STALT
Última atualização: 02/01/2019

Prólogo

Observei o prédio branco com alguns detalhes laranja em minha frente e suspirei. Você não pode desistir, disse a mim mesma e suspirei. As letras ID estavam até que discretas para o prédio de seis andares em Boston, longe do centro. Afinal, nenhum prédio de assessoria gostaria de ser um ponto no meio da cidade com luzes neons apontando para ele com a frase “estou aqui”, para quem tivesse o interesse de ir lá e encher o saco de alguns dos astros e empresas mais famosas e lucrativas da atualidade.
Conferi o horário em meu relógio e como sempre, estava 15 minutos adiantada. Conferi em minha mão a pasta transparente com alguns de meus releases mais novos, um portfólio e também algumas cópias atualizadas do meu currículo. Conferi se todos os botões da minha blusa social branca estavam fechados e se a calça social preta não havia nenhum resquício do meu almoço. Meus saltos pretos estavam ajeitados e meu rabo de cavalo não aparentava ter nenhum fio arrepiado saindo dele. Suspirei, 10 minutos. Hora de entrar.
As portas se abriram assim que coloquei o pé mais próximo a ela, sentindo o ar gelado em comparação ao quente de Boston naquela segunda-feira à tarde. Obriguei meus pés a andar até o balcão da recepcionista, apoiei levemente a pasta que estava em minhas mãos e recebi um sorriso simpático da ruiva com sardas no rosto.
- Olá, posso te ajudar? – Ela falou com a maior simplicidade do mundo, mantendo o sorriso branco em seu rosto.
- Eu tenho uma entrevista às 14 horas com Kelly Bush Novak. – Falei tentando manter a confiança em meu peito, mas minhas pernas pareciam uma gelatina e estavam prontas a despencar, e devido a minha altura, não seria uma queda muito pequena.
- Claro. , certo? – Confirmei com a cabeça, mantenha-se sorrindo, sorria. – Irei chamá-la, fique à vontade!
Virei meu corpo de lado e vi que dos dois lados da porta haviam sofás de couro branco vazios, só eu estava lá. Andei calmamente até um dos sofás e me sentei, apoiando a pasta em meu colo e a bolsa por cima.
- Senhorita ? – Ergui meu rosto dando de cara com uma mulher com os cabelos bem curtos e loiros, possuía um sorriso gracioso e um terninho executivo berinjela em seu corpo, não deveria ter mais de 55 anos.
- Sou eu! – Ela abriu um sorriso estendendo a mão para mim, fiquei um pouco confusa se eu me levantava, apertava a mão dela, ou se pegava minhas coisas. Escolhi por apertar sua mão e depois levantar.
- Me acompanhe, por favor!
A segui passando pelos detectores de metais, pelos seguranças e por alguns olhos curiosos que eu tinha certeza que pensavam que eu era um peixe fora d’água e que realmente não deveria estar ali. Confiança, , confiança. Fui levada para uma sala com um ar condicionado mais forte ainda e agradeci mentalmente por ter escolhido uma blusa de manga cumprida, só espero que eu não esteja suando pelo pouco tempo que fiquei lá fora.
- Fique à vontade! – Ela apontou para uma das cadeiras na ponta da mesa e eu me sentei, vendo-a fazer o mesmo do lado contrário. Apoiei a pasta na mesa de mogno escuro e minha bolsa se manteve em meu colo.
- Então, ... Conte-me um pouco de você, o que uma brasileira faz perdida em Boston? – Achei a pergunta até que engraçada, pois Boston é um dos lugares com maior foco de brasileiros no mundo, mas não deixei me abalar. Senti meus ombros relaxarem e tentei fazer com que minha voz saísse o mais normal possível.
A conversa fluiu, dei graças a Deus pelo meu inglês não falhar, ou que ela pudesse fazer alguma pergunta o qual eu me confundisse com a tradução literal e desse algum vexame, e depois de um tempo eu realmente me mantive calma... Até ela fazer a última pergunta.
- Por que eu devo contratar você, uma jornalista e não os RPs que eu entrevistei essa manhã? – Eu não sabia me vender, e também não estava esperando por aquela pergunta. Suspirei, e tentei me lembrar das aulas de assessoria na faculdade, onde a discussão Jornalista x Relações Públicas eram constantes. Minha voz saiu calmamente, minha descendência italiana descansou, fazendo com que minhas mãos não se mexessem tanto e pude formular com calma a resposta que estava guardada há uns nove anos em minha boca. Ela sorriu.


Capítulo 01

No matter where life takes me to, I'll meet you there
(Não importa aonde a vida me leve, eu irei te encontrar)
– Simple Plan, Meet You There


Assim que as portas de vidro se abriram, um rosto cheio de sardas e os cabelos ruivos já sorriam para mim, me esperando de pé. Sorri de volta.
- Vamos? Senhora Novak quer falar contigo antes de você começar. – Afirmei com a cabeça, ajeitei minha bolsa vinho no braço e acompanhei Genevive, a ruiva, pelo corredor com detector de metais e os seguranças, os homens fizeram um gesto com a cabeça, me cumprimentando, repeti o gesto.
Caminhamos pelos longos corredores da ID até estarmos dentro de um elevador. Genevive pressionou o botão seis e a porta se fechou atrás de mim.
Não falamos nada, pois pela rapidez do elevador, não deu tempo para isso. Quando o elevador chegou ao andar desejado, Genevive me deu um sorriso empolgado e eu saí do elevador, vendo as portas se fecharem rapidamente, e notei que ela não havia saído do elevador. É agora que eu fico nervosa?
Dei passos lentos em direção à sala enorme que se estendia pelo sexto andar, não havia portas de divisão, somente uma que deveria ser o banheiro, em compensação, todas as paredes eram da metade para cima de vidro, um vidro fosco que eu sentia que poderia se transformar em uma persiana rapidamente, deixando senhora Novak com mais privacidade.
Ela estava lá, com os óculos escuros no rosto, um novo vestido, verde escuro dessa vez, e os mesmos saltos que eu já reconhecia em seus pés, e assim que eu dei um passo um pouco mais forte, ela ergueu os olhos, abrindo um sorriso de lado, indicando uma das cadeiras em sua frente.
- Fico feliz que esteja aqui conosco, . Primeiramente, bem-vinda! Espero que goste da ID, e claro que se sinta confortável para tirar qualquer dúvida que possa a vir ter em sua carreira, ou em seu ambiente de trabalho. É muito bom ter alguém mais jovem aqui, fazia um tempo já. – Ela deu uma risada e eu me senti confortável em segui-la.
- Obrigada, senhora Novak, é um prazer estar aqui, eu sempre gostei de assessoria, então é muito bom poder trabalhar no que eu gosto.
- Nada de senhora, me chame de Kelly, por favor. – Assenti com a cabeça concordando. - Vamos dar uma volta e te apresentar algumas pessoas? – Ela falou já se levantando de sua confortável cadeira preta e eu repeti o gesto. Ela já estava me esperando com as portas do elevador abertas.
Passamos por todos os andares da empresa de assessoria, nos primeiros quatro andares, eram salas de alguns dos assessores que trabalhavam em Boston, ou de suas equipes, no quinto andar era estúdio fotográfico e no sexto, era somente a sala de Kelly, junto com um espaço para os seguranças e sala de reuniões. Após toda a apresentação, voltamos ao quarto andar, com ela falando sobre meu novo trabalho.
- Bem, como sabe, temos várias equipes, com assessores chefes em cada equipe, e, analisando seu currículo e suas respostas na entrevista, achamos que você deve ficar na equipe da Megan Pachon, ela é só alguns anos mais velha que você e cuida de artistas, como Amy Adams, Emily Deschanel, Rachel Weisz e Chris Evans. – Abri um sorriso discreto de lado, eu era, secretamente, fã do Chris Evans e viciada em filmes da Marvel, mas tentei me conter. – Boa parte da equipe da Megan fica em Los Angeles, tirando uma parte que ficará aqui em Boston, cuidando de assuntos, especialmente do senhor Evans, já que ele é daqui. – Assenti com a cabeça.
No quarto andar havia três portas, e uma delas o nome Megan Pachon – Equipe estava em destaque. Foi nessa porta que entramos. Era uma pequena sala, com as paredes brancas, e os sofás de couro preto. No meio, uma mesinha de centro de madeira escura e alguns papéis estavam jogados em cima dela, de um modo aleatório. À direita, havia uma pequena copa, com alguns utensílios culinários, mas continuamos em frente. Da sala, havia mais quatro portas e somente duas estavam abertas, incluindo uma com os dizeres – Jornalista, que aparentava ter sido recém-acrescentada na porta escura.
- Seja bem-vinda, senhorita – Uma voz mais grossa veio atrás de nós e me virei, um rapaz alto em um terno escuro e com a barba cheia estava parado atrás de nós, ele mantinha as duas mãos em frente ao corpo e um sorriso até que fofo nos lábios.
- , esse é Derek, ele faz parte da equipe de Megan aqui em Boston, mas cuida de casos um pouco mais tensos, as atrizes. – Kelly falou com delicadeza.
- Você deu sorte, novata, vai ficar com os atores, eles são menos rebeldes do que as atrizes de Hollywood. – Ele falou acariciando de leve meu ombro e abrindo um largo sorriso.
- Exatamente por isso, Derek. Não queremos assustar a menina, certo? – Kelly falou e ao mesmo tempo mexeu no bolso de seu terninho, pegando um celular preto que agora era possível ouvir o barulho dele vibrando em sua mão. – Com licença. – Ela falou se afastando e mesmo ela a poucos centímetros ao meu lado, não conseguia mais ouvir sua voz.
- Seja bem-vinda, ... Posso te chamar de , certo?! – Abri um sorriso de lado e confirmei com a cabeça. – Somos quatro aqui, contando com a Megan, mas ela passa muito tempo em Los Angeles, e hoje a Ruth não veio, ela foi fazer um ultrassom para saber o sexo do bebê, estou muito empolgado com isso. – Ele abriu a porta que havia meu nome e entramos no pequeno espaço, eu abri um sorriso largo, porque ele sorriu ao meu lado e me empurrou de leve com o ombro.
A sala tinha as paredes brancas, e a que ficava de costas para a porta, era metade de vidro, igual à de Kelly, os móveis eram branco e preto, todos eles. Havia uma escrivaninha branca com detalhes pretos exatamente no meio da sala, e uma poltrona preta e duas cadeiras aparentemente macias em frente à mesa. Um pouco na diagonal, um armário e um cabideiro também pretos completavam a sala. Em cima da mesa ainda havia um notebook fechado, alguns post-its, blocos, telefone e algumas coisas que eu achei que seriam necessárias.
- Isso é demais! – Falei um pouco mais alto, ouvindo Derek sorrir ao meu lado.
- Que bom que gostou, senhorita ! – Kelly falou atrás de mim, tocando meus ombros levemente. – Eu preciso sair, é uma emergência familiar. Derek, por favor, mostre o resto do local para e depois fale um pouco sobre suas responsabilidades. – Ele acenou com a cabeça, e eu também, os dois sorrindo. – E ... – Nossos olhos subiram para ela. – Seja bem-vinda, mais uma vez, à ID.
Entrei na sala e acendi a luz, vendo toda a sala se iluminar com as luzes do teto e de um abajur alto na escrivaninha, entrei pelo cômodo, andando por ele e parando em frente ao vidro que cobria metade da extensão da sala. Apoiei minhas mãos no batente e encarei a cidade lá embaixo, por mais que estivéssemos um pouco longe do centro, o movimento era ainda intenso, nada muito exagerado, mas era possível ouvir o barulho dos carros e da cidade, mesmo com as janelas fechadas.
- Megan deu uma olhada em seu currículo e realmente ficou interessada por alguém que saiba mexer em redes sociais, sites, edições e alguns segredos a mais que seu portfólio nos mostrou. – Eu me virei para encará-lo parado no batente da porta.
- Vou cuidar da parte online, então? – Ele abriu um largo sorriso, e eu ri também.
- Sim, espero que você goste, somos quase uma família aqui, espero que possa se sentir parte dela, brasileirinha.
- Obrigada, Derek, é muito bom estar aqui, muito mesmo. Eu sempre gostei de assessoria e poder trabalhar nisso, depois de sete anos formada, isso é bom demais! É finalmente se sentir livre, independente, é a...
- Melhor sensação do mundo? – Ele completou minha frase, e eu dei uma risada.
- Pois é! – Derek riu e me estendeu a mão. – Hoje você não vai trabalhar, porque afinal, Megan está em Los Angeles cuidando de algumas coisas do Chris Evans, então, café? – Olhei para ele meio em dúvida e ele riu, mantendo a mão estendida. – Eu estou no comando aqui agora, e realmente, você precisa de um café para relaxar. – Abri um sorriso de lado e segurei sua mão.

Havia uma Starbucks na esquina da ID, e poucas pessoas a frequentavam, reconheci algumas pessoas que eu vi na agência, mas que não se deram ao trabalho de me cumprimentar, e eu não fiz o mesmo para ficar com a mão erguida.
Sentamos em uma mesa próxima a uma das janelas, esse povo gosta de janelas e vista, isso é fato, e fizemos nossos pedidos. Pedi um café com creme e um muffin para acompanhar, e ele pediu só o café. Assim que nossos pedidos chegaram, Derek se interessou em minha história.
- O que uma brasileira veio fazer em Boston? Você não veio para tentar uma vida melhor, que eu sei. – Ele me encarou dando um gole em seu café.
- Consegui uma bolsa para fazer pós-graduação aqui, de um ano, eles bancaram tudo, e incluía um trabalho na assessoria da faculdade, mas falta somente um mês para minhas aulas acabarem, e eu realmente não quero ir embora de Boston agora, acho que essa cidade me cativou. Aí eu saí distribuindo currículos pela cidade, até cair aqui na ID, achei que seria um passo maior do que minhas pernas, pelo fato de ser uma agência de assessoria bem ampla, mas pelo jeito não. – Sorri, dando uma pequena mordida no muffin de chocolate com chocolate branco.
- Precisamos de pessoas novas, renovar o estoque um pouco, pessoas que não enlouqueçam logo na primeira semana quando derem de cara com algum famoso com uma crise, mas também precisamos de pessoas com o pensamento diferente, e você é brasileira, aposto que tem diferentes meios de pensar. – Ele suspirou e apoiou o copo na mesa.
- Espero que eu possa colaborar com isso. – Ergui meu copo e ele fez o mesmo, tocando no meu, em um rápido brinde.
Pude conhecer um pouco de Derek, que tem 27 anos, a mesma idade que a minha, formado em jornalismo também, nascido e criado em Boston, cuida dos casos mais complicados, como artistas em surto, e às vezes acompanhava as clientes em eventos. Ele era casado com Rupert, há pouco mais de três anos, e descobri que Rupert era igual a ele, mas ruivo, e um pouco mais alto, grande e mais velho.
Contei um pouco de minha mãe e minha irmã que ficaram no Brasil, meu pai que já era falecido e sobre algumas antigas experiências amorosas minhas. Todas desastrosas, preferi frisar, fazendo-o rir. Falei um pouco de meus gostos, de experiências anteriores até que o assunto passou a ser ele.
Derek parecia ser uma ótima pessoa, não superficial e muito menos interesseira, era o tipo de pessoa que eu gostaria de ter por perto, um amigo talvez, já que não havia feito nenhum laço muito forte na pós, só com alguns brasileiros que foram comigo para lá, que acabaram se tornando meus amigos por conveniência.

Os dois primeiros meses passaram voando, eu fiquei arrumando sites e redes sociais de todos os famosos da sessão de Megan, conhecendo um pouco mais do comportamento deles, e projetos futuros que eu deveria ficar atenta. Megan era uma pessoa legal, ela deveria ter no máximo 10 anos a mais que eu, era um pouco mais baixa, tinha os cabelos loiros um pouco desbotados, e usava óculos de grau, como eu. Se vestia um pouco mais informalmente do que eu e Derek, e percebi com o tempo que poderia vir mais confortável para o trabalho.
No começo do terceiro mês que eu trabalhei lá, meus trabalhos de campo iriam começar. Chris Evans estava gravando Capitão América 2: O Soldado Invernal, e estava ficando muito em Washington e Cleveland, mas Megan não poderia ficar muito tempo com ele, tendo que se dividir entre seus outros clientes. Pois é, fui designada para essa viagem, e agora?
- Você pode ficar bem tranquila, , se preocupa não, você cuida da agenda dele, certifique-se que ele estará no set e nos compromissos pessoais na hora e local exato, terá um carro à disposição de vocês, - Megan falava enquanto andava pela sua sala, e eu ouvia parada da porta – com o contrato da Marvel, Chris já passou várias vezes por isso, ele sabe o que deve fazer e muito mais, sabe o que não deve fazer. – Ela parou em minha frente entregando uma pasta grossa com Chris Evans escrito à caneta na capa, acho que era o arquivo mais longo que eu já havia visto na minha vida. – Mas relaxa, Chris nunca se envolveu em escândalos, ele mal sai de casa na verdade. – Ela suspirou – Ele precisa sair. – A última parte ela falou um pouco mais baixa.
- E como vai ser? Como eu faço? Devo estar me confundindo. – Falei tentando procurar as palavras exatas.
- Chris está aqui em Boston visitando sua família hoje, à noite vamos nos encontrar para vocês se conhecerem, eu vou passar as últimas informações, horário de viagens, hotel, compromissos e tudo mais...
- Você precisa falar mais devagar, Megan! – A interrompi, a fazendo rir.
- Eu sei, mas não consigo, é simplesmente viciante. – Ela abriu um sorriso e olhou para o relógio. – Bem, são quase 17 horas, acho que você pode ir para sua casa, não é como se tivesse algo para me entregar. - Ela acrescentou um tablet onde a imagem do novo hotsite de Chris Evans estava sendo montado. – Parabéns, está tudo aprovado! – Eu sorri, desligando o aparelho e colocando tudo em minha mesa, livrando o espaço no corredor.
- Obrigada! – Ambas sorrimos. – Bem, então, a gente se vê às 19h30 no restaurante, certo?
- Certo. Qualquer imprevisto eu te ligo, mas não creio que vá ter. Se ele se atrasar dois minutos, ele sabe que é um homem morto! – Ela afirmou com a cabeça, me fazendo soltar uma risada fraca.
Juntei todos os materiais em minha mesa e desliguei o computador, antes de encarar o logo da ID no plano de fundo, já fazia dois meses que eu trabalhava lá, e ainda parecia um sonho, já havia conhecido alguns dos famosos tanto da equipe da ID, como da equipe pessoal de Megan, na minha porta não encontrava mais só meu nome e minha formação, se encontrava um pouco mais intimidador as palavras Equipe Chris Evans, essas palavras foram acrescentadas somente alguns dias depois de eu conhecer Megan, mas essa noite seria a primeira vez que eu iria conhecer o próprio Chris Evans, assumo que estava um pouco nervosa com a situação, mas não é como se eu fosse fugir de minhas responsabilidades.
Megan havia me recebido muito bem, me contara que quando meu currículo apareceu nas mãos dos assessores principais, ela ficou realmente louca atrás de mim, devido aos meus conhecimentos específicos de informática, ela poderia estar falando isso só para me agradar, mas suas palavras aparentaram ser sinceras, e eu estava me sentindo muito bem recepcionada naquele meio todo. Além de Megan e Derek, e eu, o quarto nome da equipe era Ruth, ela era estagiária, de 21 anos, mas que gostava muito dessa área e era muito feliz por poder trabalhar nesse campo. Ela só trabalhava na parte da tarde, e não assumia grandes responsabilidades, na maioria das vezes, seu texto passava em minhas mãos, na de Derek ou na de Megan, antes da publicação, em qualquer lugar que fosse, mas ela cuidava da parte de recebimento e encaminhamento de e-mails, fazendo com que só os realmente relevantes caíssem nas mãos de nós três. Por mais nova que ela fosse, ela tinha tirado uma licença, devido à sua gravidez, quando Derek me contou sobre, pensei que ela fosse um pouco mais velha.

Ouvi a porta destravar atrás de mim, e a empurrei, quase caindo no chão de meu apartamento. Coloquei as pastas e papéis em cima da mesa do telefone que ficava ao lado da porta, e antes de fechar a porta, pendurei a bolsa no cabideiro acima da mesa do telefone. Andei mais um pouco e larguei a chave em cima da mesa e corri para minha larga cozinha para beber um pouco de água antes de suspirar. Eu tinha 27 anos, e ainda sentia um orgulho enorme quando alguém elogiava algum trabalho que eu fazia bem, parecia uma aluna no primário que recebia uma estrela dourada ou uma nota 10 e um parabéns escrito na prova, mas era algo que talvez nunca mudaria.
Eu havia alugado um apartamento quando minha pós acabou, na teoria era para eu voltar para o Brasil e é isso aí, mas com o emprego, consegui um visto de trabalho e aluguei um apartamento há algumas quadras da agência, em um condomínio familiar. Não era muito grande, mas como eu morava sozinha, não era como se eu me importasse, era composto de uma suíte, onde eu tinha uma grande e alta cama de casal, decoradas em tons de rosa e vermelho, um armário e uma cômoda nas laterais. No outro quarto, que era o menor, eu havia transformado em um escritório, claro que cabia tudo isso em meu quarto, mas como era só meu, eu gostava de espaços abertos. Além da suíte, havia mais um banheiro, ao lado do escritório, uma sala de estar dividida em três espaços, sala de estar, jantar e de TV, o que eu havia transformado somente em uma sala de estar com TV... Se isso fizer algum sentido. E ao fundo, a minha cozinha, estilo americana, com tons verdes e azuis e que a janela dava de frente para o fogão, e dava para ver o nascer do sol de uma forma espetacular.
Joguei minhas roupas no cesto e peguei os arquivos, colocando-os em meu escritório, peguei alguns para saber por pelo menos quantos dias eu ficaria em Washington, porque eu precisava fazer a mala. Logo na primeira página havia as palavras “Última semana de gravações”, e com isso em mente eu fiz a mala para pouco mais de sete dias, como tinha alguns eventos, acrescentei alguns vestidos mais bonitos colocados na mala. Com alguma dificuldade, eu consegui fechá-la. Eu precisava de uma mala nova.
Assim que estava pronta, notei em meu relógio que já passara das 18h30 e eu já estava relativamente atrasada, pensando no trânsito de Boston. Droga! Puxei um vestido branco e azul com detalhes em vermelho no meu armário e saltos nude e saí correndo para o banheiro. Me arrumei rápido até, só precisava secar meu cabelo, fazer uma leve maquiagem e claro, me vestir. Conferi o relógio de novo. Que droga!
Enquanto descia as escadas do meu prédio, sim, escadas, porque o elevador estava quebrado e eu morava no novo andar, peguei meu telefone e liguei para um táxi, eu estava muito atrasada.
- Deixa para lá! – Falei para o senhor no telefone quando um táxi freou em frente ao condomínio assim que eu estendi a mão. – Para o centro, por favor! – Falei rapidamente, ajeitando minha bolsa em meu colo e conferindo se meus documentos e carteira estavam lá, sim estavam.

O táxi estacionou em frente ao hotel em que o restaurante ficava e eu paguei o taxista rapidamente, acho que acabei agradecendo em português sem nem ter notado. Eu preciso de um carro, foram meus últimos pensamentos antes de entrar no hotel. Só notei que estava quase correndo quando o segurança na porta do restaurante me olhou com uma cara um pouco suspeita.
- Desculpa! – Sussurrei, entrando mais devagar no restaurante e dando de cara com uma maître muito bonita em um vestido preto e muito bem maquiada.
- Boa noite! – Ela falou exibindo um belo sorriso branco.
- Boa noite, é... – Interrompi um pouco me perdendo nas palavras – Reserva no nome de Megan Pachon.
- Senhora ? – Confirmei com a cabeça. – Me siga, por favor.
A maître mudou de postura rapidamente, parecia mais rígida e eu realmente não sabia se eu ficava da mesma maneira ou não. Caminhamos até o fundo do restaurante e subimos por uma escada em espiral, onde as luzes não tinham o tom mais branco e sim um pouco amarelado, quase vintage.
Assim que eu coloquei meus pés no último degrau do lance de escadas pude ver Megan, ela estava como a Megan que eu conhecia de sempre, um vestido azul bem escuro, sem decote nenhum e os cabelos soltos jogados de lado e uma maquiagem quase imperceptível. E ao seu lado, eu pude achar que era um deus grego, até lembrar seu nome.
- ! – Megan levantou me abraçando assim que a maître nos deixou e eu abri um sorriso, sentindo seus braços passarem por meu corpo em um rápido abraço.
- Desculpa o atraso. – Falei de modo que só ela ouvisse e ela riu próximo ao meu ouvido.
- Relaxa... Você está um arraso! – Ela falou e eu soltei uma risada ao mesmo tempo que ela me soltou. – Quero te apresentar uma pessoa! – Ela não estava falando comigo, estava falando com ele.
Ele, que estava com uma calça jeans clara, uma de suas famosas botinas no pé e uma simples blusa azul, com uma pequena abertura na gola em V. Ele se levantou ao meu lado e pude medir nossa altura um pouco. De salto, eu ficava da mesma altura que ele, e aquele cheiro de perfume de grife, eu realmente sabia quem estava do meu lado, e era a mesma pessoa que eu acompanharia a partir daquele momento.
- Ela vai cuidar de você por um tempo, por favor, é uma das melhores em nossa equipe, não seja chato, ok?! – Ouvi a risada de ambos e senti a mão de Megan em minhas costas esquentarem, respirei devagar, sentindo meus ombros caírem um pouco.
Seu olhar encontrou com os meus e eu precisei abaixar a cabeça por um momento, ou eu iria desmaiar. Ele estava loiro, por causa do papel de Capitão América, e sua barba estava começando a crescer de novo, ele estendeu a mão e eu fiz o mesmo, sentindo um choque da minha mão gelada com a sua incrivelmente quente.
- Essa é , nossa nova assessora, que vai cuidar de você por um tempo! – Ela tirou a mão das minhas costas e era a hora que eu precisava me virar sozinha.
- Oi! – Falei, me sentindo uma boba dois segundos depois.
- Oi, Chris Evans! – Ele falou abrindo um largo sorriso.

