu tive minha primeira briga com meu pai hoje sobre assumir a empresa.
Todos os olhares foram direcionados a ele e os ombros do mesmo se abaixaram, sentindo-se decepcionado consigo. De alguma forma ele achava que estava errado em não querer ou sentir interesse por assumir os negócios da família, sentindo que deveria compreender melhor aquela obrigação.
— E eu tenho sentido que está cada vez mais distante. — ele continuou, olhando para o chão abaixo de seus pés, poucos metros distante por estar sentado no teto do vagão.
— O que uma coisa liga a outra?
— Quero não pensar nisso, mas algo me diz que eu não consigo ser uma prioridade pra ela agora porque talvez não estamos na mesma sintonia — respondeu a pergunta de Taehyung, erguendo a cabeça e mirando o horizonte.
— Como assim? — Hoseok se confundiu.
— Parece que, por eu não saber ou ter tudo planejado como ela, se tratando de construir um futuro, estamos com esse abismo.
— É uma paranoia sua. — Yoongi disse diretamente. — Minha irmã te ama e ela só está entrando numa fase diferente da sua, a distância é física. O resto tá ficando por sua conta. Digo, esse pensamento.
— Eu acho que Yoongi tem razão, Jungkook. — a voz neutra de Namjoon ecoou. — Vocês dois se gostam e se respeitam acima de tudo, não tem por que achar que ela está distante. Olha quem esteve com você nos últimos dias…
— Foi o Yoongi, Hoseok. — Jungkook revirou os olhos. — esteve ocupada com a universidade durante o dia e-
— E a noite ela esteve com você, todos os dias. Ainda foi para Jeju meio forçada.
— Quase isso. Ela foi porque quis, Jimin. — Yoongi novamente foi direto, desta vez com outro amigo. — vai embora na segunda e ela não se perdoaria por não estar nessa despedida com a melhor amiga — completou.
O silêncio se fez presente entre eles, deixando-os com os próprios pensamentos. Jungkook notou como Yoongi pareceu inquieto e incomodado com aquele assunto, como se uma nuvem preta estivesse sobre o amigo. Dentre todos eles, Min Yoongi conseguia ser o mais confuso quando se tratava de expressar seus sentimentos e talvez fosse por isso mesmo que se dava bem com , porque ela conseguia fazer com que ele se abrisse e se sentisse confortável.
Eram o Yin e Yang. Assim como e Tae, Jungkook e e com Jin. Além do âmbito amigo entre os onze.
— E como você se sente quanto a isso?
Reparando o silêncio e os olhares cautelosos de Jungkook ao amigo e cunhado que estava ao seu lado, Namjoon resolveu perguntar. Mesmo sabendo que poderia receber uma resposta curta ou resposta nenhuma, ele resolveu dar margem para que o outro soubesse que podia confiar neles, como sempre, se tratando ou não de . Afinal, eram amigos.
O silêncio durou um tanto, junto das expectativas, mas a resposta veio logo após um suspiro longo e pesado.
— Derrotado.
Todos encararam a direção de Yoongi e em sequência miraram o horizonte com ele, hipnotizados com as luzes da cidade bem distante.
— Parece que eu não fiz o suficiente para lutar pela gente. — ele continuou, parecendo se sentir mais leve a cada palavra proferida. — Eu sinto que eu poderia ter feito mais.
— Realmente. — Hoseok murmurou, podendo ser ouvido claramente, e recebe um olhar torto de Jimin. — O que foi? Eu não disse nenhuma mentira e ele já sabe disso.
— Mas não é momento para apontar dedos nos erros que já foram cometidos. — o irmão respondeu. — Escuta, Yoongi, você pode não ter feito o certo até agora… Mas tem a chance de progredir o melhor pro futuro. A distância é longa-
— Como Namjoon disse aquele dia, temos disposição da tecnologia. — Seokjin ajudou. — E vocês dois são tão resolvidos quanto ao que sentem um pelo outro, que não acho que seria um bicho de sete cabeças e aceitaria vir com frequência pra cá, por você.
— Não que ela já não vá fazer isso e essa coisa toda de despedida seja simbólica porque nossos encontros serão bem diminuídos.
Yoongi encarou Taehyung, concordando silenciosamente. Suspirou outra vez, levando as mãos ao rosto e esfregando os olhos. Sabia que poderia fazer melhor e que podia tomar a iniciativa, já que isso muitas vezes fora algo feito por — ela já havia lhe dado inúmeras provas de como era sincera sobre o que sentia, por que ele não poderia ser o objeto da vez?
— Eu nunca respondi as vezes que ela disse me amar.
— Estava esperando pelo momento certo de te socar a cara por isso, inclusive. — Jimin o encarou, entediado. — Mas somos todos amigos e ela sempre fez eu e Hoseok prometer não ficar no meio disso.
— Jimin… O que aconteceu com apontar dedos? — a repreensão veio de Taehyung.
— Tudo bem, ele está certo. — mais um suspiro foi dado por Yoongi. — Eu pensei em… — olhou bem para o horizonte, sorrindo com o próprio pensamento. — A é bem romântica, então pensei em fazer algo simbólico quando ela retornar.
— Você?
— Sim, Taehyung. Eu — revirou os olhos. — Vocês poderiam convencer as meninas a levarem ela para a casa de Jungkook quando voltarem no domingo e eu a encontro lá, para lhe dizer o que meu coração quer gritar.
— Eu não vou nem perguntar o que é, vou deixar para ouvir por trás da porta.
Yoongi riu fraco, empurrando Jungkook pelo ombro e recebendo o aceite dos amigos naquele plano.
— Acho que, no fim, todos temos bons planos para esse começo de transição. — Seokjin comentou, feliz.
— Diga o seu, senhor Kim. — Namjoon o apontou.
— Vou pedir em casamento. — o olhar de todos em sua direção foi direcionado de forma curiosa. — Mesmo que o plano seja casar depois de nos formarmos, eu vou a pedir. Consegui deixar algumas coisas no apartamento hoje bem colocadas e no domingo, quando ela chegar, vou levá-la direto lá e fazer o pedido. — seu sorriso genuíno conseguia aquecer o coração dos amigos. — Vocês dois sempre terão nosso apoio.
Em uníssono todos concordaram com a fala positiva de Hoseok. Novamente um silêncio se instalou e quem recebeu o olhar curioso desta vez foi Taehyung, vindo de Namjoon, que acabou por se lembrar de poucas horas antes de todos se juntarem ali ter visto o primo com um semblante preocupado e parecendo exausto. Sabia que tinha algo a ver com , mas tardou a perguntar, esperando por sentir um momento mais certo para aquilo.
E aquele momento em que estavam sendo honestos e compartilhando sentimentos, pareceu ser completamente o certo para questioná-lo.
— Posso contar quantas vezes eu vi uma carranca sua hoje, Taehyung.
Os olhares se direcionaram a ele.
— Como assim? — o mesmo pareceu confuso.
— Você parece preocupado demais. — Namjoon reforçou, recebendo um suspiro do primo. Bingo, conviver com ele 24/7 o fazia ter a certeza de que o conhecia bem e aquele comportamento o denunciava.
— O ex da teve a liberdade dele.
Os olhares que estavam em Taehyung cresceram, esperando pela continuação daquela informação.
— Vimos ele ontem pelo bairro. Ao que parece, ele voltou pra valer e talvez até recupere o emprego na loja do senhor Kang.
— E você está preocupado com o bem estar dela. — Seokjin concluiu. Taehyung apenas deu de ombros. — Não acho que ele vá tentar algo novamente, nem com ela e nem com você. Mas, se isso acontecer, você saberá como agir.
— Menos imprudentemente, eu espero.
— Namjoon, agora ele tem a que o colocou nos trilhos da impulsividade. — Yoongi riu fraco, tentando soar descontraído.
— Vai dar tudo certo, Tae! — Namjoon sorriu genuíno para o primo.
— Tudo sempre dá certo! E teremos essa prova a cada dia de nossas vidas; inclusive, estaremos todos juntos daqui poucos anos celebrando o lançamento do álbum do nosso rapper favorito! — Hoseok soou animado, intencionando a levantar a moral de Namjoon.
— Exatamente, Hobi! — o amigo aceitou de bom agrado. — Ainda irei fazer muito sucesso, vocês vão ver. Vou persistir até o fim.
— E sabe que estaremos do seu lado, não sabe?
— Sim, Jin, eu sei — sorriu tão animado quando Hoseok ao iniciar aquela comoção. — Mas que você pareceu a falando agora, você pareceu — apontou para o mesmo.
— Estava esperando alguém pegar a referência.
Desta vez não foi silêncio e sim risada. Até direcionarem aos únicos dois a não aproveitarem o momento para alguma confissão ou algo do tipo: Hoseok e Jimin.
— Vocês têm algo a falar? — Jungkook perguntou.
— Sim, acho que… Bem, de certa forma, estamos lidando melhor com essa despedida da do que achávamos que seria.
— Jimin diz isso, mas quando ela entrar no avião de vez, vai ir correndo até . — Hoseok brincou. — Mas sim, estamos bem.
— Acho que devemos fazer uma despedida para ela de verdade no domingo. — Jimin comentou a sua ideia, ignorando a brincadeira do irmão. — Podemos ir na casa do Jungkook e fazer a surpresa depois que Yoongi se resolver com ela. O que acham?
— Sejam pontuais.
Concordaram entre si quando Jungkook comentou, deixando claro que tudo bem por ele ser em sua casa, o que deixaria mais fácil.


