Finalizada em: 19/05/2017




Capítulo Único


Ajeitou os óculos no rosto, passando a mão no cabelo. Estava mais perdido que cego em tiroteio. Todos os papéis bagunçados o estavam deixando perdido, confuso e totalmente desesperado. Tinha que organizar tudo antes do último médico do consultório sair pela porta da frente.
– Quer ajuda, ? – escutou, porém não desviou sua atenção dos papéis.
– Não precisa, Jennifer, eu... Merda! – xingou quando uma das pastas caiu no chão, atrasando mais ainda o seu trabalho.
– Pelo visto será o último a sair do consultório, lembre-se de fechar a porta. – disse, dando as costas antes que ele pedisse ajuda.
suspirou, que tipo de garota era Jennifer? Primeiro perguntava se precisava de ajuda, e quando realmente vê que ele precisava simplesmente dá as costas? Belas colegas de trabalho ele tinha!
– Eu te ajudo, . – uma voz angelical surgiu no balcão.
– Não precisa, Caroline, pode ir, e-eu consigo dar conta. Isso só vai me fazer sair daqui à 1h da manhã, mas po-posso tomar um calmante ou algum remédio que me fará dormir e amanhã... – falava sem pausa e com gagueira enquanto se levantava da cadeira para recolher a papelada que caíra no chão.
, está se ouvindo? Você vai tomar remédio para dormir, isso prejudica a saúde, sabia? – interrompeu, ficando surpresa com as palavras dele. – Um homem como você não deve ficar dependente de medicamentos. – comentou, andando para trás do balcão.
– Tem razão, mas hoje vou precisar disso. – retribuiu, sendo simpático enquanto aceitava a ajuda de Caroline.
não demorou muito para recolher os papéis e assim que se levantou, começou separar os documentos conforme o nome dos médicos que ali trabalhavam. Caroline também se levantou, colocando o resto dos papéis em cima do balcão enquanto ele se ocupava com os que estavam em cima do teclado do computador.
– Onde será que está o documento do primeiro paciente do Dr. Baner? – se questionou, começando vasculhar com desespero.
, aqui. – Caroline esticou a folha, deixando-o aliviado.
– Obrigado. – agradeceu aliviado.
Pegou a folha que a garota encontrara e colocou junto com as outras, logo guardando na pasta que tinha colado o nome do Dr. Johnny Banner, o psicólogo. Sem perder tempo, mergulhou nos documentos que pertenciam a Dra. Joana Claves, a pediatra.
, você tirou o lixo? – Caroline disparou do nada, enquanto fechava uma das pastas.
– Puts! Esqueci completamente. – bateu contra sua testa.
– Vá tirá-lo, eu posso organizar aqui para você. – sorriu, sendo simpática.
– Qualquer papel que você encontrar que diz respeito sobre a Dra. deixe em cima do balcão, pois ainda preciso imprimir e conferir alguns dados. – explicou e ela assentiu.
então seguiu para o corredor do enorme consultório, passando na frente de todas as salas dos médicos. Tentava ser pelo menos cauteloso, pois ainda muitos dos médicos atendiam seus últimos pacientes.
Os profissionais daquele consultório médico, na maioria das vezes, não se importavam se já passavam das dez da noite, pois precisavam trabalhar e cumprir com suas consultas. Vários pacientes optavam por se consultarem no horário noturno, porque assim estavam com a mente tranquila depois de um dia cansativo de trabalho.
Um pouco tenso por causa da pilha de trabalho que ainda tinha nas costas, levou as mãos até os cabelos, tentando arrumá-los. suspirou, odiava seu cabelo e não via a hora de chegar logo em sua casa...
Quando visualizou a porta branca no final do corredor, apenas verificou se ninguém o seguia e girou a maçaneta, chegando à área dos fundos do consultório. Caminhou alguns metros pelo local escuro, até avistar os sacos de lixos empilhados em um canto, sendo várias sacolas onde cada uma pertencia a uma sala diferente.
Sem nojo algum, pegou as alças e se dirigiu para uma porta metálica do qual empurrou com o ombro, saindo para o estacionamento do consultório.
Se estiverem imaginando um luxuoso consultório médico, continuem assim, pois estão imaginando certo. O território era extenso e além da enorme sala de espera, logo após a porta de entrada, havia várias salas – dezessete no total – e mais o estacionamento para médicos, clientes e funcionários.
Que tipos de médicos trabalhavam ali? Eram cinco fisioterapeutas, três psicólogos, sendo um deles somente para adolescentes, dois pediatras, duas nutricionistas, dois ginecologistas, um otorrinolaringologista – médico que trata do nariz, garganta e ouvido –, um dentista e uma cardiologista.
conhecia todos, aliás, como secretário esse era o seu trabalho.
Só que mesmo exercendo o cargo de secretário tinha o dever de levar o lixo para fora, pois o consultório poderia ser o mais luxuoso possível, o melhor da cidade de Texas, mas não tinha faxineiro. O último faxineiro quis dar uma de espertinho e tentou roubar o lugar assim que todos saíram, mas ele se esqueceu de que havia câmeras em todos os cantos e na manhã seguinte foi imediatamente demitido por Austin Duber, o dono de cada pedacinho de tijolo.
E agora sobrou para levar o lixo para fora e passar um pano, todo dia antes de ir embora, no balcão e na mesa de vidro que fica no meio da sala de espera com revistas e jornais em cima. E isso comprometia o rapaz, mas ele executava sem reclamar, pois todos o amavam por ele ser o que é.