Minha mão ficou segurando a dele por um tempo, sendo bem honesta eu não sabia se estava perdida naqueles olhos azuis, no sorriso branco, na brecha da sua blusa onde sua tatuagem podia ser vista, ou se ele não havia soltado minha mão mesmo e mantinha aquele sorriso lindo para mim. Um pigarro de Megan me fez voltar para a realidade em rápidos segundos, me destravando.
- Sou ! – Ele manteve o sorriso largo e sentamos nas cadeiras, eu à sua frente e Megan à minha esquerda. Ok, agora você tenta relaxar, , é um jantar de negócios.
Eu tentei prestar atenção mesmo no cardápio que o garçom havia colocado em minha frente, tentei realmente analisar as diversas opções de carnes, frangos e peixes, mas estava quase impossível, eu juro, esse homem cheirava à perfume, e cheirava muito bem. Enquanto escolhíamos, todos ficaram em silêncio, não sei se era em respeito a mim, ou se era comum assim, mas logo o garçom nos interrompeu e a atenção foi focada para mim novamente.
- Gostariam de beber alguma coisa, senhores? – O senhor de meia idade se aproximou com um guardanapo pendurado em seu braço.
- Eu bebo um vinho! – Megan falou, direcionando o olhar para mim. O que ela queria que eu falasse?
- Eu aceito também, um vinho tinto, por favor! – Ouvi a voz de Chris e tentei prender a respiração por alguns segundos. – Você aceita, ? – Ergui meus olhos um pouco arregalados do cardápio, tentando assimilar se era comigo mesmo.
- Claro! – Abri um sorriso de lado. – Por favor! – Me direcionei ao garçom.
- Por favor! – Evans falou acenando para o garçom.
Ok, , tá tudo certo!
Demorou poucos minutos até que nossas taças estivessem cheia do líquido avermelhado e para que eu me segurasse para não virar aquela taça inteira goela abaixo... Era só eu ou estava realmente quente ali? , para, que saco!
O silêncio estava realmente me incomodando, e eu sou comunicadora, não conseguia ficar quieta por muito tempo, mas antes que eu pudesse falar alguma outra coisa, o garçom apareceu de novo para anotar nossos pedidos. Dessa vez eu fui a primeira a falar, pedi um salmão com um risoto e voltei a ficar muda em meu canto, mas agora eu não tinha o cardápio em minhas mãos para me distrair, eu ficava passando meus olhos desde a contagem de dentes em cada garfo sobre a mesa e quantas flores havia nos arranjos do restaurante inteiro.
- Então... – Ouvi minha voz sair e me assustei por um segundo, relaxando os ombros.
- Vamos falar de negócios, então? – Megan falou apoiando as mãos sobre a mesa.
- Espera a comida chegar antes, Megan, não rola falar de compromisso de barriga vazia! – Chris falou se espreguiçando em minha frente e eu soltei uma risada fraca discreta. – Vamos falar de você, !
- Oi? – Me assustei um pouco, tendo que encarar aqueles olhos azuis em minha frente e tentei me manter calma. – Ah sim, eu, bem, não é como se eu tivesse muito para contar da minha vida!
- Bem, você está aqui em Boston, e eu sei que é brasileira. Alguma história você tem, e eu gostaria de ouvir! – Ele apoiou os ombros na mesa, se ajeitando na cadeira e ficando um pouco mais perto.
- Ok! – Falei tentando me manter mais relaxada.
Tentei contar rapidamente sobre minha pós-graduação e do interesse em continuar nos Estados Unidos por achar que teria mais oportunidades de trabalho. Contei um pouco sobre meu último ano e também dos últimos meses, mas pela minha rapidez, eu creio que havia falado um pouco rápido demais, mas ao chegar ao fim, acho que já falava mais como uma pessoa normal... Mais como eu.
Chris manteve sua atenção em mim esse tempo todo, Megan ficava dividindo a atenção entre minhas palavras, alguns comentários para tentar descontrair e também seu celular que não parava de vibrar em nenhum momento, até o ponto em que ela precisou se retirar para atender, bem quando a comida havia chego.
- Então, ... – Ele me encarou por um tempo antes de encarar sua comida – Estive no Brasil ano passado, realmente gostei de lá! – Eu esperei minha boca estar bem vazia antes de responder.
- Por mais que eu esteja aqui a trabalho, não troco aquele país por nada, é meu xodó! – Ele deu uma risada de lado.
- Os fãs são bem... – Ele pareceu medir as palavras com bastante cautela.
- Loucos? – Falei soltando uma risada de lado.
- Eu ia dizer intensos. – Ele acompanhou minha risada e me encarou por alguns segundos.
- Quando eu era mais nova eu fazia parte desses fãs “intensos” – Fiz aspas com os dedos na palavra e ele riu. – Somos meio loucos, mas acho que é nosso jeito de demonstrar que nos importamos. – Ergui meus ombros rapidamente e ele riu.
- Me assustei um pouco no primeiro dia, mas acho que consegui entender um pouco, é um povo muito caloroso. – Sua atenção estava em seu prato.
- Pode dizer louco, eu entendo! Não vai me magoar, não! – Ele deu uma gargalhada, erguendo a mão até seu peitoral e com a outra, tentando esconder a boca e eu me senti confortável em acompanha-lo. Isso, , pode se soltar, você está se saindo bem.
Megan apareceu ao meu lado rapidamente, falando algo sobre Emily Deschanel e algum evento que iria acontecer, como não era meu departamento, não focamos muito no assunto, meu departamento estava na minha frente.
- Então, qual era o papo? – Megan falou antes de dar uma garfada em seu prato.
- Os fãs brasileiros são loucos. – Chris falou e eu abri a boca levemente, como se eu estivesse ofendida. – Mas você disse...
- Eu tô brincando! – Falei, rindo da cara de assustado que ele fez.
- É a , Chris, precisa levar as coisas mais na brincadeira com ela, sério! – Megan falou dando uns tapas de leve em meu ombro.
- Acontece! – Descansei meus talheres em cima do prato e limpei minha boca rapidamente com o guardanapo em meu colo e dei mais um gole em minha taça.
Chris logo me acompanhou e esperamos quietos por alguns segundos enquanto Megan terminava de comer, algo que não seria muito demorado, pois já havia notado que ela realmente preferia comer mais rápido e resolver seu trabalho, do que ficar batendo papo sobre assuntos aleatórios da vida.
- Vamos falar de Washington! – Megan falou descansando os garfos em cima do prato e puxando uma pasta preta, com algumas informações sobre a viagem.
A viagem seria de somente uma semana, algumas gravações de Capitão América 2: O Soldado Invernal dentro de estúdio e uma entrevista em um programa local. Meu trabalho? Seguir, guiar e ajudar Chris na ida e volta das gravações, passar algumas respostas de perguntas antes das entrevistas e aconselhá-lo quase 24 horas por dia sobre qualquer passo que ele fosse dar fora do set ou fora do hotel, e alguns assuntos mais que poderiam rolar no caminho.
Notei que quando começamos a falar de trabalho, Chris tomou uma posição mais rígida em sua cadeira, sua cabeça estava baixa nos papéis que Megan havia dado para ele, iguais os que eu já tinha recebido essa tarde, mas dava para notar que seus ouvidos estavam focados nas palavras de Megan, ele realmente estava prestando atenção, por mais que eu soubesse que ele já deveria ter ouvido aquele discurso milhares de vezes, já que Megan era sua assessora desde os tempos de Quarteto Fantástico. Mas em uma parte da conversa, notei que era mais para mim do que para ele: assédio da mídia. Para quem conhece, sabe que o Chris Evans é raramente visto na mídia, e o motivo ninguém nunca soube exatamente por que, ele não aparecia, e essa resposta ficou clara logo nas primeiras palavras sobre o assunto. Chris não era do tipo que gostava de uma farra gratuita, ou de aparecer só para dizer que apareceu. Ele podia ser assim antes, mas depois que passou dos 30, seu foco passou a ser outro.
- Relaxa, vai dar tudo certo! – Chris falou fechando a pasta e apoiando-a onde antes estavam nossos pratos e relaxando um pouco o corpo na cadeira. – Você tá comigo!
- Você ouviu o chefe, né?! – Megan falou e eu soltei uma risada sem graça, quase tímida. – Bem crianças, eu preciso ir, porque minha noite ainda não acabou. – Ela falou se levantando, e eu ia fazer o mesmo quando ela apoiou a mão em meu ombro com força, me obrigando a sentar novamente. – Conversem um pouco, se conheçam. Veja a como Megan 2.0, pode ser? – Ela virou para o Chris e ele acenou com a cabeça. – Ou como o Derek, quem sabe?
- Nunca vou vê-la como você, muito menos como o Derek. – Ele falou, Megan riu e eu juro que senti meu rosto esquentar um pouco.
Megan pediu a conta, e juro que a vi acertar a conta da mesa inteira, mas eu preferi não falar nada, ainda estava tentando me acostumar com essa vida de assessora de famosos, mas sabia que quase todos os gastos a parte eram acertados pela conta da ID, ou seja, quem havia pagado o jantar no final das contas era o Chris, simples assim.
Outra garrafa de vinho tinto apareceu na mesa e o papo acabou ficando mais descontraído, por favor, diga que eu não estava bêbada. O papo da garota do interior do Brasil sumiu e foi passado para o de um garoto nascido e criado em Boston que hoje em dia fazia o Capitão América.
Ele falava de um jeito bem descontraído, suas mãos se mexiam relaxadamente quando ele falava e era nítido a felicidade em ter conseguido realizar seus sonhos. Talvez a falta de foco em aparecer na mídia e não ter muito contato com as redes sociais fosse só um obstáculo pelo qual ele não conseguia passar, mas quando ele falava sobre os testes, filmes e todos os trabalhos que ele já havia feito, sentia como se eu estivesse falando com um garoto de sete anos que esperava o melhor presente de Natal, e o ganhara por último, depois que todos os embrulhos haviam sumido debaixo da árvore.
- É bom ouvir falar sobre sua paixão por atuação, minha única experiência como atriz foi quando eu tinha cinco anos de idade... – Falei descontraidamente e notei que ele se manteve quieto, pedindo para que eu continuasse. – Era uma peça da escola, eu era uma rainha e sabia todas as falas de cor, até a dos outros personagens. – Falei um pouco mais baixo a segunda parte e notei um sorriso abrir em seus lábios.
- E quando você se apaixonou pelo jornalismo? – Ele pousou a taça vazia novamente em cima da mesa.
- Não sei bem se eu me apaixonei, ou se ele simplesmente me puxou pelas pernas e eu acabei convivendo bem ao lado dele. – Dei de ombros e ouvi meu suspiro.
- Mas pela conversa hoje, dá para notar que você é feliz com o que faz. – Seu corpo veio para frente um pouco, apoiando os cotovelos na mesa.
- Agora que eu tenho um emprego na área que eu gosto, sim, sou muito feliz. Mas é que não é fácil ter sucesso nessa área, não é fácil nem ter um emprego nessa área. – Dei de ombros mais uma vez. - Mas eu tinha alguns planos em minha mente, caso o jornalismo não desse muito certo.
- Qual seriam seus outros planos?
- Eu gosto de cozinhar, muito. Então talvez meu plano B estaria ligado à gastronomia, ou algo do gênero. – Levei a taça novamente aos lábios e entornei o pouco que restara do vinho. Já chega por hoje, né?!
O silêncio se instalou por alguns segundos e o desconforto começou a me pinicar, eu comecei a contar as flores nos arranjos novamente e vi que o restaurante estava bem mais vazio e muito menos barulhento também, bati os olhos em meu relógio e já passava das onze horas.
- Acho melhor eu ir... – Falei puxando minha bolsa para meu colo. – Fico meio emburrada quando não durmo as horas que eu preciso. – Falei calmamente e ele riu.
- Então é melhor irmos, dois emburrados em uma viagem que não dá tempo nem de dormir, não vai ser uma boa! – Ele falou rindo e eu me levantei.
Fomos andando até a porta e ele estava a dois passos atrás de mim, quase podia ouvir sua respiração. Assim que passamos pela maître, pude ver ela assentir para o Chris e vi de relance ele imitar o gesto. É nessa hora que eu pergunto se a conta está realmente paga, ou eu saio e deixo por isso mesmo? Não tive tempo de ter resposta para essa pergunta, porque se eu virasse de costas, ia dar com de cara com Chris Evans bem perto de mim.
- Precisa de uma carona? – Ele falou quando estávamos no lobby do hotel, lá fora estava ventando, e calmo, nenhum sinal de pessoas loucas gritando por ele, por mais que ele fosse de Boston, raramente sabiam quando ele estava por lá.
- Não precisa se incomodar, vou pegar um táxi para casa. - Eu falei sentindo o vento bater forte em minhas costas, quando a porta de vidro do hotel era aberta.
- Tem certeza? – Afirmei com a cabeça mais uma vez e saímos para o vento. Cidade com praia venta à noite, eu precisava me lembrar de levar casaco sempre que saísse.
- É totalmente fora de mão onde eu moro e onde você mora. – Falei observando alguns táxis em fila na porta do hotel. – A gente se vê amanhã de manhã no aeroporto? – Fiz um gesto com a cabeça.
- Pode deixar, ! – Sorri me aproximando do táxi, mas parando logo em seguida.
- Chris! – Gritei para ele, mas não foi necessário já que ele só havia dado alguns passos para o lado, em direção à cabine do valet em frente ao hotel. Ele se virou automaticamente e eu ri dessa reação. – Eu não vou me segurar! – Falei, e me aproximei dele novamente!
- O quê? – Seus olhos se arregalaram por um momento.
- Posso tirar uma foto com meu ator favorito? – Falei com a mão já dentro da bolsa para pegar o celular. Ele abriu um lindo sorriso e vi suas bochechas ficarem vermelhas por um tempo, mas ele logo relaxou e se aproximou de mim novamente.
- Se eu sou seu ator favorito, você pode! – Peguei o celular e rapidamente o destravei e coloquei na câmera, me aproximei um pouco dele, até os nossos rostos estarem dentro do quadrado da foto.
Notei seu sorriso tímido na foto, era o mesmo sorriso que ele fazia em todas as fotos de fãs que eu já havia visto. Os dentes brancos à mostra, mas parecia um pouco mais discreto dos que ele havia dado durante o jantar, um pouco mais profissional. Tentei dar um sorriso não tão alegre, mas foi quase impossível, pois minha mente ficada gritando: Você está conhecendo o Chris Evans! Você está conhecendo o Chris Evans! Apertei o botão da foto umas três vezes, e logo abaixei o celular, soltando uma risada em seguida.
- Se eu quiser ficar nesse mundo, acho que preciso aprender me controlar. – Falei dando passos perto do ponto de táxi de novo.
- Acho que não. Ser tietado faz parte do trabalho de artista, não? – Ele deu de ombros pegando a chave da mão do valet.
- É o que eu acho também! – Dei um rápido sorriso, acenando para o taxista a minha frente. – Até amanhã, senhor Evans! – Assenti com a cabeça e o vi fazer o mesmo gesto antes de eu entrar no táxi.
Indiquei o endereço para o motorista e me afundei no banco de trás do táxi branco com listras marrom de Boston. Peguei meu celular e fui direto para a galeria de fotos. Passei as três fotos que eu havia tirado e escolhi a que eu estava mais bonita. Era um sorriso sincero, não o sorriso de , assessora de Chris Evans, era o sorriso da conhecendo o Chris Evans, o ator favorito dela, e eu me senti uma criança, assistindo Quarteto Fantástico de novo, só uma fã.
“Fã ou assessora? A realização do sonho é a mesma! #ChrisEvans #Journalism”, escrevi essas palavras rapidamente no Instagram, fiz questão de não colocar filtro nenhum na foto e postei-a, compartilhando ela no Facebook, Twitter, Tumblr e todas as redes sociais ligadas à minha conta. Sorri para a foto novamente e me senti satisfeita. Talvez escolher jornalismo como profissão fosse uma boa! Apesar de que eu falo isso agora. Na época da faculdade, o ‘não viver do jornalismo’ era uma opção muito mais prazerosa, mas é o que sempre me disseram: A coisa vem quando a gente menos espera.
Guardei meu celular novamente e após alguns minutos o taxista parou na frente do meu adorável condomínio. Entreguei o dinheiro para ele, agradeci e saí, logo entrando no condomínio e acenando para o porteiro.
Entrei em casa, sentindo o calor do meu apartamento e fui rapidamente me preparando para dormir, meu apartamento estava quente, mas meu corpo ainda estava frio. Após me cuidar e me trocar, deitei em minha cama e fechei os olhos, sentindo meu corpo relaxar dentro do edredom, minha mente relaxou por um tempo e logo estava dormindo.

Abri os olhos com dificuldade quando meu celular tocou e tive vontade de jogá-lo na parede, fazia duas horas que o sol tinha nascido, e isso era considerado cedo para mim. Desliguei o despertador, ativei o Wi-Fi do celular, e fui para o banheiro. Em poucos segundos, ouvi meu celular tocando diversas notificações. Isso que dá colocar foto com famosos. Fiz minha higiene matinal rapidamente e corri para a cozinha para tomar um café da manhã... Ou pelo menos, um café que me mantivesse em pé até chegar ao aeroporto. Passei manteiga rapidamente na torrada que acabara de pular da torradeira e a prendi entre meus dentes, enquanto voltava para o quarto.
A cada peça de roupa que eu colocava, era uma mordida que eu dava em minha torrada. Quando terminei a torrada, vesti minha camisa polo roxa de meia manga. Fiz uma maquiagem rápida e conferi meu celular. Tinha 10 minutos antes de o carro passar em casa, e pelo menos cinco aplicativos gritando, e a setinha para o lado indicava que mais alguns estavam escondidos. Abri um sorriso de lado.
Conferi em minha mala se algo estava faltando, chequei minha bolsa e estava pronta para viajar para Washington, D.C. Faltando alguns minutos até eu ter que descer, sentei em minha cama e abri a notificação mais importante de todas, da minha mãe.
Bom dia filha... Acho que para você ainda não, né?! Vi sua foto com Chris Evans, realizou seu sonho? Está feliz? Me ligue. Beijos, te amo.”
Oi mãe, agora é bom dia aqui! Estou bem feliz, foi difícil manter a seriedade, mas precisei tirar minha foto. Estou indo para Washington com ele e equipe para gravação de Cap 2, a gente vai se falando. Amo você, beijos”.
Enviei a mensagem e abri o Instagram rapidamente, a foto já tinha pouco mais de 50 curtidas e alguns comentários surtados, incluindo da minha irmã. Ri e bloqueei o celular, deixando para responder aquilo depois. Levantei e calcei meu peep toe preto. Ajeitei a mala em um ombro e a bolsa em outro, conferi se todas as luzes estavam desligadas e tranquei a casa. Assim que saí pelos portões do condomínio, um carro preto da ID estava parado com um motorista conhecido me esperando pelo lado de fora.
- Bom dia, Jason! – Falei entregando minha mala para ele.
- Bom dia, senhorita. Pronta para viajar? – Ele respondeu educado.
- Não muito! – Soltei uma risada e entrei no carro. Não mesmo, eu tinha medo de voar.
O caminho para o aeroporto foi até que curto, também, não é todo mundo que está acordado às oito horas da manhã de um sábado. Conferi rapidamente a pasta com as instruções que Megan havia me dado e logo já estava fazendo check-in no balcão e despachando minha mala. Passei em um balcão de doces para comprar chicletes e uma água, e tomei um calmante antes de entrar na sala de embarque.
Eu havia esquecido como aquilo era grande. Caminhei para perto do portão de embarque à procura de Evans, e não foi muito fácil, devo ter dado umas três voltas, o que estava chegando a me deixar envergonhada. Até que avistei um boné azul escuro no canto da sala de embarque, com óculos escuros e a boca levemente aberta, o que me deu a impressão de que mais alguém estava com sono além de mim.
Aproximei-me devagar, tentando me manter calma. Não era porque eu tinha conhecido ele, que eu tinha me tornado íntima dele. Apoiei minha bolsa na mesa em que seu pé estava apoiado e sentei em uma cadeira ao seu lado.
- Bom dia! – Falei em um tom de voz normal e eu tomei um susto quando ele se mexeu, tomando um susto por eu ter falado. - Oh, calma!
- Ah! – Ele falou passando a mão nos olhos por baixa dos óculos escuros. – Como você sabia?
- Não se esqueça que eu estou cuidando do seu site e afinal... Você só tem esse boné? Seu aniversário tá chegando, acho que já sei o seu presente! – Ele riu tirando os óculos e colocando-o na gola de sua blusa.
- Há, há, há engraçadinha! – Ele falou com a voz de sono.
Nos mantivemos em silêncio por um tempo e notei que ele estava cochilando novamente quando sua cabeça pendeu para o meu lado, ri baixo e peguei meu celular conferindo as notificações de meu celular, respondendo mensagens e comentários na foto, até que chamaram para o nosso voo. Eu levantei e fui pegando minhas bolsas, mas ele ficou só olhando para a fila que se formava.
- Não vai entrar? – Perguntei apontando para a fila.
- Por mais esnobe e até idiota que pareça, somos os últimos a entrar – Ele falou colocando os óculos novamente.
- Ah sim. – Suspirei, me sentando novamente.
E foi o que aconteceu. Assim que todas as pessoas passaram pelos portões, foi nossa vez, a mulher confirmou rapidamente, com uma feição muito nervosa. Eu entendo, amiga, já passei por essa. E nos liberou. Entramos no avião pelas portas de trás e logo sentamos em nossa fileira, que era a última. Como era voo doméstico, não havia divisões de classes.
Ajeitei minha bolsa na parte no compartimento de carga, me sentei na cadeira e prendi o mais firme possível o cinto e segurei firmemente as laterais da poltrona, pude vê-lo me encarando ao lado. Respira, .
Quando o Capitão liberou a decolagem, eu senti meu corpo enrijecer como sempre fazia. Segurei mais forte as laterais da poltrona e pude ouvir o barulho das turbinas do avião. Respira, , vai dar tudo certo. Quando os nós dos meus dedos começaram a ficar brancos e pequenas lágrimas rolarem por minhas bochechas, eu senti uma mão quente em cima da minha e uma voz baixa perto de meu ouvido.
- Também não gosto de voar. – E notei, pelo embaçado de meus olhos, que ele estava com um sorriso nervoso nos lábios.
A aeronave correu na pista e pude sentir as rodas saírem do solo. Minhas mãos firmaram por mais alguns segundos nas laterais da poltrona e depois se soltaram como sempre acontecia, após eu me sentir segura. Passei minhas mãos em minha bochecha, secando as lágrimas e soltei a respiração bem devagar.
- Eu não consigo gostar. – Falei simplesmente, não quis dividir minhas experiências com ele, ele ainda era um desconhecido para mim. – Não consigo me acostumar.
- Eu entendo isso. Eu não gosto de voar, mas é uma obrigação no meu trabalho, então com o tempo eu fui me acostumando. – Ele estava sem os óculos escuros e me encarava com seus olhos azuis.
- Se eu viajasse com frequência, creio que já teria perdido meu medo. – Falei simplesmente, apoiando minha cabeça na poltrona.
A viagem correu sem mais conversas, ligaram a televisão, então pude caçar algum filme que estivesse passando e ficar assistindo até chegarmos a Washington. O voo de Boston para Washington era menos de uma hora.
Assim que chegamos, peguei minha mala e logo nos deparamos com um carro com responsáveis da Marvel nos esperando. Eu entrei com ele no carro e fomos levados a um hotel no centro da cidade. Não havia nenhum fã esperando, mas pelo que eu havia entendido, teria alguns no set, mas ele não iria para o set hoje, seria somente prova de roupas, ensaio e discussão de roteiro. E eu iria acompanhar tudo isso. Tente não surtar, ... É impossível.

Ficamos no último andar do hotel, onde várias pessoas do elenco ficavam, eu ficava em um quarto e Chris ficou no da frente, no momento em que chegamos, tinha somente Samuel L. Jackson e Anthony Mackie hospedados, para fazer algumas cenas, Samuel tem cara de ser aquela pessoa séria e tudo mais, pela interpretação de Nick Fury, mas na vida real ele é uma pessoa muito amorosa e foi quem saiu me apresentando ao resto do elenco e equipe. Anthony é uma figura, era impossível ficar 10 segundos com ele sem que você risse, em um dos jantares com o elenco, saiu refrigerante pelo meu nariz, o que não foi muito legal com o povo da Marvel da mesa, mas causou boas risadas.
Três dias antes de irmos embora, Scarlett Johansson e Sebastian Stan chegaram para fazer a grande cena de luta nas ruas de Washington, aquela em que o Soldado Invernal arranca o volante do carro deles e tem aquela cena maravilhosa de ação. Honestamente, foi cansativo ver aquela cena ser feita. Era quase como se cada segundo fosse um take, e depois eles mudavam para os atores, depois para os dublês, depois dublês e atores, atores e dublês, nossa. Juro que quase dormi na cadeira do set. Scarlett e Sebastian também eram pessoas incríveis. Scarlett é uma ótima pessoa, ela e Chris são amigos desde o primeiro filme deles juntos em 2004, Nota Máxima, então ou ela estava sendo incrivelmente simpática e fofa, ou ela queria ficar ok comigo por eu ser a assessora dele, nem que provisória. Sebastian é uma pessoa totalmente diferente do Soldado Invernal ou até de Bucky Barnes, ele tem aquela pose toda que te faz perder o fôlego, mas ele é incrivelmente tímido com pessoas novas, então demorou um pouco para batermos um papo, mas depois ele se mostrou um incrível piadista.
Eu juro que tentei, mas eu tive que dar uma surtada, era a Marvel, eram os atores da Marvel, e eu sou uma pessoa viciada nisso desde que eu me conheço por gente... Mentira, desde que a Fase I de Os Vingadores começou e trabalhar relacionada a isso, é maravilhoso. Desses sete dias que ficamos lá, Chris teve que gravar em cinco, e nos dias que ele não gravava, ele dormia metade do dia e a outra metade ficava na academia. Às vezes batíamos um papo na hora do jantar para falarmos sobre o dia anterior, mas nada mais que isso.
É o que eu havia falado. Ele quando falava de trabalho, era incrível, mas quando ele realmente trabalhava, ele tinha uma felicidade, uma energia e uma seriedade de dar inveja em qualquer um, nem eu que trabalhava em um escritório era tão séria quando ele, então, devido a isso, fazer piadinhas não era uma boa ideia para tentar deixar o clima menos tenso.
Não sei como ele era com Megan, mas aparentemente ele estava gostando de me ter lá, quando chegávamos ao set, ele gostava de me mostrar tudo por lá, cada detalhe, apresentar pessoas novas, mostrar a magia do cinema, camarins, trailer e todas as partes obscuras da Marvel.
Enquanto estávamos lá, tinha esse tom mais sério, mas no último dia, assim que ele tirou o uniforme de Capitão América e se permitiu relaxar, ele já era o Chris Evans novamente, e não o Steve Rogers. Nesse dia teve mais um jantar com o elenco, fomos a uma pizzaria. Os garotos fizeram competição de quem comia mais, e acredite, eu estava fora da competição, mas creio que eu poderia ter empatado com algum deles, de tanto que eu comi, o mais engraçado era a cara de Chris quando eu falava para o garçom que ele podia servir os vários pedaços que chegavam de uma vez só. Eu olhava para ele, ele tinha os olhos arregalados, eu ria, ele também, e eu dava de ombros e continuava normalmente. “Comer é bom, sabia? ”, era o que eu dizia. No fim daquela noite eu pedi para tirar uma massive selfie, com todos os presentes, atores e produtores, ficou muito boa e é uma das fotos mais curtidas em meu Instagram.
Fomos embora no oitavo dia de manhã, mas nos separamos ali. Eu fui para Boston e ele ia para Los Angeles, Megan o encontraria lá. Ele me agradeceu por ter ido acompanhado tudo e também falou que eu lidei com tudo muito bem. Não sei o que isso quer dizer, mas fiquei feliz. Cheguei em casa e relaxei, com Megan em Los Angeles, eu só teria que cuidar do novo site do senhor Evans, fazer algumas matérias e nada mais, então minhas horas de trabalho se reduziam pela metade, pois era bem cansativo fazer isso.


Capítulo 02

I remember when we kissed, I still feel it on my lips
(Eu lembro de quando nos beijamos, ainda sinto nos meus lábios)
– Miley Cyrus, Goodbye


Abri os olhos sentindo meu corpo pesar, mas quando os abri notei que não era eu e sim um braço passado em volta da minha barriga, e o corpo ao meu lado dormia pesadamente, um corpo que não estava ao meu lado quando eu fui dormir na noite anterior. Mantive meus olhos fechados por um momento e visualizei os olhos castanhos dela e o movimento de sua boca em uma risada, suspirei, encarando o teto branco de meu quarto, fazia poucas semanas que a conhecia e estava me sentindo um bobo.
Um bobo apaixonado.
Encarei a pessoa do meu lado, o cabelo era parecido, mas não era a pessoa que eu queria em meus braços, e a pessoa da cama, já deveria ter ido embora há muito tempo. Me mexi desconfortável na cama, fazendo questão de me movimentar o máximo possível e senti as mãos saírem de meu corpo e pude me levantar. Andei pesadamente até o banheiro e fiz minha higiene matinal, encarando meu rosto no espelho, eu estava com os cabelos loiros desbotados, onde via um pouco do castanho aparecendo e sem barba, devido algumas cenas de Capitão América que estavam sendo refeitas.
Saí do banheiro e puxei minha blusa ao lado da cama, vestindo-a rapidamente, antes de encarar a pessoa que se espreguiçava em meu quarto, ela deve ter notado que eu não estava muito feliz, pois quando virou o rosto para mim, seu sorriso sumiu rapidamente.
- É nessa brincadeira que a gente vai ficar? – Falei cruzando os braços involuntariamente.
- Não sei do que está falando. – Ela resmungou ajeitando a blusa
- Eu terminei contigo, Minka. – Ela bufou. – E quando se termina um relacionamento, normalmente as pessoas não devem mais entrar na casa dos outros desse jeito.
- Mas eu não sei se quero terminar, Chris, estávamos indo tão bem.
- Foi um acordo, íamos terminar porque não estava dando mais...
- Devíamos tentar de novo. – Ela me cortou.
- Minka, eu não quero mais.
– Mas Chris...
– Eu estou em outra fase da minha vida – A interrompi – À procura de outras coisas também.
- Tem alguém nessa história? Estávamos tão bem, acomodados...
- Eu não quero estar acomodado, eu quero romance, amor, paixão. E não quero que seja contigo... – Falei a última parte mais baixo, mas não deixando de encará-la. - Achei que já tinha deixado isso claro.

Passei a mão em meus cabelos após ouvir a batida da porta e segurei a chave firme em minha mão, mentalizando que precisava dar fim o mais rápido possível. Sim, era uma chave. A chave que eu tinha dado à Minka, mas se meus planos estivessem corretos, eu não ia precisar dar uma chave à minha próxima namorada, eu ia morar com ela.
Com a chegada dos meus 32 anos no meio do mês, eu estava com esses pensamentos: eu queria uma família ao meu lado, não importa ter o sucesso que eu estou tendo, se eu vou ter que ligar para minha mãe para contar. Eu queria uma pessoa ao meu lado, sempre, que eu pudesse contar em todas as horas, que me fizesse rir, chorar, que me fizesse sentir alguma coisa.
Há quatro semanas eu tinha conhecido , ela era a nova assistente da minha assessora, cuidava mais da vida nas redes sociais e na mídia, mas às vezes ela me acompanhava nas gravações, como a vez que ela foi comigo para Washington na gravação de Cap América 2, e ultimamente eles haviam decidido me integrar mais nas redes sociais para eu ter mais contato com os fãs, e haviam decidido que iam criar um hotsite para mim, mas não seria atualizado por mim, seria por , que estava cuidando disso.
Havíamos combinado de nos encontrar na casa dela no dia seguinte para falar sobre isso. O site estava pronto e só faltava colocar no ar. Megan havia dito expressamente que era para eu dar opinião no layout em si e ordenar tudo, não que eu entendesse dessas coisas, mas eu havia sido mandado para fazer isso, então não era como se eu tivesse muita escolha.
Mas antes, eu iria para Nova York, no programa The Tonight Show with Jay Leno, o tópico era meu mais novo filme The Iceman, e pela pauta em que haviam me passado, eu teria direito a uma pegadinha com o próprio Leno.
Encarei minha mochila no pé da cama e tirei as roupas que estavam lá dentro e notei que, pelo menos as roupas sujas, já haviam sido tiradas de lá, e só tinha algumas blusas extras. Andei rapidamente até meu closet e escolhi algumas peças de roupa aleatoriamente, incluindo algumas para levar para Boston. Ajeitei tudo na mochila e a joguei na poltrona mais próxima.
Passei pelas portas do quarto que davam para o quintal e encarei a manhã em Los Angeles, o tempo estava um pouco nublado ainda, mas era possível ver alguns raios de sol escapando das nuvens, abri um sorriso imenso. Eu era do tipo que não precisava de muito para ficar feliz, um dia de sol, já conseguia me fazer feliz, mesmo um dia de quase sol, estava tudo bem.

Encarei meu rosto no espelho do camarim de Jay Leno e ajeitei os cabelos com um pouco de gel e os mantive arrepiado. Ergui as mangas da minha blusa azul quadriculada até a altura dos cotovelos e me certifiquei que pelo menos parte da blusa estava presa dentro da calça azul escura, onde um cinto marrom escuro o prendia. Agachei por um momento para amarrar minhas botinas bege e conferi o relógio em meu pulso.
- Cinco minutos, Chris. – Megan apareceu na porta do camarim. – Vamos repassar?
- Vamos falar de Boston, Capitão América, gravação de Cap 2, provavelmente vai querer que revele algo, The Iceman, e ele vai zoar comigo da foto do meu personagem e eu vou zoar com a dele. Certo? – Encarei Megan.
- Certo, aí ele vai chamar o Kevin Smith e aí o assunto vai virar para ele, mas provavelmente vão te envolver, mas nada demais, só jogar conversa fora.
- Ok! – Falei antes de bocejar, denunciando meu sono.
- E acorda! – Ela comentou.
- Com licença. – Uma mulher loira da produção apareceu na porta – Vamos?

