Última atualização: 10/03/2018
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Prólogo


Dia de chuva. Como detesto ser acordado com chuva, principalmente se passam carros dentro de uma poça cheia de água; é horrível a sensação, você já é acordado com pensamentos que seu dia será um daqueles difíceis, pois, em dia de chuva, não é fácil conseguir dinheiro na rua e seu risco de vida é maior, acaba passando mais fome do que em dias ensolarados, e se ficar muito embaixo da chuva, fica doente. Mas é o que temos para sobreviver.
Abro meus olhos lentamente, tentando me secar, pois o carro que passou conseguiu me molhar inteiro, mas, com a pouca roupa que tenho, é horrível, não adianta nada me secar, só serve para piorar a situação quando ela está molhada.
– Droga. – Resmungo, irritado, levantando-me do colchão.
O dia ainda está escuro. Por instinto e por passar minha vida praticamente na rua desde que me conheço por gente, conheço exatamente como vai ser o tempo no dia seguinte, essa é uma das vantagens em se morar na rua. O bom é que você é livre, pode fazer o que quiser, na hora que quiser, mas, para se dar bem, você precisa saber exatamente como se portar para conseguir dinheiro. Você pode agir normalmente, trabalhando, ou seja, mostrando seus talentos enquanto o sinaleiro está fechado, ou você pode ser que nem o pessoal que são os líderes do meu bairro, os Trash, como preferem se chamados. Ainda bem que eu, , não faço mais parte desse grupo desde quando eu fugi, o que já faz um bom tempo.
Desistindo de tentar me secar, levanto-me do colchão, fazendo uma careta ao notar que ele está todo molhado. Primeira lição do dia: ir atrás de caixas de papelão para o colchão poder secar.
– Droga, não vai ter papelão este horário em lugar nenhum. – Digo comigo mesmo, coçando meu cabelo.
A rua está deserta. Quase ninguém tinha saído de suas residências, o que facilitaria, em certo ponto, meu trabalho, e as pessoas não ficariam olhando para mim com cara feia. Não que eu tenha vergonha de fazer o que eu faço, até porque essa é minha vida, não tenho por que ter vergonha. Vergonha eu teria se eu fosse como os Trash, roubasse, fingisse, enganasse, aí sim teria vergonha. Mas o único problema é que as pessoas olham para mim com medo de que eu vá assalta-las, elas não percebem que, para ser feliz, nem sempre a solução é o dinheiro. Minha noção de felicidade é ver que, no final do dia, eu tenho um prato de comida, vendo que meu esforço valeu a pena.
– Levou um banho de chuva, ? Já começando o dia com a sorte, não é? – Controlo-me ao máximo para não avançar no filho da puta do .
é o líder do pessoal do bairro, ele é o manda chuva dos Trash. Ele acha que todo mundo tem que obedecer somente às regras dele, mas, para seu azar, eu não obedeço a ninguém.
– Cara, não começa, ok? Não estou com bom humor para ficar aturando suas gracinhas. Vê se cresce e arranja um trabalho decente em vez de ficar perturbando a minha vida.
Desde que larguei o seu bando, ele não me deixa em paz e não se conforma. Posso ter começado a vida nas ruas de um jeito ruim, mas eu era uma criança, repito, criança de apenas três anos que não sabia escolher o melhor rumo a seguir, que não sabia nem seu próprio nome e acabou indo para o mal caminho por ser influenciado. Até hoje arrependo-me de ter aceitado aqueles benditos doces de .
– Olha o respeito, garoto. Esqueceu das suas origens? De como você foi criado e como deve me respeitar?
Olho-o com cara fechada. Meu dia hoje não podia ter começado pior, parece que é o dia do azar na vida de , bem-vindos ao meu mundo, senhoras e senhores! Se você acha que sua vida está passando por momentos ruins, espere só conhecer a minha.
– Eu posso ter começado do jeito errado, , mas eu tive tempo de perceber que eu só me ferrava ficando ao lado de gente idiota como você, de gente que acha que, para ganhar a vida, tem que passar a perna nos outros. Se você pensou que eu seria como você, está enganado e muito sobre meu respeito. Eu, pelo menos, tenho uma chance ainda de seguir em frente, conseguir o quero, e você? Ninguém te quer por perto, aposto que seus amigos riem de você pelas costas.
Essa foi a deixa para que partisse para cima de mim, mas o pior não acontece, pois ele somente segura minha gola da camisa, demonstrando sua raiva que sente. Você deve estar perguntando-se se eu estou com medo... Nem um pouco.
– Escuta aqui, pirralho, eu estou na rua há muito mais tempo que você. Você tem apenas 16 anos, cresce para a vida moleque! Seus sonhos de criança nunca vão se realizar, você nunca vai ter uma família, uma casa, um lar e principalmente nenhum amor. Caras como nós não nascem para ter esse privilégio, eu já te disse uma vez. Quando se está na rua, temos que aceitar o que a gente é, não podemos mudar, e se surge um trabalho, não importa se é do seu agrado ou não, você tem que aceitar ou se não você morre de fome.
me solta, virando para trás. Eu não vou ele deixar acabar com meu sonho, eu ainda vou ter tudo isso, vou ter minha família, eu sinto. Se para ele a vida acabou, a minha acabou de começar.
– Um detalhe, . – se vira de frente para mim antes de sumir rua à fora. – Estamos de olho em você. Não pense que, porque deixou o bando, você está imune às coisas que você fez, e se você fizer qualquer coisa que não está nos nossos padrões, pode se considerar um cara morto. Estamos entendidos?
Não respondo, não aceno com a cabeça, apenas fico encarando-o sério. Ele não vai me intimidar e nem me assustar, afinal eu não tenho medo. Posso ter 16 anos, mas sei muito bem me cuidar sozinho e enfrentar meu destino.
Joguei-me no colchão ainda molhado, pensando sobre as merdas que fiz e que queria esquecer. Eles não vão mexer comigo assim, não irei permitir. Agora eu faço um trabalho decente, apesar de quase não ganhar nada, eu pelo menos sei que ainda tenho a chance de ser um cara bom para a sociedade, e quem sabe talvez apagar todos os erros que fiz no passado.
– Bom dia, garoto. Já está na ativa?
Essa voz é do senhor Joe, ele é dono do café aqui do lado. Sempre me deixa dormir aqui e diz que não é incomodo nenhum, apesar que de já ter me oferecido um lar para morar e eu recusei na época que trabalhava para , coisa que me arrependo.
– Sim, senhor, apesar de não ter começado uns dos melhores. – Faço careta em sinal de desgosto, balançando os braços, mostrando o estrago da chuva, e senhor Joe ri.
– Lá dentro do café tem banheiro, se quiser ir tomar um banho para não pegar resfriado, pode ir sem problemas, e depois te dou uma roupa do café enquanto a sua seca. O que importa aqui é sua saúde.
– Agradeço a ajuda, mas não precisa, logo a roupa seca. Não quero espantar seus clientes com a minha presença, eles com certeza vão se assustar.
De fato, na minha opinião, eu incomodo muitos clientes do Joe, pois fazem cara feia quando olham para mim, logo eu preciso achar um novo lugar para morar.
– Deixe de bobagem, , você não incomoda ninguém. Meus clientes estão acostumados a te ver por aqui, então nem se preocupe, você é de casa.
Joe bagunça meu cabelo em sinal de brincadeira e isso acaba molhando-o, mas o legal é que ele não liga para o que as pessoas pensam do seu jeito. Mas, para mim, Joe é, de alguma forma, parte de minha família.
– Mesmo assim, Joe. Agradeço, mas eu passo. Você sabe como é dia de chuva para quem vive na rua, eu preciso ir logo para tentar conseguir algum dinheiro e garantir minha comida.
– Sempre que precisar, a casa é sua, ! Pode entrar e comer o que quiser, garoto.
– Você também é como um pai para mim, Joe, mas realmente preciso ir antes que comece a chover novamente e...
Sou interrompido por pingos de chuvas que logo se transformam em uma chuva forte. Fecho meus olhos, amaldiçoando-me. Nem adianta tentar me secar, seria perda de tempo. Como só queria voltar a dormir, mas eu estava morrendo de fome. Não comi quase nada ontem, o dinheiro que consegui era pouco para conseguir alguma comida. Não tinha nem dez dólares.
– Garoto, tem certeza que quer ficar nessa chuva?
– Sim, Joe, eu tenho de ir. Não quero me tornar que nem os Trash, não quero ter que roubar para conseguir ter do que comer. Infelizmente essa é minha realidade..
Olho para Joe, que me lança seu olhar, de um lado orgulhoso pela minha atitude, ele sabe o que eu passei com o bando de , então sabe que eu quero ser um cara correto; de outro lado, lança-me seu olhar que parece ter pena de mim, é horrível isso. Não gosto que as pessoas sintam pena de mim, sintam medo, eu sou como qualquer ser humano, poxa. Por que ninguém vê isso em mim? Só porque vivo na rua? Eu não tive escolha.
– Pelo menos leve meu guarda-chuva. – Joe o oferece para mim, fazendo eu me afastar um pouco para trás.
Não porque eu tenho medo, e sim porque eu não posso aceitar isso de Joe. Ele já faz demais por mim, deixando eu dormir aqui, sem medo de que eu possa entrar em sua loja durante a noite como a maioria faz. Eu sei que, para ele, isso não tem importância, mas, para mim, sim. Eu nunca precisei da ajuda de ninguém, sei que posso tomar conta de mim, eu vou achar algo para me proteger da chuva.
– Joe, não posso aceitar.
– E eu estou pedindo para você aceitar algo, rapaz? – Ele pega o guarda-chuva, colocando em minha mão. – Venha me dar notícias, ok?
– Pode deixar. – Sorrio.
Joe é uma das melhores pessoas, senão a única, que me faz sentir que o que disse é bobagem. Eu teria sim uma família, a qual eu vou protegê-los de tudo. A rua do Joe Cofands Games, fica em uma rua bem movimentada da grande cidade de Vancouver, e este período parece que a cidade enche mais de pessoas do que o comum. Não entendo o porquê, só sei que, quando o dia está assim, tem bastante carro na rua, e é minha chance de conseguir dinheiro. Eu preciso de mais alguns dólares para comprar um sanduiche de queijo e presunto, pelo menos. Nem que seja algo pequeno, mas eu preciso colocar algo no estomago.
Chegando até o final da rua onde tem um sinaleiro, quando está no vermelho, vou para o meio da rua. Eu tenho um certo receio no começo, mas, mesmo assim, segurando um guarda-chuva, eu começo a cantar. Eu adoro cantar desde sempre, eu ouço, às vezes, os carros passando com som alto e fico escutando a música. Isso me faz feliz, também. É algo para me entreter, afinal viver na rua é tedioso, e dá medo, preciso de algo para me distrair.
Ao final da música, faço uma breve referência, caminhando até a fileira do meio no primeiro carro, e eu logo reconheço o senhor Richard, ele sempre passa aqui neste horário.
– Hey, , arrasou menino. Andou treinando? – Ele pergunta, sorrindo, e eu sempre me pergunto por que me sento tão à vontade conversando com ele.
– Sempre que posso nos meus tempos livres, senhor Richard. – Sorrio com educação.
– Isso é bom, e você merece um pagamento.
Richard tira dez dólares da carteira e eu sorrio, porque complementa meu dinheiro para comprar um sanduíche, e eu estou grato a ele.
– Obrigado, senhor Richard. Vou aproveitar bem seu dinheiro, não irei gastar em bebida. Prometo.
Ele sorri como se confiasse em mim, e eu fico tranquilo com isso. Olho para seu banco traseiro antes de partir para outro carro e noto que Dona Emma não está presente.
– Dona Emma não veio hoje?
– Tivemos uma pequena discussão ontem, menino. Venho da casa do meu irmão, afinal de contas preciso ir trabalhar.
– Quer uma dica? – Ele me olha, confuso. – Eu não entendo muito de mulheres e essas coisas românticas, afinal nunca tive a oportunidade de conhecer uma garota legal, mas, se o senhor gastar um minuto do seu tempo para comprar um buquê de rosas, creio que isso irá ajudar no relacionamento do senhor.
Senhor Richard sorri para mim, acenando com a cabeça, então ouvimos uma buzina e olho para a frente, notando que o sinal tinha aberto. Eu não me preocupo comigo de imediato, que estou no meio da rua, mas sim com duas meninas que estão conversando tão alegremente que nem perceberam que estão quase atravessando a rua sem ver o sinal.
– Senhor Richard, preciso ir. Dever me chama.
Saio correndo sem perceber o que senhor Richard fala, então sigo em direção às meninas. A morena meio alta para um pouco antes, mas a menina loirinha baixinha, que está sorrindo tão lindamente e conversa distraída com a amiga, nem nota o trânsito.
– Hey, cuidado. – Alerto-a.
Sua amiga ouve, desespera-se vendo a amiga meio longe e a chama. A menina, notando que tinha deixado a amiga para trás, para no meio da rua. Eu só ouço uma buzina, olho em direção ao carro e corro o mais depressa até a garota entre os carros, a tempo de fazê-la me olhar assustada, então seguro em sua cintura em tempo recorde, jogando-a novamente na calçada, segurando o guarda-chuva, impedindo a água de nos alcançar. Para variar, caio em cima da garota.
E não sei porque meu coração parece acelerado como se eu tivesse corrido uma maratona, também pudera né, acho que corri mesmo. A menina embaixo de mim consegue se acalmar, e eu deixo o guarda-chuva de lado. O tempo parece ter parado aqui mesmo para mim.
– Moço, pode sair de cima da minha amiga? – A morena responde pela sua amiga.
Olho novamente a garota embaixo de mim, saindo de cima e ajudando-a a levantar. Enquanto ela arruma seu vestido, que é chique, com certeza, eu a admiro. Seus cabelos são loiros, compridos, um pouco cacheados nas pontas, e ela, ao erguer seu rosto, sorri sem jeito para mim, fazendo-me fazer o mesmo, pois estava concentrado demais admirando seus lindos olhos verdes.
– Obrigada por isso. – Ela diz, ficando com uma corzinha no rosto. – Eu realmente sou muito distraída quando falo demais.
– Tudo bem, só tome cuidado da próxima vez, e olhe quando atravessar. Essas ruas são perigosas.
, temos que ir, estamos atrasadas. – Sua amiga a repreende.
Ela sorri para mim, agradecendo, e se despede, indo de encontro com a amiga. Não sei porque, mas sinto que uma parte de mim foi com ela. E eu espero realmente encontrar essa garota de novo.


