Última atualização: 13/08/2018

Essa história está registrada na Biblioteca Nacional segundo consta a Lei Nº 9.610, Art. 1º Esta Lei regula os direitos autorais, entendendo-se sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos, caso seja sujeita a plágio pode determinar detenção de 3 meses a 1 ano, ou multa.

Capítulo 1


(...) dois meses antes...


Mordeu os lábios sentindo a gota de suor escorrendo por sua testa. Seus braços estavam ao ponto de ceder, porém não queria ceder, precisava completar o número das séries e não poderia ir embora sem completá-las.

– Mais cinco. – lembrou com a mão segurando a barra, ajudando-a levantar a barra. – Quatro. – desceu a barra conseguindo ver o sofrimento no rosto da garota. – Três. Dois. – subiu e desceu sucessivamente. – Última vai! – incentivou levantando a voz.

Trincou os dentes e apertou os olhos quando desceu a barra e em seguida levantou para colocá-la no lugar. O homem sorriu assim que escutou o suspiro de alívio que ela soltou quando tirou o peso da barra de seus braços.

– Agora que tal mais quatro séries, com vinte repetições, no leg press? – ele sugeriu enquanto ela ainda continuava deitada no banco do supino, agora com a toalha em cima dos olhos.
– Não tem a menor graça Jonathan. – sua voz saiu falha devida sua respiração descompassada.
– Mas não era pra ter graça. – sorriu apoiando as mãos na barra do supino.
– Você está tentando me matar? – retirou a toalha dos olhos deixando seu olhar se cruzar com o dele. – Se for isso, diz logo que eu mesma me mato. – complementou alargando um sorriso.
– Se mata naaaada. – debochou rindo antes que alguém lhe chamasse do fundo da academia. – Já volto filhote de cruz credo. – falou antes de deixá-la.
– Não volte mais. – disse antes de novamente cobrir os olhos com a toalha e suspirar profundamente.

Apoiou um braço sobre a testa contando o número de vezes que seu coração batia, ele estava acelerado e estava fazendo disso sua distração enquanto descansava. Puxou o ar sentindo que não era o suficiente para seus pulmões, mas ficou calma, sempre era assim, inspirava e parecia não ser o suficiente. Relaxou o corpo sentindo suas costas esquentar, a estrutura do colchão estava fazendo sua pele subir de temperatura e isso era horrível, odiava ficar com as costas molhada porque sempre parecia que tinha tomado um banho e tinha esquecido a toalha.
Dobrou as pernas ainda em cima do banco e engoliu a saliva, é... Ela poderia ficar ali o dia inteiro se dali algumas horas não tivesse que estar presente na delegacia Los Angeles Police.

– Veio na academia, hoje, para dormir? – escutou a voz masculina tão conhecida.

Com dois dedos retirou a toalha de um dos olhos e encontrou com o rosto dele. Sorriu largo recebendo um sorriso amarelo. O sorriso dele era lindo e quando o sol bateu contra o vidro do carro, estacionado na frente da academia, e refletiu no rosto dele tudo ficou mais lindo que já era.

– Desde quando está aqui? – disparou obrigando seu tronco levantar.
– Acabei de chegar, você nem me viu entrando? – ela negou com um beicinho. – Percebi. – disse antes de dar as costas, indo em direção da prateleira que se deixava o celular e outros pertences.
– Ei ! – chamou fazendo-o parar e se virar. – Está tudo bem? – quis saber visualizando ele bater a mão na lateral da própria garrafa, demorando a responder.
– É... Está, está sim. – respondeu parecendo estar mentindo.

Levantou as duas sobrancelhas de relance como resposta deixando-o seguir seu caminho até a prateleira, onde deixou a chave do carro e o celular, e depois em direção do espelho para iniciar o treino com os pesos. Por um instante, enquanto bebia de sua água, a imagem dos olhos de lhe veio em mente, eles não tinham aquele brilho intenso de todos os dias, estavam apagados e se arriscava em dizer que até estavam mortos.
Ele havia mentido quando disse que estava tudo bem, sentia a mentira. A imagem dos glóbulos apagados estava aí para confirmar que ele não estava bem, alguma coisa tinha acontecido e descobriria cedo ou tarde, afinal ele não iria conseguir esconder por muito tempo, uma hora ou outra teria que desabafar com alguém.
Foi então que a imagem dela lhe veio em mente: . A megera de cabelos , olhos , pele clara, dentes brancos, cílios pequenos, boca fina. Mas, afinal, quem é ela? A namorada de , vulgo maior inimiga de . Inimiga? Por que inimiga? Óbvio, sentia no mínimo uma atração – muito forte – por , uma atração de anos, e quando entrou na vida dele pediu permissão para ser sua rival.
não conhecia e não faria questão de conhecer, só pelo fato dela ser a namorada de já era o suficiente para ficar bem longe. Se ele estava feliz, ótimo, quanto mais longe ficasse melhor, porque para abrir a boca, falar merda e acabar com o relacionamento é questão de minutos ou até segundos.
Deixou a garrafa no chão, ainda sentada no banco, não conseguiu se contiver e virou a cabeça para trás deixando seu olhar cair sobre a imagem de , que estava sentado em outro banco de frente para o espelho encarando o próprio reflexo. Engoliu sua saliva sentindo uma sensação estranha, uma pontada tomou conta de seu peito.
Decidida, se levantou, pegou a garrafa junto da toalha e caminhou em direção do rapaz que sequer se deu ao trabalho de reparar na sua aproximação. Deixou a garrafa e a toalha próximas do banco e apoiou as mãos sobre os ombros de os sentindo tensos.

– Você não está bem. – deduziu iniciando movimentos circulares com os polegares. – Quer me contar o que aconteceu? – quis saber começando uma massagem relaxante.
– É a . – respondeu em um fio de voz.

abaixou a cabeça para rolar os olhos, claro que só poderia ser a megera!

– O que tem ela? – controlou-se para manter o disfarce continuando os movimentos lentos.
... – ele negou com a cabeça antes de continuar. – O que você faria se tivesse sido traída? – trocou de posição, sentando de lado, de modo que pudesse curvar as costas e levantar a cabeça para encarar a garota que tinha as mãos no encosto do banco.

"O QUÊ?!", uma voz no fundo da consciência de aclamou.
Teve vontade de gritar, de xingar cada fio de cabelo daquela vadia. Quem pensava que era? A rainha da cocada preta? E com quem ela traiu ?

– Eu não acredito que ela fez isso! – disse entre dentes se sentando ao lado do rapaz.
– Tem coisa pior envolvida. – revelou atraindo a atenção da mulher.
– O que é pior do que isso? – disparou e ele ficou em silêncio por um tempo. – Ah, sério mesmo que você a engravidou? – seu tom continha um pouco de sarcasmo. – tu és burro? – bateu na própria testa. – Vira corno e ainda engravida a megera?! – não se aguentou.
– Não é nada disso ! – a cortou antes que continuasse falando abobrinha. – Ela me traiu com o Caleb. – revelou e nunca sentiu tanta vontade de pegar alguém pelos cabelos e esfregar a cara no asfalto quente.
– Caleb? Quer dizer, Caleb Bernardi, o... – ahhh, merecia ser torturada por isso!
– É... O personal trainer Caleb Bernardi, meu ex-melhor amigo. Sacou agora ou quer que eu desenhe? – especificou se sentindo um nada.
– Então é... – levantou-se, pegou a garrafa e a toalha, dando as costas para ele. – Ah, até eu trocaria você por ele, porque mano o Bernardi não é pouca coisa não. – brincou recebendo um olhar tristonho misturado com um pingo de diversão de .
– Obrigado pela parte que me toca , muito obrigado, estou muito grato. – agradeceu com sarcasmo.
– Te vejo daqui a pouco, de novo. – rolou os olhos em brincadeira antes de seguir seu caminho para a salinha onde ficava os personais para apenas encher o saco de Jonathan antes de ir embora.

******

Bateu as folhas na mesa para que ficassem alinhadas colocando-as dentro de uma caderneta junto com fotografias e exames de laboratório, antes de deixá-las de lado escreveu "caso encerrado" em vermelho e colou na frente para que quando seu chefe chegasse, para recolher as pastas, soubesse qual caso estava ou não em andamento. Com a pasta em ordem a colocou junto dos outros casos encerrados. Puxou a cadeira, se sentou pegando outro monte de folhas que tinha na sua frente começando passar uma por uma para se certificar de que tudo estava ali.
Distraída, tomou um susto quando a porta se abriu e alguém entrou parecendo desesperado. O ser humano entrou, bateu a porta e se dirigiu para a mesa aonde apoiou as grandes mãos em cima dos papéis parecendo não se importar se estava atrapalhando ou não.

, eu preciso da sua ajuda! – sua voz demonstrava desespero.
– O que houve desta vez ? – perguntou ainda arrumando os papéis que tinha em mãos.
– Ah... Eu não sei explicar. – começou desfazer a gravata que já lhe sufocava.
– Deixa eu adivinhar... – jogou a papelada sobre a mesa cruzando os braços. – Foi a filha da puta da , não foi? – semicerrou os olhos sabendo que estava certa.
– Não... Ah, foi... Mas como você sabe? – quis saber jogando a gravata no chão e rolou os olhos.
– Eu senti o cheiro de puta. – deu de ombros se levantando.
, eu acabei de entrar na sua sala. – apontou para si mesmo.
– Eu sei , ainda não estou surda nem muda. – brincou organizando os papéis antes de grampear.
– Então como sentiu o cheiro de puta? – questionou e ela rolou os olhos antes de mirá-lo.
– Deixa eu adivinhar de novo... Ela veio atrás de você pedindo desculpas e você está pensando em aceitá-la de volta, certo? – deduziu, o ignorando.
– Como você...
– Responda a minha pergunta . – exigiu com o tom firme.
– Tá, eu estou mesmo querendo aceitá-la de volta. – confirmou e sentiu um calor surgir sob sua pele. – Ela disse que está arrependida, que o Bernardi a chantageou para que ela fosse para a cama com ele; ela estava chorando , e eu...
– Você nada! – bradou socando a mesa. – Se você voltar para ela, , vai ser eu que acabo com você! – ameaçou. – Você só pode estar ficando louco, ela te traiu com o Caleb, tudo bem que ele é um baita gostosão, mas mesmo assim é traição! Você sabe o que é traição pelo menos? É a mesma coisa que não passar pela porta por causa de um par de galhadas! – gritou pouco se importando se alguém iria ouvir ou não.
– Por que ficou tão nervosa ? – arriscou-se em perguntar.
– Porque eu não suporto ver os meus amigos fazendo papel de trouxa. – tinha a resposta na ponta da língua. – Se a te colocou um par de chifres então ela que vá atrás do Caleb. – complementou voltando arrumar suas papeladas.
... – se curvou sobre a mesa para conseguir encará-la nos olhos. – Eu preciso da sua ajuda. – seus olhos imploraram.

suspirou e de repente acertou um tapa ardido no rosto do rapaz que a encarou, incrédulo.

– Por que fez isso? – questionou esfregando o lado atingido.
– Para você largar de ser besta. – cuspiu. – Se você quer a minha ajuda, a primeira lição é nunca mais pensar em voltar com aquela mutuca! – deixou claro retornando para sua organização de papéis.


Capítulo 2


A freada brusca cantou os pneus, a porta da viatura se abriu a uma velocidade impressionante e os tênis pretos tocaram o asfalto molhado com destreza. A rapidez com o qual puxou o revólver e mirou no homem foi de tirar seus parceiros do eixo, os movimentos daquela mulher sempre eram de impressionar qualquer um.
A porta do passageiro também se abriu e o policial apoiou os braços sobre a porta também mirando o bandido. Ao mesmo tempo as portas das outras viaturas se abriram e os agentes destravaram as armas mirando o mesmo alvo.