com seus óculos simples era o homem que todas as garotas queriam, sem ao menos levantar um dedo. Ele tímido e de pouca conversa se tornava misterioso e isso levava as mulheres quererem saber os seus segredos mais obscuros, pois ele tinha, e ah se tinha...
Já no estacionamento, caminhava sem se preocupar com o silêncio mórbido. Os veículos estacionados pareciam deixar o ambiente mais sombrio, não que ele estivesse com medo, pois não sentia medo de nada. Podia ser tímido, mas se tinha um ponto realmente invejoso era o fato de não sentir medo.
Ele também não tinha motivos para sentir medo, depois de tudo que já passou seria vergonhoso dizer que era medroso.
– Me larga! – escutou uma voz feminina. – Tira sua mão de mim! – exigiu e logo largou os sacos de lixos assim que reconheceu a voz como sendo de .
– Vamos logo com isso, Jeff. – ouviu uma voz rouca pronunciar.
– Calma, sua vez já vai chegar. – o outro respondeu, prensando mais o corpo da mulher contra o carro.
– Me solta! – novamente ela exigiu, se contorcendo para soltar seus braços.
– Solta ela! – ordenou, correndo em direção dos dois homens.
– Ah, um playboy. – o que estava livre pronunciou. – Eu seguro ele. – garantiu, correndo na direção do secretário.
apenas observou os dois se aproximando assim como o homem atrás de si. Ela não sabia exatamente se a situação se tratava de um assalto ou de uma tentativa de estupro, pois os dois homens estavam mais confusos do que ela naquilo tudo.
! – gritou assim que o viu cair de costas no chão com o homem em cima de si. – Deixem-no em paz! – pediu, observando o criminoso acertar um soco na face do rapaz.
– Ah, olha que cena mais divertida! – Jeff pegou no queixo da mulher, obrigando-a assistir a cena.
Escutaram um gemido escapar pelos lábios de , e somente com apenas mais um soco forte, o homem desistiu de espancá-lo. "Coitado" pensou sobre o rapaz. Mal sabia ele que os segredos de envolviam a dor...
Então abriu os olhos, e sentiu todo seu corpo reclamar, inclusive seu nariz que sagrava. Mas não tinha tempo para se recompor, e quando houve oportunidade, levantou seu tronco com tudo e acertou um soco na face do desconhecido. O golpe fora tão carregado de força que foi capaz de derrubar o corpo do homem no chão e fazer um dente pular por alguns metros de distância.
Ele então se levantou e encarou o corpo largado aos seus pés. Acho que agora aquele não era mais o mesmo ...
, cuidado! – gritou.
levantou a atenção para a garota, e quando o fez rapidamente sentiu um punho indo em direção de seu maxilar, mas conseguiu se desviar do golpe apenas inclinado um pouco seu tronco para trás. Jeff raciocinou rápido, e tentou pegá-lo pelos ombros na tentativa de prendê-lo contra o carro atrás deles, mas era esperto e quando viu o braço vindo em sua direção, o agarrou e conseguiu prendê-lo atrás do corpo de Jeff que gemeu alto de dor.
Utilizou de sua força, apanhando o braço livre, e levando-o até as costas do próprio. Cruzou em um "x" e torceu sem pensar duas vezes em seus atos, trincando os dentes em raiva. Aquele sentia a raiva em seu sangue e isso o fazia experimentar novamente o lado que tinha trancado no baú, o lado obscuro de si agora era real!
Com os olhos transbordando em desprezo e fúria, chutou as pernas de Jeff e o fez cair de costas, batendo a cabeça no para-choque do veículo estacionado ali, fazendo-o apagar imediatamente. respirou fundo, levando sua mão até as narinas, o sangue ainda estava fresco e quando visualizou seus dedos molhados pelo líquido vermelho, algo forte despertou em suas veias. Sentiu ela em seus braços, sentiu sua pele, olhava em seus olhos identificando o medo, algo que ele não sentiu e nunca sentiria...
... – pronunciou enquanto corria em sua direção.
– Eu estou bem, só foi... – gemeu quando a mulher o puxou para um abraço.
– Obrigada. – agradeceu com a voz baixa, apenas para ele ouvir.
– Eu não poderia deixá-los fazerem mal a você. – se explicou, mesmo ela não pedindo explicação.
– Sou muito grata por isso. – disse o apertando mais, fazendo-o novamente gemer.
– Hã... ... – segurou outro gemido.
– Ah, desculpa. – imediatamente se afastou dele, encarando-o. – Você apanhou feio. – concluiu, tocando a face dele.
Fechou os olhos, sentindo a mão de sobre sua bochecha inchada. Um toque tão delicado e quente que o deixou sem jeito, o que era estranho, nunca em toda sua vida, sentiu uma sensação tão estranha como aquela.
– E-eu preciso colocar o lixo para fora. – gaguejou, se sentindo uma trouxa.
– Não me deixa aqui sozinha... – agarrou no braço dele, parecendo implorar.
, por favor... – não suportava ver alguém se mostrando vulnerável, pois isso o deixava com vontade de abrir aquela porta em sua casa... – Vou ligar para a polícia. – disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça, conseguindo se livrar de .
saiu caminhando em direção do local onde deixou os sacos de lixos já com o celular no ouvido, tentando fazer contato com a polícia, e assim que conseguiu, apenas lançou um rápido olhar para que permanecia parada, no mesmo lugar, abraçando aos braços. Enquanto encarava a figura feminina, se pegou pensando em lhe abraçando, fora um abraço tão envolvente que ele não conseguia explicar o que realmente sentiu.
E foi com esses pensamentos que voltou traçar o caminho para a lixeira, caminho esse que nunca deveria ter se desviado se soubesse que tudo aquilo voltaria lhe assombrar...