Seokjin estava ansioso e com todas as expectativas possíveis. Ainda lia a última mensagem enviada por , dizendo que o amava e que estava com saudade, logo depois de contar sobre o que o final de semana havia feito com e sua decisão envolta da partida. Além de ver a namorada logo e lhe fazer toda a surpresa preparada, ele queria saber o que afinal a amiga havia decidido que causaria tanta comoção, como havia lhe prometido.
Em um certo momento as mensagens dela pararam de chegar e ele se ligou de que fosse por conta da falta de sinal na estrada, o causando mais ansiedade ainda. Checou o relógio de minuto a minuto, cada uma das vezes lhe trazendo uma memória em específico. E nenhuma delas trazia a ele uma dúvida sobre como se sentia quanto a ela, visto que desde que se conhecia por gente era a pessoa com quem ele queria ter um passado, estar no presente e planejar um futuro. Se tirassem ela de seu complemento, seria como fazê-lo perder uma parte muito mais do que relevante de si.
E não era como um sentimento de dependência, era algo que soava como uma peça que lhe completava. Tudo sendo mil vezes mais intenso e gostoso com ela o fazendo se sentir bem correspondido.
Diziam que eram almas gêmeas e ele acreditava nisso.
Naquele domingo, Seokjin limpou todo o apartamento ainda vazio de móveis, levou algumas almofadas de sua casa para que pudesse colocar no chão sobre o tapete que veio do mesmo lugar, arrumando as velas por toda a residência que logo dividiram. E o que mais completava aquele ar todo romântico e idealizado era o cuidado de Seokjin em desenhar em folhas sulfite o que seriam dos móveis e decorações que tanto dizia querer — tendo a concordância dele.
No fim, quando a noite caiu e o horário já estava passando mais rápido, com a falta da chegada dela, ele já se encontrava inquieto. O peito parecia queimar e em nenhum lugar que ele colocasse os lírios finlandeses que havia levado para completar o ambiente, ficava bom. Soava como se algo realmente não estivesse certo e que a ausência de não fosse só algo momentâneo e físico.
Sentia um bolo em sua garganta e, quanto mais ligava no celular dela e não tinha respostas, mais ele aumentava. E o desespero parecia tão grande, o deixando sem chão, que ele não conseguiu controlar a dor que crescia infinitamente. As horas passando e a falta dela continuando a existir o diziam algo, mas ele não queria escutar.


