Always Forever

Última atualização: 22/05/2017

Capítulo 01

- , para!

Meu amigo estava à meia hora me fazendo cócegas na barriga, literalmente não conseguia parar de rir.

- Não vou parar, , você sabe.
- Você é um besta, te odeio. – Eu falava rindo, tentando me livrar de seus braços.

Rolei na grama e consegui escapar correndo até o parquinho de casa, me protegi atrás da balança.

- Vou te pegar e você sabe .
- Duvido. – Mostro a língua e ele ri.

Saí correndo até um riacho não muito longe de minha simples casa da fazenda onde eu e meus pais moramos. Praticamente cresci aqui.

- , , almoço está pronto.

Entramos em casa e fomos para a cozinha correndo, mamãe estava fazendo um bolo e eu vi farinha na tigela, peguei um pouco, jogando em .

- Agora você me paga.

Saímos correndo por volta da mesa e fomos para minha sala e só ouvimos da minha mãe:

- Não quebrem a sala inteira. – Rimos e ela também.

Fomos almoçar e de noite fui para meu cantinho preferido da fazenda, com meu fiel escudeiro, Bidu, meu cachorrinho que papai me deu.

- Hoje o dia está bom, né, Bidu? – Ele apenas latiu e se aproximou em meu colo.
- Não tão bom, . – diz sentando ao meu lado.
- Por quê?
- Vim me despedir. – Ele falou com certa tristeza.
- Por quê? – Repito a pergunta em choque.
- Eu e minha família vamos nos mudar do campo.
- ... – Começo a derramar lágrimas.
- Ei, calma, vamos nos ver assim que der.
- Não quero que você vá embora, eu vou ficar sozinha, .
- Não vai, não, meu amor, vem aqui.

me deixou subir em seu colo e me agradou.

- Eu posso estar longe, mas eu sempre vou estar pertinho de você, quero que você saiba disso, entendeu? – Acenei com a cabeça.

Não queria que ele fosse embora, seria como se deixasse uma parte de mim para trás. é meu melhor amigo, aquele que posso contar pra tudo agora e sempre, meu fiel escudeiro, ele é a única pessoa que me entende.

- ?
- Desculpe, , eu estou pensando sobre tudo. Eu não quero perder meu melhor amigo.
- Você não vai me perder, . – pressionou meu nariz devagar, me fazendo rir. - Vou mandar cartas para você de vez em quando, tudo bem?

Acenei com a cabeça e não hesitei em deixar as lágrimas caírem.

- Fica comigo hoje, ?
- Claro, meu amor. Mas antes quero te entregar um negócio, vem aqui.

Ele me levou até a sua fazenda em uma casinha de madeira bem pequena e quando chegamos, começou a chover.

- Droga, e agora, onde vamos passar a noite? – Pergunto com medo.
- Aqui mesmo, não se preocupa, vai ficar tudo bem.
- O que queria me mostrar? – Pergunto curiosa.
- Ah, sim. – Deu um trovão bem na hora e eu corri para abraçar , que riu com meu ato. – Calma, , não vai acontecer nada.
- Eu tenho medo de trovão e você sabe.
- Não deveria ter, eu estou aqui para te proteger.
- Não vai mais estar aqui de manhã. – Fiz beiço e ele riu.
- Vem.

arrumou dois colchões no chão e me chamou para deitar, deitei bem próximo a ele e então, ele ligou sua pequena lanterna, mirando a luz no teto.

- Vamos brincar de fazer sombras?
- Assim? – Fiz um bichinho e ele riu.
- Isso.

Começamos a brincar, até dar outro trovão, me aproximei do mesmo e ele me abraçou.

- Olha, antes que acabamos dormindo, eu queria te entregar isso.

Ele retira do seu pescoço o seu inseparável colar, ele tinha ganhado de seu pai e era uma foto de toda a família dele que estava dentro do pingente.

- Pegue. – Ele diz olhando nos meus olhos enquanto estava deitada em cima de seu peito.
- Não posso aceitar, , é de família.
- Mas você é minha família, , é como se fosse minha irmã mais nova.
- Ei, não sou tão nova assim. – apenas riu.
- É claro que é. Eu sou dois anos mais velho que você, .
- Você tem 16 anos e eu tenho 14, não sou tão nova. – Fiz beiço.
- Tudo bem, tudo bem, mas mesmo assim você continua sendo minha irmãzinha que eu amo muito. – Ele me abraça com força e retribuí.
- Vou sentir saudades, . – Disse fechando os olhos e me aninhando em seu colo com a chuva lá fora.
- Eu também, meu amor. – Ele agrada meu cabelo me dando um beijo na minha testa.


**


Acordo no dia seguinte, meio sonolenta ainda, e pude notar que não estava mais ali.

- ? – Gritei meio desesperada, não seria possível ele ter ido embora sem me despedir.
- Estou aqui, .

entra pela porta com uma bandeja de café da manhã. Tomamos o café em silêncio, e eu sem querer acabei derramando uma lágrima.

- Ei, não é pra chorar. – me abraça e eu o abraço com mais força.
- Me leva junto, .
- Sabe que não posso.
- Quando vamos nos ver de volta?
- Eu não sei, pequena. – Ele diz se soltando do abraço e ficando em minha frente. – Eu vou viajar para uma cidade agora, e não sei quando volto até nossa vida se acertar.
- Mas, , não me deixa.
- Esse pingente sempre vai me deixar por perto, .

apertou minhas bochechas e eu o olhei com ódio, mas logo sorri.

- , ESTÁ NA HORA, GAROTO, CADÊ VOCÊ? – John, o pai de , o chama.

, que estava olhando para o chão, me olha com cautela e eu sorri como se falasse que ia ficar tudo bem. Então me abraçou forte e eu, o mesmo.

- Nos vemos em breve, minha . – Ele sorri falando com os olhos lacrimejando.

Apenas acenei com a cabeça, chorando.

- Eu te levo pra casa.
- Não precisa, vai, seu pai deve estar preocupado. – Ele concordou com a cabeça me dando um beijo na testa com a mão no rosto.
- Lembre-se: sempre vou te proteger.

Sorri e ele saiu assim que ouviu seu pai o chamar de novo. Sai alguns minutos depois de analisar o pingente que me deu, então enxuguei as lágrimas. Voltei para a casa e mamãe veio me perguntando:

- , onde você estava?
- Me despedindo de , mamãe.
- Nunca mais suma desse jeito.

Mamãe me abraçou forte e eu retribuí.

- Vou sentir falta dele.
- Eu sei, meu amor, eu sei.


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6 ANOS DEPOIS
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- , dá para você parar de me irritar? – Falava rindo com minha melhor amiga.
- Você sabe que não.
- Por que eu te odeio tanto?
- Você quis dizer... – ela fazia uma careta engraçada. – “Porque você me ama tanto“?
- Idiota. – Mostro a língua e ela ri. – Vai sair hoje? – Pergunto vendo-a pegando a chave do carro.
- Vou.
- Deixa eu adivinhar, de novo?
- Sim, por quê?
- Você sabe que aquele cara é um imbecil, não é? Desculpe a sinceridade, , mas ele nem liga para você.
- E o que você tem a ver com isso, em?
- , eu só quero seu bem.
- O ME FAZ FELIZ, , QUAL O SEU PROBLEMA?
- Não vou discutir com você, se quer ser iludida, pode continuar.

apenas saiu batendo os pés daqui de casa, batendo a porta com força, mas eu já estava cansada de ver ela sofrendo por causa desse . Era melhor estar sozinha do que na presença desse cara.


**


- Eu te odeio, . – falava irritada jogando os sapatos no chão do apartamento e a bolsa na mesa pequena ao lado do apartamento.
- O que eu fiz agora?
- Colocou olho gordo no meu encontro. – A outra fez beicinho e eu ri tacando almofada nela.
- O que fez dessa vez? – Me viro para olhá-la.
- Ele encontrou um amigo da faculdade e nem notou que eu sai de perto. Íamos ao cinema, mas ele nem quis saber.
- Desencana desse cara, . Ele só te faz sofrer.
- Estou pensando seriamente nisso, já é o terceiro encontro que ele me deixa na mão.
- Você merece algo muito melhor que ele. – sorriu de canto quando falei isso e me abraçou.

Caminhou até a frente do sofá e sentou ao meu lado roubando uma pipoca.

- E você, o que fez enquanto eu estava fora?
- Fiquei vendo filme. Nada de interessante pra falar a verdade.
- E aquele carinha, o , da sua faculdade, vocês – a interrompo.
- Nós não somos nada, , somos só amigos.
- Amigos, é? Todo mundo quer vocês juntos e vocês sabem disso.
- É, mas isso não é o que queremos.
- Por que não? Formam um par tão bonitinho. – Ela falava com uma voz de criança.
- ! – Joguei a almofada, nela o que a fez rir.
- Vem cá, quem te deu isso aqui mesmo?

Ela achou um pingente redondo e brilhante abrindo e encontrava a foto de uma família mais que especial para mim.

- É de um amigo de infância, faz alguns anos que não o vejo.
- Quanto tempo? – pergunta.
- Deixa de ser curiosa.
- Por favor. – Ela faz aquela carinha.
- Ok, gato de botas. Faz uns 6 anos que a gente não se vê. Confesso que sinto saudades daquele besta. – Ri emocionada.
- Por que não foi atrás dele?
- Ele nunca me falou onde encontrá-lo, só disse que nos veríamos em breve, mas até agora... – Não consegui terminar de dizer e comecei a chorar de saudades.
- Ei, me desculpe por perguntar.

me abraçou forte e eu escondi meu rosto sobre o seu ombro.

- Tudo bem, é que falar dele – ela me interrompe.
- Eu sei, dá uma saudade em você inexplicável, não é? Vocês eram muito ligados.
- Sim, éramos, mas acho que ele nem se lembra de mim.
- Se você diz que eram ligados, provavelmente sim, pequena . – Ela bagunça meu cabelo.
- Ei, meu cabelo vai ficar horrível amanhã, culpa sua, besta.

Faço a mesma coisa com ela e começamos uma guerrinha de criança.

- EI, EI, EI, AS MADAMES AÍ VÃO PARAR COM A CONFUSÃO?

Entrava Verônica em casa.

- DONA VÊ! – Eu e falamos juntas, correndo em direção da mesma, que estava na porta.

Dona Vê era como uma mãe para nós, ela era nossa diarista desde que nos mudamos para cá. Resumindo a história: eu conheci a louca da na lanchonete da cidade, meu carro tinha estragado e eu era nova por aqui, ela me ajudou a arrumar o carro e tinha me dito que tinha acabado de sair para ir a um encontro, mas o garoto a deixou na mão. – Pois é, e sua sorte no relacionamento. - Esse apartamento era de , então quando eu cheguei, ficou uma folia, confesso que eu era (leia-se: sou) muito arteira, então ela resolveu contratar uma diarista, que era Dona Vê e está conosco há 6 anos.
Dona Vê já tinha perdido a conta de quantas noites ouvia a gente chorar por causa de garotos ou por causa que nossas vidas profissionais não iam bem, ou até mesmo por causa de nossas brigas – as quais ela separava na última hora e dava bronca bem dada. Mas também nos protegia com unhas e dentes de todo o mal, o qual há tornava praticamente nossa mãe.

- Estava com saudades, não via a hora de você voltar de férias. – Falei a seguindo para a cozinha, sorrindo.
- Aprontaram muito na minha ausência? Se sim, eu vou fazer vocês me ajudarem a arrumar essa casa todinha.
- Não, não, imagina. – Eu disse meio que fingindo.
- Você não me engana, . – Ela disse vitoriosa.
- Não me chama assim. – Fiz beicinho.
- Tudo bem, meu anjinho, vem aqui.

