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Finalizada em: 08/07/2021

Por favor, não desmorone;
Não posso enfrentar o seu coração partido;
Estou tentando ser corajosa;
Pare de me pedir para ficar;
Não posso te amar no escuro.

Love in the Dark - Adele



Prólogo

Os celulares tocavam sem parar.
Morgan estava irritado e isso era muito bem expressado no seu rosto, quando passou pela porta da sala de reunião, onde estava todo o resto da equipe. Reid tentou cumprimentá-lo, mas desistiu quando percebeu que talvez ele não respondesse — e se o fizesse, seria uma resposta muito mal-humorada.
Não era nem três da manhã e eles estavam ali, reunidos, como se o mundo não pudesse dar uma noite de descanso aos agentes. Geralmente, essa era a vida no FBI. Se você fosse chamado até no seu dia de folga, você comparecia.
— JJ. — Foi Aaron Hotchner quem se pronunciou, dando a cartada para que Jennifer Jareau iniciasse e explicasse o motivo de todos eles estarem reunidos ali.
A loira apertou um botão no controle que tinha nas mãos, fazendo com que a tela atrás de si se iluminasse e uma série de fotos aparecesse. Garcia contorceu o rosto em uma careta, incomodada com as fotos e desviou os olhos para os papéis na sua frente, decidida a não olhar muito o estrago das mulheres mortas das fotos. Prentiss segurou um suspiro.
— Há três horas, a polícia de Missouri nos enviou essas fotos... — JJ iniciou. — Três mulheres foram mortas, encontradas em locais diferentes, mas com os mesmos ferimentos.
Os rostos das três mulheres em destaque nas fotos da tela eram irreconhecíveis, devido as diversas cicatrizes causadas por queimaduras. Todas elas usavam perucas idênticas e tinha a pele do braço marcada por uma letra, cada uma diferente.
— Apesar das queimaduras, as causas das mortes foram facadas. — JJ continuou. — Garcia pesquisou e descobriu que houve outro caso em que o assassino usava o mesmo MO. Com exceção da causa da morte. O nome dele é Louis McLanner e ele fugiu da prisão há dois dias.
— É um tempo muito curto para fazer três vítimas... — Rossi observou. — Qual foi a causa da morte das outras mulheres?
— Asfixia. — Garcia respondeu.
— Ele ficou muito tempo sem matar, agora que fugiu, sente a necessidade de recuperar o tempo perdido com as mulheres. — Hotch completou.
— Não faz sentido que ele tenha feito isso com as mulheres e jogado cada uma delas em um lugar diferente. Elas seriam encontradas do mesmo modo. — Reid pareceu intrigado com aquela questão. Seu semblante era sério e ele estava determinadamente concentrado. — Ele também mudou a causa da morte. Asfixia para facadas é pessoal. O que significa a letra marcada nelas?
— Não havia possibilidade de alguém reconhecer as vítimas pelo rosto... — JJ suspirou. — A letra significa a inicial do nome de cada uma delas.
— Bom, isso não me parece uma gentileza do assassino. — Prentiss ironizou.
Eles questionaram mais algumas coisas, completando o raciocínio um do outro e Morgan estava até mais desperto. O trabalho era cruel e pesado, ver toda aquela violência contra as mulheres ou qualquer outro tipo de vítima nos seus casos, era algo que às vezes o impedia de ter uma boa noite de sono. Mas ele também se sentia satisfeito em saber que, embora o trabalho exigisse muito do emocional de alguém, ele fosse capaz de deter alguns criminosos do mundo.
— Se esse cara já estava no radar do FBI, significa que quem o pegou pode nos ajudar nesse caso. — Morgan opinou. — Garcia, quem era o agente responsável?
Garcia hesitou, ajeitando os óculos em seu rosto e segurou todos os papéis em suas mãos, procurando um em especifico. Não era do feitio dela ser atrapalhada dessa maneira, mas a informação que ela tinha podia perturbar Derek e ela preferia que ele lesse o nome no papel com os próprios olhos. Mas segurou um xingamento quando não encontrou o maldito papel e olhou para todos ali, que a encaravam em espera da resposta, então ela virou o rosto para Morgan.
— Quanto a isso, docinho, eu…
— Fui eu. — Uma mulher de cabelos ondulados, vestida de terno preto básico e salto alto entrou na sala. Sua feição era de irritação e ela apertou o celular na mão, quando seus olhos encontrou as fotos na tela logo atrás de JJ. — Eu tive um trabalho para prender esse desgraçado, para ele fugir com tanta facilidade e matar três mulheres. Eu devia tê-lo matado.
Morgan esqueceu de respirar por um momento ao encarar a mulher. Ele reconhecia a irritação no seu rosto, reconhecia seu gesto de estar apertando o celular como se fosse quebrá-lo, reconhecia suas palavras de raiva.
— Desculpe... — foi Aaron quem se pronunciou. — Quem é você?
— Ah. — A mulher deu um sorriso sem graça e se aproximou de Hotch, quando o mesmo se levantou, e estendeu a mão para o agente. Aaron aceitou a mão estendida dela. — Sou . Fui a agente responsável por esse caso. Também sou a ex-namorada de Derek Morgan.



Parte Um
Longo dia, longa noite...

Houve um silêncio seguida da apresentação de . Ela estava tensa e seus lábios tremeram um pouco, quando ela finalmente se virou para encarar Derek Morgan e notar que ele estava surpreso por vê-la ali — e ela não soube dizer se tinha sido uma surpresa boa.
Fazia alguns meses que não o via ou mantinha contato. O relacionamento de ambos não teve um término traumático ou ruim, mas tinha sido doído o bastante para que eles se evitassem sempre que pudesse. não sabia quanto a posição de Derek, mas ela o evitava simplesmente porque nunca deixou seu sentimento por ele. Parecia algo difícil de deixar para trás, considerando tudo o que eles viveram juntos.
— Eu tentei te dizer... — Penelope tinha dito a Morgan, quebrando o silêncio instalado e em segundos depois, o homem saiu pela porta que entrou.
E lá estava . Respirando fundo e batucando com os dedos na mesa, enquanto esperava pacientemente todos eles discutirem a presença dela ali, do outro lado da sala. Ela não podia culpá-los, afinal. Não era a sua equipe ali, não era a sua zona, nem seus amigos. Era de Morgan. Era os amigos de Morgan, a equipe, a casa. Ela, no mínimo, era uma intrusa.
— Sinto muito fazer você esperar.
levantou o rosto na direção da voz e exibiu um sorriso pequeno ao notar Reid entrar. Naquele momento, ele estava segurando uma caneca de café e os fios de seus cabelos estavam bagunçados. Ele se aproximou, sentando na cadeira vazia mais próxima.
— Nada que eu não esteja acostumada. — respondeu, tranquilizando o rapaz.
A agente não o conhecia, mas lembrava perfeitamente de Morgan falando de todos os seus amigos e colegas de trabalho. Embora fosse mais próxima de Penelope, quase sentia que fosse íntima deles só pelo que Morgan confessava. Mas ela não era íntima deles. Ela só era a mulher que tinha quebrado o coração do galã da UAC.
— Eu só vim buscar um café... — Reid comentou, mostrando a caneca. — Mas não preciso voltar para lá. Você é especialista em crimes sexuais?
cruzou as pernas, assentindo para a pergunta do rapaz. Ela desviou os olhos por um momento, só para encarar os papéis espalhados pela mesa. Cada folha daquela era uma informação sobre o serial killer. A mulher podia sentir o peito arder em raiva ao ser lembrada que o homem tinha escapado da prisão. Ela tinha se dedicado inteiramente em pegá-lo e agora… agora todos os seus esforços foram reduzidos a pó.
— Eu li todos os arquivos do seu caso. — Spencer Reid continuou, vendo que ela estava calada, analisando os papéis de longe. Ele quase pôde imaginar o que ela estava pensando. — A primeira vítima teve sinais de abuso sexual, mas as outras não.
levantou os olhos para examinar Reid. Ele parecia verdadeiramente interessado em querer discutir sobre o caso. E parecia quase inocente à pouca luz da sala, enquanto bebia o seu café calmamente.
— Não vai me perguntar sobre o Morgan? — A mulher questionou. — Como eu quebrei seu coração ou algo do tipo?
— Você quebrou o coração do Morgan? — Reid pareceu surpreso.
riu.
— Nem todas as garotas são despedaçadas pelo Derek Morgan, gênio! — Ela respondeu, pela primeira vez na noite, com um humor na voz. — Eu também sei quebrar corações.
— Bem... — Reid deu de ombros, um pouco sem graça. — Eu não sou especialista em corações quebrados ou relacionamentos, você sabe…
— Não, não sei. — o cortou, mas não foi grosseiramente.
Ele sorriu para ela, como se pedisse desculpas, mas a mulher balançou a cabeça e suspirou, alcançando uma folha.
— Sexo, na maioria das vezes, é poder. Dominação.
— O que você concluiu?
— Ele não sentia prazer pelo ato sexual em si, mas pelo poder de controlá-la. — Ela explicou, fazendo desenhos abstratos na folha com os dedos. — Só que no caso dele, ele precisava que as mulheres consentissem. Quando elas não o fizeram, ele teve que arranjar uma forma de controlá-las que o satisfizesse.
— Decidindo como e quando elas morreriam. — Reid concluiu e assentiu.
Relembrar alguns casos era sempre difícil. Mas odiava esse em específico. Ela não suportava tamanha maldade de um ser humano com qualquer outra pessoa inocente. Mas aquelas mulheres… elas não tiveram chance alguma! Foram arrancadas de suas zonas de conforto e viveram o inferno antes de serem mortas violentamente. Quando conseguiu capturar o suspeito, ela não se lembrava de ter ficado mais aliviada do que em qualquer outro caso.
Agora se sentia incapaz e culpada pelas três novas mulheres mortas.
Se ela não o podia matar com as próprias mãos e vingar aquelas mulheres, ela torcia que ao menos pudesse fazer parte daquela investigação com a equipe de Aaron Hotch e capturasse o desgraçado de uma vez, e dessa vez, ela ia garantir que ele nunca mais tivesse a oportunidade de olhar a luz do sol.
— Agente .
Aaron entrou pela porta, sua expressão séria, sendo seguido por Rossi logo atrás de si. Os outros não compareceram e percebeu que estava ansiosa para ver Morgan outra vez. Mas ele não apareceu.
Reid e se levantaram e a mulher ajeitou a saia, caminhando até uma distância segura do agente Hotch. Ela não se sentia intimidada por ele, mas o respeitava e o admirava.
— Vamos precisar da sua ajuda nesse caso... — ele se pronunciou. — Mas você entende que só estamos solicitando a sua presença no caso por consultoria?
A mulher quase deu um sorriso de desdém, porém, se controlou.
— Se está me perguntando se eu sei que não faço parte da equipe, pode ficar tranquilo, senhor. — Ela respondeu. — Não tenho a menor intenção de trabalhar com a UAC.
Rossi sorriu e Aaron assentiu. Reid continuou observando calado, com uma mão segurando a caneca e a outra no bolso de sua calça. Não que desprezasse o trabalho deles ou algo do tipo. Na verdade, se ela não amasse tanto a sua unidade em Los Angeles, podia considerar seriamente em trabalhar com eles na UAC. Mas todo mundo tinha um espaço e um lugar; e o de não era ali.
— Vamos partir em uma hora. Esteja pronta.


ㅤ📍 Destino desconhecido às 04:00:

resmungou ao sentir algo lhe cutucar nos braços. Era um toque leve e calmo, e ela precisou ser tocada outra vez para abrir os olhos preguiçosamente. Seu corpo reclamava por um bom descanso. A mulher mal estava dormindo, então qualquer oportunidade que ela conseguisse de tirar um cochilo que fosse, estava aproveitando. Mas parecia que alguém não estava disposto a deixar ela fazer isso.
A agente remexeu seu corpo sobre a poltrona desconfortável e viu Morgan parado à sua frente e seu coração quase deu um pulo.
Céus, ele continuava tão lindo.
— Por que você foi embora? — Foi a primeira coisa que saiu da boca do homem e revirou os olhos.
— Meu Deus, Morgan! — Ela resmungou, irritada. — Não deve ser nem cinco da manhã e você quer discutir relação?
— Não esperava mesmo que eu te recebesse com a maior alegria do mundo, . — Ele murmurou e cruzou os braços contra o peito. — Foi por isso que a Garcia hesitou em me dizer.
— Eu pedi que ela não contasse... — lembrou. — Queria fazer uma surpresa.
— Bem, estou surpreso.
Ela não soube dizer se ele estava falando sério ou se estava sendo irônico. De qualquer forma, não importou.
respirou fundo e ajeitou o corpo sobre a poltrona do avião, erguendo só um pouco a cabeça para ter certeza que ninguém mais estava os ouvindo. Quando observou todo mundo dormindo e que só eles estavam acordados — com exceção dos pilotos —, mordeu o lábio. Ela pareceu notar que, naquele momento, estava mais próxima de Morgan do que jamais esteve em meses.
— Nós já tivemos essa conversa, Derek. — Foi a vez dela murmurar.
Ele não tinha notado — ou não queria —, que ela estava realmente muito cansada. Os olhos da mulher tinham vestígios de olheiras e ela parecia pálida, mesmo na pouca luz do avião. Derek cogitou deixá-la em paz, levantar daquela poltrona e ir para outra e esquecer que ela estava ali, a pouca distância dele, mas ele não conseguiu levantar. Ele não queria admitir que não queria deixá-la em paz.
— Eu só queria entender, . — Foi involuntário que ele usasse o apelido dela na conversa, mas era tarde demais para que ele voltasse atrás agora.
Ela lambeu os lábios, encarando a íris escura do homem que tanto amava e teve que reprimir a vontade de tocar seu rosto.
— Eu precisava ir embora. — Ela sussurrou, como se alguém pudesse escutá-la. — Não dava mais para mim.
Por quê? — Havia um pouco de dor na voz dele e ela sentiu o próprio coração apertar.
Tirou o cobertor do corpo e prendeu a respiração ao ver o que estava prestes a fazer. Ele não hesitou e nem se mexeu quando ela sentou ao lado dele, na minúscula poltrona, quebrando o espaço que havia entre eles.
tocou o rosto do ex-namorado. Foi um toque leve, carinhoso, algo que Derek sentiu falta. Nenhum sorria. A respiração de ambos estava misturada e podia jurar que, a qualquer momento, seu coração pularia para fora e ela odiou a sensação de borboletas voando em seu estômago, fazendo-a se sentir como uma adolescente apaixonada.
Não dava para dizer quem teve a atitude primeiro, mas estava nos braços de Morgan e sua boca estava grudada na dele. O beijo era movido pela saudade e a mulher se sentiu satisfeita em notar que jamais tinha esquecido o gosto dele. Ele ainda a beijava como sempre tinha beijado. E Derek sentia o desejo lhe apertar o coração.
Ele grudou as mãos no rosto dela, descendo uma diretamente para a sua nuca, onde a pousou ali, agarrando os fios do cabelo da mulher levemente na parte de trás do pescoço. Nenhum deles parecia querer respirar.
tomou a atitude de sentar no colo do homem, o que não foi de grande ajuda. Derek precisou de muito esforço para não fazer barulho, quando ela arranhou a sua pele por debaixo da sua camisa e a mão dela era gelada contra a pele quente dele. O beijo se intensificou por alguns segundos, apenas para depois eles se separarem ofegantes, tentando recuperar a respiração.
não abriu os olhos, mas Morgan a encarava com admiração e saudade.
… — ele sussurrou, como se estivesse com as palavras engasgada na garganta.
Por quê?
Ela alisou a pele dele novamente, mas não foi um ato de provocação. Ela só queria tocá-lo, sentir sua pele quente contra seus dedos gelados e lembrar da sensação de como era tê-lo debaixo de si, sorrindo, suando, e gemendo seu nome como se fosse a coisa mais prazerosa do mundo.
abriu os olhos e balançou a cabeça, saindo do colo dele direto para onde estava. Ela ainda tentava respirar e não conseguiu encarar os olhos do agente.
— Derek, eu… — ela tentou procurar as palavras certas para dizer, mas tudo parecia lhe fugir da mente. — Sinto muito. Eu só precisava ir embora. Eu só…
Mas ela não teve a chance de completar. Morgan levantou da poltrona em seguida e sumiu pelo avião.
sentiu seu peito arder e doer e deitou a cabeça de volta, soltando um suspiro longo, ignorando qualquer lágrima que veio a seguir.
Quantas vezes mais ela partiria o coração de Derek Morgan?


