if my body had a say I

Finalizada em 06/09/2021

I

Força-Tarefa de Fugitivos - 20:45pm


bocejou mais uma vez, amarrando o cabelo em um coque bem apertado no topo da cabeça, enquanto tentava organizar os papéis espalhados dentro de uma pasta só. Aquela era a parte mais chata de encerrar um caso. Preencher relatórios, ficar presa a uma cadeira dentro de um escritório pequeno não era muito o seu estilo, mas fazia parte do processo, principalmente quando tomava à frente do caso.
A mulher suspirou, mordendo o lábio inferior. Quando pegou o copo de café, percebeu que ele estava vazio e mal tinha notado que tinha tomado tudo em menos de trinta minutos. Não fazia ideia de que horas eram; o único relógio presente ali não estava funcionando e seu celular estava longe demais para ela alcançar, mas sabia que deveria ser um pouco tarde.
Encarando mais uma vez a bagunça da sua mesa, decidiu que não iria sair do prédio sem que resolvesse toda aquela papelada de uma vez. Não aguentava mais ficar adiando aquela parte, o que só acumulava trabalho todas as vezes, estressando-a de uma maneira que ela não tinha previsto. Com o copo de café vazio em mãos, a agente levantou da cadeira, disposta a seguir até a sala de descanso, em busca de mais líquido preto. Se fosse para completar as horas extras presa naquele escritório, era bom que fosse com um café forte do lado. abriu a porta do escritório e só precisou atravessar o corredor, sentindo o piso gelado sob os seus pés. Estava descalça, como sempre fazia quando não estava mais cumprindo o seu turno com a equipe. A maioria das pessoas tinham se acostumado com o seu jeito.
Ela só se permitia ser desleixada daquela maneira quando não havia muita gente naquele andar do prédio. Se havia uma coisa que ela levava a sério, era o trabalho. Gostava de ser profissional e gostava mais ainda de ser boa no que fazia.
A mulher abriu a porta da sala de descanso e caminhou direto até a cafeteira, depois de inspecionar o lugar com os olhos atentos, observando que não havia ninguém ali. Realmente, devia ser um pouco tarde para um expediente. Às vezes a equipe atendia a casos noturno, mas, naquele dia específico, eles tinham acabado de encerrar um mais cedo e Dowell liberou os outros para uma noite de folga. E a manhã restante.
A aquela altura, deveria estar na própria cama, aproveitando o privilégio de ter mais de doze horas de sono sem a ameaça do celular tocar, interrompendo o seu descanso.
— Você está aqui — disse, passando pela porta entreaberta. — Por que não estou surpreso?
O homem cruzou os braços, encarando a colega de trabalho.
sorriu, terminando de encher o copo de café e encostou-se na bancada, devolvendo o olhar de sobre si.
— Relatórios — foi tudo o que ela disse, dando de ombros e finalmente bebendo um gole do líquido.
assentiu devagar. Descruzou os braços e andou até ela, parando ao seu lado. mal percebeu que tinha prendido a respiração ao ver que ele estava tão perto daquela maneira, o perfume do homem invadindo as suas narinas e, de repente, o café não era mais a sua coisa favorita ali.
Era o perfume dele.
— Você passa mais tempo aqui do que na sua casa — ele disse. — Também era assim na antiga unidade?
Ele a olhou rapidamente de lado e flagrou-a suspirando baixinho. Tentava não ficar olhando para ela o tempo todo, mas achava uma tarefa difícil. Desde o dia que a conheceu, ela meio que invadia os seus pensamentos e tinha descoberto que gostava de passar o tempo com ela, agradecendo mentalmente que os dois eram da mesma equipe, assim ele teria uma desculpa para sempre estar próximo.
— Sim — respondeu, a voz baixa. — Eu meio que… não gosto de estar só.
estava na equipe há alguns meses e, desde que os dois se conheceram, depois que ele a ajudou a se livrar da camisa suja de café, se tornaram amigos. Era por isso que entendia o que ela tinha acabado de dizer. cresceu cercada de irmãos, uma casa sempre cheia e o quarto compartilhado com duas irmãs mais novas. Era normal sentir falta daquela constante movimentação que sua casa sempre teve na infância e, consequentemente, na sua adolescência.
— Não me parece muito agradável ficar presa aqui também — ele retrucou.
Ela olhou para ele com um sorriso pequeno e discreto nos lábios, depois de beber mais um gole de café, sem se importar que estava quente. Encarou os olhos dele de perto, sentindo-se uma completa idiota por seu coração ter acelerado os batimentos cardíacos só por senti-lo perto daquela maneira.
gostava de ser profissional.
Isso nunca era segredo para ninguém que trabalhava com ela.
Era por isso que se xingava diariamente por não ter planejado aquela parte da sua vida no trabalho: estar atraída pelo próprio parceiro, desejando beijá-lo constantemente, imaginando como seriam aquelas mãos explorando o seu corpo. A constante atração parecia crescer, quando ela queria exatamente o oposto.
— Aqui eu tenho o trabalho — ela finalmente respondeu. — Fico ocupada o tempo todo.
Por outro lado, tentava manter seus pensamentos presentes naquela conversa. Sentia-se atraído por ela, tanto quanto ela por ele, mas por falta de palavras e de conversa, nenhum sabia daquele fato sobre o outro. conhecia a fama da mulher: não gostava de se envolver com ninguém do trabalho. Então, achava que era uma perda de tempo tentar investir em algo.
Não tinha coragem nem de propor um mero sexo casual, pois não era aquele tipo de homem. Preferia admirá-la de perto, longe, qualquer distância que fosse, mesmo que não pudesse tocá-la do jeito que gostaria.
Sua amizade e parceria eram mais importantes do que a sua atração pela mulher.
? — ela chamou, percebendo que ele tinha ficado em silêncio.
O homem balançou a cabeça.
— Desculpe — murmurou.
Ela assentiu devagar e deixou o copo de café de lado, sabendo que precisava voltar para o escritório. Quanto mais rápido terminasse o que tinha para fazer, mais rápido voltaria para casa, mas agora tinha atrapalhado os seus planos. Ela nem sequer imaginava que ele ainda estava ali.
— Em que você está pensando?
Era uma pergunta perigosa de responder, ele pensou. Por esse motivo, hesitou. Esfregou o rosto com as duas mãos e deu de ombros em seguida, optando por não pegar o atalho da verdade. Era melhor que ela não soubesse que dominava os pensamentos do homem. ficaria arrasado se ela dissesse qualquer coisa sobre não serem mais amigos.
Aparentemente, ela prezava mais o trabalho do que qualquer relação. E não a julgava.
— Que preciso ir — respondeu. — Roxy deve estar ansiosa.
deixou um suspiro escapar.
No começo, quando mencionava Roxy o tempo todo, ela não tinha conhecimento de que Roxy era a sua cachorra, então ficou achando que o homem tinha uma namorada por um bom tempo, até ele esclarecer as coisas. Não que isso tivesse mudado algo, mas percebeu que era melhor desejar um homem solteiro do que se sentir culpada por ele estar comprometido.
A mulher bocejou mais uma vez e pegou o copo de café de volta.
— Boa noite, — murmurou.
Quando ela deu as costas para ele e estava prestes a passar pela porta, se xingou baixinho.
?
A mulher virou-se, encarando-o.
— Sim?
pensou no que dizer. Tinha algo na ponta da língua, mas não achava que fosse a coisa certa. Sentindo-se mais frustrado do que nunca, ele suspirou, deixou os ombros caírem e abriu um sorriso genuíno para disfarçar.
— Você foi incrível hoje — ele disse.
lhe devolveu um sorriso lindo, que ele guardou na mente pelo resto da noite, antes dela finalmente se virar e sumir pelos corredores do prédio, deixando-o para trás.
Ela sempre deixava-o para trás.