Corri até ela dando um abraço.

- Senti sua falta também.
- De mim ninguém sentiu falta, não? – chamava nossa atenção.
- É claro, minha emburrada.
- Ela é anjinho, agora eu levo a fama de mal? A senhora está se confundindo.

Ambas rimos e foi abraçar Verônica. A campainha tocou nesse exato momento.

- Deixa que eu vou atender.

Eu e nos olhamos confusas enquanto víamos Veronica de costas atender a porta e logo fechado a mesma virando-se para nós.

- Comprei pizza para comemorar.
- NÃO ACREDITO. – Eu e falamos ao mesmo tempo, pulando de alegria e batendo palmas, feito duas retardadas.
- Vocês não mudaram nada.

Corri até Veronica e quando ia pegar a caixa, ela ergueu mais alto e riu de mim enquanto eu tentava pegar, mas como eu era baixinha, não consegui.

- Vê, não faz isso, você sabe que eu não resisto a uma pizza.
- Primeiro, lavar as mãos. – Ela disse autoritária. – As duas.

Obedecemos sem reclamar, pois saberíamos a bronca.


**


- Então, meninas, me contem a novidade.
- A tá namorando, né, ? – diz zombando.
- Estou nada.
- Está me escondendo algo, baixinha? – Vê diz.
- Não. É a que fica inventando moda.
- Inventando moda nada, ela tem um amigo que está a fim dela na faculdade e não quer nada com o cara.
- Por que, Crys? – Vê pergunta enquanto olho fuzilando para .
- Porque todo mundo quer eu e esse cara juntos, eu não aguento mais isso.

Estava estressada demais, a ponto de explodir, não queria continuar nesse assunto. Subo correndo ao meu quarto e então me deitei na cama, só pensava em dormir.



Capítulo 02

Acordo naquele mesmo dia, mas na hora da janta, com batidas na porta. Levanto e vou ver quem é.

- Oi, Dona Vê. – Respondo sonolenta.
- Oi, meu amor, posso entrar?
- Claro. – Dou passagem para ela.
- Aconteceu alguma coisa? – Pergunto fechando a porta.
- Eu é que pergunto. Por que quando tocou naquele cara, você ficou diferente?

Respiro fundo e sento na cama ao lado de Dona Vê.

- Eu e ele temos um passado, e ele não é nada legal. – Falo tremendo só de lembrar.


FLASHBACK ON:

- , você vem ou não? – Perguntou para mim.
- Eu não sei, , não parece ser coisa boa.
- Claro que é, deixa de ser medrosa.
- Eu não sou medrosa.
- Prove. – me olhou com um olhar desafiador.

O que eu tinha que fazer era seguir ele até um lugar com seus amigos, que para mim não era amigos, e então eles queriam que soltasse uns fogos de artifício, mas era proibido na nossa escola. Eu não tinha outra escapatória, eu tive que fazer.
Então, de repente, quando eu soltei, vieram mais dois caras, e o moreno alto começou avançar na minha direção e de no pátio do colégio.

- Deixe-a em paz. – falou me defendendo.
- Sabe que não pode defender ela pra sempre.
- Eu a amo e vou protegê-la de tudo.
- Ah é, arriscaria sua vida por essa menininha? – Ele falava com rispidez.
- Sim, vou.

O cara empurrou na parede e começou a bater nele, enquanto apenas me olhava, e com o olhar eu entendi que era pra eu sair correndo dali. Mas assim que saí do pátio, eu dei de cara com diretor do colégio e a situação não acabou bem.
Conseguimos ser suspensos por 3 semanas do colégio e bem, eu fiquei de castigo durante 1 mês inteiro trancada em meu quarto sem ter contato com ninguém, tipo uma prisão.


FLASHBACK OFF.


- Conheci 1 ano depois que foi embora. Eu mudei muito com sua partida, tentei várias vezes procurar por ele, mas não obtive sucesso. tinha uns amigos que eu não ia muito com a cara, pois sabia que estava metido com algo errado, mas eu queria mudá-lo. Só que percebi que ele estava ficando obcecado, Vê, e meus pais não entendem isso, eles só veem uma versão de um que não existe.

Deixei as lágrimas rolarem e Dona Vê me abraçou.

- Oh, minha pequena, se esse cara fizer algo com você, me avisa, tudo bem? – Ela beija o topo de minha cabeça enquanto eu apenas aceno.
- Mas vem cá, quem é esse ? – Sorri por ela perguntar.
- É um amigo meu de infância. Não tinha comentado com você antes? – Ela fez um bico engraçado balançando a cabeça como um não.
- Não que eu lembre.
- foi uma pessoa muito importante para mim quando era pequena, ele era praticamente um irmão. Crescemos juntos nas nossas fazendas, ficávamos praticamente o tempo todo juntos, mas chegou um dia que ele foi embora e nunca mais me procurou.
- Por que ele foi embora, meu amorzinho? – Vê falava, fazendo-me deitar em seu colo.
- Eu não sei, Dona Vê, eu também queria saber, eu ainda preciso dele. – Disse derramando uma lágrima.
- VÊ, , ESTOU COM FOME. – batia na porta.
- VAI FAZER SUA COMIDA, PIRRALHA. – Grito entre risos e Vê apenas sorri.
- Pra que fazer comida se tem uma bela pizza me esperando?
- Nos esperando, você quer dizer.

Abro a porta sorridente e olho maliciosa para .

- Preparada? – Fizemos posição de corrida no corredor.
- Não quebrem a casa.
- Pode deixar, Vê. – Pisco para ela. – Eu só vou deixar a – Olho para o meu lado. – FILHA DA MÃE.

Corro até e a alcanço na metade da escada, corro até a cozinha e pego meu pedaço de pizza, faço uma pose de vencedora enquanto , e logo atrás a Vê, entra.

- Eu ainda ganho, você me paga. – diz e eu mostro a língua.
- Só na outra vida, mi amore.

Sentamos à mesa e ficamos conversando sobre assuntos aleatórios. Até que Vê, depois de um tempo, diz:

- Senti saudades disso. – Seus olhos começaram a se lacrimejar de orgulho.
- Awwwn. – Eu e a abraçamos em conjunto, depositando vários beijos nas bochechas de Dona Vê.


**


- E aí, , vai poder ir lá em casa hoje fazer o trabalho? – Pergunta Lia.

Lia era uma menina da minha sala na faculdade que eu não fazia a mínima questão de conversar com ela. Eu não tinha nada contra a garota, mas sabe quando seu santo não bate com a pessoa e não tem jeito de fazer você gostar dela?
E, infelizmente, os professores colocaram ela no meu grupo. Como odeio trabalho de faculdade por causa disso.

- Por que você não vai à minha casa?
- Porque eu queria te apresentar alguém. – Ela diz sorrindo sem jeito.
- Me apresentar? – A olho, confusa. – Por quê?
- Não sei. Mas algo me diz para fazer isso, sei que só temos 1 ano e meio de amizade, mas queria que você conhecesse.
- Tudo bem. Eu vou. – Disse engolindo a seco e fingindo um sorriso.
- Que ótimo. – Ela comemorou. – Vamos voltar para a aula?

Lia apenas se virou e entrou na aula sorrindo e eu apenas bufei cansada revirando o olho a seguindo. “Só mais dois anos.” Falava comigo mesmo em pensamento.

- Preparados para mais uma rodada de Design, alunos? – O professor dizia contente.

O vi olhar para mim e eu já ia abaixar a cabeça, mas apenas ouvi:

- , vamos começar com a apresentação do trabalho por você.

Apenas o olhei com raiva e ele riu da minha cara, eu e esse professor éramos próximos, nos tornamos bem amigos.

- Vai lá, oh, . – O olho, confusa.

Me senti sem jeito, me levantando da mesa e acho que devo ter derramado uma lágrima e parado no mesmo lugar, pois todo mundo olhava para mim.

- , tudo bem? – O professor falou.
- Sim. Só me lembrei de uma pessoa que me chamava assim, desculpa, professor. – Sorri e ele acenou positivamente com a cabeça.
- Se quiser ir tomar uma água, pode ir que esperamos.
- Não, está tudo bem. – Respiro fundo. - Meu trabalho é sobre...


**


Depois de termos apresentado o trabalho, fomos embora, mas antes, o professor me chamou depois que a turma saiu.

- Diga, Professor. – Disse com um jeito brincalhão, pois sei que ele não gosta de ser chamado assim fora do horário de trabalho.

Ele me olha com o mesmo olhar que eu tinha olhado antes e riu logo em seguida.

- Tudo bem?
- Está, sim. – Digo confusa.
- Mesmo? – Ele quis ter certeza.
- Mesmo, mesmo, pode ficar tranquilo.

Dou um beijo na bochecha dele e ele sorri.

- Até a aula que vem, senhorita .
- Até, senhor professor. – Brinco, e ele ri.
- Vamos, . – Lia me puxa com pressa pra fora da sala.


**


- , ele já vem. – Lia diz empolgada em sua casa.
- Por que vai me apresentar seu namorado mesmo? – Pergunto jogando o caderno na cama de Lia.
- Acredite, nem eu mesmo sei. – Ambas rimos.
- Vem, me ajuda a decidir.

Sento à mesa do computador dela e mostro os trabalhos enquanto Lia sentava ao mesmo lado.

- Você prefere esse marrom mais escuro ou mais claro, para a logo do café.
- Esse marrom mais claro, porque olha, vai contrastar com esse fundo e – a campainha toca. – Já volto.

Ela sai em disparada e eu só ri balançando a cabeça, voltando a fazer o trabalho.

- . – Lia sai gritando meu nome pela casa.

Penso em descer, mas quando ia sair do quarto, ela está se aproximando de mim.

- Conheça . – Ela olha para trás. – Vem, amor.

Ela vai até a escada e puxa seu namorado que sobe sem jeito. Ele estava a olhando sorrindo e quando me olha, parece que seu sorriso desapareceu. Não sei se ele ficou surpreso ou o que mais, ESPERA, ! “Ela falou que ele se chama ?“
Tá legal, para de bobagem, existem vários s no mundo, não pode ser ele.

- , eu queria te apresentar minha amiga da faculdade, . – Percebi que ele me olhou confuso, porque eu também estava o olhando dessa forma.

Ficamos nos encarando sem disser nada um para o outro, parecíamos que tínhamos feito algo errado. Mas aquela situação era bem esquisita.

- Gente, o que foi? – Lia Perguntou estranhando.
- Prazer, ... – Ele esticou a mão meio sem jeito e sempre me olhando nos olhos. – .

Fiquei parada no mesmo lugar, não acredito que era ele. , meu .

- , está tudo bem? – Lia pergunta ficando ao lado de .

Queria me esconder num buraco agora, não podia ser ele. Senti meus olhos derramando lágrimas e ficou sem jeito e confuso abaixando a mão vendo meu espanto, olhou Lia confuso e disse segurando a cintura dela, voltando a me olhar.

- Amor, quem é ela?
- É a , eu já te disse. Já te falei sobre ela antes.
- É, mas... – interrompo .
- ? – Falei sorrindo e ele me olha confuso.
- Sim?

Corro até ele e o abraço pelo pescoço chorando, nem ligava. Apenas o abracei forte. Senti ele me retribuir o abraço mais tímido.

- Quem é você? – Ele pergunta me afastando.
- Sua .

sorri assim que falo meu apelido.

- ? , é você mesmo? – Ele disse em empolgação.
- Claro que sou eu, besta.

veio em minha direção me abraçando, me erguendo do chão.