Capítulo 1


POV :

O que se pode esperar de uma festa do garoto mais popular do colégio? Muitas bebidas, pegação e farra, não estou certa? Pois bem, existem quatro tipos de pessoas nessas festas: as que dançam loucamente como se não fosse haver o amanhã; as que são tímidas, porém dançam um pouco; as populares, que só pensam em pegar os meninos mais lindos do colégio; e tem eu.
Prazer, sou , uma garota de 16 anos, nerd. Não posso me classificar nem como tímida e nem como a popular, sou daquelas que estudam, que quer uma vida, mas sabe exatamente como equilibrar cada coisa em seu devido lugar. Essa sou eu. Sou daquelas pessoas que sempre estão ali para ouvir os desabafos das amigas por causa de fim de relacionamento e dar os conselhos, mas não sei o que fazer da minha própria vida.
– Hey, , o que está fazendo aqui sozinha?
Eu estou sentada no banco alto do bar da cozinha do mesmo carinha que me dirigiu a fala, pois ele é meu melhor amigo e o cara mais popular do colégio. Devo lhes apresentar meu vizinho: .
– Hey, . Só estou pensando na vida.
– Na vida ou no garoto que está olhando para você ali da sala?
Olho para trás, tentando identificar o ser que me olha, e ele tem jeito de nerd, camisa de nerd, usa aparelho e sorri para mim, acenando freneticamente. Eu não posso dizer que ele é feio, mas também não é lá grandes coisas.
– Vou te matar, . – Olho-o, estreitando os olhos, enquanto meu amigo apenas ri, tomando um gole de sua cerveja. – Sério, você me arruma cada coisa.
– Oras, só estou vendo o melhor para você, cuidando da minha pirralha, não posso? – Ele bagunça meu cabelo. – Até porque eu sei que ele não vai ter nenhuma chance de ficar com você, porque primeiro o cara tem que passar por mim, e o idiota do Ryan tem medo até quando eu chego perto dele. Lembra aquela vez que eu só disse um oi quando o mesmo estava falando com você e ele saiu correndo? – Ri junto do meu amigo.
É impossível esquecer aquele dia. Depois do ocorrido, eu e não conseguíamos parar de rir por mais que eu sentisse uma pontada no coração de fazer isso com o coitado do Ryan.
– É verdade, foi engraçado. – Sorrio um pouco triste, e claro que meu amigo não deixa de perceber.
– Ei, o que foi, ? Por que ficou com essa cara de quem comeu e não gostou? – Reviro os olhos, dando um tapinha no ombro do meu amigo.
– Você sabe que não sou muito chegada a festas, não é? – Ele acena com a cabeça, olhando-me confuso. – É meio-dia ainda, e está chovendo lá fora. Não estou muito no clima.
– Ah, qual é. Deixa o seu lado nerd para quando as aulas começarem, . É férias, porra. Dentro de uma semana, começaremos as aulas, e você não terá outra oportunidade.
– É claro que terei.
E como meu amigo me conhece muito bem, ele vira a cabeça de lado como se estivesse rindo, por dentro, do que eu disse. Mas o que eu não sabia, e só depois entendi o que meu amigo disse, e se ele não fizesse isso, não seria .
, não se atreva. Não estou afim de ficar com ninguém no momento. Você é meu melhor amigo, deveria me proteger, e não me incentivar para os outros. – Ele ri alto.
, é uma oportunidade. E você acha que eu não estou remoendo-me por dentro com tantos caras olhando-te, e eu sabendo que eles são extremamente babacas para ficar perto de você? Você merece alguém muito melhor que eles, porém tem uns amigos que são legais, e quem sabe você aqui não encontra o amor da sua vida?
e seus discursos. Todos esperavam que meu melhor amigo fosse protetor, certo? Mas ele é totalmente oposto. Já perdi a noção de quantas vezes ele me fazia pagar os maiores micos da história em seus encontros. Toda santa vez que ele ia sair com sua namorada, Amberly, ele sempre levava alguém para ficar comigo e sempre me fazia pagar mico. A última vez foi Ryan e ele jamais saiu do meu pé depois disso. Tenho certeza que, apesar de suas atitudes, ele fazia aquilo pois sabia que eu odiava servir de vela.
– Aí estão as minhas pessoas favoritas. – Amber chega abraçando , beijando-o. Reviro os olhos. – O que estão fazendo aqui, com essa festa maravilhosa rolando?
– Estou tentando incentivar a pequena a pegar alguém nessa festa, já que será a penúltima que irei fazer antes das aulas e ela não quer, acredita? – Olha para a namorada.
– Claro que acredito, afinal me contou sobre o carinha que a salvou de ser atropelada no caminho para a sua casa.
. Façam-me o favor de matar ela depois, ok? me olha sério, apertando a namorada em seu abraço.
– Que garoto foi esse, ?
Belo amigo, em vez de perguntar como eu estava, preocupa-se com o garoto que me salvou. Eu mereço!
não gosta nada disso, e eu só quero me esconder num buraco e não sair mais, mas o que eu posso dizer a ele? Nada, afinal ele não é meu pai para me exigir informações. Mas o que aconteceu foi: estava voltando da casa de , pois dormi lá noite passada a pedido de meus pais, coisa que eu estranhei, e estávamos conversando sobre os garotos novos da escola. já estava armando planos para conquistar alguém quando eu quase fui atropelada e salva por um menino, que me chamou a atenção por não olhar a rua, e isso me surpreendeu, afinal não esperava isso vindo de alguém que eu acho que mora nas ruas.
Ele parecia simples, vestia apenas uma calça rasgada nas pernas, uma camiseta branca toda suja de graxa e algumas manchas marrons, possivelmente pela lama da chuva. Sua jaqueta era verde, mas também, além de molhada, estava rasgada nas mangas.
, quando pediu para ele sair de mim daquele jeito, disse que ele era um mendigo e que queria nos assaltar. Mas, na minha concepção, olhando aqueles olhos azuis tão bonitos como o céu, aquele cabelo moreno molhado e as gotas pingando em seu corpo que, apesar de magro, para mim estava ideal, eu senti que ele não queria nos assaltar, parecia que ele queria somente me proteger de ser atropelada e só. Por esse motivo de pensar que o garoto faria algum mal para mim, me chamou para continuar a ir à festa antes que a chuva nos molhasse ainda mais, e eu não resisti e olhei para trás. O menino ainda estava lá olhando-me.
, quem é esse garoto! – exclama parecendo furioso.
Olho Amber, pedindo ajuda, pois assim como eu, sabe que não ficaria em paz até conhecer o tal garoto.
– Era um morador de rua amor. – Amber responde, olhando para o namorado. – Ele só viu as meninas passando no sinaleiro e as salvou, só isso.
– Um morador de rua? – Meu melhor amigo rosna para mim, irritado, e eu engulo a seco. – Você sabia que ele poderia te assaltar, ?
, sei que está preocupado, mas ele não me parecia mau e... – Sou interrompida.
– As aparências enganam, . Ele poderia muito bem pedir dinheiro para você porque te salvou e, como pagamento, iria comprar uma bebida, cerveja, drogas...
– Ele não parecia querer fazer isso comigo, .
Sinto-me mal de falar desse jeito. Ele não me parecia ser o cara que é preconceituoso, e ouvi-lo falar assim, magoa-me muito. Como também é estranha a sensação, mas eu sinto vontade de defender aquele garoto.
– Como pode ter certeza, ? – Meu amigo rebate. – Nunca sabemos o que esperar quando estamos lá fora, não podemos confiar em ninguém.
– Acho que vou embora. – Respondo depois de algum tempo. – Perdi a vontade de ficar aqui, . Avisa a que estou em minha casa, aqui na frente, e, por favor, não apareça.
...
– Por favor, se é meu melhor amigo, deixe-me ficar sozinha. Tchau, Amber.
Atravessando a rua, vou para a minha casa, ou melhor, a mansão de meus pais. As mansões dessa rua ficam próximas ao mar, e minha casa possui três andares, contendo cinco quartos e cinco banheiros. O meu fica no segundo andar, o que é bom, pois aqui só tem meu quarto; o dos meus pais fica no andar de cima. As janelas, do chão ao teto, integram o lado oeste do imóvel, provocando uma vista magnífica para o mar, contendo um enorme jardim na frente da casa.
Eu adoro morar perto da praia, afinal, fora de temporada, poderia muito bem ter ela todinha para mim e descansar aqui, e é para a praia que eu fujo quando meus pais resolvem brigar.
– Cheguei, família. – Anuncio minha chegada assim que entrei em casa.
– Oi, filha, estávamos esperando-te.
Minha mãe diz, lendo revista na sala e me responde sem olhar para mim. Caminho para cozinha, pegando alguma fruta que tem por aqui no fruteiro, sentando ao seu lado, querendo chamar sua atenção, mas a mesma continua lendo sua revista, enquanto papai assiste ao jornal no sofá ao lado, e esse nem nota a minha presença.
– Filha, eu e seu pai conversamos mais cedo e decidimos que iremos deixar você morar sozinha. Acreditamos que você já está na idade certa para isso.
– O quê? – Respondo, assustada. – Mas, quando fiz a proposta, vocês brigaram um monte comigo!
– É por isso mesmo, . Acreditamos que já está madura o suficiente para saber se cuidar sozinha. – Meu pai, ainda olhando o noticiário, fala pela primeira vez.
– Mas...
– Já compramos seu apartamento, filha. Sei que acha que não é a hora, mas somos pais, sabemos quando os filhos estão querendo sair do ninho.
– E quem disse que quero sair? – Exclamo, indignada.
Meus pais nada me respondem, e minha mãe o olhou, parecendo esconder algum segredo, e isso me intrigou. O que eles escondiam que eu não poderia saber?
, vamos dar uma volta? – Minha mãe diz, levantando-se. – Temos que ter uma conversa.
– Ok.
Eu não queria ir, sinto que essa conversa não iria ser boa, e antes de abrir a porta para sair, olho mais uma vez para a minha casa, sentindo um aperto no coração, vendo um serzinho vir correndo da escada em minha direção, latindo.
– Hey, Kitty. – Abaixo-me em seu tamanho, enquanto a mesma apenas balança o rabo. – Mãe, posso levar a Kitty junto?
– Claro.

**


Ao chegarmos no parque, que não é muito longe de casa, demorou uma meia hora de carro, caminhamos um pouco em silêncio, deixando-me ainda mais tensa para a tal conversa. Kitty me olha como quem sabe que eu estou tensa, então se aproxima mais de mim, fazendo carinho em minha perna. Sorrio com isso. Ela anda comportada assim só na frente das outras pessoas, mas comigo ela faz uma bagunça. Todo dia encontro algo revirado no meu quarto, minha cama totalmente bagunçada, e adivinha quem pode fazer essas coisas? É ela mesma. Tem carinha de santa, mas não me engana.
Minha mãe senta em um banco que estava em nossa frente, de frente para o gramado que tem no parque, vendo as pessoas em seus momentos de família, na pista de corrida, o pessoal caminhando e divertindo-se, e Kitty, bom, aproveita minha distração e sobe em meu colo, pedindo carinho, e eu fico agradando-a.
– Mãe, o que a senhora que me falar? – Olho-a meio preocupada, afinal minha mãe não é de sair assim comigo.
– Você já vai saber. Agora, por que não vai comprar uma pipoca para nós duas comermos enquanto conversamos? – Ergo a sobrancelha, mas aceito o dinheiro que ela me dá.

**


– Kitty, quer parar quieta? – Resmungo para meu filhote, que corre enquanto voltamos ao banco. – Esses pacotes vão cair, bebê, e já sabe como eu vou levar uma bronca por ser desastrada, não?
Kitty para de correr, olhando-me com a cabecinha virada de lado como se eu perguntasse por que eu iria levar uma bronca.
– Não tem importância, Kitty. Agora vamos!
Quando chego ao local do parque em que minha mãe estaria esperando-me, noto que ela não está aqui. Ué, por que ela me mandou comprar pipoca para ela ir ao banheiro? Ergo a sobrancelha.
– Ainda bem que nunca saio sem meu celular. – Sento no banco, e Kitty em meu lado. Minha mãe não atende o celular, e minha bateria está quase acabando por eu esquecer de carregar ontem. – Kitty, o que faremos agora? Como vamos encontrar sua vó?
Kitty me olha, parecendo confusa, cansada. Minha mãe sempre tinha me ensinado que, caso de acontecer imprevistos como este, temos que ficar no local e não nos desesperar, que não nos leva em lugar nenhum. Só que eu estou começando a ficar assustada, já está no meio da tarde, e eu estou aqui há um bom tempo esperando, e nada de minha mãe aparecer.
– Kitty, estou começando a pensar que alguém a sequestrou. – Falo com minha cachorra, que agora tentava dormir, aconchegando-se mais em mim. – Ela não atende esse celular.
Arregalo os olhos. Só de ter esse pensamento de minha mãe sendo sequestrada, meu coração acelerou. Eu preciso dar um jeito de falar com meu pai para saber se está tudo bem ou tentar ligar de novo. Eu preciso descobrir onde minha mãe está.


Capítulo 2


POV :