ㅤ📍 Missouri/EUA às 14:34:

A cafeína não parecia suficiente para manter desperta.
Depois que Morgan a acordou no avião, ela não conseguiu pregar os olhos mais. O que resultou em deixar sua mente vulnerável e ela pensava no toque dele, nos lábios dele contra os seus, no insaciável desejo que insistia em crescer dentro dela. Ela pensava em como tinha ido embora, deixando-o no escuro e como desejou que ele estivesse estado lá quando aconteceu aquilo tudo. Pensava em como ele merecia saber porque ela não tinha voltado mais e como ela sofreu sozinha, em consequência de sua escolha.
Despejar tudo em Derek agora parecia injusto.
— Oi, doçura. — Garcia sentou na cadeira vazia, de frente para a agente e sorriu. Um sorriso carinhoso e saudoso, porque ela sempre gostou de Penelope e de como ela era a única que sabia quase tudo sobre Morgan e como ela tinha os apoiado.
quase sentiu uma pontada de culpa quando lembrou que ignorara todas as ligações de Garcia, quando ela decidiu deixar o ex-namorado e voltar para Los Angeles.
— Ei, Pen! — murmurou, como se estivesse com a voz sonolenta. Ela bebeu mais uma vez um gole do café, mas fez uma careta quando notou que ele estava frio e jogou o copo no lixo. — Obrigada por não contar ao Morgan.
— Eu deveria, você sabe... — Garcia suspirou, mordendo a ponta da caneta. — Ele não gostou dessa surpresa.
riu.
— Ele se acostuma... — deu de ombros, mas duvidava que ela fosse se acostumar. Nunca desejou tanto resolver um caso rápido e ir embora. — Onde estão os outros?
Quase como se estivesse esperando a oportunidade, Prentiss surgiu logo depois, entrando na sala. Aquela era uma sala de reunião exclusiva que o delegado local de Missouri disponibilizou especialmente para que os agentes do FBI se acomodassem sem que os policiais em si atrapalhassem. A delegacia, no entanto, parecia uma casa minúscula, onde era impossível que coubesse tantas pessoas — mas cabia.
! — Prentiss chamou. — Precisamos de você.
A agente assentiu e se levantou, sendo acompanhada por Garcia, e as duas amigas seguiram Prentiss, atravessando a sala comum da delegacia até o outro lado, onde continha a sala do delegado.
sabia que eles tinham se divididos quando chegaram: Reid e Morgan ficaram com a tarefa de irem ao local de desova, Rossi e Prentiss ao legista, JJ ficou responsável por falar com as famílias, enquanto Hotch se responsabilizou em analisar as novas evidências do caso, procurando por algo que talvez todos eles deixaram passar. Garcia tinha a tarefa de pesquisar sobre a vida das vítimas que foram encontradas, tentando descobrir algo em comum entre elas, que ajudasse a entender como elas tinham sido pegas.
Não era comum que Garcia viajasse com a equipe, mas às vezes havia exceções e aquele caso parecia uma delas.
, por outro lado, optou por ficar na sala de reunião, seguindo a ordem de Hotch de verificar os arquivos antigos. Ela não o questionou. Desconfiava que talvez ele estivesse sendo um pouco rígido demais com ela, apesar que ela não o podia culpar. Se ele quisesse defender Morgan, que o fizesse. Mas ela jamais iria admitir que isso atrapalhasse seu desenvolvimento profissional no caso. Ela não estava ali para ser plateia.
Agora que ela estava ali na sala, vendo todos eles presentes — com exceção de JJ, que ainda continuava com as famílias das vítimas —, ela respirou fundo, tentando afastar a tensão que havia acabado de se instalar em seu corpo e, de repente, já não sentia mais sono.
— Você sabia como ele escolhia as vítimas antigas? — Foi Rossi quem se pronunciou.
Ela reparou que os arquivos estavam espalhados sobre a mesa e havia coisas novas que ela ainda não teve a oportunidade de olhar.
— Sabemos que ele tinha um padrão: universitárias, aproximadamente vinte e dois anos, a cor do cabelo ou raça não importava. Ele as caracterizava com uma peruca loira. — Ela respondeu, olhando para Rossi especificamente, sem querer desviar o olhar para o outro homem. Ele não parecia disposto a encarar ela tão cedo ainda. — Descobrimos que a peruca representava a ex-namorada que o deixou. Ela era universitária e morreu em uma tentativa de assalto, mas antes disso, ela o deixou por um cara mais velho.
— Ele as torturava, descontando toda a sua raiva. Mas seus sentimentos são exagerados, uma vez que ele descarta o abuso sexual e queima seus rostos e asfixia todas elas... — Reid completou. — Ele é desorganizado e o ato de cortar a pele da vítima, deixando a marca da letra inicial do nome dela, pode indicar que ele sentia remorso.
soltou uma risada seca. Os olhos se viraram para ela e, pela primeira vez naquele dia, ela estava com raiva.
— Eu não acho que esse cara sente alguma coisa. — Ironizou.
Reid ficou em silêncio.
— Certo! — Hotch se aproximou da mesa, pegando uma pasta em questão e estendeu para , que a pegou. — Houve mudanças nas novas vítimas. Quero que você veja.
A agente abriu a pasta. Seu estômago vazio não ajudou, quando ela bateu os olhos naquelas fotos. Os rostos queimados das mulheres lhe angustiavam de um modo que ela não sabia explicar e ela fez o possível para que não parecesse abalada. Ela também notou que, ao invés das novas vítimas — todas as três encontradas — terem as perucas loiras, estavam com uma preta, cujos fios eram ondulados e caíam no ombro. E o choque permaneceu no seu rosto.
— Qual a causa da morte dessas? — perguntou, sentindo a voz quase falhar, e não desviou os olhos das fotos.
— Facadas. — Prentiss respondeu.
Todos eles pareciam irritantemente quietos, como se esperasse que ela falasse algo, que revelasse algo que nenhum deles sabiam — mas sabia que, seja lá o que eles descobriram, era o que ela estava descobrindo agora.
E céus, não podia ser. Era um pesadelo.
A resposta de Prentiss ainda estava ecoando na mente da mulher. Morgan era o único que a observava não como agente, mas como alguém que a amava e estava preocupado.
O silêncio de não era algo comum e ela estar tremendo os lábios também não era algo comum. Ela geralmente era bastante profissional em qualquer caso, olhando qualquer foto, porque aquele trabalho exigia que você olhasse coisas cruéis daquele tipo. Mas aquele não era qualquer caso. Não para ela, Morgan percebeu.
... — ele chamou e não continha carga emocional na sua voz, embora seu coração estivesse acelerado como se ele houvesse acabado de correr uma maratona. A mulher não levantou os olhos. — , as perucas delas são idênticas aos seus cabelos.
Garcia pareceu alarmada e todos — até o próprio delegado — permaneceram em silêncio, quando finalmente levantou os olhos e seu primeiro contato foi Morgan.
O homem tinha a expressão sofrida, como se pedisse que ela falasse alguma coisa. A mulher jogou a pasta de volta sobre a mesa e respirou fundo, forçando seus lábios a pararem de tremer e manteve sua expressão serena e firme.
Mas sua mente estava o caos.
— Eu não sei o que vocês…
— Ele está se vingando... — Reid quem a cortou, completando. — Ele fugiu da prisão e está com um desejo insaciável de vingança contra aquela que atrapalhou a sua “obra” em continuar matando aquelas mulheres.
— Ele está matando essas mulheres para se vingar de você! — Rossi disse.
Prentiss se aproximou da mulher, passando uma mão levemente no seu ombro, como se pedisse permissão para tocá-la. Mas não disse nada.
Não, ela queria dizer.
— Ele está matando essas mulheres por minha causa? — Ela questionou.
Morgan quase atravessou a sala para que pudesse abraçá-la, mas permaneceu onde estava.
— Sim. — Hotch respondeu. — Ele mudou um pouco o MO. Agora ele busca mulheres que tenham autoridade na profissão; como você.
— E então, ele as caracteriza para que elas pareçam você. — Prentiss completou com a voz baixa, já que estava do lado dela.
sabia que podia esperar tudo de Louis McLanner. Ela mesmo teve o inevitável desprazer de conhecer aquele ser desprezível — ele quase acabou com sua vida, quando a esfaqueou no dia em que ela o pegou. Mas aquilo… aquilo era desumano. Sua vingança não tinha sentido.
— Também há outro fator... — Reid disse e Morgan lançou um olhar traidor para o garoto. Reid não entendeu se tinha feito algo de errado, mas, mesmo assim, continuou.
— O quê? — A agente questionou, quase perdendo a paciência.
— Todas elas estavam grávidas.
O quê? sentiu seu corpo amolecer.
Ela sentiu Prentiss a agarrando pelas costas e sentiu algo duro contra suas pernas, e se deu conta que estava sentada em uma cadeira.
Grávidas.
O filho da puta não tinha poupado nem aquele detalhe. Se aqueles analistas de perfis estavam ligando tudo o que Louis estava fazendo a ela, não demoraria muito para que Morgan percebesse que ela lhe escondia muito mais.
Ela tentou respirar fundo e ouviu um burburinho se iniciar na sala, e agradeceu fracamente quando Garcia apareceu estendendo-lhe um copo de água na mão, do qual ela aceitou.
Estava sendo tudo demais para ela. Ela esperava que o caso fosse ser difícil, que fosse ser longo e complicado, que talvez não conseguissem capturar Louis — porque da primeira vez ele quase escapou —, mas não esperava se deparar com vingança. O que aquele desgraçado esperava? Que ela o encontrasse e oferecesse um acordo de paz por cada mulher que ele tinha matado?
A porta foi aberta e JJ entrou por ela com uma expressão nada boa. Ela tinha um bilhete em mãos e o levou até Hotch.
— O que aconteceu? — Foi Garcia quem perguntou, intimidada com todo aquele ar de mistério e tensão.
Ela nunca estava acostumada com aquelas coisas. Nunca estaria. Seu mundo cor de rosa era muito melhor e ela não tinha do que reclamar.
— Alguém vazou a informação para a mídia que o FBI está aqui para resolver o caso. — JJ explicou e olhou para , que ainda parecia um pouco abalada. — Acabamos de receber este bilhete direcionado a agente .
— Se é para mim, por que você entrega a ele? — Irritação ecoou pelos lábios de , que estava começando a perder a paciência com a coisa toda. O fato de estar noites sem dormir direito não contribuía para que recebesse todas aquelas notícias com bom humor.
Hotch respirou fundo e tomou a iniciativa de entregar o bilhete para a mulher.
Os dedos da agente se apertaram contra o papel fino ao ler aquelas palavras, e, no minuto seguinte, ela saiu da sala batendo a porta.

Estou feliz em tê-la de volta, agente .
Estaria disposta a comprovar a teoria de que um raio cai duas vezes no mesmo lugar?
McLanner.



Parte Dois
Revelações.

Dois anos atrás...
ㅤ📍 FBI em Quântico, Virgínia/EUA às 14:23:

O som de salto alto ecoando especialmente por aquela sala estava fazendo a cabeça de Richard Donner doer. Ele parecia exausto e ansioso. Geralmente, ele conseguia resolver um caso rápido se tivesse com a sua equipe, ou ao menos, a sua parceira, mas aquele caso em especial estava tirando-lhe o sono havia alguns bons dias. Ele ficava noites e noites atrás de novas evidências, qualquer pista que indicasse uma esperança de pegar o assassino — ou ao menos descobrir quem era o desgraçado —, era um passo mais perto de fechar o caso e finalmente poder respirar em paz.
— Donner... — a mulher chamou e ele murmurou algo em resposta, ainda concentrado com os passos nervosos dela de um lado para o outro na sala.
Ele sabia que não adiantava reclamar com ela por aquilo; era mais fácil que um buraco se cavasse sozinho sob os seus pés, que ela aceitasse alguma ordem sua.
— Precisamos de ajuda.
O fato de ter admitido aquilo não surpreendeu Richard. Era verdade que sua parceira era muito competitiva e individualista, logo se tornava difícil que ela chegasse no auge de admitir que precisava de ajuda para alguma coisa. Mas ela tinha mudado esse comportamento quando aceitou ser parceira dele e quando começou a namorar um analista de perfil — Donner não o conhecia, mas teria que agradecer ao homem por estar fazendo milagres com aquela mulher.
— Isso significa que você está dizendo que vai consultar seu namorado sobre o caso? — O homem ajeitou a postura sobre a cadeira e quase soltou um suspiro aliviado, quando parou de andar pela sala e se sentou no seu lugar de costume na mesa.
— Não. — Ela respondeu, revirando os olhos. — Já falei que eu e o Derek não conversamos sobre nossos casos. É nosso acordo.
O agente deu de ombros.
— E o que diz, então?
— Que você pode consultar um deles... — ela explicou. — Que não seja o Morgan, é claro! — Ela completou, sorrindo.
— Não vou roubar seu homem, . — Donner zombou.
— Não poderia nem se quisesse... — respondeu. — Certo. Agora sério. Não aguento mais ver no que estamos errando. Talvez saber um perfil completo do suspeito possa nos ajudar.
Ele não questionou a decisão dela. Era uma boa ideia. Eles não eram especialistas em criar perfis de assassinos, embora soubessem muita pouca coisa, o que não ajudava muito. Eles precisavam de alguém profissional naquilo. Precisavam reduzir a lista de dezenas de suspeitos e precisavam fazer isso o quanto antes. Ele já havia matado oito mulheres e do jeito que estava acelerando a matança, não iria demorar muito para que ele chegasse à nona.
— Reúna os outros.

ㅤ📍 Missouri/EUA:

O barulho da chuva distraía a mente da mulher.
Para a sua surpresa, ela ainda segurava o papel na mão e não ousou encarar de novo. Parecia que, a cada vez que lia uma palavra do que ele tinha escrito, sua mente voava para o passado e para a decadências de acontecimentos infelizes.
Primeiro, ela precisou terminar com o Morgan — a agente não tinha previsto o desgaste emocional que o caso estava lhe causando e não se sentia mais capaz de manter um relacionamento àquela altura. Derek era carinhoso, atencioso e paciente, mas ela precisava de espaço. Estava perdendo a si mesma e a sua mente durante todo o processo.
Cada mulher morta que aparecia era uma culpa para as suas costas, porque não tinha estado perto de capturar o assassino. Depois que Richard Donner consultou um especialista em análise comportamental, a lista de suspeito deles reduziram e eles finalmente conseguiram um nome. Mas tinha sido um nome que custou a vida de .
— Posso me sentar?
piscou os olhos, sendo despertada por uma voz. Ela não tinha percebido que estava perdida em pensamentos e estava fechando e abrindo os dedos em volta do papel fino, enquanto seus olhos vagavam através da janela daquela cafeteria, encarando a chuva caindo no céu.
Quando levantou os olhos, viu Derek Morgan parado, olhando-a como se ela estivesse perdida.
E talvez estivesse.
Ela assentiu para ele, respondendo à sua pergunta.
— Como me encontrou?
Morgan se sentou na frente dela, pousando as duas mãos sobre a mesa vazia. Não havia nem mesmo um copo de café. tinha recusado tudo nos últimos minutos que estivera ali e o garçom aparecia oferecendo-lhe alguma coisa.
— Quando você quer ficar sozinha, você sempre vem a alguma cafeteria vazia... — ele respondeu, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo. Ela quase sorriu. — Não estamos em Los Angeles, então eu não poderia descobrir qual sua cafeteria favorita de Missouri. Então pedi para Garcia pesquisar por uma que estivesse próxima à delegacia.
— Alguém fez a sua lição de casa. — Ela murmurou, tentando descontrair o clima.
Morgan balançou a cabeça, deixando um sorriso nos lábios. Mas ele não estava se divertindo. Ele estava preocupado com ela e com o que ela poderia fazer com todas aquelas novas informações que ela acabara de descobrir.
... — chamou.
Ele estendeu uma mão para ela e a agente piscou os olhos, confusa por um momento, até entender que ele estava pedindo o bilhete na mão dela. Ele não queria ler o que estava ali — Hotch e JJ tinham dito a equipe o que havia no bilhete. Morgan só queria que ela parasse de segurar o papel como se ele fosse algo importante que precisava guardar, como se ele a fizesse mal.
Hesitante, ela deu o papel a ele. Morgan o guardou no bolso da calça jeans.
— Pergunte. — murmurou, depois de alguns segundos de silêncio.
Ela ainda encarava a chuva lá fora e não sabia que Missouri podia ser fria naquela época do ano. Mas ela nunca entendia as divergências da natureza.
— Não tenho o que perguntar. — Morgan respondeu.
Ela desviou os olhos da janela direto para o rosto dele. Ele tinha uma linha fina nos lábios e seu corpo parecia tenso. Ela sempre soube ler o corpo de Morgan muito bem e não parecia diferente agora.
passou as mãos pelo rosto, como se estivesse exausta e respirou fundo, antes de voltar a encarar o seu ex.
— Você está esperando por isso há meses, Morgan. — Ela disse. — Foi a primeira coisa que me perguntou sobre. Eu nunca te dei a maldita explicação porque eu não queria. Era somente meu fardo e eu não precisava dividir com você. — Ela suspirou outra vez, mordendo o lábio inferior. — Agora eu não tenho mais motivo para esconder, portanto… pergunte.
Derek manteve a expressão séria. Ele sabia que mesmo estando curioso, talvez não fosse uma boa ideia questioná-la. Mas ele merecia uma explicação. Merecia saber por que ela tinha o deixado sem dizer muita coisa e depois não quis mais contato com ele. Merecia saber se tinha feito algo de errado e se deveria pedir desculpas por isso.
Algumas vezes, quando era tarde da noite e ele chegava do trabalho, ele repassava tudo na cabeça, procurando algo de errado que ele pudesse ter feito. Que a magoou sem querer e não percebeu isso. Mas não havia nada. Nenhuma peça faltando, exceto só as que ela sabia.
— Foi por causa dele? — Era uma pergunta simples e objetiva, que entendeu muito bem a que ele se referia.
A mulher lambeu os lábios e ficou indecisa se mantinha os olhos no homem, na paisagem através da janela ou se encarava seus dedos cruzados.
— Não. — Ela conseguiu responder, optando por encarar os olhos escuros dele. — Em partes sim, mas não.
Morgan ficou confuso, mas não disse nada.
— Eu estava nesse caso há um bom tempo... — ela continuou, tentando encontrar palavras claras que a ajudassem a explicar tudo. — Nos conhecemos antes de eu assumir essa responsabilidade e até então, eu tinha tudo sob controle. Podia ficar com você e podia resolver o caso. Derek, meus melhores momentos de paz era quando eu estava com você. — Ela suspirou e quando o garçom retornou, questionando mais uma vez se ela ia querer alguma coisa, ela resolveu pedir um cappuccino.
Morgan não pediu nada.
— Porque você não precisava comentar os casos comigo... — Morgan concluiu. — Não precisava pensar neles.
— Sim! — Ela concordou. — Ele estava acelerando e não tínhamos uma pista de quem poderia ser. Era uma lista de suspeitos grandes demais para reduzir um a um. Então pedi que Richard procurasse alguém na sua unidade, sem ser você, que ele pudesse consultar para conseguir um perfil e pudéssemos reduzir a nossa lista. Até então, eram oito mulheres mortas. — Era difícil que ela pudesse estar contando aquilo tudo sem que sua mente a levasse para um mar de lembranças. Aquele tinha sido seu pior caso. — Quando ele fez a vítima número nove, começamos a sofrer pressão. Eu mal dormia, não estava comendo muito e só queria acabar com aquilo. — Ela confessou. — Foi quando percebi que tudo estava me afetando. Eu me sentia incapaz e estava duvidando do meu trabalho. Que tipo de agente eu era, se não podia salvar aquelas mulheres?

— Não. — Ela o cortou, balançando a cabeça. — Eu sei o que você vai falar.
Ela não queria o ouvir dizer que nada foi culpa dela. Que ela tinha sido uma boa agente e que fez de tudo para salvar aquelas mulheres. Mas sabia que tinha sido mentira. Ela deveria ter feito mais.
O garçom deixou o copo de cappuccino na mesa e ela o agradeceu, esperando que ele se afastasse para beber um gole, enquanto organizava a sua mente, criando coragem para continuar explicando tudo.
— Eu estava me desgastando emocionalmente. — Ela confessou, sentindo seus lábios tremerem um pouco.
Morgan notou, mas não disse nada.
— E percebi que não podia mais lidar com você e fingir que estava tudo bem cada vez que você me ligava. — Ela desviou o olhar dele, sem coragem para encará-lo principalmente nessa parte. Terminar com ele tinha sido difícil. — Eu não podia mais, entende? Não podia arrastar você junto para o escuro que eu estava. Então fui para Quântico e a partir daí, você sabe.
Morgan engoliu a seco, assentindo. O celular vibrou no seu bolso, mas ele resolveu ignorar. Provavelmente era alguém da equipe querendo saber alguma notícia ou se tinha a encontrado.
— Você foi para Quântico só para ir embora depois. — Ele comentou, lembrando perfeitamente daquele momento.
Ele mesmo repassou a cena várias vezes na cabeça, por semanas.
— Morgan…
— Tudo bem! — Ele disse.
Ela piscou os olhos, bebendo mais um gole do seu cappuccino e assentiu. Não estava tudo bem, mas a mulher não tinha muito o que dizer.
— Eu sinto muito. — Ela murmurou, sentindo a voz falhar. — Eu estava perdida e não queria que você…
, eu disse que tudo bem. — Ele prometeu. — Eu só queria que você pudesse ter contado comigo.
Ela se calou, mordendo a parte interna da bochecha.
— Eu não entendo por que ele quer se vingar... — ela mudou de assunto, encarando o copo. — Eu o cacei por meses, mas não fui atrás dele. Ele quem veio até mim.
Morgan pareceu interessado, de repente, e ajeitou a postura do seu corpo, deixando o problema emocional do seu coração de lado. Ele podia sofrer por ela depois — ou podia não sofrer mais.
— Isso não está nos arquivos... — ele lembrou, tentando encaixar aquela informação dela de algum jeito.
— Eu pedi para alterarem. — Ela confessou, dando de ombros. Admitir aquilo era ainda pior.
— Por quê?
depositou o copo na mesa, engolindo a seco. Havia muito tempo que ela não se sentia nervosa como estava se sentindo naquele momento. Não soube de onde tirou a coragem para encarar os olhos dele novamente, respondendo à sua pergunta.
— Porque eu estava grávida, Derek. — Ela disse. — E não queria que ninguém soubesse.


