Capítulo Único
20:50 - Catedral de Siena
— , você aceita como seu legítimo esposo? — Pergunta o padre, a mulher suspira.
— Sim.
— , você aceita como sua legítima esposa? — hesita, mas assente.
— Sim. — Vittorio e Giulianna se entreolharam ao ouvir a resposta do, agora genro, Giulianna se perguntava se era mesmo a melhor coisa a se fazer pela sua filha e Vittorio estava orgulhoso de que seus planos haviam dado certo, ele tinha certeza que seria um ótimo marido para sua filha.
1 ano depois — New York City
— Por que você não pula de uma ponte? — olhava para a sua esposa, que estava com um vestido vermelho colado realçando suas curvas, de frente para o espelho enquanto colocava seus brincos de diamante, ela sorri para ele.
— Para te dar esse gostinho, querido marido? Não, obrigada. — Ela volta o olhar para o espelho e rola os olhos. — Mas se você entrasse na frente de um caminhão em movimento eu não acharia ruim. — Completa, terminando de colocar seus brincos.
— Não te daria esse gostinho também. — Ele se levanta. — Vamos, estamos atrasados. — concorda e pega sua bolsa, acompanhando até a garagem. Ele entra no carro sem esperar por ela, que entra em seguida.
— Você é um inútil, não vê que estou com várias coisas na mão? Não poderia abrir a porta? — Ela mostra a bolsa e o paletó que estava segurando.
— Não preciso fazer isso se ninguém estiver olhando. — dá partida no carro e joga o paletó no banco de trás, colocando o cinto. — Não me faça passar vergonha, sem cenas.
— Sou eu que tenho que dizer isso. — Ela dá de ombros e retoca o gloss.
Eles chegam juntos na festa de inauguração do Hotel Grand Luce, uma extensão dele em New York. tem seu braço entrelaçado ao seu marido e percebe troca de olhares entre outras mulheres e ele, nada diferente do habitual. Ela não suportava nem chegar perto dele nesses eventos, imagina se relacionar com ele. Ela até teria um amante, se não desse tanto trabalho, mas em público eles eram marido e mulher. Enquanto caminham pelo Hall, e buscam o rosto de Vittorio, mas não o encontram. Precisam mostrar que estão ali juntos, mas o pai de não estava no local.
— Vou falar com algumas pessoas. — cochicha no ouvido de que assente e faz o mesmo, como membros da família, eles têm que agradar os convidados.
conversa com um grupo de homens, sem prestar muita atenção, apenas sorrindo e assentindo. Até que um deles começa a falar sobre . — Não sei como seu pai aceitou que você se casasse com alguém como esse rapaz… um moleque desse, sem ter onde cair morto. — Diz um deles, bebendo um gole de vinho, fica calada.
— Soube que ele era espancado pelo pai quando Vittorio o tornou membro da família, mais um cachorrinho de rua acolhido pelos . — Completa o outro, a expressão suave de se fecha e seu olhar se torna sombrio.
— E você me parece mais um pedaço de lixo que meu pai insiste em convidar para eventos. — Os três homens, em seus ternos caros, se espantaram com a reação de . — Quem vocês pensam que são para falar assim do meu marido?
— Só estamos comentando, não precisa se aborrecer. — O que estava em silêncio começa a falar. — Não é nossa culpa que se casou com um cachorrinho de rua. — segura a taça de champanhe com força em sua mão e joga todo o líquido no rosto do homem, que coloca a mão em seu rosto, sentindo o líquido escorrer e inacreditado.
— Sua vadiazinha… — O homem levantou a mão para acertar , mas foi impedido por .
— Não toque na minha esposa. — Diz ele, com o mesmo olhar sombrio que tinha. Apertou o braço do homem com força, mas não o suficiente para que ficasse uma marca.
— Essa vadia jogou champanhe em mim! — O homem mostra sua roupa molhada, e encara , irritado.
— Eu me resolvo com a minha esposa, mas não é nada inteligente ofendê-la. Não vai querer ter problemas comigo. — se coloca atrás de , que mantém um olhar ameaçador sob o homem. O clima muda quando seu pai chega ao local.
— Está me ameaçando? — Pergunta o homem.
— Sim, ele está. — Responde Vittorio ao chegar no local, e se afastam, fazendo uma leve reverência para o mais velho. — E vocês estão convidados a se retirarem da minha festa. — Os homens se entreolham, mas obedecem, Vittorio não parecia satisfeito com o comportamento da filha e os encara, se aproxima de e cochicha. — Cuide dela.
puxa para um canto da festa, os olhos cheios de raiva — dos dois.
— O que foi essa cena? Quer me envergonhar? — fala baixo, mas sua voz tem um tom característico de quando ele está bravo.
— Cala a boca! Fiz isso por sua causa, não sabe o que estavam falando de você. — Responde , com o mesmo tom de voz de , que arqueia uma sobrancelha.
— Ah, é? E desde quando se importa se me humilham? Você mesma sempre faz isso. — Retruca ele.
— Eu posso te humilhar, mas se outra pessoa faz isso e eu fico quieta, é humilhante para mim também. — Ela rola os olhos. — Vamos aproveitar que meu pai nos viu e vamos embora de fininho. — Completa e assente.
— Vou pedir ao motorista para te levar, eu vou a outro lugar. — Responde, caminhando até a saída, sendo seguido por .
— Vê se não volta cedo, você sempre me acorda quando chega. — olha ao redor enquanto chama um dos motoristas da família com a mão.
— É a única coisa agradável em você, você nunca espera por mim.
Eram 5:00 da manhã quando chegou em casa, o cheiro forte de uísque em seu corpo, enquanto cambaleava e acendia a luz da sala, se assustando com sentada no sofá.
— Porra! , tá louca?! — Exclama, assustado. estava sentada em uma poltrona, no escuro, com o celular na mão.
— Estava te esperando. — A resposta dela fez se assustar ainda mais, ela nunca esperava, algo aconteceu.
— Fala. — Disse ele, afrouxando a gravata, mostra uma foto em seu celular, uma mulher sentada no colo de . — E desde quando você se importa? — Ele tira a gravata e o paletó.
— Desde que você faz isso em público. — se levanta. — Eu não me importo com quem você ou deixa de comer, desde que não toque em mim. Mas não posso aceitar que faça isso em público, esconda bem. Não quero ficar conhecida como corna, não é como se eu me importasse com você, mas não quero ter que lidar com as consequências das suas atitudes. — joga o celular com a foto no sofá atrás de . — Se meu pai descobrir… — a interrompe.
— Ele não vai, vou ser mais cuidadoso, pode me deixar em paz agora? — Ele bufa.
— Você é tão imprestável que não sabe nem trair direito. — Ela pega o celular e bate os pés enquanto caminha para o quarto.
— Pede o divórcio então. — Ele retruca.
— Talvez eu peça mesmo! — para de andar e o encara. — Eu não preciso estar nesse casamento, você que precisa! Eu não quero estar nesse casamento e nunca quis!
— E por que aceitou então? — esbraveja.
— Eu tive escolha??? — retruca no mesmo tom. — Você também não se opôs.
— Não podia recusar. — se jogou no sofá, com raiva. — Mas não esperava que seria tão ruim.
— Jurei para mim mesma que faria da sua vida um inferno por me usar para herdar o cargo do meu pai. — caminha para o quarto e ri.
— Jurou mesmo? Eu nem precisei disso e você se sente do mesmo jeito. Se quiser pedir o divórcio, peça. — Ele se levantou e caminhou até seu quarto, batendo a porta com força.
estava furiosa dentro do seu quarto, ela sempre soube o que fazia nesses eventos e sinceramente, não se importava. Odiava que qualquer coisa da sua vida fosse exposta publicamente, não queria ficar conhecida como a esposa traída. Trocou sua roupa e saiu de casa, decidida a convencer seu pai a deixá-la se separar, sem remorso e sem um pingo de tristeza, apenas buscando sua liberdade. Pegou suas chaves e seu carro, sem pensar em nada além de sair daquele casamento, saiu da sua garagem e dirigiu o mais rápido que pôde. Na metade do caminho, percebeu um carro estranho, que parecia estar a seguindo. Ela fez algumas ultrapassagens e o carro fez as mesmas ultrapassagens, ela dobrava nas ruas e o carro dobrava nas mesmas, ela começou a acelerar assustada, tentando encontrar o número de no painel do carro. Quando o encontrou, escutou o som do celular chamando, até que ele atendeu. Ela parou no sinal, ofegante.
— O que você quer? — Perguntou do outro lado da linha.
— , eu… — O sinal abriu e ela deu partida no carro e antes que pudesse terminar de falar, foi atingida por um caminhão que ultrapassava o sinal. se levantou rapidamente ao escutar o barulho forte, andou pela casa e não encontrou , seu quarto estava destrancado e a roupa que estava usando quando ele chegou em casa, estava em cima da cama. Se trocou rapidamente e pegou suas chaves, mas seu celular logo tocou.
Após receber a ligação dos bombeiros sobre o que aconteceu com , ligou para o sogro e se dirigiu ao hospital. Quando chegou lá, sua sogra estava chorando e seu sogro irritado.
— O que aconteceu? A está bem? — Perguntou, preocupado.
— Ela está em cirurgia. — Vittorio respondeu. — Onde você estava? — Em casa, eu… — foi interrompido pelo sogro.
— Chegou em casa 5 horas da manhã e depois minha filha saiu irritada dirigindo em alta velocidade, e ligou para você para avisar que estava sendo seguida. E que tenho que te perguntar o que aconteceu, casei vocês dois para que você a protegesse e você é imprudente a esse ponto?
— Nós… tivemos uma discussão. Mas eu atendi assim que ela ligou, não vi que ela saiu de casa. Como o senhor sabe disso tudo? — Perguntou , Vittorio entregou um tablet na mão dele.
— É o percurso de câmeras que registraram tudo desde que ela saiu do seu condomínio, a polícia disse que seu nome estava no registro de chamadas do painel do carro. — Ele pegou o tablet de volta, estava impressionado.
— O senhor… fez tudo isso durante esse curto período de tempo? — Antes que Vittorio pudesse responder, um dos médicos da equipe de cirurgia se aproximou.
— Bom dia, quem é o marido da paciente? — Pergunta o médico e da um passo à frente. — Senhor, a gente precisa da sua autorização, a cirurgia será mais intensa do que imaginávamos e precisamos operar em uma parte do cérebro dela que pode influenciar nas memórias.
— Qualquer coisa para salvá-la. — responde rapidamente, não sabia se era por ela ou para não se sentir culpado, mas ela não poderia morrer. — Eu autorizo.