– Você está cercado. – a garota bradou, segurando a arma com as duas mãos fechando a porta da viatura com o pé. – Não tem mais escapatória, só lhe resta se render. – o homem, lentamente, movimentou um braço para as costas com um sorriso nos lábios.
– Acho que não, . – pronunciou.

De repente surpreendeu a todos quando da calça jeans retirou um revólver e começou atirar contra todos os agentes. não poupou e também atirou, mas quando deu o primeiro tiro, foi surpreendida por uma das balas em seu ombro.
Jogou-se contra a viatura do policial James, ao lado da sua. Escutou assumindo seu posto quando caiu, sendo assim aproveitou para soltar o revólver e verificar a ferida. Ergueu a manga e constatou ter sido um tiro de raspão.

– ELE ESTÁ EM GRUPO! – gritou e olhou para os prédios identificando vários homens mirando para baixo.

Sentiu um calafrio na espinha.

! OS PRÉDIOS! – gritou e o rapaz olhou para cima.
– ATIREM! – ordenou mirando contra os homens.

Enquanto os policiais, uns caíam e outros se esquivavam das balas, o bandido aproveitou a oportunidade para sair correndo do beco. Mas felizmente escutou seus passos, pegou o revólver e saiu em disparada atrás o homem.
parou de atirar assim que percebeu os movimentos. Rapidamente correu em direção de duas viaturas que estavam atravessadas no meio do beco com os para-choques praticamente colados, apoiou a mão sobre um dos capôs, pulou e começou seguir o mesmo caminho de .
Os agentes ficaram sobre comando de Jonas, o filho do chefe da Los Angeles Police, enquanto e corriam atrás do líder da quadrilha que tinha acabado de roubar o banco central. A denúncia chegou através do chefe Lucca Castel que correu para alertar , a única que estava disponível para sair porque os outros estavam fazendo a ronda escolar.
destravou a arma durante a curva que lhe levou a uma feira livre. O bandido corria se esbarrando nas pessoas e pulando sobre as bancas para tentar sair ileso. obrigou suas pernas pararem assim que um homem, que carregava uma parte retangular de madeira da barraca, atravessou a rua e parou para trocar informações com uma senhora.
A garota sentiu seu rosto batendo contra a madeira, e assim que soltou o ar em alívio por ter parado antes do previsto, lhe alcançou e com agilidade se abaixou passando por baixo da madeira. , indignada, pegou o caminho mais lento, que foi pedir "licença" para os feirantes, enquanto já nem na feira mais estava.
Ela ficou para trás, já estava na cola do ladrão. Como sempre era ele quem prendia o assassino, este era o seu trabalho, pois se recusava eternamente de expor sua imagem nos tabloides, da última vez que os jornais publicaram uma foto sua, choveu homens em sua porta querendo que ela fosse a “policial particular” deles.
se sentiu incomodado com aquilo, porque ele mesmo não queria ter uma chuva de mulheres em sua porta implorando para que ele fosse o “policial particular” delas. O bom foi que o chefe Lucca deu um depoimento sobre o caso e exigiu, ao mesmo tempo, que a mídia parasse de inventar lorota sobre , ela era uma policial de respeito e não uma qualquer, ela merecia vestir o uniforme.
Por um mísero segundo deixava sua chance escapar, o bandido derrubara uma lata de lixo no caminho e quase caíra, mas por sorte seus reflexos o ajudaram a pular sobre a lata e seguir seu caminho. Com a mão se segurou na parede para fazer a curva e imediatamente se deparou com o bandido andando de um lado para o outro encarando a enorme grade que se tornou sua barreira.
riu alto caminhando em passos lentos.

– Está com problemas? – disparou sorrindo. – Quer uma ajudinha do policial aqui? – o homem o fuzilou não se deixando abalar.
– Você se acha bem esperto, não é policial ? – o rapaz deu de ombros retirando as algemas da cintura.
– Eu não me acho esperto, eu sou esperto. – corrigiu se dirigindo até o ladrão.
– Eu não vou me render. – começou correr em direção de .

com suas habilidades extraordinárias dos anos como policial apenas esperou o homem chegar bem próximo para quando, no momento certo, o pegasse pelos ombros e empurrasse seu corpo contra a parede descamada do prédio.
O segurou pelo pescoço enquanto que, com uma mão, tratava de prender as algemas ao redor dos pulsos do indivíduo, falando ao mesmo tempo:

– Você tem o direito de permanecer calado, qualquer movimento ou informação será usado contra você no tribunal. – deixou claro ouvindo o som das algemas travando.

", está na escuta?", o telecomunicador no ombro despertou com a voz de Jonas.

– Estou a duas quadras da feira livre Jonas, virando à direita. – explicou sem que Jonas fizesse a pergunta, enquanto forçava o bandido caminhar em direção da rua principal onde as viaturas logo apareceriam.

"Entendido , estamos a uma quadra daí. Câmbio e desligo.", o telecomunicador chiou e conseguiu escutar o som das sirenes.
Continuou obrigando o homem andar contra sua vontade até se deparar com as cinco viaturas estacionadas na frente do lugar onde tinha encurralado o bandido. Desde então deixou tudo por conta de Jonas que se encarregou de colocar o ladrão na viatura e ligar para seu pai relatando que a equipe tinha completado a missão.

– (...) não pai... Bem foi assim... – Jonas andava enquanto falava ao celular.

engoliu sua saliva encostando-se à viatura girando a segunda algema que tinha na cintura no dedo indicador. Até Jonas relatar todos os detalhes para Lucca e ele em pessoa surgir naquele lugar, levaria horas e horas de espera.
O rapaz só queria ir para sua casa, deitar a cabeça em qualquer coisa que fosse macia e fechar os olhos para iniciar a difícil batalha de fazer desaparecer de seus pensamentos, o que desde que contara para que foi chifrado estava sendo uma tarefa impossível.

– Fez um ótimo trabalho Agente . – girou uma última vez a algema antes de segurá-la firme com a mão.
– Obrigado Chefe . – ambos riram.

ainda sorrindo encostou o corpo ao lado do dele observando Jonas andando e gesticulando ainda ao celular. A imagem do rapaz transmitia que a conversa não estava sendo muito agradável, e se conhecia bem Lucca, ele queria saber todos os detalhes, e se também conhecia bem o filho do próprio, ele odiava dar detalhes.

– Será que ele sabe que nós estamos esperando como retardados? – a garota escutou ao seu lado.
– Lucca ou Jonas? – respondeu com outra pergunta que era necessária para a compreensão.
– Os dois. – não ajudou muito.
– Lucca acho que não, já Jonas... Ele está igual a nós. – observou começar girar a algema novamente no dedo.

Acompanhou os giros conforme se fez o silêncio.

– Não vai para o hospital? – ele disparou na lata.
– Não, o tiro pegou só de raspão. – explicou apoiando a mão no ombro dele, sentindo uma leve dor no próprio ombro, apoiando também o queixo e suspirando.
– Está cansada? – jurou que ela estava com os olhos fechados.
– Eu acordei com preguiça hoje. – e realmente estava com os olhos fechados.

soltou um risinho.

– Me diz quando você não acorda com preguiça? – não sabia se perguntava ou afirmava.
– Quando eu posso dormir o dia inteiro, sabendo que não preciso ir trabalhar com um mala. – virou a cabeça para o lado rindo, porém o que viu acabou com o seu sorriso.
– O mala da questão sou eu? – quis saber, mas não recebeu resposta.

ignorou a pergunta de , a imagem de sentada na mesa da sorveteria com Érica, sua melhor amiga, Caleb e Mike, o namorado de Érica, foi mais intrigante. sorria parecendo realmente feliz. Ela não deveria estar porque trocou um dos melhores homens do mundo por um par de músculos. Interesseira ela? Nem um pouco!
era atencioso, carinhoso, companheiro, e sempre arrumava um jeito de sair cedo da academia ou delegacia dizendo querer chegar a sua casa e abraçar até o ar lhe faltar. Que mulher não iria querer um homem desses? E ainda, era divertido e fiel.
Desde que começou ter uma afetividade por ele – sendo que parece ter sido isso que a ajudou se aproximar do mesmo – descobriu naquele homem não só beleza, mas sim, uma forte e rara amizade. Homens como eram raros e daria de tudo para ter um em sua vida, e tinha, mas foi piranha o suficiente para trocá-lo por músculos!
Não que fosse um palito, ele tinha bíceps e tronco trabalhados, se dava para perceber mesmo com o uniforme, mas... preferiu a bombinha do Caleb Bernardi.

...? – percebeu que ela já não tinha mais o braço em seu ombro, então se virou. – O que você... – engoliu em seco... O sorriso dela.

percebeu que também tinha reparado na presença de , e quando o encarou percebeu em seu olhar um sentimento de tristeza, dor, solidão.

... – o tocou no maxilar, obrigando que ele virasse o rosto.

Assim que ele o fez, voltou encarar a mesa na sorveteria e imediatamente seu olhar se encontrou com o de . Sem medo a encarou profundamente tentando relatar tudo o que sentia... Cachorra, piranha, galinha que não serve nem para fazer sopa!

, meu pai pediu para você ir ao hospital. – Jonas se aproximou dos dois.
– Mas eu...
– Eu levo você. – interrompeu recebendo um olhar confuso de . – Nós não vamos nos ver até de noite, então quero aproveitar para te encher o saco enquanto posso. – relatou antes de dar as costas para ela e Jonas.

Jonas encarou caminhando em silêncio até a viatura, e antes de também dar as costas teve que cutucar .

– Pintou um clima ? – a garota sorriu antes de empurrá-lo de leve.
– É pintou, vamos transar agora. – brincou e ambos gargalharam antes de seguirem em caminhos diferentes.

caminhou até a viatura que dividiu com , já que ele foi seu parceiro naquela missão. Tocou a maçaneta, abrindo a porta, mas antes de adentrar direcionou o olhar novamente para e ela ainda lhe encarava. aproveitou a oportunidade e sorriu largo sabendo exatamente que a megera já achava que estava em outra, e era bom se ela achasse isso, quem sabe assim não aprende dar mais valor no que a vida proporciona.


Capítulo 3


balançou a cabeça para tirar os cabelos do olho voltando a agachar com uma barra contendo oito quilos, sendo quatro de cada lado, sobre os ombros. Após ter ido para o hospital com , voltou para a delegacia, recebeu a parabenização de Lucca e quando o relógio bateu às 17h, tinha chegado a hora de treinar.
No hospital, o médico apenas limpou e desinfectou o ferimento, ferimento que não chegou nem aos pés de receber pontos e não iria precisar ficar suspensa da polícia, porque como dito fora um tiro de raspão.
Finalmente livre da criminalidade e do olhar apagado e tristonho de , aproveitaria o máximo para distrair a cabeça treinando, treinando e treinando. Graças a sua amizade com Jonathan, desde que começou a frequentar a academia, pegou gosto por treinar e percebeu que treinando era a única forma de aliviar a mente dos problemas.
É... Aquelas propagandas na internet "treinar distrai a mente", "se terminar um relacionamento, não chore, vá treinar!", "está com problemas, treine pesado até não aguentar mais" são totalmente verdadeiras. Cabe a você decidir se funciona com você, no caso com funciona. já era outra história. Esse treinava pesado todos os dias e pelo que tinha reparado a dor ainda continuava em seus olhos. O quanto era o amor que ele sentia por ? Porque não é possível ele estar sofrendo tanto sem sentir absolutamente nada.
Durante o tempo que teve de ficar sem a camiseta com apenas o sutiã no hospital, reparou que sequer ficou incomodado. Todo homem ficaria tenso com a "fruta" seminua a sua frente. Acontece que não estava interessado nos acontecimentos ao seu redor, porque tudo que mais importava estava batucando sua mente e tinha nome e sobrenome: .
A traíra, a galinha, a piranha que não fica satisfeita com a minhoca que tem na vara. Cadela, com toda certeza, bem comida, mas se faz de malcomida. Ah, se pudesse acertar um soco na cara daquela delinquente já estava tudo perfeito!

