Última atualização: 02/02/2018
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Capítulo 01: Traição.

Raiva, tudo o que eu mais sentia naquele momento era a pura raiva de um cara que eu tinha certeza que eu o amava. Mas não, eu estava enganada com meu sentimento. O safado se virou para trás assustado com minha presença e se soltou da piranha, vagabunda, que estava comendo no meio daquele pub. Eu o fuzilei com o olhar porque eu não tinha como me estressar, afinal, eu estava grávida, sim, grávida, com 19 anos. O pior era que o pai da criança era o cara que estava me olhando assustado na minha frente.

- , eu posso explicar. – Ele falou e parecia embriagado.
- Não, isso não tem explicações, Theodore, eu não posso me estressar e você sabe muito bem disso, por causa da MINHA FILHA, eu vou fingir que não vi o que está acontecendo, e vou para casa, eu só não quero te ver lá, vou deixar sua mala pronta e não quero mais você nas nossas vidas, me entendeu bem?
- , me deixa explicar. – Theodore me implorou.
- Não tem o que explicar, Theodore, você partiu meu coração, partiu nossa amizade, eu não quero ter que olhar na sua cara mais, então faz o favor, SOME.

Gritei alto demais, atraindo vários olhares, mas me virei de costas batendo a porta com força.

- , , espera. – Ouvi a voz da minha melhor amiga, , me chamar.

Não parei para ouvir ela, apenas acenei para um táxi que vinha vindo e entrei no carro falando o endereço para o motorista.
Encostei a cabeça no banco do carro e fechei os olhos deixando um soluço escapar.

- Como fui boba. – disse baixinho, agradando minha barriga.
- O que disse, moça? – O motorista perguntou.

Abri os olhos e o encarei pelo retrovisor suspirando fundo.

- Como fui boba. – Dei um riso triste de canto. – Eu pensava que a pessoa que eu mais amava, me faria feliz, mas ao contrário disso, ela me magoou e muito.

O motorista olhou para frente e suspirou, demorando a me responder, deveria estar pensando que eu era maluca.

- Sinto muito, senhora, mas se quer um conselho, quando uma porta se fecha, a vida está mostrando que aquele não era o caminho a ser seguido e que temos outras nos esperando para abri-la.
- O que quer dizer? – Pergunto com sobrancelha erguida.
- Quero dizer que se não era para ser com esse garoto, talvez a vida esteja te dando uma nova chance de procurar um novo amor.

Quando abri a boca para responder depois de alguns minutos em silêncio, o motorista parou o carona frente de um prédio.

- Chegamos, menina. – Ele diz se virando para trás. – Está entregue.
- Obrigada, moço. – Sorri agradecida, ele apenas acenou com a cabeça.
- Disponha. – Piscou pra mim e eu sorri encantada.
- O senhor é muito gentil. – Falei enquanto entregava as notas de dinheiro para pagar a corrida.
- Digo o mesmo.
- Tenho que ir, bom trabalho para o senhor.


**


Só queria saber o porquê eu tinha resolvido aceitar aquela proposta da minha queridíssima para sair de sua casa. Sim, eu morava com minha melhor amiga desde o início da minha gestação, estava super contente que ia ganhar a sua tão esperada “sobrinha”, dizendo que iria mimar demais a garota. Mal sabia ela que eu iria dar essa menina para adoção. Sim, eu iria dar minha filha para adoção. Quer os motivos? Faço uma lista:
1 - Sou uma adolescente de 19 anos;
2 - Minha família nem sabe que eu existo depois dessa gravidez e me expulsaram de casa.
3 - O pai da criança disse que não vai a assumir, que não quer estragar sua vida por causa de um bebê que ele nunca quis ter;
4 - Eu não tenho onde morar e não quero depender dos outros para ajudar com a gravidez.
Então, sim, por mais que eu não goste da ideia, irei dar a minha filha para alguém que a mereça. Sei também que no futuro ela irá me odiar, mas tenho certeza que irá me entender, eu só quis fazer isso para o bem dela.
Eu iria procurar um emprego ainda essa semana.


**


- Mais uma vez, . Eu vou te visitar, eu não vou te abandonar. Eu moro no apartamento da rua de baixo, não é tão longe. – Disse colocando a mão no ombro dela, e a olhando com cautela.
- Mas, , eu já me acostumei com você aqui e... – a mãe dela interrompe.
- Deixa de ser dramática, .
- Mas...
- Querida , você sabe que pode ficar o tempo que quiser nessa casa, e eu sei que você é muito independente para querer morar em um teto sobre ajuda de qualquer pessoa, então tomei a liberdade de te oferecer aquele apartamento pelo menos até.. – Interrompo a Sra. com um sorriso.
- Até eu conseguir um emprego, eu sei Dona , muito obrigada pela ajuda que as duas estão me dando, eu não sei o que seria de mim sem vocês.

Fizemos um abraço em grupo, que durou alguns minutos, como eu estava grávida de 8 meses, não poderia fazer muito esforço até minha filha nascer, então Sra. praticamente me obrigou a deixar ela a pagar o apartamento, então eu deixei, mas me sentia muito mal em fazer os outros gastar dinheiro comigo.


**


Era uma plena noite de sábado e eu estava sozinha naquele meu apartamento, eu estava com a TV ligada, mas não estava prestando atenção no que passava, eu apenas agradava minha barriga e dei um sorriso largo, porém triste. Eu não tinha preparado um quartinho, não tinha comprado suas roupinhas, seus brinquedos, como qualquer mãe faria, mas como eu sabia que eu não a teria, decidi não fazer essas coisas e nem me apagar a ela, pois sabia que eu desistiria na hora.

- Meu amor, está ai?

Peguei essa mania de conversar com minha filha, mesmo ela não podendo ouvir. Recebi um chute como resposta e sorri largamente.

- Eu sei, sei que um dia, na sua vida adulta, você vai se perguntar onde estou, pequena, porque você foi morar com outra família, mas quero que saiba que a mamãe não está fazendo isso pelo seu mal, não está te renegando. Eu só quero o seu bem. A mamãe não está em um momento muito bom da vida e não quer estragar a sua que mal começou.

Fiz uma pausa enxugando as lágrimas que escorriam pelo meu rosto, agradando minha barriga. Recebi um chute, que pra mim era uma resposta, sorri de novo.

- Obrigada por entender, meu amor.

De repente senti uma dor muito forte, tive que fechar os olhos e apertar o braço do sofá. Procurei o telefone o mais rápido discando no número de e gritei quando ela atendeu e senti um liquido entre minhas pernas.

- A BOLSA ESTOROU, , A BOLSA ESTOROU, MINHA FILHA VAI NASCER.
- O QUÊ? – Ela gritava histérica. – Calma, estamos indo para o apartamento.

As duas chegaram muito rápido, pareciam ter sido o The Flash, me levaram ao hospital com dificulte e a sensação que eu sentia era que eu iria morrer ali mesmo naquele táxi de tanta dor que eu sentia.

- Calma, , respira, respira. – Enquanto dizia e segurava minha mão firme, fazia os movimentos com a mão abanando o ar.
- Estou com medo, . – Falei nervosa, rangendo os dentes.
- Calma, estou aqui, não vou deixar nada acontecer com você e nem com o bebê. Eu te prometo.

Ela falou com uma calmaria que eu até não sei onde foi parar aquela de minutos atrás.

- Vai ficar tudo bem. – Ela diz e eu apenas aceno com a cabeça.


**


- Ela está chegando, , só mais um pouquinho, já podemos ver a cabeça da nova princesinha.

Gritei muito alto, que acho que o hospital inteiro ouviu, então sorri ao ver o chorinho da minha filha, olhei para que segurava minha mão, então deitei a cabeça cansada na cama do hospital.

- Pronto, Dona , sua filhinha nasceu. – O médico disse contente me entregando meu bebê.

Sorri ao pegá-la, e assim que a peguei, ela parou de chorar e me olhou dando seu primeiro sorriso balançando seu bracinho em direção ao meu rosto.

- Oi, bebê. – Falei com voz infantil pegando suas mãozinhas tão pequenas.
- Ela é sua cara, . Vai ficar uma gatona no futuro. – disse e eu apenas gargalhei com , a bebê sorriu junto.
- Parece que sua filha vai ser muito brincalhona. – Diz a enfermeira.
- Acho que sim. – Respondi dando um sorriso e beijando a testa da minha pequena.



Capítulo 02: Adoção.

[N/A: Coloquem a música See You Again para tocar quando for pedido ;)]

Eu acabei pegando minha filha no hospital, porque não tive coragem de deixar uma menininha tão pequena sozinha. Já fazia dois meses que tinha vindo ao mundo, semana passada fizemos o batizado dela. Todos a adoravam. Acordei exatamente às 3:00hrs de madrugada de hoje com o choro da minha pequena por ter ouvido um barulho de chuva.

- Que foi, meu bebê? – Peguei-a no colo e balancei-a delicadamente. – Calma, mamãe está aqui, vai te proteger, mesmo longe, vai te proteger.

Isso, é o que você está mesmo se perguntando, eu ainda não desisti de dar a minha pequena, mesmo com e sua mãe insistindo para eu ficar com ela.

- Desculpe a mamãe pelo o que vou fazer hoje, meu amor. – Peguei um casaco do cabideiro, coloquei com dificuldade, já que fiquei segurando .

Fui para a sala de jantar e na mesa de vidro coloquei uma cestinha e a forrei com um cobertor, coloquei um travesseirinho e coloquei dormindo calmamente de novo dentro dele, o que me fez sentir culpada por fazer isso, fechei os olhos e segurei sua mão, que apertava meu dedo com força. Enrolei-la em dois cobertorzinhos e dei um profundo beijo em sua testa e sussurrei em seu ouvido:

- Mamãe te ama muito, nunca se esqueça disso, ok?

Fiquei olhando por mais um tempinho até que sentei em uma cadeira pegando o bloquinho de papel e comecei a escrever um bilhete para os futuros papais da minha menina, eu só peço que cuidem bem dela, única coisa que eu quero nessa vida.
Depois de ter terminado de escrever, guardo dentro do cobertor o bilhete e seguro a cestinha balançando a minha pequena, pego um guarda-chuva, fecho a porta e saio na rua de madrugada, com uma rua silenciosa, sem ninguém, apenas eu e o silêncio, que me fazia sentir culpada e voltar a cada passo que eu dava. Mas eu não podia desistir.

- É para seu bem, pequena. – Repetia comigo mesmo.

Cheguei a uma casa não muito grande nem muito pequena, ela tinha cerca que a separava dos vizinhos, e tinha uns degraus que nos levava a uma pequena varanda, o jardim da frente da casa era muito lindo e tinha um caminho de pedras na direção dos degraus, a varanda era de piso de madeira e continha uma rede e um banquinho, que devia ser para leitura, a casa era em um tom azul e me parecia um sobrado, pois era grande.
Respirei fundo e decidida. Fiquei rondando a cidade durante duas horas e já eram quase 5:00 horas da manhã. Olhei para a casa e finalmente achei o lar para meu bebê. Sorri para minha filha e agradei a mãozinha dela, embaixo daquela chuva. Dei um beijo demorado e fechei os olhos, deixando uma lágrima escapar.

- Desculpa a sua mãe, minha filha, mesmo eu estando longe, sempre vou estar por perto. – Peguei uma pulseirinha que comprei com a letra inicial de seu nome e do meu, no meio tinha um coração. – Isso é para você sempre se lembrar de mim, e que quando se sentir sozinha, basta olhar para essa pulseira que você saberá que terá alguém com quem contar.

Vi meu bebê sorrindo de leve e rápido quando colocava a pulseira em seu bracinho.

- Mamãe precisa ir. – Dei um beijo na sua testa demorado.

Caminhei até a porta subindo os degraus, ainda bem que a varanda era coberta e meu bebê não pegaria mais chuva. Encarei aquela grande porta marrom e suspirei batendo três vezes na porta. Esperei um pouco, mas nada. Olhei minha filha, que ameaçava acordar e bati mais três vezes. Quando vi que uma luz acendeu no cômodo de dentro.

- Tchau, amorzinho.

Falei a e sai às pressas, me escondendo atrás de uma árvore no outro lado da rua, me escondi de um jeito que a pessoa não me visse e fiquei olhando para a cena. Parecia que tudo estava em câmera lenta, os pingos de chuva pingavam devagar, apareceram alguns relâmpagos fazendo um barulho assustador, e quando a pessoa abriu a porta, saiu de dentro da casa, um homem sonolento que esfregava as mãos nos olhos.

- Sim? – O ouvi perguntar com sono de onde estava.

A rua estava em um silêncio total e quando ele falou, me deu vontade de voltar atrás, mas agora já era tarde. O homem, como viu que não tinha ninguém, apenas deu de ombros e entrou em casa. Fui até lá de volta olhei uma última vez antes de partir e ela estava acordada chupando seu dedinho e eu sorri com a cena, fiz carinho no seu pequeno cabelinho e pisquei para ela.
Me levantei e bati de novo na porta. Corri o mais depressa até a árvore e então um trovão deu às caras, fazendo minha pequena chorar no momento em que o homem começa a dizer:

- Cara, eu não estou para... – Ele parou de falar ao olhar para baixo e ver meu bebê chorando. – Oh Meu Deus.

Ele olhou para assustado e ficou um tempo a encarando até que olhou para os lados e viu que ninguém apareceria e a pegou no colo.

- Vem, pequena. – pegou no colo tentando acalmar minha filha e eu deixei uma lágrima escorrer fechando os olhos. - O que temos aqui? – Abriu a tempo de o vê pegando meu bilhete.

tinha parado de chorar e então o vi beijar o ombrinho dela.

- Vou cuidar de você, pequena. Vamos entrar.

[n/a coloquem a música]

Assim que ele entrou em casa, fechando a porta com minha , comecei a andar de volta para minha casa, não sei como cheguei ali, então estiquei a mão para um táxi que estava por perto e fui para meu apartamento, assim que entrei, fechei a porta e me encostei na mesma, me permitindo chorar o que até agora eu não tinha chorado.
Eu sempre quis ser mãe, sempre quis ter uma filha, mas não desse jeito, não nesse momento, se ao menos eu tivesse apoio do pai dela que um dia foi o meu melhor amigo, mas sozinha, sem ter onde morar, eu não ia conseguir sobreviver sabendo que ela podia ter um futuro melhor que eu podia dar a ela, pelo menos estando com aquele homem, ela estaria em uma vida, um mundo melhor, acredito que ele seja uma pessoa do bem, eu sentia isso, eu precisava acreditar. Peguei meu celular e fui na minha foto preferida com meu bebê.

- Perdoa a mamãe meu amor. – Beijei a foto sem saber o que fazer.

[n/a tirem a música]


**


No dia seguinte, não falei com ninguém, queria ficar sozinha em meu apartamento, segurei apenas um bichinho de pelúcia da minha filha e fiquei deitada pensando no que eu iria fazer da vida, eu tinha meu sonho, era ser babá, eu adorava crianças, cuidaria de uma sem problemas, e isso é um dos motivos por me deixar tão culpada por dar minha filha embora. Mas eu tinha que começar a trabalhar. Decidi então ir atrás de um emprego, muitas pessoas dizem que eu tenho mão boa para a cozinha, então decidi começar por aí primeiro, pelo menos no começo, para eu ter uma graninha para ter algo melhor. Eu sabia que uma amiga minha do colégio tinha uma loja de doces, então eu fui direto para a loja.



Capítulo 03: Primeira Semana de Trabalho.

O local que eu tinha começado a trabalhar, ficava bem no centro da cidade e um pouco longe onde eu trabalhava, cheguei à loja da minha amiga, Ella, que era filha da Dona, e quando viu que eu estava procurando uma vaga, me aceitou na hora, pois ela adorava os doces que eu fazia e disse que tinha uma vaga pra mim. Fiquei muito feliz, nessa última semana ficamos trabalhando e relembrando nosso tempo no colégio, eu, Ella e éramos um ótimo trio na nossa turma, sempre bagunceiras, mas estudiosas.

- Lembra aquela vez que grudamos um chiclete no cabelo da piranha da Rachel? – Ela gargalhava enquanto recebia o dinheiro de um cliente.
- Sim, lembro, foi muito bom ver a cara dela. Ela mereceu, vai. – Respondi contente pegando os pratos do balcão e os lavando.
- Lógico que mereceu, quem mexe com uma de nós, mexeu com todas, meu amor. – Ela pisca pra mim.

Meu olhar foi para o sino tocando na porta e entrou um rapaz alto, musculoso, cabelos loiros e seus lindos olhos verdes, meu Deus, que olhos.

- Vou atender. – Ella disse saindo do balcão.
- Bom dia. – Ouvi Ella o cumprimentando enquanto eu fingia estar lavando louça.
- Bom dia, você é a Ella? – Ele pergunta e ergo meu olhar confuso para ele.
- Sou, sim, por quê? – Ela disse tímida.
- Bem. – Ele deu uma risada e coçou a nuca sem jeito, baixando a cabeça, eu achei fofo aquilo. – Sou o novo cozinheiro daqui da loja, a Dona Stone me chamou pra trabalhar hoje.
- Muito bem, chegou na hora. – Ella disse verificando o relógio. – Pode ir pra cozinha, na despensa tem seu uniforme de trabalho, minha mãe provavelmente irá estar lá, então ela te mostra tudo que você precisa saber.
- Obrigado, senhorita Ella. – Ele acenou a cabeça e depois olhou para mim. – Muito prazer.
- Digo o mesmo e bem-vindo ao Candy Doce. – Ele riu com o nome, me fazendo rir também.
- É um nome engraçado. – Ele disse lendo meus pensamentos.
- Ei, fui eu que escolhi. – Ella disse emburrada cruzando os braços.
- Tá explicado. – Pisquei para ele atrás de Ella e ele fez o mesmo debochando da minha amiga, que ficou mais brava, então fui abraçar ela.
- Desculpa coisa linda da minha vida.
- Só se você me levar pra ver aquele filme que eu estou doida pra ver no cinema? – Ella disse com os olhos brilhando e batendo palmas.
- Qual filme? – Pergunta o moço, que eu ainda não sabia o nome.
- Piratas Do Caribe, por favoooor. – Ella fez cara de criança e eu rolei os olhos.
- Tudo bem, eu levo.

Ella pulou em cima de mim e ficou pulando, olhei para o moço que ria da cena e soltei Ella do abraço.

- Então, vamos trabalhar? – Perguntei sem jeito.
- Vamos. – Ella e o moço falam ao mesmo tempo batendo as mãos e eu balancei a cabeça rindo daquilo.


**


- Então... – Dona Stone fechou a porta da doceria.

Lá dentro só estamos Dona Stone, Ella, eu e o moço novo, todos reunidos em uma mesa no centro da doceria. Ella ao meu lado, Dona Stone no lado de Ella e o moço em nossa frente.

- Por que estou sentindo que isso não vai acabar bem? – Diz o moço e nós rimos.
- Pode ficar tranquilo, eu passei a mesma coisa semana passada. – Disse tímida pra ele que sorriu sem jeito ao me olhar voltando atenção para Dona Stone.
- Então. – Ela disse batendo na mesa. – O que vamos fazer basicamente é um jogo de perguntas.
- Já estou apavorado. – Todos riem.
- Não precisa, querido, são perguntas simples, para nos conhecermos melhor e interagir. – Stone pisca pra ele que sorri.
- Entendo. – Ele coça a nuca. – Podem começar, vai.
- Primeira pergunta e mais simples de todas: – Dona Stone diz erguendo a mão.
- Manda brasa, chefinha. – Ele pisca e todos riem.
- Pode repetir seu nome para as meninas, contar sua idade, se preferir.
- Meu nome é , mas gosto mais de ser chamado de . Tenho 25 anos.
- Porque decidiu trabalhar em Candy Doce, ? – Dessa vez foi Ella a perguntar.

Ele ficou em silêncio fechando os olhos, virando a cabeça para o chão. Depois de alguns minutos ele olha Ella.

- Porque eu precisava de um emprego urgente, e como ainda não sou formado na minha profissão e precisava de um emprego rápido, aqui era o local mais próximo de minha casa.
- Porque precisava de um emprego rápido? – Ele me olha assim que fiz a pergunta. Ficando em silêncio. – Desculpe a pergunta. – Falei em um tom baixo.
- Não, tudo bem. – deu um sorriso de lado desviando a atenção de mim. – Mas se não se importa, não gostaria de falar disso agora.

Ergo o meu olhar até o seu, e faz o mesmo, eu entendia o que ele queria dizer pelo olhar, porque eu também precisava de um emprego rápido e não queria contar para as meninas o porque disso, a única que sabia era a .

- Continuando. – Ella pigarreou ao notar o clima tenso se formando. – Está fazendo faculdade do que, ?
- Fotografia, mais tarde pretendo fazer de Audiovisual.
- Que interessante, seria muito bom ter um fotografo aqui. – Diz Stone rindo e entrou no clima.

Não sei por que, mas sua risada me transmitia uma paz, que se eu pudesse ficaria o ouvindo rir o tempo inteiro.

- Bom, garotas, se me permitem, eu preciso ir, afinal, uma garotinha me espera em casa. – disse parecendo contente.
- Uma garotinha? – Ella pergunta.
- Sim, ela é minha... – Ele pareceu pensar um pouco. – Minha filha.
- Olha que legal. – Dona Stone disse sorridente. – E quantos anos tem sua garotinha?

me olhou e eu desviei meu olhar para baixo, torci para ninguém reparar que eu cerrei meus punhos e fechei meus olhos engolindo a seco.

- Está indo para seu segundo mês.
- Ain, que fofa. – Ella disse.
- Pois você está sendo intimado a trazer essa menininha para conhecermos.
- Pode deixar, chefinha, seu pedido é uma ordem. – respondeu indo.

Não seria possível ser ele, seria? Não, , não viaja, pode ser muita coincidência. Isso, se conforme, é apenas uma coincidência.

- ? – Ella me chamou colocando a mão no meu ombro.

Olhei para cima e vi que além de Ella, Dona Stone e me olhavam preocupados.

- Está sim.
- Mesmo, querida? – Sorri fraco para mãe de Ella.

Olhei para e ele apenas sorriu, o que me fez sorrir automaticamente.

- Bom, já que está tudo bem, eu vou indo.

se despediu dando um beijo na bochecha de cada uma, logo mais as duas foram embora. Hoje era meu dia de fechar a loja, então arrumei algumas mesas, estava fechando o balcão no escuro, então quando vou me virar para a porta de saída, vejo a silhueta de uma pessoa, mas não consigo identificar.

- Quem está ai? – Pergunto com medo, voltando para trás do balcão.
- Ora, como se você não soubesse, . – O homem acendeu a luz ao lado da porta e eu fiquei em choque.
- O que você quer aqui, Theodore?

Quando tudo está se ajeitando, ele aparece para complicar ainda mais a minha vida. O que eu estava sentindo ali? Medo, raiva por ele ter me abandonado no momento que eu mais precisei dele em sua vida. No momento em que eu mais estava apaixonando por um cara que era meu melhor amigo. O cara que eu pensei que podia confiar para tudo, mas isso foi ao fundo do poço quando ele decidiu me abandonar no barco, quando descobriu que teríamos uma filha. Pra mim ele está morto, a partir deste dia.



Capítulo 04: O lugar mais seguro para se estar.

- Você sabe o que eu quero, , sabe o motivo que eu vim, o único motivo pelo qual eu viria atrás de uma vadia que nem você.
- Você não tem o direito de falar assim comigo. – Aponto o dedo na sua cara o enfrentando.

O que eu não esperava era que ele me prensasse contra a parede fria do lado do balcão.

- Campbell, pare, por favor.

Eu tentava me soltar do imbecil, mas era obvio que ele era mais forte que eu.

- Não paro, temos que conversar, conversar sobre a pequena .

Se eu não tinha forças, agora eu tenho, eu não posso deixar esse canalha se aproximar de minha pequena, mesmo ela não estando comigo. O afastei para longe com força, que ele cambaleou.

- Alguém resolveu virar valente de uma hora pra outra, foi? – Campbell perguntou irônico.
- Você não vai se aproximar da minha filha, Campbell. Eu não vou deixar.
- Te corrigindo, ela é tanto sua filha, como minha. Então, sim, eu tenho o direito de ver minha filha crescer.
- NÃO DEPOIS QUE VOCÊ RESOLVEU A ABADONAR, SEU IDIOTA.
- Olha como fala comigo, sua vadia.