- ...Mas antes dele aparecer, vamos ver alguns dos filmes que ele já fez. – Ouvi a voz de Jay Leno e em seguida o som de uma rápida introdução minha sendo feita, cena de alguns dos meus filmes foi passado. – Por favor, recebam Chris Evans!
Ouvi as vozes e palmas, e apareci pelas portas do cenário, acenando para os fãs ao longe e logo virando para Jay Leno e o cumprimentando. Assim que eu sentei os gritos e música cessaram e Jay não economizou tempo.
- É bom ver alguém da vizinhança se dando bem!
- Sim, amigos da minha cidade natal. – Falei a primeira coisa que veio em minha mente, dando uma risada nervosa.
A entrevista fluiu, Jay tinha a habilidade de toda entrevista se transformar em uma conversa o que fazia com que eu me sentisse mais à vontade, as perguntas eram simples, nada sobre vida pessoal ou futuros projetos, só sobre trabalho e alguns assuntos de quando eu era mais novo, nada demais.
- Você tem que amar o Red Sox. – Quando notei já estávamos falando de futebol.
- Você já foi a Fenway Park... Você tem que ter isso algum dia?
- Sim, já, foi uma grande coisa.
- Me conte como foi a primeira vez que você foi à Fenway – Jay falou se acomodando em sua poltrona. – Você era criança ou era adolescente?
- A primeira vez que eu fui à Fenway foi na sexta ou sétima série, eu fui sem supervisão, com alguns amigos meus, e era algo grandioso.
- Você tinha doze ou treze anos? – Jay comentou.
- É, que idade você tem na sexta ou sétima série? – Virei o rosto procurando alguma resposta até encontrar a banda de Jay Leno – 11? Isso é onze anos? – Falei um pouco mais alto. – Não foi com onze, minha mãe não era tão louca. Eu devia ter uns doze ou treze anos – Falei rindo. – Era uma viagem sem supervisão para Fenway e estávamos empolgados. Pegamos o trem, chegamos à Fenway, tínhamos uma certa quantidade de dinheiro, compramos os ingressos, e pensamos: isso é o que a gente tem sobrando então compramos cachorro quente, sorvete, e estávamos nos sentindo adultos e nós percebemos, no final do jogo, que não tínhamos dinheiro para voltar para casa. – A plateia riu. – Isso foi antes da era dos celulares, então a gente não podia pedir carona, nem nada. Então saímos do jogo falidos, e saímos pedindo dinheiro. E nós encontramos... Encontramos uma pessoa que estava comemorando sua tarde, bem Red Sox ganhou, licença você poderia... Claro! Ele saiu distribuindo notas de 20.
- Uau!
- Pois é, agradecemos aos bêbados de Boston. – Falei e a entrevista continuou.
Falei um pouco das experiências de ter aulas de motociclismo, todas desastrosas, para a gravação de Capitão América, também sobre Capitão América 2 que tinha acabado de gravar, um pouco também sobre a participação de Robert Redford, e um pouco de The Iceman, o filme que eu estava começando a divulgar no momento.
- Ele era esquisito porque ele vendia sorvetes – Jay falou sobre meu personagem. – E esse filme se passa nos anos 70, vamos mostrar uma foto sua, eu não te reconheci, aí está você. – Soltei uma risada nervosa, eu era ridículo com esse cabelo longo.
- Esse era o estilo dos anos 70... Mas espere um minuto, Jay – Falei soltando uma risada. – Isso é uma coisa ridícula dos anos 70, acho que todos concordamos. Mas eu encontrei uma foto sua nos anos 70, que aparece bem... – A foto apareceu na tela e eu não consegui segurar minha risada. Eu tinha uma risada meio histérica e meio silenciosa, aquelas risadas que faziam os outros rirem junto.
- O que é isso?! – Falei rindo e apontando para a foto.
- Obrigado por vir, Chris, quero te agradecer muito – Jay falou, brincando, tentando cortar.
- Espera, você pode colocar de novo? – Falei e a foto apareceu. – Jay, me explica. – Levantei e o imitei na foto. – O que é isso? – E logo sentei. – Como isso procedeu em Boston?
- Foi muito bom... Eu estou aqui – Ele falou fazendo gestos exagerados e eu não conseguia prestar atenção, só estava rindo – Estou aqui, espertinho. Mas espera, vamos voltar para sua foto, isso era seu cabelo?
- Não, era uma peruca, mas essa é a minha barba, eu tive que me barbear assim, então você deve imaginar, entre as filmagens eu tinha que fazer coisas normais da vida, assim. Não é fácil.
- Você acha que sobreviveria aos anos 70?
- Eu amei! Todo dia você chegava ao set e via os carros, as roupas, as músicas...
- Eu cresci nos anos 70, mas como alguém que cresceu nos anos 90, o que você viu de diferente?
A entrevista comigo acabou logo, antes disso ele passou uma cena de The Iceman, uma da que eu mais me orgulho no filme, pensando bem, eu estou mais parecido com meus personagens a cada dia, mas eu não tenho nada de Robert Pronge.
- Obrigado Chris, fique aqui que daqui a pouco tem Kevin Smith com a gente.
Kevin Smith contou algumas piadas, várias delas incluindo meu corpo e o seu, de como ele estava se achando que iria ao programa do Jay Leno e suas ex-namoradas iam se arrepender, até que ele o coloca ao meu lado, o que tirou algumas boas risadas minhas e da plateia, mas logo que acabou, minha cabeça foi para outro lugar. Em Boston, eu voaria para lá ainda naquela noite e encontraria para a aprovação do hotsite, e também repassar algumas perguntas de outras entrevistas que eu teria em Boston, durante a semana. Mas meu foco não estava nisso, estava só que eu iria encontrá-la o que já me deixava empolgado.

Assim que o avião pousou em Boston, eu só tive tempo de tirar minha blusa social azul do corpo, deixando a camiseta cinza por baixo colada ao corpo e tomar um energético, estava com o sono atrasado, mas não seria agora que eu iria deixá-lo em dia. Como estava sem carro e Megan não havia voltado comigo, eu peguei um táxi e pedi para que me levasse até o condomínio de , o porteiro logo me anunciou e ela liberou minha entrada. Encarei o relógio em meu pulso e era quase meia-noite. Droga, não se deve chegar tão tarde na casa das pessoas.
Assim que abri a porta do elevador no nono andar, umas das quatro portas estava aberta, e dentro da mesma podia ver algumas luzes acesas, não tinha dúvidas que essa era a casa. Bati na porta duas vezes e vi uma cabeça aparecer da cozinha, com um sorriso lindo no rosto.
- Ei! – Ela falou, voltando o corpo para a cozinha. – Entra!
- Com licença! – Falei antes de fechar a porta atrás de mim e parar na porta da cozinha. Ela estava com um cortador de pizza na mão, e tinha uma pizza com um cheiro delicioso apoiado no balcão a sua frente, e no mesmo, duas taças com um líquido avermelhado.
- Pizza? – Ela falou apontando para a mesma. – Vinho?
- Sim, pros dois! – Falei entrando na cozinha, virando de costas e apoiando no balcão. Assisti cortar a pizza e depois colocar um pedaço em cada prato e também distribuir guardanapos.
- Vem, tenho que te mostrar o site! – Ela segurou o prato com uma mão e pegou a taça com a outra e saiu da cozinha, só nesse momento notei sua roupa. Parecia que ela ainda estava na agência. Usava uma calça social escura, uma blusa social branca, mas os pés estavam descalços e seu rosto não possuía mais nenhum resquício de maquiagem. Segurei o prato e a taça, e a segui. Ela já tinha sentado no sofá e um notebook estava colocado em sua frente. O prato no colo e a taça no canto do sofá, no chão. – Vem, senta aqui! – Ela bateu ao seu lado do sofá, e mexeu em algumas teclas, antes de dar uma mordida na pizza.
Assim que me sentei no sofá e olhei para a tela, pude ver meu rosto em uma das minhas sessões de fotos mais recente, a sessão de fotos feita especialmente para o site, ainda me pergunto o porquê disso, mas preferi ficar quieto, Megan e estavam empolgadas com a situação e não seria eu que acabaria com o ânimo delas. No menu principal haviam poucas coisas, principalmente sobre mim, o tom era meio azulado, um logo simples era colocado no topo e pelos meus conhecimentos gerais, estava tudo muito bonito.
- Gostei! – Falei simplesmente, olhando para ela. Ela demorou um tempo e ficou me encarando. – O quê? – Perguntei.
- Só isso? – Ela perguntou e soltou uma risada.
- Eu disse, não sou bom com essas coisas.
- Mexe nele, vê as páginas, vê se quer mudar algo, ou se quer que tire, ou se for mentira, fica à vontade. Eu me baseei em informações que estavam na internet. – Ela se afastou do computador e encostou o corpo no sofá, dando atenção à sua pizza.
Mexi rapidamente, abri cada página e li a descrição dela, e olhei os arquivos que continha na mesma, demorei um pouco mais na minha biografia que era algo mais pessoal, mas estava bem superficial, nada que eu quisesse mudar, conversamos rapidamente sobre o assunto, mudamos algumas fotos, acrescentamos alguns outros textos, quando vi já tinha deixado de lado a esportiva e já tinha focado no profissional de novo, eu sempre fazia isso, não sabia se era algo bom, ou algo ruim.
agia da mesma maneira, ela ouvia, mudava os códigos, atualizava as postagens, me mostrava para aprovação e quando notei a pizza em meu colo já havia esfriado, não que eu tivesse me importando muito com isso.
- Bem, caso você não queira mudar mais nada, é isso! – Ela falou virando o rosto para mim.
- Não, está ótimo, ! Está bem legal! – Fiz o mesmo para ela e ficamos nos encarando por um tempo, ela suspirou após um tempo e virou para o computador. Dessa vez eu que suspirei.
Não sei o porquê de eu agir dessa maneira, sei lá, era pura atração, quando falávamos de trabalho, focávamos em trabalho, mas quando o papo estava mais descontraído, eu queria continuar. Ela tinha um bom papo, conhecia as coisas do mundo, tinha suas opiniões e convicções, e nunca tinha dado em cima de mim, talvez era por isso. Burro, burro, burro, todo mundo fala que os homens ficam atraídos pelas mulheres que menos lhe dão bola, burro! Apesar que... Se fosse profissional do jeito que aparentava, tudo aquilo era uma simples carcaça, fechada, reclusa. Ouvi o barulho do computador desligando e me livrei dos meus pensamentos, se eu compartilhasse isso com Scott, até ele falaria que eu estava ficando louco por falar daquele jeito.
- Bem, é melhor eu deixar você dormir então! – Falei, me preparando para levantar.
- Nem pensar, você vai me ajudar a terminar essa pizza, pelo menos! – Ela falou se colocando em pé. Soltei uma risada e fiz o mesmo, ouvindo um barulho de vidro se espatifar do chão.
- Droga! – Falei, me virando a tempo de ver a taça vazia se transformar em alguns pedaços. – Desculpa, ! – Coloquei o prato no sofá, mas ela foi mais rápida e já estava colocando os pedaços de vidro na palma da sua mão.
- Relaxa, Chris! – Ela soltou uma risada fraca. – Até que essas taças duraram demais. – Ela falou como se concluísse um pensamento antigo e eu a olhei sem entender. – Isso daqui é vidro, vidro fino ainda. Já quebrei quatro dessas, agora só sobrou uma. – Ela segurou os pedaços na mão e se levantou.
- Cuidado para não se cortar – Falei, e a acompanhei até a cozinha. Ela colocou um pano sobre a bancada e despejou todos os cacos de vidro no mesmo, e ligando a torneira, pude ver um fio vermelho correr junto da água.
- Tarde demais! – Ela falou rindo. – Pega as coisas lá na sala, por favor? – Confirmei com a cabeça e fiz o que ela pediu, trazendo rapidamente para a cozinha de novo. Ela mantinha um dedo pressionado em cima do corte e as duas mãos embaixo d’água. Ajeitei os pratos ao lado dela, e vi que ela desligou a torneira, puxando outro pano de prato em sua frente. Ela o enrolou em sua mão e o manteve preso com um dedo por um tempo.
- Quer que eu lave? – Falei, em partes para ajudar, e em partes porque meus pensamentos estavam me desconcentrando.
- Não, que isso, eu lavo e você pode tratar de comer! As gravações de Cap já acabaram, pode dar uma relaxada na dieta! – Seu rosto se virou para o meu por um tempo e ela me serviu outro pedaço de pizza.
- Obrigado! – Falei baixo e dei uma mordida no pedaço de pizza.
Ela se manteve com o corpo encostado no balcão enquanto lavava a pouca louça que havíamos usado e eu mantinha meu quadril no mesmo, comendo a pizza rapidamente. Assim que eu coloquei o prato vazio na bancada, ela fechou a torneira. Nos encaramos por um tempo e vi suas sobrancelhas se arquearem.
- Sério? – Ela falou rindo.
- Deixa que eu lavo, vai. – Fale tentando empurrar ela para o lado, mas ela se mantinha parada na frente da pia, tentando me tirar do caminho também.
- Para, Chris, eu estou brincando! – Ela me empurrou com o ombro, já que suas mãos estavam molhadas.
- Não, deixa, vai! Você nem deveria ter pedido pizza! – Apoiei minhas mãos em seu ombro, empurrando-a de leve.
- Eu estava com fome, ok?! – Ela soltou uma gargalhada, fazendo uma careta depois e parou de me empurrar, tentando conter a risada. Aproveitei a deixa e me coloquei em sua frente, mas de costas para ela, colocando a mão na torneira e a girando.
- Ei! – Ela falou! – Sai, Chris! – Sua voz se tornou manhosa, como a que eu fazia de vez em quando, a brincadeira havia perdido a graça para ela.
- Ok, culpado! – Desliguei a torneira novamente e me virei, encontrando seu rosto próximo demais do meu.
- Obrigada! – Ela falou e ergueu seu rosto.
Seus olhos focaram nos meus em poucos segundos e meu mundo parou de girar por um instante, seus olhos castanhos focados nos meus, focados em mim, só em mim. Aos poucos sua risada diminuiu, e não tinha mais um sorriso em seus lábios, seus lábios estavam entreabertos e eu podia sentir o ar saindo por eles. Minhas mãos subiram até encontrar a mecha de cabelo solta em suas bochechas e colocar atrás de sua orelha, esse toque foi o suficiente para um rubor subir por suas bochechas. Entreabri meus lábios involuntariamente e por um momento não sabia o que eu deveria fazer, mas mesmo assim o fiz. Encostei meus lábios nos dela delicadamente e no mesmo instante ela fechou seus olhos, era o que eu precisava. Encostei meu polegar em seu queixo e mantive nossos lábios encostados por um tempo, eu queria aproveitar o momento. Com a mão livre eu toquei sua cintura e a trouxe para mais perto de mim.
Aprofundei o beijo no mesmo momento em que suas mãos tocaram minha nuca. Seus pés descalços faziam seu corpo ficar um pouco mais baixo que o meu e minha nuca ter que se inclinar levemente para que eu pudesse alcançar seus lábios. Passei a língua levemente por seu lábio e isso deu poucos segundos para que respirássemos. Suas mãos faziam um carinho gostoso em minha nuca e suas unhas arranhavam a mesma de leve, apertei mais seu corpo contra o meu, e caminhei minha mão para suas costas, agarrando o pano de sua blusa social, ouvindo um pequeno gemido vindo de . Suas mãos desceram de minha nuca até encontrar meu peito e me empurrou levemente para trás, descolando nossos lábios.
- Eu não posso fazer isso! – Ela falou ofegante, procurando espaço para sua respiração, e mantendo suas mãos em meu peito. Eu precisava respirar também, mas não naquele momento.
- Eu não ligo! – Falei e colei nossos lábios novamente, não antes de ouvir um pequeno riso abafado dela.

Passei meus braços pelas suas costas e a puxei contra meu corpo um pouco mais, depositando pequenos beijos em sua cabeça, enquanto ela mantinha o queixo encostado em meu ombro. Ela não tinha falado nada depois do acontecido, e eu também preferi não falar nada também, honestamente, eu não saberia o que dizer, tinha sido bom? Sim. Era errado? Depende, mas creio que na cabeça dela a resposta era sim. Foi planejado? Em partes. Eu queria de novo? Com certeza.
Suspirei com esses pensamentos e senti ela se mexer levemente, e afrouxei meus braços em volta dela, ela estava se mexendo... Isso era um mau sinal, não?
- Fala algo! – Ouvi sua voz rouca e abri um riso de lado, sentindo meu corpo mais leve. Ela não iria embora.
- O que você quer que eu diga? – Senti seu corpo relaxar entre meus braços e vi seu rosto descolar de meu ombro e me encarando com aqueles olhos castanhos.
- Qualquer coisa! – Seu rosto era sereno e calmo, assim como sua voz, um lado que eu não conhecia muito bem, um lado medroso, talvez. – O que ach...
- Eu quero te beijar de novo. – Falei encostando nossos lábios rapidamente, por rápidos segundos. – E de novo! – Fiz o mesmo novamente. – E de novo! – Mantive nossos lábios encostados por um tempo, até que eu senti sua mão fazendo um carinho leve em meu rosto.
Ficamos assim por pouco tempo, até que ela aprofundou o beijo novamente, agora não era mais delicado como antes, eu sentia suas unhas raspando pelas minhas costas por cima da blusa e minhas mãos também se moviam com agilidade do seu quadril para suas costas e de vez em quando para seus cabelos. Em um momento ela parou bruscamente, se afastando o que podia, devido ao estar encostada na pia, e solto o ar pesadamente, respirando rápido depois disso. Eu via seu peito subindo e descendo e sabia que eu dividia aquela sensação com ela. Eu podia sentir o suor descer pela minha nuca e de repente o lugar estava abafado.
Ela passou as mãos nos cabelos, os tirando do rosto e ajeitou o corpo, arrumando o primeiro botão de sua blusa que havia se aberto e depois puxou a parte de baixo, ajeitando-a no corpo, nesse momento eu me afastei um pouco e me aproximei da janela. A madrugada estava quieta, mesmo para um sábado, as únicas luzes visíveis era as da cidade, e algum carro andando acelerado pela avenida em frente de seu apartamento.
- Eu tenho que dormir! – Ouvi sua voz e me virei rapidamente em sua direção. – Vou viajar amanhã cedo... Ou hoje, sei lá! – Ela coçou a cabeça, enquanto encarava o chão em sua frente.
– Viajar? – Ouvi minha voz sair e ela ergueu o rosto. – Você não vai comigo para as últimas entrevistas?
- Não dessa vez. Derek vai contigo. Eu preciso visitar minha família. Não os vejo desde que comecei a pós. Megan me deu a próxima semana de folga. – Ela abriu um sorriso de lado e eu tive que sorrir também, pelo que eu sabia, fazia mais de um ano que ela não visitava sua família.
- Ok! – Falei simplesmente e me aproximei dela novamente. – Mas quando voltar quer sair comigo? – Segurei suas mãos, a vendo erguer os olhos levemente arregalados para mim.
- Sair? Contigo?
- Sim! – Falei simplesmente. – Um encontro, se quiser chamar de algum nome. – Ela afirmou com a cabeça, mantendo os lábios colados em um sorriso.
- A gente se fala, então! – Ela disse simplesmente, enquanto eu caminhava até o sofá e pegava minha mochila.
- Com certeza! – Ela abriu a porta e eu caminhei até o hall, apertando o botão do elevador. Ela acenou da porta de seu apartamento.
Assim que eu abri a porta do elevador, ela deu passos rápidos até mim, e, ficando rapidamente na ponta dos pés, encostou seus lábios nos meus novamente, voltando para dentro do apartamento e encostando a porta. Fiquei parado por alguns segundos encarando a porta fechada e soltei um riso fraco. Entrei no elevador e apertei o botão do térreo.

Seria mentira dizer que eu não pensava nela, principalmente nas duas últimas semanas, eu tive que voltar para Cleveland para gravar as últimas cenas de Capitão América 2: O Soldado Invernal, estávamos no meio de junho e minha mãe insistia para eu largar a festa do meu aniversário em alguma boate de Hollywood e que fosse comemorar em Boston, contigo, com meus amigos de lá e também junto com meu sobrinho, que fazia aniversário no começo do mês que vem.
Eu já tinha pensado nessa possibilidade, mas não por esse motivo, eu precisava ter certeza dos meus sentimentos, fazia um bom tempo que aqueles sentimentos não me atrapalhavam, meu último relacionamento havia sido mais questão de comodidade do que de sentimentos, realmente. Era alguém que eu conhecia, já tinha me envolvido, mas não a pessoa que eu queria, mas uma opção confiável e divertida para ocupar o tempo, e nem isso acabou dando certo. Como romântico que eu era, eu queria mais, eu precisava de mais, nada de comodidade. Se fosse comodidade, que fosse com uma pessoa que eu amasse e que estaria lá, sorrindo quando eu chegasse em casa tarde, ou uma pessoa que brigasse comigo por chegar tarde, por trabalhar demais, por qualquer motivo, alguém que tivesse uma posição comigo.
Então eu iria, no próximo fim de semana, eu voltaria a Boston e voltaria, com alguma desculpa, até a agência de assessoria... Eu precisava de alguma desculpa, por mais boba que fosse.

- Filho! – Minha mãe falou ao abrir a porta de casa e se deparar comigo. Logo ela me envolveu em um abraço e não deu nem tempo de eu tirar os óculos escuros. – Meu aniversariante. Feliz 32 anos, meu amor! – Ela falou enquanto segurava meu rosto em suas mãos.
- Obrigado, mãe! – Falei rindo. Todo ano era exatamente a mesma situação, eu ia para Boston, ou ela ia para Los Angeles, ela sempre segurava meu rosto em suas mãos, me dava parabéns e me abraçava, era assim desde que eu me lembre.
- Vem, entra! O almoço já está saindo! – Ela me puxou e eu entrei.
Sua casa em Boston tinha uma sala gigante que incluía sala de estar, cozinha e sala de jantar, e atrás da sala de jantar, uma parede de vidro que dava para o quintal. A mesa já estava posta, para oito pessoas.
- Quem não vem? – Perguntei contando novamente os pratos postos
- Scott! Ele está preso em Nova York, mas falou para te preparar, que tem uma surpresa para você à noite. – Ela falou enquanto colocava uma grande vasilha na mesa.
- Eu deveria ter medo?
- É seu irmão, o que você acha? – Dei uma risada enquanto roubava uma batata frita da mesa. – Christopher! Longe da mesa, agora!
- Irmão! – Carly apareceu na porta do quintal com minha sobrinha no colo.
- Carly! – Falei me aproximando dela. Ela me apertou fortemente com um braço enquanto segurava Stella com o outro braço.
- Feliz aniversário, meu irmão! Muita paz, saúde, felicidades e mais sucesso ainda na sua vida! Que Deus sempre te abençoe e que você encontre o amor da sua vida! – Ela me olhou com um sorriso no rosto. – E logo! – Soltei uma risada.
- Obrigado, Carly! – Senti sua mão acariciando meu rosto. Fiquei em silêncio por algum tempo, seus olhos me encaravam com ternura. – E bem... – Falei devagar. – Talvez... Só talvez, eu esteja com alguém agora. – Sua boca se escancarou rapidamente.
- Como assim? – Ela falou em um tom mais cochichado.
- Depois a gente conversa. – Falei baixo pegando minha sobrinha que acordava em seu colo. – Oi, Stella! – Segurei-a em meus braços e beijei sua bochecha, fazendo ela soltar uma risada.
- Crianças, almoço está na mesa! – Minha mãe falou colocando uma grande travessa na mesa e chamando o resto do pessoal na varanda, os outros dois filhos de Carly vieram correndo e o marido dela atrás. Shanna vinha ao seu lado.
- Tio Chris! – Cada um abraçou uma perna minha e eu soltei uma gargalhada. – Feliz aniversário! – Eles falaram em coro.
- Obrigado, meninos! – Me abaixei com Stella no colo e cada um deu um beijo em cada bochecha minha e logo me levantei.
- Chris! – Shanna vinha logo atrás, entreguei Stella para Carly e abracei minha irmã fortemente. – Tudo de bom, meu irmão! Que você seja muito feliz! Sempre! – A cada palavra que ela falava, ela me abraçava mais forte, até que soltou!
- Obrigado, Shan! – Dei um beijo em sua cabeça.
- Feliz aniversário, Chris, tudo de bom! – O marido de Carly me abraçou rapidamente e trocamos um aperto de mão.
- Venham gente, vamos comer! – Minha mãe insistiu.
Nos sentamos à mesa e notei que minha mãe tinha feito macarrão com almondegas, meu favorito. O almoço correu normalmente, cada um contando sobre os últimos acontecimentos, eu falando um pouco da minha última semana, mas sem mencionar , se eu contasse sobre um possível novo relacionamento para minha família, eu tinha que estar preparado para responder um monte de perguntas da senhora Evans, e como eu ainda não tinha certeza sobre o que ia acontecer entre a gente, preferi ficar quieto. Minha irmã mais velha, Carly, olhava toda hora para mim, eu soltava um riso fraco e voltava o rosto para meu prato, podendo só imaginar as milhares de perguntas que se passavam pela sua mente. Era sempre assim.
Carly foi a pessoa que eu sempre fui mais próximo, tínhamos somente dois anos de diferença, então com o passar do tempo, enquanto crescíamos, Carly me ensinava várias coisas, coisas que depois eu repassei para o Scott, mas com Carly eu tinha uma relação de mais carinho, quase como se ela fosse uma segunda mãe para mim, além de ser minha irmã, amiga e cuidar de mim, ela me inspirava também, tanto que me inspirou a ser ator. Scott era meu parceiro, quando juntava eu e ele, a casa ia abaixo. Desde pequeno aprontávamos um com o outro – eu mais, é claro – e nossa relação sempre foi ótima, como irmão mais velho eu tinha o dever e a vontade de ajudá-lo em tudo, aconselhá-lo, apoiá-lo, então quando ele revelou para mim que era homossexual, a reação instantânea foi de susto, Scott tinha só 14 anos, e na minha cabeça não era como se ele tivesse certeza, eu com 16 não tinha muita certeza do que queria fazer da minha vida, mas eu o apoiei. Quando se é adolescente, não é algo fácil de fazer, principalmente porque as pessoas podem e são malvadas, ainda mais quando se é diferente, mas Scott não estava interessado, ele queria viver a vida dele, e só estava pensando nele, somente nele.
Minha mãe reagiu da forma mais irônica possível “Eu já sabia”, foram as palavras que saíram da boca dela quando eu contei, não, eu não deveria ter contado, mas Scott estava começando a ter namorados, e minha mãe precisava saber, as mães precisam saber, ela me contou que pelo modo que Scott agia algumas vezes, o modo que ele falava, alguns dos seus gestos, deixava isso na cara, e comigo, nada mudou, nossa irmandade e amizade continuou a mesma, ele vai continuar sendo meu irmãozinho, uma das pessoas que eu mais amo nesse mundo, e em alguns momentos é até melhor ter um irmão gay, ele que é o primeiro a falar com minhas namoradas, ele que vê se elas são legais ou não, é até engraçado, ele dá a primeira aprovação, antes da minha mãe, ele se torna meio que uma ponte entre eu e ela quando temos problemas... Sei lá se isso faz sentido.
Shanna chegou um pouco depois, ela é a mais nova de nós quatro, tem só 25 anos, e chegou tarde em casa. Minha mãe a adotou quando ela tinha 9 anos, eu tinha 17, e sei que essa adoção fez com que minha mãe realizasse um sonho. Ela conta que desde que era pequena, tinha um sonho de adotar uma criança, mas que como teve facilidade para ter filhos deixou esse sonho de lado quando teve Carly, depois quando me teve e depois com Scott, mas quando ela e meu pai se separaram pouco antes dos meus 17 anos, ela estava machucada, ela estava ferida, e eu já falava sobre sair de casa e Carly já morava fora para a faculdade, então ela ficaria somente com Scott, e como também estava seguindo a carreira de ator da família, logo, logo ia sair de casa também.
Shanna era muito quieta quando éramos crianças, mas quando eu fui morar fora, após quase dois anos sem vê-la, fez com que ela entrasse nos eixos da família Evans, ela era mais solta, ela tinha mais facilidade em comunicação e se tornou uma pessoa incrível. Ela tentava mostrar de todas as maneiras o quão grata era por minha mãe ter a adotado. Ela fazia questão de ser grata e mostrar isso de diversas formas possíveis, quando era mais jovem, agora ela não demonstra mais, mas às vezes ela fica um pouco abalada com o passado dela. Passado que não sabemos muito, a única coisa que sabemos é que quando ela tinha quatro anos, seus pais faleceram em um acidente de carro e ela foi morar em um abrigo de crianças até que foi adotada, como normalmente os pais preferem bebês, ela já tinha até perdido as esperanças, quando apareceu minha mãe, uma pessoa que não queria outro bebê, já que tinha passado por três e realmente não queria mais trocar fraldas de ninguém, “somente dos netos”, eram suas palavras, Shanna se irradiou novamente.
Após a separação, meu pai e minha mãe raramente ficavam no mesmo cômodo por muito tempo, não que eles tivessem ódio um pelo outro, mas sempre que meu pai estava perto, sua nova esposa estava junto, e essa nova esposa era com quem meu pai havia traído minha mãe, então ficava sempre um clima chato. Eu, Carly e Scott ficamos bem chateados com meu pai quando aconteceu, mas com o tempo, não era como se quiséssemos excluí-lo de nossa família, então o contato ficou mais frequente, mas não tanto como voltar para casa da minha mãe. Ele sempre estava lá para me apoiar, lançamentos, filmes, ele sempre estava presente.
- Bem, eu tenho que passar na agência ainda. – Falei passando a mão em minha barriga em sinal de satisfação. – Estava uma delícia mãe! – Falei sorrindo.
- Que bom que gostou, filho! – Ela sorriu. – Bolo e presentes só no domingo, ok?!
Afirmei com a cabeça rindo, domingo então teríamos a família inteira e meus amigos na casa.
- Eu vou passar na agência e depois vou para casa, fala pro Scott me ligar, quero saber que horas vamos sair. - Naquela hora só sobrou eu à mesa, e minha mãe do outro lado da bancada, lavando a louça.
- Provavelmente ele vai passar na sua casa umas onze horas, como sempre, então fica pronto. - Soltei uma gargalhada.
- Isso provavelmente é verdade, mas como você o conhece, ele provavelmente vai aprontar alguma.
- Seu irmão? O Scott? – Ela falava com um tom sarcástico. - Ah, filho, imagina! – Gargalhamos juntos.