Um momento depois de ter voltado para o escritório, saiu da sala de descanso, mas parou um pouco no corredor, encarando a sala da mulher, que tinha deixado a cortina da janela aberta, permitindo que qualquer um visse que ela ainda estava lá dentro. observou que ela estava completamente concentrada: a testa meio franzida, uma caneta na mão direita e o copo de café na mão esquerda, os olhos totalmente atentos para todos os papéis espalhados em sua mesa. Ele apertou a alça da bolsa contra o ombro e soltou um suspiro, sentindo-se patético por toda aquela situação.
Não tinha planejado se sentir atraído por sua parceira; mas, afinal, quem diabos planeja aquele tipo de coisa? Simplesmente tinha acontecido. Um dia, os dois estavam bebendo juntos com o resto da equipe e rindo de alguma piada que um deles disse, no outro, simplesmente não parava de pensar no quanto ela era linda, inteligente… determinada.
— Cara — alguém disse atrás dele. Quando virou-se, encontrou James, um dos integrantes da equipe. — Você quer um lenço?
parou de observar e encarou James, confuso.
— O quê?
Jay riu, balançando a cabeça. Olhou brevemente para a sala de e depois encarou .
— Você precisa disfarçar melhor — respondeu. — Qualquer um pode ver que você está louco por aquela mulher.
balançou a cabeça, mas odiou estar sendo transparente. Se James tinha percebido, ele precisava dar um jeito naquilo. A última coisa que queria era que lhe confrontasse se soubesse qualquer coisa sobre aquilo.
Sobre seus mínimos pensamentos envolvendo-a.
— Você está imaginando coisas, James — retrucou. — Eu só estava…
Não conseguiu pensar em uma desculpa boa o suficiente para lhe tirar daquela situação. Ele tinha sido flagrado encarando a mulher, parado praticamente no meio do corredor, é claro que parecia exatamente o que James tinha visto. Por mais que quisesse disfarçar, seu colega de trabalho era tudo, menos burro.
— Relaxa, ! — Jay confortou-o. — Eu sou a última pessoa que vai dizer algo sobre isso, cara.
acreditava. Jay não gostava de fofocas e nem de comentar sobre a vida pessoal de ninguém ali, mas isso não aliviou em nada o fato de que se sentiu exposto.
Precisava parar.
Parar de encarar , de pensar nela, de imaginar como as coisas seriam se… O homem suspirou, balançando a cabeça.
— Me sinto um idiota — ele confessou, a voz baixa.
Jay sorriu.
— Ela é muito bonita — disse, tentando fazer com que se sentisse melhor consigo mesmo. — Por que você não tenta?
balançou a cabeça, indicando a saída. Estava parado ali há tempo demais e já deveria ter ido embora. Começou a andar em direção ao elevador, com James em seu encalço, entendendo o recado.
gosta de manter tudo profissional — respondeu, entrando no elevador. — Não houve ninguém, até agora, com quem ela tenha se envolvido no trabalho.
James assentiu, compreendendo. Era normal alguém traçar aquilo. Se envolver com pessoas do trabalho podia ser bem complicado, às vezes.
— Bem… — James começou, umedecendo os lábios. — Para tudo tem uma primeira vez, não é?
piscou os olhos para o colega. Em seguida, empurrou-o com o ombro levemente e balançou a cabeça, negando a ideia com um sorriso nos lábios.
Mas, no fundo, ele sabia que Jay estava certo. Para tudo tinha mesmo uma primeira vez.


II

Local desconhecido - 07:26am


— Você sabe que sonhos são desejos do subconsciente, não é?
lançou um olhar feio para Julie, sentada à sua frente, enquanto bebia um gole longo de café com leite. Ela não gostava muito daquela combinação, mas não tinha o que queria, então optou pelo leite.
— E você sabe que eu acho isso besteira — a agente retrucou.
Julie riu, balançando a cabeça.
parecia ansiosa, principalmente pela noite de sonhos agitados que teve. Ela estava acostumada a ter sonhos agitados, mas daquela vez específica, invadiu todos eles. experimentou, mesmo que a sensação não fosse verdadeira e real, os beijos e os toques do homem por toda sua pele. Sonhou que implorava por mais, enquanto ele realizava todos os seus desejos carnais que tinha imaginado cada vez que encontrava com ele em cada parte do dia.
A mulher acordou frustrada e se xingou baixinho por ter chegado àquele ponto. Sentia que estava enlouquecendo de desejo por alguém que, ao seu ver, era totalmente inalcançável. Se envolver com seu próprio parceiro de trabalho era a regra número um proibida de sua lista. Mas todas as coisas inalcançáveis eram frutos de sua imaginação. Ninguém estava colocando uma faca em seu pescoço e obrigando-a a viver daquela maneira. Tinha sido apenas escolhas da mulher.
Uma tentativa de sempre melhorar o ambiente de trabalho, para que não duvidassem da sua capacidade profissional, principalmente por causa de um homem.
Céus, ela pensou, era tão difícil o dilema entre a própria moral e os desejos carnais.
— Mas, então… — começou, tentando mudar o foco do assunto. — Qual a novidade?
Julie era sua irmã do meio. A única que ainda morava na cidade e, por esse motivo, combinaram de tomar café da manhã juntas pelo menos duas vezes na semana, para manterem o contato frequente, já que trabalhava demais e quase nunca tinha tempo, diferente da irmã, que administrava uma floricultura e sempre arranjava tempo. Os outros irmãos - e os pais -, tinham decidido viver no sul da Califórnia.
— Eu e Joe vamos nos casar! — Julie respondeu, com um sorriso gigante no rosto ao contar a novidade.
quase tossiu. Ela sabia que a irmã estava envolvida com alguém, claro, mas não esperava um casamento tão cedo. O último que tinha ido tinha sido do seu irmão mais velho e, desde então, a mulher tinha achado que fosse demorar mais um pouco até outro casamento acontecer na família.
— Tão rápido? — sussurrou, sem pensar, mas as palavras já tinham saído.
Julie deu um sorriso, seguido de um suspiro. Ela mordeu um pedaço do pão que tinha pedido minutos antes da irmã chegar.
, estou com ele há dois anos — Julie disse. — É tempo suficiente para saber que ele me faz feliz.
mordeu o lábio inferior, refletindo. Embora fossem irmãs, as duas eram muito diferentes uma da outra. Julie era romântica ao extremo e sempre sabia qual tipo de flor combinava com a ocasião. Achava que o amor era a base de tudo e não havia sentimento mais poderoso no mundo.
, por outro lado, não dava tanta importância às relações amorosas. Não acreditava que o amor deveria ser o centro da vida de uma pessoa e estava sempre trabalhando, mais do que vivendo. Suas relações não passavam de um simples namoro.
— Eu sei, desculpe — disse, abrindo um sorriso sincero. — Estou feliz por você, de verdade!
Julie assentiu. Não precisava mesmo de muito esforço para saber que estava sendo sincera. Ela não se importava com mais nada no mundo, desde que sua irmã estivesse feliz.
— E, falando nisso, não é surpresa nenhuma que eu quero que você seja a minha madrinha — a mais nova convidou.
piscou os olhos, umedecendo os lábios, tomando mais um gole de café. Realmente, não era surpresa nenhuma o convite, mas mesmo assim, gostou de saber que sua irmã a considerou como sua primeira opção.
— Claro, Julie! — aceitou. — A família já sabe?
Julie negou com a cabeça.
— Ainda vou contar — respondeu. — Quem sabe até lá você não apareça com o de acompanhante?
riu.
— Acho que você está sonhando um pouco alto demais, Julie.
A irmã revirou os olhos, mastigando mais um pedaço do pão.
— E eu acho que essa sua regra é uma besteira, — rebateu. — Quando vai perceber que entregar seu coração não é exatamente uma coisa ruim?
A agente deu de ombros, fazendo uma careta ao perceber que o café já estava acabando. Imitando a irmã, pegou um pedaço de pão.
— Não quero entregar meu coração a ele — respondeu, bastante determinada. — Quero entregar outra coisa.
Julie gargalhou, jogando um pedaço de pão, acertando o rosto da mais velha.
— Meu Deus, como você é suja! — Julie disse. — Entregue o que for. Mas, por favor, prometa que vai pensar sobre isso.
— Sobre o quê, Julie?
engoliu a seco, mastigando um pouco do pão e terminou de beber os últimos goles do café, escutando o celular apitar.
— Entregar seu coração — respondeu.
respirou fundo, deixando o sorriso sumir do rosto. Tinha certeza que Julie tinha todas as melhores intenções do mundo que uma irmã mais nova poderia ter, mas para , as coisas eram mais complicadas. Ela revirou a bolsa atrás do celular, e quando o encontrou, percebeu que tinha recebido uma mensagem de um integrante da equipe.
— Não é uma opção — foi tudo o que disse, deixando uma nota de dinheiro em cima da mesa. — Eu preciso ir, surgiu um caso.
Julie deixou os ombros caírem, desistindo de tentar insistir no assunto pelo menos, por ora. Observou a irmã levantar da cadeira e sentiu o beijo dela no topo de sua cabeça, uma demonstração de carinho de despedida.
— Visitar nossos pais esse fim de semana também não é uma opção? — Julie indagou.
sorriu discretamente, mexendo os ombros.
— Não, não é — confirmou. — Sinto muito, eu te ligo depois!
Julie balançou a cabeça e respirou fundo, deixando ir embora. A mais velha não sentia muito coisa nenhuma, só simplesmente evitava um pouco o resto da família. Não que não os amasse, muito pelo contrário. Eles só não gostavam muito da carreira que ela escolheu seguir, alegando que era muito perigoso, então para evitar as mesmas discussões de sempre, evitava aparecer em reuniões de família que não fossem casamentos ou aniversários.
E, Julie pensou, ela não estava totalmente errada. Família eram pessoas cansativas, às vezes.


