Finalizada em: 25/07/2018
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Prólogo

- Nem dá pra acreditar que o baile já tá chegando – vi falar com os olhos brilhando – eu e o temos que ganhar!
- Não tem como alguém ganhar de vocês, olha isso, vocês são maravilhosos juntos – sua amiga puxou seu saco, apontando para um cartaz que mostrava os dois de braços entrelaçados e uma montagem muito bem-feita deles com coroas e cetros. Eu tinha que admitir, ela deve ter escolhido o nerd certo para aquele trabalho, porque estava ótimo.
Passei ao lado das garotas e sorri, acenando. acenou de volta e suas amigas ficaram por muito tempo olhando invés de também acenar. Que garotas chatas, meu Deus, não era possível que a conseguisse aguentá-las, pelo menos era o que todos diziam, a menina parecia ser legal demais para ter alguém como sombra. Ela não precisava daquilo. Talvez ela fosse apenas solitária. Mas não era como se não tivessem várias garotas por aí querendo sua amizade. Se bem que ela tinha , elas apenas não ficavam se arrastando juntas por aí, preferia ficar em meio a seus mil clubes.
- Olha quem encontrei, estava pensando em você agora – ri, olhando para ela.
- Ihh, já mandei não se apaixonar, – ela me abraçou e eu dei um tapa de leve em sua cabeça - Estava pensando o quê?
- Aquilo – apontei para onde tinha vindo, mostrando com as amigas encarando o pôster - sua amiga e as sombras – rolei os olhos – ela não é legal? Pra quê isso? Não acho que ela precise.
- Elas não são ruins, . Acho que você viu muitos filmes colegiais americanos, a não precisa, mas ela gosta das meninas. Eu também gosto, só não fazem completamente meu estilo.
- Nem o dela – dei de ombros, ainda olhando.
- Tá afim dela, por acaso? - ela me cutucou, rindo e antes de me virar para respondê-la, vi chegar e abraçar a garota por trás, deixando um beijo em sua bochecha.
- Claro que não - dei risada e acenei para , saindo dali em direção ao campo, o treino hoje provavelmente iria até tarde.



Capítulo 01

- Eu não espero menos que cinco gols de você, ! Você sabe bem disso – vi o treinador apontar em minha direção, quando perdi o equilíbrio e cai no chão em frente à baliza.
- É, eu sei – murmurei mais para mim mesmo do que para ele, sabia que ele nem ao menos me ouviria em meio a todo o equipamento - Toca pra cá - gritei para Schimdt.
- Você estava meio lento hoje – ouvi McKellen falar.
- Vai se foder – mostrei o dedo do meio para ele e abri a porta para sair do vestiário, nervoso. O dia estava sendo incrivelmente péssimo.
- Ai! - falei ao mesmo tempo que a pessoa em quem esbarrei.
Antes que pudesse me desculpar, vi se agachar em minha frente, reunindo seus livros e cadernos que haviam caído. Ela segurava sua testa com uma mão, fazendo expressão de dor profunda.
- Você poderia ter um pouquinho mais de cuidado, não? - ela disse quando me abaixei em frente a ela para ajudar.
- Desculpa – falei, sincero – Testa dura essa sua, hein?
- Péssimo papo, hein? - ela falou rindo, enquanto nos levantávamos.
- Acho que você vai ficar com um galo, hein? - apontei para sua testa e delicadamente tirei sua mão de cima para ver. Estava bem vermelho, e imaginei que o meu estivesse igual.
- Não só eu – ela apontou para meu machucado também.
- Desculpa mesmo – falei, sem jeito.
- Tá tudo bem, – ela sorriu de lado – Vou indo – ela acenou para mim e se afastou em direção a um corredor diferente do meu.
Talvez eu precisasse de gelo mais tarde.

Abri meu celular e notei uma mensagem de minha mãe, pedindo para que eu levasse batatas para ela. Ri sozinho, ela estava aprendendo a usar o WhatsApp e gostava muito de mandar emojis, então vieram diversas coisas diferentes. Claro, nem um pouco relacionadas às batatas.
Respondi um simples "levarei" com várias carinhas rindo, e então me assustei ao notar por minha visão periférica um carro frear repentinamente antes da faixa de pedestres que eu atravessava. Olhei para a pessoa e antes de xingar de diversos nomes que eu nem mesmo entendia, dei risada.
- Impossível, tudo isso é vingança por causa da testa? Precisava mesmo tentar me atropelar? - perguntei. encostou o carro na lateral da rua, e veio até mim.
- Desculpa! - ela falou, afobada e logo em seguida deu um tapa sonoro em minhas costas - Você é um idiota, brincando com coisa séria!
- Você que não olha pra frente enquanto dirige!
- E você não olha pra frente enquanto anda! - ela falou emburrada – Vem, te dou uma carona pra casa – ela segurou meu pulso e me puxou em direção ao seu carro.
- Isso é um sequestro? - parei repentinamente e olhei indignado para sua mão em meu braço, rindo.
- Nossa, você é muito chato - ela disse, me soltando – vai dizer não pra uma carona?
- Eu preciso passar no mercado – falei.
- Tudo bem, entra aí - ela entrou no carro e abriu a porta do passageiro para mim - só tô fazendo isso porque tô me sentindo culpada que podia ter te atropelado.
- Eu sei disso – dei de ombros enquanto colocava o cinto de segurança - melhor me proteger né? Sabe Deus quão ruim você é pra conseguir quase atropelar alguém na faixa de pedestres – ela rolou os olhos e deu partida – Moro ali perto do metro... - antes de continuar, ela me interrompeu.
- Eu sei – olhei para ela, questionando como – eu moro uns dois quarteirões depois, já te vi lá - ela falou sorrindo, tímida.
- Ah - não encontrei mais nada para dizer, então tomei a liberdade de ligar o rádio até descobrir.
- Mercado perto da sua casa? - ela perguntou, me olhando de lado.
- Pode ser, minha mãe quer batatas – falei rindo.
- Nossa, eu sou louca por batatas, acho que vou aproveitar e comprar também - ela riu do próprio pensamento.
- Minha mãe faz ela no forno de um jeito incrível, talvez um dia eu te chame pra comer – falei, sem pensar.
- Talvez eu fique muito feliz e aceite – ela riu enquanto estacionava o carro.
Entramos no mercado e fui diretamente ao que minha mãe queria, com em meu encalço, para fazer o mesmo. Ela realmente ia comprar batatas também, comecei a rir, mas me contive.