Ponto de vista da :

, vá para casa. Você precisa descansar.
Um suspiro escapou pelos meus lábios, quando encarei Richard parado na porta na companhia de Yara. Eles não estavam com uma cara boa. Também, quem na nossa situação estaria? Sofrer pressão do diretor do FBI, das mídias locais e do governador de Los Angeles não estava sendo bom para nenhum de nós. Eu estava desgastada. Tanto emocionalmente, quanto físico. Mal dormia e eu não sabia o que era comida saudável havia um bom tempo.
— Eu não preciso… — tentei dizer, mas Yara entrou na sala e desligou meu computador, afastando todos os papéis da minha frente.
— Precisa sim, . — Ela repreendeu e fez uma cara péssima, quando pisou em um copo de café que estava caído no chão. — Você está horrível. Não é assim que vamos prender alguém.
— Precisamos de você bem, . — Richard completou, sério.
Bufei, desistindo de argumentar com eles. Talvez fosse bom que eu fosse para casa e tomasse um banho. Depois eu voltaria. Depois eu me dedicaria mais em descobrir o paradeiro de Louis McLanner.
O fato de termos descoberto o nome dele deveria ter ajudado a pôr um ponto final naquele caso. Mas o endereço que tínhamos conseguido não nos levou a nada e conseguir descobrir onde era o maldito esconderijo que ele mantinha as mulheres estava sendo mais complicado que o normal. Aquele desgraçado sabia como encobrir suas pegadas.
E isso me tirava o sono.
Cada mulher morta por ele, era uma culpa a mais que eu tinha que carregar.
Organizei a minha sala e peguei a minha bolsa, despedindo-me do resto da equipe. Meu corpo todo doía e eu sentia meus olhos quererem fechar, mas, mesmo que eu estivesse morrendo de sono, conseguir dormir era outra história. Cada vez que eu me dava esse luxo, eu era direcionada a uma série de pesadelos, onde eu ouvia os gritos de socorros das mulheres mortas e quando eu tentava alcançá-las, os gritos paravam e eu ouvia uma risada, como se estivesse debochando de mim. E eu sabia que era a risada dele.
Estacionei o carro na garagem e ativei o alarme, segurando a bolsa sobre um ombro só, enquanto eu apertava o número do elevador, esperando que ele subisse o mais rápido que pudesse. Tirei os saltos que eu calçava, segurando-os na mão e assim que o elevador abriu, eu saí, estreitando os olhos para a escuridão do corredor. Revirei meus olhos ao constatar que não era a primeira vez que as luzes dali dava algum problema. Eles consertavam e o mesmo problema voltava vez ou outra.
Fiz uma nota mental que eu precisava me mudar.
Parei de frente a porta do meu apartamento e quando eu tentava encontrar a chave dentro da bolsa, percebi que a porta já estava aberta. Meu coração acelerou e eu me xinguei mentalmente, lembrando que eu tinha deixado a arma no carro.
Abaixei-me, colocando os saltos no canto, tendo cuidado para não fazer nenhum barulho. Peguei meu celular dentro da bolsa e disquei o número de Yara, deixando a ligação ativa quando eu escondi o celular na minha cintura. Soltei a bolsa perto dos saltos e respirei fundo, criando coragem para entrar no meu apartamento, mesmo sabendo que talvez fosse uma grande burrice por não estar com nenhum tipo de objeto para me defender.
Empurrei a porta devagar e entrei. Estava tudo completamente escuro, mas eu sabia onde estava cada coisa. Quando me movi para apertar o interruptor e acender a luz, a sala se iluminou com a luz de um abajur e eu senti minha respiração falhar ao olhar quem estava ali.
Louis McLanner.
E Elizabeth Hayes, amarrada a uma cadeira, sua boca coberta por fita, impedindo-a de falar e seu rosto estava inchado devido as lágrimas. Seu rosto não continha as queimaduras, mas havia um “E” arranhado no seu braço, escorrendo sangue. Havia também uma peruca loira mal colocada sobre seus cabelos.
Ela era a décima terceira vítima. E ainda estava viva.
Eu mal pude me mover, na tentativa de voltar para a porta e fugir, mas mesmo que eu pudesse fazer isso, eu jamais ia ter coragem de abandonar aquela garota.
— Agente ... — pela única luz possível, não dava para ver muito do rosto de Louis. Sua voz parecia melódica e eu me concentrei no fato de que ele estava com uma arma apontada para a garota. — Trouxe um presentinho para você. Acho que vai curtir assistir, enquanto eu acabo com essa vadia aqui.
Eu engoli a seco. Parecia que todo o treinamento que eu tive na Academia para lidar com esse tipo de situação escapara da minha mente.
— Louis McLanner... — chamei seu nome, tentando ganhar tempo em como eu faria tudo. Buscar alguma saída. Sair dali com a Elizabeth viva.
Eu torcia que Yara tivesse atendido o telefone.
— Não se mova! — Ele ordenou, quando eu fiz menção de dar um passo à frente e fiquei parada. — Jogue a arma no chão.
— Não estou com uma. — Respondi, erguendo as minhas mãos, como se estivesse me rendendo.
Não estava segurando uma arma, mas eu tinha uma guardada ali. Especificamente, na terceira gaveta da escrivaninha ao lado dele. Louis levantou um pouco o abajur e a luz iluminou seu rosto. Ele tinha um sorriso sádico no rosto. E eu pude notar que ele segurava uma faca na outra mão.
— Ótimo! — Ele murmurou. — Por favor, feche a porta. Não vai querer que alguém atrapalhe nosso show.
E eu obedeci.
— Agora sente-se no sofá.
Sentindo meu coração acelerar, eu movi meus pés em passos pequenos e lentos, sempre alerta para qualquer reação dele. Elizabeth permanecia incrivelmente quieta, como se temesse piscar até os olhos. Eu queria dizer a ela que ia ficar tudo bem, que ela ia ficar bem, mas eu não podia fazer uma promessa que não sabia se iria cumprir.
— Não entendo... — comecei, soltando a minha voz um pouco baixa. Minhas mãos ainda estavam erguidas no ar e eu consegui chegar ao sofá. — O que está fazendo aqui?
Eu realmente não entendia por que ele tinha vindo até mim, quando eu estava há meses o cercando. Ele claramente não tinha vindo se entregar e o fato de ter trazido Hayes como vítima me comprovou isso. Seu comportamento era desorganizado e ele parecia prestes a ter um surto.
— Eu vi você na TV, agente. — Ele confidenciou e eu abaixei as minhas mãos devagar. Seus olhos se mantinham fixos em mim e a arma e a faca apontada para a garota. — Vi você me difamar como se eu fosse… Eu não gostei. Você destruiu meu nome para o mundo todo.
— Não destruí nada, Louis! — Retruquei. — Fiz meu trabalho, falei a verdade.
— Eu não sou um assassino! — Exclamou, gritando tão alto que eu me assustei, por ter sido pega de surpresa pela mudança de comportamento.
— Você matou doze mulheres. — Continuei, sentindo a irritação prevalecer naquelas palavras. — O que a Emie iria achar disso?
Seu rosto vacilou e ele apertou o cano da arma contra a cabeça de Elizabeth. Eu fechei os olhos quando ouvi ele puxar o gatilho, mas nenhum tiro saiu. A garota começou a chorar mais intensamente.
— Não fale dela! — Ele mandou.
— Por favor… — implorei, começando a ficar um pouco desesperada.
Ele estava instável e eu não podia contar muito que ele fosse nos deixar vivas.
— Solte-a. Deixe-a ir. Você está com raiva de mim, foi eu quem te coloquei no centro da mídia, está bem? Deixe-a ir.
Ele começou a rir. E pareceu muito com a risada que me perseguia em pesadelos.
— Desculpe. Isso é um pouco engraçado.
Minha cabeça estava girando, mas eu aproveitei que ele tinha se abaixado levemente, apoiando as mãos nos joelhos, enquanto ainda ria e me levantei. Usei a minha perna direita para chutá-lo e sua arma escorregou da sua mão para o fundo da sala, logo atrás dele.
Ele parou de rir imediatamente e seu semblante se transformou em ódio, usando o próprio corpo para vir para cima de mim. Eu desviei do seu golpe e o acertei na barriga, mas não previ ele usar o cabo da faca para bater no meu rosto e eu cambaleei um pouco para trás.
O fato de meu corpo estar completamente cansado me deixou vulnerável naquele momento e eu não pude me defender quando ele enfiou a faca de lâmina fina na minha barriga e aquilo doeu como o inferno, fazendo-me cair no chão. Sangue escorria muito rápido do ferimento e eu comecei a tossir, com falta de ar. Meus olhos estavam ficando turvo e eu só conseguia sentir a dor. Mais forte e mais intensa.
Ele caminhou até a própria arma que eu tinha derrubado e quando ele apontou para Hayes, eu tentei mover meu corpo, mas não conseguia.
— Não... — implorei. — Por favor, não faça…
Lágrimas molharam meu rosto quando escutei o som de tiro ecoar e a cabeça de Elizabeth Hayes caiu para frente. Ele acertou um tiro certeiro na sua testa — ela sequer teve uma chance.
Eu me arrastei no próprio sangue, enquanto chorava e sussurrava que sentia muito por não a ter salvado.
Louis abriu o mesmo sorriso sádico no rosto e parou ao meu lado, apontando a arma dessa vez para mim. E eu quase me entreguei a minha própria morte, quando escutei a porta ser aberta com um estrondo.
FBI! Abaixe a arma!
A voz de Yara foi a única que eu reconheci antes que eu apagasse por completo e mergulhasse na culpa.
No fim das contas, eu jamais pude cumprir a promessa que eu nunca fiz a Elizabeth Hayes.


Parte Três
Irei aonde quer que você vá.

— Você está bem?
coçou a bochecha, erguendo os olhos para a voz que lhe dirigia a palavra. Ela deu um sorriso pequeno e forçado ao notar Emily parada na porta e assentiu.
Depois de compartilhar as coisas com Derek, ele a trouxe de volta para a delegacia e estava ficando tarde. Ela só queria poder se aproveitar de um descanso sem se preocupar com um serial killer por aí querendo se vingar.
— Sim, claro! — A mulher respondeu, tentando ao máximo soar educada.
Seu corpo inteiro implorava por um descanso, mas a mulher sabia, com uma infelicidade comum lhe consumindo, que assim que ela colocasse a cabeça sobre um travesseiro macio, não iria conseguir dormir. Todas as novas informações e a aproximação com seu ex estava embaralhando os seus pensamentos de uma forma que ela não conseguia relaxar. Foi um alívio poder finalmente contar a Derek sobre sua gravidez. Ela tinha sofrido a perda de um filho sozinha por muito tempo e achou que poderia carregar esse fardo sozinha, mas compartilhar com o agente Morgan aliviou o seu peso.
— Vivi minhas fases no escuro para saber quando alguém mente sobre isso... — Prentiss soou gentil, fechando a porta atrás de si.
A mulher de cabelos pretos sentou-se ao lado de , um sorriso fechado e compreensível nos lábios.
— Morgan contou? — indagou, desconfiada.
— Não. — A outra respondeu, soando firme o suficiente para a novata acreditar.
— Entendi. — disse. — Você é a inteligente de quem ninguém esconde nada.
Prentiss esboçou um sorriso sincero, seguido de um aceno de cabeça. Sim, ela era bastante inteligente e perceptível. E isso a tornava muito boa no trabalho, transformando-a em alguém incomparável e insubstituível.
— Se você observa demais, acaba encontrando as respostas... — Prentiss respondeu.
estalou a língua, encarando o teto, como se buscasse algum controle emocional sobre si. Ali estava ela, fingindo estar bem depois de um dia cheio de revelações. Não bastasse os próprios problemas, agora precisava lidar com um adicional bastante indesejável: um serial killer caçando a sua vingança contra ela.
A mulher suspirou, deixando o cansaço se tornar evidente aos olhos da outra, que a observava em silêncio, respeitando o seu espaço. Emily Prentiss parecia disposta a ouvir qualquer coisa e não devolveria um julgamento por isso. Estranhamente, sentia-se confortável ao seu lado e ela achava que só seria possível se sentir assim com Penelope, já que era a única integrante da equipe que conhecia.
— Como ele está? — murmurou a pergunta, ainda sem desviar os olhos do teto, mordendo o lábio inferior.
— Vai sobreviver! — Emily respondeu.
— Eu não queria. Não queria ter escondido isso tanto tempo dele, mas não fazia sentido contar só para vê-lo sofrer por algo que não vingou... — começou a falar, piscando os olhos e finalmente parou de encarar o teto, voltando a olhar para Prentiss, que permanecia respeitosamente em silêncio. — Descobri quando eu estava no hospital. Não foi um dos melhores momentos da minha vida. Ainda assim… tudo o que eu desejava era só ele comigo.
— Agente , você não precisa… — Emily tentou dizer, mas foi interrompida.
.
— O quê? — Prentiss questionou.
— Pode me chamar de . — comentou, mexendo os ombros. — Eu prefiro.
Prentiss balançou a cabeça, em um aceno positivo. Não era problema nenhum para ela chamar a outra mulher pelo nome, ela só era acostumada demais a ser profissional com pessoas com quem não tinha uma proximidade semelhante ao que tinha com quem já era da equipe.
— Como eu ia dizendo, ... — Emily retomou as palavras, com um sorriso discreto nos lábios, como se esperasse ser interrompida de novo. — Não há necessidade de você falar algo que não quer. Você não precisa.
— Tudo bem. — A outra concordou, beliscando a pele do próprio polegar, uma mania que tinha desde muito tempo. — Não é como se eu tivesse amigos com quem eu pudesse falar disso, às vezes.
A Agente Prentiss engoliu a seco. Tinha sido fácil para ela, claro, juntar as peças do quebra-cabeça quando estavam investigando melhor o caso mais cedo. Não havia sido uma dedução, mas uma certeza que estava grávida na época em que prendeu Louis McLanner, mas toda essa certeza não dava uma visão clara do que tinha sido ou era a sua vida. Ex-namorada de Derek Morgan; agente especialista em crimes sexuais; objeto de vingança de um assassino. Eram as três informações sólidas que a maioria da equipe tinha sobre ela, com exceção de Derek e Penelope.
— Desculpe. — Prentiss murmurou, na falta do que dizer. — Achei que houvesse alguém.
— É difícil, pelo menos para mim, manter as relações nesse trabalho. Não gosto de conversar sobre isso com meu parceiro ou equipe... — começou a dizer. — No começo, eu conseguia conciliar as duas coisas. Mas com o tempo, fui pegando casos mais extensos. — Explicou. — As coisas que eu vejo, ouço, faço… tudo isso pesa. Comecei a trabalhar demais. Me viciei no trabalho. — Confessou.
Lá no fundo, havia uma pontada de culpa, mas não se arrependia de sempre escolher a sua carreira. No final, sempre seria a única coisa que permaneceria.
— Comecei perdendo aniversários, jantares, datas importantes. Não importava mais se eu tinha que concluir o meu trabalho, eles cansaram. No fim, pararam de me convidar e eu parei de ir.
Emily assentiu, entendendo perfeitamente. Em sua ocupação, e por experiência própria, era mesmo difícil manter relações naquele ambiente. Era ainda mais difícil encontrar pessoas que entendia isso, mas existia.
— A única pessoa a quem posso chamar de amiga é a Penelope... — completou. — E você sabe que ela não combina com coisas sombrias.
Prentiss riu, concordando.
— Você pode compensar trazendo coisas coloridas. — Respondeu.
— Sim, é uma boa ideia! — concordou.
Teriam continuado a conversa por mais um tempo, mas a porta fora aberta naquele momento e Derek Morgan entrou.
não percebeu que tinha prendido a respiração por segundos, até o ar escapar pela sua boca entreaberta. Depois do que ela tinha contado, ele não disse muita coisa, embora pudesse compreender a mágoa nos seus olhos.
— Com licença. — Emily murmurou, constrangida com o silêncio e a troca de olhares entre o casal.
Derek deu espaço para a colega de trabalho passar e fechou a porta atrás de si. permaneceu com os olhos nele, incapaz de dizer qualquer coisa para iniciar uma conversa. O que ela poderia dizer depois de tudo, afinal?
— Eu devia ter estado lá... — ele murmurou, andando para o mesmo lugar onde Prentiss tinha estado antes.
— Derek… — ela não conseguiu completar a frase.
Havia tanta coisa que ela poderia ter dito e ao mesmo tempo não havia nada. Ela encarou o homem à sua frente, um misto de emoção lhe envolvendo e suspirou, inclinando o próprio corpo para que pudesse abraçá-lo. Derek apoiou suas mãos ao redor da cintura da mulher, inspirando o seu perfume quase sem querer. Era óbvio, para qualquer um que observasse aquela cena, que o casal ainda tinha sentimentos um pelo outro. O silêncio, no entanto, era predominante, como se a coisa mais importante ali, além dos dois corpos estarem abraçados juntos, fosse o momento compartilhado de dor da perda sofrida de um bebê que nunca nasceu.
estava mais do que aliviada de finalmente poder ter aquele momento. Ela nunca abandonou a sensação, porém, de que Derek Morgan merecia mais do que aquilo.