Eu dei um passo pra frente indo avançar nele, quando sou surpreendida por um tapa de Theodore que me fez cair no chão. Ainda um pouco tonta, apenas senti Theodore pegar na gola da minha camisa e aproximou meu rosto do seu, me beijando a força. Tentei me separar, mas era impossível, até que ele se solta, me dando outro tapa, dizendo:

- Eu vou me aproximar de você, da nossa pequena e vamos voltar a ser o que éramos, melhores amigos.

Ele ia me bater de novo, mas ouço alguém atrás dele segurar sua mão. Theodore se vira para trás enquanto a pessoa diz:

- Você vai é não encostar nenhum dedo a mais nela, seu canalha.

Quando vejo, depois de piscar várias vezes, Campbell foi ao chão, me levanto ainda meio tonta procurando urgentemente uma mesa próxima, me apoiando ali. Olho para frente e noto que a pessoa que me salvou daquele cretino está de costas em cima de Campbell falando alguma coisa que eu não entendi, então se levantou, não sei o que ele disse, mas Theodore me olhou com fúria apontando o dedo pra mim disse:

- Nosso papo não acabou, .

Theodore saiu correndo da doceria. No mesmo instante a pessoa se vira e vejo que é com um rosto preocupado.

- Você está bem, ?

Eu estava assustada com a situação, tentando encontrar aonde foi parar o cara que era meu melhor amigo desde pequeno, ficando comigo quando alguma coisa ruim acontecia, me espantando de qualquer menino que queria se aproximar, aquele cara se foi.

- . – diz calmo, me balançando nos braços.
- Oi? – Digo saindo dos meus pensamentos.
- Você está legal? O que aquele cara fazia aqui?

Respiro fundo deixando algumas lágrimas teimosas caírem, então respondo:

- Querendo cobrar uma dívida do passado.
- Que dívida? – ergue a sobrancelha confuso.
- Como você disse antes, se importaria de eu não falar disso agora? – perguntei cautelosa.

soltou meu braço, respirou fundo.

- Tudo bem. Mas me deixa cuidar de você.
- E sua filha, não tinha que estar com ela?

Afinal, ele iria pra casa, por que retornou?

- Eu esqueci minha carteira aqui. – Ele deu de ombros e um sorriso tímido. – Sou meio avoado às vezes.

Não consegui não gargalhar.

- Aí está o sorriso que queria ver. - Agora foi minha vez de ficar tímida. – Não se preocupe, minha filha vai ficar bem, ela está com meu melhor amigo.
- Você confia nele a ponto de deixar uma menina pequena que precisa do pai? – perguntei curiosa.
- Sim, Jacob me ajudou bastante em uma decisão que mudaria pra sempre a minha vida. – deu de ombro. – Sei que ele vai cuidar bem dela, até porque ele parece mais o pai da criança do que eu. – Ambos rimos.
- Que bom que você confia nele. – Dei um sorriso triste. – É sempre bom ter amigos com quem a gente pode contar em horas difíceis.
- E você, sabe que pode contar comigo pra tudo a partir de agora, não sabe?

fez essa pergunta de repente, e eu baixei a cabeça envergonhada, levantei alguns segundos depois para encara-lo, então dei um sorrisinho de leve, ele fez o mesmo e se aproximou em silêncio.

- Deixa eu ver se não machucou muito o seu rosto.

Senti o toque de em meu rosto no machucado, sentindo uma leve ardência, mas não reclamei, apenas fechei os olhos para sentir o seu toque. Sua mão fazia um carinho de leve no local e quando abri meus olhos, notei que os seus estavam mostrando pelo menos para mim, ódio, raiva, mas sinto que não é de mim, e sim, de Campbell.

- Aquele cretino vai pagar por isso.

disse do nada e então me abraçou, o que me fez arregalar os olhos, mas fechar logo em seguida sentindo seu toque que me dava segurança, ali, em seus braços, parecia o lugar mais seguro para se estar, longe de toda sensação ruim que eu me encontrava. Deixei sem querer um soluço escapar e o vi se afastar apenas para me olhar e enxugar a lágrima fujona que saiu de meu olho.

- Ei, não chora, ele não merece cada gota de lágrima sua. – falou sério. – Eu não sei o que aconteceu entre vocês, mas sinto e sei que ele não tem direito de fazer com você e nem com qualquer outra mulher.
- Obrigada, , por se preocupar comigo, mas eu estou bem, de verdade.
- Olha, se precisar conversar eu vou estar sempre aqui, dentro daquela cozinha. – Ri do seu jeito brincalhão.
- Bobo. – Dei uma empurrada em seu ombro que o fez rir.
- Vai ficar muito tempo aqui ainda? – perguntou depois de alguns minutos em silêncio. – É perigoso ficar sozinha nesse bairro a essa hora da noite.
- Não, eu só estava fechando o balcão quando aquele cara chegou. Já estou indo pra casa.
- Quer uma... – é impedido de falar por causa de um barulho de trovão e um relâmpago, logo em seguida, chuva forte.
- Droga, como vou voltar pra casa agora? – Perguntei rolando os olhos olhando para a janela.
- Eu ia te oferecer uma carona.
- , não posso aceitar, a sua pequena precisa de você. Já devia estar em casa.
- Eu já disse que ela está com meu amigo e eles podem esperar mais um pouquinho.

Bufei indignada cruzando os braços, fingindo estar brava e ele apenas riu de canto vitorioso, piscando pra mim. Rolo os olhos e tomo um susto quando vejo um trovão e um relampado que fez uma iluminação e o barulho grande, por instinto, corro até , que me abraça rindo da minha cara.

- Vai dizer que a teimosinha aqui tem medo de trovão?
- Vou ignorar essa pergunta. – Ele riu pegando sua carteira enquanto caminho até que eu seguro a maçaneta e me viro de volta para . – Vai demorar muito aí?
- Já estou indo, madame. – Ele fez um gesto engraçado rindo, apenas balanço a cabeça em negação. – O quê?
- Você não tem jeito mesmo.

Caminhamos com pressa até o carro, que não estava muito longe dali, e entramos.

- Pronto, estamos a salvo, a senhorita açúcar não ira derreter. – Ele zombou e eu fiz uma careta que acabou rindo.
- Você é sempre irritante assim?
- Só a maioria das vezes. – Bufei indignada olhando para a janela enquanto ele ri e dá partida no carro.



Capítulo 05: Despejada?

Já fazia 1 ano desde que tudo aconteceu. Hoje era exatamente a data de aniversário da minha pequena. Eu pedi pra Ella me deixar ficar em casa e ela aceitou, disse que não estava muito bem do estômago, mas a verdade era que eu não estava bem para nada, eu só queria estar perto dela, abraçando e dizendo o quanto a amo, eu sempre me arrependi de ter deixado ela para trás, agora, quando eu vejo uma criança no parque, eu penso que pode ser ela, penso em como ela deveria ser, seus olhinhos, seu jeito sapeca de brincar. Respirei fundo na sala de casa olhando novamente as únicas fotos que tenho com minha bebê e sorrindo.

- Feliz Aniversário, filha, onde quer que você esteja mamãe sempre estará no seu coração. – Dei um beijo na foto e no exato momento a campainha toca. - Já estou indo. – Guardei o celular e fui até a porta tremendo a cada passo.

Digamos que ultimamente, mesmo trabalhando com Ella, eu não tenho conseguido me manter, pois tenho guardado dinheiro para entrar em uma faculdade que pelo menos isso meus pais exigiam de mim, de resto, eles só me ignoram, nem falaram comigo durante todo esse tempo, mas tudo bem, já estou acostumada. Voltando à minha situação financeira, eu estava devendo três meses de aluguel e se eu não pagar, sou expulsa de casa. Fecho os olhos e abro a porta.

- Bom dia, pirralha. – Um sorridente chega me abraçando forte.
- Bom dia, meu idiota.

Sim, isso, e eu criamos uma amizade muito boa, ele, junto de e Ella, são meus melhores amigos. Bom, vamos aos acontecimentos?
Basicamente foi viajar, pois conseguiu uma bolsa na melhor Universidade do país para seu curso de medicina veterinária que sempre quis ser, por isso estamos nos falando mais por computador, ela me contou que conheceu um carinha lá e ela diz pra mim que é apenas seu melhor amigo, mas eu duvido muito, ela não para de falar do “Dylan, o carinha que divide o quarto comigo.”
Ella se tornou dona da Doceria de sua mãe, por esse um ano depois do acontecido comigo e Theodore, pois sua mãe teve que viajar e eu estou tendo que ficar de olho nela e no senhor aqui.

- Adivinha quem praticamente me obrigou pra vir aqui ver a tia ?

deu um passo para o lado e abaixou a cabeça na direção de um pequeno ser, que assim que eu vi, abraçou a perna do pai tímida e fez carinho na cabeça de Emma. Me abaixo no tamanho de Emm e dou um sorriso para ela.

- Oi, linda.
- Oi. – Emm respondeu se escondendo atrás do pai.
- Filha, dá oi direito pra colega do papai.
- Oi, tia .

Desta vez, com a repreensão do pai, ela veio me abraçar. Aquele abraço, fechei os olhos para senti-lo, naquele momento eu senti que tinha obrigação de proteger a Emma. Não sei o porquê disso, mas de certa forma me senti ligada a ela, desde o momento que a vi na doceria quando a levou.

- Entrem. – Disse dando espaço para os dois e fechando a porta em seguida.
- Pequena Emm, sabe o que a tia tem pra você assistir? – Ela já sabia a resposta e comemorou batendo palma.
- Irmão Ursooo. – Ela comemorou no sofá.

Coloquei o filme para ela e levei para a cozinha pelo pulso, em um canto onde Emm não podia escutar.

- Está tudo bem, ? – pergunta preocupado, então se aproximou agradando meu braço.
- Não, , não está.
- O que houve?

Respirei fundo para contar sentindo meus olhos arderem, então os fechei.

- Ei, calma.

me abraçou e eu não hesitei em retribuir, afundando meu rosto em seu peito, me sentindo de alguma forma segura, o sentindo agradar meu cabelo.

- Eu vou ser despejada, .
- O que? – Ele parecia surpreso.
- Estou devendo três meses de aluguel, mas... – me interrompe enquanto enxugo minhas lágrimas.
- E o dinheiro que você ganha na Ella?
- Estou guardando para pagar minha faculdade.
- Entendo, saiba que se precisar de qualquer ajuda. – se afasta erguendo meu rosto enxugando o mesmo com os dedos. – Eu estou bem aqui.
- Obrigada, . – Dei um sorrisinho fraco.

ia falar mais alguma coisa quando ouvimos a porta bater, estremeci um pouco e sentiu olhando para mim preocupado fazendo carinho ainda na minha bochecha.

- Senhorita , é o último aviso.

Fecho os olhos sentindo me abraçar novamente colocando sua cabeça em cima da minha, me apertando em seu abraço.

- , se você não nos deixar entrar, vamos arrombar.

Olho que me olha do mesmo jeito preocupado.
- Eu tive uma ideia. – disse pensativo.
- Qual? – Pergunto desesperada.
- Aceita... – Percebo que ele olha para sua filha. – Aceita trabalhar como babá da minha filha?
- O quê? – Pergunto boquiaberta.
- . Vamos arrombar no três. – O sindico disse atrás da porta.

Intercalo o meu olhar da porta para e de para a porta.
- 1. – o sindico disse.
- Isso pode te ajudar. – Diz .
- Mas... – me interrompe.
- 2.
Fecho os olhos respirando fundo então olho para a pequena Emma sentada no sofá e corro na direção dela a segurando no colo antes que a porta bata nela.

- Você gosta de crianças? – me pergunta.
- Eu gosto da tia . – Emm diz rindo.
- Eu... – Um barulho enorme me interrompe.
- 3.

A porta do apartamento foi destruída espalhando pedaços pelo mesmo e a porta foi arremessada perto de , por sorte não o acertou.

- Eu aceito . – Respondo nervosa e pisca pra mim sorrindo sapeca, olhando então para o síndico.
- Você está sendo despejada, senhorita .
- Espera um pouco aí. – disse brincalhão, mas sério ao mesmo tempo.

Eu e o síndico olhamos para ele ao mesmo enquanto Emma se escondia no meu pescoço, me abraçando firme.

- Não podemos nem fazer um acordo? – continua me olhando de relance e sorrindo voltando a olhar o síndico.
- Quem é você, rapaz? Veio para assistir sua amiga sendo despejada?
- Não, eu vim para ajudá-la.

Percebo em sua voz, uma mudança repentina de humor e o olho, confusa.

- Então pode pegar o caminho de volta para casa, rapaz, não tem acordo, não vamos aceitar uma pessoa sem dinheiro nenhum em nosso prédio.

Vi no olhar de que ele ficou com raiva, quando percebo, parecia tudo muito rápido, encurralou o síndico na parede e falou com a voz um pouco alta:

- NÃO FALA ASSIM DA , ENTENDEU?
- Falo como eu quiser dessa aproveitadora.

o puxou pela gola e o bateu na parede de volta.
- ESCUTA, ABRE A MERDA DA BOCA PRA FALAR DELA, E VOCÊ JÁ ERA. AGORA VOCÊ VAI OUVIR O QUE EU TENHO A DIZER.

Um silêncio tomou conta do apartamento, onde só ouvia os soluços de uma Emma assustada.

- Vai ficar tudo bem. – Sussurrei baixinho em seu ouvido só para ela ouvir e lentamente ela foi se acalmando.
- A conseguiu outro trabalho em minha casa, que eu acabei de oferecer pra ela para ela poder pagar os alugueis daqui. – estava irreconhecível, olhando o sindico com um olhar assustador que deu medo até em mim. – Agora, você tem que cooperar também, eu vou pagar um dos meses que ela deve. – O interrompi.
- , não posso... – apenas com o olhar que me lançou, fiquei quieta.
- Então até ela ter o dinheiro que o senhor precise, você não irá mandar ela embora, estamos de acordo?



Capítulo 06: Babá?

- Não precisava ter feito isso, . – Disse enquanto ele dirigia para a sua casa.

A pequena Emma dormia no banco de trás enquanto no carro tocava uma música calma.

- Claro que precisava, eu não iria deixar uma amiga na mão.
- Mas se arriscar desse jeito, você não sabe como aquele cara é e... – me interrompe, colocando a mão dele sobre a minha.

Tremo com seu ato, pousando meu olhar sobre nossas mãos, a minha tremia de nervoso, entrelaçou nossos dedos fazendo um carinho bom. Suspirei fechando os olhos.

- Você não tem que se preocupar com nada, tudo bem? – diz depois de uns bons minutos em silêncio.
- É claro que tenho, mesmo com sua tentativa, ele não aceitou e... eu não quero abusar, mas eu posso muito bem procurar outro apartamento com o dinheiro da faculdade e...
- E nada! – falou sério. – Eu já disse que aquele dinheiro vai ser só pra sua faculdade e que eu posso muito bem te ajudar a conseguir um apartamento e que até lá você pode ficar na minha casa, .
- Você sabe que eu não quero abusar, . – Olhei pra ele também séria.
- Que merda, garota, dá pra aceitar ajuda pelo menos uma vez na vida? É muito difícil assim ter amigos que querem te ajudar, ? Ou você prefere ficar isolada e morar de baixo de uma ponte? – Ele quase gritou e eu apenas fiquei quieta.

Virei meu rosto para a janela vendo a paisagem como um borrão pra mim, senti meus olhos arderem, mas engoli o choro, também sinto o olhar de sobre mim, mas não me virei, o ouvi respirar fundo aumento um pouco o volume da música.

**

Chegando à casa de , eu literalmente abri a boca, a casa era linda.

- E ai, gostou? – pergunta assim que descemos do carro e vindo ao meu lado e eu o encaro.
- Ela é linda. – Digo com os olhos brilhando. – Um dia vou querer uma, igual.

Gargalhamos e foi pegar a filha no carro que ainda estava dormindo. Abraçou o pai no pescoço e me olhou feito um pai babão.

- ? – O chamo e ele me olha.
- Sim?
- Tem uma baba aqui ó. – Coloco a mão na lateral de sua boca.
- Engraçadinha. – Nós dois rimos.
- Você realmente a ama, né, é tão bonito de ver o amor que você tem por ela. – Ele apenas sorri sem jeito.
- Obrigado, eu tento fazer meu melhor. Afinal, trabalhar o dia todo e ainda ter uma filha pra criar, não é fácil.
- Sei como é. – Rimos.
- Vamos entrar? Se importa de segurar a Emma um pouquinho?
- Claro que não.

Pego Emm no colo e ela me abraça. Fico pensando naquele abraço como seria se minha filha estivesse comigo, como será que eu a criaria, será que seria uma boa mãe? Será que seriamos tão amigas assim como é com Emma? É nessas horas que sinto saudade de minha pequena . Onde será que ela está?

- ! – Ouço me chamando da porta.
- Oi?
- Oi, tudo bem? Como vai? – responde rindo e eu reviro o olhos, o que o fez gargalhar.
- Muito engraçado.
- Não vai entrar? – Respirei fundo e entrei.

Assim que coloquei os pés dentro da casa, me surpreendi.

- Uau. – falei surpresa.

A casa dele não era tão grande, mas também não tão pequena, tinha três das paredes em tom vermelho e uma parede, a da televisão, em tom rústico, a TV ficava na parede mesmo, não tinha estante, na sala também tinha uma mesa de centro de vidro com um vaso com flores brancas e o controle remoto do lado, atrás da mesa tinha o sofá que era totalmente branco em formato de L, contendo algumas almofadas. Além da mesa de centro, tinha uma mesinha ao lado da porta onde ele guardava as chaves e ao lado da TV tinha um cercadinho contendo alguns brinquedos para Emma.

- Ela é realmente mais linda por dentro, .
- Que bom que gostou, vou levar a Emma lá para cima, tudo bem em esperar aqui?
- Não, senhor.
- Senhor está no céu, senhorita . – Ele ri enquanto bato no ombro dele.

pega a filha e sobe a escada que tinha do lado da cozinha até o andar de cima, acredito que era ali que ficavam os quartos.

Eram quase 20:00 horas da noite e eu já estava de banho tomado e praticamente me obrigou a jantar com ele, mesmo eu dizendo que não precisava.

- E aí, o que achou? – Ele pergunta.
- Muito boa. Adorei, . – Ele joga um pouco de ketchup em mim e fica rindo da minha cara.
- Vai ser assim? – Respondo mal humorada e apenas acena com a cabeça.
- Sim, vai ser assim.
- Que ótimo, porque eu também tenho minhas armas.

Pego o molho do macarrão e jogo nele.
atravessa a mesa, pega uma travessa de calda de chocolate quente que tinha por ali por causa das panquecas e eu o olho desesperada enquanto ele ria sapeca. Tento sair da cadeira, mas estava realmente desesperada que eu quase caio pra trás com a cadeira e tudo, só não caio porque segura a cadeira rapidamente. Estava de olhos fechados, mas estava inclinada na cadeira, sinto a respiração ofegante de perto do meu rosto, fazendo com que eu engolisse a seco. Abro meus olhos e percebo o qual perto ele está de mim. Seus olhos lindos verdes pareciam com mais brilho ou era impressão minha? Fico o observando durante alguns segundos, seu rosto, sua barba por fazer, seu olhar e seu nariz. Noto que ele tem covinha quando sorri quando está sorrindo sem jeito, e isso fez com que eu ficasse com borboletas no estômago. abaixa o olhar, mas logo me volta a olhar nos meus olhos ficando sério e parecendo me analisar. Vejo ele se aproximando devagar notando a sua confusão em seu olhar, ele se sentia exatamente como eu, confusa. Quando percebo estou com a mão em volta do seu pescoço e o senti se arrepiar um pouco. Pigarreio tentando voltar ao mundo real.

- O jantar já vai esfriar.



Capítulo 07: Mãe de Emma.

POV :

Acordo no meio da madrugada com um chorinho já conhecido por mim. Me levanto morrendo de sono tropeçando no chão do quarto, caminho até o quarto de minha bebê.

- O que foi, meu amor? – Me aproximo da cama dela acendendo apenas a luz do abajur em cima do criado mudo.
- Eu estou com medo, papai. – Ela diz manhosa com os olhos cheios de lágrimas.
- Por que está com medo? – Seguro ela no colo, a abraçando para se tranquilizar.
- Eu tive um pesadelo.
- Oh, meu anjinho, não precisa ter medo. O papai está aqui com você, não está? – Emma concorda com a cabeça. – Quer contar o pesadelo pro papai?

Me deitei na cama dela e coloquei Emma ao meu lado, a abraço de conchinha nos cobrindo e dou um beijo no seu pescoço, fazendo cócegas com o nariz e ela ri.

- Papai, para. – Sorri junto com ela e dei um beijo em sua bochecha.
- Quer contar para o papai como foi o pesadelo? – Pergunto brincando com seus cachinhos em seus cabelos.
- Foi com a mamãe.
- O quê? – Pergunto assustado.

Eu nunca toquei sobre o assunto “mãe da Emma“, porque isso era um assunto difícil para ela, Emma tem apenas 1 aninho, mas mesmo assim, é muito nova pra saber o que aconteceu com a mãe. E de fato, eu também queria saber.

- Eu sonhei que vi a mamãe, papai. – Ela fala torcendo as palavras. – Ela não sabia falar direito. – Cadê a mamã?

Suspirei fundo, sabia que esse momento chegaria, mas não esperava que seria tão cedo.

- Pequena, vamos dormir? – Tento mudar de assunto.
- Cadê mamã? – Ela repete emburrada.
- Filha...
- Eu quero a mamã. – Ela começa a chorar e eu aperto ela ainda mais ao meu abraço.

Emma segura seus bracinhos na minha gola da camisa que eu usava, encolhendo o corpinho. Fecho os olhos, respiro fundo agradando seu cabelinho. Começo a cantar uma música de criança bem devagar e abaixo o olhar vendo minha princesinha dormir. Fico mais uma hora com Emma e levanto com cuidado, cobrindo seu corpinho com o cobertor e substituo meu corpo por um ursinho de pelúcia. Dou um beijo em sua testa e saio do quarto, fechando a porta.
Vou até a cozinha deixando a luz escura mesmo, abro a geladeira, coloco a água no copo e fico de frente para a pia e fico olhando a rua parada pela janela, tomando minha água.
Onde será que está aquela mulher que abandonou a Emma na frente da minha casa no meio da noite de chuva forte que estava aquele dia? Por que ela fez isso com a pequena? São tantas perguntas para poucas respostas. Eu queria tanto encontrar essa mulher pelo menos uma vez na vida e perguntar o porque que ela fez isso. Eu nunca teria coragem de renegar um filho meu. Como alguém tem coragem de deixar um bebezinho na rua no meio da chuva? Esse tipo de pessoa é a pior do mundo.
Respiro fundo tomando um gole de minha água.

- Acordado às 4:00 horas da manhã, ?

Me viro para trás, encontrando na porta de braços cruzados me olhando preocupado.

- Acordei com o choro da minha filha. Fui ver o que era e não consegui dormir mais.
- Eu também acordei com o choro de Emma, fui ver o que era, mas encontrei o senhor deitado com ela. – Sorri tímido. – Já disseram que o senhor é um ótimo pai?
- Não. – Dou de ombros sentando em uma cadeira e aponto para a cadeira a minha frente para sentar. – Mas não sou tudo isso, apenas tento ser a família que Emma merece.
- Como assim? – pergunta sentando na cadeira e arqueando uma sobrancelha.
- Uma longa história. – Digo pausadamente.
- Eu ouvi Emm perguntar sobre a mãe dela. – coloca sua mão sobre a minha e eu me arrepio com seu toque, olho para ela e espero ela continuar.
- Quer desabafar?
- Na verdade, não gosto muito de falar desse assunto – desvio o olhar dela. – Porque a mãe de Emma a abandonou comigo.
- O quê? – pergunta e vi sua expressão ficar assustada e logo ela solta as minhas mãos com pressa, escondendo debaixo da mesa, a olho confuso.
- Deixa pra lá. Não quero trazer essa história à tona de novo, eu e Emma já superamos isso. Agora somos só eu e minha filha.

não me responde e olha para baixo fechando os olhos.

- Ei, , está tudo bem?

Me aproximo dela me agachando em seu lado, seguro sua mão e estava gelada, a sinto tremer, então engulo a seco.