***


– Hora de acordar, Srta. Raymond... – pronunciou, segurando no maxilar adormecido da mulher. – Sou seu amigo, vamos, abra os olhos... – deu leves tapinhas na bochecha de mulher, fazendo-a abrir os olhos lentamente. – Boa menina! – sorriu demoníaco.
– Quem é você?! – gritou assustada com o homem ajoelhado ao seu lado na cama.
– Pergunte para alguém que realmente sabe a resposta! – sorriu novamente, sorriso esse que fez a mulher sair da cama.
Tentando não tropeçar nos próprios pés, correu em direção da porta, mas quando menos esperou o homem entrou em sua frente, e uma leve dor surgiu em seu abdômen um pouco abaixo das costelas, dor essa que se intensificava...
– Quero olhar em seus olhos enquanto morre! – pronunciou, sentindo sua mão completamente molhada pelo sangue de Mary Raymond...


...? ! – pronunciou uma voz feminina próxima do balcão.
– Hum... – saiu de seu transe, encarando a figura a sua frente. – Ah, oi, . – cumprimentou, parecendo sem jeito.
– Em que estava pensando? Parecia ser bem importante para sequer escutar que eu estava te chamando faz três minutos. – disse e ele encarou a televisão onde um filme de terror passava.
– Estava pensando no filme de terror. – indicou a televisão com o queixo.
– “Chuck, o boneco assassino”? – questionou quando o boneco horripilante apareceu na tela.
– Hum... É. – respondeu, parecendo envergonhado.
– Tem muito trabalho ainda? – perguntou, querendo puxar assunto.
– Ah, bem eu... – travou, encarando a enorme papelada que tinha para organizar. – São só mais alguns papéis, ficarei bem. – sorriu tímido.
– Se quiser eu fico. – disse, achando fofo o jeitinho tímido dele.
– Oh, n-não, n-não. Você está cansada, , melhor ir para sua casa e descansar. – falou, mexendo os dedos em nervosismo fazendo-a rir.
– Ainda sente dor? – precisava saber apenas disso.
– Um pouco, mas ficarei bem. – respondeu e sentiu um calafrio quando tocou seus cabelos.
– Seus cabelos são macios... – disse e ficou sério.
De repente retirou a mão dos cabelos sedosos de e andou até se encontrar atrás do balcão, ficando ao lado dele. O rapaz estranhou a atitude da mulher, e estranhou mais ainda quando ela se curvou e encostou os lábios em sua bochecha, segurando seus ombros.
... – pronunciou, com a voz demonstrando vergonha.
– Obrigada por me salvar hoje... – agradeceu deixando seus lábios encostados na bochecha dele.
– Não precisa me agradecer. – disse simplesmente, prendendo seus olhos nos papéis em cima do teclado do computador.
sem querer inspirou o cheiro de , o que a deixou embriagada, e isso fez seu nariz ir de encontro com o pescoço do rapaz que engoliu em seco. Inspirou o perfume masculino e fechou os olhos antes de beijar a pele quente e tensa.
se arrepiou por inteiro sentindo distribuir beijos molhados por seu pescoço, mas esse não era o problema, sentir arrepios era normal, agora calafrios toda vez que sentia a forma dos lábios da doutora era realmente assustador...
Não queria despertar o monstro!
, por favor... – pareceu implorar para ela se afastar, como se quisesse evitar algo.
Realmente queria que ela se afastasse, mas ao mesmo tempo não queria. Só que o melhor era tomar o máximo de distância possível dele, pois ela não sabia onde estava pisando...
– Você sempre me despertou interesse, , e agora que realmente tenho um motivo, quero te recompensar... – pronunciou, sentando no colo dele e deixando-o tenso e preocupado com suas próprias ações.
– Por favor, , para. – implorou novamente, sentindo os dedos da moça irem de encontro com os três botões de sua camisa.
não parou com o pedido de . E não iria parar, não agora que estavam sozinhos e podiam se entender perfeitamente... Ela dava em cima dele, como se ele fosse seu. se sentia a dona do pedaço, o dia inteiro ouvia as secretárias comentando de e agora ali sentada no colo dele, queria esfregar na cara do mundo quem realmente era a mulher que estava deixando completamente tenso.
– Sexo comigo é incrível, amor, você vai gostar... – pronunciou em uma voz sedutora, mordendo o lóbulo da orelha do rapaz.
fechou os olhos e aproveitou às carícias que estava disposta lhe dar. Mas sentiu medo pela primeira vez na vida, quando a mão da Dra. desceu por seu peitoral e abdômen. Ficou tenso quando ela afastou o rosto de seu pescoço e encostou seus lábios. Foi pego de surpresa, mas retribuiu ao beijo imediatamente, dando passagem para a língua da médica entrar em contato com a sua...
Suas línguas batalharam fazendo levar as mãos para a cintura de , a puxando mais para si, e isso foi o suficiente para fazê-la sorrir no meio do beijo. Finalmente tinha cedido, mas será que era mesmo o que ela queria?
– Você é gostosa sabia...? – murmurou ofegante quando partiram o beijo.
Ela assentiu e voltou a beijá-lo, imediatamente sentiu as mãos de subindo por seu corpo até chegar aos seios, ainda cobertos, onde apertou com vontade, fazendo-a gemer contra seus lábios. Apertou e com os dedos desabotoou o uniforme branco, o retirando para deixar o sutiã vermelho à mostra.
Foi preciso apenas seus olhos caírem sobre a cor do sangue para seu membro pulsar. Era excitante demais. Agora sua calça só tinha um destino que era o chão, sua boxer também pegaria o mesmo caminho, pois seu membro estava sendo sufocado e precisava urgentemente buscar alívio no meio das pernas de .
Diferente? Sim, aquele não era o , secretário, tímido que todas as mulheres do consultório queriam!
– Nem parece você... – murmurou e jogou a cabeça para trás quando ele lambeu entre seus seios ainda escondidos pelo sutiã.
Ele nada disse, apenas queria senti-la se contorcendo de prazer em seus braços, era excitante demais vê-la daquele jeito, nunca em toda sua vida pensou que cometeria um ato tão errado como aquele. Depois de anos, não sabia que ainda possuía o dom de fazer as mulheres gemerem, sem ser de dor...
puxou os cabelos sedosos, deixando-o se divertir com a área exposta de seu colo. distribuía beijos e lambidas por toda extensão de pele que encontrava, subindo para o pescoço, onde mordeu sem dó, fazendo-a gemer alto em prazer, sendo a partir desse momento que ele sentiu seu sangue fervendo e seu peito se expandindo em uma imensa geleira que cobriu todo o seu coração quente.
Estava acontecendo tudo outra vez!
era a única que poderia salvá-lo, e foi isso que fez... Desceu sua mão pelo abdômen ainda coberto pela camiseta verde, chegando até o volume explícito na calça jeans. Sua pequena mão pressionou o membro pulsante de e começou massageá-lo, em busca de sentir o quanto era o tamanho do brinquedo.
E foi com ela apertando-o que caiu na real...
Abriu seus olhos e com uma expressão assustada encarou tudo que estava presente no balcão e na sala de espera. Seu coração acelerou derretendo a geleira ao redor dele, fazendo-o se preocupar e sentir um calafrio frio na espinha.
Estava voltando... Tudo estava voltando!
eu não posso! – emitiu, empurrando o corpo da mulher e se levantando da cadeira giratória com rapidez. – Por favor, vista o uniforme e vá pra casa. Você tem trabalho amanhã, não q-quero que se atrase, e ainda precisa descansar depois do dia cansativo e de quase ser assaltada. – falou rápido, quase não pegando fôlego, apoiando-se nas mãos no balcão.
– Pensei que estava gostando. – parecia ofendida enquanto vestia o uniforme.
– Só me desculpa, eu... – levou a mão para a nuca. – Eu não posso. – foi apenas preciso dizer isso.
– Ah, tudo bem, eu entendo. – deu-se por vencida olhando dentro dos olhos de . – Bom... Boa noite então. – desejou com a voz arrasada, se sentia um lixo.
apenas respirou fundo e soltou o ar pela boca. não entenderia, afinal caso abrisse o bico ela correria, e correria para bem longe dele. Então voltou apoiar as mãos no balcão, esperando que ela saísse, e graças a sua audição esplêndida, ouviu quando a médica deixara o consultório. E isso foi o suficiente para ficar aliviado.
Agora ela estava segura. Bem longe dele...
Até que sentiu sua respiração se transformar em uma metralhadora, respirava? Não, ele bufava feito o melhor boi de rodeio. E de repente, com o braço, derrubou todos os tipos de pastas e documentos que estavam em cima do teclado do computador, sentindo a raiva subir fervendo por seu sangue.
Trincou os dentes completamente descontrolado... Por que com ele?! POR QUÊ?!