O momento durou três minutos exatos.
O Agente Morgan foi quem tomou a atitude de separar a aproximação entre eles. pigarreou baixinho, não entendendo muito bem como poderia estar constrangida com o clima, mas ela não disse nada.
— Está tarde... — ele começou, lembrando do motivo pelo qual tinha ido procurá-la. — A equipe vai para um hotel na beira da estrada para descansar essa noite. Eu… pedi um quarto de casal. Tudo bem para você?
A mulher quase sorriu com aquela pergunta. Ela estava preparada para enfrentar a distância dele, mas Derek estava mostrando que aquele não era o caso.
— Sim. — Respondeu.
Morgan assentiu e levantou-se da cadeira, sendo acompanhado por , que o seguiu para fora daquela sala. Do outro lado daquela porta, a equipe estava reunida, prontos para irem embora juntos.
— Ah, até que enfim! — Garcia exclamou, andando até .
A outra entrelaçou o próprio braço no da amiga.
— Eu estava pensando que poderíamos experimentar um restaurante novo e…
— Pen... — chamou, com um sorriso contido. — Eu agradeço o convite, mas acho que não estou no clima.
Garcia deixou os ombros caírem, desanimados. quase se sentiu culpada por rejeitar o convite de jantar com ela, mas a mulher ainda preferia o conforto de uma cama, cansada das emoções que passou nas últimas horas.
— Vocês podem ir jantar. — Derek disse. — Eu compro algo para mim e . Vamos para o hotel.
Todo mundo assentiu, concordando. Garcia afastou o seu braço de e abraçou rapidamente a amiga. Em seguida, apontou o dedo em riste para Morgan, com uma expressão séria que não combinava nenhum pouco com ela.
— Cuide dela.
O aviso fez Derek sorrir e ele beijou a bochecha de Penelope em despedida. Ela sabia que era um aviso inútil, porque seu melhor amigo cuidaria muito bem de . Não havia nada que ele soubesse fazer melhor naquele momento.
A equipe saiu primeiro, o casal seguindo-os atrás. Morgan entrou em um carro preto e o seguiu, sentando-se no banco passageiro ao lado do homem. Ele deu partida no carro e nenhum dos dois disse uma palavra o caminho inteiro.
Derek estava pensativo demais e estava com as emoções muito misturadas, como se não conseguisse identificar o que estava sentindo primeiro. Ela desconfiava que não iria conseguir ter uma boa noite de sono naquele estado. Assim que deitasse sua cabeça em um travesseiro, seus pensamentos a atormentariam.

Quinze minutos mais tarde, os dois estavam no quarto do hotel. Era um cômodo pequeno que ocupava uma cama de casal, uma televisão e uma escrivaninha, além de um banheiro pequeno. O lugar ideal para quem tivesse a intenção de passar uma noite, como eles. Ou quanto tempo o caso durasse para ser resolvido.
apertava os botões do controle remoto da TV freneticamente, passando os canais sem parar em um especificamente. Derek tinha se enfiado no banheiro para um banho rápido primeiro.
— Por que está tão impaciente? — O homem saiu do banheiro, os pingos de água ainda presentes em seu peitoral nu, enquanto a toalha descansava ao redor do seu pescoço.
não respondeu de imediato. Quando seus olhos pousaram no homem, ela engoliu a seco, tentando não olhar muito para o que ele lhe proporcionava. Seus dedos pararam de apertar os botões com tanta urgência e ela lembrou que ele tinha feito uma pergunta.
— Não estou — Respondeu.
Derek sorriu, balançando a cabeça. Andou até as malas pequenas — que tinham sido colocadas ali por alguém designado por eles assim que eles chegaram à cidade — e retirou uma camiseta, vestindo-a, para a infelicidade da mulher.
A agente deixou um suspiro resignado escapar e desviou o olhar de volta para a televisão. Passava algum filme antigo que ela não conhecia, mas finalmente parou de brincar com os botões do controle.
— Eu vou tomar um banho! — Ela anunciou, levantando-se da cama e buscando uma toalha.
— Vou buscar comida.
Ela concordou e entrou no banheiro, sem se dar o trabalho de fechar a porta atrás de si. Derek não olharia sem permissão e de qualquer forma, ele já não estava mais ali, a julgar pelo clique da porta.
retirou as próprias roupas, amarrando o cabelo em um coque apertado e ligou o chuveiro, sentindo a água gelada.
A agente tentou deixar os pensamentos limpos. As últimas horas ainda estavam vívidas na sua mente e tudo o que ela mais desejava no momento era o fim daquele caso. Em um trabalho como aquele, havia casos que ela ansiava o fim o mais rápido possível. Mas quando ela própria era um alvo… suspirou, passando o sabão pelo corpo em uma lentidão irritante, mas a água estava conseguindo fazer com que ela relaxasse. Para que ela tivesse um completo descanso, só torcia para conseguir deitar na cama e dormir a noite inteira. Seus pensamentos deveriam lhe dar uma trégua, nem que fosse somente por aquela noite.
A sombra das palavras do bilhete de McLanner estava ali o tempo todo, rondando-a, como se a qualquer momento o homem fosse aparecer magicamente na sua frente.
Balançando a cabeça, ela afastou os pensamentos ruins assim que escutou o clique da porta novamente. Tinha certeza que era Derek e por isso não se preocupou, mas percebeu que tinha passado muito tempo no banheiro.
Desligou o chuveiro e pegou a toalha, enxugando a água do corpo.
? — Ela ouviu a voz dele chamá-la.
A mulher não respondeu de imediato. Ela simplesmente enrolou a toalha no corpo e saiu do banheiro pequeno, encontrando-o colocando as sacolas em cima da escrivaninha.
— A opção menos ruim era yakisoba... — ele disse, apontando para as sacolas.
expressou uma careta, olhando-o.
— Você sabe que… — ela tentou dizer, quando foi interrompida pelo mesmo.
— Era a única opção. — Derek cruzou os braços, um meio sorriso querendo aparecer nos lábios, quase como se estivesse desafiando a mulher na sua frente a retrucá-lo.
Ela mordeu o próprio lábio, dando de ombros por fim, aceitando a derrota. Era melhor do que passar a noite inteira com fome.
— Eu vou me vingar! — Decretou.
Dessa vez, ele quem deu de ombros, descrente das palavras dela, tendo a consciência que ela estava somente de toalha ali.
O homem desviou o olhar e começou a tirar as embalagens das sacolas, focando em somente organizar o jantar dos dois. , por outro lado, não parecia ter o mesmo plano.
— Você está duvidando de mim? — Murmurou, aproximando-se devagar dele, que ainda não a olhava.
— Eu não disse isso... — o agente se defendeu.
Ela aproximou-se o suficiente, ficando a poucos centímetros do corpo dele.
— Olhe para mim, Derek. — Pediu, sua voz baixa demais.
Mas ele ouviu. E quando levantou os olhos para encará-la, como ela tinha pedido, ele engoliu a seco. , com um sorriso pequeno nos lábios, escondia o nervosismo muito bem ao deixar a toalha cair propositalmente do seu corpo, revelando a sua nudez.
Fazia muito tempo, ela pensou. Muito tempo desde que os dois tinham se tocado de maneira tão íntima, o corpo colado um ao outro.
— Derek? — Sussurrou, incerta, ao perceber que ele não tinha movido sequer um músculo.
Ele só a encarava com um misto de desejo e saudade, e de repente, ele esqueceu as sacolas, o jantar, tudo.
— Estou admirando... — ele respondeu, sincero.
Ela revirou os olhos, engolindo um suspiro, quando ele deu somente dois passos para chegar até ela. As mãos do homem primeiro pararam em sua cintura e ele a puxou para si. Derek, então, começou a passear suas mãos ao redor do corpo dela, como se estivesse relembrando todas as sensações que aquilo tudo lhe causava. Ele inclinou o rosto contra o dela, sorrindo para ela antes de capturar os lábios dela com os seus, beijando-a tão lentamente que ela suspirou contra a boca dele.
Sem saber o que fazer com as próprias mãos antes, levou-as ao redor do pescoço dele, entrelaçando-as ali, enquanto aprofundava e intensificava o beijo.
Sem perceber, o agente movia seu corpo junto ao dela, levando-a até a cama. Ele quebrou o beijo por um momento, deitando a mulher no colchão gasto. puxou a respiração, sentindo um arrepio tomar conta do seu corpo inteiro quando notou o olhar de Derek sobre o corpo deitado dela. Ela lembrava-se de tudo. Do toque da mão dele sobre a sua pele, dos seus lábios passeando por cada lugar do seu corpo, de como ele sempre reservava alguns segundos para admirá-la daquela forma, de como ele era irritantemente lento para se livrar das próprias roupas.
Ela não disse uma palavra durante o tempo todo de observação dele. Somente para provocar, ela abriu um pouco as pernas. Percebendo a ansiedade dela, Morgan sorriu, tirando a própria camisa, jogando-a em algum lugar do chão do quarto. Ele aproveitou a abertura e se encaixou no meio das pernas dela, ficando por cima, tomando o cuidado de não derrubar todo o seu peso no corpo dela.
O analista inclinou o rosto contra o dela, mas não a beijou. Apoiando um braço na cama, com a outra ele começou a explorar o corpo da sua ex-namorada, enquanto seus lábios beijavam cada pele exposta do pescoço dela. Ele trilhou um caminho lento, passando do pescoço para o ombro, chegando até os seios dela, sentindo a calça começar a incomodar.
Quando ele passou a língua pelo bico do seio direito dela, arquejou e fechou os olhos, aproveitando a sensação que ela quase tinha esquecido de ter experimentado com ele. Era impossível esquecer qualquer coisa com Derek, no entanto, toda vez parecia a primeira vez para ela.
Ele apertou a coxa dela levemente, puxando a sua perna, fazendo com que ela ficasse apoiada na cintura dele. Ansioso, Morgan esfregou-se contra o meio das pernas dela e sentiu-o duro através da calça.
— Se livre dela! — Ela implorou, abrindo os olhos, incapaz de abandonar o prazer que estava começando a tomar conta do seu ser inteiro.
— Estou tentando estender a brincadeira... — ele murmurou contra a pele dela, abocanhando o outro seio com vontade, seus dentes prendendo o bico do seio esquerdo.
sabia que estava molhada. Se ele a tocasse, iria ter certeza disso. Outra hora, ela o deixaria estender a brincadeira o quanto quisesse, mas tudo o que ela queria no momento, era senti-lo dentro dela mais uma vez.
— Não estou com tanta paciência agora.
Ele sorriu, afastando a boca da pele dela, olhando-a.
— Você nunca está.
Mas Derek a obedeceu. O agente afastou-se dela, ficando em pé no chão novamente, apoiada sobre os cotovelos no colchão, observando-o tirar a própria calça, como ela tinha pedido. Implorado, na verdade.
Quando ele ficou completamente nu na frente dela, piscou os olhos, engolindo a seco, passando a língua nos lábios em seguida. O membro dele estava duro e ereto, e ela o achou magnífico.
Ele se aproximou da agente, fazendo-a deitar novamente. Ela abriu as pernas, deixando-o se encaixar no meio e cruzou suas mãos ao redor do pescoço dele, beijando-o.
gemeu no meio do beijo, quando ele finalmente se encaixou dentro dela, começando um movimento lento de vai e vem, preenchendo o espaço entre eles. Tê-lo dentro de si era exatamente como ela se lembrava.
Os dois corpos moviam-se sincronizados, os lábios grudados, as mãos acariciando cada pedaço de pele suada um do outro, como se ambos nunca tivessem se separado por um momento sequer.



Parte Quatro
Oh, quase, quase nunca é suficiente...

se revirou na cama, abrindo os olhos quando não encontrou o corpo quente de Derek ao seu lado. A noite tinha sido ótima e cansativa até certo ponto, mas finalmente ela tinha conseguido ter uma boa noite de sono sem os pensamentos para lhe atormentar.
A mulher levantou no exato momento em que Morgan entrou pela porta do quarto, carregando uma bandeja… de café da manhã?
— Bom dia! — Ele murmurou, um sorriso pequeno e doce nos lábios, fechando a porta atrás de si com o pé esquerdo.
Andou até ela, sentando-se na beira da cama, colocando a bandeja sobre o colchão.
— Ah… bom dia! — devolveu, coçando os olhos, na tentativa de ficar mais desperta. — O que é isso?
— Um café da manhã. — Respondeu-lhe, como se fosse óbvio.
— Isso eu sei... — ela revirou os olhos, mas abriu um sorriso. — Eu perguntei o motivo disso.
Ela levantou da cama, dirigindo-se ao banheiro. Parou em frente à pia, abrindo a torneira, deixando a água escorrer nas mãos, e então lavou o rosto e a boca. Ajeitou o cabelo, prendendo os fios soltos, olhando-se no espelho por um momento. Sua aparência estava mais serena, os olhos mais vívidos, embora exaustos.
— Precisa de um motivo para o café da manhã? — Ele indagou, vendo-a sair do banheiro.
Derek bebeu um gole do suco de laranja, que era para ela, mas o homem não se importou.
— Não, é só que… — ela abriu a boca para dizer, sentando ao lado dele, com a bandeja entre os dois. — Isso me lembra algo.
Ela pegou uma fatia do bolo que tinha na bandeja e tomou o copo da mão dele, mordendo um pedaço da comida e bebericando um pouco do suco. Morgan a observou em silêncio, deixando os pensamentos viajarem até as lembranças que ela tinha mencionado quase hesitante. Todas as vezes que eles conseguiam passar uma noite juntos, na época que ainda namoravam, na manhã seguinte, ele sempre fazia questão de entregar uma bandeja de café da manhã a ela antes de voltar para a realidade do trabalho difícil na UAC. E sempre havia os mesmos ingredientes: duas fatias de bolo de qualquer sabor, um copo de suco de laranja, sua fruta favorita — pêssego — e um sanduíche de frango.
— O que você acha disso? — Ele questionou, ajeitando a postura na cama.
— Da lembrança ou do café? — Indagou, confusa, mastigando mais um pedaço inteiro do bolo.
Era bolo de chocolate daquela vez.
— De nós dois. — Derek explicou.
não esperava aquela resposta. E por não esperar, engoliu a seco o resto da comida e bebeu até a metade do suco. Em seguida, encarou o homem bem no momento em que os celulares de ambos tocaram, indicando uma nova mensagem.
— Acho que deveríamos conversar sobre isso depois... — disse, levantando da cama.
Ela caminhou até a escrivaninha, pegando o seu celular, verificando o conteúdo da mensagem.
— Encontraram outro corpo.
O peso do suspiro dela indicou a Derek que aquele não era mesmo um momento para conversar sobre a relação dos dois. também não estava preparada para tal conversa, então ficou feliz de adiar, até que ela mesma conseguisse tomar uma decisão sozinha.
Ela bloqueou a tela do celular, bebeu o restante do suco e o agradeceu pelo café com um beijo na bochecha.
caminhou até o banheiro, fechando a porta atrás de si, preparada para tomar um banho. Mas, antes, a mulher ficou parada durante bons minutos, enquanto processava a notícia de mais uma vítima pelas mãos de Louis McLanner.


ㅤ📍 Delegacia de Missouri/EUA às 06:21:

Derek, como um bom companheiro que era, tentou distrair o caminho todo até a delegacia, mas ele sentia os pensamentos dela muito distante e não achou que pudesse alcançá-la naquele momento. Ele esperava que ela não estivesse se culpando por algo que não teve controle, mas, infelizmente, se ela estivesse, não havia muita coisa que ele pudesse fazer para mudar aquilo. dificilmente tirava uma ideia da cabeça, principalmente se essa em questão fosse ruim para ela.
Os dois saíram do carro juntos, estacionado perto da delegacia que a equipe estava instalada e entraram, também juntos. Não de mãos dadas, nem rindo ou trocando elogios e zoação como um casal qualquer, mas juntos como dois colegas de trabalho que se encontraram pelo caminho. Eles não eram um casal. Pelo menos não mais e não ainda.
— Bom dia! — A mulher cumprimentou o resto da equipe ao adentrar a sala.
Derek seguiu o mesmo movimento e cumprimentou também, recebendo várias respostas ao mesmo tempo.
sentou-se do outro lado da mesa, abrindo o arquivo que estava posto bem na sua frente.
— A vítima é Louise Lawler. — Garcia começou a informar, uma vez que toda a equipe estava junta. — E ela também estava… grávida.
Penelope odiava aquela parte do trabalho, por Deus! Ela se sentia nauseada toda vez que precisava informar coisas do tipo para a equipe e ficava aliviada que não era a responsável por dar qualquer notícia ruim para as famílias. Havia um certo limite que ela preferia não ultrapassar.
— O rosto também estava queimado, como as outras vítimas, mas a inicial nos permitiu identificá-la mais rápido com o programa de desaparecidos. — Prentiss tomou a atitude de continuar, poupando Garcia, que lhe lançou um olhar de agradecimento.
— Ele deixou um novo bilhete... — Hotchner informou.
levantou os olhos diretamente para ele, a atenção voltada para o pequeno papel enrolado que ele tinha na mão.
Ela engoliu a seco, mas preferia demonstrar um profissionalismo impecável, escondendo a culpa no mais obscuro dentro de si.
— Por favor... — murmurou, estendendo a mão para pegar o bilhete de Aaron.
O mais velho não hesitou em lhe entregar o papel.
Sentindo-se muito observada, tentou ignorar o olhar de todo mundo ali. Suas mãos estavam firmes quando ela desenrolou o papel e leu as palavras com a mesma caligrafia de antes.

Ela não é a primeira, agente . Mas está nas suas mãos, se deveria ser a última.

— Isso é minha culpa.
Ninguém esperava por aquela declaração. Mas Derek, sim.
— O que diz? — Ele questionou.
Como tinha chegado no mesmo momento que ela, não tinha estado presente quando encontraram a vítima e nem o bilhete. A equipe sabia muito antes deles.
Sem demorar, ela passou o bilhete para o seu ex.
— Não deve se culpar pelos erros de um psicopata. — Rossi se pronunciou. — Não somos responsáveis por suas atitudes.
— Sou o objeto de vingança dele. — respondeu.
Rossi tinha razão, mas não anulava em nada a sua culpa.
— Posso não ser responsável por suas escolhas, mas sou por acabar com isso.
— O que você quer dizer? — Morgan indagou, preocupado com o tom de voz da mulher.
Ele tinha certeza que não iria gostar nenhum pouco da ideia que ela estava tendo, principalmente depois de ter lido o conteúdo do bilhete. Ela se sentiria responsável por algo que não era culpa dela e ele temia o que a mulher faria a respeito daquilo.
— Estou propondo uma emboscada para capturá-lo e salvar as outras mulheres. — Ela respondeu, tão confiante, que nem parecia prestes a desabar. — E que me usem como isca.
... — Derek levantou. — Não.
Jennifer, que estava ao lado de Morgan, encarou a aflição do amigo. Ela entendia perfeitamente o que ele estava sentindo, caso aquela emboscada fosse aceita. As coisas que passou e temeu por seu marido faziam-na ser contra a sugestão de .
— Pode ser bem perigoso. Eu não aconselho. — A loira opinou.
— Derek, preciso acabar com isso! — insistiu. — Elas estavam grávidas, pelo amor de Deus!
— Pelas circunstâncias, as chances de sucesso são baixas. — Reid calculou, informando.
o ignorou.
— Senhor... — virou-se para Hotchner, que tinha autoridade o suficiente para permitir o que ela queria. — Posso fazer isso.
— Hotch, não! — Derek pediu.
Aaron Hotchner manteve a expressão impassível. Ele encarou Morgan e o restante da equipe, parando um momento em Rossi, que deu de ombros bem devagar. Por fim, ele voltou a atenção para a mulher que tinha lhe dirigido a palavra segundos atrás.
— É muito arriscado, agente .
fechou a expressão, irritação corroendo-a. Ela levantou, ficando de pé também, lançando um olhar irritado ao ex, mas voltando a olhar o líder da equipe.
— Se eu não fosse a ex-namorada de um cara da sua equipe e ele não estivesse te implorando, você teria permitido? — Ela questionou a Hotchner.
Emily Prentiss, em silêncio, precisou concordar que ela tinha razão naquele ponto. Sua ligação pessoal com Derek Morgan pesou mais na decisão do que o profissionalismo de lidar com o caso e ela tinha toda razão de se sentir irritada por isso.
— Foi o que eu pensei! — mesmo respondeu.
Ela não disse nem mais uma palavra e nem sequer esperou alguém dizer. Tomou a atitude de sair da sala sozinha, sem olhar para Derek Morgan nenhuma única vez.