— Sim, senhor.
A cirurgia durou horas, mas finalmente eles podiam visitá-la no quarto. Se passaram 5 dias desde o acidente e finalmente abriu os olhos, com dificuldade para falar, 2 dias se passaram até que ela finalmente conseguisse falar, estava sentado em uma cadeira ao lado da cama, lendo um livro.
— Água… — Disse ela, baixinho.
— Água? — se levanta rapidamente e pega o copo de água com um canudo, inclina a cama para que ela possa recostar e leva o canudo até sua boca. bebe a água e se sente aliviada.
— Obrigada. — Ela responde. — Posso te perguntar uma coisa?
— Claro. — se senta e puxa a cadeira para mais perto dela.
— Quem é você? Faz dois dias que te vejo sentado ao meu lado, mas não faço ideia de quem seja. — não sabe se sente tristeza ou alívio ao escutar aquilo, ele engole seco.
— Sou seu marido. — Responde, com ternura em sua voz. — . Somos os Sr. e Sra. .
— Ah… — Ela faz uma expressão triste. — Me desculpe por não me lembrar de você, deve ser decepcionante que sua esposa tenha te esquecido. — Ela tenta se acomodar na cama.
— Não é, é aliviante que minha esposa esteja viva. — sorriu, fazendo dar um sorriso fraco. — Eu vou chamar seus pais, preciso resolver uma papelada do hospital e já volto, tá bom?
— Meus pais… — Ela sussurra. — Não demore, por favor. — não se lembrava de ninguém, mas via ali sempre e tinha certeza que tinha o escutado chorar por ela, então, ele era a única pessoa em quem ela confiava, e ele percebeu isso.
— Não irei demorar. — Ele dá um beijo na testa de e sai do local, indo até a sala de espera informar aos pais dela que ela estava falando. Pega o celular e vai até o lado de fora do hospital, acendendo um cigarro, procura o nome “Sabrina” em sua lista de contatos e liga. — Não me procure mais. — Disse ele, em um tom frio, sem “mas” e sem explicações. Todos os dias que ficou ao lado de no hospital, ele se culpou pela situação que ela estava, se pelo menos tivesse tentado ser um marido melhor, se… eram tantos possíveis cenários, ele encarava a perda de memória de como uma chance de consertar seus erros. Não que ela fosse louca de amores por ele, mas se ele pudesse cuidar dela direito dessa vez, era o suficiente. Ele dá um trago no cigarro e logo o apaga, pisando em cima. Volta para o quarto, se arrependendo de ter fumado, mas parecia perdida enquanto falava com seus pais, e no momento que olha para ele, ela parecia se sentir segura. E ela sentia.
— . — Ela fala baixinho, o chamando para mais perto, se aproxima e para ao seu lado. — Eu vou para a casa com , mãe e pai, não vou com vocês. — se surpreende com o que escutou.
— Querem levar ela com vocês? — Pergunta ele.
— Claro, ela é nossa filha. — Diz Giulianna. — Ela vai conosco.
— Posso falar com o senhor um segundo lá fora? — pergunta a Vittorio, que acena com a cabeça e o acompanha. Longes o suficiente para que não os escutasse, suspira.
— O que você quer? — Pergunta Vittorio, com seu tom de voz impaciente.
— Não acho que ela se sentirá confortável indo com vocês. — Responde ele, meio sem jeito, sem acreditar no que estava dizendo.
— Ah, é? E ela se sentiria confortável com você? Um marido que mal a suporta? Um marido que é culpado pelo acidente da esposa? — As palavras de Vittorio pesam na consciência de , que se sente culpado pelo acidente de e sabe que tudo que o sogro disse é verdade.
— Sim. — Ele suspira, sua voz rouca baixa e firme. — Eu sei que foi minha culpa, mas ela ainda é minha esposa e eu tenho a obrigação de cuidar dela. Me deixa consertar o meu erro. — Vittorio permanece com a mesma expressão, sem relaxar nem por um segundo.
— Se você não cuidar dela direito, terá problemas. — Responde Vittorio, voltando para o quarto da filha, seguido por . — vai para casa com o marido, o que acha, filha?
— Sim. — Ela responde sem pensar duas vezes. — Acho melhor. — suspira, estava se sentindo um pouco aliviado por Giulianna querer levá-la embora, mas não sentia que era o certo naquela situação.
1 semana depois…
voltou com para casa, olhando ao redor sem reconhecer nada.
— Nós realmente moramos aqui? — Pergunta ela, fazendo assentir.
— Você quem decorou, nunca liguei muito para isso. — Responde ele, colocando os pertences de no sofá. — Precisa de alguma coisa? — Ela caminha até uma poltrona e se senta.
— Estou bem, obrigada. — olha ao redor buscando qualquer coisa que seja familiar, vê um quadro enorme com uma foto do casamento, mas não vê mais nenhuma foto dos dois pela casa. — Não tiramos fotos juntos ou só não gostamos de porta retratos? — Pergunta, curiosa.
— Não gostamos desse tipo de coisa. — Ele sorri, mentindo para ela e para si mesmo. — Vou arrumar o seu quarto para te acomodar.
— Meu quarto? — inclina a cabeça, tentando entender.
— Sim. — sorri gentilmente. — Dormimos em quartos separados? — A pergunta de faz engolir seco.
— Bom… gostamos de… privacidade. — Mente, cerra os olhos.
— Não estamos em uma fase boa, então. — Ela continua olhando ao redor, enquanto faz um bico. — É muito estranho não saber nada, gostaria de saber tantas coisas. — se abaixa na frente dela, colocando a mão em seu joelho.
— Não é isso… — Ele sorri gentilmente. — Você pode me perguntar qualquer coisa.
— Por que você chorou ao lado da minha cama quando nem meus pais fizeram isso? — A primeira pergunta de deixou sem reação, porque nem ele sabia responder isso.
— Fiquei… triste. — sorri com os lábios. — Te ver em uma cama de hospital, você sempre foi uma força da natureza e odiaria estar no hospital. Fiquei mais triste por ter tido dificuldade para falar, você sempre falou muito. — Até demais. Pensou ele. — E… fiquei aliviado por ter sobrevivido. — Ele sorri enquanto segura suas mãos.
— Entendi. — sorri, sentindo uma sensação familiar em seu coração, como se estivesse esquentando com as palavras de . — Há quanto tempo somos casados?
— 1 ano. — responde imediatamente, o ano mais infernal de sua vida, ele pensava.
— Em 1 ano estamos em uma fase ruim o suficiente para dormir em quartos separados? — Ela pergunta mais para si mesma, como se tentasse recuperar alguma memória do que poderia ter causado essa distância entre ela e seu marido.
— Já disse que não é isso. — Ele aperta sua mão, deixaria que ela descobrisse por conta própria. Omitiria os fatos por enquanto.
— Você se lembra do motivo de ter se casado comigo? — pergunta como se esperasse uma resposta que faria tudo fazer sentido. Mas apenas fica em silêncio, pensando no que poderia dizer sem mentira. — Tudo bem, não precisa responder isso. — Ela se levanta e se mantém por perto para ajudá-la.
— Quer se deitar? — Pergunta ele e assente.
— Por favor. — Ele segura em sua mão, a guiando até o quarto. não consegue sentir nada ao entrar no próprio quarto, nada ali a fazia sentir em casa. Ela se deitou e arrumou suas cobertas.
— Vou deixar que descanse. — Diz ele, saindo do quarto. Assim que a porta se fecha atrás dele, ele bagunça o próprio cabelo, se perguntando o que estava fazendo.
2 semanas depois…
e se mantinham distantes dentro da casa, ele apenas atendia suas necessidades e se certificava de que ela estaria confortável e saudável. Era o dia de retornar para uma revisão com o neurocirurgião e acompanhou até a consulta. estava sentada em uma maca enquanto o médico verificava suas pupilas.
— Alguma sensação de familiaridade desde que voltou para casa? — Pergunta o médico, nega com a cabeça.
— Sinceramente, sequer consigo acreditar que eu escolhi a decoração da casa. É horrorosa. — O comentário de faz rir.
— Eu disse que era feia, na época. — Murmura ele.
— Isso soa familiar. — Ela aponta para . — Algumas vezes quando converso com ele, soa familiar. — se surpreende com a fala de e o médico assente.
— Isso é bom, talvez seu marido seja o incentivo para que recupere a memória. — O médico olha para . — Vamos com calma, mas tente sutilmente conversar com ela sobre coisas que vocês conversavam. — fica em silêncio, lembrando da forma que eles costumavam conversar, mas apenas assente.
Quando chegam em casa, caminha até uma mesinha de canto que ficava na sala, abre uma gaveta e pega um chaveiro, quase que automático.
— O que está fazendo? — Pergunta .
— Senti que deveria pegar essas chaves aqui. — Ela entrega para ele, que analisa as chaves.
— Estou procurando por essas chaves desde o dia que você sofreu o acidente. — Ele cerra os olhos. — Como sabia que estavam ali?
— Eu entrei pela porta e meu corpo me guiou até ali, que chaves são essas? — Pergunta ela, inclinando a cabeça.
— São as chaves do seu escritório aqui, do escritório do hotel e do almoxarifado do seu escritório do hotel. — Responde ele, guardando as chaves no bolso. — Tudo parou no hotel por não encontrar essas chaves, que bom que se lembrou delas. — sorri empolgada.
— Será que vou conseguir me lembrar de tudo? — sorri com a pergunta dela, torcendo para que sim, não sabia por quanto tempo seria capaz de cuidar dela.
— Espero que sim, isso me faria feliz. — Ele sorri, seus olhos enrugando no canto, fazendo retribuir com um sorriso gentil.
— Isso… quando você fala assim comigo… não é como se eu sentisse algo familiar, mas eu me sinto… bem… eu acho. — sorri enquanto fala, fazendo corar, é claro que ela não sentiria algo familiar, pensou ele.
— Vou preparar algo para comermos. — Diz ele, assente e se senta na sala.
Dias se passam, assume as responsabilidades de no hotel após conseguir as chaves. Ao chegar em casa, a encontra na sala lendo um livro chamado “Manual de Assassinato para boas garotas”.
— De novo esse livro? — Ele rola os olhos.
— Ah, oi. — sorri. — Encontrei no meu quarto e achei interessante.
— Não sei o que tem de interessante nisso. Manual de assassinato para boas garotas, isso é livro que se lê? — Ele pergunta mais para si mesmo do que para ela, fazendo-a rir.
— Tem medo de que eu aprenda como assassinar uma pessoa? — cerra os olhos e franze o cenho.