***


O barulho do trinco sendo destravado pela chave alcançou seus ouvidos, fazendo-o empurrar a porta para adentrar a sua residência. Ligou a luz da sala, jogando a chave dentro do potinho de vidro em cima da mesinha próxima da porta, que continha alguns pertences como quadros e dois cachorrinhos de cera.
Forçou a porta de entrada com as costas e somente seguiu para a sala quando escutou o trinco sendo ativado junto do alarme. Já na sala, abriu o armário da estante, pegando uma garrafa de uísque e se dirigindo para a cozinha, apagando a luz do cômodo.
Foi preciso apenas bater o pé duas vezes no chão para as luzes da luxuosa cozinha se ascenderem, iluminando os enormes armários de marfim presos na parede, o balcão no centro com uma cesta cheia de frutas acompanhado de três bancos pretos, uma geladeira no canto direito, um fogão do lado esquerdo logo abaixo do armário de copos, e a pia que enquanto a pessoa lavava a louça, poderia se distrair olhando a paisagem do lado de fora através da janela.
Analisou bem a cozinha tão arrumada, deduzindo que Sasha, a empregada, tinha feito um ótimo trabalho. Tudo estava impecável e limpo aos olhos dele. Pensando nisso, se dirigiu para o balcão onde deixou a garrafa de uísque e partiu para os armários, tirando um copo de vidro. Foi até o balcão, pegou um limão, o cortou e espremeu no copo antes de despejar a bebida e colocar os cubos de gelo.
Já com sua bebida pronta, retornou para a sala, estalando os dedos para fazer as luzes da cozinha se apagarem. Chegando à sala, tomou um gole do uísque se dirigindo para a lareira luxuosa que tinha uma espécie de estante ao redor. Tomando mais um gole, apanhou um controle que estava em cima da lareira, e apertou um botão verde dando dois passos para trás. A suposta estante então se abriu como se fosse uma porta. não hesitou e atravessou a abertura fazendo todas as luzes da casa se apagarem para ascenderem conforme caminhava pelo novo cômodo.
Encarar o seu passado realmente era algo medonho, mas ele era o que era. E ninguém poderia fazer nada para mudá-lo... E da maneira que se sentiu com , teve certeza que aquilo ainda estava vivo em si!
Começou encarar as fotografias presas no enorme painel por alfinetes, a maioria tinha um grande "x" em vermelho, indicando algo bastante importante na agenda de . Depois das fotografias, encarou o enorme armário de portas de vidro, já podendo identificar os cabelos, ver as mechas o deixava agoniado, mas aquele seu lado obscuro sentia orgulhoso, prazer...
Virou o copo de bebida, engolindo o restante de uísque. E só após deixar o copo em cima da mesa metálica, virou seu rosto para o lado encontrando um enorme espelho de corpo inteiro encostado na parede. Rapidamente se dirigiu até ele começando olhar seu reflexo.
Um garoto de óculos, cabelos arrumados, uma camiseta verde, calça jeans e tênis preto. Que ridículo!
– Esse não sou eu... – pronunciou, retirando os óculos.
não precisava de óculos, não pelo fato de usar lente de contato, mas pelo fato de realmente seus olhos serem ótimos. Levou as mãos para a nuca onde os dedos trataram de pegar uma camada fina de tecido, puxando-o para frente.
Sentiu-se aliviado quando pôde finalmente encarar seus verdadeiros cabelos. Deixou a peruca em cima da mesa, ao lado dos óculos, e prendeu sua atenção nos verdadeiros fios, remexendo, bagunçando e arrumando.
Os cabelos verdadeiros eram seu melhor charme.
O próximo passo foi se livrar da camiseta verde, não era esse seu estilo. A puxou para fora de seu corpo, deixando seu abdômen – não muito definido – refletir no espelho, sorriu, se sentindo orgulhoso por ter alguns "gominhos" agradecendo por seu novo eu, ter lhe proporcionado à oportunidade de frequentar uma academia.
Pena que isso acabou...
Encarou seu reflexo no espelho, sentindo orgulho do que visualizava, porém ele não queria ser aquele homem. Mas o que podia fazer se aquele lado sempre falava mais alto?
Havia saído do modo Dylan O'brien de óculos para se transformar em um Nick Bateman. Era incrível como um cabelo é capaz de mudar uma pessoa, não acham?
Cansado de encarar o espelho, voltou sua atenção para a mesa metálica onde havia uma enorme mala de couro, trancado por sinal. Com o rosto franzido, destravou-a e levantou a tampa fazendo seus olhos brilharem com os objetos prateados.
– Essa é sua, querida Joyce... – disse retirando uma faca média de cabo branco e colocando na mesa. – Essa da pequena Mallory... – retirou outra faca, só que essa de cabo preto. – A sua Emily e também sua Megan... – dessa vez foi um estilete. – Agora essa é preciosa... – sorriu quando retirou um revólver calibre 38 da mala, todas as outras mulheres tinham ligamento com aquela arma.
Colocou a mala no chão, e encarou sua coleção de armas junto às fotografias. Sorriu largo, um sorriso que dava medo, não era um sorriso sarcástico ou provocativo ou de alegria, era um sorriso demoníaco, o que realmente combinava com ele.
Um demônio completo.
Os grandes "x" marcados em vermelhos em cima dos rostos das mulheres tinha um significado: a eliminação. Todas as fotos riscadas em vermelho queriam dizer que eram todas as mulheres que havia matado. Seu planinho doentio sempre esteve em sua mente, e quando quis sair desse mundo acabou sendo trazido de volta, por culpa de !
A doutora tinha as características perfeitas para se enquadrar no perfil de suas vítimas. Olhos e unhas compridas. Somente isso, tão simples... tinha tudo para matá-la, e agora escolheria a arma para dar continuidade ao seu plano doentio.
Mas seu celular tocou antes que pudesse sentir a arma em sua mão.
– Alô? – atendeu com um sorriso demoníaco sendo iluminado por pouca luz, deixando-o assustado e seus olhos obscuros ajudavam nesse detalhe.
? Ai, graças à Deus! – a voz dela apenas aumentou o sorriso do monstro.
– Algum problema, ? – questionou, passando o dedo pelo cano do revólver.
Eu não consigo dormir. Assim que cheguei em casa minha porta estava arrombada, e agora estou com medo de dormir aqui. E você foi a primeira pessoa que me veio em mente. – disse, mostrando seu medo.
– E você quer dormir comi... Quer dizer, na minha casa? – corrigiu, mostrando seu melhor tom galanteador.
É você mesmo ? – ela parecia desconfiada.
– Melhor do que nunca, pequena . – sorriu mais largo, apertando os olhos. – E-eu posso ir te buscar, se você quiser. – pelo menos o disfarce do "garotinho educado e tímido" tinha que manter.
Oh, não. Não é necessário, me passe seu endereço apenas isso.
– Tudo bem, senhorita. – respondeu, já prevendo que seria tudo muito fácil. – Eu moro na Rua Washington Luís, número 793. Não é muito difícil de chegar. – pronunciou, pegando uma foto de que estava em seu bolso, cujo tinha pegado no consultório assim que a identificou como uma garota dentro dos parâmetros. – Estarei no seu aguardo. – e então desligou antes que ela protestasse.
Guardou o celular no bolso e passou encarar a foto de em sua mão. Semicerrou os olhos enquanto estudava todos os detalhes da fotografia, a doutora era linda, e diria até que se apaixonara por ela, mas acontece que um psicopata não se apaixona ninguém...

