She Forgot Us

Última atualização: 20/01/2018

Capítulo 1

Ano novo, uma data tão linda, cheia de alegrias para ser compartilhada entre seus familiares, pena que nem sempre, todo mundo tem realmente um ano novo, uma vida nova. Até hoje me lembro da sensação que foi ao entrar naquele quarto de hospital e ouvir a seguinte frase: “Mãe, quem é esse rapaz?”
Quando ela falou essa frase, meu corpo congelou e eu desejei estar no lugar dela naquele acidente. Provavelmente eu não teria sofrido tanto como estou sofrendo agora. É horrível se sentir esquecido pela pessoa que você mais ama no mundo, pela pessoa por quem você daria sua vida em troca. Eu nunca desejaria essa sensação para ninguém.
Hoje faz exatamente 6 meses depois do acidente, faz 6 meses que estamos afastados. Não porque eu não queria ir atrás dela, eu tentei, mas como sempre o problema é o pai dela.
Conheci há 7 anos atrás. Logo no começo de nossa amizade, já éramos melhores amigos, foi espontâneo. No dia que nos conhecemos eu lembro que ficamos uma hora conversando direto como se fossemos amigos há tempos, Naquela época eu já tinha começado minha carreira como ator.
E você deve estar se perguntando, o que um ator estaria fazendo em pleno ano novo? Provavelmente estaria com sua namorada, com sua família e amigos comemorando mais um ano comprido de realizações. E você me pergunta onde estou? Pois bem, eu te digo. Estou sentado na bancada da janela de meu quarto, olhando a cidade de Nova York. Todos lá em baixo todos alegres e felizes e eu aqui, me sentindo sozinho, me sentindo incompleto. Olho para o céu que dentro de alguns segundos irá iluminar a cidade toda com seus fogos e dou um suspiro cansado.
- Será que você também está sentindo a minha falta como eu sinto a sua? – Deixo uma lágrima escapar.
Voltando a olhar dentro do meu quarto, paro ao encarar um porta retrato na estante ao lado da porta do banheiro, com meus diversos livros, fotos, prêmios e esse único porta retrato é o que mais me chamou atenção. Levanto da janela, caminhando até a estante e segurando o objeto em minha mão. Sorri ao olhar aquela foto de nós dois. Estava sentado embaixo de uma árvore com em meu colo beijando, seu pescoço e falando alguma palhaçada para fazê-la rir. Como sentia falta desse sorriso, dessa alegria, da minha menina. Agrado-a na foto, dando um beijo em seguida no mesmo momento em que o pessoal começa a fazer a contagem regressiva.
- Feliz ano novo, meu amor.
Coloco a foto no local que estava antes, indo até a varanda de meu quarto. Meu quarto não era muito grande e nem muito pequeno. Tinha uma cama de casal no meio e ao lado direito dela ficava meu armário e a entrada para varanda. No lado esquerdo continha a janela, a estante e uma porta que dava para o banheiro, na frente da cama continha uma escrivaninha com meu computador e na parede tinha um mural de fotos das pessoas mais importantes para mim.
Ao chegar na varanda, apoio minhas mãos em cima da cerca vendo o pessoal comemorar e dou um leve sorriso por eles. Começo a ouvir passos se aproximando de mim, parando bem ao meu lado, e logo sinto um carinho de leve em minhas costas. Olho para meu lado esquerdo encontrando minha mãe, dou um sorriso pra ela indicando que estava tudo bem, mas ela me surpreende ao me dar um abraço dizendo:
- Sei que você não está bem, filho. Eu estou aqui pra tudo.
Eu sabia que ela estava ali pra mim, mas ela não podia saber da verdade, do porque eu me afastei de . É claro que ela sabia que sofreu um acidente e se esqueceu de mim, ela estava tentando me dar apoio para seguir minha vida, para ir atrás de , reconquistá-la, mas se ela soubesse da verdade, ela praticamente me obrigaria a desistir disso e ir atrás da minha felicidade ao lado de , mas ela é minha mãe e eu não posso abandoná-la.
- Eu sei, mãe, mas eu estou bem, de verdade. – a solto do abraço.
- , para de mentir pra sua mãe.
- Não estou mentindo, mãe, você sabe que esse é um assunto delicado pra mim e que eu estou tentando esquecê-la. Não é tão fácil.
- Filho, você não deveria esquecê-la, ela foi a melhor parte de você durante todos esses anos. Você sabe que depois que seu pai... – ela respira fundo antes de falar e sei que ela não queria começar a chorar na minha frente. – Eu tive medo, meu filho, medo de te perder. Você ficou exatamente como esses 6 meses depois que saiu do hospital, e ai ela apareceu, te trouxe de volta e sei que ela ainda vai fazer você sair dessa solidão, meu amor. É um ano novo, tenta se alegrar um pouco, me dói ver você assim.
Eu não queria preocupá-la, não mesmo, mas é mais forte que eu, sei que minha mãe sabe como me sinto, afinal, papai se foi, ele sumiu quando eu planejava ser ator, e nunca mais deu notícias.
- FELIZ ANO NOVO, ! – e praticamente gritam, invadindo meu quarto quando eu ia responder minha mãe. Meus amigos me abraçam junto com ela.
A única alegria que eu podia ter era por causa deles, meus amigos e minha família, mas ficar sem a menina que você ama, saber que você teve que deixá-la ela ir para o próprio bem, não é nada bom, mesmo você sabendo que fez a coisa certa, sabendo que o fez para a proteger.
- Qual é, ! – dizia animado, batendo no meu ombro. – Se anima, é ano novo.
- Não é ano novo sem ela. – falei em um sussurro para mim mesmo, fechando os olhos.
- , a não iria gostar de te ver assim.
- Eu sei, . – respiro fundo, olhando para o céu.
- Eu sei que ela não iria querer me ver assim, porque eu não iria querer que ela ficasse assim caso a situação fosse ao contrário.
- Então vamos aproveitar, cara, afinal, temos apenas um mês de folga antes das gravações começarem.
Eu só queria ficar sozinho e ninguém nessa casa entende.
- Filho, vai aproveitar a noite, ok? – Minha mãe usa aquele tom maternal e eu sorri de leve. – Você precisa se divertir, eu não gosto de te ver nessa solidão, trancado dia e noite nesse quarto. não iria querer isso de você, .
Por que todo mundo tem que falar dela, quando no momento eu tenho que esquecê-la, mesmo contra a minha vontade? Será que eles não vêem o quanto isso machuca pra mim? O quanto dói? O quanto ainda essa ferida está aberta? Se passaram apenas seis meses, como eles estão felizes com isso? Ela podia ter morrido na droga daquele acidente. Minha vontade era de mandar todo mundo ir embora pra fora desse quarto, mas a única coisa que eu consegui dizer foi:
- Tudo bem, eu desço.
Isso foi a deixa pra todo mundo pular em cima de mim e me empurrar no chão fazendo eu rir pela primeira vez desde, bem...
- Montinho no ! – grita e eu arregalo os olhos, tentando me levantar, mas é em vão.
Meu corpo é pressionado no chão pelo peso de e , que fazia cócegas em minha barriga. Ela sabia que esse era meu ponto fraco, assim como .
- Está bem, chega com essa palhaçada. – Digo, tentando me controlar do acesso de risos.
Os dois saíram de cima de mim ainda gargalhando, indo para o andar de baixo. Assim que eles saem pela porta do quarto, balanço a cabeça em negação, ainda sorrindo. Onde fui achar amigos tão bobos? Olho para trás de mim, vendo minha mãe sorrindo emocionada na varanda com os braços abertos me chamando para um abraço. Assim eu vou abraçá-la, recebendo um abraço caloroso diferente do anterior dado há poucos minutos. A abraço de volta, enterrando meu rosto em seu ombro.
- Feliz ano novo, meu garoto.
- Feliz ano novo, mãe.
Quando recebo esse abraço de minha mãe, sei que tudo ficará bem, sei que ainda tenho chances de recuperar , o problema agora em questão é chegar até ela sem machucar minha família, mesmo eu não acreditando que o pai dela seria capaz de fazer isso. Ou será que seria?

**


Minhas férias acabaram e hoje seria o primeiro dia de gravações. Confesso que estou um pouco nervoso, pois não conheço muito o pessoal da série. O único que conheço é meu melhor amigo, , que resolveu se aventurar no mundo das atuações e acabou conseguindo uma vaga na mesma série que eu. Fico feliz por ele estar seguindo sua vida, trabalhando na carreira que sempre sonhou mesmo seu pai não o apoiando. é um cara que merece tudo de bom.
Neste momento estou em meu trailer ensaiando as falas das primeiras cenas. Se eu estou nervoso? Muito! E se estivesse aqui ela saberia como me acalmar. Sim, eu sou ansioso para esse tipo de coisa. 7 meses sem vê-la. e ainda a vêem, porque ela se lembra deles.
O que foi que eu fiz de tão errado para merecer que a mulher que eu amo me esqueça completamente?
- ? – ouço a voz de , que batia na porta de meu trailer.
Eu estava sentado no sofá em frente à porta, esperando dar o horário de início das gravações, então respiro fundo.
- Entra.
entrou cautelosamente no trailer, fechando a porta e sentando no sofá em meu lado. e eu somos melhores amigos desde a infância, eu sei que posso confiar nele em tudo e ele me conhece o suficiente para saber que eu ainda não tinha me recuperado daquele maldito acidente.
- Você está preparado? Para voltar à ativa?
- ... – ele me interrompe.
- Olhe, eu sei que está sendo difícil pra você, , mas eles não podem arranjar outro ator agora. Precisa ser você, esse papel foi feito pra ser seu. Lembra do que te disse no dia do teste?
Olhei para a porta e suspirei. Sim, eu me lembrava, ela não.
- “Não importa onde eu esteja, em casa ou aqui com você no set, eu sempre vou querer te ver brilhando nas atuações sendo o que eu conheci.” Sim, eu me lembro, .
- Então pense nisso na hora em que estivermos atuando, tudo bem? – Aceno com a cabeça. – Se lembra dela, como se ela estivesse aqui. Se nada daquele acidente estivesse acontecido.
- Não posso, . Não foi você que ela esqueceu.
- Apenas pense nisso se sentir despreparado, ok?
Ele apenas me lançou um sorriso reconfortante, batendo no ombro quando fomos chamados para gravar. Fiz exatamente o que falou olhei meu celular em uma foto minha e dela antes de sair daquele trailer. Na foto eu estava sentado em uma cadeira de praia na varanda de minha casa e estava em meu colo. Eu estava entrelaçando meus braços em torno de sua cintura e ela com as mãos em meu rosto, me beijando e sorrindo. Eu estava tão feliz naquela foto. Deixei uma lágrima cair no celular e beijei a foto, fechando os olhos.
- , vamos começar a gravação dentro de 5 minutos. – Lena, a estagiaria, diz, batendo na porta.
- Estou indo.
Guardei o celular no bolso, saindo daquele trailer. Um vento bom passou por meu rosto, me deixando um pouco mais calmo. Era o nosso primeiro dia, eu tinha que me concentrar. Tinha que fazer isso dar certo. Única coisa que me pergunto era como será que estava com tudo isso. Será que ela está bem? Está feliz? Está sendo aquela que eu conheci? Cheia de sonhos, sonhava em ter uma carreira grande como fotógrafa, sonhava em ter nossa casa, com nossos filhos. Ela sempre disse que teríamos uns cinco filhos, pois ela gosta da casa cheia. Mas para mim, só a presença dela já me deixava feliz. Eu sempre sonhei em ter minha casa com também, ter nossos filhos, nossa vidinha calma e tranquila. Sem paparazzi por perto e mais problemas. Eu até hoje lembro daquela bendita briga no hospital com Ethan, o pai de . Lembro dia em que tive que me afastar dela.

Flashback On:
Saio correndo de casa ao receber a notícia que menos esperaria ter em toda minha vida, não podia ser real. Aquilo não podia ser real. Ela não merecia. Eu deveria estar no lugar dela. Só quero ver minha menina, só preciso vê-la para me acalmar, nada nesse mundo vai fazer isso se eu não encontrá-la agora.
Ao chegar no meu carro na garagem do prédio, acelero com toda a força que tenho para chegar mais rápido ao hospital. Ela não podia me deixar, não agora e nem nunca.
- Por favor, . Por favor, não me deixe. – deixo uma lágrima cair em meu rosto.
Devo ter adquirido uma quantidade absurda de multas por ter passado esses tantos sinais vermelhos, mas não era isso que me importava, o que me importava era apenas estar perto dela.
Ao chegar ao hospital, vou correndo a recepção com a respiração ofegante.
- Rapaz, se acalme, por favor. – a recepcionista comentou.
- Eu não vou me acalmar até ter notícias da minha namorada. – esbravejei.
- Se acalme, ok? Qual o nome da sua namorada? O senhor me parece familiar.
- Sou e preciso ver agora a minha ... – alguém me interrompe.
- ? , é você, querido?
Olho na direção da voz, a reconhecendo imediatamente. Era a mãe de .
- Por favor, senhorita , eu preciso saber de .
Estava totalmente nervoso, não conseguia mais pensar em nada depois que a mãe de me ligou informando do acidente. Eu havia combinado de nos encontrarmos em meu apartamento, pois havia combinado que iria fazer uma surpresa à , mas ela não aparecia. Aquilo me deixando angustiado, tentei ligar, ela não atendia, até que recebo uma ligação da mãe de e bastou ela falar um alô com a voz trêmula que eu soube que tinha algo errado.
Caminho até o corredor esquerdo onde havia as cadeiras, me sento na mesma pois sentia que a qualquer momento ia perder a consciência de tão nervoso que estava. A mãe de senta ao meu lado, segurando minhas mãos, e eu podia jurar que dali não vinha boa coisa.
- O que aconteceu com ela? Como ela está?
- , querido, ela... – alguém a interrompe.
- Deixe que eu falo com ele, mulher.
Me arrepio ao ouvir a voz do Ethan, pai de . Olho em sua direção à minha frente, encontrando-o com os braços cruzados, olhos vermelhos e uma expressão nada boa.
- Já conversamos sobre isso, Ethan, é melhor eu dizer.
- O que aconteceu? – volto a perguntar desesperado, olhando para ambos.
- Me deixe conversar com o garoto. Vai ser melhor pra ele, Grace.
- Melhor pra mim? – franzi a sobrancelha.
- Vou deixar vocês conversarem.
Grace caminha até o final do corredor, entrando em um quarto onde eu sentia que estava. Tentei seguir Grace, mas Ethan fica a minha frente, me impedindo.
- Eu quero vê-la.
- Não poderá.
Como assim não poderei? O que esse cara quer? Eu vim aqui para ver minha namorada e é isso que vou fazer.
- Eu quero vê-la. – repeti, olhando dentro de seus olhos.
- Eu já disse que não vai.
- Olha, Ethan, acho que já passamos dessa parte faz quatro anos. Você me conhece e não tem porque opinar no relacionamento de sua filha. Ela escolheu ser feliz ao meu lado e eu posso provar a você que é isso que vai acontecer.
- Não, ela não irá ser feliz ao seu lado, , até porque, não se lembra de você. Escuta, eu quero a felicidade de tanto quanto você, e se você a ama, como diz que ama, irá entender o quero dizer, certo?
Ela não se lembra de mim? Isso não pode ser verdade, ele só pode estar blefando. Sim, eu quero a felicidade dela, mas nem que pra isso eu precise fugir ou mudar de país eu irei levá-la comigo.
- Eu quero vê-la, Ethan! – repeti, fechando meus punhos.
- Você não me escutou, garoto? Acho melhor você não ir vê-la, minha filha é muito importante pra mim, ela está em um momento delicado e sua presença só atrapalharia o processo, e se você insistir, a coisa pode não ficar boa pra você.
- O que quer dizer com isso?
Ethan nunca gostou de mim, isso era fato, mas ele nunca chegou a falar dessa maneira comigo e tem algo estranho acontecendo ai.
- Se você não ir embora agora e deixar a , você vai estar arriscando a vida de pessoas que você ama.
Não pude deixar de engolir a seco, lembrando de minha mãe. Mas também franzi o cenho em relação a Ethan, pois ele parecia desconfortável e não seria capaz de fazer nenhum mal a minha mãe. Nunca. Conhecendo ele como eu conheço, ele pode estar tentando fazer minha cabeça como sempre, porém ele nunca vai me fazer desistir de .
Tentei passar por ele, avançando em sua frente em direção ao quarto, porém ele me impediu, me encostando na parede o que causou um barulho enorme atraindo alguns olhares. Ethan tinha o braço esquerdo em baixo de meu pescoço e eu ergui minhas mão em rendição, tentando estudar a forma que Ethan reagia. De uma hora para a outra Ethan mudou, ele nunca se preocupava com a família, nunca, sempre reclama comigo sobre o pai estar preocupado com o trabalho e agora ele vem e se preocupa com a filha?
- Vai embora, , deixe seguir a vida dela.
- Eu eu só preciso confirmar se é verdade e...
- Não irá confirmar nada. Vai embora. AGORA.
Suspiro cansado, abaixando as mãos. Olho mais uma vez ao quarto de mais à frente e no momento que viro para ir a saída, um médico esbarra em mim correndo, indo em direção ao quarto de . Percebo que Ethan está distraído com seus próprios pensamentos, olhando fixo para a parede, então resolvo seguir o médico até a porta do quarto. Abro a porta com cautela e ao erguer meu olhar em direção a cama de , ela estava deitada com a mãe sentada ao seu lado segurando sua mão. Grace olha para mim assustada, enxugando ás lágrimas, enquanto eu volto meu olhar a . Ela estava diferente, com algumas cicatrizes no rosto, na sua testa. Sua pele estava um pouco pálida e aquilo me deixou sem chão. Minha menina não era assim, aquela não era a que eu conheço.
- Mãe? – ouvi a chamar baixinho, olhando para mim, e eu senti minhas mãos tremerem de ansiedade. – Quem é esse rapaz?
O sorriso que estava começando a surgir em meu rosto, desapareceu. Era verdade, Ethan tinha razão, ela não se lembrava de mim!

Flashback Off.

- , você está bem, querido? – Lena diz, colocando a mão no meu ombro me tirando dos meus pensamentos sobre aquele dia horrível.
- Estou. – respondi, dando um sorriso forçado tentando disfarçar essa agonia que sentia em meu peito.
Eu não podia deixar as coisas como estavam, não mais, eu não aguento.
- Então vamos indo? – Lena diz, saindo do trailer.

**


- Encerramos por hoje, minha gente! – Finn, o diretor, deu o aviso depois de gravarmos a última cena. – Foram maravilhosos, continuem assim.
Estava saindo do estúdio, indo ao meu trailer, afinal eu estava exausto, o restante dos atores iriam sair para comemorar o início da temporada de mais um trabalho, porém eu não estava muito legal para ir. Ao chegar no trailer, tiro minha jaqueta, a jogando no sofá. Sento na cadeira, apoiando meus braços na mesa que tinha dentro da mini cozinha do trailer. sempre me acompanhava nas gravações e ao terminá-las, sempre vinha até mim pulando que nem criança dizendo o quanto eu tinha ido bem. Sorri ao lembrar disso, tudo me faz lembrar dela, será que não há nada que faça ela se lembrar de mim? Ouço alguém bater na porta e balanço a cabeça, tentando esquecer as lembranças, lembranças essas que foram a melhor parte da minha vida.
- Entra.
- E ai, . – senta em meu lado, esquerdo sorrindo.
- Vai, fala, o que estão aprontando?
- Eu e ? – Concordo com a cabeça. - Nada. – ele deu de ombros e eu reviro os olhos.
Conhecendo meu amigo como conheço, ele está aprontando algo e tenho a sensação de que é comigo. Bufo cansado olhando para meu lado direito.
- Tá legal, eu digo o que estamos aprontando, você vai ir ao pub com a gente. – viro meu rosto para incrédulo.
- Eu não vou fazer isso. , eu ainda...
- Já fazem 7 meses, ! Não gostamos de te ver assim, você não é assim solitário, que vive triste o tempo inteiro, cadê aquele brincalhão, bad boy, arteiro, festeiro, que conhecemos?
- O bad boy se foi quando ele conheceu a .
- Mas não acha que está na hora dele voltar?
- Não, . Eu ainda sou namorado dela, só que ela não se lembra, mas sou. Não posso e não quero traí-la.
- Você não irá traí-la e eu nem disse que era pra você ficar com alguém e...
- Conseguiu, ?
invade o trailer, apoiando as mãos na minha cadeira. Levanto o rosto para olhá-la e ela balança meu cabelo sorrindo, mesmo sabendo que eu não gosto disso.
- Qual é, , vamos.
Bufo, desistindo de ficar um tempo a sós. Me levanto, indo pegar minha roupa, afinal eu estava com a roupa do personagem. Ao me verem indo ao banheiro sem falar nada, pergunta:
- Onde vai?
- Me trocar né, afinal, temos uma noite pra curtir. – pisquei pra que bateu palminhas, me fazendo rir.
***


Ao chegar no pub, que na verdade parecia mais um barzinho, fomos até a mesa onde o restante do pessoal estava perto do bar, cumprimentei todo mundo vendo e sentarem ao meu lado.
- Hey, , resolveu sair hoje? – Finn disse, tomando um gole de sua bebida. Ele estava sentado em nossa frente.
- Na verdade eu e o obrigamos, Finn! – respondeu por mim e eu a olhei cerrando os olhos.
- , cadê aquele... – o interrompo.
- “Cara brincalhão, arteiro, que conhecemos!” – reviro os olhos, cansado disso. – Gente eu estou bem, de verdade, eu só preciso de um tempo.
- Já passou 7 meses, achamos que você tinha superado. – Finn me respondeu.
- Experimente sua esposa esquecer de você, Finn, ai me diz se você superaria tão rápido.
Todos ficaram em silêncio depois de minha resposta, mas também, poxa, ninguém aqui me entende. Ninguém sente a dor que sinto, ninguém sente a falta que eu sinto dela. Finn era melhor amigo do pai de e um grande amigo de minha mãe que nos ajudou na época em que meu pai sumiu.
- , sobre isso, você vai ter que começar a superar, pois isso não pode afetar seu desenvolvimento profissional na série, ok? Essa série é muito importante pra mim, todos vocês são, então espero que você consiga enfrentar esse obstáculo. Está certo, eu não sei o que é ser esquecido pela mulher que ama, mas também sei a falta que você sente dela. Vai ser difícil, vai! Mas você irá conseguir em frente, assim como está... – o olho confuso, estranhando o que viria a seguir.
- Assim como a está? – respondo, tentando tirar alguma informação dele.
- Assim como ela está feliz, você tem que estar feliz, ! – responde por Finn, me fazendo a olhar estranho.
me dá um sorriso forçado ao perceber que eu a olhava como assim. está feliz? não me encarava, encarava Finn que desviou o olhar para seu copo de bebida. Alerta vermelho, tinha algo de errado ai.
- O que está acontecendo de verdade com ela? – pergunto, olhando cada um que tinha a cabeça abaixada.
me encara e eu a olho esperando alguma informação, afinal, era melhor amiga de , ela ainda se lembrava de , então lógico que ela sabia o que se passava com minha menina.
- Ela está bem, .
- Conta outra. – respondi sorrindo sarcástico desviando meu olhar para a parede ao meu lado direito.
- É sério.
Olho meus amigos respirando fundo, um misto de sentimentos se passava por mim naquele momento, raiva, angústia, solidão. Raiva por meus amigos estarem escondendo algo importante, angústia porque sei que isso tem haver com e por mais que eu queria ajudá-la, no momento eu não posso. Solidão, sozinho, era bem a palavra que me descrevia, eu sei que meus amigos só estão tentando me ajudar, mas sinto que não posso contar com ninguém neste momento. Só queria ela pertinho de mim, sei que isso pode parecer egoísmo de minha parte estar ignorando meus amigos, mas esse é um sentimento que eu não consigo compartilhar com ninguém, que eu só consigo dividir comigo mesmo.
pigarreou tentando melhorar o clima e quando eu o olho ele apenas balança a cabeça em direção ao bar, olho na mesma direção e tinha duas meninas ali, uma loira de olhos azuis e outra morena de olhos castanhos, ambas olhavam a nossa mesa sorrindo com malícia e eu apenas voltei meu olhar para a frente revirando o olho percebendo a intenção de , eu não iria sair com outra garota, não mesmo.
- Qual é, , as meninas estão caidinhas em você! – ele deu um tapa em meu ombro, sorrindo. – Vai lá.
- Não, , eu já disse que não. Eu acho que vou indo e...
- Ah não, , te proíbo. – diz, segurando meu braço direito com força deitando sua cabeça em meu ombro me fazendo rir. – Fica por favor. – ela me olha com aquele olhar que ninguém conseguia resistir.
- Tudo bem, eu fico. – Bagunço os cabelos dela fazendo ela rir e sorri contente com isso. – Mas não vou ficar com ninguém. – olho para meu lado esquerdo para que ergueu as mãos em rendição.
- Já que você não quer, tem quem queira, parceiro. – pisca, se levantando indo em direção ás garotas.
Ele não mudou mesmo, balanço a cabeça em negação, rindo tomando um gole de bebida e olho para que tinha bufado ficando quieta, franzi a sobrancelha.
- Está tudo bem, ?
- Está, é só que ... Ah deixa pra lá. – a olho mais confuso.
nunca ficava irritada, a não ser quando ela e tinha essa implicância um com o outro, lembro que e eu achávamos que eles formariam um belo casal se não fosse essa competitividade e brincadeiras idiotas que ambos tinham um com o outro. Olho na direção que ela olhava e me deparo com abraçando a menina loira pela cintura, falando algo em seu ouvido e em seguida beijando seu pescoço. Opa, espera. Impressão minha ou está com ciúmes de ? Tomando coincidência desse meu pensamento a olho com os olhos arregalados.
- Que foi? – ela pergunta emburrada com os braços cruzados.
- Você está com ciúmes do ?
Ela me olha tensa, mas logo me dá uma risada de deboche e abanou o ar apontando pra si mesma.
- Ciúmes eu? Desse idiota? Nunca.
É ela estava com ciúmes, se ainda se lembrasse de mim, acho que eu teria ganho uma aposta, o que me fez rir balançando a cabeça me perdendo em pensamentos.

