Finalizada: 09/2025

Capítulo Único

Vieni a prendermi, portami via
Che torni a casa
(“Venha me buscar, me leve embora / Pra que eu volte pra casa”)

Era um dia qualquer em Paris, estava trabalhando na cafeteria, como o habitual. O movimento estava fraco, a cidade estava cheia devido aos eventos de marcas famosas, mas naquele ponto em específico não havia muito movimento. Ela aproveitou para repor os itens faltantes no balcão, até que alguém tocou o sino de atendimento no balcão da frente. limpou as mãos, olhou ao redor e viu todos os seus colegas ocupados com alguma outra coisa, então foi até o balcão de atendimento. Para sua surpresa, era um grupo um pouco diferente, ela conhecia quando famosos entravam ali. Eles sempre estavam acompanhado de equipe e seguranças, e havia algo nela que dizia exatamente quem era o famoso, mesmo que não conhecesse. Ela se posicionou atrás do balcão e sorriu, um homem se aproximou — quem ela acreditava ser o famoso dali — ele tinha um sorriso nos lábios que se desfez quando olhou em seus olhos.
— É… não chora não… ér… — Disse ele, um pouco sem jeito.
— Perdão? — colocou as mãos nas bochechas e percebeu que lágrimas escorriam pelo seu rosto, ficando totalmente confusa, enquanto ele parecia buscar as palavras certas para confortá-la.
— Você é army? — Perguntou ele, negou com a cabeça.
— Não, senhor. — Ela sorriu. — Peço desculpas, não sei o que me deu. Posso ajudar? — Perguntou, mantendo o profissionalismo, ele só assentiu. Parecia estar um pouco sem jeito, ao mesmo tempo que parecia já estar acostumado.
— Certo, eu quero um cappuccino e um éclair. — Ela digitou o pedido.
— Qual é seu nome? — Perguntou, pegando uma caneta e um copo de cappuccino. Ele olhou para ela, como se estivesse um pouco surpreso por ela realmente não conhecê-lo.
V. — Respondeu, ela escreveu um V no copo.
— E os senhores? — Perguntou ao restante do grupo. Após todos pedirem, ela recolheu o pagamento e começou a preparar tudo, arrumou em uma bandeja e levou até a mesa onde eles estavam sentados. Serviu cada um, cada copo com seu nome e sorriu. — Se precisarem de mais alguma coisa, é só pedir. — Disse, se afastando. Continou repondo o estoque do balcão principal, alguns clientes chegaram e ela atendeu normalmente.
Começou a limpar a bancada de refeição com um pano, até que o V se sentou no banco, de frente para ela.
— Posso te perguntar algo? — Perguntou ele, com um olhar curioso para ela, que parou de limpar e assentiu, com um sorriso. — Se você realmente não me conhece, por que começou a chorar quando me viu? — Ele arqueou uma sobrancelha e sorriu, um pouco sem jeito.
— Sendo sincera, eu nem percebi que estava chorando até o momento que o senhor citou. — Sorriu e ele acenou com a cabeça, negativamente.
— Não, senhor não, por favor. Me faz sentir velho. — Ele fez uma careta e ela assentiu. — … — Disse ele, espremendo os olhos para ler o nome em seu crachá. — Bom, você costuma chorar quando vê pessoas desconhecidas e não perceber que está chorando? — riu da pergunta.
— Não costumo, não. — Sorriu, sem jeito.
— Então… — Ele cerrou os olhos. — Minha aparência te deixou triste? Minha pele realmente está péssima hoje. — Perguntou, enquanto olhava o próprio reflexo em um porta-guardanapos. riu.
— Eu realmente não sei porque chorei, mas não se sinta ofendido. — Acenou com a cabeça e sorriu. — Não é nada disso. Foi algo que nunca aconteceu.
— Intrigante. — Ele tinha um sorriso sapeca nos lábios. — Kim Taehyung, meu nome.
— Ah, eu já ouvi esse nome… — ficou pensativa. — Você está aqui para a Celine, né? — Taehyung assentiu.