Força-Tarefa de Fugitivos - 09:34am


devia estar mesmo um pouco louco, porque, ao ouvir o som dos saltos pelo corredor, indo exatamente em direção a sala que ele estava com a equipe, ele sabia ser a .
Não achava que estivesse prestando tanto atenção nela a ponto de saber que era ela vindo pelo som dos seus passos, mas ele estava. Estava prestando atenção em tudo nela e começava a ficar irritado por aquilo. Se não ia dar em nada, por que diabos continuava obcecado de desejo por aquela mulher?
Deveria, no mínimo, procurar outras diversões. Sair com outras mulheres, se distrair dos próprios pensamentos, tirar ela da sua maldita cabeça.
— Não tenho boas notícias — a mulher entrou, batendo a porta devagar atrás de si. Não estava com uma expressão muito boa. — Mas, pelo menos, consegui evitar o impulso de socar aquele idiota de terno.
Os quatro presentes riram. Já estavam acostumados com a presença da mulher, embora ela fosse novata e só estivesse na equipe há alguns meses, mas pareciam anos. Mesmo que fosse bastante reservada em vários aspectos, ela não podia negar que tinha se dado bem com todo mundo, em especial com .
— Um esforço e tanto — Dowell disse, elogiando. — Mas qual foi o resultado?
sentou-se ao lado de James. Quando o encarou por um breve momento, balançou a cabeça ao ver a expressão sugestiva que seu colega estava fazendo em relação à . Preferiu ignorá-lo. Era uma merda que alguém soubesse sua atração por ela.
— A interpol não quer ceder o caso. E, sinceramente, não acho que valha a pena discutir — ela respondeu a pergunta.
Todos os olhares se viraram para ela, mas foi Jones quem decidiu finalmente perguntar.
— Está dizendo que devemos ceder então?
— Sim.
— Esse caso tem peso na mídia — Jones rebateu.
respirou fundo e girou o corpo na cadeira.
— Sabe que não ligo para isso — ela retrucou, como se fosse óbvio.
E, realmente, a mulher não ligava. estava mais interessada em resolver os próprios casos, diminuindo o número de fugitivos. Não tinha tempo para ficar pensando o que seria bom na mídia. O FBI tinha mais de 30 mil empregados; não seria ela a única a destruir qualquer reputação. Céus, ela nem tinha poder para aquilo.
— O FBI liga — Jones disse.
Ela sorriu.
De todos os restantes da equipe, o agente Jones era o único com quem ela não se dava tão bem. Ele parecia sempre disposto a contrariar todas as decisões e opiniões que ela tinha, mas, ainda bem, ela não se importava. Tinha imaginado que o trabalho seria mais difícil quando era a única mulher na equipe.
— Nós temos outros casos igualmente importantes. Você vai sobreviver.
Jones não abriu a boca mais.
— Ah… , o que você está aprontando? — finalmente perguntou.
James e Dowell ficaram em silêncio, observando a mínima discussão se construir. Mas não discutia com ela, ao contrário de Jones, que nunca sabia o momento certo de manter a boca idiota fechada.
Não. a conhecia o suficiente. Ele a incentivava e apoiava quase sempre. Em quase tudo.
— O agente da Interpol é novato, arrogante e burro — observou como ela pareceu satisfeita em responder aquilo. — Ele vai cometer um erro.
Jay riu verdadeiramente ao lado da mulher. Por pura implicância, ela o chutou por debaixo da mesa.
— Você nunca planeja nada por acaso, não é? — Dowell indagou.
deu de ombros.
— Algo me diz, Dowell, que foi por isso que você me contratou.
O mais velho soltou um suspiro, um sorriso discreto nos lábios.
— Sua fama realmente precede — confessou.
Jones, incomodado, remexeu-se contra a cadeira e virou-se para Dowell.
— E, então? — ele questionou. — Vamos simplesmente fazer o que ela diz?
segurou a vontade súbita que sentia de mandá-lo calar a boca. Trocou um olhar com James e e quase riu quando a mulher fez um gesto de vômito, mas manteve a postura profissional, esperando por uma resposta do supervisor e chefe da unidade.
Dowell cruzou os braços em cima das pastas de arquivo. Ele olhou para cada um e parou os olhos em Jones.
— Agente Jones, já deve ter percebido que a é mais inteligente do que você se mostrou capaz de ser em alguns casos — o mais velho respondeu. — Então, sim. Nós vamos fazer o que ela simplesmente diz. Agente Osborn, por favor?
Jay, tentando ser o máximo o mais profissional possível, segurou o riso que queria sair ao notar a cara de desapontado de Jones. Ele quase trocou um high-five indiscreto com ao seu lado, mas resolveu não sucumbir às suas atitudes infantis e remexeu o próprio corpo na cadeira, pegando a pasta que estava colocada na mesa à sua frente. Ele respirou fundo antes de prosseguir.
— Ontem à noite, o FBI emitiu um alerta para um fugitivo perigoso: Carter Lewis, Nevada. Ele assassinou duas famílias e testemunhas dizem que ele está fugindo com a sua filha mais nova. O fugitivo foi visto pela última vez tentando cruzar a fronteira do México.
— Por que ele mataria duas famílias só para fugir com a filha? — questionou.
passou os olhos atentos pela pasta que estava nas mãos de James. Nele, havia diversas informações sobre o caso e o fugitivo, além de duas fotos destacadas: dele e da filha mais nova.
— Tenho um palpite — disse, soltando um suspiro. Ela pegou a pasta das mãos de James e analisou de perto as duas fotos, percebendo as diferenças nas aparências de pai e filha. — Acho que Carter Lewis descobriu que ela não é sua filha biológica.

Algumas horas depois, eles estavam todos reunidos novamente, com exceção do agente Jones. Ninguém achou ruim a ausência dele e muito menos fizeram questão de solicitar a sua presença. Não era como se ele fosse uma peça importante para fechar o caso e tinha certeza que ele não tinha nenhuma informação para agregar. Conhecendo o homem como conhecia, sabia que ele estava em algum lugar do prédio tentando não explorar muito a sua raiva.
estava certa — Dowell começou a dizer, em pé na frente do quadro que compunha os detalhes do caso. — O nosso foragido realmente fez um teste de DNA na última semana. O resultado saiu ontem e duas horas depois, começaram os assassinatos.
, que estava ao lado de Dowell, apontou para duas fotos atrás de si.
— Ele matou a própria família primeiro — informou. — Joana Lewis e seu irmão, Ted Lewis. A equipe de TI também descobriu que, além de Carter ter conhecimento de que não era o pai biológico da filha, ele descobriu quem era.
balançou a cabeça.
— O pai da menina é seu próprio irmão — constatou, recebendo acenos positivos. — Então ele confrontou os dois sobre terem um caso e acabou matando-os?
— É o que tudo indica — respondeu. — Felizmente, a menina estava na escola na hora dos assassinatos.
— E a segunda família que ele matou? - James questionou.
Dowell apontou para as fotos de um casal, indicando que eles eram a segunda família em questão.
— Eram vizinhos dos Lewis — respondeu. — A mulher ouviu os tiros e correu até a casa, com o marido em seu encalço. Não tinham nada a ver, simplesmente foram efeitos colaterais de um crime.
— Desgraçados — Jay murmurou.
Houve um momento de silêncio, antes de finalmente trazer-os de volta para discutir o caso. Ainda precisavam encontrar a criança e prender o assassino.
— Alguma sorte com as câmeras de trânsito? — indagou.
balançou a cabeça, soltando um suspiro frustrado. Tinha passado mais de duas horas analisando vídeos de trânsito e não tinha conseguido muita coisa como resultado positivo.
— Não — respondeu. — As câmeras pegam a caminhonete a duas quadras de distância da casa, até ela ser abandonada na rua principal. Não sabemos em que tipo de veículo ele está agora.
A mulher assentiu.
— E quanto à mídia? — Dowell perguntou.
Jay deu de ombros.
— Divulgamos as fotos e tudo, mas ainda não há nada — James disse. — Há patrulha policial bloqueando todas as estradas principais.
— Escutem — chamou a atenção. — Ele está instável e com uma criança pequena que não sabe o que está acontecendo. Ela não vai querer ficar no escuro por muito tempo e vai começar a fazer perguntas.
— E aposto que ele não vai ter paciência de responder nenhuma delas — completou, recebendo um aceno de .
— Mas porquê ele está levando a criança? - Jay indagou.
Dowell encarou o quadro por um momento, antes de responder:
— Ele não aceita o resultado — disse. — Não importa o que digam, ele se sente traído e acha que sua filha não merece viver na mentira. Precisamos encontrá-los.
Antes que qualquer um deles pudessem abrir a boca para dizer algo, a porta fora aberta e Jones colocou a cabeça para dentro. Ele não perdeu tempo encarando nenhum dos colegas de trabalho ali.
— Nós temos uma pista — informou.