- Quer desabafar algo? – Pergunto tenso a olhando, e noto uma lágrima escorrer de seu olho, por instinto, eu a enxugo.
- Porque eu sou uma pessoa ruim, ? – Ela pergunta com a voz manhosa.
- , você não é uma pessoa ruim. – Digo confuso não entendendo aonde ela queria chegar.
- Sou sim, eu fiz coisas horríveis no passado.
- Que tipo de coisas ruins?
- Não quero falar disso. - respira fundo. – Faz mal pra mim.
- Tudo bem. – Abraço ela desajeitado e então digo em seu ouvido. – Pode contar comigo pra tudo, ouviu?
- Obrigado, .
- Não tem de quê, Dona . – Rimos os dois juntos e me sinto melhor vendo-a feliz.
- Vamos dormir?
- Com certeza.

Cada um foi pro seu quarto e assim que deito a cabeça no travesseiro, fico me perguntando o que a poderia ter feito de tão ruim assim que ela se sentir mal. me parece uma pessoa super boa, que adora crianças. Faz os outros sorrirem mesmo quando estão tristes e principalmente me traz uma paz que eu não sentia faz tempo. Eu não sei explicar o que estou sentindo, mas de uma coisa eu tenho certeza: Eu não quero que a se afaste de mim. Sei que pode parecer loucura, mas não é só eu que me sinto assim, minha filha também pegou adoração pela que eu não sei explicar, parece que as duas já se conheciam.



Capítulo 08: e Emma se parecem.

Acordo na cama no dia seguinte de manhã com um serzinho invadindo minha cama antes do despertador tocar.

- Bom dia, papá. – Emma me chama colocando a mãozinha no meu rosto.
- Bom dia, pequena. – Pego sua mãozinha e dou um beijo, vendo-a sorrir e em seguida me abraçar.

Coloco um cobertor por cima da gente e ligo a TV que tinha no quarto em um canal de desenho, já que de manhã, antes do café, Emma sempre fazia isso, vinha na minha cama querendo assistir comigo algum desenho.

- Que desenho a princesa quer assistir hoje?
- Bob Esponja. – Ela fala batendo as palminhas e eu sorri com isso.
- Você assiste enquanto o papai vai tomar banho?
- Sim. – Ela falou com voz muito fofa que deu vontade de amassar.

Tomo meu banho rapidinho, colocando uma calça jeans e uma blusa de manga curta preta, logo em seguida meu moletom.

- Acho que está na hora da princesa tomar banho, não? – Pergunto a Emma que faz bico.
- Não quelo. – Emma cruza os braços bravinha.

Me jogo em cima dela na cama a enchendo de beijos.

- Papá, para.
- Só se for tomar banho, o papai promete não demorar.
- Tudo bem. – Dou beijo em sua bochecha e a pego no colo.
- Papá.
- Oi, amor? – Olho na direção que Emma apontava e vejo , sorri pra ela. – Oi, . Bom dia.
- Bom dia. Dormiu bem?

entra no quarto e me deu um beijo na bochecha e eu fiquei a observando dando um beijo na bochecha de Emma. Percebi quando ela voltou a me encarar que seu sorriso estava tímido e suas bochechas rosadas, o que a deixava mais linda.

- Estava passando aqui e não resisti e fiquei assistindo vocês se divertirem. – sorri sem jeito. – Deve ser ótimo ter uma filha fofa desse jeito, não é, pequena Emma.

faz cócegas em Emma e a mesma solta uma gargalhada esticando os bracinhos para a pegar. Se encolheu no corpo de .

- Está trocando o pai, filha? – fiz bico.
- Sinto muito, , mas acho que sim. – Aumentei o bico e mostrei a língua para , que riu.
- Não estou papai, não chola. – Emma diz colocando a mãozinha no meu rosto fazendo carinho.
- Só perdoo se eu ganhar beijinho de esquimó.

Emma sorriu e passou o narizinho no meu, então aproveitei e dei um beijo na bochecha dela.

- Amo você, pequena.
- Eu também amo o papai. – Sorri orgulhoso. – Eu só quis vim no colo da tia porque achei ela legal. – Emma abraça que retribui e ainda me olhando dizendo: - Eu queria que ela fosse minha mamã.

A olho espantado e me olha da mesma maneira quando a olho.

- Filha, isso é jeito de... – me interrompe.
- Está tudo bem, , é bom saber que a pequena gosta de mm. – faz uma pausa. - Vamos lá embaixo? Já preparei o café. – A olho mais surpreso ainda. – Tomei essa liberdade, fiz mal?
- Nenhum um pouquinho. – Sorri tranquilo pra ela.
- Vamos tomar café, pequena?
- Siiiiim. – Emma bate palminhas contente e eu sorri com isso.

Mas espera, eu acho que é impressão minha ou Emma e tem o mesmo sorriso? Vejo as duas saírem da porta do quarto e então balanço a cabeça.

- Não pensa besteira, .

**

Durante o café, estávamos nos divertindo muito, Emma quis porque quis sentar ao lado de na mesa e eu deixei, assim podia observar as duas na minha frente, sorri de lado vendo colocar uma colher na boca de Emma com um pouco de panqueca e depois que colocou sua comida na boca, reparei que minha filha e ela tem o mesmo jeito de mastigar, franzi o cenho em confusão.

- Terra chamando, . – estala os dedos na minha frente.
- Tá tudo bem, papá? – Emma pergunta preocupada.
- Está sim, meu amor, papai só está preocupado com algumas coisinhas. – Faço uma pausa. - Terminou de comer?
- Siiim.
- Então vem cá, sua pestinha. – pega Emma no colo a colocando no chão.

Segura à mão de Emma com cuidado e faz Emma andar. Minha filha ainda não tinha total equilíbrio das perninhas, mas conseguia andar um pouco. Enquanto as duas se afastam, noto a semelhança no andar. “Eu só devo estar ficando maluco“ – digo comigo mesmo em pensando voltando a comer.

- Droga, a Ella vai me matar. Estou atrasado meia hora. – Digo pegando a chave do carro.
- Não se preocupe com isso, Ella vai entender.
- Eu sei, mas não gosto de chegar atrasado. – Ela riu sem jeito. – Você vai ficar bem? – pergunto preocupado.
- Claro, sempre amei cuidar de crianças. – Assim que ela responde, dou um beijo na sua testa e pisco pra ela que sorri.
- Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me ligue.
- Pode deixar, capitão . – Ela faz sinal com a mão e eu ri.
- Pode levar Emma na escola pra mim e buscar?
- Sem problemas.
- Então, já vou indo. – Respondi piscando. – Tchau, bonequinha, se comporte.

Viro para minha filha e dou um beijo em sua cabeça.

- Tchau, papá. O senhor volta?
- Volto sim, pequena.
- Com presente? – Os olhos dela brilham.
- Interesseira. – Emma bate palminhas rindo e eu sorri também. – Tchau, amor. – Dou mais um beijo e saio de casa me despedindo de .

A caminho no trabalho fiquei pensando em , por que será que quando falei que a mãe de minha Emma a abandonou ela ficou daquele jeito? Parecia assustada. E quando Emma e estão juntas, elas têm muita semelhança. Sei que crianças quando convivem com alguém que gostam muito costuma pegar seu jeito e minha filha adora a . – Balanço minha cabeça.

– É isso, , sua filha só está convivendo demais com e se apegando demais à , não é nada grave.



Capítulo 09: está de volta.

POV :

- Tia ? – Ouço a pequena Emma perguntar assim que coloco a sua mochila nas costas.
- Oi, meu amor. – Me abaixo na altura dela.
- Por que eu não tenho uma mamã? – Seus olhinhos estavam cheios de lágrimas.

Como posso responder isso? Eu não queria ter que me meter da vida do dessa forma, se ele não gosta de falar desse assunto para a filha, por que eu vou contar? Não queria ter que fazer a filha de pensar em coisas que a deixariam mais tristes.
Por um momento penso em minha pequena. Quando ela fizer essa pergunta para o homem que a pegou, será que vai querer me procurar? Será que vai me amar quando me encontrar? Será que vamos ser amigas?

- É claro que você tem uma mamã, meu amor. – Digo e ela me abraça com seus bracinhos.
- Onde ela tá? – Pergunta com sua voz doce e eu fecho meus olhos.
- Eu não sei, pequena, mas ela te ama muito. – Beijei seu ombrinho e me levantei. - Vamos? Se não a senhorita chega atrasada na escola.

Emma apenas sorriu e segurou minha mão. A escola não era longe da casa de , então íamos a pé mesmo. Peguei a chave de casa no balcão e fechei a porta. Enquanto caminhamos, Emma ia pulando os quadradinhos na rua um por um, e eu dei risada achando engraçado. Ela pulava somente nos quadrados pretos.

- Emma, toma cuidado pra não cair. – Avisei rindo.
- Tudo bem, tia .

Ela começou a pular mais devagar ainda segurando minha mão. Eu lembrei que quando eu era pequena, eu fazia a mesma coisa com minha mãe quando eu saia para passear com ela.
Estávamos perto de uma banquinha de sorvetes e reparei que os olhinhos de Emma brilharam, ela soltou minha mão e foi correndo até lá.
- Emma. – Gritei por ela indo a sua direção.
- Tia , compra um sorveti pla mim? – Ela fez uma carinha muito fofa.
- Você nem almoçou, pequena.
- O papai nunca compra pra mim. – Emm fez bico e eu ri.
- Tudo bem, eu compro. – Emma sorriu e bateu as palmas. – Qual você quer?
- Chocolat.
- Um sorvete de chocolate, moço. – Disse ao sorveteiro.
- Já está saindo. – O mesmo responde já fazendo.
- Quanto que é, senhor?
- 2 dólares.

Paguei ao moço e ele entregou o sorvete para Emma.

- Aqui está, princesa.
- Obrigada. – Respondeu mordendo o sorvete e segurou minha mão de volta.

Estávamos quase chegando à escola quando avisto uma figura conhecida. Não acredito que é ela.

- . – Grito seu nome e ela olha em minha direção.
- .

Ela atravessa a rua correndo e me da um abraço superapertado.

- Que saudades. Por que não avisou que ia voltar?
- Queria fazer uma surpresa pra minha melhor amiga, oras. – diz e eu mostro a língua.

Sinto um serzinho abraçar a minha perna com vergonha. Olho para Emma, que me olha assustada.

- Está tudo bem, pequena, se lembra da tia ? – Pergunto me abaixando na altura dela.

Emma balança a cabeça em negação.

- Essa é a Emma ? – Pergunta se abaixando na altura dela.
- É sim.
- Como ela cresceu. – faz carinho no cabelo de Emma que logo sorri e dá um abraço em . – O que faz com ela, ?
- Estou levando ela até a escola, vamos?

caminhou comigo até a outra rua, então deixamos Emma no portão.

- Quase que a senhorita Emma chega atrasada. – O porteiro diz carrancudo.
- Me desculpe, eu me atrasei um pouco hoje. – respondo cautelosa.
- Afinal, quem é você? E o que faz com a filha do ? – Pergunta preocupado.
- Tio Jack. – Emma responde puxando sua jaqueta atraindo a atenção do homem. – Não briga com tia , ela é minha babá e amiga do papá.

Jack me olha sorrindo e pedindo desculpa. Me abaixo na altura de Emma e dou um beijo.

- Boa aula, pequena, se comporta e na hora da saída é só para sair com a tia ou seu pai, se ele vier, tudo bem?

Emma apenas acena com a cabeça e me abraça entrando logo em seguida. e eu nos despedimos de Jack e fomos andando até um Starbucks aqui perto. Quando chegamos, sentamos à mesa perto da janela e fizemos nossos pedidos. Quando o garçom saiu, perguntou curiosa:

- Então, você e o estão juntos? – Pergunta maliciosa.
- Claro que não, por quê? – Arque-o a sobrancelha.
- Como por quê? – Ela pergunta incrédula. – Eu saio durante um ano, vendo vocês trocarem olhares intensos um com o outro. – Reviro os olhos. – Aí eu volto de férias e encontro você com a filha dele e fico sabendo pela menina que você é a babá. – Ela faz uma cara de pensativa. – Tem algo errado aí.
- Não tem nada de errado, ok? – Afirmei antes que pensamentos impróprios viessem a ela. – só foi gentil me ajudando, só isso.
- Hmmm. – Ela faz voz e olhar malicioso, que eu só reviro os olhos. – No que ele te ajudou, ? – Ela pergunta preocupada.
- Eu fui despejada do apartamento de sua mãe.
- Você o quê? – pergunta de boca aberta.
- Isso mesmo. – Respondo tensa. – chegou no meu último dia e viu o síndico me expulsando, ofereceu um acordo sobre minha estádia, mas ele negou. então me levou para sua casa e como disse que eu gostava de crianças, me deu um segundo emprego que era cuidar de sua filha. – Dei de ombros.
- Meu Deus, , por que não me falou isso antes?
- Você estava estudando, eu não queria ter que te preocupar. Você sabe muito bem que o dinheiro que eu guardo do meu trabalho no café é para... – me interrompe.
- Para sua faculdade, eu sei disso. Não precisa se explicar, eu vou hoje mesmo falar com aquele sindico babaca. – Ela fez cara de emburrada que me fez rir.
- Mas me conta de você, quero saber as novidades. – Mudo de assunto.



Capítulo 10: Desabafos.

Eu estava em casa com Emma, ela estava sentada no meu colo enquanto eu estava sentada no chão. Arrastei a mesa de centro mais para perto de mim e Emma ficou desenhando enquanto passava algum desenho na TV.

- Como vai as minhas meninas? – diz entrando em casa.
- Papá.

Emma saiu correndo até ele e abraçou as pernas do pai, que imediatamente a pegou no colo e a abraçou enchendo de beijos.

- Como foi o trabalho? – Pergunto ainda sentada no chão.
- Tranquilo, o movimento estava razoável hoje.
- Pois é, em dia de chuva geralmente não vai muito cliente. – Ri fraco.

se aproximou do meu lado e sentou com a pequena Emma se encolhendo em seu peito.

- Papá. Sono. – Emma falou bocejando.
- Vamos comer e tomar banho antes, meu amor?
- Na verdade, eu já fiz isso pra ela. – me olha e logo sorri. – Ela disse que queria o papai pra fazê-la dormir, então eu a fiz desenhar um pouquinho.
- Você desenhou, meu amor? – olha pra filha que acena a cabeça de olhinhos fechados e aponta pra mesa.

pegou o desenho e sorriu emocionado.

- A cada dia essa menina me surpreende.

Sorri com o jeito de pai babão de , e se Theodore fosse assim com nossa menina, como ele reagiria? Seria um bom pai? Contaria as histórias pra dormir? Ficaria de olho quando os meninos se aproximassem dela?

- O que você desenhou para o papai, Emma? – Pergunto para a menina olhando para .
- Nossa família. – Ela responde com sono coçando os olhinhos.
- Quem são essas duas mulheres na foto, meu amor?
- Tia e Mamã.

Vi que a expressão de mudou de emocionado para triste e abraçou a menina dando um beijo no seu cabelo. Pude notar ao o ver fechar os olhos que derramou uma lágrima.

- Fiz mal em fazê-la desenhar? – pergunto baixinho.
- Não, claro que não. – checa a filha pra ver se ela dormiu. – É só... toda essa coisa da Emma perguntar da mãe, mexe comigo. Eu fico sem resposta, eu não sei como falar que a mãe dela... – o interrompo.
- A mãe dela morreu? – Pergunto com medo de estar me metendo em algo que não devo.
- Não, ela não morreu, pelo menos eu acho que não. - respondeu olhando para a filha.
- Como assim?

Seguro sua mão fazendo um leve carinho, percebendo o olhar de sobre elas, ele me olha apertando minha mão com mais força então diz:

- Em um dia de chuva, estava chovendo muito forte, com trovões e tudo mais, eu tinha acabado de me mudar para Nova York e tinha conseguido esse apartamento de um amigo que estava alugando, meu chefe tinha me mandado embora do trabalho por brigar com um cafajeste que estava dando em cima da minha namorada. – O olho incrédulo. – Ela não merecia que eu a defendesse, pois estava pegando o cara há mais de um mês nas minhas costas. Eu descobri isso em público, bem no dia que eu ia pedir ela em noivado. – Ele respira fundo.

- , eu sinto muito. – Aperto a mão dele com força.
- Aí, depois de duas semanas, resolvo me mudar pra nova York e estava chovendo como falei, quando eu pensei que tudo estava ruim, que eu não iria melhorar disso nunca. – olha para Emma. – Alguém resolve me dar um presente, o presente mais importante da minha vida. Minha princesinha Emma. – Ele beija a cabeça da filha. – Alguém bate na minha porta de madrugada e quando eu abro, não tem ninguém, resolvo entrar, então ouço de novo mais uma batida. Olho para baixo e tinha um bebê, bem ali na chuva.

fica em silêncio desviando o olhar de mim, eu o olho e fico tensa, só podia ser coincidência, não podia ser o , Emma não era minha filha. Existem muitas mães que não tem dinheiro suficiente e deixam seus filhos nas portas de uma família para acolher ela.

- Me mudei daquele lugar. – enxuga as lágrimas. – Porque aquele apartamento não iria dar para cuidar de uma criança, então eu me mudei para casa do meu melhor amigo Jacob e fiquei lá, durante um tempo, até encontrar meu trabalho na Ella. – riu. – Comprei esse apartamento com o dinheiro que eu tinha reservado e com o que recebi de Ella no primeiro mês de trabalho.
- Nossa, eu não imaginava que você passou por tudo isso. – Ele sorriu, mas triste.
- Está tudo bem, tudo de ruim que eu passei, foi recompensado por esse presentinho que ganhei.

olha Emma e a beija no cabelo. Fico admirada com aquela cena, será que era o homem que cuidou de minha menina?

- E você? – me tira dos meus pensamentos.
- O que tem eu?
- Não tem nenhuma história triste? – Ele pergunta rindo.
- Eu não gosto de falar sobre isso, . Me desculpa.

aperta minha mão.

- Hey, eu estou aqui para tudo ouviu? Se essa história tem a ver com o carinha lá do café, não se preocupe, eu não vou deixá-lo encostar nenhum dedo em você.

Minha única reação foi abraçar , que me abraçou de volta, escondi meu rosto em seu pescoço, tentando segurar as lágrimas.

- , obrigada por tudo, tudo mesmo. Eu não sei como vou poder te agradecer.
- Não precisa. Eu não fiz nada.
- Você está ajudando uma amiga. – Sorri pra ele que fez o mesmo.

Ficamos nos olhando durante um tempo e só agora eu pude notar o quanto seus lindos olhos verdes eram lindos como o mar, tão intenso que podia me deixar hipnotizada. Engoli a seco tentando desviar minha atenção dele, mas não deu muito certo e parece que ele estava tentando fazer o mesmo. Sinto colocar sua mão em uns fios soltos do meu cabelo e colocá-los atrás de minha orelha. Fecho os olhos quando passa seus dedos sobre minha bochechas que ficaram coradas, tenho a maior certeza disso. Não sei o que está acontecendo, mas não quero parar, me arrepio quando sua mão vai para minha nuca e sinto-o arrastando meu rosto devagar para frente, meu coração acelera quando nossos narizes se tocam, minha respiração fica ofegante.

- ... – ele me interrompe.
- Shh.

Toda a distância que tinha entre a gente sumiu quando ele juntou nossos lábios em um movimento lento e delicado, o que ficou ainda mais perfeito com o carinho que ele fazia na minha nuca. Seu beijo tinha um gosto bom, seu hálito tinha um gosto de menta, era um beijo calmo e leve. Depois de alguns selinhos, resolve pedir entrada com sua língua, antes de ceder, coloco minhas mãos sobre seu pescoço nos aproximando ainda mais, então finalmente cedo sua passagem. Gemo de leve com o choque bom que nossas línguas tiveram, parecendo que foram feitas uma para a outra.

- Eu não sei o que está acontecendo... – diz ofegante, mas mordendo meu lábio devagar. – Mas estou gostando.

Sinto sorrir entre o beijo, fazendo eu sorrir também. Aprofundo ainda mais. Somos interrompidos por causa de uma menininha se mexendo no colo do pai. termina o beijo ofegante, olhando a filha e logo em seguida me olha sorrindo.

- Eu não sei o que foi isso.
- Nem eu, mas foi bom. – Respondo lhe passando confiança.

Agrado seu rosto e uno nossas testas olhando em seus olhos.

- Eu não sou assim, mas eu não aguentava mais, , eu não aguentava mais esperar.
- O que?

Me afasto surpresa. percebeu que eu fiquei sem jeito, então coçou sua nuca e desviou o olhar para a filha.

- Eu preciso colocar ela pra dormir.

se levantou e subiu ás escadas me deixando ali sozinha. O que diabos aconteceu?



Capítulo 11: Melhor Amiga? Não, eu sou seu cupido.

- VOCÊS DOIS O QUÊ? – pergunta no dia seguinte, assim que conto sobre o beijo que eu e tivemos.
- Cala boca, , quer que todo mundo do café ouça? – Retruquei brava.
- Me desculpe, mas... meu casal favorito está dando certo. – bate palminhas feito uma criancinha. – Imagine no cardápio de casamento “ e “. – falava com a maior cara de boba.
- Deixa de ser idiota, garota.

Começo a rir e bato no seu braço com cardápio.

- Isso doeu. – Ela fez beiço de emburrada massageando o braço.
- Eu ouvi meu nome nessa conversa aí?

aparece ao lado de colocando seu braço em cima do ombro dela.

- E aí, .
- Sai pra lá, não sou seu encosto.

afastou e eu ri quando ele tropeçou nos próprios pés, só não caiu porque segurou no balcão.

- Você me paga, pirralha. – disse cerrando os olhos.
- Que medo, . – falou gargalhando quando a acertou com o pano de prato.
- Estou me sentindo excluída. – Fiz beiço.
- Owwn. – e falaram ao mesmo tempo, me abraçando.

Mas de repente me senti fora do chão e quando vi, eu estava no ombro de .

- , ME COLOCA NO CHÃO, AGORA. – Digo me debatendo contra ele.
- Eu acho que não, gracinha.

me levou até a cozinha do café enquanto eu gritava por socorro, Ella, e todos os clientes riam de mim. Assim que me coloca sentada em cima da mesa, ele joga farinha no meu cabelo.

- EU VOU TE MATAR, .

Começo a correr pela cozinha atrás dele, mas ele sempre dava um jeito de escapar.

- Você não me pega, .
- Duvida? – acenou com a cabeça.

Pego uma colher com calda de chocolate quente e o olho desafiadora.

- Ah não...

começa a correr para fora da cozinha, mas paro em sua frente jogando chocolate em sua cabeça.

- Droga, , isso aqui está quente.
- Não é meu cabelo mesmo. – Dou de ombros.
- Ah é, é?

avança em mim enquanto tento correr em direção à porta, mas ele me segura pela cintura e eu acabo escorregando caindo de cara no chão. Ouço gargalhadas do que caiu em cima de mim, me viro de frente para ele encontrando aquele sorriso maravilhoso que me faz ter vontade de sorrir.

- Você é muito, criança. – Ambos falamos ao mesmo tempo e começamos a rir ainda caídos no chão.
- Você que é um chato. – Dou um tapa no seu ombro.

Vejo cair um pouco de chocolate no meu rosto.

- Ei, você está suja aqui.

passa o polegar delicadamente no canto do meu lábio onde estava sujo enquanto eu olhava seu olhar.

- Por que está corada? – pergunta e eu me encolho mais.
- Não sei. – Digo tímida.
- Não sabe? – sorri malicioso se aproximando.
- , agora não.

Me levanto do chão vendo o fazer logo em seguida.

- Fiz algo de errado, ? – Pergunto preocupado.
- Não, é que...
- Não está preparada, né? – O olho, cautelosa. – Tudo bem, eu entendo. Vamos voltar ao trabalho.

**

Eu, e Emma chegamos em casa e então fala para a filha:

- Vamos direto pro banho, mocinha, que vamos para a casa da sua avó mais tarde.

subiu correndo com a filha nos ombros arrancando gargalhadas da filha. Quando eles somem, eu me pergunto:

- Cadê você, filha? – Uma lágrima sai de meu rosto e a enxugo imediatamente.

**

- ? – grita da sala. - Eu vou levar minha filha na minha mãe e já volto, ok?
- Ok, se cuida.
- Você também. – diz saindo de casa.

Termino de arrumar a casa e vejo uma foto quando coloco o porta retrato na estante, meu celular toca.

- Oi, . – respondo baixo.
- Iiih, por que está com voz, o não está te tratando bem?
- Claro que está, o problema não é o , o problema sou eu mesmo, .
- O que está acontecendo?
- Eu estou com saudades, você sabe... Da minha filha.
- Eu te falei que não era uma boa ideia você fazer aquilo, . Você nunca me escuta. Nós poderíamos ter te ajudado.
- Vocês sabem que eu nunca iria permitir que vocês gastassem dinheiro comigo e com minha bebê.
- Eu faço tudo por você, você sabe disso, dona . – Ri do jeito sério que falou.
- É que vivendo com o e sua filha, me dá um aperto no coração, eu fico me imaginando como seria se Theodore e estivessem comigo. – respiro fundo. – Fico imaginando como Theodore seria se fosse um homem bom e quisesse saber da filha.
- Ei, , não se atreva chorar por esse babaca.