No momento em que entro em um beco da cidade, começa a anoitecer. A luz deixando a cidade, fazendo com ela se torne ainda mais sombria do que já parecia para mim. Encosto-me na parede para comer a única comida que consegui no meu dia de trabalho, e a sensação é boa, apesar de estar morrendo de fome, pois sei que consegui minha comida sem fazer coisa errada. Claro que, para muitas pessoas, morar na rua é errado, mas o que eu posso fazer sendo que eu não tenho uma família? Fui criado na rua desde cedo e sempre estava com . Lembro das sensações de quando eu vi, porém era muito pequeno para saber, só sei que eu chorava muito e chamava por alguém, então apareceu, oferecendo-me doces e, como eu não entendia nada na época, apenas aceitei e o segui quando ele me chamou para ir a algum lugar. Desde então, aprendi coisas que não me orgulho nada disso.
– Conseguiu uma janta, garoto? – Mike, um dos intrigantes dos Trash, pergunta-me, assustando-me.
– Isso não é da sua conta, Mike. – Olho-o, comendo meu sanduíche. – Por que está aqui e como me achou?
Mike é o tipo de cara que separa as brigas que eu tenho com de vez em quando, e não parece concordar com algumas atitudes de , acho que é por ser o mais velho do grupo. E, quando acontecia, às vezes, de extrapolarmos o limite, ele me encarava, preocupado.
– Não importa como te achei, só fico preocupado. Você sabe como é difícil achar comida boa, como é raro ter algum dinheiro aqui, e com você, mesmo tentando fazer o certo trabalhando, sei que anda passando dificuldades, não?
É, eu tenho de admitir que agora as coisas estão mais complicadas, mas eu vou conseguir ser alguém melhor, nem que, para isso, eu tenha que ficar dias sem comer.
– Pelo menos não estou roubando como vocês. – Acuso-o.
– Filho... – Mike se abaixa ao meu lado, enquanto mordo meu sanduíche. – A gente não está fazendo coisa errada, estamos tentando sobreviver.
É claro que é errado, não importa o motivo. Não é justo com quem trabalha e dá o esforço, seu sangue para conseguir sustentar uma família da forma correta, sem precisar fazer atitudes que um dia iria fazê-lo se arrepender, colocá-lo em maus lençóis.
– Então tentem trabalhar para conseguir dinheiro, porque é tão difícil assim para vocês fazerem isso, o que custa fazer um esforço, ter um pouco de força de vontade?
– Já conversamos sobre isso , e você sabe tudo o que eu penso sobre isso.
– Claro que sei. Você pensa que dinheiro cai do céu, mas não é bem assim. Não é da forma fácil que se faz o certo, Mike.
– Às vezes, sim. Mesmo não gostando, temos que fazer.
Eu não vou perder minha fome por causa desse assunto e, sabendo que esse prato é o único que eu consegui hoje, decido encerrar a conversa.
– Mike, eu não quero discutir, ok? Se veio aqui para saber como estou, estou bem. Pode avisar sobre isso, garanto que ele não vai ficar nada satisfeito em te ver aqui comigo. É melhor você ir, antes que alguns capangas apareçam.
– Certo, irei deixar você aí com seu sanduíche, mas só irei deixar claro, menino: isso não era o que eu queria quando eu passei o comando para .
E sai, simplesmente. Fecho os olhos, respirando fundo, tentando me acalmar, eles não vão estragar meu dia, não assim. Mas, ao olhar novamente minha comida, constato que perdi a fome. Embrulho novamente o sanduíche no pacotinho, escondendo no bolso do meu moletom.
Eu preciso pensar, e o bom de se morar na rua é que você pode ir para qualquer lugar e a qualquer hora, não tinha essa de ficar com medo do escuro. Às vezes o escuro é meu melhor amigo.
Chegando próximo a um parque da cidade, sabendo que ainda é permitida a entrada das pessoas, pois algumas estão entrando, somente as acompanho para dentro, não querendo chamar atenção e ignorando os olhares estranhos para mim. Porém, sei que logo eles fecharão o parque e eu vou ter de dormir aqui dentro, mas não me preocupo com isso.
O parque é enorme, tem algumas estátuas em alguns lugares e um amplo gramado. Diria que é um bom lugar para se passear com a família, com alguns bancos meio separados para se sentar. Resolvo parar ali para descansar, sentando em um deles.
Por que a vida tem que ser tão injusta com algumas pessoas? Não é por nada, mas conheço gente que mora na rua e não merece estar aqui, diferente de mim. Vejo, às vezes, pessoas idosas pedindo dinheiro para comer, e já vi pessoas brigando e xingando por ela não ir trabalhar, sem saber o que a pessoa passou para chegar até aqui.
Acho tão errado isso, as pessoas nos veem como um monstro, como um lixo que não pode ser tocado; eu nunca tive amigos, nem sei o que é ter isso, e é a coisa que eu mais queria ter. Quero, de algum jeito, deixar minha marca no mundo fazendo as pessoas felizes, ter uma vida normal.
Um barulho de algo correndo chama minha atenção, fazendo-me parar de pensar na minha vida. Assim que olho para frente, noto uma coisinha minúscula branca e marrom, orelhas com manchas da mesma cor, correndo em minha direção, subindo no banco onde eu estou e começando a fuçar meu bolso do moletom.
– Ei. – Coço sua cabeça e o mesmo me olha, abanando o rabinho. – Está com fome também? Ou está perdido?
O bichinho me responde com um latido, olhando para meu moletom. É, ele está com fome. Tiro o embrulho do pedaço do sanduíche do bolso, vendo que o balanço do rabo aumenta, fazendo-me rir, enquanto tiro o papel da comida. É, eu posso ficar sem comer por hoje.
– Aqui. – Ofereço-o, e o mesmo se aproxima de mim com receio de pegar. – Pode comer e....
– Kitty! – Uma voz feminina a chama.
Olho para frente, vendo uma menina que deve ter 1,53m de altura. Sim, ela é um pouco mais baixa que eu. Seus cabelos são loiros e parecem se mover junto com o vento, enquanto ela corre até mim. Seus olhos, no momento, estão desesperados atrás de seu animal de estimação. Olho para a cachorra e a mesma olha para mim, abanando o rabo, latindo. Sorrio com isso.
– Desculpa, moço. – A menina toca em minha mão, tentando impedir que eu dê o alimento para sua cachorra, e eu sinto um arrepio estranho. – A Kitty só está querendo chamar a atenção.
Olho para a menina e, agora com ela mais de perto de mim, tenho impressão de conhecer a garota de algum lugar. Claro, eu vivo na rua, devo ter visto em algum momento.
– Sem problemas. – Respondo, acordando do transe. – Ela pode ficar com o pedaço que sobrou.
A menina me olha de um jeito divertido. Seu jeito parece de uma menina doce, educada. Isso só de olhar. Dá para saber em sua expressão, pois se fosse outra pessoa, já estaria mandando eu ir embora ou chamando a polícia, mas isso não é isso que acontece. O que acontece é que a menina senta no banco ao lado de sua cachorra e fica agradando-a.
– Ela deve estar com fome mesmo. – Noto um jeito de falar triste e me descubro querendo saber como seria ver ela com um sorriso. – A última vez que ela comeu foi ontem.
Olho para minha comida, finalmente dando-a para a cachorrinha, que logo está comendo com a cabeça apoiada em meu colo. Sorrio com isso e, ao olhar a menina, ela está observando-me. Fico tímido na hora. Eu nunca cheguei a conversar literalmente com alguém e não sei como conversar com ela.
– Ei, você é o menino que me salvou hoje mais cedo, não foi? – Ela abre um sorriso. – Sou , mas pode me chamar de . Obrigada por me salvar – Ela estende a mão, sorrindo, tímida.