***


Dois toques, foi preciso apenas dois toques para abrir a porta de entrada usando uma camiseta preta, sua mesma calça jeans, os famosos óculos, óbvio, e nada nos pés. Estava descalço, aliás, a casa era sua.
– Bo-boa noite, . – gaguejou com uma sobrancelha erguida.
– Boa noite , pode entrar. – deu passagem para que ela pudesse entrar, porém a mesma não tirou os olhos dele.
– Tudo bem com você, ? – quis saber, ainda com uma sobrancelha erguida.
– Melhor impossível, . – respondeu com o tom de voz firme. – Quer beber alguma coisa? – ofereceu para ser educado.
– Ah, não. Eu só queria dormir mesmo. – disse na lata.
– Entendo, mas venha, vamos tomar e comer alguma coisa. – chamou, se dirigindo para a cozinha, mas parou e a encarou quando percebeu que ela não movera um músculo e o encarava parecendo assustada. – O que foi, ? Até parece que está falando com um psicopata. – sorriu após se virar, ironia ele falar isso!
respirou fundo e observou os móveis da sala, pairando seus olhos nas estátuas dos cachorros de cera. Engoliu em seco, elas pareciam tão reais que lhe proporcionavam calafrios na barriga, mas o mais horripilante foi quando pairou os olhos em um pequeno painel de vidro pendurado na parede, próximo da lareira apagada. Em silêncio caminhou até estar mais próxima dele, e o observou, ficou surpresa com a coleção de revólveres, mas ficou intrigada quando percebeu que faltava o revólver de calibre 38.
Sentiu a ponta de seus dedos gelarem, era misterioso demais. Com que tipo de homem estava lidando? E por que na coleção dele faltava um revólver? Estava determinada responder as perguntas, mas a voz dele lhe convidando para a cozinha a fez gelar dos pés a cabeça.
– Você não vem, ? – agora sentindo um pouco de medo, caminhou até a cozinha.
De braços cruzados entrou na cozinha, encontrando com ele debruçado no balcão, sem os óculos, com os olhos carregados de luxúria e um sorriso sedutor de tirar o fôlego. sentiu sua garganta secar, ele parecia um Deus Grego de tão lindo!
não parecia o mesmo que sempre encontrava quando chegava ao consultório, atrás do balcão. Aquele ali na sua frente era outro, e chegava até desconfiar que ele fosse algum tipo de estuprador.
Se ele se dizia , estava muito estranho. Os cabelos eram outros, ele nunca os deixou bagunçados, os óculos pareciam não lhe fazer falta e as roupas, mesmo a calça sendo a mesma, sabia que tinha algo diferente.
Não que estivesse reclamado, pelo contrário, ele ficou apenas mais atraente, sendo capaz de apenas com o olhar deixá-la molhada...
– Prefere água ou uísque? – questionou, indicando os bancos.
– Apenas um copo com água já está de bom agrado. – sorriu pequeno, se acomodando em um dos bancos.
– Quer gelo? – perguntou, despejando a água no copo.
– Por favor. – respondeu, dando de ombros quando ele deixou o copo com água no balcão e se dirigiu para o armário atrás de si.
– Então, que tipo de quarto prefere, ? – disparou de repente.
– Como assim? – questionou, bebendo sua água despreocupadamente.
– Ora, minha casa é bem grande, como você viu. Tenho três quartos vagos, lógico que um deles é meu, mas se quiser dormir lá, não vou me importar. – estava de costas e apenas virou seu rosto rapidamente para encará-la, vendo que a deixou tensa. – Em meu quarto há uma cama de casal, enquanto que nos outros há somente uma cama de solteiro, sem graça e fraca. – deu ênfase na última palavra.
– Fraca de que sentido, ? É velha? – ele riu da mente inocente dela.
– Não. – pronunciou e começou se aproximar dela.
Caminhou em silêncio e sentiu o corpo de ficar tenso e se arrepiar quando a tocou. Cautelosamente, afastou os cabelos da menina, e se aproximou do ouvido dela, dizendo em uma voz sedutora que ajudou a deixá-la mais molhada:
– Quando eu quis dizer que a cama é fraca, eu quis dizer que ela não tem potencial o suficiente para aguentar a minha fúria. – fechou os olhos assim que ele mordeu o lóbulo de sua orelha. – E você tem que escolher querida, deseja o meu quarto ou um quarto onde a cama é fraca? – fez o convite.
Enquanto esperava pela resposta, aproveitou para juntar os cabelos dela e os puxar para tirá-los de seu caminho, logo após começando distribuir beijos por toda área do pescoço, causando calafrios intensos na mulher que sequer conseguia formular uma frase completa.
– E-eu... Oh... – gemeu assim que sentiu uma mordida, meio forte em sua nuca.
– Está surpresa, não é? – disparou contra o ouvido dela. – Você nunca esperava isso de mim... – ela nada disse, e ele um pouco irritado com o silêncio, puxou os cabelos, fazendo-a gemer novamente. – Estou errado?
– N-não, senhor. – respondeu e ele sorriu.
– Ah, então já entrou no meu joguinho sem eu antes lhe dizer as regras! – soltou os cabelos de e se afastou se aproximando da pia ficando de costas para ela.
– Que jogo, ? Você está brincando comigo? – quis saber um pouco curiosa, e imediatamente ele se apoiou no balcão com as mãos, parecendo um felino preste atacar.
– Eu sou um dominador e você não respondeu minha pergunta. – ele tinha as sobrancelhas arcadas.
– Que pergunta? – sorriu.
– Prefere o meu quarto ou um quarto onde a cama é fraca? – repetiu, fazendo-a engolir em seco.
– Se eu responder, você vai fazer amor comigo? – perguntou inocentemente, já que no fundo falou certo, sentia um sentimento por ele.
– Princesa, eu não faço amor, eu fodo com força. – alegou apertando os olhos.
ficou em silêncio apenas observando o homem a sua frente, sem saber o que dizer. Era realmente estranha a situação em que estavam nunca se mostrou ser um homem que discutia sobre sexo, sempre parecia ser tímido para essas coisas. No momento em que quase transaram no consultório mais cedo e foi rejeitada pareceu que ele era um virgem, mas falando ali tão firme de suas palavras e com o tom controlado para sedução teve certeza que ele era muito mais experiente do que ela pensava.
– Onde é o seu quarto? – perguntou fazendo-o sorrir, aquela era sua resposta.
– Vem comigo. – ordenou se dirigindo para a sala.
o seguiu sentindo a adrenalina começando correr em suas veias, algo lhe dizia que se envolver com era perigoso, porém ela queria correr o risco. Há quanto tempo não sentia o perigo? Voltar ao tempo que fora sequestrada por uma máfia italiana seria bom, afinal na época foi sofrido e doloroso, mas ela adorou estar em perigo. Gostou de saber que corria o risco de morrer a qualquer momento, mas não temeu muito já que seu pai era, e ainda é, o prefeito de Texas.
Levou um leve susto quando as luzes da cozinha se apagaram sozinhas, fazendo-a voltar para a realidade. Encarou o local escuro apenas por curiosidade, logo levantando o olhar para as escadas, encontrando encostado no corrimão com os braços e pernas cruzados apenas a esperando subir. E foi naquele exato momento que percebeu o quanto ele era lindo, sem dúvida, se soubesse que por trás daqueles óculos se escondia um homem tão atraente e sexy, teria ela mesma, tirado aqueles óculos assim que ele pisou no consultório com seu currículo.
Seguiu até ele e parou a sua frente, ficando naquele momento por alguns longos segundos, até a empurrar bruscamente contra a parede e selar seus lábios em um beijo pra lá de agressivo. As mãos do rapaz ficaram apoiadas na parede, uma de cada lado da cabeça de , deixando-a presa entre ele e a parede. Ela quis romper o beijo, porém aplicou mais pressão quando alcançou a coxa esquerda da mulher e a levantou para enlaçar ao redor de seu quadril.
E somente quando o ar lhes faltou que prendeu os lábios inferiores de , com os dentes, e olhou dentro dos olhos da garota. Ela permaneceu calada, apenas engolindo em seco quando estudou os glóbulos obscuros do rapaz, era capaz de sentir o perigo ardente e isso a excitava de um jeito doentio!
então sorriu soltando os lábios de , e sem pronunciar nenhuma palavra subiu os degraus que faltavam, deixando-a ali desnorteada e ofegante.
– Me siga! – ordenou com a voz firme, parecendo um general.