O telefone na mão de Jungkook e sua feição pálida não deixaram Yoongi tranquilo quando entrou no quarto dele depois de ser liberado pela mãe do mesmo a subir. Jungkook estava parado no lugar, seu peito subia e descia rapidamente, deixando-o ofegante. Ele não conseguia encarar o irmão de sua namorada naquele momento, tendo aquela notícia e percepção do que havia acabado de escutar pelo celular.
— Jungkook, você está bem? — Yoongi logo o questionou, dando um passo em sua direção, sendo acompanhado por ele, que deu outro para trás.
— Eu… Eu…
— Fala logo, o que aconteceu?
— Eu liguei para e nós tivemos uma discussão — iniciou sua explicação, os olhos enchendo de lágrimas, assustando Yoongi mais ainda. — Depois eu liguei de novo e ela não atendeu, na terceira eu… Acho que o celular dela caiu no chão e…
— Seja direto!
— Eu só consegui ouvir a voz de chamando por ela, em seguida o grito de todas e um barulho alto de freios. Depois tudo ficou mudo. — seu peito estava tão apertado quanto ofegante.
Yoongi encarou ele, cético, querendo que aquilo fosse mentira ou uma confusão mental. Sacou o próprio celular do bolso e ligou para a irmã, não sendo atendido por falta de sinal. Em seguida abriu o aplicativo de mensagens, indo direto na conversa com e vendo que a mensagem que havia enviado há pouco menos de dez minutos não havia sido entregue.
— Faz quanto tempo? — perguntou com medo da resposta.
— Não tem nem dez minutos, eu tentei ligar de novo e só cai na caixa postal.
Sentindo uma tontura e o próprio bolo crescer na garganta, trazendo junto a bigorna em sua cabeça, dividiu-se em pensar na irmã e na mulher que amava podendo estarem correndo aquele risco de terem entrado num acidente, assim como as duas amigas. Olhou novamente a mensagem que só havia saído, sem chegar para ela, e leu novamente aquilo que deveria ter dito antes.
Quando você chegar eu vou dizer olhando diretamente em seus olhos como eu te amo. Queria que fosse totalmente surpresa, mas estou ansioso.”, seria isso a atormentá-lo se aquela situação fosse real.