É ela. Aquela mesma menina que eu tinha sentido algo estranho ao ver tão perto de mim quando estava trabalhando na rua. Deus tinha ouvido minhas preces para poder vê-la novamente. Não sei por que, mas não parei de pensar nela durante a tarde, e não entendo esse motivo, mas a questão é.... O que ela está fazendo na rua a essa hora? É perigoso demais, para uma mulher, andar sozinha.
– Não vai apertar? – Ela sorri, triste, fazendo meu coração afundar.
– Espero que tenha olhado a rua quando estava indo para casa. – Aperto sua mão.
– Olhei sim. Eu acabei entrando demais no assunto que estava tendo com a minha amiga. – Sorri com isso. – Deveria ter mais cuidado, foi erro meu.
– Sem problemas. Mas, o que está fazendo na rua a esta hora? E cadê sua amiga?
Sei que não devo me intrometer em sua vida, mas eu sinto que devo protegê-la. Mesmo não a conhecendo direito, eu sei que devo! Porém, seu olhar meio assustado me fez pensar que eu estou entrando demais na sua vida, e eu tenho medo de afastar a única pessoa que foi educada comigo além de Joe.
– Desculpe, não queria me meter. E eu me chamo . – Ela sorri.
– Está tudo bem, . Minha amiga não sei onde está, provavelmente na casa do ainda. Mas eu não consigo falar com ninguém, porque meu celular acabou a bateria e eu não posso voltar para a casa. Minha mãe tinha me dito que era para eu comprar pipoca e ficou esperando no banco. Quando eu voltei, ela não estava mais lá e nem atende minhas ligações.
– Já tentou procurar ela pelo parque?
Sua cachorrinha, Kitty, vai para perto da dona, subindo em seu colo, pedindo carinho, e assim a menina o faz antes de me responder, e eu acho essa cena a mais fofa que já tinha visto.
– Não pude, ela sempre me ensinou que, se eu me perder, eu tenho que permanecer no lugar até eles me acharem.
– Há quanto tempo está esperando sua mãe aqui? – Agrado a cachorrinha também.
– Duas horas.
– Isso está estranho, ela já deveria te aparecido. – Ela olha para baixo, sentida, e isso me faz uma ideia ao notar que ela realmente está com medo de andar por aí sozinha. – , não quero parecer um cara que tem segundas intenções, ok? – Ela me olha, preocupada. – Mas, se você me falar onde mora, eu posso te levar até lá. Sei muito bem caminhar por essas ruas, até mesmo no escuro.
– Não quero ofendê-lo, mas eu quero permanecer aqui até ela aparecer, estou com medo que alguém tenha a sequestrado.
Seus olhos azuis realmente me parecem preocupados com sua mãe, mas, se fosse sequestro, eles já teriam retornado; sei bem como isso funciona. Como dizer a ela que sua mãe a abandonou? Não, eu não podia. Não quero vê-la sofrer, apesar de saber que contar a verdade sempre é melhor coisa. Mas, nesse caso, ela acredita realmente que a mãe foi sequestrada, e isso me machuca, dá-me raiva ao mesmo tempo, pois eu sei o que é ser abandonado e sei me cuidar nas ruas, mas e ela? Suspiro, cansado. Tinha duas opções a fazer: ou levantar e ir embora, ou ficar com ela, porque pelo menos sei que vai estar segura.
– Tudo bem podemos ficar e...
– Podemos? – ela me interrompe. – , não precisa ficar aqui. Sei que deve ter vários compromissos.
– Relaxa, hoje não tenho mais nenhum. – Sorrio para acalmá-la. – Aliás, eu prefiro dormir em parque quando o tempo está meio assim, chuvoso, pois pelo menos aqui tem uma ponte para nos escondermos.
Ela me olha com aquele olhar que eu conheço muito bem dos outros de pena. Detesto esse olhar! Obrigo-me a olhar para o outro lado, pois assim a vergonha diminui. Eu me sinto, de verdade, um lixo por não estar com roupas apresentáveis na frente de uma menina como ela. Não quero que ela pense que eu sou um vagabundo, um aproveitador que não trabalha, quero fazer com que ela confie em mim a ponto de não me tirar de sua vida por ser morador de rua.
, é sério, não precisa se preocupar.
Eu também não quero ter que dar a ela uma vida de moradora de rua, mas se precisa ficar até amanhã, o mínimo que eu posso fazer é a fazer companhia, deixar de pensar em mim um pouco e pensar nela, pois isso irá acalmar o meu coração, sabendo que ela estará segura até conseguir voltar para casa no dia seguinte.
– É claro que preciso, afinal a rua é muito assustadora à noite, vai saber o que se encontra em cada esquina. – Olho-a, erguendo a sobrancelha. – Pode haver monstros, fantasmas... – Resolvo a provocar e ela me dá um tapa de leve no ombro, fazendo-me rir.
Rir é algo que eu desconhecia ultimamente, e ela conseguiu me fazer sorrir depois de muito tempo.
– Deixa de ser bobo, fantasmas não existem, muito menos monstros. – Ergue o rosto como se não tivesse medo, e eu tenho de rir. – E eu não tenho medo disso.
– Ah, é? – Olho-a ainda desconfiado. – E se eu te falar que sou um monstro, o que faria agora?
Afinal, em parte do meu passado, eu realmente fui um monstro. Mesmo não querendo, fui obrigado a ser por . São coisas que eu não quero compartilhar com ninguém.
– Isso é impossível, .
– Posso saber o porquê? Você nem me conhece direito.
Devo admitir que estou nervoso para saber sua resposta, mesmo sem saber o porquê de sua opinião ser tão significativa para mim, ela é uma desconhecida ainda que eu estou apenas querendo deixá-la segura durante esta noite.
– Eu sei que você não é! Pode parecer loucura, mas, desde o momento em que eu te vi no sinaleiro hoje, você me pareceu ser diferente. E agora você, que poderia estar fazendo outra coisa mais importante do que ficar comigo, está fazendo companhia para uma desconhecida. Você me parece ter um bom coração.
Fico lisonjeado com suas palavras e me permito ser feliz por um breve momento. São essas pequenas atitudes das pessoas que me mantém firme para seguir com o plano de ter uma família, e eu sei que irei conseguir, mesmo que isso demore um pouco para acontecer.
– Nossa, não sei o que dizer, é muito raro escutar isso, . Já escutei tantas coisas antes, mas nunca um elogio assim. – Sorrio de canto, fazendo ela fazer o mesmo. – Você também me parece ser uma menina legal.
Observo seu rosto durante um tempo até que ela desvia do meu olhar para agradar Kitty, mas tenho quase certeza de que foi para disfarçar o leve rubor que vi em suas bochechas e me pego vendo que gosto de saber que ela fica tímida com algumas coisas que eu digo. É divertido.
Olho para o céu, que está estrelado depois da chuva, isso me faz ter a certeza que amanhã será dia de sol e que já é tarde da noite. Olho para Kitty e vejo ela bocejar, fazendo a dona fazer o mesmo, coçando os olhos. É, já é hora de ir dormir.
– Está com sono, ? – Ela me olha novamente e eu tive certeza pelo seu olhar cansado.
– Um pouco.
– Então vamos achar um lugar para dormir vem.
Levanto do banco onde estava sentando, segurando a mão de , e noto que ela está tremendo um pouco. Às vezes, de noite, o tempo fica frio demais quando chove, e hoje é um desses dias. Apesar do meu moletom já estar um pouco seco, ainda está úmido, porém o tiro e o ofereço para a menina em minha frente.
, não precisa, você vai passar frio.
– Eu já estou acostumado. Não quero ver você doente. – Ela sorri e eu também. – Pode vestir.
Enquanto espero colocar o moletom, pego Kitty no meu colo e fico observando-a, ela é muito fofa. Agrado sua cabecinha e ela balança o rabo, latindo para mim. Não sei se ela gostou muito, porém continuo agradando-a, até que ela lambe meu rosto, fazendo-me rir.
– Ela gostou de você. – Volto minha atenção para . Ela já está com meu moletom, que ficou um pouco grande nela, mas eu gostei. – É raro ela fazer bagunça e se sentir à vontade com alguém.
– Acho que ganhei uma amiga então, não é, Kitty? – Olho para a mesma em meu colo, recebendo um latido e um aceno de rabo. – Vamos então, ?
– Vamos.