- Não acredito que você está aqui. – Encolho meu rosto no seu ombro.
- Eu também não, baixinha, melhor surpresa do meu dia.
- Espera, melhor surpresa? – Lia diz um tanto irritada e olhando seriamente.

logo me solta e a olha assustado.

- Amor, é, eu posso explicar. – Ele coça a nuca.
- É bom ter uma explicação. – Ela quase grita e me olha com o mesmo olhar de quando se metia em confusão com seu pai.
- Nós somos melhores amigos, Lia, não precisa se preocupar. Não vou roubar o de você, só queria matar a saudade.

Abraço ele de novo e o mesmo, beijando o topo da minha cabeça.

- Como são melhores amigos? - Ela pergunta intrigada.

Olho e ele entende o recado.


**


- Então é por isso que não precisa se preocupar, Lia, não irei roubar seu namorado.

Estava deitada com a cabeça no colo de que estava sentado na cama me agradando no cabelo e Lia estava na cadeira a nossa frente.

- Como posso ter certeza?
- Você não confia no seu namorado? – Pergunto a olhando sério.
- Eu... – Ela olha e respira fundo. – Desculpa, amor, é que – a interrompe.
- Tudo bem. – Ele sorri.

Notei em sua voz um tom de preocupação. O olhei confusa e me olhou calmo, apenas fechou os olhos.

- Lia, pode nos dar um minuto a sós? – Pergunto com cautela.

Ela olha que a passa segurança com seu olhar.

- Claro, vou lá fora. – Se aproxima de . – Fica bem. – Sussurrou baixinho e sorriu de boca fechada e de canto, a olhando nos olhos, o que fez Lia o beijar. – Te amo. – Ela pisca e sai do quarto.

Quando ela fecha a porta, sento no lugar que era ocupado por Lia e encaro que estava com a cabeça baixa.

- Tem alguma coisa pra me contar? – Pergunto séria.

me olha e seu olhar estava me pedindo desculpas.

- Desculpa, . – Ele disse com a voz grave e rouca dele. – Eu não deveria ter feito isso.
- Isso o quê? – Pergunto confusa.
- Ter ido embora. – Ele suspirou fundo. – Não sabia que íamos ficar tanto tempo sem nos ver. Me perdoa. - Seus olhos estavam lacrimejando.

Vou até ele e o abraço com toda a força possível. Meus braços estavam em torno de seu pescoço e um em cima de seu cabelo fazendo agrado com olhos fechados.

- Está tudo bem, meu bestinha que odeio. – Sussurrei baixinho em seu ouvido rindo, o que ele fez rir.

- Nossa amizade ainda está de pé? – Ele pergunta quando me afastou e eu me sentei na cadeira.
- Mais do que nunca. – Estico minha mão para ele e ele segura.

ficou olhando nossas mãos um tempo e depois voltou seu olhar para mim sorrindo orgulhoso com olhos cheios de lágrimas de saudade.

- O quê? – Perguntei rindo sem jeito.
- Você ficou ainda mais linda. – Ele falou rindo. – Vou ter que andar com uma arma ao seu lado. – Ele falou sério o que me fez rir.
- Bobo. Eu nem mudei nada. Continuo a mesma menina feia de sempre.
- Se você diz, aquela menina com cabelos e seus lindos olhos atrás de um par de óculos azul e um rabo de cavalo. – Ele ri. – Você era linda, pequena.
- Você fala isso porque é você, mas... – não consegui terminar de dizer.
- Tudo bem? – Ele perguntou depois de um tempo.
- Sim, estou bem. – Disse mentindo, mesmo sabendo que ele sabia a verdade.
- ... – Ele alertou.
- Estou bem, , de verdade. – Ele me olha confuso. – Eu juro.

ia falar algo, mas Lia entra no quarto.

- Trouxe alguma coisa para comermos, querem?
- Esse cara aqui não recusa comida. – Apontei para .
- Ei, isso não é verdade. – Ele fez bico.
- Claro que é, amor.

revira os olhos e sorri.

- Mereço vocês duas.

Lia senta no colo de e ele se oferece um biscoito que Lia morde sorrindo, dando um beijo na boca dele.
Por alguma razão aquilo me fez sentir desconfortável. Viro a cadeira para o computador e respiro fundo tentando me acalmar.
Mesmo eu estando feliz por ter reencontrado , sinto que vem bomba pela frente e que não estou preparada para enfrentar qualquer uma das consequências. Começo a trabalhar sozinha até que...

- . – me chama. E eu respiro fundo fechando os olhos. Me viro para eles que me encontravam com um olhar confuso.
- Tudo bem? – Lia pergunta e faz a mesma pergunta apenas com o olhar me analisando.
- Desculpe, Lia, terminamos o trabalho outro dia. – Me levanto arrumando as minhas coisas na mochila.
- , onde vai? – Lia pergunta preocupada.
- Eu preciso ir embora.



Capítulo 03

Cheguei em minha casa, que não era muito longe da de Lia, demorava uns 10 minutos. Tirei meus sapatos e meus olhos estavam querendo chorar. Joguei minha mochila embaixo da mesinha de canto, e subi as escadas correndo. Bato com força sem querer a porta do meu quarto, mas não me importo, apenas deito na minha cama e minhas lágrimas começam a cair pelo meu rosto.
O que não entendo é o motivo delas saírem, porque eu estou feliz que esteja de volta na minha vida, mas alguma coisa me diz que algo de ruim vai acontecer, não sei se é com ele, mas algo estava falando para eu me afastar de , se não eu iria sofrer e me decepcionar, ou fazer ele se decepcionar.
Acabo adormecendo, ali mesmo, escutando algumas músicas no meu celular.


**


- , VOCÊ VAI SE ATRASAR PRA AULA. – Dona Vê diz apressada, na porta.
- Eu não vou hoje. – Respondi com sono.
- Vai sim, nem que eu tenha que te arrastar.
- Vê, me deixa dormir só mais cinco minutos. – Coloco o travesseiro no meu rosto.
- É assim que se faz com pessoas preguiçosas.

Não, ela não vai fazer isso. Ia me levantar quando me viro para frente e vejo a porta do meu quarto ser arrebentada.

- , EU VOU TE MATAR.

Corro atrás dela, que só ria. Pego o travesseiro e jogo nela com força, mesmo na beirada da escada.

- Ei, isso não é um octógono para vocês irem se batendo, não.

Vê separa nós duas e eu olho com raiva. Não estava nos meus melhores dias.

- Foi só uma brincadeira, . – tenta se explicar.
- UMA BRINCADEIRA? – Grito, enfurecida. – ACABAR COM A PORTA DO QUARTO DOS OUTROS É BRINCADEIRA?
- Desculpa. – Ela pede chorosa.

Apenas me viro para sair dali com raiva. Doce , isso vai ter vingança, ah se vai, se prepare. Pra ir para a faculdade, como estava calor, coloco apenas uma calça legging e uma blusa de manga curta, a primeira que achei no armário que era uma azul, deixo meu cabelo solto e caminho até meu carro, que era um Duster Vermelho. Meu bebê.
sempre quis dirigi-lo, mas nunca permiti, pois além de desastrada, podia quebrar meu bebê. Então ela sempre reclamava de ficar no passageiro.
Chego à faculdade e tudo que eu não queria, e queria, encontrar, estava bem ali na frente.

“Boa aula, amor.” – falava entre beijos.
“Bom trabalho. Vem me buscar hoje?” – Perguntava Lia sorridente com o braço em torno do pescoço de .
“Claro.” – deu mais um beijo.

Revirei meus olhos e eu queria passar por ali sem ser notada. Tentativa falha. Eu estava quase entrando na faculdade quando...

- . – me chama.

Me viro para olhá-lo.

- Oi, .
- Tudo bem?

vira Lia para me olhar e a abraça pela cintura, dando beijos em seu pescoço.

- Estaria melhor se não tivesse vindo pra aula. – Joguei indireta? Não, imagina.
- Por que queria faltar?
- Ah, não sei, me responde você. – Respondo daquele jeito e ele sabe que eu estava sendo irônica, tanto que desviou o olhar.
- Bem, vou pra aula, até mais. – Me virei de costas e então entrei naquela faculdade.


**


- , o que foi aquilo? – Lia pergunta.
- Aquilo o quê? – Me faço de desentendida anotando algo no meu caderno.
- Aquela grosseria com meu namorado? – A olho, confusa. – Ele me disse que você não era assim com ele.
- E o que você tem a ver isso com isso, Lia? – Pergunto irritada tentando manter a voz baixa.
- Eu não gosto quando você fala desse jeito comigo.
- E VOCÊ QUER QUE EU FALE COMO, LIA?

Gritei alto no meio da aula e todos os alunos, e o professor, olharam para mim confusos. Só queria um buraco para me esconder.

- Desculpe, professor. – Respiro fundo pegando minhas coisas rapidamente.

Saio da sala fechando a porta, ando um pouco até um canto escondido e sento ali mesmo no chão gelado. Encosto minha cabeça na parede e fecho os olhos. Sinto que começo a chorar. Relembrando algumas coisas.


Flashback On:

- , vem cá. – falava no meio do rio.
- Eu não vou. – Balanço a cabeça em negação, sentada na beira do rio.
- Ah, mais vai, sim.

se aproximava com um sorriso de quem ia aprontar e eu tratei de me levantar, mas foi em vão.
me puxou para o rio fazendo eu cair no mesmo. Ele ria enquanto me debatia contra a água.

- Você parece um peixe fora d’água. – Ele gargalhava cada vez mais alto.
- , é sério, eu estou me afogando. – Disse com dificuldade, pois realmente estava.
- , você não está se afogando.
- !

Grito desesperada enquanto uma correnteza começa a me puxar para sua direção rapidamente, e eu estava desesperada tentando nadar contra ela.

- ? – Ele me procura com o olhar. – , calma.

veio em minha direção e segurou minha mão. Tentou me puxar com força.

- Vem, pode vir, estou te segurando. – diz entrando em pânico.
- , estou com medo.
- No três, tudo bem? – Aceno com a cabeça. – Um... – começa a contar. – Dois... – Ele faz uma pausa e eu fecho os olhos. – TRÊS!

me puxa e eu acabo caindo no seu colo, e ambos caímos nas pedras que tinha por ali. Vi gemer de dor nas costas com o impacto, mas tentou disfarçar quando me olhou, eu estava me encolhendo contra seu peito, chorando.

- Calma, . – Ele começa a agradar meu cabelo. – Estou aqui, vai ficar tudo bem, vou te proteger. Sempre e para sempre.

Me encolho mais no seu colo chorando e me abraça com força.

FLASHBACK OFF.


- , acorda. – Thomas, meu professor, diz se ajoelhando ao meu lado.
- Tommy? – Pergunto sonolenta coçando os olhos.
- O que aconteceu? Fiquei preocupado quando você não apareceu mais na aula. Assim que acabou, acabei passando por aqui e te encontrei dormindo encostada na parede.
- Eu dormi, foi? – Ele apenas ri, acenando positivamente com a cabeça.
- Quer conversar?
- Não, Tommy, sem ofensa. Eu só quero ir pra casa.

Thomas me ajuda a levantar.

- Eu te levo, você não está com cabeça pra ir de ônibus.

- Pode deixar que eu a levo, professor. – diz atrás de Tommy. – Você deve ter muitos compromissos.
- Não seria incomodo algum levar a senhorita pra casa, .
- Será que você não entendeu que o único que pode fazer isso sou EU. – Ele se exausta.
- Ah é, por acaso você é algo dela?
- Eu conheço ela há 5 anos, tudo bem pra você?
- Você pode conhecer todo esse tempo, mas pelo o que posso perceber nas aulas, ela não dá a mínima para você.
- COMO SE DESSE PARA VOCÊ! – gritou.
- O QUE QUER DIZER COM ISSO, GAROTO?