- Eu amo Pepsi, não me julgue – ela falou enquanto eu olhava torto para ela, que preferiu pegar uma Pepsi invés de uma Coca-Cola, como eu havia feito.
- Estou te julgando, sinto muito – dei de ombros. Ela ligou o carro e continuou o caminho até minha casa.
- Isso é feio – ela rolou os olhos, brincando e eu mostrei a língua para ela.
- E aí, ansiosa para ser rainha? - perguntei, tentando encontrar um assunto.
- Muito – seus olhos brilharam e eu pude ver o quanto ela realmente queria aquilo - Você vai votar em mim? - ela perguntou e me encarou, parada no semáforo.
Assenti e sorri em sua direção, deixando com que o silêncio se mantivesse ali novamente.
- Vamos? - falei, quando ela estacionou em frente à minha casa.
- Onde?
- Comer as incríveis batatas da minha mãe ué. Vou ter que te sequestrar como você fez comigo?
- Não posso fazer isso, , sua mãe nem sabe quem eu sou!
- , tô te chamando para comer, não é pra te apresentar para família como minha esposa – usei seu apelido assim como ela usara o meu. Ela parecia pensar muito em meu pedido, estava resistente em aceitar, mas eu falava sério, não era nada demais, nem mesmo nos conhecíamos direito – me deixa recompensar pela carona!
- Eu vou morrer de vergonha – ela falou, colocando o rosto sobre as mãos que estavam apoiadas no volante.
Desci do carro e notei que ela olhava o meu trajeto até o seu lado. Abri sua porta e pude ouvi-la rir descontroladamente quando segurei sua mão, fazendo força para que ela saísse dali.
- Eu vou fazer cócegas - falei, apontando para sua barriga.
- Não, por favor, cócegas não - ela falou, desesperada.
Comecei a torturá-la com as cócegas até conseguir passar meus braços por trás de suas costas e puxá-la para fora do carro. se contorcia de tal forma, que quando tentei a colocar no chão, ela caiu sentada, dobrando todo seu corpo. Sua risada ecoava por todos os lados e pude ver minha mãe na porta de casa, nos encarando.
- Minha mãe tá olhando, seja educada – falei, para irritá-la.
- Nossa, eu já te odeio – ela disse, me dando um tapa no braço, ainda sem força por conta das risadas.
- Tá tudo bem aqui? - minha mãe perguntou quando nos alcançou.
- Tá sim, mãe. Essa aqui é a , ela tentou recusar as suas batatas – dei de ombros e vi a garota esconder o rosto corado.
- Ah, como alguém tenta recusar minhas batatas? Senhorita, isso é algo muito sério. Só não mais sério que meu filho estar namorando e não me contar.
- Mãe, não namoro – falei rindo – a é uma amiga da escola, estamos aqui porque ela fez algo mais sério que tudo isso, ela tentou me atropelar.
- ! - ela disse rindo - É mentira senhora , começou porque ele não presta atenção nas coisas e tentou me matar com uma pancada na cabeça - ela disse puxando a franja e mostrando a saliência que tinha em sua testa.
- Vem, vamos levantar daí e você pode contar pra minha mãe o quanto sou ruim lá dentro – estendi a mão para que ela se levantasse e ela cumprimentou minha mãe, se apresentando.
Peguei as batatas dentro do carro e ela o trancou, me seguindo para dentro de casa.
- Vocês estudam juntos? - minha mãe perguntou enquanto começava a preparar a comida. Eu e estávamos a ajudando a descascar as batatas.
- Poucas matérias - falei – ela é melhor amiga da , mãe.
- Sua mãe conhece a ? - ela perguntou, curiosa.
- Que saudades dela! Faz tempo que ela não vem aqui – minha mãe falou – a convide algum dia – assenti para ela.
- Sempre fui muito amigo dela, quando éramos menores ela vivia aqui.
- Ela nunca me contou isso.
- Pra quê contaria? - falei rindo e ela ponderou, rindo também.

- Meu Deus, o que é isso!? - falou quando colocou a primeira garfada na boca.
- Algo feito por uma deusa, porque também não consigo entender quão bom isso fica! - concordei e vi minha mãe rir da reação da menina.
- Senhora , como isso é possível?
- Lily, por favor, querida – ela riu – receitas antigas são as melhores! Nada desses "Tastemade", essas coisas que o me mostra – ela piscou para que riu.
- Obrigada, – ela falou sorrindo, enquanto lavava louça. Minha mãe quase bateu na garota, mas ela ganhou a guerra e lavava enquanto eu secava e minha mãe já se encontrava no décimo sono no sofá.
- Imagina. Sempre que quiser – sorri e mexi em seu cabelo, inconscientemente, fazendo com que ela sorrisse.



Capítulo 02

- , oi! - me puxou no meio do corredor e beijou minha bochecha - Tudo bem?
- Oi, ! - falei um pouco envergonhado – E aí, – fiz um toque de mãos desajeitado com ele e acenei de leve para as outras meninas que estavam com os dois.
- Quer carona pra casa de novo? - ela perguntou, ignorando todo mundo que estava ali.
- Não precisa, , imagina – sorri para ela.
- Mas eu quero ué, já vou pra mesma direção! Me encontra na vaga 27 quando sair! - ela beijou novamente minha bochecha e voltou ao assunto que estava antes.
- Eu tô tentando me aproximar da há meses e você a leva pra sua casa logo de cara assim? - parou ao meu lado rindo – Como você fez isso?
- Eu não fiz nada, foi tudo por acaso – ri também, me lembrando – mas nunca pensei em me aproximar, talvez essa seja a diferença. Acredito que ela não queira alguém no pé - dei de ombros.
- Descobre pra mim se ela gosta de alguém, por favor – ele falou, com a sua melhor expressão de apaixonado – Ela é incrível, dude.
- Posso tentar – falei e ele agradeceu, saindo.
Na realidade, acreditei que os dois já estivessem juntos, enrolados, não sei. Não imaginava que era apenas muito apaixonado por ela. Talvez eu realmente estivesse assistindo muitos filmes de colegial.

- Achei que ia me deixar esperando – ouvi falar, de dentro do carro enquanto eu entrava.
- Desculpa o atraso – falei, com vergonha e ela abanou sua mão no ar, dizendo que não importava.
não puxou assunto, se manteve quieta do momento que entrei no carro, até estacionar em minha casa. Ela parecia estar pensativa, então acreditei que seria melhor não falar nada.
- Tá tudo bem? - perguntei antes de descer, não me contendo.
- Mais ou menos – ela falou, ainda meio aérea.
- Se quiser conversar – falei, incerto.
- Só estou preocupada com o baile.
- Você vai ganhar, , certeza. Você e o combinam muito, e os dois poderiam facilmente mandar na Inglaterra – falei rindo e tirei um sorriso dela.
- Não é isso, . Estou na organização, e quase ninguém está ajudando. Eu preciso de alguém que realmente esteja disposto, sabe? Senão vai ficar tudo nas costas de meio pingo de gente – ela bufou – e é ótimo, ajuda, mas ele é muito meloso, acho que ele ainda não entendeu que eu não gosto dele dessa forma – ela parecia se sentir culpada. Droga, descobri o que ele queria antes mesmo de tentar.
- Se você quiser, posso tentar ajudar – falei. Sabia que valia algumas coisas ser da comissão, desde que não atrapalhasse o Hóquei, que eu poderia fazer parte. Garotos também gostavam do baile, não era como se eu soubesse dançar, mas era uma noite divertida.
- Não fala duas vezes, sério - a garota riu, parecendo esperançosa.
- É sério, o que você precisa?
- De um logotipo, ideias... De tudo! Precisamos de patrocínios, se bem que talvez eu já tenha conseguido alguns... Aí, , que maravilha se você falar que vai ajudar! Preciso de mais algumas pessoas que não sejam cabeça de vento naquele lugar!
- Qual o tema?
- Winter Snow, já tenho toda a decoração na cabeça!
- A partir de amanhã então, eu te procuro! Assim que sair do treino.
- Tudo bem, vou estar no auditório - ela falou e se despediu com um aceno.