Bati a porta da minha Lexus ES350 e encarei o prédio em minha frente, encarando as letras ID, ajeitei o boné em minha cabeça e entrei, acenando rapidamente para a ruiva na recepção.
- Feliz aniversário, Chris! – Ela falou enquanto eu me encaminhava para os elevadores.
- Obrigado, Genevive! – Entrei no elevador e apertei o botão do andar que eu já estava acostumado.
Assim que as portas se abriram, eu caminhei até a sala com o nome de Megan, a porta estava fechada, mas como sempre, entrei sem bater.
- Surpresa! – Foi o coro que eu ouvi.
Soltei uma risada, encostando a porta atrás de mim e caminhando até a pequena mesa na sala, onde tinha um cupcake com cobertura azul e uma vela acesa sobre ele. Megan, Derek e sorriam para mim. Me abaixei e peguei o bolo em minhas mãos e assoprei a vela, dando uma risada fraca.
- Obrigado, galera! – Megan saltitou em minha direção e me deu um abraço apertado.
- Feliz aniversário, querido! – E logo se afastou. Derek fez o mesmo movimento que ela, me dando um forte abraço. vinha logo atrás.
- Feliz aniversário! – Ela disse com um sorriso tímido e me deu um rápido abraço, se afastando rapidamente. – Come. – Ela apontou para o cupcake. – Eu que fiz, espero que goste! – Ela se afastou e encontrou Megan no meio do caminho com uma caixa cheia de cupcakes iguais ao meu e um em sua outra mão, mordendo-o e sujando sua boca de cobertura azul.
- Então vocês estão escondendo o ouro? – Falei, tirando a vela do meu cupcake e mordendo-o pela metade.
- Estamos escondendo nada, não! – Derek falou com a boca cheia enquanto saía da cozinha.
- Isso está muito bom, ! – Falei, passando a mão no queixo, limpando a cobertura.
- É porque você não chegou no recheio ainda! – Megan falou ao mesmo tempo que eu dei mais uma mordida no bolo, puxando o chocolate do recheio.
- Oh meu Deus! – Falei, mastigando devagar o recheio. – Isso é uma delícia! - É chocolate? – Encarei que tinha um sorriso sapeca no rosto.
- Quase! – Ela falou antes de engolir o último pedaço do bolo. – É brigadeiro. Um doce brasileiro!
- É um doce muito bom... Mas que eu prefiro não tentar falar! – Ela soltou uma risada fraca e se mexeu, puxando o celular do bolso e logo colocando em sua orelha.
- Oi! – Ela falou antes de caminhar a passos apressados até sua sala e fechar a porta.
- Hora de voltar ao trabalho! – Derek falou seguindo o mesmo caminho da , mas entrando na porta à frente.
Peguei mais um cupcake e o engoli rapidamente, tempo em que pude ouvir abrir novamente a porta de sua sala, mas sem sair de lá, limpei minha boca rapidamente e caminhei pelo corredor, ficando em frente à porta de sua sala. Lá dentro ela estava sentada próxima a mesa, digitando algumas coisas rapidamente no notebook na mesa, assim que eu bati na porta seu olhar subiu para mim e suas bochechas automaticamente ficaram vermelhas.
- Oi! – Falei entrando na sala.
- Oi! – Ela repetiu, apoiando os braços sobre a mesa.
- Como está o site? – Me vi falando, dei uma olhada rápida no corredor e encostei a porta delicadamente atrás de mim e encostei-me à mesma.
- Sério? – Ela falou arqueando as sobrancelhas e eu dei de ombros.
- Estou tentando puxar papo. – Falei encarando seus olhos. – A gente não conversou depois... Daquele dia.
- A gente tem algo para falar sobre aquele dia? – Ela falou com um tom de voz mais baixo. Ela estava zoando comigo, né?!
- Se depender de mim, temos. – Falei no mesmo tom baixo dela e me aproximei da mesa, sentando em uma das cadeiras à sua frente.
- O que, por exemplo? – Vi que ela engoliu em seco.
- Eu gostei, e tenho certeza que você gostou também. – Ela abriu um sorriso de lado, afirmando com a cabeça.
- Então sim, talvez tenhamos algo para conversar. – Ela soltou uma risada e eu sorri.
- Eu quero mais. – Falei simplesmente me aproximando da mesa e a imitei, apoiando os braços sobre a mesa.
- Acho que é possível. – Ela sorriu e comecei a sentir sua respiração bater em meu rosto.
- Eu tenho certeza disso. – Terminei a frase encostando meus lábios nos dela. Pela mesa em nosso caminho, não deu para aprofundar o beijo, nem deixá-lo mais forte, mas só de sentir seus lábios sobre os meus, já me satisfazia.
- Aqui não, Chris. – Ela falou baixo, com os lábios colados aos meus também. – A Megan está na sala do lado. – Ela cochichou a última parte.
- Xi! – Falei arrastando minha cadeira até ao lado da dela e a abracei de lado, encarando a tela do computador. – O que você está fazendo? – Ela automaticamente fechou algumas janelas.
- Surpresa! – Ela falou e eu a beijei novamente. Dessa vez deu para aprofundar o beijo... Mas não por muito tempo, já que o telefone em sua mesa tocou.
- . – Ela falou imediatamente. – Ok! – Ela arregalou os olhos e colocou o telefone de volta no gancho. – Megan quer a gente na sala dela... Agora!
- Ok?! – Falei me levantando e estendendo minha mão a ela que também levantou.
Assim que eu abri a porta da sala, soltamos as mãos, mesmo se estivéssemos juntos ou não, estava cedo para oficializar alguma coisa. foi quem entrou primeiro na sala de Megan, ela se posicionou em um dos lados da mesa e eu entrei ao seu lado.
- Fecha a porta, por favor, Chris! – Ok, fodeu. Fiz o que ela pediu e voltei à minha posição.
- Aconteceu algo, Megan? – perguntou mantendo as mãos ao lado do corpo, e eu cruzei meus braços.
- Estamos com uma crise, ! E precisamos resolvê-la imediatamente. – encarou Megan meio confusa, cuidava da minha comunicação, me assessorava, e eu não estava com nenhuma crise...
- Crise? Mas que crise, Meg... – Ela foi interrompida.
- Vocês dois! – Eu arregalei os olhos e pude sentir tensa ao meu lado.
- Mas...
- Eu sou tipo mãe, , e o Chris sabe disso. Não há nada que vocês façam que eu não saiba. Você estava tensa essa semana inteira, sempre que eu falava o nome do Chris você tentava agir como se não importava. Já o Chris, sumido a semana inteira e quando ligava para cá, sempre perguntava de você, inventava alguma desculpa para perguntar sobre você. Acredite, ele não é assim. – Ela falou se virando e colocando vários papéis em sua mesa.
- Megan, eu... - Fui interrompido.
- E outra, tem câmeras em todas as salas. – Ela riu ironicamente e escondeu o rosto com as mãos. - Eu não ligo, honestamente. – Ela falou séria, mas logo abriu um sorriso. – Vocês dois ficam fofos juntos. E ela é uma pessoa decente, Chris, alguém que eu conheço e sei que vai te fazer feliz.
- Megan, acho que você está adiantando as coisas demais.
- Não, Chris, eu não estou. Vocês podem ficar à vontade, fazer o que quiserem, mas por favor, se não for nada sério, não me deem dor de cabeça. – Ela falou colocando as mãos na cabeça. – É trabalhoso cuidar de relacionamentos, ainda mais com alguém que trabalha lado a lado contigo, Chris, é mais complicado ainda. Então por favor, caso isso não for sério, peço que acabem com essa brincadeirinha agora porque eu não vou perder nem meu cliente e nem minha melhor assessora. – Ela bateu a mão na mesa, nos assuntando. – Mas se for sério, o que eu sei que é, façam valer a pena. – Olhei para o lado e afirmava com a cabeça. – Entendidos?
- Sim, chefe! – falou fazendo Megan rir, e se encaminhou para a porta.
- É sério! – Falei olhando para Megan e pude ver de esguio, parando na porta. – Vai ser sério. – Afirmei com a cabeça encarando Megan. – Ela vale a pena. – Megan abriu um largo sorriso, fazendo o mesmo movimento com a cabeça.
Assim que eu virei em direção à porta, deu um sorriso e saiu pela mesma. A segui.
- Obrigada! – Ela falou com a voz baixa assim que entrou em sua sala de novo. – Pelo que disse.
- Só disse a verdade. – Falei com o mesmo tom de voz que ela.

- Então... – Falei quebrando o silêncio que ficou entre nós. – Meu irmão provavelmente vai querer ir em alguma boate hoje, comemorar e tudo mais. Quer ir com a gente? – Cocei a nuca.
- Eu queria ir, mas não posso. – Ela soltou uma risada, arqueei a sobrancelha. – Seu irmão está preparando algo bem divertido e acredite, eu prefiro ficar fora disso.
- Ele falou alguma coisa? – Ela gargalhou.
- Falou para o Derek! E é melhor que eu não vá junto.
- Você está me deixando com medo. – Assumi.
- É melhor você ficar, mesmo! – Ela deu de ombros, e encostou-se à mesa atrás dela.
- O que o Scott está preparando? – Me peguei pensativo e ela riu.
- Só digo uma coisa, se eu sou alguém que ‘vale a pena’, – Ela fez aspas com as mãos. – é melhor se comportar. – Soltei uma gargalhada, colando meus lábios rapidamente nos dela e senti suas mãos subirem para meu pescoço. - Tem alguma coisa vibrando. – Ela falou descolando os lábios dos meus. Puxei o celular para fora do bolso, atendendo.
- É melhor que esteja na sua casa, se arrumando. – Ouvi a voz de Scott e soltei uma risada.
- Scott! – soltou uma risada e foi sentar em frente ao computador novamente.
- Estou aqui na ID.
- Espero que ninguém tenha revelado nada. – Ele falou alto, tinha algum som tocando onde ele estava.
- Não. Tentei tirar algo do povo aqui, mas nada. – ria em seu canto.
- Bom mesmo! – E desligou.
- Deu para ouvir tudo que ele disse, sério! – falou em um tom descontraído.
- Bem, melhor eu ir! – Falei apontando para porta.
- É, hoje eu trabalho até mais tarde. Prefiro finalizar algumas planilhas, e eu me perco muito com elas. – Ela falou fazendo uma careta ao final.
- Eu te ligo, ok?! – Falei e ela confirmou.
- Leva os cupcakes para casa, esqueci seu presente, então, é meu presente para você. Sei que gosta de sobremesas.
- De fato, eu gosto! – Ela riu. – Até mais! – Acenei.
- Feliz aniversário! – Ela gritou, e eu gargalhei.
Dirigi calmamente até meu apartamento em Boston, ele ficava próximo à casa da minha mãe. Assim que cheguei em meu apartamento, tirei minhas botinas e me joguei na cama, precisava dormir.

Acordei com meu celular tocando... Scott.
- Passo aí em 20 minutos. – Foram suas palavras. Mas era cedo ainda, não?!
Passei rapidamente pelo banho e coloquei calça jeans claras, uma blusa de manga cumprida preta e minhas conhecidas botinas nos pés. Passei um pouco de gel, deixando meus cabelos para trás e coloquei minha carteira em um bolso e o celular no outro, saindo de casa.
Todo ano Scott preparava algo especial para o meu aniversário, e como disse, é bom que eu ficasse com medo mesmo, desde que saí de casa, Scott fazia questão de ir me ver, não importasse onde, e preparar uma surpresa de aniversário para mim. Tive algumas situações interessantes e algumas realmente estranhas, em um ano ele fechou um aquário e fez um jantar para a família, a parte mais estranha foi que o jantar era peixe também, enfim... Teve um outro ano que comemorei na Playboy Mansion, com direito às coelhinhas e o Hugh Hefner em pessoa me congratulando, entre outros, mas há uns três anos, que foi quando eu definitivamente deixei essa vida de festas e baladas de lado, as festas ficaram mais comuns, Scott provavelmente deveria ter fechado alguma casa noturna de Boston para comemorar meu aniversário, com direito à open bar, provavelmente meus amigos estariam também e talvez, algumas dançarinas e claro, muita mulher bonita, não o culpo, a única que sabia alguma coisa de , era Carly e só porque eu contei essa manhã, e para minha mãe falar para eu ter medo, é que Scott realmente aloprava nessas festas, ele era do tipo fraco para bebida, alguns goles e ele já falará coisas meio sem sentido e gritando “Party Hard” para todo mundo.

Coloquei os pés para fora do meu condomínio em Boston e uma SUV preta parou na rua e por trás do vidro estava meu irmão. As luzes do carro se apagaram e um Scott sorridente veio me abraçar.
- Feliz aniversário, irmão! – Ele me abraçou apertado.
- Obrigado, Scotty! – Dei uns tapas em suas costas e nos afastamos.
- Seu presente! – Ele me estendeu uma caixa preta com um laço dourado.
- Pensei que todo mundo ia me dar presente só no domingo! – Fomos andando até o carro.
- Se eu te desse o presente no domingo, não valeria de nada! – Ele falou rindo e entrou no lado do motorista. – Abre!
- Tá de zoação! – Falei ao abrir a caixa e dar de cara com dois ingressos para o jogo Boston Celtics contra Los Angeles Lakers, um dos jogos mais esperados da temporada de basquete, um jogo que tinha sido esgotado há muitos meses. – Como você conseguiu isso?
- Não foi fácil, mas quando eu vi a data, tinha que conseguir esses ingressos. – Ele falou olhando para a rua. – Seus amigos vão nos encontrar lá.
- Isso que é surpresa. – Falei rindo.
Conversamos um pouco até chegarmos no estádio TD Garden, casa dos Celtics. As ruas estavam fervendo, as pessoas procurando lugares para estacionar, os fãs tentando entrar e as duas torcidas bem separadas. Era uma das maiores rivalidades do basquete.
Assim que estacionamos, dois amigos meus de Boston se juntaram a nós.
O jogo foi simplesmente fantástico, meus grandes amigos comigo, cerveja e amendoim, a galera aloprada por causa dos resultados, a agitação, e o jogo estava muito acirrado, para ficar melhor, meu time ganhou, nos últimos segundos, com uma cesta de três pontos, foi o ponto máximo da noite.
Saímos do jogo com uma sensação ótima. Passamos em uma lanchonete e cada um comeu um combo gigante de lanche com fritas e muito refrigerante, estava me sentindo com 14 anos de novo, a primeira vez que eu tinha ido a um jogo na vida.
Scott me deixou em casa pouco antes da meia-noite, perguntei se ele queria subir, mas ele falou que iria passar na casa da mamãe antes, que não tinha conseguido vê-la ainda e estava há quase dois meses fora da cidade.
Me arrumei para deitar e faltando cinco para meia-noite eu já estava deitado, fiz uma rápida oração em silêncio, agradecendo por tudo, por mais um aniversário, pela família e amigos que eu tenho e pelas oportunidades, eu não tinha nada a reclamar.
Juntei dois travesseiros atrás da minha cabeça e ouvi o celular vibrar na cômoda do lado da cama, era uma mensagem:
Feliz aniversário! Tudo de bom, muita paz, saúde, felicidades, amor e mais sucesso na sua vida. Beijos, <3”.
Suspirei. Fazia algum tempo que eu não me sentia assim, sei lá, eu gosto de me sentir apaixonado, é uma sensação liberta, uma sensação de que se você quiser voar, uma sensação de leveza. Reli as palavras algumas vezes e quando notei já estava discando para , precisava falar com ela e se ela havia me mandado essa mensagem, era porque ainda estava acordada.
- Normalmente as pessoas respondem uma mensagem com outra mensagem. – Foram as palavras que eu ouvi assim que ela atendeu.
- Nhá, não! Muito impessoal isso. Não me dou muito bem com mensagens.
- Não só com mensagens, mas com nada que seja prático, você quer dizer. – Ela gargalhou do outro lado da linha, me fazendo rir.
- Isso é sacanagem comigo! – Falei, me sentindo ofendido.
- Brincadeira! – Ela falou ficando em silêncio por um tempo, mas logo gargalhando em seguida.
- Qual é, !
- Ok, eu paro! – Ela falou ficando em silêncio.
Fiquei ouvindo sua respiração por um tempo e era bom. Ela não falava nada, eu não falava nada, o silêncio era nosso aliado. A noite também.
- Como foi o trabalho hoje? – Me vi perguntando.
- Estou zonza de tanto ver planilha. É por essas que eu fiz comunicação, muitos números me confundem! – Ela falou fazendo birra. – Pelo menos tenho o dia de folga amanhã! Bem, em partes. – Pude imaginá-la mordendo o lábio inferior e fazendo uma careta.
- Por que em partes? – Falei rindo.
- Essa casa não vai se limpar sozinha, acredite!
- Scott não fez nada louco hoje, não teve strippers, nem dançarinas exóticas! – Falei ouvindo sua gargalhada novamente.
- Sério? Do jeito que Derek falou pareceu que ia ser a balada do ano.
- Não, fomos ao jogo dos Celtics hoje. – Falei me mexendo na cama e virando de lado.
- Basquete?
- Sério?! – Perguntei.
- Que foi? Brasil é país do futebol, a gente não fica muito ligado em outros esportes, ok?
- Vou pensar no seu caso!
- Sem graça! – Ela ficou em silêncio de novo.
- Eu estava pensando aqui... – Falei meio pensativo.
- O quê? – Ela perguntou.
Fiquei em silêncio por um tempo, precisava saber se o passo que eu estava prestes a dar era maior que minhas pernas, se o próximo passo seria o começo de algo novo, se seria algo que eu estava preparado para entrar de novo, e se era realmente o que eu queria.
- Chris? – Ouvi sua voz baixa do outro lado. – Está aí ainda? – Saí de transe.
- Você quer sair comigo, ? Sério! Um encontro? - Foi como se eu prendesse minha respiração e o tempo passasse mais devagar. Fechei meus olhos e passei meus dedos sobre eles, esperando.
- Quero! – Ouvi sua voz do outro lado da linha e sorri.


Capítulo 03

I just can't wait, to pick you up on our very first date. Is it cool if I hold your hand?
[...]Do you like my stupid hair? Would you guess that I didn't know what to wear?

(Eu mal posso esperar para te pegar para nosso primeiro encontro. Tudo bem se eu segurar sua mão?
[...]Você gosta do meu cabelo estúpido? Você adivinharia que eu não sabia o que vestir?)
– Blink 182, First Date

- Por que você não faz o que eu estou mandando? – Falei clicando pelo menos umas vinte vezes a tecla enter e encarando a página que continuava travada.
- Ei, o que o computador te fez? – Ergui a cabeça e encontrei Derek parado na minha porta.
- Ai, isso já travou umas quinhentas vezes só hoje! – Ele entrou na sala e se aproximou de mim. – Toda vez que eu vou postar no site, ele trava, e depois quando destrava, o link quebra.
- Deve ser a internet, desde a hora que eu cheguei, nem meu no meu e-mail eu estou conseguindo entrar. – Ele puxou a cadeira perto da porta e se sentou ao meu lado, quando a tela destravou.
- Mas isso precisa ficar online hoje. – Suspirei. – Mais uma vez. – Falei e comecei o processo novamente, ouvindo o telefone ao meu lado tocar – Ah, espera! – Gritei para o telefone. - Pega o link, digita o código, coloca o link no código... – Peguei o telefone e cliquei enter. – Mas que inferno! – Falei colocando o telefone no ouvido. – , boa tarde?
- Nossa, calma, o que eu te fiz? – Ouvi a voz do Chris do outro lado da linha e fiz uma careta.
- É ele? – Derek sussurrou ao meu lado e eu concordei com a cabeça.
- Não, nada. – Suspirei e abaixei a tela do computador. – O processo tá meio lento aqui hoje, sabe? – Apoiei minhas costas na cadeira e vi Derek aproximar o ouvido do telefone. – Mas e aí, como você está? – Respirei. – Onde você está, na verdade? – Ele soltou uma risada antes de responder.
- Cheguei em Los Angeles agora, finalmente posso tirar esse loiro do cabelo. – Ele riu e eu o acompanhei.
- Como foram as gravações? - Perguntei me levantando da cadeira e vendo Derek me seguir de novo, o encarei, ele deu de ombros.
- O de sempre, explosões que não existem, escudos que não existem e até pessoas que não existem. - Eu ri e pude ver em minha mente ele sorrindo. - Mas enfim, vou estar em Boston amanhã, depois de duas semanas, me desculpa, mas podemos sair?
- É seu trabalho, Chris, não tem problema. – Suspirei. - Sair? Amanhã? É... Acho que dá! - Falei procurando desesperadamente o calendário no celular, e o que Derek tomou da minha mão e abriu rapidamente.
- Pro nosso encontro. - Eu abri um sorriso gigante no rosto, fechando os olhos, animada.
- Você se lembrou. - Minha voz saiu baixa, quase em um sopro.
- Você achou que eu ia me esquecer? - Sua voz parecia meio brava.
- Ah, sei lá, foram quase duas semanas sem se falar, só por algumas mensagens esporádicas. - O ouvi suspirar.
- Eu disse que não me dou muito bem com celular. - Eu abri um sorriso de lado. - Mas combinado amanhã?
- Claro! O que tem em mente? - Abri um sorriso longo e voltei a me sentar na cadeira próxima à escrivaninha.
- Isso você só vai descobrir amanhã às 17 horas, quando eu te pegar na sua casa. - Podia ver seu sorriso em minha mente.
- Às 17h? Chris, você sabe que eu sou uma pessoa normal com um trabalho normal, não? Saio às 18h e chego em casa quase 19h, e ainda preciso de uma hora mais ou menos para ficar pronta. Antes das 20h, não dá!
- É, mas você tem a Megan como chefe. Relaxa, te pego às 17h. Até amanhã.
- Espera... Chris! - Falei, mas ouvi a linha no telefone desligada.
- Ele pode ser bem convincente. - Derek falou se levantando de onde estava anteriormente.
- Convincente? Ele quer que eu seja demitida, certo? - Suspirei. - Megan está razoavelmente calma com a situação, mas eu não posso simplesmente largar meu emprego para sair com o cliente dela!
- Quem disse que é você que vai pedir para faltar amanhã para “sair com o cliente dela”? - Ele fez aspas no final da frase, o olhei sem entender. - Ele que vai falar, queridinha. E se acalma porque você tá muito irritada. - Me joguei na minha cadeira, soltando fortemente a respiração.
- Desculpa... Eu só... - Suspirei de novo. - Sei lá, estou rabugenta hoje.
- Então relaxa, bem! - Ele se colocou atrás de mim. - Endireita as costas! - Ele falou e eu me ajeitei na cadeira e senti suas mãos em meus ombros. - Pensa assim, “eu vou sair com um dos homens mais gostosos e famosos do planeta”... - Franzi o cenho e ergui o rosto para ele. - Xi, vai, repete.
- Eu vou sair com um dos homens mais gostosos e famosos do planeta. - Falei de má vontade.
- E eu vou me divertir muito e beijar muito, porque gosto dele. - A cada palavra ele apertava meus ombros, massageando.
- E eu vou me divertir muito e beijar muito, porque gosto dele. - Falei abrindo um leve sorriso nos lábios.
- E vou estar linda e maravilhosa para ele ficar babando o tempo todo. - Arregalei os olhos.
- Meu Deus, eu preciso de roupa nova! - Falei empurrando a cadeira e me levantando da mesma, ouvindo um gemido de dor vindo de Derek, por ter empurrado a cadeira em cima de seu pé. - Eu preciso de cabelo, maquiagem, manicure! - Falei pegando minha bolsa e puxando alguns cartões da mesma, procurando alguns telefones. - Ai meu Deus, eu não posso sair com “um dos homens mais gostosos e famosos do planeta” assim! Meu cabelo está seco, minhas unhas horríveis e... - O encarei e senti segurar meus ombros, me parando.
- Calma, mulher! Relaxa! - Ele encarou fundo em meus olhos. - Calma!
- Tá tudo certo, gente? - Ruth, a estagiária, apareceu também na porta da minha sala.
- Só a , se dando conta que vai sair com um cara lindo e famoso! - Derek falou ironicamente.
- Só agora, ? - Ruth riu.
- Ah, eu não tinha me dado conta disso ainda, ok?! Sei lá, isso é tudo novo para mim. - Falei suspirando. - E outra, agora que ele realmente marcou, ok?! - Ruth riu.
- Bem, divirta-se. - Ruth falou acenando. - Eu vou cuidar do meu bebê!
- E como ela está, Ru? - Falei e ela abriu um largo sorriso.
- Ah, ela está ótima, linda e crescendo mais a cada dia. Todo mundo lá em casa está feliz.
- Tem que trazer ela logo para gente conhecer, ok?! - Ela acenou com a cabeça. - E o pai?
- Ele está indo bem, sua mãe meio que o obrigou a participar das coisas, mas parece que ele está realmente gostando disso tudo.
- E vocês dois? - Perguntei um pouco mais sutil.
- Não, nada. Sei lá, a gente só teve um filho juntos, totalmente não planejado, era para ser só uma noite de diversão, e isso acabou nos unindo de alguma maneira. Não penso nesse jeito e pelo jeito ele também não.
- Ah, pelo menos ele está te ajudando – Derek comentou ainda atrás da minha cadeira.
- Sim, já é alguma coisa. Ele começou a trabalhar, está ajudando a pagar algumas coisas... Está tudo bem. - Ela sorriu.
- Ah, fico feliz, Ru! Você realmente merece! Você é linda, estudiosa, realmente se preocupa. Você tem tudo para dar certo, querida! - Dei um rápido abraço nela e um beijo em sua bochecha. - Agora vai lá cuidar da sua pequena.
- Tchau gente, até amanhã! - Ruth gritou enquanto deixava o local, colocando sua mochila nas costas.
- Agora somos eu e você de novo, dona ! - Derek falou cruzando os braços.
- Prometo que não surto mais! - Falei erguendo as mãos. - E desculpa pelo pé!
- Não é isso! - Ele balançou as mãos. - É sobre a parte de roupas, maquiagem, manicure e cabelo.
- Ok? - O encarei.
- Acho que está na hora de você conhecer meu marido!
- Não que eu esteja reclamando, mas acho que não entendi. - Mantive meu olhar no dele.
- Que horas são? - Continuei encarando-o desentendida. - Bem, são quase 18 horas. Termina o que tem que fazer e me encontra no meu carro o mais rápido possível.
- Ok? - Falei, mas ele já havia saído da sala.
Suspirei e arrastei minha cadeira até a escrivaninha novamente. Essas últimas duas semanas haviam sido realmente complicadas para mim. Fazia muito tempo que eu não ficava com alguém, e muito menos que esse alguém se importasse comigo. Desde que eu havia chego em Boston, eu não fiquei com ninguém, meu foco ficava todos nos estudos e em fazer turismo pelos estados ali perto, Nova York, Vermont, Rhode Island, e a última vez que eu estive em um relacionamento, foi no último ano da minha faculdade, quando eu tinha 21 anos, e também havia durado pouco mais de 4 meses, ele estava se divertindo ainda, e eu já começava a pensar em meu futuro, um futuro que até hoje não tinha se concretizado.
Então após o beijo de Chris, e ele ter me chamado para sair com ele, foi algo que descongelou meu coração, me fez ficar mais leve novamente, precocemente apaixonada talvez, e quando ele meio que sumiu essa semana com Megan para gravar em Cleveland, e eu fiquei pelo menos uns 5 dias sem receber nenhuma notícia dele, somente os relatórios de Megan falando das gravações, e alguns comentários do tipo “Ele fala de você”, ou “Se preocupa não, ele está ocupado”, mas no começo eu não acreditava, achava que Megan só estava agindo como amiga, até que recebi um SMS dele com um simples oi para que pudéssemos conversar, e foi naquela noite que ficamos conversando por SMS, mas depois passou mais alguns dias sem nenhuma mensagem, então isso tinha me deixado brava, sim. Eu comecei a imaginar milhares de coisas que pudessem ter acontecido, e claro, começava a criar milhares de situações, chegando até a xingá-lo por achar que tinha saído com outra, ou algo assim, mas pelo pouco que eu conhecia ele, eu sabia que ele não faria isso. Ele não era assim, se ele havia me chamado para sair, era porque ele realmente queria, ele queria sair comigo.
E agora esse encontro, por mais que eu quisesse sair com o Chris, havia uma parte que como pessoa, ficava martelando isso na minha cabeça. Ele não era um dos meus ex-namorados que simplesmente ia me levar para jantar e era isso aí, era o Chris Evans que ia me levar para jantar, uma figura pública com milhares de fãs ao redor do mundo, e ele era simplesmente de tirar o fôlego. Ficar perto dele algumas vezes causava certo transe em mim, ele já agia com a maior naturalidade perto de mim, e às vezes eu o olhava como aquela fã do primeiro dia que eu havia o conhecido. Aquela fã que o amava de uma maneira, mas que agora estava passando a amá-lo como mulher. Uma mulher que mais parecia uma menina ao pensar no beijo na minha casa naquele fatídico sábado.
Encarei minha mão esquerda e notei a pequena marca branca que havia sido causada pela taça quebrada, a marca era menos visível agora, quase imperceptível, mas era algo que eu sempre gostava de olhar, porque aí eu saberia que realmente tinha sido verdade.
- Só espero que estejamos no mesmo capítulo, Christopher! - Suspirei e àquela hora consegui fazer rapidamente upload de um vídeo de um evento da noite passada e o divulguei nas redes sociais da ID e o adicionei ao hotsite dele. Abaixei a tela do notebook, peguei minha bolsa que estava jogada na cadeira em frente à escrivaninha, joguei meu celular e meu pen drive dentro dela e puxei a porta, tanto da minha sala, quanto da sessão de Megan.

Derek estava sentado no banco do motorista de seu carro e cantava baixo uma música do Queen, assim que eu entrei em seu carro, ele deu um sorriso animado e deu partida no carro, saindo do estacionamento subsolo da ID.
- Não quer me levar para casa? - Falei meio manhosa, forçando um bocejo.
- Ah, , ânimo! - Apoiei a cabeça no encosto do carro e escorreguei o corpo um pouco para baixo. - Ei, o que foi? - Ele falou virando o rosto por um tempo, antes de olhar para a rua novamente.
- Sei lá, estou meio... - Fiz uma pausa por um minuto. - Incerta sobre isso!
- Por quê? O que há de incerto nisso? Você gosta dele, ele gosta de você, um encontro, possível relacionamento, hein?! - Suspirei fechando meus olhos por um momento.
- Ele realmente gosta de mim? Eu não sei, Derek! Ainda não aprendi a ler sentimentos.
- Claro que gosta, ! - Ele freou o carro em um sinal vermelho e se virou para mim. - E ele já deixou isso claro naquela semana do aniversário dele, ele ligava toda hora para cá!
- É... Mas e essa semana? Ele me ligou hoje, só ficava mandando mensagem. - Continuei com meu rosto abaixado.
- O Chris não mistura trabalho com relacionamentos, ! Você viu isso! - Ele suspirou e continuou a dirigir. - Quando ele estiver longe, liga para ele, faça uma surpresa.
- Eu não tenho esse costume! - Falei baixo.
- Aprenda a ter. Homens também gostam disso. É bom saber que a pessoa que a gente gosta, lembra da gente. - Abri um sorriso de lado, ele tinha razão. - Deixa as coisas rolarem, se for para ser, elas vão rolar do jeito certo.
- Obrigada, Derek!
- Estou aqui para isso, ! - Ele segurou minha mão que estava apoiada no painel e abriu um largo sorriso. - E para te apresentar sua fada madrinha também. - Soltei uma gargalhada.