FLASHBACK ON:
- , rápido, vamos nos atrasar! – disse impaciente no andar de baixo de sua casa.
- Já estamos indo calma. – ela grita em resposta.
- Mulheres. – digo bufando baixinho sentado no sofá.
Porque elas sempre demoram pra se arrumar? já demora pra se arrumar sozinha, imagine com a . O que elas tanto fazem lá em cima? Em minha opinião em vez de se arrumar ficam conversando, só pode!
- Amor por favor. Esse evento é importante pra mim.
Levanto de novo e já ia subir a escada quando olho pra cima ficando encantado com a visão que estava tendo, minha menina estava linda.
- E então como estou? – Ela perguntou tímida ficando com as bochechas vermelhas.
estava com um lindo vestido azul com alças e um detalhe que eu achei muito interessante era que a cauda do vestido era maior na parte de trás deixando a vista de suas pernas a mostra, em sua cintura havia um cinto segurando o vestido todo preto com alguns detalhes rosas. adorava a cor azul e essa cor caiu muito bem nela, mostrando a delicadeza de minha menina.
- ?
- Você está uma princesa meu amor.
correu até mim e me abraçou, abracei ela de volta a beijando com cuidado para não estragar o penteado, ela se solta de mim e eu sorri pra ela, passando meu nariz sobre o dela formando um beijinho de esquimó e ao olhar sua boca, a beijei segurando seu rosto com uma de minhas mãos fazendo carinho, seu beijo era calmo como se eu estivesse no céu me fazendo flutuar sem mesmo sair do chão, era macio como um algodão e doce como um morango, ri desse meu pensamento interrompendo o nosso beijo fazendo ela rir se soltando do beijo também.
- O quê? – ela perguntou, rindo.
- Você. – Passei os dedos brincando em seu nariz.
- O que tem eu? – Ela me olhou confusa.
- Seu beijo tem gosto de morango, então você é minha moranguinha.
Ri disso recebendo um tapa no ombro por como se fosse um empurrão em resposta, mas não ficou brava muito tempo, acabou rindo.
- Meu Deus quanto melação. – diz com cara fingindo nojo e todos rimos.
- Um dia você vai encontrar alguém, . – respondo, abraçando por trás em sua cintura dando um beijo em seu pescoço. – E você vai entender essa melação toda.
- Nós não tínhamos um prêmio pra ir? – Diz , mudando de assunto claramente impaciente.
- Só estamos esperando seu amor, . – diz, fazendo graça da amiga que mostrou o dedo do meio me fazendo rir.
- Eu aposto que eles ainda vão ficar juntos, amor. – digo, olhando pra e piscando.
- Eu e ? – perguntou, mas eu e ignoramos, rindo.
- Eu também e eu aposto que vai demonstrar o lindo amor que tem por primeiro.
- E eu . – eu e fizemos nosso toque e nos beijamos antes de seguir até a porta.
- Vocês são idiotas, eu e ? Nada haver.
sai de casa emburrada, ao nos vermos sozinhos eu e rimos ainda abraçados caminhando em direção ao carro logo à frente quando ouvimos a buzina.
- Tenho certeza que os dois se amam, mas não assumem por medo.
- Eu também, mas saiba que amo você. – Disse e olhou de canto de olho pra mim sorrindo tímida.
- Amo você mais.
Beijei-a de novo antes de abrir a porta do carro e seguir até a premiação.
FLASHBACK OFF.

- está na terra? – Vejo dedos em minha frente me fazendo piscar balançando a cabeça. – não me mata do coração.
Olho para que estava preocupada, acordando-me de meus pensamentos. Sorri para tranquilizá-la e quando ela soltou um suspiro de alivio, dei dois tapinhas em seu ombro.
- Não faz mais isso, por favor. – apenas ri. – É sério.
- Tudo bem, mamãe.
- Deixa de ser idiota, vai. – me deu um pedala e eu ri com isso dando um nela também. – Em que estava pensando?
- Na aposta em que eu e fizemos um dia lembra? – Comecei a gargalhar quando ela me mostrou o dedo do meio.
- Você é idiota. – rolou os olhos. - E eu acho que você perdeu uma apos...
- Estou interrompendo?
Uma voz feminina se fez presente, todos que estavam na mesa me encararam ao reconhecer a pessoa, senti segurar e apertar minha mão debaixo da mesa, olho para ela, percebendo que ela estava a ponto de explodir de raiva, o que eu também não passava muito longe disso.
- Não vão falar nada? Que gentil são vocês, pensei que desde que terminamos você tinha ficado do mesmo , pensei que ainda tinha aquela fama de bad boy que eu tanto adorava.
Ela riu, apoiando os braços na mesa e olhando pra mim que retribui a olhando com ódio, ódio esse que me fez fechar os punhos e sentiu isso pelo pirragueio que deu.
- O que está fazendo aqui, garota? Já não acha que destruiu a vida do o bastante? – perguntou, demonstrando raiva em sua voz.
- Não, não acho isso, afinal ele deu um jeito de arrumar não é? Provavelmente esse namoro com a melhor amiguinha é fals.. – a interrompo.
- Cala boca.
- Não te ensinaram educação, ? Mostre o seu verdadeiro eu. Quero ver.
Tentei me levantar e todos da mesa fizeram o mesmo que eu ao perceber que estava a ponto de avançar nessa desgraçada, no entanto eu mal me levantei, segurou meus ombros me fazendo fechar os olhos tentando me acalmar.
- Já não acha que causou o bastante? – Finn disse irritado. – Não vê que estamos tentando ajudá-lo e você aparece porquê?
- Ajudá-lo? Ele precisa de babá agora? – ela começou a rir me fazendo fechar os punhos a encarando com ódio. - Eu só estava aqui me divertindo, vi vocês e queria dizer um oi pra falar que estou com saudades e para perguntar... Como vai a , ? Ela se lembra de você ainda?
Calma, , se acalma, não vai acabar com a noite por causa dessa mulher, ela já causou muitos problemas pra você e , se acalme. Respiro tendo esse pensamento em mente, mas eu abri a boca para dar uma resposta mal criada, mas ela foi mais rápida.
- E ai quero saber... como está a vadia da ?
Quando ela xingou a , abri meus olhos com tamanha fúria que não conseguiu me segurar. O que veio a seguir em minha frente foi tudo em câmera lenta, me levantei empurrando aquela desgraça da minha ex no balcão onde ficavam as bebidas sem me importar que todo mundo estava vendo, sentia braços me segurando, mas ao meu lado tudo era borrão, só tinha Lucy em vista.
- , SE ACALMA, CARAMBA! – conseguiu me segurar, colocando braços em volta de meu corpo me arrastando para fora daquele pub.
Ao sair daquele lugar, percebo que estou ofegante, fecho os olhos tentando me recuperar, como Lucy tem a capacidade de chamar de vadia sendo que quem foi, foi ela ao me trair publicamente em uma entrevista. Bom, afinal tenho que agradecê-la, pois se não fosse ela, eu nunca teria admitido pra mim mesmo que amava muito mais que apenas seu melhor amigo. Agora cada um tem o par que merece, eu tenho que é minha menina e ela tem aquele cara idiota que soube que a traiu. Parece que o jogo vira não é verdade?
- , o que você tem na cabeça, já pensou que poderia ter sido realmente pior se eu não tivesse te segurado a tempo? Imagine se sai isso na mídia.
- Ela mereceu. Eu estava tranquilo até aquela mulher aparecer. – me defendi. – Eu não tive culpa, ela xingou a mulher que eu amo, você deixaria barato se alguém xingasse a , ?
Observei cerrar os olhos em confusão, como se processasse o que eu tinha dito, mas o fato era que ele sabia exatamente do que eu estava falando. conhece a mesmo tempo que eu conheço , porém ele nunca admitiu pra ninguém que gostava de , nem pra mim, mas meu amigo não precisa me dizer algo eu saber o que se passava naquela cabeça.
- Eu não gosto da . – respondeu sério e eu tive que rir.
- Qual é, cara... – Ele me interrompe.
- Eu não gosto, já disse, ela é metida, mimada, mandona, teimosa e...
- Quanto amor por mim, !
- E como... – ele revira os olhos. - Vamos oficializar nossa relação, princesa? – responde em deboche, apertando as bochechas de .
, por outro lado, afastou as mãos de o ignorando olhando pra mim preocupada, porque todo mundo está com essa mania de se preocupar comigo como se eu fosse um menino de dezoito anos que precisa de atenção? Eu estou bem, ninguém entende isso, eu só quero ficar sozinho.
- ... – a interrompo.
- Eu estou bem . – observo e trocar um olhar como se perguntasse para ambos, se o que eu estou falando era verdade. – É sério pessoal, eu só fiquei irritado nada demais. Eu vou andar um pouco ok? Preciso de um tempo sozinho.
- eu não vou deixar você sozinho. – diz e eu reviro os olhos.
- Só queremos te ajudar. – completa.
- Vocês me ajudariam se me deixassem um pouco sozinho, eu agradeço a compreensão, o carinho que estão tendo em me ajudar nesse momento, mas eu... só preciso pensar um pouco, ok? – dou dois tapinhas no ombro de e . – Eu vou dar uma volta por ai, desculpem-me.
O pub não era muito longe de minha casa que era próxima ao Central Park, o vento era fresco, por causa da primavera que estava no final... mas indo até um dos lugares que eu estaria com , naquele momento, comemorando o meu primeiro dia de gravações, me fez ter uma leve lembrança com ela, ao eu avistar um canteiro de rosas.

FLASHBACK ON:
- Até que enfim sozinhos. – estava abraçando por trás, dando um beijo em seu pescoço.
- Não via a hora, mal temos tempo de matar a saudade um do outro e quando conseguimos todo mundo parece que faz de propósito me deixar longe de você. – ri do bico emburrado que ela fez, o desfazendo com um selinho.
- Não fica assim moranguinha, eu prometo que vou tentar conseguir mais tempo para nós dois ok?
- Promete? – Ela se vira para mim colocando as mãos em meu pescoço, me fazendo segura-la pela cintura. – Eu morri de saudades com esses dois meses longes.
- Eu mais ainda. – Dei um selinho rápido em . – Tenho uma novidade.
- Ah é? – Aceno com a cabeça positivamente. – Qual?
- Consegui vaga em mais uma série, princesa.
Estávamos na entrada do Central Park, onde tinha um breve canteiro de rosas, pensei que ficaria contente ao receber a notícia de que eu estava indo bem na minha carreira profissional, mas pelo visto...
- Hey, ? – seguro seu queixo atraindo seu olhar novamente.
- Fico feliz por você, meu amor. – Ela sorriu. – É sério fico muito contente por você.
- Mas? – a incentivo falar, o que não dá certo. – Meu amor, eu sei que no começo pode ser difícil, namoro a distância, mas, vai ser bom pra gente no futuro. Eu iria te fazer uma proposta, mas você ficou muito pra baixo.
- Não fiquei não, , me conta. – Ela parecia uma criança ganhando um doce pulando que nem uma criancinha segurando meu pescoço. – Por favor.
- Acho melhor isso esperar um pouquinho, até o que eu estiver planejando fique realmente pronto.
- .
- .
- Você sabe que eu não gosto de ficar ansiosa.
Ri disso dando um beijo em sua testa, olhando um canteiro ao nosso lado esquerdo, cheio de rosas vermelhas, olhei confuso para ele tendo uma ideia, que por ser simples tenho certeza que minha menina iria ficar contente, afinal, era primavera, sua estação preferida e ela adorava flor, especialmente rosa vermelha. Andei até o canteiro, arrancando uma flor sob olhar confuso de , me aproximo ficando sua frente, então sorri pra ela.
- , o que está aprontando?
- Eu? – Olhei para os lados e sussurrei como se fosse segredo. – Ninguém viu nada, ok? – Ela apenas riu tímida.
Seu riso me aquecia o coração, me fazendo ter vontade de fazê-la rir sempre que podia. Tinha uma capacidade enorme de mudar meu humor sempre, me deixar leve, com vontade de seguir em frente mesmo com todos os obstáculos.
- ? – me acorda dos meus pensamentos fazendo carinho em minha bochecha.
- Estou aqui. – rimos. – Bom, moranguinha, tive uma ideia, enquanto eu estiver longe de você, para que você possa se sentir que está perto de mim e eu de você, vou te mandar todos os dias uma rosa neste horário ok? – falei entregando a mesma para .
FLASHBACK OFF.

provavelmente pularia em meus braços me dando vários beijos empolgada, conversaríamos enquanto eu apenas admirava aquele sorriso lindo, aqueles olhos verdes tão profundos como o mar, aquele cabelo preto... era linda, mas ela não se achava, em entrevistas ela sempre preferiu se esconder porque achava que não era o bastante pra mim. O que é totalmente mentira, ela era tudo.
Adentrei ao parque, colocando meu casaco, já que fazia um pouco de frio, caminhei lentamente até o lago do parque me sentando embaixo da árvore que costumávamos ficar.
- Sinto sua falta, , eu queria tanto que você estivesse aqui.
O que me tranquiliza ao estar ali, sozinho, é não ter nenhum paparazzi ou fã perto naquele momento, eu não esteva nada bem para ficar me estressando com isso e eu não queria ser indelicado com eles. Eu só não entendo o porquê eu fui me afastar dela a pedido do pai, está certo que eu quero proteger minha mãe, mas eu ainda não acredito nas palavras de Ethan, eu preciso achar um jeito de trazer minha garota de volta, eu preciso fazer ela se lembrar, mas como? Essa é a questão.


Capítulo 2

Caminhando de volta para casa, sinto a leve brisa do vento gelado que passava pelas ruas de Nova York, eu precisa descobrir como ela estava, porque eu tenho essa sensação que ela precisa de mim, porque eu tenho a impressão de que ela está se sentindo sozinha nesse momento, mas deve ser coisa da minha cabeça, e Finn disseram que ela estava feliz e pra mim isso é o que importa, se pra proteger eu tinha que ficar longe, é melhor que seja assim. Me pego pensando se ás vezes o que vivemos foi real, porque pra mim parecia tudo perfeito, demais até, para um dia eu acordar e perder tudo aquilo, que me fazia feliz.
Chego em casa de madrugada e ao perceber que as luzes estão apagadas, sei que minha mãe está dormindo, procuro fazer o mínimo de barulho possível trancando a porta da sala o mais devagar possível, subindo lentamente a escada até meu quarto. Eu tinha meu próprio apartamento, porém eu tinha mandado reformar antes do acidente de para fazer uma surpresa de ter um apartamento apenas nosso, mas com tudo o que aconteceu, eu ainda não tenho coragem de ir até lá, era demais pra mim fazer isso sem ela.
Me jogo de bruços na cama pensando que amanhã será mas um dia longo de trabalho, sendo que tudo o que queria neste momento era ficar longe de tudo e de todos. Olho a foto que estava em meu criado mudo e sorri lembrando do início da nossa amizade, e eu estávamos com o uniforme do colégio, eu segurando minha mochila e a dela enquanto passava um braço pelo seu ombro, ela segurava em uma mãos seus cadernos e tinha um braço atrás de minha cintura, ambos sorrimos na foto, agradei quase fechando os olhos de tão cansado que estava.
- Boa noite, , sonhe comigo. – fecho meus olhos rapidamente caindo em um sono pesado.
No dia seguinte sou acordado por raios de sol vindo da varanda e da janela de meu quarto me fazendo colocar o travesseiro de volta em cima da cabeça, mas meus planos de dormirem mais um pouco foram par água a baixo quando meu celular começa a tocar desesperadamente no meu criado mudo. Bufo de cansaço pegando o aparelho atendendo sem ao menos ver quem era.
- Alô. – Minha voz saiu um pouco com irritação, mas também quem gosta de ser acordado cedo?
- , é melhor você vir ao set agora ou o Finn vai te matar. Cadê você?
- Calma, , eu não estou atrasado, deve ser 7 horas ainda e...
- Você só pode estar brincando não é? , são quase meio-dia. Eu e que estamos de ressaca e chegamos antes que você que estava sóbrio, o que está acontecendo?
- Eu dormi demais, cheguei tarde ontem!
- Ótimo, quero você em 10 minutos aqui, me entendeu bem?
- Pode deixar. – bufo cansado e ela desliga na minha cara. – Bom humor mandou lembranças.
Já que fez o belo favor de me acordar, afasto a coberta de meu corpo levantando da cama em um pulo, jogo meu celular na mesma e quando não sou acordado por amigos que resolvem me tirar da cama, fico pensando na vida no banho, coisa que era sagrada pra mim, era o único tempo que eu podia finalmente relaxar de todas as tensões do meu dia, bom pelo menos por enquanto que está longe de mim, mas enquanto ela estava perto, bastava um sorriso dela que me aliviava do dia cansativo que eu tive.
Ao terminar o banho, enrolo uma toalha na minha cintura, secando o cabelo rapidamente com outra toalha, saindo do banheiro, vou até meu armário escolhendo umas das primeiras roupas que eu tinha, pois estava com presa, e por coincidência, coloco uma blusa cinza, que era uma das cores que gosta que eu use, ela diz que gosta de mim com tons de azul, cinza e o básico preto. Em seguida dessa breve coincidência, visto uma causa Jeans, finalizando com meu tênis, pego meus acessórios inseparáveis sendo eles, meu boné e meu óculos de sol preto. Ao descer a escada, reparo que a casa está silenciosa, vejo um bilhete na porta com a escrita de minha mãe, “não tive tempo de ir te acordar, mas por favor não falte o trabalho.” Sorri com isso balançando a cabeça negativamente, mãe sendo mãe. Caminho depressa até fora de casa me sentindo aliviado da senhora não estar presente, senão eu iria ouvir uma bronca. Pois é, minha mãe é daquelas que mesmo o filho já estando crescido, sempre tem que dar seu básico puxou de orelha, mas eu nem dava muita atenção para quando ela começava com o mesmo sermão de sempre, eu achava graça, tanto que eu começa a rir no meio e ela acaba rindo junto.
Estando a caminho do trabalho, tento me desviar o máximo das pessoas com a minha pressa, pois se não, adeus . era uma pessoa que além de ser uma boa amiga, também era severa quando fazia algo errado, olho para o relógio notando que faltam apenas dois minutos para eu chegar.
- Droga, preciso chegar a tempo. – resmungo ao notar que a multidão só ia aumentando.
Odeio ter que sair para algum lugar em horário de almoço, é sempre essa correria, as ruas lotadas de carros, pessoas correndo para chegar em seus serviços, era uma confusão. Já temos um item para colocar na lista de motivos para não dormir demais: Não acordar em horário de almoço.
Sinto meu rosto começando a suar por causa da correria, começando a ficar ofegante de cansaço, afinal o que levava meia hora pra chegar ao meu serviço, fiz em 10 minutos, tanto que até esqueci de ir com meu carro, mas foi melhor assim, com esse trânsito somente atrasaria o processo. Ao entrar no estúdio, estava na porta olhando o relógio em seu pulso, assim que fecho a porta ela olha pra mim enquanto coloco a mão sobre meus joelhos tentando descansar um pouco dessa corrida.
- Está um minuto atrasado, . – ela responde séria.
- , por favor, eu vim correndo até aqui.
- Não fez mais que obrigação. – reviro os olhos, indo pegar um copo da água próximo a porta ao meu lado esquerdo, com ao meu alcanço. – estamos no início das gravações, começamos ontem! Se você não percebeu nossas férias acabaram.
Me viro para ela ao beber um copo de água num gole só, franzindo as sobrancelha, preferia a quando ela não estava trabalhando, ela era muito mais divertida, mas sei que está diferente, ela geralmente só é desse jeito com o .
- O que está acontecendo, ? – Me encosto no bebedouro me virando de frente para ela. – Tem alguma coisa pra contar?
pareceu nervosa com a minha pergunta e eu tenho certeza que algo está errado, Finn apareceu ao lado dela e ambos trocaram olhares, me deixando ainda mais confuso.
- , precisamos conversar garoto. – Finn começa a falar. – Você vai ter que me prometer ficar calmo.
Já não estou gostando nada disso, porque ambos estão me olhando com olhar de pena, como se aquilo não fosse piorar ainda mais a situação. Sinto uma sensação estranha passando em meu corpo, eu não sei o que é, mas sei que era algo próximo a ansiedade, nervosismo, talvez... mas porquê? Eu geralmente apenas sou assim em meu primeiro dia!
- Você não irá me mandar embora vai? – Eu estava tenso, afinal esse trabalho era um dos mais importantes da minha carreira. – Finn, eu acabei dormindo tarde por conta de ontem e...
- Não irei te mandar embora. – Finn me interrompe rindo, talvez da minha cara de apavorado, mas logo voltou a ficar sério. – Você promete não perder o controle garoto? Nós te chamamos aqui, porque a gravação só vai começar ás quatorze horas, justamente por causa da saída de ontem, eu e queríamos conversar com você a sós.
- Não estou gostando disso.
E realmente eu não estava, já estou começando a ficar nervoso com essa enrolação.
- , vamos ser diretos, ok? – se aproxima e eu fecho os olhos. – Eu não posso mais ser sua assessora.
Abro os olhos depressa, surpreso com a revelação, foi minha assessora desde que nos conhecemos praticamente, não me vejo com outro assessor, sinto que tem um mas vindo por ai.
- Mas porquê?
- Porque a vai substituÍ-la, vai continuar a ser assessora de , mas a sua será a .
Eles só podem estar de brincadeira comigo, primeiro, não ter formação nessa área, segundo, ela vai estar em perigo se voltar a voltar a ficar perto de mim, eu não posso permitir que isso aconteça, por mais que eu quero ela de volta, sei que nós não vamos ser os mesmos.
- Vocês só podem estar de brincadeira não é? – Fuzilei ambos com o olhar nervoso, que os fizeram engolir a seco baixando a cabeça. – Ela não pode ser minha assessora.
- Ela pode e ela vai . – Finn disse decidido erguendo a cabeça me olhando sério. – Estou fazendo isso por ambos, sei que você não está bem, ela também não.
- É claro que está, vocês mesmo me falaram ontem que ela estava bem sem mim, afinal, eu não consigo entender vocês, uma hora querem me manter afastado da mulher que amo e outra querem ela perto de mim, o que está acontecendo?
- Como se você não quisesse ela perto, garoto, está escrito na sua testa isso, você tenta disfarçar, dizer que não quer ela perto, que quer longe de você, mas você sabe que no fundo está fingindo pra si mesmo. Não deixe o amor de vocês morrerem, ok? Sabemos que os dois precisam um do outro e no momento ficar afastado não é a melhor opção.
Estava de cabeça baixa ouvindo o pequeno discurso de Finn, afinal, ele está certo, me manter afastado pode não ser a melhor opção, mas eu não vejo outra saída, Ethan ameaçou minha família se eu voltar a me aproximar de , eu não quero que isso prejudique tanto minha mãe, tanto quanto .
- Como vou reagir perante ela, Finn? Já pensaram nisso? – volto a olhar os dois. – Eu não sei se vou conseguir fingir que não conheço ela, é demais pra mim estar perto da mulher que eu amo e não poder fazer nada, não poder ser quem eu sou quando estou com ela.
- , sei que é difícil, mas vamos estar aqui para te ajudar a passar por essa situação, somos amigos de ambos e nos dói ver um casal tão lindo separados, só pedimos que não fique forçando ela a se lembrar de você ok? Deixe ir com o tempo.
Desisto de fazer eles mudarem de ideia e apenas concordo com a cabeça, Finn e são teimosos, nunca desistem do querem até a pessoa ceder a eles, mesmo que tenha que ir contra a sua vontade, agora me resta apenas ter que aguentar ver todo dia, mesmo percebendo que isso não vai ser uma tarefa fácil, não mesmo.
- Eu preciso pensar um pouco, dentro de uma hora estou de volta. – Olhei os dois uma última vez antes de sair do estúdio.
Como estou sem carro, ao sair do set a rua já estava mais calma, então fui caminhando até o bar da esquina, não era nem tão pequeno e nem tão grande, ao adentrar o local, tinha pouca iluminação, ao lado esquerdo continha um balcão enorme com cadeiras na frente, por dentro da aérea do balcão continha vários armários com bebidas de todos os tipos, ao meu lado direito tinha várias mesas redondas perto da janela, sendo iluminada apenas pela luz da rua e ao fundo do bar tinha duas mesas de sinuca e ao lado de uma das mesas tinha jogo de dardos. Caminho até o balcão sentando em um dos bancos, próximo a porta o barman limpava aquela aérea e ao me ver caminha até mim enxugando ás mãos.
- Ora, ora, que honra ter em meu bar. – Samuel, pelo que pude ver no seu crachá, chegou dizendo. – O que vai ser hoje?
- Uma cerveja apenas. Só estou precisando pensar.
- Problemas no trabalho? – Samuel colocou a cerveja em minha frente apoiando as mãos no balcão esperando uma resposta.
Quem dera fosse apenas um simples problema no trabalho, seria tudo mais fácil se fosse isso. Mas ninguém sabe como o quanto sozinho eu me sinto, o quanto meu coração está quebrado, por tudo que estou passando.
- Quase isso. – respondi sorrindo de canto forçado, tomando um gole de bebida. – Mas nada que eu não possa resolver mais tarde. – menti, afinal ninguém sabia sobre o que realmente aconteceu com .
Meus fãs, a imprensa, ninguém sabia que eu estava namorando, resolvi manter meu namoro com as escondidas, para preservar sua vida e com isso ninguém sabia sobre o acidente dela, e era melhor assim, tanto para proteger de perguntas que ela não saberia responder, tanto que isso só a deixaria mais confusa e assustada com todos ao seu redor, afinal quando a gente se conheceu, eu ainda não era tão reconhecido na minha carreira como sou hoje e isso poderia a prejudicar a voltar a ser que ela era, um dos motivos também pelo qual decidi me afastar dela.
- Entendo, bom vou atender a outra cliente que acabou de chegar e o deixar pensar, se precisar de mais alguma coisa é só chamar.
Acenei positivamente e olhei o meu lado esquerdo ao ver a nova cliente, era uma menina ruiva de olhos verdes, confesso que a achei muito atraente, seu sorriso até que era bonito, mas não se comparava ao de .
- Olha, pelo visto já está de olho em outra não é, ? – pulo se susto na cadeira ao reconhecer a voz.
Será que Lucy nunca vai me deixar em paz? Olho para meu lado direito, observando Lucy sorrindo um riso irônico, o qual me fez ficar com um ódio fora do comum, só queria saber porque ela estava com essa perseguição.
- Por que você não me deixa em paz Lucy? O que pretende com isso?
- Não pretendo nada, querido. – Ela senta na cadeira, de um jeito que deixe seus peitos quase soltando para fora, é ela não mudou nada. – Só quero saber como você está.
- Você não me engana, você quer sim alguma coisa, mas só vou dar um único aviso Lucy, se você acha que vai voltar comigo só porque sofreu esse acidente, esquece. Não quero te ver nem pintada de ouro.
Me levanto, perdendo completamente a vontade de beber, de esquecer os meus problemas, pois com Lucy por perto eu só teria mais confusão em minha vida, isso é o que eu menos quero no momento, mais confusão, eu só quero consertar meu relacionamento com , eu preciso disso.
- Veremos, , veremos se você não vai me querer depois de saber da verdade, de realmente como a está.
Ela não sabe de nada de , , ela está blefando, não caia em seu jogo, é exatamente isso que ela quer, bagunçar sua cabeça.
- Preciso ir gravar, não me procure mais, por favor.
Avisei Samuel que tinha deixado o dinheiro no balcão, saindo o mais rápido possível daquele bar e a única coisa que me deixava preocupado era chegar ao set e ver a pessoa que eu mais quero ver, mas se eu a encontrar, me pergunto se devo agir como se eu não a conhecesse, se devo ser simplesmente ser eu mesmo, ou será que devo agir como se fosse um completo idiota para manter ela afastada de mim... tantos modos, que nem sei como agir, fecho os olhos, lembrando que era exatamente assim que eu me sentia quando a conheci.
Entrando novamente no estúdio, segui para meu trailer afim de não querer encontrar com ela naquele momento, de não encontrar com ninguém, ainda estava processando toda essa ideia de estar tão perto, mas ao mesmo tempo longe. Como ainda falta uma hora para o início das gravações, aproveito para vestir a roupa do personagem, que era completamente o oposto de mim, resolvi escolher esse papel justamente por isso, para encarar um novo desafio.
Ao colocar a jaqueta que é a última peça de roupa que faltava, saio do trailer, indo dar uma volta pelo set para matar o tempo, estava caminho quando meu estômago começa a roncar, me lembrando que eu não tinha almoçado, resolvo passar na cantina, escolhendo apenas um café. Sento na mesa do canto direito na parede, pegando meu celular, para olhar em algumas fotos antigas, até que uma especial me chama atenção e além de me fazer rir, me fez lembrar das emoções desse dia divertido.