Sai apressado do treino e entrei logo no chuveiro, para me limpar. Me vesti rapidamente e tentei sair o quanto antes dali para poder encontrar no auditório, sabia que ela ficaria esperando.
- Ufa, dessa vez não fui atingida – olhei para o lado e ela me esperava ali, encostada ao lado da porta – vamos?
- É escolta? – perguntei rindo.
- É pra ter certeza que você vai – ela deu de ombros, brincando.
- Está achando que não sou um homem de palavra? – ela olhou para cima, como se estivesse disfarçando e eu dei um peteleco em sua cabeça em resposta – Tenho uma coisa para te mostrar – puxei um pedaço de papel do bolso de meu moletom e entreguei em suas mãos, esperando uma boca torta, um olhar suspeito, mas tudo que recebi foi um pulo e um abraço apertado.
- Isso ficou incrível, meu Deus! Eu não sabia que você tinha esse talento! Como você nunca entrou nas aulas de desenho? – ela falava analisando cada detalhe do papel que lhe entreguei, com o logo que ela havia mencionado a respeito da decoração do baile. Eu havia feito um esboço simples, de algo que remetesse ao que ela queria, não imaginava que ela gostaria tanto – Preciso mostrar isso pra todo mundo! – ela saiu correndo em minha frente e entrou no auditório como um furacão. Quando a alcancei vi que ela mostrava de um em um para todos que estavam ali trabalhando.
- , eu não sabia que você sabia desenhar também! – me cumprimentou – A nem me falou que queria um logo, eu poderia ter tentado também – ele fingiu estar bravo encarando ela, e apesar de sentir dó de todo seu esforço, me segurei para não rir. Ele realmente estava louco por ela. Ele era , o cara mais popular de todos, bonito, requisitado, inteligente, gente boa, podia se apaixonar por qualquer menina, e foi logo naquela que não sentia nada por ele.
- Eu acabei comentando com , e olha a maravilha que saiu, estou muito feliz – ela o ignorou e saiu saltitante pelo auditório.
- , dude, eu sinto muito, mas ontem eu nem precisei falar nada e a já comentou que não curte muito a ideia de você gostar dela. Não de você gostar dela, mas de todas as suas tentativas de ser legal demais, sabe? Ela gosta muito de você, mas disse que é friendzone – falei, lamentando.
- Tudo bem, cara. A esperança é a última que morre – ele sorriu torto para mim – Um dia eu desisto! Mas que seja depois de sermos coroados rei e rainha! Você vai votar em nós, não?
- Claro!
- , vem cá! – ouvi me chamando e sai andando em sua direção me despedindo de apenas com um aceno de cabeça.
- O que você acha de uns floquinhos de neve caindo aqui? Muito clichê? – ela perguntou.
- Muito clichê – vi seu sorriso murchar – Mas um clichê maravilhoso. É o baile dos seus sonhos, não? Então faça clichê, pois é isso que esses bailes são, certo?
Ela assentiu com a cabeça e ficou me olhando por um tempo, parecendo esquecer o que iria falar. Sorri para ela e bati a mão em uma mecha de seu cabelo para irritá-la.
- Obrigada – ela me abraçou de lado e sorriu.

Passamos a tarde toda resolvendo diversas coisas, ela era completamente indecisa e pra tudo queria uma segunda, terceira opinião. Era engraçado, mas todos ali pareciam adorá-la e gostar muito desse seu jeito.
Avisei minha mãe que ficaria até mais tarde na escola, pois estava ajudando em coisas do baile. Sua reação no telefone foi absurda de tão engraçada, ela disse que sabia que eu curtia a ideia de ir para o baile, ainda que eu não tivesse um par, mas não imaginava que eu me enfiaria em meio a organização. E claramente ela perguntou quem tinha feito isso.
“Ai essa ”, típica reação de mãe.
- Vamos comer algo? – perguntou, quando entramos em seu carro.
- Pode ser – dei de ombros e a vi rolar os olhos.
- Você passa horas trabalhando, acompanhando a louca da decoração pra todo lado, e não fica animado em pensar em comer algo?
- Precisa de tudo isso? – falei rindo – Revoltada! Estou muito feliz de pensar em comer, mas com preguiça também – mostrei a língua.
- Não tem como confiar em alguém que fala que tem preguiça de comer!
- Eu não disse que tenho preguiça, disse que estou.
- Nunca se está com preguiça de comer. Estranho – ela bateu em meu braço e notei que aquilo realmente parecia uma mania dela.

- Vai com quem no baile? – perguntou quando nos sentamos para esperar nossos lanches, em uma lanchonete no bairro em que morávamos.
- Não sei ainda, não convidei ninguém – falei, sincero.
- Mas falta uma semana, ! Todas as meninas já devem ter par.
- Nem todas, você fala isso porque tem seu par há anos – falei rindo e ela mostrou o dedo do meio – Não estou falando por mal, como já disse, vocês combinam muito, para o que querem – adicionei o final da frase após ver seu olhar fulminante. deve ter feito algo para ela e nem sabe, só pode.
- Mas várias meninas já tem par, sério! Vou arrumar alguém para você – ela colocou a mão na cabeça como se estivesse pensando.
- A já tem par? – perguntei, me lembrando.
- Acho que não – ela falou um pouco pensativa – Você gosta da ? Pode ser sincero – sua curiosidade era evidente na frase e eu apenas chacoalhei a cabeça em negação.
- Acho que ela seria um bom par, gosto muito dela, e apesar de saber que ela não é um terço animada quanto você, ela vai querer ir. Não deve ter se preocupado com par. E eu também não quero sair com uma desconhecida só pra fazer casalzinho, não gosto disso – dei de ombros – Com ela eu sei que vou me divertir.
- É, é uma boa ideia! Podemos ir todos juntos?
- Claro, mas acho que seria ideal você e irem sozinhos, você sabe, por conta da coroação...
- É, acho que firmaria mais na cabeça das pessoas, né? – ela falou, desanimada – Mas lá a gente se encontra?
- Óbvio! Vou estar te aplaudindo – sorri para ela e recebi um sorriso radiante em retorno.