— Vim para o desfile. — Explicou, girando o porta-guardanapos.
— Legal, eu vi mesmo seu nome na lista de embaixadores da marca. — Respondeu com um sorriso gentil, Taehyung ficou intrigado.
— Você tem interesse na marca? — Perguntou, ainda girando o porta-guardanapos.
— Eu estudo moda, quase sempre fico por dentro dos desfiles por aqui. Quando não estou muito ocupada com o trabalho. — Explicou.
— Hmmm… — Murmurou ele, alguém que estava com ele se aproximou e cochichou algo em seu ouvido. — Tenho que ir, até mais, ! — Acenou para ela, que acenou de volta.
No fim do dia, Taehyung chegou no hotel e se jogou na cama. Havia tido um dia cheio, então acabou adormecendo sem problemas, apesar da insônia recente.
Chuva. Sangue. Gritos. Lágrimas. Taehyung abriu os olhos, ofegante, lágrimas escorriam pelo seu rosto. Colocou as mãos no rosto e sentiu suas bochechas molhadas, seu coração acelerado parecia que saltaria de seu peito. Foi até a cozinha e bebeu um copo d’água, voltou para o quarto e apagou a luz, permaneceu encarando o teto por um tempo, até que finalmente pegou no sono novamente.
Dessa vez, Taehyung enxerga uma imagem mais vívida. Uma mulher ruiva, usando um vestido longo, estava em pé em uma janela. Ele tentava alcançá-la, mas quanto mais corria em sua direção, mais distante ela ficava. Até que ela pulou e um grito saiu de sua garganta. Um nome. .
! — Exclamou, dando um pulo na cama. Olhou para o relógio e notou que o dia já estava amanhecendo. Seu peito estava ofegante e seu coração acelerado mais uma vez, mas dessa vez era diferente. Ele sentia que havia perdido alguém.
Mais tarde, ele foi até a cafeteria onde trabalhava. Ao chegar, não a viu no balcão e foi até um dos funcionários.
está? — Perguntou.
— Hoje ela está de folga, quer deixar recado? — O homem pegou um papel e uma caneta, Taehyung apenas acenou negativamente e saiu do lugar. Andou pelas ruas de Paris, de máscara e touca, pedindo mentalmente para não ser reconhecido e para que ninguém notasse que ele saiu tão cedo e sozinho. Caminhou por um momento, sem direção, até que pegou o celular para ligar para sua equipe e alguém esbarrou nele.
. — Disse ele, só de ver a figura da mulher de costas, que se virou.
— Desculpe… — Ela parecia surpresa. — O que você está fazendo aqui sozinho? — Perguntou.
— Eu fui até a cafeteria falar com você, mas… — Ela o interrompeu.
— Hoje estou de folga, mas por que está sozinho? Está cheio de gente na esquina. — Ela apontou para a direção que ela havia vindo. — Provavelmente alguém já te viu por aqui.
— Bom… eu estava ligando para a staff… — rolou os olhos e o puxou pela mão, em direção à uma rua estreita. — Está me sequestrando? — Brincou ele.
— Não. — Ela parou na frente de uma porta e tirou as chaves do bolso, destrancando. — Liga para sua staff daqui. — Deu espaço para que ele entrasse.
— Você mora aqui? — Perguntou ele, enquanto entrava e olhava ao redor. jogou as chaves na mesa da cabeceira e tirou o casaco, pendurando atrás da porta.
— Sim, um cubículo em Paris. — Ela sorriu amarelo. — Chique. — Disse, sarcasticamente e Taehyung riu.
— É chique mesmo. — Ele se sentou em uma poltrona e ela tirou o cachecol que estava usando.
— Posso saber o motivo da irresponsabilidade de ir até a cafeteria sozinho? — Ela cruzou os braços e Taehyung riu da sensação de familiaridade que a conversa trouxe.
— Eu precisava te ver. — Respondeu, ficando de pé e caminhando até ela. — Eu sonhei com alguém essa noite… Uma mulher… E o nome dela era . — Disse, pausadamente. não esboçou reação.
— Sonhou comigo? — Perguntou, confusa.