FLASHBACK ON:
- , me coloca no chão! – dizia se debatendo em meus braços.
- Eu acho que vou jogar ela na água, você não acha ?
Fingi que ia jogar minha menina na água da cachoeira, enquanto a mesma se segura em meu pescoço encolhendo o rosto em meu peito, demonstrando pra mim o que eu já sabia. Ela não sabia nadar e tinha medo de água muito funda.
- , eu não sei nadar.
- Você confia em mim moranguinha?
me olhou feia, me fazendo gargalhar, pois além de ela estar com medo, ela detestava que eu a chamava de moranguinha, a beijei na boca tentando transmitir alguma segurança, o que foi em vão já que a mesma me deu um tapa no ombro nos separando.
- , eu vou morrer.
- Eu estou aqui pra te proteger, nunca mais fale uma coisa dessas, . NUNCA. - Gritei a última palavra e ela se encolheu no meu colo, eu sabia que eu tinha exagerado um pouco ao usar meu tom, mas era pra seu próprio bem e além disso senti uma sensação esquisita e nada boa ao ela dizer isso.
- Desculpa. - Pedi baixinho fazendo sorrir triste em resposta.
Mas como não gosto de ver ela triste, apertei o nariz dela fazendo ela sorrir, o que me deixou mais tranquilo num sinal que de que tudo estava tudo bem. Quando dei por mim, só deu tempo de ouvir gritando e nós dois caindo na água, por sorte ela estava abraçada comigo. Ao voltamos a superfície, olhei minha baixinha e ela estava com o semblante irritado olhando pra que gargalhava.
- , quer parar de rir? – dizia irritada.
- Amor foi só uma brincadeira.
- Uma brincadeira, ? – ela falava alto me encarando.
- Sim.
- , beija a . – diz com uma câmera na mão, na grama.
- Eu não vou tirar nenhuma foto nesse estado.
iria sair dali, mas a segurei pela cintura fazendo ela ficar deitada em meu colo e a beijei, ouvindo gritar dizendo que a foto ficou perfeita. Ficamos um tempo nos beijando como se eu sentisse que esse seria nosso último beijo. Colei nossas testas e a olhei sorrindo que fez o mesmo.
- Humor melhorado, moranguinha?
- Humor melhorado.
Logo ouvimos um baque na água nos jogando um monte de água em seguida e eram e , para dar início oficial a bagunça.
FLASHBACK OFF.

Eu sabia que aquela sensação daquele dia não era nada boa, eu devia ter prestado mais atenção aos meus sentimentos, deveria ter a protegido mais, mas não consegui. Foi minha culpa esse acidente, eu não deveria ter a chamado para ir até meu apartamento, nosso apartamento. Ethan tem razão ao me querer afastado de , eu só a causo sofrimento.
- ACORDA, . – Ouço me chamar ao meu lado, me acordando do meu pequeno devaneio.
- O que foi? – respondo ao perceber que ele gargalhava do pulo que dei.
- Você está muito distraído ultimamente, o que está acontecendo?
senta na cadeira vazia ao meu lado, roubando meu café tomando um gole, o que me fez revirar os olhos, até hoje não sei como não engorda, ele come duas vezes mais que eu.
- Quer devolver meu café? – respondi com outra pergunta, pois sei que ele odeia isso e aproveitei, mudei de assunto.
- Não. – Ele respondeu rindo tomando outro gole. – Sério cara, o que está acontecendo? Te conheço muito bem pra saber que tem algo errado.
- Não tem nada errado, estou bem de verdade. – me olha desconfiado, pois ele me conhece melhor do que eu mesmo. - É sério, .
- Tem haver com ?
Ele me pergunta como se soubesse da resposta, me fazendo sentir totalmente tolo por deixar tão transparente a saudade que eu tinha daquela mulher, suspiro cansado olhando para baixo evitando seu olhar, pois sei que ele vai continuar ainda com as perguntas, e sinceramente eu não quero falar nela, não no momento. Por reflexo, olho o relógio em meu pulso vendo que faltava apenas 10 minutos para a gravação.
- Tenho que ir, . – Respondo, tentando ao máximo não parecer incomodado com o assunto.
Pego meu café da mão de meu amigo que fez careta tentando recuperar igual uma criança e eu gargalhei por isso correndo o máximo que podia, pois sei que ele irá vir atrás de mim, e como previa, ele estava perto e ao adentrarmos o set, me segura fazendo ambos cairmos no chão, me fazendo apenas olhar o café pensando que seria um desperdiço ele ter caído, mas algo o puxa da minha mão, olho para e era em cima de mim erguendo os braços.
- PEGUEI. – Todos presente caímos na gargalhada me fazendo o empurrar para sair de cima de mim.
- Você é um idiota. – respondi rindo ao me levantar e ajudar meu amigo ao fazer o mesmo.
- Isso tenho que concordar .
Olho para meu lado esquerdo vendo com braços cruzados e uma cara dura. Estou falando, olha o ciúmes ai.
- Alguém te chamou aqui princesa? Pois eu acho que não. – Olho para como quem diz, “que porra você está fazendo?” – não me olha assim.
- Eu não fiz nada. – ergui meus braços em rendição.
- Vocês dois, são uns bando de engraçadinhos isso sim, principalmente você .
- O que eu fiz agora rainha Elsa? – me segurei pra não rir, por que sabia que ia sobrar pra mim. – Ou melhor devo dizer, coração de gelo.
- Você sabe muito bem o que você fez. – estava começando a se alterar e eu estava ficando mais confuso ainda. – EU TE ODEIO.
Olho para que estava começando a derramar algumas lágrimas no olho e sem aviso prévio, ela me abraçou o qual retribui a abraçando com força. O que estava acontecendo com esses dois que eu não estava sabendo, aparentemente, nem eu e ninguém aqui presente.
- O que você fez, ? – Pergunto ao meu amigo preocupado, afinal queria saber o que estava acontecendo com meus amigos.
Ele não me responde nada, mas sei que ele tinha feito alguma merda ontem enquanto eu não estava presente. O que ele tinha na cabeça, será que meu amigo tinha algum problema que não percebia que essas coisas machucavam ?!
- Eu não fiz nada, essa pirralha que começou a fazer escândalo à toa.
Sei, não consigo acreditar nessa história, por mais que ele fosse meu melhor amigo, algo não se encaixava e eu iria descobrir, os dois estão ficando cada vez piores e isso não está certo.
- se acalma um pouco, ok? – Afastei ela do meu abraço, enxugando seu rosto. – Não liga para o que diz ou faz, ele é um mané.
- Ei, de que lado você está? – diz indignado, mas eu o olho com um olhar mortal, fazendo ele ficar quieto.
- Tá legal, vamos acabar com o clima por favor? Cada um em suas posições.
Finn interrompe nossa breve cena, ou melhor de e de e eu agradeço por isso. Estava ansioso para saber quem seria meu par neste capítulo, afinal, Aeron, meu personagem era um bad boy que não se importava com ninguém até que ele vê essa menina que vai mudar todo o seu passado sombrio e ele vai ajudar a menina a superar o dela, ambos enfrentam obstáculos perigosos para ficar juntos.
- GRAVANDO.

Encenação On:
POV Aeron:

Meu pai tinha acabado de deixar Oliver e eu na escola sem se despedir, afinal, ele não se importava. Enquanto ambos caminhávamos, Oliver ficava assobiando para as meninas que faziam careta para ele me fazendo rir.
- Adoro início de ano Oli, cheias de calouras novas, será que vai entrar alguma gatinha na nossa sala também?
Afinal eu tinha que aproveitar né, é meu penúltimo ano nessa escola de quinta que meu pai me obrigou a ficar. Detesto essa escola, não quero seguir a carreira dele, não quero que venha nada daquele ser que insiste em me chamar de filho. Ele só é o cara que doou o espermatozóide pra minha mãe e nada mais, o que aquele cretino fez com ela, ele ainda vai me pegar, minha mãe não merecia isso.
- Não fique na expectativa, Aeron, vai que a mais gatinha venha pra mim?
- Você emprestaria ela para seu parceiro aqui, certo? – bato em seus ombros de leve.
- Acho que não em, porque olha quem está vindo ali.
Olho para a direção que apontava, observando que a menina que eu menos queria ver no momento apareceu. Essa garota não tem mais o que fazer não?
- Aeron, meu amor, fiquei com saudades de você nessas férias. – ela entrelaça os braços em meu pescoço enquanto eu fazia careta justamente por não querer ela por perto. – Onde esteve que não podia dar uma atençãozinha a sua namorada?
Eu fugi de Molly o inverno inteiro, justamente porque eu queria um pouco de paz, já não bastava ter que olhar para ela o dia inteiro nessa escola, não acredito que me aproximei dela, mas era somente pelo sexo. Essa garota não representava nada pra mim.
- Ora, Molly, eu tinha compromissos. – invento uma desculpas. – Com minha família, você sabe como é meu pai. – dou de ombros, colocando a mão em meu bolso da calça.
- Podia ter pelo menos ligado. – Ela faz beiço, para se mostrar de santinha, mas sei que ela provavelmente saiu com outro cara nessas férias.
Sem aviso prévio, Molly me beija, me surpreendendo, o que fez eu erguer os braços em rendição, quando ela vai aprender que não é sempre que ela quer, que eu vou estar ali pra ela?
Mas foi na tentativa de soltar Molly, quando olhei atrás da mesma, ficando paralisado com a visão que tive.
Encenação Off.


Não, não, o que ela está fazendo ali. Justo ali no meio das gravações, ela não pode aparecer assim do nada mexendo comigo, respiro rápido tentando me acalmar, eu preciso ir falar com ela.
- ? – Estava surpreso comigo mesmo em ver ela ali, tão linda que praticamente minha fala foi um sussurro.
- , cara, vamos voltar a gravar. , ESTÁ ME OUVINDO, CARALHO?
O mundo tinha parado ao meu redor, minha visão tinha ficado somente focada nela, como um tigre que está observando a sua única presa e não podia deixá-la escapar. Ela estava tão linda, tão diferente da última vez que eu a vi, parecia mais viva, mais feliz. Seus cabelos estavam maiores, mais lisos, mais brilhantes e quando ela fez o movimento para colocar o cabelo atrás do pescoço, fiquei piscando direto e um sorriso discreto e bem fraco apareceu em meus lábios ao encarar seus olhos verdes, como eu sentia falta deles, como sentia falta dela e agora ela estava a metros de distância de mim, eu preciso falar com ela, mas como ela irá reagir? Eu simplesmente preciso. Preciso ouvir sua voz. Como se soubesse que estava sendo observada, ela olha para mim, mas não do jeito que imaginei, ela me olha séria e confusa, como se, não me conhecesse! Isso foi o que bastou para meu sorriso desaparecer me fazendo desviar o olhar para qualquer lugar. que porra você está fazendo? Você tem a oportunidade de ver sua namorada, sua mulher depois de meses e desvia o olhar? O que deu em você cara! Ao olhar novamente para a frente, arregalo meus olhos, ela já não estava mais lá, onde ela foi? Eu não poderia ter imaginado ela ali poderia?
- . – Ouço alguém me chamar, mas ignoro, saindo daquele set.
Corro o mais depressa que posso, mas não a vejo em nenhuma direção daquele corredor, ela não poderia ter ido tão longe em questão de segundos, não poderia. Porque ela fugiria de mim? Continuo correndo ao virar um outro corredor, mas no momento que ia entrar, sou puxado para trás por alguém, o que essa pessoa pensa que está fazendo? Eu preciso procurar .
- , pode me explicar o que foi que aconteceu?
Olho ao meu lado encontrando um , um tanto quanto estressado, coisa que era rara de se ver, fecho meus olhos sabendo que dei mancada com o pessoal, mas ninguém vai me entender, eu preciso ir atrás dela e não deixar ela escapar jamais.
- Eu tive impressão de ter visto alguém conhecido, mas me enganei. – estava gaguejando droga, irá saber que estou mentindo.
- Você viu o mesmo, que eu não é? Você viu a .
Acenei a cabeça sem dizer uma palavra, afinal, ele me conhecia para saber que era exatamente isso que aconteceu e que eu simplesmente não consegui me segurar para ir atrás dela, que foi por impulso, por saudade, por simplesmente finalmente ter alguma notícia dela.
- Vai descansar, deixa que eu me viro com o Finn. – dá dois tapinhas em meu, ombro andando atrás de mim de volta para o set de filmagens.
Agradeço simplesmente por ter um amigo que nem ele, anos de amizade dão nisso, sempre me ajudou em situações que eu simplesmente não conseguia lidar. Caminhando de volta para meu trailer penso onde ela poderia ter se metido, será que ao me ver, me reconheceria? Eu preciso que ela se lembre de mim, se lembre de nós, porque eu simplesmente, preciso!
Quando me aproximei de meu trailer, abro a porta, que estava encostada, mas eu tinha certeza que tinha deixado fechada, o que será que houve?
- Lena! – chamo a estagiária que estava passando no corredor com uma bandeja de cafés.
Lena se vira pra mim toda atrapalhada, aparentemente nervosa, com medo que desse algo errado, para sua sorte, um café ameaça cair no chão, mas eu o seguro.
- Desculpe por isso senhor , ando tão preocupada com o trabalho que estou com medo.
- Calma, está tudo bem, de verdade. – Respondi sorrindo, para tranquiliza-la. – Mas esse fica pra mim ok? roubou o meu.
Começamos a rir, mas fomos interrompido por um breve silêncio, observei suas bochechas ficarem coradas, o que me fez sorrir de canto. Sei que Lena, é minha fã, pois no primeiro dia que soube que trabalharia comigo, acreditem ou não, desmaiou.
- O que o senhor deseja, além do café?
- Por favor, me chame apenas de , ok? – ela acenou positivamente. – Queria saber se você viu alguém entrando no meu trailer. – aponto com o dedo para a porta. – Eu tenho certeza que deixei a porta fechada.
- Então senhor, ... – a repreendi com o olhar, que sorriu tímida. – , eu estou passando por aqui agora, não vi ninguém passando.
- Tudo bem então, de qualquer forma, te agradeço.
- Obrigada, agora tenho que ir.
Lena se despediu me deixando de novo sozinho em meus pensamentos, deve ser coisa da minha cabeça, eu provavelmente devo ter deixado aberta, do jeito que sou esquecido ás vezes.
- Até que enfim, um pouco de paz! – fecho a porta, encostando minha testa nela, suspirando, afinal eu precisava de um pouco de tranquilidade. – Eu preciso achar aquela garota.
- Precisa achar que garota, ?
Engoli a seco ao reconhecer essa voz, como ela conseguiu entrar na droga do meu trailer! Com que direitos? Me viro de frente e lá estava , sentada em meu sofá com uma pasta nas mãos em cima de suas pernas entrelaçadas, o que me fez suspirar. Ela simplesmente estava linda, o que ela queria acabar comigo? Desse jeito não irei conseguir ficar longe de jeito nenhum.
- O que está fazendo aqui? Com que direitos acha que pode invadir o trailer dos outros.
Estava irritado, eu não estava preparado para vê-la, de repente ela está aqui na minha frente, depois de todos esses meses. Sei que fui um idiota agora ao usar esse tom, mas foi mais forte que eu, sei que fiz merda ao ver a feição irritada de , ela usava a mesma cara quando eu fazia alguma merda enquanto estávamos juntos.
- Isso é jeito de falar comigo ? Quem você está pensando que...
- Escuta, você invade o meu trailer e quer que eu seja gentil com você? – franzi a sobrancelha, ao responder.
Merda , é assim que você quer reconquistar ? Mas também poxa, ela está pedindo, vem com essa atitude de quem é a dona do mundo, sabe tudo, mas a verdade era que ela não sabe de nada.
- Eu não invadi, estava aberto.
Ela estava nervosa, só pelo fato que ficava brincando com seus dedos e olhava para baixo, ela sempre ficava assim ao tentar esconder algo, mesmo sabendo que não conseguiria. Eu estava rindo sínico, não por achar engraçado, mas por nervoso, nervoso de estar com ela depois de tempo e não saber como agir.
- Finjo que acredito, aliás, quem é você? – Engoli a seco, pois eu já ia a chamar pelo apelido.
Porque as coisas nem sempre são do jeito que querermos? Ela não merece isso tudo, não merece sofrer, ser enganada, não quero mudar meu jeito com ela, ser outra pessoa, não quero ser alguém que ela acaba de conhecer, eu simplesmente quero que ela seja minha e eu o dela.