**


, Kitty e eu, depois de andarmos uma meia hora pelo parque, encontramos um rio que passa por ali, ele se encontra no meio de uma trilha escondida do parque. Opto por dormimos ali, pois além de ser mais seguro, também evita os guardas nos expulsando daqui do parque. Só que, como está escuro, noto que ainda está com um pouco de medo. Sento ao seu lado na grama, de frente para o rio, enquanto ela observa Kitty tomando água no mesmo.
– Não precisa ter medo, aqui é seguro. – Coloco uma mão no seu ombro, chamando sua atenção.
– Não estou com medo, . – Ela suspira e parece triste. – Só fico pensando em como meus pais devem estar, se estão procurando-me...
Ela não continua a frase. Pelo meu raciocínio, ela acha que os pais dela não estão à procura e a sua mãe sumiu. Eu sabia a verdade, o que sua mãe fez, mas e seu pai, será que concorda com a atitude que a mãe dela?
– É claro que estão. Amanhã, quando você chegar em sua casa, irá ver eles, .
E eu acabo de perceber um certo receio na minha voz, pois não quero que ela se afaste de mim, mesmo indo para a casa novamente, porque foi muito bom ter alguém com quem conversar durante essa noite; deixou ela um pouco mais alegre, mais divertida e tranquila do que costuma ser para alguém como eu. Solitário.
– Eu sei que eles não estão, . Você não os conhece. – Ela deixou uma lágrima escorrer.
Assusto-me ao ver ela chorando. abraça suas pernas, que estão cruzadas, como se aquilo fosse a proteger de todo o mal. Sinto-me péssimo ao vê-la derramar aquela lágrima que logo tratei de enxugar, pois ela não merece chorar. Peguei-me pensando que queria conhecê-la ainda mais.
– Vem, vamos dormir. – Disse, tentando fazer ela se acalmar. – Kitty, vamos dormir!
Chamo a cachorrinha, que logo se aproxima da gente. deita de costas para mim, porém, ao meu lado, Kitty se aproxima da dona, entrando no meio do bolso do moletom para se esquentar, e eu sorrio com isso. Percebo que não está acostumada a dormir no relento, pois mesmo com meu moletom, ela ainda está com frio. Minha vontade é de abraçá-la para a esquentar, mas o que ela pensaria de mim? Ela já está com medo, ficaria mais ainda. Tiro minha camisa branca, cobrindo suas pernas, e levanto dali, indo procurar alguma coisa por perto para fazer uma fogueira!
Não muito longe do rio, encontro um monte de galhos espalhados pelo chão e, quando me abaixo para pegá-los, sinto uma coisinha minúscula cutucando meu braço. É Kitty.
– Kitty, o que está fazendo aqui? – Ela me olha, abanando o rabo. – Sua dona deve estar preocupada com você!
Ela late, olhando para os galhos. Eu posso estar ficando louco, mas tenho a impressão de que ela quer me ajudar a levar, pois se aproxima do monte de galhos, pegando um na boca. Sorrio com isso, agradando-a.
Termino de pegar alguns galhos e os levo até o local em que está, com Kitty ao meu lado com seu galho na boca. Monto a fogueira e faço o fogo com umas pedras que estão por perto. Finalmente está mais quente por ali e me permito deitar ao lado de . Kitty se aproxima, entrando por debaixo do meu braço, fazendo a dona dela se virar de frente para mim, pois Kitty passa por cima da mesma.
– Acho que perdi minha cachorra para você, . – Rio com isso, e ela está quase fechando os olhos. – Boa noite.
– Boa noite, .
Tiro um pouco do cabelo que estava em seu rosto e o cubro seu cabelo com a touca de meu moletom. Só então me permito dormir tranquilo, com Kitty em baixo do meu braço e com a sensação de que quero acordar amanhã e ter ao meu lado, mas ao mesmo tempo com medo de que ela não estará aqui.