III

, você não precisa apertar tan… ai!
James fez uma cara feia para , que deu de ombros e empurrou o homem para longe dela depois de tê-lo ajudado a ajustar o colete no corpo. riu, acostumado a assistir as poucas implicâncias dos dois, mas ele ficava feliz de ver que a mulher não tinha cortado a tentativa de amizade de James. Na verdade, eles se davam muito bem, apesar de Jay viver implicando com ela a maior parte do tempo. A carta favorita de era sempre ignorá-lo. Uma vez, ela simplesmente confidenciou a que tinha aprendido algumas artimanhas por ter irmãos mais velhos que viviam achando que podiam mandar em sua vida. Lidar com Jay não era diferente de lidar com um irmão - a única diferença era que James não exibia um controle obsessivo por sua vida e nem uma superproteção exagerada.
— Estão prontos? — Dowell apareceu.
Jones estava do outro lado da sala, devidamente pronto, totalmente entretido em seu celular. Ele ainda estava ignorando e os outros com muita força de vontade, principalmente depois do episódio de mais cedo.
Os presentes assentiram. James e Jones foram na frente com Dowell. esperou para irem juntos, observando-a prender o cabelo em um rabo de cavalo simples.
— É incrível ver sua diferença entre o primeiro dia e agora — observou.
levantou uma sobrancelha, verificando se estava tudo certo com o colete e sua arma presa no coldre.
— Como assim? — a mulher questionou.
— Você não dava muita brecha para o James, por exemplo — o homem apontou.
sorriu.
— Nem para você, bonitão — ela rebateu.
E estava certa mesmo. No seu primeiro dia, depois de ter esbarrado com , ela iniciou o trabalho na equipe no dia seguinte, mas ficou totalmente reservada em suas tarefas. James, que sempre era tão receptivo, tentou fazê-la se integrar mais rápido, mas não conseguiu. Não que a mulher tivesse um problema com qualquer um deles, mas ela não os conhecia e preferia ter mantido assim. não sabia lidar com gente nova, embora soubesse lidar com um ambiente novo. teve mais sorte na tentativa de fazer a mulher se enturmar e, logo depois, Jay também não tinha perdido a chance.
— Alguém já te disse que você é meio cruel, às vezes? — questionou, fingindo estar magoado.
deu de ombros e começou a andar na mesma direção que James e Jones seguiram Dowell, mas tropeçou no próprio pé e mal percebeu que foi rápido o suficiente para impedir a sua queda. As mãos do homem agarraram a sua cintura e bateu a cabeça contra o peito dele, engolindo a seco ao gostar da sensação das mãos dele em sua pele. Tinha parado de pensar nele por um dia inteiro… para tudo ruir água abaixo logo depois. tentou manter a sua postura, mas respirou o perfume dela perto demais e ficou zonzo de desejo. Sinceramente, ele deveria ganhar uma medalha de ouro por conseguir reprimir tudo.
— Eu… — quem começou a dizer, mas as palavras não saíram completas. — Você tem um ótimo reflexo.
riu, compensando o nervosismo. Ele afastou as mãos da cintura dela - odiando fazer aquilo -, e soltou o ar pela boca.
xingou a si mesma mentalmente e lambeu os próprios lábios. Sem saber se deveria dizer mais alguma coisa além de um agradecimento, ela apressou os passos e deixou-o sozinho, como sempre fazia.

— Está sentindo esse cheiro? — James questionou.
olhou ao redor. Os dois estavam sozinhos, verificando a segunda casa abandonada, que testemunhas relataram terem visto Carter Lewis e sua filha. , Jones e Dowell ficaram com a casa principal, logo à frente.
A mulher franziu a testa, encarando James por um momento.
— Não? — respondeu, incerta.
Não conseguia identificar cheiro algum, tudo ali estava abandonado. Eles revistaram a casa inteira e parecia tudo limpo, sem nenhum vestígio que o foragido tivesse passado por ali.
— É cheiro de tensão sexual — James respondeu.
lançou um olhar feio para o colega de trabalho, abaixando a sua arma logo em seguida, pronta para voltar e se juntar aos outros, já que aquela casa não tinha dado em nada. Ela até mesmo cogitava a possibilidade de terem caído em um trote, o que na verdade, era muito comum.
— Não sinto nada — a agente rebateu, preferindo fazer a linha desentendida.
Mas sabia como Jay era irritantemente observador, mesmo que só conhecesse o homem há alguns meses.
— Eu vi você tropeçando e te segurando — James insistiu. — Qual é, . Você é muito boa em esconder as coisas, mas eu sou melhor ainda observando.
Ela parou de andar e se virou para o agente.
— E daí, gênio? — retrucou, revirando os olhos. — Isso não significa nada.
Jay abriu um sorriso meio assustador.
— Quando estamos na sala de reunião, você encara ele diversas vezes e desvia o olhar quando ele faz o mesmo — ele começou a listar, enumerando com os dedos conforme falava. — Você respira mal quando ele está perto demais. Fecha totalmente a expressão quando ele menciona alguma mulher com quem ficou. E também…
— Cala a boca — ela interrompeu-o, sentindo-se totalmente exposta.
Ficou envergonhada por um momento, por pensar que não estivesse sendo muito óbvia e, definitivamente, odiava que ele fosse muito observador.
James se orgulhava daquela qualidade, claro. Depois que ele descobriu a atração de pela mulher, passou a observar os dois juntos e não ficou surpreso ao perceber a linguagem corporal de perto do agente . Era tão óbvio - pelo menos para ele -, que os dois sentiam-se atraídos.
— Agente , as únicas pessoas que não sabem o que vocês dois sentem um pelo outro, são vocês mesmo — Jay jogou.
Ele teve a brilhante - e terrível ideia -, de tentar juntar os dois amigos, mesmo que não desse certo. Percebeu que sua tentativa com não ia dar em nada, uma vez que o homem não estava disposto a quebrar a regra de e, como consequência, perder a amizade dela. Restou a James, então, tentar atiçar .
— Do que você está falando?
Jay respirou fundo.
— Eu estou falando que sua atração por é recíproca — respondeu, dedurando o amigo. Que os anjos protegessem James se descobrisse o que ele estava fazendo. — Aquele homem é completamente louco por você.
Não deveria ser uma surpresa, mas tinha sido. não esperava uma revelação daquela. Tinha percebido algumas atitudes de , claro, mas tinha pensado que era tudo fruto da sua imaginação. Desejava tanto aquele homem que começou a imaginar coisas. Deveria ter sido isso.
— Não — ela disse, balançando a cabeça. Deu as costas para James e recomeçou a andar, saindo da casa. - Eu não posso.
— Diabos, mulher — o outro murmurou, seguindo-a. — Por que não? Qual é o problema? Você é uma mulher e ele é um homem e…
— Jay, cale a boca — implorou, sentindo-se aflita e parou de andar novamente. Céus, ele não deveria ter dito nada aquilo. Aquela conversa não devia existir. — Está parecendo a minha irmã.
— Sua irmã é a voz sensata da sua consciência que te diz para parar de pensar e finalmente mergulhar naquele pau?
quase se engasgou com as palavras. Ela olhou ao redor, verificando que ainda estavam sozinhos.
— Você sabe que estamos no meio do trabalho, não sabe? — reclamou. — Não existe mais um espírito profissional entre nós dois?
apontou de si mesma para ele, exibindo uma expressão irônica. James revirou os olhos.
— Eu posso falar pau no ambiente de trabalho — o agente defendeu.
— Não, não pode. E essa conversa está encerrada.
, deveria se permitir se divertir às vezes — Jay tentou, ignorando o que ela tinha acabado de dizer. — Nem tudo é trabalho. E isso não faz de você menos profissional.
A mulher respirou fundo, odiando aquela conversa. Parecia que estava repetindo toda conversa com Julie mais cedo, e então o quê? O universo esperava que ela fizesse alguma coisa? Primeiro, tinha sido seus sonhos eróticos. Depois, sua irmã insistindo que ela deveria dar uma chance. Agora, James.
— Eu te odeio — declarou, por mim.
James sorriu.
— Eu sei.
Ela estava prestes a dizer mais alguma coisa, quando um barulho do outro lado chamou a atenção de ambos. sacou a arma do coldre novamente e correu com James direto até a primeira casa, mas foi empurrada no meio do caminho por um homem. Ela quase caiu na grama, quando percebeu que o homem em questão fugindo era o suspeito.
— Veja se os outros estão bem — instruiu o colega e Jay assentiu.
Sem dizer mais nada, ela correu atrás de Carter Lewis, pulando muros e invadindo casas, desculpando-se com os outros por estar fazendo o seu trabalho daquela maneira.
O suspeito era mais rápido do que ela pensava, mas também era ágil. Quando atravessou uma rua sem saída, apontou a arma para o foragido.
— Abaixe a arma! — ordenou, ao ver que ele estava apontando uma para ela.
Carter Lewis estava totalmente instável. Sua expressão era de ira pura e ele não parecia disposto a colaborar com nada, exatamente como tinha previsto.
— Lewis, não há como você escapar daqui — avisou. — Sua melhor alternativa é se entregar. Então… abaixe a arma. Agora.
Dois tiros ecoaram logo em seguida, tudo acontecendo rápido demais. De um lado, Lewis caído no chão, totalmente imóvel. De outro, sentada no chão, a coxa direita sangrando, enquanto ela pressionava o ferimento com uma careta de dor no rosto.
! — a voz de preencheu seus ouvidos.
O homem apareceu logo em seguida, o semblante preocupado, abaixando-se bem na frente dela, analisando seu ferimento rapidamente.
— Você está bem? — ele questionou.
— Caramba, , ela acabou de levar um tiro na coxa e você pergunta se ela está bem? — Dowell indagou, balançando a cabeça em negação, enquanto fazia uma ligação, solicitando uma ambulância.
Jones, que tinha ido verificar o suspeito caído, juntou-se ao grupo. James não estava ali.
— Você pode ser irritante, , mas tem boa mira — Jones disse. — Ele está morto.
lançou um olhar irritado para ele e gemeu de dor ao tentar se mover.
— Você é um cuzão — ela devolveu, bufando.
E, por mais incrível que parecesse, todos eles riram.
bateu na mão de , chamando a atenção dele para si. As palavras de James ecoaram por seus pensamentos.
— Uma ajudinha aqui? — ela pediu, apontando para si mesma e sua perna machucada.
— Você precisa parar de me assustar, — ele disse, um sorriso aliviado nos lábios.
Ela deixou que ele a pegasse no colo, ajudando-a a se manter em pé, mas não quis colocá-la no chão. Ao invés disso, segurou-a em seus braços o tempo todo até a chegada da ambulância.
— Eu vou tentar — ela rebateu.