Assim que Derek estacionou o carro, avistei um sobrado com as paredes pintadas de branco e alguns detalhes em preto. Ele tinha um tom meio moderno e de longe passava despercebida de todas as casas, mas quando entrei, notei que era um ateliê.
- O que estamos fazendo aqui? - Comentei quando ele atravessou a cortina em nossa frente e puxou minha mão para acompanhá-lo.
- Rupert? Está aqui? - Ele gritou e foi quando notei o local, araras com os mais diversos tipos de vestidos se espalhavam pelo primeiro andar. Quem olhasse de fora, não diria que aquele sobrado tinha todo esse tamanho. Desde vestidos simples, até vestidos de festa, curtos até longos, do mais escuro, até o mais branco vestido de noiva que eu já havia visto. Vestidos simples de algodão, até vestidos de tafetá e renda guipir. Era o paraíso dos vestidos.
- Derek, é você? - Um ruivo surgiu do segundo andar. Ele tinha o mesmo porte de Derek, mas era maior e mais malhado, e possuía uma barba cheia da mesma cor de seus cabelos, sua pele era bem clara e algumas sardas podiam ser vistas de longe em seu rosto. - Oi!
- Uma pessoa aqui precisa da sua ajuda! - Eu soltei uma risada e passei a mão nos meus cabelos castanhos soltos, um tanto quanto envergonhada.
Rupert desceu as escadas e apareceu no primeiro andar do ateliê rapidamente.
- Oi, tudo bem? Rupert! - Ele falou me dando um rápido abraço e um beijo em minha bochecha.
- ! - Sorri e ele foi cumprimentar Derek, não sei se foi por costume, ou por mim, mas eles somente deram um beijo na bochecha de cada um e ficaram lado a lado me encarando.
- Qual é a emergência? - Rupert perguntou nos encarando.
- Ela vai sair com o Chris – Derek falou – Um encontro, amanhã no fim da tarde.
- Chris? - Encarou Derek. - Evans? - Derek confirmou. - Então você é a garota que o Chris está apaixonado? - Nessa hora eu quis cavar um buraco e sumir rapidinho.
- Acho que sim! - Eu ri e ele me acompanhou. - Derek me trouxe aqui, e agora entendo o motivo, você que desenha os vestidos? São lindos!
- Que bom que gostou. Sim, sou eu! - Ele soltou uma risada e se aproximou de mim, passando a mãos em meus cabelos. - E aqui também tem um pequeno salão também. Usamos para preparar noivas, mas também para outras coisas. - Ele deu uma piscadela para mim e eu senti que fiquei vermelha. - Então, vamos começar?
- Mas espera! Eu acho que não estou entendendo. - Encarei os dois, um de cada lado meu e ambos riram cúmplices.
- Você disse que não tinha roupas, certo? - Derek falou sugestivamente e eu comecei a entender.
- Ah sim! - Comecei a rir e fui puxada por Derek para as diversas araras que tinha no primeiro andar.

Ter uma loja inteira de vestidos só para mim era algo que nem em mil sonhos eu podia imaginar! A quantidade de opções que Rupert tinha lá tirava meu fôlego, cores, tecidos, comprimentos, tudo era separado em sessões. Ao fundo, atrás das araras, tinha um espaço grande como se fosse uma passarela cheia de espelhos e uma larga porta para os provadores. Uma porta que eu passei várias vezes. Por mais que eu quisesse mexer e remexer naqueles cabides e descobrir tudo que eles seguravam, Rupert e Derek não deixaram. Eles me colocaram sentada em um sofá e fizeram perguntas sobre que tipo de cor eu mais gostava, curto ou longo, algodão ou crochê, enfim, tudo. E anotaram isso em um bloquinho. Quando terminaram me largaram sozinha por uns dez minutos.
Quando eles surgiram novamente, cada um trazia um vestido, e, enquanto eu provava o de um deles, outro já corria atrás de mais alguns, que foram surgindo em minha mão conforme o tempo passava. Eu já tinha ficado até confortável por eles me verem de lingerie, porque não bastava eles procurarem os vestidos, eles também me ajudavam a provar e conversavam entre si sobre roupas, sapatos, maquiagem, tudo. A mulher de lá era eu, mas eu me sentia um peixe fora d'água, tentando acompanhar tudo. Havia perdido a conta depois do décimo quinto vestido, e, outros surgiram após isso. Quando surgi em um roupão fora do provador, vi uma arara com uns doze vestidos, todos com o cumprimento até o joelho.
- E aí? - Derek falou me olhando.
Suspirei e comecei a passar os cabides novamente, como se eu não tivesse visto nenhum daqueles vestidos. Eu olhava detalhes, o que sobressaía deles e fui selecionando.
- Acho que é esse! - Falei tirando o cabide em minha frente da arara.
- Não poderia ter escolhido melhor! - Rupert falou e trocamos um sorriso cúmplice.
Enquanto eu colocava minha roupa do trabalho, Rupert sumiu novamente com Derek, vesti minha calça social preta e minha blusa azul e peguei os sapatos de salto na mão, podia sentir meus pés latejando, já que tinha que desfilar com ele a cada prova de vestido, se já não bastasse passar oito horas por dia em cima deles. Saí do provador pronta para ir embora, quando Rupert acena para mim do andar de cima.
- Vem cá! - Soltei meus saltos no chão novamente, próximo ao balcão, onde estava minha bolsa e segui para as escadas.
O segundo andar não era um simples salão como Rupert havia dito, estava mais para um SPA, tinha espaço para cabelo, manicure, maquiagem, depilação, massagem e ainda um banheiro com uma hidromassagem gigante.
- É aqui que preparamos as noivas! - Derek falou folheando uma revista a sua frente e notei a mulher do seu lado. - Essa é Denise, vai cuidar das suas unhas agora.
Olhei a mulher com a pele acobreada, ela tinha cabelos pretos cacheados que estavam presos em um rabo de cavalo. Ela usava as roupas parecidas com Rupert, jeans e blusa preta, estava muito bem maquiada e tinha luvas nas duas mãos.
- Agora? - Olhei para Derek.
- Você por acaso tem algo melhor para fazer? - Ele disse com desdém. - Por favor, hein?! - Rupert gargalhou ao meu lado e eu empurrei seu ombro com o meu.
Arregacei as mangas da minha blusa e a barra da minha calça e me sentei em frente à Denise.

Ali eu fiquei por muito tempo, eu conversava com Derek e Denise, enquanto a segunda fazia minhas unhas, pintando a das mãos de vermelho escuro e a dos pés em um branco delicado. Rupert havia soltado meu cabelo e mexia nele tentando fazer alguns penteados nele, pegava a chapinha e o baby liss, e, fazia e desfazia o penteado. Nem que ele tivesse que ir à ID amanhã de tarde para que eu tivesse meu cabelo feito, meu rosto maquiado, e, que levasse o vestido junto para ficar pronta no tempo, ele o faria, porque segundo eles, eu ia sair às 17 horas de lá com o Chris, nem se fosse por cima do 'cadáver deles'. Quero só ver se Megan ouvisse isso!
- Seu cabelo é bonito, , só está malcuidado! - Eu fiz uma careta. - Que tal fazer uma hidratação, aí eu faço uma escova, prendo essa parte aqui... - Ele falou puxando a frente do meu cabelo para trás. - Assim... - E pegou os lados e cruzou, prendendo com grampos, e colocou um pouco de spray. – Assim, ele não escapa e seu cabelo já faz algumas ondas naturalmente, dá para gente só firmar elas.
- Vai ficar muito bonita, senhorita ! - Denise falou e eu fiquei me encarando no espelho.
- Vocês não acham demais? - Falei soltando um suspiro.
- , você tem que mostrar para ele, que é muito superior aquelas famosinhas que ele namorou. Você é muito mais que elas, ok? Tirando a parte de ser uma menina estudada, mas isso a gente não precisa nem comentar! - Derek falou com seus olhos focados na revista em sua frente.
- Obrigada por massagear meu ego, Derek, mas eu não estava falando nesse sentido. - Ele baixou a revista e me encarou. - Mas essa é a questão, sabe? Eu não sou famosa. E não quero aparentar ser uma. Quero ser aquela pessoa que ele conheceu naquele restaurante há três meses. Aquela menina que saiu com o cabelo molhado e esperou que ele secasse e armasse ao vento, a menina que saiu calçando os sapatos no hall dos elevadores, sabe? - Suspirei, sentindo Denise passar um creme em meus pés e massageá-los.
- Você ainda vai ser essa pessoa, ! - Derek falou me olhando. - Mas, por favor, mulher, você é um mulherão, nada de menina, ok?! - Soltei uma risada e confirmei com um aceno de cabeça.
- E, , isso não tem nada a ver. Toda mulher gosta de se arrumar, não?! Comprar roupas novas, fazer as unhas, ir ao cabeleireiro, estou certo, não? - Rupert falou enquanto segurava todos os meus fios de cabelo em uma mão só. - Ou um rabo de cavalo alto, se você preferir. - Eu olhei no espelho novamente e dei uma risada, essa era a quando ficava em casa o dia inteiro, mas poderia ser a de um encontro também.
- Sou de vocês! - Falei me dando por vencida!
Na verdade, eu já saberia que sairia perdendo, porque eu era minoria ali, e, é como Rupert falou, que mulher não gosta de se arrumar? Por mais cansada que eu estivesse do trabalho, eu estava me divertindo provando todos aqueles vestidos, fazendo as unhas e mexendo no cabelo. Era como quando eu era mais nova e brincava de salão com minhas amigas, só que dessa vez eu ganhava vestidos de verdade, as maquiagens eram bonitas e uma escova não ficava presa no meu cabelo armado.
Assim que Denise terminou de fazer minhas unhas, eles ligaram o ar condicionado e fecharam as janelas do segundo andar e da mesma maneira que Denise sumiu, ela apareceu novamente com várias maletas, que só mais tarde eu descobri que estavam cheias de maquiagem. Eu sentei em uma cadeira de salão, e, ela inclinou-a um pouco, me deixando quase deitada, desabotoaram alguns botões da minha blusa e colocaram uma toalha na altura do meu peito.
- Que horas é o encontro? - Denise perguntou passando um produto para limpar minha pele.
- Às 17 horas. - Falei enquanto ela passava o algodão em meus lábios.
- Então dá para fazer uma maquiagem mais leve! - Ela falou passando base em meu rosto. - E usar um batom vermelho, seus lábios são pequenos, vai chamar atenção para eles.
- Eu gosto de batom vermelho. - Falei rindo.
- Perfeito! - Denise falou antes de pedir para eu fechar meus olhos.

- Sei lá, o Chris falou que daria um jeito de eu sair mais cedo, mas não foi muito específico no caso! - Falei enquanto Rupert dobrava o vestido azul e o colocava em uma sacola preta com as iniciais RVS em branco.
- Bem, qualquer coisa me liga, mas se você não ligar até às 15 horas a gente aparece lá! - Rupert falou enquanto Denise concordava ao seu lado.
- Ok! Derek, me passa seu número! - Falei puxando minha carteira da bolsa. - Quanto te devo, Rupert?
- Nada! - Olhei com a testa franzida.
- Não, sério, Rupert! - Abri a carteira puxando meu cartão. - Eu realmente gostei dos seus vestidos, vou voltar aqui mais vezes.
- Então, faremos o seguinte, quando você e o Chris forem um dos casais mais cobiçados do mundo, prometa que vai usar minhas criações nos eventos! - Revirei os olhos, mas não pude segurar uma risada. - Ou quando se casarem! - Não pude conter uma gargalhada.
- Vamos focar no primeiro encontro, ok?! - Falei tocando seu ombro. - Um passo de cada vez. - Ele deu de ombros e mostrou a língua.
- Bem, estamos combinados, então? - Concordei com a cabeça e peguei a sacola que ele entregava.
- Sim, qualquer mudança eu ligo. - Coloquei meus saltos novamente.
- Vamos, , eu te levo. - Derek falou puxando a chave do carro do bolso.
- Não precisa. Eu pego um táxi. Já atrapalhei vocês o suficiente por hoje. - Eles riram e acenaram enquanto eu saía pela porta.

Assim que passei pelo batente da porta de entrada do meu apartamento, eu fui deixando as coisas pelo caminho, começando pelos meus sapatos, depois a bolsa, a blusa, as calças, e por último, minha roupa íntima que ficou em cima da pia do banheiro antes que eu ligasse o jato de água frio em cima de meu corpo. Fisicamente eu ainda estava elétrica, mas mentalmente, eu não aguentava mais. Precisava de comida e depois da minha cama. Passei o sabonete em meu rosto fortemente, tentando tirar a maquiagem e passei as mãos nos rolinhos cacheados, tirando os nós. Coloquei uma quantidade exagerada de condicionador no meu cabelo e penteei mecha por mecha com o produto no cabelo, deixando o produto escorrer pelos meus cabelos enquanto saía junto da água.
Saí do banho e enrolei a toalha em meus cabelos enquanto passava um creme pelo meu corpo, não que eu fosse muito de cremes, mas eu estava merecendo me cuidar um pouco mais, e sim, isso tinha a ver com certo ator famoso que eu encontraria no dia seguinte. Fiquei deitada um pouco em minha cama enquanto o creme secava e logo joguei uma camisola por cima do meu corpo, calcei meus chinelos correndo e montei dois mistos-quentes e coloquei-os no grill. Procurei um copo no escorredor, me servi de um pouco de suco gelado e o tomei em um único gole, soltando um suspiro antes de colocar o copo dentro da pia. Peguei um prato e coloquei os lanches nele, e andei até o seu sofá de três lugares, me sentando de lado no mesmo, coloquei as pernas para cima e o prato em cima de minha barriga enquanto procurava os controles da TV. Zapeei os canais brasileiros na TV a cabo, mas desisti da programação de novelas, e coloquei em algum canal de filmes qualquer.
Quando dei a primeira mordida em meu lanche, vi o rosto conhecido de um ator da Marvel e franzi a testa, tentando reconhecer o filme, e arregalei os olhos no instante seguinte quando o rosto retangular de Chris apareceu, os cabelos tingidos de um tom puxado para o laranja e raspados nas laterais, com somente um grande topete em cima, o cavanhaque propositalmente engraçado e óculos de grau redondos completavam o personagem. Soltei uma risada irônica e larguei o controle novamente no sofá. Esse era, definitivamente, um dos meus filmes favoritos dele. Era um filme totalmente despretensioso, mas muito engraçado. Sempre me fazia rir. O filme já estava no fim, então, terminei de comer meus lanches e esperei o fim, antes de lavar a louça que estava acumulada desde o dia anterior.

Foquei meus olhos no horário e vi que precisava dormir logo, porque se demorasse um pouco mais, eu não dormiria o tempo suficiente e ficaria reclamando de sono amanhã o dia inteiro, e, eu podia ter tudo amanhã, menos sono. Andei até meu quarto e puxei o celular da bolsa vendo algumas notificações de mensagem no Facebook e no WhatsApp, e deitei na cama. Liguei o abajur ao meu lado e bati a mão no interruptor ao lado da cama. Abri o WhatsApp e o nome Chris Evans estava em negrito, denunciando uma mensagem dele.
Te vejo amanhã?” - às 11h33.
Já falei com a Megan, amanhã ela fala contigo” - às 20h17.
Como eu sei se você já viu a mensagem?” - às 21h03.
Esquece x)” - às 21h05.
Não pude conter o riso com as mensagens, a proximidade dele com os programas tecnológicos era engraçado, ele não tinha nenhum conhecimento, nenhuma agilidade. Olhei o horário atual e já passava da meia-noite, não sei se ele já estava dormindo, mas achei que ele merecia uma resposta.
Estou pensando em você” foram as palavras que eu escrevi e pensei um pouco antes de apertar a tecla de enviar. Soltei um suspiro e antes que eu partisse para a próxima notificação, o telefone vibrou novamente em minha mão.
Eu pensei em você o dia inteiro... Todos esses dias”. Abri um sorriso largo e fiquei encarando a foto dele lá no topo da conversa e a palavra online ao seu lado.
Eu deveria estar indo dormir agora” Digitei incluindo um emoji de sono ao lado e enviei.
Só te deixo dormir porque tenho vários planos para gente amanhã” Foi sua resposta um pouco mais rápida agora.
Que planos?” Respondi sabendo que a pergunta ia ser em vão e já mandei outra mensagem “Bom mesmo, você não ia querer me ver com sono... Eu fico meio chata”.
Não vou contar e vai dormir te quero desperta amanhã” mordi o lábio inferior involuntariamente, deixando meus pensamentos irem longe. “Boa noite, linda!
Boa noite, Christopher” Olhei as três palavras e acrescentei um coração ao lado e o apaguei em seguida, mandando somente a mensagem.
- Pense em mim. - Sussurrei desativando o Wi-Fi do celular e o conectando no carregador acoplado na parede.

O dia na ID foi incrivelmente louco. Assim que eu passei pelas portas do elevador tinha assessores correndo por todos os lados, pastas em suas mãos, folhas espalhadas por todas as mesas e alguns flyers voando pelo chão por qualquer lugar que eu pisava. Algum tempo depois eu descobri que ia ter um evento na mansão do Michael Jackson para o lançamento de algumas músicas que foram produzidas post-mortem, naquele dia fazia exatamente quatro anos que o cantor havia falecido e a maioria dos famosos foram convidados.
Mesmo que isso, aparentemente, não fosse envolver Chris, eu acabei entretida no assunto, fazendo ligações confirmando a presença de algumas pessoas, em especial da imprensa, pessoas que seriam convidadas para dentro do evento que iriam cobri-lo. Devo de ter dado, pelo menos uns trezentos telefonemas, meu pescoço já estava ficando dolorido. Se continuasse assim até o fim do dia, o Chris ia pegar uma mulher com um torcicolo fenomenal, que não poderia nem endireitar a cabeça para beijá-lo. Passei a mão no pescoço e estralei o mesmo, virando para todos os lados possíveis, ouvindo um estalo que eu tanto gostava de fazer, uma mania e tanto.
- Gente, vou sair para almoçar, preciso de um tempo para o meu pescoço destravar. - Falei arrastando a cadeira de perto da mesa e pegando a bolsa no cabideiro quando passei por ele.
- ! - Megan gritou e eu coloquei a cabeça para dentro de sua sala. - Vai almoçar e não precisa mais voltar por hoje! - Ela piscou um olho e voltou a falar com a pessoa na linha. Virei o corpo e dei de cara com um Derek sorridente atrás de mim.
- Vou ligar pro Rupert! - Ele falou já entrando para sua sala e colocando sua carteira dentro do bolso. – Vamos! Eu almoço contigo.
O caminho até o restaurante foi preenchido por eu contando a Derek sobre as mensagens do Chris na noite passada. E eu podia notar que, a cada palavra que eu falava, eu soltava um suspiro curto, o que me denunciava e muito.
- Ele tá tão na sua, ! - Ele falou apertando minha mão que estava em meu colo.
- Ei, nada de ficar dando uma de Greg Wuliger, esse é outro Chris, hein?!
- Ok, me expressei mal! - Ele voltou a mão para o volante. - Ele gosta muito de você! Qual é! Ele está aprendendo a mexer em redes sociais para falar contigo! Mensagens! Isso nunca aconteceu! - Soltei uma gargalhada sendo acompanhada por ele.
- Ah, sei lá! Eu estou muito nervosa, você não tem noção. - Suspirei me afundando no banco do passageiro ao seu lado.
- Tenho sim. Sua mão está congelada! Tirando o fato que estava toda estabanada hoje. - Ele me encarou e eu ergui uma sobrancelha. – Sério! Você derrubou seu telefone umas quatro vezes... Bem, até a hora que eu contei! - Dei um tapa em seu braço.
- Ok, eu estou apavorada. Acho que isso define muito bem o que eu estou sentindo. - Ele passou a mão na minha e apertou, mostrando confiança. - Algum conselho?
- Seja você mesma! - Bufei, me mostrando contrariada. - Ele gostou de você assim, não foi? Ele te beijou como , pós-trabalho, não? Ele te beijou durante seu trabalho como você, não?! Ele te chamou para um encontro sem ao menos estar te vendo. - Abri um sorriso tímido de lado. - Para de se preocupar com as pequenas coisas e se preocupe em se divertir, porque depois que os momentos passarem, eles não vão voltar. - Ele estava certo, esse momento podia acabar rapidamente.

- Eu quero saber de tudo! Não se esquece de me ligar assim que você estiver sozinha, ok? Mas também não some, não me deixa preocupado. - Derek falava dentro de seu carro enquanto uma fila de carros buzinava atrás dele. - Não esquece!
- Eu te ligo, pode deixar! - Gritei de volta e ele avançou com o carro. Soltei uma risada e acenei para ele enquanto via o carro dele se afastar pela rua e uma fileira o seguir. - Ele é louco!
Passei pela porta do meu apartamento pouco depois das duas horas da tarde, eu tinha algum tempo para me arrumar e Rupert não tinha dado sinal de vida ainda, então programei quarenta minutos em meu relógio e tentei tirar uma soneca. Soneca em vão, pois eu não conseguia pregar os olhos com medo de Rupert chegar, ou que a campainha tocasse, ou talvez o telefone e eu não ouvisse. Enfim, o máximo que eu consegui foi ficar três minutos de olhos fechados na minha cama, até que eu havia lembrado que não tinha decidido que sapato usar naquela noite.
Pulei da cama, abrindo a porta do meu armário que dava para os sapatos e puxei as cinco caixas fechadas de lá, as caixas com os sapatos melhores, que eu usava menos, e os joguei em cima da cama, abrindo um de cada vez, até dar de cara com meu scarpin preto de bico arredondado e aveludado também, não era tão alto e era super confortável... A não ser que eu fosse para uma caminhada, o que não deveria ser o caso. Coloquei os mesmos nos pés e me encarei no espelho preso na parede por alguns segundos. Suspirei e os tirei, conferindo se o par estava limpo e o joguei em cima da cama, partindo para minha caixa de joias em cima da penteadeira à esquerda a da cama. Escolhi um par de brincos que eu havia ganho no meu aniversário de quinze anos. Eles eram de ouro branco e cada um tinha duas gotas transparente, era um brinco que eu não usava com muita frequência, só em casos especiais. Peguei o anel do conjunto também, que possuía duas fileiras com a mesma pedra transparente e separei também um relógio grafite, uma cor que eu considerava mais bonita que o preto.
Separei também um conjunto de lingerie preto, o conjunto era simples, com somente alguns detalhes de renda tanto no sutiã como na calcinha. Rendas quase imperceptíveis, a não ser quando estava no corpo e a cor da pele a realçava. Com tudo que eu pudesse separar pronto, eu liguei na portaria do prédio e avisei que estava esperando por Rupert, que caso ele chegasse, era para liberar sua entrada, destravei a porta e fui para o banho.
Aquele foi o banho mais lento que eu tomei durante muito tempo. Eu tomava cuidado para não arrancar parte do meu esmalte enquanto massageava minha cabeça. Esfreguei cada parte do meu corpo pelo menos umas três vezes cada e conferi se minha perna e axilas não tinham nenhum pelo. E os pelos que insistiam em crescer eu raspei rapidamente com a gilete, me certificando que não faria cortes na extensão da minha perna. Quando saí do banho passei o creme mais cheiroso que tinha em meu armário e já aproveitei para escovar os dentes. Saí do banheiro com uma toalha enrolada no corpo e outra no cabelo e fui para meu quarto, coloquei a lingerie, me certificando que ela não estava enrolada em nenhuma parte do meu corpo e soltei os cabelos da toalha, voltando para o banheiro. Passei um pente pelos fios, tornando o que antes era um emaranhado de fios em algo mais parecido com meu cabelo.
- Você está um arraso! - Rupert falou apoiando o corpo no batente da porta do meu banheiro.
- Rupert! - Pulei de susto, procurando pela toalha em cima da pia, tentando cobrir meu corpo o máximo que eu conseguisse.
- Ah, mulher, deixa disso! - Ele deu de ombros e caminhou até a sala. - Já vi tudo isso e você sabe, eu não jogo nesse time! - Soltei uma gargalhada e o segui, enrolando a toalha de volta no corpo.
- Oi, ! - Denise também estava lá, em pé ao lado do meu sofá, onde meu vestido estava estendido ali e segurando uma maleta em cada mão.
- Ei! - Falei rindo. - Você veio também.
- Não podia te arrumar sem minha equipe, certo? - Rupert falou e colocou as duas maletas em cima da minha pequena mesa de jantar e abriu ambas, mostrando várias opções de maquiagem em uma e vários apetrechos capilares na outra. - E aí, pronta para sair com um gato? - Eu ri e dei de ombros.
- Sei lá! - Apertei meus olhos com as mãos e suspirei.
- Vai apanhar, hein? - O ruivo falou e eu lhe mostrei a língua. - Tira essa toalha e senta aqui, não temos muito tempo para te deixar divina, tá?!
Puxei a poltrona que ficava em meu escritório e me sentei na mesma, havia desenrolado a toalha do meu corpo e a prendido em minha cintura, deixando meu troco coberto somente pelo sutiã. Denise esticou uma tolha em meu peito e barriga para que não caísse cabelo nem maquiagem em meu corpo. Ambos colocaram luvas e aventais pretas com as siglas RVS mostrando o uniforme deles.
Eles começaram pelo meu cabelo, secando-o para ser mais exata. Rupert trabalhava de um jeito despreocupado, ele jogava meu cabelo para todos os lados, e de vez em quando puxava com uma escova. Ele deixou os fios ondularem na ponta e desligou o secador. Como planejado no dia anterior, ele segurou todo meu cabelo no alto e o prendeu em um rabo de cavalo, usando uma mecha do meu cabelo para esconder o laço preto, quase imperceptível em meus cabelos castanhos. Ele pegou uma parte do meu cabelo que seria a franja e o escovou de modo que formasse uma onda e o colocou de lado, encaixando atrás da minha orelha com um grampo. Ele escovou a ponta do meu rabo, fazendo com que ele fizesse algumas voltas e não o deixasse totalmente liso, e por fim, jogou bastante laquê para que tudo ficasse no lugar até o fim da noite.
Denise trocou de lugar com Rupert e começou a preparar minha pele, mesmo que eu tivesse acabado de tomar banho, ela fez questão de tirar todo o tipo de oleosidade e possível sujeira que talvez tivesse ficado em meu rosto e começou a delinear meus olhos. Ela optou por uma maquiagem até que discreta, a parte de dentro era um tom marrom claro e a parte de fora era esfumaçada por um tom mais escuro, deixando-o bem marcado. Passou lápis preto bem forte em meus olhos e alongou ainda mais meus cílios com rímel da mesma cor. Com um blush cobre ela marcou minhas bochechas discretamente e passou um batom vermelho em meus lábios, cor que eu já tinha costume de usar quando saía à noite. Era um tom de vermelho mais puxado para o tomate, deixando-os em um tom quase alaranjado.
Eles me ajudaram a me vestir, o meu vestido azul com as mangas cobrindo os ombros e um pequeno decote nas costas, sendo todo fechado por botões. Ele era incrivelmente simples, mas eu simplesmente tinha amado. Não tinha a mínima ideia para onde ele me levaria, mas acreditava que era um vestido que poderia ser usado tanto em um restaurante chique, como também comer pizza na mão no píer de Boston. Rupert fechou os botões, enquanto Denise ajeitava o cinto vermelho que ia por cima. Não que eu não pudesse fazer isso, mas eu fico feliz que eles tenham feito, pois eu passava mentalmente palavras que eu pudesse dizer, sem que eu dissesse besteira durante o encontro, besteiras que pudessem fazer com que esse fosse nosso único encontro, mas que merda, , um pouco mais de confiança em si mesma, você não é assim. Suspirei, essa não era eu até um cara lindo e famoso me chamar para sair. Fechei os olhos por um segundo.
- Está pronta, querida! - Denise falou e eu abri os olhos novamente. - O que acha? - Andei da sala até meu quarto e me encarei no espelho novamente, eu estava feliz com o resultado. O cabelo estava maravilhoso, era um cabelo que eu usava sempre, rabo de cavalo, só que Rupert o fez de uma forma um pouco melhor do que eu faria. A maquiagem também, se não fosse a preparação na pele, era uma maquiagem que eu tinha o costume de usar, às vezes eu passava uma sombra cor da pele só para poder usar meus batons vermelhos que eu tanto amava, mas claro que Denise tinha conhecimento, e eu poderia ir a um baile de gala assim que estaria adequado. Peguei os sapatos em cima da cama e os calcei, encarando meu corpo de cima a baixo no reflexo no espelho, virei de costas e fiz o mesmo, abrindo um largo sorriso.
- Acho que temos alguém satisfeita. - Rupert falou parado na porta do meu quarto e eu sorri para ele.
- Muito satisfeita. - Me aproximei dele e passei os braços pelo seu pescoço, o trazendo para mim em um abraço terno. - Obrigada, Rup! - Falei me afastando dele.
- Sempre que quiser! - Ele beijou superficialmente minha bochecha. - E quando for casar com o Chris, por favor, não se esqueça que eu faço vestidos por encomenda também, ok?!
- Nossa! Vocês já estão pensando mesmo em casamento, gente? O Derek está louco! - Falei rindo e abracei Denise da mesma forma que abracei Rupert. - Obrigada gente, por tudo! - Sorri e voltei para meu quarto, separando uma bolsa de mão preta, coloquei meus documentos, dinheiro, cartão de crédito e celular dentro da mesma. - Acho que estou pronta! - Suspirei. - Que horas são? - Perguntei.
- São quase cinco horas. - Denise falou erguendo o pulso para ver o horário, mas o som do meu interfone tocando denunciava o horário. Rupert correu para o aparelho colocado na cozinha e o atendeu.
- Sim, ela já está descendo! - Ele falou e desligou, soltando um grito histérico. - Ele está aí! - Ele falou olhando para mim.
- Oh meu Deus, respira ! - Falei me encarando no espelho mais uma vez e atravessei o corredor voltando para a sala. - Vocês fecham tudo para mim? - Perguntei olhando suas coisas espalhadas pela sala ainda.
- Não se preocupa, ! - Rupert falou. - Deixamos a chave na portaria. - Assenti com a cabeça e atravessei a porta apertando o botão do elevador, vendo-o se acender.
- Obrigada gente, por tudo! - Falei piscando para ambos que acenavam de dentro do meu apartamento.
- Divirta-se! E não faça nenhuma besteira, hein?! - Denise gritou e eu ri.
- Pode fazer besteira sim! Aproveita! - Rupert já falou e Denise deu um soco fraco nele.
O elevador abriu em minha frente e eu entrei no mesmo, apertando o botão do térreo. Aquele elevador nunca esteve tão lento. No espelho conferi relógio, brinco, anel, bolsa, vestido, sapatos, tudo, observei a maquiagem no espelho, meus lábios vermelhos e meus olhos levemente amarronzados. Suspirei. Saí do elevador e caminhei até a portaria, a cada passo, parecia que o barulho dos saltos ficasse cada vez mais baixo e eu ficasse cada vez mais hipnotizada pelo que me esperava do outro lado dos portões.
Apertei o botão para abrir o portão e assim que passei por ele, o fechei e olhei para frente. Eu poderia derreter a qualquer momento. Chris estava lá. Ele estava lindo, a blusa azul de manga comprida colada com as mangas arregaçadas, a calça jeans escura um pouco larga, o cinto vermelho preso a cintura quase imperceptível e nos pés a conhecida botinas bege desamarradas. Na cabeça um boné virado para trás e seu Ray Ban estava pendurado na gola da camiseta, gola que tinha alguns botões abertos, deixando um pedaço da sua pele à mostra. Ele mexia em alguma coisa no celular enquanto estava apoiando em seu Lexus preto. Assim que eu bati o portão da frente do condomínio, pelo barulho, ele ergueu os olhos e pude sentir seu olhar indo desde a ponta dos meus pés, até o último fio de cabelo. Mas seu olhar não sustentou em meu corpo por muito tempo, ele focou em meus olhos rapidamente, tirando meu ar por alguns segundos.