Capítulo 03

E a rainha desse ano é... Rufem os tambores! – o diretor parecia mais ansioso que todos olhando ali entre as meninas que concorriam – !
Todos em nossa volta aplaudiam animados, gritei seu nome diversas vezes e pude ver ela acenar para mim sorrindo, com lágrimas nos olhos. Sabia que ela estava completamente feliz, e eu não poderia estar mais feliz por ela! Abracei e ficamos ali, nos orgulhando.
- Agora acalmem os nervos! O rei desse ano é... – se preparava para dar um passo à frente no palco quando o diretor olhou surpreso por entre a multidão – !
Olhei para todos a minha volta, tentando entender o que acontecia. Eu nem havia concorrido a isso, como poderia ter ganhado?
- O senhor vai subir aqui ou não, senhor ? – olhei para o diretor chamando minha atenção, e ao seu lado , com um sorriso incrível no rosto, me chamando com seu dedo. Dei um sorriso para ela, envergonhado, e andei por entre as pessoas que me aplaudiam. Eu sabia que era popular, mas não tanto a ponto de ganhar algo pelo qual não lutei.
estava com o olhar focado em mim, e quando cheguei ao palco, foi o primeiro a vir de encontro a mim e dar um abraço apertado. Foi então que ele me falou algo que nunca imaginaria.
- Se não fosse isso, você nunca ia dar o primeiro passo – então ele sorriu e me empurrou em direção à coroa, e eu entendi do que ele falava.
- Apresento a vocês, nosso casal real! Que tenham sua primeira dança! – música soou dos alto falantes, e todos abriram espaço em meio a pista para que pudéssemos dançar aquela lenta batida.
- Como isso aconteceu? – perguntou quando tive coragem de olhar para ela, quando já estávamos um de frente para o outro, com minhas mãos em sua cintura e seus braços jogados em meus ombros.
- Está triste? – perguntei, incerto.
- Claro que não, ! Eu tô muito feliz na verdade – ela falou, envergonhada e escondeu seu rosto em meus ombros, já que ela já não era baixa, e ainda estava em seus saltos.
Olhei para , que puxava uma das concorrentes de para dançar também, e pude ver diversos casais a nossa volta sendo formados. sorriu para mim, como se me incentivasse, e então eu fiz o que mais ansiava.
Puxei o queixo de de meus ombros e fiz com que ela levantasse a cabeça em minha direção. Ela sorriu delicadamente, prevendo o que viria dali...


Acordei assustado, olhando para o relógio e percebendo que já estava atrasado para aula. Levantei aos pulos e corri para o banho para poder me arrumar o mais rápido possível.
Que sonho foi aquele? Será que no fundo do meu subconsciente eu queria ser rei do baile? Ri sozinho daquela ideia, pois sabia que nem de longe um dia cogitara aquilo, talvez seja apenas estar mexendo com tudo aquilo tão ativamente.

Parece que no último ano, quando o baile se aproxima, não existe nada além dele. Todos só falam disso, pensam em roupas, com quem ir, que horas sair de casa, o que vai rolar depois... As meninas ficam numa ansiedade tão grande, que é possível sentir por entre os corredores. E os meninos ficam nervosos, pois é sempre necessário atender as expectativas delas num momento desses. Hormônios a flor da pele, aqui estamos.
- Todo mundo ansioso, né? – perguntou quando a encontrei em frente ao seu armário.
- Aparentemente alguém vai ter um treco antes do dia – falei rindo – Você já tem par, ? – perguntei e ela negou com a cabeça.
- Nem me preocupei, alguns caras me chamaram, mas não valia a pena – ela deu de ombros.
- Quer ir comigo? – perguntei lhe entregando a flor que segurava.
- Ah, ! – ela sorriu – Não precisava disso! – senti o tapa que ela deu em meu braço e ri ao perceber que ela estava envergonhada. Todos ao nosso redor olhavam a cena.
- Acho que todo mundo tá esperando a resposta – sussurrei para que só ela ouvisse.
- É claro que quero ir com você – ela me abraçou e fizemos um toque de mãos, daqueles bem infantis, que por sinal vinha de nossa infância juntos – Acho que todo mundo sabe que isso é uma amizade, né? – ela olhava para todos em nossa volta que já haviam se dispersado, mas parecia ter se perdido em alguém. Será que ela tinha uma pessoa em vista?
- Acredito que sim, se bem que nem a sabia que éramos tão amigos – falei rindo me lembrando de sua surpresa.
- A é estranha – ela riu nervosa e fechou seu armário – Obrigada, . Mesmo – senti seus braços me apertarem forte e então ela saiu, dizendo que conversávamos depois.

- Uma fofura você convidando a hoje – falou quando entrei no carro, já que agora as caronas eram todos os dias.
- Valeu – falei sentindo um pouco de vergonha. Aparentemente a escola toda estava nos espionando, só pode.
- Queria ter sido convidada – ela falou sem pensar muito.
- Por mim? – falei assustado – Mas você já tinha o e...
- Não por você, – ela riu – pelo mesmo. Algo bonitinho, sabe? Entre nós foi algo simples tipo “vamos fazer um marketing legal e ganhar essa coroa”.
- Ou seja, apesar de viver o conto de fadas de rainha do baile, não foi tudo exatamente como você queria? – ela negou com a cabeça e eu segurei sua mão junto a minha sem saber o que falar.
- Tá tudo bem – ela sorriu e se soltando de minha mão, voltou sua atenção para o carro, iniciando nosso caminho para casa ao som de Maroon 5.
- Ei, amanhã tem festa do meu aniversário em casa, você vai? – ela perguntou quando desci do carro.
- Estou sendo convidado? – perguntei, encostando na janela.
- Está, e se quiser ir comigo depois da aula pra lá pra me ajudar a arrumar também está convidado – ela falou rindo – É brincadeira! – mostrei a língua para ela e afirmei com a cabeça, dizendo que iria sim à festa – Tchau – ela acenou e rapidamente arrancou com o carro em direção à sua casa.