– Tá errado! – rolou os olhos continuando com seu agachamento. – Tá errado, tá totalmente errado! – a garota suspirou colocando a barra para descanso.
– Tirou a tarde para infernizar o meu treino? – perguntou se sentando no banco do supino, pegando o celular.

riu enquanto organizava a sua barra de supino.

– Vou falar para o Du desligar o WiFi. – riu.
– Não, não precisa... – bloqueou a tela do celular deixando-o de lado. – Quem tá mexendo no celular aqui? Ninguém. – foi cínica bebendo sua água.
– Ah, só de pensar que tenho de voltar para a delegacia dá uma preguiça. – comentou colocando os quinze quilos de cada lado da barra.
– Por quê? Queria ir para outro lugar? – quis saber se posicionando novamente com os ombros sob a barra fixa na estrutura de ferro.
– Queria, para casa. – respondeu antes de começar a levantar a barra.

desistiu de iniciar as novas séries do agachamento, a resposta dele naquele tom baixo, sem emoção era de partir o coração de qualquer um. Como já dito, só queria deitar a cabeça em algo macio e esquecer-se do mundo ao seu redor.
Nem mesmo os próprios treinos eram o suficiente para distraí-lo, só reparou que ele se distraiu completamente quando estava perseguindo Scott MacBook, o líder da quadrilha que assaltou o banco central mais cedo. O que era bem óbvio, porque enquanto corria não tinha tempo para pensar apenas agir.

– Não está com vontade nenhuma de treinar hoje em ! – direcionou o olhar para o rapaz que estava sentado no banco de supino inclinado.
– Resolveu sair da toca Du? – o policial questionou sorrindo pequeno.
– É... Alguém tem que cuidar da academia. – disse o personal que encarou a entrada, fez o mesmo.

A catraca apitou e as figuras que adentraram, tirando uma, não foi nem um pouco satisfatória.

– Jôninha! – Eduardo gritou alto se dirigindo até a entrada. – Caleb meu irmão. – ambos apertaram as mãos.

virou o olhar para o espelho assim que Caleb bateu os olhos em si, droga! Além de não ter vergonha na cara para se deitar com a namorada de alguém, ainda fica secando a amiga desse alguém.
percebeu o desconforto.

. – a garota o encarou e a chamou com a mão.

Tirou os ombros de debaixo da barra e começou a seguir em direção de , mas Jonathan a surpreendeu quando a puxou por trás pelo ombro e envolveu seu pescoço com um braço parecendo querer enforcá-la.

– Jonathan, me larga. – pediu segurando nos braços dele.
– Andou pulando treino ontem que eu vi. – soltou um risinho.
– É andei, confesso, agora me solta. – exigiu e ele obedeceu.
– Vai treinar, vai garota. – empurrou de leve pelo ombro. – , a está te enchendo o saco? – cruzou os braços e ambos encararam a garota.
– Está, nossa, vou até escrever para a caixinha de reclamações: " está me perturbando durante o treino". – o rapaz brincou e mordeu os lábios rolando os olhos.
– O que você acha de mandá-la laaa para aquela academia no final da cidade? – a mulher sorriu maroto caminhando até a prateleira de pesos.
– Ahh, eu acho ótimo! – mostrou diversão no tom de voz.
– É eu vou mandar os dois tomarem lá naquele lugar, aí vão ver o que é bom para a tosse. – se intrometeu com dois pesos de um quilo nas mãos.

Ambos gargalharam como duas gralhas. Por um lado, se sentia bem, sinal que estava se distraindo e não pensando em , mas de outro estava se sentindo incomodada, não era má ideia trocar de academia, porque naquela um ser chamado Caleb Bernardi não parava de secá-la quando estava sozinha.
Jonathan a cutucou por mais alguns minutos junto de , até resolver deixar os dois quietos e ir infernizar Eduardo que estava dentro da salinha dos personais mexendo no celular, rindo. E Jonathan como uma boa pessoinha foi zombar da cara dele.
colocou os pesos no lugar antes de deitar o corpo no banco de supino e apoiar o braço sobre a testa. Encarou o relógio na parede, direcionando o olhar para a entrada da academia identificando que o sol já estava indo embora, o que indicava que dali uma hora e meia também teria de ir.
Suspirou fechando os olhos. Estava morrendo de cansaço e pensar que teria de voltar para a delegacia e só sair de lá às 3h da manhã deixava-a com mais cansaço ainda. também foi recrutado para o imprevisto, mas tinha suas dúvidas sobre a presença dele.
Lucca e Jonas não poderiam ficar na delegacia naquela noite porque Keyla Castel tinha sido encaminhada às pressas para o hospital. A causa do ocorrido não foi justificada, só sabia que teria de ficar no lugar de Lucca, enquanto no lugar de Jonas.
Seria bom para , agora para ela nem um pouco. Estava exausta e tudo que mais queria era seu colchão macio. Por isso relaxou no banco do supino, quer dizer, relaxou até que a discussão chegou aos seus ouvidos.

– Já parou para pensar o porquê de ela ter feito o que fez? – conhecia aquela voz de longe. – Ela queria algo que você, com toda certeza, não tinha cabimento para dar. – abriu os olhos encarando o teto da academia.
– E você foi um filho da puta por me trair, que isso foram doze anos de amizade, e pra quê? Para você me apunhalar pelas costas?! – se levantou do banco e buscou pela imagem dos dois.
– Eu não te apunhalei pelas costas, ela que veio atrás de mim! – deixou claro percebendo que o olhar de todos estava neles.
– E você não pensou duas vezes antes de aceitar a proposta dela, não é desgraçado? – rosnou com as veias do pescoço saltadas.
– A implorou por mim. – começou então a pior parte da discussão. – Pediu com tanto desespero que eu não pude negar. Ela disse que você não passava do cachorrinho dela, que ela mandava, chutava, maltratava e você continuava ali lambendo o chão que ela pisava. – Caleb falava alto e todos estavam de prova da discussão, e para piorar a academia estava cheia.
– Eu não sou o cachorro de ninguém, não me confunda com você! – rebateu e Caleb gargalhou.
– É eu sou o cachorro que invadiu o seu território. O pitbull invadiu o território do pastor alemão. – provocou e interviu.

Correu até os dois e se colocou na frente de deixando seu rosto próximo do de Caleb, ela sabia que não iria se segurar por muito tempo e partiria para a briga física.

– Por que você não toma vergonha nessa sua cara e vira homem Caleb? – disparou com o tom firme.
– Eu posso te mostrar o quanto sou homem. – aquelas palavras foram nojentas.
– Transar e ter um par de músculos não significa que você é homem! – rebateu. – Você é um moleque, daqueles que acham que mulher vive necessitada de sexo, mas não é assim que o mundo funciona. Você traiu o seu melhor amigo só porque uma piranha te implorou sexo. – expôs a verdade, a verdade que todos deveriam enxergar.
– Ela não implorou, ela veio atrás de mim e pediu que eu fizesse com ela o que ele não fazia. – apontou que tentou empurrar para o lado, mas ela nunca deixaria que uma discussão acabasse em luta ainda mais quando o motivo era uma galinha.
– A tinha vida de dondoca, todas tinham inveja pelo homem que ela tinha do lado, TODAS! – frisou.
– E você tinha? – Caleb a deixou sem falas, não tinha inveja, tinha raiva por estar namorando com o homem que tinha afeto.
... – se pronunciou. – , não se envolva em algo que nem sequer tem o seu nome. – a garota se virou para encará-lo.
, ele está acabando com você e você não está fazendo absolutamente nada! – se mostrou indignada.
– É, mas eu não preciso que uma mulher me defenda, sei me virar sozinho. – sentiu um aperto no peito.
– É assim então...? – o encarou mostrando um olhar apagado.

De repente o dono da academia, Parker D' Ângelo, apareceu atrás de Caleb e acabou com a festa toda.

– Eu quero os três fora imediatamente. – deixou claro. – Querem resolver seus problemas, que resolvam fora da minha academia! – Jonathan puxou Caleb a fim de ter uma conversinha particular com ele. – Vamos! – Parker bateu as mãos querendo apressar e .
– Eu também não preciso de você. – deu as costas, pegou sua toalha, garrafa, chave e saiu sem direcionar um só olhar para ou Jonathan que a encarou sair.

******

Jogou as pastas em cima da mesa com tanta brutalidade que acabou por derrubar o copo de água no chão junto de alguns papéis e canetas. A raiva ainda circulava sob sua pele no meio das hemácias.
era um inútil, ela só estava tentando ajudar e era assim que agradecia, falando que não precisava dela. Oh, então quem que ele veio procurar quando soube que se tornou corno? O Gasparzinho que não foi!
Homens são todos iguais, se acham machões quando as mulheres tentam ajudar. bancou o babaca, com certeza se tivesse afirmado que ele não passava de um capacho de , teria dado muito mais valor e respeito.

– Mas que porra! – bufou antes de começar a pegar as folhas que caíram.

Alguns papéis molharam, mas e daí? não estava nem aí, foda-se os papéis.
Recolheu a papelada e colocou de qualquer jeito em cima da mesa, encarou o chão molhado e novamente bufou, teria que buscar o esfregão ou um pano para secar sua bela obra de arte.
Caminhou até a porta e a empurrou chegando ao corredor, foi até o armário de vassouras, girou a chave e puxou a maçaneta com tanta brutalidade que por um segundo pensou que fosse quebrá-la. As vassouras caíram fazendo-a sentir mais raiva que já sentia, ah, sua noite pelo jeito ia ser longa...
Começou a juntar as vassouras e organizá-las dentro do armário, com tudo ajeitado puxou o pano de dentro do balde de limpeza e fechou a porta. Quando o fez tomou um susto com a figura de escorado na parede com um braço, com o olhar sedutor, uma sobrancelha erguida e os lábios pressionados em uma linha reta.
colocou os dedos da mão do braço livre no cós da calça jeans e abaixou o olhar rapidamente logo o levantando, uma palavra: sexy!
tentou não demonstrar o quanto ele mexia consigo, não merecia que ela sentisse algo por ele, não merecia mesmo.
A garota soltou um risinho em deboche.

– Quanto mais eu rezo para Deus abençoar a minha vida, parece que ele entende errado e coloca assombrações nela. – empurrou a porta com força, fazendo o estrondo expandir pelo corredor.
eu queri... – começou, porém, foi interrompido.
– Não me interessa ! – bradou antes de dar as costas.

Caminhou de volta para sua sala, e como um bom "cachorrinho" a seguiu. É talvez Caleb estivesse certo, não passava de um cachorro que lambe o chão para as pessoas pisarem.

, por favor... – pediu, mas ela estava disposta ignorá-lo.
– Escuta . – se virou fazendo-o parar bem próximo de si, quase com os corpos colados. – Eu, sinceramente, não quero ouvir o que você tem a dizer e nem o que pensa sobre mim, então me deixe em paz! – exigiu entre os dentes.

A garota decidiu voltar para sua caminhada e quando empurrou a porta da sala, ele já estava a seu alcance.

, eu... – tentou de novo, mas acabou por receber a porta batendo em sua cara.

Suspirou tratando de abrir o pano e jogá-lo em cima da poça de água, se abaixou começando a esfregá-lo contra o chão. A sala estava um silêncio tão bom, pena que bastou a porta se abrir para esse silêncio acabar.

– Você é um delinquente ! – levantou-se. – Sua mãe não te deu educação? Ah não, cachorros não são educados, não é? Eles são adestrados. – cruzou os braços e arcou as sobrancelhas.
– Não me chama assim. – pediu.
– Eu chamo sim, não é isso que você é? – rosnou dando um passo na direção dele. – Você concordou com os insultos do Caleb, então você se considera o cachorrinho de . – o encarou nos olhos.
– Eu não sou o cachorro de ninguém ! – gritou e a menina sorriu sarcástica.
– Por que comigo você grita? Deveria ter gritado quando o Caleb resolveu te provocar, mas o que você fez, hã? – o olhar de era horripilante. – Você não fez nada , você colocou o rabo no meio das pernas e deixou que fosse insultado na frente de todos da academia. – ela estava certa.

permaneceu em silêncio por um tempo absorvendo as palavras de , ela sempre estava certa, até quando não queria admitir para si mesmo, ela tinha a razão.
E agora se sentia um inútil, falar para que não precisava dela foi a pior burrada que já fez na vida, por que quem ele foi procurar no primeiro momento? Foi ela, então era óbvio que precisava dela.