Às vezes eu acho que minha melhor amiga me conhece bem demais. Enxugo a lágrima que tinha saído ouvindo a maçaneta da porta ser aberta.

- Hey, .

se aproxima e da um beijo na minha bochecha.

- Demorei?
- Nem um pouco. – Ri e ele também.
- Quem é no telefone?
- A .
- Manda um beijo para a pirralha.

Coloquei no alto falante.

- Pra deixar claro, , eu ouvi isso e um beijo pra você também.

Rimos com a resposta de e sentou ao meu lado no sofá.

- Então, o que estavam conversando? – pergunta.
- Nada de muito interessante. – Trato de desconversar sobre o assunto.
- Sei. – me olha desconfiado.
- , , acabei de ter uma ideia.
- Estou com medo, , você quando tem ideias, sei não.

riu e eu podia jurar que estava virando os olhos.

- Engraçadinha, vocês querem ouvir?
- Pode falar, pirralha. – falou.
- Vamos para um pub? faz a sair um pouco, ela está ficando carente demais.
- . – Grito com ela corando na frente de .
- Pois pode deixar comigo, , eu deixei Emma com minha mãe, ela que vai cuidar da pequena esse final de semana, então podemos ir para um pub sem problemas.
- Assim que eu gosto, eu e meu boy vamos sair às 20:00 horas, estejam em frente à boate. Por favor.
- Sim, senhorita.



Capítulo 12: Noite da balada.

Chegando à balada, eu sentia que ia acontecer algo de ruim, eu estava com um pressentimento nada bom. Sinto segurar minha mão firme me fazendo olhar para o mesmo.

- Hey, fica tranquila, você está linda.
- Obrigada, . – sorri sem jeito.

Eu estava vestida com um vestido que chegava até a altura do joelho, preto com a parte de trás meio aberta, e a saia do vestido era com uma renda bem de leve. Usava salto alto preto, três pulseiras prata e um colar escrito “dream”. Meu cabelo estava solto com umas leves ondulações.

- Quer beber algo? – pergunta.
- Uma cerveja, apenas. – Sorri sem jeito.

foi até o bar do lugar e eu fiquei na porta, pois estava muito cheio e eu não estava a fim de enfrentar fila.

- Aí está você, . – aparece na minha frente me abraçando.
- Você está linda. – Respondo.
- , aqui está sua cerveja.

se aproxima dando minha cerveja e logo nota que estava ali.

- E aí, pirralha.
- E aí, peste.
- Cadê o seu boy magia? – pergunta e eu sorri.
- , até que enfim eu te achei. – um rapaz se aproxima.
- Falando na peste. – responde dando um beijo no garoto.

Quando o menino vira para me olhar, eu quis cair no chão, não era possível ser ele.

- ? – pergunta surpreso.

O olho curiosa o vendo sorrir se aproximando do amigo e dando um abraço que o mesmo retribui me olhando.

- Olha que mundo pequeno, cara. – diz.

solta do abraço do amigo ficando ao meu lado, o clima ficou em silêncio ali, e a troca de olhares entre eu e era intensa.

- Oi. – diz me olhando sério.

Nada respondo.

- Por que tenho a impressão que vocês já se conhecem? – Diz olhando nós três, confusa.
- é meu melhor amigo, . – explica e eu o olho perplexa. – Que foi? – pergunta ao ver minha cara de espanto.

Abaixo o olhar fechando os olhos.

- , vamos embora, por favor. Não foi uma boa ideia ter vindo aqui. – Digo querendo ir embora daquele lugar.
- , o que está acontecendo? – pergunta colocando uma mão em meu ombro.
- Só vamos, por favor. – ergui meu olhar até ele.
- Isso é jeito de tratar seu irmão, ?

diz e eu quis matar ele, e me olharam confusos e eu só queria correr dali, ir pra casa e me esconder em meu quarto.

- Irmão? – pergunta olhando para mim e ao mesmo tempo.

Suspiro cansada dando as costas para o pessoal.

- . – e me chamam ao mesmo tempo, mas não dou bola.

Continuo correndo até sair daquele lugar, me encontrando fora do pub, permito algumas lágrimas caírem, coloco minha mão em meu rosto tentando tampar que estava chorando quando sinto braços em minha volta.

- Vem, vou te levar em casa.

ficou ali abraçado comigo sem dizer nenhuma palavra, até o Uber chegar, assim que chegou, abriu a porta traseira me fazendo entrar primeiro para depois sentar ao meu lado. Falou o endereço de sua casa para o motorista e me abraçou tentando me acalmar.

- Ei, chega de chorar.

limpou meu rosto com sua mão livre me dando um beijo em minha cabeça, fiquei ali sentindo seu carinho, até que quando estava quase chegando no sono, me chamou para sair do carro. Abrindo a porta da casa, acendeu a luz me levando até o sofá, mas não sentou caminhou até a cozinha e no voltar me trouxe um copo de água, sentando em meu lado, passou um braço atrás de minhas costas fazendo um carinho não dizendo nada, respeitando o meu tempo. Mas eu sentia seu olhar sobre mim, sentia que ele queria uma explicação e esse não era sobre um assunto que eu queria falar.

- Você sabe que eu vou perguntar o que aconteceu naquele pub, não sabe? – perguntou sério.

Respiro fundo colocando o copo de água na mesinha de centro da sala, olhei que ainda me esperava uma resposta.

- , eu não quero falar sobre isso, por favor.
- Eu já te disse que estou aqui para tudo, não disse?
- Eu sei, mas eu não quero falar, não quero relembrar essas coisas.
- Eu só quero entender como uns do meus melhores amigos é irmão da babá da minha filha, que é uma de minhas amigas.

falou fazendo uma careta engraçada e eu ri fazendo o mesmo, então ele coloca a mão sobre meu rosto colocando um cabelo que tinha ali atrás da orelha.

- Pode me dizer. Quem saiba eu possa ajudar.
- Você não vai desistir, né?
- Não. – Sorri com a teimosia dele.
- Você é um chato, isso sim.
- E você uma teimosa. – apertou meu nariz. – Vamos, me conte, seu segredo está guardado comigo, eu prometo.
- Eu e somos mesmo irmãos. – assentiu fazendo eu respirar fundo. – Ele é um ano mais novo que você, ou seja, tem 25, já que você acabou de completar 26. E eu vou fazer 20, mês que vem. Sempre fomos ligados, aquele tipo de relação bem unida entre irmãos, não brigávamos, mas ficamos de provocação entre um e outro. Só que aconteceu uma coisa, que ele ficou muito irritado. Muito mesmo, não pelo fato de estar acontecendo isso comigo, mas sinto pelo fato de que eu escondi algo dele, algo muito importante. Isso fez meio que se afastar de mim, estamos praticamente há mais de um ano sem se ver.
- nunca me falou que tinha uma irmã. Sempre que perguntei, ele negou, eu conheço ele faz uns 3 anos, desde então ele é muito importante pra mim, eu acho que no fundo ele só queria te proteger, , não contando de você pra mim. Mas depois do que eu vi hoje, do jeito que vocês se olhavam, eu não reconheci o meu amigo. Parecia outra pessoa do jeito que tratou você. Olha, todos têm seus segredos que às vezes não queremos compartilhar, mas ficando com isso pra gente, isso magoa certas pessoas, mesmo a gente errando, querendo fazer o certo.
- Eu sei, . Mas ele descobriu isso que escondia e a reação não foi uma das melhores, e era com ele que eu contava mais que tudo. Ele era meu irmão, não podia ter me abandonado naquele momento, não como todo o resto de minha família me abandonou.
- Sua família te abandonou? – pareceu surpreso enquanto eu deixava uma lágrima escorrer. – Por que isso, qual o problema deles em abandonar uma pessoa assim?

Vi que estava começando a ficar com raiva, só pelo simples fato de eu mencionar isso. Imagine se ele descobrisse que eu abandonei minha filha assim como minha família me abandonou. Eu iria perder sua amizade, eu tenho certeza, por isso não posso contar toda a verdade. Por mais que eu quisesse.

- A culpa foi minha, , eu fiz com que eles me abandonassem.
- Como assim? – estava se alterando. – Ninguém faz algo pra ser abandonado.
- É um assunto delicado pra mim e eu não quero falar sobre isso.

Subi as escadas correndo trancando a porta de meu quarto. Ouvi me chamar, mas ignorei. Tudo que eu queria agora era ficar sozinha, novamente, em minha mochila, pego o bichinho de pelúcia de minha filha deitando na cama, pois só assim algo me fazia ficar perto dela e eu me acalmava. Eu precisava tanto dela naquele momento. Só queria saber onde estava .



Capítulo 13: Descobrindo a verdade!

:

Como o mundo é pequeno. Da onde que eu ia pensar que aquela menina que eu conheci no trabalho é irmã de uns dos meus melhores amigos. Suspirei cansado depois da conversa que tive com , confesso que algo me deixou curioso. Por que ela não falava nada do seu passado? Por que ela não me conta esse segredo importante? Resolvi ir até minha mãe, para esfriar a cabeça e ver minha bebê, pois estou morrendo de saudades. Batendo na porta da minha antiga casa, logo sou recebido por um abraço de minha irmã. Pois é, eu tenho uma caçula que tem 15 anos.

- E aí, pirralha. – Digo bagunçando os cabelos dela.
- , para. – E quanto mais ela pedia para eu parar, mais eu fazia. – Mamãe, fala pro parar de bagunçar meu cabelo.
- , para com isso agora. – Dona falou assim que entrou na sala com minha bebê no colo.
- Papá.

Minha filha estica os braços para mim, logo vou correndo a abraçar, pego ela no colo e Emma logo me abraça no pescoço, fico enchendo ela de beijos no seu pequeno ombrinho enquanto ela morria de rir.

- Papá, para.
- Eu acho que não, que tal isso.

Deito ela no meu colo e começo a fazer cócegas em sua barriguinha, me vi sorrindo ao ver ela balançando os bracinhos e pernas gargalhando.

- Mas olha, querido, vai dizer que ele não se tornou um pai babão. – Ouvi minha mãe dizer.
- É, filho. Você está um tremendo pai babão, senhor .
- Ei, agora só o ganha atenção nessa casa?

Me virei para minha irmã que estava com a carinha emburrada feito um bebê. Parei de fazer carinho em minha filha, ainda com ela no colo se aninhando em meu pescoço. Observei Raven e dei risada.

- Raven, quem é bebê aqui é a Emma, não você.
- Você é um saco, sabia? Por isso não tem namorada! – Retrucou brava. – Aposto que até a Emma não gosta de você.
- RAVEN , SUBA PARA SEU QUARTO, AGORA.

Minha mãe ordenou e Raven subiu sem pestanejar, pois sabia que ela era uma fera quando ficava brava. Assim que ouvi o barulho da porta se batendo, olhei para minha mãe.

- Não precisava ser tão dura com ela, mãe.
- Claro que precisa. Que falta de educação de Raven falar que meu bebê ainda não tem namorada. – Minha mãe falava apertando minhas bochechas, coisa que odeio.
- Mãe, quem é bebê é a Emma.
- E uma bebê linda, por sinal. – Fez carinho em minha filha que gargalhou, dei um beijo em sua testa. – Mas eu te conheço, filho, você só vem aqui pra deixar Emma de vez em quando ainda, o que aconteceu.

Minha mãe me conhecia, às vezes, bem demais.
- Eu tenho uma amiga e... – Emma me interrompe.
- Tia ! – Ela bate palminhas me fazendo rir.
- Quem é essa ? – Minha mãe começou e do jeito que era, já sabia onde ia dar.
- É apenas uma amiga, mãe, eu estou ajudando ela, porque ela não tem pra onde ir, a ajudei a contratando como babá de Emma.
- Como assim, meu filho? Você não se lembra da educação que te dei? Onde já se viu, colocar estranhos pra dentro de casa.
- Ei, calminha aí, Sra. , ela é minha amiga do trabalho, que foi despejada do apartamento e não tem ninguém em Nova York, resolvi ajudar, só isso.
- Awwn, que lindo meu filhote. – Ela dá um abraço em mim e em Emma.
- Vovó, quelo doce. – Emma diz.
- Não, senhora filha, aposto que já comeu doces de mais aqui na vovó. – Falei e Emma fez biquinho. – Essa carinha não rola comigo!
- Deixa a menina, . Vou deixar Emma com seu pai e a gente conversa melhor, ok?

**

- Então pode começar, mocinho!

Estávamos no meu quarto antigo e eu deitado na cama enquanto minha mãe estava sentada apenas me encarando.

- A história é longa, mãe. Eu conheci no trabalho como já falei e não sei, desde aquele dia ela me chamou a atenção de alguma forma, não sei, talvez seja seu jeito meigo de ser, aqueles olhos verdes... – suspirei. – Mas enfim, sinto que de alguma forma ela é importante pra mim, eu sinto que tenho que proteger ela.
- Ou você está gostando dessa moça, ?

Não, não podia estar gostando de , não agora. Suspirei fundo fechando os olhos.

- Eu não sei, mãe.
- , você saiu de dentro de mim, te conheço como a palma da minha mão, me fala logo de uma vez a verdade, de preferência.
- Talvez eu esteja, eu não sei, sei que tem algo nela que eu preciso descobrir logo e isso está me deixando louco.
- O que exatamente você está falando, filho?
- Eu também queria saber, mãe! O problema é que, quando eu contei a verdade sobre Emma, quando me perguntou da mãe dela, ela ficou meio tensa, tentou desconversar do assunto, perguntei se ela tinha uma história triste que fez ela ficar assim. – Dei de ombros. – Ela desconversou. O mais estranho nisso tudo é que quando Emma e estão juntas, elas são muito parecidas. Andam do mesmo jeito, comem do mesmo jeito. As duas se adoram. E então nos beijamos pela primeira vez. – Minha mãe me interrompe.
- Awwwwn. – Minha mãe me abraça e eu reviro os olhos. – Quero conhecer essa moça, .
- Mas, mãe...
- Eu também quero conhecer minha cunhada.

Raven diz entrando no quarto pulando em cima de mim e eu apenas empurro pra longe, fazendo-a cair na cama e eu gargalhei recebendo um tapa de minha mãe.

- Ela não é minha namorada gente.
- Qualquer namorada nova é melhor do que a Claire. – Raven diz fazendo careta.
- Raven, sai do meu quarto.
- Não. – Ela cruza os braços.
- Vou te jogar pela janela. – Ameacei.
- Duvido.

Começo a ir em direção a ela, que logo sai do quarto.

- Só vocês mesmo. – Minha mãe diz. – Filho, sobre a , se ela não quer falar sobre o passado, dê um tempo a ela, ela precisa de espaço.
- Eu sei, mãe. – Respondi suspirando olhando para o chão. – Eu e ele meio que brigamos ontem, porque ela me contou que sua família a abandonou por causa desse segredo importante dela, só que a única coisa que me intriga, e que acabei descobrindo, é que a , é irmã do meu melhor amigo.
- O Jacob? – Ela pergunta surpresa e eu nego com a cabeça. – ?
- Ele mesmo.
- nunca falou que tinha uma irmã.
- Foi o que falei pra ela, mas ela me contou porque eles se distanciaram e a gente discutiu, eu não queria, e quero recompensar de alguma forma.
- Pois a leve pra jantar, meu menino. – Minha mãe me abraça.
- Mas...
- Sem mas. Faça isso, a leve no nosso restaurante.
- Tudo bem. – Sorri de canto para minha mãe.

Me despedi dela, meu pai e minha irmã pegando Emma que estava mais elétrica do que nunca.

- Papá. Tia .
- O que tem a tia , meu amor? – Falei e a olhei rapidamente no banco de trás, voltando à atenção na estrada.
- Saudadi. – Ela falou daquele jeito meigo de criança.
- Logo você a verá.

Cheguei em casa estranhando tudo revirado, minha filha apertou mais o meu pescoço com medo e eu a segurei firme.

- Papá, medo.
- Shii, eu estou aqui, pequena. – A abracei o mais forte que podia. – Fique quietinha, tudo bem?

Emma me obedeceu, andei por todos os cantos da casa, não achando ninguém até que subi ao último cômodo que faltava verificar que era o de . Entrei lá e minha raiva apareceu ao ver o mesmo cara da cafeteria a segurando firme nos braços enquanto falava com raiva cuspindo praticamente na cara de , percebi que Emma ficou nervosa, começando a chorar baixinho encolhendo ainda mais no meu pescoço.

- EU QUERO SABER ONDE ELA ESTÁ, . – O cara a empurrava com força. – ME FALA ONDE ELA ESTÁ.
- NÃO. VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO, SOME DE NOSSAS VIDAS, POR FAVOR, THEODORE. EU FAÇO TUDO QUE QUISER, MAS SOME DAS NOSSAS VIDAS.
- NÃO SEM ANTES SABER PRA QUEM VOCÊ DEIXOU A NOSSA FILHA!

Nesse momento eu congelei. Pois, além de saber que tinha uma filha, o cara a empurrou para longe, quase a fazendo cair da cama, ou pior, ela caiu da cama.

- TIA . – Emma gritou chorando desesperada.

O tal de Theodore me olhou então furioso e depois para minha filha.

- É ELA? – Theodore aponta pra Emma.

Sai dali colocando Emma no quarto da frente rapidamente a trancando, disse que só era pra sair assim que eu mandasse. Fui até , a abracei sentando no chão.

- Você está bem? – Pergunto, mas ela apenas me abraça mais forte, então olho para Theodore com raiva. – COMO VOCÊ TEM CORAGEM DE FAZER ISSO?
- NÃO VENHA DEFENDER A MERDA DA SUA NAMORADINHA QUANDO ELA ROUBOU A MINHA FILHA DE MIM.
- EU NÃO ROUBEI, VOCÊ QUE NÃO QUERIA ASSUMIR A PATERNIDADE DELA, POIS NÃO QUERIA PREJUDICAR A SUA VIDA. – diz me abraçando mais forte, retribui.
- MAS AGORA EU A QUERO. VOU DEIXAR ELA BEM LONGE DE VOCÊ.
- Vai embora da minha casa, Theodore, ou eu chamo a polícia. Isso é invasão de domicilio e agressão, se eu te denunciar você irá preso, entendeu? E por um bom tempo. – Grunhi com ódio daquele cara.



Capítulo 14: Decepção.

Assim que Theodore foi embora de minha casa, fiz sentar na cama.

- Vou buscar Emma. – Falei meio rígido até demais.

Quando peguei minha pequena no colo, ela me abraçou muito forte, mais do que o comum.

- Está tudo bem agora, filha, papai está aqui com você.
- Tia .

Levei Emma até o quarto e sentei ao lado de que tinha as pernas cruzadas em cima da cama e com os braços em volta, escondendo o rosto, chorando. Emma se aproximou devagar colocando uma mãozinha na perna de que a fez a olhar a pequena.

- Tia , não fica tisti. – Minha pequena fala começando a chorar.

apenas pega Emma no colo a abraçando, enquanto Emma a abraça, percebo que as duas tentam se acalmar ali, respiro fundo e também abraço e Emma.

- Eu estou aqui pra tudo ouviu bem, ? Eu e Emma somos sua família, não vamos deixar que nada de mal te aconteça.
- Obrigada, , por tudo, tudo mesmo, você é um anjo que apareceu para me ajudar no momento que eu mais precisei.

funga enquanto aperta minha mão firme no nosso abraço, faço o mesmo entrelaçando os nossos dedos. ergue a cabeça me olhando, e de novo aquela sensação estava ali presente, desde o momento que a conheci, aquela tensão em observá-la, observar os seus lindos olhos verdes, seu cabelo moreno. Aproximei meu rosto do seu e a beijei fechando os olhos. O beijo tinha um gosto meio salgado por causa das lágrimas, mas juntando o sabor doce que tinha sua boca, ficava perfeito, mordo seu lábio inferior o sugando de leve para dentro de minha boca, coloco uma de minhas mãos em seu rosto fazendo um leve agrado no lugar, limpando a lágrima que insistia em cair. Peço permissão com a língua e cede, o encontro de nossas línguas fez meu corpo tremer me fazendo soltar um gemido baixinho, parecia que nossas línguas foram feitas uma para o outra de tão boas que ficavam juntas.

- Papá. – Ouvi Emma chamar, apenas tampo seus olhinhos e ela gargalhou nos fazendo rir também.

Solto do beijo e ficamos nos encarando, não sei porque, mas estávamos sorrindo feito dois idiotas.

- Papá.

Emma me chama de novo, pisco para que sorri, então solto a minha mão de Emma e ela estava sorrindo para nós.

- Você é muito espertinha, né, danadinha. – Disse para Emma. – Fica olhando, coisa feia, ai, ai. – finjo brigar com ela.

Emma corre rindo ao colo de que a abraça fingindo que estava a protegendo e pisca pra mim, entendo seu recado completamente.

- Tia , mi potegi.

tenta correr com Emma, mas a seguro num abraço fazendo as duas cair em cima de mim enquanto eu caio na cama, faço cócegas nas duas.

- , esse é meu ponto fraco. Por favor, eu me rendo.

Parei de fazer cócegas em e quando olhei para o lado esquerdo, minha filha estava rindo sapeca, a peguei em meu colo começando a fazer cócegas, logo então senti minha barriga sendo cutucada e olho para trás rindo de .

- Sua traidora. – digo pra que sorri maliciosa, não resisti e a dei um selinho rápido.
- Papá, tô cansada.

Assim que Emma diz isso, paro de fazer cócegas, então ela abraça minha gola da camisa se aninhando ali mesmo, a olho fechar os olhinhos dando um beijo em sua cabeça fazendo carinho.

- Já te falaram que você é um ótimo pai? – me olhou.
- Pelo menos eu tento ser. – Sorri sincero e soube que tinha falado a coisa errada porque ficou cabisbaixa. Ergo seu rosto com a mão no queixo, a olhando nos olhos.
- Quer conversar... – Ela me olha meio que assustada. – Sobre sua filha?
- Eu não tenho filha, . – falou meio na defensiva.
- Ei, calma. Eu só quero...
- Não preciso de mais alguém de minha confiança dizendo que fiz errado, porque não, eu não fiz. – grita desesperada e eu tampo sua boca enquanto as lágrimas corriam. Olho minha filha que estava dormindo e ela entendeu.
- . – Seguro sua mão fazendo um carinho para passar confiança. – Pode falar.
- Eu tive minha bebê com 19 anos, . – Ela me olha. – Eu estava contente por estar querendo procurar algum curso de babá, mas ai veio à notícia que eu estava grávida, como sempre, eu amei quando soube que ia ser mãe. – Vejo uma lágrima escorrer de seu rosto e a seco delicadamente e virando seu rosto para seu olhar encontrar com o do meu. – Mas meu sonho acabou, quando meu pai me bateu quando eu contei a notícia, minha mãe disse que na casa dela eu não pisava mais, e meu irmão – ela olhou pra baixo suspirando. – Simplesmente me ignorou. Eu me vi perdida, me vi sem ninguém, eu estava desesperada, pois sabia que meus pais não iam me ajudar.
- E o pai da criança, digo, o Theodore, ele não quis saber da filha?
- Ele era meu melhor amigo, desde pequena, vivíamos grudados um no outro, mas quando fomos em uma festa, ficamos bêbados demais, eu não sou de beber, mas não sei porque bebi àquela noite e acabamos na cama de Theodore. Eu não lembro se usamos proteção ou não, mas eu tomei a pílula do dia seguinte pra prevenir, mas pelo visto, não adiantou. Quando contei para Theodore sobre nossa pequena, ele surtou dizendo que não ia assumir nada porque era muito jovem pra ser pai, pra desperdiçar sua vida trocando fraldas, então ele decidiu me ignorar, ser grosso, quando estava com 8 meses de gravidez, o encontrei em um pub e ele estava me traindo com uma piranha qualquer. – Ela respirou fundo, fazendo uma pausa.
- , eu não sei o que dizer, mas pelo o que entendi... – falei cautelosamente e ela me interrompe.
- Sim, , eu abandonei minha filha. Mas não por escolha, e sim por opção.
- Opção? – Ri sarcástico com isso. – Você acha que quando temos um filho a melhor opção é largá-lo na casa de alguém desconhecido, ou simplesmente abandoná-lo? A criança não tem culpa do que aconteceu, , você, mais como mãe, deveria saber que quando se tem um bebê, é pra vida toda e temos que arcar com as consequências, se seu namorado, o playboy do Theodore, não quis assumir, cuidasse você, afinal, a responsabilidade é sua, e não dar uma de menina mimada fugindo das responsabilidades.