— Não brinque com isso. — Sua voz um pouco mais séria, aquele diálogo, trouxe uma sensação de familiaridade à , diferente de todas as outras vezes até então. Ela abaixou o livro e encarou o nada, fazendo ir até ela. — O que foi?
— Já tivemos um diálogo assim antes? — Pergunta ela, faz uma expressão pensativa.
— Acho que já falamos algo parecido sim, na primeira vez que te vi lendo isso. — Ele sorri se lembrando da cena, foi mais como um “Está com medo de que eu aprenda a te matar?”, mas funcionava. apenas fica em silêncio e sorrindo.
— Ah… — sorri, com o olhar triste.
— Qual é o problema? — acaricia seu rosto, abaixando-se de frente para ela.
— Eu queria me lembrar de você, de nós dois. — Ela sorri. — Eu sinto meu coração bater mais forte quando você está falando comigo, e a única coisa que me traz uma sensação familiar é falar com você. Parece que você era realmente importante para mim. — O olhar de se torna triste, porque ele acreditava que no fundo os dois eram importantes um para o outro, mas havia muita mágoa e rancor acumulado por causa do casamento forçado. Ele beija a testa de e se levanta.
— Você vai se lembrar. — sorri, e caminha para o banheiro. — Vou tomar um banho. — fica imóvel no sofá, apenas acena com a cabeça.
Ao entrar no banheiro, se dá conta do que acabou de fazer. Que impulso foi essa de dar um beijo na testa dela? Que sensação de tristeza foi essa que invadiu seu peito? Não era culpa, era… arrependimento. Ele abriu o chuveiro, tirou suas roupas e entrou debaixo da água gelada, ficando ali por um bom tempo. Saiu do banheiro com uma bermuda e sem camisa, secando o cabelo com uma toalha. Escutou barulhos na cozinha e alguns palavrões, inclinou a cabeça e franziu o cenho, caminhando até lá e vendo , de camisola, mexendo em algumas panelas.
— O que está fazendo? — Perguntou ele, se assustou e encostou a mão em uma panela quente, soltando um “ai!”. jogou a toalha no chão e levou sua mão até a pia, abrindo a água e colocando debaixo da água. — Se machucou? — No momento em que olhou para , seus olhos o encaravam, de uma forma que nunca havia encarado antes. Seu coração palpitou, de um jeito diferente, nem ele entendia o que era aquilo. Nunca havia parado para perceber o quanto ela era bonita de perto, como seus olhos eram penetrantes e como cada detalhe dela era… encantador. Até mesmo o jeito de respirar. Eles se encararam por um tempo, até quebrar o silêncio.
— Não foi nada… — percebe a situação e solta a mão dela suavemente.
— Por que está na cozinha? Você não cozinhava nem quando tinha suas memórias. — Ele cruzou os braços e se encolheu.
— Você tem cozinhado todos os dias, pensei em retribuir a gentileza. — segura pela cintura, a afastando gentilmente do fogão.
— Deixa que eu cuido disso, não se incomode. — Ele sorri para ela, que examina cada detalhe dele e apenas assente, sentindo sua respiração falhar. Caminha com certa dificuldade até a sala e observa cozinhando de longe. Ele faz uma careta ao experimentar o molho que ela colocou no fogo e adiciona mais coisas, mexendo com cuidado. Ela podia não se lembrar dos sentimentos que tinha por ele, mas sabia exatamente o motivo de ter escolhido se casar com ele. Quando a comida ficou pronta, ele serviu na sala de jantar e fez um sinal para que fosse comer.
— Aquele molho estava extremamente salgado. — Diz ele, se sentando na ponta da mesa. — Coma, por favor. — Ele sorri, era a primeira vez que eles comiam naquela mesa enorme. pegou os talheres e o prato que estavam na outra ponta da mesa e caminhou para a cadeira ao lado de , arrumando seu lugar.
— Costumamos receber tantas pessoas assim para jantar? — A atitude de surpreende , que mal escuta sua pergunta. — Temos tantas cadeiras e uma mesa tão grande. — Ela sorri, se sentando ao lado de .
— Achei um exagero a princípio, nunca recebemos ninguém aqui. — Ele responde, recuperando o fôlego. — Você e um decorador cha… digo, você e o decorador insistiram. — deu risada.
— Um decorador chato? Era o que ia dizer? — Pergunta ela, com um sorriso brincalhão nos lábios, enquanto se servia.
— É. — ri. — Não quis me meter em nada porque ele se achava superior, então deixei por sua conta. — ri da fala dele.
— Posso te perguntar uma coisa? — Pergunta ela, enrolando o macarrão no garfo, assente enquanto mastiga. — Você parou de fumar? Me lembro de sentir o cheiro de cigarro no hospital, e vi alguns isqueiros e cinzeiros pela casa, mas nunca mais senti o cheiro em você. — se surpreende com a pergunta dela, mas sorri de canto.
— Você odiava o cheiro de cigarro, achei que não seria uma boa ideia recuperar uma lembrança ruim. — Responde, dando mais uma garfada na comida. assente, levando a comida até a boca.
Durante o jantar, eles conversaram sobre a decoração da casa e riu muito de todas as opiniões que tinha para dar. Ela se perguntava porquê não deu ouvidos à ele na época. Os dois tiraram a mesa juntos e levaram a louça até a lava louças.
— Temos 14 empregados na casa, mas você fez questão da lava louças. — Brinca ele.
— Por que temos 14 empregados? — se abaixa para abrir a lava louças e se levanta para responder , que estava atrás dele. Ele se espanta um pouco com a proximidade e tropeça, esbarrando nela.
— Desculpe. — Diz ele, deixa a louça no balcão e apenas nega com a cabeça, enquanto o segura. Seus rostos próximos o suficiente para que sentissem a respiração um do outro, seus corpos próximos o suficiente para sentirem o calor um do outro. quebra a tensão, respondendo a pergunta de . — Nós… não temos tempo de cuidar de uma casa tão grande. — Ele pega a louça que ela deixou no balcão. — E eles trabalham por escala.
— E por que não os conheço? — A voz de sai como um sussurro, o que faz o corpo de arrepiar.
— Eu… os dispensei. — Ele coloca a louça na máquina. — Achei que você ficaria desconfortável de ter tantos desconhecidos na casa.
— Obrigada… por cuidar de mim. — O tom de voz de se mantém e assente.
— É melhor irmos nos deitar. — Ele sai da cozinha meio sem jeito, esbarrando nas coisas e com certa pressa, caminhando para o quarto. — Boa noite. — apenas o observa entrando no quarto e caminha para o seu quarto. No momento em que entra em seu quarto, fica parado encarando a porta, esperando escutar a porta do quarto de se fechar. Mas ele não escuta isso. Seu corpo faz com que ele se vire e caminhe até a porta, saindo do quarto e indo até o quarto de , dando de cara com ela saindo pela porta. Eles se olham, um olhar que vale mais do que qualquer coisa que eles poderiam dizer, se aproxima rapidamente, segurando o rosto de e buscando seus lábios com urgência. Ele segurou seu rosto como se fosse algo precioso demais para ser tocado. O olhar de encontrou o dele, e ali, naquele instante, não havia lembrança, passado ou obrigação. Havia só uma tensão suspensa entre duas respirações. Os dedos dele deslizavam pelas bochechas dela com uma leveza quase tímida, como se testasse os limites do que podia sentir sem se ferir.
O beijo veio hesitante, sutil — um toque lento de lábios que se buscavam pela primeira vez. respirou fundo contra a boca dela, e ela retribuiu o gesto como se seu corpo estivesse finalmente onde sempre quis estar. Os braços dela rodearam seus ombros com leveza, como se já soubessem o caminho. Ele a puxou com cuidado pela cintura, colando seus corpos, sentindo o calor suave sob a fina camisola que ela vestia, a conduziu para o quarto e ficaram de pé na frente da cama. parou por um momento. Seus olhos mergulharam nos dela. E ela assentiu, sem que palavras fossem ditas.
A camisola caiu sem resistência, escorregando pelos ombros dela até o chão. Ele a olhou como se visse um milagre. Como se tivesse esperado tempo demais para um toque que jamais se permitiu desejar. A mão dele percorreu sua cintura com uma reverência contida, o polegar roçando a curva de seu quadril como se pedisse licença para continuar. Ela levou os dedos até a barra da bermuda dele, desfazendo o elástico com um gesto que carregava mais do que desejo — havia confiança ali. Quando seus corpos ficaram nus, frente a frente, quase se encolheu diante da vulnerabilidade de estar exposto — não em pele, mas em tudo o que sentia. Ele a guiou até a cama com lentidão, como se o mundo pudesse desmoronar caso se apressasse. Deitou-a entre os lençóis, cobrindo-a com o próprio corpo com leveza, apoiando-se nos antebraços para não pesar, para apenas estar. Beijou sua testa, suas bochechas, o queixo, o canto dos lábios. Depois desceu, deixando beijos quentes por seu pescoço, pelos ombros, até alcançar os seios, onde se demorou. Ela arfava devagar, com os olhos fechados, o peito subindo e descendo em um ritmo descompassado, e ele se deixou perder ali — entre cada suspiro, cada parte de sua pele que o acolhia como se tivesse sido feita para ele. O corpo dela o envolveu com naturalidade, os joelhos se abrindo lentamente, guiando-o até o centro do que era íntimo, novo e inevitável. Quando ele a penetrou, foi com uma lentidão quase reverente. Sentiu o corpo dela ceder, quente e apertado ao redor dele, e precisou fechar os olhos para conter a avalanche de sensações. Não havia como fingir que aquilo era apenas físico. Era algo mais. Algo que o atravessava, que rasgava silenciosamente o que ele pensava saber sobre si mesmo. Ela ofegou sob ele, segurando seus braços com as mãos pequenas, e seus olhares se encontraram de novo. Não havia medo ali. Só surpresa. Só entrega.
Ele começou a se mover com delicadeza, deslizando dentro dela como se escrevesse uma nova história entre os dois — uma onde dor e rancor não existiam, onde só o toque dizia quem eram um para o outro. O quarto se encheu de gemidos baixos, quase sussurros, e do som macio de pele contra pele, uma melodia feita para ninguém mais ouvir além deles. Ela chegou ao orgasmo primeiro, os olhos apertados, a boca entreaberta em um gemido contido que ele abafou com um beijo. O corpo dela se contraiu ao redor do dele, e o puxou junto no êxtase — um clímax calmo, arrebatador, que o fez tremer sobre ela, afundando o rosto em seu pescoço, tentando não desabar por completo. Ele não disse nada. Não confessou que nunca a havia tocado assim antes. Que aquela era, para ele, a primeira vez de verdade.