— Não era você, mas ao mesmo tempo era. Parecia um lugar antigo, eu tentava me aproximar e ficava cada vez mais longe. — Explicou ele.
— Você teve um pesadelo comigo. — Disse, quase que para si mesma, tentando entender a situação. Taehyung olhou em seus olhos e seu peito apertou, deu um passo para trás e lágrimas escorreram de seus olhos — mas dessa vez — dos olhos dos dois.
— Por que eu choro quando te vejo? — Ela enxugou o rosto com a manga da blusa e ele se aproximou, fazendo o mesmo. Sorriu para ela, enquanto enxugava seu rosto.
— Eu não senti isso antes, mas agora… — Taehyung riu fraco, tirando um cílio da bochecha dela. — Olhar para você… É como se eu estivesse reencontrando algo que perdi há muito tempo. Ele acariciou seu rosto com o polegar e ela fechou os olhos, sentindo um calor familiar. — Eu nem queria tomar café ontem, mas quando passei na frente da cafeteria… — Ele se aproximou mais. — …algo me puxou para dentro.
— Acho melhor você ir… — deu um passo para trás, mas Taehyung a puxou pela cintura.
— Eu vou. — Respondeu, olhando em seus olhos. — Mas antes… — Ele escovou uma mexa de cabelo dela para atrás da orelha e aproximou seus rostos. — Eu posso… — Sussurrou. — …tentar algo? — concordou em silêncio, sentindo sua respiração. Os dois fecharam os olhos e seus lábios se tocaram, como se duas peças de um quebra cabeça incompleto finalmente se encaixassem. De olhos fechados, flashes de um passado distante passavam pelas suas mentes, como se aquele beijo já tivesse sido dado diversas vezes. Em vidas diferentes. Era como se seus lábios já se conhecessem e suas línguas já soubessem o que deveriam fazer. Quando se afastaram, Taehyung viu em seus olhos castanhos o reflexo dele — mas com roupas diferentes — como se fosse uma outra época.
— Eu… — Disse , meio sem jeito.
— Também sentiu isso, não sentiu? Como se a gente já tivesse feito isso antes. — Taehyung insistiu, seu olhar quase fazia com que concordasse e confessasse tudo que havia sentido.
— Desculpe, eu não sei… — Ela encarou os próprios pés. — Acho que você deve ir agora. — Taehyung suspirou, desapontado.
— Tudo bem, mas eu preciso do seu número. — Ele estendeu a mão, entregando o celular para ela. — Não vou te perder de novo. — A voz rouca de Taehyung fez vibrar.
— Tá… — Ela digita o número e entrega o celular para ele. — Agora você deve ir. — Taehyung assente e liga para alguém.
— Já estão vindo. — Disse ele, caminhando até a porta. Antes de sair, virou-se para ela e olhou em seus olhos por alguns segundos, em silêncio. Deu um sorriso e saiu pela porta. se jogou na poltrona e deu um longo suspiro. A sensação em seu peito — quando estava perto dele — era como se houvesse um buraco dentro de si. Como se o seu corpo queimasse, sendo arrastada para ele, mas quando estava perto… Havia um buraco, profundo e dolorido. E ela não queria mexer nisso.
No dia seguinte, estava na cafeteria e notou um grupo entrando no local. A presença de Taehyung, mesmo de máscara e óculos de sol, não passou despercebida.
— Pode cobrir para mim? — Perguntou à uma colega de trabalho. — Não estou me sentindo muito bem.
— Claro, ! Vai beber um pouco de água. — Respondeu a mulher. entrou na sala dos funcionários e se sentou no sofá, com uma garrafa d’água em mãos. Ficou lá por uns 10 minutos, tempo o suficiente para que eles fossem atendidos pela sua colega. Após retornar ao balcão, sua colega foi até ela.
— Está melhor? Tem um cliente te procurando. — Ela apontou para a direção do caixa, mas Taehyung estava sentado em uma das mesas, então ela caminhou até o caixa. Sua expressão suavizou ao chegar lá.