Taehyung não tinha coragem de abrir a porta e sentir todas as emoções que queriam sair por seu ser. Mal havia chorado ainda e naquele momento precisava encarar a própria dor e incapacidade de senti-la para entrar naquele pequeno apartamento e pegar uma roupa decente que pudessem colocar no corpo sem vida de sua para que ela fosse velada antes de ser colocada em uma fornalha e ser cremada. Não conseguia encontrar em si tamanha coragem para encarar aquilo.
Inclusive, não se lembrava de um dia ter conseguido encarar qualquer situação com razão sem ela ao seu lado. A realidade era que existia um Kim Taehyung antes e depois de Hwong , e, enquanto estava encarando aquela ficha que precisava cair, parecia que não conseguia se situar entre nenhum dos dois modelos de si. Estava perdido não só em lágrimas, mas no próprio luto.
Não foi de grande ajuda a enxurrada de memórias que lhe caíram, parecendo ser um saco de pancadas delas. Desde a primeira vez que a viu no bairro, mudando para o prédio vizinho ao seu com sua avó, que posteriormente faleceu e a deixou por si só, até o momento em que a tirou das mãos do ex namorado que era abusivo e que naquele dia, se ele não tivesse chego, poderia tê-la ferido mais do que ele mesmo feriu o outro.
Sempre admirava ela de longe, até ter se tornado esse herói pela sua impulsividade — estava passando no momento que ouviu a discussão dos dois, ouvindo-a pedir para que ele parasse incessantemente, e seu instinto protetor o fez invadir o prédio e subir apressado, para parar com aquilo usando de violência. Desde aquele dia, o laço criado entre os dois passou a ser de pura amizade e a sintonia se encarregou de fazê-los um a chave para o coração do outro.
Portanto, desde que havia recebido a notícia de que os corpos encontrados num rio qualquer no meio do trajeto de Wando para Seul eram os das três amigas e namorada, todo seu ser parecia ter sido trancado e a chave jogada fora. Mal conseguia suportar se olhar no espelho ou para o céu, que naquele dia havia amanhecido tão vivo e limpo para uma cidade tão poluidora. Não conseguia ser compatível com aquilo. Somente se levantou daquele chão, encostado na porta, quando Namjoon chegou, servindo como um escudo para ele de todas aquelas emoções das quais ainda não tinha a mínima vontade de lidar.
Não teria condições de se enfrentar.


Hoseok havia sido encontrado por estranhos depois de desmaiar na rua, sob aquele sol quente e totalmente dopado. Seus pais estiveram tão culpados e preocupados que acabaram por não olhar para o outro que esteve tão recluso quanto desde que tinham descoberto sobre o acidente cruel que tirou a vida de quatro das pessoas que mais importavam para eles.
Porém não podiam ser culpados enquanto achavam estar acertando. Tudo havia saído de controle há muito tempo para que houvesse um equilíbrio naquela balança. Portanto, o primeiro a ser declarado necessitado de uma internação urgente fora o que teve menos horas de controle.
Seria o dia do velório, finalmente e infelizmente. Mas a cabeça de Jimin pesava e ele não conseguia controlar a própria vontade de ir junto da pessoa que mais acreditava nele e o completava de forma genuína. Assim com outras três mulheres que sempre estiveram com ele, o apoiando da melhor forma que podiam. Estava tudo muito pesado para suportar e a sensação de fraqueza batia de frente com a vontade de pedir por uma ajuda, de forma mais alta, enquanto estava sucumbindo ao desejo inicial de se manter afundado ali naquela banheira.
Enquanto esteve inerte e mais perto da própria desistência, sentiu como se algo o estivesse puxando para cima, trazendo para ele as lembranças boas, as palavras que eram usadas para servir como uma fortaleza.
Quando se deu conta, estava do lado de fora, apertando o próprio corpo enquanto chorava compulsivamente. Naquele momento não se sentia nada forte, mas sentia-se menos fraco por enxergar que aquele primeiro ato da não desistência havia o demonstrado que ele poderia ser mais forte.
E ele queria ser, por , por , , por e principalmente pelos outros cinco amigos, mais o irmão e ele mesmo.