IV

Duas semanas depois
Local desconhecido - 09:48pm


— Tem certeza disso, ?
A agente segurou o celular contra o ouvido depois de ter tentado retocar o batom dos lábios. O táxi corria tranquilo pelas ruas, sem trânsito, o que tranquilizava a mulher, que não gostava nem de cogitar chegar atrasada em um evento.
— Julie, eu estou bem — a mais velha reforçou, mais uma vez.
Depois de ter sido baleada em uma tentativa infeliz de prender o foragido, duas semanas antes, Julie ficou uma pilha de preocupação, mesmo a irmã garantindo que não tinha sido nada demais. Agora, o ferimento estava quase completamente cicatrizado e tinha sido liberada para voltar a trabalhar.
— Está bem — Julie se deu por vencida, pelo menos por um momento. — Vamos falar de coisa boa então. Você está usando uma lingerie sexy?
soltou uma risada. Dentro do táxi, ela estava indo a um evento que não era o seu tipo favorito de diversão, mas Dowell praticamente intimou a equipe inteira a ir, alegando que o evento era convite pessoal do senador, em agradecimento à equipe pela ajuda em um caso antigo. Não havia a opção de não comparecer. Dowell tinha dito que seria muita falta de educação e profissionalismo, então a mulher se viu obrigada a recorrer à Julie em busca de algum vestido decente para o evento. Era só por isso que a irmã estava sabendo.
— Você precisa tirar essa ideia da sua cabeça, Julie — respondeu.
Do outro lado, ela ouviu a irmã bufar.
— Meu Deus, você acabou de quase morrer e não cogita sequer se divertir um pouco?
— Também precisa parar de ser tão exagerada — completou.
Julie riu gostosamente.
murmurou algo para o taxista, que estacionou o carro em frente à uma mansão enorme, mas o lado de fora parecia tranquilo. Ela tirou o dinheiro da viagem e entregou ao motorista, sem insistir em receber o troco e saiu do carro, agradecendo.
— Você já chegou?
— Sim — a agente disse. — E vou precisar desligar.
encarou a mansão. Nem se trabalhasse por vinte anos, recebendo o mesmo salário todo o mês, conseguiria comprar um imóvel como aquele. Sua família tinha dinheiro e propriedades espalhadas ao sul da Califórnia, mas nada chegava aos pés daquela mansão.
— Julie chamou, recebendo um murmúrio positivo em resposta. — Por favor, divirta-se.
respirou fundo. Não bastasse se atormentar sozinha desejando , era um saco ter Julie lembrando-a constantemente do que ela sentia pelo homem, dificultando o processo de esquecer aquela atração ridícula. Pior ainda, as palavras de James estavam em seus pensamentos há duas semanas, invadindo os seus sonhos, atormentando-lhe o tempo todo. A mulher despediu-se da irmã e encerrou a ligação, guardando o celular dentro da bolsa pequena de mão que escolheu usar. Criou coragem suficiente para mover os pés até a entrada do local, onde informou seu nome para o segurança, que permitiu a sua entrada logo em seguida. Por conviver naquele meio de luxo, não se impressionava muito com as coisas, mas não deixou de ficar deslumbrada com o tamanho da sala daquele lugar e toda a decoração que a seguida. No entanto, o evento não estava ocorrendo ali, embora houvesse alguns homens conversando entre si pelos cantos, provavelmente por ser o local mais silencioso.
Ela seguiu a música clássica, equilibrando-se perfeitamente no salto e umedeceu os lábios rapidamente, adentrando o salão, duas vezes maior que a sala.
Passou os olhos pelo local, à procura da sua equipe e encontrou-os mais afastados, em uma mesa sem cadeiras do outro lado do salão, perto o suficiente da cozinha. Seus olhos cruzaram os de , uma distância considerável entre os dois.
Aquele homem está louco por você.
Ignorando as palavras de James e o arrepio que subiu pelo seu corpo, ela caminhou em passos firmes até eles.