Thomas avançou um passo na direção de , que recuou para trás. Entro na frente dos dois, olhando Tommy.

- Não vale à pena.
- Isso mesmo, escuta ela, querido professor. – diz irônico e num tom assustador. – Você vem comigo.

me agarrou pelo braço e me empurrou para dentro do elevador, Thomas iria tentar entrar, mas a porta se fechou.

- , está me machucando. – Digo com medo tentando me soltar do braço dele.
- É pra machucar, garota. – Ele me olha com ódio.

Passou um tempo e chegamos à saída da faculdade, onde eu já me encontrava em lágrimas tentando me soltar desesperadamente de .

- PARA DE SE MEXER, RETARDADA. – me joga contra o corrimão que tinha ali.
- , por que está fazendo isso?
- PORQUE EU TE AMO. – Ele gritou desesperado. – EU TE AMO, VOCÊ NUNCA ME DÁ ATENÇÃO, EU SÓ QUERO TE FAZER FELIZ. POR QUE VOCÊ VIVE ME IGNORANDO, ?
- VOCÊ AINDA PERGUNTA? – Grito com raiva.

Só sinto ele me agarrar pela cintura com força e me beijando na mesma intensidade, mas eu recuso.

- Solta ela, seu idiota. – Ouço uma voz masculina grave e uma silhueta de um homem ficando a minha frente de costas.
- Saia da minha frente, babaca.
- Tem certeza que eu sou o babaca?

apenas me olhou com raiva e se afastou, quando o homem vira, era .

- Você está bem, baixinha? – pergunta me abraçando carinhoso.
- Melhor agora. – Disse tentando parar de chorar.


**


- Ei, o que está acontecendo nessa casa, virou motel agora? – Eu disse entrando em casa em tom brincalhão.

e levantaram correndo do sofá, olhando apavorados para mim e eu apenas gargalhei da cara deles.

- Podem voltar ao que estavam fazendo. – Fiz sinal com a mão e entrei na cozinha.
- Está tudo bem, idosa? – perguntou rindo.

Me viro para ela com um olhar mortal, enquanto ela gargalhava e a abraçava nos ombros.

- Agora não mais, pirralha. , sem querer ser chata, mas eu poderia conversar com minha amiga a sós?

apenas concordou com a cabeça e se despediu de .

- O que houve, ? – pergunta assim que saiu.
- Eu, eu... – Eu não sabia falar porque eu estava escorrendo lágrimas e sorrindo ao mesmo tempo.
- Fala logo, garota, está me deixando preocupada.

me puxa para o sofá e faz eu sentar ao seu lado.

- Eu... – me interrompe.
- Isso no seu braço, é um roxo? – Ela fez uma pausa analisando o machucado.
- Sim.
- Quem foi o desgraçado que pediu pra morrer? – dizia em um tom ameaçador que até me deu medo.
- Foi o . – Ela ficou de boca aberta.
- EU VOU MATAR AQUELE DESGRAÇADO.

ia se levantar, mas eu fiz ela sentar de novo.

- , posso terminar?
- O que houve, idosa?
- Uma notícia boa, eu acho, pirralha.
- Opa. – Ela coça as mãos. – Conta-me tudo.

Depois de ter contado toda a história, me olhava de boca aberta e sorrindo abobalhada.

- O que foi, mulher? Me diz algo, por favor. – Balancei os braços dela.
- SEU AMOR RETORNOU. – Ela comemora feliz pulando no sofá e me abraçando.
- Meu amor? – Pergunto fazendo careta. – Ele é meu melhor amigo.
- Vocês se conhecem há quanto tempo? – perguntou. – Praticamente a vida toda. – Ela mesma se respondeu.
- E daí?
- E dai? – Ela fica incrédula. – Garota, seja esperta. Amor desde criança, melhores amigos, tem tudo pra dar certo.
- , eu não gosto dele desse jeito e ele tem namorada.
- Nem pense em sair daqui. – Ela diz brava lendo meus pensamentos. Fico em silêncio. – Por que você não gosta de falar nele, ? Se ele é seu melhor amigo, por que você foge do assunto?

Talvez porque eu não queira falar dele com a minha melhor amiga? Porque eu não quero me decepcionar de novo? Porque eu simplesmente precisava dele perto de mim. Eu não sei por qual motivo, mas eu sabia que estávamos ligados, um com o outro, desde pequena. sempre foi meu anjo, desde pequeno. Meu protetor, eu só queria ele por perto e ter ele bem, mas sobre ser apaixonada por ele? Não, isso não era.
nunca iria entender e eu não consigo explicar o porquê preciso dele perto.

- ? – me chamou.
- Oi?
- Esse , ele não te fez algo ruim no passado, fez?

Da onde ela tirou essa hipótese? nunca me faria nenhum mal. Ia a responder, mas a campainha tocou.

- Está esperando alguém? – Pergunto.
- Pedi pizza.
- Eu atendo.

Levanto do sofá caminhando até a porta e quando a abro, congelei no mesmo local.

- ... ? – Gaguejo ao falar.
- Pequena? – Ele sorri.
- O que faz aqui? – Pergunto surpresa.
- Haaam... – Ele olha ao redor procurando explicação e volta a me olhar. – Entregando Pizza?

diz de um jeito tímido, erguendo a pizza e eu sorri.

- Obrigado, besta. – Tomei a pizza da mão dele. – ! – Grito por ela.
- QUE FOI? – Ela responde no mesmo tom.
- Leva pra cozinha, anda, e vai arrumando a mesa.
- E quem dá o direito de você mandar em mim?
- Eu sou a mais velha. – Falei convencida.
- Droga. – fez beicinho e saiu para a cozinha.

se acabou de rir, sai de casa e fechei a porta.

- Trabalha como entregador de pizza, então é? – Perguntei zombando e ele revira o olho.
- Também estou com saudades.

O abracei forte.

- E você, como está, pequena?
- Eu o quê?
- Está tudo bem? – pergunta e eu estranho.
- Está. – Ele arque-a a sobrancelha. – Eu juro.
- Finjo que acredito.

me dá um beijo nas minhas duas bochechas. Igual como ele fazia anos atrás.
Ficamos nos encarando um tempão, e eu ficava observando cada mudança de seu rosto. tinha ficado mais lindo do que já era. Seus olhos realçavam com seus cabelos , e quando aquele sorriso se alargava, fazia aparecer as lindas covinhas que eu tanto amo.

- ? – Ele me chama, mas não respondo. – , está ai?

me balança sorrindo e eu acho que fiz uma cara muito engraçada, pois ele gargalhou.

- , EU NÃO ACREDITO.

Me aproximei e mordi as covinhas dos dois lados.

- Ei, chata, sua pizza está lá dentro, não sou eu, não. – Apenas gargalhei enquanto ele me afastava rindo.
- Isso tudo é amor? – Ele passa as mãos onde mordi.
- Imagine se eu te amasse mesmo. – Brinquei.
- Idiota.
- Imbecil.

Abraço ele de novo, que faz o mesmo. Ficamos um tempinho assim. Senti ele colocar uma mão na minha cintura e outra no meu cabelo então passo as mãos pelas suas costas o agradando e ele faz o mesmo com meu cabelo, dando um beijo na minha cabeça.

- Senti falta disso. – Falei manhosa.
- Eu também, . – Ri de canto com a boca fechada e os olhos fechados também, apenas sentindo seu toque.

Seu abraço era reconfortante e por algum motivo, eu me sentia segura.



Capítulo 04

- Não me diga que o entregador de pizza lindo gostoso é o seu ? – falava com brilho nos olhos.

Estávamos assistindo filme em plena sexta-feira à noite, chuvosa, para variar. Depois de ter colocado a pipoca em minha boca, rolei os olhos.

- , para com isso. – Resmunguei.
- Isso o quê? – Se fez de desentendida.
- Tentar fazer com que eu namore. Eu já te falei que não quero isso. E ainda mais com o .

Fiz uma careta negando com a cabeça para mim mesma da minha imaginação, tomando um belo gole de coca.

- Amiga, eu tenho que te perguntar... – ela fez uma pausa me olhando com medo, pedindo permissão.
- Continue.
- Você é lésbica?

A olhei, furiosa. E taquei uma almofada nela.

- Não, sua anta. – Respondi rindo.
- Porque parece, pois está sempre ignorando os caras bonitões que te arrumo.
- Eu só não sou interessada neles.
- Aham. - Ela cruza os braços não acreditando.
- É sério, é que não quero namorar agora, sei lá, é difícil explicar, eu quero terminar minha faculdade primeiro, para depois pensar nisso. – Respondo olhando minhas mãos.
- , nós duas sabemos que não é bem isso, não é? – Olho para ela com medo. – Você sabe que estou aqui para tudo.
- Eu tenho medo, . – Deito no seu colo escondendo a cabeça em suas pernas.
- Medo do que, meu amor? – Ela agrada meus cabelos.
- Medo de nenhum homem se interessar por mim, pelo jeito que eu sou.
- E como você é?

Me levanto a olhando, confusa, apontando para meu corpo.

- Eu sou isso, esse lixo. – Respondo quase gritando, chorando. – Quem vai se interessar por mim, ? – Choro de vez.
- , seu corpo está ótimo. Para com isso.
- Você não entende. – Caminho de um lado para outro da sala indignada, com a cabeça baixa.
- Quer saber? - Diz estressada e eu recuo assim que a vejo levantar. – Vamos para a balada hoje.
- Não. – Disse com certeza.
- Eu perguntei se queria que você fosse? – Ela soou brava.
- ... – Ela me interrompe.
- Vem logo.

me puxa para meu quarto e me joga no banheiro.

- Toma seu banho que eu escolho sua roupa.
- Não, eu não vou... – me interrompe.
- Vai, sim, anda logo.

Fechou a porta do banheiro e eu apenas revirei os olhos. tinha suas intenções boas, mas eu não estou a fim de sair e sei qual seria suas intenções. Mas eu não estava com clima para isso. Eu adoro dançar, mas ir para a balada e não pegar ninguém não tem a mínima graça.
Saio do banho e encontro o carma da minha vida que se chama sorrindo que nem uma boba, ao lado da peça de roupa que ela escolheu. Olho para o vestido e arregalo os olhos, engolindo a seco.

- Eu não vou usar isso. – Nego com a cabeça apontando o vestido. – Jamais.
- Para de bobagem.
- . – Falo irritada.
- . Você vai, e pronto. – Ela ordena mostrando a língua.

Faço o mesmo e pego o vestido depois de expulsar do meu quarto para me vestir. Seco meu corpo e prendo meu cabelo em um coque. Coloco o vestido e então me olho no espelho ficando de boca aberta. O vestido tinha realmente ficado bem em mim, ele era um vestido preto, levemente colado ao meu corpo, nas minhas costas era coberto, ele não tinha mangas e ficava um pouco acima do joelho. Tinha a saia levemente rodada, dando um toque especial no vestido. Ele fez um belo par com meus cabelos e , bom, eu gostei. Sorri ao pensar isso.
Calço meu sapato e termino de fazer uma maquiagem leve.

- VAI DEMORAR? EU JÁ ESTOU PRONTA. – Grita .
- EU JÁ VOU, ESPERA.

Quando sai da porta, parecia ter visto um fantasma.

- O que foi? – Olho para meu vestido. – Ficou feio? – Digo tímida, me encolhendo.
- Você está uma gata. – Ela diz em um tom malicioso, então apenas reviro os olhos.
– Depois eu que sou lésbica.