ㅤ📍 Em algum lugar de Missouri/EUA às 11:48:

O som alto dos tiros disparados era abafado pelo fone no ouvido da mulher. Os óculos grandes e brancos contavam como uma proteção extra para os olhos, mas ela estava mais concentrada em gastar todas as balas que tinha dentro da Glock 19, que tinha escolhido para praticar o tiro ao alvo.
achava perigoso que estivesse assumindo o sentimento de culpa para a raiva, mas ela simplesmente não tinha como controlar as próprias emoções àquela altura.
Ela estava com raiva da equipe, com raiva de Derek.
Ele não podia a impedir, não podia invalidar a sua ideia daquela maneira. Era uma boa ideia, mas a existência do perigo a rondando o tempo todo o apavorava.
Como ela podia competir com o medo de Derek de perdê-la outra vez?
A mulher parou de disparar a arma e soltou a Glock em cima da bancada na sua frente, tirando os óculos em seguida, suspirando frustrada. Seu alvo tinha sido acertado diversas vezes no meio do peito e no rosto. Se fosse uma simulação, ela estaria meio preocupada, mas como usou a atividade para extravasar suas emoções, ignorou o resultado de qualquer coisa.
— Obrigada. — Ela murmurou para o instrutor, ao entregar os materiais que tinha pego.
O rapaz, que parecia jovem demais, assentiu. acenou com a cabeça em despedida e se retirou do local, pegando o celular do bolso da calça.
Não foi surpresa alguma encontrar inúmeras mensagens de Derek e Penelope, mas ela não respondeu nenhuma. Tinha saído da delegacia havia algumas horas e embora ela soubesse que tinha sido antiprofissional da sua parte, ficar no local estava deixando-a nauseada.
A agente caminhou até uma cafeteria, sentando-se do lado de fora, esperando o seu pedido ser atendido. ainda tinha a atenção no celular. Ela ainda não estava disposta a responder nenhuma mensagem, mas uma específica do seu parceiro de trabalho, Richard Donner, fez-lhe surgir uma ideia que não agradaria ninguém. Se a equipe não queria apoiá-la a capturar o serial killer mais cedo, então ela faria aquilo sozinha.
Sentia-se o tempo todo à beira de um precipício, só esperando um empurrãozinho leve para que finalmente caísse. Ela não aguentava mais se sentir assim, não aguentava a culpa a consumindo, não aguentava deixar espaço para sentir tanta raiva. Ela não podia se sentir responsável por mais mortes de outras mulheres. Vê-las com o rosto deformado devido às queimaduras e caracterizadas para parecer que era ela… tudo demais para o seu emocional.
clicou no nome de Donner e esperou o mais velho atender a ligação.
— Oi, Richie! — Ela cumprimentou assim que ele atendeu. — Sou eu.
O mais velho, do outro lado, sabia disso. Não porque viu o nome dela na ligação, mas porque reconheceria a voz de em qualquer lugar. Ela tinha sempre uma ponta de preocupação na voz, não importava qual fosse o assunto.
No que eu posso ajudar? — Ele perguntou, preferindo ser direto.
— Sabe, eu podia estar com saudades... — fingiu-se de ofendida. — Quântico pode ser bem conturbado.
Ela não estava exatamente em Quântico no momento, mas não deixava de ser uma verdade.
Você? — Ele brincou, o som de uma risada presente. — Eu acho que não, . Então, o que você precisa?
— O arquivo do caso de Louis McLanner. Você pode me mandar?


ㅤ📍 Delegacia de Missouri/EUA:

A equipe tinha se dividido em tarefas separadas, uma tática que ajudava a acelerar a investigação. Derek Morgan continuava sentado na cadeira, o pensamento longe, embora ele soubesse que deveria estar com a atenção completa na caixa de arquivos novos que tinha chegado somente há alguns minutos.
A sala estava silenciosa, o som de agito somente do lado de fora.
Ele não conseguia pensar em como tinha sido um pouco estúpido e egoísta ao impedir que a ideia de fosse aceita. Era óbvio que a equipe entenderia o temor dele e não hesitaria em levar mais em consideração as palavras dele do que as dela, mas ele não gostou nem um pouco da sensação que lhe tomou, assim que viu a mulher sair porta afora e não voltar mais.
Fazia algumas horas que tinha saído e não avisou para onde tinha ido, o que o deixava em um estado de preocupação alerta. Tinha um assassino planejando vingança contra ela, por que diabos a mulher era tão teimosa em estar sozinha?
O agente também pensou em pedir à Garcia que rastreasse o celular dela, mas sua situação já estava ruim o suficiente para que pensasse em piorar.
— Oi, docinho.
A porta foi aberta e Garcia entrou, fechando a mesma atrás de si. Ela aproximou-se de Derek, imaginando que ele deveria estar um pouco desatento. Não o julgava, porém, uma vez que também compartilhava a mesma preocupação dele em relação à .
— Eu fiz tudo errado, não foi? — O homem indagou, assim que Penelope sentou ao seu lado.
Ela balançou a caneta entre os dedos, soltando um suspiro ao encarar o amigo de longa data. Ela e Derek eram bastante íntimos, os dois trocavam flertes de brincadeiras e nunca havia passado disso, muito pelo contrário, a amizade de ambos só crescia.
— Talvez um pouco... — finalmente respondeu. — Acho que você poderia ter argumentado os motivos de ter sido contra a ideia dela sem que envolvesse que você estava com medo de perdê-la.
— Isso não é motivo suficiente? — Indagou.
A analista supriu a vontade de revirar os olhos. Morgan era tão inteligente, mas parecia estar cegado no momento pelos próprios sentimentos.
— Para você, é. — Garcia continuou. — Mas a não vai se importar tanto com a própria segurança, quando tem um serial killer matando mulheres grávidas, Derek. E ela se sente culpada por isso.
O homem assentiu devagar. Sentia-se ainda mais estúpido com as palavras da amiga, sabendo que ela estava certa. Ele precisava evitar, que no ambiente de trabalho, suas emoções tomassem conta de si antes da razão. Ele podia mesmo ter argumentado ser contra com motivos profissionais e não emocionais, e ela ainda estaria ali.
Garcia apertou o braço dele, um gesto de consolo para mostrá-lo que ela estava ali, caso precisasse. Ele sabia disso, mesmo sem precisar ser lembrado.
— O que eu faço agora? — Ele questionou, olhando o celular mais uma vez, só para verificar que ainda estava sem resposta.
Garcia suspirou mais uma vez e sorriu, tentando ser o mais otimista possível, disfarçando a sua enorme preocupação com a outra amiga.
— Dê um tempo... — aconselhou. — Ela vai voltar.


ㅤ📍 Em algum lugar de Missouri/EUA:

Depois de Donner ter enviado os arquivos que solicitou, ela pagou o café e voltou para o carro que tinha alugado algumas horas antes.
Ainda estava estacionado ao lado de um restaurante, mas a agente não estava se importando tanto com as coisas ao seu redor. Seu único foco eram aqueles arquivos no seu e-mail e capturar o assassino.
A mulher respirou fundo, ignorando mais uma vez o toque de mensagem do celular. Tinha certeza que era Derek mandando mais alguma coisa, provavelmente perguntando onde ela estava. Mas não estava com humor para responder qualquer uma das mensagens. Ela ainda achava que ele deveria tê-la apoiado na ideia da emboscada.
Como todo agente, qualquer plano tinha risco. Morgan precisava aprender a separar o pessoal e o profissional no ambiente de trabalho, principalmente se envolvesse , uma vez que ela não gostava de misturar as duas coisas. Nem sequer deveria estar envolvida com ele no seu tempo ali, ela só precisava resolver o caso e voltar para a sua equipe. Mas as coisas sempre pareciam mais complicadas do que normalmente era.
Desde que chegara ali, era como se estivesse vivendo um pesadelo. Não conseguia aguentar o peso de carregar a culpa por mulheres grávidas estarem morrendo por sua causa, por puro capricho de vingança daquele desgraçado.
esfregou as têmporas, sentindo a cabeça latejar. Suspirou e encarou a tela do celular, aberta no seu e-mail pessoal. Donner não tinha exatamente permissão de compartilhar os arquivos confidenciais daquela maneira, mas sempre dava um jeito de fazê-lo quebrar algumas regras. Além do mais, não era como se ela fosse contar aquilo para alguém.
A agente abriu o primeiro arquivo do caso: continha todas as informações que ela já sabia, mas continuou analisando como se fosse a primeira vez trabalhando nele. Bebeu um gole do café que pagou para viagem e passou para o próximo arquivo.
Na primeira vez, ele sempre estava em Los Angeles, por que tinha concentrado duas novas vítimas em Missouri, então? Alguma coisa não estava batendo, principalmente se fosse considerar a geografia.
A mulher bufou, pensando que seria melhor se não estivesse pensando sozinha. Tinha a impressão que, se estivesse com o doutor Reid ali, ele teria solucionado aquele enigma em menos de cinco minutos.
passou para o segundo arquivo, já na metade do copo de café, quando uma informação chamou a sua atenção: Missouri estava datado ali uma semana antes do assassino ter ido procurar por ela no seu apartamento. E o agente Donner também estava ali uma semana antes. Ela lembrava quando seu parceiro precisou tirar dois dias de licença, mas não sabia para onde ou o que ele tinha ido fazer. Naquela época, estava tão esgotada, que mal percebeu alguma coisa.
Ela discou o número dele novamente, que atendeu no primeiro toque.
— Por que Missouri?
Donner franziu o cenho do outro lado, mesmo que ela não o estivesse vendo.
Do que você está falando? — Indagou.
— Dos arquivos, Donner... — respondeu. — McLanner esteve em Missouri uma semana antes de eu ter sido atacada. Você também. Alguma ligação?
O homem suspirou.
Sim... — disse. — Foi aí que tudo começou. Ele só veio para Los Angeles, porque seguiu a vítima e seguiu você.
— Está me dizendo que esse lugar é um fator de estresse para ele? — questionou.
Basicamente isso! — Continuou. — Recebemos uma denúncia da polícia local, então eu fui pessoalmente verificar, mas ele já tinha sumido novamente. Eu sei que eu deveria ter te dito sobre isso, mas você estava esgotada, .
No começo da parceria, não tinha se acostumado com a presença constante do homem e a preocupação dele que a rodeava. Donner era duas vezes mais velho do que ela e a tratava como uma filha, então ela não podia culpá-lo por poupar ela de qualquer outro estresse naquela época e jamais poderia culpá-lo por qualquer outra coisa, mas ela não gostava daquela interferência no trabalho. Fazia-a se sentir incapacitada.
Se não confiavam que ela podia fazer o próprio trabalho, por que estava no FBI, afinal?
— Me mande os endereços. — Foi tudo o que ela pediu.
Você está com alguém? — Havia hesitação na sua voz, mas ela não se importou.
Enlouqueceria se tivesse que esperar mais um pouco para fazer alguma coisa. Sabia, no fundo, que estava sendo egoísta e impulsiva, mas se houvesse uma chance de salvar as outras mulheres, ela o faria.
— Os endereços, Donner! — Repetiu, com mais firmeza na voz e encerrou a ligação.
Cinco minutos depois, ele mandou os endereços dos locais que possivelmente McLanner estaria. não achava que o assassino estivesse em nenhum dos locais, mas isso era quando ele ainda tinha alguns resquícios de sanidade. Agora, ele estava bastante instável e algum lugar ali significava alguma coisa para ele.
Deviam ter percebido isso antes.
Colocando o primeiro endereço no GPS, ela deu partida no carro, desligando o celular.


ㅤ📍 Delegacia de Missouri/EUA:

Derek Morgan tentou resistir ao fato de pedir que Garcia rastreasse , mas, no fim, acabou cedendo. O homem não estava conseguindo se concentrar no trabalho e nem nas discussões da investigação. Todos diziam a ele a mesma coisa: ela precisa de um tempo, mas vai voltar.
Mas já faziam horas.
não retornara nenhuma de suas mensagens e nem de Penelope. Se ela estava ignorando todo mundo da equipe, alguma coisa não estava batendo.
— Acabei de falar com a família de Louise Lawler... — Jareau anunciou, soltando um suspiro de pesar, deixando os ombros caírem. — Às vezes, acho essa parte mais difícil do trabalho.
Prentiss, que estava ao lado da amiga, afagou o ombro dela rapidamente, consolando-a.
Todo mundo ali a entendia. Ninguém gostava de dar notícias ruins aos familiares. Eles trabalhavam para que tornasse possível levar notícias boas, mas nem sempre as coisas aconteciam do jeito que queriam.
— Nós analisamos todas as câmeras no momento em que a vítima foi capturada, mas não há nada. — Rossi informou. — Nenhuma testemunha.
O caso ia de mal a pior. Eles já tinham dado o perfil para os policiais locais e pediram que eles fizessem rondas em grupos nas áreas selecionadas por Reid, onde havia mais riscos de o assassino agir. A agente Jareau também usou a mídia para alertar as mulheres grávidas que se encaixavam no perfil da vítima, pedindo que elas ficassem em casa o máximo que pudessem e sempre com alguém de companhia. Também divulgaram o rosto do assassino.
Quando Hotchner abriu a boca para dizer alguma coisa, Penelope entrou na sala, abrindo a porta com agitação. Sua expressão indicava que não tinha coisas boas para contar.
— Não consegui rastrear a ... — foi a primeira coisa que ela disse, olhando para Derek. — Mas isso não é o pior.
O desespero era visível no rosto e na voz da mulher. Morgan levantou-se da cadeira, parando bem na frente da amiga. Os outros esperaram em silêncio.
Baby, o que aconteceu? — Morgan indagou.
Sua respiração estava acelerada. Seja qual fosse a notícia, ele sabia que envolvia e que não era boa mesmo. Mesmo assim, manteve o controle e regulou a respiração.
— O parceiro dela ligou... — Garcia começou a explicar para ele e o resto da equipe, reunidos ao redor dela. — Ele me perguntou se havia alguém com a e eu expliquei o que tinha acontecido. O agente Donner disse que ela solicitou os arquivos antigos do caso.
Ela ajeitou os óculos no rosto, engolindo a seco, tentando manter os pensamentos neutros para que pudesse explicar sem complicações. Ninguém a apressou.
— O que havia nos arquivos? — Prentiss perguntou.
— Uma semana antes de ser atacada, McLanner esteve aqui, em Missouri... — ela continuou explicando, respondendo à pergunta de Emily. — Aparentemente, foi aqui que tudo começou.
— Então ele quer que termine aqui também! — Hotchner completou.
Garcia assentiu rapidamente.
— Donner deu os possíveis endereços que ele pode estar localizado. — Ela disse. — Ele pensou que estava acompanhada, então…
Morgan piscou os olhos, processando a informação.
— Pen, você está dizendo que a foi sozinha? — Perguntou. — Ela foi atrás daquele desgraçado… sozinha?! — Ele virou as costas, esfregando as mãos no rosto.
Não era possível. Ele sabia que tinha sido um babaca em impedir que ela tivesse feito o seu trabalho como isca, mas não imaginava que ela fosse fazer uma burrice como aquela.
— Garcia? — Hotchner chamou.
Era possível sentir que todo mundo ali estava apreensivo.
Penelope respirou fundo e olhou para seu chefe.
— Sim, senhor! — Respondeu. — A foi sozinha atrás de Louis McLanner. São três endereços. E, infelizmente, não consigo rastreá-la.



Parte Cinco
Por favor, só me salve dessa escuridão.

ㅤ📍 Em algum lugar de Missouri/EUA - Horário desconhecido:

Quando chegou no primeiro endereço indicado, ela soube imediatamente que McLanner não estava ali. Não precisou sequer sair do carro. Era uma rua estreita, mas cheia de casas grandes e bem cuidadas, com as gramas dos jardins molhados. Havia crianças correndo pela rua, risadas altas ecoando. Não havia espaço para ele estar escondendo vítimas grávidas ali e, definitivamente, não haveria como ele manter tudo sem que um vizinho espionasse ou estranhasse alguma coisa.
Então ela dirigiu até o segundo endereço.
Dessa vez, ela saiu do carro. O segundo local revelava uma fazenda, com vizinhos distantes e terras silenciosas. Quando ela andou ao redor, com a arma apontada na mão, observou que o lugar não estava sendo cuidado havia um bom tempo, mas não encontrou nada suspeito ali. Revirou todo o local e nem sequer um fio de cabelo suspeito denunciava qualquer presença do serial killer ali.
esfregou as têmporas, um latejar indicando outro início de dor de cabeça. Ela não estava com os remédios ali e não voltaria para a delegacia sem nada. Aquele bilhete ainda estava perturbando-a, incentivando a sua necessidade de acabar com aquilo tudo de uma vez. Mais uma mulher morta por sua causa seria demais.
A agente voltou para o carro e checou o último endereço. Não era muito longe dali e em menos de quarenta minutos, ela tinha chegado. Era outra fazenda, mas muito maior do que a última em que ela estava. Também parecia estar abandonada.
A mulher sentia cada pedacinho seu sendo derrotado. Não era possível que tivesse feito aquilo tudo para, no final, descobrir que ele não estava em nenhum dos locais. sabia que os três endereços tinham alguma coisa a ver com ele, mas não sabia como. Não queria ligar o celular, então só seguiu às cegas.
Ela saiu do carro, tirando a arma da cintura, segurando firme em suas mãos. Adentrou a fazenda, mantendo o corpo alerta, pronta para ouvir qualquer coisa. Ela verificou cada parte da casa, demorando mais tempo. Havia muitos cômodos e a porta do porão quase não foi aberta.
Nada.
Não havia nada ali e nem ninguém.
Abaixando a arma, ela soltou um suspiro frustrado e refez o caminho, tentando voltar até o carro. Podia fazer uma ligação agora, embora não estivesse com vontade nenhuma de aguentar algum sermão. Donner não deixaria a outra equipe no escuro. Não se estivesse preocupado com e conhecendo o seu parceiro, ela tinha certeza que ele alertou a equipe de Morgan sobre o que ela tinha feito. Mas não tinha dado em nada. Os três endereços estavam vazios. Não havia sequer uma pista ali.
Tentando decidir para quem ligaria primeiro, ela ligou o celular. Mas nunca chegou a fazer qualquer ligação, porque alguma coisa a atingiu na parte de trás da cabeça, fazendo-a desmaiar.
Louis McLanner agarrou o corpo da agente antes que a mesma atingisse o chão. Ele a pendurou no ombro e levou-a até as outras duas vítimas que ele ainda mantinha em cativeiro, mas não sem antes se livrar do carro da mulher.