Aquela cama com o colchão macio não era a mesma coisa sem ela. O vazio não era só físico, era de alma. E Yoongi se sentia totalmente sem pedaço algum para o compor. As lágrimas ao menos demonstravam mais qualquer vida dentro dele, já que sabia que não existiria nenhuma desde o momento que sentiu a perda conjunta de sua irmã e .
Não conseguia encarar a mãe, que só fazia chorar; muito menos o pai, que queria encontrar algum meio de fazer aquela dor de sua esposa passar, estar ao lado do filho pela perda da irmã, pedindo perdão por não ter compreendido o amor que ele sentia pela garota que havia falecido junto de sua filha, e ao mesmo tempo sentir o próprio luto. Pelo contrário, enquanto todo mundo se preparava para as horas tortuosas em um velório, Yoongi estava no motel, no mesmo quarto, olhando para o lugar e sentindo aquele eco dentro do próprio peito.
Olhava para o lugar lembrando de como o acobertou nas primeiras idas dele com para lá, quando os dois ainda eram menores de idade; por sorte ele teve a irmã que tanto apoiava sua felicidade e era sua companheira para tudo e contra tudo. “Eu e você, você e eu”, era o mantra que os gêmeos Min usaram por toda aquela vida. Não saberia, com toda certeza do mundo, como prosseguir dali por diante sem sua outra metade.
A quem ele confiaria sua vida, afinal?
Sentado no pé da cama, brincando com o isqueiro em mãos, Yoongi só conseguia pensar em acabar com aquele lugar, sendo a última vez que esteve ali com responsável por tamanha revolta abraçada pelo luto. A última vez que estiveram juntos de verdade, sozinhos, acabou com ela indo embora decepcionada com ele, pela falta dele. E Yoongi ao menos disse que a amava de volta.
Ele não queria aquela memória que o fazia se sentir culpado.
Ele não queria estar ali novamente ou ser levado para lá como uma forma de se sabotar nas tentativas futuras de superar.
Ele só queria que aquela dor fosse embora, da mesma forma como queria que voltasse para que ele pudesse lhe dizer pessoalmente a mensagem que a enviou e nunca chegou.
Não sentiu nada quando se levantou em meio às chamas que cresciam no quarto, estava vazio; o abismo em seu peito não lhe permitia reconhecer o percurso dos sentimentos enquanto observava e sentia em sua pele o calor do fogo, logo sendo tirado dali pelo senhor Smith, que repetia várias vezes alguma coisa que ele não estava se importando em compreender no momento.
E da mesma forma que Yoongi não deixou que soubesse o quanto ele a amava e queria, ele não saberia que ela havia o escolhido como um sonho a ser seguido. Nenhum deles saberiam que, em um final paralelo, haveria a possibilidade de não se separarem e darem sequência àquela amizade que cresceu gradativamente de forma natural.
Eventualmente, seguir em frente seria uma consequência para aquela perda conjunta.

“É preferível suportar os males que temos do que voar para aqueles que não conhecemos.”William Shakespeare


Continua...



Nota da autora: Olá!
Bem, primeiramente gostaria de pedir desculpa por qualquer coisa.
Lembrando que nada daqui condiz com a realidade — ainda bem, não?
Segundo, obrigada por ler! Essa fanfic é parte de uma trilogia que resolvi fazer com os MV’s de I Need U, Run e Epilogue: Young Forever. Segue a sequência de leitura abaixo:

Trilogia Young Forever
- MV: I Need U
Parte um: Eu preciso de você
- MV: Run
Parte dois: Correremos juntos
- MV: Epilogue: Young Forever
Parte três: Epílogo

Espero mesmo que tenham gostado! Não esquece de deixar o comentário, por favor? Por último, aqui tem o link onde você consegue acompanhar a autora pelo instagram e entrar no grupo dos Leitores da May 🎈



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