– Olha me descul... – foi interrompido.
– Ah, agora você quer se desculpar? Agora é tarde , que tal você correr para os braços da sua dona? Tenho certeza que ela está louca para colocar você para baixo e fazer você lamber o chão que ela pisa. – usou seu melhor tom sarcástico voltando para trás da mesa de costas para ele.
– Eu não estou aqui para rastejar o seu perdão , só estou aqui porque eu falei merda. – começou e percebeu que ela não interromperia. – Eu falei que não preciso de você, mas eu estava errado, você foi a primeira pessoa que pensei em procurar quando soube da verdade, por isso queria admitir que eu sou um inútil, e que realmente preciso de você . – a garota rolou os olhos.
– É só isso ou tem mais? – quis saber ainda de costas.
– O que mais você quer de mim? – perguntou parecendo desesperado. – Eu admiti que estou errado e que preciso de você do meu lado, o que mais você quer? – suspirou antes de se virar para ele.
– Eu quero um pouco de consideração. – respondeu com os braços cruzados.
– Mais do que eu te considero? , lembra que foi você a primeira pessoa que procurei quando eu, bem... – mordeu os lábios não conseguindo terminar a frase.
– Quando você descobriu que ganhou um par de chifres? – terminou.
– Você insiste em me lembrar disso toda hora, não é mesmo? – ela deu de ombros enquanto ele se acomodava no sofá.
– É bom não esquecer, assim você não corre o risco de voltar para os braços daquele embuste mal-agradecido. – explicou e riu.
– Eu jurava que você ia falar "malcomido". – continuou rindo e não conseguiu conter um riso.
– Se ela foi ou não malcomida o problema é dela, não é meu. – voltou organizar os papéis sobre a mesa.

caminhou, ainda com um sorriso nos lábios, até a mesa onde apoiou as mãos e tombou um pouco a cabeça para o lado encarando de um jeitinho piedoso e silencioso. Ela em contrapartida levantou os olhos rapidamente para o rosto do rapaz e logo voltou sua atenção para os papéis, encontrando algo importante entre eles.
Quando deu conta de que não sairia, resolveu descobrir qual era o lance da vez.

– Desembucha logo, o que é que você quer? – pensou antes de responder.
– Não está mais brava comigo? – riu mordendo os lábios.
– A raiva não é uma coisa que você sente em uma hora e na outra já não sente mais. – abaixou os olhos para o papel que tinha sob a mão lendo as primeiras palavras.
– Então até quando vai durar? – se arriscou em perguntar.

o encarou e sorriu, ele por outro lado não entendeu nada, era só o que faltava estar se tornando uma psicopata. Foi quando ela levantou o papel que tinha sob a mão não dando tempo para ele ler o que estava escrito nas primeiras linhas.

– Não vai durar muito tempo, porque eu estou de férias! – mostrou-se alegre com o ocorrido indicando a folha.
– Ah, que bom fico feliz por você. – se mostrou tristonho, com quem trocaria ideias agora? Quem ia lhe impedir de fazer merda?
– Larga de ser idiota ! – o empurrou de leve pelo ombro com um sorriso largo nos lábios. – Você também tirou férias, Lucca nos deu férias antecipadas por termos que ficar esta noite em claro. – explicou e os olhos do rapaz ganharam brilho.
– Sério?! – seu tom mostrou um pouco de confusão.

assentiu e ele imediatamente puxou o papel da mão dela e confirmou sua dúvida. É eles estavam de férias assim que amanhecesse, sem caso, sem dor de cabeça, sem chefe, sem perseguição, tudo iria se presumir a sombra e água fresca.

– Eu vou passar esse um mês dormindo. – comentou e teve sua luz acesa sobre a cabeça.
– Não, você não vai. – a garota o encarou com uma sobrancelha erguida. – Nós vamos para Nova York! – revelou e sorriu pelo canto dos lábios não entendendo nada, por que ela precisava ir? tinha idade o suficiente para se virar sozinho.
– Por que você quer...? – teria tirado sua dúvida, se ele não tivesse a interrompido antes que completasse a pergunta.
– Arrume suas malas eu passo na sua casa às 5h da manhã, quero pegar a estrada enquanto ainda estiver escuro, é mais excitante. – andou até a porta, e antes de sair segurou no batente. – Não pense em dizer "não". – então saiu.

sorriu soltando o ar levemente pela boca, ah, só poderia ser mesmo ideia de , aquele pedaço de ser humano louco que decide as coisas em cima da hora e nunca aceita "não" como resposta.
Nova York? Ele ficou maluco? Nova York ficava há quilômetros de Los Angeles, o que ele queria fazer em Nova York? Era muito mais fácil pegar o carro, alugar um hotel em Malibu com vista para o mar e boa, as férias estavam feitas.
Los Angeles ficava a um dia de Nova York, o que deu em ? Bateu com a cabeça? Porque só um... Ah! O problema se chamava . Agora compreendia, ele queria passar as férias o máximo longe daquele urubu.
sorriu vitoriosa, ele queria passar as férias longe de e em sua companhia. era admirável até nessas horas; escolheu um lugar afastado de tudo para recomeçar e ainda exigia a presença de , porque não queria ficar sozinho, que mulher jogaria isso fora? O embuste, claro.
Pensando nisso, o celular de deu sinal de vida. O pegou em cima do notebook e sorriu com a mensagem:

"Você vai comigo, não vai? Xx, "

digitou mantendo o sorriso e sentindo seu coração bater como nunca tinha batido antes, é talvez ainda sentisse algo forte por aquele homem. Desde que começou a namorar com , tentou o possível e o impossível para esquecê-lo, mas pelo jeito que as coisas corriam, o mundo resolveu escolher este justo momento para fazer daquilo que foi enterrado existir novamente.
Antes de enviar a mensagem, pensou por um tempo: e se estivesse sentido mais que carinho e consideração por ? E se o nome disso for paixão? Não poderia se deixar levar por um sentimento não correspondido, agora era livre e não queria vê-lo amarrado, não de novo.
Mas não sentia medo de se apaixonar, por isso jogou todo tipo de pergunta pela janela, o mundo não os uniu desse jeito para ser perda de tempo. Se for para acontecer, é melhor deixar acontecer...

"Vou, com certeza. Xx, ."


Capítulo 4


Sentou-se à mesa da academia para se recuperar das pesadas séries no leg press, por sorte esse era o último exercício de seu treino de pernas. Como tinha finalizado o treino e dali alguns minutos voltaria para a delegacia, uma paradinha não faria mal a ninguém. Treinava desde às 8h da manhã, era uma manhã tranquila de quinta-feira, o dia que ela e tiravam a tarde para infernizar Jonathan, porém naquela quinta seria diferente porque não iria estar disponível no período da tarde.
Jogou o celular na mesa com um pouco de força, não estava gostando nada, nada do fato de Jonas estar lhe enviando mensagens dizendo que seu pai estava pensando seriamente em suspender as férias dela. Não era justo, tudo bem que até merecia ter as férias suspendidas, já que na noite passada ignorou um chamado de perseguição, mas ela fez tudo corretamente, passou a noite com os olhos bem abertos e não tinha culpa por não ter atendido o chamado, porque a responsabilidade era de lhe avisar.
O celular vibrou fazendo a garota o pegar e ler a mensagem.

– Ah vai tomar no meio do seu rabo Jonas. – disse baixinho quando leu que ele jurou ajudar o pai cancelar as férias.

Digitou uma resposta com fumaça saindo pelas orelhas, sabia que Jonas estava apenas brincando, mas toda brincadeira tem limites e o filho do chefe tinha ultrapassado esse limite!

"Faça isso e eu corto o que você tem no meio das pernas". – falou enquanto digitava e enviou. – Ah! "Com um alicate". – lembrou antes de receber outra mensagem.
– O que e de quem você vai cortar o que? – Jonathan surgiu de sei lá onde, apoiando os braços no encosto do banco.
– Nada e de ninguém. – respondeu bloqueando a tela do celular.

O rapaz deu de ombros encarando as pessoas treinando e outras tirando fotos no espelho, fez o mesmo, porém logo pegou o celular para ler a mensagem de Jonas.

– Então quer dizer que vou tirar folga? – Jonathan curvou mais o corpo ficando com o rosto na altura do dela.
– Você não, eu vou fofinho. – provocou cutucando a bochecha dele com o indicador.
– Vai tirar férias com o , hã, hã, hã! – cutucou a cutucando pelas costelas.
– Não é nada disso Jone! – segurou os dois braços dele olhando bem para seus olhos.
– Foi isso que o nosso querido... – de repente a catraca apitou anunciando não ter reconhecido a digital, e ambos encararam a pessoa em questão. – Ah, olha o assunto chegou!

O homem sorriu tentando novamente fazer a catraca reconhecer sua digital, mas deu erro de novo.

– Isso é macumba sua não é Jone? – tentou recebendo o mesmo resultado.
– Minha? Olha a acabou de me falar o seguinte: "o está pra chegar, vou sabotar a catraca assim vou poder rir da cara dele". – segurou o riso enquanto falava e a garota se mostrou surpresa.
– Eu nada seu mentiroso! – estapeou o braço do rapaz que fingiu um gemido de dor tão exagerado que ela rolou os olhos.
– Jonathan você é um péssimo mentiroso. – estava debruçado sobre a barra de ferro da entrada encarando os dois com os olhos semicerrados.
– Sou é? Só por causa disso você vai ficar do lado de fora. – com um sorriso andou até a catraca e usou sua digital para que entrasse.

com os braços sobre a mesa riu quando e Jonathan começaram se cutucar e acabaram por um ficar na frente do outro fazendo movimentos de uma luta de boxe, ah, ela estava cercada de idiotas!

– Vocês são muito retardados, sério. – comentou rindo.

De repente escutou uma buzina e deduziu ser Jonas que passaria na academia para pegá-la depois de resolver um pequeno problema no parquinho, que ficava no próximo quarteirão.
Pegou sua mochila e caminhou até a catraca conferindo se era mesmo Jonas, teve suas hipóteses confirmadas quando avistou a viatura do policial. Acenou para Jonathan e fez o mesmo com , mas este empurrou o personal pelo ombro porque tinha que falar com .

– Arrume suas malas, amanhã às 5h da manhã passo na sua casa. – falou com certeza.
– Pensei que iríamos hoje. – comentou percebendo Jonathan se aproximando.
– Vai ser amanhã, eu juro. – disse e no mesmo instante Jonathan o agarrou por trás pelo pescoço e ambos começaram a "brigar" sem se importarem se estava sendo ou não o centro das atenções.
– Tchau para vocês dois. – deu as costas, sorrindo.

Antes de atravessar a rua conseguiu ouvir pedindo para Jonathan lhe soltar e não demorou muito para escutar a voz de Lydia parecendo indignada com a postura dos dois. Lydia era a prima do dono, Parker, e a única capaz de colocar o Sr. Jonathan no lugar.
riu, queria ser uma mosquinha para ver Jonathan infernizando e Lydia, porque ele sim tinha acordado com energia e feliz da vida.