Capítulo 3


POV :

Acordo, no meio da noite, assustada com um barulho de passos andando por ali. Pelo visto não sou a única, Kitty também já está acordada e olha para fora da trilha com atenção; , por outro lado, ainda dorme. Como ele consegue dormir sem se sentir inseguro? E, opa... por que ele está sem camisa? Franzo o cenho em confusão, procurando a camisa dele, porque o moletom sei que está comigo, pois em uma atitude que eu achei completamente fofa, e uma atitude muito bonita, que pessoas como minha família não fazem, ele fez; emprestou-me seu moletom, e isso prova para mim que aquele que menos tem é o que mais divide. Localizo sua camiseta em cima de suas pernas e me sinto mal com isso, pois a noite está fria e, quando toco seu peito, confirmando que está gelado e tremendo, sinto-me culpada por ele estar sentindo frio, já não basta a sua comida que deu para minha cachorra.
Com essas atitudes, posso não o conhecer direito, mas sei que ele é uma pessoa boa e que definitivamente não merece estar na rua. Pego sua camisa, cobrindo-o por cima, e ele se mexe um pouco, fazendo-me recuar, pensando que o mesmo tinha acordado.
– Você gostou dele né, Kitty? – Minha cachorra olha para mim com a língua para fora como se estivesse sorrindo. Deito-me de lado, de frente para e Kitty, permitindo-me o observar um pouco. – É, ele parece ser um cara legal.
Faço silêncio ao notar os passos aproximando-se da gente e depois se afastarem. Apoio minha cabeça em cima do meu braço, tomando uma coragem ao extremo de tocar o rosto de e fazer um carinho, é o mínimo que eu posso fazer no momento para retribuir por ele ter me salvo, por estar comigo agora. Quando puder, eu com certeza irei retribuir da forma que ele merece.
dormindo parece um menino calmo, e não um menino cheio de problemas, na rua, que eu tenho quase certeza que já passou por poucas e boas. Eu quero conhecê-lo melhor. Não quero que nosso começo de amizade acabe, porém sei que, se eu voltar para a casa agora, meus pais não vão deixar eu ser amiga dele. Eu tenho que fazer essa escolha: ou voltar para a casa, ter a mesma vidinha chata que eu tenho, ou ficar ao lado de e conhecê-lo melhor, porque não seria possível ter as duas coisas, ou seria?
Os primeiros raios de sol começam a surgir no meio da mata, fazendo-me ficar sentada e me espreguiçar, claro, sem tomar nenhum barulho para acordar , então falo para Kitty ficar com ele e ela me obedece. Fico mais tranquila caminhando até o rio, molho minhas mãos a fim de lavar o rosto para tirar todo o cansaço quando minha barriga começa a despertar para pedir comida.
Comida, eu tenho que dar um jeito de conseguir, mas como? As pipocas que comprei ontem eu esqueci lá no banco, e eu não quero deixar que pense que fui embora.
– Acordada já cedo? – Sua voz de quem acabou de acordar me faz o olhar.
A primeira coisa que reparo é que seus cabelos estão meio bagunçados. Sinto um arrepio na espinha ao ver ele se apoiar em seu braço para me encarar, ele acordado e sem camisa, Deus. Apesar de estar um pouco magro por viver nas ruas, ele tem sua beleza e, principal, um caráter enorme, sem falar naqueles olhos verdes da cor do céu. Meu Deus, eu me perderia em ficar olhando para eles o tempo inteiro, por isso desvio minha atenção ao lago.
– É, acordei agora há pouco com barulho de gente aqui por perto, ainda estava escuro.
Ele ri, dando um agrado em Kitty, que está em seu peito. Essa traidora, aposto que foi ela que o acordou, como sempre tem mania. se aproxima de mim, ficando ao meu lado, enquanto Kitty passa por nós dois, indo até o lago beber água.
– Bom dia. – sorri, olhando para mim ao sentar na grama.
– Bom dia, , dormiu bem?
– Considerando o fato que, no meio da noite, alguém colocou minha blusa sobre mim e passou frio, sim, eu dormi bem. – Rio com sua resposta.
– Eu não estava com tanto frio, e também não queria saber que você ficou doente por minha causa.
faz o mesmo que eu, lava as mãos no rio, passando um pouco de água no cabelo, terminando pelo rosto, então finalmente me olha.
– Claro que estava com frio, você estava tremendo.
– Não estava, não, .
Ele inclina a cabeça de lado, como se dissesse “ah, tá “e eu resolvo ficar quieta, pois sei que ele está com razão, ontem à noite estava realmente meio frio. pega sua camisa, lavando-a no rio, e eu fiquei ali, quieta, pensando na vida. Kitty se aproxima, entrando debaixo do bolso do moletom de e isso me faz rir, agradando-a. Kitty é muito carinhosa e me dói ver ela nessa situação junto comigo, ela deve estar com fome também, e eu só queria poder dar algo a ela e . Se eu estivesse em casa, dona Edite, nossa cozinheira da casa, já estaria preparando um delicioso café da manhã, cheio de Brownie, croissant, pães, bolo... Simplesmente uma delícia. Suspiro, cansada, pensando se alguém sente minha falta lá em casa, será que estão procurando-me? Será que , Allie e Amber estão sentindo minha falta? Afinal, eu saí da casa de brigando com ele.
– No que tanto pensa, ? – me tira dos meus pensamentos e, quando o olho, está colocando sua camisa.
– Em nada especial. – Resolvo não contar para não o preocupar.
– Tem certeza?
Suspiro, cansada. senta de novo no meu lado, olhando-me com atenção com seus lindos olhos. Eu já tinha uma queda por olhos verdes, mas os dele? Meu Deus, aquilo é uma perdição de sanidade. Ele consegue tudo com aquele olhar.
– Só estou pensando em se alguém da minha família ou meus amigos estão procurando-me.
fica um tempo em silêncio, olhando para baixo como se não soubesse me dizer algo, mas sei o que ele está pensando: que provavelmente ainda ninguém está. Suspiro, cansada, olhando para o lado oposto do mesmo.
– Hey. – segura meu queixo, fazendo-me o olhar de novo. – Eles estão te procurando, fique tranquila, ok? Não precisa ter medo, nós vamos achá-los e eu faço questão de te ajudar nisso. Só que antes eu preciso passar em um lugar, tem uma pessoa que me mata se eu não der notícias. – Rio com seu comentário. – Quer ir comigo?
– Quero sim.
– Ótimo, então vamos.

**


Ao andarmos uma meia hora pelo parque até a saída, caminhamos mais uma meia hora, e Kitty, sempre ao nosso lado, às vezes pede para subir no colo de adivinha quem? Minha filha me trocou. acha graça da minha reação e começa a fingir que vai se afastar com Kitty, e eu corro atrás dele. Ficamos nessa, brincando até que eu percebo o lugar que está levando-nos, é o Joe Coffe and Games, e o reconheço; ele fica a uma meia hora de minha casa. O café do Joe não é nem muito grande e nem muito pequeno, simplesmente para mim é aconchegante, e Joe deixou o ambiente mais parecendo uma lanchonete, então o lugar é bem gostoso de ficar, tanto que tinha jogos de graça para jogarmos se ingerirmos pelo menos cinco reais com os produtos da loja, poderíamos ficar o tempo que quisermos ali jogando.
, eu conheço esse lugar. – Olho-o, parecendo uma criança feliz, afinal o café do Joe é meu lugar favorito.
– Sério, ? Eu nunca te vi nessas redondezas. – Kitty o lambe, fazendo-o rir. – Vem sempre aqui ao café?
– Sempre que posso... – Faço um sorriso triste. – Minha mãe não gostava muito que eu saísse de casa.
me olha, confuso, provavelmente não entendendo o porquê de eu nunca sair de casa, mas como eu posso explicar se nem eu mesma entendo? Às vezes eu fugia de madrugada e ia até a casa de para podermos conversar um pouco que seja sem os olhares de nossos pais, e aquilo era muito frustrante, pois eu não tinha uma vida normal, não tinha uma vida de adolescente. Meus pais nunca me deixavam sair com meus amigos, e ainda mais com Allie, que é filha da melhor amiga da minha mãe. Não entendo o porquê disso.
– Porque ela não deixa? – Ele para na frente da porta do café e eu fico na sua frente.
– Não sei.
Falo, sincera, e eu não quero que se preocupe com minha vida, ele já tem muitas coisas com o que lidar.
– Já tentou saber o porquê de ela não deixar?
Iria responder, porém um homem moreno com aparentemente quarenta anos vem até nós, assustando , que vai para meu lado, ficando de frente para o senhor que nos atende.
, até que enfim apareceu, garoto. – Esse mesmo homem o abraça, dando tapinhas nas costas de meu novo amigo. – Já estava ficando preocupado. Onde se meteu, rapaz?
olha para mim, sorrindo sem jeito, e eu acho fofo quando o mesmo coça a nuca. Fico perguntando-me o que aquele senhor é dele, pois assim como eu, não estranhou e nem nos colocou para fora daqui, coisa que muita gente faria.
– Eu acabei dormindo no parque aqui perto ontem, Joe. Desculpe, mas é que conheci alguém que precisava da minha ajuda.
O homem, que até então descobri ser o dono do lugar e que se chama Joe, finalmente olha para mim, primeiro com a sobrancelha erguida, fazendo-me ficar sem jeito e olhar , que sorri para mim. Joe então olha para , que o olha sorrindo de um jeito cumplice, e eu fico confusa. não deixa minha frustação passar despercebida, então já foi logo arrumar as bobagens que provavelmente o homem mais velho na nossa frente está pensando.
– Joe ela é só uma amiga. Não é nada disso. – Joe o olha, ainda não acreditando. – É sério.
– Uma amiga é? Qual o seu nome, menina?
... .
Logo o senhor Joe deixa de sorrir. Será que eu fiz alguma coisa errada? Afinal, eu nunca havia o visto por ali, mesmo ele sendo o dono do lugar.
– Algum problema, Joe? – também estranha o desânimo do homem.
– Nenhum, . Vocês vão querer entrar?
– Não sei, eu tenho que ajudar a achar a mãe dela, ela meio que se perdeu ontem no parque e eu não quis deixá-la sozinha.
Kitty, em seu colo, late. Ela provavelmente também está com fome e isso me faz agradá-la.
– Entrem, quem sabe eu possa ajudar vocês.
É aí que eu tenho uma ideia. Eu ainda estou com meu celular, porém ele está descarregado. Será que seria demais pedir ao Joe um carregador? Mas fico sem jeito e apenas sigo e Kitty até uma mesa. O café ainda está vazio, então não tem problema entrar um cachorro aqui também.