Dei alguns passos que me separava dele e pude notar seus olhos me seguindo a cada passo que eu dava. Parei a dois passos dele e por um momento eu não sabia que palavras usar e nem como respirava. Ergui meus olhos do chão para seu rosto e pude ver sua boca entreaberta e seus olhos encarando os meus.
- Oi! - Falei com a voz baixa.
- Oi! - Ele respondeu enquanto mordia seu lábio inferior e dava mais uma olhada em meu corpo. - Você está incrível! Linda! - Ele aproximou o rosto do meu e encostou seus lábios levemente em minha bochecha, fazendo meu corpo denunciar e se arrepiar inteiro. Fechei meus olhos por um breve tempo.
- Você também. - Respondi reabrindo os olhos e encarando seus olhos azuis em minha frente.
Ficamos naquele silêncio por um tempo. Ele não falava nada, muito menos eu. Era como se nenhum dos dois quisesse quebrar aquele clima entre nós. Ele possuía aquele sorriso reto nos lábios, e eu sabia que não estava muito diferente. Sentia minhas bochechas queimando quando seus olhos desciam para meu corpo. Eu não tenho o corpo muito em forma, mas eu era brasileira e considerava meu corpo bonito, claro que eu odiava fazer exercícios físicos e amava comer, então ficar em forma era definitivamente um desafio para mim. Troquei minha bolsa de uma mão para outra e mexi minhas pernas, descruzando-as uma da outra.
- Chris! - O chamei firme, o que fez erguer seus olhos para mim e soltar uma risada nervosa. - Devo te chamar para subir e a gente deixa o jantar para outro dia? - Falei apontando para trás.
- Não! - Ele riu passando as duas mãos no boné, ajeitando ele. - Vamos! - Ele se desencostou da porta e abriu a mesma, dando espaço para eu passar. Achei esse fato realmente engraçado, porque, por um minuto, ele tinha perdido aquela pose que ele tem e se tornou um pouco mais comum.
Passei por ele, me apoiando na porta do carro para entrar e coloquei a bolsa em meu colo. Assim que ele fechou a porta, não durou mais que cinco segundos para que ele entrasse pela porta do motorista e se acomodasse ao meu lado. Puxei o cinto de segurança ao meu lado e o travei com um clique. Enquanto Chris dava partida, eu comecei a reparar no interior do carro. Ele era espaçoso, essa foi a primeira constatação que eu fiz ao entrar nele. Como eu não era do tipo baixinha, minhas pernas se esticavam confortavelmente em frente ao banco. E meu corpo também, o banco de couro cinza claro era incrivelmente confortável. O painel tinha detalhes em preto, cinza e partes em madeira também. Uma parte acoplava uma tela de LED, outra um relógio analógico pequeno e embaixo disso tudo os comandos normais de um carro, incluindo marcha e um espaço confortável entre os dois bancos.
Chris dirigia de forma despreocupada, ele olhava para frente e em alguns momentos virava o rosto para mim e dava um sorriso lindo. Sua mão esquerda ficava o tempo inteiro apoiada no volante e a direita ficava apoiada no espaço acolchoado entre o meu banco e o dele. Em alguns momentos ele apoiava a mão direita em sua coxa e eu encarava aquilo por um tempo, achando incrivelmente sexy. Mordia delicadamente meus lábios e soltava a respiração devagar pela boca, no maior silêncio. Eu passava uma mão na outra, tentando ser o mais discreta possível e notava que minhas mãos suavam, mesmo com o ar-condicionado ligado. Não surte, .
- Então... - Falamos juntos e eu ri, olhando para seu rosto que encarava a rua. - Pode falar! - Falei mais rápido que ele.
- Tá tudo certo? - Ele perguntou e eu abri um sorriso de lado confirmando com a cabeça. - Você não é tão quieta.
- Xi! - Falei dando um leve tapa em seu braço, o fazendo rir. - Tá tudo certo sim... Onde vai me levar? - Perguntei e ele virou o rosto para mim.
- Eu estava pensando... - Ele começou e trocou as mãos no volante. - Quanto você conhece Boston?
- Universidade de Boston, casa, casa, Universidade de Boston. ID, casa, Boston Harbor Hotel para reuniões, supermercado, alguns shoppings e todo o caminho inverso. - Ele soltou uma gargalhada gostosa. - Sério, agora que eu posso fazer turismo por Boston, eu não tenho tempo, e quando eu tenho tempo só penso em descansar. - Fiz um bico involuntário e ele sorriu timidamente para mim.
- Resumindo, você não conhece nada de Boston.
- Culpada! - Falei dando de ombros.
- Eu vou te levar em um lugar que eu costumo ir quando vou encontrar meus amigos aqui. É ainda um dos lugares que eu mais me sinto em casa. - Ele falou com o tom de voz mais baixo agora. - Gostaria de dividir com você. - Soltei um suspiro e senti sua mão quente segurar a minha, que estava em meu colo.
- Eu vou gostar disso. - Apertei sua mão com a minha e ele entrelaçou nossos dedos, um toque simples, mas que me fez abrir um largo sorriso.
Consegui ficar em silêncio mais um tempo, e isso estava me incomodando muito. Eu não era assim e eu falava que nenhum homem me deixaria assim, mas parece que eu estava errada. Eu estava muito nervosa, espero que ele não tenha notado minhas mãos suadas, ou minha cabeça quente, ou meu pé batendo de leve no tapete do chão, ou talvez a força que eu apertava minha bolsa de mão. Espero que ele não tenha notado nada disso. Você precisa de acalmar. Minha mente gritou para mim, e se eu não me acalmasse logo, eu gritaria de verdade, e não seria nada legal. Respirei fundo e apertei a mão de Chris entre meus dedos, espero que ele tenha notado que eu não tinha intenção nenhuma de soltar.
Chris dirigiu para sul da cidade, indo como se fosse para o interior de Massachussets, devido ao horário, o trânsito estava um pouco caótico, carros para todos os lados, indo para todas as direções, principalmente para fora da cidade. Era igual São Paulo, as pessoas moravam no interior, mas trabalhavam na cidade grande. Como eu não conhecia muito o estado, não sabia para onde as pessoas iam. No meio ao trânsito, eu pude observar Chris, ele soltou minha mão por um tempo e manteve as duas mãos no volante, o trânsito estava lento, mas eu notava que ele estava calmo, ou aparentava estar. Ele também dirigia em uma velocidade normal, um pouco mais rápido nas avenidas, e um pouco mais devagar nos entroncamentos. Ele dirigia bem. Quando chegamos a uma avenida parecida com aquelas que vemos em filmes, larga, com carros passando por todos os lados, ele começou a ir mais devagar. Com a mão esquerda, ele diminuiu a marcha e se aproximou do meio fio, fazendo uma baliza perfeita. Pressionei meus lábios um no outro e segurei uma risada, ele pode não fazer por querer, mas ele estava tentando me surpreender.
- Você já foi a um diner? - Ele perguntou me olhando, franzi a testa.
- Diner? - Ele confirmou com a cabeça. - É aqueles lugares conhecido por servir café da manhã em filmes, não? - Ele virou a chave e puxou o freio de mão.
- Algo assim! Esse é parecido com isso, mas serve lanches e jantar também. Além de ficar no meio da cidade. - Ele tirou o boné da cabeça, jogou no banco de trás e abriu a porta do carro, saindo do mesmo.
Fiquei meio perdida por um tempo, mas não demorou dois segundos e ele já estava abrindo a porta do lado do meu carro para mim e estendendo a mão para mim. Segurei a mão dele e a apoiei para sair do carro. Assim que saí, pude sentir o vento bater em meu rosto e jogar meus cabelos presos para trás. Coloquei os pés no chão e parei ao seu lado, ouvindo a porta bater ao meu lado.
- Espero que não fique decepcionada. - Ele falou e eu soltei uma risada. Encostei minhas mãos de leve em seu rosto e o vi fechar os olhos por alguns segundos.
- Fica quieto, Evans. Qualquer lugar que você quiser me levar, eu vou ficar grata em você querer dividir comigo. - Ele abriu os olhos novamente e me encarou com aqueles olhos azuis e sorriu.
- Vem! - Ele segurou minha mão e caminhamos um pouco em direção à esquina do quarteirão, e logo na esquina uma construção com tijolos à vista. A frente dele tinha algumas janelas amplas e cada uma tinha um toldo preto acima. E acima do toldo do meio podia ser lido Mike's City Diner. De fora, não dava para dizer que era um diner, e sim um restaurante bem descolado.

Ele abriu a porta de vidro e deu passagem para mim. Entrei. Por dentro ele já era mais parecido com os famosos diners que víamos nos filmes. Um longo corredor logo na entrada com bancadas dos dois lados onde várias pessoas estavam sentadas e algumas garçonetes passavam o local com bandejas com pratos diversos. Chris passou na frente e segurou minha mão firme, me puxando para o local. Fomos para o lado esquerdo do restaurante, colado na bancada várias mesas de dois ou quatro lugares em um pequeno espaço. Lá não tinha mais que doze mesas. Devido ao horário, aquilo estava um pouco vazio ainda. Ele seguiu para uma mesa próxima da janela, e indicou a cadeira para mim, sentei na mesma, não antes de encostar meus lábios rapidamente em sua bochecha. Ele sentou na cadeira da frente e puxou a mesma para frente. Pude sentir seus joelhos encostados no meu, não fiz objeção nenhuma aquilo.
Na mesa já estavam postos talheres para cada pessoa e também uma caneca branca e ao lado um conjunto com sal, açúcar, pimenta, ketchup e palitos de dente em frascos separados.
- É igualzinho nos filmes! - Falei observando o lugar rapidamente.
- Eu vinha muito aqui quando era mais novo. Se você for reto nessa rua, você cai em Sudbury, então quando queríamos variar o cardápio um pouco, a gente dava um pulo para cá. - Ele apoiou os cotovelos na mesa e encostou o rosto entre as mãos, achei aquilo extremamente fofo.
- E por que esse lugar em especial hoje? - Apoiei minhas mãos na mesa.
- Não sei. - Ele suspirou e coçou a cabeça por alguns segundos. - Eu tenho bastante história com esse lugar.
- E aí, Chris! Quanto tempo, cara! - Um homem com blusa roxa do local se aproximou e cumprimentou Chris que se levantou quando ele apareceu.
- Faz tempo que não passo por aqui mesmo, Louis! - Eles se abraçaram rapidamente.
- E ela, quem é? - Ele se virou para mim, é agora que eu cavo um buraco e sumo?
- Essa é a ! - Ele falou abrindo um sorriso para mim e ambos trocaram um olhar cúmplice e um sorriso, isso era bom, não?
- Prazer, ! - Ele falou estendendo a mão para mim.
- Prazer! - Abri um sorriso discreto.
- , Louis é filho do dono, nós crescemos juntos, praticamente! - Eles estavam abraçados de lado.
- É! Esse cara é da família! - Louis falou e eu ri, então estou conhecendo seus amigos de infância, Evans? - Já foram atendidos? - Chris negou com um muxoxo com a boca e eu ri.
Louis deu uma inclinada no balcão atrás da gente e pegou alguns cardápios. Deu um para Chris e estendeu outro aberto para mim dando um sorriso.
- Divirtam-se! - Ele falou e ambos trocaram um olhar que só foi entendido pelos dois e eu senti minha bochecha ficar vermelha.
- Valeu, cara! - Chris falou e se sentou novamente.
- Então, amigos de infância, hein?! - Falei olhando para o cardápio, para a variedade de comidas gordas no mesmo.
- Louis e eu temos a mesma idade, a mãe dele é de Sudbury, então era com ele que eu vinha muito aqui! - Ele falou apoiando o cardápio na lateral da mesa.
- Me deixa adivinhar, o pai dele é o “Mike”? - Perguntei e Chris riu.
- Quase! É o avô dele! - Mostrei a língua para ele e ele gargalhou apoiando a mão no peito por alguns segundos.
- Sem graça! - Abaixei meu rosto novamente e fiquei observando as opções. - O que você come normalmente aqui? - Perguntei ficando totalmente indecisa sobre o que escolher. Tudo no cardápio eu gostava, tudo mesmo!
- Eu sempre peço um lanche triplo de carne. - Rodei rapidamente o cardápio e notei que era um lanche bem grande. - E você, o que te chamou atenção?
- Honestamente? Tudo! - Falei o fazendo rir. - Eu sou boa de garfo, isso você já sabe!
- Sei! Isso é algo bom. - Ele falou simplesmente.
- Acho que eu vou querer essas panquecas com maple syrup e manteiga! - Ele abriu um sorriso. - O quê?
- Nada! É que você escolheu o que eu esperava que escolhesse! - Franzi a testa. - Isso não tem no Brasil.
- Exato! Eu quero conhecer, nunca comi isso. Acredite, eu estou aqui há mais de um ano e nunca experimentei o tal de maple syrup.
- O que você toma de café da manhã? - Ele falou como se tivesse sido um crime eu ter falado que nunca tinha experimentado.
- Pão com manteiga e leite, uai! - Dei de ombros e ele riu.
- Foi o que eu comi quando fui pro Brasil, tirando o leite, me dou melhor com café! - Ele comentou descontraído e o garçom se aproximou.
Chris fez nossos pedidos, o garçom perguntou quantas panquecas eu queria e Chris logo respondeu que eu queria o maior prato, não sabia se ria ou se ficava brava, mas ele usou a desculpa que eu estava experimentando e precisava ter certeza, tonto! Para beber, eu acabei escolhendo um milk-shake, alguns copos haviam passado por mim e tinham me deixado com muita vontade. Eram copos de quase um litro com muito chantili por cima e uma cereja, eu tinha que beber aquilo, Chris me acompanhou. O jantar, ou lanche da tarde, ocorreu sem muitas surpresas. Conversamos sobre tudo, honestamente. Desde como havia sido nossas semanas, até sobre como eu havia passado a minha vida inteira sem experimentar algumas coisas boas da vida.
- Ah Evans, fica quieto! Você nunca experimentou feijoada que eu sei! - Ele franziu a testa com a palavra brasileira e eu ri. - Ou coxinha, ou pão de queijo, ou feijão tropeiro, ou tapioca, ou cuscuz, ou quindim, ou caipirinha, ou brigadeiro... Não, brigadeiro você já experimentou. - Falei uma comida atrás da outra vendo seu rosto se confundir com tantas palavras
- Ei! Calma! - Ele falou estendendo as duas mãos para frente, me parando. - Me perdi já!
- Só estou mostrando um lado, tá?! - Dei uma última garfada na minha panqueca e coloquei os talheres para o lado, mostrando que havia terminado. - E pão com manteiga é muito mais gostoso. - Dei um gole em meu milk-shake enquanto Chris gargalhava em minha frente.
- Me mostra, então! - Ele falou arqueando as sobrancelhas em sinal de desafio.
- Um dia eu vou mostrar e você vai ver que eu tenho razão. - Arqueei as sobrancelhas como a dele e voltei o copo vazio para a mesa. - Só não pode ter estômago sensível. - Adicionei fazendo uma careta.
- Já experimentei umas coisas bem estranhas, viu?! Principalmente quando fui para Coreia!
- E eu te beijei?! - Falei fazendo uma careta e ri logo em seguida.
- Sem graça! – Fiz uma careta para ele e apoiei as mãos na mesa.
Chris estendeu a mãos em cima das minhas e ficou fazendo um carinho leve nelas. Virei o rosto rapidamente para a rua e notei que ela estava menos movimentada e que o sol já tinha se posto. Virei o rosto para frente novamente e pude ver Chris me olhando, era um olhar simples, mas firme, um olhar que me deixou envergonhada por alguns segundos.
- Você é tão linda! - Ele falou e eu soltei uma risada nasalada, permanecendo em silêncio.
Ele inclinou o corpo um pouco para frente e eu senti a necessidade de fazer o mesmo, pude sentir sua respiração em meu rosto por alguns segundos e depois seus lábios gelados sobre o meu, creio que parte disso era da nossa bebida. Ele só pressionou nossos lábios por alguns segundos, ele não tentou aprofundar o beijo e com uma mesa entre nós, ele não conseguiria. Ele se afastou por um tempo, abrindo os olhos, mas manteve o rosto colado ao meu, próximo o suficiente para eu sentir sua respiração, mas também o possível para eu olhar para seus olhos azuis.
- Tenho mais um lugar para te levar. - Ele falou, quebrando o silêncio.
- Onde? - Ele riu e não respondeu.
Levantamos e Chris foi para o balcão, tentei me aproximar dele, mas ele mantinha a mão na minha, em sinal de distância, ele não queria que eu pagasse a conta. Suspirei e me aproximei da porta, encarando o céu novamente. O dia estava incrivelmente bonito. Boston costumava ficar um pouco gelada no fim do dia, e como sempre, eu havia esquecido meu casaco, não que eu fosse precisar de casaco pouco depois das sete da noite, mas eu não estava indo para casa, certo?
- Vamos? - Chris perguntou ao meu lado, e segurou minha mão, caminhamos lado a lado para fora do diner.
Naquele momento eu já estava um pouco mais relaxada, havíamos feito algumas piadas e brincadeiras durante o lanche e eu consegui me soltar, as coisas simplesmente fluíram nada difícil ou complicado, ele era o Christopher e eu era a , não tinha nada lá fora que nos fizesse agir de forma diferente. Ele abriu a porta do carro novamente para mim e enquanto ele dava a volta para entrar, coloquei o cinto de segurança.
- Vai demorar um pouco para chegar, ok?! - Ele falou e eu só confirmei com a cabeça.
Ele retornou pelo lugar de onde vimos, passou próximo a ID e meu condomínio e contornou a cidade novamente, durante todo o caminho durante a cidade, ficamos em silêncio. Eu queria saber para onde estávamos indo, e eu sabia que se eu perguntasse, ele não ia responder. Pouco tempo depois de a dúvida surgir em minha mente, entramos na estrada, não existiam mais luzes, nem barulho de cidade e nem movimento. Era só eu, ele e uma estrada para algum lugar.
Não prestei atenção em quanto tempo durou a viagem. O caminho inteiro foi ocupado por conversas, eu sempre fui do tipo livro aberto e mesmo que ele não aparentasse, ele estava se abrindo completamente comigo, o que me deixava feliz. No caminho, ele segurava o volante com a mão esquerda, e o olhar estava focado na estrada, mas mão esquerda ele a mexia quando falava, fazendo os gestos exagerados que eu conhecia de algumas entrevistas. Algumas vezes ele virava o rosto para mim, dava uma rápida piscada e voltava o olhar para a estrada.
Eu já estava confortável no carro, havia largado o pé esquerdo do meu sapato no chão, dobrado essa perna para cima do banco e estava com o braço esquerdo encostado no banco, onde supostamente deveria estar minhas costas. Eu olhava a silhueta de seu rosto iluminada um pouco com a luz que vinha do painel do carro e dos faróis, seu perfil podia ser definido uma palavra só, suspiro, porque essa era a reação que eu tinha quando não o via há algum tempo, eu sempre suspirava, acho que não importava quanto tempo ficaremos juntos, eu ia suspirar toda vez que olhasse para ele. Os cabelos levemente arrepiados, a testa longa, sobrancelhas curtas, e grossas, o olhar pequeno, mas de tirar o fôlego de qualquer um, o nariz com uma marcação no meio, a orelha levemente avermelhada, a boca carnuda, mas fina, o queixo bem marcado, e alguns pontos pretos querendo nascer nas laterais de seu rosto. Soltei um suspiro um pouco alto demais e o vi virar o rosto para mim, desviei o olhar ao fechar os olhos, e voltei a posição normal, a tempo de ver uma placa escrita Cape Ann, MA, próxima entrada a 5 milhas. E não demorou muito para que Chris entrasse lá.

Nesse momento eu me endireitei no banco, joguei as pernas para o chão do carro novamente e abri um pouco do vidro preto até que ficasse a altura de meus olhos. Cape Ann era conhecida como uma das praias mais bonitas em Massachusetts, nunca tinha ido para lá, mas era um lugar conhecido por qualquer universitário que quisesse fazer uma festa no fim do ano. Quando estava na minha pós-graduação, todo fim de semana alguma pessoa da turma combinava de vir para Cape Ann, mas como eu estudava pelo governo e não tinha muito dinheiro para extras, eu nunca havia ido, algo que me deixava frustrada, porque eu tinha um amor especial por praias. Será que Chris sabia disso?
Assim que Chris entrou na cidade, eu pude sentir o cheiro de água do mar e sentir o vento diferente em meu rosto, eu amo praia, desde que eu era pequena, não tinha maior felicidade em entrar de férias e minha mãe falar que iríamos para a praia, eu sempre estava pronta, e sempre fui daquelas que ficava no mar o dia inteiro, odiava ficar tomando sol e também caminhar na praia, não eram coisas que davam certo para mim, assim que eu entrasse na água, seria difícil me tirar de lá.
Enquanto eu estava entretida com a paisagem, as cores, o aroma, o vento e tudo relacionado à longa porção de água e terra de Cape Ann, Chris atravessou quase que a cidade inteira até chegar a um local mais alto e rochoso. Ele estacionou o carro e logo estávamos saindo do mesmo. Assim que bati a porta eu fiquei parada por um tempo, eu tinha uma sensação meio extasiada na praia, eu poderia ficar ali parada o dia inteiro e nada me abalaria. O local que estávamos estava quieto, de um lado havia grossas rochas e do outro areia fina e branca. O vento estava forte, o que bagunçava meu cabelo e também fazia alguns fios rebeldes voarem no topo da cabeça, mesmo com a quantidade de laquê que Rupert havia passado. O mar também estava agitado. Ondas altas e barulhentas batiam contra as rochas e chegavam calmas até a areia branca.
Destravei quando Chris segurou minha mão, e em quase um susto eu virei meu rosto para ele, encontrando-o com um sorriso largo e risonho para mim, ele estava me observando. Retribui o sorriso e entrelacei nossos dedos.
- Vem! – Ele falou fazendo um movimento com a cabeça indicando o mar.
Havia uma pequena mureta de um metro de altura que separava o estacionamento da areia branca. Antes de pular a mesma, Chris tirou seus sapatos e sua meia e deixou no alto da mureta, e pulou para a areia fofa. Tirei meus saltos, deixando ao lado de seus sapatos e senti suas mãos na minha cintura me ajudando a descer. Suas mãos subiram pelas minhas costas, deslizando meu corpo para baixo, até que eu estivesse com os dois pés fincados na areia macia e as mãos quentes de Chris firmes no meio das minhas costas.
Seus olhos me encararam por poucos segundos antes de acabar com o pouco espaço que tinha entre a gente. Seu rosto abaixou levemente e pude sentir seu nariz roçando delicadamente no meu. Ergui o braço direito e segurei sua nuca com a ponta dos dedos, ele aproximou o rosto do meu e mordeu meu lábio inferior, me fazendo soltar um gemido baixo, esse homem me tira do sério, apertei minha mão em sua nuca e subi a outra mão para seu ombro, apertando-o de leve. Ele escorregou uma das mãos nas minhas costas até que a ponta dos seus dedos encostasse em meu bumbum, prendi a respiração por poucos segundos e amarrotei a parte da blusa em seu ombro com meus dedos, sentindo a respiração sair pelo meu nariz
Ergui-me na ponta dos pés e colei nossos lábios com certa urgência e rapidamente Chris entendeu meu recado e rapidamente pude sentir sua língua sob a minha em um carinho delicioso, existe alguma coisa que esse homem faça mal? Ele sugou meu lábio nos separando e fez uma trilha de curtos beijos até meu pescoço, uma de suas mãos desceu para minha coxa e manteve sua mão ali. Escorreguei minha mão de sua nuca para suas costas, raspando a ponta das unhas, sentindo-o se arrepiar ao meu toque. Cheguei mão até o cós da sua calça e a coloquei por baixo de sua blusa, usando suas costas como apoio. Chris suspirou entre meu pescoço e deu uma pequena mordida no mesmo antes de subir novamente os lábios para minha boca. Minha respiração estava falha e a boca entreaberta, o ar que saía da mesma era quente, diferente do ar gelado que batia em nossos corpos. Minha mão que estava em seu ombro subiu para seus cabelos e o enrolei meus dedos sobre os fios. Entreabri os olhos e notei que Chris mordia seu lábio inferior, fiz o mesmo e logo senti seus lábios pressionados nos meus, me obrigando a fechar os olhos novamente e aproveitar o momento.
Quando senti que o ar estava me faltando, eu forcei mais meus dedos nos cabelos do Chris e me forcei a nos afastar por alguns segundos. Minha respiração estava pesada e eu sentia meu peito subir e descer com rapidez. Os lábios de Chris estavam mais avermelhados do que o normal e suas pálpebras abriam e fechavam forçando a mesma. Suas mãos subiram para as minhas costas e permaneceram lá em um abraço. Ele encostou a bochecha na lateral do meu rosto e permaneceu assim por um tempo. Passei meus braços pelo seu pescoço e relaxei meu corpo um pouco em seus braços. Além do quebrar das ondas, o único barulho naquela cidade era de nossas respirações descompassadas.
- Ah! – Deixei escapar pelos meus lábios e Chris trouxe seu rosto para o meu novamente e pude encarar seus olhos azuis próximos do meu. Ele encostou nossos lábios novamente, selando-os por poucos segundos e manteve assim por um tempo que eu não consegui determinar. - Você está me deixando encabulada. – Falei com um tom de voz baixo e ele abriu um sorriso sapeca.
- Encabulada? Depois desse beijo? – Dei um tapa de leve em seu ombro e seus braços se afrouxaram em meu corpo, nos afastando um pouco.
- Eu tenho meus momentos!
- E eu estou gostando deles! – Ele se colocou ao meu lado e entrelaçou um de nossos braços e colocou a mão em seu bolso. Com o braço entrelaçado eu apoiei ambas as mãos em seu braço e caminhamos mais à frente da praia.
- Por que me trouxe aqui? Tem algum significado especial para você? – Falei enquanto andava afundando meus pés na areia, fazendo questão de sentir a areia passando pelos meus dedos.
- Fiquei sabendo que gosta de praia. – Ele virou o rosto para mim e abriu um sorriso simples, franzindo suas bochechas. - Mas agora vai ter um significado especial.
Apertei mais seu braço sobre o meu e com um vento gelado, senti os pelos de meus braços e minhas pernas arrepiarem. Vi Chris colocar a outra mão no bolso da calça e encolher os ombros um pouco. Antes que chegássemos à areia molhada, Chris parou e ficou olhando para frente. Encarei-o com o canto dos olhos e seu rosto estava sério, os olhos levemente franzidos por causa do vento e a postura reta, bem diferente da minha, eu estava com queixo apoiado em seu ombro e minhas costas estavam levemente arqueadas para frente, mas não por muito tempo.
Desentrelacei nossos braços e puxei o ar fortemente para dentro dos meus pulmões, sentindo o cheiro de praia, água salgada e areia, combinação quase perfeita. Contei cinco passos até sentir meus pés na areia molhada e coloquei as mãos nos bolsos do meu vestido, arqueando minhas costas e forçando as mãos no bolso. Dobrei os dedos dos pés rapidamente quando vi a onda se quebrar e a água correr pela areia, encontrando meus pés. Olhei para meus pés molhados e vi mais algumas ondas encontrar os mesmos. Abri um largo sorriso e fechei os olhos. Eu poderia ficar ali para sempre. Eu e o mar, sem pressa, sem compromissos. Senti dois braços passarem pelo meu pescoço, em um abraço quente. Bem, eu, o mar e ele.
Chris manteve suas mãos em meu corpo e encostou sua bochecha na minha, não pude conter um sorriso. Tirei minhas mãos do bolso e as coloquei em cima de seus braços, próximo a meu rosto, fazendo um carinho delicado com a ponta das mãos.
- Você gosta daqui? – O ouvi sussurrar essas palavras em meu ouvido, fazendo meu pescoço se arrepiar e não foi preciso palavras para a minha resposta, eu só abri um sorriso. – A gente pode vir sempre que você quiser. – Concordei com a cabeça e virei meu corpo para o dele, sentindo seus braços se afrouxarem de meu corpo.
- Obrigada! – Falei baixo com a boca próxima a sua.
- Pelo o quê? – Ele franziu a testa.
- Por me mostrar que eu tinha razão. – Sua testa se manteve franzida. – Você é especial. – Ele abriu um sorriso, dando um curto beijo em minha testa. – Você vale a pena.