******

O sol nem tinha nascido, só escuridão, mas nada impediu que jogasse a enorme mochila de viagem na traseira da caminhonete. Ajeitou a lona para depois cobrir as bagagens, o céu não tinha estrelas o que indicava sinal de chuva.
Apoiou os braços no carro esperando que trancava a porta da frente em silêncio para os pais não acordarem. Claro, ela já tinha idade o suficiente para se cuidar sozinha, porém o Sr. não iria gostar nada, nada de saber que a filha saiu às 5h da manhã com um homem como , ainda mais corno.
era amigo de não tinha muito tempo, foi quando os turnos na delegacia bateram e eles colocaram um significado a mais na palavra “colegas”. Ambos já se conheciam da academia onde trocavam ideias e riam, nada de mais era uma amizade de momento que parecia não ter importância, mas com os turnos tudo se fortaleceu.
Agora estavam ali preste passarem férias juntos. O pai de não havia aceitado tudo numa boa, e muito menos a mãe, os dois tinham certa implicância com , mas só com , porque a família , em um passado quase recente, tinha uma convivência forte com a família .
sabia sobre o fato assim como , mas nunca entrou em detalhes com seus pais para descobrir qual eram os motivos deles odiarem . Tinha curiosidade, só que sempre que falava do rapaz perto da mãe percebia que ela entortava o nariz, perto do pai era mais tranquilo ele parecia não ligar muito, mas sabia que ele também não gostava de .
Deveria ser ciúmes ou medo da menina se envolver com o rapaz, seja lá qual era o motivo não era muito grave, caso contrário os pais de já teriam a afastado do filho dos .

– Seu pai não vai me surpreender com uma espingarda, vai? – questionou caminhando até ela para pegar a mala.
– Meu pai não é caçador . – disse sorrindo.
– Ah isso eu sei, mas estou tirando a filha dele de casa, isso não é um problema? – suspirou enquanto ele colocava a mala na caminhonete.
... – abriu a porta do passageiro. – Arruma logo essas bagaças e vamos embora. – entrou no carro batendo a porta.

sorriu, era incrível como adorava o jeito mandão dela. era diferente de todas as garotas que já conheceu, ela tinha um ponto a mais que era intrigante.
E era muito, mas muito diferente de .
falava o que pensava; se ele falasse abobrinha não hesitaria em acertar um tapa em sua cara para pensar bem nas palavras que deixou escapar; treinava; se preocupava com ele e as melhores risadas era com ela. Já era o que mesmo? Como falava: "mutuca", "dondoca", "piranha", "embuste"; preguiçosa e não dava o verdadeiro valor de .
riu quando relembrou a voz de se referindo a , é... Os próximos dias, com certeza, seriam uns dos melhores!

******

Já era tarde, umas dez horas da noite, quando a caminhonete estacionou no estacionamento, aberto, do motel ao lado de outros três veículos. desceu primeiro indo em direção da carroceria, rapidamente começou a desamarrar a lona para prendê-la com mais segurança, eles iam passar a noite em um motel na beira da estrada o que levava a crer que a qualquer momento alguém poderia furtar as bagagens.
A porta do carro bateu e logo apoiou os braços na carroceria encarando que, com força, prendia as amarras. Soltou o ar levemente pela boca encarando a estrada escura, caminhou até o asfalto tentando enxergar além da escuridão, mas a única coisa que viu foram dois faróis se aproximando, sendo que estes ocuparam o lugar vago ao lado da caminhonete.
Com a garganta meio seca voltou se aproximar de , ninguém garantia que não eram ladrões. Não demorou muito e um casal desceu do carro trocando risos, rapidamente se envolveram falando alto cheios de gracinhas e confidências.
e os encararam sumir pela porta da portaria. Ambos direcionaram o olhar para o enorme letreiro escrito "Motel of Love", tradução "Motel de amor", concluindo juntos que estavam no lugar errado, mas como os irmãos Winchester sempre, na maioria das vezes, pousavam em motéis e eram irmãos, não tinha problema algum e fazerem o mesmo.

– Acho que isso não vai dar certo, só acho. – comentou enquanto trancava o veículo e ligava o alarme.
– Só vamos dormir. – praticamente deu de ombros seguindo até a porta da frente do motel.

Segurou a porta para e depois dela que entrou. O mesmo casal que viram estava no balcão reservando um quarto, a mulher ria parecendo uma gralha, o recepcionista entregou a chave para eles e ambos foram em direção dos quartos sendo que antes de empurrarem a porta para o corredor o homem bateu a mão na bunda de sua companheira que soltou um gritinho.
olhou de rabo de olhos para que também o olhou, eles não tinham nada parecido com um casal que estavam preste a transar.
tomou a frente, limpando a garganta.

– Oi, eu queria um quarto, por favor. – sorriu sendo simpático.
– Deixa eu adivinhar: cama de casal, champanhe, velas, lençol branco e... – pegou algo na gaveta do balcão. – Aqui estão, camisinhas por conta da casa. – entregou para que não aceitou.
– Não meu amigo, você entendeu errado... – tentou se corrigir, mas foi interrompido.
– Você quer o melhor champanhe, tudo bem... Miley mais um cliente que quer o nosso melhor champanhe para a noite quente dele! – gritou e abraçou os braços percebendo que não seria boa ideia passarem a noite em um motel.
– Escuta aqui você pode... – tentou de novo.
– Temos camisinha de sabor também. – interrompeu colocando uma caixa cheia de preservativos sobre o balcão. – Temos sabor morango, melancia, abacaxi, uva... – foi mostrando as embalagens enfileirando em cima do balcão. – Tudo para a proteção de vocês! – sorriu e rolou os olhos.
– Estou começando a achar que seria melhor passarmos a noite no carro. – comentou baixo com , porém o recepcionista ouviu.
– Vocês curtem fazer dentro do carro, perfeito! – arcou uma sobrancelha, em que buraco foi se enfiar senhor! – Temos uma garagem, é bem escura e vocês podem gemer o mais alto que conseguirem, estamos acostumados e a garagem fica no subsolo então nunca vamos ouvi-los. – soltou o ar pela boca se aproximando de .
– Passe a chave do quarto, ok? Não queremos nada, apenas um quarto. – ela disse bem calma.
– Ok, ok, mas pelo menos levem duas camisinhas por conta da casa. – ofereceu junto com a chave e tomou os pertences mostrando estar um pouco bravo.
– Obrigada. – agradeceu empurrando em direção da porta que daria para o corredor.

O recepcionista de olhos verdes, moreno, desejou um "bom sexo" para os dois e recebeu a porta do corredor batendo, sendo o responsável pela força bruta. deixou que lhe guiasse até o quarto, o encarou e soube na hora o quanto ele estava subindo pelas paredes. Sua expressão raivosa não enganava ninguém e era péssimo em esconder as coisas.
O seguiu até uma porta com o número 8 pregado. O rapaz tentou colocar a chave na fechadura, porém a derrubou no chão e socou a porta por isso xingando, imediatamente suspirou tratando de pegar a chave e sem pronunciar nenhuma palavra abriu a porta.
Adentraram o cômodo completamente arrumado, acendeu a luz para que a iluminação das velas tirasse o ar romântico de casal. Não demorou muito e escutou se jogando contra a cama e escondendo a cabeça debaixo do travesseiro.
A garota rolou os olhos logo mirando uma porta branca, a única porta dentro do quarto. Caminhou até ela girando a maçaneta para dar lugar a um belíssimo banheiro de luxo. Não conseguiu se conter e soltou um "uau".
O box de vidro era enorme; havia uma espécie de bancada bem em frente a porta onde tinha uma caixa branca para separar a pia do magnífico granito. As paredes eram constituídas de azulejos brancos com uma carreira de pequenos azulejos em vermelho, horizontalmente, bem no meio.
Um pouco em cima da bancada de granito da pia havia dois ganchos com duas toalhas brancas com aparência macia. Ao lado da caixa da pia tinha um vaso com flores amarelas e por fim uma privada, também branca, do lado direito com uma lixeira ao lado.
Um verdadeiro banheiro de luxo, sem contar o lustre pendurado no teto, o qual deduziu custar o olho da cara.
Fechou a porta do banheiro após ficar besta com tanto luxo e se direcionou para a cama onde continuava na mesma posição. Corpo largado, cabeça embaixo do travesseiro, bunda – meio grande e marcante – para cima, um completo e acabado homem que, com toda certeza, já estava roncando entre o algodão da fronha.

? – chamou caminhando até a cama aproveitando para analisar o quarto.

Também era outra desgraça!
A enorme cama de casal estava no centro, um enorme quadro com um morango cobrindo toda a parede da cabeceira. Um espelho no teto, onde as costas de estavam muito bem representadas; uma banheira enorme do lado esquerdo da cama e um sofá marfim no lado direito.
Não só isso, as outras três paredes eram vermelhas sendo que a que tinha a porta do banheiro tinha um enorme painel com objetos sadomasoquistas pendurados e um tapete vermelho no chão com algumas mordaças e coleiras. Duas cabeceiras ficavam ao lado da cama com alguns potes de frutas, duas velas uma em cada e um abajur.
se sentiu no filme Cinquenta Tons de Cinzas dentro do quarto vermelho. Nunca tinha visto um quarto que lhe fizesse lembrar tanto do filme, e supostamente o famoso Christian Grey era o indivíduo morto em cima da cama, o que não tinha nada a ver. Sorriu com esse pensamento antes de se sentar na beirada da cama e deixar o corpo cai para trás, podendo encarar seu reflexo no espelho.
De repente pousou a mão em cima da barriga de e apertou o tecido da camiseta que ela usava, causando formigamento entre as pernas da garota. Ela nada disse apenas mordeu os lábios para não implorar para ele deixar de gracinha e mostrar o que perdeu.
Ele riu tendo o riso abafado pelo travesseiro.

– Você tem medo? – retirou a cabeça de debaixo do travesseiro expondo seus cabelos completamente bagunçados, achou tudo muito sexy.
– Não. – simplesmente respondeu sorrindo.

levantou as duas sobrancelhas de relance antes de se levantar da cama e puxar imediatamente sua camiseta. gelou, ele estava falando sério?

– Calma que não vamos transar. – esclareceu dobrando a camiseta.

fingiu um alívio quando na verdade queria o puxar pelo cós da calça, desabotoá-la e descobrir o que ele escondia dentro da boxer.

– Temos que decidir quem vai ficar com o sofá e quem fica com a cama. – decidiu mudar de assunto antes que resolvesse pedir para ele rasgar suas roupas.
– Podemos dormir os dois na cama, afinal ela é bem grande. – sugeriu ainda de costas organizando a comida e comendo as frutas.

não deu a mínima para a ideia, apenas tinha os olhos concentrados nas costas definidas do rapaz e que costas, uau!
Todos os músculos certinhos, do tamanho exato. Como alguém jogava aquilo fora? Sua análise ficou ainda pior quando ele contraiu as costas devido o azedo de alguma fruta, porra dormir na mesma cama que ele não seria boa ideia.

– Decidido, eu durmo no sofá. – disparou se levantando da cama para ajeitar o sofá.
– Tem certeza? – perguntou a mirando mordendo um morango. Sexy demais.
– Tenho. – confirmou tentando descobrir o que estava acontecendo consigo, estava tendo pensamentos eróticos com e sequer tinha transado na vida.

Ela não deveria estar pensando em perder a virgindade com seu amigo!

– Qualquer coisa pode dormir na cama , não me importo de ir para o sofá. – deixou claro.
– Não, sem problemas. – respondeu já se acomodando no sofá. – Boa noite! – desejou com o tom parecendo animado.
– Tá, boa noite. – retribuiu antes de se sentar na cama e observá-la, às vezes era estranha.