**


Joe nos oferece um milk shake e brownie. Noto os olhos brilhando de e não falo nada, mas acho isso fofo. Ele fica feliz com tão pouca coisa que era bonito de se ver, ao contrário da minha família, que sempre quer o do mais caro, o mais bonito, o mais chique. Nós dividimos o mesmo milk shake, enquanto eu dou para Kitty algumas bolachas que Joe nos oferece.
– Ela estava mesmo com fome. – chama minha atenção para olhá-lo.
– É, ontem ela só comeu o sanduíche que você ofereceu, e repito que não precisava fazer isso.
– Bobagem, . Eu jamais iria deixar alguém passar fome sabendo que eu posso dividir.
Olho , orgulhosa. É raro encontrar alguém com esse pensamento hoje em dia, muitas pessoas são egoístas ao ponto de não dividir nada, nem um simples prato de comida. A porta do café abre, e eu e estamos na janela perto da porta quando meu coração para por um momento. As duas pessoas que passam por ali são e Amber. Eles não estão procurando-me, eles estão sorrindo, felizes, até que Amber me olha e fica apreensiva.
, o que houve?
estranha o fato de eu não responder, mas é que fico sem reação ao ver eles ali. Amber deve ter falado algo no ouvido de , que o mesmo me olha e, quando repara que não estou sozinha, não sorri e não tem nenhuma reação. Droga. Kitty começa a latir, olhando para eles toda feliz, abanando o rabo.
? – Ele, notando que eu não respondo pois estou em choque, olha para trás. – Quem são?
o encara e eu só quero que esse encontro não exista, pois estou ainda muito magoada com ele por ter se referido a daquela maneira e ainda mais por perceber que eu não faço falta, nem mesmo enquanto brigamos, pois enquanto meu celular estava carregado, eu não recebi nenhuma mensagem de , mas eu também não vou atrás.
?
exclama e eu não sei decidir se ele está irritado, surpreso ou confuso, só sei que não quero que presencie esse encontro inesperado.


Capítulo 4


POV :

Estar ali no café do Joe com é legal, pelo menos para mim, pois hoje eu acordei com uma sensação boa. Não sei, parece que estava em casa, simplesmente por ter sua companhia comigo; isso é incrível, pois a conheço há menos de 24 horas. Será possível isso?
Quando estávamos vindo até o café, resolvi brincar com ela que levaria Kitty comigo, e ela foi correndo atrás de mim. Foi divertido, até chegar ao ponto em que Joe nos ofereceu um milk shake e um brownie. Ela ficou me olhando com um olhar diferente e sorrindo, só queria me esconder. Acho que eu realmente estava parecendo uma criança ganhando um presente do Papai Noel, por isso desviei o assunto para Kitty, que estava comendo as bolachas que Joe ofereceu, mas estranhei que ficou olhando para a porta desde que o sino anunciou sua chegada.
Chamei-a, mas ficou olhando para a porta. Resolvi olhar e encontrei um cara alto, parecia rico pela roupa preta e calça jeans que usava, os óculos escuros e um boné. Ao seu lado, uma bela moça ruiva, cabelos compridos enrolados nas pontas e olhos verdes; achei linda, mas não tanto quanto a beleza de , que eu sei que é diferente, não somente por fora, digo por dentro também.
? – O cara a chamou, aproximando-se da gente. – O que está fazendo aqui?
Olho , preocupado, sem entender nada do que está acontecendo, e a mesma apenas engole a seco, desviando o olhar para a comida.
Sem se preocupar se estava metendo-se onde não devia, o cara senta ao meu lado, enquanto eu me afasto para mais próximo da janela, afinal nunca estive tão próximo de muita gente da minha idade, principalmente além de . A menina que está com o rapaz senta ao lado de e de Kitty.
– Hey, . – o respondeu, ainda meio assustada. – Estou tomando um milk shake, algum problema? Aliás, o que está fazendo aqui a essa hora da manhã?
– O mesmo que você e seu novo amigo. – O tal olha para mim, sério, sem nenhum sorriso. – Só tomando café, afinal daqui a pouco eu e Amber vamos visitar os pais dela, mas isso não vem ao caso. Por que você não nos apresenta a seu colega?
O jeito que ela falava de mim parecia que estava intimidando-me. Não sei, parece que minha presença não estava agradando-o, e me senti péssimo por isso, desviando o olhar para a janela.
– Amor, chega. – A menina que está ao lado de respondeu. – Qual o problema de ele ser amigo de ?
– Eu só quero saber, só isso. É alguém crime?
você é meu melhor amigo, e não meu pai.
– E por ser seu melhor amigo eu devo cuidar de você, afinal eu liguei um monte de vezes para o seu celular ontem para pedir desculpas sobre o que falei daquele morador de rua que te salvou, e você não me atendeu, e agora me aparece com um cara? Ainda por cima usando roupas nada apropriáveis e...
, CHEGA! – Amber, a namorada do garoto, repreendeu-o.
Eu só queria ter que ser dali, não queria ser o motivo de ter discutido com seus amigos, e, droga...
Suspiro, cansado. Por que achei que ser amigo dela seria uma boa?
– Você não tem direito de falar assim dele , você não o conhece. Aonde foi meu melhor amigo? Por que essa revolta?
– Porque eu quero seu bem, e ele não é uma boa pessoa, , ele é um mendigo.
Isso foi o cúmulo para mim. Eu já ouvi coisas piores na minha vida, mas mendigo? Não, eu não sou isso.
– Escuta aqui, , você pode falar o que quiser de mim, ok? Mas não me chame assim, você não sabe o que eu passei para estar aqui na rua. Eu posso não ter as melhores roupas, posso não ter dinheiro como vocês, mas eu tenho caráter. Eu não fico xingando os outros apenas por suas roupas, como você. – Ele me olha, enfurecido. – está bem, e é isso o que importa. Eu já estou indo embora para não atrapalhar.
Levantei da mesa, indo até o balcão com Joe. Eu esperava ajudar a encontrar sua casa, mas ela já está segura com seus amigos, por que ela precisaria de mim? tem razão, eu nunca vou ter amigos.
– Algum problema, garoto? – Joe pergunta ao ver meu rosto cansado.
– Não, só estou passando aqui para dizer que, assim que conseguir dinheiro, eu venho te pagar. – Joe ia me interromper para dizer que não precisa, mas fui mais rápido. – Faço questão, Joe. Agora preciso ir.
Saí dali às pressas, sem olhar para trás, mesmo sentindo que está me olhando. Sei que prometi ajuda-la, mas não vou aceitar ser xingado por alguém que nem me conhece. As pessoas tem que entender que não quero fazer mal a ninguém, eu sou que nem elas, droga.
Viro a esquina, com dentes trancados, e entro em um beco próximo que tinha por ali, chutando a lata de lixo.
– Droga de vida. – Passo as mãos pelos cabelos.
?
Olho para meu lado, vendo senhor Richard ali. O que ele está fazendo ali mesmo? Nunca o vi fora de seu carro, nem mesmo agora o vi.
– Senhor Richard? O que está fazendo aqui?
– Eu vi você saindo do café enquanto estava chegando, e parecia irritado. Queria saber se estava tudo bem! E por favor me chame de Richard, tudo bem?
Tentei me acalmar, respirando fundo, e sento no chão, encostando-me na parede do beco, vendo Richard fazer o mesmo ao meu lado. Eu só queria entender o porquê dele se preocupar tanto comigo, ninguém nunca foi assim.
– Eu estava ajudando uma amiga que conheci ontem, tanto que Joe me perguntou onde eu dormi, já que não estava presente quando ele abriu a loja. – Sorri junto com Richard. – Eu estava no parque e conheci , ela estava sozinha com sua cachorra e parecia assustada, dizendo que não podia sair dali, pois sua mãe tinha desaparecido do parque e mandado ela ficar até ela aparecer.
– Isso é estranho. Por que uma mãe sumiria assim do nada?
– Eu acho que ela abandonou , mas não quis falar nada, pois sei que a deixaria mais chateada ainda. Então me ofereci para ajudar a procurar sua casa hoje de manhã, e realmente íamos, mas Joe mandou eu dar notícias e vir para cá com ela antes de ajudar procurar . Até aí tudo bem, mas chegou o amigo dela, , e ficou dizendo ofensas de mim, que não poderia ficar perto porque eu sou um mendigo, segundo ele.
– Esse cara não tem respeito, não? – Richard parecia estar ficando furioso, não o julgo. – Você ainda ajuda a amiga dele, e te trata assim? Mas isso não vai ficar assim mesmo.
Richard levantou do meu lado e parecia determinado em falar algumas verdades para , mas mesmo agradecendo seu apoio, não posso deixar ele fazer isso.
– Senhor Richard... – Ele me olha, cerrando os olhos e eu tratei de corrigir. – Richard, não precisa, eu já estou acostumado, deixe para lá.
– Você vem comigo, , agora.
Não sei por que, mas não ousei desobedecê-lo. Richard caminhou de volta a cafeteria, onde , Amber e ainda estavam comendo, e, ao me ver, veio até mim, deixando Kitty ao cuidado da amiga.
, desculpe-me, não queria que você fosse embora assim. Sinto muito pelo , ele não fez por mal, ele só queria...
– Proteger-te, eu sei, . Mas você já está segura com seus amigos, não tem o porquê de eu continuar aqui.
Para minha surpresa, me abraçou, firme, como quem queria dizer para não a deixas sozinha, assim como sua mãe havia feito. Ao passar o susto, retribui seu abraço, agradando-a no cabelo e nas costas. A sensação de conforto que me tomou foi inexplicável, e, naquele momento, eu percebi que também não queria deixá-la.
, onde está seu amigo? – Richard perguntou para a menina em meu abraço.
Ambos olhamos para ele, e voltou a olhar para mim, confusa como quem perguntasse quem Richard era.
– Richard é um amigo, .
– São daquela mesa. Por quê? – Apontou para a mesa onde estávamos, fazendo Richard olhar para a mesa.
Richard olhou para mim, e pelo olhar entendi que ele não queria nem eu, nem por perto enquanto estivesse falando com .
– Algum problema aqui? – Joe surgiu no meio, olhando para Richard.
– Eu sou um amigo do . Fiquei sabendo do que aconteceu aqui por ele agora pouco, vim resolver umas coisas, se não tiver problema. Prometo não criar escândalo, só quero conversar com o pessoal daquela mesa.
Joe olhou para mim como se perguntasse que era verdade, e eu apenas concordei, mesmo sabendo que Richard não precisava me defender. Por algum motivo, se encolheu no meu colo, abraçando-me mais firme, fazendo-se a olhar.
– Vai ficar tudo bem, .
– Eu sei, mas é que...
, leve lá fora, e os dois me aguardem lá fora. Ouviram bem?
– Sim, senhor. – Respondi, levando comigo.
Sentamos no primeiro degrau da escada, e olhou para trás, vendo Richard conversar com , mas sua feição não era boa, e eu não queria que ela ficasse preocupada com isso, então voltei a distrair ela.
– Então, , você está de férias ou já começaram suas aulas? – Perguntei a primeira coisa que me veio a cabeça.
olhou para mim, virando a cabeça meio de lado, estranhando a pergunta. Apenas dei de ombros, escondendo um sorriso, pois ela tinha ficado fofa, e eu tinha gostado.
– Ainda não começaram, vão começar semana que vem. Mas eu queria que demorasse mais, não gosto da escola.
– Ué, por que não? – Ergui a sobrancelha em confusão. – Lá é legal, tem um monte de gente da nossa idade, amigos de verdade e...
, escola não é bem assim. – Ela me olha, um pouco séria. – Claro que cada um tem seu grupo, mas mesmo assim, lá é cada um por si. Existe muita rivalidade e injustiça naquele lugar.
– Posso te garantir que não é pior do que se viver na rua, . Só quero que continue estudando, está bem? – Perguntei, preocupado, e a mesma apenas sorriu.
– Sabe, , queria que você estudasse lá. Ia ser legal te ver por lá. – Sorri, triste, olhando para a frente.
– Eu não acho que me enquadraria lá, , você provavelmente estuda em uma escola particular e... – Sou interrompido.
– Sabe, eu estudo nessa escola por causa dos meus pais. Eu odeio aquela escola, eu só queria poder ser dona do meu próprio nariz, sabe? Sem ter meus pais cobrando-me por tudo o que eu faço.
– Pois eu já preferia. – Ela me olhou, séria, fazendo-me engolir a seco. – Sinto falta de ter uma família, eu nunca tive. Aqui fora, , você tem que prestar bastante atenção no que você faz, ou, se não, mete-se em problemas, e não temos ninguém para nos defender.
Ficamos nos encarando durante um tempo, e sinto que estamos entrando em um caminho perigoso, afinal ambos discordavam com esse tema da conversa. Ela queria ser livre, eu quero o mesmo, mas com uma família. Porém, quando eu olho em seus olhos, no fundo sei que ela também quer uma família. Sei que algo está a incomodando, só queria que ela desabafasse comigo.
– Esse não vai ser mais seu problema, garoto. – Nem noto que Richard estava ali espiando-nos. – Você vai voltar para minha casa comigo.