Capítulo 04

- Não vai ser nada muito grande, sabe? Não quero nada demais, só quero aproveitar um pouco – ela falou enquanto dirigia para minha casa. Seu aniversário era, na realidade, no sábado, mas sua mãe pediu para que ela curtisse a festa na sexta com todos, e no sábado pudesse ficar com a família. gostava muito dos programas em família, então aceitara a ideia da mãe e quisera fazer uma festa simples.
- A vai? – perguntei e ela me olhou estranho – O que é? Se ficar chato tem que ter alguém mais legal pra eu conversar.
- Provavelmente os meninos do time de Hóquei vão, – ela rolou os olhos.
- Grande coisa! Não é como se fossemos super amigos – dei de ombros.
- Mas eles são seu time – ela arqueou as sobrancelhas, tentando entender.
- Dentro do jogo, fora dele, graças a Deus, não precisamos andar juntos. Um é pior que o outro – expliquei.
- Nunca imaginei isso.
- Aparentemente, não faço o tipo deles. Pior pra eles, claro – falei rindo.
estacionou em frente de casa e destravou as portas para que eu descesse, e eu me mantive parado ali, olhando para ela.
- Sei que você vai sentir saudades, mas logo a gente se vê - ela disse.
- Eu só não sei por que você parou aqui, tá querendo se livrar da minha companhia?
- Não é por nada, mas tenho bastante coisas pra fazer, fez drama, com direito a encostar o dorso da mão em sua testa e fazer aquela expressão sofrida.
- Você não disse que queria ajuda? - puxei minha mochila e mostrei pra ela que havia roupa ali, que eu havia levado para me trocar depois que ajudasse ela em tudo que precisasse – Gosto da sua companhia, mesmo que seja sempre pra ajudar em algo – falei rolando os olhos e rindo.
- Eu falei que era brincadeira, ! - ela estapeou meu braço, como de costume - Não precisava!
- Não precisa ficar com vergonha, eu quero te ajudar! Somos amigos, não somos? - ela afirmou, animada - Então pronto, posso ajudar a milady a não ficar morta de cansaço - imitei seu gesto dramático - no próprio aniversário?
ligou o carro e voltou a dirigir. Ela tinha um sorriso fino em seus lábios, e eu mantinha um igual no meu. Na escola, é difícil encontrar alguém que você realmente queira estar perto, fazer amigos é algo completamente difícil quando todos só querem brigar pelo motivo que seja.
Apesar de desmentir muitas coisas sobre filmes colegiais americanos, várias coisas são verdade. Principalmente esse instinto de brigas e competições. Seja por esporte, por quem é mais popular, por quem é mais inteligente, e até mesmo por quem vai ser a rainha do baile do último ano. Não que as pessoas estejam erradas em competir e querer mostrar talentos em frente a todos, cada um ali está tentando se encontrar, por mais clichê que isso seja. Só acho que não é necessário tanto esforço para se mostrar melhor que outro.
Quanto a rainha do baile... Provavelmente aquela ali, ao meu lado dirigindo, as coisas eram diferentes. Ou talvez só agora eu tenha visto um lado diferente. Ela sonhava com aquilo, ela tinha um brilho nos olhos para conquistar, mas ela não era obcecada.
- , e se você perder? - perguntei um dia para ela.
- Se eu perder, eu perdi, ué - ela deu de ombros – Vou ficar muito triste, mas isso não vai mudar dramaticamente minha vida.

Outras meninas já eram diferentes, elas lutavam por aquilo sem olhar para os lados. Espalhavam panfletos, tentavam comprar as pessoas, chantagens. Eu não sabia se isso estava acontecendo ali, em nossa escola, mas em diversas outras eu sei que sim. Ali, era adorada por ser um pouco de tudo, se misturar em todos os grupos, conversar com todos. Ela era popular sem nenhum esforço, sem ser líder de torcida, ou cantora da equipe de coral. Sem namorar o bad boy do futebol americano, também.
- Tá tudo bem? - ela perguntou e percebi que já descia do carro, enquanto eu olhava para frente sem nenhum ponto fixo. Chacoalhei a cabeça e assenti para ela.
- Desculpa, me perdi em pensamentos – sorri e desci do carro também. Ouvi o alarme que soava quando ela o trancava e ela passou por mim, em direção a porta da casa.
- Parecemos um casal, né? - ela falou olhando para mim, já com a mão na maçaneta e eu arregalei meus olhos – Eu conheci sua mãe, e agora você já vai conhecer a minha – percebi que ela ria da minha expressão e me rendi, rindo também.
- Nem tinha pensado nisso, ainda dá pra voltar pra minha casa?
- Não - ela mostrou a língua e abriu a porta, revelando uma casa não tão luxuosa quanto eu imaginava, mas incrivelmente linda, e simples.
Senti patas quase me derrubarem com o peso em minhas pernas e notei ser O'Leary, a grande cadela preta de , nomeada em homenagem a Percy Jackson, saga que a menina lia milhões de vezes no mesmo ano. Ela realmente lembrava a personagem. Não tinha raça, era enorme, gorda e peluda. Tive que me segurar para não bambear.
- Desculpa – ela falou, tentando fazer com que a cachorra se comportasse.
- Eu adoro animais, você sabe – me abaixei para acariciar os pelos de O'Leary e quando me levantei vi uma mulher, que parecia mais jovem do que era e extremamente parecida com . Bom, era extremamente parecida com ela.
- Mãe, esse é o , um amigo da escola – apertei a mão dela e ela sorriu em minha direção.
- O que você me contou? Que estava te ajudando com o baile? E que mora aqui perto? E que te deixou com a testa bonita daquele jeito? - abaixei a cabeça envergonhado – Seja bem-vindo, querido!
- Obrigado – sorri para ela e vi que estava corada e rolava os olhos para a mais velha.
- Ontem brinquei que invés de vir a festa, ele podia vir me ajudar a arrumar, e ele veio – ela falou, animada.
- Um garoto muito solícito, posso ver – pude ver ela piscar para a filha e senti meu rosto corar dessa vez.
- Vem, , pode colocar suas coisas aqui – ela me chamou, subindo as escadas que ficavam no canto direito da sala.
- Sua mãe é legal, não precisa fugir dela – falei, tentando irritá-la.
- Eu nunca trouxe nenhum menino, sozinho, aqui pra casa. Então ela está realmente sendo uma mãe - ela bateu a mão em sua testa – Desculpe por isso.
- Imagina, . É normal, minha mãe está me enchendo até agora – joguei minha bolsa no canto de seu quarto, assim como ela fez com as próprias coisas.
- Vamos almoçar e então começamos a decorar, pode ser? - ela parecia animada e tive que puxá-la quando ela quase bateu suas costas na porta ao tropeçar no próprio sapato – Obrigada – ela sorriu e então a acompanhei até a cozinha para almoçarmos.