Não notei que o tempo havia passado com tanta rapidez. Ficamos abraçados por boa parte desse tempo, trocamos alguns beijos, algumas carícias, palavras de carinho e até algumas piadas, o que fazia com que nossas risadas escandalosas pela avenida silenciosa de Cape Ann. Só notamos que era bom voltar para Boston quando seu celular vibrou em seu bolso denunciando uma mensagem de seu irmão e pudemos ver o horário, que já passava das dez horas da noite. Soltamos uma risada e caminhamos de volta para o carro. Chris me ajudou a subir pela mureta e logo subiu atrás de mim.
Peguei meus sapatos e ele fez o mesmo com os dele. Ele abriu o porta-malas e puxou uma mochila preta lá de dentro, abriu a parte maior da mesma e puxou uma toalha azul escura de lá, me entregando a mesma para secar e limpar os pés. Me aproximei de seu carro e sentei de lado no lugar do passageiro e passei a toalha levemente sobre meus pés, tentando tirar toda a areia do mesmo, me certificando que não entraria areia no carro de Chris e muito menos em meu apartamento. Assim que finalizou, Chris já estava do mesmo jeito atrás de mim, no banco do motorista, esperando a toalha. Virei os pés para dentro do carro e estendi a toalha para ele. Puxei a porta e passei o cinto pelo meu corpo. Chris foi mais rápido que eu e jogou os sapatos no banco de trás.
Ele ligou o carro e deu marcha ré, saindo da vaga e voltando para o caminho que tínhamos ido. Puxei um dos pés para cima do banco e virei de lado novamente, encarando-o dirigindo, era algo que eu tinha gostado de observar, o deixava incrivelmente sexy. Chris ligou o som baixo e o ar quente para ver se nossos corpos esquentavam um pouco, não me importei muito com isso, sua mão em cima da minha já era o suficiente.
- Foi divertido! – Falei vendo seu rosto se virar para o meu rapidamente.
- Fazia tempo que eu não me divertia assim. – Ele falou seguido de uma risada e apertou minha mão.
- Precisa parar de trabalhar tanto!
- O problema não é o trabalho, é a companhia! – O vi piscar para mim e voltar a atenção para a estrada.
- Companhia?
- Sim, você! – Ele sorriu e mordi meu lábio fortemente, depois dessa, eu não tinha mais nada para dizer.
Meu corpo estava cansado. Trabalhar, me arrumar, fazer uma viagem curta, ter um dia perfeito havia sido incrivelmente prazeroso, mas fisicamente eu estava cansada, sentia meus olhos pesando, mas os forçava a ficar aberto. Olhei para o perfil de Chris mais uma vez antes de sentir meus olhos fecharem.

Sentia meu corpo encaixado perfeitamente em uma superfície macia, virei meu corpo para um lado, abraçando melhor o travesseiro e suspirei. Mexi as pernas sentindo-as fora da coberta e senti um vento frio passar por elas, tateei a cama e procurei o lençol, em vão. Suspirei e abri um de meus olhos, encontrando um quarto diferente do que eu estava acostumada. Sentei na cama em um susto, sentindo uma rápida dor de cabeça ao fazer o mesmo. Eu estava em uma cama de casal mais alta que a minha e em um quarto com poucas decorações, as poucas que tinham estavam em preto e branco. O quarto era amplo, com janelas de vidro cobrindo boa parte de uma das paredes, com cortinas brancas balançando por causa do vento que passava por elas. Na cabeceira da cama podia ver uma foto de Chris com seus irmãos. Estavam os quatro, fazendo uma escadinha do mais alto ao mais baixo. Segurei a foto por alguns segundos e abri um sorriso.
Notei a roupa que vestia e vi que estava com a mesma do dia anterior, incluindo meus acessórios. Sentia que podia morrer sufocada naquele vestido a qualquer momento. Como eu vim fui parar ali? Passei a mão nos meus cabelos que estavam sem o efeito do laquê e os deixavam bagunçados. Saí da cama e com passos discretos passei por uma das portas, procurando o banheiro. Fiz um rápido bocejo, escovando o dente com o dedo, só para tentar tirar o possível mau hálito matinal. Com alguma dificuldade passei a mão em meus cabelos, desfazendo o penteado e vi que parte da minha maquiagem ainda estava em meu rosto. Peguei um dos sabonetes no banheiro e tirei o máximo possível de maquiagem em meu rosto, principalmente o rímel que já tinha colado meus cílios. Sequei meu rosto e baguncei meus cabelos rapidamente, o vendo armar um pouco por causa do laquê, mas ignorei. Voltei para o quarto, à procura dos meus sapatos e não os encontrei.
Saí do quarto, dando de cara com um escritório na primeira porta à direita e logo em seguida uma escada larga em espiral. Desci pela mesma e me encontrei na sala, que possuía grandes sofás de couro preto, onde era possível ver uma coberta e um travesseiro bagunçado, denunciando onde Chris tinha dormido aquela noite, e mais algumas decorações discretas e porta-retratos de Chris e sua família. Puxei a respiração e senti um cheiro de algo gostoso e um barulho de algo caindo logo em seguida, segui o cheiro e o barulho e passei por uma porta, dando de cara com Chris em calças de moletom e sem blusa, o que me deu uma visão perfeita de suas costas, e de seu braço direito onde podia ver a tatuagem ‘Família’ escrita, ele estava em frente ao fogão, tirando uma panqueca da frigideira e colocando em um prato ao seu lado.
- Bom dia! – Falei baixo me aproximando dele. Imediatamente ele virou o rosto. O sorriso dele literalmente iluminou meu dia.
- Bom dia! – Ele deixou a frigideira no fogão e virou o corpo para mim, fechei os olhos por um tempo, soltando uma risada ao poder encarar as duas tatuagens em seu tronco. Uma próximo a seu pescoço com uma frase de um autor que ele gostava e outra bem na direção de seu estômago, onde podia ler o nome “Mike, que descanse em paz”. – O quê? – Ele perguntou e eu revirei os olhos, sentindo seus lábios encostados no meu por um tempo.
- Nada! – Falei passando a mão no rosto rapidamente e abaixei a cabeça. Notei seu olhar firme em mim. – Você não tem noção que é bonito para caramba, né?! Para não usar outras palavras.
- Só eu, né?! – Dei de ombros e senti seus braços se envolverem em meu corpo em um forte abraço.
- O que aconteceu ontem à noite, que eu não lembro?
- Você capotou na volta de Cape Ann, eu não queria te acordar, então te trouxe para cá. Relaxa, eu dormi no sofá! – Ele falou antes que eu pudesse interrompê-lo.
- Eu não ia falar nada. – Me aproximei de onde estava o prato com as panquecas. – Mesmo se tivesse dormido comigo. – Falei a última parte baixo, e ouvi uma risada nasalada vindo dele. - Fala que eu não ronquei. – Virei meu corpo para ele novamente e encarei seus olhos.
- Se quiser eu não falo! – Ele cruzou os braços em cima do corpo. Ah, Chris, para, não sei o que tá mais difícil, olhar para o seu corpo ou seus olhos.
- Eu ronquei? – Falei em um tom de voz mais alto.
- Estava uma gracinha. – Virei meu corpo ao mesmo tempo em que fechei os olhos, fazendo uma careta.
- Ninguém é uma gracinha roncando, Evans! – Falei e senti seus braços em volta do meu corpo, pegando os pratos na minha frente.
- Vem comer! – Ele sussurrou, pegou os pratos, deu um beijo rápido em minha cabeça e se afastou passando por uma porta que ia para fora.
O segui e vi uma mesa quadrada para somente quatro pessoas posta à beira de uma piscina, jardim e uma área de lazer ao lado, o sol que iluminava a piscina estava forte, me forçando a fechar os olhos por alguns segundos. Na mesa tinha algumas outras coisas além das panquecas, como ovos, bacon e pão com manteiga. Não contive o sorriso.
- Eu amo bacon, mas não consigo entender como vocês conseguem comer no café da manhã isso. – Falei enquanto sentava ao seu lado.
- Costume! – Ele falou quando não achou outra explicação melhor.
Me servi de leite e coloquei algumas colheres do achocolatado recém-aberto que estava na mesa, Chris foi no café, então creio que aquilo não costumava fazer parte da sua lista de compras. Como uma mulher de 27 anos ainda bebe leite com achocolatado? Costume seria a minha resposta. Costume de não crescer, isso sim. Primeiro peguei um pão e o separei em dois pedaços passando manteiga no mesmo e o mordendo com gosto, não tinha nada melhor que aquilo, me permiti até soltar um suspiro, o que fez Chris rir ao meu lado.
Dei de ombros e voltei a encarar sua varanda. Não sabia que Chris tinha uma casa em Boston, achava que tinha um apartamento, ou algo assim, mas ele tinha uma casa muito bem montada em Boston, isso sim. Após o pão ainda comi uma panqueca e me permiti atacar um pouco o ovo mexido, o fazendo rir enquanto eu tentava aparecer uma pessoa delicada, coisa que eu não sou e pelo jeito ele sabia disso.
Terminamos o café da manhã falando sobre o lanche no diner, e eu fiz questão de comentar que virei freguês do lugar, era um lugar bom, quieto, gostoso e com comida boa, coisas que eu não dispensava. Enquanto ele tirava a mesa eu lavei a louça, dessa vez sem briguinhas sobre quem iria lavar a louça, ele estava mais preocupado em me fazer meus pelos se arrepiarem com os diversos beijos em meu pescoço, filho da mãe.
- Quero repetir a dose de ontem. – Ele falou com a boca colada em meu ouvido. – O que tem para fazer hoje?
- Aceito ir a qualquer lugar contigo! – Falei virando meu rosto e sentindo um beijo em meus lábios, nós dois estávamos sorrindo igual tontos, isso estava claro, eu estava no ápice da minha felicidade. – Contando que eu tenha o direito de ir para casa, tomar um banho e me trocar. Estou me sentindo sufocada dentro desse vestido já! – Chris mordeu os lábios e eu soltei uma gargalhada nervosa, senti minhas bochechas corarem, imaginando o que se passava pela minha cabeça.
- Cinema? – Ele falou logo em seguida.
- Eu quero ver O Homem de Gelo! Não vi ainda. – Falei, me lembrando de seu filme que estava nos cinemas.
- Ah, não! – Ele falou soltando as mãos de meu corpo.
- Por que não? – Soltei uma risada.
- Porque tem eu! – Ele falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Então teremos um pequeno problema, eu adoro seus filmes. – Falei passando as mãos no pano de prato e o acompanhei pela porta da sala e me joguei no sofá ao seu lado.
Ele ficou quieto por um tempo e pegou minha mão, acariciando-a por um tempo, notei que ele passou o dedo na palma da mesma, em cima da quase imperceptível marca branca.
- É daquele dia? – Confirmei com a cabeça.
- Resultado do nosso primeiro tempo juntos. – Ele gargalhou.
- Já tivemos outros antes daquele dia.
- Esse foi o primeiro sem supervisão adulta. – O lembrei e ele franziu o rosto em uma risada silenciosa.
Ele levou minha mão até sua boca e deu um pequeno beijo na mesma, entrelaçando nossos dedos novamente e eu sorri, fechando os olhos por um tempo.
- E então, O Homem de Gelo? – Falei voltando ao assunto do cinema.
- Vou pensar no seu caso. – Ele falou emburrado e eu encostei meu rosto em seu ombro, fechando os olhos, mas dessa vez sem dormir.


Capítulo 04

Saying 'I love you', is not the words I want to hear from you. It's not that I want you not to say but if you only knew how easy it would be to show me how you feel. More than words is all you have to do to make it real. Then you wouldn't have to say, that you love me 'cause I'd already know.
(Dizer 'eu te amo', não são as palavras que eu quero ouvir de você. Não que eu não queira que você diga mas se você soubesse como é fácil me mostrar como se sente. Mais que palavras é tudo o que tem que fazer para tornar verdade. Então você não teria que dizer que me ama, porque eu já saberia.)
– More Than Words – Extreme

Ouvi meu suspiro alto ecoar pelo meu quarto e abaixei a cabeça por alguns segundos, ouvindo o telefone tocar novamente. Imediatamente apertei o botão para que fosse diretamente para a secretária eletrônica e puxei o fio do telefone da parede. Minha vontade era de jogar tudo para o alto e mandar à merda. Peguei o roteiro que estava em cima da mesa com as palavras “1h30 Train – Chris Evans” em letras garrafais e me joguei na cama. Eu podia ouvir ao longe os outros telefones da casa tocando, mas ignorei.
Apoiei o roteiro em meu travesseiro, virei de bruços e olhei a primeira página, lá continha o nome de algumas atrizes em potencial que tinham feito o teste para o primeiro filme que eu dirigiria. A produção já havia pré-selecionado algumas pessoas, mas restava com que eu desse a palavra final, mas aquilo estava me matando. Por ser novo nessa área de direção, eu tinha muitas indecisões, não sabia definir o que estava certo e o que estava errado, então uma decisão simples, se tornava maçante, e algo que eu podia decidir em poucas horas, era protelada durante dias.
Dias... Eu ainda tinha alguns dias para entregar a relação de tudo para a produção e para que eles pudessem começar a preparar os outros detalhes como figurino e datas de gravação em Nova York. E também tinha esse título, não estava deixando a equipe, muito menos eu feliz.
Joguei o papel para o lado e afundei meu rosto no travesseiro. Eu estava mentalmente cansado há algum tempo. Desde que eu havia voltado de Boston, e era só com isso que eu estava focado. Filme, filme, filme. Mas eu precisava voltar para Boston e ver novamente.
Soltei um suspiro e peguei o celular da mesa de cabeceira ao meu lado e desbloqueei o mesmo digitando a senha, nossa conversa da noite anterior ainda estava aberta. A última mensagem era um áudio dela, me desejando boa noite. Áudio, algo que eu tinha aprendido recentemente como usar, mas que estava sendo muito útil. Eu precisava voltar para Boston para vê-la.
Saí da conversa e fui para a agenda, procurando saber quando seria meus próximos compromissos. Estávamos quase no fim de julho e a Comic-Con estava chegando e também a estreia do meu novo filme Expresso do Amanhã na Coreia, dois eventos que eu não poderia nem pensar em faltar, como também um evento da Disney em agosto. Eu poderia resolver o que tinha para resolver nos próximos dois dias e antes de ir para San Diego dar uma passada em Boston para vê-la. Seria algo rápido, mas era o que eu estava precisando no momento. Mas... Será que ela não iria para San Diego?
era definitivamente algo que eu estava precisando no momento, alguém que fizesse com que eu me sentisse mais leve, mais feliz, mais confortável comigo mesmo. Alguém que eu já tinha feito alguns planos em minha cabeça... Alguém para amar... É, acho que era isso. Amor. Ela entrou na minha vida de um jeito tão simples, tão tímido e delicado, mas, ao mesmo tempo, muito arrebatador. Seu sorriso fazia com que minha perna amolecesse, seu toque fazia meus pelos se arrepiassem e seu olhar fazia com que eu me sentisse querido. Querido de um jeito que eu não me sentia há muito tempo.
Pode parecer idiota ou um pouco esnobe, mas de uns tempos para cá eu não sentia à vontade para me abrir com as pessoas. Isso fazia com que eu ficasse com a imagem de tímido, o que nem sempre é verdade. Eu só sou tímido com quem não me conhece, pergunta para , assim que a pessoa dá liberdade para eu conhecê-la, eu automaticamente dou liberdade para ela me conhecer, e isso normalmente acontece em cinco minutos de conversa. E com a , não sei, parece que aquele encontro... Ou melhor, reunião de trabalho, tornou as coisas tão fáceis, e ali já tinha ficado claro que aquela mulher mudaria minha vida. E ela mudou. Ela trouxe de volta o romântico que eu era quando tinha meus 21 anos e estava conhecendo as maravilhas do amor, da paixão e do romance. E essa mulher tinha feito isso com um cara de 32 anos que já estava perdendo a esperança em achar aquele lendário amor verdadeiro. Que eu havia descoberto que não era lendário coisa nenhuma.

Voltei para realidade quando o celular começou a tocar em cima da cama. Virei de barriga para cima, sentando na cama e encarei o nome e foto dela sorrindo no visor do meu celular. E deslizei a tela para atender.
- Sábado é o painel da Marvel na Comic-Con, né?! - Foram as primeiras palavras que eu ouvi, precisei parar e processar um pouco para saber se eu realmente tinha ouvido certo com a rapidez que ela falou.
- Calma! - Ouvi sua risada ao fundo e sorri. - Marvel, Comic-Con, sábado? Sim! - Falei passando as informações na minha mente e ri.
- Droga! Meus planos acabaram de ir por água abaixo. - Ela suspirou e ouvi algumas coisas batendo do outro lado da linha. - Pensei que fosse dia 27. E a Megan me avisa só agora. Esse povo não conhece comunicação, não?! - Ela falou em tom de brincadeira e eu suspirei, ficava feliz em ouvir sua voz.
- Planos, é?!
- Você ouviu o que eu disse?
- Não, parei na palavra planos. - Fui sincero e ela ficou quieta por um tempo, soltando uma risada.
- Planos que não vão acontecer, porque você tem compromisso, senhor Capitão América.
- Eu estava pensando em dar uma passada aí antes de ir para San Diego, mas se você não quiser, tá tudo bem também!
- Mas o drama tá no sangue, hein?! Não tem como duvidar que você é ator! - Ela falou ironicamente e uma gargalhada saiu involuntária. - Mas enfim, quer passar aqui antes? Quando? Eu já comprei metade das coisas e a outra metade vão chegar do Brasil em até... - Ela deu uma pausa no meio da frase como se procurasse alguma coisa. - ...Dois dias.
- Brasil? Hum?! , do que você está falando? - Ela riu do outro lado da linha.
- De algo que você vai descobrir quando vier para Boston. - Ela falou o nome da minha cidade do mesmo jeito que eu costumo falar, aberto, um pouco mais caipira, se assim pudesse dizer.
- Boston? - Repeti o nome da cidade.
- É, Boston, Evans, de onde você acha que eu estava falando? - Eu soltei uma risada e ela ficou quieta do outro lado da linha.
- Não! É que você está começando a falar igual a mim. - Ela ficou quieta do outro lado da linha e suspirou.
- Afeta, sabia? Eu sempre tive esse problema. Bastava falar com uma pessoa por quatro dias, que eu ficava com o sotaque ou as gírias dela. Ainda mais aqui no Brasil que praticamente cada cidade tem seu sotaque. Nos Estados Unidos que não seria diferente.
- Eu gosto de te ouvir falar. - Soltei depois de um bom tempo.
- Boston? - Ela repetiu e eu dei uma risada.
- Sim, Boston! - Eu falei e ela deu uma risada.
- Ah, enfim, deixa eu terminar, minha outra linha tá tocando. - Ela suspirou. - Quarta ou quinta? Acha que dá?!
- Quarta e quinta. Sexta eu já tenho que estar em San Diego. - Falei pegando o roteiro no espaço vazio da cama.
- Quarta, então! - Ela falou confirmando. - Te vejo em casa umas 20 horas, tá?!
- Ei, não era à tarde?
- Tarde de sábado, quarta eu trabalho, espertinho. - Falei e coloquei meus pensamentos para funcionar. - E nada de pedir para eu sair mais cedo de novo. - Ela falou quase como um sussurro gritado.
- Ok, não está mais aqui quem falou. - Soltei um riso logo em seguida. - Quarta então! - Ela fez um barulho de confirmação com a boca e eu sorri.
- A gente se vê então. - Ela falou suspirando. - Tchau, Christopher.
- Tchau, ! Te ligo à noite. - Senti a necessidade de dizer.
- Ok! - Pude ver em minha mente ela morder o lábio inferior, como sempre fazia quando estava esperando alguma coisa. - Vou esperar! Tchau! - E ouvi a linha muda do outro lado.
Soltei um suspiro e encarei o celular desligado na minha frente e passei o dedo clicando na galeria de fotos, procurando a foto tirada algumas semanas atrás. Era uma selfie minha e de no cinema, pouco antes da sessão de O Homem de Gelo naquele sábado, sim ela tinha me convencido a ver o filme. Logo a frente, eu podia ser visto, com meu boné, que com o flash, causou sombra em parte do meu rosto. E atrás de mim, segurava um balde de pipoca, tinha um sorriso largo no rosto, um par de óculos de grau com armação preta no rosto e uma pipoca que podia ser vista em sua mão, os cabelos estavam soltos e molhados e suas pernas podiam ser vistas um pouco descobertas devido ao short que estava usando. Eu tirei essa foto espontaneamente, na teoria não era para ter olhado para a foto, mas assim que o flash foi ativado, ela virou e a foto ficou engraçada, mas essa foto nunca foi para nenhuma rede social, era cedo ainda.
Suspirei por um tempo e peguei o roteiro ao meu lado, caminhando rapidamente para meu escritório. Abri meu notebook e coloquei o DVD com testes de cena para todas as possíveis atrizes para meu filme e dei play no vídeo. Analisar a atuação das pessoas era algo chato. Atuar era meu trabalho e em algumas situações era realmente chato quando a pessoa ficava avaliando cada vírgula do meu trabalho, mesmo sabendo que cada um tem seu estilo, então era uma parte que eu realmente ficava tenso em analisar. Então, eu havia colocado uma meta para mim que seria: a pessoa que eu achasse que combinasse mais seria ela. Eu e minha equipe tínhamos um perfil para a personagem principal, mas esse perfil já havia sido pré-selecionado, e os vídeos que tinham ido para esse DVD, era a pré-seleção da equipe, faltava eu dar o veredito final.
Alice Eve” foi o nome que eu escrevi. Assinei meu nome e fechei o arquivo, jogando-o dentro do meu armário em seguida. Voltei novamente para meu quarto e me joguei na cama, pegando o celular na minha mão. Nenhuma notificação. Meu Deus, eu estava ficando viciado nisso. Era como dizia, afeta.
- Agora... Passar o tempo!

Freei o carro em frente a um tão conhecido condomínio e saí do mesmo, puxando minha jaqueta de couro que estava no banco ao meu lado e ajeitando a carteira no bolso. Em dois passos, já havia colocado a jaqueta no corpo, por cima da blusa cinza que eu vestia, era eu, ou estávamos em julho e estava frio? Balancei a cabeça e coloquei uma mão no bolso e toquei o interfone, sendo rapidamente liberado para entrar no condomínio.
Desci as escadas rapidamente que davam para o conjunto com três prédios e entrei no que eu já estava acostumado. Entrei no elevador que estava no térreo e apertei o número 9. Tirei as mãos do bolso e me olhei no espelho do elevador, passei as mãos nos meus cabelos castanhos arrepiados e ao lado do rosto nas costeletas, abaixando os fios arrepiados. Encarei meu rosto o suficiente para ver o corte meio avermelhado do lado esquerdo do meu rosto, resultado de fazer a barba na pressa. Baguncei os cabelos e saí do elevador para o hall dos quatro apartamentos.
Um rápido barulho de porta se abrindo e batendo na parede e uma pessoa já tinha os braços envoltos em meu pescoço e o peso solto em meus braços. A risada era inconfundível, o perfume também e os cabelos castanhos em meu rosto mais ainda. Ela soltou os braços do meu pescoço e quando colocou os pés no chão, pude ver seu rosto. Encostei meus lábios no dela por um momento e pude sentir suas mãos mexendo em meus cabelos. Sua língua tocou na minha rapidamente e uma mordida em meu lábio inferior fez com que nos separássemos. Encarei seu rosto por um momento e a respiração quente batendo em meu queixo me fez sorrir.
- Oi! – Ela falou ainda rindo e eu tive que rir. Ela estava tão linda.
- Oi. – Eu sorri e ela suspirou, apertando os abraços em meu pescoço novamente e escondendo o rosto nele. Ela ficou em silêncio por um tempo, e eu passei meus braços pela sua cintura, sentindo sua pele quente na minha e ela suspirou.
- Entra! – Ela mexeu com a cabeça e entrou saltitante em seu apartamento, onde a luz da cozinha iluminava o local e algumas outras deixavam a sala com um tom meio escuro. - Fica à vontade! – Ela gritou e eu entrei em seu apartamento, fechando a porta atrás de mim, parando na porta da cozinha, onde pude ver mexer em um caldo branco dentro de uma panela funda.
Sua cozinha não era tão grande, mas naquele momento ela estava cheia de coisas para tudo quanto é canto, e um delicioso cheiro de fritura, misturado com vinho enchia o ambiente, fazendo minha barriga gritar por comida. Encarei ela novamente e notei a roupa que ela estava usando. Uma calça escura jeans colada no corpo, um moletom canguru cinza bem escuro e botas de cano baixo onde um pano xadrez aparecia por dentro da mesma. Os cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo alto e o rosto aparentemente sem maquiagem. Ela passava um pano em cima do fogão e o fechava, colocando um pano estampado em cima do mesmo. Ela acomodou os refratários vazios dentro da pia e virou o rosto para mim novamente.
- E esse frio que virou?! – Perguntei, não tendo nada muito melhor para falar ou fazer.
- Foi sorte, meu querido! Porque comer feijoada no calor, não dá! – Ela riu e estendeu um prato para mim, onde alguns salgadinhos fritos estavam no mesmo. – Coloca na mesa, por favor?
- Feijoada? – Perguntei confuso. Indo até o outro cômodo, onde uma mesa muito bem posta nos esperava. Os pratos, os talheres, as taças, até um pequeno arranjo com gérberas vermelhas ocupavam o meio da mesa retangular. Na lateral da mesa, outra mesa retangular estava colada, onde seis panelas e potes fechados estavam enfileirados. Coloquei o prato em minha mão no meio da mesa principal. Notei também que o motivo da sala estar meio escura, eram as diversas velas acesas colocadas em vários lugares na sala, iluminando parcialmente o local.
- Comprou mais taças, é?! – Perguntei, vendo duas taças iguais na mesa. surgiu dando uma risada.
- Dei uma passadinha no mercado e encontrei essas duas. Agora, por favor, nada de quebrar, tá?! – Ela gritou da cozinha e soltou uma risada.
- Ficarei longe delas, então! – Falei e ela soltou uma risada.
- No nosso primeiro encontro. Eu joguei na sua cara um monte de nome de comidas brasileiras, certo?! – Ela apareceu ao meu lado segurando uma garrafa de água em uma mão e uma garrafa de vinho na outra e as colocou na mesa, estendendo o abridor de vinhos para mim.
- É, tenho uma vaga lembrança disso. Certo tom de “Brasil é melhor”, sabe?! – Ela riu e voltou para a cozinha, pude ver a luz da cozinha ser apagada e ela aparecer novamente na sala, enquanto eu mexia na rolha do vinho com o abridor e a tirava e servia as duas taças com o líquido escuro.
- Então! – Ela parou ao meu lado e segurou uma taça com as suas mãos e eu fiz o mesmo, após deixar a garrafa aberta em cima da mesa. - Eu preparei uma coisinha para você! – Ela se encostou em mim e colocou a cabeça em meu ombro. – Para nós, na verdade.
- Uma coisinha? – Falei em tom irônico e virei meu rosto para ela que segurava uma risada. – Isso está ótimo, ! – Encostei meus lábios em sua cabeça.
- Acho que sou um pouco romântica. – Ela sussurrou.
- Fico feliz em saber disso. – Falei baixo e ela se silenciou, encarando a mesa posta por um tempo. Estendi minha taça para ela, e ela abriu um sorriso largo aproximando a dela na minha e um tilintar baixo soou do tocar de nossas taças.
- Por nós! – Falei e ela mordeu seu lábio inferior, e vi suas bochechas ficarem vermelhas por um tempo. Ela deu um gole em sua bebida e eu fiz o mesmo na minha.
- Bem, vamos comer?! – Afirmei com a cabeça e a vi saltitar em direção a mesa.
Dei dois passos rápidos e puxei a cadeira para ela se sentar, pude ouvir sua risada nasalada, enquanto ela se sentava e apoiava sua taça ao lado de seus pratos corretamente arrumados.
- Eu sou educado, ok?!
- Não estou dizendo nada, Evans! – Ela beijou minha bochecha e foi minha vez de rir.
Eu fui à sua frente, onde a mesa estava posta e me sentei, ela tinha as mãos ágeis, tirando a tampa de todas as panelas que estavam na mesa paralela a nossa. Reconheci uma travessa com arroz branco, outra com um caldo espesso marrom, quase preto, com algumas carnes como bacon, calabresa e outras não conhecidas, couve refogada com pedaços pequenos de bacon, uma certa farinha meio bege temperada, não reconheci o que era, um prato com algumas laranjas descascadas e outro caldo com cebola e tomate em pedaços.
- Como eu como isso?! - Foi a pergunta que saiu da minha boca, e soltou uma risada em minha frente.
- Calma! Você come tudo junto, do jeito que você quiser, não tem dificuldade. Mas antes da gente partir para a feijoada, você tem que conhecer a coxinha.
- Cox... O quê? - Ela riu e apontou para o prato que eu havia trazido à mesa.
- Coxinha! Uma massa de batata, recheada de frango, catupiry e frita, simples! - Ela pegou uma num guardanapo e me entregou. - É um dos sucessos brasileiros, pode-se comer em qualquer lugar e todo mundo ama, espero que goste também!
- Vamos ver então!
Encarei a massa meio amarelada e crocante, e senti o cheiro dela, o cheiro era bom, ela era arredondada embaixo e pontuda em cima, tudo o que podia ser visto era a massa frita por fora, nenhum dos recheios que ela havia falado, era mostrado por fora.
- Por onde eu começo?
- Depende, tem gente que começa pelo bico, tem gente que começa pela bunda. - Ela pegou uma com o guardanapo para ela, e a virou de bunda para cima. - Eu começo direto no recheio. - E deu uma pequena mordida no salgado, mastigando um pouco antes de voltar a falar. - É a sua primeira vez, então acho melhor começar pelo bico. - Olhei a de rapidamente e vi que era bem recheada. – Tem gente que brinca que não se pode confiar em quem começa a coxinha pela bunda.
- Por quê? – Perguntei rindo.
- Sei lá, falam que é tradição começar pelo bico, vai saber! – Ela soltou uma risada e fez sinal para que eu mordesse logo o salgado,
- Saúde! - Falei brincando e dei uma grande mordida no bico, sentindo o gosto de batata e do frango invadir minha boca. se mantinha quieta, com os olhos divididos em sua coxinha e em mim, já que quando eu fazia a mesma coisa, podia ver as laterais da sua boca se erguerem em um sorriso. - Isso é bom! - Falei, com a boca um pouco estufada, devido à quantidade de recheio que eu havia mordido.
- Ponto para o Brasil! - falou com a voz cantada, soltando uma risada em seguida.
- Mas isso é só uma coisa, tá?!
- Relaxa, amor! Tem muito mais! - Ela piscou o olho e eu soltei uma risada, quando na verdade, minha cabeça tinha ido longe, e eu preferi pegar outra coxinha, antes que eu falasse alguma das coisas inapropriadas que passaram em minha mente.