Capítulo 5


POV :

É oficial, ninguém vai me entender. Não é que eu não goste de meus pais, é só que... eles não deixam eu fazer minha própria escolha. Eu já tenho dezesseis anos, e eles nunca fizeram nenhuma vontade minha. Pode parecer egoísta, mas, quando eu era criança, eu pedia alguém brinquedo de presente de natal ou aniversário, e eles nunca me deram, só me deram em dinheiro para comprar o que eu quisesse. E isso não é o sonho de uma criança. Eu queria poder levar meus amigos para minha casa; não podia, e isso claro que me decepcionava.
– Senhor Richard, não posso aceitar. – Dá para perceber que está nervoso só pelo seu olhar, e eu não queria que ele se sentisse assim.
– Você vai comigo, entendeu? – Richard se ajoelhou na altura do garoto a minha frente, o mesmo, envergonhado, olhou para o chão. – , só quero o seu bem. Eu vejo você todo dia trabalhando no sol quente para conseguir sobreviver, você não acha que eu e minha esposa já não tivemos essa conversa? – o olha, apreensivo. – Eu não quero mais que amigos como o da façam o que fizeram com você.
– Você não disse que queria uma família agora há pouco, ? Essa é a sua chance, não a deixe passar.
pareceu não estar escutando-nos no momento, e isso me fez querer saber o que tanto ele tinha medo de ter uma família.
– Senhor Richard, Joe também já me ofereceu um lugar para morar, mas... eu não aceitei. Não quero que me leve a mal, adoro o senhor e sua esposa, mas... eu não quero atrapalhar, não quero causar problemas quando algo errado acontecer.
– Nada de errado vai acontecer , pode ficar tranquilo e... – o interrompe com sua decisão já tomada.
– Por favor, Richard, entenda o meu lado.
Richard parecia determinado a fazer mudar de ideia, porém não conseguiu e, ao se dar conta disso, apenas concordou com a cabeça, pegando um bloquinho de papel, anotando um telefone, porque sabia que não seria capaz de fazer mudar de ideia.
– Se precisar de alguma, então, é só me ligar garoto. – Bagunçou os cabelos de , fazendo-o rir. – Cuide-se. E você também, . – Piscou para mim, afastando-se.
– Ele é um cara bacana. – Falei do nada e me olhou, sorrindo, aquecendo-me por dentro. – Deveria ter ido.
– Eu não quero que eles pensem que, se algo sumir da casa deles, fui eu que roubei, entende, ?
– Por que eles pensariam isso? – Olho-o, indignada, e ele revira os olhos. – , não e só porque você está na rua, que você é ladrão.
– Muitas pessoas não pensam assim, e sim sentem medo de mim. Até agora não sei como você não se sentiu com medo. Eu já fiz muita coisa que me arrependo, . Fui influenciado quando era pequeno a não fazer coisas legais, e quando eu me dei conta que aquilo não era bom, decidi parar. Mas tenho medo. – Ele me olha, triste, como se estivesse mesmo arrependido do que vez.
Ver daquele jeito era estranho, pois desde o momento em que a gente se conheceu, ele não pareceu inseguro com nada, nem assustado em estar aqui fora, e isso me fez acender uma luzinha na minha cabeça que queria conhece-lo, porém e Amber me levariam para a casa.
– Medo de quê, exatamente? – desviou o olhar de mim como quem não queria me deixar saber de seu passado.
– Eu... – Ele é interrompido por , que acaba de sair da cafeteria, segurando minha Kitty.
– Vamos então, ? Nós só vamos te deixar em casa, pois já estamos ficando atrasados com o compromisso com os pais de Amber.
se levanta do chão e oferece uma mão para me ajudar a levantar, e eu aceitei de bom grado, encantada com seu cavalheirismo. Ficamos nos encarando durante um bom tempo, e eu não queria ter que o deixas, sabendo que nunca mais posso vê-lo.
– Então é isso. – Ele começa a se despedir um pouco envergonhado. – Fica tranquila que você logo vai ver seus pais. – Sorri, vendo ele fazer o mesmo.
... – fala no momento que eu abri a boca, chamando tanto minha atenção quanto a de . – Desculpe-me, cara. Eu sei que você não faria mal a , só pelo fato de ter salvo ela no sinaleiro e a ter ajudado enquanto passou a noite fora.
– Como sabe disso? – perguntou, ainda sério.
– De ter salvo o sinaleiro pelo Richard, de ter a ajudado a noite pela própria . Só queria dar uma chance para recomeçarmos.
me olha para confirmar se o que estava falando era verdade, e eu conhecia meu amigo, sabendo que, mesmo com essa pose de durão, ele sabia muito bem quando estava agindo errado, por isso concordei com a cabeça para , dizendo que estava tudo bem.
– Tudo bem, desculpado. – Ele sorri, fazendo o fazer o mesmo. – Só quero que prometa cuidar da .
– Pode deixar. A gente se vê por aí? – concordou a cabeça, virando-se em minha direção.
– Claro que sim. – Sorri com isso, abraçando-o forte, logo sentindo seus braços em minha volta e um beijo na cabeça.
– Vou sentir sua falta, . – Sussurrei somente para ele ouvir.
– Eu também, , mas a gente se vê por aí. – Ele faz um carinho no meu cabelo e eu me afasto.
também se despediu de Kitty e acenou para nós, enquanto ia para longe, e eu senti que estava indo para casa com ele pertinho de mim, mesmo somente no meu coração.

**


– Obrigada pela carona, senhor! – Amber agradece ao motorista do Uber, e descemos na frente de nossas casas.
O motorista foi embora, deixando-nos sozinhos encarando o enorme portão de minha mansão que, de repente, pareceu muito grande para mim. Eu não estava sentindo-me confortável em entrar em minha própria casa, agora o porquê disso eu não sei.
– Está tudo bem, ? – pergunta ao meu lado, entregando Kitty a mim. – Parece estar preocupada.
– Estou bem, sim. , minha bateria descarregou, você pode ligar para a ? Preciso conversar com ela. Vocês já estão atrasados demais para o compromisso de vocês.
– Ligo sim.
– Vou pedindo o Uber então, amor. – concorda com a cabeça.
Afasto-me de meus amigos, com Kitty no colo, e um homem alto, de terno e forte se aproxima da casa, e eu estranho, pois nunca tinha o visto ali.
– Posso saber quem é você? – O homem pergunta e eu franzo o cenho.
– Sou filha dos donos da casa. . E você é?
– Olha, menina, os donos da casa se mudaram ontem, e eles só têm um bebê como filho. Lamento, mas não posso te deixar entrar.
O quê? Que palhaçada é essa de eu não poder entrar na minha própria casa? Algo está muito errado nisso.


Continua...



Nota da autora: MANAAAAAS SAIU ATT FINALMENTE UHUUUUUUUUUUUUU
DEIXO VOCÊS COM ESSES CAPS QUE ADOREI FAZER HAHHAHAHAHA
OS PPS SÃO UNS AMORES NÉ?
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Outras Fanfics:
You Me And A Baby
She Forgot Us
Always Forever
Duas Irmãs e os Winchesters


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