******

– Só vou porque você ganhou. – reclamou descendo do carro.
– E não esquece o meu energético. – gritou e a garota suspirou.

adentrou o restaurante para pedir dois marmitex para a viagem, era meio-dia, horário de almoço. Tinham perdido a hora por culpa de que deixou o celular dentro da caminhonete e ficaram sem um despertador, só acordaram quando o recepcionista foi chamá-los para o café da manhã às 7h30min.
Depois que notaram estar atrasados saíram rapidamente do motel para pegar a estrada, e agora, faltando pouco para chegar a Nova York, estavam parados mais uma vez, só que dessa vez para almoçar.
Não demorou muito e saiu do restaurante ainda com fumaça saindo pelas orelhas, caminhou até a caminhonete e achou estranho não encontrar . Olhou a redor até que o som de uma guitarra surgiu de dentro do veículo, de repente dois braços se ergueram e pareceram tocar uma bateria.
rolou os olhos imediatamente recordando o episódio de Supernatural onde Dean estava sofrendo por medo de tudo e fez a mesma cena, sendo que no final colocaram o próprio Jensen Ackles zoando enquanto mexia os lábios parecendo cantar a música.
Riu coçando a testa, como já dito estava rodeada de idiotas.
Aproximou-se do carro e bateu a mão na porta assustando que estava deitado no banco escutando a música "Eye of The Tiger", como se fosse muita coincidência a mesma música do episódio.

– Se queria dar uma de Jensen Ackles era só falar. – comentou indo até a porta do passageiro.
"And the last known survivor stalks his prey in the night" – cantarolou junto com a música. "And he's watchin' us all in the eye of the tigerrrr". – como a música puxou o final.
– Eu mereço. – rolou os olhos cruzando os braços.
– Um pouco de diversão ! – falou alto devido o volume da música.
– Eu sei como me divertir, e ABAIXA ESSA PORCARIA! – gritou batendo a mão no rádio assim que novamente o cantor puxou a letra.

O rádio parou e logo o ligou de volta abaixando o volume.

– Está assim porque perdeu para mim. – se gabou apontando para si.
– Vai para o inferno . – mandou tentando ficar séria.
– Ah, tá bravinha tá? – a cutucou com a mão parecendo um cachorro pidão.

não aguentou e começou a rir das gracinhas idiotas que ele fazia. E em meio as risadas foi que um homem com um revólver encostou-se à janela de .

– Passem a grana e ninguém sairá ferido, falou? – mandou e sentiu seu coração acelerar.
– Calma lá amigo. – se recompôs no banco levantando as mãos.
– Passem agora! – ordenou fazendo encarar .
– Tem outro jeito de resolver isso, calma lá, vamos conversar. – entrou em desespero quando o bandido destravou a arma.
– Que mané conversar, meu irmão, eu quero a grana! – deixou claro.
– Talvez tenha outra maneira de resolvermos. – foi agarrado pelo colarinho.
– Tem sim playboy, dê um último beijo na sua mina gostosa, mas um beijo com uma arma apontada para a sua cabeça. – disse mirando a arma na testa de . – Se beijem e se eu achar que o beijo foi bom eu deixo vocês irem, mas se for ruim você vai visitar o papai do céu lá em cima. – apontou o céu com a arma e depois sorriu diabolicamente, ele parecia estar tirando uma com a cara dos dois.
– Eu não posso beijar mi..
– TUDO BEM! – gritou podendo mostrar o quanto estava assustada.

O bandido sorriu e largou com tanta força que fez seu corpo cair na direção de derrubando as sacolas com comida.

– E é bom... – tentou pronunciar, porém recebeu tiros em sua direção.

curvou o tronco em cima de ficando em uma posição de escudo enquanto do lado de fora o tiroteio corria solto.

– VÃO, VÃO! ELE NÃO PODE ESCAPAR! – abriu os olhos reconhecendo a voz.
– Tobias? – levantou-se primeiro, certificando-se de que estava bem. – , tudo bem? – ela o abraçou de lado escondendo o rosto em seu peito.

A envolveu acariciando seus cabelos, não entendeu muito bem o medo de porque ela já tinha passado situações piores na delegacia, mas acontece que uma coisa ele não sabia... não suportaria vê-lo sendo morto.

– Tudo bem com voc... ? – arcou uma sobrancelha.
– Ótimo dia para você também Tobias. – sorriu antes de direcionar o olhar para que voltava, lentamente, para a posição inicial sem lágrimas, ainda bem.
– O que faz por aqui? Achei que estava morando em Los Angeles. – sorriu surpreso.
– Férias, na verdade estávamos a caminho de Nova York, paramos para almoçar. – explicou e Tobias deu uma boa olhada para .
– E muito bem acompanhado. – sorriu.
– Não, não, é apenas uma amiga. – ela sorriu para Tobias.
– Ah! Enfim , disse que estavam indo para Nova York, sou policial lá e sou dono de um enorme, famoso e luxuoso condomínio. – revelou. – Se quiserem posso emprestar uma casa para vocês. – encarou que sorriu em sinal de concordância.
– Seria ótimo Tobias, afinal não temos nenhum hotel para ir. – aceitou a oferta antes dos agentes de Tobias voltarem com o bandido.
– Estamos indo para lá, vou somente passar na delegacia, me sigam até lá. – assentiu antes de se afastar e correr em direção da viatura.

suspirou em alívio encarando que já não tinha mais o sorriso nos lábios, parecia preocupada e ele se arriscava em dizer que também um pouco assustada.

... Você ia mesmo me beijar? – quis saber.
– Eu faria qualquer coisa para salvar você ou qualquer outra pessoa. – respondeu antes de pegar as sacolas de comida. – Pelo menos não perdemos o almoço! – sorriu.
– E meu energético? – mexeu os lábios como se dissesse “está no inferno".

sorriu antes de dar a partida e seguir Tobias que já os esperava próximo da estrada.


Capítulo 5


O som da chave na fechadura invadiu os tímpanos de que após ouvi-lo empurrou a porta e sem se importar jogou o corpo no sofá, estava exausta de tanta estrada, estrada e estrada. Ficar sentada o dia inteiro era pior que ficar andando, e olha que fazia umas paradas no meio do caminho.

– Bom, vocês podem ficar com essa casa, ela está vazia desde o dia que meu irmão casou. – Tobias passou pela porta carregando duas malas para ajudar .
– E isso faz...? – não completou a pergunta porque perdeu as falas quando olhou deitada no sofá e seus olhos bateram diretamente em seu decote.
– Ah faz uns dois meses para ser exato. – Tobias não percebeu a perde de palavras do amigo. – A casa tem dois banheiros, um com chuveiro e outro com banheira; uma sauna; uma piscina atrás daquela porta – apontou a enorme porta de vidro. – ; e só tem um quarto, na verdade tinha dois quartos, mas um deles está vazio, meu irmão levou os móveis para montar o quarto do bebê. – explicou tentando lembrar se faltava mais algum detalhe. – Bom, acho que é isso, o quarto não será um problema, será ? – bateu também os olhos em e então reparou onde os olhos do amigo estavam presos. – É acho que não. – concluiu batendo no ombro de .

ao sentir os tapas de Tobias voltou, imediatamente, para a realidade. Encarou o policial que já caminhava em direção da porta.

– Tobias... – chamou indo até homem que parou e voltou-se para ele. – Obrigado, sério obrigado. – agradeceu fazendo o outro assentir.
– Boa sorte com os vizinhos. – foram as últimas palavras antes de caminhar até o portão da casa.

esperou ele sair para entrar. Assim que bateu a porta respirou fundo, com a mão na madeira, antes de se virar na direção do sofá, não podia se deixar levar pelo decote de , tinha sido momentâneo pelo menos era assim que pensava.
Quando criou coragem se virou e frisou o sofá, porém não encontrou jogada sobre ele, só havia as almofadas desarrumadas e uma no chão.

? – chamou quando olhou ao redor e não a encontrou.

Voltou seu olhar para a porta e virou a tranca antes de começar caminhar em direção da cozinha aproveitando para analisar a sala.
Na parede principal havia um enorme e magnífico aquário com diversas espécies de peixes, abaixo dele ficava a lareira com duas lamparinas miradas para o aquário. De frente tinha um grande sofá de canto marfim e uma mesinha de vidro em cima de um tapete cinza.
Do lado direito ficava a porta que dava acesso à piscina, do esquerdo tinha o quadro "A criação de Adão" junto de outros e na última parede uma enorme janela de vidro com cortinas brancas, a entrada para a cozinha e a escadaria que daria acesso aos quartos, o banheiro, a sauna e os outros cômodos.

! – chamou olhando rapidamente na cozinha, não a encontrando. – ! – voltou para a sala frisando o aquário. – eu vou colocar o carro na garagem e de... – de repente um peso tomou conta de suas costas e se abraçou a sua cintura.

A risada gostosa da menina lhe fez sorrir, que bom que ela estava se divertindo.

– Está com você agora! – pulou começando correr em direção da escada.
– Crianças não devem correr na escada. – segurou no corrimão começando subir.
– E velhos não devem fazer esforço. – rebateu chegando ao corredor.
– Você vai vê quem é velho. – iniciou-se a corrida.

correu pela escadaria pulando de dois em dois degraus. E assim que chegou ao corredor conseguiu escutar rindo, deixou sua audição lhe guiar e quando menos esperou encontrou a garota tentando abrir uma das portas, percebendo que ela não conseguia começou correr em sua direção fazendo-a soltar um gritinho assim que o percebeu.
começou correr de novo, entretanto a alcançou lhe agarrando pela cintura e ambos riram. Entre as risadas jogou as costas contra a porta mais próxima e acabou por fazê-la abrir e levar os dois em direção do chão.
Grunhiu quando suas costas sofreram o maior impacto com o chão, por outro lado riu escondendo o rosto no peito dele.

– Eu realmente estou velho. – brincou jogando a cabeça para trás e fechando os olhos.
– É...? – levantou-se batendo de leve no braço dele. – Está com você de novo! – sorriu e de repente virou de lado tentando agarrar o calcanhar de , mas ela desviou.
– Ha, errou! – como uma criança correu em direção da cama e se jogou sobre ela.

, sem perder tempo, se levantou olhou para o cômodo que tinha adentrado, era o quarto de casal que Tobias tinha lhe falado e não deu a mínima porque estava concentrado em estudar uma "área" particular de .
E foi durante sua análise que recebeu algo macia no rosto, uma risada surgiu junto do impacto. segurou o objeto e o identificou como sendo o travesseiro, não demorou muito e , em cima da cama, lhe lançou outro.

– Guerra de travesseiros ! – anunciou jogando agora uma almofada.

O rapaz resolveu adentrar a brincadeira e correu até a garota fazendo-a gargalhar. Recebeu mais um tapa do travesseiro não hesitando ao acertar um tapa macio em , a garota ria como uma criança de cinco anos e ele não podia negar que também estava se sentindo uma criança.
Ela desceu da cama e foram tapas atrás de tapas. já tinha os cabelos caindo no rosto e sempre que tentava arrumar as mechas a acertava com o travesseiro. E foi exatamente em uma desses tapas que agarrou o travesseiro do rapaz e seu pé escorregou no lençol da cama que caiu no chão quando ela desceu.
Soltou um gritinho caindo pra trás agarrando firme no travesseiro e o levando consigo. Assim que suas costas tocaram o colchão recebeu, imediatamente, outro corpo sobre o seu, fechou os olhos logo sentindo uma forte respiração contra seu pescoço.
Escutou a risada de e só então, com um sorriso, abriu os olhos a tempo de vê-lo levantando um pouco o tronco, porém permanecendo em cima dela. Foi então que percebeu que estava quase entre suas pernas, era questão de poucos centímetros.
O rapaz tinha, agora, os braços esticados um de cada lado da cabeça de enquanto ela se segurava para não deixar suas mãos tocarem os bíceps rígidos de .
Ambos se estudaram e no instante que levantou o olhar teve a mesma ideia. Seus olhos se chocaram como a água choca o fogo, a sensação de união gerava um arrepio na espinha de , sem contar que sentia como se estivesse encarando a melhor coisa da sua vida.
Os glóbulos do rapaz se mexiam lentamente estudando, atento, os de . Queria encontrar algum erro, mas era tudo perfeito, nunca tinha visto olhos que expressassem tanta perfeição. Nenhuma falha, nenhuma demonstração de ódio ou nublicidade, era tudo iluminado, vivo... Totalmente diferente dos poços de que desprezavam até os últimos fios de cabelo dele.
não sabia como explicar o que sentia, era tudo uma mistura de sensações que não era capaz de explicar. continuava sendo o dono de seus sentimentos, sentia que era ele o único mesmo sendo mais velho.