- Na verdade, não tem um jeito certo para comer feijoada, você junta tudo dentro do prato e come, é isso. - falava, enquanto me servia de todas as delícias que compunham uma feijoada.
- E o que é essa coisa aí, essa areia meio amarelada? - Falei a vendo colocar em cima do que seria a feijoada em si, o que eu havia aprendido que era o conjunto, mas que o nome feijoada vinha do feijão.
- Isso é farofa, feita de farinha de mandioca ou de milho, fica bom em tudo. - Ela me entregou o prato e eu o coloquei a minha frente, enquanto ela se servia. - E eu não estou brincando. Na carne de churrasco, então! Fica uma delícia! - Ela começou a se servir.
- E essa mistura de cebola e tomate?
- Vocês não conhecem vinagrete? Também fica bom no churrasco, ou em tudo. - Ela deu uma curta risada e colocou seu prato em sua frente.
- Alguma coisa não fica boa com churrasco? - Ela parou um tempo, tombou a cabeça para o lado um pouco.
- Não, afinal, você pode fazer churrasco com o que você quiser. - E continuou a se servir, e logo estávamos jantando.
A definição perfeita para essa junção de coisas era gororoba, sabe, quando juntam um monte de coisas diferentes no mesmo prato? Mas ela não era ruim, muito pelo contrário, era deliciosa. Claro, tinha que ter um paladar bem apurado, porque eram muitos sabores diferentes, coisa que eu não negava, mas do tanto de coisas que eu já havia comido nesse mundo, essa estava entre uma das melhores. Acabei repetindo algumas vezes, em porções menores.
- Ó Deus, eu não deveria comer tanto assim! - Falei me espreguiçando, enquanto tinha retirado os pratos e mexia algumas coisas na cozinha, já que pude ouvir algumas coisas batendo.
- Ainda não acabou. - Ela falou, voltando para a sala, batendo os pés no chão e surgiu com dois potes de vidro, com algum creme branco dentro dele.
- O que você tá aprontando, ?! - Falei e a puxei pela cintura, fazendo com que ela se sentasse em uma das minhas pernas, e colocasse os potes na mesa.
- Sobremesa! - Ela falou em um sussurro e encostou a boca em minha cabeça, enquanto abria os dois potes.
O líquido era branco e espesso, onde podia ser visto algumas sementes brancas retangulares na mesma, como também um tipo de farofa com coco ralado no meio. Aproximei a mão do pote e vi que ele estava quente, como se tivesse acabado de sair do fogo, mas não estava borbulhando.
- Canjica com paçoca e coco ralado. Normalmente servido em festas juninas e... Ah, come! Não precisa de explicação para comer coisas boas. – Ela pegou uma colher e pegou seu pote e mexeu tudo, misturando a tal da paçoca, o coco e a canjica.
- Paçoca, ou qualquer coisa que você disse, é tipo a farofa que a gente comeu com a feijoada?
- Não, nenhum pouco! - Ela falou direta e soltou uma gargalhada em seguida. - Paçoca é feita de amendoim, farofa é feita de farinha de mandioca, um é doce, outro salgado. Os dois são bons! - Ela deu de ombros e eu peguei a colher, vendo pegar a colher, enchê-la com o líquido e colocar na boca. Tirei a mão de suas costas e fiz o mesmo que ela, vendo seu olhar fixo em meus movimentos.
Maravilhoso. Essa é a única definição que eu posso fazer disso. Você fazia mais uma gororoba com aquilo e o sabor era divino, não tem porque questionar.
- Eu vou engordar contigo! - Falei encostando a mão na barriga.
- Pior que vai mesmo! - Ela falou dando uma piscada. – Sinto lhe dizer.
- Eu não me importo! - Devolvi a piscadela e ela riu.

- Quer ajuda para arrumar as coisas? Que a resposta não seja 'não', por favor. - Falei, entregando as coisas para ela, que colocava na pia.
- Acho que hoje a resposta é sim! - Ela falou. - Hoje eu deixo você lavar a louça, enquanto vou guardando as coisas que sobraram. Depois podemos assistir um filme. - Concordei com a cabeça e tirei a jaqueta, colocando em cima da geladeira, e abri a torneira, começando pelas louças de cima.
Enquanto eu lavava as louças, podia ouvir os pés da indo e voltando da sala várias vezes. Ela pegava tudo que estava ajeitado na sala e trazia para a cozinha, ela dividia as sobras de comida em recipientes, ou jogava fora, e deixava os potes vazios ao meu lado para que eu lavasse. Não tinha muitas coisas para lavar, mas eu não tinha tanta experiência na situação e era um pouco lento no serviço. Então, enquanto eu fazia algo em um tempo, fazia no dobro ou triplo do tempo.
Quando ela desapareceu por um tempo mais longo, ela voltou sem o moletom cinza, e arregaçando as mangas de uma blusa em um tom avermelhado de manga comprida, colada ao corpo. Sem dizer nada, ela pegou um pano e começou a secar as louças que ficavam por cima do escorredor, talvez prevendo um belo de um desastre, caso tudo aquilo caísse.
- Até que você não é tão ruim! - Ela comentou, me empurrando levemente com o ombro.
- "Tão"? - Repeti o movimento, esbarrando nela.
- Se nada der certo na vida, dá para você ser dona de casa! - Ela falou guardando uma tigela dentro do armário.
- Ah, que bom, não é?! - Desliguei a torneira e entreguei o último prato para ela que secou e guardou.
- Nunca se sabe o dia de amanhã! - Ela deu de ombros.
- Quem sabe você não vira uma modelo da Victoria's Secrets amanhã? - Falei entrando na brincadeira.
- Não iluda uma sonhadora, ok?! - Ela enrolou a toalha rapidamente e bateu na lateral da minha perna.
- Oi?! - Virei para ela.
- Toda mulher sonha em ser modelo da Victoria's Secrets, tá? Não seria diferente comigo! - Ela deu de ombros e pendurou a toalha
- Você daria certo, sabia? Você é alta e brasileiras são sempre um show à parte! - Passei as mãos pela sua cintura enquanto voltávamos para a sala.
- Claro! Quem sabe se eu perder metade do meu peso? - Ela abanou as mãos e soltou uma risada fraca. - Ser modelo nunca daria certo para mim, minha fome é eterna! - Ela deu uma risada e tirou minhas mãos do seu corpo.
- Você daria certo no que quisesse fazer, você é persistente, mas não nota isso! - Me joguei no sofá.
- Sem conversas motivacionais agora, por favor! - Ela falou. - Escolhe um filme, que eu vou ao banheiro! - Ela falou e sumiu pelo curto corredor e ouvi uma porta bater.

- E quais são as opções? - Ela falou passando as mãos na calça jeans e começou a assoprar as velas que estavam na sala, já que algumas estavam no fim. Ela pegou os portas-vela vazios e colocou todos em cima da mesa e se sentou ao meu lado.
- Temos... - Falei mudando os canais da TV. - Procurando Nemo. - Passei pelo canal da Disney. - O quarto Harry Potter. - Passei pela Warner. - E temos em um canal, Encontro de Amor...
- Deixa! - Ela deu um grito ao meu lado e eu a olhei enquanto ela tapava a boca. - É meu filme favorito de romance, deixa! - Ela deu um pulo ao meu lado, e rapidamente tirou as botas e jogou os pés de meia em cima do sofá.
- Favorito?
- Sim, Christopher! - Ela falou em um tom irônico. - Christopher! É o nome do personagem principal, só que ele é senador, e é o Ralph Fiennes. - Ela falou seguida de um suspiro e eu virei meu rosto para ela.
Ela deu de ombros e se virou para a TV, encostando a cabeça em meu ombro. Passei meu braço pelos seus ombros, e ela ficou em silêncio rapidamente, suspirando em algumas partes do filme, e repetindo algumas frases que ela tanto conhecia, partes que eu começava a dar risada, pois em algumas situações eu fazia igualzinho.
- Se formos ver, esse filme descreve perfeitamente a gente! - Ela falou com o tom de voz baixo, já deitada, com a cabeça em meu colo. - Você é o senador gostosão, e eu sou a trabalhadora...
- Gostosona também! - Falei antes que ela pensasse em um adjetivo. - Ei! Quer dizer que eu não sou trabalhador, não? - Ela soltou uma gargalhada.
- Seu trabalho é um pouco mais glamoroso, convenhamos. - Ela comentou.
- Vou te mostrar algumas cicatrizes de gravações.
- Ah, coitado! - Ela falou fazendo bico e logo estava rindo da minha cara.
Ela fechou os olhos por um tempo, tempo suficiente para eu ver suas bochechas ficarem vermelhas rapidamente. Ela passou a mão no rosto e abriu os olhos novamente, voltando sua atenção inteira para a TV, ficando quieta boa parte do filme, minhas mãos ficaram em seus cabelos, enquanto ela soltava curtos suspiros ao longo do filme, que eu não sabia se era do filme, ou do meu carinho. O local estava um pouco mais frio, já que as velas haviam sido apagadas, e a única luz do local, era da televisão.

No começo da cena do baile, a cena em que a camareira vai a um baile de gala no MET com o senador, se ajeitou, ela cruzou as pernas de índio em cima do sofá e manteve os olhos fixos na TV, o sorriso em seu rosto era como uma criança, inocente, feliz. Aquele momento era dela e somente dela, não precisava de mais ninguém, ela estava assistindo ao filme favorito dela, sozinha, um momento que ela já deveria ter passado inúmeras vezes, pela repetição de frases, palavras e comentários que ela fazia ao longo do filme, sobre como o ator do Ty estava grande atualmente, o Stanley Tucci que havia feito um filme comigo, que era o melhor coadjuvante que existia na face da Terra, e ela fazia questão de jogar na minha cara o quanto ela achava bonito o Ralph Fiennes, e que queria que a Jennifer Lopez fizesse mais filmes. Foi naquele momento, ali, em seu pequeno apartamento em Boston, que eu tive uma certeza. Uma certeza que veio rápido e alto como um trovão.
- ...I need your love in my life… - Ouvi sua voz me tirando do meu transe ao meu lado e a encarei, notando em seguida que ela cantava junto com o filme, a parte que a Marisa entrava no baile, e meu xará ignorava todos a sua volta e a avistava. - I wanna spend time till it ends, I wanna fall in you again, like we did when we first met... – Era assim que eu me sentia. - I wanna fall with you again... – Ela virou o rosto para mim e sua voz sumiu, soltando uma risada nasalada em seguida. – O quê? – Ela perguntou e eu encarei profundamente aqueles olhos castanhos que eu tanto adorava.
- Eu te amo, ! – Ouvi minha voz falar a confirmação do que eu já sabia há muito tempo, mas que não havia interpretado ainda.
Ela reagiu da melhor forma possível. Ela manteve os olhos fixos nos meus por um tempo, mas logo pude notar que sua boca se abria lentamente, abismada ou assustada pelo que eu havia dito e seus olhos se mantinham fixos em mim, sem piscar. Quando sua boca abriu o máximo possível, foi como se a ficha tivesse caído, já que sua feição relaxou e pude ver um sorriso se formar em seus lábios, era um sorriso largo, e seus lábios tremiam um pouco. Seus olhos se fecharam por um tempo e algumas lágrimas escaparam do mesmo, e ela colocou as mãos na boca, soltando uma risada silenciosa. Eu vi essa cena em câmera lenta, provavelmente, pois no segundo seguinte, o tempo voltou ao normal, e seus braços já estavam em meu pescoço, e seus lábios colaram nos meus.
Minha mão direita encostou-se à lateral de sua barriga, como um suporte para seu corpo, que se mantinha ajoelhado no sofá, uma de suas mãos fazia um carinho gostoso em meu rosto, o polegar acariciava minha bochecha e a outra mão arranhava meu pescoço. No início seus lábios eram mais apressados, mas agora se movimentavam em sincronia com os meus, pode ser ridículo dizer isso, mas combinava perfeitamente.
Senti seu corpo cair em meu colo e passei meu outro braço por cima do mesmo, para que eu pudesse segurar em uma de suas coxas, próximo a sua bunda, apertando-a fortemente, sentindo sua respiração falhar com o movimento. A mão que antes estava em meu ombro, desceu para meu peito, amassando a blusa que eu usava, e escorregando novamente para minha cintura e movimentando os dedos pela mesma.
Soltei um suspiro pela boca que fez com que ela se afastasse por alguns segundos, e abrisse um sorriso que durou pouco, pois no segundo seguinte, meus lábios já estavam colados no seu novamente, dando pequenas mordidas em meu lábio inferior e explorando minha boca com a língua. Minha mão adentrava a blusa justa que ela usava. Ela se ajeitou em meu colo, se colocando de joelho, com uma perna de cada lado do meu corpo e se sentou sobre as minhas coxas, aquele momento fez com que minha excitação começasse a dar sinais de vida e notava isso, pois parecia que ela fazia questão em manter-se ali.
A cada movimento, a cada suspiro, os lábios ficavam mais urgentes, as mãos ficavam mais rápidas, os suspiros mais altos e o ar faltava com mais velocidade. Quando ela deslizou seus lábios pelo meu queixo até meu pescoço, meu corpo estremeceu. O ar saía falhado da minha boca, aquilo era maravilhoso. Ela intercalava entre beijos e chupadas sobre a pele, e a única coisa que eu podia fazer era apertar sua cintura a cada movimento dela e suspirar.
De repente suas mãos estavam em minha cintura e minha blusa deslizava para fora do meu corpo, ajudei a mesma, livrando as mãos da manga comprida rapidamente. Não tinha mais volta, mas eu não queria voltar para lugar nenhum mesmo. Seus lábios desceram para meu peito, e alguns beijos foram depositados em cima da minha tatuagem. Já que ela não conseguia fazer nenhum movimento mais abaixo sentada em meu colo, ela apertou as mãos na lateral da minha barriga, na região da outra tatuagem em meu tronco. Ela soltou um suspiro contra minha pele e ergueu o rosto novamente, com um sorriso totalmente novo no rosto, provavelmente o mesmo sorriso que eu estava, ela deu um suspiro, com uma mordida no lábio inferior.
Meus dedos dançavam pela barra da sua blusa, e tocavam sua pele quente, mas eu não aguentava mais, essas preliminares já estava me enlouquecendo. Puxei sua blusa em um movimento rápido e por um momento ela pareceu surpresa, mas só pareceu, pois ela desfez da blusa com as suas mãos e a jogou no chão ao meu lado. Naquele momento eu não sabia se eu encarava seus olhos, ou se eu olhava para o par de seios dentro do sutiã azul escuro rendado, mas naquele momento ela queria minha atenção só para ela, pois em um movimento rápido de sua cabeça e olhos para trás, eu sabia que ela queria sair dali.
Firmei minhas mãos em suas coxas e em um rápido movimento eu tirei as botinas dos meus pés, deixando-as jogadas no tapete de e me impulsionei para cima, com ela rapidamente colocando as duas mãos em meu pescoço e se apoiando em mim. Seu corpo encostou-se ao meu e suas mãos bagunçavam meus cabelos, seu corpo encostado no meu era uma sensação maravilhosa. Andei até o último cômodo do corredor e adentrei seu quarto. Eu nunca havia entrado nele, mas não seria aquele momento que eu iria estuda-lo. Segui reto até que minhas duas pernas não pudessem prosseguir por causa da cama de casal e a deitei delicadamente sobre a superfície macia. Ela escorregou o corpo sobre a cama, até que sua cabeça estivesse entre os dois travesseiros, e seus cabelos arrepiados, devido ao lacinho que os prendia.
Fixei meus olhos nos dela de forma diferente, bem, aquilo era diferente. Ela passou as mãos nos lençóis de forma chamativa e eu desafivelei meu cinto, deixando-o em algum lugar pelo cômodo, em seguida, foi a vez do botão e zíper da minha calça, que foram abertos e fez com que o jeans escorregasse pelas minhas pernas.
- Ok, esse corpo é injusto! – Ela soltou uma risada fraca, mordendo os lábios em seguida, tentando controlar a respiração.
Ajoelhei sobre a cama e posicionei as duas mãos na lateral do seu corpo e encostei meu corpo no seu, dando um curto beijo em seus lábios. Suas mãos imediatamente subiram para minhas costas e suas unhas deslizaram pelas mesmas, causando um arrepio em meu corpo.
Desci minhas mãos pela lateral do seu corpo, distribuindo beijos desde seus seios até passar pela sua barriga, vendo-a se contrair de diversas maneiras e suspiros baixos escaparem de seus lábios. Coloquei minhas mãos sobre sua calça jeans e soltei o botão, descendo o zíper tentando manter a calma, mas minha excitação não estava com tanta calma assim. Puxei a calça pelas laterais e ela estendeu as pernas e levantou o quadril, colaborando comigo. Por um momento, eu tive que parar o trabalho e tirar as meias dos seus pés e jogá-las para trás de mim. Sua calça se soltou em minhas mãos e ela juntou as pernas uma na outra.
Por um momento eu não sabia o que fazer a seguir, eu só queria olhá-la. Seu corpo combinando perfeitamente dentro daquele conjunto de lingerie, a pele arrepiada por causa do frio, os cabelos arrepiados, os lábios avermelhados, e algumas marcas vermelhas que eu havia deixado em sua barriga. Ela tinha as coxas mais gostosas que eu já havia visto, lembro em alguns jantares que ela cruzava as mesmas e me fazia ter alguns pensamentos inapropriados sobre ela. Ela ergueu uma das mãos e passou em seus cabelos, soltando-os do laço que caiu ao seu lado na cama. Sua barriga estava contraída, como os braços colocados ao lado do seu corpo. Ela se sentia intimidada quando eu ficava olhando muito para ela, mas não era minha culpa se ela chamava bastante atenção.
- Você precisa parar de fazer isso! – Ela comentou o que eu pensava e eu ria.
- E você precisa parar de ler meus pensamentos! – Falei para descontrair e chacoalhou a cabeça.
Deixei que meu corpo caísse lentamente sobre o dela, encaixando minhas pernas entre as dela. Uma mão se apoiou na cama e a outra se manteve firme em sua cintura, dando pequenos apertões enquanto minha boca passeava pelo seu pescoço e pelos seus seios cobertos pelo sutiã. Suas mãos faziam o mesmo movimento em minha cintura, e seus lábios tocavam minha cabeça levemente, enquanto uma de suas pernas se entrelaçava em minha cintura.
Em uma arqueada em suas costas, e um movimento de suas mãos, seu sutiã saiu voando para o chão. Me ajeitei sobre seu corpo, dando um curto beijo em cada um de seus seios fartos e ergui meu rosto para perto do seu. Meu nariz tocou o seu por um tempo, e pude notar que sua respiração estava descompassada, igual a minha. Seus olhos focaram nos meus e eu movimentei a cabeça, em sinal de permissão, e ela sem dizer uma palavra, fechou os olhos delicadamente, e fez um movimento afirmativo com a cabeça. Coloquei as duas mãos na lateral de sua calcinha e a puxei lentamente para baixo, fechou os olhos um momento e eu suspirei, vendo a reação que eu causava nela, pois era a mesma que ela causava em mim.
Distribuí alguns beijos pelas suas pernas enquanto descia a peça e no fim, a joguei para o lado, vendo ela se misturar com as outras peças. Coloquei meus dois pés no chão e desajeitadamente eu procurei pela minha calça rapidamente, achando a mesma e pegando uma camisinha dentro da minha carteira. tirou o envelope da minha mão e puxou a ponta com o dente e logo tinha a rodinha de plástico em sua mão. Ela ajoelhou sobre a cama e eu fiz o mesmo. Ela colocou as mãos no cós da minha cueca e a abaixou lentamente até meus joelhos, onde conseguiu e eu me livrei da mesma em um movimento rápido. Seus olhos se fixaram nos meus por um tempo, e procurei seus lábios urgentemente, passei minhas mãos pelo seu corpo e a deitei novamente na cama.

Fiquei encarando seu peito subindo e descendo embaixo do lençol, enquanto seus olhos se mantinham fechados, sereno. Ergui uma mão e tirei uma mecha de cabelo que caía em seu rosto. Ela se mexeu ao meu lado e virou o corpo em direção ao meu, abrindo seus olhos lentamente.
- Não dormiu? – Ouvi sua voz baixa e ela passou um dos braços pela minha barriga e suspirou, encostando seu corpo nu sobre o meu.
- Não! – Falei simplesmente e coloquei minha mão sobre a sua, entrelaçando nossos dedos.
- Que horas são? – Ela perguntou meio sonolenta.
- Quase quatro. – Falei olhando rapidamente o relógio ao meu lado.
- Ah! – Ela deu uma gemida descontente ao meu lado e eu ri. – Não quero ir trabalhar. Não quero sair daqui! – Apertei um dos meus braços em seu corpo e ela sorriu.
- Não precisa. – Ela sorriu e fechou os olhos novamente.
- Quem dera fosse fácil assim. - Ela falou baixo.
Suas mãos faziam um carinho gostoso em meu peito, sua mão sumia por debaixo das cobertas e subia aparecendo logo em seguida. Ela depositou um beijo na lateral do meu corpo e ergueu os olhos encontrando os meus. Sua cabeça estava em meu braço, e minha mão caía em suas costas, acariciando a pele nua levemente.
- Eu não disse, Evans, eu acho que estava muito extasiada para falar alguma coisa. – Ela falou e eu franzi a testa. - Mas eu também te amo! – Ela falou com os olhos fechados e eu abri um sorriso largo.
Ela abriu os olhos e se levantou, sentando ao meu lado. Suas costas ficaram descobertas e, uma de suas mãos segurava a coberta que cobria seus seios, eu achava isso engraçado, depois de tudo que havia acontecido, ela ainda fazia questão de esconder seu corpo.
- Eu tenho que te contar uma coisa. – Ela falou e virou seu rosto para mim. – Quando eu te conheci, eu era sua fã! – Ela começou. – Ou seja, eu te amava como uma fã. Então naquele jantar no hotel, e também a viagem para Cleveland, eu estava extasiada, meio idiota também. Era mais ou menos “Nossa, meu ator favorito, meu ídolo”, então, eu meio que te amava já, mas era de um jeito diferente. – Ela comentou e soltou uma risada, como se risse de si mesma. – Mas aí, quando você apareceu em casa, e teve aquela tensão toda, o trabalho, as piadas, as risadas, uma outra coisa nasceu dentro de mim. – Ela virou o rosto para mim, erguendo as pernas. – Até que você me beijou. – Ela suspirou, lembrando o fato. – Não era meu ator favorito que estava me beijando. Era uma outra pessoa, muito parecida com meu ator favorito, por sinal! – Soltei uma risada. – Eu estava beijando o Christopher. Então posso dizer, Evans, que eu não te amo só como Chris Evans, eu te amo como Christopher também. É diferente, sabe?! – Ela soltou uma gargalhada, escondendo o rosto no meio das pernas. – Isso tá confuso demais! – Eu gargalhei junto dela.
- Não está! – Eu me sentei em sua frente e coloquei um dedo em seu queixo, erguendo seu rosto e a vi rir. – Eu te entendo... Bem, eu acho. – Ela soltou uma risada e estalou seus lábios em minha bochecha. – Não importa, ! – Falei. – Eu te amo como minha assessora, e como essa pessoa estranha que você é!
- Obrigada! – Ela falou irônica, me dando um tapa no ombro.
- Essa brasileira divertida, inteligente, linda, sexy. – Ela balançou a cabeça e eu ri. – Você não precisa escolher, você pode ter ambos. – Falei e ela sorriu, virando de costas para mim e encostando suas costas em meu corpo, onde eu abracei-a pela cintura. – Tanto o Chris Evans como o Christopher te amam. – Sussurrei ao pé do seu ouvido.
- Eu os amo também! – Ela falou encostando a cabeça em meu ombro e fechando os olhos novamente.

Abri meus olhos e me vi sozinho em sua cama, seu lado estava bagunçado, o relógio já passava das 9 horas da manhã... De uma quinta-feira, ela deveria estar no trabalho. Ergui meu corpo sentando na cama e me espreguicei, ouvindo os ossos das minhas costas estralarem, passei a mão em meu rosto e joguei as cobertas bagunçadas para frente. Dei uma olhada geral no quarto e peguei minha cueca que estava jogava ao lado da cama. A vesti e caminhei até o banheiro, fechando a porta do mesmo. Fiz minha higiene matinal e encarei meu rosto no espelho, eu estava ridiculamente feliz, o sorriso não sumia do meu rosto, passei a mão em meu rosto e nos cabelos e sequei o mesmo.
Abri a porta e voltei para o quarto, pegando minha calça e vestindo-a, afivelando o cinto rapidamente. Andei até a sala, procurando o resto das minhas roupas e minha blusa não estava no sofá. Estava na pessoa que vinha deslizando no piso só de meias, e com minha blusa, que chegava até o começo das suas coxas, mas que ficava larga nas laterais. Ela tinha o celular apoiado em seu ombro, enquanto mexia em um pouco da canjica da noite passada.
- Isso, por favor, Derek! – Ela soltou uma risada, com algo que Derek falou. – Isso, por favor. Não! Fala que eu estou com intoxicação alimentar, e não consigo levantar da cama, e... – soltou uma gargalhada e riu. – Pode ser por isso também, mas melhor não contar à Megan. – Ela mordeu o lábio inferior. – Isso, ok, amanhã ela vai estar em San Diego e teremos folga, podemos sair para almoçar. – Ela confirmou algumas coisas com a boca. – Claro, chama o Rupert também. – Ok, me deixa ir, ele acordou. – Ela falou erguendo os olhos para mim e piscou. – Ok, obrigada. Tchau! – E desligou o aparelho, o colocando na mesa. - Se alguém te perguntar, estou com uma péssima de uma intoxicação alimentar, ok?! Culpa da feijoada! – Ela falou dando de ombros, e virando o que sobrava da canjica em um gole só.
- E a Megan caiu nessa? – Perguntei meu aproximando dela.
- Isso o Derek vai contar para gente depois! – Ela riu e eu encostei meus lábios em sua testa.
- Bom dia, ! – Falei, e ela colocou o pote vazio na mesa e passou os braços pelo meu corpo.
- Bom dia, Chris! – Ela riu e encostou os lábios nos meus rapidamente.
- Eu quero minha blusa de volta. – Estendi minha mão para ela.
- Você já viu o filme “Qual é o seu Número?”, não?! Então, já sabe onde isso vai dar, certo?! – Ela me encarou. – E definitivamente, não estava pensando muito em roupas hoje.
- Preciso estar em San Diego só amanhã mesmo.
- O que é muito bom por sinal. – Ela deu de ombros e riu. – Eu não vou trabalhar hoje, então, pode escolher o que quiser fazer e onde também.
- Posso escolher “com quem” também?
- Se essa pessoa for eu, pode! – Ela riu e deu de ombros, virando o corpo, voltando para a cozinha.
- Pelo jeito você não vai para San Diego. - A segui, parando na porta da cozinha, vendo-a lavar o pote e colher que ela usava.
- Não vai ser dessa vez. - Ela virou o rosto para mim. - Eu queria muito ir, não só para te acompanhar, mas pela Comic-Con mesmo, mas alguém precisa soltar as informações, né?! - Ela deu de ombros. - Sexta eu não trabalho, mas sábado sim, vou ficar de plantão.
- Que droga! - Comentei e ela riu.
- É, mas ainda temos um tempo só para nós. - Ela piscou.

soltou um suspiro e eu me levantei da cama, indo me livrar da camisinha no banheiro. Passei uma água em meu rosto e voltei para o quarto, vendo-a com a respiração acelerada e soltar uma risada quando eu coloquei uma perna em cada lado do seu corpo, e passei meus lábios em sua barriga, entre seus seios e dei uma mordida em seu pescoço, subindo para seu queixo e seus lábios, deixando meu corpo cair ao seu lado. Ela virou o corpo para baixo, ficando de bruços na cama e abraçou o canto do travesseiro, encostando a cabeça do mesmo.
- Eu vou ficar mal acostumada. – Ela comentou com a voz manhosa e eu ri.
- Sabe... Eu gostei dessa cama! – Ela soltou uma risada e eu virei meu corpo, passando minha mão em suas costas.
- Queria que você ficasse, mas também quero saber as novidades de Capitão América 2. – Soltei uma risada e ela aproximou seu rosto do meu. – Steve Rogers não precisa ir.
- Ah, ele tem, viu?! – Ela fez um bico e soltou uma risada logo em seguida. - Eu vou viver em Boston, você vai ver. – Encostei meus lábios nos dela.
- Por favor, não consigo ficar mais longe de você. – Subi minha mão para seus cabelos e pressionei meus lábios nos seus.
- A gente vai fazer isso dar certo. – Falei e ela sorriu.
- Quais são seus próximos compromissos? – Ela perguntou.
- Tenho estreia de Expresso do Amanhã, vou para Coreia na semana que vem. – Falei e ela entortou a boca. – E tenho que dar uma passada em Los Angeles antes para algumas reuniões do filme que eu vou dirigir.
- Megan comentou. Sobre o que vai ser o filme? – Ela perguntou de olhos fechados.
- Dois estranhos desolados se encontram na estação central de Nova York e começam a compartilhar experiências.
- Você já aprendeu a tocar trompete? – Ela perguntou e eu ri.
- Ainda não!
- Essa vai ser interessante! – Ela comentou em deboche.
- Ri mesmo, dona , ri mesmo! – Ela abriu um sorriso torto, devido ao travesseiro pressionado a sua bochecha e eu ri.
- E depois? Qual compromisso você tem?
- Tenho que ir para uma reunião em Nova York e depois tem a D23 Expo da Disney!
- Já tá perdendo a graça isso! – Ela falou sem graça.
- Vem comigo! – Comentei.
- Onde? – Ela franziu a testa.
- Coreia, Nova York, D23 Expo, posso tentar pedir para Megan tirar umas férias e você me acompanha em algum evento.
- Tem certeza? – Ela perguntou e eu concordei com a cabeça.
- Depois de hoje, estou pronto para seguir qualquer passo que você quiser dar. – Ela abriu os olhos, e levantou o rosto. Um largo sorriso apareceu em seu rosto.
- Qualquer um? – Ela perguntou.
- Qualquer um! – Confirmei e senti seus lábios pressionados nos meus rapidamente.




Continua...



Nota da autora: Sei que você deve estar surpreso por STALT estar de volta nas atualizações do FFOBS, mas estou revisando todas as minhas histórias e agora é a vez de STALT, eu a arrumei inteira para tentar publicar como livro, então já dei aquela revisada, então aproveitei e trouxe para vocês também! <3 Não mudou nada do enredo original, talvez alguns pequenos ajustes, mas nada demais.
Se você já conhece essa história, é bom te ver de novo, caso seja sua primeira vez, seja bem-vindo.
Espero que gostem e não se esqueçam de comentar aqui embaixo! Beijos e até a próxima!






Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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