Joguei tudo o que estava na minha garganta assim quando soube, mas pelo visto não era o que ela queria ouvir, porque seu rosto estava vermelho de raiva e suas lágrimas me deixaram mal.

- VOCÊ NÃO SABE O QUE EU PASSEI PRA TOMAR ESSA DECISÃO, EU AMO MINHA FILHA, EU JAMAIS A ABANDONARIA SE EU TIVESSE ESCOLHA, EU TINHA APOIO DE E DE SUA MÃE, MAS EU NÃO QUERIA QUE ELAS ME BANCASSEM. EU QUERIA ASSUMIR MINHA RESPONSABILIDADE SOZINHA, E NO MOMENTO NÃO ERA BOM, EU TINHA QUE ESTUDAR, O QUE NÃO FIZ ATÉ HOJE PARA A PROFISSÃO QUE QUERO. ATÉ HOJE EU ME ARREPENDO DE TER COLOCADO A MINHA FILHA NA PORTA DA CASA NO MEIO DA CHUVA. VOCÊ NUNCA VAI SABER COMO É ESSA SENSAÇÃO. VOCÊ NÃO É PAI DE VERDADE. EU ESTOU INDO EMBORA, ME DEMITO DESSE TRABALHO.

Fechei os olhos respirando fundo tentando me acalmar enquanto ouvia os passos de sair do seu quarto, os abro a tempo de ver ela correndo praticamente, mas não resolvo ir atrás dela, afinal, depois do que ela disse, por que eu iria? Quem pensa que é pra falar que eu não sou pai de verdade?
Olho minha bebê que estava dormindo tranquilamente e a beijo no rosto a abraçando forte, então falo baixinho em seu ouvido sabendo que ela não iria me ouvir:

- Papai não pode ser seu pai de verdade, mas te ama igual, viu? Você é minha bebê, de mais ninguém, Emma . Eu não vou deixar ninguém, ninguém tirar você de mim, vou te proteger sempre, porque eu te amo demais, você é a vidinha que iluminou meu mundo, que me deu esperança de seguir em frente. Te amo, filha.



Capítulo 15: VANCOUVER.

- Eu não acredito que o senhor vai embora daqui. Eu lhe proíbo. – Diz Dona Stone cruzando os braços.
- Eu sei que a senhora não vive sem mim, mas é preciso, eu tenho um book fotográfico pra fazer em Vancouver e preciso ir.
- Vou sentir sua falta. – Ela me abraça forte e eu retribuo.
- Prometo que assim que der, eu venho fazer uma visita a senhora.
- E a mim, não vem fazer não? – Ella diz praticamente pulando em mim.
- Claro, né, pirralha. Vou sentir sua falta.
- Eu também. – Me soltou e olhou pra baixo. – Também vou sentir falta desça mocinha aqui. – Se abaixo no tamanho de Emma.
- Responde a tia Ella, Emma. – Segurei a mão de minha mocinha.

Emma já estava com 5 anos, já estava grandinha e apenas parecia tímida na frente dos outros, mas era como um verdadeiro furacão dentro de casa. Ela estava com lindos olhinhos verdes, era loirinha com cabelos grandes, estava em um tamanho bom para sua idade e a cada dia me dava mais orgulho.

- Vou sentir saudades também, tia Ella. – Emma agarrou meu braço com força e eu fiz carinho nas suas costas.
- Bom, eu já vou indo, o caminhão da mudança já foi, tenho que chegar lá em Vancouver antes deles. – Disse dando mais um abraço nessas doidas.
- Nem pense em não me ligar quando chegar lá, mocinho.
- Eu sei, Dona Stone, pode deixar que eu ligo.

Me despedi das duas com um beijo na testa e segurando na mão de minha filha, caminhando até fora do prédio.

- Papai. – Emma pula no meu lado contente, segurando minha mão, abaixo minha cabeça para vê-la.

Emma estava apontando para o outro lado da rua.

- O que foi, meu amor? – Me abaixo na altura de minha pequena.
- Olha lá um cachorro. – Olhei na direção que Emma apontava. – Eu quero, papai.
- Filha, já tivemos essa conversa, não tivemos? – Agrado seu cabelo.
- Mas, pai, ele poderia vir com a gente. – Ela fez carinha de cão quando cai da mudança. – Por favor.
- Já disse que não, Emma . – Falei fingindo meio bravo. – Você sabe os motivos que não podemos ter um.
- Desculpa. – Ela abaixou a cabeça e me abraçou pelo pescoço, a abracei retribuindo. – Não fique bravo comigo, papai.
- O papai não está bravo, Emma. – Agrado seu cabelo. – Só que eu já te expliquei o motivo e até ficarmos em um lugar fixo, não poderemos ter um.
- Mas, pai, minhas amiguinhas tem um. – Emma me abraça forte. – Por favor.
- Emma, não! – Falei sério dessa vez.

A soltei do abraço olhando bem nos seus olhos que já estavam marejados. Eu não resistia a isso, mas tinha que ser forte. Sequei os seus olhinhos.

- Eu já disse que vou ter dar um, pequena, mas não agora. Tudo bem? – Emma assente com a cabeça. – Agora, vamos, se não perdemos o voo.

**

Durante o voo, Emma não falou comigo, e tenho certeza que ela ainda está chateada, mas ela tem que entender que é para o bem dela e bem para o animal. Não seria bom ficar mudando de casa direito para essa profissão que estou seguindo com um animal, ia ser desgastante para ambos. Minha filha estava olhando para a janela quando a trago para mais perto de mim em um abraço, dou um beijo em seu rosto.

- Ainda está brava com o pai? – Pergunto.
- Estou. – Ela falou emburrada cruzando o braço fazendo bico e eu sorri.

Fiquei tocando o dedo indicador na boca dela até ela desfazer o bico e sorrir, então começo a fazer cócegas, Emma se vira pra mim me dando um abraço apertado.

- Te amo, papai.
- Te amo mais, meu amor.

Chegando à Vancouver, fui para a casa de meu melhor amigo, Jacob, que por sinal, era padrinho de Emma.

- Papá – Emma não perdeu essa mania, mas sempre achei fofo ela me chamar de Papá em vez de papai. – Essa casa é de quem?
- É do tio Jacob.
- Ebaaa. – Emma dá pulinhos, enquanto eu gargalho de sua reação batendo na porta.
- Olha quem está aqui. – Jacob se abaixa na altura de Emma ao abrir a porta.
- TIO JACOB.

Emma corre até Jacob que assim que a abraça, levanta Emma do chão fazendo aviãozinho com ela.

- Ei, eu estou aqui, beleza? – Falei fingindo estar emburrado.
- Quem é esse, Emma? Você conhece? – Emma nega com a cabeça.
- Não conheço, tio Jacob.
- Eu vou deixar você com o tio Jacob e vou embora, pequena.

Virei de costas fingindo ir embora, então sinto Emma agarrar minha perna atrás de mim, sorri com isso.

- Não, papá, por favor.

Me viro de frente pra minha filha, me abaixando na sua altura e dou um beijo em sua testa.

- Eu nunca ia te abandonar, pequena.

Seguro Emma em meu colo enquanto Jacob pegava minhas malas.

- Você vai ficar por aqui mesmo, ? – Jac pergunta.
- Só enquanto a mudança do meu apartamento não chegar, deve chegar lá pela segunda-feira, até lá tenho que achar uma babá pra cuidar de Emma e tudo mais. Porque, afinal, eu não posso deixar ela livre no estúdio porque se não essa menininha faz uma bagunça.
- Eu sou comportada, papai. – Emma cruza os braços emburrada e eu ri.
- Finjo que acredito, meu amor.
- Vamos sair então, ? Ir a um pub hoje como nos velhos tempos? Emma pode ficar aqui com Lena, minha empregada, ela adora crianças.
- Tudo bem pra você, meu amor? – pergunto olhando pra Emma.
- O papai não vai demorar, vai?
- Não sei, meu amor, mas o papai vai estar aqui antes de você acordar, ok? – Dou um beijo em seu rosto.
- Tudo bem.

Coloco Emma no chão, que já estava brincando com o labrador de Jacob. Eu e Jac subimos para o quarto de hospedes, enquanto eu deixava a mala em cima da cama, Jac dizia:

- Vai se mudar para Vancouver mesmo?
- Pretendo. – Sorri para Jac.
- Mesmo sabendo que sua ex está por aqui? Porque sabe que Riley não vai descansar até ter você de volta.
- Eu sei. – Suspirei cansado. – Mas eu vou ter tudo sobre controle, eu não vou deixar ela me atingir de volta, pois afinal, eu... – não termino a frase.
- Está namorando? – Ele pergunta esperançoso.
- Não. – Jogo o travesseiro nele rindo. – Mas eu estava a fim de uma garota, mas eu falei coisa que não devia quando Emma era um bebê, e bem, faz 4 anos que eu não a vejo.
- Sente falta dela?
- Muita. – Admito. – Só queria a encontrar de novo.



Capítulo 16: Reencontro Inesperado.

Eu estava na balada com Jac e mal sabia o que fazer, de tanto tempo que não vou a uma, praticamente desde quando Emma foi parar em minha casa, quando eu tinha 25 anos, agora estou com 30, é, o tempo voa. Jacob achou uma mesa e ficamos ali sentados conversando até que alguém aparece em nossa mesa.

- Mas olha só quem eu encontrei aqui. – Olhei para a pessoa e era , irmão de .
- Fala, cara. – Jac diz se levantando, cumprimentando .
- E aí, . – Faço o mesmo que Jac.
- Ei, posso sentar com vocês pra lembrar dos velhos tempos?
- Claro, cara.

sentou ao lado de Jacob, os dois estavam em minha frente.

- E aí, , você sabe onde se enfiou? – pergunta.
- Quem é ? – Jacob pergunta.
- Minha irmã e amiga ou namorada do , não é? – falou em um jeito debochado.
- Ei, eu não estava ficando com sua irmã naquela época.
- Ah, não? Eu vi o jeito que vocês ficaram se encarando, , não tente me enrolar.
- Não aconteceu nada. – Respondo ficando irritado.
- Tudo bem, vamos mudar de assunto? – Jacob diz e o vejo olhar pra cima de mim, ficando assustado, cerro as sobrancelhas em confusão.

Eu ia perguntar o que ele tinha quando sinto braços envolvendo meu pescoço e alguém mordendo a ponta de minha orelha e eu fecho os olhos sabendo quem era, cerro meus punhos para controlar minha raiva.

- Oi, sumido, senti sua falta. – Riley diz beijando o canto de minha boca sentando na cadeira ao meu lado com o braço ainda em minhas costas.
- O que você está fazendo aqui, Riley? – fui seco enquanto a encarava com ódio.
- Oras, estou me divertindo em um balada, algum problema?
- Não, só peço para não me encher o saco, beleza? Vai lá com seu amante, garanto que ele não está nem um pouco contente em te ver comigo.
- Ele não liga, temos um relacionamento aberto. Falando nisso, como você está?
- Isso realmente não te interessa, me deixa em paz, garota.

Ia me levantar quando Riley segura meus ombros, me empurrando contra a parede, me beijando a força, coloco minha mão em sua cintura tentando a afastar, mas ela se prendeu mais a mim, não cedi o beijo até que consigo a empurrar, ela fica me olhando com um olhar de safada enquanto eu a encaro com raiva.

- Você não mudou nada. – Disse com raiva.
- Você não perde por esperar, honey. – Riley pisca pra mim.

Riley apenas sai de perto, indo até o amante dela na época, mas enquanto beijava o mesmo, lançava olhares maliciosos pra mim, enquanto eu revira os olhos.

- Esquece ela, diz.

Pedimos algumas tequilas para o garçom que passou por ali e eu tomei um longo gole, fechando os olhos, tenso. Por que eu estou sentindo que reencontrar Riley não foi nada bom?

- Então, , o que tem feito da vida para se afastar da gente? – Jacob pergunta.
- Eu fui fazer minha faculdade de Publicidade, eu já falei pra vocês que sempre quis fazer esse curso.
- Verdade, só falava disso e de mulheres, né, seu safado. – Zombei dele que me mostrou o dedo do meio e eu ri.
- Quando eu encontrei, , eu mudei. – suspira.
- Quem é ? – Jacob pergunta.
- Você está muito curioso, meu chapa. – Falei rindo, bebendo mais um gole.
- Fazer o que se meus Brothers me excluíram de sua vida, não?
- Deixa de ser dramático, vai. – diz. – Mas respondendo sua pergunta, é a melhor amiga de minha irmã e amiga de , nos conhecemos na faculdade.
- Falando nisso, cadê ? – pergunto.
- Está ainda em Nova York, terminando a faculdade. – reparei que ele engoliu a seco.
- E o que faz aqui em Vancouver? – eu estava curioso.
- Bem, eu... – fez uma pausa, parecendo esconder algo. – Vim fazer um trabalho.
- Tem certeza?
- Como vai sua filha, ? – Jacob pergunta e eu o encaro.

Jacob sempre amenizava o clima entre nós, e eu tínhamos uma amizade difícil, sempre nos implicávamos.

- , só uma pergunta: – ignoro Jacob – Por que abandonou quando soube que ela tinha uma filha?
- Porque ela não me contou isso. Tudo o que eu pedia era que ela me contasse todos os seus problemas.
- E isso é motivo pra abandonar alguém? Ela precisava de você. – Comecei a ficar irritado.
- Precisava? Ela é orgulhosa, . – Ele gritou, mas logo abaixou a voz. - Eu fiquei chateado no começo porque ela era muito nova pra ser mãe, e por influencia dos meus pais, eu acabei a ignorando, mas se ela quisesse realmente minha ajuda pra criar a criança, eu estaria de braços abertos, mas o que ela fez? Simplesmente sumiu.
- Você sabia que a ajudou durante a gravidez de sua irmã? – Falei irritado. – Ela que deu uma moradia pra ela, já que o pai da criança não assumiu. Ele a traiu.
- O quê? – pergunta.
- Gente, isso é muito pra minha cabeça, vou deixar vocês conversarem e ir pegar umas gatas.

Jacob saiu e foi para a pista enquanto o clima entre eu e estava tenso.

- Ela não me contou isso, . Eu juro que mato aquele desgraçado do Theodore.
- Isso não vai adiantar agora. Você sabe também que abandonou a criança na porta de uma pessoa, não é?
- Ela não fez isso, fez? – perguntou preocupado.
- Fez.
- Minha irmã nunca iria abandonar uma criança, , ela adora crianças, seu sonho era trabalhar com crianças.
- Pois é, mas sem o apoio de quem mais precisava, ela não conseguiu fazer isso, e quando foi despejada do apartamento da mãe de , que deixou ela morar por um tempo, eu ofereci ajuda com mais um emprego além do que ela tinha, pois ela queria juntar dinheiro pra uma faculdade, que na minha opinião, era o único jeito de ter vocês por perto. Com o dinheiro que ela tinha conseguido no nosso emprego, como ela estava guardando, ela não conseguiu manter o aluguel, por isso a ajudei a contratando como babá de minha filha, mas depois que descobri sobre a filha dela, nós brigamos e eu não tive notícias dela até hoje, isso me preocupa porque ela saiu de minha casa transtornada.
- Eu não acredito que minha irmã sofreu assim. – suspirou. – Obrigado por tomar conta dela durante esse tempo que estive fora, , eu preciso arranjar um jeito de retomar a amizade com minha irmã.
- Você sabe onde ela está? – pergunto curioso.
- Ela está aqui em Vancouver.
- Como? – perguntei surpreso.
- Eu consegui a localização dela através de , que até hoje as duas mantêm contato. Mas tinha prometido pra não contar pra ninguém onde ela estava. Consegui entrar no quarto de enquanto ela estava na faculdade e fui mexer no seu computador, vendo uma conversa delas, eu a encontrei. entrou na faculdade assim que veio pra cá, está morando em um quarto da faculdade.
- Por que a tem que fazer tudo sozinha? – Respiro cansado.
- Ela é orgulhosa demais pra pedir ajuda, , ela sempre quis ser dependente dela mesma e não querendo incomodar ninguém com seus gastos.
- Mas uma ajuda não faz mal a ninguém. – respiro nervoso. – Quer saber? Vamos esquecer, , vamos aproveitar a noite.
- Vamos lá, que as gatas nos esperam. – disse sorrindo.
- Esperam você e Jacob, né, porque, afinal, eu tenho uma mocinha me esperando em casa.
- Está ficando velho, hein, meu chapa. – gargalhou e foi minha vez de mostrar dedo do meio.

Depois de dançar muito e beber só umas latas de cerveja, mas não muitas, chego na casa de Jacob de madrugada indo para meu quarto silenciosamente, entrando lá, encontro Lena deitada na cama com minha filha dormindo feito um anjinho.
- Boa noite, senhor , desculpe estar aqui, mas é que a pequenina pediu pra ficar aqui pra ficar perto do pai.
- Essa baixinha não vive sem mim. – Brinquei e Lena riu. – Está tudo bem, Lena, pode ir dormir e obrigado de novo, Jacob pediu pra avisar que só vai chegar em casa amanhã.
- Típico de Jacob. – Lena falou revirando os olhos e eu ri. – Boa noite, senhor .

Depois de Lena ter saído, tiro minha camisa colocando no criado mudo ao lado da cama e entrei na mesma com cuidado abraçando minha filha de conchinha dando um beijo em sua bochecha.

- Papá? – Emma falou com sono ainda de olhos fechados.
- Pode voltar a dormir, meu amor. – Falei baixinho. – Papai já chegou.

Me aconchego na cama trazendo Emma mais pertinho de mim e coloco minha cabeça sobre a sua fechando os olhos. Essa semana será uma semana longa e cansativa. Estou prevendo isso.



Capítulo 17: Reencontro.

- Papá, acorda.

Sinto Emma me balançar na cama, abro os olhos devagar, acordando com dor de cabeça, bendita ressaca. Pisco várias vezes até minha visão voltar ao normal e poder ver Emma nitidamente em minha frente sorrindo, o que me fez sorrir também.

- Bom dia, meu furacãozinho. – Abraço Emma fazendo-a cair em meu colo rindo.
- Bom dia, papá.
- Porque acordou tão cedo? É domingo! – resmunguei coçando os olhos.
- Quero ir passear no parque, vamos, pu favo. – Ela faz carinha de cachorro de quando caiu na mudança.
- Tudo bem, você venceu.

Emma comemora saindo correndo pelo quarto e eu a sigo, acordar com meu furacãozinho me chamando era a melhor coisa do mundo. Corro atrás dela e a pego pela cintura erguendo no chão, beijando a barriguinha dela fazendo-a gargalhar.

- Papá, para.
- Não paro, não. – Continuo a fazer cócegas, e Emma rindo.

A levo para o banheiro do quarto a ajudando a tirar a roupa e a colocar na banheira. Dou um banho rápido nela enquanto a mesma brincava com seus patinhos companheiros de banho.

- Prontinho, dona moça, banho tomado.
- Ebaaa.

Emma sai da banheira com minha ajuda e eu a seco com a toalha, vestindo apenas um vestido rosinha florido com margaridas, penteio seu cabelo, o deixando solto, enquanto Emma me pergunta:

- Papai, onde está a mamãe?

Respiro fundo fechando os olhos, coloco a escova em cima do criado mudo ao lado da cama, pegando Emma, a fazendo sentar no meu colo. Emma olha pra mim tristinha.

- Que pergunta é essa, meu amor? – pergunto surpreso.
- É que, todas minhas amiguinhas na escola, a mamãe delas vai buscar e...
- E o papai vai te buscar na escola, aconteceu alguma coisa, filha?
- Um coleguinha meu disse hoje que eu não podia brincar com eles, porque eu não tinha mãe.

Uma lágrima escorreu no olho de minha menina, tive que fechar os olhos para me acalmar, por que essa história de volta? Qual o problema de Emma não ter uma mãe? Ela tem um pai, um pai que a ama mais que uma mãe poderia amá-la, eu faria tudo pela minha menina, eu faço tudo por ela.

- Meu amor, não ligue para o que os seus coleguinhas dizem, ok? Você tem o papai. – A coloco de pezinho em meu colo, erguendo seu rostinho para ficar na altura de meus olhos. – O papai te ama muito, mais do que uma mãe pode te amar, eu nunca vou te deixar, filha, nunca!

Emma apenas me abraça com força no pescoço e eu retribuí dando um beijo na sua cabecinha.

- Vamos indo? – Falei calmo e Emma apenas concordou com a cabeça ainda abraçada comigo.

Saio da casa de Jacob ainda com Emma no colo, não vou de carro, porque Jacob mora a uma quadra do parque, que é o Stanley Park, então fomos a pé mesmo, chegando lá, Emma já se animou um pouquinho, o que me deixa feliz por ela se esquecer do assunto “mãe” por um tempo, ela começou a correr na minha frente e eu fui atrás dela.

- Emma, espera! – Gritei por ela e só ouvi sua gargalhada. – FILHA! – A chamei bravo.

Emma caminhou até mim, me abraçando na perna.

- Filha, o que o pai falou sobre ficar longe do pai?
- É perigoso.
- Então não se afaste assim de novo, ok?
- Desculpa, papá.
- Tudo bem, vamos.

Segurei a mão de Emma começando a caminhar pelo parque até que achamos uma das atrações do parque que são alguns totens grandes, totalmente coloridos, alguns desenhados com um rosto de uma águia, e Emma se empolgou com aquilo, me fazendo rir.

- Vai lá, filha, que o pai vai tirar uma foto sua.

Eu, como sempre, ou melhor, como fotógrafo, nunca saio de casa sem minha câmera profissional. Assim que Emma se posiciona na frente de um dos totens fazendo pose, me ajoelhei no chão, posicionando a câmera em sua direção, arrumando a lente e tudo mais, até que tirei a foto de minha baixinha.

- Pronto, papá? – Emma pergunta.
- Prontinho, furacãozinho.

Emma vem correndo até mim e eu abro os braços para recebê-la, assim que me abraça, eu a retribuo com um abraço forte.

- Te amo, furacãozinho.
- Papai, eu não sou furacãozinho, eu sou princesa. – A solto do abraço rindo.
- É minha princesa furacão.
- PAPAI. – Emma fala emburrada mais ainda cruzando os braços e eu sorri com isso.
- Tudo bem, princesinha, vamos ao aquário ver os animais?
- VAMUUU.

Enquanto caminhamos em direção ao aquário, eu esbarro em alguém que estava fazendo corrida, me viro para me desculpar e....

- Me desculpe por... – não consigo terminar de falar ao reconhecer a mulher que me encarava tão surpresa quanto eu. – Oi, .
- Oi , quanto tempo. – falou dando um sorriso fraco.
- TIA .

Emma foi correndo abraçar que a recebeu de braços abertos.

- Nossa, como você cresceu, Emma. Estou ficando velha! , acho que você está dando muito fermento pra essa menina, olha só esse tamanho!
- Ela cresceu no tamanho e na bagunça também, não é, dona Emma? – Respondi rindo, encarando as duas abraçadas.
- É mentira, tia . Eu sou um anjinho.
- Eu já disse que você é meu furacãozinho.
- Papai. – Emma fez bico cruzando os braços e eu e gargalhamos.
- Como o tempo passa, não é? – pergunta.

Alguma coisa está diferente em , parece mudada, os anos a fizeram bem, ela não mudou fisicamente, continua o mesmo rosto de quando tinha 20 anos. Seu cabelo moreno estava ondulado nas pontas e seus olhos verdes, mais radiantes ainda.

- Verdade. – Respondi meio sem jeito. – Estamos indo ao aquário do parque, quer ir junto? Temos que botar o papo em dia.

já sabia do que eu falava, tanto que apenas acenou com a cabeça pegando Emma no colo, que a abraçou no pescoço depositando um beijo na sua bochecha. Eu amo minha filha, ela é sempre tão carinhosa com os outros, isso que a torna especial, Emma tem o dom de fazer os dias ruins ficarem bom com seu jeitinho.