— Ah, Tristan. — sorriu com os lábios. — Posso ajudar? — O homem tinha uma rosa nas mãos.
— Feliz aniversário! — Ele entregou a rosa para ela.
— Shhh, fala baixo! — olhou ao redor, certificando que mais ninguém ouviu. — Obrigada, Tristan. — Ela sorriu.
— Ér… — O rapaz ficou um pouco sem jeito. — Você gosta muito de flores, então…
— Obrigada. — sorriu gentilmente e segurou a rosa, Tristan parecia querer dizer algo, mas desistiu.
— Te vejo por aí. — Disse, acenando e saindo da cafeteria. levou a rosa para dentro e voltou ao trabalho, quando retornou, Taehyung não estava mais lá.
finalizou o expediente e voltou para casa caminhando, como de costume. Entrou em casa e jogou seu cachecol no sofá, no momento em que viu o cachecol cair no sofá, ela sentiu um frio na espinha. Sangue. Gritos. Chuva. Lágrimas. Um flash percorreu sua mente, como se ela tivesse sido transportada para outro lugar. Batidas na porta dispersaram seus pensamentos, seu celular vibrou em seguida.
Era uma mensagem de Taehyung.
“Abra.”
Ela olhou pelo olho mágico e viu um entregador, abriu a porta devagar.
— Srta. ? — Perguntou ele, assentiu. — Assine aqui. — Ela segurou a caneta e assinou. O entregador tirou um buquê de flores do carrinho, ela segurou e fez menção à entrar na casa, até que ele tirou mais um, e mais um… e mais um. No total, foram 6 buquês, com diferentes flores. Apenas um “Feliz Aniversário! - V” assinado em um cartão. Ela pegou o celular e enviou uma mensagem para ele.
“Ficou louco?”
Ele respondeu em seguida, com três mensagens:
“Ouvi dizer que você gosta de flores.
Não posso estar aí agora, mas abra para mim mais tarde.
Prometa que vai abrir.”


sorriu ao ler as mensagens e respondeu:
“Não posso prometer isso”

Taehyung respondeu rapidamente:
“Tudo bem, mas abra mesmo assim”
riu da insistência dele. Bloqueou o celular e colocou para carregar, foi até a cozinha e colocou um pouco de água para ferver na chaleira, enquanto lavava as louças que havia deixado na pia. Assim que o chá esquentou, o barulho da chaleira a transportou para outro lugar.
Ela era ela, mas ao mesmo tempo não era. Estava em um trem em movimento, Taehyung estava ao seu lado. Ele murmurou algo e se levantou, deixando-a sentada ali. Ao notar sua demora, se levantou e foi até ele, o trem começou a balançar violentamente e ela se segurou em uma das cadeiras. Ouviu todos gritando que o trem havia saído dos trilhos e tudo que pensou foi nele. No momento em que começou a caminhar na direção onde ele estaria, ela deu o primeiro passo quando o vagão rangeu alto, como se gritasse. E então, tudo parou — bruscamente, violentamente, fazendo-a chocar-se contra a parede. No instante em que Taehyung a alcançou, ela estava no chão, desacordada e com sangue escorrendo pelo seu nariz.
— Fique comigo, meu amor. — As lágrimas dele caíam sobre ela. — Não posso te perder de novo. Não de novo… — Ele a apertava contra o peito, como se isso pudesse mantê-la ali.
Batidas na porta despertaram seus pensamentos, mais uma vez. Ela apagou o fogo da chaleira e foi até a porta de frente. Olhou pelo olho mágico e enxergou Taehyung, por baixo da máscara e do moletom. Abriu a porta devagar, com hesitação.
— Oi! — Ele sorriu, entrando na casa. — Que bom que não demorou para abrir, já estava começando a chover. — olhou para fora pela porta e percebeu que a chuva estava aumentando, fechou a porta e entrou. — Feliz aniversário! — Taehyung olhou para as flores ao redor e sorriu.
— Obrigada. — sorriu forçado.
— Você gostou? — Perguntou ele, se aproximando. apenas assentiu. — Por que está tão calada? — Ele segurou seus cotovelos.