— Ainda não acredito que você vai nos deixar — disse, se referindo a James. — E que escondeu isso o tempo todo.
Jay bebeu dois goles do líquido alcoólico, dando de ombros. Dowell o acompanhou.
— Eu ainda estava repensando a proposta — o outro respondeu, ajeitando a gravata do terno. — Mas já fazia um tempo que eu queria mudar um pouco.
Jay era um dos agentes mais antigos dentro da Força-Tarefa de Fugitivos e por um tempo, não pensou em mudar de cargo. Mas depois de ter sido solicitado em um caso de terrorismo e recebido uma proposta para ocupar a vaga que estava sendo ofertada, ele pensou que talvez fosse a hora de experimentar novas coisas. E, sendo bem sincero, estava um pouco cansado daquela cidade. Então, aceitou.
— Você já sabia, não é? — Jones interveio, questionando Dowell.
— Claro que sabia — o mais velho concordou. — Eu precisava encontrar um substituto para ele.
sorriu, experimentando a sua bebida. Estava se divertindo no meio deles, sem estar sendo envolvido em trabalho, porque a equipe quase nunca saía socialmente, mas estava começando a sentir falta de . Por que ela estava demorando tanto? Olhando o relógio rapidamente, ele conferiu que ela não estava atrasada - eles que tinham se adiantado demais.
— E quem é? — questionou, tornando a distrair seus pensamentos.
Vinha tentando convencer a si mesmo a esquecer sua atração por . Até tentou sair com outras mulheres, em busca de substituir o seu desejo. Estupidamente, achava que, saindo com qualquer outra, pudesse finalmente se sentir satisfeito, mas isso não tinha acontecido. Ele ainda pensava em . Quase todos os dias.
— É uma mulher — foi tudo o que Dowell se permitiu dizer.
James apoiou as mãos na mesa pequena que os juntava.
— Mais uma pra competir em inteligência contra o Jones? — provocou.
riu, ao mesmo tempo que Jones fechou a cara e Dowell balançou a cabeça.
— A não vence o tempo todo — Jones tentou se defender, recebendo três pares de olhares sobre si. Suspirou derrotado e virou toda a bebida do copo. — Imbecis.
Jay e Jones começaram uma discussão sobre algo que não prestou atenção. Estava mais do que acostumado com a implicância dos dois e resolveu passar os olhos pelo salão, que ainda tocava uma música clássica antiga que ele não reconhecia. Com certeza não deveria ser do seu tempo.
Quando ele encarou a entrada do salão, surpreendeu-se ao encontrar . Seus olhos cruzaram o salão e ela sustentou o olhar por alguns segundos, antes de recomeçar a andar na direção deles. ficou em completo silêncio, admirando a mulher, pensando em como ela conseguia ficar ainda mais bonita naquele vestido longo de tecido simples, talvez um pouco decotado demais. Seu rosto tinha uma maquiagem leve e os lábios eram marcados por um batom cuja cor era vinho.
Ele soube imediatamente que só havia um jeito de acabar com aquele desejo estúpido que sentia por ela e era justamente o único jeito que não podia realizar.
— Ponto estratégico que vocês escolheram — foi a primeira que ela disse, apontando para o fato de eles estarem justamente perto da cozinha. — Ideia sua?
Jay deu de ombros, sem vergonha alguma de assumir a culpa. Era completamente inegável o fato que ele aceitava festas sociais apenas para comer e os garçons costumavam passar por ali primeiro.
— James sorriu, sugestivo. — Você caprichou.
O elogio quase deixou as bochechas de vermelhas, mas a mulher ignorou a sensação.
— Não me venha com elogios baratos — acusou, apontando um dedo em riste para ele. Sentia os olhos de completamente sobre si, mas não tinha coragem de encará-lo e enfrentar a intensidade dos seus olhos tão de perto. — Eu ainda não te perdoei por trocar de lado.
admitia que não costumava fazer amizades tão fáceis, principalmente em local de trabalho, mas com exceção de Jones e Dowell, ela tinha se dado super bem com e James.
— Ele tem razão — concordou. — Você está incrível.
James abriu outro sorriso. Felizmente para , nem Jones e nem Dowell parecia perceber que tinha algo acontecendo ali. Tentando agir normal, ela virou o rosto para o colega de trabalho.
— Obrigada, — sorriu minimamente. — Você também não está nada mal.
Ele balançou a cabeça, voltando a beber o restante do líquido que tinha na sua taça. A mulher passou os olhos pelo salão novamente, observando diversos políticos e com esperança de encontrar algum garçom servindo bebida, mas não havia nenhum no momento. , por outro lado, tentava não manter os olhos nela por muito tempo e fuzilava Jay com o olhar. Ainda bem que ele ia embora, pensou, talvez assim não fosse constantemente lembrado que não podia tocar aquela mulher como bem queria.
Ao seu lado, bem ao seu lado, soltou um suspiro frustrado ao não encontrar o que queria. Jones, sem se despedir, acenou com a cabeça e sumiu pelo salão. No momento seguinte, a música clássica parou de ser tocada e deu lugar para uma romântica dos anos 80. Os quatro agentes observaram o meio do salão se tornar uma pista de dança para casais de todas as idades.
— Eu preciso de uma bebida — finalmente declarou.
— Eu preciso de comida — Jay rebateu. — Não aguento mais ficar só nos petiscos.
— Eu não sei se você percebeu — começou a dizer. — Mas tem uma mesa de jantar na entrada do salão.
Jay olhou indiretamente na direção em que ela apontava, percebendo pela primeira vez uma mesa enorme, com várias opções de pratos servidos. Dowell riu, vendo James rodear a mesa e parar ao lado de , beijando as bochechas dela totalmente de surpresa.
— Você é um anjo na minha vida — disse, afastando-se dela. — Vem comigo, Dowell?
percebeu a intenção do amigo, mas não disse nada. Não podia reclamar sobre a atitude dele na frente do chefe, então optou por ficar calado, ao contrário de , que fuzilou-o com o olhar. O mais velho assentiu, aceitando o convite de James e despediu-se brevemente, seguindo o outro pela multidão dançando.
— Eu… — a mulher começou a dizer, mas foi interrompida.
— Quer dançar comigo?
Ela piscou os olhos, surpresa com o convite. Encarou a mão estendida dele, mal notando que aquela foi uma atitude impulsiva do homem e ele estava nervoso com a sua resposta. Precisavam parar de agir como dois adolescentes idiotas que não conseguiam lidar com seus próprios desejos e hormônios irritantes à flor da pele.
— Claro — finalmente, ela aceitou.
respirou baixinho quando aceitou a sua mão estendida e levou-a para o meio da pista, exatamente quando outra música recomeçava. Sem saber exatamente o que dizer um ao outro, a agente colocou as mãos nos ombros deles, enquanto pousava uma mão em sua cintura e a outra segurava a mão dela, retirando-a de seu ombro.
Os passos eram lentos, sincronizados. Os dois sustentavam o olhar um sobre o outro. sentia a mão dele em sua cintura, o contato com sua pele - mesmo que por cima do pano fino —, e parecia certo. Os dois ali, dançando juntos, fingindo que não sentiam nenhuma necessidade carnal um pelo outro.
— Como está o ferimento? — ele quebrou o silêncio entre os dois.
tentou manter os olhos fixos nos dele.
— Cicatrizado — respondeu, a voz baixa o suficiente somente para que ele ouvisse. — E obrigada pelas flores, mais uma vez.
acenou, dispensando o agradecimento. Quando ela ainda estava no hospital, esperando pela alta, ele enviava um buquê de flores para melhorar seu humor, uma vez que não gostava de estar naquele ambiente. Mesmo que fosse um gesto carinhoso e atencioso entre amigos, só serviu de material para Julie querer juntar os dois.
Ele pressionou a mão contra a pele da cintura dela e a agente respirou fundo. Que droga. Por quanto tempo mais teria que fingir? Por que simplesmente não ouvia sua irmã e James e se entregava àquilo de uma vez, nem que fosse apenas por uma noite?
Sem querer, seus olhos desceram diretamente até os lábios dele e percebeu que a sua mudança de comportamento.
?
Ela finalmente criou coragem e afastou todas suas regras idiotas e questões morais que tinha consigo mesma. Podia fazer aquilo. Podia se entregar por uma noite.
— Você me deixa louca, — sussurrou.
exibiu uma expressão surpresa. Pensou que talvez estivesse alucinando com aquele momento ou que tinha ouvido errado. Isso o fez errar um passo da dança, quase tropeçando nos pés da sua parceira.
… — ele buscou o que dizer, mas as palavras se perderam em algum momento. Sua garganta estava totalmente seca.
— Eu sei que eu tenho uma regra, mas Julie diz que é uma regra besta — continuou, umedecendo os lábios. Não esperava uma rejeição, sabia que ele a desejava tanto quanto ela o desejava. — E eu estou começando a achar que ela está certa. Eu quero…
Ela se calou. Era impressão ou estava calor demais ali?
parou de dançar, consequentemente fazendo-a parar também, os dois sendo os únicos imóveis no meio de outros casais que ainda dançavam. Ela não sabia se estavam sendo alvo de atenção, mas pela primeira vez, não se importou. Seus olhos estavam fixos somente naquele homem, bem à sua frente.
— Você quer…? — ele ainda segurava a mão dela, embora tivesse soltado a sua cintura.
Pela primeira vez naquela noite, sorriu sugestiva.
— Eu quero você.

V

Apartamento de - 10:51pm


— Você quer beber alguma coisa?
passou os olhos pelo lugar. Era um apartamento modesto, uma sala ligada à cozinha, com um corredor pequeno dando direção para duas portas, que ela julgou ser o banheiro e o quarto, mas não sabia qual era qual. A decoração tinha cores neutras e, estranhamente, combinava com .
— Não, obrigada — recusou a sugestão dele.
Depois de terem dançado e dela ter finalmente declarado o quanto o queria, sugeriu irem para um lugar mais reservado. Ela estava esperando um quarto qualquer, o carro, o elevador… mas não o próprio apartamento do homem. Mesmo assim, não disse nada. Informou à Dowell que não se sentia muito bem e que iria acompanhá-la até em casa. O tempo todo, ela ignorou Jay, que claramente sabia que ambos estavam mentindo.
— Fica à vontade — desejou, então.
A mulher lambeu os próprios lábios, assentindo. estava longe demais dela, como se acreditasse que a qualquer momento ela fosse se arrepender de estar ali. Conteve a vontade de revirar os olhos e soltou a bolsa de mão em cima do sofá, tomando a atitude de se aproximar do homem.
— Não precisa ficar preocupado — tranquilizou-o, parando bem na frente dele. — Não vou fugir.
riu.
Estava se sentindo patético, quase como se não soubesse como agir naquela situação. Céus… ela estava ali mesmo, diante dele. Tinha declarado que o queria, há uma hora atrás, e foi como despertar de um sonho para transformá-lo em realidade. Os olhos dele cruzaram com os dela. Se fosse possível enxergar desejo naquelas írises brilhantes, ele estava enxergando.