Ela me lançou um tapa, me fazendo rir.

- Mas é sério, se eu fosse homem, te pegava. – Reviro os olhos de novo.
- Vamos logo, .
- Como quiser, senhorita .

Para variar, apostamos corrida para quem chegaria primeiro no carro e eu ganhei, por isso, fui de passageiro no meu querido Duster.

- Onde pensam que vão, madames? – Ouço uma voz masculina me assustar ao meu lado de fora no carro.
- Que susto, . – Digo com a mão no peito.
- Vamos para a balada, amor. – Responde .
- Eu vou junto, eu vou ter que dirigir depois, sei que quando vocês vão na balada, não resistem a uma bebida.
- Entra logo. – Disse dando a partida.

Rimos quando quase caiu quando comecei a andar com o carro e ele estava só com um pé para dentro.

- Vai ter volta, .
- Está bem, né. – Dei de ombros.


**


“ The club isn't the best place to find a lover
(A boate não é o melhor lugar para encontrar uma amante)
So the bar is where I go
(Então o bar é pra onde eu vou)
Me and my friends at the table doing shots
(Eu e meus amigos na mesa, virando doses)
Drinking fast and then we talk slow “
(Bebendo rápido e então falando devagar)

- AAAAAAAAAAAAH, AMO ESSA MÚSICA. – Eu e gritamos assim que entramos.

Fomos logo para a pista dançando que nem duas loucas ao ritmo na música.

Come over and start up a conversation with just me
(Venha e comece uma conversa só comigo)
And trust me, I'll give it a chance
(E confie em mim, te darei uma chance)
Cantei junto com a música sorridente.
Now take my hand, stop, put Van The Man on the jukebox
(Agora pegue minha mão, pare, coloque Van The Man na jukebox)
And then we start to dance
(E então começamos a dançar)
And now I'm singing like
(E agora estou cantando assim)
- Girl, you know I want your love –
Ouvimos um garoto cantar se aproximando de . Olhei assustada, mas era apenas sorrindo.
- Your love was handmade for somebody like me – Canta se virando para , se aproximando mais de seu corpo colocando a mão no seu pescoço e logo os dois estavam selando um beijo.
- Come on now, follow my lead. I may be crazy, don't mind me – Ambos cantam juntos sorrindo com os lábios pertos e se beijam novamente.


**


Depois daquela cena, me afasto deles e resolvo não ficar de vela do casalzinho. Vou até o bar e peço uma caipirinha de morango. Estava tomando um gole calmamente quando sinto uma mão tocar meu ombro. Olho para meu lado e sorrio largamente.

- . – Abraço ele com toda a força.
- O que faz aqui, ? – Ele quase grita no meu ouvido tentando ser mais alto que a música.
- Vim dançar.
- Você não é de ir à balada. – Ele responde fazendo bico e eu sorri.
- Você não sabe, me conheceu quando eu era menor de idade. – Dei de ombros tomando um gole de minha caipirinha.
- Vai provocando, vai? – Ele responde meio sério, mas logo sorri.

Ficamos um tempo nos encarando e noto que ele me observava, segurou minha mão e ergue meu braço me fazendo dar uma volta. Quando eu estava me virando para sua frente, alguém passa em mim, me empurrando e sem querer caio para cima do corpo dele que me segura com muita força.
Nossos rostos estavam perto, perto demais, que quase nos beijamos. Levo meu olhar de encontro aos seus olhos e ficamos nos olhando um tempo, sem respirar direito.
Respiro fundo e deve ter percebido que fiquei sem jeito, pois se afastou de mim dando um passo para trás, abaixando o olhar e coçando a nuca. Faço o mesmo, desviando o olhar para a pista de dança, vendo e dançarem agarradinhos ao som de Perfect, do One Direction.

And if you like having secret little rendezvous
(E se você gosta de ter pequenos encontros secretos)
If you like to do the things you know that we shouldn’t do
(Se você gosta de fazer as coisas que sabemos que não devemos)
Baby, I'm perfect
(Amor, eu sou perfeito)
Baby, I'm perfect for you
(Amor, eu sou perfeito para você)

- Quer dançar? – estende a mão.

Olho para ele e sorri o puxando para pista de dança, onde ele abraçou minha cintura, então abracei pelo pescoço.

And if you like midnight driving with the windows down
(E se você gosta de dirigir, à meia-noite, com as janelas abertas)
And if you like going places we can’t even pronounce
(E se você gosta de ir à lugares que não sabemos nem pronunciar)
If you like to do whatever you've been dreaming about
(Se você gosta de fazer o quer que seja que tenha sonhado)
Baby, you're perfect
(Amor, você é perfeita)
Baby, you're perfect
(Amor, você é perfeita)
So let's start right now
(Então, vamos começar agora mesmo)

Fiquei dançando lentamente com a música inteira, mas como não estava acostumada a ir em balada, meus olhos estavam começando a fechar e nem notei que encolhi meu rosto no pescoço de , fechando os olhos quase parando de dançar, mas dançando num ritmo devagar.
Senti colocar a mão direita em minha cabeça, me agradando devagar, dando um beijo no topo da mesma.

- Vem, . – Ele falou calmo rindo.


**


- Eu disse que você não era muito de balada? – falou rindo e eu apenas mostrei a língua.

tinha me levado a área de fora da balada, onde o pessoal descansa um pouco, estava sentados no sofá e eu em seu lado.

- Eu sou, sim, não tenho culpa de estar acostumada a dormir cedo. – Fiz beicinho e riu.
- Veio sozinha?
- Não, eu vim com o carma da minha vida e seu namorado. – Gargalhamos juntos.
- É a ? – Ele pergunta confuso e eu apenas aceno de cabeça.
- E você, por que veio a uma balada?

suspirou fundo e tentou sorrir, mas não colou muito.

- Foi a Lia? – Perguntei.
- Sim. – Ele respondeu cabisbaixo.
- O que tem ela?
- Eu não estou mais aguentando esse ciúmes dela, , está impossível.

Eu iria responder ele, mas...

- , FINALMENTE EU TE ACHEI. – se aproxima a passos longos e pronto a me bater.
- , calma. – Levanto minhas mãos em rendição rindo. – Eu não morri.
- Não, mas podia ter sido pega por um desgraçado e... – ela olha atrás de mim. – Vejo que está em ótimas companhias. – sorri maliciosa e eu reviro os olhos.

O silêncio tomou conta entre nós três, eu e nos olhamos apenas e abaixamos o olhar. Olho para que fingiu uma tosse.

- Er – Ela coçou o cabelo olhando para o lado. – Eu acho que ouvi o me chamando.
- Nem pense em fazer isso, . – Digo irritada enquanto ela pisca pra mim sorrindo maliciosa e correndo para dentro da balada.

Me viro para que está rindo e automaticamente eu fiquei corada.

- Olha só, meu amorzinho tem vergonha ainda quando pegam a gente junto. – Ele falou com voz de criança apertando as minhas bochechas e me abraçando.
- Sai de mim. – O afasto rindo e ele faz o mesmo.

Ele fez beicinho sabendo que não resisto. Dou um beijo em sua bochecha e nesse exato momento vejo ser levantado rapidamente do banco. Quando olho, meu coração deve ter parado ali mesmo.

- O que pensa que está fazendo? – Lia diz irritada segurando pela camisa.

me olha pedindo ajuda e eu apenas engoli a seco, então ele voltou a atenção para Lia.

- Calma, amor – Ele tentou se explicar com calma, se soltando da menina olhando em seus olhos. – Eu só estava conversando com minha melhor amiga, nada demais.
- Nada demais? – Lia repete estressada.
- É. – deu de ombros.
- Escuta, . – Apontou o dedo para ele que congelou de medo pelo olhar mortal dela. – Você vai pra casa comigo, agora. – Praticamente gritou.
- Lia, só estamos conversando. – Disse por fim, me levantando. – É completamente normal dois amigos se conversarem.
- Seria normal, se não fosse em uma BALADA. – Ela ia avançar em mim, mas a impediu, colocando um braço na frente dela.
- Tudo bem, vamos embora. – disse cansado dessa discussão.

Lia se afastou gritando:

- Te espero no caixa.

me olha com uma carinha de cachorro pidão, pedindo desculpa e me abraça colocando sua cabeça em meu ombro para falar em meu ouvido.

- Desculpe. – Beijou meu ombro em seguida saiu sem olhar para mim, apressado.


**


- Vamos embora, .

Puxei ela e para fora da balada, depois de pagar a conta e eu como estava mais sóbria, voltei dirigindo meu bebê, o que me deixou feliz.

- Meu anjo, acorda. – Dona Vê falava com todo carinho me balançando devagar.

A olho sorrindo, então coçando os olhos, bocejo um pouco e ela ri sentando ao meu lado na cama.

- A noite foi boa então, não é? – Ela perguntou rindo.
- Nem tanto. – Tentei sorrir.

A noite teria sido ótimo se Lia não tivesse aparecido no mesmo lugar que estava.



Capítulo 05

Eu estava no parque tirando algumas fotos para um trabalho e então sinto alguém colocar a mão sobre a minha cintura atrás de mim e então me beijar pelo pescoço. Quando me viro para trás, era Ryan. O afasto imediatamente de mim dando um passo para trás.

- Quer parar de me dar susto? – Coloco a mão no peito suspirando em seguida.
- Não, mocinha linda do meu coração. – Ele falava com voz de criança.
- Para de falar assim.
- Assim como?
- Com voz de criança.
- Mas você é uma criança. – O olho, furiosa. – A minha criança.
- Ryan, sai daqui.
- Aqui é um lugar público, , posso fazer o que quiser.
- Não, não pode.
- Ótimo, então vamos para minha casa.

Ryan sorriu malicioso e eu juro que tentei correr, mas ele me alcançou e me levou a força para seu carro, me amarrando no banco de trás e me levando para sua casa. Na viagem, eu fiquei em silêncio derramando uma lágrima.


**


- Calma, pequena , eu não vou fazer nada com você.

Ryan sussurra em meu ouvido terminando de me arrumar em uma cama qualquer, me amarrando na cabeceira da mesma. O olho com medo sem falar nada, pois estava com um pano na boca.

- Você não mudou nada, irmãzinha. – Ele diz sorrindo feito um louco. Apenas o encaro com raiva enquanto ele senta em meu lado na beirada da cama.

- Seu rostinho continua liso. – Ele sorri enquanto passa a mão em meu rosto e eu fecho os olhos. – Calma, vai dizer que não sentiu falta do seu querido irmão?

Ele tira o pano da minha boca violentamente, então respondo.

- Não. Ryan, qual o seu problema?
- Você sabe qual é.
- Sinto muito não podemos ficar juntos, e outra, eu não ficaria de jeito nenhum com você.
- Ah não? – Ele tenta me beijar, mas eu o afasto.
- Qual é, pirralha, não seja assim. Sabe muito bem que podemos ficar juntos.
- Eu nunca ficaria com alguém como você.

Cuspi no rosto dele com raiva e recebi um olhar fuzilante, e um Ryan secando o rosto com a manga da camisa.

- Agora você vai ter uma punição, meu amorzinho.

Ryan puxa meu cabelo para trás, me fazendo erguer minha cabeça, então olho seu olhar e ele ia me beijar, se não fosse...

- SOLTA A , RYAN. AGORA. – diz com firmeza e eu o olho.
- Ou o quê? – Ryan responde sorrindo malicioso, olhando minha boca.
- Ou você vai sofrer as consequências.