Ela não precisava saber. Ela só precisava sentir.
E, quando se deitou ao lado dela, puxando-a contra o peito com os dedos entrelaçados aos dela, soube que, mesmo que ela nunca se lembrasse do passado… ele faria questão de construir um presente que valesse a pena ser lembrado.
O sol entrava pelas frestas da cortina em feixes dourados, dançando devagar sobre a colcha clara. piscou os olhos algumas vezes, sentindo o corpo ainda envolto pela sensação da noite anterior — o calor residual do toque dele ainda preso à sua pele, o peso do braço de repousando preguiçoso sobre sua cintura.
Ela não se mexeu de imediato. Deixou o silêncio falar primeiro. Mas então, como uma rachadura se abrindo no fundo de um lago calmo, as lembranças começaram a voltar. Foi uma fisgada no peito. Um cheiro. Um lampejo de algo que ela não sabia nomear — até que soube.
A discussão no sofá.
A noite em que gritou que o odiava.
O casamento forçado.
O acidente.
O som do caminhão.
A raiva.
A mágoa.
O desprezo mútuo.
Ela se lembrava de tudo. Cada frase cuspida com rancor. Cada momento de solidão compartilhada sob o mesmo teto. Cada olhar que evitavam trocar.
E ali estava ele.
Dormindo em paz ao seu lado. Os cílios longos repousando sobre as bochechas, a boca entreaberta, a expressão tranquila. Ele parecia outro homem. Não o que ela conheceu. Não o que aprendeu a odiar. Não o que ela jurou destruir por dentro todos os dias desde que foi obrigada a aceitar aquele sobrenome. Mas era o mesmo homem. O mesmo que chorou ao lado da cama dela sem que ninguém visse. O mesmo que cozinhou para ela com gentileza. O mesmo que beijou seu corpo como se ela fosse feita de luz. fechou os olhos de novo. Sentiu uma lágrima quente escorrer por sua têmpora, mas não a enxugou. Apenas permaneceu ali, imóvel, com o coração tão cheio que parecia prestes a explodir.
Ela poderia contar a ele. Poderia dizer que se lembrava de tudo. Poderia perguntar por que tudo só foi bom quando ela esqueceu quem ele era. Mas não disse nada.
Se virou devagar, com todo o cuidado para não acordá-lo, e aninhou-se contra o peito dele, ouvindo a batida constante do coração. Deixou os dedos traçarem lentamente as linhas de sua clavícula, como se quisesse decorar cada pedaço daquele momento. se remexeu, murmurou algo incompreensível e a envolveu mais forte nos braços, inconsciente. sorriu. Pequeno. Triste. Vitorioso. Se lembrar de tudo doía. Mas perder aquilo doía mais, então ela escolheu o silêncio. Pela primeira vez em muito tempo, escolheu não lutar. Porque mesmo que fosse mentira, mesmo que fosse temporário… ela queria continuar sendo amada por ele daquele jeito.
— Bom dia. — A voz rouca e preguiçosa de invadiu seus pensamentos e ela rapidamente enxugou a lágrima que escorria pelo seu rosto.
— Bom dia. — Ela sorriu, olhando para aquele homem que ela costumava odiar, mas que naquele momento, isso não existia mais. O medo de perder tudo assim que ele soubesse invadia seu peito, olhou para ela com preocupação.
— Está tudo bem? — Ele acaricia suas costas nuas, e ela assente.
— Sim. — Responde com um sorriso. — Estava te observando dormir.
— Ah, é mesmo? — vira de lado, selando seus lábios. — E eu fico bonito dormindo? — ri da pergunta.
— Não existe nenhum momento que possa te deixar feio. — Ela respondeu com propriedade, se lembrando de todos os momentos desde que se conheceram, e nem discutindo com ela, nem odiando ele, conseguia achar que ele fosse feio.
— Que bom, então. — escova uma mecha do cabelo de com os dedos. — Porque se eu me casei com a mulher mais bonita do mundo, tenho que pelo menos estar à altura. — não consegue deixar de rir da fala de . Não queria perder aquilo, por mais que não entendesse porque era mais fácil ser tratada daquele jeito quando não se lembrava dele, ela poderia viver assim.
Os dias finalmente estavam sendo gentis com eles. olhava para com adoração em seu olhar, se arrependia de nunca ter percebido a mulher incrível que estava ao seu lado, de ter demorado tanto para abrir seu coração para ela. devorava livros e sentava ao seu lado, interessado por cada livro que ela estivesse lendo, até mesmo leu alguns. Acompanhava ela em todas as consultas e cozinhava para ela todos os dias, temendo que ela o odiasse novamente no momento em que se lembrasse de tudo. Já , sentia seu peito doer pelo medo de que tudo aquilo acabasse quando ela não conseguisse mais fingir, se arrependia de ter construído uma muralha ao seu redor e nunca ter deixado se aproximar, se arrependia de ter alimentado cada vez mais a sua raiva por ele e por nunca ter sido amigável. Odiava a decoração da casa, mas escolheu porque ele odiava também, sempre teve a necessidade de fazê-lo se sentir tão infeliz quanto ela. Mas, agora, ao lado dele… ela tinha vontade de redecorar todo o lugar apenas para fazê-lo sorrir.
Um dia, estava dormindo e rolou para o lado, notando a falta de em sua cama. Antigamente, era algo que nunca teria feito diferença para ela, mas ela se levantou e foi procurar por ele pela casa. Escutou vozes na sala e olhou para o relógio, vendo que eram 2:35AM. Caminhou até a sala e viu seu pai com uma arma apontada para .
— Você traiu a minha confiança. — Vittorio estava com a voz carregada de ódio e decepção.
— Por favor, senhor. Eu sei que fui um escroto, mas eu daria qualquer coisa pra voltar no tempo e ter sido um marido melhor para ela. — não aparentava sentir medo, sua voz apenas soava arrependida, não assustada.
— Você a traiu. — Vittorio estava carregado de raiva.
— Ela não se importava… — suspira. — Dizia que eu poderia fazer qualquer coisa desde que não tocasse nela.
— Está mentindo! E ela não pode te salvar, porque por sua causa, ela perdeu a memória. — Vittorio destrava a arma, ele não estava com raiva pela traição de com a outra mulher, e sim porque ele havia confiado sua filha e seu reinado a ele, e ele não cuidou dela direito.
— É verdade. — A voz de ecoa pela sala, fazendo os dois se assustarem. — Ele tentou ser um marido de verdade, na nossa noite de núpcias, mas eu o expulsei para o quarto de hóspedes e construí uma fortaleza ao meu redor. Eu jamais aceitaria que ele me tocasse, então não fazia diferença que ele ficasse com outras mulheres. Me irritei naquele dia porque ele fez publicamente, não foi pela traição. Se isso é motivo para apontar uma arma para alguém, aponte para mim. — mantinha a serenidade em seu olhar, enquanto tinha os olhos brilhando por lágrimas que insistiam em cair pelo seu rosto.
— … — não acreditava que ela se lembrava de tudo.
— Desde quando você se lembra? — Perguntou Vittorio, abaixando a arma e suavizando sua expressão.
— Já faz uns dias, na verdade. — olha para e sorri. — No dia seguinte do molho salgado. — ri, enquanto as lágrimas escorrem pelo seu rosto.
— E por que você não me procurou, filha? Eu autorizaria o divórcio. — Vittorio suspirou, guardando a arma em seu bolso.
— Porque não quero me divorciar dele, na verdade, estou morrendo de medo de perdê-lo. — não conseguia encarar , mantinha o olhar fixo em seu pai, que abaixou a cabeça. — Por que veio até aqui 2 horas da manhã? Não tem mais o que fazer? — A pergunta de espantou Vittorio, ela não era do tipo que desrespeitava os pais, ao menos que tivesse que defender alguém. Isso ela já havia feito antes pelos irmãos.
— Vou embora. — Ele levanta as mãos em rendição. — Amanhã conversamos. — Vittorio encara uma última vez e sai pela porta. Deixando apenas o silêncio naquele ambiente, tentava controlar as lágrimas que insistiam em cair e evitava olhar para ele.
caminhou até ela, parado ao seu lado.
— Por que não olha para mim? — Sua voz rouca fez uma onde de choque percorrer todo o corpo de .
— Vai me odiar novamente? — Retruca ela, segura seu rosto, fazendo com que ela olhasse para ele.
— Eu quero que você olhe para mim. — Diz ele, sua voz firme e baixa. — Por que não contou nada?
— Porque você só… — Ela engole o choro. — …só foi capaz de gostar de mim quando me esqueci de quem eu era. Achei que no momento que eu lembrasse, você voltaria a me odiar. — ri, mas não é sarcasticamente.
— Eu tive medo que você me odiasse quando se lembrasse. — Ele acaricia seu rosto. — Eu não te amo porque você se esqueceu de quem era, eu amo você e todas as lembranças suas. Isso não aconteceu antes porque nós nunca nos permitimos nos aproximar tanto um do outro, mas quando eu te conheci verdadeiramente, sem defesas, só você… todas as lembranças começaram a ficar mais bonitas. — Os olhos de brilham com lágrimas não derramadas.
— Você… me ama? — É a única coisa que ela consegue dizer, assente, dando um selinho em seus lábios.
— Eu te amo, . — Ele sorri, não consegue evitar o sorriso em seus lábios.
— Eu… te amo. — Responde, sem acreditar que estava mesmo dizendo aquilo para ele. se dela e a abraça forte e, com o rosto escondido em seus cabelos, respira fundo e absorve aquele cheiro que já começava a significar lar.
— O que fazemos agora? — Pergunta ela, afundando a cabeça em seu peito.
— Agora, começamos de novo. Vou passar todos os dias provando à você que posso ser um marido melhor. — Ele se afasta do abraço apenas para olhar para o rosto dela, acariciando sua bochecha. — E esta noite… — Ele faz uma pausa, olhando em seus olhos.
— Esta noite? — Pergunta ela.
— Esta noite vou fazer amor com você como se fosse a primeira vez, a última vez e todas as vezes no meio. — a segura no colo, de forma nupcial e a conduz para a cama, entre risadas e beijos suaves, os dois sentem que finalmente tudo está como deveria estar. Finalmente eles são marido e mulher de verdade, finalmente eles se permitiram viver o amor um do outro.
— , você aceita como seu legítimo esposo? — Pergunta o padre, a mulher suspira.
— Sim.
— , você aceita como sua legítima esposa? — hesita, mas assente.