Capítulo 3


- Pode acreditar, eu não iria invadir seu trailer sendo que nem o conheço. – Ela levantou com raiva do sofá.
“Sendo que nem o conheço”, meu coração doeu ao ouvir isso justo dela, mas tentei esconder, eu não podia demonstrar nenhum tipo de ressentimento, ela não pode desconfiar de nada.
- Você não respondeu minha pergunta, quem é você e o que faz aqui? – sou seco com ela.
estava diferente desde que a vi no hospital, sua expressão estava tranquila mostrando aquela mulher forte que ela sempre foi, decidida que sabe o que quer e corre atrás deixando pra trás qualquer tipo de obstáculos, seu corpo estava ainda mais radiante com a roupa social que ela usava, suas pernas estavam a mostra desde os joelhos para baixo por causa de sua saia, ela segurava a mesma pasta com força nas mãos, como se devesse proteger aquilo de tudo e todos, mas sei que ela apenas estava insegura com o trabalho, pois não era o que ela realmente queria fazer, isso que me deixava ainda com mais raiva de Finn ao obrigar minha , fazer o que ela não quer. Se ela não queria fazer esse trabalho, me dava impressão de que ela não quer ficar perto de mim, e isso me machuca muito, pois tudo o que eu quero é recuperar o que éramos.
- Eu sou , sua nova assessora, espero que tenhamos um bom caminho pela frente senhor , me contaram do seu passado, e sério, para que ser aquele cafajeste?
Arregalo os olhos ao saber disso. O que contaram de mim para minha menina? Isso não é justo, mas ao ouvi-la me chamar de cafajeste era o que doeu mais. Cafajeste, eu! Não me levem a mal, mas eu não irei admitir a mulher que eu amo falar que eu sou um cafajeste sem lembrar de nós, sem lembrar das coisas que vivemos, sem lembrar do nosso amor, e principalmente sem lembrar de mim.
- Pois bem , eu também espero, para começar não fale coisas sem saber se é verdade.
- O que não é verdade? Eu tenho contatos que me informaram sobre você, então não me venha dizer que o que eu soube não é verdade.
- E O QUE VOCÊ SOUBE? – gritei perdendo a cabeça.
- PRA COMEÇAR, ABAIXA SEU TOM DE VOZ COMIGO. – Ela grita apontando o dedo em minha cara e eu juro que estou a ponto de explodir, mas me calo. – Segundo, soube que você é um pegador, que não respeita ninguém, que não tem amor por si próprio. Francamente , como quer continuar com o sucesso assim?
Respiro fundo afim de me acalmar, eu só precisava saber quem era o idiota que contou essas merdas pra ela, eu não sou um imbecil, não sou esse idiota que estão dizendo. Por um lado, eu me sentia completamente bem ao vê-la ali perto de mim, por outro, sei que essa que está na minha frente, não é a minha .
- Quem te contou essas coisas? – respondo em um fio de voz.
Belo primeiro passo , já começando discutindo, não poderia ser de outro jeito não? Se você quer ela de volta precisa se acalmar antes de tudo e não descontar os problemas nela, afinal, ela não tem culpa do que aconteceu.
- Isso não importa, só o que interessa é que eu não vou facilitar as coisas estamos entendidos? Se você quer estragar sua carreira, o problema é seu, mas estou aqui para resolver meu trabalho, que infelizmente é com um cara idiota como você.
Mais uma pontada no coração, isso já está me deixando com raiva, doí muito escutar essas coisas justo da pessoa que você mais ama, fecho meus olhos na tentativa de me manter calmo, porque realmente está difícil, o que esse acidente fez com minha ? Ela se tornou completamente outra pessoa. Uma pessoa que parecia vazia, sozinha, já não é mais aquela menina meiga, mais ao mesmo tempo levada, divertida, alegre, se tornou uma mulher que parece desconhecer a felicidade.
- Se você me der licença, tenho trabalho a fazer e garanto que você também tem o seu para ficar jogando conversa a fora e falar idiotice.
Me viro para sair do trailer, meu descanso já era, meu humor para o resto do dia mudou, o que eu estava começando a ficar de bom humor, mas ao ouvir ela, justo ela, falando essas coisas da pessoa que ela dizia amar, dói muito.
- Onde você pensa que vai ? – coloca a mão em meu ombro. – Temos alguns assuntos para discutir.
- Estou escutando. – fecho a porta me encostando de lado na mesma.
estava em minha frente, conhecendo ela como conheço, por trás desse todo esse escudo protetor que ela arranjou não sei de onde, ainda existe aquela menina doce e carinhosa, que neste momento começa a se revelar que ainda existe ao passar um pouco do seu cabelo atrás da orelha olhando pra baixo ao procurar algo na pasta que ela tinha pego com o Finn mais cedo, sorri ao notar um leve rubor em suas bochechas, ela simplesmente ficava linda tímida.
- Então... – tento prosseguir ao notar o silêncio, que pela primeira vez, estava me deixando incomodado. – O que quer tanto me dizer?
- Só os afazeres que o senhor tem hoje, afinal é meu trabalho te informar sobre isso não?
Sei que ela também notou que ficou um clima estranho entre nós, mas não queria assumir, uma pontada de esperança começou acender em meu coração que estava escuro, estava vazio.
- Está certa. – afirmo com a cabeça, tentando parecer um cara legal. – O que temos para fazer hoje?
- Bom, pelo o que me passou, o senhor tem apenas as gravações e terá que gravar um vídeo para a campanha que a série está fazendo.
- Campanha? Eles não tinham me informado nada disso. Que campanha é essa?
Estava curioso realmente, não tinha me informado sobre isso, conhecendo ela, sei que estava tramando alguma e não me avisou de novo, nunca iria esquecer algo em relação a trabalho.
- Olha, eu sou nova aqui, eu também não de nada, mas ela me pediu para avisar ao senhor sobre isso.
- Tudo bem, irei gravar o vídeo e . – ela olha pra mim tensa. - pode me chamar apenas de ok? Não sou tão velho para me chamar de senhor.
Resolvi fazer uma brincadeira com ela, para aliviar a tensão mais cedo, não queria transmitir que era um cara insensível, como ela pensa que sou. Meu primeiro item da lista para reconquista-la será: - “Não há deixe pensar que você é um idiota.”
- Por mim tudo bem, . – sorri ao vê-la chamar meu nome. – Eu preciso ir, não quero te atrapalhar.
- Você não atrapalha .
Me assusto ao ouvir o que acabo de dizer, droga, eu sou um idiota. Porque fui chamá-la pelo apelido? Merda, !
- Desculpa, eu... – gaguejo de nervoso. – não devia ter te chamado assim!
Ela pareceu achar graça do meu nervosismo, pois estava segurando o riso, reviro os olhos, ótimo, estou fazendo papel de idiota.
- Se você se sente melhor me chamando assim, não tem problema, eu não gosto que me chamem pelo meu nome inteiro também, parece que estão sempre brigando comigo.
Isso era verdade, foi uma das primeiras coisas que ela me disse assim que me conheceu no colégio, ela simplesmente odiava ser chamada pelo nome inteiro, vivia brigando ou chamando atenção por quem fazia isso, não entendo o porquê, sempre achei seu nome tão lindo, que eu podia ficar falando o dia inteiro que não enjoaria.
- Mas senhor... – a repreendo com o olhar, mas sorrindo de leve. – , como você conheceu ?
Droga. Porque ela tem que ser tão curiosa. O que eu ia dizer? me coloca em cada furada, eu não posso simplesmente dizer “Então , conheci no colégio junto com você, nós namoramos e foi ai que ela tornou minha assessora.”
- O que ela te contou?
Tento apelar pelo lado da a história, para pelo menos ter algo para pensar, para não dar mancada, pois sei que se eu fizer, será a única a ser prejudicada. Só espero que não seja que disse todas aquelas merdas sobre mim a ela.
- Ela não me disse nada, apenas disse que eu iria trabalhar com o ator que ela trabalhava, pois estava tendo muito trabalho. Mas não me falou nada sobre você e eu acho engraçado que ela esteja trabalhando já, pois a última coisa que eu...
parou no meio da frase que eu já sabia que ela ia dizer, mas pelo o que parece ela ficou com medo e não gostou do assunto, pois logo ficou nervosa novamente, mexendo nas mãos olhando para baixo, suspiro cansado, sabendo que não posso nem dar um simples abraço para acalma-la, para dizer que está tudo bem.
- Desculpe, eu não devia ter te perguntado isso.
E mais uma vez, ela está se demonstrando ser a que eu conheço, ela sempre tinha ciúmes de sua melhor amiga, mesmo dizendo que não, sempre analisava se os amigos de eram boa companhia para a mesma, eu até achava isso fofo, pois mostrava esse carinho que ambas tem uma pela outra, apesar de ambas serem completamente diferente.
- Está tudo bem, prin...
Droga o que está acontecendo comigo hoje? cala a sua boca. Não posso me deixar levar pela emoção. Não posso me deixar levar pelo sentimento que ainda está em mim, sendo que ele não é retribuído no momento.
- Prin? – ela tentou me incentivar a continuar, porém balanço a cabeça em negação.
- Nada! Escuta , tenho que ir agora ok? – Eu estava com as mãos tremendo ao notar um olhar decepcionado de minha garota, ou estou ficando louco por imaginar coisas.
Antes que ela pudesse responder, me viro de costas tentando respirar direito, porque simplesmente até agora eu tinha prendido minha respiração, era demais pra mim, ficar perto da minha princesa e não poder beija-la, não poder abraçá-la, não podermos sermos um. Estou farto, eu não vou conseguir ficar longe. Fecho os olhos com força ao sair da porta, tentando apagar esse mini encontro com em meu trailer, isso não irá dar certo. Não mesmo.
- onde você estava? – Ergo meu olhar para ver irritadíssima ao meu lado esquerdo.
- não começa por favor, eu não estou bem ok?
- O que você tem? - Seu tom de voz era de preocupação, mas eu simplesmente não estava afim de papo.
- Nada, eu preciso ir gravar.
Tentei aumentar meus passos ao passar por , mas conhecendo a bichinha, ela era curiosa, irá ficar me enchendo de perguntas o caminho inteiro.
- eu estou bem. – Continuei andando, me perguntando se ela nunca me deixaria em paz.
- Engraçado que a poucos segundos, você me disse o contrário. , o que está acontecendo? Primeiro, você chega atrasado no trabalho, coisa que você nunca fez antes, segundo, você tomou cerveja em serviço e não venha me dizer que isso é mentira e terceiro, você parou do nada de se concentrar em uma gravação por causa de .
Paro de me mover ao ouvir o nome de minha garota. tinha razão, eu estou agindo exatamente como um idiota, mas é que, eu simplesmente não estou sabendo lidar com essa nova realidade que está me cercando, tento seguir em frente, mas não consigo.
- Você não é mais minha assessora , não te devo explicações do que eu faço.
- Está certo, eu não sou sua assessora, mas sou sua amiga, eu quero o seu bem e o bem de , ela não ia querer que você agisse assim, ela iria querer que você fosse você mesmo, sendo o que ela conheceu.
- SE ELA QUISSESE ISSO, ELA SE LEMBRARIA DE MIM.
Estava irado, será que ninguém entende que eu quero esquece-la? Parece que a qualquer lugar que eu vou, sempre tem algo relacionado a , porque ela simplesmente não some da minha vida e me deixa tentar concertar o meu coração. Eu estou morto por dentro, com um vazio que é simplesmente inexplicável. Me viro de frente para que apenas me analisava sem dizer nada, sabia que ela estava decepcionada, mas eu não posso fazer nada, só que no segundo que me viro, olho por cima de ombro de , vendo a porta de meu trailer sendo fechada. Olha o que acabei de dizer, ela sempre aparece em momentos oportunos, momentos no quais eu quero me manter longe, observo ela se aproximar, com aquele olhar sério, que demonstrava a mulher que ela tinha se tornado, não sendo mais aquela garota que tinha conhecido.
- Sabe, , eu sinto falta do de antigamente, da época do colégio e...
Comecei a prestar atenção no que estava dizendo, porém, quando nossos olhares se cruzaram, senti uma sensação de borboletas no estomago, é isso zoou meio gay, mas poxa, quem não se sentia assim perto de quem você ama?
- Eu tenho que ir, até a hora da campanha .
Me despedi o quanto antes ao notar o olhar curioso de sobre algo que falava, eu sinceramente não estava pronto para conversar com ela, não agora. Primeiro preciso colocar minha cabeça em ordem e nessas horas o que uma pessoa desesperada faria? Iria a um bar, pegaria alguma mulher, iria beber até entrar em coma alcoólico, mas não posso fazer isso, não quero ter que traí-la para esquecê-la. Chegando no set de filmagens, observo Finn em sua cadeira falando no telefone com alguém, ele realmente estava irritado e ele nunca era assim, ao me ver passar desligou o celular me fazendo rezar para que ele não me chamasse, mas como tudo na vida não é como a gente quer, é exatamente isso que ele faz.
- Garoto, precisamos conversar. – Finn estava sério, isso não é nada bom.
- Eu já ouvi sermão da , não preciso ouvir o seu. - Me viro de frente para Finn, seu semblante era sério.
Estou literalmente me sentindo igual a um adolescente rebelde, que os pais vivem em cima ao fazer algo errado, porque todo mundo tem que se preocupar? Eu não preciso de ajuda, não quero ajuda de ninguém, eu só quero ser como antes.
- , você sabe como essa série é importante pra mim não sabe? – bufo cansado acenando com a cabeça positivamente, eu não teria como escapar. – Então por favor, não ferre com tudo, eu estou aqui não só como seu diretor, mas como seu amigo ok?
- Amigo Finn? – ri sarcástico, belo amigo. – Que amigo faria isso que você fez? Eu estou tentando esquecer a , mas ninguém, ninguém colabora comigo, poxa o que vocês querem?
- Nós queremos, o nosso casal favorito de volta ok? Nem que pra isso seja contra a sua vontade, parece que você não a quer de volta garoto, agindo assim, parece que você nunca a amou. O que eu conheço, moveria céus e terra para ter o quer, nunca desistiria de um amor como esse.
- Eu não desisti, foi o destino que nos separou, não ouse falar que eu nunca a amei Finn, pois você sabe muito bem, que a foi a única mulher da minha vida, além de minha mãe. Eu pretendo ir atrás dela, pretendo tê-la de volta, mas eu só... não sei como.
Resolvo desabafar, Finn é um bom amigo, eu sei que posso confiar nele, ele é a coisa mais próxima que eu tenho de um pai, assim que o meu sumiu do mapa.
- Porque você não tenta agir, como quando vocês eram apenas melhores amigos? Você tem uma nova chance garoto, não a desperdice, faça com que ela se sinta a pessoa mais especial no mundo, faça com que ela sorria de volta. Eu sei que você consegue, você conseguiu uma vez conquistá-la, com coisas pequenas e simples, porque não irá conseguir de volta?
Finn nunca entenderá que é praticamente impossível, e se ela não for a mesma pessoa, não gostar das mesmas coisas, não gostar dos mesmos programas que fazíamos? Das tardes de domingo em baixo do edredom assistindo filme com pipoca e brigadeiro, das saídas as escondidas? Eram tantas coisas que somente nós dois entendíamos, que tenho medo que tudo isso esteja perdido.
- Finn estamos pronto para gravar. – Alguém da equipe de filmagens o chamou, antes que eu pudesse responder e eu agradeci por isso.
- Tudo certo, todos em suas marcas. – gritou para o pessoal, olhando mais uma vez para mim, que sorri fraco. – Pense no que eu te falei , não deixe a oportunidade que a vida está te dando passar, agora vá para a sua marca.
Caminhei até o local onde seria a sala de aula da série e me arrumei na carteira onde eu deveria estar sentado. Foco , agora você é Aeron, não pode deixar sua vida pessoal atrapalhar a profissional.
- Está melhor ? – ouço uma voz masculina dizer em um sussurro.
, senta na cadeira ao meu lado no fundo da sala do lado esquerdo, enquanto eu estava encostado na parede. Tenho que lembrar de agradecer ele mais tarde por ter conseguido esse tempo para eu pensar, mesmo que tenha atrapalhado.
- É estou, mas, cara eu encontrei com ela no meu trailer e...
- SILÊNCIO, VAMOS COMEÇAR EM 1,2, GRAVANDO.

Encenação On:

- Oi Aeron. – Molly coloca suas mãos na mesa em minha frente.
Estava em um papo divertido com Oliver, sobre o que fazer no domingo, afinal iriamos tentar fazer algo que nossos velhos não permitem, apenas para provocar. Era divertido, mesmo que corríamos o risco de ser pegos e acabando nos dando mal, mas como sempre, Molly tem o prazer de estragar tudo.
- O que você quer? – respondi seco, voltando a atenção ao meu amigo. – Cara, eu estava pensando em que podíamos ir na casa do Cody, afinal ele disse que vai fazer uma festa em comemoração ao aniversário da prima e sabe como é as festas do Cody né? – sorri malicioso com Oliver concordando comigo.
- Aeron, você não vai em festa nenhuma entendeu bem? – Molly me segurou pela gravata do colégio.
- Se ferrou parceiro. – Oli falou baixinho tirando onda, apenas mostrei o dedo do meio, afastando Molly de mim.
- Escuta garota, eu não sou seu, quantas vezes tenho que te dizer isso? Você se faz de surda ou o que?
- Você é meu desde quando começamos a namorar.
Essa garota tem o dom de me tirar do sério, é impossível, namorar? Isso que temos para mim não é nada disso, para mim é apenas sexo casual.
- Eu não sou de ninguém querida, outro detalhe, nós não namoramos.
- Vou te provar que você é meu e é agora.
Sem eu ao menos esperar, Molly puxa minha gravata me fazendo levantar da cadeira selando nossos lábios, arregalo os olhos a empurrando com força para longe, essa garota só tinha problema na cabeça, só pode.
- Molly, porque está fazendo isso? Se quer chamar atenção, procura outro cara.
- Mas porque procurar outro, se eu já tenho meu favorito?
Olho para Oliver pedindo ajuda com o olhar, mas ele apenas ergueu as mãos, mostrando que não me ajudaria, belo amigo eu tenho. Sento na cadeira ignorando completamente Molly, em outros tempos, eu até beijaria ela, mas ontem e hoje, simplesmente não foi um bom dia e eu não estou com paciência para seus joguinhos. Mas como nada é bastante para Molly, ela se aproveitou da situação para se encaixar de algum jeito em minha mesa, sentando na mesma, apoiando as pernas sobre as minhas, de jeito que poderia deixar a perna á mostra.
- Eita, Aeron, pelo jeito hoje não tem escapatória. – Oli brinca me fazendo tacar meu penal nele que ria.
- Aeron e Molly, se querem fazer outras coisas, por favor, saiam da sala, imediatamente.
- Desculpe professor eu... – Já ia me desculpando quando Molly me interrompeu com um beijo.
Essa doida queria o que? Mal começamos o ano, já quer nos mandar para a direção! Mas não mesmo, isso não ia ficar barato, me afastei completamente da mesa a deixando sozinha após ouvir o professor chamar nossos nomes mais uma vez saindo da sala.

Encenação Off.


- CORTA.
Finn deu o aviso final da cena e eu agradeci, não estava pronto para cenas de tipo, mesmo que fosse só um beijo, disse que não tem problema fazer essas cenas, pois ela sabe que é tudo profissional, mas agora com ela com essa perda de memória, é como se eu estivesse a traindo. Caminhando até o final do corredor, onde Finn e os outros se encontravam observando a cena que foi gravada, eu a vi e por coincidência e ela estava me olhando, o que me faz pensar que ela deve ter visto aquela cena do beijo, droga. Será que ela ficou incomodada, será que não? Devo ir dar explicações? Resolvo me aproximar da cadeira de Finn onde o mesmo estava com ao seu lado, assim que me viu ela sorriu.
- Garoto estou orgulhoso, está se saindo muito bem.
- Obrigado Finn, sempre estou tentando dar o meu melhor.
Estava falando com Finn, mas apenas conseguia olha-la, ela estava tão concentrada na filmagem, que nem notou o meu olhar sobre si, eu adorava isso nela, tão competente em tudo que fazia, seja em trabalho, cozinhando, se divertindo, ajudando os amigos nas horas que precisam, enfim, eu adorava tudo nela.
- Finn, o que você acha de fazer assim, dava para refazer a cena, na hora em que a Molly e Aeron se beijam e o professor os chama atenção, a menina nova da turma já entrar e causar algum suspense, pois ela já era aluna antiga da escola, mas que retornou por algum motivo.
Não estou falando? Olha ai minha menina me dando orgulho, sorri de lado por causa disso, percebendo que estava sendo observada, olhou para mim dando um sorriso tímido, o que me fez desviar o olhar. Droga, eu precisava ser mais discreto.
- ! – Finn me chama, me fazendo acordar do transe que tive. – Garoto tudo bem com o que a disse? O que acha?
Finn estava quase rindo da minha cara ao falar, reviro os olhos por estar sendo motivo de piada, eu não podia deixar eles ganhando assim, se eu tenho que me afastar de é isso que vou fazer, não adianta eles ficarem de joguinhos para cima de mim.
- Não sei. – dou de ombros tentando ser esnobe, mesmo não querendo. – Eu não acho que a opinião de uma assessora é boa para os personagens, sendo que o trabalho dela nem é esse.
Aquilo me doeu de coração ao ver o sorriso de minha garota desaparecer, droga, eu sempre tenho que falar merda. Eu vou me arrepender de ser assim, mas essa é a única solução para me manter afastado, Finn que me perdoe, mas eu não vou ser como antes com , não quando eu não sei como ficar perto dela.
- , a opinião de todos aqui no set, de toda a equipe é importante, nem que seja simplesmente de uma estagiária, cada um vê a cena da forma que acha que é certa, cada um pode fazer uma mudança radical na série, não pense que só porque é assessora que ela não possa ter novas ideias que venham dar ao programa um futuro melhor, ela pode sim, assim como você, então reveja seus conceitos.
Respiro fundo, tentando me acalmar, Finn não irá estragar os meus planos, ele não vai tentar me fazer sentir culpado por todas as coisas que eu faço, porque ele sabe que é exatamente assim que eu fico, ainda mais com , eu não consigo ficar irritado com ela a muito tempo, ele me conhecia o suficiente para isso.
- Está tudo bem Finn, tenho certeza que o senhor só está estressado com o trabalho, afinal dentro de alguns minutos ele tem uma campanha para fazer e que talvez ele saiba que agora não vai dar pra ir beber ou pegar alguma garota qualquer em um bar como ele costuma fazer, aceita que dói menos .
Ela tinha visto a droga da cena. Ela não irá fazer joguinhos, não mesmo, por mais que eu esteja errado, ela não sabe o que eu venho passando para agir assim, para falar essas coisas idiotas ao meu respeito! Eu posso ter sido grosso, falado sem pensar, mas nunca invento mentiras.
- Escuta aqui garota, você não me conhece para falar esse monte de...
- . – aparece me interrompendo, me abraçando de lado sorrindo, apenas o olho com um olhar mortal. – Que cara é essa? Viu o bicho papão? – Todos presentes riram, menos eu.
- Não, mas eu vi você, que é quase a mesma coisa. – resolvi fazer uma brincadeira para aliviar o clima.
- Acho que você se enganou . Não concorda comigo que o é mais parecido com o bicho papão do que eu?
riu achando graça, mas me olhou sem jeito, apenas fiquei admirando ela rir, nem que para isso tenha que tirar uma com a minha cara, era bom tê-la sorrindo de volta. Aquele sorriso era o único que tinha o dom de melhorar meu dia, não importa qual situação eu esteja, se aquele sorriso único, radiante, nunca estiver apagado é o que basta pra mim estar feliz.
- Então , o ou eu? Qual dos dois é mais parecido com o...
- Vocês não tem mais o que fazer não? – apareceu abraçando de lado. - você não deveria ir até sua campanha e você tem uma entrevista para aquele programa? Parem de ficar perturbando a com essas piadinhas.
- Está estressadinha boneca? – estava sendo sarcástico, eu o olhei quase o pedindo para parar, para não causar a terceira guerra mundial, mas ele decidiu me ignorar. – Porque não vamos ali no fundo para acabar com esse...
- GALERA, EU TENHO QUE VER A GRAVAÇÃO DA CENA. – Finn só se mostrou presente agora, o que nos fez o olhar abobados, pois tínhamos se esquecidos dele. – Porque em vez de ficarem discutindo feito crianças, não vão fazer o trabalho de vocês?
- Alguém anda estressado também Finn, o que está acontecendo meu chapa? – resolve tirar sarro, justamente com quem não devia.
- O que está acontecendo é que não sumirem da minha frente dentro de 5 minutos, todos na rua, fui claro?
Finn sabia que não é fácil manter a pose de profissional sério com a gente, ninguém consegue, então quando nos quatro, , , e eu nos olhamos e começamos a rir do nada porque somos idiotas, Finn revirou os olhos sentando na sua cadeira novamente.
- Dai-me paciência, meu Deus. Dai-me paciência. – Finn fechou os olhos tentando não rir, mas não conseguiu e acabou rindo com a gente. – Agora vão logo.
Obedecemos o senhor manda chuva, cada um indo em uma direção, ou melhor, em meu alcanço e no alcanço de . Essas mulheres não tem mais o que fazer a não ser ficar perto da gente o tempo inteiro? Sei que somos bonitos e tudo mais, não querendo colocar meu ego em alta, mas também temos que ter nosso espaço.
- porque está me seguindo? – Paro no meio do corredor do estúdio me virando de frente para ela que estava atrás de mim.
Aquela situação estava me incomodando, parece que ela está tentando descobrir algum segredo meu, algo de errado que eu fiz, sendo que não fiz merda nenhuma. Sei que ela está apenas fazendo seu trabalho, mas poxa, eu também quero ter minha privacidade.
- Porque eu quero me certificar que o senhor irá fazer seu trabalho, somente isso.
Ela estava com ciúmes. Bom saber que ainda causo algum efeito sobre minha baixinha, mesmo ela não querendo, dava para ver que ela ficou sem jeito ao notar que seu semblante ficou sério quando eu abri meu sorriso encantador que sei que ela adorava.
- O que foi do que está rindo? – Ficou incomodada, que gracinha, adorava quando ela ficava assim.
- Nada, não posso rir agora? – Tento mudar de assunto, tentando fazer alguma brincadeira.
- Eu não sou nenhuma palhaça para o senhor rir da minha cara. Não tenho culpa se meu trabalho é seguir o senhor aonde você vai.
- Na verdade o seu trabalho é apenas marcar entrevistas e cuidar da minha imagem. Não precisa ficar me seguindo o tempo inteiro.
Eu juro por tudo o que é mais sagrado, que falar daquele jeito com ela, estava doendo muito em meu coração, mas se ela precisa ficar longe de mim, se para isso ela tem que pensar que eu sou um canalha, então assim será, por mais que isso me machuque e a machuque.
- Justamente por ter que cuidar da sua imagem, eu tenho que ir em todos os lugares que o senhor vai, saber de tudo que você faz, não vai se livrar de mim tão fácil .
E não quero me livrar de você, nunca, quero você o mais perto de mim possível, quero cuidar de você, proteger você, mas você não colabora , eu preciso que você se lembre de mim.
- Eu preciso da minha privacidade também garota.
- Esqueceu que você é um ator? Uma pessoa pública? – ela riu em deboche. – Privacidade é o que você menos tem no momento, então uma dica que eu dou, não faça besteiras das quais irá se arrepender mais tarde.
Deus sabe como estou me segurando para não soltar a verdade aqui e agora, eu não aguento mais ela me tratando desse jeito, ela não é a mesma pessoa por quem me apaixonei, o que está acontecendo com minha garota? Por mais que , e Finn digam que ela está bem, sei que não está, uma prova disso é essa arrogância que ela está colocando na frente, impedindo de ser a que ela é de verdade.
- Eu tenho que ir gravar, por favor me deixe ir sozinho.
Me viro de costas, seguindo até o final do corredor, virando a esquerda, encontrando uma porta onde ficava o mini set para vídeos de redes sociais, vídeos promocionais que fazíamos. Era uma sala nem tão grande, nem tão pequena, tinha um fundo verde em uma parede e o resto da sala era com todos equipamentos que precisaríamos para gravar. Neste meio tempo, não ouvi nenhum passo de atrás de mim, o que era bom, mas ao mesmo tempo ruim, eu sinto falta daquele carinho que ela me dava antes de começarmos a gravação, aquele beijo de boa sorte. Olho para trás somente para ter certeza que ela não viria, ficando chateado ao perceber que ela não estava presente.
- Porque você teve que ser tão estúpido com ela ? – gritei comigo mesmo batendo na parede.
- Cara, virou lutador de box? Vai quebrar sua mão assim.
Me viro assustado para meu lado esquerdo, na direção que vim até a sala, me deparando com . Suspiro de alivio, por um momento achei que poderia ter ouvido alguma coisa.
- O que está fazendo aqui? Não devia ir gravar a entrevista? – estava ofegante e estava rindo da minha cara.
- Pensou que fosse outra pessoa ? – reviro os olhos abrindo a porta entrando na sala. – E entrevista vai ser gravada aqui, logo depois da sua campanha.
- E sobre o que exatamente vai ser essa campanha que ninguém me avisou que teríamos? Perguntei me sentando em um banco no meio do fundo verde da sala.
- É para isto que estou aqui querido . – entra na sala com toda a pose de sabe tudo que podia. – Queremos convencer seus fãs, a comprarem itens da série para que possamos conseguir dinheiro suficiente para ajudar uma amiga que que está muito querendo aumentar o lugar onde ela coloca os cachorros de rua. Como sua casa é pequena, não tem espaço suficiente esse tipo de coisa, estamos promovendo essa causa.
- Você é muito solidária né Elsa. – resolve ser sarcástico.
- Algum problema com isso idiota? – retruca. – Qual a parte de eu não quero falar com você, você não teve a capacidade de entender?
- Galera, por...
- CALA A BOCA, ACKLES! – ergo minha mão em rendição quando os dois falam juntos.
Melhor deixar ambos se resolverem, estou tentando entender aqueles dois a anos e não consigo, estando perto deles é só pra ter dor de cabeça.
- Não quer falar comigo por que? Só porque viu eu dando uns amassos na loirinha ontem a noite?
Ele não fez isso. Não na frente dela, qual o problema que o tem? Ele não era assim, ele não é mais aquele menino tímido, que eu conheço, ele está se parecendo mais comigo quando eu era antes de conhecer .
- você não fez isso. – Me meto na briga do casal, mesmo sabendo que não deveria.
- Fiz, afinal, eu não tenho que dar explicações para nenhum de vocês não é?
- Cara você quer estragar sua carreira? – retruquei.
Estava realmente preocupado com meu amigo, ele não era assim, tem que ter algum motivo, conheço ele o suficiente para dizer que quando ele age assim, é justamente porque ele tem muitos problemas nas costas e não quer pedir ajuda a ninguém. Mas ele não pode pôr a carreira dele em risco, não desse jeito.
- Dane-se a minha carreira, dane-se tudo, não me importo mais.
- Cadê aquele que eu conheci? Aquele que nunca desiste dos seus sonhos, aquele que enfrenta o próprio pai, para ter uma carreira brilhante, e tudo isso você conseguiu pra quê? Pra ser jogado no lixo?
balançou a cabeça negativamente, eu sabia que durante tudo que falei ele estava pensando no que fez, mas algo me diz que ele não vai me escutar, olho para e a mesma estava séria, com os braços cruzados olhando , ninguém sabe mais do que eu e que ambos se amam, por mais que não demonstrem, só eles conseguem se entender.
- Bom gente, já estou aqui, desculpem o atrasado. – O direto do vídeo entra na sala. – Preparado ?
Não eu não estava, odiava ter que gravar esses vídeos, mas era necessário. Eu não gostava de dar entrevistas, sempre que podia eu deixava falando, pois ele sempre foi mais receptivo com o público do que eu, não que eu não os trate bem, pelo contrário, eu sou muito tímido em frente às câmeras com entrevistas, por mais que eu estava quase sempre em volta de câmeras. Olho para a janela de vidro atrás do diretor, porque simplesmente me deu essa vontade, acabo vendo ali, me observando, eu estou ficando louco, ou tendo uma visão, ela mexeu os lábios falando um “eu te amo”.
- ? Está me ouvindo? – Acordo dos meus pensamentos balançando a cabeça negativamente ao ouvir o diretor me chamar.
Olho novamente para a janela, ela não estava ali, infelizmente é tudo coisa da minha cabeça, ou um tipo de conforto que eu quis ter, só porque sinto falta e estou acostumado, mas eu preciso me desapegar.
- ? – O diretor me chama novamente.
- Desculpe, estou preparado sim.
“Não importa onde eu esteja, eu quero sempre que você seja o que eu conheci.” Aquelas palavras de , sempre me fazem me acalmar para algo desse tipo, é nelas que eu preciso me concentrar agora.
- Vamos lá garoto? – aceno positivamente. – Gravando.
- Oi, eu sou e queria pedir uma ajuda a vocês, todo mundo ama cachorros certo? Eu amo os meus, tenho dois, são como filhos para mim, você não gostaria de ver seu filho na rua certo? Passando dificuldades, passando fome, frio, não tendo nenhum amor, carinho e nem atenção. Então se quer ajudar os nossos amigos fazendo diferentes, nos ajude comprando os itens de nossa série, que você estará participando de uma grande causa, todo o dinheiro que recebermos, irá para uma instituição que cuida dos nossos animais. Agradeço a compreensão de todos.
- E corta.
Suspiro aliviado ao terminar, só estou precisando descansar hoje, tive muito problemas. Se alguém me convidar para sair ao terminar da gravação, vou manda-lo ir caçar o próprio caminho.
- , você foi ótimo. – aparece na minha frente do nada batendo palmas e me abraçando pelo pescoço. – Obrigada, de coração.
- , você foi ótimo, obrigada de coração.” Você tem problema né garota? Parece uma foca batendo palmas assim.
- , você é um tremendo filho da ... – ia dizendo quando a interrompi.
- Ei, a mãe do não tem nada a ver com filho. – Comecei a rir da cara de falso ofendido que meu amigo fez. – Ainda bem né, porque senão ela estaria na pior. – Cochichei no ouvido de a fazendo gargalhar.
- Essa foi ótima e...
- Oi pessoal. – Olho para meu lado direito reconhecendo a voz. Aquela bendita voz.
Porque ela tem que aparecer nos momentos justo quando eu estou feliz? Eu preciso esquecê-la. Tenho que esquecê-la, mas de repente em todo lugar que eu vou, ela está presente, afinal o que ela quer? Me tirar do sério, só pode.
- E ai , como está? – pergunta todo animado.
Desde quando os dois tinham essa intimidade um com o outro? O olho desconfiado e basta um olhar meu, para ele saber de qual assunto eu quero tratar com ele, como assim ele a chama pelo apelido e a abraça de lado, como se fossem amigos íntimos. Algo está errado, muito, mas muito errado e me daria explicações.
- Oi . – Ela falou me olhando sem jeito como se soubesse que eu estava incomodado com a situação. - Estou bem, eu não vou demorar, só vim dizer que você foi ótimo na gravação da campanha .
Estou surpreso com sua atitude, ela tinha me visto gravar! Por um momento durante a gravação, eu tive a sensação de estar sendo observado e realmente estava, por e , mas eu senti meu coração palpitar mais forte no meio da fala e agora entendo o motivo, como eu não notei isso, quando ela entrou na sala sem que eu percebe é o que quero saber, porque agora meu coração está acelerado, como se fosse capaz de sair do peito, por ela simplesmente dizer isso de um jeito tão parecido com a que eu conheci.
- Obrigado. – sorri sem jeito. – Eu acho.
Só consigo admira-la nesse momento, como queria poder abraça-la, fazer nossas brincadeiras idiotas de casal, marcar algum compromisso escondido depois do trabalho, tudo que ela tem direito, isso me faz falta, muita falta.
- Galera, o que acha depois da minha entrevista, saímos os quatro para um bar como fazíamos na época do colégio? Precisamos voltar a fazer isso, já faz algum tempo que...
Alguém precisa calar a boca de e dou graças a Deus por existir em meu mundo, ela fez o favor de bater no ombro dele, o que não me faltou vontade, mas fiquei encarando , observando sua reação, ela me olhou confusa, me fazendo fazer apenas dar de ombros, dando a entender que não entendia o que queria dizer.
- Nós quatro? – pergunta curiosa, maldita mania de querer saber de tudo.
- Ele tá viajando , não liga, ás vezes diz bobagens que até Deus dúvida. – falou de um jeito que realmente parecia verdade, o que ela estava dizendo.
Percebi que não acreditou muito na história, mas apenas fez um gesto que deu a entender que ela não ligaria mais para aquilo, me deixando um tanto quanto aliviado, ela não pode desconfiar de nada, nada mesmo.
- Bom, eu tenho que ir, até amanhã pessoal, eu tenho um compromisso agora já que meu trabalho por hoje está encerrado.
anuncia toda contente, parecia ansiosa para o compromisso, o que realmente me deixou curioso, que compromisso era esse que tinha o dom de mudar o olhar de minha menina em poucos segundos. Antes de dar esse aviso, ela parecia querer sair logo daqui, mas bastou falar o que iria fazer em seguida que saísse do trabalho, seus olhinhos brilharam de um jeito que mexeu comigo, que me deixou feliz por ver ela feliz, que me fez ver que aquilo era realmente importante pra ela.
- Compromisso é? – e sua boca grande, o que ele espera fazendo isso. Olho para o mesmo, mandando ele calar a boca mentalmente, mas o mesmo apenas sorriu pra mim de um jeito zombeteiro.
- Sim, é com uma pessoa muito especial para mim, faz tempo que não saímos juntos e...
Uma pessoa especial? Não saem juntos há muito tempo? A olho confuso começando a me incomodar com esse jeito alegre dela dizer essas coisas, eu não quero acreditar no pensamento que me veio à cabeça, ela não pode fazer isso comigo, não enquanto eu não fiz isso com ela.