— Porque… — Seus olhos se encontraram. — Por que está insistindo em mim?
— Eu não sei. Eu sinto que reencontrei algo que perdi há muito tempo, quando estou com você. E sei que não gostaria de perder novamente. — se afastou. — Não sente nada por mim? — Ele caminhou até ela.
— Sinto. — Ela se virou de frente para ele, de repente. — Sinto, mas também sinto que algo ruim vai acontecer a todo tempo. Sinto que se eu me permitir sentir algo por você… — Ela ficou em silêncio.
— Parece que… — Taehyung bagunçou os cabelos. — …que eu te conheço de outras vidas. E parece que eu te perdi em todas elas. Flashes, sonhos e sensações…
— Sim. — o interrompe. — Mas para mim, sempre acaba em tragédia. Sempre. — Sua voz fica trêmula e ele segura em suas mãos.
— Para mim também. — Taehyung suspira. — Eu entendo seu receio, eu me sinto assim também. Mas seu corpo é como um ímã que me puxa para perto. — Ele se aproximou dela.
— Quando você vai embora? — Perguntou, ele inclinou a cabeça, confuso. — De Paris.
— Em alguns dias. — Respondeu, sorrindo com os lábios.
— O que pode dar errado em alguns dias? — Perguntou, como se perguntasse para si mesma. Os dois se aproximaram, entrelaçando as mãos. Por mais que ela sentisse vontade de fugir dele, seu corpo a puxava — sempre — para perto dele.
— Posso ficar essa noite? — Sussurrou ele, assentiu, em silêncio. Ele se aproximou dela e seus lábios se tocaram, mais uma vez. sentia que seu coração iria rasgar seu peito, mas não podia evitar. Era como se desde a primeira vez que se viram, os dois tivessem virado a droga um do outro. Completamente viciados, sem conseguir resistir um ao outro.
O beijo era sem urgência, apenas eles dois sentindo aquele momento. Seus corpos estavam em perfeita sincronia, como a trilha sonora de uma história bem escrita. Pareciam já se conhecer há muito tempo, havia uma sensação de pertencimento e familiaridade que invadia seus peitos. A mão de Taehyung subiu devagar por dentro da camisa de , indo até suas costas. sentiu seu corpo arrepiar com o toque — um toque já conhecido — que fazia seu corpo ferver. Ela passou os braços ao redor do pescoço dele, puxando-o para mais perto, como se houvesse um medo silencioso de que ele sumisse se ela soltasse. Taehyung a deitou devagar no tapete da sala, entre as flores que ainda decoravam o chão. Os beijos continuaram, agora mais lentos, mais profundos. Nenhum dos dois dizia uma palavra, porque ali não havia o que explicar. Era instinto. Era reencontro. As roupas foram saindo aos poucos, em meio a toques delicados e olhares demorados. Não havia pressa. Não havia ansiedade. Apenas o desejo de sentir e de não esquecer. Os corpos se ajustavam com naturalidade, como se estivessem ensaiando aquele momento há vidas. Os movimentos eram calmos, envoltos em silêncio, como se respeitassem o peso daquele instante. fechou os olhos ao sentir o calor dele sobre o seu corpo, e por um segundo, foi como respirar depois de muito tempo submersa.O mundo lá fora parecia distante, e pela primeira vez em muito tempo, os dois se permitiram apenas estar ali, juntos, sem medo, sem futuro, sem passado. Apenas presença. Quando a respiração dos dois finalmente se acalmou, Taehyung a cobriu com uma manta leve do sofá. encostou a testa no ombro dele, ainda deitada ali, no tapete, como se o lugar mais seguro do mundo fosse aquele pequeno espaço entre os braços dele.
— Vem… — sussurrou ela, depois de um tempo, com a voz arrastada de sono. Ela a puxou pela mão, e os dois seguiram até o quarto, ainda em silêncio. Deitaram-se lado a lado na cama estreita, os corpos entrelaçados sob os lençóis. Taehyung passou a mão nos cabelos dela, que repousava com a cabeça em seu peito. ouviu o coração dele bater — firme, constante — e, por algum motivo, aquilo a fez sorrir.