— Sim. — Vittorio e Giulianna se entreolharam ao ouvir a resposta do, agora genro, Giulianna se perguntava se era mesmo a melhor coisa a se fazer pela sua filha e Vittorio estava orgulhoso de que seus planos haviam dado certo, ele tinha certeza que seria um ótimo marido para sua filha.
1 ano depois — New York City
— Por que você não pula de uma ponte? — olhava para a sua esposa, que estava com um vestido vermelho colado realçando suas curvas, de frente para o espelho enquanto colocava seus brincos de diamante, ela sorri para ele.
— Para te dar esse gostinho, querido marido? Não, obrigada. — Ela volta o olhar para o espelho e rola os olhos. — Mas se você entrasse na frente de um caminhão em movimento eu não acharia ruim. — Completa, terminando de colocar seus brincos.
— Não te daria esse gostinho também. — Ele se levanta. — Vamos, estamos atrasados. — concorda e pega sua bolsa, acompanhando até a garagem. Ele entra no carro sem esperar por ela, que entra em seguida.
— Você é um inútil, não vê que estou com várias coisas na mão? Não poderia abrir a porta? — Ela mostra a bolsa e o paletó que estava segurando.
— Não preciso fazer isso se ninguém estiver olhando. — dá partida no carro e joga o paletó no banco de trás, colocando o cinto. — Não me faça passar vergonha, sem cenas.
— Sou eu que tenho que dizer isso. — Ela dá de ombros e retoca o gloss.
Eles chegam juntos na festa de inauguração do Hotel Grand Luce, uma extensão dele em New York. tem seu braço entrelaçado ao seu marido e percebe troca de olhares entre outras mulheres e ele, nada diferente do habitual. Ela não suportava nem chegar perto dele nesses eventos, imagina se relacionar com ele. Ela até teria um amante, se não desse tanto trabalho, mas em público eles eram marido e mulher. Enquanto caminham pelo Hall, e buscam o rosto de Vittorio, mas não o encontram. Precisam mostrar que estão ali juntos, mas o pai de não estava no local.
— Vou falar com algumas pessoas. — cochicha no ouvido de que assente e faz o mesmo, como membros da família, eles têm que agradar os convidados.
conversa com um grupo de homens, sem prestar muita atenção, apenas sorrindo e assentindo. Até que um deles começa a falar sobre . — Não sei como seu pai aceitou que você se casasse com alguém como esse rapaz… um moleque desse, sem ter onde cair morto. — Diz um deles, bebendo um gole de vinho, fica calada.
— Soube que ele era espancado pelo pai quando Vittorio o tornou membro da família, mais um cachorrinho de rua acolhido pelos . — Completa o outro, a expressão suave de se fecha e seu olhar se torna sombrio.
— E você me parece mais um pedaço de lixo que meu pai insiste em convidar para eventos. — Os três homens, em seus ternos caros, se espantaram com a reação de . — Quem vocês pensam que são para falar assim do meu marido?
— Só estamos comentando, não precisa se aborrecer. — O que estava em silêncio começa a falar. — Não é nossa culpa que se casou com um cachorrinho de rua. — segura a taça de champanhe com força em sua mão e joga todo o líquido no rosto do homem, que coloca a mão em seu rosto, sentindo o líquido escorrer e inacreditado.
— Sua vadiazinha… — O homem levantou a mão para acertar , mas foi impedido por .
— Não toque na minha esposa. — Diz ele, com o mesmo olhar sombrio que tinha. Apertou o braço do homem com força, mas não o suficiente para que ficasse uma marca.
— Essa vadia jogou champanhe em mim! — O homem mostra sua roupa molhada, e encara , irritado.
— Eu me resolvo com a minha esposa, mas não é nada inteligente ofendê-la. Não vai querer ter problemas comigo. — se coloca atrás de , que mantém um olhar ameaçador sob o homem. O clima muda quando seu pai chega ao local.
— Está me ameaçando? — Pergunta o homem.
— Sim, ele está. — Responde Vittorio ao chegar no local, e se afastam, fazendo uma leve reverência para o mais velho. — E vocês estão convidados a se retirarem da minha festa. — Os homens se entreolham, mas obedecem, Vittorio não parecia satisfeito com o comportamento da filha e os encara, se aproxima de e cochicha. — Cuide dela.
puxa para um canto da festa, os olhos cheios de raiva — dos dois.
— O que foi essa cena? Quer me envergonhar? — fala baixo, mas sua voz tem um tom característico de quando ele está bravo.
— Cala a boca! Fiz isso por sua causa, não sabe o que estavam falando de você. — Responde , com o mesmo tom de voz de , que arqueia uma sobrancelha.
— Ah, é? E desde quando se importa se me humilham? Você mesma sempre faz isso. — Retruca ele.
— Eu posso te humilhar, mas se outra pessoa faz isso e eu fico quieta, é humilhante para mim também. — Ela rola os olhos. — Vamos aproveitar que meu pai nos viu e vamos embora de fininho. — Completa e assente.
— Vou pedir ao motorista para te levar, eu vou a outro lugar. — Responde, caminhando até a saída, sendo seguido por .
— Vê se não volta cedo, você sempre me acorda quando chega. — olha ao redor enquanto chama um dos motoristas da família com a mão.
— É a única coisa agradável em você, você nunca espera por mim.
Eram 5:00 da manhã quando chegou em casa, o cheiro forte de uísque em seu corpo, enquanto cambaleava e acendia a luz da sala, se assustando com sentada no sofá.
— Porra! , tá louca?! — Exclama, assustado. estava sentada em uma poltrona, no escuro, com o celular na mão.
— Estava te esperando. — A resposta dela fez se assustar ainda mais, ela nunca esperava, algo aconteceu.
— Fala. — Disse ele, afrouxando a gravata, mostra uma foto em seu celular, uma mulher sentada no colo de . — E desde quando você se importa? — Ele tira a gravata e o paletó.
— Desde que você faz isso em público. — se levanta. — Eu não me importo com quem você ou deixa de comer, desde que não toque em mim. Mas não posso aceitar que faça isso em público, esconda bem. Não quero ficar conhecida como corna, não é como se eu me importasse com você, mas não quero ter que lidar com as consequências das suas atitudes. — joga o celular com a foto no sofá atrás de . — Se meu pai descobrir… — a interrompe.
— Ele não vai, vou ser mais cuidadoso, pode me deixar em paz agora? — Ele bufa.
— Você é tão imprestável que não sabe nem trair direito. — Ela pega o celular e bate os pés enquanto caminha para o quarto.
— Pede o divórcio então. — Ele retruca.
— Talvez eu peça mesmo! — para de andar e o encara. — Eu não preciso estar nesse casamento, você que precisa! Eu não quero estar nesse casamento e nunca quis!
— E por que aceitou então? — esbraveja.
— Eu tive escolha??? — retruca no mesmo tom. — Você também não se opôs.
— Não podia recusar. — se jogou no sofá, com raiva. — Mas não esperava que seria tão ruim.
— Jurei para mim mesma que faria da sua vida um inferno por me usar para herdar o cargo do meu pai. — caminha para o quarto e ri.
— Jurou mesmo? Eu nem precisei disso e você se sente do mesmo jeito. Se quiser pedir o divórcio, peça. — Ele se levantou e caminhou até seu quarto, batendo a porta com força.
estava furiosa dentro do seu quarto, ela sempre soube o que fazia nesses eventos e sinceramente, não se importava. Odiava que qualquer coisa da sua vida fosse exposta publicamente, não queria ficar conhecida como a esposa traída. Trocou sua roupa e saiu de casa, decidida a convencer seu pai a deixá-la se separar, sem remorso e sem um pingo de tristeza, apenas buscando sua liberdade. Pegou suas chaves e seu carro, sem pensar em nada além de sair daquele casamento, saiu da sua garagem e dirigiu o mais rápido que pôde. Na metade do caminho, percebeu um carro estranho, que parecia estar a seguindo. Ela fez algumas ultrapassagens e o carro fez as mesmas ultrapassagens, ela dobrava nas ruas e o carro dobrava nas mesmas, ela começou a acelerar assustada, tentando encontrar o número de no painel do carro. Quando o encontrou, escutou o som do celular chamando, até que ele atendeu. Ela parou no sinal, ofegante.
— O que você quer? — Perguntou do outro lado da linha.
— , eu… — O sinal abriu e ela deu partida no carro e antes que pudesse terminar de falar, foi atingida por um caminhão que ultrapassava o sinal. se levantou rapidamente ao escutar o barulho forte, andou pela casa e não encontrou , seu quarto estava destrancado e a roupa que estava usando quando ele chegou em casa, estava em cima da cama. Se trocou rapidamente e pegou suas chaves, mas seu celular logo tocou.
Após receber a ligação dos bombeiros sobre o que aconteceu com , ligou para o sogro e se dirigiu ao hospital. Quando chegou lá, sua sogra estava chorando e seu sogro irritado.
— O que aconteceu? A está bem? — Perguntou, preocupado.
— Ela está em cirurgia. — Vittorio respondeu. — Onde você estava? — Em casa, eu… — foi interrompido pelo sogro.
— Chegou em casa 5 horas da manhã e depois minha filha saiu irritada dirigindo em alta velocidade, e ligou para você para avisar que estava sendo seguida. E que tenho que te perguntar o que aconteceu, casei vocês dois para que você a protegesse e você é imprudente a esse ponto?
— Nós… tivemos uma discussão. Mas eu atendi assim que ela ligou, não vi que ela saiu de casa. Como o senhor sabe disso tudo? — Perguntou , Vittorio entregou um tablet na mão dele.
— É o percurso de câmeras que registraram tudo desde que ela saiu do seu condomínio, a polícia disse que seu nome estava no registro de chamadas do painel do carro. — Ele pegou o tablet de volta, estava impressionado.
— O senhor… fez tudo isso durante esse curto período de tempo? — Antes que Vittorio pudesse responder, um dos médicos da equipe de cirurgia se aproximou.
— Bom dia, quem é o marido da paciente? — Pergunta o médico e da um passo à frente. — Senhor, a gente precisa da sua autorização, a cirurgia será mais intensa do que imaginávamos e precisamos operar em uma parte do cérebro dela que pode influenciar nas memórias.
— Qualquer coisa para salvá-la. — responde rapidamente, não sabia se era por ela ou para não se sentir culpado, mas ela não poderia morrer. — Eu autorizo.
— Sim, senhor.
A cirurgia durou horas, mas finalmente eles podiam visitá-la no quarto. Se passaram 5 dias desde o acidente e finalmente abriu os olhos, com dificuldade para falar, 2 dias se passaram até que ela finalmente conseguisse falar, estava sentado em uma cadeira ao lado da cama, lendo um livro.
— Água… — Disse ela, baixinho.