Capítulo 4


- , vamos conversar um minutinho?
parecia estar lendo minha feição e meus pensamentos. Como essa menina era reparadora! Resolvo seguí-la para fora da sala, enquanto e ficam em uma conversa pelo jeito animadora, já que ambos estavam rindo.
- , não é nada do que você está pensando, ok? – já começa falando assim que saímos da sala e nos encostamos na parede.
- Eu não estou pensando nada. – dou de ombros, encarando pelo vidro da sala.
Só queria saber quem é essa pessoa que a deixa feliz, tão feliz que ela tinha o dom de dar o mesmo sorriso quando ficava comigo, que deixava seus olhos brilhando exatamente como ficava comigo. A quem estou querendo enganar? Estou sim preocupado. Com quem minha garota está saindo, se está saindo com alguém? No mínimo essa pessoa deveria estar tratando-a como uma princesa, do jeito que ela merece. Deveria estar tratando-a de um jeito que eu poderia tê-la tratado.
- , está me ouvindo? – estrela os dedos na minha frente, me fazendo acordar dos meus pensamentos. – Não precisa ficar preocupado, ok? não está saindo com ninguém.
- Como você sabe que é isso que eu estava pensando? – A desafio pois sei que não gosta de ser desafiada.
- Dá para ver nos seus olhos, , percebemos o quanto se preocupa com ela, o quanto tem medo que aconteça algo com ela. – a olho sério, pois está totalmente certa. - Mas pode ficar tranquilo, que está tudo bem por enquanto.
Esse é o problema, é que ela está seguindo a vida dela sem mim, sem nossos planos, sem nossos sonhos. Meu medo é que nesse meio tempo, ela descubra que realmente ama outro alguém, que eu não passe de uma lembrança que o destino a fez esquecer. O que me leva a pensar, se eu fui realmente bom para ela, se eu dei amor suficiente para que ela se sentisse amada e segura.
- Esse é meu medo, . – me olha confusa, provavelmente não conseguindo decifrar meu raciocínio. – Meu medo é de perdê-la para sempre e não porque ela não se lembra de mim e sim por ela não...
Ouço o barulho da porta se abrindo na sala a nossa frente, e entram e fico contente por ambos estarem se dando bem. Eu queria ser assim com ela, chegar perto, conversar, ser amigo novamente, isso pelo menos.
- , eu vou indo, ok? – termina de rir, provavelmente de alguma piada de . – Nos vemos amanhã?
- Claro, , sorte de você e do que podem ir embora agora, eu ainda tenho que ficar com esse idiota do .
- Idiota é a vovozinha, ok? – retruca. – Vem cá, Elsa, porque não vai congelar em outro lugar e me deixa em paz?
Não sei porque, mas tanto eu como nos olhamos por frações de segundos, tentando segurar o riso. É, acho que ela também percebeu o clima dos dois.
- Eles se detestam?
aproveitou a oportunidade enquanto e estavam brigando um com outro, para se aproximar de mim com curiosidade no olhar. Ela sempre foi assim, essa garota curiosa que sempre consegue o que quer, porque se você não diz para ela, ela dá um jeito de descobrir, ela era pior que o FBI quando sua curiosidade aumentava.
- Desde que se conheceram. – Acabei rindo ao notar o olhar de criança sapeca de , algumas coisas não mudam. – Está pensando em fazer algum trote, não é?
Eu conhecia muito bem aquele olhar, ela iria aprontar em seguida, afinal, nós quatro quando estamos juntos, somos crianças grandes que ninguém aguenta. Noto que falei besteira, ou melhor falei demais, quando me olha tensa, parecendo estar confusa sobre o que eu acabei de dizer.
- Como sabe? – Ela pareceu desconfiada, eu e minha boca grande.
- Foi só um palpite. – dei de ombros, mantendo o cara esnobe que ela tinha que pensar eu era. – Apenas dei sorte de acertar.
- Bom para você, é melhor eu ir embora.
não queria transmitir pelo seu tom de voz firme, porém pelo seu olhar soube que ela estava chateada, me esforcei para não segurar o braço dela e pedir desculpas, vê-la sofrer era o que menos queria, mas é somente isso que sei fazer, mesmo não querendo.
- Já vai, ? – me lançou um olhar que eu sabia que ela me daria uma bela bronca depois. – Fica mais um pouco.
- Não posso, realmente tenho que ir.
- Tudo bem, a gente se vê amanhã. – parecia realmente querer que a amiga ficasse.
se despediu de e ambos com um abraço, porém ao se virar em minha direção novamente, apenas me lançou um olhar confuso, um olhar vazio, que me deixou extremamente magoado comigo mesmo. O fato de eu ter que fingir ser um canalha perto dela, não me permitia ter que fazê-la sofrer.
- Tchau, . – Foi somente o que me dirigiu a fala, antes de caminhar para trás de mim.
Não quero que ela vá embora, não quero que ela se afaste novamente de mim. Ela não pode ir a esse tal compromisso, o qual eu não estou com uma sensação boa, a vontade de querer ir atrás dela era enorme.
- , porque está tratando a desse jeito? – Encaro meus amigos novamente.
Sabia que uma hora ou outra eles iam me perguntar sobre isso, eles sabem que eu nunca seria capaz de ser grosso com ela.
- Ela não pode saber quem eu realmente sou, sendo assim, penso que sendo um canalha, mesmo não querendo, ela vai continuar afastada e ficando segura.
- , ela só está segura ao seu lado, você não consegue enxergar isso?
Ergo meu olhar para , afinal, algumas coisas não mudam. Sempre que brigamos, ela ia chorar no ombro da amiga e eu tinha que escutar alguns sermões de .
- Ela já foi chorar no seu colo? – Usei o deboche, porque tinha raiva quando fazia isso.
- Deixa de ser idiota.
- É, algumas coisas não mudam! Não estou com cabeça para sermões agora, , me desculpe.
- ...
- Eu tenho que ir. – a interrompo, não estando com cabeça realmente para isso.
Me despeço de meus amigos, sentindo estranha sensação, não sei definir qual, mas uma delas com certeza era culpa por ter que ser realmente obrigado a me afastar dela e ter que fingir ser alguém que não sou.
Ao chegar no trailer, apenas mudo de roupa rapidamente, colocando uma calça jeans e uma blusa preta de manga curtas, no mesmo instante fechando a porta. Como estava sem carro, caminho para frente do estúdio, querendo apenas chegar em casa e deitar na cama, afinal, mesmo sendo famoso, uma das coisas que minha mãe sempre reclama comigo era o fato de eu dormir demais quando estou de folga e não era somente minha mãe, também reclamava, mas no final eu sempre conseguia convencer ela a ficar deitada comigo na cama. Acordo com meus pensamentos do meu passado ao ouvir alguém falando no celular e no mesmo instante simplesmente paro de andar ao reconhecer a pessoa.
- Vai demorar muito ainda para você vir? O céu está ficando escuro e eu estou com medo que chova. – uma longa pausa. – Eu sei, mas meu pai não pode deixar você vir mais cedo? – outra pausa. – Está bem eu te espero, só não demora, estou sentindo sua falta.
Caminho alguns passos para trás, me escondendo na sombra de uma árvore tendo certeza que não me viria. Ela desligou o telefone impaciente e , quando fica impaciente, fica batucando o pé direito em sinal de nervosismo.
- Não acredito que ele está me fazendo esperar de novo. – Ela grita visivelmente irritada, passando as mãos pelos cabelos.
Ele. está esperando um homem e meu coração começou a acelerar muito rapidamente, eu de coração espero que seja o irmão dela, espero até o tal cara aparecer, mas eu já estava a observando a tanto tempo, que vejo mais uma vez o relógio, tinha se passado duas horas e uma coisa que detestava era que deixassem a esperando, eu tenho que fazer algo.
- , o que está fazendo ainda aqui? – Saio das sombras, indo parar exatamente em seu lado.
Ela realmente não esperava que eu aparecesse, tanto que se assustou, mas logo após se recuperar, sua feição tinha mudou para raiva. É, quem quer que seja que esteja vindo buscar minha garota, está muito ferrado.
- , já não era para você ter ido embora?
- Pelo visto alguém adora minha companhia, não? – retruquei, rindo ao vê-la revirar os olhos.
Ela estava muito estressada. Quando ela fica assim, era melhor nem chegar perto, melhor nem provocar a onça com a vara, pois se não iria sobrar para o primeiro que ela visse em sua frente e nesse caso era eu, infelizmente. Ao notar um carro se aproximando quando ela ia me responder, olho para meu lado lutando com todas as forças para impedir que ela fosse embora, mas como na vida nada é como queremos, começo a ouvir passos ao meu lado direito vindo em minha direção apresados.
- , pode me dar um autografo? Por favor.
Olho na direção da voz, observando uma menina adolescente, empolgada pelo simples fato de me ver, sorri para a mesma, afinal ela é minha fã, gosto de conversar com eles quando dá, mas agora realmente era uma péssima hora.
- Claro, só espera um...
Voltando a olhar para frente, única coisa deu chance de ver era entrando no carro e fechando a porta. Ela nem ao menos se despediu, nem se importou com a minha presença ali. Ela simplesmente foi embora, me deixando novamente, na solidão.

Duas semanas tinham se passado desde que as gravações começaram, o estúdio estava uma loucura, cheio de entrevistas, programas, ensaios fotográficos para revistas, isso era até bom para a série, pois realmente estava fazendo um grande sucesso, mas as vezes sinto falta de ser uma pessoa normal, como eu era antes de começar a trabalhar no ensino médio, era tudo tão mais tranquilo, podia ir nos lugares sem ter que me preocupar com o jeito em me portar, de como agradar as pessoas, sinto falta de ser eu mesmo. Hoje o céu lá fora estava chuvoso mesmo Nova York estando em primavera, eu detesto o dia quando se está desse jeito, porque tenho uma grande vontade de ficar na cama e não levantar de jeito nenhum, mas nem sempre na vida temos o que queremos e ainda mais quando se tem como empresária, parecia que tinha mesmo o dom para aquele emprego, ela não me dava folga e se eu chego um minuto atrasado que seja, já me vem com sermões como por exemplo agora que acabei de entrar no set já encontrando ela em minha direção.
- , onde você estava? – Revirei os olhos.
Tinha acabado de sair de um Starbucks, pois realmente estava com sono e precisava de um café para despertar. De manhã não costumo funcionar muito bem, somente depois de uma bela refeição e agora não estava preparado para entrar novamente em uma discussão com . Digamos que, minha relação com ela na última semana não andava uma das melhores, não podemos ficar 10 minutos juntos que acabamos discutindo, não sei se o meu lado protetor em relação a ela aumentou quando a vi entrando naquele carro com uma pessoa desconhecida, mas desde então, meu plano de ser um canalha com ela, mesmo não querendo, tem funcionado perfeitamente bem, pois ela indo embora novamente só aumentou minha curiosidade em saber quem era o cara que a vinha buscar todos os dias, mas não dava ás caras, eu preciso saber quem é.
- Está estressadinha hoje, ? – Bebo um pouco do meu café. – Pelo jeito, seu namorado não fez o serviço direito ontem.
Isso tinha doido até em mim, mas eu precisava ser assim, ela realmente não podia desconfiar de nada, pois meu medo era dela descobrir a verdade. Como reagiria? Fugiria de mim novamente e eu não posso deixar isso acontecer.
- Olha, , - ela cruzou os braços, mostrando que não se intimidou e tentando parecer forte, porém sei que no fundo, ela tinha ficado magoada. – Minha vida pessoal não te interessa, estou aqui para cuidar da sua carreira e da sua vida pra você não fazer merda, o que você anda fazendo ultimamente, não é?
Sua vida pessoal me interessa se no caso você for minha namorada, , mesmo que não sinta isso, mesmo que estamos passando por uma recaída, mas você é minha namorada e é horrível eu ter essa sensação de que você está tendo um caso com outro cara.
- Ah é? Que tipo de merdas, querida assessora? – estou sentindo raiva de mim mesmo, por falar assim. – Não vejo nenhum escândalo envolvendo meu nome.
- Pode até não ver, pode até não estar envolvido em polemicas na mídia, , mas seu comportamento anda inaceitável.
- E quem é você pra falar como eu devo agir? – Me estressei de verdade agora. – Eu não preciso de babás, .
- Sou sua assessora e acredite, , eu posso ser paciente e compreensiva com suas atitudes, mas se você não melhorar esse seu comportamento, posso ser bem chata. Afinal, por que está agindo assim? Finn disse que você era muito bem comprometido com o trabalho, não faltava a nenhuma reunião, não se atrasava para as gravações e é isso que você anda fazendo agora, eu realmente estou me preocupando, quando você vai enxergar que eu estou aqui somente para te ajudar?
Ajudar, ok. Tudo o que você está fazendo é me atrapalhar no plano em me manter longe por causa dessa maldita ameaça do seu pai. Sou eu que deveria ajudar você a te proteger de pessoas como ele, não você ajudar a mim com minha carreira, eu sou capaz de largar tudo pra ficar com você, até mesmo minha carreira.
- Não devo explicações a gente estranha, .
A fúria era explícita em minha voz, em momentos como esse, agradeço por ser um ator e conseguir esconder o verdadeiro sentimento que tinha dentro de meu peito ao agir desse jeito, era horrível ser o vilão da história.
- Fique tranquilo, eu só vou dizer o que você deve fazer o resto do dia, já desapareço da sua frente. Você nem vai precisar olhar na minha cara se não quiser, só vou te dar um conselho antes, se está com problemas em sua vida pessoal, peço que não desconte nos outros, ok? Principalmente em quem só quer o seu bem e quer te ajudar a ser uma pessoa melhor.
Resolvo me manter em silêncio, pois em parte está completa em razão, não posso jogar a culpa do que vem acontecendo nela, afinal não podemos simplesmente jogar nossos problemas nas costas dos outros como se eles fossem resolver e assim sairmos de fininho sem deixar nenhum rastro.
- Desculpe.
- Não peça desculpa, você tem todo o direito de ficar chateado com aquilo que te perturba, mas veja pelo outro lado, será que a vida da outra pessoa não está uma merda também? Pense mil vezes nos outros em vez de olhar somente para você, .
Um pressentimento tomou conta do meu ser, o que ela queria dizer com isso? podia ter toda essa pose de durona, mas eu já perdi a conta de quantas vezes eu a vi sozinha no seu lugar preferido em meu apartamento chorando em silêncio, para simplesmente que seus amigos, para que eu não me preocupasse. O que ela não sabia, é que eu a observava e mesmo de longe eu sentia toda a dor daquela lágrima que escorria por seu rosto maravilhoso e que não merecia nem um pouco de tristeza.
- O que quer dizer com isso? Está passando por algum momento ruim? – Realmente agora estava preocupado.
- Não importa agora, o que importa é você, hoje você pode relaxar que não terá gravações, será apenas uma reunião com o Finn e uma sessão de fotos para a revista Entertainment.
- Tudo bem. – Sorri calmo.
- Agora tenho que ir, tenho que ir resolver outros problemas. Qualquer coisa me chame.
- Pode deixar, até daqui a pouco.
Caminhamos em direção opostas, eu a caminho da sala de reuniões se não fosse barrado no meio do caminho por alguém que se meteu em minha frente interrompendo minha passagem e esse alguém era ninguém mais, ninguém menos que .
- Fala, , porque está com essa cara de pinto no lixo? – gargalhei ao ver mostrar o dedo do meio.
- Lembra da loirinha do bar no primeiro dia de gravações? – Seus olhos estavam brilhando e eu apenas concordei. – Vamos sair hoje de novo.
- Essa pelo jeito conseguiu te amarrar, hein, parceiro? – Ri novamente. – Será que aguenta, tigrão?
- Deus me livre, você sabe muito bem que não sou homem de uma mulher só. – Ele fez sinal da cruz, me fazendo rir. – Mas a questão não é essa, a questão no fato é que você vai sair com nós dois e isso é uma ordem. – Reviro os olhos. – Você já está há muito tempo na fossa, meu amigo, aposto que o mini ai embaixo está pedindo pra agir novamente, não é?
- . – Olhos para os lados e por sorte não tinha ninguém. – Você sabe que pela eu consigo esperar o tempo que for e outra eu não quero segurar vela.
- Ah, mas quem disse que você vai segurar vela, meu caro? – Ele sorri malicioso, sei que provavelmente ele está tramando alguma coisa. – Não adianta dizer não, Allie vai levar uma amiga que é muito bacana e bonita por sinal, você vai adorar e cara, você vai precisa se divertir.
- Eu preciso é ir para a reunião. come meu cérebro se eu faltar e vamos, pois se não quiser encarar a ira da , é melhor ir andando.
- , o que está fazendo aqui ainda? – chega que nem um furacão, batendo no ombro de com uma revista. – Está atrasado para a reunião e outra, precisamos conversar seriamente sobre uma merda que o senhor aprontou ontem.
me olhou pedindo ajuda e eu apenas dei de ombros, caminhando de fininho para a sala de reuniões. Graças a Deus que não notou minha presença, senão eu estaria praticamente ferrado.
Na sala de reuniões, eu não via a hora do tempo passar, eu realmente não estava com muita cabeça pois ainda não tinha acordado direito, até uma simples caneca se tornou interessante em vez do assunto que estava sendo tratado.
- , está prestando atenção? – Finn bate na mesa ao meu lado, me dando um pequeno susto, sua expressão não era exatamente uma das melhores.
- Estou. – menti na cara dura.
- Estou vendo que está prestando, afinal, brincar com a caneca é muito mais interessante, não é?
- Finn... – O mesmo me interrompe.
Todos na sala estavam olhando para nós dois, ótimo, Finn adora fazer uma cena.
- O que está acontecendo, garoto? Por que está agindo assim como uma criança irresponsável? Eu pensei que com aqui, você iria melhorar sua autoestima e não piorá-la.
Resolvo ficar em silêncio, afinal estou cansado de discussão. Finn, cansado de esperar uma resposta, apenas seguiu com a reunião olhando fixamente para mim em alguns momentos e eu não tive como não prestar atenção. A reunião foi o motivo para confirmamos se podíamos ficar em torno de um ano em outra cidade fazendo ás gravações, pois os personagens iriam sofrer algumas mudanças que o levariam a essa cidade.
- Estão dispensados.
Assim que saímos, tenho em mente que ainda preciso de um grande copo de café com algumas panquecas, pois realmente reuniões me cansam. Chegando no refeitório, encontro apenas brincando com sua comida, completamente sozinha.
- Senhor , o que vai querer hoje? – Ryan nosso cozinheiro pergunta.
- Vou querer o mesmo de sempre, apenas um café e algumas panquecas com caramelo.
- Pode deixar, dentro de cinco minutos está saindo, levo na mesa de sempre?
Olho para , talvez me sentar junto com ela não seria nenhum tipo de problema, afinal, e não estão aqui.
- Leva na mesa da , ok? – Ryan acena positivamente.
Caminho até a mesa do canto direito no refeitório e lá estava minha garota, sozinha mexendo no celular. Ao perceber que eu estava por perto, estranho quando a mesma enxuga rapidamente os olhos e me dói mais ainda ao perceber que eles estavam vermelhos, provavelmente de tanto chorar.
- O que está fazendo aqui, ? – Noto sua voz manhosa. – Daqui a pouco você tem uma sessão de fotos.
Me atrevi a sentar ao seu lado direito e coloquei um braço por cima de sua cadeira, apenas desviou o olhar ainda fungando. Será que o motivo dela chorar era por causa de um outro homem? Se for, esse homem irá me pagar caro.
- Não posso fazer uma companhia para minha assessora irritante? – Resolvo fazer uma brincadeira.
- , já estou cheia de problemas, não preciso de mais um nesse momento. Desculpe, mas não estou querendo saber de suas brincadeiras.
- Ei. – ergo minha mão em sinal de paz. – Estou aqui somente para conversar, por mais que você seja irritante, não gosto de ver uma mulher chorar.
- Muito compreensivo da sua parte. – ela usa a ironia. – Mas se eu realmente sou irritante, por que não senta em outra mesa?
Porque meu lugar é ao seu lado, , não vou deixar ninguém fazer uma menina doce como você chorar, não posso, é mais forte que eu. Sei que ela somente quer ficar sozinha, quando está assim e por mais que eu possa estar parecendo um estorvo agora, que eu esteja a incomodando, eu simplesmente não quero a deixar sozinha.
- , estão ai. – senta a nossa frente. – O que foi que houve, ? Recebi sua mensagem.
- Problemas em casa, , eu não aguento mais ficar lá.
me lançou um olhar que deixava explicito o recado que era para eu sair dali.
- Bom, eu vou indo. Te encontro na sessão, ? – A mesma olhou para mim apenas acenando positivamente.
Andando até o estúdio fotográfico do set, pensando em um jeito de fazer a sorrir, ela não merecia ficar triste e quem quer que seja o responsável por deixá-la assim, já está na minha lista negra. Ao chegar no estúdio, aquilo estava uma loucura, muita gente para todo lado, tanto que nem reconheço a pessoa que me puxa para dentro do camarim.
- Lena que correria é essa? Não estava tudo pronto? – Me sento na cadeira ao encarar a estagiária na pelo espelho.
- Estava, mas temos um pequeno problema, a modelo que iria fazer a foto com você não pode vir, disse que não poderíamos desmarcar essa sessão pois ela será muito importante para a revista e também para nós.
- Mas então como vamos fazer, conseguiram achar uma substituta?
- Não se preocupe com isso, vou tentar falar com para ver o que possamos fazer ok? – Aceno positivamente com a cabeça.
Lena sai do camarim me deixando completamente sozinho imerso aos pensamentos.