— Boa noite… — murmurou ela.
— Boa noite, . — respondeu ele, quase num sussurro. E ali, naquela noite silenciosa em Paris, eles dormiram juntos. Não por desejo. Não por carência. Mas porque, pela primeira vez, haviam encontrado um lugar onde pertenciam. Um ao outro. Como se, enfim, depois de tanto tempo, tivessem voltado para casa.
. — Ela escutou uma voz familiar chamando seu nome e abriu os olhos lentamente, com dificuldade. — Como está se sentindo? — Ao abrir os olhos, ela enxergou Taehyung ao seu lado. Vestido com uma camisa branca de algodão com gola alta e botões delicados, um colete escuro justo ao corpo e calças de tecido grosso, ele usava ainda um sobretudo longo que lhe dava um ar imponente. Nos pés, botas de couro bem polidas completavam o visual elegante, típico da moda masculina da década de 1870.
— Eu… — Ela tentou falar, mas sentiu muita dor, fazendo com que lágrimas escorressem pelos olhos de Taehyung.
— Eu sinto muito, meu amor. — Seus olhos estavam vermelhos, olheiras eram evidentes, como se estivesse chorando por dias. — Se nós não nos mudássemos para essa cidade, você não ficaria doente. — Ele acariciou seus cabelos. — Você é meu sol, . Mas não precisa se preocupar comigo, se estiver com muita dor, descanse. — Ele segurou sua mão e levou até os lábios, dando um beijo suave. sentiu um alívio tomar conta de seu corpo e de repente — o ar foi embora. Taehyung observou seus olhos se fecharem e a abraçou, sentindo o calor que ainda emanava de seu corpo.
Os dois acordaram ofegantes, sentiu falta de ar e começou a tossir, enquanto Taehyung estava com o rosto molhado de lágrimas. Ao perceber como ela estava, Taehyung se aproximou dela.
— Você está bem? — Perguntou, acariciando suas costas. recuperou o ar e assentiu.
— Eu só… — Sentiu um pouco de dificuldade para falar, mas já estava passando.
— Você morreu diante dos meus olhos, mais uma vez. — Ele encarou a parede na sua frente. — Talvez a minha presença, de alguma forma, te coloque em perigo. — Completou, se levantando.
— Taehyung… — virou-se para ele, que estava se vestindo.
— Obrigado. — Taehyung sorriu, com os olhos marejados. — Obrigado por me permitir ficar uma noite. Vamos nos despedir agora.
— Tudo bem. — sorriu, com o olhar triste. Ficou de pé e deu um último abraço nele, que beijou o topo de sua cabeça.
— Obrigado, . — Disse ele, ao se afastar do abraço, com um sorriso nos lábios.
— Obrigada, Taehyung. — Ela ficou de pé, parada, acompanhando com o olhar enquanto ele saía de sua casa.
Dois dias se passaram. havia escutado que Taehyung tinha ido para L.A. Tentou seguir sua vida normalmente, mas com esses dois dias, ela percebeu que o vazio que ele deixou era maior do que o medo que estava sentindo. Continuou trabalhando e estudando no modo automático. Chegou em casa à noite e se jogou no sofá, tão exausta que mal conseguia manter os olhos abertos. Enquanto desenrolava o cachecol em volta do pescoço, sentiu um frio na espinha. Encarou aquele cachecol por alguns segundos e, de repente, um flash passou em sua mente. Era como se visse o próprio reflexo em épocas diferentes — séculos, talvez — sempre com o mesmo cachecol. Em todas as imagens, ela parecia fugir de algo… ou de alguém. Se levantou rapidamente e jogou o cachecol na lixeira da cozinha, como se pudesse se livrar do peso que aquilo carregava. Escutou batidas na porta e caminhou devagar até lá. Olhou pelo olho mágico, mas não viu ninguém. Voltando para a sala, seu olhar cruzou com o próprio reflexo em um pequeno espelho. Só que aquela não era ela. A mulher no espelho usava um chapéu, um vestido floral antigo, e o cabelo era mais longo do que o seu atualmente. se aproximou — devagar — e observou o reflexo sorrir para ela. Mas não era um sorriso de alegria. Era melancólico. Quase um aviso. E então, como se um véu se rasgasse, tudo veio de uma vez: lembranças de outras vidas, de amores interrompidos, de finais trágicos. Sempre com ele. Sempre fugindo com ele. Mas nunca porque realmente queria — e sim por medo de perdê-lo. Sempre negando a si mesma. Sempre se esquecendo.