Ele então sumiu pelo corredor, e o seguiu. Após subir o último degrau da escada, encontrou com curvado sobre o corrimão, tão magnífico que nem parecia o secretário de um consultório médico.
– O que você esconde, ? – tomou coragem para perguntar e o viu rir de lado.
– Há muitas coisas que você nunca pensaria que eu esconderia. – disse permanecendo na mesma posição.
– Tipo o que? Gostos? – se arriscou.
– Se quer saber sobre meus gostos, saiba que eles são peculiares. – respondeu sem encará-la.
– Você disse, lá embaixo, que era dominador, que tipo de dominador? – a mente de tentava não pensar em algo como o sadomasoquismo.
– Bondage, disciplina, sadismo e masoquismo. – respondeu a encarando com uma cara inocente. – A sigla BDSM, já ouviu? – ela assentiu se aproximando dele. – Eu sou um dominador, ou seja, eu mando em meu submisso, e ele tem que me obedecer, caso contrário o castigo. – explicou.
– E-eu serei sua submissa? – questionou nervosa com o assunto.
sorriu, e levantou a cabeça da garota pelo queixo.
– Só se você assinasse um contrato, onde alegaria que você seria totalmente a minha submissa. – respondeu ajeitando sua postura para ficar frente a frente com ela. – Mas para ser uma submissa, precisa estar totalmente ciente do que vai enfrentar. E você não parece uma garota que curte o sadomasoquismo. – acariciou o queixo da menina com o polegar.
– Então me mostre, e eu digo se gosto ou não. – seu tom de voz pareceu desafiar. – Aliás, sexo comigo é incrível demais querido! – pronunciou em um tom sedutor.
Ele sorriu largo.
– Vem comigo então. – assim se virou e seguiu pelo corredor.
o seguiu sentido suas mãos trêmulas, depois de dar alguns passos parou ao lado dele que estava de frente para uma porta branca. a encarou pelo canto dos olhos e percebeu que ela estava nervosa, as mãos não paravam de se mexer e isso o fazia rir.
Sem mais enrolar, girou a maçaneta, indicando o quarto para que ela entrasse primeiro, e o fez. Logo depois adentrou, ligou primeiro a luz e deixou que a doutora analisasse o quarto antes de fechar a porta.
No centro havia uma cama de casal enorme. Tinha duas janelas com varanda que dava uma belíssima vista da cidade, três armários gigantescos na parede da porta, um banheiro no canto superior, duas cômodas uma de cada lado da cama, uma mesa de escrever próximo da janela e uma enorme estante com televisão de frente para a cama. As paredes tinham o tom cinzento e os móveis um leve toque de marfim.
podia ver a expressão de indignação no rosto de sem mesmo encará-la, afinal quem diria que um mero secretário seria tão rico? Ele preferia não pensar nisso, e tentou se concentrar no corpo da mulher andando lentamente em direção da cama, olhando tudo ao seu redor.
Foi que toda sua luxúria falou mais alto...
– Demonstração o caralho, vamos direito ao ponto! – bradou e correu na direção da garota.
, o que... – tentou pronunciar, porém ele a calou com um beijo.
A língua do rapaz logo pediu passagem, e a menina concebeu rapidamente, querendo sentir novamente a sensação da batalha brutal de suas línguas. E foi exatamente isso que sentiu quando elas se encontraram... sem romper o beijo espalmou, sem cautela, as mãos atrás da coxa da mulher, e as levou para cima, fazendo-a enlaçar as pernas em seu quadril e envolver seu pescoço.
Rapidamente as pernas do rapaz os guiaram em direção da cama, e no exato momento que deduziu estar próximo o suficiente do móvel, jogou o corpo de no colchão bruscamente. A menina, com a boca boquiaberta para respirar, encarou puxar sua camiseta e jogá-la em qualquer lugar inútil, a surpreendendo com o abdômen, quem diria que ele escondia aquilo?
para não ficar pra trás, começou abrir os primeiros botões de sua camiseta, porém ele a impediu, disparando um tapa ardido na coxa descoberta, fazendo-a soltar um gritinho e morder os lábios inferiores logo em seguida.
– Eu que mando aqui! – deixou claro. – Então deixe que eu resolvo as coisas. – disse escalando o corpo da garota.
relaxou mais as costas no colchão, deixando seus braços envolvidos ao redor do pescoço do rapaz para poder encarar dentro de seus olhos. Mas não teve oportunidade de estudar os glóbulos obscuros, pois imediatamente, assim que se posicionou em cima dela, partiu diretamente para o ataque... Começou distribuir beijos e mordidas pelo pescoço de , fazendo-a arcas as costas nas vezes que usava um pouco de agressividade nas mordidas.
Cravou as unhas compridas nos ombros largos de assim que ele mordeu seu pescoço e puxou a pele. Suspirou rolando os olhos, e encarou o que diria ser o teto, mas ao invés disso encarou seu próprio reflexo.
– Por que tem um espelho no teto? – quis saber o segurando pelos ombros.
– Ah, o espelho. – levantou a cabeça para também encarar o espelho. – É mais excitante quando podemos ver o que estamos fazendo. – respondeu e de repente arrebentou os botões da camiseta de com apenas dois puxões.
... – chamou e gemeu ao mesmo tempo, pois ele lambia entre seus seios.
– Hum? – pronunciou abrindo com seus dedos ágeis o fecho do sutiã localizado na frente.
– Você tem dupla personalidade? – questionou jogando sua cabeça para trás assim que o sentiubeliscando um de seus mamilos.
– Eu sou um psicopata. – revelou sem medo, porém ela estava tão dominada de prazer, que sequer escutou direito as palavras do rapaz.
abocanhou o mamilo direito de e o sugouenquanto massageava o outro e beliscava. Ela gemia e gemia como ele gostava, porque ouvi-la era como ouvir a melhor melodia do rádio, não existia som mais gostoso do que os gemidos de ...
Levou as mãos para os cabelos do rapaz, e os puxou com precisão, o que somente o estimulou mais e mais. Depois de passar alguns minutos brincando com os mamilos fartos da menina, tratou de dar atenção ao short que ela usava. Tinha que admitir o quanto estava sendo difícil manter seu membro dentro da boxer, ele estava se torturando...
Levantou-se da cama, para logo em seguida abrir os botões do short de , e o puxar para baixo junto da calcinha com desespero.
– Deita de barriga para baixo. – ordenou enquanto desatava seu cinto.
obedeceu e rapidamente abriu os botões de sua calça e a retirou junto da boxer. Imediatamente puxou o quadril de e a penetrou profundamente, fazendo-a gritar e gemer ao mesmo tempo. Como dito, investia com força, ele nunca fazia amor.
gritou o nome do secretário quando ele saiu e voltou com força. aproveitou seu nome na voz dela, para pegar nos cabelos suados da garota e puxá-los, para investir com mais força e profundidade. Ao sair inteiro de dentro de , virou-a de barriga para cima, e logo se jogou em cima dela, lhe penetrando novamente, na famosa posição "papai e mamãe".
Depois de longas investidas fortes, ambos gemeram. Só que não conseguiu sentir seu máximo, e chegou ao orgasmo ainda dentro de , não que ele se importasse com esse detalhe.
– Ainda bem... – suspirou segurando no ombro de . – Ainda bem que eu tomo anticoncepcionais, só espero que elas não falhem. – comentou podendo ouvir respirar pesadamente pela boca, com os braços apoiados um de cada lado da cabeça dela.
O homem levantou seu olhar, e imediatamente colou seus lábios nos de , sentindo uma sensação de estar completo. Era estranho se sentir assim. Era a segunda vez que acontecia, com a mesma mulher, no mesmo dia. O que era aquilo? Não poderia estar se apaixonando pela Dra. , poderia?
... – rompeu o beijo. – Sabe que eu sinto algo por você, não sabe? – ele engoliu em seco, enquanto a encarava.
– Não , você não pode sentir. – rebateu.
– E por que não? – quis saber e ele jogou o corpo para o lado encarando o espelho.
– Eu tenho um segredo bastante perturbante para te contar. – disse virando o rosto para o lado.
– Conte. – pediu, e ele riu.
– É melhor amanhã... – finalizou a conversa, e saiu da cama, vestindo apenas sua boxer e saindo do quarto.
não pensou em segui-lo, ficando apenas ali, onde logo adormeceu.