Flashback On:

- Estou muito orgulhoso de você, moranguinha, essas fotos ficaram ótimas. Já pensou em trabalhar com fotografia?
e eu estávamos caminhando pelo Central Park abraçadinhos enquanto tirava algumas fotos de alguns animais e da paisagem. Ela simplesmente tinha o talento para fotografia, por mais que a fotografia seja apenas um Hobby para ela, admiro muito seu trabalho e para mim não seria nenhuma surpresa ela conseguir um trabalho nessa aérea.
- Você sabe que para mim é apenas um hobby.
- Claro que sei, mas ficaram perfeitas e eu acho que você vai ter um trabalho mais puxado em nosso casamento. Além de ser a noiva, vai ser a fotografa.
- . – Ela sorriu tímida me dando um leve empurrão no ombro. – Não é bem assim também, a paisagem ajuda e o modelo principalmente não é?
- Que modelo? – Pergunto curioso.
Como vira de frente para mim apontando a câmera em minha direção, somente para provocar, ela sabe que não sou muito fã de fotos, então por isso deve ter um álbum somente com minhas fotos em casa, mas um álbum não com fotos bonitas e sim comigo fazendo caretas, posições esquisitas.
- Volta aqui .
Começo a correr em direção a ela, derrubando ela no chão ao segurar sua cintura, ela sorri sapeca ao me olhar e eu não pensei duas vezes em beijá-la, em um beijo cheio de ternura, de delicadeza, do jeito que minha princesa merece.

Flashback Off.

Estava com a cabeça encostada na cadeira olhando meu reflexo após essa lembrança, não sei porque elas insistem em aparecer para mim, sendo que não fui eu que perdi a memória em questão. Será que essas lembranças também aparecem para ela? O que será que ela sente?
- , está na hora querido. – Lena a estagiária avisa.
- A modelo já chegou?
- Não, tivemos que improvisar, escolhemos uma pessoa daqui mesmo.
- Quem? – pergunto curioso me levantando da cadeira.
No mínimo a pessoa tinha que saber as circunstâncias que causaria ao aparecer em uma revista ao meu lado e tinha que estar acostumada com as câmeras.
- A .
Essa produção só pode estar de brincadeira comigo, porque justo ela? era uma pessoa que adorava tirar fotos, mas que não gostava muito de ficar nas fotos, ela tem muita vergonha, quem foi que escolheu ela? Aposto que é uma brincadeira sem graça de e , pois afinal eles sabem que eu não quero que a mídia fique em cima de toda hora.
- A ? Está de brincadeira comigo! – Exclamei completamente incomodado com toda essa história.
- Não, !
Eu preciso dar um fim nisso, eu não quero a expor pra mídia, já não basta todos eles saberem que ela é minha melhor amiga, nosso segredo não pode ser revelado a ninguém.
- Posso desistir de fazer esse trabalho?
- Não, , você vai fazer comigo esse photoshot.
Olho acima dos ombros de Lena, encontrando encostada na porta com os braços cruzados e um olhar sério, seu olhar tinha mudado desde o refeitório, ela já não estava com seus olhos vermelhos e isso me deixa tranquilo, que pelo menos conseguiu fazer ela se acalmar. Mas um ponto que me incomoda é que pelo jeito não teria outra saída para protege-la, quando coloca uma coisa na cabeça, ninguém consegue tirar, alguma coisa me diz que ela não sabe onde está se metendo, que não sabe das circunstâncias que isso pode levantar na mídia.
- Você é minha assessora , pode muito bem cancelar isso. - Estava desesperado tentando de algum jeito fazer com que ela mude de ideia.
- Posso, mas agora estamos aqui, então para de frescura e vamos logo. - Bufo de raiva enquanto ela saia do camarim com Lena.
Tento manter a calma e não pensar em mil maneiras de sair fininho desse estúdio, mas com certeza se eu planejasse isso, iria descobrir e me dar vários sermões, coisas que, eu estava afim de evitar. Sento de novo na cadeira apoiando meus braços na bancada que tinha na frente do espelho, não ia ser nada fácil fazer esse photoshoot, não ia mesmo, só espero que ela não venha reclamar comigo lá na frente sobre isso, pois eu avisei, sem outra alternativa, resolvo ir para o local das fotos e lá encontro já posicionada, seu semblante era de alguém tímido, que não costumava fazer isso, eu conheço minha garota e sabia que era exatamente que ela iria reagir assim.
- ainda bem que chegou garoto, agora sem rodeios vamos começar? – Aceno positivamente. - Poderia ficar atrás da menina e a abraçar pela cintura?
- O que? – e eu falamos ao mesmo tempo.
Aquilo não iria prestar, não sei se vou conseguir aguentar ficar tão próximo de minha garota assim novamente e não fazer nada, era quase como um castigo esse photoshoot. parece estar incomodada tanto quanto eu, pois eu vi suas bochechas levemente coradas e aquilo no fundo me fez sorrir fraco, ela estava completamente linda naquele vestido longo rosa, parecendo uma princesa, eu podia ficar admirando ela ali o dia inteiro que não me cansaria.
- Eu não tempo o tempo todo galera.
Me posicionei atrás de , bem perto mesmo, mas com um pouco de receio que ela possa se assustar de que ela possa desistir na hora mas fui passando a mão de leve, dos seus ombros para suas costas até chegar na lateral do seu corpo, ao sentir ela se arrepiar me fez sorrir de nervoso e minha mão ficar meio trêmula, quando minhas mãos já estavam em sua barriga a abraçando por completo, o fotografo nos avisa o que mais teríamos que fazer na foto.
- Encosta o rosto no ombro dela virando a cabeça em direção ao rosto da menina e vira a cabeça em direção ao , ambos com olhares apaixonados por favor.
Engoli a seco e fiz o que o fotógrafo mandou, quando nossos olhares se encontraram, eu senti que estava tensa, parecia assustada com tanta proximidade, já eu me sentia um pouco feliz, porque eu estava novamente com minha garota em meus braços, como deveria ser, nem que seja por um milésimo de segundo, nem que seja para o click de uma foto. Não sei se foi pelo momento, ou pela forma que ela estava tensa em meus braços, mas sem querer encostei minha testa na dela fechando os olhos fazendo nossos narizes se encostarem, esquecendo por um momento que aquele acidente aconteceu.
- ... – Ela falou em um sussurro. – Estou um pouco assustada.
- Vai ficar tudo bem, . – sussurrei perto de sua boca. – Pode confiar em mim, você só precisa relaxar.
Eu queria poder beijá-la ali agora mesmo, para passar segurança a ela, mas não podia, ou melhor não queria por que sabia que isso só iria afastar ela de mim. Só que estando tão próximo dela depois de quase um ano distante, me fez pensar que nada tinha nos distanciado e que ali era apenas eu e ela, ela e eu, tendo esse pensamento em minha cabeça, me fez sorrir.
- Olha, ele sorri. – comentou rindo, esquecendo por um momento que estava comigo em frente de uma câmera. – Posso saber o motivo desse sorriso?
Você é o motivo desse sorriso, , é você que traz cor para meu mundo, é você que me ajuda a levantar quando penso em cair, mesmo não tendo noção, você me tem nas mãos garota. Não consegui responde-la em voz alta, pois não teria argumentos para explicar a sensação que eu tive, do imenso aconchego que meu coração se instalou simplesmente por estar ali, com ela, onde sempre deveria estar, o que não percebi é que tinha mais gente em volta, pois ali encarando aqueles olhos verdes, eu me sentia em casa, como se só tivesse eu e ela no mundo, mas ninguém.
- ? – Ouvi ela me chamar me fazendo acordar do transe e me fazendo notar que eu estava prestes a beijá-la.
Ao perceber que estávamos muito perto um do outro, tentei me afastar, mas antes que isso pudesse acontecer, ouvi o click da câmera e um fotografo comemorando contente pela foto que foi tirada.
- Ficou perfeita a foto! Vocês tem muita química.
Deve ser porque somos namorados, Brian, por isso temos muita química, só que eu queria que ela sentisse o mesmo por mim, de volta. que estava olhando para frente, conversando com o fotografo sobre a foto, nem notou que ainda estávamos na mesma posição que era a pose da foto anterior, eu estava apenas sentindo sua respiração, sentindo sua alegria ao ver que a foto realmente tinha ficado boa. Quando Brian se afastou, ela se virou para mim ainda tensa.
- , já pode me soltar. - Por um breve momento observei olhar para meus lábios, o que fez meu coração acelerar.
Não quero te soltar, não posso te deixar ir embora dos meus braços novamente, eu não vou deixar isso acontecer.
- , ! – Brian gritou. – Estão liberados para a troca de roupa.
Nem ela e nem eu tínhamos tomado a iniciativa a de nos soltar, parecíamos que sabíamos que ali era um lugar seguro de se estar. Por um breve momento eu achei que ela estivesse tentando ler minhas expressões, porque ela assim como eu, não conseguimos desviar o olhar um do outro, parecíamos conectados. Brian nos chamou novamente impaciente, isso fez com que olhássemos para o fotografo ainda em choque com aquele misto de sensações que aquele simples momento nos trouxe. se liberta dos meus braços ainda tímida e sem coragem de olhar para mim, afinal eu entendo ela, segundo sua percepção, ela estaria nos braços de seu chefe mal humorado, que lhe trata mal, isso com certeza a afetaria, mas o que veio a seguir, me afetou de um jeito que nem consigo explicar, parou de andar antes de ir no vestiário colocando a sua mão esquerda em sua testa perdendo equilibro.
- ! – A chamo assustado.
Me aproximo dela, a abraçando por trás a impedindo de cair. Um medo passou por meu corpo, por não saber o que está acontecendo com ela, não suportaria perder ela de novo.
- , por favor, fala comigo. – Pedi desesperado, a abraçando com força.
Ela está tremendo, se debatendo em meu abraço, como se quisesse fugir dali, eu não a deixaria sozinha, não no momento em que sei que ela precisa de mim e eu sou o único que pode ajudá-la a se acalmar.
- , escuta, ficar se debatendo não vai ajudar, tenta se acalmar ok? Me diz o que está acontecendo, por favor, eu preciso que você me diga.
Ela então parou de mover nervosamente em meu abraço deixando repousar a cabeça em meu peito, enquanto isso eu estou à beira de ter um ataque de pânico ali mesmo, com ela em meus braços pelo simples fato de pensar na possibilidade de perde-la. Resolvo então com calma a virar de frente para mim notando seus olhos inchados de chorar, seco suas lágrimas com meus dedos enquanto a mesma apenas ficava olhando para mim.
- Você não entenderia o que está acontecendo comigo, , você apenas vai rir de mim.
- , sei que eu posso ser um grosso com você ás vezes, mas acredite, nunca ia rir de algo assim, principalmente, eu nunca vou rir de você.
O fotografo e todos que trabalhavam ali chegaram preocupados em nossa volta, tirando a privacidade que ambos tenhamos criado.
- Pessoal, por favor, deixem ela respirar. – Avisei me levantando do local e a levantando junto.
Queria afastar aquele sentimento de mim, eu não podia me deixar levar pelas sensações de um amor esquecido. Todo mundo se afastou, segurei seu queixo a forçando olhar pra mim, pois seu olhar tinha desviado, por causa da vergonha que ela provavelmente sentiu, tudo que eu quero fazer é com que ela não se sinta assim, mas quando nossos olhares se encontram, senti que precisava faze-la com que ela tenta calma, pelo olhar preocupado e sua respiração ofegante.
- , respira fundo, ok? – Ela acenou com a cabeça devagar. – Estou aqui com você, fica calma. – acaricio sua bochecha.
Ela fez o que eu mandei e aos poucos foi voltando a ter uma respiração controlada, ao mesmo tempo que meu coração se acalmava, pelo menos ela está bem de volta e é isso que importa, nada mais. Quando abriu os olhos e me viu ali, ao contrário do que eu pensava que ela ia fazer, por justamente ser eu, o cara que ela mais odeia no momento que estava a consolando, me abraçou com força me deixando em choque sem saber o que fazer.
- Obrigada .
Ao me recuperar do susto, coloco uma mão minha em seu cabelo e outra na cintura começando a fazer carinhos de leve. Eu só preciso sentir seu cheiro de volta, tocar sua pele, saber que ela está ali, bem e principalmente que está segura.
- , você está bem? – Ouço a voz de por perto e ao olhar atrás de , a mesma estava ali.
paralisou ao ver que estou segurando a amiga em meus braços, provavelmente confusa sobre o que aconteceu, o que eu também não deixo de estar, afinal é a primeira vez que acontece isso, pelo menos quando ela está perto de mim.
- Estou bem, . – responde a amiga ainda em meu abraço.
- Tem certeza? – Quis confirmar parando ao lado da amiga que acenou com cabeça se afastando um pouco de mim. – , o que aconteceu? Não acredito nela.
- Bela amiga, , obrigada por ter sua confiança em mim.
- Ei chega. – Interrompo as duas. – Ela só teve uma tontura, nada demais não é ? – olho a mesma que acena concordando.
- Sim, eu já estou melhor e posso continuar a fazer as fotos.
parecia estar surpresa com o fato que a amiga revelou, pois seus olhos pareciam saltar do seu rosto.
- Que fotos? , eu mandei você ir pra casa que eu cuidava da sessão do , o que você aprontou?
Como sempre, tentando resolver os problemas em vez de se preocupar consigo mesma, isso era algo que eu admirava nela, mas também me deixa levemente preocupado, ela nem sempre pode conseguir achar uma solução para os outros e não resolver sua própria vida que garanto que está uma bagunça.
- Eu estou... – gaguejou um pouco ao falar. – Eu estou fazendo as fotos com o .
- , isso foi ideia sua?
estava cerrando os dentes de nervoso me fazendo gelar, ela se virou de frente para mim me analisando esperando um mínimo de resposta que seja. Valeu por me meter nessa enrascada.
- , eu...
- Vem comigo, acho que precisamos conversar. – Ela segura minha mão esquerda me arrastando para fora do estúdio.
resolve tentar acalmar a amiga, porém a mesma não escutou e continuou me puxando até estarmos longe suficiente e eu me sentindo como um adolescente que apronta algo e tenta fugir das chineladas que provavelmente a mãe daria, chegando perto do refeitório do estúdio, me solta virando bruscamente para mim.
- Me responde isso foi ideia sua?
- Não, eu juro. Tentei cancelar quando soube que substituiria a modelo, porém não deu certo, você sabe como sua amiga é teimosa.
com toda sua impaciência, fechou os olhos contando alto até dez tentando se acalmar, porém, não conseguiu e isso fez com que ela explodisse de vez segurando o cabelo. O que eu não entendo é porque está toda preocupada com essa situação, são apenas algumas fotos. Tudo bem que eu esteja preocupado com a imagem de lá fora, mas fora isso não vejo nenhum problema.
- porque todo esse desespero? - Resolvo perguntar.
- Porque isso não pode estar acontecendo . A vai se meter numa fria se essas fotos forem publicadas.
- Que tipo de problemas de problemas ela irá se meter? Porque eu não queria que ela fizesse por justamente estar ao meu lado e como a imprensa sabe que ela é minha melhor amiga já irá causar algum boato e eles poderão desconfiar de nós dois, coisa que é o que menos quero no momento, mas fora isso qual o problema?
- Não posso te contar no momento , mas estando ao seu lado nessas fotos seria o menor dos problemas, bom pelo menos para ela.
Fiquei confuso com esse comentário e pelo visto percebeu que tinha falado mais do que devia, isso fez com que meu coração acelerasse. falava de mim para ou era apenas impressão minha? Se falasse com certeza era apenas de como eu era chato e insuportável.
- O que quer dizer com isso? – Minha curiosidade está me matando, tive que perguntar. – Desembucha .
- Na-nada não.
- não me tente mulher, você sabe que eu faço qualquer coisa para conseguir o que quero certo?
Ela me conhecia muito bem, que se eu simplesmente conseguisse fazer cócegas nela, o que era seu ponto fraco, ela acabaria contando para mim a verdade.
- Nem pense em fazer o que está pensando .
- Você tem trinta segundos e um segundo de acréscimo para começar a me contar, ou se não...
nem esperou eu terminar de falar e já começou a correr para longe rindo, essa garota deveria ser corredora, porque olha, quando se trata de corrida, ela corre mais rápido que o Flash, mas finalmente depois de esbarrarmos em algumas pessoas derrubando seus cafés e mesas do refeitório, consigo alcança-la e segura-la por trás fazendo sua punição, as suas esperadas cócegas.
- Vai me contar? – Perguntei enquanto aumentava o nível de cócegas em sua barriga.
- , me solta... – Ela não conseguia parar de rir. – É sério. – Continuei com as cócegas sem responde-la. – Tudo bem, eu conto, eu conto.
Finalmente a soltei, mas a mesma estava se segurando para não rir quando sentou à mesa mas próxima de onde a gente estava, sentei na sua frente, esperando uma resposta.
- , me fala de você quando você não está perto ok? – Meus olhos brilharam com a afirmação de . – Mas na maior parte ela reclama de você.
Reviro os olhos tirando o sorriso que estava aparecendo, era assim, toda santa vez que a gente briga, ela sempre ia reclamar para , sempre.
- Típico. – Falo com desdém recebendo um olhar nada agradável de . – O que foi? É verdade, toda vez que a gente brigava era assim.
- Sei disso, mas quando ela fala de você, ela parece confusa, o tom de voz que ela usa, deixa claro pra mim que ela não está sabendo lidar com tudo que está acontecendo ao redor dela e isso é uma coisa que você tem que entender.
- E você acha que eu não estou tentando? – Respondi indignado. – minha mente está tão confusa, não sei o que pensar, não sei o que fazer. Para minha cabeça, uma hora ficar longe dela parece o certo, mas para meu coração...
Fecho os olhos respirando fundo, é tudo verdade o que eu falei, eu realmente estou confuso, não sei o que está havendo, mas ficar longe não parece certo.
- Para seu coração o certo é ficar perto dela não é? – Olho novamente apenas concordo com a cabeça. – , se serve de consolo, sabe porque a estava mal àquela hora que pedi para você se afastar?
- Não. – Respondo confuso não sabendo onde ela queria chegar.
- Uma pessoa, que literalmente não gosto, está fazendo mal a ela, digo não fisicamente, mas... – Ela faz uma pausa tentando decifrar minha reação. – Está a fazendo mal emocionalmente e mexendo com o coração dela de um jeito, que isso só está a deixando mais confusa ainda.
Essa pessoa irá pagar caro por fazer minha garota sofrer, eu juro.
- Quem é, ? – Pergunto secamente. – É um cara?
Estou começando a ficar irritado com essa demora de em me responder, mas a minha gana era maior ainda por essa pessoa otária que teve o atrevimento de sequer pensar em fazer chorar.
- N-não posso contar, , eu prometi a alguém.
- Qual é, você é minha amiga ou não? – Estava frustrado e nem notei o tom que usei com .
Usar a grosseria com quem não merecia era horrível pra mim, pois a única coisa que não gosto é que façam isso comigo quando eu não mereço. Imediatamente eu me arrependi disso pelo olhar decepcionado de .
- Eu só estava querendo te manter informado sobre , me desculpe.
- Me desculpe você, , eu não deveria ter sido grosso, mas eu preciso saber quem...
- , chega de incomodar o por favor, ele não teve culpa com as fotos. Fui eu que insisti.
Meu coração quase para ao ouvir a voz de ao meu lado, olho para ela completamente assustado, ela não pode ter escutado, por favor, que ela não tenha escutado a frase de . Olho novamente que assim como eu ficou tensa, deixando uma completamente confusa.
- Pessoal, que caras são essas? – perguntou confusa, mas ao mesmo tempo brincalhão.
- Eu estava falando com , sobre a saída que e eu vamos fazer e sobre as meninas que vão com a gente, disse que vai com uma menina que não gosta e ela ficou com ciúmes.
Nessa hora agradeço a Deus por conseguir inventar respostas rapidamente quando preciso, mas assim como comecei a rir da cara de emburrada que fez, só faltava me comer viva.
- Como assim vocês vão sair e nem me chamam? – Ela fez biquinho.
- Desculpe, frozen, programa de garotos.
só faltava me lançar num mar para ser servido de iscas pra tubarões, pois seu olhar fulminante estava realmente começando a assustar, mas quando ela ia responder o celular de tocou e eu olhei imediatamente para ela.
–Oi, sim sou assessora dele. – uma pausa é feita. - Está de brincadeira comigo? – Mais uma pausa e eu olho pra confuso e ela me retribui o mesmo olhar, desliga o celular me olhando séria. - Houve pequeno problema e você terá que desmarcar seu compromisso com . – Engoli a seco só pelo fato dela me chamar pelo nome inteiro. – Irá ter que me explicar sobre o boato que surgiu.
- Qual é a mentira da vez? – Reviro os olhos cansado dessa história, que não sei qual é, mas já estou cansado. - Eu não lembro de ter feito nenhuma merda.
- Mentira? tem até fotos! – Ela realmente estava brava. – Se você não sabe o que você fez, irei te dizer e te digo que é melhor se preparar para a bomba que vem pela frente. – pegou seu celular indo na publicação, começando a ler em voz alta, me deixando nervoso. - “Há duas semanas atrás, em um pub no centro da cidade de Nova York, o grande ator , dá mais nova série adolescente, foi visto em uma saída com os amigos do elenco em comemoração ao primeiro dia de gravações, sendo que estava sumido da telinha por problemas familiares, pelo jeito voltou com tudo não é mesmo? Além de sabermos que ele está se dando muito bem nas gravações novamente, também não perde a chance de conquistar uma garota, ou melhor, avançar em uma garota, será que todo esse tempo sumido, piorou suas atitudes voltando a ser o adolescente valentão que era? Pois após o ator ao reencontrar sua ex-namorada, perdeu a cabeça e acabou partindo pra cima da mesma sendo impedido pelo melhor amigo. Se , companheiro de cena não o tivesse chegado a tempo, como estaria a sua ex-namorada do ator e a maior modelo da atualidade, Lucy Adams?”
Droga, mil vezes droga!