Mas nunca chegou a completar sua própria frase. Impaciente, puxou-o pela gravata frouxa, aproximando os corpos um do outro. Sem esperar, buscou os lábios dele com os seus, iniciando um beijo desesperado.
As mãos do homem cruzaram a cintura dela, apertando seu corpo contra o dela. subiu uma mão para a nuca dele, enquanto o beijo se intensificava, um aproveitando o gosto do outro pela primeira vez. Para , tinha sido muito melhor do que todas as suas expectativas. Para , soou como um novo vício que ela não iria conseguir largar tão cedo.
Em um impulso, ergueu o corpo da agente, fazendo-a cruzar os pés ao redor da sua cintura. Ela continuou beijando-o, diminuindo a intensidade do beijo, enquanto carregava-a até o seu quarto.
Ele colocou-a no chão novamente, perto o suficiente da cama, chutando a porta atrás de si. Soltou uma risada leve ao notar que a boca dela estava borrada de batom.
— É uma visão e tanto — ele provocou.
revirou os olhos, mas antes que pensasse em limpar os lábios, passou o polegar pela região.
— Posso dizer o mesmo sobre você — ela rebateu, usando o próprio polegar para limpar a sujeira de batom dos lábios dele também.
a encarou. Seu coração batia descompassado contra o seu peito, seus dedos querendo aproveitar mais da pele daquela mulher, pois não sabia se existiria uma outra vez. Ele queria aproveitar tudo, cada beijo, cada toque, cada provocação, cada palavra. Queria guardar tudo em memórias separadas, para que pudesse reviver sozinho depois.
— Eu quero você desde o primeiro dia em que te vi — confessou, a intensidade das palavras consumindo-o.
engoliu a seco. Primeiro, afastou-se um pouco dele e tirou os saltos, jogando-os para o lado. Fez menção de deslizar as alças do vestido, mas se aproximou, impedindo-a. Ele beijou o ombro direito dela e afastou a alça, repetindo o mesmo gesto e movimento com o ombro esquerdo. Fez questão de deslizar o vestido dela com as próprias mãos, revelando uma lingerie de renda por debaixo do pano. mordeu o lábio inferior, ao sentir ele passar os olhos inteiramente por seu corpo. Não tinha vergonha de ser assistida daquela maneira, muito pelo contrário. Os olhos de sobre si arrepiava-a inteira e sua intimidade começava a latejar, incomodando-a. O homem, umedecendo os próprios lábios, tocou o seio esquerdo dela por cima da renda do sutiã e apertou-o com leveza, arrancando um suspiro gostoso dos lábios da mulher.
— Eu não sabia que você gostava de começar com tortura — ela reclamou, arrancando uma risada dele.
— Não posso aproveitar o momento? — ele rebateu, a voz rouca e baixa.
Ela revirou os olhos. aproveitou a importância dela e a jogou contra a cama, subindo logo em seguida, tomando cuidado para não cair por cima do corpo dela e jogar todo o seu peso.
— E eu não sabia que você era tão impaciente — provocou, soprando contra os lábios dela antes de tomá-los para si em um novo beijo urgente.
encaixou-se no meio das pernas dele, sentindo ele apertar a sua coxa esquerda. Ela brincou com a língua dele, arrancando a nuca do homem com força e vontade, arrancando um resmungo dele contra o beijo. Com a outra mão, ela aproveitou para explorar a pele dele por debaixo do pano da camisa, mas estava encontrando dificuldade de se livrar daquele bendito terno. Remexeu seu corpo embaixo dele e quebrou o beijo com impaciência, afastando-o um pouco, apenas o suficiente para que ele a ajudasse a se livrar das peças de roupa que o cobria. balançou a cabeça, rindo mais uma vez, mas levantou da cama e tirou a camisa e a calça, livrando-se dos sapatos com facilidade, vestido somente com uma boxer muito justa.
Ele voltou a se aproximar da mulher, mas ela o empurrou, fazendo-o cair bem ao seu lado da cama. a olhou, confuso. Mas sorriu e montou em cima do corpo dele, uma perna de cada lado, prendendo-o abaixo de si. Ela usou as duas mãos, começando a explorar cada pedaço de pele do peitoral dele, sentada perigosamente perto do seu membro.
— Você me torturava toda vez que chegava suado de uma corrida — ela começou a dizer, com o agente submisso. — Eu me imaginava passando as mãos pelo seu corpo. Como seria sentir… — a mulher parou as mãos nos braços dele, apertando-os. — Seus músculos. Mas sabe o que mais eu imaginei, ?
O homem puxou a respiração, temendo ter esquecido como era respirar. Ele soltou um gemido, sentindo ela descer o corpo mais um pouco, mais abaixo, enquanto sofria, completamente duro contra a boxer. Chegava a doer sentir o seu membro latejando tão intensamente, desesperado por qualquer toque íntimo. Ele lembrou de responder a pergunta dela, balançando a cabeça em negação, incapaz de falar.
sorriu, satisfeita.
Ela escorregou um pouco mais para trás, finalmente sentindo-o contra a sua intimidade. O gemido de ambos se misturaram e fechou os olhos por um momento, rebolando contra o pau dele, ainda coberto pelo pano da boxer.
segurou-a pelas coxas, apertando seus dedos contra a pele dela, completamente entregue. Não sabia descrever como era a sensação do que ela tinha acabado de fazer, assistindo-a de olhos fechados, enquanto suas mãos estavam pousadas em sua barriga e seu quadril continuava esfregando-se contra seu membro. achou que fosse enlouquecer.
… — murmurou.
Ela soltou a respiração e abriu os olhos, parando de se mover. Havia desejo intenso em suas íris e os dois estavam só começando.
— Eu ainda não disse o que mais eu imaginei — soltou, descendo suas mãos. — Por favor, fique quieto. Eu vou te mostrar.
resmungou algo incompreensível, mas obedeceu. Tirou as mãos das coxas dela e observou-a deslizar a sua boxer para baixo, deixando o seu pau finalmente livre, duro e ereto. Ela se livrou do pedaço de pano e ajeitou a sua posição.
E nunca encontrou a palavra para compreender e explicar a sensação que lhe consumiu inteiro quando colocou a cabeça do seu pau na boca. Seu corpo inteiro se contraiu e o homem não se importou nenhum pouco em deixar os gemidos escaparem de seus lábios. Ele assistiu, imóvel e em completo silêncio, a mão esquerda dela segurar o seu pau e começar o movimento de vai e vem lentamente. beijou a sua glande e depois o abocanhou, acompanhando o movimento com a boca. Chupava-o com uma vontade imensa, como se não pudesse ter mais daquilo e quisesse aproveitar cada segundo enquanto o fazia. Ela estava mostrando que tinha imaginado aquela cena mil vezes em sua mente, em seus sonhos, em tudo. Gostava de se mostrar profissional no ambiente de trabalho, mas se tratando daquele homem, ela era tudo, menos profissional.
acelerou o movimento com a mão, enlouquecendo um pouco mais o homem, que aumentou a intensidade dos seus gemidos - ele agradecia mentalmente que estava sozinho em casa e seus vizinhos não podiam ouvi-los. Sem conseguir se segurar mais, levou uma mão até os cabelos de , que estavam caindo soltos em mechas rebeldes pelo seu rosto. Ele segurou sua cabeça pelos cabelos, remexendo seu corpo, buscando mais pela boca dela. A mulher sorriu, tirando a mão do pau dele, apenas para deixá-lo se divertir um pouco, enfiando seu membro sozinho inteiro dentro da boca dela, até alcançar a sua garganta. Com a mão livre, resolveu brincar com as bolas dele, apertando com vontade e ouviu-o resmungar, aprovando. Era estranho, ela pensou, conhecê-lo tão bem daquela maneira. Não tinha prestado atenção na química que tinham criado juntos, enquanto decidiram teimosamente serem amigos. tossiu um pouco e se afastou dela, mas a agente pôs as mãos em suas pernas, impedindo-o de fazer qualquer movimento brusco. Estava incomodada com a sua calcinha, sentindo a necessidade de esfregar as pernas uma na outra, mas conteve seu desejo. Com a mão, ela voltou a massagear o pau do homem, aumentando a velocidade do movimento, de cima a baixo, apertando com a sua cabecinha com o indicador e polegar. Ela engoliu a seco, passando a língua pelos lábios.
, se continuar assim, não vou… — ele tentou dizer, a respiração pesada.
Ela notou que ele estava suando e não se sentia diferente. não precisou completar a frase, ela entendia muito bem o que ele estava tentando avisar, e por isso, parou de masturbá-lo. O homem soltou um suspiro sôfrego. Ela caiu ao lado dele na cama e a encarou.
Aproximou-se o suficiente dela para beijar seus lábios. Um beijo delicado e calmo, pela primeira vez, desde que tinham chegado ali. Com um movimento rápido, ele ficou por cima dela, descendo seus lábios pelo pescoço exposto da mulher e foi descendo devagar, deixando uma trilha de beijos entre sua nuca, seu ombro, acima dos seios ainda cobertos. bufou, mas conseguiu se livrar do sutiã, jogando-o para se juntar às outras peças de roupa no chão. Ele mordeu o bico do seio esquerdo dela, ouvindo-a arfar baixinho, enquanto usava a mão para apertar o outro. esfregou as coxas uma na outra, seu corpo inteiro se arrepiando quando sugou seu seio com vontade e ele repetiu a mesma coisa com o outro. Ela mordeu o lábio, sentindo ele descer a trilha de beijos até o seu útero. Demorou-se de propósito em se livrar da calcinha dela, passeando as mãos pelas laterais do seu corpo, explorando cada pedaço de carne.