— Água? — se levanta rapidamente e pega o copo de água com um canudo, inclina a cama para que ela possa recostar e leva o canudo até sua boca. bebe a água e se sente aliviada.
— Obrigada. — Ela responde. — Posso te perguntar uma coisa?
— Claro. — se senta e puxa a cadeira para mais perto dela.
— Quem é você? Faz dois dias que te vejo sentado ao meu lado, mas não faço ideia de quem seja. — não sabe se sente tristeza ou alívio ao escutar aquilo, ele engole seco.
— Sou seu marido. — Responde, com ternura em sua voz. — . Somos os Sr. e Sra. .
— Ah… — Ela faz uma expressão triste. — Me desculpe por não me lembrar de você, deve ser decepcionante que sua esposa tenha te esquecido. — Ela tenta se acomodar na cama.
— Não é, é aliviante que minha esposa esteja viva. — sorriu, fazendo dar um sorriso fraco. — Eu vou chamar seus pais, preciso resolver uma papelada do hospital e já volto, tá bom?
— Meus pais… — Ela sussurra. — Não demore, por favor. — não se lembrava de ninguém, mas via ali sempre e tinha certeza que tinha o escutado chorar por ela, então, ele era a única pessoa em quem ela confiava, e ele percebeu isso.
— Não irei demorar. — Ele dá um beijo na testa de e sai do local, indo até a sala de espera informar aos pais dela que ela estava falando. Pega o celular e vai até o lado de fora do hospital, acendendo um cigarro, procura o nome “Sabrina” em sua lista de contatos e liga. — Não me procure mais. — Disse ele, em um tom frio, sem “mas” e sem explicações. Todos os dias que ficou ao lado de no hospital, ele se culpou pela situação que ela estava, se pelo menos tivesse tentado ser um marido melhor, se… eram tantos possíveis cenários, ele encarava a perda de memória de como uma chance de consertar seus erros. Não que ela fosse louca de amores por ele, mas se ele pudesse cuidar dela direito dessa vez, era o suficiente. Ele dá um trago no cigarro e logo o apaga, pisando em cima. Volta para o quarto, se arrependendo de ter fumado, mas parecia perdida enquanto falava com seus pais, e no momento que olha para ele, ela parecia se sentir segura. E ela sentia.
— . — Ela fala baixinho, o chamando para mais perto, se aproxima e para ao seu lado. — Eu vou para a casa com , mãe e pai, não vou com vocês. — se surpreende com o que escutou.
— Querem levar ela com vocês? — Pergunta ele.
— Claro, ela é nossa filha. — Diz Giulianna. — Ela vai conosco.
— Posso falar com o senhor um segundo lá fora? — pergunta a Vittorio, que acena com a cabeça e o acompanha. Longes o suficiente para que não os escutasse, suspira.
— O que você quer? — Pergunta Vittorio, com seu tom de voz impaciente.
— Não acho que ela se sentirá confortável indo com vocês. — Responde ele, meio sem jeito, sem acreditar no que estava dizendo.
— Ah, é? E ela se sentiria confortável com você? Um marido que mal a suporta? Um marido que é culpado pelo acidente da esposa? — As palavras de Vittorio pesam na consciência de , que se sente culpado pelo acidente de e sabe que tudo que o sogro disse é verdade.
— Sim. — Ele suspira, sua voz rouca baixa e firme. — Eu sei que foi minha culpa, mas ela ainda é minha esposa e eu tenho a obrigação de cuidar dela. Me deixa consertar o meu erro. — Vittorio permanece com a mesma expressão, sem relaxar nem por um segundo.
— Se você não cuidar dela direito, terá problemas. — Responde Vittorio, voltando para o quarto da filha, seguido por . — vai para casa com o marido, o que acha, filha?
— Sim. — Ela responde sem pensar duas vezes. — Acho melhor. — suspira, estava se sentindo um pouco aliviado por Giulianna querer levá-la embora, mas não sentia que era o certo naquela situação.
1 semana depois…
voltou com para casa, olhando ao redor sem reconhecer nada.
— Nós realmente moramos aqui? — Pergunta ela, fazendo assentir.
— Você quem decorou, nunca liguei muito para isso. — Responde ele, colocando os pertences de no sofá. — Precisa de alguma coisa? — Ela caminha até uma poltrona e se senta.
— Estou bem, obrigada. — olha ao redor buscando qualquer coisa que seja familiar, vê um quadro enorme com uma foto do casamento, mas não vê mais nenhuma foto dos dois pela casa. — Não tiramos fotos juntos ou só não gostamos de porta retratos? — Pergunta, curiosa.
— Não gostamos desse tipo de coisa. — Ele sorri, mentindo para ela e para si mesmo. — Vou arrumar o seu quarto para te acomodar.
— Meu quarto? — inclina a cabeça, tentando entender.
— Sim. — sorri gentilmente. — Dormimos em quartos separados? — A pergunta de faz engolir seco.
— Bom… gostamos de… privacidade. — Mente, cerra os olhos.
— Não estamos em uma fase boa, então. — Ela continua olhando ao redor, enquanto faz um bico. — É muito estranho não saber nada, gostaria de saber tantas coisas. — se abaixa na frente dela, colocando a mão em seu joelho.
— Não é isso… — Ele sorri gentilmente. — Você pode me perguntar qualquer coisa.
— Por que você chorou ao lado da minha cama quando nem meus pais fizeram isso? — A primeira pergunta de deixou sem reação, porque nem ele sabia responder isso.
— Fiquei… triste. — sorri com os lábios. — Te ver em uma cama de hospital, você sempre foi uma força da natureza e odiaria estar no hospital. Fiquei mais triste por ter tido dificuldade para falar, você sempre falou muito. — Até demais. Pensou ele. — E… fiquei aliviado por ter sobrevivido. — Ele sorri enquanto segura suas mãos.
— Entendi. — sorri, sentindo uma sensação familiar em seu coração, como se estivesse esquentando com as palavras de . — Há quanto tempo somos casados?
— 1 ano. — responde imediatamente, o ano mais infernal de sua vida, ele pensava.
— Em 1 ano estamos em uma fase ruim o suficiente para dormir em quartos separados? — Ela pergunta mais para si mesma, como se tentasse recuperar alguma memória do que poderia ter causado essa distância entre ela e seu marido.
— Já disse que não é isso. — Ele aperta sua mão, deixaria que ela descobrisse por conta própria. Omitiria os fatos por enquanto.
— Você se lembra do motivo de ter se casado comigo? — pergunta como se esperasse uma resposta que faria tudo fazer sentido. Mas apenas fica em silêncio, pensando no que poderia dizer sem mentira. — Tudo bem, não precisa responder isso. — Ela se levanta e se mantém por perto para ajudá-la.
— Quer se deitar? — Pergunta ele e assente.
— Por favor. — Ele segura em sua mão, a guiando até o quarto. não consegue sentir nada ao entrar no próprio quarto, nada ali a fazia sentir em casa. Ela se deitou e arrumou suas cobertas.
— Vou deixar que descanse. — Diz ele, saindo do quarto. Assim que a porta se fecha atrás dele, ele bagunça o próprio cabelo, se perguntando o que estava fazendo.
2 semanas depois…
e se mantinham distantes dentro da casa, ele apenas atendia suas necessidades e se certificava de que ela estaria confortável e saudável. Era o dia de retornar para uma revisão com o neurocirurgião e acompanhou até a consulta. estava sentada em uma maca enquanto o médico verificava suas pupilas.
— Alguma sensação de familiaridade desde que voltou para casa? — Pergunta o médico, nega com a cabeça.
— Sinceramente, sequer consigo acreditar que eu escolhi a decoração da casa. É horrorosa. — O comentário de faz rir.
— Eu disse que era feia, na época. — Murmura ele.
— Isso soa familiar. — Ela aponta para . — Algumas vezes quando converso com ele, soa familiar. — se surpreende com a fala de e o médico assente.
— Isso é bom, talvez seu marido seja o incentivo para que recupere a memória. — O médico olha para . — Vamos com calma, mas tente sutilmente conversar com ela sobre coisas que vocês conversavam. — fica em silêncio, lembrando da forma que eles costumavam conversar, mas apenas assente.
Quando chegam em casa, caminha até uma mesinha de canto que ficava na sala, abre uma gaveta e pega um chaveiro, quase que automático.
— O que está fazendo? — Pergunta .
— Senti que deveria pegar essas chaves aqui. — Ela entrega para ele, que analisa as chaves.
— Estou procurando por essas chaves desde o dia que você sofreu o acidente. — Ele cerra os olhos. — Como sabia que estavam ali?
— Eu entrei pela porta e meu corpo me guiou até ali, que chaves são essas? — Pergunta ela, inclinando a cabeça.
— São as chaves do seu escritório aqui, do escritório do hotel e do almoxarifado do seu escritório do hotel. — Responde ele, guardando as chaves no bolso. — Tudo parou no hotel por não encontrar essas chaves, que bom que se lembrou delas. — sorri empolgada.
— Será que vou conseguir me lembrar de tudo? — sorri com a pergunta dela, torcendo para que sim, não sabia por quanto tempo seria capaz de cuidar dela.
— Espero que sim, isso me faria feliz. — Ele sorri, seus olhos enrugando no canto, fazendo retribuir com um sorriso gentil.
— Isso… quando você fala assim comigo… não é como se eu sentisse algo familiar, mas eu me sinto… bem… eu acho. — sorri enquanto fala, fazendo corar, é claro que ela não sentiria algo familiar, pensou ele.
— Vou preparar algo para comermos. — Diz ele, assente e se senta na sala.
Dias se passam, assume as responsabilidades de no hotel após conseguir as chaves. Ao chegar em casa, a encontra na sala lendo um livro chamado “Manual de Assassinato para boas garotas”.
— De novo esse livro? — Ele rola os olhos.
— Ah, oi. — sorri. — Encontrei no meu quarto e achei interessante.
— Não sei o que tem de interessante nisso. Manual de assassinato para boas garotas, isso é livro que se lê? — Ele pergunta mais para si mesmo do que para ela, fazendo-a rir.
— Tem medo de que eu aprenda como assassinar uma pessoa? — cerra os olhos e franze o cenho.
— Não brinque com isso. — Sua voz um pouco mais séria, aquele diálogo, trouxe uma sensação de familiaridade à , diferente de todas as outras vezes até então. Ela abaixou o livro e encarou o nada, fazendo ir até ela. — O que foi?
— Já tivemos um diálogo assim antes? — Pergunta ela, faz uma expressão pensativa.