Capítulo 5

Quando pensamos que a vida não pode dar mais uma rasteira na gente, na verdade ela está esperando o momento certo para nos virar do avesso e nos pegar desprevenidos da pior forma possível, fazendo com que coisas ruins aconteçam com quem está quieto, que não se mete em problemas e fazer com quem está por cima, que realmente merece se ferrar, se passar por coitadinho da história e levar a melhor, isso é uma grande injustiça. A grande verdade é que a vida é uma bela merda.
- Então, , pode me explicar o ocorrido? – perguntou cruzando os braços claramente irritada.
Agora me vejo em uma situação realmente complicada, como irei explicar para que eu estava apenas a protegendo? Eu não agredi Lucy, isso foi com certeza uma invenção.
- Gente, vou cancelar a sessão de fotos ok? Vou marcar para outro dia.
Observei se levantar lhe mandando o melhor rosto de quem está pedindo para ela não me deixar levar a bronca sozinho, ela estava lá quando tudo aconteceu, poderia muito bem me ajudar a contar um fato que acreditasse, mas ela apenas me desejou boa sorte e saiu rumo ao seu destino, me deixando em um beco sem saída. senta em minha frente cruzando as mãos apoiando em cima da mesa, eu estava me sentindo claramente em um interrogatório da polícia, porque eu sei muito bem do que é capaz para conseguir o que quer e não será tão fácil enganá-la.
- Eu não fiz aquilo ok? – porque eu não consigo ficar de boca fechada, literalmente. – você sabe muito bem que aquelas fotos podem ser manipuladas, tem milhões de programas que...
- . Chega de enrolação! Estava nítido naquela foto que era você, agora só não entendo, porque realmente você fez isso? Para sua fama de bad boy aumentar? Se for parabéns você conseguiu, sabe, eu pensei que poderia te ajudar a ser uma pessoa melhor.
- , você precisa acreditar em mim, eu não fiz aquilo. – Estava quase desesperado.
Eu preciso que ela acredite em mim, ela mais do qualquer um, deveria saber que eu não seria capaz de bater em nenhuma mulher, nunca.
- Olha, vou marcar uma coletiva de imprensa para semana que vem e quero que você dentro de uma hora tenha uma bela explicação para me dar estamos estendidos? Porque se não tiver nenhuma explicação, eu não sei o que poderei fazer para te ajudar.
- Moran... – faço uma pausa ao perceber que ia chamar ela pelo apelido. – por favor, você tem que acreditar em mim.
A olhei com o olhar de gato de botas que sei que ela não resiste, mas por um momento esqueço que essa , não é a que eu conheço, mesmo eu tendo percebido que ela ficou confusa quando eu quase a chamei pelo apelido.
- Quero você na sala de reuniões em uma hora, nem um minuto atrasado estamos entendidos? – estava convicta que eu estava errado nessa história.
se levantou ainda me encarando enquanto eu apenas desviei o olhar, não estava acreditando que a pessoa que eu mais amo, não acredita em mim. Eu sempre acreditei em destino, em almas gêmeas, em que duas pessoas estão marcadas para ficar juntas por algum motivo, mesmo que tenham complicações pelo caminho, elas sempre darão um jeito de ficar juntas, pois elas simplesmente não conseguem ficar longe uma dá outra e eu pensava que esse era o meu caso, antes desse acidente eu e fazíamos tudo juntos, praticamente tudo, eu a defendia com unhas e dentes de qualquer acusação que fizessem contra ela e fazia o mesmo por mim, isso que eu chamo de ser um casal, cada um apoiando o outro, não importa as consequências que terão que enfrentar, o que um casal precisa é ficar unidos, mas tudo o que vejo agora em meu relacionamento com que mesmo que ela não se lembre de mim, isso me faz questionar se ela realmente me amava, se eu realmente fui importante para ela. Levanto da cadeira após seguir seu caminho, totalmente sem vontade de fazer nada, sem ir em nenhuma coletiva de imprensa, nem porcaria nenhuma, se Adams queria ferrar com minha carreira e minha vida pessoal, parabéns ela conseguiu, porque eu simplesmente não vou fazer nada e ficar na minha, afinal eu não fiz nada errado.
- , espera onde vai?
Sou interrompido de seguir meu destino até o lado de fora do set por que estava com uma cara totalmente preocupada, o que eu menos precisava era de alguém perguntando como eu estou no momento.
- Em um lugar para esfriar a cabeça, eu só preciso de paz agora , não me leve a mal, por favor.
- Como você pretende sair se daqui a pouco isso aqui vai estar cheio de paparazzi e repórteres com esse boato que saiu hoje? eu sou seu amigo e estive lá quando tudo isso aconteceu, lembra que você me perguntou o que eu faria se chamassem a de vadia?
Sim eu me lembrava daquilo e na minha humilde opinião, nem ligaria ou até concordaria com a pessoa, porque simplesmente ele e não podem nem ficar dois minutos juntos num mesmo lugar.
- Sim, lembro. – Como já sabia o respondi com desdém.
- Eu iria encher a pessoa de porrada.
Está legal, isso me surpreendeu que eu nem consegui segurar o meu queixo e ele já estava lá no chão.
- Como é? – Estava perplexo.
Pelo visto eu tinha ganhado uma aposta com , sabia que iria se declarar primeiro.
- Fecha a boca ou vai entrar mosca . – respondeu rindo e eu continuei com a boca aberta. – É eu iria encher a pessoa de porrada, porque por mais que a frozen seja irritante, ela ainda é importante para mim.
Isso já é um avanço. admitindo que é importante, é um grande avanço meu bem, agora que a verdadeira guerra de tentar fazer esses dois pombinhos ficar juntos vão começar e eu preciso de ajuda pra isso acontecer, meu sorriso desmanchou na hora que esse pensamento veio, pois a única pessoa que poderia me ajudar nisso, não vai com minha cara.
- o que foi? Ficou sério de repente. A notícia foi tão ruim assim?
Eu sou um idiota. tem que sair dos meus pensamentos e eu preciso fazer algo para mudar isso, afinal a vida segue, eu tenho que dar um jeito de esquece-la e o melhor jeito de fazer isso é fazendo algo que eu nunca iria fazer na vida, porém eu sou um covarde e não tenho coragem de ficar com outra mulher sabendo que estou comprometido.
- Desculpe , eu... – gaguejo ao falar. – Eu preciso ir.
- Ir pra onde? – pergunta depois que passei por ele totalmente com pressa.
- Preciso ir pensar.
- Mas...
- Tchau .
Sigo em direção a saída do set, eu só precisava disso, ficar sozinho com a merda dos meus pensamentos sobre a vida, quando eu e nos conhecemos no colégio, eu estava passando por um momento muito difícil em minha vida, com todo o sumiço do meu pai, muitas brigas em casa, eu só queria ficar longe daquilo, muitas pessoas acham que apenas por sermos famosos, temos vidas maravilhosas, o que não temos, batalhamos muito duro para chegar onde chegamos e finalmente achar uma folga para nossos problemas, o que não dura pra sempre, mas sempre que podia, sempre que meus pais estavam distraídos em sua briga, eu fugia de casa, não importava a hora, ás vezes só voltava no dia seguinte, até porque, eu caminhava até a casa do meu avô que ficava um pouco longe de minha casa e ficava ali curtindo meus avós até meus pais sentirem minha falta. Pouco depois de conhecer , com o sumiço do meu pai, eu caminhava até o final da minha rua, como era uma rua sem saída, tinha uma casa meio que abandonada ali, com toda sua inocência, descobriu aquele local que ela nomeou de “Trovoada” apesar de ter 17 anos quando a conheci, ela sempre tinha esse ar de criança nela, o que eu sempre achei adorável, pois afinal, ela via a vida com a alegria de uma criança em uma adolescente que não se importava com as opiniões dos outros e fazia o que bem queria e quando queria.
Sem que eu percebesse, eu parei justamente naquele local, durante meus pensamentos e acabei sorrindo com isso, a decoração ainda estava intacta, e eu quando queríamos um tempo a sós, sempre vinhamos aqui, era nosso refúgio, nosso lugar. A cabana era simples, na sala tinha apenas um sofá antigo e na frente do sofá tinha uma janela em vez de uma televisão, no hall da cabana tinha o acesso a dois quartos e um banheiro, ao lado do corredor apenas um balcão e uma pia, assim que abro a porta, ando direto até a janela na frente do sofá, abrindo um pouco o vidro dá mesmo deixando um ar fresco entrar no local, sento na bancada da janela olhando o céu que estava cheios de nuvens e um sol radiante deixando a cidade de Nova York ainda mais bonita.
- Eu só queria que tudo voltasse como era antes. – Fecho meus olhos.

FLASHBACK ON
Alguns anos atrás


- , você está legal?
Porque tinha que me seguir até aqui. Eu só queria um pouco de paz na minha vida, já não basta meus pais brigando lá em casa, eles tiveram que me fazer passar vergonha justamente na frente da minha melhor amiga.
- vai embora, por favor, eu quero ficar sozinho.
Hoje o dia desde quando meu despertador tocou literalmente estava uma merda, pra começo de conversa, acordei atrasado para ir à escola, justamente por ter ido numa festa ontem à noite sem a permissão de meus pais, mas claro como minha vida anda uma merda mesmo, meu pai descobriu e ficou uma fera comigo, dizendo que eu era a ovelha negra da família, que eu não deveria ir a festas como essa, que eu era uma vergonha para ele. Mas qual é, sou apenas um adolescente fazendo o que os garotos da minha idade fazem, ele não pode me culpar, afinal, ele quando era da minha idade aposto que fazia o mesmo.
- somos amigos, você sabe que pode desabafar comigo a qualquer hora não sabe disso? Eu não vou te deixar sozinho.
Ela não pode saber o que meu pai fez comigo ontem, ninguém pode saber, eu tinha vergonha de falar sobre isso.
- , vira pra mim, você se escondeu o dia inteiro na escola hoje, estou preocupada, não só eu, mas e meu irmão também.
- , eu já disse que quero ficar sozinho, porque você só não respeita isso? – Minha voz estava falhando de tamanha vergonha.
Ás vezes eu esqueço que me conhece muito bem, eu não sei como é possível, mas ela sabia exatamente o que dizer na hora certa, a coisa certa, ás vezes não dizia nada e sua presença ali me acalmava. Mas como tudo dura pouco, começou uma chuva forte.
- Só pode ser brincadeira. – Esbravejei ainda com o rosto virado em direção oposta a .
- Vamos fazer um ...
é interrompida por um trovão e a mesma me abraça por trás, me fazendo sorrir de leve, enquanto viro o rosto para a frente.
- Essa cabana com esse trovão me deu medo . – Ela falou baixinho me apartando em seu abraço. – Mas está chovendo muito temos que ir para algum lugar ou se não vamos ficar doente.
- Eu topo, quer entrar na cabana? – a desafiei.
- Eu não.
- Ótimo, vou te deixar na chuva então. – Gargalhei ao receber uma mordida em minhas costas. – Eu não sou um hambúrguer falou?
- Você não vai me deixar na chuva. – Falou emburrada. – Primeiro precisamos de um nome pra esse lugar.
- Que tal, a sombra da escuridão?
Eu era péssimo pra nomes, em questão de criatividade sempre foi mais criativa em tudo que fazia.
- Muito assustador. – Sorri enquanto entramos no lugar. – Que tal Trovoada?
- Porque Trovoada?
Deito no sofá cruzando os braços, me viro para as costas do sofá, escondendo meu rosto, não quero que ela me veja.
- Por causa do trovão que deu agora. – Comecei a rir. – Para de rir . – Senti uma almofada em mim e logo um peso sobre mim.
- sai de cima.
Ela sabe o quanto detesto abraços, mas para conseguir o quer de mim, ela sabe que ficando de grude o tempo inteiro, consegue.
- Só se virar o rosto pra mim .
não ia fazer o que eu estou pensando. Ela não vai aplicar chantagem emocional comigo agora.
- Não adianta vir com chantagem pra cima de mim mocinha.
- Não estou fazendo chantagem, só estou dizendo que se não virar o rosto, nossa amizade acaba.
Ela falou tão sério que realmente virei o rosto assustado para ela, não estou falando, ela consegue tudo o que quer!
- , o que seu pai fez com...
- Não quero falar disso.
Literalmente fui seco com ela, tento me levantar do sofá, mas quando fiz isso, apenas sentou ontem minha cabeça estava apoiada e foi mais rápida ainda de me segurar me fazendo deitar minha cabeça em seu colo e me prendendo ali quando tentei sair. é uma pessoa muito curiosa, quando fica curiosa e os outros não contam o que ela quer na hora que quer, ela vai ficar te perturbando até conseguir.
- , por favor, você sabe que não irei contar pra ninguém.
Eu sei que ela não iria, mas mesmo assim, eu estava com vergonha de me sentir humilhado, por ter apanhado na frente dela, ainda cedo, os tapas de ontem não foram necessários para me punir segundo o meu pai e precisou fazer isso na frente da minha melhor amiga hoje. Sem que eu menos esperasse e provavelmente cansada de esperar uma resposta, começou a fazer um agrado em meu cabelo e começou a cantar uma música baixinha, parecia que ela realmente sabia o que eu estava esperando e acabei adormecendo ali ao me acalmar.

FLASHBACK OFF


- ?
Congelo ao ouvir a voz de atrás de mim, ela iria me matar por chegar tarde na sala de reuniões.
- Como chegou aqui? – Estava desconfiado que ela me seguiu.
- Eu não sei, já tinha se passado meia hora e eu estava preocupada com você, perguntei a e onde você poderia estar, mas eles não me falaram nada. – meu coração acelerou ela ainda se lembrava daquele lugar. – Eu não sei como, mas sabia que ia te encontrar por aqui, mesmo que eu nunca tenha estado aqui antes.
Minha esperança se acabou ali, por um breve momento achei que ela tinha se lembrado de nós dois, mas isso não é possível.
- Já viu que estou bem, pode ir pro set, daqui a pouco eu vou.
Por mais que eu tente ser grosso com ela, eu não consigo, me doí ver ela se sentindo mal por minha culpa. Sei que eu só estou assim por mim mesmo, porque eu não consigo me aproximar dela novamente, mas tenho medo de algo possa acontecer.
- o que você tem? – Ela se aproximou e ficou em meu lado.
- O que eu tenho? – Usei o deboche. – ninguém acredita em mim que saco. – respirei fundo. – A pessoa que eu mais preciso que acredite em mim, não acredita. Eu nunca seria capaz de bater em uma mulher. Eu não sou nenhum cara idiota que não se importa com ninguém, eu já estou cansado dessa história.
Estou exausto, eu não tenho com quem contar, tudo está dando errado em minha vida, eu estou passando por uma maré de azar que não desejaria para ninguém. Ficar sem a garota que você gosta, o pai da garota te afastar da mesma e sua ex-namorada querendo voltar à ativa, minha vida literalmente está uma merda.
- , eu sou sua empresária e assessora certo? – aceno com a cabeça positivamente, mesmo sabendo que ela é mais do que isso pra mim. – Eu acho que começamos com o pé esquerdo nessa história, podemos muito bem ser amigos um do outro, eu não quero que você me veja como uma pessoa durona, que sou parecida com a . – Realmente gargalhei disso e ela também. – Eu acredito em você, eu quero que você confie em mim ok? Eu posso ser legal e pelo pouco que conheço de você, sei que não seria capaz de bater em mulher.
- Porque está dizendo isso? Como tem tanta certeza disso?
Afinal eu tinha que saber porque de uma hora ou outra ela mudou de opinião sobre minha pessoa.
- Eu não sei, mas algo de mim diz isso sei que o que eu falo não é besteira e você me ajudou hoje na sessão de fotos, se importou comigo e isso demonstra o fato de que você não agrediria uma mulher, pode ficar tranquilo, vamos dar um jeito nesse boato ser resolvido com cautela.
Isso realmente me surpreendeu, como sempre ela sabendo o que dizer na hora certa, essa garota é demais, meu coração se acalmou ao saber que ela acredita em mim, eu só preciso ganhar a confiança dela de volta e é exatamente isso que vou fazer.