- , eu não aguento mais encher bexigas, meu Deus – ela falou, com a boca branca do pó que saia da borracha – Minha boca tá com um gosto horrível - colocou a língua para fora, fazendo expressão de nojo.
- Só reclama – rolei os olhos – Vai se arrumar que eu termino as bexigas, é só o que falta.
- Ah, você é demais! - ela veio até mim, e beijou minha bochecha demoradamente - Não sei como te agradecer por tudo ultimamente.
- Como se precisasse! - sorri e ela saiu em direção ao seu quarto, para ficar pronta.
Enchi as bexigas que faltavam e as prendi na parede da forma como queria. Era uma decoração simples em tons de prata e preto, com algumas bexigas e fitilhos. A mãe dela comprara alguns petiscos e bebidas, não alcóolicas, pois se intitulava "careta", ela não queria uma festa regada a bebidas, não na casa dela. Não que ela não bebesse quando saísse, por pior que isso fosse, mas ela não queria putaria em sua casa.
Subi até seu quarto para poder me trocar também e bati na porta. Ouvi um "pode entrar" e então encontrei em um vestido azul maravilhoso. Ele era simples e rodado, delicado, com algumas pedrarias no busto. Ela estava com a mão nas costas, tentando alcançar o zíper que só estava fechado até a metade.
- Me ajuda, por favor? Tô sofrendo – ela deu uma risada nasalada e se aproximou, segurando os dois lados do vestido para que eu terminasse de subir o zíper aonde suas mãos não chegavam – Obrigada.
- Você está linda, . Incrivelmente linda – sorri para ela e passei a mão em seus cabelos que estavam soltos, jogados apenas para um lado. Percebi que a encarava sem desviar os olhos e abaixei rapidamente minha cabeça, envergonhado – Vou me trocar – alcancei minha mochila e senti que ela puxava meu braço, para que eu voltasse para onde estava, em sua frente.
- Obrigada, – ela estava corada – Por tudo – percebi que ela desviou o olhar para o chão e me soltou, se virando para calçar os sapatos prateados que se encontravam ao lado da cama.

- Me concede uma dança, cavalheiro? - sorri quando vi me estender a mão, em frente ao sofá que eu estava sentado no canto da sala.
Tinham pelo menos 60 pessoas ali, todas comendo, conversando pelos cantos e se divertindo. Eu estava sozinho, havia passado por diversos grupinhos, mas já passava das onze e meia da noite, eu já havia cansado de todos com as mesmas conversas. Cruzei com poucas vezes ali, mas muitas das vezes via ela me procurar com os olhos por entre todos, para abaixar a cabeça sorrindo envergonhada, sempre que encontrava.
- Com certeza, dama! Temos que ensaiar para o baile. Só aviso que não sou a melhor pessoa para se dançar - falei me levantando e a puxando para o meio de todos que dançavam.
- A me contou que você a ajudou aqui a tarde – comentou enquanto dávamos os primeiros passos por ali - Vocês estão bem próximos, né?
- Ciúmes, ? - falei, rindo.
- Claro que não, até porque eu sou sua amiga, a eu já não sei...
- Ah não, lá vem!
- Ah, , vocês tão todo grudados por aí.
- E qual o problema, eu era grudado em você quando éramos pequenos e nem por isso nós éramos namorados – mostrei a língua para ela.
- Não tínhamos nem idade, . Fala sério, você vai negar que tá sentindo algo pela ?
- Ah, , chega desse assunto.
- Chega mesmo, beijo – ela mandou um beijo no ar e se afastou, me deixando perdido no meio de todo mundo.
- Sua Cinderela te deixou? - ouvi falar atrás de mim e entendi porque havia saído. Só ela mesmo.
- Aparentemente sim, e até entendi porque – sorri para ela – Lembrou da minha existência?
- Sem graça - soltou uma risada nasalada, ela parecia nervosa – Posso? - ela perguntou, se posicionando em minha frente e levando uma mão em meu ombro, indicando que era para que eu dançasse com ela. Assenti e levei minhas mãos até sua cintura, a puxando mais perto.
Ficamos em silêncio durante algum tempo, apenas movendo os pés de um lado para o outro, sem realmente estar em ritmo com a música. Nossos olhares estavam perdidos acima dos ombros um do outro, em direções opostas. Olhei para o grande relógio da sala e notei que faltava apenas um minuto para seu aniversário, e ela provavelmente nem percebera isso.
- Ei, mais alguns segundos e você faz 17 – falei e ela se virou em direção ao relógio para checar a hora – Que falta de confiança - rolei os olhos e ela riu – Quer que eu chame atenção para cá, para cantarmos parabéns? - perguntei e vi ela negar com a cabeça.
- Só fica aqui – vi ela sorrir e encostar a cabeça em meu peito, ainda se mexendo de um lado para o outro.
- Parabéns, – beijei o topo de sua cabeça e senti seus braços se apertarem a minha volta.
- Você é incrível, sabia? - ela voltou seu olhar em minha direção e eu sorri, brincando com as pontas de seu cabelo que alcançavam sua cintura – Como eu não te conheci antes?
- Talvez se fosse antes, não fosse tão bom quanto agora – sorri e mais rápido do que pude prever, as pessoas notaram que passava da meia noite, então um coro de parabéns foi puxado, e vi ser levada por um grupo de pessoas.



Capítulo 05

Sexta à noite, aquele dia que todos procuram algo diferente pra fazer, algo que apague aquela semana cansativa, o trabalho, as aulas, os professores, ou que seja. Mas nessa sexta, ninguém ali precisava procurar, finalmente, era o dia do baile. O baile mais esperado do ano, e na maior parte das vezes, o mais esperado da vida de um adolescente. Não vou dizer que não gosto do baile e não esperava que esse dia chegasse logo, mas também não posso dizer que é algo pelo qual ansiei minha vida toda.
Talvez, o motivo da minha ansiedade repentina, seja apenas ver uma certa pessoa em seu maior momento de felicidade. Afinal, eu sabia que seria ela. Todos ali sabiam. Não existiria aquele momento de surpresa, onde alguém diferente da preferida ganha, era dela, e ela merecia. Ela sim ansiava por aquele dia. E eu mal podia esperar para ver a ansiedade em seu rosto.
Nossa aproximação nos últimos meses me deixou careta como ela, provavelmente. Mas essa amizade me fazia querer o melhor pra ela, e estar ao seu lado para acompanhar. E sendo assim, com a minha felicidade em alta, entrelacei meu braço ao de , e juntos, passamos pela cortina branca com flocos azuis, invenção de , encarando um salão gigantesco com tudo ajeitado nos mínimos detalhes.
No primeiro instante me senti cego pelas luzes que piscavam incessantemente. Assim que me adaptei ao local, encontrei duas garotas mais novas em uma pequena mesa ao lado, com papéis e uma caixa toda decorada em tons de dourado. Elas nos olhavam, questionando se não passaríamos por ali, sorri na direção delas e puxei até lá.
- Olá, casal! Vocês estão lindos – a garota que estava sentada à direita com o pé enfaixado disse e eu e apenas sorrimos, envergonhados – Querem deixar seus votos?
- Dá pra saber quem está ganhando? - falei, curioso.
- Sem trapaças, senhor – a da esquerda riu e nos entregou papéis e canetas. As cédulas continham nomes de todos os que concorriam, sem espaço para opções adicionais, afinal, ninguém queria tragédias ou bullying por aí como se vê na tv.
- É a , né? - perguntei baixinho, olhando para os lados como se fizesse algo muito errado. A garota riu e piscou para mim. Vi apenas negar com a cabeça ao gargalhar ao meu lado.
Nos despedimos das garotas e continuamos andando em direção a mesa de petiscos, porque claro, íamos querer qualquer coisa menos dançar logo de cara. Havíamos chegado tarde ali, talvez porque eu estava com preguiça, talvez porque parecia estar com mais preguiça do que eu.
- Vocês demoraram, hein – ouvi falar enquanto pegava ponche, que esperava não estar batizado, afinal, aquilo não era lenda, sempre tinha alguém pra tentar – tá enlouquecendo, estava com medo de vocês não chegarem a tempo.
- Cadê ela? – perguntou e eu a procurei entre as pessoas, sem sucesso.
- Adiantaram em uma hora a coroação, pro pessoal ter mais tempo pra curtir sem ser interrompido. Acho que ela saiu pra respirar um pouco, faltam 40 minutos – ele disse, olhando o relógio em seu pulso.
- Isso é de vocês, cara, nem sei porque ela tá tão nervosa – falei.
- Eu também não, mas vai entender né? Deixa ela, vou procurá-la.
- Quer que eu vá com você? – perguntei e logo senti me cutucar.
- É melhor eu ir, fiquem os dois aqui – e então ela saiu em direção à rua, e ficamos ali, conversando sobre a decoração, as pessoas, ...