— Acho que já falamos algo parecido sim, na primeira vez que te vi lendo isso. — Ele sorri se lembrando da cena, foi mais como um “Está com medo de que eu aprenda a te matar?”, mas funcionava. apenas fica em silêncio e sorrindo.
— Ah… — sorri, com o olhar triste.
— Qual é o problema? — acaricia seu rosto, abaixando-se de frente para ela.
— Eu queria me lembrar de você, de nós dois. — Ela sorri. — Eu sinto meu coração bater mais forte quando você está falando comigo, e a única coisa que me traz uma sensação familiar é falar com você. Parece que você era realmente importante para mim. — O olhar de se torna triste, porque ele acreditava que no fundo os dois eram importantes um para o outro, mas havia muita mágoa e rancor acumulado por causa do casamento forçado. Ele beija a testa de e se levanta.
— Você vai se lembrar. — sorri, e caminha para o banheiro. — Vou tomar um banho. — fica imóvel no sofá, apenas acena com a cabeça.
Ao entrar no banheiro, se dá conta do que acabou de fazer. Que impulso foi essa de dar um beijo na testa dela? Que sensação de tristeza foi essa que invadiu seu peito? Não era culpa, era… arrependimento. Ele abriu o chuveiro, tirou suas roupas e entrou debaixo da água gelada, ficando ali por um bom tempo. Saiu do banheiro com uma bermuda e sem camisa, secando o cabelo com uma toalha. Escutou barulhos na cozinha e alguns palavrões, inclinou a cabeça e franziu o cenho, caminhando até lá e vendo , de camisola, mexendo em algumas panelas.
— O que está fazendo? — Perguntou ele, se assustou e encostou a mão em uma panela quente, soltando um “ai!”. jogou a toalha no chão e levou sua mão até a pia, abrindo a água e colocando debaixo da água. — Se machucou? — No momento em que olhou para , seus olhos o encaravam, de uma forma que nunca havia encarado antes. Seu coração palpitou, de um jeito diferente, nem ele entendia o que era aquilo. Nunca havia parado para perceber o quanto ela era bonita de perto, como seus olhos eram penetrantes e como cada detalhe dela era… encantador. Até mesmo o jeito de respirar. Eles se encararam por um tempo, até quebrar o silêncio.
— Não foi nada… — percebe a situação e solta a mão dela suavemente.
— Por que está na cozinha? Você não cozinhava nem quando tinha suas memórias. — Ele cruzou os braços e se encolheu.
— Você tem cozinhado todos os dias, pensei em retribuir a gentileza. — segura pela cintura, a afastando gentilmente do fogão.
— Deixa que eu cuido disso, não se incomode. — Ele sorri para ela, que examina cada detalhe dele e apenas assente, sentindo sua respiração falhar. Caminha com certa dificuldade até a sala e observa cozinhando de longe. Ele faz uma careta ao experimentar o molho que ela colocou no fogo e adiciona mais coisas, mexendo com cuidado. Ela podia não se lembrar dos sentimentos que tinha por ele, mas sabia exatamente o motivo de ter escolhido se casar com ele. Quando a comida ficou pronta, ele serviu na sala de jantar e fez um sinal para que fosse comer.
— Aquele molho estava extremamente salgado. — Diz ele, se sentando na ponta da mesa. — Coma, por favor. — Ele sorri, era a primeira vez que eles comiam naquela mesa enorme. pegou os talheres e o prato que estavam na outra ponta da mesa e caminhou para a cadeira ao lado de , arrumando seu lugar.
— Costumamos receber tantas pessoas assim para jantar? — A atitude de surpreende , que mal escuta sua pergunta. — Temos tantas cadeiras e uma mesa tão grande. — Ela sorri, se sentando ao lado de .
— Achei um exagero a princípio, nunca recebemos ninguém aqui. — Ele responde, recuperando o fôlego. — Você e um decorador cha… digo, você e o decorador insistiram. — deu risada.
— Um decorador chato? Era o que ia dizer? — Pergunta ela, com um sorriso brincalhão nos lábios, enquanto se servia.
— É. — ri. — Não quis me meter em nada porque ele se achava superior, então deixei por sua conta. — ri da fala dele.
— Posso te perguntar uma coisa? — Pergunta ela, enrolando o macarrão no garfo, assente enquanto mastiga. — Você parou de fumar? Me lembro de sentir o cheiro de cigarro no hospital, e vi alguns isqueiros e cinzeiros pela casa, mas nunca mais senti o cheiro em você. — se surpreende com a pergunta dela, mas sorri de canto.
— Você odiava o cheiro de cigarro, achei que não seria uma boa ideia recuperar uma lembrança ruim. — Responde, dando mais uma garfada na comida. assente, levando a comida até a boca.
Durante o jantar, eles conversaram sobre a decoração da casa e riu muito de todas as opiniões que tinha para dar. Ela se perguntava porquê não deu ouvidos à ele na época. Os dois tiraram a mesa juntos e levaram a louça até a lava louças.
— Temos 14 empregados na casa, mas você fez questão da lava louças. — Brinca ele.
— Por que temos 14 empregados? — se abaixa para abrir a lava louças e se levanta para responder , que estava atrás dele. Ele se espanta um pouco com a proximidade e tropeça, esbarrando nela.
— Desculpe. — Diz ele, deixa a louça no balcão e apenas nega com a cabeça, enquanto o segura. Seus rostos próximos o suficiente para que sentissem a respiração um do outro, seus corpos próximos o suficiente para sentirem o calor um do outro. quebra a tensão, respondendo a pergunta de . — Nós… não temos tempo de cuidar de uma casa tão grande. — Ele pega a louça que ela deixou no balcão. — E eles trabalham por escala.
— E por que não os conheço? — A voz de sai como um sussurro, o que faz o corpo de arrepiar.
— Eu… os dispensei. — Ele coloca a louça na máquina. — Achei que você ficaria desconfortável de ter tantos desconhecidos na casa.
— Obrigada… por cuidar de mim. — O tom de voz de se mantém e assente.
— É melhor irmos nos deitar. — Ele sai da cozinha meio sem jeito, esbarrando nas coisas e com certa pressa, caminhando para o quarto. — Boa noite. — apenas o observa entrando no quarto e caminha para o seu quarto. No momento em que entra em seu quarto, fica parado encarando a porta, esperando escutar a porta do quarto de se fechar. Mas ele não escuta isso. Seu corpo faz com que ele se vire e caminhe até a porta, saindo do quarto e indo até o quarto de , dando de cara com ela saindo pela porta. Eles se olham, um olhar que vale mais do que qualquer coisa que eles poderiam dizer, se aproxima rapidamente, segurando o rosto de e buscando seus lábios com urgência. Ele segurou seu rosto como se fosse algo precioso demais para ser tocado. O olhar de encontrou o dele, e ali, naquele instante, não havia lembrança, passado ou obrigação. Havia só uma tensão suspensa entre duas respirações. Os dedos dele deslizavam pelas bochechas dela com uma leveza quase tímida, como se testasse os limites do que podia sentir sem se ferir.
O beijo veio hesitante, sutil — um toque lento de lábios que se buscavam pela primeira vez. respirou fundo contra a boca dela, e ela retribuiu o gesto como se seu corpo estivesse finalmente onde sempre quis estar. Os braços dela rodearam seus ombros com leveza, como se já soubessem o caminho. Ele a puxou com cuidado pela cintura, colando seus corpos, sentindo o calor suave sob a fina camisola que ela vestia, a conduziu para o quarto e ficaram de pé na frente da cama. parou por um momento. Seus olhos mergulharam nos dela. E ela assentiu, sem que palavras fossem ditas.
A camisola caiu sem resistência, escorregando pelos ombros dela até o chão. Ele a olhou como se visse um milagre. Como se tivesse esperado tempo demais para um toque que jamais se permitiu desejar. A mão dele percorreu sua cintura com uma reverência contida, o polegar roçando a curva de seu quadril como se pedisse licença para continuar. Ela levou os dedos até a barra da bermuda dele, desfazendo o elástico com um gesto que carregava mais do que desejo — havia confiança ali. Quando seus corpos ficaram nus, frente a frente, quase se encolheu diante da vulnerabilidade de estar exposto — não em pele, mas em tudo o que sentia. Ele a guiou até a cama com lentidão, como se o mundo pudesse desmoronar caso se apressasse. Deitou-a entre os lençóis, cobrindo-a com o próprio corpo com leveza, apoiando-se nos antebraços para não pesar, para apenas estar. Beijou sua testa, suas bochechas, o queixo, o canto dos lábios. Depois desceu, deixando beijos quentes por seu pescoço, pelos ombros, até alcançar os seios, onde se demorou. Ela arfava devagar, com os olhos fechados, o peito subindo e descendo em um ritmo descompassado, e ele se deixou perder ali — entre cada suspiro, cada parte de sua pele que o acolhia como se tivesse sido feita para ele. O corpo dela o envolveu com naturalidade, os joelhos se abrindo lentamente, guiando-o até o centro do que era íntimo, novo e inevitável. Quando ele a penetrou, foi com uma lentidão quase reverente. Sentiu o corpo dela ceder, quente e apertado ao redor dele, e precisou fechar os olhos para conter a avalanche de sensações. Não havia como fingir que aquilo era apenas físico. Era algo mais. Algo que o atravessava, que rasgava silenciosamente o que ele pensava saber sobre si mesmo. Ela ofegou sob ele, segurando seus braços com as mãos pequenas, e seus olhares se encontraram de novo. Não havia medo ali. Só surpresa. Só entrega.
Ele começou a se mover com delicadeza, deslizando dentro dela como se escrevesse uma nova história entre os dois — uma onde dor e rancor não existiam, onde só o toque dizia quem eram um para o outro. O quarto se encheu de gemidos baixos, quase sussurros, e do som macio de pele contra pele, uma melodia feita para ninguém mais ouvir além deles. Ela chegou ao orgasmo primeiro, os olhos apertados, a boca entreaberta em um gemido contido que ele abafou com um beijo. O corpo dela se contraiu ao redor do dele, e o puxou junto no êxtase — um clímax calmo, arrebatador, que o fez tremer sobre ela, afundando o rosto em seu pescoço, tentando não desabar por completo. Ele não disse nada. Não confessou que nunca a havia tocado assim antes. Que aquela era, para ele, a primeira vez de verdade.
Ela não precisava saber. Ela só precisava sentir.
E, quando se deitou ao lado dela, puxando-a contra o peito com os dedos entrelaçados aos dela, soube que, mesmo que ela nunca se lembrasse do passado… ele faria questão de construir um presente que valesse a pena ser lembrado.