***


Colocou sua melhor camiseta preta de gola e se encarou no espelho dentro do cômodo secreto. Vestido com uma calça jeans e tênis, mais a camiseta que acabara de vestir, estava pronto para entrar em seu quarto e matar aquela que o enlouqueceu na noite passada.
parecia ser uma mulher diferente, ela parecia amá-lo, porém não merecia ser amado por ninguém, se nem por sua mãe foi amado, por que seria amado por uma mulher que nem sequer seu sangue tinha? E estava mais que decidido que a mataria assim como fez com todas as outras que se enquadravam no perfil da freira Blanca e da prostituta!
Havia muito ainda que colocar na mesa!
Com os pensamentos já em ordem, apanhou o revólver calibre 38 e seguiu para o quarto onde a encontraria. Assim que terminou de subir as escadas, caminhou até parar na frente da porta de seu quarto, onde suspirou antes de entrar. O primeiro passo foi dado, e quando menos esperou, já estava encarando a figura de sentada na cama o encarando com os olhos arregalados e uma expressão assustada.
Fechou a porta, e voltou sua atenção para a garota.
o que significa isso? – se referiu ao revólver na mão dele.
– Temos que esclarecer uma história . – respondeu se aproximando da cama onde jogou a arma.
– VOCÊ DORMIU COMIGO PARA DEPOIS ME MATAR?! – gritou, encarando a arma em cima da cama.
– Eu dormi com você porque eu quis isso nem sequer estava nos meus planos. – respondeu e ela ficou branca.
– ENTÃO VOCÊ JÁ TINHA O PLANO DE ME MATAR?! – não sabia se exclamava ou perguntava.
– Sim, mas quer saber? Primeiro você tem que entender meus motivos. – disse calmo e retirou uma algema do bolso, e estendeu na direção dela.
– Pra quê as algemas ? – quis saber tentando se mostrar forte.
– Eu sou um psicopata, ! – disse como se tivesse dizendo algo completamente normal.
– Você é u-um... – não conseguia pronunciar de tão horrorizada, tinha transado então com um psicopata?!
– Isso mesmo, um psicopata. – afirmou. – Por isso quero que me algeme, eu quero evitar mais uma morte, e o único jeito de fazer isso é me mantendo preso. – explicou balançando a algema, em sinal de que ela deveria algemá-lo.
engoliu em seco antes de pegar a algema. Andou em passos desconfiados até o rapaz, e o algemou na cama, sabia que não era tão seguro algemá-lo ali, mas era o único lugar que pensou para prendê-lo com seu estado de medo.
– Por que fez isso comigo, ? – quis saber já sentindo as lágrimas.
– Eu não tenho compaixão, , vivo para matar, entenda que sou uma máquina de matar! – respondeu levantando o olhar nublado. – Você tem unhas compridas e olhos , era tudo que se precisa ter para se enquadrar no perfil. – explicou e ela negou com a cabeça.
– VOCÊ É UM DOENTE! – gritou puxando os próprios cabelos. – ONDE JÁ SE VIU MATAR SÓ PORQUE A PESSOA TEM UNHAS COMPRIDAS! – mostrou-se indignada.
– Minha mãe me abandonou quando ainda era uma criança, eu tinha no máximo seis anos de vida. – começou e queria ouvir a verdadeira história dele. – Fui jogado em um orfanato, onde tive que permanecer preso até os dez anos, quando fui adotado. Minha mãe biológica nunca voltou para me visitar, ela era uma drogada, uma vadia, uma prostituta que engravidou do primeiro rico que pagou para ela abrir as pernas. – pronunciou entre os dentes, puxando fortemente a algema, assustando a doutora. – Eu nunca quis saber quem era ela, mas senti vontade de matá-la quandohá reencontrei nos tempos atuais e foi isso que eu fiz. Peguei aquela vadia pelos cabelos e a amarrei em uma cama como essa. – indicou sua cama com a cabeça. – Ela gritou e eu apenas senti raiva. Ela me xingou. Me humilhou. Falou que eu era apenas um filho bastardo que foi abandonado pela mãe por não ser nada. – trincou os dentes dando mais um forte puxão na algema, fazendo o barulho alto, do contato dos metais, invadir o quarto. – Eu fiquei tão fora de mim que coloquei fogo na mulher que me trouxe ao mundo. E até hoje escuto os gritos dela... – encarou com o olhar obscuro parecendo um demônio.
A doutora encarou a porta. não era mais um mero secretário, agora ele era o psicopata que matou a própria mãe queimada!
– E minha mãe biológica tinha os olhos e as unhas compridas para arranhar os clientes dela, e todas as mulheres com essas características me lembram àquela vadia que me abandonou e me deixou sofrer. Mas não acaba por aí, sabe o que havia dentro daquele orfanato? Abuso! – deu mais um puxão, e se arrepiou quando um dos parafusos da cama rolou até seus pés. – Havia alguns homens dentro daquele lugar e eles abusavam de mim. Me pegavam todas as noites e me drogavam, eu só sentia a dor no dia seguinte. Mas havia uma freira que me acolheu e me protegeu durante alguns meses dentro do orfanato. O nome dela era Blanca, eu pensei que ela me amava só que sempre estive enganado... – a respiração de ficou mais pesada e novamente encarou a porta, em dúvida se ficava e escutava o resto da história ou corria. – Blanca pediu demissão do orfanato e me abandonou! – o som alto dos metais se chocando novamente invadiram o quarto e os ouvidos de que já sentia que seu coração pularia para fora. – Só que eu não deixei barato, assim que matei minha mãe fui atrás dela. Ela tinha construído uma família, e lembro perfeitamente que ela dizia que me amava como o filho que ela nunca teve. E quando vi aquele menino no colo dela, eu senti o ódio tomando conta de mim... – rosnou e piscou as pálpebras, demonstrando o monstro escondido dentro de si. – Eu a matei com esse revólver calibre 38, e quer saber? Adorei ver o sangue daquela imbecil escorrendo pelo piso branco da cozinha dela! – semicerrou os olhos e rosnou deixando as veias de seu pescoço saltadas.
– Você é um completo doente! – disse sentindo medo do que ele pudesse fazer.
– Sou mesmo! – afirmou parecendo um demônio.
– E a freira tinha as mesmas características da sua mãe? – com receio perguntou, vendo-o querendo avançar nela e agradeceu por estar preso.
– As mesmas. – cuspiu totalmente fora de si, fazendo compará-lo com um lobisomem, porque era exatamente isso que ele parecia... Uma fera!
Quando o quarto se fez em silêncio, o quebrou completamente com sua fúria para tentar quebrar a algema. Puxava com tanta força, que já podia ver o ferro da cama se partindo no meio a qualquer momento. Mas por que não conseguia mover um só músculo? Estava correndo risco de vida porra, ela só tinha que correr!
– Você sendo essa gostosa que eu fodi na noite passada, só facilitou o meu plano. Eu estava precisando atualizar a lista! – disse com a voz demoníaca.
não precisa fazer isso. – tentou, porém ele arrebentou a algema e a encarou com um felino.
– Vamos acertar as contas ! – rosnou, e viu a garota sair correndo para fora do quarto em desespero.
não parou para olhar para trás e desceu as escadas correndo. Quando chegou a porta de entrada, olhou para cima e o encontrou parado no andar de cima lhe encarando, mas não iria ser trouxa de ir até ele. Rapidamente abriu a porta e saiu daquela casa correndo pelas ruas até chegar a sua casa.
Adentrou a residência e encostou as costas na porta, decidindo que dali para frente nunca mais iria querer se encontrar com ...