- Você veio – ouvi sua voz atrás de mim e me virei para encará-la.
- É claro que eu vim – beijei sua testa e a envolvi em um abraço – Por que não viria?
- Não sei – ela sorriu de lado – Tô ansiosa!
- Percebi, fica sumindo por aí.
- Não sumi, só queria respirar longe de todo mundo. Fico feliz de ter visto você antes da coroação, posso te encontrar depois? – ela ficou me encarando e só consegui assentir sem dizer mais nenhuma palavra antes que ela se virasse e começasse a andar em direção a , que a esperava perto dos outros casais concorrentes.
- Boa noite, turma de 2018! Mais um ano em que tenho a honra de informar algo que vocês aguardam durante tanto tempo. Sabemos que quem está aqui nesse palco, lutou durante diversos momentos, principalmente as meninas, que sabemos que estão ansiosas por esse resultado mais do que qualquer um – o diretor olhou para cada uma delas que pareciam querer matá-lo pela enrolação.
- Vai! - alguém entre a multidão que se formava em volta do palco gritou, fazendo com que o enrolão risse.
- Vamos lá, antes que me matem! Aqui tenho o envelope que contém a rainha do baile do ano de 2018! E essa é... Rufem os tambores! - achava que aquela frase era brincadeira até que realmente ouvi o barulho de tamborins tocando, olhei assustado por em volta do palco e então vi o DJ, cúmplice. Parecera mesmo um tambor.
- A rainha do baile, do ano de 2018 é... !
E dali eu podia ver. Eu não precisava estar perto para ver o brilho em seus olhos, ou a maré que vinha deles naquele momento. Ela não choraria, é claro, mas seus olhos estavam brilhantes como só lágrimas poderiam deixar. Ela andou em direção ao diretor, que a cumprimentou com um grande sorriso no rosto, e ele colocou em sua cabeça a coroa que lhe pertencia. O momento que ela tanto esperou, e que dizia que seria o melhor da vida dela, havia chegado. Não que eu duvidasse que aquilo era dela, mas ver se concretizar era incrivelmente melhor do que a certeza que tinha. Ver o sorriso em seu rosto e o brilho em seu olhar era de aquecer o coração de qualquer um que a aplaudia, ou gritava seu nome.
- Acalmem-se, pessoal! Ainda tenho aqui o resultado de quem acompanhará essa bela moça em sua primeira dança real! - ele sacudia um envelope vermelho e eu sentia uma vontade absurda de rir, lembrando do meu sonho, onde ele anunciara que o rei era eu. Não tinha nada mais sem noção que isso.
- E o rei do baile de 2018 é... ! - a plateia explodiu em palmas e gritos, principalmente femininos, o que me fez rir. olhava para com uma felicidade imensa, e ele a olhava ternamente, mas com uma animação empolgante. Antes de se posicionar em frente ao diretor, ele a abraçou, tirando seu corpo do chão, e a girou ali em meio a todo mundo, fazendo com que o pessoal urrasse de felicidade pelo casal.
- Apresento a vocês, o casal real do baile de 2018 - o diretor falou pausadamente assim que terminou de coroar – Agora, eles terão sua primeira dança - ele apontou para o salão, onde todos abriram um espaço para que eles descessem e se acomodassem em meio a todos.
Ouvi Perfect, do Ed Sheeran soar nos alto falantes. Eu sabia que ali tinha o dedo de , ela era uma grande fã, ela sabia a chance que tinha de ganhar, ela podia escolher a música para esse momento... Por que não escolher algo que ela gostasse, certo?
segurou a mão de como se ela fosse uma princesa delicada, o que a fez dar um sorriso ainda maior que o anterior para ele. Ele a conduziu para o local que eles deveriam parar e grudou seus corpos com um passo. Vi ele colocar uma mão em sua cintura, sem soltar a outra que vinha segurando anteriormente. levou uma mão ao seu ombro e então eles começaram a dançar lentamente. Seus olhares estavam focados um no outro, como se só eles estivessem ali. Eu sabia que ela ansiava em ver se as pessoas estavam tão felizes quanto ela, mas também sabia que eles haviam esperado tanto por aquilo, juntos, que mesmo que ela houvesse pego qualquer tipo de birra por , nunca deixaria de fazer daquele um momento dos dois.
Aos poucos diversos casais começaram a se juntar a eles, transformando aquele mundo particular em algo mais amplo, fazendo com que a felicidade dos dois transparecesse também entre os outros. Procurei por com os olhos e não a encontrei em lugar nenhum. Dei uma volta pelo salão, tentando não deixar de olhar a graciosidade de dançando ali perdida em meio a todos, e nada de encontrar .