ㅤ📍 Delegacia de Missouri/EUA:

Derek Morgan estava uma pilha de nervos.
Sentado em uma cadeira distante da mesa, ele observava o trabalho de Reid em silêncio, esquecendo que o restante da equipe estava disperso. Sua mente trabalhava mil coisas. Ele não tinha passado por aquilo com ela, mas imaginou que um dia uma coisa semelhante pudesse acontecer.
Mas a questão ali era a perda. O agente não se achava capaz de perder a mulher duas vezes. A primeira tinha o destruído o suficiente e mal tinha conseguido juntar os pedaços antes da volta dela, uma segunda vez seria muito pior.
Céus, não poderia perder . Seria como perder a si mesmo.
— Ele não tem como estar no primeiro endereço... — ouviu a voz de Spencer dizer e levantou os olhos até o colega, mantendo a sua atenção fixa nele. — É um bairro comum e familiar, muito estreito e testemunhas demais para ele se arriscar levando as vítimas.
Reid riscava algo na enorme tela ao seu dispor. Ele era muito bom em qualquer coordenada geográfica e o mais indicado para analisar todos os endereços em busca de alguma resposta. O quadro estava com um mapa de Missouri preso e várias linhas riscadas ao seu redor.
— Então por que esse endereço foi uma opção? — Morgan arriscou perguntar.
— Há uma casa no nome dele. — Garcia respondeu, sem tirar os olhos da tela do notebook preso ao seu colo. — Sua mãe faleceu ainda quando ele estava na prisão e passou a residência para ele.
— E os outros endereços?
— Uma fazenda no nome do pai... — ela respondeu. — Mas no terceiro local, não há nada. É uma fazenda também, mas…
— Os dois últimos endereços são muito próximos. — Reid tornou a explicar, apontando alguma coisa no mapa. Havia dois pontos vermelhos destacados próximos um do outro. — As duas áreas encobrem fazendas, mas não parece haver qualquer tipo de atividade por lá nos últimos anos. É uma civilização afastada.
Morgan assentiu, tentando manter a postura o mais confortável possível.
— Há alguma chance de ela estar nesses dois últimos locais? — Rossi indagou.
— Sim, há. — Spencer Reid respondeu prontamente. — A equipe terá que ser dividida para cobrir as duas áreas.
— Garcia, alguma notícia? — Hotchner questionou.
Todos estavam juntos na pequena sala. Morgan conseguia sentir a tensão vindo deles, mas sabia que era porque significava alguma coisa para ele. Não alguma coisa. significava tudo para ele. Sua equipe se sentia responsável por solucionar o caso o mais rápido possível, antes que alguma tragédia maior pudesse acontecer.
Era uma sensação angustiante.
— Não, senhor. — Garcia tirou os olhos da tela e suspirou. — Mas fui atrás de todo o passado dele. Louis McLanner cresceu com os pais biológicos, mas era maltratado pelo pai. Ele insistia que sua mãe denunciasse as violências sofridas, mas ela nunca fez nada. Há alguns anos, o pai faleceu em um acidente de carro e deixou a fazenda em seu nome... — continuou explicando. — Ele nunca aceitou e deixou o local abandonado. Deixou a mãe vivendo sozinha e saiu da cidade. Foi quando conheceu a sua ex-noiva.
Dali em diante, os presentes sabiam o restante da história. Não havia sequer um final feliz compondo-a.
— Históricos psiquiátricos? — Prentiss pediu.
Garcia assentiu.
— Problemas de raiva e dificuldades para socializar.
— Imagino por que não lidou bem com o término do relacionamento... — Rossi murmurou.
— Como conseguiu chegar nesses locais? — Jareau indagou, em dúvida.
— Ela deve ter alugado um carro. — Morgan respondeu.
Vários pares de olhos atentos se voltaram para Garcia. Ela entendeu o recado.
— Não tenho como rastrear sem saber qual carro e de que empresa ela alugou. — Garcia explicou. — Sou uma pessoa que também precisa de informações.
Penelope era muito boa em rastrear qualquer pessoa com o mínimo de informação, Morgan pensou, mas tinha sido esperta em dificultar aquele processo com o celular e o carro. Não fazia sentido ser uma agente federal, se não conseguia encobrir os próprios rastros por algum tempo. Em outra ocasião, ele se sentiria orgulhoso de tal feito.
— Ela deve ter ido para o primeiro local... — Reid chamou a atenção. — Como é uma área residencial comum, deve ter câmeras.
— Muito obrigada, gênio! — Garcia exclamou, estalando um beijo carinhoso na direção do amigo. Ele balançou a cabeça. — Vou encontrá-la em alguns segundos. Esperem um pouco…


ㅤ📍 Local desconhecido em Missouri/EUA:

CENA COM GATILHO - DESCRIÇÃO BREVE DE TORTURA E AMEAÇAS.
As falas estarão entre "***", pule-as em caso de desconforto.

Ela soube que estava em perigo antes mesmo de abrir os olhos.
O cheiro de mofo e terra molhada preencheram suas narinas e o chão sob os seus pés também estavam molhados. Ela estava descalça, as mãos presas às correntes de ferro penduradas no teto e sua cabeça latejava lentamente. Tentou mexer o corpo, mas algo doía.
A agente resmungou algo incompreensível e finalmente abriu os olhos. A luz fraca não iluminava muita coisa e ela precisou piscar várias vezes, tentando se ajustar com a iluminação precária do local.
— Finalmente você acordou! — Uma voz grave disse. — Estava começando a ficar entediado.
reconheceu a voz de McLanner. Imediatamente despertou, passando os olhos ao redor com mais cuidado. Estava presa bem no meio do lugar e quando tentou puxar as correntes, só sentiu seus ombros doerem.
Resmungou algo baixinho e engoliu a seco, quando notou que as mulheres grávidas desaparecidas recentemente estavam ali, deitadas em uma maca uma de cada lado da parede, amordaçadas. Pareciam apavoradas demais e conseguiu notar lágrimas nos olhos das prisioneiras.
— Sabe, agente ... — o assassino continuou. — Você quase foi esperta.
Furiosa, encarou-o. Ele estava perto dela, onde havia uma mesa cheia de ferramentas.
— Vou matar você! — Ela declarou, a voz dura.
Louis McLanner passou o dedo na lâmina da faca e soltou uma risada fraca, como se estivesse debochando verdadeiramente da mulher.
— Não, eu acho que não... — ele desdenhou.
piscou os olhos, sentindo-se inútil. E um pouco burra também, por ter se deixado levar por uma emoção tão impulsiva quanto a raiva. Ela podia ter avisado a alguém o que estava fazendo, ao menos para que não fosse sozinha para o local, mas não pensou sobre isso. Só estava disposta a qualquer coisa para pôr fim naquele pesadelo e agora estava ali, frente a frente com o assassino de novo, mas não conseguia detê-lo.
— Você tem ideia do inferno que eu passei? — Ele continuou a falar, o sorriso sumindo dos lábios.
notou a mudança no corpo dele. McLanner usava todo o seu tom de rancor para se dirigir à mulher, os olhos escuros de raiva, como se ela fosse a única culpada de tudo.
***
— Você já parou para pensar que só está sofrendo as consequências de suas escolhas? — Ela rebateu, os dentes trincados.
O assassino a encarou, aproximando-se o suficiente para passar a lâmina pela pele do braço dela, trilhando uma linha pequena e fina, cortando o bastante para sair um filete de sangue.
resmungou baixo, sentindo a sua cabeça latejar ainda mais forte.
Aquele nível de dor ainda era adequado para ela aguentar. Não era a primeira vez que estava sendo torturada, e com certeza não seria a última. Seu trabalho garantiria aquilo.
— Vou cortar a sua língua! — Ele ameaçou, os olhos fixos nela. — E depois, vou terminar com elas. — Ele apontou para as vítimas atrás de si.
***
remexeu o corpo com força, tentando avançar para cima dele, mas se sentia fraca demais para tentar um confronto tão direto, ainda mais quando estava em desvantagem. Não podia morrer. Não ali, não agora.
— Eu não sabia como chamar a sua atenção... — ele disse, brincando com a faca. — Então fiz o que eu sabia melhor. Deu certo, não é? — Murmurou, um vestígio de diversão dançando na voz. — Como você se sentiu quando perdeu o bebê? Sempre quis saber.
engoliu a saliva, furiosa. Queria matá-lo.
— Por que isso é relevante para você? — Ela questionou.
McLanner deu de ombros.
— Gosto de saber que eu tirei algo valioso de você. — Respondeu, limpando o sangue da lâmina.
— Não, não tirou... — mentiu. — Eu não sabia que estava grávida. Isso não mudou nada.
Ela percebeu quando ele cerrou os dentes, irritado o suficiente por não conseguir manter aquele triunfo contra ela. A gravidez tinha sido uma perda surpresa para ela e sofreu mais do que imaginou que fosse, mas jamais, em hipótese alguma, deixaria aquele desgraçado se gabar disso.
— Continuei a minha vida, com o meu trabalho, mas você? — Ela continuou a falar. — Você estava apodrecendo na prisão, exatamente onde é o seu lugar.
***
virou o rosto, sentindo o tapa arder contra a sua bochecha. Cuspiu o sangue no chão, sentindo a sua pele latejar onde ele tinha batido.
McLanner segurou o cabelo da mulher com força, puxando o seu pescoço para trás, forçando-a a olhar para ele. O assassino escorregou a lâmina da faca direto para o pescoço descoberto da agente e ela se debateu contra as correntes.
— Quieta! — Ele ordenou, pressionando ainda mais a faca contra a sua pele. — Sonhei com esse momento todos os dias desde que você me mandou para aquele buraco. Agora… — ele lambeu o sorriso sádico nos lábios. — Agora vou fazer tudo o que imaginei com você.
curvou o corpo quando sentiu ele golpear seu estômago com o joelho. Ele a chutou com força, jogando a faca no chão. Andou até a mesa de ferramentas e não hesitou nem por um segundo ao pegar a ferramenta de choque.
McLanner sentiu-se satisfeito quando encostou a ferramenta na pele da mulher e ouviu o primeiro grito dela ao sentir o choque percorrer todo o seu corpo.
E ele estava só começando.
***


ㅤ📍 Delegacia de Missouri/EUA:

Aaron Hotchner tinha começado a organizar a equipe tática, em parceria com a polícia local, para começarem a agir assim que tivessem um endereço.
Garcia ainda estava trabalhando na localização da agente e Reid tinha terminado o mapa, determinando os pontos possíveis que o assassino estava ligado. Dr. Reid era melhor naquilo do que qualquer outra pessoa presente no ambiente e ninguém duvidava do seu trabalho, sempre tomando-o como certo. A confiança era uma coisa valiosa em equipe e ele se sentia grato por aquilo, por encontrar pessoas que o entendiam.
Por outro lado, Morgan estava em uma sala vazia, exceto com mesas velhas guardadas ali e caixas por todo o lado. Ele tentava colocar o colete sozinho e em silêncio, tentando não sucumbir aos pensamentos ruins que estava tendo. Uma culpa enorme o consumia. Derek não conseguia imaginar o que faria se algo acontecesse à por simplesmente ter negado que ela fizesse o seu trabalho.
Ele tinha sido um completo idiota, sabia disso, mas o medo de perdê-la sempre falava alto naqueles casos. Era por isso que ambos não trabalhavam juntos e estava muito bem em outra cidade. Também era por isso que nunca falavam de trabalho quando estavam juntos; era mais fácil fingir que nenhum dos dois corriam riscos nenhum.
A porta foi aberta e Prentiss entrou por ela, fazendo o menor barulho possível, mas Morgan já tinha se virado, encontrando a colega. Ele lançou um sorriso fechado para ela, terminando de colocar o colete com o logotipo do FBI bem no centro, em preto e branco, e ajeitou o coldre da arma.
— A equipe já está pronta para o resgate! — Ela anunciou.
Morgan assentiu.
— É melhor que não use a palavra “resgate” na frente da ... — murmurou.
Emily balançou a cabeça, sorrindo, e se aproximou do colega. Podiam agir normal, fingindo que nada estava acontecendo, mas ela estava há tempo suficiente naquela equipe para saber que ele estava se torturando um pouquinho. Não apoiava o que ele tinha feito, mas o entendia. Eram duas linhas muito tênues.
— Não foi sua culpa. — Ela começou a dizer, cruzando os braços, parando um pouco ao lado da porta, próxima a ele. — Ela faria isso de qualquer forma.
Morgan respirou pesado.
— Eu sei. — Concordou com um aceno cansado. — Mas podia ter feito conosco, contado com nosso apoio. Eu quem estraguei essa possibilidade.
Ele nunca, jamais, duvidava do trabalho da ex-namorada, muito pelo contrário. Confiava no que ela fazia e em todas as suas experiências adquiridas em campo, mas até um agente novato sabia que não deveria checar qualquer pista sozinho. Era melhor que levasse um apoio consigo e ignorou toda aquela regra de boa conduta e profissionalismo. Esperava que ela se saísse melhor do que estava pensando.
— Esse trabalho é difícil... — Emily comentou. — Não faço nenhum julgamento quando nossas emoções interferem mais do que a razão. Mas talvez você agora aprenda. Nós vamos recuperá-la, está bem?
Ansioso por qualquer esperança, ele assentiu, confiando nas palavras da sua colega — e amiga —, de trabalho. Quando a porta foi aberta novamente, um policial apareceu.
— Estão solicitando a presença de vocês. — Ele disse.
Prentiss e Morgan agradeceram ao policial e saíram ao mesmo tempo, voltando juntos para onde a equipe estava antes, com Reid e Garcia. Aaron estava lá, com o restante e com os policiais escolhidos prontos.
— O que aconteceu? — Prentiss indagou, assim que chegou perto.
JJ e Reid estavam no outro espaço, discutindo algo baixinho sobre o mapa, mas logo voltaram para perto dos outros, as mãos do mais novo sujas de tinta vermelha devido ao piloto.
Garcia levantou os olhos para Emily, assim que ouviu a pergunta dela ecoar e soltou um suspiro, girando a tela do notebook, de modo que ficasse de frente para todo mundo.
— Foi um pouquinho difícil, mas segui a dica de Spence. — A analista começou a dizer, encarando Morgan por um breve momento. — Puxei as imagens das câmeras do primeiro endereço e consegui a placa do carro que alugou. Eu rastreei-a até a segunda fazenda.
Reid se virou para o mapa, circulando a área que cercava a fazenda.
— É uma área muito extensa... — ele comunicou. — Vamos nos dividir em três equipes para conseguir fechar tudo e não esperem testemunhas. Aquele lugar está abandonado há anos.
Morgan engoliu a seco, meio aliviado e meio preocupado. Ele sentiu o olhar de Penelope sobre si e quando olhou para ela, a mulher estava inquieta.
— Garcia, o que foi? — Ele indagou.
A analista puxou o notebook de volta para si, digitando algo muito rápido contra as teclas.
— A tentou usar o celular... — disse. — Mas o sinal caiu logo em seguida. Eu acho que ela encontrou o assassino.
Morgan sentiu seu coração ser esmagado contra o próprio peito, mal respirando. Aquela era uma péssima notícia, considerando que, se tinha mesmo encontrado Louis McLanner, não tinha efetuado a prisão. Ele estava com ela.



Parte Seis
Este coração bate apenas por você.

A fazenda abandonada estava cercada pelo FBI e os policiais locais. Como Reid tinha indicado antes, as equipes se dividiram em três, com Aaron comandando uma, o delegado outra e Morgan com a última.
Depois de verificarem que não havia explosivos ao redor, eles se prepararam e se juntaram, pronto para fazerem uma revista geral do local. As equipes se dividiram e Morgan seguiu com a sua, acompanhado de Prentiss, Rossi, Reid e mais três policiais. Eles adentraram a casa da fazenda, com as armas postas nas mãos, apontadas para um possível alvo à sua frente, um sempre acobertando o outro.
— Vou olhar lá em cima! — Prentiss informou, sendo seguida por Reid.
Morgan e os outros revistaram a casa na parte debaixo, a sala e a cozinha, não encontrando nem mesmo um vestígio que indicasse que uma pessoa esteve ali antes. Tudo estava empoeirado e tinha comida estragada nos armários.
— Está tudo limpo! — Reid disse, voltando do andar de cima com Prentiss.
Eles relaxaram as mãos com as armas e olharam em volta por puro costume. Morgan respirou frustrado.
— Nós encontramos o carro que alugou... — Aaron avisou para eles, através da escuta. — McLanner teve trabalho para esconder as provas de que ela está aqui.
— Não há nada aqui, Hotchner! — Morgan devolveu.
Ele andou até a porta dos fundos. Era uma área muito grande e preenchida por árvores enormes. Não havia nem uma outra casa à vista e a que tinham acabado de revistar não tinha porão, então ele tinha que estar em algum lugar perto. Tudo indicava que estava ali.
Garcia tinha rastreado a última localização do seu celular e o carro estava ali. Não havia a menor possibilidade de ela estar em outro lugar, Morgan pensou. Nem que precisasse passar o dia inteiro ali, não sairia sem encontrar .
O delegado continuou revistando a parte de fora, mais a fundo da fazenda. Procurava por pegadas ou qualquer coisa que indicasse uma pista, um norte, apontando para onde o assassino tinha ido, qualquer caminho, mas tudo estava limpo, exceto por folhas caídas.
— Senhor... — um dos policiais chamou, escondido entre uma árvore e outra, bem no meio. — Aqui.
O delegado andou até ele. Quando chegou perto do policial, viu que ele apontava para o chão, onde havia uma demarcação muito suspeita. Eles começaram a limpar, devagar, a sujeira de cima e em menos de um minuto, encontraram o que parecia um esconderijo. Só precisava puxar o metal para cima, mas não o fez.
— Nós encontramos algo. — Avisou.
Morgan foi o primeiro a correr até onde o delegado estava. Todo mundo cercou a área e Aaron Hotchner tomou a frente.
— Precisamos ir com calma... — ele instruiu. — Se ele está abaixo do solo, vamos ter que ser o mais silenciosos possível para neutralizar qualquer ameaça. Ele pode estar armado e é isso que devemos esperar.
— Hotchner... — Morgan chamou. — Eu quero ir primeiro.
Aaron olhou para ele com seriedade. Mesmo que quisesse acatar o pedido, não podia. Havia muita coisa em risco e aquilo era pessoal para Derek.
— Sinto muito, Morgan. — Aaron negou. — Prentiss e JJ, vocês comandam.
As duas mulheres assentiram e se aproximaram. Quando um dos policiais puxou o metal para cima, revelou uma escada e elas perceberam que o local estava mal iluminado. Prentiss pediu uma lanterna e deixou que JJ descesse primeiro, sempre atenta para acobertar ela. Quando a loira pareceu segura lá embaixo, Prentiss desceu logo em seguida.
As duas guiaram o caminho assim que o restante da equipe desceu. Os policiais ficaram no solo, para manterem a cobertura, apesar de imaginar que não havia muitos jeitos de o assassino escapar. Ao que parecia, aquela era a única saída.