– Vou fazer panquecas. – quebrou o silêncio.
– E você sabe cozinhar? – quis saber antes de ele mexer as pernas e colocar uma perna de no meio das suas.

De repente começou abaixar o tronco guiando sua boca em direção do ouvido de .

– Venha comigo e verá. – sussurrou e sentiu algo tocar sua coxa.

se recompôs fazendo "aquilo" encostar cada vez mais na coxa dela, porém nada disse apenas se concentrou no tamanho e... Que TAMANHO! É... O senhor era grande!

– Eu quero panquecas de strogonoff de carne. – levantou-se rapidamente o empurrando pelo peito antes de correr em direção da cozinha.

não estava brincando daquela vez, ela só não queria que lhe visse corada e perguntasse o motivo sendo que a resposta seria: seu pau.

******

continuou encostada na bancada da cozinha apenas rindo dos belíssimos dons culinários de , ele levava jeito na cozinha, mas com panquecas era um tremendo desastre!
O chão estava todo sujo de massa, o fogão então nem se fala.

– Não acha melhor desistir das panquecas? – sugeriu assim colocou um pouco da massa na panela.
– Que tal você fazer o recheio? – respondeu com outra pergunta. – Eu sei fazer panquecas, não se preocupe jantaremos antes da meia-noite. – segurou a panela pelo cabo espalhando a massa sobre ela.
– Eu diria que vai ser por volta dessa hora mesmo. – comentou encarando o relógio constatando ser quase oito da noite.
– Vai pegar o creme de leite no armário – ordenou deixando uma tigela de alumínio cair da bancada fazendo um tremendo barulho, mordeu a língua para não xingá-lo por estar destruindo a cozinha. – Droga... Enfim, pega também a carne na geladeira, coloca tudo na pan... Ou droga! – largou a tigela de qualquer jeito na bancada correndo em direção do fogão.

Xingou retirando a panela do fogo, e lá se vai mais uma panqueca... rolou os olhos, era a quarta vez que ele queimava a massa e para melhorar mais o clima a mesma tigela caiu no chão fazendo-a fechar os olhos com força porque o som era extremamente doloroso para seus ouvidos.

– Para de fazer merda ! – gritou seguindo até a bancada onde apoiou as mãos empurrando tudo o que estava em seu caminho. – Chega! Chega de panquecas! – foi até o fogão e desligou o fogo. – Olha a bagunça que estamos fazendo na cozinha! – apontou principalmente para o chão.
– E você quer que eu faça o que? Jogue o resto da massa fora? – indicou o pouco de massa que ainda tinha na tigela de plástico.
– Foda-se! – bradou antes de respirar fundo, percebeu que estava fazendo uma tempestade no copo d'água. – Que tal pedirmos pizza? – surgiu com a voz controlada.
– E o que vamos fazer com as panquecas? – perguntou colocando o prato com as massas sobre o balcão.
– Vamos fazer strognoff para colocar como recheio e se a pizza não for o suficiente comemos elas. – disse e assentiu. – Vamos pedir pizza de qual sabor? – deu as costas se dirigindo para o telefone pendurado na parede próximo do interfone e da entrada da cozinha.
– Eu gosto de calabresa, portuguesa, quatro queijos, ah, manda colocarem bordas de catupiri. – tirou o telefone do gancho.
– Não vai ser de frango? Marombados têm que comer frango. – comentou enquanto discava o número da pizzaria.
– Você também faz academia meu bem, mas estou de férias de tudo, academia, delegacia... Então nada de frango! – deixou claro mexendo a carne.
– Alô, aqui é da Pizza Deliciu's, em que posso ser útil? – pronunciou a voz do outro lado da linha.
– Eu queria uma pizza... – limpou a garganta para atrair atenção de , e assim que conseguiu fez o sinal de número dois com os dedos. – Corrigindo duas pizzas. – começou enrolar o fio do telefone no dedo.
– De que sabor senhorita? Doce ou salgada? pediu um minuto e voltou sua atenção para .
– De qual vamos pedir bombinha? – provocou usando o apelido carinhoso que ela inventou.
– Eu quero de quatro queijos. – respondeu abrindo as caixas de creme de leite.
– Pode ser uma de quatro queijos e outra de frango com catupiri? – perguntou antes de fechar o pedido.
– Não! Tudo menos frango! – suspirou.
– Tradicional então? Presunto, mussarela, tomate, cebola e orégano. – já estava ao ponto de dar na cara de , oh homem que tem sérios problemas com frango...
– Coloca catupiri nas bordas. – e uma séria paixão por catupiri.
– Isso, uma tradicional e uma de quatro queijos. – afirmou esperando o rapaz de a pizzaria anotar o pedido.

Não demorou muito e encerrou a ligação voltando ficar encostada no balcão, tinha sumido da cozinha em silêncio, porém não se preocupou, não era como se ele tivesse saído para deixar um bando de estupradores entrarem na casa para estuprá-la.

não tem graça, eu não vou limpar essa bagunça sozinha. – olhou para os lados procurando por ele.
– Ah ! – surgiu na porta da cozinha com um sorriso de criança pervertida. – Limpa a cozinha que eu vou tomar um banho. – deu as costas e teve vontade de pegá-lo pela gola da camiseta e obrigá-lo ficar ali.
– Vai bosta, volta aqui agora! – foi atrás dele. – ! – gritou antes de aumentar os passos e passar correr atrás dele pela escada.

******

O som alto que saiu pela televisão quando o zumbi apareceu fez alcançar rapidamente o controle e diminuir o volume, aqueles vizinhos filhos da mãe dormiam com as galinhas e qualquer sonzinho atrapalhava o sono da beleza deles.
e não se importavam com o volume da TV, porém para algum velho rabugento bater na porta, no andar de baixo, reclamando do som era rapidinho. Questão de segundos.

– Não come todo o sorvete fominha! – proclamou jogando o controle em qualquer lugar na cama antes de se jogar em cima de .
– Não... – tentou afastar o porte de sorvete e a colher, mas ela conseguiu retirar os dois dele.
– Só temos esse sorvete que, aliás, nem é nosso, estava na geladeira do Tobias então, consequentemente, é dele. – disse deixando o corpo cair pra trás ficando encostada contra a cabeceira da cama para comer o sorvete.
– Foda-se, quem é o homem aqui? – pegou o pote de sorvete de volta jogando o corpo contra o outro travesseiro ao lado de .
– Eu sou mais homem que você. – comentou ficando por cima das pernas dele para pegar o último pedaço da pizza tradicional. – Não dê uma de machista em uma hora tão prazerosa como essa. – deitou-se sobre as coxas definidas, mordendo a pizza fechando os olhos para mostrar que prazer se referia.
– Eu não sou machista e você sabe bem disso. – lambeu os lábios para tirar o excesso de sorvete de flocos.
– Se fosse machista acho que já teria dado na sua cara. – mordeu a borda da pizza se deliciando com o capitury.
– Ei, daquela vez que me bateu na sua sala, eu não me lembro se ter sido machista. – pareceu relembrar suas palavras.
– Machista não, mas trouxa. – explicou levantando o tronco e voltando se deitar contra o travesseiro. – Você estava pensando em voltar pra aquele filhote de urubu depois de ter recebido um par de chifres na sua cabeça. – ele riu, adorava o jeito que tinha para se referir a .
– Você tem cada apelido pra , que olha... – sorriu negando com a cabeça. – Não sei... É "filhote de urubu", "filha da puta", "puta", "embuste", "megera", o "mutuca" é o melhor! – ambos riram e o silêncio tomou conta do quarto.

relaxou o corpo ainda com um sorriso nos lábios, já permaneceu na mesma posição encarando a televisão com os lábios em uma linha reta, estava refletindo sobre seus apelidos "carinhosos" para .
Será mesmo que estava gostando dos apelidos? Ele nunca gostou de zombar dos outros então porque estava gostando? Será que sentia falta de e por isso usava dos apelidos para não pensar nela?

... – chamou encarando um ponto qualquer no colchão enquanto ele levantava o olhar até seu rosto.

sentiu quando ele a encarou e não se conteve em também encará-lo, percebendo só então que ele ainda continuava com um sorriso nos lábios.

– Sente falta da ? – o sorriso dele morreu imediatamente.

se levantou ficando sentado com a cabeça baixa, concluiu que aquilo era um "sim".

– Desculpa... – pediu indo até ele, ficando ao seu lado. – Não vamos falar dela. – encarou o rosto dele e percebeu que seu olhar estava perdido, talvez estivesse relembrando algum momento feliz ao lado da mutuca.

engoliu em seco decidindo deixá-lo com seus pensamentos. Voltou se deitar no travesseiro frisando as costas escondidas pela camiseta azul marinho, nem mesmo os zumbis, que corriam atrás dos protagonistas, estava conseguindo prender sua atenção.
Por quê? Por que tinha que ser a ? Se fosse ela nos pensamentos de , com certeza, ele estaria com um sorriso maior do que de segundos atrás nos lábios.
Assim que se virou de lado, apoiou a cabeça em uma mão sobre o travesseiro e fechou os olhos, sentiu o meio de o colchão afundar. Não demorou muito e algo macio se esfregou contra a pele de seu braço, e também sentiu alguma coisa dura ficar apoiada próximo de seus seios.
Abriu os olhos deduzindo ser , deitado, encostado a si.
Sem pronunciar uma palavra, porque não era preciso, levou a mão até os cabelos dele e começou um simples e sincero cafuné. nem parecia um homem formado e sim um menininho de cinco anos que acabou de cair da escada e foi buscar conforto nos braços da mãe.
No caso, o conforto tinha sido nos braços da melhor amiga, parceira de trabalho, parceira de treino.
Não importa se estivesse com na cabeça, o amava demais e daria a vida por ele se fosse preciso, porque o amor faz isso com as pessoas... Faz dar a própria vida por outra.
E, talvez, fosse mesmo dar a vida para salvar ...