Ed Sheeran foi substituído por Ariana Grande, e Ariana Grande foi substituída por Justin Bieber, que em sua vez, fora substituído por Taylor Swift e assim sucessivamente. Diversas músicas pop que eu sabia ser do gosto de tocavam ali.
Ainda durante a primeira dança eu me sentei em um canto do salão. Dali eu poderia ver quem estava indo embora, quem estava chegando, quem estava comendo e principalmente, a pista de dança. Eu não queria dançar, havia sumido, e eu não me atrevera nem ao menos chegar perto de .
O motivo daquele canto era exatamente ela. Eu observava aquela cena, ela dançando animada cada música que tocava ali, aproveitando seu momento. Talvez isso me tornasse um estranho, um stalker, obcecado, não sei, mas eu a observava, enquanto ela não parecia ver nada a sua volta. Ela estava ali, com sua coroa de rainha, dançando loucamente com todos que lhe faziam companhia, provocando cada um a sua volta com seus movimentos nada premeditados e completamente inocentes. Seu balanço era natural, ela não fazia nada de propósito, ela estava ali, dançando algo como um rock antigo que tocava, balançando seu vestido rosa de um lado para o outro. Ela girava, dançava com quem estivesse a sua esquerda, e logo mudava para qualquer um que estivesse a sua direita, abusando um pouco dos passos de um e um pouco dos passos de outro. Eu ria sozinho encostado ali, analisando todos os seus passos e todos que sorriam para naturalidade dela.
- Se você babar um pouquinho mais, eu acredito que vai formar um lago aqui – ouvi falar atrás de mim, e pude notar ao seu lado, rindo de sua piada.
- Por que invés de babar você não vai até lá e aproveita também? – perguntou, recostando seu corpo no de . Olhei para os dois de sobrancelhas arqueadas, tentando entender toda aquela aproximação e eles apenas deram de ombros, incrivelmente sincronizados – Não questiona, só vai!
- Mas eu nem quero dançar! – falei.
- , você não quer dançar... Mas você quer dançar com ela, que coisa! Tem que acordar a pessoa pra vida – falou já em um tom de irritação, fazendo peso em minhas costas para que eu levantasse. Revirei meus olhos e sai de perto deles antes que perdesse a pouca paciência que tinha.
O tempo que passei distraído com os dois, perdi de vista. A encontrei afastada de onde estava antes, olhando com os olhos semicerrados pelo salão, como se procurasse algo. Me aproximei dela com um sorriso no rosto e quando seu olhar encontrou o meu, ela também sorriu.
- Procurando por algo? – perguntei.
- Um rei, talvez? – ela falou, brincalhona.
- estava com a , ali – apontei para onde eu estava antes e notei que eles já não estavam mais ali.
- Não necessariamente o , pode ser qualquer um – ela piscou e segurou minha mão, me puxando para o meio da pista de dança – Eu sou rainha, qualquer um que estiver comigo é um rei.
- Rainha da dança também, hein? – ela riu, tentando esconder seu rosto.
- Onde você estava? Você me viu dançar? Ai, meu Deus.
- Estava ali, só te observando – pisquei para ela – Mas agora é minha vez de curtir essa rainha – a puxei para perto pela cintura, colando nossos corpos e começando a nos movimentar de um lado para o outro.
- Acho que exagerei na dança – ela falou rindo.
- Você pode, ! Você pode fazer o que quiser, dançar até seu pé cair. Você é a rainha! – ela abriu um sorriso que se olhassem em volta, poderia parecer exagerado, mas ali, em sua frente, eu sabia que não existia mais sincero – Sabe o que minha mãe falaria? Você é jovem, é linda, aproveite a coroa e seus 17 anos, porque eles não voltam...
Ela soltou meu corpo e se sentou no chão, estranhei sua ação até perceber que ela ria descontroladamente e eu só não podia ouvir sua risada escandalosa por conta da música alta dali. Agachei ao seu lado e também rindo cai sentado em sua frente quando ela me empurrou. Olhei em nossa volta e todos pareciam ter parado o que estavam fazendo para observar. ficou um tanto quanto envergonhada e me puxou para mais perto, encostando-se na curva do meu pescoço tentando retomar o fôlego antes de levantarmos.
- Preciso fazer uma coisa – ela saiu de perto de mim, e seguindo-a com os olhos, pude ver que ela conversava com o DJ que fez um sinal de positivo no fim da conversa.
- O que a senhorita pediu? – perguntei, me posicionando em sua frente novamente.
- A música certa – ela abraçou meu pescoço e começou a se mexer fora do ritmo da música que tocava. Até que começou o que ela pedira, uma música lenta e romântica. Mais uma de seu cantor preferido, mas dessa vez, era Thinking Out Loud, e eu conhecia muito bem aquela, que ela me dissera ser sua favorita algumas trezentas vezes.

Nós dançávamos com os olhos fixos um no outro. Nossos corpos pareciam se entender de uma forma engraçada, mesmo que não mantivéssemos realmente um ritmo, já que algumas vezes percebi que nossos pés se embaraçavam. Talvez fosse por não sermos dançarinos profissionais, ou talvez fosse por nossos pés não acompanharem nosso olhar perdido.

Cause honey your soul (Pois querida, sua alma)
Could never grow old (Jamais envelhecerá)
It's evergreen (Ela é eterna)
Baby your smile's forever in my mind and memory (Amor, seu sorriso estará sempre em minha mente e memória)

I'm thinkin' bout how (Estou pensando em como)
People fall in love in mysterious ways (As pessoas se apaixonam de maneiras misteriosas)
Maybe it's all part of a plan (Talvez seja parte de um plano)
I'll just keep on making the same mistakes (Eu continuarei a cometer os mesmos erros)
Hoping that you'll understand (Esperando que você entenda)

That baby now (ooh) (Que, querida, agora)
Take me into your loving arms (Me abrace com seus braços de amor)
Kiss me under the light of a thousand stars (Beije-me sob a luz de mil estrelas)
Place your head on my beating heart (Apoie sua cabeça sobre meu coração palpitante)
I'm thinking out loud (Estou pensando alto)
Maybe we found love right where we are (Talvez tenhamos achado o amor bem aqui, onde estamos)

encostou sua cabeça em meu peito durante um grande pedaço da música, mas assim que achei que poderia ter algum motivo em sua escolha, a afastei delicadamente para poder olhar em seus olhos e procurar por respostas, recebendo apenas um sorriso gentil em troca.

And we found love right where we are (E nós achamos o amor bem aqui, onde estamos)

Sussurrei a última frase em seu ouvido e olhei para ela, notando que ela curvava o corpo para baixo, envergonhada, confirmando o que eu pensara. Aquela garota era incrível. Inclinei meu corpo em direção ao seu e colei nossos lábios de uma forma delicada, sem pressa, sem afobação, tínhamos toda a noite do baile pela frente, e se dependesse dos sentimentos que eram sentidos ali, muito mais tempo que apenas isso. Poderia não ser eterno, muito cedo para tomar conclusões, mas que fosse eterno enquanto durasse.





Fim!



Nota da autora: Oi! Tô tão orgulhosa de ter escrito Dancing Queen que vocês não tem ideia, é uma das minhas músicas favoritas da vida e tenho muito que agradecer a Fla por ter pego esse álbum maravilhoso! Sempre quis escrever algo relacionado a baile, porque mesmo que eu ame essa temática, eu ainda não havia escrito algo dela, e tô muito feliz nesse momento! Espero muito que vocês tenham gostado, e me contem isso! Obrigada por ler, e até a próxima!



Outras Fanfics:

Two Worlds Collide (Em Andamento/Harry Potter e Percy Jackson)

Shorts

04. She Will Be Loved
14. Maneira Errada (continuação de She Will Be Loved)
Mixtape: Uma Criança Com Seu Olhar 08. Two Worlds Collide
I Do
Especial Dia dos Namorados

Nota da beta: Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


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