… — foi a vez dela implorar.
Ele levantou os olhos na direção dela, mas não disse nada. A voz dela estava rouca de excitação e ele não estava muito diferente, completamente louco para se colocar dentro dela, mas era paciente. Primeiro, queria senti-la com a língua. Por isso, livrou-se da calcinha dela, puxando o tecido pelas suas pernas e deixou que ela mesma jogasse a peça fora. Ambos sorriram, mas a expressão de logo se transformou em um prazer indescritível quando ele, de surpresa, depositou um beijo molhado em seu clitóris. Sem perceber que estava torturando a mulher, ele beijou a pele da sua coxa, fazendo desenhos abstratos pela sua carne e quando ela resmungou, brava, ele beliscou sua cintura, levando um tapa no braço em resposta, o que o fez rir. observou ela revirar os olhos e finalmente chupou o clitóris da mulher, arrancando um gemido alto e satisfeito da boca dela. Em seguida, ele lambeu os seus lábios grandes, escorregando dois dedos para dentro dela, sentindo-a molhada e quente. segurou os lençóis com as mãos, contraindo o seu corpo. penetrou-a com os dedos, devagar, um vai e vem lento. Ele assistiu a expressão de prazer no rosto dela, os olhos fechados e sorriu com a visão. Não tinha dúvidas de que sonharia com aquela imagem. Ele curvou-se novamente, mantendo o movimento, fodendo a mulher com os dedos e aproveitou para adicionar a sua língua à brincadeira. arqueou as costas quando sentiu ele chupar seu clitóris novamente e apertou os próprios seios, estimulando-os. Fazia tanto tempo que não sentia aquele tipo de prazer que não havia como se arrepender daquela decisão depois. O homem com certeza sabia o que estava fazendo. Um tempo depois, ele retirou os dedos de dentro dela, sob protestos.
— Preciso sentir você — ele confessou, a voz meio desesperada.
Os olhos dela cintilavam de excitação. Vê-lo ali, na frente dela, apoiado de joelhos contra a cama, ainda duro, a expressão de súplica… guardaria aquela imagem para si.
— Por favor — ela respondeu, em um sussurro rouco.
respirou aliviado, como se, por um instante, ela se desse conta do que estavam fazendo e negasse o seu pedido. O homem levantou rapidamente, ansioso, e pegou o pacote de camisinha, rasgando-a com os dentes e colocou em seu membro, voltando para cama. abriu as pernas involuntariamente, sentindo o suor escorrer entre sua testa e o meio dos seios. a olhou uma última vez antes de se encaixar no meio dela e segurar seu pau contra a intimidade exposta da mulher, penetrando-a devagar, deixando ela se acostumar com o seu tamanho. deixou o som dos seus gemidos se misturarem com o dele, quase transformando em uma canção de prazer. Enquanto estocava dentro dela, ele se curvou sobre o corpo da mulher, buscando os seus lábios, beijando-a como se fosse a primeira vez. Havia um gosto diferente no beijo, íntimo e gostoso. Ela ergueu as duas mãos ao redor do pescoço dele, levantando uma perna na direção da cintura dele, uma posição bastante confortável para ser fodida por ele daquela maneira.
respirou contra a boca dele, afastando os seus lábios e pediu por mais. Mais rápido, mais forte. Ele atendeu ao seu pedido, encostando a testa na dela, mantendo os olhos um sobre o outro, conectados. aumentou a intensidade da estocada, prendendo o próprio gemido, indo mais rápido. Mais forte. Seu corpo inteiro entrou em combustão, sentindo-se maravilhado por estar dentro dela. contraiu a sua boceta contra o pau dele e arfou, parando os movimentos por alguns segundos, antes de retomá-los. acariciou o rosto dele, sentindo dificuldade de regularizar a respiração.
Então, em outro movimento rápido, ele a levantou, sem sair de dentro dela. Ficou apoiado na cama com os joelhos para trás, meio sentado, com ela em seu colo, mantendo as mãos no quadril dela. Ele parou de se movimentar, mas a agente tomou conta da situação, cavalgando ora devagar, ora rápido, contra o pau dele. Suor escorria pelo corpo de ambos e era visível enxergar a excitação nos olhos de cada.
— Você é incrível — ela disse, com alguma dificuldade.
abriu a boca para dizer algo, mas não conseguiu. Ao invés disso, abriu um sorriso, aceitando o carinho que ela estava dedicando a sua bochecha. Ele apertou as mãos contra os quadris dela, ajudando-a a rebolar contra si.
— Não mais do que você — sussurrou contra os lábios da mulher.
sentia seu corpo avisando que ele estava prestes a gozar. Não queria que fosse primeiro que ela, então continuava segurando o máximo que conseguia, adiando. respirou fundo, mordendo o lábio inferior. Seu corpo estava começando a sofrer espasmos e isso só piorou quando resolveu esfregar o clitóris dela com o seu polegar. Ela aumentou o movimento, rebolando com maestria e vontade no membro dele.
— Eu vou… — tentou dizer.
assentiu. Subiu uma das mãos até a nuca dela, segurando seu rosto pela raiz de seu cabelo. Ele depositou um beijo no queixo dela e estocou com mais força. segurou os ombros dele, suas unhas arranhando a carne do homem, mas ele não se importou. Estavam chegando ao ápice juntos e era só nisso que estava concentrado no momento.
Quando gemeu alto, ele deixou escapar um grunhido de prazer ao finalmente gozarem juntos. A mulher puxou a respiração e saiu de cima dele, se jogando contra a cama. sorriu e levantou, andando até o banheiro somente para se livrar da camisinha. Quando depositou no lixo, voltou para o quarto, deitando-se ao lado dela, a respiração tão abalada quanto, sentindo-se cansado.
Ficaram em silêncio por um tempo. cobriu seu corpo com o lençol e ainda respirava forte. Ele depositou um beijo na bochecha dela e em sua nuca, cobrindo-se também. Tinham acabado de terem uma experiência juntos, mas, às vezes, não conseguia decifrar a expressão no rosto dela e nem os seus pensamentos. Resolvendo que precisava arriscar, ele questionou:
— E agora?
lambeu os lábios, sendo despertada de pensamentos quando ouviu a pergunta dele. Estava pensando a mesma coisa. Tinha sido maravilhoso estar com ele ali e sentia que havia muito mais para experimentarem, mas… e se não funcionasse? Querendo ou não, trabalhavam juntos e não era novidade para ninguém que ela priorizava o trabalho mais do que tudo. Não saberia lidar se seguisse adiante com aquilo e quisesse um relacionamento que ela não podia oferecer. Respirou fundo e virou o rosto e o corpo para ele, deitada de lado.
— O que você quer? — ela experimentou perguntar.
soltou uma risada de surpresa. Não esperava por aquela pergunta. Pelo menos, não vindo dela.
— Quero mais disso — admitiu, sincero, apontando para os dois.
mordeu o lábio.
— Eu não sei se é uma boa ideia, — confessou. — Não gosto de me envolver com gente do trabalho. E nós somos parceiros, o que…
Ela calou a boca quando ele colocou o dedo indicador nos lábios dela, pedindo silêncio.
, eu sei separar o pessoal do profissional — ele disse, tranquilizando-a. — Não estou pedindo para você se casar comigo. Só para termos isso, de vez em quando. Diversão.
Ela encarou os olhos dele e relaxou. Fazia muito tempo que não sentia relaxada e tranquila também. Talvez sua irmã estivesse certa e não custava mesmo dar uma chance para aquilo. Ainda não era o que Julie queria, mas não importava, porque era o que queria e se permitia ter.
— E se você se apaixonar? — ela sussurrou a sua maior dúvida, como se tivesse medo da resposta.
crispou os lábios e engoliu a seco. Era uma possibilidade, mas tinha segurança o suficiente para saber que aquilo não podia acontecer.
— Eu não vou — garantiu.
Ela respirou aliviada. Depois de declarar que ninguém podia saber do envolvimento sexual dos dois, aninhou-se contra o peito do homem, totalmente alheia à expressão desgostosa dele.
Não porque estivesse insatisfeito com a condição dela, isso ele tinha aceitado.
Mas porque percebeu que tinha acabado de contar a maior mentira da sua vida.



fim… ou não. a parte II já está disponível.



Nota da autora: essa fanfic se passa antes de 12. What Makes a Woman, também disponível no site. Você pode ler acessando o link abaixo. Obrigada por sua leitura e até a continuação. Beijos!



Outras Fanfics:
Operação Bebê - Originais/Em Andamento
In Dark - Criminal Minds/Finalizada
05. Break Free - Ficstape Perdidos/Finalizado #2
07. Since We're Alone - Ficstape Perdidos/Finalizado #3
EXITUS - Criminal Minds/Em andamento
12. What Makes a Woman - Criminal Minds/Finalizada
05. Show me love - Ficstape The Wanted/Finalizada


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