tentou manter os seus olhos abertos, mas seu corpo inteiro doía. Sangue escorria por seus braços e pernas, mas sua dor maior estava centrada no lado esquerdo da barriga, onde McLanner tinha a esfaqueado mais uma vez. Tinha aguentado os choques, mas sentia que estava perdendo sangue demais e se não acabasse indo para o hospital logo, não sobreviveria por muito mais tempo.
— Ande, converse comigo! — O assassino disse. — Não pode estar tão acabada assim, eu ainda não terminei.
Ela tentou respirar, mas também doía. Fez esforço o suficiente para conseguir cuspir nos pés daquele desgraçado.
McLanner a olhou irritado e se afastou um pouco, limpando a bota dos pés. Ele tinha as mãos sujas de sangue e conseguia ouvir o choro silencioso das duas mulheres ali, temendo que elas fossem as próximas a serem torturadas daquela maneira.
lamentou por elas terem precisado presenciar aquilo; teriam longas noites de pesadelos, mas ela garantiria que as duas sairiam vivas dali. Era uma promessa inválida, no entanto. Não tinha forças para se livrar das correntes e mesmo que conseguisse, não iria conseguir manter o combate corpo a corpo com o homem, que parecia forte em comparação a ela.
— Sua vingança não tem sentido... — ela murmurou. — Você que veio atrás de mim, lembra?
Ele apontou o ferro para ela.
— Porque você me caçou como um animal! — Gritou, descontrolado. — Se tivesse ficado quieta, eu não precisaria ir até você para mantê-la em silêncio. Fora do meu caminho!
Não havia nenhum sinal de estabilidade naquele homem. Ele estava totalmente descontrolado e qualquer coisa era uma arma na sua mão. McLanner achava que mantinha o controle sobre a sua vingança, mas, na verdade, seu estado mental só piorava.
— É o meu trabalho... — ela rebateu, a voz quase fraca. — Eu caço monstros como você.
O som de um tapa ecoou pelo local imundo. Ela já não sentia mais a dor do estalo da mão do homem contra o seu rosto e tinha certeza que a pele estava ficando arroxeada das agressões.
— Não sou um monstro!
deu uma risada fraca, piscando os olhos com dificuldade.
— Você matou muitas mulheres, McLanner. — A agente disse. — Mulheres inocentes. Isso faz de você um monstro.
Ele estava prestes a agredi-la com o ferro que segurava, mas uma voz o parou.
FBI! — Emily gritou, apontando a arma para ele, com JJ ao seu lado. — Abaixe a arma!
Louis McLanner se virou, encontrando as duas agentes do FBI e o restante da equipe atrás delas. levantou os olhos na direção da equipe.
O assassino, ignorando o aviso, virou-se para e tentou acertar o rosto dela com o ferro, mas JJ e Prentiss foram mais rápidas e atirou três vezes contra ele, derrubando-o no chão. observou o corpo caído e suspirou, em parte aliviada, em parte se lamentando, porque queria ser a que tinha puxado o gatilho.
!
Morgan atravessou as mulheres e correu até a ex. Ele a olhou inteira, vendo-a ensanguentada e machucada, e soltou um xingamento baixo, livrando-a das correntes com um alicate.
— Preciso de uma ambulância no local, agora mesmo! — Hotchner ordenou pela escuta para o delegado.
— Morgan, eu… — tentou falar, mas as palavras não saíram.
Derek pegou-a no colo e ela se agarrou a ele, como se sua vida dependesse disso.
— Você vai ficar bem! — Ele disse, a voz tremendo.
Foi a última coisa que ela conseguiu escutar, antes de finalmente fechar os olhos e perder a consciência, torcendo para que ele estivesse certo.
Ainda não estava pronta para partir.

Em dez minutos, a ambulância tinha chegado e ainda estava desacordada nos braços de Derek. Os outros policiais resgataram as duas mulheres presas, constatando que elas não tinham nenhum ferimento tão grave, mas precisavam ir ao hospital de qualquer forma.
Quando o local foi tomado pela perícia e o legista, Hotchner deixou o delegado encarregado de tudo, avisando que ia acompanhar o seu colega de equipe até o hospital. Morgan foi como acompanhante de dentro da ambulância e não soltou a mão dela por um minuto sequer, na esperança que ela acordasse a qualquer momento e apertasse seus dedos com força.
Ele temia. Temia por tudo. Temia perdê-la, temia não poder ver mais o seu sorriso, temia não acordar toda manhã com o rosto dela próximo ao seu na cama, desejando um “bom dia” preguiçoso quando seu humor estava bom. Por Deus, ele sentiria falta até das broncas daquela mulher! Sentiria falta dela inteira e sabia que não estava preparado para deixá-la ir. Não podia terminar daquela forma, não assim.
— Ela vai sobreviver? — Morgan murmurou para um dos paramédicos presentes.
O homem continuou bombardeando ar para os pulmões da mulher e olhou para Derek. Sua expressão não era boa e o agente quase pôde ver a pena nos olhos dele.
— Sinto muito... — o paramédico murmurou, sincero. — Não posso te dar uma resposta certa. Ela perdeu muito sangue e precisa de cirurgia.
Morgan apertou os dedos de contra os seus e esfregou o rosto com a mão livre, sentindo seu coração esmagar contra o seu peito.
... — ele sussurrou, encarando o rosto dela, sereno e pálido, contra o balão de oxigênio. — , por favor.
Ele continuou sussurrando baixinho até chegar ao hospital. Acompanhou os paramédicos e os médicos pelos corredores, ainda sem soltar a mão dela.
— Você não pode passar daqui. — Um enfermeiro comunicou.
Derek o encarou por um momento. Eles pararam de arrastar a maca de e o agente desviou os olhos para ela, compreendendo a ordem do enfermeiro. Não adiantaria discutir, ele simplesmente não podia entrar na sala de cirurgia com ela, por mais que quisesse.
Ele aproximou a boca do rosto dela e beijou-lhe a bochecha bem devagar.
— Volte para mim. — Sussurrou.
Ele soltou a mão dela e assistiu ela ser levada às pressas para a sala de operação.
Derek ficou ali, parado no corredor, encarando a porta fechada à sua frente. Uma porta que ele não podia atravessar; uma porta que o separava dela. Ele sentiu uma mão no seu ombro e quando se virou, Garcia estava ali. A mulher não disse nenhuma palavra. Apenas o abraçou em silêncio, enquanto o restante da equipe aparecia logo em seguida, preenchendo o corredor. Derek retribuiu o abraço da amiga e não percebeu que estava chorando baixinho quando a realidade o atingiu.
— Ela vai ficar bem! — Garcia murmurou, tentando confortá-lo. — Ela é a pessoa mais forte que eu conheço, vai ficar bem.
O otimismo era algo que ninguém tirava daquela analista, mas mais do que isso, Garcia acreditava nas próprias palavras mais do que ninguém. Para ela, não havia nada que pudesse vencer, exceto a morte. Mas, daquela vez, iria.

— O que você faria se eu morresse?
Derek deixou a panqueca cair no chão, surpreendendo-se com a pergunta repentina. Ele olhou para por um momento, sentada do outro lado da bancada da cozinha, com uma expressão tranquila e serena, parecendo nem um pouco preocupada com a pergunta que tinha acabado de soltar.
Morgan xingou baixinho, ouvindo a mulher rir e se abaixou rapidamente para pegar a panqueca de volta. Ele desligou o fogo e soltou a panela na pia, deixando a panqueca caída em um prato de lado.
— Que tipo de pergunta é essa? — Ele devolveu, nervoso.
Nunca tinha parado para pensar naquele assunto. Não era como se esperasse que isso acontecesse a qualquer momento.
— É uma pergunta normal, querido... — a mulher respondeu, estendendo a mão para que ele lhe entregasse o copo de suco de uva. — O que você faria?
Derek suspirou e deu a volta pela bancada, andando até ela. O homem parou atrás dela, apertando-lhe os ombros e beijou a base do pescoço dela, sentindo seu coração bater rápido demais.
— Eu não sei. — Ele respondeu, sincero. — Mas não gosto da ideia.
A expressão infeliz no seu rosto lhe indicava isso. Ele não tinha mesmo gostado de pensar na mulher morrendo ou algo do tipo.
bebeu um gole do suco e depositou a sua mão sobre a dele, ainda descansada em seu ombro.
— Eu sei que você não gosta da ideia... — ela murmurou. — É só que… Scott quase morreu hoje. E mesmo que a Yara e ele vivam se implicando o tempo todo, eu nunca a vi tão perdida. Nós temos um trabalho perigoso. Estou pensando nisso o tempo todo.
Ele concordava com ela. Tinham mesmo um trabalho difícil e o perigo era invisível a cada caso, mas o homem não pensava sobre aquelas questões se quisesse fazer um trabalho bem feito. Parte de conseguir concluir seus casos era porque ele não se permitia tais pensamentos.
Tudo o que ele via, todos os dias, já era coisa suficiente para pensar.
— Eu sei, . — Respondeu. — Mas não posso ficar pensando nisso o tempo todo. Por exemplo, não tenho como fazer o meu trabalho e ficar pensando em você morrendo.
Ela fez uma careta, embora ele não pudesse ver. Afastou ele de seus ombros e se virou de frente para ele, puxando-o pela cintura, deixando o rosto levemente inclinado na direção do namorado. A agente mordeu a parte interna da sua bochecha e sentiu o carinho que o homem fazia com o polegar nos seus braços.
— Você é tudo para mim, sabia? — Ela sussurrou, o sorriso enorme iluminando o rosto. — Você está certo, não pode ficar pensando mesmo sobre isso. Mas, caso aconteça, pode se certificar que Penelope não surte?
Ele riu mais relaxado e beijou a testa dela, depois a sua boca, até serem interrompidos pelo toque do celular da mulher. Ele se afastou dela e a olhou, recriminando-a só um pouquinho.
— Não me olhe assim! — Ela reclamou, descendo da bancada. — Eu te disse que estou de plantão.
A mulher encolheu os ombros, sentindo-se um pouquinho culpada por aquilo. Não gostavam de falar de trabalho quando estavam juntos, mas ela tinha alertado ao homem que ele não deveria vir nesse fim de semana, mas no próximo, que ela estava mais livre.
pegou o celular e atendeu no terceiro toque.
— Ai, Donner... — disse, os lábios em uma linha reta. — Não me diga que é um caso novo.
O homem riu do outro lado.
Na verdade, não! — Ele respondeu, fazendo-a suspirar aliviada.
Amava o seu trabalho, mas gostava de passar o tempo com Morgan sem interrupções.
Estou ligando para te intimar a aceitar o meu convite para um almoço. Nós queremos conhecer o seu namorado. Ela escutou as vozes de Yara e Scott no fundo e revirou os olhos.
— Vocês já conhecem ele... — ela recordou.
Conhecemos o agente Morgan... — Donner rebateu. — Não o seu namorado.
— Nossa, como vocês são chatos! — Ela resmungou. — Eu te dou uma resposta depois.
encerrou a ligação sem esperar que ele falasse mais alguma coisa e deixou o aparelho exatamente onde ele estava antes. Voltou para a bancada da cozinha, notando que seu namorado tinha deixado os pratos de panquecas prontos. Ela pegou a cobertura de morango e começou a derrubar na sua panqueca.
— Era o Donner... — ela finalmente disse, pegando o garfo e a faca para partir o primeiro pedaço do alimento. — Ele está nos chamando para almoçar.
Derek começou a comer sua própria panqueca, sem recheio, do jeito que gostava, mas acompanhado de café puro, sem açúcar. Ele olhou para .
— Algum motivo específico?
A mulher mastigou o alimento primeiro, resmungando positivamente o quanto aquilo estava gostoso.
— Não, só querem te conhecer.
Morgan arqueou a sobrancelha.
— Ele já me conhece... — replicou, usando o mesmo argumento que ela tinha usado antes.
Ela riu.
— Como agente Morgan. — Disse a resposta de Donner. — Ele quer conhecer você como meu namorado. Como você é comigo.
— Você tem noção de que eu não conheci nem seus pais primeiro, né? — Ele lembrou.
engoliu uma risada e mastigou outro pedaço da panqueca, espalhando mais cobertura de morango. Ela sabia que não deveria exagerar tanto, mas estava mesmo deliciosa.
— Que bom que você tocou no assunto... — ela disse, apontando o garfo para ele. — Porque eu também não conheci a sua mãe ainda.
Derek riu, levantando as mãos, como se estivesse se rendendo.
— Você não me dá chance nenhuma, mulher! — Reclamou, ainda rindo.
Ele deixou a panqueca de lado e andou até ela, puxando-a para si. Derek limpou o canto da boca dela com o polegar e roubou um selinho dela rapidamente.
Era assim que ele queria passar todas as suas manhãs: com ela em seus braços, os dois tomando o café juntos, rindo e se beijando. Queria dividir uma vida com ela, mas sabia que estava sendo um pouco precipitado em pensar naquilo. Sequer moravam na mesma cidade.
Para tomar aquela decisão, precisavam de dias de conversa para decidirem as coisas juntos.
Eu morreria. — Ele disse.
franziu o cenho, confusa, as mãos descansadas no ombro dele.
— Como é?
Ele suspirou.
— Quero colocar um anel em seu dedo antes de tudo... — ele explicou. — Mas sabe o que eu faria se você morresse? Eu também morreria.
lambeu os lábios, afetada. Sem dizer nada, ela apenas o abraçou, escondendo o seu rosto entre o ombro e o pescoço do homem, aproveitando aquele momento.
— Eu te amo.


Parte Sete
Duas almas, enfim, se unem.

ㅤ📍 Hospital de Missouri/EUA:

Quase duas horas depois, Morgan estava mais inquieto do que antes.
continuava em cirurgia e não havia mais nenhuma notícia atualizada sobre o andamento da operação, mesmo que ele estivesse correndo atrás de alguma enfermeira a cada cinco minutos, com Penelope seguindo-o a todo instante. Ele estava grato por sua equipe inteira estar ali, era muito bom não se sentir sozinho.
No entanto, parecia que um deles sempre acabava em uma cama de hospital, relembrando o tempo todo do que sua ex lhe dissera sobre o trabalho ser perigoso. Morgan tentava a todo custo não pensar sobre perdê-la, mas no que faria quando ela acordasse.
Porque ela iria acordar. Ele não aceitava outra coisa que não aquilo.
— Morgan, sente-se, pelo amor de Deus! — Garcia disse, apreensiva por ele estar andando de um lado para o outro. — Está me deixando nervosa.
Derek estava tão absorto no próprio sofrimento, que não parou para pensar sobre como Garcia devia estar se sentindo. JJ estava ao lado dela, segurando a sua mão e ele se sentiu o pior amigo do mundo. Garcia conhecia há mais tempo que ele, devia estar tentando se manter firme em não pensar sobre o pior. A analista costumava ser bastante otimista, mas, naquele momento, Morgan notou que talvez ela não conseguisse ser tanto.
O agente bufou e parou de andar de um lado para o outro e se sentou na mesma cadeira de antes, ao lado da analista.
— Desculpe, baby! — Ele disse, pegando a outra mão livre dela, depositando um beijo na sua palma. — Não quis ser egoísta.
Garcia balançou a cabeça em negação, dispensando o pedido de desculpas dele e apertou os seus dedos contra os dele, incapaz de dizer qualquer coisa. Parecia que a qualquer momento ela iria desabar de chorar, não importava qual fosse a notícia.
— Onde ela está? — Uma voz grave soou.
Toda a equipe olhou na direção do dono da voz e encontraram Richard Donner, acompanhado de Scott e Yara — ambos de mãos dadas.
Morgan levantou, afastando-se um pouco de Garcia e andou até os três recém-chegados. Aaron tinha avisado a eles do ocorrido e Donner jamais deixaria sozinha naquela situação.
— Ainda em cirurgia... — Derek respondeu, a voz cansada. — Não temos notícias.
Donner esfregou o rosto, a feição preocupada. Yara soltou um suspiro fraco e Scott apertou a mão dela, tentando passar tranquilidade, mas era uma sensação que não existia na sala de espera do hospital. Não havia nenhum rosto ali que expressasse tranquilidade, muito pelo contrário; Scott conseguia sentir a aflição de todos presentes ali, incluindo ele.
— Ela é tão teimosa... — Donner resmungou. — Às vezes, tenho que implorar para ela não ser tão imprudente.
Morgan assentiu. Concordava com o Donner naquela questão, sabendo muito bem a ex que tinha. Era difícil tirar uma ideia de , principalmente quando ela estava tão determinada em segui-la.
— Não é culpa de ninguém. — O outro disse. — Ninguém teria conseguido impedi-la.
— É... — Yara murmurou. — Odeio como isso não parece reconfortante.
Eles assentiram e ficaram em silêncio em seguida, como se não soubessem mais o que dizer.
— Eu trouxe café! — Reid anunciou.
Morgan o observou segurar uma bandeja com vários copos de café ali, o suficiente para cada um e sorriu agradecido para o gênio, andando até ele. Não era muito fã de cafeína, mas, naquele momento, o gesto de Spencer valeu muito mais do que seu desgosto.
— Obrigado, pretty boy.
Reid crispou os lábios em um sorriso fechado e genuíno, distribuindo o café para o resto da equipe, enquanto todo mundo continuava em silêncio, na esperança de que a cirurgia acabasse logo e alguém, finalmente, aparecesse para dar alguma notícia.
Felizmente, não foi preciso esperar muito mais.
— Vocês são da família de ?
Um homem jovem apareceu, vestido apenas do pijama comum azul do hospital, indicando que ele tinha acabado de sair da cirurgia depois de quase três horas operando. Ele tinha uma expressão cansada, mas satisfeita e encarou o grupo na sala de espera.
Morgan imediatamente levantou, seguido de Garcia e a equipe de .
— Sim. — Derek respondeu. — Como ela está? Podemos vê-la?
O doutor, que Morgan descobriu se chamar “Holding” depois, fez um gesto com a mão pedindo calma. Ele suspirou antes de responder.
— Deu tudo certo na cirurgia... — respondeu. — Ela está estável, mas vai precisar ficar em observação pelas próximas horas. No momento, está desacordada, recuperando-se dos efeitos da anestesia, mas quando acordar, poderá receber visitas. Duas pessoas por vez.

Algumas horas depois...