Ignorando , Ryan me beija de forma violenta e eu recuso o beijo me debatendo. Sinto Ryan se afastando de mim.
Só consigo ver nocautear Ryan no chão e o outro acaba desmaiando com o tanto de tapas que levou, respiro ofegante pensando em como Ryan havia mudado, eu não o via há tempos, mas sabia que ele não era desse jeito.

- Calma, vai ficar tudo bem, vamos embora daqui.

diz me soltando e me ajudando a sair daquele lugar.


**


- Tem certeza que está bem, ? – e perguntavam ao mesmo tempo.
- Tenho sim, gente, não foi nada. – Digo envergonhada.

Estávamos todos em casa na cozinha e cada um com uma cerveja.

- Graças a Deus. – Ouvimos alguém falar chegando em casa.

Dona Vê se aproxima e me da um grande abraço.

- Meu bebê está bem? Não se machucou? – Ela dizia analisando meu rosto e eu sorri.
- Estou bem, Dona Vê, não precisa se preocupar.

Ela olha e diz:

- Muito obrigada, menino, se não fosse por você, não sei o que seria de minha menina. – Dona Vê me abraça de novo.
- Ei, eu também quero um abraço. – fez beicinho.
- Deixa de ser egoísta. – Mostro a língua abraçando Dona Vê mais forte.
- Vem cá, , eu te dou um abraço.

abriu os braços e foi abraçar ele. Apenas Ri.


Mais tarde naquele dia, estava deitada em minha cama olhando para o teto sem ter o que fazer, eu não estava bem. De repente, me deu uma vontade de ligar para minha casa. Sento na cama e então disco uma, duas, três vezes... nada.
Meus pais nunca demoraram tanto para atender um maldito telefone e eu já estava ficando agoniada.

- . – Grito por ela.
- Que foi, garota? – Ela entra cambaleando de sono no meu quarto, então senta ao meu lado coçando os olhos.
- Liga para os meus pais também, por favor? – Pergunto aflita.
- , o que houve? – me olha preocupada.
- Só liga nos celulares enquanto eu ligo para a casa.

Depois de meia hora tentando, consegue sucesso com a ligação e coloca no viva voz.

- Oi. – Diz uma voz masculina.
- Você não é meu pai, quem você é? – Perguntei com medo, não reconhecendo a voz.
- , é você? – Dizia a pessoa.
- Quem está falando? – Pergunto.
- Sou um amigo de seu pai, o policial.
- Alan? – Pergunto lembrando.
- Sim, ele mesmo.
- O que houve com meu pai?

Alan demora a responder e eu encaro .

- Calma. – Ela falou sem emitir som colocando a mão no meu ombro.
- Não foi só com ele, document.write(Crys).
- O QUÊ? – Começo a gritar.
- Primeiro preciso que se acalme, ok?
- COMO VOU ME ACALMAR?
- , calma. – Dizia .
- , me deixa em paz. – Começo a derramar lágrimas. – FALA LOGO O QUE ACONTECEU, ALAN.
- Ouve um incêndio, na floresta mais próxima da fazenda de seus pais. – Coloco a mão na minha boca imaginando o pior. – E se alastrou para a fazenda. – Ele fez uma pausa. – Seu pai tentou apagar o fogo e salvar alguns animais, mas o fogo chegou nele mais rápido. Sua mãe estava dentro de casa essa hora e quando viu o fogo, tentou fugir... – mais uma pausa. – Não conseguiu.

Eu não sabia se chorava, ou se gritava. Resolvi sair correndo até meu carro, desço as escadas.

- , ESPERA. – Ouço me chamar, mas não respondo.

Abro a porta e começo a dirigir com raiva, quero ir o mais depressa para a fazenda. O carro para em um sinaleiro e eu tento recuperar meu fôlego.

FLASHBACK ON:

- Cadê a menininha do papai? – Ouvi papai dizer.
- Não estou aqui, papai.

Eu falava atrás do sofá da sala, adorava brincar de esconde-esconde com meu pai quando ele chegava do trabalho.

- Te achei.

Meu pai pulava no sofá feito uma criança, me pegando no colo e me enchendo de beijos, eu tentava fugir rindo e meu pai não deixava.

- Vocês vão acabar com minha casa desse jeito. – Dizia mamãe.
- Mamãe, fala pro papai parar de fazer cócegas.
- Parar por que, filha? Se eu vou ajudar seu pai com isso.

Mamãe pulou em cima da gente e quem nos via, diria que éramos uma família feliz. Mais tarde naquele dia, na sua fazenda, eu adorava dormir no colo do meu pai na beira do rio, o ouvindo contar histórias. Mas aquele dia foi diferente.

- Sabe, filha, eu quero te contar uma coisa muito séria, uma coisa que o papai nunca contou pra ninguém. – Ele me virou de frente para ele em seu colo.
- Nem pra mamãe?
- Nem pra mamãe.
- O que é, papai?
- O papai sempre sonhou em ser veterinário e você sabe disso, não é?
- Sim, o papai me conta sempre e diz para amar os animais como se fossem da nossa família, porque eles são. O papai me ensinou a tirar leite da vaca, a pentear nosso cavalo valente, tirar ovos das galinhas.
- Isso mesmo, minha menina. – Ele dizia orgulhoso. – Mas um dia, o papai vai precisar fazer uma viagem e vai deixar uma coisa que só a pequenininha do papai aqui vai poder cuidar.
- O que, papai?
- O que você acha de cuidar da nossa fazenda?
- Sério? – Os olhos da menina brilharam. – Eu vou adorar papai.
- Promete cuidar de todos os animais que tiverem?
- Claro, papai, mas o papai vai voltar dessa viagem, não é?
- Claro meu amor. Vem cá vamos dormir agora.

FLASHBACK OFF.

Quando me dei conta, eu tinha voltado para a casa minha e da , e quando eu entrei, ela apenas me abraçou e eu a afastei rigidamente. Subi ao meu quarto e só deitei na cama. Apenas querendo chorar.


**


Acordo mais tarde naquele dia com alguém agradando meu cabelo bem devagar. Estava com o olho semiaberto e então levanto um pouco minha cabeça para ver quem era e sento assustada na cama quando reconheço.

- ? – Pergunto baixinho, desconfiada.
- Isso mesmo, minha . – Ele diz sorrindo, mas um riso triste.

Apenas sento na cama e abraço ele, encolho meu rosto em seu ombro e as lágrimas que eu queria segurar, não consegui.

- Dorme comigo hoje, ? – Pergunto manhosa enquanto ele agrada meus cabelos. – Por favor, igual quando éramos pequenos?
- Claro, meu amor. Não precisava nem pedir. – diz se soltando e agradando meu rosto.
- Promete que não vai me abandonar? Eu já perdi muita gente que eu amo nessa vida, eu não suportaria perder você. – Digo aos soluços.
- Nunca vou te deixar, minha . – Ele aperta meu nariz, me fazendo sorrir.
- Vem cá.

Deitamos na cama e de conchinha, estava com uma mão em minha cintura me aproximando de seu corpo e nos cobriu. Então colocou seu rosto em meu ombro e falou em meu ouvido:

- Quer que eu cante pra você? Igual como eu fazia quando você tinha medo?

Apenas sorri e concordei abraçando os braços dele com mais força e ele riu me dando um beijo na bochecha.

- Everybody gets high sometimes, you know
(Todo mundo fica chapado às vezes, sabe)
What else can we do when we're feeling low?
(O que mais podemos fazer quando nos sentimos triste?)

Fiquei prestando atenção na letra e o agradando como ele me fazia.

- So take a deep breath and let it go
(Então, respire fundo e solte)
You shouldn't be drowning on your own
(Você não devia se afogar sozinha)

Sorri pra ele porque eu sabia o que ele queria transmitir com a letra da música. Me virei de frente para o mesmo e o vi sorrindo, o que me fez fazer o mesmo. Então ele coloca a mão em uma mecha de cabelo que tinha em meu rosto e passou atrás da minha orelha.

- And if you feel you're sinking, I will jump right over
(E se você estiver afundando, vou pular)
Into cold, cold water for you
(Nessa água fria por você)

Ele cantava me agradando no rosto como se quisesse me acalmar. Fechei os olhos para sentir seu toque e me vi sorrindo, me aproximei mais de seu corpo sem sobrar distância e abracei meu melhor amigo que me retribuiu.

- And although time may take us into different places
(E apesar do tempo nos levar a lugares diferentes)
I will still be patient with you
(Eu ainda serei paciente com você)
And I hope you know
(E espero que você saiba)

Ergo a cabeça para olhá-lo sorrindo e ele abaixa para me olhar sorrindo sapeca.

- I WON’T LET GO. – Praticamente gritamos juntos.
(EU NÃO VOU TE SOLTAR)

Começamos a gargalhar alto e então ele beija o topo da minha cabeça.

- Obrigada, . – O abracei calmamente depois da crise de risos. – Eu precisava mesmo disso.

Me aninhei ainda mais em seu colo, fechando os olhos.

- De nada, meu amorzinho, agora trate de dormir.
- Sim, papai. – Fiz beicinho e ele riu.
- EI, VOCÊS DOIS, EU QUERO DORMIR. – gritou batendo na parede ao lado.
- VAI TE CATAR, . – Respondi rindo.
- Ela é sempre estraga prazeres? – perguntou e eu ri alto.
- EU OUVI. – responde.
- ERA PRA OUVIR MESMO. – responde rindo.
- VOCÊS SÃO DOIS IDIOTAS. – diz mau humorada.
- QUE VOCÊ AMA.

ficou quieta e então eu e rimos.

- Boa noite, meu anjinho. - beija o topo da minha cabeça.
- Boa noite. – Dei um beijo em seu peito e fechei os olhos.



Capítulo 06

- Acorda, . – diz baixinho em meu ouvido.

Olho para cima ainda meio sonolenta e sorri para ele que fez o mesmo colocando uma mexa de cabelo atrás de minha orelha.

- Bom dia. – Disse com voz de sono.
- Bom dia, .

Me lembrei do que aconteceu no dia anterior, abracei forte e ele me retribuiu o abraço. Tudo que eu queria era esquecer isso. Quero meus pais de volta. Eu não posso ter perdido eles.
Eu não quero voltar a ser o que eu era antes deles, eu não posso voltar a ser o que eu era antes deles.
Sinto que estou chorando, apenas fecho meus olhos o mais forte que consigo.

- Vai ficar tudo bem. Calma. Eu estou aqui. – diz me abraçando com calma.

Sei que ele quer tentar me ajudar, mas não sei se consigo ficar perto de muita gente agora. Preciso pensar no que fazer.

- . – O chamo me afastando de seu abraço.
- Diga.
- Como você veio aqui em casa? – Ele apenas riu.
- Foi a adorável , conhece? – Consegui rir. – Ela ficou preocupada que você não queria falar com ninguém, foi até a pizzaria onde trabalho e praticamente me arrastou pra cá.
- Ela fez isso mesmo?
- Ela não me arrastou. – Ambos gargalhamos. – Mas ela foi até a pizzaria pedindo pra eu vir e que era importante. Mesmo que não fosse importante, eu viria, porque é você.
- Awwn. – Abraço ele forte enquanto ele ri.
- Mas, e a Lia? – Pergunto e o ouço suspirar.
- Não vamos falar dela, vamos falar de coisas boas? – Ele me olha agradando meus cabelos.
- Por que ela não é... – Alguém me interrompe.
- , ACORDA, AGORA. – grita entrando no quarto e se assusta ao ver .
- . – Falei tentando me acalmar. – Com que direito você acha que tem de ENTRAR ASSIM NO MEU QUARTO. – Grito com raiva jogando meu travesseiro nela.
- Desculpa, mas quem deveria estar estressada era eu, não é?
- Posso saber o por quê?
- PORQUE NÃO TEM NENHUMA COMIDA ME ESPERANDO.

me olha completamente confuso e eu reviro os olhos dando de ombros.