Capítulo 6

O sol começou aparecer no horizonte levando a escuridão de Nova York para o outro lado do mundo. Os primeiros raios solares despertaram os animais, os galos cantaram nas fazendas e os seres humanos esperavam pelo despertador para começar um novo dia.
Sentiu o impacto do sol contra seus olhos devido a janela que não havia tido as cortinas puxadas. abriu os olhos, preguiçosamente, enxergando o teto embaçado... Opa, teto? Arregalou os olhos e só então reparou que estava deitada de barriga para cima, o que era bem estranho já que não costumava se mexer enquanto dormia e tinha se deitado de bruços.
Virou a cabeça para o lado e não encontrou deitado. Teria se levantado, imediatamente, para se certificar de que ele tinha ido dormir no sofá, porém seus olhos captaram os ombros largos e nus do rapaz, assim como os braços e a cabeça apoiada em cima de sua barriga.
Ele dormia parecendo estar tão tranquilo que nem parecia o homem que tinha acabado de levar um par de chifres. Seus lábios em uma linha reta eram perfeitos, seus olhos fechados lembravam uma criança, parecia um anjo.
sorriu antes de levar a mão até os cabelos dele e acariciar. Só então foi capaz de sentir uma leve pressão sobre um de seus seios, guiou seus olhos até a região e percebeu que tinha a mão direita posicionada em cima do mamilo esquerdo por dentro da camiseta, por sorte ela estava usando um tope de academia.
Seu sorriso morreu. Como aquela mão tinha ido parar ali? não teria sido tão atrevido, teria? E por que ele estava sem a camiseta? O que aprontaram na noite passada antes de dormirem?
empurrou a mão dele lentamente para não acordá-lo e soltou um alívio por ele sequer ter se mexido. Com um pouco de esforço e sutileza obrigou seu corpo ficar sentado na cama com as costas encostadas na cabeceira, não demorou muito e se moveu para se ajeitar, agora com a cabeça em cima da coxa esquerda da mulher.
Ela observou os movimentos mordendo os lábios, temia que ele acordasse e começasse colocar da boca pra fora o que haviam aprontado antes de dormirem. Não queria ouvir dele, queria lembrar-se sozinha.
pairou os olhos sobre um ponto qualquer do quarto, o que levou colocar a mão em seu seio? Ele não era tão safado e pervertido ao ponto. sempre teve respeito e não tinha cara de quem fazia as coisas sem consentimento, caso fizesse nem virgem mais seria desde o momento que entraram no mesmo carro.
Só então percebeu que acariciava os cabelos de fazendo cafuné e passando os dedos levemente atrás da orelha dele, não sabia por que passava os dedos por ali e também não sabia o quanto o rapaz adorava.
Em meio ao carinho se pegou pensando sobre o que ainda sentia por aquilo. Foram três anos o idolatrando, fazendo da figura de o extraordinário, o dono de seus sonhos, o homem da sua vida e talvez, o protagonista das melhores fanfics de romance. Tudo bem que já estava meio velha para fanfics, mas se lesse e o protagonista fosse interativo ou moreno, quem imaginaria seria , não importando se o nome do personagem fosse João, Marcelo, Lucas ou Diego.
Esses três anos foram antes de conhecê-lo de verdade, apenas o observava de longe e nunca teve certeza se um dia ele a notaria. Mas o que ela não sabia era que era policial, de todos os anos que passava o estudando nunca descobriu que ele era homem da lei, só descobriu quando entrou pela terceira vez na sala do chefe Lucca Castel e deu de cara com uniformizado com os braços cruzados encostado na mesa.
", esse é , seu parceiro para daqui a séculos" foram exatamente as palavras de Lucca assim que ela passou pela porta e ficou dura por ver seu "crush" logo a sua frente, uniformizado. Naquele momento teve vontade de gritar para o mundo que finalmente tinha ganhando uma chance de ter o precioso e magnífico ao seu lado, algo como: "Você sabe que eu sou sua, não sabe Sr. ? Com essas algemas você pode me algemar e fazer o que quiser comigo!", meio exagerado, mas é uma pequena representação do que na época ela tinha na cabeça.
Ela parecia ter mentalidade de uma adolescente que ficava louca pelo cara badboy do terceiro colegial. Agora, depois de um ano e meio, trabalhando com percebeu que nem tudo eram flores. Ele era bom em brincar com criminosos, era extrovertido, teimoso e chato quando queria. Nunca tinha passado por sua cabeça que um dia teria ao seu lado como seu amigo, bem... Eles demoraram a se tornarem amigos.
Depois que entrou para a polícia demorou meses para parar de agir como um idiota. É idiota. Ele não queria ter um parceiro, no caso parceira, tinha prometido para si mesmo que honraria o posto de León Baker. Mas foi paciente e durante esse tempo resolveu se matricular na academia onde, não demorou muito, descobriu que seu crush também frequentava e foi a partir daí que resolveu dar uma chance. No começo foi difícil porque honrava muito – demais – o ex-parceiro.
Quem era León Baker? Um policial, um dos melhores e mais experientes policiais que Lucca já teve. Era alto, careca, usava óculos para leitura, musculoso, parecia com o Dominic Toretto, personagem de Velozes e Furiosos, interpretado por Vin Diesel e tinha medo de gatinhos fofos.
não chegou conhecê-lo, só soube que ele havia sido morto por um líder de uma seita que ordenou a morte dele, e até hoje não se sabe ao certo quais eram os motivos desse líder. tentou o possível e o impossível para salvar a vida de León, mas nada adiantou, a seita foi mais rápida e quando menos esperaram já tinham colocado a cabeça de León pendurada da frente da delegacia, em uma estaca vincada na calçada.
até então não tinha se perdoado por não ter conseguido salvar seu parceiro das mãos da dona morte. Depois que e se aproximaram na academia, criaram um laço amistoso que resultou no momento presente. Ela só não entendia como a mão de entrou na sua camiseta.

... – ouviu a voz sonolenta do rapaz.

abaixou o olhar para o rosto de que apertava os olhos. Ela sorriu pequeno voltando acariciar os cabelos dele que voltou fechar os olhos, aproveitando das carícias.

– Você parece um gatinho manhoso. – coçou atrás da orelha dele fazendo-o jogar a cabeça para trás. – Não sente calafrios? – arcou uma sobrancelha.
– Não muitos. Minha vó fazia isso quando eu era pequeno. – respirou fundo parecendo triste. – Isso foi nos poucos momentos que estive ao lado dela. Minha mãe começou a fazer depois que ela morreu, e isso durou até a... – ele como sempre travou.
– A megera, a fedida megera aparecer. – pôde ouvi-lo rir.
– Fedida? Dormiu com ela e não fiquei sabendo? – virou de barriga para cima deixando seu peitoral esculpido tomar a atenção de .
– Dormi e ela não é boa de cama não. – brincou.
– Não , eu que sou ruim de cama mesmo. – passou as mãos pelos cabelos.
! – o estapeou na testa.
– O que? – levantou-se parecendo desentendido.

riu.

– É brincadeira, né?
– Eu não sei. – mordeu os lábios movendo o corpo para ficar de frente com ela, ficando de joelhos entre as pernas dela. – Descubra você mesmo. – corou com o tom sexy, ele havia acabado de propor sexo?

Ficou sem falas, até lembrar-se de que alguém tinha que fazer o café.

– Vou fazer o café da manhã. – obrigou seu corpo sair da cama.

rolou os olhos jogando o corpo contra o colchão, cruzando os braços atrás da cabeça. Ele se sentiu um tarado de plantão quando, sem querer, olhou a bunda de .

– Gosto do café da manhã bem quentinho e vivo. – a frase de duplo sentido mexeu com os juízos de .
– Você está bem ? – ele nunca foi tão safado como estava sendo.
– Não sei, quer vim conferir para ver se estou doente? – bateu na cama com a mão.
– Não, você não está bem. – saiu do quarto seguindo para a cozinha.

O corredor estava um pouco escuro, porém isso não impediu que olhasse para trás, conforme andava, para certificar-se de que não estava atrás dela. Ele não era o com quem conviveu todos esses anos!

******

Despejou a água quente com açúcar no coador e sorriu com os olhos fechados quando o cheiro do café penetrou em suas narinas. Há tempos não fazia café, quem sempre era o responsável por essa tarefa era seu pai, o primeiro morador que acordava da casa. Sua mãe, às vezes, era quem buscava o pão e preparava o café da manhã de para que ela chegasse à delegacia no horário.
Enquanto o café despejava dentro do canecão para assim ir para a garrafa, aproveitou para pegar a cestinha de bambu que foi deixado na frente da porta. Colocou-a em cima do balcão e tirou o pano encontrando com um pote de Nutella de um quilo, pães fresquinhos, uma caixinha de um litro de Del Valle de uvas, algumas frutas e um portinho de cerejas em conserva – claro que ela não ficou louca com isso.
Mas o mistério permaneceu... Quem deixou a cesta de café da manhã na frente da porta? Dane-se havia um pote de Nutella bem ali na sua frente e de um quilo, UM QUILO!
Pegou o pote e abriu já tirando o lacre de alumínio, não demorou muito e enfiou uma colher levando até a boca, ah como Nutella era bom!

– Ei, ei, ei. – entrou na cozinha com o tronco nu, os cabelos molhados e uma toalha branca no pescoço... Muito gostoso, com Nutella então... – Comendo o café da manhã sem mim? – pegou a toalha começando enxugar os cabelos.
– Já vou avisando, a Nutella é minha nem vem. – disse lambendo a colher.
– Você está toda engraçadinha hoje , – caminhou, silenciosamente, até estar atrás da garota que comia a Nutella despreocupadamente.
– Vai se fude. – continuou comendo e de repente a enlaçou pela cintura e a levantou no ar fazendo-a soltar gritinhos ainda com a colher na boca, porém sem o porte de Nutella. – me coloca no chão! – ordenou gritando quando ele a jogou para cima. – ! – gritou o abraçando pelo pescoço com força e entrelaçando as pernas na cintura dele. – Você sabe que eu tenho medo de altura. – apoiou o queixo no ombro do rapaz sentindo o choque térmico entre o tronco frio dele e o seu quente.
– Pensei que tinha superado quando fizemos aquela perseguição em cima dos prédios de Los Angeles. – a abraçou com força esfregando o nariz contra a lateral do pescoço dela, lentamente, como forma de carinho.
– Quando estou no trabalho eu ignoro o medo. – engoliu sua saliva se sentindo desconfortável com a ação que executaria. Escorregou as mãos até as nádegas de e bateu levemente fazendo menção para que ela tocasse o chão com os pés e ela o fez.

soltou o ar pela boca quando sentiu a temperatura gelada do chão, finalmente em terra firme.

– Desculpe , e-eu jurava que você tinha superado. – levou a mão até o rosto da mulher fazendo-a estremecer com o toque.

acariciou a bochecha de e a observou fechando os olhos com o carinho, aquele sim era o que ela conhecia e amava, não que o versão safada não fosse também o seu amor.

– Hey, tá sujo aqui. – abriu os olhos já tentando procurar onde estava sujo.
– Onde? – questionou parecendo preocupada.
– Aqui... – pegou na mão de e imediatamente a puxou para si.

Seus corpos se chocaram e foi rápido, assim que olhou para ele após o baque, tratou de encostar seus lábios em um selinho rápido, surpreendendo-a. corou e abaixou a cabeça com um sorriso nos lábios. , orgulhoso do que acabara de fazer, encarou-a esperando alguma outra reação dela além do sorriso que se formou em seus lábios.

...? – chamou baixinho afastando uma mecha do cabelo da menina.

Ela elevou o olhar e o encarou, esperou que ele colocasse o cabelo atrás de sua orelha antes de sair correndo em direção das escadas.

! – gritou se virando para o balcão. – ! – gritou novamente e escutou a porta do quarto fechando. – Droga. – pronunciou antes de se dirigir para o coador do café deduzindo que teria de colocar a bebida na garrafa.

E conforme despejava o café na garrafa a seguinte pergunta se apossou de sua mente: o que aconteceu com ?
(...) No entanto tinha as costas encostadas na porta tentando raciocinar alguma ideia para explicar o porquê de ter acordado com "foguinho" pra cima dela. Será que ele estava sentindo falta de ? Será que estava com falta de sexo? Seja lá qual fosse o verdadeiro motivo estava bom demais para ser verdade...
Sorriu com os dedos encostados nos lábios, primeiro foi a guerra de travesseiros onde trocaram olhares; depois a noite que dormiram juntos – nunca dormiram na mesma cama, nem no motel –; depois a safadeza inesperada de e por fim o selinho. O que estava havendo? queria ter as respostas. Ela só sabia uma coisa: se achava que ela ia abrir as pernas para ele "descontar" suas frustrações estava muito enganado!
Mas sabia de uma coisa, ela amava aquele cara e amava com todas as suas forças e faria de tudo para tê-lo ao seu lado. Se estava passando por uma fase de recaída então era dever dela reerguê-lo e mostrar tudo que está ao redor; mostrar como os momentos podem ser maravilhosos sem alguém que não lhe ama ao lado e sim com quem realmente se importa e ama...




Continua...



Nota da autora: Reescrita de KILLERS HANDFULS, espero que gostem, essa não tem risco de ter reescrita de novo, porque já está finalizada :)


Eita! Estou achando que as coisas estão esquentando, o que acham? Um selinho pode ser demonstração de sentimentos ou somente segundas intenções?
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Outras Fanfics:


Shortfics

01.Confident (Finalizada)
05.Don’t Be a Fool (Finalizada)
10.Never Ending (Finalizada)
16.Sex With Me (Finalizada)

Longfics

Shoot Me (Finalizada/ Restritas)


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