Capítulo 6


Chegou a tão esperada sexta feira, o dia mais amado por todos os seres humanos deste planeta, o dia em que o expediente acaba mais cedo e a noitada começa, quando podemos voltar a ser o adolescente, curtir a noite como se nada mais importasse, porém só percebemos que crescemos quando nos encontramos em uma sexta feira em casa assistindo algum seriado da netflix comendo pipoca, acompanhado de pizza e refrigerante, é como estou agora, mas no caso, não estou conseguindo me concentrar no filme, me lembrando de , afinal ela não havia ido trabalhar ontem o que me preocupou, pois desde que ela começou a trabalhar no set, ela não faltou um dia se quer, pelo o que conheço dela, ela detesta faltar o trabalho, ela ama o que faz e mesmo que não, faz bem feito e com seriedade, mas quando perguntei a o motivo dessa falta surpreendente da , ela apenas me disse que a mesma estava indisposta, o que era raro de se ver, mas o que eu fiquei surpreso de verdade, foi o fato dela mudar a repentina opinião sobre minha pessoa, pelo o que eu penso, ela me detesta, não suporta me ver, mas aquele dia na cabana ao falar que se acredita em mim, é o que basta para meu coração se acalmar, se sentir seguro e confiante de que nada desse boato vai estragar minha vida, eu quero me aproximar dela, dane-se seu a ameaça de Ethan, dane-se tudo, eu faço qualquer coisa para tê-la em meus braços, qualquer coisa e já sei como voltar a fazer isso.
- Filho vou sair tudo bem?
Minha mãe aparece na sala toda linda com um vestido maravilhoso rosa, parecia uma rainha, mas ela é minha rainha. O que me deixava contente, pois durante todo o tempo que nosso pai sumiu, minha mãe não saiu de casa, assim como eu, até conhecer . Minha mãe merecia viver de novo uma vida, seja lá com quem for, desde que a respeite e a deixe feliz.
- Posso saber onde a senhorita vai tão linda assim em? Vou precisar colocar meus seguranças pra te proteger.
Fiz cara brava, mas no fundo ela sabe que estou brincando, tanto que sentou na beirada do sofá porque eu estava deitado, mas pelo olhar que ela me lançou sabia que disso não vinha coisa boa.
- Filho, não acha que já está na hora de seguir em frente meu amor? Você é jovem, tem apenas 25 anos, me dói ver você assim e não poder fazer nada para te ajudar, eu só peço que não volte a ser aquele todo quieto e isolado do mundo filho, cadê aquele que ficava feliz em ganhar um prêmio pelo seu belo trabalho? Aquele cara companheiro, divertido, que saia todas as sextas feiras e só voltava no dia seguinte junto com a ?
Em todo momento de seu discurso sobre voltar a ser quem eu era, realmente estava prestando atenção, mas o problema é que eu não sei se vou conseguir voltar a quem eu era, quando ela citou aquele nome, aquele bendito nome, desviei o olhar para a televisão, querendo logo acabar com aquele papo.
- Mãe, não vamos falar dela ok? Não entendi o que você quer dizer com isso, aliás você não me respondeu onde irá ainda!
- Vejo que meu filho é ciumento. – Comentou fazendo graça e eu continuei a olhando sério. – Ok, ok, sabe o Charlie?
A olho confuso, Charlie era nosso vizinho, amigo de infância dos meus pais, pelo pouco que minha mãe me contou, ela era pra ter namorado com ele em vez do meu pai que era o popular do colégio na sua época, mas meu pai fez de tudo para conseguir minha mãe de Charlie, até hoje os dois não se dão bem de jeito nenhum, por causa da minha mãe, mas ela só ficou com meu pai por que engravidou do meu irmão mais velho Joshua, que nesse momento, está vivendo sua vida de casado em outra cidade.
- Charlie nosso vizinho? – A mesma acena a cabeça positivamente. – O que tem ele?
Por mais que eu já previa a resposta, fiquei receoso, pois assim como meu pai eu acabei adquirindo um pouco de desconfiança de Charlie mesmo ele sempre sendo legal comigo, sempre me ajudando quando meus pais brigavam em casa.
- Nesses últimos tempos estamos meio que mais próximos meu filho, além de você ter me ajudado com o sumiço do seu pai, ele também me ajudou e me faz bem, ele sempre me fez bem, você sabe disso, o que eu quero dizer é que por mais que a vida tenha seus contratempos meu amor, ela sabe o que faz. – Ela tocou meu nariz sorrindo igual quando fazia quando eu era criança.
Agora que eu percebo o quanto minha mãe foi infeliz com esse casamento forçado com meu pai, sei o quanto ela ama a mim e meu irmão, mas desde criança, soube que ela era infeliz, que meu pai fazia a sofrer. E isso sobre a vida ter contratempos, sei exatamente o que ela quis dizer, porém, seguiu em frente e provavelmente com o cara que vai buscar ela no trabalho e isso machuca, ver a pessoa que você mais ama com outro cara, amando outro cara a não ser você e ainda esquecendo completamente que você existe.
- E se ela não me amar mais mãe? Tenho medo que se eu me aproximar dela novamente, tentar pelo menos ser amigo, ela não acabar sentindo mais nada por mim, ainda mais com as bobagens que falaram de mim para ela e esse boato idiota.
E claro contando com a ameaça do pai de , minha mãe não sabe disso, que eu faço tudo por ela, até mesmo desistir da minha felicidade para ver minha mãe bem, com saúde. Não posso deixar com que nada disso que está acontecendo, tire minha mãe de mim e de meu irmão.
- Meu amor, te ama filho, apesar de ela estar passando por uma fase complicada, tenta entende-la, o amor , não vem nos momentos em que queremos, vem quando a gente menos espera, ela pode não saber que te ama agora, mas você ficando afastado dela só vai piorar as coisas meu amor, olha eu e Charlie por exemplo, quanto tempo esperamos, na verdade ele me esperou para finalmente juntos? Quase mais de 30 anos filho e olha onde estamos, o que quero dizer meu amor é que não importa o tempo que leve, que se o destino de vocês é para vocês permanecem juntos, vocês vão.
Minha mãe tem razão, mas não é fácil esperar a pessoa que você ama com outro, ela trabalhado com você diariamente e você fingir que é alguém que não é perante ela. Charlie não precisou fingir que era um invisível com ela, foi amigo, sempre esteve presente, sempre ajudou na criação minha e do meu irmão, já eu, não posso nem ser amigo. Mas o universo conspira contra mim e tudo que eu faço para me manter afastado, sempre tem algo que quer deixar ela perto e se eu ceder a ameaça do Ethan, vou perder mais uma pessoa que eu amo, o que me tirar conclusões que meu destino é viver sozinho e eu estou entrando na dele.
- Mãe, eu sei que o amor vem com o tempo, mas... – faço uma pausa respirando fundo. – Eu não sei como me aproximar dela, tenho medo que eu a machuque, eu já tentei confesso me aproximar, mas, não consigo, tem uma coisa acontecendo, que eu não fazer isso, não posso me dar o luxo de ser feliz, sendo que tem pessoas envolvidas nisso e a principal é a .
- Filho, você não machuca ninguém meu amor, não pense besteira, sabe... – ela sorriu parecendo lembrar de algo, o que me fez sorrir. – Lembra quando vocês eram adolescentes, ela vinha aqui em casa direto e um dia você a chamou para posar aqui em casa, vocês não foram dormir no quarto, por mais que eu insistisse, vocês resolveram dormir na cabana de acampamento que vocês criaram. - Gargalhei disso, me lembrando exatamente do dia, mesmo não sabendo o que minha mãe quis dizer.
- Lembro muito bem mãe, a senhora ficou furiosa com a gente por bagunçar a casa toda, pois tinha acabado de arrumar, éramos terríveis não?
- Só eu sei disso! – Caímos no riso, mas logo veio o silêncio.
Aquele silêncio que nos faz refletir sobre tal atitudes que tomamos, onde erramos, o que podemos fazer para concertar, mas o que eu queria mesmo era entender onde minha mãe queria chegar com essa história, tomando esse pensamento franzi a sobrancelha e minha mãe olhou confusa para mim.
- O que foi meu filho?
- Onde a senhora quer chegar com essa história? – fui direto ao ponto.
- O que eu quero dizer meu amor, se você não sabe como se aproximar dela, você pode começando com fazer coisas pequenas do dia-a-dia, coisas que só vocês fizeram no passado e que deixou uma marca no relacionamento de vocês, como por exemplo, eu lembro que você dava uma rosa para ela todos os dias ás 8:00 horas da manhã, não importa onde ela estava, faça isso, com certeza ela sente falta, lembro também, que ela adorava ir ao orfanato perto de onde você trabalha cuidar das crianças, lembra? – aceno com a cabeça. – Tem começar por coisas pequenas filho, que você irá consegui-la tê-la de volta e lembre, seja você, somente você em qualquer momento ok?
Aceno positivamente com a cabeça concordando, mesmo sabendo que é meio tarde pra isso, eu já fiz a merda de fingir quem eu não sou, de enganar , ela não merece mais uma pessoa fingindo ser quem não é perto dela.
- Deve ser o Charlie. – Minha mãe diz me acordando dos meus pensamentos quando a campainha toca.
Me sentei no sofá novamente enquanto minha mãe atendia a porta, ia dar play no filme novamente, quando escuto aquela voz.
- Oi senhora . Creio que a senhora não sabe quem sou, mas sou e...
. O que ela está fazendo aqui em minha casa? Quem deu meu endereço pra ela? Vou matar a , tenho certeza que foi ela, corri o mais depressa que podia parecido com o flash para impedir que ela contasse para minha mãe que estava trabalhando comigo, mas como o universo é meu amigo, acabo derrubando um vaso no chão, só espero que não seja o preferido da minha mãe, ou estou ferrado! Fechei os olhos com forças quando notei o olhar das duas mulheres mais importantes pra mim em minha direção.
- , acho que teremos uma conversinha mais tarde. – Minha mãe disse em um tom ameaçador.
Abri um olho, notando que ao mesmo tempo estava corada, segurava o riso, ótimo, eu sabia que minha mãe estava fazendo isso justamente para me fazer passar vergonha na frente da e obrigar eu a conversar com ela, senhora não tinha jeito.
- Desculpa mãe. – Cheguei perto dela com cuidado e dei um beijo em sua bochecha. – Estou perdoado?
Dona cerrou os olhos em minha direção e eu olhei para tímido enquanto coçava a cabeça, minha mãe percebendo o clima, ia falar provavelmente mais uma de suas brincadeiras, se não fosse o Charlie chegando e buzinando com o carro, descendo do mesmo.
- Olha só, eu esperando encontrar apenas a senhora em casa, acabo encontrando meu garoto e minha genra.
Charlie chega brincando, mas ele não sabe do que acontecendo entre e eu, ele não tem culpa, mas ao olhar para , ela achou graça franzindo a sobrancelha olhando em minha direção. Alguém por favor pode calar a boca do Charlie?
- Charlie! – Minha mãe o repreendeu com um tapa no ombro lendo meu pensamento e o mesmo massageou o local a beijando em seguida. – Vamos deixar os dois sozinhos, já estamos ficando atrasados.
- Mas mulher você nem me deixou cumprimentar a namorada do nosso queridíssimo !
Minha mãe olhou pra mim e eu amacei Charlie com o olhar, deixando o mesmo confuso, estou vendo que deixa-lo sem saber de nada, foi um péssimo erro.
- Acho que o senhor me confundiu. – estava tímida. – Sou apenas assessora dele.
- Assessora? – Charlie e minha mãe perguntam ao mesmo tempo com olhos brilhantes em minha direção.
Minha mãe estava sorrindo, que estava indo até a orelha, como se falasse: “Esse é meu garoto” Charlie me olhava ao mesmo tempo confuso, mas também feliz. Eu estava querendo me esconder, isso parecia gay, mas é verdade, Charlie sempre me coloca em furadas quando estou com alguma garota, especialmente se for , ele a adorava como se fosse filha.
- Vocês não tem um jantar pra ir não?
Minha mãe entendeu o que quis dizer, espero do fundo do meu coração que ela explique para o Charlie a situação, pois se não iria complicar tudo.
- Acho melhor irmos Charlie, desculpe . Juízo e limpe a bagunça na minha sala.
- Como preferir madame.
Senhora empurrou Charlie até o carro dando uma bronca no coitado, o que causou ataque de risos entre mim e , que no momento que voltou seu olhar para mim, fomos ficando sérios novamente.
- Então, o que devo a honra da visita da minha assessora em minha casa? – Digo depois de um tempo tentando acalmar o clima.
Era só eu ficar sozinho com , que meu coração acelerava, minha vontade era de abraça-la ali mesmo, dizer o quanto eu a amava, mas eu não podia, dizendo o quanto seu sorriso era importante pra mim.
- Assuntos de trabalho . – Ela falou séria, mas ao mesmo tempo brincando.
Reviro os olhos, agora esqueço que só me procura quando quer falar algo sobre o set, provavelmente ela quer repor os afazeres de ontem agora, mas poxa era sexta feira! Todo ser humano merece uma folga na sexta feira.
- Entre. – Respondi meio seco, por mais que esteja doendo em mim ser assim. – , você não pensa em descansar um pouco? É sexta feira.
Fecho a porta da sala, estranhando o fato dela não pedir o que era sempre de costume fazer quando ela vinha em minha casa, sim tínhamos um costume estranho onde quando um ia na casa do outro sempre tinha algo preparado do que a pessoa gosta. Na casa dela, tinha milk shake e lanche do MC Donald’s que eu adorava, na minha sempre tinha waffles com chocolate quente, que era o que ela adorava.
- Eu já descansei ontem, já está na hora de voltar à ativa, ainda mais se sou que tenho que lhe lembrar das suas obrigações.
A levei até a sala, convidando a mesma para sentar ao sofá que eu estava antes, sentei ao lado, por sorte não tinha nenhum porta-retrato nosso na sala de casa, ela não pode desconfiar de absolutamente nada.
- , eu não preciso de babá ok? Eu sei o que tenho que fazer.
- Sabe mesmo? – Ela arquea a sobrancelha e eu aceno positivamente. – Então vamos lá senhor sabe tudo, creio que lhe informou sobre seus deveres não é? Por sorte ontem você somente tinha as gravações, mas hoje você tem um jantar pra ir.
Minha mãe sempre me ensinou a ser educado e perguntar aos convidados de nossa casa se queriam beber ou comer algo, era um costume familiar que os pais dela tinham a ensinado e acabou pegando aqui em casa, mas neste momento estou esperando sentir falta disso e perguntar, mas pelo visto não, ela não sentia falta disso. Enquanto eu esperava sua pergunta, mal consegui prestar atenção no que ela disse ao notar que perto do seu olho, estava coberto de maquiagem e demonstrava um pouco roxo, um sentimento ruim passou pelo meu corpo ao pensar que alguém estava a machucando, não podia ser verdade.
- ? Você me ouviu? – Balanço a cabeça voltando do transe.
- Desculpe o que disse? – Respondi confuso. – Aceita algo pra beber ou comer? Tenho waffles com chocolate quente aqui. – mudei de assunto.
Notei que seus olhinhos brilharam e eu sorri com isso, percebendo que nem tudo muda, notei que ela ia falar algo, mas desistiu de última hora pois ela pareceu se lembrar de algo fazendo seu lindo sorriso desaparecer, só não entendo o porquê, ela adora isso e isso só prova minha curiosidade de saber que algo estava errado com minha pequena.
- Não posso aceitar, desculpe. – seu tom de voz era baixo.
- Não precisa ter vergonha, aqui em casa sempre temos esse costume quando as visitas chegam, e outra, falar de assunto de trabalho enquanto comemos é mais divertido.
- Mas é um bobo.
- Que você adora né. – sorri e pisquei pra ela.
corou imediatamente, ela ficava linda assim, sorri de canto ao ver ela desse jeito, tão vulnerável, tive que fechar minha mão para não ir ao seu cabelo e agrada-la, ela merecia carinho, ela merece tudo de melhor.
- Não vem com esse joguinho e...
iria continuar se não fosse um barulho de trovão lá fora que acabou nos deixando sem energia, ficando mais assustador com o barulho de chuva forte vindo lá de fora. Olho para e a mesma estava de olhos fechados, eu sei que ela tem medo de trovão e minha vontade de abraça-la e dizer que eu estava ali para protege-la, era enorme, mas eu tinha que interpretar meu papel.
- Pelo visto a gatinha tem medo de uma coisa tão simples como um trovão? – Ri sínico, mesmo aquilo me machucando. – Olha só, ela não tão forte como parece ser, ter medo de escuro é coisa de criança , já devia suspeitar que você era infantil a tal ponto.
Eu sou um filho da mãe, desgraçado, retardado, todos os xingamentos possíveis, eu sabia muito bem que quando ela ficava no escuro por muito tempo, ela começava a ter ataques de pânico, estou doido querendo abraçá-la, dizer que é mentira o que falei, mas não posso.
- por favor... – ela fez uma voz manhosa que quando eu acendi a lanterna do meu celular e mirei nela, percebi que a mesma estava de olhos fechados abraçada a minha almofada. – Não faça brincadeiras com isso.
Sou um cretino, quero muito ir abraçá-la, mas não posso.
- Oras porque não? A bebezinha vai começar a chorar?
Alguém pode por favor enfiar uma faca em mim? Meu coração dói demais ter que fazer isso. olhou para mim nervosa, começando a acelerar a respirar, um barulho no teto foi alto demais, me fazendo olhar para cima e quando notei veio em meus braços me abraçando apertado e me deixando complemente sem ação. Esse abraço, é o melhor do mundo, não sabe o bem que me fez ao me dá-lo, eu estava com tanta saudade, que aos poucos depois de me recuperar do susto, coloco uma mão em seu cabelo e outra em sua cintura devagar com medo de que ela possa se assustar, enquanto a mesma, apenas tentava respirar calmamente.
- Calma, está tudo bem. – tento falar calmamente, enquanto agrado seus cabelos fechando os olhos e encostando minha cabeça na sua.
Se eu pudesse não deixava ela sair jamais desse abraço, um abraço cheio de carinho, que eu demonstrava o quanto senti sua falta, o quanto eu precisava dela para ser alguém melhor.

**


Algumas horas se passaram e nada da energia voltar ainda, por um lado estava sendo bom essa energia não voltar, pois finalmente estava tendo um tempo a sós com minha garota, mas mesmo assim, estava sendo ruim, simplesmente porque além de ter se acalmado, não se abria abertamente comigo, isso nos gerou aquele silêncio estranho, pois ao mesmo tempo que era bom era ruim, eu não sabia o que ela estava pensando no momento em que ela se deu conta que estava abraçada comigo, pois logo pediu desculpas sentando na outra ponta do sofá e ninguém tinha coragem de começar uma conversa. A chuva lá fora deu uma aliviada, mas ainda não tinha passado, parece que o jantar que tínhamos a serviço hoje, seria cancelado, e aproveitando esse meu pensamento resolvi quebrar o silêncio.
- O que você tanto olha nesse celular? – Usei o tom sarcástico do cara que estava fingindo ser, mas ao mesmo tempo resolvi matar minha curiosidade, afinal, ela poderia muito bem estar preocupada com alguém.
pareceu acordar depois que eu falei aquilo, tanto que me lançou um olhar que dizia exatamente o que eu já sei, que aquilo não é da minha conta. Mas o que posso fazer se eu sou curioso, ainda mais quando se trata dela.
- Não é da sua conta .
- É claro que é, estamos aqui em um silêncio perturbador, tenho uma gatinha do meu lado, e não fazemos nada, pois ela simplesmente fica olhando para o celular, minha companhia é tão ruim assim ?
Chegou a hora de começar a botar meu plano em ação disfarçadamente. Eu preciso saber o que ela sente, preciso saber como anda o coração da garota ao meu lado para ajudá-la, preciso de algum jeito fazer com que ela se lembre. Ela precisa.
- Primeiro, não me chame de gatinha, sou sua assessora e não essas garotas que você ilude entendeu bem? – me lançou um olhar de repreensão e eu quis falar que ela estava engana sobre isso, mas permaneci calado. – Segundo, se tanto te importa o que eu estou fazendo no meu celular, estou tentando enviar uma mensagem a Josy, amiga de que pediu para fazermos a campanha sobre os animais, dizendo que não vamos poder ir por causa da chuva e Terceiro – Ela me olhou firmemente e eu já estava tremendo, pra saber sua opinião sobre a última pergunta.– Em algumas vezes sim, sua companhia é ruim, sabe eu não te entendo, você é tão amigo da e do , que eu chego a pensar que eu sou o problema na relação de vocês, porque você só é um grosso, idiota e sem educação comigo sendo que eu nunca te fiz nada na vida, não entendo esse ódio que você tem por mim.
Não é ódio , eu sinto amor por você, é um amor tão grande que você não tem noção, não tem como explicar e me dói eu não deixar você saber disso, pois você não é a única sofrendo nessa história, ficar longe de você é meu maior castigo, eu me culpo todos os dias por ter te ligado pedindo que você fosse no meu apartamento naquele dia, eu preferia estar no seu lugar agora.
- Sabe qual o problema? – respondi fingindo estar irritado, afinal ser é ator é bom por causa disso, eu disfarço toda a dor que estou sentindo agora. – Eu não precisava ter uma outra assessora que não fosse . Você a tirou de um emprego que ela tinha comigo a anos , ainda não é só isso, você fala um monte de merda sobre mim, que não são verdades, você não conhece a minha pessoa, não sabe o que já fui no passado pra falar todas aquelas horríveis, que eu sou um galinha, que pego qualquer uma, eu não sou assim, antes de acreditar no que a mídia diz, deveria se informar e fazer seu trabalho direito, coisa que nem isso você faz.
Notei começar a ficar irritada, justamente porque eu toquei no seu segundo ponto fraco depois de mim, o trabalho. Sabia que estava pisando em um campo minado, mas foi necessário, ela não pode achar aquilo de mim, dizendo que sou uma companhia ruim, mas do modo como ela falou, me magoou e muito, pois parece que ela nunca me amou.
- Sabe . – ela falou em um tom calmo, mas assustador para mim, pois se ela não explodiu de imediato, ai vinha problema, e dos graves. – Meu namorado tem razão, trabalhar com celebridades nunca dá certo, eu estou tentando acreditar em você, tentando achar um jeito de te ajudar na coletiva de semana que vem, mas pelo jeito, eu não vou poder, porque se você é capaz de magoar alguém simplesmente por não medir suas palavras, sei que você poderia muito bem, ter agredido a sua ex.
Nem notei que a chuva tinha parado e a energia voltado, simplesmente pelo fato de ficar encarando ela como se eu não acreditasse no que estava ouvindo dela... Namorado, ela tinha namorado, como ela pode fazer isso comigo? COMO! Justo ela. Vocês podem se acalmar porque eu não vou surtar, não irei fazer isso, MAS QUE EU TENHO VONTADE DE MATAR O IDIOTA QUE SE APROXIMOU DE RAVEN ISSO EU TENHO. Essa informação foi como levar um tiro bem no meio do peito, por saber que a pessoa que você mais ama, não confia em você e ainda está traindo você sem saber disso, é uma merda, literalmente, e eu aqui, sendo corno mais uma vez, pela pessoa que eu menos esperava.
Voltei a realidade, ainda sem falar nada, quando o celular de tocou e ao olhar pra ela, reparei que ela ficou tensa, mas mesmo assim não deixando de atender o telefone.
- Alô. – Ela respondeu sem jeito olhando pra mim, que ainda estava a observando como se ela fosse sumir a qualquer momento e não poderia mais tê-la perto de mim. – Desculpe por não ter ido ainda na sua casa Cody, mas, estou ainda no meu cliente, o temporal acabou me impedindo de ir, mas daqui a pouco eu chego, fica tranquilo ok? – Uma longa pausa e eu já estava começando a ficar atento a conversa. – Eu já disse que eu tinha um compromisso do trabalho, eu não posso faltar assim que me der na telha, você mais do que ninguém deveria compreender isso e não estou no set de filmagens, sim na casa dele mas não fazendo essas coisas que você está imaginado, chega, tenho que desligar.
Cody. O nome do sujeito é esse! Pois bem, está anotado na minha lista negra, esse cara me paga.
- Problemas no paraíso princesa? – Fui sarcástico, não só pelo fato de ter que ser, de fingir, mas por raiva mesmo. Ela me traiu.
- Menores do que o seu eu garanto , afinal, eu só preciso explicar pro meu namorado onde eu estava – Ela pegou sua bolsa na mesa de centro ao se levantar colocando no ombro em sinal de que ela estava podendo. - Agora já você nem pode sair sozinho na rua que já faz merda e tem que se explicar pra mídia, me desculpe, mas agora tenho que ir.
Caminhou até a porta saindo de casa e me deixando totalmente desconexo de tudo com suas palavras, isso teria volta e ela não perde por esperar, quando percebo que seu carro saiu de casa, me levanto respirando fundo, tento me controlar pensando em como éramos e isso me deixou mais com raiva, me fazendo jogar tudo que eu vi pela frente no chão, minha mãe que me perdoe, mas eu pago outros vasos depois.
- FILHO DA MÃE. DESGRAÇADO. – Jogo um vaso de vidro na parede me sentando no chão em seguida em meios aos cacos de vidro.
Era assim que eu meu coração estava, totalmente despedaçado iguais a esses cacos e que não tinha conserto nenhum. Já não basta minha menina sofrer um acidente, ela me esquecer, o pai dela me afastar dela e agora mais essa, ela tem namorado. Ocupando o MEU lugar em seu coração. Eu não sei o que fazer, pra impedir dessa dor sair de mim, ou melhor, sei. Já que todos querem que o antigo , bad boy, volte, ele irá voltar e é agora.

Já era de noite quando chegando ao pub, ele estava movimentado e a música rolava solta agitando a alegria do pessoal em plena sexta feira, e eu queria só ver como eu iria entrar despercebido naquele lugar.
- Senhor , tem certeza que quer fazer isso? – Thomas, meu segurança e motorista, me alertou. – Não acha que já está com problemas demais, justamente pelo fato de ter ido em um pub.
Estávamos estacionados a alguns minutos na única vaga que tinha na rua, Thomas me conhecendo desde sempre, sabia que eu estava em um dilema entre ir ou não cometer a burrada que estou prestes a fazer, balanço a cabeça, não deixando a razão tomar partido, então respondi.
- Tenho, não vai acontecer nada demais, eu só preciso relaxar.
- Tem outros meios do senhor Relaxar, sabe disso. Olha, você sabe que quando você bebe, com todo respeito senhor , você não fica bem de jeito nenhum, sabe os riscos que pode acontecer se a mídia descobrir não é?
- Estou pouco me lixando pra eles, eu quero ter uma vida Thomas, quero minha vida de volta, eu já não aguento mais essa tortura, não aguento mais não ficar com a mulher que eu amo, não aguento ter que fingir pra ela ser outra pessoa. Eu só preciso me desconectar do mundo, só isso.
- E você acha que bebendo todos os seus problemas vão sumir? – Ele se virá para trás ao me encarar.
Não, eu não acho, apesar de Thomas estar certo em sobre fazer eu ter consciência dos meus atos, nada iria me impedir de tomar pelo menos algumas cervejas. Eu preciso me divertir, não é isso que todo mundo diz? Pois então, hoje é o dia sorteado em que irá esquecer todos os problemas, pelo menos por um tempo.
- Sim, acho! – dei de ombros. – Afinal, todo mundo diz que estou precisando me divertir, pois enquanto a mulher que eu amo, está com outro cara se divertindo e ele ocupando meu lugar, estou aqui, sozinho, esperando que ela se lembre de mim.
- , o que eu vou falar agora é como seu amigo, eu sei toda a sua história com , sei de tudo que enfrentaram para ficar finalmente juntos, mas agora, não desperdice a chance que tem de reconquista-la, vocês formam um casal tão bonito.
Respiro fundo. Thomas nunca irá me entender, ele não está em meu lugar.
- Tom, eu vou entrar lá, só peço que venha me buscar assim que eu te ligar ok? Estou precisando de um tempo de tudo.
- Tudo bem senhor . – Sei que o magoei apenas pelo tom que ele falou, mas eu precisava disso. – Como quiser.
Saí do carro e encarei o pub a minha frente, a fila era enorme! Lembro que quando vinha com me divertir, sempre passávamos direto, isso é o bom de ser ator, não precisa de fila, só que o ruim de ser famoso é quando alguém grita seu nome e a fila inteira vem em sua direção pedindo autógrafos e tentando te agarrar.
- Calma gente. – respondi sorrindo pegando um papel e o assinando entregando a uma fã que me abraçou em seguida.
Logo senti meu caminho ficando um pouco livre facilitando minha respiração. Thomas tinha saído do carro e ficado em minha frente, organizando o pessoal em filas.
- Pessoal, vamos permitir que apenas duas pessoas possam tirar fotos com , ele veio aqui pra se divertir, se quiserem conversar com o mesmo, sugiro dentro da boate.
Thomas era um cara totalmente de minha confiança, sempre me ajudando nessas situações, quando os fãs extrapolavam um pouco do limite.
- Mas é claro que uma dessas pessoas tem que ser eu né fofo?
Meu estomago embrulhou ao ouvir aquela voz. Lucy. O que ela faz aqui? Está me perseguindo por acaso? É isso o que parece, e isso não está me deixando nenhum pouco contente.
- Desculpe Adams, mas é somente fãs. – Thomas a respondeu e ele merece um aumento de salário por isso
Minha sexta feira não podia como ter ficado pior, além de receber a visita e ter brigado com , agora mais essa, encontro minha ex, justamente quando quero me divertir, universo, colabora comigo por favor.
- Mas eu sou a maior fã do não é querido? – Usou o deboche e eu estava tentando me controlar.
- Não Lucy, me deixe em paz, eu já tenho problemas de mais por sua culpa.
Ainda estava irritado por ela ter me metido nessa confusão com a imprensa e confuso demais quando ela disse que eu descobriria a verdade sobre e eu sabia que ela estava mentindo, afinal é só isso que ela sabe fazer.
- Te deixar em paz? – Ela passou por Thomas ficando exatamente na minha frente, o que era um perigo se ela falasse mais uma merda. – Querido isso é o que eu menos vou fazer.
- Posso saber porquê? Você não acha que complicou demais a minha vida?
Afinal, minha noite de diversões acabou de acabar, Lucy tinha o dom de acabar com a pouca alegria que eu tinha, eu só quero voltar pra casa, onde eu nunca deveria ter saído.
- Eu só queria fazer uma surpresa para o pai do meu filho.
Lucy resolveu falar alto, todo mundo ficou em silêncio, inclusive eu. Filho. Isso é mentira, Lucy e eu não nos reaproximamos mais desde que eu terminei meu namoro com ela, isso faz uns quatro anos quando eu comecei a namorar . Só podia ser mentira e ela conseguiu o que queria, mas fama através de mim.
- Para de mentir Lucy, sabemos muito bem que não nos vimos mais depois daquele dia que você me traiu.
Lucy sorriu debochadamente fingindo que estava surpresa, pensando que talvez eu estivesse esquecido de algo.
- Fico decepcionada que você esqueceu de uma noite de três meses atrás ! Encontrei você em um bar, todo deprimido, por conta dos seus problemas, você e eu bebemos demais e aconteceu, ganhamos de brinde daquela noite, nosso filho.
Fecho os olhos incapaz de pensar em alguma coisa, afinal eu me lembrava desse dia, só não lembro se eu realmente fui pra cama com ela. Isso tem que ser mentira, eu não seria capaz de trair a mulher que eu amo, não seria capaz de fazer um absurdo desse com .
- Agora eu te pergunto querido , o que faremos? – quando eu a olhei ela estava com um olhar de que venceu a batalha que tanto queria.
- Não faremos nada, esse filho não é meu e esse lugar não é um ambiente correto para falarmos disso.
Afinal se eu não lembro se fui pra cama com ela, não tinha como provar que era verdade. Mas mesmo assim, com que cara vou encarar ? Ela com certeza vai saber disso, o pior é que na coletiva vão perguntar sobre isso. Merda.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

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