- Esqueci que essa semana é sua TPM. – Digo séria.
- EU ESTOU COM FOME, SE EU NÃO VER UMA COMIDA NAQUELA MESA QUANDO EU VOLTAR DO BANHO... – a interrompo.
- JÁ SEI. – Grito com raiva, fazendo os dois presentes no quarto se assustarem. – Você me joga pela janela.
- Quanto amor entre vocês duas. – diz sorrindo.

Eu e o olhamos com raiva e arregala os olhos e levanta a mão em rendição.

- Desculpa. Mas se quer comida rápida, eu posso fazer uma pizza.
- PODE MESMO? – Eu e gritamos batendo palma.
- Claro, minha . – pisca para mim e eu o abraço.
- Te amo.

Dou vários beijos em seu rosto e ele sorri.

- Vocês sabem que se essa tal de Lia ver isso vai ficar com ciúmes, não é?
- Eu estou pouco ligando para isso. – diz sério, saindo do quarto.


**


Depois de ter tomado um belo banho, colocado uma roupa de casa mesmo, ou seja, um pijama, esse é meu dilema, pra que se arrumar toda se vai ficar apenas em casa? Pijama é muito melhor.
Meu pijama era rosa com um ursinho Pooh e um pote de mel, e a calça do pijama era cheia de bolinhas fofas.
Eu ainda não esqueci e não esqueceria o que aconteceu com meus pais, mas será que estava preparada para ir naquela fazenda e preencher toda a papelada?
Andei até a cozinha e a encontro em uma folia só.

- Meu Deus, , por que tanta bagunça assim? – Pergunto o vendo passar um tipo de rodo em cima da massa da pizza.
- Oi, minha . – Ele levanta o olhar para mim, parando o que estava fazendo. – Eu precisava de espaço para colocar as coisas. – Ele dá de ombro e eu o olho fuzilante.
- Não se atreva. – Eu disse e ele riu malicioso enquanto eu apontava o dedo para ele.
- Mas, sua cozinha é pequena, então tive que super me virar aqui. – Ele terminou de falar piscando e gargalhando.
- , VOCÊ ESTÁ MORTO. – Gritei com ele dando a volta na mesa enquanto o mesmo corria com um saco de farinha na mão.

deu a volta no outro lado e eu o tentei seguir, mas era impossível, ele só ficava dando voltas naquela bendita mesa e rindo. Me curvei na tentativa de me acalmar da correria. Quando fui o procurar, ele tinha sumido, dei de ombros e ia me virar para sair da cozinha e recebi por uma jogada de farinha na cara, e eu o olhei fuzilante enquanto o mesmo ria.

- Espera um pouco, fez cara de confuso. – Eu acho que tem uma sujeira aqui.
- Não se atreva. – O avisei.

Ele passou a mão na minha orelha e foi até meu cabelo esparramando farinha.

- EU TE ODEIO. – Avancei nele, mas logo ele me deu um abraço que não recusei e aceitei. – Mentira, eu te amo. – Digo apertando ele.
- Eu sei disso, meu amoreco. – da um beijo no topo da minha cabeça e nos afastamos.
- OH, CASAL. – diz estressada na cozinha, eu e olhamos para a mesma e nos soltamos. - Cadê minha comida?

Eu e nos olhamos com um olhar de código que só eu e ele entendíamos, retornamos nosso olhar para e então eu segurei ela por trás, quando a mesma tentou correr, e então despachou a farinha que restava em .

- EU, DEFINITIVAMENTE, ODEIO VOCÊS. – diz tirando a farinha de seu corpo enquanto eu e rimos vitoriosos tocando as palmas.
- Sua comida já vai ficar pronta, senhorita TPM. – tirou uma com e eu gargalhei recebendo uma almofada.
- Acho bom mesmo, vou atender a porta.

se afastou e voltou a fazer pizza.

- , não vai chegar atrasado no trabalho? – Pergunto preocupada.
- Não, , hoje é minha folga. – Ele diz sorrindo ao me olhar, apenas sorrio de canto. - Tudo bem?
- Sim, na verdade. – Digo sentando no outro lado da mesa. Olho para . – Eu queria saber por que a Lia não seria uma coisa boa para você.

abaixa o olhar e sei que ele ia esconder algo, bateu o rolo de pizza na mesa e olhou diretamente em meu olho, e ficou sem responder durante alguns minutos.

- Eu e ela brigamos, . De novo.
- Qual o motivo? Talvez eu possa ajudar.
- Não tem como. Eu não posso sair dessa.
- Dessa o quê?

O olho desconfiada e o mesmo me olha com um olhar de medo, igualzinho quando seu pai o obrigava a fazer algo ou colocava ele de castigo.

- , – ia falar, mas eu o interrompi.
- . – me chama assustada.

Percebo olha para ela confuso, então me viro para trás, encontrando e mais duas pessoas totalmente desconhecidas.

- , eles são suas visitas e querem falar com você a sós.
- Quem são vocês? – Pergunto confusa e não entendendo nada.
- Podemos conversar? – A mulher de cabelos e olhos verdes, diz.
- A sós? – Nego com a cabeça. – Não.
- É importante, . – O homem disse sério.

Eu não respondi e fiquei o encarando sem dizer nada, apenas cruzei os braços em torno de mim mesma tentando me passar confiança para ir falar com eles, quando sinto me abraçar de lado.
Sorri pra ele assim que ele sorriu para mim, seguro sua mão e ele diz:

- Quer que eu fique com você? – perguntou olhando nos meus olhos.

Olho de para as pessoas estranhas e olho de novo para , ia responder, mas a mulher me corta.

- A gente prefere falar com a a sós.
- Eu nem conheço vocês. – Falei desconfiada apertando a mão de . – Como vou saber que são de confiança? Como sabiam onde eu morava e principalmente, como sabiam meu nome? – Eu estava quase gritando.
- É tudo isso que a gente veio conversar com você, mas precisamos conversar a sós.

Olho para o chão e fico pensativa, algo estava me cheirando esquisito nessa história e eu não queria ficar sozinha e por algum motivo, mesmo sabendo que éramos melhores amigos, eu queria o comigo, porque eu me sentia segura perto dele.

- Quer que eu fique? – fez a mesma pergunta segurando a minha mão com mais força.
- Não, mas fica aqui na sala? – Ele apenas acena com a cabeça me dando um beijo na testa. – Vamos para meu quarto.


**


- Vocês são O QUÊ? – Grito me levantando na minha cama.
- Isso mesmo que você ouviu, . – A mulher diz impaciente encostada na parede. – Nós somos seus pais biológicos.
- Não, vocês não são meus pais.
- É claro que somos. – O homem diz.
- Vocês não são.
- Escuta aqui, pirralha.
- NÃO ME CHAMA ASSIM. – Grito interrompendo aquela nojenta.
- Chamo do que eu quiser. – Ela avançou para mim e eu dei um passo para trás. – Nós somos os seus pais, você querendo, ou não.
- Os meus verdadeiros pais, morreram, essa semana. RESPEITEM ISSO. – Gritei desesperada chorando.
- ? – bate na porta. – , está tudo bem?

Ia o responder, mas a mulher coloca a mão na minha boca.

- Somos seus pais, você tem que nos obedecer, entendeu, garota? – Ela me olha com um olhar assustador.
- ? – tenta abrir a porta, mas não consegue.
- Você vai voltar com a gente, para a nossa cidade. – Nego com a cabeça. – Isso não é um pedido, e sim uma ordem. Vamos dar um tempo para você pensar direito.

A mulher me solta e se afasta de mim. Acenou para o marido e ele abriu a porta. Eu estava olhando para a parede em minha frente e sinto quando algumas lágrimas começam a escorrer em meu rosto.

- Ei, , vai ficar tudo bem, não chora, não. – diz secando minhas lágrimas, dando um beijo no topo da minha cabeça e logo me abraça.

Me desabo de chorar no peito de e não consigo falar nada.

- Shi, vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. – dizia em um tom calmo agradando meu cabelo e minhas costas na tentativa de fazer eu me acalmar.
- Como ela está? – aparece perguntando e me agradando nas costas.
- Nada bem. – respondeu triste me agradando.
- Pequena, o que eles falaram? – pergunta preocupado.
- Eu não quero falar disso, . – Me afasto enxugando minhas lágrimas. – Por favor.
- Eu não gosto de te ver assim. – diz sério, agradando meu rosto.
- Vou ficar bem. – Disse sorrindo de lado, tentando os convencer, mas estava na verdade tentando convencer a mim mesmo que iria ficar bem.
- Promete? – e dizem me abraçando os dois ao mesmo tempo.
- Prometo. – Retribuo o abraço, abraçando os dois com força. – Eu não sei o que seria da minha vida sem vocês.


**


Eu estava deitada no meu quarto sozinha debaixo da coberta, chorando em silêncio e me encolhendo a cada lembrança. O tempo lá fora estava frio, chovendo, bem típico para fazer uma cena triste de um filme. E para variar, quando estamos tristes, fazemos o quê? Colocamos uma música no fone ainda mais triste, até hoje não sei por que faço isso.

- Meu amorzinho? – Dona Vê diz abrindo meu quarto que estava destrancado. Ela é a única que tem a chave além de mim.

Olho para a porta dando permissão para ela entrar, então enxugo minhas lágrimas sentando na cama e dando espaço para ela sentar.

- Eu fiz algo que você adora quando está triste. – Ela disse mostrando uma caneca.
- CHOCOLATE QUENTE. – Pego a caneca sorrindo e tomando um gole.
- Sabia que ia te deixar mais animada. – Dona Vê diz e eu sorri de canto.

Coloco a caneca no criado mudo ao lado de minha cama e então Dona Vê diz:

- Meu amor, você quer conversar?
- Eu estou com medo, Vê.
- Do que, querida? – Ela agrada meu rosto.
- Daquelas pessoas que vieram mais cedo. A deve ter te contado.
- Sim, me contou. Quem são eles?
- Eles dizem que são meus pais biológicos. – Digo tomando um gole do chocolate enquanto Dona Vê me olha confusa.
- Pais biológicos? – Apenas concordo com a cabeça.
- Longa e triste história. – Sorri triste e logo sou recebida por seu abraço.
- Por que nunca me contou isso?
- Porque eu não queria me transformar no que eu já fui antes, Dona Vê. – Começo a chorar e ela me abraça. - Calma, minha pequena, não vai acontecer nada com você. Eu prometo.



Capítulo 7

Eu estava saindo da agência de Design onde eu trabalhava e resolvi fazer uma pequena visita a em seu trabalho, só que, o que eu não esperava é que ele pensava o mesmo, e assim que viro a esquina dou de cara com quem? , ele mesmo.

- Oi, pequena. – Ele fala tão surpreso quanto eu.
- Oi, . – Digo sorridente.
- Está melhor? – me abraça.

A rua em que estávamos, estava movimentada por carros e pedestres agitados, ansiosos para ir a sua casa.

- Um pouco. – Sorri baixo. – O que está fazendo aqui? – Pergunto, mas já sei a resposta.
- Vim te fazer uma visita no trabalho, mas parece que saiu mais cedo. – diz coçando o cabelo, envergonhado.
- Engraçado que eu estava indo te fazer a mesma visita.

Nos olhamos confusos e começamos a rir de nós mesmos. Enquanto eu me acalmava, ficava vendo o sorriso de ficar cada vez mais largo, e eu nunca tinha reparado, mas o sorriso dele é a coisa mais linda do mundo, junto com aquelas covinhas que só ele tinha.