O sol entrava pelas frestas da cortina em feixes dourados, dançando devagar sobre a colcha clara. piscou os olhos algumas vezes, sentindo o corpo ainda envolto pela sensação da noite anterior — o calor residual do toque dele ainda preso à sua pele, o peso do braço de repousando preguiçoso sobre sua cintura.
Ela não se mexeu de imediato. Deixou o silêncio falar primeiro. Mas então, como uma rachadura se abrindo no fundo de um lago calmo, as lembranças começaram a voltar. Foi uma fisgada no peito. Um cheiro. Um lampejo de algo que ela não sabia nomear — até que soube.
A discussão no sofá.
A noite em que gritou que o odiava.
O casamento forçado.
O acidente.
O som do caminhão.
A raiva.
A mágoa.
O desprezo mútuo.
Ela se lembrava de tudo. Cada frase cuspida com rancor. Cada momento de solidão compartilhada sob o mesmo teto. Cada olhar que evitavam trocar.
E ali estava ele.
Dormindo em paz ao seu lado. Os cílios longos repousando sobre as bochechas, a boca entreaberta, a expressão tranquila. Ele parecia outro homem. Não o que ela conheceu. Não o que aprendeu a odiar. Não o que ela jurou destruir por dentro todos os dias desde que foi obrigada a aceitar aquele sobrenome. Mas era o mesmo homem. O mesmo que chorou ao lado da cama dela sem que ninguém visse. O mesmo que cozinhou para ela com gentileza. O mesmo que beijou seu corpo como se ela fosse feita de luz. fechou os olhos de novo. Sentiu uma lágrima quente escorrer por sua têmpora, mas não a enxugou. Apenas permaneceu ali, imóvel, com o coração tão cheio que parecia prestes a explodir.
Ela poderia contar a ele. Poderia dizer que se lembrava de tudo. Poderia perguntar por que tudo só foi bom quando ela esqueceu quem ele era. Mas não disse nada.
Se virou devagar, com todo o cuidado para não acordá-lo, e aninhou-se contra o peito dele, ouvindo a batida constante do coração. Deixou os dedos traçarem lentamente as linhas de sua clavícula, como se quisesse decorar cada pedaço daquele momento. se remexeu, murmurou algo incompreensível e a envolveu mais forte nos braços, inconsciente. sorriu. Pequeno. Triste. Vitorioso. Se lembrar de tudo doía. Mas perder aquilo doía mais, então ela escolheu o silêncio. Pela primeira vez em muito tempo, escolheu não lutar. Porque mesmo que fosse mentira, mesmo que fosse temporário… ela queria continuar sendo amada por ele daquele jeito.
— Bom dia. — A voz rouca e preguiçosa de invadiu seus pensamentos e ela rapidamente enxugou a lágrima que escorria pelo seu rosto.
— Bom dia. — Ela sorriu, olhando para aquele homem que ela costumava odiar, mas que naquele momento, isso não existia mais. O medo de perder tudo assim que ele soubesse invadia seu peito, olhou para ela com preocupação.
— Está tudo bem? — Ele acaricia suas costas nuas, e ela assente.
— Sim. — Responde com um sorriso. — Estava te observando dormir.
— Ah, é mesmo? — vira de lado, selando seus lábios. — E eu fico bonito dormindo? — ri da pergunta.
— Não existe nenhum momento que possa te deixar feio. — Ela respondeu com propriedade, se lembrando de todos os momentos desde que se conheceram, e nem discutindo com ela, nem odiando ele, conseguia achar que ele fosse feio.
— Que bom, então. — escova uma mecha do cabelo de com os dedos. — Porque se eu me casei com a mulher mais bonita do mundo, tenho que pelo menos estar à altura. — não consegue deixar de rir da fala de . Não queria perder aquilo, por mais que não entendesse porque era mais fácil ser tratada daquele jeito quando não se lembrava dele, ela poderia viver assim.
Os dias finalmente estavam sendo gentis com eles. olhava para com adoração em seu olhar, se arrependia de nunca ter percebido a mulher incrível que estava ao seu lado, de ter demorado tanto para abrir seu coração para ela. devorava livros e sentava ao seu lado, interessado por cada livro que ela estivesse lendo, até mesmo leu alguns. Acompanhava ela em todas as consultas e cozinhava para ela todos os dias, temendo que ela o odiasse novamente no momento em que se lembrasse de tudo. Já , sentia seu peito doer pelo medo de que tudo aquilo acabasse quando ela não conseguisse mais fingir, se arrependia de ter construído uma muralha ao seu redor e nunca ter deixado se aproximar, se arrependia de ter alimentado cada vez mais a sua raiva por ele e por nunca ter sido amigável. Odiava a decoração da casa, mas escolheu porque ele odiava também, sempre teve a necessidade de fazê-lo se sentir tão infeliz quanto ela. Mas, agora, ao lado dele… ela tinha vontade de redecorar todo o lugar apenas para fazê-lo sorrir.
Um dia, estava dormindo e rolou para o lado, notando a falta de em sua cama. Antigamente, era algo que nunca teria feito diferença para ela, mas ela se levantou e foi procurar por ele pela casa. Escutou vozes na sala e olhou para o relógio, vendo que eram 2:35AM. Caminhou até a sala e viu seu pai com uma arma apontada para .
— Você traiu a minha confiança. — Vittorio estava com a voz carregada de ódio e decepção.
— Por favor, senhor. Eu sei que fui um escroto, mas eu daria qualquer coisa pra voltar no tempo e ter sido um marido melhor para ela. — não aparentava sentir medo, sua voz apenas soava arrependida, não assustada.
— Você a traiu. — Vittorio estava carregado de raiva.
— Ela não se importava… — suspira. — Dizia que eu poderia fazer qualquer coisa desde que não tocasse nela.
— Está mentindo! E ela não pode te salvar, porque por sua causa, ela perdeu a memória. — Vittorio destrava a arma, ele não estava com raiva pela traição de com a outra mulher, e sim porque ele havia confiado sua filha e seu reinado a ele, e ele não cuidou dela direito.
— É verdade. — A voz de ecoa pela sala, fazendo os dois se assustarem. — Ele tentou ser um marido de verdade, na nossa noite de núpcias, mas eu o expulsei para o quarto de hóspedes e construí uma fortaleza ao meu redor. Eu jamais aceitaria que ele me tocasse, então não fazia diferença que ele ficasse com outras mulheres. Me irritei naquele dia porque ele fez publicamente, não foi pela traição. Se isso é motivo para apontar uma arma para alguém, aponte para mim. — mantinha a serenidade em seu olhar, enquanto tinha os olhos brilhando por lágrimas que insistiam em cair pelo seu rosto.
— … — não acreditava que ela se lembrava de tudo.
— Desde quando você se lembra? — Perguntou Vittorio, abaixando a arma e suavizando sua expressão.
— Já faz uns dias, na verdade. — olha para e sorri. — No dia seguinte do molho salgado. — ri, enquanto as lágrimas escorrem pelo seu rosto.
— E por que você não me procurou, filha? Eu autorizaria o divórcio. — Vittorio suspirou, guardando a arma em seu bolso.
— Porque não quero me divorciar dele, na verdade, estou morrendo de medo de perdê-lo. — não conseguia encarar , mantinha o olhar fixo em seu pai, que abaixou a cabeça. — Por que veio até aqui 2 horas da manhã? Não tem mais o que fazer? — A pergunta de espantou Vittorio, ela não era do tipo que desrespeitava os pais, ao menos que tivesse que defender alguém. Isso ela já havia feito antes pelos irmãos.
— Vou embora. — Ele levanta as mãos em rendição. — Amanhã conversamos. — Vittorio encara uma última vez e sai pela porta. Deixando apenas o silêncio naquele ambiente, tentava controlar as lágrimas que insistiam em cair e evitava olhar para ele.
caminhou até ela, parado ao seu lado.
— Por que não olha para mim? — Sua voz rouca fez uma onde de choque percorrer todo o corpo de .
— Vai me odiar novamente? — Retruca ela, segura seu rosto, fazendo com que ela olhasse para ele.
— Eu quero que você olhe para mim. — Diz ele, sua voz firme e baixa. — Por que não contou nada?
— Porque você só… — Ela engole o choro. — …só foi capaz de gostar de mim quando me esqueci de quem eu era. Achei que no momento que eu lembrasse, você voltaria a me odiar. — ri, mas não é sarcasticamente.
— Eu tive medo que você me odiasse quando se lembrasse. — Ele acaricia seu rosto. — Eu não te amo porque você se esqueceu de quem era, eu amo você e todas as lembranças suas. Isso não aconteceu antes porque nós nunca nos permitimos nos aproximar tanto um do outro, mas quando eu te conheci verdadeiramente, sem defesas, só você… todas as lembranças começaram a ficar mais bonitas. — Os olhos de brilham com lágrimas não derramadas.
— Você… me ama? — É a única coisa que ela consegue dizer, assente, dando um selinho em seus lábios.
— Eu te amo, . — Ele sorri, não consegue evitar o sorriso em seus lábios.
— Eu… te amo. — Responde, sem acreditar que estava mesmo dizendo aquilo para ele. se dela e a abraça forte e, com o rosto escondido em seus cabelos, respira fundo e absorve aquele cheiro que já começava a significar lar.
— O que fazemos agora? — Pergunta ela, afundando a cabeça em seu peito.
— Agora, começamos de novo. Vou passar todos os dias provando à você que posso ser um marido melhor. — Ele se afasta do abraço apenas para olhar para o rosto dela, acariciando sua bochecha. — E esta noite… — Ele faz uma pausa, olhando em seus olhos.
— Esta noite? — Pergunta ela.
— Esta noite vou fazer amor com você como se fosse a primeira vez, a última vez e todas as vezes no meio. — a segura no colo, de forma nupcial e a conduz para a cama, entre risadas e beijos suaves, os dois sentem que finalmente tudo está como deveria estar. Finalmente eles são marido e mulher de verdade, finalmente eles se permitiram viver o amor um do outro.
Fim!
Nota da autora: Oi meus amores, espero muito que tenham gostado dessa fic, o Taehyung é meu utt supremo e fiquei indignada comigo mesma por nunca ter feito uma fic com ele. Não esqueçam de deixar um comentário se gostaram da fic porque isso me ajuda a continuar escrevendo para vcs <3
Outras Fanfics:
↬ Além Do Acaso ↬ The Justive and Me ↬ Trovão de Konoha ↬ Consigliere ↬ The Time We Have Left ↬ My Lovely Lover
Nota da scripter: O ENEMIES QUE A GENTE AMAAAAA
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
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Nota da scripter: O ENEMIES QUE A GENTE AMAAAAA