(...) CINCO ANOS DEPOIS...


– Boa noite, Caroline! – acenou, saindo em direção do estacionamento.
A loira acenou e a doutora seguiu seu caminho. Nada havia mudado naqueles cinco anos, ela só havia ficado mais atenta aos secretários misteriosos que trabalhavam ali. nunca mais apareceu para trabalhar, e desde que saiu correndo de sua casa, nunca mais o vira.
E nem mesmo a polícia conseguiu localizá-lo. Quando chegou em sua casa, naquele mesmo dia, comunicou a polícia, e os agentes foram imediatamente para a casa de , mas somente encontraram os móveis e mais nada. Até mesmo atrás da lareira investigaram, mas tudo havia sumido, apenas deixou as fotografias para trás sendo uma deles sem riscar, e isso a deixava com medo.
Mas em cinco anos ficou em paz, ele com certeza estava bem longe daquela cidade, ou quem sabe não estava morto?! Ela não queria pensar nele, só queria seguir com sua vida sem lembrar que transou com um psicopata, e muito menos pensar que sabia a história dele.
Tudo bem que o sexo foi bom demais, mas preferia não pensar naquilo...
Já no estacionamento seguiu até seu carro despreocupadamente, mas quando estava preste abrir a porta, bateu seus olhos na rosa negra em cima do capô. Olhou a sua volta, e pegou a rosa com o envelope, entrando no veículo. Com as mãos trêmulas, trancou primeiro as portas e então abriu o envelope, o que fez seus olhos ficarem arregalados.

Achou que ia escapar de mim, princesa? Sou muito mais esperto que você pensa. Meu silêncio é o seu silêncio. Então estamos quites? Afinal, eu sou um psicopata e você uma assassina, acho que fazemos uma bela dupla, não? Assassina!
,
Xx


sentiu seu coração acelerar, como ele sabia que ela era uma assassina? Será que nesses cinco anos ele ficou observando sua vida?
E com a rosa na mão, encarou uma figura mais a frente de seu carro com um capuz e roupas negras. Sentiu um calafrio na boca do estômago, vendo ele se virar e desaparecer pelo portão aberto do estacionamento. Ele sabia muito mais da história dela do que ela mesma...



Fim?



Nota da autora:
Não me matem, pois se vocês pegarem a letra da música e compararem com a fic, vão ver que não tem nenhum pedaço que fala sobre psicopata, mas acabei voando um pouco enquanto escrevia, daí vi um vídeo no YouTube sobre a própria música, onde o cara é mó gostosão e parece misterioso, então juntei com minha ideia de escrever sobre psicopata, pq pensei; “como seria um pp psicopata?”, e então aí está a resposta! Espero que tenham gostado, e se gostaram deixem um comentário!!!

Minhas outras fics:


Shortfics

01.Confident (Finalizada)
Prova do destino (Finalizada)
05.Don’t Be a Fool (Finalizada)
10.Never Ending (Finalizada)

Longfics

Shoot Me (Finalizada/ Restritas)
Killers Handfuls (Em Andamento/ Restritas)
Shoot Me – Part. 2 (Em Andamento/ Restritas)

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