- Conseguiu se formar no seu curso, ? – me olhava meio tensa enquanto andávamos.
- Consegui. – Respondi sorrindo a olhando. – Tanto que vim morar aqui em Vancouver porque surgiu uma proposta ótima de emprego.
- Sério? Que legal. Fico feliz por você, de verdade. - parecia realmente empolgada. – Onde irá trabalhar?
- Na agência Memories in Photos, já ouviu falar?
- Eu amo as fotos dessa agência. – Ela sorri encantada com notícia.
- Fico feliz que gosta, quem sabe não faço um book seu um dia? – Brinquei com ela.
- Vou cobrar, hein.
- Pode cobrar. – respondi rindo e ela também.

Chegamos ao aquário e Emma se apaixonou pelo local, encantada com os animais.

- Papai, papai, vem ver a tataluga.

Emma me puxava pela mão correndo, em um instinto, segurei a mão de sentindo um choque esquisito ao tocar sua mão, uma sensação estranha, mas ignorei. gargalhou correndo também, chegamos ao vidro da tartaruga, eu peguei Emma no colo e ela me abraçou pelo pescoço, minha filha colocou seu dedo indicador no vidro e a tartaruga se aproximou de nós, encostando a cabecinha na direção do dedo de Emma e as duas ficaram se encarando um tempo, sorri com cena até que eu vi um flash em minha direção, olho para o lado direito vendo gargalhar.

- Ficou linda essa foto, .
- Obrigado por tirar. – digo enquanto ela se aproxima de mim.
- Não há de que. – sorriu sem jeito. – Depois eu lhe envio a foto.
- Sem problemas. – pisco pra ela e olho na direção de minha filha. – Gostou da tartaruga, meu amor?
- Eu amei, papai, ela é linda. – Emma falava com os olhinhos brilhando.

Voltamos a caminhar, dessa vez com Emma em meu colo e ao meu lado, e eu a encaro enquanto a mesma olhava os animais ao seu lado, o que tinha acontecido com a que eu conheci? Ela realmente mudou, parece mais feliz.



Capítulo 18: Destino.

POV :

Quem diria que eu iria reencontrar com justo aqui em Vancouver? Eu me mudei pra cá em busca de uma vida melhor depois da briga que tivemos. me fez abrir os olhos e encarar a realidade, eu era um monstro, um monstro que não gostou de ser abandonada pela família, mas que abandonou sua própria filha.

- Papai, papai. – Emma diz sorridente no colo de , me tirando dos meus pensamentos. – Vamos ver os golfinhos. – Ela batia as palmas.
- Claro, meu furacãozinho.

beijou a testa de Emma e me olhou sorrindo de lado, estendendo a mão pra mim, hesitei por um pouco, mas segurei sua mão. Caminhamos de mãos dadas até os golfinhos e quem olhasse para nós, pensaria que éramos uma linda família. Os anos realmente o fizeram bem, é como vinho, quanto mais velho, melhor fica, ele era um ótimo pai, um amigo que sempre quero ter por perto. Chegamos aos golfinhos e Emma bateu as palminhas sorrindo ao ver os animais pularem de um lado pro outro na água, fazendo graça.

- Papá, quero tirar fotos com os golfinhos.
- Quer que eu tire uma de vocês dois? – Perguntei para que olhou pra mim sorrindo.
- Se não for incomodar.
- Imagina.

se posicionou com Emma virando de frente pra mim e eu fiz palhaçada para os dois sorrirem e no momento que eles gargalharam, tirei a foto.

- Prontinho. – Entreguei a câmera a .
- Agora deixa eu tirar uma das duas juntas, vai lá.

Fui para a posição que estava antes tirando meus óculos de sol, pegando Emma no colo, fui surpreendida quando Emma beijou minha bochecha e abraçou meu pescoço quando tirou a foto.

- Ficaram lindas. – disse sorrindo se aproximando de mim pegando Emma no colo, a apoiando no murando que tinha ali e a segurando para não cair.

Estava olhando os golfinhos quando senti que estava sendo observada, olho que como eu imaginava, estava me olhando e sorri sem jeito ao ver que eu o olhei, senti que ele queria conversar sobre algo, algo estava o incomodando, mas não falamos nada, apenas voltamos a ver a apresentação.

**

Eu e estávamos em uma sorveteria do parque enquanto Emma, de tão cansadinha, dormia no colo do pai, o mesmo a agradava tomando seu sorvete. Estávamos em um silêncio, sentados um de frente para o outro, olhei para a tigela do meu sorvete e fiquei brincando com o mesmo sem saber o que conversar.

- Então... – quebrou o silêncio. – Por que escolheu Vancouver?
- Eu gosto daqui, acho um lugar lindo.
- Tenho que concordar. – Sorriu sem jeito. – , eu acho que temos que conversar sobre a última vez que nos vimos. – ele me olhou sério.
- Está tudo bem de verdade, . Eu vi o quanto eu errei, eu precisei me distanciar.
- Mas por quê? – Ele pergunta indignado. – , você tinha amigos em Nova York, tinha , Ella, eu e Emma, nós somos sua família, você sabe que podia contar com a gente pra tudo. Você podia ter comprado uma casinha lá, eu te ajudaria com as coisas, você teria tempo pra cursar uma faculdade e até trabalhar como babá se é o que você gosta.
- ... , por favor, não vamos falar do passado, tudo bem? – o olhei e encarei seu olhar furioso sobre mim.
- Por que não gosta de falar sobre você? Por que não aceita ajuda de ninguém, ?
- Se você fosse eu, nas mesmas circunstâncias, você aceitaria depois que todo mundo te ama te abandonar?
- SEUS AMIGOS NÃO TE ABANDONARAM! – falou alto demais, fazendo alguns olhares curiosos olhar para nós.
- Acho melhor eu ir embora, não quero te incomodar. Até a próxima, .

Coloquei algum dinheiro na mesa e ia me levantar, mas segurou minha mão, me fazendo sentar de novo.
- Tudo bem, se não quer falar do passado, não vamos, mas poderíamos, por favor, começar nossa amizade do zero? Eu senti sua falta, Emma sentiu sua falta.
“Eu também senti falta de vocês.” – falei comigo mesmo em pensamento. Respirei fundo dando um sorriso ao abrir os olhos.
- Vamos recomeçar, então. – disse lhe mostrando a mão em comprimento e ele sorriu apertando a mesma.
- Papá, estou com soninho. – Emma falou coçando os olhos.
- Nós já estamos voltando pra casa, meu amor. – beijou o rosto da filha e eu sorri com isso. – Quer carona, ?
- Vou aceitar, afinal, estou vendo que vai chover.
- Verdade, então vamos antes da chuva.

se levantou e eu segui fazendo o mesmo, então pagou as contas e fomos para seu carro, pedi para me deixar na minha faculdade quando entramos no carro, Emma estava dormindo na cadeirinha, então eu o olhei sorrindo.

- O que foi? – Ele perguntou sem jeito e eu sorri.
- Você não mudou nada com o passar dos anos, hein. – disse brincando.
- Saudade de ter 25 anos. – Ele disse e gargalhamos.
- Nem vem, você está com 30 anos, agora, né? Tá ficando velho.
- Não fale nada, mocinha, você não sabe para o que a vida te aguarda, eu com sua idade... – o interrompo.
- Você está parecendo o meu... – não terminei de falar.
- Não vamos falar do passado. – disse sorrindo, me olhando rapidamente. – Vem cá, , eu estava pensando... Eu estava procurando uma babá pra minha filha, você aceitar voltar a trabalhar comigo?
- Claro, senhor . – falei de um jeito sério e ele riu. – Eu ajudo com o maior prazer cuidar de Emma. Ela é um amorzinho de menina.
- Você não vai se arrepender. – falou contente. – Ela é um furacãozinho, mas é um amor.
- Eu sei que não vou me arrepender. – falei sorrindo.
- Chegamos.
- Obrigada pela carona, .
- De nada, senhorita . Eu te acompanho até o portão.
- Não precisa se incomodar.
- ... – ele arqueou a sobrancelha.
- Tudo bem, senhor teimoso, vamos.

se certificou que o carro estava fechado assim que saímos, caminhamos até o portão em silêncio até que eu me viro de frente para .

- Então é isso. – digo sem jeito.
- Nós vamos nos ver de novo, não é? – pergunta esperançoso.
- Claro, eu vou trabalhar com você, cabeção. – Disse e ambos gargalhamos.
- Então até segunda-feira, .

me abraça e ficamos nos abraçando durante um tempo, apenas matando a saudade um do outro até que eu ouço aquela voz irritante que eu odeio:

- , você por aqui?
- Riley, que desprazer te ver. – falou sério, me soltando do abraço.

Ele encarou Riley com raiva, que estava sorrindo pra gente, sínica.



Capítulo 19: Jantar?

POV :

Já fazia um mês que eu estava em Vancouver e simplesmente estava amando a cidade, Emma também fez bastante amiguinhos na escola nova dela, cuidava de Emma e as duas estão mais ligadas do que nunca. Minha amizade com está indo bem, mas às vezes encontro Riley quando vou ver na faculdade, e ela nos olha com um olhar de quem vai aprontar algo, estou sentindo que isso não vai demorar a acontecer.

- Papá, vamos ver a tia ? – Emma diz interrompendo meus pensamentos.
- Claro, meu amor.

Seguro a mãozinha de Emma e fomos andando até a faculdade de , que não era muito longe do meu apartamento, no caminho, encontro Riley andando com uma de suas amigas, assim que ela me vê, vem até mim sorrindo.

- Oi, .
- Oi. – respondo seco.

Emma me abraça com força na minha perna e eu pego ela no meu colo, então ela coloca as mãozinhas em volta do meu pescoço falando baixinho apenas para eu ouvir:

- Papai, estou com medo.

Emma sempre que via Riley na faculdade de , ficava assustada, minha filha é dessas que quando não gosta da pessoa, não gosta e pronto. Olhei pra Emma e sorri dando um beijo em sua bochecha passando confiança.

- Como está essa, mocinha? – Riley fala se aproximando tentando fazer carinho em Emma, mas a mesma se afasta da mão de Riley. – E a mãe dela? Eu nunca vi . Como está?
- Riley, por favor, chega. – Falei com raiva.
- Ué, por que não posso saber da mãe da filha do meu ex? Algum problema?
- Papá, cadê a mamãe? – Emma pergunta manhosa.

Olho pra Riley fuzilando o olhar e ela apenas riu sarcástica.

- Você não presta não é? Por que veio atrapalhar minha vida?
- Porque sim, você sabe que no final iremos ficar juntos.
- Nunca, Riley, você me traiu, eu confiava em você. Pensei que tinha significado algo em sua vida.
- Eu sempre te amei, , aquilo foi um deslize.
- Um deslize? – começo a rir. – Olha eu preciso ir, tenho coisas mais importantes pra fazer.
- Ah é, como o quê? Ver aquela idiota da ? Ela não vale nada, não tem o corpo que eu tenho.
- Mas tem um caráter melhor que o seu e com certeza vale bem mais que você. – falei irritado.

Não gostei nenhum pouco do jeito que Riley falou de .

- .

Dou graças a Deus por ter aparecido, se não eu iria perder o controle agora mesmo.

- Tia .

Emma pulou de alegria no meu colo e a pegou no colo, fazendo cócegas na barriga de minha filha, sorri com a cena.

- Oi, meu amor. – deu beijo na bochecha de Emma. – Algum problema, ?
- Não, nenhum, vamos embora? – Falei sorrindo.
- Olha só, pelo visto a esquisita está... – encaro Riley com raiva.
- Cala boca, Riley.
- Você não manda em mim, , vocês não perdem por esperar, e .

Riley apenas deu as costas, e eu fechei os olhos.

- Papá, eu não gosto da Riley.
- Eu sei, meu amor, o papai também não gosta.

Agradei seu cabelo e dei um beijo na testa fazendo o mesmo com .

- Tudo bem, ? – Ela perguntou desconfiada.
- Está sim, . – chamei pelo sobrenome e nós rimos.
- Bom, vamos levar essa mocinha pra casa? – diz.
- Não quero ir pra casa. – Emma diz emburrada cruzando os braços.
- Emma... – a repreendi.
- Mas, papai, você disse que eu ia pra casa do tio Jacob.

Emma diz e eu tenho certeza que corei quando me encarou. Por que minha filha sempre tem que falar a verdade em hora inapropriada?

- Ela vai mesmo, ?
- É, vai sim, eu estava pensando em ter uma noite para nós dois apenas hoje, sairmos apenas como amigos, o que acha?
- Estamos precisando, não? – diz sorrindo.

Seu sorriso sincero era o mais bonito que eu já vi em minha vida. Queria tanto que soubesse o quanto eu realmente gosto dela, que quero cuidar dela pra minha vida toda.

- Verdade. – respondi sem jeito.
- Papá, vamos pro tio Jacob. – Emma falou batendo as palmas.
- Tudo bem, furacãozinho, vamos.

Peguei Emma em meu colo, dando um beijo na cabeça de que sorriu sem jeito.

- Venho te buscar às 20:00 horas.
- Aonde vamos?
- Surpresa. – pisquei pra ela.
- Senhor , com que roupa eu irei sem saber o local? – falou rindo e eu gargalhei.
- Um vestido está ótimo para a ocasião. – pisquei de novo. – Tenho que ir.
- Até daqui a pouco.

Me despedi de indo para a casa de Jacob, chegando lá, Jacob já pegando Emma no colo fala de um tom safado pra mim:

- Posso saber por que vai deixar minha afilhada aqui senhor, ?
- Vou levar para jantar. – respondi nervoso.
- Esse é meu garoto. – Jacob bate no meu braço de leve, fazendo eu ri. – Já estava mais que na hora, vocês formam um casal lindo.
- Papá – Emma me chama e eu a olho. – Quero que tia seja minha mamãe.
- Emma , você está ficando demais com seu padrinho. Ai, ai, ai. – respondi bravo.
- Essa é das minhas, minha afilhada só dá orgulho.

Eles batem a palma e eu gargalho negando com a cabeça.

- Vou indo, se comporte, furacãozinho. – dou um beijo na cabeça de Emma.
- Bom jantar , vou cuidar muito bem da minha afilhada.
- Eu sei disso.
- Tchau, papá.
- Tchau, meu amor.

Dou as costas entrando no carro, dando a partida até minha casa, coloco uma música tranquila no carro respirando fundo. Será que eu e ficaremos juntos um dia? Quero que ocorra tudo bem nesse jantar.



Capítulo 20: A primeira vez, ou quase a primeira vez?

POV :

Confesso que esse convite foi inesperado do , eu estava me sentindo nervosa, ansiosa, não sei porque, mas estava me sentindo feliz, como se minha vida finalmente estivesse andando para frente. Respiro fundo em frente ao espelho me encarando, eu estava usando para sair com um vestido até a altura da canela, o vestido era preto até a altura da cintura e da perna para baixo era um bege bem clarinho, a saia do vestido era com leves ondulações o que deixava ele bem bonito e era um tomara que caia, estava usando um salto alto preto. Termino de pentear meu cabelo o deixando solto com leves ondas nas pontas, estava usando uma maquiagem não muito pesada, pois não gosto muito de usar maquiagens, assim que termino de retocar o batom em minha boca.

- Uau, você está linda. – diz Keila, minha colega de quarto da faculdade.
- Obrigada Kel. – sorri tímida, segurando minha bolsa.
- Com certeza o rapaz vai ficar babando. – Ela brinca e nós gargalhamos.
- Não sei não. – respiro fundo, tensa. – Bem já são oito horas, vou descer já.
- Tudo bem, bom passeio.
- Obrigada.

Me despedi de Keila e sai do quarto indo até o portão da faculdade e lá estava ele, , de costas, meu coração estava acelerado sem motivo algum, pressiono minha bolsa com força tentando me passar segurança, quando chego perto do portão, observo que estava falando com alguém no telefone e dando risada, até que ouço: “Vai dormir, furacãozinho.”
Abro o portão silenciosamente e paro atrás de fechando o portão até que ele vira pra mim sorrindo ao me ver acenando com a cabeça.

- Filha, o papai tem que desligar, tudo bem? Obedeça ao tio Jacob, papai te ama.

Enquanto falava com Emma, fiquei o observando, era só impressão minha ou ficou mais calor aqui? estava lindo vestindo aquele terno preto e sua camisa social branca com uma gravata cor de vinho, simplesmente estava lindo! Seu cabelo topete todo arrumado deixando um charme a mais.

- ? – ouvi me chamar. – Terra chamando .
- Eu estou aqui. – falei voltando do transe.
- Você está linda, senhorita . – falou em um tom exibido me oferecendo um braço.
- Obrigada, senhor , o senhor está aceitável. – Brinquei com ele que fez cara de ofendido.
- Assim eu fico magoado. – fez beicinho.

Nós dois rimos e então eu passei entrelacei nossos braços, abriu a porta do carro para mim fechou logo em seguida, entrando no seu lado, colocou uma música tranquila no carro e a viagem até o lugar foi silenciosa, ambos estávamos tensos, observei ele fazer movimentos direto com a mão em sinal de ansiedade, então segurei sua mão, o fazendo olhar para mim rapidamente depois voltar a encarar a estrada, ainda mantive minha mão sobre a dele que logo entrelaçou nossos dedos.

- Eu senti tanto a sua falta, .
- Eu o mesmo, . – sorri sem jeito sentindo minha bochecha ficar corada. – Você não sabe o tanto, eu me apaguei demais a você e Emma.
- E nós a você.

Sorri sem jeito e novamente aquele silêncio, quando chegamos ao local, que era um dos melhores restaurantes de Vancouver, meu queixo caiu, quando me dei conta, já tinha aberto a porta do carro e estendido a mão para mim que a pego sorridente saindo do carro, enquanto entregava a chave para o motorista do restaurante para estacionar o carro.

**

- Está gostando do restaurante, ?

e eu estávamos sentados em uma mesa perto da janela, o restaurante era realmente muito lindo, bem iluminado, nem tão grande e nem pequeno.

- É lógico que estou amando, . – respondi o olhando sorrindo, que fez o mesmo.
- Fico feliz que tenha gostado. – sorri sem jeito.

Um garçom que passou ali, parou em nossa mesa e paramos de falar, fazendo nossos pedidos e pediu para o garçom tirar foto com o seu celular dele.

- Vocês se importariam de tirar uma foto para o mural do restaurante? Estamos preparando uma surpresa.

Olho desconfiada que me retribui o olhar, apenas dou de ombros e então olha o garçom.

- Claro.

Nos levantamos da mesa e ficamos lado a lado, me abraçou por trás com um braço na cintura, e eu tremi com isso. Assim que o garçom tirou a foto, nós voltamos a nos sentar.

- Eu achei muito estranho ele pedir pra tirar foto nossa, . – Digo observando o garçom indo atender outra mesa.
- É, eu também, mas o mais estranho ainda, olha aí quem está aqui.

Me viro para trás e era ninguém mais que Riley, ao ver ela, revirei o olho e quando eu viro para , ele estava com os olhos fechados, seguro sua mão com força fazendo ele me encarar.

- É só não dar bola.
- Vou tentar, mas se ela te fizer alguma... – o interrompo.
- Ei, vamos jantar tranquilo, ok?

Quando terminei de dizer, pensei ter dito algo errado, pois percebi que ficou com a respiração irregular me olhando e apertando minha mão com força.

- ? – o chamo mais ele não responde. – ? – estrelo o dedo na frente dele e nada. – , isso não é nada engraçado, fala alguma coisa.

Coloquei minha mão em seu braço e sacudi de leve, o que o fez parecer despertar de seu devaneio olhando em meus olhos assustado.

- , o que foi isso? – pergunto preocupada.
- Eu não sei, foi um mal pressentimento. – Percebi que ele olhou pra Riley, mas deixei quieto. – Logo passa.

me olhou e eu desviei o olhar para o mesmo garçom de antes, que colocou os nossos pedidos na mesa e se retirou.

- Vamos comer? – chama minha atenção e eu apenas sorri sem jeito.

**

Depois do jantar que ocorreu tudo tranquilamente, demos muitas risadas, conhecemos melhor um ao outro, foi um jantar muito bom, me disse que ia me levar a um outro lugar agora, que eu não sabia o que era, mas estranhei ao ver a casa de , olhei o mesmo confusa que me olha pressionando a mão no volante, mas depois de alguns segundos, desvia o olhar.

- Por que viemos para sua casa, ?
- Desculpa, não era aqui que eu iria te levar, eu ia te levar em um parque de diversões, mas, eu precisei vir pra casa.
- Aconteceu alguma coisa? – pergunto preocupada.
- Posso fazer uma coisa?
- O... – não me deixa terminei.

encostou seus lábios no meu, colocando uma mecha do meu cabelo para trás, encostando nossas cabeças e ele estava respirando ofegante. mordeu meu lábio inferior devagar, tentando se acalmar, e eu apenas deixei porque sabia que ele precisava daquilo, não demorou muito para ele me pedir permissão a um beijo de língua, o que causou um certo arrepio em minha nuca quando ele fez massagem com a mão ali. Estar com me causou uma sensação tão boa, parece que preenche o vazio que tenho aqui dentro de mim, parece que, me sinto segura, depois de tudo que passei com Theodore, queria que soubesse o quanto ele é importante pra mim. solta o sinto de segurança e tenta se aproximar de mim, segurando com o braço livre em minha cintura.

- ... – falo ofegante entre o beijo. – ...
- Só deixe rolar, por favor, !

pediu ofegante e eu não resisti, me entreguei a ele que estava passando seus lábios até a altura de minha orelha mordendo a pontinha dela de leve e eu só consegui levar meus braços ao seu pescoço, fazendo carinho na sua nuca, iriamos aprofundar o beijo se não fosse o celular de tocado sem parar.

- Droga. – ele resmungou entre o beijo, me fazendo rir.
- Atende, pode ser algo importante.

se afastou e pegou o celular ficando sério.

- Quem é? – pergunto preocupada.

só levou o celular na orelha e levou sua mão até a minha segurando com força, e eu retribui.

- Jacob, está tudo bem?

ficou quieto e logo seu olhar se arregalou fazendo com que ele apertasse mais ainda minha mão, trazendo seu olhar pra mim.

- o que aconteceu? – pergunto assustada.

saiu do carro derrubando o celular no banco do mesmo e foi direto para dentro da casa.

- ! – Gritei assustada.

Sai do carro e o segui. O que será que aconteceu? Procuro por todo o canto da casa e não o acho, até que vou ao quartinho de Emma e o encontro ali, abraçado com uma cestinha de bebê na cama de Emma segurando alguma coisa, baixou a cabeça derramando uma lágrima, fechando os olhos.

- , o que... – ele me interrompe.
- Levaram ela, . – ele me olha furioso. – Levaram a Emma.



Capítulo 21: Cadê a Emma?

POV :

- , se acalma. – Diz sentando ao meu lado na cama.

Eu só consigo abraçar a cesta em que eu encontrei Emma, quem teria coragem de sequestrar a minha filha? E por quê?
- Não tem como me acalmar, . – falei com raiva, olhando furioso para . – É MINHA FILHA QUE SUMIU.

Acabei gritando e empurrando para longe de mim, respiro fundo fechando os olhos passando a mão pelo cabelo demonstrando o nervoso que estava.

- Vamos achar ela, , eu só preciso que se acalme.

me abraçou de lado e eu de novo a empurrei para longe, levantando da cama, eu não gosto nenhum pouco que as pessoas me toquem quando estou nervoso, principalmente quando levaram minha filha. Olho pela janela do quarto de Emma tentando segurar as lágrimas, mas é impossível, sinto os braços de me envolverem por trás e ela fazendo um carinho que me acalmava pelo menos um pouco.

- Quem seria capaz de fazer algo assim, ? Quem? – pergunto indignado.
- Ei, calma.
- Eu só vou me acalmar, QUANDO EU TIVER A MINHA FILHA DE VOLTA EM MEUS BRAÇOS. – Me viro para ela com raiva. – VOCÊ NÃO ENTENDE COMO É ESSA SITUAÇÃO, AFINAL, VOCÊ NÃO É MÃE, NÃO SABE PELO O QUE ESTOU PASSANDO.
- Já vi que tentar conversar e te ajudar, não vai adiantar de nada.

Dito isso, sai do quarto me deixando completamente sozinho e sentindo um enorme vazio no peito. Respiro fundo tentando me acalmar e vou até meu carro ligando o mesmo, indo o mais depressa que podia até a casa de Jacob. Eu só queria minha filha. Chegando lá, o mesmo estava no portão em frente à casa andando de um lado para o outro, o olho com raiva antes de sair do carro e assim que saio, bato a porta do carro atraindo atenção do mesmo, que me olhou desesperado enquanto eu caminhava com rapidez até ele, assim que me aproximei, o empurrei até o muro da casa olhando fixamente nos seus olhos, mostrando toda minha raiva.