Derek encarou a porta do quarto em que estava internada. Ela tinha acordado há uma hora, mas não pôde receber visita imediatamente e mesmo que o agente tenha insistido para alguns dos amigos da mulher irem vê-la antes, eles decidiram que Morgan deveria ir primeiro.
Não que ele tivesse mais direito do que os outros, mas, mesmo assim, ele se sentiu agradecido.
Agora, sentia-se patético ali, parado no corredor de frente para a porta do quarto. Tudo o que ele tinha que fazer era abrir e entrar, simples. Mas ele se sentia culpado. Não deveria mesmo ser o primeiro a encará-la depois de tudo, deveria?
— Você vai entrar? — Uma voz perguntou.
Derek olhou para o lado, encontrando uma enfermeira. Ela o olhava como se ele tivesse algum problema, mas o homem suspirou e balançou a cabeça.
— Sim, eu só… — tentou dizer e xingou mentalmente por sua atitude de adolescente. — Vou entrar.
A enfermeira assentiu, mesmo desconfiada, e deu as costas para ele, dando-lhe privacidade novamente. Morgan finalmente abriu a porta e entrou devagar. Ele olhou direto para a cama e embora estivesse um pouco pálida, estava acordada.
Ela olhou para ele, piscando os olhos devagar e torceu o nariz, tentando abrir um sorriso pequeno. Sentia seu corpo inteiro doer por qualquer movimento que fizesse, então mantinha-se quieta o máximo possível.
— Oi... — ela murmurou devagar.
Não havia raiva, rancor ou qualquer outro sentimento negativo no tom de voz dela, então Derek expressou um alívio quase indiscreto, aproximando-se dela.
estava com uma camisola do hospital, o cabelo preso e, por baixo do tecido da roupa, um curativo enorme no lugar do ferimento, além de alguns hematomas pelos braços e rosto.
— Não é incrível como no pior momento você continua linda? — Ele cumprimentou.
tentou não rir, mas sorriu abertamente. O homem entrelaçou sua mão à dela, apertando seus dedos levemente, desesperado para sentir a sensação da pele dela na sua outra vez, quando achava que nunca mais poderia fazer isso.
— Eu sinto muito! — Ele começou a dizer ao lado da cama dela. — Fui egoísta e idiota de te impedir de fazer o seu trabalho. Se eu não tivesse feito isso, talvez…
— Derek... — ela chamou, interrompendo-o, balançando a cabeça negativamente devagar. — Não foi sua culpa. Eu não deveria ter ido sozinha.
— Não deveria mesmo! — Ele concordou. — Você quase me matou do coração, mulher. Todo mundo está lá fora para te ver, até a sua equipe.
Ela resmungou algo que ele não entendeu.
— Não estou preparada para ouvir um sermão do Donner... — reclamou, arrancando uma risada do homem. — Alguém avisou os meus pais?
Ele assentiu, acariciando a palma dela com o polegar.
— Eles não conseguiram pegar um avião, mas Donner garantiu a eles que você está bem.
Sua mãe deveria ter ficado muito aflita, mas se sentiu melhor ao saber que seu pai tinha estado com ela. Os dois nunca iriam se acostumar a todo perigo que a filha corria com aquele trabalho, mas tinham desistido de tentar fazê-la mudar de profissão.
— McLanner? — A pergunta saiu em um fio de voz.
Ela não lembrava muita coisa do que tinha acontecido segundos antes de desmaiar, as memórias bagunçadas.
Morto.
Ela sentiu alívio ao ouvir aquela notícia. Talvez agora, com aquele desgraçado morto, ela tivesse um pouco mais de paz. Ansiava pelo momento em que teria uma boa noite de sono sem pesadelos a atormentando. E, talvez, fosse o momento de solicitar as férias atrasadas.
— As vítimas também estão salvas... — ele continuou. — Caso encerrado, . Você conseguiu.
Ela o encarou com ternura.
— Não. — Disse, corrigindo-o. — Todos nós conseguimos.
Ele depositou um beijo na testa dela e em seguida, quase como se sentisse muita necessidade daquilo, juntou seus lábios nos dela em um selinho longo.
sentiu falta daquilo.
Percebeu que vinha adiando uma decisão e uma conversa que eles deveriam ter tido antes, mas ela não estava preparada.
— Há outra coisa que precisa ser encerrada também... — ela disse, assim que ele se afastou.
— O quê?
Derek se apoiou contra a cama dela, curioso.
— A nossa situação. — Explicou. — Eu terminei com você, mas…
Ela não continuou a frase, mas Morgan entendeu exatamente o que ela queria dizer. Queria que nunca tivessem terminado, mas não compartilhou a sua aflição com ele na época, então não houve muita coisa que ele pudesse ter feito para impedir, somente aceitar a decisão dela.
— O que vamos fazer agora? — Ele questionou.
Queria tomar a mulher para si, nunca mais deixá-la escapar de seus braços.
— Eu não sei... — disse, mordendo o lábio levemente. — Nos casar, talvez?
Derek expressou surpresa, mesmo que o tom de voz da mulher denunciasse humor, mostrando que ela estava falando de brincadeira, mas… ele queria aquilo. Tinha pensado em fazer o pedido, até.
— Caramba, mulher! — Ele exclamou, soltando uma risada gostosa. — Você sempre rouba a minha ideia!
Ela tentou conter a risada, ainda evitando se movimentar muito. Ela sentiu os dedos dele apertarem os seus novamente, mas não teve força para fazer o mesmo. Era melhor que não se esforçasse muito.
— Não, sério! — Ela retornou a dizer. — Quero ficar com você, Derek. Não sei se vamos mesmo nos casar, mas quero ficar com você. Só não estou pronta para deixar a minha equipe ainda e odiaria ver você deixar o seu trabalho.
Casar significava que eles teriam que morar juntos, mas, mais do que isso, que um deles teria que abrir mão do trabalho e da cidade. não estava pronta para aquela mudança ainda, precisava pensar muito no assunto, antes de finalmente tomar a decisão e não deixaria Morgan segui-la cegamente daquela maneira.
— Eu faria tudo por você! — Declarou o homem com um sorriso tenro nos lábios.
— Não uma burrice... — murmurou, revirando os olhos. — Vamos com calma, está bem? Nós vamos dar um jeito, isso já deu certo antes.
Ele assentiu, concordando com ela. Fazia tanto tempo que não se sentia feliz daquela maneira, que estava esperando alguma coisa dar errado como se estivesse acostumado com aquilo.
estava bem. Ela estava ali, linda e sorrindo, propondo os dois estarem juntos de volta. Não houve um dia em que o homem não pensasse nela, desde que ela tinha o deixado no escuro, procurando por respostas sozinho, enquanto tentava desaprender a amá-la.
Ele não conseguiu o que queria, no entanto.
Bastou vê-la novamente para reanimar o seu coração com uma dose única de adrenalina, fazendo-o amá-la mais ainda, caso fosse possível. Ela tinha se tornado o seu tudo e se ela tivesse morrido naquela mesa de cirurgia, uma parte sua teria sido levada junto.
Mas ela estava ali.
Ela estava ali e ele prometeu a si mesmo nunca mais deixá-la ir embora, como deixou antes. Nunca mais haveria escuridão entre eles, não daquele tipo.
Derek beijou a palma dela e direcionou um sorriso feliz para ela.
— Ainda assim, você aceita casar comigo?
não precisou sequer responder. O sorriso que ela lançou ao homem foi o suficiente para ele entender que ela não estava disposta a deixá-lo livre mais.
Ele era todo seu.
E Derek Morgan gostava de ser dela.



Epílogo

ㅤ📍 Um ano depois em Los Angeles/EUA:

respirou fundo, mordendo o próprio lábio para conter um pouco do nervosismo. Ela apertou o copo de café entre os dedos da mão esquerda e tomou um gole, não se importando com o conteúdo quente queimando a sua língua.
Parada no fim do corredor principal, ela encarava o outro lado do escritório, com a porta fechada, mas as persianas da janela abertas, mostrando as silhuetas de Scott e Yara tendo uma reunião de rotina com Donner. também deveria estar ali, mas ela pediu um dia de folga para resolver uma proposta que tinha recebido.
Há um mês, ela foi abordada por outros agentes do FBI, cuja proposta mudavam um pouco as suas perspectivas: tinha sido selecionada para participar de uma equipe de integração dos novos agentes da academia, ensinando-os sobre o comportamento sexual dos criminosos, mas mais do que isso, era uma das que completaria a equipe para derrubar a operação de tráfico sexual de mulheres e crianças que estavam ocorrendo em San Diego, Miami e Atlanta.
Antes de aceitar a proposta, os agentes deram um tempo para ela pensar, entregando-lhe uma pasta com todas as informações que ela precisava. Ela não disse para a sua equipe, mas conversou com Morgan a respeito. Ele a apoiava qualquer que fosse a sua decisão. Ambos estavam juntos de novo, indo e vindo de suas cidades e até agora tinha dado certo. O anel de noivado sempre brilhava em sua mão.
respirou fundo e finalmente andou em direção à sala, jogando o copo de café em uma lixeira pelo caminho. Eles não estavam esperando a mulher ali naquele dia, mas ela resolveu aparecer para comunicá-los de sua decisão. Tinha aceitado a proposta dos agentes do FBI e começaria em uma semana, passando o primeiro mês em Quântico, para seguir aos outros três lugares, alterando as aulas e o caso.
Morgan tinha gostado tanto de tê-la na cidade por um mês, que solicitou suas férias para passarem um tempo juntos, antes de começarem os desencontros devido ao trabalho de ambos.
estava animada por começar uma coisa nova, principalmente depois do pesadelo do último ano.
Ela abriu a porta e entrou sem bater, encontrando os olhares da sua equipe. Que não seria mais sua por muito tempo.
? — Yara levantou da cadeira, afastando-se da mesa de reunião. — O que está fazendo aqui? Não era sua folga?
Donner e Bauer a encararam, curiosos para a resposta. A mulher encolheu os ombros e abriu um sorriso pequeno e calmo.
— Sim, mas eu tenho uma novidade que não podia esperar... — ela respondeu.
— Ai, meu Deus! — Yara exclamou, espantada, assustando os presentes ali. — Você está grávida?
expressou uma careta.
— Claro que não, Yara! — Apressou-se em responder, negando com um gesto exagerado de mão. — Essa não é a novidade. Pode se sentar novamente? Quero conversar com vocês.
Yara assentiu, um pouco murcha pela resposta e voltou a se sentar. Ela esperou sentar ao seu lado, ficando de frente para os dois homens.
Antes que ela pudesse finalmente encontrar coragem para iniciar a conversa, Donner soltou um suspiro.
— Eu estava temendo que esse dia fosse chegar... — ele disse.
mordeu o lábio. É claro que Donner saberia, não havia uma coisa no mundo em que aquela mulher conseguia esconder do seu melhor parceiro.
— Que dia? — Scott questionou, desconfiado.
— Recebi uma proposta. — A mulher respondeu.
Scott deu de ombros.
— E daí? — Disse. — Você sempre recebe.
Era verdade, mas nenhuma tão boa quanto aquela.
— É, mas resolvi aceitar essa.
Scott a encarou, tentando decidir se ela estava falando sério mesmo, mas não emitiu nenhuma reação de humor. Yara, ao lado dela, também a olhou com surpresa. Richard era o único que parecia estar tranquilo, como se já esperasse por aquilo há tempo demais.
— Você vai nos deixar? — Yara questionou.
sorriu, olhando para a amiga.
— Deixar é uma palavra muito forte... — respondeu. — Não use chantagem emocional comigo.
A outra revirou os olhos.
— É só que… — tentou dizer, mas as palavras não saíram.
— É bom que essa proposta seja boa! — Scott disse, um pouco contrariado.
Ah, céus! Ela amava aquela equipe. Mais do que seus colegas de trabalho, eles eram seus amigos. Seus melhores amigos.
Então contou da proposta. Tudo detalhado, mas, ao mesmo tempo, que não se estendesse muito na explicação. Ela tinha contado que pensou muito antes de aceitar, mas que, no fim, acabou cedendo. Era o que ela queria e o que precisava, no fim das contas. Uma mudança de ares. Novos desafios.
Los Angeles tinha ficado muito pequena para ela e tudo tinha começado ali.
— Então você veio aqui pedir demissão... — Yara observou.
— Não só isso... — disse. — Também vim para me despedir de uma maneira decente. Não queria que ficassem sabendo por terceiros.
Ela olhou para cada um deles, parando os olhos em Scott, ao perceber o homem coçar os olhos timidamente.
— Scott? — Chamou, sorrindo. — Você está chorando?
Yara e Donner encararam o homem.
— O quê?! — Ele exclamou, baixo. — Claro que não, só caiu uma coisa chata no meu olho.
— Lágrimas. — Yara provocou.
— Cale a boca! — Ele murmurou de volta para ela. — Vou sentir sua falta, . Não acredito que está me deixando sozinho com essa mulher selvagem.
Yara jogou uma caneta na direção dele, acertando-o no peito. Donner revirou os olhos e riu, apontando um dedo para os dois.
— Quero o convite do casamento em primeira mão! — Avisou.
Os dois emitiram sons de nojo, mas sabia que uma hora ou outra, eles iriam admitir, finalmente, que estavam juntos. Ela lembrava de Morgan contando que os dois chegaram juntos de mãos dadas no hospital um ano atrás.
— Aqui sempre vai ter um lugar para você. — Donner disse, os lábios em um sorriso fino. — Sabe disso.
A mulher assentiu, engolindo a seco. Não iria chorar ali, nem depois. Não era hora para chorar.
Yara virou a sua cadeira na direção da amiga e segurou as duas mãos dela com a suas.
— Me ligue todos os dias! — Pediu, praticamente intimando. — E estou muito feliz por você, . Tente não se meter em tanta encrenca, está bem?
A mulher riu, mas assentiu e as duas se levantaram, trocando um abraço rápido.
Scott logo se levantou, aproximando-se das duas. Quando Yara se afastou, ele abraçou também.
— Vou estar sempre torcendo por você, garota! — Murmurou.
piscou os olhos para afastar as lágrimas.
— Obrigada, Scotie! — Sussurrou, afastando-se do abraço. — Tente não enlouquecer muito a Yara, ok?
Ele revirou os olhos.
lambeu os lábios e andou até Donner no exato momento em que seu celular indicou uma mensagem. Ela abriu rapidamente a notificação, guardando o aparelho logo em seguida.
— Reunião. — Avisou.
Ela encarou Donner e soltou um suspiro longo.
— Obrigada por tudo, Richie! — Sorriu, segurando as mãos do mais velho. — Você me acolheu aqui mais do que qualquer outra pessoa e eu duvido que encontrarei uma equipe tão ótima quanto essa.
— Vou tentar não te substituir tão rápido... — Donner devolveu, arrancando risadas de todos ali.
fez uma careta, mas abraçou o homem também. Logo em seguida, estava sendo abraçada por Scott e Yara de novo, em um abraço grupal de urso.
Ela sentiria falta daquilo.
Como não poderia?
Além de uma equipe, aqueles três eram a sua família.

Depois de ter saído do prédio de seu antigo emprego e prometendo que mandaria a sua carta de demissão ainda naquela semana para Donner, ela saiu às pressas, também prometendo aos três que pagaria um jantar de despedida antes de finalmente se mudar.
estava atrasada para a reunião que apresentaria a sua nova equipe e os instrutores da academia que lecionaria as aulas junto com ela. A mulher xingou baixinho ao perceber que ainda estava presa no trânsito dentro do táxi.
Los Angeles nunca foi tão irritante quanto naquele momento.
Ela respirou fundo, tentando se acalmar.
Que bela primeira impressão passaria para o pessoal do novo trabalho. Deveria ter se programado para chegar uma hora mais cedo, mas que culpa tinha quando Yara, Scott e Donner não queriam deixá-la ir embora tão depressa?
soltou um suspiro de alívio quando sentiu o carro andar mais rápido agora, o sinal verde fluindo para a sua nova vida profissional e discou uma mensagem para Derek, confirmando a sua ida para Quântico no final de semana.
— Chegamos! — O motorista anunciou.
tirou uma nota da carteira e pagou a corrida, saindo do carro com pressa, sem esperar pelo troco. Ela atravessou o hall e correu direto para o elevador aberto, com duas pessoas dentro, e pressionou o décimo primeiro andar, como tinham instruído para ela por mensagem.
Tudo naquele dia estava correndo rápido demais, mas havia algum tempo que a mulher não se sentia empolgada daquela maneira. Sair de Los Angeles, participar de um novo caso, dar aulas... era muita coisa para lidar ao mesmo tempo. Um desafio muito bem-vindo àquela altura da sua vida.
Quando o elevador abriu as portas novamente, deixando-a no andar certo, ela saiu, com um sorriso brilhante nos lábios e parou de andar por um momento, encarando o fluxo de pessoas que haviam ali, passando por eles totalmente despercebida. Era um prédio muito maior do que o seu antigo e as pessoas ali eram um pouco sérias demais, sem tirar os olhos do computador à sua frente, sempre correndo de um lado para o outro com alguma pasta na mão.
Ela andou, virando um corredor, seguindo para a última porta, onde havia uma placa indicando que, no momento, estava ocorrendo uma reunião particular. parou bem na frente da porta e mordeu o lábio, respirando bem fundo, ajeitando o cabelo e o terno cinza que usava.
Finalmente, bateu devagar na porta e girou a maçaneta, sendo recebida por vários pares de olhares curiosos. Ela não teve tempo de contar quantas pessoas havia ali.
— Sinto muito pelo atraso... — murmurou, sincera e envergonhada.
A agente fechou a porta atrás de si, umedecendo os lábios.
— Desculpe... — um homem disse, o que parecia estar comandando a reunião. Definitivamente, ele tinha cara de ser o chefe. — Quem é você?
o encarou.
— Ah, oi! — Exclamou, um sorriso sem graça moldando o seu rosto.
Ela se aproximou do homem, que mais tarde descobriu ser o agente Rossel, e estendeu a mão na sua direção. Ele aceitou quase imediatamente.
— Meu nome é . Sou uma das novas agentes responsáveis por esse caso. Também vou lecionar na Academia para os novatos.



Fim!



Nota da autora: Uau... eu realmente consegui finalizar essa fanfic, que estava há tanto tempo na minha cabeça, mas que nunca saía, porque eu não gostava da minha escrita e nem era muito boa em escrever fanfic criminal, mas cá estamos nós...
Eu agradeço a cada pessoa que clicou e leu essa história, e tirou um tempo para deixar um carinho em forma de comentário. Espero que vocês tenham gostado da história tanto quanto eu gostei de escrever. Vivo tentando superar o fim dessa série, mas como eu estou sempre assistindo, não tem fim para mim. Tenho outras fanfics do mesmo universo, com outros personagens, que você pode acessar nos links abaixo.
Agradeço também à Tay, que sempre é minha primeira leitora em tudo o que eu mando e é a primeira a xingar os personagens quando eles têm uma atitude burra HAHAHAHA Obrigada por ser essa pessoa maravilhosa e essa beta incrível!

Encontro vocês por aí!

Beijos,
Aurora.




Outras Fanfics:
05. Break Free (Ficstapes Perdidos #2/Shortfic)
05. Show Me Love (America) (Ficstapes #228 (The Wanted)/Shortfic)
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12. What Makes a Woman (Ficstape #223 (Katy Perry)/Shortfic)
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Prisoner, com Sereia Laranja (Restritas: LGBTQIA+)
Sweet Trouble, com Dany Valença (LGBTQIA+)
Terceira Lei de Newton (Restritas: LGBTQIA+)
Wild Birds, com Jaden Forest (Restritas: LGBTQIA+)


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