- ? – me chamou e só então voltei a real.
- Sim?
- Tudo bem?
- Sim, está. Só estava pensativa.
- Muito trabalho?
- Exatamente. – Digo desconversando.
- Então, já que ambos íamos fazer uma visita, uma para o outro, o que acha de... – é interrompido.
- Meu amor. – Lia, também conhecida como a intrometida em amizades alheia, o interrompe.

olha confuso para Lia e é recebido por um beijo.

- Que coincidência. – Lia diz e eu tinha certeza que ela queria me provocar.
- Pois é. – diz tímido. – O que faz aqui?
- Eu iria ao shopping com minhas amigas. - (Leia-se reunião de piranhas e fofoqueiras.) – Mas já que te encontrei, vou mudar meu destino.

Lia mordeu os lábios maliciosamente e então beijou . Não sei por que, mas aquilo me incomodou, e muito, que eu estava sentindo uma raiva fora do comum nascer em mim, e eu acho que percebeu, pois me olhou com um olhar de desculpas.

- Não tem problema, pode ir ao shopping. – Diz tentando se livrar da patricinha.
- Não, amor, faz tempo que não saímos juntos. – Lia insiste e eu sinto minha raiva ferver.

Fecho meus punhos com forças e fecho os olhos suspirando.

- Não tem problema, . – Falei sério, mais do que devia, e vi que ele percebeu que eu mudei o tom, assim que olhei para ele. – Pode ir com sua namorada ao shopping. – Falei áspera. – Sinto que estou atrapalhando.
- E está, querida. – Lia diz e minha vontade de bater nela aumentou.
- LIA. – a chama atenção. – , me ... – o interrompo.
- Tchau, , a gente se fala.

Me viro de costas para o casalzinho do momento, e então vou para minha casa. Entro que nem um furacão jogando minha bolsa que pega no ar, porque eu tinha esquecido que estava com o notebook, e logo tiro meus sapatos.

- Pra que tanta raiva, menina do céu?
- POR CAUSA DAQUELA IDIOTA, RETARDADA, TODOS OS XINGAMENTOS POSSIVEIS DA LIA. – Gritei jogando um vaso na parede.
- EI, AQUELE VASO FUI EU QUE COMPREI, TÁ LEGAL? – grita e começamos a rir. – O que essa Lia fez?
- Eu e nos encontramos na rua e íamos sair, mas ela chegou bem na hora, e então o levou para sair, só para me provocar.
- Ela está querendo marcar o território, . – diz me puxando para sentar no sofá. – Você tem que lutar pelo o que já seu.
- . Eu já falei que eu e o não somos assim. Somos melhores amigos.
- Aham, sei. Então por que toda vez que você o vê com a Lia, sente ciúmes?
- Eu não sinto ciúmes.
- Ah é? – cruza os braços e sinto meu rosto ficar rosado.
- Deixa a coitada em paz, . – Dona Vê aparece da cozinha jogando um pano de prato em , o que me fez rir.
- Quanto amor, Dona Vê. – Vê mostra a língua enquanto se vinga jogando o pano. – Por que sempre defende ela e não eu? – fez voz de criança e beicinho.
- Awwwn. – Eu e Vê falamos juntas pulando em , dando um abraço.

Ouvimos uma buzina no lado de fora, então pulou para fora do abraço.

- Ele chegou. – diz saltitante.
- Ele quem, abençoada? – Digo confusa.
- Quem? O , oras.
- Vão sair?
- Na verdade. – fica tímida. – Eu não vou voltar para casa hoje.
- ESSA É MINHA GAROTA. – Gritei pulando em cima dela.
- Sai de mim. – me empurra pra frente e eu sorri.

Na verdade, estou feliz porque sempre foi uma garota tímida, por incrível que pareça, exatamente como eu, mesmo depois que começou a namorar com , há 2 anos. Eles nunca dormiram fora daqui de casa, pois nunca achou o momento certo. morava em um apartamento a duas quadras daqui, e mesmo assim, eles nunca se encontravam no apartamento dele ou ficavam muito tempo sozinhos, queria ir devagar com as coisas. Mas pelo o que eu pude perceber, ela está querendo avançar o sinal e isso é uma coisa muito boa.

- QUERO SABER DE TUDO DEPOIS. – Gritei para que saia da porta.
- IDIOTA.
- TAMBÉM TE AMO. – fechou a porta e saiu.
- Eu mereço vocês duas.

Ri discreto e fui para sala assistir qualquer filme que passava na televisão e me enrolei no cobertor.

- Aqui está seu brigadeiro, pequena . – Vê me entrega a panela.
- Obrigada, Dona Vê, quer assistir junto?
- Não, ainda vou arrumar o quarto da .
- Boa sorte com isso. – Digo rindo.
- Vou precisar. – Ela responde no mesmo tom, indo para o andar de cima.

Assim que acaba o filme, noto que são umas 23:00 horas e chovia forte lá fora, como de costume, apago a luz da sala deixando apenas o abajur acesso, pisei no primeiro degrau da escada e a campainha toca.

- Resolveu voltar mais cedo, ... – paro de falar ao ver que era .
- Oi, pequena. – diz tímido, tento sorrir, mas o que deve ter saído é uma careta.
- O que faz aqui? – Respondo seca.
- Vim me desculpar. – mostra um buque de orquídeas roxas, minha flor preferida desde pequena.
- Entra. – Disse vendo ele todo ensopado.

tira seu casaco e eu o penduro no cabideiro perto da porta. Me viro para e o encaro sem dizer nada, cruzando os braços.

- Me desculpa, ? – diz com carinha de cachorro pidão.
- Não me chame pelo meu sobrenome, , sabe que não gosto. – Respondo fria.
- Tudo bem, então, me corrigindo. – Ele fez uma pausa. – Me desculpa, minha ? – Não consegui não sorrir.
- Depende, se me tiver uma boa explicação. – Começo a brincar com ele.
- , eu... – O interrompo.
- Eu te desculpo. – Abraço pelo pescoço sentindo seu perfume.

Que cheiro ele tinha, um cheiro muito bom, que me deu vontade de ficar ali para todo o sempre. Encolho meu rosto em seu pescoço, para sentir mais seu cheiro.

- Fico aliviado por isso. , posso dormir aqui com você, hoje? – me pergunta e eu o olho assustada, me soltando do abraço. - Não, não é isso, apenas como amigos, igual quando a gente era pequeno.
- Tudo bem. – Sorri aliviada. – Lia não vai achar ruim?
- Não. Eu e ela brigamos de novo.
- , vou ser sincera, por que você fica em um relacionamento que não está te fazendo bem?

Percebi que ele tentou falar alguma coisa, mas as palavras simplesmente não saiam de sua boca.

- Porque não posso. Se dependesse de mim, já teria saído faz tempo, . – diz sério.
- Como assim não pode? – Sou insistente mesmo.
- Minha família quer que eu case com Lia, meu pai na verdade, porque eles sempre quiseram, tanto o meu pai como o pai de Lia, que a gente ficasse junto, para unir o poder de nossas famílias, ou seja, fazer as empresas de nossas famílias ficarem no topo do mercado sabendo que os filhos dos donos das empresas mais importantes estão juntos.
- Meu Deus, . – O abraço e sinto ele me retribuir. – Você nunca pensou em dizer pro seu pai que não quer isso? – Disse agradando a nuca dele.
- Não adianta conversar com ele, . Ele nunca me escuta. – diz com a voz embargada, estava prestes a chorar. – Esse foi um dos motivos da gente ter saído da fazenda aquele ano, ele queria que eu começasse a ver como era a empresa da família, para quando eu fosse maior de idade, eu ser o gerente do lugar. Mas eu não quero isso, eu quero ser cozinheiro, sempre gostei. – diz a última frase com orgulho.

Me afasto de seu abraço e enxugo as poucas lágrimas que saíram de seu rosto.

- Quer que eu te ajude? A convencer seu pai? – Pergunto e ele nega com a cabeça.
- Só vai criar confusão. Melhor deixar assim. – diz piscando.

Ficamos nos olhando durante alguns minutos e eu estava adorando ficar ali apenas observando aqueles olhos cor do mar. Observei que ambos de nós ficamos sem jeito e então desviamos o olhar um do outro para o chão.

- Então, sabe o que eu trouxe? – Ele perguntou fazendo suspense e eu neguei com a cabeça.
- Duas lanternas. – Ele me mostra os objetos e eu sorri.

Peguei meu colchão e coloquei no chão da sala, e peguei o de para , colocamos nossos colchões lado a lado e então afastamos o sofá para o canto da sala, pego um cobertor, faço pipoca e mais brigadeiro, e então montamos uma breve barraca com um dos cobertores na sala, fazendo a tenda da barraca, e então entramos nela.

- . – Ouvi Dona Vê gritar meu nome.
- Opa. – Disse baixinho para , que riu.
- Que bagunça é essa na sala? – Ela diz entrando na barraca e se assusta ao ver .
- Dona Vê, esse é o . – O apresentei e o mesmo só acenou a mão, tímido.
- O que ele está fazendo aqui?
- Eu o convidei.
- Tudo bem, tomem cuidado, vou dormir. – Dona Vê piscou pra mim e eu apenas rolei os olhos.

Assim que ouvimos os passos distantes da Vê, começamos a rir baixinho e então deitamos de lado de frente um para o outro.

- Senti tanta sua falta, baixinha. – diz fazendo carinho no meu rosto e eu fecho os olhos para sentir.
- Eu muito mais. – O abraço sem perceber e sinto seu abraço mais forte.

me levou para perto de seu peito e o cheiro do perfume estava ainda ali, tão bom, estava tão aconchegante.

- Lembra quando ficamos assim, olhando as estrelas no gramado? – pergunta.
- Lembro. – Respondi o olhando e ele baixa a cabeça na minha altura.
- Tenho tanta saudade disso. – Vejo uma lágrima sair de seu olho. – Sinto saudade de ser livre, correr, igual quando fazíamos quando éramos pequenos, sem preocupação nenhuma, apenas eu e você contra o mundo.

sorriu e voltou a me olhar.

- Eu também tenho saudades, meu querido . – Ele deu risada.
- Meu querido ? – Ele pergunta confuso, enxugando as lágrimas. – Essa é nova. – termina rindo.
- Devíamos sair mais vezes. – Digo cautelosa.
- Concordo.

Ficamos de novo em um silêncio duradouro, dava apenas para ouvir nossa respiração. coloca a mão no meu rosto e começa a agradar lentamente e ia se aproximando do mesmo jeito, porém, eu afasto ,tirando a mão dele do meu rosto e abaixando a cabeça.

- . Não, por favor. – Respondo tímida.
- Desculpe, pequena. Não sei o que deu em mim. – Ele sorri sem jeito.
- Está tudo bem. – Procuro alguma coisa para mudar de assunto e de clima, até que acho as lanternas. – Olha, vamos usar elas?

Aponto a minha lanterna para o teto da barraca.

- Está pensando o mesmo que eu? – pergunta.

Apenas o olho sapeca e ele entendeu. Começamos a fazer sombras e não perdia a oportunidade de me assustar de vez em quando. Estava começando a pegar no sono quando um trovão me assustou e por insisto eu abracei que ficou surpreso e demorou a me abraçar. Quando senti seu abraço, me senti segura ali mesmo.

- Vou te proteger, baixinha, sempre... – o interrompo.
- Para sempre. – Completo sorrindo e então abro meus olhos e olho na direção dos olhos de , que faz o mesmo comigo.



Continua...




Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic e reclamações somente no e-mail.




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