- CADÊ MINHA FILHA, JACOB? – Gritei com ódio.
- , se acalma, por favor. – Jacob falou baixo.

Isso só me fez colocar as minhas mãos e o empurrar de novo até o muro que arfou de dor, segurando a sua gola da camisa, me pronunciei.

- CADÊ A EMMA?
- Eu não sei. – Jacob respondeu com medo. – Quando eu cheguei em casa, ela não estava mais aqui.
- EU PEDI PRA TOMAR CONTA DELA, SEU IMBECIL. – o solto passando as mãos desesperadamente pelos meus cabelos. – QUEM LEVOU ELA?
- Eu não sei, , eu sai pra ir apenas na pizzaria na esquina, eu juro, demorei apenas 20 minutos para pegar a pizza e quando voltei, ela não estava mais em casa! Eu disse pra Emma não dar atenção a ninguém e nem sair de casa e... – o interrompo.
- NÃO INTERESSA, JACOB, VOCÊ É PADRINHO DELA, EU PEDI PRA VOCÊ TOMAR CONTA DE SUA AFILHADA, MAS NEM ISSO VOCÊ É CAPAZ DE FAZER! – Explodi. – ÚNICA COISA QUE EU TE PEDI, NÃO DEIXAR EMMA SOZINHA EM HIPOTESE NENHUMA, E O QUE VOCÊ ME FAZ?

Me afasto de Jacob indo até meu carro ficando de costas para Jacob, coloco meus braços sobre o capô baixando a cabeça, tentando respirar melhor.

- , eu... – ele faz uma pausa. – se eu soubesse, eu nunca teria deixado Emma sozinha.
- Pena que já é tarde demais e eu estou sem minha filha.

Entro no carro com raiva, dirigindo o mais rápido que eu podia até em casa, chegando na mesma, vou até o quarto de Emma encontrando ele sozinho, sem minha princesinha, deixo uma lágrima escorrer a enxugando em seguida, sentando na cama de minha menina. Pego sua cestinha de madeira quando eu a encontrei, estando lá os dois cobertores de Emma quando bebê, um rosinha, e um lilás, embaixo deles tinha uma pulseirinha contendo duas letras inicias e no meio um coração, faço um agrado no mesmo respirando fundo, sentindo uma mão agradar meu ombro.

- Vamos achar ela, .
- Me desculpe, , eu não deveria ter gritado com você aquela hora, falado com você daquele jeito, afinal, você é mãe também.
- Ei, não tem problema. – Ela ergue meu queixo me fazendo a olhar. – Eu entendo completamente você, se alguém teria feito algo com minha filha, eu também reagiria assim. Se ela ainda estivesse comigo.

Olho para a cesta em minha frente, fazendo olhar para a mesma.

- Essa era a cestinha que eu encontrei Emma no apartamento em que eu morava, guardo ela até hoje, para me lembrar de sempre de por que eu decidi seguir em frente, o porquê não desisti de tudo.
- Nós vamos achar sua menina, , ela está bem, fique calmo, ok? Só isso que eu peço, pra você ficar com calma.

Respiro fundo acenando com a cabeça.

- O que é isso?

Olho pra vendo ela olhar para o objeto em minha mão e eu sorri de leve, mostrando para ela.

- É uma pulseira que veio com Emma, o único objeto que eu acho que tem ligação com a mãe dela de verdade, nela está duas letras que eu acho ser as inicias delas, mas além da pulseira, veio esse bilhete. – Mostro o bilhete para que o pega para ler.

abre o envelope, apenas fico observando sua reação, que se tornou surpresa enchendo seus olhos de lágrimas, fazendo eu ficar confuso.

- , está tudo bem?

A mesma me olha surpresa derramando uma lágrima e voltou a olhar o bilhete, lendo ele em voz alta:

“Senhores novos pais futuros de minha filha, vocês devem estar se perguntando porque essa bebê está na casa de vocês, é por uma simples razão, eu sei que vocês vão cuidar bem de minha menina. Sei que ela irá ter um futuro melhor em suas mãos, acredite, eu não estaria pedindo ajuda para vocês criar se não fosse urgente, a questão é que eu não queria ver minha filha morando na rua comigo. Quero um futuro brilhante para ela, então, a única coisa que eu peço a vocês, é: Sejam os pais que eu sempre quis ser.”

Depois que terminou de ler o bilhete, ela ainda estava de cabeça baixa e notei que ela estava chorando e eu sem entender nada, apenas a abracei.

- Eu não acredito, . – Ela falou entre soluços. – É você.
- Eu o que, ? – A solto do abraço a encarando confuso.
- Foi você o homem que adotou minha menina, que adotou minha . – ela sorriu triste.

Onde queria chegar com aquele assunto? Não era verdade, não podia ser, não podia ser mãe de Emma. Eu não queria acreditar, é uma enorme coincidência se for mesmo mãe de Emma.



Capítulo 22: A verdade.

- Do que está falando, ? – olhei a menina em minha frente sem entender nada.
- Foi você que abriu a porta para um novo futuro à , . – Ela sorriu triste. – Eu tinha deixado na cestinha de , um bilhete e uma pulseira com as inicias de meu nome e do dela para ela se sentir sempre perto de mim e é uma pulseira exatamente como essa.

Eu ainda estava perplexo, porque abandonaria a própria filha? Emma não merecia ser abandonada pela mãe. Nunca. Senti um sentimento estranho nascer em mim, era mais pra raiva, raiva de ter sido tão egoísta a ponto de abandonar uma menina adorável como Emma.

- Se isso for verdade... – faço uma pausa controlando minha raiva. – Como pode ser capaz de abandonar a Emma, ?
- Você sabe que eu não fiz por querer, e... – a interrompo.
- Ah, sei? – Ri debochado me levantando da cama. – VOCÊ TINHA UM BILHÃO DE ESCOLHAS, , você tinha pessoas pra te ajudar a cuidar de Emma, mas você preferiu o que? Preferiu abandonar ela na casa de um estranho?
- ... – a interrompo.
- Você é a criatura mais egoísta que eu já conheci. – respondo com os nervos à flor da pele. – Sua família tem razão de ter abandonado você.

Dito isso, me olhou assustada e eu pude ver seus olhos derramando lágrimas.

- , por favor, não vamos brigar agora, temos que achar a...
- Eu vou achar minha filha, , MINHA.

Sai do quarto indo para a varanda da casa respirando um ar fresco, pois eu precisava, era muita informação pra minha cabeça. Porque quando eu estou tentando concertar as coisas com a , sempre tem algo nos impedindo? Olho pro céu estrelado da noite apoiando minha mão na cerca que tinha ali de madeira e fico observando as estrelas.

- Cadê você, Emma? – minha voz sai tremula fazendo com que meu olho deixasse cair uma lágrima.

Minutos depois ouço passos vindo de dentro da casa, sabia que era de , ouço a porta se abrir e sua respiração ofegante, apenas apertei a cerca com força fechando os olhos.

- ... – começo a falar com raiva.
- , é o Theodore.
- O que tem ele? – me viro de frente para ela vendo sua expressão assustada.
- Ele levou a Emma.

Como se já não bastasse toda essa informação, ainda descobri que esse desgraçado levou a minha filha. Por impulso, me aproximei de empurrando ela até chegar na parede e nossos rostos ficarem próximos.

- ISSO TUDO É CULPA SUA. – Respondi gritando em um ato sem pensar. – SE NÃO TIVESSE APARECIDO EM NOSSAS VIDAS, NADA DISSO TERIA ACONTECIDO.
- , me desculpe. – falou em soluços. – Emma também é minha...
- Não, não diga essa palavra, você não tem direito.

Me viro para sair de casa, porém segura meu braço me fazendo olhar para ela.

- Ele quer falar com você. – estava chorando.

Pego o telefone com raiva indo até o meu carro, só então coloco o telefone no ouvido.

- O que você quer, Theodore? O que você quer com minha filha?
- Papai? – Emma fala e eu fecho meus punhos com raiva. – Papai, estou com medo.
- Vai ficar tudo bem, meu amor, se acalme, ok? Não precisa chorar.

Só de imaginar que Theodore pode fazer algo a minha menina, um ódio nasce dentro de mim, que se eu visse ele na minha frente, ele já era.

- Será que não, ? Será que ela não precisa chorar? – Theodore fala ao telefone.
- Deixe ela ir embora, deixe Emma fora disso.
- Não, Emma é minha filha, , ela tem que ficar com o pai.
- EU SOU O PAI DELA, EU A CRIEI, SOZINHO.
- Você sabe quem é a mãe dela, não sabe? É a nossa querida . Só dê um recado pra ela, eu não vou devolver a minha filha tão cedo, quero recompensar o tempo perdido. Eu e Emma vamos viajar amanhã mesmo.
- O quê? – falei desesperado. – Você não pode fazer isso.
- Eu posso e eu vou. Ela é minha filha, e você , sugiro não vir atrás ou eu posso te prejudicar, afinal, você não adotou Emma corretamente, adotou?

Dito isso, Theodore desligou o telefone, fechei meus olhos e meus punhos com tanta raiva que eu seria capaz de matar aquele desgraçado. Sinto uma mão em meu ombro fazendo carinho tentando me acalmar, mas olho pra com raiva.

- ...
- Sai da minha vida. – falei rígido, me afastando de .
- , por favor, eu sei que você deve me odiar agora, mas temos que ficar juntos pelo menos até acharmos . Ela precisa de nós.
- Agora pra você, ela precisa de você não é, ? Quando ela era um bebê e precisava da mãe, onde você estava? Theodore mandou avisar que vai viajar com Emma amanhã e não irá devolver ela tão cedo e a culpa é sua, do mesmo jeito que me deu minha filha, a tirou de mim!

Entro dentro de casa batendo a porta na cara de indo ao meu quarto, começo a quebrar tudo de raiva, eu só queria minha filha. Só isso.



Capítulo 23: Minha culpa.

POV :

Eu mato o Theodore quando o encontrar. Tudo isso está acontecendo por causa dele, ele tirou as duas pessoas mais importantes pra mim de mim. Minha cabeça doí de tanta informação, preciso desabafar com alguém, já faz duas semanas que Emma sumiu, não fala mais comigo e eu não sei mais o que fazer. Ouço batidas na porta e vou correndo abrir já sabendo quem é.

- Oi, . – diz me abraçando.
- , por favor, eu preciso de ajuda, eu não sei o que fazer mais.
- Ei, calma, maninha.

Ouço uma voz masculina atrás de e era .

- O que está fazendo aqui?
- Acho que precisamos conversar. – diz sério. – , posso conversar com minha irmã a sós?
- Claro, .

beija saindo do quarto que eu ficava na faculdade, ainda era muito difícil aceitar que minha melhor amiga e meu irmão estão juntos. fecha a porta e me abraça com força e eu retribuo.

- Maninha, me desculpa, eu não devia ter abandonado você. Eu fui um idiota por ter deixado nossos pais me influenciarem.
- Está tudo bem, , já passou.
- Não, não passou. – ele se afasta de mim erguendo meu rosto. – Você abandonou sua filha, , e boa parte da culpa é minha, eu teria te ajudado a criar ela. Afinal, ela é minha sobrinha, agora ela está por aí com aquele idiota do Theodore, mas eu não vou deixar ele fazer nada com nossa pequena.

Abraço de volta sentindo meu rosto cobertos pelas lágrimas, eu não acredito que meu irmão está comigo de novo.

- Eu não abandonei ela, , eu...
- Eu sei, pensou no futuro dela, e por coincidência do destino, ela foi parar na casa do , não foi?

Me afasto de seu abraço e o encaro assustada. apenas ri agradando minha bochecha tentando me deixar calma.

- e Jacob me contaram, fica tranquila. – Suspirei de alívio. – O não está nada bem, .
- Eu sei. E por minha culpa, como ele disse. O que eu fiz com ele, ? O que eu fiz com minha filha?

Tento segurar as lágrimas, mas é impossível, percebendo isso, me abraça daquele jeito que eu tanto senti falta, aquele abraço protetor. Sou envolvida por outros braços, os de .

**

Eu estava sozinha no quarto da faculdade, o pessoal estava de férias, todo mundo indo visitar a família e eu aqui, sem a minha. Sem , sem , sem as pessoas mais importantes para minha vida e tudo é culpa de quem? Minha. Eu preciso fazer alguma coisa pra mudar isso, preciso trazer de volta. Estou deitada na cama olhando para o teto quando resolvo pegar meu celular, abro na última foto que eu tinha, que era com e , parecíamos tão felizes naquela foto que parecíamos uma família de verdade. E só agora que eu me dou conta que realmente éramos uma família. Eu sinto muita falta de minha família, às vezes eu acho que o destino me fez colocar na casa de como um aviso de que Theodore não era pra ser pai de minha menina, e sim, . Ouço batidas na porta do quarto e eu me levanto colocando meu celular na mesinha ao lado de minha cama, caminho até a porta sem olhar pelo olho mágico e o que encontro é uma Riley com uma folha de jardim na boca e um riso debochado. Era literalmente o que faltava.

- O que você quer aqui? – pergunto com raiva.
- Eu só vim desfrutar desse momento. Como é ficar sem alguém que você ama, ?

Riley avança para dentro do meu quarto e me empurrando para trás até me encostar à parede. Olho pra ela confusa sem entender o que ela queria dizer com aquilo.

- Qual é, não vai falar nada? – Riley diz debochada. – Afinal, eu tirei as duas pessoas mais importantes pra você, não é? Nosso querido e sua pequena .

Quando ela falou no nome de minha pequena, eu engoli a seco com tanta raiva, que era melhor ela sair da minha frente. Então tudo se ligava agora, naquela noite do restaurante, quando o garçom pediu pra tirar foto minha e do , era pra entregar para Riley que provavelmente estava armando alguma com Theodore para separar a gente e com isso, usaram a como vítima. O que me intriga é como eles sabem que Emma é minha filha?

- Como vocês descobriram que Emma, na verdade, é minha filha? Aliás, como você tem ligação com Theodore, Riley?
- É há muito tempo, , lembra quando você estava grávida e Theodore te traiu? Eu estava lá! – minha vontade de matar ela triplicou e eu segurei meus pulsos com força. – A amante dele, é minha melhor amiga. E tenho que dizer que hoje ela, Theodore e estão bem felizes, eu e estamos bem juntos. E você? Está sozinha. Afinal, esse é seu destino, sempre acabar sozinha.

Avancei nela sem pensar, a derrubando no chão, e comecei a bater nela para descontar toda a raiva que eu sentia. Era culpa dela que foi tirada de , era culpa dela que se afastou de mim.

- Riley... – ouvi uma voz masculina falar atrás da porta. – Riley, você estava demorando, vim ver o que... – ele para de falar assim que chega à porta.
- ME FALA AONDE A ESTÁ, RILEY. DESEMBUCHA OU EU JURO QUE ACABO COM VOCÊ AQUI MESMO!
- Olha... – Riley diz debochadamente tentando se soltar de mim. – resolveu tirar a fera que existe em você, garota? Só porque viu o ?
- , sai de cima dela. – ordenou tentando me soltar de Riley, o que não adiantou. – !
- CALA BOCA, . – Gritei com raiva o encarando. – Eu vou fazer essa vagabunda confessar onde está a minha filha! – fiz uma pausa o olhando. – Nossa filha.
- Do que está falando? A Riley não tem nada a ver com essa história e...
- Confessa pra ele, sua vadia. – dei um tapa no rosto de Riley. – Confessa! Diz onde você e Theodore levaram a nossa filha!
- Riley, pode me explicar do que ela está falando? – disse ficando assustado ao meu lado.
- Eles estão Nova York, Theodore levou a filha de vocês para Nova York.
- Como você sabe disso? – perguntou com raiva na voz.
- Se querem a filha de vocês, sugiro irem rápido.



Capítulo 24: NOSSA FILHA!

POV :

- Não sei se posso confiar em você. – diz irritada.
- Só vamos embora daqui, .

Segurei o braço dela sem falar com Riley. Durante o voo para Manhattan, que durava cinco horas, no começo não falou comigo, nenhuma vez. E pra dizer a verdade, eu me arrependo de todas as coisas ruins que eu disse pra ela quando eu estava nervoso. Eu estava fora de mim, só queria saber da minha filha, nada mais.

- . – a chamei tirando seu fone de ouvido e conseguindo sua atenção. – Acho que precisamos conversar. – meu tom de voz era calmo.
- Não temos nada para falar. - Eu queria pedir desculpas, eu não deveria ter falado aquelas coisas, muito menos ter falado para você sair da minha vida.
- Depois que você volta pra Riley você percebe isso, né? – ela fala em um tom de voz que demonstrava que estava irritada.
- ...
- Eu sei que te magoei, acredite, se eu soubesse que você que era o cara que adotou minha menina, eu teria saído da sua vida, não teria te incomodado, e eu agradeço muito por Deus ter colocado você no caminho dela, porque você sempre foi o pai que eu queria pra ela. E eu jamais teria feito algo pra prejudicar você e sua filha e...
- Nossa... – faço uma pausa. – Nossa filha!

me olha espantada por um momento e eu aproveitei para agradar seu rosto e dei um sorriso de leve observando seus lindos olhos.

- Emma é nossa menina, , você também é a mãe dela, e eu acho que pelo menos por enquanto deveríamos tentar ficar juntos, ela precisa de nós.

Sem pensar muito, avancei em seus lábios fechando os olhos tentando aproveitar o máximo daquele momento, coloca seus dedos em minha nuca fazendo um carinho gostoso pelo local, mordo seu lábio inferior passando a beijar toda a extensão de seu pescoço levemente, seu pescoço tinha um cheiro tão bom de se sentir que me deixava cada vez mais apaixonado e essa era a realidade, eu não conseguia ficar longe de .

- Vamos tentar dar certo, ok? – digo olhando em seus olhos.
- Vamos, eu estou morrendo de saudades, , estou morrendo de saudades de minha família.

Ao ouvi-la falar a palavra família, meu sorriso aumentou. Afinal, era assim que eu me sentia quando morava comigo e Emma. Que éramos como uma família. Acho que o destino brincou, até acertar. Na minha opinião, ele deixou Emma em minha casa, porque sabia que o pai daquela criança era pra ser eu, naquele momento eu deveria saber que ele estava me entregando minha família, a qual eu sempre desejei ter.

- Realmente, me desculpe, por ter falado todas aquelas besteiras... eu senti tanto a sua falta.

me abraça apertado e eu retribui com mais força ainda, fechando os olhos a agradando no cabelo.

**

Ao chegar em Manhattan e nos instalarmos no hotel, saio do banho apenas com uma toalha amarrada da cintura e secando meu cabelo, dou uma olhada geral no quarto e encontro inclinada na cerca da varanda olhando para a piscina no andar de baixo. Me aproximo com cuidado dela a abraçando pela cintura por trás, encostando meu pescoço no ombro dela, logo sinto a mão dela sobre a minha retribuindo o carinho que estava fazendo nela.

- Por que está tão pensativa?
- Vamos conseguir ter ela de volta, não é, ? – vira de frente pra mim colocando os braços em meu pescoço, a aproximo mais de meu corpo.
- É claro, . Fica tranquila, ok? Nossa menina vai voltar pra gente.
- E quando ela vai voltar, será que ela vai me odiar? – vejo uma lágrima caindo no rosto dela, trato logo de enxugar.
- Claro que não, você sabe que a Emma... – faço uma pausa. – a , adora você. Uma vez eu estava no Jacob e ela falou assim: “Papá, quero que tia seja minha mamá”

Fiz uma voz infantil imitando a de Emma, fazendo gargalhar me fazendo a olhar encantando, era tão bom vê-la sorrindo, o que era muito raro. Seu olhar se cruza com o meu, nos fazendo ficar olhando um para o outro durante um bom tempo, até que ela pigarreia ficando tímida.

- Vamos, temos que buscar a sua... – a interrompo.
- A nossa filha! Olhe eu quero achar nossa pequena tanto quanto você, mas está tarde, e estamos exaustos da viagem.
- Você tem razão.

[ n/a: Coloquem pra escutar Ride – SoMo]

Assim que diz isso, o quarto do hotel ficou em um enorme silêncio, mas não um silêncio incomodado, e sim, reconfortante! Eu e ficamos nos olhando durante um bom tempo ainda sem dizer nenhuma palavra, mas assim que esboço um sorriso no rosto, ela coloca as mãos em volta de meu pescoço e eu aproveito para aproximar mais nossos corpos colando nossos lábios que no começo tinha um gosto suave, de saudade. Faço leves carinhos em sua cintura enquanto ela segura meu cabelo com força como se precisasse me manter por perto, o que era bom, porque eu também precisava dela perto de mim. Quando nossas línguas se encontram, um tremor passa pelo meu corpo me fazendo se arrepiar, exploramos cada canto da boca de cada um intensamente, não se importante com a falta de fôlego, porque eu simplesmente poderia ficar a beijando o tempo inteiro, se pudesse. Comecei a entrar de volta para o quarto de costas ainda e quando chego à beirada da cama, a deito ali mesmo, ficando em cima dela que me olhava sorrindo encantada, retribui o olhar abaixando o rosto até nossos narizes se encontrarem e dentro de um segundo começarmos a nos beijar de novo, mais lentamente! No meio do beijo coloquei minhas mãos em torno da cintura de nos dois lados, fazendo carinho para cima e para baixo, o encaixe de sua cintura era perfeito para minha mão. suspira no meio do beijo e eu sorri descendo minha mão esquerda até sua coxa direita, a apertando de leve, fazendo carinho depois, desço minha cabeça até sua barriga enquanto arranha minhas costas de leve quando começo a fazer uma trilha de beijos sobre sua barriga, levanto sua camisa devagar no ritmo dos beijos e quando chego em seus seios, tiro a camisa de vez, deixando à mostra apenas seu sutiã, a olho sorrindo e ela faz o mesmo. Eu ia tomar a iniciativa de beijar ela novamente, mas foi mais rápida, agarrando meu cabelo com força levantando sua cabeça me beijando com vontade, me fazendo deitar no colchão tendo ela em cima de mim, sua vantagem era que eu já estava sem camisa, então bastou ela olhar para baixo vendo minha excitação, olhou pra mim com um olhar maldoso, como se falasse “ já está assim?” e eu apenas dei de ombros sorrindo, segurando sua cintura a trazendo para mais perto, o que a fez colocar a mão sobre meu membro e começar a acariciar. Porra! Fechei os olhos com força e a apertei ainda mais pela cintura.

- ... – ela me interrompe.
- Já, ?
- Isso é resultado do que você provoca em mim!

A olho de novo e ela estava sorrindo maliciosa e ali estava uma que eu não conhecia. Ela começou a esfregar a mão lentamente em meu membro enquanto pegava uma cereja que estava no copo de bebida que estava no criado mudo, colocou na boca e eu, um mero ser, estava suando a mil enquanto ela se aproximava com aquela cereja na boca e que eu logo tratei de morder e selar nossos lábios, pois não estava mais aguentando, entrelaçou os braços sorrindo em torno de meu pescoço, enquanto isso, eu tirei seu sutiã e sua calça o mais rápido possível, quando eu ia tirar sua calcinha, ela me empurrou me fazendo deitar na cama novamente, podendo admirar seus seios. Que eram perfeitos na minha visão, olhei para seu rosto e eu devia estar com cara de bobo, pois ela estava gargalhando. Começo a trabalhar beijos em volta de seu pescoço enquanto fazia carinho em sua cintura e vou descendo os beijos até a altura de seus seios, onde sugo o esquerdo com vontade e com a mão vou trabalhando o outro, desço minha mão livre até sua calcinha, brincando com a alça antes de entrar em sua intimidade ouvindo-a gemer devagarinho. abaixa a cabeça conforme os movimentos e a encosta no meu ombro. Sorri ao observar a respiração ofegante, paro de trabalhar nos seus seios descendo os beijos até a altura de seu umbigo, finalmente tirando sua calcinha, ou melhor, a mesma tirou e em seguida tirou minha toalha, ato que me fez rir, pois ela estava desesperada tanto quanto eu para tê-la. Me afastei um pouco pegando a camisinha, a colocando no meu membro, e quando termino, seguro a cintura de a deitando na cama de surpresa, a beijo rápido olhando em seus olhos em seguida, e no segundo seguinte a olho sorrindo.

- Preparada?

apenas acena com a cabeça sua respiração estava ofegante, selo nossos lábios em um beijo calmo enquanto ela acariciava meus cabelos e eu entrava dentro dela devagar ouvindo ela dar um gemido.

- ...
- Shh...

