Última atualização: 02 de maio de 2025

Prólogo


Prólogo
Turim, três anos atrás…
Eu nunca vou esquecer daquele dia.
Era o meu primeiro mês cobrindo futebol europeu. Eu ainda tropeçava no italiano, decorava os nomes dos seguranças do estádio e ensaiava na frente do espelho as perguntas que queria fazer. Não era uma iniciante no jornalismo, mas ali… Naquele universo frio, técnico e masculino da imprensa esportiva internacional, eu me sentia minúscula.
E naquela noite, eu tinha uma chance de ouro: uma entrevista exclusiva com , estrela da Juventus, logo após um clássico decisivo da Série A. O jogo tinha sido intenso, polêmico, e ele — como sempre — estava no centro de tudo.
A sala de entrevistas estava abafada, cheia de jornalistas italianos que me olhavam como se eu fosse uma figurante perdida no set errado. Mas eu estava ali. Com o microfone da emissora brasileira em mãos, a pauta decorada na mente e o coração batendo tão alto que fazia eco nos meus ouvidos.
Ele entrou com a calma ensaiada de quem já estava acostumado com os flashes. Ajeitou a camisa suada, deu aquele meio sorriso para as câmeras e sentou diante de mim com a expressão serena de quem sabia o próprio valor.
— comecei, mantendo a voz firme —, depois de um jogo tão acirrado, você sente que a sua atuação hoje respondeu às críticas que vêm surgindo sobre sua regularidade?
Talvez tenha sido o tom. Ou a escolha da palavra "críticas". Talvez ele já estivesse de cabeça quente, ou apenas… com o ego ferido por alguma coisa que eu desconhecia.
Ele me olhou como se eu tivesse acabado de dizer a coisa mais ofensiva do mundo e me ignorou. O jogador simplesmente me ignorou.
Eu pisquei, atônita. Foi rápido, mas intenso. Um golpe que não esperava.
A sala, que já estava cheia de olhos e ouvidos atentos, pareceu respirar mais alto. As câmeras captaram. Os celulares gravaram. Os títulos se escreveram sozinhos:
ignora repórter brasileira ao vivo”
“Climão na entrevista pós-jogo”
Não importava o contexto. Ninguém queria saber da minha intenção. Só do impacto.
E eu? Eu engoli seco, sorri profissionalmente e terminei a entrevista como se nada tivesse acontecido. Mas por dentro, eu queimava. Eu quis chorar, quis jogar o microfone na cabeça dele.
A partir daquele dia, virou sinônimo de frustração profissional. De antipatia gratuita. De soberba disfarçada de estrela.
E toda vez que a gente se cruzava desde então — e eram muitas, porque o destino tinha um senso de humor cruel —, a entrevista se repetia em pequenas variações da mesma coisa: ele com sua calma debochada, eu com minhas perguntas afiadas. Um jogo à parte. Uma rivalidade não declarada.


Continua...



Nota da autora: Oi, pessoal! Espero que vocês gostem e se animem com essa história tanto quanto eu!
Um beijo, Evie.






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