Correu até o celular para ligar para ele, mas ele já estava em L.A. Se ela corresse até lá, tudo estaria arruinado? Era isso? Sempre que se lembrava, ela corria até ele. Em todas as vidas, ela se lembrou que ele era seu amor e largou tudo por ele, e agora ela sabia disso. Daria tudo errado de novo? Eles permaneceriam nesse ciclo até que o amor fosse deles, eternamente, se isso não acabasse nessa vida. Ela parou, de pé e encarando a porta. Até que decidiu abrir — e para sua surpresa — ele estava ali.
— O que está fazendo aqui? Você não estava em L.A? — Perguntou, puxando-o pelo braço para dentro da casa. Taehyung entrou no local, confuso.
— Eu ainda vou para L.A. — Respondeu. — Desculpe, eu quis te ver mais uma vez. Me senti vazio quando saí daqui há dois dias, e esse vazio só aumentou. — Explicou-se, passando a mão em seus cabelos.
— Foi o mesmo para mim. — sorriu.
— Eu quero você, mas não quero te perder. — Taehyung retribuiu o sorriso, com um olhar triste.
— Eu quero você, mas não posso ir com você. — Ela encarou os próprios pés e ele se aproximou.
— Ir comigo? Eu nunca te pediria isso! — Exclamou ele, para a surpresa de . — Você trabalha em uma cafeteria e mora nesse lugar, que você nem gosta tanto assim, para estudar moda aqui. Porque é seu sonho. Se você fosse para qualquer outro lugar comigo, ficaria infeliz. — Ele acariciou seu rosto. — Esse sempre foi meu erro, querer você a todo momento e permitir que negasse a si mesma para estar comigo. — Disse, com firmeza.
— Você…? — Taehyung assentiu.
— Percebi no dia que saí daqui. — Ele se sentou no sofá e suspirou. — Um sentimento tomou conta do meu peito, como se eu me sentisse culpado por te perder, mas não uma culpa de agora. Uma culpa antiga, uma culpa acumulada. Eu perdi você em Berlim, eu perdi você na Coréia e eu perdi você nos Estados Unidos. Eu nunca te perdi em Paris. — Ele sorriu e assentiu.
— Você nunca me perdeu em Paris. — Disse, sentando-se ao lado dele.
— E nem vou. — Olhou em seus olhos e segurou suas mãos. — Vamos viver nossos sonhos juntos, eu não me importaria se as minhas visitas a Paris se tornassem mais frequentes. — Sorriu, fazendo-a sorrir de volta. — Mas é a sua vida, é você quem passa por tudo aquilo. É você quem decide.
— Eu vou ficar em Paris e continuar me esforçando pelo meu sonho, mas eu gostaria que suas visitas se tornassem mais frequentes mesmo. — sorriu, pela primeira vez com os olhos também. — E depois…
— Depois? — Perguntou Taehyung, empolgado.
— Depois, eu adoraria ficar ao seu lado todos os dias. Em qualquer lugar do mundo, mas só depois… — Os dois se entreolharam. — E porque eu quero isso.
— Então temos um plano. — Taehyung sorriu.
— Temos um plano.



Fim



Nota da autora: Oi meus amores, espero muito que tenham gostado dessa fic! Não esqueçam de deixar um comentário se gostaram da fic porque isso me incentiva a continuar escrevendo para vcs <3




Outras Fanfics:
Além Do Acaso The Justive and Me Trovão de Konoha Consigliere The Time We Have Left My Lovely Lover

Nota da scripter: Que triste, eu amei hahaha

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.