Beijei-a mais forte que podia enquanto ficamos alguns minutos assim nesse ritmo gostoso, que me trazia a sensação de estarmos completos, que éramos um! Após atingirmos nosso orgasmo, deito na cama ao seu lado respirando ofegante, estava deitada de lado com o lençol a cobrindo, olhando para a janela e eu atrás dela, deito de lado observando suas costas e me aproximo encostando meu rosto em seu ombro dando um beijo em sua bochecha passando um braço em baixo de sua cabeça e outro braço pela sua cintura, nos cobrindo com o lençol, fecho os olhos a abraçando apertado.

- ... – ouço me chamar, mas não abro os olhos.
- Hm.
- Sabe que eu acho que veio com um único objetivo?
- É? Qual?
- Unir nossa família. – Sorri com isso a beijando na bochecha. – Eu acho que ela sabia que desde pequena o pai dela era pra ser você. Eu só tenho que te agradecer por ter cuidado de minha... – ela fez uma pausa. – da nossa menina esse tempo todo.
- Eu que tenho que a agradecer primeiramente a Deus.

Abri os olhos e a mesma estava me olhando sorrindo, ato que me fez sorrir também e agradar suas bochechas.

- Porque ele me deu as duas mulheres mais importantes da minha vida.

sorriu e eu a beijei lentamente, ela me abraçou pelo pescoço se virando pra mim e eu a trouxe para meu peito, dormindo com a mulher que eu amava.

- Eu te amo, . – ouvi dizer me abraçando pela barriga.
- Eu te amo ainda mais . Vamos trazer nossa menina de volta.



Capítulo 25: Motivos para seguir em frente.

POV :


Estamos mais de um mês em Manhattan e não conseguimos encontrar nossa furacãozinha ainda, eu estava surtando, nunca tinha ficado longe dela e não seria agora que iria ficar. Theodore pode ser pai biológico de Emma, mas fui eu que a criei e estive presente em todos os momentos de sua vida, ele não tem o direito de fazer isso. Fico imaginando como minha pequena deve está, assustada, com medo, afinal, ela sempre foi assim com quem ela não gosta e uma prova disso é o amor que ela tem pela sua mãe, que mesmo não sabendo que é , sente um carinho enorme, e com Riley ela é totalmente o oposto.
está pior do que eu, não consegue dormir, não está conseguindo comer direito e isso me preocupa, pois sei que o seu sonho era de conhecer a filha e agora que isso está tão próximo de acontecer, me acontece isso, tento manter a calma por ela, mas é difícil e por mais que eu não queria admitir, tenho medo de como as coisas irão fluir daqui pra frente quando encontrarmos Emma, afinal, ela vai ter sua mãe e por mais que eu não goste, Theodore é seu pai, ela vai ter uma família completa e eu vou ter que me afastar das duas pessoas mais importantes da minha vida.
Estou sentado na varanda do hotel olhando o céu azul e segurando uma foto de minha filha, sinto dois braços passarem por meu pescoço e me beijando suave na bochecha, tentando me dar alguma sensação de conforto, mas não conseguiu e ela percebeu isso, pois contornou a cadeira sentando em meu colo.

- O que você tem, ? – sua tonalidade da voz era de preocupação.

Ela sabia que não deveria perguntar que estava tudo bem, pois não estava e sabia muito bem disso, porque nada está tudo bem entre a gente, sempre surge algo para nos atrapalhar.

- Estou preocupado com Emma.

sabia que não me acostumei ainda a chamar nossa filha pelo seu nome verdadeiro, mas é só até eu me acostumar, toda a situação é muito confusa para qualquer um e se você também estivesse no meu lugar, se sentiria assim.

- Meu amor, ela está bem, vamos encontrá-la, eu tento dizer isso pra mim mesma, está sendo difícil, mas não podemos desistir. Theodore não deve estar longe e ele não seria nem louco em fazer mal a própria filha.

Tento me reconfortar com suas palavras, porém sei que não irá dar certo, Emma é minha vida, se algo acontece com ela, eu não conseguirei ir em frente.

- , você não entende. – A olho cansado a abraçando pela cintura com mais firmeza. – Eu convivi com Emma praticamente durante todos esses cinco anos que ela têm, nunca fiquei longe dela, você não sabe pelo o que estou passando, ficar esse tempo todo longe dela, eu me sinto sozinho, sem um objetivo a se seguir.

E assim que termino dizer, noto que disse a coisa errada, simplesmente por ficar em silêncio durante muito tempo, o que ela nunca fazia, seus olhos perderam o pouco de brilho que tinha e aquilo já deu um soco em meu estômago, mas para piorar, se levantou do meu colo me encarando como se fosse me comer viva e eu me vi em obrigação de corrigir a minha frase, porque apesar de estar preocupado com minha filha, estava ali comigo e eu estava sendo injusto com a única pessoa que não deveria.

- Eu entendo o que é ficar longe de uma filha, , você mais do que ninguém deveria saber disso, durante esses cinco anos eu fiquei com uma dor enorme em abandonar minha filha, meu anjinho que eu recebi e que eu deveria proteger, mas o que fiz? – Seus olhos estavam lagrimejando e aquilo me matou. – Eu a abandonei e não devia ter feito isso, sinto vergonha de mim mesma, você está longe dela por um mês e eu por cinco anos e diz que não tem nenhum objetivo para se seguir em frente? – olho para baixo. – Ela é motivo disso, não pode desistir dela, , você é o pai de .

Fecho os olhos, pois falou com tanta firmeza, que eu achei que aquilo era verdade, mas na realidade aquilo não era. Eu não sou pai de , eu sou só o cara que a criou.

- , eu tenho motivos pra seguir em frente com a busca de , que é você. – a olho nos olhos. – Mas eu não sou pai dela, agora eu sei disso, sou só o cara que a criou, o melhor a se fazer será me afastar assim que encontrarmos ela, eu não quero atrapalhar o encontro das duas.
- Você é inacreditável, sabia? – sou tom é de deboche e ainda cruzou os braços. – Você é, sim, pai dela, , e nada irá mudar isso e eu te proíbo entendeu? Te proíbo de se afastar de nós e...

Fui salvo de um possível sermão sobre o que fazer pelo meu celular, agradeço muito por isso, pois apesar que possa estar certa, sinto que estou atrapalhando o momento das duas e vou fazer isso, ela queria ou não, irá ser o melhor para todos, pego meu celular do bolso e atendo sem ver o número.

- Alô? – respondi de olhos fechados tentando me acalmar.
- Senhor ?

Era Jeffrey White, delegado de Manhattan. Eu e tínhamos ido até a delegacia após uma semana procurando por contra própria e não recebendo resultado. Jeffrey era um conhecido do meu pai e me ajudou sem precisar pensar, devia muito a esse cara.

- Hey, Jeffrey, alguma novidade?

Ao ouvir o nome de Jeffrey, se aproximou da cadeira onde estava e ficamos nos encarando, quando coloquei no alto falante.

- Então, , pode ser que sim. – Ele parecia receoso.

Será que eles ainda não tinham encontrado minha furacãozinha? Não seria possível, Jeffrey era minha última opção.

- Como assim “pode ser que sim”? – estava mais que desesperada. – E oi, Jeffrey.

tirou o celular do meu colo e me abraçou escondendo o rosto em meu ombro, automaticamente a abracei pegando meu celular colocando no encosto da cadeira.

- Estou com medo. – sussurrou em meu ombro.
- Calma. – respondi no mesmo tom. – Vai ficar tudo bem. – acariciei seu cabelo e dei um beijo no mesmo.
- Procuramos nas redondezas onde a senhorita falou, e listamos uma quantidade de 10 crianças parecidas com a filha de vocês e uma delas estava chorando muito, pedindo pela mãe e pelo pai, mas ela estava acompanhada de um homem e mesmo o cara dizendo que era pai dela, a menina nos disse que não era, que seus pais não estavam aqui e sim em outra cidade.

Foi a melhor notícia que recebi na vida, estava com meu coração acelerado, será possível ser Emma? Será que essa menina é minha furacãozinha?



Capítulo 26: Encontro de !

POV :


Assim que desligou a ligação do delegado e garantindo que iríamos lá, nos olhamos e a esperança de ter nossa família unida novamente voltou, estava me dando o mais lindo sorriso que já vi em seu rosto, era nítido o amor que ele tinha por nossa filha e eu agradeço muito ao destino por ter colocado ele em nossas vidas, pode achar que ele não é pai de nossa menina, mas além de pai, ele é muito mais que isso e eu vou fazer ele entender de algum jeito, mas irei.
Nem notamos, mas quem nesse momento pareciam duas crianças éramos nós dois, me abraçou pela cintura me erguendo do chão, me fazendo gargalhar enquanto ele dava voltas comigo, quando se deu por cansado, me colocou novamente no chão e segurou meu rosto com as duas mãos me lançando um beijo o qual retribui sem pensar. Era o melhor beijo da minha vida, que me deixava sem ar, mas isso não importava, não quando eu me sentia leve, me sentia suave ao sentir seus lábios juntos com os meus, era uma perfeita combinação.

- Eu não acredito, , nossa menina, pode ser ela essa criança! – Comemorou rindo e me abraçando com mais força.

Era tão bom vê-lo feliz novamente, que até me dava mais alegria de também seguir em frente, de ter a certeza que eu estava no lugar certo e nada e nem ninguém poderia me impedir disso.

- Eu tenho certeza que é ela, . – sorri com esperança, mas logo desfiz tomando conta de um pensamento, infelizmente percebeu.
- Ei, o que foi, amor? – Fez carinho em minha bochecha. – Pensei que iria ficar feliz. É tudo que você sempre sonhou, finalmente você vai poder ficar junto da sua filha.
- Esse é o problema – o olho assustada. – Sei que me adora, mas como Tia , ela nem imagina que teve a mãe perto dela, , o que ela vai pensar?
- , ela é uma criança, ela vai entender, pode ser que fique confusa, mas ela te adora de um jeito que nem dá para explicar.

tem razão, não posso ficar me preocupando tanto assim, agora é só esperar pela sua reação.

- Sabe o que devemos fazer agora? – Ele sorriu quando eu neguei com a cabeça. – Ir buscar nossa princesa.

**


Ao chegarmos na delegacia, meu coração disparou e eu fiquei receosa em entrar lá, o que não passou despercebido por , o mesmo se colocou na minha frente e segurou minhas mãos tremendo e imediatamente elas pararam ao sentir seu toque.

- Calma, vai ficar tudo bem. – ele beijou minha mão, demorado e me abraçou de lado pela cintura.

Ao chegarmos, Jeffrey estava nos esperando na secretaria e sorriu quando o cumprimentou ao me abraçar pela cintura por completo.

- , quanto tempo, meu rapaz. Vejo que seguiu em frente depois do acontecimento com Riley não é mesmo, e com todo respeito, sua garota é muito bela.

Pensei que iria ficar com ciúmes, mas não, ele parecia ter um carinho especial por Jeffrey, pois ele simplesmente sorriu, afinal, deu pra notar que ele tem um carinho por Jeffrey como se fosse filho do mesmo.

- Pois é, Tio Jeffrey – Ele sorriu quando eu o olhei confusa. – As coisas melhoram com o passar do tempo, mas agora, desculpe minha indelicadeza, gostaríamos de ver as crianças.
- Lógico, meu rapaz, me acompanhe.

Jeffrey nos levou até uma sala, onde tinha 10 crianças, todas loiras e meninas, umas mais altas e outras baixas, algumas estavam com seus pais e outras não, porém, assim que o delegado entrou, o olhar de todos vieram para a porta e ao fundo da sala com um homem virado de lado tive a sensação de ser . Encarei que parecia estar exatamente como eu, apreensivo. Depois de algumas palavras de Jeffrey ele nos olhou.

- Por favor, senhor e , podem en..
- PAPÁ!

A mesma menina que olhamos veio correndo ao ouvir Jeffrey falar o nome do pai, se abaixou ao vê-la chegando mais perto e recebeu o abraço tão gostoso que lhe dá, o retribuindo com um monte de beijos em seu ombro, seu rosto enquanto se levantava.

- Meu amor, eu estava com tanto medo, furacãozinha.

escondeu o rosto no ombrinho de fechando os olhos, provavelmente com vergonha dos outros presentes na sala o vendo chorar, eu, por outro lado, não queria atrapalhar o momento de pai e filha e resolvi ficar em meu canto, só observando minha família ali reunida, soltei um breve sorriso.

- Ela é linda, senhora , meus parabéns, mas vou liberar os outros pais e crianças e poderei liberar vocês assim que assinarem o papel de liberação da menina.

Fiquei lisonjeada por Jeffrey me chamar pelo sobrenome de , e o agradeci, mas ao olhar o senhor que estava com , minha raiva que estava aprendendo a controlar, volta com tudo e queria matá-lo ali mesmo, era Theodore.

- O que esse homem está fazendo aqui?

notou meu tom de raiva e olhou para mim preocupado, mas ao olhar na direção que estava Theodore, ele mesmo entendeu o recado.

- Vou levá-la para baixo e assinar a papelada que falta.

Assim que saiu, avancei na direção de Theodore tentando me controlar na frente de Jeffrey que estava bem ao meu lado.

- Calma, . Ele estava com Emma.
- Eu sei, ele é um ex-conhecido meu. – olhei com raiva para o homem em minha frente. – Até hoje não sei como é capaz de sequestrar minha filha, Theodore, você deveria ir preso.
- , se acalme, vamos resolver o caso, ok? Primeiro preciso que você se acalme. – Jeffrey diz se colocando na minha frente.
- Porque não diz a verdade vadia, é minha filha e não do . Você a colocou pra longe de mim, só fiz o que devia ter feito, buscar minha filha e viver com ela, longe de você.
- Vadia é tua mãe, desgraçado.

Tento avançar nele, com toda a raiva do momento, ninguém vai me separar de e de , ninguém! Novamente sou impedida por Jeffrey.

- Melhor a senhora ir embora, vamos resolver com Theodore a situação e depois lhe chamamos, ok?

Não tive outra escolha a não ser obedecê-lo. Aqui estava saindo da delegacia encontrando com em seu colo, a menina agora dormia feito um anjinho, me aproximo das minhas duas fortalezas e dou um beijo em sentindo seu abraço.

- Estou com medo do que Theodore é capaz de fazer, . – o abraço mais apertado, mas com cuidado para não acordar minha filha.
- Ele não irá fazer nada. Fica tranquila. – me responde dando um beijo em minha cabeça. - Ainda não falei a Emma sobre você, mas assim que ela acordar, esteja preparada para enfrentar nossa furacão.



Capítulo 27: Aquela conversa.

POV :


No dia seguinte, após termos levado a nossa furacãozinha para o hotel e avisado aos nossos familiares que a achamos e que ela estava segura, apesar de cansada, resolvi com que era hora de contar a verdade para Emma, ela era muito pequena ainda, mas merecia saber que tinha uma mãe e creio que ela irá reagir bem ao saber que é sua mãe, afinal, ela sempre a adorou.

- , estou com medo, mais medo do que filme de terror. – disse ao meu lado e eu sorri com isso.

Ela parecia uma criança quando queria e isso me divertia muito. Mas sei o quanto ela está nervosa, afinal, será seu encontro oficial com a filha.

- Calma, vai ficar tudo bem. Emma irá entender, quer dizer... irá entender. Ela te adora, veja isso como ponto positivo.

Nós dois estávamos na varanda abraçadinhos enquanto nossa pequena estava em nossa cama dormindo, eu ainda não tive coragem de acordá-la, ela deveria estar assustada ainda com tudo o que aconteceu. E isso me deixa com mais raiva ainda de Theodore, aquele verme, apertei a cintura de sem querer com esse pensamento e ela notou, fazendo-a me olhar, me deixando constrangido.

- O que foi, ? – ela perguntou inocente.
- Nada, só estava pensando que ainda deve estar assustada com tudo o que aconteceu, é que isso me deixa com mais raiva ainda do Theodore. Como ele pode ter coragem de sequestrar a própria filha? Se ele queria estar presente agora, tudo bem, procurasse a justiça para isso ou tentasse ser um cara normal, mas não, ele tinha que deixar a minha filha com um possível trauma que ela possa ter e não quero nem pensar no mal que isso possa causar a ela.

Olhei para que sorria emocionada pelo que eu disse e fui presenteado com o melhor beijo do mundo enquanto a mesma me acariciava, me deixando a sensação de estar completo, de estar finalmente com minha família e me dando a certeza que eu deveria esquecer totalmente a ideia de me afastar delas, isso só iria ser pior tanto pra mim, quanto para minhas meninas.

- Te amo, . Te amo muito! – Ela sorriu aquele sorriso que me tirava do chão e me levava ao céu. – Só tenho que te agradecer por ter cuidado da minha... Nossa filha durante todo esse tempo, e que não teria um melhor pai para ela do que você.

Fiz um beijinho de esquimó em seu nariz sentindo seu agrado em meu peito, mas logo somos despertados por um chorinho lá de dentro. Bufei, mas ao mesmo tempo sorri.

- Papá? – me chamou. – Papá, cadê você? – começou a chorar.

Olhei para perguntando apenas com o olhar se ela estava pronta para a conversa definitiva com sobre aquele assunto, e ela apenas concordou com a cabeça. Sorri tentando confortá-la e dizer que tudo ia ficar bem.
Entrei sozinho no quarto pela varanda e logo Emma veio correndo em minha direção, então a abracei forte, beijando seu ombrinho cantarolando baixo até ela se acalmar.

- Estou aqui, pequena, papai nunca mais vai te deixar ir embora. Papai nunca vai sair de perto de você novamente, está ouvindo?
- Sim, papá, me diculpa, eu não devia ter atendido a porta como tio Jacob disse, ele disse para eu ficar vendo desenho enquanto ele ia pegar comida para comermos durante o filme.
- Eu sei, meu anjinho, está tudo bem, ok? Papai só vai reforçar de novo que não é para atender para estranhos. Porque pode acontecer novamente isso.

Sentei na cama e a coloquei sobre meu colo, apareceu na fresta da varanda apenas olhando nós dois e me deu um meio sorriso. Então olhei para Emma colocando seu cabelinho atrás da orelha, erguendo seu rostinho.

- Aquele homem não te machucou, né, filha? – perguntei meio sério.
- Não, papá. Ele parecia ser legal. – meu coração afundou e tive que me segurar para não perder o controle. – Ele disse que era meu papai e que eu tinha uma mãe e que ela estava bem pertinho de mim, cuidando de mim, papá.

É, Theodore resolveu adiantar aquela longa conversa, sabendo que me colocaria em maus lençóis com minha pequena e provavelmente falaria merdas de para ela pensar mal da mãe. Olhei para pedindo com o olhar se eu podia continuar a conversa e ela me deu mais confiança acenando com a cabeça. Eu não estava preparado para uma possível reação negativa vinda de Emma, eu perderia meu chão se ela ficasse brava comigo.

- Meu amor, aquele homem estava certo sobre uma coisinha. – Emma me olhou desconfiada. – Lembra uma vez, que você desenhou nossa família com a tia ?
- Papai, a tia está aqui? – Ela sorriu simplesmente com a menção do nome de e isso me fez sorrir.

Olhei a e pedi que se aproximasse, no que o fez, minha pequena abandonou o meu colo e foi para o de , que a abraçou muito apertado, fechando seus olhos e me fazendo sorrir emocionado com aquela cena. Minhas duas mulheres. As mais lindas. Juntas. Nesse momento tive a certeza de estar completo.

- Nunca mais faça isso, pequena furacão. – falou enquanto se sentava em meu lado com Emma em seu colo. – Seu pai e eu quase tivemos um infarto te procurando.
- Diculpa. – Seus olhinhos se encheram de lágrimas, e meu coração amoleceu. Agrado seu cabelo. – Eu não atendo mais a porta, papá.

Sorri. também, olhando sua pequena, e notei seu brilho indicando algumas lágrimas nos olhos, e eu só queria abraçá-las naquele momento, mas precisava continuar aquela conversa.

- Emma. – Chamei atenção de minha filha novamente que me olhou. – Lembra daquele desenho, pequena?
- Sim, papá.
- Quem você tinha desenhado mesmo? – fingi que tinha esquecido só para ela lembrar e entender o rumo da conversa.
- O papá, mamã, eu e tia .

Olhei que sorriu ao ouvir a filha falar seu nome, e estava certo de que se eu não falasse logo, ela mesma falaria. Então me adiantei.

- Pequena, lembra que o pai sempre deixava em seu quarto uma cestinha com dois cobertores e falava que era para suas bonecas? – Emma concordou, mas fez uma carinha de quem não estava entendendo. – Então, pequena, nessa cestinha, há muito tempo atrás, chegou à porta do papai com uma bonequinha dentro dela. Papai a guarda até hoje.
- É sério, papai? Cadê a boneca que eu nunca vi? – Ela cruzou os braços emburrada me fazendo rir e soltou um riso baixinho.

Com certeza ela sabia que a filha era curiosa o bastante e birrenta quando queria saber de algo e não desistia, e isso me lembrava a também.

- A boneca está aqui neste quarto, meu amor.
- Cadê? – Seus olhinhos brilharam. – Não tô vendo, papá.
- É porque a bonequinha é você.

Em primeiro momento ela me olhou confusa e em segundo veio em meu colo, a aceitei de bom grado e comecei a fazer carinho quando ela me abraçou, acho que ela estava começando a entender.

- Como assim a bonequinha sou eu, papai? – Ergueu o rostinho me olhando. – O papai disse que eu tinha uma mamã.

Suspirei cansado. Emma parecia tão tristinha falando que me partia o coração. Seria mais difícil que o planejado.

- Papai, o papai está falando que sou uma bonequinha e não uma criancinha? – Emma me olhou confusa e tivemos que rir, ela era demais.

então tomou a fala, achando que era melhor nós dois contarmos juntos, quem sabe ela entenderia mais fácil assim.

- Não, pequena Emma, o que seu pai está querendo dizer, é que ele ganhou um presentinho da sua mãe aquele dia. – Emma a olhou sem entender.

Achei que estava indo direto demais se tratando que estamos falando com uma criança pequena. Emma poderia ser espertinha, mas tinha medo de suas reações.

- Mas papá disse que eu não tinha uma mamã. – Ela me olhou com os olhos tristes. – Papai mentiu?

E eu que sempre ensinei minha filha a contar a verdade, estava mentindo para ela e nem sabia. E Emma sabendo disso, não me ajudava nem um pouco a acalmar meu coração, só fazia-o ficar mais apertado e me deixando com medo de perdê-la.

- Não, filha, papai só não sabia que aquela cestinha era sua mamãe que tinha deixado para o papai, para ele cuidar da bonequinha que estava ali dentro, para o papai a proteger de tudo. Sua mamãe esteve sempre por perto da gente, pequena. Ela nunca deixou você de lado.
- Então por que o papai não me mostrou ela?
- Porque eu não sabia quem ela era, meu amor, e hoje eu sei. Sua mãe é a mulher mais linda que eu já consegui, a mais legal, guerreira, te ama tanto, pequena, mas tanto, que você não consegue imaginar, e se ela deixou você com o papai e não pôde estar presente, era porque a mamãe estava com alguns problemas, com o seu outro papai.

Resolvi contar a verdade por completo, Emma tinha direito de saber sobre Theodore, mesmo eu não gostando nenhum pouco do cara. Mas mesmo assim ele ainda era pai dela. Não podíamos ocultar esse fato.
Emma me olhou confusa e tentava acompanhar a história, mesmo tendo apenas cinco anos.

- Tio Theodore falou que era meu papai de verdade, mas eu disse que não, que meu papai era você, papá, então ele estava falando a verdadi?

Acenei com a cabeça, observando minha filha abaixar a cabeça tristinha, eu sabia que aquele assunto iria a afastar de mim, por isso preferia me afastar a receber um tratamento negativo de minha pequena. Eu a amava demais, não poderia suportar ser rejeitado por minha baixinha.

- Pequena, eu sou seu papai também, isso não muda o fato de eu te amar, eu te amo muito. Assim como sua mãe.

Tento me aproximar de Emma para agradá-la, porém Emma se esquiva, cruzando os bracinhos.

- Filha... – me interrompe.
- Posso conversar com ela a sós, ? Vai ser melhor assim.

Concordo com a cabeça saindo do quarto, eu precisava mesmo respirar um pouco de ar, minha baixinha não poderia agir assim comigo. Não iria conseguir ficar longe. Ela era uma parte de mim, mesmo não sendo de sangue, era como se fosse. E eu a amava muito. Espero que consiga fazê-la entender o que está acontecendo e que consiga fazê-la entender que tudo que fiz foi para seu bem.





Continua...



Nota da autora: Sem nota.





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